Universidade Federal de Sergipe Centro de Educação e Ciências Humanas Departamento de Letras

Disciplina: Literatura Infanto-Juvenil Docente: Mariana Salerno Discente: Natália de Jesus Silva Turma: B0 Resenha Crítica

COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas. São Paulo: Séries Princípios, 1998. A presente obra “O conto de fadas” escrita pela ensaísta, crítica literária e especialista em Literatura Contemporânea (Brasil / Portugal) e em Literatura Infantil e Juvenil Nelly Novaes Coelho infere de modo muito especial e/ ou particular o mundo fantástico das narrativas populares maravilhosas, conhecida hoje como as narrativas da literatura infanto-juvenil. Em que a constitui um profundo apanhado de conhecimento histórico, estético e crítico desses contos folclóricos através de análises de diversas obras/fontes de diferentes povos e épocas, inclusive de autores consagrados na literatura infantil, como os irmãos Grimn e Perrault e Anderson. A respeito da estrutura, o conteúdo da obra divide-se em cinco capítulos, subdivididos alguns em várias partes, facilitando a cronologia dos fatos. No primeiro capítulo “ As fadas estão de volta...” a escritora ressalta a dualidade entre a ciência e o pensamento mágico do mundo (uma explicação mítica/ sobrenatural) em que hoje se vê na necessidade de voltar a exatamente a essa “visão mágica do mundo”, com caráter mais acadêmico/ científico para se chegar as raízes dos fenômenos culturais expressos na literatura contemporânea. No capítulo 2, titulado de “As narrativas maravilhosas”, Coelho nos apresenta sua visão pessoal sobre Literatura: “é sem dúvida, uma das expressões mais significativas dessa ânsia permanente de saber e de domínio sobre a vida que caracteriza o homem de todas épocas”. Tal definição está presente e é o significado primitivo dos contos de fadas em que estão, intimamente, associados com a busca da verdade dos mitos/ da verdade humana. Neste capítulo, a autora dedica-se a explicar ao leitor a diferenciação da tipologia das narrativas maravilhosas: Contos de fadas e Contos maravilhosos, em que ambas as denominações vêem sendo utilizadas, indistintamente para as narrativas da literatura infantil. Os contos de fadas e os contos maravilhosos vão distinguir-se de acordo com as atitudes humanas por elas expressas, assim, o primeiro conto caracteriza-se por possuir o núcleo problemático a realização do herói ou heroína em relação a união amorosa, já os contos maravilhosos têm como eixo gerador uma problemática social, o desejo de auto-realização do herói no campo econômico. O terceiro capítulo “ As fontes” é o mais extenso, divido em três partes: fontes orientais, fontes célticas e fontes européias. Descreve o panorama histórico das narrativas maravilhosas e as finalidades de tais histórias para distintas sociedades em diferentes épocas. Para isso, a autora utiliza diversos registros/fontes, conhecimento históricos de povos (os celtas) para relatar a origem desses contos, suas semelhanças apesar da diferenças geográfica e temporal (como a imagem negativa da mulher presente inicialmente manuscritos egípcios – Os dois irmãos - em fontes célticas e também encontramos na Idade Média nas fontes européias) e também as mudanças estéticas ocorridas com o tempo. Segundo ela, os contos clássicos infantis têm sua origem oriental, no quais, foram integrados no folclore de todas as nações do mundo ocidental principalmente a partir da Idade Média e eram destinados para o publico adulto. Entre as fontes orientais destacadas e analisadas no livro, devido a grande repercussão na cultura ocidental e por ter eixos temáticos e construções embrionárias, tem-se: a coletânea Calila e Dilmna, Os dois irmãos, Sendebar ou O livro dos enganos das mulheres e com mais detalhamento a

As novas Tecnologias e Educação. Como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian Na verdade. crítica literária e especialista em Literatura Contemporânea (Brasil / Portugal) e em Literatura Infantil e Juvenil. E assim. A literatura maravilhosa ao encenar a complexidade dos problemas da vida torna-se um modelo exemplar para revelar as conexões entre Literatura Infantil. que se apresentavam sob forma de mulher. funcionando assim. acabando o caráter anonimato das narrativas. segundo Nelly Novaes Coelho (1982). da existência histórica dos celtas para o surgimento dos romances e narrativas maravilhosas dos bretões (primeira célula dos contos de fadas). das conjunturas sócio-políticoeconômicas. podendo assim contribuir para a formação harmoniosa do leitor. Para além disso. cujo estudo e pesquisa estiveram sob a orientação do Prof. de grande beleza. principalmente. nos lais da Bretanha e nas novelas de cavalaria do ciclo arturiano. podemos dizer . Ao relatar a história do povo céltico. isto é. Ensaísta. Dr. 1964-1967) pela mesma universidade. estas como “seres fantásticos ou imaginários. mostrando “a absorção e transformação da matéria inaugural” em que privilegia a criatividade e o talento do autor. a passagem do real para imaginário. Nelly Novaes Coelho é graduada em Letras Neolatinas (1959) pela Universidade de São Paulo e doutora em Letras (Literatura Portuguesa. virtuosas. não apenas a partir da coletividade. a autora explica presença das fadas na literatura cortesã-cavaleiresca surgida na Idade Média. em que fica evidente. mas também a partir das mudanças e transformações de cada um: o caminho a que Jung denominou processo de individualização. As fontes célticas caracterizam-se. existem saídas para o ser humano. Esse tipo de texto responde a uma necessidade dos jovens leitores. como uma “porta que se abre para determinadas verdades humanas”. dotadas de poderes sobrenaturais que interferem na vida dos homens”. seja ele criança ou jovem. ao surgimento das fadas. Apesar das circunstâncias externas. Coelho compara a história real com as produções literária desses povos. abrindo caminhos para a reflexão e equilíbrio interior. se entendermos que formula a discussão dos conflitos humanos de um modo significativo. As fontes européias são construídas a partir do Renascimento e vão se configurar novas coletâneas de narrativas.coletânea As mil e uma noites. pelos quais a psique se manifesta. os contos maravilhosos são registos simbólicos. visto contribuir para a formação da sua identidade. Antonio Soares Amora.