XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 - 6381

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA: ENTRE CONCEITOS E ENSINO DE HISTÓRIA – A PRÁTICA REFLEXIVA
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Aline Cristina da Silva Lima-UFRN Orientadora: Crislane Barbosa de Azevedo-UFRN

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RESUMO

O presente trabalho consiste na apresentação dos resultados da pesquisa intitulada “Aprendizagem significativa: entre conceitos e ensino de história”. O objetivo principal da pesquisa foi compreender de que maneira o ensino de História articulado aos conceitos poderia viabilizar uma aprendizagem significativa nos alunos, transformando conhecimentos de senso comum em sistematizados. Tal problemática partiu da necessidade de se estabelecer um sentido para o estudo da História, tendo em vista a compreensão dos seus conceitos fundamentais inseridos em determinados tempos e espaços. A partir desta premissa, o ensino de História deve manter relação constante com a realidade dos alunos, tornando-os capazes de realizar interferências em sua própria realidade. Para tanto, supomos que o trabalho prévio com os conceitos facilitaria esta relação. Para o desenvolvimento da pesquisa aplicada em turma de 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Walter Duarte Pereira, localizada em Natal-RN, realizamos pesquisa bibliográfica e investigação de tipo etnográfico. Dialogamos como os Parâmetros Curriculares Nacionais e com a perspectiva de aprendizagem significativa de César C. Salvador e de David Ausubel, bem como com as ideias de Lev Vygotsky. Os resultados da pesquisa mostraram-se positivos, no que se refere à problemática dos conceitos e a sua relação com uma melhor aprendizagem em História. Percebemos que os discentes compreenderam as temáticas e foram capazes de discutir e construir minimamente suas próprias críticas ao conhecimento histórico.
Palavras-chave: Conteúdo escolar – Ensino de História – Metodologia de ensino – História e conceitos.

O projeto de pesquisa “Aprendizagem significativa: entre conceitos e ensino de história” foi uma proposta desenvolvida a partir das discussões sobre o ensino de história e suas diversas linguagens, realizadas durante as aulas de Estágio de Formação de Professores II, sob a orientação da Professora Crislane Azevedo, do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O objetivo principal do projeto era compreender de que maneira o ensino de História articulado aos conceitos poderiam viabilizar uma aprendizagem significativa, transformando conhecimentos de senso comum em sistematizados. Tal problemática partiu da necessidade de se estabelecer um sentido para o estudo da História, tendo em vista a compreensão dos seus conceitos fundamentais inseridos em determinados tempos e espaços.

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Licenciada e Bacharelanda em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. aline_his06@yahoo.com.br 2 Professora Doutora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

crislaneazevedo@yahoo.com.br

. partimos do pressuposto de que o trabalho prévio com os conceitos facilitaria esta relação. coletar. 3 AZEVEDO. Em outras palavras. correspondente em geral a um bimestre de aulas. aplicar o projeto de pesquisa durante uma unidade de ensino. definir objetivos para o trabalho de investigação. o trabalho que se segue não abrange simplesmente a descrição das situações de ensino ocorridas durante as aulas desenvolvidas na turma de 1º ano da Escola Estadual Walter Duarte Pereira. Natal: UFRN. Deste modo. de forma que possa construir situações de aprendizagem que visem à construção de cidadãos críticos e alunos-pesquisadores. apropriar-se de uma bibliografia sobre a problemática de pesquisa por ele levantada. seriam trabalhados sob a perspectiva comparativa entre passado e presente. principalmente. O papel do professor neste contexto é de mediador da aprendizagem e deve. sem perder. 2010. redigir relato sobre os resultados da aplicação do seu projeto de investigação. e uma quantidade excessiva de conteúdos escolares acumulados.2. sistematizar e analisar informações.6381 2 A partir desta premissa. No final. conceitos como: tempo. contudo. As adaptações feitas serão percebidas ao longo das discussões desempenhadas neste artigo. Este novo docente deverá ser capacitado a: observar uma realidade escolar em seus aspectos administrativos e pedagógicos. depois se discutiria com auxílio de recursos didáticos. Para tanto. mas também a avaliação crítica de seus resultados. redigir um relato de tipo etnográfico com os resultados da sua observação. No que concerne aos conteúdos em si. portanto ser um constante pesquisador. dentro desta construção da prática docente está intrínseca a necessidade de auto-reflexão constante sobre a prática. e. Estágio supervisionado como lugar de pesquisa e suas implicações na formação do professor de história. cultura e fato histórico. Porém. além de contextualizar as temáticas usando linguagens específicas do ensino de História. seria realizado um trabalho com eixos temáticos. para no final construirmos juntos uma linha do tempo situando em que momento histórico estes conceitos foram usados. em meio às atividades deparamo-nos com uma greve de professores que retardou o início do ano letivo. historicidade dos conceitos. Portanto. processo histórico. tivemos que adaptar a metodologia do projeto à realidade posta. o ensino de história deve manter relação constante com a realidade dos alunos. A proposta inicial era a exploração dos conhecimentos prévios dos alunos sobre os temas a serem trabalhados. Crislane B. em forma de paineis integrados. levantar uma questão de pesquisa sobre a realidade escolar observada e descrita. O trabalho de formação do docente em História pautado na pesquisa objetiva. a ênfase na problemática. encontramos uma realidade escolar um pouco agitada. a melhoria do ensino da disciplina pelo caminho da instrumentalização do futuro professor sobre as especificidades da pesquisa educacional e os meandros de um cotidiano escolar. sujeito histórico. Neste sentido. propor novas estratégias metodológicas para um 3 efetivo e contextualizado ensino de História. Vale salientar que.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . Apostila de texto (Aula de Estágio Supervisionado). tornando-os capazes de realizar interferências em sua própria realidade. apresentar meios para a obtenção de respostas à questão de pesquisa. realizando registros diários dos principais conceitos trabalhados em cada aula.

os quais discutem o papel da educação para construção da cidadania. José D‟Assunção. 2004. Leandro (Org). Uma característica crescente da historiografia moderna é que ela tem passado a ver a si mesma – de maneira cada vez mais explicita e autoreferenciada – como um campo fragmentado. Significado e sentido na aprendizagem escolar. cap. e. Salvador da qual usamos sua noção de aprendizagem significativa. 7 MONTEIRO. Secretaria de Educação Fundamental. 2005. Vozes. Porto Alegre: Sulina. Em consonância a isto temos discussões historiográficas cada vez mais distanciadas da ideia de história total. São Paulo: Ed. 4 BEZERRA. Rio de Janeiro: Mauad X. São Paulo: Contexto. 9. Política Educacional: desafios e tendências. p. Dialogamos com a obra Ana Maria Monteiro . 2. 2004. O campo da História: especialidades e abordagens. Petrópolis: Ed. baseada nas teorias de David Ausubel. Porto Alegre: Artes Médicas. In: _____. Diferentemente do século XIX em que os historiadores tinham uma ideia mais homogeneizada de seu oficio. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. ed. p. 9 8 7 6 5 4 I. Analisamos os Parâmetros Curriculares Nacionais .XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . 5 CABRAL NETO. In: KARNAL.). a relação fundamental entre história e conceitos. mantendo-o atualizado com as tendências historiográficas recentes. Roseli. a especialização exacerbada tem deixado “Clio despedaçada”.Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental. A HISTÓRIA E OS CONCEITOS: NOVOS OLHARES As propostas curriculares de educação dentro dos padrões mais atualizados preocupam-se em envolver o aluno por meio da problematização das temáticas. Professores de História: entre saberes e práticas. 145-159. Por fim. p. Ana Maria. 8 SALVADOR. bem como com a obra César C. Atual. como denomina o historiador José D‟Assunção Barros. porém quando nos referimos ao ensino devemos entender que manter um único posicionamento ou visão da História impossibilita aos alunos o desenvolvimento de noção própria do conhecimento histórico. as quais discutem a relação da educação com a sociedade baseadas em Lev Vygotsky. Antônio (Org. 1998. CRUZ. 1997. que ressaltam o trabalho prévio com os conceitos fundamentais relacionados à história. a grande questão tem sido como tornar o conhecimento escolar significativo. Notadamente. Psicologia e trabalho pedagógico. Holien Gonçalves. 10 BARROS. História na sala de aula: conceitos. partindo de uma abordagem que privilegie o mundo cultural do aluno. dialogamos com o trabalho de Roseli Fontana e Maria Cruz . que analisa em seu trabalho situações prática de aprendizagem com eixo nos conceitos e no método comparativo. práticas e propostas. 9. partilhando em uma grande gama de sub-especialidades e atravessando por muitas e 10 muitas tendências. sobretudo. Maria Nazaré. . César Coll. 2007. 1734. Aprendizagem significativa e construção do conhecimento.6381 3 Para viabilização do trabalho realizamos leituras de autores como: Holien Bezerra e Cabral Neto . 9 FONTANA. 1994. temos atualmente cada vez mais abordagens especializadas e heterogêneas. Reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. 6 BRASIL. compartimentado. Parâmetros curriculares nacionais: História. Isto torna o estudo histórico mais significativo quanto à pesquisa.

Discutindo sempre a construção dos fatos e as diferentes verdades históricas. se faz necessário a seleção de conteúdos. Hoje. A possibilidade de incluir a dúvida. Isto foi possível através da conscientização prévia do trabalho que estava sendo desenvolvido. Op. a preocupação com a formação do cidadão competente para exercer o pensamento crítico e participar da vida democrática fortalece-se. Nas teorias e nas políticas educacionais oficiais. de 1998.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . o ensino de História passa por discussões acerca da redefinição do seu papel educativo e social.6381 4 Deste modo. cit. criando no ambiente educacional um clima de pesquisa e construção da aprendizagem. significativo para a experiência de vida concreta dos alunos. Na busca por integrá-los elaboramos fichas que serviriam para avaliar a prática docente. Além disso. o professor pesquisador deve entender minimamente os diferentes campos da história e trabalhar alternadamente com os mesmos. o ensino de História marcado pela influência de diferentes correntes de pensamento historiográfico toma a realidade social como objeto. Na primeira aula. Tal uso diversificado. ciências. o livro possibilita o contanto com fontes variadas que podem servir como recurso para as aulas. é importante que o docente domine algumas linguagens de ensino que viabilizem um melhor resultado de seu trabalho. Isto porque. A partir dos anos de 1980. artes e outras. Holien Gonçalves. Da mesma maneira. Como nos sugere Holien Bezerra . em que estava programada a discussão dos principais conceitos 11 11 BEZERRA. No discurso acadêmico e escolar aprender deixa de ser apenas acúmulo de conhecimentos para se tornar interação com a vida humana. consequentemente leituras. a promoção do diálogo com outras áreas de conhecimento tais como: geografia. possibilitando aos alunos um olhar crítico sobre as fontes históricas. Para tanto. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais. objetivo e finalidade do estudo da História. o livro didático é fundamental para o trabalho do professor. substituição ou confronto com a linguagem do livro didático. é relevante ainda. Durante a execução do projeto aqui analisado. aproxima o ensino da pesquisa na Educação Básica ao propiciar aos envolvidos com o processo ensino-aprendizagem possibilidades de diálogo. Além disso. leva o aluno ao desenvolvimento de uma postura mais criativa e autônoma frente o conhecimento. Na nova perspectiva política que se delineia e concretiza no final do século XX. No primeiro encontro com os alunos foi apresentado e discutido em que consistia o projeto de pesquisa acerca do ensino. discutir ensino implica discutir questões políticas e sociais do país. Dentro desta perspectiva. tal seleção deve partir de questionamentos do presente. O trabalho com os conteúdos escolares precisa ser contextualizado. visto que a quantidade de temas é muito abrangente. recolhemos a opinião dos alunos quanto à aprendizagem por meio de conceitos. qual o objetivo do estágio supervisionado e como seria desenvolvido o trabalho junto à turma. matemática. a discussão e o debate no ensino de História a partir de diferentes interpretações e. os livros são construídos por grupos específicos e trás intrínseco alguma tendência historiográfica. o trabalho escolar desenvolvido com o auxílio de diferentes fontes e linguagens é propício para ser desenvolvido em todos os anos da Educação Básica. Daí a importância do professor discutir e problematizar os conteúdos inseridos neste. mas não deve ser de maneira alguma entendido como única fonte ou como detentor de verdades. .

sujeito histórico. fonte. verdade. obtivemos os seguintes resultados a partir das respostas dos vinte e um alunos entrevistados com referência aos conceitos de tempo. fato histórico. história. entre outros: .XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 .6381 5 históricos.

Os próprios alunos afirmaram não ter visto antes tais conceitos. . capitanias hereditárias. vinte e nove alunos foram entrevistados com referência à relação estabelecida com os conceitos discutidos: homens bons. ou seja. Sobre o tema “A administração portuguesa e a Igreja Católica”. tornado-a significativa acerca do entendimento de temáticas específicas. durante quase toda a vida escolar estes alunos não tiveram estes temas como propulsores para o entendimento dos demais conteúdos.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 .6381 6 Após o recolhimento destes dados pudemos identificar a relevância da proposta de trabalho por meio dos conceitos. Os mesmo alunos reconheceram a importância de se entender o sentido do que se está estudando. Em meados da execução da pesquisa fizemos outra sondagem acerca da opinião dos alunos. para percebermos em que medida a organização do ensino planejado influenciou na aprendizagem dos alunos. Governo Geral e Padroado.

13 REVISTA HISTÓRIA VIVA.6381 7 Julgamos fundamental listar aqui os recursos selecionados para a execução do projeto: usamos o texto “A interpretação do fato” . o estranhamento é normal em situações deste tipo. 15 Dados contidos no diário de classe da turma de 1º série “B” do Ensino Médio. volume único. São Paulo: Atual. São Paulo: Saraiva. Maria Tereza. encontramos dificuldades na execução da pesquisa. A premissa para seleção de tais fontes de informação foi a aproximação dos alunos com os temas e a diversificação para que pudéssemos alcançar a maioria dos alunos no processo ensinoaprendizagem. Antonio Paulo e DIDIER. 40. Este fato impossibilitou a parte dos alunos uma aprendizagem eficaz. em uma turma de 45 alunos. ano IV. a partir da qual foi possível discutir a situação atual do povo indígena. da Escola Estadual Walter Duarte Pereira. algumas aulas acabaram tornando-se repetitivas. já prevíamos isto. 14 COTRIM. música de Natiruts “Palmares 1999”. 2 ed. além de relacionarmos os problemas ambientais que se configuraram no Brasil desde a época colonial. 2005. História Global: Brasil e Geral. a qual versa sobre as contribuições dos negros na cultura brasileira. reportagens da Revista “História Viva” . . Ensino Médio. a exclusão social. sobretudo quando se trata de „vencidos e vencedores‟.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . 8 ed. frente à necessidade de retomada de conceitos e do sentido do projeto. No que concerne à evasão escolar. Notadamente. em outro recorte desta mesma revista abstraímos a situação da vida dos escravos afro-descendentes no Brasil. Principalmente quando se trata de 12 15 RESENDE. Gilberto. além destes recursos aproveitamos a gama de fontes 14 13 12 registradas no livro didático . Porém. principalmente quanto ao que diz respeito frequência dos alunos às aulas e a própria gestão escolar. Em contrapartida. Os mesmos mostraram certa dependência com maneiras de ensino divergentes quanto a proposta em aplicação naquele momento. 2005. Além disso. o qual traz também duas imagens que auxiliam na compreensão das diferentes visões da história. observamos certa despreocupação da administração escolar em solucionar tal problema. Em conversas informais os discentes afirmaram ter sentido falta da escrita de resumos no quadro. 17 não assistiram nenhuma das aulas e 12 frequentaram apenas 50% das mesmas . Ensino Médio. volume único. fotografias de esculturas encontradas no Museu de Arte Sacra de Natal. isto porque geralmente utilizávamos apenas tópicos. Rumos da História: história geral e do Brasil. nº. e até sobre a escrita da história.

XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . que revelariam os modos de agir e de pensar ainda em elaboração e que requerem a ajuda do outro para serem realizados [. II. Roseli. A PRÁTICA DOCENTE E A AUTO-REFLEXÃO Como já descrito na introdução deste artigo. Não é nosso objetivo aqui discutir se os mesmos estão certos ou errados quanto a suas opiniões. p. entre outros. Nesta perspectiva. 1985 Apud FONTANA. uma história de livros”. aquilo que a criança é capaz de 16 fazer com assistência hoje ela será capaz de fazer sozinha amanhã. “um conto. CRUZ. os critérios usados foram: frequência. a metodologia do projeto “Aprendizagem significativa: entre conceitos e ensino de história” foi repensada para atender às especificidades da turma e da escola onde foi realizado o Estágio Supervisionado de Formação de Professores do curso de licenciatura em História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A tendência perceptível na fala dos discentes seguia a historiografia tradicional. Psicologia e trabalho pedagógico. sujeitos. dessa forma manifestaram-se os alunos: “retrata fatos históricos dos antepassados”. participação nas discussões e realização de atividades cotidianas. não obstante procuramos desconstruir a noção da história como algo pronto e estático no passado. “fala sobre o passado”. Deste modo. Deste modo os recursos foram fundamentais para não cairmos na monotonia. “são fatos que aconteceram a muito tempo atrás”. selecionamos dois conceitos “história” e “tempo”. . os quais já adentravam o ambiente escolar cansados da lida diária. Sobre história. Percebemos igualmente a falta de costume com o trabalho reflexivo. 1997..6381 8 uma turma composta prioritariamente de adultos em faixa etária de 25 à 55 anos. era a de que se trabalhasse também com os indicadores de desenvolvimento proximal..] “o que é o desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã – ou seja. Para exemplificar gostaríamos de citar alguns conceitos construídos pelos alunos em sala de aula (antes das discussões). De maneira geral. então. tempo. os alunos possuíam uma ideia de história como algo preso ao passado e sua escrita muito relacionada à literatura. São Paulo: Atual. optamos por iniciar colhendo os conhecimentos prévios dos alunos quanto às noções de história. por isso a associação com o cotidiano dos alunos viabilizou discussões proveitosas na sala de aula. 64. Percebendo que os alunos encontravam-se na zona de desenvolvimento proximal. fato. Isto porque consideramos que um conceito científico da história não pode ser apreendido sem ser internalizado e re-significado. Maria Nazaré. interferimos construindo a noção de processo histórico. a avaliação planejada junto ao professor colaborador do estágio (professor efetivo da turma na Escola) ocorreu continuamente. As discussões foram embasadas no conceito de história discutido por Julio Aróstegui: “a História como realidade na qual o homem está inserido e o conhecimento e registro das situações e sucessos 16 VYGOTSKY. Sua proposta. mas sim entender como estes conceitos foram construídos. não obstante.

A pesquisa histórica: teoria e método. outros ao tempo da natureza e alguns ao tempo cronológico. foi determinado junto aos alunos que os mesmos deveriam. quem a produziu.. Logo. Julio. Retomemos à questão da execução do projeto de pesquisa. Com relação ao conceito de tempo. o próprio aluno insere-se como sujeito da história. no primeiro momento. os alunos pronunciaram-se da seguinte forma: “é algo que não podemos perder. presente e futuro”. Em consonância a isto dialogamos com as ideias de permanências. Notadamente. A segunda consistiu em um trabalho em que os alunos deveriam contextualizar uma temática específica. O objetivo desta atividade era ampliar os olhares acerca das imagens e documentos inseridos em meio aos textos do livro. tendo por base os conhecimentos construídos durantes as aulas. ficou perceptível que há entre os educandos noções variadas de tempo: uns relacionaram ao tempo psicológico. e simultaneidades já referidas. o que tornava as aulas bastante diversificadas. Vejamos o fragmento de um dos trabalhos e a fonte usada: 17 17 ARÓSTEGUI. tendo em vista as noções de permanências.6381 9 que assinalam e manifestam essa inserção” . Para alcançar este objetivo.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . os exercícios escolares eram feitos. buscando mecanismos para a sistematização do entendimento dos conceitos. Outra discussão fundamental foi a ideia de que os fatos históricos não possuem significado em si mesmos.. São Paulo: Edusc. Diante das afirmações dos alunos. Foram realizadas duas atividades escritas. Devido ao pouco tempo para concluirmos os temas propostos pelo professor colaborador e ao horário reduzido das aulas do turno noturno. . Nesta descrição deveria estar contido o tipo de fonte. “é quando o tempo está para chover ou fazer sol”. Esta sondagem foi importante porque viabilizou o entendimento do tempo como algo também construído culturalmente. 28. a partir deste trabalho os alunos foram capazes de manejar variadas fontes históricas. descrever a fonte. o tempo é algo muito importante”. em geral. mas que são construções culturais e historiográficas.]”. uma consistia em analisar uma letra de música. Em todas as aulas iniciávamos com um dialogo informal sobre os conhecimentos prévios dos alunos. 2006. relacionando a um documento histórico contido em seus livros didáticos. “é a hora em que as coisas acontecem[. A partir de tal perspectiva. “passado. os alunos se depararam com uma prática desconhecida: o questionamento do passado e a análise de fontes. em qual momento histórico ela foi produzida e como esta se relacionava com o conteúdo por eles estudado. Além de discutirmos o tempo como um dos objetos principais da história. Houve resistência. p. mas com muita insistência os alunos realizaram a atividade e o resultado nas discussões demonstrou compreensão do objetivo do trabalho e como eles não sabiam identificar uma fonte e usá-la como recurso para a aprendizagem. rupturas e simultaneidade dos acontecimentos históricos. oralmente. continuidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho partiu do pressuposto de que o ensino de História torna-se significativo quando se consegue relacionar os conhecimentos sistematizados ao cotidiano dos alunos. p. Ensino Médio. Fonte: Apostila de atividades da turma 1º B. 249. Gilberto.6381 10 Imagem 1 – Para Leitura e resolução de atividades Fonte: COTRIM. História Global: Brasil e Geral.. 2005. . 8 ed.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . São Paulo: Saraiva. Imagem 2 – Atividade realizada por aluno da turma 1º B. volume único.

tendo em vista que o ensino para jovens e adultos possui especificidades que anteriormente era por nós desconhecida. Secretaria de Educação Fundamental. Em atividades posteriores.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 .6381 11 Durante a execução do projeto de pesquisa. melhoria na capacidade de leitura de mundo.2. seria salutar a continuidade de atividades desenvolvidas a partir dos conceitos históricos básicos e a articulação destas com novas linguagens de maneira de desconstruir tal pensamento estático. em várias ocasiões as discussões levantadas pelos alunos em sala de aula denotavam tendências diferentes. no que se refere à problemática dos conceitos e a execução do projeto de investigação. BRASIL. Este foi o eixo das adaptações dos planejamentos: construir a aprendizagem a partir dos interesses dos próprios alunos. 8 ed. O campo da História: especialidades e abordagens. São Paulo: Edusc. Ensino Médio. Percebemos que os discentes compreenderam as temáticas e foram capazes de discutir e construir minimamente suas próprias críticas à História. preferências e visões de mundo. volume único. 2006. AZEVEDO. Parâmetros Curriculares Nacionais: História. . Crislane B. A experiência foi salutar. 1998. consequentemente. Houve um diálogo bastante proveitoso com os alunos que acompanharam o estágio em sua totalidade. História Global: Brasil e Geral. Gilberto. 2005. Vozes. REFERÊNCIAS CITADAS ARÓSTEGUI. Estágio supervisionado como lugar de pesquisa e suas implicações na formação do professor de história. 2010. José D‟Assunção. Por isso. por exemplo. Em tais questionamentos estavam intrínsecos seus anseios. Os resultados foram positivos. notamos que muitas vezes os professores constroem suas aulas e acreditam que elas foram bem sucessidas quando os mesmos conseguem colocar em prática seus planejamentos. que em grande medida são elaborados a partir dos seus próprios anseios. 2005. pois os mesmos auxiliaram na compreensão da linguagem mais adequada para a turma e de suas dificuldades de aprendizagem. Julio. O resultado esperado será certamente a ampliação da compreensão dos alunos acerca das temáticas históricas e. com os conceitos relacionados ao trabalho com imagens. A pesquisa histórica: teoria e método. São Paulo: Saraiva. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental. BARROS. No entanto. Apostila de texto (Aula de Estágio Supervisionado). Natal: UFRN. objetivo específico que deve ser atingido pelos alunos que estudam História por toda a Educação Básica. que possui em si mesmas um atrativo e que geralmente são vistas pelos alunos como reprodutoras de realidades históricas. poderemos trabalhar. COTRIM. Petrópolis: Ed.

César Coll. CRUZ. Rio de Janeiro: Mauad X. Antonio Paulo e DIDIER. Significado e sentido na aprendizagem escolar. ed. Rumos da História: história geral e do Brasil. Leandro (Org). Psicologia e trabalho pedagógico.6381 12 BEZERRA. Porto Alegre: Sulina. Aprendizagem significativa e construção do conhecimento. 9.XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA ISSN 1808 . Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. Porto Alegre: Artes Médicas.). nº. Política Educacional: desafios e tendências. São Paulo: Ed. Maria Nazaré. práticas e propostas. 40. FONTANA. Professores de História: entre saberes e práticas. CABRAL NETO. Antônio (Org. In: KARNAL. São Paulo: Atual. cap. 2004. ano IV. 2004. 2. 17-34. Atual. p. 145-159. 2 ed. . Maria Tereza. História na sala de aula: conceitos. Reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. Ensino Médio. Roseli. São Paulo: Contexto. Holien Gonçalves. p. 1994. volume único. REVISTA HISTÓRIA VIVA. SALVADOR. Ana Maria. In:_____. 2007. 1997. RESENDE. 2005. MONTEIRO.