História da Arte: O pintor suíço Paul Klee, disse uma vez que “a arte não limita o visível: cria

o visível” . Sua frase sintetiza uma das principais discussões da história da arte, aquela que opõe de um lado os adeptos da imitação e de outro os da invenção. Mais sistemático, o pintor russo Vassili Kandinski definiu três elementos constitutivos de toda obra de arte: o elemento da personalidade, próprio do artista; o elemento do estilo, próprio da época e do ambiente cultural; e o elemento do puro e eternamente artístico, próprio da arte, fora de toda limitação espacial ou temporal. Conceito: De um ponto de vista genérico e com base em qualquer dos teóricos modernos, a arte é pois todo trabalho criativo, ou seu produto, que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética , isto é, com fim de alcançar resultados belos. Se bem que o ideal de beleza seja de caráter subjetivo e varie com os tempos e costumes, todo artista (seja ele pintor, escultor, arquiteto. Ou músico, escritor, dramaturgo, cineasta) certamente investe mais na possível beleza de sua obra do que na verdade, na elevação ou utilidade que possa ter. Nas artes visuais contemporaneamente chamadas artes plásticas, esse tipo geral esteve sempre presente, assim como os outros que eventualmente se lhe acrescentam, isto é, a originalidade, o aspecto critico e muitas outras características. Classificação da arte: Artes espaciais, todas as artes plásticas, distinguindo as bidimensionais como desenho e a pintura, e as tridimensionais, como a escultura e arquitetura. O sentido mais importante para sua apreciação estética é a visão, motivo por que também foram chamadas de “artes visuais”. Artes temporais, todas as artes que implicam um processo no tempo. Costumam distinguir-se as artes sonoras, como a música instrumental (que além disso, é intermitente, isto é, só existe como tal quando é executada) e as artes verbais, que compreenderiam gêneros literários como a poesia e o romance. Artes mistas, as disciplinas artísticas em que intervêm, combinados, elementos pertencentes aos dois grupos anteriores. O teatro por exemplo, ainda que seja um gênero literário, inclui a representação espacial; a dança é ao mesmo tempo espacial ou
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temporal; e a ópera compreende, além disso, componentes literários, assim como o cinema. Ao longo dos tempos, e à medida que se sucedem às gerações, a arte experimenta mudanças em sua maneira de ser e cabe à história da arte avaliar a importância dessas modificações. Mas a história deve ser, mais do que uma enumeração interminável de fatos, um ordenamento destes (com suas conseqüências). De que toda prioridade seja dada aos realmente mais importantes. Também o historiador da arte deve ordenar por classes os fatos de que dispõe, segundo um critério de qualidade. Quem faz arte? O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de cozinha . Outros objetivos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas. Por que o mundo necessita de arte? Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser ... feita para decorar o mundo ... para espelhar o nosso mundo (naturalista) ... para ajudar no dia a dia (utilitária)... para explicar e descrever a história... para ser usada na cura de doenças... para ajudar a explorar o mundo. Como entendemos a arte? O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar. O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte? Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único. Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o que, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos historiadores, costumam
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classificá-las por categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na arte ocidental. Ex.: Renascimento, impressionismo, cubismo, surrealismo e etc. Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte? Podemos verificar que tipo de arte foi feito, quando, onde e como, desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo tiveram. Como as idéias se espalham pelo mundo? Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progressos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através da arqueologia, quando se descobrem objetos de outras civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, e os estilos de arte podem ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas; pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e a arte podiam ser impressos. Os historiadores da arte, críticos e estudiosos classificam os períodos, estilos ou movimentos artísticos separadamente, para facilitar o entendimento das produções artísticas. ARTE PRÉ-HISTÓRICA: Um dos períodos mais fascinantes da historia humana é a préhistória. Esse período não foi registrado por nenhum documento escrito, pois é exatamente à época anterior a escrita. Tudo que sabemos dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem. Divide-se em: Paleolítico Superior: a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por
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madeira e ossos: facas. Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. machado. isto é. também esculturas de metal. o artista Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto. seios volumosos. Predominam figuras femininas. garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas. com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço.Como conseqüência surge um estilo simplificador e geometrizante. Desse período temos as construções denominadas dolmens (consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão. como família e a divisão do trabalho. Assim o homem do neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos. ossos. Utilizavam as pinturas rupestres. produzir o fogo através do atrito e deu inicio ao trabalho com metais. instrumentos de marfim. não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho. madeira e pedra. caça e coleta. controle do fogo. Paleolítico Inferior: aproximadamente 5. Mas. ocasionou um aumento rápido da produção e o desenvolvimento das primeiras instituições. Além de desenhos e pinturas. Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Neolítico: a fixação do homem da Idade da Pedra polida. ventre saltado e grandes nádegas. lançador de dardos.caçadores. e desenvolvimento da pintura e da escultura. instrumentos de pedra e pedra lascada. machados. e o seu poder de observação foi substituído pela abstração e racionalização. de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias. anzol e linha. arco e flecha. nota-se a ausência de figuras masculinas. o pintor caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. como – se fossem paredes. Os próprios temas da arte mudaram. O homem que se tornara um camponês.000 a 25.000 AC. mais que sugerem do que reproduzem os seres. feitas em rochedos e paredes de cavernas. ou seja. e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na captura de animais. primeiros homindios. sinais e figuras. e uma grande pedra era colocada 4 . Destaca-se Vênus de Willendorf. começaram as representações da vida coletiva. O homem deste período era nômade. Conseguiu ainda. tanto na pintura quanto na escultura. constituindo-se os primeiros arquitetos do mundo.

invenção da roda. enxada e tear. As cavernas: antes de pintar as paredes da caverna. Lembrando que pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa. O Santuário de Stonehenge. o homem fazia ornamentos corporais. depois magníficas estatuetas. suas pinturas foram achadas em 1942. em 1868. hienas. Caverna de Chauvet: França. construção de pedra.000 anos. indicio de que se destinava às praticas rituais de um culto solar. dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos. com mais de 40. 5 . como as famosas “Vênus”. Caverna de Lascaux: França. cerâmica e tecidos. Ele representa um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos regulares. e. aparecimento das cidades. e arado de bois. que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. Instrumentos de pedra polida. Sua autenticidade porém só foi reconhecida em 1902. Idade dos metais: aparecimento da metalurgia. algumas delas são: Caverna de Altamira: Espanha. A cor preta por exemplo. e primeiros arquitetos do mundo. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o sol no dia do solstício de verão. pode ser considerado uma das primeiras obras da arquitetura que a história registra. cavalos. invenção da escrita. há ursos. Existem várias cavernas no mundo que demonstram a pintura rupestre.000 anos.000 anos. panteras.horizontalmente sobre elas). foram os primeiros desenhos descobertos. como colares. mamutes. têm 17. descoberto em 1994. Gruta de Rodésia: África. No centro do último está um bloco semelhante a um altar. inicio do cultivo dos campos. artesanato. no Sul da Inglaterra. E o menir que era monumento megalítico que consiste num único bloco de pedra fincado no solo no sentido vertical. quase uma centena de desenhos feitos há 14. contém carvão moído e dióxido de manganês.

inclusive escravos. Arquitetura: As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e foram construídas por importantes reis do Antigo império: Quéops. Quéfren e Miqueninos. ARTE EGIPCIA: Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se desenvolveu no Egito. orientando toda a produção artística desse povo. Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana. justificando sua organização social e política. erguendo-se em direção ao céu. para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos. O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado. A múmia do rei ficava no centro da pirâmide. Era uma civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. Quando os Sumérios governou a cidade de Ur. Acredita-se também que uma cópia fiel da cabeça do rei fosse preservada para ele viver para sempre. Monumento do rei Naransin. determinando o papel de cada classe social e. (2270 aC). em madeira decorada com animais. os egípcios acreditavam também numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que viviam no presente. No fragmento de uma harpa (2600 aC). Junto a essas três 6 . as esculturas eram colocadas na tumba. Exercito Assírio. os reis eram sepultados com toda sua casa. onde ninguém as via. A religião invadiu toda a vida Egípcia. Esses povos não acreditavam que o corpo humano e sua representação deviam ser preservados para que a alma sobrevivesse. iriam ajudá-los. interpretando o universo. conseqüentemente. simetricamente dispostos com precisão como era costume deste povo.MESOPOTÂMIA: Sua arte era designada em grego. não existiam pedreiras no vale e os edifícios eram construídos de tijolos cozidos que se designavam com o tempo. voltava para junto dos Deuses dos quais viera. menos conhecida que a arte egípcia. sitiando uma fortaleza (883 – 859 aC). As pirâmides. O faraó era considerado ser divino que dominava o povo e que ao partir desse mundo. Os reis costumavam encomendar monumentos para celebrar vitórias nas guerras.

Eram colocadas na alameda do templo para afastar os maus espíritos. -Aspecto misterioso e impenetrável. destinados ao faraó. ao longo dos séculos. mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deulhe. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária. além de serem admiravelmente lapidadas. Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme seu capitel: Palmiforme: flores de palmeiras. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura.pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito. -Sentimento de eternidade. que representa o faraó Quéfren. Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos. 7 . e Hipogeu: túmulo destinado a gente do povo. ambos dedicados ao Deus Amon. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar. e Lotiforme: flor de lótus. Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar. Mastaba: túmulo para a nobreza. um aspecto enigmático e misterioso. Para seu conhecimento: Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). local onde estava a múmia do faraó e seus pertences. Papiriforme: flores de papiro. Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor. As características gerais da arquitetura egípcia são: -Solidez e durabilidade. Divididos em três categorias: Pirâmide: túmulos reais. a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia.

“O Jardim de Nebamun. representado como um falcão ou cabeça de falcão. muitas vezes coberto de inscrições. na pedra. 1400 aC”: Desenhavam o tanque como se fosse visto de cima e as árvores de lado. desenhavam de memória destacando tudo claramente. quase sempre de frente.ignorância da profundidade. Anúbis. 8 . nesta ordem de grandeza: o rei. Com esse objetivo ainda. Suas características gerais são: . . Os Uciabtis eram figuras funerárias em miniatura. uma ilusão de imortalidade. Deus do céu. Pretendiam com isso traduzir.Escultura: Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena.colorido a tinta lisa. As figuras femininas eram pintadas em ocre. Importavam-se com a plenitude e não com a beleza. os soldados e o povo.ausência de três dimensões. dando as figuras representadas uma impressão de força e de majestade. foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Os próprios hieróglifos eram transcritos. . peixes e aves de perfil com veracidade (zoólogos reconhecem espécies). sem claro-escuro e sem indicação do relevo. mais próximo da cartografia do que do pintor. ou seja. Pintura: A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas. em baixo-relevo. enquanto sua cabeça. . destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além. enquanto que as masculinas pintadas de vermelho. a mulher do re. ou cabeça de chacal. exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano. Recobria colunas e paredes. o sacerdote. sem demonstrar nenhuma emoção. Deus dos ritos funerais. dando um encanto todo especial às construções. Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no reino. Hórus. Os baixos-relevos egípcios. muitas vezes.Lei do frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente. suas pernas e seus pés eram vistos de perfil. geralmente esmaltada de azul e verde. que eram quase sempre pintados. como um chacal.

os intestinos e outros órgãos vitais. Seu sucessor foi Tutankhamon. O Rei Amenófis IV. Atom de quem era devoto e o representava pelo disco do sol. que descobriu o seu significado em 1822. Quando o palácio do rei foi escavado em Cnosso. O livro dos mortos. encontrou-se obra assim. e colocados num vaso de pedra chamado Canopo. cada um dotado com uma mão. seu túmulo repleto de tesouros foi descoberto em 1922. Em Creta. Nas imagens que aparece com sua esposa Nefertite e seus filhos. que restaurou as velhas crenças. ou seja um rolo de papiro com rituais funerários. Mumificação: a) eram retirados o cérebro. no fim do século XIX. Não desejava homenagear vários Deuses. Hierática: uma escrita mais simples.Deus mensageiro. que representavam com movimentos rápidos e ágeis. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro. Os egípcios escreviam usando desenhos. Também na parte continental da Grécia. rompeu com vários costumes. ilustrado com cenas muito vivas. enviando seus raios. e Demótica: a escrita popular. utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes. era posto no sarcófago do faraó morto. Desenvolveram três formas de escrita: Hieróglifos: considerados a escrita sagrada. algumas das obras ainda tem o estilo da região de Atom. não utilizavam letras como nós. . 9 Tolh. anota o resultado. as quais eram batidas e prensadas transformando-se em folhas. Intitulou-se como Akhnaton. homens e mulheres estão do mesmo tamanho. com a cabeça de Íbis. Para seu conhecimento: Hieróglifos: foi decifrada por Champolion. numa localidade que hoje se chama Tell-el-Amama. que acompanham o texto com singular eficácia. habitavam um dos povos mais talentosos. ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo. era inacreditável que um estilo livre e gracioso pudesse ser desenvolvido no 2º milênio. para ele só havia um Deus supremo. Seus retratos o mostram como um homem feio. e instalou sua corte longe dos sacerdotes dos outros Deuses.

b) Nas cavidades do corpo eram colocados resinas aromáticas e perfumes. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. ARTE GREGA: Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito. em Abu Simbel. Arquitetura: as edificações que despertaram maior interesse são os templos. através da arte. Em 1964. estão os templos erguidos pelo faraó Ramsés II. longe da margem do lago. a obra prestou uma homenagem ao mais famoso e empreendedor de todos os faraós. a arte grega liga-se à inteligência. engolidas pelo Lago Nasser. mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem estar do povo. A característica mais evidente dos templos gregos. Eles têm como características: o realismo. pois os seus reis não eram deuses. literalmente. Queóps. foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens. é a maior das três pirâmides. em 1970. é a simetria 10 . durante 20 anos. Contemplando a natureza. removeu pedra por pedra e transferiu templos e estátuas para um local 61 metros acima da posição original. encravado na montanha de pedra com suas estatuas do faraó de 20 metros de altura. o equilíbrio. embebida em betume. essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”. Entre as raras exceções desse drama do deserto. Para erguê-la. um prédio de 48 andares. interesse pelo homem. e a democracia. o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo. a harmonia ideal. Quando a grande barragem de Assua foi concluída. exprimir suas manifestações. o artista se empolga pela vida e tenta. O maior deles é o Grande Templo de Ramsés II. Na sua constante busca de perfeição. d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão. c) As incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque com nitrato de Potássio. um total de 40 milhões de dólares. uma faraônica operação coordenada pela unesco com recursos de vários países. por água abaixo. amor pela beleza. que servia como impermeabilização. tinha originalmente 146 metros de altura. Além de salvar este valioso patrimônio. dezenas de construções antigas do sul do país foram. Nove metros já se foram.

b) Teatros: que eram construídos em lugares abertos (encosta) e que compunham de três partes: a skene ou cena. filosofia. Sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas. Um exemplo típico é o teatro de Epidauro. As colunas sustentavam um entablamento eram construídos segundo os modelos das ordens dórica.entre o pórtico de entrada e o dos fundos. mas sobre uma base decorada. se encontram as Cariátides homenageavam as mulheres de Caria. O fuste da coluna era monolítico e grosso.C. c) Ginásios: edifícios destinados a cultura física. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. também. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. A ordem Dórica traduz a forma do homem e a ordem Jônica traduz a forma da mulher. para os espectadores. O capitel era uma almofada de pedra. jônica e corintia. ao ar livre. nela se expressa o pensamento.Na Acrópole. O templo era construído sobre uma base de três degraus. a) 11 . Sugere luxo e ostentação. para os atores. empresta uma idéia de solidez e imponência. Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. Ordem Corintia: o capitel era formado com folhas de acanto e quatro espirais simétricas. Nascida do sentir do povo grego. Principal arquiteto Ictino. d) Praça: Agora onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos.. muito usado no lugar do capitel jônico. o koilon ou arquibancada. composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita. a ordem dórica. Ordem Dórica: era simples e maciça. A coluna apresentava fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata. construído no século IV a. Chegava acomodar cerca de 14000 espectadores e tornou-se famoso por sua acústica perfeita. de um modo a variar e enriquecer aquela ordem. a konistra ou orquestra. para o coro. por sua simplicidade e severidade. entre eles. Os principais monumentos da arquitetura grega: Templos: dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas.

Murais e mosaicos. entre outras coisas. Escultores e pintores. em mármores. Primeiramente aparecem esculturas simétricas. o antropomorfismo (esculturas de formas humanas). Hidra: (derivado de Ydor. esses vasos eram usados para armazenar. No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir. uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar. com o gargalo largo. mas também pela harmonia entre o desenho. Cratera: tinha a boca muito larga. Segundo Sócrates.Pintura: A pintura grega. havia movimento. Além de servir para rituais religiosos. Esse tipo de estatua é chamado Kouros (palavra grega: 12 . animais e paisagens. os artistas. grandes figuras de homens. eram de classes inferiores. As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. o “escorço”. servia para misturar água com vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro). trabalhavam para sobreviver. foi insuperável. 500 aC (pintar um pé. água) tinha três asas. as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. pesquisavam para pintar. ornado com duas asas. com o corpo em forma de um sino invertido. a sua forma correspondia à função para que eram destinados: Ânfora: vasilha em forma de coração. Na escultura. encontra-se na arte cerâmica. encontramos vestígios da pintura Egípcia (rosto de perfil. deviam representar a “atitude da alma”. vinho. descobertos em Pompéia mostravam a natureza. em rigorosa posição frontal. azeite e mantimentos. além do equilíbrio e perfeição das formas. água. Por isso. O maior pintor de figuras negras foi Exéquias. Os pintores fizeram a maior descoberta. mas os corpos com diferenças). As estatua adquiriram. como é visto de frente). o movimento. com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. etc. Os vasos gregos. são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma. observando como “os sentimentos afetam o corpo em ação”. A pintura grega se divide em três grupos: 1) figuras negras sobre o fundo vermelho 2) figuras vermelhas sobre o fundo negro 3) figuras vermelhas sobre o fundo branco Escultura: A estatuaria grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. ombros de frente.

métopas e frisos. pela lânguida pose em “S” (Hermes com Dionísio menino). autor do Discóbolo (homem arremessando o disco). Os principais mestres da escultura clássica grega são: -Praxíteles. talvez o mais famoso de todos. e Atenéia. Teatro: Foi criadas a comédia e a tragédia. Olimpíadas: se realizavam em Olímpia. a) b) c) d) Para seu conhecimento: Mitologia: Zeus. Apolo. entre os gregos a lira era o instrumento nacional. Realizou toda a decoração em baixos-relevos do Templo Partenon. -Miron. sua obra. Foi ele que introduziu a proporção ideal do corpo humano com a medida de oito vezes e cabeças. -Fidias. as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Os primeiros jogos começaram em 776 a. para isto. Afrodite. 13 . O grande desafio e a grande conquista da escultura do período helenístico foi a representação não de uma figura apenas. em honra a Zeus. mas de grupos de figuras que mantivessem a sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que pudessem ser observados. deusa da guerra. Período Helenístico pode observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade. celebrado pela graça das suas esculturas. No período clássico passou-se a procurar movimento nas estatuas.homem jovem). deusa do amor. -Policleto.prima. condutor da lança. criou padrões de beleza e equilíbrio através do tamanho das estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça. foi o primeiro artista que esculpiu o nu feminino. deus das águas. entre outros. autor de Doríforo. mas também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. -Lisipo. Atenéia. deus das artes e da beleza. Poissedon. Surge o nu feminino. as esculturas dos frontões. a cada 4 anos. . representava os homens “tal como se vêem” e “não como são” (verdadeiros retratos). autor de Zeus Olímpico. Entre as mais famosas: Édipo Rei de Sófocles. pois no período arcaico. As festas olímpicas serviam de base para marcar o tempo. podendo fixar o movimento sem se quebrar. se começou a usar o bronze que era mais resistente do que o mármore. Música: Significa a arte das musas.C. senhor dos céus.

ARTE ROMANA: A arte romana, sofreu duas fortes influencias: a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da grecohelenistica, orientada para a expressão de um ideal de beleza. Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções. Arquitetura: As características gerais da arquitetura romana são: - busca do útil imediato, senso de realismo; - grandeza material, realçando a idéia de força; - energia e sentimento; - predomínio do caráter sobre a beleza; - originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas. As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções: 1) Religião: Templos Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Jupter Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do imperador Adriano, foi planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto. 2) Comércio e civismo: Basílica A principio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros) dividida em varias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia , iniciada no governo de Julio César, foi concluída no império de Otavio Augusto. 3) Higiene: Termas Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala, que além de casa de banho, eram centros de reuniões sociais e esportes. 4) Divertimentos:

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a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos praticados temos: Jogos circenses – corridas de carros; Ginásios – incluídos neles o pugilato; Jogos de tróia – aquele em que havia torneios a cavalo; Jogos de escravos – executados por cavaleiros concluídos por escravos; Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o “Circus Maximus”. b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis. c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro, significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem corintia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das escadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé. 5)
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Monumentos decorativos:

Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Fórum Romano para comemorar a tomada de Jerusalém. b) Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em espiral que possui a narrativa histórica dos feitos do imperador em baixo-relevo no fuste. Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os partos. 6) Moradia: Casas, construídas ao redor de um pátio chamado Átrio.

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Pintura: O Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em gera. A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura existente em Pompéia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro estilos. Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore. b) Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande mural. c) Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos detalhes. d) Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário teatral. Escultura: Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade. Mais realista que idealista, a estatuaria romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a invasão dos Bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V, precisamente no ano de 476, perde o domínio do seu território do Ocidente para os invasores germânicos.
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Mosaico: Partidários de um profundo respeito pelo ambiente arquitetônico, adotando soluções de clara matriz decorativa, os masaístas chegaram a resultados onde existe uma certa parte de estudo direto da natureza. As cores vivas e a possibilidade de colocação sobre qualquer superfície e a duração dos materiais levaram a que os mosaicos viessem a prevalecer sobre a pintura. Nos séculos seguintes, tornar-se-ão essenciais para medir a ampliação das primeiras igrejas cristãs.

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que recebe este nome devido as catacumbas. o cordeiro “Jesus Cristo é o cordeiro de Deus”. lugar civil destinado ao comércio e assuntos judiciais. cemitérios subterrâneos em Roma. até que em 313 d. Surge a arte cristã primitiva. em grego ichtus. Eram edifícios com grandes dimensões: um plano retangular de 4 a 5 mil metros quadrados com três naves separadas por colunas e uma única porta na fachada principal. Com o fim da perseguição aos cristãos. os cristãos (aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a criar uma arte simples e simbólica executada por pessoas que eram grandes artistas. Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária. nos arredores de Roma. Os cristãos foram perseguidos por três séculos. Tanto os gregos como os romanos. muito utilizado pelos gregos e romanos.ARTE PALEOCRISTÃ: Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e espalhavam seu estilo por toda Europa e parte da Ásia. adotavam um modelo de edifício denominado “Basílica” (origem do nome: Basileu = Juiz). O mosaico. Outra forma de simbolizá-lo é o desenho do pastor com ovelhas “Jesus Cristo é o Bom Pastor” e também. dando inicio a 2º fase da arte paleocristã: a fase basilical. por exemplo: Arca de Noé. o imperador Constantino legaliza o cristianismo. Jonas engolido pelo peixe e Daniel na cova dos leões. Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo. Com o surgimento de um “novo reino” espiritual. os romanos cederam algumas basílicas para eles usarem como local para as suas celebrações. forma as iniciais da frase: “Jesus Cristo de Deus Filho Salvador”. a pintura é simbólica. Passagens da Bíblia também eram ali simbolizadas. Nesses locais. o poder romano viu-se extremamente abalado e teve inicio um período de perseguição não só a Jesus. onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos. Para entender melhor a simbologia: Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe.C. o qual marcou uma nova era e uma nova filosofia. pois a palavra peixe. utilizando imagens 17 . foi o material escolhido para o revestimento interno das basílicas. mas também a todos aqueles que aceitavam sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Domitila.

o novo e a de São Vital com riquíssimos mosaicos. Em 395 d. marca o fim da Idade Antiga e o inicio da Idade Média). rico tanto na técnica como na cor. Na cidade de Ravena pode-se apreciar o Mausoléu de Gala Plácida e a igreja de Santo Apolinário. Honório ficou com o Império Romano do Ocidente. apesar das dificuldades financeiras. ao clero cabia. conseguiu-se manter até 1453. além das suas funções. começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a capital do Império para Bizâncio. e Arcádio ficou com o Império Romano do Oriente. Graças a sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu influencias de Roma. Esse tratamento artístico também foi dado aos mausoléus e os sarcófagos feitos para os fiéis mais ricos eram decorados co relevos usando imagens de passagens bíblicas. dos ataques bárbaros e das pestes. tornando os artistas meros executores. principalmente de povos bárbaros. Grécia e do Oriente. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma. cidade grega.do Antigo e do Novo Testamento. facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte cristã – Arte Bizantina. em 476 d.C. o imperador Teodósio dividiu i Império Romano entre seus dois filhos: Honório e Arcádio. organizar também as artes. A arte bizantina está dirigida pela religião.. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo. Por volta do século IV. marca o fim da Idade Média e o inicio da Idade Moderna). com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul). era o representante de Deus. O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais.. tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a 18 . ARTE BIZANTINA: O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos de nossa era.C. Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte bizantina). 1453. 476 d. tendo Roma como sua capital. até que.C. depois batizada por Constantinopla. quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada pelos muçulmanos (esta data. foi completamente dominado (esta data.. O Império Romano do Ocidente sofreu várias invasões.

são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos. octogonal ou quadrada imensas cúpulas. elas eram planejadas sobre uma base circular. A arte bizantina não se extinguiu em 1453. a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte bizantina. na hoje Stambul. Constituía na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e clero. nos paises eslavos.cabeça. Um pouco mais de Santa Sofia: “A verdadeira beleza de Santa Sofia. Neles. capital do Império Bizantino. Porém -. por exemplo. Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os cristãos tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o paganismo romano. dos profetas e dos vários imperadores. durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI. logo se sucedeu um período de crise chamado de Iconoclastia. não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa. Apresenta pinturas na paredes. O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas. ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos. Plasticamente. 19 . ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus. durante o reinado do imperador Justiniano. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império. a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro. Tal método tornou a cúpula extremamente elevada. a maior igreja de Constantinopla. pois. mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo. afasta o gosto pela forma e conseqüentemente a escultura não teve tanto destaque neste período. as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade. criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados. projetada pelos arquitetos de Tralles e Isidoro de Mileto. o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos. sugerindo por associação à abóbada celeste. por exemplo. colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o chão de mármore polido. penetrando. e. foi um dos maiores triunfos da nova técnica bizantina. O que se encontra restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração. A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina. A igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria). A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI. sentimentos de universidade e poder absoluto.

alamos. ARTE BARBARA: Depois da queda do império romano. bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos. O fato de não possuírem um habitat fixo influenciou grandemente os costumes e expressões artísticas dos bárbaros. fossem eles de luxo ou utilitários. Somente quando o império começou a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer 20 . Era notável sua destreza naquelas disciplinas que permitiam a fabricação de objetos facilmente transportáveis. essencialmente nômades. Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta. há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz. Uma vez dominados. germânicos e suecos. tanto para a fabricação de armas quanto de jóias. vândalos. como a tauxia ou damasquinagem e esmaltação. um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior “. mosaicos e afrescos. Assim. na fundição e moldagem de metais.C. avançaram definitivamente sobre a Europa. Esses grupos. entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros. folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora. não demoraram a assimilar a cultura e a religião (cristianismo) dos povos conquistados. os romanos os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais. Em suas crônicas. Estava em curso o século V. no mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais. resplandece a grande cúpula. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados. No alto. não é de admirar que tenham sobressaído na ourivesaria. o que deu origem a uma arte completamente diferente. uma boa parte da população foi assimilada pelo império e outra fugiu para o norte. mongóis. e nas técnicas de decoração correspondentes. até a dominação romana se estabeleceu na Europa de norte a sul e de leste a oeste. que desde o século V a. francos. a entalhadura e filigrana. ao mesmo tempo em que lhes transmitia seus próprios traços culturais.encontra-se no seu vasto interior. que assentaria as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX. Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata. sobre um solo de mármore.

tem inicio o período histórico conhecido. além de gregos e romanos. com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. por Idade Média. dos primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. e a medida de 21 . A experiência de celtas e escitas como ourives inegavelmenteestava ligada à sua experiência como entalhadores. dos quais se originaram. A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. Deus é o centro do universo. Mais tarde sofreria também açoite dos vikings dinamarqueses vindos do norte. Confirmou-se com a tradição dos dípticos consulares de Bizâncio. saxões e os próprios celtas mostram sua passagem pelos deferentes assentamentos e lugares conquistados. Escultura: A escultura em pedra foi destinada a decoração de igrejas e batistérios. capitéis e sarcófagos. devido à ghrande demanda de exemplares. celtas. Na península ibérica. Por seu lado. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. como os Touros de Guisando ou a Dama de Elche. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). a fusão de culturas. as nacionalidades européias. trazendo modificações no comportamento humano. seguindo o estilo do império romano. como entre fenícios.numerosos reinos. na forma de relevos planos. As pedras com entalhes de runas e ídolos nórdicos entre os vikings. ARTE ROMÂNICA: Em 476. cujas formas foram adotadas na confecção de capas de livros evangélicos e Bíblias. em perpetua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. visigodos e ibéricos. Sabe-se que as oficina dos artesãos que trabalhavam com marfim eram numerosas tanto nas Gálias quanto na península itálica. em parte. a meio caminho entre a religiosidade. a igreja ia ganhando posições com a proliferação de mosteiros exatamente onde os mais temíveis exércitos não conseguiram vencer as batalhas: as ilhas britânicas e o leste da Europa. deixou importantes amostras de escultura. A entalhadura do marfim não foi menos importante. agora em parte aceita.

A explicação mais aceita para as formas volumosas. na Europa. Elas são sempre grandes e sólidas. por exemplo. A primeira coisa que chama atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. -Pilares maciços. tinha poderes ilimitados. é um estilo essencialmente clerical. Na Itália. na verdade. -Aberturas raras e estreitas usadas como janelas. A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o edifício mais conhecido do seu conjunto o campanário que começou a ser construído em 1174. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais. traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. 22 .todas as coisas. As características essenciais da pintura românica foram à deformação e o colorismo. A arte desse período passa. surge a arte românica cuja estrutura era semelhante às construções dos antigos romanos. assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. o terreno cedeu. com o passar do tempo. Trata-se de torre de Pisa que se inclinou porque. Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. e das paredes espessas. A deformação. através da técnica do afresco. que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura. -Torres. que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada. que sustentavam. estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos. Pintura e escultura: Numa época em que poucas pessoas sabiam ler. é sempre maior do que as outras que o cercam. -Arcos que são formados por 180 graus. As características mais significativas da arquitetura românica são: -Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas. a igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores aos fiéis. A igreja como representante de Deus na terra. A figura de Cristo. não apresenta formas pesadas. diferente do resto da Europa. Arquitetura: No final dos séculos XI e XII. duras e primitivas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus.

A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). No século XII entre os anos 1150 e 1500. sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra. de modo geral.O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas. pequeninas pedras. Deus é o centro do universo. curtas ou alongadas. trazendo modificações no comportamento humano. tinha poderes ilimitados. é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado. Usado desde a Antiguidade. ausência de movimentos naturais. Enquanto. Imitação de formas rudes. isto é. mas já começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios. a arquitetura predominante ainda é a românica. pois não havia a menor intenção de imitar a natureza. No começo do século XII. e a medida de todas as coisas. a igreja românica apresenta um único portal. Na porta. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. 23 . tem inicio o período histórico conhecido. ARTE GÓTICA: Em 476. nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. Mosaico: A técnica da decoração com mosaico. a crença na existência de um Deus que vive num plano superior. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana. A arquitetura expressa a grandiosidade. Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. para representar o próprio céu. tem início uma economia fundamentada no comércio. tudo se volta para o alto. por Idade Média. com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. a igreja gótica têm três portais que dão acesso a três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais. de vários formatos e cores. Arquitetura: A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. conheceu seu auge na época do românico. que colocadas lado a lado vão formando o desenho. A igreja como representante de Deus na terra.

projetando-se na direção do céu. Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava. demonstrando verticalidade. a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena. O desenvolvimento de tal gênero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis. os manuscritos também eram encomendados por particulares. Ao realizar essa tarefa. Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja. 24 . Durante o século XII e até o século XV. e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada. exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores. os cabeçalhos. As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres. ou então é um privilégio da quase mítica China). a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. aristocratas e burgueses. pois se destinava aos poucos possuidores das obras copiadas. deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações. Iluminura: È a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada. alongamento exagerado das formas. os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto. Escultura: As esculturas são ligadas à arquitetura e se alongam para o alto. A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.

cobertos por muita roupa. que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento. com o olhar voltado para cima. que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado. Sua principal particularidade foi a procura do realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. quase sempre tratando de temas religiosos. ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes. XIV e no inicio do século XV. a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo. procurando mostrar os detalhes e as paisagens. RENASCIMENTO: O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. em direção ao plano celeste. Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento (Duocento): Giotto: a característica principal de seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum.Pintura: Desenvolveu-se nos séculos XII. da literatura e das ciências. Jan Van Eyck: procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. apresentava personagens de corpos pouco volumosos. ocupando sempre posição de destaque na pintura. Num sentido amplo. Assim. esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem 25 . E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava. Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os pastores. Nota-se em suas pinturas um cuidado com perspectiva. considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin. que superaram a herança clássica. Além de reviver a antiga cultura greco-romana. Trata-se de uma volta deliberada.

Brunelleschi: è um exemplo de artista completo renascentista. possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi. Foi como construtor. entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi. Construções: palácios.(humanismo) e da natureza. em oposição ao divino e ao sobrenatural. Características gerais: Racionalidade Dignidade do Ser Humano Rigor Cientifico Ideal Humanista Reutilização das artes greco-romana Perspectiva (ilusão de profundidade) Arquitetura: Na arquitetura Renascentista. no desenho ou pintura. conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média. escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de matemática. Saber ver a Arquitetura) Principais características: Ordens Arquitetônicas Arcos de volta-perfeita Simplicidade na construção A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônoma. segundo os princípios da matemática e da geometria. porém. geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância. vilas. mas este que. 26 . aprendendo a lei simples do espaço. de qualquer ponto em que se coloque. igrejas. Pintura: Principais características: -Perspectiva: arte de figura. “Já não é o edifício que possui o homem. que realizou seus mais importantes trabalhos. fortalezas (funções militares).(casa de descanso fora da cidade). a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza. pois foi pintor.

-Realismo: o artista do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus. gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Para essa Capela. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista. já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e. -Inicia-se o uso da tela e tinta a óleo. e não apenas admirada. Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa. esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina.-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. conseqüentemente. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. ao mesmo tempo. 27 . Por isso. tornam-se manifestações independentes. pelo individualismo. Michelângelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura de teto da Capela Sistina. quanto a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas. mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. Para ele. -Tanto a pintura. uma particularmente representativa é a criação do homem. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente. Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus. Leonardo da Vinci: ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra. Os principais pintores foram: Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. diferentes dos demais. a beleza estava associada ao ideal cristão. -Surgimento de artistas com estilos pessoais. no Vaticano. e . concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família.

pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo. que domina toda a escultura italiana do século XVI. Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas. trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias italianas. esta adquire o seu prestigio.10m) e Pietá.26 m) em bronze. E é na própria Capela que se faz o conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder à eleição do próximo. Empregando uma técnica denominada schiacciato. Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixorelevo (escultura sobre o plano). Obra destacada: Davi (1. Para seu conhecimento: a) A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). Outro grande escultor desse período foi Andréa Del Verrochio. 94. o maior dos quais é Michelângelo.Estudo do corpo e do caráter humano O Renascimento italiano se espelha pela Europa. Principais características: . . Ali. (Algumas obras:·Moisés. proporcionando uma ilusão de distância. os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Davi. São eles: Dürer.Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança. . claros e de acordo com uma simetria equilibrada. grandes escultores se revelam. trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura.Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade. Escultura: Em meados do século XV. de tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a superfície. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. com a volta dos papas de Avinhão para Roma. Hans Holbein.Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade. Protetores das artes. Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã. Lareira que produz fumaça negra. algo inédito até então.profundidade e perspectiva . que o Papa ainda não 28 . Bosch e Bruegel.

primitiva versão do helicóptero. assim como Leonardo da Vinci. desenvolve-se em Roma. em italiano significa maneira). avisa o povo na Praça de São Pedro. pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. sabia exatamente a posição de cada músculo. Além de pintor.foi escolhido. MANEIRISMO: Paralelamente ao reconhecimento clássico. enquanto outros preferem vê-lo como um estilo. Leonardo da Vinci. é que o maneirismo é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. porém. cada veia. foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: Parafuso aéreo “. do ano de 1520 até por volta de 1610. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado. corporações. que o papa acaba de ser escolhido. fumaça branca. um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: O Maneirismo ( maniera. patrocinadores dos artistas. Se olharmos para Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo. um modelo de asa-delta. b) Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem. cada tendão. burgueses. O certo. extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. parece que ele nos persegue. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente. a ponte elevadiça. d) Mecenas. c) Quando deparamos com o quadro da famosa Monalisa não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar. aristocratas. propriamente dito. etc”. Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito reinante na Europa nesse 29 . clero. Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco. Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca.

momento. Não só a igreja, mas toda a Europa estava dividida após a reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas de sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo. Pintores, arquitetos e escultores são impedidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias. Arquitetura: dá prioridade a construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração. Principais característica: a) Nas igrejas: Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coro com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoados de figuras caprichosas são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista. b) Nos ricos palácios e casas de campo: Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.

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Principais artistas: Bartolomeo Ammanati, (1511-1592), autor de vários projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Montova, a villa na Porta Del Popolo, a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos Jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens. Giorgio Vasari, (1511-1574), Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com Michelângelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura. Palládio, (1508-1580), o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria dedicar-se à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palládio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palládio foi uma referência obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco. Pintura: Nela o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte.

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a)

b) c) d) e) f)

Principais características: Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres humanos. Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis. Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva. Mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo. Principal artista: El Greco, (1541-1614), ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura Veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas obras. Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Felipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. Entre duas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Mauricio. Esta última lhe custou a expulsão da corte. Escultura: O maneirismo, segue o caminho traçado por Michelangelo: ás formas clássicas, soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou
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elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista. legou a eles todos os seus bens. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi. para a qual realizou uma de suas mais célebres esculturas. (1511-1592). Trabalhou com igual maestria a pedra calcáia e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais. Decorou também o palácio dos Montova e o túmulo do conde da cidade. na corte dos Médici. e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II. Poucos anos depois se mudou para Roma. isso respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto. Principais artistas: Bartolomeo Ammanati. que proibiam o nu nas obras de arte.ainda o exagero nos detalhes. Giambologna. O Rapto das Sabinas. onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria. Mercúrio. voltou para Florença. realizou trabalhos em várias cidades italianas. a) Principais características: A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras. Estabeleceu-se finalmente em Florença. de origem flamenga. com base nos quais planejou uma cidade ideal. No ano de 1555. onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras. que o incumbiu da construção de sua villa na Porta Del Popolo. (1529-1608). atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis. O modo de enlaçar as figuras. De acordo com os preceitos dos Jesuítas. as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado alongamento dos músculos. Giambologna está para o maneirismo. como demonstram suas esculturas de bronze. Conheceu a poetisa Laura Battiferi. com quem se casou. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto. deu seus primeiros passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. A Fonte de Netuno. Baco e Os Pescadores estão entre as obras mais importantes desse período. como Michelangelo está para o renascimento. permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário. Participou também de um concurso na cidade de Bolonha. num equilíbrio aparentemente frágil. com a morte do papa. 33 b) .

alegria e tristeza. Deus e Diabo. que se revela num estilo grandioso. retorcido. Realista. Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura. 34 . Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos). seu propósito é impressionar os sentidos do observador. era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade. monumental. abrangendo todas as camadas sociais. céu e terra. dando-nos às vezes a impressão de ver o céu. colunas retorcidas. contracurvas. Pintura: Características da pintura barroca: Composição assimétrica. Violentos contrastes de luz e sombra. através de curvas. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência. que as artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente.O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. pureza e pecado. Busca de efeitos decorativos e visuais. Ela não aparece como reflexo da luz solar. Pintura com efeitos ilusionistas. Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática. em diagonal. baseando-se no principio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. Dentre os pintores Barrocos: Caravaggio: o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Suas características gerais são: Emocional sobre o racional. paganismo e cristianismo. trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. espírito e matéria. para dirigir a atenção do observador. mas é criada intencionalmente pelo artista. na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista. tal a aparência de profundidade conseguida.BARROCO: A Arte Barroca originou-se na Itália (século XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano.

Obra destacada: Aula de Anatomia. temos: Velazquez: além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país. que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. dos drapeados das vestes e do uso do dourado. 35 . A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. causando a paredes e colunas da igreja continuam no teto. e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. um intenso movimento. Escultura: Suas características são: o predomínio das linhas curvas.Obra destacada: Vocação de São Mateus. Rubens (Espanhol): além de um colorista vibrante. Obra destacada: O Jardim do Amor. Obra destacada: O Conde Duque de Olivares. no vestuário que se localizam as cores quentes. é geralmente. o verde e o amarelo. perspectiva nas ilusão de que as que este se abre homens para a Andréa Pozzo: realizou grandes composições de pinturas dos tetos das igrejas barrocas. Obra destacada: A Glória de Santo Inácio. Dentre os pintores mais representativos. de onde santos e anjos convidam os santidade. Em seus quadros. a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas. de outros paises da Europa. Rembrandt (Holandês): o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra. se notabilizou por criar cenas que sugerem. e de para o céu. documentando 0 dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. os meios-tons. mas a gradação da claridade. o vermelho.

Bernini: arquiteto urbanista. o rococó é também chamado estilo Luis XV e Luis XVI. Desenvolveu-se na Europa do século XVIII. na Prússia e em Portugal. que significa “embrechado”. tais como conchas. Possui leveza. motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras. decorador e escultor. algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas. elegância. Conteúdos: história sacra e antiga. alegria. como por exemplo. por volta de 1770. Na França. o centro artístico da Europa transferiu-se de 36 . e usado inicialmente em decoração de interiores. aplicado para designar pérolas de forma irregular. pastorais. Arquitetura: Durante o iluminismo. laços e flores. o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca. e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. a) b) Para seu conhecimento: Barroco: termo de origem espanhola “Barrueco”. caráter intimista. mitologia e retratos. O termo deriva do francês rocaille. mais livre e intimista que aquele. técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizado originariamente na decoração de grutas artificiais. Características gerais: Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos. ROCOCÓ: É o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco. o baldaquino e a cadeira de São Pedro. entre 1700 e 1780. cenas de batalhas. Vigoroso até o advento da reação neoclássica. alusões ao teatro italiano da época. Nos primeiros anos do século XVIII. Vaticano e o Êxtase de Santa Tereza. Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia. bizarro. difundiu-se principalmente na parte católica da Alemanha. ambos na Basílica de São Pedro. frivolidade e exuberante.

No final do reinado de Luis XIV. “Anjo da guarda”. é em sua disposição dentro da arquitetura que se manifesta o espírito rococó. Mais do que nas peças esculpidas. distinguiuse pela criação de santos e anjos de grande tamanho. escultor alemão. quer estilisticamente. com maior graça e intimidade. que dessa maneira contribuem para o equilíbrio geral da decoração interior das igrejas. Escultura: ao contrário do que ocorreu na arquitetura.Roma para Paris. Principal artista: Johann Michael Fischer. A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno. responsável por vários edifícios na Baviera. obras-primas dos interiores rococós. a luz difusa inundou os interiores por meio de numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves. escultor alemão. o rococó era a principio apenas um novo estilo decorativo. (1692-1766). Pintura: Durante muito tempo. membro de um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque. o rococó francês ficou restrito às artes decorativas e teve pequeno impacto na escultura e pintura francesas. “Anunciação”. quer cronológica. Principais artistas: Johann Michael Feichtmayr. em que se afirmou o predomínio 37 . (1725-1775). Surgido na França com a obra do decorador Pierre Lepautre. responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren. não é possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó. foi unificado. mosteiros e palácios. Ignaz Günther. Grande mestre do estilo rococó. Restaurou dezenas de igrejas. Os grandes grupos coordenados dão lugar a figuras isoladas. “Pietá”. a) b) Principais características: Cores vivas foram substituídas por tons pastéis. marco do rococó bávaro. (1709-1772). Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. um dos maiores representantes do estilo rococó na Alemanha. cada uma com existência própria e individual.

treliças e pinturas. Jean-Honoré Fragonard. François Boucher. Principais artistas: Antoine Watteau. surgem as curvas sob delicados ornamentos. b) Os ambientes parecem de inspiração feminina. mas a alegre descontração do estilo rococó. (1684-1721). salões revestidos também com porcelanas. causam as transformações dos interiores: somem os ângulos retos formados por paredes e tetos. denominação posterior ao estilo (1830). 38 . alguns relatos. as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica. paisagens (“O casario de Issei”) e cenas de interior (“O pintor em seu estúdio”). subordinados a elementos construtivos. os elementos ornamentais eram acréscimos decorativos. e um dos mais antigos precursores do impressionismo. tirada do vocabulário das artes decorativas. Para seu conhecimento: a) Rococó: palavra rocaille (concha). Foi um dos últimos expoentes do período rococó. As paredes se cobrem de espelhos. que durante muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a pintura do século XIX. a infalível concha estilizada de diversas maneiras. elemento constante. as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos de um estilo bastante copiado. Além dos quadros de caráter mitológico.político e cultural da França sobre o resto da Europa. desenhista e retratista de talento. onde a fantasia alcança a graça de curvas. sempre com perfeição no desenho. (1732-1806). surge o gosto pelo exótico oriental (chinês e japonês). caracterizado por uma arte alegre e sensual. (1703-1770). pintou. contra curvas. apareceram as primeiras pinturas rococós sob influência da técnica de Rubens. onde o decorativismo é livre de normas. c) Em todos os estilos anteriores. profusamente usado e caprichosamente estilizado. Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza. de cenas galantes de paisagens idílicas. elementos florais. No rococó são organismos independentes.

em Paris. mestre inegável do equilíbrio da composição. que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão. Academicismo nos temas e nas técnicas. Exemplos dessa arquitetura são a igreja de Santa Genoveva. transformada depois no Panteão Nacional. América Latina e do Norte ( inclusive no Brasil ) e Rússia. em Berlim. Arte entendida como imitação da natureza. a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. mas algumas delas exprimem fortes emoções. registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. Durante governo do mesmo. Os edifícios proliferaram com abundancia na Europa. Harmonia do colorido. 39 . Arquitetura: Tanto nas construções civis quanto nas religiosas. Características da Pintura: Formalismo na composição. foi considerado o pintor da Revolução Francesa. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo. Exatidão nos contornos. sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas artes. sobretudo em Rafael. Principais características: Retorno ao passado. mais tarde tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. refletindo racionalismo dominante. Maiores representantes: Jacques-Louis David. isto é. que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo). Pintura: Foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana. uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus.NEOCLASSICISMO: Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX. pela imitação aos modelos antigos grecolatinos. e a Porta do Brandemburgo. num verdadeiro culto a teoria Aristóteles.

ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. o que impede. num erro de interpretação.Obra destacada: Marat. traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Exemplo: Casa Branca dos Estados Unidos. mas a critica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Conteúdos: mitológicos. Do mesmo modo. a atividade artística tornou-se complexa. em que os direitos individuais fossem respeitados. No Brasil:Pedro Américo e Vitor Meirelles.C. épicos. 40 b) c) . história sagrada e antiga. Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de Ingres. dificulta ou mesmo desvirtuam a afirmação de peculiaridades individuais e nacionais dos artistas. retratos e paisagens. os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco.. que foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção. ROMANTISMO: O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais. a) Para seu conhecimento: Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que. Diante daquelas construções. no ano de 79 a. Obra destacada: Banhista de Valpinçon. Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo. As convenções técnicas e expressivas são as mesmas adotadas em todos os paises. políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII. principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica. sua obra abrange. foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. além de composição mitológica e literária. nus. provocando a divisão do trabalho e o inicio da especialização da mão-de-obra.

os horrores da guerra. Arquitetura e escultura: Registram pouca novidade. nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos. cenas históricas e as lutas pela liberdade. Há um ecletismo: gótico para fachadas. Na escultura. Temas da pintura: Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas. Observa-se. Morreu em Bordeaux. a ação incompreensível de monstros. grosso modo. A valorização da natureza como princípios da criação artística. barroco para igrejas. inspiração helenística. rugosidades. Sentimentos do presente. domínio da massa. tons agressivos. Vez por outra retornou-se o estilo gótico da época medieval. clássico para museus e palácios. Principais artistas: Goya.Características gerais: A valorização dos sentimentos e da imaginação. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. a permanência do estilo anterior. asperezas. em 1746. Espanha. gerando o neogótico. Valorização das cores e do claro-escuro. pastosas. Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo. Mitologia Grega. em 1828. vigorosas. Características da pintura: Aproximação das formas barrocas. Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas. Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador. igualdade e fraternidade. Goya e sua mitologia povoada por sonhos e pesadelos. Obra destacada: Edifício do parlamento Inglês. Dramaticidade. seres deformados. o neoclássico. 41 . tais como: liberdade. Pinceladas espontâneas. O nacionalismo.

mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete. suas obras apresentam forte comprometimento político. O homem europeu. que tinha aprendido a utilizar o conhecimento cientifico e a técnica para interpretar e dominar a natureza. designa uma maneira de se comportar. convenceuse de que precisava ser realista. dando-nos a sensação de grande movimentação. designa uma tendência geral da vida da arte. que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. 42 . Obras destacadas: Chuva. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho. Representava assuntos abstratos personificando-os. de interpretar a realidade. uma nova tendência estética chamada Realismo. inclusive em suas criações artísticas. um estilo delimitado no tempo. das luzes e das sombras. representou grandes movimentos da natureza. a) b) Para seu conhecimento: A palavra romantismo. por uma atitude emotiva diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história. portanto nomeia um sistema. Veneza. Romantismo. Há uma visão cientifica e dinamismo universa.Obra destacada: Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808. elege-se o sentimento e a imaginação como fontes artísticas criadoras. sobretudo na pintura francesa. REALISMO: Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias. vapor e velocidade e o Grande Canal. de agir. Delacroix. representa a transformação e o sentimento de novas classes sociais. Turner. restaura a liberdade individual. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva). procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem . Obras destacadas: A liberdade guiando o povo e Agitação de Tanger. e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores.

Os Burgueses de Calais. Arquitetura: Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas. funcional. Em 1889. levanta em Paris a Torre Eiffel. procurou recriar os seres tais como eles são. Elas precisam de fábricas estações. Usam se novos materiais: vidro. Ao artista. 43 .Características gerais: O cientificismo. orgânica. não se preocupou com a idealização da realidade. Obras destacadas: Balzac. ferro. escolas. não cabe “melhorar” artisticamente a natureza. concreto. os escultores preferiam os temas contemporâneos. ferrovias. Ao contrario. bibliotecas. Temas da pintura: Politização. criadas pela industrialização. lojas. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. O Beijo e O Pensador. Escultura: Auguste Rodin. tanto para os operários quanto para a nova burguesia. hoje logotipo da “cidade luz”. É uma arquitetura racional. A expressão da realidade e dos aspectos descritivos. pois a beleza está na realidade tal qual ela é. Características da pintura: Reapresentação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza. a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injustas. hospitais e moradias. Em Chicago. As cidades não exigem mais novos palácios e templos. cimento. assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. armazéns. A valorização do objeto. Gustavo Eiffel. edifica-se o primeiro arranha-céu (Home Insurance Bulldning). Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade. a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos. ou seja o pintor buscava representar o mundo de maneira documental. O sóbrio e o minucioso. Além disso.

Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram.Pintura social denunciando as injustiças e a imensa desigualdade entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. a fealdade. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. em resumo. por exemplo. tornaram-se assuntos freqüentes da pintura realista. É o caso. principalmente das classes populares. c) d) 44 . Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade do século XIX. Formula-se o socialismo cientifico ou marxista com a publicação do Manifesto em 1848. tem liberdade total de criação e os maiores valores são considerados rebeldes. pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana. o povo. por uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da história. elevando esses tipos à categorias de heróis. Obra destacada: Moças peneirando o trigo. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade. Jean-François Millet. criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Pissarro e Van Gogh. O artista desse período é politizado. sensível observador da vida campestre. que nada tem a ver com os idealizados heróis da pintura romântica. amigo da verdade e verdadeiro”. de interpretar a realidade. realista. Principais pintores: Courbet. Os artistas incorporavam a rudeza. A palavra realismo designa uma maneira de agir. anti-acadênicos e anti-românticos. “Ângelus”. a vulgaridade dos tipos que pintavam. socialista. mais tarde. O termo realismo significa um estilo de época que predominou na segunda metade do século XIX. As pessoas das classes menos favorecidas. a) b) Para seu conhecimento: Courbet dizia: “Sou democrata. de autoria de Marx e Engels. foi considerado o criador do realismo social na pintura. republicano.

obras em “mármore”. como resposta às conseqüências da industrialização. Com diferentes nomes e características próprias de cada país foi se homogeneizando com as realizações das primeiras exposições internacionais nas capitais européias. podemos encontrar algumas na Pinacoteca do Estado de São Paulo. na Inglaterra e Escócia. inspirar e redimir o industrialismo. Com características próprias em cada um desses paises. hipocrisia). No resto da Europa difundiram-se diferentes traduções: Modernismo.MODERNISMO: Corrente artística que surgiu na última década do século XIX na Europa. na Espanha. na Áustria. Alguns artistas e obras: Auguste Rodin Damaide: Escultor francês. “Ansiedade”. como resposta as conseqüências da industrialização. foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias 45 . Jugendistil. ARTE NOUVEAU: O modernismo é uma corrente artística que surgiu na última década do século XIX. Gustav Klint: Pintor austríaco. 1894. Secessão. pintura e escultura) e as aplicações aos diversos campos da produção econômica (construção civil corrente. revalorizando a arte e sua forma de realização. e) Esforço de interpretar a espiritualidade (ingenuidade. d) A aspiração a um estilo ou linguagem internacional ou européia. na Alemanha. São comuns as tendências modernistas: a) Deliberação de fazer arte em conformidade com sua época e renuncia a invocação de modelos clássicos. b) Desejo de diminuir a distância entre as artes maiores (arquitetura. Edvard Munch: Pintor alemão. 1895. “Sonia Knips”. decoração vestuário e etc). revalorizando a arte e sua forma de realização manual. O nome deste movimento deve-se à loja que o alemão Samuel Bing abriu em Paris no ano de 1895: “Art Nouveau”. c) Busca de uma funcionalidade decorativa. e Modern Style.

elaborados com espírito artesanal. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo e seus temas. dependendo da incidência da luz do sol. se contrapunham à produção industrial. Sua apresentação na exposição de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a difusão desse novo estilo. 46 . mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos. de acentuada influencia oriental. As sombras devem ser luminosas e coloridas. a Morris & Co. eram determinadas as formas elegantes e sinuosas. não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do inicio do século. o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia. como os pintores costumavam representá-las no passado. como que surgidos de antigas lendas. Contrariamente à sua intenção inicial. muito mais praticas do que teóricas. Principais características: A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento. As figuras não devem ter contornos nítidos. Entre os precursores da arte modernista estava William Morris. que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas. e não escuras ou pretas. pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens. Reafirmou-se o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano. O modernismo não teria sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas.que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas. Seus desenhos. tal como é a impressão visual que nos causam. IMPRESSIONISMO: Foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu inicio às grandes tendências da arte do século XX. pois as cores da natureza se modificam constantemente. que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizavam a pintura impressionista. típicas do modernismo. Havia algumas considerações gerais. Nos escritórios da empresa criada por ele.. bem como definidos os materiais nobres usados na criação de objetos de uso cotidiano.

preferia os nus ao ar livre. as composições com personagens do cotidiano. em abril de 1874. pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura. Pelo contrario. 47 . incessante pesquisador da luz e seus efeitos. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. A primeira vez que o publico teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em Paris. Mas o público e a critica reagiram muito mal ao novo movimento. os retratos e as naturezas mortas. Obras destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em pleno sol. Assim um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. ainda em vida. introduzida na França com a reabertura dos portos japoneses ao Ocidente. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade. sem perspectiva. Principais artistas: Claude Monet. A segunda. A primeira alcançou o auge em fins do século XIX e se revelava o método ideal de captação de um determinado momento. Seus quadros manifestam otimismo. pintou vários motivos em diversas horas do dia. A mistura deixa portanto. de ser técnica para ser óptica.foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da critica. a fim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade. devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. realizados em pinturas planas. combina as várias cores. propunha uma temática urbana de acontecimentos cotidianos. Auguste Renoir. ao admirar a pintura. alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. o que era uma preocupação principalmente para os impressionistas.Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo. É o observador que. com a lei das cores complementares. obtendo o resultado final. São duas as fontes mais importantes do impressionismo: a fotografia e as gravuras japonesas (ukiyo-e).

Edgar Degas. Além disso. registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas.Obras destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouilliere. decididamente. foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre. e dos esboços dinâmicos de Carpeaux. Ganhou uma viagem à Europa. No Brasil destacou-se o pintor Eliseu Visconti. com resquícios de Rococó. Seurat. Obra destacada: Tarde de domingo na Ilha Grande Jatte. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. Obra Destacada: O ensaio. que era a grande paixão do impressionismo. A escultura do fim do século XIX tentou renovar totalmente sua linguagem. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira. já que de fato. novo personagem da estatuária. inspiradas em Michelangelo. Foram três os conceitos básicos dessa nova estatuária: a fusão da luz e das sombras. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas. Adorava o teatro de bailados. mestre do pontilhismo. ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos. Tratava-se de desnudar o coração da pedra para demonstrar o trabalho do artista. aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Escultura: As esculturas deste período também podem ser consideradas impressionistas. Obras destacadas: Trigal e Maternidade. a ambição de obter estátuas visíveis a partir do maior número possível de ângulos e a obra inacabada. como exemplo ideal do processo criativo do artista. procura. Os temas das esculturas 48 . sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor. onde teve contato com a obra dos impressionistas. os escultores tentaram uma nova maneira de plasmar a realidade. É o tempo das esculturas inacabadas de Rodin.

foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol. Outros escultores foram Dalou e Meunier. Rodin e Hildebrand foram em parte os responsáveis por essa nova estatuaria. Henri Rousseau. Igualmente importantes foram as contribuições do escultor Carpeaux. os neo-impressionistas criam o pontilhismo ou divisionismo. PÓS-IMPRESSIONISMO: Designa um grupo de artistas que procuravam de varias maneiras ampliar a linguagem visual. O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico. A preocupação em captar um instante dá lugar ao interesse pela fixação das cenas obtida pela subdivisão das 49 . Georges Seurat. que se fundem na visão do espectador de acordo com a distância em que se coloca. Rodin considerava “O Escravo”. Os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto. Para seu conhecimento: O quadro Mulher no Jardim. Operários. o primeiro com sua obra e o segundo com suas teorias.surgiram do ambiente cotidiano e da literatura clássica em voga na época. e Henri de Tourlouse-Lautrec. entre outros. Outros importantes foram. Todos franceses. que Michelangelo não terminou . começando então a exibir obras inacabadas. Por isso achou tão interessantes os esboços de Carpeaux. a quem se deve a revalorização dos temas populares. São cenas do jardim da casa do artista. A aceitação de seus esboços pelo público animou Carpeaux a deixar sem polimento a superfície de suas obras. com exceção de Van Gogh que era holandês. a obra em que a ação do escultor melhor se refletia. que retomou a vivacidade e a opulência do estilo rococó. camponeses. de Monet. todos faziam parte do novo álbum de personagens da nova estética. mas distribuindo com habilidade luzes e sombras. Paul Cézane e Van Gogh. mulheres realizando atividades domésticas. Os mais influente pós-impressionistas foram Paul Gaugin. Influenciados pelos conhecimentos científicos sobre a refração da luz. o que foi depois fundamental para as esculturas inacabadas de Rodin.

porem. elas tendem a exibir um caráter estático. O resultado foi uma arte de extraordinária intensidade. desenhos vigorosos. Como resultado. Gauguin. Cézanne não procurava contar historias com seus quadros. As pinturas de Paul Gauguin são altamente decorativas. As obras se propõem a descrever imagens e várias peças têm nomes ligados a paisagens. formas sem sombreado e linhas curvas. como Reflexos na Água. Van Gogh desejava exprimir seus sentimentos mais íntimos através da arte. Van Gogh alia-se ao expressionismo. Ele dizia que desejava “fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte dos museus”. Ele pintou cenas misteriosas e fantásticas que se parecem com as pinturas surrealistas da década de 1920. Cézanne desenvolve uma pintura que será precursora do cubismo. Embora inicialmente ligado ao impressionismo. do 50 . Ele enfatiza cores chapadas. Sua procura de novos métodos de pintura levou-o a novas maneiras de estruturar seus temas. Rousseau teve um dos estilos mais originais da história da arte. Estas pinturas são feitas de pontinhos de cores puras. de Seurat. Como Manet e os impressionistas. na França. O gênio Cézanne para redistribuir as formas influenciou o movimento cubista do inicio do século XX. Georges Seurat criou um estilo de pintura chamado pontilhismo. Um exemplo é Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande-Jatte. Cézanne evitava retratar emoções em seus quadros. Cézanne enfatizava a forma e a massa. Ao contrario dos impressionistas que enfatizavam a luz. Ele acreditava poder realizar esse anseio mediante o uso de cores brilhantes e pinceladas violentas. De uma certa distância. procurava constantemente a pureza e a simplicidade da vida. Música: As idéias do impressionismo são adotadas pela música por volta de 1890.cores.. aplicava suas tintas diretamente sem misturá-las. Suas pinceladas parecem ondas escapeladas de poderoso colorido. Lautrec pintava cenas da vida noturna dos cafés e das salas de espetáculos de Paris. A cor de cada pontinho contrasta com a cor do pontinho do lado. enquanto Gaugin dá ao impressionismo uma dimensão simbólica que influência o simbolismo e o expressionismo. explorava sentimentos profundos mediante suas pinturas. as diferentes cores misturam-se na visão dos observadores.

EXPRESSIONISMO: É a arte do instinto. em alemão) foi cunhado pelo galerista Georg Levin em 1912. Deforma-se a figura. nas artes plásticas há tendências impressionistas em algumas obras de Eliseu Viscont (1866-1944). ilustra um poema do simbolista Stéphane Mallarmé. Seus quadros foram os primeiros nos quais o objeto representado se distancia totalmente do modelo original. da música popular européia e da Idade Média. Utilizando cores patéticas. para ressaltar o sentimento. “expressando” sentimentos humanos. A obra Debussy é marcada por sua proximidade com poetas do simbolismo. Lucílio de Albuquerque (1877-1939) e João Timóteo da Costa (1879-1930). como em Pelléas et Mélisande. considerado marco do impressionismo musical. de 1916 e também nas primeiras telas de Anita Malfati. ao medo. O expressionismo foi a primeira vanguarda artística do século XX que utilizou a deformação da realidade para dar forma à visão subjetiva do artista. O termo expressionismo (com o sentido de retorcer. à solidão. O impressionismo abandona a música tonal. como principal. estruturada a partir da eleição de uma das 12 notas da escala (as sete básicas e os semitons). ao ciúme. Principais características: Pesquisa no domínio psicológico. Na ópera. de 1915. Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais. dá forma plástica ao amor. à prostituição. Sustenta-se nas escalas modais (definidas a partir da recombinação de um conjunto de notas eleito como básico para as melodias de uma cultura) vindas do Oriente. autor de A Valsa e Bolero. pioneiro do movimento. como O Farol. subjetiva.compositor francês Claude Debussy (1862-1918). Prelúdio para a Tarde de um Fauno. Outro grande nome é o francês Maurice Ravel (1875-1937). Uma das telas de Visconti em que é evidente essa influência é Esperança (Carrinho de Criança). à miséria humana. No Brasil. 51 . Debussy rejeita o formalismo e a linearidade. trata-se de uma pintura dramática. Georgina de Albuquerque (1885-1962).

No ano de 1891. Sua obra. representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar. longe de poder ser enquadrada em algum movimento. Começou assim uma vida de viagens e boemia. como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. Cézanne e Van Gogh. os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas. Observação: Alguns historiadores. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação. fruto. mas sim levá-los mais longe: Gaugin. 52 .- Cores resplandecentes. Também se destacam Toulouse-Latrec. fazendo e refazendo. foi tão singular como a seus amigos Van Gogh ou Cézanne. verdes e violetas. Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem. voltou ao Taiti. Quando voltou a Paris. martelada. inesperados. Munch. abruptos. para se libertar dos condicionamentos da Europa. que mais do que um conceito artístico. Dinamismos improvisados. Pasta grossa. o pintor parte para o Taiti. Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo. Preferência pelo patético. áspera. As cores se entendem planas e puras sobre superfície. trágico e sombrio. Em 1887 entrou para marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. Gaugin voltou com os pais para a França. depois de passar a infância no Peru. de sua paixão pelas nativas. mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. Modigliani e James Ensor. mais precisamente para Orleans. empastando ou provocando explosões. determinam para esses pintores o movimento “Pós Impressionista”. fundidas ou separadas. é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do Grupo Navis. Principais artistas: Gaugin. algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores. em oposição a qualquer naturalismo. amarelos. em busca de novos temas. . que resultou numa produção artística singular e determinante das vanguardas do século XX. Aos 35 anos tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Um erotismo natural. realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel. vibrantes. Apesar disso. segundo conhecidos do pintor. e não faltam cenas que mostram. quase decorativamente. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos.

que era para ele o elemento fundamental da pintura. cidade do Sul da França. em maio de 1890. Toulouse-Lautrec. principalmente pela decisão de simplificar as formas dos seres. Obra destacada: Ivette Guilbert que saúda o público. para Anvers. Interessouse pelo trabalho de Gaugin. Obras destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne. Em 1888. Cézanne. Nessa época. reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas. sua tendência foi converter os elementos naturais em figuras geométricas. Obras destacadas: Trigal com corvos e Café à Noite. acentua-se cada vez mais. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelos críticos. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras. Entretanto ele passou por várias crises nervosas e. Foi uma pessoa solitária. dirigiu-se. pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. declarando-se um colorista arbitrário. Em julho do mesmo ano. deixando uma obra plástica composta de 879 pinturas. e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores. em três meses apenas.Obra destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga. Boêmio. 1756 desenhos e dez gravuras. sem nenhuma matização. ele suicida-se. cones e esferas. morreu jovem. e também foi responsável pelos cartazes dos artistas que se apresentavam no Moulin Rouge. como cilindros. de tal forma que se torna impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos. Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua pintura. pois elas tinham para ele a função de representar emoções. onde passou a pintar ao ar livre. deixou Paris e foi para Arles. depois de internações e tratamento médico. uma cidade tranqüila ao norte da França. através da cor. 53 . nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna. empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza. Vicent Van Gogh.

começou a se especializar em gravações e litografias. A partir de 1907. mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. realizando trabalhos para a Ópera. Nela a figura humana não apresenta suas linhas reais. bem como cenas circenses e de variedades. foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. com o fim de manifestar sua verdadeira visão da realidade.Munch. morou na Alemanha. Nascido em Loten.. A dor e o trágico permeiam seus quadros. Quando suas mãos se 54 . Uma de suas obras mais importantes é “O Grito”. Toulouse-Lautrec e Van Gogh.a ponte que conduz ao super homem”). fundou o grupo Die Brücke (A Ponte. È um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência.. em 1863. Noruega. na Noruega. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden. Em 1914 Kirchner foi convocado para a guerra. as cenas interiores pacificas. que conheciam e admiravam sua obra. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos Independentes. foi convidado a participar da exposição da Associação de Berlim. que respiram e sentem. Veio então a época em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e se dedicavam apenas ao que mais lhes interessava: pintar. e um ano depois tentou o suicídio. Seus quadros exerceram grande influência nos artistas do grupo Die Brücke. com os quais. e a linha diagonal da ponte. Munch foi um artista determinado a criar “pessoas vivas. Numa segunda viagem a Paris. longe das representações realistas. sofrem e amam”. influenciado pelo cubismo e fauvismo. conduzem o olhar do observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador. foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu conceder às cores um valor simbólico e subjetivo. realizou cenários. Kirchner continuou sua formação na cidade de Munique. Perseguido pela tragédia familiar. o pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por meio de contrastes agressivos. Pouco tempo depois se reuniu com os pintores Heckel e SchmidtRottluf em Berlim. Kirchner. Realizou uma viagem a Paris. Recusou o banal. na qual conheceu Gaugin. As linhas sinuosas do céu e da água. no ateliê do pintor Krogh. numa referencia à frase do escritor: “. onde além de exposições. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus. motivados pela leitura de Nietzche. Em seu regresso. Munch iniciou sua formação na cidade de Oslo. Passou seus últimos anos em Oslo. 1889. comuns na sua época.

Entre eles merecem ser mencionados: “Anatomia de Afrodite. na primeira exposição dos surrealistas. para seis anos mais tarde. onde se encontrou co Delaunay. Klee emigrou para a Suíça. produto de uma profunda tristeza. Suas obras mais importantes estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importante da Alemanha. criados. 55 . em 1940. Paralelamente. em sua primeira viagem a Tunis.recuperaram do ferimento. como a forma. Em 1912 viajou para Paris. ver sua obra ser destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. Sensivelmente influenciado pelos desastres da guerra. Além de sua obra pictórica.considerado um dos artistas mais originais do movimento expressionista. seus quadros se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e agressivas. Kirchner tentou mostrar em toda a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. Paul Klee. mas antes apresentou suas obras em Paris. Klee escreveu: “A cor. segundo o pintor. que seria de vital importância para suas obras posteriores. Demônios. A exemplo de Kandinski. Iniciou uma fase de grande produtividade. Flores noturnas e Villa R”. Klee estudou com o mestre Von Stuck em Munique. este pintor dedicou-se durante toda sua carreira a buscar o ponto de encontro entre realidade e espírito. Em 1933. entrou em contato com os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente uniu-se ao grupo de artistas do Der Blaue Reiter. Mas a grande descoberta ocorreria dois anos depois. pode expressar ritmo e movimento”. em cima de “matéria e sonhos”. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida. em 1931. foi renomeado membro da academia de Berlim. começou a trabalhar como professor em Dusseldorf e mais tarde na escola da Bauhaus em Weimar. Klee juntou-se em 1924 ao grupo Die vier Blauen. em sua casa ao pé dos Alpes. com quadros de caráter quase surrealista. Kee deixou vários trabalhos escritos que resumem seu pensamento artístico. As formas cúbicas da arquitetura e os graciosos arabescos na terracota deixaram sua marca na obra do pintor. Convencido de que a realidade artística era totalmente diferente da observada na natureza. voltou a pintar ao ar livre. Sua última exposição em vida aconteceu em Basiléia. Depois de uma viagem pela Itália. durante o nazismo. Depois de lutar durante dois anos na primeira guerra. No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida.

pertence. em Munique. Sua visão totalmente pessoal e às vezes agressiva da realidade. como os alemães Ernst Kirchner. Produziu então suas primeiras esculturas motivadas pelas peças de arte africana. Esse aspecto de máscara foi uma das constantes nos seus retratos e nus sensuais. Suas descobertas estilísticas foram decisivas para os movimentos plásticos. Emil Nolde. Com cores quentes produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada. composto por Rouault e Soutine. e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Sua visão tão subjetiva dos seres humanos e a emotividade de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de expressionistas franceses. Três anos depois se mudou para Paris. Picasso e Braque. pode-se muito bem dizer que sua obra. e Georges Rouault na França. elegante. voltam se para a espiritualidade. a revalorização da cor e o estúdio das formas puras. Nessa cidade travou conhecimento com os pintores Utrillo. Karl Schmidt – Rottluff e Max Pechstein. Influenciados pelo cubismo e futurismo. Frans Marc (Ale). Os do segundo grupo. Grupos expressionistas: O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte). em que se vislumbrou a importância da arte como meio de expressão dos 56 . Foram três as etapas que levaram o expressionismo ao amadurecimento: o primeiro o período da arte naif. que surgiram mais adiante no século XX. August Macke. Apesar disso. são mais agressivos e politizados. Uma das descobertas mais inovadoras foi a aplicação das teorias musicais à composição Plástica. Em 1902 entrou na academia de Florença e um ano mais tarde na de Veneza. à dos gênios solitários. recatada e ao mesmo tempo misteriosa. juntamente com a dos mestres Cézanne e Van Gogh. onde teve aulas na academia de Colarossi. sua cidade natal. Os artistas do primeiro grupo.Amadeo Modigliani: iniciou sua formação como pintor no ateliê de Micheli. Paul Klee. para citar alguns. Egon Schiele na Áustria. Modigliani teve em comum com os cubistas e expressionistas o distanciamento das academias. entre eles o russo Vassili Kandinski (Rússia). Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá conheceu Juan Gris e Brancusi. em Dresden. se formou mediante uma intensa deformação e abstração das formas e uma acentuação de linhas e contornos. ativo de 1911 a 1914. que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913. Oskar Kokoschka. tanto abstratos quanto figurativos. em Livorno. chegadas a França das colônias.

usavam as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. do espanhol Pablo Picasso. influenciados pelo cubismo e futurismo. o tema central era o resgate do feio como novo valor estético. com a sobreposição de figuras. Não se preocupavam em imitar o modelo da natureza ou o objeto real. Havia ainda uma realidade ainda mais importante: “a da visão subjetiva do artista”. o segundo. exagero na 57 . voltaram-se para a espiritualidade. Com o expressionismo. Para o grupo Der Brüque(A Ponte). com cenários fantasmagóricos. Na América Latina. Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). O que mais se destacaram em suas obras foram a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. os artistas mais importantes são Cândido Portinari. A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica. uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central. o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. como um cavalo morrendo. a principal característica foi a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. e finalmente. os temas centrais eram as paisagens de policromia exarcebada e o corpo humano sintetizado em poucas linhas. cujo tema principal foi a abstração das formas. No Brasil: Nas artes plásticas. os períodos anteriores e posteriores à I Guerra Mundial. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. que retrata o êxodo do Nordeste. Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi. A obra mostra sua visão particular da angustia do ataque. Para os expressionistas vienenses. conceitos como deformação da realidade.sentimentos humanos. expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos princípios da arte. nos quais atuou como implacável critico da sociedade. Contudo os princípios plásticos enunciados pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas artísticas que vão surgir mais adiante. Anita Malfatti. Na pintura. denominado expressionismo puro. David Siqueiros e Jose Clemente Orozco. A escultura expressionista é escassa. no México os destaques são os muralistas como Diego Rivera. uma mulher presa em um edifício em chamas. ao contrario. e a arquitetura é exclusivamente teórica. Sua preocupação era reformular os temas impressionistas. Cinema: os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas.

A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. que rompe definitivamente com o romantismo.interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. Eliot (1888-1965). que domina a Alemanha a partir de 1933. com tramas bem construídas e lógicas. P irlandês James Joyce. que se criou a palavra robô. acaba com o cinema expressionista. Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl 58 . O estilo é abstrato. Música: Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem e critério do compositor. S. análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. O enredo é muitas vezes metafórico. A partir de 1908. autor do método de composição dodecafônica. e Metrópoles. Teatro: Com tendência para o extremo e o exagero. do Sueco August Strindberg (1849-1912). traduzem as angustias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. as peças são combativas na defesa de transformações sociais. o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951). Um exemplo é “O Gabinete do Doutor Caligari”. de Fritz Lang (1890-1976). O nazismo. simbólico e associativo. do tcheco Karel Capek (1890-1938). Em geral. com frases curtas. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire. Foi na peça expressionista R.U. de Robert Wine (18811938). de Friedrich Mumau (1889-1931). o inglês T. A primeira peça expressionista é A estrada de Damasco (18981904). a linguagem é direta. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. Filmes como Nosferatu. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem. que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919.R. Literatura: O movimento é marcado por subjetividade do escritor.. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento. o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.

Usavam cores puras intensamente brilhantes e até pintaram objetos em cores muito diferentes de seu colorido natural. sem misturá-las ou matizá-las. Os fauvistas não se preocuparam em expressar motivos morais. A cor pura deve ser exaltada. todos franceses. Os princípios deste movimento artístico eram: Criar. filosóficos ou psicológicos. no Salão de Outono. no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens. Características da pintura: Pincelada violenta. Criar é seguir os impulsos do instinto. Uso exclusivo das cores puras. em arte. como saem das bisnagas. Ausência de ar livre. 59 . brilhou como grupo de 1903 a 1907. não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos. outros importantes fauvistas foram André Derain. FOVISMO: Primeiro movimento artístico importante do século XX. Colorido brutal. alegria e prazer. para um fauvista o tronco de uma árvore não precisava ser marrom. Em 1905 em Paris. As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares. queria fazer quadros que trouxessem bem-estar. em virtude da intensidade com que usavam as cores puras.Stemnheim (1878-1942) e o norte americano Eugene O’Neill (18881953). A maioria deles. Quem lhes deu este nome foi o critico Louis Vauxcelles. Georges Rouault e Maurice de Vlaminck. aproximadamente. não correspondendo à realidade.pois estavam exposto um conjunto de pinturas modernas ao lado de uma estatueta renascentista. mas seu estilo influiu enormemente sobre muitos artistas posteriores. O movimento foi liderado por Henri Matisse. pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva. Como por exemplo. espontânea e definitiva. alguns artistas foram chamados de fauves (em português = feras). inclusive Matisse. poderia ser de um vermelho brilhante. Raoul Dufy. roxo ou qualquer outra cor. as sensações primárias.

com os quais se tornou um dos principais pintores fovistas. foi o mais autêntico fauvista. Após romper com o fovismo. Principais artistas: Maurice de Vlaminck. André Derain. Raoul Dufy. (1869-1954). ligou-se a Maurice de Vlaminck e Matisse. (1880-1954). Henri Matisse. pintor francês. tanto das figuras como das cores. recorrendo a traços impulsivos e a pinceladas descontinuas para obter suas composições espontâneas. sem profundidade. Impressionista a principio. CUBISMO: 60 . pintou figuras e paisagens em brilhantes cores chapadas. ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composição planas. O que interessa é a composição e não as figuras em si. gravador e decorador francês. seus nus. que exploravam o sensualismo das cores fortes.” Adotou mais tarde estilo entre expressionista e realista. em 1908. não mudou.- Pintura por manchas largas. escultor. dizia: “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis. pintor francês. as técnicas do desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. desde então.” Por volta de 1900. (1877-1953). Seu estilo. Dos pintores fovistas. retratos e naturezasmortas haviam adquirido uma entonação neoclássica. dizia: “As cores chegaram a ser para nós cartuchos de dinamite. evoluiu gradativamente para o fovismo. Foi. sofreu influencias de Cézanne e depois do Cubismo. (1876-1958). Morreu um ano depois de receber o prêmio de pintura da bienal de Veneza. como de pessoas ou de naturezas-mortas. depois de travar contato com Matisse. ilustrador e litógrafo. pintor. Na década de 1920. com o gradual desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. formando grandes planos. também. Contrastes tonais e a geometrização da forma caracterizam sua obra. pintor francês. Abandonou assim a perspectiva. Nessa fase. nas suas pinturas ele não se preocupa com o realismo.

mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Entretanto. os cubistas foram mais longe do que Cézanne. È como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar 61 . O claro-escuro. números. Representa-os como se movimentassem em torno deles. por um ocre apagado ou um castanho suave. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. sob formas geométricas. essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. Basicamente. Renuncia à perspectiva. metal e até objetos inteiros nas pinturas. que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. numa superfície plana.Historicamente o Cubismo originou-se da obra de Cézanne. O pintor cubista tenta representar os objetos em tre dimensões. palavras. Sensação de pintura escultórica. percebendo todos os planos e volumes. essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. com o predomínio de linhas retas. o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos. vidro. Representação do volume colorido sobre superfície planas. pedaços de madeira. pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones. Na verdade. perde sua função. Principais características: Geometrização das formas e volumes. por cima e por baixo. O Cubismo se divide em duas fases: CUBISMO ANALITICO: caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. procurando a visão total da figura. vendoos sob todos os ângulos visuais. CUBISMO SINTÉTICO: reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. examinando-a em todos os ângulos no mesmo instante. do branco ao negro passando pelo cinza. Essa fragmentação dos seres foi tão grande. Cores austeras. através de sua fragmentação. Decompondo-a em partes. Não representa. esferas e cilindros. Também chamado de colagem porque introduz letras.

especialmente na obra de Corbusier. um artista que passou pela fase do cubismo analítico e sintético.” Pablo Picasso Braque. Principais artistas: Pablo Picasso. com veemente indignação. A linguagem é demonstrada em busca da simplicidade e do que é essencial para a expressão. só que vistos com túnica de ouro. restringe-se à pintura de cenários de peças e balés feitos por Picasso.efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere. sem a continuidade tradicional. responsável pela morte de grande parte da população civil formada por crianças. também o mural Guernica. “A obra de um artista é uma espécie de diário. No teatro. que representa. escritas na vertical. e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. durante a Guerra Espanhola. Literatura. os princípios do cubismo aparecem na poesia. com a obra Lês Demoiselles d’Avignon. O expoente é o francês Guillaume Apollinaire (1880-1918). que influencia toda a poesia 62 . Em 1907. A arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade. se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade. Quando o pintor. são mais nítidas as fases: azul que representa a tristeza e a melancolia dos mais pobres. mulheres e trabalhadores. Podemos destacar. por ocasião de uma mostra. é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos. Depois de descobrir a arte africana e compreender que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com as tendências de determinados movimentos estéticos. começa a elaborar a estética cubista que. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte. Entretanto. tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por diversas fases. vê algumas de suas telas antigas novamente. O cubismo manifesta-se ainda na arquitetura. e na escultura. despertando também no observador as sensações táteis. como vimos anteriormente. o bombardeio da cidade espanhola de Guernica. mas com uma liberdade muito maior. O resultado são palavras soltas.” Pablo Picasso “A arte não é a verdade.

Obra destacada: Pietá. embora quase todos os modernistas sejam influenciados pelo movimento. Seus princípios foram ponto de partida para a modernização da cultura italiana. Pintar como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. FUTURISMO: Movimento artístico. de grande repercussão social. Cubismo no Brasil: Só repercute no país. Também usou de temática social nos seus quadros como na tela Operários. A ela pertence a tela Abaporu. publicou o primeiro manifesto futurista. Em 1928 deu inicio a uma fase chamada antropofágica. Rego Monteiro: um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da estética cubista. Em 20/02/1909. após a semana de arte moderna de 1922. suas bases eram totalmente revolucionarias. e ele foi o primeiro grito exigindo uma arte contemporânea. sua vida alternou-se entre a França e o Brasil. academias de arte e Vaticano. Estudou em Paris. torna-se precursor do concretismo. que ocorreu na Itália de 1909 a 1916. pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. Destacam-se: Tarsila do Amaral: apesar de não ter exposto na semana de 22. tem seus quadros dentro de alguns importantes museus. cujo nome. Anita Malfati e Di Cavalcanti. Foi reconhecido também naquele país. cubistas brasileiros. Ao dispor versos em linhas curvas.contemporânea. para fazer a sociedade italiana despertar para a modernidade. o jornal parisiense “Le Figaro”. O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo governo. Seu programa político. colaborou decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna brasileira. Não há portanto. É o caso de Tarsila do Amaral. abordava o 63 . assinado pelo poeta italiano Filippo Tomaso Marinetti. depois da Semana de Arte Moderna. segundo a artista é de origem indígena e significa “antropófago”.

só consegue se deixar envolver por essas telas velozes e movediças. Esta teoria pode parecer familiar quando se pensa nos esforços que os impressionistas fizeram para captar a luz ou as cores num momento determinado. também defendia a guerra como único meio de mudar um mundo antiquado e decadente. também se uniu a essa corrente. nos quais as formas se repetiam.. é necessário fragmentar volumes e linhas. O pintor Boccioni. Mas é exatamente ai que está a diferença na preposição dos futuristas. ousaram ainda mais. transmitem a sensação de vertigem dos novos tempos. qualquer objeto em movimento. “. um dos maiores expoentes do movimento. com o que conseguiram alcançar um de seus maiores objetivos: a simultaneidade. Marinetti contou com apoio incondicional de jovens pintores italianos do inicio do século. como: Balla. Parece simples. Além disso como um objeto em movimento também perde a sua forma original. os futuristas tentaram plasmar em suas pinturas a idéia de dinamismo. amontoando-se umas sobre as outras. O arquiteto Sant’Elia. e o militarismo como revalorização do sentido de pátria. mais do que um prazer visual. Em linhas gerais.” Diante das obras futuristas. o estático. nos quais assentavam as bases do que viria a ser a arte futurista: “a maquina como única expressão do dinamismo e a velocidade como novo sinal dos tempos”. Boccioni. É mais do que sabido que. Russolo e Severini. teorizando sobre uma arquitetura caduca e transitória. O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais. os futuristas. para transmitir uma sensação de movimento continuo. Não bastasse isso os futuristas. Mas não é. tiveram muito trabalho ao materializar sem cair nas antigas representações artísticas que tanto abominavam. redigiram seus próprios manifestos. Repetiram essas fragmentações até saturar o plano. em conjunto.. entendido como a deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação.divorcio. constroem a ação. sem a soma de momentos que.é que os futuristas aspiram à captação de um instante preciso na tela. que também cheios de entusiasmos revolucionários. Carrà. que tão bem souberam expressar suas teorias nos manifestos. Uma de suas propostas foi a divisão da cor. é visto pelo observador como uma sucessão de linhas coloridas fugazes. o espectador. que não sobrevivesse ao homem. 64 . a destruição das riquezas e a igualdade entre o homem e a mulher. que.

Na volta a Roma. Balla retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia. mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço. na Academia Albertina de Turim. conheceu Marinetti. juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. nas artes plásticas. Cinco anos mais tarde fez uma viagem a Paris. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel. Boccioni e Severini. onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou de várias exposições. ele se separaria finalmente do futurismo para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. junto com Giorgio De Chirico. não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento. com a situação da luz e a integração do aspecto cromático. onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas Artes. Mesmo assim. que permita ao observador captar de uma só vez todas as seqüências do movimento. ou desintegração das formas. sua cidade natal.fez suas incursões pela escultura. como seus companheiros. Um ano mais tarde. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso noturno de desenho de dois meses de duração. o futurismo foi uma arte eminentemente pictórica. aprofundando a busca do dinamismo. Enquanto ganhava seu 65 . Principais artistas: Giacomo Balla. (1881-1966). Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade. embora sem chegar a uma total abstração. Embora em principio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas. em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e tecnológicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas. numa repetição quase infinita. registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. intitulado: “Cão na coleira ou Cão atrelado”. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma. Preocupado. embora se possa afirmar sem dúvida que. Procura-se neste estilo expressar o movimento real. apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista. mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas. Dissolvido o movimento. Carlo Carra.

Carra não deixou de comparecer às exposições futuristas de Paris. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens. Umberto Boccioni. Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista. Londres e Berlim. mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo. no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado. Em 1900 fez uma primeira viagem a Paris. São Petesburgo e Milão. Ao voltar. (1882-1916). Em 1912. onde estudou em diferentes academias. A partir desse momento começaram a aparecer as referências cubistas em suas obras. retornou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o poeta Marinetti. contratado para a decoração da Exposição Mundial. em Milão. Foi com a intenção de procurar as bases dessa estética que ele viajou a Paris. 1919 e La Mia Vita. mas incorporando os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrarias. Juntou-se a Giorgio De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica. onde se encontrou com Picasso e Braque. Modigliani e Picasso. Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com Apollinaire. freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera. Ao voltar. influenciou a arte de seu país nas décadas de 1920 e 1930. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo Cubismo.sustento como pintor-decorador. entre eles “La Pittura Metafísica. Fez então algumas viagens a Paris. sua obra se manteve sob a influencia do cubismo. entrou em contato com Carra e Marinetti e um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura. No inicio mostrou-se interessado na pintura impressionista. Nascido em Reggio di Calábria. 1943”. publicou o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. redigido pelo poeta italiano e publicado no jornal Le Figaro. desprezo pela representação naturalista. Publicou vários trabalhos. Pintor italiano. indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados a pintura. De lá se mudou para Londres. principalmente na obra de Cézanne. por definição por definição suas obras mais futuristas. Ao retornar. Boccioni mudou0se ainda muito jovem para Roma. Em suas últimas obras retornou ao Cubismo. representante do futurismo e mais tarde da pintura metafísica. Os retratos deformados pelas superposições 66 . do qual foi um dos principais teóricos. participou da primeira exposição futurista.

escultura Futurista. Não existe perspectiva geométrica linear. como numa arte mais intelectualizada. na cidade de Verona. portanto. Morreu dois anos depois. nem nas tendências modernistas. Principal artista: 67 . tende à simetria e a linha é sempre figurativa. Dinamismo Plástico). Scultura Futurista. Durante a Primeira Guerra Mundial. nem tampouco no conceito de arte popular. sem nenhuma referencia cultural. mesmo nesses casos. Claro que. com sua obra “Dinamismo de um jogador de futebol”. sem que. o artista naif é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras. portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Não se trata. bidimensionais. existem os realmente marcantes e outros nem tanto. das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. Esse isolamento situa o art naif numa faixa próxima à da arte infantil. de uma criação totalmente subjetiva. Art naif (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Um ano mais tarde. Características gerais: Composições planas. ARTE NAIF: É a arte da espontaneidade. se confunda com elas. seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros. como num pseudofotograma.de planos ainda não conseguiam expressar com clareza sua concepção teórica. Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos desordenados. da criatividade autêntica. o pintor se alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro “Pittura. da arte do doente mental e da arte primitiva. do fazer artístico sem escola nem orientação. Assim. em 1916. Pinceladas contidas com muitas cores. O artista naif não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa. muito embora. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos. no entanto. Dinâmico Plástico” (Pintura.

após despertar a admiração de Alfred Jarry. Guillaume Apollinaire. composição e perspectiva. pintor italiano.Henri Rousseau. de plástica despojada e escultural. onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente. homem de pouca instrução geral e quase nenhuma em pintura. (1844-1910). perpassado de inquietações metafísicas. Tem inspiração na Metafísica. Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas. legumes. Notável por suas naturezas-mortas em que buscava a unidade das coisas do universo. manequins. Pablo Picasso. nascido na Grécia. sombras sedutoras e cores ricas e profundas. A pintura metafísica explora os efeitos de luzes misteriosas. frutas. Estreou com uma original obra-prima. idealizadas. “Um dia de carnaval”. constitui um caso singular: puçás vezes um artista alcançou tão rapidamente a fama para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um esquecimento quase absoluto. (1890-1964). que precisam simbolizar a estranheza do ser humano diante do seu meio ambiente. pintor italiano. muitas vezes com a inclusão de estátuas. seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. enigmáticos e sem rosto”. As suas obras retratam cenários arquitetônicos. Conferiu imobilidade e transparência de formas recorte intimista e 68 . em arcadas e arquiteturas puras. nus ou vestidos à moda clássica. De Chirico. ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural. em curiosas perspectivas divergentes. irreais e enigmáticos. PINTURA METAFÍSICA: A pintura deve criar uma impressão de mistério através de associações pouco comuns de objetos totalmente imprevistos. Principais artistas: Giorgio De Chirico. Também usada nas suas obras “manequins. numa transfiguração toda especial. no Salão dos Independentes. principal representante da pintura metafísica. Giorgio Morandi. Nos primeiros anos do século XX. Em sua primeira exposição foi acusado pela critica de ignorar regras elementares de desenho. e de empregar as cores de modo arbitrário. (1888-1964). solitários.

Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências. se tivessem permanecido em seus respectivos países. Sendo a negação total da cultura. inventou mecanismos ópticos. o caos. Principais artistas: Marcel Duchamp. 69 . firma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra. O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte. Criou os ready-mades. às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos. após leve intervenção e receberam um titulo. DADAÍSMO: Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. (1887-1968). num dicionário alemão-francês. religião. para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional). teriam sido convocados para o serviço militar. exilados na Suíça. selecionado e combinando elementos por acaso. Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de “Fonte”. Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico. sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. Esse nome escolhido não fazia sentido. o Dadaísmo defende o absurdo.1916). a incoerência. eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan. objetos escolhidos ao acaso.atmosfera de luz cinza-clara. adquiriram a condição de objeto de arte. O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921. a desordem. o Dada foi um movimento de negação. Depois fez interferências (pintou bigodes na Monalisa. interessandose pelo movimento das formas. e que. pintor e escultor francês. garrafas. filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar as destruição da Europa. artistas de várias nacionalidades. antes do surgimento do grupo Dada (Zurique. Durante a Primeira Guerra Mundial. Reinterpretou o cubismo a sua maneira.caixas e lâmpadas velhas. Politicamente.

as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. como a madeira de veios salientes. de índole satírica. 70 . entre as linhas e os planos. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rigorosa. adepto do irracional e do onírico e do inconsciente. surrealismo e dadaísmo. Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada. pintor alemão. até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo.François Picabia. e esfregar um lápis de cor ou grafite. pintor e escritor francês. como cubismo. abandonou a abstração pura que praticava por anos e criou pinturas baseadas na figura humana. (1879-1953). (1891-1976). de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. entre outros. desde a mais sensível até a intelectualidade máxima. esteve envolvido em outros movimentos artísticos. Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do inicio do século XX. com a superposição de formas lineares e transparentes. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas. ABSTRACIONISMO: A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro. composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema. eram mais próximas de Léger do que de Picasso. O pintor russo Kandinski foi o primeiro artista propriamente abstrato. O abstracionismo apresenta várias fases. Quando a significação de um quadro depende especialmente da cor e da forma. Informalismo: predominam os sentimentos e emoções. ela passa a ser abstrata. quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível. Na Alemanha surge o movimento denominado “Der Blaue Reiter” (O cavaleiro azul) cujo fundadores são Kandinsky e Frans Marc. Depois de 1927. Suas primeiras pinturas cubistas. são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam umas nas outras. criando técnicas em pintura e escultura. Max Ernest. No Dadaísmo contribuiu com colagens e fotomontagens. As cores e as formas são criadas livremente.

A arte abstrata encontrou finalmente seu lugar nas galerias e coleções de uma sociedade moderna e pujante. Kline. precursora da vanguarda expressionista abstrata. que parte de Kandinski. Duhuffet e Millares. Pintura: De um lado a pintura abstrata lírica. através das tonalidades e matizes obtidos. sem relacioná-los a lembrança do mundo interior. De Kooning e Motherwell. representado pelas formas e cores puras. e mais tarde por Bacon. principalmente depois de superada a crise da depressão dos anos 30.Uma arte abstrata que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. com uma atitude totalmente animista e subjetiva diante da obra. a cor e a linha. O fato de os artistas mais representativos da arte moderna européia terem se mudado para os Estados Unidos. que entendiam a atuação do artista como um compromisso vital com uma sociedade devastada e desolada pelo terror e pela violência. ou o grupo Dau al Set. como Mondrian ou Van Doesburg. que a partir do cubismo evolui para um racionalismo matemático. deixaram entusiasmados os jovens artistas americanos. totalmente independente da visão subjetiva. De outro lado. desenvolve-se a pintura abstrata geométrica. mas agora sob a ideologia das novas filosofias existencialistas. entre outros. É o caso dos neoplásticos da Holanda. no qual se inclui o pintor Tapies. Com a forma. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas. de conteúdo simbólico e gestual. o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores. Donos de galerias e colecionadores apoiaram o desenvolvimento dessas novas tendências e gerou-se um mercado do artístico dinâmico. 71 . sensível e emotivo. representado por Fautrier. durante a Segunda Guerra Mundial. Estes elementos da composição devem ter uma unidade de harmonia tal qual uma obra musical. Também devem ser encluidas aqui as obras de Vsarely e Cruz-Diez. Enquanto isso. convidados pelas universidades. Eles querem um expressionismo abstrato. e evolui na obra dos expressionistas americanos: Pollock. Também estão nesta categoria as vanguardas do pós-guerra europeu. conseguindo variações espaciais e formais na pintura. como o informalismo. a Europa do pós-guerra retomou a s tendências abstratas. foi muito significativo para a difusão da arte abstrata. o suprematismo de Malevitch e o cosntrutivismo russo. lá se fundou a American Abstracts Artists. Muitos deles.

embora se faça referencia a artistas dedicados principalmente à escultura. consideradas uma síntese das formas orgânicas. atravessou uma curta fase fauve e expressionismo. ou as simbólicas. (1866-1944). como Henry Moore ou Constantin Brancusi. e em 1926. em Munique. explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Franz Marc. falar de peças. Os nazistas destruíram várias de suas obras. A partir da arte abstrata o limite entre escultores e pintores se dissolveu ainda mais. Do ponto e da linha até a superfície. Por isso.Principais artistas: Wassilly Kandinsky. já que o tridimensional se desenvolveu a partir da combinação de materiais completamente alheios aos que a escultura havia conhecido até então. das crianças e dos doentes mentais. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas Artes de Liège. objetos e instalações. em favor da representação das formas geométricas puras. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de “Arte Degenerada”. em Nova York. o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais. pintor alemão. apaixonado pela arte dos povos primitivos.Escreveu livros como em 1911. sob a influencia deste. convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores. com exceção do dadaísmo. pintor russo. antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo. conheceu Kandinsky. houve muito outros que fizeram experiências 72 . Em Minneapolis. no Kunstmuseum. no entanto. Escultura: A escultura abstrata se caracterizou pelo afastamento dos moldes naturalistas. Em Basiléia. e no Guggenheim Museum. (1880-1916). Sobre o espiritual na arte. que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. no Walker Art Center. É preciso. mais racionais. na Stãdtische Galerie im Lembachhaus. A admiração pelos futuristas italianos imprimiu nova dinâmica à obra de Marc.

dividem mas não separam pontos. pretendendo intervir psicologicamente nos espectadores. com os mecenas do renascimento. a imagem torna-se um acontecimento ritual. como os neoplásticos holandeses ou os minimalistas americanos e ingleses. ela se caracterizou pelo rigor de suas formas volumétricas. mágico. muitas vezes de acordo com as da pintura. sem abandonar totalmente as formas figurativas. Como ocorreu antes. em praças e calçadas. utilizando-as na decoração urbana. Em 1955 num ensaio intitulado “American Type Painting”. Perseguiram um ideal de pintura absoluta. Quanto à escultura racionalista. Artistas mais representativos: Mark Rothko. Mark Tobey. Ad Reinhardt. A escultura orgânica. nem os fecham ou isolam. as cidades passaram por uma renovação estética em que as novas peças de arte abstrata se integraram. A exemplo da pintura. com as mais importantes dos séculos passados. Na escultura abstrata surgiram correntes diversas. a reduzir a função da escultura á mera ocupação do espaço. de W. sagrado. que tem seus antecedentes mais imediatos no dadaísmo. elas delimitam mas não limitam”. A sua pintura era contraria à Action Painting. agrupou todos os artistas que ainda buscavam a representação da subjetividade humana e de seu próprio simbolismo interno. Matisse.interdisciplinares. 73 . de cromatismo simplificado e vibrantes do abstracionismo: ”As margens das grandes telas de Newman fazem o mesmo papel que as linhas interiores das formas. das superfícies planas. Clement Greenberg empregou a expressão “Painting Field” (campo colorido. a escultura abstrata chega ao auge graças ao interesse que despertou em marchands e colecionadores e aos programas estatais que deram aos artistas oportunidade de popularizar suas obras. chegando em alguns casos. para diferenciar a abstração sensual de Pollock. Mondrian e Kandinski. que possibilitam sua classificação. Clyfford Still. como os neo-abstratos. diferente de tudo o que tivesse existido. Nas suas pinturas. Outros abstracionistas: Com influencias de Malevich. Barnett Newman. também conhecida por Pintores em campo da cor). de Kooning e de Gorky.

primitivos. Lucio Fontana. em obras de cerâmica e terracota. grotescos. Georges Mathieu. Artistas mais representativos: Europa: Jean Duhuffet. italiano de origem Argentina. como uma obra essencialmente de “retratos” gestualmente deformados. Antonio Saura. Karell Appel. Alberto Burri. areia. que. carvão. giz. pintor experimentalista e “espacialista”. também espanhol. crianças e doentes mentais. Schulze Wols. holandês. um dos raros escultores informalistas. Antoni Tápies. pintor francês que inventou a “arte bruta” com origens na arte primitiva e que pretendia abarcar todas as expressões artísticas não reconhecidas oficialmente como as obras de videntes. o gestualismo revelou-se mais moderado. Francis Bacon. matérias lamacentas. que ainda hoje continua a realizar pinturas de base matérica e influencia Zen. Manolo Millares. usando como materiais alcatrão. italiano que realizou uma pintura de pesquisa com materiais diversificados e invulgares. importante pintor espanhol. importante pintor britânico. reflexivo e diluído em vários campos do que o da Action Painting dos Estados Unidos. pintor alemão que desenvolveu a gestualidade e a linguagem do inconsciente. com uma constante preocupação de resolução do espaço nas suas obras. e etc. 74 .Na Europa. aderiu ao “sentido misterioso” da matéria bruta. com uma pintura socialmente empenhada e polemica com deformações grotescas de imagens figurativas. Hans Hartung. um dos fundadores do grupo expressionista abstrato COBRA. Lencillo. italiano.

Adolph Gottlich. A problemática dessa composição seria novamente abordada no “Quadro branco sobre fundo branco”. bem como algumas fases de Nadir Afonso. Pintado entre 1913 e 1915. pintor russo. triângulos e a cruz. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais. SUPREMATISMO: É uma pintura com base nas formas geométricas planas. Arshile Goricy. foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos. reduz as formas. foi um dos principais integrantes do movimento futurista em seu país. Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre o campo negro. Philip 75 . grupo de artistas norte americanos: William Baziotes. Eurico Gonçalves. Anos 40 e 50. destruídas de toda sensualidade. que levou o abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. círculos. João Vieira. Os elementos principais são: retângulos. podemos inserir os pintores Fernando Lanhas. Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e perceptivas entre a forma e a cor. EXPRESSIONISMO ABSTRATO: Termo anos 20 com Wassily Kandinski (Cavaleiro Azul). defendia a supremacia da sensibilidade sobre o próprio objeto. à pureza geométrica do quadrado. Antonio Charrua e Rogério Ribeiro. (1878-1935). Joaquim Rodrigo. Julio Resende. um dentro do outro. Antonio Sena. O “quadrado negro sobre o fundo branco” construiu uma ruptura radical com a arte da época. poeta russo. sem qualquer preocupação de representação. João Hogan. com os lados paralelos aos da tela.Em Portugal dentro do variado leque de expressões artísticas do informalismo. fundador da corrente suprematista. 1918. compõe-se apenas de dois quadrados. considerado o introdutor do abstracionismo em Portugal. assinado por Malevitch e Maiakoviski. Mais racional que as obras abstratas de Kandinsky e Paul Klee. Principal artista: Kazimir Malevitch. hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York. nas variações ambíguas de fundo e forma. Menez. Willen De Kooning. O manifesto do Suprematismo.

alhares. expressada na pintura de Clyfford Still e Barnett Newman. pode ser considerado o 1º expressionismo abstrato.Y. arte de engajamento existencialista.Yves Tanguy e Max Ernest. sacerdotes. totem e xanãs). nas pinceladas violentas De Kooning e nas formas ousadas de Klive. textura. A arte e o artista eram exaltados. Barnett Newman. apresentavam influências das vanguardas Européias(Fauvismo. por seu potencial simbólico e romântico. Os surrealistas André Breton. imagens labiritimicas. influenciado por Kandinsky e M iro. 1934). Franz Kline. Action paining: criado por Harold Rosemberg. perda de fé e nas ideologias. Arshile Gorky para Breton surrealista. interesse maior pela psicanálise junguiana. Para eles o verdadeiro tema da arte eram as emoções interiores do homem. “energia e movimentos”. tela no chão gotejando tinta. Paisagem americana. Por crescer sob grande depressão II Guerra mundial. As exposições nos EUA. Mark Rothko. Ad Reinhardt. Roberto Matta. Anos 50. Jackson Pollock. anos 50. outros títulos: Escola de N.” American – Type paining”. A análise junguiana. exploraram gestos. Dada e Surrealismo. Lee Krasner. Cubismo. submeteu 2 anos 1939/41 de análise junguiana.Guston. De Belas Artes Hans Hfman. 1952 – Engajamento corporal – Pollock. cor. especificamente nas imagens da “pin-up americana”. Hans Hofmann.”. O mais conhecido Jackson Pollock. (Jack o respingador). Clyfford Still e Mark Tobey. Momento decisivo do movimento expressionismo abstrato. “série mulher”. forma. existência de um “inconsciente coletivo”. O termo foi introduzido pelo critico Robert Coates em 1946. André Masson. Robert Motherwel. Complementadas por novas gerações de mestres como: Hofman ( Esc. De Kooning também pintou abstratos biomórfica. (abstração orgânica). Pollock. filme e fotos. (formas biofórmicas). Astecas. mais conhecido pela atenção que dava a figura humana. nutriu sua pintura (míticas. 76 . “Action pining” e “color field paining”. Africanos e índios americanos). tema constante na obra de Pollock.

(espiritualidade e convite à contemplação). Escultores: Herbert Ferber. exposição itinerante (MOMA 1958/9). Diferentes aspectos do expressionismo abstrato alimentaram movimentos variados como: “abstração pós-pictórica”. a pintura e a escultura são pensadas como construções. “Minimalismo” e “arte performática”. mais do que ilustra-los”. reconhecimento internacional. mas repleta de temas). a Arte Expressionista Abstrata. Motherwell. (nossa pintura não era abstrata. “O tema dos artistas” foi fundado por Baziotes.Mark Rothko: obra madura. Afirmamos que o tema é fundamental e só é valido quando se mostra trágico e temporal” Em 1948. Expressionismo Abstrato. 1951. Capela Rothko. Aaron Siskind. Para Rothko: “emoções básicas”. e não como representações. GOTTILIEB E NEWMAN. Para Newman: “a busca do significado oculto da vida” De Kooning: “pôs alguma ordem em nós” Motherwell: “desposar o universo”. procedimentos e objetivos. Seynour Lipton. Para Still: “apenas eu e não a natureza” Para Pollock: “Expressa meus sentimentos. O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda 77 . DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO. guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais. arte religiosa. “Não existe essa coisa de uma boa pintura sobre o nada. fotografia abstrata. Hare Ibram Lassaw. foi promovida por vários críticos. Reuben Nakiam. Newman Theodore Roszak e David Smiyh (principal). entre eles Harold Rosemberg e Clement Greemberg. o movimento alcançou reconhecimento institucional com a exposição Pintura e Escultura abstrata nos EUA (MOMA NY). Rothko e o escultor Davi Hare. CONSTRUTIVISMO: Para o construtivismo. Anos 40 E 50. executada no auge do continuísmo americano.

o De Stiil (O Estilo). concebida para ser também uma antena de transmissão radiofônica. A consideração das especialidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com os outros movimentos de caráter construtivo na arte. A nova sociedade projetada no contexto revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova. As discussões sobre a função social da arte provocam fraturas no interior do construtivismo russo. e o Suprematismo. fundado em 1915 por Kazimir Malecich (1878-1935). seria erguido no centro de Moscou.russa e a um artigo do critico N. sobre os relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953). na Alemanha. que agrupa Piet Mondrian (1872-1944). Afinal. Das pesquisas iniciais. De ferro e vidro. o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wassili Kandinsky (1866-1914) no Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). exposto em 1920. também na Rússia. por exemplo. em estreito diálogo com as pinturas abstratas e geométricas de Malevich. que se coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do povo. diante da revolução de 1917. A ideologia revolucionaria e libertaria que impregna as vanguardas em geral. encontrado posteriormente na fotografia um meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. Theo van Doesburg (1883-1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas. Sua perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Sergei Eisenstein (1898-1948). em 1911. de diferentes modos. Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883-1959) para o Palácio do Trabalho e para o jornal Pravda e. sobretudo. de 1913. a gigantesca espiral giraria sobre si mesma. Punin. escultura e arquitetura) para um propósito utilitário”. no Monumento à Terceira Internacional. no Cubismo. é descrita pelo artista como “união de formas puramente plásticas (pintura. criado em 1917. signatários do Manifesto Realista de 78 . adquire feições concretas na Rússia. A obra de Alexander Rodchenko (1891-1956) é outro exemplo de atualização do programa construtivista e produtivista russo. o artista passa às construções tridimensionais por influencia de Tatlin. a produção artística deveria ser funcional e informativa. Os irmãos Antoine Pevsner (18861962) e Naum Gabo (1890-1977). que ocorrem no primeiro decênio do século XX. no Dadaísmo e no Futurismo italiano. mas nunca executado. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes. de Tatlin.

CONCRETISMO: A arte concreta deve ser compreendida como parte do movimento abstracionista moderno. 79 . Pevsner e Gabo deixam a União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS. quando o regime soviético começa a manifestar seu desagrado com a pauta construtivista. e no Rio de Janeiro. em particular. Lygia Pape(1927-2004). sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner. e no Brasil. popularizando-se com Max Bill (1908-1994). as professadas pelo grupo Cercle et Carré. A ruptura neoconcreta estabelecida com o manifesto de 1959. em tendências abstratas. A abstração geométrica testada pelo grupo holandês ecoa. nos Paises Baixos. Na década seguinte. redigido por Van Doesburg. Em 1922. não afasta as influencias do construtivismo russo. Lygia Clark (1920-1988). Gabo será um dos editores do manifesto construtivista inglês Circle de 1937. por exemplo. Grupo Ruptura. e o grupo Abstracion-Création (abstração-criação). O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos ideais estéticos da vanguarda russa que vão impactar a Bauhaus na Alemanha. Marcas da vanguarda russa podem ser observadas no movimento concreto de São Paulo. em 1930. como vidro e o plástico. O termo arte concreta é retomado por outros artistas. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata. com novos matizes. Ferreira Gullar (1930). Entre outros. o De Stiil. Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanuds (1915). em Paris.1920. lembrando as criticas de Gabo ao monumento de Tattlin. Franz Weissmann (1911-2005). recusam um programa social e aplicado da arte. em geral. Theo van Doesburg (1883-1931). no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). como Vassili Kandinsky (1866-1944) por exemplo. com raízes em experiências como a do grupo De Stiil (O Estilo). em defesa de uma morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de Malevich. criado em 1917. ex-aluno da Bauhaus. Gernit Thomas Rietveld (18881964). Grupo Frente. do dialogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais. que reúne Amílcar de Castro (1920-2002). no manifesto Arte Concreta. Não são pequenas as influencias do construtivismo na América Latina. na França. fundado em 1929 pelo critico Michel Seuphor (1901-1999) e o pintor Joaquim Torres Garcia (1874-1949). a defesa oficial de uma estética “realista” e “socialista” representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal dos construtivistas. na Holanda por Piet Mondrian (18721944).

alimentados pelo surto industrial e pela pauta desenvolvimentista. especialmente no Brasil e Argentina.Os princípios do concretismo afastam da arte qualquer conotação lírica ou simbólica. Da pauta do grupo fazem parte também pesquisas sobre percepção visual. A exposição do artista em 1951 no MASP e a presença da delegação suíça na 1º Bienal Internacional de São Paulo. planos e conjuntos relacionados. O impacto das representações estrangeiras na bienal se relaciona de perto côas modificações verificadas no meio social e cultural brasileiro. Cidades com o Rio de Janeiro e São Paulo iniciam processos de metropolização. Os Suíços. Richard Pall Lohse. planos e cores. Do ângulo das artes visuais. que falam por si mesmos. “pois nada é mais real. mais concreto do que uma linha. com o anúncio das novas tendências não figurativas. A pintura concreta é “não abstrata”. dando continuidade ao projeto Bauhaus. após a segunda guerra mundial. na 1º Bienal. É importante lembrar nessa direção as 80 . Max Bill explora essa concepção de arte concreta defendendo a incorporação de processos matemáticos à composição artística e a autonomia da arte em relação ao mundo natural. Verena Loewensberg. que alteram a paisagem urbana. uma superfície”. e passível de ser aprendida de múltiplos ângulos. abrem as portas do país para as novas tendências construtivas. a criação dos museus de arte e de galerias criam condições para a experimentação concreta nos anos 1950. A obra de arte não representa a realidade. fundada por Max Bill em 19851 na Alemanha. que são amplamente exploradas a partir de então. A noção de arte concreta visa rediscutir a linguagem plástica moderna. O quadro construído exclusivamente com elementos plásticos. pela participação do artista nos vários setores da vida urbana. não tem outra significação se não ele próprio. afirma Van Doersburg. são sintomas da atenção despertada pelas novas linguagens pictóricas. Os prêmios concedidos à escultura “Tripartida” de Max Bill e a tela “formas” de Ivan Serpa. ênfases Hochschule für Gestaltung – HFG (ESCOLA SUPERIOR DA FORMA). mas evidencia estruturas. da arqwuitetura e dos relevos. Bill é o principal responsável pela entrada desse ideário plástico na América Latina. e a defesa da integração da arte na sociedade. realizada no MAN/SP. uma cor. especialmente Max Bill. recolocam o problema bidimensionalidade do espaço pictórico introduzido pelo cubismo ao definir o quadro como suporte sobre o qual a realidade é reconstruída. Assim com os concretos a pintura se aproxima de modo cada vez mais radical da escultura.

pela proximidade entre trabalho artístico e produção industrial. Lygia Pape (1927-2004) e Vicent Ibberson.exposições 19 Pintores. em 1949. editada pelos irmãos Haroldo de Campos (1929-2003) e Augusto de Campos (1931) e Décio Pignatari (1927). por meio das pesquisas geométricas. A. Carlos Val (1937). no MAM/SP. o grupo propõe em seu manifesto a “renovação dos valores essenciais das artes visuais”. Abraham Palatinik (1928) e Ruben Ludolf (1932). Calder no MASP. de Geraldo de Barros (1923-1998). e Fotoformas. em 1954. No Rio de Janeiro. em São Paulo. O ano de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura marcam o inicio oficial do movimento concreto em São Paulo. formam o Grupo Frente. somente do grupo Concreto Paulista. inicio da ruptura neoconcreta. São Paulo. em 1952. 81 . o grupo carioca opõe uma articulação forte entre arte e vida. alunos do curso de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. e pelo corte com certa tradição abstracionista anterior. e Rio de Janeiro. efetivada em 1959. Lothar Charoux (1912-19887). Resulta às linhas verticais e horizontais e as cores puras (vermelho. na Galeria Prestes Maia. Os desdobramentos da arte concreta na poesia se evidenciam em São Paulo pelo lançamento da revista Noigandres. e ao qual aderem em seguida Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939). 1957. Féjer (1923-1989). Lygia Clark (1920-1988). no MASP em 1950. As divergências entre Rio e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional de Arte Concreta. À investigação paulista centrada no conceito de pura visualidade da forma. Emil Baruch (1920). Geraldo de Barros. Décio Vieira (1922-1988). e maior ênfase na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. liderado pelo artista critico Waldemar Cordeiro (1925-1973). Franz Weissmann (1911-2005). Luiz Sacilotto (1924-2003). ainda que no âmbito não figurativo geométrico. Leopold Haar (1910-1954). João José da Silva Costa (1931). Do Figurativismo ao Abstracionismo. NEOPLASTICISMO: Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a composição resulte apenas e expressão de uma concepção geométrica. tendo como teóricos os críticos Mario Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930). Criado por Anatol Wladyslaw (1913-2004). em 1949. o grupo concreto carioca prega a experimentação de todas as linguagens. Ivan Serpa. Elisa Martins da Silveira (1912-2001). 1956. Fundado por Aluisio Carvão (19202001). que afasta a consideração da obra com “máquina” ou “objeto”.

Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. marcou historicamente o nascimento do movimento. Ele procura. no ponto onde a razão humana perde o controle. baseado nas proporções matemáticas ideais. despojado de todo excesso da cor. pesquisa e consegue um equilíbrio perfeito da composição. O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. pintor holandês. onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras negras e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. (1872-1944). Depois de haver participado da arte cubista. entre as relações formais de um espaço estudado. Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente. O artista utiliza como elemento de base. Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na realidade.azul e amarelo). continua simplificando suas formas até conseguir um resultado. SURREALISMO: Nas duas primeiras décadas do século XX. Essas superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura. da linha ou da forma. uma superfície plana. o que vale é o impulso psíquico. A publicação do Manifesto do Surrealismo. os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal. políticas criaram clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. Em 1940. O ângulo reto é o símbolo do movimento. assinado por André Breton em outubro de 1924. É a série dos quadros boogie-woogie. Principal artista: Piet Mondrian. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico. sem o freio do espírito critico. sendo rigorosamente aplicado à arquitetura. Mondrian foi para New York. 82 . retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco. pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico.

se os dadaístas propunham apenas a destruição. e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos. enquanto Dali. 1928. representaram o surrealismo orgânico. A fantasia. situada no plano do subconsciente e do inconsciente. Hans Arp e André Masson. embora sejam mais radicais. de um certo figurativismo. A livre associação e a análise dos sonhos. com adesão de grupos americanos. Na América Latina. as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente. Destacam-se 3 períodos importantes: 1924. qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle. se empenhou na formação de grupos surrealistas em toda a Europa. Os surrealistas pretendiam. destacou-se Frida Kahlo e Wilfredo Lam entre outros. transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo. Miro. ambos métodos da psicanálise freudiana. Período de difusão. atingir uma outra realidade. Principais artistas: 83 . expresso na filiação de seus lideres ao comunismo. 1930. Período do compromisso político. O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. Magrite. representado pelas obras da natureza simbólica. ou seja. Período dos sonhos. os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova. Segundo Breton. embora aplicados a seu modo. há dois métodos propriamente surrealistas: o automatismo rítmico (se pintava seguindo o impulso gráfico) e o automatismo simbólico (fixação das imagens subconscientes de maneira natural). os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas. a ser organizada em outras bases. dessa forma.Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições. os surrealistas tentavam plasmar. seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas. obtida através de diferentes procedimentos de automatismo. desenvolveram o surrealismo simbólico. No entanto. Por meio do automatismo. Chagal e Marx Ernest entre outros.

sua mulher. data de 19298. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Finalmente aderiu ao surrealismo. A partir daí sua pintura mudou radicalmente. Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali. é preciso “construir para o total descrédito da realidade”. O filme “O Cão Andaluz”. A famosa magia de Miro se manifesta nessas telas de traços 84 . Joan Miro. se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala. de grande importância ao longo de toda a sua obra. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu.Salvador Dali. em cujo grupo militou durante algum tempo. Bretton falava dela como o Maximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja. em Barcelona. na Academia de San Fernando. Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis. junto com seu amigo Luis Buñuel. Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud. cineasta. é sem duvida o mais conhecido dos artistas surrealistas. Ao voltar. que fez com Buñuel. Obra destacada: Mae West. Instalou se ateliê em Roma. Artaud e Lial. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. Segundo ele. embora continuasse viajando. onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses. Ele criou o conceito de “paranóia critica” para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas. fez uma viagem para a América. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para Montroig). Estudou em Barcelona e depois em Madri. entre os quais estavam Masson. Leiris. onde publicou sua biografia “A Vida Secreta de Salvador Dali”. exmulher do poeta e amigo Paul Éluard. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Gorgio De Chirico. 1942. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. obra fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miro demonstrou uma grande precisão gráfica. fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. Dois anos depois adquiriu forma La masia. Nessa época. onde se formara um grupo de amigos pintores. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud.

animais e minerais) e os de uso cotidiano. chegando à criação de um estilo original. Miro também se dedicou à cerâmica e a escultura. para expressar as necessidades mais intimas do homem. de Dali. Em 1937. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas. Obra destacada: Noitada Esnobe da Princesa. Alguns de fácil interpretação e outros complexos. o funcionamento real do pensamento”. foi a exposição de Objetos Surrealistas de 1936. ou as combinações de objetos de Miro. seja por escrito.nítidos e formas sinceras na aparência. francês que lançou o movimento). No inicio falavam de dois tipos de objetos: os naturais (vegetais. Prova disso foram o engenhoso telefone-lagosta. no limite entre a ironia e a perversão. tentavam abrir a imaginação do espectador para a multiplicidade de relações existentes entre as coisas. produto das associações inconscientes de seus atores. No mesmo manifesto. seja de qualquer outra maneira. a Sociedade dos Artistas Abstratos. seja verbalmente. Exemplo claro do culto ao objeto. privados de sua funcionalidade. ACTION-PAINTING: Ou pintura de ação gestual. Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir. Para seu conhecimento: “O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do manifesto do surrealismo de André Breton. fundouse nos Estados Unidos. embora se apresentem de forma amistosa ao observador. mas difíceis de serem elucidadas. criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 e 1950 faz parte da arte Abstrata americana. nas quais extravasou suas inquietações pictóricas. Escultura: deve-se falar em objetos retirados de seu contexto. os surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais diferentes. Características da Pintura: 85 . Nela se representaram as mais extravagantes combinações. Destaca-se os objetos surrealistas.

praticam a abstração informal. 1948 e do Rio de Janeiro. encontra praticantes em Tomie Ohtake (1913-). pintor americano. 1949 e da criação da Bienal Internacional de São Paulo. espátulas e etc. Yolanda Mohalyi (1909-1978). espontaneidade e automatismo. Manabu Mabe (1924-1997). Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo. Abstração no Brasil: Surge com maior ênfase nos meados dos anos 50. introduziu nova modalidade a técnica. gotejando (dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente. (1912-1956). Fayga Ostrwer (1920-). algumas vezes realizadas diante do público. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. O curso de abstração no Brasil. Usou freqüentemente tintas industriais. Entre os pioneiros da abstração no Brasil. 1935 e Mario Gruber. muitas delas usadas na pintura de automóveis. vidro moído. conchas e pedaços de tela. Karel Appel e Pierre Alechinski. Execução cheia de violência. A abstração “gravação de Iberê Camargo”. grupo artístico europeu que surgiu entre 1948 e 1951. 1927. trinchas. A abstração geométrica. Cícero Dias (1908-) e Sheila Branningan (1914-). na qual se destacam Antoni Babinski. 1931.- Compreensão da pintura como meio de emoções intensas. 1951. além de Iberê Camargo. Destruição dos meios tradicionais de execução. em telas enormes. Arcângelo Ianelli (1922) e Sanson Flexor (1907-1971). misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo e textura. sigla de CopenhagueBruxelas-Amsterdã. teve como principais representantes Asger Jorn. 86 . Nos últimos trabalhos nessa linha. Wega Nery (1912-). que se manifesta no concretismo e no neoconcretismo também nos anos 50. Posteriormente artistas como Flavio Shiró. (1928-). Outros impulsos vêm da fundação dos Museus de Arte Moderna de São Paulo. com resultados extraordinários e fantásticos. COBRA: Movimento artístico criado na Holanda. destacam-se Antônio Bandeira(19221967). (1914-1994). utilizando tinta à óleo. Maria Bonomi. o artista usou materiais como pregos. numa execução veloz. Principal artista: Jackson Pollock. agressividade. forma uma geração de gravuristas abstratos. pincéis. Técnica: pintura direta na parede ou no chão. pasta espessa de areia.

tais preocupações ligam a arte op a vários movimentos: Fluxos. em 1965. 1965. mais próxima das ciências do que das humanidades. 87 . marcou sua obra pelo tachismo. Criador de uma obra vigorosa e colorida. (optical art) e significa “arte óptica”. suas possibilidades parecem ser tão ilimitadas quanto as da ciência e da tecnologia. exige a participação do espectador para “completá-la”.Assim como as obras de Jacson Pollock essa pintura é gestual. pintor e gravador belga. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo. Ela não tem o ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art. OP ART: A expressão “op-art” vem do inglês. violenta na escolha de cores e texturas. cores constratantes e variações tonais. Britânicos Michael Kidner e Bridget Riley. em comparação. A ilusão do movimento. “abstracionistas perceptuais”. simboliza um mundo precário e instável. pintor holandês. Apesar de ter ganhado força na metade da década de 1950. Meados dos anos 60. curador Willian C. Defendia para a arte “menos expressão e mais visualização”. a Op Art passou por um desenvolvimento relativamente lento. também Arte Cinética. Principais artistas: Pierre Alechinski. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas distorcidas. A arte op. efeito de ritmo e distorção. que se modifica a cada instante. bem como a teoria da Gestalt. parece excessivamente cerebral e sistemática. Hiperrealismo e GRAV. Durante os anos 80 suas imagens e técnicas foram retomados pelo americano Philip Taaff e o holandês Peter Schuyff. Pintor dinamarquês. e o franco-hungaro Victor Vasarely. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee. Apesar do rigor com que é construída. MOMA/NY. livre. Por outro lado. Karel Appel. Seitz. americanos: Richard Anuszkiewicz e Larry Poons. caracterizada pela figuração rude e simplificada. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra. exposição “Olho receptivo”. Uso de formas geométricas em preto e branco. Realizou também esculturas em madeira e metal. Asger Jorn.

parece obedecer a duas finalidades. ao qual não são estranhos efeitos luminosos. passaram a transformá-los em tema de suas obras. O geometrismo da composição. em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da 88 . sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos. Com raízes no Dadaísmo de Marcel Duchamp. Mas. em preto e branco ou coloridas. quando alguns artistas. Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a multiplicidade. solicitar ou exigir a participação ativa do contemplador para que a composição se realize completamente como “obra aberta”. de modo que através de constantes excitações ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e sugestões de dinamismo. de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. mesmo quando em preto e branco. pois exige um sistema de peso e contrapeso muito bem estudado para que o movimento tenha ritmo e sua duração se prolongue. o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950. Representavam. assim. por outro lado. Era a volta a uma arte figurativa. POP ART: Movimento principalmente americano e britânico. depois de 1932. pelo critico inglês Lawrence Alloway. ele verificou que se mantivesse as formas suspensas. São engenhosamente combinadas. Victor Vassarely. os componentes mais ostensivos da cultura popular. após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos. sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954. elas se movimentariam pela simples ação das correntes de ar.Principais artistas: Alexander Calder. (1898-1976). criou os móbiles associando os retângulos coloridos das telas de Mondrian à idéia do movimento. As suas composições se constituem de diferentes figuras geométricas. sua montagem é muito complexa. criou a plástica cinética que se funda em pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica. Os seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo observador. que se modificam desde que o contemplador mude de posição. como diz o artista. para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental. Embora os móbiles pareçam simples.

com fidelidade. tinta acrílica. como aconteceu por exemplo. por exemplo. e aproximou a arte das massas. Além disso. do cinema e da publicidade. uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados 89 . Em seus quadros a óleo e tinta acrílica. poliéster. em refinado. nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. a arte para poucos. já que se utilizava objetos próprios delas. produtos com cores intensas. da fotografia. Mas ao mesmo tempo em que produzia a critica. Roy Lichtenstein. a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo. como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza. ilustrações e designam. látex. transformando o real em hiper-real. ela operava com signos estéticos massificados da publicidade. adotou a técnica de impressão em Silkscreen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. com as sopas Campbell. criou as pinturas “combinadas”. Empregou. brilhantes e vibrantes. ilustrações e design. virou moda. um dos principais artistas da Pop Art. Por volta de 1962. muito do que era considerado brega. quadrinhos. usando como materiais principais. com garrafas de coca-cola.segunda guerra. Rauschenberg. como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey. episódios da história americana moderna e da cultura popular. dos quadrinhos. reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande. depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do inicio da década de 1950. usando como materiais principais. Principais artistas: Robert Rauschenberg. Esses trabalhos tiveram como temas. e já que tanto o gosto. Sua iconografia era a da televisão. ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais. de Andy Warhol. desmistificando. Com o objetivo da critica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo. (1923-1997). que realizou em 1960 para os filhos. tinta acrílica. embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. e reproduziu a mão. 1925. a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar. Seu interesse pelas histórias em quadrinhos. os procedimentos gráficos.

logo depois passou – se a aplicar o termo a obras de escultura. o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. (1927-1987). Willian Tucker. Como André. 90 . Entre 1963/5. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias. E brit. escreveu: “O espaço real é intrinsecamente mais vigoroso e especifico do que a tinta sobre uma tela. Ronald Bladen. Larry Bell. desvinculados do contexto de uma história. Judd. intelectuais. os Britânicos: Sir Anthony Caro.. arte ABC e Coll art. destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para consumo. planas e limitadas. objetos unitários. mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema. Firmou – se como movimento Com a exposição Estruturas Primárias: jovens escultores. apesar da ascensão social e da celebridade. Robert Morris. as latas de sopa Campbell. símbolos ambíguos do mundo moderno. como Kasimir Maliêvitch (quadrado negro). Sol Le Witt. como Elvis Presley e Marilin Monroe. MINIMALISMO: Ny. Richard Artschwager. NY 1966. e pinturas dos abstracionistas pós-pictóricos.. aparentemente simples. Da mesma forma. Flavin. em 1965. Estruturas geométricas. Com essas obras. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração. crucifixos e dinheiro. delineadas por um traço negro. contribuíam para o intenso impacto visual. incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal. Produziu filmes e discos de um grupo musical. automóveis. Philip King. Judd. Beverly Pepper. Seus quadros. aparecem como imagens frias. Outros nomes “estruturas primárias. Dan Flavin e Carl André. e usando sobretudo a técnica de serigrafia. Andy Warhol. após exposição de Donald Judd. Richard Serra e Tony Smith. Foi a figura mais conhecida e mais controvertida da Pop Art. deram atenção às obras Construtivistas e Suprematistas Russos que tendiam para Abstração pura. Tim Scott.nova criação assemelha – se. Cores brilhantes. Morris. como garrafas de Coca-Cola. tornou – se um dos mais interessante comentarista de arte. Am. Os artistas minimalistas.das historietas.

(harmonia estática.” Judd. Escreveu em 1967: “Simboliza seu encolhimento. mas elas são reconhecidas como “Judds”. Do q a pintura. John Chanberlain e Claes Oldenburg e o Novo realista Yves Klein. vários modernistas busca rigor e pureza. Na arquitetura. O que não acontece na escultura. “lâmpadas florescentes”. Terry Riley. muitas obras foram associadas ao minimalismo. 1965... Um tema constante é a atuação recíproca entre espaços positivos e negativos em objetos reais e sua interação com o entorno imediato. tem sido aplicadas à decoração de interiores. os neodadáistas Robertr Rauchenberg. Em anos recentes. Judd por ex. Comentário dele: “A simplicidade da forma não se equaciona necessariamente com a simplicidade da experiência. (Monumento a V. André se inspirou em Brancusi (esculturas modulares) e em Stella (pinturas de faixa). repetição e uso de instrumentos não convencionais). A cor jamais deixa de ter importância. “mais é menos”) e o Mexicano Luis Barragan (sua resid. pode ter mandado fabricar sua obra. Tatlin de Flavin . Embora o termo não fosse aplicado à música. Steve Reich ou Philip Glass. relacionam o minimalismo. “Rosa e dourado”. anônima e imperdoável.. até inicio dos anos 70. Elas os ordenam.mais a escultura. 91 . tornando – se ínfima”. Pureza geométrica. E cores ousadas). De Du Champ e seus readymades (Dada) e os construtivistas. explorou temas relacionados com espaço e luz. Começaram aparecer muitos críticos e um público opinativo julgava – na fria.. Denominadas por ele como “objetos específicos”. 1968. As caixas cúbicas de Morris. usando metais e outros materiais. Os materiais pré-fabricados usados. Ao restringir os elementos que atuam em cada objeto. se referia a Frank Stella (abstração pós-pictórica). (Ludwig Miers van der Roche.” Flavin. fez experiências com cores e pesos. teve em sua obra influencia. Embora não exista uma escola minim. questionando a posição legitima das esculturas(vertical/horizontal). revelam preocupações semelhantes. Com performance e a Earth art. não pareciam arte. criam – se efeitos mais complexos do que mínimos. 1964) e Constantin Brancusi (Colunas infinitas). As formas unitárias não reduzem os relacionamentos. Recordam a “arte conceitual”. mobiliário e artes gráficas e designers de moda.

Alguns desses pioneiros também se filiaram ao Minimalismo. a partir de 1989 em seus trabalhos. EARTH ART: Land art ou earthworks. Nancy Holt. tbem acompanham objetivos e técnicas minimalistas. Robert Smithson. pois se um pedaço de terra for consagrado como arte. tem afinidade com a arte Conceitual (De Maria. os círculos nas plantações e as gigantescas figuras esculpidas nas colinas da Inglaterra). expandiram as fronteiras da arte. USA. Muitas de suas criações empregam a linguagem geométrica do minimalismo. Christo e Jeanne – Claude. pode ser uma forma de preservação. textos e diagramas. Walter de Maria. De Maria e Heizer e Turrell. Alicer Aycock. Os arquitetos “HIGH-tech”.. Long e Openhein). Richard Serra. E outras com reciclagem de lixo. Le Witt. 2000. pode ser mantido intacto. Dennis Oppenhein. influenciado pelo estado clássico zen-budismo e modernismo europeu. Goldsworthy. se deslocou para fora da cidade. Preservação do espírito humano. a escultura e a arquitetura. assumindo o meio ambiente como seu material. Michael Heizer. e nota – se forte influência da paisagem(arte britânica) e ligações românticas com o Oeste ( arte Usa). em forma de imensas esculturas no solo. Outras criações que usam fotos. Arata Isozaki. Colaboração do escultor Sir Anthony Caro e o escritório Foster & Partners no projeto “Ponte do milênio”. Mary miss. Aristas americanos: Sol Lewitt. Fulton. Hamish Fulton e Andy Goldsworthy. espiritualidade dos sítios arqueológicos (cemitérios dos indígenas americanos. 92 . no Japão: Kazuo Shinohara. fundiram – se nas Torres da Cidade – Satélite 1957/8 (Barragan com Mathias Goeritz) . final anos 60. Carl André. Holandês: Jan Dibbets. Dibbets.A pintura. Robert Morris. James Turrel. Nos anos 80. “Ecultitura”: termo utilizado por Caro. Fulmiko Maki. quanto aos seus materiais e espaços físicos. A maioria dos artistas são Americanos e Ingleses. semelhantes a labirintos de Aycock ou as obras arquitetônicas de Holt. crescente interesse pela ecologia e conscientização do perigo da poluição e os excessos do consumismo. Com efeito a earth art pode ser vista como um prolongamento do projeto minimalista. Londres. Tadao Ando. Europa: Britânicos: Richard Long.

1990. Outras criações com elementos diferenciados (texto com imagens. E a exp. trabalham juntos desde os anos 60 e seu grande tema. “Piazza d’Itália. no Designe e Artes Visuais. Cristo e Janne. o designer francês Philippe Starck e o escritório vienense Coop Himmelblau. A diversidade dos materiais.” O 2º do arquiteto americano Robert Venturi. estrutura ambíguas e contraditórias. tem sido empacotar ou envolver coisas. também criações de cunho social e político. Ao mesmo tempo é uma rejeição e um prolongamento do modernismo.O. marca do capitalismo. com giz no deserto de Monjave). “vitalidade desordenada” e parodiavam a frase modernista. Nos anos 80. (estilo Internacional). neodadá. Charles Moore. 1969. estruturas e ambientes constitui características do pós-modernismo que não pode ser definido 93 . Em 1966. empréstimos de outras culturas e uso de cores ousadas e surpreendentes. “Trocados”. garotos da sobrevivência. aplicada originalmente a arquitetura. Muitas conhecidas por fotografias. Para De Maria o isolamento é a essência da earth arte. Nova Orleans. Dá prosseguimento à experimentação iniciada com Marcel Duchamp e se desenvolveu por meio do Dada. “O jantar” de Judy Chicago. (documentação fotográfica “Caixa em um buraco” de Le Witt Desenho de De Maria. 1975/80. dois livros: O arquiteto italiano Aldo Rossi. USA . “Torre de observação”. “O mundo do comércio”. os italianos Alessandro Mendini e Michele de Lucchi. De Earth Terra. em vez de criar formas novas. permanece intacta após a queda do muro de Berlim. arte pop e arte conceitual. com criações inspiradas em cultura popular. “novas edificações. 1995. objetos com arte gráfica) Tin Rollins e K. Richard Prince. A equipe projetou o exuberante Groninger Museum. organizada por Smithson. surrealismo. graças a exposição Earth Works – NY em 1968. PÓS-MODERNISMO: Novas formas de expressão. Holanda. alemão Hans Haacke. meados anos 70. NY. com logotipo da Mercedes – Bens. estilos.S. animadas por referências jocosas a estilos históricos. “menos é mais” por “menos é um tédio”. deveriam adaptar a formas antigas. Ocorrem em locais distantes.Firmou – se como movimentoto.

“Edif. começaram a empregar técnicas pós modernas. (SAMO. Holanda. para Europa e USA.por um único estilo. Louise Lawler. 94 . “Sede do HSBC. fizeram experiências com cores e texturas e se inspiravam em motivos decorativos do passado (adhocismo). “Museo de arte Romano”. dinamarquês Johan Otto Von Spreckelsen. Apartir dos anos 60. obras para o grupo Menphis. Espanha. Jean Michel Basquiat. final anos 70. iniciou como grafiteiro. 1981. A morte. Representação: motivos ou imagens de obras do passado. a arte servia de um tipo social dominante. De Serviços Públicos de Portland”. estilo High – tech. Neville Brody. suas obras protestavam contra o preconceito racial. apropriando – se de filmes. Keith Haring. na Inglaterra. criaram designes tipográficos de vanguarda nos anos 80 e 90. deram ênfase a identidades marginalizadas: étnicas. “Arco da defense”. e Javier Mariscal. segundo o pensador francês Jean Baudrilard: “Um êxtase da comunicação”. O pós-modernismo. O studio Dumbar. (neoexpressionistas e comparados a artistas de transvanguarda). Jeff Koons. Associado a Andy Warbol. Sherrie Levine e Jeff Wall. do americano Michael Graves. transformou sua doença em tema central de seu trabalho. tema dominante na arte pós moderna. O Kitsch pode ser transformado em arte elevada. O designer italiano Ettore Sottsass. “A mesma merda de sempre”. espalhou – se da Basiléia/Suíça. David Wojnarowics também vitima de aids. Os palimpsestos criados com louça quebrada. representados em novos e perturbadores contextos ou despojados de seus significados tradicionais (desconstruídos) por artistas como: Mike Bidlo. Espanha. celebrava o pluralismo do final do século XX. como Basquiat. insatisfeitos com a ordem e uniformidade do Bauhaus. 1977. e as figuras fantasmagóricas e sobrepostas de Salle. é a figura mais importante. se engajou em questões sociais e políticas. “antifuncional Estante Carton”. os designer. sobretudo a identidade dos gays. USA. Menphis. “Same old Shit”. Paris. imagens e revistas populares e sobrepondo – as. “Série sexo”. A influência do alemão Wolfgang Weigart. sexuais. criam uma surpreendente justaposição. final anos 70. feministas e ambientais. Refere – se a natureza dos meios de comunicação de massa e proliferação universal das imagens. espanhol Rafael Moneo. Nos USA Julian Schumabel e David Salle.( anmtidesign). Nas artes visuais. “Coelho”. de Schmabel. estilo clássico. inglês Sir Norman Foster.

questões ligadas à identidade feminina. de enfrentar um tipo de pinturas em que a expressão adquiriu novas e múltiplas possibilidades.Anos 70 e 80. EXISTECIALISMO E TACHISMO: A arte informal engloba um grande leque de direções e ramificações distintas e abrange obras de aspectos e conteúdos muito diversos. action-painting. Sua pintura influenciou a arte comercial e o desenho industrial moderno. ele rejeitava motivos que se pudessem identificar. RACIONALISMO: Piet Mondrian. indicada por Umberto Eco.” Considera-se que a pintura 95 . pintura signico-gestual. para concluir a obra apresentada como “aberta” à interpretação por parte do artista. Dentro da arte informal pode falar-se de expressionismo abstrato. 1º mulher americana a expor em Bienal de Veneza. artista holandês. Ele reduziu a pintura a linhas retas que formavam ângulos retos. Imagens com legendas perturbadoras. Usavam apenas preto. Cindy Sherman. daquilo que desejo”. seu olhar. quer pelos “novos” (porque até então alheios à pintura) materiais ou técnicas empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam. Como outros pintores abstratos. 1990. USA. de certa maneira. Bárbara kruger. A arte informal – informalismo pode tirar-se numa categoria muito vasta que é a “obra aberta”. INFORMALISMO. “Trata-se por conseguinte. Mondrian também ignorou a textura em suas obras. Holzer. Em muitas obras informalistas observa-se a presença de determinados signos e manchas aos quais o artista não deu significado predeterminado quando os criou. como homens olhando para mulheres. pintura tachista (do francês “tache” – mancha) e espacialista. Cada uma destas correntes tem o seu caráter especifico. sem titulo. gestualismo. mas o espectador pode dotá-los de significados vários ao contemplá-los. criou um estilo abstrato extremamente simplificado. “Proteja – me. “Documento pós parto”. branco e cinza e as cores primarias. contribui. Neste sentido o espectador. artistas como Mary Kelly. Jenny Holzer. comportamento social.

Robert Rauchenberg.informalista tve inicio em 1944. Edward Kienholz. Aliás. ou seja perto do final da 2º Guerra Mundial. apesar de ainda serem figurativos. nem na escultura tradicional. Jim Dine. em dois focos principais que foram Nova York e Paris. pois misturam em obras tridimensionais deferentes materiais artísticos. Keith Arnatt. John Cage (músico). termo inventado pelo americano Allan Kaprow (1927). que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos ao conceito de action painting e destacar a abolição da “forma” na arte. John de Andréa. Nam June Paik. ASSEMBLAGE ou AMBIENTE. centrando a sua atenção no comportamento humano e no meio circundante. Duane Hanson. Mercê Cunningham (coreógrafo). Dos quais o último foi o Parlamento Alemão em 1996. HAPPENING (Acontecimento). que em finais da década de 20. mas que não privilegia nenhum dos meios expressivos tradicionais. o vulgarmente considerado iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês Jean Fautrier (1898-1964). Christo (famoso por seus embrulhos de edifícios). Como a palavra música ou a cor. no final dos anos 50. O termo informed foi adotado na Europa pelo critico francês Michel Tapie. são os artistas mais representativos destas formas de expressão artística. distinguiam-se pela espessura das suas texturas. Judd Pfaff. BODY ART E NOVO DADAISMO: Alguns artistas ligados à Arte Pop e Arte Conceitual. detritos e produtos industriais. ARTE ASSEMBLAGES. É quase uma ligação arte plástica/teatro. realizava já um tipo de trabalho que. 96 . substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas que chegavam a criar verdadeiros relevos. Georges Segal. com materiais reciclados. a sua influencia vem do movimento Dada e dos Ready-made. Denis Oppenheim. AMBIENTES. tirados do seu contexto habitual. surrealismo e abstracionismo. realizaram (e ainda realizam atualmente) obras que se podem inserir nos termos acima indicados e que não se circunscrevem nem ao ambiente plano da tela. Claes Oldenburg. tendo ido buscar as suas influencias ao dadaísmo. tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos Estados Unidos e Europa. HAPPENINGS. para designar um acontecimento que se desenvolve perante o público.

guarda-sóis. através da fotomontagem e da colagem de materiais. projetores de slides. Man Ray e Kurt Schwitters. fotografia e põe em causa as definições de 97 . utilização do corpo. e não somente à aprecia. colocam cortinas. ARTE CONCEITUAL: Surgiu nos anos 60 a partir dos Happenings e tem influencia dos Ready-made de Marcel Duchamp. pretendia retomar. ou Novo Realismo na Europa). que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas. transgressão ou manifestação. Guarda-sóis colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico em 1988 – Berlim). Obra destacada: Homenagem a Chico Mendes de artista Roberto Evangelista. embora com a presença dos mesmos artistas da Arte Pop. Obras destacadas: Cartolina no vale. como forma de expressão. de uma forma atualizada o espírito do dadaísmo de Marcel Duchjamp. INTERFERÊNCIA: Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis imagens visuais. juntamente com a escultura e outros materiais. como o vídeo. A arte conceitual pode usar meios e materiais não relacionados diretamente com as artes plásticas. NEW DADA (Novo Dadaísmo. Antonio Carvalhal. por parte de certos artistas. embrulhos em locais públicos. o único artista que se destaca com suas interferências. Alguns artistas interferem na paisagem. O espectador participa da obra. Movimento que. Leonor Soares são exemplos. Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente. INSTALAÇÃO: São ampliações de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala. para ativar o espaço arquitetônico. ressaltamos Christo. É utilizada a pintura.BOD ART (arte do corpo). Atualmente.

Donald Judd. corrente dos anos 60 e 70. que como o nome indica 98 . GB e etc. Antonio Charrua. no conceito. vídeo ou cinema. Luis Dourdil. USA. francês. Graças a uma importante obra ensaistica é um dos maiores animadores no atual debate sobre o papel do artista na sociedade contemporânea. ao lado de uma fotografia da mesma cadeira e junto desta um texto escrito em que se podia ler a definição de cadeira. visa convencer o auditório de alguns princípios ético-estéticos e politicoespirituais”. Sol Le Witt. feltro. autor de uma obra de provocação intelectual. Beuys serve-se habilmente do corpo com ações publicas onde os seus gestos. podem citar-se os pintores Ângelo de Souza. Nos últimos tempos. utilizando materiais insólitos. Frank Stella. Giulio Paolini. pois insiste que é na imaginação. impôs-se muito jovem na cena mundial da vanguarda com uma obra desconcertante (one and three chairs. Itália. como representantes do informalismo/minimalismo. Dentro da Arte Conceitual. Robert Morris. que prevalece a arte e não a execução. USA. Lawrence Weiner. tirada de um dicionário. Joseph Kosuth.arte de uma forma mais radical do que a Arte Pop. Keith Arnatt. USA. elementos naturais e materiais industriais (também conotado com a Arte Povera – Arte Pobre). pode perfeitamente ser dispensada. USA. com as suas palavras. as suas inclinações. 196566). ou pela fotografia. Robert Mangold. como gordura. pode inserir-se o Minimalismo (minimal art).” Artistas mais representativos: Joseph Beuyes. se iniciou como escultor. Ad Reinhardt. “Uma vez que a obra de arte é um sub-produto acidental desse salto imaginativo. Vincenzo Agnetti. tem uma obra essencialmente de pesquisa. autor de enormes esculturas geométricas. Itália. onde apresentava uma cadeira verdadeira. Em Portugal. Jorge Pinheiro. porém. no idealismo. a sua participação com comportamentos diversos ajudam à compreensão do espectador. assim como as galerias de arte e por extensão o próprio público. Beuys procedo como um sacerdote laico que. na idéia geradora. P processo criativo só precisa ser documentado de alguma forma geralmente verbal. o aspecto mais singular da sua atividade consistiu numa deliberada missão “de prédica”. alemão. Dele escreveu Gillo Dorfles. Yves Klein. Marcel Broodthaers. Álvaro Lapa. “A própria personalidade física do artista faz parte da obra (ou da encenação). Anthony Caro. pintores minimalistas. Artur Bual. Belga.

embora possam ser conotadas com a chamada “Vanguarda” dos anos 60 e 70. A Land Art. a Arte Povera (arte pobre). o Living Theatre omnipresente nas cidades da Itália. No teatro. referindo-se à participação de uma geração de artistas de vanguarda. vivia a hora da recessão. em 1907. em depressão econômica. segundo as palavras de Celant. quadradas. sub tendências que existem desde os anos 60.pretendia desenvolver uma arte de grande simplicidade. o famoso “milagre italiano”. como configurações triangulares. uma explosão artística existencial. da realidade dos elementos e do homem. Germano Celant resume a formula: “Arte povera + azioni povera” (arte pobre + ação pobre). nasceu e desenvolveu-se nos EUA. Os artistas exprimem-se 99 . por volta do inicio dos anos 60. a Itália entrava. Walter de Maria. com “instalações”. vindas do cotidiano e da natureza. circulares e cores monocromáticas. Robert Smithson. o minimalismo questiona o papel dos artistas e a natureza da criatividade. A arte Povera. estreitam-se as relações entre performance plástica e ação cênica. Afirmando-se especificamente como manifestação européia. podem estar inseridas no espírito da Arte Conceitual.” É uma nova energia que se reclama das intenções da existência. entre Turin e Roma. ética e política. que pretende intervir nos espaços naturais. como era conhecido o dinamismo econômico da Itália do pós guerra. Também as denominadas Land Art ou Earth Art (arte da terra). deixando sinais ou marcas ecológicas. “significa disponibilidade e anti-iconografia. Richard Serra. anarco-utópica. uma posição crítica. Como muita da arte “moderna” e “pós-moderna”. a pôr em questão a sociedade e a arte como intervenção direta. A “Arte Povera”. introdução de elementos e imagens perdidas. com profundos desequilíbrios sociais e conflitos políticos. quando o critico italiano Germano Celant utilizou pela primeira vez esta designação. reduzida a materiais e formas geométricas puras.Carl André. Richard Long. Ítalo Calvino e Umberto Eco. No cinema. Na literatura. Depois da industrialização acelerada e da euforia de consumo provocada por um modelo importado dos USA. Pasolini. É nesse clima de crise que sopra um vento literário. a “Arte Povera” refere uma aventura intelectual e artística cujos fundamentos ideológicos estão em oposição às propostas formalistas e consumistas da arte americana e traduz uma atitude moral. Heizer. Os seus principais representantes são Denis Openheim.

Giulio Paolini. Jannis Kounellis. querendo elevar as coisas mais banais e mais insignificantes ao nível da arte. mas apenas referencial. Luciano Fabro. mas esquematizam ao Maximo os traços dos personagens captados. então desconhecidos. “O Neo-expressionismo. A partir dos finais dos anos 70. todavia. Aligfhiero Boetti. contudo. NOVOS SELVAGENS. Michelangelo Pistoletto. sobre fundos formados por manchas ou por franjas de cor. que conta com grande numero de criadores importantes e que fundamenta a sua linguagem nas técnicas da colagem e montagem.” Seria o caso da escultura britânica. NEO-EXPRESSIONISMO. as maioria dos artistas opta por pinturas de grandes formatos. Giuseppe Penone. Pino Pascali. quer rural quer urbana. Podem indicar-se. Do mesmo modo. hoje solicitados pela cena artística internacional: Giovanni Anselmo. reúnem um gênero de manifestações que nem sempre se caracteriza pelos mesmos elementos e portanto dir-se-á que não são muito coerentes. algumas constantes. o artista dispõe configurações em largos traços negros que contrastam violentamente com os fundos. simples. observa-se uma tendência para justapor uma linguagem figurativa ao abstrato. NOVA FIGURAÇÃO E PÓSMODERNISMO: Estes são alguns dos termos usados para enquadrar artistas em correntes desde os anos 80 até o presente. quando o assunto é a paisagem. Os objetos são capitados de um modo intuitivo e inseridos sem preocupação pela perspectiva no conjunto pictórico. como alternativa. Mario Merz. produz-se um predomínio da pintura relativamente a qualquer outro tipo de manifestações. o pictórico triunfou plenamente e poderia acrescentar-se que a corrente mais representativa é a que se entendeu chamar Neo-expressionista na Alemanha e transvanguarda na Itália.essencialmente e realizando instalações onde utilizam materiais orgânicos. Os artistas nunca partem da cópia da realidade. Por outro lado. Calzolari. Nos outros países da Europa. 100 . Gilberto Zorio e etc. BAD PAINTING. “pobres”. TRANSVANGUARDA. embora haja locais em que a escultura adquiriu nítida preponderância. É como “um vasto campo de convergências” onde se encontram ao mesmo tempo textos de artistas e obras de um conjunto de criadores. Marina Merz. também não se trata de representações de caráter imitativo. Essas denominações. Em primeiro lugar. Assim.

pois de contrario. como é lógico. algo completamente novo. Mario Schifano (1952) e Mario Merz (1925). Sandro Chia (1946). Na Alemanha. Per Firkeby. trabalham nessa tendência pintores como Mimmo Paladino (1948). Não foi em vão que decorreram mais de setenta anos depois de os artistas alemães iniciarem o caminho do expressionismo. Francesco Clemente. Jeff Koons. Chegava-se a falar da morte da pintura. Nos Estados Unidos. pintor que muitos vezes apresenta os seus quadros invertidos. Cindy Sherman. R. Nesse sentido o neo-expressionismo atua como uma tendência da pós modernidade e recorre à “citação” de uma manifestação anterior para construir. Talvez se possa dizer desta corrente que é eclética. Isso sucede.O fato de estas pinturas se terem denominado neo-expressionistas deve-se fundamentalmente a terem seguido a corrente expressionista dos inícios do século. escultor 101 . de renovar o seu repertório e de oferecer um tipo de pintura despreocupada. e Werner Buttner (1954). entre outros. Entretanto. Andréas Schulze (1955). Eric Fischl. apenas se podem dar listas que correm o risco de pecar por incompletas ou por demasiado exaustivas. Nino Longobardi. Markus Lupertz (1941). De momento. como seja a possibilidade de continuidade. Julian Schnabel. embora recorrendo ao passado. Anselm Kiefer (1945). deixaram o seu ratro e a sua presença. viu-se que o artista do século XX foi capaz. Sigmar Polke (1941). embora em estado latente. Martin Kippenberger (19532). para dar lugar a uma nova era dominada pela arte feita por computador. o que se considerava nas últimas décadas como impossível. A. logicamente. Penck (1941). Jorg Immendorff (1945). O tempo determinará a sua importância e permitirá estabelecer quem são os artistas mais representativos do neo-expressionismo e das restantes tendências contemporâneas. na medida em que reúne os mais diversos elementos procedentes de correntes anteriores. Enzo Cuchi (1950). inicialnmente “apadrinhados” por Andy Warhol. de forma muito peculiar. Mas no seu ecletismo existe algo verdadeiramente importante. Jean Michel Basquiat e Keith Haring. nesse neo-expressionismo. Salomé (1954). Doukoupil (1954 Tchecoslovaquia). Gerhard Richter (1932). Todas as outras correntes. Kenny Scharf. a partir dela. poderia implicar uma simples cópia ou inclusivamente apresentar-se a possibilidade de plágio. os neo-expressionistas mais conhecidos na atualidade são: Georg Baselitz (1938). Na Itália. o que não acontece.

Pedro Calapez. David Salle. Adir Sodré e Gervane de Paula. Ferran Garcia Servilha. Chema Cobo. Jose Maria Sicília. Álvaro Lapa. Victória Civera. Leonel Moura. e etc. enquanto os italianos citam a pintura anti-cubista dos anos 10. Paula Rego. A falta de objetividade relativamente a um movimento que na atualidade se encontra em plena efervescência impede de estabelecer com maior clareza quais são os seus objetivos e sobretudo. relativisa a história e afirma o regionalismo. Alfonso Fraile. escultor e autor de instalações. Pedro Proença. (Equipe Limite). Os alemães recuperam o movimento moderno em que mais se prestigiam. no Brasil e em outros paises latino-americanos. Richard Deacon. há também muitos representantes notáveis das “novas” tendências. a invadir o seu campo de ação. Gilbert & George.polemico. Juan Bordes. Fernando J. Douglas Gourdon e Alan Davie entre outros. que por sua vez citava já as tradições pós renascentistas que as notabilizaram. citações paródicas. Benassar. Cabrita Reis. Juan Muñoz. Antonio Olaio. Julião Sarmento. redundância e acaso. Tony Cragg. qual será o seu futuro ou. O NeoConstrutivismo Abstrato a figuração politizada tendem já. quer política quer cultural. O Pós-Moderno. Jorge DUARTE. de projeto e de consciência da história. autor de “instalações” e “ambientes” que jogam com efeitos de luz. Na Grã-Bretanha. João Penalva. em certos meios artísticos. como Miguel Barceló. de internacionalismo. Em Portugal. Ken Kiff. Eduardo Arroyo (equipe crônica). Robert Combas. Graça Moraes. no que quer que se chame rigorosamente. aonde vai desembocar. Na Esopanha. o expressionismo. François Boisrond e Remi Blanchard. sendo os seus artistas por vezes mais profundos e originais. Sergio Pombo. se não precursores. Frederic Amat. Rui Chafez. entre outros. com a sua fragmentação. Victor Willing (marido da pintora Paula Rego). Manolo Valdes e Cristina Iglésias escultores. J. o problema da maternidade ou da pós-maternidade põe-se de uma maneira menos datada em Portugal. repondo a exigência de progresso. Florenci Guntin. James Turrell. Grard Garouste. pelo menos. Juan Gopar. No Brasil. Leonilson. Pedro Croft. “O novo não é novo: o espírito da época” 102 . Aléxis Hunter. Na França. À margem da história oficial. Pedro Tudela. Robert Longo. Pereira.

a arte sofreu uma transformação. Gachet de Van Gohg ultrapassou aquela marca na Galeria Sotheby. esculturas e trabalhos fotográficos de artistas jovens. esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores> Assim. E tiveram razão.Nos últimos anos deste século. freqüentemente pintou este mesmo tema e que.5 milhões de dólares. à primeira vista. Em vez de comprarem automóveis mais dispendiosos ou velozes. não se limitando aos aspectos exteriores. Se os investidores privados estão dispostos a despender quantias tão elevadas por quadros de mestres desaparecidos ainda há menos de um século. em vida. O preço Maximo alcançado por este pintor holandês não foi um caso isolado. direta ou indiretamente. os peritos do mundo da arte vaticinaram que este “preço recorde” de uma obra de arte moderna atingindo a nível mundial seria batido em curto prazo. o reconhecimento demasiado depressa. segundo os críticos de arte mais indispostos. Embora a sua própria essência seja a constante mudança. beneficiados por esta situação. Não obstante. O próprio conceito de arte é posto em questão. obtendo. tendo 103 . Uma seguradora japonesa pagou o equivalente a cerca de 72. Os artistas vivos são. revelando uma tendência para o seu aumento. colecionadores privados encomendam obras em quantidades sem precedentes. talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora. Os preços sobem em flecha. sendo o novo recorde de 82. desta vez ela atingiu camadas mais profundas. Naturalmente que nem todas as obras de arte encontram logo um comprador.5 milhões de dólares pelo quadro Girassóis de Vincent Van Gogh que. Museus e galerias de arte dificilmente conseguem conter as multidões de visitantes que afluem às inaugurações das suas exposições. isto significa que confiam nas suas perspectivas e esperam que surjam mais Van Gohgs. apenas vendeu um único quadro. Os preços astronômicos que as obras clássicas dos tempos modernos atingem nos leilões de Londres e Nova Iorque. relativamente rápido. Em 1987. o Dr. por conseguinte. Ainda em maio do mesmo ano. Este êxito vem-se registrando desde há muito tempo. mas é indubitável que o número dos seus compradores aumenta a um bom ritmo. Este fato revela uma grande confiança nas perspectivas futuros do comercio de arte. constituem um investimento seguro para o futuro. muitos preferem investir em quadros. A arte contemporânea tornou-se um componente natural da sociedade burguesa. Mesmo as obras acabadas de sair do atelier de um artista são bem acolhidas.

Itália e dos Países Baixos. não tinham saído das galerias para iniciarem as suas longas digressões e apresentarem as suas exposições em museus e galerias de arte internacionais. por “Neogeo”. contribuiu para o prestigio da cultura francesa. e um chanceler federal alemão da ala concervadora abriu. Apesar de nas eleições parlamentares não ter conseguido impedir a derrota do seu partido. E por mais estranho que pareça. é preciso saber falar de arte. constituem. Fala-se dos “novos pintores selvagens”. de uma “nova pintura alemã” ou de uma “nova pintura austríaca”. são eles que não estão dispostos a aceitar de bom grado esta situação: o fato de a arte contemporânea obedecer tão cegamente às leis da moda e que artistas 104 .em mente que a arte contemporânea confere prestigio social. estados e municípios da Alemanha Federal. Além disso. numa rápida mudança. ou aqueles que se consideram como tal. de bom grado. E como se não fosse suficiente: ainda os artistas neo-figurativos e neogeometrico de Nova Iorque e Colônia. Por último. províncias e regiões da França. como as obras de arte não estão sujeitas a desgaste. em principio. melhor investimento que os automóveis. como obsoleto. Londres e Milão. Aos “novos selvagens” seguiu-se. Acontecia freqüentemente que o que era lançado na Primavera. eram os mesmos críticos anteriormente citados que levantavam mais alto do que ninguém que não aparecia nada de “novo”. Na França. já os neo-conceptualistas reclamavam a atenção do mundo da arte. cidades . revelava-se. A concepção de projetos para novos museus tornou-se também uma tarefa apreciada e muito pretendida pelos arquitetos. as portas do seu gabinete às mais recentes produções de arte contemporânea e não se coibiu em promovê-la através de dispendiosas vernissage sobre a nova pintura. um ministro socialista da cultura defendeu a arte contemporânea mais do que qualquer antecessor seu. Tudo aquilo de que se fala aparece a luz do “novo”. Paris e Viena. no outono do mesmo ano. Aliás. que definiam as tendências. No mundo ocidental. Ao fazer-se um exame das correntes artísticas dos anos 80. de uma arte “neo-figurativa”. assim como mecenas privados na Grã-Bretanha tentam suplantar-se mutuamente com a fundação de novos museus e galerias de arte. uma arte com um programa neo-geometrico designada. tornando-se a figura mais popular do seu governo. o que salta primeiro à vista é a abundante utilização do adjetivo “novo”. abreviadamente. a arte contemporânea voga mesmo sob ventos políticos favoráveis. Os hábitos americanos começam a infiltrar-se na Europa: para pertencer à elite social.

de modo algum. Características gerais: Spray art. pixação de signos. afinal de contas. Principal artista: Jean Michel Basquiat. tão novo e também não tem de o ser. com apresentação de Peter Schjeldahi. As temáticas do seu 105 . A primeira grande exposição de grafitti foi realizada em 1975 no “Artist’s space”. O emprego inflacionado do adjetivo “novo” no contexto das diversas correntes artísticas não correspondente. no PS 1. em 1981. mas sempre como prefixo. iniciou sua carreira grafitando as paredes e muros de Nova York. como “violação.” GRAFITTI: Definido por Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial” e por outros. é fácil para os críticos de arte porem a ridículo todo o palavreado em redor da arte “nova” como servindo apenas para encobrir o fato de que “o rei vai nu. mas a consagração veio com a mostra “New York/New Wave” organizada por Diego Cortez. principalmente no contexto político e social. Seus grafites mostravam símbolos de variadas culturas de obras famosas.relativamente jovens e de ambos os sexos tenham um sucesso comparável ao das “estrelas” do mundo do espetáculo e acima de tudo não lhes agrada a idéia de que a arte contemporânea não pretende inscrever no seu estandarte o novo pelo amor ao novo. de Nova York. Este adjetivo nunca aparece isolado. um dos principais espaços de vanguarda de Nova York. (1960-1988). anarquia social. ao receber o jato de spray. ligado a uma tendência artística já existente. só deixa passar a tinta pelos orifícios determinados. vandalismo puro e simples”. o metrô e das ruas das galerias e museus de arte. instalando-se em coleções privadas e cobrindo com seus rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo. nascido no Haiti. Stencil art. o grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas que. palavras ou frases de humor rápido. O novo não é. destruição moral. Por isso. à concepçãp da linguagem corrente. valorizá-se a cor. existe a valorização do desenho. e principalmente ícones da cultura e consumo americanos. o grafitti saiu do seu gueto.

PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS . e das quais existem exemplos não apenas nos museus do México. México-Tenochtitlán. enquanto os Astecas se estabeleceram nas ilhotas do lago de Texcoco. mas também nos de toda a Europa. As civilizações mais avançadas da América Central foram a Maia e a Asteca.INCAS: Tal como os negros nigerianos.ASTECAS . Foi patrocinado por Andy Warhol (Pop Art). Os Maias estabeleceram-se ao norte da península de Yucatán e construíram várias cidades-santuarios. Com 21 anos participou da sua primeira coletiva em Nova York. a opressão e o racismo. Waldemar Zaidler e Carlos Natuck. bem como em relevos e esculturas decorativos e suas pinturas e objetos suntuosos.trabalho refletem suas preocupações. os americanos pré-colombianos. destacam-se os artistas: Alex Valauri. No Brasil. utilizadas para dfecorar palácios e templos. Seu calendário de 365 dias revelou-se mais exato que o utilizado então na Europa. Os mais desenvolvidos cientificamente e intelectualmente foram os Maias: possuíam um sistema de escrita hieroglífica e atingiram grandes avanços na astronomia e na matemática. O império Maia teve uma organização estatal e social bem definida. a partir da virou celebridade. Ambos os povos deixaram o testemunho de sua grandeza em obras arquitetônicas colossais. Foi essa mesma organização que os beligerantes astecas adaptaram ao chegar ao vale do México. que por sua vez os transmitiram para o resto das culturas do vale do México e para os astecas. representadas por templos e palácios em terraços piramidais. Parte de seus conhecimentos foi absorvida pelos Toltecas. Além disso já conheciam o zero. Morreu prematuramente em virtude de depressão e drogas. 106 . onde edificaram a capital de seu império. ouro e pedras preciosas dos astecas. Os próprios conquistadores espanhóis se deram conta das maravilhosas obras de ourivesaria de prata. nas quais se diferenciavam classes sociais e profissões. que conseguiram vencer as cidades da Tríplice Aliança e estabeleceram assim seu império. como o genocídio. sabiam apresentar a face humana de madeira natural.

a partir da conquista espanhola. É surpreendente o contraste deliberado de cores. cobertas de pinturas murais coloridas. uma construção de três salas. a estatuaria deveria ser imagem e semelhança da realidade. A pintura Asteca. do estilo das gravações de estrelas comemorativas. transmitiu tanto aos desenhos como as cores da pintura Asteca uma simbologia comparável à dos hieróglifos egípcios. ao contrario. Sabe-se que. Longe de toda abstração simbólica. Ao contrario dos Astecas. sobretudo a figura do Chac Mool. e foram de fato excelentes copistas. manteve-se como complemento de relevos e teve um caráter simbólico. mas também por terem ficado protegidas por uma fina camada de calcário. ou mensageiro sentado. O conjunto apresenta os contornos acentuados. nos quais os artistas Maias combinaram figuras naturalistas com fundos geométricos acompanhados de textos em hieróglifos. Conservavam-se também manuscritos e cópias de livros com iluminuras. A ausência de um sistema preestabelecido de escrita. as formas Maias são mais suaves e arredondadas e mais estilizadas. não tão abstratos como os egípcios. depositada naturalmente sobre sua superfície. Escultura: Para os Maias. Essas pinturas chegaram quase intactas até o século XX. narrada com riqueza de detalhes. os Astecas passaram a produzir pinturas de gosto europeu para os conquistadores. Não menos perfeitas foram as gravuras 107 . e influiu na almejada abstração. o amarelo. A escultura colossal é muito comum como complemento de templos e palácios. o azul e o verde. ou câmaras. São significativos os baixos-relevos dos templos. Os rostos possuem traços individualizados. esses murais apresentam-se impregnados de figuras representativas de um determinado momento histórico. como a dos Maias. embora persistindo a esquematização. não só pelo fato de term permanecido longe da vista dos espanhóis.Pintura: No ano de 1946 foi descoberta Bonampak. Em suas esculturas é possível identificar as características físicas do povo. bem como sua grande variedade: as preferidas eram o vermelho e suas diferentes tonalidades. encomendados pelas cortes européias. e em muitos casos existiu até um afã de individualização dos rostos ou de sentimentos. A perspectiva é obtida pelas superposições e escorços das figuras. Cada parede representa uma cena. mas igualmente informativos.

sobre madeira das portas e seus respectivos dintéis. utilizaram a arte com expressão máxima da difusão de seu poderio. motivo por que as figuras representadas eram normalmente deuses acompanhados de seus atributos. já conhecido pelos antecessores dos Astecas. Atribuíram também grande importância à industria metalúrgica. A estatuaria Asteca era de um simbolismo profundo e de uma linguagem tendente à abstração. e a terracota. Sua função era eminentemente religiosa. serpentes sagradas. por volta do século XV. As figuras modeladas em estuque para a decoração de interiores valeram-lhes o qualificativo de primeiros barrocos da América Central. ARTE INCA: As origens do povo Inca remontam as civilizações anteriores aos Nazcas e Tihuanacos. colocadas frente a frente. permitiu a convivência pacifica de uma grande dibversidade de etnias submetidas a um governo central. que por sua vez delegou o poder às famílias mais importantes de cada aldeia. simbolizavam o poder do raio. Os materiais mais utilizados eram a pedra. Tlaloc: O Deus da chuva Asteca (século XIV-XV). principalmente na fabricação de armas. Como em qualquer outro império do Ocidente. A boca é formada por duas cabeças de cascavel. aliada ao estabelecimento de uma religião e uma língua oficial. 108 . Manco Capac. com obras mais próximas da engenharia do que das disciplinas artísticas. sabe-se com segurança que esse império chegou a abranger mais de 900 000 km2 na costa do Oceano Pacifico e que seu primeiro imperador-chefe. As crônicas do império narram a história da família Ayar. Os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos. criou. cujo último sobrevivente alcançou a condição de Deus. De fato. que negava todo naturalismo. O Deus mais importante era Quetzalcoatl representado como homem ou serpente emplumada. que emigrou para Cuzco vinda do norte. o sistema de organização social e estatal mais avançado da América pré-colombiana. na qual demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza expressiva. Essa organização do estado. ao artesanato têxtil e à cerâmica. os Toltecas. andesita e pórfido. A função religiosa cedeu lugar à representativa e utilitária.

Escultura: A cerâmica Inca revelou uma característica estrita de funcionalidade e desenho. e os puynos. Isso se refletiu também nas estampas dos tecidos. Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi a religião. Os Incas modelaram também estatuetas antropomórficas e keros. embora com o tempo os artistas japoneses tenham forjado suas imagens próprias. Embora certamente dispusessem de grande variedade de cores e até jogassem com as gamas mais fortes. Evitou-se o exagero e a opulência. como os Nazcas e Chimus. utensílios-escultura de grandes dimensões. naturalistas e distanciada do simbolismo chinês. dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas antropomórficas. e raqui. começaram a absorver as crenças budistas. num estilo tão ascético quanto o da arquitetura. na China e no Japão estreito relacionamento com a religião. Os motivos são na maioria discretos e puristas. desde os séculos V e VI até o XIX.Nessa ultima. revela. 109 . por meio do uso de cores chamativas e bordas geométricas cada vez mais complexas. rica e variada em suas manifestações. os ceramistas tentaram. Os chineses. os pagodes. inspirados nos stupas hindus. entretanto. Difundiram-se assim os primeiros templos chineses. imprimir um caráter individual a cada peça. fundos neutros com predominância dos tons terra e ocre. mais precisamente o budismo. em todas as disciplinas artísticas. em composição. sendo definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia Tang (século VI). As formas básicas eram urpu. utilizaram. a principio taoistas e confuncionistas. Limitados por essa esquematização. bem como o irregular ou assimétrico. ARTE CHINESA E JAPONESA: A arte do extremo oriente. espécie de cântaro. depois da expansão do império gupta (indiano) no século IV. sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos guardiões da cultura (bonzos) japoneses. as vasilhas de vários pés. ou jarro. baseada na fusão com obras de civilizações anteriores. vasilhas de madeira decoradas com cenas ou figuras de animais. O Japão recebeu o budismo das mãos dos chineses durante o período Nara (645-784). O vinculo permanente entre ambos os países determinou a influencia do primeiro sobre o segundo.

com um imenso jardim central. O exemplo mais interessante é o da Cidade Proibida. com suas pontas para cima. construída para o imperador no inicio do século XV. que se estende por pequenos pátios internos em cada um dos diferentes edifícios. localizados sobre um terraço com orientação especifica. principalmente nos telhados. embora os motivos tenham nascido da iconografia chinesa. tiveram e continuam tendo um caráter eminentemente funcional. carente do lirismo e da intelectualidade dos chineses. os rikyu passaram a servir de modelo para habitações particulares pela capacidade de transformação do espaço que suas leves divisórias corrediças ofereciam. e em alguns casos também cobre e junco. mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com a natureza. para a realização da cerimônia do chá. A pintura de paisagens atingiu o auge na China a partir do século XII. quanto pagodes exibem aparência semelhante em atenção a essas normas. Os telhados típicos de terracota. No Japão.A escultura chinesa também adotou as ousadas e elegantes formas da Índia. as construções chinesas que mais receberam atenção foram os templos. não apenas no que se refere a habitabilidade. no geral madeira e argila. o rikyu continua sendo hoje em dia 110 . Ali se pode observar a disposição do templo e dos diferentes palácios. Para os chineses. além de serem uma realização complexa. que simbolizam o céu. Trata-se de uma vivenda onde o volume e a simplicidade de formas são os personagens principais. que transpôs para o Japão nas estatuas colossais de Buda. e as arredondadas. a arquitetura deveria ser uma réplica do universo. de costumes e narrativo. simbolizam na China a união entre o celestial e o terrestre. No geral. A cerâmica e a porcelana ocorreram com igual profusão em ambas as culturas. Os melhores expoentes pertencem às dinastias Ming e Ys’ing. que representam a terra. combinam-se de tal maneira que tanto templos. tendo em vista as estações do ano. Com o tempo. Construído em meio a um jardim de plantas perenes. criado por Kobori Ensnu. Os materiais utilizados são os que o entorno natural oferece. que convidam à meditação. Arquitetura: Tanto uma como outra. Uma das construções mais típicas é o rikyu. o que não ocorreu com a arquitetura profana. pedras e água. persistiu-se na tradição arquitetônica chinesa para os templos budistas. mas então o Japão desenvolveu um estilo próprio. As formas quadradas.

e os espelhos decorados eram muito cobiçados pelos aristocráticos mecenas japoneses. muito bem conservado e de uma elegância e refinamento característicos das cortes imperiais. pedra extremamente difícil de se esculpir. A ele seguem-se os afrescos dos tempos da dinastia Han e mais tarde os da Tang. nos quais tanto os chineses quanto os japoneses demonstraram um refinamento singular e uma grande exigência de qualidade.C. Ousados e inconformados. bronze. combinando as ilustrações com letras desenhadas. Sob o governo da dinastia T’Sang proliferaram as figuras em madeira pintada e folheadas a ouro. tanto em pedra como em bronze. No século XI aparecem os primeiros quadros de paisagem.). típicas da plástica indiana. obscureceram a escultura. As jóias e os objetos decorativos em jade. combinado-os com os preceitos históricos do xintoísmo. o que os levou a colorir rostos e intensificar as feições. Pintura: A extensa história da pintura chinesa começou com um quadro sobre seda encontrado recentemente e que pertenceu à dinastia Shou (206 a. Existia o pequeno formato de álbuns. Os motivos eram tanto religiosos quanto profanos. cerâmica e porcelana de caráter suntuoso. maior influencia na arquitetura Escultura: As primeiras esculturas chinesas eram figuras zoomórficas monumentais da época da dinastia Han. os artistas japoneses não temeram cair num certo maneirismo próximo do grotesco. Pode-se dizer que esses modelos se conservaram ao longo de toda a história da arte chinesa quase sem variações estilísticas. O paisagismo foi considerado na China o gênero pictórico mais relevante e atingiu o apogeu durante a dinastia Song (IX-XIII).uma das construções de contemporânea ocidental. Os trabalhos em jade. A porcelana faz parte da tradição: a mais representativa continua sendo o azul cobalto e branca (Arte Ming). Esse expressionismo foi transferido depois para as máscaras de teatro do século XV. com exceção das famosas estátuas monumentais do príncipe Buda. pertencentes à dinastia Ming (século XIV). Os escultores japoneses adotaram os modelos búdicos austeros da dinastia chinesa T’ang. tentaram dotar sua estatuaria de grande expressividade. As 111 . Não satisfeitos com a idealização chinesa.

que depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua. que decoravam as paredes dos templos. 112 . e manifestou-se uma renovada religiosidade nos temas.. a pintura chinesa se limitou à imitação dos modelos antigos. principalmente e dos impressionistas e modernistas. as composições eram em geral assimétricas e obtinha-se uma ilusão de perspectiva sem paralelo na pintura universal. A partir do século XIV. Ceilão. e seus escritos religiosos. pelos demais. no século VII a. Adquiriu então importância a técnica de aquarela sobre papel ou seda. mas também na Caxemira. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação. O modelo. sempre segundo cânones estéticos chineses. Já em plena Idade Média. A partir de então. foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a partir do reino vizinho. O grande ressurgimento da pintura não chegou senão no século XVIII. De caráter naturalista. Nepal.C. principalmente nas cortes. os pintores japoneses abandonaram definitivamente os temas religiosos e optaram por ilustrar o refinamento e os luxos da corte. que tanta influência exerceram sobre a pintura dos séculos XIX e XX. A principio também se produziu grande quantidade de afrescos. eram semelhantes às primeiras pinturas budistas dos pagodes chineses. Também foi o apogeu dos gêneros paisagistas e de costumes. que depois foram estendidos às outras religiões.paisagens ostentavam formas puras e simbólicas. apesar de posterior ao Bramanismo e contemporâneo do jainismo. entretanto. a pintura sobre seda se transformou no gênero mais valorizado. O budismo. no essencial. e surgiram as pinturas sobre seda e as gravuras. Os Vedas. estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história. As origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos. com os quadros de costumes conhecidos como ukiyo e obras de Utamaro e Hokusal. desde seu surgimento. com os conhecidos quadros da cerimônia do chá. ARTE INDIANA E KHMERIANA: Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia. A arte indiana também recebeu influencia persa. o Khuner. o sânscrito. não se afastou do modelo chinês. que tão imitadas seriam na Europa rococó (Chinoiserie). com dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural. Tibete e Indonésia. A pintura japonesa.

na medida em que. Antes. extravagância e colorido. que se difundiram de lá para o resto da Ásia. Especial relevância tiveram os templos piramidais. que manteve os princípios estilísticos da dinastia Gupta.). influenciada pela arte grega. No caso dos afrescos das famosas cavernas de Ajanta. época em que esse tipo de pintura começa a se difundir por toda a Ásia. ainda que fossem influenciadas por uma estética sensual e idealista. que era a representação mais completa de seu estado de pureza e santidade.C..C. no Camboja. O chamado período clássico começou com os reis guptas. 113 . Essa técnica deu origem a graves problemas no que diz respeito à conservação das obras.C. deixando de lado o budismo. de superfícies menos carregadas. A época do esplendor desse tipo de afresco coincidiu com o período de transição (séculos V a. A técnica utilizada era a do afresco combinado com a têmpera. – I a. e a de Wengi. que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e renovaram as formas arquitetônicas. no norte. enquanto outros. em representações mais rígidas. até então simbolizado pelo vazio.). de modo geral estritamente simétricas e despojadas do sensualismo e erotismo do modelo. A de Gandhara e a de Mathura. ou seja. aparentemente devido à falta de conhecimento técnicos de seus escultores.C. No século I d. No geral.). mais novos. retocando-a depois de seca a superfície. A arte indiana começou a se expandir a partir da Idade Média e encontrou seu imitador mais respeitado no vizinho reino do Khmer.C. são do século V. entretanto. alguns datam do século II d. anterior a ela: porte colossal. retomando a tradição indiana. Os temas preponderantes eram as cenas de vida do príncipe Buda (O iluminado). surgiram as três escolas mais importantes da Índia. cuja imagem apareceu pela primeira vez nas obras da escola de Gandhara.sob o reinado de Asoka (274-237 a. sentado e com auréola. no sul. pintava-se o desenho básico com a parte úmida. Pintura: A pintura indiana complementou a escultura na decoração de templos e palácios e serviu como veiculo de propagação da religião e da história a partir da dinastia Vakataka (século V d. criou a chamada arte grecobúdica e foi também responsável pela primeira representação figurativa do príncipe Buda. e os relevos.C. A primeira foi a mais importante. Os artistas desse reino apostaram. as representações tendiam para o naturalismo. fazia-se alusão a ele através d algum símbolo ou do vazio.

sucessores do profeta. Apesar de inteiramente figurativa.No inicio do século X. ARTE ISLÂMICA: No ano de 622. Índia.) a escultura indiana começou a adotar elementos fantásticos ao mesmo tempo em que ganhou em monumentalidade.).C. Como a pintura era feita sobre folhas de plantas regionais dessecadas e em rolos de papel. faltavam-lhes o colorido e a vivacidade dos afrescos. A influencia da estatuaria indiana deixou sua marca no reino vizinho. as paredes internas e externas do templo com figuras humanas e de animais. Norte da África e Espanha. Essa tendência se manteve por vários séculos. cidade do profeta). O melhor exemplo disso é o relevo “A Descida dos Ganges” (século I d. a arte budista dos pioneiros tempos evitou representar o príncipe iluminado. o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina (Madinat al-Nabi. a pratica do afresco cedeu lugar a miniatura. Pérsia. típicas da decoração dos stupas. Ásia Menor. uma das ramificações religiosas indianas do budismo. que evitavam toda a referencia ao erotismo. surgiram a partir da indianização do budismo. Escultura: A escultura Indiana teve. 114 . num descontrolado horror ao vazio. cumpriam a função de ensinar aos iniciados os princípios de Buda. Os relevos com cenas eróticas extremamente explicitas. o Khmer. no Camboja. tanto no Oriente quanto no Ocidente. Durante o período clássico (320-570 d. nas suas origens. De lá. com uma qualidade artística visivelmente inferior. que.C. As figuras talhadas na pedra pareciam se reproduzir infinitamente para cobrir completamente. o tantrismo. No século XI apareciam as primeiras imagens do príncipe santo nas oficinas da escola de Gandhara sob a influencia grega. além de decorar. um caráter decididamente naturalista. Síria. consagrada na Idade Média. Essa carência foi suprida com a influencia posterior da pintura persa. As formas búdicas e indianas foram adotadas em representações mais esquemáticas e rígidas. sob a orientação dos califas. tanto nas estátuas quanto nos relevos. começou a rápida expansão do Islã até a Palestina. interpretou o ato sexual como a aproximação do homem divino. Isso se deu ao fato de que sob a dinastia Mahayana.

De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se identificassem. Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços estilísticos dos povos conquistados, que no entanto souberam adaptar muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu inicio, conceitual e religiosa. No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má imitação de uma realidade fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista. As letras lavradas na parede lembraram o neófito, que contempla uma obra feita para Deus. Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no inicio, como exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação. Arquitetura: As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina : uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e refugio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos. No entanto a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão

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importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização. A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um circulo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma.. As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àqueles na forma. A construção de palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capitulo a parte. As residências dos emires, construíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o habitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala de trono. Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar a todos os fiéis, convidando-os à oração. A Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos mártires. Tapetes: os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmica. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o mulçumano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra. Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80.000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40.000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais
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clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração. Pintura e gráfica: as obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas,. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa. A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação cientifica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capitulo de outro. Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No inicio, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco. Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava a cerâmica, mais utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso cotidiano. ARTE AFRICANA: Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no
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O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas. organizar as coleções dos museus europeus. Daí ser particularmente difícil encontrar os traços artísticos comuns. 118 . fang. E isso é muito importante para a análise da obra. embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações. especialmente os fauvistas e os expressionistas. Estes. graças a antropologia de campo e aos especialistas em arte africana. Muitos objetos ficaram sem classificação. algo que colaborou em muitos casos. Basicamente os povos africanos eram animistas. ioruba e bini e as de Luba. provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente. ARTE OCEANICA: A arte da Oceania constituiu um conglomerado de expressões artísticas de grande diversidade. data deste século. existindo também os povos monoteístas. Outros chegaram a criar verdadeiros panteões de deuses. como Gauguin. Mas o dono já estava feito. não pode ser entendida senão com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças religiosas. apenas para citar algumas. não titubearam em se mudar para lá por algum tempo. O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras vanguardas. quando fauvistas e expressionistas se maravilharam diante da liberdade criativa que expressam as primeiras peças chegadas ao Velho Continente. Alguns. para a distorção do verdadeiro sentido das obras. Entre as peças mais valorizadas atualmente estão. a exemplo da Europa. Some-se a isso a influencia dos primeiros colonizadores portugueses. prestavam culto ao espírito de seus antepassados. tentaram imitálas. não se conhecendo assim seu lugar de origem ou simplesmente ignorando-se sua função. as esculturas de arte das culturas fon. em busca de novas motivações temáticas e técnicas. embora. A arte africana é eminentemente funcional. se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes. Sua inclusão na história da arte é bastante recente. Recentemente. Mais ainda. no século XX. que cristianizaram várias regiões. vindas das ilhas paradisíacas dos mares do sul. que são as principais.continente africano convivem dez mil línguas. foi possível. além de reconhecer os valores artísticos das peças africanas. distribuídas entre quatro famílias.

119 . limitados pela escassez do deserto. penas de pássaros. climáticos e materiais de cada região. Assim. embora no caso do arquipélago da Polinésia e Malanésia os materiais utilizados sejam variados: fibras vegetais. corais. menos conservadores. e os polinésios. Também é possível detectar diferenças estilísticas consideráveis. e os polinésios. na Nova Zelândia (os maoris) e ilha de Páscoa. buscavam a novidade. os papuas. Embora todos tenham origem asiática. nos deserto do continente.São quatro as etnias principais encontradas no continente da Oceania. os Melanésios. vindas provavelmente da Índia e Indonésia: os australianos. os papuas acentuam a expressividade. cada um desenvolveu diferentes técnicas e disciplinas artísticas submetidas em parte aos condicionamentos geográficos. inclusive entre os povos mais próximos: os australianos se preocupam com o simbolismo religioso. o mesmo já não ocorre com os aborígines australianos. madeira e conchinhas. no arquipélago da Melanésia. na ilha da Nova Guiné. ossos.

..................108 ARTE INDIANA E KHMERIANA:..............................................................................................................................................................................................1 120 .....................................................................................................114 ARTE NAIF:.......117 ARTE ASSEMBLAGES.....34 Classificação da arte:.....97 ARTE EGIPCIA:.........................................................67 ARTE NOUVEAU:.......................................................................................................96 ARTE BARBARA:...........................................................................................6 ARTE GÓTICA:.............................................. HAPPENINGS.......................................................................................................................................118 ARTE PALEOCRISTÃ:.......................................................3 Como entendemos a arte?...............................................................................................................................................................................................Índice Remissivo ABSTRACIONISMO:...........109 ARTE CONCEITUAL:............ ......14 ARTE ROMÂNICA:......................20 ARTE BIZANTINA:............................................. BODY ART E NOVO DADAISMO:.................................................................................................................................................................................1 COBRA:................................................................................................................................................................................10 ARTE INCA:..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................112 ARTE ISLÂMICA:.........................45 ARTE OCEANICA:.....................................................................................................................................................................................................................18 ARTE CHINESA E JAPONESA:.......................................23 ARTE GREGA:........................85 ARTE AFRICANA.............................................................................................................................................................. AMBIENTES......................................................117 ARTE AFRICANA: ..............17 ARTE PRÉ-HISTÓRICA:...............3 ARTE ROMANA:.............................................................................................................................................................................................................................2 Conceito:.....70 ACTION-PAINTING:................................................................................................................................................................................................................................................................................21 BARROCO:.................................................................86 Como as idéias se espalham pelo mundo?..................................................................................................................

.......................................................49 PÓS-MODERNISMO:...............................................81 O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte?......................................................................................................................................................................................97 MANEIRISMO:.........................................................................................................................................................................................................................................6 MINIMALISMO:......................................................................................................2 121 ......................................................................97 INTERFERÊNCIA:.......... EXISTECIALISMO E TACHISMO:...................................................................................................46 INFORMALISMO...........................88 Por que o mundo necessita de arte?........................1 IMPRESSIONISMO:............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ GOTTILIEB E NEWMAN........................................................................88 POP ART: ..........................................................................................................................2 PÓS-IMPRESSIONISMO:.......................................105 História da Arte:........................................................................................ ...........................2 OP ART:............................................................................CONCRETISMO:...............................................................................................................................106 Quem faz arte?..................................45 NEOCLASSICISMO:..........ASTECAS ..............77 EARTH ART:............................................................................................................90 MODERNISMO:.....................................................................59 GRAFITTI:...............................................................................................................................39 NEOPLASTICISMO:........................................................................................................................68 POP ART...........................95 INSTALAÇÃO:.....................................................................INCAS:..............................................................................................77 CUBISMO:........................51 FOVISMO:.......................................................................................................................................................................................92 EXPRESSIONISMO ABSTRATO:................................................................79 CONSTRUTIVISMO:........................................................................................................................................................................................................................................75 EXPRESSIONISMO:...................................................................................................................................................................................................................................60 DADAÍSMO:..............................................................................................................87 PINTURA METAFÍSICA:...............................................................................69 DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO..........29 MESOPOTÂMIA:...93 PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS ...........................................

..100 122 .......................................................... BAD PAINTING....................................................................................... NOVOS SELVAGENS...........................36 ROMANTISMO:.................................................................................................................75 SURREALISMO:..........................................RACIONALISMO:................................................................................................................................. NOVA FIGURAÇÃO E PÓS.................................................................................................................................................82 TRANSVANGUARDA...........................................................................40 SUPREMATISMO:.......................95 REALISMO:.........................................................42 RENASCIMENTO:............................................................25 ROCOCÓ:................... NEO-EXPRESSIONISMO..........MODERNISMO:....

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