História da Arte: O pintor suíço Paul Klee, disse uma vez que “a arte não limita o visível: cria

o visível” . Sua frase sintetiza uma das principais discussões da história da arte, aquela que opõe de um lado os adeptos da imitação e de outro os da invenção. Mais sistemático, o pintor russo Vassili Kandinski definiu três elementos constitutivos de toda obra de arte: o elemento da personalidade, próprio do artista; o elemento do estilo, próprio da época e do ambiente cultural; e o elemento do puro e eternamente artístico, próprio da arte, fora de toda limitação espacial ou temporal. Conceito: De um ponto de vista genérico e com base em qualquer dos teóricos modernos, a arte é pois todo trabalho criativo, ou seu produto, que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética , isto é, com fim de alcançar resultados belos. Se bem que o ideal de beleza seja de caráter subjetivo e varie com os tempos e costumes, todo artista (seja ele pintor, escultor, arquiteto. Ou músico, escritor, dramaturgo, cineasta) certamente investe mais na possível beleza de sua obra do que na verdade, na elevação ou utilidade que possa ter. Nas artes visuais contemporaneamente chamadas artes plásticas, esse tipo geral esteve sempre presente, assim como os outros que eventualmente se lhe acrescentam, isto é, a originalidade, o aspecto critico e muitas outras características. Classificação da arte: Artes espaciais, todas as artes plásticas, distinguindo as bidimensionais como desenho e a pintura, e as tridimensionais, como a escultura e arquitetura. O sentido mais importante para sua apreciação estética é a visão, motivo por que também foram chamadas de “artes visuais”. Artes temporais, todas as artes que implicam um processo no tempo. Costumam distinguir-se as artes sonoras, como a música instrumental (que além disso, é intermitente, isto é, só existe como tal quando é executada) e as artes verbais, que compreenderiam gêneros literários como a poesia e o romance. Artes mistas, as disciplinas artísticas em que intervêm, combinados, elementos pertencentes aos dois grupos anteriores. O teatro por exemplo, ainda que seja um gênero literário, inclui a representação espacial; a dança é ao mesmo tempo espacial ou
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temporal; e a ópera compreende, além disso, componentes literários, assim como o cinema. Ao longo dos tempos, e à medida que se sucedem às gerações, a arte experimenta mudanças em sua maneira de ser e cabe à história da arte avaliar a importância dessas modificações. Mas a história deve ser, mais do que uma enumeração interminável de fatos, um ordenamento destes (com suas conseqüências). De que toda prioridade seja dada aos realmente mais importantes. Também o historiador da arte deve ordenar por classes os fatos de que dispõe, segundo um critério de qualidade. Quem faz arte? O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de cozinha . Outros objetivos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas. Por que o mundo necessita de arte? Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser ... feita para decorar o mundo ... para espelhar o nosso mundo (naturalista) ... para ajudar no dia a dia (utilitária)... para explicar e descrever a história... para ser usada na cura de doenças... para ajudar a explorar o mundo. Como entendemos a arte? O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar. O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte? Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único. Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o que, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos historiadores, costumam
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classificá-las por categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na arte ocidental. Ex.: Renascimento, impressionismo, cubismo, surrealismo e etc. Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte? Podemos verificar que tipo de arte foi feito, quando, onde e como, desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo tiveram. Como as idéias se espalham pelo mundo? Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progressos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através da arqueologia, quando se descobrem objetos de outras civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, e os estilos de arte podem ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas; pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e a arte podiam ser impressos. Os historiadores da arte, críticos e estudiosos classificam os períodos, estilos ou movimentos artísticos separadamente, para facilitar o entendimento das produções artísticas. ARTE PRÉ-HISTÓRICA: Um dos períodos mais fascinantes da historia humana é a préhistória. Esse período não foi registrado por nenhum documento escrito, pois é exatamente à época anterior a escrita. Tudo que sabemos dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem. Divide-se em: Paleolítico Superior: a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por
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ventre saltado e grandes nádegas. O homem que se tornara um camponês. seios volumosos. ossos. Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. instrumentos de marfim. começaram as representações da vida coletiva. como família e a divisão do trabalho. e uma grande pedra era colocada 4 . Mas. Assim o homem do neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos. Os próprios temas da arte mudaram. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho.000 a 25. isto é. Utilizavam as pinturas rupestres. Desse período temos as construções denominadas dolmens (consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão. madeira e pedra. madeira e ossos: facas. instrumentos de pedra e pedra lascada. arco e flecha.caçadores. Neolítico: a fixação do homem da Idade da Pedra polida. Paleolítico Inferior: aproximadamente 5. tanto na pintura quanto na escultura.Como conseqüência surge um estilo simplificador e geometrizante. sinais e figuras. também esculturas de metal. O homem deste período era nômade. mais que sugerem do que reproduzem os seres. controle do fogo. Destaca-se Vênus de Willendorf. caça e coleta. ocasionou um aumento rápido da produção e o desenvolvimento das primeiras instituições.000 AC. e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na captura de animais. anzol e linha. ou seja. nota-se a ausência de figuras masculinas. Conseguiu ainda. com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço. garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas. e desenvolvimento da pintura e da escultura. constituindo-se os primeiros arquitetos do mundo. o artista Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto. feitas em rochedos e paredes de cavernas. machados. machado. Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. primeiros homindios. como – se fossem paredes. produzir o fogo através do atrito e deu inicio ao trabalho com metais. e o seu poder de observação foi substituído pela abstração e racionalização. Além de desenhos e pinturas. o pintor caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. lançador de dardos. de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias. Predominam figuras femininas. não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico.

panteras. pode ser considerado uma das primeiras obras da arquitetura que a história registra. o homem fazia ornamentos corporais. como colares. Caverna de Chauvet: França. As cavernas: antes de pintar as paredes da caverna. Idade dos metais: aparecimento da metalurgia. Instrumentos de pedra polida. enxada e tear. 5 . depois magníficas estatuetas. têm 17. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o sol no dia do solstício de verão. Sua autenticidade porém só foi reconhecida em 1902. contém carvão moído e dióxido de manganês. O Santuário de Stonehenge. Caverna de Lascaux: França. foram os primeiros desenhos descobertos.000 anos. Gruta de Rodésia: África. e primeiros arquitetos do mundo. no Sul da Inglaterra. Lembrando que pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa. e arado de bois. em 1868. Ele representa um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos regulares. suas pinturas foram achadas em 1942. A cor preta por exemplo. artesanato. hienas. invenção da escrita. aparecimento das cidades.horizontalmente sobre elas). mamutes. há ursos. que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. construção de pedra. inicio do cultivo dos campos.000 anos. e. cavalos. descoberto em 1994. No centro do último está um bloco semelhante a um altar.000 anos. cerâmica e tecidos. com mais de 40. dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos. invenção da roda. como as famosas “Vênus”. E o menir que era monumento megalítico que consiste num único bloco de pedra fincado no solo no sentido vertical. quase uma centena de desenhos feitos há 14. Existem várias cavernas no mundo que demonstram a pintura rupestre. algumas delas são: Caverna de Altamira: Espanha. indicio de que se destinava às praticas rituais de um culto solar.

Quando os Sumérios governou a cidade de Ur. Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana.MESOPOTÂMIA: Sua arte era designada em grego. erguendo-se em direção ao céu. voltava para junto dos Deuses dos quais viera. Quéfren e Miqueninos. inclusive escravos. os egípcios acreditavam também numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que viviam no presente. O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado. iriam ajudá-los. justificando sua organização social e política. orientando toda a produção artística desse povo. Arquitetura: As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e foram construídas por importantes reis do Antigo império: Quéops. as esculturas eram colocadas na tumba. Junto a essas três 6 . As pirâmides. Acredita-se também que uma cópia fiel da cabeça do rei fosse preservada para ele viver para sempre. em madeira decorada com animais. No fragmento de uma harpa (2600 aC). menos conhecida que a arte egípcia. O faraó era considerado ser divino que dominava o povo e que ao partir desse mundo. sitiando uma fortaleza (883 – 859 aC). simetricamente dispostos com precisão como era costume deste povo. A múmia do rei ficava no centro da pirâmide. interpretando o universo. (2270 aC). Era uma civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. conseqüentemente. A religião invadiu toda a vida Egípcia. não existiam pedreiras no vale e os edifícios eram construídos de tijolos cozidos que se designavam com o tempo. para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos. determinando o papel de cada classe social e. os reis eram sepultados com toda sua casa. onde ninguém as via. ARTE EGIPCIA: Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se desenvolveu no Egito. Os reis costumavam encomendar monumentos para celebrar vitórias nas guerras. Esses povos não acreditavam que o corpo humano e sua representação deviam ser preservados para que a alma sobrevivesse. Exercito Assírio. Monumento do rei Naransin.

A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar. que representa o faraó Quéfren. mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deulhe. e Hipogeu: túmulo destinado a gente do povo. 7 . ao longo dos séculos. além de serem admiravelmente lapidadas. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura. Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor. Mastaba: túmulo para a nobreza. ambos dedicados ao Deus Amon.pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito. Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar. um aspecto enigmático e misterioso. -Sentimento de eternidade. e Lotiforme: flor de lótus. Divididos em três categorias: Pirâmide: túmulos reais. Eram colocadas na alameda do templo para afastar os maus espíritos. Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos. a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme seu capitel: Palmiforme: flores de palmeiras. Para seu conhecimento: Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). -Aspecto misterioso e impenetrável. local onde estava a múmia do faraó e seus pertences. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária. As características gerais da arquitetura egípcia são: -Solidez e durabilidade. destinados ao faraó. Papiriforme: flores de papiro.

enquanto que as masculinas pintadas de vermelho. exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano. Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no reino. na pedra. Hórus. As figuras femininas eram pintadas em ocre. representado como um falcão ou cabeça de falcão. nesta ordem de grandeza: o rei. destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além. Pintura: A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas.Escultura: Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena.ignorância da profundidade. . como um chacal. Deus do céu. mais próximo da cartografia do que do pintor. dando as figuras representadas uma impressão de força e de majestade. . Os próprios hieróglifos eram transcritos. Recobria colunas e paredes. Os Uciabtis eram figuras funerárias em miniatura. Importavam-se com a plenitude e não com a beleza. dando um encanto todo especial às construções.colorido a tinta lisa. em baixo-relevo.ausência de três dimensões. geralmente esmaltada de azul e verde. foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. . ou cabeça de chacal. 8 . Pretendiam com isso traduzir. Suas características gerais são: . peixes e aves de perfil com veracidade (zoólogos reconhecem espécies). enquanto sua cabeça. sem claro-escuro e sem indicação do relevo. quase sempre de frente. o sacerdote. sem demonstrar nenhuma emoção. muitas vezes. Com esse objetivo ainda. desenhavam de memória destacando tudo claramente. muitas vezes coberto de inscrições. a mulher do re. ou seja. Anúbis. Os baixos-relevos egípcios. “O Jardim de Nebamun. uma ilusão de imortalidade. suas pernas e seus pés eram vistos de perfil. que eram quase sempre pintados. Deus dos ritos funerais. os soldados e o povo. 1400 aC”: Desenhavam o tanque como se fosse visto de cima e as árvores de lado.Lei do frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente.

ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo. seu túmulo repleto de tesouros foi descoberto em 1922. numa localidade que hoje se chama Tell-el-Amama. Os egípcios escreviam usando desenhos. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro. Atom de quem era devoto e o representava pelo disco do sol. Quando o palácio do rei foi escavado em Cnosso. e colocados num vaso de pedra chamado Canopo. . com a cabeça de Íbis. e Demótica: a escrita popular. ou seja um rolo de papiro com rituais funerários. as quais eram batidas e prensadas transformando-se em folhas. O livro dos mortos. Também na parte continental da Grécia. cada um dotado com uma mão. Seu sucessor foi Tutankhamon. não utilizavam letras como nós. e instalou sua corte longe dos sacerdotes dos outros Deuses. ilustrado com cenas muito vivas. 9 Tolh. que acompanham o texto com singular eficácia. que restaurou as velhas crenças. que representavam com movimentos rápidos e ágeis. Nas imagens que aparece com sua esposa Nefertite e seus filhos.Deus mensageiro. que descobriu o seu significado em 1822. Seus retratos o mostram como um homem feio. Para seu conhecimento: Hieróglifos: foi decifrada por Champolion. os intestinos e outros órgãos vitais. enviando seus raios. anota o resultado. rompeu com vários costumes. algumas das obras ainda tem o estilo da região de Atom. para ele só havia um Deus supremo. no fim do século XIX. Não desejava homenagear vários Deuses. Em Creta. encontrou-se obra assim. Desenvolveram três formas de escrita: Hieróglifos: considerados a escrita sagrada. Hierática: uma escrita mais simples. era posto no sarcófago do faraó morto. homens e mulheres estão do mesmo tamanho. utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes. era inacreditável que um estilo livre e gracioso pudesse ser desenvolvido no 2º milênio. habitavam um dos povos mais talentosos. O Rei Amenófis IV. Intitulou-se como Akhnaton. Mumificação: a) eram retirados o cérebro.

tinha originalmente 146 metros de altura. e a democracia. embebida em betume. Quando a grande barragem de Assua foi concluída. encravado na montanha de pedra com suas estatuas do faraó de 20 metros de altura. removeu pedra por pedra e transferiu templos e estátuas para um local 61 metros acima da posição original. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. literalmente. a harmonia ideal. graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. longe da margem do lago. Nove metros já se foram. A característica mais evidente dos templos gregos. o artista se empolga pela vida e tenta. é a simetria 10 . essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”. que servia como impermeabilização. através da arte.b) Nas cavidades do corpo eram colocados resinas aromáticas e perfumes. é a maior das três pirâmides. foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens. engolidas pelo Lago Nasser. exprimir suas manifestações. em Abu Simbel. Entre as raras exceções desse drama do deserto. Para erguê-la. Em 1964. uma faraônica operação coordenada pela unesco com recursos de vários países. Eles têm como características: o realismo. amor pela beleza. Contemplando a natureza. um prédio de 48 andares. o equilíbrio. durante 20 anos. dezenas de construções antigas do sul do país foram. interesse pelo homem. Queóps. por água abaixo. um total de 40 milhões de dólares. o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo. mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem estar do povo. Arquitetura: as edificações que despertaram maior interesse são os templos. c) As incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque com nitrato de Potássio. Na sua constante busca de perfeição. a obra prestou uma homenagem ao mais famoso e empreendedor de todos os faraós. Além de salvar este valioso patrimônio. em 1970. pois os seus reis não eram deuses. ARTE GREGA: Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito. a arte grega liga-se à inteligência. O maior deles é o Grande Templo de Ramsés II. estão os templos erguidos pelo faraó Ramsés II. d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão.

a ordem dórica.entre o pórtico de entrada e o dos fundos. Principal arquiteto Ictino. O fuste da coluna era monolítico e grosso. Os principais monumentos da arquitetura grega: Templos: dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas. ao ar livre. a) 11 .C. para os espectadores. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. A ordem Dórica traduz a forma do homem e a ordem Jônica traduz a forma da mulher. Sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas. b) Teatros: que eram construídos em lugares abertos (encosta) e que compunham de três partes: a skene ou cena. O templo era construído sobre uma base de três degraus. jônica e corintia. mas sobre uma base decorada. construído no século IV a. também. Um exemplo típico é o teatro de Epidauro. para os atores. Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. a konistra ou orquestra. Ordem Corintia: o capitel era formado com folhas de acanto e quatro espirais simétricas. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. empresta uma idéia de solidez e imponência. c) Ginásios: edifícios destinados a cultura física. Chegava acomodar cerca de 14000 espectadores e tornou-se famoso por sua acústica perfeita. O capitel era uma almofada de pedra. As colunas sustentavam um entablamento eram construídos segundo os modelos das ordens dórica.Na Acrópole. composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita. Ordem Dórica: era simples e maciça.. muito usado no lugar do capitel jônico. o koilon ou arquibancada. A coluna apresentava fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata. entre eles. para o coro. filosofia. nela se expressa o pensamento. d) Praça: Agora onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos. se encontram as Cariátides homenageavam as mulheres de Caria. de um modo a variar e enriquecer aquela ordem. Nascida do sentir do povo grego. por sua simplicidade e severidade. Sugere luxo e ostentação.

trabalhavam para sobreviver. Escultores e pintores. em mármores. foi insuperável. Hidra: (derivado de Ydor. ombros de frente. havia movimento. como é visto de frente). grandes figuras de homens. a sua forma correspondia à função para que eram destinados: Ânfora: vasilha em forma de coração. em rigorosa posição frontal. além do equilíbrio e perfeição das formas. 500 aC (pintar um pé. animais e paisagens. o antropomorfismo (esculturas de formas humanas). deviam representar a “atitude da alma”. as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. com o gargalo largo. entre outras coisas. O maior pintor de figuras negras foi Exéquias. Primeiramente aparecem esculturas simétricas. Cratera: tinha a boca muito larga. Murais e mosaicos. servia para misturar água com vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro). mas também pela harmonia entre o desenho. o “escorço”. uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar. mas os corpos com diferenças). As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. eram de classes inferiores. os artistas. Os vasos gregos. Segundo Sócrates. água. Por isso. azeite e mantimentos. com o corpo em forma de um sino invertido. A pintura grega se divide em três grupos: 1) figuras negras sobre o fundo vermelho 2) figuras vermelhas sobre o fundo negro 3) figuras vermelhas sobre o fundo branco Escultura: A estatuaria grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. pesquisavam para pintar. etc. esses vasos eram usados para armazenar. Esse tipo de estatua é chamado Kouros (palavra grega: 12 . com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. Os pintores fizeram a maior descoberta. o movimento. encontramos vestígios da pintura Egípcia (rosto de perfil. As estatua adquiriram. Além de servir para rituais religiosos. observando como “os sentimentos afetam o corpo em ação”. No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir. água) tinha três asas. encontra-se na arte cerâmica.Pintura: A pintura grega. são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma. ornado com duas asas. Na escultura. vinho. descobertos em Pompéia mostravam a natureza.

pois no período arcaico. e Atenéia. autor de Doríforo. a cada 4 anos. -Fidias. -Policleto. Os principais mestres da escultura clássica grega são: -Praxíteles. se começou a usar o bronze que era mais resistente do que o mármore. entre outros. mas também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. -Lisipo. Entre as mais famosas: Édipo Rei de Sófocles. 13 . Foi ele que introduziu a proporção ideal do corpo humano com a medida de oito vezes e cabeças. representava os homens “tal como se vêem” e “não como são” (verdadeiros retratos). O grande desafio e a grande conquista da escultura do período helenístico foi a representação não de uma figura apenas. Atenéia. Apolo. Os primeiros jogos começaram em 776 a. Afrodite. As festas olímpicas serviam de base para marcar o tempo. Teatro: Foi criadas a comédia e a tragédia. podendo fixar o movimento sem se quebrar. deus das águas. Período Helenístico pode observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade. Poissedon. criou padrões de beleza e equilíbrio através do tamanho das estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça.C.homem jovem). talvez o mais famoso de todos. deus das artes e da beleza. . deusa do amor. senhor dos céus. em honra a Zeus. métopas e frisos. deusa da guerra.prima. as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. sua obra. foi o primeiro artista que esculpiu o nu feminino. celebrado pela graça das suas esculturas. a) b) c) d) Para seu conhecimento: Mitologia: Zeus. pela lânguida pose em “S” (Hermes com Dionísio menino). mas de grupos de figuras que mantivessem a sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que pudessem ser observados. Surge o nu feminino. entre os gregos a lira era o instrumento nacional. No período clássico passou-se a procurar movimento nas estatuas. Música: Significa a arte das musas. -Miron. Olimpíadas: se realizavam em Olímpia. Realizou toda a decoração em baixos-relevos do Templo Partenon. condutor da lança. autor de Zeus Olímpico. as esculturas dos frontões. autor do Discóbolo (homem arremessando o disco). para isto.

ARTE ROMANA: A arte romana, sofreu duas fortes influencias: a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da grecohelenistica, orientada para a expressão de um ideal de beleza. Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções. Arquitetura: As características gerais da arquitetura romana são: - busca do útil imediato, senso de realismo; - grandeza material, realçando a idéia de força; - energia e sentimento; - predomínio do caráter sobre a beleza; - originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas. As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções: 1) Religião: Templos Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Jupter Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do imperador Adriano, foi planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto. 2) Comércio e civismo: Basílica A principio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros) dividida em varias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia , iniciada no governo de Julio César, foi concluída no império de Otavio Augusto. 3) Higiene: Termas Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala, que além de casa de banho, eram centros de reuniões sociais e esportes. 4) Divertimentos:

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a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos praticados temos: Jogos circenses – corridas de carros; Ginásios – incluídos neles o pugilato; Jogos de tróia – aquele em que havia torneios a cavalo; Jogos de escravos – executados por cavaleiros concluídos por escravos; Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o “Circus Maximus”. b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis. c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro, significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem corintia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das escadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé. 5)
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Monumentos decorativos:

Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Fórum Romano para comemorar a tomada de Jerusalém. b) Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em espiral que possui a narrativa histórica dos feitos do imperador em baixo-relevo no fuste. Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os partos. 6) Moradia: Casas, construídas ao redor de um pátio chamado Átrio.

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Pintura: O Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em gera. A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura existente em Pompéia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro estilos. Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore. b) Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande mural. c) Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos detalhes. d) Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário teatral. Escultura: Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade. Mais realista que idealista, a estatuaria romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a invasão dos Bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V, precisamente no ano de 476, perde o domínio do seu território do Ocidente para os invasores germânicos.
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Mosaico: Partidários de um profundo respeito pelo ambiente arquitetônico, adotando soluções de clara matriz decorativa, os masaístas chegaram a resultados onde existe uma certa parte de estudo direto da natureza. As cores vivas e a possibilidade de colocação sobre qualquer superfície e a duração dos materiais levaram a que os mosaicos viessem a prevalecer sobre a pintura. Nos séculos seguintes, tornar-se-ão essenciais para medir a ampliação das primeiras igrejas cristãs.

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Outra forma de simbolizá-lo é o desenho do pastor com ovelhas “Jesus Cristo é o Bom Pastor” e também. cemitérios subterrâneos em Roma. Tanto os gregos como os romanos. o qual marcou uma nova era e uma nova filosofia. nos arredores de Roma. os romanos cederam algumas basílicas para eles usarem como local para as suas celebrações. foi o material escolhido para o revestimento interno das basílicas. muito utilizado pelos gregos e romanos. o imperador Constantino legaliza o cristianismo. Com o fim da perseguição aos cristãos. Com o surgimento de um “novo reino” espiritual. Jonas engolido pelo peixe e Daniel na cova dos leões. pois a palavra peixe. lugar civil destinado ao comércio e assuntos judiciais. mas também a todos aqueles que aceitavam sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Surge a arte cristã primitiva. até que em 313 d. o poder romano viu-se extremamente abalado e teve inicio um período de perseguição não só a Jesus. forma as iniciais da frase: “Jesus Cristo de Deus Filho Salvador”. dando inicio a 2º fase da arte paleocristã: a fase basilical. Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Domitila. Para entender melhor a simbologia: Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe. utilizando imagens 17 . Nesses locais. que recebe este nome devido as catacumbas. Os cristãos foram perseguidos por três séculos. os cristãos (aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a criar uma arte simples e simbólica executada por pessoas que eram grandes artistas.ARTE PALEOCRISTÃ: Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e espalhavam seu estilo por toda Europa e parte da Ásia. Passagens da Bíblia também eram ali simbolizadas. Eram edifícios com grandes dimensões: um plano retangular de 4 a 5 mil metros quadrados com três naves separadas por colunas e uma única porta na fachada principal. a pintura é simbólica. adotavam um modelo de edifício denominado “Basílica” (origem do nome: Basileu = Juiz). em grego ichtus. onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos. por exemplo: Arca de Noé. Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária. O mosaico. Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo. o cordeiro “Jesus Cristo é o cordeiro de Deus”.C.

conseguiu-se manter até 1453. Na cidade de Ravena pode-se apreciar o Mausoléu de Gala Plácida e a igreja de Santo Apolinário. o imperador Teodósio dividiu i Império Romano entre seus dois filhos: Honório e Arcádio. principalmente de povos bárbaros. marca o fim da Idade Antiga e o inicio da Idade Média). tornando os artistas meros executores. Graças a sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu influencias de Roma. ao clero cabia.C. organizar também as artes. Em 395 d. com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul). quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada pelos muçulmanos (esta data. Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte bizantina).C. até que.. em 476 d. dos ataques bárbaros e das pestes. depois batizada por Constantinopla.. rico tanto na técnica como na cor. A arte bizantina está dirigida pela religião. tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a 18 . foi completamente dominado (esta data.C. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma. O Império Romano do Ocidente sofreu várias invasões. cidade grega. Grécia e do Oriente. Honório ficou com o Império Romano do Ocidente. O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais. tendo Roma como sua capital. facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte cristã – Arte Bizantina. Por volta do século IV. 476 d.do Antigo e do Novo Testamento. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo. além das suas funções. e Arcádio ficou com o Império Romano do Oriente. Esse tratamento artístico também foi dado aos mausoléus e os sarcófagos feitos para os fiéis mais ricos eram decorados co relevos usando imagens de passagens bíblicas. o novo e a de São Vital com riquíssimos mosaicos. começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a capital do Império para Bizâncio. ARTE BIZANTINA: O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos de nossa era. era o representante de Deus.. 1453. apesar das dificuldades financeiras. marca o fim da Idade Média e o inicio da Idade Moderna).

durante o reinado do imperador Justiniano. A igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria). E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império. A arte bizantina não se extinguiu em 1453. a maior igreja de Constantinopla. colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o chão de mármore polido. foi um dos maiores triunfos da nova técnica bizantina. ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus. dos profetas e dos vários imperadores. penetrando. na hoje Stambul. A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI. criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados. O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas. Constituía na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e clero. Plasticamente. sugerindo por associação à abóbada celeste. durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI. mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo. e. por exemplo. A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina. Apresenta pinturas na paredes. Porém -. capital do Império Bizantino.cabeça. Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os cristãos tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o paganismo romano. O que se encontra restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração. 19 . o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos. são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos. afasta o gosto pela forma e conseqüentemente a escultura não teve tanto destaque neste período. sentimentos de universidade e poder absoluto. nos paises eslavos. as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade. não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa. Tal método tornou a cúpula extremamente elevada. a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro. octogonal ou quadrada imensas cúpulas. elas eram planejadas sobre uma base circular. por exemplo. ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos. projetada pelos arquitetos de Tralles e Isidoro de Mileto. logo se sucedeu um período de crise chamado de Iconoclastia. Neles. Um pouco mais de Santa Sofia: “A verdadeira beleza de Santa Sofia. pois. a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte bizantina.

fossem eles de luxo ou utilitários. essencialmente nômades.C. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados. Uma vez dominados. Era notável sua destreza naquelas disciplinas que permitiam a fabricação de objetos facilmente transportáveis. ARTE BARBARA: Depois da queda do império romano. na fundição e moldagem de metais. Esses grupos. e nas técnicas de decoração correspondentes. um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior “. o que deu origem a uma arte completamente diferente. como a tauxia ou damasquinagem e esmaltação. ao mesmo tempo em que lhes transmitia seus próprios traços culturais. O fato de não possuírem um habitat fixo influenciou grandemente os costumes e expressões artísticas dos bárbaros. Assim. a entalhadura e filigrana. sobre um solo de mármore. não demoraram a assimilar a cultura e a religião (cristianismo) dos povos conquistados. até a dominação romana se estabeleceu na Europa de norte a sul e de leste a oeste. que desde o século V a. francos. não é de admirar que tenham sobressaído na ourivesaria. vândalos. No alto. uma boa parte da população foi assimilada pelo império e outra fugiu para o norte. que assentaria as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX. Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata. bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos. resplandece a grande cúpula. no mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais. mongóis. Em suas crônicas. folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora. alamos. os romanos os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais. avançaram definitivamente sobre a Europa. Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta. tanto para a fabricação de armas quanto de jóias. Somente quando o império começou a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer 20 . Estava em curso o século V.encontra-se no seu vasto interior. mosaicos e afrescos. germânicos e suecos. entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros. há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz.

com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. tem inicio o período histórico conhecido. ARTE ROMÂNICA: Em 476. como entre fenícios. Escultura: A escultura em pedra foi destinada a decoração de igrejas e batistérios. a fusão de culturas. cujas formas foram adotadas na confecção de capas de livros evangélicos e Bíblias. capitéis e sarcófagos. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. a igreja ia ganhando posições com a proliferação de mosteiros exatamente onde os mais temíveis exércitos não conseguiram vencer as batalhas: as ilhas britânicas e o leste da Europa. a meio caminho entre a religiosidade. e a medida de 21 . dos quais se originaram. agora em parte aceita. visigodos e ibéricos. As pedras com entalhes de runas e ídolos nórdicos entre os vikings. saxões e os próprios celtas mostram sua passagem pelos deferentes assentamentos e lugares conquistados. Mais tarde sofreria também açoite dos vikings dinamarqueses vindos do norte. Na península ibérica. na forma de relevos planos. devido à ghrande demanda de exemplares. Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. Por seu lado. Deus é o centro do universo. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). as nacionalidades européias. trazendo modificações no comportamento humano.numerosos reinos. A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros. Confirmou-se com a tradição dos dípticos consulares de Bizâncio. celtas. Sabe-se que as oficina dos artesãos que trabalhavam com marfim eram numerosas tanto nas Gálias quanto na península itálica. deixou importantes amostras de escultura. por Idade Média. além de gregos e romanos. seguindo o estilo do império romano. como os Touros de Guisando ou a Dama de Elche. dos primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. em parte. em perpetua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. A entalhadura do marfim não foi menos importante. A experiência de celtas e escitas como ourives inegavelmenteestava ligada à sua experiência como entalhadores.

na Europa. Na Itália. Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. Trata-se de torre de Pisa que se inclinou porque. duras e primitivas. na verdade. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura. é um estilo essencialmente clerical. através da técnica do afresco. com o passar do tempo. Arquitetura: No final dos séculos XI e XII. A figura de Cristo. a igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores aos fiéis. A primeira coisa que chama atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida. A igreja como representante de Deus na terra. que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada. A deformação. diferente do resto da Europa. A arte desse período passa. As características essenciais da pintura românica foram à deformação e o colorismo. o terreno cedeu. surge a arte românica cuja estrutura era semelhante às construções dos antigos romanos. tinha poderes ilimitados. -Arcos que são formados por 180 graus.todas as coisas. que sustentavam. -Torres. A explicação mais aceita para as formas volumosas. -Pilares maciços. 22 . é sempre maior do que as outras que o cercam. As características mais significativas da arquitetura românica são: -Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas. A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o edifício mais conhecido do seu conjunto o campanário que começou a ser construído em 1174. estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais. traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. Elas são sempre grandes e sólidas. não apresenta formas pesadas. e das paredes espessas. por exemplo. -Aberturas raras e estreitas usadas como janelas. Pintura e escultura: Numa época em que poucas pessoas sabiam ler.

de modo geral. ARTE GÓTICA: Em 476. tem início uma economia fundamentada no comércio. pequeninas pedras. mas já começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios. pois não havia a menor intenção de imitar a natureza. conheceu seu auge na época do românico. e a medida de todas as coisas. sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra. com o cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. a crença na existência de um Deus que vive num plano superior. Imitação de formas rudes. a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano. Enquanto. isto é. A igreja como representante de Deus na terra. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana. tudo se volta para o alto. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. Mosaico: A técnica da decoração com mosaico. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). a arquitetura predominante ainda é a românica. No começo do século XII. a igreja gótica têm três portais que dão acesso a três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais. trazendo modificações no comportamento humano. No século XII entre os anos 1150 e 1500. Usado desde a Antiguidade. ausência de movimentos naturais. de vários formatos e cores. nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. Deus é o centro do universo. para representar o próprio céu.O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas. Arquitetura: A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. tem inicio o período histórico conhecido. por Idade Média. que colocadas lado a lado vão formando o desenho. Neste período a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã. com a tomada de Roma pelos povos bárbaros. é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado. curtas ou alongadas. A arquitetura expressa a grandiosidade. a igreja românica apresenta um único portal. Na porta. 23 . tinha poderes ilimitados.

Durante o século XII e até o século XV. alongamento exagerado das formas. pois se destinava aos poucos possuidores das obras copiadas.projetando-se na direção do céu. O desenvolvimento de tal gênero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica. Iluminura: È a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada. os manuscritos também eram encomendados por particulares. como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas. Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava. deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações. Escultura: As esculturas são ligadas à arquitetura e se alongam para o alto. Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja. A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores. a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. aristocratas e burgueses. os cabeçalhos. ou então é um privilégio da quase mítica China). exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. 24 . demonstrando verticalidade. os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis. a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena. As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres. Ao realizar essa tarefa. e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada.

que superaram a herança clássica. Jan Van Eyck: procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Assim. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada.Pintura: Desenvolveu-se nos séculos XII. Num sentido amplo. que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura do realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas. quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin. ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes. Além de reviver a antiga cultura greco-romana. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava. quase sempre tratando de temas religiosos. da literatura e das ciências. esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem 25 . que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado. Nota-se em suas pinturas um cuidado com perspectiva. Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento (Duocento): Giotto: a característica principal de seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. RENASCIMENTO: O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os pastores. a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo. cobertos por muita roupa. ocupando sempre posição de destaque na pintura. com o olhar voltado para cima. considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. em direção ao plano celeste. apresentava personagens de corpos pouco volumosos. XIV e no inicio do século XV. procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza. Características gerais: Racionalidade Dignidade do Ser Humano Rigor Cientifico Ideal Humanista Reutilização das artes greco-romana Perspectiva (ilusão de profundidade) Arquitetura: Na arquitetura Renascentista. as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância. igrejas. no desenho ou pintura. Construções: palácios. pois foi pintor. Foi como construtor. “Já não é o edifício que possui o homem. Pintura: Principais características: -Perspectiva: arte de figura. possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi. vilas. conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média. aprendendo a lei simples do espaço. Além de dominar conhecimentos de matemática. Brunelleschi: è um exemplo de artista completo renascentista. Saber ver a Arquitetura) Principais características: Ordens Arquitetônicas Arcos de volta-perfeita Simplicidade na construção A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônoma. que realizou seus mais importantes trabalhos. em oposição ao divino e ao sobrenatural. porém. fortalezas (funções militares). mas este que. 26 . escultor e arquiteto. segundo os princípios da matemática e da geometria. entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi. geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante.(casa de descanso fora da cidade). de qualquer ponto em que se coloque.(humanismo) e da natureza.

quanto a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas. concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. 27 . e não apenas admirada. -Tanto a pintura. diferentes dos demais. Para essa Capela. Michelângelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura de teto da Capela Sistina. já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e. Os principais pintores foram: Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. e . Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente. -Inicia-se o uso da tela e tinta a óleo. as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina. Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família. -Realismo: o artista do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus. ao mesmo tempo. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista. Leonardo da Vinci: ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra. conseqüentemente. tornam-se manifestações independentes. esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. Por isso. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. -Surgimento de artistas com estilos pessoais. a beleza estava associada ao ideal cristão. Para ele. melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. no Vaticano. uma particularmente representativa é a criação do homem. gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. pelo individualismo. mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

E é na própria Capela que se faz o conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder à eleição do próximo. proporcionando uma ilusão de distância. São eles: Dürer. claros e de acordo com uma simetria equilibrada. . Ali. trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias italianas. Davi.10m) e Pietá. Empregando uma técnica denominada schiacciato. de tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a superfície. que o Papa ainda não 28 .profundidade e perspectiva . trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. Lareira que produz fumaça negra. Para seu conhecimento: a) A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). Outro grande escultor desse período foi Andréa Del Verrochio. Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixorelevo (escultura sobre o plano). (Algumas obras:·Moisés. Escultura: Em meados do século XV.Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança. algo inédito até então. Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã. Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas. Bosch e Bruegel.26 m) em bronze. o maior dos quais é Michelângelo. que domina toda a escultura italiana do século XVI. com a volta dos papas de Avinhão para Roma. 94.Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade.Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade. os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Obra destacada: Davi (1. esta adquire o seu prestigio. Hans Holbein. grandes escultores se revelam. . pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Principais características: .Estudo do corpo e do caráter humano O Renascimento italiano se espelha pela Europa. Protetores das artes.

que o papa acaba de ser escolhido. burgueses. um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: O Maneirismo ( maniera.foi escolhido. pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo. b) Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem. extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. corporações. um modelo de asa-delta. em italiano significa maneira). Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado. d) Mecenas. Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito reinante na Europa nesse 29 . Se olharmos para Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. desenvolve-se em Roma. cada veia. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. a ponte elevadiça. Isso acontece porque os quadros são lisos. porém. propriamente dito. Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca. cada tendão. MANEIRISMO: Paralelamente ao reconhecimento clássico. etc”. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente. clero. Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco. O certo. do ano de 1520 até por volta de 1610. enquanto outros preferem vê-lo como um estilo. parece que ele nos persegue. patrocinadores dos artistas. sabia exatamente a posição de cada músculo. Leonardo da Vinci. Além de pintor. é que o maneirismo é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência. aristocratas. Dentre as suas invenções estão: Parafuso aéreo “. primitiva versão do helicóptero. foi grande inventor. assim como Leonardo da Vinci. c) Quando deparamos com o quadro da famosa Monalisa não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar. avisa o povo na Praça de São Pedro. fumaça branca.

momento. Não só a igreja, mas toda a Europa estava dividida após a reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas de sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo. Pintores, arquitetos e escultores são impedidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias. Arquitetura: dá prioridade a construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração. Principais característica: a) Nas igrejas: Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coro com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoados de figuras caprichosas são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista. b) Nos ricos palácios e casas de campo: Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.

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Principais artistas: Bartolomeo Ammanati, (1511-1592), autor de vários projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Montova, a villa na Porta Del Popolo, a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos Jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens. Giorgio Vasari, (1511-1574), Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com Michelângelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura. Palládio, (1508-1580), o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria dedicar-se à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palládio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palládio foi uma referência obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco. Pintura: Nela o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte.

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a)

b) c) d) e) f)

Principais características: Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres humanos. Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis. Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva. Mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo. Principal artista: El Greco, (1541-1614), ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura Veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas obras. Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Felipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. Entre duas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Mauricio. Esta última lhe custou a expulsão da corte. Escultura: O maneirismo, segue o caminho traçado por Michelangelo: ás formas clássicas, soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou
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De acordo com os preceitos dos Jesuítas. Decorou também o palácio dos Montova e o túmulo do conde da cidade. A Fonte de Netuno. para a qual realizou uma de suas mais célebres esculturas. legou a eles todos os seus bens. que proibiam o nu nas obras de arte. Principais artistas: Bartolomeo Ammanati.ainda o exagero nos detalhes. com a morte do papa. Trabalhou com igual maestria a pedra calcáia e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais. O modo de enlaçar as figuras. como demonstram suas esculturas de bronze. isso respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto. voltou para Florença. que o incumbiu da construção de sua villa na Porta Del Popolo. Mercúrio. Conheceu a poetisa Laura Battiferi. Giambologna está para o maneirismo. (1511-1592). de origem flamenga. Estabeleceu-se finalmente em Florença. Poucos anos depois se mudou para Roma. as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado alongamento dos músculos. realizou trabalhos em várias cidades italianas. elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista. na corte dos Médici. como Michelangelo está para o renascimento. O Rapto das Sabinas. deu seus primeiros passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. a) Principais características: A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto. permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário. Participou também de um concurso na cidade de Bolonha. e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II. onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras. No ano de 1555. Giambologna. com quem se casou. num equilíbrio aparentemente frágil. com base nos quais planejou uma cidade ideal. 33 b) . atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis. Baco e Os Pescadores estão entre as obras mais importantes desse período. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi. (1529-1608). onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria.

Dentre os pintores Barrocos: Caravaggio: o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. seu propósito é impressionar os sentidos do observador. tal a aparência de profundidade conseguida. alegria e tristeza. na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. 34 . paganismo e cristianismo. Violentos contrastes de luz e sombra. Pintura: Características da pintura barroca: Composição assimétrica. trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. pureza e pecado. substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista.O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal. para dirigir a atenção do observador. em diagonal. céu e terra. dando-nos às vezes a impressão de ver o céu. baseando-se no principio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. que se revela num estilo grandioso. Deus e Diabo. era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade. mas é criada intencionalmente pelo artista.BARROCO: A Arte Barroca originou-se na Itália (século XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano. contracurvas. Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos). que as artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente. Ela não aparece como reflexo da luz solar. colunas retorcidas. Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. retorcido. abrangendo todas as camadas sociais. Busca de efeitos decorativos e visuais. Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura. Realista. Suas características gerais são: Emocional sobre o racional. monumental. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência. espírito e matéria. através de curvas. Pintura com efeitos ilusionistas.

Escultura: Suas características são: o predomínio das linhas curvas. Obra destacada: O Conde Duque de Olivares. os meios-tons. mas a gradação da claridade. Rubens (Espanhol): além de um colorista vibrante. 35 . o vermelho. de onde santos e anjos convidam os santidade. Obra destacada: Aula de Anatomia. temos: Velazquez: além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país. A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. documentando 0 dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. perspectiva nas ilusão de que as que este se abre homens para a Andréa Pozzo: realizou grandes composições de pinturas dos tetos das igrejas barrocas. se notabilizou por criar cenas que sugerem. as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. Dentre os pintores mais representativos. e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. Obra destacada: A Glória de Santo Inácio. Obra destacada: O Jardim do Amor. a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas. um intenso movimento. de outros paises da Europa. que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. Rembrandt (Holandês): o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra. dos drapeados das vestes e do uso do dourado. causando a paredes e colunas da igreja continuam no teto.Obra destacada: Vocação de São Mateus. e de para o céu. Em seus quadros. é geralmente. o verde e o amarelo. no vestuário que se localizam as cores quentes.

Conteúdos: história sacra e antiga. mitologia e retratos. frivolidade e exuberante. alegria. Vaticano e o Êxtase de Santa Tereza. o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca. Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia. elegância. por volta de 1770. o centro artístico da Europa transferiu-se de 36 . entre 1700 e 1780. como por exemplo. alusões ao teatro italiano da época. Desenvolveu-se na Europa do século XVIII. decorador e escultor. técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizado originariamente na decoração de grutas artificiais. Nos primeiros anos do século XVIII. Possui leveza. na Prússia e em Portugal. laços e flores. ambos na Basílica de São Pedro. a) b) Para seu conhecimento: Barroco: termo de origem espanhola “Barrueco”. ROCOCÓ: É o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco. aplicado para designar pérolas de forma irregular. o baldaquino e a cadeira de São Pedro. cenas de batalhas. motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras. tais como conchas. Na França. difundiu-se principalmente na parte católica da Alemanha. caráter intimista.Bernini: arquiteto urbanista. o rococó é também chamado estilo Luis XV e Luis XVI. que significa “embrechado”. e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. e usado inicialmente em decoração de interiores. pastorais. mais livre e intimista que aquele. Arquitetura: Durante o iluminismo. Características gerais: Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos. Vigoroso até o advento da reação neoclássica. bizarro. O termo deriva do francês rocaille. algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas.

responsável por vários edifícios na Baviera. um dos maiores representantes do estilo rococó na Alemanha. No final do reinado de Luis XIV. (1692-1766). Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. quer estilisticamente.Roma para Paris. não é possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó. Principais artistas: Johann Michael Feichtmayr. a luz difusa inundou os interiores por meio de numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves. Grande mestre do estilo rococó. Principal artista: Johann Michael Fischer. a) b) Principais características: Cores vivas foram substituídas por tons pastéis. “Pietá”. Restaurou dezenas de igrejas. marco do rococó bávaro. em que se afirmou o predomínio 37 . com maior graça e intimidade. Ignaz Günther. (1725-1775). Pintura: Durante muito tempo. obras-primas dos interiores rococós. quer cronológica. A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno. é em sua disposição dentro da arquitetura que se manifesta o espírito rococó. o rococó era a principio apenas um novo estilo decorativo. membro de um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque. cada uma com existência própria e individual. escultor alemão. Os grandes grupos coordenados dão lugar a figuras isoladas. Surgido na França com a obra do decorador Pierre Lepautre. mosteiros e palácios. o rococó francês ficou restrito às artes decorativas e teve pequeno impacto na escultura e pintura francesas. escultor alemão. (1709-1772). distinguiuse pela criação de santos e anjos de grande tamanho. Mais do que nas peças esculpidas. responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren. “Anjo da guarda”. foi unificado. “Anunciação”. que dessa maneira contribuem para o equilíbrio geral da decoração interior das igrejas. Escultura: ao contrário do que ocorreu na arquitetura.

38 . (1684-1721). subordinados a elementos construtivos. denominação posterior ao estilo (1830). elementos florais. desenhista e retratista de talento. causam as transformações dos interiores: somem os ângulos retos formados por paredes e tetos. salões revestidos também com porcelanas. alguns relatos. de cenas galantes de paisagens idílicas. que durante muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a pintura do século XIX. Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza. b) Os ambientes parecem de inspiração feminina. mas a alegre descontração do estilo rococó. contra curvas. Além dos quadros de caráter mitológico. surge o gosto pelo exótico oriental (chinês e japonês). onde a fantasia alcança a graça de curvas. (1703-1770). As paredes se cobrem de espelhos. (1732-1806). os elementos ornamentais eram acréscimos decorativos. as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica. a infalível concha estilizada de diversas maneiras. treliças e pinturas. paisagens (“O casario de Issei”) e cenas de interior (“O pintor em seu estúdio”). profusamente usado e caprichosamente estilizado. Para seu conhecimento: a) Rococó: palavra rocaille (concha). François Boucher. surgem as curvas sob delicados ornamentos. No rococó são organismos independentes. c) Em todos os estilos anteriores. as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos de um estilo bastante copiado. Jean-Honoré Fragonard. Principais artistas: Antoine Watteau. apareceram as primeiras pinturas rococós sob influência da técnica de Rubens. elemento constante. caracterizado por uma arte alegre e sensual. Foi um dos últimos expoentes do período rococó. onde o decorativismo é livre de normas. pintou. e um dos mais antigos precursores do impressionismo. sempre com perfeição no desenho.político e cultural da França sobre o resto da Europa. tirada do vocabulário das artes decorativas.

Os edifícios proliferaram com abundancia na Europa. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo. mestre inegável do equilíbrio da composição. Principais características: Retorno ao passado. que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão. em Paris. que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia. Durante governo do mesmo. e a Porta do Brandemburgo. América Latina e do Norte ( inclusive no Brasil ) e Rússia. sobretudo em Rafael. Pintura: Foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana. sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas artes. mas algumas delas exprimem fortes emoções. Maiores representantes: Jacques-Louis David. Harmonia do colorido. transformada depois no Panteão Nacional. Academicismo nos temas e nas técnicas. uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. refletindo racionalismo dominante. a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. isto é. Arquitetura: Tanto nas construções civis quanto nas religiosas. Arte entendida como imitação da natureza. 39 . em Berlim. pela imitação aos modelos antigos grecolatinos. Exemplos dessa arquitetura são a igreja de Santa Genoveva. mais tarde tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo). registrou fatos históricos ligados à vida do imperador.NEOCLASSICISMO: Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX. Características da Pintura: Formalismo na composição. num verdadeiro culto a teoria Aristóteles. foi considerado o pintor da Revolução Francesa. Exatidão nos contornos.

40 b) c) . num erro de interpretação. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo.Obra destacada: Marat. principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII. Exemplo: Casa Branca dos Estados Unidos. retratos e paisagens. ROMANTISMO: O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais. As convenções técnicas e expressivas são as mesmas adotadas em todos os paises.. dificulta ou mesmo desvirtuam a afirmação de peculiaridades individuais e nacionais dos artistas. o que impede. história sagrada e antiga. foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. que foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção. a atividade artística tornou-se complexa. além de composição mitológica e literária. provocando a divisão do trabalho e o inicio da especialização da mão-de-obra. Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. Do mesmo modo. sua obra abrange. traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.C. Conteúdos: mitológicos. no ano de 79 a. ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. Obra destacada: Banhista de Valpinçon. em que os direitos individuais fossem respeitados. os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco. mas a critica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. nus. a) Para seu conhecimento: Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que. Diante daquelas construções. e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica. No Brasil:Pedro Américo e Vitor Meirelles. épicos. Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de Ingres.

Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo. gerando o neogótico. a ação incompreensível de monstros. Morreu em Bordeaux. tons agressivos. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Observa-se. Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas. a permanência do estilo anterior. seres deformados. A valorização da natureza como princípios da criação artística. nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos. barroco para igrejas. os horrores da guerra. Na escultura. grosso modo. Características da pintura: Aproximação das formas barrocas. Temas da pintura: Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas. rugosidades. inspiração helenística. Há um ecletismo: gótico para fachadas. em 1746. Principais artistas: Goya. vigorosas. em 1828.Características gerais: A valorização dos sentimentos e da imaginação. Goya e sua mitologia povoada por sonhos e pesadelos. Vez por outra retornou-se o estilo gótico da época medieval. clássico para museus e palácios. 41 . Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador. Arquitetura e escultura: Registram pouca novidade. Obra destacada: Edifício do parlamento Inglês. asperezas. cenas históricas e as lutas pela liberdade. domínio da massa. o neoclássico. pastosas. Valorização das cores e do claro-escuro. Dramaticidade. Sentimentos do presente. Espanha. tais como: liberdade. O nacionalismo. Mitologia Grega. Pinceladas espontâneas. igualdade e fraternidade.

um estilo delimitado no tempo.Obra destacada: Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808. por uma atitude emotiva diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história. representou grandes movimentos da natureza. Romantismo. Obras destacadas: Chuva. de agir. dando-nos a sensação de grande movimentação. que tinha aprendido a utilizar o conhecimento cientifico e a técnica para interpretar e dominar a natureza. REALISMO: Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias. convenceuse de que precisava ser realista. que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. 42 . O homem europeu. Representava assuntos abstratos personificando-os. Veneza. Obras destacadas: A liberdade guiando o povo e Agitação de Tanger. vapor e velocidade e o Grande Canal. Delacroix. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva). e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores. designa uma maneira de se comportar. uma nova tendência estética chamada Realismo. restaura a liberdade individual. portanto nomeia um sistema. Há uma visão cientifica e dinamismo universa. deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. inclusive em suas criações artísticas. Turner. de interpretar a realidade. representa a transformação e o sentimento de novas classes sociais. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho. sobretudo na pintura francesa. suas obras apresentam forte comprometimento político. das luzes e das sombras. procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem . designa uma tendência geral da vida da arte. mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete. elege-se o sentimento e a imaginação como fontes artísticas criadoras. a) b) Para seu conhecimento: A palavra romantismo.

A expressão da realidade e dos aspectos descritivos. ferrovias. os escultores preferiam os temas contemporâneos. tanto para os operários quanto para a nova burguesia. ferro. ou seja o pintor buscava representar o mundo de maneira documental. a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injustas. não cabe “melhorar” artisticamente a natureza. pois a beleza está na realidade tal qual ela é. hospitais e moradias. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. Elas precisam de fábricas estações. armazéns. O Beijo e O Pensador. Arquitetura: Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas. Gustavo Eiffel. Escultura: Auguste Rodin. Características da pintura: Reapresentação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza. É uma arquitetura racional. lojas. Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade. orgânica. não se preocupou com a idealização da realidade. As cidades não exigem mais novos palácios e templos. funcional. O sóbrio e o minucioso. A valorização do objeto. Em Chicago. assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. edifica-se o primeiro arranha-céu (Home Insurance Bulldning). Obras destacadas: Balzac. Além disso. Em 1889. bibliotecas. Ao artista. Os Burgueses de Calais. cimento. escolas. levanta em Paris a Torre Eiffel. Usam se novos materiais: vidro. Ao contrario. Temas da pintura: Politização.Características gerais: O cientificismo. concreto. criadas pela industrialização. hoje logotipo da “cidade luz”. procurou recriar os seres tais como eles são. 43 . a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos.

Os artistas incorporavam a rudeza. realista. foi considerado o criador do realismo social na pintura. As pessoas das classes menos favorecidas. É o caso. que nada tem a ver com os idealizados heróis da pintura romântica. mais tarde. sensível observador da vida campestre. Principais pintores: Courbet. Obra destacada: Moças peneirando o trigo. republicano. amigo da verdade e verdadeiro”. em resumo. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. “Ângelus”. c) d) 44 . o povo. de autoria de Marx e Engels. Jean-François Millet. elevando esses tipos à categorias de heróis.Pintura social denunciando as injustiças e a imensa desigualdade entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. a fealdade. anti-acadênicos e anti-românticos. por exemplo. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. por uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da história. a vulgaridade dos tipos que pintavam. A palavra realismo designa uma maneira de agir. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade. tem liberdade total de criação e os maiores valores são considerados rebeldes. Pissarro e Van Gogh. tornaram-se assuntos freqüentes da pintura realista. socialista. O artista desse período é politizado. a) b) Para seu conhecimento: Courbet dizia: “Sou democrata. principalmente das classes populares. O termo realismo significa um estilo de época que predominou na segunda metade do século XIX. Formula-se o socialismo cientifico ou marxista com a publicação do Manifesto em 1848. criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade do século XIX. de interpretar a realidade.

d) A aspiração a um estilo ou linguagem internacional ou européia. c) Busca de uma funcionalidade decorativa. na Alemanha. e Modern Style. “Ansiedade”. foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias 45 . Com características próprias em cada um desses paises.MODERNISMO: Corrente artística que surgiu na última década do século XIX na Europa. na Espanha. na Áustria. “Sonia Knips”. podemos encontrar algumas na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Secessão. pintura e escultura) e as aplicações aos diversos campos da produção econômica (construção civil corrente. b) Desejo de diminuir a distância entre as artes maiores (arquitetura. ARTE NOUVEAU: O modernismo é uma corrente artística que surgiu na última década do século XIX. São comuns as tendências modernistas: a) Deliberação de fazer arte em conformidade com sua época e renuncia a invocação de modelos clássicos. revalorizando a arte e sua forma de realização manual. como resposta as conseqüências da industrialização. 1894. No resto da Europa difundiram-se diferentes traduções: Modernismo. obras em “mármore”. na Inglaterra e Escócia. decoração vestuário e etc). O nome deste movimento deve-se à loja que o alemão Samuel Bing abriu em Paris no ano de 1895: “Art Nouveau”. revalorizando a arte e sua forma de realização. Gustav Klint: Pintor austríaco. hipocrisia). Edvard Munch: Pintor alemão. como resposta às conseqüências da industrialização. Alguns artistas e obras: Auguste Rodin Damaide: Escultor francês. Com diferentes nomes e características próprias de cada país foi se homogeneizando com as realizações das primeiras exposições internacionais nas capitais européias. inspirar e redimir o industrialismo. Jugendistil. 1895. e) Esforço de interpretar a espiritualidade (ingenuidade.

Reafirmou-se o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano. Sua apresentação na exposição de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a difusão desse novo estilo. típicas do modernismo. de acentuada influencia oriental. Seus desenhos. como que surgidos de antigas lendas. muito mais praticas do que teóricas. Havia algumas considerações gerais.. tal como é a impressão visual que nos causam. IMPRESSIONISMO: Foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu inicio às grandes tendências da arte do século XX. eram determinadas as formas elegantes e sinuosas. como os pintores costumavam representá-las no passado. que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizavam a pintura impressionista. elaborados com espírito artesanal. não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do inicio do século. Entre os precursores da arte modernista estava William Morris. A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas. O modernismo não teria sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas. pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens. dependendo da incidência da luz do sol. Nos escritórios da empresa criada por ele. As sombras devem ser luminosas e coloridas. que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas. o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia. e não escuras ou pretas.que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. 46 . mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos. Contrariamente à sua intenção inicial. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo e seus temas. Principais características: A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento. bem como definidos os materiais nobres usados na criação de objetos de uso cotidiano. As figuras não devem ter contornos nítidos. se contrapunham à produção industrial. a Morris & Co. pois as cores da natureza se modificam constantemente.

propunha uma temática urbana de acontecimentos cotidianos.Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo. em abril de 1874. obtendo o resultado final. alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. A primeira alcançou o auge em fins do século XIX e se revelava o método ideal de captação de um determinado momento. A mistura deixa portanto. preferia os nus ao ar livre. incessante pesquisador da luz e seus efeitos. de ser técnica para ser óptica. o que era uma preocupação principalmente para os impressionistas. ainda em vida. 47 . realizados em pinturas planas. sem perspectiva. A primeira vez que o publico teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em Paris. A segunda. ao admirar a pintura. Assim um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos.foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da critica. os retratos e as naturezas mortas. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Principais artistas: Claude Monet. combina as várias cores. devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. a fim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade. com a lei das cores complementares. Pelo contrario. pintou vários motivos em diversas horas do dia. É o observador que. as composições com personagens do cotidiano. introduzida na França com a reabertura dos portos japoneses ao Ocidente. Obras destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em pleno sol. pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura. Seus quadros manifestam otimismo. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade. Mas o público e a critica reagiram muito mal ao novo movimento. Auguste Renoir. São duas as fontes mais importantes do impressionismo: a fotografia e as gravuras japonesas (ukiyo-e).

como exemplo ideal do processo criativo do artista. Obra destacada: Tarde de domingo na Ilha Grande Jatte. mestre do pontilhismo. A escultura do fim do século XIX tentou renovar totalmente sua linguagem. Os temas das esculturas 48 . registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas. decididamente. foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre. sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas. Tratava-se de desnudar o coração da pedra para demonstrar o trabalho do artista. Seurat. Obra Destacada: O ensaio. ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos. Obras destacadas: Trigal e Maternidade. os escultores tentaram uma nova maneira de plasmar a realidade. Ganhou uma viagem à Europa. aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. novo personagem da estatuária. Edgar Degas. já que de fato. Escultura: As esculturas deste período também podem ser consideradas impressionistas. a ambição de obter estátuas visíveis a partir do maior número possível de ângulos e a obra inacabada. com resquícios de Rococó. É o tempo das esculturas inacabadas de Rodin. Foram três os conceitos básicos dessa nova estatuária: a fusão da luz e das sombras. procura. que era a grande paixão do impressionismo.Obras destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouilliere. inspiradas em Michelangelo. Além disso. Adorava o teatro de bailados. onde teve contato com a obra dos impressionistas. No Brasil destacou-se o pintor Eliseu Visconti. e dos esboços dinâmicos de Carpeaux. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira.

Henri Rousseau. Paul Cézane e Van Gogh. Os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto. que se fundem na visão do espectador de acordo com a distância em que se coloca. Todos franceses. a obra em que a ação do escultor melhor se refletia. A aceitação de seus esboços pelo público animou Carpeaux a deixar sem polimento a superfície de suas obras. Rodin considerava “O Escravo”. começando então a exibir obras inacabadas. foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol. Os mais influente pós-impressionistas foram Paul Gaugin. Igualmente importantes foram as contribuições do escultor Carpeaux.surgiram do ambiente cotidiano e da literatura clássica em voga na época. São cenas do jardim da casa do artista. mas distribuindo com habilidade luzes e sombras. de Monet. Por isso achou tão interessantes os esboços de Carpeaux. todos faziam parte do novo álbum de personagens da nova estética. mulheres realizando atividades domésticas. com exceção de Van Gogh que era holandês. Influenciados pelos conhecimentos científicos sobre a refração da luz. e Henri de Tourlouse-Lautrec. A preocupação em captar um instante dá lugar ao interesse pela fixação das cenas obtida pela subdivisão das 49 . O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico. Rodin e Hildebrand foram em parte os responsáveis por essa nova estatuaria. entre outros. camponeses. o que foi depois fundamental para as esculturas inacabadas de Rodin. Outros importantes foram. PÓS-IMPRESSIONISMO: Designa um grupo de artistas que procuravam de varias maneiras ampliar a linguagem visual. Operários. que retomou a vivacidade e a opulência do estilo rococó. Para seu conhecimento: O quadro Mulher no Jardim. que Michelangelo não terminou . Georges Seurat. o primeiro com sua obra e o segundo com suas teorias. a quem se deve a revalorização dos temas populares. Outros escultores foram Dalou e Meunier. os neo-impressionistas criam o pontilhismo ou divisionismo.

cores. Como Manet e os impressionistas. as diferentes cores misturam-se na visão dos observadores. Como resultado. procurava constantemente a pureza e a simplicidade da vida. na França. do 50 . As pinturas de Paul Gauguin são altamente decorativas. Georges Seurat criou um estilo de pintura chamado pontilhismo. enquanto Gaugin dá ao impressionismo uma dimensão simbólica que influência o simbolismo e o expressionismo. Van Gogh alia-se ao expressionismo. O resultado foi uma arte de extraordinária intensidade. Estas pinturas são feitas de pontinhos de cores puras. Ele enfatiza cores chapadas. Cézanne não procurava contar historias com seus quadros. Ele pintou cenas misteriosas e fantásticas que se parecem com as pinturas surrealistas da década de 1920. como Reflexos na Água. Suas pinceladas parecem ondas escapeladas de poderoso colorido. elas tendem a exibir um caráter estático. Um exemplo é Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande-Jatte. Sua procura de novos métodos de pintura levou-o a novas maneiras de estruturar seus temas. desenhos vigorosos. Cézanne desenvolve uma pintura que será precursora do cubismo. de Seurat. Gauguin. aplicava suas tintas diretamente sem misturá-las. Rousseau teve um dos estilos mais originais da história da arte.. Embora inicialmente ligado ao impressionismo. Ele dizia que desejava “fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte dos museus”. explorava sentimentos profundos mediante suas pinturas. De uma certa distância. Ele acreditava poder realizar esse anseio mediante o uso de cores brilhantes e pinceladas violentas. porem. Cézanne evitava retratar emoções em seus quadros. formas sem sombreado e linhas curvas. O gênio Cézanne para redistribuir as formas influenciou o movimento cubista do inicio do século XX. Van Gogh desejava exprimir seus sentimentos mais íntimos através da arte. Cézanne enfatizava a forma e a massa. Música: As idéias do impressionismo são adotadas pela música por volta de 1890. A cor de cada pontinho contrasta com a cor do pontinho do lado. As obras se propõem a descrever imagens e várias peças têm nomes ligados a paisagens. Ao contrario dos impressionistas que enfatizavam a luz. Lautrec pintava cenas da vida noturna dos cafés e das salas de espetáculos de Paris.

estruturada a partir da eleição de uma das 12 notas da escala (as sete básicas e os semitons). Sustenta-se nas escalas modais (definidas a partir da recombinação de um conjunto de notas eleito como básico para as melodias de uma cultura) vindas do Oriente. Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais. O termo expressionismo (com o sentido de retorcer. como principal. de 1915. O impressionismo abandona a música tonal. Lucílio de Albuquerque (1877-1939) e João Timóteo da Costa (1879-1930). EXPRESSIONISMO: É a arte do instinto. de 1916 e também nas primeiras telas de Anita Malfati. à solidão. para ressaltar o sentimento. O expressionismo foi a primeira vanguarda artística do século XX que utilizou a deformação da realidade para dar forma à visão subjetiva do artista. em alemão) foi cunhado pelo galerista Georg Levin em 1912. Principais características: Pesquisa no domínio psicológico. Georgina de Albuquerque (1885-1962). ilustra um poema do simbolista Stéphane Mallarmé. Deforma-se a figura. 51 . autor de A Valsa e Bolero. trata-se de uma pintura dramática. à miséria humana. dá forma plástica ao amor. como O Farol. Na ópera. ao ciúme.compositor francês Claude Debussy (1862-1918). Utilizando cores patéticas. à prostituição. pioneiro do movimento. como em Pelléas et Mélisande. considerado marco do impressionismo musical. nas artes plásticas há tendências impressionistas em algumas obras de Eliseu Viscont (1866-1944). da música popular européia e da Idade Média. Uma das telas de Visconti em que é evidente essa influência é Esperança (Carrinho de Criança). ao medo. Prelúdio para a Tarde de um Fauno. A obra Debussy é marcada por sua proximidade com poetas do simbolismo. Outro grande nome é o francês Maurice Ravel (1875-1937). subjetiva. No Brasil. Seus quadros foram os primeiros nos quais o objeto representado se distancia totalmente do modelo original. Debussy rejeita o formalismo e a linearidade. “expressando” sentimentos humanos.

amarelos. Gaugin voltou com os pais para a França. em oposição a qualquer naturalismo. Começou assim uma vida de viagens e boemia. mas sim levá-los mais longe: Gaugin. Modigliani e James Ensor. e não faltam cenas que mostram. é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do Grupo Navis. Quando voltou a Paris.- Cores resplandecentes. As cores se entendem planas e puras sobre superfície. abruptos. verdes e violetas. representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida. depois de passar a infância no Peru. martelada. algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores. Preferência pelo patético. foi tão singular como a seus amigos Van Gogh ou Cézanne. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos. que mais do que um conceito artístico. Em 1887 entrou para marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. Principais artistas: Gaugin. . mais precisamente para Orleans. vibrantes. de sua paixão pelas nativas. Um erotismo natural. áspera. inesperados. Observação: Alguns historiadores. Dinamismos improvisados. os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas. Apesar disso. trágico e sombrio. 52 . empastando ou provocando explosões. quase decorativamente. em busca de novos temas. determinam para esses pintores o movimento “Pós Impressionista”. fundidas ou separadas. mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem. fazendo e refazendo. segundo conhecidos do pintor. que resultou numa produção artística singular e determinante das vanguardas do século XX. como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. Pasta grossa. o pintor parte para o Taiti. voltou ao Taiti. para se libertar dos condicionamentos da Europa. No ano de 1891. Munch. fruto. realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel. Também se destacam Toulouse-Latrec. Aos 35 anos tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Sua obra. Cézanne e Van Gogh. Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo. longe de poder ser enquadrada em algum movimento. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.

depois de internações e tratamento médico. em três meses apenas. Vicent Van Gogh. através da cor. Cézanne. declarando-se um colorista arbitrário. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelos críticos. que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna. nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. e também foi responsável pelos cartazes dos artistas que se apresentavam no Moulin Rouge. em maio de 1890. reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas. Boêmio. Obra destacada: Ivette Guilbert que saúda o público. uma cidade tranqüila ao norte da França. empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza. ele suicida-se. 1756 desenhos e dez gravuras. 53 . morreu jovem. Obras destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne. deixou Paris e foi para Arles. e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores.Obra destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga. para Anvers. Obras destacadas: Trigal com corvos e Café à Noite. pois elas tinham para ele a função de representar emoções. dirigiu-se. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua pintura. que era para ele o elemento fundamental da pintura. pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. Entretanto ele passou por várias crises nervosas e. onde passou a pintar ao ar livre. cidade do Sul da França. acentua-se cada vez mais. principalmente pela decisão de simplificar as formas dos seres. de tal forma que se torna impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos. Interessouse pelo trabalho de Gaugin. cones e esferas. sem nenhuma matização. sua tendência foi converter os elementos naturais em figuras geométricas. Toulouse-Lautrec. deixando uma obra plástica composta de 879 pinturas. como cilindros. Foi uma pessoa solitária. Em julho do mesmo ano. Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris. Em 1888. Nessa época. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras.

que respiram e sentem. Uma de suas obras mais importantes é “O Grito”. em 1863. numa referencia à frase do escritor: “. È um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. Kirchner. as cenas interiores pacificas. 1889. Em seu regresso. Passou seus últimos anos em Oslo. realizando trabalhos para a Ópera. Munch iniciou sua formação na cidade de Oslo. bem como cenas circenses e de variedades. na Noruega. e um ano depois tentou o suicídio. com os quais. mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. onde além de exposições. conduzem o olhar do observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador. e a linha diagonal da ponte. As linhas sinuosas do céu e da água. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos Independentes. influenciado pelo cubismo e fauvismo. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus. Pouco tempo depois se reuniu com os pintores Heckel e SchmidtRottluf em Berlim. Kirchner continuou sua formação na cidade de Munique. sofrem e amam”. Numa segunda viagem a Paris.a ponte que conduz ao super homem”). fundou o grupo Die Brücke (A Ponte. Seus quadros exerceram grande influência nos artistas do grupo Die Brücke. Em 1914 Kirchner foi convocado para a guerra. Munch foi um artista determinado a criar “pessoas vivas. foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu conceder às cores um valor simbólico e subjetivo. Noruega. motivados pela leitura de Nietzche. morou na Alemanha. na qual conheceu Gaugin. foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden. A partir de 1907. Perseguido pela tragédia familiar. A dor e o trágico permeiam seus quadros. começou a se especializar em gravações e litografias.. no ateliê do pintor Krogh.Munch. com o fim de manifestar sua verdadeira visão da realidade. Quando suas mãos se 54 . Nela a figura humana não apresenta suas linhas reais.. realizou cenários. longe das representações realistas. o pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por meio de contrastes agressivos. comuns na sua época. Toulouse-Lautrec e Van Gogh. Veio então a época em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e se dedicavam apenas ao que mais lhes interessava: pintar. que conheciam e admiravam sua obra. foi convidado a participar da exposição da Associação de Berlim. Recusou o banal. Nascido em Loten. Realizou uma viagem a Paris.

Além de sua obra pictórica. em 1940. Klee escreveu: “A cor. em sua casa ao pé dos Alpes. Convencido de que a realidade artística era totalmente diferente da observada na natureza. As formas cúbicas da arquitetura e os graciosos arabescos na terracota deixaram sua marca na obra do pintor. Entre eles merecem ser mencionados: “Anatomia de Afrodite. com quadros de caráter quase surrealista. Klee emigrou para a Suíça.considerado um dos artistas mais originais do movimento expressionista. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida. criados. Em 1933. em sua primeira viagem a Tunis. Klee estudou com o mestre Von Stuck em Munique. Sensivelmente influenciado pelos desastres da guerra. voltou a pintar ao ar livre. Sua última exposição em vida aconteceu em Basiléia. durante o nazismo. Em 1912 viajou para Paris. pode expressar ritmo e movimento”. Depois de lutar durante dois anos na primeira guerra. Kee deixou vários trabalhos escritos que resumem seu pensamento artístico. produto de uma profunda tristeza. para seis anos mais tarde. No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida. em 1931. Depois de uma viagem pela Itália. Paralelamente. Demônios. ver sua obra ser destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. que seria de vital importância para suas obras posteriores. seus quadros se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e agressivas. foi renomeado membro da academia de Berlim. A exemplo de Kandinski. em cima de “matéria e sonhos”. Paul Klee. onde se encontrou co Delaunay. mas antes apresentou suas obras em Paris. Klee juntou-se em 1924 ao grupo Die vier Blauen. como a forma. Mas a grande descoberta ocorreria dois anos depois. Suas obras mais importantes estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importante da Alemanha. entrou em contato com os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente uniu-se ao grupo de artistas do Der Blaue Reiter. este pintor dedicou-se durante toda sua carreira a buscar o ponto de encontro entre realidade e espírito.recuperaram do ferimento. 55 . Kirchner tentou mostrar em toda a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. segundo o pintor. começou a trabalhar como professor em Dusseldorf e mais tarde na escola da Bauhaus em Weimar. Iniciou uma fase de grande produtividade. Flores noturnas e Villa R”. na primeira exposição dos surrealistas.

juntamente com a dos mestres Cézanne e Van Gogh. onde teve aulas na academia de Colarossi. entre eles o russo Vassili Kandinski (Rússia). Emil Nolde. em Livorno.Amadeo Modigliani: iniciou sua formação como pintor no ateliê de Micheli. Nessa cidade travou conhecimento com os pintores Utrillo. Com cores quentes produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada. ativo de 1911 a 1914. Modigliani teve em comum com os cubistas e expressionistas o distanciamento das academias. Influenciados pelo cubismo e futurismo. pode-se muito bem dizer que sua obra. Paul Klee. Foram três as etapas que levaram o expressionismo ao amadurecimento: o primeiro o período da arte naif. que surgiram mais adiante no século XX. Apesar disso. Os do segundo grupo. Suas descobertas estilísticas foram decisivas para os movimentos plásticos. como os alemães Ernst Kirchner. Esse aspecto de máscara foi uma das constantes nos seus retratos e nus sensuais. em que se vislumbrou a importância da arte como meio de expressão dos 56 . Oskar Kokoschka. Picasso e Braque. se formou mediante uma intensa deformação e abstração das formas e uma acentuação de linhas e contornos. Os artistas do primeiro grupo. elegante. Produziu então suas primeiras esculturas motivadas pelas peças de arte africana. e Georges Rouault na França. Sua visão tão subjetiva dos seres humanos e a emotividade de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de expressionistas franceses. Sua visão totalmente pessoal e às vezes agressiva da realidade. recatada e ao mesmo tempo misteriosa. sua cidade natal. composto por Rouault e Soutine. Três anos depois se mudou para Paris. Grupos expressionistas: O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte). à dos gênios solitários. que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913. em Munique. são mais agressivos e politizados. voltam se para a espiritualidade. Frans Marc (Ale). pertence. e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Egon Schiele na Áustria. chegadas a França das colônias. Karl Schmidt – Rottluff e Max Pechstein. Uma das descobertas mais inovadoras foi a aplicação das teorias musicais à composição Plástica. para citar alguns. em Dresden. Em 1902 entrou na academia de Florença e um ano mais tarde na de Veneza. August Macke. a revalorização da cor e o estúdio das formas puras. Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá conheceu Juan Gris e Brancusi. tanto abstratos quanto figurativos.

O que mais se destacaram em suas obras foram a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. com a sobreposição de figuras. e a arquitetura é exclusivamente teórica. A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica. usavam as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. Com o expressionismo. com cenários fantasmagóricos. No Brasil: Nas artes plásticas. Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). do espanhol Pablo Picasso. Na América Latina. uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central. uma mulher presa em um edifício em chamas. A escultura expressionista é escassa. Para os expressionistas vienenses. o segundo. a principal característica foi a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. influenciados pelo cubismo e futurismo. A obra mostra sua visão particular da angustia do ataque. Cinema: os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas. o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. os temas centrais eram as paisagens de policromia exarcebada e o corpo humano sintetizado em poucas linhas. os períodos anteriores e posteriores à I Guerra Mundial. ao contrario. cujo tema principal foi a abstração das formas. conceitos como deformação da realidade. expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos princípios da arte. o tema central era o resgate do feio como novo valor estético. exagero na 57 . Na pintura. Anita Malfatti. os artistas mais importantes são Cândido Portinari.sentimentos humanos. Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi. Para o grupo Der Brüque(A Ponte). Contudo os princípios plásticos enunciados pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas artísticas que vão surgir mais adiante. voltaram-se para a espiritualidade. como um cavalo morrendo. Sua preocupação era reformular os temas impressionistas. que retrata o êxodo do Nordeste. Havia ainda uma realidade ainda mais importante: “a da visão subjetiva do artista”. e finalmente. denominado expressionismo puro. Não se preocupavam em imitar o modelo da natureza ou o objeto real. nos quais atuou como implacável critico da sociedade. no México os destaques são os muralistas como Diego Rivera. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. David Siqueiros e Jose Clemente Orozco.

com tramas bem construídas e lógicas. O nazismo. A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. O estilo é abstrato. Teatro: Com tendência para o extremo e o exagero. de Friedrich Mumau (1889-1931). Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. Eliot (1888-1965). A primeira peça expressionista é A estrada de Damasco (18981904). o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951). Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento. P irlandês James Joyce. que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem e critério do compositor. Literatura: O movimento é marcado por subjetividade do escritor. as peças são combativas na defesa de transformações sociais. a linguagem é direta. Em geral. simbólico e associativo. análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. que se criou a palavra robô. com frases curtas. traduzem as angustias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. Filmes como Nosferatu. Um exemplo é “O Gabinete do Doutor Caligari”.. de Robert Wine (18811938). Música: Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música.R. que domina a Alemanha a partir de 1933. S. do Sueco August Strindberg (1849-1912). que rompe definitivamente com o romantismo. acaba com o cinema expressionista. A partir de 1908. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire. Foi na peça expressionista R. e Metrópoles.U. do tcheco Karel Capek (1890-1938).interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem. autor do método de composição dodecafônica. de Fritz Lang (1890-1976). O enredo é muitas vezes metafórico. o inglês T. o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas. Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl 58 .

Características da pintura: Pincelada violenta. roxo ou qualquer outra cor. Raoul Dufy. O movimento foi liderado por Henri Matisse. queria fazer quadros que trouxessem bem-estar. alguns artistas foram chamados de fauves (em português = feras). poderia ser de um vermelho brilhante. inclusive Matisse. as sensações primárias. Quem lhes deu este nome foi o critico Louis Vauxcelles. todos franceses. em virtude da intensidade com que usavam as cores puras. Colorido brutal. no Salão de Outono.Stemnheim (1878-1942) e o norte americano Eugene O’Neill (18881953). As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares. espontânea e definitiva. FOVISMO: Primeiro movimento artístico importante do século XX. Usavam cores puras intensamente brilhantes e até pintaram objetos em cores muito diferentes de seu colorido natural. como saem das bisnagas. não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos. não correspondendo à realidade. Georges Rouault e Maurice de Vlaminck. Os princípios deste movimento artístico eram: Criar. brilhou como grupo de 1903 a 1907. A maioria deles. alegria e prazer. Os fauvistas não se preocuparam em expressar motivos morais. para um fauvista o tronco de uma árvore não precisava ser marrom. 59 . no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens. mas seu estilo influiu enormemente sobre muitos artistas posteriores. filosóficos ou psicológicos. A cor pura deve ser exaltada. sem misturá-las ou matizá-las. Ausência de ar livre. Como por exemplo. pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva. outros importantes fauvistas foram André Derain. Criar é seguir os impulsos do instinto. aproximadamente. em arte. Uso exclusivo das cores puras.pois estavam exposto um conjunto de pinturas modernas ao lado de uma estatueta renascentista. Em 1905 em Paris.

Dos pintores fovistas. Impressionista a principio. sem profundidade. CUBISMO: 60 . como de pessoas ou de naturezas-mortas. Seu estilo. Raoul Dufy. pintor francês. recorrendo a traços impulsivos e a pinceladas descontinuas para obter suas composições espontâneas. também. seus nus.” Por volta de 1900. pintor francês. ligou-se a Maurice de Vlaminck e Matisse. as técnicas do desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. (1877-1953). depois de travar contato com Matisse. ilustrador e litógrafo. retratos e naturezasmortas haviam adquirido uma entonação neoclássica. O que interessa é a composição e não as figuras em si. pintor francês. em 1908. com os quais se tornou um dos principais pintores fovistas. Após romper com o fovismo. André Derain. pintou figuras e paisagens em brilhantes cores chapadas. evoluiu gradativamente para o fovismo. não mudou. gravador e decorador francês. formando grandes planos. Nessa fase. Morreu um ano depois de receber o prêmio de pintura da bienal de Veneza. sofreu influencias de Cézanne e depois do Cubismo. tanto das figuras como das cores. desde então. foi o mais autêntico fauvista. dizia: “As cores chegaram a ser para nós cartuchos de dinamite. Contrastes tonais e a geometrização da forma caracterizam sua obra. nas suas pinturas ele não se preocupa com o realismo. Na década de 1920. (1869-1954). Principais artistas: Maurice de Vlaminck. com o gradual desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. escultor.” Adotou mais tarde estilo entre expressionista e realista. pintor. Abandonou assim a perspectiva. (1876-1958). que exploravam o sensualismo das cores fortes. (1880-1954). Henri Matisse. Foi. ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composição planas. dizia: “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis.- Pintura por manchas largas.

Decompondo-a em partes. vidro. metal e até objetos inteiros nas pinturas. essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. palavras. percebendo todos os planos e volumes. Não representa. procurando a visão total da figura. sob formas geométricas. perde sua função. do branco ao negro passando pelo cinza.Historicamente o Cubismo originou-se da obra de Cézanne. O claro-escuro. esferas e cilindros. os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar 61 . Renuncia à perspectiva. por um ocre apagado ou um castanho suave. Também chamado de colagem porque introduz letras. Representação do volume colorido sobre superfície planas. o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos. vendoos sob todos os ângulos visuais. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. Cores austeras. por cima e por baixo. números. Sensação de pintura escultórica. Essa fragmentação dos seres foi tão grande. CUBISMO SINTÉTICO: reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Principais características: Geometrização das formas e volumes. Entretanto. que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. Basicamente. mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. È como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade. Representa-os como se movimentassem em torno deles. essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. O Cubismo se divide em duas fases: CUBISMO ANALITICO: caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones. numa superfície plana. através de sua fragmentação. O pintor cubista tenta representar os objetos em tre dimensões. com o predomínio de linhas retas. examinando-a em todos os ângulos no mesmo instante. pedaços de madeira.

só que vistos com túnica de ouro. O expoente é o francês Guillaume Apollinaire (1880-1918).” Pablo Picasso “A arte não é a verdade. O resultado são palavras soltas. A linguagem é demonstrada em busca da simplicidade e do que é essencial para a expressão. como vimos anteriormente. e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. O cubismo manifesta-se ainda na arquitetura. também o mural Guernica. um artista que passou pela fase do cubismo analítico e sintético. é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos. se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade. são mais nítidas as fases: azul que representa a tristeza e a melancolia dos mais pobres. os princípios do cubismo aparecem na poesia. com veemente indignação. que representa. começa a elaborar a estética cubista que. Em 1907. “A obra de um artista é uma espécie de diário. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte. com a obra Lês Demoiselles d’Avignon. responsável pela morte de grande parte da população civil formada por crianças. escritas na vertical. restringe-se à pintura de cenários de peças e balés feitos por Picasso. o bombardeio da cidade espanhola de Guernica. tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por diversas fases. vê algumas de suas telas antigas novamente.” Pablo Picasso Braque. No teatro. Literatura. Depois de descobrir a arte africana e compreender que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com as tendências de determinados movimentos estéticos.efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere. especialmente na obra de Corbusier. por ocasião de uma mostra. que influencia toda a poesia 62 . despertando também no observador as sensações táteis. mas com uma liberdade muito maior. e na escultura. Quando o pintor. Entretanto. Principais artistas: Pablo Picasso. mulheres e trabalhadores. durante a Guerra Espanhola. sem a continuidade tradicional. A arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade. Podemos destacar.

contemporânea. FUTURISMO: Movimento artístico. Estudou em Paris. Seus princípios foram ponto de partida para a modernização da cultura italiana. Foi reconhecido também naquele país. Rego Monteiro: um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da estética cubista. Em 20/02/1909. A ela pertence a tela Abaporu. publicou o primeiro manifesto futurista. Seu programa político. Não há portanto. o jornal parisiense “Le Figaro”. e ele foi o primeiro grito exigindo uma arte contemporânea. pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. É o caso de Tarsila do Amaral. Destacam-se: Tarsila do Amaral: apesar de não ter exposto na semana de 22. torna-se precursor do concretismo. que ocorreu na Itália de 1909 a 1916. O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo governo. colaborou decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna brasileira. Anita Malfati e Di Cavalcanti. embora quase todos os modernistas sejam influenciados pelo movimento. depois da Semana de Arte Moderna. tem seus quadros dentro de alguns importantes museus. Também usou de temática social nos seus quadros como na tela Operários. cujo nome. para fazer a sociedade italiana despertar para a modernidade. segundo a artista é de origem indígena e significa “antropófago”. Em 1928 deu inicio a uma fase chamada antropofágica. assinado pelo poeta italiano Filippo Tomaso Marinetti. Ao dispor versos em linhas curvas. Pintar como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. sua vida alternou-se entre a França e o Brasil. academias de arte e Vaticano. suas bases eram totalmente revolucionarias. cubistas brasileiros. Obra destacada: Pietá. de grande repercussão social. Cubismo no Brasil: Só repercute no país. abordava o 63 . após a semana de arte moderna de 1922.

que. Não bastasse isso os futuristas.. Além disso como um objeto em movimento também perde a sua forma original. Repetiram essas fragmentações até saturar o plano.” Diante das obras futuristas. constroem a ação. e o militarismo como revalorização do sentido de pátria. Em linhas gerais. Carrà. Uma de suas propostas foi a divisão da cor. como: Balla. só consegue se deixar envolver por essas telas velozes e movediças. Mas não é. sem a soma de momentos que.. tiveram muito trabalho ao materializar sem cair nas antigas representações artísticas que tanto abominavam. nos quais assentavam as bases do que viria a ser a arte futurista: “a maquina como única expressão do dinamismo e a velocidade como novo sinal dos tempos”. transmitem a sensação de vertigem dos novos tempos. Esta teoria pode parecer familiar quando se pensa nos esforços que os impressionistas fizeram para captar a luz ou as cores num momento determinado. para transmitir uma sensação de movimento continuo. que também cheios de entusiasmos revolucionários. os futuristas. em conjunto. um dos maiores expoentes do movimento. os futuristas tentaram plasmar em suas pinturas a idéia de dinamismo. mais do que um prazer visual. Parece simples. qualquer objeto em movimento. o espectador. Boccioni. também se uniu a essa corrente. 64 . Russolo e Severini. também defendia a guerra como único meio de mudar um mundo antiquado e decadente. É mais do que sabido que. ousaram ainda mais. o estático. redigiram seus próprios manifestos.é que os futuristas aspiram à captação de um instante preciso na tela. “. é necessário fragmentar volumes e linhas. entendido como a deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação. Mas é exatamente ai que está a diferença na preposição dos futuristas. que tão bem souberam expressar suas teorias nos manifestos. a destruição das riquezas e a igualdade entre o homem e a mulher. O pintor Boccioni. é visto pelo observador como uma sucessão de linhas coloridas fugazes. O arquiteto Sant’Elia. amontoando-se umas sobre as outras. Marinetti contou com apoio incondicional de jovens pintores italianos do inicio do século.divorcio. teorizando sobre uma arquitetura caduca e transitória. com o que conseguiram alcançar um de seus maiores objetivos: a simultaneidade. que não sobrevivesse ao homem. O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais. nos quais as formas se repetiam.

nas artes plásticas. junto com Giorgio De Chirico. onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou de várias exposições. intitulado: “Cão na coleira ou Cão atrelado”. em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e tecnológicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas. que permita ao observador captar de uma só vez todas as seqüências do movimento. Um ano mais tarde. embora se possa afirmar sem dúvida que. Boccioni e Severini. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma. Enquanto ganhava seu 65 . A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso noturno de desenho de dois meses de duração. mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço. em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento. ele se separaria finalmente do futurismo para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. o futurismo foi uma arte eminentemente pictórica.fez suas incursões pela escultura. não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. Preocupado. na Academia Albertina de Turim. Embora em principio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas. juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Balla retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia. aprofundando a busca do dinamismo. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade. Principais artistas: Giacomo Balla. sua cidade natal. Cinco anos mais tarde fez uma viagem a Paris. Dissolvido o movimento. onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas Artes. Procura-se neste estilo expressar o movimento real. ou desintegração das formas. (1881-1966). mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas. com a situação da luz e a integração do aspecto cromático. Na volta a Roma. conheceu Marinetti. O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. embora sem chegar a uma total abstração. Carlo Carra. Mesmo assim. apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista. numa repetição quase infinita. como seus companheiros. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel.

freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera. 1919 e La Mia Vita. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens. A partir desse momento começaram a aparecer as referências cubistas em suas obras. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. Ao retornar. 1943”. entre eles “La Pittura Metafísica. desprezo pela representação naturalista. retornou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o poeta Marinetti.sustento como pintor-decorador. mas incorporando os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrarias. De lá se mudou para Londres. principalmente na obra de Cézanne. Nascido em Reggio di Calábria. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo Cubismo. por definição por definição suas obras mais futuristas. onde estudou em diferentes academias. São Petesburgo e Milão. indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados a pintura. no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado. Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista. Londres e Berlim. (1882-1916). publicou o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Publicou vários trabalhos. contratado para a decoração da Exposição Mundial. sua obra se manteve sob a influencia do cubismo. Boccioni mudou0se ainda muito jovem para Roma. No inicio mostrou-se interessado na pintura impressionista. onde se encontrou com Picasso e Braque. mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo. Modigliani e Picasso. Os retratos deformados pelas superposições 66 . Carra não deixou de comparecer às exposições futuristas de Paris. Foi com a intenção de procurar as bases dessa estética que ele viajou a Paris. influenciou a arte de seu país nas décadas de 1920 e 1930. Umberto Boccioni. Em suas últimas obras retornou ao Cubismo. do qual foi um dos principais teóricos. Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com Apollinaire. Pintor italiano. Em 1900 fez uma primeira viagem a Paris. Fez então algumas viagens a Paris. Ao voltar. Juntou-se a Giorgio De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica. entrou em contato com Carra e Marinetti e um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura. Em 1912. participou da primeira exposição futurista. Ao voltar. representante do futurismo e mais tarde da pintura metafísica. redigido pelo poeta italiano e publicado no jornal Le Figaro. em Milão.

como num pseudofotograma. Durante a Primeira Guerra Mundial.de planos ainda não conseguiam expressar com clareza sua concepção teórica. Principal artista: 67 . sem que. tende à simetria e a linha é sempre figurativa. Características gerais: Composições planas. bidimensionais. portanto. das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. mesmo nesses casos. escultura Futurista. de uma criação totalmente subjetiva. o artista naif é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras. Não existe perspectiva geométrica linear. existem os realmente marcantes e outros nem tanto. Um ano mais tarde. sem nenhuma referencia cultural. Esse isolamento situa o art naif numa faixa próxima à da arte infantil. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos. Não se trata. muito embora. Morreu dois anos depois. se confunda com elas. com sua obra “Dinamismo de um jogador de futebol”. Assim. nem tampouco no conceito de arte popular. portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. na cidade de Verona. Dinâmico Plástico” (Pintura. seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros. no entanto. Art naif (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. da arte do doente mental e da arte primitiva. em 1916. Scultura Futurista. Dinamismo Plástico). ARTE NAIF: É a arte da espontaneidade. da criatividade autêntica. como numa arte mais intelectualizada. nem nas tendências modernistas. Pinceladas contidas com muitas cores. Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos desordenados. Claro que. o pintor se alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro “Pittura. O artista naif não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa. do fazer artístico sem escola nem orientação.

Guillaume Apollinaire. perpassado de inquietações metafísicas.Henri Rousseau. após despertar a admiração de Alfred Jarry. seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo. pintor italiano. solitários. Também usada nas suas obras “manequins. “Um dia de carnaval”. pintor italiano. que precisam simbolizar a estranheza do ser humano diante do seu meio ambiente. Tem inspiração na Metafísica. no Salão dos Independentes. Conferiu imobilidade e transparência de formas recorte intimista e 68 . muitas vezes com a inclusão de estátuas. frutas. idealizadas. A pintura metafísica explora os efeitos de luzes misteriosas. em arcadas e arquiteturas puras. PINTURA METAFÍSICA: A pintura deve criar uma impressão de mistério através de associações pouco comuns de objetos totalmente imprevistos. constitui um caso singular: puçás vezes um artista alcançou tão rapidamente a fama para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um esquecimento quase absoluto. legumes. principal representante da pintura metafísica. numa transfiguração toda especial. onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente. sombras sedutoras e cores ricas e profundas. Em sua primeira exposição foi acusado pela critica de ignorar regras elementares de desenho. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. irreais e enigmáticos. Pablo Picasso. Giorgio Morandi. homem de pouca instrução geral e quase nenhuma em pintura. em curiosas perspectivas divergentes. Notável por suas naturezas-mortas em que buscava a unidade das coisas do universo. (1844-1910). e de empregar as cores de modo arbitrário. As suas obras retratam cenários arquitetônicos. de plástica despojada e escultural. Estreou com uma original obra-prima. Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas. nascido na Grécia. manequins. nus ou vestidos à moda clássica. (1888-1964). (1890-1964). Nos primeiros anos do século XX. composição e perspectiva. enigmáticos e sem rosto”. ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural. De Chirico. Principais artistas: Giorgio De Chirico.

Reinterpretou o cubismo a sua maneira. teriam sido convocados para o serviço militar. filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar as destruição da Europa. num dicionário alemão-francês. Politicamente.atmosfera de luz cinza-clara. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan. Principais artistas: Marcel Duchamp. DADAÍSMO: Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que. adquiriram a condição de objeto de arte. sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Durante a Primeira Guerra Mundial. inventou mecanismos ópticos. o Dada foi um movimento de negação. para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional). se tivessem permanecido em seus respectivos países. religião. objetos escolhidos ao acaso. o Dadaísmo defende o absurdo. firma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra. selecionado e combinando elementos por acaso. pintor e escultor francês. interessandose pelo movimento das formas. a desordem. O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921. Sendo a negação total da cultura. artistas de várias nacionalidades. assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. antes do surgimento do grupo Dada (Zurique. e que. Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências. 69 . exilados na Suíça. Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico. garrafas.1916). O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte.caixas e lâmpadas velhas. eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de “Fonte”. o caos. (1887-1968). Depois fez interferências (pintou bigodes na Monalisa. às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos. Esse nome escolhido não fazia sentido. Criou os ready-mades. após leve intervenção e receberam um titulo. a incoerência.

François Picabia. como cubismo. pintor alemão. Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do inicio do século XX. 70 . criando técnicas em pintura e escultura. No Dadaísmo contribuiu com colagens e fotomontagens. como a madeira de veios salientes. Max Ernest. abandonou a abstração pura que praticava por anos e criou pinturas baseadas na figura humana. até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo. de índole satírica. esteve envolvido em outros movimentos artísticos. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rigorosa. Suas primeiras pinturas cubistas. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas. Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada. composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema. Informalismo: predominam os sentimentos e emoções. O pintor russo Kandinski foi o primeiro artista propriamente abstrato. desde a mais sensível até a intelectualidade máxima. e esfregar um lápis de cor ou grafite. surrealismo e dadaísmo. Quando a significação de um quadro depende especialmente da cor e da forma. com a superposição de formas lineares e transparentes. As cores e as formas são criadas livremente. ABSTRACIONISMO: A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro. (1891-1976). eram mais próximas de Léger do que de Picasso. adepto do irracional e do onírico e do inconsciente. são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam umas nas outras. entre as linhas e os planos. ela passa a ser abstrata. as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. pintor e escritor francês. (1879-1953). O abstracionismo apresenta várias fases. entre outros. Na Alemanha surge o movimento denominado “Der Blaue Reiter” (O cavaleiro azul) cujo fundadores são Kandinsky e Frans Marc. Depois de 1927. quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível.

de conteúdo simbólico e gestual. É o caso dos neoplásticos da Holanda.Uma arte abstrata que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. lá se fundou a American Abstracts Artists. mas agora sob a ideologia das novas filosofias existencialistas. deixaram entusiasmados os jovens artistas americanos. O fato de os artistas mais representativos da arte moderna européia terem se mudado para os Estados Unidos. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas. a cor e a linha. com uma atitude totalmente animista e subjetiva diante da obra. que parte de Kandinski. totalmente independente da visão subjetiva. conseguindo variações espaciais e formais na pintura. que entendiam a atuação do artista como um compromisso vital com uma sociedade devastada e desolada pelo terror e pela violência. entre outros. precursora da vanguarda expressionista abstrata. ou o grupo Dau al Set. sensível e emotivo. o suprematismo de Malevitch e o cosntrutivismo russo. convidados pelas universidades. Com a forma. Estes elementos da composição devem ter uma unidade de harmonia tal qual uma obra musical. e mais tarde por Bacon. Kline. representado pelas formas e cores puras. e evolui na obra dos expressionistas americanos: Pollock. De outro lado. A arte abstrata encontrou finalmente seu lugar nas galerias e coleções de uma sociedade moderna e pujante. foi muito significativo para a difusão da arte abstrata. principalmente depois de superada a crise da depressão dos anos 30. sem relacioná-los a lembrança do mundo interior. como o informalismo. como Mondrian ou Van Doesburg. Enquanto isso. Eles querem um expressionismo abstrato. Também devem ser encluidas aqui as obras de Vsarely e Cruz-Diez. 71 . Também estão nesta categoria as vanguardas do pós-guerra europeu. através das tonalidades e matizes obtidos. Duhuffet e Millares. representado por Fautrier. que a partir do cubismo evolui para um racionalismo matemático. Donos de galerias e colecionadores apoiaram o desenvolvimento dessas novas tendências e gerou-se um mercado do artístico dinâmico. desenvolve-se a pintura abstrata geométrica. Pintura: De um lado a pintura abstrata lírica. a Europa do pós-guerra retomou a s tendências abstratas. no qual se inclui o pintor Tapies. durante a Segunda Guerra Mundial. De Kooning e Motherwell. o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores. Muitos deles.

sob a influencia deste. que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. em Munique. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas Artes de Liège. em favor da representação das formas geométricas puras.Escreveu livros como em 1911. mais racionais. consideradas uma síntese das formas orgânicas. com exceção do dadaísmo. explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Por isso. Franz Marc. ou as simbólicas. Do ponto e da linha até a superfície. atravessou uma curta fase fauve e expressionismo. Os nazistas destruíram várias de suas obras. e em 1926. na Stãdtische Galerie im Lembachhaus. no entanto. apaixonado pela arte dos povos primitivos. Escultura: A escultura abstrata se caracterizou pelo afastamento dos moldes naturalistas. embora se faça referencia a artistas dedicados principalmente à escultura. já que o tridimensional se desenvolveu a partir da combinação de materiais completamente alheios aos que a escultura havia conhecido até então. pintor alemão. A admiração pelos futuristas italianos imprimiu nova dinâmica à obra de Marc. falar de peças. convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. e no Guggenheim Museum. pintor russo. no Walker Art Center. houve muito outros que fizeram experiências 72 . como Henry Moore ou Constantin Brancusi. objetos e instalações. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de “Arte Degenerada”. Em Basiléia. o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais. conheceu Kandinsky. em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores.Principais artistas: Wassilly Kandinsky. Sobre o espiritual na arte. em Nova York. Em Minneapolis. (1866-1944). no Kunstmuseum. A partir da arte abstrata o limite entre escultores e pintores se dissolveu ainda mais. antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo. (1880-1916). É preciso. das crianças e dos doentes mentais.

Matisse. Barnett Newman. A exemplo da pintura. para diferenciar a abstração sensual de Pollock. com as mais importantes dos séculos passados. as cidades passaram por uma renovação estética em que as novas peças de arte abstrata se integraram.interdisciplinares. Ad Reinhardt. Quanto à escultura racionalista. como os neoplásticos holandeses ou os minimalistas americanos e ingleses. 73 . agrupou todos os artistas que ainda buscavam a representação da subjetividade humana e de seu próprio simbolismo interno. a reduzir a função da escultura á mera ocupação do espaço. nem os fecham ou isolam. Nas suas pinturas. mágico. Em 1955 num ensaio intitulado “American Type Painting”. dividem mas não separam pontos. que possibilitam sua classificação. a imagem torna-se um acontecimento ritual. em praças e calçadas. ela se caracterizou pelo rigor de suas formas volumétricas. utilizando-as na decoração urbana. com os mecenas do renascimento. Na escultura abstrata surgiram correntes diversas. diferente de tudo o que tivesse existido. como os neo-abstratos. elas delimitam mas não limitam”. a escultura abstrata chega ao auge graças ao interesse que despertou em marchands e colecionadores e aos programas estatais que deram aos artistas oportunidade de popularizar suas obras. A escultura orgânica. sem abandonar totalmente as formas figurativas. Perseguiram um ideal de pintura absoluta. Clement Greenberg empregou a expressão “Painting Field” (campo colorido. sagrado. de Kooning e de Gorky. que tem seus antecedentes mais imediatos no dadaísmo. Outros abstracionistas: Com influencias de Malevich. A sua pintura era contraria à Action Painting. pretendendo intervir psicologicamente nos espectadores. Clyfford Still. Artistas mais representativos: Mark Rothko. chegando em alguns casos. de W. também conhecida por Pintores em campo da cor). das superfícies planas. Como ocorreu antes. Mondrian e Kandinski. muitas vezes de acordo com as da pintura. de cromatismo simplificado e vibrantes do abstracionismo: ”As margens das grandes telas de Newman fazem o mesmo papel que as linhas interiores das formas. Mark Tobey.

que. com uma pintura socialmente empenhada e polemica com deformações grotescas de imagens figurativas. Lucio Fontana. Hans Hartung. italiano. o gestualismo revelou-se mais moderado. carvão. Lencillo. Manolo Millares. com uma constante preocupação de resolução do espaço nas suas obras. também espanhol. reflexivo e diluído em vários campos do que o da Action Painting dos Estados Unidos. pintor alemão que desenvolveu a gestualidade e a linguagem do inconsciente. e etc. Schulze Wols. matérias lamacentas. pintor experimentalista e “espacialista”. crianças e doentes mentais. giz. Artistas mais representativos: Europa: Jean Duhuffet. que ainda hoje continua a realizar pinturas de base matérica e influencia Zen. italiano que realizou uma pintura de pesquisa com materiais diversificados e invulgares. Francis Bacon. Alberto Burri. aderiu ao “sentido misterioso” da matéria bruta. pintor francês que inventou a “arte bruta” com origens na arte primitiva e que pretendia abarcar todas as expressões artísticas não reconhecidas oficialmente como as obras de videntes. Karell Appel. italiano de origem Argentina. grotescos. usando como materiais alcatrão. como uma obra essencialmente de “retratos” gestualmente deformados. importante pintor britânico. um dos raros escultores informalistas. Antonio Saura. um dos fundadores do grupo expressionista abstrato COBRA.Na Europa. importante pintor espanhol. Georges Mathieu. primitivos. holandês. em obras de cerâmica e terracota. areia. Antoni Tápies. 74 .

que levou o abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. A problemática dessa composição seria novamente abordada no “Quadro branco sobre fundo branco”. Antonio Charrua e Rogério Ribeiro. Adolph Gottlich. triângulos e a cruz. podemos inserir os pintores Fernando Lanhas. defendia a supremacia da sensibilidade sobre o próprio objeto. Principal artista: Kazimir Malevitch. pintor russo. SUPREMATISMO: É uma pintura com base nas formas geométricas planas. EXPRESSIONISMO ABSTRATO: Termo anos 20 com Wassily Kandinski (Cavaleiro Azul). círculos. hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York. Arshile Goricy. O manifesto do Suprematismo. Philip 75 . compõe-se apenas de dois quadrados. O “quadrado negro sobre o fundo branco” construiu uma ruptura radical com a arte da época. foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos. Antonio Sena. João Vieira. grupo de artistas norte americanos: William Baziotes. sem qualquer preocupação de representação. um dentro do outro. Joaquim Rodrigo. bem como algumas fases de Nadir Afonso. Mais racional que as obras abstratas de Kandinsky e Paul Klee. reduz as formas. Os elementos principais são: retângulos. foi um dos principais integrantes do movimento futurista em seu país. Pintado entre 1913 e 1915.Em Portugal dentro do variado leque de expressões artísticas do informalismo. Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre o campo negro. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais. considerado o introdutor do abstracionismo em Portugal. Julio Resende. com os lados paralelos aos da tela. fundador da corrente suprematista. poeta russo. Willen De Kooning. Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e perceptivas entre a forma e a cor. João Hogan. destruídas de toda sensualidade. Anos 40 e 50. assinado por Malevitch e Maiakoviski. nas variações ambíguas de fundo e forma. (1878-1935). Menez. à pureza geométrica do quadrado. 1918. Eurico Gonçalves.

(abstração orgânica). perda de fé e nas ideologias. Astecas. tela no chão gotejando tinta. 76 . Ad Reinhardt.” American – Type paining”. A análise junguiana. “energia e movimentos”. As exposições nos EUA.Y. tema constante na obra de Pollock. Anos 50. (Jack o respingador). Arshile Gorky para Breton surrealista. Os surrealistas André Breton. Clyfford Still e Mark Tobey. A arte e o artista eram exaltados. Franz Kline. Jackson Pollock. nutriu sua pintura (míticas. Dada e Surrealismo. por seu potencial simbólico e romântico. Mark Rothko. anos 50. apresentavam influências das vanguardas Européias(Fauvismo. O termo foi introduzido pelo critico Robert Coates em 1946. Paisagem americana. Complementadas por novas gerações de mestres como: Hofman ( Esc. De Belas Artes Hans Hfman.Yves Tanguy e Max Ernest. arte de engajamento existencialista. Pollock. existência de um “inconsciente coletivo”. interesse maior pela psicanálise junguiana. forma. Para eles o verdadeiro tema da arte eram as emoções interiores do homem. sacerdotes. influenciado por Kandinsky e M iro. alhares. especificamente nas imagens da “pin-up americana”. textura. mais conhecido pela atenção que dava a figura humana. cor. nas pinceladas violentas De Kooning e nas formas ousadas de Klive.”. imagens labiritimicas. O mais conhecido Jackson Pollock. totem e xanãs). 1934). “série mulher”. De Kooning também pintou abstratos biomórfica. (formas biofórmicas). Action paining: criado por Harold Rosemberg. Lee Krasner. 1952 – Engajamento corporal – Pollock. Por crescer sob grande depressão II Guerra mundial. Roberto Matta. filme e fotos. exploraram gestos. Barnett Newman. Cubismo. expressada na pintura de Clyfford Still e Barnett Newman. outros títulos: Escola de N. Africanos e índios americanos). pode ser considerado o 1º expressionismo abstrato. Hans Hofmann. Robert Motherwel. “Action pining” e “color field paining”. submeteu 2 anos 1939/41 de análise junguiana.Guston. Momento decisivo do movimento expressionismo abstrato. André Masson.

Aaron Siskind. Anos 40 E 50. Para Rothko: “emoções básicas”. Afirmamos que o tema é fundamental e só é valido quando se mostra trágico e temporal” Em 1948. (nossa pintura não era abstrata.Mark Rothko: obra madura. O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda 77 . Newman Theodore Roszak e David Smiyh (principal). Capela Rothko. “Minimalismo” e “arte performática”. foi promovida por vários críticos. 1951. guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais. Para Newman: “a busca do significado oculto da vida” De Kooning: “pôs alguma ordem em nós” Motherwell: “desposar o universo”. o movimento alcançou reconhecimento institucional com a exposição Pintura e Escultura abstrata nos EUA (MOMA NY). DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO. a pintura e a escultura são pensadas como construções. mais do que ilustra-los”. “O tema dos artistas” foi fundado por Baziotes. Para Still: “apenas eu e não a natureza” Para Pollock: “Expressa meus sentimentos. executada no auge do continuísmo americano. Motherwell. fotografia abstrata. (espiritualidade e convite à contemplação). Hare Ibram Lassaw. GOTTILIEB E NEWMAN. Reuben Nakiam. entre eles Harold Rosemberg e Clement Greemberg. reconhecimento internacional. arte religiosa. e não como representações. Rothko e o escultor Davi Hare. Expressionismo Abstrato. procedimentos e objetivos. Escultores: Herbert Ferber. exposição itinerante (MOMA 1958/9). mas repleta de temas). CONSTRUTIVISMO: Para o construtivismo. Diferentes aspectos do expressionismo abstrato alimentaram movimentos variados como: “abstração pós-pictórica”. Seynour Lipton. “Não existe essa coisa de uma boa pintura sobre o nada. a Arte Expressionista Abstrata.

sobretudo. A consideração das especialidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com os outros movimentos de caráter construtivo na arte. de diferentes modos. no Monumento à Terceira Internacional. que se coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do povo. no Cubismo. Das pesquisas iniciais. o De Stiil (O Estilo). mas nunca executado. A ideologia revolucionaria e libertaria que impregna as vanguardas em geral. exposto em 1920. seria erguido no centro de Moscou. em 1911. Os irmãos Antoine Pevsner (18861962) e Naum Gabo (1890-1977). na Alemanha. Theo van Doesburg (1883-1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas. por exemplo. Sua perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Sergei Eisenstein (1898-1948). adquire feições concretas na Rússia. em estreito diálogo com as pinturas abstratas e geométricas de Malevich. de Tatlin. que agrupa Piet Mondrian (1872-1944). sobre os relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953). De ferro e vidro.russa e a um artigo do critico N. o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wassili Kandinsky (1866-1914) no Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). A nova sociedade projetada no contexto revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova. signatários do Manifesto Realista de 78 . a produção artística deveria ser funcional e informativa. Punin. que ocorrem no primeiro decênio do século XX. concebida para ser também uma antena de transmissão radiofônica. Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883-1959) para o Palácio do Trabalho e para o jornal Pravda e. diante da revolução de 1917. As discussões sobre a função social da arte provocam fraturas no interior do construtivismo russo. Afinal. escultura e arquitetura) para um propósito utilitário”. de 1913. no Dadaísmo e no Futurismo italiano. encontrado posteriormente na fotografia um meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. também na Rússia. A obra de Alexander Rodchenko (1891-1956) é outro exemplo de atualização do programa construtivista e produtivista russo. e o Suprematismo. fundado em 1915 por Kazimir Malecich (1878-1935). a gigantesca espiral giraria sobre si mesma. o artista passa às construções tridimensionais por influencia de Tatlin. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes. é descrita pelo artista como “união de formas puramente plásticas (pintura. criado em 1917.

A ruptura neoconcreta estabelecida com o manifesto de 1959. recusam um programa social e aplicado da arte. em tendências abstratas. no manifesto Arte Concreta. Na década seguinte. lembrando as criticas de Gabo ao monumento de Tattlin. Marcas da vanguarda russa podem ser observadas no movimento concreto de São Paulo. Ferreira Gullar (1930). redigido por Van Doesburg. as professadas pelo grupo Cercle et Carré. em particular. na França. Grupo Ruptura. 79 . O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos ideais estéticos da vanguarda russa que vão impactar a Bauhaus na Alemanha. criado em 1917. sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner. quando o regime soviético começa a manifestar seu desagrado com a pauta construtivista. em geral. Lygia Pape(1927-2004). CONCRETISMO: A arte concreta deve ser compreendida como parte do movimento abstracionista moderno. O termo arte concreta é retomado por outros artistas. e no Brasil. Franz Weissmann (1911-2005). ex-aluno da Bauhaus. nos Paises Baixos. com raízes em experiências como a do grupo De Stiil (O Estilo). a defesa oficial de uma estética “realista” e “socialista” representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal dos construtivistas. que reúne Amílcar de Castro (1920-2002). do dialogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais. Não são pequenas as influencias do construtivismo na América Latina. em Paris. não afasta as influencias do construtivismo russo. Em 1922. Lygia Clark (1920-1988). o De Stiil. Theo van Doesburg (1883-1931). Grupo Frente. com novos matizes. popularizando-se com Max Bill (1908-1994). A abstração geométrica testada pelo grupo holandês ecoa. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata. na Holanda por Piet Mondrian (18721944). como Vassili Kandinsky (1866-1944) por exemplo. Pevsner e Gabo deixam a União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS. Gabo será um dos editores do manifesto construtivista inglês Circle de 1937. como vidro e o plástico. Gernit Thomas Rietveld (18881964).1920. por exemplo. e o grupo Abstracion-Création (abstração-criação). em 1930. no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). em defesa de uma morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de Malevich. Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanuds (1915). e no Rio de Janeiro. fundado em 1929 pelo critico Michel Seuphor (1901-1999) e o pintor Joaquim Torres Garcia (1874-1949). Entre outros.

dando continuidade ao projeto Bauhaus. O quadro construído exclusivamente com elementos plásticos. uma cor. são sintomas da atenção despertada pelas novas linguagens pictóricas. mas evidencia estruturas. Bill é o principal responsável pela entrada desse ideário plástico na América Latina. Da pauta do grupo fazem parte também pesquisas sobre percepção visual. e passível de ser aprendida de múltiplos ângulos. Os Suíços. da arqwuitetura e dos relevos. uma superfície”. Richard Pall Lohse. A noção de arte concreta visa rediscutir a linguagem plástica moderna. afirma Van Doersburg. A exposição do artista em 1951 no MASP e a presença da delegação suíça na 1º Bienal Internacional de São Paulo. mais concreto do que uma linha. Max Bill explora essa concepção de arte concreta defendendo a incorporação de processos matemáticos à composição artística e a autonomia da arte em relação ao mundo natural. Do ângulo das artes visuais. que alteram a paisagem urbana. especialmente no Brasil e Argentina. realizada no MAN/SP. alimentados pelo surto industrial e pela pauta desenvolvimentista. pela participação do artista nos vários setores da vida urbana. fundada por Max Bill em 19851 na Alemanha. Cidades com o Rio de Janeiro e São Paulo iniciam processos de metropolização. que falam por si mesmos. especialmente Max Bill. É importante lembrar nessa direção as 80 . que são amplamente exploradas a partir de então. na 1º Bienal. Os prêmios concedidos à escultura “Tripartida” de Max Bill e a tela “formas” de Ivan Serpa. recolocam o problema bidimensionalidade do espaço pictórico introduzido pelo cubismo ao definir o quadro como suporte sobre o qual a realidade é reconstruída. e a defesa da integração da arte na sociedade. não tem outra significação se não ele próprio. O impacto das representações estrangeiras na bienal se relaciona de perto côas modificações verificadas no meio social e cultural brasileiro. planos e cores. Verena Loewensberg. com o anúncio das novas tendências não figurativas. após a segunda guerra mundial. A obra de arte não representa a realidade. A pintura concreta é “não abstrata”. Assim com os concretos a pintura se aproxima de modo cada vez mais radical da escultura. a criação dos museus de arte e de galerias criam condições para a experimentação concreta nos anos 1950. ênfases Hochschule für Gestaltung – HFG (ESCOLA SUPERIOR DA FORMA). “pois nada é mais real.Os princípios do concretismo afastam da arte qualquer conotação lírica ou simbólica. planos e conjuntos relacionados. abrem as portas do país para as novas tendências construtivas.

Ivan Serpa. Abraham Palatinik (1928) e Ruben Ludolf (1932). Calder no MASP. no MASP em 1950. 81 . Criado por Anatol Wladyslaw (1913-2004). Resulta às linhas verticais e horizontais e as cores puras (vermelho. Féjer (1923-1989). Geraldo de Barros. o grupo propõe em seu manifesto a “renovação dos valores essenciais das artes visuais”. Décio Vieira (1922-1988). Do Figurativismo ao Abstracionismo. somente do grupo Concreto Paulista. Elisa Martins da Silveira (1912-2001). formam o Grupo Frente. editada pelos irmãos Haroldo de Campos (1929-2003) e Augusto de Campos (1931) e Décio Pignatari (1927). em São Paulo. NEOPLASTICISMO: Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a composição resulte apenas e expressão de uma concepção geométrica. e maior ênfase na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. Leopold Haar (1910-1954). efetivada em 1959. em 1954. São Paulo.exposições 19 Pintores. no MAM/SP. João José da Silva Costa (1931). 1957. o grupo concreto carioca prega a experimentação de todas as linguagens. em 1949. Os desdobramentos da arte concreta na poesia se evidenciam em São Paulo pelo lançamento da revista Noigandres. de Geraldo de Barros (1923-1998). e pelo corte com certa tradição abstracionista anterior. inicio da ruptura neoconcreta. O ano de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura marcam o inicio oficial do movimento concreto em São Paulo. em 1949. ainda que no âmbito não figurativo geométrico. por meio das pesquisas geométricas. alunos do curso de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. na Galeria Prestes Maia. pela proximidade entre trabalho artístico e produção industrial. e Fotoformas. Lothar Charoux (1912-19887). Luiz Sacilotto (1924-2003). À investigação paulista centrada no conceito de pura visualidade da forma. Lygia Clark (1920-1988). e Rio de Janeiro. Carlos Val (1937). Lygia Pape (1927-2004) e Vicent Ibberson. 1956. Franz Weissmann (1911-2005). em 1952. o grupo carioca opõe uma articulação forte entre arte e vida. tendo como teóricos os críticos Mario Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930). e ao qual aderem em seguida Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939). No Rio de Janeiro. Fundado por Aluisio Carvão (19202001). A. que afasta a consideração da obra com “máquina” ou “objeto”. liderado pelo artista critico Waldemar Cordeiro (1925-1973). As divergências entre Rio e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional de Arte Concreta. Emil Baruch (1920).

Mondrian foi para New York. despojado de todo excesso da cor. pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico. políticas criaram clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. baseado nas proporções matemáticas ideais. Essas superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico. onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras negras e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. pesquisa e consegue um equilíbrio perfeito da composição. o que vale é o impulso psíquico. O artista utiliza como elemento de base. continua simplificando suas formas até conseguir um resultado. Em 1940. uma superfície plana. Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na realidade. Ele procura. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas. assinado por André Breton em outubro de 1924. (1872-1944). Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente. retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco. SURREALISMO: Nas duas primeiras décadas do século XX. É a série dos quadros boogie-woogie. 82 . marcou historicamente o nascimento do movimento. Principal artista: Piet Mondrian. da linha ou da forma. O ângulo reto é o símbolo do movimento. entre as relações formais de um espaço estudado. Depois de haver participado da arte cubista. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal. pintor holandês. sendo rigorosamente aplicado à arquitetura. no ponto onde a razão humana perde o controle. A publicação do Manifesto do Surrealismo. sem o freio do espírito critico.azul e amarelo).

os surrealistas tentavam plasmar. Período dos sonhos. Hans Arp e André Masson. enquanto Dali. ambos métodos da psicanálise freudiana. expresso na filiação de seus lideres ao comunismo. situada no plano do subconsciente e do inconsciente. ou seja. Os surrealistas pretendiam. A fantasia. qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle. desenvolveram o surrealismo simbólico.Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições. A livre associação e a análise dos sonhos. e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos. de um certo figurativismo. há dois métodos propriamente surrealistas: o automatismo rítmico (se pintava seguindo o impulso gráfico) e o automatismo simbólico (fixação das imagens subconscientes de maneira natural). Na América Latina. se empenhou na formação de grupos surrealistas em toda a Europa. se os dadaístas propunham apenas a destruição. 1928. com adesão de grupos americanos. seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas. dessa forma. obtida através de diferentes procedimentos de automatismo. os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas. atingir uma outra realidade. Principais artistas: 83 . transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo. O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. a ser organizada em outras bases. embora aplicados a seu modo. embora sejam mais radicais. os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova. Por meio do automatismo. representado pelas obras da natureza simbólica. No entanto. representaram o surrealismo orgânico. 1930. Período de difusão. destacou-se Frida Kahlo e Wilfredo Lam entre outros. as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente. Destacam-se 3 períodos importantes: 1924. Miro. Segundo Breton. Magrite. Chagal e Marx Ernest entre outros. Período do compromisso político.

onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses. 1942. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. é sem duvida o mais conhecido dos artistas surrealistas. Bretton falava dela como o Maximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. Dois anos depois adquiriu forma La masia. Artaud e Lial. Segundo ele. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira.Salvador Dali. é preciso “construir para o total descrédito da realidade”. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud. Nessa época. Ele criou o conceito de “paranóia critica” para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para Montroig). Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis. entre os quais estavam Masson. Estudou em Barcelona e depois em Madri. sua mulher. obra fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miro demonstrou uma grande precisão gráfica. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Gorgio De Chirico. Ao voltar. fez uma viagem para a América. Obra destacada: Mae West. Leiris. cineasta. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. embora continuasse viajando. Joan Miro. exmulher do poeta e amigo Paul Éluard. na Academia de San Fernando. de grande importância ao longo de toda a sua obra. onde se formara um grupo de amigos pintores. data de 19298. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. que fez com Buñuel. Instalou se ateliê em Roma. em cujo grupo militou durante algum tempo. Finalmente aderiu ao surrealismo. Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali. O filme “O Cão Andaluz”. onde publicou sua biografia “A Vida Secreta de Salvador Dali”. A partir daí sua pintura mudou radicalmente. Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud. A famosa magia de Miro se manifesta nessas telas de traços 84 . se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala. em Barcelona. iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja. junto com seu amigo Luis Buñuel. fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas.

Miro também se dedicou à cerâmica e a escultura. Para seu conhecimento: “O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do manifesto do surrealismo de André Breton. No mesmo manifesto. ou as combinações de objetos de Miro. a Sociedade dos Artistas Abstratos. Exemplo claro do culto ao objeto. seja verbalmente. no limite entre a ironia e a perversão. foi a exposição de Objetos Surrealistas de 1936. os surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais diferentes. Características da Pintura: 85 . Prova disso foram o engenhoso telefone-lagosta. fundouse nos Estados Unidos. nas quais extravasou suas inquietações pictóricas. embora se apresentem de forma amistosa ao observador. produto das associações inconscientes de seus atores. ACTION-PAINTING: Ou pintura de ação gestual. Alguns de fácil interpretação e outros complexos. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas. Escultura: deve-se falar em objetos retirados de seu contexto. Em 1937. animais e minerais) e os de uso cotidiano. Destaca-se os objetos surrealistas. No inicio falavam de dois tipos de objetos: os naturais (vegetais. criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 e 1950 faz parte da arte Abstrata americana. o funcionamento real do pensamento”. mas difíceis de serem elucidadas.nítidos e formas sinceras na aparência. francês que lançou o movimento). seja de qualquer outra maneira. chegando à criação de um estilo original. privados de sua funcionalidade. de Dali. Nela se representaram as mais extravagantes combinações. para expressar as necessidades mais intimas do homem. seja por escrito. Obra destacada: Noitada Esnobe da Princesa. Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir. tentavam abrir a imaginação do espectador para a multiplicidade de relações existentes entre as coisas.

vidro moído. 1935 e Mario Gruber. teve como principais representantes Asger Jorn. 1949 e da criação da Bienal Internacional de São Paulo. gotejando (dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente. encontra praticantes em Tomie Ohtake (1913-). Maria Bonomi. sigla de CopenhagueBruxelas-Amsterdã. Outros impulsos vêm da fundação dos Museus de Arte Moderna de São Paulo. em telas enormes. Karel Appel e Pierre Alechinski. com resultados extraordinários e fantásticos. misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo e textura. (1912-1956). Posteriormente artistas como Flavio Shiró. A abstração “gravação de Iberê Camargo”. Destruição dos meios tradicionais de execução. praticam a abstração informal. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo. O curso de abstração no Brasil. A abstração geométrica. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. algumas vezes realizadas diante do público. 86 . Entre os pioneiros da abstração no Brasil. Usou freqüentemente tintas industriais. pintor americano. 1948 e do Rio de Janeiro. Execução cheia de violência. Nos últimos trabalhos nessa linha. Abstração no Brasil: Surge com maior ênfase nos meados dos anos 50. (1928-). Yolanda Mohalyi (1909-1978). introduziu nova modalidade a técnica. Fayga Ostrwer (1920-). Técnica: pintura direta na parede ou no chão. 1931. (1914-1994). Cícero Dias (1908-) e Sheila Branningan (1914-). na qual se destacam Antoni Babinski. Principal artista: Jackson Pollock. numa execução veloz. pasta espessa de areia. Manabu Mabe (1924-1997). muitas delas usadas na pintura de automóveis. agressividade. que se manifesta no concretismo e no neoconcretismo também nos anos 50. trinchas. conchas e pedaços de tela. espátulas e etc. grupo artístico europeu que surgiu entre 1948 e 1951. o artista usou materiais como pregos. Wega Nery (1912-). forma uma geração de gravuristas abstratos. destacam-se Antônio Bandeira(19221967). espontaneidade e automatismo. COBRA: Movimento artístico criado na Holanda. 1951. 1927. Arcângelo Ianelli (1922) e Sanson Flexor (1907-1971).- Compreensão da pintura como meio de emoções intensas. além de Iberê Camargo. pincéis. utilizando tinta à óleo.

bem como a teoria da Gestalt. (optical art) e significa “arte óptica”. Apesar de ter ganhado força na metade da década de 1950. a Op Art passou por um desenvolvimento relativamente lento. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas distorcidas. que se modifica a cada instante. parece excessivamente cerebral e sistemática. Principais artistas: Pierre Alechinski. em 1965. Britânicos Michael Kidner e Bridget Riley. suas possibilidades parecem ser tão ilimitadas quanto as da ciência e da tecnologia. Uso de formas geométricas em preto e branco.Assim como as obras de Jacson Pollock essa pintura é gestual. Realizou também esculturas em madeira e metal. OP ART: A expressão “op-art” vem do inglês. pintor holandês. Seitz. mais próxima das ciências do que das humanidades. Criador de uma obra vigorosa e colorida. Karel Appel. A arte op. exposição “Olho receptivo”. simboliza um mundo precário e instável. 1965. caracterizada pela figuração rude e simplificada. exige a participação do espectador para “completá-la”. Por outro lado. Meados dos anos 60. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee. cores constratantes e variações tonais. curador Willian C. também Arte Cinética. Apesar do rigor com que é construída. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra. MOMA/NY. Asger Jorn. Ela não tem o ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art. 87 . Durante os anos 80 suas imagens e técnicas foram retomados pelo americano Philip Taaff e o holandês Peter Schuyff. “abstracionistas perceptuais”. em comparação. e o franco-hungaro Victor Vasarely. marcou sua obra pelo tachismo. Defendia para a arte “menos expressão e mais visualização”. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo. Pintor dinamarquês. tais preocupações ligam a arte op a vários movimentos: Fluxos. americanos: Richard Anuszkiewicz e Larry Poons. A ilusão do movimento. violenta na escolha de cores e texturas. pintor e gravador belga. livre. Hiperrealismo e GRAV. efeito de ritmo e distorção.

São engenhosamente combinadas. POP ART: Movimento principalmente americano e britânico. assim. criou os móbiles associando os retângulos coloridos das telas de Mondrian à idéia do movimento. que se modificam desde que o contemplador mude de posição. quando alguns artistas. mesmo quando em preto e branco. os componentes mais ostensivos da cultura popular. Representavam. para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental. Com raízes no Dadaísmo de Marcel Duchamp. sua montagem é muito complexa. o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950. ao qual não são estranhos efeitos luminosos. parece obedecer a duas finalidades. depois de 1932. em preto e branco ou coloridas. de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954. elas se movimentariam pela simples ação das correntes de ar.Principais artistas: Alexander Calder. Os seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo observador. Era a volta a uma arte figurativa. pelo critico inglês Lawrence Alloway. solicitar ou exigir a participação ativa do contemplador para que a composição se realize completamente como “obra aberta”. Embora os móbiles pareçam simples. como diz o artista. Victor Vassarely. Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a multiplicidade. (1898-1976). Mas. sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos. As suas composições se constituem de diferentes figuras geométricas. passaram a transformá-los em tema de suas obras. de modo que através de constantes excitações ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e sugestões de dinamismo. pois exige um sistema de peso e contrapeso muito bem estudado para que o movimento tenha ritmo e sua duração se prolongue. em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da 88 . criou a plástica cinética que se funda em pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica. por outro lado. ele verificou que se mantivesse as formas suspensas. após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos. O geometrismo da composição.

e reproduziu a mão. ilustrações e design. Além disso. embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza. Por volta de 1962. produtos com cores intensas. tinta acrílica. em refinado. Sua iconografia era a da televisão. virou moda. uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados 89 . depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do inicio da década de 1950. que realizou em 1960 para os filhos. da fotografia. ela operava com signos estéticos massificados da publicidade. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica. usando como materiais principais. látex. com fidelidade. como aconteceu por exemplo. Com o objetivo da critica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo. os procedimentos gráficos. e aproximou a arte das massas. brilhantes e vibrantes. 1925. (1923-1997). ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais. transformando o real em hiper-real. já que se utilizava objetos próprios delas. reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande. do cinema e da publicidade. desmistificando.segunda guerra. adotou a técnica de impressão em Silkscreen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. com garrafas de coca-cola. episódios da história americana moderna e da cultura popular. um dos principais artistas da Pop Art. criou as pinturas “combinadas”. poliéster. ilustrações e designam. Mas ao mesmo tempo em que produzia a critica. quadrinhos. e já que tanto o gosto. por exemplo. Roy Lichtenstein. como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey. Empregou. com as sopas Campbell. nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. Esses trabalhos tiveram como temas. dos quadrinhos. Principais artistas: Robert Rauschenberg. usando como materiais principais. de Andy Warhol. a arte para poucos. Seu interesse pelas histórias em quadrinhos. a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo. muito do que era considerado brega. tinta acrílica. Rauschenberg. a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar.

E brit. Produziu filmes e discos de um grupo musical.nova criação assemelha – se. planas e limitadas. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração. intelectuais. Estruturas geométricas. Morris. Ronald Bladen. MINIMALISMO: Ny. Flavin. logo depois passou – se a aplicar o termo a obras de escultura. Seus quadros. incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal. Firmou – se como movimento Com a exposição Estruturas Primárias: jovens escultores. em 1965. como Elvis Presley e Marilin Monroe. símbolos ambíguos do mundo moderno. Philip King. Richard Artschwager. 90 . Cores brilhantes. e pinturas dos abstracionistas pós-pictóricos. Outros nomes “estruturas primárias. aparecem como imagens frias. contribuíam para o intenso impacto visual. escreveu: “O espaço real é intrinsecamente mais vigoroso e especifico do que a tinta sobre uma tela. Com essas obras. Andy Warhol. Richard Serra e Tony Smith. como Kasimir Maliêvitch (quadrado negro). NY 1966. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias. mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema. como garrafas de Coca-Cola. automóveis. Judd. Os artistas minimalistas. os Britânicos: Sir Anthony Caro. Larry Bell. arte ABC e Coll art.das historietas. apesar da ascensão social e da celebridade. tornou – se um dos mais interessante comentarista de arte. Da mesma forma. Am. Dan Flavin e Carl André. destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para consumo. Sol Le Witt. após exposição de Donald Judd. Willian Tucker. (1927-1987). delineadas por um traço negro. Robert Morris. desvinculados do contexto de uma história. deram atenção às obras Construtivistas e Suprematistas Russos que tendiam para Abstração pura. Foi a figura mais conhecida e mais controvertida da Pop Art. aparentemente simples. objetos unitários. Beverly Pepper. Entre 1963/5. Como André. crucifixos e dinheiro... Judd. as latas de sopa Campbell. Tim Scott. e usando sobretudo a técnica de serigrafia. o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas.

” Flavin.. teve em sua obra influencia. “Rosa e dourado”. se referia a Frank Stella (abstração pós-pictórica). De Du Champ e seus readymades (Dada) e os construtivistas. (Monumento a V. Steve Reich ou Philip Glass. 1968. Tatlin de Flavin . Do q a pintura. fez experiências com cores e pesos. André se inspirou em Brancusi (esculturas modulares) e em Stella (pinturas de faixa). os neodadáistas Robertr Rauchenberg. até inicio dos anos 70. Com performance e a Earth art. (Ludwig Miers van der Roche. Terry Riley. Comentário dele: “A simplicidade da forma não se equaciona necessariamente com a simplicidade da experiência. explorou temas relacionados com espaço e luz. Um tema constante é a atuação recíproca entre espaços positivos e negativos em objetos reais e sua interação com o entorno imediato. 1965. O que não acontece na escultura. Escreveu em 1967: “Simboliza seu encolhimento.. usando metais e outros materiais.” Judd. Embora o termo não fosse aplicado à música.. relacionam o minimalismo. mobiliário e artes gráficas e designers de moda. Denominadas por ele como “objetos específicos”. 1964) e Constantin Brancusi (Colunas infinitas). As caixas cúbicas de Morris. Elas os ordenam. tem sido aplicadas à decoração de interiores. vários modernistas busca rigor e pureza. mas elas são reconhecidas como “Judds”. Na arquitetura. anônima e imperdoável. Judd por ex. criam – se efeitos mais complexos do que mínimos. John Chanberlain e Claes Oldenburg e o Novo realista Yves Klein. “lâmpadas florescentes”. Embora não exista uma escola minim. As formas unitárias não reduzem os relacionamentos. repetição e uso de instrumentos não convencionais). Recordam a “arte conceitual”. 91 . questionando a posição legitima das esculturas(vertical/horizontal)..mais a escultura. Ao restringir os elementos que atuam em cada objeto. Os materiais pré-fabricados usados. revelam preocupações semelhantes. tornando – se ínfima”. muitas obras foram associadas ao minimalismo. Em anos recentes. não pareciam arte. pode ter mandado fabricar sua obra. Pureza geométrica. (harmonia estática. “mais é menos”) e o Mexicano Luis Barragan (sua resid. A cor jamais deixa de ter importância. Começaram aparecer muitos críticos e um público opinativo julgava – na fria. E cores ousadas).

USA. semelhantes a labirintos de Aycock ou as obras arquitetônicas de Holt. 2000. final anos 60. Holandês: Jan Dibbets. Robert Smithson. Preservação do espírito humano. se deslocou para fora da cidade. “Ecultitura”: termo utilizado por Caro. Robert Morris. Goldsworthy. Walter de Maria. a escultura e a arquitetura. a partir de 1989 em seus trabalhos. pode ser uma forma de preservação. expandiram as fronteiras da arte. crescente interesse pela ecologia e conscientização do perigo da poluição e os excessos do consumismo. Alguns desses pioneiros também se filiaram ao Minimalismo. Outras criações que usam fotos. pois se um pedaço de terra for consagrado como arte. Mary miss.. Aristas americanos: Sol Lewitt. Richard Serra. Nos anos 80. Os arquitetos “HIGH-tech”. Michael Heizer. tem afinidade com a arte Conceitual (De Maria. Fulton. pode ser mantido intacto. EARTH ART: Land art ou earthworks. Colaboração do escultor Sir Anthony Caro e o escritório Foster & Partners no projeto “Ponte do milênio”. Carl André. Muitas de suas criações empregam a linguagem geométrica do minimalismo. E outras com reciclagem de lixo. textos e diagramas. Londres. Fulmiko Maki. James Turrel. Hamish Fulton e Andy Goldsworthy. em forma de imensas esculturas no solo. influenciado pelo estado clássico zen-budismo e modernismo europeu. A maioria dos artistas são Americanos e Ingleses. tbem acompanham objetivos e técnicas minimalistas. fundiram – se nas Torres da Cidade – Satélite 1957/8 (Barragan com Mathias Goeritz) . Tadao Ando. assumindo o meio ambiente como seu material. Arata Isozaki. Dennis Oppenhein. De Maria e Heizer e Turrell. no Japão: Kazuo Shinohara. Nancy Holt. quanto aos seus materiais e espaços físicos. Long e Openhein). Christo e Jeanne – Claude. Dibbets. Le Witt. Alicer Aycock. 92 . Com efeito a earth art pode ser vista como um prolongamento do projeto minimalista. os círculos nas plantações e as gigantescas figuras esculpidas nas colinas da Inglaterra). e nota – se forte influência da paisagem(arte britânica) e ligações românticas com o Oeste ( arte Usa).A pintura. espiritualidade dos sítios arqueológicos (cemitérios dos indígenas americanos. Europa: Britânicos: Richard Long.

” O 2º do arquiteto americano Robert Venturi. os italianos Alessandro Mendini e Michele de Lucchi. neodadá.S. marca do capitalismo. A diversidade dos materiais. Outras criações com elementos diferenciados (texto com imagens. 1969. estilos. “Trocados”. permanece intacta após a queda do muro de Berlim. USA . tem sido empacotar ou envolver coisas. Ocorrem em locais distantes. Muitas conhecidas por fotografias. A equipe projetou o exuberante Groninger Museum. Charles Moore. “vitalidade desordenada” e parodiavam a frase modernista. empréstimos de outras culturas e uso de cores ousadas e surpreendentes. “Piazza d’Itália. Nos anos 80. “O mundo do comércio”. no Designe e Artes Visuais. Cristo e Janne. surrealismo. (estilo Internacional). “menos é mais” por “menos é um tédio”. deveriam adaptar a formas antigas. aplicada originalmente a arquitetura. NY. alemão Hans Haacke. Holanda. 1975/80. com criações inspiradas em cultura popular. Nova Orleans. 1990. estruturas e ambientes constitui características do pós-modernismo que não pode ser definido 93 .Firmou – se como movimentoto. organizada por Smithson. em vez de criar formas novas.O. Dá prosseguimento à experimentação iniciada com Marcel Duchamp e se desenvolveu por meio do Dada. Para De Maria o isolamento é a essência da earth arte. graças a exposição Earth Works – NY em 1968. garotos da sobrevivência. estrutura ambíguas e contraditórias. Em 1966. 1995. dois livros: O arquiteto italiano Aldo Rossi. De Earth Terra. também criações de cunho social e político. objetos com arte gráfica) Tin Rollins e K. arte pop e arte conceitual. “novas edificações. com giz no deserto de Monjave). trabalham juntos desde os anos 60 e seu grande tema. E a exp. com logotipo da Mercedes – Bens. o designer francês Philippe Starck e o escritório vienense Coop Himmelblau. “Torre de observação”. “O jantar” de Judy Chicago. Ao mesmo tempo é uma rejeição e um prolongamento do modernismo. PÓS-MODERNISMO: Novas formas de expressão. Richard Prince. animadas por referências jocosas a estilos históricos. meados anos 70. (documentação fotográfica “Caixa em um buraco” de Le Witt Desenho de De Maria.

insatisfeitos com a ordem e uniformidade do Bauhaus. dinamarquês Johan Otto Von Spreckelsen. (SAMO. Nos USA Julian Schumabel e David Salle. Menphis. estilo clássico. sobretudo a identidade dos gays. “Sede do HSBC. sexuais. Keith Haring. O designer italiano Ettore Sottsass. 1977. O pós-modernismo. “antifuncional Estante Carton”. Paris. fizeram experiências com cores e texturas e se inspiravam em motivos decorativos do passado (adhocismo). imagens e revistas populares e sobrepondo – as. Espanha. inglês Sir Norman Foster. como Basquiat. obras para o grupo Menphis. começaram a empregar técnicas pós modernas. Espanha. A morte. Refere – se a natureza dos meios de comunicação de massa e proliferação universal das imagens. (neoexpressionistas e comparados a artistas de transvanguarda). Apartir dos anos 60. do americano Michael Graves. se engajou em questões sociais e políticas. e Javier Mariscal. na Inglaterra. Jean Michel Basquiat. “Coelho”. De Serviços Públicos de Portland”. criaram designes tipográficos de vanguarda nos anos 80 e 90. A influência do alemão Wolfgang Weigart. “Edif. Os palimpsestos criados com louça quebrada. final anos 70. David Wojnarowics também vitima de aids. celebrava o pluralismo do final do século XX. tema dominante na arte pós moderna. suas obras protestavam contra o preconceito racial. transformou sua doença em tema central de seu trabalho. iniciou como grafiteiro. “Série sexo”. 1981. O Kitsch pode ser transformado em arte elevada. segundo o pensador francês Jean Baudrilard: “Um êxtase da comunicação”. Holanda. espanhol Rafael Moneo. representados em novos e perturbadores contextos ou despojados de seus significados tradicionais (desconstruídos) por artistas como: Mike Bidlo. feministas e ambientais. espalhou – se da Basiléia/Suíça. Jeff Koons.( anmtidesign). O studio Dumbar. Associado a Andy Warbol.por um único estilo. a arte servia de um tipo social dominante. “A mesma merda de sempre”. criam uma surpreendente justaposição. estilo High – tech. “Arco da defense”. Nas artes visuais. USA. Neville Brody. deram ênfase a identidades marginalizadas: étnicas. Louise Lawler. e as figuras fantasmagóricas e sobrepostas de Salle. os designer. “Same old Shit”. Sherrie Levine e Jeff Wall. Representação: motivos ou imagens de obras do passado. apropriando – se de filmes. é a figura mais importante. para Europa e USA. 94 . “Museo de arte Romano”. final anos 70. de Schmabel.

para concluir a obra apresentada como “aberta” à interpretação por parte do artista. 1990. INFORMALISMO. Dentro da arte informal pode falar-se de expressionismo abstrato. Mondrian também ignorou a textura em suas obras. Usavam apenas preto. Holzer. daquilo que desejo”. de enfrentar um tipo de pinturas em que a expressão adquiriu novas e múltiplas possibilidades. “Proteja – me. “Trata-se por conseguinte. EXISTECIALISMO E TACHISMO: A arte informal engloba um grande leque de direções e ramificações distintas e abrange obras de aspectos e conteúdos muito diversos. Cindy Sherman. Cada uma destas correntes tem o seu caráter especifico. Em muitas obras informalistas observa-se a presença de determinados signos e manchas aos quais o artista não deu significado predeterminado quando os criou. criou um estilo abstrato extremamente simplificado. Jenny Holzer. A arte informal – informalismo pode tirar-se numa categoria muito vasta que é a “obra aberta”. Ele reduziu a pintura a linhas retas que formavam ângulos retos. como homens olhando para mulheres. quer pelos “novos” (porque até então alheios à pintura) materiais ou técnicas empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam. Neste sentido o espectador. pintura tachista (do francês “tache” – mancha) e espacialista. branco e cinza e as cores primarias. sem titulo.Anos 70 e 80. comportamento social. artista holandês. “Documento pós parto”. gestualismo. USA. pintura signico-gestual. Imagens com legendas perturbadoras. Bárbara kruger. ele rejeitava motivos que se pudessem identificar. de certa maneira. contribui. action-painting. seu olhar. questões ligadas à identidade feminina. indicada por Umberto Eco. 1º mulher americana a expor em Bienal de Veneza.” Considera-se que a pintura 95 . RACIONALISMO: Piet Mondrian. mas o espectador pode dotá-los de significados vários ao contemplá-los. Como outros pintores abstratos. artistas como Mary Kelly. Sua pintura influenciou a arte comercial e o desenho industrial moderno.

realizaram (e ainda realizam atualmente) obras que se podem inserir nos termos acima indicados e que não se circunscrevem nem ao ambiente plano da tela. realizava já um tipo de trabalho que. para designar um acontecimento que se desenvolve perante o público.informalista tve inicio em 1944. mas que não privilegia nenhum dos meios expressivos tradicionais. Judd Pfaff. É quase uma ligação arte plástica/teatro. apesar de ainda serem figurativos. pois misturam em obras tridimensionais deferentes materiais artísticos. o vulgarmente considerado iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês Jean Fautrier (1898-1964). tendo ido buscar as suas influencias ao dadaísmo. HAPPENINGS. ou seja perto do final da 2º Guerra Mundial. Robert Rauchenberg. HAPPENING (Acontecimento). a sua influencia vem do movimento Dada e dos Ready-made. Keith Arnatt. 96 . tirados do seu contexto habitual. que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos ao conceito de action painting e destacar a abolição da “forma” na arte. com materiais reciclados. Mercê Cunningham (coreógrafo). Georges Segal. nem na escultura tradicional. detritos e produtos industriais. centrando a sua atenção no comportamento humano e no meio circundante. Dos quais o último foi o Parlamento Alemão em 1996. são os artistas mais representativos destas formas de expressão artística. em dois focos principais que foram Nova York e Paris. Como a palavra música ou a cor. Denis Oppenheim. BODY ART E NOVO DADAISMO: Alguns artistas ligados à Arte Pop e Arte Conceitual. Christo (famoso por seus embrulhos de edifícios). John de Andréa. distinguiam-se pela espessura das suas texturas. AMBIENTES. John Cage (músico). substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas que chegavam a criar verdadeiros relevos. no final dos anos 50. ARTE ASSEMBLAGES. surrealismo e abstracionismo. termo inventado pelo americano Allan Kaprow (1927). Nam June Paik. Aliás. tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos Estados Unidos e Europa. Duane Hanson. Claes Oldenburg. Edward Kienholz. que em finais da década de 20. O termo informed foi adotado na Europa pelo critico francês Michel Tapie. Jim Dine. ASSEMBLAGE ou AMBIENTE.

ARTE CONCEITUAL: Surgiu nos anos 60 a partir dos Happenings e tem influencia dos Ready-made de Marcel Duchamp. o único artista que se destaca com suas interferências. para ativar o espaço arquitetônico. A arte conceitual pode usar meios e materiais não relacionados diretamente com as artes plásticas. Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente. de uma forma atualizada o espírito do dadaísmo de Marcel Duchjamp. pretendia retomar. Man Ray e Kurt Schwitters. juntamente com a escultura e outros materiais. Alguns artistas interferem na paisagem. projetores de slides. INSTALAÇÃO: São ampliações de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala. através da fotomontagem e da colagem de materiais. por parte de certos artistas. Obras destacadas: Cartolina no vale.BOD ART (arte do corpo). utilização do corpo. É utilizada a pintura. ou Novo Realismo na Europa). INTERFERÊNCIA: Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis imagens visuais. colocam cortinas. que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas. como forma de expressão. NEW DADA (Novo Dadaísmo. Leonor Soares são exemplos. Guarda-sóis colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico em 1988 – Berlim). guarda-sóis. Obra destacada: Homenagem a Chico Mendes de artista Roberto Evangelista. O espectador participa da obra. Atualmente. como o vídeo. e não somente à aprecia. ressaltamos Christo. embrulhos em locais públicos. Antonio Carvalhal. fotografia e põe em causa as definições de 97 . transgressão ou manifestação. Movimento que. embora com a presença dos mesmos artistas da Arte Pop.

o aspecto mais singular da sua atividade consistiu numa deliberada missão “de prédica”. Giulio Paolini. Anthony Caro. se iniciou como escultor. Em Portugal. Donald Judd. USA. tem uma obra essencialmente de pesquisa. pois insiste que é na imaginação. Nos últimos tempos. que como o nome indica 98 . alemão. a sua participação com comportamentos diversos ajudam à compreensão do espectador. corrente dos anos 60 e 70. Yves Klein. Sol Le Witt. com as suas palavras. Robert Mangold. na idéia geradora.” Artistas mais representativos: Joseph Beuyes. utilizando materiais insólitos. autor de uma obra de provocação intelectual. Antonio Charrua. pintores minimalistas. USA. Keith Arnatt. Ad Reinhardt. podem citar-se os pintores Ângelo de Souza. Álvaro Lapa. Luis Dourdil. Belga. vídeo ou cinema. visa convencer o auditório de alguns princípios ético-estéticos e politicoespirituais”. “A própria personalidade física do artista faz parte da obra (ou da encenação). assim como as galerias de arte e por extensão o próprio público. francês. P processo criativo só precisa ser documentado de alguma forma geralmente verbal. que prevalece a arte e não a execução. USA. Marcel Broodthaers. onde apresentava uma cadeira verdadeira. porém. Itália. Beuys serve-se habilmente do corpo com ações publicas onde os seus gestos. Robert Morris. impôs-se muito jovem na cena mundial da vanguarda com uma obra desconcertante (one and three chairs.arte de uma forma mais radical do que a Arte Pop. Dele escreveu Gillo Dorfles. Dentro da Arte Conceitual. como representantes do informalismo/minimalismo. Graças a uma importante obra ensaistica é um dos maiores animadores no atual debate sobre o papel do artista na sociedade contemporânea. USA. Beuys procedo como um sacerdote laico que. elementos naturais e materiais industriais (também conotado com a Arte Povera – Arte Pobre). tirada de um dicionário. autor de enormes esculturas geométricas. Frank Stella. ao lado de uma fotografia da mesma cadeira e junto desta um texto escrito em que se podia ler a definição de cadeira. Vincenzo Agnetti. GB e etc. Jorge Pinheiro. no idealismo. Joseph Kosuth. no conceito. as suas inclinações. Itália. pode inserir-se o Minimalismo (minimal art). “Uma vez que a obra de arte é um sub-produto acidental desse salto imaginativo. pode perfeitamente ser dispensada. Lawrence Weiner. Artur Bual. como gordura. feltro. 196566). ou pela fotografia.

a pôr em questão a sociedade e a arte como intervenção direta. como era conhecido o dinamismo econômico da Itália do pós guerra. que pretende intervir nos espaços naturais. estreitam-se as relações entre performance plástica e ação cênica. vivia a hora da recessão. Os seus principais representantes são Denis Openheim. segundo as palavras de Celant. É nesse clima de crise que sopra um vento literário. nasceu e desenvolveu-se nos EUA. No cinema. Germano Celant resume a formula: “Arte povera + azioni povera” (arte pobre + ação pobre). Como muita da arte “moderna” e “pós-moderna”. embora possam ser conotadas com a chamada “Vanguarda” dos anos 60 e 70. o minimalismo questiona o papel dos artistas e a natureza da criatividade. deixando sinais ou marcas ecológicas. como configurações triangulares. da realidade dos elementos e do homem. Afirmando-se especificamente como manifestação européia. Pasolini. vindas do cotidiano e da natureza. quando o critico italiano Germano Celant utilizou pela primeira vez esta designação. circulares e cores monocromáticas. “significa disponibilidade e anti-iconografia. referindo-se à participação de uma geração de artistas de vanguarda. Heizer. Depois da industrialização acelerada e da euforia de consumo provocada por um modelo importado dos USA. Richard Long. o Living Theatre omnipresente nas cidades da Itália. introdução de elementos e imagens perdidas. entre Turin e Roma. anarco-utópica. a “Arte Povera” refere uma aventura intelectual e artística cujos fundamentos ideológicos estão em oposição às propostas formalistas e consumistas da arte americana e traduz uma atitude moral. quadradas. ética e política. com profundos desequilíbrios sociais e conflitos políticos. uma explosão artística existencial. A Land Art. No teatro. Robert Smithson.Carl André.pretendia desenvolver uma arte de grande simplicidade. A “Arte Povera”. o famoso “milagre italiano”. em 1907. com “instalações”. A arte Povera. a Arte Povera (arte pobre). a Itália entrava. em depressão econômica. podem estar inseridas no espírito da Arte Conceitual. Richard Serra. Na literatura. Também as denominadas Land Art ou Earth Art (arte da terra). sub tendências que existem desde os anos 60. Walter de Maria. uma posição crítica. Os artistas exprimem-se 99 . Ítalo Calvino e Umberto Eco.” É uma nova energia que se reclama das intenções da existência. por volta do inicio dos anos 60. reduzida a materiais e formas geométricas puras.

simples. mas apenas referencial.essencialmente e realizando instalações onde utilizam materiais orgânicos. Pino Pascali. É como “um vasto campo de convergências” onde se encontram ao mesmo tempo textos de artistas e obras de um conjunto de criadores. também não se trata de representações de caráter imitativo. embora haja locais em que a escultura adquiriu nítida preponderância. quer rural quer urbana. contudo. Nos outros países da Europa. Jannis Kounellis. o artista dispõe configurações em largos traços negros que contrastam violentamente com os fundos. hoje solicitados pela cena artística internacional: Giovanni Anselmo. NOVA FIGURAÇÃO E PÓSMODERNISMO: Estes são alguns dos termos usados para enquadrar artistas em correntes desde os anos 80 até o presente. sobre fundos formados por manchas ou por franjas de cor. 100 . Giuseppe Penone. Assim. que conta com grande numero de criadores importantes e que fundamenta a sua linguagem nas técnicas da colagem e montagem. quando o assunto é a paisagem. Giulio Paolini. Mario Merz. Podem indicar-se. Gilberto Zorio e etc. o pictórico triunfou plenamente e poderia acrescentar-se que a corrente mais representativa é a que se entendeu chamar Neo-expressionista na Alemanha e transvanguarda na Itália. TRANSVANGUARDA. Marina Merz. todavia. Do mesmo modo. Aligfhiero Boetti. NOVOS SELVAGENS. Os objetos são capitados de um modo intuitivo e inseridos sem preocupação pela perspectiva no conjunto pictórico. NEO-EXPRESSIONISMO. Luciano Fabro. Por outro lado. então desconhecidos. mas esquematizam ao Maximo os traços dos personagens captados. “O Neo-expressionismo. produz-se um predomínio da pintura relativamente a qualquer outro tipo de manifestações. observa-se uma tendência para justapor uma linguagem figurativa ao abstrato. A partir dos finais dos anos 70. como alternativa. Michelangelo Pistoletto. reúnem um gênero de manifestações que nem sempre se caracteriza pelos mesmos elementos e portanto dir-se-á que não são muito coerentes. querendo elevar as coisas mais banais e mais insignificantes ao nível da arte. Calzolari. as maioria dos artistas opta por pinturas de grandes formatos. Em primeiro lugar. “pobres”.” Seria o caso da escultura britânica. Os artistas nunca partem da cópia da realidade. algumas constantes. BAD PAINTING. Essas denominações.

Mario Schifano (1952) e Mario Merz (1925). pintor que muitos vezes apresenta os seus quadros invertidos. apenas se podem dar listas que correm o risco de pecar por incompletas ou por demasiado exaustivas. Nesse sentido o neo-expressionismo atua como uma tendência da pós modernidade e recorre à “citação” de uma manifestação anterior para construir. para dar lugar a uma nova era dominada pela arte feita por computador. nesse neo-expressionismo. o que não acontece. Julian Schnabel. inicialnmente “apadrinhados” por Andy Warhol. Jorg Immendorff (1945). de forma muito peculiar. Chegava-se a falar da morte da pintura. a partir dela. pois de contrario. Jeff Koons. O tempo determinará a sua importância e permitirá estabelecer quem são os artistas mais representativos do neo-expressionismo e das restantes tendências contemporâneas. De momento. Nos Estados Unidos. trabalham nessa tendência pintores como Mimmo Paladino (1948). Per Firkeby. Salomé (1954). R. como seja a possibilidade de continuidade. logicamente. Todas as outras correntes. embora recorrendo ao passado. Anselm Kiefer (1945). Não foi em vão que decorreram mais de setenta anos depois de os artistas alemães iniciarem o caminho do expressionismo. Cindy Sherman. Sigmar Polke (1941). algo completamente novo. Enzo Cuchi (1950). entre outros. o que se considerava nas últimas décadas como impossível.O fato de estas pinturas se terem denominado neo-expressionistas deve-se fundamentalmente a terem seguido a corrente expressionista dos inícios do século. Eric Fischl. os neo-expressionistas mais conhecidos na atualidade são: Georg Baselitz (1938). embora em estado latente. Gerhard Richter (1932). Sandro Chia (1946). escultor 101 . Francesco Clemente. Nino Longobardi. deixaram o seu ratro e a sua presença. Andréas Schulze (1955). como é lógico. Markus Lupertz (1941). Na Alemanha. poderia implicar uma simples cópia ou inclusivamente apresentar-se a possibilidade de plágio. Doukoupil (1954 Tchecoslovaquia). Jean Michel Basquiat e Keith Haring. Na Itália. Isso sucede. Mas no seu ecletismo existe algo verdadeiramente importante. Kenny Scharf. Penck (1941). Entretanto. viu-se que o artista do século XX foi capaz. e Werner Buttner (1954). Martin Kippenberger (19532). A. na medida em que reúne os mais diversos elementos procedentes de correntes anteriores. de renovar o seu repertório e de oferecer um tipo de pintura despreocupada. Talvez se possa dizer desta corrente que é eclética.

Ferran Garcia Servilha. no Brasil e em outros paises latino-americanos. entre outros. Sergio Pombo. A falta de objetividade relativamente a um movimento que na atualidade se encontra em plena efervescência impede de estabelecer com maior clareza quais são os seus objetivos e sobretudo. Alfonso Fraile. a invadir o seu campo de ação. relativisa a história e afirma o regionalismo. Pedro Croft. Tony Cragg. Ken Kiff. de internacionalismo. “O novo não é novo: o espírito da época” 102 . Chema Cobo. Richard Deacon. o expressionismo. em certos meios artísticos. Pereira. James Turrell. Os alemães recuperam o movimento moderno em que mais se prestigiam. com a sua fragmentação. Robert Longo. Eduardo Arroyo (equipe crônica). se não precursores. João Penalva. Álvaro Lapa. sendo os seus artistas por vezes mais profundos e originais. (Equipe Limite). Juan Bordes. Fernando J. Na Grã-Bretanha. repondo a exigência de progresso. Julião Sarmento. o problema da maternidade ou da pós-maternidade põe-se de uma maneira menos datada em Portugal. David Salle. redundância e acaso. J. Rui Chafez. Douglas Gourdon e Alan Davie entre outros. Victória Civera. À margem da história oficial. Florenci Guntin. no que quer que se chame rigorosamente. Adir Sodré e Gervane de Paula. Pedro Calapez. Victor Willing (marido da pintora Paula Rego). autor de “instalações” e “ambientes” que jogam com efeitos de luz. escultor e autor de instalações. Juan Gopar. Gilbert & George. Paula Rego. O Pós-Moderno. Em Portugal. pelo menos. enquanto os italianos citam a pintura anti-cubista dos anos 10. Cabrita Reis. há também muitos representantes notáveis das “novas” tendências. e etc. Na Esopanha. Aléxis Hunter. Jose Maria Sicília. como Miguel Barceló. Na França. Pedro Tudela.polemico. aonde vai desembocar. Leonilson. citações paródicas. O NeoConstrutivismo Abstrato a figuração politizada tendem já. Manolo Valdes e Cristina Iglésias escultores. Robert Combas. Frederic Amat. Leonel Moura. Pedro Proença. quer política quer cultural. qual será o seu futuro ou. Juan Muñoz. Antonio Olaio. Grard Garouste. Jorge DUARTE. No Brasil. Graça Moraes. que por sua vez citava já as tradições pós renascentistas que as notabilizaram. Benassar. de projeto e de consciência da história. François Boisrond e Remi Blanchard.

obtendo. Mesmo as obras acabadas de sair do atelier de um artista são bem acolhidas. sendo o novo recorde de 82. Naturalmente que nem todas as obras de arte encontram logo um comprador. esculturas e trabalhos fotográficos de artistas jovens. relativamente rápido. Museus e galerias de arte dificilmente conseguem conter as multidões de visitantes que afluem às inaugurações das suas exposições. mas é indubitável que o número dos seus compradores aumenta a um bom ritmo. constituem um investimento seguro para o futuro. direta ou indiretamente.5 milhões de dólares. O preço Maximo alcançado por este pintor holandês não foi um caso isolado. por conseguinte. muitos preferem investir em quadros. esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores> Assim. colecionadores privados encomendam obras em quantidades sem precedentes. Não obstante. talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora. freqüentemente pintou este mesmo tema e que. tendo 103 . Em 1987. E tiveram razão. revelando uma tendência para o seu aumento. Se os investidores privados estão dispostos a despender quantias tão elevadas por quadros de mestres desaparecidos ainda há menos de um século. os peritos do mundo da arte vaticinaram que este “preço recorde” de uma obra de arte moderna atingindo a nível mundial seria batido em curto prazo. Os preços sobem em flecha. apenas vendeu um único quadro. não se limitando aos aspectos exteriores. o Dr. Este fato revela uma grande confiança nas perspectivas futuros do comercio de arte. a arte sofreu uma transformação. em vida. o reconhecimento demasiado depressa. O próprio conceito de arte é posto em questão. isto significa que confiam nas suas perspectivas e esperam que surjam mais Van Gohgs. Gachet de Van Gohg ultrapassou aquela marca na Galeria Sotheby. desta vez ela atingiu camadas mais profundas. segundo os críticos de arte mais indispostos.Nos últimos anos deste século. A arte contemporânea tornou-se um componente natural da sociedade burguesa. Os artistas vivos são. Em vez de comprarem automóveis mais dispendiosos ou velozes. Os preços astronômicos que as obras clássicas dos tempos modernos atingem nos leilões de Londres e Nova Iorque. Este êxito vem-se registrando desde há muito tempo. Embora a sua própria essência seja a constante mudança. beneficiados por esta situação. Uma seguradora japonesa pagou o equivalente a cerca de 72. à primeira vista. Ainda em maio do mesmo ano.5 milhões de dólares pelo quadro Girassóis de Vincent Van Gogh que.

em mente que a arte contemporânea confere prestigio social. o que salta primeiro à vista é a abundante utilização do adjetivo “novo”. eram os mesmos críticos anteriormente citados que levantavam mais alto do que ninguém que não aparecia nada de “novo”. uma arte com um programa neo-geometrico designada. são eles que não estão dispostos a aceitar de bom grado esta situação: o fato de a arte contemporânea obedecer tão cegamente às leis da moda e que artistas 104 . é preciso saber falar de arte. Apesar de nas eleições parlamentares não ter conseguido impedir a derrota do seu partido. por “Neogeo”. Aliás. Paris e Viena. constituem. contribuiu para o prestigio da cultura francesa. Aos “novos selvagens” seguiu-se. E como se não fosse suficiente: ainda os artistas neo-figurativos e neogeometrico de Nova Iorque e Colônia. de uma arte “neo-figurativa”. Além disso. não tinham saído das galerias para iniciarem as suas longas digressões e apresentarem as suas exposições em museus e galerias de arte internacionais. ou aqueles que se consideram como tal. um ministro socialista da cultura defendeu a arte contemporânea mais do que qualquer antecessor seu. que definiam as tendências. a arte contemporânea voga mesmo sob ventos políticos favoráveis. estados e municípios da Alemanha Federal. Acontecia freqüentemente que o que era lançado na Primavera. Itália e dos Países Baixos. revelava-se. de uma “nova pintura alemã” ou de uma “nova pintura austríaca”. assim como mecenas privados na Grã-Bretanha tentam suplantar-se mutuamente com a fundação de novos museus e galerias de arte. no outono do mesmo ano. abreviadamente. numa rápida mudança. Tudo aquilo de que se fala aparece a luz do “novo”. já os neo-conceptualistas reclamavam a atenção do mundo da arte. Por último. No mundo ocidental. províncias e regiões da França. como as obras de arte não estão sujeitas a desgaste. tornando-se a figura mais popular do seu governo. cidades . Ao fazer-se um exame das correntes artísticas dos anos 80. Fala-se dos “novos pintores selvagens”. Na França. melhor investimento que os automóveis. as portas do seu gabinete às mais recentes produções de arte contemporânea e não se coibiu em promovê-la através de dispendiosas vernissage sobre a nova pintura. em principio. Londres e Milão. de bom grado. E por mais estranho que pareça. como obsoleto. A concepção de projetos para novos museus tornou-se também uma tarefa apreciada e muito pretendida pelos arquitetos. e um chanceler federal alemão da ala concervadora abriu. Os hábitos americanos começam a infiltrar-se na Europa: para pertencer à elite social.

em 1981. é fácil para os críticos de arte porem a ridículo todo o palavreado em redor da arte “nova” como servindo apenas para encobrir o fato de que “o rei vai nu. anarquia social. no PS 1. A primeira grande exposição de grafitti foi realizada em 1975 no “Artist’s space”. Características gerais: Spray art. (1960-1988). Este adjetivo nunca aparece isolado. mas a consagração veio com a mostra “New York/New Wave” organizada por Diego Cortez.relativamente jovens e de ambos os sexos tenham um sucesso comparável ao das “estrelas” do mundo do espetáculo e acima de tudo não lhes agrada a idéia de que a arte contemporânea não pretende inscrever no seu estandarte o novo pelo amor ao novo. à concepçãp da linguagem corrente. tão novo e também não tem de o ser. Por isso. As temáticas do seu 105 . com apresentação de Peter Schjeldahi. instalando-se em coleções privadas e cobrindo com seus rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo. Seus grafites mostravam símbolos de variadas culturas de obras famosas. iniciou sua carreira grafitando as paredes e muros de Nova York. ao receber o jato de spray. O novo não é. só deixa passar a tinta pelos orifícios determinados. ligado a uma tendência artística já existente. o metrô e das ruas das galerias e museus de arte. Principal artista: Jean Michel Basquiat. de modo algum. nascido no Haiti. de Nova York. valorizá-se a cor. palavras ou frases de humor rápido. Stencil art. o grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas que. pixação de signos. o grafitti saiu do seu gueto.” GRAFITTI: Definido por Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial” e por outros. O emprego inflacionado do adjetivo “novo” no contexto das diversas correntes artísticas não correspondente. vandalismo puro e simples”. um dos principais espaços de vanguarda de Nova York. destruição moral. principalmente no contexto político e social. e principalmente ícones da cultura e consumo americanos. como “violação. afinal de contas. mas sempre como prefixo. existe a valorização do desenho.

Foi patrocinado por Andy Warhol (Pop Art). Além disso já conheciam o zero. bem como em relevos e esculturas decorativos e suas pinturas e objetos suntuosos. O império Maia teve uma organização estatal e social bem definida. Foi essa mesma organização que os beligerantes astecas adaptaram ao chegar ao vale do México. mas também nos de toda a Europa. Waldemar Zaidler e Carlos Natuck. No Brasil. Os Maias estabeleceram-se ao norte da península de Yucatán e construíram várias cidades-santuarios. Parte de seus conhecimentos foi absorvida pelos Toltecas. 106 . onde edificaram a capital de seu império. utilizadas para dfecorar palácios e templos. Ambos os povos deixaram o testemunho de sua grandeza em obras arquitetônicas colossais.INCAS: Tal como os negros nigerianos. México-Tenochtitlán. Com 21 anos participou da sua primeira coletiva em Nova York. Os próprios conquistadores espanhóis se deram conta das maravilhosas obras de ourivesaria de prata. ouro e pedras preciosas dos astecas. a opressão e o racismo. Seu calendário de 365 dias revelou-se mais exato que o utilizado então na Europa. que por sua vez os transmitiram para o resto das culturas do vale do México e para os astecas. Os mais desenvolvidos cientificamente e intelectualmente foram os Maias: possuíam um sistema de escrita hieroglífica e atingiram grandes avanços na astronomia e na matemática. e das quais existem exemplos não apenas nos museus do México. como o genocídio. enquanto os Astecas se estabeleceram nas ilhotas do lago de Texcoco. os americanos pré-colombianos.trabalho refletem suas preocupações. Morreu prematuramente em virtude de depressão e drogas. nas quais se diferenciavam classes sociais e profissões. PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS . sabiam apresentar a face humana de madeira natural. que conseguiram vencer as cidades da Tríplice Aliança e estabeleceram assim seu império.ASTECAS . representadas por templos e palácios em terraços piramidais. As civilizações mais avançadas da América Central foram a Maia e a Asteca. a partir da virou celebridade. destacam-se os artistas: Alex Valauri.

Escultura: Para os Maias. Em suas esculturas é possível identificar as características físicas do povo. Essas pinturas chegaram quase intactas até o século XX. uma construção de três salas. manteve-se como complemento de relevos e teve um caráter simbólico. São significativos os baixos-relevos dos templos. não tão abstratos como os egípcios. Longe de toda abstração simbólica. como a dos Maias. as formas Maias são mais suaves e arredondadas e mais estilizadas. do estilo das gravações de estrelas comemorativas. a partir da conquista espanhola. A escultura colossal é muito comum como complemento de templos e palácios.Pintura: No ano de 1946 foi descoberta Bonampak. Ao contrario dos Astecas. mas também por terem ficado protegidas por uma fina camada de calcário. O conjunto apresenta os contornos acentuados. Conservavam-se também manuscritos e cópias de livros com iluminuras. cobertas de pinturas murais coloridas. mas igualmente informativos. depositada naturalmente sobre sua superfície. sobretudo a figura do Chac Mool. ou câmaras. Cada parede representa uma cena. bem como sua grande variedade: as preferidas eram o vermelho e suas diferentes tonalidades. esses murais apresentam-se impregnados de figuras representativas de um determinado momento histórico. o azul e o verde. ao contrario. encomendados pelas cortes européias. não só pelo fato de term permanecido longe da vista dos espanhóis. embora persistindo a esquematização. ou mensageiro sentado. Sabe-se que. os Astecas passaram a produzir pinturas de gosto europeu para os conquistadores. Não menos perfeitas foram as gravuras 107 . A perspectiva é obtida pelas superposições e escorços das figuras. A pintura Asteca. A ausência de um sistema preestabelecido de escrita. nos quais os artistas Maias combinaram figuras naturalistas com fundos geométricos acompanhados de textos em hieróglifos. a estatuaria deveria ser imagem e semelhança da realidade. e influiu na almejada abstração. transmitiu tanto aos desenhos como as cores da pintura Asteca uma simbologia comparável à dos hieróglifos egípcios. Os rostos possuem traços individualizados. e foram de fato excelentes copistas. narrada com riqueza de detalhes. É surpreendente o contraste deliberado de cores. o amarelo. e em muitos casos existiu até um afã de individualização dos rostos ou de sentimentos.

simbolizavam o poder do raio.sobre madeira das portas e seus respectivos dintéis. O Deus mais importante era Quetzalcoatl representado como homem ou serpente emplumada. Os materiais mais utilizados eram a pedra. o sistema de organização social e estatal mais avançado da América pré-colombiana. que por sua vez delegou o poder às famílias mais importantes de cada aldeia. os Toltecas. A estatuaria Asteca era de um simbolismo profundo e de uma linguagem tendente à abstração. colocadas frente a frente. Como em qualquer outro império do Ocidente. motivo por que as figuras representadas eram normalmente deuses acompanhados de seus atributos. Sua função era eminentemente religiosa. que negava todo naturalismo. As figuras modeladas em estuque para a decoração de interiores valeram-lhes o qualificativo de primeiros barrocos da América Central. por volta do século XV. Essa organização do estado. A boca é formada por duas cabeças de cascavel. aliada ao estabelecimento de uma religião e uma língua oficial. De fato. na qual demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza expressiva. 108 . principalmente na fabricação de armas. criou. serpentes sagradas. permitiu a convivência pacifica de uma grande dibversidade de etnias submetidas a um governo central. já conhecido pelos antecessores dos Astecas. utilizaram a arte com expressão máxima da difusão de seu poderio. Tlaloc: O Deus da chuva Asteca (século XIV-XV). ARTE INCA: As origens do povo Inca remontam as civilizações anteriores aos Nazcas e Tihuanacos. Atribuíram também grande importância à industria metalúrgica. As crônicas do império narram a história da família Ayar. andesita e pórfido. sabe-se com segurança que esse império chegou a abranger mais de 900 000 km2 na costa do Oceano Pacifico e que seu primeiro imperador-chefe. Os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos. A função religiosa cedeu lugar à representativa e utilitária. ao artesanato têxtil e à cerâmica. com obras mais próximas da engenharia do que das disciplinas artísticas. e a terracota. que emigrou para Cuzco vinda do norte. cujo último sobrevivente alcançou a condição de Deus. Manco Capac.

espécie de cântaro. revela. Difundiram-se assim os primeiros templos chineses. Isso se refletiu também nas estampas dos tecidos. na China e no Japão estreito relacionamento com a religião. Evitou-se o exagero e a opulência. num estilo tão ascético quanto o da arquitetura. rica e variada em suas manifestações. em todas as disciplinas artísticas. sendo definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia Tang (século VI). baseada na fusão com obras de civilizações anteriores. Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi a religião. bem como o irregular ou assimétrico. utensílios-escultura de grandes dimensões. começaram a absorver as crenças budistas. desde os séculos V e VI até o XIX. Escultura: A cerâmica Inca revelou uma característica estrita de funcionalidade e desenho. fundos neutros com predominância dos tons terra e ocre. As formas básicas eram urpu. em composição. por meio do uso de cores chamativas e bordas geométricas cada vez mais complexas. entretanto. vasilhas de madeira decoradas com cenas ou figuras de animais. e os puynos. os ceramistas tentaram. ou jarro. mais precisamente o budismo. O vinculo permanente entre ambos os países determinou a influencia do primeiro sobre o segundo. como os Nazcas e Chimus. inspirados nos stupas hindus. naturalistas e distanciada do simbolismo chinês. O Japão recebeu o budismo das mãos dos chineses durante o período Nara (645-784). 109 . Limitados por essa esquematização. embora com o tempo os artistas japoneses tenham forjado suas imagens próprias. ARTE CHINESA E JAPONESA: A arte do extremo oriente.Nessa ultima. depois da expansão do império gupta (indiano) no século IV. dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas antropomórficas. Os Incas modelaram também estatuetas antropomórficas e keros. utilizaram. Embora certamente dispusessem de grande variedade de cores e até jogassem com as gamas mais fortes. os pagodes. imprimir um caráter individual a cada peça. a principio taoistas e confuncionistas. Os chineses. Os motivos são na maioria discretos e puristas. as vasilhas de vários pés. sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos guardiões da cultura (bonzos) japoneses. e raqui.

Arquitetura: Tanto uma como outra. Uma das construções mais típicas é o rikyu. Ali se pode observar a disposição do templo e dos diferentes palácios. com um imenso jardim central. que simbolizam o céu. carente do lirismo e da intelectualidade dos chineses. A pintura de paisagens atingiu o auge na China a partir do século XII. pedras e água. com suas pontas para cima. A cerâmica e a porcelana ocorreram com igual profusão em ambas as culturas. no geral madeira e argila. os rikyu passaram a servir de modelo para habitações particulares pela capacidade de transformação do espaço que suas leves divisórias corrediças ofereciam. o que não ocorreu com a arquitetura profana. As formas quadradas. No geral. de costumes e narrativo. Os materiais utilizados são os que o entorno natural oferece. principalmente nos telhados. que convidam à meditação. persistiu-se na tradição arquitetônica chinesa para os templos budistas.A escultura chinesa também adotou as ousadas e elegantes formas da Índia. e as arredondadas. Os melhores expoentes pertencem às dinastias Ming e Ys’ing. criado por Kobori Ensnu. mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com a natureza. a arquitetura deveria ser uma réplica do universo. para a realização da cerimônia do chá. Construído em meio a um jardim de plantas perenes. e em alguns casos também cobre e junco. Com o tempo. simbolizam na China a união entre o celestial e o terrestre. além de serem uma realização complexa. que transpôs para o Japão nas estatuas colossais de Buda. combinam-se de tal maneira que tanto templos. embora os motivos tenham nascido da iconografia chinesa. localizados sobre um terraço com orientação especifica. tendo em vista as estações do ano. não apenas no que se refere a habitabilidade. o rikyu continua sendo hoje em dia 110 . Trata-se de uma vivenda onde o volume e a simplicidade de formas são os personagens principais. que se estende por pequenos pátios internos em cada um dos diferentes edifícios. construída para o imperador no inicio do século XV. quanto pagodes exibem aparência semelhante em atenção a essas normas. Os telhados típicos de terracota. No Japão. que representam a terra. Para os chineses. O exemplo mais interessante é o da Cidade Proibida. mas então o Japão desenvolveu um estilo próprio. tiveram e continuam tendo um caráter eminentemente funcional. as construções chinesas que mais receberam atenção foram os templos.

Os escultores japoneses adotaram os modelos búdicos austeros da dinastia chinesa T’ang. bronze. Existia o pequeno formato de álbuns. pedra extremamente difícil de se esculpir. típicas da plástica indiana. A ele seguem-se os afrescos dos tempos da dinastia Han e mais tarde os da Tang. muito bem conservado e de uma elegância e refinamento característicos das cortes imperiais. combinado-os com os preceitos históricos do xintoísmo. As jóias e os objetos decorativos em jade. Esse expressionismo foi transferido depois para as máscaras de teatro do século XV. maior influencia na arquitetura Escultura: As primeiras esculturas chinesas eram figuras zoomórficas monumentais da época da dinastia Han. tanto em pedra como em bronze. Os motivos eram tanto religiosos quanto profanos. Sob o governo da dinastia T’Sang proliferaram as figuras em madeira pintada e folheadas a ouro. e os espelhos decorados eram muito cobiçados pelos aristocráticos mecenas japoneses. Os trabalhos em jade. Pintura: A extensa história da pintura chinesa começou com um quadro sobre seda encontrado recentemente e que pertenceu à dinastia Shou (206 a. pertencentes à dinastia Ming (século XIV). combinando as ilustrações com letras desenhadas. com exceção das famosas estátuas monumentais do príncipe Buda. Não satisfeitos com a idealização chinesa. No século XI aparecem os primeiros quadros de paisagem. cerâmica e porcelana de caráter suntuoso. o que os levou a colorir rostos e intensificar as feições. Pode-se dizer que esses modelos se conservaram ao longo de toda a história da arte chinesa quase sem variações estilísticas. nos quais tanto os chineses quanto os japoneses demonstraram um refinamento singular e uma grande exigência de qualidade. obscureceram a escultura. Ousados e inconformados. tentaram dotar sua estatuaria de grande expressividade.).C. A porcelana faz parte da tradição: a mais representativa continua sendo o azul cobalto e branca (Arte Ming). os artistas japoneses não temeram cair num certo maneirismo próximo do grotesco. O paisagismo foi considerado na China o gênero pictórico mais relevante e atingiu o apogeu durante a dinastia Song (IX-XIII).uma das construções de contemporânea ocidental. As 111 .

e manifestou-se uma renovada religiosidade nos temas. que tanta influência exerceram sobre a pintura dos séculos XIX e XX. com os conhecidos quadros da cerimônia do chá. sempre segundo cânones estéticos chineses. as composições eram em geral assimétricas e obtinha-se uma ilusão de perspectiva sem paralelo na pintura universal. não se afastou do modelo chinês. A arte indiana também recebeu influencia persa. Já em plena Idade Média. desde seu surgimento. Nepal. Também foi o apogeu dos gêneros paisagistas e de costumes. foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a partir do reino vizinho. a pintura chinesa se limitou à imitação dos modelos antigos. eram semelhantes às primeiras pinturas budistas dos pagodes chineses. 112 . A partir do século XIV. e seus escritos religiosos.. o Khuner.paisagens ostentavam formas puras e simbólicas. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação. O grande ressurgimento da pintura não chegou senão no século XVIII. e surgiram as pinturas sobre seda e as gravuras. a pintura sobre seda se transformou no gênero mais valorizado. apesar de posterior ao Bramanismo e contemporâneo do jainismo. De caráter naturalista. principalmente e dos impressionistas e modernistas. Tibete e Indonésia. mas também na Caxemira. o sânscrito. no essencial. principalmente nas cortes. O modelo. A pintura japonesa. Os Vedas. ARTE INDIANA E KHMERIANA: Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia. com dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural. Ceilão. pelos demais. os pintores japoneses abandonaram definitivamente os temas religiosos e optaram por ilustrar o refinamento e os luxos da corte. que depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua. que tão imitadas seriam na Europa rococó (Chinoiserie). no século VII a. com os quadros de costumes conhecidos como ukiyo e obras de Utamaro e Hokusal. estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história.C. que decoravam as paredes dos templos. O budismo. Adquiriu então importância a técnica de aquarela sobre papel ou seda. A partir de então. entretanto. A principio também se produziu grande quantidade de afrescos. que depois foram estendidos às outras religiões. As origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos.

no Camboja. influenciada pela arte grega. surgiram as três escolas mais importantes da Índia. Pintura: A pintura indiana complementou a escultura na decoração de templos e palácios e serviu como veiculo de propagação da religião e da história a partir da dinastia Vakataka (século V d. Os temas preponderantes eram as cenas de vida do príncipe Buda (O iluminado).). fazia-se alusão a ele através d algum símbolo ou do vazio. A arte indiana começou a se expandir a partir da Idade Média e encontrou seu imitador mais respeitado no vizinho reino do Khmer.). O chamado período clássico começou com os reis guptas. criou a chamada arte grecobúdica e foi também responsável pela primeira representação figurativa do príncipe Buda.sob o reinado de Asoka (274-237 a. de superfícies menos carregadas. retocando-a depois de seca a superfície. mais novos. No século I d. No caso dos afrescos das famosas cavernas de Ajanta. cuja imagem apareceu pela primeira vez nas obras da escola de Gandhara. em representações mais rígidas. – I a.C. retomando a tradição indiana. Os artistas desse reino apostaram. que manteve os princípios estilísticos da dinastia Gupta. de modo geral estritamente simétricas e despojadas do sensualismo e erotismo do modelo.).C. Antes. ainda que fossem influenciadas por uma estética sensual e idealista. extravagância e colorido. no sul.C. que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e renovaram as formas arquitetônicas. enquanto outros.C. no norte. 113 . alguns datam do século II d. sentado e com auréola. e a de Wengi. A época do esplendor desse tipo de afresco coincidiu com o período de transição (séculos V a.. pintava-se o desenho básico com a parte úmida. Especial relevância tiveram os templos piramidais. são do século V. época em que esse tipo de pintura começa a se difundir por toda a Ásia. as representações tendiam para o naturalismo. deixando de lado o budismo. e os relevos. que se difundiram de lá para o resto da Ásia. até então simbolizado pelo vazio. Essa técnica deu origem a graves problemas no que diz respeito à conservação das obras. entretanto. que era a representação mais completa de seu estado de pureza e santidade. ou seja. aparentemente devido à falta de conhecimento técnicos de seus escultores. A de Gandhara e a de Mathura. na medida em que.C. A técnica utilizada era a do afresco combinado com a têmpera. No geral. anterior a ela: porte colossal. A primeira foi a mais importante.C.

Norte da África e Espanha. surgiram a partir da indianização do budismo. tanto nas estátuas quanto nos relevos. 114 . tanto no Oriente quanto no Ocidente. uma das ramificações religiosas indianas do budismo. Pérsia.No inicio do século X. típicas da decoração dos stupas. Durante o período clássico (320-570 d. além de decorar. começou a rápida expansão do Islã até a Palestina. No século XI apareciam as primeiras imagens do príncipe santo nas oficinas da escola de Gandhara sob a influencia grega. A influencia da estatuaria indiana deixou sua marca no reino vizinho. As formas búdicas e indianas foram adotadas em representações mais esquemáticas e rígidas. com uma qualidade artística visivelmente inferior.) a escultura indiana começou a adotar elementos fantásticos ao mesmo tempo em que ganhou em monumentalidade. as paredes internas e externas do templo com figuras humanas e de animais. Apesar de inteiramente figurativa. o Khmer. o tantrismo.C. cumpriam a função de ensinar aos iniciados os princípios de Buda. o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina (Madinat al-Nabi. um caráter decididamente naturalista. interpretou o ato sexual como a aproximação do homem divino. Índia. Isso se deu ao fato de que sob a dinastia Mahayana. faltavam-lhes o colorido e a vivacidade dos afrescos. As figuras talhadas na pedra pareciam se reproduzir infinitamente para cobrir completamente. nas suas origens. sucessores do profeta. Escultura: A escultura Indiana teve. sob a orientação dos califas. consagrada na Idade Média. a arte budista dos pioneiros tempos evitou representar o príncipe iluminado. Os relevos com cenas eróticas extremamente explicitas. Síria. ARTE ISLÂMICA: No ano de 622. no Camboja. cidade do profeta). num descontrolado horror ao vazio. que evitavam toda a referencia ao erotismo. Ásia Menor.). Como a pintura era feita sobre folhas de plantas regionais dessecadas e em rolos de papel. O melhor exemplo disso é o relevo “A Descida dos Ganges” (século I d. Essa carência foi suprida com a influencia posterior da pintura persa. Essa tendência se manteve por vários séculos. De lá. a pratica do afresco cedeu lugar a miniatura.C. que.

De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se identificassem. Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços estilísticos dos povos conquistados, que no entanto souberam adaptar muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu inicio, conceitual e religiosa. No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má imitação de uma realidade fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista. As letras lavradas na parede lembraram o neófito, que contempla uma obra feita para Deus. Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no inicio, como exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação. Arquitetura: As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina : uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e refugio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos. No entanto a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão

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importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização. A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um circulo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma.. As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àqueles na forma. A construção de palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capitulo a parte. As residências dos emires, construíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o habitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala de trono. Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar a todos os fiéis, convidando-os à oração. A Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos mártires. Tapetes: os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmica. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o mulçumano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra. Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80.000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40.000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais
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clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração. Pintura e gráfica: as obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas,. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa. A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação cientifica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capitulo de outro. Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No inicio, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco. Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava a cerâmica, mais utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso cotidiano. ARTE AFRICANA: Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no
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ARTE OCEANICA: A arte da Oceania constituiu um conglomerado de expressões artísticas de grande diversidade. não pode ser entendida senão com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças religiosas. algo que colaborou em muitos casos. Sua inclusão na história da arte é bastante recente. Entre as peças mais valorizadas atualmente estão. Daí ser particularmente difícil encontrar os traços artísticos comuns. fang. no século XX. embora. Basicamente os povos africanos eram animistas. tentaram imitálas. Alguns. que são as principais. Mais ainda. apenas para citar algumas. Recentemente. especialmente os fauvistas e os expressionistas. não titubearam em se mudar para lá por algum tempo. data deste século. provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente. além de reconhecer os valores artísticos das peças africanas. Some-se a isso a influencia dos primeiros colonizadores portugueses. vindas das ilhas paradisíacas dos mares do sul. em busca de novas motivações temáticas e técnicas.continente africano convivem dez mil línguas. O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras vanguardas. não se conhecendo assim seu lugar de origem ou simplesmente ignorando-se sua função. ioruba e bini e as de Luba. como Gauguin. embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações. quando fauvistas e expressionistas se maravilharam diante da liberdade criativa que expressam as primeiras peças chegadas ao Velho Continente. distribuídas entre quatro famílias. Mas o dono já estava feito. 118 . para a distorção do verdadeiro sentido das obras. Estes. a exemplo da Europa. A arte africana é eminentemente funcional. existindo também os povos monoteístas. O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas. E isso é muito importante para a análise da obra. Muitos objetos ficaram sem classificação. se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes. prestavam culto ao espírito de seus antepassados. foi possível. organizar as coleções dos museus europeus. as esculturas de arte das culturas fon. Outros chegaram a criar verdadeiros panteões de deuses. graças a antropologia de campo e aos especialistas em arte africana. que cristianizaram várias regiões.

os Melanésios. e os polinésios. embora no caso do arquipélago da Polinésia e Malanésia os materiais utilizados sejam variados: fibras vegetais. limitados pela escassez do deserto. na Nova Zelândia (os maoris) e ilha de Páscoa. os papuas acentuam a expressividade. menos conservadores. na ilha da Nova Guiné.São quatro as etnias principais encontradas no continente da Oceania. Também é possível detectar diferenças estilísticas consideráveis. climáticos e materiais de cada região. madeira e conchinhas. buscavam a novidade. inclusive entre os povos mais próximos: os australianos se preocupam com o simbolismo religioso. cada um desenvolveu diferentes técnicas e disciplinas artísticas submetidas em parte aos condicionamentos geográficos. penas de pássaros. ossos. o mesmo já não ocorre com os aborígines australianos. 119 . vindas provavelmente da Índia e Indonésia: os australianos. Embora todos tenham origem asiática. corais. os papuas. no arquipélago da Melanésia. Assim. e os polinésios. nos deserto do continente.

.................................................................21 BARROCO:.........................118 ARTE PALEOCRISTÃ:..........................................................14 ARTE ROMÂNICA:..........................17 ARTE PRÉ-HISTÓRICA:...............................................................................................................................................................................................................................114 ARTE NAIF:................................ BODY ART E NOVO DADAISMO:....................................................................................................................................Índice Remissivo ABSTRACIONISMO:..............................................................................................................................................1 120 .........................................................................3 ARTE ROMANA:...................................................................................................18 ARTE CHINESA E JAPONESA:.................................... AMBIENTES.............................................................................................96 ARTE BARBARA:...................................................117 ARTE ASSEMBLAGES.......45 ARTE OCEANICA:...................................................117 ARTE AFRICANA: ..........................................................................................................23 ARTE GREGA:.....................................................................................................................................................................................................................................97 ARTE EGIPCIA:.....................................................................................10 ARTE INCA:................................................................................................................................................................................................................ HAPPENINGS..........................70 ACTION-PAINTING:......................................................................................................................................................................................................................................................67 ARTE NOUVEAU:........................................................................................................................................................................................................ ..............................................................112 ARTE ISLÂMICA:....................................................................................................20 ARTE BIZANTINA:..............................................................................................................................................................................................34 Classificação da arte:................85 ARTE AFRICANA.............................109 ARTE CONCEITUAL:....86 Como as idéias se espalham pelo mundo?...........................................3 Como entendemos a arte?...........................................................2 Conceito:.....1 COBRA:.....................................................................................................................................................................................................................................................................108 ARTE INDIANA E KHMERIANA:........................................6 ARTE GÓTICA:............................................................................................................................................................................

.......................................................................88 POP ART: .......49 PÓS-MODERNISMO:.......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................INCAS:.....95 INSTALAÇÃO:.................................................................87 PINTURA METAFÍSICA:.................................... GOTTILIEB E NEWMAN...............................................................................................................................................................................................................................................................................................69 DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO...... EXISTECIALISMO E TACHISMO:.75 EXPRESSIONISMO:................................................................59 GRAFITTI:.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................29 MESOPOTÂMIA:..........................97 INTERFERÊNCIA:...........................................................................46 INFORMALISMO.................................................................................................................2 PÓS-IMPRESSIONISMO:...............................................45 NEOCLASSICISMO:........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ASTECAS ...........93 PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS ..........................................................................60 DADAÍSMO:...........................................................................2 OP ART:.....................................................................................................77 EARTH ART:.......................................77 CUBISMO:......................... ......................................2 121 ...39 NEOPLASTICISMO:...............................................................................................................................81 O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte?............................................................................................97 MANEIRISMO:................................79 CONSTRUTIVISMO:.......................................................................68 POP ART.........................................................................................................................90 MODERNISMO:.......................................................................................................................................................................................CONCRETISMO:..........................................................................................................................................................6 MINIMALISMO:....................1 IMPRESSIONISMO:.............................................105 História da Arte:.................................................................................................51 FOVISMO:..................................................106 Quem faz arte?.........92 EXPRESSIONISMO ABSTRATO:.......................................................................................................................88 Por que o mundo necessita de arte?..................................................................................

.......................................................................................................36 ROMANTISMO:.................42 RENASCIMENTO:...........MODERNISMO:..100 122 ............................................................................................................................... NEO-EXPRESSIONISMO...........................25 ROCOCÓ:......................40 SUPREMATISMO:.... NOVOS SELVAGENS..........................................95 REALISMO:..................RACIONALISMO:................ BAD PAINTING..................................................................................................................................................................... NOVA FIGURAÇÃO E PÓS............................82 TRANSVANGUARDA...........................................................................................................................................................................75 SURREALISMO:..................................................................................................

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