A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Todos nós sabemos da importância de fazer uma atividade física e de se manter ativo. Mas isto deve ser trabalhado já na infância, aliando a educação física à educação moral e intelectual, formando o indivíduo como um todo

Infelizmente muitos professores ainda desperdiçam o tempo da aula, dando uma bola aos alunos para que eles joguem futebol, vôlei, enfim, ou o que acharem melhor. Há muitos profissionais que não se preocupam em motivar os alunos. Não planejam as aulas e não tem um objetivo ou finalidade pré-determinada da aula. A educação física não se resume a correr, brincar, jogar bola, fazer ginástica... A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa, transmitir conhecimentos sobre a saúde, sobre várias modalidades do mundo dos esportes e do fitness, adaptando o conteúdo das aulas à individualidade de cada aluno e a fase de desenvolvimento em que estes se encontram. É uma oportunidade de desenvolver as potencialidades de cada um, mas nunca de forma seletiva e sim, incluindo todos os alunos no programa.

“A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa”

Os alunos não devem acreditar que a aula de educação física é apenas uma hora de lazer ou recreação, mas que é uma aula como as outras, cheia de conhecimentos que poderão trazer muitos benefícios se inseridos no cotidiano. Mas, para que estes benefícios sejam notados é essencial manter uma regularidade nas atividades e desta forma, a meu ver, a aula de educação física deveria ocorrer pelo menos 3x por semana.

As aulas devem ser dinâmicas, estimulantes e interessantes. Os conteúdos precisam ter uma complexidade crescente a cada série acompanhando o desenvolvimento motor e cognitivo do aluno. Precisa existir uma relação teórica-prática na metodologia de ensino. O professor tem de inovar e diversificar, pois o campo de trabalho envolve muitas atividades que podem ser trabalhadas com os alunos como jogos, competições, dança, música, teatro, expressão corporal, práticas de aptidão física, jogos de mímica, gincanas, leituras de textos, trabalhos escritos e práticos, dinâmica em grupo, uso de tv, dvd, etc. O campo é muito amplo. Basta o professor ser responsável, ter seriedade e muita criatividade. Um trabalho bem feito deve estimular a longevidade com qualidade.

Matéria assinada por: Valéria Alvin Igayara de Souza CREF 7075/ GSP – Especialista em treinamento.

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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.19 n.48 Campinas Aug. 1999
doi: 10.1590/S0101-32621999000100005

A constituição das teorias pedagógicas da educação física
Valter Bracht*

RESUMO: O presente ensaio analisa o processo de construção das teorias pedagógicas da educação física no Brasil, buscando demonstrar como elas refletem a concepção e o significado humano de corpo engendrados na e pela sociedade moderna. O texto apresenta as teorias pedagógicas que no âmbito da educação física se colocam numa perspectiva crítica em relação aos usos e aos significados atribuídos pela sociedade capitalista às práticas corporais. E, finalmente, problematiza a possibilidade de estarmos diante de uma ruptura da visão moderna de corpo, refletindo sobre os desafios que essa transição coloca para a educação/educação física. Palavras-chave: Educação física, corpo, modernidade, pósmodernidade

Educação "corporal" no âmbito da educação física
Neste primeiro item, desejamos apresentar as categorias e as problematizações básicas que orientaram nossas reflexões sobre o tema. Elas são derivadas de questões como: do ponto de vista educativo, o que tem significado a educação "corporal"? Que tipo de educação "corporal" a escola e a educação física vêm realizando? Por que surge o interesse pela educação "corporal" (também na escola) e quais suas determinações sócio-históricas? A utilização de aspas na expressão educação "corporal" fornece uma pista de uma das questões que pretendemos colocar. A tradição racionalista ocidental tornou possível falar confortavelmente da possibilidade de uma educação intelectual, por um lado, e de uma educação física ou corporal, por outro, quando não de uma terceira educação, a moral - expressão da razão cindida das três críticas de I. Kant, filósofo que, não obstante, segundo Welsch (1988), preocupou-se intensamente com as mediações entre as diferentes dimensões da racionalidade. Essas educações teriam alvos, objetos bem distintos: o espiritual ou mental (o intelecto), por um lado, e o corpóreo ou físico, por outro, resultando da soma a educação integral (educação intelectual, moral e física). É claro, o alvo era ou é o comportamento humano, mas influenciá-lo ou conformá-lo pode ser alcançado pela ação sobre o intelecto e sobre o corpo. Também na melhor tradição ocidental, a educação "corporal" vai pautar-se pela idéia, culturalmente cristalizada, da superioridade da esfera mental ou intelectual - a razão como identificadora da dimensão essencial e definidora do ser humano. O corpo deve servir. O sujeito é sempre razão, ele (o corpo) é sempre objeto; a emancipação é identificada

com a racionalidade da qual o corpo estava, por definição, excluído.1 A esse respeito, assim se expressa Santin (1994, p. 13): A racionalidade foi proclamada como a especificidade exclusiva e única das dimensões humanas. O humano do homem ficou enclausurado nos limites da racionalidade. Ser racional e ter o uso da razão constituíram-se nos únicos pressupostos para assegurar os plenos direitos de pertencer à humanidade. Ou, como afirma Gil (1994) em seu brilhante Monstros, referindose à visão de corpo-máquina: Deu-se uma transferência dos poderes do corpo para o espírito: de nada serve ao corpo estar substancialmente unido ao espírito (e, assim, tornarse vivo e indivisível), é este último que define a sua natureza humana. Doravante, o único defeito do corpo é poder levar a alma a enganar-se. (p. 169) As teorias ou metanarrativas que circunstanciam o projeto da modernidade e que projetavam perspectivas para a humanidade não reservavam ao corpo (a seus desejos, suas fantasias etc.) papel central. Não lhe atribuíam papel importante para a construção de uma prática emancipatória, como também nenhum papel subversivo. A emancipação humana (iluminista) dar-se-ia pela razão, pela consciência desencarnada. As teorias da consciência, mesmo as de orientação positivista, são mentalistas _ vai ser a psicanálise, que não casualmente não goza de grande prestígio acadêmico, que colocará o corpóreo, a dimensão nãoracionalizada, como elemento importante para o entendimento das ações humanas. Nas teorias do conhecimento da modernidade, que têm sua expressão máxima no chamado método científico (a ciência moderna), o corpo ou a dimensão corpórea do homem aparece como um elemento perturbador que precisa ser controlado pelo estabelecimento de um procedimento rigoroso (por exemplo: Francis Bacon e os idola). Para Veiga Neto (1996), se existe alguma culpa na ciência ou na racionalidade moderna, ela se situa na divisão entre res estensa e res cogitans, pois essa separação fundamentou o nosso afastamento em relação ao resto do mundo. Esse afastamento, segundo o autor, deixa-nos sem compromisso com o destino de tudo o que nos cerca, incluindo aí os outros homens e mulheres. Tal separação está na base da idéia do controle racional do mundo. Tanto as teorias da construção do conhecimento como as teorias da aprendizagem, com raras exceções, são desencarnadas - é o intelecto que aprende. Ou então, depois de uma fase de dependência, a inteligência ou a consciência finalmente se liberta do corpo. Inclusive as teorias sobre aprendizagem motora são em parte cognitivistas. O papel da corporeidade na aprendizagem foi historicamente subestimado, negligenciado. Hoje é interessante perceber um movimento no sentido de recuperar a "dignidade" do corpo ou do corpóreo no que diz respeito aos processos de aprendizagem. Isso acontece, curiosamente, por intermédio dos desenvolvimentos nas ciências naturais (ver a respeito Assmann 1996).

não é corporal. a instalação dessa prática pedagógica na instituição escolar emergente dos séculos XVIII e XIX. na construção das teorias pedagógicas da EF. Mas vejamos na trajetória das diferentes construções históricas da educação física (EF) como esse entendimento de corpo e de educação corporal se concretizou. mas principalmente pedagógica. mesmo porque educação corporal é educação do comportamento que. Da origem médica e militar à esportivização A constituição da educação física. neste texto vou me concentrar na contribuição da disciplina educação física (EF) para a "educação corporal" que acontece na escola. normas. por outro. Educar o corpo para a produção significa promover saúde e educação para a saúde (hábitos saudáveis. a dimensão das relações hierárquicas. à educação física é atribuída uma tarefa que envolve as atividades de movimento que só pode ser corporal. Ele precisa. exatamente porque causava um certo malestar à cultura dominante. foi fortemente influenciada pela instituição militar e pela medicina. porque humano. buscou também apropriar-se de diversas formas do corpo e constituir uma corporeidade que lhe fosse mais adequada". mas também internas. por exemplo. O déficit de dignidade do corpo vinha de seu caráter secundário perante a força emancipatória do espírito ou da razão. Nesse sentido. da própria instituição escolar. portanto. a educação do comportamento corporal. No entanto. Esse aspecto reveste-se de importância. das necessidades de adaptação e controle social (corpo dócil). sofre várias intervenções com a finalidade de adaptá-lo às exigências das formas sociais de organização da produção e da reprodução da vida. Nos dizeres de Faria Filho (1997. o corpo sofre a ação. observância de preceitos. como. Educar o comportamento corporal é educar o comportamento humano. A instituição militar tinha a prática — exercícios sistematizados que foram ressignificados (no plano civil) pelo conhecimento médico. assim. Essa saúde ou virilidade (força) também pode ser (e foi) ressignificada numa perspectiva nacionalista/patriótica. a ginástica: Jahn e Hitler na Alemanha. uma vez que humano. Isso vai ser feito numa perspectiva terapêutica. Há exemplos marcantes na história desse tipo de instrumentalização de formas culturais do movimentar-se. Portanto. das necessidades sanitárias (corpo "saudável"). Mas esse mesmo corpo. assim produzido historicamente. por sua vez. Trata-se do entendimento de que a educação corporal ou o movimento corporal é atribuição exclusiva da educação física. Alvo das necessidades produtivas (corpo produtivo). 52): "Assim como a escola `escolarizou' conhecimentos e práticas sociais. repunha a necessidade da produção de um discurso que o secundarizava. Contudo. p. ou seja. a escola promove a "educação corporal". higiênicos). uma vez que o tratamento do corpo na EF sofre influências externas da cultura de maneira geral. os aspectos do conhecimento propriamente dito. da conduta do corpo. Sem dúvida. ser alvo de educação. . ou seja.Mas claro que esse entendimento de ser humano tem bases concretas na forma como o homem vem produzindo e reproduzindo a vida. Mas é importante observar que na instituição escolar o termo disciplina envolve um duplo aspecto: por um lado. acontece também em outras instâncias e em outras disciplinas escolares. e sim humano. das necessidades morais (corpo deserotizado). Antes é imprescindível fazer uma observação quanto a um equívoco que grassa no âmbito da educação física.

e. como hábitos regrados de vida. quanto comportamentais. a esportiva. A obediência aos superiores precisa ser vivenciada corporalmente para ser conseguida. com enfoque psicológico. enaltecimento do prazer corporal. o que é igual a analisado (literalmente. Esses movimentos são signatários do entendimento de que a educação da vontade e do caráter pode ser conseguida de forma mais eficiente com base em uma ação sobre o corpóreo do que com base no intelecto. onde o controle do comportamento pela consciência falha. da forma como se produz e reproduz a vida. da força etc.2 Melhorar o funcionamento dessa máquina depende do conhecimento que se tem de seu funcionamento e das técnicas corporais que construo com base nesse conhecimento. objetivos . Muitos estudos citam a década de 1960 (Courtine 1996. para cumprir a função de colaborar na construção de corpos saudáveis e dóceis. Normas e valores são literalmente "incorporados" pela sua vivência corporal concreta.a aeróbica do Senhor). da nossa natureza corporal. para um controle via estimulação. em nossas sociedades. "lise") pela racionalidade científica. foi também legitimado pelo conhecimento médico-científico do corpo que referendava as possibilidades.. a medicina representa. por um lado. ou seja. O corpo é alvo de estudos nos séculos XVIII e XIX. é algo mais do plano do sensível do que do intelectual. Outro fenômeno muito importante para a política do corpo foi gestado e adquiriu grande significação social nesse período histórico (séculos XIX e XX). um saber em alguma medida oficial sobre o corpo. é pensado. o nascimento da EF se deu. com enfoque biológico. é preciso intervir no e pelo corpóreo (o exemplo mais recente é o movimento carismático da Igreja Católica no Brasil . lá. Essa prática corporal. repressão. Como lembra Le Breton (1995). com uma educação estética (da sensibilidade) que permitisse uma adequada adaptação ao processo produtivo ou a uma perspectiva política nacionalista. de mudanças históricas. O corpo aqui é igualado a uma estrutura mecânica . Le Breton 1995) como o momento mais importante dessa inflexão. fundamentalmente das ciências biológicas. Aumento do rendimento atlético-esportivo. Mas novamente esse entendimento vai se alterar e mais uma vez em consonância com alterações de ordem mais geral. Ciência é controle da natureza e. por outro. é alcançado com uma intervenção científico-racional sobre o corpo que envolve tanto aspectos imediatamente biológicos.Mussolini na Itália e Getúlio Vargas e seu Estado Novo no Brasil. como aumento da resistência. Treinamento esportivo e ginástica promovem a aptidão física e suas conseqüências: a saúde e a capacidade de trabalho/rendimento individual e social. a necessidade e as vantagens de tal intervenção sobre o corpo. portanto. Voltaremos a isso mais adiante. Assim. Paulatinamente no século XX saímos de um controle do corpo via racionalização. está desde cedo muito fortemente orientada pelos princípios da concorrência e do rendimento (Rigauer 1969). ou melhor.a visão mecanicista do mundo é aplicada ao corpo e a seu funcionamento. com o registro de recordes. Foucault (1985) identifica uma mudança importante da ação do poder ou do envolvimento do corpo pelos/nos micropoderes. O corpo não pensa. A ciência fornece os elementos que permitirão um controle eficiente sobre o corpo e um aumento de sua eficiência mecânica. respeito às regras e normas das competições etc. Este último aspecto ou esta última característica é comum a outra técnica corporal incentivada pelos filantropos e pela medicina na Europa continental que é a ginástica. portanto.

a ginástica como técnica corporal que corporifica/condensa os princípios que precisam ser incorporados (no duplo sentido) pelos indivíduos. deveu-se também ao fato de este ter incorporado o princípio do rendimento que o aproximou da ética do trabalho. é um fenômeno polissêmico. no final do século XIX. Mais tarde. essa "nova" técnica corporal. quando perguntado sobre quem coordena a ação dos agentes da política do corpo. assim como a ginástica. conferindo-lhe um significado coerente com a doutrina religiosa e com os valores culturais dominantes. p. como mostrou Soares (1997). e para o fato de que o esporte passa a substituir.. em virtude das intersecções sociais . inspetores. seguramente podemos situar os professores de EF. Reprova-se essa ética por investir a totalidade da energia do indivíduo americano em fins puramente utilitaristas. Durante as primeiras décadas deste século. mais ainda que no passado. assistentes sociais. Entre estes. A ética puritana do trabalho tinha se infiltrado profundamente nas práticas esportivas. 151). Um cuidado com o bem-estar individual aparece nas críticas da ética puritana formuladas desde então. esta lógica de organização racional e de ordem moral já estava em declínio. Por exemplo. A ginástica é parte importante do movimento médico-social do higienismo. (Courtine 1995. instituições. Entretanto. com vantagens. Courtine (1995) mostra de forma brilhante como o puritanismo absorve esse tipo de prática corporal nos Estados Unidos. com as repercussões que todos conhecemos na educação física. psicólogos. O espírito de competição. sido investidos pelo esporte. saberes. afirma que é "um conjunto extremamente complexo (. ou seja. o movimento olímpico permitiu conferir. propiciando inclusive a construção do conceito de "Cristandade Muscular". Interessante observar que a adesão ao esporte na Inglaterra puritana. sem necessidade de mudar seus princípios mais fundamentais. o esporte.da política do corpo. ao mesmo tempo em que invadiam o sentimento de que se podia legitimamente buscar no exercício muscular uma gratificação pessoal e um prazer do corpo.. exigindo auto-sacrifício e devotamento a uma causa comum.. Interessante observar que Foucault (1985. A pedagogia da EF incorporou. E hoje assistimos a uma proliferação de categorias de trabalhadores sociais". da moradia. agregando agora. de sua saúde.. um significado mais imediatamente político aos resultados esportivos. o qual é incorporado à política do corpo mais geral. o desejo de vencer tinham. p. dessa função confusa saíram personagens. Tomemos o exemplo da filantropia no início do século XIX: pessoas que vêm se ocupar da vida dos outros. como se a utilidade social destas práticas devesse ser julgada apenas de acordo com seu critério. apresenta vários sentidos/significados e ligações sociais.).. segundo Grieswelle (1978). por exprimir e mesmo reforçar um medo do prazer.. Chamo aqui a atenção para a combinação de dois fatores. 99) É claro que o esporte. pela categoria política da nação. ela foi sendo progressivamente substituída por uma concepção um tanto diferente das finalidades da cultura física. uma higiene pública. da alimentação. A emergência do esporte após a Guerra Civil ocorreu sobre o pano de fundo de um individualismo disciplinado.

Pelo Diagnóstico da EF/Desportos. como uma de suas aplicações práticas. Os anos 80 e a crítica ao "paradigma da aptidão física e esportiva" O paradigma que orientou a prática pedagógica em EF descrito no item anterior esteve presente desde a origem e durante a implementação no Brasil. Mas esse viés . principalmente da biologia e seus derivados. o teorizar no âmbito da EF era sobretudo de caráter pedagógico. realizado pelo governo brasileiro e publicado em 1971 (Costa 1971). novos sentidos/significados. como. este era entendido na perspectiva de sua contribuição para o desenvolvimento da aptidão física e esportiva. significava a ausência da reflexão pedagógica. o conhecimento básico/privilegiado que é incorporado pela EF para a realização de sua tarefa continua sendo o que provém das ciências naturais. alternativas foram propostas. nada que pudesse abalar seriamente seus princípios. permitiu ou fez surgir uma análise crítica do paradigma da aptidão física. Tal combinação de objetivos fica muito clara no conhecido Diagnóstico da Educação Física/Desportos. fica claro que a EF (no sentido lato) possuía um papel importante no projeto de Brasil dos militares. e que tal importância estava ligada ao desenvolvimento da aptidão física e ao desenvolvimento do desporto: a primeira. Ao contrário. pela contribuição que traria para afirmar o país no concerto das nações desenvolvidas (Brasil potência) e pela sua contribuição para a primeira. isto é. que teve forte influência na trajetória da EF brasileira. por exemplo. e o segundo. e foi revitalizado pelo projeto de nação da ditadura militar que aqui se instalou a partir de 1964. O de que o predomínio do conhecimento das ciências naturais.3 Neste ponto aproveito para abordar um outro equívoco recorrente na área da EF. mormente a biologia e suas mais diversas especialidades. e pelos documentos da política de desenvolvimento dos esportes e da educação. anteriormente citado.(principalmente políticas) desse fenômeno. voltado para a intervenção educativa sobre o corpo. processo que tem vários determinantes. como conhecimento fundamentador da EF. Como os princípios eram os mesmos e o núcleo central era a intervenção no corpo (máquina) com vistas ao seu melhor funcionamento orgânico (para o desempenho atlético-esportivo ou desempenho produtivo). preparar as novas gerações para representar o país no campo esportivo (internacional). no entanto. Falava-se na educação integral (o famoso caráter biopsicossocial). é claro. como procurei demonstrar em estudo anterior (Bracht 1996). auxiliadas pela medicina. porque era considerada importante para a capacidade produtiva da nação (da classe trabalhadora) .ver a esse respeito Gonçalves (1971) -. mas como a educação integral não legitima especificamente a EF na escola (ou na sociedade) e sim o seu específico. até o advento das ciências do esporte nos anos 70. A entrada mais decisiva das ciências sociais e humanas na área da EF. muitos de seus intelectuais foram influenciados nas décadas de 1920 a 1950 pelo movimento escolanovista e pensaram a educação e a educação física com base nos princípios dessa teoria pedagógica. aliás. No seio da própria instituição militar. ou seja. extremamente abundantes nesse período. É claro que no percurso da hegemonia desse paradigma ele foi contestado. sustentado fundamentalmente pela biologia. para a aptidão física da população.

O desconhecimento da história da EF fez com que não se percebesse que esse movimento apenas atualizava o percurso e a origem histórica da EF e. campo este que se estrutura a partir das universidades (entre outros. no Brasil. muito influenciadas pelas ciências humanas. entendia-se que faltava à EF ciência. A educação física. em grande medida em virtude da importância da instituição esportiva. Era preciso orientar a prática pedagógica com base no conhecimento científico. e Bracht 1996). é possível identificar um conjunto de propostas nesse espectro que apresentam diferenças importantes. acaba por incorporar as práticas científicas típicas desse meio. inicialmente no exterior. A partir da década de 1970. Se. portanto. passa a constituir-se mais claramente um campo acadêmico na/da EF. como elementos constituintes de uma sociedade capitalista marcada pela dominação e pelas diferenças (injustas) de classe. então. hoje. Nesse período vamos assistir à entrada em cena também de outra perspectiva que é aquela que se baseia nos estudos do desenvolvimento humano (desenvolvimento motor e aprendizagem motora). o campo da EF passa a incorporar as discussões pedagógicas nas décadas de 1970 e 1980. Embora a prática pedagógica ainda resista a mudanças. já em simbiose com a EF. 243-252. Por esse viés.encontra-se num movimento mais amplo que tem sido chamado de movimento renovador da EF brasileira na década de 1980. mas também. Um grupo desses docentes optou por buscar os cursos de pósgraduação em educação no Brasil. mas que também foi denominada de crítica e progressista.4 ou seja. O discurso (neo)cientificista da EF visava também à legitimação desta no âmbito universitário. e da EF em particular. entendido como aquele produzido pelas ciências naturais ou com base em seu modelo de cientificidade. que ele não rompia com o próprio paradigma da aptidão física. O segundo momento vai permitir. no mundo e no Brasil. depois de mais de 15 anos de debate. A década de 1980 foi fortemente marcada por essa influência. o movimento progressista apresentavase bastante homogêneo. num primeiro momento digamos. constituindo-se aos poucos uma corrente que inicialmente foi chamada de revolucionária. este. A seguir apresentamos de forma resumida algumas delas. como participante do sistema universitário brasileiro. por sua vez. o da denúncia -. como veremos a seguir. pp. Uma das conseqüências será a busca de qualificação do corpo docente dos cursos de graduação em programas de pós-graduação. principalmente a sociologia e a filosofia da educação de orientação marxista. Principalmente com base nessa influência. ver Sobral 1996. a prática acontece ainda balizada pelo paradigma da aptidão física e esportiva.5 . O quadro das propostas pedagógicas em EF apresenta-se hoje bastante mais diversificado. Um primeiro momento dessa crítica tinha um viés cientificista. Toda a discussão realizada no campo da pedagogia sobre o caráter reprodutor da escola e sobre as possibilidades de sua contribuição para uma transformação radical da sociedade capitalista foi absorvida pela EF. e crescentemente. O eixo central da crítica que se fez ao paradigma da aptidão física e esportiva foi dado pela análise da função social da educação. várias propostas pedagógicas foram gestadas nas últimas duas décadas e se colocam hoje como alternativas. uma crítica mais radical à EF.

Essa proposta vem sendo criticada exatamente porque não confere à EF uma especificidade. no sentido de fazer da crítica do papel da educação na sociedade capitalista uma categoria central. levado a efeito com base no mote da promoção da saúde. Outra proposta nesse espectro é a que se denomina críticoemancipatória e que tem como principal formulador o professor Elenor Kunz. Talvez devêssemos também fazer menção a um movimento de atualização ou renovação do paradigma da aptidão física. Influência esta que está longe de ter-se esgotado. Essa proposta baseia-se fundamentalmente na pedagogia históricocrítica desenvolvida por Dermeval Saviani e colaboradores. propõe que este seja tratado de forma historicizada. Observe-se que próxima a essa abordagem podemos colocar a chamada psicomotricidade. As propostas abordadas até aqui têm em comum o fato de não se vincularem a uma teoria crítica da educação. na qual se demonstra como a EF pode auxiliar no ensino de matemática (Falzetta 1999).a proposta limita-se a oferecer fundamentos para a EF das primeiras quatro séries do primeiro grau .oportunidades de experiências de movimento de modo a garantir o seu desenvolvimento normal. portanto. intitulada "A educação física dá uma mãozinha". embora preocupada com a cultura especificamente infantil. Nessa perspectiva o movimento é mero instrumento. e autointitulou-se crítico-superadora. de maneira a ser apreendido em seus movimentos contraditórios. a ginástica. as lutas. pode igualmente ser colocada como próxima às duas anteriores. Entende essa proposta que o objeto da área de conhecimento EF é a cultura corporal que se concretiza nos seus diferentes temas.da organização da identidade dos dados da realidade. de um coletivo de autores. e Ruy Jornada Krebs. essa proposta revitaliza a idéia de que a principal tarefa da EF é a educação para a saúde ou. Considerando os avanços do conhecimento biológico acerca das repercussões da atividade física sobre a saúde dos indivíduos e as novas condições urbanas de vida que levam ao sedentarismo. da UFSM. 4º . de modo a atender essa criança em suas necessidades de movimento. quais sejam.do aprofundamento da sistematização do conhecimento). ficando seu papel subordinado a outras disciplinas escolares. Uma delas está consubstanciada no livro Metodologia do ensino da educação física. em termos mais genéricos. que exerceu grande influência na EF brasileira nos anos 70 e 80. Sistematizando o conhecimento da EF em ciclos (1º . e seus autores principais são os professores Go Tani e Edison de Jesus Manoel. 3º da ampliação da sistematização do conhecimento. publicado em 1992. porque fundamentada também basicamente na psicologia do desenvolvimento. ou educação psicomotora. o esporte. não sendo as formas culturais do movimentar-se humano consideradas um saber a ser transmitido pela escola. Esse é o caso de duas outras propostas que vão mais explícita e diretamente derivar-se das discussões da pedagogia crítica brasileira.da iniciação à sistematização do conhecimento.Uma dessas propostas é a chamada abordagem desenvolvimentista. hoje acompanhado na tarefa por um . a dança e a mímica. Sua base teórica é essencialmente a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. conforme podemos perceber pela reportagem recente da revista Nova Escola. a promoção da saúde. A sua idéia central é oferecer à criança . 2º . o jogo. da UFSC. A proposta do professor João Batista Freire (Unicamp). da USP.

Assim. essa proposta indica a abertura das aulas no sentido de se conseguir a co-participação dos alunos nas decisões didáticas que configuram as aulas. sendo o esporte de rendimento paradigmático nesse caso. em parte. e considerando que a concepção fechada inibe a formação de um sujeito autônomo e crítico. o outro. Outra forte influência são as análises fenomenológicas do movimento humano com base. este seu orientador no doutorado em Hannover (Alemanha). A proposta aponta para a tematização dos elementos da cultura do movimento. ambas as propostas sugerem procedimentos didático-pedagógicos que possibilitem. de forma a desenvolver nos alunos a capacidade de analisar e agir criticamente nessa esfera. por um lado. É imperioso fazer menção também à proposta da concepção de aulas abertas à experiência. desvelando suas vinculações com os elementos da ordem vigente. Essa proposta está consubstanciada principalmente em dois livros: um de autoria do professor Hildebrandt em conjunto com seu colega alemão R. Reproduzi-los na escola por meio da educação física significa colaborar com a reprodução social como um todo. Vale ressaltar que as propostas buscam ser um "antídoto" para um conjunto de características da cultura corporal ou de movimento atuais que. transformam . Outro princípio importante em sua pedagogia é a noção de sujeito tomado numa perspectiva iluminista de sujeito capaz de crítica e de atuação autônomas. em Merleau-Ponty. As primeiras elaborações do professor Kunz foram fortemente influenciadas pela pedagogia de Paulo Freire (Kunz 1991). o da UFPE e o da UFSM (Visão Didática 1991). Assim. Laging (Hildebrandt e Laging 1986). resultado da divulgação e do trabalho do professor Hildebrandt no Brasil. gostaria de ressaltar alguns pontos. e o agir comunicativo para a críticoemancipatória. concomitantemente. Tamboer. desenvolvendo. A linguagem corporal dominante é "ventríloqua" dos interesses dominantes. por outro.conjunto de colegas que compõem o Núcleo de Estudos Pedagógicos do Centro de Desportos daquela universidade.Trabalhando com a perspectiva de que a aula de EF pode ser analisada em termos de um continuum que vai de uma concepção fechada a uma concepção aberta de ensino. segundo a interpretação dessas abordagens. as competências para tal: a lógica dialética para a crítico-superadora. perspectiva esta influenciada pelos estudiosos da Escola de Frankfurt. e também Trebels. tornada conhecida no Brasil pelo professor alemão Reiner Hildebrandt. Após esta breve (e insuficiente) descrição das diferentes propostas (não todas) que se colocam como alternativas ao paradigma dominante. são produtoras de falsa consciência e. Para as teorias progressistas da EF citadas (pedagogia críticosuperadora e crítico-emancipatória). os sujeitos poderão agir autônoma e criticamente na esfera da cultura corporal ou de movimento e também agir de forma transformadora como cidadãos políticos. conscientes ou dotados de consciência crítica. A proposta de Kunz parte de uma concepção de movimento que ele denomina de dialógica. ao se tematizarem as formas culturais do movimentarse humano (os temas da cultura corporal ou de movimento). que foi professor visitante da UFSM. as formas culturais dominantes do movimentar-se humano reproduzem os valores e princípios da sociedade capitalista industrial moderna. O movimentar-se humano é entendido aí como uma forma de comunicação com o mundo. tomadas de estudiosos holandeses como Gordjin. propiciar um esclarecimento crítico a seu respeito. o qual foi publicado por dois grupos de estudo.

da saúde promovida pelo Estado mínimo neoliberal. Os argumentos que legitimavam a EF na escola sob o prisma conservador (aptidão física e esportiva) não se sustentam numa perspectiva progressista de educação e educação física. . por exemplo. às atividades físicas. essa leitura ou esse entendimento da educação física só criará corpo quando as ciências sociais e humanas forem tomadas mais intensamente como referência. Para realizar tal tarefa é fundamental entender o objeto da EF. mas tem pouca probabilidade de encontrar eco. até questões mais teóricas que dizem respeito. o movimentar-se humano. ao que tudo indica. não mais como algo biológico. Parece que a visão neotecnicista (economicista) de educação. e sim como fenômeno histórico-cultural. na escola. paradoxalmente. No entanto. academias.os sujeitos em objetos ou consumidores acríticos da indústria cultural. mecânico ou mesmo apenas na sua dimensão psicológica. sem depender da EF escolar. pode prescindir hoje da EF e não lhe reserva nenhum papel relevante o suficiente para justificar o investimento público . o crescimento da oferta e do consumo dos serviços ligados às práticas corporais fora do âmbito da escola e do sistema tradicional do esporte . Desafios das propostas pedagógicas progressistas da educação física As propostas pedagógicas progressistas em EF deparam com desafios de várias ordens: desde questões relativas à sua implementação. haja vista a crescente privatização. às suas bases epistemológicas.como as escolas de natação. escolinhas de futebol. encontrar argumentos para legitimar a EF (e a educação artística). Parece-nos mais fácil. Além disso. e individualização. cultura de movimento ou cultura corporal de movimento aparecem em quase todos os discursos. Entendo que essa visão do objeto da EF está alcançando uma quase unanimidade na discussão pedagógica desse campo. de como fazer com que sejam incorporadas pela prática pedagógica nas escolas. ou seja. dadas as mudanças tecnológicas do processo produtivo.a revitalização do discurso da promoção da saúde é uma tentativa de setores conservadores de legitimar a EF na escola. é preciso ter claro que a própria utilização de um novo referencial para entender o movimento humano está na dependência da mudança do imaginário social sobre o corpo e as atividades corporais. Um desses desafios é conquistar legitimidade no campo pedagógico. mas a permitir que o indivíduo se aproprie dela criticamente. voleibol etc.permite o acesso à iniciação esportiva. Os termos cultura corporal. para poder efetivamente exercer sua cidadania. Introduzir os indivíduos no universo da cultura corporal ou de . de uma perspectiva crítica de educação. mas. Os argumentos vão na mesma direção do exposto quando apresentamos as propostas progressistas do âmbito da EF. judô. Portanto. hoje. hoje também não na perspectiva conservadora. A dimensão que a cultura corporal ou de movimento assume na vida do cidadão atualmente é tão significativa que a escola é chamada não a reproduzi-la simplesmente. que enfatiza a preparação do cidadão para o mercado de trabalho. embora lhes sejam atribuídas conseqüências pedagógicas distintas.

múltiplas e complexas.) e externos à ciência (crítica ao caráter repressivo das instituições. à filosofia. As razões pelas quais o "corpo" . um verdadeiro boom do corpo. Em que medida as práticas corporais . confirmar e reconstruir (porque constantemente contestada) a hegemonia de um projeto histórico. da biologia. da psicologia da aprendizagem etc. por conseqüência. da antropologia. O que é possível afirmar é que estas estão vinculadas ao novo status social que a cultura ocidental vai conferir ao corpo. "a retomada da importância do corpo foi uma das mudanças mais importantes no pensamento radical presente". no sentido mais amplo. uma visão de corpo que efetivamente supere a visão moderna apresentada aqui e que foi (é?) a base da EF moderna. Podemos constatar. principalmente nas três últimas décadas (a partir dos anos 60). da neurofisiologia. como assevera Eagleton (1998). Mas centrando nossa atenção novamente sobre a dinâmica cultural e sobre como a corporeidade nela se apresenta. onde o corpo passa a ser objeto privilegiado da história. campo em que. Algumas delas possuem importância central para a educação.movimento de forma crítica é tarefa da escola e especificamente da EF. Outro ponto que se coloca como um desafio é fazer uma leitura adequada da "política do corpo" (Foucault) ou então de como o "corpo" aparece na atual dinâmica cultural. Refiro-me às teorias da sociologia. é possível dizer que desenvolvimentos internos (conhecimentos do âmbito das ciências cognitivas. da filosofia. como coloca Assmann (1996). pois. Enfim. "todo conhecimento é um texto corporal. percebe-se a retomada do tema da dimensão não-racional do comportamento humano ou da sua dimensão estética. com suas intersecções sociais. objeto de atenção da teoria política às teorias da aprendizagem. citado por Alves de Lima (1999).e. da filosofia etc. a possibilidade da vivência do sexo pelo prazer graças aos avanços da anticoncepção. o advento da indústria do lazer etc.passa a ser objeto digno das diversas disciplinas científicas. principalmente na sua função de afirmar. esteja mais voltada para a cultura corporal ou de movimento num sentido restrito. da história e da antropologia que enfatizam a importância da ação sobre o corpo como elemento da ordem social. principalmente a partir da década de 1960. o corpo passa a ser reconhecido como sujeito epistêmico. Tal (re)descoberta está presente também no meio acadêmico. seria importante perguntar se está se gestando uma nova visão de corpo (um novo significado humano de corpo). possibilidades de mercadorização do corpo. para compreender as mudanças que se operam nesse âmbito é preciso analisar também o percurso da "história do corpo".) levaram a conferir ao corpo ou à dimensão corpórea do homem um significado ou uma importância maior nas teorias explicativas de algumas ciências e a reconhecê-lo como problema ou objeto. como profissionais ligados à EF. depois da crise da razão iluminista (paradigma da consciência). Embora nossa atenção. as práticas corporais . seguramente. Essa (re)descoberta do corpo se dá em várias instâncias e perspectivas e suas razões só podem ser aqui discutidas de forma muito precária. são. bem como situar o papel da instituição educacional nesse processo. tem uma textura corporal". Sem adotar uma perspectiva internalista nem externalista da história da ciência. nas teorias da aprendizagem.

Já para Le Breton. que não admite simplificações . . mas antes a uma repuritanização dos comportamentos. como.) necessita manter a diferenciação homem-corpo. que significasse para o sujeito uma maior plenitude. O desafio se amplia na medida em que essas mudanças ou permanências estão articuladas com as estruturas e os movimentos sócio-históricos mais amplos que são o alvo. isto é. corpo-ter). 152). O dualismo de que fala Le Breton é o entre homem e corpo (e não mente-corpo). Daí a importância de uma leitura adequada da realidade que possa se articular com um projeto alternativo realizável. a de Lipovetsky (1989). "a paixão pelo corpo modifica o conteúdo do dualismo sem mudar sua forma. mas a um reforço disciplinar. Neste entusiasmo.e que por isso mesmo se coloca como desafio. Tende a psicologizar o `corpo-máquina'.da atual dinâmica cultural ainda são tributárias fiéis daquela visão moderna de corpo? (corpo-máquina. das pedagogias progressistas. precisa manter a oposição entre o "que corresponde ao corpo e o que corresponde ao inapreensível do homem" (Le Breton 1995. em última instância. Ele não corresponde a uma dispersão da herança puritana. Se estamos num momento de transição na cultura ocidental caminhando para uma cultura pós-moderna -. p. cujos signos. 160). Courtine (1995. há outra visão. multiplicam-se hoje. É sabido que um movimento. outra atenção. também entende que o momento narcísico do corpo corresponde não a um laisser-aller hedonista. Pois não poderia existir uma liberação do corpo e sim uma liberação do homem mesmo. p. E isto através de um uso diferente das atividades físicas ou de uma nova aparência. a uma intensificação dos controles. Outro desafio situa-se no plano mais especificamente epistemológico. estamos num campo bastante complexo. Essas pedagogias se nutrem de um projeto alternativo de sociedade que precisa se afirmar diante do hoje hegemônico. que tem por base o dualismo homem-natureza. porém sem que se alterasse o paradigma dualista. A mercadorização do corpo (técnicas corporais. indefinido. Se adotarmos uma postura mais próxima da perspectiva pósmoderna. se mudou o imaginário do corpo. 105). e com isso acaba atingindo o núcleo central da pedagogia crítica que é exatamente sua pretensão de superar. 138) Para o autor. por exemplo. normas sociais modificadas. analisando o caso dos Estados Unidos. e a pulverização radical dos sentidos/significados dessa vivência seriam indicadores do rompimento com valores próprios da modernidade. tenderemos a responder afirmativamente à primeira questão acima. muito influente no momento. p. Separar o corpo do sujeito para afirmar a liberação do primeiro é uma figura de estilo de um imaginário dualista. mas esse paradigma mantém sua influência de forma mais ou menos oculta" (p. questiona fortemente a pretensão de verdade da ciência (ou da razão científica). sem culpa. hoje realmente há outra visão no discurso que se faz acerca do corpo. (1995. produtos para o corpo etc. de modo mais ou menos explícito. Viver o corpo com base nos valores do presentismo e do narcisismo.

passando pelo fato de que as pedagogias progressistas em EF ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento. 5. Não creio [diz ele] que haja presentemente alguma resposta fácil a esse importante desafio". there's a possibility of breaking the modern vision of . que persiste e é reforçado pelos meios de comunicação de massa. "Pedagogia no exército e na escola: A educação física brasileira (1880-1950)". And. distorcida ou falsa da realidade. embora já constituam uma pauta bastante volumosa.. um dos mais importantes teóricos da tradição crítica na educação: "esses questionamentos colocam em questão a própria utilização do termo `crítico' ou pelo menos nos obriga a repensá-lo.. Notas 1. p. Tese de doutorado apresentada para qualificação. em seu livro Philosophie der Leiblichkeit (Filosofia da corporeidade). Vão desde a pressão do contexto cultural e do imaginário social da EF. Indicações precisas desse processo encontram-se no texto de A. Programa de pós-graduação em Educação/Unimep (mimeo. recupera o materialismo radical de L. O esporte de alto rendimento é de certa forma uma metáfora dessa máxima. Mas talvez valha a pena reproduzir ainda um comentário de Tomaz T. 4. 3. mostrando como a dimensão corpórea (a sensibilidade) encontrava na sua visão de mundo uma posição de destaque: "Razão não sensível. through this discussion. As razões são muitas e diversas. não radicada na sensibilidade é (. Ferreira Neto.) irreal. consultar Castellani Filho (1999). a ideologia. É claro que os pontos citados não esgotam a agenda das teorias pedagógicas críticas da educação física. remeto o leitor aos estudos de Caparroz (1997) e Ferreira (1995). 137). finally. 43). classificando as abordagens em propositivas e não-propositivas. Para uma apresentação mais detalhada.por meio de uma leitura crítica da realidade (do esclarecimento). superar uma visão superficial. are placed in a critical perspective in relation to the uses and meanings attributed by the capitalist society to the corporal practices. Reitemeyer (1987). da Silva (1993. Para uma análise crítica das propostas pedagógicas da educação física brasileira construídas na década de 1980. The text presents the pedagogic theories that. seeking demonstrate how these theories reflect the conception and the meaning body human engendered in modern society. não mais verdadeira. até o fato de que a formação dos atuais professores de EF ocorreu em cursos de graduação cujo currículo ainda fora inspirado no referido paradigma. porque não mais orientada para a totalidade e sim para uma metade abstraída da sensibilidade. assim ela não preenche mais os quesitos da razão" (p. Não será possível aqui aprofundar a questão.). Feuerbach. Pedagogical theories cosntitution of phisical education ABSTRACT: The present rehearsal analyzes the process of construction of the pedagogic theories of the Physical Education in Brazil. 2. in the field of the Physical Education.

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sciel Parte inferior do formulário Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .cadernos@cedes.br services Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .sciel Parte inferior do formulário • • • • • • • • • • • custom services Article in pdf format Article in xml format Article references Curriculum ScienTI How to cite this article Access statistics Cited by SciELO Similars in SciELO Automatic translation Send this article by e-mail .sciel Parte inferior do formulário Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .unicamp.

e desde então ela experimenta um processo permanente de enraizamento escolar.19 n. de turma única. no princípio do século XX. indica-se que a educação física. Com elas. Ao final do século. tomarei como referência a reforma do ensino promovida no estado de Minas Gerais. cultura escolar.Cadernos CEDES Print version ISSN 0101-3262 Cad. remonta ao século XIX. no Brasil. os muitos problemas vividos nas décadas seguintes à Proclamação da República fortaleceram a crença de intelectuais e políticos republicanos mineiros de que a construção de uma nação e um Estado prósperos dependia. dirigidas por um professor remunerado pelo Estado ou por particulares. comportamentos e valores das crianças. 1999 doi: 10. a cultura escolar confundia-se com a cultura da população. em igrejas ou em sala por ele alugada ou cedida pelos poderes públicos ou mesmo por pessoa física.ler. novas maneiras de representar a educação e a sociedade colocam desafios para a permanência da educação física nas práticas escolares. baseado em escolas isoladas. ensino. e neste artigo defende-se sua inserção como área do conhecimento responsável pela escolarização da cultura corporal de movimento. escola. escrever e contar constituíam suas únicas finalidades. Para discutir o momento inicial desse processo.2 De fato. e o conhecimento escolarizado era o conhecimento do próprio mestre. educação física Aparecimento de uma cultura escolar e enraizamento da educação física A presença da educação física nas práticas escolares.48 Campinas Aug. Essa nova cultura escolar substituiu paulatinamente o modelo escolar até então existente. Palavras-chave: Educação. contribuindo para o projeto social republicano. Nelas. da tríade . foi inicialmente representada como recurso de regeneração da raça e de preparação para o trabalho. em 19061. sem ambições de mudar hábitos. em grande parte.1590/S0101-32621999000100003 Início e fim do século XX: Maneiras de fazer educação física na escola Tarcísio Mauro Vago* RESUMO: Neste texto problematiza-se o enraizamento escolar da educação física. Ancorado em procedimentos da história cultural da educação. que repercutiu e ampliou um movimento de afirmação social da escola. não se pretendia mais que instruir as crianças pobres nas primeiras letras e nas quatro operações . levando à conformação e à organização de uma primeira cultura escolar na capital e em todo o estado de Minas Gerais. CEDES vol. funcionando na sua própria casa. cotejando-se dois momentos históricos importantes da educação: um em Minas Gerais (a reforma do ensino de 1906) e o outro no Brasil (os novos ordenamentos legais).

A afirmação dessa nova representação sobre a escola significou. saudável. muitos dispositivos foram mobilizados. de subestimar o conhecimento e o saber de que as crianças eram portadoras. majestosos. em contraposição àquele considerado feio. estava o corpo das crianças: a organização da cultura escolar deveria cultivar um corpo belo. então. higiênicos e assépticos — os grupos escolares. como a casa. No cerne. em face dos desafios postos pela complexidade social. Com essa reforma. imponentes. precárias. não estariam em condições de realizar essa tríade. de linguagem. 96). higiênico. Com efeito. forte. sujo e preguiçoso. O advento desse novo molde escolar tem em vista responder à expectativa de formar aqueles que seriam os cidadãos republicanos . caberia a missão de operar "uma verdadeira revolução nos costumes. uma tentativa de desqualificar ou. doente e despreparado para as novas formas de trabalho industrial. esse saber não interessava à escola e deveria ser substituído. a relação precoce com pequenos trabalhos. sadios e trabalhadores ordeiros -. organizado sob a lógica capitalista de produção. attingindo os beneficios della a propria vida economica". disciplinados. essa é uma nova representação que vai sendo consolidada em torno do lugar da escola nas práticas sociais. pois. de maneiras amaciadas. ativo.5 Na cultura escolar ."educação intellectual. como alvo para o qual convergiriam os dispositivos dessa nova cultura escolar. ao mesmo tempo. aprendidos em práticas culturais realizadas em outros tempos e espaços sociais. Com tais monumentos e a organização de sua cultura. dependeria de instruir e educar o povo. tendo "como finalidade última racionalizar o conjunto do social" (Faria Filho 1995. considerados templos do saber. agora. fraco. De fato. Elas deveriam ser uma "excepção condenada ao desaparecimento". que se tornava complexo e se industrializava.3 Um novo modelo escolar deveria então ser implantado. a escola passava gradativamente "dos pardieiros aos Palácios". com o qual pretendia-se muito mais que apenas instruir as crianças: era preciso educá-las nas boas maneiras e dar-lhes uma profissão. ordeiro. Ora. o sistema público de educação primária de Minas Gerais experimenta então um processo de racionalização que visava dar conta de suas tarefas cada vez mais amplas e complexas. Para essa "educação physica" das crianças. racional. em sentido alargado. Desejava-se que esse operariado alfabetizado oferecesse "garantias de economia e incremento" à indústria que se tentava organizar em Minas e no país. a escola é considerada um instrumento central para a superação da grave crise que o regime republicano experimentava e da qual Minas Gerais não escapara. moral e physica" do povo. "teremos em vez de um exercito de analphabetos a povoarem as officinas. À escola. um pessoal operario sufficientemente preparado para exercitar os seus misteres com intelligencia e aptidão". nesse momento. Ela mesma seria o locus do saber legitimado e autorizado como necessário à prosperidade da nação. tido e havido por analfabeto. regidas por mestres ignorantes.civilizados. de comportamentos e mesmo de perspectivas pessoais. sob o ponto de vista moral. doente. que assim poderiam contribuir para o desejado progresso social. A inserção do Brasil e do estado de Minas em um mundo moderno. a rua.4 A escola. As escolas isoladas foram criticadas como inoperantes. ainda. O primeiro deles foi a construção de prédios próprios para as escolas. provocaria nas crianças uma mudança de sensibilidade. sem controle do Estado. p.

familiarizando-os ainda com peças e instrumentos de que tenham de fazer uso". formando angulo recto com a borda da carteira. descançando metade do comprimento delles sobre a carteira. A imposição do ensino da letra vertical à criança. mobilia e todo o material de ensino pratico e intuitivo". .era o momento inicial de seu enraizamento escolar. ao passo que os meninos deveriam ser habituados "ao exercicio do trabalho methodico. efeitos do fumo e do álcool no organismo humano. com os utensilios do trabalho domestico. e nesse exemplo a seguir podem ser observadas significativas diferenças no tratamento dado ao corpo dos meninos e ao corpo das meninas. Trabalhos Manuaes e Exercicios Physicos". para uma ampla e profunda "educação physica" das crianças. dele faziam parte as cadeiras de "Leitura. haveria uma organização minuciosa dos tempos7 como garantia para a realização de vasto programa escolar capaz daquela "revolução de costumes". economico e hygienico". para aprendê-la. A propósito do programa para o ensino primário. Esses eram os saberes que aquela cultura escolar que se afirmava estava autorizada a praticar. é outro exemplo. De várias maneiras busca-se implantar uma racionalidade no corpo das crianças. necessidade da boa mastigação e regularidade das refeições.6 Nesses templos. — O assento deve ter altura de modo que ambos os ante-braços fiquem em nivel. foi nessa cultura escolar que essa cadeira foi inserida pela primeira vez nos programas de ensino primário. Geometria e Desenho. com a qual pretendia-se educar as suas mãos. alimentação.que se afirmava. Esse tipo de letra foi considerado "facil. saneamento das casas. com os cabelos e as mãos. pretendia-se que o cultivo do corpo começasse já na arquitetura do prédio: os espaços deveriam ser eles mesmos educativos. ensinandolhes sómente o que for util e pratico". Para a execução de seu programa. na cadeira de "Escripta". para atingir o objetivo desejado de transmutar crianças indigentes em cidadãos republicanos. Para educar as mãos. vestuário e higiene da habitação. Elas deveriam ser acostumadas "desde o primeiro dia. Instrucção Moral e Civica. ensinando-lhes cuidar da sua própria pessoa". A cadeira de "Exercicios Physicos" foi mais um dos dispositivos para o cultivo do corpo na escola. nutrição e respiração. Geographia. Historia do Brasil. Physica e Hygiene. e os pés bem assentados no soalho. dispositivos constitutivos de uma cultura escolar até então inusitada. Historia Natural. — O papel será collocado em posição vertical. os alunos deveriam ficar na seguinte posição: tronco erecto com o peito de frente para a carteira. sendo que. Com efeito. cuidados com os dentes. Os grupos escolares seriam providos de "livros didacticos. isto é. Dentre os temas previstos constavam tópicos como a necessidade do banho e do asseio do vestuário. Um exemplo é a cadeira de "Hygiene". Arithmetica. rapido. o professorado era instruído a dar noções gerais que facilitassem "aos alumnos o conhecimento do corpo humano". em Minas Gerais . Lingua Patria. Escripta. existia ainda a cadeira de "Trabalhos Manuaes". asseio do corpo. aproveitando tudo que pudesse para "ministrar-lhes noções precisas para a conservação da saúde e seu bem estar physico. sem tocal-a.

prescrevia-se brincar em liberdade no pátio e realizar exercícios de "extensão e flexão de musculos". Para eles. A escolarização dos "Exercicios Physicos". naquele momento deu-se em grande medida sob o primado da regeneração da raça. Para viabilizar sua inserção no programa. dentre outros). como políticas de saneamento. mas que deveria respeitar as diferenças entre eles. uma educação racional de seus corpos. uma outra consideração de central importância: a de que muitas daquelas crianças não teriam "em suas casas os meios e a occasião dos exercícios que a escola lhes pode proporcionar". Ela prescrevia: "Não se descuide desta parte da educação das creanças na escola". Os programas eram distintos para meninos e meninas. que deveriam ser executadas observando-se "estrictamente as regras militares. As práticas corporais que elas realizavam nesses lugares não podiam lhes garantir isso.A reforma de 1906 realmente obrigou a presença dos "Exercicios Physicos" no programa. como os deficientes. ainda. exercícios viris. Há. em Minas Gerais. loucos. epilépticos. todas as escolas deveriam . Observe-se que uma preocupação com o aperfeiçoamento e o fortalecimento físico racional e sistemático ficava evidente. e daí resulta a defesa de que o Estado deveria regular e manter na escola um programa racional de educação do corpo das crianças No texto da reforma de 1906 há indícios que permitem vincular o enraizamento escolar da cadeira de "Exercicios Physicos" nos programas escolares de Minas Gerais ao debate sobre a formação racial brasileira. várias estratégias são defendidas (muitas postas em prática) para conseguir a desejada regeneração e o aperfeiçoamento da raça. delinqüentes. Afirmava-se assim a escola como o lugar por excelência para a realização das práticas corporais que concorreriam para o desenvolvimento físico das crianças. e certamente nas ruas. que um instrutor militar fosse solicitado pela direção dos grupos para se encarregar da parte do programa relativa às evoluções militares para os meninos. executados metodicamente "à sombra". a prática central eram as variações de marchas militares. naquele período. principalmente àquelas freqüentadas por crianças economicamente desfavorecidas. foi prevista nas plantas dos grupos escolares a construção de "galpões que deveriam ser cobertos com telhas. que circulava no país." Já para as meninas. sem forro de taboas e ter o chão ladrilhado ou cimentado sem asperezas".9 A diferenciação de práticas corporais para meninos e meninas expressa as representações sobre o corpo masculino e o feminino: para eles. Passa a circular a representação de que a inserção dessa cadeira no programa da escola primária era necessária porque de tais exercícios dependia "o desenvolvimento physico dos futuros cidadãos". Considerou-se que em suas casas. marchas militares. para elas. de higiene e do desenvolvimento de projetos eugênicos (inclusive a defesa da esterilização dos considerados não-regeneráveis. a delicadeza de exercícios de extensão e flexão. não havia "os meios e a occasião" para tanto.8 Ora. Somente a escola poderia lhes proporcionar tal desenvolvimento. se a desejada raça brasileira estava em estado de permanente formação como se acreditava. Era permitido.10 Ou seja. as estratégias para a sua regeneração deveriam se estender também às escolas. para ambos. no entanto. As próprias professoras de cada turma é que assumiriam a responsabilidade pela cadeira de "Exercicios Physicos". Com efeito. de combate a epidemias tropicais.

os espaços para a ginástica também eram. o mesmo movimento de constituição de uma nova cultura escolar em Minas Gerais. Mas o modelo escolar que foi então estruturado e legitimado manteve algumas de suas características básicas: o conhecimento continuou sendo repartido em disciplinas. nas décadas seguintes à reforma de 1906. A sua posição cuidadosamente intercalada às demais cadeiras. a prescrição de um programa.11 Como o programa. é importante registrar que a legislação que reforma o ensino em Minas autoriza a inclusão dessa cadeira nas práticas dos grupos escolares de maneira central. o que levaria à "construção escolar das diferenças" (Louro 1997). dentre as quais algumas permaneceram. Nesse projeto. de fato. se tomadas isoladamente (inclusive língua pátria e escrita). macadamisada. Resta ver se as crianças não faziam usos não-autorizados dos exercícios e do espaço previsto. nas plantas dos prédios escolares. no início do século XX. sempre das 11h50 às 12h15 (o horário de funcionamento dos grupos escolares era."dispor sempre de uma área conveniente para recreio e exercicios physicos dos alumnos". e seria usada para "exercicios gymnasticos e evoluções militares". Deveriam ser realizadas. ao longo de toda a semana. promoveu também a escolarização. um salto no tempo. Retomar o momento inicial de enraizamento escolar da educação física em Minas Gerais tem em vista identificar aqui a sua fina sintonia com o projeto de sociedade que se queria implantar. seis lições semanais. um dispositivo que visava à constituição diferenciada de corpos masculinos e femininos. Revelava-se a pretensão de que meninos e meninas não participassem juntos das mesmas aulas. novas práticas de educação física Inúmeras outras reformas do ensino foram promovidas em Minas Gerais nesses mais de 90 anos que nos separam daquela realizada em 1906. Era o início do século XX. o objetivo pretendido. é reveladora da pretensão de que a cadeira de "Exercicios Physicos" assumisse um caráter de recurso higiênico para combater a fadiga intelectual das crianças e o tédio das práticas escolares vigentes. si possivel. As seis lições semanais indicam que ela ocupou uma posição de destaque na grade de distribuição de tempo para as cadeiras. separados por sexo. sem alterações para os quatro anos do ensino primário. das 10 às 14 horas). igual ao destinado à leitura e maior que o de todas as demais cadeiras. Interditar legalmente o uso comum dos espaços e a prática dos mesmos exercícios é. Eram reservados 25 minutos diários (inclusive aos sábados) aos "Exercicios Physicos". não secundária. São cuidados como esses que permitem e provocam o seu paulatino enraizamento escolar nas práticas dos grupos escolares em Minas Gerais. que totalizariam 150 minutos. outras foram reorganizadas e . sendo menor apenas que o de aritmética. naquele momento. De fato.13 Novos modelos escolares. a destinação do tempo e a previsão do espaço são indicadores da importância atribuída à cadeira de "Exercícios Physicos". essa área foi planejada para ser "nivelada. Do início ao fim do século.12 Em síntese. e. Mais tarde. asphaltada e coberta". os grupos escolares e a cadeira de "Exercicios Physicos" desempenhariam papéis preponderantes na formação dos cidadãos republicanos de corpos limpos e robustos. a obrigatoriedade de seu ensino. Ora. portanto.

outras foram desaparecendo. e houve uma permanente precarização das condições de trabalho docente (que não se reduz aos aviltantes salários). que não serão tratadas aqui). em Minas Gerais. de forma sintética.interesses econômicos. Isso certamente provoca o surgimento de modelos escolares diferentes.eficácia.15 o Ministério da Educação promoveu a elaboração e a distribuição dos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino fundamental. culturais. O primeiro tem como orientação básica defender uma fina sintonia entre as práticas escolares e as necessidades e os interesses do "deus-mercado" e sua ordem econômica de matriz capitalista:16 o currículo. são permeados por tensões e conflitos entre os diferentes (e muitas vezes opostos) interesses de ordens diversas colocados no campo da educação escolar .14 os tempos escolares permaneceram distribuídos em rígidas grades de horários. tem-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) . como centro das decisões de . Legitima-se o "deus-mercado". de sua contribuição para este ou aquele projeto de sociedade. Esses são alguns indicadores da solidez daquele modelo. Há também diferenças importantes. sociais. resultado . agora mundializado. há. desde 1996 novos ordenamentos legais pretendem organizar o campo escolar. ao contrário. políticos. No plano nacional. duas perguntas são fundamentais. confrontos em torno da intervenção da escola nas práticas sociais. incluindo ou retirando disciplinas de acordo com elas. Aqui será destacado. deve estar estruturado para obedecer às exigências do mercado. Os princípios que regem o mercado . novas estratégias de conformação do campo escolar estão sendo propostas e realizadas. ao final do século XX? E a segunda é derivada da primeira: a educação física permanecerá enraizada na cultura escolar? Quanto à primeira. rendimento. a "qualidade total" em educação escolar.devem também orientar as práticas escolares. aquele por mim considerado central e decisivo. com projetos político-pedagógicos que se contrapõem. esse modelo escolar vem sendo questionado e novas maneiras de organizar a escola. Preparar alunos(as) para sua futura inserção no mundo do trabalho é o propósito (logo. A primeira delas: se um novo modelo escolar foi instituído na reforma mineira de 1906 para viabilizar um determinado projeto de sociedade. ainda que mais sutis e dissimulados. com uma visível hierarquia dos saberes escolares. também em 1996. Não por acaso. observa-se que é um discurso muito próximo daquele contido na reforma mineira de 1906). isto é. e em 1998 o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental (e também as do ensino médio. com efeito. que opõe dois primados de organização escolar que revelam também o projeto social a que se vinculam. para ficar em apenas um exemplo.394. das quais foram destacadas apenas duas para exemplificar: a política de construção de suntuosos prédios para as escolas públicas estaduais há muito desapareceu. a seriação anual com promoção mediante avaliação quantitativa também atravessou o século. Aqui.mudaram de nome. de 20/12/1996. seleção. É o primado de uma "pedagogia da eficiência". A recepção e o uso desses ordenamentos nas práticas escolares certamente não são consensuais. habituando e conformando alunos(as) e professores(as) a eles. No entanto. muitos rituais escolares que instituem as relações de poder foram mantidos.Lei nº 9. que projeto(s) estaria(m) orientando novas maneiras de organizar a escola.

atuando diretamente na conformação de práticas escolares. o segundo primado. seus desejos e sonhos. é justamente isso que a coloca como campo de intervenção social. 184) que o professorado pode fazer deles. Podem aderir aos ordenamentos e modelos que estão circulando. nelas. como podem contestá-los.e não de submissão permanente. submetendo o Estado e as pessoas a seus interesses e a suas necessidades.é um desafio estimulante. Como sujeitos sociais praticantes. não como obediência da escola a seus ditames. deve ser ocupado e potencializado. é que devem estar no centro das práticas escolares e. que quer a ciência. 184). p. assim. compreendidos e manipulados de diversas maneiras" (Chartier 1995. A cultura escolar intervém em outras práticas culturais da sociedade da mesma forma em que sofre a sua intervenção: há entre as práticas escolares e as demais práticas sociais uma relação de tensão permanente .7 milhões em escolas públicas). adolescentes e professores(as). Esse espaço é um campo aberto de possibilidades de intervenção por parte do professorado. por exemplo). Fazê-la diariamente tempo e lugar de produção de cultura . Ora. campo de construção de uma cidadania emancipada. que é tempo de crítica. p. fruição. O professorado não assiste (ou não deve assistir) passivamente à imposição de modelos escolares. de gênero. produzindo novos conhecimentos. podem resistir e criar alternativas para eles. tempo social para uma formação humana ampla. representa e procura constituir e praticar a escola como lugar de transmissão e produção de cultura. embora não seja o único. invenção e reinvenção das práticas culturais . o enraizamento do ensino de educação física) estão sendo instituídas em confrontos como esses. p. Os interesses em conflito na sociedade estão também presentes na escola. sujeitos produtores de cultura e capazes de intervenção individual e coletiva. Penso que nossas . sendo 5. Há que se considerar as repercussões desse confronto no corpo de crianças. a escola é um lugar social privilegiado de (e para a) formação humana. do conjunto das práticas sociais (como na definição das políticas econômicas e socioculturais do país). dos quais mais de 32 milhões estão em escolas públicas (há ainda quase 7 milhões de matrículas no ensino médio. é preciso realçar a "pluralidade dos usos e dos entendimentos" (ibid. É o primado de uma "qualidade social" em educação18 filiado a um projeto de sociedade sem relações de dominação de nenhuma natureza (seja de classe. 186).. Aqui é fundamental destacar a intervenção possível dos(as) professores(as) nesse processo. Os seres humanos. de etnia ou de raça. ao qual me filio. que podem ser "recebidos. participam também da instituição e da consolidação de novas práticas escolares. Novas maneiras de organizar a escola (e. Esse dado confirma que. O censo escolar brasileiro de 1998 apontou que se aproxima de 36 milhões o número de alunos e alunas matriculados em escolas de ensino fundamental.todas as naturezas (incluindo a educação escolar).. eles(as). ao contrário de ser subestimado. do seu uso e da sua interpretação" (ibid. "a vontade de inculcação de modelos culturais nunca anula o espaço próprio da sua recepção. que. de fato. mas não abre mão da sabedoria. Com efeito. Oposto a esse. com suas possibilidades e carências.17 Certamente a problematização em torno das questões ligadas ao mundo do trabalho e ao próprio mercado é mais que necessária.que problematiza e transforma o conhecimento já construído. mas como possibilidade de intervenção social para contribuir em sua transformação.

e por isso merecem atenciosa reflexão. A LDB de 1996 estabelece a obrigatoriedade da presença da educação física nas práticas escolares na educação básica (educação infantil.21 Também é possível.20 Sua entrada em vigor possibilitou o aparecimento de maneiras diferentes de realizar o ensino de educação física. Mesmo com dados precários. ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar (art. tem sido reduzida ao mínimo indispensável para configurar obediência à lei. 26). sobressaindo-se a idéia de redução de despesas com professores e materiais. como portadora de um conhecimento a ser oferecido aos alunos . mesmo em escolas (e ainda mais fora delas). Nesse caso. Exemplo disso é a sua transformação em lugar de treinamento esportivo. que inviabiliza sua participação na formação dos alunos . num movimento de terceirização de serviços.isto é. Essa lei não definiu critérios para a organização do seu ensino. como a descaracterização do ensino curricular de educação física. provocando o seu esvaziamento como disciplina do programa. Interesses econômicos têm marcado interpretações da LDB sobre a educação física. devem estar orientadas por essa realidade. no mesmo patamar que as demais. em que prevalecem e são desenvolvidos princípios de respeito à participação de todos. com desdobramentos que considero danosos a seu ensino e aos alunos.posições e práticas em relação à escola. A educação física continuaria figurando no currículo da escola. há iniciativas no sentido de aceitar que práticas corporais realizadas fora do ambiente escolar (em academias e clubes. por exemplo) sejam consideradas substitutas do ensino de educação física realizado na escola. A perda de sua identidade como disciplina curricular . isso seria uma . identificar usos irresponsáveis da lei. a meu juízo. mas desfigurada de seu caráter de área do conhecimento. Ora. É preocupante a desqualificação de uma possível intervenção de caráter amplo e educativo do ensino de educação física sobre todos os(as) alunos(as) em favor de uma intervenção especializada e seletiva do treinamento esportivo na escola.é o principal deles. ensino fundamental e médio). A falta de critérios permitiu que se configurasse quase um "vale-tudo" em sua organização escolar. à busca do lúdico.22 Radicalizando esse mesmo movimento de descaracterização. um apêndice. já é possível dizer que sua presença nas práticas escolares. do qual decorre seu alijamento das discussões que envolvem o conjunto das práticas escolares. o rendimento. a competição e o resultado. em que se privilegia sobremaneira a seleção por habilidade (e conseqüente exclusão). ou um produto que a escola oferece aos alunos para atraí-los. estabelecendo que a educação física deve estar "integrada à proposta pedagógica da escola". sobretudo em escolas particulares. É nesse movimento de confrontos e tensões que discutirei a segunda pergunta: a educação física permanecerá enraizada nas novas maneiras de organização escolar que estão sendo praticadas? Depende. as escolas estariam desobrigandose da tarefa de realizar o ensino de educação física. por exemplo. facultando sua presença na educação superior e nos cursos noturnos19 (restringir-me-ei ao nível ensino fundamental). e particularmente em relação ao ensino da educação física. Figurar desfigurada nas práticas escolares traz ainda um dano ao potencial educativo que boa parte do professorado da área vem tentando imprimir ao ensino de educação física.torna-se um tempo à parte. à corporeidade singular dos alunos.

a educação física é organizada para ser um desses produtos. mas possível também em escolas públicas. como os esportes. oferece aos alunos uma linha de produtos . passando de duas para três aulas semanais. repartindo-se seu conhecimento em várias modalidades de subprodutos. em uma escola que se orienta pelas idéias de eficiência. Na segunda. iniciativas bem distintas dessa também podem ser citadas. que no limite provocaria o seu desenraizamento escolar. Dois anos depois de promulgada a LDB. Esses usos economicamente interessados e irresponsáveis da lei podem ser analisados à luz dos primados que orientam a organização da escola. os jogos. O exemplo da rede pública estadual de Santa Catarina é suficiente: lá. Nada disso interessa quando se quer organizar uma escola na qual o conhecimento que importa transmitir aos alunos é aquele que se considera útil ao ingresso no mercado de trabalho. Embora somente o aumento do número de aulas não seja garantia. não há que se perder tempo com o ensino de práticas corporais da cultura. a ginástica. As diretrizes confirmam a obrigatoriedade da educação física na educação básica. consolidando seu enraizamento escolar. mais afeita às escolas particulares. podendo mesmo ser excluída (desenraizada) das práticas escolares.23 Certamente. as danças. outro dispositivo legal. houve aumento da participação do ensino de educação física na distribuição dos tempos escolares. na Europa e no Brasil. antes expostos. O mais importante é que. o conhecimento oferecido na educação física não teria muito a contribuir. Na primeira. podendo ser uma importante ferramenta . que as escolas estão obrigadas a contemplar "em sua integridade". Ao contrário.27 Creio. produtividade. manutenção e recuperação física). por intermédio de sua Câmara de Educação Básica. ampliou-se a oportunidade de sua intervenção na formação dos alunos.sentença de morte para o caráter educativo da educação física como prática escolar. em 1998. tornando-se assim descartável. fundamentos e procedimentos da educação básica" que são também obrigatórias para "fundamentar as práticas pedagógicas das escolas" de ensino fundamental. estabelecida pela LDB em 1996. pois. E aqui há ao menos duas possibilidades de análise. ela é definida como área do conhecimento26 que integra a Base Comum Nacional do Ensino Fundamental. Pode-se perceber que eles aderem fortemente ao primado que vincula e submete a escola ao mercado. praticados sob a LDB. E. o Conselho Nacional de Educação. sua exclusão do ambiente escolar. não dão margem para a descaracterização da educação física como disciplina escolar. a meu juízo. a presença da educação física não está garantida. Ora. eficácia. que as Diretrizes constituem um contraponto legal aos usos interessados e irresponsáveis do ensino de educação física.25 Problematizar criticamente essas diretrizes pode contribuir para fazer avançar as práticas escolares de educação física. isto é. então.24 Elas contêm um "conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. instituiu. a presença (descaracterizada) da educação física está garantida quando a escola. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. quando a educação física foi representada como fundamental para a preparação da mão-de-obra para o trabalho (para a sua preparação. utilidade. em vez de desenvolver e praticar uma linha de pensamento. Movimento oposto ao que ocorreu nos momentos iniciais de seu enraizamento escolar.

é interessante como nas Diretrizes há uma crítica ao primado de organização escolar submetido aos ditames do mercado e. cada área do conhecimento (e também o diálogo entre elas) deve problematizar esses temas. as escolas de ensino fundamental públicas e particulares. O ponto de encontro tem sido a acumulação e não a reflexão e a interação. meio ambiente. trabalho. a mesma diretriz exige que todas (todas!) as áreas do conhecimento estejam articuladas em torno de um paradigma curricular estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação para nortear o ensino fundamental .30 Para retomar o confronto antes citado. Não parece ser outra a exigência da quarta diretriz aprovada: "Em todas as escolas. às quais a educação física deve estar integrada. Ademais. uma compreensão da presença da escola nas práticas sociais mais próxima do primado da qualidade social: O modelo que despreza as possibilidades afetivas. ciência e tecnologia. para que "atendam ao direito de alunos e professores terem acesso a conteúdos mínimos de conhecimentos e valores".28 Minha interpretação é de que para obedecer ao conjunto de definições legais que emergem da LDB e das Diretrizes Curriculares Nacionais. poderia essa diretriz ser respeitada e praticada com a educação física sendo realizada de maneira descaracterizada. de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional". ou terceirizada? Parece-me não haver dúvida quanto à exigência de ela ser tratada como área do conhecimento e. submergindo no utilitarismo que transforma tudo em mercadoria.a escola é o lugar de sua realização. sexualidade. segue prescrito na quarta Diretriz. Assim também para a educação física. inclusive. como estabelecido na LDB. cultura e diferentes linguagens. o esvaziamento e o desenraizamento escolar da educação física.é o paradigma da "Vida Cidadã". O paradigma . Isso é fundamental. deverá ser garantida a igualdade de acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum. O núcleo da aprendizagem terminaria sendo apenas a criação de rituais de passagem e de hierarquia. oferecendolhe tratamento curricular sob os mesmos critérios respeitados para as demais áreas do conhecimento. para "a organização. lúdicas e estéticas de entender o mundo tornou-se hegemônico. o desenvolvimento e a avaliação das Propostas Pedagógicas das Escolas". pertence ao ambiente escolar . Na organização e na realização de seu ensino. As Diretrizes Curriculares Nacionais podem constituir uma possibilidade de ampliar o primado da educação voltado para as necessidades dos seres humanos. desfigurada. ao mesmo tempo. visando à transformação da vida para melhor. de todo o território nacional. alargando trilhas que muitos já vinham explorando no ensino de educação física. vida familiar e social. 205 e 206 da Constituição Federal. estão obrigadas a incluir o ensino de educação física. Em nome da velocidade e do tipo de mercadoria. com oito temáticas de referência: saúde. nessa condição.29 Ora. criaram-se critérios para eleger valores que devem ser aceitos como indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade. respeitando-o e praticando-o.contra a desfiguração. contrapondose. à concepção abrangente de educação explicitada nos arts.

práticas escolares são construídas e realizadas. de 30 de setembro de 1906. Os ordenamentos legais da reforma do ensino de 1906. No entanto. usufruem. há possibilidades de intervenção. construída em sua história de vida. de preparação para o trabalho. E então a educação física pode ser também tempo e lugar de investigação e problematização da história de alunos e alunas encarnados e presentes na escola. Faria Filho 1996. de 3 de janeiro de 1907. o Decreto nº 1. de regeneração da raça. Enfim. e aqui recoloco perguntas já apresentadas em outro texto:31 O que seria uma "vida cidadã"? Que projeto histórico de organização social propõe condições socioculturais e econômicas para sustentá-la: aquele que se submete às leis do "deus-mercado" ou o que está sensível e aberto às demandas sociais dos seres humanos? Que políticas públicas podem favorecê-la? Quem está de fato interessado em construí-la em nosso país? No espaço próprio de nossa recepção. a Lei nº 1. sua permanência nas práticas escolares ou. de invenção de outras maneiras de fazer os esportes. consultados para redigir este texto.curricular da vida cidadã. sem exclusão por nenhum motivo. as danças.e a escola foi e é um dos lugares dessa produção. o Decreto nº 1.947. ao final do século e nas circunstâncias colocadas no presente. os brinquedos. que as Diretrizes indicam. as brincadeiras.969. que revela o conhecimento sobre as práticas corporais da cultura de que são portadores(as).960. de realização do princípio de que os alunos e as alunas podem (e devem) se colocar à disposição de si mesmos quando partilham. de garantia do direito de todos(as) participarem. políticas de educação e de educação física são formuladas. Notas 1. incluem a Lei nº 439.. é preciso praticar a educação física como tempo e lugar de afirmar e reafirmar a vida como ato de resistência e de criação. certamente deve ser criticamente problematizado. 2. o seu desenraizamento estão visceralmente vinculados à idéia de ampliar ou reduzir a escola como lugar de (e para a) cidadania emancipada. . criam e recriam as práticas corporais da cultura. para atribuir àquele paradigma os sentidos que julgamos necessários para tomá-lo como norteador das nossas práticas escolares. Se no início do século XX a educação física enraizou-se nas escolas de Minas Gerais como recurso higiênico. Creio que em todos esses âmbitos devemos insistir na defesa (e na prática) de um enraizamento escolar da educação física na cultura escolar como uma área do conhecimento responsável pela problematização e pela prática da cultura corporal de movimentos produzida pelos seres humanos . os jogos. opções são feitas. mais do que nunca. de respeito à corporeidade singular a cada um. de 28 de setembro de 1906. Nesse movimento. de 16 de dezembro de 1906. as lutas. Então. fruem. Cf. aceito e praticado. Em todas. de questionamento dos padrões éticos e estéticos construídos culturalmente para a realização dessas e de outras práticas corporais. ao contrário. é fundamental debater perguntas como essas.. promovida pelo governo de João Pinheiro (1906-1910). a cultura corporal não se esgota no já existente. a ginástica.

como promotora da saúde. escrito em parceria com a professora Eustáquia Salvadora de Sousa (cf. em diversos países europeus nas últimas décadas do século XIX. Coleção de Leis. em todos os níveis do ensino. inspetor escolar em Juiz de Fora (MG). apresentados em congressos sobre higiene escolar. 12. em Minas Gerais. como produtora e veiculadora da cultura corporal de movimentos socialmente criada. Relatório do Secretário do Interior ao Presidente do Estado. . Algumas dessas maneiras de representar a educação física foram indicadas inicialmente em outro texto. 9. e múltiplas foram as representações produzidas acerca de sua intervenção na formação humana. A educação física permaneceu enraizada nas diferentes culturas escolares que foram sendo organizadas desde a reforma de 1906. Sousa 1994). Arquivo Público Mineiro. Relatório de José Rangel. Regulamento do Ensino Primário de Minas Gerais. Relatórios dos Grupos Escolares. Arquivo Público Mineiro. Viñao Frago 1998a). 1907. mestrado e doutorado. 8. Schwarcz 1995. 10. 7. não permitindo que o cansaço e o tédio dominassem as crianças (Cf. em vários estados e municípios. mais a respeito em Vinão Frago 1998b. aqui apenas citadas: educação física como domadora de corpos humanos. Secretaria do Interior. Arquivo Público Mineiro. educação física como produtora de uma raça forte e enérgica. defendeu-se a necessidade de combinar e variar os exercícios de acordo com sua dificuldade. à sombra!" (Cf. públicas e privadas.3. O enraizamento escolar de educação física é resultado do esforço de problematização de seu ensino que os estudantes e o professorado da área vêm realizando. Relatório do Secretário ao Presidente do Estado. 5. a organização política e científica de estudantes e professores(as). Se é certamente necessário confrontar essa distribuição prevista em lei com a que era realizada nas práticas escolares. 6. Cf. a publicação de periódicos. Esse é o título da tese de doutorado de Luciano Mendes Faria Filho (1996). à marcha! Meninas. Cf. motivo de muitas preocupações na época. 13. Arquivo Público Mineiro. como aprendizagem motora. como os promovidos pelo Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE). como terapia psicomotora. 4. suas características e as faculdades requeridas. art. como são indicativas a vasta produção de literatura acerca da educação física na escola. Secretaria do Interior. Sobre a distribuição dos tempos escolares. A professora Eustáquia Salvadora de Sousa sintetiza esse programa já no título de sua tese: "Meninos. a qualificação acadêmica em programas de especialização. buscou-se organizálos para não causar fadiga escolar nas crianças. Cf. 1909. Cf. como celeiro de atletas. 179. a realização de encontros. Sousa e Vago 1997a e também Vago 1997). Mas esse processo de enraizamento escolar não foi homogêneo. seminários e congressos. Com o desenvolvimento e a difusão de estudos sobre fadiga escolar. 1911. Secretaria do Interior. Cf. 1907. de toda forma não parece possível negligenciar a pretensão da lei na conformação do campo escolar. Ao indicá-las. registro que considero necessário ampliar estudos que procurem pela materialidade dessas (e de outras) representações nas práticas escolares em instituições distintas. 11. no tocante à cadeira de "Exercicios Physicos".

1997. então isso vale também para o ensino noturno. Em uma interpretação possível das Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em 1998. 18. 22. pelo art. "Lingua Patria" é o português. "Geographia e Historia do Brasil" permanecem. consolidandose na década de 1930). argumentando-se que houve cumprimento da lei. estando unidas nas séries inicias do ensino fundamental como Estudos Sociais. pode-se concluir que a Diretriz nº IV permite a reinclusão da educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora. O eufemismo "neoliberalismo" é apenas um novo nome para definir o modelo capitalista de produção. mas não afirma que isso deve ser em todas as etapas. Não se trata aqui de ser contra a organização de práticas esportivas no ambiente escolar. que se desdobra em física. 20. Confira o documento contendo as propostas desse II Coned. em 1927. 17. discriminação de acesso diferenciado a essa base nacional em virtude do turno em que o aluno estuda: o direito é igual para todos. no ensino fundamental. Sobre repercussões da LDB nº 9. "Trabalhos Manuaes" e "Desenho" desapareceram como disciplinas obrigatórias.exemplos de um intenso movimento para problematizar. Sousa e Vago 1997. 21. química e biologia no ensino médio. democracia e qualidade social: Consolidando um Plano Nacional de Educação" (previsto. 15. os alunos que estudam à noite estarão sendo tratados como cidadãos menores. Os princípios de uma pedagogia de "qualidade social" foram debatidos nos dois Congressos Nacionais de Educação (Coned). sem seleção por nenhum critério e realizado em tempos escolares próprios. nas Diretrizes. "Historia Natural Physica e Hygiene" transformou-se na disciplina de ciências no ensino fundamental. que inclui a educação física. 19. incorporando a "geometria". Vago 1996. Por exemplo. O tema central deste último foi "Educação. Afinal. se ela prescreve que "em todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base Nacional Comum. Na escola em que atuo há um projeto intitulado "Esporte na escola". "Arithmetica" é a matemática. em Minas Gerais. que as cadeiras de "Leitura" e "Escripta" compõem o chamado Ciclo Básico de Alfabetização. essa transição na denominação da área ocorreu a partir da reforma do ensino promovida pelo governo do estado. produzir. "Instrucção Moral e Civica". uma interpretação economicamente interessada tem sido usada para inserir a educação física em apenas uma das três etapas da educação básica. realizados em 1996 e 1997. Essa LDB substitui aquela que vigorou por 25 anos. Cf.692. Do contrário. 214 da Constituição de 1988). sem obrigatoriedade. Nóvoa 1994. E "Exercicios Physicos" é a hoje chamada educação física (em Minas Gerais. aliás. ampliar e socializar o conhecimento da área. subtraídos em seu direito. não há. Isso já ocorre em escolas particulares de Belo Horizonte (MG). 16. a LDB nº 5.394/96 no ensino de educação física. que obriga sua presença nesse nível. tem-se hoje. Do já citado programa de ensino prescrito pela reforma de 1906. cf. 14. de 11/8/1971. diferentes dos tempos destinados ao ensino de educação física. na cidade de Belo Horizonte (MG). O . e separadas nas séries finais. Chervel 1990. aberto à participação de todos os interessados.

problema está na confusão entre ensino de educação física e treinamento esportivo. a cultura. não posso concordar com a simples substituição do primeiro pelo segundo. que instituem as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. No entanto. 8. deverá ser garantida a igualdade de acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum. 5. conhecimentos. no ensino de educação física. 2." 28. Sousa e Vago 1999. História. o Conselho Nacional de Educação reconhece que a educação física tem um objeto de estudo e um conhecimento escolar próprio formulado ao redor desse objeto. A quarta diretriz prescreve: "IV . 6. aprovadas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. cf. Soares 1990. cf. Nosso mais importante discurso é realizado nas e com as práticas escolares de educação física. e problematizá-las para identificar espaços de intervenção é uma tática que considero importante. de 29/1/1998. valores e práticas sociais indispensáveis ao exercício de uma vida de cidadania plena". Língua Materna (para populações indígenas e migrantes). Para uma crítica dos PCNs de educação física. e Resolução nº 2. 23. 10. Educação Artística. 5. a vida familiar e social. de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. Sua permanência no currículo do ensino fundamental foi tomada como reconhecimento de sua contribuição na formação humana dos alunos. 6. Língua Estrangeira. exatamente por isso. 7. 3. 33 da LDB). a sexualidade. Os PCNs específicos para a educação física estão circulando pelo Brasil em dois volumes publicados pelo MEC. que contribuem para a constituição de saberes. alicerce de seu ensino na escola. Educação Religiosa (na forma do art. Língua Portuguesa. e b) as Áreas do Conhecimento de: 1. CBCE 1997. 3. Castellani Filho 1988. a saúde. Educação Física. Nas diretrizes consta que as áreas do conhecimento possuem conteúdos mínimos que se referem "às noções e conceitos essenciais sobre fenômenos. que visa estabelecer a relação entre a Educação Fundamental e: a) a Vida Cidadã. estabelecidas em 1998 pelo Conselho Nacional de Educação. Mas isso é apenas o começo. 7. 4. o meio ambiente. trato as leis como estratégias de conformação do campo escolar. .Em todas as escolas. cujos princípios penso serem diferentes. no chão da escola. 27. as linguagens. processos. 9. 4. 26. Parecer nº 4. Sobre as repercussões das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. através da articulação entre vários dos seus aspectos como 1. Matemática. o trabalho. a Base Comum Nacional e sua Parte Diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular. Considero essa definição um avanço. Geografia. E assim deve ser com o conhecimento oferecido pela educação física. E ainda consta que os conteúdos mínimos de cada área já haviam sido divulgados inicialmente nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências. a ciência e a tecnologia. ao colocá-la na condição de área do conhecimento como as demais. tampouco alimento ilusões de que basta ter uma lei para que a educação física esteja presente nas práticas escolares. 2. um para as séries iniciais e outro para as séries finais do ensino fundamental. Não estou aqui fazendo um discurso legalista em defesa da educação física. porque. 25. 8. de 7 de abril de 1998. 24. sistemas e operações. Cf.

Belo Horizonte: Cultura. Vitória: Ufes. 32 e 33 da LDB. [ Links ] CERTEAU. Eustáquia S. 26 que está a exigência de obrigatoriedade da educação física na educação básica. que inclui a educação física. Deriving its procedures from cultural history of education. SI 2829. 1997. 1911. In: SOUSA. Educação física no Brasil: A história que não se conta. 23. 1997. 1990.29. Lisboa: Difel. Centro de Educação Física e Desportos. se ela prescreve que "em todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base Nacional Comum. Coleção de Leis e Decretos. on the republican social project. Recorde-se que é no art. 4ª Seção. Bibliografia ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Michel de. [ Links ] CASTELLANI FILHO. [ Links ] . [ Links ] _______. (orgs. 1994. Lino. Roger. Penso que essa mesma diretriz nº IV pode constituir base legal para a reinclusão da educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora.). Relatórios dos Grupos Escolares. 31. A história cultural. This paper suggests that it is responsible for developing body movement culture. "Educação física: Conhecimento e especificidade". Campinas: Papirus. Valter. thus. 25. [ Links ] BRACHT. entre práticas e representações. 27. Regulamento do Ensino Primário de Minas Gerais. At the end of the century. 28. 1988. e VAGO. então isso vale também para o ensino noturno. Relatórios do Secretário ao Presidente do Estado. new views on education and society challenge the continuance of Physical Education in school practices. Trilhas e partilhas: Educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. Petrópolis: Vozes. [ Links ] CAPARROZ. [ Links ] _______. cooperating. Francisco E. A invenção do cotidiano: Artes de fazer. 30. Secretaria do Interior. it shows that Physical Education in the beginning of the 20th century was at first represented as a means of regenerating the race and preparing for work. Cf. School roots of Physical Education ABSTRACT: This paper problematizes school roots of Physical Education contrasting two important historical events in education: educational reform in Minas Gerais in 1906 and the new legal regulations in Brasil. 26. 1907. Tarcísio M. Sousa e Vago 1999. Nas Diretrizes faz-se referência explícita aos arts. Secretaria do Interior (19001912). [ Links ] CHARTIER. 24. Entre a educação física da escola e a educação física na escola: A educação física como componente curricular.

1994. São Paulo: Cia. Antonio. democracia e qualidade social: Consolidando um Plano Nacional de Educação"._______. [ Links ] LOURO. Tese de doutorado em educação. "História da educação: Perspectivas atuais". "Políticas públicas para o esporte no Brasil: Interesses e necessidades". "O ensino de educação física em face da nova LDB". Jean-Claude. Luciano Mendes de. no 5. [ Links ] SOUSA. 1995. In: Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (org. Estudos Históricos. Tese de doutorado em educação. O espetáculo das raças: Cientistas. instituições e questão racial no Brasil . espaço e subjetividade: A arquitetura como programa. 1994. [ Links ] CHERVEL. imperativos didáticos e dinâmicas sociais". Campinas: FE/Unicamp. Belo Horizonte: Cultura. no 13. "Dos pardieiros aos palácios: Forma e cultura escolares em Belo Horizonte -1906/1918". "A história hoje: Dúvidas. Belo Horizonte: APUBH.). Guacira L. Rio de Janeiro: DP&A. 1997. Educação física escolar frente à LDB e aos PCNs: Profissionais analisam renovações. [ Links ] _______. Tarcísio M. Teoria e Educação. Carmen Lucia. Um diálogo com Valter Bracht". Rio de Janeiro: FGV/CPDOC. Eustáquia Salvadora de. São Paulo: Autores Associados. "Meninos. "O 'esporte na escola' e o 'esporte da escola': Da negação radical para uma relação de tensão permanente.) [ Links ] FORQUIN. [ Links ] NÓVOA. [ Links ] ESCOLANO. Ijuí: Sedigraf.). sexualidade e educação. 1992. e VAGO. Tarcísio Mauro. Porto Alegre: Pannonica. CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (II). desafios. Educação Física: Raízes européias e Brasil. Trilhas e partilhas: Educação física na cultura escolar e nas práticas sociais.1870-1930. António. Porto Alegre: Pannonica. Gênero. 1993. da UFMG. André. 1996. 1990. [ Links ] FARIA FILHO. 1994.) [ Links ] SCHWARCZ. Múltiplos olhares sobre educação e cultura. [ Links ] CONEd. Eustáquia Salvadora e VAGO. Lilia Moritz. 1999. [ Links ] SOUSA. no 2. das Letras. In: SOUSA. 1997. . Currículo. São Paulo: FE/USP. à sombra! A história da educação física em Belo Horizonte 1897/1994". [ Links ] LINHALES. Belo Horizonte: Ed. In: DAYRELL. [ Links ] _______. Teoria e Educação. [ Links ] SOARES. no 26. v. "Arquitetura como programa: Espaço-escola e currículo". propostas". Meily Assbú. Augustín. (Digit. 1997. "História das disciplinas escolares: Reflexões sobre um campo de pesquisa". Petrópolis: Vozes. modismos e interesses. Revista Presença Pedagógica. In: ESCOLANO. Revista Movimento. Eustáquia S. (orgs. 1998. (Mimeo. Tarcísio Mauro. Belo Horizonte: Dimensão. à marcha! Meninas. 1994. Juarez. uma perspectiva pós-estruturalista. 7. "Saberes escolares. "A educação física e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental". Augustín e VINÃO FRAGO. [ Links ] VAGO. "Conhecimento e cultura na escola: Uma abordagem histórica". "Educação. 1997.

br Rev. 1998b. Antonio. La distribución del tiempo y del trabajo en la enseñanza primaria en España (1838-1936). doutorando em Educação na USP. Antonio. [ Links ] _______. b) investigar as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física e como elas se modificam ao longo dos ciclos escolares.ano III.unicamp. / Fax: (55 19) 3289 . is licensed under a Creative Commons License CEDES Caixa Postal 6022 . o que é. bras.18. 2004 .1598 / 7539 cadernos@cedes. Trad. Fís. vice-presidente do CBCE. 61 A educação física na escola A educação física na escola e o processo de formação dos não praticantes de atividade física1 Suraya Cristina DARIDO* Resumo O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da prática da atividade física regular analisando o universo da Educação Física na escola. de Educação Física e Desportos. except where otherwise noted. All the content of the journal. "Do espaço escolar e da escola como lugar: Propostas e questões". Especificamente procurou-se: a) levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola. [ Links ] * Professor de Educação Física da Escola de Ensino Fundamental do Centro Pedagógico da UFMG. 1997.. c) verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola./mar. Tiempos escolares.Brazil Tel. 1996. Esp. Educ. no 5. Barcelona: Anil. Alfredo Veiga-Neto. Augustín e VINÃO FRAGO. [ Links ] _______. UFRGS. "Rumos da educação física escolar: O que foi.1. o que poderia ser". In: Anais do II Encontro Fluminense de Educação Física Escolar. tiempos sociales. n. Porto Alegre: Escola Superior de Educação Física. São Paulo. [ Links ] VIÑAO FRAGO. jan. espaço e subjetividade: A arquitetura como programa. e d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas .Unicamp 13084-971 Campinas SP . Rio de Janeiro: DP&A. Currículo. Niterói: Depto. In: ESCOLANO. 1998a. Universidade Federal Fluminense. p. v.61-80.

Evasão das aulas. sem o auxílio de especialistas. e também não possuem as condições mínimas satisfeitas. série do Ensino Fundamental e 1o. ano do Ensino Médio da rede pública estadual de Rio Claro. ou seja. danças. Os dados foram coletados a partir da aplicação de um questionário contendo 14 questões a 1. lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. e 7a.ed. pois. por si só.707 * Departamento de Educação Física.172 alunos divididos entre a 5a. 20.aulas de Educação Física. Este objetivo é enormemente facilitado se os alunos encontram prazer nas aulas de Educação Física. fatores relevantes para o afastamento da prática da atividade física regular. Introdução CDD. conhecendo e reconhecendo os seus benefícios? Qual é o papel das aulas de Educação Física na escola neste contexto? O que pensam os alunos de suas aulas? Entendemos. (BETTI. reproduzi-la e também transformá-la. um grande número de indivíduos que embora tenham as condições mínimas satisfeitas para a prática da atividade física não a realizam. o aluno deverá ser instrumentalizado para usufruir dos jogos.Rio Claro. Aderência. Os resultados indicaram que há um progressivo afastamento dos alunos das aulas de Educação Física e da prática da atividade física fora da escola. Universidade Estadual Paulista . . Uma das hipóteses possíveis para o número reduzido de aderentes à prática da atividade física pode residir nas experiências anteriores vivenciadas nas aulas regulares de Educação Física. Nesse sentido. à educação. apreciando determinada . que uma grande parcela da popula ção não chega a ter acesso. após o período formal de aulas os alunos deveriam manter uma prática de atividade regular. A questão que se coloca neste trabalho é a seguinte: por quê tão poucas pessoas estão engajadas em práticas regulares de atividade física. em alguns casos. A Educação Física na escola deveria propiciar condi ções para que os alunos obtivessem autonomia em relação à prática da atividade física. o que seriam. mesmo. 613. Muitos alunos acabam não encontrando prazer e conhecimento nas aulas de Educação Física e se afastam da prática na idade adulta. Atualmente entende-se a Educação Física na escola com uma área que trata da cultura corporal e que tem como finalidade introduzir e integrar o aluno nessa esfera. além de um aumento do número de alunos que não freqüentam/participam/apreciam as aulas regularmente UNITERMOS: Educação Física na escola. se assim desejarem. formando o cidadão que vai produzila. 1992). esportes. contudo. Há.

compreender o porquê realizar atividade física. RODRIGUES. Esp. caracterizando uma ligação de prazer. bras. RAMOS. Contudo. O que observamos nas aulas de Educação Física é que apenas uma parcela dos alunos. e que provavelmente não irão aderir aos programas sistematizados de atividade física. e desta.61-80. Um outro aspecto aponta para o caminho do domínio cognitivo. ou seja. a hipótese levantada pelo autor refere-se às experiências dos alunos durante o ciclo escolar. O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da prática da atividade física regular. São Paulo. principalmente durante os anos referentes ao Ensino Médio.. Esses. Objetivo que significa. O prazer e o conhecimento sobre a prática da atividade física teriam um valor bastante limitado se os alunos não vivenciassem ou aprendessem os aspectos vinculados ao corpo/movimento. nota-se um grande afastamento da atividade física logo após esse período. por seu lado. De acordo com DISHMAN (1994) faz-se necessário compreender quais são os fatores responsáveis pela diminuição da atividade física na passagem da infância para a adolescência. estão efetivamente engajados nas atividades propostas pelos professores. Evidentemente. FERREIRA. n. para a idade adulta.18. . v. 1. S. ainda influenciados pela perspectiva esportivista. SILVA. 62 . GALVÃO. muitas mudanças nos domínios do comportamento ocorrem nesta transição. SANCHES. procurou-se: a) levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola. 2001).C. quais os efeitos. em geral os mais habilidosos. Mais especificamente. Rev. Educ. p. Por isso. como realizá-la. Fís. Contudo. 2004 DARIDO. o que acaba afastando os que mais necessitam de est ímulos para a atividade física./mar. PONTES & CUNHA. a importância da Educação Física na escola é tamb ém garantir a aprendizagem das atividades corporais produzidas pela cultura. Os resultados imediatos destes procedimentos são. o conhecimento e o reconhecimento da importância da atividade física. além de outros (DARIDO.atividade é mais provável desejar continua-la. É preciso reconhecer que crianças até determinada fase da adolescência mantêm-se razoavelmente ativas. RANGEL-BETTI. um grande número de alunos dispensados das aulas e muitos que simplesmente não participam dela. jan. entender. continuam a valorizar apenas os alunos que apresentam maior nível de habilidade.

2004 . em relação ao esporte. os ritmos tornam-se mais variados. beleza e prazer. Esp.1. CAVIGLIOLI (1976) procurou investigar qual a imagem da Educação Física na opinião dos escolares de 106 turmas. dos 15 aos 16 anos este número caí para 83%. para citar alguns. GALVÃO (1993). Entre eles. RANGEL-BETTI (1992). alegria. Os resultados mostraram que os alunos identificam o professor como o principal responsável pelo gostar ou não da disciplina. os alunos mais reservados e menos ativos.b) verificar como as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física se modificam ao longo dos ciclos escolares. Os resultados indicaram que o aluno tem uma imagem fortemente valorizada da disciplina relacionando-a com liberdade. O trabalho conduzido por GALVÃO (1993) procurou analisar a opinião apenas dos alunos que haviam solicitado dispensa (trabalho e saúde) das aulas de Educação Física (N = 110). com distração e não ao trabalho. LOVISOLO (1995). Além disso. Educ. RANGEL-BETTI (1992) também procurou analisar as expectativas dos alunos em relação à disciplina Rev. c) verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola./mar.. CAVIGLIOLI (1976). v. Dos 11 aos 14 anos 90% dos alunos participam regularmente das atividades corporais na escola. e ainda. p. GAMBINI (1995). d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas aulas de Educação Física. DUMAZEDIER (1994). São Paulo. dos 11 aos 13 anos os pré-adolescentes manifestam. Os escolares questionam os conteúdos e as estratégias empregadas pelos seus professores. interesse.61-80. jan. dos 14 aos 16 anos é um período em que há grandes variações individuais. os resultados mostraram que as opini ões dos alunos se modificam ao longo das séries em função da faixa etária. A autora. bras.18. na discussão dos resultados destaca que é mais simples incentivar as crianças a praticar atividade física do que aos adultos e por isso o professor deveria estar atento para fazer de suas aulas um momento saudável e prazeroso para os alunos. 63 A educação física na escola de Educação Física na escola. Revisão bibliográfica Educação Física na escola e a perspectiva discente Alguns estudos procuraram verificar a opinião dos alunos sobre a prática regular da Educação Física na escola abordando diferentes questões que comp õem o contexto pedagógico. Os resultados indicaram . uma grande espontaneidade e entusiasmo. n. Fís. DE ÁVILA (1995) SANTOS (1996) e FIORIN (1997).

não gostavam da aula e do professor. etc. e de representações elaboradas estes pontos de vista devem ser levados em alta consideração se pretendemos alcançar algum grau de consenso em termos de projetos ou de propostas para a ação educacional. estar em boa condição física.).que a maioria dos alunos (78%) entrevistados acredita que a Educação Física na escola não cumpre o seu papel porque transmite pouco ou nenhum conhecimento. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em manter a motivação dos alunos. . No tocante às questões relacionadas à Educação Física os principais resultados desta pesquisa mostraram que as disciplinas mais valorizadas pelos alunos são português e matemática e a Educação Física representa a disciplina que os alunos mais apreciam.5% realizam atividade física em clubes ou academias. Os resultados mostraram que estes alunos requisitavam dispensa por diferentes razões. SANTOS (1996) procurou conhecer as razões pelas quais alguns alunos do curso de graduação em Educação Física. Porque o autor acredita que a partir da experiência escolar. e não através do trabalho realizado na escola.saber se virar na vida. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho. DUMAZEDIER (1994) importante sociólogo do lazer. paradoxalmente. LOVISOLO (1995) procurou levantar informações sobre os pontos de vista e opiniões formuladas por alunos e seus responsáveis. A amostra desta pesquisa foi formada por 703 informantes alunos e 432 informantes responsáveis por estes alunos de seis escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro. etc. .. os alunos apontam para a falta de material e o desinteresse dos professores. participavam de equipes de treinamento. em seguida. pela distância da escola e outros. grau). a minoria afirma se afastar das aulas por problemas de saúde. GAMBINI (1995) também procurou verificar a opinião dos alunos dispensados sobre a prática da Educação Física na escola. pediram dispensa das aulas de Educação Física durante o Ensino Médio (antigo 2o. outros esportes. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música. procurou identificar a opinião dos alunos em relação à aprendizagem de alguns objetivos educativos como: saber utilizar o tempo livre. ser capaz de criar no plano artístico. Entre estes alunos (dispensados) 37. Ele constatou que os alunos consideram a via extra-escolar a mais favorável para a realização dos objetivos relacionados à Educação Física.

000 pessoas de todo território nacional e que considerou como prática da atividade física. Esp. De acordo com os resultados da mesma pesquisa. e estes sejam amplamente reforçados pela mídia existem outras atividades corporais que podem ser apresentadas aos alunos. as razões porque isto ocorre. em ambiente presente e Os números são contundentes e revelam algumas questões importantes sobre a atividade física no país. Educ. Os resultados mostraram que houve uma grande aceitação deste conteúdo por parte dos alunos.18. 65% alegam falta de tempo ou excesso de trabalho. . A diferença entre a participação feminina e masculina é bastante alta.. em levantamento do Datafolha procurou identificar o número de aderentes à atividade física. S. A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS.. Paulo (60% DOS BRASILEIROS. Entre esses... São Paulo. beneficiandose dos efeitos positivos da atividade física. Aderência A pesquisa do Datafolha sobre aderência2 O jornal a Folha de S. pois entendemos que um dos objetivos da disciplina dentro da escola é oferecer condições para que o aluno seja crítico em aspectos relacionados à cultura corporal e oferecer condições para que ele possa manter uma prática regular de atividades física após o término formal de ensino. p. 1. FIORIN (1997) analisou a opinião dos alunos ao final de um programa de atividade física para além dos conteúdos exclusivamente esportivos. v. 1997).Mesmo que grande parte dos alunos prefira conte údos esportivos. 62. É importante ressaltar que esta pesquisa ouviu 2. 2004 DARIDO. Os resultados atestaram que apesar dos alunos ainda vincularem a Educação Física com a prática de esportes eles aprovam outras práticas corporais..5% são de homens e 37.5% de mulheres.. jan.C. Do mesmo modo. bras. e/ou se aproximarem de práticas de atividades físicas extra-curriculares. n. ou não. Rev. De acordo com OKUMA (1997) fatores que afetam a aderência podem ser classificados em atributos pessoais presentes e passados. indicando a necessidade de maiores reflexões sobre as razões destas diferenças. Nesta linha de pensamento. 1997) identificou que 40% dos brasileiros realizam algum tipo de atividade física. sentimos a necessidade de recorrermos aos estudos relativos à ader ência. Para compreender as razões que levam os alunos a se afastarem das aulas de Educação Física na escola. Fís./mar.61-80. inclusive aquelas realizadas uma vez por mês ou aquelas com objetivos de trabalho. 64 . entre os 60% que não praticam atividade física. e quais as variáveis que interferem no processo de aderência. DE ÁVILA (1995) procurou introduzir um programa de atividades expressivas no segundo grau..

. 10% para combater o estresse e 5% como forma/ meio de transporte. observando o aumento pelo interesse da atividade física em grupos da 3a... Embora tenhamos ainda um longo caminho a percorrer no sentido da inclusão das faixas etárias e. prazer.. De acordo com estes resultados o perfil dos praticantes de atividade física assim se coloca. 20% por hábito. 65% moram na região nordeste e 64% têm renda mínima de 10 salários. das classes de baixa renda. No Brasil. trabalho profissional e trabalho dentro de casa. pratica atividade física para emagrecer/manter a forma. melhoria das habilidades. Outros 36% realizam atividade física por julgarem que ela é importante para a saúde. enquanto as crianças e jovens são atraídos pelo divertimento. A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. a escolaridade e a faixa etária.. ou seja. enquanto que os não praticantes têm 69% até o 1o. Os resultados das pesquisas realizadas por STEPHENS e CASPERSEN (1994)..Neste sentido. possibilidades de vivenciar sucesso e vitória. além dos cuidados com os filhos. de 1. No Brasil os dados mostram que 46% dos indiv íduos que praticam algum tipo de atividade física têm entre 18 e 24 anos e no grupo que não pratica 66% estão na faixa etária de 45 e 60 anos. grau. identificaram o mesmo fenômeno em outros países. em conseq üência. Os dados do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. denotando o valor que permeia toda sociedade voltada para questões estéticas.. sabe-se que a mulher enfrenta.5 a três vezes mais ativo do que o grupo com menor escolaridade. 1997) revelam também que a maioria dos brasileiros entrevistados. estar com amigos. como a renda.. 62% têm curso superior. (1999) e DISHMAN (1993). embora não tenha sido objeto espec ífico da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. na idade adulta é atribuído um peso . 58% têm renda superior a 20 salários mínimos e 47% mora na região sul. a ter menos tempo disponível para as práticas esportivas ou de lazer.. 13% voltados para o lazer. em torno de 53%. em muitos casos.. O primeiro autor relata que o grupo de maior nível de escolaridade é nos EUA. 1997). sobretudo. a jornada dupla de trabalho. idade. pode estar ocorrendo fenômeno similar. citados por IAOCHITE. 16% por ordem médica. parece haver uma tendência dos mais velhos também aderiram à pratica. Estes motivos se modificam ao longo do ciclo de vida do indivíduo. 1997) procurou também identificar algumas variáveis que interferem na aderência. levando-a.. WANKEL (1988) afirma que embora os mais jovens ainda sejam o grupo mais numeroso de aderentes à prática da atividade física.

entre os mais jovens./mar. como pessoais. Não é possível a generalização desta consideração para o nosso país. Uma das maneiras mais rápidas de destruir o entusiasmo pelo exercício.18%. o que seria um real impedimento para as práticas corporais sistematizadas.4%. indicam novas tendências. estar com amigos e busca pelo sucesso eram os motivos principais que levavam à ades ão. ciclismo . torna-se importante à manutenção da atividade como um hábito incorporado à vida. Algumas características que podem contribuir com a manutenção em longo prazo deveriam ser conhecidas por todos os profissionais da área da Educação Física. problemas de saúde 7%. bras.2%.18. 2004 . 1997) para a não aderência à atividade física foram os seguintes: falta de tempo .1.maior à estética e na terceira idade uma preocupação maior pela saúde (BIDDLE. WANKEL (1988) considera que os praticantes de atividade física. não dispõem de mais tempo do que os não praticantes de atividade física. n... As atividades físicas mais praticadas pelos brasileiros segundo a mesma pesquisa são as seguintes: futebol .14%. São Paulo. o que não é novidade..61-80. não gostar de esporte . mais de 50% das pessoas que começam a prática. Fís. jan. natação . corrida . o fator divertimento e prazer. uma vez que grande parte da população brasileira não dispõe de condições mínimas de sobrevivência. ginástica . o vigor e o controle de peso tornaram-se motivos que vêm substituindo os anteriores (BIDDLE. Fatores que interferem na aderência Rev. aprendizado e melhora de habilidades. Contudo. ou da própria prática de exercício irão determinar a manutenção a curto ou em longo prazo. explicam os autores.. a aquisição de força muscular. preguiça 10%. Os motivos mais citados na pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS.2%. p. Estes resultados mostram a importância do futebol no país. Estas teriam que ser incluídas em . musculação . caminhada . 1992). Uma vez iniciada a prática de exercícios físicos. Educ.3%. 65 A educação física na escola Até alguns anos atrás.65%.. 1994). o aumento dos indivíduos que praticam a caminhada ou mesmo a exclusão do basquetebol entre os esportes mais praticados pelos brasileiros. Mais recentemente. falta de dinheiro -10%. como por exemplo. Nesta fase.14%. o que pesa para o autor é a prioridade e a maneira como organizam o tempo disponível. v. tanto as características ambientais. Esp. reside em prescrever exerc ício demais e/ou demasiadamente cedo.5%.2% e voleibol . porém. desistem antes de completar um ano de exercícios (DISHMAN & SALLIS. 1992). na sua maioria. a aparência.

i) Evitar atividades que enfatizem demasiadamente a vitória. nível de escolaridade e renda. da não aderência e da desistência dos programas de atividade física separadamente. como: Auto-motiva ção. as razões que tornam os indivíduos praticantes. boa percepção do tempo disponível. aliado a busca de uma manuten ção ou melhora da saúde e a prática pela diversão em si. c) Procurar desenvolver atividades recreacionais alterando. f) Manter uma relação positiva entre professor-aluno e os próprios alunos. Somados a esses fatores em que o professor de Educação Física poderá estar intervindo. suas motivações e interesses. bem como suas condições de saúde. h) Desenvolver atividades de intensidade leve à moderada. Os determinantes ambientais são: a disponibilidade de tempo para a prática da atividade física. b) Proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento da amizade. rela ção professor-aluno. Nota-se ainda que este índice de novos aderentes continua crescendo. enfatizando a criatividade durante o planejamento do programa. o local em que ocorre. Nas últimas duas décadas. e em aspectos da atividade física em si. na medida do possível. pois programas que exigem alta intensidade ou muita técnica e habilidade colaboram para a desistência. pois há diferenças substanciais entre os determinantes. o conhecimento dos benefícios proporcionados pela realização do exercício. faixa etária. através do trabalho em grupo. são motivos que tem contribuído para um aumento . e são múltiplos fatores responsáveis pela aderência aos programas de atividade física. o local da prática. Como determinantes pessoais podem ser incluídas as caracter ísticas dos praticantes. distância. e) Proporcionar desafios adequados às habilidades motoras individuais. d) Variar sempre as atividades. etc. Os determinantes da atividade física em si são considerados as características do programa. outros também se mostram capazes de definir o tempo de manutenção na atividade. observa-se um grande aumento de parte da população praticante de algum tipo de exercício físico. Embora estes determinantes estejam relacionados.todo o programa de exercício físico. experi ências positivas marcadas por sucesso e alegria passados. como a sua periodicidade. Certamente. São elas: a) Proporcionar momentos de sucesso e prazer aos alunos. g) Procurar adequar as habilidades ao nível do grupo. OKUMA (1997) considera que é necessário analisar a questão da aderência. tornando a atividade o mais agradável possível. j) Incentivar a participação do cônjuge ou namorado/a na mesma atividade do praticante. sexo. uma vez que as pessoas reclamam da elevada repetição das atividades. tais como.

a maioria dos aderentes procura no exercício. bras. com 236 homens e idade entre 12 e 35 anos. Paralelo a esses numerosos fatores. RENSON.61-80. quase duas vezes mais numerosos do que os indivíduos que praticavam uma atividade de 66 . p. maior nível sócio-econômico. 25% já se submeteram a intervenções cirúrgicas com o objetivo de melhorar a estética e 60% faz dieta para perder peso. que enfatizaram as caraterísticas da atividade e do próprio praticante. como. Fís. Nela. 2004 DARIDO.afinar a silhueta. Evidentemente outros fatores mostram-se importantes para a adesão inicial ao exercício. pais ou amigos praticantes e experiências passadas positivas ou vivenciadas com sucesso. tornando-se mais magra. muita concentração. Embora estes sejam importantes na manutenção. Em um estudo longitudinal. a maioria delas não seja obesa. De acordo com CSIKSZENTMIHALYI (1992). há também outros que se mostram importantes para a manutenção. LYSENS e VANDEN-EYNDE (1997). percepção alterada do tempo de atividade. a proximidade do local da prática e o apoio dos familiares. jan. 1997).. comprovou que 90% estão profundamente insatisfeita com o próprio corpo. como por exemplo. mostrou que pessoas que na adolescência praticavam uma atividade de forma recreativa. n. LEFEVRE. Seria prematuro falar da adesão inicial. citada pela revista Veja. pode ser compreendido como o sentimento durante a atividade em que há um desligamento do ambiente.18. Contudo./mar.no número de pessoas que iniciam um programa de exercícios físicos. BEUNEN.. Embora. sendo que mais de 50% delas gostariam de . São Paulo. v. Esp. na idade adulta eram. Este último. com mulheres entre 20 e 45 anos das classes A e B de São Paulo. freqüentemente são relatados somente como um fator determinante na fase de desistência da prática de exercícios físicos (OKUMA. realizado por VANREUSEL. Educ. Em pesquisa realizada pelo Instituto Jaime Troiano. o corpo definido como esteticamente perfeito é bem mais leve do que o preconizado pelos cientistas como ideal de saúde. uma forma de melhorar a estética corporal. após os 28 anos de idade. 1. na infância e adolescência e estado de fluxo durante a atividade. S. estas pessoas sentem-se saudáveis e totalmente imersas na atividade que estão fazendo. Rev.C. sem considerar brevemente a insatisfação das pessoas com a auto-imagem frente ao modelo de corpo que vigora nas sociedades contemporâneas. maior grau de escolaridade. Este estado tem sido apontado como um dos principais motivos que levam as pessoas à prática permanente do exercício físico por toda a vida. CLAESSENS. .

todos estudantes de escolas públicas localizadas na cidade de Rio Claro. no caso de atividades coletivas e individuais supervisionadas. foram investigados os motivos que levam os alunos a se afastarem das aulas de Educação Física no ensino médio (antigo segundo grau). c) auto-percep ção de baixa habilidade. um estilo de vida inativo durante a adolescência tende a ser mantido na idade adulta. facilitando a manuten ção a longo prazo. perfazendo um total de aproximadamente 15 mil alunos. Através desta abordagem procurou-se registrar. Um outro fator a ser considerado ao iniciar a prática de exercícios está relacionado aos objetivos pessoais dos praticantes. ano do Ensino Médio. Sujeitos Participaram deste estudo alunos das 5as. sendo que eram sempre iguais. O autor explica que quando o objetivo é a diversão. desenvolvendose numa interação dinâmica com o processo histórico social que vivenciam os sujeitos. Nas 5as. d) dificuldades de relacionamento com os colegas de equipe e/ou também com o professor ou o técnico. além de enfatizar sempre o papel do vencedor. anos do Ensino Médio este número é próximo de sete mil alunos. descrever. Não bastasse isso. A cidade conta com 13 escolas que trabalham especificamente com o segundo segmento do Ensino Fundamental e três escolas dentro do próprio município que atendem os alunos do Ensino Médio. Pesquisas deste tipo não admitem visões parceladas ou isoladas. segundo os autores. b) pouco apoio familiar. Para fins deste estudo foram sorteados aleatoriamente 20% do total dos . os objetivos que não privilegiem a saúde como meta principal. sem criatividade. não participavam das aulas.438 alunos. os seguintes fatores para a desistência: a) falta de tempo. 7as. e nos 1os. podem ser mais úteis e atingíveis. Os resultados mostraram que 73% dos 1. Metodologia A presente pesquisa é de natureza qualitativa e do tipo descritiva. (1997). analisar e interpretar as opiniões dos alunos a respeito da disciplina de Educação Física e as suas implicações sobre o afastamento dos alunos da prática da atividade física. a desistência é decorrente da influência de diversos fatores que estão relacionados aos determinantes pessoais e ambientais. Em trabalho realizado nos EUA por VANREUSEL et al. e 7as. Segundo OKUMA (1997). são encontrados com muita freqüência. devido à percepção de baixa qualidade dessas. a aderência pode persistir durante muitos anos ou até mesmo durante toda a vida.. Dentre os determinantes pessoais. séries do Ensino Fundamental e do 1o. Segundo WANKEL (1993).forma competitiva.

Portanto. bras. série 1o. e 373 alunos do 1o.3% 51. foram distribuídos aproximadamente 1. série. série.sete mil alunos. sendo 382 alunos da 5a. sendo o número 1 na frente da matéria que você mais gosta. ano EM Feminino 46. série 7a. e que a distribui ção dos alunos quanto à variável sexo foi a seguinte: Resultados da distribuição dos alunos quanto a variável sexo. séries do segundo segmento do Ensino Fundamental e 1o.61-80. A opção pelas 5as. Educ.172.8% 49.000. 417 alunos da 7a.1% das indicações. especialmente as meninas já passaram por este período e apresentam como conseq üência deste processo uma diminuição dos níveis de habilidades motoras. a maioria dos alunos. ano do Ensino Médio. Em segundo lugar apareceu Português com 14. É preciso lembrar que a maioria das crianças na faixa etária de 10-11 anos ainda não passaram pelo estirão de crescimento.172 alunos das escolas públicas de Rio Claro. 1 .Coloque números de 1 a 3. e que esta motivação vai diminuindo conforme o avanço nos ciclos escolares. 67 A educação física na escola Resultados e discussão A seguir serão apresentados os resultados da coleta de dados realizada com 1. dentro do ensino formal.2% 50. como foi atestado nos trabalhos realizados anteriormente por CAVIGLIOLI (1976). ano do Ensino Médio (EM) deveu-se às características de desenvolvimento destas faixas etárias. série é a primeira vez. n. Fís. série Esta fase é fundamental porque deve indicar. 2004 . Na 5a.. série. ao contrário. RANGELBETTI (1992). o no./mar.18. e 7as. Material De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física. e é nesta série que ocorre os primeiros contatos dos alunos com a disciplina. Rev.1. que responderam a um question ário contendo 14 questões. DARIDO (1999) que os alunos nesta faixa etária apresentam grande interesse pelas aulas de Educação Física.7% 48. São Paulo. Na 7a.400 questionários e retornaram para a análise 1. jan. É importante lembrar que os dados foram coletados em meados do ano de 2. p. 3 para a terceira matéria que você mais gosta TABELA 1 5a.1% Masculino 53.2% de . v. que os adolescentes tem aulas com professores especialistas em Educação Física. a qual obteve 48. 2 para a segunda matéria que você mais gosta e o no. Esp.9% 5a.

Após a coleta dos dados referentes à aplicação dos questionários com os alunos as informações foram organizadas e analisadas. procedimentos e não propriamente o que eles fazem ou pensam de fato. autorização para aplicar os questionários em datas que foram posteriormente agendadas. O objetivo do piloto foi o de adequar ou buscar maior coerência entre a intenção do estudo e o instrumento utilizado. as informações obtidas através da observação foram transcritas. Assim. Em segundo lugar apareceu Ciências com 13. Em seguida.C. sem necessidade de levarem para a casa./mar. As questões contidas no questionário procuraram abordar os seguintes temas: a) preferências pelas disciplinas escolares. A elaboração final do roteiro de entrevistas foi precedida por uma aplicação piloto com um sala de aula. Educação Artística com 7. categorizadas e interpretadas. p.6%. 7a. Inglês com 3% e História com 1. procurou-se obter um retorno maior no número de respostas.6%. série De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física. Esp. bras. v. a qual obteve 49. seguida pela disciplina de Ciências com 10. É importante frisar que. nas respostas obtidas através dos questionários. avalia-se a representação que os alunos têm a respeito dos seus valores e Procedimentos Primeiramente a pesquisadora e os bolsistas entraram em contato com a delegada de ensino para informá-la sobre os objetivos do estudo e solicitar autorização para realizar a coleta dos dados junto às escolas sorteadas. Rev. 68 . S.3%.. 1. c) a participação dos alunos nas aulas de Educação Física. após contatos telefônicos.18. e d) a prática da atividade física fora da escola. jan.5% de indicação. Geografia com 5. Fís. procurou-se abranger um amplo espectro de questões relacionadas à prática da Educação Física na escola.2%. Os questionários foram aplicados pelos bolsistas durante as aulas que ocorrem nas salas. Foi solicitada às direções das escolas incluídas na amostra. 2004 DARIDO. Desta forma.61-80. seguida pela disciplina da Matemática com 11. Educ. São Paulo.6% de indicação.indicação. Educação Artística com 10%. b) a importância das disciplinas dentro do currículo escolar. Matemática com 7. Geografia .7% das indicações. Os alunos gastaram em torno de 10 minutos para responderem as questões e o devolveram em seguida.4%. n.

4% 7. TABELA 2 . De acordo com CAVIGLIOLI (1976) os alunos têm tendência a apreciar disciplinas relacionadas à liberdade. série 7a. 7a.4% 8. ano EM.. somadas as três primeiras opções foi de 81.2% 11. Português com 5. EM a favor da Educação Física perante as segundas opções.1%.5% Inglês 3% 3.6%. Os dados mostram também que as disciplinas de História. 7a. para o 1o. série 1o.Resultados referentes à questão a disciplina preferida dos alunos. ano do EM Educação Física 48. baseadas principalmente na solução de problemas. interesse. ano do EM.5% de indicação. tal como foi apontado por CAVIGLIOLI (1976). em estudo realizado na França na década de 70.. Historicamente nem sempre foi assim. 72.. Estes resultados mostram que a Educação Física é disparadamente a disciplina preferida dos alunos e a partir disso pode cumprir um papel importante na identificação necessária de uma escola prazerosa e atraente para os alunos.4%.1% História 1.1% 49. Educação Artística com 8. seguida pela disciplina de Ciências com 11. excitante. Português com 7. Inglês como 8. emocionante.4% e História com 3% de indicação. História com 4. A partir dos resultados pode-se depreender que a Educação Física é a disciplina que os alunos mais apreciam.3% e Geografia com 1. a qual obteve 44% das indicações. 5a. respectivamente.4% Educação Artística 10% 7. esta disciplina vem conseguindo bons resultados a partir da implementação de novas metodologias de ensino.8% Geografia 5.6% Ciências 10.4%.3%. Em segundo lugar apareceu Matemática com 14.1%. e 1o. alegria.6% 14. Inglês com 3. e ainda com distra ção e que não sejam relacionadas com trabalho. 1o. beleza e prazer.4%.4% 8. Os resultados indicam também que parte dos alunos aprecia a disciplina de Matemática. série e no 1o. 73.6% para a 5a. Outro resultado que chama a atenção é grande diferença entre a primeira opção na 5a.2% 5.8% de indicação. LOVISOLO (1998) é um dos que afirmam que a disciplina de Educação Física não pode se furtar a este objetivo devendo chamar para si a tarefa de transformar a escola num lugar atraente.3% 13. embora haja um ligeiro decréscimo no total de indicações na passagem da 7a.3% Matemática 7. ano EM De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física.3% O total de indicações para a Educação Física. Geografia e Inglês ainda têm dificuldades .5% 11.7% 44% Português 14.6% 3% 4.6% 6% 1.com 6%.

aparece a Educação Artística em primeiro . História com 8. Educação Física com 10%.1% 10.4% 29. bras. São Paulo. ano EM De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes. jan. 5a. Fís.18. 7a. aparece a Educação Artística em primeiro lugar com 35% das escolhas.9% e Ciências com 1.1. Ciências com 5. Geografia com 1%. Português 9%.7%. e Educação Artística com 1. seguido por Matemática com 25. seguida da Educação Física com 19. Esp.61-80.7% de indicação. 1 na frente de somente uma matéria que você acha mais importante. História com 3%. Educ.9%. 1o.1%. Educação Física com 8. v. Geografia com 4. Inglês com 10.9% de indicação.4% das escolhas. necessitando rever suas ações pedagógicas..9% 3 . Rev.2% das escolhas. História com 3. 1 na frente de somente uma matéria que você acha menos importante 5a. 7a. série De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes.2% 10% 8. série De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes.Coloque o no.7% Geografia 4. História com 2% e Educação Artística com 0.8% 5.8% de indicação. Ciências com 3. série Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos. série 7a.Coloque o no.2% das escolhas.9% Educação Física 8. 69 A educação física na escola TABELA 3 -Resultados referentes à questão: .7%.8%. Geografia com 3.4% Matemática 25.8%. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 37.8% Inglês 10. ano do EM Português 37. Educação Física com 8.4% 3% Educação Artística 0.6% 2.8% 0. Geografia com 2.4%. 1 na frente de somente uma matéria que você acha mais importante 5a. n. 2 .3%.9%.de atrair a atenção e o prazer dos alunos.2% 36. série Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos.6%.7%.3% Ciências 11.. seguido por Matemática com 29.4%.7% de indicação.Coloque o no. Inglês com 5. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 36. p.3% 5. Inglês com 10.8% 31. 2004 .2%.7% 3.8%.2% 45. Matemática com 4.7%. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 45.8%. e Educação Artística com 0. seguido por Matemática com 31.3%. Inglês com 17.1%.8% 1% História 2% 3.7% 1. série 1o./mar. Ciências com 11.

Uma interpretação possível destes resultados aponta para um reconhecimento da import . Matemática com 3. passando de 37. porém. O que pode ser confirmado principalmente no fato da disciplina de Educação Artística ter sido considerada por mais da metade dos alunos a menos importante. que é.4% no 1o. 5a. aparece a Educação Artística em primeiro lugar com 50.8% Matemática 4. seguida por Inglês com 18.4% 9. ano EM Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos. e Ciências com 2.7% Ciências 1. série 1o.3% das escolhas.1% 3. ano do EM.9% de indicação.8%.8% Português 9% 5.8% 50.lugar com 43. série. Matemática com 6. Educação Física com 13.3% História 8. seguida da Educação Física com 16.9% Inglês 17.8% 3.7% As disciplinas mais importantes na opinião dos alunos de todas as séries são: Português e Matemática.7% 13.2% 8.2% na 5a. e o aumento de 25. Estes resultados não chegam a surpreender já que a própria escola.8%.3% no 1o.1% 7. na maioria dos casos. impõe um currículo com maior quantidade de aulas destas duas disciplinas.4% 16. Geografia com 3.7% de indicação.Resultados referentes à questão: .4%. o que se pode questionar seria a sua supremacia diante dos demais conteúdos. série e terceira no 1o. ou seja. Português 4.9% 2.2%. História com 8.7% 18. as disciplinas mais valorizadas na opinião dos alunos e da sociedade são Português e Matemática. valorizando-as no interior da escola. na opinião dos alunos conforme eles envelhecem. 1o.. o objetivo principal dos alunos do Ensino Médio. para quarta na 7a. Não se discute.2%. Português 5.2% Geografia 3. em parte. Outro fato que chama a atenção é o aumento das indicações para as disciplinas de Português no Ensino Médio.3% Educação Física 19.8% das escolhas. da concepção racionalista e funcionalista do ensino escolar.4%. História com 7.7%. É um dado curioso porque os conhecimentos da Educação Física não são cobrados nos vestibulares. Inglês com 9. Geografia com 3.6%. Um dado que causa surpresa é a passagem da Educa ção Física de quinta disciplina mais importante na 5a. em muitos casos. Estes resultados corroboram aqueles verificados por LOVISOLO (1995). ano do EM.7% 1. série para 45. ano do EM.1% e Ciênciascom1. 1 na frente de somente uma matéria que você acha menos importante.4% 8. advinda. série 7a.8%. Ou seja.Coloque o no.9% 3. ano do EM Educação Artística 35% 43.9%. a importância destes conhecimentos. a disciplina de Educação Física passa a ter maior importância.4% na escolha da Matemática para 31.9% 6. TABELA 4 .4%.

Do mesmo modo pode-se observar uma diminuição do número de alunos que afirmam participar . Um dado contundente é a passagem quase inexpressiva do total de alunos . das aulas de Educação Física. S. ano do EM. 10. que obteve 35% das indicações na 5a. 2004 DARIDO. das aulas e 19% dos mesmos .sempre. série.às vezes. Talvez isso possa justificar a Educação Física na terceira escolha dos alunos. das aulas e 0.nunca .7% dos mesmos .Verificar como as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física se modificam ao longo dos ciclos escolares.7% 19% Estes resultados nos auxiliam na resposta a duas questões colocadas inicialmente neste trabalho. série e 50% no EM. passando para 57.2% 13. participam das aulas de Educação Física.1% 23. TABELA 5 .Verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola. com quase 90% de presença às aulas. participam das aulas de Educação Física. série 1o.sempre. Educação Física.Resultados da questão .61-80. ano EM Cinqüenta e sete vírgula um por cento dos alunos afirmaram que participam . das aulas e 0. e da 7a.2% responderam que participam .9% responderam que participam . 4 .9% Nunca participam 0. 1o./mar. participam das aulas de Educação Física.7% no 1o.2% 57. é Educação Artística. São Paulo.5% 86. Os resultados mostraram que os alunos são bastante participantes na 5a.3% 0.Você participa das aulas de Educação Física em sua escola? 5a.1% Participa às vezes 10.18.às vezes..1% responderam que participam . A disciplina menos importante na opinião dos alunos. que são as seguintes: . v. provavelmente os que mais participam das aulas. com larga margem perante as demais.às vezes. série. 7a. série. ano EM.sempre. 23. série 7a. em torno dos 8 a 10%. Esp.8% na 7a. das aulas de 70 . Rev. 5a.Você participa das aulas de Educação Física em sua escola?. 13.nunca. e . 43. bras.que nunca participam . Educ. série Oitenta e seis vírgula dois por cento dos alunos afirmaram que participam .as vezes. série para 1o. da aula da 5a.C. jan.nunca . Fís. série Oitenta e nove e meio por cento dos alunos afirmaram que participam .. 1.ância da saúde e da estética no universo dos alunos mais velhos. p. das aulas de Educação Física. Não há grande variação do número de alunos que consideram a Educação Física a disciplina mais importante. n. ano EM Participa sempre 89.3% dos mesmos . para 7a..

das aulas., menos de 1% na 5a. e 7a. séries para quase 20% dos alunos do 1o. ano do EM. Pode-se afirmar analisando os dados desta questão que há de fato um afastamento gradativo da participação dos alunos da prática da Educação Física na escola, sobretudo no EM, mas que se inicia antes, tal como foi verificado por CAVIGLIOLI (1976). 5 - O que você aprende em suas aulas de Educação Física? (Pode-se marcar mais de uma resposta) 5a. série De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 79% de indicações, seguidos de brincadeiras com 48,3%, importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 37,8%, teoria sobre os esportes com 31,3%, .outros . (xadrez) com 6% e 2,3% dos alunos responderam que não aprendem nada. 7a. série De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 72,7% de indicações, seguidos de brincadeiras com 29%, importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 28%, teoria sobre os esportes com 24,7%, a alternativa nada recebeu 9% das indicações e alternativa outros 2,5%. 1o. ano EM De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 57,8% de indicações, seguidos da importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 27,2%, teoria sobre os esportes com 16,8%, 13,7% dos alunos responderam que não aprendem nada nas aulas de Educação Física, a alternativa brincadeiras recebeu 7,2% e a alternativa outros 4,7%.
TABELA 6 - Resultados referentes à questão: .O que vocês aprendem nas aulas de Educação Física?. 5a. série 7a. série 1o. ano do EM Esportes 79% 72,7% 57,8% Brincadeiras 48,3% 29% 7,2% Importância e benefícios da AF 37,8% 28% 27,2% Teoria sobre esportes 31,3% 24,7% 16,8% Não aprendem nada 2,3% 9% 13,7%

Os conteúdos esportivos são predominantes nas aulas de Educação Física, segundo as respostas dos alunos em todas as séries, embora haja uma diminuição nas indicações conforme os alunos caminham na escola, passando de 79% de indicações na 5a. série para 57% dos alunos do EM.

Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 . 71 A educação física na escola

Tal fato não chega a ser surpresa uma vez que a disciplina de Educação Física recebeu a partir dos anos 60 forte impulso no sentido de substituir a ginástica pelo esporte enquanto conteúdo hegemônico das aulas de Educação Física (BETTI, 1991; CASTELLANI FILHO, 1989). Além disso, a predominância do conteúdo esportivo pode ser decorrente do amplo reforço oferecido pela mídia ao esporte e que acaba se refletindo nas posições assumidas e muitas vezes cobradas pelos alunos quanto ao papel da Educação Física na escola (DARIDO, 1995). Era esperado, em função das novas proposições para a Educação Física (BRASIL, 1999; GUEDES & GUEDES, 1996; NAHAS, 1997, para citar alguns), que houvesse um investimento nos conteúdos que pudessem esclarecer os benefícios e a importância da prática da atividade física, sobretudo no Ensino Médio. Tais conteúdos foram indicados por apenas 37,8% dos alunos da 5a. série e 27,2% dos alunos do EM, ou seja, é possível que esses conteúdos apare çam eventualmente em apenas algumas escolas. Outro dado que mostra as dificuldades enfrentadas pela disciplina no interior da escola é o número de alunos que indicaram que não aprendem nada na disciplina. Este número aumenta gradativamente da 5a. série para o 1o. ano do EM. Pode-se depreender destes dados, ou que a percepção dos alunos se torna mais crítica ou há mesmo uma deficiência das escolas em lidar com os novos interesses do jovem, ou ambos. 6 - O que você acha das suas aulas de Educação Física? (Pode-se marcar mais de uma resposta) 5a. série Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 86,5% das indicações, animadas com 74%, muito fáceis com 30,6%, sem importância 3%, difíceis com 2,1% e chatas com 1,7% de indicação por parte dos alunos. 7a. série Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 80,7% das indicações, animadas com 46,9%, muito fáceis com 18,8%, chatas com 2,6% e as alternativas sem importância e difíceis receberam 1,4% das indicações cada uma. 1o. ano EM Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 67,4% das indicações, animadas com 37%, muito fáceis com 11%, sem importância 5,7%, chatas com 5,1% e dif íceis com 0,3% de indicação por parte dos alunos.
TABELA 7 - Resultados referentes à questão: .O que você acha das suas aulas de Educação Física?.

5a. série 7a. série 1o. ano do EM Legais 86,5% 80,7% 67,4% Animadas 74% 46,9% 37% Muito fáceis 30,6% 18,8% 11% Sem importância 3% 1,4% 5,7% Chatas 1,7% 2,6% 5,1% Difíceis 2,1% 1,4% 0,3%

Tais resultados mostram que os alunos, em sua grande maioria, apreciam as aulas de Educação Física, pois as consideram .legais. e .animadas., o que pode estar relacionado com a manifestação do estado de fluxo conforme assinalou CSIKSZENTMIHALYI (1992). No entanto, observa-se mais uma vez uma diminui ção destas experiências positivas na opinião dos alunos conforme se caminha para o Ensino Médio, por exemplo, a aula é animada para 74% dos alunos da 5a. série e no Ensino Médio este número é exatamente a metade, ou seja, para 37% dos alunos. Além disso, no Ensino Médio é maior o número de alunos que consideram a disciplina sem import ância e chata e, ao mesmo tempo, diminui o número de alunos que a consideram uma disciplina fácil. É provável que as atividades propostas nas aulas de Educação Física se tornem na opinião dos alunos, mais exigentes quanto ao nível de habilidade, ou a auto-exigência. Estes resultados estão de acordo com aqueles verificados por VANREUSEL et al. (1997) segundo a qual os alunos do Ensino Médio, não participam das aulas devido à percepção de baixa qualidade delas. 7 - Como você se sente ao fazer as aulas de Educação Física? 5a. série Oitenta e oito e meio por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 10,4% indicaram que às vezes se sentem bem e 1,1% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física.
72 . Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004 DARIDO, S.C.

7a. série Oitenta e seis vírgula sete por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 13,1% indicaram que às vezes se sentem bem e 0,2% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física. 1o. ano EM Setenta e sete vírgula oito por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 17,7% indicaram que às vezes se sentem bem e 4,5% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física.
TABELA 8 -Resultados referentes à questão: .Como você se sente ao fazer as aulas de Educação Física?.. 5a. série 7a. série 1o. ano EM

Sentem-se bem 88,5% 86,7% 77,8% Sentem-se bem às vezes 10,4% 13,1% 17,7% Não se sentem bem 1,1% 0,2% 4,5%

Novamente, estes dados apontam para o progressivo aumento de sentimentos nem sempre positivos em relação à disciplina no interior da escola, pois há um decréscimo de alunos que afirmam que se sentem bem nas aulas e um aumento do número dos que não se sentem bem. 8- Atualmente você participa ou é dispensado das aulas de Educação Física? 5a. série Os resultados mostram que atualmente 99,7% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 0,3% não participam das aulas. 7a. série Os resultados mostram que atualmente 98,9% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 1,1% não participam das aulas. 1o. ano EM Os resultados mostram que atualmente 79,7% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 20,3% não participam das aulas.
TABELA 9 - Resultados referentes à questão: .Atualmente você participa ou é dispensado das aulas de Educação Física?.. 5a. série 7a. série 1o. ano do EM Não são dispensados 99,7% 98,9% 79,7% São dispensados 0,3% 1,1% 20,3%

Essa questão nos permite responder a mais uma de nossas indagações a respeito da Educação Física na escola, qual seja .Levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola.. Os resultados mostram que apesar de todos os alunos consultados estudarem no período diurno e a Educação Física ser obrigatória para estes alunos tal como preconiza a LDB/96 artigo 26, em torno de 20% dos alunos do Ensino Médio obtêm dispensa das aulas. Por outro lado, é preciso considerar que muitas escolas oferecem a disciplina de Educação Física em período contrário ao das demais disciplinas, prejudicando os alunos que não têm condições de voltar à escola ou aos alunos trabalhadores (DARIDO, GALVÃO, FERREIRA & FIORIN, 1999). Algo que infelizmente ainda ocorre, embora não haja mais amparo legal que justifique tais procedimentos. Pode-se especular que esses 20% dos alunos perderiam ótimas oportunidades de terem acesso aos conhecimentos da cultura corporal, o que aumentaria as chances de se tornarem não aderentes à atividade física. No Ensino Fundamental o número de pedidos de dispensa é bastante reduzido, 0,3% na 5a. série

5%.8%. série. por ordem médica com 0. Rev.6%. 2004 . série Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde com 52. p. para se divertir com 20. v../mar. 9 . para ficar mais habilidoso com 12. Fís.. treinamento para competição com 3.1% na 7a. 1997). recebeu 5. as alternativas para ocupar o tempo livre ficaram com 3.8%.outros. para ficar mais habilidoso com 8. São Paulo.Por quê você participa das aulas de Educação Física ou pratica alguma atividade física?.1% 13.3%. 5a.3%. para emagrecer ou ficar mais forte com 15..e 1.porque é obrigado a participar.porque é obrigado a participar. 1o. n.8% Emagrecer e ficar mais forte 13.6% 44.9%.6% 20. 0.4% 46.8% e as alternativas . por ordem médica com 2%.61-80. treinamento para competição com 3. série Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: para melhorar a saúde com 44.6% 8.1%.4% de indicações. TABELA 10 .1%.6%.5%.1% Divertimento 16. para emagrecer ou ficar mais forte com 13.6%. .1% 15. para emagrecer ou ficar mais forte com 12.porque é obrigado a participar. ano do EM Saúde 52.4%.7% Mais habilidoso 12. Educ. por ordem médica com 0. ano EM Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde com 46. recebeu 3.7%. para ficar mais habilidoso com 8.9%.. série 1o.6% de indicações.Resultados referentes à questão: . 4.. série 7a. para ocupar o tempo livre 3. pois quase metade dos alunos a entendem nesta perspectiva. para se divertir com 16. que afirmaram buscar a atividade física por razões estéticas. para se divertir com 13. jan.8% das indicações. 73 A educação física na escola 7a. . .18.Por quê você participa das aulas de Educação Física ou pratica alguma atividade física? 5a.outros.9% 12.3%.5% Os resultados mostram claramente a identificação da disciplina com a dimensão da saúde.9% 8. bras. e . diferentemente dos respondentes adultos (maiores de 18 anos) da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS.1.1%.outros. Esp. não receberam indicações. treinamento para competição com 3.1% e a alternativa .1% de indicações. BIDDLE (1992) já alertara para o fato de que os objetivos dos praticantes se modificam .

2% de indicação 7a. você acha que 5a. não exige nada com 33. bras.7% 33. Pelas respostas obtidas depreende-se que a . Não se trata de negar o papel da saúde no campo da Educação Física. 5a.18. 10 . não exige nada com 14% de indicação. 1992). n. 1992). série 1o.Resultados referentes à questão . 1991)..Com relação ao professor atual de Educação Física. o percurso da disciplina ao longo da história esteve atrelado ao higienismo (CASTELLANI FILHO.9% Xinga os alunos 6% 3.8% das indicações.2% de indicação pelos mesmos./mar.3% Pune os alunos 2.2% 0. você acha que. São Paulo. para que ele possa usufruir. Tal vínculo é reforçado nos meios de comunica ção e também nos cursos de formação de professores de Educação Física (DARIDO.3% e pune os alunos com alguns castigos com 0. jan.7% de indicação pelos mesmos.7% de indica ção. p. 2004 DARIDO.C. S. 1. xinga os alunos que erram durante a aula com 6% e pune os alunos com alguns castigos com 2.9% 1. partilhar e transformar as formas da atividade física (BETTI. série Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 77.6% de indicação. v. o que seria um objetivo mais abrangente. TABELA 11 . não exige nada com 27. Esp. se assim desejarem (RANGEL-BETTI. Fís. para que futuramente eles possam manter uma prática regular sem o auxílio de um especialista. Educ. 74 . xinga os alunos que erram durante a aula com 1.8% 67. série Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 67.Com relação ao professor atual de Educação Física.. série 7a. mas que inclui também a discussão destes aspectos.6% A conduta do professor e seu estímulo aos alunos facilita o processo de autonomia dos mesmos em relação à prática de atividade física. Rev.9% de indicação. ano EM Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 64. apenas considerar que esta perspectiva exclusiva da saúde não permite vislumbrar uma contribuição importante da Educação Física que é a integração do aluno na esfera da cultura corporal.2% Não exige nada 14% 27. Na verdade.7% 0.7% 64. xinga os alunos que erram durante a aula com 3.9% e pune os alunos com alguns castigos com 0.ao longo das faixas etárias.61-80. 1999). ano EM Motiva os alunos 77.7% de indicação 1o.

não tenha sido objeto desta pesquisa. mas este número também decai conforme os alunos envelhecem.Resultados referentes à questão: .3% relataram que apenas. série 1o. pois mais de 30% dos alunos consultados do Ensino Médio afirmaram que os professores não exigem nada deles.5% 18% 10. ano do EM Tratamentos iguais 74. 18% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 21.1% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 24. 5a.Seu professor de Educação Física trata melhor os alunos que jogam melhor?. o professor trata com diferença seus alunos.. o professor trata com diferença seus alunos.7% 65.. às vezes. o professor trata com diferença seus alunos. Poucos alunos fizeram referências às punições e xingamentos que eram práticas bastante freqüentes dos professores de Educação Física. ano EM Sessenta e cinco vírgula um por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes. série 7a. 12. série Sessenta vírgula sete por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes.1% Tratam melhor os que se destacam 12. Embora. série Setenta e quatro vírgula oito por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes.acomodado. qual seja.1% Tratam às vezes melhor . pode-se sugerir que esteja havendo uma inversão. 1o.7% relataram que apenas. TABELA 12 . os dados permitem afirmar que os professores de uma maneira geral e particularmente os de Educação Física. vem deixando de ter uma posição autoritária. 11 .maioria dos alunos entende que os professores os motivam. 7a.5% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 12.Seu professor de Educação Física trata melhor os alunos que jogam melhor? 5a. provavelmente porque eles se tornam mais críticos e com outras experiências que permitem uma comparação mais apurada. também não apropriado aos desejos de uma Educação de qualidade. às vezes.8% relataram que apenas.4% 60. às vezes. Por outro lado. 10. de professores rígidos para aqueles que se aproximam mais do perfil . conforme assinalou MOREIRA (1991).

Na verdade. Fís. Essa exclusão pode ocorrer porque os alunos são menos habilidosos. São Paulo. série 1o.7%.2% Jogar videogame 9.4% Conversar c/ amigos 14. 75 A educação física na escola com 6. computador com 4. tímidos etc.9% 29.3%. computador com 3. n.6%.2% Assistir TV 25% 28% 24. deve-se buscar superar totalmente esta visão de exclusão proporcionando uma Educação Física para todos.6%. logo em seguida está conversar com os amigos com 21.os que se destacam 12. assistir televisão aparece em segundo lugar com 25%.61-80.7% 21. pois obteve 31. 1990). ler jornais e revistas com 3.18. jogar videogame com 9. ajudar pai e mãe Rev. série Os resultados nos indicam que a prática de esportes é a atividade mais realizada pelos alunos.2% são as atividades mais realizadas pelos alunos.3%.3% 21. e trabalhar com 0.5%.7% e estudar 0. p. estudar obteve 6. Educ.4%.1% 2.8%.6%. 1998) e CENP (SÃO PAULO. pois obteve 29.2%.5% de indicações.6% . 2004 .5%./mar. logo em seguida está conversar com os amigos com 14.3% 24. ano EM Os resultados nos indicam que conversar com os amigos com 26. TABELA 13 . 12 ..8% O histórico da disciplina de Educação Física no interior da escola aponta para uma prática que tradicionalmente excluiu parte dos alunos das suas atividades.6% e a prática de esportes com 26. v.6% e trabalhar com 0. Esp. obesos. estudar obteve 6. portadores de necessidades especiais. é preciso ressaltar que os próprios alunos também praticam a exclusão.8%. ajudar pai e mãe com 4.5%. assistir televisão aparece em segundo lugar com 28%. série 7a. ajudar pai e mãe com 4. ano do EM Praticar esportes 31. 1o.2% 26. assistir televisão com 24. para citar alguns. ler jornais e revistas com 2% e trabalhar com 0.Resultados referentes à questão: .6% 8. ler jornais e revistas com 0.5% de indicações.8% 26.1.O que você mais gosta de fazer? Escolha duas opções abaixo.4%. Embora o professor seja em parte respons ável pela manutenção destes procedimentos porque não adverte os alunos.5% de indicações. 7a. PCNs (BRASIL. computador com 5. bras.1%. jogar videogame com 8. o que pode ser o caso dos 10 a 18% dos alunos que responderam que em todas as ocasiões os seus professores tratam melhor alguns alunos e para as vezes entre 12 a 14%. série Os resultados indicam que a prática de esportes é a atividade mais realizada pêlos alunos.. tal como relata BETTI (1991).2% de escolha.9% de escolha.O que você mais gosta de fazer? Escolha duas opções abaixo 5a. jan. jogar videogame com 2. 5a.

6% Ler jornais e revistas 2% 0. a sociedade. tal como propõe BETTI (1998). e ficar no computador são atividades predominantemente sedentárias.2% Ajudar pai-mãe 4. a estética e as relações inter e intrapessoais. além de ser um momento de fruição corporal.7% 6.Estudar 6.7% 3. 18% informaram que realizam esta prática apenas às vezes. Percebe-se também que as demais atividades escolhidas. 13 . assistir TV. trazendo-a para reflexão no contexto escolar. Na verdade.5% 0. equipamentos eletr ônicos e meios de locomoção. série Os resultados obtidos mostram que 70. conversar com amigos. Neste contexto cabe às aulas de Educação Física discutir as mudanças no comportamento corporal decorrentes do avanço tecnológico e analisar o impacto delas na vida do cidadão. há uma ligeira diminuição desse interesse.5% Computador 5. estão relacionadas às novas tecnologias e a práticas individuais. a Educação Física na escola não pode ignorar a mídia e as práticas corporais que ela retrata. Os alunos deveriam compreender estas transformações.Você pratica algum esporte ou atividade física fora da escola? 5a. através de máquinas. A aula de Educação Física. Estudos mostram que essas doenças são quase duas vezes mais comuns em pessoas inativas do que naquelas que se exercitam. pois caberá à disciplina manter um permanente diálogo crítico com a mídia. ou seja.3% 4.4% dos alunos relataram que . observa-se que a prática de esportes é a atividade preferida pelos alunos em todas as faixas etárias. bem como o imaginário que ela ajuda a criar.4% A partir dos resultados obtidos. tais como. se por um lado o avanço tecnológico tem contribuído para disponibilizar um maior número de informações e para oferecer um maior conforto à população.8% 3. As práticas da cultura corporal podem constituirse em objetos de estudo e pesquisa sobre o ser humano e sua produção cultural.6% dos alunos. Além disso. pôr outro lado esse fenômeno é responsável pôr um estilo de vida menos ativo e mais sedentário. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. As aulas de Educação Física na escola devem fornecer informações relevantes e contextualizadas sobre os diferentes temas da cultura corporal. a ética. pode configurar-se num momento de reflexão sobre o corpo. e todas com exce ção de conversar com amigos. e 11.5% 4. No entanto. Tais características marcantes da modernidade têm sido apontadas como as principais responsáveis pelo aumento dos riscos de diversas doenças crônicas. jogar videogame. bem como analisar as relações que se estabelecem com o presente.7% 6.

. ano EM Os resultados obtidos mostram que 48. dar aos alunos outras opções de atividades extra curriculares como.Quais os esportes ou atividades que você mais pratica? 5a. que passa de 11.Você pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. 20. 1o. e 27. série 7a. 7a. 1. 5a.Quais os esportes ou atividades que você mais pratica?.não praticam esporte ou atividade física fora da escola. seguido pela natação. Fís. jan. Educ.6% 56. em grande medida.. ano do EM Pratica esporte ou atividade física 70. 24. série Os resultados obtidos mostram que 56. Esp. dança.5% 76 . Por outro lado. tal fato pode ocorrer pela falta de capacidade das escolas em absorver os interesses dos alunos. São Paulo.5% dos alunos relataram que não praticam esporte ou atividade física fora da escola.. p.3% Não pratica 11./mar.2% dos alunos.3% informaram que realizam esta prática apenas às vezes. basquetebol. A grande participação dos alunos em práticas de atividades físicas fora da escola pode ser analisada através de diferentes pontos de vista. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. Rev. voleibol. Estes resultados representam. pode indicar que os alunos por gostarem muito da atividade física procuram algo mais do que apenas as aulas de Educação Física. ou seja. e 23.18.2% dos alunos relataram que não praticam esporte ou atividade física fora da escola. etc. série 1o. danças.3% informaram que realizam esta prática apenas às vezes. ou seja. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola.4% na 5a. tardes esportivas. .C. tendências da prática da atividade física do brasileiro. bras.61-80. por exemplo: turmas de treinamento. série Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos. S.6% 48.5% no Ensino Médio.2% Pratica às vezes 18% 20. n. série para 27. capoeira e tênis de mesa. as mais citadas foram: futebol. É preciso lembrar que os alunos que participaram desta pesquisa são todos de escola pública e por isso deve haver entre eles alguns alunos com dificuldades financeiras para participarem de atividade física/esportes fora do ambiente escolar. ou seja.Resultados referentes à questão: . lutas. TABELA 14 -Resultados referentes à questão: .3% 24. Os resultados indicam também um aumento considerável ao longo das séries do número de alunos que não praticam esportes ou atividade física.2% 27.5% dos alunos. 2004 DARIDO. v.4% 23. TABELA 15 . 14 . Num deles.

o Brasil é o país do futebol e é por isso o esporte mais exposto na mídia. seguido pela natação. por razões de sobrevivência e porque esta atividade é uma das mais indicadas pela classe médica (DARIDO & FARINHA. 6a. as mais citadas foram: o futebol. 3a. culturalmente. 7a. no mínimo discutível. série 7a. ano EM Considerações finais Procurou-se neste estudo investigar como e porque ocorre o afastamento dos alunos da prática da atividade física e o papel da disciplina de Educação Física neste processo. O bom posicionamento da modalidade basquetebol pode ser explicado pela tradição que está modalidade tem na cidade. ano do Ensino Médio são dispensados das aulas de Educação Física na escola. A natação acabou surpreendendo ficando em segundo lugar na preferência dos alunos. indicando a importância da cultura local. voleibol. que já teve equipes de alto nível. 4a. 1995). 1997) mostram que metade da população brasileira masculina que é aderente à atividade física prefere a prática do futebol.. dança. do ponto de vista legal. 5a. no sentido de esclarecer aos membros da comunidade escolar. ocorrendo os maiores investimentos financeiros nessa modalidade. Basquetebol 3a. dança. dentro do que está disposto na LDB/ 96. natação. 5a.2a. . isto pode ser explicado pelo prazer que a água proporciona aos seus praticantes. Isto deve explicar o seu lugar à frente do voleibol na escolha dos alunos. 3a. Dança 5a. levando ao desejo de se aprender e praticar esta atividade.. 5a.Os resultados da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. série 1o. Além disso. basquetebol. um número bastante expressivo. Andar de bicicleta . 7a. 2a. Este é um fato que precisa ser mais discutido pela categoria de professores. voleibol. 1a. série Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos. Voleibol 4a. tênis de mesa. Um outro aspecto das dispensas no interior da escola. 1o. é que ela é. considerando que todos os indivíduos devem ter acesso à cultura corporal e beneficiar-se de suas práticas. basquetebol. Os resultados em relação a estas questões mostraram que em torno de 20% dos alunos do 1o.. as mais citadas foram: futebol. Tênis de mesa 6a. Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos. ano do EM Futebol 1a. seguido por andar de bicicleta. andar de bicicleta. 1a. Natação 2a. 6a. 4a.

Esp. COSTA (1997). o aluno terá. . há nas novas proposições para a Educação Física no Ensino Médio uma variedade enorme de aprendizagens a serem conquistada. p. São Paulo. material e outros) optam por oferecer a disciplina em período alternado ao das demais disciplinas. muitas vezes distante de sua casa.18. É poss ível que as solicitações de dispensa ocorram principalmente nas escolas que oferecem a disciplina fora do período das demais disciplinas. Não se trata. Ao contrário. e de alguma forma se excluiu ou foi excluído. ponderar sobre as melhores condições para oferecimento da disciplina. jan. Se elas foram marcadas por sucesso e prazer. 77 A educação física na escola das solicitações de dispensas e. n. v. quando o aluno registrou várias situações de insucesso. mas ao mesmo tempo 20% solicitam dispensas. É como se a Educa ção Física se restringisse a essas práticas (COSTA. Cabe à escola e ao professor de Educação Física. bem como das diferentes formas de atuação do professor na condução do ensino (DARIDO. de acordo com a sua realidade. sobretudo sua ilegitimidade. Fís. um aumento do número de alunos afastados da cultura corporal. 2004 . organiza ção curricular. Na verdade. Os resultados mostraram que há de fato um progressivo afastamento dos alunos da Educação Física na escola e também da atividade física realizada fora da escola. a Educação Física fora do período se constitui numa dificuldade extra o que gera.. ou seja. evidentemente de desprezá-las no contexto escolar. ou para o aluno trabalhador. 1997). se resumem às práticas dos fundamentos e a execução dos gestos técnicos esportivos. sua opção será pelo afastamento das aulas ou a passividade perante as atividades.1. opinião formada sobre a Educação Física baseados em suas experiências pessoais anteriores. tendo em vista a formação que se pretende. na maioria das vezes. As aulas de Educação Física no Ensino Médio são quase sempre uma repetição dos programas de Educação Física do Ensino Fundamental. Os resultados deste estudo mostram que quase metade dos alunos do Ensino Médio consideram a Educação Física como sua matéria preferida. Transformar essas opiniões constitui um enorme desafio para os professores de Educação Física. mas sim de ressignificá-las. Os alunos possuem. uma opinião favorável quanto a freqüentar as aulas. condições de espaço. em função de vários fatores (condições climáticas. É preciso lembrar que muitas escolas brasileiras.sobre os aspectos que dizem respeito à ilegalidade Rev. Para o aluno retornar a escola./mar. Educ. como conseqüência. 2002). provavelmente.61-80. bras.

Rev. o tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador passivo. como as danças. São preocupações comuns na vida de todo jovem. São Paulo. Educ.18. Esp. o conteúdo do ensino provoque aprendizagens significativas que mobilizem o aluno e estabeleçam entre ele e o objeto do conhecimento uma relação de reciprocidade. em virtude do enraizamento de determinadas atividades excludentes. É preciso superar o histórico da disciplina. As danças podem comparecer com maior freqüência nas aulas de Educação Física na escola. p. 2004 DARIDO. pessoas da comunidade e a experiência dos próprios alunos da escola. com auxílio de pesquisas. jan. 78 . bem como o conhecimento sobre o próprio corpo. também os alunos portadores de necessidades especiais não podem ser privados das aulas de Educação Física. A Educação Física na escola deve oferecer oportunidades para que todos os alunos tenham acesso ao conhecimento da cultura corporal. S. os esportes ligados à natureza. Nesse contexto. apresentam dificuldades em refletir e modificar tais procedimentos e atividades. . em função da ênfase esportiva. que em muitos momentos resultou numa seleção entre indivíduos aptos e inaptos.C. e que podem se constituir em objeto de ensino e aprendizagem. É possível generalizar a contextualização como recurso para tornar a aprendizagem significativa ao associá-la com experiências da vida cotidiana ou com conhecimentos adquiridos espontaneamente.Adotar a concepção de um ensino inclusivo pode amenizar este afastamento.61-80. Muitos professores. ao longo da transposição didática. v. os professores podem./mar. Diferentes experiências têm mostrado que este trabalho pode ser realizado. e é bem sucedido especialmente quando se considera o conhecimento e os interesses que o jovem traz consigo a respeito dos diferentes ritmos e danças. Na verdade. as lutas. em conjunto com os alunos. Como este conhecimento poderia ser aprofundado? De acordo com as PCN (BRASIL. 1. bras.. n. os jogos. Fís. tem deixado de lado importantes conhecimentos produzidos ao longo da história da humanidade. Se bem trabalhado permite que. construir outros conhecimentos que avancem e aprofundem no conhecimento relativo à cultura corporal. como um conjunto articulado de informações necessárias à formação do cidadão. 1999). A Educação Física. mesmo quando alertados para a exclusão de grande parte dos alunos. de forma democrática e não seletiva.

and at junior high school.students. and d) search information about how come the . papel do esporte. The study considered the following: a) count up the number of dismissed students from School Physical Education classes. Adherence. and also outdoors physical activity. pois pode ter ocorrido falta de rigor na coleta . and how they change along school grades. attending public schools in Rio Claro. a sexualidade e reprodução. c) verify when students begin backing off School Physical Education classes. Results indicated that there is a progressive . analyzing the School Physical Education universe. repouso. Abstract Physical education in school and the process of formation of nonpractitioners of physical activity The objective of the present research was to verify the origins and reasons by which students usually back themselves off regular physical activity practice. 2. padrões de beleza e saúde corporal e outros temas. Physical Education classes and outdoors physical activity. backing off. besides an increase in the number of students who do not attend. Os resultados desta pesquisa devem ser analisados de forma cuidadosa. Por exemplo. that was distributed to 1. opinions on Physical Education classes. participate or appreciate classes in a regular basis. em anos de Olimpíadas e de Copas do Mundo de Futebol os alunos são submetidos a um bombardeio de informações sobre os jogos e os seus resultados. UNITERMS: School physical education. O professor que se mantiver rígido em atividades que não despertem qualquer interesse dos alunos termina por afastá-los da disciplina e auxiliando a formação dos não praticantes de atividade física. backing off. Este trabalho contou com o apoio do CNPq durante o período de 1998-2002. Caberá ao professor de Educação Física reconhecer e estar atento a esses temas e tratá-los pedagogicamente em suas aulas. de tal modo que a aprendizagem se torne mais significativa para os seus alunos. Classing evasion. O professor poderia aproveitar estes ricos momentos e aprofundar o conhecimento dos alunos nos temas relacionados ao fenômeno esportivo. hábitos de alimentação. Outra alternativa para tornar o ensino mais significativo é possibilitar aos alunos conhecerem o corpo humano e quais as conseqüências que isso exerce em decisões pessoais da maior importância tais como fazer dieta. Physical Education classes occurs. atividade e lazer.172 students.students. Notas 1. b) investigate students. Data was collected by a questionnaire. limites. containing 14 questions.a aparência. Em outras palavras: a atividade deve adequar-se ao aluno e não o aluno à atividade. capacidade física. at 5th to 7th elementary grades. utilizar anabolizantes e praticar exercícios físicos.

124-8. São Paulo: Movimento. 4. MURPHEY. Rio Claro... Physical Education Review.. Motriz.C. Educação física no Brasil: a história que não se conta. et alii (Eds. n.18. 1994..S. 1989.2.15. n. 1995. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica.. G. p.V.. 47. L. R. S. Educação física e sociedade. F. v. RANGEL-BETTI. p. Motriz. L.2. 1991. TENNANT.. São Paulo: SESC/Studio Nobel.17-32. E. S. L.M. and health: international proceedings and consensus statement. SALLIS. DUMAZEDIER. (Org. Instituto de Biociências..779-98. New York: McMillan. Campinas. v. Monografia (Especialização) . In: FARACO. In: SINGER.1. Revista Paulista de Educação Física. 1995. Parâmetros curriculares nacionais: educação física. v. p.15. 79 A educação física na escola BRASIL.61-80.K.. Uma proposta para além do esporte na educação física escolar: as expectativas e a avaliação dos alunos.138-45. Fís. (Eds.A. p. RODRIGUES. Champaign: Human Kinetics. Teoria. F. G.1. Vrin. S. C. Araras: Topázio.. DISHMAN. Motriz. Educ. _____./mar. 2002.1. FERREIRA. São Paulo. 1999.C.. R. n. 1995. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte. v. _____. Rio Claro. 1998. J.5. Monografia (Graduação) . A janela de vidro: esporte. S. Universidade Estadual Paulista. fitness. Campinas: Papirus. 1998. Educação física. A psicologia da felicidade.C.N. 1976. _____. Educação física na escola: questões e reflexões. . Advances in exercise adherence.). 1999. B. GALVÃO. M. São Paulo: Saraiva. 1992.. 1994. 1997. Campinas: Papirus. Esp. n. 1992. 1994.. DARIDO. p. Ministério da Educação e do Desporto. BRASIL. Para além do esporte: a expressão corporal nas aulas de educação física do segundo grau. PONTES. FIORIN. Sport and exercise motivation: a brief review of antecedent factors and psychological outcomes of participation. v. Exercise adherence. uma proposta de participação. BIDDLE. Rio Claro. n. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.2. p. Brasília: MEC/SEMTEC. Educação física. São Paulo.13. Secretaria de Ensino Fundamental.Departamento de Educação Física. São Paulo. _____. Esporte e adolescentes. De ÁVILA. Champaign: Human Kinetics. In: BOUCHARD. _____. CAVIGLIOLI. 1993. GALVÃO. Ministério da Educação e do Desporto. SANCHES.Departamento de Educação Física. n. jan. v. Determinants and interventions for physical activity and exercise. I. Especialização precoce na natação e seus efeitos na idade adulta.. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte. C.M. DARIDO.1.59-70. Paris: J. R. a formação do cidadão e os parâmetros curriculares nacionais. v. C. SILVA.282-7.. p.e análise dos dados. A revolução cultural do tempo livre. 1997. Rio Claro.7. CUNHA..). Educação física no ensino médio: reflexões e ações. 2004 . COSTA. v. Z.2. bras.N.. Instituto de Biociências. televisão e educação física. L. J. FIORIN. FERREIRA. M. In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.214-38. Physical activity.K. L. CASTELLANI FILHO. p.V.1. A. Z. Anais. CSIKSZENTMIHALYI.. Manchester. FARINHA. RAMOS. 2001. G.K. Handbook of research on sport psychology. 1999. G.)..K. 1992.H.C.A. DISHMAN. DARIDO. DARIDO. prática e reflexão na formação profissional em Educação Física. S. 98-110. Parâmetros curriculares nacionais: educação física.C. Educação física diversificada. Rio Claro. n. 1997. Universidade Estadual Paulista. Rev. p. p. Parâmetros curriculares + ensino médio: orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares nacionais. Referências BETTI. L.. M. Brasília: Secretaria de Ensino Fundamental.

R.151-69.B. Anais. VANREUSEL. Rio de Janeiro: Sprint. São Paulo: CENP. Instituto de Biociências. Campinas: UNICAMP. Dissertação (Mestrado) . RENSON. R. Agradeço imensamente aos ex-bolsistas do CNPq e ex-alunos do curso de Educação Física Unesp/Rio Claro. São eles: Marcelo Ortiz. LOVISOLO.P. IAOCHITE. Instituto de Biociências. Campinas: 1993. v. 27 nov.20.Faculdade de Educação Física. Rev. LYSENS. p.R.P. Monografia (Graduação) .E.GALVÃO. GUEDES.. n. 80 . A longitudinal study of youth sport participation and adherence to sport in adulthood. _____.. 1996. Monografia (Especialização) .L. jan. São Paulo. BEUNEN. S.10. p. tensões e diálogos. 1988. v. p.M.61-80. A.. 1992. 1995. p. Agradeço também ao aluno do Programa de Pós-graduação em Motricidade . que auxiliaram na coleta dos dados desta pesquisa. p. Tese (Doutorado) Instituto de Psicologia. GUEDES. 1997. São Paulo. 1991. p. Champaign: Human Kinetics. GAMBINI.99-112.R. São Paulo. SANTOS. Educação física escolar: razões das dispensas e visão dos alunos por ela contemplados. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. LEFEVRE.. 60% DOS BRASILEIROS estão parados. Datafolha. R.17-20. São Paulo. Educação física: a arte da mediação.373-87. CLAUSSENS. Esp. 1999.32. J. grau. Universidade de Campinas. In: DISHMAN. Rio Claro. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. v. Fís. Universidade de Campinas. Associação entre variáveis do aspecto morfológico e desempenho motor em crianças e adolescentes..Departamento de Educação Física. Paulo. G. J. Z. R. International Journal of Sport Psychology. Campinas. 1997..V. Rio Claro. p. OKUMA.S.. Exercise adherence and leisure activity: patterns of involvement and interventions to facilitate regular activity. Revista Paulista de Educação Física. London.24. International Review for the Sociology of Sport. Universidade Estadual Paulista. Pós-graduações e educação física: paradoxos. Fernanda Moreto Impolcetto e Flavio Lico. D. p. Universidade de São Paulo. H. A prática de atividade física e o estado de fluxo: implicações para a formação do futuro profissional em educação física. 2004 DARIDO. bras. 1996. Instituto de Biociências. n. Educ.Departamento de Educação Física. 1997. (Ed.. Proposta curricular para o ensino de educação física no 1o. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte. W.J. WANKEL. Oraci de Almeida Junior. Campinas. 1997. W. Motivos da desistência em aulas de educação física no segundo grau. Gustavo Isler.. O prazer em aulas de educação física escolar: a perspectiva discente. B.R.J. Rio Claro. Universidade Estadual Paulista. Universidade Estadual Paulista. L. n. Campinas. M.. NAHAS. I.2. Educação física: o paradoxo da sua negação. _____. In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR. 12. Monografia (Graduação) . Agradecimentos SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. 1993. 1997. The importance of enjoyment to adherence and psychological benefits from physical activity.C. S.W. Educação física no ensino médio: educação para um estilo de vida ativo no terceiro milênio. 1995. Educação física escolar: uma abordagem fenomenológica. 1. MOREIRA. 1990. v. Exercise adherence: its impact on public health.369-96. O significado da atividade física para o idoso: um estudo fenomenológico./mar..). Folha de S. RANGEL-BETTI.C. VANDEN-EYNDE. 4. São Paulo.Faculdade de Educação Física. n.4. 1998. Rome. Dissertação (Mestrado) .Departamento de Educação Física.18. S.J. v. Marcio Pimenta.11-21. B.1.

Além de proporcionar a expressão corporal. Assim como a Educação Física. a saúde do corpo. Suraya Cristina Darido Av. isto é. A música e a dança. das lutas. 1239 . dos esportes. a coordenação motora.Vila Tablada 13506-748 .Rio Claro . o espírito socializador e o desenvolvimento criativo. combate ao estresse e a melhora na postura corporal. tornam-se elementos integrados que enriquecem as aulas. pois busca a perfeita formação corporal. desenvolve as funções mentais. objetivando o equilíbrio. trazendo benefícios. 1A. da ginástica e das danças. também auxilia no desenvolvimento global do indivíduo. formando o cidadão que irá produzi-la.BRASIL ENDEREÇO Recebido para publicação: 02/06/2002 Aceito: 26/09/ 2003 Fechar Os Benefícios da Educação Física A Educação Física é uma disciplina que integra o educando na cultura corporal. a criatividade. Ela é considerada como um meio educativo privilegiado. reproduzi-la e transformá-la através dos jogos. idéias. a dança possibilita a educação integral.SP . concepções e valores. psicomotor e afetivo. é uma ótima maneira de moldar o corpo. Esta disciplina permite ao educando exercer todas as suas potencialidades. na busca do exercício crítico da cidadania e de uma melhor qualidade de vida. proporcionando ao educando um meio de desenvolver sensibilidade. mas de uma totalidade capaz de conectar pensamentos e movimentos através de ligações de sensibilidade. criação e comunicação de emoções.Luiz Sanches pelo auxílio na elaboração do abstract e pela leitura cuidadosa do trabalho. no aspecto cognitivo. imaginação. porém não terá valor se tiver seu . improvisação. mas o significado deste diante do mundo. pois abrange o ser na sua totalidade. Não se pode falar de um corpo fragmentado. a aptidão física para a ação e o desenvolvimento dos valores morais. Nesta relação corpo e emoção o que importa não é o gesto pelo gesto. a livre expressão e a sociabilidade. auxiliares na melhora dos movimentos. tais como: a auto-estima.

desenvolver o indivíduo na sua totalidade. num ambiente de muito afeto. As aulas devem ser uma oportunidade de aprender e ensinar com prazer. proporcionando a ele uma oportunidade de encontrar-se. Mércia Sequeira Pinto .objetivo voltado somente para a arte e não priorizar o auxílio à aquisição e à manutenção da saúde e aptidão social. psíquica. física e afetiva. a partir desta auto-afirmação. mental. culturais e artísticos. sentimentos e sensações. para que todos possam participar dentro das suas limitações e capacidades. A Educação Física pode e deve. vivo. sem o caráter elitista. o espírito e o coração na busca de um ser espontâneo. unindo o corpo. Isso tornará a atividade física acessível para o máximo possível de pessoas. descobrir-se e amar-se para. Cabe ao professor aprofundar essas habilidades e conhecimentos técnico-científicos. aprimorando seus valores e atributos como educador e buscar subsídios para uma atuação afetiva e positiva em relação aos educandos. dinâmico e capaz de exteriorizar seus pensamentos.Professora SHOPPING BOA SAÚDE Publicidade ASSINE 0800 703 3000 Parte superior do formulário BATE-PAPO E-MAIL SAC SHOPPING on parceiro . poder amar também os outros de forma plena e intensa.

.barrauol Parte inferior do formulário Segunda-Feira. 15 de Fevereiro de 2010 Parte superior do formulário Busca Informaçao Sobre Saúde Para receber informações de saúde. cadastre-se agora.

existiam duas idéias que tentavam explicar a as primeira defendia que alguns indivíduos apresentavam uma p exercício físico. Anuncie Aqui No Brasil.Por que a preocupação com o sedentarismo? . grupo do adultos que vivem em áreas urbanas não praticam um nível a problema fica mais claro quando levamos em conta os dados da população brasileira vive nas cidades. representava um estímulo amb doenças. conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pra alterações do organismo. além de atividades mental e so benefícios à saúde. na verdade. o diabetes e o coleste responsabilizado por 54% do risco de morte por infarto e por 5 cerebral. por meio de exercícios que envolva uma ou mais aptidões físicas. o q da prática de atividades físicas. a partir da adolescência. fortalecimento dos ossos e das ar . Observou-se que a nível de atividade física. a hipertensão. vigor físico e disp a atividade física. o tabagismo. id mais baixo e os indivíduos incapacitados. Por que a preocupação com o sedentarismo? Newsletters Calculadoras Na grande maioria dos países em desenvolvimento. usando computadores.BLOG DE BOA SAÚDE <VOLTAR Notícias de Saúde Importância da atividade física Artigos de Saúde Neste artigo: . já que possuíam boa saúde. Receita para rir Em todo o mundo observa-se um aumento da obesidade. jogand Quais são os benefícios da atividade física? Termo de Responsabilidade Especiais A prática regular de exercícios físicos acompanha-se de bene aspectos do organismo.Atividade física em crianças e jovens .Atividade física durante a gestação . É o famoso estilo de vida mod é passado assistindo televisão. o sedentarismo é um problema que vem assumindo mostram que a população atual gasta bem menos calorias po explica porque o sedentarismo afetaria aproximadamente 70% obesidade." Introdução Serviços e Produtos Medicamentos Genéricos Mas o que é atividade física? De acordo com Marcello Montti. Do ponto de vista músculo-esquelétic muscular e da flexibilidade. as principais causas de morte em nosso país.Introdução .Atividade física em idosos .Quais são os benefícios da atividade física? . Hoje em dia sabe e se relacionam. Os indivíduos mais sujeitos ao sedentarismo são: mulheres.Como é feita a escolha da atividade física adequada? . Assim de saúde pública. saúde mental e boa aptidão física.Considerações finais Exames de rotina (novo) Chats Anteriores Comunidades Dicionário Médico "A prática regular de atividade física sempre esteve ligada à im Antigamente.

levando-se em conta os seg Tratamento das complicações pós-aborto • Preferência pessoal: o benefício da atividade só é consegu continuidade depende do prazer que a pessoa sente em reali atividade que a pessoa não se sinta bem praticando. aumentando a socialização. favorecendo u melhor convívio social. send falta de exercício. Dia Nacional de Combate ao Câncer Especial Obesidade Interessante notar que quanto maior o gasto de energia. Assim. Dessa forma.Dia Mundial de Luta contra a AIDS ajudar no desenvolvimento das habilidades psicomotoras. antes do exer • Praticar atividades apenas quando estiver se sentindo bem. Dia Internacional da Mulher A atividade física pode também exercer efeitos no convívio so trabalho quanto no familiar. da força e flexibilidade musculares. há um da massa muscular. Dia Mundial da Saúde 2006 Já no campo da saúde mental. Entre os últimos e a não é tão grande. Como é feita a escolha da atividade física adequada? A escolha é feita individualmente. Antes do início da prática de exercícios. nos idosos. • Iniciar as atividades lenta e gradualmente. enquanto aquelas por mais tempo e/ou mais freqüentes. observamos perda de peso e da da pressão arterial em repouso. Dia dos Namorados 2004 Atividade física em crianças e jovens Preservativos: Reduzindo as Barreiras Nesses grupos. natação. Há redução da ansiedade e do e depressão. Ela promove mudanças corporais. A prática regular de exercícios pode fu energia "extra normal" das crianças. auxilia também na m recuperação da auto-estima. o idoso deve passar realização de exames. Todos esses benefícios auxilia sendo importantes para a redução da mortalidade associada sedentária e passa a ser um pouco mais ativa diminui o risco Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é na saúde e na qualidade de vida. Isso permitirá ao médico indicar a melh exercício em bicicleta ergométrica. hidroginástica e m Guia Realce de Orientação e Aconselhamento Algumas recomendações são importantes. melhora afetividade. ou seja. Violência contra as Mulheres Está mais do que comprovado que os idosos obtém benefício quanto os jovens. . melhora o fluxo de sangue para o cérebr problemas e com o estresse. • Risco associado à atividade: alguns tipos de exercícios po em determinados indivíduos que já são predispostos. Férias 2006 Com relação à saúde física. atividades que con por menos tempo e com menor freqüência. • Ingestão de grandes quantidades de líquidos. a prática de exercícios ajuda n ao sistema nervoso. e valem também p • Uso de roupas e calçados adequados. Com o avanço da idade. Dia dos Namorados 2006 • Aptidão necessária: algumas atividades dependem de hab realizar atividades mais exigentes. não é necessária a prática intensa d benefícios para a saúde. O mínimo de atividade física necess mais ou menos 200Kcal/dia. as maiores diferenças na indivíduos sedentários e os pouco ativos. Porém. Além disso. a pessoa deve seguir um p começando de atividades mais leves. melhora do diabetes. em a os benefícios para a saúde. além de ser importante na aquisição de habili importante para o desenvolvimento intelectual. diminui colesterol (o "colesterol bom"). sua hiperatividad Atividade física em idosos A falta de aptidão física e a capacidade funcional pobre são u qualidade de vida.

Uma m a realização das atividades domésticas. No caso de As atividades físicas mais recomendadas às mulheres grávida • Caminhada: é muito bom para a preparação para o parto. • Alimentar-se até duas horas antes do exercício. o convívio social. incluindo médicos. Atenção: apenas durante a gestação. O que is significativa da sua qualidade de vida! O que precisamos ressaltar é o investimento contínuo no futu buscar formas de se tornarem mais ativas no seu dia-a-dia. lavagem do carro. cerca de 30 minutos. Ajudam também na oxigenação. Já aquelas após a décima segunda semana de gestação. . Após a realização dos exames ele poderá liberar ou que já praticavam atividade física e que nunca sofreram abort atividades após adaptação para seu novo estado.Mais Especiais • Evitar o cigarro e medicamentos para dormir. Prefira o consumo de carnes grelhadas ou preparadas excessivo de doces. Antes do início dos exercícios. embora seja necessário reduzir a inte as atividades podem ser retomadas após 40 dias. Não havendo p continuados até o parto. • Respeitar seus limites pessoais. comidas congeladas e os famosos lanch líquido (de preferência água e sucos naturais). uma melhoria das co na adaptação às mudanças posturais e no trabalho de parto. Caso sinta algo diferente é mandatório informar ao resp deve ser esquecido. a convivência com outras gestantes e os sentime Os exercícios de ginástica garantem fortalecimento muscular. • Informar qualquer sintoma. Inc. Esses exercícios regulares aumentam a a disposição e a saúde de um modo geral. é a adoção de uma alimentação saudáve fibras. reduzindo o risco de lesões. Copyright © 2005 Bibliomed. • Hidroginástica: são os mais indicados para as gestantes! • Alongamento: ajuda a manter a musculatura relaxada e o c Considerações finais Para finalizar devemos ressaltar que a prática de atividade fís acompanhada por profissional qualificado. • Natação: trabalha bastante a musculatura. Afetam de maneira raciocínio. 28 de Julho de 2005. já cardiorrespiratória e favorece o encaixe do bebê na bacia da semana. passe MOVIMENTO. Atividade física durante a gestação O que é? É necessário a todas as gestantes um trabalho corporal a cad adequação às alterações que ocorrem nesse período. co praticar atividades como jardinagem. física. A atividade física consiste em exercícios bem planejados e be Eles conferem benefícios aos praticantes e têm seus riscos m controle adequados. auto-estima. Já os exercícios desenvolvidos na água favorecem o relaxam pernas e o inchaço dos pés e mãos. a gestante deve passar por co obstetra. a velocidade de reação.

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A fisiologia e as implicações metabólicas do exercício para crianças são os fatores que têm recebido mais atenção dos pesquisadores e os resultados dessas pesquisas têm levado a considerações positivas. tendem a causar frustração e baixa auto-estima. .Parte superior do formulário Parte inferior do formulário Trabalhos escolares. que apresentou a palestra “Atividade Física na Criança e no Adolescente”. o fato de a criança estar feliz”. 2. terça. São inúmeros os estudos que têm enfatizado os benefícios de programas que envolvem atividades motoras. nas últimas décadas. bem como a exclusão de outras atividades mais prazerosas. que salienta: “Um modelo de esporte para crianças baseado exclusivamente na fisiologia pediátrica do exercício mostraria apenas parte do complexo fenômeno da prática esportiva infantil”. A investigação de aspectos negativos e positivos do engajamento de crianças em programas de esporte organizado vem sendo realizada pelo professor Ruy Jornada Krebs. afirma o professor Krebs. durante o Congresso Nacional de Pediatria. realizado em Aracaju. de uma nova área de estudo. “A excessiva cobrança. Para ele. Avaliar as conseqüências que essas práticas mais organizadas possam ter para a vida futura de seus praticantes é tarefa difícil e foi motivo do surgimento. rotulados como especialização precoce. 16 de fevereiro de 2010 Home » Educação Física » Desenvolvimento da Criança ► Desenvolvimento da Criança A atividade física é um fator imprescindível para que a criança tenha um desenvolvimento saudável. a gama de atividades físicas na infância é bastante extensa. incluindo desde as brincadeiras espontâneas. livros e resumos Boa tarde. No entanto. a fisiologia pediátrica do exercício. E o conceito de saúde não pode ser só físico. tanto para o crescimento e a maturação quanto para o desenvolvimento de capacidades cognitivas e sociais1. é necessário haver uma harmonia entre os vários aspectos. 3. “Mas não devem ser analisados isoladamente dos fatores psicológicos. deve considerar também o bem estar no contexto social. biomecânicos e dodesenvolvimento motor”. doutor em educação física e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. com intensa carga lúdica. até os programas esportivos orientados para o alto rendimento.

apresentado no Forum Mundial sobre Atividade Física e Esporte (1995). pois o sedentarismo cria condições propícias para que as doenças se instalem de vez”. (c) garantir o suficiente peso curricular para a Educação Física Escolar. sob pena de causarem males. (h) desenvolver um intercâmbio de informações sobre Educação Física na Europa. cardiovasculares. estabeleceu como necessário que a Educação Física seja compulsória na Escola. de acordo com a crescente importância da disciplina. A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E O SEU COMPROMISSO DE QUALIDADE Considerando Que a Associação Européia de Educação Física (EUPEA). Isso é um erro. conhecimento e ação. alimentares.) ao exercício físico. Recreação e Dança (AAHPERD). o correto é que essas crianças tenham restrições mas pratiquem o exercício. ainda que moderadamente. estabeleceu como parâmetros de qualidade: (a) manter ou incluir a Educação Física como matéria curricular no período de educação obrigatória. nos domínios cognitivo. como meio de estabelecer critérios comuns que possam contribuir para a geração de idéias que possam ser assumidas pelos governos.afirma. preparado conjuntamente pelo Forum do Comitê Regional Norte-Americano (NARFC) Associação Canadense para a Saúde. No aspecto biomecânico ele adverte para a necessidade de adequação dos materiais e equipamentos à estatura e força das crianças. como é o caso das outras disciplinas. Segundo o professor Ruy Krebs. Outro aspecto abordado pelo professor Krebs foi a associação indireta de doenças (pulmonares. Educação Física. (e) garantir três horas semanais de educação Física para o ensino secundário. Educação Física. (f) que os professores sejam altamente qualificados. devendo ser diária até os 11 ou 12 anos de idade e pelo menos três horas por semana para as crianças e adolescentes acima desta idade. como forma de criarem condições de desenvolvimento e de controle das doenças. registrou que uma Educação Física de Qualidade tem um impacto positivo no pensamento. autoridades e organizações européias. afetivo e psicomotor na vida de crianças e jovens e que as crianças e jovens fisicamente educados vão para uma vida ativa. “Muitos pais fazem dessas doenças motivo de exclusão das atividades físicas. Que a mesma Associação Européia de Educação Física (EUPEA). etc. (g) deve-se promover estudos acadêmicos sobre Educação Física. endócrinas. Que o Encontro denominado World Summit on Physical Education realizado pelo Conselho Internacional de Ciência do Esporte e Educação Física (ICSSPE/ Berlim/ . (d) a Educação Física devera ter pelo menos uma hora diária na educação primária. através da Declaração de Madrid (1991). sob supervisão do professor e do médico. Recreação e Dança (CAHPERD) e Aliança Americana para a Saúde. Que o Documento "Uma Visão Global para a Educação Física na Escola". saudável e produtiva. ainda pela Declaração de Madrid (1991). ao defender a Educação Física como parte integrante do currículo escolar. (b) reconhecer que a formação em Educação Física está no nível de estudos superiores.

Compartilhe ou guarde este conteúdo . e por isto deve ter o mínimo de 2-3 horas por semana e as aulas devem integrar um currículo longitudinal e ser dirigidas por professores de Educação Física preparados para esta função. o que pode estar contribuindo para o aumento da delinqüência juvenil e da violência. preparando as crianças para enfrentar competições. o entendimento para uma participação em atividades físicas e esportivas ao longo da vida. movimento. (d) ajuda as crianças a desenvolver padrões de interesse em atividade física. religião ou nível social. obesidade e osteoporose) e mentais (depressões e estresses). divulgado pela Associação Internacional das Escolas de Educação Física (AIESEP/ 1999). assim como um incremento nos gastos médicos e sociais. (g) contribui para a confiança a auto-estima das crianças. diabetes. oferecendo oportunidades às crianças e adolescentes para. adquirir competências de movimentos. raça. idade. câncer no cólon. identidades. Conferência Internacional de Ministros e Altos Funcionários Encarregados da Educação Física III MINEPS.1999) ao reforçar a importância da Educação Física como um processo ao longo da vida e particularmente para todas as crianças. permitindo ações interdisciplinares que sempre favorecem o processo educativo. cooperando e colaborando. os quais são essenciais para o desenvolvimento desejável e constróem os fundamentos para um estilo de vida saudável na idade adulta. corpo e equilíbrio. jogos e esporte. (h) realça o desenvolvimento social. atitudes. reiterou que uma Educação Física de Qualidade. desenvolver conhecimentos e percepções necessárias para um engajamento independente e crítico na cultura física. Que o Documento "A Indispensabilidade da Educação Física". (c) é a única alternativa escolar cujo foco principal é sobre o corpo. evidenciou uma profunda preocupação com a redução dos programas de Educação Física. vencendo e perdendo. desenvolvimento físico e saúde. seja qualquer capacidade/ incapacidade.8 dólares em despesas médicas. sexo. (a) é o mais efetivo meio de prover nas crianças. Que a Educação Física é a única disciplina na escola que atua diretamente com o físico. no seu art. na Declaração de Punta del Este (1999). atividade física. Que a 3a. Que a Educação Física é um fim educacional em si mesmo. com habilidades. mostrando que para cada dólar investido em atividades físicas corresponde a uma diminuição de 3. na busca da totalidade dos seus beneficiários. (b) exercer um papel de enriquecimento da vida social e de desenvolvimento das habilidades de interação social. que se integra em outras áreas do currículo escolar. 4o. etnia. (e) ajuda as crianças a desenvolver respeito pelo seu corpo e dos outros. cultura. valores e conhecimentos. esclareceu que as pesquisas mostram que a atividade física pode: (a) ser um meio de prevenção contra doenças físicas (cardiovasculares. (b) ajuda as crianças chegarem a uma integração segura e adequado desenvolvimento da mente. (f) desenvolve na criança o entendimento do papel da atividade física promovendo saúde.

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