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Developmental change in form

categorization in early infancy

Um estudo feito pelo Dr. Paul C. Quinn, investigador do departamento


de Psicologia da Universidade Washington & Jefferson

Problema: Será que a capacidade de categorizar a forma já está


desenvolvida logo desde o nascimento?

Hipótese Teórica: Se os bebés mostrarem uma preferência significativa


por um estimulo novo (isto é, uma forma de categoria nova) quando este
é apresentado emparelhado com um estímulo ao qual foram habituados
(isto é, uma forma pertencente a uma categoria à qual foram
habituados), então os bebés demonstram ter capacidade para categorizar
a forma.
Conceitos Teóricos
 Categorização perceptiva- ocorre quando estímulos
discriminadamente diferentes (ex: objectos, eventos) são
reconhecidos como membros da mesma categoria, tendo por base
uma representação interna da categoria, ou seja, uma Representação
Categórica.

É uma capacidade cognitiva muito importante, pois torna possível:


• que a memória se organize de maneira a que estímulos
perceptivelmente relacionados sejam representados juntos;
• que a identificação (de estímulos) seja adaptável, de modo a que
novos estímulos de categorias familiares sejam reconhecidos
também como familiares;
• a aquisição de informação mais complexa, uma vez que o

desenvolvimento do conhecimento conceptual tem por base um


primeiro conhecimento perceptivo (objectoconceito).

Discriminação Perceptiva ≠ Categorização Perceptiva:


• a discriminação perceptiva refere-se à capacidade de
distinguir diferentes estímulos.

É possível que a categorização perceptiva:


• reflicta uma capacidade inerente e que está funcional desde o
nascimento e pronta para ser desenvolvida com as experiências
ambientais;
• surja durante os primeiros meses de desenvolvimento como
resultado da recepção de inúmeros estímulos de várias categorias
ou como resultado da maturação neurológica, ou como resultado
de ambos;
• seja uma capacidade inata que se desenvolva com a experiência

e maturação  perspectiva interaccionista.


Objectivo das Experiências
Familiarização - apresentação à criança de uma imagem contendo uma
forma pertencente à mesma categoria.
Preferência - apresentação à criança de duas imagens simultâneas
contendo formas pertencentes quer à mesma categorias, quer a
diferentes categorias.

Experiência 1
O objectivo da experiência 1 é determinar se os recém-nascidos são
capazes de descriminar entre formas de classes diferentes.
Cada criança é familiarizada com um exemplar de uma categoria de
formas e, então, testada com esse exemplar já familiarizado
emparelhado com um novo exemplar de uma nova categoria.

Experiência 2
O objectivo da experiência 2 é determinar se os recém nascidos são
capazes de descriminar entre vários exemplares seleccionados dentro de
uma mesma categoria de formas.
Cada criança foi familiarizada com um exemplar de uma das categorias
de forma e então testada com o exemplar familiar emparelhado com um
novo exemplar da mesma categoria.

Experiência 3
O objectivo da experiência 3 é determinar se os recém-nascidos e as
crianças de 3,4 meses de idade conseguem formar representações
categóricas para as várias classes de formas geométricas.
Cada criança foi familiarizada a 6 exemplares diferentes da mesma
categoria de formas. Posteriormente foi lhe mostrado um novo exemplar
da categoria de forma a que ele havia sido familiarizado, juntamente
com um exemplar de uma nova categoria de formas. Foram feitas duas
exposições com os cartões emparelhados, sendo a posição de exposição
invertida a cada uma das exposições.
Se as crianças tivessem formado uma representação categórica da forma
dos exemplares apresentados durante os testes de familiarização, logo o
novo exemplar da nova categoria deveria atrair mais atenção do que o
novo exemplar da categoria familiarizada.

Instrumentos

• 4 categorias (círculo, cruz, quadrado, triângulo) e 8 exemplares


por categoria.

• Estímulo apresentado em cartões brancos, exposto sobre um


ecrãn branco e opaco, medindo 61 x 45 cm.

• Estímulos iluminados por 2 focos de luz.

• Estímulo apresentado aos recém-nascidos (Exp. 1, 2 e 3) com


12,5 cm de altura, e às crianças mais velhas (exp. 3) com 25 cm
de altura.

• Rustrak Event Recorder associado a um cronómetro

Aspectos importantes da metodologia

• Distância do olhar para recém-nascidos (Exp. 1, 2 e 3) é de 30 cm e


para as crianças mais velhas (Exp. 3) é de 60 cm, de modo a manter um
ângulo visual de 22.6º.

• Cada participante recém-nascido, é sentado numa posição erecta em


cima de um dos joelhos de um experimentador, com os seus olhos a 30
cm do ecrãn onde são expostos os estímulos. Este ecrãn, encontra-se
dentro de uma câmara de observação, cujos lados são revestidos com
um tecido branco.
• Estímulo isolado apresentado durante a processo de familiarização,
encontra-se no centro do ecrãn.

• Dois estímulos apresentados ao mesmo tempo encontram-se


equidistantes e separados por uma distância de 20 cm a partir do centro.

• Duração e direcção do olhar fixo das crianças gravadas por um ou dois


observadores através de pequenos buracos situados atrás, e de ambos os
lados do ecrãn, onde eram apresentados os estímulos.
• Observadores que gravam o tempo de olhar nunca são vistos pelas

crianças, não têm ideia do futuro resultado da experiência e não estão a


par de quando e em que posição são colocados os estímulos (já
familiares e/ou ainda desconhecidos) no processo de preferência.

Resultados
Experiência 1
• As crianças recém nascidas conseguem discriminar entre exemplares
de formas geométricas de diferentes classes.

Experiência 2
• As crianças recém nascidas conseguem descriminar diferentes formas
dentro da mesma classe.

Experiência 3
• As crianças recém nascidas não são capazes de formar representações
categóricas para as várias classes de formas geométricas.
• As crianças de 3-4 meses conseguiram formar categorias de
representação para as diferentes classes de formas geométricas.
Estas experiências mostram que pode existir uma dissociação entre a
discriminação perceptual e a categorização perceptual, o que se verifica
pelo facto de as crianças recém-nascidas terem conseguido distinguir
formas geométricas de diferentes classes (Exp. 1) e da mesma classe
(Exp. 2), mas não terem conseguido formar categorias de representações
de uma mesma classe de formas(Exp. 3).

Conclusões
As experiências demonstram que:
 Os recém-nascidos têm a capacidade de discriminar entre
exemplares de uma forma geométrica vs. Outra (ex. círculo vs.
quadrado, Exp. 1) e entre exemplares diferentes da mesma classe de
formas (ex. um círculo vs. outro, Exp. 2);
 Os recém-nascidos não dão provas de conseguirem formar uma
representação categórica de uma classe de formas (ex. círculos) que
inclua novos exemplares dessa classe (ex. novos círculos), mas que
exclua novos exemplos de outras classes de formas (ex. quadrados,
cruzes e triângulos);
 Os bebés entre os 3 e 4 meses são capazes de representar
categoricamente classes de formas geométricas simples;
 A discriminação perceptiva e a categorização perceptiva não são
processos semelhantes em que a primeira depende da segunda.
 As capacidades envolvidas na constância da forma (ao longo de
mudanças de perspectiva) não são as mesmas envolvidas na
categorização perceptiva (ao longo das mudanças de exemplares);
 Talvez os recém-nascidos consigam apenas formar categorias mais
gerais e abrangentes (ex. formas abertas vs. formas fechadas), em
vez de formarem categorias mais definidas e restritas (ex. uma forma
geométrica).

Esquema

Fig. 1 – Vista Lateral da experiência

Fig. 2 – Planta da experiência