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CONSTRUÇÃO COREOGRÁFICA E SEUS ELEMENTOS

Dançar é imprimir no corpo a sensação do movimento. (Dantas, 1999)

A coreografia:

Podemos inicialmente definir coreografia como a estrutura dada aos movimentos de dança para expressar determinada idéia. Observamos ainda que é o “desenho” da dança, criado para comunicar, por meio dos gestos dos bailarinos, onde são abertos a diferentes interpretações. Baseado em Costa (2005), devemos estudar a coreografia segundo três fenômenos – Estudos coreológicos da dança, fases da criatividade e composição das partes da coreografia, levantando considerações sobre o processo criativo na dança e o envolvimento dos participantes. A abordagem feita por Katz (2005) deu sua colaboração acerca da percepção nos processos criativos na dança, expondo três fases da percepção:

1. Percepto: o que vem de fora e é colhido pela percepção.

2. Percipuum: o percepto dentro do corpo, o exterior agora ao corpo encarnado.

3. Juízo da percepção: o percipuum transformado, pronto para ser desenvolvido ao mundo de fora.

Tomando livremente essas três fases, vemos que os estímulos são colhidos, trazidos e encarnados no corpo que os transformam e os impulsionam para fora, em ação criativa. A ligação entre o dentro e o fora, o antes e o depois é a percepção (corporificada) produzindo a linguagem e

assim dando inicio a criação coreográfica. O momento em que elaboramos a coreografia, manipulando os elementos da dança, combinando formas e os fatores de movimento, construindo as ações e os relacionamentos, incorporando os sons e o ritmo, enfim, é o momento da composição, o momento em que elaboramos a produção da dança, a qual o produto desse processo é a coreografia (Barreto, 2004). Encontramos ressonância em Lobo (2008), mostrando de forma mais metodológica a criação coreográfica, com base em três vértices do triângulo da composição: o imaginário criativo, corpo

cênico (bailarinos, figurinos e cenários) e movimento estruturado (individual ou em grupo). Sabendo- se que o processo inicia através de táticas direcionadas ao vértice do triângulo o “imaginário criativo”, com base nas idéias iniciais. Muitas coreografias têm mais presente um ou outro vértice e suas ações podem ser consideradas como as palavras de uma escrita que, juntas, formam as frases. Onde cada ação carrega consigo, conteúdos e significados, abertos a várias interpretações, dependendo de seus arranjos com os demais componentes e em relação com seus outros dois vértices do triângulo. Outras metodologias que podem se integrar ao desenvolvimento de uma coreografia são, segundo Lobo (2008), a elaboração das narrativas a partir de fórmulas pré-definidas, pode ser uma coreografia “Narrativa”, onde temos uma idéia central como um fio condutor da dança. Ou também a fragmentação, que vai sendo tecida a lógica da coreografia a partir de materiais fragmentados e sem ligação, para cada um fazer sua interpretação dar seu sentido final, esta técnica é muito utilizada em criações contemporâneas. Quando pensamos que está terminada a criação, ainda podemos prosseguir mantendo-se em estado de escuta. Observe a composição que você criou, fazendo-se alguns questionamentos como:

Suas idéias estão claras e fazem sentido pra você? A construção está coerente com o que você almejava? O que era pessoal agora pode ser considerado universal? Os intérpretes apropriaram-se dos movimentos e das intenções que compõe a coreografia? O uso e a exploração do espaço estão adequados? Sua estrutura está interessante e inovadora? Entre outras, fazendo assim, uma revisão geral da composição, realizando os devidos ajustes.

lançar um olhar aos elementos que estruturam a

composição coreográfica, visto que essa apresenta aspectos importantes a serem refletidos na tentativa de transcender alguns pontos conflitantes que surgem no ato de coreografar, como a ênfase dada no

Segundo LIMA & KUNZ “é importante (

)

produto final, a coreografia, e a soberania dos movimentos codificados e técnicos, em detrimento da gênese do movimento significativo para o sujeito que dança”. (LIMA & KUNZ, p.02) Para LOBO & NAVAS (2008), o artista corporal tem um imaginário criativo que é a sua imaginação criativa. No imaginário criativo, iniciam-se os motivos, os impulsos, os conteúdos, as idéias, os muitos “o quês” do que vamos manifestar em cada criação. É onde cada artista toma consciência do que quer expressar e dos motivos dessa expressão. (LOBO & NAVAS, 2008, p. 31)

Composição Coreográfica

Segundo LOBO e NAVAS (2008) a composição coreográfica é a dança elaborada e estruturada no tempo e no espaço, que se pode chamar de coreografia. Para ALVES (2007) a linguagem da dança, por mais que se organize em direção a um entendimento, nunca deixa de ser uma

experiência enigmática, pois é cheia de vida e variedade. E a coreografia é uma forma de expressar o

caráter enigmático da dança, é ainda “(

de sentido que justificam sua efetuação” (ALVES, 2007, p. 03).

Seguindo tal linha de pensamento, ALVES (2007) diz também que a composição em dança é uma forma de codificar algo que foge aos limites da representação, lembrando que para Descartes, “a representação nunca apresenta o referente, senão sob um ponto de vista” (ALVES, 2007, p. 03), por isso não se pode comparar uma representação com aquilo que ela representaria. ALVES (2007) conclui que a composição em dança não se resume a uma junção de figuras, afinal estas são objetos inteligíveis, mas sim a um conjunto de cifras, pois a composição coreográfica se dá quando a percepção não encontra figura. Embora haja uma tendência de se considerar a dança como manifestação direta e espontânea das emoções do dançarino, há todo um processo de elaboração/criação para se chegar à expressão de sentimentos e afetos pela dança. Tal processo de criação, em dança, subentende uma transformação dos movimentos e gestos cotidianos em movimentos de dança, através da utilização de procedimentos

técnicos e formativos(

O laboratório de criação é uma grande estratégia para a composição coreográfica. É nele que o corpo experimenta possibilidades gestuais, permitindo ao movimento produzir algo mais que um sentido funcional. (ALVES, 2007). Na criação coreográfica, pode-se partir de uma idéia, de um pressuposto e até de movimentos pré-elaborados mentalmente. Porém o que ocorre é que quando se vai colocar em prática esses pensamentos (movimentos), na busca do corpo de responder ao estímulo mental, o corpo delineia outro caminho, por vezes mais criativo, por vezes menos, e o pensamento acompanha esses movimentos como num diálogo. (STRAZZACAPPA, 1994, p. 33) Qualquer movimento necessita de técnica para ser realizado, porém é comum entender que a técnica da dança trata-se apenas do domínio de um determinado estilo de dança, dotado de formas prontas e especificas de movimento. “Não existe dança sem técnica”. Refletir acerca dos elementos constituintes na composição coreográfica em dança: movimento humano, a expressividade e a técnica numa perspectiva fenomenológica.

)

um conjunto de movimentos, que suscitam possibilidades

)

(DANTAS, 1997, p. 51)

Movimento Humano

Focalizando a reflexão de movimento humano para o movimento na dança este é considerado a matéria – prima desta arte, e como forma simbólica, é efêmero, fugaz e transitório. Um interessante paradoxo elucidado nas teorias abordadas por Saraiva Kunz (2003), aponta que ao mesmo tempo em que a dança é muito mais que um movimento, ela não é mais do que um movimento e justamente na tentativa de esclarecer esta proposição é que precisamos trazer outros pontos para discussão como a questão da gênese do movimento na dança. Dantas (1999) também realiza afirmações que vão ao encontro desse posicionamento, afirmando que o movimento na dança postula sua inutilidade e sua plenitude, pois ele não existe para cumprir um outro fim que não o de ser exclusivamente movimento, segundo esta autora, quem dança o faz porque realiza movimentos que não possuem, aparentemente

nenhuma utilidade ou função prática, mas que possuem sentido e significado em si mesmo, recriados, revividos a cada momento. Merleau-Ponty (1999) denomina o movimento na dança como um movimento abstrato, pois este inaugura no corpo um processo de reflexão e construção da subjetividade, superpondo o espaço físico um espaço virtual ou humano, para ele a possibilidade de projeção torna possível a organização dos dados sensíveis em um sistema de significações. Outra questão presente nesta pratica educacional é a marginalização do sentido/significado do movimento, da vivência da subjetividade de cada sujeito em prol de modelos e padrões de movimento vazios de significação. Desta forma, para abordar a questão do movimento humano é preciso explorar conceitos abordados por autores que auxiliam a ultrapassar a idéia de movimento na concepção mecânica tradicional, considerando principalmente as contribuições fenomenológicas e a concepção dialógica do movimento, direcionando esta reflexão para o fenômeno artístico da dança. De acordo com Kunz (1991), o movimento humano tem sido reduzido a um fenômeno físico, nada mais do que um deslocamento do corpo ou partes dele num determinado tempo e espaço, estabelecendo uma relação independente inclusive do sujeito que se movimenta. Na abordagem fenomenológica não se admite uma separação entre sujeito de um lado e mundo de outro, pois “o movimentar-se” é a forma de ação original do ser humano, por meio da qual ele se remete ao mundo, e na qual como ação, constrói a si como sujeito e o mundo como sua contraface imaginária” (TREBELS,2003,P.260). Em outras palavras o movimento humano compreende a possibilidade de diálogo com o mundo, inaugurando a cada momento novos significados na sua relação de não independência entre o biológico e o cultural. Para Gordijn (apud Trebels, 2003), o movimento inaugura a possibilidade de um diálogo intencional com o mundo e nesta dinâmica o ser que se movimenta experiencia um “significado motriz”. Assim, o se-movimentar envolve o sujeito e sua intencionalidade, e é através dessa que se constitui o sentido/ significado, a forma de ação original do ser humano. Kunz (1991,p.175) reafirma essa idéia dizendo que “O movimento humano é fundado na Intencionalidade”. Neste sentido, pode-se falar num fluxo de intencionalidade no movimento humano, do mundo para o ator do movimento e vice- versa. Movimentar-se significa também se relacionar intencionalmente com o mundo, o diálogo entre o ser e o mundo, no qual a ação questiona o mundo, o próprio sujeito e as coisas, respondendo ao mundo com sua presença. Nesta perspectiva, Tamboer (apud Kunz, 1991) propõe uma diferença no que diz respeito ao processo de aprendizado por imitação da intenção (movimento aberto) visando à singularidade e a valorização do corpo relacional, já a imitação da forma (movimento fechado), designa padrões de movimentos já fixados, encontrando no aspecto físico seu princípio. Aspecto fundamental na pratica pedagógica, pois esta diferenciação influenciará diretamente na experiência dos alunos na composição coreográfica. Se considerarmos a possibilidade de uma metáfora para exemplificar, poderíamos dizer que no primeiro processo o aluno por intermédio do professor poderá decidir o lugar e como vai realizar uma viagem, já no segundo ele não terá possibilidade de escolha, mas sim, de ser conduzido do inicio até o final dessa viagem. A dança traz como um de seus elementos a questão da técnica, entretanto se faz necessário explorar tal elemento, a fim de ampliar suas possibilidades e vislumbrar problemáticas e equívocos que cercam a experiência e o ensino da dança. Na história da humanidade a técnica representa um fenômeno dinâmico e presente praticamente em todos os domínios da vida, na dança apresenta-se enquanto um elemento que em certa medida acaba se sobrepondo a experiência estética, remetendo- nos a um conceito e uso reducionista e vulgar desse elemento.

o primeiro e mais natural objeto

técnico, ao mesmo tempo meio técnico do homem é seu corpo”. No entanto, na dança ainda se observa à compreensão de que a técnica refere-se a um meio para se chegar a um determinado fim,

um modo de controle do saber fazer em detrimento de uma obra final, como bem exemplifica Heller

movo meu corpo de uma forma tal e qual para que o público veja uma determinada

(2003, p.100) “

expressão em meu corpo”. Segundo o mesmo autor, “nesse agir, onde a técnica está a serviço de uma representação de um movimento, reina a instrumentalidade e o princípio de causalidade”.

Para Mauss (apud Saraiva Kunz et all, 2005,p.120) “(

)

Outra questão a ser discutida está no esvaziamento da expressão “técnica”, que não guarda mais o mesmo significado da arte, da techne. Hoje quando se fa la em técnica do corpo que dança, refere-se ao controle e eficiência de seus movimentos; voltado à ação mecânica que leva a uma relação de causa e efeito. Técnica deriva do grego Techné, o fazer artístico, Conforme Abbagnano (1999) o significado mais antigo desse termo indica que o sentido geral da mesma coincide com o

sentido geral de arte, compreendendo qualquer conjunto de regras apto a dirigir eficazmente uma atividade qualquer. Significando também criar, produzir, artifício, engenhosidade, habilidade. Segundo Fensterseifer in Fensterseifer e González (2005), para os gregos a noção de técnica significava o conjunto teórico-prático das técnicas intelectuais, corporais e fabris, neste sentido, o entendimento de técnica possibilitava uma dimensão “desveladora”, que acompanhava também os contornos da “physis” a qual compreende a noção de totalidade orgânica que abarcava a “unidade- indivisível- indissolúvel-de todas-as-coisas-de todas as dimensões e aspectos” (p.396). Na tentativa de avançarmos nesse questionamento, este estudo propõe trabalharmos com o elemento técnica, focalizando para um alargamento do conceito da mesma, com o intuito de olhar o fenômeno artístico enquanto uma experiência estética educacional que permita aos sujeitos relacionarem-se com este elemento de uma outra forma, mesmo que para isso seja necessário apontar para um processo de destruição de uma visão ingênua do conceito de técnica que ainda se faz presente. Heidegger , salienta duas dimensões deste conceito que tratam de um fazer humano e de um meio para alcançar um fim, para ele estas não podem ser desconsideradas, porém ainda não mostram sua essência. Desta maneira, considera tal definição correta, mas não verdadeira e é na tentativa de

determinar o verdadeiro que o autor tece suas reflexões, afirmando que “(

meramente passivo, ela influencia de forma decisiva a relação que o homem tem com seu mundo, ela participa desta forma na fundamentação do mundo” (HEIDEGGER, apud Brüseke,2001,p.61) . Neste caso, para Heidegger a compreensão do que é verdadeiro encontra-se no desocultamento (Entbergung), neste funda-se todo o produzir (poieses), segundo o autor o desabrigar é desvelar a verdade, esse entendimento perpassa a questão da técnica ser um mero instrumento, remetendo a importância de questionarmos as circunstâncias que surgem os meios e fins, pois no caso específico da dança, o instrumento trata-se do próprio sujeito que dança. Desta forma, definir a técnica como uma maneira de desocultamento significa entender a essência da técnica como verdade do relacionamento do homem com o mundo e não mais algo exterior e exclusivamente instrumental, mas a maneira como o sujeito apropria-se e aproxima-se da natureza, trata-se um fato histórico onde cada civilização mantém sua singular maneira e propósito de desocultamento. De certa forma, podemos observar tal fenômeno em alguns procedimentos adotados na composição coreográfica, quando é ignorada a individualidade, isto é, as experiências dos sujeitos, nivelando suas diferenças em movimentos padronizados e amorfos de significados, pessoais. Todavia, Brüseke (2001) considera que o processo de homogeneização é somente um dos aspectos do desocultamento técnico. Santin (1990) também explora a questão da técnica e sua validade reduzida e ou confundida na sua produtividade, concepção que acaba anulando a criatividade no trabalho humano. Assim, podemos lançar um olhar para o fenômeno da técnica e compreender suas diferentes acepções, ora com ênfase na criação ora no criado, ou seja, na técnica como meio eficaz para se alcançar um fim - o produto. Desta forma, torna-se urgente ampliação do conceito de técnica vigente na composição coreográfica, de um procedimento meramente mecânico casual, vislumbrando a possibilidade de atuar como um desocultamento, deixar-aparecer o movimento expressivo, permitindo que a ação seja puramente ação e não representação mecânica do movimento na dança. Neste caso, a desconstrução desse termo, volta-se para explorar a vivência do ato de coreografar e partilhar esse fenômeno com os sujeitos que o constituem.

a técnica não é algo

)

A expressividade

A expressividade dos gestos representa a possibilidade discursiva do contato imediato com o mundo

da percepção(

)

(Merleau-Ponty, 1999)

Para que um sujeito se expresse e mergulhe nessa aventura que é a arte da dança, não basta estar reproduzindo movimentos adequadamente, pois há a necessidade de outras percepções e

sentidos, a fim de ultrapassar um simples conjunto de movimentos já estruturados, cuja criação não é singular, conseqüentemente o sujeito não se entrega à aventura de interpretar e expressar-se artisticamente.

A expressividade faz-se presente no comportamento humano, na vida humana, entretanto, é

preciso focalizar para esse fenômeno no contexto artístico, mais especificamente na composição coreográfica, questionando a respeito da essência da expressividade no ato de coreografar? Como se relaciona o fenômeno da expressividade na coreografia em relação à supremacia do domínio técnico? Como ampliar a visão reducionista do conceito de expressão e técnica? Ou seja, como chegar à essência da expressão nos movimentos que constituem uma coreografia?

A respeito da representação do corpo próprio, Heller (2003) ainda afirma que mesmo que seja

possível nos representarmos, como na fala ou nos gestos simbólicos, nossas representações não

corpo não representa a si

mesmo previamente o movimento a ser executado- não há algo como uma” pré-estruturação “do movimento, mas uma sinergia das partes envolvidas" (Heller 2003,p.51). Aqui podemos lembrar tanto o dançarino que se deixa envolver pelo fluxo expressivo e vivencia o ato de dançar, quanto o que segmenta sua dança na tentativa de “acertar” os passos previamente ensaiados e codificados. Na composição coreográfica a técnica e a expressão não podem ser conceituadas e praticadas como um mero meio de dominação dos movimentos, para a representação específica de determinados movimentos já devidamente codificados, mas sim, deve representar um fundamento presente no desencobrimento dos movimentos artísticos na coreografia e que, portanto não se equivale a um meio, mas algo que se fundamenta num fazer poético, no “se-movimentar” significativo.

necessitam ocorrer simultaneamente, por um pensamento acerca delas, "

o

A Coreografia

A coreografia é a arte da composição estética dos movimentos corporais, cuja origem se dá

quando surge a necessidade de apresentar uma idéia ou sentimento a um público, através de movimentos corporais expressivos, passando de ritualísticos para cênicos ou espetaculares. A arte de coreografar se desenvolveu, paralelamente com a arte teatral, quando vai deixando de ser um ato de elo com o divino, para servir de diversão e propagação cultural. Os étimos gregos khorus (círculo) e graphe (escrita, representação), fundamentam a palavra

coreografia. O elemento círculo é uma referência às danças circulares e a orquestra, local onde o coro teatral grego dançava. Coreografar é desenhar/gravar o espaço com o movimento corporal.

O profissional que cria as coreografias é denominado coreógrafo e o que registra esses

movimentos graficamente é o coreólogo. A coreologia é a escrita da dança, que pode ser em pentagrama (partitura), como no Sistema Benesh ou em símbolos próprios de uma metodologia como, por exemplo, no método Laban Notation. Toda linguagem artística possui elementos estéticos específicos, assim como nas linguagens das Artes Visuais, do Teatro e da Música, a linguagem da Dança também possui seus códigos fundamentais.

A montagem de uma coreografia exige do artista um domínio dos elementos estéticos já

codificados por diversos estudiosos da dança, como o espaço, o tempo, o peso e a fluência, em relação

ao corpo em movimento. Numa coreografia esses elementos básicos dialogam entre si podendo construir outros sentidos causadores de diferentes sensações no espectador, pois de acordo com a composição realizada poderá obter diferentes resultados, como: equilíbrio, movimento, fragmentação, linearidade, etc. O autor pode ainda contar com os recursos específicos das outras linguagens artísticas, adicionando maior dramaticidade, alegria, surpresa, espanto, enfim, diferentes emoções quando utilizando adequadamente os elementos da música, das artes visuais, que muito tem

contribuído para os cenários, figurinos e adereços, e ainda, elementos do teatro que vem cada vez mais enriquecendo a cena contemporânea com as performances de dança/teatro e as preparações dos artistas bailarinos com suas técnicas próprias do universo do teatro. A coreografia pode ser criada como uma temática isolada, para ser apresentada de forma independente, e também pode ser produzida como parte integrante de um show musical, uma ópera, uma peça de teatro, um programa de televisão, e assim por diante. No meio acadêmico a coreografia também possui a denominação de balé, mesmo não sendo uma dança clássica.

O movimento ganha vida através da expressão e não só se repete como uma série mecânica do

corpo. Mas tendo que passar uma mensagem, sinergia. Para atingir seu objetivo que é o de expressar uma emoção através da composição coreográfica.

A conclusão disto é que temos um casamento perfeito entre o primeiro elemento: O

movimento e o segundo elemento: A expressividade. Não podendo deixar de fora o terceiro elemento:

A

técnica.

O

universo inteiro está em movimento: a terra, a água, o ar, os corpos celestes, os seres vivos,

etc. Tudo tem seu próprio movimento e ritmo, sendo ele voluntário ou não, consciente ou

inconsciente. É através do movimento das coisas que a história se faz; e foi através do movimento corporal que o homem primitivo começou a construir uma nova linguagem, a linguagem da dança; antes dele falar, escrever, ele dançou.

O homem começou a dançar para expressar-se, comunicar-se com sua tribo e com os Deuses;

pela exuberância física; para a fertilidade da terra e do homem; em nascimentos, casamentos e falecimentos; para pedir sol e chuva. A dança estava constantemente presente na sua vida; e durante os anos o homem foi codificando e decodificando seus próprios movimentos de acordo com suas crenças, necessidades e habilidades; e assim as diferentes danças surgiram em cada canto do mundo;

cada

E todas fazem parte da linguagem universal da dança; universal porque todas buscam o movimento

independente

O homem primitivo dançava porque não sabia falar, hoje os homens falam, mas continuam dançando,

mesmo depois de anos de evolução e transformação. Talvez, continuamos dançando porque o movimento faz parte de nossas vidas; porque a dança fortalece a saúde e o espírito. A dança é uma linguagem universal, através da qual o corpo se expressa, e os humanos se entendem. Assim como todas as artes a dança tem um papel importante na sociedade, a de unir homens, natureza e de um ser muito maior do que nós; além de desenvolver a psicomotricidade, a criatividade, a convivência social, o raciocínio, entre tantas outras coisas que contribuem para a formação de um cidadão.

sua particularidade.

qual

de

com

sua

forma

ou

finalidade.

História da Dança

qual de com sua forma ou finalidade. História da Dança A dança foi uma das primeiras

A dança foi uma das primeiras formas de expressão artística e pessoal. Pinturas de dançarinos

foram encontradas em paredes de cavernas na África e no sul da Europa na pré-história. Estas pinturas podem ter mais de 20 mil anos. As cerimônias religiosas que combinavam dança, música e dramatizações, provavelmente desempenharam um papel importante na vida do homem pré-histórico. Estas cerimônias devem ter sido realizadas para reverenciar os deuses e pedir-lhes mais sucesso nas

caçadas e lutas. As danças também podiam realizar-se por outras razões: como nascimento, curar um enfermo ou lamentar uma morte. Os sociólogos acreditam que a dança exerceu um papel importante na caça e em muitas outras atividades da vida pré-histórica. Os cientistas estudam as danças de várias culturas porque as formas de dança de um povo podem revelar muita coisa sobre seu modo de vida. Tanto as danças sagradas como as profanas existiam na Antigüidade, principalmente nas regiões junto ao mar do Mediterrâneo e no Oriente Médio. As pinturas, esculturas e escritos do antigo Egito fornecem informações sobre os primórdios da dança egípcia. Este povo dedicava-se principalmente à agricultura, por isso suas festas religiosas mais importantes se concentravam em danças para homenagear Osíris, o deus da vegetação. A dança também servia como entretenimento. Os escravos, por exemplo, dançavam para divertir as famílias ricas e seus convidados. Os gregos antigos consideravam a dança essencial para a educação, para o culto e para o teatro. O filósofo grego Platão aconselhava que todos os cidadãos gregos aprendessem a dançar para desenvolver o autocontrole e o desembaraço na arte da guerra. Danças com armas faziam parte da educação dos jovens de Atenas e Esparta. Danças sociais eram realizadas em ocasiões festivas. As danças religiosas desempenharam importante papel no nascimento do teatro grego. No século IV a.C., peças de teatro chamadas tragédias tiveram origem numa cerimônia de hinos e danças em homenagem a Dionísio, o deus do vinho. A emélia, uma dança cheia de dignidade executada nas tragédias, compreendia uma série de gestos conhecidos. Um bailarino experiente podia relatar todo o enredo da peça através desses gestos. As peças humorísticas chamadas sátiras, e as comédias gregas, incluíam músicas alegres.

sátiras, e as comédias gregas, incluíam músicas alegres. Quando os romanos conquistaram a Grécia, em 197

Quando os romanos conquistaram a Grécia, em 197 a.C., tinham adquirido grande parte da cultura grega, inclusive a dança. Os artistas romanos dançavam ao mesmo tempo em que faziam números de acrobacia e mágica. Alguns romanos importantes, apesar da popularidade da dança , a desaprovavam. Cícero, o famoso orador dizia: "Nenhum homem dança, a menos que esteja louco ou embriagado". Muitas tribos da América do Norte dançavam para pedir chuvas e uma boa colheita. Várias danças religiosas ainda são realizadas atualmente. Na Austrália, algumas tribos de aborígines seguem o antigo costume de imitar os gestos da caça durante uma dança religiosa realizada antes da caçada. Em alguns vilarejos ingleses, as crianças dançam em torno de um mastro com fitas numa festa para celebrar a chegada da primavera, no dia 1 de maio. Esse costume vem das antigas danças religiosas dos romanos, que dominavam a Inglaterra do ano 43 d.C. até princípios do século V. No dia 1 de maio os romanos cultuavam Flora, a deusa romana da primavera, dançando em torno de um mastro enfeitado com flores.

Durante a Idade Média, aproximadamente do século V até o século XIV, o cristianismo tornou-se a força mais influente na Europa. Foram proibidas as danças teatrais, por representantes da Igreja, pois algumas delas apresentavam movimentos muito sensuais. Mas os dançarinos ambulantes

continuaram a se apresentar nas feiras e aldeias mantendo a dança teatral viva. Em torno do século

XIV, as associações de artesãos promoviam a representação de elaboradas peças religiosas, nas quais

a dança era uma das partes mais populares. Quando ocorreu a peste negra, uma epidemia que causou a morte de um quarto da população, o povo cantava e dançava freneticamente nos cemitérios; eles acreditavam que essas encenações afastavam os demônios e impediam que os mortos saíssem dos túmulos e espalhassem a doença. Isto ocorreu no século XIV. Durante toda a Idade Média, os europeus continuaram a festejar casamentos, feriados e outras

ocasiões festivas com danças folclóricas, como a dança da corrente, que começou com os camponeses

e foi adotada pela nobreza, numa forma mais requintada, sendo chamada de carola. No final da Idade Média a dança tornou-se parte de todos os acontecimentos festivos.

A Renascença, que começou na Itália em torno de 1300 e espalhou-se por quase toda a

Europa, por volta de 1600, foi um período de grande desenvolvimento cultural. Na Itália, os nobres contratavam mestres de dança profissionais para criar espetáculos de corte que incluíam danças chamadas balli ou balletti. Compositores importantes compunham a música e artistas de grande

talento, inclusive Leonardo da Vinci, criavam as roupas e efeitos especiais, para os membros da corte poder oferecer espetáculos uns aos outros. Catarina de Médicis, membro da família que governava Florença, na Itália, tornou-se rainha da França em 1547, e levou para a corte francesa a dança e os espetáculos italianos. Para um casamento real em 1581, Catarina contratou um grupo de artistas italianos para ir a Paris e criar o magnífico Balé Cômico da Rainha, que pode ser considerado a primeira forma de balé. Ela foi muito imitada em toda a Europa. Além de produzir espetáculos, os mestres de dança ensinavam danças sociais à nobreza, como por exemplo, a saltitante galharda, a solene pavana e a alegre volta. A dança tinha também um significado filosófico durante a Renascença: muitas pessoas acreditavam que a harmonia de movimentos da dança refletia a harmonia no governo, na natureza e no universo. O Rei Luís XIV da França, que viveu de 1638 a 1715, incentivou muito o desenvolvimento do balé. Seu apoio às artes tornou a França, o centro cultural da Europa. Ele próprio dançou entusiasticamente, durante 20 anos, nos balés da corte. Um dos seus papéis favoritos, o de Apolo, deus grego do sol, deu-lhe o apelido famoso de "Rei Sol". Em seu reinado, o balé veio a ter seus próprios intérpretes profissionais e a seguir um sistema formal de movimentos. Aos poucos, os bailarinos foram se transferindo da corte para ao teatro. O teatro tinha um arco de proscênio, que emoldurava o palco e os separava do público.

O Romantismo foi um movimento artístico que deu grande importância à individualidade e à

liberdade de expressão pessoal. Até então, a maioria dos balés girava em torno dos deuses e deusas, mas com o Romantismo passaram a tratar de pessoas comuns. Muitos enredos de balés do século XIX tinham como personagens seres imaginários, como fadas e sílfides (espíritos do ar). No século XIX, grande parte das danças sociais que se popularizaram na Europa e na América começou com o povo. Outra vez, a nobreza em vez de lançar moda imitava os camponeses que dançavam valsas e polcas.

A dança, desde 1900, vem apresentando uma grande variedade de estilos e muitas formas

experimentais, que começaram com a dança moderna, baseada na liberdade de movimentos e expressão. Atualmente, os estilos de balé incluem elementos de jazz, dança moderna e rock. A dança teatral obteve o seu maior sucesso comercial nos filmes e comédias musicais.

Grandes números de novas danças populares surgiram e desapareceram no século XX. Em torno de

Grandes números de novas danças populares surgiram e desapareceram no século XX. Em torno de 1900, surgiu o cadewalk, com seus passos altivos e pomposos. Alguns anos mais tarde, surgiram o tango, depois o charleston (1920), nas décadas de 1930 e 1940 dançava-se o jitterbug e o swing. Surgiu então o rock'n roll em meados de 1950 e com o seu surgimento, os estilos de dança popular tornaram-se mais desenvoltos. Nas décadas de 1960 e 1970, os negros criaram o twist, o hustle e muitas outras danças que os brancos adotaram com entusiasmo. Nestes últimos tipos de dança, os pares dançam juntos e obedecem a uma seqüência marcada de passos. A dança é uma forma de arte que cresce a cada dia, sempre e em todo lugar estão surgindo novas danças, novos ritmos e novas combinações de passos. A dança contemporânea é tudo aquilo que se faz hoje dentro dessa arte, não importa o estilo, procedência, objetivo nem a forma. Para ser contemporâneo não é preciso buscar novos caminhos. São contemporâneos tanto os coreógrafos que usam a técnica de Balanchine ou Béjart, como os que se inspiram em Martha Graham; eles se inspiram em qualquer fonte: sua visão pessoal, a literatura e suas observações. A dança caminha ao lado da humanidade e de seus progressos, há uma grande riqueza à disposição do público, desde as grandes obras românticas até o modernismo, passando pelas danças folclóricas e as religiosas. Não é mais uma arte de elite, mas se transformou num meio de diversão de todas as classes, já que é apresentada além do teatro, em televisão, cinemas e praças.

HISTÓRIA DA DANÇA NO BRASIL

Na construção histórica do esporte e da Educação Física, a dança ocupa um lugar central, pois dela se origina a arte do movimento. E esta manifestação artística acompanha a vida humana na Terra desde seus primórdios. Por esta razão, Pierre de Coubertin, ao restaurar os Jogos Olímpicos a partir de 1896, procurou sempre prestigiar a dança e desde a década de 1920 ela tem sido parte fundamental dos Jogos Olímpicos de Inverno, esperando-se que seja incluída, em algumas de suas versões, nos Jogos de Verão a partir de 2012. Em termos de Educação Física, nas décadas de 1920 – 1930, na Europa, os grandes nomes da dança foram também os renovadores dos métodos ginásticos. Entre estes, cita-se Rudolfo Laban que coreografou a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Berlin, em 1936. Já nas últimas Olimpíadas de Sydney, culminando em 2000, a dança constituiu a base do programa cultural do evento. Em resumo, a dança é um fenômeno originário na cultura de todos os povos, que se manifesta em outras atividades corporais entre as quais incluem-se os esportes e a Educação Física, quer visando-se ao lazer, à saúde, à formação educacional, ou a todos estes em conjunto.

Década de 1920

No Brasil, a vertente da dança ligada à Educação Física surge neste período, por agregação

No Brasil, a vertente da dança ligada à Educação Física surge neste período, por agregação de movimentos ginásticos às suas bases elementares, constituindo práticas ofertadas pelas então denominadas “academias”, geralmente conduzidas por bailarinas vindas do exterior. Nas décadas seguintes, tal procedimento híbrido incorporou-se à formação de professores de Educação Física e de suas conseqüentes práticas docentes. Um marco pioneiro desta vertente ocorreu em 1925, ao serem oferecidas lições de balé clássico em conjunto com dança moderna, sapateado, ginástica rítmica e ginástica acrobática. O local em foco foi o Rio de Janeiro – RJ, capital e centro cultural do país, à época. A direção do empreendimento foi de Naruna Corder, brasileira de nascimento e egressa do Royal Ballet de Londres.

Década de 1940 Inclusão da dança por Helenita Pabst Sá Earp na formação de professores de Educação Física, na antiga Escola Nacional de Educação Física – Universidade do Brasil, na Urca, Rio de Janeiro – RJ (hoje UFRJ). Esta disciplina tornou-se influente ao longo da década, gerando um núcleo que liderou a disseminação da dança em diferentes modalidades, pelas demais faculdades e escolas de Educação Física por todo o país nos anos subseqüentes. Posteriormente, a dança passou a fazer parte dos currículos das licenciaturas de Educação Física em abrangência nacional. Tal proposta pressupunha que os alunos, ao explorarem os elementos artísticos e científicos do movimento, relegariam a segundo plano o aspecto motor, desencadeando um processo que originaria novas propostas de movimentos corporais com possibilidades criativas, então nomeado de SUD – Sistema Universal de Dança.

Década de 1980

de SUD – Sistema Universal de Dança. Década de 1980 A partir da Resolução 03 de

A partir da Resolução 03 de 1987 do então Conselho Federal de Educação, que reformulou a Licenciatura e o Bacharelado em Educação Física, inicia-se um processo progressivo de adaptação regional dos currículos desta formação profissional em nível superior. Nesta perspectiva, a dança foi favorecida por já ter uma tradição de meio século na licenciatura em Educação Física, como também pela maior possibilidade de optar por práticas de preferência local em comparação com as demais disciplinas. Já na esfera da aplicação da arte no processo educacional, o novo currículo confirmou a necessidade do profissional em Educação Física desenvolver competências em termos de dança em

suas diferentes manifestações. Além disso, a dança em Educação Física ressurge na UFRJ como Dança Rítmica, na Universidade Federal de MG como Ritmo/Movimento e, na Universidade Gama Filho, como Dança Educacional.

Década de 1990 Em pesquisa de campo com uma amostra de 80 faculdades de Educação Física de todos as regiões do Brasil – representando cerca de metade do total existente no país em meados da década, e um quarto do total atual – verificou-se que a dança constituía a sétima disciplina na ordem de preferências daquelas Instituições de Ensino Superior - IES, entre 370 opções de disciplinas identificadas no levantamento (DaCosta, 1999). Além disso, a investigação constatou um ecletismo generalizado em todas as disciplinas em razão da variedade local de adaptações à Resolução 03/87 do Conselho Federal de Educação, que descentralizou o currículo de formação superior em Educação Física via autonomia das IES. Neste período, também surgem evidências de que o método Dança- Educação Física vinha sendo fortalecido como proposta teórica relacionada ao trabalho corporal, voltada para a integração do indivíduo como um todo. Este método era comprometido com um trabalho educativo e formativo de base predominantemente preventiva, visando resgatar, no ser humano, um trabalho de conscientização corporal. E como tal, a sua versão mais geral, isto é, a Dança – Educação tornara-se parte importante da formação do professor de dança stricto sensu. Neste contexto de sentido formativo e educacional, houve maior valorização de IES dedicadas ao ensino da dança como profissão de nível superior, coincidindo com a expansão da oferta de cursos em escala nacional.

com a expansão da oferta de cursos em escala nacional. Situação Atual Nos primeiros anos da

Situação Atual Nos primeiros anos da presente década, assisti-se à consolidação da Dança-Educação na ocupação do espaço social em posição privilegiada, numa tendência já reforçada na década anterior. Esta perspectiva educativa implica em proporcionar, além do desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social (numa perspectiva da cultura corporal), o que tem de mais peculiar: expressividade acompanhada do ritmo. Em termos de Educação Física, tal formulação trata da arte/modalidade/atividade como promotora de desenvolvimento e autonomia corporal. Parceiros desta idéia estão os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCNs, documento este que classifica a dança como um dos conteúdos da Educação Física, possibilitando o desenvolvimento da cultura corporal na comunidade escolar. Nestas circunstâncias, o entendimento da dança na Educação Física hoje, pressupõe a variedade em suas modalidades de práticas, incluindo desde o ballet clássico às danças folclóricas.

HISTÓRIA DA DANÇA NA EDUCAÇÃO DOS POVOS

Fazendo uma analogia histórica, observamos que todos os povos, desde a Antiguidade, cultivavam formas expressivas como as danças, os jogos e as lutas. Como todas as formas de organização social, a dança sofreu, através dos tempos, influências do desenvolvimento socioeconômico e sociocultural dos povos. O encontro entre a dança e o ritmo mostrava as relações

entre os deuses e a natureza, sendo utilizadas nas manifestações religiosas para explicar fenômenos da natureza ou para agradecer pela colheita. Para os povos primitivos, esse sentido ritualístico da dança tinha o propósito de trazer a paz, a saúde e a felicidade. Segundo Caminada (1999, p. 22), “na forma mais elementar, a dança se manifesta através de movimentos que imitam as forças da natureza que parecem mais poderosas ao homem e que trazem consigo a idéia de que esta imitação tornará possível a posse dos poderes dessas forças”. Durante a Idade Média, na Índia e na China, a dança se apresentava de várias formas. Quando

o objetivo era a adoração de divindades, os dançarinos usavam máscaras e trajes coloridos que acentuavam o poder de representação e de abstração. Ao mesmo tempo, executavam movimentos acompanhados por cantos e danças, sendo que os mesmos eram registrados como um esquema (método) para ser seguido pelas gerações. Dançavam durante o ano novo lunar, por ocasião das colheitas e para louvar os deuses. Mais tarde, incluíram acrobacias e mágicas representando as crenças e costumes.

Já na Grécia, onde a beleza do corpo e a perfeição dos movimentos norteavam os estilos, a

dança estava inserida no plano educacional elaborado por Platão, sendo muito importante para a formação dos jovens. Para alguns filósofos, a música deveria ser o início, pois desencadeava um processo emocional e era fundamental na educação das crianças e dos jovens. Outros povos, como os gregos, utilizavam a dança para a educação dos guerreiros como forma de preparação para as lutas. Afirmavam que os melhores dançarinos se tornavam os melhores guerreiros. Com o Renascimento, grandes modificações ocorreram com a dança. Surgiram as expressões teatrais com o objetivo de educar o povo por intermédio da religião. Eram as danças teatrais. A partir delas, passaram a ser utilizados elementos macabros, como fantoches com membros disformes, que representavam os demônios. Com isso, a Igreja interveio de forma austera, reprimindo todas essas manifestações de dança, pois as mesmas representavam, aos olhos da Igreja, os demônios utilizando elementos macabros.

olhos da Igreja, os demônios utilizando elementos macabros. Por volta do século XIV, a dança começou

Por volta do século XIV, a dança começou a tomar novas formas e passou a fazer parte da educação dos nobres. Surgiram, então, os estilos de dança que se distinguiam entre nobres e camponeses pelas vestimentas e pelos sapatos. Os nobres passavam por um ensino mais específico de aperfeiçoamento, chamado de balé atualmente. Segundo Nanni (2001, p.15), “com o virtuosíssimo italiano e a finesse francesa, a dança que já

se academizara, transforma-se em dança teatral, para espetáculos. Estabelece, assim, um hiato entre a Dança/Educação e a Dança/Arte”. Na Rússia, a dança incorporou elementos do folclore de vários países, passando para um novo

estilo e permitindo a criatividade. Impulsionados pelos russos, os Estados Unidos e a América do Sul abriram suas portas para a dança e para seus espetáculos.

A dança passou a um estilo modernista, e os professores necessitaram de aperfeiçoamento

específico, além de suas competências educacionais. Essa nova tendência teve princípios filosóficos

de Rousseau, Marx e Darem, que enfocavam o movimento expressivo do homem como sendo capaz de possibilitar a incorporação de outros valores e de atitudes e de permitir uma expressão global de seu corpo com toda as suas emoções. Mais tarde, a dança consolidou-se nos salões da nobreza com formas em pares fechados e abertos e rondas corais, que eram movimentos de balanceios dançados em fila aberta ou em círculo por muitas pessoas.

A DANÇA NA EDUCACAO FÍSICA ESCOLAR

A Educação Física Escolar permite abordar didaticamente, além dos esportes e dos jogos, a dança. A criança possui múltiplas habilidades físicas, e o movimento corporal rítmico está relacionado diretamente ao seu crescimento como forma de exteriorizar seus sentimentos. Desde a Antigüidade, a humanidade já tinha no seu cotidiano a expressão corporal através da dança, utilizando-a em suas manifestações sociais. Cada cultura transportou seu conteúdo às mais diferentes áreas como a Arte, a Música e a Pintura. Dentre elas, as danças absorveram a maior parte dessa transferência. Isso porque a dança sempre foi de grande importância nas sociedades, seja como uma forma de expressão artística, seja como objeto de culto aos deuses ou seja como simples entretenimento. Em tempos mais remotos, a dança, por ser muito difundida em ritos religiosos, tinha um caráter místico.

religiosos, tinha um caráter místico. História da Dança O Renascimento cultural dos séculos XV e XVI

O Renascimento cultural dos séculos XV e XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, da cultura, da política e da religião. Dentro desse contexto, também a dança sofreu profundas alterações que já vinham se arrastando através dos anos. Na referida época, a dança começou a ter um sentido social, isto é, passou a ser dançada pela nobreza em grandes espetáculos teatrais e em festas apenas como entretenimento e recreação. Desde então, a dança social foi se transformando e, aos poucos, se tornou acessível às camadas menos privilegiadas da sociedade, as quais já desenvolviam outro tipo de dança: as danças populares. Essas alterações de comportamento foram se unindo às danças sociais, dando origem, assim, a uma nova vertente da música que, dançada por casais, mais tarde foi denominada de Danças de Salão.

Como diz Santo Agostinho: " saberão o que fazer contigo ”

Ó homem aprende a dançar! Caso contrário, os anjos não

Bibliografia

- BARRETO, Débora. Dança

- COSTAS, Ana Maria. O corpo veste cor: Um processo de criação coreográfica. Mestrado em Artes

- Universidade Estadual de Campinas, 2005.

- KATZ, Helena. Um, dois, três. A dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte, 2005.

- LOBO, Leonora e NAVAS, Cássia. Arte da composição: Teatro do movimento. LGE Editora, 2008.

- DANTAS, Mônica. Dança: o enigma do movimento. Porto Alegre: Ed. Universidade/

UFRGS,1999.

Ensino, sentido e possibilidades na escola. Campinas- SP, 2004.