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A desconsideração da personalidade jurídica

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A desconsideração da personalidade jurídica: a teoria, o CDC e o novo Código Civil

Sumário: 1. Introdução – 2. O uso da pessoa jurídica – 3. O que é a desconsideração da personalidade jurídica? – 4. Origem histórica da desconsideração – 5. Terminologia – 6. A desconsideração e as teorias a respeito da personalidade – 7. Aplicação da desconsideração – 8. Requisitos da desconsideração: 8.1 A personificação; 8.2. A Fraude e o abuso de direito relacionados à autonomia patrimonial: 8.2.1. Fraude 8.2.2 – Abuso de direito; 8.3. Imputação dos atos à pessoa jurídica; 9. O direito positivo brasileiro; 10. A desconsideração no código de defesa do consumidor: 10.1. Hipóteses autorizadoras da desconsideração; 10.2. Os grupos, consórcios e sociedades coligadas; 10.3. O parágrafo quinto do artigo 28; 11. A desconsideração no novo código civil. 12. Bibliografia

1. Introdução A pessoa jurídica é um dos mais importantes institutos jurídicos já criados, cujo uso, todavia, nem sempre atendeu às finalidades a que se destinava originalmente, quando de sua concepção. Tal fato gerou uma reação que permite excepcionalmente desconsiderar a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas.

2. O uso da pessoa jurídica O direito existe em função do homem, vale dizer, existe para realizar da maneira mais adequada possível os interesses do homem. A situação não é diferente em relação à pessoa jurídica, que nada mais é do que "uma armadura jurídica para realizar de modo mais adequado os interesses dos homens" (1). Para a realização de alguns empreendimentos, por vezes é imprescindível a união de várias pessoas, as quais, todavia, não querem simplesmente entregar recursos para que outra pessoa os administre, as mesmas querem assumir responsabilidades e atuar diretamente na condução do empreendimento. De outro lado, as mesmas pessoas têm medo de comprometer todo o seu

patrimônio, e preferem não assumir o risco, e investem seus recursos em atividades não produtivas. A fim de incentivar o desenvolvimento de atividades econômicas produtivas, e conseqüentemente aumentar a arrecadação de tributos, produzindo empregos e incrementando o desenvolvimento econômico e social das comunidades, era necessário solucionar os problemas mencionados, encontrando uma forma de limitação dos riscos nas atividades econômicas. Para tanto, se encaixou perfeitamente o instituto da pessoa jurídica, ou mais exatamente, a criação de sociedades personificadas. Cria-se um ente autônomo com direitos e obrigações próprias, não se confundindo com a pessoa de seus membros, os quais investem apenas uma parcela do seu patrimônio, assumindo riscos limitados de prejuízo. Esta limitação de prejuízo só pode ser reforçada com as sociedades de responsabilidade limitada (sociedade anônima e sociedade por quotas de responsabilidade), as únicas usadas atualmente no país. As sociedades personificadas são, pois, uma das chaves do sucesso da atividade empresarial (2), proliferando-se cada vez mais como o meio mais comum do exercício das atividades econômicas. Trata-se de um privilégio assegurado aqueles que se reúnem e desenvolvem conjuntamente determinada atividade econômica. "A atribuição da personalidade corresponde assim a uma sanção positiva ou premial, no sentido de um benefício assegurado pelo direito – que seria afastado caso a atividade fosse realizada individualmente – a quem adotar a conduta desejada" (3). Este prêmio, este privilégio que é a pessoa jurídica não existe apenas para satisfazer as vontades e caprichos do homem, e sim atingir os fins sociais do próprio direito. Como afirma Rubens Requião, "A sociedade garante a determinadas pessoas as suas prerrogativas, não é para ser-lhes agradável, mas para assegurar-lhes a própria conservação. Esse é, na verdade, o mais alto atributo do Direito: sua finalidade social" (4). Assim, a pessoa jurídica existe e deve ser usada por ser um instrumento importantíssimo da economia de mercado, sem, contudo, cometer abusos, e gerar iniqüidades. Infelizmente, o uso adequado da pessoa jurídica por todos que gozem de tal privilégio é uma utopia. Reconhecida a personalidade jurídica, nas sociedades regulares, o particular pode explorar atividade econômica com limitação de prejuízos pessoais. Todavia, tal possibilidade permitiu uma série de fraudes, de abusos de direito. As sociedades contraem, em seu nome, inúmeras obrigações (empréstimos, adquirem bens), não restando, porém, bens suficientes em seu patrimônio para a satisfação das obrigações, de modo que os sócios ficam com os

é uma forma de reconhecer a relatividade da personalidade jurídica das sociedades. os sócios ficam inibidos de praticar atos que desvirtuem a função da pessoa. Todavia. que não se destrói a pessoa jurídica. Assim. Este privilégio só se justifica quando a pessoa jurídica é usada adequadamente. via de regra é decretada. isto é.. pois a forma de adequar a pessoa jurídica aos fins para os quais a mesma foi criada. Há que se ressaltar. sendo desconsiderada apenas no caso concreto. adequando-o a novas realidades econômicas e sociais. que continua a existir. esquecer a separação entre sociedade e sócio (9). simplesmente. . burlar a lei. A desconsideração é. A perversão do conceito para usos impróprios e fins desonestos (e. e o prejuízo fica com os credores e com a sociedade. para escapar de obrigações). não se pode fazer prevalecer o dogma da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os seus membros. pois caso o façam não estarão sob o amparo da autonomia patrimonial. o que leve a estender os efeitos das obrigações da sociedade. Apenas se coíbe o desvio na sua função. jurídica. não será tolerado. nada mais eficaz do que retirar os privilégios que a lei assegura. Entre esses são várias as situações onde as cortes podem desconsiderar a pessoa jurídica para atingir um justo resultado" (8). g.ganhos. "A teoria da desconsideração não visa destruir ou questionar o princípio de separação da personalidade jurídica da sociedade da dos sócios. caso tais propósitos sejam desvirtuados. o juiz "se limita a confinar a pessoa jurídica à esfera que o Direito lhe destinou" (10). Desvirtuada a utilização da pessoa jurídica. funciona como mais um reforço ao instituto da pessoa jurídica. não a transformando. vale dizer. é a forma de limitar e coibir o uso indevido deste privilégio que é a pessoa jurídica (6). mas. O que é a desconsideração da personalidade jurídica? A lei reconhece a pessoa jurídica como um importantíssimo instrumento para o exercício da atividade empresarial. "O conceito será sustentado apenas enquanto seja invocado e empregado para propósitos legítimos. cuja falência. 3. o desvio da função faz com que deixe de existir razão para a separação patrimonial (7). para perpetuar fraudes. por outro lado. vale dizer. descartar a autonomia patrimonial no caso concreto. porém num dogma intangível A personalidade jurídica das sociedades "deve ser usada para propósitos legítimos e não deve ser pervertida" (5). A fim de coibir esse uso indevido da pessoa jurídico surgiu a desconsideração da personalidade jurídica.

porém. e sacrificar a autonomia patrimonial. se verificar que ela foi utilizada como instrumento para a realização de fraude ou de abuso de direito" (15). como a finalidade social do direito. lançaremos mão de uma. abre-se oportunidade para a desconsideração sob pena de alteração da escala de valores" (14). Apenas quando um valor maior for posto em jogo. Similarmente se pronunciou Marçal Justen Filho afirmando que a desconsideração "é a ignorância. Fábio Ulhoa Coelho assim define a desconsideração: "O juiz pode decretar a suspensão episódica da eficácia do ato constitutivo da pessoa jurídica. perpetrada pelos mesmos. de medida excepcionalíssima. dos efeitos da personificação jurídica validamente reconhecida a uma ou mais sociedades. para casos concretos e sem retirar a validade do ato jurídico específico.evitando-se que seja utilizado pelos sócios como forma de encobrir distorções em seu uso" (11) Trata-se. Origem histórica da teoria da desconsideração . neste particular. O progresso e o desenvolvimento econômico proporcionado pela pessoa jurídica são mais importantes que a satisfação individual de um credor. Com tais contornos. e que esta cederá espaço. e inúmeras vezes entra em conflito com outros valores. a fim de estender os efeitos de suas obrigações à pessoa de seus sócios ou administradores. 4. como a satisfação dos credores. em conflito com a personificação. Logo. "A pessoa jurídica é um postulado básico que serve de base para transações comerciais e deve haver razões fortes para um tribunal ignorar este postulado. vale dizer. assim formulada: a desconsideração da personalidade jurídica é a retirada episódica. momentânea e excepcional da autonomia patrimonial da pessoa jurídica. "Quando o interesse ameaçado é valorado pelo ordenamento jurídico como mais desejável e menos sacrificável do que o interesse colimado através da personificação societária. Conquanto as definições sejam perigosas." (12) Apenas se comprovado cabalmente o desvio no uso da pessoa jurídica é que cabe falar em desconsideração. A personificação das sociedades é dotada de um altíssimo valor para o ordenamento jurídico. deve normalmente prevalecer a personificação. a fim de evitar um resultado incompatível com a função da pessoa jurídica" (16). a regra é que prevaleça a autonomia patrimonial. A solução de tal conflito se dá pela prevalência do valor mais importante (13). sendo uma exceção a desconsideração. com o fim de coibir o desvio da função da pessoa jurídica.

mas estava aí a semente da "disregard doctrine". no qual o Juiz Marshall conheceu do caso e levantou o véu da pessoa jurídica (piercing the corporate veil) e considerou a característica dos sócios individualmente falando. Suzy Koury (21) noticia a existência de um primeiro caso nos Estados Unidos em 1. uma vez que a companhia era ainda a atividade pessoal do mesmo. em detrimento da legislação (19). A desconsideração desenvolveu-se inicialmente nos países da Common Law. Era necessário relativizar a autonomia patrimonial para não chegar a resultados contrários ao direito. que prestigiou a autonomia patrimonial da sociedade regularmente constituída. Na maioria da doutrina (20)se reputa a ocorrência do primeiro caso de aplicação da desconsideração da pessoa jurídica o Caso Salomon x Salomon Co em 1897. Aaron Salomon era um próspero comerciante individual na área de calçados que. Aaron Salomon tinha 20 mil ações. Erigida como um dogma. tida a princípio como não suscetível de afastamento. a companhia mostrou-se inviável. resolveu constituir uma limited company(similar a uma sociedade anônima fechada brasileira). Neste leading case. membros de sua família. na Inglaterra. a autonomia patrimonial da pessoa jurídica era sempre prestigiada. Além das ações. pois os demais sócios eram fictícios. Em um ano. o liquidante pretendeu uma indenização pessoal de Aaron Salomon. apenas uma cada um. entrando em liquidação. A partir do século XIX começaram a surgir preocupações com a má utilização da pessoa jurídica. Deveaux. transferindo seu fundo de comércio a tal sociedade. Em tal companhia. Tal decisão foi reformada pela Casa dos Lordes.809 o caso Bank of United States vs. o mesmo recebeu várias obrigações garantias. impondo a Salomon a responsabilidade pelos débitos da sociedade. na qual os credores sem garantia restaram insatisfeitos. e tida como fundamental não se admitindo sua superação (17). a qual.A importância do fenômeno da personificação e de seus efeitos levou a uma supervalorização da autonomia patrimonial. Não se trata propriamente de um leading casea respeito da desconsideração da . após mais de 30 anos. O juízo de primeiro grau e a Corte de apelação desconsideraram a personalidade da companhia. contudo não chegou a se desenvolver satisfatoriamente (18) . e outros seis sócios. pois no direito continental os fatos não têm a força de gerar novos princípios. que imputava responsabilidade ao controlador de uma sociedade de capitais por obrigações não cumpridas. A fim de proteger os interesses de tais credores. como a teoria da soberania HAUSSMANN e MOSSA. assumindo a condição de credor privilegiado da companhia. em virtude do que foram buscados meios idôneos para reprimi-la.

no direito argentino "desestimácion de la personalidad" (25) No Brasil a expressão mais correta para tal instituto é a desconsideração da personalidade jurídica. no direito italiano "superamento della personalitá giuridica". 5. Terminologia Surgida na jurisprudência anglo-saxônica a desconsideração lá é conhecida como "disregard of legal entity" ou "disregard doctrine".pessoa jurídica. para conhecer da questão no âmbito da justiça federal (24). despersonalizar é completamente diverso de desconsiderar a personalidade. Nos países da Common Law usam-se também expressões retóricas como levantar o véu da pessoa jurídica ("piercing the corporate veil". que veio a lume em 1964. Tratava-se não de uma discussão sobre responsabilidade. mas apenas de uma primeira manifestação (22)que olhou além da pessoa jurídica e considerou as características individuais dos sócios (23). No direito alemão fala-se em "Durchgriff derr juristichen Person". sobretudo na jurisprudência norte americana. Não se podia considerar a sociedade um cidadão. Não se trata de mero preciosismo terminológico. expressões por vezes usadas pelos autores brasileiros. porquanto há uma grande diferença entre as duas figuras. levou-se em conta os diversos membros da pessoa jurídica. autonomia patrimonial. não se podendo falar em despersonalização. foi a partir da jurisprudência anglosaxônica que se desenvolveu a teoria da desconsideração da pessoa jurídica. esta resta mais protegida. mais uma discussão sobre a competência da justiça federal norte americana. devemos ressaltar alguns trabalhos importantíssimos. com o título Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. a qual só abrangia controvérsias entre cidadãos de diferentes estados. não se trata de despersonalização (anulação definitiva da personalidade). a obra Aparencia y realidad em las sociedades mercantiles de Rolf Serick publicada em alemão em 1953. . o que não ocorre na desconsideração. Qualquer que seja a decisão considerada. retirada momentânea de eficácia da personalidade. Despersonalizar significa anular a personalidade. No Brasil devemos dar destaque especial ao artigo de Rubens Requião publicado em 1969. não se anula a personalidade. Nesta. mas de simples desconsideração. ao contrário. Na doutrina. então. e a obra Il superamento della personalitá giuridica delle societá di capitalli nella "common law" e nella "civil law" de Piero Verrucoli. como a obra Disregard of corporate fiction and allied corporation problems de Wormser publicada inicialmente em 1927.

"Quando a noção de entidade legal é usada para frustrar o interesse público. é uma forma de evitar um resultado injusto pela utilização da pessoa jurídica. e por isso. a desconsideração é um instrumento de direito positivo. Este último elemento fundamental é negado. 6. mas somente objetiva desconsiderar no caso concreto dentro de seus limites. A pessoa jurídica continuará a existir para os demais atos. A desconsideração e as teorias a respeito da personalidade Qualquer que seja a explicação adotada para a personificação das sociedades. de modo que não deve ocorrer a despersonalização. quando se usa indevidamente a personificação para atingir um resultado contrário ao direito (32). a pessoa jurídica em relação às pessoas que atrás dela se escondem" (26). compete ao ordenamento jurídico controlar o uso desta ficção. isto é. nos quais não se apresente um motivo justificado para aplicar a desconsideração. proteger fraudes. o ordenamento jurídico pode a qualquer tempo suspender seus efeitos desconsiderando-a. De outro lado. seja realidade. considerando-se os sócios individualmente. definindo os exatos limites do uso adequado da pessoa jurídica. Por isso. o direito deve considerar a sociedade como uma associação de pessoas" (33). "Seria absurdo que o Estado criasse novos sujeitos destinados a operar no seu território. justificar erros. As ficções legais existem para alcançar um fim justo. A pessoa jurídica é um instituto muito importante para ser destruído. ou justificar crimes. uma ficção. Se a personalidade é uma criação do legislador. A pessoa jurídica é uma realidade técnica para atingir fins lícitos (30). mais reconhecimento estatal (31). A pessoa jurídica pela teoria da realidade é constituída de substrato. daí falar-se em suspensão episódica e temporária. . como uma forma de controle do privilégio que é a personalidade jurídica das sociedades. contra ele diretamente ou contra as finalidades por ele perseguidas e tuteladas" (29). falamos em desconsideração e não em despersonalização. seja ficção. utilizada para adequá-la a seus referenciais meta – jurídicos. " a destruição da entidade pessoa jurídica. a desconsideração é perfeitamente justificada. mas a suspensão dos efeitos da separação patrimonial in casu" (27). não podendo dar margem a outras finalidades (28). Trata-se de uma técnica que se aplica aos casos concretos específicos. se a personalidade é uma realidade anterior a lei."A "disregard doctrine" não visa a anular a personalidade jurídica.

há que se ter cautela sempre. em comportamento ilícito . 7. todavia. já se pronunciou o 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. atendidos determinados requisitos. anteriores a qualquer positivação da doutrina. apenas em casos excepcionais. pois assim. Aplicação da teoria da desconsideração Diante da possibilidade de se desvirtuar a função da personalidade jurídica é que surgiu a doutrina da desconsideração. existindo inclusive algumas manifestações jurisprudenciais como o julgamento da 11ª Vara Cível do Distrito Federal em 25. que embora seja um importante princípio. a autonomia patrimonial. há que ressaltar que a desconsideração prescinde de fundamentos legais para a sua aplicação (34). a importância do princípio da autonomia patrimonial nos leva. que deve ser controlado. e por isso. vale dizer. mas da não aplicação no caso concreto da autonomia patrimonial da pessoa jurídica que está indevidamente usada (35). é necessário que tal descumprimento decorra do desvirtuamento da função da mesma. Não basta o descumprimento de uma obrigação por parte da pessoa jurídica (37) . obsta-se o alcance de resultados contrários ao direito. Tais requisitos são bem específicos referindo-se basicamente ao desvirtuamento no uso da pessoa jurídica. a qual permite a superação da autonomia patrimonial. De imediato. a faculdade de verificar se o privilégio que é a personificação e conseqüentemente. A personificação é um instrumento legítimo de destaque patrimonial. Assim. Não se trata da aplicação de um dispositivo que autoriza a desconsideração. que só pode ser descartado caso o uso da pessoa afaste-se dos fins para os quais o direito a criou (39). e eventualmente de limitação de responsabilidade (38). como o Brasil. mesmo nos países da tradição romano-germânica. Nada mais justo do que conceder ao Estado através da justiça. mesmo que decorrentes da incapacidade administrativa de seus gerentes. não se consubstanciam por si sós.Há um consenso no sentido de que a personalidade é um privilégio. não é um princípio absoluto. A aplicação generalizada da desconsideração acabaria por extinguir uma das maiores criações do direito a pessoa jurídica.60 Juiz Antônio Pereira Pinto. não considerando suficiente o não cumprimento das obrigações da pessoa jurídica. por meio da teoria da desconsideração. afirmando que "percalços econômicos financeiros da empresa. a regra é que prevaleça o princípio. direito está sendo adequadamente realizado (36).02. Entretanto. a aplicar a desconsideração com cautela. tão comuns na atualidade.

ou seja. Requisitos para a desconsideração A fim de desconsiderar o fenômeno da personificação. e que não se trate de responsabilização direta do sócio. é imprescindível que restem preenchidos os requisitos para aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. No sistema brasileiro a personalidade jurídica das sociedades nasce com o registro dos atos constitutivos no órgão competente (art. Para a desconsideração é fundamental a prova concreta de que a finalidade da pessoa jurídica foi desviada (41). Em outras palavras.1 – A personificação A própria terminologia usada deixa claro que a desconsideração só tem cabimento quando estivermos diante de uma pessoa jurídica. não há que se cogitar de autonomia patrimonial. 18 código civil). Sem a existência de personalidade não há o que desconsiderar. a aplicação da desconsideração pressupõe uma sociedade. por ato próprio. praticamente as únicas que existem no país. Do contrário seria banir completamente o instituto da pessoa jurídica" (40). Em termos práticos. de uma sociedade personificada. não havendo motivo para a aplicação da desconsideração. mas em sociedade de fato ou irregular. não se pode falar em personificação da sociedade.e desvio da finalidade da entidade jurídica. na qual o exaurimento do patrimônio social não seja suficiente para levar responsabilidade aos sócios. é necessária a existência de uma pessoa jurídica. de sociedade anônima ou sociedade por quotas de responsabilidade limitada. 8. de modo que o patrimônio dos sócios. não havendo a possibilidade uso desta autonomia para fins escusos. solidária e ilimitada pelos atos praticados pela sociedade (42). Nas sociedades de fato ou irregulares os sócios assumem responsabilidade direta. . Além disso. não importa se exista ou não o ato constitutivo. 8. isto é. é necessário que se configure a fraude ou abuso de direito relacionado à autonomia patrimonial. além da personificação é necessário que se cogite de uma sociedade na qual os sócios tenham responsabilidade limitada (43). não se tratando de uma pessoa jurídica. isto é. responda pelas obrigações contraídas em nome dos sócios. Ora. Sem tal registro.

podem lançar mão de autonomia patrimonial para se ocultar. torna mais fácil a aplicação direta da responsabilidade ilimitada dos sócios.2. 8. desenvolvendo o que se costumou chamar de sistema objetivo. a excepcionalidade da superação da autonomia patrimonial por meio da aplicação da desconsideração. pois nada impediria a desconsideração nos demais tipos societários. que se constata na fraude e no abuso de direito relativos à autonomia patrimonial. 8. quando a mesma já é consignada na lei. pois há casos.1 – Fraude relacionada à autonomia patrimonial A autonomia patrimonial da pessoa jurídica é um meio legítimo de destaque patrimonial.2 – A Fraude e o abuso de direito relacionados à autonomia patrimonial O pressuposto fundamental da desconsideração é o desvio da função da pessoa jurídica (44). Fábio Konder Comparato (45) entende que tal formulação da desconsideração é equivocada. mas há o desvio da função da pessoa jurídica. pois a desconsideração nada mais do que uma forma de limitar o uso da pessoa jurídica aos fins para os quais ela é destinada. A confusão patrimonial não é por si só suficiente para coibir todos os casos de desvio da função da pessoa jurídica. Todavia. isto é. "a distorção intencional da verdade com o intuito de prejudicar terceiros" (46). Todavia. e fugir ao cumprimento de suas obrigações. Sem sombra de dúvida a confusão patrimonial é um sinal que pode servir. entendendo que é a confusão patrimonial o requisito primordial da desconsideração. autorizando a superação da sua autorizando a superação da autonomia patrimonial. sobretudo de meio prova. limitando os riscos da atividade empresarial. Assim. independentemente de se tratar de credores (47). partilhamos o entendimento de que a fraude e o abuso de direito relacionados à autonomia patrimonial são os fundamentos básicos da aplicação da desconsideração. para se chegar a desconsideração. A fraude é o artifício malicioso para prejudicar terceiros. mas não é o seu fundamento primordial. Entretanto. facilitando o desenvolvimento da chamada economia de mercado. Ousamos discordar de tal entendimento. Tal prática a princípio é lícita (48). com o intuito de proteger a própria pessoa jurídica. sua ilicitude decorre . não se trata de orientação pacífica.A exigência da limitação de responsabilidade é de cunho eminentemente prático. estaremos diante de uma fraude relacionada a autonomia patrimonial. pessoas movidas por um intuito ilegítimo. Neste particular. nos quais não há confusão de patrimônios. O essencial na sua caracterização é o intuito de prejudicar terceiros.

nos fins ilícitos buscados no manejo da autonomia patrimonial. mas da finalidade ilícita de tal desvio (55).do desvio na utilização da pessoa jurídica. ela existe como ente autônomo para o exercício normal das atividades econômicas.2 . não seria imposto o não restabelecimento. a qual sendo dotada de existência distinta. Todavia.O abuso de direito relacionado à autonomia patrimonial Não é só com a intenção de prejudicar terceiros que ocorre o desvio da função da pessoa jurídica. não podendo prevalecer em detrimento do alcance da almejada justiça (50). A pessoa jurídica não existe para permitir que a pessoa física burle uma obrigação que lhe é imposta. Trata-se de obrigação pessoa do alienante. onde a ilegitimidade decorre não do desvio de função. normalmente é imposta uma cláusula de não restabelecimento. uma fraude. isto é. claramente não é esse o fim para o qual foi criada a pessoa jurídica. contudo. isto é. não existe para permitir que pessoa física faça algo que lhe é proibido (51). Quando um comerciante aliena seu estabelecimento (trespasse). Cogitamos aqui dos chamados negócios indiretos entendidos como aqueles pelas quais as partes tentam alcançar uma finalidade que não é a típica do negócio em questão (53). isto é. se impõe ao alienante a obrigação de não se restabelecer fazendo concorrência ao adquirente. Fraudes podem ser cometidas pela pessoa jurídica. não basta o negócio indireto para a desconsideração. Há que se ressaltar que não basta a existência de uma fraude. é o uso da autonomia patrimonial para fins ilícitos que permite a desconsideração. se tal fraude não tiver qualquer relação com a utilização da autonomia patrimonial não podemos aplicar a desconsideração (56). outros desvios no uso da pessoa jurídica também devem . 8. é imprescindível que a mesma guarde relação com o uso da pessoa jurídica.2. A utilização da pessoa jurídica para alcançar fins diversos dos típicos pode ser válida (54). como a emissão de um cheque sem provisão de fundos. A fraude à lei é uma subespécie dos negócios indiretos. que para se furtar ao cumprimento da mesma. isto é. para o tráfico jurídico de boa fé (52). Todavia. seja relativa à autonomia patrimonial. Assim. vale dizer. Um exemplo bem ilustrativo nos é dado por Fábio Ulhoa Coelho ao se referir ao descumprimento da cláusula de não restabelecimento no trespasse do estabelecimento comercial (49). desde que os fins visados sejam lícitos. Ora. vê-se claramente neste particular um artifício para prejudicar o adquirente. poderia constituir uma pessoa jurídica. há que se ressaltar que não é suficiente que se busque uma finalidade diversa da típica das sociedades para aplicar a desconsideração.

Os direitos se exercem tendo em conta não apenas o seu titular. No uso da personalidade jurídica tais abusos podem ocorrer. Quando os sócios ou administradores extrapolam seus poderes violando a lei ou o contrato social.Em suma. é o mau uso do direito. a que mais prejudica terceiros. também pode ocorrer em outras situações que não se confundem com a teoria da desconsideração. 8. o mesmo foge a sua finalidade social. por fato próprio" (62) . Entretanto. há simplesmente uma questão de imputação. pois não agiu como órgão (salvo problema de aparência) – a responsabilidade será sua.3 – Imputação dos atos praticados à pessoa jurídica: Aplicando-se a desconsideração chegaremos a responsabilização dos sócios ou administradores. o ato praticado é permitido pelo ordenamento jurídico (60). o exercício dos mesmos normalmente não é absoluto. Os direitos em geral. no abuso de direito o propósito de prejudicar não é essencial (61). e sua prevalência gera um mal estar no meio social. todavia. mas o abuso do direito que não pode ser admitido. vá contra o destino. têm por origem a comunidade. a qual. quando pratique ato ilícito. mas os sócios ou administradores escolhem a pior. mas todo o agrupamento social. em determinadas circunstâncias. O exercício dos direitos deve atender à sua finalidade social. isto é. Este "mau uso" da personalidade jurídica. é relativo. nos deparamos com o abuso de direito.ser coibidos com a aplicação da desconsideração. pode seu ato. e dela recebem sua finalidade (58). ser inimputável à pessoa jurídica. e não apenas aos meros caprichos de seu titular. variando com a experiência de cada país outros fundamentos. aparece o abuso de direito (57)como fundamento para a desconsideração. por ato seu. "Em tal caso. a utilização do direito para fins diversos dos quais deveriam ser buscados. doloso ou culposo: responderá por ilícito seu. da qual não pode o seu titular se desviar. contra a função do direito que se exerce. há apenas o mau uso da personalidade jurídica. Ao contrário da fraude. Quando ocorre tal desvio. não há o uso do direito. trata-se de um ato a princípio plenamente lícito. No abuso do direito." (59). Neste particular. todas lícitas a princípio. Quando existem várias opções para usar a personalidade jurídica. "é abusivo qualquer ato que por sua motivação e por seu fim. como o de usar a pessoa jurídica. mas de responsabilidade pessoal e direta dos sócios. Da mesma forma. Todavia. a lei lhes impõe a responsabilidade por tais atos. é que primordialmente autoriza a desconsideração. isto é. e freqüentemente ocorrem. não se cogita da desconsideração. não podendo prevalecer. Quando o diretor ou o gerente agiu com desobediência a determinadas normas legais ou estatutárias.

por obrigação da pessoa jurídica. acolheu-se a desconsideração em relação às lesões ao meio ambiente (Lei 9. cujas regras foram copiadas e estendidas a outras relações.605/98. ou pessoal dos sócios. O mesmo se diga se a extensão da responsabilidade é contratual" (65). nem de suas origens. Estamos diante de hipóteses de responsabilidade civil simples dos sócios. a pessoa jurídica não é obstáculo ao ressarcimento. Nos casos dos artigos 10 e 16 do Decreto 3. ou subsidiária. não é preciso desconsiderar a empresa. a implicação ou responsabilidade do sócio já decorre do preceito legal. "Portanto. ou quando ela proíbe que certas operações. como pretendem alguns.078/90. acolhem ainda que de maneira confusa a desconsideração no direito brasileiro.884/94) houve praticamente a repetição do teor do artigo 28 da Lei 8. foram as pessoas físicas que agiram de forma ilícita. vale dizer. a autoria do ato é imputada diretamente ao sócio ou administrador que o executou (63).Nestes casos. 117 e 158 da Lei 6.078/90. A desconsideração da personalidade jurídica no direito positivo brasileiro A teoria da desconsideração prescinde de fundamentos legais para a sua aplicação. ou administradores (66). uma vez que nada mais justo do que conceder ao Estado através da justiça. Em relação às infrações a ordem econômica (Lei 8. artigo 18 da Lei 8. 9.605/98). nem momentaneamente a eficácia da autonomia patrimonial.404/76. 135 da Lei 5. embora sem uma precisão desejável. não havendo que se suspender. para imputar as obrigações aos sócios.708/19. a faculdade de verificar se o direito está sendo adequadamente realizado. Tais dispositivos embora desprovidos da melhor técnica. quando a lei cuida de responsabilidade solidária. e por isso tem responsabilidade pessoal. que não as relações de consumo. o legislador houve por bem acolher a teoria da desconsideração em determinados dispositivos.884/94 e artigo 4º da Lei 9. O pioneirismo coube ao Código de Defesa do consumidor. necessário para distinguir a desconsideração de outros casos de responsabilização dos sócios. não foi a pessoa jurídica que teve sua finalidade desvirtuada. quais sejam. vedadas aos sócios.175/66 (CTN) não tratamos da desconsideração. mesmo considerada a pessoa jurídica. pois. § 5º do Código de . artigos 28 da Lei 8. por confundirem institutos diversos. Apesar disso. também praticamente reproduzindo o artigo 28. sejam praticadas pela pessoa jurídica. Posteriormente. É o pressuposto da licitude (64).

porque não se verifica a ocorrência de nenhuma hipótese que justifique sua aplicação como fraude ou abuso. Ora. o qual. se afastou dos pressupostos. e desvirtuou a teoria. consagrando hipóteses diversas sob a mesma rubrica. Assim sendo. porque reconhece e afirma a existência de personalidades distintas. 10. Tal dispositivo excepciona a autonomia resultante da formação de grupos empresariais. que representa o exercício não regular de um direito. não se trata de desconsideração. 10 – A desconsideração no código de defesa do consumidor A introdução da teoria da desconsideração no direito positivo brasileiro é atribuída ao artigo 28 do Código de Defesa do Consumidor. garantindo-lhe uma responsabilidade solidária das diversas integrantes do grupo. mas de simples solidariedade.Defesa do Consumidor. não se devendo falar em aplicação analógica. A personalidade jurídica é atribuída visando determinada finalidade social. e ao meio ambiente há uma legislação própria que reproduz o CDC. terceiro. independentemente de fraude ou abuso. não havendo que se cogitar de sua aplicação extensiva. Em tal hipótese não se discute o uso da pessoa jurídica. por três motivos: "primeiro. se . sem cogitar do abuso ou da fraude. Hipóteses autorizadoras da desconsideração O caput do artigo 28 do CDC enumera as hipóteses nas quais é cabível a desconsideração da personalidade jurídica. apenas são estendidos os riscos da atividade econômica. a menos que se afigurem presentes os elementos de uma eventual aplicação analogia.1. § 2º da CLT acolhe a desconsideração (67). segundo. em termos de direito positivo a análise a ser feita é aquela à luz do CDC. todavia. determinando a solidariedade das várias empresas integrantes do grupo. porque se trata de responsabilidade civil com responsabilização solidária das sociedades pertencentes ao mesmo grupo" (68). mas se protege de maneira direta o empregado. Há que se ressaltar que em relação às infrações à ordem econômica. Trata-se de dispositivo aplicável exclusivamente às relações de consumo. em redação pouco aconselhável. De imediato há que se afastar o entendimento de que o artigo 2º. Não se suprime sequer momentaneamente a personalidade jurídica. A primeira hipótese de desconsideração elencada pelo artigo 28 do CDC. é o abuso de direito.

que tratavam da responsabilidade pessoal dos sócios ou administradores (71). Os parágrafos 2º.qualquer ato é praticado em desacordo com tal finalidade. insolvência. trata-se de atitude arrojada e genial. consórcios e . podemos reunir em um grupo o excesso de poder. mais uma vez nosso legislador não foi feliz na medida em que a definição do que vem a ser má administração. Na seqüência o código refere-se ao excesso de poder. não sendo necessário cogitar-se de desconsideração (70). como a conduta do administrador eivada de erros. por desatender as diretrizes técnicas da ciência da administração (72). que poderá levar a inaplicabilidade do dispositivo.404/76 e 159 do Código Civil de 1916. Por fim. como os artigos 10 e 16 do Decreto 3. por conseguinte atentatório ao direito. Fábio Ulhoa Coelho tenta esclarecer a má administração. o que levou a uma redação tão confusa. a infração a lei e os fatos ou atos ilícitos (69). afastando também tal hipótese dos contornos da desconsideração propriamente dita. cuja violação também é indicada como hipótese de desconsideração. pois se trata de questão de haver imputação pessoal dos sócios ou administradores. o caput do artigo 28 menciona a falência. 10. Neste particular. que diz respeito aos administradores que praticam atos para os quais não tem poder. o CDC acolhe a doutrina que consagrou e sistematizou a desconsideração. demonstrando a dificuldade prática da introdução deste particular. pois uma atitude arriscada que gera prejuízos pode ser considerada má administração. Neste particular. sendo a desconsideração um meio efetivo de repressão a tais práticas.2 – A desconsideração e os grupos. 117 e 158 da Lei 6. tal ato é abusivo e. 3º e 4º do artigo referem-se a responsabilidade pelos danos causados ao consumidor no caso de grupos societários. Ora. Assim. encerramentos das atividades provocado por má administração. é tão abstrata e subjetiva. a violação ao contrato social ou ao estatuto. Tais hipóteses não correspondem efetivamente a desconsideração. A redundância na redução deve ter resultado de uma preocupação extrema em não deixar lacunas. contudo. A inclusão de tais hipóteses é completamente desnecessária. os poderes dos administradores são definidos pela lei. causando prejuízos a outrem.708/19. pelo contrato social ou pelo estatuto. consórcios e sociedades coligadas. pois muito antes do Código de Defesa do Consumidor já existiam dispositivos para coibir tais práticas. se a mesma atitude produz grandes lucros. Tal desleixo dos administradores é uma questão de comprovação muito difícil.

Tal interpretação é incoerente na medida em que pressupõe um erro legislativo do presidente da república.artigo 245. Luiz Antônio Rizzato Nunes (76)ao analisar o referido dispositivo entende que as hipóteses do caput do artigo 28 são meramente exemplificativas.sociedades coligadas. há responsabilidade subsidiária. § 1º da Lei 6. aumentando o seu âmbito de responsabilidade " (74). dando-lhe responsabilidade subsidiária ou solidária e reforçando os limites da coligadas. Nesses parágrafos há apenas a preocupação com a responsabilidade das sociedades controladas. estabelecem a responsabilidade no caso de sociedades que mantêm entre si alguma relação. cujo conceito é controvertido. não corrigido num prazo de 10 anos. de alguma forma. há referência às sociedades coligadas ( ma é sócia da outra com mais de 10% do seu capital. consideração de cada uma. se a sociedade causadora do dano ao consumidor. o artigo 28 § 5º afirma que "também poderá ser desconsiderada a personalidade jurídica. sendo completadas pelo parágrafo quinto. no sentido da extensão da responsabilidade das sociedades que mantêm relações entre si. Tais hipóteses também não se referem à desconsideração propriamente dita (73) . as hipóteses ali previstas se afastam do tema. o consumidor poderá se socorrer do patrimônio das demais integrantes do grupo. que não há efetiva desconsideração. a luz das razões do veto presidencial. 10.404/76) a responsabilidade é solidária. mas a instituto diverso. o consumidor escolhe entre as integrantes do consórcio aquela da qual ele irá cobrar o seu prejuízo. Já nos consórcios (reuniões de sociedades para realizar determinado empreendimento – art. Nos grupos. consorciadas e integrantes de grupo. sim. "Embora estejam intergrados no rótulo da desconsideração. exigindo-se a culpa para responsabilização da sociedade que não agiu perante o consumidor. pelo qual bastaria a existência do prejuízo . sem controla-la . vale dizer. pois. 278 da Lei 6. não tiver condições de ressarci-lo. ao contrário do parágrafo primeiro. A extensão de tal dispositivo deu margem a diversas controvérsias de interpretação. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores".404/76). ou seja. e novas críticas. o parágrafo quinto é que foi vetado. Para Zelmo Denari (75). Assim. o referido parágrafo não existe no mundo jurídico.3 – O parágrafo quinto do artigo 28 Elencando expressamente no "caput" algumas causas de desconsideração. Note-se. que consta como vetado. sempre que sua personalidade for. mas. Por fim.

Embora mais coerente. embora seja plausível. devendo ser interpretado como uma possibilidade de desconsideração a mais. a nosso ver. é necessário interpretá-lo com cautela. 28. abstrair os fundamentos da desconsideração. Para Luciano Amaro. e se revoga o artigo 20 do C. por conseguinte ignorar o caput do referido dispositivo. com razão entendem que o referido parágrafo não pode ser interpretado como uma extinção da autonomia patrimonial no âmbito do direito do consumidor. suspensão das atividades ou do fornecimento de produto ou serviço – artigo 56 do CDC). porquanto na interpretação literal se desvirtua completamente a teoria.em razão da autonomia patrimonial para aplicar a desconsideração. sendo um princípio basilar do CDC. sem contudo. o que indica a natureza pecuniária da aplicação desconsideração. a própria forma com que foi colocada tal regra. sendo um dos mais importantes institutos do direito privado. Tal linha de entendimento parece ser partilhada por Guilherme Fernandes Neto (77). A mera existência de prejuízo patrimonial não é suficiente para a desconsideração. de qualquer forma. dada a importância do instituto. C. Tal orientação. e . causares prejuízo" (78). Além do que. Leia-se. também irás preso se causares prejuízo por má administração. e também irás preso sempre que. é certo que a pessoa jurídica também é importantíssima. tal posição nos parece também equivocada porquanto o texto do referido parágrafo fala em ressarcimento. não nos permite interpretála literalmente e. aplicando o § 5º somente no que tange às sanções não pecuniárias (a proibição de fabricação do produto. no parágrafo quinto. Para Fábio Ulhoa Coelho (79) deve se fazer uma interpretação sistemática. A prevalência de tal interpretação representaria a revogação do artigo 20 do Código Civil no âmbito do direito do consumidor. há que se entender o parágrafo como uma abertura do rol das hipóteses. não é melhor sobre a matéria. Esse justo ressarcimento é o cerne da interpretação do referido dispositivo. sem abrir mão dos pressupostos teóricos da doutrina da desconsideração (80). Não é o simples prejuízo que autoriza a desconsideração. Haverá a desconsideração se a pessoa jurídica foi indevidamente utilizada. Conquanto a proteção do consumidor seja importante. Luciano Amaro faz uma crítica extremamente procedente afirmando que a interpretação literal levaria a seguinte situação analógica: "Se causares prejuízo com abuso irás preso. Outros autores. extinguindo a pessoa jurídica no âmbito do direito do consumidor. Genacéia da Silva Alberton afirma que: "no que se refere ao § 5º do art. objetivo que não parece ter sido visado pelo legislador pátrio. quando a personalidade jurídica for óbice ao justo ressarcimento do consumidor" (81). há que se fazer uma interpretação lógica e teleológica do dispositivo.

ou de um furto de todo o dinheiro da sociedade. por exemplo. pois além de se distanciar da teoria da desconsideração não atendia aos objetivos da mesma. a requerimento da parte ou do Ministério Público. não tendo a ver com a sorte econômica da empresa. de um acidente com os produtos. pois em tal caso haveria injustiça. estabelecia a expulsão do sócio. E não se diga que o risco inerente à atividade econômica impõe a desconsideração na hipótese. Assim. o juiz pode decidir. Destarte. o não ressarcimento do consumidor é justo. quando a personalidade jurídica for usada de forma injusta. O risco do sócio é limitado de acordo com o tipo societário escolhido. Assim. Em caso de abuso da personalidade jurídica. fundamento primitivo da própria teoria da desconsideração. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica". ao tratar da desconsideração. ou a dissolução da sociedade. pois decorreu de um fato imprevisto. Ao contrário do que possa parecer. e não da indevida utilização do expediente da autonomia patrimonial. o que só ocorrerá em se prestigiando essa última interpretação. 50. vê-se que o direito positivo acolhe a teoria da desconsideração em seus reais contornos. nosso código não acolhe a concepção objetiva da teoria. o necessário para a . sendo simplesmente um meio importantíssimo de comprovar o abuso da personalidade jurídica. Tal abuso poderá ser provado pelo desvio da finalidade ou pela confusão patrimonial. A desconsideração neste particular vem claramente positivada como uma forma de repressão ao abuso na utilização da personalidade jurídica das sociedades. ou pela confusão patrimonial. pois a confusão patrimonial não é fundamento suficiente para a desconsideração. o projeto já foi emendado e passou a ter a seguinte redação: "Art. quando lhe couber intervir no processo.por isso impede o ressarcimento do consumidor. A desconsideração no novo Código Civil O projeto de Código Civil. caracterizado pelo desvio de finalidade. ainda que se cogite de uma responsabilidade objetiva há que existir um nexo de causalidade entre a conduta do sócio ou do administrador e o dano. Ademais. que ocorre nas hipóteses do abuso de direito e da fraude. o que foi extremamente criticado pela doutrina. 11. pois tal risco é da pessoa jurídica. sujeito de direito autônomo e não do sócio. caberá a desconsideração. No caso. Todavia.

ASCARELLI. 2000. facilitando sua aplicação. a nova legislação deixa claro que a desconsideração não extingue a pessoa jurídica. e já podia ser aplicada com os mesmos contornos. Problemas de direito civil constitucional. São Paulo: Saraiva.mar/93. extremamente ligada ao direito escrito. Túllio. Campinas: Bookseller. _____. 1994. . São Paulo: Saraiva. p. Gustavo (Coordenador). COELHO. em verdade. p. 2. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: Um estudo de direito civil constitucional. a positivação da teoria em tais termos mostra-se extremamente interessante. Bibliografia ALBERTON. Execução de bens dos sócios: obrigações mercantis. São Paulo. 2001. 12. mas estende os efeitos de determinadas obrigações aos sócios e administradores. Todavia. ALMEIDA. 7-29. Revista de Direito do Consumidor. O empresário e os direitos do consumidor. 1999. Alexandre Ferreira de Assumpção. Fábio Ulhoa. Não se trata. nossa tradição. São Paulo. Portanto. jan. trabalhistas: da desconsideração da personalidade jurídica (doutrina e jurisprudência). impõe o acolhimento da teoria da desconsideração pelo direito positivo. ALVES. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. A par disso. Luciano. Amador Paes de. A desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. Genacéia da Silva. tributárias. Problemas das sociedades anônimas e direito comparado. Rio de Janeiro: Renovar. nº 7. Curso de direito comercial. pois a aplicação da desconsideração independe de fundamento legal. 168-182. 2000. p. Revista de Direito do Consumidor. tendo em vista a existência de um fundamento legal explicito. nº 5. AMARO. há uma suspensão episódica da autonomia da pessoa jurídica. vale dizer. São Paulo: Saraiva. 243 –278. 3ª ed.desconsideração é o abuso da personalidade jurídica. In: TEPEDINO. jul-set/93. v. de uma inovação. para se reconhecer a relativização da personalidade jurídica (82). que pode ser provado inclusive pela configuração de uma confusão patrimonial.

2 ed. V. Bogotá: Temis. Flávia Lefèvre. Desconsideração da personalidade jurídica. Law of corporations. São Paulo: RT. Bogotá: Temis. 1921. 1998. Paul: West Group. 1998._____. Brasília: Brasília Jurídica. Harry G. ed. Paul: West Group. Buenos Aires: Depalma. Beno Frederico. Robert W. 2. 1999. St. 1987. Otaegui. GRINOVER. St. 1989. 7. 5 v. Curso de derecho mercantil. FERNANDES NETO. Francesco. 1987. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. O poder de controle na sociedade anônima. 1983. 1977. 1998. Sociedades Anónimas. O abuso do direito no código de defesa do consumidor: cláusulas. 1999. São Paulo: RT. COMPARATO. Roma: Athenaeum. 2001. São Paulo: RT. 2. _____. FERRARA. FRANCO. Marçal. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. Torino:UTET. Vera Helena de Mello. Manual de direito comercial. práticas e publicidades abusivas. Le persone giuridiche. Desconsideração da personalidade societária no direito brasileiro. HENN. 1. ed. GARRIGUES. 1999. 3. 1956. Isaac. Louis. Actualizada e ampliada por Julio C. . JOSSERAND. ed. HALPERIN. GUIMARÃES. Trattato di diritto civile italiano. São Paulo: Max Limonad. 5. HUBERT. Desconsideração da pessoa jurídica nos tribunais. John R. São Paulo: RT. ed. e ALEXANDER. The Law of corporations. Ada Pellegrini (Coordenadora). Del abuso de los derechos y otros ensaios. HAMILTON. 2000. Fábio Konder. Guilherme. Joaquín. Curitiba: JM. JUSTEN FILHO. Código de Defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto.

ZANNONI. São Paulo: Saraiva. 1. SERICK. RODRIGUES. Suzy Elizabeth Cavalcante. Coimbra: Almedina. Apariencia y realidad em las sociedades mercantiles: El abuso de derecho por meido de la persona jurídica. nº 410. Metodología de la ciencia del derecho. Revista dos Tribunais. ed. 7-20. . 23. imobiliário. Revista de direito civil. Eduardo A. 1997. 1969. PINTO. Teoria geral do direito civil. Aspectos da desconsideração da personalidade societária na lei do consumidor. jul-set 1979. Luiz Antonio Rizzato. 1958. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo. Comentários ao código de defesa do consumidor: parte material. Luis Alberto. Alexandre Couto. 1999. Rolf. 58. 1998. Milano: Giuffrè. jan. dez/69. La normativa societaria ante los actos fraudulentos de le la teoría del "disregard". Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. agrário e empresarial. p. _____. Traducción y revisión de Marcelino Rodríguez Molinero. Simone Gomes. 2ª ed. 3. 165-180. REQUIÃO. 1994 NUNES. WARAT. Karl. VERRUCOLI. Rubens. São Paulo: Saraiva. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. Curso de direito comercial.KOURY. vol. São Paulo. ed. 12-24. Desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor.mar/95. Carlos Alberto da Mota. A desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas. ano 3. 2000. Traduccíon y comentarios de derecho Español por José Puig Brutau. São Paulo: LTR. Barcelona: Ariel. Revista de Direito do Consumidor. Abuso Del derecho y lagunas de la ley. São Paulo. LARENZ. Piero. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. KRIGER FILHO. Domingos Afonso. nº 13. SILVA. p. jul-set/94. p.Perrot. Barcelona: Ariel. Revista de Direito do Consumidor. v. 78-86. nº 11. nº 9. São Paulo. p. 1964. Buenos Aires: Abeledo. 1999.

to evade the law. Revista dos Tribunais. Problemas de direito civil constitucional. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. will not be countenanced. 2. Desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor. dez/69. p. HENN. FERRARA. SERICK. 80 4. In: TEPEDINO. 598. Rubens. p. ed. 1983. 3. Domingos Afonso. 2000. 15 5. São Paulo. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. John R. 195. tradução livre de "The concept will be sustained only so long as it is invoked and employed for legitimate purposes. jul-set/94. tradução livre "La personalitá non é che um’armatura giruidica per realizzare in modo piú adeguato intreressi di uomini". jan. Piero. KRIGER FILHO. p. e ALEXANDER. to escape obligations). REQUIÃO. on the other hand.. Aspectos da desconsideração da personalidade societária na lei do consumidor. to perpetuate fraud. . Harry G. St. 7. cit. Simone Gomes. Alexandre Ferreira de Assumpção. I. WORMSER. Law of corporations. p. RODRIGUES. 6. Francesco. VERRUCOLI. Paul: West Group. 58. Rolf. Revista de Direito do Consumidor. Maurice. Traduccíon y comentarios de derecho Español por José Puig Brutau. Barcelona: Ariel. nº 410. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: Um estudo de direito civil constitucional.245. 9. Rio de Janeiro: Renovar. 3. 9. Washington: Beard Books.mar/95. p. nº 13. São Paulo. g. 1958. Trattato de diritto civile italiano. Apariencia y realidad em las sociedades mercantiles: El abuso de derecho por meido de la persona jurídica. 2000.. São Paulo. Revista de Direito do Consumidor. In between are various situaitosn where the courts might disregard coporateness to achiev a just result". nº 11. vol. 346. Gustavo (Coordenador).WORMSER. 7. 241. tradução livre de "it must be used for legitimate business purposes and must not be perverted". op. ALVES. p. p. I Maurice. Notas 1. Perversion of the concept to improper uses and dishonests ends (e. p. 8. p. Disregard of corporate fiction and allied corporation problems.

St. Piero. Rolf. 2ª ed. LARENZ. op. VERRUCOLI. p. p. 16. 1997. Karl.. 80. São Paulo: Max Limonad. A desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas. The Law of corporations. 1964. p. KOURY. p. p. p. 92. 200. Vera Helena de Mello. São Paulo: RT. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. Manual de direito comercial. op.. Marçal. 32 23. 20. 239. ed. VERRUCOLI. 45. São Paulo: LTR. Washington: Beard Books. 400. p. tradução livre de "se limita a confinar a la persona jurídica a la esfera que precisamente el Derecho le tiene asignada" 11. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. Paul: West Group. p. HAMILTON. Fábio Ulhoa. Maurice. p. 18. São Paulo: RT.10. 5. Alexandre Couto. 21. KRIGER FILHO. Piero. 64. VERRUCOLI. 1. p. 19. Traducción y revisión de Marcelino Rodríguez Molinero. COELHO. 1987. Cit. Desconsideração da personalidade societária no direito brasileiro. GUIMARÃES. 2000.. Rio de Janeiro: Forense. Suzy Elizabeth Cavalcante. v. 15. 1989. 1998. Flávia Lefèvre. 21. SILVA. Disregard of corporate fiction and allied corporation problems. 22. Robert W. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. 242. Metodología de la ciencia del derecho. 35 12. . 14. 134. p. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. 1994.. 2000. op. SERICK. p. SILVA. Barcelona: Ariel. p. p. 81. p. Cit. FRANCO. Alexandre Couto. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro.57. Milano: Giuffrè. Desconsideração da personalidade jurídica. tradução livre de "The corporate fiction is a basic assumption that underlies commercial transactions and threre must be compelling reasons for a court to ignore that assumption" 13. 164. WORMSER. I. Cit. 1999. Piero. 17. JUSTEN FILHO. Domingos Afonso.

26. 32. p. Sociedades Anónimas. p... 59. v. VERRUCOLI. Rolf. cit. p. SERICK. or defend crime. São Paulo: Saraiva. 346. p. p. p. Buenos Aires: Depalma. I. 246 38. 10. cit. op. 2. p. Le persone giuridiche. 1998. Cit. op. 2 ed. op. 27. op. Fábio Konder.. WORMSER. Torino:UTET. 29. tradução livre de "when the notion of legal entity is used to defeat public convenience. COELHO. Maurice.. Carlos Alberto da Mota.. op. 272. Teoria geral do direito civil. 65. 14. 37. JUSTEN FILHO. . 15. I. op. REQUIÃO. 33. KOURY. 45-46. Curso de direito comercial. FERRARA. cit. 18. 269. 46. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. COMPARATO. 2. cit. Rubens. Fábio Ulhoa. SERICK.. p. p. p. Rolf. tradução livre de "Sarebbe assurdo che lo Stato creasse nuovi soggetti destinati ad operare nel suo ambito contro di esso direttamente o contro le finalitá da esso perseguite e tutelate". p. Harry G. p. 3. PINTO. the law will regard the corporation as an association of persons" 34. HENN. ed. Isaac. WORMSER. 25. protect fraud. Otaegui. 1987. São Paulo: RT. 1999. WORMSER. São Paulo: RT. e ALEXANDER. Marçal.24. cit. O poder de controle na sociedade anônima. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. op. 241 36. ed. Piero. Actualizada e ampliada por Julio C. 30. 31. 1999.. justify wrong. p. HALPERIN. p. 53 35. Francesco. Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro. John R. 203. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. 143. p. ed. Rubens. 1977. I Maurice. Suzy Elizabeth Cavalcante. p. 1956. cit. Coimbra: Almedina. REQUIÃO. 2. Maurice. 28.

SILVA. 507. 1º TAPR – 2ª Câmara Cível – Ap. p. p. Fábio Ulhoa. p. 43. Alexandre Ferreira de Assumpção. O Poder De Controle Na S/A. Amador Paes de. 46. 42. p.90. v.. 529/90. Relator Juiz Gilney Carneiro Leal. São Paulo. 3ª ed. tributárias. . Curso de direito comercial. 41. op. Alexandre Ferreira de Assumpção. 36. p. 217. SILVA. I. 1983. 1994. j. Alexandre Couto. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. em 15. jul-set/93. p.. 261. COMPARATO. Fábio Konder. 39. Alexandre Couto. op. op.92. p. Execução de bens dos sócios: obrigações mercantis. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: Um estudo de direito civil constitucional. 48. Cit. Rolf. Fábio Ulhoa. 26.. 44. SILVA. Relator Juiz Ferraz Nogueira. 135 40. 52. nº 7. em 18. 1º TACivilSP – 3ª Câmara – AP. Rolf. ALVES. Cit. p. ALMEIDA. 2000.. AMARO. Alexandre Couto. Alexandre Couto. COELHO. Genacéia da Silva. cit. p. 15. ALBERTON. Vera Helena de Mello. Revista de Direito do Consumidor. 47. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro.4.. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. 15 45. 261. Cit. A desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. FRANCO. p. p. 29 51. Manual de direito comercial. trabalhistas: da desconsideração da personalidade jurídica (doutrina e jurisprudência). ALVES. op. 2. p. op. p. O poder de controle na sociedade anônima. São Paulo: Saraiva.39. p. WORMSER. p. 44.274-275. 174 52. 283. 49. 158. 34. Maurice. São Paulo: RT. p. SILVA. O empresário e os direitos do consumidor. Luciano. São Paulo: Saraiva. COELHO. cit. SERICK. SERICK. 3ª ed. 50.880-6. j. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: Um estudo de direito civil constitucional. p.9.

nº 9. 223 57. ASCARELLI. O empresário e o direitos do consumidor. Joaquín. ASCARELLI. p. uma vez que nenhum abuso seria de direito (justo. 2001. por sus móviles y por su fin. COELHO. Fábio Ulhoa. 55. 2. Desconsideração da personalidade . p. 42-43 65. Simone Gomes.. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. p. Alexandre Couto. Le unione di imprese. Buenos Aires: Abeledo. 17 54. v. Luis Alberto. 56-57 61. RODRIGUES. Abuso Del derecho y lagunas de la ley. p. 520 63. 181. Rivista Del diritto commerciale. Louis. tradução livre de "es abusivo cualquier acto que. OLIVEIRA. La normativa societaria ante los actos fraudulentos de le la teoría del "disregard". XXXIII. 56.Perrot. Del abuso de los derechos y otros ensaios. REQUIÃO. Tullio. 178 64. va contra el destino. AMARO. p. SILVA. GARRIGUES. agrário e empresaria. imobiliário. parte I. Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica. 7. V. 1999. jul-set 1979. Amador Paes de. Revista de direito civil. 5. 172. 1987. Curso de derecho mercantil. Boa parte da doutrina prefere falar em abuso do direito. p. ano 3. p. Eduardo A. JOSSERRAND. JOSSERRAND. trabalhistas: da desconsideração da personalidade jurídica (doutrina e jurisprudência). contra la función del derecho que se ejerce" 60. Curso de direito comercial. 1935. ALMEIDA. 66. 1979. p. jurídico). Luciano. op. COELHO. 4 59. José Lamartine Côrrea. 1969. p. p. São Paulo. Joaquín. 90-99. 18. GARRIGUES. v. ZANNONI. p. Del abuso de los derechos y otros ensaios. Louis. p. p. p.53. Problemas das sociedades anônimas e direito comparado. A dupla crise da pessoa jurídica. WARAT. Rubens. 58. Bogotá: Temis. ed. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. Execução de bens dos sócios: obrigações mercantis. São Paulo: Saraiva. 164165. Túllio. 62. Bogotá: Temis. Fábio Ulhoa. cit. p. tributárias. Campinas: Bookseller. 173. 16. 2.

74. 1998. 226. . 83 70. 175. Fábio Ulhoa. 170 68. v. AMARO. p. 2. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. 64. p. p. Suzy Elizabeth Cavalcante. 51 73. KOURY. COELHO. Domingos Afonso. 18. 82. 158. Genacéia da Silva. 17. Domingos Afonso. p. p. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais.jurídica no código de defesa do consumidor. Alexandre Couto. A desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas. 72. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. ALBERTON. 20. p. 357-358. Aspectos da desconsideração da personalidade societária na lei do consumidor. in: GRINOVER. SILVA. 76. p. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. p. Curso de direito comercial. p. KRIGER FILHO. Flávia Lefèvre. São Paulo: Saraiva. Zelmo. 69. A desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas. A desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. p. COELHO. COELHO. ALBERTON. DENARI. Aspectos da desconsideração da personalidade societária na lei do consumidor. KRIGER FILHO. Fábio Ulhoa. NUNES. 20. p. Luciano. Flávia Lefèvre. p. Genacéia da Silva. 112. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Luciano. O empresário e os direitos do consumidor. AMARO. Curso de direito comercial. 175. Alexandre Couto. 2. 35. KOURY. Alexandre Couto. Ada Pellegrini (Coordenadora). A desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. p. 75. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor – aspectos processuais. 159. 50 71. p. p. SILVA. p. Fábio Ulhoa. Aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. p. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. Luiz Antonio Rizzato. 88 67. p. Código de Defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. Comentários ao código de defesa do consumidor: parte material. 197. RODRIGUES. p. Desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor. SILVA. GUIMARÃES. Simone Gomes. p. Suzy Elizabeth Cavalcante. v. GUIMARÃES. 2000.

178 79. Piero. VERRUCOLI. COELHO. Il superamento della personalità giuridica delle societá di capitali nella Common Law e nella Civil Law. Alexandre Ferreira de Assumpção. no mesmo sentido. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: Um estudo de direito civil constitucional. p. Brasília: Brasília Jurídica. 1999. 52. ALVES. Fábio Ulhoa. p. ALBERTON. 19. AMARO. Desconsideração da personalidade jurídica no código de defesa do consumidor.77. Curso de direito comercial. Simone Gomes. Desconsideração da personalidade jurídica – aspectos processuais. p. p. p. 82. FERNANDES NETO. p. O abuso do direito no código de defesa do consumidor: cláusulas. vol. p. 179. Luciano.21. . Genacéia da Silva. 20. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. 81. 272-273 80. Luciano. 78. no mesmo sentido RODRIGUES. práticas e publicidades abusivas. 187-188. Guilherme. AMARO. Desconsideração da pessoa jurídica no código de defesa do consumidor. p. 2.

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