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Relatorio Final

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  • 1.2 - Estudo e Análise da Instituição
  • 1.3- Serviço Social na instituição
  • 3-SISTEMÁTICA DE OPERACIONALIZAÇÃO
  • 4-AVALIAÇÃO
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Relatório de Estágio Supervisionado em Serviço Social I, II e III

Relatório Final de Estágio Supervisionado I, II e III, apresentado às disciplinas Laboratório de Ensino da Prática III e Estágio Supervisionado em Serviço Social III, como um dos requisitos à obtenção do grau de bacharel em Serviço Social.

“A persistência é o caminho do êxito”. (Charles Chaplin)

Quadro de Detalhamento de Despesas SEMASC.Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres DEAM.Centro de Atenção Psicossocial COPLAN.União Brasileira de Mulheres .Centro de Referência da Assistência Social CREAS.Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania SUAS.Secretaria Especial de Política para as Mulheres UBM.Política Nacional de Assistência Social QDD.Instituto Médico Legal MDS.Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher IBGE.Sistema Único da Assistência Social SPM.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IML.LISTA DE SIGLAS CAPS.Programa de Proteção a Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte PNAS.Coordenadoria de Planejamento e Gestão CRAS.Organização Não Governamental PPCAM.Centro de Referência Especializado da Assistência Social CPPM.Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome ONG.

.......................................................................3-Serviço Social na instituição ..........................................................................................................78 APÊNDICES ......................................................................................................................11 1..................16 1.....................................................66 4-AVALIAÇÃO ...........................SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................................1-As expressões da questão social e a política objeto da instituição .......................11 1..........................................................09 CAPÍTULO I 1-CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTÁGIO .................................................................................................................................96 ..54 CAPÍTULO III 3-SISTEMÁTICA DE OPERACIONALIZAÇÃO ......................................................76 ANEXOS ...........................................................................................................................................................................69 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................2-Estudo e análise da instituição........74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................41 CAPÍTULO II 2-PROJETO DE INTERVENÇÃO ............

br I.IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO NOME: Monique Elen Rodrigues de Araújo Oliveira PERÍODO: 10º período E-MAIL: monique.PERÍODO DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO • Agosto de 2009 a Dezembro de 2010 .br III.br / monique.ufs. S/N Bairro: Rosa Elze São Cristóvão–Sergipe CEP: 49.031.IDENTIFICAÇÃO DA UNIDADE DE CAMPO DE FORMAÇÃO E DA INSTITUIÇÃO INSTITUIÇÃO: Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania-SEMASC ENDEREÇO: Rua Frei Luiz Fernando de Noronha.135 horas • Estágio Supervisionado III.elen@tjse.195 horas IV.social@aracaju.CARGA HORÁRIA TOTAL DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL • Estágio Supervisionado I-120 horas • Estágio Supervisionado II.IDENTIFICAÇÃO INSTITUIÇÃO: Universidade Federal de Sergipe ENDEREÇO: Av.ufs@gmail.gov.jus.100-000 CNPJ: 13.547/0001-04 TELEFONE: (79) 2105-6600 SITE: http:// www. Marechal Rondon.com.FOLHA DE IDENTIFICAÇÃO I. 42 Conjunto Costa e Silva CEP: 49075270 Aracaju-SE TELEFONE: (79) 3218-7816 EMAIL: assistencia.se.br II.

bem como das demandas institucionais. com vistas a preservar o sigilo institucional do local e de seu público alvo. possibilitando a concretização da finalização do curso de Serviço Social com a proposta interventiva na instituição objeto de estudo. remetendo sempre ao efetivo encaminhamento. em que é evidenciada a atuação do assistente social junto à realidade posta em seu cotidiano. INTRODUÇÃO O presente relatório intitulado Estágio Supervisionado em Serviço Social I. O estágio é um espaço privilegiado para o contato direto com os usuários e a Política de Assistência Social. A partir daí são lançadas as possibilidades para solucionar as inquietações observadas no espaço do campo de estágio.ª Núbia Marques/Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania-SEMASC ENDEREÇO COMPLETO: Não declarado* *Devido a natureza de atendimento da Casa-Abrigo. visto que constitui o momento de ampliação de conhecimento e apreensão das técnicas necessárias ao profissional que necessita de um extenso arcabouço teórico para ler as entrelinhas das demandas emanadas diariamente. a prática com o respeito à ética profissional e aos direitos dos seus usuários. . II. II e III tem o objetivo apresentar as atividades desenvolvidas durante o estágio curricular. ou seja. II e III. NOME DO CAMPO DE FORMAÇÃO/INSTITUIÇÃO: Casa-Abrigo Prof.IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO I. que foram devidamente acompanhadas pela disciplina Laboratório do Ensino da Prática I. correlacionando a teoria com a prática por meio de uma leitura da realidade de cada usuário. Trata-se de um trabalho que traz em seu bojo as dimensões técnico-operativas da profissão. As quais se destinam a abordar as observações técnicas utilizadas pelo assistente social. não é autorizada a divulgação do endereço. pois é o momento em que os discentes podem observar a prática de sua futura profissão. A experiência de estágio é um momento de muita expectativa.

Já no segundo capítulo.9 No âmbito da violência doméstica perpetrada contra a mulher. as informações contidas neste relatório serão de grande utilidade a sociedade e ao meio acadêmico. Por isso possui endereço sigiloso. devido à natureza a qual se destina. tem desenvolvido o papel de salvaguardar a integridade física e psíquica das usuárias. Diante do crescimento de ações contra a violência. a Casa-Abrigo Profª Núbia Marques destinada ao acolhimento de mulheres em situação de violência doméstica. atravessando as barreiras de algo privado e sem a intervenção do Estado. houve um grande avanço no seu enfrentamento. Neste sentido o trabalho será desenvolvido em duas partes: o primeiro capítulo com a contextualização do estágio através das expressões da questão social e a política pública objeto da instituição. com o inicial planejamento e sistematização das ações para solucionar o problema identificado no campo de estágio e em seguida a avaliação dos resultados. e por fim o Serviço Social na Instituição. também foram instituídas as Casas-Abrigos por todo território brasileiro. . Em Sergipe. em seguida será apresentado o estudo e análise da instituição. por ser o primeiro documento que retrata as ações da instituição. além das propostas de políticas voltadas para as mulheres. Constituindo a primeira abertura institucional para o desenvolvimento de estágio. principalmente após as manifestações do Movimento Feminista na década de 1980. serão postos o projeto de intervenção. pois a partir desse momento a violência passou a ser considerada um problema público.

visto que uma detém os meios de produção e outra se submete à venda de sua força de trabalho como meio de subsistência.1 . O projeto neoliberal é atribuído aos mínimos sociais. é . Para a autora Iamamoto (2001). levando-se em conta o processo de apropriação privada da produção coletiva.As expressões da questão social e a política pública objeto da instituição A questão social é a base de atuação do Serviço Social como especialização profissional. sendo alienado no cerceamento do conhecimento. principalmente para o minoramento das refrações da questão social. das perspectivas de universalidade. um atendendo o neoliberalismo e outra mais universalista. o qual passa a ser fragmentado em etapas. constituindo uma ameaça a classe dominante. tendo em vista as refrações e as conseqüências por ela desencadeadas. ou seja. a redução dos gastos sociais em detrimento dos econômicos. acirra-se a luta entre os que defendem a restrição de direitos já conquistados ou a serem solicitados e os que primam pela manutenção da universalização dos direitos. sem a regressão das conquistas adquiridas ao longo dos anos. sendo esta produto de uma relação desigual entre as classes sociais. Pode-se afirmar que a questão social é resultante da correlação de forças entre Capital x Trabalho. sem corte dos direitos. ou seja. o trabalhador passa a não possuir a matéria-prima necessária para confecção do produto como um todo.10 CAPÍTULO I I. ou seja. a análise da questão social é indissociável das configurações assumidas pelo trabalho e encontra-se necessariamente situada em uma arena de disputas entre projetos societários de classes distintas. enquanto uma disfunção ou ameaça à ordem e a coesão social. A partir deste momento o Estado é cobrado a intervir diretamente nas expressões da questão social. na perspectiva sociológica. Já o projeto mais universalista prima por uma política social para todos.CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTÁGIO 1. é o Estado mínimo para o social e máximo para a economia. gerando cortes em políticas sociais. a questão social é vista. Segundo Iamamoto (2001). A partir da correlação de forças entre projetos distintos.

levando-se em conta os que ainda tinham postos de trabalhos. a expressão questão social surgiu para dar conta do fenômeno mais evidente da história da Europa Ocidental que experimentou os impactos da primeira onda industrializante. De acordo com as idéias de Netto (2001). visto a não divisão dos lucros entre os que detêm a matéria-prima e os que detêm a mão de obra. ser objeto de uma intervenção política limitada [.]. através da luta dos operários por melhores condições de trabalho e de uma vida digna. Entre os pensadores laicos. desempregados. As diversas formas por ela criadas não se diferenciaram dos outros lugares do mundo.) de características inelimináveis de toda e qualquer ordem social. passou a ser designada enquanto questão política. com o pauperismo. ou seja. visto o aumento significante das mazelas sociais. como desigualdade social e correlação de forças entre duas classes distintas. Algumas refrações da questão social são citadas pelos pensadores laicos. 43-44) Em decorrência da questão social acirrada pelo sistema capitalista. resultantes do modo de produção capitalista.. entretanto de forma camuflada em meio ao processo de industrialização sob um controle bemarticulado de importadores e empresários vinculados ao capital estrangeiro. Para Acoverde (1999). as manifestações imediatas da “questão social” (forte desigualdade. A questão social é vista pelos autores como objeto de intervenção.11 neste contexto que o Estado passa a ser responsabilizado. exigiu a intervenção das autoridades estatais nas questões trabalhistas e criação de órgãos públicos para o seu enfrentamento. a situação da massa operária passou a sofrer com a precarização do trabalho. Notou-se que era um fenômeno novo e que a pobreza crescia na razão direta em que aumentava a capacidade social de produzir riquezas.. (NETTO. que através do capitalismo trouxe a pauperização dos trabalhadores. desamparo frente a conjunturas econômicas adversas etc. Segundo Mota (2008). a exemplo o Ministério do Trabalho e a Consolidação das Leis do Trabalho-CLT. a expressão questão social foi utilizada para conceituar o reconhecimento político da desigualdade social em detrimento da classe burguesa. isto é. 2001. como indica Netto. iniciada na Inglaterra. que ao mesmo tempo em que gera riquezas também gera a pobreza. que podem. penúria. fome. a questão social surgiu no Brasil no final do século XIX. desemprego. . com condições insalubres nas grandes fábricas e com salários ínfimos em comparação a labuta diária. no máximo. visto que muitos estavam no cadastro industrial de reserva. doenças. que ultrapassa o privado ao público. a questão social no Brasil. p.

BOSCHETI. tudo em nome da manutenção da ordem. Após anos em âmbito privado a violência doméstica passou a ser caso público. mas também pelo risco pessoal e social ao qual são expostas. algumas expressões da questão social foram amenizadas. não só pelo histórico de submissão e desigualdade perante a visão do homem. Entretanto. O surgimento das políticas sociais foi gradual e diferenciada entre os países. A violência contra a mulher é mais uma expressão da questão social. No caso específico da violência doméstica perpetrada contra a mulher. greves e protestos. responsável pelo debate aberto sobre a violência doméstica. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Belém do Pará em 1994). com a criação da rede de atendimento às mulheres em situação de violência em todos os estados brasileiros. A exemplo da aprovação do I Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres. idosos e mulheres. não são desconsiderados os casos de violência cometidos contra os homens. Para enfraquecer a mobilização dos sindicatos e dos representantes sociais. 2008. envolvendo passeatas. após a Carta Magna as mulheres puderam dar um passo a cidadania. mas o grupo citado está mais propenso a sofrer essa violação de direitos. a política social foi lenta e gradual. p. Segundo Behring e Boschetti. também estão presentes na alta sociedade. que a partir da década de 1970 com o movimento feminista foi aflorada. sob o comando da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres. Foram concedidos alguns espaços para tratar a problemática. com . com políticas voltadas ao combate da prática da violação de direitos. e das correlações e composições de força no âmbito do Estado. adolescentes. mas elas ainda são encontradas nas camadas sociais de menor poder aquisitivo. tendo em vista o histórico de vulnerabilidade social encontrado nos episódios brasileiros e até mesmo nos estrangeiros. do grau de desenvolvimento das forças produtivas. tanto sociais quanto da classe trabalhadora. De fato. foram concedidos alguns benefícios. a exemplo a violência doméstica contra crianças. 64) No caso brasileiro houve a organização de diversos movimentos. (BEHRING. cobrando das autoridades uma posição com relação a punição dos agressores e erradicação dos casos.12 Para o enfrentamento da mesma foram criadas as políticas sociais como resposta às manifestações multifacetadas apresentadas nas relações de exploração do capital sobre o trabalho. dependendo dos movimentos de organização e pressão da classe trabalhadora. O grande marco do início de políticas voltadas ao combate à violência contra a mulher no Brasil foi a realização da Convenção Interamericana para Prevenir.

com o mecanismo das Medidas Protetivas de Urgência e transferência de vítimas para outro Estado ou País. mas os laços familiares ainda não foram rompidos. Defensorias Públicas.340/2006 (Maria da Penha) em seu Capítulo III artigo 11. ação prevista na Lei 11. que consistem em definir ações voltadas para a prevenção de riscos sociais e pessoais e no combate em casos em que já existe a violação de direitos e vínculos familiares fragilizados ou rompidos. Já o outro nível é a alta complexidade. As orientações jurídicas passaram a ser realizadas pela Defensoria Pública. destinada aos casos de violação de direitos. bem como os procedimentos do PPCAAM2. . 1 Permaneceu na instituição até a realização do concurso promovido em 2010 pela Prefeitura Municipal de Aracaju para ocupação de cargos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania. No campo da Assistência Social houve a criação da Política Nacional de Assistência Social-PNAS e do seu mecanismo de gestão. As medidas protetivas de urgência consistem em petições realizadas pelo Ministério Público em favor da vítima de violência doméstica ou pela própria ofendida. A Casa-Abrigo possui um assessor jurídico1 encarregado de realizar os atendimentos. visto à necessidade de proteção a criança testemunha de extermínio de sua família na cidade em que residia. A Casa-Abrigo Professora Núbia Marques é um serviço de alta complexidade que oferece as mulheres vítimas de violência um local seguro para ficar após ser agredida ou ameaçada de morte. As atividades da Casa-Abrigo estão em consonância com a Lei Maria da Penha. que atua sob dois níveis. com caráter preventivo e a proteção social especial direcionada ao Centro de Referência Especializado da Assistência Social-CREAS. Casa-Abrigo. a média complexidade. acompanhamento em audiência de mediação de conflito e encaminhamento de medidas protetivas de urgência a 11ª Vara Criminal do Fórum Gumersindo Bessa. dentre outros. A proteção social básica direcionada ao Centro de Referência de Assistência Social-CRAS. o Sistema Único de Assistência Social-SUAS.13 a implementação de serviços especializados. em que há violação de direitos. ela prevê um atendimento especializado a mulher vítima. foram criados os níveis de proteção. 2 É importante ressaltar que o programa citado só foi utilizado uma vez pela instituição. até que as providências cabíveis sejam realizadas por meio da justiça. no qual a autoridade policial tem como competência fornecer transporte da ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro. por meio do Programa de Proteção a Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte-PPCAAM. estas devem ser encaminhadas a justiça para que o Juiz no prazo de 48 horas possa tomar as providências cabíveis de acordo com o caso. Para o desenvolvimento da política. como: Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM’s). mas com a inexistência de vínculos familiares. Centro de Referências.

se houver a necessidade de solicitação das Medidas protetivas de urgência. A transferência de vítimas por meio do PPCAAM. é solicitado quando os responsáveis pela criança ou adolescente. além da restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores e freqüentação de lugares afins que a vítima costuma ir. a criança junto à mãe ou responsável é encaminhada para um local seguro. Tem por objetivo resguardar a integridade física e psíquica de crianças e adolescentes ameaçados. afastamento do lar. proibição de comunicação com a vítima por qualquer meio de comunicação. de seus familiares e das testemunhas. Após os procedimentos judiciais.14 Após atendimento jurídico é analisado o caso de cada usuária. o agressor deverá assumir as obrigações com relação ao pagamento de pensão alimentícia aos filhos de menor idade. Entretanto é necessária a realização de relatório psicossocial minucioso do caso. o PPCAAM só pode ser encaminhado pelos órgãos acima citados. domicílio ou local de convivência com a ofendida. procedimento providenciado pelo órgão competente.2 .Estudo e Análise da Instituição Histórico3 3 Os dados contidos no histórico foram cedidos pela instituição. inclusive com a mudança de nome. em plena concordância com a Coordenação. os documentos são providenciados em tempo hábil. com a determinação de cem metros de distância. proibição de aproximação da ofendida. 1. . podendo ser outro Estado ou País. com a proposta de uma nova vida. A solicitação de inserção no programa deve ser realizada pelo Ministério Público. As medidas protetivas incidem em: suspensão da posse ou restrição do porte de armas. Diferente das Medidas Protetivas de Urgências que podem ser solicitadas pela ofendida. Poder Judiciário ou Conselhos Tutelares. É importante ressaltar que mesmo com as medidas. estão sob ameaça de morte.

já que tratavam de inúmeras questões. dentre elas a população em situação de rua. Atuava nos estudos de comunidades. membro da Academia Sergipana de Letras e Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe. a mulher é atendida dentro da instituição. que tem por incumbência identificar o nível de periculosidade do caso ou até mesmo o estado físico e psíquico da mulher. Nasceu na cidade de Aracaju em 21. no âmbito da Proteção Social Especial que é dirigido ao atendimento de situações em que há violação de direitos.12. Como citado anteriormente a Casa-Abrigo é integrante do Sistema Único da Assistência Social.1999. Foi exemplo de força através da realização de denúncias e organização de movimentos pela Anistia em Sergipe na época da Ditadura Militar.15 A Casa-Abrigo Professora Núbia Marques4 foi criada em dezembro de 2002 e inaugurada em fevereiro de 2003. situado a Rua São João S/N Bairro: Santo Antonio. articulados na rede de proteção social especial com as demais políticas públicas e as instituições que compõem o Sistema de Garantia dos Direitos. cujos serviços não eram especializados. tendo em vista o fim do convênio com a União Brasileira de Mulheres.08. . que prioriza a construção de novos modelos de atenção e/ou abrigamento dos indivíduos que não contém mais a proteção e o cuidado de sua família. Por meio do serviço de alta complexidade. a Casa-Abrigo passou a ser administrada pela Secretaria Municipal de Assistência Social com recursos do governo federal. Antes da inauguração da Casa-Abrigo. 5 Para que a vítima seja acolhida é realizado o agendamento dos atendimentos de acordo com a necessidade apresentada. Em janeiro de 2008. ficcionista. a escolha é analisada pela equipe técnica. de mulheres trabalhadoras e da igualdade de gênero. A porta de entrada. que se constitui em uma unidade pública municipal de proteção de serviços especializados e continuados à família e indivíduos que têm seus direitos violados. ou seja. caso contrário. 4 Professora Núbia Marques foi poeta. não estavam direcionados a um público definido. por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania-SEMASC e a União Brasileira de Mulheres do Estado de Sergipe-UBM. as mulheres eram encaminhadas para outros abrigos públicos.1927 e faleceu em 26. Os atendimentos5 podem ser realizados no próprio abrigo ou no CREAS. ou seja. Caso seja constatado risco de morte e lesões mais atenuadas. o órgão responsável por realizar a comunicação com a CasaAbrigo é o CREAS São João de Deus. o atendimento e realizado no CREAS. a partir de convênio entre a Prefeitura Municipal de Aracaju. local onde são ofertados serviços de média complexidade e encaminhamento aos serviços de alta complexidade.

Depois de tomadas as medidas cabíveis. Disponível em: http://pt. o que abrange o território ao qual a vítima reside.CRAS de abrangência. que por sua vez aciona o CREAS São João de Deus para que seja realizado o acolhimento. 7 O corpo de delito é em essência o próprio fato criminal. Se após o acolhimento a equipe do CREAS São João de Deus diagnosticar a necessidade de risco de morte e violência. Acesso de 19 de julho de 2009. Caso a vítima possua um lugar seguro para ficar.org/wiki/Corpo_de_delito.16 A dinâmica de atendimento a mulher6 é posta através do fluxograma de atendimento que pode ser realizado de três maneiras: a primeira consiste quando a vítima procura a delegacia. É importante salientar que o processo é continuado por meio da comunicação entre a vítima e a delegacia. emitido pelo Instituto Médico Legal-IML. temporalidade. com o acompanhamento da Coordenadora. . Após o abrigamento é realizado o exame de corpo de delito7 ou conjunção carnal8. até que não exista mais risco de morte ou de agressão. e efetua o boletim de ocorrência. sobre cuja análise é realizada a perícia criminal a fim de determinar fatores como autoria. seja ela especializada ou não. que ficará responsável pela integridade física e psíquica da vítima.wikipedia. Entretanto a usuária passa por atendimento psicossocial do CREAS São João de Deus que emite o encaminhamento da mesma ao Centro de Referência de Assistência Social. caso a vítima não tenha um local seguro para ficar. é acionada a Casa-Abrigo Professora Núbia Marques. extensão de danos. 8 O exame de conjunção carnal é realizado para atestar a relação sexual. o abrigamento não é realizado. é efetuado o desligamento do abrigo com o encaminhamento para o CRAS de referência. Para melhor ilustrar segue o gráfico: FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO Nº 01 6 Informações retiradas do Trabalho de Conclusão de Curso: O Sistema de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica da Casa-Abrigo Professora Núbia Marques. Assistente Social ou estagiária de Serviço Social. isto é.

a mulher é dirigida a Delegacia para realizar o boletim de ocorrência. bem como o exame de corpo de delito.17 Gráfico 1. é encaminhada ao local. é acionada a polícia para o afastamento do agressor do lar. 2009 . a usuária é encaminhada ao CRAS de abrangência. que ficará responsável pelo acompanhamento do caso. Neste período a usuária será acompanhada pela equipe do CREAS que fará os atendimentos cabíveis. Após o encerramento do risco de morte. Entretanto deverá prestar o boletim de ocorrência para prosseguimento do caso. em caso positivo. Caso não exista um local seguro para ficar.Fonte: Casa-Abrigo. Não sendo viável esta ação. se constatada a agressão. Se for constatado no CREAS que a vítima tem possibilidade de retornar para residência.Fonte: Casa-Abrigo. e é encaminhada para o CREAS de referência. 2009 A segunda forma do fluxograma consiste quando a vítima procura o CRAS. Segue abaixo o segundo fluxograma de atendimento: Gráfico 2. Conselho Tutelar ou UBS. para ser acolhida. CREAS. é encaminhada a Casa Abrigo. há a investigação se a usuária possui familiares que possam disponibilizar um local seguro. após serem tomadas as medidas cabíveis é realizado o desligamento da vítima. sociais e jurídicos. viabilizando os atendimentos psicológicos. que é encaminhada ao CRAS de abrangência para prosseguimento do atendimento.

através de medidas protetivas solicitadas na 11ª Vara Criminal do Fórum Gumersindo Bessa. é providenciada a transferência para a Casa-Abrigo com objetivo de dar continuidade nos procedimentos cabíveis. Após o acolhimento da equipe. há o encaminhamento à Delegacia para realizar o boletim de ocorrência. CREAS. Conselhos. cujo papel será de acompanhar o caso através de visitas domiciliares.Abrigo no território nacional ou para residência de familiares. possua local seguro para ficar. Caso a usuária. visto que há o acompanhamento da equipe.18 A terceira forma de atendimento a vítima de violência consiste quando a mulher por demanda espontânea procura o CREAS. que ao diagnosticar o fim do risco de morte e de outras agressões a encaminha ao CRAS de abrangência. visto que é uma condicionalidade para o acesso à Casa-Abrigo Professora Núbia Marques. momento em que a vítima retorna a residência. juntamente com filhos/as menores de idade. Entretanto o vínculo com o CREAS não é perdido. seja pelo CRAS. Unidades Básicas de Saúde. . com objetivo de garantir a integridade física e psicológica do público em questão. ao realizar o boletim de ocorrência. bem como realiza a transferência de usuárias para outra Casa. De acordo com o fluxograma a mulher em situação de violência possui várias maneiras para acionar o serviço de abrigamento. e tem por finalidade acolher mulheres vítimas de violência doméstica e que estão sob ameaça de morte. é efetuado o desligamento da vítima com o devido encaminhamento ao CRAS de abrangência. bem como o resgate da autoestima. A partir desse contexto agressor é afastado do lar. é providenciado o encaminhamento da mesma ao local devidamente escoltada pela polícia. visando o fortalecimento dos laços afetivos. Após serem tomadas as providências. Caso seja constatada a necessidade da vítima ser abrigada. Finalidade e Objetivos A Casa-Abrigo possui endereço sigiloso. que é um procedimento utilizado quando a vítima já não possui condições de permanecer no Estado de origem. Entretanto é importante salientar que independente da porta de entrada da vítima ao serviço. a Casa-Abrigo também recebe usuárias provenientes de outros Estados e Cidades. dentre outros. é necessário que antes seja prestado o boletim de ocorrência. Fora do fluxograma ora apresentado.

A norma de sigilo é uma exigência para o funcionamento de qualquer Casa-Abrigo no território brasileiro. que deverá dar suporte as ações da instituição. são identificadas algumas situações de rompimento dos laços afetivos. já que o tempo máximo para acolhimento é de três meses. realizamos o custeio da transferência para outros Estados ou Cidades. Em caso positivo. irmãos e filhos. geralmente não possuem o apoio dela. Caracterização /perfil da população usuária atendida pela instituição 9 Composta pelos genitores. Quando há o apoio da família o abrigo faz um contato prévio para localizar algum parente que possa oferecer um local seguro para que a usuária possa restabelecer as condições básicas para uma vida normal. . caracterizados pela Proteção Social Especial-SUAS. Por isso é corriqueiro que as usuárias da Casa-Abrigo apresentem um histórico de estranhamento com a família de origem9. A falta do apoio familiar além de prejudicar a dinâmica de relacionamento da usuária. como: a não divulgação de endereço em listas telefônicas ou em outros indicadores públicos. Essa vítima é acolhida pela instituição quando está sob ameaça de morte e não tenha um local que possa assegurar a sua integridade física e psíquica. É importante ressaltar que a Casa-Abrigo é uma medida protetiva de urgência. nos meios de comunicação social e a mudança de endereço a cada ano. item assegurado desde o firmamento do convênio entre a justiça e a Prefeitura de Aracaju. que oferece a vítima de violência doméstica um local seguro durante um período e por isso as ações e encaminhamentos devem ser realizados em tempo hábil. Para a manutenção deste são tomadas algumas precauções. seja por vontade própria ou por conta de uma série de conseqüências provenientes de uma má convivência.19 O sigilo é uma norma do Ministério da Justiça. tendo em vista que o trabalho da Casa-Abrigo é direcionado a reinserção familiar. Dentre os atendimentos. para garantir a segurança das abrigadas e da equipe de profissionais. Demandas atendidas pela instituição A demanda existente na Casa-Abrigo é proveniente dos casos em que há a identificação da violência doméstica contra a mulher. também dificulta para o desenvolvimento de uma solução em tempo mais hábil nos casos atendidos.

o tipo de violência mais usual.52%. o tempo de convivência com o agressor. A cor/raça predominante entre as usuárias é a parda com 59.00% Fonte de dados: Casa-Abrigo.00% 10.55% 6. como: origem da vítima. as de cor/raça negra representam 23. ou pelo menos. sendo 144 mulheres. 97% e por fim as não declaradas com 1. Para a caracterização do perfil dos usuários da instituição.20 De acordo com o público apresentado o número de atendimentos realizados de janeiro de 2006 a setembro de 2009. a faixa etária. 38%. a cor/raça.86%. qual a localidade é mais frequente nos atendimentos solicitados. 10 Informações retiradas do Trabalho de Conclusão de Curso O Sistema de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica da Casa-Abrigo Professora Núbia Marques. o estado civil. bairros e conjuntos da Cidade de Nossa Senhora do Socorro com 5. 2009. mais divulgado em áreas de menor poder aquisitivo. ou seja.25% 21. 193 crianças e 11 adolescentes10. o quadro econômico.61% das atendidas e as declaradas brancas com 15.25%.00% 20. as condições de moradia. foram consideradas algumas variáveis.00% 25. o número de filhos. as usuárias atendidas são provenientes de comunidades da zona norte e da grande Aracaju.86% 1 5.55% e por fim o bairro São Conrado com 4.52% SÃO CONRADO NOSSA SENHORA DO SOCORRO SANTOS DUMONT SANTA MARIA 0. Santos Dumont com 6. Os dados apontam que os casos de violência são mais frequentes.02%. A realidade apresentada abre a inferência podem ser visualizados no gráfico abaixo: GRÁFICO Nº 04 ORIGEM 4. a profissão/origem da renda e por fim a averiguação dos casos em que as mulheres são usuárias de substâncias psicoativas. o nível de escolaridade. o tempo de permanência que predomina no abrigo. De acordo com os dados obtidos na instituição. .00% 15. destacando o maior fluxo no bairro Santa Maria com percentual de 21.00% 5. foram contabilizados: 348 acolhimentos.

É importante ressaltar que caracterização da cor/raça é realizada pelas usuárias atendidas. na anulação da mulher como sujeito de direitos.00% 40.02% NÃO DECLARADA PARDA BRANCA NEGRA 0. principalmente pela baixa autoestima que adquirem ao longo de relacionamentos pautados na submissão.61% 59.38% 1 15. Não há dúvidas que as mulheres pardas e negras sofrem mais com a violência doméstica.00% Fonte de dados: Casa-Abrigo. ou seja. o que abre a discussão sobre a tentativa de fuga por mais uma forma de violência é que o racismo.00% 20. seja por meio do boletim de ocorrência ou através do formulário de atendimento da instituição.21 GRÁFICO Nº 05 COR/RAÇA 1. mas não se reconhece como tal. são negras.00% 60.00% 80.97% 23. ato ainda disseminado em nossa sociedade. 2009. Outro ponto a ser destacado é que a maioria que se declaram parda. GRÁFICO Nº 06 .

É importante dizer que as usuárias atendidas geralmente são mães muito jovens. Ao desempenhar a função de mãe. o número de filhos apresentado pelas usuárias atendidas foi: dois filhos. o que dificulta a continuidade dos estudos. de certa forma.52% e. representadas pelo percentual de 68. Isso demonstra que a natalidade entre elas. há uma mudança significativa na vida da mulher. apenas um filho 19. Segundo o gráfico 06.44%. A partir do nascimento do filho. Entretanto é imprescindível analisar que a dificuldade financeira e o número de filhos influem sobre a permanência da mulher na relação de violência. abandonam a escola por motivo de ciúmes do companheiro ou por ter que cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos. 2009. se mantém controlada. Entre os atendimentos foi constatada a defasagem na educação básica das usuárias. sem ao menos completar o ensino básico (fundamental e médio). fazendo com que abdique da formação.05% não chegam a concluir o Ensino Fundamental. tendo como justificativa os cuidados requeridos por uma criança. haja vista a dependência econômica gerada pela sua exclusão no mercado de trabalho.77%. três filhos 21. a maioria delas. na terceira posição.22 Fonte de dados: Casa-Abrigo. representando 27. GRÁFICO Nº 07 .

já que 57. 2009. recai a realidade de não ter onde morar. GRÁFICO Nº 08 CONDIÇÕES DE MORADIA NÃO POSSUI CASA (MORA NA RUA) 12. 2009.00%40. ou seja.05% 34.00% OCUPAÇÃO SUBNORMAL CASA CEDIDA 0. da negação da sua própria identidade.23 Fonte de dados: Casa-Abrigo. o que não garante uma renda que as tornem independentes.00% 10. visto que ao pensar em separação. para prover seus próprios custos básicos. causando desajustes na convivência do casal.02% 43. Passam a suportar os atos de violência em troca de moradia e alimentação.72% CASA ALUGADA CASA PRÓPRIA 0. A condição de moradia incerta também constitui um fator de dependência da mulher para com o homem. A condição de moradia predominantemente é a de aluguel. ou seja.50% 1 9. A mulher se vê presa nos grilhões da submissão.00%50.69% Fonte de dados: Casa-Abrigo. .00%20. essa é uma realidade entre as assistidas pela Casa-Abrigo.00%30. o companheiro.63% delas são donas de casa e outras que prestam serviços esporádicos a terceiros. com 43.05% o que compromete a maior parte da renda familiar.

há a não aceitação dos companheiros em oficializar judicialmente a união e comitantemente a coninvência dessa mulher em aceitá-la. pela imposição da força. Outro agravante está na interrupção da infância para ajudar na renda familiar e por fim casam muito cedo por entender que o matrimônio constitui uma chance de mudar de vida. mas ao ser realizada a análise do histórico de vida das usuárias. ao ensino fundamental e médio. apresentadas por socos. é uma situação que envolve a política de habitação. arranhões. pontapés. torturas e perseguição. ou seja. . Geralmente apresentam a faixa etária entre 20 a 25 anos e convivem no regime marital. O perfil é de mulheres que não tiveram acesso a educação básica. ainda no seio familiar. principalmente pela realidade brasileira em que a boa parte da população não possui uma casa própria. ação que é determinada pelas vias de fato. já que requer uma intervenção em curto prazo.24 A situação de moradia entre as usuárias é bastante preocupante.44%. A realidade reafirma ainda mais a questão da falta de diálogo entre os casais. uma vez que a política de assistência social não tem como resolver esse problema. sem a oficialização judicial. O diagnóstico realizado no perfil das mulheres atendidas pela Casa-Abrigo evidencia que as agressões são predominantemente a física e psicológica com 19. ou seja. mordidas. de normatização de lei que garanta o seu desenvolvimento e trace as diretrizes de como reger os primeiros passos rumo à regularização de ocupação subnormais. que ainda é nova em termos de regulamentação. A faixa etária predominante entre as vítimas mostra que elas passam a sofrer violência numa etapa da vida em que estão aptas para o mercado de trabalho. é posto à tona os casos de privação de direitos que são iniciados na infância. de ser independente dos pais. do pai para o marido. o que acaba sendo totalmente contrário. não há um consenso entre eles. Outro ponto a ser destacado está no modo em que são configurados os relacionamentos. isto é. ameaças. visto que só há a transferência do detentor do poder. facadas. puxões de cabelo. ou seja.

salários. o que não garante uma posição estável para poder ser considerada independente do companheiro. em seguida com 13.63% as autônomas e profissionais sem carteira assinada. A despeito do crescimento do emprego formal e informal das mulheres. uma série de impedimentos quanto ao desenvolvimento de atividades fora do lar. mas em situação de informalidade. em que a mulher deve ser dedicar exclusivamente dos afazeres domésticos e para os filhos. Para o conjunto da força de trabalho feminina. quanto dos cargos. A partir desse comportamento recaem outras conseqüências. Em contrapartida ainda há casos que as usuárias possuem uma vida laboral ativa. (ARRAZOLA. Como afirma Arrazola.63% para as que se declaram do lar. 2009. havendo a preponderância da divisão sexual no campo de trabalho e no social. bem como da qualificação profissional. com equivalentes de 60% da remuneração masculina. Sobre a profissão. promoções e qualificação. A realidade abarca mais uma vez. sua participação tem sido diferente e desigual aos dos homens.88% as declaradas estudantes e com 7. seus salários continuam a ser mais baixos. tanto em termos das profissões que exercem. origem da renda familiar ou ocupação predominante entre as mulheres atendidas é de 57. p.25 GRÁFICO Nº 09 Fonte de dados: Casa-Abrigo. a mulher é vista como uma mão de obra secundária e . Segundo Arrazola (2009). 232) A afirmação da autora reflete a segregação ocupacional proveniente do histórico da correlação entre os gêneros. 2009. Em primeiro lugar a justificativa principal é a postura patriarcal dos companheiros. o que dificulta posteriormente em caso da necessidade de ocupação em posto de trabalho. visto que os salários são ínfimos levando-se em conta os gastos básicos requeridos cotidianamente. como o longo tempo da mulher fora do mercado de trabalho.

77% 1 4.26 complementar. 2009. Com os presentes dados. As que possuem alguma fonte de renda passam pelo processo de precarização do trabalho. . 2009. visto que há a predominância do desenvolvimento de atividades relacionadas aos serviços domésticos.55% 5. GRÁFICO Nº 10 PROFISSÃO/ ORIGEM DA RENDA 13.63% APOSENTADA Fonte de dados: Casa-Abrigo. horas exorbitantes de trabalho.88% 2. GRAFÍCO Nº 11 ESTADO CIVIL 2. que em algumas situações pode gerar maior custo para o empregador.00% 40.55% AUTÔNOMA PROFISSIONAL DE CARTEIRA ASSINADA SEM CARTEIRA ASSINADA FAZBISCATE DO LAR ESTUDANTE 57.00% Fonte: Dados extraídos de formulários da Casa-Abrigo. tendo em vista a possibilidade da maternidade. sem descanso semanal e sem assinatura na carteira profissional.63% 7.20% NÃO INFORMADO VIÚVA DIVORCIADA CONVIVENTE CASADA SOLTEIRA 60. torna-se perceptível o maior número de mulheres que dependem economicamente dos seus companheiros/maridos. que é uma ocupação que não garante renda. Tal ação desencadeia uma série de problemas em decorrência da vítima de violência não possuir meios de prover sua subsistência.63% 5.08% 2. com baixos salários.00% 80.80% 4.08% 7.00% 20.00% 0.16% 63.86% 22. fator preponderante para manter vínculo afetivo com o agressor.

não oficializaram a relação matrimonial perante a justiça.80% é justificado pelas usuárias como uma resistência de seus companheiros em realizar os trâmites legais. Sobre o assunto. os números mostram que a maioria das mulheres acolhidas apenas convive com o agressor. isto é. justificando não gostar de policia. A partir do exemplo pode-se notar que o trabalho intersetorial deve ser realizado para melhor resolução dos casos. é destacado: [. Para ilustrar uma das situações é pertinente um caso em que a abrigada prestou falsas informações para a equipe técnica do abrigo e delegada. preferem viver maritalmente. A usuária ao ser encaminhada a delegacia apresentou resistência. sentem-se incomodados com a possível ameaça de uma vida restrita a uma mulher. muitos dos casos são desvelados. tendo em vista que o rótulo de vítima aplicado a todas as mulheres muitas vezes são destituídos parcialmente por meio algumas atitudes. entretanto a mesma afirmou ser a cunhada de mesmo nome. foi constatado que a abrigada era na verdade a autora dos maus tratos. e que por diversas vezes envolvera seus familiares com o Conselho Tutelar. 2001 apud BIDARRA. p. indicando o endereço da provável autora.. uma vez que forçava os filhos a mendicância em sinais e praças. Após investigação policial e realização de visita domiciliar. visto que cultivam a sensação de liberdade.. embasado na lei com a aplicação de escuta especializada que é um instrumento que norteia as ações do profissional. articulando os saberes. cujo objetivo de tal articulação é alcançar melhores níveis de desenvolvimento social (INOJOSA. é por meio dela que são constituídos os encaminhamentos. Através da investigação policial e visitas domiciliares. através de consulta informatizada foi localizada uma denúncia de maus tratos contra os filhos em seu nome. da implementação e da avaliação de políticas). O percentual de 63. . 2009. como a prestação de informações inverídicas e o não pronunciamento da verdadeira realidade em que se encontram.] a intersetorialidade costuma ser identificada com uma articulação de saberes e experiências (no movimento do planejamento. A caracterização do público atendido pode ser visualizada durante o período de abrigamento.27 Com relação ao estado civil.484) Com o trabalho intersetorial desenvolvido entre a Casa-Abrigo e as delegacias é garantido um diagnóstico mais concreto. no qual é realizado o acompanhamento do caso com aplicação dos instrumentais de trabalho da equipe técnica e com o apoio da delegacia. por parte do abrigo.

alcance de patamares qualificados de intervenção em menor tempo.28 A intersetorialidade consiste no compartilhamento de decisões. o grande entrave é o entendimento por parte da justiça e de algumas delegacias. Observa-se a propósito. “a decisão pela ação intersetorial traduz a intenção política de investir num processo socialmente construído. com relação a idéia que a instituição por ser sigilosa deve atender pessoas em qualquer situação de risco. evitando os erros e agilizando as intervenções a aprimorando o serviço em rede. sejam humanos. possibilita melhor utilização de recursos. É preciso que a rede de atendimento intersetorial compreenda o Termo de Referência para o Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. instituído pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres-SPM. p. O público alvo que é para vítima de violência doméstica acaba sendo transferido para as mulheres cujo marido/companheiro foram mortos pelo envolvimento em tráfico de drogas e até mesmo por mulheres em trajetória de rua que são abrigadas por não ter local para morar. Embora o trabalho intersetorial seja de suma importância ainda é preciso superar alguns entraves apresentados. A articulação entre políticas públicas. É notável o processo de alteração no perfil das usuárias. tendo em vista na complexidade dos casos acolhidos. conhecer a política e a dinâmica institucional. . Para que o trabalho seja eficaz. É preciso um acolhimento mais preciso com uma análise aprofundada de cada caso. mudando o público alvo ao qual se destina o abrigo para sanar possíveis problemas. faz-se necessário o conhecimento da área a qual irá trabalhar. que é o enfrentamento da violência doméstica. (RAICHELIS DEGENSZAJN. não sendo viável o acolhimento de usuárias testemunhas de crimes e envolvidas em meios ilícitos. o qual designa as cláusulas para funcionamento de Casas-Abrigo. visto que o abrigo prima pela segurança das vítimas que estão sob sua responsabilidade. com completude entre as especificidades. com deliberações voltadas a um único objetivo. 490) No caso específico da Casa-Abrigo com a intersetorialidade. Segundo Bidarra (2009. ganhos de escala e de resultados com impacto nas condições de vida da população. que pactuadas em favor da política em questão. aproveitando o período de tranqüilidade. isto é. p. 2008 apud BIDARRA. 2009. 485). o qual requer o conhecimento da realidade e a análise das demandas explicitadas pelos sujeitos que partilham compromissos e projetos políticos comuns”. fato que acaba comprometendo o serviço. Insurgindo no erro de encaminhar usuárias que não se enquadram no perfil de violência doméstica. oferecendo um local de ruptura com a violência sofrida. financeiros ou materiais. para não emergir maiores complicações.

p. Reafirmando mais uma vez o comprometimento de uma prática contínua. assim discorre Sposati. A finalidade da intersetorialidade é prover um melhor acesso do público aos serviços. É justamente por ser interdisciplinar e intersetorial que. que vise o atendimento de qualidade como objetivo em comum. (SPOSATI. Principalmente pelo caráter de complemento e não de anulação de uma política frente à outra. na prática. visto que o abrigo depende das políticas setoriais. que conheça todos os parâmetros para o acolhimento. Nessa articulação. em cuja concepção e execução das ações é feita com a partilha das responsabilidades. (BIDARRA. suas funções próprias ou particulares. assistência. p. isto é. descortinando o desconhecido. até porque essas funções não se encaixam no recorte das demais políticas. a assistência social deve articular com a saúde sem comprometer as diretrizes que a rege. Insistir na prerrogativa do trabalho sob a forma de redes intersetoriais e complementares no âmbito da concepção e da implementação das políticas públicas não é um argumento de retórica. 2004.de favorecer o acesso e usufruto de bens. 492) É neste sentido que a instituição entende a importância de um trabalho bem articulado. efetividade e eficácia esperado a implementação das políticas setoriais. compartilhado pela justiça. Nessa linha de reflexão entende-se que o trabalho intersetorial desenvolvido deve respeitar a setorialidade de cada política. o mesmo se dá em sentido inverso. Para aqueles que atuam na execução dos programas e serviços das políticas públicas. serviços e direitos diversificados a parcelas da população “excluídas” dessa possibilidade. 2010. poder referenciar sua intervenção pela dinâmica de redes é uma necessidade. 2009. 96) . (NASCIMENTO. 59) Por isso a intersetorialidade ganhou espaço no modo de gerir as políticas. sem as quais não poderia suprir as necessidades das abrigadas.29 A eficiência do acolhimento as mulheres vítimas. p. depende de uma rede fortalecida. Como cita Bidarra. em que os encaminhamentos são direcionados por profissionais e instituições que dialogam entre si. com resultados mais eficazes e abrangentes. saúde e demais instituições a serem computadas. Principalmente quando se pretende consolidar a gestão democrática da esfera governamental. A intersetorialidade ganhou espaço nas políticas públicas a partir da observação dos resultados da eficiência. educação. ou seja. desde que sejam bem administradas. no que se referia ao atendimento das demandas da população e recursos disponibilizados para execução das mesmas.não correm o risco de se dissolver no interior das outras políticas. Sobre o assunto afirma Nascimento. tendo em vista a universalização do atendimento das necessidades sociais no seu conjunto. é a política pública mais afeita a estabelecer interfaces e vínculos orgânicos como as demais políticas congêneres (sociais e econômicas). tendo em vista que a articulação entre elas dispõe de uma rede mais coesa.

cozinha. departamentalização. a sabedoria reside em combinar setorialidade com intersetorialidade.. área .4-9) que sua prática passa “[. p... A estrutura e funcionamento institucional estão organizados a partir dos níveis de complexidade caracterizados pelo SUAS em que as unidades pertencentes a alta complexidade. A atual casa possui: uma sala para coordenação e administração.] não pode ser considerada antagônica ou substitutiva de setorialidade. (Nascimento. é pertinente dizer que o desenvolvimento de atividade intersetorial “[. funcionando 24 horas. entretanto não desvinculadas das ações da sede central. Estrutura e funcionamento institucional: hierarquia. ou seja. políticas sócio-administrativas... 2010. durante todo o ano.134) Sem a intersetorialidade as políticas públicas podem em algum momento passar por algumas dificuldades quanto à continuidade dos serviços em seu sentido amplo. e não em contrapô-las no processo de gestão” (Sposati.30 A partir desse entendimento. bem como da aprendizagem na medida em que os profissionais apreendem os conhecimentos de outra área. a qual é designada para a aplicação da política e programas no espaço institucional. programas e projetos. p. Ainda sob a mesma idéia é de suma importância reiterar que a intersetorialidade produz e reproduz uma articulação de saberes e experiências que visa a complementação de ações. com capacidade para acolher 20 mulheres. possuem sua própria composição. uma vez que elas “[. almoxarifado. 99-100) Dessa forma.] por si só não solucionam tudo e necessitam se comunicar para identificar as necessidades da população e os benefícios que pode ou não oferecer”. As atividades são direcionadas verticalmente. Assim como afirma Nascimento (2010. organograma.] a garantir um acesso igual aos desiguais”. A Casa-Abrigo está localizada em perímetro urbano. bem como na melhor resposta as demandas. a SEMASC. é consensual que a intersetorialidade é uma maneira de gestão que proporciona o planejamento e o controle dos serviços.. 2006. uma sala e anti-sala que são utilizadas para desenvolver atividades de desenho e entretenimento através de filmes e vídeos. abrindo um leque de novas práticas em resposta as demanda emanadas por cada política setorial. p. No caso da Casa-Abrigo as atividades estão distribuídas de acordo com uma hierarquia.

um quarto na parte superior. uma vez que a casa dispõe de tranquilidade e de profissionais prontas para ouvi-las e aconselhá-las. no qual ficam as abrigadas e dois quartos na parte inferior. no qual as usuárias desenvolvem atividades domésticas e cuidam dos filhos. Nos níveis de gestões posteriores pode-se visualizar novamente a relação vertical entre a Gerente de Alta Complexidade. Redefinir a relação Assistente A estrutura hierárquica é vertical de acordo com a subordinação apresentada entre os níveis de gestão Prefeito-Secretária de Assistência Social-Coordenadora de Proteção Social Especial. visto a realização de mudança de endereço no mês de maio de 2010. que por sua vez mantém uma relação horizontal com a Gerente de Alta Complexidade. área de ventilação. . elas podem refletir melhor a própria vida. A estrutura é organizada a partir do nível de responsabilidade e competência. Além do rompimento com as agressões sofridas.Coordenadora de Projetos Sociais-Assistente 11 A estrutura física do abrigo foi mudada.31 de serviço. uma biblioteca. Segundo a óptica da experiência de estágio foi criada a estrutura abaixo: Hierarquia Prefeito Secretária de Assistência Social Coordenadora de Proteção Social Especial Gerente de Alta Complexidade Coordenadora de Projetos Sociais Assistente Social Psicólogo Advogado Gráfico 12.Fonte: (Desenvolvido a partir da ótica do estágio). um utilizado pelas funcionárias plantonistas e outro pelas usuárias que possuam alguma dificuldade de locomoção11. O funcionamento do abrigo é semelhante a uma casa comum. cinco banheiros.

tendo em vista o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar. 12 A hierarquia utilizada neste documento foi realizada sob a ótica da experiência de estágio e através do organograma disponibilizado pela SEMASC.32 Social-Psicólogo e Advogado. A organização é importante para o pleno funcionamento das atividades. A assistente social. . seja em qualquer situação. Para tanto solicitamos a liberação de informações concernentes ao organograma e hierarquia12 através de ofício. psicóloga e advogado possuem uma relação horizontal. (Ver anexo 10).

e Avaliação Gerência de Formação de Agentes Públicos e Sociais Cad. Único Gerência de Recursos Tecnológicos Assessorias Técnicas Gabinete Estação Cidadania Órgãos Colegiados CT’s Recepção Assessoria de Gabinete COPLAN/SUAS Assessoria de Comunicação Coord.Fonte: (SEMASC/2009) . Tecnologia da Informação Diretoria de Assistência Social e Cidadania Diretoria Administrativa Financeira Gráfico 13.35 Organograma 1 Gerência de Gestão da Informação Gerência de Análise e Habitação de Convênios Gerência de Mont.

Fonte: (SEMASC/2009) . Proteção Social Básica Gerência de Programas Especiais Coord. Proteção Social Especial CRAS/CREAS/USES Gráfico 14.36 Organograma 2 Diretoria de Assistência Social e Cidadania Coord.

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Organograma 3

Coordenação de Proteção Social Especial

Gerência de Serviços de Alta Complexidade

Gerência de Serviços de Médica Complexidade

Casa Abrigo Profª Núbia Marques

Gráfico 15- Fonte: (SEMASC/2009)

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A partir dos organogramas 1, 2 e 3 disponibilizados pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania- SEMASC, entende-se o processo organizacional, com departamentalizações utilizadas para o monitoramento das atividades desenvolvidas, visando melhores resultados nas políticas setoriais as quais estão sob incumbência. A hierarquia é posta de acordo com as ramificações da Política de Assistência regida pelo SUAS. A Casa Abrigo está subordinada a Proteção Social Especial, no serviço de Alta Complexidade, tendo em vista o rompimento ou fragilização dos vínculos familiares e comunitários. Dinâmica de financiamento institucional No início da execução de Casas-Abrigo no âmbito nacional os recursos financeiros eram disponibilizados através do apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres-SPM. Recebiam o financiamento as instituições que cumprissem as cláusulas do Termo de Referência de Propostas para Apoio à Implementação de Projetos na Área de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher13. O termo possui as diretrizes básicas para o funcionamento de uma CasaAbrigo; com estipulação do padrão mínimo dos recursos humanos e materiais, da localização, dentre outros. Segundo o Termo de Referência, os recursos financeiros eram;
• Construção, ampliação, reforma e adequação para garantir a acessibilidade aos (às) deficientes físicos (as) de serviços especializados no atendimento à mulher em situação de violência tais como: Centros de Referência, • Defensorias Públicas de Atendimento à Mulher, Casas Abrigo e outros no valor máximo de R$200.000,00 (duzentos mil reais); • Aquisição de equipamentos para o funcionamento de serviços especializados de atendimento a mulher em situação de violência (Centros de Referência, Defensorias Públicas de Atendimento à Mulher, Casa Abrigo): valor máximo de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais); • Aquisição de veículo utilitário para atender aos serviços de atendimento a mulher em situação de violência (Centros de Referencia, Defensoria Pública da Mulher, Casa Abrigo): no valor máximo de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais); • Projetos para o fortalecimento da Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (capacitação de profissionais, articulações entre os diversos serviços que compõem a Rede, entre outros) devem observar os seguintes limites orçamentários: - Municípios: valor até R$7.000,00 (sete mil reais), - Regiões (entendendo região no Estado): valor até R$18.000,00 (dezoito mil reais), - Estados: valor até R$22.000,00 (vinte e dois mil reais).
13

Disponível em http://200.130.7.5/spmu/docs/tr_2007.pdf . Acesso em 07 de agosto de 2009.

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• Realização de Seminários ou Eventos devem obedecer aos seguintes limites: - Eventos Municipais: R$20.000,00 (vinte mil reais), - Eventos Regionais: R$30.000,00 (trinta mil reais), - Eventos Estaduais: R$50.000,00 (cinqüenta mil reais) e - Eventos Nacionais: R$80.000,00 (oitenta mil reais). • Supervisão das equipes de profissionais - valor máximo de R$ 3.000,00 (três mil reais). • Consultoria: O valor a ser pago deverá estar de acordo com o estabelecido na Lei nº 8.666/93. • Divulgação – confecção de material de divulgação dos serviços (cartazes, folders etc.) – valor de até R$10.000,00 (dez mil reais); publicações de livros ou cartilhas – até R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). • Manutenção dos serviços – material de escritório, papel, cartucho de tinta para impressora, caneta, locomoção das usuárias e seus filhos menores, produtos de higiene, etc. – até R$ 10.000,00 (dez mil reais) por ano. No caso de Casa Abrigo o valor máximo é de R$20.000,00 (vinte mil reais).

O financiamento era liberado após o envio do projeto de custeio anual com as atividades e objetivos a serem desenvolvidos à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, em data estipulada anualmente. Com relação à dinâmica de financiamento da Casa-Abrigo, a Coordenadoria de Planejamento e Gestão-COPLAN/SUAS, disponibilizou as informações em resposta ao memorando 38/2009, tendo em vista o não entendimento do ofício expedido pela Universidade Federal de Sergipe. (Ver anexo 2 e 3).·As informações recebidas estão em acordo com o ofício número 1707/2009. (Ver anexo 4). Os dados foram extraídos do QDD (Quadro de Detalhamento de Despesas) do orçamento 2009, o qual consta que os recursos destinados à manutenção da Casa-Abrigo Profª Núbia Marques estão consignados na Função 08, Programa 243, Sub-programa 0068, Projeto de Atividade 2110, de recursos financeiros provenientes do Tesouro Municipal e Federal, Fonte 00 e 30 respectivamente. Informa ainda que o serviço de abrigo para mulheres é antevisto na Política Nacional de Assistência Social/ PNAS- 2004, como serviço de Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social-SUAS, regido pela portaria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome-MDS N.º 440, de 23 de agosto de 2005, que em seu artigo 7º evidencia o financiamento voltado a proteção social aos usuários em situações de violência, de acordo com o Piso de Alta Complexidade II.

realizando assim o devido encaminhamento. a Secretaria Municipal de Saúde. Ministério Público de Sergipe e o Tribunal de Justiça de Sergipe. A cada órgão cabe realizar o seu papel. A Casa-Abrigo desenvolve o acolhimento da mulher.40 Para o financiamento é realizado antecipadamente o orçamento anual. uma vez que estes órgãos conhecem o fluxograma de atendimento da Casa-Abrigo. o Conselho Municipal de Direito da Mulher. . relação institucional que atende as demandas das Delegacias. acompanhamento e investigação dos casos. disponibilizando moradia segura durante o processo.00 (novecentos e cinqüenta e sete mil reais). A parceria entre as instituições está vinculada ao atendimento das mulheres em situação de violência. atendimento médico. seja na comunicação. para 2010 está previsto o valor de R$ 957.000. Parcerias e relações institucionais O pleno desenvolvimento dos serviços da Alta Complexidade é realizado por meio da parceria entre a Casa-Abrigo e o CREAS São João de Deus. já o CREAS São João de Deus atua com a realização do acompanhamento social e psicológico e as demais instituições desempenham o papel de orientação jurídica. dentre outros. andamento de investigação processual e de traçar novas estratégias ao combate à violência doméstica. Além das ações mencionadas há o procedimento de identificação e comunicação dos casos de violência. para o custeio dos serviços de Alta Complexidade.

desinformação acerca dos direitos. O atendimento social consiste em assegurar a escuta especializada no sentido de intervir nas necessidades de cada usuária. isto é. passaram a ser efetuados no CREAS São João de Deus. ter a possibilidade de esclarecimento sobre eles. bem como o grau de periculosidade do caso. os atendimentos sociais.. planejamento e capacitação são peças importantes para uma atuação bem sucedida. 2009. o que exige o desafio diário” (Lewgoy. visto o entendimento da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania em minorar o confinamento das mulheres no período de abrigamento. a vítima traz consigo outras questões intrínsecas como: autoestima fragilizada. que a priori eram realizados no próprio abrigo. da sua óptica é que são traçadas as ações de atendimento. juntamente com a coordenação do abrigo. o “[. Para trabalhar com a violação de direitos provenientes da violência doméstica é necessário que haja a constante renovação de informações. ou pelo menos. o respeito ao usuário e a melhoria de programas institucionais. ou seja. conflito familiar.20) A partir da renovação de conhecimentos o profissional de Serviço Social. por isso a pesquisa.3. O Serviço Social está encarregado de ir além da prestação de serviços a instituição. Entretanto após a finalização do convênio com a União Brasileira de Mulheres-UBM. passa a ser referência em qualquer instituição. Nesse âmbito pode-se afirmar que o assistente social não um mero executor de tarefas. p. dentre outros. psicológicos e jurídicos. dentre eles a origem dos problemas associados ao processo societário. e sim um agente transformador que deve está comprometido com os interesses de caráter coletivo. procurando sempre a reflexão acerca dos casos atendidos de maneira em que sejam observados vários fatores.Serviço Social na instituição Estudo e Análise do Serviço Social A instituição desde a sua inauguração possui uma profissional de Serviço Social responsável pelo acompanhamento dos casos e dos atendimentos sociais. A atuação profissional a qual analisamos.] fazer profissional tem como eixo a qualidade dos serviços prestados.. além de serem realizados internamente. visto a credibilidade arraigada culturalmente pelos usuários.41 1. é a porta de entrada para encontrar o acesso à garantia dos direitos sociais e humanos. a partir do conhecimento do assistente social. sendo analisadas as condições físicas e psíquicas da usuária. uma vez que junto à demanda de violência. A decisão dos atendimentos internos e externos compete aos integrantes da equipe técnica. e não .

é que são desveladas as competências dos profissionais que o segue. já que o serviço prioriza resguardar a integridade física e psicológica das usuárias. principalmente pelas exigências do mercado de trabalho. e respeito à singularidade. 47) Em consonância com as prerrogativas do Serviço Social. 2009. particularidade. 2009. quatro banheiros. um almoxarifado. tendo em vista não incorrer no erro de culpabilização do indivíduo. supõe um sólido suporte teóricometodológico e técnico-político para propor. quatro quartos. pessoal de apoio A estrutura da instituição atual sofreu alterações após a realização de mudança de endereço. (Lewgoy. área para lanche. uma vez que o trabalho do assistente social não se limita à realização de um leque de tarefas. Para o desenvolvimento das ações há o seguinte espaço físico: uma sala de coordenação.as mais diversas.. postura investigativa e pedagógica para alicerçar o que se faz”. há a acumulação de uma série de habilidades. como a capacidade investigativa e de análise da universalidade. copa. para defender o seu campo de trabalho. De acordo com Lewgoy.no cumprimento de atividades preestabelecidas. suas qualificações e funções profissionais. Tal processo faz parte de uma das normas para a manutenção do sigilo de localização. uma sala. p. em especial na área de execução de projetos sociais. quintal com plantação de ervas medicinal. 30) Com a apreensão do conhecimento teóricos do Serviço Social. . antes. cozinha. que rege o assistente social a um posicionamento de fomento à acumulação de informações. visto que a sua prática pressupõe a superação de uma visão fragmentada e de qualquer atitude que fira os princípios do Código de Ética Profissional.42 desarticulado da realidade em que vive o seu usuário.] é necessário instrumentalidade. executar e negociar projetos. A partir dessa cumulação de saberes são correntes situações em que há o crescimento de propostas inovadoras. estrutura física disponível. Por essa razão “[. Outro ponto crucial do Serviço Social é a capacidade gerada a partir da formação generalista. p. uma biblioteca. A construção de uma profissão não pode ser confundida com a preparação para o emprego. (LEWGOY. local onde são desenvolvidas atividades de recreação com as crianças. uma sala de estar. onde também são realizados os acolhimentos e atendimentos individuais.. uma lavanderia e por fim uma garagem interna. Estrutura e funcionamento na atualidade: número de Assistentes Sociais presentes na instituição.

o que garante ao profissional e a usuária o respeito ao sigilo das informações prestadas.43 Assim como citado anteriormente. tendo em vista o envolvimento de laços afetivos fragilizados e até rompidos. que é a porta de entrada para o serviço de abrigamento. visto a falta de usuárias a serem acolhidas. que geralmente possuem nível médio e/ou básico. fator que é justificado pela rotatividade do público alvo na instituição. as mesmas compõem o quadro efetivo do CREAS São João de Deus. Os profissionais que eram contratados finalização suas atividades no mês de maio de 2010. quatro plantonistas. Os atendimentos são solicitados de acordo com a demanda. Já no CREAS São João de Deus o mesmo direito é garantido. Quando o atendimento social ou psicológico é realizado no abrigo. uma vez que os abrigamentos são realizados em diferentes dias e horários. O regime de contratação institucional predominantemente é estatutário. além disso. O cargo de coordenação pode ser preenchido somente por profissional de nível superior segundo especificações da NOB/RH-SUAS. É relevante frisar que pela natureza do serviço existem alguns dias em que não há a necessidade dos profissionais do Serviço Social e Psicologia permanecerem de plantão no abrigo. o serviço de atendimento a vítimas de violência requer um cuidado ainda maior. atuam na infra-estrutura do abrigo: um motorista. durante todo o ano. entretanto há a contratação simplificada com abertura de edital e por indicação de cargo de comissão. Demandas. É importante frisar que antes da realização do concurso público. o abrigo está localizado em área urbana. No quadro de funcionários da instituição há a equipe operacional do abrigo composta por profissionais. É importante ressaltar estas não fazem parte do corpo interno do abrigo. A dinâmica dos atendimentos é devidamente acompanhada pela coordenação. atribuições e competências profissionais . três auxiliares de apoio administrativo sob inspeção de uma coordenadora de projetos graduada em Serviço Social. o que insurge na não previsibilidade dos atendimentos. há uma sala ampla e individual. A instituição disponibiliza uma assistente social e uma psicóloga para o atendimento das usuárias. o regime de contratação predominante era o celetista por meio de instituição do terceiro setor. com funcionamento 24 horas. visto que o sigilo de informações adquiridas no exercício profissional é um compromisso. Para manter o funcionamento da instituição há uma equipe de trabalho totalmente articulada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania. atendendo exigência de ocupação de vagas por meio de concurso público. encarregada da administração do abrigo. bem como em histórico de baixa autoestima e de não aceitação da condição vivenciada.

2000. A partir da identificação da violência por meio do atendimento individualizado. Durante o período de abrigamento também é atribuição da assistente social identificar as necessidades das usuárias com relação aos encaminhamentos a instituições. Conselhos. há a visita domiciliar que é efetuada no processo investigativo para comprovar situações incertas ou realizar contato com familiares. idosos. dentre outros. Antes de qualquer coisa. município etc. As atribuições do assistente social vão além do atendimento.). há a continuidade do acompanhamento através da execução do parecer social por meio do estudo de caso. CAPS. no qual é registrada em relatório a história de vida e episódios das agressões. que pode.IML. Unidades Básicas de Saúde e Unidade de Saúde da Família. Terminal Rodoviário. Segundo Pontes. Fóruns. visto que a responsabilidade pela análise de cada caso interligando-o com a realidade e suas particularidades. p. descambar para ações que necessariamente se restringirão aos limites da demanda institucional. (PONTES. Maternidades. Com isto. que consistem no acolhimento de mulheres. CRAS. A demanda institucional aparece ao intelecto do profissional despida de mediações. (PONTES. Juizado. CREAS. Numa palavra. defensoria.). com um “fim em si mesmo”. neste caso. a assistente social tem por incumbência providenciar o abrigamento da vítima e seus dependentes menores de idade. Instituto Médico Legal.44 As demandas atendidas pela assistência social estão intimamente ligadas aos casos atendidos pela instituição. como diz Pontes. adolescentes e idosos vítimas de violência doméstica. a demanda institucional aparece peiada à imediaticidade. Urgências Médicas. 2000. 168. Aeroporto. é necessário que o profissional saiba decifrar as . p. programática (divisão por projetos ou áreas de ação) ou populacional (crianças. Sem a apreensão dos sistemas de mediações. metas e uma dada forma de inserção espacial (bairro. torna-se impossível uma melhor definição teórico-metodológica para o fazer profissional. grifos do autor) Sem o mapeamento e conhecimento da rede de atendimento o trabalho do assistente social passa a ser dificultado. Para isto é necessário que o assistente social saiba articular as redes de mediações. 172) Além dos procedimentos elencados. com vistas a identificar as soluções cabíveis. parametrada por objetivos técnico-operativos. crianças. migrantes etc. hospitais. como: delegacias. bem como no acompanhamento das usuárias após desligamento.

respeitando sempre os princípios que regem o Código de Ética da profissão. organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social. I . empresas privadas e outras entidades. visto que é de sua inteira competência encaminhar e prestar informações corretas aos seus usuários como preconiza a Lei que regulamenta a profissão. executar e avaliar planos. Segundo Iamamoto (2008) a partir da década de 1980 com o processo de ruptura e revisão de literatura. o . executar políticas sociais junto a órgãos da administração pública.planejar. II . e prestar orientação social a indivíduos.elaborar. empresa privadas e outras entidades. VI .planejamento. implementar. pois ultrapassou uma visão doméstica. o assistente social tem como competências. políticos e sociais da coletividade.planejar. grupos e à população.prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais. Com a abertura da visão crítica. III . V .realizar estudos sócioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta. VIII . familiar e consensual das relações profissionais.orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos. a identificação das possíveis soluções nas entrelinhas observadas. XI . para que haja a articulação com as políticas públicas setoriais.45 demandas que lhes são postas. no exercício e na defesa dos direitos civis. direta ou indireta.(Vetado). organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais. programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com a participação da sociedade civil.prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta.elaborar. Segundo a Lei 8. entidades e organizações populares. executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais. X . IX .º 4. datada de 7 de julho de 1993. com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo.662. empresas. coordenar.encaminhar providências. VII . O trabalho do assistente social é determinado segundo leis e arcabouços teóricos adquiridos na formação acadêmica que devem ser desenvolvidos no mercado de trabalho. no art. o Serviço Social ganhou novo olhar. Nessa acepção o assistente social deve primar pelos direitos das mulheres e articulá-los com a rede de garantia de direitos. isto é. IV.

assim dando espaço a uma série de atividades inerentes ao profissional do Serviço Social. tal como experimentadas pelos indivíduos sociais. Essa exigência. com livre poder decisório para atuar no minoramento das refrações da questão social. Nesse sentido. remetendo sempre ao caráter participativo no processo ético-político. completada pela falta de condições emocionais e financeiras para romper com os laços de violência. mas em possuir o compromisso em analisar a realidade a partir de suas habilidades. A partir do rompimento com a visão clientelista e paternalista. pessoas abrigadas que passam a apresentar vulnerabilidade social devido à convivência familiar com o agressor.46 assistente social passou a estar munido de argumentos decisórios para uma luta coletiva. Devido à finalidade pela qual foi implementada. a atuação do assistente social está além do acompanhamento dos seus usuários ou em apenas cumprir os desígnios institucionais. baseado na realidade histórica das classes. atribuições privativas foram resultados de uma árdua caminhada. ou seja. A instituição possui a capacidade de atender vinte mulheres. (IAMAMOTO. sendo a Casa-Abrigo uma instituição dentro da alta complexidade. isto é. Além do perfil já citado. ou seja. o assistente social passou a ser um profissional com atuação legitimada. principalmente na luta de direitos já conquistados. tendeu a ser unilateralmente restringida ora aos procedimentos operativos. . p. 2008. a Casa-Abrigo se destina ao atendimento do público específico. mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que estão sob ameaça de morte. foram construídas a leis que romperam com a visão conservadora. há a realidade de usuários que geralmente apresentam baixa autoestima em detrimento da rotina de subordinação e ameaça. ora à qualificação teórica como dela automaticamente derivasse uma competência para a ação. no âmbito da formação profissional. As múltiplas competências e atribuições para as quais é chamado a exercer no mercado de trabalho exigem do assistente social uma interferência prática nas variadas manifestações da questão social. De acordo com Iamamoto. 240 grifos originais) Com isso. Perfil do usuário de Serviço Social: caracterização. número de pessoas atendidas direta ou indiretamente O Serviço Social da instituição tem como perfil dos usuários as mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos menores de idade. É importante ressaltar que a política de assistência social prevê o atendimento ao público em questão sob os desígnios da proteção social especial.

utilização de drogas e em conflito com a lei. há algumas situações nas quais o Serviço Social fica com a incumbência de compra de passagens para a realização de transferência de usuárias.47 entretanto não há um número predefinido a ser atendido mensalmente. Recursos financeiros/materiais disponíveis para o Serviço Social Os recursos disponíveis para o Serviço Social são determinados em planos anuais organizados pela COPLAN/SUAS. de agressividade e outros. entretanto ainda são comuns alguns encaminhamentos que fogem a realidade institucional. fato que não acontece quando há outros usuários com perfil de trajetória de rua. Ao longo do ano a coordenação de cada instituição deve solicitar ao setor financeiro da SEMASC. Quanto aos materiais disponíveis para o Serviço Social estão enquadrados em distribuição gratuita de acervos sobre a Assistência Social. Entretanto é adotada a consulta prévia de todas as instituições sob administração da SEMASC para verificar os materiais que cada uma necessitará para desenvolver o pleno desenvolvimento da política. utilização de drogas e conflito com a lei. Uma problemática existente nas demandas da Casa-Abrigo são alguns encaminhamentos realizados por meio do Poder Judiciário. Além dos materiais utilizados no cotidiano da instituição. tendo em vista o desconhecimento ou a negação do perfil dos usuários que devem ser atendidos pela instituição. o que compromete os resultados da execução da política de enfrentamento a violência contra a mulher. A preocupação reside no abrigamento de adolescentes com histórico de trajetória de rua. Para solucionar o problema são enviados os relatórios dos casos nos quais são expostos os danos que o abrigamento de usuários que possuem o perfil análogo ao destinado à instituição. uma vez que as vítimas de violência doméstica necessitam de um atendimento minucioso. por meio de comunicação interna os materiais a serem utilizados durante cada mês. tendo em vista a conduta de ameaças. A situação aplicada causa um desarranjo no funcionamento da instituição. visto que há um choque do perfil dos usuários. após ser constatado o risco iminente de morte conforme avaliação psicossocial. os recursos financeiros da instituição são geridos pelo setor de finanças da SEMASC. visto que este depende da demanda dos casos encaminhados pelo CREAS São João de Deus. Para a aquisição monetária é preciso que seja remetido uma . com a garantia de tranquilidade e segurança. De modo geral. bem como em capacitações gerenciadas pelo órgão.

parecer social e entrevista também são utilizados: a solicitação de abrigamento apresentada pela instituição à vítima. tendo em vista a tomada de ciência da mesma quanto ao risco fora do abrigo. sem exposição a novas situações que possam atingir sua integridade física e psíquica. acarretando em atrasos na dinâmica das atividades. bem como de aportes tecnológicos. Instrumentalidade: instrumental técnico-operativo do Serviço Social O instrumental técnico-operativo utilizado pelo Serviço Social são postos pela instituição e pela própria acumulação de técnicas apreendidas no exercício profissional. como os de vítimas que são transferidas para outro Estado.48 comunicação interna para o setor financeiro com o valor das passagens e um breve relatório do caso da abrigada a ser transferida. tendo em vista que alguns casos são resolvidos em pouco espaço de tempo. desburocratizando os encaminhamentos a serem realizados. o profissional presta conta das despesas por meio de fotocópia. O espaço de trabalho do Serviço Social na instituição é adequado para o desenvolvimento das atividades concernentes a intervenção profissional. A instrumentalidade é utilizada para a resolução dos problemas postos. Neste sentido os instrumentais utilizados além dos mais usuais como relatório. o que dificultaria a agilidade dos serviços. no qual a instituição fica isenta de qualquer ato que venha acontecer com a usuária. O instrumental de trabalho possibilita a leitura das entrelinhas. no qual a usuária se compromete em cumprir as normas do abrigo e em não quebrar o sigilo do endereço. como acesso à internet para o devido acompanhamento dos processos. (Ver anexo 8) . já que a vítima de violência doméstica necessita de um acolhimento adequado. é assinado o termo de saída voluntária. caso venha a descobrir. O local é amplo e dispõe de equipamentos em bom estado. Outro ponto a ser destacado é a disponibilização de um local que atende a aplicação de um atendimento sigiloso e tranquilo. é pertinente ressaltar que após a compra. com a morosidade da parte administrativa. O termo de responsabilidade. bem como para a agilização da leitura do real. a qual deverá assinar para oficializar a sua estada. (Ver anexo 5). (Ver anexo 6) O termo de desligamento é assinado pela vítima no dia do abrigamento. (Ver anexo 7) Quando a vítima opta pela não continuidade do abrigamento. ou para aquelas que só pernoitam na instituição.

Para Guerra (2007) a instrumentalidade é algo que precede a utilização de instrumentos e técnicas para a ação profissional. particularidade e singularidade. .49 O formulário de atendimento destinado ao preenchimento de dados da vítima. documento institucional onde é preenchido o nome da usuária. onde são anotadas todas as atividades desenvolvidas no abrigo. para além das definições de o que fazer. fazendo-o compreender as ações em que são chamados a intervir. já que a sua prática recai em reflexão para resolução de demandas que exigem a ligação da visão baseada na universalidade. ou seja. Após a discriminação dos instrumentais utilizados pelo Serviço Social. os memorandos e ofícios. A instrumentalidade vai além dessas fronteiras. constituindo um instrumento de suma importância para o planejamento das ações futuras. visando à análise do perfil de cada usuária abrigada. mais especificamente do Serviço Social. como fazer. nome e idade dos adolescentes atendidos e por fim o número de famílias atendidas no mês. Auxiliar Administrativo e Educador Social. sempre tomando como postura a análise das conseqüências. Assim. visto ser uma dimensão mais ampla. (Ver anexo 9) Além dos documentos utilizados no acolhimento. a data de nascimento. (Ver anexo 10) O relatório mensal de atividade é um documento padrão para todos os equipamentos da SEMASC. a instrumentalidade é um processo de reflexão que o profissional abstrai. após o preenchimento o documento é enviado à equipe de monitoramento para a avaliação das ações. (Ver anexo 12) Na área administrativa também são utilizados alguns instrumentos: o livro de campo. O documento assim como o relatório mensal de atividade. visto que ela é proveniente da experiência acumulada pelo profissional ao longo dos anos. constitui numa ferramenta de avaliação das ações desenvolvidas em cada equipamento. para que fazer e quando fazer. Coordenador. no qual é preenchido mensalmente com dados dos atendimentos realizados. existem os destinados ao funcionamento do abrigo: O demonstrativo mensal de atendimento. é importante ressaltar que a instrumentalidade não constitui apenas um conjunto de documentos. formulários e demais documentos da instituição. bem como o nome e idade das crianças atendidas. Com a apreensão da instrumentalidade o imediatismo é superado. Psicologia. a data de abrigamento e de seu desligamento. assim rompendo com os encaminhamentos nefastos e fragmentados. cujo objetivo é o planejamento diário das ações de cada profissional da instituição. principalmente pelo arcabouço gerado pelas intervenções. (Ver anexo 11) A agenda mensal de trabalho.

. ou até mesmo. como se processam as mediações entre teoria e prática e vice-versa. compreendendo os casos atendidos e analisando-os de acordo com a totalidade e não como expressão fragmentada e isolada. Tais demandas e requisições exigem do profissional a criação e recriação. a instrumentalidade não . 34 grifos da autora). tanto de categorias intelectivas que possam tornar compreensíveis as problemáticas que lhe são postas como de intervenção nos sistemas de mediações que possibilitem a passagem das teorias às práticas. É a partir do cotidiano que o profissional adquire seus instrumentos. A apreensão da instrumentalidade possibilita a passagem da teoria para a prática. sem deixar de levar em conta o arcabouço teórico.tão ao gosto das formulações positivistas e neopositivistas que ainda encontram amplo suporte na prática profissional do assistente social. De acordo com Guerra (2000). que transforma e ao mesmo tempo envolve novas demandas. 165) Nessa linha de reflexão é pertinente dizer que a instrumentalidade está vinculada a prática profissional. 2000. consegue aprimorá-los conforme as necessidades geradas. […] a complexidade e diversidade alcançadas pela intervenção profissional. Para a superação da dicotomia teoria-prática. é no exercício profissional que há a reflexão voltada para o alcance de finalidades que dependem da existência. 2007.50 A reflexão é um processo partícipe ao alcance dos objetivos emanados pelos casos atendidos pelo assistente social. mediante um impulso do real. É uma dimensão que envolve a renovação de conhecimentos estratégicos em meio ao processo histórico-dialético. (PONTES. portanto. Conforma Guerra. (GUERRA.. colocam a dimensão instrumental como a dimensão mais desenvolvida da profissão e. produzindo assim estratégias que são renovadas a todo momento. no plano. É pertinente dizer que o assistente social na política de enfretamento a violência doméstica deve refletir sobre o processo de desigualdade enfrentada pelas mulheres ao longo dos anos. metodológico da dialética. negando a sua dicotomia. da adequação. visto que a violência doméstica é um problema de ordem pública e jamais deve remtido a culpabilização da vítima. capaz de indicar as condições e possibilidades da mesma. p. A mediação como categoria intelectiva permite. p. uma vez que ela qualifica o assistente social para identificar as soluções dos casos emanados em seu cotidiano. à razão construir categorias para auxiliar a compreensão e ação profissionais.”. da criação dos meios e das condições objetivas e subjetivas.necessário se faz retomar. bastando verificar a alta credibilidade do dito “a teoria na prática é outra. no sentido de atender às demandas e requisições originadas das classes sociais. Assim.

“assim. e muito menos o posto de trabalho. entretanto há uma tensão em maior proporção quando o assunto está relacionado a interface entre o cumprimento do projeto ético-político profissional em detrimento da condição de trabalho. o assistente social deve está ciente de todos aportes legais. no que . Desafios ético-políticos e perspectivas para o Serviço Social No âmbito geral da profissão existem vários dilemas que preocupam os assistentes sociais. às quais são socialmente forjados a subordinar-se. ora messiânicos.51 está limitada a ações instrumentais ou ao exercício de ações baseadas na imediaticidade. p. de renovar e negociar. Após a discussão evidenciada e levando para o âmbito institucional. tendo em vista o dever de tornar acessível os direitos dos usuários e ao mesmo tempo garantir o posto de trabalho. tendo em vista a forma dual que requer as respostas do assistente social junto as demandas do capitalismo e a da classe trabalhadora. Nesse escopo será evidenciada a importância do Serviço Social como profissão capaz de propor. os desafios postos à profissão. que afirma o assistente social como um ser prático-social dotado de liberdade e teleologia. o que mais se destaca é fragilidade da articulação entre as políticas setoriais. 2008. um desafio é romper as unilateralidades presentes nas leituras do trabalho do assistente social com vieses ora fatalistas. capaz de realizar projeções e buscar implementá-las na vida social. não ferindo os direitos dos usuários. Verifica-se uma tensão entre projeto profissional. Realidade que não deve comprometer a atuação do assistente social. 416) É a partir dessa linha reflexiva em que são postos os desafios para os profissionais de Serviço Social. e a condição de trabalhador assalariado. cujas ações são submetidas ao poder dos empregadores e determinadas por condições externas aos indivíduos singulares. ou seja. bem como em permanente renovação de conhecimentos. tal como se constata no cotidiano profissional”. (IAMAMOTO. ainda que coletivamente possam rebelar-se. uma vez que corresponder somente aos interesses contrários aos do projeto ético político é abrir espaço para uma prática com resultados nefastos. Assim aderindo a uma postura de concessão para ambos os lados. Segundo Iamamoto (1992a). Para uma prática profissional em acordo com o projeto ético político. visto que a sua prática constitui porta de entrada para a reflexão voltada a teorias que referenciam os princípios da ontologia do ser social.

tendo em vista que a conciliação ainda é utilizada como metodologia em audiências. assim recaem na decisão de conviver numa relação conjugal conturbada e desumana. provisória. Vários agressores voltam a cometer a violência por falta de uma posição mais rígida da justiça. uma vez que o perfil apresentado pelas usuárias é norteado pela fragilidade econômica. uma vez que para isso é necessária a colaboração de todos. é pertinente dizer que consiste numa medida protetiva de urgência. Após ser desligada da Casa-Abrigo. mas ao se dar o desligamento da moradia protegida. grande parte das mulheres volta a conviver com os agressores. esta quando realizada perdura por pouco tempo. visando a ruptura da dependência econômica. há o diagnóstico de que o número de denúncias não é compatível com o número de prisões. O grande entrave a ser superado está na reincidência dessas usuárias aos serviços de proteção. ou seja. A perspectiva para o Serviço Social está relacionada à articulação das políticas setoriais para o melhor fortalecimento da rede. seja pelo estabelecimento de parcerias que insiram as usuárias em atividades voltadas para a geração de renda. não há garantias para que essa mulher não seja novamente agredida. Apesar de ter sido um avanço a implementação das Casas-Abrigo no Brasil. mais conhecida como Maria da Penha. na qual a mulher vítima rompe o vínculo com o agressor. não possuem recursos financeiros para prover suas próprias vidas e principalmente a dos filhos. tendo em vista novos episódios de violência contra a mesma mulher.340/2006. abrindo-se assim um leque para novas oportunidades. ou seja. que muitas vezes não é a forma mais viável. mas a própria inserção do agressor em atividades educativas que vise a sua recuperação. visto que há a necessidade de uma maior atenção por parte do Estado e da Justiça em garantir meios para o enfrentamento da violência doméstica. Através das fragilidades apresentadas no âmbito profissional. No caso específico das vítimas acolhidas pela Casa-Abrigo. descontínuo e aleatório. mas irá paulatinamente dar suporte às vítimas para a retomada da autoestima e da independência. É evidente que a atitude de criar parcerias não finalizará o processo de violência. . A prisão não consiste como única maneira de minorar a violência doméstica.52 diz respeito ao acompanhamento das usuárias após o desligamento da Casa-Abrigo. Outra situação apresentada é a não efetivação da Lei 11. o dilema recorrente na área de proteção a mulher vítima consiste em não desenvolver um atendimento focalizado.

53 CAPÍTULO II .

membro da Academia Sergipana de Letras e Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe. portanto é necessário que todos os profissionais que são requisitados nos encaminhamentos. o projeto será respaldado na prática de ampliação do conhecimento acerca dos procedimentos realizados pela instituição. atuava nos estudos de comunidades de mulheres trabalhadoras e da igualdade de gênero. serão utilizados os procedimentos metodológicos: a criação de folders. Nesta perspectiva. É importante ressaltar que as usuárias em situação de violência doméstica necessitam de um atendimento diferenciado.54 PROJETO DE INTERVENÇÃO TECENDO A REDE DA CASA-ABRIGO PROFESSORA NÚBIA MARQUES APRESENTAÇÃO O projeto ora apresentado pauta-se na investigação da prática institucional desenvolvida no estágio curricular obrigatório na Casa-Abrigo Prof. ampliando debates em torno do tema em questão. dentre elas a fragilidade nos encaminhamentos realizados no período de abrigamento das usuárias. visitas institucionais escolhidas intencionalmente (contato com os profissionais de Serviço Social) e a construção de um blog que desempenhará o papel de interlocutor entre a Casa-Abrigo e as instituições visitadas. tendo em vista a ampliação de informações sobre o tripé: violência doméstica. . na diminuição do tempo de espera e no cuidado ao tratar os casos apresentados. e isto requer um conhecimento aprofundado da questão. principalmente na compreensão do sigilo de endereço da CasaAbrigo. A partir da dinâmica de funcionamento foram analisadas algumas dimensões. ficcionista. disponham de informações acerca do que é a Casa-Abrigo e as prioridades apresentadas pelas assistidas da instituição. esta proveniente do desconhecimento por parte de algumas instituições e profissionais em lidar com o público. no que reside na adequação do local de espera (não expondo a usuária). 14 Professora Núbia Marques foi poeta.ª Núbia Marques14. com vistas a resguardar sua integridade física e psicológica em detrimento do agressor. o que consequentemente aprimorará o acolhimento das vítimas pelos órgãos da rede de atendimento. Casa-Abrigo e usuárias. Para a concretização desse trabalho. A avaliação das atividades se dará após os primeiros contatos com as instituições.

É extremamente importante que a usuária ao chegar a qualquer instituição. Então por entender que a Casa-Abrigo é o único espaço em que as usuárias se sentem protegidas. geralmente apresentam fragilidade emocional. já que as usuárias precisam ser acolhidas por profissionais que conheçam as suas necessidades.1-Localização do problema Devido a natureza sigilosa da Casa-Abrigo. segundo os parâmetros do termo anteriormente citado. também expõe vidas ao risco de invasão do agressor a qualquer momento. bem como as necessidades para o atendimento das mulheres em situação de violência doméstica. Nos casos atendidos é comum o histórico de perseguição do agressor à vítima. levando-se em conta a não exposição a comentários e julgamentos por parte de pessoas desconhecidas ou até mesmo um novo contato com o agressor. 15) É preciso que os profissionais entendam que a quebra do sigilo de endereço é uma questão muito complexa. este baseado em tortura. é inviável desconstruir toda a referência em acolhimento efetivo ao enfretamento à violência doméstica. sem discriminação de raça. (p. 2.55 2.14) Outro ponto a ser mudado nos encaminhamentos é a curiosidade por parte de alguns profissionais em saber a localização da Casa-Abrigo. A inobservância desses itens implicará na denúncia do convênio a qualquer tempo”. . acessível e otimizado. possa ser atendida em pouco espaço de tempo. sem julgamento de qualquer natureza. para que assim possam desempenhar uma acolhida sem preconceito e culpabilização. etnia ou classe social”. constituindo cláusula de convênio. De acordo com o pressuposto número cinco do Termo de Referência de enfrentamento à Violência contra a Mulher “a acolhida deve ser qualificada e respeitosa. Por isso é imprescindível um atendimento sigiloso. (p. difamação e ameaça de morte. “o sigilo e a segurança da Casa-Abrigo são condições essenciais para o seu funcionamento. O não conhecimento tem ocasionado a fragilidade na rede de atendimento. muitas instituições não conhecem os serviços disponibilizados pelo equipamento. que além de ser impedido em cláusula contratual no firmamento do convênio.2-Justificativa A Casa-Abrigo atende usuárias que estão em situação de violação de direitos.

cultural. Com o cumprimento das ações voltadas para a realidade da mulher. o atendimento da rede será mais eficaz.56 Nos encaminhamentos realizados pelo abrigo é notório que alguns profissionais desconhecem a magnitude do problema. Com a efetivação do atendimento diferenciado e conhecimento das necessidades evidenciadas pelas usuárias. isto é. que passará a ser entendida mais amplamente. o que compromete a execução do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. e trabalhar direitos violados é uma questão muito complicada. familiar. A violência de gênero deve ser reconhecida como uma violência histórica intrínseca na cultura machista/sexista desenvolvida pela sociedade desde tempos remotos. dentre outros. Sem o apoio das instituições e profissionais que são requeridos pela CasaAbrigo no período de abrigamento das assistidas. haverá um atendimento mais qualificado. É preciso que os atendimentos pautem-se na compreensão de que a rede precisa resguardar a integridade física e psíquica das usuárias. seja no âmbito do trabalho. as ações ao enfrentamento à violência passam a ser fragmentadas. que propõe a eliminação de qualquer forma de discriminação contra a mulher. é relevante que a sociedade em geral visualize a violência doméstica como uma violação dos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988.3-Objetivos Objetivo Geral • Sensibilizar os profissionais que trabalham no enfrentamento da violência doméstica sobre a importância do atendimento diferenciado e adequado para as usuárias. com a contribuição de propagar a idéia da promoção da equidade de gênero em qualquer situação. Objetivos Específicos . Partindo do pressuposto de garantia de direitos. 2. principalmente na concepção sobre a violência. político. com respostas mais pontuais a cada caso. Faz-se necessário que os profissionais abracem a causa relacionada ao desvelamento da diferenciação nas relações entre homens e mulheres. sem realizar julgamentos imediatistas e desvinculados ao histórico de submissão da mulher com relação ao homem. com uma análise mais profunda das causas e consequências.

enquadrado nos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988. visto as reivindicações dos movimentos populares. a violência doméstica contra a mulher passou a ser um problema público. houve um respaldo ao enfrentamento da violência. psicológica. 5. de 888 mulheres que prestaram queixa na Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher de Aracaju. Ratificando essa idéia no parágrafo 8º do mesmo artigo. Em Sergipe os dados são consideráveis. Apesar dos avanços. ligados ao respeito da dignidade. criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. sexual. Sua prática consiste na violação dos direitos humanos.8 milhões de mulheres brasileiras já foram espancadas ao menos uma vez”. uma a cada 15 segundos e que 6. o que mostra uma desistência significativa por parte das vítimas.8 mil por dia. o que acaba ratificando a impunidade.340 de 7 de agosto de 2006. sobretudo do feminista. 6 – 19 a 25 de abril de 2010”. que esta é uma prática constante. Cadernos 1 p.1 milhões de mulheres são espancadas por ano no país. De acordo com os dados do “Jornal CINFORM. Com a promulgação da Lei 11. No artigo 226 da Constituição Federal. 243 por hora. . o que retrata o crescimento da violação dos direitos humanos das vítimas. Pode-se perceber através dos meios de comunicação. “estima-se que cerca de 2. Após anos em âmbito privado. 4 por minuto. Com base nos dados da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001. 2. o Estado assegura assistência à família na pessoa de cada um que a integram. no período de janeiro a 12 de abril de 2010.4-Contextualização teórico-histórica do objeto de intervenção A violência doméstica é caracterizada de múltiplas formas. somente 156 optaram por inquéritos policiais. Fortalecer a Rede de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica com a divulgação dos serviços oferecidos pela Casa-Abrigo. é aberta a possibilidade de novas agressões.57 • • • Apresentar a Casa-Abrigo as entidades mais requisitadas nos encaminhamentos realizados pela instituição. Proporcionar um maior conhecimento sobre as necessidades apresentadas pelas usuárias. 175 mil por mês. a família é definida como base da sociedade e por esse motivo deve ter a proteção especial do Estado. seja ela física. a violência doméstica ainda tem ocupado lugar expressivo nos lares e na sociedade brasileira. visto que sem o enquadramento do agressor na lei. visto o número representativo de casos registrados em delegacias. mais conhecida como Lei Maria da Penha. moral e patrimonial.

As mulheres em situação de violência que provém de uma estrutura familiar abastada. não governamentais e a comunidade. na relação entre homens e mulheres ao longo da história. Enquanto expressão da violência de gênero. Por isso que a prática agressiva é mais comum entre pessoas que possuem laços consanguíneos ou pela afinidade. as mulheres são a quase totalidade das vítimas dessa forma de violência. visando à ampliação e melhoria da qualidade do atendimento. principalmente na execução de organismos que trabalham no enfrentamento da violência.49) Nessa linha de reflexão. ou seja. dentre eles: “até que a morte os separe” ou “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Entretanto a concentração de instituições que tratam da temática de gênero está localizada em regiões de menor desenvolvimento humano. ainda encontramos alguns jargões. A questão da política de gênero no Brasil ainda é considerada recente. por essa razão há a dificuldade em sistematizar dados que contemplem o número de casos em território nacional. sobretudo na efetivação da denúncia através do registro do boletim de ocorrência. visto que a família é posta como algo sagrado e por isso indissolúvel. no plano individual. visto que a divulgação constitui uma vergonha para a vítima e sua família. entre formas de violência doméstica.. (ROCHA. Conduta adotada para a não exposição da vida pessoal à sociedade. numa realidade de submissão e correlação de forças. A origem dessa violência encontra-se na organização social de gênero. [.] refere-se à atuação articulada entre as instituições/serviços governamentais. O trabalho busca dar conta da . à identificação e ao encaminhamento adequado das mulheres em situação de violência. principalmente quando há crianças envolvidas. em relações de desigualdade e hierarquia que se expressam. alicerçada na superioridade masculina. Segundo Rocha. geralmente acabam omitindo as agressões. que segundo conceito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. tendo em vista a amplitude direcionada à ruptura dos episódios de agressões. sobretudo em meios de comunicação.. na vivência cotidiana dos papéis sociais sexuados em proveito dos homens. a violência conjugal. Idéias que dificultam o processo de ruptura da violência doméstica. caracterizada por relações de dominação e de abuso de poder do cônjuge do sexo masculino sobre o cônjuge do sexo feminino. 2007 p.58 É pertinente dizer que a violência está ligada a questão de gênero. já que sua prática independe de classe social e raça. Para lidar com a violência doméstica foi criada a rede de atendimento às mulheres. e ao desenvolvimento de estratégias efetivas de prevenção. Distingue-se. A violência doméstica não está restrita as camadas populares com menor poder aquisitivo.

o número apresentado está diretamente ligado ao fator populacional e extensão do território. entre outros. destaca-se a Casa-Abrigo Prof. . O contato da mulher em situação de violência com a Casa-Abrigo é realizado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher-DEAM. uma unidade de Serviço de Atendimento as Mulheres Vítimas de Violência Sexual. pelo CREAS São João de Deus ou CRAS mais próximo da residência da ofendida.2% dos que contam com centros de referências). Os dados evidenciam o crescimento da rede de enfrentamento à violência doméstica. existem no território nacional 262 municípios com Casas-Abrigos. requer o controle quanto à divulgação de seu endereço em qualquer meio de comunicação. por isso o seu serviço é direcionado para casos que apresentem rompimento dos laços afetivos. a segurança pública. O abrigo por ser de natureza sigilosa. Faz-se necessário destacar que os órgãos com serviços especializados estão concentrados na Região Sudeste (35% dos que possuem Casas-Abrigos e 32. 559 com centro de referência de atendimento à mulher. a justiça. duas Organizações Governamentais de Políticas para as Mulheres. 117) Diante da conceituação. uma Delegacia Especializada. A Casa-Abrigo é uma instituição enquadrada na Proteção Social Especial de Alta Complexidade do SUAS. 469 com núcleos especializados de atendimento à mulher das Defensorias Públicas e 274 com Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra à Mulher. Através dessa medida há a garantia da segurança e tranquilidade necessária num momento de extrema fragilidade emocional. já que o mesmo pode realizar ameaças ou até mesmo reincidir na violência física. (IBGE. já que não existe uma instituição do Governo Estadual direcionada à causa. De acordo com dados da pesquisa do IBGE-2009. (IBGE. sobretudo no apoio emergencial desenvolvido pelos abrigos em todo Brasil. que desde 2003 desempenha o papel de acolher as mulheres em situação de violência doméstica de Sergipe. a rede de atendimento é composta por um Centro de Referência da Mulher.59 complexidade do fenômeno da violência contra as mulheres e de seu caráter multidimensional. educação. 397 com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. que perpassa diversas áreas. 2009 p. três Conselhos de Direitos da Mulher. A precaução é tomada para evitar o contato da usuária e profissionais com o agressor.ª Núbia Marques como parte integrante da rede de atendimento. uma ONG e uma Vara Especializada. tais como: a saúde. a assistência social. uma Casa-Abrigo. sendo que o Nordeste concentra apenas 16% do total de Casas-Abrigos no Brasil. a cultura. 2009) Em Aracaju. risco pessoal e social.

entre outros). educação. segurança pública. mas compreende também as dimensões da prevenção. (BRASIL. Apesar do histórico de sofrimento de cada usuária. para o enfrentamento da violência doméstica é necessário que as instituições trabalhem em rede. momento crucial para a identificação dos possíveis encaminhamentos.. ou seja. assistência social. Cabe aos assistentes sociais e demais profissionais o dever de orientar e esclarecer as dúvidas das usuárias e encaminhá-las aos serviços de acolhimento de acordo com a necessidade de cada caso. 2.60 A Casa-Abrigo oferece apoio às mulheres no período de abrigamento. É importante destacar que o bom desempenho da rede de enfrentamento à violência doméstica deve ser pautado no comprometimento dos profissionais com o respeito da subjetividade das usuárias. O enfrentamento requer a ação conjunta de diversos setores envolvidos com a questão (saúde. justiça. Por tanto. p. trabalho e geração de renda. Não é competência de o profissional ditar as normas que a mulher em situação de violência deve tomar. por meio da escuta especializada dos profissionais.5-Metodologia .154-155). em especial. no sentido de propor ações que: desconstruam as desigualdades e combatam as discriminações de gênero e a violência contra as mulheres. [.] diz respeito à implementação de políticas amplas e articulados. que são realizados de acordo com a realidade a qual se encontra a usuária. interfiram nos padrões sexistas/machistas ainda presentes na sociedade brasileira..2) A partir da idéia de fortalecimento da rede de atendimento a mulher. promovam o empoderamento das mulheres. e garantam um atendimento qualificado e humanizado às mulheres em situação de violência. que procurem dar conta da complexidade da violência contra as mulheres em todas as suas dimensões. 2007 p. algumas decisões devem ser realizadas de acordo com a vontade da mesma. foi constatada a necessidade do apoio das instituições para um acolhimento mais eficaz às usuárias da CasaAbrigo. oportunizando meios necessários a autonomia das mulheres através da articulação entre políticas e programas de habitação. é imprescindível que a autonomia de escolha seja priorizada. a necessidade de denúncia e separação. Segundo Rocha (2007. Soma-se ainda o conceito do Termo de Referência de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. da assistência e da garantia de direitos das mulheres. principalmente nas representações por elas evidenciadas. a noção de enfretamento não se restringe à questão do combate.

2577 Santa Maria (3179. 119 Porto D´anta (3179-3472) 15 Ver apêndice 1 . S/N Conj. a terceira etapa em que serão realizados os contatos telefônicos para os profissionais de Serviço Social.Avenida Tancredo Neves S/N Bairro: Capucho (3218-9400) ou (3259-2910) • Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.Avenida Tancredo Neves S/N Bairro: Capucho (3225-8650) ou (3225-8679) • Maternidade e Hospital Santa Isabel. Este instrumento será responsável pela interlocução entre a Casa-Abrigo e instituições. aspectos relevantes da Lei Maria da Penha e do Sistema Único de Assistência Social. A segunda etapa abrangerá a criação dos folders15. mais precisamente sobre o fluxograma e a dinâmica de atendimento. É importante ressaltar que algumas informações serão resguardas. Praça Pedro Diniz S/N Conjunto Jardim Esperança (31791438) -CRAS Antônio Valença Rollemberg.Rua Josué de Carvalho Cunha. Após construção do blog e folders. bem como os órgãos que fazem parte da rede de enfrentamento a violência doméstica. que serão utilizados como instrumentos de apresentação do blog às instituições da rede de atendimento.Rua Nossa Senhora das Dores. Augusto Franco (3179-3067) -CRAS Benjamim Alves Carvalho. visando o não comprometimento do sigilo institucional e na qualidade dos serviços disponibilizados.Avenida Canal 04. serão realizados contatos com as seguintes instituições do município de Aracaju: • Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM).Avenida Principal. com vistas à concretização de visita institucional. 900 Coroa do Meio (3179-3349) -CRAS Santa Maria. E por fim.61 O projeto será realizado em três etapas: a primeira se constituirá na elaboração do blog.3065) ou (31793069) -CRAS Porto D´Anta.Avenida Simão Sobral S/N Bairro: Santo Antônio (3212-4904) • Centros de Referência da Assistência Social de Aracaju: -CRAS Jardim Esperança. O blog conterá informações sobre a instituição. no que concerne aos aspectos de divulgação de informações sobre o funcionamento do abrigo.

S/N Bairro: Manoel Preto (3179-3469) -CRAS Risoleta Neves.6-Meta Abranger de maneira informativa 70% dos profissionais de Serviço Social e demais profissionais das instituições que serão objetos da intervenção. s/n Lamarão (31792818) -CRAS Profº.7-Usuários • Profissionais da área de Serviço Social e demais profissionais das instituições da Rede de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica. 2.Rua Itabaiana esquina com Estância S/N 3º andar Bairro: Centro Telefone: (3205-9400) / (8853-5355) • Instituto Médico Legal-IML. S/N Soledade (3179-2819) -CRAS João de Oliveira Sobral Rua Senhor do Bomfim. S/N Bairro: São José Telefone: (3216-5429) / (3216-3216) • Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher-NUDEM.Rua Marcelino Procópio da Silva. Carlos Fernandes de Melo -Avenida Paulo Figueiredo.Rua Vereador João Calazans. 79 Bairro13 de Julho (3179-3737) • Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis.Rua Alagoas. 845 Alto da Jaqueira Telefone: (3179-3475) -CRAS Coqueiral-Avenida Euclides Figueiredo. Gonçalo Rollemberg Leite.62 -CRAS Pedro Averan.DAGV de Aracaju. 2436 Coqueiral Telefone: (3215-2718) -CRAS Carlos Hadman Cortês . Carlos Marques.Avenida.Rua Itabaiana esquina com Estância S/N 2º andar Bairro: Centro Telefone: (3205-9420) / (3205-9422) • Fórum Olímpio Mendonça: Avenida Central 03. . S/N Conjunto Orlando Dantas Telefone: (3251-4141) -7ª Vara de Execuções Criminais de Sergipe -7ª Vara de Medidas e Penas Alternativas 2.Praça Tobias Barreto. S/N – Santos Dumont (3179- 2817) -CRAS Drº. 2051 Bairro José Conrado de Araújo (3179-2242) • Conselho Municipal de Direitos da Mulher.Rua: Nossa Senhora da Glória.

9-Recursos humanos e materiais Os trabalhos serão desenvolvidos pela estagiária em Serviço Social com o apoio da equipe técnica da Casa-Abrigo. Dar suporte técnico de acordo com a área de formação acerca da atuação profissional e dos encaminhamentos realizados. ASSISTENTE SOCIAL 01 PSICÓLOGA 01 ESTAGIÁRIA 01 . A avaliação dos resultados dar-se-á ao longo da intervenção. bem como a coleta de assinatura do profissional em folha de frequência (ver apêndice 2). 2. Recursos Humanos: PROFISSIONAIS COORDENADORA QUANTIDADE 01 ATUAÇÃO/ABORDAGEM Dar suporte técnico a respeito da rede de atendimento às vítimas de violência doméstica e da Casa-Abrigo. 2. Visitar as instituições mais usuais da rede de atendimento. principalmente no ato do acolhimento diferenciado. estes evidenciados no blog e nos encaminhamentos das usuárias a essas instituições. constituída pela Coordenação.8-Monitoramento e avaliação de resultados Para o monitoramento serão adotados os relatórios com os resultados de cada visita institucional. na medida em que forem detectados os retornos com os comentários e dúvidas a respeito dos serviços da Casa-Abrigo. com vistas a distribuir cartilhas com o endereço eletrônico do blog. tendo em vista a situação de violação de direitos.63 • População da área de abrangência das instituições a serem visitadas. Assistente Social e Psicóloga. Dar suporte técnico de acordo com a área de formação acerca da atuação profissional e dos encaminhamentos realizados. A contribuição dos profissionais residirá em dar suporte técnico nas dúvidas evidenciadas no blog. explicando os serviços da Casa-Abrigo.

Computador com acesso a internet (para atualização dos dados do blog) Planilha orçamentária MATERIAIS Caneta Esferográfica Folders Lápis Papel A4 QUANTIDADE VALOR UNITÁRIO R$ 0.00 R$ 0.50 VALOR TOTAL R$ 15.00 R$ 300. Folders.50 R$ 3.00 R$ 1.00 829.00 R$ 500. Caneta.00 R$ 2.10 R$ 13. papel A4 e lápis.64 Recursos Materiais: • • • • Transporte para deslocamento em visitas institucionais.50 R$ 13.50 30 unidades 100 unidades 15 unidades 1 resma com 500 folhas Gasolina 200 litros TOTAL DOS GASTOS .

Para a conclusão do projeto será realizada a avaliação dos resultados para detectar a sua eficácia. Período Etapas Elaboração do Projeto Construção do Blog Alimentação dos dados do Blog Criação de folder Comunicação junto instituições Visita Institucional Divulgação do folder Monitoramento e Avaliação dos Resultados Apresentação do relatório final as X X X X X X X X X X X X X X X Mês 1 X Mês 2 X Mês 3 X X X Mês 4 X X X Mês 5 X X X Mês 6 X X X Mês 7 X X Mês 8 X Mês 9 X Mês 10 X - .10-Cronograma O plano de ação será desenvolvido durante o ano de 2010.65 2.

abriu-se um novo espaço para troca de experiências. p. fortalecendo as ações desenvolvidas pelos profissionais da área. mas não está dissociada das fases anteriores. (CARDOSO. Após o primeiro contato com as instituições. Entretanto na execução do projeto também recorremos aos profissionais de psicologia.66 CAPÍTULO III 3-SISTEMÁTICA DE OPERACIONALIZAÇÃO 3. construindo assim um aperfeiçoamento investigativo e deliberativo para práticas diferenciadas criadas a partir da percepção dos profissionais da Casa-Abrigo e das instituições objeto de intervenção. enfermagem e coordenação das unidades visitas. Com a interlocução entre as instituições visitadas. A partir dessa nuance abre-se o espaço para a avaliação da solução encontrada no campo de estágio.1-Produção dos Instrumentos de Trabalho necessários à execução O planejamento é um mecanismo indispensável à execução das ações. por ter a característica de um agente multiplicador de conhecimentos.com. muito menos pelo contrário. Tal situação foi posta a partir da .com e o folder informativo. foram criados o blog abrigonubia. entretanto mais aguçada na prática de estágio. visto que através dele podem-se retificar possíveis erros e registrar/ampliar atividades que surtiram o efeito esperado. está estritamente vinculada a todo o processo vivenciado anteriormente do estágio. e-mail: abrigo. com a realização do contato prévio por meio telefônico apreendidos em mapeamento de cada unidade componente da rede de atendimento à mulher.nubia@gmail. Os instrumentos resultaram da capacidade investigativa apreendida ao longo da aprendizagem acadêmica. pois reúne todas as experiências adquiridas.49) Através desse acúmulo de conhecimento é que surgiu a proposta das visitas institucionais. 2008. Constituindo os instrumentos ligados a execução do presente projeto. Nesse momento foram apresentadas novas demandas. momento onde foram agendadas as visitas com os profissionais de Serviço Social. pode-se aferir que a intervenção é uma etapa específica.blogspot. com vistas no melhor desenvolvimento da comunicação entre a rede de atendimento a mulher e a Casa-Abrigo. Nessa perspectiva.

tendo em vista salvaguardar a imagens de todos os participantes. bem como para acumular informações que ao longo do tempo possam ser requisitadas para o aperfeiçoamento das ações.2-Propostas de elaboração de Registros Técnicos O registro das atividades desenvolvidas é muito importante para demonstrar a veracidade dos fatos. . bem como os serviços disponibilizados.3-Preparação dos elementos para a sistematização das atividades a serem desenvolvidas Os elementos de sistematização foram atribuídos ao longo da execução do projeto.67 realidade de trabalho interdisciplinar. bem como a realização de fotografia para ilustrar o momento da intervenção. saúde e demais setores. com a finalidade atestar a concretização de uma das etapas da intervenção. em que os resultados não foram prejudicados. Na execução do projeto foram coletadas as assinaturas de todos os profissionais. bem como o suporte técnico do blog com a assessoria de comunicação do mesmo órgão. tendo em vista o amplo interesse das categorias em assumir o papel de agentes atuantes na política de assistência. 3. em que foram disponibilizadas as impressões. foi desenvolvida a reprodução dos folders por meio de patrocínio com a SEMASC. uma vez que o serviço de abrigamento é uma ação que requer o cuidado minucioso da identificação de todos os profissionais da área. sobretudo pelo arcabouço conceitual sobre a violência doméstica e o seu impacto na vida das usuárias atendiddas. 3. entretanto é importante dizer que os mesmos se deram por meio da contribuição dos profissionais da Casa-Abrigo com a visão e experiência de como articular a rede. tendo em vista o contato com agressores. Seguido com os registros técnicos também foram redigidos os relatório de cada visita institucional. Na efetivação das visitas institucionais foi seguido um roteiro de intervenção. É importante frisar que a utilização das mesmas não será utilizada em meios de comunicação ou áreas afins. Na fase da sistematização propriamente dita. com a priorização da apresentação da Casa-Abrigo. Em seguida a distribuição dos folders e abertura de espaço para debate e sugestões. As fotografias foram tiradas em algumas visitas em plena concordância com os profissionais. algo bastante importante para a troca de experiências e conhecimentos.

que foi Tecendo a rede da Casa-Abrigo.68 Outro elemento importante para a execução do projeto foi a disponibilização do carro da Casa-Abrigo. Sem a articulação seria é impossível a aplicação das atividades. Saúde. 3. Com uma boa relação intrainstitucional as demais ações passam a ser desempenhadas com menor dificuldade. visto que os resultados deixariam de corresponder aos objetivos a que se destinavam. Segurança Pública e Judicial. seja através da liberação do espaço institucional e informações ou na prática efetiva de execução das ações. Coordenação da Casa-Abrigo e gestores da SEMASC. Partindo desse relacionamento um elo de confiabilidade interligado às necessidades evidenciadas ao longo do estágio. principalmente pelo reconhecimento acerca do problema a ser trabalhado. Por fim o apoio da coordenadora e supervisora técnica da Casa-Abrigo com a participação efetiva ao reservar um tempo para o agendamento das visitas. Para o desenvolvimento da relação interinstituicional contamos com a . uma vez que a sua prática amplia a capacidade de melhores resultados. para a efetivação das visitas. bem como das assistentes sociais do CREAS São João de Deus. Em que houve a necessidade do trabalho em conjunto. Por isso que o desenvolvimento das atividades deste projeto teve um forte empenho dos profissionais da Casa-Abrigo e os representantes das instituições visitadas. visto que o abrigo por si só não daria conta de atender as demandas requisitadas pelo enfrentamento da violência doméstica. A articulação intrainstitucional foi desenvolvida com a participação da equipe técnica do CREAS São João de Deus. A relação intra e interinstitucional é uma aliada para o não comprometimento dos resultados. principalmente no próprio sentido do título deste trabalho. A articulação foi realizada entre as entidades das políticas setoriais compostas pela Assistência Social. Cada profissional teve um papel de suma importância no desenvolvimento do projeto. com o empenho de divulgar as informações sobre a violência doméstica e rede de atendimento. Tendo em vista o comprometimento com a prestação de um serviço de maior qualidade para as usuárias atendidas pela Casa-Abrigo e demais órgãos da rede de atendimento à mulher.4-Articulação intra e interinstitucional para execução do projeto A articulação é indispensável e qualquer realização de trabalho. proporcionando a realização de várias visitas em pouco espaço de tempo. o que facilitou o deslocamento.

mais também como sujeito e não como vítima fadada à comoção masculina. por ser um momento reservado a aplicação do projeto de intervenção. em especial a audiências em delegacias. exigindo cada vez mais a vinculação da teoria com a prática. uma vez que o processo de apreensão de novos conhecimentos não pode ser finito é que foi lançada a proposta para criação do blog. o que proporcionou a visualização de várias opções para intervenção. não só no reconhecimento como cidadã. sob a óptica dos assistentes sociais. psicólogos e enfermeiros. A partir do contato direto com o profissional supervisor e usuários foram visualizadas as metodologias do olhar totalizante originário do Serviço Social. com vistas a desenvolver a divulgação da Casa-Abrigo Profª . A partir desse ínterim deu-se partida ao planejamento do projeto de intervenção. 4-AVALIAÇÃO O processo de aprendizagem no estágio supervisionado em Serviço Social passou por três períodos. a realização de relatórios de caso e acompanhamento através de visitas domiciliares e encaminhamento a rede de atendimento. a idealização de todo um conhecimento norteado pela capacidade teleológica aguçada e desenvolvida no campo de estágio. momento em que foi lançada uma miscelânea de conhecimentos acerca do enfrentamento a violência. como o atendimento individualizado do usuário. judicial e de segurança pública. O momento mais esperado foi a última etapa do estágio. A primeira etapa foi o momento de conhecimento da instituição objeto de estudo. bem como as refrações da questão social expressa nas mais diversas situações. Foi nesse período que abriu-se o espaço para o desenvolvimento de algumas ações que exigiam mais cuidado. mas esta com um acumulam mais aprofundados. constituindo etapas para o amadurecimento da atuação profissional. com vistas a solucionar o problema identificado. No segundo momento do estágio. ou seja.69 participação dos profissionais da área da saúde. A partir daí surgiram novas propostas para o direcionamento das políticas e da própria visão do Estado sobre a Mulher e a conquista de seu espaço. tendo em vista o amadurecimento de como ler e lidar com a realidade. de um momento da vida profissional. isto é. a compreensão sobre a dinâmica institucional já se fazia presente. A partir da necessidade de intervenção institucional para a finalização de uma etapa do processo de aprendizagem acadêmica.

blogspot. principalmente na manutenção das informações em tempo real. O blog foi construído minuciosamente com ativação na rede virtual a partir do dia 08 de agosto de 2010.70 Núbia Marques. constituindo um mecanismo agregador entre as instituições que compõe a rede de atendimento de enfrentamento a violência doméstica contra a mulher. que serviu como instrumento prévio de apresentação do blog aos profissionais de cada instituição visitada. com recursos e conhecimento próprio. Após discussão lançada pelas supervisoras técnica e pedagógica. A proposta de realização do blog foi considerada inovadora já que a maioria das intervenções estava ligada ao desenvolvimento de palestras e oficinas. Segue a lustração da página inicial do espaço virtual. ou seja. Para isso foi realizada a confecção de folders informativos. Gráfico 16: Página inicial do blog: abrigonubia. sendo inicialmente uma página sem vinculação institucional.com . Entretanto para a divulgação do abrigo o espaço virtual tornou-se mais viável. chegou-se a conclusão que o blog deveria ser vinculado ao site da Prefeitura Municipal de Aracaju. não querendo desmerecer tais procedimentos. à parte de qualquer site que o hospedasse. algo que foi concretizado a partir de articulação de supervisora técnica com a assessoria de comunicação.

tendo em vista a permanência do blog após a finalização do estágio. Conforme ilustração a seguir: Gráfico 18: Página inicial do blog: abrigonubia.blogspot.71 Gráfico 17: Link do blog hospedado no site da SEMASC A página foi lançada como link do site da SEMASC a partir do dia 29 de setembro de 2010. Com a utilização da tecnologia a avaliação quanto aos acessos do blog foi facilitada. constituindo assim um espaço como forte mecanismo de informação e contribuição para instituição. tendo em vista a disponibilização de uma ferramenta da própria página em rastrear o público de internautas.com .

algo que mostra a real propagação das informações16. como foi o caso da 7ª Vara de Execuções Criminais. entretanto o número de comentários realizados pelos profissionais ainda não foi considerado suficiente. O blog possui uma lista vasta de contatos adquiridos nas visitas institucionais. As propostas de visitas foram realizadas a contento.173. o objetivo de tal documento se deu ao fato da necessidade em apresentar o blog para cada profissional visitado. 13 em Portugal. se comprometeram em pedir ajuda para conhecer mais sobre a ferramenta e demais aplicativos. mais algumas fugiam da regra. a falta de carro da instituição para locomoção. embora tenha faltado a efetivação da apresentação do folder em três CRAS. os resultados não foram prejudicados. 72 nos Estados Unidos. Para cumprir mais uma etapa do projeto de intervenção. através dessa ferramenta é que foi visada a troca de experiências e esclarecimento de dúvidas. com o fortalecimento da rede de atendimento. tendo em vista a necessidade da participação de pelo menos 70% do público alvo. apesar de haver uma parcela mínima que demonstrou estranhamento quanto à utilização do blog por considerar um mecanismo de acesso restrito devido à falta de domínio com as ferramentas da internet.073 acessos no Brasil. sendo o último contemplado com as informações com a representação do psicólogo no dia da visita a Unidade Sócio Educativa do São Conrado. 9 na Rússia. Augusto Franco e Jardim Esperança. já que houve o registro de 1. Apesar dos desafios apresentados ao longo da execução do presente projeto. 16 Acessos contabilizados até as 18h 00min do dia 12 de dezembro de 2010.72 De modo geral. 7ª Vara de Execuções de Medidas e Penas Alternativas e Unidade Sócio Educativa do São Conrado. tendo em vista o surgimento de novas demandas e oportunidades em outros locais. após a realização do blog e email. com público diversificado. Para tentar superar tal fragilidade foram enviados alguns emails de incentivo para a participação por meio de comentários. Os desafios encontrados na realização das visitas foi o choque de horário entre os profissionais a serem visitados. sugestões e até incorporação ao blog como seguidor. já que a maioria dos profissionais participou efetivamente das discussões apresentadas nas visitas. o blog atendeu o principal objetivo de divulgar a Casa-Abrigo aos profissionais. . Os acessos foram surpreendentes contabilizados em 1. Entretanto através de diálogo realizados os profissionais que não possuíam muita familiaridade com o mundo virtual. bem como o surgimento de demandas para abrigamento na Casa-Abrigo. 5 no Canadá e 1 na Alemanha. localizados no Bairro Soledade. As visitas institucionais foram planejadas. também foram confeccionados folders informativos que foram patrocinados pela SEMASC.

73 CONSIDERAÇÕES FINAIS .

O contato com a Política de Assistência em sua execução propriamente dita ligou os saberes através da interlocução com os profissionais de Serviço Social. que é apenas um recorte. Através do estágio houve a aplicação do conhecimento além limites estruturais da universidade. sem respaldo fundamentado através de técnicas e diretrizes que norteiam o Serviço Social. Sem o conhecimento teórico as ações seriam meras atividades impensadas. principalmente pela busca constante do saber. Entretanto ao se evidenciar os momentos escandidos não há a dissociação entre eles. sendo este dividido em teorização e a prática. o que possibilitou a consolidação do projeto de intervenção com a participação de instituições públicas. o processo de estágio contribuiu para o entendimento conjuntural da profissão do Serviço Social. no campo acadêmico o alicerce deve está pautado na apreensão de conhecimento. foi a partir da oportunidade que foram abertas inúmeras reflexões fortalecendo assim a postura profissional em acordo com o código de ética. A inserção através do estágio obrigatório na Casa-Abrigo proporcionou um amadurecimento quanto ao arcabouço teórico apreendido durante todo o curso. do melhor intervir sob os olhares dos supervisores. Na Casa-Abrigo foi oportunizada a análise dos pontos fortes e de algumas fragilidades. a prática está sempre ligada à compreensão teórica a qual nos é atribuída ao longo da formação profissional. No geral. mas também pela complexibilidade em lidar com diversas demandas no campo de atuação. possibilitando uma miscelânea de informações e aguçando cada vez mais a troca de experiência. não só pela confirmação da necessidade de enfretamento da Questão Social. uma prévia do que cada futuro profissional vivenciará. que são peças indispensáveis ao processo de execução. principalmente no surgimento de novas demandas evidenciadas pelos usuários. partícipes da rede de atendimento a mulher. Direitos e outros. e o estágio é sem dúvidas uma etapa para o encontro entre essas subdivisões. dissolvendo muitos equívocos atribuídos nos senso comum. Após a realização de todas as etapas do curso de Serviço Social. o discente pode visualizar a capacidade de envolvimento entre o conhecimento acadêmico e a prática necessária ao cotidiano profissional.74 A aprendizagem é um processo construído em base estruturante que nos capacita para o exercício de diversas atividades. já que um complementa o outro. A partir da execução do . A experiência de estágio foi muito importante à aprendizagem. A vinculação da teoria com a prática é resultando de um processo histórico profissional. Psicologia.

75 projeto de intervenção foi posta uma série de dificuldades que também fazem parte de qualquer desenvolvimento profissional. sua prática foi um desafio que capacitou para o fazer profissional. por isso o estágio deve está associado a processo de aprendizagem. somando resultados enriquecedores a visão do futuro assistente social. .

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