História da Arte: O pintor suíço Paul Klee, disse uma vez que “a arte não limita o visível: cria

o visível” . Sua frase sintetiza uma das principais discussões da história da arte, aquela que opõe de um lado os adeptos da imitação e de outro os da invenção. Mais sistemático, o pintor russo Vassili Kandinski definiu três elementos constitutivos de toda obra de arte: o elemento da personalidade, próprio do artista; o elemento do estilo, próprio da época e do ambiente cultural; e o elemento do puro e eternamente artístico, próprio da arte, fora de toda limitação espacial ou temporal. Conceito: De um ponto de vista genérico e com base em qualquer dos teóricos modernos, a arte é pois todo trabalho criativo, ou seu produto, que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética , isto é, com fim de alcançar resultados belos. Se bem que o ideal de beleza seja de caráter subjetivo e varie com os tempos e costumes, todo artista (seja ele pintor, escultor, arquiteto. Ou músico, escritor, dramaturgo, cineasta) certamente investe mais na possível beleza de sua obra do que na verdade, na elevação ou utilidade que possa ter. Nas artes visuais contemporaneamente chamadas artes plásticas, esse tipo geral esteve sempre presente, assim como os outros que eventualmente se lhe acrescentam, isto é, a originalidade, o aspecto critico e muitas outras características. Classificação da arte: Artes espaciais, todas as artes plásticas, distinguindo as bidimensionais como desenho e a pintura, e as tridimensionais, como a escultura e arquitetura. O sentido mais importante para sua apreciação estética é a visão, motivo por que também foram chamadas de “artes visuais”. Artes temporais, todas as artes que implicam um processo no tempo. Costumam distinguir-se as artes sonoras, como a música instrumental (que além disso, é intermitente, isto é, só existe como tal quando é executada) e as artes verbais, que compreenderiam gêneros literários como a poesia e o romance. Artes mistas, as disciplinas artísticas em que intervêm, combinados, elementos pertencentes aos dois grupos anteriores. O teatro por exemplo, ainda que seja um gênero literário, inclui a representação espacial; a dança é ao mesmo tempo espacial ou
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temporal; e a ópera compreende, além disso, componentes literários, assim como o cinema. Ao longo dos tempos, e à medida que se sucedem às gerações, a arte experimenta mudanças em sua maneira de ser e cabe à história da arte avaliar a importância dessas modificações. Mas a história deve ser, mais do que uma enumeração interminável de fatos, um ordenamento destes (com suas conseqüências). De que toda prioridade seja dada aos realmente mais importantes. Também o historiador da arte deve ordenar por classes os fatos de que dispõe, segundo um critério de qualidade. Quem faz arte? O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de cozinha . Outros objetivos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas. Por que o mundo necessita de arte? Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser ... feita para decorar o mundo ... para espelhar o nosso mundo (naturalista) ... para ajudar no dia a dia (utilitária)... para explicar e descrever a história... para ser usada na cura de doenças... para ajudar a explorar o mundo. Como entendemos a arte? O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar. O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte? Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único. Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o que, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos historiadores, costumam
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classificá-las por categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na arte ocidental. Ex.: Renascimento, impressionismo, cubismo, surrealismo e etc. Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte? Podemos verificar que tipo de arte foi feito, quando, onde e como, desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo tiveram. Como as idéias se espalham pelo mundo? Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progressos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através da arqueologia, quando se descobrem objetos de outras civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, e os estilos de arte podem ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas; pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e a arte podiam ser impressos. Os historiadores da arte, críticos e estudiosos classificam os períodos, estilos ou movimentos artísticos separadamente, para facilitar o entendimento das produções artísticas. ARTE PRÉ-HISTÓRICA: Um dos períodos mais fascinantes da historia humana é a préhistória. Esse período não foi registrado por nenhum documento escrito, pois é exatamente à época anterior a escrita. Tudo que sabemos dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem. Divide-se em: Paleolítico Superior: a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por
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como – se fossem paredes. o artista Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto. mais que sugerem do que reproduzem os seres.Como conseqüência surge um estilo simplificador e geometrizante. e o seu poder de observação foi substituído pela abstração e racionalização. Assim o homem do neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos. produzir o fogo através do atrito e deu inicio ao trabalho com metais. ocasionou um aumento rápido da produção e o desenvolvimento das primeiras instituições. isto é. de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias. seios volumosos. Utilizavam as pinturas rupestres. garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas. instrumentos de marfim. tanto na pintura quanto na escultura. Além de desenhos e pinturas. Os próprios temas da arte mudaram. ou seja.000 a 25. caça e coleta. O homem deste período era nômade. Destaca-se Vênus de Willendorf. e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na captura de animais. como família e a divisão do trabalho. Desse período temos as construções denominadas dolmens (consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão. não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico. madeira e pedra. Neolítico: a fixação do homem da Idade da Pedra polida. anzol e linha. o pintor caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço. primeiros homindios. Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Paleolítico Inferior: aproximadamente 5. também esculturas de metal. sinais e figuras. Predominam figuras femininas. machado. e uma grande pedra era colocada 4 . ossos. nota-se a ausência de figuras masculinas. começaram as representações da vida coletiva. madeira e ossos: facas. instrumentos de pedra e pedra lascada. Mas. Conseguiu ainda. machados. arco e flecha. ventre saltado e grandes nádegas.caçadores.000 AC. constituindo-se os primeiros arquitetos do mundo. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho. lançador de dardos. O homem que se tornara um camponês. controle do fogo. feitas em rochedos e paredes de cavernas. e desenvolvimento da pintura e da escultura.

Caverna de Chauvet: França. artesanato. hienas. inicio do cultivo dos campos. No centro do último está um bloco semelhante a um altar. cavalos. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o sol no dia do solstício de verão.horizontalmente sobre elas). Idade dos metais: aparecimento da metalurgia. dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos. Sua autenticidade porém só foi reconhecida em 1902. E o menir que era monumento megalítico que consiste num único bloco de pedra fincado no solo no sentido vertical. que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. Gruta de Rodésia: África. aparecimento das cidades. o homem fazia ornamentos corporais. invenção da escrita. mamutes. panteras. têm 17. Ele representa um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos regulares. 5 . contém carvão moído e dióxido de manganês. em 1868. e primeiros arquitetos do mundo. cerâmica e tecidos.000 anos.000 anos. Existem várias cavernas no mundo que demonstram a pintura rupestre. invenção da roda. indicio de que se destinava às praticas rituais de um culto solar. pode ser considerado uma das primeiras obras da arquitetura que a história registra. foram os primeiros desenhos descobertos. O Santuário de Stonehenge. suas pinturas foram achadas em 1942. quase uma centena de desenhos feitos há 14. no Sul da Inglaterra. Lembrando que pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa. A cor preta por exemplo. como colares. e arado de bois. e. enxada e tear. há ursos. com mais de 40.000 anos. descoberto em 1994. algumas delas são: Caverna de Altamira: Espanha. Instrumentos de pedra polida. construção de pedra. As cavernas: antes de pintar as paredes da caverna. Caverna de Lascaux: França. como as famosas “Vênus”. depois magníficas estatuetas.

iriam ajudá-los. as esculturas eram colocadas na tumba. ARTE EGIPCIA: Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se desenvolveu no Egito. No fragmento de uma harpa (2600 aC). inclusive escravos. Esses povos não acreditavam que o corpo humano e sua representação deviam ser preservados para que a alma sobrevivesse. A múmia do rei ficava no centro da pirâmide. interpretando o universo. orientando toda a produção artística desse povo. os reis eram sepultados com toda sua casa. em madeira decorada com animais. menos conhecida que a arte egípcia. os egípcios acreditavam também numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que viviam no presente. Junto a essas três 6 . Os reis costumavam encomendar monumentos para celebrar vitórias nas guerras. O faraó era considerado ser divino que dominava o povo e que ao partir desse mundo. conseqüentemente. As pirâmides. Quéfren e Miqueninos. Exercito Assírio. determinando o papel de cada classe social e. O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado. erguendo-se em direção ao céu. (2270 aC). para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos. onde ninguém as via. simetricamente dispostos com precisão como era costume deste povo. Acredita-se também que uma cópia fiel da cabeça do rei fosse preservada para ele viver para sempre. sitiando uma fortaleza (883 – 859 aC). justificando sua organização social e política. Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana. Quando os Sumérios governou a cidade de Ur. A religião invadiu toda a vida Egípcia.MESOPOTÂMIA: Sua arte era designada em grego. Era uma civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. Arquitetura: As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e foram construídas por importantes reis do Antigo império: Quéops. não existiam pedreiras no vale e os edifícios eram construídos de tijolos cozidos que se designavam com o tempo. Monumento do rei Naransin. voltava para junto dos Deuses dos quais viera.

Eram colocadas na alameda do templo para afastar os maus espíritos. ao longo dos séculos. ambos dedicados ao Deus Amon. As características gerais da arquitetura egípcia são: -Solidez e durabilidade. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária. 7 . e Hipogeu: túmulo destinado a gente do povo. a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia.pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito. Papiriforme: flores de papiro. Mastaba: túmulo para a nobreza. -Aspecto misterioso e impenetrável. -Sentimento de eternidade. local onde estava a múmia do faraó e seus pertences. que representa o faraó Quéfren. além de serem admiravelmente lapidadas. e Lotiforme: flor de lótus. Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura. Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos. Para seu conhecimento: Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar. destinados ao faraó. mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deulhe. um aspecto enigmático e misterioso. Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme seu capitel: Palmiforme: flores de palmeiras. Divididos em três categorias: Pirâmide: túmulos reais.

sem demonstrar nenhuma emoção. Deus do céu. enquanto sua cabeça. peixes e aves de perfil com veracidade (zoólogos reconhecem espécies). dando as figuras representadas uma impressão de força e de majestade. As figuras femininas eram pintadas em ocre. Importavam-se com a plenitude e não com a beleza. . os soldados e o povo. Pretendiam com isso traduzir. Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no reino.Lei do frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente. a mulher do re. Suas características gerais são: . sem claro-escuro e sem indicação do relevo. desenhavam de memória destacando tudo claramente. representado como um falcão ou cabeça de falcão. muitas vezes. nesta ordem de grandeza: o rei. Com esse objetivo ainda. . 1400 aC”: Desenhavam o tanque como se fosse visto de cima e as árvores de lado. dando um encanto todo especial às construções. o sacerdote. Hórus. 8 . como um chacal. suas pernas e seus pés eram vistos de perfil. Anúbis. Recobria colunas e paredes. em baixo-relevo. mais próximo da cartografia do que do pintor. muitas vezes coberto de inscrições. ou seja. que eram quase sempre pintados. ou cabeça de chacal. quase sempre de frente. Os próprios hieróglifos eram transcritos. Os Uciabtis eram figuras funerárias em miniatura. enquanto que as masculinas pintadas de vermelho. geralmente esmaltada de azul e verde. exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano.ignorância da profundidade. uma ilusão de imortalidade.ausência de três dimensões. “O Jardim de Nebamun. destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além.Escultura: Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena. Deus dos ritos funerais. Os baixos-relevos egípcios. . foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho.colorido a tinta lisa. Pintura: A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas. na pedra.

rompeu com vários costumes. que descobriu o seu significado em 1822. com a cabeça de Íbis. cada um dotado com uma mão. Em Creta. seu túmulo repleto de tesouros foi descoberto em 1922.Deus mensageiro. no fim do século XIX. que restaurou as velhas crenças. anota o resultado. e colocados num vaso de pedra chamado Canopo. Mumificação: a) eram retirados o cérebro. Seus retratos o mostram como um homem feio. Também na parte continental da Grécia. era posto no sarcófago do faraó morto. homens e mulheres estão do mesmo tamanho. que acompanham o texto com singular eficácia. que representavam com movimentos rápidos e ágeis. enviando seus raios. ilustrado com cenas muito vivas. ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo. as quais eram batidas e prensadas transformando-se em folhas. e Demótica: a escrita popular. 9 Tolh. algumas das obras ainda tem o estilo da região de Atom. Desenvolveram três formas de escrita: Hieróglifos: considerados a escrita sagrada. Hierática: uma escrita mais simples. Seu sucessor foi Tutankhamon. para ele só havia um Deus supremo. os intestinos e outros órgãos vitais. Não desejava homenagear vários Deuses. Intitulou-se como Akhnaton. Quando o palácio do rei foi escavado em Cnosso. Para seu conhecimento: Hieróglifos: foi decifrada por Champolion. não utilizavam letras como nós. numa localidade que hoje se chama Tell-el-Amama. encontrou-se obra assim. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro. O livro dos mortos. Nas imagens que aparece com sua esposa Nefertite e seus filhos. e instalou sua corte longe dos sacerdotes dos outros Deuses. ou seja um rolo de papiro com rituais funerários. Atom de quem era devoto e o representava pelo disco do sol. . era inacreditável que um estilo livre e gracioso pudesse ser desenvolvido no 2º milênio. O Rei Amenófis IV. Os egípcios escreviam usando desenhos. habitavam um dos povos mais talentosos. utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes.

longe da margem do lago. e a democracia. que servia como impermeabilização. um prédio de 48 andares. interesse pelo homem. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo. Nove metros já se foram. Na sua constante busca de perfeição. A característica mais evidente dos templos gregos. O maior deles é o Grande Templo de Ramsés II. através da arte. a harmonia ideal. Em 1964. pois os seus reis não eram deuses. tinha originalmente 146 metros de altura. uma faraônica operação coordenada pela unesco com recursos de vários países. Além de salvar este valioso patrimônio. Queóps. Contemplando a natureza. encravado na montanha de pedra com suas estatuas do faraó de 20 metros de altura. Eles têm como características: o realismo. o artista se empolga pela vida e tenta. foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens. estão os templos erguidos pelo faraó Ramsés II. literalmente. mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem estar do povo. em Abu Simbel. c) As incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque com nitrato de Potássio. é a simetria 10 . Entre as raras exceções desse drama do deserto. removeu pedra por pedra e transferiu templos e estátuas para um local 61 metros acima da posição original. graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. amor pela beleza. é a maior das três pirâmides. a arte grega liga-se à inteligência. um total de 40 milhões de dólares. durante 20 anos. o equilíbrio. engolidas pelo Lago Nasser. a obra prestou uma homenagem ao mais famoso e empreendedor de todos os faraós. dezenas de construções antigas do sul do país foram. em 1970. por água abaixo.b) Nas cavidades do corpo eram colocados resinas aromáticas e perfumes. ARTE GREGA: Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito. Quando a grande barragem de Assua foi concluída. Arquitetura: as edificações que despertaram maior interesse são os templos. Para erguê-la. exprimir suas manifestações. embebida em betume. essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”. d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão.

Os principais monumentos da arquitetura grega: Templos: dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas. a) 11 . Nascida do sentir do povo grego. Um exemplo típico é o teatro de Epidauro. mas sobre uma base decorada. A ordem Dórica traduz a forma do homem e a ordem Jônica traduz a forma da mulher. Ordem Dórica: era simples e maciça.C. entre eles. b) Teatros: que eram construídos em lugares abertos (encosta) e que compunham de três partes: a skene ou cena. c) Ginásios: edifícios destinados a cultura física. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. O templo era construído sobre uma base de três degraus. para os espectadores. A coluna apresentava fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata. Sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas. Chegava acomodar cerca de 14000 espectadores e tornou-se famoso por sua acústica perfeita.Na Acrópole.entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. Sugere luxo e ostentação. a ordem dórica. Ordem Corintia: o capitel era formado com folhas de acanto e quatro espirais simétricas. composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita. Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. para o coro. ao ar livre. jônica e corintia. de um modo a variar e enriquecer aquela ordem. filosofia. As colunas sustentavam um entablamento eram construídos segundo os modelos das ordens dórica. construído no século IV a. o koilon ou arquibancada. a konistra ou orquestra. muito usado no lugar do capitel jônico. para os atores. se encontram as Cariátides homenageavam as mulheres de Caria. empresta uma idéia de solidez e imponência. d) Praça: Agora onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos. nela se expressa o pensamento. também. O capitel era uma almofada de pedra. Principal arquiteto Ictino.. por sua simplicidade e severidade.

além do equilíbrio e perfeição das formas. mas também pela harmonia entre o desenho. ornado com duas asas. entre outras coisas. servia para misturar água com vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro). Segundo Sócrates. No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir. deviam representar a “atitude da alma”. As estatua adquiriram. esses vasos eram usados para armazenar. pesquisavam para pintar. Na escultura. observando como “os sentimentos afetam o corpo em ação”.Pintura: A pintura grega. trabalhavam para sobreviver. em rigorosa posição frontal. as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. água. havia movimento. com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. A pintura grega se divide em três grupos: 1) figuras negras sobre o fundo vermelho 2) figuras vermelhas sobre o fundo negro 3) figuras vermelhas sobre o fundo branco Escultura: A estatuaria grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Escultores e pintores. uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar. Os vasos gregos. encontra-se na arte cerâmica. encontramos vestígios da pintura Egípcia (rosto de perfil. Cratera: tinha a boca muito larga. descobertos em Pompéia mostravam a natureza. água) tinha três asas. azeite e mantimentos. Além de servir para rituais religiosos. 500 aC (pintar um pé. O maior pintor de figuras negras foi Exéquias. mas os corpos com diferenças). com o gargalo largo. Os pintores fizeram a maior descoberta. os artistas. As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. o antropomorfismo (esculturas de formas humanas). Primeiramente aparecem esculturas simétricas. a sua forma correspondia à função para que eram destinados: Ânfora: vasilha em forma de coração. o “escorço”. Hidra: (derivado de Ydor. o movimento. eram de classes inferiores. em mármores. Esse tipo de estatua é chamado Kouros (palavra grega: 12 . Murais e mosaicos. como é visto de frente). são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma. ombros de frente. grandes figuras de homens. animais e paisagens. vinho. com o corpo em forma de um sino invertido. etc. foi insuperável. Por isso.

Olimpíadas: se realizavam em Olímpia. -Fidias. O grande desafio e a grande conquista da escultura do período helenístico foi a representação não de uma figura apenas. Teatro: Foi criadas a comédia e a tragédia. podendo fixar o movimento sem se quebrar. em honra a Zeus. mas também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. autor do Discóbolo (homem arremessando o disco). autor de Zeus Olímpico. deus das artes e da beleza. pela lânguida pose em “S” (Hermes com Dionísio menino). Poissedon. -Policleto. No período clássico passou-se a procurar movimento nas estatuas. talvez o mais famoso de todos. 13 . entre outros. foi o primeiro artista que esculpiu o nu feminino. Atenéia. -Lisipo. Apolo. e Atenéia. deusa da guerra. sua obra. Os principais mestres da escultura clássica grega são: -Praxíteles. Realizou toda a decoração em baixos-relevos do Templo Partenon. Os primeiros jogos começaram em 776 a. celebrado pela graça das suas esculturas.C. a cada 4 anos. entre os gregos a lira era o instrumento nacional. Afrodite. -Miron. a) b) c) d) Para seu conhecimento: Mitologia: Zeus. representava os homens “tal como se vêem” e “não como são” (verdadeiros retratos). para isto. as esculturas dos frontões. as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Surge o nu feminino.homem jovem). Foi ele que introduziu a proporção ideal do corpo humano com a medida de oito vezes e cabeças. se começou a usar o bronze que era mais resistente do que o mármore. Música: Significa a arte das musas. . métopas e frisos. deusa do amor. criou padrões de beleza e equilíbrio através do tamanho das estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça. Período Helenístico pode observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade. mas de grupos de figuras que mantivessem a sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que pudessem ser observados. senhor dos céus. Entre as mais famosas: Édipo Rei de Sófocles. condutor da lança. autor de Doríforo. pois no período arcaico. deus das águas. As festas olímpicas serviam de base para marcar o tempo.prima.

ARTE ROMANA: A arte romana, sofreu duas fortes influencias: a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da grecohelenistica, orientada para a expressão de um ideal de beleza. Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções. Arquitetura: As características gerais da arquitetura romana são: - busca do útil imediato, senso de realismo; - grandeza material, realçando a idéia de força; - energia e sentimento; - predomínio do caráter sobre a beleza; - originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas. As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções: 1) Religião: Templos Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Jupter Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do imperador Adriano, foi planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto. 2) Comércio e civismo: Basílica A principio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros) dividida em varias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia , iniciada no governo de Julio César, foi concluída no império de Otavio Augusto. 3) Higiene: Termas Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala, que além de casa de banho, eram centros de reuniões sociais e esportes. 4) Divertimentos:

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a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos praticados temos: Jogos circenses – corridas de carros; Ginásios – incluídos neles o pugilato; Jogos de tróia – aquele em que havia torneios a cavalo; Jogos de escravos – executados por cavaleiros concluídos por escravos; Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o “Circus Maximus”. b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis. c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro, significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem corintia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das escadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé. 5)
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Monumentos decorativos:

Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Fórum Romano para comemorar a tomada de Jerusalém. b) Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em espiral que possui a narrativa histórica dos feitos do imperador em baixo-relevo no fuste. Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os partos. 6) Moradia: Casas, construídas ao redor de um pátio chamado Átrio.

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Pintura: O Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em gera. A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura existente em Pompéia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro estilos. Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore. b) Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande mural. c) Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos detalhes. d) Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário teatral. Escultura: Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade. Mais realista que idealista, a estatuaria romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a invasão dos Bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V, precisamente no ano de 476, perde o domínio do seu território do Ocidente para os invasores germânicos.
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Mosaico: Partidários de um profundo respeito pelo ambiente arquitetônico, adotando soluções de clara matriz decorativa, os masaístas chegaram a resultados onde existe uma certa parte de estudo direto da natureza. As cores vivas e a possibilidade de colocação sobre qualquer superfície e a duração dos materiais levaram a que os mosaicos viessem a prevalecer sobre a pintura. Nos séculos seguintes, tornar-se-ão essenciais para medir a ampliação das primeiras igrejas cristãs.

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O mosaico. Jonas engolido pelo peixe e Daniel na cova dos leões. Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária. os romanos cederam algumas basílicas para eles usarem como local para as suas celebrações. o poder romano viu-se extremamente abalado e teve inicio um período de perseguição não só a Jesus. foi o material escolhido para o revestimento interno das basílicas. Com o fim da perseguição aos cristãos. em grego ichtus. o cordeiro “Jesus Cristo é o cordeiro de Deus”. Para entender melhor a simbologia: Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe. mas também a todos aqueles que aceitavam sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Eram edifícios com grandes dimensões: um plano retangular de 4 a 5 mil metros quadrados com três naves separadas por colunas e uma única porta na fachada principal. Passagens da Bíblia também eram ali simbolizadas. que recebe este nome devido as catacumbas.C. a pintura é simbólica. adotavam um modelo de edifício denominado “Basílica” (origem do nome: Basileu = Juiz). dando inicio a 2º fase da arte paleocristã: a fase basilical. Tanto os gregos como os romanos. nos arredores de Roma. muito utilizado pelos gregos e romanos. Surge a arte cristã primitiva. Nesses locais. o qual marcou uma nova era e uma nova filosofia.ARTE PALEOCRISTÃ: Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e espalhavam seu estilo por toda Europa e parte da Ásia. até que em 313 d. onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos. o imperador Constantino legaliza o cristianismo. Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo. por exemplo: Arca de Noé. os cristãos (aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a criar uma arte simples e simbólica executada por pessoas que eram grandes artistas. lugar civil destinado ao comércio e assuntos judiciais. utilizando imagens 17 . Outra forma de simbolizá-lo é o desenho do pastor com ovelhas “Jesus Cristo é o Bom Pastor” e também. cemitérios subterrâneos em Roma. pois a palavra peixe. Com o surgimento de um “novo reino” espiritual. forma as iniciais da frase: “Jesus Cristo de Deus Filho Salvador”. Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Domitila. Os cristãos foram perseguidos por três séculos.

tornando os artistas meros executores. dos ataques bárbaros e das pestes. Grécia e do Oriente. em 476 d. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma. 476 d. começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a capital do Império para Bizâncio. Na cidade de Ravena pode-se apreciar o Mausoléu de Gala Plácida e a igreja de Santo Apolinário. ARTE BIZANTINA: O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos de nossa era. Por volta do século IV. ao clero cabia. A arte bizantina está dirigida pela religião. com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul).. até que.C.C. 1453. rico tanto na técnica como na cor. marca o fim da Idade Média e o inicio da Idade Moderna). Graças a sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu influencias de Roma. facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte cristã – Arte Bizantina. tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a 18 . marca o fim da Idade Antiga e o inicio da Idade Média). organizar também as artes. O Império Romano do Ocidente sofreu várias invasões. depois batizada por Constantinopla. Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte bizantina). além das suas funções. principalmente de povos bárbaros. o novo e a de São Vital com riquíssimos mosaicos. Esse tratamento artístico também foi dado aos mausoléus e os sarcófagos feitos para os fiéis mais ricos eram decorados co relevos usando imagens de passagens bíblicas.. foi completamente dominado (esta data. era o representante de Deus. quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada pelos muçulmanos (esta data. cidade grega.C. e Arcádio ficou com o Império Romano do Oriente.. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo. apesar das dificuldades financeiras. tendo Roma como sua capital. O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais. Honório ficou com o Império Romano do Ocidente. o imperador Teodósio dividiu i Império Romano entre seus dois filhos: Honório e Arcádio. Em 395 d. conseguiu-se manter até 1453.do Antigo e do Novo Testamento.

ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus. sugerindo por associação à abóbada celeste. a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império. criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados. durante o reinado do imperador Justiniano. O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas. Plasticamente.cabeça. O que se encontra restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração. mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo. Apresenta pinturas na paredes. Um pouco mais de Santa Sofia: “A verdadeira beleza de Santa Sofia. na hoje Stambul. A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI. A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina. Tal método tornou a cúpula extremamente elevada. foi um dos maiores triunfos da nova técnica bizantina. e. Porém -. Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os cristãos tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o paganismo romano. a maior igreja de Constantinopla. sentimentos de universidade e poder absoluto. a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro. A igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria). projetada pelos arquitetos de Tralles e Isidoro de Mileto. dos profetas e dos vários imperadores. octogonal ou quadrada imensas cúpulas. Constituía na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e clero. Neles. pois. afasta o gosto pela forma e conseqüentemente a escultura não teve tanto destaque neste período. capital do Império Bizantino. durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI. ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos. A arte bizantina não se extinguiu em 1453. logo se sucedeu um período de crise chamado de Iconoclastia. por exemplo. penetrando. são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos. não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa. elas eram planejadas sobre uma base circular. colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o chão de mármore polido. as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade. por exemplo. o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos. 19 . nos paises eslavos.

Uma vez dominados. Somente quando o império começou a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer 20 . tanto para a fabricação de armas quanto de jóias. Esses grupos. Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta. um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior “. O fato de não possuírem um habitat fixo influenciou grandemente os costumes e expressões artísticas dos bárbaros.C. no mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais. ARTE BARBARA: Depois da queda do império romano. entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros. o que deu origem a uma arte completamente diferente.encontra-se no seu vasto interior. os romanos os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais. bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos. não demoraram a assimilar a cultura e a religião (cristianismo) dos povos conquistados. folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora. fossem eles de luxo ou utilitários. mongóis. Assim. germânicos e suecos. não é de admirar que tenham sobressaído na ourivesaria. e nas técnicas de decoração correspondentes. resplandece a grande cúpula. que desde o século V a. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados. avançaram definitivamente sobre a Europa. mosaicos e afrescos. vândalos. alamos. na fundição e moldagem de metais. a entalhadura e filigrana. Estava em curso o século V. Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata. ao mesmo tempo em que lhes transmitia seus próprios traços culturais. essencialmente nômades. que assentaria as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX. Em suas crônicas. francos. sobre um solo de mármore. como a tauxia ou damasquinagem e esmaltação. No alto. até a dominação romana se estabeleceu na Europa de norte a sul e de leste a oeste. Era notável sua destreza naquelas disciplinas que permitiam a fabricação de objetos facilmente transportáveis. há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz. uma boa parte da população foi assimilada pelo império e outra fugiu para o norte.

a igreja ia ganhando posições com a proliferação de mosteiros exatamente onde os mais temíveis exércitos não conseguiram vencer as batalhas: as ilhas britânicas e o leste da Europa. cujas formas foram adotadas na confecção de capas de livros evangélicos e Bíblias. seguindo o estilo do império romano. e a medida de 21 . Mais tarde sofreria também açoite dos vikings dinamarqueses vindos do norte. dos quais se originaram. tem inicio o período histórico conhecido. A entalhadura do marfim não foi menos importante. Na península ibérica. em parte. saxões e os próprios celtas mostram sua passagem pelos deferentes assentamentos e lugares conquistados. As pedras com entalhes de runas e ídolos nórdicos entre os vikings. agora em parte aceita. como entre fenícios. ARTE ROMÂNICA: Em 476. Por seu lado. deixou importantes amostras de escultura. por Idade Média. Sabe-se que as oficina dos artesãos que trabalhavam com marfim eram numerosas tanto nas Gálias quanto na península itálica. a fusão de culturas. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. em perpetua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. as nacionalidades européias. como os Touros de Guisando ou a Dama de Elche. a meio caminho entre a religiosidade. com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros. devido à ghrande demanda de exemplares. A experiência de celtas e escitas como ourives inegavelmenteestava ligada à sua experiência como entalhadores. Escultura: A escultura em pedra foi destinada a decoração de igrejas e batistérios. dos primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. trazendo modificações no comportamento humano. capitéis e sarcófagos. Confirmou-se com a tradição dos dípticos consulares de Bizâncio.numerosos reinos. na forma de relevos planos. visigodos e ibéricos. Deus é o centro do universo. celtas. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). além de gregos e romanos.

na Europa. Elas são sempre grandes e sólidas. com o passar do tempo. duras e primitivas. -Aberturas raras e estreitas usadas como janelas. que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida. por exemplo. A igreja como representante de Deus na terra. -Arcos que são formados por 180 graus. A arte desse período passa. a igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores aos fiéis. A explicação mais aceita para as formas volumosas. Arquitetura: No final dos séculos XI e XII. na verdade. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura. diferente do resto da Europa. não apresenta formas pesadas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. é um estilo essencialmente clerical. Trata-se de torre de Pisa que se inclinou porque. -Torres. As características essenciais da pintura românica foram à deformação e o colorismo. assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos. surge a arte românica cuja estrutura era semelhante às construções dos antigos romanos. -Pilares maciços. 22 . traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. através da técnica do afresco. Na Itália. que sustentavam. Pintura e escultura: Numa época em que poucas pessoas sabiam ler. As características mais significativas da arquitetura românica são: -Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas. A primeira coisa que chama atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. e das paredes espessas. o terreno cedeu. que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada. A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o edifício mais conhecido do seu conjunto o campanário que começou a ser construído em 1174. Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais. A figura de Cristo. tinha poderes ilimitados. é sempre maior do que as outras que o cercam.todas as coisas. A deformação.

e a medida de todas as coisas. ausência de movimentos naturais. Na porta. de modo geral. trazendo modificações no comportamento humano. sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra. Imitação de formas rudes. ARTE GÓTICA: Em 476. pois não havia a menor intenção de imitar a natureza. tinha poderes ilimitados. A igreja como representante de Deus na terra. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. a crença na existência de um Deus que vive num plano superior. a arquitetura predominante ainda é a românica. isto é. mas já começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios. a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano. por Idade Média. pequeninas pedras. conheceu seu auge na época do românico. No começo do século XII. curtas ou alongadas. que colocadas lado a lado vão formando o desenho. Usado desde a Antiguidade. com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. tem início uma economia fundamentada no comércio. Deus é o centro do universo. 23 . Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. de vários formatos e cores. No século XII entre os anos 1150 e 1500. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado. tem inicio o período histórico conhecido. Mosaico: A técnica da decoração com mosaico. Arquitetura: A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). A arquitetura expressa a grandiosidade. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana. nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. para representar o próprio céu. tudo se volta para o alto. a igreja gótica têm três portais que dão acesso a três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais.O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas. a igreja românica apresenta um único portal.

As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres. alongamento exagerado das formas. os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto. Iluminura: È a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada. que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores. O desenvolvimento de tal gênero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. aristocratas e burgueses. 24 . É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis. exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada. pois se destinava aos poucos possuidores das obras copiadas. Ao realizar essa tarefa. Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja. demonstrando verticalidade. Escultura: As esculturas são ligadas à arquitetura e se alongam para o alto. ou então é um privilégio da quase mítica China). a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena. A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. Durante o século XII e até o século XV. como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas. os cabeçalhos. os manuscritos também eram encomendados por particulares. Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava.projetando-se na direção do céu. deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações.

Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin. Assim. ocupando sempre posição de destaque na pintura. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Nota-se em suas pinturas um cuidado com perspectiva. procurando mostrar os detalhes e as paisagens. Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os pastores. Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento (Duocento): Giotto: a característica principal de seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado. em direção ao plano celeste.Pintura: Desenvolveu-se nos séculos XII. que superaram a herança clássica. quase sempre tratando de temas religiosos. ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes. com o olhar voltado para cima. XIV e no inicio do século XV. quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada. Num sentido amplo. considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Além de reviver a antiga cultura greco-romana. RENASCIMENTO: O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. da literatura e das ciências. apresentava personagens de corpos pouco volumosos. cobertos por muita roupa. esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem 25 . E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava. Sua principal particularidade foi a procura do realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas. a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo. Jan Van Eyck: procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

em oposição ao divino e ao sobrenatural. Foi como construtor. pois foi pintor. conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.(humanismo) e da natureza. 26 . porém. vilas. aprendendo a lei simples do espaço. “Já não é o edifício que possui o homem.(casa de descanso fora da cidade). Saber ver a Arquitetura) Principais características: Ordens Arquitetônicas Arcos de volta-perfeita Simplicidade na construção A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônoma. de qualquer ponto em que se coloque. no desenho ou pintura. a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza. as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância. que realizou seus mais importantes trabalhos. Brunelleschi: è um exemplo de artista completo renascentista. Construções: palácios. mas este que. entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi. possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi. fortalezas (funções militares). Características gerais: Racionalidade Dignidade do Ser Humano Rigor Cientifico Ideal Humanista Reutilização das artes greco-romana Perspectiva (ilusão de profundidade) Arquitetura: Na arquitetura Renascentista. igrejas. geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Além de dominar conhecimentos de matemática. Pintura: Principais características: -Perspectiva: arte de figura. escultor e arquiteto. segundo os princípios da matemática e da geometria.

E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente. esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. no Vaticano. Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa. -Inicia-se o uso da tela e tinta a óleo. melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus. e não apenas admirada. e . Michelângelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura de teto da Capela Sistina. Leonardo da Vinci: ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra. Os principais pintores foram: Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. -Surgimento de artistas com estilos pessoais. a beleza estava associada ao ideal cristão. já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e. -Tanto a pintura. ao mesmo tempo. conseqüentemente. Para ele. Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família. quanto a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas. concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. tornam-se manifestações independentes. uma particularmente representativa é a criação do homem.-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. 27 . pelo individualismo. Para essa Capela. mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. -Realismo: o artista do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista. gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina. Por isso. diferentes dos demais. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.

E é na própria Capela que se faz o conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder à eleição do próximo. proporcionando uma ilusão de distância. . pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo. trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. com a volta dos papas de Avinhão para Roma. Lareira que produz fumaça negra. que domina toda a escultura italiana do século XVI. de tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a superfície. os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. grandes escultores se revelam. esta adquire o seu prestigio. Outro grande escultor desse período foi Andréa Del Verrochio.10m) e Pietá. Protetores das artes.26 m) em bronze. algo inédito até então. trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias italianas. claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Obra destacada: Davi (1. Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas. Principais características: . que o Papa ainda não 28 . São eles: Dürer. (Algumas obras:·Moisés.profundidade e perspectiva .Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade. Para seu conhecimento: a) A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). . Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Davi. o maior dos quais é Michelângelo. Empregando uma técnica denominada schiacciato. Escultura: Em meados do século XV. Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixorelevo (escultura sobre o plano). Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã. Hans Holbein. Ali.Estudo do corpo e do caráter humano O Renascimento italiano se espelha pela Europa. 94.Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade.Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança. Bosch e Bruegel.

parece que ele nos persegue. Além de pintor. pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Dentre as suas invenções estão: Parafuso aéreo “. a ponte elevadiça. primitiva versão do helicóptero. um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: O Maneirismo ( maniera. b) Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem. clero. fumaça branca. do ano de 1520 até por volta de 1610. O certo. Isso acontece porque os quadros são lisos. c) Quando deparamos com o quadro da famosa Monalisa não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar. Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado. Se olharmos para Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo. foi grande inventor. cada veia. porém.foi escolhido. MANEIRISMO: Paralelamente ao reconhecimento clássico. é que o maneirismo é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência. Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco. corporações. assim como Leonardo da Vinci. sabia exatamente a posição de cada músculo. aristocratas. Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito reinante na Europa nesse 29 . patrocinadores dos artistas. Leonardo da Vinci. enquanto outros preferem vê-lo como um estilo. desenvolve-se em Roma. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente. etc”. cada tendão. extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. propriamente dito. avisa o povo na Praça de São Pedro. em italiano significa maneira). que o papa acaba de ser escolhido. um modelo de asa-delta. d) Mecenas. burgueses.

momento. Não só a igreja, mas toda a Europa estava dividida após a reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas de sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo. Pintores, arquitetos e escultores são impedidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias. Arquitetura: dá prioridade a construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração. Principais característica: a) Nas igrejas: Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coro com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoados de figuras caprichosas são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista. b) Nos ricos palácios e casas de campo: Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.

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Principais artistas: Bartolomeo Ammanati, (1511-1592), autor de vários projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Montova, a villa na Porta Del Popolo, a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos Jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens. Giorgio Vasari, (1511-1574), Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com Michelângelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura. Palládio, (1508-1580), o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria dedicar-se à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palládio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palládio foi uma referência obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco. Pintura: Nela o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte.

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a)

b) c) d) e) f)

Principais características: Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres humanos. Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis. Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva. Mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo. Principal artista: El Greco, (1541-1614), ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura Veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas obras. Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Felipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. Entre duas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Mauricio. Esta última lhe custou a expulsão da corte. Escultura: O maneirismo, segue o caminho traçado por Michelangelo: ás formas clássicas, soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou
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Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi. Trabalhou com igual maestria a pedra calcáia e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais. De acordo com os preceitos dos Jesuítas. Decorou também o palácio dos Montova e o túmulo do conde da cidade. Giambologna está para o maneirismo. O Rapto das Sabinas. (1511-1592). que o incumbiu da construção de sua villa na Porta Del Popolo. atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis. como Michelangelo está para o renascimento. No ano de 1555. Mercúrio. de origem flamenga. e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II.ainda o exagero nos detalhes. Baco e Os Pescadores estão entre as obras mais importantes desse período. que proibiam o nu nas obras de arte. onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto. Estabeleceu-se finalmente em Florença. elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista. a) Principais características: A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras. A Fonte de Netuno. legou a eles todos os seus bens. Principais artistas: Bartolomeo Ammanati. na corte dos Médici. Participou também de um concurso na cidade de Bolonha. Poucos anos depois se mudou para Roma. permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário. para a qual realizou uma de suas mais célebres esculturas. num equilíbrio aparentemente frágil. Giambologna. onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria. com quem se casou. realizou trabalhos em várias cidades italianas. isso respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto. com a morte do papa. como demonstram suas esculturas de bronze. Conheceu a poetisa Laura Battiferi. voltou para Florença. 33 b) . O modo de enlaçar as figuras. com base nos quais planejou uma cidade ideal. as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado alongamento dos músculos. deu seus primeiros passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. (1529-1608).

tal a aparência de profundidade conseguida. alegria e tristeza.BARROCO: A Arte Barroca originou-se na Itália (século XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano. Busca de efeitos decorativos e visuais. Ela não aparece como reflexo da luz solar. pureza e pecado. através de curvas. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade. colunas retorcidas. para dirigir a atenção do observador. Dentre os pintores Barrocos: Caravaggio: o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. retorcido. Realista. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência. substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista. contracurvas. Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos). monumental. Suas características gerais são: Emocional sobre o racional. na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. Deus e Diabo. seu propósito é impressionar os sentidos do observador. baseando-se no principio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. em diagonal. céu e terra.O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal. Violentos contrastes de luz e sombra. Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática. que se revela num estilo grandioso. espírito e matéria. trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura. paganismo e cristianismo. Pintura com efeitos ilusionistas. abrangendo todas as camadas sociais. dando-nos às vezes a impressão de ver o céu. mas é criada intencionalmente pelo artista. 34 . que as artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente. Pintura: Características da pintura barroca: Composição assimétrica.

Obra destacada: A Glória de Santo Inácio. é geralmente. dos drapeados das vestes e do uso do dourado. se notabilizou por criar cenas que sugerem. 35 . e de para o céu. um intenso movimento. o verde e o amarelo. no vestuário que se localizam as cores quentes. perspectiva nas ilusão de que as que este se abre homens para a Andréa Pozzo: realizou grandes composições de pinturas dos tetos das igrejas barrocas. Em seus quadros.Obra destacada: Vocação de São Mateus. Obra destacada: O Conde Duque de Olivares. de onde santos e anjos convidam os santidade. Escultura: Suas características são: o predomínio das linhas curvas. Rembrandt (Holandês): o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra. Obra destacada: O Jardim do Amor. os meios-tons. as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. documentando 0 dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas. Obra destacada: Aula de Anatomia. e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. Dentre os pintores mais representativos. mas a gradação da claridade. que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. temos: Velazquez: além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país. A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Rubens (Espanhol): além de um colorista vibrante. o vermelho. causando a paredes e colunas da igreja continuam no teto. de outros paises da Europa.

entre 1700 e 1780. laços e flores. que significa “embrechado”. Desenvolveu-se na Europa do século XVIII. Vaticano e o Êxtase de Santa Tereza. frivolidade e exuberante. elegância. Arquitetura: Durante o iluminismo. a) b) Para seu conhecimento: Barroco: termo de origem espanhola “Barrueco”. como por exemplo. motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras. por volta de 1770. Vigoroso até o advento da reação neoclássica. e usado inicialmente em decoração de interiores. pastorais. cenas de batalhas. Na França. Características gerais: Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos. e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. alusões ao teatro italiano da época. Nos primeiros anos do século XVIII. Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia. o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca. o rococó é também chamado estilo Luis XV e Luis XVI. decorador e escultor. na Prússia e em Portugal. Conteúdos: história sacra e antiga. técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizado originariamente na decoração de grutas artificiais. alegria. ROCOCÓ: É o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco. mitologia e retratos. o baldaquino e a cadeira de São Pedro. O termo deriva do francês rocaille. mais livre e intimista que aquele. bizarro. aplicado para designar pérolas de forma irregular. o centro artístico da Europa transferiu-se de 36 . Possui leveza. algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas. tais como conchas.Bernini: arquiteto urbanista. caráter intimista. ambos na Basílica de São Pedro. difundiu-se principalmente na parte católica da Alemanha.

não é possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó. membro de um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque. (1725-1775). Pintura: Durante muito tempo. a luz difusa inundou os interiores por meio de numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves. em que se afirmou o predomínio 37 . obras-primas dos interiores rococós. a) b) Principais características: Cores vivas foram substituídas por tons pastéis. (1709-1772). escultor alemão.Roma para Paris. Mais do que nas peças esculpidas. escultor alemão. “Anjo da guarda”. “Anunciação”. Escultura: ao contrário do que ocorreu na arquitetura. quer estilisticamente. Restaurou dezenas de igrejas. No final do reinado de Luis XIV. um dos maiores representantes do estilo rococó na Alemanha. Principal artista: Johann Michael Fischer. é em sua disposição dentro da arquitetura que se manifesta o espírito rococó. Os grandes grupos coordenados dão lugar a figuras isoladas. Surgido na França com a obra do decorador Pierre Lepautre. com maior graça e intimidade. Grande mestre do estilo rococó. Principais artistas: Johann Michael Feichtmayr. foi unificado. quer cronológica. mosteiros e palácios. A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno. marco do rococó bávaro. que dessa maneira contribuem para o equilíbrio geral da decoração interior das igrejas. Ignaz Günther. responsável por vários edifícios na Baviera. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. cada uma com existência própria e individual. (1692-1766). o rococó francês ficou restrito às artes decorativas e teve pequeno impacto na escultura e pintura francesas. “Pietá”. distinguiuse pela criação de santos e anjos de grande tamanho. responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren. o rococó era a principio apenas um novo estilo decorativo.

surge o gosto pelo exótico oriental (chinês e japonês). onde o decorativismo é livre de normas. elementos florais. Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza. tirada do vocabulário das artes decorativas. Jean-Honoré Fragonard. (1703-1770). as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica. paisagens (“O casario de Issei”) e cenas de interior (“O pintor em seu estúdio”). Além dos quadros de caráter mitológico. alguns relatos. e um dos mais antigos precursores do impressionismo. a infalível concha estilizada de diversas maneiras. pintou. de cenas galantes de paisagens idílicas. François Boucher. c) Em todos os estilos anteriores. b) Os ambientes parecem de inspiração feminina. mas a alegre descontração do estilo rococó. onde a fantasia alcança a graça de curvas. as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos de um estilo bastante copiado. No rococó são organismos independentes. Foi um dos últimos expoentes do período rococó. treliças e pinturas. Para seu conhecimento: a) Rococó: palavra rocaille (concha). os elementos ornamentais eram acréscimos decorativos. desenhista e retratista de talento. (1732-1806). caracterizado por uma arte alegre e sensual. elemento constante. profusamente usado e caprichosamente estilizado. causam as transformações dos interiores: somem os ângulos retos formados por paredes e tetos. salões revestidos também com porcelanas.político e cultural da França sobre o resto da Europa. subordinados a elementos construtivos. As paredes se cobrem de espelhos. que durante muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a pintura do século XIX. sempre com perfeição no desenho. apareceram as primeiras pinturas rococós sob influência da técnica de Rubens. Principais artistas: Antoine Watteau. denominação posterior ao estilo (1830). (1684-1721). contra curvas. 38 . surgem as curvas sob delicados ornamentos.

Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo. isto é. mais tarde tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. mestre inegável do equilíbrio da composição. Os edifícios proliferaram com abundancia na Europa. registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. em Paris. Maiores representantes: Jacques-Louis David. Academicismo nos temas e nas técnicas. refletindo racionalismo dominante. uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. mas algumas delas exprimem fortes emoções. Arte entendida como imitação da natureza. 39 . Exemplos dessa arquitetura são a igreja de Santa Genoveva. num verdadeiro culto a teoria Aristóteles. a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. Arquitetura: Tanto nas construções civis quanto nas religiosas. pela imitação aos modelos antigos grecolatinos. Principais características: Retorno ao passado. Durante governo do mesmo. que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia. Exatidão nos contornos. foi considerado o pintor da Revolução Francesa. Características da Pintura: Formalismo na composição. que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão. transformada depois no Panteão Nacional.NEOCLASSICISMO: Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX. Pintura: Foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana. Harmonia do colorido. América Latina e do Norte ( inclusive no Brasil ) e Rússia. em Berlim. sobretudo em Rafael. e a Porta do Brandemburgo. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo). sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas artes.

Do mesmo modo. em que os direitos individuais fossem respeitados. o que impede.. sua obra abrange. os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco. traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. As convenções técnicas e expressivas são as mesmas adotadas em todos os paises. além de composição mitológica e literária. Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de Ingres. que foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo. no ano de 79 a. Exemplo: Casa Branca dos Estados Unidos. políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII. nus. Conteúdos: mitológicos.C. a atividade artística tornou-se complexa. retratos e paisagens. dificulta ou mesmo desvirtuam a afirmação de peculiaridades individuais e nacionais dos artistas. Obra destacada: Banhista de Valpinçon. Diante daquelas construções. e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica. provocando a divisão do trabalho e o inicio da especialização da mão-de-obra. principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. 40 b) c) . mas a critica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. história sagrada e antiga. épicos. a) Para seu conhecimento: Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que. Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. No Brasil:Pedro Américo e Vitor Meirelles.Obra destacada: Marat. ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. ROMANTISMO: O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais. num erro de interpretação.

gerando o neogótico. os horrores da guerra. Vez por outra retornou-se o estilo gótico da época medieval. tons agressivos. clássico para museus e palácios. nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos. Obra destacada: Edifício do parlamento Inglês. Na escultura. Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo. inspiração helenística. Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas. pastosas. Características da pintura: Aproximação das formas barrocas. Pinceladas espontâneas. seres deformados. O nacionalismo. Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador. barroco para igrejas. a ação incompreensível de monstros. domínio da massa. Arquitetura e escultura: Registram pouca novidade. Principais artistas: Goya. a permanência do estilo anterior. Há um ecletismo: gótico para fachadas. vigorosas. em 1746. Temas da pintura: Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas. Espanha.Características gerais: A valorização dos sentimentos e da imaginação. rugosidades. igualdade e fraternidade. Valorização das cores e do claro-escuro. 41 . grosso modo. o neoclássico. Mitologia Grega. A valorização da natureza como princípios da criação artística. Sentimentos do presente. em 1828. Dramaticidade. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Observa-se. Morreu em Bordeaux. cenas históricas e as lutas pela liberdade. tais como: liberdade. asperezas. Goya e sua mitologia povoada por sonhos e pesadelos.

convenceuse de que precisava ser realista. restaura a liberdade individual. deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. Romantismo. procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem . representou grandes movimentos da natureza. elege-se o sentimento e a imaginação como fontes artísticas criadoras. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva). representa a transformação e o sentimento de novas classes sociais. Delacroix. mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete. uma nova tendência estética chamada Realismo. Obras destacadas: Chuva. que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. portanto nomeia um sistema. sobretudo na pintura francesa. Há uma visão cientifica e dinamismo universa. um estilo delimitado no tempo.Obra destacada: Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808. Turner. 42 . que tinha aprendido a utilizar o conhecimento cientifico e a técnica para interpretar e dominar a natureza. inclusive em suas criações artísticas. vapor e velocidade e o Grande Canal. REALISMO: Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias. de agir. Representava assuntos abstratos personificando-os. dando-nos a sensação de grande movimentação. das luzes e das sombras. e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores. designa uma maneira de se comportar. designa uma tendência geral da vida da arte. suas obras apresentam forte comprometimento político. de interpretar a realidade. por uma atitude emotiva diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história. Obras destacadas: A liberdade guiando o povo e Agitação de Tanger. a) b) Para seu conhecimento: A palavra romantismo. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho. Veneza. O homem europeu.

Obras destacadas: Balzac. pois a beleza está na realidade tal qual ela é. hoje logotipo da “cidade luz”. concreto. Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade. funcional. levanta em Paris a Torre Eiffel. Usam se novos materiais: vidro. armazéns. Além disso. Elas precisam de fábricas estações. As cidades não exigem mais novos palácios e templos. procurou recriar os seres tais como eles são. a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos. A expressão da realidade e dos aspectos descritivos. O Beijo e O Pensador. ou seja o pintor buscava representar o mundo de maneira documental. Em Chicago. Ao contrario. não cabe “melhorar” artisticamente a natureza. É uma arquitetura racional. assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras.Características gerais: O cientificismo. O sóbrio e o minucioso. Características da pintura: Reapresentação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza. tanto para os operários quanto para a nova burguesia. cimento. a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injustas. Gustavo Eiffel. os escultores preferiam os temas contemporâneos. não se preocupou com a idealização da realidade. Os Burgueses de Calais. edifica-se o primeiro arranha-céu (Home Insurance Bulldning). A valorização do objeto. hospitais e moradias. Ao artista. Em 1889. orgânica. Temas da pintura: Politização. Escultura: Auguste Rodin. escolas. bibliotecas. Arquitetura: Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas. 43 . lojas. criadas pela industrialização. ferrovias. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. ferro.

a fealdade. A palavra realismo designa uma maneira de agir. c) d) 44 . É o caso. a) b) Para seu conhecimento: Courbet dizia: “Sou democrata. Jean-François Millet. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram. “Ângelus”. republicano. foi considerado o criador do realismo social na pintura. Principais pintores: Courbet. o povo. Pissarro e Van Gogh. por uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da história. O artista desse período é politizado. por exemplo. em resumo. Os artistas incorporavam a rudeza. socialista. elevando esses tipos à categorias de heróis. a vulgaridade dos tipos que pintavam. amigo da verdade e verdadeiro”. sensível observador da vida campestre. de interpretar a realidade. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade. Obra destacada: Moças peneirando o trigo. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade do século XIX. O termo realismo significa um estilo de época que predominou na segunda metade do século XIX. mais tarde. principalmente das classes populares. criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. Formula-se o socialismo cientifico ou marxista com a publicação do Manifesto em 1848. que nada tem a ver com os idealizados heróis da pintura romântica. tornaram-se assuntos freqüentes da pintura realista. de autoria de Marx e Engels. anti-acadênicos e anti-românticos. As pessoas das classes menos favorecidas. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. realista. tem liberdade total de criação e os maiores valores são considerados rebeldes.Pintura social denunciando as injustiças e a imensa desigualdade entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana.

Alguns artistas e obras: Auguste Rodin Damaide: Escultor francês. ARTE NOUVEAU: O modernismo é uma corrente artística que surgiu na última década do século XIX. hipocrisia). na Alemanha. 1894. e Modern Style. b) Desejo de diminuir a distância entre as artes maiores (arquitetura. “Sonia Knips”. revalorizando a arte e sua forma de realização. Gustav Klint: Pintor austríaco. podemos encontrar algumas na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Com características próprias em cada um desses paises. como resposta às conseqüências da industrialização. obras em “mármore”. Jugendistil. como resposta as conseqüências da industrialização. na Espanha. O nome deste movimento deve-se à loja que o alemão Samuel Bing abriu em Paris no ano de 1895: “Art Nouveau”. No resto da Europa difundiram-se diferentes traduções: Modernismo. na Áustria. e) Esforço de interpretar a espiritualidade (ingenuidade. foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias 45 . c) Busca de uma funcionalidade decorativa.MODERNISMO: Corrente artística que surgiu na última década do século XIX na Europa. “Ansiedade”. d) A aspiração a um estilo ou linguagem internacional ou européia. São comuns as tendências modernistas: a) Deliberação de fazer arte em conformidade com sua época e renuncia a invocação de modelos clássicos. Secessão. pintura e escultura) e as aplicações aos diversos campos da produção econômica (construção civil corrente. revalorizando a arte e sua forma de realização manual. decoração vestuário e etc). Com diferentes nomes e características próprias de cada país foi se homogeneizando com as realizações das primeiras exposições internacionais nas capitais européias. inspirar e redimir o industrialismo. 1895. na Inglaterra e Escócia. Edvard Munch: Pintor alemão.

pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens. se contrapunham à produção industrial. tal como é a impressão visual que nos causam.. pois as cores da natureza se modificam constantemente. como os pintores costumavam representá-las no passado. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo e seus temas. Contrariamente à sua intenção inicial. A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas. As figuras não devem ter contornos nítidos. não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do inicio do século.que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. 46 . Seus desenhos. que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizavam a pintura impressionista. Entre os precursores da arte modernista estava William Morris. Principais características: A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento. As sombras devem ser luminosas e coloridas. IMPRESSIONISMO: Foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu inicio às grandes tendências da arte do século XX. típicas do modernismo. Havia algumas considerações gerais. bem como definidos os materiais nobres usados na criação de objetos de uso cotidiano. dependendo da incidência da luz do sol. Sua apresentação na exposição de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a difusão desse novo estilo. Reafirmou-se o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano. o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia. elaborados com espírito artesanal. de acentuada influencia oriental. muito mais praticas do que teóricas. e não escuras ou pretas. eram determinadas as formas elegantes e sinuosas. a Morris & Co. Nos escritórios da empresa criada por ele. como que surgidos de antigas lendas. O modernismo não teria sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas. que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas. mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos.

A primeira vez que o publico teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em Paris. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade. com a lei das cores complementares. as composições com personagens do cotidiano. sem perspectiva. A primeira alcançou o auge em fins do século XIX e se revelava o método ideal de captação de um determinado momento. em abril de 1874. É o observador que. pintou vários motivos em diversas horas do dia. combina as várias cores. Obras destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em pleno sol. Mas o público e a critica reagiram muito mal ao novo movimento. preferia os nus ao ar livre.foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da critica. ainda em vida. Assim um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. ao admirar a pintura. a fim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade. Auguste Renoir. propunha uma temática urbana de acontecimentos cotidianos. Principais artistas: Claude Monet. 47 . São duas as fontes mais importantes do impressionismo: a fotografia e as gravuras japonesas (ukiyo-e). pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura. devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. Pelo contrario. incessante pesquisador da luz e seus efeitos. A mistura deixa portanto. introduzida na França com a reabertura dos portos japoneses ao Ocidente. obtendo o resultado final. alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. de ser técnica para ser óptica.Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo. os retratos e as naturezas mortas. Seus quadros manifestam otimismo. realizados em pinturas planas. A segunda. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. o que era uma preocupação principalmente para os impressionistas.

Adorava o teatro de bailados. Edgar Degas. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas. Obras destacadas: Trigal e Maternidade. procura. aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos. sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor. Os temas das esculturas 48 . A escultura do fim do século XIX tentou renovar totalmente sua linguagem. inspiradas em Michelangelo. com resquícios de Rococó. No Brasil destacou-se o pintor Eliseu Visconti. os escultores tentaram uma nova maneira de plasmar a realidade. já que de fato. Escultura: As esculturas deste período também podem ser consideradas impressionistas. a ambição de obter estátuas visíveis a partir do maior número possível de ângulos e a obra inacabada. Obra destacada: Tarde de domingo na Ilha Grande Jatte. Ganhou uma viagem à Europa. Tratava-se de desnudar o coração da pedra para demonstrar o trabalho do artista. Além disso. mestre do pontilhismo. onde teve contato com a obra dos impressionistas. Obra Destacada: O ensaio. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira. foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre. que era a grande paixão do impressionismo. e dos esboços dinâmicos de Carpeaux. Foram três os conceitos básicos dessa nova estatuária: a fusão da luz e das sombras.Obras destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouilliere. registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas. novo personagem da estatuária. Seurat. como exemplo ideal do processo criativo do artista. decididamente. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. É o tempo das esculturas inacabadas de Rodin.

Todos franceses. Henri Rousseau. Influenciados pelos conhecimentos científicos sobre a refração da luz. Os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto. os neo-impressionistas criam o pontilhismo ou divisionismo. foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol. que retomou a vivacidade e a opulência do estilo rococó. o que foi depois fundamental para as esculturas inacabadas de Rodin. com exceção de Van Gogh que era holandês. São cenas do jardim da casa do artista.surgiram do ambiente cotidiano e da literatura clássica em voga na época. A preocupação em captar um instante dá lugar ao interesse pela fixação das cenas obtida pela subdivisão das 49 . que se fundem na visão do espectador de acordo com a distância em que se coloca. a quem se deve a revalorização dos temas populares. Para seu conhecimento: O quadro Mulher no Jardim. Rodin e Hildebrand foram em parte os responsáveis por essa nova estatuaria. Outros escultores foram Dalou e Meunier. O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico. o primeiro com sua obra e o segundo com suas teorias. mulheres realizando atividades domésticas. camponeses. PÓS-IMPRESSIONISMO: Designa um grupo de artistas que procuravam de varias maneiras ampliar a linguagem visual. que Michelangelo não terminou . todos faziam parte do novo álbum de personagens da nova estética. Outros importantes foram. entre outros. e Henri de Tourlouse-Lautrec. Igualmente importantes foram as contribuições do escultor Carpeaux. Georges Seurat. a obra em que a ação do escultor melhor se refletia. Rodin considerava “O Escravo”. Os mais influente pós-impressionistas foram Paul Gaugin. Paul Cézane e Van Gogh. Por isso achou tão interessantes os esboços de Carpeaux. de Monet. mas distribuindo com habilidade luzes e sombras. A aceitação de seus esboços pelo público animou Carpeaux a deixar sem polimento a superfície de suas obras. Operários. começando então a exibir obras inacabadas.

Ele dizia que desejava “fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte dos museus”. explorava sentimentos profundos mediante suas pinturas. Lautrec pintava cenas da vida noturna dos cafés e das salas de espetáculos de Paris. elas tendem a exibir um caráter estático. na França.cores.. Cézanne não procurava contar historias com seus quadros. Suas pinceladas parecem ondas escapeladas de poderoso colorido. procurava constantemente a pureza e a simplicidade da vida. como Reflexos na Água. Cézanne enfatizava a forma e a massa. De uma certa distância. Van Gogh alia-se ao expressionismo. Ao contrario dos impressionistas que enfatizavam a luz. Ele pintou cenas misteriosas e fantásticas que se parecem com as pinturas surrealistas da década de 1920. porem. enquanto Gaugin dá ao impressionismo uma dimensão simbólica que influência o simbolismo e o expressionismo. do 50 . aplicava suas tintas diretamente sem misturá-las. Georges Seurat criou um estilo de pintura chamado pontilhismo. Rousseau teve um dos estilos mais originais da história da arte. Embora inicialmente ligado ao impressionismo. Van Gogh desejava exprimir seus sentimentos mais íntimos através da arte. Gauguin. Como Manet e os impressionistas. Estas pinturas são feitas de pontinhos de cores puras. Como resultado. O gênio Cézanne para redistribuir as formas influenciou o movimento cubista do inicio do século XX. de Seurat. formas sem sombreado e linhas curvas. O resultado foi uma arte de extraordinária intensidade. as diferentes cores misturam-se na visão dos observadores. desenhos vigorosos. Cézanne desenvolve uma pintura que será precursora do cubismo. Ele acreditava poder realizar esse anseio mediante o uso de cores brilhantes e pinceladas violentas. As pinturas de Paul Gauguin são altamente decorativas. Música: As idéias do impressionismo são adotadas pela música por volta de 1890. Cézanne evitava retratar emoções em seus quadros. Um exemplo é Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande-Jatte. Sua procura de novos métodos de pintura levou-o a novas maneiras de estruturar seus temas. A cor de cada pontinho contrasta com a cor do pontinho do lado. Ele enfatiza cores chapadas. As obras se propõem a descrever imagens e várias peças têm nomes ligados a paisagens.

O expressionismo foi a primeira vanguarda artística do século XX que utilizou a deformação da realidade para dar forma à visão subjetiva do artista. considerado marco do impressionismo musical. O termo expressionismo (com o sentido de retorcer. Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais. Deforma-se a figura. Outro grande nome é o francês Maurice Ravel (1875-1937). subjetiva. à miséria humana. Utilizando cores patéticas. Seus quadros foram os primeiros nos quais o objeto representado se distancia totalmente do modelo original. ilustra um poema do simbolista Stéphane Mallarmé. Uma das telas de Visconti em que é evidente essa influência é Esperança (Carrinho de Criança). Georgina de Albuquerque (1885-1962). “expressando” sentimentos humanos. trata-se de uma pintura dramática. Na ópera. Lucílio de Albuquerque (1877-1939) e João Timóteo da Costa (1879-1930). para ressaltar o sentimento. dá forma plástica ao amor.compositor francês Claude Debussy (1862-1918). como O Farol. O impressionismo abandona a música tonal. Debussy rejeita o formalismo e a linearidade. Prelúdio para a Tarde de um Fauno. como principal. à solidão. pioneiro do movimento. No Brasil. à prostituição. ao ciúme. da música popular européia e da Idade Média. EXPRESSIONISMO: É a arte do instinto. Principais características: Pesquisa no domínio psicológico. como em Pelléas et Mélisande. nas artes plásticas há tendências impressionistas em algumas obras de Eliseu Viscont (1866-1944). em alemão) foi cunhado pelo galerista Georg Levin em 1912. de 1916 e também nas primeiras telas de Anita Malfati. 51 . ao medo. Sustenta-se nas escalas modais (definidas a partir da recombinação de um conjunto de notas eleito como básico para as melodias de uma cultura) vindas do Oriente. de 1915. estruturada a partir da eleição de uma das 12 notas da escala (as sete básicas e os semitons). A obra Debussy é marcada por sua proximidade com poetas do simbolismo. autor de A Valsa e Bolero.

trágico e sombrio. fazendo e refazendo. mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida. segundo conhecidos do pintor. Sua obra. . Pasta grossa. Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem. voltou ao Taiti. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.- Cores resplandecentes. Apesar disso. Um erotismo natural. Em 1887 entrou para marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. o pintor parte para o Taiti. amarelos. Cézanne e Van Gogh. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos. Observação: Alguns historiadores. e não faltam cenas que mostram. depois de passar a infância no Peru. Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo. No ano de 1891. Quando voltou a Paris. para se libertar dos condicionamentos da Europa. verdes e violetas. os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas. mais precisamente para Orleans. áspera. martelada. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar. em busca de novos temas. foi tão singular como a seus amigos Van Gogh ou Cézanne. de sua paixão pelas nativas. abruptos. realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel. quase decorativamente. que resultou numa produção artística singular e determinante das vanguardas do século XX. vibrantes. como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. determinam para esses pintores o movimento “Pós Impressionista”. Dinamismos improvisados. Munch. Aos 35 anos tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. 52 . inesperados. em oposição a qualquer naturalismo. é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do Grupo Navis. Gaugin voltou com os pais para a França. empastando ou provocando explosões. longe de poder ser enquadrada em algum movimento. algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores. Principais artistas: Gaugin. Também se destacam Toulouse-Latrec. Modigliani e James Ensor. que mais do que um conceito artístico. fruto. Preferência pelo patético. As cores se entendem planas e puras sobre superfície. fundidas ou separadas. mas sim levá-los mais longe: Gaugin. Começou assim uma vida de viagens e boemia.

deixando uma obra plástica composta de 879 pinturas. empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza. cones e esferas. 53 . para Anvers. Vicent Van Gogh. nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. que era para ele o elemento fundamental da pintura. Interessouse pelo trabalho de Gaugin. 1756 desenhos e dez gravuras. Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris. Em 1888. Nessa época. Boêmio. pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. ele suicida-se.Obra destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga. acentua-se cada vez mais. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua pintura. em três meses apenas. sem nenhuma matização. através da cor. depois de internações e tratamento médico. cidade do Sul da França. sua tendência foi converter os elementos naturais em figuras geométricas. de tal forma que se torna impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelos críticos. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras. em maio de 1890. morreu jovem. como cilindros. principalmente pela decisão de simplificar as formas dos seres. Toulouse-Lautrec. reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas. e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores. Entretanto ele passou por várias crises nervosas e. Em julho do mesmo ano. Foi uma pessoa solitária. declarando-se um colorista arbitrário. pois elas tinham para ele a função de representar emoções. que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna. Obra destacada: Ivette Guilbert que saúda o público. Obras destacadas: Trigal com corvos e Café à Noite. onde passou a pintar ao ar livre. deixou Paris e foi para Arles. uma cidade tranqüila ao norte da França. dirigiu-se. Cézanne. Obras destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne. e também foi responsável pelos cartazes dos artistas que se apresentavam no Moulin Rouge.

Perseguido pela tragédia familiar. sofrem e amam”. Nela a figura humana não apresenta suas linhas reais. foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. comuns na sua época. Recusou o banal. 1889. Numa segunda viagem a Paris. influenciado pelo cubismo e fauvismo. A dor e o trágico permeiam seus quadros. Passou seus últimos anos em Oslo. fundou o grupo Die Brücke (A Ponte. e um ano depois tentou o suicídio. foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu conceder às cores um valor simbólico e subjetivo. Quando suas mãos se 54 . Nascido em Loten. Uma de suas obras mais importantes é “O Grito”. Em seu regresso. Veio então a época em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e se dedicavam apenas ao que mais lhes interessava: pintar. numa referencia à frase do escritor: “.. na qual conheceu Gaugin. onde além de exposições.. A partir de 1907. que respiram e sentem. começou a se especializar em gravações e litografias.a ponte que conduz ao super homem”). Realizou uma viagem a Paris. com os quais. È um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. As linhas sinuosas do céu e da água. em 1863. Kirchner. Munch iniciou sua formação na cidade de Oslo. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus. Pouco tempo depois se reuniu com os pintores Heckel e SchmidtRottluf em Berlim. foi convidado a participar da exposição da Associação de Berlim. Kirchner continuou sua formação na cidade de Munique. motivados pela leitura de Nietzche. com o fim de manifestar sua verdadeira visão da realidade. mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos Independentes. realizando trabalhos para a Ópera. bem como cenas circenses e de variedades. Toulouse-Lautrec e Van Gogh. Munch foi um artista determinado a criar “pessoas vivas. Em 1914 Kirchner foi convocado para a guerra. realizou cenários.Munch. morou na Alemanha. no ateliê do pintor Krogh. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden. na Noruega. longe das representações realistas. as cenas interiores pacificas. Seus quadros exerceram grande influência nos artistas do grupo Die Brücke. e a linha diagonal da ponte. conduzem o olhar do observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador. Noruega. que conheciam e admiravam sua obra. o pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por meio de contrastes agressivos.

criados. em sua primeira viagem a Tunis. Entre eles merecem ser mencionados: “Anatomia de Afrodite. Depois de uma viagem pela Itália. Em 1933. A exemplo de Kandinski. em 1931. Klee escreveu: “A cor. Sensivelmente influenciado pelos desastres da guerra. como a forma. com quadros de caráter quase surrealista. Paul Klee. voltou a pintar ao ar livre. 55 . No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida. pode expressar ritmo e movimento”. Sua última exposição em vida aconteceu em Basiléia. Demônios. em 1940. este pintor dedicou-se durante toda sua carreira a buscar o ponto de encontro entre realidade e espírito. Flores noturnas e Villa R”. na primeira exposição dos surrealistas. mas antes apresentou suas obras em Paris. Mas a grande descoberta ocorreria dois anos depois. começou a trabalhar como professor em Dusseldorf e mais tarde na escola da Bauhaus em Weimar. em sua casa ao pé dos Alpes. Kirchner tentou mostrar em toda a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. Além de sua obra pictórica. Paralelamente. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida. Kee deixou vários trabalhos escritos que resumem seu pensamento artístico. Klee juntou-se em 1924 ao grupo Die vier Blauen. seus quadros se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e agressivas. segundo o pintor. entrou em contato com os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente uniu-se ao grupo de artistas do Der Blaue Reiter. produto de uma profunda tristeza. durante o nazismo. em cima de “matéria e sonhos”. onde se encontrou co Delaunay. Em 1912 viajou para Paris. ver sua obra ser destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. As formas cúbicas da arquitetura e os graciosos arabescos na terracota deixaram sua marca na obra do pintor. para seis anos mais tarde. Suas obras mais importantes estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importante da Alemanha. foi renomeado membro da academia de Berlim. Depois de lutar durante dois anos na primeira guerra. Klee estudou com o mestre Von Stuck em Munique.considerado um dos artistas mais originais do movimento expressionista. Convencido de que a realidade artística era totalmente diferente da observada na natureza.recuperaram do ferimento. que seria de vital importância para suas obras posteriores. Iniciou uma fase de grande produtividade. Klee emigrou para a Suíça.

Picasso e Braque. pertence. ativo de 1911 a 1914. Influenciados pelo cubismo e futurismo. Sua visão totalmente pessoal e às vezes agressiva da realidade. Paul Klee. em Dresden. Apesar disso. Karl Schmidt – Rottluff e Max Pechstein. Os do segundo grupo. à dos gênios solitários. Produziu então suas primeiras esculturas motivadas pelas peças de arte africana. voltam se para a espiritualidade. Três anos depois se mudou para Paris. Egon Schiele na Áustria. sua cidade natal. recatada e ao mesmo tempo misteriosa. August Macke. e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). elegante. Os artistas do primeiro grupo. para citar alguns. Emil Nolde. que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913. Frans Marc (Ale). a revalorização da cor e o estúdio das formas puras. como os alemães Ernst Kirchner. Foram três as etapas que levaram o expressionismo ao amadurecimento: o primeiro o período da arte naif. composto por Rouault e Soutine. Com cores quentes produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada. em Livorno. em Munique. Suas descobertas estilísticas foram decisivas para os movimentos plásticos. pode-se muito bem dizer que sua obra. são mais agressivos e politizados. onde teve aulas na academia de Colarossi. Oskar Kokoschka. Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá conheceu Juan Gris e Brancusi. Grupos expressionistas: O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte). em que se vislumbrou a importância da arte como meio de expressão dos 56 . juntamente com a dos mestres Cézanne e Van Gogh. Esse aspecto de máscara foi uma das constantes nos seus retratos e nus sensuais. e Georges Rouault na França. entre eles o russo Vassili Kandinski (Rússia). Nessa cidade travou conhecimento com os pintores Utrillo. Sua visão tão subjetiva dos seres humanos e a emotividade de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de expressionistas franceses. se formou mediante uma intensa deformação e abstração das formas e uma acentuação de linhas e contornos. que surgiram mais adiante no século XX.Amadeo Modigliani: iniciou sua formação como pintor no ateliê de Micheli. Em 1902 entrou na academia de Florença e um ano mais tarde na de Veneza. tanto abstratos quanto figurativos. Uma das descobertas mais inovadoras foi a aplicação das teorias musicais à composição Plástica. chegadas a França das colônias. Modigliani teve em comum com os cubistas e expressionistas o distanciamento das academias.

Na pintura. denominado expressionismo puro. o tema central era o resgate do feio como novo valor estético. Para os expressionistas vienenses. uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central. os temas centrais eram as paisagens de policromia exarcebada e o corpo humano sintetizado em poucas linhas. a principal característica foi a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. Na América Latina. como um cavalo morrendo. No Brasil: Nas artes plásticas. que retrata o êxodo do Nordeste. usavam as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. com a sobreposição de figuras. Com o expressionismo. ao contrario. no México os destaques são os muralistas como Diego Rivera. o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. nos quais atuou como implacável critico da sociedade. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. do espanhol Pablo Picasso. e a arquitetura é exclusivamente teórica. os períodos anteriores e posteriores à I Guerra Mundial. A escultura expressionista é escassa. Para o grupo Der Brüque(A Ponte). Cinema: os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas. cujo tema principal foi a abstração das formas. A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica. Sua preocupação era reformular os temas impressionistas. Havia ainda uma realidade ainda mais importante: “a da visão subjetiva do artista”. com cenários fantasmagóricos. Não se preocupavam em imitar o modelo da natureza ou o objeto real. O que mais se destacaram em suas obras foram a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. voltaram-se para a espiritualidade. expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos princípios da arte. e finalmente. David Siqueiros e Jose Clemente Orozco.sentimentos humanos. Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Anita Malfatti. uma mulher presa em um edifício em chamas. conceitos como deformação da realidade. Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi. influenciados pelo cubismo e futurismo. os artistas mais importantes são Cândido Portinari. o segundo. exagero na 57 . A obra mostra sua visão particular da angustia do ataque. Contudo os princípios plásticos enunciados pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas artísticas que vão surgir mais adiante.

de Robert Wine (18811938).R. Um exemplo é “O Gabinete do Doutor Caligari”. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento. que domina a Alemanha a partir de 1933. que se criou a palavra robô. de Friedrich Mumau (1889-1931). Em geral. O nazismo. acaba com o cinema expressionista. o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951). autor do método de composição dodecafônica. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire. de Fritz Lang (1890-1976). Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl 58 . Eliot (1888-1965). as peças são combativas na defesa de transformações sociais. do Sueco August Strindberg (1849-1912). Foi na peça expressionista R. simbólico e associativo. O estilo é abstrato. S. A partir de 1908. a linguagem é direta.interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem. A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. com frases curtas.U. do tcheco Karel Capek (1890-1938). que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem e critério do compositor. que rompe definitivamente com o romantismo. P irlandês James Joyce. O enredo é muitas vezes metafórico. Teatro: Com tendência para o extremo e o exagero. Literatura: O movimento é marcado por subjetividade do escritor. traduzem as angustias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. Filmes como Nosferatu. e Metrópoles. A primeira peça expressionista é A estrada de Damasco (18981904).. com tramas bem construídas e lógicas. o inglês T. Música: Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.

mas seu estilo influiu enormemente sobre muitos artistas posteriores. Características da pintura: Pincelada violenta. Usavam cores puras intensamente brilhantes e até pintaram objetos em cores muito diferentes de seu colorido natural. roxo ou qualquer outra cor. Uso exclusivo das cores puras. todos franceses. outros importantes fauvistas foram André Derain. as sensações primárias. aproximadamente. sem misturá-las ou matizá-las. FOVISMO: Primeiro movimento artístico importante do século XX. no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens. filosóficos ou psicológicos. 59 . inclusive Matisse. não correspondendo à realidade. pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva. A maioria deles. Como por exemplo. O movimento foi liderado por Henri Matisse. espontânea e definitiva. poderia ser de um vermelho brilhante. alguns artistas foram chamados de fauves (em português = feras). Os princípios deste movimento artístico eram: Criar. no Salão de Outono. Raoul Dufy.pois estavam exposto um conjunto de pinturas modernas ao lado de uma estatueta renascentista. em virtude da intensidade com que usavam as cores puras. Os fauvistas não se preocuparam em expressar motivos morais. brilhou como grupo de 1903 a 1907. em arte. Ausência de ar livre. Colorido brutal. alegria e prazer. para um fauvista o tronco de uma árvore não precisava ser marrom. As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares. queria fazer quadros que trouxessem bem-estar. como saem das bisnagas. Em 1905 em Paris. Criar é seguir os impulsos do instinto.Stemnheim (1878-1942) e o norte americano Eugene O’Neill (18881953). não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos. A cor pura deve ser exaltada. Georges Rouault e Maurice de Vlaminck. Quem lhes deu este nome foi o critico Louis Vauxcelles.

O que interessa é a composição e não as figuras em si. como de pessoas ou de naturezas-mortas. ilustrador e litógrafo. CUBISMO: 60 . (1876-1958). (1877-1953). evoluiu gradativamente para o fovismo. depois de travar contato com Matisse. Na década de 1920. dizia: “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis. Henri Matisse. foi o mais autêntico fauvista. recorrendo a traços impulsivos e a pinceladas descontinuas para obter suas composições espontâneas. ligou-se a Maurice de Vlaminck e Matisse. Contrastes tonais e a geometrização da forma caracterizam sua obra. Dos pintores fovistas. Após romper com o fovismo. seus nus. com os quais se tornou um dos principais pintores fovistas. escultor. pintor francês. formando grandes planos. desde então. não mudou. pintor. em 1908. gravador e decorador francês. sem profundidade. retratos e naturezasmortas haviam adquirido uma entonação neoclássica. Seu estilo. tanto das figuras como das cores. (1869-1954). Foi. Raoul Dufy. dizia: “As cores chegaram a ser para nós cartuchos de dinamite. pintou figuras e paisagens em brilhantes cores chapadas. Principais artistas: Maurice de Vlaminck. André Derain. Abandonou assim a perspectiva. também. Nessa fase. com o gradual desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. nas suas pinturas ele não se preocupa com o realismo. ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composição planas. as técnicas do desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. que exploravam o sensualismo das cores fortes.” Por volta de 1900. sofreu influencias de Cézanne e depois do Cubismo. (1880-1954). pintor francês.- Pintura por manchas largas. pintor francês.” Adotou mais tarde estilo entre expressionista e realista. Impressionista a principio. Morreu um ano depois de receber o prêmio de pintura da bienal de Veneza.

números. O claro-escuro. o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos. mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. com o predomínio de linhas retas. pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones. procurando a visão total da figura. os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Cores austeras. Renuncia à perspectiva. metal e até objetos inteiros nas pinturas. essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. examinando-a em todos os ângulos no mesmo instante. Decompondo-a em partes. por cima e por baixo. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar 61 . Essa fragmentação dos seres foi tão grande. vidro. Sensação de pintura escultórica. perde sua função. Basicamente. por um ocre apagado ou um castanho suave. essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. esferas e cilindros. Não representa. O pintor cubista tenta representar os objetos em tre dimensões. através de sua fragmentação. palavras. È como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Principais características: Geometrização das formas e volumes. Entretanto. numa superfície plana. CUBISMO SINTÉTICO: reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. pedaços de madeira. que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. Representa-os como se movimentassem em torno deles. percebendo todos os planos e volumes. O Cubismo se divide em duas fases: CUBISMO ANALITICO: caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos.Historicamente o Cubismo originou-se da obra de Cézanne. sob formas geométricas. do branco ao negro passando pelo cinza. Na verdade. Representação do volume colorido sobre superfície planas. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. vendoos sob todos os ângulos visuais. Também chamado de colagem porque introduz letras.

responsável pela morte de grande parte da população civil formada por crianças. tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por diversas fases. “A obra de um artista é uma espécie de diário. são mais nítidas as fases: azul que representa a tristeza e a melancolia dos mais pobres. e na escultura. é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos. sem a continuidade tradicional. com a obra Lês Demoiselles d’Avignon. um artista que passou pela fase do cubismo analítico e sintético. No teatro. Em 1907. O cubismo manifesta-se ainda na arquitetura. como vimos anteriormente. os princípios do cubismo aparecem na poesia. Quando o pintor. durante a Guerra Espanhola. Depois de descobrir a arte africana e compreender que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com as tendências de determinados movimentos estéticos.” Pablo Picasso “A arte não é a verdade. Literatura. A linguagem é demonstrada em busca da simplicidade e do que é essencial para a expressão. o bombardeio da cidade espanhola de Guernica. especialmente na obra de Corbusier. que representa. Podemos destacar. só que vistos com túnica de ouro.efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere. mas com uma liberdade muito maior. Principais artistas: Pablo Picasso. escritas na vertical. O resultado são palavras soltas. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte.” Pablo Picasso Braque. restringe-se à pintura de cenários de peças e balés feitos por Picasso. mulheres e trabalhadores. e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. também o mural Guernica. A arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade. que influencia toda a poesia 62 . por ocasião de uma mostra. começa a elaborar a estética cubista que. vê algumas de suas telas antigas novamente. Entretanto. O expoente é o francês Guillaume Apollinaire (1880-1918). com veemente indignação. se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade. despertando também no observador as sensações táteis.

sua vida alternou-se entre a França e o Brasil. Em 20/02/1909. segundo a artista é de origem indígena e significa “antropófago”. Estudou em Paris. Foi reconhecido também naquele país. torna-se precursor do concretismo. após a semana de arte moderna de 1922. Cubismo no Brasil: Só repercute no país. assinado pelo poeta italiano Filippo Tomaso Marinetti. publicou o primeiro manifesto futurista. Ao dispor versos em linhas curvas. o jornal parisiense “Le Figaro”.contemporânea. embora quase todos os modernistas sejam influenciados pelo movimento. Também usou de temática social nos seus quadros como na tela Operários. pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. academias de arte e Vaticano. A ela pertence a tela Abaporu. suas bases eram totalmente revolucionarias. de grande repercussão social. cujo nome. O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo governo. e ele foi o primeiro grito exigindo uma arte contemporânea. abordava o 63 . Obra destacada: Pietá. tem seus quadros dentro de alguns importantes museus. Destacam-se: Tarsila do Amaral: apesar de não ter exposto na semana de 22. Seus princípios foram ponto de partida para a modernização da cultura italiana. É o caso de Tarsila do Amaral. Anita Malfati e Di Cavalcanti. cubistas brasileiros. depois da Semana de Arte Moderna. Seu programa político. Em 1928 deu inicio a uma fase chamada antropofágica. Pintar como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. para fazer a sociedade italiana despertar para a modernidade. Rego Monteiro: um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da estética cubista. Não há portanto. colaborou decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna brasileira. FUTURISMO: Movimento artístico. que ocorreu na Itália de 1909 a 1916.

. “. Russolo e Severini. Boccioni. constroem a ação. é visto pelo observador como uma sucessão de linhas coloridas fugazes. O arquiteto Sant’Elia.é que os futuristas aspiram à captação de um instante preciso na tela. redigiram seus próprios manifestos. para transmitir uma sensação de movimento continuo. Marinetti contou com apoio incondicional de jovens pintores italianos do inicio do século. que não sobrevivesse ao homem. como: Balla. um dos maiores expoentes do movimento. mais do que um prazer visual. O pintor Boccioni. o espectador. O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais. a destruição das riquezas e a igualdade entre o homem e a mulher. Em linhas gerais. é necessário fragmentar volumes e linhas. É mais do que sabido que. os futuristas tentaram plasmar em suas pinturas a idéia de dinamismo. qualquer objeto em movimento. 64 . amontoando-se umas sobre as outras. Parece simples. teorizando sobre uma arquitetura caduca e transitória. Além disso como um objeto em movimento também perde a sua forma original. que tão bem souberam expressar suas teorias nos manifestos. entendido como a deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação. Mas é exatamente ai que está a diferença na preposição dos futuristas. tiveram muito trabalho ao materializar sem cair nas antigas representações artísticas que tanto abominavam. nos quais assentavam as bases do que viria a ser a arte futurista: “a maquina como única expressão do dinamismo e a velocidade como novo sinal dos tempos”. e o militarismo como revalorização do sentido de pátria. nos quais as formas se repetiam. transmitem a sensação de vertigem dos novos tempos.. ousaram ainda mais. que. Não bastasse isso os futuristas.” Diante das obras futuristas. também defendia a guerra como único meio de mudar um mundo antiquado e decadente. também se uniu a essa corrente. que também cheios de entusiasmos revolucionários. com o que conseguiram alcançar um de seus maiores objetivos: a simultaneidade. Uma de suas propostas foi a divisão da cor. sem a soma de momentos que. em conjunto.divorcio. Mas não é. Carrà. Repetiram essas fragmentações até saturar o plano. Esta teoria pode parecer familiar quando se pensa nos esforços que os impressionistas fizeram para captar a luz ou as cores num momento determinado. os futuristas. o estático. só consegue se deixar envolver por essas telas velozes e movediças.

sua cidade natal. nas artes plásticas. ou desintegração das formas. que permita ao observador captar de uma só vez todas as seqüências do movimento. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma. na Academia Albertina de Turim. Balla retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia. Um ano mais tarde. Enquanto ganhava seu 65 . mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço. Cinco anos mais tarde fez uma viagem a Paris. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade. conheceu Marinetti. mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas. Dissolvido o movimento. em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento. Preocupado. Principais artistas: Giacomo Balla. registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. como seus companheiros. Embora em principio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas. Procura-se neste estilo expressar o movimento real. O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e tecnológicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas. Na volta a Roma. numa repetição quase infinita. o futurismo foi uma arte eminentemente pictórica. junto com Giorgio De Chirico. intitulado: “Cão na coleira ou Cão atrelado”. com a situação da luz e a integração do aspecto cromático. ele se separaria finalmente do futurismo para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. (1881-1966). apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel. embora se possa afirmar sem dúvida que. onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou de várias exposições. Boccioni e Severini. aprofundando a busca do dinamismo. Carlo Carra. não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. Mesmo assim. embora sem chegar a uma total abstração. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso noturno de desenho de dois meses de duração. onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas Artes.fez suas incursões pela escultura.

Em 1912. entre eles “La Pittura Metafísica. De lá se mudou para Londres. indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados a pintura. Publicou vários trabalhos. sua obra se manteve sob a influencia do cubismo. No inicio mostrou-se interessado na pintura impressionista. 1919 e La Mia Vita. mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo. Umberto Boccioni. influenciou a arte de seu país nas décadas de 1920 e 1930. Ao retornar.sustento como pintor-decorador. A partir desse momento começaram a aparecer as referências cubistas em suas obras. freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens. Em suas últimas obras retornou ao Cubismo. publicou o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. contratado para a decoração da Exposição Mundial. Ao voltar. 1943”. retornou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o poeta Marinetti. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. mas incorporando os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrarias. entrou em contato com Carra e Marinetti e um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura. Pintor italiano. do qual foi um dos principais teóricos. Carra não deixou de comparecer às exposições futuristas de Paris. onde se encontrou com Picasso e Braque. principalmente na obra de Cézanne. (1882-1916). Nascido em Reggio di Calábria. Em 1900 fez uma primeira viagem a Paris. Ao voltar. Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com Apollinaire. representante do futurismo e mais tarde da pintura metafísica. Modigliani e Picasso. São Petesburgo e Milão. no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado. participou da primeira exposição futurista. onde estudou em diferentes academias. Os retratos deformados pelas superposições 66 . Fez então algumas viagens a Paris. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo Cubismo. Juntou-se a Giorgio De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica. Boccioni mudou0se ainda muito jovem para Roma. Foi com a intenção de procurar as bases dessa estética que ele viajou a Paris. Londres e Berlim. por definição por definição suas obras mais futuristas. redigido pelo poeta italiano e publicado no jornal Le Figaro. desprezo pela representação naturalista. Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista. em Milão.

Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos. no entanto. Pinceladas contidas com muitas cores. Art naif (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. como numa arte mais intelectualizada. portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Assim. Dinâmico Plástico” (Pintura. da criatividade autêntica. Um ano mais tarde. Claro que. Scultura Futurista. muito embora. na cidade de Verona. das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. nem nas tendências modernistas. em 1916. nem tampouco no conceito de arte popular. seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros. Esse isolamento situa o art naif numa faixa próxima à da arte infantil. do fazer artístico sem escola nem orientação. Principal artista: 67 . Dinamismo Plástico). o artista naif é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras. Não existe perspectiva geométrica linear. Características gerais: Composições planas. O artista naif não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa. Morreu dois anos depois. Durante a Primeira Guerra Mundial. o pintor se alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro “Pittura. com sua obra “Dinamismo de um jogador de futebol”. de uma criação totalmente subjetiva. Não se trata. portanto. se confunda com elas. bidimensionais. existem os realmente marcantes e outros nem tanto. Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos desordenados. da arte do doente mental e da arte primitiva. sem nenhuma referencia cultural.de planos ainda não conseguiam expressar com clareza sua concepção teórica. mesmo nesses casos. ARTE NAIF: É a arte da espontaneidade. tende à simetria e a linha é sempre figurativa. como num pseudofotograma. escultura Futurista. sem que.

Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas. nus ou vestidos à moda clássica. após despertar a admiração de Alfred Jarry. Tem inspiração na Metafísica.Henri Rousseau. numa transfiguração toda especial. solitários. nascido na Grécia. onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente. irreais e enigmáticos. manequins. Notável por suas naturezas-mortas em que buscava a unidade das coisas do universo. perpassado de inquietações metafísicas. seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo. composição e perspectiva. e de empregar as cores de modo arbitrário. Em sua primeira exposição foi acusado pela critica de ignorar regras elementares de desenho. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. em arcadas e arquiteturas puras. muitas vezes com a inclusão de estátuas. legumes. principal representante da pintura metafísica. Estreou com uma original obra-prima. (1890-1964). Pablo Picasso. idealizadas. Também usada nas suas obras “manequins. PINTURA METAFÍSICA: A pintura deve criar uma impressão de mistério através de associações pouco comuns de objetos totalmente imprevistos. no Salão dos Independentes. Giorgio Morandi. As suas obras retratam cenários arquitetônicos. frutas. sombras sedutoras e cores ricas e profundas. (1844-1910). Guillaume Apollinaire. (1888-1964). pintor italiano. constitui um caso singular: puçás vezes um artista alcançou tão rapidamente a fama para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um esquecimento quase absoluto. De Chirico. A pintura metafísica explora os efeitos de luzes misteriosas. de plástica despojada e escultural. que precisam simbolizar a estranheza do ser humano diante do seu meio ambiente. Conferiu imobilidade e transparência de formas recorte intimista e 68 . em curiosas perspectivas divergentes. “Um dia de carnaval”. pintor italiano. enigmáticos e sem rosto”. Nos primeiros anos do século XX. Principais artistas: Giorgio De Chirico. ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural. homem de pouca instrução geral e quase nenhuma em pintura.

Reinterpretou o cubismo a sua maneira. num dicionário alemão-francês. às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos. filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar as destruição da Europa. DADAÍSMO: Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que. interessandose pelo movimento das formas. objetos escolhidos ao acaso. inventou mecanismos ópticos. pintor e escultor francês.caixas e lâmpadas velhas. para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional). sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. artistas de várias nacionalidades. eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra. selecionado e combinando elementos por acaso. o Dadaísmo defende o absurdo. teriam sido convocados para o serviço militar. Durante a Primeira Guerra Mundial. o caos. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan. o Dada foi um movimento de negação. adquiriram a condição de objeto de arte. (1887-1968). Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de “Fonte”.atmosfera de luz cinza-clara.1916). 69 . Sendo a negação total da cultura. se tivessem permanecido em seus respectivos países. Politicamente. antes do surgimento do grupo Dada (Zurique. exilados na Suíça. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. Depois fez interferências (pintou bigodes na Monalisa. Principais artistas: Marcel Duchamp. a desordem. firma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra. Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico. religião. Criou os ready-mades. após leve intervenção e receberam um titulo. O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte. a incoerência. assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921. Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências. garrafas. Esse nome escolhido não fazia sentido. e que.

ABSTRACIONISMO: A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro. surrealismo e dadaísmo. entre as linhas e os planos. pintor e escritor francês. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rigorosa. criando técnicas em pintura e escultura. abandonou a abstração pura que praticava por anos e criou pinturas baseadas na figura humana. como a madeira de veios salientes. de índole satírica. como cubismo. Na Alemanha surge o movimento denominado “Der Blaue Reiter” (O cavaleiro azul) cujo fundadores são Kandinsky e Frans Marc. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas. Informalismo: predominam os sentimentos e emoções. (1891-1976). de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema.François Picabia. As cores e as formas são criadas livremente. pintor alemão. até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo. esteve envolvido em outros movimentos artísticos. as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. 70 . desde a mais sensível até a intelectualidade máxima. O abstracionismo apresenta várias fases. Max Ernest. e esfregar um lápis de cor ou grafite. O pintor russo Kandinski foi o primeiro artista propriamente abstrato. ela passa a ser abstrata. Depois de 1927. Suas primeiras pinturas cubistas. Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada. quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível. são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam umas nas outras. No Dadaísmo contribuiu com colagens e fotomontagens. adepto do irracional e do onírico e do inconsciente. Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do inicio do século XX. eram mais próximas de Léger do que de Picasso. Quando a significação de um quadro depende especialmente da cor e da forma. entre outros. com a superposição de formas lineares e transparentes. (1879-1953).

Eles querem um expressionismo abstrato. Também devem ser encluidas aqui as obras de Vsarely e Cruz-Diez. conseguindo variações espaciais e formais na pintura. que parte de Kandinski. Muitos deles. De Kooning e Motherwell. no qual se inclui o pintor Tapies. representado por Fautrier. Com a forma. durante a Segunda Guerra Mundial. como Mondrian ou Van Doesburg. 71 . a cor e a linha. Estes elementos da composição devem ter uma unidade de harmonia tal qual uma obra musical. sem relacioná-los a lembrança do mundo interior. o suprematismo de Malevitch e o cosntrutivismo russo. Donos de galerias e colecionadores apoiaram o desenvolvimento dessas novas tendências e gerou-se um mercado do artístico dinâmico. de conteúdo simbólico e gestual. Kline. representado pelas formas e cores puras. A arte abstrata encontrou finalmente seu lugar nas galerias e coleções de uma sociedade moderna e pujante. com uma atitude totalmente animista e subjetiva diante da obra. desenvolve-se a pintura abstrata geométrica. a Europa do pós-guerra retomou a s tendências abstratas. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas. Pintura: De um lado a pintura abstrata lírica. foi muito significativo para a difusão da arte abstrata. precursora da vanguarda expressionista abstrata. De outro lado. Também estão nesta categoria as vanguardas do pós-guerra europeu. totalmente independente da visão subjetiva. o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores.Uma arte abstrata que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. através das tonalidades e matizes obtidos. sensível e emotivo. Duhuffet e Millares. É o caso dos neoplásticos da Holanda. e mais tarde por Bacon. que a partir do cubismo evolui para um racionalismo matemático. O fato de os artistas mais representativos da arte moderna européia terem se mudado para os Estados Unidos. lá se fundou a American Abstracts Artists. Enquanto isso. entre outros. mas agora sob a ideologia das novas filosofias existencialistas. principalmente depois de superada a crise da depressão dos anos 30. que entendiam a atuação do artista como um compromisso vital com uma sociedade devastada e desolada pelo terror e pela violência. ou o grupo Dau al Set. e evolui na obra dos expressionistas americanos: Pollock. deixaram entusiasmados os jovens artistas americanos. convidados pelas universidades. como o informalismo.

consideradas uma síntese das formas orgânicas. objetos e instalações. no entanto. no Kunstmuseum. antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo. A partir da arte abstrata o limite entre escultores e pintores se dissolveu ainda mais. o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais. Em Minneapolis. falar de peças. convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. em Munique.Escreveu livros como em 1911. ou as simbólicas. Franz Marc. em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores. como Henry Moore ou Constantin Brancusi. apaixonado pela arte dos povos primitivos. É preciso. que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. Os nazistas destruíram várias de suas obras. já que o tridimensional se desenvolveu a partir da combinação de materiais completamente alheios aos que a escultura havia conhecido até então. sob a influencia deste. explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Por isso. Em Basiléia. no Walker Art Center. na Stãdtische Galerie im Lembachhaus. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas Artes de Liège. com exceção do dadaísmo. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de “Arte Degenerada”. Sobre o espiritual na arte. houve muito outros que fizeram experiências 72 . Escultura: A escultura abstrata se caracterizou pelo afastamento dos moldes naturalistas. atravessou uma curta fase fauve e expressionismo. (1866-1944). (1880-1916). pintor russo. e no Guggenheim Museum. das crianças e dos doentes mentais. em favor da representação das formas geométricas puras. Do ponto e da linha até a superfície. A admiração pelos futuristas italianos imprimiu nova dinâmica à obra de Marc. em Nova York. pintor alemão.Principais artistas: Wassilly Kandinsky. mais racionais. conheceu Kandinsky. e em 1926. embora se faça referencia a artistas dedicados principalmente à escultura.

A escultura orgânica. nem os fecham ou isolam. chegando em alguns casos. como os neoplásticos holandeses ou os minimalistas americanos e ingleses. agrupou todos os artistas que ainda buscavam a representação da subjetividade humana e de seu próprio simbolismo interno. em praças e calçadas. Na escultura abstrata surgiram correntes diversas. Clement Greenberg empregou a expressão “Painting Field” (campo colorido. elas delimitam mas não limitam”. Quanto à escultura racionalista. dividem mas não separam pontos. com os mecenas do renascimento. a reduzir a função da escultura á mera ocupação do espaço. de W. sem abandonar totalmente as formas figurativas. Perseguiram um ideal de pintura absoluta. Artistas mais representativos: Mark Rothko. Matisse. que tem seus antecedentes mais imediatos no dadaísmo. de cromatismo simplificado e vibrantes do abstracionismo: ”As margens das grandes telas de Newman fazem o mesmo papel que as linhas interiores das formas. Nas suas pinturas. também conhecida por Pintores em campo da cor). Clyfford Still. Mondrian e Kandinski. diferente de tudo o que tivesse existido. com as mais importantes dos séculos passados. a escultura abstrata chega ao auge graças ao interesse que despertou em marchands e colecionadores e aos programas estatais que deram aos artistas oportunidade de popularizar suas obras. mágico. a imagem torna-se um acontecimento ritual. ela se caracterizou pelo rigor de suas formas volumétricas. A sua pintura era contraria à Action Painting. Mark Tobey.interdisciplinares. Como ocorreu antes. que possibilitam sua classificação. 73 . das superfícies planas. Barnett Newman. pretendendo intervir psicologicamente nos espectadores. como os neo-abstratos. para diferenciar a abstração sensual de Pollock. Ad Reinhardt. as cidades passaram por uma renovação estética em que as novas peças de arte abstrata se integraram. Outros abstracionistas: Com influencias de Malevich. Em 1955 num ensaio intitulado “American Type Painting”. sagrado. de Kooning e de Gorky. utilizando-as na decoração urbana. muitas vezes de acordo com as da pintura. A exemplo da pintura.

Antonio Saura. Artistas mais representativos: Europa: Jean Duhuffet. Alberto Burri. também espanhol. Schulze Wols. com uma constante preocupação de resolução do espaço nas suas obras. Karell Appel. que. com uma pintura socialmente empenhada e polemica com deformações grotescas de imagens figurativas. Hans Hartung. o gestualismo revelou-se mais moderado. Francis Bacon. italiano. crianças e doentes mentais. Lencillo. que ainda hoje continua a realizar pinturas de base matérica e influencia Zen. e etc. holandês. grotescos. reflexivo e diluído em vários campos do que o da Action Painting dos Estados Unidos. importante pintor espanhol. italiano que realizou uma pintura de pesquisa com materiais diversificados e invulgares. pintor experimentalista e “espacialista”. em obras de cerâmica e terracota. 74 . matérias lamacentas. aderiu ao “sentido misterioso” da matéria bruta. importante pintor britânico. areia. Antoni Tápies. um dos fundadores do grupo expressionista abstrato COBRA. um dos raros escultores informalistas. Manolo Millares. pintor alemão que desenvolveu a gestualidade e a linguagem do inconsciente. italiano de origem Argentina. pintor francês que inventou a “arte bruta” com origens na arte primitiva e que pretendia abarcar todas as expressões artísticas não reconhecidas oficialmente como as obras de videntes.Na Europa. usando como materiais alcatrão. giz. carvão. Lucio Fontana. primitivos. Georges Mathieu. como uma obra essencialmente de “retratos” gestualmente deformados.

à pureza geométrica do quadrado. Joaquim Rodrigo. A problemática dessa composição seria novamente abordada no “Quadro branco sobre fundo branco”. João Vieira. assinado por Malevitch e Maiakoviski. pintor russo. círculos. poeta russo. Principal artista: Kazimir Malevitch. compõe-se apenas de dois quadrados. Menez. Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e perceptivas entre a forma e a cor.Em Portugal dentro do variado leque de expressões artísticas do informalismo. SUPREMATISMO: É uma pintura com base nas formas geométricas planas. um dentro do outro. nas variações ambíguas de fundo e forma. Willen De Kooning. O manifesto do Suprematismo. foi um dos principais integrantes do movimento futurista em seu país. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais. (1878-1935). destruídas de toda sensualidade. Mais racional que as obras abstratas de Kandinsky e Paul Klee. triângulos e a cruz. Julio Resende. Pintado entre 1913 e 1915. EXPRESSIONISMO ABSTRATO: Termo anos 20 com Wassily Kandinski (Cavaleiro Azul). Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre o campo negro. Antonio Charrua e Rogério Ribeiro. Antonio Sena. podemos inserir os pintores Fernando Lanhas. João Hogan. Anos 40 e 50. Adolph Gottlich. bem como algumas fases de Nadir Afonso. fundador da corrente suprematista. Arshile Goricy. com os lados paralelos aos da tela. O “quadrado negro sobre o fundo branco” construiu uma ruptura radical com a arte da época. hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York. que levou o abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. Os elementos principais são: retângulos. foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos. sem qualquer preocupação de representação. Eurico Gonçalves. reduz as formas. defendia a supremacia da sensibilidade sobre o próprio objeto. grupo de artistas norte americanos: William Baziotes. considerado o introdutor do abstracionismo em Portugal. 1918. Philip 75 .

Cubismo. existência de um “inconsciente coletivo”. exploraram gestos. “série mulher”. Franz Kline. Paisagem americana. Arshile Gorky para Breton surrealista. Anos 50. Mark Rothko. Pollock. Africanos e índios americanos).Yves Tanguy e Max Ernest. interesse maior pela psicanálise junguiana. De Kooning também pintou abstratos biomórfica. arte de engajamento existencialista. “energia e movimentos”. Lee Krasner. 1952 – Engajamento corporal – Pollock. anos 50. pode ser considerado o 1º expressionismo abstrato. mais conhecido pela atenção que dava a figura humana. textura. tela no chão gotejando tinta. totem e xanãs).”. influenciado por Kandinsky e M iro. Roberto Matta. A análise junguiana. Para eles o verdadeiro tema da arte eram as emoções interiores do homem.Guston. As exposições nos EUA. Barnett Newman. cor. apresentavam influências das vanguardas Européias(Fauvismo. imagens labiritimicas. Astecas. filme e fotos. Clyfford Still e Mark Tobey. Ad Reinhardt. Robert Motherwel. Action paining: criado por Harold Rosemberg. nutriu sua pintura (míticas. O mais conhecido Jackson Pollock. 1934). nas pinceladas violentas De Kooning e nas formas ousadas de Klive. submeteu 2 anos 1939/41 de análise junguiana. (Jack o respingador). A arte e o artista eram exaltados. Os surrealistas André Breton. especificamente nas imagens da “pin-up americana”. Por crescer sob grande depressão II Guerra mundial.” American – Type paining”. Hans Hofmann. O termo foi introduzido pelo critico Robert Coates em 1946. 76 . outros títulos: Escola de N. Jackson Pollock. sacerdotes. por seu potencial simbólico e romântico. Complementadas por novas gerações de mestres como: Hofman ( Esc.Y. “Action pining” e “color field paining”. alhares. André Masson. tema constante na obra de Pollock. expressada na pintura de Clyfford Still e Barnett Newman. (abstração orgânica). De Belas Artes Hans Hfman. Dada e Surrealismo. forma. perda de fé e nas ideologias. Momento decisivo do movimento expressionismo abstrato. (formas biofórmicas).

(nossa pintura não era abstrata. exposição itinerante (MOMA 1958/9). guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais. Seynour Lipton. arte religiosa. Expressionismo Abstrato. Anos 40 E 50. a pintura e a escultura são pensadas como construções. O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda 77 . mais do que ilustra-los”. fotografia abstrata. “Não existe essa coisa de uma boa pintura sobre o nada. Hare Ibram Lassaw. GOTTILIEB E NEWMAN. “Minimalismo” e “arte performática”. CONSTRUTIVISMO: Para o construtivismo. Aaron Siskind. Rothko e o escultor Davi Hare. Escultores: Herbert Ferber. executada no auge do continuísmo americano. Para Still: “apenas eu e não a natureza” Para Pollock: “Expressa meus sentimentos. (espiritualidade e convite à contemplação). Para Newman: “a busca do significado oculto da vida” De Kooning: “pôs alguma ordem em nós” Motherwell: “desposar o universo”. Afirmamos que o tema é fundamental e só é valido quando se mostra trágico e temporal” Em 1948. e não como representações. reconhecimento internacional. Capela Rothko.Mark Rothko: obra madura. 1951. Para Rothko: “emoções básicas”. Diferentes aspectos do expressionismo abstrato alimentaram movimentos variados como: “abstração pós-pictórica”. foi promovida por vários críticos. a Arte Expressionista Abstrata. entre eles Harold Rosemberg e Clement Greemberg. “O tema dos artistas” foi fundado por Baziotes. Motherwell. procedimentos e objetivos. Newman Theodore Roszak e David Smiyh (principal). Reuben Nakiam. o movimento alcançou reconhecimento institucional com a exposição Pintura e Escultura abstrata nos EUA (MOMA NY). DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO. mas repleta de temas).

Os irmãos Antoine Pevsner (18861962) e Naum Gabo (1890-1977).russa e a um artigo do critico N. em estreito diálogo com as pinturas abstratas e geométricas de Malevich. concebida para ser também uma antena de transmissão radiofônica. A ideologia revolucionaria e libertaria que impregna as vanguardas em geral. a gigantesca espiral giraria sobre si mesma. Afinal. mas nunca executado. na Alemanha. De ferro e vidro. em 1911. exposto em 1920. A consideração das especialidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com os outros movimentos de caráter construtivo na arte. também na Rússia. Theo van Doesburg (1883-1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas. Das pesquisas iniciais. a produção artística deveria ser funcional e informativa. o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wassili Kandinsky (1866-1914) no Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). escultura e arquitetura) para um propósito utilitário”. signatários do Manifesto Realista de 78 . Punin. no Cubismo. que ocorrem no primeiro decênio do século XX. de diferentes modos. Sua perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Sergei Eisenstein (1898-1948). Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883-1959) para o Palácio do Trabalho e para o jornal Pravda e. no Dadaísmo e no Futurismo italiano. o De Stiil (O Estilo). sobretudo. A obra de Alexander Rodchenko (1891-1956) é outro exemplo de atualização do programa construtivista e produtivista russo. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes. de Tatlin. é descrita pelo artista como “união de formas puramente plásticas (pintura. adquire feições concretas na Rússia. que agrupa Piet Mondrian (1872-1944). diante da revolução de 1917. encontrado posteriormente na fotografia um meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. por exemplo. fundado em 1915 por Kazimir Malecich (1878-1935). As discussões sobre a função social da arte provocam fraturas no interior do construtivismo russo. o artista passa às construções tridimensionais por influencia de Tatlin. seria erguido no centro de Moscou. no Monumento à Terceira Internacional. que se coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do povo. de 1913. criado em 1917. e o Suprematismo. A nova sociedade projetada no contexto revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova. sobre os relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953).

na França. Não são pequenas as influencias do construtivismo na América Latina. e o grupo Abstracion-Création (abstração-criação). 79 . Lygia Pape(1927-2004). Theo van Doesburg (1883-1931). Grupo Ruptura. A abstração geométrica testada pelo grupo holandês ecoa. nos Paises Baixos. ex-aluno da Bauhaus. não afasta as influencias do construtivismo russo. Franz Weissmann (1911-2005). Lygia Clark (1920-1988). as professadas pelo grupo Cercle et Carré. no manifesto Arte Concreta. fundado em 1929 pelo critico Michel Seuphor (1901-1999) e o pintor Joaquim Torres Garcia (1874-1949). em defesa de uma morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de Malevich. em tendências abstratas. O termo arte concreta é retomado por outros artistas. Grupo Frente. lembrando as criticas de Gabo ao monumento de Tattlin. e no Brasil. Na década seguinte. sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata. em 1930. CONCRETISMO: A arte concreta deve ser compreendida como parte do movimento abstracionista moderno. criado em 1917.1920. A ruptura neoconcreta estabelecida com o manifesto de 1959. Gernit Thomas Rietveld (18881964). na Holanda por Piet Mondrian (18721944). e no Rio de Janeiro. redigido por Van Doesburg. Pevsner e Gabo deixam a União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS. por exemplo. em Paris. Gabo será um dos editores do manifesto construtivista inglês Circle de 1937. com raízes em experiências como a do grupo De Stiil (O Estilo). Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanuds (1915). Ferreira Gullar (1930). Em 1922. popularizando-se com Max Bill (1908-1994). em geral. em particular. do dialogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais. o De Stiil. quando o regime soviético começa a manifestar seu desagrado com a pauta construtivista. com novos matizes. como Vassili Kandinsky (1866-1944) por exemplo. Entre outros. como vidro e o plástico. que reúne Amílcar de Castro (1920-2002). a defesa oficial de uma estética “realista” e “socialista” representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal dos construtivistas. O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos ideais estéticos da vanguarda russa que vão impactar a Bauhaus na Alemanha. no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Marcas da vanguarda russa podem ser observadas no movimento concreto de São Paulo. recusam um programa social e aplicado da arte.

Max Bill explora essa concepção de arte concreta defendendo a incorporação de processos matemáticos à composição artística e a autonomia da arte em relação ao mundo natural. que são amplamente exploradas a partir de então. Cidades com o Rio de Janeiro e São Paulo iniciam processos de metropolização. e passível de ser aprendida de múltiplos ângulos. fundada por Max Bill em 19851 na Alemanha. recolocam o problema bidimensionalidade do espaço pictórico introduzido pelo cubismo ao definir o quadro como suporte sobre o qual a realidade é reconstruída. planos e conjuntos relacionados. abrem as portas do país para as novas tendências construtivas. e a defesa da integração da arte na sociedade. realizada no MAN/SP. após a segunda guerra mundial. O impacto das representações estrangeiras na bienal se relaciona de perto côas modificações verificadas no meio social e cultural brasileiro. Richard Pall Lohse. Os Suíços. dando continuidade ao projeto Bauhaus. que alteram a paisagem urbana. da arqwuitetura e dos relevos. Verena Loewensberg. mais concreto do que uma linha. É importante lembrar nessa direção as 80 . especialmente Max Bill. ênfases Hochschule für Gestaltung – HFG (ESCOLA SUPERIOR DA FORMA). alimentados pelo surto industrial e pela pauta desenvolvimentista.Os princípios do concretismo afastam da arte qualquer conotação lírica ou simbólica. afirma Van Doersburg. Do ângulo das artes visuais. “pois nada é mais real. especialmente no Brasil e Argentina. são sintomas da atenção despertada pelas novas linguagens pictóricas. Da pauta do grupo fazem parte também pesquisas sobre percepção visual. planos e cores. A noção de arte concreta visa rediscutir a linguagem plástica moderna. na 1º Bienal. Os prêmios concedidos à escultura “Tripartida” de Max Bill e a tela “formas” de Ivan Serpa. não tem outra significação se não ele próprio. A obra de arte não representa a realidade. uma cor. a criação dos museus de arte e de galerias criam condições para a experimentação concreta nos anos 1950. A pintura concreta é “não abstrata”. O quadro construído exclusivamente com elementos plásticos. mas evidencia estruturas. A exposição do artista em 1951 no MASP e a presença da delegação suíça na 1º Bienal Internacional de São Paulo. pela participação do artista nos vários setores da vida urbana. com o anúncio das novas tendências não figurativas. uma superfície”. Bill é o principal responsável pela entrada desse ideário plástico na América Latina. Assim com os concretos a pintura se aproxima de modo cada vez mais radical da escultura. que falam por si mesmos.

efetivada em 1959. As divergências entre Rio e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional de Arte Concreta. e pelo corte com certa tradição abstracionista anterior.exposições 19 Pintores. na Galeria Prestes Maia. São Paulo. o grupo concreto carioca prega a experimentação de todas as linguagens. Fundado por Aluisio Carvão (19202001). Resulta às linhas verticais e horizontais e as cores puras (vermelho. em São Paulo. Elisa Martins da Silveira (1912-2001). A. formam o Grupo Frente. Geraldo de Barros. Emil Baruch (1920). no MASP em 1950. em 1949. Os desdobramentos da arte concreta na poesia se evidenciam em São Paulo pelo lançamento da revista Noigandres. alunos do curso de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. 1956. Lygia Pape (1927-2004) e Vicent Ibberson. O ano de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura marcam o inicio oficial do movimento concreto em São Paulo. ainda que no âmbito não figurativo geométrico. e Rio de Janeiro. Abraham Palatinik (1928) e Ruben Ludolf (1932). NEOPLASTICISMO: Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a composição resulte apenas e expressão de uma concepção geométrica. Luiz Sacilotto (1924-2003). o grupo propõe em seu manifesto a “renovação dos valores essenciais das artes visuais”. somente do grupo Concreto Paulista. À investigação paulista centrada no conceito de pura visualidade da forma. e maior ênfase na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. Lygia Clark (1920-1988). e ao qual aderem em seguida Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939). liderado pelo artista critico Waldemar Cordeiro (1925-1973). em 1949. tendo como teóricos os críticos Mario Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930). 1957. no MAM/SP. 81 . Décio Vieira (1922-1988). inicio da ruptura neoconcreta. e Fotoformas. Lothar Charoux (1912-19887). No Rio de Janeiro. pela proximidade entre trabalho artístico e produção industrial. Franz Weissmann (1911-2005). Féjer (1923-1989). Calder no MASP. que afasta a consideração da obra com “máquina” ou “objeto”. Criado por Anatol Wladyslaw (1913-2004). por meio das pesquisas geométricas. o grupo carioca opõe uma articulação forte entre arte e vida. Leopold Haar (1910-1954). Ivan Serpa. em 1952. em 1954. de Geraldo de Barros (1923-1998). editada pelos irmãos Haroldo de Campos (1929-2003) e Augusto de Campos (1931) e Décio Pignatari (1927). Do Figurativismo ao Abstracionismo. João José da Silva Costa (1931). Carlos Val (1937).

azul e amarelo). Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente. políticas criaram clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. O ângulo reto é o símbolo do movimento. pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico. (1872-1944). retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco. assinado por André Breton em outubro de 1924. marcou historicamente o nascimento do movimento. É a série dos quadros boogie-woogie. pintor holandês. pesquisa e consegue um equilíbrio perfeito da composição. Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na realidade. sendo rigorosamente aplicado à arquitetura. A publicação do Manifesto do Surrealismo. despojado de todo excesso da cor. Essas superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura. onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras negras e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas. O artista utiliza como elemento de base. baseado nas proporções matemáticas ideais. da linha ou da forma. Depois de haver participado da arte cubista. Principal artista: Piet Mondrian. Mondrian foi para New York. no ponto onde a razão humana perde o controle. continua simplificando suas formas até conseguir um resultado. Em 1940. o que vale é o impulso psíquico. SURREALISMO: Nas duas primeiras décadas do século XX. sem o freio do espírito critico. O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico. entre as relações formais de um espaço estudado. Ele procura. 82 . uma superfície plana.

destacou-se Frida Kahlo e Wilfredo Lam entre outros. os surrealistas tentavam plasmar. se empenhou na formação de grupos surrealistas em toda a Europa. há dois métodos propriamente surrealistas: o automatismo rítmico (se pintava seguindo o impulso gráfico) e o automatismo simbólico (fixação das imagens subconscientes de maneira natural). situada no plano do subconsciente e do inconsciente. Os surrealistas pretendiam. Miro. representaram o surrealismo orgânico. seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas. expresso na filiação de seus lideres ao comunismo. ou seja. os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas. Na América Latina. Magrite.Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições. No entanto. dessa forma. Período de difusão. embora sejam mais radicais. e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos. obtida através de diferentes procedimentos de automatismo. Período do compromisso político. qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle. Hans Arp e André Masson. desenvolveram o surrealismo simbólico. Por meio do automatismo. Período dos sonhos. enquanto Dali. Chagal e Marx Ernest entre outros. A livre associação e a análise dos sonhos. se os dadaístas propunham apenas a destruição. os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova. atingir uma outra realidade. O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. representado pelas obras da natureza simbólica. Destacam-se 3 períodos importantes: 1924. A fantasia. Segundo Breton. com adesão de grupos americanos. as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente. embora aplicados a seu modo. transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo. de um certo figurativismo. a ser organizada em outras bases. 1930. 1928. Principais artistas: 83 . ambos métodos da psicanálise freudiana.

Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali.Salvador Dali. onde publicou sua biografia “A Vida Secreta de Salvador Dali”. é preciso “construir para o total descrédito da realidade”. que fez com Buñuel. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses. Joan Miro. A famosa magia de Miro se manifesta nessas telas de traços 84 . Bretton falava dela como o Maximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. Leiris. Finalmente aderiu ao surrealismo. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Gorgio De Chirico. Artaud e Lial. O filme “O Cão Andaluz”. 1942. data de 19298. Estudou em Barcelona e depois em Madri. Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud. Obra destacada: Mae West. Nessa época. Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis. Instalou se ateliê em Roma. fez uma viagem para a América. Ele criou o conceito de “paranóia critica” para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para Montroig). sua mulher. Dois anos depois adquiriu forma La masia. Segundo ele. se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala. obra fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miro demonstrou uma grande precisão gráfica. é sem duvida o mais conhecido dos artistas surrealistas. Ao voltar. embora continuasse viajando. iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja. onde se formara um grupo de amigos pintores. junto com seu amigo Luis Buñuel. fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas. de grande importância ao longo de toda a sua obra. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. cineasta. em Barcelona. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. na Academia de San Fernando. em cujo grupo militou durante algum tempo. entre os quais estavam Masson. exmulher do poeta e amigo Paul Éluard. A partir daí sua pintura mudou radicalmente.

ACTION-PAINTING: Ou pintura de ação gestual. a Sociedade dos Artistas Abstratos. Em 1937. Nela se representaram as mais extravagantes combinações. No mesmo manifesto. privados de sua funcionalidade. fundouse nos Estados Unidos. mas difíceis de serem elucidadas. ou as combinações de objetos de Miro. Características da Pintura: 85 . para expressar as necessidades mais intimas do homem. os surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais diferentes. No inicio falavam de dois tipos de objetos: os naturais (vegetais. Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir. Obra destacada: Noitada Esnobe da Princesa. Escultura: deve-se falar em objetos retirados de seu contexto. criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 e 1950 faz parte da arte Abstrata americana. francês que lançou o movimento). nas quais extravasou suas inquietações pictóricas. no limite entre a ironia e a perversão. Miro também se dedicou à cerâmica e a escultura.nítidos e formas sinceras na aparência. chegando à criação de um estilo original. Destaca-se os objetos surrealistas. seja verbalmente. Prova disso foram o engenhoso telefone-lagosta. de Dali. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas. produto das associações inconscientes de seus atores. Alguns de fácil interpretação e outros complexos. tentavam abrir a imaginação do espectador para a multiplicidade de relações existentes entre as coisas. animais e minerais) e os de uso cotidiano. Exemplo claro do culto ao objeto. o funcionamento real do pensamento”. seja de qualquer outra maneira. seja por escrito. foi a exposição de Objetos Surrealistas de 1936. Para seu conhecimento: “O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do manifesto do surrealismo de André Breton. embora se apresentem de forma amistosa ao observador.

o artista usou materiais como pregos. com resultados extraordinários e fantásticos. Arcângelo Ianelli (1922) e Sanson Flexor (1907-1971). 1935 e Mario Gruber. Abstração no Brasil: Surge com maior ênfase nos meados dos anos 50. Técnica: pintura direta na parede ou no chão. destacam-se Antônio Bandeira(19221967). conchas e pedaços de tela. 1951. misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo e textura. agressividade. além de Iberê Camargo. (1928-). Manabu Mabe (1924-1997). Execução cheia de violência. espontaneidade e automatismo. Destruição dos meios tradicionais de execução. introduziu nova modalidade a técnica. teve como principais representantes Asger Jorn. gotejando (dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente. espátulas e etc. 1931. pintor americano. muitas delas usadas na pintura de automóveis. praticam a abstração informal. grupo artístico europeu que surgiu entre 1948 e 1951. (1914-1994). vidro moído. numa execução veloz. Posteriormente artistas como Flavio Shiró. que se manifesta no concretismo e no neoconcretismo também nos anos 50. COBRA: Movimento artístico criado na Holanda. A abstração geométrica. Maria Bonomi. Usou freqüentemente tintas industriais. Yolanda Mohalyi (1909-1978). Nos últimos trabalhos nessa linha. forma uma geração de gravuristas abstratos. sigla de CopenhagueBruxelas-Amsterdã. Principal artista: Jackson Pollock. pincéis. Fayga Ostrwer (1920-). A abstração “gravação de Iberê Camargo”. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo. 1949 e da criação da Bienal Internacional de São Paulo. em telas enormes.- Compreensão da pintura como meio de emoções intensas. pasta espessa de areia. Karel Appel e Pierre Alechinski. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. Wega Nery (1912-). trinchas. utilizando tinta à óleo. 1927. O curso de abstração no Brasil. na qual se destacam Antoni Babinski. (1912-1956). Cícero Dias (1908-) e Sheila Branningan (1914-). algumas vezes realizadas diante do público. 86 . Outros impulsos vêm da fundação dos Museus de Arte Moderna de São Paulo. 1948 e do Rio de Janeiro. Entre os pioneiros da abstração no Brasil. encontra praticantes em Tomie Ohtake (1913-).

exige a participação do espectador para “completá-la”. A ilusão do movimento. também Arte Cinética. Pintor dinamarquês. 87 . bem como a teoria da Gestalt. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra. que se modifica a cada instante. Ela não tem o ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art. suas possibilidades parecem ser tão ilimitadas quanto as da ciência e da tecnologia. Realizou também esculturas em madeira e metal. mais próxima das ciências do que das humanidades. em comparação. Por outro lado. Apesar do rigor com que é construída. (optical art) e significa “arte óptica”. Durante os anos 80 suas imagens e técnicas foram retomados pelo americano Philip Taaff e o holandês Peter Schuyff. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee. pintor holandês. simboliza um mundo precário e instável. Meados dos anos 60. Britânicos Michael Kidner e Bridget Riley. curador Willian C. parece excessivamente cerebral e sistemática. em 1965. tais preocupações ligam a arte op a vários movimentos: Fluxos. americanos: Richard Anuszkiewicz e Larry Poons. Uso de formas geométricas em preto e branco. OP ART: A expressão “op-art” vem do inglês. cores constratantes e variações tonais. 1965. “abstracionistas perceptuais”. violenta na escolha de cores e texturas. Asger Jorn. MOMA/NY. marcou sua obra pelo tachismo. Criador de uma obra vigorosa e colorida. a Op Art passou por um desenvolvimento relativamente lento. pintor e gravador belga. livre. Apesar de ter ganhado força na metade da década de 1950. caracterizada pela figuração rude e simplificada. A arte op. e o franco-hungaro Victor Vasarely. efeito de ritmo e distorção. Karel Appel. Hiperrealismo e GRAV. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas distorcidas. Seitz. Principais artistas: Pierre Alechinski. Defendia para a arte “menos expressão e mais visualização”.Assim como as obras de Jacson Pollock essa pintura é gestual. exposição “Olho receptivo”. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo.

criou os móbiles associando os retângulos coloridos das telas de Mondrian à idéia do movimento. os componentes mais ostensivos da cultura popular. Victor Vassarely. ao qual não são estranhos efeitos luminosos. Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a multiplicidade. Os seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo observador. pelo critico inglês Lawrence Alloway. O geometrismo da composição. de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. solicitar ou exigir a participação ativa do contemplador para que a composição se realize completamente como “obra aberta”. após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos. o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950. depois de 1932. de modo que através de constantes excitações ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e sugestões de dinamismo. que se modificam desde que o contemplador mude de posição. assim. São engenhosamente combinadas. quando alguns artistas. sua montagem é muito complexa. como diz o artista. POP ART: Movimento principalmente americano e britânico. em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da 88 . (1898-1976). Representavam. elas se movimentariam pela simples ação das correntes de ar. Era a volta a uma arte figurativa. mesmo quando em preto e branco. sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954.Principais artistas: Alexander Calder. passaram a transformá-los em tema de suas obras. sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos. por outro lado. pois exige um sistema de peso e contrapeso muito bem estudado para que o movimento tenha ritmo e sua duração se prolongue. em preto e branco ou coloridas. Embora os móbiles pareçam simples. Com raízes no Dadaísmo de Marcel Duchamp. parece obedecer a duas finalidades. Mas. As suas composições se constituem de diferentes figuras geométricas. para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental. criou a plástica cinética que se funda em pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica. ele verificou que se mantivesse as formas suspensas.

por exemplo. muito do que era considerado brega. como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza. produtos com cores intensas. Roy Lichtenstein. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica. quadrinhos. ela operava com signos estéticos massificados da publicidade.segunda guerra. brilhantes e vibrantes. transformando o real em hiper-real. e já que tanto o gosto. a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar. tinta acrílica. os procedimentos gráficos. e aproximou a arte das massas. de Andy Warhol. adotou a técnica de impressão em Silkscreen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Mas ao mesmo tempo em que produzia a critica. ilustrações e designam. Empregou. nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. usando como materiais principais. episódios da história americana moderna e da cultura popular. como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey. com garrafas de coca-cola. depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do inicio da década de 1950. a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo. poliéster. embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. e reproduziu a mão. criou as pinturas “combinadas”. ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais. Seu interesse pelas histórias em quadrinhos. com as sopas Campbell. como aconteceu por exemplo. virou moda. em refinado. a arte para poucos. 1925. Além disso. Principais artistas: Robert Rauschenberg. látex. do cinema e da publicidade. que realizou em 1960 para os filhos. reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande. Por volta de 1962. da fotografia. ilustrações e design. desmistificando. já que se utilizava objetos próprios delas. (1923-1997). Rauschenberg. uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados 89 . Esses trabalhos tiveram como temas. tinta acrílica. Com o objetivo da critica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo. dos quadrinhos. com fidelidade. um dos principais artistas da Pop Art. Sua iconografia era a da televisão. usando como materiais principais.

NY 1966. planas e limitadas. Judd. Philip King. Tim Scott. Com essas obras. (1927-1987). Foi a figura mais conhecida e mais controvertida da Pop Art. Willian Tucker. como Elvis Presley e Marilin Monroe. arte ABC e Coll art. MINIMALISMO: Ny. desvinculados do contexto de uma história. como garrafas de Coca-Cola. automóveis. Robert Morris. Como André. Entre 1963/5. destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para consumo. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias. E brit. Andy Warhol. e pinturas dos abstracionistas pós-pictóricos.nova criação assemelha – se. como Kasimir Maliêvitch (quadrado negro). Am. as latas de sopa Campbell. Os artistas minimalistas. objetos unitários. Dan Flavin e Carl André. escreveu: “O espaço real é intrinsecamente mais vigoroso e especifico do que a tinta sobre uma tela. Seus quadros. Ronald Bladen. tornou – se um dos mais interessante comentarista de arte. Estruturas geométricas. e usando sobretudo a técnica de serigrafia. apesar da ascensão social e da celebridade. aparecem como imagens frias. Firmou – se como movimento Com a exposição Estruturas Primárias: jovens escultores. em 1965. 90 . intelectuais.das historietas. Morris. Sol Le Witt.. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração. após exposição de Donald Judd. Cores brilhantes. Outros nomes “estruturas primárias. incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal. mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema.. o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Produziu filmes e discos de um grupo musical. Larry Bell. crucifixos e dinheiro. símbolos ambíguos do mundo moderno. os Britânicos: Sir Anthony Caro. deram atenção às obras Construtivistas e Suprematistas Russos que tendiam para Abstração pura. Richard Serra e Tony Smith. aparentemente simples. contribuíam para o intenso impacto visual. delineadas por um traço negro. logo depois passou – se a aplicar o termo a obras de escultura. Richard Artschwager. Da mesma forma. Judd. Beverly Pepper. Flavin.

Com performance e a Earth art. tem sido aplicadas à decoração de interiores. 1968. “Rosa e dourado”. André se inspirou em Brancusi (esculturas modulares) e em Stella (pinturas de faixa). Pureza geométrica.. 91 . As caixas cúbicas de Morris. (Monumento a V. Em anos recentes. relacionam o minimalismo. os neodadáistas Robertr Rauchenberg. mas elas são reconhecidas como “Judds”. (Ludwig Miers van der Roche. Embora o termo não fosse aplicado à música. Tatlin de Flavin .. Começaram aparecer muitos críticos e um público opinativo julgava – na fria. O que não acontece na escultura. muitas obras foram associadas ao minimalismo. 1964) e Constantin Brancusi (Colunas infinitas). Comentário dele: “A simplicidade da forma não se equaciona necessariamente com a simplicidade da experiência. As formas unitárias não reduzem os relacionamentos. vários modernistas busca rigor e pureza. Escreveu em 1967: “Simboliza seu encolhimento. Steve Reich ou Philip Glass. pode ter mandado fabricar sua obra.. Ao restringir os elementos que atuam em cada objeto. questionando a posição legitima das esculturas(vertical/horizontal). Embora não exista uma escola minim. Elas os ordenam. tornando – se ínfima”.” Flavin. “mais é menos”) e o Mexicano Luis Barragan (sua resid. Recordam a “arte conceitual”. De Du Champ e seus readymades (Dada) e os construtivistas. 1965. John Chanberlain e Claes Oldenburg e o Novo realista Yves Klein. explorou temas relacionados com espaço e luz. Na arquitetura. E cores ousadas). A cor jamais deixa de ter importância. mobiliário e artes gráficas e designers de moda.” Judd. usando metais e outros materiais. Judd por ex.. “lâmpadas florescentes”. Terry Riley. Os materiais pré-fabricados usados. criam – se efeitos mais complexos do que mínimos. teve em sua obra influencia. Denominadas por ele como “objetos específicos”. se referia a Frank Stella (abstração pós-pictórica). Do q a pintura.mais a escultura. não pareciam arte. revelam preocupações semelhantes. (harmonia estática. fez experiências com cores e pesos. anônima e imperdoável. até inicio dos anos 70. Um tema constante é a atuação recíproca entre espaços positivos e negativos em objetos reais e sua interação com o entorno imediato. repetição e uso de instrumentos não convencionais).

no Japão: Kazuo Shinohara. Robert Morris. Preservação do espírito humano. Arata Isozaki. Hamish Fulton e Andy Goldsworthy.. Le Witt. Muitas de suas criações empregam a linguagem geométrica do minimalismo. Goldsworthy. Michael Heizer. a escultura e a arquitetura. pode ser mantido intacto. Walter de Maria. James Turrel. quanto aos seus materiais e espaços físicos. fundiram – se nas Torres da Cidade – Satélite 1957/8 (Barragan com Mathias Goeritz) . Os arquitetos “HIGH-tech”. Colaboração do escultor Sir Anthony Caro e o escritório Foster & Partners no projeto “Ponte do milênio”. Nos anos 80. tbem acompanham objetivos e técnicas minimalistas. 2000. semelhantes a labirintos de Aycock ou as obras arquitetônicas de Holt. Robert Smithson. espiritualidade dos sítios arqueológicos (cemitérios dos indígenas americanos. Christo e Jeanne – Claude. Outras criações que usam fotos. assumindo o meio ambiente como seu material. Carl André. crescente interesse pela ecologia e conscientização do perigo da poluição e os excessos do consumismo. Fulton. Long e Openhein). De Maria e Heizer e Turrell. Com efeito a earth art pode ser vista como um prolongamento do projeto minimalista. Aristas americanos: Sol Lewitt. 92 . os círculos nas plantações e as gigantescas figuras esculpidas nas colinas da Inglaterra). expandiram as fronteiras da arte.A pintura. em forma de imensas esculturas no solo. Londres. e nota – se forte influência da paisagem(arte britânica) e ligações românticas com o Oeste ( arte Usa). “Ecultitura”: termo utilizado por Caro. Alicer Aycock. textos e diagramas. influenciado pelo estado clássico zen-budismo e modernismo europeu. se deslocou para fora da cidade. Tadao Ando. Dibbets. E outras com reciclagem de lixo. Europa: Britânicos: Richard Long. pois se um pedaço de terra for consagrado como arte. pode ser uma forma de preservação. A maioria dos artistas são Americanos e Ingleses. a partir de 1989 em seus trabalhos. Holandês: Jan Dibbets. final anos 60. Alguns desses pioneiros também se filiaram ao Minimalismo. Fulmiko Maki. Dennis Oppenhein. Richard Serra. EARTH ART: Land art ou earthworks. tem afinidade com a arte Conceitual (De Maria. Mary miss. Nancy Holt. USA.

“O mundo do comércio”. A equipe projetou o exuberante Groninger Museum. permanece intacta após a queda do muro de Berlim. estrutura ambíguas e contraditórias. arte pop e arte conceitual. os italianos Alessandro Mendini e Michele de Lucchi.Firmou – se como movimentoto. Nova Orleans. também criações de cunho social e político. tem sido empacotar ou envolver coisas. (estilo Internacional). o designer francês Philippe Starck e o escritório vienense Coop Himmelblau. Charles Moore. estilos. trabalham juntos desde os anos 60 e seu grande tema. NY. Dá prosseguimento à experimentação iniciada com Marcel Duchamp e se desenvolveu por meio do Dada. objetos com arte gráfica) Tin Rollins e K. com logotipo da Mercedes – Bens. Em 1966.O. Outras criações com elementos diferenciados (texto com imagens. meados anos 70. 1969. graças a exposição Earth Works – NY em 1968. Ao mesmo tempo é uma rejeição e um prolongamento do modernismo. “Torre de observação”. “menos é mais” por “menos é um tédio”. Muitas conhecidas por fotografias.S. 1975/80. “novas edificações. (documentação fotográfica “Caixa em um buraco” de Le Witt Desenho de De Maria. dois livros: O arquiteto italiano Aldo Rossi. De Earth Terra. Holanda. com giz no deserto de Monjave). no Designe e Artes Visuais. neodadá. “Piazza d’Itália. garotos da sobrevivência. marca do capitalismo.” O 2º do arquiteto americano Robert Venturi. empréstimos de outras culturas e uso de cores ousadas e surpreendentes. Cristo e Janne. Para De Maria o isolamento é a essência da earth arte. em vez de criar formas novas. com criações inspiradas em cultura popular. “O jantar” de Judy Chicago. organizada por Smithson. Richard Prince. Nos anos 80. USA . “vitalidade desordenada” e parodiavam a frase modernista. estruturas e ambientes constitui características do pós-modernismo que não pode ser definido 93 . animadas por referências jocosas a estilos históricos. A diversidade dos materiais. deveriam adaptar a formas antigas. 1990. surrealismo. PÓS-MODERNISMO: Novas formas de expressão. aplicada originalmente a arquitetura. Ocorrem em locais distantes. E a exp. 1995. “Trocados”. alemão Hans Haacke.

obras para o grupo Menphis.por um único estilo. “Same old Shit”. feministas e ambientais. para Europa e USA. De Serviços Públicos de Portland”. espalhou – se da Basiléia/Suíça. imagens e revistas populares e sobrepondo – as. “A mesma merda de sempre”. USA. do americano Michael Graves. (neoexpressionistas e comparados a artistas de transvanguarda). transformou sua doença em tema central de seu trabalho. Associado a Andy Warbol. Jean Michel Basquiat. celebrava o pluralismo do final do século XX. O Kitsch pode ser transformado em arte elevada. sobretudo a identidade dos gays. os designer. Representação: motivos ou imagens de obras do passado. deram ênfase a identidades marginalizadas: étnicas. dinamarquês Johan Otto Von Spreckelsen. Holanda. começaram a empregar técnicas pós modernas. Apartir dos anos 60. e as figuras fantasmagóricas e sobrepostas de Salle. suas obras protestavam contra o preconceito racial.( anmtidesign). “Sede do HSBC. David Wojnarowics também vitima de aids. (SAMO. representados em novos e perturbadores contextos ou despojados de seus significados tradicionais (desconstruídos) por artistas como: Mike Bidlo. a arte servia de um tipo social dominante. 1981. “Museo de arte Romano”. O designer italiano Ettore Sottsass. 94 . estilo clássico. “Arco da defense”. “Edif. estilo High – tech. espanhol Rafael Moneo. tema dominante na arte pós moderna. “antifuncional Estante Carton”. O pós-modernismo. 1977. Sherrie Levine e Jeff Wall. Paris. Refere – se a natureza dos meios de comunicação de massa e proliferação universal das imagens. como Basquiat. fizeram experiências com cores e texturas e se inspiravam em motivos decorativos do passado (adhocismo). “Série sexo”. Neville Brody. Os palimpsestos criados com louça quebrada. na Inglaterra. se engajou em questões sociais e políticas. criam uma surpreendente justaposição. apropriando – se de filmes. sexuais. A influência do alemão Wolfgang Weigart. Espanha. Menphis. O studio Dumbar. A morte. Espanha. Keith Haring. Jeff Koons. Nos USA Julian Schumabel e David Salle. é a figura mais importante. segundo o pensador francês Jean Baudrilard: “Um êxtase da comunicação”. de Schmabel. Louise Lawler. e Javier Mariscal. inglês Sir Norman Foster. insatisfeitos com a ordem e uniformidade do Bauhaus. iniciou como grafiteiro. final anos 70. “Coelho”. Nas artes visuais. final anos 70. criaram designes tipográficos de vanguarda nos anos 80 e 90.

RACIONALISMO: Piet Mondrian. INFORMALISMO. mas o espectador pode dotá-los de significados vários ao contemplá-los. Mondrian também ignorou a textura em suas obras. branco e cinza e as cores primarias. EXISTECIALISMO E TACHISMO: A arte informal engloba um grande leque de direções e ramificações distintas e abrange obras de aspectos e conteúdos muito diversos. artistas como Mary Kelly. 1990. Imagens com legendas perturbadoras. pintura signico-gestual. Neste sentido o espectador. de enfrentar um tipo de pinturas em que a expressão adquiriu novas e múltiplas possibilidades. “Trata-se por conseguinte. “Documento pós parto”. para concluir a obra apresentada como “aberta” à interpretação por parte do artista. Cindy Sherman. action-painting. Usavam apenas preto. indicada por Umberto Eco. “Proteja – me. quer pelos “novos” (porque até então alheios à pintura) materiais ou técnicas empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam. seu olhar. A arte informal – informalismo pode tirar-se numa categoria muito vasta que é a “obra aberta”.” Considera-se que a pintura 95 . Holzer. sem titulo. Ele reduziu a pintura a linhas retas que formavam ângulos retos. criou um estilo abstrato extremamente simplificado. gestualismo. Como outros pintores abstratos. contribui. Jenny Holzer. pintura tachista (do francês “tache” – mancha) e espacialista. comportamento social. 1º mulher americana a expor em Bienal de Veneza. Bárbara kruger. USA. artista holandês. daquilo que desejo”. questões ligadas à identidade feminina.Anos 70 e 80. Em muitas obras informalistas observa-se a presença de determinados signos e manchas aos quais o artista não deu significado predeterminado quando os criou. Cada uma destas correntes tem o seu caráter especifico. Sua pintura influenciou a arte comercial e o desenho industrial moderno. de certa maneira. Dentro da arte informal pode falar-se de expressionismo abstrato. como homens olhando para mulheres. ele rejeitava motivos que se pudessem identificar.

Como a palavra música ou a cor. ARTE ASSEMBLAGES. tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos Estados Unidos e Europa. centrando a sua atenção no comportamento humano e no meio circundante. HAPPENINGS. Claes Oldenburg. pois misturam em obras tridimensionais deferentes materiais artísticos. que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos ao conceito de action painting e destacar a abolição da “forma” na arte. apesar de ainda serem figurativos. ASSEMBLAGE ou AMBIENTE. Christo (famoso por seus embrulhos de edifícios). realizaram (e ainda realizam atualmente) obras que se podem inserir nos termos acima indicados e que não se circunscrevem nem ao ambiente plano da tela. substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas que chegavam a criar verdadeiros relevos. John de Andréa. Robert Rauchenberg. tirados do seu contexto habitual. ou seja perto do final da 2º Guerra Mundial. tendo ido buscar as suas influencias ao dadaísmo. Dos quais o último foi o Parlamento Alemão em 1996. em dois focos principais que foram Nova York e Paris. Judd Pfaff. BODY ART E NOVO DADAISMO: Alguns artistas ligados à Arte Pop e Arte Conceitual. são os artistas mais representativos destas formas de expressão artística. para designar um acontecimento que se desenvolve perante o público. O termo informed foi adotado na Europa pelo critico francês Michel Tapie. realizava já um tipo de trabalho que. Edward Kienholz. detritos e produtos industriais. John Cage (músico). Jim Dine. nem na escultura tradicional. a sua influencia vem do movimento Dada e dos Ready-made. Mercê Cunningham (coreógrafo). Keith Arnatt. que em finais da década de 20. surrealismo e abstracionismo. com materiais reciclados. Duane Hanson.informalista tve inicio em 1944. Denis Oppenheim. É quase uma ligação arte plástica/teatro. no final dos anos 50. 96 . AMBIENTES. mas que não privilegia nenhum dos meios expressivos tradicionais. o vulgarmente considerado iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês Jean Fautrier (1898-1964). Aliás. HAPPENING (Acontecimento). Nam June Paik. distinguiam-se pela espessura das suas texturas. Georges Segal. termo inventado pelo americano Allan Kaprow (1927).

Alguns artistas interferem na paisagem. Leonor Soares são exemplos. guarda-sóis.BOD ART (arte do corpo). pretendia retomar. INTERFERÊNCIA: Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis imagens visuais. através da fotomontagem e da colagem de materiais. Obras destacadas: Cartolina no vale. juntamente com a escultura e outros materiais. embora com a presença dos mesmos artistas da Arte Pop. O espectador participa da obra. NEW DADA (Novo Dadaísmo. embrulhos em locais públicos. A arte conceitual pode usar meios e materiais não relacionados diretamente com as artes plásticas. utilização do corpo. Obra destacada: Homenagem a Chico Mendes de artista Roberto Evangelista. para ativar o espaço arquitetônico. Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente. colocam cortinas. e não somente à aprecia. Antonio Carvalhal. Movimento que. o único artista que se destaca com suas interferências. Atualmente. por parte de certos artistas. fotografia e põe em causa as definições de 97 . de uma forma atualizada o espírito do dadaísmo de Marcel Duchjamp. transgressão ou manifestação. que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas. INSTALAÇÃO: São ampliações de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala. ARTE CONCEITUAL: Surgiu nos anos 60 a partir dos Happenings e tem influencia dos Ready-made de Marcel Duchamp. como o vídeo. projetores de slides. Man Ray e Kurt Schwitters. como forma de expressão. ressaltamos Christo. Guarda-sóis colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico em 1988 – Berlim). ou Novo Realismo na Europa). É utilizada a pintura.

GB e etc. onde apresentava uma cadeira verdadeira. que prevalece a arte e não a execução. pintores minimalistas. no conceito. como gordura. francês. o aspecto mais singular da sua atividade consistiu numa deliberada missão “de prédica”. Sol Le Witt. ao lado de uma fotografia da mesma cadeira e junto desta um texto escrito em que se podia ler a definição de cadeira. assim como as galerias de arte e por extensão o próprio público. Robert Morris. pode inserir-se o Minimalismo (minimal art). Belga. autor de enormes esculturas geométricas. com as suas palavras. Beuys procedo como um sacerdote laico que. Dele escreveu Gillo Dorfles. Robert Mangold. na idéia geradora. Frank Stella. corrente dos anos 60 e 70. pois insiste que é na imaginação. utilizando materiais insólitos. alemão. Graças a uma importante obra ensaistica é um dos maiores animadores no atual debate sobre o papel do artista na sociedade contemporânea. Em Portugal. como representantes do informalismo/minimalismo. Itália. Vincenzo Agnetti. Artur Bual. podem citar-se os pintores Ângelo de Souza. Jorge Pinheiro. USA. Dentro da Arte Conceitual. tem uma obra essencialmente de pesquisa.” Artistas mais representativos: Joseph Beuyes. que como o nome indica 98 . Joseph Kosuth. as suas inclinações. Donald Judd. ou pela fotografia. Marcel Broodthaers. USA. Anthony Caro. porém. pode perfeitamente ser dispensada. P processo criativo só precisa ser documentado de alguma forma geralmente verbal. tirada de um dicionário. Lawrence Weiner. vídeo ou cinema. elementos naturais e materiais industriais (também conotado com a Arte Povera – Arte Pobre). a sua participação com comportamentos diversos ajudam à compreensão do espectador. impôs-se muito jovem na cena mundial da vanguarda com uma obra desconcertante (one and three chairs. visa convencer o auditório de alguns princípios ético-estéticos e politicoespirituais”. “Uma vez que a obra de arte é um sub-produto acidental desse salto imaginativo. se iniciou como escultor. Antonio Charrua. autor de uma obra de provocação intelectual. USA. Luis Dourdil. Nos últimos tempos. feltro. Álvaro Lapa. Itália. “A própria personalidade física do artista faz parte da obra (ou da encenação). no idealismo. Beuys serve-se habilmente do corpo com ações publicas onde os seus gestos. 196566). Keith Arnatt. USA. Giulio Paolini. Yves Klein. Ad Reinhardt.arte de uma forma mais radical do que a Arte Pop.

Ítalo Calvino e Umberto Eco. deixando sinais ou marcas ecológicas. Como muita da arte “moderna” e “pós-moderna”. introdução de elementos e imagens perdidas. Walter de Maria. “significa disponibilidade e anti-iconografia. A Land Art. por volta do inicio dos anos 60. vindas do cotidiano e da natureza. quadradas. vivia a hora da recessão. Heizer. Afirmando-se especificamente como manifestação européia. uma explosão artística existencial.Carl André. segundo as palavras de Celant. Na literatura. em 1907. podem estar inseridas no espírito da Arte Conceitual. como era conhecido o dinamismo econômico da Itália do pós guerra. No teatro.pretendia desenvolver uma arte de grande simplicidade. referindo-se à participação de uma geração de artistas de vanguarda. da realidade dos elementos e do homem. a Arte Povera (arte pobre). circulares e cores monocromáticas. Germano Celant resume a formula: “Arte povera + azioni povera” (arte pobre + ação pobre). Richard Serra. uma posição crítica. Richard Long. Os artistas exprimem-se 99 . em depressão econômica. Também as denominadas Land Art ou Earth Art (arte da terra). a Itália entrava. com “instalações”. o minimalismo questiona o papel dos artistas e a natureza da criatividade. É nesse clima de crise que sopra um vento literário. No cinema. o Living Theatre omnipresente nas cidades da Itália. anarco-utópica. embora possam ser conotadas com a chamada “Vanguarda” dos anos 60 e 70. Depois da industrialização acelerada e da euforia de consumo provocada por um modelo importado dos USA.” É uma nova energia que se reclama das intenções da existência. o famoso “milagre italiano”. Pasolini. quando o critico italiano Germano Celant utilizou pela primeira vez esta designação. A arte Povera. ética e política. estreitam-se as relações entre performance plástica e ação cênica. sub tendências que existem desde os anos 60. a pôr em questão a sociedade e a arte como intervenção direta. que pretende intervir nos espaços naturais. Robert Smithson. entre Turin e Roma. nasceu e desenvolveu-se nos EUA. com profundos desequilíbrios sociais e conflitos políticos. reduzida a materiais e formas geométricas puras. a “Arte Povera” refere uma aventura intelectual e artística cujos fundamentos ideológicos estão em oposição às propostas formalistas e consumistas da arte americana e traduz uma atitude moral. como configurações triangulares. Os seus principais representantes são Denis Openheim. A “Arte Povera”.

Michelangelo Pistoletto. Por outro lado. 100 . NOVA FIGURAÇÃO E PÓSMODERNISMO: Estes são alguns dos termos usados para enquadrar artistas em correntes desde os anos 80 até o presente. sobre fundos formados por manchas ou por franjas de cor. embora haja locais em que a escultura adquiriu nítida preponderância. simples. Giulio Paolini. também não se trata de representações de caráter imitativo. Os objetos são capitados de um modo intuitivo e inseridos sem preocupação pela perspectiva no conjunto pictórico. Nos outros países da Europa. Luciano Fabro. quando o assunto é a paisagem. Aligfhiero Boetti. NEO-EXPRESSIONISMO.” Seria o caso da escultura britânica. A partir dos finais dos anos 70. Podem indicar-se. Jannis Kounellis. como alternativa. Assim. Calzolari. quer rural quer urbana. querendo elevar as coisas mais banais e mais insignificantes ao nível da arte. Essas denominações. observa-se uma tendência para justapor uma linguagem figurativa ao abstrato. Marina Merz. o pictórico triunfou plenamente e poderia acrescentar-se que a corrente mais representativa é a que se entendeu chamar Neo-expressionista na Alemanha e transvanguarda na Itália. mas esquematizam ao Maximo os traços dos personagens captados. então desconhecidos. Do mesmo modo. “O Neo-expressionismo.essencialmente e realizando instalações onde utilizam materiais orgânicos. que conta com grande numero de criadores importantes e que fundamenta a sua linguagem nas técnicas da colagem e montagem. hoje solicitados pela cena artística internacional: Giovanni Anselmo. produz-se um predomínio da pintura relativamente a qualquer outro tipo de manifestações. todavia. o artista dispõe configurações em largos traços negros que contrastam violentamente com os fundos. Mario Merz. Giuseppe Penone. Gilberto Zorio e etc. Pino Pascali. “pobres”. BAD PAINTING. É como “um vasto campo de convergências” onde se encontram ao mesmo tempo textos de artistas e obras de um conjunto de criadores. mas apenas referencial. algumas constantes. Em primeiro lugar. TRANSVANGUARDA. as maioria dos artistas opta por pinturas de grandes formatos. NOVOS SELVAGENS. contudo. Os artistas nunca partem da cópia da realidade. reúnem um gênero de manifestações que nem sempre se caracteriza pelos mesmos elementos e portanto dir-se-á que não são muito coerentes.

viu-se que o artista do século XX foi capaz. Não foi em vão que decorreram mais de setenta anos depois de os artistas alemães iniciarem o caminho do expressionismo. Entretanto. Doukoupil (1954 Tchecoslovaquia). Na Alemanha. Talvez se possa dizer desta corrente que é eclética. pois de contrario. os neo-expressionistas mais conhecidos na atualidade são: Georg Baselitz (1938). para dar lugar a uma nova era dominada pela arte feita por computador. embora em estado latente. Nino Longobardi. a partir dela.O fato de estas pinturas se terem denominado neo-expressionistas deve-se fundamentalmente a terem seguido a corrente expressionista dos inícios do século. o que não acontece. Jean Michel Basquiat e Keith Haring. Julian Schnabel. Gerhard Richter (1932). Francesco Clemente. Todas as outras correntes. escultor 101 . apenas se podem dar listas que correm o risco de pecar por incompletas ou por demasiado exaustivas. algo completamente novo. deixaram o seu ratro e a sua presença. O tempo determinará a sua importância e permitirá estabelecer quem são os artistas mais representativos do neo-expressionismo e das restantes tendências contemporâneas. Anselm Kiefer (1945). de renovar o seu repertório e de oferecer um tipo de pintura despreocupada. Penck (1941). Per Firkeby. Markus Lupertz (1941). embora recorrendo ao passado. entre outros. inicialnmente “apadrinhados” por Andy Warhol. nesse neo-expressionismo. trabalham nessa tendência pintores como Mimmo Paladino (1948). Sandro Chia (1946). Nesse sentido o neo-expressionismo atua como uma tendência da pós modernidade e recorre à “citação” de uma manifestação anterior para construir. Sigmar Polke (1941). pintor que muitos vezes apresenta os seus quadros invertidos. o que se considerava nas últimas décadas como impossível. Eric Fischl. Jeff Koons. R. Kenny Scharf. como é lógico. como seja a possibilidade de continuidade. de forma muito peculiar. De momento. Mario Schifano (1952) e Mario Merz (1925). Na Itália. Nos Estados Unidos. na medida em que reúne os mais diversos elementos procedentes de correntes anteriores. A. Chegava-se a falar da morte da pintura. Enzo Cuchi (1950). Mas no seu ecletismo existe algo verdadeiramente importante. Andréas Schulze (1955). Cindy Sherman. Martin Kippenberger (19532). poderia implicar uma simples cópia ou inclusivamente apresentar-se a possibilidade de plágio. logicamente. e Werner Buttner (1954). Isso sucede. Salomé (1954). Jorg Immendorff (1945).

Grard Garouste. aonde vai desembocar. sendo os seus artistas por vezes mais profundos e originais. com a sua fragmentação. Em Portugal. Robert Longo. de internacionalismo. Benassar. repondo a exigência de progresso. Adir Sodré e Gervane de Paula. Manolo Valdes e Cristina Iglésias escultores. Frederic Amat. François Boisrond e Remi Blanchard. João Penalva. Eduardo Arroyo (equipe crônica). redundância e acaso. há também muitos representantes notáveis das “novas” tendências. citações paródicas. Cabrita Reis. Pedro Croft.polemico. James Turrell. Gilbert & George. quer política quer cultural. Juan Muñoz. David Salle. À margem da história oficial. Victória Civera. Robert Combas. Aléxis Hunter. Victor Willing (marido da pintora Paula Rego). “O novo não é novo: o espírito da época” 102 . Jorge DUARTE. Tony Cragg. enquanto os italianos citam a pintura anti-cubista dos anos 10. Na Grã-Bretanha. Ferran Garcia Servilha. Na França. a invadir o seu campo de ação. no que quer que se chame rigorosamente. escultor e autor de instalações. Sergio Pombo. Juan Gopar. autor de “instalações” e “ambientes” que jogam com efeitos de luz. no Brasil e em outros paises latino-americanos. A falta de objetividade relativamente a um movimento que na atualidade se encontra em plena efervescência impede de estabelecer com maior clareza quais são os seus objetivos e sobretudo. Richard Deacon. Pedro Calapez. Alfonso Fraile. que por sua vez citava já as tradições pós renascentistas que as notabilizaram. entre outros. Julião Sarmento. Leonilson. Na Esopanha. qual será o seu futuro ou. Chema Cobo. e etc. J. como Miguel Barceló. No Brasil. o expressionismo. (Equipe Limite). Florenci Guntin. Paula Rego. Pereira. o problema da maternidade ou da pós-maternidade põe-se de uma maneira menos datada em Portugal. Os alemães recuperam o movimento moderno em que mais se prestigiam. Fernando J. Jose Maria Sicília. Pedro Tudela. O Pós-Moderno. Leonel Moura. relativisa a história e afirma o regionalismo. Pedro Proença. Álvaro Lapa. pelo menos. em certos meios artísticos. Rui Chafez. Douglas Gourdon e Alan Davie entre outros. Juan Bordes. Ken Kiff. Graça Moraes. se não precursores. Antonio Olaio. O NeoConstrutivismo Abstrato a figuração politizada tendem já. de projeto e de consciência da história.

E tiveram razão. Os artistas vivos são. Os preços sobem em flecha. em vida. O preço Maximo alcançado por este pintor holandês não foi um caso isolado. sendo o novo recorde de 82. Museus e galerias de arte dificilmente conseguem conter as multidões de visitantes que afluem às inaugurações das suas exposições. Este êxito vem-se registrando desde há muito tempo. freqüentemente pintou este mesmo tema e que. Em vez de comprarem automóveis mais dispendiosos ou velozes. Não obstante.5 milhões de dólares pelo quadro Girassóis de Vincent Van Gogh que. tendo 103 .Nos últimos anos deste século. mas é indubitável que o número dos seus compradores aumenta a um bom ritmo. obtendo. Gachet de Van Gohg ultrapassou aquela marca na Galeria Sotheby. isto significa que confiam nas suas perspectivas e esperam que surjam mais Van Gohgs. apenas vendeu um único quadro. Os preços astronômicos que as obras clássicas dos tempos modernos atingem nos leilões de Londres e Nova Iorque. Este fato revela uma grande confiança nas perspectivas futuros do comercio de arte. Ainda em maio do mesmo ano. Uma seguradora japonesa pagou o equivalente a cerca de 72. segundo os críticos de arte mais indispostos. revelando uma tendência para o seu aumento. Embora a sua própria essência seja a constante mudança. não se limitando aos aspectos exteriores. esculturas e trabalhos fotográficos de artistas jovens.5 milhões de dólares. Naturalmente que nem todas as obras de arte encontram logo um comprador. constituem um investimento seguro para o futuro. relativamente rápido. Se os investidores privados estão dispostos a despender quantias tão elevadas por quadros de mestres desaparecidos ainda há menos de um século. a arte sofreu uma transformação. Mesmo as obras acabadas de sair do atelier de um artista são bem acolhidas. o reconhecimento demasiado depressa. Em 1987. o Dr. talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora. os peritos do mundo da arte vaticinaram que este “preço recorde” de uma obra de arte moderna atingindo a nível mundial seria batido em curto prazo. muitos preferem investir em quadros. à primeira vista. A arte contemporânea tornou-se um componente natural da sociedade burguesa. esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores> Assim. colecionadores privados encomendam obras em quantidades sem precedentes. desta vez ela atingiu camadas mais profundas. por conseguinte. beneficiados por esta situação. direta ou indiretamente. O próprio conceito de arte é posto em questão.

Os hábitos americanos começam a infiltrar-se na Europa: para pertencer à elite social. como obsoleto. tornando-se a figura mais popular do seu governo. de bom grado. Acontecia freqüentemente que o que era lançado na Primavera. que definiam as tendências. Fala-se dos “novos pintores selvagens”. abreviadamente. assim como mecenas privados na Grã-Bretanha tentam suplantar-se mutuamente com a fundação de novos museus e galerias de arte. por “Neogeo”. Paris e Viena. Na França. é preciso saber falar de arte. Além disso. melhor investimento que os automóveis. e um chanceler federal alemão da ala concervadora abriu. Aliás. uma arte com um programa neo-geometrico designada. em principio. um ministro socialista da cultura defendeu a arte contemporânea mais do que qualquer antecessor seu. Londres e Milão. cidades . constituem.em mente que a arte contemporânea confere prestigio social. E por mais estranho que pareça. numa rápida mudança. Aos “novos selvagens” seguiu-se. ou aqueles que se consideram como tal. não tinham saído das galerias para iniciarem as suas longas digressões e apresentarem as suas exposições em museus e galerias de arte internacionais. No mundo ocidental. estados e municípios da Alemanha Federal. o que salta primeiro à vista é a abundante utilização do adjetivo “novo”. Apesar de nas eleições parlamentares não ter conseguido impedir a derrota do seu partido. a arte contemporânea voga mesmo sob ventos políticos favoráveis. eram os mesmos críticos anteriormente citados que levantavam mais alto do que ninguém que não aparecia nada de “novo”. E como se não fosse suficiente: ainda os artistas neo-figurativos e neogeometrico de Nova Iorque e Colônia. já os neo-conceptualistas reclamavam a atenção do mundo da arte. de uma arte “neo-figurativa”. contribuiu para o prestigio da cultura francesa. as portas do seu gabinete às mais recentes produções de arte contemporânea e não se coibiu em promovê-la através de dispendiosas vernissage sobre a nova pintura. A concepção de projetos para novos museus tornou-se também uma tarefa apreciada e muito pretendida pelos arquitetos. Itália e dos Países Baixos. Tudo aquilo de que se fala aparece a luz do “novo”. como as obras de arte não estão sujeitas a desgaste. no outono do mesmo ano. são eles que não estão dispostos a aceitar de bom grado esta situação: o fato de a arte contemporânea obedecer tão cegamente às leis da moda e que artistas 104 . revelava-se. de uma “nova pintura alemã” ou de uma “nova pintura austríaca”. Por último. Ao fazer-se um exame das correntes artísticas dos anos 80. províncias e regiões da França.

à concepçãp da linguagem corrente. nascido no Haiti. vandalismo puro e simples”. tão novo e também não tem de o ser. afinal de contas. A primeira grande exposição de grafitti foi realizada em 1975 no “Artist’s space”. de modo algum. palavras ou frases de humor rápido. principalmente no contexto político e social. As temáticas do seu 105 .” GRAFITTI: Definido por Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial” e por outros. iniciou sua carreira grafitando as paredes e muros de Nova York. existe a valorização do desenho. Por isso. o metrô e das ruas das galerias e museus de arte. é fácil para os críticos de arte porem a ridículo todo o palavreado em redor da arte “nova” como servindo apenas para encobrir o fato de que “o rei vai nu. o grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas que. Este adjetivo nunca aparece isolado. (1960-1988). instalando-se em coleções privadas e cobrindo com seus rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo. de Nova York. destruição moral. como “violação. ligado a uma tendência artística já existente. no PS 1. O novo não é. mas a consagração veio com a mostra “New York/New Wave” organizada por Diego Cortez. pixação de signos. mas sempre como prefixo. o grafitti saiu do seu gueto. só deixa passar a tinta pelos orifícios determinados. em 1981. Seus grafites mostravam símbolos de variadas culturas de obras famosas. Stencil art. O emprego inflacionado do adjetivo “novo” no contexto das diversas correntes artísticas não correspondente. um dos principais espaços de vanguarda de Nova York. Características gerais: Spray art. ao receber o jato de spray. e principalmente ícones da cultura e consumo americanos. Principal artista: Jean Michel Basquiat. valorizá-se a cor. anarquia social. com apresentação de Peter Schjeldahi.relativamente jovens e de ambos os sexos tenham um sucesso comparável ao das “estrelas” do mundo do espetáculo e acima de tudo não lhes agrada a idéia de que a arte contemporânea não pretende inscrever no seu estandarte o novo pelo amor ao novo.

que conseguiram vencer as cidades da Tríplice Aliança e estabeleceram assim seu império. Os Maias estabeleceram-se ao norte da península de Yucatán e construíram várias cidades-santuarios. 106 . Seu calendário de 365 dias revelou-se mais exato que o utilizado então na Europa. Os mais desenvolvidos cientificamente e intelectualmente foram os Maias: possuíam um sistema de escrita hieroglífica e atingiram grandes avanços na astronomia e na matemática. a opressão e o racismo. As civilizações mais avançadas da América Central foram a Maia e a Asteca. mas também nos de toda a Europa.INCAS: Tal como os negros nigerianos. e das quais existem exemplos não apenas nos museus do México.trabalho refletem suas preocupações. a partir da virou celebridade. enquanto os Astecas se estabeleceram nas ilhotas do lago de Texcoco. Parte de seus conhecimentos foi absorvida pelos Toltecas. Morreu prematuramente em virtude de depressão e drogas. destacam-se os artistas: Alex Valauri. representadas por templos e palácios em terraços piramidais.ASTECAS . Foi patrocinado por Andy Warhol (Pop Art). ouro e pedras preciosas dos astecas. nas quais se diferenciavam classes sociais e profissões. Os próprios conquistadores espanhóis se deram conta das maravilhosas obras de ourivesaria de prata. os americanos pré-colombianos. bem como em relevos e esculturas decorativos e suas pinturas e objetos suntuosos. como o genocídio. Waldemar Zaidler e Carlos Natuck. México-Tenochtitlán. Com 21 anos participou da sua primeira coletiva em Nova York. Além disso já conheciam o zero. utilizadas para dfecorar palácios e templos. sabiam apresentar a face humana de madeira natural. Foi essa mesma organização que os beligerantes astecas adaptaram ao chegar ao vale do México. onde edificaram a capital de seu império. Ambos os povos deixaram o testemunho de sua grandeza em obras arquitetônicas colossais. O império Maia teve uma organização estatal e social bem definida. No Brasil. que por sua vez os transmitiram para o resto das culturas do vale do México e para os astecas. PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS .

A pintura Asteca. embora persistindo a esquematização. uma construção de três salas. Conservavam-se também manuscritos e cópias de livros com iluminuras.Pintura: No ano de 1946 foi descoberta Bonampak. A ausência de um sistema preestabelecido de escrita. É surpreendente o contraste deliberado de cores. mas igualmente informativos. ao contrario. narrada com riqueza de detalhes. as formas Maias são mais suaves e arredondadas e mais estilizadas. Longe de toda abstração simbólica. sobretudo a figura do Chac Mool. transmitiu tanto aos desenhos como as cores da pintura Asteca uma simbologia comparável à dos hieróglifos egípcios. a estatuaria deveria ser imagem e semelhança da realidade. e influiu na almejada abstração. mas também por terem ficado protegidas por uma fina camada de calcário. depositada naturalmente sobre sua superfície. esses murais apresentam-se impregnados de figuras representativas de um determinado momento histórico. e em muitos casos existiu até um afã de individualização dos rostos ou de sentimentos. e foram de fato excelentes copistas. como a dos Maias. Escultura: Para os Maias. ou mensageiro sentado. A escultura colossal é muito comum como complemento de templos e palácios. Cada parede representa uma cena. ou câmaras. O conjunto apresenta os contornos acentuados. Essas pinturas chegaram quase intactas até o século XX. Não menos perfeitas foram as gravuras 107 . manteve-se como complemento de relevos e teve um caráter simbólico. São significativos os baixos-relevos dos templos. Sabe-se que. do estilo das gravações de estrelas comemorativas. Os rostos possuem traços individualizados. nos quais os artistas Maias combinaram figuras naturalistas com fundos geométricos acompanhados de textos em hieróglifos. cobertas de pinturas murais coloridas. A perspectiva é obtida pelas superposições e escorços das figuras. a partir da conquista espanhola. não tão abstratos como os egípcios. o amarelo. Ao contrario dos Astecas. não só pelo fato de term permanecido longe da vista dos espanhóis. bem como sua grande variedade: as preferidas eram o vermelho e suas diferentes tonalidades. Em suas esculturas é possível identificar as características físicas do povo. o azul e o verde. os Astecas passaram a produzir pinturas de gosto europeu para os conquistadores. encomendados pelas cortes européias.

Atribuíram também grande importância à industria metalúrgica. As crônicas do império narram a história da família Ayar. De fato. O Deus mais importante era Quetzalcoatl representado como homem ou serpente emplumada.sobre madeira das portas e seus respectivos dintéis. ao artesanato têxtil e à cerâmica. já conhecido pelos antecessores dos Astecas. motivo por que as figuras representadas eram normalmente deuses acompanhados de seus atributos. serpentes sagradas. andesita e pórfido. A boca é formada por duas cabeças de cascavel. que emigrou para Cuzco vinda do norte. Os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos. e a terracota. 108 . Essa organização do estado. Como em qualquer outro império do Ocidente. utilizaram a arte com expressão máxima da difusão de seu poderio. ARTE INCA: As origens do povo Inca remontam as civilizações anteriores aos Nazcas e Tihuanacos. aliada ao estabelecimento de uma religião e uma língua oficial. sabe-se com segurança que esse império chegou a abranger mais de 900 000 km2 na costa do Oceano Pacifico e que seu primeiro imperador-chefe. permitiu a convivência pacifica de uma grande dibversidade de etnias submetidas a um governo central. colocadas frente a frente. criou. simbolizavam o poder do raio. cujo último sobrevivente alcançou a condição de Deus. que por sua vez delegou o poder às famílias mais importantes de cada aldeia. Sua função era eminentemente religiosa. Os materiais mais utilizados eram a pedra. Tlaloc: O Deus da chuva Asteca (século XIV-XV). Manco Capac. principalmente na fabricação de armas. com obras mais próximas da engenharia do que das disciplinas artísticas. na qual demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza expressiva. o sistema de organização social e estatal mais avançado da América pré-colombiana. que negava todo naturalismo. As figuras modeladas em estuque para a decoração de interiores valeram-lhes o qualificativo de primeiros barrocos da América Central. A estatuaria Asteca era de um simbolismo profundo e de uma linguagem tendente à abstração. por volta do século XV. A função religiosa cedeu lugar à representativa e utilitária. os Toltecas.

fundos neutros com predominância dos tons terra e ocre. imprimir um caráter individual a cada peça. inspirados nos stupas hindus. desde os séculos V e VI até o XIX. 109 . O vinculo permanente entre ambos os países determinou a influencia do primeiro sobre o segundo. dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas antropomórficas. baseada na fusão com obras de civilizações anteriores. sendo definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia Tang (século VI). entretanto. O Japão recebeu o budismo das mãos dos chineses durante o período Nara (645-784). Os Incas modelaram também estatuetas antropomórficas e keros. revela. em todas as disciplinas artísticas. vasilhas de madeira decoradas com cenas ou figuras de animais. sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos guardiões da cultura (bonzos) japoneses. mais precisamente o budismo. ARTE CHINESA E JAPONESA: A arte do extremo oriente. como os Nazcas e Chimus. utilizaram. na China e no Japão estreito relacionamento com a religião. Embora certamente dispusessem de grande variedade de cores e até jogassem com as gamas mais fortes. rica e variada em suas manifestações. As formas básicas eram urpu. num estilo tão ascético quanto o da arquitetura. os pagodes. por meio do uso de cores chamativas e bordas geométricas cada vez mais complexas.Nessa ultima. começaram a absorver as crenças budistas. Os chineses. Isso se refletiu também nas estampas dos tecidos. embora com o tempo os artistas japoneses tenham forjado suas imagens próprias. depois da expansão do império gupta (indiano) no século IV. Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi a religião. Escultura: A cerâmica Inca revelou uma característica estrita de funcionalidade e desenho. ou jarro. a principio taoistas e confuncionistas. naturalistas e distanciada do simbolismo chinês. em composição. os ceramistas tentaram. utensílios-escultura de grandes dimensões. espécie de cântaro. Os motivos são na maioria discretos e puristas. Evitou-se o exagero e a opulência. bem como o irregular ou assimétrico. Limitados por essa esquematização. Difundiram-se assim os primeiros templos chineses. e os puynos. as vasilhas de vários pés. e raqui.

Com o tempo. quanto pagodes exibem aparência semelhante em atenção a essas normas. As formas quadradas. mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com a natureza. criado por Kobori Ensnu. Construído em meio a um jardim de plantas perenes. que convidam à meditação. tiveram e continuam tendo um caráter eminentemente funcional. pedras e água. além de serem uma realização complexa. carente do lirismo e da intelectualidade dos chineses. Para os chineses. o rikyu continua sendo hoje em dia 110 . No Japão. Trata-se de uma vivenda onde o volume e a simplicidade de formas são os personagens principais. No geral. no geral madeira e argila. Arquitetura: Tanto uma como outra. principalmente nos telhados. Ali se pode observar a disposição do templo e dos diferentes palácios. que representam a terra. tendo em vista as estações do ano. que se estende por pequenos pátios internos em cada um dos diferentes edifícios. combinam-se de tal maneira que tanto templos. com um imenso jardim central. os rikyu passaram a servir de modelo para habitações particulares pela capacidade de transformação do espaço que suas leves divisórias corrediças ofereciam. construída para o imperador no inicio do século XV. O exemplo mais interessante é o da Cidade Proibida. Os telhados típicos de terracota. a arquitetura deveria ser uma réplica do universo. Os melhores expoentes pertencem às dinastias Ming e Ys’ing. embora os motivos tenham nascido da iconografia chinesa. A pintura de paisagens atingiu o auge na China a partir do século XII. que transpôs para o Japão nas estatuas colossais de Buda.A escultura chinesa também adotou as ousadas e elegantes formas da Índia. de costumes e narrativo. simbolizam na China a união entre o celestial e o terrestre. e as arredondadas. Uma das construções mais típicas é o rikyu. A cerâmica e a porcelana ocorreram com igual profusão em ambas as culturas. mas então o Japão desenvolveu um estilo próprio. as construções chinesas que mais receberam atenção foram os templos. e em alguns casos também cobre e junco. Os materiais utilizados são os que o entorno natural oferece. com suas pontas para cima. que simbolizam o céu. não apenas no que se refere a habitabilidade. para a realização da cerimônia do chá. persistiu-se na tradição arquitetônica chinesa para os templos budistas. localizados sobre um terraço com orientação especifica. o que não ocorreu com a arquitetura profana.

nos quais tanto os chineses quanto os japoneses demonstraram um refinamento singular e uma grande exigência de qualidade. combinando as ilustrações com letras desenhadas. No século XI aparecem os primeiros quadros de paisagem. A ele seguem-se os afrescos dos tempos da dinastia Han e mais tarde os da Tang. Os trabalhos em jade. pertencentes à dinastia Ming (século XIV). Os escultores japoneses adotaram os modelos búdicos austeros da dinastia chinesa T’ang. bronze. O paisagismo foi considerado na China o gênero pictórico mais relevante e atingiu o apogeu durante a dinastia Song (IX-XIII).). tentaram dotar sua estatuaria de grande expressividade. muito bem conservado e de uma elegância e refinamento característicos das cortes imperiais. típicas da plástica indiana. Existia o pequeno formato de álbuns. obscureceram a escultura. Sob o governo da dinastia T’Sang proliferaram as figuras em madeira pintada e folheadas a ouro. pedra extremamente difícil de se esculpir.uma das construções de contemporânea ocidental. maior influencia na arquitetura Escultura: As primeiras esculturas chinesas eram figuras zoomórficas monumentais da época da dinastia Han. cerâmica e porcelana de caráter suntuoso. Pode-se dizer que esses modelos se conservaram ao longo de toda a história da arte chinesa quase sem variações estilísticas. Os motivos eram tanto religiosos quanto profanos. Ousados e inconformados. o que os levou a colorir rostos e intensificar as feições. combinado-os com os preceitos históricos do xintoísmo. tanto em pedra como em bronze. os artistas japoneses não temeram cair num certo maneirismo próximo do grotesco.C. As jóias e os objetos decorativos em jade. com exceção das famosas estátuas monumentais do príncipe Buda. Não satisfeitos com a idealização chinesa. e os espelhos decorados eram muito cobiçados pelos aristocráticos mecenas japoneses. Esse expressionismo foi transferido depois para as máscaras de teatro do século XV. As 111 . Pintura: A extensa história da pintura chinesa começou com um quadro sobre seda encontrado recentemente e que pertenceu à dinastia Shou (206 a. A porcelana faz parte da tradição: a mais representativa continua sendo o azul cobalto e branca (Arte Ming).

o Khuner. A pintura japonesa. com os quadros de costumes conhecidos como ukiyo e obras de Utamaro e Hokusal. estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história. foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a partir do reino vizinho. Adquiriu então importância a técnica de aquarela sobre papel ou seda.. que tanta influência exerceram sobre a pintura dos séculos XIX e XX. apesar de posterior ao Bramanismo e contemporâneo do jainismo. O modelo. não se afastou do modelo chinês. O budismo. 112 . e seus escritos religiosos. as composições eram em geral assimétricas e obtinha-se uma ilusão de perspectiva sem paralelo na pintura universal. Já em plena Idade Média. Ceilão. que depois foram estendidos às outras religiões. A partir de então. O grande ressurgimento da pintura não chegou senão no século XVIII. que tão imitadas seriam na Europa rococó (Chinoiserie). A partir do século XIV. e manifestou-se uma renovada religiosidade nos temas. entretanto. Também foi o apogeu dos gêneros paisagistas e de costumes. principalmente nas cortes. Os Vedas. sempre segundo cânones estéticos chineses. a pintura chinesa se limitou à imitação dos modelos antigos. A principio também se produziu grande quantidade de afrescos. pelos demais. A arte indiana também recebeu influencia persa. e surgiram as pinturas sobre seda e as gravuras. ARTE INDIANA E KHMERIANA: Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia. o sânscrito. com os conhecidos quadros da cerimônia do chá. com dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural. As origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos. que decoravam as paredes dos templos. mas também na Caxemira. os pintores japoneses abandonaram definitivamente os temas religiosos e optaram por ilustrar o refinamento e os luxos da corte. a pintura sobre seda se transformou no gênero mais valorizado.paisagens ostentavam formas puras e simbólicas. Nepal. eram semelhantes às primeiras pinturas budistas dos pagodes chineses. Tibete e Indonésia. De caráter naturalista.C. principalmente e dos impressionistas e modernistas. no século VII a. no essencial. que depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação. desde seu surgimento.

aparentemente devido à falta de conhecimento técnicos de seus escultores. Essa técnica deu origem a graves problemas no que diz respeito à conservação das obras. surgiram as três escolas mais importantes da Índia.. No geral. – I a. as representações tendiam para o naturalismo. Antes. ou seja.C.). O chamado período clássico começou com os reis guptas. e os relevos. e a de Wengi. A época do esplendor desse tipo de afresco coincidiu com o período de transição (séculos V a. A de Gandhara e a de Mathura. Pintura: A pintura indiana complementou a escultura na decoração de templos e palácios e serviu como veiculo de propagação da religião e da história a partir da dinastia Vakataka (século V d. extravagância e colorido. são do século V.sob o reinado de Asoka (274-237 a. deixando de lado o budismo. 113 . No caso dos afrescos das famosas cavernas de Ajanta. no norte. cuja imagem apareceu pela primeira vez nas obras da escola de Gandhara. retomando a tradição indiana. Os temas preponderantes eram as cenas de vida do príncipe Buda (O iluminado). A primeira foi a mais importante. ainda que fossem influenciadas por uma estética sensual e idealista. fazia-se alusão a ele através d algum símbolo ou do vazio.C. que era a representação mais completa de seu estado de pureza e santidade. mais novos. Os artistas desse reino apostaram. que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e renovaram as formas arquitetônicas.C.C.C. anterior a ela: porte colossal. que manteve os princípios estilísticos da dinastia Gupta.C. No século I d. pintava-se o desenho básico com a parte úmida.). no sul. entretanto. A arte indiana começou a se expandir a partir da Idade Média e encontrou seu imitador mais respeitado no vizinho reino do Khmer. no Camboja. de modo geral estritamente simétricas e despojadas do sensualismo e erotismo do modelo. na medida em que.). sentado e com auréola. de superfícies menos carregadas. retocando-a depois de seca a superfície. enquanto outros. que se difundiram de lá para o resto da Ásia. alguns datam do século II d. até então simbolizado pelo vazio. influenciada pela arte grega. Especial relevância tiveram os templos piramidais. A técnica utilizada era a do afresco combinado com a têmpera. em representações mais rígidas. época em que esse tipo de pintura começa a se difundir por toda a Ásia. criou a chamada arte grecobúdica e foi também responsável pela primeira representação figurativa do príncipe Buda.

As formas búdicas e indianas foram adotadas em representações mais esquemáticas e rígidas. que. De lá. faltavam-lhes o colorido e a vivacidade dos afrescos. As figuras talhadas na pedra pareciam se reproduzir infinitamente para cobrir completamente. o Khmer. Escultura: A escultura Indiana teve. típicas da decoração dos stupas. Os relevos com cenas eróticas extremamente explicitas. O melhor exemplo disso é o relevo “A Descida dos Ganges” (século I d. Ásia Menor.C. Essa tendência se manteve por vários séculos. sob a orientação dos califas. Isso se deu ao fato de que sob a dinastia Mahayana. tanto no Oriente quanto no Ocidente. Essa carência foi suprida com a influencia posterior da pintura persa. cumpriam a função de ensinar aos iniciados os princípios de Buda. Pérsia. A influencia da estatuaria indiana deixou sua marca no reino vizinho. Norte da África e Espanha. interpretou o ato sexual como a aproximação do homem divino. Síria. tanto nas estátuas quanto nos relevos. a pratica do afresco cedeu lugar a miniatura. No século XI apareciam as primeiras imagens do príncipe santo nas oficinas da escola de Gandhara sob a influencia grega. o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina (Madinat al-Nabi. a arte budista dos pioneiros tempos evitou representar o príncipe iluminado. uma das ramificações religiosas indianas do budismo.) a escultura indiana começou a adotar elementos fantásticos ao mesmo tempo em que ganhou em monumentalidade. com uma qualidade artística visivelmente inferior. as paredes internas e externas do templo com figuras humanas e de animais. consagrada na Idade Média. começou a rápida expansão do Islã até a Palestina. Durante o período clássico (320-570 d. num descontrolado horror ao vazio. no Camboja. cidade do profeta). além de decorar.). 114 .No inicio do século X. ARTE ISLÂMICA: No ano de 622. o tantrismo. que evitavam toda a referencia ao erotismo. Apesar de inteiramente figurativa. nas suas origens. um caráter decididamente naturalista. surgiram a partir da indianização do budismo.C. Índia. sucessores do profeta. Como a pintura era feita sobre folhas de plantas regionais dessecadas e em rolos de papel.

De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se identificassem. Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços estilísticos dos povos conquistados, que no entanto souberam adaptar muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu inicio, conceitual e religiosa. No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má imitação de uma realidade fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista. As letras lavradas na parede lembraram o neófito, que contempla uma obra feita para Deus. Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no inicio, como exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação. Arquitetura: As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina : uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e refugio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos. No entanto a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão

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importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização. A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um circulo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma.. As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àqueles na forma. A construção de palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capitulo a parte. As residências dos emires, construíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o habitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala de trono. Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar a todos os fiéis, convidando-os à oração. A Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos mártires. Tapetes: os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmica. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o mulçumano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra. Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80.000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40.000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais
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clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração. Pintura e gráfica: as obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas,. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa. A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação cientifica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capitulo de outro. Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No inicio, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco. Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava a cerâmica, mais utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso cotidiano. ARTE AFRICANA: Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no
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apenas para citar algumas. prestavam culto ao espírito de seus antepassados. que cristianizaram várias regiões. A arte africana é eminentemente funcional. embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações. Alguns. se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes. em busca de novas motivações temáticas e técnicas. graças a antropologia de campo e aos especialistas em arte africana. Entre as peças mais valorizadas atualmente estão. 118 . Some-se a isso a influencia dos primeiros colonizadores portugueses. vindas das ilhas paradisíacas dos mares do sul. E isso é muito importante para a análise da obra. fang. algo que colaborou em muitos casos. especialmente os fauvistas e os expressionistas. Mais ainda. quando fauvistas e expressionistas se maravilharam diante da liberdade criativa que expressam as primeiras peças chegadas ao Velho Continente. Mas o dono já estava feito.continente africano convivem dez mil línguas. a exemplo da Europa. distribuídas entre quatro famílias. não pode ser entendida senão com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças religiosas. Muitos objetos ficaram sem classificação. Basicamente os povos africanos eram animistas. data deste século. para a distorção do verdadeiro sentido das obras. foi possível. provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente. além de reconhecer os valores artísticos das peças africanas. que são as principais. não se conhecendo assim seu lugar de origem ou simplesmente ignorando-se sua função. no século XX. as esculturas de arte das culturas fon. ARTE OCEANICA: A arte da Oceania constituiu um conglomerado de expressões artísticas de grande diversidade. existindo também os povos monoteístas. Estes. Daí ser particularmente difícil encontrar os traços artísticos comuns. como Gauguin. não titubearam em se mudar para lá por algum tempo. tentaram imitálas. ioruba e bini e as de Luba. Outros chegaram a criar verdadeiros panteões de deuses. organizar as coleções dos museus europeus. Sua inclusão na história da arte é bastante recente. Recentemente. O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras vanguardas. embora. O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas.

cada um desenvolveu diferentes técnicas e disciplinas artísticas submetidas em parte aos condicionamentos geográficos. limitados pela escassez do deserto.São quatro as etnias principais encontradas no continente da Oceania. os papuas acentuam a expressividade. o mesmo já não ocorre com os aborígines australianos. buscavam a novidade. Também é possível detectar diferenças estilísticas consideráveis. climáticos e materiais de cada região. madeira e conchinhas. inclusive entre os povos mais próximos: os australianos se preocupam com o simbolismo religioso. penas de pássaros. embora no caso do arquipélago da Polinésia e Malanésia os materiais utilizados sejam variados: fibras vegetais. na Nova Zelândia (os maoris) e ilha de Páscoa. menos conservadores. no arquipélago da Melanésia. os Melanésios. Assim. corais. e os polinésios. nos deserto do continente. Embora todos tenham origem asiática. ossos. na ilha da Nova Guiné. e os polinésios. os papuas. vindas provavelmente da Índia e Indonésia: os australianos. 119 .

........117 ARTE AFRICANA: .................................................................................................................17 ARTE PRÉ-HISTÓRICA:......34 Classificação da arte:.........................................................................................................................................................................10 ARTE INCA:............................3 ARTE ROMANA:...............97 ARTE EGIPCIA:..............3 Como entendemos a arte?..108 ARTE INDIANA E KHMERIANA:...........................................................................................70 ACTION-PAINTING:.........................................................................................................................................................118 ARTE PALEOCRISTÃ:..............................................................................................................................................23 ARTE GREGA:..............................................................109 ARTE CONCEITUAL:..................117 ARTE ASSEMBLAGES...........................................2 Conceito:....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................85 ARTE AFRICANA............................................................................................67 ARTE NOUVEAU:.................................45 ARTE OCEANICA:.......................................................................................................................................................................................114 ARTE NAIF:..............................................................................1 COBRA:.............................................................................................................................................................................................................21 BARROCO:...................................................................................................1 120 .................................................................................................................................................................................................................................................................................................20 ARTE BIZANTINA:............................................................................................................................................................................................................................................................................................... ..................................................................................................................................................................................................112 ARTE ISLÂMICA:..Índice Remissivo ABSTRACIONISMO:............................................................. HAPPENINGS................................................................................................................................................................................. AMBIENTES.........................................86 Como as idéias se espalham pelo mundo?..........................................................................14 ARTE ROMÂNICA:..... BODY ART E NOVO DADAISMO:...............................................................6 ARTE GÓTICA:..............96 ARTE BARBARA:..................................18 ARTE CHINESA E JAPONESA:...........................................

...................................................................................................92 EXPRESSIONISMO ABSTRATO:....................................................................................45 NEOCLASSICISMO:.................................................................................................................... EXISTECIALISMO E TACHISMO:.............................................................................................................................................................95 INSTALAÇÃO:...............................................................................ASTECAS ..39 NEOPLASTICISMO:............97 INTERFERÊNCIA:...................................................................................................................................................................................60 DADAÍSMO:........................................................................................................................................................................................................................................................................... .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................6 MINIMALISMO:...................................................................................................................................................................................................81 O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte?.........................................................................29 MESOPOTÂMIA:...2 PÓS-IMPRESSIONISMO:.......................69 DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO...........................................................................................106 Quem faz arte?.......................................................................................................................................................................................................................................................59 GRAFITTI:......................................90 MODERNISMO:.....................88 POP ART: ................................................................................77 EARTH ART:............................................................97 MANEIRISMO:.....................................................................................51 FOVISMO:....................................................................................................79 CONSTRUTIVISMO:............................CONCRETISMO:..................................77 CUBISMO:............................................................................46 INFORMALISMO.............................................................87 PINTURA METAFÍSICA:...........................................................2 121 ..............49 PÓS-MODERNISMO:...............................................93 PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS ..............................................88 Por que o mundo necessita de arte?...................................................................105 História da Arte:..........................................................................2 OP ART:.................................................................................................................................................INCAS:..................1 IMPRESSIONISMO:................................................................................................................................................................................................ GOTTILIEB E NEWMAN.........................................68 POP ART................75 EXPRESSIONISMO:.........................................................................................................

.......RACIONALISMO:................42 RENASCIMENTO:..........................95 REALISMO:.... NEO-EXPRESSIONISMO........................................ NOVOS SELVAGENS..... BAD PAINTING...................................................82 TRANSVANGUARDA...............................................25 ROCOCÓ:..........................................40 SUPREMATISMO:..........................................................................................100 122 ...................... NOVA FIGURAÇÃO E PÓS..............................................................................................................................................................................................................................................36 ROMANTISMO:................................................................MODERNISMO:.........................................................................................................................................................................75 SURREALISMO:..............................

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