EXAME FÍSICO EM PEDIATRIA

O exame físico em pediatria apresenta algumas particularidades que o diferencia do exame físico em adultos. Apesar da sequência crânio -caudal ser a a preferida para evitar que se deixe de examinar algum órgão ou sistema importante, em pediatria muitas vezes temos que nos adaptar a situação e seguir uma sequência diferente de acordo com o grau de cooperação do paciente. Devemos abordar a criança de tal forma que a deixemos confortável, facilitando a obtenção dos resultados esperados no exame físico. O paciente deverá ser observado desde a entrada no consultório médico, avaliando sua postura, atitude, fácies, interação com os responsáveis, marcha, etc. Algumas manobras do exame físico poderão ser realizadas ainda no colo da mãe, deixando para o final aquelas que são dolorosas ou desagradáveis. Da mesma forma, os procedimentos que requerem a criança calma devem ser efetuados no início, de preferência ainda no colo do responsável (ex. verificação de frequência respiratória e cardíaca). É importante também explicar algumas técnicas do exame físico para criança e responsáveis, mostrando inclusive os instrumentos que serão utilizados, com objetivo de diminuir a ansiedade durante a realização das manobras. Solicite sempre a presença dos cuidadores ao lado da criança, também para diminuir a ansiedade. A cada exame, em qualquer idade, deve -se avaliar o grau de urgência e de sofrimento presente na consulta para prio rizar procedimentos e evitar aqueles desnecessários no momento. Exame físico geral: Verificar estado geral do paciente, aparência (saudável ou doente), consciência, irritabilidade, choro, grau de cooperação, presença de cianose, icterícia, edema, hidratação, temperatura, frequência cardíaca e respiratória, pressão arterial, exame de cadeias ganglionares, grau de nutrição. Verificar interação da criança com seus responsáveis. Sinais vitais Temperatura Freqüência cardíaca Freqüência respiratória Pressão Arterial
A partir de 3 anos e antes se fatores de risco

Idade

Instrumento
Termômetro

Procedimento
Mantido na região axilar, oral ou retal por 3 minutos. Contado por 1 minuto

Contado por 1 minuto

Esfigmomanômetro

Em repouso, com manguito adequado para o tamanho do braço e paciente sentado, membro superior a nível do coração. A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço e seu comprimento, envolver pelo menos 80% do braço.

se possível. y Crianças maiores de 24 meses ± o peso deverá ser verificado em balança tipo adulto calibrada. região glútea. Utiliza -se fita métrica maleável e . evitando movimentar -se. escala móvel.Antropometria: Verificação do peso. com os olhos voltados para cima. posicionado de modo a ocupar o centro da balança (quando sentado) ou distribuir -se igualmente (quando deitado). com haste fixa junto ao ponto zero e um curso que desliza sobre essa escala graduada em milímetros. Peso: y Lactentes (até 24 meses) ± o peso deverá ser verificado em balanças pediátricas previamente reguladas e taradas. dorso e cabeça encostados na parede ou anteparo vertical utilizado. graduado com precisão milimétrica com escala fixa sobre plano fixo vertical e um esquadro móvel que ocorre sobre essa superfície formando ângulo de 90°. posicionada no centro da balança. sem calçados. Deverá ser utilizado o estadiômetro vertical. que deverá ficar na cabeceira do lactente. A cabeça deverá ser mantida no eixo longitudinal do corpo. O esquadro móvel deverá ser posicionado sobre a cabeça. Os pés devem estar paralelos entre si. com calcanhares. A haste fixa fica ajustada à cabeça (sem compressão) e o cursor móvel será ajustado ao plano plan tar. A criança deverá ser medida em pé. com a ajuda da mãe. uma das mãos do examinador deverá ser posicionada sobre os joelhos dos lactentes com o intuito de corrigir e manter a posição adequada. descalça sobre uma superfície plana horizontal. 3. ajudando também a acalmá-lo e conter os movimentos da c abeça. Evitar que os pés e mãos do paciente toquem a superfície de apoio. sem compressão. y Crianças maiores de 2 anos: em c rianças maiores de 2 anos que já consigam permanecer em pé (sem apoio) e manter a atitude correta durante o exame. vestindo o mínimo de roupas possível. Devemos utilizar a régua antropométrica horizontal. 2. estatura/comprimento e perímetro cefálico: Técnicas de aferição: 1. A medida deverá ser efetuada com o lactente despido. A criança também deverá estar olhando para o horizonte e braços deverão ficar pendentes ao longo do corpo. Utilizar apenas um dos membros inferiores para medida do comprimento é errada. Estatura/comprimento: y Lactentes (até 24 meses): a medida do comprimento deverá ser realizada com a criança deitada sobre superfície macia e firma. com os braços estendidos ao longo do corpo. Os membros inferiores deverão ser mantidos em extensão e juntos. A superfície plantar deve ser mantida em ângulo próximo ao de 90° em relação à superfície de medição. A criança deverá ficar ereta. Perímetro cefálico: A sua medida deve ser realizada em toda a consulta pediátrica nos 2-3 primeiros anos de vida.

orelhas. tamanho. forma. temperatura. secreção. y Cabelos e pelos: implantação. fontanelas. presença de tumorações. assimetrias. forma. espaçamento entre as órbitas. envergadura. região da mastoide. acuidade visual. forma. tamanho. Cabeça. m anchas de pele e pulsações. forma. simetria das pupilas. forma e transparência das córneas. presença de craniotabes. coloração . 2.sem passar pelo pavilhão auricular. simetria. nistagmo. garganta e pescoço: y Fácies. consistência. presença de apêndices. cavidade bucal. exoftalmia. Exame físico específico: 1. assimetria facial. circunferência abdominal. edema. mobilidade. avaliação de dentes. implantação dos globos oculares. forma. implantação do pavilhão auricular. y Nariz : batimentos de asa de nariz. conformação. reflexos. expressão facial. Membros superiores: y y y y Lesões de pele Cicatriz de BCG Articulações: aumento de tamanho. crepitação. secreções nos orifícios. pulsos. movimentação dos olhos. y Linfonodos: número. palpação de glândulas salivares e tireóide. simetria. palato y Pescoço: tumorações. cor.inextensível que deverá ser posicionada sobre os pontos de referência mais proeminentes (occipício e glabela). simetria e coloração da íris. presença de tumorações. forma. olhos. exteriorização da saliva e as secreções. mobilidade e sinais inflamatórios. língua. pregas cutâneas. deformidades. Linfonodos axilares . Outras medidas antropométricas importantes em algumas situações: Segmentos corporais (superior e inferior). coloração das mucosas. crepitações. y Boca: tamanho. dor. obstrução nasal. otoscopia. lesões de pele. y Orelhas: forma e posição das orelhas. forma. tumorações. rigidez de nuca. tamanho. integridade dos lábios. gengivas. lesões da mucosa. cor e tipo y olhos: forma. coloração e aspecto da esclera e das conjuntivas. abertura. tamanho. estrabismo. tamanho e inclinação das fendas palpebrais. dor à manipulação do pavilhão auricular. nariz. mucosa conjuntival. abertura ocular. simetria. textura e distribuição dos pelos dos cílios e sobrancelhas. largura. perímetro cefálico.

calor. y Obs: Os RN e lactentes tem o coração mais horizontalizado. Evitar manobras bruscas. Ausculta cardíaca ± ritmo. localizando -se o ictus em posição mais alta. formato. manchas. Ausculta pulmonar ± murmúrio vesicular. presença de ruídos adventícios . desdobramentos . y Forma: plano. Durante a palpação do abdome da criança podemos utilizar a face palmar de alguns dedos. simetria. no terceiro ou quarto espaço intercostal esquerdo. Percussão (som claro pulmonar. presença de sopros (localização. padrão respiratório. Abaulamentos ou retrações durante movimentos respiratórios. espessura. ritmo. Procurar distrair a criança com brinquedos e conversa. macicez). forma intensidade). Aparelho cardiovascular: Aparelho cardiovascular: Precórdio ± localização do ictus cordis (localização. clicks e extra-sístoles. simetria e variação) e PA (ver valores de pressão arterial de acordo com idade e estatura) . amplitude. intensidade das bulhas cardíacas. hipersonoridade. Pulsos (frequência. evitar manobras bruscas e dolorosas no início. dor. extensão e intensidade). ligeiramente para fora da linha hemiclavicular esquerda e. tempo. Mamas: desenvolvimento. presença de frêmitos. abaulado. Tórax: y y y y y y Forma. simetria. mobilidade Expansibilidade Rosário costal Lesões de pele Aparelho respiratório: Freqüência e ritmo respiratório. Palpação do frêmito tóraco -vocal. distendido . a ICA irá se localizar entr e o quarto e o quinto espaço intercostal esquerdo para dentro da linha hemiclavicular esquerda. irradiação. Pode-se fletir as pernas da criança para facilitar a palpação profunda (promove o relaxamento da parede anterior do abdome) e também para permitir a palpação das fossas ilíacas. Manter as mãos aquecidas. 4. traumáticas nesse exame em recém -nascidos e lactentes. Iniciar com palpação superficial e aprofundar aos poucos. progressivamente.y y y y y Pulsos radiais Unhas: tamanho. Abdome: Procure ganhar a confiança da criança com atitude amistosa. uma das mãos ou até as duas mãos dependente do tamanho da criança. formato e coloração Perfusão capilar Pesquisa de reflexos Pesquisa de sensibilidade 3. dispnéia. escavado.

. pedindo ao paciente que inspire novamente. pressionar os dedos para baixo do rebordo costal direito e manter a pressão. em pé e voltado para os pés do paciente. defesa muscular. Solicit ar uma inspiração profunda e expiração logo após. quando a borda hepática inferior poderá ser sentida. turgor e elasticidade da pele. Verificar presença de tumorações e visceromegalias. dor à descompressão brusca. Percussão: timpanismo ou macicez. espaço de Traube Ausculta: ruídos hidroaéreos (peristaltismo) e sopros Pesquisa de ascite Palpação do fígado: (crianças maiores) (a) Manobra de Mathieu: examinador à direita do paciente. cicatrizes Movimentos peristálticos Circulação colateral Lesões de pele Diástase dos músculos reto abdominais Palpação superficial e profunda. Na criança menor. soluções de continuidade como hérnias. tensão da parede abdominal. se for palp ável. hérnias Massa visíveis. delimitação de vísceras. aofinal da expiração. espasmo de parede. Coloração Cicatriz umbilical: forma. secreção. reflexos. hiperemia. vendo sensibilidade.y y y y y y y y y y y y y Pesquisar presença de contraturas. palpação de vísceras profundas. a mesma manobra deve ser feita observando -se a inspiração/expiração espontânea da criança .

pressionar ao final da expiração e solicitar uma inspiração profunda. . t y Palpação do baço: (crianças maiores) (a) Paciente em decúbito dorsal e examinador do lado direito. pressionando para cima.(b) i i it i t . A esquerda deve ressi nar ngul l bocostal direito ara ci a. na (dedos aralelos ao abdômen). quando poderá ser sentida a borda inferior do baço se este estiver aumentado. lt beça aciente. ão esquerda sob o gradeado costal esquerdo. e. A -o mão direita com os dedos estendidos colocada no abdome apontando para o rebordo costal esquerdo. a inspiração. a borda inferior do fígado vem ao encontro dos dedosdo examinador. e a o direita ° com o rebordo costal.

o examinador fica do lado direito do paciente. coloca a mão esquerda no hemitórax inferior esquerdo. coloração Unhas: tamanho.(b) Posição de Schuster: quando é necessário um maior relaxamento da parede no hipocôndrio esquerdo. posicionando a sua mão esquerda sobre a nuca. e. usando a mão direita com os dedos estendidos. formato Implantação de fâneros Movimentos anormais: coréia. tiques. 5. manchas. o paciente fica em posição interemediária entre decúbito dorsal e o decúbito lateral direito. olhando para os pés do mesmo. e. (c) Uma posição alternativa é o examinador colocar -se à esquerda do paciente. fasciculações. Membros inferiores: y y y y Lesões de pele. mioclonia . pressionando -a para a frente. espessura. estende a perna direita e flete a coxa esquerda sobre o quadril. pressionar o hipocôndrio esquerdo em direção subcostal esquerda na inspiração profunda. pressiona sobre o rebordo costal esquerdo. tremores. com as mãos em garra.

forma da bolsa escrotal. temperatura Musculatura: simetria. dor. estadiamente de Tanner Palpação de Pulsos femorais. Região anorretal: y y y y y y y Coloração Secreção Tumorações. exposição da glande. maiores. Nas meninas ver tamanho do clitóris. crepitações. joelhos e pés Paciente parado: y y y y Curvaturas da coluna (escoliose. edema. curvatura dos pés Sinais inflamatórios e limitação de movimentos Paciente andando: y y Verismo e valgismo dos joelhos e dos pés Movimentos da cintura escapular e da cintura pélvica . edema. hiperemia. força muscular Pulsos pediosos e dorsal dos pés Avaliação do subcutâneo: turgor. Genitália: y y y y y y Implantação da uretra Coloração da mucosa Secreções Lesões de pele. linfonodos e tumorações em região inguinal 7. estadiamente de Tanner. mobilidade. trofismo. pelos Morfologia da genitália. palpação de testículos. tônus. simetria. meningomielocele. fístulas. lábios menores. Nos meninos ver localização da uretra masculina. forma e tamanho do pênis. cifose e lordose) Coluna: espinha bífica. linfedema Manobra de ortolani nos lactentes Sensibilidade Pesquisa de reflexos 6. Coluna vertebral. pontos dolorosos Curvatura dos joelh os.y y y y y y y Articulações: aumento de tamanho. orifício uretral e himenal. prolapso retal Lesões de pele Higiene Anormalidades da região sacrococcígea Toque retal 8. fissuras.

Ferreira R A. Souza R P. 5. 2. 3ª ed.Puccini R F e Hilário M O E. . Semiologia da criança e do adolescente.Martins M A. 2010. 2008.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.y Movimentos dos membros superiores. 2005. S emiologia da criança e do adolescente. Rio de Janeiro: MedBook.Costa M C O.Pernetta C. 3. Viana M R A. 608p. Rio de Janeiro: Revinter. 2009. Semiologia Pediátrica. Exame neurológico ± ver aula de Dra. 1990. 4. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Aurea (neurologista infantil) BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: 1. 9. Semiologia e atenção primária à criança e ao adolescente. Semiologia pediátrica. Vasconcellos M C. 2ª ed.Rodrigues Y T e Rodrigues P P B.

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