INOVAÇÃO, UNIVERSIDADE E RELAÇÃO COM A SOCIEDADE: BOAS PRÁTICAS NA PUCRS

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Chanceler: Dom Dadeus Grings Reitor: Joaquim Clotet Vice-Reitor: Evilázio Teixeira Conselho Editorial: Antônio Carlos Hohlfeldt Elaine Turk Faria Gilberto Keller de Andrade Helenita Rosa Franco Jaderson Costa da Costa Jane Rita Caetano da Silveira Jerônimo Carlos Santos Braga Jorge Campos da Costa Jorge Luis Nicolas Audy (Presidente) José Antônio Poli de Figueiredo Jussara Maria Rosa Mendes Lauro Kopper Filho Maria Eunice Moreira Maria Lúcia Tiellet Nunes Marília Costa Morosini Ney Laert Vilar Calazans René Ernaini Gertz Ricardo Timm de Souza Ruth Maria Chittó Gauer

EDIPUCRS: Jerônimo Carlos Santos Braga – Diretor Jorge Campos da Costa – Editor-chefe

Jorge Luis Nicolas Audy Marília Costa Morosini (Orgs.)

INOVAÇÃO, UNIVERSIDADE E RELAÇÃO COM A SOCIEDADE: BOAS PRÁTICAS NA PUCRS

PORTO ALEGRE 2009

© EDIPUCRS, 2009 Capa: Vinícius Xavier Diagramação: Gabriela Viale Pereira Revisão: dos autores

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
I58 Inovação, universidade e relação com a sociedade [recurso eletrônico] : boas práticas na PUCRS / Jorge Luis Nicolas Audy, Marília Costa Morosini (Orgs.). – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : EDIPUCRS, 2009. 324 p. Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web: http://www.pucrs.br/orgaos/edipucrs/ ISBN 978-85-7430-872-2 (on-line) 1. Ensino Superior. 2. Universidade – Aspectos Sociais. 3. Universidade e Sociedade. 4. Responsabilidade Social. 5. PUCRS – Ação Social. I. Audy, Jorge Luis Nicolas. II. Morosini, Marília Costa. CDD 378.155.

Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS

Av. Ipiranga, 6681 - Prédio 33 Caixa Postal 1429 90619-900 Porto Alegre, RS - BRASIL Fone/Fax: (51) 3320-3711 E-mail: edipucrs@pucrs.br http://www.pucrs.br/edipucrs

SUMÁRIO

Apresentação .........................................................................................................9 Joaquim Clotet Prefácio ................................................................................................................12 Gabriela Cardozo Ferreira BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS HUMANAS Um pacto pela Terra: a colaboração da Teologia na formação da consciência ecológica .............................................................................................................14 Leomar Antônio Brustolin Renato Ferreira Machado I Olimpíada de Filosofia do RS.............................................................................35 Sérgio Augusto Sardi Muita Prosa e Muito Verso: idosos e a literatura ..................................................45 Maria Tereza Amodeo Intervenção na Comunidade por meio dos Contos de Fadas ..............................56 Nadia Maria Marques Leanira Carrasco Mônica Kother Macedo “Formação de Jovens e Adultos Leitores na comunidade do Morro da Cruz”......67 Maria Conceição Pillon Christofoli Maria Inês Côrte Vitória Jussara Margareth de Paula Loch BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS Saúde e trabalho no Mercosul: a experiência do Centro Colaborador e suas estratégias............................................................................................................78 Jussara Maria Rosa Mendes SET Universitário: 21 anos comunicando-se com a sociedade............................86 Vitor Necchi Fábian Chelkanoff Thier Neka Machado Por uma teoria dos direitos e deveres socioambientais: aproximações sociais e jurídicas a partir do exemplo da judicialização do direito fundamental à saúde ..95 Ingo Wolfgang Sarlet Carlos Alberto Molinaro

Laboratório de Mercado de Capitais – A Universidade capacitando gratuitamente a sociedade ........................................................................................................107 Letícia Braga de Andrade Leandro Antonio de Lemos BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS BIOMÉDICAS Integrando ensino, pesquisa e extensão para resolver um problema de conservação ambiental e saúde pública ............................................................119 Júlio César Bicca Marques Banco de Dados em Saúde Bucal: uma forma inovadora da descoberta do conhecimento na odontologia.............................................................................131 Eduardo Gonçalves Mota José Antônio Poli de Figueiredo Duncan Dubugras Ruiz Luciano Costa Blomberg A formação de uma rede de pesquisa científica através da criação de uma “Liga da Pesquisa Cirúrgica” .......................................................................................139 Jefferson Braga Silva Lucas Colomé Alessandra Sebben Martina Lichtenfels Marcelo Rabello Análise do salto horizontal em contexto inclusivo ..............................................145 Daniela Boccardi Goerl A oferta de medicamentos de qualidade para a sociedade................................157 Ana Lígia Bender Cristina Maria Moriguchi Jeckel Flavia Valladão Thiesen José Aparício Brittes Funck Efeito da modificação do estilo de vida sobre os fatores de risco cardiovascular que compõem os critérios de diagnóstico da Síndrome Metabólica, marcadores inflamatórios e balanço autonômico: um estudo randomizado...........................161 Ana Maria Pandolfo Feoli Fabrício Edler Macagnan Virgínia Schmitt Márcia Koja Bregeiron Maria Terezinha Antunes BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS EXATAS Prática de ensino em ambientes não-formais de educação: um projeto social que envolve docência e pesquisa .............................................................................173 Monica Bertoni dos Santos

Ensino de Física para inclusão: o reconhecimento da diversidade e a superação das dificuldades de aprendizagem .....................................................................183 João Bernardes da Rocha Filho Valderez Maria do Rosário Lima Nara Regina de Souza Basso Desafio de Robôs: Integrando a Sociedade no Mundo da Robótica ..................194 Rubem Dutra Ribeiro Fagundes André Luiz Tietböhl Ramos ENADE Comentado-Computação: Compartilhando Contribuições para a Avaliação de Cursos ..........................................................................................203 Flávio M. Oliveira Carlos A. Prolo Avelino F. Zorzo Gilberto K. Andrade Porto Alegre Acessível: estratégias inovadoras para a política de acessibilidade e Inclusão Social ...................................................................................................213 Mario S. Ferreira Ana R.S. Cé José C. B. Campos João F.D. Moraes Suzana C. Barboza Paulo H. Regal Nova abordagem Safety na segurança de cabine..............................................224 Ubirajara Kneipp Andréa Kneipp Dal Bosco Inovação na formação de professores de Química: a integração ensino-pesquisaextensão.............................................................................................................235 Maurivan Güntzel Ramos Concetta Schifino Ferraro Rejane Rolim Azambuja BOAS PRÁTICAS NOS INSTITUTOS ESPECIAIS Gestão Ambiental na Universidade e a busca de uma sociedade sustentável ..250 Jorge Alberto Villwock Betina Blochtein Atividade auto-instrutiva em Bioética: a educação à distância como ferramenta de aprendizagem para profissionais de nível técnico na assistência a pessoas vivendo com HIV/AIDS .......................................................................................258 Anamaria G. S. Feijó Mauro C. Ramos Paulo R. Wagner

Gerontoarquitetura - O Despertar da Consciência de uma Nova Regulamentação Arquitetônica ......................................................................................................269 Fabiane Azevedo de Souza Antonio Carlos Araújo Souza Mario dos Santos Ferreira Irenio Gomes Determinação de malondialdeído em amostras biológicas por cromatografia líquida de alta eficiência .....................................................................................282 Carlos Eduardo Leite Guilherme Oliveira Petersen Mariel Raquel Borges Betto Maria Martha Campos Planejamento Estratégico na Fundação Irmão José Otão .................................290 Álvaro Gehlen de Leão Ana Lúcia Suárez Maciel André Hartmann Duhá Educação online: uma educação inovadora?.....................................................304 Lucia Maria Martins Giraffa Elaine Turk Faria O Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS: mediação entre conhecimento e sociedade. ..........................................................................................................318 Melissa G. Simões Pires Luiz Marcos Scolar Emílio A. Jeckel-Neto

APRESENTAÇÃO

Inovação, universidade e relação com a sociedade são conceitos instigantes que ocupam e desafiam instituições internacionais como a UNESCO e a OCDE, bem como as autoridades nacionais, seus respectivos conselhos e os envolvidos com a Educação Superior. Inovação e relação com a sociedade constituem-se em imperativos da universidade do século XXI. A PUCRS, como universidade comunitária, confessional católica e integrante da quase bicentenária tradição educativa marista, vem se dedicando à reflexão e ao planejamento, alicerçada nesses temas. Prova disso são os seminários anuais dedicados a esses tópicos e que congregam um bom número dos nossos docentes, pesquisadores e membros da administração superior, bem como outras relevantes iniciativas tais como os cursos de atualização docente e os dedicados aos gestores. Refletindo mais uma vez sobre a missão que nos é própria e sobre a realidade da Educação Superior em nosso país, para além das fronteiras e do continente, constatamos uma série de variantes que condicionam e desafiam o nosso compromisso com a Instituição de qualidade quer no âmbito nacional, quer no âmbito internacional. Considero relevante destacar as seguintes: - a mudança do perfil cognitivo, social e relacional dos nossos atuais alunos em relação aos acadêmicos das últimas décadas; - os diferentes métodos e instrumentos de ensino, de pesquisa e de aprendizagem devidos às novas possibilidades tecnologias da informação e da comunicação; - a progressiva mobilidade acadêmica de pesquisadores, de professores e de alunos e a correspondente internacionalização dos nossos curricula, cursos e instituições; - as contínuas e exigentes demandas de novos cursos e especializações para atender às exigências e às competências próprias do mundo do trabalho. Isso tudo abre a porta da inovação na Educação Superior para responder às mudanças e às exigências apresentadas, que tornam-se inexoráveis, quais sejam: oferecidas pelas

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- o esforço inquestionável pela qualidade; - o melhor alinhamento entre as inovações introduzidas no processo ensino-aprendizagem e na pesquisa; - a maior flexibilidade dos projetos pedagógicos à luz das diretrizes curriculares; - o incentivo dado aos estudos e às pesquisas multidisciplinares e transdisciplinares; - o incremento da educação continuada ou formação permanente (life long learning); - a pertinência da pesquisa e da inovação com as necessidades regionais. Além disso, resulta imprescindível considerar as exigências éticas ou de boa conduta, vinculadas também à inovação na Educação Superior. Cabe mencionar entre elas: - o respeito aos direitos humanos; - a educação para todos; - a responsabilidade social; - a erradicação da violência; - a promoção da paz; - a eliminação da pobreza; - a sensibilidade ecológica; - o surgimento de economias mais integradoras, equitativas e

sustentáveis. Os meus sinceros agradecimentos aos destacados professores de reconhecidas universidades da Espanha, dos Estados Unidos da América, de Israel, do México, de Portugal e do nosso querido país, que contribuíram com seu legado intelectual para a reflexão sobre esses importantes temas. Da mesma forma, manifesto minha gratidão aos representantes de agências e entidades nacionais e internacionais da Educação Superior por possibilitarem indubitável conexão entre seu ideário e o fazer próprio da academia. Aos distintos professores da nossa estimada Universidade a minha admiração e o meu reconhecimento por diferentes formas de participação na busca da inovação na Educação Superior.

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Merecem uma menção especial o Prof. Jorge Audy, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, e a Professora Marília Costa Morosini, Diretora da Faculdade de Educação da PUCRS, pelo seu denodado esforço na realização do evento e na organização da presente publicação. Aos tradutores, revisores e demais colaboradores os meus sinceros cumprimentos pelo trabalho realizado. Tenho certeza de que inovação e relação com a sociedade ficarão como referência e como prioridade para todos os participantes deste seminário na hora de planejar e de dialogar sobre a Educação Superior no momento atual.

Joaquim Clotet Reitor da PUCRS

PREFÁCIO

No contexto da Sociedade do Conhecimento emerge um novo papel para a Universidade, expandindo seu foco tradicional na formação e capacitação (ensino e pesquisa), e agregando à sua missão a atuação direta no processo de desenvolvimento social, econômico e cultural da sociedade. Neste sentido, a relação com a sociedade é, sem dúvida, uma questão central na atuação da universidade. Para a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul PUCRS, a relação com a sociedade é também um dos seus eixos de gestão, pautada ainda pela inovação e empreendedorismo. Como parte integrante do IV Seminário de Inovação, Universidade e Relação com a Sociedade, a Mostra de Boas Práticas reúne uma seleção de práticas inovadoras da PUCRS na interação com a sociedade. De variadas formas a universidade demonstra sua interação com o entorno por meio da relevância de suas pesquisas e ações. Este volume apresenta na forma de textos o que foi apresentado durante o seminário na forma de exposição. Obrigada a todos os Diretores, Agentes de Inovação e participantes por tornarem possível esta Mostra.

Gabriela Cardozo Ferreira Coordenadora de Inovação – PRPPG/PUCRS

BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS HUMANAS

UM PACTO PELA TERRA: A COLABORAÇÃO DA TEOLOGIA NA FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Unidade Acadêmica: Faculdade de Teologia Responsáveis: Prof. Dr. Leomar Antônio Brustolin (leomar.brustolin@pucrs.br) Ms. Renato Ferreira Machado (gaulkemachado@terra.com.br)

Resumo: Através de Palestras e oficinas realizadas em escolas, igrejas, rádios e centros culturais, analisam-se os valores e paradigmas de plenitude da modernidade e suas conseqüências para o planeta. Criticam-se os modelos de pessoa, ciência e sociedade desenvolvidos a partir da modernidade. Propõe-se a superação do individualismo por uma identidade humana relacional e a superação da ciência instrumental pelo saber participativo.

Palavras-chave: Ecologia, Pós – Modernidade, Teologia .

Abstract: Through lectures and workshops in schools, churches, radio stations and cultural centers, it examines the values and paradigms of fullness of modernity and its consequences for the planet. Criticism is the model person, science and society developed from modernity. It is proposed to overcome the individualism of a human identity and relationship of science overrun by instrumental know participatory.

Keywords: Ecology, Post Modernity, Theology. Introdução A luta pela preservação ambiental atingiu o mesmo nível de importância da busca pela paz mundial. Ao conceder o Prêmio Nobel da Paz ao ex-vicepresidente dos EUA, Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, órgão das Nações Unidas que reúne cientistas do mundo inteiro), o comitê norueguês deu uma amostra de que o problema do aquecimento

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global passou a ser o epicentro da preocupação e das disputas políticas internacionais. Por estes motivos, o problema interpela também o fazer teológico. 1 Faz-se necessário que cada pessoa lance um olhar de cuidado e reparação à vida que se encontra ao seu redor, vida que já estava lá antes do homo sapiens fazer seus primeiros ensaios sociais e antropológicos. A maior contribuição da Teologia, por isso, virá no nível da interpretação dos significados que perpassam esta situação e sua relação com as grandes questões de fundo que incidem na relação trinômica “pessoa-ambiente-sagrado”. Junto a isso devem vir propostas concretas de uma prática que contribua com respostas a estes problemas a partir da dimensão transcendente humana, embasadas na fé professada pelas tradições judaica e cristã. 2 Tendo estas questões presentes, pergunta-se: de que forma a Tradição Cristã (nas suas várias confissões e em conjunto com a Tradição Judaica) interpreta a história, o tempo, o papel do ser humano e sua relação com aquilo que se revela como criação de Deus? Que olhar pode ser lançado sobre a chamada “Pós-Modernidade” e seus elementos a partir disso, ou seja, em que ponto da História da Salvação a humanidade está inserida? Aliás, a humanidade (de maneira especial o ocidente cristão) ainda se vê como participante de uma história de salvação? Neste sentido, a crise ambiental talvez se torne o mais forte sinal surgido neste tempo: sinal de que o ser humano pós-moderno, com toda a sua autonomia e liberdade, ainda precisa ser salvo e talvez dele mesmo. Este itinerário, que foi desenvolvido como pesquisa em nível de Mestrado Acadêmico no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Teologia, tem recebido uma grande demanda de pedidos de divulgação e partilha. Assim, desde a defesa da dissertação, em dezembro de 2008, a temática foi trabalhada em cursos de extensão na área da Teologia e do Ensino Religioso e ganhou espaço na programação da Semana Teológica de Farroupilha e de Caxias do Sul. Além disso, já foi tema de entrevista para a Rádio Mírian (1160 AM, de Caxias do Sul) e ganhou publicação, como artigo, na revista Teocomunicação e nos anais da
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Cf. TILLICH, Paul. Teologia Sistemática, p. 20. É necessário colocar o Islamismo junto a estas tradições. Para que não se amplie demais, porém, a temática que se deseja abordar, por hora, não se fará referência a ele.

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Semana Teológica de Caxias do Sul, revelando a urgência de abordagem do tema e o quanto o prisma teológico tem a contribuir para ele. Objetivos Objetivo Geral Analisar a crise ambiental à luz da Teologia, buscando a possibilidade de novos paradigmas de coexistência, que ressignifiquem o agir humano no cosmos a partir de sua condição de criatura à espera do cumprimento da promessa de seu criador. Objetivos Específicos • Caracterizar o ser humano e a pós-modernidade a partir dos paradigmas e rompimentos antropoteológicos assumidos neste tempo. • Identificar a crise ambiental em suas causas teológicas. • Propor uma pedagogia de bases teológicas que possibilite um pacto pela vida no planeta para a agenda teológico-ecológica do Século XXI. Descrição do Processo A crise ambiental como crise dos valores estabelecidos na modernidade De certa forma, o que caracteriza uma mudança de época é a transição de paradigmas socialmente aceitos dentro de certa normalidade para novos paradigmas, que abrirão novos horizontes, delinearão novos perfis e inspirarão novos ideais.
O gênero humano encontra-se hoje em uma fase nova de sua história, na qual mudanças profundas e rápidas estendem-se progressivamente ao universo inteiro. Elas são provocadas pela inteligência do homem e por sua atividade criadora e atingem o próprio homem, seus desejos individuais e coletivos, seu modo de pensar e agir tanto em relação às coisas quanto em relação aos homens. Já podemos falar então de uma verdadeira

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transformação social e cultural, que repercute na própria vida religiosa.3

Ao lançar-se no esforço de descrever o zeitgeist que perpassava os meados da década de sessenta do Século XX, a Igreja Católica Apostólica Romana, reunida no Concílio Vaticano II intuía não apenas uma época de mudanças, mas uma mudança de época, com radicais rupturas ao status quo de então. Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes pode se ler, no número 212 que “a própria história acelera-se tão rapidamente que os homens conseguem seguila com dificuldade” e que tal fenômeno dá a luz um “complexo novo de problemas, que provoca novas análises e sínteses”, tudo isso sem que, necessariamente os “velhos problemas” tenham sido resolvidos. O fato de constatarem-se novas problemáticas significa que se colocou em andamento processos que não foram mantidos “sob controle” e avançaram para além daquilo que se esperava ou que seria aceitável. A Gaudim et Spes, porém, não fala apenas em “novos problemas”, mas em um “complexo de novos problemas”: ou seja, há uma conjuntura nova e problemática vivida pela humanidade e que não poderá ser resolvida com soluções de tempos passados, pois esta mesma conjuntura pode ter se erguido como superação da anterior.
(...)no limiar da era moderna fomos emancipados da crença no ato da criação, da revelação e da condenação eterna. Com essas crenças fora do caminho, nós, humanos, nos encontramos “por nossa própria conta” – o que significa que, desde então, não conhecemos mais limites ao aperfeiçoamento além das limitações de nossos próprios dons herdados ou adquiridos, de nossos recursos, coragem, vontade e determinação. E o que o homem faz, o homem pode desfazer.4

Na afirmação de Bauman é possível encontrar uma primeira característica marcante deste tempo, ou melhor, das pessoas deste tempo: vive-se a época da “autonomia do ser humano” ou de sua emancipação, como o mesmo autor se refere a este fenômeno. Há de se perguntar, então, do que este ser se emancipou e ao que ele vivia “atrelado” antes. Jürgen Moltmann faz, sobre esta questão, uma classificação simples e profunda: diz ele que na sociedade de tipo “tradicional” a existência de uma pessoa era predeterminada e regulada, por inteiro, pela
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Gaudium et Spes 206 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida, p. 36 - 37

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pertença a certa família, casta, extrato social ou população, havendo pouco espaço para decisões individuais. Completa ele, dizendo que o nome de uma pessoa, sozinho, valia pouco. 5 Constata ele, na mesma obra, que o mundo moderno nasce no momento em que a cultura humana se livra de sua dependência para com a natureza e da própria harmonia com a terra. 6 Encontrase aqui, portanto, a síntese da emancipação que embasa a modernidade e a pósmodernidade: não há tradição que determine o futuro, nem natureza que impeça os projetos do presente. Que pessoa e que mundo nascem desta situação? Este é o ideário que, de certa forma, transforma a história humana em uma “linha” de fatos que se sucedem e sinalizam a passagem do tempo: o progresso. É com esta idéia fixa que se começa, no mundo moderno, a distinguir o que já passou daquilo que se vive e a projetar possíveis futuros para a humanidade. Futuros estendidos ad infinitum e alicerçados naquilo que a imaginação humana pensar em fazer com os recursos da terra. 7 Uma idéia fascinante e sedutora, mas que apresenta conseqüências difíceis de administrar: conseqüências que formam o “complexo de novos problemas” do qual falava a Gaudium et Spes. No Judaísmo e no Cristianismo, o tempo é lugar de encontro com o Criador que alenta no presente e orienta para o futuro. Na teologia de Moltmann, a criação é possibilidade do Espírito Criador de Deus, imanente a ela, em uma dinâmica constante de possibilidades e realidades. O problema, assim, passa a ser não apenas orientar-se para um futuro linear de salvação, mas para que possibilidade de futuro orientar-se. Enquanto a experiência das tradições históricas busca um futuro guiado por uma promessa de plenitude e para a glorificação (que pode ser entendida aqui como vida plena) de tudo que existe, a “civilização emancipada” tem, muitas vezes, orientado seu futuro a um vazio hedonista, em nome de um progresso que, ao invés do “sonho da vida”, traz “sonhos de consumo” e acaba consumindo a própria vida. Neste contexto, pode5

“Nelle societá di tipo tradizionale l‟intera esistenza delle persone veniva predeterminata e

regolata dalla culla allá tomba, condizionata dall‟appartenenza ad una certa famiglia, casta, ceto ociale,popolazione,disponendo di bene scarso margine di manovra per le decisioni e gli sviluppi individuali. Il nome della persona singola valeva poco.” MOLTMANN, Jürgen. Dio nel Progetto del Mondo Moderno – Contributi per una rilevanza pubblica della teologia. p. 84 6 “(...) il mondo moderno nasce nel momento in cui la cultura umana si scrolla di dosso lê dependenze dalla natura della terra e le consonanze com essa” idem, p. 75 7 Ver, também, SUSIN, Luis Carlos. A Criação de Deus.p. 12

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se concluir que tal projeto leva todos os viventes a existirem sob o tempo de Chronos, o titã da mitologia grega que devora seus filhos e não sob o Kayrós do Deus da Revelação, que torna eterno cada momento e promete novos céus e nova terra. Segundo Leonardo Boff, no livro Ética e Moral: a busca dos fundamentos, o ocidente sempre teve a obsessão persistente de levar sua cultura e visão de mundo a todos os povos da terra. O autor enumera esta constatação em vários fatos históricos, iniciando por Alexandre Magno, na Grécia, passando pelo Império Romano, pelo cristianismo e, finalmente, pelo imperialismo ocidental secularizado, o que “significou impor, por bem ou por mal, os valores e as instituições ocidentais a todos os povos submetidos.” 8 Se atualmente não se fala tanto em imperialismo como processo de expansão, o termo globalização tem, muitas vezes, feito este papel, sendo identificado como uma infiltração da economia ocidental em vários âmbitos socioculturais por novos meios e com novos fins. O momento que se vive atualmente parece pedir uma prestação de contas dos valores pregados por este Ocidente expansionista, que tem se mostrado como “senhor da verdade” e detentor de uma salvação movida à esperteza, oportunismo e individualismo. Sobre isso, Edgar Morin lembra que, “desde Maquiavel, a ética e a política acham-se oficialmente separadas, visto que o príncipe (governante) deve obedecer à lógica da eficácia, não à moral.” 9 , ou seja: caminha-se sob a égide do pragmatismo, que nem sempre abre espaços para que a vida seja contemplada em seu valor mais profundo. Tal realidade é constatada no segundo capítulo do Documento de Aparecida, ao se referir à situação sócio-cultural da América Latina, mais precisamente no item de número 46.
Verifica-se, em nível intenso, uma espécie de nova colonização cultural pela imposição de culturas artificiais, desprezando as culturas locais e com tendência a impor uma cultura homogeneizada em todos os setores. Esta cultura se caracteriza pela auto-referência do indivíduo, que conduz à indiferença pelo outro, de quem não necessita e por quem não se sente responsável. Prefere-se viver o dia a dia, sem programas a longo prazo nem apegos pessoais, familiares e comunitários. As
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Cf. BOFF, Leonardo. Ética e Moral: a busca dos fundamentos .p. 75 Cf. MORIN, Edgar. O Método6: Ética, p. 25

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relações humanas estão sendo consideradas objetos de consumo, conduzindo a relações afetivas sem compromisso responsável e definitivo. 10

Assim, é preciso perguntar: se esta civilização chegou a certo patamar de desenvolvimento e progresso com seus próprios esforços, por que ela estaria errada? Afinal, não seria a vontade do próprio Deus criador que sua criatura desenvolvesse suas potencialidades ao máximo e transformasse em realidade tudo aquilo com que sempre sonhou? Sem dúvida que não se trata, aqui, de demonizar todos os avanços tecnológicos desenvolvidos pelo ser humano, mas de afirmar que há, sim, um desvio de caminho, teologicamente falando. Este desvio é apontado muito claramente por um fator que grita aos ouvidos da pósmodernidade: o clamor das vítimas deste processo, incluindo aí a natureza. Se a história iniciada com a migração de Abraão é a História da Salvação, certamente não é salvadora a história escrita pela civilização moderna, industrial e pósindustrial, pois na primeira não pode haver exclusões ou vitimações de qualquer espécie. Na presença deste paradigma desenvolvem-se algumas características predominantes no sistema de pensamento pós-industrial: o individualismo, preconceitos de diversas espécies, hedonismo e um grande silêncio sobre a morte. Produz-se, neste contexto, um ser humano em eterna busca de compensações para as decepções que a vida lhe coloca no caminho e que vive a lógica do mérito e do prazer: ou seja, o acesso à qualidade de vida é algo a ser conquistado e, uma vez conquistado, deve ser extremamente usufruído. Tal visão, no pensamento de Bauman, traz à sociedade um padrão de “acampamento”, aonde os “hóspedes” vêm e vão, preocupados apenas com o espaço que seu trailer ou barraca irá ocupar, com a garantia de um bom funcionamento do lugar (que deve ser providenciado por quem o administra) e com o quanto os vizinhos irão ou não incomodá-los. 11 Surge, assim, um ser humano que, tentando estar em todos os lugares ao mesmo tempo, acaba não estando em lugar nenhum, nunca; procurando uma
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CELAM, V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, disponível em <http://redelatina.marista.edu.br/VConfer%C3%AAnciaCELAM/Portugu%C3%AAs/DocumentoVer s%C3%A3oAparecida/tabid/248/Default.aspx> Acesso em: 07 de abril de 2008. 11 Cf. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. p. 31

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hiperconexão, se desvincula das realidades palpáveis e mergulha em tempos e realidades virtuais. Como, mesmo assim, ainda é impossível frear o tempo, os grandes vazios existenciais decorrentes da rejeição das ações deste são preenchidos com botox (congelando rostos em uma juventude forçada), cartões de crédito (que pagam, aparentemente, qualquer coisa – de alimentos ao corpo alheio, alugado para o prazer de quem paga) e a própria busca do paraíso bíblico. É interessante notar como são cada vez mais freqüentes as propagandas imobiliárias oferecendo residências “junto à natureza”, em lugares calmos e seguros, onde se possa respirar ar puro: ou seja, em sua “autoexpansão”, o pretenso semideus pós-moderno compra o seu próprio Éden e coloca em seus portais querubins de alguma empresa de segurança, para impedir que demônios de classes sociais diferentes da sua cometam o pecado de invadir sua privacidade. Na contramão destas tendências, a Tradição Cristã afirma sua crença em um Deus que se revela exatamente com atitudes contrárias a estas. Na criação, é um Deus que se “autocontrai”, permitindo que os seres criados tenham a vida da qual necessitam. Na encarnação, vive o esvaziamento kenótico desde o nascimento até a cruz, entregando o próprio espírito em sua última expiração humana. No Pentecostes, preenche os vazios de medo e insegurança da primeira comunidade com um sopro de vida, coragem e entendimento. É um Deus que não acumula, mas doa e, principalmente, expande-se em relações profundas e complexas, onde não há dominação, mas fraternidade. Ressignificando alguns paradigmas teológico-culturais do ocidente Logicamente, não se pode pensar em um ser humano passivo diante de seu ambiente e que, repentinamente, passa a dominá-lo e utilizá-lo: pelo contrário, ao não se identificar como semelhante a nenhuma espécie que o cercava e dar-se conta de que não havia nenhum nicho ecológico especialmente preparado para ele, o ser humano passou a adaptar o ambiente para sua própria sobrevivência. Nisto percebe-se o nomadismo característico dos primeiros grupamentos hominídeos e a posterior sedentariedade através da agricultura. No primeiro caso, a fuga de uma natureza que lhe colocava em perigo e, no segundo, a descoberta de certa maleabilidade desta para produzir os alimentos que não obtinha de forma espontânea no lugar onde se encontrava. Para esta situação

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aponta a narrativa da criação, no livro do Gênesis, quando trata da saída do primeiro casal do Jardim do Éden: Ao homem, ele disse: “Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e cardos, e comerás as ervas dos campos. Com o suor de teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3, 17-19). Ao amaldiçoar o solo por causa do homem, o narrador bíblico, provavelmente, deseja indicar a condição deste ao se afastar de um Deus que é criador dele e da natureza e não colocar o ambiente como inimigo da pessoa. O texto quer indicar, de dentro da tradição judaico-cristã que a realidade poderia ser diferente (menos sofrida), se o homem honrasse a fidelidade com seu criador e, ao mesmo tempo, diferenciar-se de culturas circuncidantes, que divinizavam a natureza 12 e colocavam o ser humano como parte dela. 13 O importante aqui, porém, é detectar as raízes desta suposta “superação da natureza” idealizada no seio do mundo moderno, visto que o texto bíblico não supõe que a continuidade do “estado de paraíso” pelo gênero humano eliminaria a necessidade do trabalho e do esforço no seio da criação. O que se aponta é que a relação, que seria de cuidado, reciprocidade e partilha, em um bio-irmanamento a partir da presença do próprio Deus Criador, passa a ser relação de sobrevivência e hostilidade. No seguimento da caminhada teológica iniciada em Abraão e Sara, que se tornam peregrinos de uma promessa, a civilização que daí decorre cometeu o equívoco de pensar esta caminhada como conquista e de entender a promessa de Deus como mérito. O mito de um reino eterno de paz, alimentado nos primeiros tempos do cristianismo vai ganhar aportes no nascedouro da civilização industrial ocidental, anunciada como último estágio da história, onde todos os problemas se resolveriam pela distribuição dos bens e pela boa administração econômica. 14 Ao mesmo tempo, esta civilização entregará a natureza ao ritmo das máquinas inanimadas, “fazendo dos bosques um monte de madeira utilizável, de

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Cf. MOLTMANN, Jürgen. Dio nel Proggeto Del Mondo Moderno. p. 75 Cf. Ibidem, p. 78 14 Cf. MOLTMANN, Jürgen. El Hombre. p. 50

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modo que depois se faz necessário criar parques naturais protegidos.” 15 Para que tais idéias se tornassem realidade no mundo, alguns paradigmas precisaram ser adotados por esta civilização. Entre eles está a objetivação da natureza pelo ser humano, que a reprime e viola, esgotando as possibilidades de parceria amistosa com ela e o antropocentrismo cósmico, que se apodera de uma interpretação equivocada da teologia da criação e coloca toda a natureza a serviço do homem, 16 ao entender que, por ter sido feito à imagem e semelhança do criador, o ser humano possuiria autoridade semelhante a de Deus quanto à criação. A questão, assim, talvez não comece pela visão que o ser humano tem daquilo que o cerca, mas de sua visão sobre ele mesmo. Neste sentido, percebe-se na história da Tradição Cristã uma tendência de deslocar as questões soteriológicas da criação como um todo para a alma humana individual 17 : tal ideário acompanhará a civilização cristã ocidental e formará uma estrutura de pensamento onde o corpo será subestimado e até mesmo desprezado. Assim, não haveria na crise ambiental de coisificação da natureza uma crise do próprio cristianismo ocidental? Não seria correto afirmar que a Tradição Cristã, por muito tempo, apregoando uma espiritualidade subjetiva e uma salvação individual da pessoa, preparou o terreno e a justificativa para uma dicotomia pessoa/natureza? É claro que respostas para estas perguntas não são simples e diretas, pois exigem uma escuta histórica extensa e atenta, porém, é possível que se aponte alguns sinais desta realidade em duas atitudes largamente adotadas na pós-modernidade: a busca obsessiva de uma transcendência solitária, conectada à rede mundial de computadores e o enaltecimento de tradições religiosas orientais (e anômalas ao cristianismo) como salvaguarda da relação entre humanidade e natureza. Do conhecimento à ciência, da ciência à sabedoria Se há um fator determinante da virada hermenêutica dada pela modernidade sobre as eras anteriores da história humana, este se encontra na

15 16

Ibidem, p. 52 Cf. SUSIN, Luiz Carlos. A Criação de Deus. p. 13 17 Cf. MOLTMANN, Jürgen. El Hombre. p. 49

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concepção e prática das ciências sobre o mundo. Se a palavra “ciência” tem sua origem no termo “saber”, o sentido de saber toma rumos diversos de uma “sabedoria”, indo ao encontro da conquista de poder por parte do ser humano: tal é o princípio do qual parte Francis Bacon, em sua Instauratio Magna, onde afirma que esta ciência deve estabelecer o imperium hominis, visto que saber é possuir. A ciência da modernidade explora a natureza para que ela dê retorno aos seus investimentos em pesquisa, que por sua vez se dão, na maioria dos casos, para que haja mais lucratividade em determinada área do mercado: a floresta vira um estoque de madeira, os rios viram hidrelétricas e espaços como a Amazônia são desmatados para se tornarem pasto, onde se criará animais que servirão para o abate. Leonardo Boff refere-se a isto em sua obra Princípio de Compaixão e Cuidado, ao lembrar que a cultura ocidental se caracteriza pelo logocentrismo, ou seja, pela soberania da razão (de modo especial, a razão instrumental) sobre a realidade. Esta, porém, por ela mesma se faz irracional por ser produtivista e não levar em conta as outras tantas dimensões que dinamizam a vida. 18 Por isso mesmo, é só a partir de outros paradigmas, que não sejam logocêntricos, que se pode fazer teologia sobre a questão ecológica, visto que não há nenhuma ligação clara e lógica entre a fé judaico-cristã e o meioambiente, ou melhor, pode-se até encontrar justificativas para esta utilização da natureza nesta mesma fé. Apesar dos recentes esforços da Igreja para reler a passagem da criação, a cultura ocidental absorveu muito bem a idéia de que a natureza não existe em si, mas passa a ter sentido a partir da humanidade, servindo-lhe como cenário e sustentáculo em sua história da salvação. A questão chave para a tradição cristã seria, então, perguntar-se hoje, diante de um planeta ameaçado: quem é o meu próximo? 19 Tornar a natureza e a própria vida “útil” é atentar contra ambas. A vida só pode se fazer útil quando ofertada livremente, como dom e não quando uma utilidade alheia lhe é imposta. Por isso, a natureza se deixa verdadeiramente utilizar apenas naquilo que oferece livremente em seus ciclos vitais. Avançar para além disso é explorá-la.

18 19

Cf. BOFF, Leonardo. Princípio de Compaixão e Cuidado. p. 10-11 Cf. SOFFIATI, Arthur. Ecologia: reflexões para debate.p.127-128

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Uma criação explorada à espera de seu shabbat Todas as idéias de chegada a um estágio ideal de vida para a humanidade, com possibilidades e recursos infinitos, remetem ao conceito do shabbat, no contexto da teologia da criação. Em si, é uma tentativa ontológica de reestabelecer ligações com um estado de vida que parece ter se perdido em algum ponto da história e livrar-se das maldições adquiridas pelas escolhas equivocadas do ser humano. Semanticamente, portanto, esta busca é religiosa, no sentido de religação e, por isso mesmo, tem sido feita de forma parcial e equivocada. A busca de uma religação precisa passar por uma releitura e por uma reeleição de prioridades e valores, visto serem, estes dois últimos termos, também tradutores do termos “religião”. Por falta de releitura, estes esforços vêm sendo empreendidos antropocentricamente, sem levar em consideração a situação igualmente decaída e sofredora da criação como um todo. Sem isso, obviamente, não se chega a uma reeleição. A releitura, por isso, precisa recomeçar no momento imediatamente anterior ao afastamento do ser humano de seu criador: no shabbat do sétimo dia, quando a criação havia sido concluída e abençoada. O Deus da Bíblia não é somente o inquieto “Deus da História”. Ele é também, na mesma medida, o Deus do repouso sabático, aquele que interrompe a história e o tempo. (...) É um Deus que sai de si mesmo criando e que retorna novamente a si mesmo repousando, concluindo sua obra do mesmo jeito que um artista leva a cumprimento aquilo que de fato lhe estava retraído e o põe em liberdade. 20 A imagem de um Deus que contempla sua obra deveria corresponder à de um músico que escuta sua composição ou de um pintor que contempla seu quadro e não simplesmente a de alguém que terminou uma tarefa e precisa repor suas forças. Desta forma, uma primeira releitura da narrativa da criação deve remeter à concepção de uma obra de arte, onde a força do trabalho é movida por paixão e sensibilidade, em busca de uma estética criadora que dê sentido ao
20

“Il Dio della Bibbia non è soltanto l'inquieto 'Dio della storia'. Egli è anche, in pari misura, il Dio del riposo sabbatico, colui che interrompe la storia e il tempo. È un Dio che esce da se stesso creando e che ritorna nuovamente in se stesso riposando, prendendo congedo dalle sue opere allo stesso modo dell'artista che porta a comprimento ciò che há fatto ritraendosene e lansciandolo in libertà.” MOLTMANN, Jürgen. Dio nel Progetto del mondo moderno. p. 77

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caos. Sendo tempo de contemplação do criado, o sábado convida a atitudes diferenciadas daquelas que se fazem necessárias no período de labor criativo. O sétimo dia acontece nas relações de gratuidade, onde todas as criaturas convivem face a face pelo simples prazer do encontro. Não há vez, neste ambiente, para a contagem cronológica dos dias que passam e nem para as exigências de produção: tudo é reconciliação e fraternidade. Tudo é escatológico. 21 Nesta dinâmica, obviamente, não é apenas o humano que vivencia esta qualidade de relações. Pelo contrário, como imagem e semelhança do criador, é este o ser responsável pela descoberta e confirmação desta reconciliação criacional em toda a biodiversidade. O tempo sabático é aquele em que a natureza toda é ela mesma e a terra descansa em sua fecundidade, deixando de ser objeto de posse de quem quer que seja. Desta forma, pode-se identificar no Sábado da Criação, a mais profunda e verdadeira vocação ecológica humana da criação. A partir da tradição judaica, a teologia do sábado torna-se uma verdadeira política ambiental divina. Sempre com o horizonte de “coroamento da criação”, a observação sabática trará, por exemplo a prática do “ano sabático”: de sete em sete anos, deve-se viver um ano inteiro da mesma forma que no sábado, com repouso absoluto da terra (Lv 25, 4). Tal prática traz uma ligação intrínseca entre o ecológico e o social, visto que, além da preservação do ambiente, sem interferências neste, há também o perdão das dívidas e a restauração da dignidade dos excluídos, devolvendo-lhes o que lhes fora destituído no ano do jubileu (de cinqüenta em cinqüenta anos, cf. Lv 25, 8-17).93 Como resultado, o Povo da Aliança faz, a partir da observância destes preceitos, a experiência de um novo tempo e um novo espaço, aproximando-se, assim, do kayrós original da criação. Teologicamente falando, portanto, a atual crise ambiental vem a revelar uma criação que aguarda o seu shabbat, ou seja, uma natureza que espera pelo tempo de ser ela mesma e uma terra que clama por descanso. A experiência de fé, realizada no âmbito das Tradições Religiosas, apesar de se constituir em ato público, resguarda uma atitude pessoal, a partir da qual se opta ou não por determinada doutrina. Assim, não é possível considerar uma ou

21

Cf. SUSIN, Luiz Carlos. A Criação de Deus. p. 80-83 92Iibidem, p. 82

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outra visão de vida, humanidade ou natureza como sendo a mais adequada para todas as pessoas do planeta, sem que se entre em um conflito doutrinário e dogmático sobre qual tradição seria guardiã da verdade e quais estariam equivocadas. De certa forma, pode-se dizer que aquilo que as diversas Tradições Religiosas possuem em comum são os seres humanos que as constituem e, por isso, as noções recorrentes de humanidade e do valor desta, vêm, sim, destes conjuntos de crenças. À medida em que, historicamente, definia-se a idéia de ser humano, foramse definindo os direitos inerentes a ele. Mais precisamente, no contexto do iluminismo ocidental e do nascimento das constituições norte-americanas e européias, que traziam a noção de um “novo Estado”, formula-se a idéia de “homem universal”, detentor de “direitos universais”. Nesse sentido, a novidade que esta proposta trazia era a de que a humanidade das pessoas vinha antes de suas nacionalidades, crenças, etnias e gêneros. Atualmente, pode-se dizer que a afirmação destes direitos reforçam a perspectiva de legitimação de uma “política humana” no planeta, unindo a comunidade humana frente a grandes ameaças comuns, como a própria crise ambiental. É preciso constatar, porém, que o momento que se vive hoje pede uma evolução no conceito destes direitos: além do esforço para que sejam, de fato, cumpridos em todo o planeta, suplantando interesses particulares de países, grupos, religiões e culturas, faz-se necessário ampliar sua formulação e conceituação. O cenário hodierno pede que os direitos humanos evoluam para “direitos da humanidade” e, daí, para os “direitos da Terra”, para se chegar aos “direitos de todos os viventes”.22 Um código de direitos da pessoa originado no seio do Iluminismo, certamente traz, em si, muito de antropocentrismo. Há de se pensar, por exemplo, qual a justa medida entre o direito que todos possuem à autonomia e desenvolvimento no âmbito de sustentabilidade e a própria sustentabilidade do ambiente no qual estas mesmas pessoas vivem. Há, de certa forma, uma confusão de liberdade com poder de consumo, em um quadro alimentado pelos interesses de grandes empresas e corporações, que colocam no mercado mais produtos do que aquilo que seria possível adquirir e utilizar por um tempo

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102Cf. MOLTMANN, Jürgen. Dio nel progetto del mondo moderno. p. 115-116

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razoável, sem necessidade de substituição. Aliado a isso, há uma ansiedade coletiva por um reconhecimento que vem daquilo que se pode comprar e ostentar, sustentado por uma falácia desenvolvimentista que enxerga apenas o âmbito econômico. 23 Desta forma, faz-se importante perguntar: é possível pensar em dignidade humana sem pensar em um ambiente digno para que as pessoas vivam? É possível ser digno como pessoa ou sociedade sem reconhecer a dignidade intrínseca aos biossistemas onde se vive? Ao se falar em direitos da pessoa, normalmente se faz referência ao esforço pela garantia da dignidade do ser humano frente às ameaças que esta sofre atualmente, em vários cenários do planeta. Em sua concepção, porém, este estatuto carrega a idéia de transformar realidades que põem em risco a vida para que esta não volte a correr perigo no futuro. Assim, lutar pelos direitos das pessoas significa dar continuidade a um pacto que a humanidade vem fazendo com as gerações futuras, para que estas não sofram o que as gerações passadas sofreram e nem o que as atuais sofrem e para que certos quadros, onde direitos fundamentais foram assegurados não revertam ao que eram antes. Por esta razão é preciso que, neste momento, se faça a pergunta pelo futuro do planeta e da humanidade que nele habita: o que se faz necessário realizar hoje para que as próximas gerações tenham sua sobrevivência e dignidade garantidas? Ora, ao longo da história as demandas pelo futuro da humanidade foram se modificando de acordo com as circunstâncias históricas e as necessidades de cada época. Pode-se enumerar uma evolução na idéia de direitos fundamentais que resguardam a pessoa em sua dignidade: uma primeira geração se encontra na Declaração Universal de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Lá, defende-se a idéia de liberdade diante de um Estado que não deveria intervir na vida de seus cidadãos, mas deixar-lhes espaço para o desenvolvimento. Uma segunda geração virá no final do Século XIX e primeira metade do Século XX, onde se fala em Direitos Fundamentais Sociais: é o momento em que o Estado deve intervir, praticando uma justiça distributiva para equilibrar desigualdades e garantir o direito ao trabalho, à justa remuneração e à previdência social, por
23

103Cf. SUNG, Jung Mo. Sustentabilidade e Ecologia in MOURA, Marlene Castro Ossami de (org.). Ecologia e Espiritualidade: os gritos da Mãe-Terra. p. 61-71

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exemplo. A terceira geração pode ser entendida como os Direitos de Solidariedade, onde figuram os direitos à paz, ao desenvolvimento, à autodeterminação dos povos e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 24 Desafios Uma lenta e progressiva transformação de paradigmas Ao se fazer a constatação das características do cenário onde a crise ambiental surge e se desdobra, nas assessorias que temos prestado, nos preocupamos em apontar possibilidades de reversão deste quadro a partir de seus aspectos teológicos. Estas possibilidades, porém, não pretendem ser soluções imediatas para um problema que se encontra enraizado em nossas crenças: a proposta é de uma longa e árdua caminhada de esperança por uma nova rota, a ser construída passo a passo. 25 Esta rota terá de passar pela concepção que o ser humano tem dele mesmo a partir do sagrado onde deposita sua fé, bem como por seu conceito de conhecimento, ciência e sabedoria e, principalmente por sua ética de convivência, abrindo mão, talvez, daquilo que considere seguro. Chega-se, desta forma, aos três principais paradigmas indicados na teologia de Moltmann como chave de mudança para a vida neste planeta: o paradigma de superação do indivíduo pelo humano, que só se compreende na ressonância de suas relações; o paradigma de superação da ciência-dominação pela ciência-participação, que aponta para a vivência da sabedoria como entendimento da vida; finalmente, o paradigma de superação da sociedade estratificada em grupos analógicos pela sociedade do amor ao inimigo, onde a responsabilidade mútua de todos os viventes poderá levar a um pacto pela terra. Por adentrar o campo dos significados últimos da existência, o evento ambiental se torna teológico e a problemática com a natureza se torna pergunta pela criação, uma vez que esta mesma cultura que ameaça o planeta foi gestada no seio da Tradição Cristã do ocidente. O pensamento de Moltmann alerta para o
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Cf. AZEVEDO, Plauto Faraco de. Ecocivilização – Ambiente e Direito no limiar da vida. p.47-48 25 Cf. SERRES, Michel. O Contrato Natural. p.54

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perigo de nos imaginarmos na época da consumação de todas as potencialidades humanas devido às mudanças e avanços ocorridos nas últimas décadas. O sinal de que não se chegou à plenitude são as vítimas destes processos e o próprio fato de que as pessoas cada vez mais têm se compreendido a partir de uma individualidade fechada. Reler a pós-modernidade à luz da História da Salvação, por isso, significa perguntar-se pelas possibilidades de abertura ou fechamento ao vir-a-ser proporcionado pelo Espírito da Vida, que respira em cada ser criado. Para tanto, é preciso passar do tempo-quantidade (cronos) para o tempoqualidade-eternidade (kayrós) e isto só é possível no espaço do encontro das essências criaturais. Qualquer que seja o tempo desta história da esperança que a criação vive, ele sempre apontará para a escatologia sabática, que é o tempo da convivência do Criador com suas criaturas. O shabbat revela o valor de cada vida, levando-as ao encontro fraterno de convívio, onde cada ser vale pelo que é e não pelo que produz. A possibilidade de se viver isso encontra-se na hermenêutica trinitária do Deus Criador, que cria em aliança e para a aliança. Uma vez que o ser humano é imagem deste mesmo Deus, então, sua vocação é ser espelho de relações comunitárias abertas e favoráveis à vida, ao invés de arremedo de uma divindade onipotente e escravizadora de seu ambiente. Se, ao saber-se livre o ser humano chegou ao individualismo para afirmar identidades individuais, chegou o momento de usufruir da liberdade para além das relações de poder (entre os seres humanos e destes para com a natureza). Para tanto, Moltmann aponta mais duas dimensões do ser livre que precisam ser contempladas: a dimensão da liberdade como qualidade de convivência e a dimensão da liberdade como possibilidade criativa de futuro e esperança. É no equilíbrio destas três dimensões que se encontraria a possibilidade de abertura para o porvir de relações com o planeta. Junto a isso, a capacidade humana de conhecer e criar conhecimento precisaria ser revista em função dos paradigmas assumidos como ciência: Moltmann assume que a ciência guiada pela razão instrumental esgotou-se e igualmente está esgotando as possibilidades de vida na Terra. Se a vida se dá na abertura para as relações e para o futuro, conhecer teria muito mais a ver com participar dos sistemas a serem conhecidos do que com uma exploração de utilidades do que se quer conhecer. Ciência teria de ser uma relação entre sujeitos e não entre sujeito e objeto. Neste nível, o conhecimento pode se tornar sapiencial,

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renovando a essência das relações e questionando a validade de algumas formas de viver consagradas culturalmente na civilização ocidental e eurocêntrica. É por isso que a chave para um pacto pela Terra reside na sociedade do amor ao inimigo, que acolhe a diversidade em conflito e rompe os ciclos de violência, dominação e exploração entre os seres humanos e destes com o planeta. O segredo deste pacto está exatamente na livre decisão de irmanamento possível com as criaturas, principalmente com aquelas escolhidas para não serem “próximas”, por causarem temor ou desestabilizarem a maneira como se está acostumado a viver. O conflito que se instaura frente à crise ambiental e às medidas necessárias para sua reversão não passam mais apenas pelos cálculos econômicos que precisam ser feitos ao se pensar em redução da emissão de gases na atmosfera. O conflito é de crenças a respeito do futuro: enquanto se acreditar que o problema ambiental é apenas um percalço a ser superado para se manter o modus vivendi globalizado pelo ocidente neoliberal, que se mostra consumista e individualista, mais se agravarão os quadros preocupantes da saúde do Planeta Terra. A esperança, por isso, pode encontrar renovação no exercício de um silêncio de cumplicidade com a criação, onde o ser humano sinta-se novamente integrado e saiba do que abrir mão para ser essencialmente o que foi criado para ser. Atores Envolvidos As assessorias prestadas sobre a questão têm tido variados interlocutores. Em Caxias do Sul, trabalhamos, ao longo de um mês, com alunos do Curso em Extensão de Teologia, grupo formado por adultos oriundos de diferentes atividades profissionais e sociais (empresários, médicos, advogados, educadores, etc.). Quadro semelhante foi encontrado na 8ª Semana Teológica de Farroupilha. Já no curso de Extensão em Ensino Religioso, em Porto Alegre, a grande maioria dos atores eram professores de Ensino Religioso da capital e região metropolitana. Na 16ª. Semana Teológica de Caxias do Sul a temática será tratada na interface com a Bioética

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Resultados Alcançados A natureza da pesquisa e sua proposta de reflexão sobre paradigmas talvez não permitam vislumbrar resultados imediatos. O que tem se percebido, nas assessorias, pronunciamentos e palestras é uma certa surpresa pelo prisma de abordagem da questão ambiental e a possibilidade de retomada de algumas idéias no dia a dia. A expectativa é de que a uma nova ótica sobre a questão permita uma nova ética ecológica. Neste sentido, talvez seja interessante descrever os processos de divulgação da temática a partir do que cada grupo atingido buscava. No Curso em Extensão de Teologia, no contato com atores sociais em busca de formação complementar às suas áreas de atuação profissional e pastoral, havia a curiosidade sobre a como a Teologia poderia dialogar com a questão ecológica. Neste sentido, buscou-se uma abordagem a partir de uma releitura das narrativas da criação, em perspectiva pastoral. Enfatizou-se a busca por uma sensibilidade maior nas relações interbiológicas, referendando-se em uma hermenêutica de aliança, presente na teologia da criação. Da mesma forma conduziu-se nossa participação na 8ª Semana Teológica de Farroupilha, sendo que, no momento de debate com o público, emergiram de forma clara as crises entre práticas buscadas para “solucionar” a crise ambiental e a necessidade de uma gradual mudança de mentalidade, que resultará em novas ações. Na mesma oportunidade, em entrevista à Rádio Mírian, buscamos propor caminhos mais reflexivos para a questão ambiental, enfatizando que ações isoladas e paliativas não levarão a uma reversão deste quadro. No Curso em Extensão de Ensino Religioso, a busca maior era por uma aplicabilidade da questão na sala de aula e possíveis interfaces interdisciplinares. Nossa proposta, junto aos educadores foi a de releitura do simbólico e do teológico que perpassam a cultura ocidental, buscando novas significações para o fator ambiental. Da mesma forma, havia uma certa expectativa pela apresentação de dinâmicas e trabalhos “práticos” a serem desenvolvidos com os educandos, apontando para ações como separação e reciclagem de lixo e promoção de campanhas temáticas. Novamente, propomos uma reflexão mais aprofundada, compreendendo que a possibilidade de atuações como as supracitadas devem

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ser conseqüência da renovação das mentalidades e relações interpessoais e ecológicas. Enfatizamos, ainda, como parte da metodologia adotada, a inserção de videoclipes, peças publicitárias, trechos e trailers de filmes que enfatizam as questões abordadas. Ao fazermos isto, não estamos buscando meras ilustrações mas indicando que, um dos caminhos possíveis para a reversão de alguns paradigmas está na busca da sabedoria contida na arte, que sintetiza o conhecimento de forma lúdica e contundente. Assim, nos utilizamos dos clipes musicais “Do the Evolution”, da banda norte americana Pearl Jam, “Original of the Species”, da banda Irlandesa U2 e “Vilarejo” da cantora brasileira Marisa Monte; dos trailers cinematográficos de “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness), de Vítor Meirelles e de “Batman, o Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight), de Christopher Nolam e também da peça publicitária “Sustente-se” da Grendene. Referências Bibliográficas AZEVEDO, Plauto Faraco de. Ecocivilização – Ambiente e Direito no limiar da vida. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005 . BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001 JUNGES, José Roque. Ética Ambiental. São Leopoldo: Unisinos, 2004 KERBER, Guillermo. O Ecológico e a Teologia Latino-Americana.Porto Alegre: Sulina, 2006 MOLTMANN, Jürgen. A Biotecnologia à luz da nova Neurobiologia e de uma Teologia Integral. Humanística e Teologia. Porto, tomo XXVIII, fascículo 1 / 2, p. 88-110, dez. 2007. ______. Deus na Criação: Doutrina Ecológica da Criação. Petrópolis: Vozes, 1992. ______. Dio nel Progetto del Mondo Moderno – Contributi per una rilevanza pubblica della teologia. Brescia: Queriniana, 1999 ______. Experiências de Reflexão Teológica – Caminhos e Formas da Teologia Cristã. São Leopoldo: UNISINOS, 2004 ______. La Justicia crea futuro: Política de paz y ética de la creación em um mundo amenazado. Santander: Sal Terrae, 1992

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______. O que é a Vida Humana? Antropologia e desenvolvimento biomédico. Humanística e Teologia. Porto, tomo XXVIII, fascículo 1 / 2, p. 67-87, dez. 2007 MORANDINI, Simone. Teologia ed Ecologia. Brescia: Morcelliana, 2005 SUNG, Jung Mo. Sustentabilidade e Ecologia in MOURA, Marlene Castro Ossami de (org.). Ecologia e Espiritualidade: os gritos da Mãe-Terra. Goiânia: Editora da UCG, 2007. p. 61-77 VIEIRA, Tarcísio Pedro. O nosso Deus: um Deus Ecológico – Por uma compreensão ético-ecológica da teologia. São Paulo: Paulus, 1998

I OLIMPÍADA DE FILOSOFIA DO RS

Prof. Dr. Sérgio Augusto Sardi Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas filosofia@pucrs.br

Resumo. A I Olimpíada de Filosofia do RS promoveu a realização de atividades de cunho filosófico. Seu tema foi: “É possível uma sociedade justa?”. As atividades consistiram em: a) diálogos em grupo em torno do tema, seguidos ou não de b) produção de textos e/ou obras artísticas relacionadas ao tema. A Olimpíada destinou-se a alunos do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, representando suas respectivas instituições de ensino. As Atividades PréOlímpicas foram coordenadas pelos respectivos educadores das turmas/grupos participantes. No dia 22 de novembro de 2008, no prédio 5 do Campus Central da PUCRS foi realizado o encontro Regional da Olimpíada. Nesse dia as atividades foram promovidas e coordenadas pela Coordenação das Olimpíadas de Filosofia.

Abstract. The I Olympic Games of Philosophy promotes activities regarding philosophical matters. Its subject was: “Is it possible a fair society?” The activities consisted in: a) group dialog refered to the subject, followed or not by b) artistical works related to the subject. The Olympics was destined to students of all grades, representing their respective educational institutes. The Pre-Olympics activities were coordinated by the respective educators of the participant classes/groups. On 22th November 2008, Central Campus of PUCRS, building 5, occurred the Olympic Regional Meeting. On such day, the activities were coordinated by the Coordenation of the Olympic Games of Philosophy. Introdução Em termos mundiais, o movimento olímpico em Filosofia já tem mais de uma década. Em 1995, a Unesco, no marco do programa “Filosofia e Democracia no Mundo”, recomendou promover as Olimpíadas de Filosofia, tanto em nível nacional como internacional, a fim de estimular o interesse dos jovens por essa disciplina. Na América Latina realizam-se Olimpíadas de Filosofia em diversos

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países, como na Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e Colômbia. Periodicamente, organizam-se também Olimpíadas do Rio de La Plata, entre Argentina e Uruguai, e existe o projeto de organizar Olimpíadas do Mercosul. As Olimpíadas de Filosofia nasceram da convicção de que as questões filosóficas aparecem na vida de todas as pessoas e em todas as idades. Assim, elas precisam de um cuidado e um estímulo especial para não serem erradicadas violentamente do nosso cotidiano ou tratadas superficialmente. Com um espírito de acolhimento das diferenças, as Olimpíadas pretendem convocar alunos para um exercício de investigação solidária, num clima que pretende ser não de competição, mas de colaboração e de estímulo para o pensamento. A idéia é de que a partir da proposta, processos filosóficos criativos sejam construídos através da interlocução, interação e participação autônoma dos ‘jogadores’. Com a obrigatoriedade da Filosofia no Ensino Médio no Brasil, as Olimpíadas podem se constituir em um pólo agregador de interesses de alunos e professores, fortalecendo e contribuindo com os objetivos pelos quais o Ministério de Educação introduziu a Filosofia no Ensino Médio. A Olimpíada de Filosofia do RS é um evento educacional incentivado e assessorado pela Associação de Cursos de Filosofia do Sul do Brasil (Fórum Sul de Filosofia) e pelos Cursos de Filosofia do RS. A iniciativa propõe a realização de atividades didáticas de Filosofia, desenvolvidas nas escolas de Ensino Infantil, Fundamental e Médio do Rio Grande do Sul, versando sobre um tema geral. É sugerido que os estudantes participem de atividades de diálogo em forma de Comunidade de Investigação ou outro processo que promova a solidariedade investigativa, assim como de atividades de produção textual e de apresentação de trabalhos artístico-filosóficos durante todas as etapas das Atividades Olímpicas. Objetivos • Subsidiar uma efetiva contribuição da Filosofia à formação dos participantes; • Fomentar o espírito crítico e dialógico entre os estudantes;

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• Desenvolver nos jovens cidadãos o aprimoramento das habilidades de ler e escrever textos filosóficos, bem como de realizar diálogo filosófico em solidariedade investigativa; • Promover a interface entre a Filosofia e outras áreas do conhecimento; • Promover a integração entre as escolas, os estudantes e os professores participantes. Descrição do Processo de Inovação Desenvolvida e Resultados Obtidos Atividades Foram realizadas, nas Instituições de Ensino Infantil, Fundamental e Médio do Estado do Rio Grande do Sul devidamente inscritas, atividades curriculares e extracurriculares, protagonizadas pelos estudantes e seus professores, sobre a temática da Olimpíada. Incluem-se aí atividades de diálogo em forma de Comunidade de Investigação (ou outros processos que promovam a

solidariedade investigativa), bem como oficinas, teatro, poesia, desenhos, exposições e outras atividades pedagógicas e artístico-filosóficas. Desde o início foi proposto que as ações relativas às Atividades Pré-Olímpicas da I Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul, tanto do ponto de vista da organização como dos métodos, fossem autônomas e que realizassem um intercâmbio de experiências. As Atividades Pré-Olímpicas foram realizadas entre maio e setembro de 2008, em caráter experimental. Durante este processo as escolas e professores participantes realizaram a seleção dos trabalhos artístico-filosóficos a serem apresentados e dos estudantes a serem inscritos nos Encontros Regionais da I Olimpíada de Filosofia do RS, realizados em novembro de 2008. Tais alunos e professores participaram do Encontro Estadual, realizado no prédio 5 do Campus Central da PUCRS. Foram selecionados três estudantes por turma nas quais as Atividades Pré-Olímpicas tenham sido realizadas para a participação na modalidade Debates e produção textual.

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Também foi selecionado um trabalho artístico-filosófico por turma onde as Atividades Pré-Olímpicas tenham sido realizadas para a participação na modalidade Apresentação de obra artístico-filosófica. Atividades Olímpicas – Encontro Regional e Encontro Estadual Os Encontros Regionais(opcionais) reuniram os estudantes selecionados pelas escolas inscritas e que participaram das Atividades Pré-Olímpicas realizadas em todo o Estado. Do Encontro Estadual da I Olimpíada de Filosofia do RS participaram os trabalhos e estudantes selecionados nos Encontros Regionais. As modalidades das atividades realizadas nos Encontros Regionais e no Encontro Estadual são as mesmas propostas para a etapa Pré-Olímpica. As atividades foram realizadas com base no Tema Geral proposto para a I Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul: “É possível uma sociedade justa?”.

Figura 01 – Abertura do evento. Esquerda para direita: Prof. Me. Adão Clóvis dos Santos(PUCRS), Prof. Dr. Draiton Gonzaga de Souza(PUCRS), alunos participantes(ao centro); Prof. Dr. Sérgio Augusto Sardi(PUCRS).

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Figura 02 – Apresentação artística sob a forma de peça de teatro, feita pelos alunos do Colégio Kennedy.

Modalidades As modalidades de inscrição para apresentação de trabalhos consistiram nas seguintes: • Debates e produção textual: 1. Realização, durante o evento, de diálogo filosófico em forma de Comunidade de Investigação (ou outros processos que promovam a solidariedade investigativa), com base no tema geral da Olimpíada. 2. Produção de texto individual, pelos estudantes, com base na ação precedente e sobre o tema geral da Olimpíada, no decorrer das Atividades Olímpicas. A Comissão

Organizadora poderá avaliar a necessidade de propor textos base para o debate e a produção textual, respeitando os níveis estabelecidos no item 2. • Apresentação de obra artístico-filosófica: Apresentação, durante o evento, de peças teatrais, poesia, desenhos, vídeos, exposições, música, dentre outras formas de expressão artística. Os trabalhos apresentados devem incidir sobre o tema geral da Olimpíada e poderão ser objeto de diálogo filosófico em forma de Comunidade de Investigação pelos participantes e público presente em cada atividade.

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As escolas foram responsáveis pela seleção dos estudantes que a representaram na modalidade Debates e produção textual, bem como dos trabalhos a apresentados na modalidade Apresentação de obra artístico-filosófica. Os mesmos estudantes selecionados para representar as escolas puderam participar das duas modalidades, ficando esta definição a critério das escolas. À elas também foi possível se fazer representar por estudantes distintos para as duas modalidades ou, ainda, optar por participar de apenas uma das modalidades descritas acima. As escolas inscritas ficaram responsáveis pela seleção dos professores que acompanhar seus estudantes durante todo o processo das Atividades Olímpicas. Apoio Institucional e Interação Docente Em apoio à realização e articulação das Atividades Pré-Olímpicas e das Atividades Olímpicas, bem como em vista da promoção do intercâmbio de experiências entre os professores de Ensino Infantil, Fundamental e Médio inscritos na I olimpíada de Filosofia do RS foi previsto desde o início: • Elaboração e manutenção de um site oficial da Olimpíada, construído durante o segundo semestre de 2008, que continua ativo. • Divulgação, participantes; • Divulgação, no site, de referências bibliográficas, textos de apoio, por parte da coordenação do evento; • Realização, pelos cursos de Filosofia, dentro de plano a ser elaborado e a partir das demandas de cada região, de conferências, seminários e/ou oficinas para professores e estudantes, relacionados com o tema da Olimpíada. Foi solicitado aos professores, desde o princípio do processo, o envio de materiais sobre atividades realizadas para divulgação no site da Olimpíada de Filosofia do RS com a finalidade de realização de intercâmbio de experiências entre os docentes. Estes materiais foram enviados por meio eletrônico para contato@olimpiadadefilosofia.org. Informações sobre conferências, seminários e oficinas oferecidas pelas Instituições de Ensino Superior, relacionadas com a no site, de relatos de atividades dos professores

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Olimpíada de Filosofia do RS, foram enviadas por meio eletrônico para as escolas inscritas no evento.

Figura 03 – Atividades de diálogo em grupo, realizadas em torno do tema, sob a forma de pergunta provocativa: “É possível uma sociedade justa?”.

Critérios e Sistema de Avaliação A seleção dos trabalhos para representação das escolas nas Atividades Olímpicas(Encontro Regional) da I Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul (2009) foi realizada pelos professores das escolas participantes durante as Atividades Pré-Olímpicas. Para a seleção dos trabalhos nas escolas foi sugerida a seguinte estrutura de avaliação, a qual coincidiu com a estrutura de avaliação a ser praticada na Atividades Olímpicas da I Olimpíada de Filosofia do RS: • Quanto à modalidade 1 – Debates e produção textual – foram avaliados: a pertinência do desenvolvimento do tema em relação ao tema central da Olimpíada; a coerência interna do discurso, não só do

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individual, mas também do que circula e se constrói no seio do grupo; a capacidade de síntese, de análise, de dar exemplos, de relacionar e comparar; a criatividade; a construção e formulação de problemas e conceitos filosóficos. • Quanto à modalidade 2 – Apresentação de obra artístico-filosófica – foram avaliados: a pertinência do desenvolvimento do tema em relação ao problema central da Olimpíada, a potencialidade de cada obra apresentada em estimular o debate coletivo em vista do seu conteúdo, na medida em incida sobre a produção de conceitos e problemas filosóficos, bem como sua criatividade estética na medida em que contribua para as finalidades acima descritas. No trabalho seletivo, em cada escola ou turma, sugeriu-se considerar as seguintes perguntas orientadoras: - Quais estudantes e/ou obra artístico-filosófica melhor representam o grupo? - Qual trabalho artístico-filosófico apresentado mais estimulou o trabalho de investigação filosófica coletiva? Evita-se, com isso, o aspecto de uma competição onde um seja o vencedor e, outros, os perdedores, ressaltando a dimensão de representação do trabalho e dos estudantes escolhidos, sendo que, deste modo, estima-se que toda a turma poderá se sentir incluída turma nesta seleção.

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Figura 04 – Acima: Atividades de produção textual, realizadas após os diálogos em grupo. Abaixo: encerramento do evento.

Premiação No evento das Atividades Olímpicas da I Olimpíada de Filosofia do RS, os participantes foram premiados com medalhas e/ou livros de filosofia e com a publicação de seus trabalhos no site oficial da Olimpíada: 1. Os estudantes selecionados na modalidade Debates e produção textual, tanto em função dos textos elaborados como de suas participações nas atividades de diálogo em forma de Comunidade de Investigação; 2. Os estudantes responsáveis pelos trabalhos selecionados na

modalidade Apresentação de obra artístico-filosófica. A seleção dos estudantes e dos trabalhos apresentados durante as Atividades Olímpicas em suas duas etapas – Encontros Regionais e Encontro Estadual - foi realizada por Comissões Julgadoras compostas por professores universitários, estudantes de Graduação e de Pós-graduação em Filosofia, bem

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como professores de Filosofia do Ensino Médio, Infantil e Fundamental designados pelas Instituições de Ensino Superior responsáveis pelos eventos. Nas Atividades Olímpicas foi respeitada a divisão dos níveis estabelecidos quanto ao público-alvo para todos os atos de premiação. O número de trabalhos que serão selecionados pela Comissão Julgadora foi determinado pela Comissão Organizadora da I Olimpíada de Filosofia antes da realização das Atividades Olímpicas. Os estudantes premiados foram incentivados a participar da segunda edição da Olimpíada, a ser realizada em 2009. Considerações finais Desde sua gênese até sua realização efetiva, a proposta da Olimpíada de Filosofia calcou-se na convicção de que os questionamentos filosóficos, enquanto comuns à todos os seres humanos, possuem um papel importante na formação do espírito crítico. Dado este princípio, antes de fomentar a competição, a Olimpíada de Filosofia pretende provocar os participantes a pensar, seja individualmente, seja em conjunto, acerca das questões fundamentais que, de forma direta ou indireta, concernem a todos enquanto humanos. Nesse sentido, obteve-se êxito em tal empreitada, visto que a recepção por parte dos participantes quanto à estrutura de organização das atividades, bem como sua dinâmica foi a melhor possível. Inúmeros trabalhos foram publicados no site www.olimpiadadefilosofia.org e estão disponíveis a todos aqueles interessados. Relatos dos professores que coordenaram as atividades Pré-Olímpicas em suas respectivas Instituições do Ensino, provenientes de todo o Estado do RS também encontram-se disponíveis no site da Olimpíada. As preparações para a II Olimpíada de Filosofia do RS, a ser realizada em 2009, já estão em andamento. Seu tema será “A humanidade tem fome de quê? O que de fato precisamos para viver...”. Referências bibliográficas BECKER, Marceli Andresa; BITTENCOURT, Juliano Mernak de; PARES, André; SANTOS, Dayanne Ferreira dos; SARDI, Sérgio Augusto. Projeto da I Olimpíada de Filosofia do RS, In http://olimpiadadefilosofia.org acesso em 22.05.2009.

MUITA PROSA E MUITO VERSO: IDOSOS E A LITERATURA

AMODEO, Maria Tereza; PhD; FALE - PUCRS mtamodeo@pucrs.br Resumo A ação apresentada visa à promoção da autonomia, integração e participação mais efetiva na sociedade de indivíduos idosos por meio de encontros semanais organizados a partir da leitura e da análise de textos literários, da narração de histórias/recitação de poemas e da produção de textos em prosa e em verso. A partir da Teoria da Estética da Recepção e dos Estudos Culturais, estimula-se a leitura da literatura como prazer estético e fonte de reflexão sobre a vida e o mundo, com vistas a ampliar os horizontes de expectativas das pessoas engajadas espontaneamente ao grupo. Os resultados obtidos motivam os pesquisadores a investirem nesse caminho que, de forma muito particular, associa ensino, pesquisa e extensão. Nos encontros gratuitos oferecidos aos idosos, alunos da graduação em Letras acompanham a intervenção teoricamente fundamentada da coordenadora e também participam na orientação de atividades de leitura, análise e produção de textos. Realiza-se, dessa forma, uma prática inovadora, que alia Teoria da Literatura a conhecimentos acerca das condições biopsicossociais e indivíduos idosos, revelando-se como fértil campo de pesquisa. Focaliza-se a inserção do idoso à sociedade por meio de uma ação que busca resgatar a auto-estima, estimulando a expressão oral e escrita, ampliando os referentes culturais e, assim, também as capacidades cognitivas.

Palavras-chave: literatura, idosos, integração. Os Novos Alunos da Letras
O homem nunca é velho enquanto estiver buscando alguma coisa. Jean Rostand

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A aproximação entre idosos e literatura implementada pela Faculdade de Letras da PUCRS tem favorecido, continuadamente, o surgimento de novas possibilidades de pesquisa e de integração social. A proposta, que investe nos vínculos que os leitores podem estabelecer com o texto literário, tem respondido à predisposição desse público para o novo - o que reiteradamente surpreende e estimula os pesquisadores e estudantes envolvidos no processo. Os vínculos possíveis de serem estabelecidos pelo ato da leitura da literatura são tantos quantos permitir o grau de polissemia do texto. Assim, diferentes leitores relacionam-se de formas diferentes com os textos, ao acionarem seus referenciais linguísticos, culturais, cognitivos, afetivos, dentre outros. Nesse sentido, a ação configura-se como uma possibilidade ímpar de promover um redimensionamento da existência desses indivíduos, que passam a refletir sobre suas próprias experiências, a rever seus conflitos de ordem interna por meio de projeções (inconscientes ou não) realizadas a partir da palavra literária. Ampliam-se, assim, suas capacidades expressivas e também as cognitivas. O procedimento ganha importância na medida em que é dirigido a um público cuja imagem é geralmente associada à ociosidade, à improdutividade, exatamente por se encontrar fora do circuito de produção de capital ou de serviços. No entanto, são pessoas que efetivamente realizaram atividades importantes nos seus grupos sociais e/ou familiares e que vêm à universidade em busca de novas perspectivas para as suas vidas - o que leva ao entendimento de que ainda podem, se bem orientadas e estimuladas, atuar de forma competente na sociedade, realizando ações ligadas ou, pelo menos, motivadas pelo trabalho com a linguagem literária. Nessa medida, promovem-se a leitura e a análise de textos escolhidos segundo o critério temático (considerando-se os interesses demonstrados pelos integrantes) e de qualidade estética, a narração de histórias/recitação de poemas e a produção, tanto em prosa como em verso, de acordo com as preferências e aptidões pessoais. Enfim, conforme o próprio título da ação sugere, nos encontros com os idosos que se estendem por cerca de duas horas, ocorre “muita prosa”, o que corresponde a análise, conversa, debate e discussão em torno das idéias e imagens sugeridas pelos textos literários. E, ainda, nesses encontros, há “muito

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verso”, no sentido da criação, o que equivale a dizer que a expressão oral e escrita são também vitalizadas. As abordagens dos textos literários são organizadas em termos de desafio intelectual, sem, entretanto, estimular a competição, mas focalizadas na reflexão e na expressão, através de atividades lúdicas de socialização, potencialmente sistematizadas para canalizar o desejo de saber e aprender, sempre manifestado pelas pessoas engajadas à proposta. Cultivando Palavras Uma simples e tímida participação em evento da universidade deu origem às várias modalidades desenvolvidas em torno do Muita Prosa e Muito Verso e que hoje, inclusive, se expande para além da FALE. Na Semana de Solidariedade de 2001, o Grupo de Contadores de Histórias do CELIN - Centro de Referência para o Desenvolvimento da Linguagem1, a convite da Universidade da Totalidade da PUCRS, contou algumas histórias a um grupo de idosos. Associando a técnica de narração desenvolvida junto a grupos de crianças a uma criteriosa seleção de textos, tendo em vista o público em questão, estabeleceu-se uma conexão que surpreendeu a equipe encarregada do evento e o grupo que implementou a ação – professora e estudantes de Letras. O procedimento estimulou o grupo a organizar, no ano seguinte, encontros quinzenais que passaram a ser oferecidos a idosos da comunidade interessados em ler, ouvir, analisar e produzir textos literários. As atividades do grupo passaram a ser divulgadas na imprensa escrita local, numa iniciativa da PróReitoria de Assuntos Comunitários da PUCRS (PRAC), o que ampliou de forma substancial o público. Tendo em vista as características desse grupo que se formava espontaneamente e evidenciava suas necessidades, expectativas e recepção às propostas desenvolvidas, constatou-se que a aproximação entre literatura e idosos estava potencialmente articulada para se orientar para uma investigação acerca das condições biopsicossociais dos indivíduos dessa faixa etária. Transformando-se, no ano seguinte, em projeto de pesquisa, com o apoio da PróReitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), o MPMV passa a oferecer

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encontros

semanais

planejados

cuidadosamente

a

partir

dos

objetivos

estabelecidos. Firma-se, assim, uma indissociável e frutífera relação entre pesquisa, ensino e extensão. Através da ação da PRAC, que divulga o projeto dentro e fora da PUCRS, desenvolve-se a pesquisa, que envolve alunos graduação e professora/pesquisadora do curso de Letras. Os encontros com idosos em torno da literatura, ao mesmo tempo em que estimulam a interação social desse público, constituem-se em profícuo campo de pesquisa. Sintonizado com as emergências da contemporaneidade, o Muita Prosa e Muito Verso (MPMV) vem trilhando um caminho muito particular, dinâmico e plural, transitando, inicialmente, por veredas que aliam práticas pedagógicas de abordagem do texto literário - geralmente dirigidas a estudantes de Literatura - ao conhecimento sobre o indivíduo idoso - área que, cada vez mais, se expande, exigindo o estreitamento das relações com outros campos do saber. Um Novo Caminho para as Letras Sabe-se que os avanços da Medicina e de áreas afins provocam o crescimento da população idosa mundial. Entretanto, o aumento da média de vida atual deve corresponder à melhoria da qualidade dessa sobrevida; sob pena de se considerar inútil tanto avanço nas pesquisas na área da saúde. Estimular, pois, uma experiência cultural significativa, como a proposta pelo MPMV, efetivamente permite que as pessoas revisitem suas próprias potencialidades, muitas vezes pouco trabalhadas durante a vida dita produtiva. Muitas pessoas, inseridas na automatização do mundo capitalista, nunca chegam a desenvolver suas capacidades, seus talentos, por estarem envolvidas nas atividades cotidianas na busca da própria sobrevivência e a da família. Na Terceira Idade, na Melhor Idade, na Velhice - seja o termo que se escolher para denominar a fase em que se encontram as pessoas já afastadas do circuito de produção capitalista - surge a oportunidade de viver, de forma plena, todos os desejos, anseios, gostos pessoais, muitas vezes sufocados pelas anteriores imposições cotidianas. Contudo, nessa fase, muitas pessoas já perderam o vínculo com a sociedade, pois seus amigos, por várias razões, já se dispersaram, assim como alguns de seus familiares. Alijados de seus referentes,

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podem ficar também sem projetos de vida, o que, na maioria dos casos, acelera o processo de envelhecimento2. Impõe-se, portanto, o incentivo à organização de grupos que reúnam pessoas dessa faixa etária, que tenham a oportunidade de refletir sobre a vida, mas com a possibilidade de compartilhar suas experiências, encontrar novos objetivos e construir novos projetos. É nesse sentido que o texto literário, como promotor de sensações, análises, etc. pode contribuir para sensibilizar tais pessoas a estabelecerem outros vínculos com seus pares. A literatura, dadas as suas especificidades, é potencialmente promotora da liberdade, da criatividade e da capacidade de refletir sobre a vida. Procurando valorizar as características de cada indivíduo, as atividades desenvolvidas no MPMV estimulam as trocas entres os participantes, assim como com a equipe de trabalho constituída por graduandos da Faculdade de Letras, sob a orientação da coordenadora. Estabelece-se, assim, um diálogo respeitoso entre as gerações. A partir dos temas e imagens sugeridos pelos textos literários, os idosos trazem suas experiências, reflexões, elucubrações e informações resultantes da vida profissional, acadêmica, familiar, etc. Os graduandos, por outro lado, têm a oportunidade de compartilhar uma rica experiência docente, que, naturalmente, alia teoria e prática – o que, definitivamente, qualifica a formação dos futuros professores/pesquisadores, engajados a uma abordagem humanista do conhecimento. Segundo Jéssica Colvara Chacon, ex-bolsista do projeto,
a turma do MPMV é muito singular.São alunos sedentos por literatura. Eles têm uma experiência de vida muito maior que a minha. Tive de aprender a lidar com a diversidade das suas contribuições e, ao mesmo tempo, dar conta do planejamento. Foi ali que aprendi a dar aula - uma aula realmente planejada com base teórica. Este tipo de qualidade de aula ficou sendo o meu padrão, o meu modelo. 3

Aprendem os idosos, aprendem também os futuros professores. Assim, conforme recomendam especialistas das áreas da Gerontologia e da Geriatria, ações semelhantes às desenvolvidas no MPMV, promovem um verdadeiro convívio com o mundo real, em que pessoas de diferentes idades podem conviver e interagir, anulando o prejuízo decorrente da segregação dos idosos em grupos específicos - tal com ocorre em asilos com modelos tradicionais. O caminho

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percorrido em termos de procedimentos e estratégias eleitas e os resultados obtidos até o presente momento devem ser recuperados no sentido de oferecer um panorama da proposta da FALE. Leitores em Interação
A obra literária é um evento linguístico que projeta o mundo ficcional que inclui falantes, atores, acontecimentos e um público implícito (um público que toma forma através das decisões da obra sobre o que deve ser explicado e o que se supõe que o público saiba). (...) A ficcionalidade da literatura separa a linguagem de outros contextos nos quais ela poderia ser usada e deixa a relação da obra com o mundo aberta à interpretação.4

A literatura efetivamente nos leva para outras paragens e nos faz voltar e pensar no nosso lugar no mundo. É o trabalho artístico com a linguagem que move o leitor para esse “mundo de papel” e, ao mesmo tempo, para o seu próprio mundo interior. A literatura constrói universos ficcionais autônomos de forte sentido imaginativo e apelo estético, captando o leitor para outras realidades que representam simbolicamente o mundo em que está inserido. A partir dessa premissa, organizam-se as atividades de aproximação entre idosos e a literatura em torno de três modalidades, descritas a seguir, que são desenvolvidas em grupos separados ou oferecidas a todos simultaneamente. A opção por um ou outro caminho depende sempre das preferências do grupo. 1. Leituras Orientadas de Crônicas, Contos, Poemas, Novelas e Romances O objetivo desta abordagem é ampliar as possibilidades de leitura e de reflexão do texto literário, através da análise dos efeitos provocados pelo tratamento artístico da linguagem, ao mesmo tempo promovendo uma leitura da realidade, marcada por um olhar desautomatizado, que surge do estranhamento provocado pelo próprio texto literário, estimulando os leitores a se posicionarem criticamente diante da realidade textual e extra-textual. Dessa forma, em torno dos textos cuidadosamente selecionados, são propostas atividades de análise com vistas à compreensão dos elementos constitutivos das narrativas literárias ou dos poemas, à interpretação e à leitura crítica.

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2. Capacitação de Contadores de Histórias Com o objetivo de estimular a integração de idosos na comunidade, a modalidade se organiza no sentido de capacitá-los para se tornarem contadores de histórias. São oferecidas aos integrantes do grupo todas as etapas da capacitação tradicionalmente realizada no CELIN para professores e outros interessados na formação de leitores. O procedimento constitui-se numa possibilidade concreta de interação social para os idosos, que passam a ter a opção de contar histórias em escolas, instituições de saúde ou beneficentes, associações comunitárias e na própria família. Ao recuperarem aquela experiência primordial que acompanha o homem de todos os tempos, ao reviverem aquele impulso atávico de inventar, contar e conhecer histórias, estabelecem laços afetivos com os outros – familiares ou não. 3. Produção de Textos O interesse em escrever contos e poemas é compartilhado por um número muito expressivo de participantes do grupo. Estes efetivamente têm aspirações mais ousadas: querem ser escritores. Alguns inclusive têm contos e poemas publicados em antologias. Nesse sentido, propostas de produção de textos são apresentadas a partir da análise de textos literários. Estimula-se a criação por meio da expressão individual e da utilização dos recursos da linguagem literária, trabalhados de forma sistemática através da análise dos textos e de exercícios. Os textos produzidos pelos integrantes são socializados com o grande grupo. Resultados Sempre Parciais A partir dos dados coletados junto ao grupo pelos estudantes de Letras, que registram as suas observações durante as sessões semanais, pelas manifestações espontâneas e pelas avaliações individuais dos integrantes, propostas sistematicamente pela equipe responsável pelo projeto, é possível afirmar que os idosos vinculados ao programa: a) mostram disposição para aprender e valorizam o aprendizado; b) sentem, em relação às atividades propostas, vontade de participar, incentivados pela busca de respostas às questões propostas;

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c) esforçam-se para apresentarem um bom desempenho; d) admitem, durante as atividades, que apresentam dificuldades como falta de memória e/ou conhecimento; e) consideram que são estimulados a vencer as dificuldades; f) valorizam a troca de experiências entre as coordenadoras e a equipe e os participantes; g) valorizam o que aprendem por meio da intervenção dos próprios colegas; h) demonstram associações; i) passam a ler mais fora do âmbito da PUCRS; j) passam a escrever mais; k) envolvem-se em atividades culturais com maior frequência. Assim, percebe-se que a possibilidade inerente à literatura de provocar sensações e reflexões, desacomodar, repensar, questionar assume contornos muito específicos, sendo o interlocutor o indivíduo idoso que busca novas alternativas para a sua vida. As reflexões que se estabelecem em torno dos textos literários evidenciam que os idosos vinculados ao grupo efetivamente revisitam suas próprias experiências, recuperam lembranças, associam fatos, põem em dúvida crenças e verdades que trazem desde a infância e a adolescência, enfim reavaliam sua função na sociedade. O olhar sensível, inquisidor e crítico da literatura os motiva a ampliarem os seus horizontes de expectativas, por meio da reflexão, da criação e da ação efetiva no mundo real. Alguns dos idosos vinculados ao grupo têm efetivamente atuado como contadores de histórias em centros comunitários, creches ou outras instituições (inclusive no Hospital São Lucas, nos setores de Pediatria e Oncologia). A produção de textos realizada durante as sessões os estimula a participarem de concursos literários e de coletâneas publicadas de forma independente. A qualidade literária dos textos de alguns participantes motivou a coordenação do projeto a organizar uma publicação a ser ultimada ainda em 2009. A adesão contínua de novos integrantes, já que a proposta se caracteriza por essa abertura (que surgem por convite de amigos/parentes, por terem sido informados pela imprensa, ou convidados pela coordenação), e a frequência que aprendem novos conceitos e fazem novas

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expressiva de um grupo fiel, que participa desde os primeiros encontros, evidenciam que o trabalho desenvolvido realmente tem atendido às expectativas de uma parcela da sociedade que, fora do mercado de trabalho, ainda possui potencialidades para reflexão e ação - o que é corroborado pelos integrantes do grupo, que, reiteradamente manifestam seu contentamento por se sentirem valorizados e respeitados como indivíduos. Uma Nova Parceria O caminho percorrido tem assumido, efetivamente, diferentes formatos, que surgem conforme os resultados obtidos. O Projeto Muita Prosa e Muito Verso apresenta dados coletados a partir de atitudes, respostas, ações, manifestações e produções de textos orais e escritos. Entretanto, processos internos dos indivíduos, que ocorrem a partir da leitura da literatura, em termos de processamentos cognitivos, não podem ser avaliados no campo das Letras. Portanto, abrindo um outro flanco de pesquisa, a FALE se associa à Faculdade de Psicologia, num novo projeto interdisciplinar, também apoiado pela PRPPG (EDITAL PRAIAS) 5. Por intermédio da parceria firmada com a FAPSI6, os subsídios teóricos e os procedimentos metodológicos da Psicologia Cognitiva e da Neuropsicologia foram eleitos para examinar a forma como indivíduos idosos processam funções neuropsicológicas comunicativas e cognitivas antes e após sua participação em um programa cultural com base na literatura, no contexto da contemporaneidade. O mundo atual, marcado por tantas idiossincrasias, apresenta-se como um desafio para os indivíduos, especialmente aqueles que não acompanharam o advento da tecnologia da informação, que rompe com os conceitos tradicionais em todos os campos. Para os idosos, compreender esse processo constitui-se uma dificuldade e, ao mesmo tempo, um desafio. A promoção de programas de intervenção cultural envolvendo a população idosa configura-se como uma necessidade nos dias de hoje, frente o rápido crescimento da população de idosos em todo o mundo, incluindo o Brasil, onde os prognósticos estimam para 2050, um aumento de 18% da população idosa, muito longe dos 5% do ano 20007 - o que pode provocar transtornos neuropsicológicos importantes, que devem ser prevenidos.

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Nesse sentido, o projeto busca avaliar a forma como especificamente os idosos reagem a estímulos culturais, verificando como processam a informação e como adquirem conhecimento num contexto tão controverso, plural, rico e multifacetado como o atual. A partir dos dados obtidos em relação à aproximação entre idosos e literatura já descrita, o espaço dessa modalidade artística deve ser analisado no que se refere ao contexto contemporâneo, que a coloca em constante interação com outras áreas e modalidades culturais, influenciando-a e definindo novos padrões estéticos. A pesquisa em desenvolvimento na FALE associa um rico, variado e atualizado programa cultural, com base na literatura, oferecido ao novo grupo de idosos, sendo subsidiada pela análise comparativa pré e pós-intervenção, norteada por um processo de avaliação neuropsicológica. Uma História sem Fim A nova pesquisa reúne grupos de idosos selecionados especialmente para esta investigação, seguindo critérios bem definidos de inclusão para garantir o seu caráter científico. O programa cultural oferecido, de uma forma análoga, reedita a ação desenvolvida com o grupo original do MPMV, utilizando-se dos equipamentos e materiais agora disponíveis. A literatura, entretanto, define os rumos da ação.
A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cercam, nos fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver. Não que ela seja, antes de tudo, uma técnica de cuidados para com a alma; porém, revelação de mundo, ela pode também, em seu percurso, nos transformar a cada um de nós a partir de dentro. 8

As novas iniciativas que surgem na esteira do Muita Prosa e Muito Verso vêm confirmar a força da palavra literária exatamente como revelação, especialmente para os integrantes do grupo original que continuam,

invariavelmente, se encontrando nas tardes de quartas-feiras nas dependências da FALE, aceitando, sempre, novos adeptos. Circulando entre os jovens estudantes de Letras, lendo os textos que eles lêem e tendo “aulas” como eles, estes senhores e senhoras sentem que a vida vale a pena. Integrados à comunidade acadêmica, estimulados pela potencialidade da arte literária, não sabem que, mais do que serem acolhidos pela PUCRS, estão contribuindo para

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uma pesquisa que diz respeito a todos nós – crianças, jovens, adultos – os idosos do século XXI. Notas 1 O Centro de Referência para o Desenvolvimento da Linguagem tem por objetivo levar as pesquisas desenvolvidas na Universidade em torno da linguagem e da literatura para além dos limites da academia. 2 CANÔAS, Cilene Swain. A condição humana do velho. São Paulo: Cortez, 1983. 3 Jessica vinculou-se ao MPMV como bolsista, do já projeto de pesquisa. Hoje é professora da rede pública de ensino do município de Guaíba, RS. Este depoimento foi dado ao ser questionada pela coordenadora sobre a relação entre a sua experiência como bolsista do projeto e a sua atuação profissional. 4 CULLER, Jonathan. Teoria literária: uma introdução. São Paulo: Beca, 1999. 5 Potencializando Habilidades Neuropsicológicas de Indivíduos Idosos: a intervenção da literatura em programa cultural sintonizado com a

contemporaneidade. 6 A partir da orientação da professora Dr. Rochele Paz Fonseca. 7 BGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeção da população, Expectativa de vida 2004. Disponível

em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/30082004projecaopopulac aoshtm>. Acesso em: 08 nov. 2007 8 TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. p.76 Referências CANÔAS, Cilene Swain. A condição humana do velho. São Paulo: Cortez, 1983. CULLER, Jonathan. Teoria literária: uma introdução. São Paulo: Beca, 1999. BGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeção da população, Expectativa de vida 2004. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/30082004projecaopopulac aoshtm>. Acesso em: 08 nov. 2007. TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.

INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE POR MEIO DOS CONTOS DE FADAS

Marques, Nadia Maria; Ms, Faculdade de Psicologia – PUCRS nmarques@pucrs.br Carrasco, Leanira; Dra, Faculdade de Psicologia carrasco@pucrs.br Macedo, Mônica Kother; Dra; Faculdade de Psicologia – PUCRS monicakm@pucrs.br Resumo A prática de interação com a sociedade, desenvolvida pela clínica-escola da Faculdade de Psicologia, o Serviço de Atendimento e Pesquisa em Psicologia (SAPP) ocorre desde 1994, consistindo em uma intervenção clínica junto a crianças em situação de vulnerabilidade social, que freqüentam em turno integral uma creche da comunidade de Porto Alegre. Este trabalho de prevenção primária, baseado no referencial psicanalítico, objetiva favorecer o desenvolvimento psicológico, cognitivo e social da referida população infantil de forma saudável. Como instrumentos mediadores são utilizados os Contos de Fadas, visando desenvolver a capacidade simbólica das crianças, incentivando a atividade lúdica como forma de expressão da criatividade, da espontaneidade, da elaboração de experiências traumáticas, da socialização e da aprendizagem. A possibilidade de criar um mundo de ilusão saudável contribui para a organização da personalidade, para o desenvolvimento da linguagem e para a construção de uma imagem valorizada de si mesmo, promovendo recursos mais eficazes de enfrentamento das adversidades da vida e incrementando a capacidade de resiliência. Com esta prática abre-se a possibilidade de considerar o contexto social como constitutivo do sujeito assim como se oportuniza o contato dos estagiários com a realidade social brasileira.

Palavras-chave: intervenção psicológica, infância, contos de fadas.

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Contando nossa História O SAPP, clínica-escola da Faculdade de Psicologia, busca viabilizar aos estudantes de graduação em Psicologia, um campo de experiências que lhes ofereça condições de aprimoramento e qualificação em sua formação. Neste sentido, a clínica-escola é um lugar privilegiado para a continuidade do processo de ensino e aprendizagem no contexto universitário. A atividade de intervenção com os Contos de Fadas realizada na comunidade se constitui em uma ampliação do campo de estágio e também de promoção do contato dos alunos com as condições socioeconômicas da população. Por meio desta intervenção o estagiário é inserido na comunidade demonstrando a amplitude do fazer em Psicologia. Iniciamos nosso trabalho, em 1994, realizando uma avaliação das necessidades e características da população de uma creche da comunidade a fim de definirmos os marcos norteadores de nosso fazer. Tendo como base esse estudo inicial, elaboramos um projeto que contemplasse a demanda advinda das diversas faixas etárias das crianças. Essas crianças, residentes em uma vila da periferia de Porto Alegre, possuem um padrão sócio-econômico bastante precário que as coloca em uma situação de vulnerabilidade social. Observamos que esta realidade menos favorecida, determinada por um estado de múltiplas carências, dificultava o estabelecimento de uma relação estável e produtiva entre as crianças, entre elas e suas educadoras, refletindo-se, também, na relação com nossa equipe da Psicologia. Identificamos famílias sobrecarregadas na luta pela sobrevivência diária, assim como cuidadores que, por suas próprias faltas e traumas, nem sempre estavam suficientemente disponíveis para facilitar o desenvolvimento físico e emocional saudável de seus filhos. Como afirma Albornoz (2006), a comunicação limitada e o apoio restrito, características típicas de populações de risco, dificultam o entendimento e a apropriada expressão das experiências emocionais. A criança não consegue conhecer e lidar com suas intensas emoções, aparecendo seqüelas no desenvolvimento da cognição, da linguagem e dos aspectos sócio emocionais. Um bebê não existe sozinho e um início de vida mal vivido prejudica o futuro de sua história, lembra Gutfreind (2005). Reforçando esta proposição

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Albornoz (2006), por meio de sua pesquisa com crianças negligenciadas e abandonadas, verificou que a falta destes cuidados determina privações que deixarão marcas na construção da subjetividade de cada sujeito e que se refletirão na sociedade. O não-aprender, decorrente desta situação, pode significar que a criança evita pensar para não conhecer conteúdos dolorosos e insuportáveis relacionados a sua história de vida. As crianças que não podem pensar sobre sua história encontrarão impedimentos e conflitos em investigar as verdades da vida que poderão causar rupturas no processo histórico e tornar a vida sem sentido. Esta situação tende a dificultar a adaptação pessoal, escolar, institucional, social e familiar dessa população infantil, determinando vivências de rejeição e exclusão. Frente a estas constatações, passamos a nos perguntar: como as crianças da Creche em questão, pertencentes a uma população de risco, poderiam sonhar? Como reconstruiriam as histórias não contadas em suas brincadeiras? Como poderiam aprender sobre suas próprias vidas e se construírem como sujeitos psicossociais? As conseqüências desta realidade podem determinar situações como as que constatamos na expressiva incidência de crianças que apresentavam quadros psicossomáticos, depressões, estados de ansiedade e comportamentos diruptivos. Verificamos que, em parte, estas manifestações associavam-se as precárias possibilidades destas crianças de expressarem, através de meios de comunicação mais eficazes, suas necessidades, sentimentos, desejos e sofrimentos. Visualizamos, a partir desta avaliação inicial, riscos de ocorrerem as chamadas síndromes do vazio nas quais predominam a pobreza da vida imaginativa, o pensamento e o funcionamento concreto; transtornos no estabelecimento de vínculos significativos; quadros de delinqüência e atuações sexuais precoces. Estas manifestações podem inibir ou bloquear o

desenvolvimento emocional saudável e impedir o adequado ajuste do sujeito à sociedade. Nosso principal objetivo foi interagir com as crianças, das diversas faixas etárias, oferecendo a elas um modelo de relação baseado no respeito, no afeto e na continência. O trabalho foi centrado na possibilidade de auxiliar as crianças a pensarem o impensável para que pudessem significar suas angústias,

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sentimentos e necessidades nomeando-os. Organizamos encontros semanais, de uma hora de duração, com cada uma das turmas durante um ano letivo. Os jogos, o brinquedo, os desenhos, a dramatização e, particularmente, os contos de fadas têm sido utilizados como instrumentos mediadores através dos quais as crianças podem fantasiar, criando um mundo de ilusão saudável. Pensamos que desta maneira poderemos, também, contribuir para desenvolver a capacidade de resiliência, favorecendo com que a criança, submetida a uma realidade de risco, encontre esperanças e recursos mais satisfatórios para enfrentar as dificuldades que surgirem em suas vidas. Integração com a Faculdade de Psicologia Entendemos que a Psicologia deve se fazer presente nas instituições que tenham vínculo com a saúde, com a educação e com a comunidade. Atendendo a este objetivo o SAPP, afinado com as diretrizes curriculares, oportuniza aos estagiários de Psicologia Clínica realizar um trabalho supervisionado de intervenção clínica na comunidade. Esta prática se integra à Faculdade de Psicologia através de seu Departamento de Clínica que, representado pela Coordenadora Professora Leanira Carrasco, vem, nos últimos dois anos, organizando e estimulando a participação do corpo docente, discente e de funcionários numa ação solidária que acontece na época do Natal. A partir da indicação dos nomes das crianças e suas respectivas idades, cada professor, aluno ou funcionário responsabiliza-se por uma ou mais dessas crianças adquirindo um presente adequado com a mesma. Em prévia combinação com a Creche, os estagiários do SAPP e os supervisores realizam a festa de Natal para a entrega desses presentes. É o momento no qual se encerram as atividades dos estagiários junto às crianças, proporcionando a todos os envolvidos um espaço de confraternização. No ano de 2008, além dos presentes, nasceu a idéia de organizar uma biblioteca infantil com o objetivo de incentivar as crianças a buscar nos livros repostas, resoluções, sentidos, inspirações que façam pensar e significar a realidade que elas enfrentam.

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Trabalhando com grupos de crianças pré-escolares Um grupo se constitui em agente terapêutico, um meio ativo e econômico no sentido de influir sobre seus participantes. Com a ajuda dos membros do grupo e a dos coordenadores, a criança pode ter a oportunidade de se conhecer melhor, perceber como são suas atitudes para com os outros, qual a origem de seus conflitos e buscar saídas mais sadias para resolver os seus problemas, assim como aqueles que emergem no grupo (Zimerman, 1997). A interação entre os companheiros do grupo auxilia na aprendizagem e na internalização de limites que os tornam mais autônomos e organizados. Gutfreind (2003) acrescenta a idéia de um aparelho psíquico grupal que oferece a oportunidade da criança empobrecida emocionalmente de utilizar recursos psíquicos que pertencem à outra criança e ao grupo. Tomando estes pressupostos teórico-técnicos como fundamentais para nossa prática clínica, os adaptamos a demanda e a realidade de nossos grupos de crianças pertencentes as turmas do Maternal, Jardim A e Jardim B. O lugar dos contos de fadas no desenvolvimento infantil Os contos de fadas por serem relatados de maneira breve e lúdica, são acessíveis à criança e suas estruturas correspondem às necessidades infantis. Em uma linguagem simples elas mostram questões e enigmas que a criança vivencia, mas ainda não tem condições de verbalizar de forma consciente. Os contos se apresentam como cenário para seus sonhos, aguçando a imaginação e favorecendo o seu processo de simbolização, tão necessário a sua inserção em um mundo cultural. Assim os contos “dão rosto aos desejos” de forma que a criança possa vivenciá-los sem culpa e sem temor (FERRO, 1995). Os contos, ao serem introduzidos com a expressão: era uma vez há muitos e muitos anos atrás, permitem com que a criança se identifique com um dos personagens, tendo a oportunidade de deparar-se com seus desejos e necessidades mais secretas e explicitá-las de forma simbólica, através do deslocamento para outro espaço e outro tempo longe de sua realidade. Então, sentimentos como medo, raiva, inveja, alegrias e curiosidades a respeito da sexualidade, entre outros, que já estão inscritos dentro da criança, encontram a possibilidade de expressão distanciada do aqui-agora que pode ser vivida de

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forma compartilhada com os personagens e com o grupo de iguais. Esta experiência alivia as ansiedades e o sofrimento, contribuindo para a organização mental. O final feliz dos contos de fadas, ao contrário de transmitir uma visão irreal do mundo e da vida, transmite a segurança de que existe a possibilidade da criança resolver suas dificuldades e angústias de forma a amadurecer e se tornar independente. Apresentados de forma simbólica os contos possibilitam uma melhor assimilação dos conflitos da criança de acordo com o seu estágio de desenvolvimento intelectual e emocional. Esse é o seu final feliz. A preciosidade dos contos reside na sua “insaturabilidade”, isto é, na possibilidade da criança preencher qualquer conto, em momentos diferentes de seu estado emocional ou de seu crescimento, com significados diferentes. Esta possibilidade explica, em parte, porque as crianças pedem para que um mesmo conto seja narrado por diversas vezes. Além dessas possibilidades, os contos de fadas se constituem em relevante técnica pedagógica, porque transmitem uma linguagem simbólica necessária para a inserção da criança em um mundo letrado, além de ativar a memória, o vocabulário, a capacidade de abstração, a criatividade, a aquisição do pensamento conceitual, a compreensão e assimilação da realidade, e o alargamento de seu domínio lingüístico (RADINO, 2003). Resta destacar que nos contos de fadas a presença afetiva e o olhar do outro são indispensáveis para que estas situações tenham um sentido transformador para a criança. A transmissão oral de um conto exige trabalho artístico e artesanal, uma vez que cada fato precisa ser metabolizado pelo contador para poder ser contado. Conta outra vez..... Tínhamos o desafio de trabalhar com grupos de quinze a vinte crianças pré-escolares e, para isso, precisávamos criar um ambiente suficientemente estruturado para que construíssemos o cenário necessário para a atividade de ouvir e contar histórias. As educadoras da creche foram convidadas a estabelecer uma parceria com nossa equipe, pois o convívio diário com as crianças favorecia a formação de um vínculo de confiança com as mesmas o qual, além de ser

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facilitador para a organização e estruturação do grupo, também dava suporte para as reações desencadeadas pelos contos que pudessem permanecer presentes ao longo da semana. Em cada uma das salas, correspondentes aos níveis do Maternal, Jardim A e do Jardim B, foi escolhido um local específico denominado o “cantinho do conto” que pudesse ser investido simbolicamente. Este recanto era formado por cadeiras dispostas de maneira a favorecer o contato visual de todas as crianças com o contador, recriando o clima nutridor encontrado na relação mãe-bebê. No primeiro momento, dedicado à conversa e a interação entre as crianças, as estagiárias realizavam a chamadinha, nomeando cada uma das crianças, como uma forma de demarcar as diferenças entre o espaço dos contos e o espaço das demais atividades pedagógicas. Abria-se um tempo para que as crianças pudessem se manifestar livremente através da palavra, contando acontecimentos de sua vida diária, trazendo suas queixas ou falando de seus desejos. No segundo momento, após a acomodação das crianças em seus respectivos lugares, seguia-se a narração do conto escolhido a partir de um consenso estabelecido entre as estagiárias, as educadoras e as crianças. As ansiedades, sentimentos, pensamentos e desejos mobilizados pela escuta dos contos foram trabalhados na terceira etapa, logo após a sua narração, através de meios lúdicos, como: desenhos, modelagens com argila, colagens, brincadeiras, músicas, teatro de fantoches e dramatizações. Ao final de cada encontro, as estagiárias, sempre buscando a participação e colaboração das crianças, realizavam um fechamento da atividade comentando a respeito do que tinham conhecido e aprendido do grupo naquele dia. O desenrolar desta atividade ocorreu de forma diferenciada em cada turma. A partir do conto escolhido, foram consideradas as singularidades de cada grupo, suas necessidades nos encontros anteriores e as percepções dos estagiários e das educadoras. Assim, cada trajetória tornou-se única e imprevisível, pois ocorreu a partir da interação do movimento do grupo e dos olhares e escutas daqueles com os quais seus participantes interagiam. A flexibilidade do setting foi um fator importante, para que pudéssemos adequar o trabalho às manifestações e aos diferentes movimentos das crianças que emergiam a cada encontro.

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Na turma do Jardim A, por exemplo, constituída por crianças de três e quatro anos, foi escolhido o conto do Pinóquio, próprio para tal faixa etária. A escolha do conto foi feita a partir de uma sugestão da educadora, que se justificou dizendo que as crianças estavam muito “mentirosas” e que, ao escutarem essa história, talvez aprendessem que é “feio mentir”. Durante um semestre letivo, respeitando o princípio da insaturabilidade, a história do Pinóquio foi contada em quatorze encontros. Nesses encontros, buscamos respeitar o tempo de cada criança para internalizar o conteúdo narrado e, assim, permitir a sua expressão através do simbólico e da palavra. Observamos, através das nossas conversas com as crianças, realizadas no primeiro tempo do encontro, que elas abordavam assuntos pessoais, e que estes estavam relacionados com a história do Pinóquio. Contaram que ganharam de seus pais mochilas, bicicletas e piscinas. Através da educadora, verificamos que o que as crianças contavam não correspondia à realidade de suas possibilidades. Mas será que podemos chamar isso de mentira? Devemos relembrar que as crianças das quais estamos falando fazem parte de uma população carente que, na maioria das vezes, não têm a oportunidade de desejar e de sonhar. Cabe aqui comentar que o sonho, o desejo e a idealização são componentes fundamentais no desenvolvimento normal do ego. A criança necessita poder idealizar, a fim de aliviar suas ansiedades e angústias. Nesse espaço, ela encontra uma zona de refúgio, onde se sente segura para explicitar seus desejos e fantasias, sendo, assim, capaz de suportar uma situação real que não pode modificar (ALVAREZ, 1994). Constatamos, ao longo dos encontros, a expressão do processo de identificação das crianças com o personagem Pinóquio. Da mesma maneira que ele, elas buscavam lidar com sentimentos de perda e de falta, através de recursos idealizados compensatórios. A mentira pode ser a marca entre a separação do pensamento do adulto e a subjetividade da criança (Corso & Corso, 2006). O nariz comprido do Pinóquio parece estar relacionado com um desejo que não se realizou e que encontrou na mentira uma forma de expressão. Sabemos que para uma criança de três anos, não existe distinção entre a verdade, a mentira ou a fantasia. A mentira se apresenta no desenvolvimento como uma expressão do mundo interno repleto de sonhos e fantasias. Porém, Freud (1913/1976) não deixou de alertar que as mentiras se acham vinculadas às forças motivadoras poderosas nas mentes das crianças e podem anunciar

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disposições que levarão a dificuldades posteriores em suas vidas ou a futuros padecimentos psíquicos. É preciso entender que as supostas mentiras de caráter compensatório que esses menores contavam encobriam as falhas e ausências ocorridas em seu desenvolvimento. Esclarecemos às crianças que, assim como o Pinóquio, elas também queriam coisas novas, introduzindo, desta maneira, o tema da mentira em nossos encontros. Mostramos a elas que, muitas vezes, quando as coisas não acontecem como as crianças querem, elas podem imaginar, sonhar e contar da forma como gostariam que as mesmas se realizassem. Procuramos, então, nomear os sentimentos e as angústias do grupo, propondo um movimento de reflexão que auxiliasse seus membros a pensar sobre sentimentos e necessidades. A repetição desta história oportunizou aos membros do grupo compartilhar entre si as sensações de falta, reforçando sua auto-imagem e seus mecanismos de enfrentamento. As crianças mostravam-se muito atentas e concentradas na narração e, com a evolução do trabalho, passaram a ter uma maior participação na hora do conto. Os membros do grupo substituíram a posição de observadores passivos por outra de maior participação, antecipando frases, imitando os gestos do narrador e incluindo novos elementos ao conto. No terceiro tempo utilizamos, num primeiro momento, recursos como o desenho para que as crianças pudessem expressar o que sentiram e pensaram durante a narração do conto. Os primeiros desenhos evidenciavam que o conteúdo da história fora associado com temas relacionados a aniversários, bolos, presentes e brinquedos. Pensamos que este conteúdo manifesto encobria o desejo das crianças de construírem um espaço mágico, de ilusão onde pudessem suprir suas carências, fortificando-se para crescerem. A dramatização do conto surgiu como uma iniciativa das crianças que, mais criativas e espontâneas, não queriam apenas dramatizar o conto do Pinóquio, mas também mostrar seus talentos. A turma propôs apresentar um “show” de música e dança, onde algumas canções eram conhecidas, outras inventadas e sempre acompanhadas de coreografias. As crianças que participavam como platéia permaneciam atentas ao trabalho dos colegas com exclamações como: “nosso show é fantástico”.

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Constatou-se que, através do aspecto lúdico proporcionado por este conto de fadas, os alunos do Jardim A desenvolveram a imaginação, a capacidade de fantasiar, descobrindo que possuíam recursos próprios capazes de levá-los a criarem a sua própria produção. Pensamos que os sentimentos iniciais de desvalorização e de falta, expressos através das mentiras, deram lugar para sentimentos de maior auto confiança e produtividade. Considerações Finais Acompanhamos e avaliamos o desenvolvimento e o aproveitamento do trabalho realizado, com as diferentes turmas das crianças desta Creche, através da observação da evolução dos grupos; dos desenhos; das dramatizações; da capacidade de expressão verbal; do desenvolvimento da socialização; da possibilidade de ouvir, olhar, prestar atenção, criar e fantasiar. Nos primeiros encontros, nos deparamos com grupos regressivos e desorganizados. Ansiosas as crianças falavam ao mesmo tempo, se queixavam de dores físicas, se agrediam, não se centravam na tarefa, disputavam por materiais e pela atenção dos estagiários. Os desenhos eram pobres e escuros. A possibilidade de aproveitamento foi se revelando através da diminuição da ansiedade e, consequentemente, comportamentos mais maduros surgiram. As crianças, imersas nas histórias, enriqueciam o conteúdo das mesmas com novos detalhes, antecipando falas e transportando elementos para suas experiências de vida. Vimos que, de forma lúdica, podiam compartilhar com os personagens, com os colegas e conosco algumas situação difíceis de seu cotidiano. Assim, as crianças ampliavam sua capacidade de pensar sobre suas histórias de vida e crescia a possibilidade de investigar as verdades de si mesmas, diminuindo os riscos de rupturas no processo histórico que compromete a necessidade de significar a própria existência. Observamos que as crianças necessitavam de experiências que possibilitassem o aprimoramento de sua criatividade, e de atividades que favorecessem a sensação de alegria e de liberdade de expressão. As histórias criadas, a música, a dança e a encenação assumiram esse papel, estimulando a vida imaginativa e a fantasia. Os desenhos tornaram-se mais estruturados e coloridos. Desenvolveu-se, também, um censo de grupo mais integrado, as crianças mostravam-se mais colaborativas entre si, demonstravam maior tolerância à frustração e conseguiam compartilhar brinquedos e material

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escolar. A possibilidade de expressão verbal tornou-se mais eficaz o que contribuiu para o estabelecimento de uma comunicação mais efetiva entre os membros do grupo. Trabalhamos com crianças que possuem múltiplas carências e, por isso, temos presente que não atingiremos de igual maneira a todas. Encontramos crianças que por meio de suas distintas expressões revelam a dor de traumas que se repetem e que necessitam de abordagens individuais, além das possíveis no trabalho com o grupo. A elas dedicamos, em muitos momentos, atenção e manejo específicos durante o trabalho com os contos. Incluímos, também, em nosso programa a possibilidades destas crianças, mais prejudicadas em seu desenvolvimento, serem encaminhadas para avaliação psicológica no SAPP, onde se realiza uma intervenção terapêutica e posterior orientação de acordo com suas singulares necessidades e as demandas de suas famílias. Referências ALBORNOZ, AC. Psicoterapia com crianças e adolescentes institucionalizados. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. ALVAREZ,A. Companhia viva: psicoterapia psicanalítica com crianças autistas, borderline, carentes e maltratadas. Porto Alegre:Artes Médicas, 1994. CORSO, D., CORSO M. Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: Atmed, 2006. FREUD,S. Duas mentiras contadas por crianças. In Obras Completas, Vol. XII, Rio de Janeiro: Imago, 1976.Originalmente publicado em 1913. FERRO, A. A técnica na psicanálise infantil. Rio de Janeiro: Imago, 1995. GLEN, J. Psicanálise e Psicoterapia de crianças. Porto Alegre: artes Médicas, 1996. GUTFRIEND, C. O terapeuta e o lobo: a atualização do conto na psicanálise de criança. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. GUTFRIEND,C. Vida e arte. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005. LEWIS, M. Tratado de psiquiatria da infância e adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. RADINO,G. Contos de fadas e realidade psíquica: a importância da fantasia no desenvolvimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. ZIMERMAN,D.E.; OSÓRIO, L.C. Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

“FORMAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS LEITORES NA COMUNIDADE DO MORRO DA CRUZ”

2008/2009 Projeto elaborado pelo Núcleo de Educação de Jovens e

Adultos/NEJA/FACED/PUCRS neja@pucrs.br Responsáveis pelo projeto: Coordenação: Profª. Dr. Maria Conceição Pillon Christofoli maria.christofoli@pucrs.br Profª. Dr. Maria Inês Côrte Vitória mvitoria@pucrs.br Profª. MS.: Jussara Margareth de Paula Loch jussara.margareth@pucrs.br Resumo O Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – NEJA - da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) é fruto de um grupo de estudos da Universidade, constituído desde julho de 1997, com a proposição de ser um ambiente de estudo, pesquisa, formação, discussão e debates direcionados para a Educação de Jovens e Adultos. Nesse sentido, o presente projeto se insere na necessidade e responsabilidade social assumida pela Faculdade de Educação – PUCRS – em promover no cenário da Educação Brasileira a qualificação na formação de professores e, em especial, a formação de educadores e professores de EJA. Para tanto, se estabelece como objetivo geral deste projeto: Fomentar uma cultura de leitura entre jovens e adultos na comunidade do Morro da Cruz. Dessa forma, se pretende que alunos de EJA e dos anos finais do Ensino Fundamental, atuem como mediadores de leitura, junto às bibliotecas escolares do Morro da Cruz, transformando os espaços das mesmas (em sua maioria, mal utilizadas), em bibliotecas escolares atuantes e abertas à comunidade. Palavras-chave: formação de leitores, bibliotecas populares, Educação de Jovens e Adultos.

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Justificativa A história do NEJA está vinculada aos movimentos de alfabetização: no âmbito Federal, à Organização Não-Governamental AlfaSol 1 , parceria através da qual já promovemos cursos de Formação de Alfabetizadores para

aproximadamente 1000 educadores-alfabetizadores, alcançando um total de 20000 jovens e adultos do interior, especialmente em comunidades rurais dos seguintes estados brasileiros: Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Tocantins. Nesses estados se evidenciam os mais altos índices de analfabetismo. Pela mesma parceria (AlfaSol) atuamos, ainda na formação de educadores de jovens e adultos, na África, em São Tomé e Príncipe. No âmbito municipal, atuamos junto ao MOVA (Movimento de Alfabetização de Porto Alegre/RS), realizando cursos de formação de educadores de jovens e adultos na cidade de Porto Alegre e região metropolitana. Destaca-se que se manteve na PUCRS, ao longo de dez anos, turma de Educação de Jovens e Adultos, em parceria da SMED/Porto Alegre com o NEJA/FACED/PUCRS. O presente projeto se insere na necessidade e responsabilidade social assumida pela Faculdade de Educação – PUCRS – em promover no cenário da Educação Brasileira a qualificação na formação de professores e, em especial, com relação ao Núcleo de Educação de Jovens e Adultos em que atuamos, a formação de educadores e professores de EJA. Ressalta-se que a questão da expansão do atendimento na EJA, no Brasil contemporâneo, não envolve apenas as pessoas que frequentaram a escola, mas as que não realizaram aprendizagens suficientes para participar plenamente da cultura letrada do país, utilizando os conhecimentos construídos em seu cotidiano. Superando-se a questão dicotômica entre alfabetizado e não-alfabetizado, busca-se compreender as habilidades de leitura e de escrita, que caracterizam o indivíduo capaz de inserir-se de forma adequada no contexto social, respondendo adequadamente

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Alfabetização Solidária (AlfaSol) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos e de utilidade pública, que adota um modelo simples de alfabetização inicial, inovador e de baixo custo, baseado no sistema de parcerias com os diversos setores da sociedade. A Organização trabalha desde janeiro 1997 pela redução dos altos índices de analfabetismo no país (da ordem de 13,6 % segundo o censo de 2000 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo fortalecimento da oferta pública de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil. www.alfasol.org.br

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às competências exigidas profissionalmente. O acesso à língua materna, sua apropriação, sua utilização, sua (re) significação são construtos sobre os quais deveriam se assentar os direitos de todos os pertencentes de comunidades usuárias da leitura e da escrita. Além disso, a aprovação do FUNDEB (Fundo Nacional de

Desenvolvimento da Educação Básica do Ministério da Educação do Brasil) no ano de 2007, descortinou possibilidades de ampliação do atendimento a EJA, pois pela primeira vez no país há garantia de financiamento para esse segmento da população. Considerando também a existência de inúmeros Programas de Alfabetização de Jovens e Adultos e a conseqüente demanda na continuidade de Estudos de Jovens e Adultos não escolarizados, coloca-se como uma necessidade fundamental a formação de educadores e professores para atuarem de forma qualificada no Ensino Fundamental e Médio. Atualmente uma das ações importantes desenvolvidas pelo NEJA/FACED/PUCRS, ocorre em convênio com o ILEM, Instituto Leonardo Murialdo. O Instituto Leonardo Murialdo está presente na comunidade do Morro da Cruz há 44 anos e atua no âmbito da assistência social e educação de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias. São quatro casas cobrindo a área de atendimento do bairro contemplando, além da Biblioteca Ilê Ará, um Centro Infantil (que atende crianças de 0 a 6 anos), Centro InfantoJuvenil (atende crianças de 7 a 14 anos), Centro de Formação Profissional (adolescentes a partir de 13 anos, jovens e adultos) e uma pré incubadora para empreendimentos populares de geração de trabalho e renda. A propósito disso, nos parece importante apresentar de que contexto estamos falando. A comunidade do Morro da Cruz está situada no Bairro Partenon, Zona Leste de Porto Alegre. Segundo dados coletados pelo Instituto Leonardo Murialdo, o Partenon colabora hoje com 8,88% da população de Porto Alegre, sendo a segunda região mais populosa da cidade, com cerca de 129.100 habitantes, dos quais 8,27% são jovens entre 15 e 19 anos. Há cerca de 36.252 chefes de família na região, com renda média de 4,45 salários mínimos, sendo que 37,8% destes percebem renda de até dois salários mínimos por mês. Destes 36.252 chefes de família, cerca de 10.544, 29,8%, são mulheres, das quais 1.131, ou seja, 10,73%, são analfabetas. O analfabetismo em Porto Alegre atinge 3,3% da população, enquanto no bairro Partenon este índice sobe para 4,1%.

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Cabe ainda salientar que a FASC (Fundação de Assistência Social e Cidadania), através do Programa Educação Social de Rua no Centro da Cidade, abordou já seiscentos meninos e meninas em situação de rua. Segundo levantamento realizado, o Partenon fica em 3º lugar na lista dos bairros com o maior número de jovens em situação de rua na cidade. A grande maioria iniciou sua vida nas ruas através da mendicância e do trabalho infantil na própria região. Vários deixam a mendicância como segundo plano em favor do ingresso no mundo das drogas e da prostituição. Em 1952, o Morro da Guampa, como era chamado então, começou a ser ocupado, quando a área foi desapropriada para fins de habitação. Durante um bom tempo, tal ocupação se deu muito timidamente, de maneira a reproduzir os modos de vida e os modelos sociais de comunidades rurais, de onde era oriunda a grande maioria dos primeiros moradores. Outra parcela era formada por trabalhadores das docas, em sua grande maioria afro-descendentes. A água era proveniente de fontes abundantes, o que facilitava o plantio de milho, cana, batata doce, aipim e abóbora, além da criação de porcos. A partir de 1960, o Morro da Guampa passa a se chamar Morro da Cruz, em função dos eventos religiosos da sexta-feira santa, quando as procissão que começaram a subir o Morro com uma cruz todos os anos, deram à comunidade essa identidade. Nos anos 70, o processo de ocupação do Morro da Cruz se acelera. Fugindo do aluguel, muitas pessoas passam a ocupar áreas, construindo pequenas casinhas de madeira. a fazer parte da rotina do Morro da Cruz, que passam a exercer lideranças na comunidade. O Morro da Cruz é reconhecido em toda a cidade por realizar, desde os anos sessenta, sempre às sextas-feiras santas, a encenação da Paixão de Cristo, que mobiliza a comunidade e leva centenas de pessoas para o Morro. Além disto, o Morro é também o berço de um famoso grupo de senhoras que produz roupas que levam a marca do Morro da Cruz, a partir da reciclagem de matérias têxteis. Como conseqüência desta experiência de sucesso, inúmeros

investimentos em projetos alinhados com os preceitos da chamada “Economia Solidária” vêm sendo levados a cabo na região, com resultados ora positivos, ora nem tanto. Para fomentar estas iniciativas, o Instituto Leonardo Murialdo transformou o galpão situado ao lado da creche, no topo do Morro, em uma incubadora de projetos sociais. Dessa forma, a parceria entre NEJA/FACED e

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ILEM se faz por meio de um trabalho de educação popular na comunidade do Morro da Cruz, envolvendo desde alfabetização de jovens e adultos, assessoria em projetos de educação e trabalho com jovens até a realização de cursos para pessoas jovens e adultas, preparando-as para atuar como mediadores de leitura, especialmente junto à Biblioteca Comunitária Ilê Ará. Nesse sentido, através do Curso de Mediadores de Leitura percebeu-se a necessidade de expandir para a comunidade do Morro da Cruz as ações desenvolvidas pela Biblioteca Ilê Ará, quais sejam: contação de histórias; empréstimo de livros; sacolas de leitura itinerante; sarau literário; visitas às casas, escolas e associações comunitárias; levantamento de preferência de leitura; rodas de leitura; círculos de cultura. A partir destas ações observou-se um expressivo aumento nos empréstimos de livros (os primeiros registros dão conta de aproximadamente 50 livros emprestados, enquanto que ao final do projeto registraram-se uma média de 800 empréstimos mensais). Há no Morro da Cruz 22 instituições escolares, mas lamentavelmente, muitas das bibliotecas existentes nestas escolas atuam de forma restrita. Isso significa que algumas estão fechadas, outras são utilizadas como depósito de livro, outras ainda funcionam como laboratório de informática, raras são as que funcionam à noite para as turmas de EJA e nenhuma é aberta para a comunidade, além de contarem com acervo precário. Para . FREIRE( 1983, p..38) a biblioteca popular,como centro cultural e não como depósito de livros,é vista como fator fundamental para o aperfeiçoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o ler o texto em relação com o contexto. O presente projeto pretende atuar junto às bibliotecas existentes nas instituições escolares do Morro da Cruz no sentido de aproveitar as ações/experiências desenvolvidas na Biblioteca Ilê Ará, expandido-as para as demais bibliotecas da comunidade do Morro da Cruz. Com isso, o que se pretende é que, além de cumprirem o seu papel dentro da escola, as bibliotecas transformem-se também em espaços abertos à comunidade. Dessa forma, a comunidade do Morro da Cruz será beneficiada com as ações das bibliotecas, o que contribuirá expressivamente para a criação, formação e ampliação de uma comunidade de leitura, fomentando uma cultura de leitura na comunidade do Morro da Cruz, potencializando a ação das bibliotecas escolares e bibliotecas comunitárias. Para tanto, iremos selecionar alunos de EJA, futuros mediadores de

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leitura, para atuar junto às bibliotecas escolares do Morro da Cruz; instrumentalizar jovens, adultos e idosos para atuar como “contadores de histórias” junto a seus grupos de idade e junto às crianças e adolescentes; incentivar os jovens, adultos e idosos a reiniciar ou continuar seus estudos a partir do gosto pela leitura. Pressupostos teóricos A questão da expansão do atendimento na EJA, no Brasil

contemporâneo, não envolve apenas as pessoas que freqüentaram a escola, mas as que não realizaram aprendizagens suficientes para participar plenamente da cultura letrada do país, utilizando os conhecimentos construídos em seu cotidiano. Já não se pode mais banalizar a questão da leitura, contentando-se com alfabetizados funcionais, pois que o mero caráter utilitário do ato de ler retira dos sujeitos a possibilidade de perceber na cultura letrada formas de ser e estar no mundo. A expansão da alfabetização possibilita, igualmente, a expansão das categorias de leitores: crianças, mulheres, trabalhadores. Se, por um lado, a entrada na cultura escrita parece ser democratizada, por outro, a imposição de normas escolares, que tendem a definir um modelo único de leitura/leitor, convivem com práticas extremamente diversas, próprias das práticas de cada grupo de leitores. As diferenças entre as práticas de leitura acentuam-se, dependendo dos usos sociais que determinados grupos fazem da escrita. Os séculos XIX e XX trazem o acentuar-se dessas diferenças. Observase, em países mais desenvolvidos, baixos índices de analfabetismo. A repercussão dessa Revolução na história das práticas de leitura e escrita é inegável, e só é superada por outra revolução nessas práticas: a transmissão eletrônica dos textos e as maneiras de ler que ela impõe (Cavallo e Chartier, 1998). A distância que separava o autor/leitor é quebrada pela cibernética. Se antes o leitor possuía pouco espaço para interagir na obra impressa (apenas anotações nas margens do texto), hoje ele pode realizar várias operações: copiar, recompor, recortar, deslocar. O leitor, junto à tela, torna-se também um autor, ele pode modificar e reescrever os textos, torná-los seus. As

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intervenções do leitor, que eram limitadas no livro, passam a ser expressivas. E é inegável que esse recurso tecnológico irá influenciar as práticas escolares. Outra questão importante que deve ser referida e trazida para ser repensada, trata da formação dos leitores nas classes populares. De nada adianta criarmos programas de alfabetização se não possibilitarmos que esses sujeitos se tornem usuários da língua escrita,se não criarmos bibliotecas.

Freire(1983)ao falar das bibliotecas populares fala da importância de constituir um acervo e em comunidades onde não há livros e outros materiais que se possa criar um acervo registrando e escrevendo as histórias da comunidade. Finalmente, e não menos importante, destacamos o fato de que o referencial teórico por nós utilizado se sustenta fortemente nas questões de escrita e leitura por acreditarmos na profunda relação existente entre ambas as habilidades cognitivas. Assim, se já temos ações concretas referentes à alfabetização no Morro da Cruz, nos parece que ações concretas referentes à ampliação da leitura/escrita neste mesmo contexto poderia representar a possibilidade de oferecer um trabalho pedagógico mais abrangente do ponto de vista educativo, além de se configurar como um projeto com chances expressivas de sustentabilidade. Por isso mesmo, acreditamos que os jovens e adultos teriam a oportunidade de ler e ler melhor e, além disso, divulgar em seus grupos de convivência, família, clubes, trabalho...a literatura, o gosto pelo estudo, além da capacidade de organização e participação comunitária. Ações previstas O presente projeto se ampara nos princípios da pesquisa qualitativa, adotando como diretriz metodológica a pesquisa-ação, que é uma pesquisa eminentemente pedagógica, dentro da perspectiva de ser o exercício pedagógico, configurado como uma ação que cientificisa a prática educativa, a partir de princípios éticos que visualizam a contínua formação e emancipação de todos os sujeitos da prática. Segundo Thiollent (2003)a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Muitos partidários

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restringem a concepção e o uso da pesquisa-ação a uma orientação de ação emancipatória e a grupos sociais que pertencem às classes populares ou dominadas. A pesquisa não se limita a uma forma de ação: pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conhecimento das pessoas e grupos considerados. Dessa forma, as ações previstas para a realização do projeto são as seguintes: • Convidar escolas/bibilotecas para participar do projeto – a primeira ação prevista para o projeto dá conta de visitas realizadas às

escolas/bibliotecas com o objetivo de sensibilizar/apresentar os propósitos do projeto. Este primeiro momento nos parece fundamental para que a inserção das escolas se dê de maneira consciente e informada sobre os processos que se pretende desencadear não apenas na escola, mas de uma maneira mais geral também na comunidade. • Identificar jovens e adultos, alunos de EJA e também jovens alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental, que tenham disponibilidade em algum turno: manhã, tarde ou noite, para atuar como mediadores – após a identificação dos jovens e adultos interessados em participar e que tenham disponibilidade em algum turno, serão feitas entrevistas para que se possa conhecer um pouco mais o perfil destes jovens e adultos. Com isso, se pretende detalhar as funções, atribuições e papel destes sujeitos na composição do projeto, assim como observar os que mais se aproximam das expectativas previstas para este projeto. • Organizar grupos de estudo, em cada turno, com a finalidade de instrumentalização para a ação – parte-se da idéia de que não há como realizar pesquisa-ação sem uma rigorosa sistematização de estudos e discussão. Por isso mesmo, os grupos de estudo se configuram como suporte sobre o qual se sustentarão as ações, os (re)encaminhamentos, o desenvolvimento do projeto propriamente dito. A cada final de sessão de estudos, serão encaminhados os textos da próxima reunião, aliando permanentemente a práxis desenvolvida com as teorias pertinentes às ações empreendidas.

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• Levantamento do acervo já existente em cada instituição escolar pertencente ao projeto – o acervo das bibliotecas deverá ser contabilizado, registrado e analisado. Somente a partir destes levantamentos se poderá prever/planejar as necessidades mais urgentes das bibliotecas, organizando/estabelecendo as prioridades de acervo para cada espaço. • Ativação do acervo – estas ações fazem parte do processo de qualificação dos acervos das bibliotecas e também do processo de colocar em marcha as sacolas de livros itinerantes, que perpassarão as casas da comunidade, provavelmente ficando em cada residência aproximadamente uma semana. O controle das sacolas itinerantes será feito por monitores do projeto, sob supervisão dos professores envolvidos no projeto. Espera-se dessa forma, colocar em movimento as ações previstas neste projeto, como forma de implementar/expandir/solidicar as práticas de leitura da comunidade em questão. O acompanhamento de tais ações será realizado através de reuniões sistemáticas (de estudo e encaminhamentos de ordem geral); de registro de observações; de entrevistas realizadas junto à população do Morro da Cruz; de cursos de formação permanente; de cursos de capacitação aos mediadores de leitura. Os índices de empréstimo de livros serão antes, ao longo e ao final do projeto serão mensurados através dos princípios da pesquisa quantitativa e submetidos a percentuais e estatísticas. Ações consolidadas A primeira etapa do presente projeto, “Formação de Jovens e Adultos Leitores na Comunidade do Morro da Cruz”, tem trazido resultados bastante significativos no sentido de qualificar a atuação dos educadores populares. Nesse sentido, ressaltam-se aspectos ligados ao aprimoramento na escolha do acervo; à qualificação da mediação pedagógica na hora do conto; à seleção de textos para leitura; à forma de apresentar o texto para os leitores; à organização dos empréstimos das sacolas de leitura itinerantes; à relação dos mediadores de leitura com a comunidade. Assim sendo, o trabalho realizado na primeira etapa nos levou a ampliar a ação para as demais bibliotecas escolares do Morro da

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Cruz, bibliotecas estas que, em algumas escolas, estão desativadas por falta de recursos humanos. Pela atuação tão qualificada dos educadores populares é que se pensou em aproveitar também os alunos dos Anos Finais e alunos de EJA para participarem do Curso de Formação, na qualidade de mediadores de leitura, e também acompanhá-los na tarefa de formar novos jovens e adultos leitores. Referências BARBIER, Barbier. A pesquisa-ação na instituição educativa. trad. Estela dos Santos Abreu com a colaboração de Maria Wanda Maul de Andrade. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1985. CHARTIER, Roger. Y CAVALLO, G. História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, 1998. DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico. São Paulo: Cortez, 1999. FERREIRO, Emília. O passado e o presente dos verbos ler e escrever. São Paulo: Cortez, 2002. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez,1983. GIARDINELLI, Mempo. Volver a leer. Buenos Aires: EDHASA, 2007. SOARES, Magda. Letramento. Belo Horizonte: Autêntica,1998. TFOUNI, Leda Verdiane. Adultos não Alfabetizados: Avesso do avesso. São Paulo: Cortez,1988. THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 2003.

BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

SAÚDE E TRABALHO NO MERCOSUL: A EXPERIÊNCIA DO CENTRO COLABORADOR E SUAS ESTRATÉGIAS

Jussara Maria Rosa Mendes Assistente Social, Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, mjussara@pucrs.br

Resumo: O presente artigo apresenta a experiência do Centro Colaborador em Saúde do trabalhador no MERCOSUL - COLSAT, sediado no Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde e Trabalho (NEST), da Faculdade de Serviço Social/PUCRS, o qual se constitui numa cooperação técnico-científica

desenvolvida entre a universidade e o Ministério da Saúde. Demonstra como vêm se dando o processo de inovação de metodologias que articulam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Evidencia as estratégias realizadas para contribuir com a efetivação do direito a saúde no âmbito dos países membros do MERCOSUL, potencializada através de diferentes diretrizes e ações, com destaque para o trabalho em rede que vem dinamizando e integrando competências.

Palavras-chave: Saúde do trabalhador, Centro Colaborador, Mercosul. Introdução Este artigo tem por finalidade apresentar a estratégia de fortalecimento de uma rede interativa através do trabalho de cooperação técnico-científica em Saúde do Trabalhador, efetivada pelo Centro Colaborador em Saúde do Trabalhador no Contexto do Mercosul (COLSAT-Mercosul), criado em 2006, a partir de uma parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, e sediado no Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde e Trabalho (NEST), da Faculdade de Serviço Social/PUCRS. O COLSAT-Mercosul tem como foco o fortalecimento de uma gestão compartilhada entre os órgãos de gestão pública, a fim de incrementar a política de Saúde do Trabalhador. Têm como uma das suas principais estratégias a constituição da Rede de Saúde do Trabalhador para o desenvolvimento da

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informação, formação e ações de promoção à saúde da população trabalhadora na região, além disso, está orientado por uma metodologia que visa como um dos seus produtos o trabalho em rede e o espaço para a integração regional e internacional, na perspectiva de incluir o direito à saúde na agenda política do referido bloco Objetivos A implantação do COLSAT-Mercosul cumpre um papel estratégico de fortalecimento da política de Saúde do Trabalhador no Contexto do Mercosul e a sua implementação parte da apreensão desse contexto, das suas formas de organização social e da identificação das assimetrias entre os Estados-membros. Tem como objetivo geral estabelecer cooperação técnico-científica com a Coordenação de Saúde do Trabalhador - COSAT - do Ministério da Saúde do Brasil a fim de subsidiar ações em Saúde do Trabalhador no Contexto do Mercosul. Esta cooperação ocorre por meio da articulação do tripé ensino, pesquisa e extensão, e através de parcerias com instituições governamentais e não-governamentais, de ensino e/ou ações voltadas para esta área. Para efetivar esse papel, o COLSAT-Mercosul propõe-se a: Estabelecer trabalho em rede e espaço sistemático para a integração regional; Desenvolver intercâmbio internacional por meio de Missões Regionais nos Estados-membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela; Realizar diagnóstico situacional em cidades-gêmeas; Estabelecer uma agenda de trabalho conjunta que contemple as demandas oriundas da análise situacional, pós diagnóstico; Promover e desenvolver estudos multicêntricos e interdisciplinares sobre metodologias de intervenção no campo da Saúde do Trabalhador nos Estados-membros do Mercosul; Disseminar informações e conhecimentos técnico-científicos sobre Saúde do Trabalhador no contexto do Mercosul;

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Realizar projetos e assessorar o desenvolvimento local de ações de formação continuada de profissionais, gestores e movimentos sociais responsáveis pelas ações de Saúde do Trabalhador; Subsidiar a construção de políticas sociais que instrumentalizem uma intervenção prática na situação de saúde e trabalho dos Estadosmembros do Mercosul (MENDES ET al., 2006). O processo de inovação desenvolvida e resultados obtidos A implementação do COLSAT-Mercosul representa o fortalecimento e a ampliação das ações no campo da Saúde do Trabalhador centrado em cinco diretrizes: 1) formação e pesquisa, 2) interdisciplinaridade, 3)

interinstitucionalidade, 4) trabalho em rede e 5) de

gestão compartilhada

mediante cooperação entre poder público e a universidade para o cumprimento dos respectivos papéis em prol do desenvolvimento social e da saúde do trabalhador no contexto do Mercosul (MENDES et al, 2006). Destaca-se que a diretriz referente ao trabalho em rede, a partir da experiência do COLSAT-Mercosul, tem contribuído para a efetivação das demais diretrizes, pois se tem como suposto a organização e a mobilização permanente dessa rede. O centro colaborador 1 tem se constituído em importante estratégia para o estudo e produção de conhecimento de uma determinada área, sendo, portanto, uma instituição que é designada por órgão nacional ou internacional para participar de uma rede colaborativa, realizando atividades de apoio aos programas desse órgão e contribuindo para o aumento da cooperação técnica com e entre países, fornecendo-lhes informações, serviços e consultoria, além de estimular e apoiar processos de formação, pesquisa e produção de

conhecimentos (MENDES et all, 1993).

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“Antes da criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Liga das Nações já tinha vivenciado a experiência de trabalhar com laboratórios por ela designados como Centro de Referência para padronização de produtos biológicos. Esta mesma filosofia foi aderida pela OMS, que em 1947 designou seu primeiro centro de Referência, direcionado para a investigação epidemiológica com abrangência mundial. Desde então, visualizou-se a necessidade de aproveitamento dos recursos de instituições já reconhecidas, as quais poderiam vir a tornar-se Centro de Referência da OMS, já que não cabia a este Organismo criar ou subsidiar instituições de pesquisa internacional que atendessem aos objetivos de seus programas” (Mendes et all, 1993, p. 56).

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No caso dos Centros Colaboradores vinculados às universidades destacase a sua capacidade científica e profissional, aliada à estrutura de apoio que as instituições de ensino costumam possuir e, no caso do COLSAT-Mercosul, a sua localização no estado do Rio Grande do Sul, portanto, na região de fronteira com os países que compõem o bloco em questão, tornam favorável e oportuna a sua constituição e possibilidade de êxito naquilo que se propõe a atuar. O trabalho desenvolvido pelo centro colaborador tem como cenário o Mercosul, cujo território apresenta um conjunto de assimetrias econômicas, políticas, culturais e sociais, nela incluída os aspectos da Saúde do Trabalhador que necessitam investimentos públicos e estudos que, ao considerar as expressivas diferenças, possam estimular o desenvolvimento de forma mais equânime no campo da formação, pesquisa e proteção ao meio ambiente do trabalho. Desta forma, a constituição do trabalho em rede, representa esta perspectiva e como proposta metodológica impõe como desafio à interlocução sistemática entre estas instituições a fim de criar condições para o desenvolvimento de atividades de investigação e intervenção com diferentes sujeitos favorecendo a sinergia necessária para garantir um papel contributivo na defesa das políticas públicas e, em especial, dos direitos à saúde e ao trabalho. Entende-se que o processo de construção desta rede exige reconhecer e identificar os interesses, nesta área e buscar os pontos comuns entre os países, definindo uma agenda que contemple as diversidades de cada Estado-nação. No COLSAT-Mercosul, foram empreendidas várias estratégias que visam a materialização dessa rede, com destaque para as seguintes: a) Inclusão da temática da Saúde do Trabalhador no Mercosul, a partir de uma Oficina Pré-Congresso da ABRASCO em julho de 2007 (MENDES et all, 2007) que culminou com a construção de uma agenda que aponta para a necessidade de aprofundar o debate sobre o modelo de desenvolvimento social presente no bloco, a consolidação da rede de Saúde do Trabalhador no Mercosul e mais um conjunto de proposições voltadas ao desenvolvimento de ações para a área nos países-membros; b) Criação e manutenção permanente de um site (www.colsatmercosul.org) que vem se constituindo como um importante espaço de disseminação da informação acerca da saúde do trabalhador no âmbito do Mercosul.

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c) Realização de um Simpósio sobre Saúde do Trabalhador e Proteção Social em abril de 2008 (MENDES et all, 2008a) que teve como objetivo central discutir a proteção social da saúde dos trabalhadores no âmbito do Mercosul com a finalidade de potencializar os estudos, investigações e ações na região. O evento expressou o compromisso do COLSAT-Mercosul com a articulação da rede de pesquisadores e profissionais dos países membros e o Grupo do Direito à Saúde no Mercosul, reunindo, aproximadamente, duzentos participantes, constituindo-se num espaço privilegiado de discussão, cujas reflexões

contribuíram para a construção de uma agenda social tecida através da proposição de políticas de proteção social centradas nos marcos de um projeto societário. d) Organização e publicação do livro: “Mercosul em Múltiplas Perspectivas: Fronteiras, Direitos e Proteção Social” (Mendes, et all, 2008b), condensando as principais reflexões de pesquisadores da área da proteção social no contexto do Mercosul. e) Articulação das funções precípuas da universidade, ou seja, ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidas no Núcleo e na Faculdade responsável pelo Centro Colaborador, para favorecer a sinergia entre essas funções e as diretrizes do Centro, materializando-se em: projetos de pesquisa de docentes e de alunos de graduação e pós-graduação sobre a temática da proteção social, da saúde do trabalhador e do Mercosul; oferta do Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador, entre outras ações. Destaca-se, a realização da pesquisa “A saúde do trabalhador no Mercosul: um estudo do sistema de proteção social nos cenários fronteiriços” , a qual vem sendo realizada em parceria com diversas universidades e com os Centros de referência em Saúde do TrabalhadorCEREST, localizados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Matogrosso do Sul. O conjunto dessas estratégias tem resultado em importantes avanços no campo da saúde e do trabalho no Mercosul, destacando-se a constituição dessa rede, hoje composta por inúmeras organizações, profissionais e representantes da academia e dos movimentos sociais, assim como a construção de uma agenda comum entre os países para que se efetive o direito à saúde no bloco. A discussão da saúde do trabalhador deve ser pautada na perspectiva da discussão sobre proteção social que, por sua vez, se constitui num sistema

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mediado por um conjunto de relações entre os Estados e a sociedade, que articula os patamares de cidadania e direitos sociais. (MENDES, CORRÊA e WÜNSCH, 2008). A constituição sócio-histórica da proteção social expressa um modelo pendular marcado pelo viés securitário e universal. Portanto, o principal desafio para o centro colaborador está em compreendê-la no cenário do MERCOSUL, que vem se constituindo num espaço sócio-político que apresenta características distintas, mas também, simétricas que têm instigado à construção do conhecimento científico no sentido de contribuir para a apreensão dos elementos constitutivos desta realidade. Trabalha-se na perspectiva da construção de novas mediações que possam responder a realidade, que se expressa nas desigualdades sociais que conformam a questão social contemporânea, em tempos de novas formas de acumulação e organização da sociedade capitalista. Uma das formas de organização do capital está na sua mundialização que ultrapassa as fronteiras entre as nações por meio das novas tecnologias da informação e pela constituição de blocos regionais. Ao compreendermos essa nova dinâmica do capital, identificamos que a estratégia da informação e da constituição de redes que extrapolem as nações pode ser potencializada para fomentar a garantia dos direitos e a proteção social, utilizando-se, para tanto, das mesmas estratégias que o capital vem utilizando para internacionalizar-se cada vez mais, em uma perspectiva que tem como horizonte o desenvolvimento social, como um todo. Neste sentido, a construção de uma agenda organizada de forma a estabelecer novos padrões de discussão que permitam avançar na concepção de proteção social, por meio de políticas sociais de caráter universal, torna-se central no fortalecimento dessa rede. Pressupõe, desta forma, uma nova correlação de forças, a criação de um tecido social em torno de uma problemática capaz de inseri-la no debate político, ou seja, estabelecer novas mediações entre o Estado e a sociedade (FLEURY, 1994). Tem-se na efetivação da Saúde do trabalhador, uma política transversal, a potencialidade de estabelecer uma interação entre o conjunto de necessidades sociais dos trabalhadores, independente de sua inserção no mercado produtivo. A transformação destas necessidades em uma pauta política significa incorporar princípios fundamentais do direito à saúde e do trabalho, no controle sobre as

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condições e os ambientes de trabalho enquanto estratégia de ação para a uma nova agenda política comprometida com uma nova ordem societária. O Colsat-Mercosul vem enfrentando os desafios de construir coletivamente novas formas de contra-poderes na consolidação dessa agenda de proteção social no MERCOSUL, através da mobilização da rede de pesquisadores e trabalhadores, com o intuito de mobilizar os sujeitos sociais na afirmação da equidade ao conjunto da população trabalhadora, ou seja, atingindo os excluídos do mercado formal de trabalho e os desprotegidos do sistema de proteção social na direção de luta pela universalidade dos direitos. Em meio ao contexto onde ocorre a flexibilização e a redução do emprego, que atingem as condições objetivas e subjetivas da classe trabalhadora, se tem os elementos que determinam a possibilidade de fortalecimento dos movimentos sociais na constituição de forças propulsoras ao estabelecimento de novos padrões de seguridade social que atendam às demandas sociais de forma universal, o que implica, por sua vez, na reflexão de outro modelo de desenvolvimento que integre o econômico e o social. Considerações finais O conjunto de elementos abordados no decorrer deste artigo nos permite concluir que o Colsat-Mercosul vem contribuindo para a Saúde do Trabalhador, a partir da inserção das demandas pelo direito à saúde e à proteção social na agenda política do MERCOSUL, bem como na conformação de um espaço - a rede - que possa ser referência acadêmica e social para os inúmeros sujeitos sociais que se encontram implicados e desafiados por essas demandas. O Colsat-Mercosul, por ser uma estrutura acadêmica e de cooperação técnico-científica, articula o tripé ensino, pesquisa e extensão, constituindo-se, também, em um importante espaço de formação profissional na área de Serviço Social. Desta forma, concomitantemente, favorece a interdisciplinaridade na área da saúde e possibilita a consolidação da profissão em meio às diferentes áreas do saber, ampliando o seu espaço de atuação e formação. A cooperação internacional, nas suas múltiplas iniciativas, é uma estratégia de integração de competências entre diferentes países e organizações para o avanço multinacional de conhecimento e fortalecimento institucional para a

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promoção da atenção em Saúde do Trabalhador. O trabalho do Colsat-Mercosul emerge dessa estratégia e busca dinamizar as relações internacionais, por meio de suas estruturas consultivas, das suas ações e da intervenção dos sujeitos sociais que atuam na área de Saúde do Trabalhador nos Estados-membros, a partir da integração e de mecanismos que congreguem parceiros institucionais identificados com a construção de práticas e teorias críticas no âmbito da região do Cone Sul. Por fim, contexto atual de globalização que intensifica o fenômeno da produção fragmentada e multifacetada em diversas regiões, num processo de exploração global da classe trabalhadora vem produzindo um impacto direto e indireto que se expressa na forma de viver, trabalhar e morrer do conjunto da população latino-americana. Este fenômeno, interconectado de variáveis sociais determinadas no processo histórico exige avanços no trabalho em rede e interdisciplinar, em metodologias inovadoras de investigação e intervenção. É nessa direção que o Colsat-Mercosul tem caminhado e pretende avançar. Referências Bibliográficas COLSAT-MERCOSUL, site: www.colsatmercosul.org FLEURY, Sônia. Estado sem Cidadãos. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994. MENDES, J. M. R. O verso e o anverso de uma história: o acidente e a morte no trabalho. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003. ______ et all. Projeto: Centro Colaborador em Saúde do Trabalhador no MERCOSUL. Porto Alegre: NEST/PUCRS, 2006. ______. Relatório da Oficina Pré-Congresso da ABRASCO. Salvador, 2007. ______. ANAIS do Simpósio Saúde do trabalhador e Proteção Social. Porto Alegre: PUCRS, 2008a. ______. MERCOSUL em Múltiplas Perspectivas: Fronteiras, Direitos e Proteção Social. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008b. (CONFERIR ESTA REFERÊNCIA) MENDES, CORREA E WÜNSCH. Proteção social e Saúde do trabalhador: a mediação para a construção da agenda política no MERCOSUL. IN: Anais do Simpósio Saúde do trabalhador e Proteção Social. Porto Alegre: PUCRS, 2008a. Mendes, Isabel Amélia Costa et all. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo: Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem - Ribeirão Preto - V. 1 - N. Especial - P. 53- 68 - Dez. 1993. www.scielo.br. Acesso Em 22.04.08.

SET UNIVERSITÁRIO: 21 ANOS COMUNICANDO-SE COM A SOCIEDADE

SET UNIVERSITÁRIO: 21 YEARS TALKING WITH SOCIETY

Necchi, Vitor. Ms. FAMECOS - PUCRS vitor.necchi@pucrs.br Thier, Fábian Chelkanoff. Ms. FAMECOS - PUCRS fabian.chelkanoff@pucrs.br Machado, Neka. Dr. FAMECOS - PUCRS nekamachado@pucrs.br Resumo Evento promovido pela Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (FAMECOS) desde 1988, o Set Universitário está entre os mais importantes encontros de universitários da área de Comunicação no Brasil. Ao mixar uma mostra competitiva com intensa programação de palestras e oficinas, o Set encontrou uma identidade própria, que atrai estudantes e profissionais de vários estados brasileiros e vem sendo aprimorada ao longo dos anos.

Palavras-chave: comunicação, festival, integração. Abstract Event promoted by the Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (FAMECOS) from 1988, the Set Universitário is one of the most important meetings of students and teachers of the area of Communication in Brazil. While mixing a display competiiva with intense planning of conversations and workshops, the Set found an own identity, which attracts students and professionals of several Brazilian states and is perfected along the years.

Keywords: communication, festival, integration.

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Introdução Poucos – ou talvez nenhum outro – evento voltado para alunos de Comunicação e de Cinema do Brasil seja tão longevo e tradicional quanto o SET Universitário, promovido pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Desde 1988, o campus central da universidade, em Porto Alegre, recebe milhares de estudantes provenientes de diversos municípios gaúchos e de outros Estados que têm a oportunidade de trocar experiências com professores, pesquisadores e profissionais que atuam fora da academia. Em 2008, participaram também universitários da Argentina, do Uruguai e de Portugal. Todos buscam sintonia com as tendências da área, além de aprofundar as possibilidades de reflexão e de experimentação. A cada edição, ocorrem palestras, oficinas e a Mostra Competitiva – concurso que premia os alunos autores dos melhores trabalhos desenvolvidos em atividades acadêmicas e os professores orientadores. Em mais de duas décadas, o SET tornou-se referência para estudantes e profissionais de todo o país. A edição de 2007 consagrou esta trajetória de consolidação e provou a força que o evento detém. A de 2008, ampliou as perspectivas. O caminho natural, portanto, só pode ser um: ir além. Para 2009, a ideia é ousar mais, fazer mais, acolher mais, experimentar mais. Mais do que manter a tradição, o que se pretende é ampliar as possibilidades, de forma que se extraia a potencialidade máxima de uma iniciativa vocacionada ao sucesso. Objetivos Geral: Integrar a comunidade acadêmica (alunos, professores e pesquisadores) de cursos superiores do Brasil, da América do Sul e da Península Ibérica com instituições e profissionais das diversas áreas da comunicação por meio de um intercâmbio sociocultural. Específicos: Divulgar a produção acadêmica dos alunos de cursos superiores. Propiciar aos alunos aproximação com profissionais do mercado.

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Promover intercâmbio entre a academia e o mercado de trabalho. Descrição do processo de inovação A primeira edição do SET Universitário ocorreu em 1988. Desde o princípio, o planejamento e a execução são desenvolvidos por alunos e professores da Famecos, na medida em que o próprio evento se constitui um espaço de aprendizagem. Nas palestras e oficinas, sempre houve presença de renomados profissionais do Estado e do país, entre eles Analisa de Medeiros Brum, Bruno Wainer, Caíque Severo, Carlos Kober, Carlos Saul Duque, Cassiano Elek Machado, Clóvis Dariano, Cyro Silveira Martins Filho, Dado Schneider, David Coimbra, Diogo Mainardi, Edson Erdmann, Eduardo Axelrud, Eduardo Peñuela, Eliane Ferreira, Erh Ray, Fabian Gloeden, Felipe Anghinoni, Fernando Pires, Gisele Lorenzetti, José Alberto Andrade, Klester Cavalcanti, Leandro Sarmatz, Luli Radfahrer, Marcello Dantas, Marcelo Pires, Marcelo Rech, Márcio Callage, Marco Antônio Lage, Margarida Kunsch, Maria Rita Kehl, Marta Machado, Moacyr Scliar, Nilson Lage, Núbia Silveira, Otto Guerra, Paulo Totti, Rafael Bohrer, Ricardo Noblat, Roberto Philomena, Ruy Carlos Ostermann, Telmo Flor, Tiago Mattos, Valpirio Gianni Monteiro, e do Exterior, como Bill Jonhson, Carl Botan (Estados Unidos) e Maria Tereza Tellez (Bolívia).

Figura 1: Debate no Set Universitário de 2008

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Edição 2008 – o ano da inovação Entre 22 e 24 de setembro de 2008, o 21º SET Universitário transformou a Famecos. Quem chegasse ao saguão da faculdade – um amplo vão de circulação e convivência para o qual convergem alunos de diversos cursos – já percebia, de imediato, o porte do evento. O ambiente virou um imenso lounge, equipado com mobiliário e tapetes para a integração dos participantes. A iluminação especial e o palco montado pela Opinião Produtora criaram em pleno espaço universitário uma estrutura similar à de um show. Durante os intervalos das oficinas e das palestras, o local se consagrou como ponto de encontro dos participantes. Se a Famecos é, de certa forma, a “casa” dos seus alunos, com o SET, essa característica se ampliou. Na organização do evento, trabalharam três professores, que contaram com a atuação de 23 colegas e 60 alunos, além dos funcionários da secretaria e dos laboratórios da Famecos.

Figura 2: Logo do Set Universitário 2008

Site Em 2007, o site do evento (www.pucrs.br/famecos/set) foi reformulado, passando a disponibilizar informações (programação, notícias, regulamento etc.) e o sistema de inscrição de trabalhos para a Mostra Competitiva. Nas duas últimas edições, o público pode assistir à transmissão ao vivo das palestras. Esse material segue disponível. Em setembro de 2008 – mês de realização do SET –, o site teve 12.812 acessos (em 2007, foram 7.924), com um pico de 1,3 mil nos dias do evento, e 45.975 pageviews (em 2007, pico de 700 e 25,7 mil pageviews). Os acessos

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foram provenientes também do Exterior (Argentina, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Espanha, Chile, Portugal, Reino Unido e Peru). O tempo médio de permanência dos brasileiros ficou em 4,32 minutos. Mostra Competitiva Desde a criação do SET Universitário, a Mostra Competitiva constitui-se um dos principais propósitos da iniciativa, com o objetivo de valorizar a produção, o empenho e o talento dos alunos. O concurso é voltado para discentes de cursos superiores de Comunicação e de Cinema/Audiovisual que tenham desenvolvido suas obras em alguma atividade acadêmica (disciplinas, laboratórios, estágios etc.) nos dois semestres anteriores ao da realização do evento. Na edição de 2008, as categorias da mostra eram (a) Jornalismo, (b) Produção Audiovisual, Cinema e Vídeo, (c) Publicidade e Propaganda e (d) Relações Públicas, todas divididas em subcategorias. Os alunos vencedores e os professores orientadores ganharam certificados na cerimônia de encerramento. O júri foi composto por 90 profissionais do mercado que não lecionam em cursos superiores. Houve 531 trabalhos inscritos provenientes de cinco Estados (Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo) e de 12 municípios gaúchos (Canoas, Caxias do Sul, Frederico Westphalen, Ijuí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Leopoldo e Taquara).

Figura 3: Palco onde aconteceu a cerimônia de premiação em 2008

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Palestras e oficinas Um time de 20 especialistas atuou nas 12 palestras, realizadas em quatro espaços da universidade (Auditório da Famecos, Auditório do Prédio 9, Teatro do Prédio 40 e Centro de Eventos). Quase 5 mil pessoas debateram temas das áreas de comunicação, jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas e cinema. Não havia necessidade de inscrição prévia, e o acesso aos auditórios obedeceu à capacidade dos espaços. As atividades se concentraram nos turnos da manhã e da noite e eram gratuitas. No turno da tarde, 545 alunos participaram de 17 oficinas, ministradas por 28 profissionais, que tiveram suas vagas esgotadas em menos de uma semana de inscrição.

Figura 4: Oficina durante o Set 2008

Cerimônia de encerramento/premiação/festa O SET Universitário tradicionalmente é encerrado com a divulgação dos vencedores da Mostra Competitiva, momento em que ocorre a entrega dos certificados aos autores dos trabalhos. Em 2007, antes da cerimônia de premiação ocorreu uma edição especial do Sarau Elétrico, um dos programas culturais de maior destaque do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma reunião informal em que conversas, entrevistas, leituras e música formam o meio pelo qual se coloca a literatura acessível ao público. Participaram a radialista Katia Suman, o professor Luís Augusto Fischer e a

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escritora Cláudia Tajes. O auditório da Famecos ficou completamente lotado para a leitura dos textos.

Figura 5: Programa "Camarote" no Set Universitário

Não menos lotado o espaço ficou em 2008, quando o jornalista Carlos Kober, da Rede Globo, comandou um talk-show. A comemoração prosseguiu até altas horas na festa de encerramento realizada no Bar Opinião, quando milhares de universitários assistiram ao show das bandas “Os Efervescentes”, “Os Horácios”, “Motel Flamingo” e “Dama e os Valetes Doidos”. A seleção dos grupos coube ao produtor Rei Magro e ao radialista Cristian dos Santos, o Pancho, da rádio Ipanema. No total, 20 bandas se inscreveram para disputar uma das vagas. Pelo menos um dos integrantes precisava ser aluno da Famecos. Projeto para 2009 O SET Universitário ocorrerá de 28 a 30 de setembro (de segunda a quarta-feira), mas, além dessas datas, haverá o +SET, que são edições concentradas do evento ao longo do primeiro semestre, pois a consolidação da marca e a maturidade da proposta permitem que se criem subprodutos vinculados a ela. Em cada mês que antecede o evento, a partir de maio, será realizada uma atividade pautada pelo conceito do SET. Pode ser uma palestra, um debate, uma exibição, uma oficina... Como o SET é múltiplo, as possibilidades de replicá-lo durante o ano são, igualmente, múltiplas. O SET propriamente dito é dividido em palestras (manhãs e noites) e oficinas (tardes).

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Saguão da Famecos A experiência de transformar o saguão da Famecos em um lounge teve um resultado altamente positivo. Durante os três turnos de cada dia, alunos da PUCRS – em particular os da Famecos – e de outras instituições ocuparam todos os espaços de convivência disponíveis. Em 2009, a ideia é expandir a área reservada ao evento até os jardins da Famecos e à via localizada entre o prédio da faculdade e o prédio 8. DJs farão apresentações antes do início das palestras e nos intervalos das aulas.

Figura 6: O "Lounge" do Set 2008

Resultados Obtidos A mídia, de uma maneira geral, dedica espaços expressivos para publicação e veiculação de conteúdo relativo ao SET Universitário. Todos os marcos do evento (lançamento, abertura das inscrições para Mostra Competitiva, divulgação de palestras e oficinas, abertura de inscrições para oficinas, divulgação do número de inscritos, início e desenvolvimento do evento, divulgação dos vencedores, balanço do evento, informações em geral) ganham espaço nos principais veículos e emissoras de Porto Alegre, além de revistas, jornais e sites especializados. Em 2008, a divulgação do evento foi potencializada com a cobertura desenvolvida por 12 alunos de Jornalismo, que alimentaram o site com 48 notícias, centenas de fotografias e ainda criaram um blog que teve 4.234 acessos. Do interior do Rio Grande do Sul e de estados mais próximos, anualmente provêm caravanas de alunos. Nas últimas edições, universitários de Santa Maria, Pelotas e Passo Fundo formam os grupos mais numerosos.

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Uma situação que permite dimensionar a importância do SET é o valor atribuído pelos alunos vencedores da Mostra Competitiva à distinção recebida. Vários profissionais de grande expressão destacam em seus currículos e entrevistas o fato de, em seu tempo de estudante, terem conquistado o 1º lugar no concurso. É o caso da jornalista Eliane Brum, renomada por sua atuação em Zero Hora e, nos últimos anos, na revista Época. Eliane, que venceu o prêmio Jabuti de 2007 na categoria livro reportagem com a obra A vida que ninguém vê, arrebatou o 1º lugar em “redação jornalística” na primeira edição do SET Universitário com uma reportagem intitulada Esperando na fila da existência. A vitória rendeu um estágio de um mês no jornal Zero Hora, onde permaneceu por 11 anos e, conforme ela mesma diz, descobriu que “ser repórter é a melhor profissão do mundo”. Considerações Finais O sucesso de um evento como o Set Universitário depende de vários fatores. Neste texto, destacamos dois deles: a construção de uma identidade forte, que só pode ser obtida ao longo dos anos, pela insistência com práticas e modelos que sejam absorvidos pelos participantes e proporcionem uma fidelização cada vez maior; e a inovação, capaz de trazer sempre aspectos originais a cada edição. Em 2008, após detectar onde o Set estava sendo repetitivo e pouco atraente, a equipe de realização foi capaz de apresentar aos participantes um ambiente diferenciado e novas atividades, com excelente repercussão.

POR UMA TEORIA DOS DIREITOS E DEVERES SOCIOAMBIENTAIS: APROXIMAÇÕES SOCIAIS E JURÍDICAS A PARTIR DO EXEMPLO DA JUDICIALIZAÇÃO DO DIREITO FUNDAMENTAL À SAÚDE

Ingo Wolfgang Sarlet – Doutor e Pós-Doutor em Direito pela LudwigMaximillians- Universität-München; Professor Titular da Faculdade de Direito – PUCRS. Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito, do NEADF-Núcleo de Altos Estudos e Pesquisas em Direitos Fundamentais e do Centro de Pesquisas da Faculdade de Direito da PUCRS. e-mail: ingo.sarlet@pucrs.br Carlos Alberto Molinaro – Doutor em Direito pela Universidad Pablo de Olavide, Sevilha; Professor Adjunto da Faculdade de Direito e Vice-Diretor da Faculdade de Direito da PUCRS. Professor do Doutorado em Direitos Humanos da Universidade Pablo de Olavide, Sevilha. e-mail: carlos.molinaro@pucrs.br Resumo Boa parcela dos projetos de investigação em desenvolvimento no âmbito da Pós-Graduação em Direito da PUCRS, nomeadamente os vinculados à linha de pesquisa Eficácia e Efetividade da Constituição e dos Direitos Fundamentais no Direito Público e no Direito Privado, dirigem-se ao estudo dos direitos fundamentais, com especial atenção à eficácia e à efetividade do direito fundamental à saúde, tendo como norte orientador o estudo transdiciplinar e o impacto na realidade social e ambiental, pensando-se até na estrutura de um Estado socioambiental e democrático de direito. Nesta perspectiva, pretende-se, em linhas gerais, desenhar uma deontologia destes direitos com o estudo dos denominados deveres fundamentais, sejam eles correlativos aos direitos ou autônomos. Desta forma, privilegia-se o estudo dos deveres do Estado e dos particulares (eficácia entre terceiros) para a efetiva concretização dos direitos fundamentais, forte no princípio da dignidade emprestada ao humano e suas extensões, tendo sempre como ênfase os deveres de solidariedade, precaução e proteção. O Direito (e dever) fundamental à saúde, especialmente sob o enfoque concreto da produção jurisprudencial, tem importância central no trabalho

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desenvolvido, de modo a verificar os critérios e medidas adotadas pelo Poder Judiciário (no Brasil e em perspectiva do Direito Comparado) na

concessão/negativa de prestações na área da saúde, o que não pode estar, excessiva ou deficientemente, dissociado dos parâmetros constitucionais.

Palavras-chave: Estado Socioambiental, Direitos e Deveres Fundamentais, Direito à Saúde. Introdução A gravidade dos problemas cotidianamente postos – envolvendo entre outras as questões políticas, sociais, econômicas, ambientais, morais e jurídicas – exige respostas rápidas e adequadas. Para os cultores das ciências, especialmente aqueles dedicados às ciências sociais aplicadas, em particular as jurídicas, impende a tarefa de construir uma perspectiva de conformação do direito ajustado a esses novos tempos. Não basta, apenas, pensá-lo como instrumento de pacificação dos conflitos sociais, ou como sistema ou ordenamento de normas jurídicas que objetivam assegurar direitos e exigir o cumprimento dos deveres ou, ainda, constituir garantias de qualquer tipo, bem como atribuir e repartir competências e formatar o Estado; exige-se pensar o Direito como um processo cultural de regulação e garantia das conquistas sociais obtidas mediante os indispensáveis processos emancipatórios intercorrentes nas sociedades, gestados no ambiente sociopolítico onde se processam as relações inter-humanas que tem por objetivo a busca dos bens necessários para a satisfação das necessidades. É precisamente neste percurso, da busca dos bens indispensáveis para a satisfação das necessidades, que vamos encontrar também a possibilidade de convergência de interesses imediatamente vinculados às presentes e futuras gerações. Neste cenário mostra-se de especial relevo a discussão acerca do espaço socioambiental como ponto de partida para a construção de uma teoria tanto dos direitos (já amplamente desenvolvida, mas igualmente carente de ajustes) quanto dos deveres fundamentais deste modelo de Estado, isto é, um Estado Socioambiental e Democrático de Direito que faça as necessárias conformações entre direitos e deveres (ou, se preferirmos, entre direitos, deveres, pretensões,

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obrigações, ações e exceções, de acordo com a classificação de Pontes de Miranda). Se a matriz socioambiental, também um produto cultural, intenta construir um diálogo permanente entre necessidades sociais, exigências ambientais, crescimento ou desenvolvimento econômico sustentável, parece evidente a necessidade de lançar novas luzes ao tratamento jurídico do direito à saúde, um direito umbilicalmente amarrado a uma ambiência construída e constituída pelo entorno físico, social e político. Nesta perspectiva o direito à saúde, isto é, a concretização preceptiva dos mínimos constitucionais e legais estabelecidos se revela como um importante fator de redução dos impactos ambientais decorrentes da insalubridade dos meios, da deficiente proteção ambiental e humana relativamente ao déficit dos mecanismos de saneamento, da agrupação de parcelas da população, e da deficiente ou inadequada prestação das redes de promoção de saúde pública e, mesmo, de educação para a saúde, elementos indispensáveis para a construção de uma cidadania saudável e vigilante de uma ambiência em tudo favorável as práticas da sustentabilidade socioambiental. Neste viés, indispensável pensar a efetivação do direito, não exclusivamente pela atuação dos Poderes-funções Legislativo e Executivo (encharcados dos resultados legitimados pelo sufrágio), mas sim e, especialmente, pelo Judiciário, cujas decisões – se pode dizer – completam o processo legislativo. A partir daí, a juridificação e a sindicabilidade crescente das mais diversas demandas, notadamente no que diz com a concretização do direito [fundamental social] à saúde, assim como dos deveres conexos e autônomos que lhe são correlatos, vem cobrando uma ação cada vez mais arrojada por parte dos aplicadores do Direito, em especial do Estado-Juiz, que freqüentemente é provocado a manifestar-se sobre questões antes menos comuns, como a alocação de recursos públicos, o controle das ações (comissivas e omissivas) da Administração na esfera dos direitos fundamentais sociais, e até mesmo a garantia da proteção de direitos (e deveres) fundamentais sociais na esfera das relações entre particulares. Não é à toa, portanto, que também tem crescido o número dos que se dedicam à discussão da legitimidade da intervenção judicial nesta seara, o que, no seu conjunto e considerando o amplo acesso às redes de informação, tem levado a uma sofisticação do debate e a uma evolução significativa tanto no que

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diz com a quantidade, quanto no respeitante à qualidade (ainda que não linear) da produção doutrinária e jurisprudencial. Por outro lado, verifica-se que a maioria das questões postas em causa na esfera pública segue em aberto, assim como segue quase que desenfreada a busca por critérios seguros (?) que possam garantir a construção de um processo decisório (também, mas não

exclusivamente na esfera jurisdicional) constitucionalmente adequado, mas acima de tudo, condizente com a mais legítima expressão do “justo”. Objetivos O telos do trabalho desenvolvido está no lançar as bases para a formulação de uma teoria do deveres fundamentais socioambientais, com a preocupação de desenhar um Estatuto Deontológico dos Direitos e Deveres Fundamentais Socioambientais, amparado, entre outros aspectos, na eficácia e efetividade do direito fundamental à saúde. É conhecido que a expressão deontologia no étimo significa ciência do dever, está em δέον –οντός, ou aquilo que é devido, preciso ou necessário, particípio presente neutro de δέω 1 , logo, vamos entender a expressão como aquilo que é necessário, conveniente. Contudo, não é de esquecer que a criação do termo remonta a Benthan (Deontology or the science of morality, 1834), e depois foi empregado pelos utilitaristas para designar o estudo empírico que se necessita fazer em uma situação determinada. Com o passar do tempo o uso do termo foi apropriado pelas associações profissionais para construir um catálogo de deveres vinculados à práxis profissional. A origem da necessária apropriação foi a dissimetria ocasionada por alguns detentores do conhecimento e da técnica que lhes outorgou um grande poder, e o usuário deste saber e técnica ficou reduzido a uma dependência intelectual e econômica. Logo os códigos intentaram superar essa dissimetria com regras formais cuja transgressão é passível de sanção. O intento de formular uma teoria dos deveres fundamentais,

socioambientais por certo levando em conta que o binômio direito-dever ou o direito e o dever isoladamente considerados sempre vai ocorrer em uma ambiência identificada, está intimamente vinculado ao desenho de uma
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Que é obrigar, mas, antes, ter falta ou estar necessitado de algo, também desejar, pretender

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Deontologia Socioambiental, e por conseqüência, não pode afastar-se do indispensável estudo da Moral, esta contudo, na perspectiva de uma Moral Pública. Neste sentido a deontologia possui um viés moral. Os deveres morais freqüentemente denominam-se deontológicos. Há uma deontologia moral sem dúvida, assim como há uma deontologia jurídica em sentido estrito, parcialmente construída. O que interessa ao projeto é a deontologia jurídica, onde estão contidos deveres jurídicos correlativos aos direitos ou àqueles a que não corresponde qualquer direito. Atente-se que mesmo nos códigos de ética profissional, a parte dispositiva sobre os deveres é jurídica, pois os atos de coerção previstos não são unicamente aprovados pela consciência, mas são atos coercitivos socialmente organizados que têm efeitos no próprio grupo profissional, levando inclusive a interdição da profissão e com efeitos na ordem jurídica estabelecida. Com maior razão, a construção de uma deontologia socioambiental, inspirada na moralidade pública, mas com forte densidade jurídica é uma exigência para a maior eficácia dos direitos fundamentais socioambientais que todos, Estado e cidadãos, devem privilegiar. Portanto, a deontologia que o projeto intenta desenhar é uma deontologia socioambiental que constrói e identifica os deveres fundamentais socioambientais distintos das obrigações socioambientais. Daí o fato da pesquisa enfocar a necessária distinção entre deveres, obrigações, ônus e encargos socioambientais, privilegiando sempre a fundamentalidade dos deveres e das responsabilidades inerentes ao próprio conceito dos Direitos e Deveres Fundamentais. Neste sentido, foi feliz a Declaração de Responsabilidade e Deveres Humanos de Valença de 1999, pois os deveres estão na base da efetiva validez dos direitos humanos e fundamentais. Ademais, um dos ambientes mais frágeis que reclamam a juridiciadade da saúde e a conseqüente prestação dos serviços necessários a seu efetivo exercício é nodal na perspectiva da socioambientalidade, neste sentido a pesquisa intenta desenvolver, especificamente no que se refere ao direito fundamental à saúde, elementos nucleares para sua eficácia e efetivação como, por exemplo, a categoria jurídica da (reserva) (da) reserva do possível, do mínimo

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existencial e da isonomia, dialogando, num estudo transdiciplinar 2 , com o acervo principiológico da ética e da Justiça distributiva na análise das demandas judiciais referentes ao direito à saúde. Nesta perspectiva, mediante recurso também ao direito comparado e um mapeamento das demandas judiciais no Brasil e em outros países, será efetuada uma análise também dos principais aspectos que têm sido discutidos na esfera judicial, seja no que diz com os critérios para o atendimento e negação dos pleitos levados ao Judiciário, seja no que diz com a definição do objeto e dos sujeitos do direito à saúde, além, entre outros pontos, a definição dos deveres correspondentes e seu controle. Descrição do Processo de Inovação Desenvolvido e Resultados Obtidos O trabalho desenvolvido sobre direitos fundamentais socioambientais, especialmente na área da concretização do direito fundamental à saúde, conta, de forma inovadora e seminal, com a participação efetiva e integrada de alunos de graduação, mestrado e doutorado em diversos projetos de pesquisa, financiados pelas principais agências de fomento do Brasil e do exterior, interligados pelo Núcleo de Estudos Avançados em Direitos Fundamentais (NEADF/CNPq), resultando em diversas publicações e na realização de inúmeros seminários e congressos internacionais sobre a temática. No que se refere à área da transdisciplinariedade, a Faculdade de Direito, juntamente com a Faculdade de Filosofia, vem desenvolvendo um projeto de pesquisa que, em síntese, objetiva analisar as decisões judiciais envolvendo as demandas por prestações materiais para a efetivação do direito à saúde sob a perspectiva da Filosofia, notadamente na Ética, no intuito de estabelecer parâmetros mais claros, ou esclarecedores, que auxiliem a tomada de decisões por parte do Judiciário, de modo a aperfeiçoar, além do debate teórico, a própria prática jurisdicional. Além deste projeto, realizaram-se parcerias entre as Faculdades de Direito e Medicina, cujo objetivo principal centrou-se na análise do
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Aqui o significado de transdiciplinar, se revela como o desvelamento da consciência que persegue o conhecimento com o objetivo de integração e inserção do outro, especialmente do sujeito plural conformado na sociedade, na interioridade da natureza e na ambiência das práticas sociais, seja na ciência, seja no convívio, todas moderadas pelo respeito, pelo esforço cooperativo e, notadamente pela solidariedade. Aliás, o próprio prefixo trans- dá a nota de além de, através de, e mais precisamente, transferência, transformação, trânsito.

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transtorno da identidade e de gênero, a partir da perspectiva jurídicoconstitucional, inserindo-se também neste projeto amplo relativo ao Direito à saúde. Neste sentido, incluem-se diversos outros projetos que perpassam um amplo espectro da ciência jurídica, desde a perspectiva da Teoria do Direito até aspectos estritos da dogmática dos Direitos Fundamentais, como, por exemplo, a análise crítica da jurisprudência referente ao direito à saúde, e a utilização, se possível, de aportes filosóficos, especificamente a ética, da teoria da cultura, da sociologia, da política, Justiça Distributiva e a isonomia, nas decisões judiciais. Estes e outros estudos, pela relevância da matéria e pela importância dos artigos e demais trabalhos publicados, resultaram na participação do coordenador do NEADF na Audiência Pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o qual pode contribuir diretamente com a mais alta corte de Justiça do país para uma análise constitucionalmente adequada em matéria de Direito à saúde. Em termos de metas mais específicas, além da integração de diversos projetos, discentes e docentes, está prevista a realização, em parceria com o Departamento de Antropologia da Universidade de Princeton (o coordenador do NEADF participou de evento sobre o direito à saúde na Universidade de Princeton, em abril de 2009) e o Centro de Estudos do Poder Judiciário da AJURIS, de um seminário sobre o direito à saúde (agosto de 2009) e, em setembro de 2009, do VIII Seminário Internacional de Direitos Fundamentais, com ênfase nos direitos e deveres socioambientais, designadamente, na esfera da saúde, reunindo painelistas do Brasil e do exterior (EUA, México, Alemanha, Portugal). Além disso, já iniciaram os trabalhos no sentido da criação e estruturação, junto ao NEADF, de um observatório em matéria de judicialização dos direitos e deveres socioambientais, igualmente, na primeira fase, com destaque para o direito à saúde. Considerações Finais A questão socioambiental é o atual foco das preocupações políticas e sociais e, felizmente, de pesquisas tanto na área das ciências biológicas como na área das ciências sociais aplicadas, crescente o papel desempenhado pelo Direito. As pesquisas propostas tratam da conexão entre a regulação ambiental e o direito constitucional, com foco nítido no direito fundamental à saúde, lançando

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mão de um estudo não apenas transdisciplinar, mas também orientado na prática social e jurídica, impondo-se não só a necessária imbricação de conceitos metajurídicos, como no caso da formatação do Estado Socioambiental, mas também pela importância do tema. Em matéria de regulação ambiental, e focando a análise para os aspectos atinentes ao direito à saúde, a correlação entre direitos e deveres fundamentais é estreita, o que por si, já justifica a importância de uma pesquisa sobre a temática. Contudo, acrescenta-se o fato de que a matéria “deveres fundamentais” ainda não está suficientemente explorada pela doutrina nacional, e mesmo estrangeira, sendo pouquíssimos os trabalhos monográficos a ela dedicados, especialmente no tocante aos identificados como deveres fundamentais autônomos. Mais ineditismo ainda se reveste a presente pesquisa quando o projeto de uma teoria dos deveres fundamentais se associa à vinculação dos particulares aos direitos e deveres fundamentais em geral. Desta forma, a investigação destina-se não somente a abordar uma teoria dos deveres fundamentais no Estado Socioambiental, mas vai além e explora com base nos mais renomados autores nacionais e estrangeiros, a vinculação da cidadania, trazendo-os para o contexto da realidade brasileira. Destarte, o programa de Pós-Graduação em Direito da PUCRS, priorizando por uma atuação inovadora e imersa na realidade social da coletividade, vem atuando no campo da pesquisa científica voltada à dogmática dos direitos e deveres fundamentais, sem descurar, no entanto, de aportes transdisciplinares, e do diálogo permanente entre a Academia, Tribunais e demais setores da sociedade civil. Referências bibliográficas preliminares ABRAMOVICH, Víctor; COURTIS, Christian. Los derechos sociales como derechos exigibles. Madrid: Editorial Trotta, 2002. ACSELRAD, Henri. Justiça ambiental – ação coletiva e estratégias argumentativas. In, ACSELRAD, Henri; HERCULANO, Selene; PÁDUA. José Augusto (orgs). Justiça Ambiental e Cidadania. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004. ACSELRAD, Henri; HERCULANO, Selene; PÁDUA. José Augusto (orgs). Justiça Ambiental e Cidadania. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004.

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SARLET, Ingo Wolfgang, A eficácia dos direitos fundamentais, 10ª ed., Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2009. SARLET, Ingo Wolfgang,Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988, 7ª ed., Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2009. SARLET, Ingo Wolfgang,Direitos Fundamentais Sociais e proibição de retrocesso: algumas notas sobre o desafio da sobrevivência dos direitos sociais num contexto de crise, in, VV. AA., (Neo)Constitucionalismo – ontem, os Códigos hoje, as Constituições, Revista do Instituto de Hermenêutica Jurídica,v. I, n. 2, Porto Alegre, 2004, pág. 121-168 SOUZA, Ricardo Timm de. “Justiça, liberdade e alteridade ética”, in: Veritas, junho/2001. ______. Sujeito, ética e história – Levinas, o traumatismo infinito e a crítica da filosofia ocidental. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999. TRIGUEIRO, André (Coord.). Meio ambiente no século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. WEICHERT, Marlon Alberto. Saúde e Federação na Constituição Brasileira. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004, 260 p. ZACHER, Hans Friedrich. “Das soziale Staatsziel”, in: ISENSEE-Kirchhof (org.). Handbuch des Staatsrechts der Bundesrepublik Deutschland (HBStR), vol. I. Heidelberg: C. F. Müller, 1987, p. 1062 e ss.

LABORATÓRIO DE MERCADO DE CAPITAIS – A UNIVERSIDADE CAPACITANDO GRATUITAMENTE A SOCIEDADE

Andrade, Letícia Braga de; Ms.; Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - PUCRS leticia.andrade@pucrs.br Lemos, Leandro Antonio de; Dr.; Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - PUCRS leandrodelemos@pucrs.br Resumo O Laboratório de Mercado de Capitais (LABMEC) é resultado de uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, por sua Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia, Departamento de Economia e a XP Investimentos, que é uma corretora de valores. Projeto pioneiro no Brasil, o laboratório foi inaugurado em agosto de 2006 com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre o mercado de capitais gerando distinção na formação de competências e habilidades dos investidores. Tendo como missão “desenvolver a cultura financeira oferecendo oportunidades para formação de competências e habilidades de alunos, cidadãos e empresas”; e visão “até 2010, ser referência nacional em educação financeira por sua efetiva contribuição ao desenvolvimento da cultura financeira das famílias e empresas”, o laboratório já efetuou cerca de 3 milhões de horas de capacitação em pouco mais de 2 anos de existência. Considerado exemplo nacional e servindo como benchmark para várias universidades do País, se consolidou como espaço de aprendizagem inovador e tem a perspectiva da ampliação de interações entre educaçãomercado-governo para o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil.

Palavras-chave:

interação

universidade-empresa,

relação

universidade-

sociedade, capacitação gratuita.

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Abstract The Stock Market Lab (LABMEC) is the result of a partnership between the University – Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, College of Administration, Accounting and Economics and XP Investimentos. It is a pioneering project in Brazil; the laboratory was opened in August 2006 with the aim of disseminating the knowledge on stock market creating distinction in the training of investors’ skills and abilities. Since the mission “to develop the financial culture offering opportunities for training in skills and abilities of students, citizens and businesses”; and the vision “by 2010, will be the national reference in financial education for their effective contribution to the development of financial culture of families and businesses, the laboratory has already made 3 million hours of training in just over 2 years old. It is considered national example and benchmark by several universities in the country, as a space for leaning and innovation and the prospect of expansion of interactions between education, market and government to develop the stock market in Brazil.

Keywords: university-business interaction, university-society relationship, free training. Introdução Atualmente, o papel das Universidades vai além do ensino, envolve também a produção de pesquisa e constituição de novas competências de modo a colaborar para o desenvolvimento da competitividade sistêmica. Neste sentido, as universidades são vistas como fonte principal de inovações e mudança tecnológica, sendo referência na busca científica e tecnológica para o aumento da produtividade e, consequentemente, da competitividade das empresas. O Laboratório de Mercado de Capitais (LABMEC) é resultado de uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), por sua Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia (FACE), Departamento de Economia e a XP Investimentos. Projeto pioneiro no Brasil, o laboratório foi inaugurado em agosto de 2006 como uma rede de alianças estratégicas entre Agência Estado, BM&FBovespa, Gerdau, Intra Corretora, Lojas Renner, Petrobrás e Zee Design Digital.

Inovação, Universidade e Relação com a Sociedade: Boas Práticas na PUCRS

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Tendo por fim a educação financeira, o LABMEC é aberto ao público e serve como locus de interação entre a legitimidade do conhecimento teórico oferecido pela universidade e a velocidade do conhecimento prático viabilizado pela XP Investimentos. O objetivo principal da XP Investimentos com o laboratório é se diferenciar das demais corretoras oferecendo a seus clientes-investidores e operadores uma capacitação cada vez mais especializada. Para tanto, identificou no laboratório um centro de estudos que oferece jogos, simulações de investimento, cursos, palestras, apresentações de empresas, debates e boletins diários sobre macroeconomia. Para a FACE, o laboratório constitui uma oportunidade de unir teoria e prática na formação de competências e habilidades dos seus alunos. Além dessa, o LABMEC corrobora diretamente com a formulação estratégica da PUCRS no que diz respeito à busca por diferenciação pela atualização e inovação, integração entre o ensino, pesquisa, extensão e o exercício de ações solidárias. Objetivos Este trabalho tem por objetivo principal identificar a contribuição que a FACE oferece à sociedade por meio do Laboratório de Mercado de Capitais. Exemplo de inovação a partir da interação universidade-empresa, o laboratório é referência nacional no País sendo copiado por universidades como a Nacional de Brasília e as federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Neste sentido, entre os objetivos específicos estão (i) realizar uma revisão bibliográfica sobre a relação universidade-empresa; (ii) conhecer a estrutura de gestão e administração do laboratório; e (iii) identificar as formas de contribuição da Universidade à sociedade através do LABMEC. Descrição do processo de inovação Atualmente, o papel das Universidades vai além do ensino, envolve também a produção e divulgação de resultados de pesquisa básica e aplicada de modo a colaborar para o desenvolvimento da competitividade sistêmica. Neste sentido, as universidades são vistas como fonte principal de inovações e mudança tecnológica, sendo referência na busca científica e tecnológica para o

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aumento da produtividade e, consequentemente, da competitividade das empresas. Um argumento que tem tido destaque é o “argumento da Hélice Tripla” (HT). Assumindo a hipótese de que estaria ocorrendo um crescente virtuosismo na relação Universidade-Empresa (U-E), o HT apresenta-se como resultado da combinação de duas correntes de pensamento relacionadas ao tema, e da proposição de um instrumento específico de promoção dessa relação (DAGNINO, 2003). A primeira corrente trata especificamente da relação U-E. A abordagem identificou a existência de um crescente número de contratos entre empresas e universidades com vistas ao desenvolvimento de atividades conjuntas. Tais atividades resultariam em transformações e ampliações quantitativas e

qualitativas, de modo que a universidade teria a função de participar ativamente do processo de desenvolvimento econômico. A segunda corrente atribui importância fundamental ao processo inovativo que ocorre na empresa e às relações que ela estabelece com seu entorno. Isto porque a competitividade da empresa passa a ser entendido como resultado de sua capacidade de gerar internamente um processo de aprendizado contínuo mediante a combinação dos insumos do ambiente externo com aquilo que só ela pode realizar - o contato direto entre produção e mercado (DOSI & SOETE, 1988). Assim sendo, embora não considere a universidade como

desencadeadora de inovação, percebe-a como um agente privilegiado desse entorno à medida que forma o egresso demandado pela empresa. De modo geral, a universidade é entendida como um elemento privilegiado do ambiente inovativo, ou melhor, como significativo fator de competitividade sistêmica atuando direta e/ou indiretamente no processo de geração de inovação. Segundo Webster & Etzkowitz (1991, apud DAGNINO, 2003), algumas das razões que explicariam o interesse das empresas na ampliação das relações U-E são: • custo crescente da pesquisa voltada ao desenvolvimento de produtos e serviços que assegurem posições vantajosas num mercado cada vez mais competitivo; • necessidade de compartilhar custos e riscos de pesquisas;

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• elevado ritmo de introdução de inovações bem como redução do intervalo de tempo necessário para a obtenção dos primeiros resultados; • decréscimo dos recursos governamentais para pesquisa. Do lado da universidade, as principais motivações seriam: • dificuldade crescente para obtenção de recursos públicos para a pesquisa universitária; • interesse da comunidade acadêmica em legitimar seu trabalho junto à sociedade; • a universidade estaria vivendo um período caracterizado por forte sinergismo entre instituições acadêmicas e empresas (“Segunda Revolução Acadêmica”). Nos anos 1980, as interpretações latino-americanas sobre a relação U-E assumiram duas abordagens distintas. De um lado, estavam aqueles que enfatizavam os obstáculos de caráter estrutural e histórico resultantes da inserção subordinada dos países latino-americanos na divisão internacional do trabalho bem como decorrentes dos modelos de desenvolvimento (primeiro agrárioexportador e depois de substituição de importações) adotados na região. Para estes, as diferenças de cultura institucional dos dois atores, quais sejam, o “imediatismo” do lado da empresa e o “diletantismo” do lado da universidade, determinariam, em última instância, a impossibilidade da interação. Do outro lado, estavam aqueles que, por preferências políticas, experiências profissionais ou enfoques interdisciplinares, acreditavam que a ampliação da relação U-E era mais uma questão de adequar sua forma de gestão. Para estes, o problema se concentrava numa perspectiva micro, conjuntural, incremental e pontual (enfoque disciplinar de Administração de Empresas), de modo que as recomendações visavam à otimização do plano da gestão da relação U-E (DAGNINO, 2003). Contudo, a literatura aponta que a inovação é facilitada quando resultante de um processo de construção social que abrange diferentes atores, como universidades, empresas, governos, associações e centros de pesquisa. Entretanto, dão que o espaço econômico não é homogêneo, as especificidades locais precisam ser respeitadas. Neste sentido, abre-se espaço para busca de um

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entendimento mais adequado a respeito de como os conhecimentos são gerados, internalizados, usados e difundidos. A “economia do aprendizado”, definida como sistema no qual a “capacidade de aprender é crucial para o sucesso econômico de indivíduos, firmas, regiões e economias nacionais” (LASTRES; CASSIOLATO E ARROIO, 2005, p.86), é concebida por duas situações diferentes: a oportunidade de aprender e a oportunidade de aplicar criativamente o que foi aprendido. Assim, os autores destacam que políticas educacionais não são suficientes se a mão-deobra não tiver onde aplicar de forma criativa os seus conhecimentos desenvolvendo capacidades para a inovação e dando origem à mudanças qualitativas. Neste contexto, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), por sua Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia (FACE), Departamento de Economia e a empresa XP Investimentos constituíram o Laboratório de Mercado de Capitais (LABMEC). Projeto pioneiro no Brasil, o laboratório foi inaugurado em agosto de 2006 com o apoio de empresas como Agência Estado, BM&FBovespa, Gerdau, Intra Corretora, Lojas Renner, Petrobrás e Zee Design Digital. Tendo como objetivo a disseminação do conhecimento sobre o mercado de capitais, o LABMEC é aberto ao público e serve como locus de interação entre a legitimidade do conhecimento teórico oferecido pela Universidade e a velocidade do conhecimento prático viabilizado pela XP Investimentos. O LABMEC tem como missão “desenvolver a cultura financeira oferecendo oportunidades para formação de competências e habilidades de alunos, cidadãos e empresas”; como visão “até 2010, ser referência nacional em educação financeira por sua efetiva contribuição ao desenvolvimento da cultura financeira das famílias e empresas.” Para tanto, os valores assumidos são Inovação, Excelência técnica, Relacionamento pró-ativo, Interatividade, Fraternidade e Transparência. Na PUCRS, o laboratório está vinculado a Pró-Reitora de Extensão (PROEX) como um projeto de extensão universitária, devendo atender à alunos, seus familiares e sociedade em geral. Na XP o LABMEC está lotado no departamento de educação (XP Educação). A estrutura de gestão do laboratório é composta pela seguinte linha de subordinação:

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I. Departamento de Ciências Econômicas – PUCRS/FACE; II. Comitê Executivo: constituído por um representante do Departamento de Ciências Econômicas, outro da FACE, um da XP Investimentos e outro da XP Educação; III. Coordenação do LABMEC: executada por um professor do

Departamento de Ciências Econômicas; IV. Pessoal operacional: 2 estagiários alunos da Universidade contratados pela XP Educação. Em termos de estrutura física, o laboratório funciona numa sala com 120m , localizada no 7º andar do prédio 50 da PUCRS. Neste prédio está instalada a Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia que atende cerca de 4.500 alunos. Sob regime de comodato, a XP Investimentos mantém 08 computadores, 02 aparelhos de televisão com canal especializado e internet à disposição da sociedade nos horários de funcionamento do LABMEC. A PUCRS é encarregada de prover serviços gerais, materiais de escritório e energia elétrica. Contudo, a atual crise financeira mundial descortinou sérios problemas econômicos estruturais, em especial a necessidade de uma melhor educação financeira tanto dos cidadãos como das empresas. É neste contexto que o LABMEC ampliou sua área de atuação para além do mercado de capitais oferecendo semanalmente eventos gratuitos que abordam a (Re)educação financeira, entre os quais estão: Palestras: • Como administrar suas finanças pessoais – Ministrante: Operador XP Investimentos • Seu Dinheiro – Ministrante: Prof. Dr. Alfredo Meneghetti Neto (PUCRS) • Como investir em ações seguindo os passos de Warren Buffet – Ministrante: Operador XP Investimentos • Como e onde investir em 2009 – Ministrante: Operador XP Investimentos • A psicologia do investidor – Ministrante: Prof. Ms. Bernardo Fonseca Nunes (PUCRS) • A crise financeira e suas repercussões – Ministrante: Prof. Ms. André Scherer (PUCRS)
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• Instrumentos de análise de conjuntura – Ministrante: Profa. Ms. Cecília Hoff (PUCRS) Momento “A FACE do aluno”: apresentação de trabalhos desenvolvidos pelos alunos durante o curso de graduação. Temas já abordados: “Marketing multinível” e “O modelo dos três círculos na administração da empresa familiar”. Parcerias com outras instituições de ensino superior: ofereceu 3 palestras sobre Mercado de Capitais durante a Jornada Acadêmica da Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre/RS. Parcerias com outros organismos: Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (IBRADEMP) - palestra ministrada pelo Sr. Walter Jansen Neto, entitulada “Construção de governança corporativa dentro de empresas familiares”. Ademais os eventos gratuitos, o LABMEC ainda oferece os cursos de extensão tais como Análise de Conjuntura, Finanças pessoais: segredo de sucesso, Personal trainer em finanças pessoais, Finanças comportamentais, Bolsa de Valores: aprenda a investir, Análise fundamentalista para tomada de decisão, HP12C aplicada à administração financeira, entre outros. Tais cursos têm diferentes cargas horárias assim como diferentes custos, porém em todos, a comunidade PUCRS (alunos, diplomados, funcionários e professores) tem 50% de desconto, já estudantes de outras instituições de ensino e pessoas com mais de 60 anos têm 25%. As inscrições nos eventos promovidos pelo LABMEC ocorrem pelo seu site (www.labmec.com.br) mas contam com o apoio organizacional de toda estrutura da Universidade. Considerando a importância da ampla e irrestrita disseminação do conhecimento, assume singular importância a forma de divulgação dos eventos do laboratório. Nesta questão, conta-se com o apoio da Assessoria de Comunicação da Universidade, dos jornais de circulação estadual Zero Hora e Correio do Povo, sites da PUCRS, do LABMEC e XP Investimentos, além do cadastro de e-mails da PUCRS, da emrpresa parceira e do próprio laboratório. Resultados O sucesso da relação PUCRS-XP Investimentos expressa-se nas 1.326 horas de capacitação oferecidas pelo LABMEC em eventos como palestras gratuitas e cursos de extensão. Em seus 2 anos e meio de existência, a visitação

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ao laboratório pela sociedade com a finalidade de realizar pesquisas, troca de informações e simulações somou aproximadamente 16 mil acessos. O público total que de alguma forma foi qualificada através do LABMEC fica em torno de 27,4 mil pessoas (Quadro 01).
Quadro 01 – Relatório de atividades do LABMEC Atividades promovidas Eventos Carga horária Inscrições 2009* Cursos de extensão 6 56 106 Palestras XP Investimentos 14 14 452 Outros eventos 6 7 153 Acessos ao Laboratório 430 Total de 2009 26 430 1.141 2008 Cursos de extensão 34 448 793 Palestras XP Investimentos 38 56 1.785 Outros eventos 15 134 2.867 Acessos ao Laboratório 5.496 Total de 2008 87 430 10.941 2007 Cursos de extensão 37 360 1.015 Palestras XP Investimentos 26 27 1.945 Outros eventos 27 97 928 Acessos ao Laboratório 7.696 Total de 2007 90 484 11.584 2006** Cursos de extensão 8 72 142 Palestras XP Investimentos 12 12 311 Outros eventos 24 43 1.056 Acessos ao Laboratório 2.317 Total de 2006 44 127 3.826 Total geral 247 1.471 27.492 * Inclui os meses de Janeiro a Abril. ** Inclui os meses de Agosto a Dezembro. Fonte: elaboração da autora a partir dos relatórios de atividades do LABMEC.

Analisando especificamente os eventos gratuitos, quais sejam, palestras e apresentações de trabalhos acadêmicos, o Quadro 02 mostra crescente aumento no número de pessoas participantes. Comparando os anos de 2006 e 2007, ainda que o primeiro envolva apenas os seis últimos meses, observa-se um aumento significativo de participantes equivalente a 148%. De 2007 para 2008, cujos números estão totalizados no ano, observa-se um acréscimo de 51%. Para o ano de 2009, as informações envolvem apenas os quatro primeiros meses, de modo que o número perde um pouco de sua significância para comparações. No geral, teve-se participação média por evento de 59 pessoas.

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Quadro 02 – Oferta, carga horária e participantes nos eventos gratuitos

Quantidade de Carga horária eventos (h) 2009* 20 21 2008 51 154 2007 53 124 2006** 29 37 Total 153 336 Somatório de carga horária por participante Média de presenças por evento Ano

Participantes 605 4.347 2.873 1.157 8.982 3.017.952 59

* Inclui os meses de Janeiro a Abril. ** Inclui os meses de Agosto a Dezembro. Fonte: elaboração da autora a partir dos relatórios de atividades do LABMEC.

Merece destaque especial o número de carga horária oferecida por participante. A partir da interação U-E, foram promovidas mais de 3 milhões de horas de capacitação gratuita e disponíveis à sociedade. Considerações finais Os tempos atuais conduzem à busca contínua por maior competitividade sistêmica. Neste sentido, destoa a importância das Universidades não apenas como formadora de mão-de-obra qualificada, mas, também, por sua capacidade de produção científica e tecnológica. Assim, as universidades passaram a ser vistas como fonte principal de inovações. Neste contexto, o argumento da “Hélice Tripla” tem ganhado espaço nas discussões sobre a relação Universidade-Empresa. De acordo com esta abordagem, percebe-se um crescente número de contratos entre empresas e universidades com vistas ao desenvolvimento econômico. De outra forma, a competitividade da empresa passa a ser entendida como resultado de sua capacidade de aprendizado. Assim sendo, a universidade passa a ser percebida como um agente privilegiado desse entorno à medida que age em duas frentes: formando o egresso demandado pela empresa e interagindo com essas no processo de geração de inovação. Dado este cenário, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), por sua Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia firmou uma parceria com a empresa XP Investimentos constituindo o Laboratório de Mercado de Capitais (LABMEC). Tendo como objetivo inicial a disseminação do

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conhecimento sobre o mercado de capitais, o LABMEC é aberto ao público servindo como locus de interação entre a legitimidade do conhecimento teórico oferecido pela Universidade e a velocidade do conhecimento prático viabilizado pela XP Investimentos. Com pouco mais de dois anos de existência, o LABMEC já promoveu cerca de 3 milhões de horas de capacitação gratuita disponíveis à toda sociedade. Servindo como local de interação para pessoas interessadas no tema, registrou aproximadamente 16 mil visitas. Em 2009, adaptando-se às exigências do mercado diante da crise econômica mundial, PUCRS e XP Investimentos identificaram a necessidade de ampliar a atuação do laboratório focando suas ações no tema (Re)educação financeira. Com isto, o LABMEC promoveu, entre palestras gratuitas e cursos de extensão, 1.326 horas de capacitação, atendendo um total de cerca de 27,4 mil pessoas. O desafio que se coloca é ampliar a abrangência do laboratório qualificando mais pessoas e trazendo mais empresas parceiras e instituições públicas de regulação do mercado de capitais como a Comissão De Valores Mobiliários (CVM), sem, contudo, deixar esmorecer o sucesso da relação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e a empresa XP Investimentos. Referências bibliográficas DAGNINO, Renato. A relação universidade-empresa no Brasil e o argumento da “hélice tripla”. Revista Brasileira de Inovação, Rio de Janeiro: FINEP, v.2, n. 2, p. 267-307, 2003. DOSI, G.; SOETE, L. “The nature of the innovative process”, in Dosi, G.; Soete, L. (orgs.), Technical Change and Economic Theory. Londres: Pinter Publishers, 1988. LASTRES, Helena M. M., CASSIOLATO, José E. e ARROIO, Ana (orgs.). Conhecimento, Sistemas de Inovação e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Contraponto. Coleção Economia e Sociedade, 2005. PUCRS. Plano Estratégico da PUCRS, 2001-2010. Porto Alegre : EPECÊ, 2000. ______. Relatório de Desempenho do Laboratório de Mercado de Capitais, 20062009 (mimeo).

BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS BIOMÉDICAS

INTEGRANDO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO PARA RESOLVER UM PROBLEMA DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL E SAÚDE PÚBLICA

INTEGRATING TEACHING, RESEARCH AND PUBLIC OUTREACH TO SOLVE A PROBLEM IN ENVIRONMENTAL CONSERVATION AND PUBLIC HEALTH

Bicca-Marques, Júlio César; PhD; Faculdade de Biociências - PUCRS jcbicca@pucrs.br Resumo O surto de febre amarela silvestre que provocou a morte de sete pessoas e de centenas de bugios no Rio Grande do Sul desde outubro de 2008 espalhou pânico na população. O medo do avanço da doença e a desinformação acerca do papel dos bugios na vigilância da circulação do vírus amarílico levaram moradores de muitas regiões a exterminar os macacos das matas próximas as suas residências. Devido à gravidade da situação e sua influência na conservação do bugio-preto e do bugio-ruivo, espécies ameaçadas de extinção no Estado, foi lançada a campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”. A campanha tem como objetivo principal esclarecer a população e a mídia acerca do importante papel dos bugios no combate à febre amarela, salientando que eles não são os responsáveis pelo ressurgimento dessa enfermidade de origem africana, sua transmissão ou seu rápido avanço no Estado. A campanha conta com a participação e o apoio de instituições educacionais, científicas, governamentais das áreas de saúde e meio ambiente, religiosas e ONGs. Essa aliança em prol da conservação da biodiversidade e da saúde pública tem sido eficiente na alteração da qualidade das matérias veiculadas pela mídia, mas ainda requer um grande esforço para atingir a sensibilização desejada da população.

Palavras-chave: Conscientização ambiental, febre amarela, bugio.

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Abstract The yellow fever outbreak that caused the death of seven people and hundreds of howler monkeys since October 2008 in the State of Rio Grande do Sul spread panic among the population. The fear of the disease and the lack of information about the role played by howler monkeys in the surveillance of virus circulation led inhabitants of several regions to exterminate the monkeys from the forests near their homes. Because of the severity of this situation and its effect on the conservation of black-and-gold and brown howler monkeys, species threatened with extinction in the State of Rio Grande do Sul, a campaign named “Protect our Guardian Angels” was launched to inform the public and the media about the important role howler monkeys play in fighting yellow fever, stressing that the monkeys are not responsible for the re-emergence of this African disease, its transmission or its fast spread within the State. The campaign is run and supported by educational, scientific, governmental (health- and environmentrelated) and religious institutions and NGOs. This alliance of a wide range of institutions in favor of biodiversity conservation and public health has been effective in changing the quality of the news transmitted by the media, but still requires a great effort to achieve the necessary level of population awareness.

Keywords: Environmental awareness, yellow fever, howler monkey. Introdução As últimas décadas testemunharam um crescimento explosivo da população humana mundial. Segundo as NAÇÕES UNIDAS (2009), éramos 2 bilhões de habitantes em 1927, pouco mais de 2,5 bilhões em 1950 e quase 5,3 bilhões em 1990. Em 2005, já havíamos ultrapassado a marca dos 6,5 bilhões de habitantes. Esse crescimento ampliou a demanda por recursos naturais e espaço para fornecer alimento, vestuário e habitação para a humanidade, a qual aliada a um modelo de desenvolvimento predominantemente capitalista, consumista e poluidor têm promovido um nível de impacto sobre os ambientes naturais sem precedentes na história. Especialistas acreditam que a Terra já é incapaz de suprir de maneira sustentável as necessidades da humanidade e a degradação ambiental e as

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alterações climáticas são consequências diretas da pressão exercida sobre a biosfera por essa população crescente (DANILOV-DANIL’YAN et al., 2009; WACKERNAGEL e REES, 1996). Além de promover a pobreza, a desigualdade social e a erosão de valores morais e éticos tradicionais, essas alterações ambientais e o modelo prevalente de relação do homem com a natureza ao redor do mundo têm facilitado o ressurgimento e a emergência de doenças infecciosas que afligem a humanidade (LAFFERTY, 2009; MCMICHAEL e POWLES, 1999; TOL et al., 2007). O Estado do Rio Grande do Sul é um bom exemplo dessa nova realidade. Na última década, os profissionais do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretaria Estadual de Saúde (SES) têm investido esforços no combate e prevenção a doenças infecciosas tradicionalmente tropicais, tais como a dengue, a febre amarela e a leishmaniose (BERCINI et al., 2008; CARDOSO et al., 2008; SANTOS et al., 2005, 2007). Em 2001, o Estado foi surpreendido por uma epizootia de febre amarela silvestre que levou à morte uma grande quantidade de bugios-pretos (Alouatta caraya) em alguns municípios da região noroeste. Os moradores dos municípios afetados foram vacinados e, desde então, a Divisão de Vigilância Ambiental do CEVS realiza o monitoramento da população humana, a coleta de mosquitos silvestres vetores da doença (Haemagogus leucocelaenus) e a captura de bugios-pretos e bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) para coleta de sangue em muitas regiões do Estado visando a detecção da circulação do vírus (SANTOS et al., 2006; TORRES et al., 2003, 2004). Apesar desses esforços, uma nova epizootia de febre amarela silvestre foi detectada na mesma região do Rio Grande do Sul no final de 2008. Essa epizootia se alastrou rapidamente pelo Estado com consequências mais devastadoras para as populações de bugios-pretos e bugios-ruivos e provocando a morte de algumas pessoas. Além da mortalidade provocada pela doença, os bugios estão sendo vítimas da desinformação. Como eles são extremamente sensíveis à doença e podem vir a óbito num período de 3 a 7 dias após serem picados por um mosquito infectado (BRASIL, 2005), a crença de que seriam os responsáveis pela ocorrência e disseminação da febre amarela no Estado se espalhou propagada, especialmente, por notícias divulgadas pela mídia.

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Concomitante à divulgação da ampliação da área de risco de febre amarela no Estado em decorrência da observação de bugios mortos, a mídia começou a divulgar denúncias de que a população de algumas regiões estava perseguindo os animais por medo do avanço da doença. Essa situação exigiu a discussão de estratégias de sensibilização da população por parte de instituições preocupadas com a proteção dos bugios, a qual foi coordenada pela bióloga M.Sc. Soraya Ribeiro da Equipe de Fauna Silvestre da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM). Essa situação foi relatada na seção “Conservation News” do periódico científico internacional “Oryx – The International Journal of Conservation” (BICCA-MARQUES, 2009). A primeira ação foi a elaboração de cartazes pelas equipes da SMAM, cuja primeira tiragem foi financiada pela Sociedade Brasileira de Primatologia, e da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (SEMA) (Figura 1). Continuava-se discutindo ações que pudessem reduzir o impacto da doença sobre os bugios quando no dia 2 de abril de 2009 recebi uma mensagem eletrônica da Dra. Thaïs Leiroz Codenotti da Associação para a Conservação da Vida Silvestre, ONG de Passo Fundo, que realiza levantamentos populacionais de primatas em várias regiões do Estado. A mensagem eletrônica relatava informações confiáveis de que as pessoas estavam matando os bugios, especialmente por envenenamento, e que os animais já haviam desaparecido de muitas áreas monitoradas. Essa situação não podia ser negligenciada e requeria uma estratégia mais contundente e abrangente. Decidi na noite do mesmo dia lançar individualmente uma campanha na internet, pois senti a necessidade de agir imediatamente. Como os bugios são considerados importantes sentinelas da circulação do vírus amarílico pelo próprio Ministério da Saúde (JERUSALINSKY et al., 2008), resolvi denominá-la campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”.

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Figura 1 - Cartazes produzidos pela SMAM (esquerda) e SEMA (direita).

Objetivos A campanha “Proteja seu Anjo da Guarda” visa estancar o processo de perseguição aos macacos por meio da difusão de informações científicas acessíveis para a população e os meios de comunicação esclarecendo o importante papel desempenhado pelos bugios no combate à febre amarela e salientando que eles não são os responsáveis pela existência da doença, pela atual epizootia e pelo seu rápido avanço no Estado. Além disso, a campanha visa reforçar a importância da vacinação e do combate aos focos do vetor da febre amarela no ambiente urbano, o mosquito Aedes aegypti, como medidas preventivas da contração da doença e de sua urbanização. Descrição do processo de inovação desenvolvido Por sugestão da Assessoria de Comunicação (ASCOM) da PUCRS redigi, na manhã do dia 3 de abril, um texto para ser enviado aos jornais de Porto Alegre. Esse texto também foi imediatamente repassado para os alunos das disciplinas de Ecologia Geral II e Ecologia Aplicada do curso de Ciências Biológicas com o pedido de que fosse amplamente divulgado. Assinei o texto com meu nome completo, filiação profissional, endereço, telefones e link para meu currículo a fim de expressar sua legitimidade. Na noite do mesmo dia, o texto foi

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publicado na íntegra no site da OSCIP Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico de Cachoeira do Sul por indicação do aluno de Ecologia Geral II Paulo Cesar Patta. Com um mês de campanha, o texto já havia sido veiculado em mais de 80 sites na internet, no blog da campanha (http://ameacafebreamarela.wordpress.com/) desenvolvido e gerenciado pelo mestrando David Santos de Freitas e na seção Superdicas do informativo PUCRS Notícias no 293 (15 a 21 de abril). Sua mensagem também foi divulgada em vários jornais (Gazeta de Rosário: 7 de abril; Correio do Povo: 8 de abril; Jornal do Povo [Cachoeira do Sul]: 14 de abril; A Razão [Santa Maria]: 22 de abril; O Estado de São Paulo: 29 de abril; Diário Gaúcho: 4 de maio; Zero Hora: 5 de maio), em reportagem da TV Record que foi ao ar no dia 11 de abril e em entrevistas a mais de 10 rádios com diferentes audiências. No dia 26 de abril, por exemplo, participei do Programa Galpão do Nativismo com Dorotéo Fagundes na Rádio Gaúcha por sugestão da aluna de Ecologia Aplicada Márcia Radaieski Cunda. O programa teve a participação do famoso tradicionalista gaúcho J. C. Paixão Côrtes que contou histórias sobre a origem do ritmo musical bugio, inspirado no ronco e nos hábitos desses animais. Também participei dos programas Pop Night Show da Rádio SP3, Sintonia da Terra do Núcleo de Ecojornalistas do RS na Rádio da UFRGS e Conexão Regional da Rádio Santa Cruz. Uma única entrevista concedida à Agência Radioweb teve 130 aproveitamentos por 122 rádios (69 comerciais, 51 comunitárias e 3 educativas) de 101 cidades, especialmente gaúchas, com uma cobertura potencial de mais de 6,5 milhões de habitantes apenas nos dias 14 e 15 de abril. O texto da campanha também foi utilizado para realizar um pedágio de conscientização organizado pela Escola Técnica Estadual Dr. Rubens da Rosa Guedes de Caçapava do Sul. Em reunião realizada no dia 23 de abril na sede do CEVS por solicitação do biólogo M.Sc. Leandro Jerusalinsky, chefe do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e com a presença de biólogos, veterinários e jornalistas da maioria das instituições locais e estaduais envolvidas na questão ficou acertado que a campanha “Proteja seu Anjo da Guarda” seria “adotada” pelas demais instituições (Figura 2). O convite à Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi uma sugestão do Prof. Dr. Pe. Érico José Hammes da Faculdade de Teologia da PUCRS, após o

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aluno Régis Rafael Hryçai da disciplina Ecologia Geral II ter salientado a importância da Igreja Católica como instituição formadora de opinião, especialmente no interior do Estado. A CNBB enviou o texto a todas as dioceses do Estado, ampliando significativamente a área de abrangência da campanha.

Sociedade Pi l i

Brasileira

de

Figura 2 - Instituições participantes da campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”.

Além das instituições participantes, as informações divulgadas pela campanha foram legitimadas pelo apoio dos seguintes órgãos governamentais, sociedades científicas, universidades e ONGs entre outros: Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde e Centro Nacional de Primatas), Sociedade Brasileira de Parasitologia, Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Asociación Mexicana de Primatología, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Faculdade de Biociências, Museu de Ciências e Tecnologia e Instituto do Meio Ambiente), One Earth Institute/EUA, Centro de Investigaciones del Bosque Atlântico do Instituto de Biología Subtropical/Argentina, Departamento de Vigilância Ambiental de Cachoeira do Sul, Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza de Caxias do Sul e Rádio Santa Cruz de Santa Cruz do Sul.

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Com a adesão dessas instituições à campanha, o texto foi atualizado. A linguagem utilizada e a ausência de referências bibliográficas visam torná-lo mais acessível para o público leigo. O novo texto é transcrito a seguir: “Campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”! A febre amarela é uma doença infecciosa de origem africana causada por um vírus que é transmitido por mosquitos. Existem dois tipos: a febre amarela urbana, erradicada do Brasil em 1942, e a febre amarela silvestre. Os vetores (agentes responsáveis pela transmissão) da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue. A febre amarela silvestre já provocou a morte de algumas pessoas e de muitos bugios em uma extensa área do Rio Grande do Sul desde o final de 2008. No entanto, ao contrário da maioria das pessoas, os bugios são extremamente sensíveis à doença, morrendo em poucos dias após contraí-la. Esses macacos já estão ameaçados de extinção no Estado devido à destruição de seu habitat natural (as florestas), à caça e ao comércio ilegal de mascotes. Infelizmente, os bugios também estão sendo vítimas da doença e da falta de informação da população. Inúmeros relatos indicam que habitantes das regiões de ocorrência do bugio-preto e do bugio-ruivo estão matando os animais, principalmente por envenenamento, por medo do avanço da doença. Além de ilegal e de tornar mais crítico o estado de conservação desses animais, essa atitude é extremamente prejudicial para o próprio homem. A morte de bugios por febre amarela alerta os órgãos de saúde locais sobre a circulação do vírus na região, os quais promovem campanhas de vacinação da população humana, como se tem observado em mais de 200 municípios do Estado. O Ministério da Saúde considera esses macacos importantes “sentinelas” da circulação do vírus. Portanto, os bugios são nossos “ANJOS DA GUARDA”! Se eles forem mortos pelo homem, descobriremos que a febre amarela chegou a determinada região apenas quando as pessoas contraírem a doença. E talvez já seja tarde para algumas (ou muitas) ... Os bugios NÃO transmitem a febre amarela para o homem e NÃO são os responsáveis pelo rápido avanço da doença no Estado. Eles são as principais

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vítimas. As mudanças climáticas e a degradação ambiental provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente aparecimento de inúmeras doenças infecciosas no Estado. Especialistas acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos ou por outro hospedeiro ainda desconhecido. Perguntamos: “Você mataria o seu anjo da guarda?”” O texto da campanha também foi enviado por correio eletrônico para alguns artistas gaúchos e para todos os vereadores de Porto Alegre. Apenas o vereador Paulinho Rubem Berta respondeu a mensagem com um convite para participarmos do evento de comemoração do 22º aniversário do Bairro Rubem Berta. Por iniciativa dos estudantes do Laboratório de Primatologia, em especial os mestrandos Elenara Véras dos Santos e David Santos de Freitas, foi elaborada uma peça teatral intitulada “O ronco, o zumbido e a febre amarela” que foi apresentada no dia 25 de abril (Figura 3). A peça contém três músicas em diferentes ritmos, incluindo o funk “Bugio 40oC” de autoria de MC Vacinou (Felipe Ennes Silva, mestrando do Laboratório de Primatologia) e MC Imunizou (Rodrigo Ennes da Cunha). Pelo menos outras três apresentações em locais públicos de Porto Alegre já estão programadas para os meses de maio e junho de 2009. A campanha também envolve a divulgação das informações através de palestras para diversos públicos. A palestra “A febre amarela silvestre no Rio Grande do Sul: doença e desinformação ameaçam os bugios” foi apresentada na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre a convite do Programa CRIAR (Conscientizar, Reeducar, Inovar, Agir e Racionalizar) e na Universidade Luterana do Brasil/Guaíba a convite da Diretoria de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Guaíba. Essa palestra também foi proferida para estudantes de graduação da PUCRS e estudantes do Ensino Fundamental do Colégio Marista Champagnat participantes do Clube de Ciências coordenado pelas Profas. M.Sc. Berenice Alvares Rosito e Dra. Melissa Guerra Simões Pires da Faculdade de Biociências. A iniciativa independente do médico veterinário Elisandro Oliveira dos Santos do Zoológico Municipal de Canoas e do Pampas Safari de produzir um vídeo educativo sobre a relação do bugio e a febre amarela também tem contribuído com a sensibilização pública. O vídeo está disponível no site YouTube

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(http://www.youtube.com/watch?v=b9VI10R8jkA&feature=related) e já foi exibido mais de 12.000 vezes (considerando as versões original e atualizada juntas).

Figura 3 - Autores e atores da peça teatral “O ronco, o zumbido e a febre amarela”. Da esquerda para a direita: Danusa Guedes (mãe), Anamélia de Souza Jesus (bugio-ruivo fêmea), Marina Ochoa Favarini (mosquito), Elenara Véras dos Santos (bugio-ruivo fêmea), Jonas da Rosa Gonçalves (bugio-ruivo macho), David Santos de Freitas (filho), Leonel de Souza Martins (pai) e Júlio César Bicca-Marques (narrador).

Resultados obtidos Em relação à qualidade da informação divulgada pela mídia pode-se considerar que a campanha “Proteja seu Anjo da Guarda” atingiu grande parte de seus objetivos. A mudança de atitude é clara na maioria das reportagens veiculadas por jornais, programas de televisão, rádios e internet sobre a febre amarela e sua relação com os bugios. Mesmo naquelas reportagens que relatam a morte de bugios, os animais já não são tratados como responsáveis pela infecção dos mosquitos que depois transmitem o vírus para o homem. Uma breve descrição da doença publicada no jornal Correio do Povo do dia 3 de maio ilustra essa mudança: “Febre amarela – Doença infecciosa causada por um flavivírus, transmitida por mosquitos. Ocorre só na América Central, na América do Sul e na África. No Brasil, a doença é adquirida quando uma pessoa não vacinada entra em áreas de transmissão silvestre. A transmissão ocorre se o mosquito picar uma pessoa infectada e, com o vírus multiplicado, picar quem ainda não teve a doença e que não foi vacinado.”

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Infelizmente, no entanto, continuam as denúncias de perseguição aos bugios em várias regiões do Estado. Essa informação sugere que a parcela da população que vive próxima a áreas florestais habitadas por bugios e que tem pouco ou nenhum acesso à internet ainda não foi devidamente sensibilizada ou não crê na “nova” informação difundida pelos meios de comunicação. Considerações finais A campanha “Proteja seu Anjo da Guarda” se destaca por aliar um problema de saúde pública à conservação ambiental e por transmitir uma mensagem com base científica em linguagem acessível para o grande público. A valorização da participação de atores multiplicadores de diversas áreas de atuação vinculados à academia, órgãos governamentais, ONGs, clínicas veterinárias e igreja foi essencial para legitimar a informação, ampliar o alcance da campanha e qualificar as informações veiculadas pela mídia. Por fim, o reconhecimento da importância do engajamento dos estudantes universitários na divulgação da campanha e na participação nas suas ações representa um aspecto de grande relevância no sucesso alcançado na sensibilização da população. Referências bibliográficas BERCINI, M., CRUZ, L. L., GOMES, C. S., RAMOS, S. M. F., LAMMERHIRT, C. B., RANIERI, T. M. S., SPERB, A. F. e NUNES, Z. M. A. Surto de dengue autóctone no Rio Grande do Sul, 2007. Boletim Epidemiológico, no 10, p. 6-7, set 2008. BICCA-MARQUES, J. C. Outbreak of yellow fever affects howler monkeys in southern Brazil. Oryx, no 43, p. 173, abr 2009. BRASIL. Manual de vigilância de epizootias em primatas não-humanos. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. CARDOSO, J. C., SANTOS, E., ALMEIDA, M. A. B., FONSECA, D. F., MARDINI, L. B. L. F., TORRES, M. A. N., GOMES, C. S., RAMOS, S., LAMMERHIRT, C. B. e CRUZ, L. L. Vigilância entomológica no Rio Grande do Sul: ações e perspectivas. Boletim Epidemiológico, no 10, p. 4-5, set 2008. DANILOV-DANIL’YAN, V. I., LOSEV, K. S. e REYF, I. E. Sustainable Development and the Limitation of Growth: Future Prospects for World Civilization. Chichester: Springer-Praxis, 2009.

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AUDY, J. L. N. & MOROSINI, M. C. (Orgs.)

JERUSALINSKY, L., MARTINS, A. B., LAROQUE, P. O., LEVACOV, D., FERREIRA, J. G. e FIALHO, M. S. Nota Técnica. Nota técnica não publicada do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2008. LAFFERTY, K. D. The ecology of climate change and infectious diseases. Ecology, no 90, p. 888-900, abr 2009. MCMICHAEL, A. J. e POWLES, J. W. Human numbers, environment, sustainability, and health. British Medical Journal, no 319, p. 977-980, out 1999. NAÇÕES UNIDAS - Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat. World population prospects: the 2008 revision. In: http://esa.un.org/unpp acesso em: 15.03.2009. SANTOS, E., ALMEIDA, M. A. B., FONSECA, D. F., VASCONCELOS, P. F. C. e RODRIGUEZ, S. G. Registro de anticorpos para o vírus Saint Louis em primata não humano no Estado do Rio Grande do Sul. Boletim Epidemiológico, no 8, p. 6-7, set 2006. SANTOS, E., ALMEIDA, M. A. B., SOUZA, G. D., RANGEL, S., LAMMERHIRT, C. B., CRUZ, L. L., BERCHT, D. B., FONSECA, D. F. e NETO, R. A. Situação da leishmaniose tegumentar americana no Rio Grande do Sul. Boletim Epidemiológico, no 7, p. 1-3, jun 2005. SANTOS, E., CARDOSO, J. C., FONSECA, D. F., DIEDRICH, G., BERCINI, M., SCHERER, S. B. e ALMEIDA, M. A. B. Vigilância do virus do Nilo occidental no Rio Grande do Sul. Boletim Epidemiológico, no 9, p. 5-7, jun 2007. TOL, R. S. J., EBI, K. L. e YOHE, G. W. Infectious disease, development, and climate change: a scenario analysis. Environment and Development Economics, no 12, p. 687-706, out 2007. TORRES, M. A. N., ALMEIDA, M. A. B., SANTOS, E., MONTEIRO, H. A. O., CARDOSO, J. C., COSTA, I. A. e FERREIRA, F. B. Vigilância entomológica da febre amarela silvestre no Rio Grande do Sul. Boletim Epidemiológico, no 6, p. 6, mar 2004. TORRES, M. A. N., SANTOS, E., ALMEIDA, M. A. B., CRUZ, L. L. e SPERB, A. F. Vigilância da febre amarela silvestre no Rio Grande do Sul. Boletim Epidemiológico, no 5, p. 1-7, 2003. WACKERNAGEL, M. e REES, W. Our ecological footprint: reducing human impact on the Earth. Gabriola Island, BC: New Society Publishers, 1996.

BANCO DE DADOS EM SAÚDE BUCAL UMA FORMA INOVADORA DA DESCOBERTA DO CONHECIMENTO NA ODONTOLOGIA.

ORAL HEALTH DATABASE AN INNOVATIVE WAY OF KNOWLEDGE DISCOVERY IN DATABASE IN DENTISTRY

Mota, Eduardo Gonçalves; PhD; Faculdade de Odontologia - PUCRS Figueiredo, José Antônio Poli de; PhD; Faculdade de Odontologia - PUCRS Ruiz, Duncan Dubugras; PhD; Faculdade de Informática - PUCRS Blomberg, Luciano Costa; Faculdade de Informática - PUCRS Resumo: O objetivo deste artigo é documentar a condução do estudo realizado em cooperação dos programas de pós-graduação em Odontologia (PPGO) e Ciências da Computação (PPGCC) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O Banco de Dados em Saúde Bucal teve como objetivo a criação de um ambiente de armazenagem, organização e recuperação dos dados de procedimentos clínicos. Durante o período de três meses, entrevistas semiestruturadas foram realizadas em cinco áreas de atendimento ondotológico da Faculdade de Odontologia (FO-PUCRS) a fim de se determinar a estrutura e análise dos dados. Com base nas informações obtidas neste processo, modelos lógicos, conceituais e físicos do banco de dados foram gerados assim como um script em SQL (Structured Query Language). A ferramenta Oracle SQL Developer (Oracle Corporation, Redwood Shores, CA, USA) foi usada para importar e criar o BDSB (Banco de Dados em Saúde Bucal) implementado em Oracle 10g, um sistema de gerenciamento relacional de banco de dados. A criação do BDSB em conjunto dos programas de pós-graduação não só representa um importante avanço na automatização das demandas operacionais, mas também é útil para a exploração de uma valorosa fonte de conhecimento, rica em informações clínicas e sociais.

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Palavras-chave: saúde bucal, modelagem de dados, banco de dados. Abstract: The aim of this article was to document the study conducted in the Postgraduation programs in Dentistry (PPGO) and Computational Science (PPGCC), at the Pontifical Catholic University of Rio Grande do Sul (PUCRS), with the view to building environment for storage, organization and recovery of data from

clinical records. During a period of three months, semi-structured interviews were held with five areas of dental attendance connected with the Dental School (FOPUCRS) for requirement collection and analysis. Based on the information obtained in this process, conceptual, logical and physical models of the database were developed, as well as the generation of a script in SQL (Structured Query Language). After generating the script, the tool Oracle SQL Developer (Oracle Corporation, Redwood Shores, CA, USA) was used to import and create the OHDB (Oral Health Database) implemented in the Oracle 10g, a relational database management system (RDBMS). Building the OHDB in conjunction with PPGO-PUCRS not only represents an important advance towards automating the organization’s operational demands, but is also particularly useful for exploiting a valuable source of knowledge, rich in clinical and social information.

Keywords: Oral health, data modeling, database. Introdução A história atual da ciência tem nos mostrado uma mudança radical na forma da produção do conhecimento. Este vem substituindo o acúmulo simples e puro da informação extremamente especializada pelo uso mais eficaz e aplicável dos resultados obtidos na sociedade. Baseado neste pressuposto, os autores identificaram uma necessidade frente a crescente geração de dados clinico e dos acumulados ao longo dos últimos 50 anos da Faculdade de Odontologia. O que fazer com a informação? Como obter conhecimento da produção gerada ao longo dos anos? De que forma as opções tomadas nas manobras clínicas impactaram na qualidade dos serviços prestados? É preciso, então, tornar os dados contidos nos formulários de papel em conhecimento na forma de identificação de métricas

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e indicadores da saúde bucal, assim como, em uma ferramenta administrativa para tomada de decisões. Mediante esta limitação torna-se necessário à adoção de algum recurso que possa processar este volume de dados e transformá-los em informação. Na literatura identificaram-se alguns trabalhos [5] [8], embora não especificamente em saúde bucal, que propõem o uso de ferramentas OLAP (Online Analytical Processing) para análise de data warehouses médicos. Por outro lado, identificouse também, outro conjunto de publlicações [1] [2] [6] [7] que aborda este o mesmo problema, porém, pelo uso da estatística descritiva em ferramentas como Excel e SPSS. Este artigo tem como objetivo propor um modelo analítico para indicadores em saúde bucal, tendo como ponto inicial, o trabalho realizado junto à Faculdade de Odontologia da PUCRS e suas unidades de atendimento odontológico. Como resultado deste trabalho preliminar criou-se um BDSB (Banco de Dados em Saúde Bucal). Por razões de conveniência, decidimos embasar o modelo analítico especificamente sobre os dados do CEU Vila Fátima, os quais julgam-se de maior relevância e representatividade. Caso: No intuito de conservar esta base histórica e viabilizar o resgate de informações relevantes à pesquisa, como indicadores em saúde bucal, desenvolveu-se em parceria com o PPGCC-FACIN um ambiente para armazenamento, organização e recuperação destes dados. Para tanto, foi realizado, durante o período de aproximadamente três meses, um processo de coleta de dados, obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas junto aos professores representantes das unidades de atendimento odontológico vinculadas à Faculdade de Odontologia da PUCRS. Compondo estas unidades estão: o Centro de Extensão Universitária Vila Fátima (Unidade de Saúde SUS), o Hospital São Lucas (Serviço de Estomatologia) e o CERLAP (Centro de Reabilitação de Fissuras Lábio-palatinas). Nas entrevistas realizadas, coletaram-se informações referentes ao processo de armazenamento dos dados nestas unidades, gerando-se ao final desta etapa, uma documentação composta pela ata de reunião e por um modelo

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conceitual (diagramas de classe) em notação UML (Unified Modeling Language). Para esta etapa de modelagem utilizou-se a versão freeware do software Jude Community. Após finalizada a primeira rodada de entrevistas com os professores das unidades de atendimento odontológico, buscou-se analisar a documentação gerada para cada uma delas, de forma que fosse possível compilar estes dados em um único modelo. Ao final do processo de modelagem foram identificadas 92 classes, 202 atributos e 96 associações. Por questões de melhor apresentação e compreensão dos dados, o modelo resultante deste trabalho é apresentado na figura 1 apenas com suas principais classes, extraindo-se desta forma algumas especializações e classes auxiliares de menor relevância a compreensão do modelo.

Figura 1 – Modelo operacional.

Uma vez elaborado o modelo conceitual, buscou-se validá-lo junto aos professores da Faculdade de Odontologia envolvidos no processo de coleta de dados. Ao final desta etapa, foram realizadas correções na nomenclatura de algumas classes, visando-se adequá-las a uma linguagem mais comumente utilizada na área de odontologia. Posteriormente, obteve-se uma amostra dos prontuários com os dados a serem apreendidos, onde foram realizados alguns ajustes nos relacionamentos e na tipagem dos atributos do modelo, que não correspondiam com a forma de preenchimento dos prontuários.

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Realizados os ajustes finais no modelo conceitual, utilizou-se a ferramenta freeware DBDesigner 4 para a implementação do modelo lógico de dados. Neste modelo foram definidas as chaves primárias e estrangeiras para o Banco de Dados em Saúde Bucal. Realizado este processo, foi gerado um script SQL (Structured Query Language) e posteriormente importado dentro do SGBD Oracle 10g. A partir da criação do Banco de Dados em Saúde Bucal, buscou-se inserir a amostra de dados disponibilizada, visando testar a aderência destes dados ao banco projetado. Realizadas pequenas adequações, planeja-se a fase de apreensão dos dados, onde inicialmente pretende-se inserir no BDSB um volume de aproximadamente dois mil prontuários, referentes à aproximadamente 25 anos anos de atendimento no CEU Vila Fátima. Esta escolha justifica-se por uma série de razões, entre elas a possibilidade de apreensão de dados em curto período de tempo e principalmente pela relevância dos dados ali manipulados, uma vez que o CEU Vila Fátima é uma unidade vinculada ao SUS que por sua vez, apoia-se em uma série de indicadores para avaliação da qualidade de seus serviços. Durante boa parte do trabalho realizado até este momento, buscamos ressaltar a importância da análise de dados como um precioso recurso na obtenção de informações gerenciais. Neste sentido, vimos em seções anteriores que importantes indicadores são gerados a partir deste processo de análise, seja pela aplicação de ferramentas estatísticas, ou seja, pelo desenvolvimento de modelos analíticos aplicados em data warehouses médicos. Dadas estas considerações, podemos observar que apesar de tratar-se de abordagens diferentes, ambas referem-se a um mesmo processo: KDD (Knowledge Discovery in Database). Para o seguimento deste trabalho, é importante entendermos alguns conceitos e características relacionadas a este processo. Segundo Fayad [2], KDD é o processo não trivial de identificação de novos padrões válidos, potencialmente úteis e compreensíveis em conjuntos de dados. No entanto, como etapa preliminar à obtenção de conhecimento no processo de KDD, é necessário que o conjunto de dados a ser analisado seja armazenado em um ambiente conciso e confiável. Neste sentido, data warehouses tem se mostrado um recurso fundamental dentro da arquitetura de KDD.

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Segundo Inmon [3], um data warehouse é um conjunto de dados baseado em assuntos, integrado, não volátil, e variável em relação ao tempo, de apoio a decisões gerenciais. Uma popular abordagem para análise de data warehouses é chamada de online analytical processing (OLAP)[5]. Segundo Machado [4], as ferramentas OLAP são as aplicações às quais os usuários finais têm acesso para extrair os dados de suas bases e construir relatórios capazes de responder as suas questões gerenciais. Ferramentas OLAP são utilizadas no desenvolvimento de modelos analíticos que constituem uma representação de estruturas de armazenamento de dados, o qual sua organização facilita o processo de descoberta de conhecimento. Existem três tipos principais de modelo analítico: • Modelo Estrela – o modelo estrela caracteriza-se, basicamente, por conter uma única tabela fato e várias dimensões; • Modelo Floco de Neve – o modelo floco de neve é uma variante do modelo estrela, diferindo-se por admitir que as tabelas dimensões formem hierarquias com relacionamentos entre si; • Modelo Constelação de Fatos – o modelo constelação de fatos admite múltiplas tabelas fato compartilhando suas tabelas dimensões entre outras tabelas. Este tipo de modelo pode ser visto como uma coleção de estrelas. Trazendo-se para o contexto do estudo realizado junto á Faculdade de Odontologia, buscou-se apresentar na figura 2, a seguinte arquitetura de data warehouse.

Figura 2 – Arquitetura data warehouse dentro de um ambiente de KDD.

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Ao final deste processo, o módulo de exploração da ferramenta DBDesigner 4 foi usada para gerar o script na linguagem SQL com as especificidades do Banco de Dados em Saúde Bucal como mostrado na figura 3.

Figura 3 – Script em SQL gerado no software DBDesigner 4.

Considerações finais A criação do Banco de Dados em Saúde Bucal em conjunto dos programas de pós-graduação em Odontologia e Ciências da Computação apresenta uma grande contribuição, não apenas devido ao volume de dados envolvido, mas também pela sua diversidade (textos, números e dados temporais) e das áreas de conhecimento aplicadas neste estudo. Além do mais, a construção de tal banco de dados fornecerá uma série de benefícios à organização, tais como a automação das demandas operacioanais pelo desenvolvimento de sistemas administrativos, mas principalmente à pesquisa pela exploração da rica base de informações clínicas e sociais. Referências [1] BALDANI, M. H.; NARVAI, P. C.; ANTUNES, J. L. F. Cárie dentária e condições sócio-econômicas no Estado do Paraná, Brasil. Cad. Saúde Pública. v20, n1, p143-152, Rio de Janeiro, 2004. [2] FAYYAD, U.; PIATETSKY-S G.; SMYTH P. The KDD Process for Extracting Useful Knowledge from Volumes of Data. Communications of the ACM, N.Y, v39, n11,p27-34, 1996. [3] INMON, W. H. Building the Data Warehouse. 4. ed. Indianópolis, Wiley Publishing, 2005.

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[4] MACHADO, F. N. R. Tecnologia e projeto de Data Warehouse: uma visão multidimensional. 1. ed. São Paulo: Érica, 2004. [5] SAHAMA, T. R.; CROLL, P. R. A Data Warehouse Architecture for Clinical Data Warehousing. ACM International Conference Proceeding Series; v249, p227-232, Ballarat, 2007. [6] SILVA, H. A. et al. Cárie Dentária em população Ribeirinha do Estado de Rondônia, Região Amazônica, Brasil 2005/2006. Cad. Saúde Pública. v24, n10, p2347-2353, Rio de Janeiro, 2008. [7] STEINER, M. T. A. et al. Abordagem de um problema médico por meio do processo de KDD com ênfase à análise exploratória dos dados. Gest. Prod. v11, n2, p11-25, 2006. [8] ZHOU, X. et al. Building Clinical Data Warehouse for Traditional Chinese Medicine Knowledge Discovery. Internacional Conference on BioMedical Engineering and Informatics. v1, p615-620, Sanya, 2008.

A FORMAÇÃO DE UMA REDE DE PESQUISA CIENTÍFICA ATRAVÉS DA CRIAÇÃO DE UMA “LIGA DA PESQUISA CIRÚRGICA”

THE FORMATION OF RESEARCH MEDICAL THROUGH THE CREATION OF CHIRURGICAL RESEARCH LEAGUE.

Prof. Dr. Jefferson Braga Silva jeffmao@terra.com.br Lucas Colomé lucascolome@hotmail.com Alessandra Sebben adsebben@gmail.com Martina Lichtenfels martinalichtenfels@hotmail.com Marcelo Rabello marcelocrabelo@yahoo.com.br Resumo A iniciação científica é conhecida por todos como a maneira mais adequada de introduzir o jovem aluno à interrogação, ao questionamento e a pesquisa científica. Esses serão os pesquisadores e professores responsáveis pelo avanço da ciência e produção de meios para o bem social. Educar, instruir e mostrar o “savoir faire” é assunto dos mais experientes, aqueles que já enfrentaram as dificuldades do novo, do inesperado e sobretudo do inusitado na ciência e em seus desdobramentos. Desta parceria entre novidade e experiência buscou-se motivação para a construção de conhecimento. O objetivo primordial da criação de uma Liga de Pesquisa Cirúrgica foi de organizar um grupo de alunos engajados em rede com os alunos da pósgraduação e pesquisadores em clínica cirúrgica da pós-graduação em medicina da PUCRS. Para a formação da rede os atores devem estar comprometidos e motivados para interligar alunos da graduação, alunos da pós-graduação e orientadores. Alunos da graduação materializam o auxílio nas revisões bibliográficas, desenvolvimento de modelos experimentais, avaliação dos resultados e treinamentos de habilidades macro e microcirúrgicas. A experiência da criação da Liga e a formação da rede de pesquisa tem sido extremamente valiosa e proveitosa a todos os atores envolvidos. Reuniões mensais com 51 alunos da graduação dos quatro primeiros semestres de atuação

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ativa e produtiva e 12 alunos de pós-graduação de mestrado e doutorado são estimulantes para os pesquisadores. O estabelecimento da rede visa ainda criar a oportunidade de colaborações, convênios e associações com outras entidades públicas e privadas, seja na pesquisa ou na promoção de atividades de formação profissional. Essa união dos projetos entre alunos de graduação e pós-graduação certamente evoluirá para o desenvolvimento de projetos inovadores, produção de conhecimento e novos parceiros da iniciativa privada.

Palavras-chave: conhecimento científico, inovação, pesquisa. Abstract The scientific initiation is known by everyone as the most appropriate way to introduce a young student to question and scientific research. This will become the researchers and teachers that will evolve the science for the society’s good purpose. Teach, instruct and show the “savoir faire”, is a matter of the most experienced, those who already faced the novelty difficulties, the unexpected and mainly the unusual on science and its developments. This partnership between experience and new was motivation for the construction of knowledge. The PUCRS’ Chirurgical Research League’s creation’s primordial objective was organizing an engaged students group connected with post-graduation in surgical clinic from PUCRS’ medicine post-graduation. To form a net the actors must be compromised and motivated on interconnection with the graduation students’, post-graduation students and researchers. The graduation students help comes from bibliographic revisions, experimental models creation, results appraise and macro and microsurgery ability training. The experience on Research League creation and the formation of research nets was really valuable and fruitful for all evolved actors. Mensal meetings with 51 graduation students from the first four active and productive acting semesters and 12 post-graduation students from master’s degree and doctor’s degree are stimulant for researchers.

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This network establishment aims to create the opportunity for collaboration, partnership, and public and private entities associations, whether in research or in the promotion of vocational training activities. This project’s union between post and graduation students surely will evolve into the innovative projects development, production of knowledge and new partnerships with the private enterprise.

Keywords: scientific knowledge, innovation, research. Introdução Mais do que qualquer outra atividade econômica, o processo de inovação está intimamente relacionado ao conhecimento. As universidades, fontes primordiais de geração de aprendizado, desempenham um papel importante na relação entre o saber científico e o processo tecnológico. O novo papel da informação na economia e na indústria gerou um reposicionamento da atuação das Instituições de Ensino Superior (IES), as quais não são apenas responsáveis pelo treinamento, mas também por fornecerem o conhecimento crucial para a evolução de muitos setores industriais (Rapini, 2006). Na medida em que a Ciência e a Tecnologia foram reconhecidas como essenciais no desenvolvimento econômico, cultural e social, o ensino das Ciências em todos os âmbitos tornou-se muito importante, sendo objeto de inúmeros movimentos de transformações no ensino (krasilchik, 2000). Os setores que possuem maior atividade com interações intensas com a ciência incluem áreas tecnológicas relacionadas à engenharia genética, química industrial, biotecnologia e microeletrônica (processamentos de dados,

componentes eletrônicos, telecomunicações) (Godin, 1996; Mansfield, 1991; Grupp, 1996) Frente às transformações na relação entre Economia-UniversidadePesquisa, evidenciou-se a necessidade da criação de metodologias para aproximar os alunos da graduação ao método científico desde seu ingresso na universidade. A ocorrência da integração entre estes e alunos de pós-graduação, já familiarizados com o método científico, garante a consistência e consolidação das pesquisas realizadas. Desta forma, criou-se a “Liga da Pesquisa Cirúrgica”.

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Objetivos A Liga de Pesquisa Cirúrgica tem como objetivo reunir alunos de graduação e pós-graduação da PUCRS e de outras instituições de ensino, como Feevale, IPA, Univates e UFRGS que estejam engajados pelo mesmo ideal, pretendendo aprimorar seu conhecimento científico e inseri-los em projetos de pesquisas da área médica. A proposta visa identificar percepções, sentimentos, atitudes e opiniões dos participantes a respeito de um determinado tema, produto ou atividade. Também incentivar a formação de idéias ou hipóteses e estimular o pensamento do pesquisador. Descrição As reuniões são mensais e ocorrem principalmente nas dependências do Laboratório de Habilidades Médicas e Pesquisa Cirúrgica, no qual se reúnem professores e/ou orientadores, alunos de graduação e pós-graduação da PUCRS e de outras instituições de ensino que participam ativamente de estudos médicos. As atividades, sob a coordenação do Professor Dr. Jefferson Braga Silva, incluem revisões bibliográficas, criações de modelos experimentais, avaliação de resultados e treinamentos de habilidades macro e microcirúrgicas, com ênfase em terapia celular. Os grupos de pesquisa são organizados de maneira em que todos os alunos da graduação estejam inseridos em algum projeto de pesquisa da pósgraduação ou em linhas de pesquisa dos orientadores. Em cada encontro são realizadas palestras, cujo objetivo é contribuir com informações sobre conhecimento científico e divisão de experiências

metodológicas referentes aos diversos temas abordados em projetos, assim como outros subsídios pertinentes. Participantes e projetos Atualmente, a Liga da Pesquisa Cirúrgica conta com cinquenta e um alunos de graduação (figura 1) e doze da pós-graduação, os quais pertencem às Faculdades de Medicina, biologia, biomedicina, veterinária e química.

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30% Número de graduandos 25% 20% 15% 10% 5% 0% 1º 2º 3º 4º 5º 6º Período/Anos cursados da graduação

Figura 1. Percentual de alunos em relação ao ano cursado.

Dentre os projetos que vêm sendo executados por alunos do Mestrado e Doutorado, destacam-se: • Efeito de cimento α-Fosfato Tricálcico e Plasma Rico em Plaquetas na Regeneração de Tecido Ósseo. • Estudo Comparativo Controlado entre a Transferência Terminolateral em Janela de Perineuro e a Transferência Terminolateral no Tratamento do Músculo Denervado. • Avaliação de Biopolímeros com Células-tronco. • Modelo Experimental em Ratos no Reparo Ósseo do Fêmur Utilizando Células-tronco Mononucleares no Plasma Rico em Plaquetas. • Comparação do Uso de Radiofrequencia X Hidrojet na redução do volume do disco intervertebral/ contagem de células em campo digital em coluna de porco(pig). • Estudo Prospectivo Randomizado da Integração de Enxertia de Gordura no Dorso da Mão (Após Lesões Nervosas): Comparação Entre o Método com Centrifugação Versus sem Centrifugação. • A Utilização do Cateter Central de Inserção Periférica no Ambiente Hospitalar. • Uso de Fluoresceína Sódica em Ressecção de Tumores da Base do Crânio para a Identificação de Nervos Cranianos. • Estudo Experimental da Utilização de Células-tronco nos Traumatismos Raqui-Medulares.

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Resultados Após sua criação em dezembro de 2008, observou-se um aumento significativo do número de pesquisadores envolvidos com os trabalhos. O provável motivo desse incremento na participação dos acadêmicos se dá pela maior visibilidade de divulgação das atividades que já vinham sendo desenvolvidas no Laboratório de Habilidades Médicas e Pesquisa Cirúrgica da PUCRS. A Liga de Pesquisa Cirúrgica visa ainda estabelecer parcerias, objetivando firmar convênios e associações com entidades públicas e privadas. Estes resultados apontam para uma grande aproximação entre os alunos de graduação e de pós-graduação, da PUCRS e de outras universidades, visando aperfeiçoar o desenvolvimento científico e a formação de parceiros de pesquisa, bem como a difusão de conhecimentos e consequentemente a qualificação acadêmica e profissional dos alunos das áreas da Ciência da Saúde. Referências Bibliográficas RAPINI, MS. Interação Universidade-Empresa no Brasil: Evidências do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Estud. econ., n.º 1 (37), p. 211-233, janeiromarço 2007. KRASILCHIK, M. Reformas e Realidade: o caso do ensino das ciências. São Paulo em Perspectiva, 14(1), p. 85-93, 2000. GRUPP, H. Spillover effects and science base of innovations reconsidered: an empirical aprroach. Evolutionary Economics, v. 6, p. 175-197, 1996. GODIN, B. Research and the practice of publication in industries. Research Policy, n.º 4 (25), p. 587-606, June 1996. MANSFIELD, E. Academic research and industrial innovation. Research Policy, n.º 1 (20), p. 1-12, February 1991.

ANÁLISE DO SALTO HORIZONTAL EM CONTEXTO INCLUSIVO

Boccardi Goerl, Daniela; Ms; Faculdade de Educação Física – PUCRS daniela.goerl@pucrs.br Resumo Este estudo investiga a influência de um programa de intervenção motora lúdica inclusiva na habilidade motora fundamental salto horizontal da criança com Síndrome do X-Frágil e da criança típica em contexto inclusivo, na faixa etária dos 05 aos 08 anos de idade. A abordagem qualitativa com um delineamento experimental do tipo estudo de caso foi utilizada. Treze crianças participaram da intervenção, sendo que duas crianças com os respectivos quadros clínicos acima citado constituíram do foco deste estudo. Para a análise da habilidade motora fundamental foi utilizado a Seqüência de Desenvolvimento proposto por Roberton e Halverson (1984). As informações coletadas respondem aos objetivos específicos da pesquisa que são: identificar, descrever e analisar o nível de desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais frente a um programa de intervenção motora lúdica inclusiva. A análise qualitativa dos resultados mostra que um programa de intervenção motora lúdica inclusiva propicia melhorias no desempenho motor das crianças com deficiência e um aperfeiçoamento das habilidades motoras da criança típica. O brincar foi um instrumento valioso neste estudo por que além de satisfazer as necessidades infantis, foi um recurso para minimizar a resistência à inclusão da criança com deficiência junto à criança típica, proporcionando novos referenciais motores a estes dois grupos de crianças. Os resultados desta pesquisa sugerem a necessidade de investir em contextos inclusivos que oferecem para todas as crianças oportunidades de trabalhar em cooperação, propiciando diversidade de experiências que promovem a aceitação mutua das diferenças.

Palavras-chave: salto horizontal, Inclusão, Intervenção Motora.

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Abstract This study investigated the influence of an inclusive ludic motor intervention program on the fundamental motor skills jump of children with mental disorder, Xfragile syndrome, Down syndrome, and children with typical development from 05 to 08 years of age. A qualitative approach using a case study experimental design was used. Thirteen children participated in the intervention; however, only four children with the clinical profiles cited above were focused on the present study. The Development Sequence, proposed by Roberton e Halverson (1984), was used to analyze the children’s motor skills performance. Collected information attempted in this research was to: identify, describe and analyze the fundamental motor skill level of development as a result of an intervention program with an inclusion approach. The qualitative analyses of results suggested that the inclusive ludic motor intervention program provided gains in the motor development of the disabled children and an enrichment of the motor skill abilities of the typical children. The playful environment was considered a powerful tool in the study because it fulfilled the needs of the young children and minimized the resistance to inclusion of the typical children to the disabled children. Overall, the intervention helped all children to build new motor and social references, regardless of disabilities. These results suggest that inclusive environments offer better opportunities to all children in working together, providing them with diversity experiences, which promote mutual acceptance of differences.

Keywords: Jump, Inclusive, Motor Intervention. Introdução Há uma escassez de estudos na área do desenvolvimento motor de indivíduos com deficiência, quando comparado a outras populações, onde situamos a pessoa deficiente apenas ao atendimento médico, fisioterápico, fonoaudiológico e terapêutico. Esquecemo-nos que a Educação Física também pode ser um fator altamente contribuinte para a otimização do potencial da pessoa com deficiência. Dessa forma, este trabalho centra-se no conceito de que o conhecimento e o pensamento corporal são em si mesmos, basicamente vivenciais e de que suas

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propriedades distintivas provém do caráter da ação. Acreditamos que somos um resultado vivo de todas as experiências e que a história de nossas vidas acontece de forma única e individual. O que ocorre, é um processo elaborativo que une o ser ao corpo, suas vivências e sua continuidade enquanto vida. Partindo deste pressuposto e reconhecendo que o trabalho das habilidades motoras e do fator interacional requerem uma condição vivencial, a pesquisa voltou seu olhar para a prática educacional com crianças com Síndrome do XFrágil e criança típica, e tem como questões: qual a influência de um programa de intervenção motora lúdica inclusiva na habilidade motora fundamental salto

horizontal da criança com Síndrome do X-Frágil e da criança típica, sob uma perspectiva de tomada de um novo referencial de movimento? Ao propor este estudo da análise dos mecanismos corporais escolhemos como instrumento a atividade do brincar em um meio inclusivo. Nosso pensamento insiste que, na atividade do brincar alguns mecanismos são possíveis de serem trabalhados, sem que se tornem extremamente autoritários e/ou inflexíveis, na qual o professor assume um papel de agente educativo conseguindo incidir sobre o aluno, auxiliando-o na construção de um conjunto de conhecimentos e, portanto, adquirindo uma série de aprendizagens relativas a uma determinada questão objetivada. A escolha do brincar como instrumento de trabalho vem do conceito de que nas brincadeiras as crianças reproduzem muito daquilo que experimentam na vida diária, contudo, isto vai além da mera reprodução, pois, pelo menos em parte, ela tende a se afastar destes modelos convencionais e a imprimir um toque pessoal às suas ações, criando um estilo individual. O brincar, possibilita à criança manifestar um progressivo desejo de ocupar um espaço, de desenvolver experiências e descobertas com seu corpo e utilizálo em um contexto natural através de uma crescente identificação e entendimento do mundo que a rodeia. Ter um corpo não é suficiente para estabelecer o equilíbrio com o meio, é preciso percebê-lo através do espaço construído, espaço de objetos e espaço social, e conectá-lo ao mundo de representações, de imagens e de símbolos. Aliado a atividade do brincar, optamos por uma situação inclusiva na busca de propiciar novos referenciais a criança com Síndrome do X-Frágil e a criança típica. Oportunizando um meio não segregado a criança com deficiência, sendo

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este não portador de um comprometimento grave, gera-se condições para uma aprendizagem mais próxima da "normalidade". Isto justifica-se pelo fato de que, na infância as crianças aprendem por imitação, e estando elas em um ambiente educacional com crianças típicas, apresentarão referenciais motores mais eficientes, e conseqüentemente, procurarão imitá-los, produzindo ações motoras muito próximas dos padrões esperados para sua faixa etária. Para Gallahue (2008) o desenvolvimento motor é definido como uma fase, ou processo, cronologicamente dependente, levando ao status máximo de maturidade de cada estrutura diferente. O desenvolvimento humano implica transformações contínuas que ocorrem através da interação dos indivíduos entre si e entre os indivíduos e o meio em que vivem. Castro (2005) relata que pesquisas demonstraram que o córtex motor exerce uma função determinante em todas as funções de aprendizagem, sendo as relações entre psicomotricidade e aprendizagem efetivamente inter-

relacionadas em termos de desenvolvimento psiconeurológico. Durante o crescimento e a maturação de uma criança, ocorrem grandes alterações no desenvolvimento motor típico, bem como no anormal. Segundo Cardona (2004), o desenvolvimento motor típico significa um desabrochar gradual das habilidades latentes de uma criança. Os movimentos iniciais mostram-se simples nos recém-nascidos, se alteram e tornam-se mais variados e complexos com o desenvolvimento. Estágio por estágio, as primeiras aquisições são modificadas, elaboradas e adaptadas para padrões e habilidades de movimentos mais finos e mais seletivos. Este processo continua por muitos anos, porém as alterações maiores e mais rápidas ocorrem nos primeiros 18 meses, tempo em que os marcos fundamentais e importantes são atingidos. Gimenez (2005) afirma que o desenvolvimento motor da criança com deficiência intelectual obedece à mesma seqüência evolutiva das fases de desenvolvimento da criança típica, porém de forma mais lenta. Para Gallahue (2008), a criança com deficiência intelectual também se desenvolve, mas em um ritmo mais vagaroso. Seu desenvolvimento, no entanto, não é somente retardado, mas segue um curso anormal.

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Objetivo Geral Investigar a influência de um programa de intervenção motora lúdica inclusiva na habilidade motora fundamental salto horizontal da criança com Síndrome do X-Frágil e da criança típica. Objetivos Específicos Identificar, descrever e analisar o nível de desenvolvimento da habilidade motora fundamental salto horizontal da criança com Síndrome do X-Frágil e da criança típica na faixa etária dos 05 aos 08 anos de idade, frente a um programa de intervenção motora lúdica inclusiva. Método Participantes Por tratar-se de um estudo de inclusão de crianças com deficiência e crianças típicas, optamos por analisar um caso específico de deficiência apresentado no programa de intervenção e um caso típico, com o propósito de verificarmos os ganhos motores da criança deficiente junto a criança típica. O programa compreendeu 10 (dez) crianças, sendo 01 (uma) com Síndrome do X-Frágil, 02 (duas) com Síndrome de Down e 07 (sete) típicos. Relativo à idade mínima, optamos por trabalhar com crianças a partir dos 05 (cinco) anos, em razão de que a brincadeira ainda estaria presente no universo destas crianças. A idade máxima foi estabelecida em 08 (oito) anos. Todos os participantes assumiram um termo de compromisso com a pesquisa e autorizaram a participação do seu filho no programa e eventual publicação dos dados obtidos. Material Foi utilizado a seqüência de desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais proposto por Roberton e Halverson (1984), instrumento que identifica os níveis de desenvolvimento para cada um dos componentes envolvidos na execução das habilidades de saltito em um pé, salto horizontal,

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arremesso sobre o ombro e recepção de um objeto. A análise ocorreu segmentariamente, ou seja, foi verificado o nível de desenvolvimento em cada um dos segmentos corporais (braços, pernas e tronco) através do registro do sistema de vídeo cassete. Com este procedimento foi possível reproduzir inúmeras vezes, em velocidade normal ou reduzida, a execução de um mesmo movimento. Considerando o nível de desenvolvimento apresentado em cada tentativa, foi estabelecida uma avaliação final para cada componente. O participante teve que ser consistente pelo menos em quatro tentativas no mesmo nível de desenvolvimento, como resultado da análise do componente. As observações indiretas representaram um importante reforço para a descrição do processo de desenvolvimento da habilidade motora do participante durante a aplicação do programa. A seqüência de desenvolvimento da habilidade salto horizontal consiste em dois componentes: o primeiro, refere-se ao componente pernas; e o segundo, refere-se ao componente braço. O experimento constou de duas avaliações, a primeira pré-intervenção e a segunda pós-intervenção, seguindo o mesmo protocolo que a anterior. Todos os participantes, individualmente, executaram sete tentativas em cada uma da habilidade de salto horizontal utilizando os mesmos equipamentos e protocolo de avaliação segundo o plano de observação proposto por Roberton e Halverson (1984). A orientação dada ao participante compreendeu informações a respeito do que deveria fazer em cada tentativa, sendo que foi enfatizado o início da atividade. A voz de comando “atenção - prepara - foi”, em todas as tentativas, indicou o momento de iniciar a ação motora. Implementação da intervenção motora O programa de intervenção motora foi construído a partir dos aspectos motores, com ênfase ao desenvolvimento de todas as habilidades e o direcionamento desta investigação baseou-se na atividade lúdica. Desta forma, as atividades possuíram metas para a realização de nossos objetivos e não foram selecionadas aleatoriamente. Consideramos os seguintes pontos durante a escolha das atividades: • o objetivo à que se propõe;

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• a apreciação da atividade pelo participante, associado ao seu grau de participação; • a formação de grupos ou à individualidade, respondendo ao caráter de socialização; • os movimentos envolvidos; • fornecimento de oportunidades à expressão da personalidade; • respeito as característica individuais do participante, ou seja, cada criança possui necessidades e potenciais diferentes, atitudes

diferenciadas, padrões de progresso diferentes e diferentes experiências. Mediante as características dos participantes estudados, procuramos estabelecer algumas condições de trabalho, tendo em vista, principalmente, a estes princípios (Seaman e Depauw, 1982 apud Rosadas, 1994:34): • progredir lentamente oferecendo-lhe primeiro atividades familiares; • dizer-lhe claramente como vai ser a atividade; • apresentar as idéias de forma lenta e com uma pequena quantidade de informações por vez; • prestar atenção ao seu nível de interesse em relação a atividade proposta; • usar exemplos concretos; • estabelecer metas que estejam de acordo com o seu desenvolvimento e que realmente possam ser alcançados, pois, "metas que mostrem-se desafiadoras, atingíveis, realistas e específicas tem um efeito benéfico na performance das pessoas, na qual a apresentação de metas realizáveis, servem para aumentar a qualidade da experiência da aprendizagem" (Schmidt, 2001:191); • basear os novos movimentos naqueles que haviam sido aprendidos anteriormente; • elogiar as tentativas e dar ênfase ao bom desempenho; • oferecer experiências que permitam cada aluno a participar. Resultados As informações coletadas a partir da análise das fitas de vídeo, referente as duas coletas, a primeira Pré-Intervenção e a segunda, Pós-Intervenção para

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os componentes perna e braço da habilidade salto horizontal estão apresentadas nos gráficos abaixo. Para o componente perna (gráfico 1) na habilidade motora fundamental salto horizontal, a criança A apresentou na Pré-Intervenção o nível 2; extensão do joelho primeiro ao impulsionar. No Pós-Intervenção, A passou para o nível 3; extensão simultânea dos joelhos e tornozelos ao impulsionar. A criança B apresentou o nível 2 na Pré-Intervenção para o componente perna na habilidade motora fundamental salto horizontal; extensão do joelho primeiro ao impulsionar. No Pós-Intervenção, B passou para o nível 3; extensão simultânea dos joelhos e tornozelos.

Gráfico 1: componente perna na habilidade motora fundamental salto horizontal

Para o componente braço (gráfico 2) na habilidade motora fundamental salto horizontal, a criança A apresentou o nível 2 na Pré-Intervenção; braços iniciam a ação do salto, durante o vôo movem-se para fora abrindo e permanecem na frente do corpo durante o agachamento. No Pós-Intervenção, A permanece no nível 2. Para o componente braço na habilidade motora fundamental, a criança B apresentou o nível 2 na Pré-intervenção; braços iniciam a ação do salto, durante o vôo movem-se para fora abrindo e permanecem na frente do corpo durante o agachamento. No Pós-Intervenção, B passou para o nível 3; braços iniciam o movimento, extensão dos mesmos nos momentos iniciais do vôo com flexão parcial.

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Gráfico 2: componente braço na habilidade motora fundamental salto horizontal

Discussão Os resultados demonstram que as crianças se encontravam nos níveis iniciais de aquisição, confirmando a afirmativa de que as crianças com deficiência apresentam atraso no seu desenvolvimento motor, configurando níveis

rudimentares para os componentes envolvidos em cada habilidade; e a criança típica, apresentando níveis muito próximos do padrão maduro para a habilidade. Da primeira para a segunda coleta, a análise dos dados demonstraram que as crianças evoluíram para estágios mais avançados, passando de níveis iniciais para níveis praticamente maduros do movimento. As alterações ocorridas nos componentes das habilidades motoras fundamentais, são vistas como reflexo dos fatores maturacionais; uma reconstrução do sistema nervoso, sendo que cada mudança de estágio representa a substituição de um antigo "programa" neural por outro programa (Roberton, 1984). O autor ainda refere que os níveis representam períodos no desenvolvimento que são caracterizados por determinados tipos de

comportamento que refletem um estado neural e, do tipo de processamento cognitivo que orientará uma determinada ação. Essa seqüência sucessiva de um estágio a outro, representa a passagem de um nível rudimentar de execução à níveis superiores. Roberton e Halverson (1984), abordam que as crianças circulam por estes níveis de formas diferenciadas, em que partes do corpo se desenvolvem diferentemente, não exatamente de forma linear, na qual podem ocorrer mudanças de um nível inicial para um nível mais avançado; e confirmam os pressupostos de Ferraz (1992), Copetti et al (1993) e Lopes (2001).

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Estas

mudanças

não

desenvolvem-se

apenas

pelo

processo

de

maturação, como também, ocorrem pela influência das experiências ambientais à que a criança está envolvida. Modificam-se por uma combinação de oportunidades para a prática, o encorajamento e a instrução em um ambiente sadio; condições essenciais para um bom desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais. Com o emprego da demonstração, verificou-se resultados mais efetivos, pois este continha mais informação a respeito da tarefa do que somente a descrição da mesma. O excesso de informação verbal acabava por tirar o interesse da criança pela atividade, pois a orientação verbal excessiva acabava por eliminar o caráter lúdico da atividade. Neste aspecto, fica comprovado que a ludicidade da tarefa modifica o desempenho da criança na execução da habilidade, pois o envolvimento lúdico gerou maior motivação para às atividades e, exercitou através das brincadeiras, a memória, a atenção e o desempenho mais eficiente das habilidades motoras fundamentais, porque as crianças queriam reproduzir exatamente as situações que estavam sendo imaginadas, participar do "faz-de-conta" com a melhor eficiência de suas ações. O salto com os dois pés; habilidade que requer o desempenho coordenado de todas as partes do corpo, trata-se de um padrão motor complexo, onde o impulso e o pouso são feitos com os dois pés. Para a otimização do salto, todas as partes do corpo encontram-se envolvidas, e é necessário a aplicação de força no componente pernas para se alcançar grandes distâncias. As crianças apresentaram grande predileção para execução desta habilidade, juntamente com a habilidade motora do arremesso. As dificuldades encontradas pelos participantes, relativo ao componente perna, foi quanto ao agachamento preparatório insuficiente; e relativo ao componente braço, uso impróprio dos mesmos associado a movimentos restritos. A falta de força dos membros inferiores para a execução do impulso, foi um agravante para o período inicial do programa; no entanto, propiciando à criança um trabalho para esta capacidade, à ela foi proporcionada uma melhor condição de realização da habilidade acima referida.

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Considerações finais Constatou-se que um programa de intervenção motora que une crianças com suas diferenças e utiliza o lúdico como meio de intervenção, é possível, sim; não estamos afirmando que o processo é fácil, é um processo extremamente difícil, que percorre inúmeras barreiras, mas é viável. Respeitadas as características de desenvolvimento, muitas das crianças que apresentam Síndrome do X-Frágil tem capacidade para atingir padrões motores maduros, se lhes derem oportunidade e tempo suficientes de prática. A falta de oportunidade de prática tem sido o motivo principal de entrave ao desenvolvimento motor esperado para a faixa etária dos seis aos onze anos, sendo verificado em alguns casos, regressão na qualidade de execução dos padrões motores. A prática de uma atividade motora deve proporcionar as crianças oportunidades que possibilitem um desenvolvimento do seu comportamento motor. Este desenvolvimento deve, através da interação entre o aumento da diversificação e complexidade, possibilitar a formação de estruturas cada vez mais organizadas, em que se alcançando um objetivo, novos objetivos são estabelecidos e este processo não termina, porque a criança busca o desenvolvimento máximo de todas as suas potencialidades. E, reportando-se ao aspecto da aprendizagem, a referência de um comportamento motor próximo ao maduro, representou um modelo mais eficiente de realização motora, uma fonte de informação visual para a criança com Síndrome do X-Frágil. Referências CARDONA MARTIN, Miguel. Incapacidade Motora: orientações para adaptar a escola. Porto Alegre: Artmed, 2004. CASTRO, Eliane Mauerberg de, Atividade Física Adaptada. São Paulo: Tecmedd, 2005. COPETTI, F. Nível de maturidade dos padrões fundamentais estabilizadores de crianças de seis anos do município de Agudo/RS. Santa Maria: UFSM/CEFD, 1993.

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GALLAHUE, David L. Educação Física Desenvolvimentista para todas as crianças. São Paulo: Phorte, 2008. GIMENEZ, Roberto. Atividade Física para Deficiência Mental. In: COSTA, Roberto Fernandes da, Atividade Física Adaptada. São Paulo: Manole, 2005. LOPES, K.A .T. Deficiência Física nas Aulas Regulares de Educação Física: prática viável ou não? Um estudo de caso. Revista Brasileira de Atividade Motora Adaptada: Curitiba, 2001. ROBERTON, M.A .; HALVERSON, L. Developing children: their changing movement. In: LOGSDON, B., ed. Physical education for children: a focus on the teaching process. Philadelphia, Lea & Fabiger, 1984. ROSADAS, S.C. Educação Física e Prática Pedagógica: portadores de deficiência mental. Vitória: UFES. Centro de Educação Física e Desportos, 1994. SCHMIDT, W. Aprendizagem e Performance Motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. 2 ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

A OFERTA DE MEDICAMENTOS DE QUALIDADE PARA A SOCIEDADE

Bender, Ana Lígia; PhD; Faculdade de Farmácia – PUCRS abender@pucrs.br Moriguchi-Jeckel, Cristina Maria; PhD; Faculdade de Farmácia – PUCRS cmjeckel@pucrs.br Thiesen, Flavia Valladão; PhD; Faculdade de Farmácia – PUCRS fvthiesen@pucrs.br Funck, José Aparício Brittes; PhD; Faculdade de Farmácia – PUCRS aparício.funck@pucrs.br Resumo O aumento do consumo de medicamentos pela população em geral é uma realidade global que reflete o crescente aquecimento do setor farmoquímico. Entretanto, a ausência de monitoramento de insumos no país, o desvio de qualidade das matérias-primas e o aumento da importação de insumos de países asiáticos clamava por medidas que pudessem oferecer garantia e segurança nos medicamentos oferecidos à população. Neste cenário, a criação do Laboratório Analítico de Insumos

Farmacêuticos representa um importante papel social tanto na qualificação de insumos empregados na produção de medicamentos quanto na formação de profissionais. Os procedimentos realizados no LAIF visam à segurança e à certificação de matérias primas nacionais e importadas para promover a qualidade dos medicamentos. Este laboratório, inserido no Parque Científico e Tecnológico (TECNOPUC) PUCRS, é resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica – ABIQUIF, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP e PUCRS.

Palavras-chave: qualidade.

insumos

farmacêuticos,

medicamentos,

certificação

de

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Introdução O Laboratório Analítico de Insumos Farmacêuticos é dotado de uma estrutura inédita na América Latina. Localizado no Parque Científico e Tecnológico da Universidade (Tecnopuc), o laboratório reúne equipamentos de última geração para caracterizar, avaliar e monitorar os insumos utilizados na produção de medicamentos. Com eles, é possível fazer a identificação de materiais, o teor e o grau de pureza, a verificação da presença de contaminação por metais pesados e a determinação do tamanho de partículas, entre outras análises. A correta caracterização das substâncias que fazem parte de todos os medicamentos é indispensável para assegurar a qualidade e a credibilidade destes produtos e, consequentemente, contribuir para a saúde da população. Além do diferencial de sua concepção, o LAIF se destaca pela extrema importância na formação de profissionais qualificados em nível nacional, a começar pelos acadêmicos. Este laboratório deve atender os laboratórios oficiais e a indústria privada, dando suporte as suas análises e produtos.

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Objetivos • Criar e viabilizar o laboratório analítico de insumos farmacêuticos na PUCRS, integrando-o ao TECNOPUC. • Dotar a PUCRS de capacidade para avaliação e caracterização de insumos farmacêuticos, contribuindo com subsídios para a certificação de matérias-primas farmacêuticas pela Farmacopéia Brasileira. • Apoiar ações da ABIQUIF -Associação Brasileira de Indústria

Farmoquímica – e fabricantes nacionais, no que tange à certificação de seus produtos. • Prestar serviço às indústrias farmacêuticas, públicas e privadas, na avaliação de insumos, monitoramento da qualidade e desenvolvimento de metodologias analíticas. • Apoiar ações da Farmacopéia Brasileira, elaborando monografias de especificações de insumos, caracterizando-os, inclusive, quanto à funcionalidade. • Oferecer infra-estrutura laboratorial, que sirva de suporte para Curso de Pós-Graduação na área de Farmácia, bem como amplie a produção científica na área. Descrição do Processo de Inovação O processo de inovação através dos serviços ofertados pelo LAIF pode ser descrito pelos impactos positivos causados em diferentes setores: Social: garante a qualidade dos insumos utilizados na área de farmoquímicos, os quais são consumidos pela população e a segurança dos medicamentos produzidos, através de respostas terapêuticas uniformes e controle dos riscos sanitários. Assegura o atendimento aos interesses estratégicos do Sistema Único de Saúde. Econômico: viabiliza as empresas farmoquímicas nacionais a competirem no mercado externo, com produtos apresentando padrões de especificação de qualidade. Científico: o desenvolvimento do LAIF cria condições para a geração de publicações científicas, bem como de patentes, ambas oriundas de pesquisas na área de insumos e metodologias analíticas.

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Resultados Obtidos O trabalho desenvolvido no LAIF tem contribuído para o desenvolvimento tecnológico e industrial do setor farmoquímico nacional, aumentando sua competitividade no mercado global e oferecendo garantia e segurança dos medicamentos utilizados no Brasil. O LAIF possibilita a articulação ensino-pesquisa-extensão, através do desenvolvimento de novas metodologias e articulação com programas de pósgraduação (pesquisa). Os alunos da Faculdade de Farmácia realizam aulas práticas e muitos alunos da graduação são bolsistas de Iniciação Científica neste laboratório (ensino). São oferecidos serviços qualificados a indústrias

farmacêuticas e a laboratórios públicos e está prevista a realização de cursos com foco em novas tecnologias (extensão). Considerações Finais O LAIF se constitui um verdadeiro centro de excelência e conhecimento, porque torna possível realizar no Brasil, aquilo que os próprios órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, solicita em termos de análise para os insumos farmacêuticos. Este laboratório estabelecerá parâmetros de qualidade que deverão ser seguidos por todos, fornecedores nacionais e estrangeiros. Isto favorecerá o desenvolvimento e a produção de outros insumos farmacêuticos pela indústria nacional, permitindo oferecer medicamentos de qualidade e baixo preço. Através do LAIF a Faculdade de Farmácia promove uma interação com a sociedade, a qual é de extrema importância, tanto do ponto de vista econômico como social. Referências Bibliográficas Um olhar sobre o mundo – Nº 77 – Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica Farmacopéia Brasileira IV Ed. www.anvisa.gov.br

EFEITO DA MODIFICAÇÃO DO ESTILO DE VIDA SOBRE OS FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR QUE COMPÕEM OS CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME METABÓLICA, MARCADORES INFLAMATÓRIOS E BALANÇO AUTONÔMICO: UM ESTUDO RANDOMIZADO

Feoli, Ana Maria Pandolfo; Dra.; FAENFI – Curso de Nutrição – PUCRS; anafeoli@pucrs.br Macagnan, Fabrício Edler; Dr.; FAENFI – Curso de Fisioterapia – PUCRS; fmacagnan@pucrs.br Schmitt, Virgínia; Dra.; - Curso de Farmácia - FFARM – PUCRS Bregeiron; Márcia Koja; Dra. – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Antunes, Maria Terezinha; Dra. – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre A principal característica inovadora desse estudo é a integração da pesquisa com o ensino e a assistência. O objetivo do estudo é verificar o efeito da associação da intervenção nutricional à suplementação de ácidos graxos ômega3 e à prática regular de exercício físico sobre os fatores de risco cardiovascular que compõem a síndrome metabólica. Os voluntários foram acompanhados por 3 meses. Ao longo do estudo a circunferência abdominal, o peso corporal, os hábitos alimentares, o perfil lipídico, os marcadores inflamatórios, a variabilidade da freqüência cardíaca, a capacidade funcional e a qualidade de vida foram avaliados antes e após a participação do programa. Os resultados mostram que independente do tipo de intervenção todos os voluntários reduziram peso, IMC, circunferência abdominal e glicose de jejum. No entanto, os voluntários que participaram do programa de exercício físico apresentaram um benefício adicional com redução da insulina, pressão arterial sistólica e aumento na capacidade funcional. Estes resultados não acrescentam apenas subsídios às ações já existentes de medidas preventivas e de tratamento das doenças crônicas não transmissíveis, mas evidenciam a importância do atendimento, acompanhamento, adesão ao tratamento e da atuação integrada da equipe de saúde garantindo melhora na qualidade de vida e a preocupação com o viver saudável. Palavras-chave: síndrome metabólica, estilo de vida, risco cardiovascular.

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Introdução A principal característica desse estudo, identificada aqui como sendo inovadora, foi a forma pela qual estruturamos a ação integradora da pesquisa com o ensino e a assistência. Em 2006 um grupo de professores da Faculdade da Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia FAENFI desenvolveu uma proposta de estudo sobre modos de vida saudáveis. Essa proposta recebeu aporte de recursos de agências federais e estaduais de fomento à pesquisa (CNPq e FAPERGS) e conta com o apoio da PUCRS (estrutura física,

horas/pesquisadores e bolsas de iniciação científica - BPA). Além desses órgãos de fomento públicos, várias empresas detectaram a oportunidade de investir em pesquisa. Dentre elas, a Herbarium, Laboratórios Colbrás e Relthy, Ritter Alimentos e Uniagro. Nesse sentido, o esforço conjunto da instituição de ensino superior apoiando pesquisadores e alunos compõem o ambiente ideal para experimentar novas abordagens terapêuticas, propostas de novos procedimentos, que, pela riqueza de detalhamento e empenho do grupo, foi capaz de atrair investimentos do setor privado. Uma área onde até então, poucas empresas privadas têm alocado recursos para a prevenção. Com o amadurecimento do grupo envolvido na medida em que o estudo foi se desenvolvendo, constituiu-se uma nova uma linha de pesquisa denominada Vigilância, Gestão, Trabalho e Educação em Saúde a qual integrada está ao Grupo Interdisciplinar de Pesquisas e Estudos em Promoção e Vigilância da Saúde (GIPEPROVIS) da

FAENFI/PUCRS. É nesse sentido que se detecta a característica inovadora desse projeto, pois os resultados pretendem acrescentar subsídios às ações já existentes de medidas preventivas e de tratamento das doenças crônicas não transmissíveis relacionadas com obesidade e sedentarismo. Levando-se em consideração não apenas os marcadores de risco cardiovascular, mas a ação integrada de diferentes profissionais da área da saúde, que em conjunto somam esforços para garantir, além da melhora da saúde, a melhora da qualidade de vida da população. Os indicadores de sucesso do programa de modificação do estilo de vida proposto nesse estudo estão relacionados com o controle da Síndrome Metabólica. Dessa forma, a normalização, de um ou mais, dos fatores de risco

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que compõe os critérios de diagnóstico adotados pela Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Além de testar as orientações propostas pela Diretriz Brasileira, nosso estudo propõe monitorar o atendimento, acompanhamento, adesão ao tratamento e da atuação integrada da equipe de saúde garantindo melhora na qualidade de vida e a preocupação com o viver saudável. Fundamentação Teórica A síndrome metabólica (SM) é uma condição clínica definida pela associação de alguns fatores de risco cardiovascular, que, quando presentes, aumentam uma vez e meia a mortalidade geral e duas vezes e meia a mortalidade por causas cardiovasculares1-3. Grandes estudos têm demonstrado que a SM está intimamente ligada à deposição de gordura visceral e à resistência à insulina4. Segundo a Diretriz Brasileira, o tratamento da SM consiste basicamente em modificar os fatores de risco cardiovascular, como a redução de peso, da circunferência abdominal, a normalização da dislipidemia, a redução da pressão arterial sistêmica (PAS) e a melhora do controle glicêmico. Associado às estratégias farmacológicas para o tratamento da SM, a prática de exercício físico regular e a modificação de hábitos alimentares desempenham papel central no tratamento e prevenção da SM 5. Há muito tempo se observa que a manutenção de uma alta capacidade física atua favoravelmente sobre os fatores de risco cardiovascular,

principalmente aqueles ligados à SM, como sensibilidade à insulina e a redução na incidência de diabetes tipo 2 e doença arterial coronariana (DAC)6,7. Além da melhora da dislipidemia e da redução da pressão, indivíduos obesos podem se beneficiar com a prática de exercício físico regular pela redução dos marcadores inflamatórios, relacionados à obesidade central8. Espósito et al. (2003)9,

demonstraram o efeito antiinflamatório da mudança no estilo de vida, da dieta estilo Mediterrâneo e de programas de exercício físico. Após dois anos de acompanhamento, a mudança no estilo de vida de mulheres obesas reduziu o índice de massa corporal e as concentrações plasmáticas de IL6, IL18 e proteína C reativa (PCR), com concomitante aumento da adiponectina. O aumento nas

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concentrações plasmáticas de adiponectina reduz o risco de infarto do miocárdio (IAM), explicada em parte pela redução plasmática dos lipídios, marcadores inflamatórios e melhora do perfil glicêmico10. Objetivo Avaliar o efeito da suplementação de ácidos graxos ômega-3 e da prática regular de exercício físico associados a uma intervenção nutricional sobre os fatores de risco cardiovascular que compõem os critérios de diagnóstico da síndrome metabólica. Além disso, avaliamos os hábitos alimentares (índice de qualidade da dieta), perfil antropométrico, marcador Inflamatório (PCR-us), balanço autonômico, capacidade funcional e qualidade de vida. Descrição do Processo de Inovação Desenvolvido e Resultados Obtidos Método Este é um ensaio clínico randomizado controlado por placebo que estuda os benefícios da modificação do estilo na SM. Os voluntários que entraram em contado após a divulgação em mídia impressa foram selecionados conforme os seguintes critérios: ter entre 30 e 59 anos de idade com três (03) ou mais dos seguintes achados a) circunferência abdominal: ≥ 88 cm para mulheres e ≥ 102 cm para homens; b) pressão arterial: sistólica ≥ 130 mmHg e diastólica ≥85 mmHg; c) glicose de jejum: ≥ 100 mg/dl; d) triglicerídeos: ≥ 150 mg/dl; e) HDL colesterol: ≤ 40 mg/dl para homens e ≤ 50 mg/dl para mulheres. Foram excluídos do estudo os indivíduos que apresentarem uma (01) ou mais das seguintes situações: a) contra-indicação absoluta para atividade física por problemas músculo-esqueléticos, neurológicos, vasculares (claudicação intermitente),

pulmonares e cardíacos; b) uso de hipolipemiantes; c) indivíduos não sedentários (30 min duas ou mais vezes por semana); d) difícil contato e incapacidade de retorno e acompanhamento. Descrição dos grupos Os indivíduos aptos foram convidados a participar do estudo e receberam, individualmente, as informações referentes aos procedimentos aos quais seriam

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submetidos (através do consentimento livre e esclarecido previamente aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da PUCRS- CEP). Após a avaliação inicial os participantes foram randomizados em quatro grupos conforme descrito abaixo: 1. Grupo Intervenção Nutricional (IN): Neste grupo os integrantes foram submetidos à intervenção nutricional e à administração de placebo (1g/dia de óleo mineral) durante três meses. 2. Grupo Intervenção Nutricional + Suplementação Ômega-3 (INS3): Neste grupo os integrantes foram submetidos à intervenção nutricional e à administração de suplemento de ácidos graxos Ômega-3 (1 grama/dia) pela ingestão de 3 cápsulas de óleo de peixe por dia

durante três meses. 3. Grupo Intervenção Nutricional + Exercício (INE): Neste grupo os integrantes foram submetidos à intervenção nutricional e à

administração de placebo (1g/dia de óleo mineral) associado a um programa de exercício físico durante três meses. 4. Grupo Intervenção Nutricional + Exercício + Suplementação Ômega-3 (INES3): Neste grupo os integrantes foram submetidos à intervenção nutricional e à administração de suplemento de ácidos graxos Ômega-3 (1 grama/dia) pela ingestão de 3 cápsulas de óleo de peixe por dia durante três meses. Intervenção Nutricional A intervenção nutricional consistiu da orientação de um plano alimentar individualizado e de reconsultas quinzenais. Em cada uma das reconsultas abordavam-se temas sobre alimentação saudável, como: rotulagem de alimentos; gorduras trans; alimentos funcionais; pirâmide dos alimentos; consumo de sódio; programa 5 ao dia; substitutos alimentares; entre esclarecimentos de dúvidas. A monitorização da dieta consistia de um inquérito recordatório de 24 horas e da investigação das dificuldades encontradas pelo paciente para a adesão das combinações realizadas na consulta anterior, bem como, do seguimento do plano alimentar proposto. O plano alimentar está baseado nas recomendações da Diretriz Brasileira para o Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica5.

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A avaliação nutricional, que consistia de aferição do peso, circunferência abdominal (CA) foi realizada no início e ao final de três meses de acompanhamento. O consumo alimentar foi medido pelo método recordatório de 24 horas e registro alimentar de dois dias. As medidas caseiras foram convertidas em gramas e mililitros e a quantificação dos nutrientes foi feita mediante programa computadorizado da Escola Paulista de Medicina utilizando a Tabela de Composição Química de Alimentos Brasileira (TACO). A qualidade da dieta foi avaliada pelo Índice de Qualidade da Dieta (IQD). O Índice de Qualidade da Dieta (Healthy Eating Index) proposto por Kant11 foi considerado pela American Dietetic Association um instrumento adequado para medir a qualidade global da alimentação na população. Este instrumento é constituído por 10 componentes, sendo que seis medem o grau de adequação do consumo de cada um dos cinco principais grupos de alimentos (Cereais, pães, tubérculos e raízes; verduras e legumes; frutas; leite e produtos lácteos; carnes, ovos e feijão), outros quatro medem a ingestão de gordura total, de gordura saturada, de colesterol e de sódio, respectivamente, e o último mede a variedade da dieta. Todos os componentes foram avaliados e pontuados de zero a dez, sendo que os valores intermediários foram calculados proporcionalmente ao consumido. A avaliação é feita através de escores: Abaixo ou igual a 40 pontos: Dieta Inadequada; Entre 41 e 64 pontos: Necessita de modificação; Superior a 65 pontos: Dieta Saudável. Avaliação da Capacidade Funcional A capacidade funcional foi determinada pela estimativa do consumo máximo de oxigênio. Para essa estimativa utilizamos a máxima velocidade e a máxima inclinação tolerada pelos voluntários no teste incremental de membros inferiores. Esse teste foi realizado em uma esteira ergométrica programada para elevar ambos, velocidade e inclinação, a cada 03 minutos. O teste era interrompido a pedido do paciente ou na vigência de algum sinal/sintoma de alteração cardiopulmonar. Durante o teste foram avaliadas a PA, FC, escala de esforço percebido, ECG e oximetria de pulso.

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Programa de exercício físico A sessão de atividade física foi realizada em esteira por 30 minutos contínuos, 3 vezes por semana, com uma intensidade de 60% a 70% da FC máxima avaliada no teste incremental de membros inferiores, conforme preconizado na Diretriz Brasileira5. Durante as sessões de exercício físico, a equipe da fisioterapia monitorava constantemente a PA, FC, escala de esforço percebida e oximetria de pulso. Tanto a velocidade quanto a inclinação foram constantemente ajustadas a fim de manter a FC dentro do alvo de treinamento. Marcadores Bioquímicos Duas coletas de sangue foram realizadas, uma na avaliação inicial e outra ao final do programa, após três meses. Os marcadores bioquímicos de risco cardiovascular como glicemia de jejum, perfil lipídico, insulina e proteína C-reativa foram analisado no laboratório de análises clínicas do HSL enquanto que os marcadores inflamatórios (IL-6, IL-10, PCR e TNFα) foram analisados nos laboratórios da faculdade de farmácia. Qualidade de Vida A qualidade de vida também foi avaliada no início e ao final do estudo. Essa avaliação foi realizada através do questionário SF-36, o qual é subdividido em 08 domínios: capacidade funcional (CF), aspecto físico (AF), vitalidade (V), dor (D), aspecto social (AS), aspecto emocional (AE), aspecto de saúde mental (ASM) e estado geral de saúde (EGS). Esse instrumento foi aplicado pelos enfermeiros envolvidos no projeto12. Resultados Parciais A análise dos resultados de 62 pacientes (tabela 1) mostra que as intervenções realizadas proporcionaram redução dos fatores de risco

cardiovasculares que compõem o diagnóstico da Síndrome Metabólica. Fatores de Risco Cardiovasculares: Observamos que todos os grupos apresentaram redução significativa do peso, IMC e da circunferência abdominal. Os grupos INE e INSE3 apresentaram redução significativa de Colesterol Total e

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Triglicerídeos. Observou-se também que houve redução, ainda que não significativa, nos demais fatores de risco (glicose, colesterol total, triglicerídios, HDL-colesterol PAS e PAD), em todos os grupos. Índice de Qualidade da Dieta: O índice de qualidade da dieta (IQD) foi avaliado antes e após a intervenção (tabela 2). Observa-se a melhora significativa dos hábitos alimentares dos participantes da pesquisa. No momento préintervenção a média do IQD apresentava uma classificação “necessita de modificação” (escore = 55,96) e após os três meses de intervenção a classificação evoluiu para “Dieta Saudável” (escore = 72,74). As principais alterações observadas foram: adequação da quantidade de lipídios ingeridos, adequação do consumo de frutas maior variedade da dieta. Qualidade de vida: Observamos que o programa de modificação do estilo de vida foi capaz de melhorar significativamente os domínios CF, EGS e AE, como podemos notar pela diferença percentual entre os relatos obtidos no início e ao final do programa: CF (19% e 9%; P=0,001), EGS (9% e 9%, P=0,007) e AE (45% e 15%; P=0,012) respectivamente nos grupos INE e IN. Contudo, os voluntários do grupo INE relataram melhora significativa em relação ao grupo IN nos domínios AF (45% vs 13%; P=0,001), V (34% vs 9%, P=0,005), D (24% vs 2%, P=0,020), AS (35% vs 1%, P=0,007), ASM (26% vs 7%, P=0,025). O programa de modificação do estilo de vida altera benéfica e significativamente os relatos de avaliação subjetiva da qualidade de vida (SF-36) sendo que nos voluntários que participaram do programa de exercício físico houve relato de melhora adicional em relação AF, V, D, AS e EGS. Em contrapartida, ambos os grupos demonstraram melhora efetiva no domínio estado geral de saúde, sendo que, no grupo INE a melhora foi significativamente maior.

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Tabela. 1. Efeito da mudança do estilo de vida sobre os fatores de risco cardiovascular que compõem os critérios de diagnóstico para Síndrome Metabólica.
IN INS3 INE INSE3

Pré (n=16)
Peso (kg) IMC (kg/m2) CA (cm) Glicose mg/dl) CT (mg/dl) TG (mg/dl) HDL – col PAS (mmHg) PAD (mmHg) 83±12,1 32,6±3,4 103,7±7,7 98,7±9,6 255,3±77,3 263,8±178,3 45,5±8,5 133,4±18 82,1±11,8

Pós (n=13)
80± 13 31±4 100±8 93±8 234±55 250±184 44±10 125±13 78±7

p
0,00* 0,00* 0,01* 0,08 0,21 0,15 0,60 0,13 0,11

Pré (n=21)
87,4±13,6 33,5±4,1 108,6±10,6 111,5±33,6 226,1±41,2 192,4±83,5 44,5±11,5 129,7±15,1 83,1±14,8

Pós (n=16)
83,8±12 32±3,9 104,4±10,6 100,6±14,5 224,5±50,8 178,1±75,4 42,3±9,1 124,1±17,3 79,2±12,2

p
0,00* 0,00* 0,01* 0,11 0,19 0,08 0,53 0,43 0,88

Pré (n=16)
85,3±13 32,4±5 102±9,5 113,6±63,5 229,9±45 186,5±87,1 46,3±11,4 132,8±18,3 83,7±8,1

Pós (n=16)
80,6±13,1 30,6±4,9 96,7±10,6 96,3±22,3 217,8±31,9 149,4±81,6 44,1±9,3 125,5±17 81,3±8,8

p
0,00* 0,00* 0,00* 0,18 0,14 0,04* 0,41 0,07 0,31

Pré (n=20)
93,6±13,4 34,2±4 110,2±6,3 102,8±25,7 210,6±29,6 212,4±83,6 42,5±9,1 128,3±11 81,7±9,5

Pós (n=17)
88,2±13,4 33,3±4,1 105,4±8,4 101,8±23,7 207,6±37,2 160,7±67,5 44,7±8,1 118,9±15,6 77,8±7,5

p
0,00* 0,00* 0,00* 0,26 0,03* 0,00* 0,54 0,08 0,13

Os dados estão expressos em média ± desvio padrão. *P < 0,05 quando comparados com valores pré-intervenção. Abreviaturas: IN = Grupo Intervenção Nutricional; INS3 = Grupo Intervenção Nutricional + Suplementação Ômega-3; INE = Grupo Intervenção Nutricional + Exercício; INES3 = Grupo Intervenção Nutricional + Exercício + Suplementação Ômega-3; IMC= índice de massa corporal; CA= circunferência abdominal; CT = Colesterol Total; TG = triglicerídios; HDL- col= HDL colesterol; PAS= pressão arterial sistólica; PAD = pressão arterial diastólica;. Tabela 02. Efeito da mudança do estilo de vida sobre o Índice de Qualidade da Dieta (IQD).
IQD Pré-Intervenção (n=44) Escore numérico Classificação 55,96±14,46 Necessita de Modificação Pós-Intervenção (n=29) 72,74±13,08* Dieta Saudável 0, 0001 p

Os dados estão expressos em média ± desvio padrão. *P < 0,05 quando comparados com valores pré-intervenção. Observação: Os dados sobre a qualidade da dieta ainda estão em processo de análise. Isto justifica a diferença do n pré e pós intervenção.

Considerações Finais Nossos dados, ainda que parciais, corroboram resultados da literatura em que a modificação do estilo de vida resulta em redução dos fatores de risco cardiovascular que compõem os critérios de diagnóstico para Síndrome Metabólica. Observou-se também uma melhora dos hábitos alimentares dos participantes do estudo. Ressalta-se ainda como resultados positivos do estudo a grande integração entre a equipe: pesquisadores, acadêmicos e bolsistas. Avanço no grau de informação de fonte bibliográfica referente ao tema e, principalmente, a satisfação demonstrada pela maioria dos voluntários

participantes do estudo, com os benefícios recebidos.

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É importante salientar que por tratar-se de um estudo randomizado e com rigorosos critérios de inclusão, os grupos estão sendo formados aleatoriamente e por este motivo os grupos apresentam um número de participantes ainda heteregêneo. Até o momento, contamos com a participação de 62 voluntários distribuídos nos 4 grupos. Cabe salientar que os critérios de inclusão rigorosos estão dificultando a captação dos 120 participantes planejados pelos

pesquisadores, mas por outro lado, este rigor metodológico garante atingir aos objetivos do trabalho. O grupo de pesquisadores está buscando estratégias para atender ao número estimado de participantes, dentre elas: divulgação da pesquisa em meios de comunicação e parceria com a rede básica de saúde. Destaca-se a contribuição desse estudo para a formação do profissional de saúde e participação de todos na melhoria da saúde. Referências 1) Lakka HM, Laaksonen DE, Lakka TA, Niskanen LK, Kumpusalo E, Tuomilehto J, Salonen JT. The metabolic syndrome and total and cardiovascular disease mortality in middle-aged men. JAMA. 2002;288(21):2709-16. 2) Ford ES, Giles WH, Mokdad AH. Increasing prevalence of the metabolic syndrome among u.s. Adults. Diabetes Care. 2004; 27(10):2444-9. 3) Girman CJ, Rhodes T, Mercuri M, Pyorala K, Kjekshus J, Pedersen TR, Beere PA, Gotto AM, Clearfield M; The metabolic syndrome and risk of major coronary events in the Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S) and the Air Force/Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study. Am J Cardiol. 2004;93(2):136-41. 4) Girman CJ, Rhodes T, Mercuri M, Pyorala K, Kjekshus J, Pedersen TR, Beere PA, Gotto AM, Clearfield M; 4S Group and the AFCAPS/TexCAPS Research Group. The metabolic syndrome and risk of major coronary events in the Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S) and the Air Force/Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study (AFCAPS/TexCAPS). Am J Cardiol. 2004 Jan 15;93(2):136-41. 5) Diretriz Brasileira para diagnóstico e tratamento da síndrome metabólcia. Hipertensão 2004; 7(4): 121-163. 6) Franks PW, Ekelund U, Brage S, Wong MY, Wareham NJ. Does the association of habitual physical activity with the metabolic syndrome differ by level of cardiorespiratory fitness? Diabetes Care. 2004 May;27(5):1187-93. 7) Lee S, Kuk JL, Katzmarzyk PT, Blair SN, Church TS, Ross R.

Inovação, Universidade e Relação com a Sociedade: Boas Práticas na PUCRS

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Cardiorespiratory fitness attenuates metabolic risk independent of abdominal subcutaneous and visceral fat in men. Diabetes Care. 2005 Apr;28(4):895-901. 8) Pischon T, Hankinson SE, Hotamisligil GS, Rifai N, Rimm EB. Leisure-time physical activity and reduced plasma levels of obesity-related inflammatory markers. Obes Res. 2003 Sep;11(9):1055-64. 9) Esposito K, Pontillo A, Di Palo C, Giugliano G, Masella M, Marfella R, Giugliano D. Effect of weight loss and lifestyle changes on vascular inflammatory markers in obese women: a randomized trial. JAMA. 2003; 289(14):1799-804. 10) Pischon T, Girman CJ, Hotamisligil GS, Rifai N, Hu FB, Rimm EB. Plasma adiponectin levels and risk of myocardial infarction in men. JAMA. 2004 Apr 14;291(14):1730-7. 11) Kant AK. Indexes of overall diet quality: a review. J Am Diet Assoc 1996; 96(8):785-91. 12) Cicconeli R. M. et al. Tradução para língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol. São Paulo. v.39, n.3, p.143:150. Maio-Junho,1999.

BOAS PRÁTICAS NAS CIÊNCIAS EXATAS

PRÁTICA DE ENSINO EM AMBIENTES NÃO-FORMAIS DE EDUCAÇÃO: UM PROJETO SOCIAL QUE ENVOLVE DOCÊNCIA E PESQUISA

TEACHING PRACTICE IN NON FORMAL ENVIRONMENTS : A SOCIAL PROJECT INVOLVING INSTRUCTION AND RESEARCH

Santos, Monica Bertoni dos; MS; FAMAT- PUCRS bertoni@pucrs.br Resumo O presente artigo relata o desenvolvimento de um projeto que tem sido realizado desde 2004/2 cujo objetivo é inserção profissional de licenciandos do Curso de Licenciatura Plena em Matemática da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Numa parceria com a Pequena Casa da Criança, reconhecida sociedade filantrópica de Porto Alegre, em um ambiente não-formal de educação, são ministrados módulos de Matemática para os adolescentes que participam do Programa Adolescente Aprendiz em Serviços Bancários e Administrativos, coordenado pela referida entidade. A cada semestre, os licenciandos desenvolvem com dois grupos de adolescentes, um trabalho que se caracteriza pela construção coletiva de conhecimento. A cada ano, os objetivos específicos do projeto têm refletido a busca de metodologias e recursos inovadores para o ensino e a aprendizagem de Matemática.

Palavras-chave: educação não-formal, docência, pesquisa. Abstract The present article exposes the development of a Project that has been realized since 2004/2, in a join work with the “Small House of the Child”, a well known philanthropic society of Porto Alegre City. The main idea of this project is the professional insertion of the students of the Docent Math Course of PUCRS. In a non formal educational environment, the teenager participants of the “Bank and Administrative Service’s Teenager Apprentice” program, coordinated by the

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referred society, are presented to Math modules. At each semester, the Math students work with two groups of teenagers, using the collective construction of the knowledge. Every years, the specific objectives of this project have been reflected the search of new methodologies and innovational resources to the teaching and learning in Math sciences.

Keywords: non formal environment, instruction and research. Introdução Nas disciplinas de Metodologia A e B, de Prática de Ensino e de Estágios Supervisionados do Curso de Licenciatura Plena em Matemática da Faculdade de Matemática (FAMAT) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), temos desenvolvido ações de pesquisa e ensino que pretendemos sejam inovadoras e que denominamos Projeto de Inserção de Licenciandos de Matemática no Campo Profissional, cujo objetivo geral é proporcionar aos futuros professores, em sua formação inicial, uma visão da realidade do ensino em que vão atuar. A cada ano, de acordo com o local e as características das ações realizadas, são formulados os objetivos específicos. A partir do segundo semestre de 2004, o Projeto tem se desenvolvido junto ao Programa Adolescente Aprendiz em Serviços Bancários e Administrativos, promovido pela Pequena Casa da Criança de Porto Alegre, uma das mais tradicionais instituições filantrópicas do Rio Grande do Sul. O Programa, uma das ações educacionais de profissionalização promovidas pela entidade, oferece um espaço de educação não-formal que proporciona aos licenciandos que dele participam, a oportunidade de conhecer a realidade dos alunos de Ensino Fundamental e Médio e de realizar um trabalho coletivo, de pesquisa e ensino e de desenvolvimento social. Ao longo destes dez semestres em que se desenvolveu junto ao Programa Adolescente Aprendiz em Serviços Bancários e Administrativos, o projeto contou com a participação de licenciandos de matemática e de adolescentes, alunos de escolas públicas, sendo que, nos anos 2006, 2007, 2008 e 2009, tem contado, também, com a participação de um aluno bolsista de Iniciação Científica.

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As situações de aprendizagem organizadas e desenvolvidas pelos licenciandos, ao longo deste tempo, foram sendo avaliadas, reformuladas e reaplicadas, constituindo um acervo, organizado em Unidades de Aprendizagem. Com isso, em 2009, um dos objetivos específicos do Projeto é a criação de um ambiente virtual com o propósito de divulgar este acervo, o que poderá possibilitar a interação com adolescentes que participam de programas semelhantes realizados no interior do Estado do Rio Grande do Sul, com a supervisão da Pequena Casa da Criança, bem como seus responsáveis. Objetivos e Justificativa do Projeto de Inserção de Licenciandos de Matemática no Campo Profissional O objetivo geral do Projeto é proporcionar aos alunos de Licenciatura Plena em Matemática da PUCRS sua inserção na vida profissional, tendo a oportunidade de desenvolver uma ação pedagógica de cunho social que se caracterize pela pesquisa, pelo ensino e pelo trabalho de equipe. Ao participar do projeto, pretende-se, ainda, que os licenciandos, num ambiente não-formal de educação, possam desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe, de compartilhar tarefas, de liderar, de pesquisar, de planejar e preparar suas aulas, de elaborar e aplicar instrumentos de avaliação, de coletar e analisar dados e de elaborar relatórios, atuando como professores reflexivos e pesquisadores, desenvolvendo seus saberes docentes, contribuindo para que seus alunos tenham reais experiências de aprendizagem e de construção da cidadania. Nosso intuito a cada ano, ao idealizar o Projeto de Inserção do Licenciando de Matemática no Campo Profissional é proporcionar aos licenciandos vivências inovadoras que lhes confiram uma gama de experiências e a possibilidade de construir saberes docentes nos dois eixos em torno dos quais se efetiva essa construção: o afetivo e o cognitivo. Segundo Santos (2004):
Para cada um deles, entendemos dois domínios de construção dos saberes docentes. Ao eixo cognitivo, atribuímos a construção dos saberes da ciência, que chamaremos de disciplinares, e dos saberes da ação docente, que chamaremos da prática. No eixo afetivo, visualizamos que a construção dos saberes transita por um domínio pessoal, que chamaremos de intrapessoal, e outro

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social, que chamaremos de interpessoal, muito relacionados, mas distintos.(p.265).

Assim, além das aulas na Universidade, com todos os recursos que aí são oferecidos, experiências diversificadas proporcionadas ao longo da formação inicial, que envolvem diferentes situações de ensino e aprendizagem do tipo formal e não-formal de educação, em espaços escolares e não-escolares, fazem parte da formação docente. Experiências na educação formal desenvolvidas em espaços escolares são proporcionadas aos licenciandos de Matemática na medida que, ao longo do Curso, há quatro estágios obrigatórios que são realizados em escolas de ensino fundamental e médio. Com isso, a oportunidade de, em parceria com a Pequena Casa da Criança de Porto Alegre, trabalhar com jovens adolescentes em um espaço não-formal de educação, indicou-nos um caminho para proporcionar aos licenciandos o conhecimento de diferentes realidades sociais e escolares e, ao mesmo tempo, a vivência de uma prática pedagógica que permitisse a elaboração e a avaliação de situações de ensino e aprendizagem, que se caracterizassem por um trabalho de pesquisa e de prática de ensino, visando ao desenvolvimento social. Segundo Park, Fernandes e Carnicel (2007),
O papel da universidade e dos trabalhos de pesquisa é pensar a realidade sob novos ângulos, de forma crítica e consciente, e propor intervenções reflexivas e práticas, preocupando-se, também com a formação de futuros educadores; é dialogar com quem já está na prática e formular questões e discussões para um público interessado em problemáticas da atualidade que nos tocam e envolvem de perto (p.27).

A partir disso, tais pesquisadores afirmam que, seus trabalhos “nos últimos anos tem demonstrado uma preocupação com a construção do conhecimento nos mais diversos segmentos: educadores que já estão nos espaços não-formais e formais, com públicos freqüentadores e com pesquisadores” ( p.27). Então, em nosso planejamento pedagógico, passamos a realizar com os licenciandos da FAMAT, os Projetos anuais em parceria com a Pequena Casa da Criança junto ao Programa Adolescente Aprendiz em Serviços Bancários e Administrativos, organizando e ministrando módulos de Matemática para os

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adolescentes que dele participam, aos sábados de manhã, durante doze sábados por semestre. Considerando a educação como elemento importante e relevante na construção da cultura, fica clara a importância dada à relação educacional em interface com ações culturais e sociais que acontecem em ambientes educacionais não-escolares, que caracterizam uma educação do tipo não-formal, para a construção dos saberes docentes dos futuros professores de Matemática. Nosso entendimento do termo educação não-formal pressupõe uma complementaridade ao sistema formal-escolar na perspectiva de ampliar experiências escolares, contando com uma flexibilidade tanto nos conteúdos programados quanto na sua abordagem, nas metodologias utilizadas, nos tempos previstos, o que, de maneira nenhuma, dispensa a existência do planejamento que, certamente, tem incluído objetivos, conteúdos, recursos e procedimentos relacionados às situações de aprendizagem, cuidadosamente organizadas e avaliadas. Afonso (1989), citado por Fernandes e Park (2007), assim aponta as diferenças entre o formal e o não-formal:
[...] por educação formal entende-se o tipo de educação organizada com uma determinada seqüência (prévia) e proporcionada pelas escolas , enquanto a designação não-formal, embora obedeça a uma estrutura e uma organização (distinta, porém das escolas) e possa levar a uma certificação (mesmo que não seja essa a finalidade), diverge ainda da educação formal no que respeita a não-fixação de tempos e locais e a flexibilidade na adaptação dos conteúdos de aprendizagem a cada grupo concreto (p.131).

Segundo Fernandes e Park (2007), ainda referindo-se a Afonso (1989), “ A esses aspectos incorpora um diferencial: a preocupação com mudança ou transformação social por buscarem projetos de desenvolvimento” (p.131). Como se trata da formação de um profissional que trabalha com seres humanos que devem se inserir em uma sociedade, é de se prever que a Licenciatura promova o desenvolvimento de qualidades pessoais, sociais e culturais de um sujeito que, ao construir-se como professor, como educador, constrói-se como pessoa e como cidadão. Conforme Ponte (2002):

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A formação nesses campos pode favorecer o desenvolvimento de capacidades de reflexão, autonomia, cooperação e participação, a interiorização de valores deontológicos, as capacidades de percepção de princípios, de relação interpessoal e de abertura às diversas formas de cultura contemporânea, todos eles capacidades e valores essenciais ao exercício da profissão. (p.34).

A formação inicial de professores de Matemática que queremos educadores matemáticos, pressupõe o domínio dos conteúdos que ele vai ensinar. No entanto, é importante destacar que a formação desse professor esteja situada, de forma igualmente importante, no domínio educacional, que inclui as contribuições das Ciências da Educação, em especial, da Didática, além da tomada de consciência dos problemas educacionais e sociais e da reflexão sobre eles. Descrição e desenvolvimento do projeto Desde 1992, temos, a cada ano, organizado projetos de ensino e pesquisa que se caracterizam pela Inserção de Licenciandos de Matemática no Campo Profissional: alguns localizaram-se na Vila Fátima outros em escolas regulares. Desde 2004/2, os projetos são realizados na Pequena Casa da Criança de Porto Alegre junto ao Programa Adolescente Aprendiz em Serviços Bancários e Administrativos. Participam do Projeto, coordenados pela professora orientadora e desde 2006, liderados pelo bolsista de Iniciação Científica, alunos do Curso de Matemática, matriculados nas disciplinas de Metodologia de Matemática A e B, na Prática de Ensino e nos Estágios Supervisionados do Curso de Matemática e, ainda, outros, como voluntários, participação que conta como atividade complementar. As aulas, geralmente ministradas em forma de oficina, para duas turmas de adolescentes, acontecem aos sábados pela manhã, das 8 às 12 horas, na Pequena Casa da Criança, na Vila Nossa Senhora da Conceição em Porto Alegre e são planejadas e preparadas durante a semana na PUCRS. Os adolescentes que participam do referido Programa estão regularmente matriculados de oitavo ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio de escolas públicas de Porto Alegre e da Grande Porto Alegre.

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Uma dupla de licenciandos, liderados pelo aluno bolsista, atua ora como monitor, ora como professor titular, no mínimo, por três sábados que é o tempo médio de duração de um módulo de trabalho. Como as atividades são planejadas, realizadas e avaliadas, pelo grupo, os licenciandos têm a oportunidade, tanto de conhecer e avaliar a realidade de alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas das redes municipal e estadual de ensino, como de estudar conteúdos e conhecer metodologias alternativas e recursos diferenciados para o ensino e a aprendizagem de Matemática. Os alunos bolsistas e os licenciandos têm realizado um trabalho de equipe em que todos os envolvidos assumem a responsabilidade de planejar, efetivar e avaliar as aulas referentes aos módulos de trabalho. O aluno bolsista, juntamente com a professora orientadora, coordena as atividades, é o elo de ligação entre a entidade promotora do Programa, os licenciandos e os adolescentes. No início de cada semestre, é feita uma sondagem, bem como uma etapa de conhecimento dos adolescentes, seu grau de escolaridade, suas preferências, suas facilidades e dificuldades na aprendizagem de Matemática. Após as sondagens, de acordo com o grau de escolaridade dos alunos é feito o planejamento do semestre. Temos optado por abordar alguns assuntos básicos de ensino fundamental, essenciais para a continuidade dos estudos, importantes para a vivência em sociedade e para a leitura do mundo em que vivem. Alguns temas como razões, proporções, regra de três simples e composta, conceitos básicos de Geometria, de funções e de Matemática Financeira têm sido, via de regra, trabalhados com os diferentes grupos. Planejados os módulos de trabalho e as aulas dos respectivos módulos, os materiais didáticos selecionados e utilizados nas oficinas são fornecidos pelo Laboratório de Materiais Instrucionais da FAMAT ou são elaborados e construídos pelos licenciando liderados pelo aluno bolsista. Ao longo desses anos, temos elaborado um banco de planejamentos e atividades para diferentes módulos de trabalho, os quais, semestralmente, são selecionados e aprimorados a partir das demandas dos adolescentes. Os materiais didáticos elaborados são preparados pelo aluno bolsista que se encarrega de os distribuir para os outros licenciandos, esclarecendo as combinações finais.

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Ao final de cada semestre, como encerramento das atividades e como culminância do trabalho, os adolescentes participam, na PUCRS, de um evento organizado pelos licenciandos que, além de uma confraternização, inclui uma visita ao Laboratório de Materiais Instrucionais da FAMAT, realizando jogos, desafios e atividades envolvendo raciocínio lógico e conhecimentos matemáticos, bem como uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS. Resultados obtidos Identificamos três diferentes categorias de análise dos resultados obtidos no desenvolvimento do Projeto, ao longo destes dez semestres: os resultados relacionados aos licenciandos, os relacionados aos adolescentes e os que se referem ao acervo de materiais que constituem as Unidades de Aprendizagem. Para os licenciandos da Matemática da PUCRS, certamente tem sido uma experiência bastante enriquecedora e diferente, principalmente para aqueles que nunca haviam atuado em sala de aula. O Projeto tem se caracterizado pelo estudo e pelo trabalho de equipe, pela reflexão em grupo, pela pesquisa no preparo dos materiais e pela docência, o que indica o alcance dos objetivos propostos que, em última instância, referem-se à promoção de habilidades relacionadas aos saberes docentes. Esta inserção é tanto mais eficiente quanto mais perto estiver da realidade social e escolar em que o licenciando irá atuar, num contato com os diferentes cenários e atores, tendo oportunidade de discutir as questões do ensino e da aprendizagem ainda na Universidade. No relatório do SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE LICENCIATURAS EM CIÊNCIAS E MATEMÁTICA, realizado em Ijuí em 1991, encontramos a seguinte orientação: “A interação do estudante de licenciatura com a realidade escolar deverá dar-se através de um processo de integração de educação continuada de professores com a formação em nível de graduação, devendo isto ocorrer tornando-se a prática docente com eixo direcionador e toda a educação básica”. (p.16). Nas avaliações e auto-avaliações que constam de seus relatórios, via de regra, os licenciandos colocam que as vivências de prática de ensino na Pequena Casa foram reais experiências de ensino e de aprendizagem, identificam-nas

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como gratificantes e momentos em que eles tiveram a oportunidade de desenvolver um trabalho diferenciada no ensino de matemática e a oportunidade de perceber o interesse dos seus alunos pela aprendizagem de Matemática. Quanto aos adolescentes, é importante destacar a oportunidade que eles têm de participar de situações de aprendizagem de Matemática que são contextualizadas, que envolvem o uso da História da Matemática, que partem da resolução de problemas e desafios propostos também através de jogos e do uso de materiais concretos em situações diferenciadas daquelas geralmente trabalhadas em salas de aula. Além da atitude positiva com que eles têm recebido os licenciandos e as propostas de trabalho, do entusiasmo de suas participações nas atividades desenvolvidas na PUCRS, em suas avaliações e auto-avaliações, realizadas no final do semestre, eles identificam as formas diferentes de aprender Matemática e o seu entendimento a respeito da importância da matemática para a sua vida. O cunho de desenvolvimento social do Projeto, evidencia-se na medida que os adolescentes têm a oportunidade de conviver tanto com universitários, como no ambiente da Universidade, e os licenciandos têm a oportunidade de conhecer a realidade de uma população carente que tem, na educação, a oportunidade de integração socioeconômica e cultural. O documento que denominamos Unidades de Aprendizagem, é o resultado concreto da produção coletiva de um trabalho de pesquisa organizado na Universidade. No que diz respeito ao Projeto de 2009, nosso objetivo é criar um ambiente virtual onde possamos divulgar as Unidades de Aprendizagem e interagir com mais adolescentes que participam, no interior do Estado, de programas semelhantes, bem como com seus professores. Considerações finais A leitura das avaliações dos diferentes integrantes do Projeto levam-nos a reflexões que nos permitem entendê-lo como uma ação inovadora de interação com a sociedade, na medida que constatamos o desenvolvimento de cada um, num processo de em interação com seus pares e com outros em diferentes situações sócioeconômicas e culturais. Para os licenciandos, ficam evidentes suas experiências de inserção na profissão e a oportunidade de desenvolver pesquisa, um trabalho de produção individual e coletiva de conhecimento.

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Para os adolescentes, constatamos a oportunidade de contatar com estudantes universitários que lhes mostram outras maneiras de valorizar o conhecimento, em especial, o conhecimento matemático, estimulando gosto pela disciplina, o desejo de saber, vislumbrando a possibilidade de continuar os estudos. Observamos a cumplicidade desses dois grupos de jovens,

compartilhando de uma sociedade de conhecimento. Entendemos que é preciso buscar a construção de um novo mundo, e que, para isso, como diz Grossi 2002 é pensar que:
[...]um mundo com paz, com fraternidade e com justiça é possível, mas tem que ser construído diligentemente e como resultado de um esforço coletivo, onde não haja pretensões de preeminência de mais saber ou de mais valor moral de alguns que seriam os capazes de conduzir o processo; descobrir-se que todos podem aprender é algo de um estupendo poder democrático e revolucionário; que uma boa pedagogia fundamentada em pesquisa, desenvolvida num ambiente habilmente preparado dá conta de ensinar a todos (p.13).

Como formadores de formadores, estamos imbuídos da certeza de que o momento que vivemos exige de nós a promoção de ações positivas de interação da Universidade com a sociedade Referências FERNANDES R.S., PARK, M.B. Educação Não Formal. In: Pak, M.B., Fernandes, R.S., Carnicel, A. (org) Palavras-chave em EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL. SP: Editora Setembro; Campinas , SP: Unicamp/CMU, 2007. GROSSI, E.P. Democracia s.f.1. sociedade onde todos aprendem. Porto Alegre:GEEMPA, 2002. PARK, M.B., FERNANDES, R.S., CARNICEL, A. (org) Palavras-chave em EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL. SP: Editora Setembro; Campinas , SP: Unicamp/CMU, 2007. PONTE, J. P. da. A vertente profissional de formação inicial de professores de Matemática. In: Educação Matemática em Revista, v. 9, n.11, p. 3-8, abril 2002. Edição especial. SANTOS, M. B. dos. Saberes de uma Prática Inovadora: Investigação com egressos de um curso de Licenciatura Plena em Matemática. Dissertação de Mestrado - Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande d Sul, Porto Alegre, 2005.

ENSINO DE FÍSICA PARA INCLUSÃO: O RECONHECIMENTO DA DIVERSIDADE E A SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

PHYSICS TEACHING FOR INCLUSION: THE DIVERSITY RECOGNITION AND OVERCOMING DIFFICULTIES OF APPRENTICESHIP

Rocha Filho, João Bernardes da; Dr; FAFIS – PPGEDUCEM - PUCRS jbrfilho@pucrs.br Lima, Valderez Maria do Rosário; Dra; FACED - PROGRAD - PPGEDUCEM – PUCRS valderez.lima@pucrs.br Basso, Nara Regina de Souza; Dra; FAQUI – PPGEDUCEM - PUCRS nrbass@pucrs.br Resumo Apresentamos a inclusão e o respeito à diversidade, da forma em que são expressos nos documentos oficiais que regem a Educação no Brasil, e associamos estas diretrizes a uma ação exemplar que envolve o projeto Ensino de Física para Cegos, realizado pela Faculdade de Física da PUCRS e o Instituto Santa Luzia, uma escola inclusiva da cidade de Porto Alegre. A ação do professor de Física que pretende utilizar o ensino desta ciência com o objetivo de formar cidadãos aptos a intervir positiva e efetivamente na comunidade em que vivem é descrita e analisada por meio de atividades que estão sendo realizadas no contexto deste projeto de inclusão.

Palavras-chave: Ensino de Física para cegos, Inclusão, Diversidade cultural. Abstract This article presents the inclusion and the respect to the diversity, of the form where they are express in the official documents that conduct the Education in Brazil, and associates these directives to an exemplary action that involves the Physics Education for Blind People Project, carried through inclusive school of

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Porto Alegre city. The actions of the Physics teacher that intends to use the science education with the objective to form apt citizens to positively and effectively intervene in the community where lives are described and analyzed by means of activities that are being implemented in this project.

Keywords: Physics education for blind people, Inclusion, Cultural diversity. Introdução A fim de manter coerência com o princípio de “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, expresso na Constituição Federal do Brasil, torna-se capital, na atualidade, que as instituições escolares procedam revisão de seus projetos educativos com o propósito de eliminar barreiras impostas à educação e garantir a inclusão de todas as crianças e adolescentes em processos pedagógicos que os qualifiquem para uma atuação satisfatória na sociedade do século XXI. Embora ocorra associação entre o termo inclusão escolar e inserção de estudantes com deficiências físicas e mentais em classes de ensino regular, a idéia mais amplamente defendida é a de que a inclusão escolar não se refere somente a esses alunos. Nesta perspectiva, as instituições escolares precisam estar preparadas para atender necessidades de todos, o que exige da comunidade escolar a superação da idéia de que aqueles que não se ajustam a determinados padrões singelos de normalidade devem ser banidos. Estabelecida esta premissa, a escola, por meio das ações que desenvolve, torna-se local de formação de uma cidadania fundada na tolerância e no respeito às diferenças. O alinhamento à mudança pretendida requer que a proposta educativa da escola se reorganize no que se refere às metodologias escolhidas para estruturar as situações de aprendizagem. É necessário utilizar estratégias capazes de deslocar o aluno de uma condição passiva e subalterna para uma condição de sujeito da própria educação, tornando a sala de aula um ambiente de desenvolvimento humano e aprendizagem significativa. Para conhecer adequadamente o problema e interagir com a comunidade com vistas a elaborar, conjuntamente com ela, ações que consistam em soluções, a FAFIS esteve envolvida no projeto Ensino de Física para Cegos, realizado no

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âmbito do Ensino Médio em uma escola inclusiva de Porto Alegre. Nesta experiência, a reorganização dos procedimentos didáticos e a aplicação de materiais experimentais visaram reverter o tradicional processo de exclusão dos alunos com necessidades especiais, mostrando uma ampliação substancial do interesse pela disciplina e demonstrando, ainda, que os alunos cegos encontram formas inusitadas de realizarem as atividades propostas e melhorarem suas aprendizagens, aumentando suas auto-estimas. Esta apresentação encontra-se organizada a partir da focalização da problemática da inclusão de cegos em classes comuns do ensino regular, e aborda estratégias de ensino de Física para o Ensino Médio explicitadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), seguida de uma contextualização da experiência do projeto supracitado, relatando as atividades desenvolvidas e promovendo a análise de seus resultados. Situando a discussão na intersecção desses temas, de um lado temos a constatação de que as dificuldades encontradas pelos estudantes do Ensino Médio na disciplina de Física são, em geral, maiores do que em outras disciplinas, e, de outro, que portadores de deficiências visuais graves encontram-se entre estes estudantes da Educação Básica, sendo sua inclusão em classes comuns dificultada pela metodologia expositiva utilizada pela quase totalidade dos professores de Física. Objetivos do Projeto Na tentativa de oferecer soluções para este problema, permitindo aos alunos uma melhor compreensão da Física e de sua linguagem, valorizando cada indivíduo que compartilha o espaço da sala de aula, o projeto visou propor modificações das estratégias de ensino, considerando a diversidade presente na classe como uma possibilidade de enriquecimento dos processos de ensino e de aprendizagem. Essas modificações incluíram ações pedagógicas que propiciaram aos estudantes do Ensino Médio a reconstrução dos conceitos científicos, ampliando sua autonomia e incentivando sua participação em projetos coletivos, de modo a desenvolver a capacidade de convivência com as diferenças, assim como a percepção das possibilidades de crescimento cognitivo e humano oferecidas por tal convívio.

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Descrição do Projeto de Inovação e dos Resultados Obtidos Uma das principais causas das dificuldades dos estudantes na disciplina de Física é a forma como ela é abordada no Ensino Médio. A exposição de equações, princípios e leis, seguida da resolução de exemplos idealizados e exercícios repetitivos, ocasionalmente interrompidos por uma demonstração experimental, tornam difícil a compreensão e a contextualização dos conteúdos conceituais da Física. O que já é cansativo e abstrato para os estudantes que vêem se torna um drama para os que não podem ver os gestos e os materiais que o professor manipula. Esses alunos terminam sendo excluídos do processo educativo, acreditando que suas deficiências os impedem de compreender e aplicar os conceitos apresentados na disciplina, sem perceberem que seus colegas videntes estão em situação semelhante. A metodologia tradicionalmente utilizada pelos professores de Física do Ensino Médio, centrada no professor e distanciada de situações reais e do cotidiano, não cumpre o papel de oferecer ao estudante acesso a conhecimentos que ampliem a possibilidade de sua inserção qualificada nos diversos setores da atividade humana, impedindo-o de utilizar esses conhecimentos para qualificar sua vida ou a de seus concidadãos. Assim, o Instituto Santa Luzia, escola inclusiva de Ensino Fundamental que comporta turmas mistas com alunos portadores de deficiência visual e alunos videntes, localizada na Zona Sul de Porto Alegre e pertencente à congregação das Irmãs Vicentinas, aceitou colaborar com a FAFIS em uma ação visando dar respostas a esse problema. Iniciamos, então, um processo de intercâmbio universidade-escola, primeiramente por uma solicitação da Direção, que entrou em contato conosco solicitando que opinássemos em relação à estruturação de um ambiente próprio para ensino de Física. A escola, que até então oferecia somente o Ensino Fundamental, pretendia estender seus serviços também ao Ensino Médio, destinando uma sala ao laboratório de Física, mandando construir mesas adequadas e equipando este espaço com os materiais básicos necessários, segundo nossas orientações, e em alguns meses recebeu autorização oficial para iniciar suas atividades no nível médio. Em seguida, dois professores se sucederam durante o primeiro ano de implantação do projeto, deixando evidente que o professor de Física desta escola em particular precisaria, além da capacidade técnica tradicionalmente

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desenvolvida nos anos de formação, abertura para acolher os alunos de turmas inclusivas. Nessa época fomos contatados pela direção da instituição para que sugeríssemos um candidato ao cargo de professor de Física, pois a carência de pessoas aptas nessa carreira é reconhecida (MEC/CNE/CEB, 2007).

Apresentamos, então, um ex-aluno da Faculdade de Física da PUCRS, possuidor de atitude educacional de caráter francamente humanista e que regressara recentemente de seus estudos de pós-graduação, estando disponível. Durante este período a escola também admitiu uma estagiária, e nós solicitamos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, FAPERGS, uma bolsa de iniciação científica para que pudéssemos desenvolver sugestões de experimentos adequados para ensino de Física em classes inclusivas, visando dar apoio ao professor. Tanto o estágio quanto a bolsa foram destinados a alunos de graduação em Licenciatura em Física da PUCRS, e por meio deles mantivemos contato permanente com a escola, desde então. Quando a bolsa foi outorgada a instituição escolar já contava com turmas de 1os e 2os anos, e a bolsista começou a estudar a literatura sobre inclusão, observando e acompanhando o desenvolvimento das aulas e criando, aplicando e corrigindo experimentos adaptados ao ensino de Física em turmas mistas, enfim, buscando meios para fazer com que o professor pudesse oferecer aos estudantes maior acesso a recursos instrumentais e metodologias de ensino mais adequadas ao trabalho. Essa bolsista, posteriormente, ingressou no magistério público estadual, em uma escola inclusiva de Porto Alegre. Desde o início do trabalho percebemos que entre os diferentes obstáculos à inclusão em Física, dois eram especialmente importantes nesta escola: a ausência de situações de investigação que incluíssem manipulação de objetos em situações de aprendizagem, e a utilização de experimentos demonstrativos de caráter eminentemente visual, cujas limitações são óbvias no caso de inclusão de estudantes cegos. Neste mesmo período, em outra pesquisa, estávamos desenvolvendo um conjunto composto por ripas de madeira furadas, parafusos, discos, arruelas e porcas, cujo objetivo era servir de material de sustentação para experimentos de Física, quando percebemos que este material poderia ser uma alternativa para o desenvolvimento de atividades investigativas em turmas inclusivas, possibilitando a construção de conceitos e promovendo a autonomia dos estudantes.

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Entregamos à bolsista, assim, o primeiro destes conjuntos, composto por 20 peças de cada tipo, manufaturado por um marceneiro local, e ela passou a ser orientada a desenvolver experimentos com base neste material. O professor foi chamado para capacitar-se para a utilização do conjunto, e o recebeu por empréstimo para que se familiarizasse com ele. Posteriormente, a escola, assim como a PUCRS, mandou produzir seus próprios conjuntos, que agora são utilizados regularmente. A partir deste ponto o professor, a bolsista e a estagiária passaram a desenvolver experimentos utilizando o material, seja como elemento de sustentação, seja como base única, e um encontro inaugural foi realizado na Instituição, com a participação dos orientadores, do professor, da estagiária e da bolsista, quando uma turma de estudantes foi atendida e realizou diversos experimentos em caráter de primeira aproximação ao material. A reação dos alunos foi positiva, e tanto videntes quanto deficientes visuais puderam criar experimentos interessantes envolvendo Mecânica, tendo oportunidade de reprojetar, construir, desconstruir e testar montagens destinadas ao estudo da Física. Desde então as aulas de Física da escola têm sido oferecidas principalmente no laboratório, com o professor propondo experimentos adaptados para a modalidade investigativa e para as necessidades, possibilidades e interesses dos diversos grupos atendidos. As montagens têm incluído máquinas simples, como alavancas e sistemas de roldanas, no estudo das forças, instrumentos de medição, como balanças, dinamômetros e torquímetros, sistemas rotativos, para estudo das forças no movimento circular, veículos sobre trilhos e sob cordas, para estudo do movimento linear, pêndulos, para estudo dos movimentos periódicos, sistemas de transmissão por correia, no estudo da cinemática do movimento circular, rodas d’água, no estudo das transformações de energia, e suportes, em geral, para outros experimentos e conteúdos. Numa aula típica de laboratório os alunos são dispostos em grupos, ocupando seis mesas hexagonais que compõem o laboratório, todas com tomadas de eletricidade, espaços para os alunos guardarem seus materiais, bancos altos e pia. Os grupos são formados ao gosto dos alunos, respeitando a regra de que devem possuir pelo menos uma pessoa vidente. Essa regra objetiva evitar acidentes quando os experimentos envolvem itens potencialmente

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perigosos, e os alunos videntes tornam-se cuidadores de seu colegas, protegendo-os e orientando-os ao longo da aula. O conteúdo conceitual é trabalhado previamente em aulas teóricas, e nelas o professor conduz o trabalho problematizando e contextualizando o conteúdo. O questionamento oportuniza aos estudantes a retomada de informações, a explicitação de conhecimentos prévios e o avanço na construção de conhecimentos. O estudo de determinado conteúdo parte de questões desafiadoras, incentivando o aluno a expor argumentos e estabelecer hipóteses explicativas, relacionando a situação apresentada com outras situações relevantes sobre o tema. Nessas atividades o professor, ao invés de dar respostas, instiga os alunos com novos questionamentos, aponta fragilidades no raciocínio e auxilia na procura de respostas para os desafios colocados (LIMA, 2006). Em algumas aulas de laboratório o professor faz referências ao conteúdo que foi trabalhado teoricamente, ligando-o às vivências dos alunos e pedindo que eles realizem montagens livres, relacionadas ao tema estudado em sala, utilizando as ripas, parafusos, discos, porcas e arruelas distribuídas, alertando para a necessidade de a montagem incluir a possibilidade de realização de medições. Noutras, disponibiliza aos alunos um protótipo do experimento a ser trabalhado, um sistema modelo ou um dispositivo comercial, como balanças, pêndulos, lançadores, brinquedos, quebra-nozes, ferramentas e outros, deixando que eles observem e manipulem livremente o material, e depois pede que eles projetem e construam um sistema semelhante e façam medições de grandezas relacionadas ao tema discutido em sala de aula. Este modo de condução da aula de laboratório afasta-se da abordagem convencional de atividades de experimentação, que consiste normalmente na realização pelos estudantes de uma sequência de etapas com a finalidade de demonstrar uma verdade já conhecida (ROSITO, 2000), ao mostrar-se desafiadora, ao valorizar a criatividade, e ao criar condições para que o problema investigado esteja associado a situações reais da vida dos alunos. Ao final do período os grupos apresentam seus trabalhos aos demais em suas próprias mesas, com os cegos mais próximos da bancada. Os apresentadores, cegos ou não, conduzem as mãos dos alunos cegos até a montagem, permitindo que eles vejam os seus trabalhos e compartilhem suas

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impressões. As avaliações são realizadas de modo tradicional, porém incluindo questões interpretativas compatíveis com a dinâmica de sala de aula, o que permite que os alunos posicionem-se criticamente sobre o tema e suas implicações no cotidiano, assim como sobre a metodologia empregada pelo professor. A grande autonomia e ludicidade oferecidas por este trabalho faz com que os alunos trabalhem com afinco e dedicação, realizando experimentos interessantes e criativos, independentemente de suas deficiências.

Ocasionalmente surgem problemas isolados, como alunos que se negam a realizar uma experimentação proposta ou que, mesmo incentivados pelo professor, alegam falta de inteligência, inaptidão para a experimentação, dificuldades em trabalhar sem diretivas simples, ou desejo de ficar apenas assistindo. Com paciência o professor respeita-os nessas atitudes e dá assistência a eles, de maneira que esses mesmo alunos voltam a participar ativamente em outras ocasiões, de modo que a negativa ocasional não caracteriza exclusão. A tolerância e flexibilidade do professor, nestas ocasiões, são ótimas conselheiras da ação, pois evitam que um problema temporário e menor desencadeie reações que podem produzir danos emocionais irreversíveis na relação professor-aluno-escola-física, transformando um pequeno obstáculo em barreira insuperável. O professor que promove a inclusão precisa estar atento à sua interioridade, pois reconhecendo isso diminui as o próprias risco de limitações ocorrer e agindo reação

empaticamente,

uma

desproporcionadamente grande quando a atitude de um determinado estudante toca questões não resolvidas na estruturação da personalidade do educador (ROCHA FILHO, 2007). Os experimentos, portanto, são realizados com a participação ativa de quase todos, e essa interação com o outro é essencial para os processos individuais de aprendizagem. Ao mesmo tempo, as atividades nos grupos são permanentemente assistidas pelo professor, no exercício de seu papel de mediador entre o estudante e o objeto a ser conhecido, no caso um conceito ou uma lei da Física. Para Vygotsky (1995), desenvolver ações em cooperação com outros jovens, ou auxiliado por um adulto, é forma de atuar na Zona de Desenvolvimento Proximal, espaço em que a intervenção do outro possibilita que o indivíduo avance e solucione questões que não conseguiria resolver sozinho,

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naquele momento. Há, portanto, o entendimento de que a organização da atividade, a relação de cooperação subjacente ao processo, e o diálogo empreendido no desenvolvimento da aula foram fatores decisivos para a atribuição de sentido aos conceitos trabalhados e para a construção do conhecimento nos diferentes conteúdos da Física. Kamii (1988, 1992) considera que a autonomia moral, como capacidade de decidir qual o melhor caminho a seguir, e intelectual, como capacidade do educando de responsabilizar-se por suas aprendizagens, tornam-se factíveis em condições claramente definidas de manejo por parte dos adultos. Na proposta apresentada estão presentes condições para o desenvolvimento de autonomia nos âmbitos citados, pois há incentivo à gestão das ações em grupo, à discussão e posicionamento frequente por parte dos jovens, e à tomada de decisões, impulsionada pela reflexão e pelo diálogo, que são permanentes e essenciais para a instituição da independência moral. O diálogo entre os estudantes e com o professor é garantido pela natureza da atividade e pelo clima de confiança e liberdade presente em aula, e Freire (1996) destaca que a relação dialógica, dentre outros fatores, é importante, pois o bom senso na utilização da liberdade é obtido pelo jovem com o exercício de se confrontar com pessoas investidas de autoridade, tais como pais e professores. A autonomia intelectual é oportunizada pelo modo de agir do professor, que encaminha as atividades de forma a incentivar o estudante a desenhar seu projeto experimental, organizando o experimento e procurando informações e recursos para promover as atividades. Estas ações tendem a resultar na desacomodação do aluno do papel passivo de ouvir, repetir e copiar para a condição ativa de elaboração própria e articulação entre os conhecimentos (DEMO, 1998). Os objetivos de uma ação inclusiva, entre os quais a valorização da diversidade e seu reconhecimento como elemento de enriquecimento de todos, parecem ser alcançados na ação descrita. Há evidente melhoria do autoconceito e da autoestima dos alunos quando trabalham desta forma, e demonstram desenvolver sentimentos positivos, tais como segurança,

desinibição, autoconfiança e liderança.

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Considerações Finais Esta experiência demonstrou que a recomendação mais enfática dos PCNs para o Ensino de Física – a contextualização – é uma importante aliada do professor no processo ensino-aprendizagem para turmas inclusivas, e que um simples conjunto de montagens em madeira, usado adequadamente, ajuda muito. Houve progressos consideráveis, traduzidos em diferenças positivas de atitude dos alunos em relação aos inícios dos anos letivos. Foi perceptível o incremento na habilidade de manusear os materiais e partilhar com os colegas as descobertas feitas nas atividades de experimentação. O incentivo que receberam para a realização do projeto, a construção e a proposição de medições em suas próprias montagens experimentais em Física parece aumentar a vontade de aprender dos alunos. Como os estudantes têm habilidades manuais e imaginação espacial em graus diferentes, sentem-se motivados a ajudar seu colegas nas tarefas, desenvolvendo e utilizando a imaginação, o senso de responsabilidade, a tolerância às limitações dos outros, a habilidade de ensinar e de aprender e, por conseqüência, ampliam suas autoestimas. Houve aumento do interesse dos alunos pela Física, e um substancial incremento da interação na experimentação em sala de aula. Exercer atividades que incentivem a aplicação criativa de idéias e a construção e medição em montagens relacionadas aos conteúdos da Física também têm aumentado o número e a complexidade dos projetos relacionados à Física nas Feiras de Ciências da escola. A atividade investigativa trouxe a Física para a vida dos alunos, fazendo com que a ciência ganhasse um caráter prático que dificilmente se encontra neste nível de ensino. O envolvimento de alunos cegos em turmas inclusivas em atividades de experimentação criativa tem se mostrado uma excelente alternativa às aulas tradicionais de laboratório didático, principalmente em função do uso de materiais simples e baratos, como o conjunto descrito. Ao invés de simplesmente contemplar o conhecimento do professor ou as informações dos livros, o estudo individual e as capacidades de abstração e memorização, que desfavorecem o cego, esta atividade desloca o foco do processo educativo para o estudante inteiro, valorizando também sua destreza manual, sua capacidade criativa, suas habilidades de relacionamento e seu comprometimento com o outro, fatores decisivos no estabelecimento de vínculos

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dos conteúdos de Física com as vivências de cada um. Os resultados têm sido recompensadores em termos de aprendizagem, talvez porque esta seja uma forma interessante de oferecer a todos os alunos, independentemente de suas diferenças, uma chance de descobrir uma aprendizagem útil dentro e fora da escola, que pode ser atingida de maneira lúdica e interativa. Esta metodologia continua sendo aplicada, e foi estendida também aos alunos do Ensino Fundamental, para que estes recebam as primeiras noções de Física de uma forma positiva, evitando que uma abordagem equivocada desperte preconceitos que dificultem, posteriormente, a inserção dos estudantes na Física do Ensino Médio. Agradecemos à PUCRS, à FAPERGS e à Escola Vicentina Instituto Santa Luzia pela oportunidade de realização deste projeto inovador. Referências DEMO, Pedro. (1998) Educar pela pesquisa. Campinas: Autores Associados. FREIRE, Paulo. (1996) Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra. KAMII, C.; DECLARK, G. (1988) Reinventando a aritmética: implicações da teoria de Piaget. Campinas: Papirus. KAMII, C. (1992) Aritmética: Novas perspectivas. Implicações da Teoria de Piaget. Campinas: Papirus. LIMA, V. M. R. ; PAAZ, A. (2006) Reflexões sobre o ensino de Ciências na educação de jovens e adultos. Ciências & Letras - Revista da Faculdade Porto Alegrense. Ministério da Educação do Brasil (2002). PCN+Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: MEC: SEMTEC. MEC/CNE/CEB (2007) Escassez de Professores no Ensino Médio. Relatório da Câmara de Educação Básica, do Conselho Nacional de Educação e do Ministério da Educação, de autoria de RUIZ, Antonio Ibañez; RAMOS, Mozart Neves; HINGEL, Murílio. http://portal.mec.gov.br/cne/ ROCHA FILHO, João Bernardes.; BASSO, Nara Regina de Souza ; BORGES, Regina Maria Rabello. (2007) Transdisciplinaridade – A Natureza Íntima da Educação Científica. Porto Alegre: EDIPUCRS. ROSITO, Berenice Alvares ; RAMOS, M. G. ; MORAES, Roque ; COSTA, R. ; BATISTA, J. ; GALIAZZI, M. C. . Construtivismo e ensino de ciências. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000. VYGOTSKY, L. (1995) Pensamentos e linguagem. São Paulo: Martins Fontes.

DESAFIO DE ROBÔS: INTEGRANDO A SOCIEDADE NO MUNDO DA ROBÓTICA

CHALLENGE OF ROBOTS: INTEGRATING THE SOCIETY IN THE WORLD OF THE ROBOTICS

Fagundes, Rubem Dutra Ribeiro, PhD, Faculdade de Engenharia – PUCRS rubemdrf@pucrs.br Ramos, André Luiz Tietböhl, MsC, Faculdade de Engenharia - PUCRS andreltr@pucrs.br Resumo O projeto Robótica na PUCRS busca inserir estudantes no mundo tecnológico atual através da implementação de um intercâmbio entre a Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e as escolas de ensino médio e fundamental públicas e privadas, no sentido de promover a popularização da ciência e da tecnologia, integrando, a esta proposta, alternativas de desenvolvimento e capacitação de acadêmicos da Universidade, preparação de professores das escolas para interagirem com a Robótica, bem como o atendimento às necessidades de complementação do processo de ensino e de aprendizagem dos alunos do ensino médio e fundamental. A principal atividade do projeto é o Desafio de Robôs, promovido pela PUCRS há dez anos, com expressiva participação de estudantes de diversas regiões do país.

Palavras-chave: Robótica, integração Universidade/escolas, novas estratégias pedagógicas. Abstract PUCRS Robotics Project main purpose is to insert students in the technology world through a cooperation program between the Engineering School of PUCRS and public and private high schools. The main goal is to promote science and technology among students in general, also offering alternative

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activities to the university’s students and recycling to high school teachers, complementing the teaching/learning process. The project’s main activity is the Robot Challenge, promoted by PUCRS in the last ten years, with huge participation of high school students and also students from other universities, from different country regions.

Keywords: strategies. Introdução

robotics,

university/high

schools

integration,

new

pedagogic

A crescente modernização do sistema produtivo mundial a partir da década de 1960, bem como a automação crescente dos processos de manufatura em distintos setores, aliadas à definição de novos tipos de equipamentos com crescente digitalização alterou profundamente a manufatura em nível mundial. Surgiu um novo dispositivo automatizado de produção com repetibilidade garantida, alto desempenho e alta confiabilidade que permitiu o aumento da eficiência e consequentemente do lucro de sistemas produtivos. Este

equipamento é conhecido popularmente pelo nome robô. Um robô é um equipamento eletro-mecânico para execução de diversas tarefas industriais, de forma repetitiva, com grande confiabilidade e tem a capacidade de ser logicamente configurado para a realização de tarefas, pois é programável. A PUCRS foi pioneira na criação, organização e implementação do curso de graduação de Engenharia de Controle e Automação no Rio Grande do Sul. Neste curso a Robótica é utilizada como um dos fundamentos do processo de aprendizagem profissional. A Robótica possui atividades acadêmicas, através de competições, desenvolvidas em âmbito nacional e internacional, como o futebol de robôs (promovida inicialmente pela Coréia do Sul e hoje realizada internacionalmente), as olimpíadas de robôs (promovidas também na Coréia do Sul), a competição First (USA), dentre outras. Em 1998, a PUCRS criou e promoveu o 10 Desafio de Robôs como uma competição de alcance nacional e, desde então, já ocorreram dez edições deste evento. O conceito teve como base um projeto semelhante no MIT (Massachusetts Institute of Technology) que é a de um competição que segue a idéia da disciplina 6.270 do MIT iniciada em 1987.

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Após as conclusões adquiridas nos primeiros eventos foi decidido padronizar a competição sendo que a partir desta decisão foi desenvolvido um dispositivo denominado Handyboard que é uma placa de controle fundamentada no microcontrolador 68HC11 da Motorola. O Desafio de Robôs da PUCRS utilizou a Handyboard até sua 3a edição em 2001. A partir de então, foi permitida a utilização de outros controladores como, por exemplo, o RCX da LEGO Corp., dentre outros. O grande diferencial desta competição é que os robôs são autônomos, logo há um grande esforço em fazer o melhor robô e consequentemente o melhor programa de controle. Os alunos, assim, devem utilizar conceitos avançados de lógica, pois necessitam elaborar sua estratégia, levando em consideração as estratégias dos adversários e desta forma definir a melhor tática conforme as regras estabelecidas na competição. A robótica é considerada atualmente a “mola” de uma grande transformação nos meios de produção, devido à sua versatilidade, em oposição à automação fixa, ou hard automation, atualmente dominante na indústria (Castilho, 2002). Os robôs, graças a seu sistema lógico computacional, podem ser reprogramados e utilizados em uma grande variedade de tarefas. Porém não é a reprogramação o fator mais importante na versatilidade desejada e sim sua adaptabilidade às variações no seu ambiente de trabalho mediante um sistema adequado de percepção e tratamento de informações (Ferreira, 1991). A robótica também pode ser um instrumento adicional de aprendizagem escolar, usado de forma tradicional como meio de desenvolvimento de intelecto ou como um “veículo” de aprendizagem. Segundo Papert (1994) a escola está no contexto da sociedade:
"A mesma revolução tecnológica que foi responsável pela forte necessidade de aprender melhor oferece também os meios para adotar ações eficazes. As tecnologias de informação, desde a televisão até os computadores e todas as suas combinações, abrem oportunidades sem precedentes para a ação a fim de melhorar a qualidade do ambiente de aprendizagem."

Neste contexto, o aprendizado, sob a análise de Piaget (1973, 1980 e 1981), passa por assimilações e acomodações, situações que advém do meio onde o sujeito está inserido. Certamente Piaget não desenvolveu sua teoria a

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partir do ambiente computacional e da inteligência artificial existentes atualmente, porém os princípios piagetianos parecem bastante atuais quando analisados sob o prisma da robótica educacional. Em processos de assimilação e de acomodação é que se estrutura o pensamento e, portanto, o comportamento da pessoa frente a uma nova realidade. Através da experimentação a pessoa tenta assimilar novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. Desta forma, comparando e diferenciando conceitos e esquemas a pessoa efetua a operação cognitiva da acomodação. Piaget (1987) definiu o processo de assimilação como integração a estruturas prévias que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, porém sem descontinuidade com o estado precedente: assim não são destruídas, mas simplesmente acomodam-se à nova situação (Piaget, 1981). Piaget (1981) também salienta que o conceito acomodação é utilizado para toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores a que se aplicam. Maturana (1995) intensifica a idéia de que o ambiente onde a pessoa está inserida proporciona situações de aprendizagem e que somente é possível promover situações de aprendizagem se existir no meio ambiente o fator a que se pretende a interação, aspecto que salienta a importância da iniciativa da PUCRS de introduzir a robótica no processo de aprendizagem. O Projeto Robótica da PUCRS busca inserir o aluno no mundo tecnológico atual. Através deste projeto procura-se promover a interação entre a Faculdade de Engenharia da PUCRS (alunos e professores, nos níveis de graduação e pósgraduação), outras instituições de ensino superior e ainda as escolas de ensino médio e fundamental, pública ou privada, no sentido de estimular a popularização da ciência e da tecnologia através dos princípios da Robótica. Atualmente o Projeto Robótica da PUCRS possui todos recursos físicos necessários em Robótica para sua execução sendo que tais recursos estão localizados em um ambiente tradicional de engenharia - especificamente ao lado de um laboratório de Manufatura Integrada por Computador (CIM) - onde existe a possibilidade de interação com 5 robôs semi-industriais de médio porte.

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Objetivos O principal objetivo do Projeto Robótica, como já salientado, é promover a interação entre alunos de diversas instituições e também de diferentes níveis de ensino, como forma de divulgar o aprendizado da ciência e da tecnologia interagindo com diversos níveis da sociedade. Tal aprendizado é crucial nos dias de hoje, não apenas para o indivíduo, como forma de aumentar suas chances no mercado de trabalho, mas também para o país, pois na Nova Divisão Internacional do Trabalho, os países líderes serão aqueles que apresentarem maior grau de desenvolvimento tecnológico, o que requer um expressivo contingente de profissionais capacitados nesta área. Para as instituições de ensino envolvidas, o Projeto Robótica pretende contribuir com os processos de ensino e de aprendizagem através da introdução de uma nova tecnologia de ensino (re-visitando os conceitos tradicionais da aula prática), permitindo que os alunos descubram novas formas de aprender. No que diz respeito ao desenvolvimento pessoal, as atividades do Projeto Robótica visam aperfeiçoar nos alunos participantes os seguintes pontos: • habilidades psicomotoras; • relacionamento inter-pessoal; • interesse e curiosidade pela investigação científica; • criatividade, senso crítico e paciência; • aptidão pelo trabalho em detalhes; • conhecimentos de física aplicada dentre outros; • senso crítico na aplicação de tecnologias ; • interesse para o aprendizado de novas tecnologias por intermédio da robótica. Descrição do Processo de Inovação Desenvolvido O Projeto Robótica teve início com o Desafio de Robôs, evento que atraiu a atenção de alunos de vários níveis de ensino, desde o ensino fundamental até a pós-graduação. Como decorrência surgiram algumas parcerias com escolas de ensino médio para o desenvolvimento de projetos específicos de robótica, como por exemplo o projeto PAX, em parceria com o Colégio Marista Rosário, para o

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desenvolvimento de um “robô mascote” em forma de periquito, do tamanho de uma criança das séries iniciais de ensino fundamental. Encontra-se em fase de implantação um projeto de parceria entre a PUCRS e diversas escolas de ensino médio para o desenvolvimento do ensino de robótica, com a criação de um Laboratório de Robótica Educacional, a ser sediado na Faculdade de Engenharia da PUCRS. Outro evento marcante foi o 4o Campeonato Nacional de Futebol de Robôs, realizado em 1999, com organização conjunta da PUCRS e do CTI/MCT, com participação de equipes de São Paulo e Minas Gerais além de equipes gaúchas. Cabe ressaltar que o carro chefe do Projeto Robótica tem sido o Desafio de Robôs, realizado já há dez anos, com intensa participação de escolas de ensino médio e também de universidades de vários estados brasileiros. O Desafio de Robôs consiste em uma competição de robôs autônomos que realizam uma tarefa pré-definida em determinado espaço de tempo. O objetivo do Desafio não é promover a destruição do adversário. Os robôs não lutam, eles tentam realizar uma tarefa de forma mais eficiente que o robô oponente. O ponto principal é que os robôs são autônomos, ou seja, não são rádio controlados, sendo que é necessário criar um programa capaz de receber status e interagir com o meio através de sensores e atuadores (os sensores podem ser de inclinação, de presença de luz, de contagem de pulsos, de aproximação, entre outros e os atuadores são motores, dispositivos mecânicos, esteiras, braços mecânicos, etc). A tarefa a ser executada é alterada a cada edição do Desafio e, ao longo de seus dez anos de existência, o Desafio de Robôs já teve as seguintes tarefas: • no primeiro desafio a tarefa foi “Robot Ant” ou Robôs Formigas, onde os robôs representavam formigas recolhendo comida para seu formigueiro; • no segundo desafio a tarefa foi o “Robot Pong” onde a mesa de competições era dividida em duas partes e nela eram espalhadas bolas de golf. Vencia o robô que terminasse com menos bolas no seu lado; • o terceiro desafio representava uma Mina Abandonada com minério radioativo e os robôs ganhavam pontos ao recolher minério e perdiam pontos ao recolher lixo;

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• o quarto, o quinto e o sexto desafios tratavam de um Campo Repleto de Explosivos, mas cada desafio possuía sua peculiaridade, como por exemplo, no penúltimo havia um ponto sobre o campo no qual era possível desarmar todos os explosivos; • no sétimo e no oitavo desafios, a tarefa era um jogo de basquete, somente entre dois robôs; • o nono e o décimo desafios propuseram uma tarefa de inteligência e estratégia: sobre a mesa estavam dispostos bolas e paralelepípedos a serem recolhidos pelos robôs, cada qual com uma pontuação predeterminada. O Robô vencedor seria aquele que obtivesse mais pontos ao final do jogo. Por traz da realização, da criação e da avaliação dos Desafios existe uma comissão organizadora, criada com o intuito de agilizar as tomadas de decisões relativas ao desafio, composta atualmente pelos professores da PUCRS André Luiz Tietböhl Ramos (idealizador do Desafio de Robôs da PUCRS) e Rubem Dutra Ribeiro Fagundes (que participa desde a segunda edição), e pelos funcionários técnicos Filipi Damasceno Vianna e Tiago Leonardo Broilo. Além destes, a cada ano alguns alunos da PUCRS (graduação e pós-graduação) participam desta comissão. Entretanto, é uma tradição do Desafio que decisões relativas à tarefa que os robôs devem cumprir, prazos, compra de material em conjunto, sejam tomadas por um conselho composto por membros de todas as equipes participantes. Este conselho é chamado de Conselho de Equipes. O Desafio de Robôs é um evento aberto ao público, com entrada franca, e aconteceu inicialmente durante a Semana de Engenharia da Faculdade de Engenharia da PUCRS, sendo que nos dois últimos anos ele foi realizado durante a Feira das Profissões da PUCRS. Resultados Obtidos O Projeto Robótica, e mais especificamente, o Desafio de Robôs, promoveram uma expressiva aproximação entre escolas, principalmente alunos de diferentes níveis do ensino, sendo que a partir deste contato, realizado no desafio, a PUCRS passou a auxiliar algumas escolas no ensino de robótica. Paralelamente, o número de escolas participantes no Desafio vem crescendo,

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denotando que este evento vem cumprindo sua proposta de divulgar o estudo de ciência e desenvolver o interesse dos jovens no desenvolvimento de tecnologia. Diversos alunos de ensino médio, ao concluírem seus estudos ingressaram em Universidades em carreiras ligadas à engenharia e à computação e continuaram participando do Desafio, agora com equipes de alunos de graduação, o que têm incentivado as novas equipes de ensino médio. A contribuição do Desafio para o ensino não se restringiu apenas aos acadêmicos, diversos professores, motivados pelo entusiasmo de seus alunos, têm procurado aperfeiçoar-se, de forma a poder prestar uma contribuição efetiva para as equipes e não ser apenas o professor responsável pela saída dos alunos da sala de aula, aquele que só assina os papéis necessários à participação das equipes. No tocante ao ensino de graduação da PUCRS o Desafio tem oferecido aos discentes das diversas Engenharias (Elétrica, de Controle e Automação e da Computação) uma oportunidade de colocar em prática, de forma integrada, os conhecimentos adquiridos em diversas disciplinas, o que tem se mostrado altamente motivante, pois muitas vezes os conteúdos aprendidos ao longo do curso eram apenas temporariamente “arquivados” sem que os alunos percebessem o potencial de integração destes conteúdos, ou seja a integração da teoria com a prática e do concreto com o abstrato. Considerações Finais O Desafio de Robôs foi uma iniciativa pioneira da PUCRS, que além de promover a integração entre a Universidade e as escolas, aproximou também alunos de diferentes universidades, de várias regiões do país, com realidades e hábitos culturais diversos. A iniciativa do Projeto Robótica da PUCRS despertou nos adolescentes e jovens o interesse pela robótica. Atualmente, a maior parte das escolas particulares (e até mesmo algumas escolas públicas) mantém laboratórios de robótica e participam de diversos campeonatos, alguns até internacionais, em diferentes modalidades e com diferentes tipos de robôs. Um dos grandes diferenciais do Desafio de Robôs da PUCRS é o fato de que todas as equipes participam da disputa em igualdade, pois são necessários

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não apenas conhecimentos técnicos e de programação, mas também o desenvolvimento de estratégias, favorecendo o raciocínio lógico. Em algumas edições, equipes do ensino médio venceram equipes de universitários e até de alunos de pós-graduação, o que pode ser explicado pelo fato de que se os universitários dispõem de maior conhecimento técnico, os alunos do ensino médio dispõem de mais tempo livre para dedicar-se ao projeto, estimulando assim a dedicação e a perseverança além de uma criatividade mais aguçada. Atualmente a meta dos organizadores deste evento é procurar possibilitar a participação de alunos carentes. Neste sentido, está se buscado patrocinadores que financiem os custos de aquisição dos componentes dos robôs e também a criação de um Laboratório de Robótica Educacional, com infraestrutura para receber estes alunos e seus professores, de forma que os equipamentos adquiridos possam ser compartilhados por várias escolas. Tal laboratório serviria como base para as equipes destas escolas, e nele também seriam desenvolvidas outras atividades ligadas ao ensino de ciência e tecnologia, possibilitando ao aluno carente a participação em atividades extra-curriculares. Referências Bibliográficas Castilho, Maria Inês. Robótica na Educação: com que objetivos? Monografia de Pós-Ggraduação da Informática, UFRGS, 2002. Ferreira, Edson de Paula. Robótica Básica, Modelagem de Robôs. 1991. Papert, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Artes Médicas, 1994. Piaget, Jean. Lógica e Conhecimento Científico. Livraria Civilização, 1981. Piaget, Jean. Para onde vai a Educação? José Olympio, 1980. Piaget, Jean. Biologia e Conhecimento. Vozes, 1973. Piaget, Jean. Desenvolvimento e Aprendizagem, volume Disponível em Introdução aos Sistemas Especialistas. Livros Técnicos e Científicos Editora, 1987. Maturana, Humberto R. A árvore do conhecimento: as bases biológicas do entendimento humano. Psy II, 1995.

ENADE COMENTADO-COMPUTAÇÃO: COMPARTILHANDO CONTRIBUIÇÕES PARA A AVALIAÇÃO DE CURSOS

COMMENTS TO ENADE-COMPUTER SCIENCE: A CONTRIBUTION FOR EVALUATION OF UNDERGRADUATE PROGRAMS

Oliveira, Flávio M.; Dr.; FACIN – PUCRS flavio.oliveira@pucrs.br Prolo, Carlos A.; Dr.; FACIN – PUCRS carlos.prolo@pucrs.br Zorzo, Avelino F.; Dr.; FACIN – PUCRS avelino.zorzo@pucrs.br Andrade, Gilberto K.; Dr.; FACIN – PUCRS gilberto.andrade@pucrs.br Resumo Nos últimos anos, temos notado uma crescente demanda da sociedade, em conhecer o resultado da avaliação de estudantes não somente em relação a um determinado conteúdo, mas a um conjunto de conteúdos. Os estudantes de cursos de graduação, ingressantes ou concluintes, são avaliados através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). Durante a preparação para o ENADE 2008, os professores da FACIN constataram que os alunos têm procurado provas já realizadas como fonte de consulta por diversos motivos: seja para sentirem-se seguros quando da realização da prova, para verificar em que áreas não possuem determinado conhecimento, como fonte de exercícios para os cursos que estão realizando, ou mesmo por simples curiosidade. Diversas vezes os estudantes trazem as questões para os professores no sentido de entender as respostas apresentadas. Essa constatação motivou o grupo de professores a consolidar a análise das questões na forma de um livro e disponibilizá-lo à comunidade. Este artigo descreve a criação do e-book “ENADE 2008 Comentado: Computação”, que é o resultado dessa experiência. Apresentamos o contexto em que surgiu a ideia, o processo de elaboração do livro e as perspectivas para a continuidade do trabalho.

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Palavras-chave: Exame Nacional de Desempenho, avaliação de cursos de graduação, currículos de Computação. Abstract In recent years, the Brazilian society has demanded for increased knowledge of the evaluation results achieved by students in university courses, not only in a specific subject, but in more broad disciplines and skills as well. The National Students’ Performance Evaluation (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE) is the standard test for undergraduate students at junior and senior levels. During the preparation for the ENADE 2008 Computer Science test, professors from the Faculty of Informatics (FACIN) identified that students requested additional information sources, such as early tests, for several reasons, such as, to use the questions as exercises for their disciplines, reassurance before doing the test, and even simple curiosity. Many students brought the questions to their professors seeking advice in order to understand the questions and their answers. The high level of interaction and interest found in students motivated us to gather the discussions in a book format and make it available to the community. In this paper, we describe the conception of the e-book “ENADE 2008 Comentado: Computação” (ENADE 2008 Commented: Computer Science), which is the result of this initiative. We describe here the context of the book idea, the design and writing process and our next steps.

Keywords:

National

Students’

Performance

Evaluation,

evaluation

of

undergraduate degree programs, Computer Science curricula. Introdução A avaliação de estudantes tem sido prática há muitos anos como forma de verificar o aprendizado dos alunos em relação a determinados conteúdos. Nos últimos anos, temos notado uma crescente demanda, da própria sociedade, em conhecer o resultado da avaliação de estudantes não somente em relação a um determinado conteúdo, mas a um conjunto de conteúdos. Essas avaliações buscam trazer informações sobre a formação de um determinado estudante nas diversas instituições existentes no Brasil (o mesmo processo também acontece

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em diversos outros países). Na área de Computação as principais instituições de ensino superior do Brasil com programas de pós-graduação sentiam a necessidade de uma avaliação global de estudantes dos cursos de Computação. Como a área não possuía um sistema de avaliação nacional, o Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação, um Grupo de Trabalho da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), propôs uma avaliação para todos os alunos que desejassem concorrer a uma vaga em um programa de pós-graduação em Computação no Brasil. Esta avaliação recebeu o nome de POSCOMP e é realizada há diversos anos pela SBC. A necessidade desta avaliação surgiu para que o processo de seleção fosse o mais justo possível, pois, em geral, a média final de cada aluno difere muito de instituição para instituição. Entretanto, o POSCOMP é uma avaliação individualizada, na qual os resultados não são divulgados de maneira ampla e é realizada de maneira voluntária, não servindo para um processo de avaliação de cursos ou institucionais de maneira ampla. Para uma avaliação mais geral, no Brasil existem duas principais avaliações oficiais realizadas com estudantes que finalizam o Ensino Médio ou Ensino Superior. Quando terminam o Ensino Médio, os estudantes são avaliados por meio do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM). Por outro lado, os estudantes ingressantes (aqueles que já realizaram de 7% a 22% da carga horária do curso) ou concluintes (aqueles que já realizaram pelo menos 80% da carga horária do curso) de algum curso de graduação são avaliados através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). O ENADE faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e busca aferir o rendimento dos estudantes dos cursos de graduação das Instituições de Ensino Superior no Brasil. Tal importância é dada ao ENADE pelo MEC, que o aluno selecionado a participar tem sua formatura condicionada ao efetivo

comparecimento à prova, e atualmente cogita-se em universalizar a participação do ENADE, tornando-o obrigatório a todos os estudantes. O e-book “ENADE 2008 Comentado: Computação” (figura 01) surgiu de um senso comum, existente entre os professores da FACIN, de que os alunos têm procurado provas já realizadas como fonte de consulta por diversos motivos: - para sentirem-se seguros quando da realização do ENADE; - para verificar em que áreas não possuem determinado conhecimento; - como fonte de exercícios para os cursos/disciplinas que estão realizando;

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- ou mesmo por simples curiosidade. Apesar de indicar para os estudantes onde encontrar as provas e resultados, diversas vezes os estudantes trouxeram as questões para os professores no sentido de entender a resposta apresentada, seja pessoalmente ou nos foruns de discussão das disciplinas. Os professores envolvidos constataram que essa interação, esperável e encorajada, merecia ser compartilhada com uma comunidade mais ampla através um registro formal das respostas.

Figura 01 – Capa do e-book

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As próximas seções descrevem os objetivos da concepção do e-book, seu processo de elaboração, os resultados da experiência e os próximos passos. Objetivos Os objetivos da elaboração do e-book foram: - fornecer material de referência para os estudantes de graduação em Computação; - consolidar um registro das lições aprendidas e discussões propiciadas pela preparação ao ENADE 2008 na comunidade docente/discente da FACIN - contribuir para o aperfeiçoamento do ENADE como referência de avaliação em Computação. Ao mesmo tempo, professores também poderão utilizar o mesmo para enriquecer o material utilizado em sala de aula. Descrição do processo O processo de preparação para o ENADE 2008 na FACIN teve diversas atividades, de maneira integrada a um processo mais geral que envolveu a Universidade como um todo, dirigido pela Coordenadoria de Avaliação da PROGRAD. No caso da FACIN, a preparação envolveu: - Reuniões gerais com os alunos candidatos a fazer parte da amostra, visando esclarecer o funcionamento da prova e conscientizar os estudantes da sua importância; - Criação de diversos fóruns no ambiente Moodle, para comunicação entre os coordenadores de cursos e os alunos candidatos (e posteriormente selecionados), bem como entre os alunos e os professores das diversas áreas; - Palestras sobre os conteúdos gerais, promovidas pela Coordenadoria de Avaliação da PROGRAD; - Discussões sobre questões do ENADE 2005 em sala de aula, antes da prova, e sobre a edição 2008, após a sua realização. Muitas das discussões sobre a necessidade de fontes de consulta para os alunos aconteceram na sala de convivência dos professores da Faculdade de

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Informática (FACIN) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Essas discussões aconteciam entre os intervalos de aula, quando o professor Gilberto Keller de Andrade propôs um desafio ao conjunto de professores: que os mesmos respondessem às questões do ENADE de maneira comentada e juntassem essas respostas em um livro para consulta dos estudantes. O ENADE-Computação é composto por uma prova, um questionário de impressões dos estudantes sobre a prova, um questionário socioeconômico e um questionário do coordenador do(a) curso/habilitação. A prova é composta por 40 questões, sendo 10 questões de formação geral e 30 questões de componente específico. No livro, apresentamos as questões do componente específico das provas aplicadas aos alunos dos três cursos da área de Computação (Ciência da Computação, Engenharia de Computação e Sistemas de Informação). As questões estão assim distribuídas: • 10 questões comuns aos três cursos; • 20 questões particulares de cada curso (70 questões no total da obra). Optou-se por não abordar no livro as 10 questões de conhecimentos gerais comuns a todas as provas. O livro contou com o apoio de 43 professores das Faculdades de Informática, de Engenharia e de Matemática, incluindo uma apresentação do prof. Avelino Zorzo, Diretor da FACIN. A organização das questões de cada uma das provas foi realizada pelos professores Carlos Augusto Prolo (questões comuns e do curso de Ciência da Computação), Fabiano Passuelo Hessel (questões do curso de Engenharia de Computação) e Miriam Sayão (questões do curso de Sistemas de Informação). Os professores foram orientados a responderem de maneira livre, sem seguir um padrão predeterminado, podendo trabalhar questões conceituais em suas respostas ou até observações críticas quanto à formulação das questões. Algumas questões foram respondidas não por um único professor, mas por um conjunto de professores que discutiram a melhor forma de responder às mesmas. Após essa etapa, as respostas passaram por uma revisão dos organizadores e uma revisão final na editora.

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A título de exemplo, apresentamos abaixo a questão 79a da prova e a resposta/comentário incluídos no livro: Texto para as questões 78 e 79 A Secretaria de Saúde de determinado município está executando um projeto de automação do seu sistema de atendimento médico e laboratorial, atualmente manual. O objetivo do projeto é melhorar a satisfação dos usuários com relação aos serviços prestados pela Secretaria. O sistema automatizado deve contemplar os seguintes processos: marcação de consulta, manutenção de prontuário do paciente, além do pedido e do registro de resultados de exame laboratorial. A Secretaria possui vários postos de saúde e cada um deles atende a um ou mais bairros do município. As consultas a cada paciente são realizadas no posto de saúde mais próximo de onde ele reside. Os exames laboratoriais são realizados por laboratórios terceirizados e conveniados. A solução proposta pela equipe de desenvolvimento e implantação da automação contempla, entre outros, os seguintes aspectos: sistema computacional do tipo cliente-servidor na web, em que cada usuário cadastrado utiliza login e senha para fazer uso do sistema; uma aplicação, compartilhada por médicos e laboratórios, gerencia o pedido e o registro de resultados dos exames. Durante uma consulta o próprio médico registra o pedido de exames no sistema; uma aplicação, compartilhada por médicos e pacientes, permite que ambos tenham acesso aos resultados dos exames laboratoriais; uma aplicação, compartilhada por médicos e pacientes, que automatiza o prontuário dos pacientes, em que os registros em prontuário, efetuados por cada médico para cada paciente, estão disponíveis apenas para o paciente e o médico específicos. Além disso, cada médico pode fazer registros privados no prontuário do paciente, apenas visíveis por ele; uma aplicação, compartilhada por pacientes e atendentes de postos de saúde, que permite a marcação de consultas por pacientes e(ou) por atendentes. Esses atendentes atendem o paciente no balcão ou por telefone.

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QUESTÃO 79 – DISCURSIVA Considerando as informações apresentadas no texto e considerando ainda que entre os principais benefícios de um projeto de melhoria de sistema de informação destacam-se o aumento da: (I) eficiência; (II) eficácia; (III) integridade; e (IV) disponibilidade, faça o que se pede a seguir. QUESTÃO 79 – A (valor: 5,0 pontos) (A) Cite 4 vantagens da solução proposta, frente à atual, para tratar a interação entre pacientes e os serviços de saúde, sendo duas delas relativas à eficiência e duas relativas à eficácia. Resposta e comentário: Seguindo [Sommerville07], eficiência e eficácia são requisitos não funcionais, dado que não são exatamente funcionalidades a serem atendidas pela aplicação, e sim características que devem ser observadas na solução implementada. Eficácia implica no atendimento de objetivos; eficiência está relacionada a requisitos de desempenho (por exemplo, tempo de resposta em sistemas interativos) e requisitos de espaço (espaço ocupado pela aplicação em memória principal ou secundária). Assim, com relação à eficácia, analisemos os objetivos: 1. melhorar a satisfação dos usuários com relação aos serviços; 2. automatizar marcação de consulta; 3. automatizar manutenção do prontuário do paciente; 4. automatizar pedido e registro de exame laboratorial. Assim, são vantagens relativas à eficácia (a questão pede duas): • o sistema provê uma aplicação para gerenciar o pedido e registro de resultados dos exames (atende ao objetivo 4 acima) • o sistema provê uma aplicação que permite aos médicos e pacientes acesso aos resultados dos exames (apoia os objetivos 1 e 3 acima) • o sistema provê uma aplicação que automatiza o prontuário dos pacientes (atende ao objetivo 3 acima)

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• o sistema provê uma aplicação que permite a marcação de consultas (atende ao objetivo 2 acima) O “padrão de resposta” para as questões discursivas, na página do ENADE foca no objetivo principal de satisfação do usuário, e cita como vantagens que o paciente não precisará se deslocar até o posto de atendimento para marcar consultas, nem ao laboratório para ter acesso aos exames. (Foi observado que o texto não deixa claro se a satisfação do usuário de fato aumentou.) São vantagens relativas à eficiência (também são pedidas duas): • o sistema cliente-servidor permite acesso remoto fácil às aplicações por todos os envolvidos no processo • o próprio médico registra o pedido de exames, eliminando intermediários e agilizando o processo • a marcação de consultas pode ser feita pelo próprio paciente ou por atendentes, e neste último caso com opção de ser feita no balcão ou por telefone (na verdade isto também atende diretamente ao objetivo principal de satisfação do cliente) • o acesso às aplicações é compartilhado pelos diversos envolvidos no processo O “padrão de resposta” para as questões discursivas, na página do ENADE também cita: • menor quantidade de pessoas no atendimento à marcação de consultas • maior quantidade de consultas realizadas por um médico em um mesmo período de tempo • menor tempo para marcação de consultas • menor tempo para registro de prontuário pelo médico • menor tempo de pedido de exames • menor tempo no processamento do pedido de exame pelo laboratório • menor tempo no registro do exame pelo laboratório O processo de elaboração dessa resposta foi particularmente interessante, pois teve o mais alto número de professores envolvidos (9 professores). A questão envolve termos (eficiência/eficácia) que, não obstante serem usados quase como sinônimos no cotidiano, receberam acepções distintas em Computação. O debate originado foi dos mais ricos.

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Resultados obtidos O livro "ENADE Comentado 2008 - Computação" foi lançado em abril pela EDIPUCRS na forma de publicação eletrônica e está disponível para acesso livre no endereço http://www.pucrs.br/edipucrs/ - "publicações eletrônicas". Dessa forma, o público-alvo prioritário da iniciativa, que são os próprios estudantes, tem acesso facilitado. A Pró-Reitoria de Graduação da PUCRS, através da EDIPUCRS, transformou a iniciativa em uma série, da qual o livro elaborado na FACIN é o primeiro volume. Considerações finais Até onde sabemos, pelo menos na área de Computação, a iniciativa é inovadora no país. Além de fornecer um material extremamente útil para os estudantes, tanto como auxiliar na preparação dos candidatos ao ENADE propriamente dito como para o aprendizado nas disciplinas, a riqueza das discussões realimentou a prática pedagógica dos professores da FACIN, que puderam levar os comentários para a sala de aula e, também, incrementar seus materiais. Cada questão, acompanhada de sua resposta, propiciou um exemplo de como abordar um mesmo conteúdo por diversos ângulos, incentivando os alunos a desenvolver essa habilidade, tão importante para o aprendizado. Acreditamos que o livro também pode contribuir para a construção das provas de Computação nas próximas edições do ENADE; assim, pretendemos divulgá-lo no âmbito da Comissão de Educação da Sociedade Brasileira de Computação, pois essa Comissão é o fórum nacional de discussão das diretrizes curriculares e currículos de referência da área, os quais servem de base para a elaboração do ENADE. Outra direção proposta para a continuidade do trabalho é gerar uma publicação análoga para a prova de 2005. Bibliografia consultada Prolo, C.A.; Sayão, M.; Hessel, F.P. ENADE 2008 Comentado: Computação. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2008. 184p. Disponível em <http://www.pucrs.br/edipucrs/enade/computacao2008.pdf>. Acesso em: 18 mai. 2008. Sommerville, Ian. Engenharia de software. 8. ed. São Paulo : Pearson Education, c2007. 552 p. : il.

PORTO ALEGRE ACESSÍVEL: ESTRATÉGIAS INOVADORAS PARA A POLÍTICA DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL

ACESSIBILITY IN PORTO ALEGRE, BRAZIL: INCLUDING PEOPLE BY INNOVATION IN URBAN PLANNING

Ferreira, Mario S., Dr., FAUPUCRS msferreira@pucrs.br Cé, Ana R.S., Me., FAUPUCRS anace@pucrs.br Campos, José C. B., Me., FAUPUCRS zecampos@pucrs.br Moraes, João F.D., Dr., FAMAT jfmoraes@pucrs.br Barboza, Suzana C., Esp., FAUPUCRS sbarboza@terra.com.br Regal, Paulo H., Me, FAUPUCRS regal@pucrs.br Resumo O documento descreve ações inovadoras para o estabelecimento de políticas de acessibilidade em Porto Alegre, à luz de informações levantadas, através de método científico, acerca de condições críticas para a rota acessível da população, considerando as características, peculiaridades e limitações dos grupos humanos da Cidade. Ao final, o texto aponta para oportunidades de utilização do conhecimento gerado na pesquisa, além do objetivo principal da pesquisa, qual seja, a fundamentação para um plano diretor de acessibilidade para Porto Alegre.

Palavras-chave: acessibilidade, acessibilidade urbana, inovação urbana.

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Abstract The document describes innovation actions for the establishment of accessibility politics in Porto Alegre, based in a raised information, through scientific method, concerning critical conditions for the accessible route of the population, considering the characteristics, peculiarities and limitations of the human groups of the City. In the end, the text points for the chances of use of the knowledge generated in the research, beyond the main objective of the research, which is, to give tools for a accessibility urban planning for Porto Alegre.

Keywords: accessibility. urban accessibility, urban inovation. A Demanda por Investigação: A Obsolescência das Cidades. As mudanças trazidas pela revolução digital iniciada nos anos setenta provocaram profundas transformações no modo de produção da cultura material humana e, por conseguinte, trouxeram reflexos profundos no cenário global, do ponto de vista dos modelos econômicos, políticos e sócio-culturais até então adotados. Pode-se afirmar que a civilização encontra-se, hoje, num ponto de inflexão, na medida em que paradigmas e dogmas vêm sendo substituídos, discutidos e alterados. O reflexo físico desta obsolescência é demonstrado na configuração das grandes cidades, concentrando a mobilidade urbana no uso do automóvel. Novas áreas de conhecimento e pesquisa surgem e, neste particular, áreas tradicionalmente estabelecidas recebem novos nomes e significados. Neste cenário de transição, ocorrem com freqüência confusões entre temas (ênfases e diretrizes de projeto adotados) com áreas tradicionais de conhecimento. A partir do final dos anos oitenta, o tema acessibilidade passa a integrar áreas de pesquisa, ênfases de projeto e assume caráter oficial com a edição no Brasil de normas específicas aplicáveis ao assunto. Sob o título NBR9050 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (ABNT, 2005), apresenta um conceito atual de acessibilidade:
“... visa proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do

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ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos.”

Segundo Castro (2008), muitas das grandes e médias cidades brasileiras apresentam configurações urbanas estabelecidas no período colonial. Estas, por sua vez, apresentavam características de apropriação física do espaço segundo modelo europeu do período medieval, com adaptação livre aos condicionantes geográficos, com edificações desenvolvidas em altura e divisão em bairros compactos. Benévolo (1997) demonstra que, com a inserção do automóvel no ambiente urbano, no início do século vinte, o pedestre desloca-se para extremidades das vias (calçadas) e o passeio passa a ocupar só a calçada. Desta forma, as ações desenvolvidas para dotar as cidades atuais de condições de acessibilidade, são, na realidade, exercícios de adaptação e adequação de cidades com configuração do medievo.

Figura 1 - Constantinopla tomada pelos turcos, em 1435: profundas alterações urbanas, ascensão da burguesia, assentamentos em torno dos castelos feudais, modelo físico das cidades atuais. Fonte: Benevolo, 1997.

A inadequação das calçadas para uso de equipamentos e produtos de uso pessoal é outro ponto fundamental, na qualidade de uso do espaço destinado ao pedestre nas cidades. A População com Mobilidade Reduzida (PMR) limita-se, na maioria dos casos a uma condição de uso pleno destes produtos (órteses como muletas, bengalas, etc.) em ambientes internos. Os carrinhos – de – bebê e cadeiras de rodas, em sua maioria projetados e fabricados hoje, apresentam

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dificuldades de mobilidade em rampas e rebaixos de meio-fio, adaptados nas ruas medievais do século XXI. O Projeto Porto Alegre Acessível A partir de março de 2008, a equipe de pesquisadores da FAUPUCRS, envolveu-se no projeto denominado Diagnóstico das Condições de Acessibilidade de Porto Alegre, em atendimento ao convênio celebrado entre o Município de Porto Alegre, com interveniência da Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social - SEACIS, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, através da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Figura 2 – Imagem adotada no vestuário de identificação no levantamento de campo e no material da pesquisa.

O cronograma do projeto de pesquisa, denominado Porto AlegreAcessível, previu em sua gênese a execução da investigação em três etapas: o levantamento na Área Central (com limites definidos pela 1ª. Perimetral de Porto Alegre), o levantamento nas demais áreas urbanas do Município e a elaboração de um diagnóstico das condições de acessibilidade da Capital.

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A definição dos procedimentos, para a obtenção dos objetivos propostos para a investigação, orientou-se pelas premissas do Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana, de junho de 2004:
“Incluir uma nova visão no processo de construção das cidades que considere o acesso universal ao espaço público por todas as pessoas e suas diferentes necessidades” (Caderno 1 – Brasil Acessível, 2006).

Assim, ficou definido previamente pelo grupo de pesquisa que:
Acessibilidade é uma situação de utilização de ambientes públicos e privados, em condição de conforto e segurança, através do provimento de dispositivos de circulação e mobilidade, oferta de produtos, serviços e sistemas de informação destinados aos diversos grupos de usuários dos ambientes urbanos. Incluem as pessoas com deficiência e necessidades especiais, idosos, crianças e população adulta em geral (Ferreira et al., 2007).

Buscou-se, desta forma, concentrar ações para a identificação de situações de acessibilidade reduzida/prejudicada para a população em geral. Procedeu-se, paralelamente aos estudos iniciais para compreensão e percepção do porte do levantamento, sistema de inscrição, pré-seleção via histórico escolar e entrevista e contratação de 30 estagiários, junto ao corpo discente do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAUPUCRS, para constituição de equipes de levantamento, com preenchimento de formulários e registro fotográfico, sob supervisão dos quatro pesquisadores envolvidos nesta

investigação inédita. Modelagem e Estruturação de Instrumentos de Levantamento e Coleta de Dados Foram desenvolvidos estudos e buscas de referências bibliográficas que orientassem a montagem e edição de um instrumento adequado ao município. Do ponto de vista da terminologia, buscaram-se informações nas normas internacionais, normas brasileiras, na legislação municipal, além da informação disponibilizada pela Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social SEACIS e na fundamentação teórica dos campos de conhecimentos específicos de acessibilidade e mobilidade urbana (arquitetura e urbanismo; transporte; circulação urbana; sistema de informação e orientação), complementares

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(ergonomia; design; engenharia; paisagismo; avaliação pós-ocupação urbana; legislação) e interdisciplinares compromissados com à pesquisa (educação e saúde, sociologia e política urbana, ética e estética). A partir da informação levantada, a estruturação do instrumento de levantamento (formulário) concentrou-se em itens essenciais para análise proposta, dentre os quais destacam-se calçadas, rebaixos em calçadas, mobiliário e equipamentos nas calçadas, vegetação, obstáculos de

direcionamento de circulação (container,tapumes e canteiros de obras, tampas de caixas de inspeção, placas de sinalização de trânsito, bancas, guaritas de vigilância, abrigos em pontos de embarque e desembarque de transporte (ônibus e táxi) ;e o sistema viário. As Áreas de Intervenção: O Levantamento Foram estudados modelos de determinação de vias principais para levantamento, tendo como referência teórica os instrumentos legais de gestão urbana. Para o levantamento na Área Central de Porto Alegre dividida por quadrantes, definidos pelos eixos da Avenida Borges de Medeiros e Avenida Duque de Caxias (figura 2), a saber: Quadrante 01 - Noroeste; Quadrante 02 – Nordeste; Quadrante 03 - Sudoeste; Quadrante 04 – Sudeste.

Figuras 3 e 4 – Divisão da Área Central de Porto Alegre em Quadrantes.

A estratégia adotada estabeleceu como fundamental a confrontação da análise das imagens capturadas nas inspeções visuais (aspectos subjetivos, com base no conhecimento científico do grupo de pesquisadores) com o tratamento

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estatístico das situações registradas em formulário (aspectos quantitativos das ocorrências referentes á situações críticas de acessibilidade: freqüências, e incidências e outros indicadores). O modelo de levantamento consistiu em inspeção visual, com medição, registro fotográfico e apontamento em formulário de situações consideradas críticas, do ponto de vista da acessibilidade da população em geral, por trechos de ruas. Na etapa de levantamento das demais áreas do Município, foram estabelecidos critérios pra definição de amostra considerando instrumentos oficiais e, em especial, o plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre - PDDUA/PoA. Em função da existência de diversos critérios para identificação de bairros, adotados por órgãos municipais, estaduais, federais e prestadores de serviços (CEEE, Correios, DMAE), a divisão para fins de levantamento concentrou-se nas premissas do PDDUA-PoA, adotando as vias perimetrais, radiais, estruturadoras, arteriais, coletoras e locais para o estabelecimento de novos quadrantes de levantamento. A figura 5, capturada de imagem de satélite, demonstra a malha da cidade com a marcação das avenidas e artérias principais, do ponto de vista. A figura 6 apresenta a demarcação proposta pela pesquisa para estudo por amostragem prevista para o levantamento dos bairros do município.

Figura 5 - Perimetrais, Radiais, Vias Estruturadoras, Vias Arteriais, Coletoras, Locais ( Google Earth, 2008). Figura 6 – Zoneamento de quadrantes para levantamento nas áreas fora da região central de Porto Alegre.

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A partir deste critério estabeleceu-se como amostra os Nós significativos caracterizados pelo cruzamento entre as tipologias de vias adotadas. Assim, com os quadrantes definidos por áreas entre vias perimetrais e áreas externas às perimetrais, com posterior escolha dos nós significativos, foram elaborados desenhos, por quadrante, para localização e levantamento pelos grupos constituídos, de acordo com as áreas definidas, exemplificadas na figura 7.

Figura 7 - “NÓS”: cruzamentos entre vias com concentrações expressivas de população. O exemplo apresenta o Nó 40, integrante do Quadrante Q5

Em agosto de 2008, encerrou-se a fase oficial de levantamento de campo com o deslocamento da equipe de pesquisa, pesquisadores, estagiários e a assessoria técnica da SEACIS para o último nó, no. 141, localizado na Ilha da Pintada, quadrante 12. O termo fase oficial de levantamento foi utilizado intencionalmente em função da previsão de retorno eventual a algum nó ou ponto levantado para revisão de dados, mesmo na fase de tabulação, processamento de informação e análise, fundamentais na etapa final de diagnóstico. A Organização dos Dados e o Tratamento da Informação As imagens organizadas e referenciadas na forma de catálogo, codificadas por quadrantes, com identificação do formulário de levantamento, do trecho ao qual se reportam, e acompanhadas de legenda, com registro e comentários das situações identificadas foram armazenadas em banco de imagens para acesso e

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resgate de situações passíveis de destaque ao longo do relatório final – o Diagnóstico. Foram utilizadas, para análise, as técnicas de estatística descritiva, entre elas, distribuição de freqüências e análise exploratória de dados (gráficos, tabelas, medidas de tendência central e de variabilidade, valores mínimos, máximos e percentis). Os dados levantados para a organização da informação foram de efetiva utilidade, subsidiando a produção do conhecimento (o diagnóstico) e que, pela observância das normas para registro e armazenagem constituem, hoje um significativo banco de dados e imagens sobre o tema, no escritório do Núcleo de Acessibilidade e Mobilidade Urbana da FAUPUCRS, à disposição da comunidade acadêmica para outras investigações sobre

acessibilidade. Cumpre destacar o uso das ferramentas estatísticas, as quais permitiram fundamentar cientificamente algumas situações previamente identificadas pela comunidade, profissionais e setor público, de forma sensorial e perceptual, através do cotidiano da cidade. Resultados Obtidos: Identificação de Situações Críticas e Necessidades de Atualização na Gestão Urbana. Os resultados obtidos no levantamento, se analisados de forma isolada não constituíram grande significado do ponto de vista da obstrução parcial do passeio para a população. Foi possível analisar e concluir no documento final, encaminhado ao poder executivo municipal, que as situações críticas apontadas, do ponto de vista da acessibilidade, necessitam ações de adaptação imediata, em função das características e configuração da cidade. Foi possível concluir acerca da necessidade imediata de revisão da legislação vigente, em nível federal, estadual e municipal, no que diz respeito à atualização de leis, decretos, além da revisão de textos de normas. Foi possível perceber, ainda, a necessidade de revisão da postura tradicional e do modelo de gestão pública do espaço urbano, ao longo das diversas adminstrações. Órgãos envolvidos com licenciamento, aprovação e fiscalização de elementos urbanos como mobiliário, vegetação, obras, transportes, infra-estrutura e serviços necessitam revisão do ponto de vista da performance isolada e independente, por

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ocasião de planejamento e instalação de equipamentos e serviços. A visão integrada de cidade, neste particular é ponto fundamental, com resultados físicos na qualidade da configuração do espaço urbano e reflexos na condição de acessibilidade e mobilidade da população. Considerações Finais Ao final de 2008, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS encaminhou à Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social o Diagnóstico das Condições de Acessibilidade em Porto Alegre. Resultado do trabalho de um ano, suportado por fundamentos científicos e metodologia específica, constituíram base teórica para os necessários estudos e discussões do Grupo Técnico, constituído pelo Executivo Municipal em 2009, visando à elaboração do I Plano Diretor de Acessibilidade da capital, tido pela atual administração como inédito no país. A FAUPUCRS, por seu turno, recolhe de todo esse processo as repercussões mais elevadas. Seu Núcleo de Pesquisa em Acessibilidade e Mobilidade Urbana, a quem coube desenvolver as atividades, teve a especial oportunidade de envolver-se com instigante trabalho de pesquisa, análise e diagnóstico. Trinta alunos de graduação participaram efetivamente da investigação, agregando método de pesquisa através desta iniciação científica e disseminando acessibilidade. Um dos objetivos não menos importantes da investigação, foi o estabelecimento de um método de levantamento para diagnósticos aplicáveis às cidades em geral, com configurações e características tipológicas que se aproximem do Caso Porto Alegre. A inovação deixa como saldo um formulário e roteiro de levantamento, além de uma nova visão da cidade para abordagens de planejamento urbano: a divisão da urbe em quadrantes. Após a conclusão do trabalho, com o encaminhamento do Documento, pode-se perceber que antigas teses sobre Porto Alegre foram desqualificadas do ponto de vista científico. Assim, fica liberado o cenário para o estabelecimento de novos paradigmas e conseqüente montagem de instrumentos de planejamento e controle da cidade, à luz do tema acessibilidade. informalmente, entre seus pares de graduação o tema

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Pode-se perceber que acessibilidade passou a constituir variável intrínseca às atividades de concepção dos espaços e equipamentos urbanos e da qualificação das vivências humanas neles desenvolvidas. Pode-se afirmar que o diagnóstico produzido foi e continua sendo de grande utilidade para os trabalhos que se seguem, na medida em que os resultados a serem obtidos com o novo projeto de lei, se aprovado, contribuirá significativamente para a qualidade de vida da população de Porto Alegre. Referências BENEVOLO, Leonardo. Ed.Perspectiva, 1997. História das cidades. 3ª. edição. São Paulo:

BRASIL. Cadernos do Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana – Brasil Acessível - Caderno 1: Atendimento às pessoas com deficiência e restrição de mobilidade , Brasília, Ministério das Cidades, 2006. BRASIL. NBR9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. ABNT, 2004. CASTRO, Maria Luiza A.C. de; AMARO, João Júlio Vitral, Implantação do sistema de saneamento em Ouro Preto no século XI: a disputa pela Capital. In: OS URBANITAS - Revista de Antropologia Urbana Ano 4. Disponível via WWW no URL http://www.aguaforte.com/osurbanitas5/Castro&Amaro2007.html. Internet, 2008. Capturado em 12/06/2008. FERREIRA, M.S.; CAMPOS, J.C.B.; BARBOZA, S.C.; CÉ, A.R.S. Acessibilidade e Mobilidade Urbana: Mapeamento das Condições Atuais de Porto Alegre / Termo de Referência. Porto Alegre, FAUPUCRS, 2007. GOOGLE EARTH. Imagem da Cidade de Porto Alegre. Captura em maio, 2008. PDDUA: Lei Complementar Nº 434 de 1999. Porto Alegre: Corag.

NOVA ABORDAGEM SAFETY NA SEGURANÇA DE CABINE

KNEIPP 1 , Ubirajara; Faculdade de Ciências Aeronáuticas – PUCRS ukneipp@pucrs.br DAL BOSCO 2 , Andréa Kneipp; Aerosul Instituto de Aviação andreadalbosco41@gmail.com Resumo Este trabalho tem por objetivo apresentar o processo de inovação experimentado nos Treinamentos de Segurança de Cabine, originalmente concebidos para serem ministrados a tripulantes de aeronaves civis brasileiras. Em uma primeira etapa serão referidos os principais órgãos e sistemas, internacionais e nacionais, responsáveis pela regulamentação desses

treinamentos; na seqüência, será mostrada a integração dos sistemas brasileiros responsáveis pela segurança de vôo e a importância da prevenção de acidentes aeronáuticos na formulação da filosofia e da política da segurança de vôo em território brasileiro, salientado o papel balizador da prevenção na elaboração de programas de treinamento visando evitar a ocorrência de acidentes aeronáuticos. Na etapa final será descrita a experiência realizada na Disciplina Emergência, Segurança e Sobrevivência com a inclusão de alunos oriundos de outras Unidades de Ensino da PUCRS, e as estratégias empregadas para solucionar os problemas relativos à diversidade de áreas do conhecimento, adequação do programa para o novo público-alvo, bem como a estratégia empregada para a mobilização de alunos estranhos ao Sistema de Aviação Civil para a apropriação de conhecimentos específicos sobre segurança de cabine e que podem ser aplicados no seu cotidiano.

Palavras-chave: Emergência, Segurança e Sobrevivência.

1

Docente da Faculdade de Ciências Aeronáuticas-PUCRS e da Aerosul Instituto de Aviação, Comissário de Vôo da Varig S.A. graduado em Pedagogia pela PUCRS 2 Docente da Aerosul Instituto de Aviação, Comissária de Vôo da Varig S.A. graduada em Hotelaria pela PUCRS

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Introdução A OACI 3 , agência da Organização das Nações Unidas especializada em aviação civil é o órgão internacional que determina os parâmetros de segurança para a operação de aeronaves civis em mais de 190 países através de seus dezoito Anexos Técnicos. De acordo com o artigo 44 da Convenção de Chicago 4 , é da responsabilidade dos países membros da OACI o cumprimento de toda e qualquer matéria de segurança recomendada pela Convenção de Aviação Civil e de seus Anexos Técnicos, entre elas a eliminação das deficiências quanto à segurança de vôo, a incorporação de progressos técnicos e a revisão contínua dos regulamentos. Para a Organização de Aviação Civil Internacional, os aspectos Safety 5 da Segurança de Cabine estão relacionados com os acidentes não intencionais, como despressurização da cabine, eclosão de fogo acidental a bordo, pouso em emergência e sobrevivência terra/água no pós-impacto, enquanto que os aspectos da Segurança Security 6 referem-se aos acidentes intencionais, como interferência ilícita contra aeronaves, aeroportos e suas facilidades. Cada Estado Contratante 7 deve administrar os assuntos inerentes à aviação civil, através de suas respectivas agências reguladoras 8 . O modal de segurança aérea concebido e implantado no Brasil, diferentemente dos demais países, engloba os segmentos de aviação militar e civil, compondo-se de três grandes sistemas integrados: Sistema de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos SIPAER, Sistema de Controle do Espaço Aéreo - SISCEAB e Sistema de Aviação Civil - SAC. Cada qual possui o seu órgão central com funções reguladoras e formadoras de recursos humanos nas respectivas áreas de atuação e trabalham harmoniosamente integrados, tornando-se elos constituintes, simultaneamente, de um e de outro sistema.

3 4

Organização de Aviação Civil Internacional/International Civil Aviation Organization Convenção Internacional de Aviação Civil realizada em 1944 na cidade de Chicago, onde foi fundada a OACI 5 O mesmo que segurança 6 Segurança Contra a Apropriação Ilícita 7 País Signatário da Convenção de Chicago 8 Agências que regulamentam a Aviação Civil em cada País Signatário

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O SIPAER, criado em 1971, e de acordo com o Decreto Nº 87. 249 de 07 de junho de 1982 9 tem como atribuições planejar, orientar, coordenar, controlar e executar as atividades de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, cujo Órgão Central é o CENIPA, Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Todas essas atribuições conferem ao CENIPA a competência de elaborar a política e a filosofia de segurança para todos os segmentos da comunidade aeronáutica brasileira. A figura 01 mostra os Elos Constituintes do SIPAER.

Figura 01- Elos Constituintes do SIPAER

O Órgão central do SISCEAB é o DECEA 10 , a quem compete planejar, gerenciar e controlar as atividades relacionadas com a segurança da navegação aérea, incluindo as telecomunicações aeronáuticas, a tecnologia da informação e o controle do espaço aéreo brasileiro. O Brasil é o único país do mundo a possuir um sistema completamente integrado de Defesa Aérea e Controle do Espaço Aéreo; assim, os mesmos equipamentos e demais meios físicos e de recursos humanos que prestam assistência ao fluxo do tráfego aéreo civil executam, de forma simultânea, a Defesa Aérea do País, em íntima e permanente interação com a Força Aérea Brasileira. O Sistema de Aviação Civil Brasileiro-SAC é composto de uma extensa e complexa gama de atividades que compreendem e interligam órgãos civis e
9

Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5731.htm - 116k 10 Departamento de Controle do Espaço Aéreo: www.decea.gov.br/?page_id=60 - 34k

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militares do Ministério da Defesa, sob controle governamental e entidades da iniciativa privada. As atividades do SAC, representadas na figura 02, compreendem a Indústria Aeronáutica, o Transporte Aéreo, a Infra-Estrutura Aeroportuária, o Controle do Espaço Aéreo (realizado pelo DECEA) e, instituições privadas de ensino que atuam na formação de recursos humanos para a aviação civil, onde se incluem, entre outras, as Faculdades de Ciências Aeronáuticas e as Escolas de Aviação Civil. O Órgão Central do SAC é a ANAC 11 , a quem compete planejar, gerenciar, controlar as atividades relacionadas à aviação civil, com exceção do controle do espaço aéreo.

Figura 02- Atividades do Sistema de Aviação Civil Brasileiro

Na figura 02, pode-se verificar, ainda, a integração do DECEA ao SAC como elo executivo, compartilhando uma infra-estrutura de apoio para a promoção da Segurança de Vôo no Brasil. Segundo Giddeon (2004), os custos de um acidente aeronáutico são extremamente altos porque:
Primeiro, há o custo da perda da aeronave, que considerando o valor desses veículos é uma perda considerável independentemente do tamanho da organização. Existe também o custo da perda de vidas e danos à propriedade. Aumentando a lista, outros custos indiretos como admissão e treinamento para
11

Agência Nacional de Aviação Civil: www.anac.gov.br/anac/atribuicoesAnac.asp - 48k

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substituição de pessoal, limpeza de ambiente, perda de uso do equipamento, aumento do uso do equipamento restante, taxas legais e processos, prêmios de seguros de vida, custo de operações corretivas, dentre outros.

A razão da existência de programas de Segurança Safety, além de ser uma exigência legal, caracteriza uma resposta à ocorrência de acidentes aeronáuticos possibilitando programar lições aprendidas de suas investigações que podem trazer uma oportunidade de detectar e corrigir deficiências nos sistemas de segurança de vôo. É uma forma de prevenir que aconteçam acidentes similares ou outros novos. Objetivos O programa de Treinamento de Cabin Safety no Brasil é regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC, em consonância com as determinações da Organização de Aviação Civil Internacional-OACI. O principal objetivo de um programa safety é a prevenção de acidentes, motivo pelo qual o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - CENIPA é um importante balizador desses treinamentos por ser o principal mentor da filosofia e política de segurança da aviação civil brasileira que se completa com as ações integradas dos órgãos componentes dos demais Sistemas. Os acidentes aeronáuticos apresentam uma característica peculiar, pois envolvem normalmente um grande número de fatalidades associadas ao impacto com o solo de uma única aeronave. Investigações, análises e conclusões de diversos acidentes envolvendo aeronaves têm demonstrado que a existência de sobreviventes após essas ocorrências está diretamente relacionada,

principalmente, com a competência da tripulação para as corretas tomadas de decisão e a execução dos procedimentos apropriados a cada situação de emergência que se apresente, e esta competência somente é alcançada com o suporte de um eficiente programa de treinamento. A Formação de Cabin Safety na PUCRS é ministrada na Disciplina 472204 Emergência, Segurança e Sobrevivência - ESS e foi concebida de acordo com as determinações do Instituto de Aviação Civil do antigo Departamento de Aviação Civil, a autoridade aeronáutica competente à época da implantação do Curso de Ciências Aeronáuticas, em 1994, contemplando as recomendações de

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segurança advindas do Relatório Final do CENIPA sobre o Acidente Varig 254 de 1989 que passaram a exigir dos tripulantes de aeronaves civis brasileiras a realização do Treinamento Prático de Sobrevivência na Selva. Até 1989 os pousos forçados realizados em regiões de selva eram considerados “não sobrevivíveis”, razão pela qual não eram exigidas dessas tripulações as práticas de sobrevivência na selva, quando era ministrado tão somente um treinamento teórico. Cumprindo com as exigências das atualizações recomendadas, a Disciplina ESS foi inserida no currículo do Curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS com a seguinte ementa, ainda vigente: “Disciplina teórico-prática que contempla o conhecimento das normas legais de segurança, do uso dos equipamentos disponíveis e de aplicação dos procedimentos adequados para as situações de emergência e sobrevivência, incluindo exercícios práticos de combate ao fogo e de sobrevivência na água e na mata.” AERONAVE
INTENÇÃO DE REALIZAR UM VÔO

OCUPANTES

Aspectos Comportamentais TRIPULANTES E PASSAGEIROS

EQUIPAMENTOS
FIXOS E PORTÁTEIS

Aspectos Técnicos e Operacionais

Figura 03- Abrangência da Disciplina Emergência, Segurança e Sobrevivência

A abrangência da Disciplina ESS, representada pela figura 03, reforça os Oito Princípios do SIPAER 12 , onde se afirma que a responsabilidade pela segurança de vôo é de todos os envolvidos com a operação de uma aeronave, sejam fabricantes, tripulantes ou passageiros.

12

http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/paginas/normas/NSCA3-3.pdf

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Descrição do processo de inovação desenvolvido e resultados obtidos No segundo semestre de 2007, ocorreu uma alteração relativa ao públicoalvo da Disciplina ESS, antes direcionada somente aos alunos do Curso de Ciências Aeronáuticas e que passou a ser disponibilizada pela PUCRS aos alunos de suas demais Unidades de Ensino na categoria de Disciplina Eletiva e, aí então, um grande desafio foi lançado: • Como incluir alunos estranhos ao Sistema de Aviação Civil na Disciplina? • Como adequar o programa de treinamento regulamentado pela Autoridade de Aviação Civil a um público tão diferenciado quanto diversificado? • Como mobilizar o aluno estranho ao Sistema de Aviação Civil para aprender sobre temas referentes à segurança de cabine? Com o pensamento voltado para os Oito Princípios do SIPAER foram buscadas e encontradas as respostas para estas questões; os alunos estranhos ao Sistema de Aviação Civil foram categorizados como os passageiros de uma aeronave sendo conduzidos por tripulantes, representados neste contexto pelos alunos do Curso de Ciências Aeronáuticas. De acordo com Freire (2001), [...] “Antes de mais nada, estou convencido de que, epistemologicamente, é possível, ouvindo os alunos falar sobre como compreendem seu mundo, caminhar junto com eles no sentido de uma compreensão crítica e científica dele;” Para Freire, o currículo regular de uma determinada disciplina é importante, porém, mais importante do que o currículo é o modo de ensinar. Neste sentido, não foi necessária a inserção de qualquer alteração no programa da Disciplina Emergência, Segurança e Sobrevivência que a Autoridade de Aviação Civil determinava, foi adotada apenas uma nova abordagem para temas de significado tão familiar para uns e demasiadamente científico para outros. Assim, foi idealizado e instituído o Seminário de Cabin Safety 13 , preparando o cenário e desafiando os atores para o desenrolar da Disciplina ESS, com a

13

Seminário de Segurança de Cabine

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finalidade de possibilitar uma troca entre os participantes no que se relacionava ao conteúdo a ser trabalhado. Em um primeiro momento, os alunos foram distribuídos, de acordo com suas afinidades, em oito grupos de trabalho; a cada grupo foi a dada tarefa de pesquisar o conteúdo de um conjunto de capítulos do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 121 que fundamentam as unidades didáticas da disciplina sobre os equipamentos de emergência existentes na aeronave. O Primeiro Trabalho Escrito solicitado foi baseado na produção do conhecimento resultante dessa pesquisa, aproveitada para avaliação na Primeira Prova Escrita. Com a apropriação do conteúdo desses capítulos, cada grupo de alunos foi orientado para elaborar um conjunto de questões dissertativas a serem empregadas na composição de 40% da Prova Escrita P1, enquanto que os demais 60% foram propostos pelo professor. O próximo momento se constituiu na fundamentação teórica visando os treinamentos práticos de Combate ao Fogo, Sobrevivência no Mar e Sobrevivência na Selva, ministrada em aulas expositivas onde foi aberto um fórum de discussão possibilitado pelo conhecimento produzido pelos alunos no Primeiro Trabalho Escrito, ao mesmo tempo em que novos conteúdos iam sendo apresentados no decorrer das aulas teóricas. Após a realização das atividades práticas e as respectivas avaliações, com a apropriação do conhecimento de todo o conteúdo programático proposto pela Disciplina ESS, os alunos já estavam preparados para elaborar e apresentar o Relatório Final do Seminário de Cabin Safety. As apresentações orais foram programadas para serem realizadas em dois dias com os alunos se distribuindo em quatro Grupos Verbalizadores e quatro Grupos Avaliadores no primeiro dia, invertendo-se os papéis no segundo. Nessas duas sessões do Seminário os alunos puderam apresentar, criticar, discutir e responder a questionamentos que emergiam da assembléia do Seminário durante as apresentações orais. As apresentações se caracterizaram por um misto de linguagem técnica e coloquial, mas acima de tudo, atingindo todos os objetivos propostos ao longo do semestre. O fechamento do curso foi a realização da Prova Escrita P2 que previa a avaliação de todo o conteúdo abordado nas atividades teóricas e práticas realizadas ao longo do semestre.

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As avaliações realizadas durante todo o processo confirmaram um bom aproveitamento tanto por parte dos alunos da Faculdade de Ciências Aeronáuticas como pelos demais. A integração verificada entre alunos de diferentes Unidades da PUCRS matriculados na Disciplina Emergência, Segurança e Sobrevivência comprovou a viabilidade desse processo de inovação. Em 2008, o processo foi consolidado registrando-se uma grande demanda de matrículas na Disciplina ESS, por parte de alunos de todas as áreas do conhecimento. Para as atividades acadêmicas do segundo semestre de 2009, espera-se que esta demanda seja repetida. Considerações finais Esta qualificação visa o cumprimento das determinações da Agência Nacional de Aviação Civil com relação aos iniciantes na carreira de Pilotos, Mecânicos de Vôo e Comissários de Vôo de Aeronaves Civis Brasileiras. A estrutura montada pela PUCRS para a realização de todas as atividades teóricas e práticas relacionadas para esta formação mostraram-se adequadas e eficientes. Embora o aumento significativo do número de alunos em formação com relação aos semestre anteriores (de 22 para 66), não foi gerada a necessidade de aquisição de mais equipamentos. As atividades teóricas são desenvolvidas em sala de aula convencional e a exposição teórica é realizada com o suporte de multimídia, contando com um acervo de vídeos sobre operação de equipamentos e sobre acidentes aeronáuticos; após a exibição se discutem os procedimentos adotados pelas tripulações envolvidas nessas ocorrências. As atividades práticas são ministradas em áreas específicas: A formação Prática de Sobrevivência na Selva é ministrada em área de mata primária e secundária. A carga horária prevista é de 18 horas. Os módulos são compostos de: 1. Primeiros Socorros pós-Catástrofe 2. Construção de Abrigo 3. Obtenção e Manutenção de Fogo 4. Obtenção e Purificação de Água para consumo dos sobreviventes

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5. Preparação e Cozimento do Alimento para consumo dos sobreviventes 6. Sinalização às Equipes de Busca e Salvamento 7. Deslocamento pela mata em busca de socorro A formação Prática de Marinharia é ministrada em piscina térmica, no Ginásio Poliesportivo da PUCRS. A FACA dispõe de um barco salva-vidas do tipo “lançamento na água” com os respectivos acessórios e de 40 coletes salva-vidas; todos esses equipamentos são de uso aeronáutico. O treinamento é constituído dos seguintes módulos: 1. Circuito Educativo dos Equipamentos Individuais de Flutuação 2. Circuito Educativo do Equipamento Coletivo de Flutuação 3. Circuito Educativo do Kit de Sobrevivência no Mar 4. Adaptação ao meio líquido 5. Simulações de Pouso na Água 6. Instruções sobre a “Jornada no Mar” As atividades práticas de Combate ao Fogo são ministradas em área disponibilizada pelo Campus PUCRS Viamão. A carga horária prevista é de 6 horas, empregando extintores de incêndio dos tipos “água pressurizada”, “pó químico seco” e “dióxido de carbono”. É composto dos seguintes módulos: 1. Seleção de extintores 2. Operação de extintores em foco de fogo da Classe A 3. Operação de extintores em foco de fogo da Classe B A participação de alunos oriundos de outros cursos das diferentes Unidades Acadêmicas da PUCRS, na busca de conhecimentos relacionados à segurança de cabine, permite afirmar que esta ação de ensino contribui socialmente, pois, mais e mais pessoas estarão qualificadas para salvar vidas e agir como multiplicadores da cultura de segurança, tão necessária em todos os aspectos da vida humana. Um programa de prevenção de acidentes é simplesmente uma prática inteligente para qualquer organização conduzir seus negócios. Muitos aspectos que fazem uma empresa segura para operar, também a fazem mais confiável e lucrativa. Segurança é, então, um ótimo investimento. Prevenir acidentes minimiza os custos e mantém a organização funcionando, preservando o seu bem mais precioso: os recursos humanos.

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Referências GIDEON, Francis. The Standard Handbook for Aeronautical and Astronautical Engineers. McGraw-Hill, 2004 FREIRE, Paulo; SCHOR, Ira. Medo e Ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 2001.

INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE QUÍMICA: A INTEGRAÇÃO ENSINO-PESQUISA-EXTENSÃO

Ramos, Maurivan Güntzel; PhD; Faculdade de Química – PUCRS mgramos@pucrs.br Ferraro, Concetta Schifino; MS; Faculdade de Química – PUCRS cferraro@pucrs.br Azambuja, Rejane Rolim; MS;Faculdade de Química – PUCRS rrolim@pucrs.br Resumo O texto apresenta a formação inicial de professores de Química na PUCRS, por meio dos seus pressupostos e de informações sobre a sua prática, e destaca seu caráter inovador na relação de parceria entre a Universidade e as escolas. Por um lado está a formação do professor, alicerçada no educar pela pesquisa, por outro está a escola como campo de estágio. Na lógica da formação instituída pelo curso de Licenciatura em Química, a escola é espaço de ensino, pois possibilita a prática docente dos licenciandos; é espaço de pesquisa, pois tanto os licenciandos quanto os docentes coletam e analisam dados dessa realidade, os quais são matéria-prima para a reflexão e formação; é espaço de extensão, pois os estagiários, com a orientação dos docentes da universidade, levam inovações, na forma de idéias, de materiais (kits para as aulas práticas) e de ação voltada à aprendizagem dos alunos do ensino médio. Palavras-chave: Formação de professores de Química, Pesquisa de sala de aula, Inovação. Introdução O presente texto aborda o processo de formação inicial de professores no curso de Licenciatura em Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, com destaque para a formação pedagógica nas disciplinas sob a responsabilidade da Faculdade de Química, pelo seu caráter inovador, com intensa articulação entre ensino, pesquisa e extensão.

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O ensino ocorre pela mediação docente em sala de aula, em processos reflexivos, tendo por base as experiências dos licenciandos no espaço escolar. Portanto, o ensino nas disciplinas de formação pedagógica da FAQUI são todas realizadas com base na ação-reflexão-ação (Shön, 1983, 1992), fortemente vinculadas ao contexto e à realidade escolar. Com isso, busca-se superar a racionalidade técnica em favor de uma racionalidade prática e crítica. A pesquisa ocorre de dois modos: pela ação dos licenciandos, sob orientação dos docentes, por meio da coleta, análise e interpretação dos dados relativos à escola e à sala de aula de Química, bem como pela apresentação escrita dos resultados desse trabalho, que serve de base à reflexão em sala de aula; pela ação dos docentes, com o auxílio de alguns licenciandos (bolsistas e monitores), por meio da coleta, análise e interpretação de dados sobre as ocorrências nessas disciplinas, na forma de uma meta-análise, para compreender e avaliar esse processo de formação com vistas a sua permanente reconstrução e qualificação. Além disso, as disciplinas de formação pedagógica da FAQUI têm entre seus pressupostos teóricos o educar pela pesquisa (DEMO, 1998; MORAES, GALIAZZI, RAMOS, 2004; LIMA, 2004), que se apóia no

questionamento, na reconstrução da argumentação e em processos de comunicação para divulgação e validação dos conhecimentos reconstruídos, tendo como pano de fundo a abordagem sociocultural da aprendizagem e do desenvolvimento humano (VYGOTSKY, 1996; WERTSCH, 1998, 1999; WELLS, 2001; SCHNEUWLY, BRONCKART, 2008). A extensão ocorre por meio de contribuições efetivas às escolas de ensino médio, aos professores e aos alunos, em ações variadas que envolvem a participação efetiva dos licenciandos nas atividades escolares e dos docentes do Curso de Licenciatura em assessorias. Entre as atividades que podem ser consideradas de extensão, apresentam-se: a contribuição às aulas de Química pelo empréstimo de kits para as atividades experimentais, organizados pelos licenciandos e que eles utilizam nas aulas de estágio, possibilitando a realização de aulas experimentais, principalmente nas escolas públicas, necessárias para as aulas de Química; a contribuição à qualificação do trabalho dos professores de Química das escolas pela proposição de atividades de ensino elaboradas e testadas na Universidade, tendo essa assessoria um caráter de educação continuada; a contribuição aos alunos das escolas em função de um trabalho

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qualificado e com propostas atualizadas, o que implica aprendizagens significativas, tanto dos alunos quanto dos licenciandos. Nesse sentido, a escola não é apenas um espaço a ser ocupado pelos licenciandos para a realização das suas atividades de estágio, mas, pelo contrário, é um espaço de interação onde todos os participantes, alunos, professores da escola, licenciandos e docentes da Universidade, aprendem e beneficiam-se mutuamente. Essa experiência só tem se tornado possível graças à reformulação curricular do curso aprovada em 1999 e implantada no primeiro semestre de 2000, na qual foram instituídas as disciplinas de Tutoramento em Prática de Ensino I, II, III e IV e Estágio Supervisionado do Curso de Licenciatura em Química, bem como as disciplinas de Projetos de Ensino de Química e Metodologia de Ensino de Química. Essas mudanças ocorreram como solução da Faculdade de Química para atender às exigências da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996), da Resolução CNE/CES No 1/2002, que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena (BRASIL, 2002a), da Resolução CNE/CES No 2/2002, que institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior (BRASIL, 2002b), bem como da Resolução CNE/CES No 8, de 11 de março de 2002, que estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Bacharelado e Licenciatura em Química (BRASIL, 2002c). Objetivos No presente texto, argumenta-se que é inovadora a formação de professores capaz de reconhecer e respeitar a complexidade das relações que existem nesse processo, de interagir com o espaço escolar numa parceria, na qual todos são beneficiados, alunos, licenciandos, professores das escolas e docentes da Universidade e de assumir a pesquisa como modo de aprender. Descrição do processo de inovação desenvolvido A descrição do processo de formação de professores de Química, objeto principal deste artigo, ocorre por meio da descrição da estrutura geral do curso,

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do trabalho realizado nas disciplinas pedagógicas da FAQUI e da discussão dos pressupostos teóricos do curso. O Curso de Licenciatura em Química da PUCRS O curso atual de Licenciatura em Química de Faculdade de Química da PUCRS tem a duração de sete semestres, totalizando 2940 horas. A formação específica em Química ocorre por meio de disciplinas, em regime semestral, nas áreas de Química Geral e Inorgânica, Química Inorgânica e Mineralogia, FísicoQuímica e Química Orgânica, Química Ambiental, Química Analítica e Química Biológica. Também integram a matriz curricular, as disciplinas de Física Geral e Experimental, Matemática para Químicos, Ética e Filosofia da Ciência e Humanismo e Cultura Religiosa, bem como as Atividades Complementares e as disciplinas eletivas, que podem ser escolhidas entre as disciplinas dos demais cursos de graduação da Instituição.

Figura 1 – Matriz Curricular da Licenciatura em Química – (4-309)

Em relação à formação docente, a matriz curricular do Curso está organizada de modo a oferecer disciplinas de natureza pedagógica desde o

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primeiro nível, como Psicologia da Educação - ensino e aprendizagem (primeiro e segundo níveis), Organização de Políticas para o Ensino Médio (segundo nível) e Didática Geral (terceiro nível), todas de responsabilidade da Faculdade de Educação. Em relação à formação pedagógica específica de Educação Química, o licenciando cursa as disciplinas de Projeto de Ensino de Química (quinto nível) e Metodologia de Ensino de Química (sexto nível), estas de responsabilidade da Faculdade de Química. A primeira propõe estudo de propostas alternativas de ensino existentes no país e realiza a análise de livros didáticos convencionais, e a segunda propõe o estudo de metodologias para o ensino de Química, priorizando a ação e a pesquisa pelos alunos. Além dessas, o licenciando inicia nas atividades de prática docente, no ambiente escolar, por meio das disciplinas de Tutoramento em Prática de Ensino I, II, III e IV, culminando com o Estágio Supervisionado no sétimo semestre. Nessas disciplinas, o licenciando vai gradativamente assumindo-se como professor, tendo o educar pela pesquisa como base para a reconstrução do seu conhecimento profissional. A grande inovação dessa matriz curricular está nestas disciplinas, as quais, são denominadas “tutoramentos”. Cada uma das disciplinas de Tutoramento em Prática de Ensino tem um objetivo específico, que são: o Tutoramento em Prática de Ensino I propõe-se ao reconhecimento e problematização da realidade escolar e da sala de aula; o Tutoramento em Prática de Ensino II propõe-se ao estudo da experimentação no ensino de Química, envolvendo a organização do espaço para as atividades práticas, bem como a preparação e aplicação de aulas experimentais; o Tutoramento em Prática de Ensino III propõe-se ao aprofundamento teórico e prático do estudo das questões experimentais no ensino de Química, pela integração com outras áreas, por meio do desenvolvimento de projetos com os alunos, de atividades integradoras com o Museu da PUCRS, da pesquisa de novas atividades experimentais e da produção escrita sobre o trabalho desenvolvido; o Tutoramento em Prática de Ensino IV propõe-se ao planejamento e à organização de recursos para as atividades futuras do Estágio

Supervisionado, que ocorre no último semestre do curso. As disciplinas de Tutoramento em Prática de Ensino têm, portanto, o caráter de estágio, pois ocorrem no campo real de trabalho, que é o ambiente escolar, com a supervisão dos docentes da Universidade em diálogo com os

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demais colegas licenciandos. Para complementar essa formação, a disciplina denominada de Estágio Supervisionado faz uma síntese desse processo, consistindo em regência de classe, durante um semestre letivo, com a aplicação de resultados dos estudos desenvolvidos ao longo dos Tutoramentos. No entanto, os licenciandos não iniciam a organização e a prática de aula no último semestre. A partir do Tutoramento em Prática de Ensino I, os licenciandos já preparam planos de aula e realizam o trabalho sob a orientação de docente da Universidade e sob a supervisão direta do professor titular da turma na escola. Isso foi se construindo desse modo, pois é forte a convicção que o quanto antes o aluno começa a assumir-se como professor, vai produzindo transformações importantes na sua constituição profissional docente, principalmente pela reflexão sobre o que faz. Isso está de acordo com Mizukami, quando afirma que:
A premissa básica do ensino reflexivo considera que as crenças, os valores, as suposições que os professores têm sobre o ensino, matéria, conteúdo curricular, alunos, aprendizagem etc. estão na base de sua prática de sala de aula. A reflexão oferece a eles a oportunidade de se tornarem conscientes de suas crenças e suposições subjacentes a essa prática. Possibilita, igualmente, o exame de validade de suas práticas na obtenção de metas estabelecidas. Pela reflexão eles aprendem a articular suas próprias compreensões e a reconhecê-las em seu desenvolvimento pessoal. (1996, p. 61)

Evidentemente que as disciplinas de prática pedagógica específicas de Educação Química ocorrem em interação com as disciplinas das áreas específicas de Química do curso, as quais também desenvolvem ações de caráter pedagógico como o objetivo principal de aprofundamento e

complexificação do conhecimento químico. Como ilustração, são apresentados alguns dados do primeiro semestre de 2009. Estão matriculados nas disciplinas de prática docente 92 alunos, os quais estão realizando seus estágios/tutoramentos em 76 escolas, conforme mostra a Tabela 1.

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Tabela 1 – Número de alunos matriculados nas disciplinas de prática pedagógica e número de escolas nas quais realizam seus estágios ou tutoramentos em 2009/1

Disciplina TPE I TPE II TPE III TPE IV ES Total

No de Alunos matriculados 23 17 15 15 12 92

No de Escolas de Tutoramento ou Estágio 21 16 15 13 11 76

Considerando que há dez alunos cursando simultaneamente, pelo menos duas dessas disciplinas, o número real é 82 alunos realizando suas atividades de tutoramento ou estágio em 66 escolas da Capital e da Região Metropolitana de Porto Alegre. Esse elevado número expressa a importância e o impacto que essa atividade de formação tem em relação à realidade escolar do ensino médio. Esse é mais um argumento de que os tutorandos/estagiários devem contribuir para a qualificação da escola e da sala de aula, o que reflete na constituição formação do seu “ser professor”. Isso está de acordo com o que afirma Arroyo (2003), que é necessário investir na melhoria da escola e dos professores que lá trabalham para melhorar o ensino e a aprendizagem em Química, pois não basta melhorar os cursos de Licenciatura se os egressos desses cursos se defrontam com situações de desqualificação e de desmotivação inerentes às relações de produção e trabalho no contexto escolar. Pressupostos teóricos da formação de professores de Química na PUCRS Na formação de professores de Química desenvolvida nas PUCRS há destaque para a interação dos licenciandos e dos docentes com os professores e alunos das escolas, desde as disciplinas iniciais do curso, em um processo de imersão gradativa do licenciando na escola. Nessa perspectiva, o conceito de “tutoramento”, que perpassa as várias disciplinas de formação em Educação Química, pode ser definido como “o processo de aprender com o outro, numa relação de reciprocidade, no espaço/tempo da escola e da Universidade”. (RAMOS e MORAES, 2006, p. 7). Esse processo envolve saberes relacionados: à formação profissional (saberes profissionais), associados aos conhecimentos docentes adquiridos durante o

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curso de licenciatura; à área específica ou disciplina (saberes disciplinares) de Química, que emergem da tradição cultural e da comunidade científica dessa ciência; ao currículo (saberes curriculares), associados à organização do ensino (objetivos, conteúdos, métodos), concretizando-se sob a forma de programas escolares, os quais os professores aprendem planejar e a colocar em ação; experiência docente cotidiana (saberes experienciais), associada à prática docente, aos hábitos de cada professor e ao conhecimento de seu meio (TARDIF, 2006).

Figura 2: Os saberes e a constituição do professor de Química

Para que ocorram aprendizagens relevantes associadas à constituição docente é necessário perceber a interação dos quatro tipos fundamentais de sujeitos do processo de formação inicial como uma rede de relações e partilha de saberes: os docentes e os licenciandos, no âmbito da Universidade; os professores e alunos, no âmbito da escola. Isso significa que há várias situações de tutoramento, entre docentes, licenciandos, professores, alunos; entre docentes e licenciandos, licenciandos e alunos, docentes das universidades e professores das escolas, e professores e alunos das escolas. Essa rede complexa é representada pelo esquema apresentado na Figura 3.

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Figura 3 – Relações de tutoramentos na formação de professores

É evidente que essa rede não para por aí, pois muitas vozes integram-se aos diálogos entre esses quatro segmentos e cada sujeito passa a ser multiplicador dessa rede. É nessa interação complexa, envolvendo experiências e saberes diferenciados, que ocorre a formação inicial de professores na PUCRS. Nesse processo em rede, todos são ensinantes e aprendentes (FERNANDEZ, 2001). Por outro lado, os processos de formação inicial de professores de Química na PUCRS, principalmente no que se refere às disciplinas de natureza pedagógica, com destaque para os tutoramentos e estágios estão fundamentados no educar pela pesquisa (DEMO, 1998; MORAES, GALIAZZI, RAMOS, 2004; LIMA, 2004). Desse modo, em um movimento reconstrutivo, são formuladas perguntas e produzidas respostas ou argumentos, que são comunicados ao próprio grupo ou a outros grupos, com o intuito de divulgar e validar o aprendido. Esse processo parte do conhecimento que cada um tem em relação ao objeto de estudo, que vai se tornando mais consistente e fundamentado, mais abstrato e científico. Para tanto, é necessário que o professor seja mediador nesse processo e que pense junto com os alunos até mesmo o que ainda não sabe. Mas é importante considerar que os alunos também são mediadores, pois, de fato, quem

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faz a mediação entre o objeto de estudo e o sujeito é a linguagem em que se movimentam os aprendentes e ensinantes. Um aspecto importante da pesquisa, na abordagem deste texto, é que os próprios alunos participam da formulação dos problemas, pois a possibilidade de perguntar oportuniza a tomada de consciência em relação às lacunas do próprio conhecimento e essa consciência das faltas pode contribuir para tornar os sujeitos desejantes do aprender. Está na busca de solução dos desafios a possibilidade da aprendizagem aos alunos. Cabe lembrar que a formação de professores não consiste em fornecer fórmulas prontas para a solução de problemas, pois é essa racionalidade que se quer superar. O aprender, portanto, envolve a complexificação do senso comum, daquilo que os alunos já conhecem e que aprenderam de modo experiencial ou pelo ensino escolar vivenciado até o momento. Essa complexificação implica a apropriação do discurso científico. Assim, não é o tipo de problemas que influencia a aprendizagem dos alunos, mas o fato de eles mesmos os elaborarem, pois “parece existir algo muito poderoso em relação ao fato de os próprios alunos assumirem a função de perguntar” (WERTSCH, 1998, p. 129). Trabalhar com pesquisa na sala de aula implica mudar as regras do ensinar e do aprender. Neste caso, os caminhos não são dados, mas se constroem cooperativamente em comunidades de aprendizagem voltadas para reconstruções coletivas de conhecimentos, nas quais professor e alunos assumem papéis de ensinantes e aprendentes.
Mais do que ensinar (mostrar) conteúdos de conhecimentos, ser ensinante significa abrir um espaço para aprender, espaço objetivo-subjetivo em que se realizam dois trabalhos simultâneos: 1-construção de conhecimentos; 2-construção de si mesmo, como sujeito criativo e pensante. (FERNANDEZ, 2001, p. 30).

Pesquisar na sala de aula, numa perspectiva sociocultural, também consiste em desenvolver competências associadas à linguagem, que possibilitam, pelo diálogo e pelo confronto de idéias, formular problemas, encontrar soluções e expressar os novos conhecimentos, que se qualificam por meio da crítica. Nesse processo, a mediação, mais do que pelas pessoas, se dá pela linguagem numa relação dialógica, pois quem conhece algo também ensina no processo de conhecer. Pesquisar em aula implica a combinação de modos de linguagem,

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especialmente, a fala, a escuta, a leitura e a escrita e implica partir de questionamentos relevantes e significativos associados aos conhecimentos iniciais dos participantes, colocando-os em cheque.
Falar ciência não significa simplesmente falar sobre a ciência. Significa fazer ciência por meio da linguagem. Falar ciência significa observar, descobrir, comparar, classificar, analisar, discutir, formular hipóteses, teorizar, questionar, desafiar, argumentar, planejar experimentos, seguir procedimentos, julgar, avaliar, decidir, concluir, generalizar, informar, escrever, ler e ensinar por meio da linguagem da ciência (Lemke, 1997, p. 11).

Isso significa valorizar a função epistêmica da linguagem, além da sua função comunicativa. (MORAES, RAMOS, GALIAZI, 2007) Em relação à formação inicial de professores de Química, as ações de falar, ler, escrever e dialogar são valorizadas para a aprendizagem de competências necessárias à profissão docente. Ao experimentar esses modos de agir e aprender, os futuros professores tornam-se também capazes de colocá-las em ação na sua prática docente. Para isso, as disciplinas voltadas à formação de professores de Química propõem atividades que implicam envolver os alunos e o professor em leituras, em relatos orais, em diálogos e em produção escrita, associados às observações e ao trabalho realizado nas escolas. Isso se apóia na tese de que os licenciandos tornam-se capazes de desenvolver uma prática diferenciada e produtiva, com a emergência de aprendizagens significativas, se experienciam esse modo de ensinar e aprender ao longo da sua formação inicial em contatos com a realidade escolar. Desse modo, durante os tutoramentos e estágios, os licenciandos têm a oportunidade de reconstruir permanentemente o seu conhecimento e a sua visão do que significa ser professor. Com isso, são favorecidos processos para compreender a realidade no seu dinamismo e complexidade e de realizar um trabalho mais adequado a esse contexto. A intensidade das ações realizadas, a reflexão sobre essas ações e a possibilidade de reinventar a própria prática, associadas às oportunidades de falar, ler dialogar e escrever contribuem para a (trans)formação dos licenciandos em direção ao “ser professor”. Nessa perspectiva, tornar-se professor implica assumir a posição de quem pode e deve contribuir para mudanças relevantes e necessárias nessa área de atuação. Ao compreender melhor a profissão e os problemas concernentes a ela,

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os licenciandos tornam-se protagonistas de um ensino mais qualificado, vital para a emancipação social. Resultados obtidos A matriz curricular do Curso de Licenciatura em Química vem sendo praticada desde 2000, portanto há quase uma década. Durante esse tempo várias investigações vêm sendo feitas no sentido de se compreender-se, cada vez mais, esse processo de formação com vistas a sua permanente qualificação. O que se destaca é que os professores egressos do curso, em geral, apresentam um perfil caracterizado por uma atitude empreendedora, questionadora, capaz de buscar soluções frente aos desafios que se apresentam, com um discurso mais qualificado e uma prática coerente ao discurso e com a vontade de continuar aprendendo, pois têm consciência do seu papel social. Deparam-se, no entanto, com as dissonâncias em relação à realidade escolar (RAMOS, 2008), mas apresentam condições de pensar individual e coletivamente em soluções para superar as dificuldades. Considerações finais No presente texto, foi apresentado sucintamente o modo de organização curricular de formação de professores no curso de Licenciatura em Química da PUCRS, com destaque para a dinâmica adotada no currículo do curso, com forte interação entre as Universidades e as Escolas, desde o início da formação, podendo-se perceber a integração pesquisa-ensino-extensão. Nesse sentido, os principais argumentos presentes neste texto defendem a parceria efetiva entre a Universidade e as escolas em favor de um trabalho que beneficie a todos os envolvidos: professores, alunos, docentes e licenciados. Foi intenção também destacar os aspectos epistemológicos que embasam a formação pedagógica do curso descrito, com ênfase no educar pela pesquisa, numa abordagem sociocultural, na qual é valorizada a função epistêmica da linguagem além de sua função de comunicação.

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BOAS PRÁTICAS NOS INSTITUTOS ESPECIAIS

GESTÃO AMBIENTAL NA UNIVERSIDADE E A BUSCA DE UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL

Villwock, Jorge Alberto; Dr; Instituto do Meio Ambiente – PUCRS Blochtein, Betina; Dr; Instituto do Meio Ambiente – PUCRS Resumo A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul tem assumido uma postura pró-ativa no sentido de diminuir o impacto ambiental de suas atividades. O desenvolvimento de procedimentos educacionais capazes de despertar a consciência ambiental e de induzir a mudanças de atitude, nos seus alunos, servidores, professores, e, conseqüentemente, nas comunidades onde eles atuam, somado a tomada de iniciativas voltadas para o conhecimento e a conservação da biodiversidade junto com projetos de pesquisa dirigidos ao desenvolvimento de novas tecnologias, voltados para produção mais limpa, energias renováveis, reciclagem de resíduos, redução de emissões, constituem um elenco de ações destinadas a mitigar e mesmo reverter o estado de degradação ambiental em que nosso planeta se encontra. A criação de um Comitê de Gestão Ambiental ligado ao Instituto do Meio Ambiente, com o objetivo de apoiar a administração universitária além de incentivar, aprovar e promover atividades multi e interdisciplinares, relacionadas com o meio ambiente na Universidade e na Sociedade que a envolve é mais uma atitude inovadora no sentido de alcançar a sua sustentabilidade.

Palavras-chave: Gestão Ambiental, Universidade e Sustentabilidade. Introdução O estado de degradação das condições ambientais do planeta em que vivemos tem sido motivo de preocupação global. Dele decorrem danos à biodiversidade e a própria espécie humana tem sua existência ameaçada. O despertar de consciências diante de tais fatos, a partir da segunda metade do século passado, tem motivado ações no sentido de diminuir, parar e mesmo reverter os processos de agressão ao meio ambiente decorrentes do

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desenvolvimento desenfreado e sem sustentabilidade. As Conferências de Estocolmo e do Rio de Janeiro, e o Protocolo de Kioto, são alguns dos inúmeros exemplos de iniciativas de envergadura mundial, direcionados à busca desta sustentabilidade. Sabe-se, entretanto, de que nada adiantarão esforços internacionais, nacionais ou mesmo de menor abrangência, se eles não forem acompanhados de uma mudança de atitude de cada indivíduo ou de um número cada vez maior de indivíduos, no sentido de respeitar e proteger o meio em que vivemos, onde se processa, constantemente, o milagre da vida. A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul está engajada neste processo. As questões ambientais têm sido consideradas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. A própria gestão universitária vem desenvolvendo ações que visam a preservação de recursos naturais e do meio ambiente. Gestão ambiental na Universidade Em junho de 2008, a PUCRS criou, através de uma iniciativa inovadora da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós- Graduação, o Grupo de Trabalho de Gestão Ambiental. Além de reunir informações e examinar as iniciativas de cunho ambiental em curso na Universidade, o Grupo teve por meta a elaboração de uma política de meio ambiente a ser adotada nos campi e extendida às comunidades envolvidas pela atuação da PUCRS. Em dezembro de 2008, o Grupo concluiu suas atividades, propondo Diretrizes Ambientais e a criação de um Comitê de Gestão Ambiental (CGAPUCRS), ligado ao Instituto do Meio Ambiente, para atuar de modo permanente na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. As sugestões foram aprovadas e estão em fase de implementação. Deste modo, o CGA-PUCRS terá por objetivos: apoiar à Administração Superior na formulação de ações voltadas à gestão ambiental de seus campi, além de incentivar, aprovar e promover atividades relacionadas com o meio ambiente na Universidade e na Comunidade que a envolve, através de procedimentos de ensino, pesquisa e extensão.

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Principais eixos da política de atuação do CGA-PUCRS As ações relacionadas com o meio ambiente, no âmbito da Universidade, deverão ser desenvolvidas em torno de três eixos principais: educação ambiental, redução de impactos ambientais e produção e disseminação de novas tecnologias capazes de diminuir o estado de degradação em que a Terra se encontra. Em primeiro lugar, a Universidade, através de seus procedimentos educacionais, proporciona, vivência e crescimento cultural para uma importante parcela da comunidade, formando cidadãos que passam a ser agentes multiplicadores destes conhecimentos nos seus locais de atuação e de vida. Diante das atuais circunstâncias é fundamental que se desperte, nestas mulheres e nestes homens, uma consciência ambiental, uma verdadeira Consciência Verde, que permita o restabelecimento da sustentabilidade da vida. Por outro lado, os impactos decorrentes da ação humana são os responsáveis pela crise ambiental que afeta o nosso planeta. O desenvolvimento desenfreado promove a degradação dos recursos naturais e humanos. A modificação e a destruição dos ambientes de vida, afetam a biodiversidade e provocam a extinção de espécies. A reversão desses processos é fundamental quando se busca retomar a sustentabilidade ameaçada. É preciso promover e implementar padrões de produção e de consumo que atendam às necessidades básicas da humanidade reduzindo as pressões ambientais e mitigando os impactos decorrentes. Para atingir estas metas, a Universidade deve atuar como agente de primeira linha na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação, criando e disseminando novas tecnologias que proporcionem mecanismos de produção mais limpa, redução de emissões, reciclagem de resíduos, aumento da eficiência energética e outros processos que reduzam o dano ambiental decorrente das atividades do homem sobre o planeta. O mesmo deve ocorrer com tecnologias destinadas a mitigar e/ou reverter processos de degradação objetivando a regeneração ambiental.

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Ações em andamento na Universidade As questões ambientais têm sido consideradas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão em diversas unidades da Universidade. A própria gestão universitária vem desenvolvendo ações que visam o uso adequado de recursos naturais e do meio ambiente. A seguir são apresentadas ações em andamento promovidas pela PUCRS. Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza – PRÓ-MATA O projeto Pró-Mata foi concebido dentro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, em 1991, tendo como propósito a aquisição de uma área a ser destinada como unidade de pesquisa e conservação. Utilizando recursos próprios, complementados por significativa doação da empresa Andreas Stihl, sediada na Alemanha, e com atividades industriais no Rio Grande do Sul, a PUCRS, em abril de 1993, adquiriu várias propriedades contíguas, que somadas a áreas de preservação permanente compõem aproximadamente 3.000 hectares inseridos nos municípios de São Francisco de Paula, Itati e Maquiné. A área do Pró-Mata, localizada na região nordeste do RS, no Planalto das Araucárias e borda da Serra Geral, é coberta por fragmentos de floresta e pequenos trechos com campos nativos, os quais representam importantes remanescentes da vegetação original do Rio Grande do Sul. A estratégia de implantação do Centro nesta área buscou garantir a proteção de áreas, particularmente aquelas com extrema importância biológica ou complexidade paisagística e que cumprissem papel de corredor ecológico na região Sul do Domínio da Mata Atlântica. Esses são alguns dos atributos dos ecossistemas no Pró-Mata, considerados como prioritários no âmbito da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica da Unesco. Em abril de 1996, foi oficialmente inaugurada a sede do Centro de Pesquisas e nestes treze anos de existência, o Pró-Mata se consagrou como um importante pólo de pesquisa, ensino e extensão, recebendo mais de 2 mil visitantes ao ano. Em sua atuação, o Pró-Mata passou a trabalhar de forma efetiva ao lado de inúmeras outras Universidades, entidades governamentais e não-governamentais, integrado à estratégia de ação em nível nacional e

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internacional, que visa a encontrar e definir formas mais adequadas para as interações do homem com o ambiente. O Pró-Mata adota o apoio à ética que compatibiliza o desenvolvimento com a conservação na natureza. Assim, são usuários do Centro pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, participantes de atividades curriculares ou projetos de pesquisa, da PUCRS e de instituições parceiras. A dedicação da comunidade atuante no Pró-Mata, aliada à adequada infraestrutura para as atividades propostas, garantiu condições para a execução de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses e livros, além da produção de centenas de artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais em diferentes áreas do conhecimento. A vasta produção científica tem gerado um amplo acervo de informações sobre o meio físico e biológico regional e local, disponíveis em forma de relatórios, mapas e publicações. As abordagens do Centro de Pesquisas integram aspectos que vão da sistemática à ecologia de espécies e manejo de ecossistemas, e mais recentemente, passou a incluir também a biologia molecular Desde 1998, o Pró-Mata vem sendo administrado pelo Instituto do Meio Ambiente. Instituto do Meio Ambiente - IMA A PUCRS criou, em 1998, o Instituto do Meio Ambiente na qualidade de responsável pelo desenvolvimento de atividades de ensino de pós-graduação e de pesquisa voltadas para questões ambientais. O IMA oferece o Curso de Especialização em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente, já na décima quarta edição. No início de suas atividades, o IMA criou a Comissão de Gerenciamento de Resíduos da PUCRS – RECIPUCRS, nascedouro de muitas das atividades que vem sendo levadas a efeito pela Prefeitura Universitária e pelo Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT e outros setores da administração universitária. Paralelamente, o IMA tem coordenado projetos de pesquisa e de extensão, dos quais várias outras unidades universitárias da PUCRS têm participado, notadamente, a Faculdade de Biociências, a Faculdade de Engenharia, a Faculdade de Química e o Museu de Ciência e Tecnologia. Cabe ainda mencionar a criação, em 2007, do “Centro de

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Excelência em Pesquisa sobre o Armazenamento de Carbono” através de convênio com a PETROBRAS e a Agência Nacional do Petróleo. Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono – CEPAC O CEPAC é um centro interdisciplinar para pesquisa, desenvolvimento, inovação, demonstração e transferência de tecnologia (PDID&T) em

armazenamento geológico de carbono, vinculado ao Instituto do Meio Ambiente da PUCRS. As atividades de pesquisa visam à análise da potencialidade, risco, capacidade, durabilidade e rentabilidade desta atividade, associada ou não à produção de energia (óleo, gás natural e hidrogênio). As tecnologias em que o CEPAC se propõe a pesquisar e implantar, uma vez adotadas em escala comercial, terão grandes conseqüências sociais e ambientais, tanto em nível local como em nível global. Ao desenvolver tecnologias para a redução das emissões de gases de efeito estufa, o CEPAC contribui de forma efetiva para a mitigação das mudanças climáticas e do aquecimento global, ajudando assim a estabilização da concentração de CO2 na atmosfera, que em nível local pode ser refletido no não aumento das ocorrências de eventos climáticos extremos e de mudanças menores nos ciclos hidrológicos locais, evitando assim os impactos destas mudanças no meio ambiente e na sociedade. O CEPAC é o primeiro centro do gênero do país e também o mais bem equipado para desenvolvimento de pesquisas na área de armazenamento de carbono. O CEPAC já contribui para o posicionamento de destaque do Estado do Rio Grande do Sul, com relação ao desenvolvimento de um pólo tecnológico na área de seqüestro geológico de carbono. O Centro conta com uma equipe multidisciplinar que envolve

pesquisadores, alunos de graduação, alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) e professores da PUCRS. Integram a equipe do CEPAC

representantes das seguintes unidades acadêmicas da PUCRS: Instituto do Meio Ambiente, Faculdade de Química, Faculdade de Engenharia, Faculdade de Comunicação Social, Faculdade de Biociências e Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas.

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No momento, o CEPAC conta com sede própria de 1000 m2 de área construída no Parque Científico e Tecnológico da Universidade, o TECNOPUC. Plano Diretor do Campus Central Considerando a importância da instituição de ensino e pesquisa e a necessidade de uma adequada inserção na estrutura urbana na cidade é que a PUCRS e a Prefeitura Municipal de Porto Alegre assinaram em 2003 um termo de compromisso pelo qual a Universidade se comprometeu a elaborar um Plano Diretor de Desenvolvimento do Campus Central, contemplando todo o atual complexo universitário e hospitalar e as futuras obras de expansão. Como complementação a este Plano Diretor, foi iniciado, em 2006, o Relatório de Impacto Ambiental, envolvendo os meios físico, biótico e antrópico. Foram analisadas questões referentes aos ruídos e vibrações, recursos hídricos, cobertura vegetal, resíduos sólidos, circulação e acessibilidade, urbanização e regime urbanístico, arqueologia, patrimônio histórico – Colégio Champagnat e sistema viário. Várias iniciativas mitigatórias vêm sendo postas em prática. Outras atividades No âmbito da Universidade, poderiam ser mencionados numerosos projetos de pesquisa voltados ao conhecimento da biodiversidade levados a efeito pela Faculdade de Biociências e pelo Museu de Ciências e Tecnologia. O Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção é um dos importantes resultados que a PUCRS coloca á disposição da Comunidade. Projetos voltados para o aproveitamento da energia solar, desenvolvidos na Faculdade de Física e que levaram à criação do Núcleo Tecnológico em Energia Solar funcionando no TECNOPUC; projetos voltados para outras formas de energias renováveis, desenvolvidos no Núcleo Tecnológico de Energia e Meio Ambiente – NUTEMA e no Departamento de Energia Elétrica da Faculdade de Engenharia; projetos de pesquisa e de extensão realizados pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa Ambiente e Direito - NEPAD da Faculdade de Direito, atestam, entre vários outros, a potencialidade que a Universidade dispõe para desenvolver atividades voltadas para o meio ambiente.

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Ações futuras O Comitê de Gestão Ambiental da PUCRS, a partir de 2009, será responsável pelo acompanhamento da aprovação e suporte na implementação das Diretrizes Ambientais, conforme planejamento e prioridades da Instituição. Deverá, por outro lado, acompanhar as ações ambientais em andamento na Universidade, procurando atualizar o programa de atividades da Comissão de Gerenciamento de Resíduos - RECIPUCRS, fazendo um completo levantamento da produção, gerenciamento e tipos de resíduos nas diferentes unidades da universidade. No que diz respeito à educação ambiental deverá estimular a inserção de conteúdos e atividades ambientais nas disciplinas dos cursos de graduação e pós-graduação. Deverá, ainda, promover entre estudantes, servidores e professores, a formação e capacitação de um grupo de agentes facilitadores / multiplicadores nas diferentes unidades da universidade, capazes de estimular ações capazes de despertar consciência ambiental. O CGA deverá manter uma atitude inovadora, articulando seu trabalho com as demais iniciativas institucionais na área de desenvolvimento social e econômico, promovendo ações conjuntas de natureza inter e multidisciplinar, com o objetivo de alcançar a sustentabilidade da Universidade e da Sociedade que a inclui.

ATIVIDADE AUTO-INSTRUTIVA EM BIOÉTICA: A EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM PARA PROFISSIONAIS DE NÍVEL TÉCNICO NA ASSISTÊNCIA A PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS

SELF-INSTRUCTIVE ACTIVITY ON BIOETHICS: DISTANCE EDUCATION AS A LEARNING TOOL FOR TECHNICAL LEVEL PROFESSIONALS ASSISTING PEOPLE LIVING WITH HIV/AIDS

Feijó, Anamaria G. S.; PhD, Instituto de Bioética – PUCRS agsfeijo@pucrs.br Ramos, Mauro C.; PhD, Centro de Estudos de AIDS / DST do Rio Grande do Sul CEARGS mauroramos@ceargs.org.br Wagner, Paulo R.; PhD, Coordenadoria de Educação à Distância - PUCRS prwagner@pucrs.br et al. 1 Resumo Antecedentes: Com a necessidade de aumentar os conhecimentos em Bioética, a educação à distância pode ser uma ferramenta adequada alcançando um grande número de profissionais da saúde e pesquisadores em diferentes regiões geográficas a um baixo custo financeiro. Uma atividade auto-instrutiva sobre fundamentos da bioética, baseada na Internet, foi desenvolvida em um projeto conjunto entre o Centro de Estudos de AIDS/DST do Rio Grande do Sul CEARGS e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, financiado pela The Wellcome Trust. Descrição: Uma atividade auto-instrutiva de curta duração, com cinco módulos, objetivando prover instrução básica em bioética foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar e disponibilizada à comunidade na Internet, de forma gratuita, no web site da PUCRS, utilizando o

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Loch, Jussara A; Gauer, Gabriel J.C.; Kipper, Délio J.; Oliveira, Marília G. ; Weber, João B.B.; Calvetti, Prisla U.; Carvalho, Fernanda T.; Müller, Marisa C.; Negreiros, Bruna F.; Nunes, Maura M. S.

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ambiente virtual moodle. Questões de avaliação devem ser respondidas pelo aluno para evoluir para as lições seguintes. Ao completar o curso, os usuários terão adquirido conhecimentos básicos e habilidades em questões éticas da prática e pesquisa clínica, especialmente as relacionadas as DST e HIV/AIDS. Lições aprendidas: O desenvolvimento desta atividade pedagógica foi uma rica experiência de aprendizagem, em que os profissionais/docentes no campo das DST/HIV/AIDS, da Bioética e da Informática interagiram de forma multidisciplinar. Os alunos participantes foram unânimes em considerar o curso informativo, útil, e de fácil execução.

Palavras-chave: Bioética, Educação à distância, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Abstract Background: With the need to improve knowledge of bioethics, distance learning education can be a useful tool, reaching large numbers of health professionals and researchers in different geographic regions with low cost. An Internet-based self-instructive activity on fundaments of bioethics was developed as a joint project of the Centro de Estudos de AIDS/DST do Rio Grande do SulCEARGS and the Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul PUCRS, funded by The Wellcome Trust. Description: A five-module, Internetbased self-paced activity, that intends to provide basic instruction in bioethics was developed by a multidisciplinary staff and offered free-of-charge to general public through PUCRS’ moodle web site. Evaluative questions must be answered in order to proceed to other lessons. At the completion of the modules, users have acquired basic knowledge and skills in ethics in clinical practice and research, especially STI/HIV/AIDS issues. Lessons learned: Developing this pedagogical activity was a rich learning experience in which faculty in the STI/AIDS field, bioethics, and informatics interacted on a multidisciplinary basis. Participants unanimously considered the course informative, useful and user-friendly.

Keywords: Syndrome.

Bioethics,

Education,

distance,

Acquired

Immunodeficiency

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Introdução O cuidado à saúde envolve tanto o atendimento individual, como ações coletivas, participação política e controle social, já que a escuta à vida não pode estar orientada somente para os processos fisiológicos ou patológicos. Esta abordagem precisa fazer parte das reflexões das equipes e dos gestores em saúde, sempre visando à humanização do atendimento aos pacientes, mediante um aumento do grau de comprometimento no cuidado e nos serviços de saúde, dando visibilidade às dimensões ética, subjetiva e humana de sua atuação profissional. Além de ser uma prerrogativa da lei do Sistema Único de Saúde (SUS), a humanização deve ser considerada, principalmente, como uma necessidade de saúde. É importante haver uma constante troca de saberes entre as diferentes áreas do conhecimento através do diálogo, da participação da comunidade e do trabalho em equipe, especialmente quando tratamos de um grupo específico de enfermidades - chamadas doenças infecto-contagiosas - e, dentre elas, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Estas

enfermidades tornam a pessoa extremamente vulnerável, demandando atenção, respeito e cuidado especial. Esta visão de cuidado especial com a vulnerabilidade é compartilhada pela Bioética, área multidisciplinar de reflexão sobre conflitos que a sociedade contemporânea nos apresenta em função dos avanços tecnológicos ou da má distribuição de recursos. A verdade é que os conflitos que são estudados no âmbito da Bioética resultam de uma situação histórica concreta, ou seja, de um problema real que leva, naquele momento, a uma preocupação pública. O Centro de Estudos de AIDS / DST do Rio Grande do Sul (CEARGS), sensível à vulnerabilidade das pessoas vivendo com HIV/AIDS e preocupada com sua responsabilidade em formar de maneira integral os cuidadores destas pessoas em seus cursos e treinamentos, elaborou um projeto que foi financiado pela Wellcome Trust. Sabedor do conhecimento aprofundado em Bioética de um grupo de docentes da PUCRS, liderado, na época, pelo Prof. Dr. Joaquim Clotet, o CEARGS estabeleceu contato com este professor visando propor a elaboração de um instrumento educativo que pudesse auxiliar na formação de seus alunos. Desta forma concretizou-se uma profícua parceria entre os docentes de Bioética (hoje congregados no Instituto de Bioética) e do setor de Educação a

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Distância (EAD) da PUCRS com os profissionais do CEARGS, viabilizando uma atividade auto-instrutiva de introdução à Bioética, disponível no site da nossa Universidade e que traz aos interessados, já que é oferecida não apenas aos alunos do CEARGS, mas à sociedade em geral, noções básicas de Bioética, valorando o cuidado com a vulnerabilidade e salientando a atenção que deve ser dada às pessoas vivendo com HIV/AIDS. Objetivos Geral: Propiciar à sociedade em geral e aos alunos do Centro de Estudos de AIDS / DST do Rio Grande do Sul (CEARGS) informações e capacitação teórica para refletir sobre as implicações ético-sociais da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida e da vulnerabilidade das pessoas vivendo com HIV/AIDS, desde uma perspectiva bioética. Específico: Elaborar uma atividade auto-instrutiva de introdução à Bioética, a ser realizada de forma não presencial (à distância), para alunos e técnicos científicos de nível médio do CEARGS e para sociedade em geral. Descrição do processo de inovação O CEARGS, atento às tendências educacionais contemporâneas,

entendeu que a Bioética seria uma área de importância para fornecer subsídios teóricos fundamentais à formação dos alunos de seus cursos preparatórios, inclusive por seu caráter multidisciplinar. Sendo assim, uma equipe deste órgão propôs ao líder da Bioética na PUCRS, a elaboração conjunta de um projeto de construção de uma atividade auto-instrutiva, semelhante a um curso de capacitação, a ser submetido à aprovação de uma instituição internacional, a Wellcome Trust, a qual possibilitaria os recursos financeiros para a execução do projeto. A partir do aceite da Wellcome Trust elaborou-se um cronograma de ações para organizar as reuniões e contatos visando dar conteúdo didáticopedagógico ao projeto.

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Opção pelo ensino à distância A escolha de uma modalidade de ensino à distância, já esboçado no projeto, tomou vulto, levando em consideração as exigências da

contemporaneidade, com aceleradas transformações, tanto culturais quanto nas inovações tecnológicas, onde os espaços formais para a educação têm sido complementados pela crescente demanda pela EAD, permitindo que várias instituições de ensino e capacitação desenvolvam estudos e experiências para aperfeiçoar o processo de transposição da educação para além de seus muros. Ao fomentar a incorporação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e das técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos tradicionais, a utilização da Internet na instrução auxilia no processo de democratização do saber, na valorização da informação e no uso da informática e da comunicação para integrar o humano e o tecnológico; o individual, o grupal e o social. Formação da equipe A equipe formada para a elaboração dos conteúdos constou de três grupos de profissionais: docentes de Bioética da PUCRS, responsáveis pelo

desenvolvimento dos temas éticos e bioéticos; técnico-científicos do CEARGS, responsáveis pela assessoria nos temas relacionados ao HIV/AIDS; professores e instrutores do Setor de EAD da PUCRS, responsáveis por adaptar os conteúdos para o formato on-line e criar o espaço virtual do curso. Cada equipe contou com um coordenador de área, conforme descrito na Figura 1.

Equipe Bioética/PUCRS Anamaria G. S. Feijó – FABIO (coord) Délio J. Kipper - FAMED Gabriel J. C. Gauer - FAPSI João Batista B. Weber - FO Jussara de A. Loch - FAMED Marília G. de Oliveira - FO

Equipe CEARGS Mauro C. Ramos (coord) Fernanda T. Carvalho Marisa C. Müller Prisla U. Calvetti

Equipe EAD/PUCRS Paulo R. Wagner - (coord) Bruna F. de Negreiros Maura M. de Souza Nunes

Figura 1 – Equipe multiprofissional responsável pela elaboração do curso

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Elaboração e desenvolvimento dos conteúdos As equipes trabalharam de forma multidisciplinar, lendo, revisando e comentando o trabalho dos colegas, sendo que a maioria dos contatos para leitura e comentários sobre o teor dos capítulos foram feitos de forma eletrônica por e-mail. À medida que os capítulos iam sendo finalizados e aprovados pelos coordenadores, eram encaminhados ao EAD para inserção em espaço específico no ambiente virtual moodle da PUCRS. Para determinar se o curso estava suficientemente claro para ser disponibilizado à comunidade em geral, foi realizado um teste piloto com sete profissionais de saúde que trabalham na área de DST/HIV/AIDS, que fizeram comentários e sugestões, propiciando as necessárias adequações de conteúdo, linguagem e ambiente gráfico. Desta forma, o layout foi melhorado e o conteúdo revisado, antes do curso ser colocado on-line. Os temas foram planejados e distribuídos em cinco módulos, com o objetivo de sistematizar os assuntos, permitindo ao aluno uma aprendizagem progressiva, de modo que conceitos fundamentais, necessários para o entendimento dos conteúdos posteriores, fossem apresentados no início do estudo. O primeiro módulo tratou do histórico da Bioética, de conceitos importantes da disciplina e procurou dar uma noção da Teoria Principialista. O segundo módulo versou sobre Ética em pesquisa com seres humanos e animais. O terceiro módulo e o quarto foram elaborados tratando das questões bioéticas e deontológicas relacionadas às doenças infecto-contagiosas, enfatizando a AIDS, e o quinto e último módulo tratou da vulnerabilidade na assistência e na pesquisa em saúde (Figura 2)

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Módulo 1 – Introdução à Bioética 1.1 Termos introdutórios fundamentais 1.2 Bioética - Histórico 1.3 Explicitando o conceito de Bioética (meio-ambiente, animal não-humano, área biomédica). 1.4 Principialismo (Denúncia de Beecher, Relatório Belmont, Teoria Principialista). Módulo 2 – Ética em Pesquisa 2.1 Pesquisa envolvendo seres humanos 2.1.1 Introdução e breve histórico dos aspectos regulatórios. 2.1.2 Ética aplicada à pesquisa com seres humanos. 2.1.3 Termos e definições referentes à pesquisa envolvendo seres humanos. 2.1.4 Requisitos mínimos para uma pesquisa eticamente correta. 2.2 Pesquisa envolvendo animais 2.2.1 Por que usamos animais na pesquisa científica? 2.2.2 Por que a preocupação com o uso de animais na investigação científica? 2.2.3 Quem pode auxiliar no uso eticamente adequado dos animais na pesquisa? 2.2.4 Que leis existem?Que legislação seguir? Módulo 3 - Os conflitos morais na prática clínica e a busca de soluções 3.1 Relação médico-paciente: 3.2 Direitos dos pacientes e o processo de consentimento livre e esclarecido. 3.3 Deveres de conduta dos profissionais de saúde: 3.3.1 Códigos deontológicos profissionais. 3.3.2 Ética dos Princípios, do Cuidado e das Virtudes. 3.4 Os Comitês de Bioética como instância de mediação dos conflitos: o que são e como funcionam. Módulo 4 - Infecção pelo HIV/AIDS 4.1 Cuidados clínicos e ética na sociedade 4.1.1 Aspectos legais, relacionados ao trabalho e à notificação dos casos. 4.1.2 Aspectos relacionados à testagem para o HIV e à responsabilidade do portador. 4.1.3 Privacidade, confidencialidade e revelação do diagnóstico para outras pessoas do convívio do doente. 4.1.4 Aspectos relacionados ao tratamento, à transmissão vertical e aos direitos reprodutivos. 4.1.5 Paciente terminal e risco de morte pelo HIV. 4.1.6 Ética na pesquisa em HIV/AIDS. Módulo 5 - Vulnerabilidade 5.1. Conceituação. 5.2 Vulnerabilidade no Ensino, na Pesquisa, na Extensão e na Prática Clínica Profissional. 5.3 O Consentimento Livre e Esclarecido nos casos de vulnerabilidade (Crianças e adolescentes; pessoas com desordens cognitivas; indígenas; população carcerária; grupos estigmatizados (raças e etnias; gênero e sexualidade; patologias psíquicas e somáticas). 5.4 Normas de pesquisa em saúde.

Figura 2. – Quadro-resumo dos conteúdos dos módulos on-line

Além dos conteúdos considerados básicos para esta atividade introdutória, passíveis de serem impressos para estudo, oportunizou-se ao aluno a ampliação de seus conhecimentos através de leituras complementares, disponibilizadas nas próprias lições através de links a artigos científicos, capítulos de livros devidamente autorizados pelos autores, sugestões de filmes e visitas a páginas web (Figura 3).

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Figura 3 – Sugestão de atividades complementares

Acesso ao moodle Ao acessar a página do ambiente virtual moodle da PUCRS e localizar a Atividade de Introdução à Bioética (Atividades Abertas à Comunidade), o aluno tem condições de realizar seu registro por meio de senha personalizada e seus acessos ao conteúdo das lições ficam garantidos por um período de um mês para completar os cinco módulos. Quando realizadas em uma única sessão, a leitura dos textos e quadros obrigatórios e as respostas às questões de avaliação, permitem ao aluno concluir a atividade em um tempo aproximado de duas horas. (Figura 4)

Figura 4 – Tela de acesso à Atividade Auto-Instrutiva de Introdução à Bioética

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Avaliação da aprendizagem A avaliação da aprendizagem do aluno é realizada também on line, no decorrer dos capítulos, ao responder perguntas objetivas, possibilitando ao aluno a verificação de quanto está aprendendo e apreendendo do assunto. Se as questões não forem corretamente respondidas, o estudante é convidado a retornar ao início do segmento, estudá-lo novamente e refazer o pós-teste. Se aprovado, recebe autorização para passar ao módulo seguinte. Após a finalização dos conteúdos, o aluno está autorizado a imprimir uma declaração eletrônica de conclusão da atividade. (Figura 5)

Figura 5 – Exemplo de atividade de avaliação da aprendizagem do aluno

Resultados obtidos O Atividade Auto-Instrutiva de Introdução à Bioética permanece disponível no ambiente virtual moodle da PUCRS (http://moodle.pucrs.br – atividades abertas à comunidade) desde março de 2008. Até a presente data, cerca de 200 alunos realizaram a atividade on-line, com aproveitamento integral, sendo que os participantes foram unânimes em considerar os conteúdos informativos, úteis e de fácil execução. O CEARGS também tem utilizado os módulos de Introdução à

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Bioética como pré-requisito para a realização de seus cursos de Metodologia em Pesquisa Clínica. Considerações finais O desenvolvimento desta atividade didático-pedagógica foi uma rica experiência de aprendizagem, em que os profissionais/docentes do campo das DST/HIV/AIDS, da Bioética e da Informática interagiram de forma inter e multidisciplinar. O caso relatado exemplifica com propriedade a importância dada por nossa Universidade ao diálogo e à interação com a Sociedade. Buscando responder à realidade, necessidades e anseios da população, a PUCRS, nesta parceria com o CEARGS, estende à comunidade - através de recursos inovadores e atuais como as ferramentas de Educação à Distância - suas atividades de ensino e pesquisa com vistas à elevação do nível de educação e cultura do povo, como preconizado em seu Marco Referencial. Referências BEAUCHAMP, T.; CHILDRESS, J. Principles of biomedical ethics. New York: Oxford University, 1994. BEECHER, H. Ethics and Clinical Research. The New England Journal of Medicine, n.16, jun. 1966: 1340-60. BLOCH, S., CHODOFF, P. & GREEN, S. A. Psychiatryc Ethics.3 ed.New York: Oxford Press, 2003. BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº. 196/96. In: http://www.conselho.saude.gov.br/ Acesso em: 20.10.2007. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Recomendação para a terapia antiretroviral em adultos e adolescentes infectados pelo HIV: 2005/2006. 6 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. CALVETTI P.; HARZHEIM E.; VIANA L., GERMANY C.; RAMOS M. Publicações científicas em DST, HIV e AIDS: descrição de procedimentos bioéticos nas recomendações para os autores e em artigos selecionados. Jornal Brasileiro de DST, 2005. v.17(3).p. 177-180.

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GERONTOARQUITETURA - O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA DE UMA NOVA REGULAMENTAÇÃO ARQUITETÔNICA -

Souza, Fabiane Azevedo de; Arquiteta Me arq_fabianeazevedo@yahoo.com.br Souza, Antonio Carlos Araújo; PhD Ferreira, Mario dos Santos; Arquiteto Dr msferreira@pucrs.br Gomes, Irenio; PhD ireniogomes@uol.com.br Resumo Introdução: Poucos problemas têm despertado tanto a preocupação do próprio homem em toda sua história como as alterações relacionadas ao envelhecimento e à incapacidade funcional, associada a este período do desenvolvimento humano. O projeto de ajuste dos espaços para o seu uso tornase cada vez mais importante, pois todos os esforços que tem como finalidade aumentar a probabilidade de uma vida com maior autonomia, significam torná-la mais segura e adaptada às limitações naturais decorrentes do envelhecimento. A ausência de um conhecimento mais específico sobre as medidas antropométricas desta população incorre em uma maior dificuldade de planejamento. Objetivos: O presente estudo teve como objetivo geral: Determinar padrões referenciais antropométricos da população idosa de Porto Alegre. Os objetivos específicos foram: Caracterizar física e dimensionalmente a população de idosos; avaliar as alterações morfológicas relacionadas ao envelhecimento, através de

levantamento antropométrico; analisar e comparar os valores coletados na amostra com os valores utilizados como referência na bibliografia; Materiais e Métodos: Inserido dentro do Projeto Multidimensional dos Idosos de Porto Alegre, este trabalho foi definido como sendo transversal exploratório e observacional de base populacional para os eventos mais freqüentes da população idosa, com a participação de 476 idosos, com idade acima de 60 anos. A coleta de dados foi realizada na PUCRS, após o preenchimento do termo de consentimento. Resultados: O estudo mostrou que, de maneira geral, as medidas avaliadas sofrem alterações significativas com o envelhecimento. E estas são observadas principalmente no tronco. Os segmentos formados por

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ossos longos tendem a não sofrer reduções importantes. Comparadas às dimensões utilizadas como referência na bibliografia, as medidas coletadas apresentaram um perfil de idoso menor e com estatura inferior. Conclusões: Através deste levantamento pudemos estabelecer comparações e apontar diferenças suficientemente importantes para afirmar que os dados utilizados como padrão não são adequados à nossa população.

Palavras–chave: antropometria aplicada, dimensionamento humano, habitação adaptada.

O envelhecimento progressivo da população humana constitui um sério desafio para a civilização contemporânea (Yusuff, 2007) e o projeto de ajuste dos espaços e produtos para o seu uso torna-se cada vez mais importante, pois todos os esforços que tem como finalidade aumentar a probabilidade de uma vida, com maior autonomia, significam diretamente torná-la mais segura e adaptada às suas limitações naturais decorrentes do envelhecimento. O entendimento deste processo de envelhecimento como uma ocorrência natural do ciclo de vida é fundamental na compreensão do seu impacto sobre as condições de saúde associadas à longevidade e à qualidade de vida dos seres humanos. Ele não deve ser considerado uma doença, mas um evento contínuo e inevitável, com características específicas e alterações cumulativas (Hayflick, 1997). As conseqüências deste processo no ser humano pode nos levar a generalizar o idoso como um potencial portador de deficiências, o que difere radicalmente de rotulá-lo como deficiente físico. Embora as perdas funcionais que ocorrem em nossos sistemas vitais em função do envelhecimento sejam eventos esperados e aumentem a nossa vulnerabilidade, as doenças associadas à velhice não são parte do processo normal de envelhecimento (Hayflick, 1997). A Organização Mundial de Saúde argumenta que os países podem custear o envelhecimento se os governos, as organizações internacionais e a sociedade civil implementarem políticas e programas de “envelhecimento ativo” que melhorem a saúde, a participação e a segurança dos cidadãos mais velhos. A hora para planejar e agir é agora (OMS, 2005).

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Cabe à área biomédica o estudo do processo biológico do envelhecimento. À arquitetura, como uma área social, cumpre a missão de estudar as alterações físicas que ocorrem nesta fase e relacioná-las ao meio ambiente no qual ele vive, propondo soluções que facilitem a vida dos indivíduos idosos – é o que passamos a partir de então de chamar de GERONTOARQUITETURA. A seguir, serão apresentados aspectos do processo de envelhecimento humano e suas principais alterações. Alterações estas que influenciam diretamente no planejamento de ambientes adaptados a determinados grupos de indivíduos. Finalizando este capítulo abordaremos os temas relacionados às proporções humanas e sua relação nos idosos. Após, serão descritas as implicações das barreiras arquitetônicas no cotidiano do idoso. A existência de numerosos conceitos por si só deixa clara a dificuldade de entendimento do processo de envelhecimento (Papaléo, 2005) Dentre tantas definições, a que conceitua o envelhecimento como um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas (Papaléo, 2002) determinando uma perda progressiva da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade é a que mais se aproxima do complexo processo de envelhecer. No intuito de incorporar esse rigor dentro de uma definição operacional, foi proposto (Jeckel, 2002) que mudanças fundamentais relacionadas com a idade devem obedecer a quatro condições: devem ser deletérias - alteram e tendem a reduzir a funcionalidade do organismo, devem ser progressivas - se estabelecem gradualmente, devem ser intrínsecas - não é o resultado de um componente ambiental modificável e devem ser universais: todos os membros de uma espécie deveriam mostrar tais mudanças graduais com o avanço da idade. As alterações fisiológicas que ocorrem com a idade nos seres humanos resultam de um somatório do processo de envelhecimento associado ou não às doenças crônicas. Existe consenso que, com o envelhecimento, ocorrem alterações morfológicas intrínsecas aos tecidos e órgãos que por sua vez alteram a morfologia externa do indivíduo durante o envelhecimento. É uma “Aging Conspiracy” (Wajngarten, 2205) uma conspiração do envelhecimento contra o ser humano. Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento.

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Nas sociedades ocidentais é comum associar o envelhecimento com a saída da vida produtiva pela via da aposentadoria. São considerados velhos aqueles que alcançam 60 anos de idade, o que torna difícil caracterizar uma pessoa como idosa utilizando como único critério a idade. Além disso, neste segmento conhecido como terceira idade estão incluídos indivíduos diferenciados entre si, tanto do ponto de vista socioeconômico como demográfico e epidemiológico. Mesmo reconhecendo que a idade não é o único parâmetro para definir o processo sócio-demográfico do envelhecimento, o mesmo é usado a fim de facilitar a análise dos dados e a construção de indicadores. Todas as estruturas, tecidos e funções, modificam-se em alguma extensão com o envelhecimento. Do ponto de vista do desenvolvimento de projetos que visam à adequação da moradia para os indivíduos da terceira idade, algumas alterações decorrentes deste processo são mais importantes. Quando nos referimos às alterações morfológicas temos que as diferentes populações mundiais são compostas de indivíduos de diferentes tipos físicos e biótipos. Pequenas diferenças nas proporções de cada segmento corporal existem desde o nascimento e tendem a acentuar-se durante o crescimento, até a idade adulta. Destes, a composição corporal, a estatura e o peso são os que influenciam diretamente na composição do envelope humano. O termo “envelope humano” é constituído pelo delineamento externo do indivíduo, isto é, o espaço que suas proporções ocupam em um ambiente. No fator composição corporal, temos que o componente adiposo, tende a aumentar e apresentar distribuição centrípeta com o avanço da idade, depositando-se a gordura principalmente na região abdominal. Nas mulheres, como o depósito de gordura é maior, a densidade corpórea é menor que a do homem da mesma faixa etária (Papaléo, 2005). Com isso teremos diferenças importantes, não só no gênero, mas também relacionadas às faixas etárias. Outras alterações morfológicas importantes que devem ser consideradas no projeto e/ou design de produtos para esta faixa da população são as relacionadas ao aumento do diâmetro antero-posterior e redução do diâmetro transverso do tórax nos idosos, constituindo o que chamamos de tórax senil. A partir dos 40 anos de idade, que é até quando a estatura se mantém, temos uma redução de cerca de um centímetro por década, devendo este fato a um aumento das curvaturas da coluna, encurtamento da coluna vertebral devido

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às alterações nos discos intervertebrais (Panero, 2002). Acentuando-se após os 70 anos (Papaléo, 2002). Entre as diversas alterações que podem acontecer no sistema nervoso central, a redução dos reflexos é uma das que mais importam no que se relaciona à autonomia do indivíduo pelo maior risco de quedas. Em relação às alterações musculares há uma progressiva redução da força motora em parte pela diminuição da atividade física que gradualmente ocorre com a idade, mas igualmente pela redução do número de fibras musculares que acontece com o envelhecimento, a sarcopenia. Duas são as alterações mais freqüentes relacionadas à coluna vertebral que ocorrem com o envelhecimento. A primeira é uma progressiva redução de altura dos discos intervertebrais que reflete na diminuição da estatura, geralmente da ordem de um centímetro a cada década, acentuando-se após os 60 anos de idade (Dieter, 2005). A segunda alteração está relacionada à osteoporose, que induz a uma redução da massa óssea e da resistência da vértebra podendo ocasionar uma redução da altura vertebral por deformidade, que pode acontecer de forma progressiva, assintomática ou de forma aguda quando ocorre uma fratura. Esta alteração, geralmente diminui a estatura em cerca de dois centímetros para cada vértebra comprometida, ocorrendo em curto espaço de tempo (Souza, 2002). Em relação às alterações sensoriais a visão é um dos aspectos mais importantes que devem ser levados em conta no desenvolvimento de um projeto arquitetônico, considerando-se que a visão é um dos sentidos que mais é afetado pelo processo de envelhecimento. A diminuição da acuidade visual (Terra, 2003) pode ser ocasionada, como na catarata, por uma redução da transparência do cristalino, ou mesmo pelas alterações de outras estruturas do olho fazendo com que o indivíduo idoso utilize óculos com grande freqüência. Este aspecto é importante pelo fato de que idosos, muitas vezes, por não ajustarem com freqüência suas lentes passam a ter dificuldades visuais que podem induzir aos acidentes. Além da redução da acuidade visual, temos as alterações na visão periférica, a dificuldade de discriminação de cores e a incapacidade de equilibrar o contraste de luz ao mudar de ambientes (Terra, 2003). Este declínio dos fatores sensoriais é considerado freqüente dentro do processo do envelhecimento.

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A grande variabilidade das medidas corporais entre os indivíduos apresenta um grande desafio(Kroemer, 2005) para o arquiteto e/ou designer de equipamentos e espaços. Em cada processo projetual de arquitetura, as dimensões e os movimentos do corpo humano (Boueri, 1999) são fatores determinantes da forma e tamanho dos equipamentos, mobiliários e espaços projetados. O espaço que uma pessoa necessita para realizar uma atividade com segurança depende do tipo de atividade executada, bem como de suas características anatômicas e funcionais. A falta de espaço adequado pode restringir o desenvolvimento correto da atividade doméstica, elevar o gasto de energia humana e aumentar a incidência de erros (Kroemer, 2005). Com importância fundamental em nossa qualidade de vida e bem-estar, um ambiente físico adequado pode representar a diferença entre a dependência e a independência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles mais idosos. Pessoas que residem em moradias que oferecem múltiplas barreiras físicas tendem a sair de casa com menos freqüência e por isso estão mais sujeitas ao isolamento, depressão, menor preparo físico e conseqüentemente terão problemas de mobilidade. O fato de não existirem estudos antropométricos específicos para as necessidades de adaptação do ambiente próprias à sua condição dificulta a execução de projetos adequados para esta população, visto que, ao se projetar, para se evitar erros, é preciso delinear o perfil do usuário. Um ambiente adequado a idosos ativos atua como agente de prevenção de eventos inesperados e por conseqüência, acidentes. Grande parte dos idosos é capaz de reconhecer os perigos existentes relacionados ao manejo do ambiente. Estratégias ambientais que visam dar sustentação à mobilidade segura e reduzir o risco de quedas baseiam-se em três abordagens gerais (Perracini,2005): identificação e eliminação de barreiras, adaptação do ambiente e proporcionar esquemas de emergência para o caso de eventuais acidentes; tais como campainhas e alarmes de fácil acesso. Essas medidas, embora ainda pouco realizadas, são os primeiros passos na direção da redução das barreiras arquitetônicas.

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Embora as quedas não sejam eventos exatamente decorrentes do processo de envelhecimento, a sua freqüente ocorrência nesta população a torna um fato típico do paciente idoso (Iida, 2002). As quedas podem decorrer de uma série de problemas, sejam eles intrínsecos ou extrínsecos. Os que se referem aos fatores intrínsecos relacionam as mudanças relativas à idade, sedentarismo, redução de reflexos, equilíbrio, negação da fragilidade, entre outros. Enquanto que os extrínsecos referem-se aos problemas de barreiras ambientais, ambientes potencialmente inadequados, medicação que afeta o equilíbrio, entre outros. No que se refere ao risco acentuado de quedas de própria altura, temos que o tempo de reação de uma pessoa de sessenta anos, segundo Iida, 2002, é 20% maior do que de jovens com vinte anos e essa diferença tende a crescer em tarefas mais complexas, que exijam capacidade de discriminação entre vários estímulos diferentes. Os idosos são mais vulneráveis a determinados tipos de acidentes, sendo o banheiro o ambiente responsável por grande parte dos acidentes domésticos tornando-se um local de atenção contínua. As quedas trazem consigo complicações que por muitas vezes são as responsáveis pelo comprometimento da qualidade de vida do indivíduo(Dieter, 2003). É de total importância diferenciar os indivíduos idosos normais que apresentam alterações típicas do

envelhecimento com o grupo de indivíduos que possui deficiências físicas, quer sejam elas por acidentes ou por demais causas, dessa forma entendemos a urgente necessidade de avaliar as alterações morfológicas que os indivíduos apresentam com o envelhecimento para, a partir daí, procurarmos as soluções que poderiam estar relacionadas à criação de normas específicas para os idosos. Em leis e normas, o idoso está associado ou incluído no grupo de pessoas portadoras de deficiência. É necessário entender que o envelhecimento é uma fase natural da vida do homem, apresentando limitações tanto quanto nos demais ciclos da vida. As barreiras atitudinais existem e são reforçadas pelo estigma e preconceito, não se devendo agregar aos já inúmeros preconceitos associados aos idosos, também a condição de deficiente físico. Por ser uma fase da vida de maior probabilidade de perdas contínuas: limitações funcionais, perda do emprego, perda de companheiros, há uma tendência à esteriotipação generalizada da velhice. Com o objetivo de se

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minimizar os preconceitos arraigados a esta população é que se torna tão importante o conhecimento de suas características. Sabe-se da forte influência que o ambiente físico exerce sobre o cotidiano do indivíduo, especialmente no idoso em função do número de horas em que este permanece na sua residência. Torna-se necessário ratificar que as limitações decorrentes do avanço da idade não são o verdadeiro problema, uma vez que são parte do ciclo natural de vida humana. O problema real é a falta de interação entre as limitações e diversidades humanas com o ambiente em que vivem fazendo-se com que a tarefa do arquiteto seja a de superar essas dificuldades e projetar ambientes que compensem essas limitações. Justificativa Estudos de amostras populacionais são fundamentais para o entendimento dos desafios que surgem em uma população em processo de envelhecimento. Superar esses desafios requer um planejamento inovador e reformas políticas substanciais tanto em países desenvolvidos como em países em transição. Os países em desenvolvimento enfrentam os maiores desafios, e a maioria deles ainda não possui políticas abrangentes para o envelhecimento. A ausência de um conhecimento mais específico sobre as medidas antropométricas desta população incorre em uma maior dificuldade minimizar de planejamento, decorrentes onde de

normatizações

específicas

poderiam

efeitos

inadaptação de espaços e ambientes através de uma prevenção seja ela primária ou secundária. A relevância deste projeto está relacionada à definição de parâmetros morfométricos dos idosos da nossa população de forma a permitir o desenvolvimento de normas específicas. É sobre este estudo que se propõe um trabalho de medição desta população que embora saudável possui limitações reconhecidas pela avançada idade. Indivíduos que continuam exercendo atividades profissionais, físicas, realizando viagens, desfrutando da condição financeira que acumularam durante os anos de trabalho pleno.

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Objetivo Geral Determinar padrões referenciais antropométricos da população idosa de Porto Alegre. Objetivos Específicos Caracterizar física e dimensionalmente a população de idosos; Avaliar as alterações morfológicas relacionadas ao envelhecimento, através de

levantamento antropométrico; Analisar e comparar os valores coletados na amostra com os valores utilizados como referência na bibliografia para execução de projetos de espaços e ambientes; Delineamento Do Estudo O projeto maior, Estudo Multidimensional dos Idosos de Porto Alegre, no qual se insere este estudo foi definido como sendo transversal exploratório e observacional de base populacional para os eventos mais freqüentes da população idosa. Seleção da Amostra Os critérios norteadores da escolha da amostra foram os mesmos empregados no Levantamento de 1995 e baseado no censo populacional de 2000. A determinação do n da amostra para o presente estudo baseou-se no número de indivíduos avaliados no estudo anterior para cada bairro da cidade de Porto Alegre, atualizados pelo IBGE de acordo com as estimativas de variação populacional para 2005 que foram calculadas a partir dos resultados do censo de 2000. O número de indivíduos necessários para constituir uma amostra representativa da população idosa de Porto Alegre em 1995 foi definido como sendo de 880 indivíduos ou 0,69% da população idosa estimada de 132.965 habitantes para 1995. O mesmo percentual foi calculado para a população idosa estimada em 2005, resultando em uma amostra de 1164 indivíduos, os quais foram avaliados em seus domicílios. Do total de indivíduos da amostra inicial, 483 participantes, sendo 137 homens e 346 mulheres, compareceram à segunda avaliação.

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Critérios de Inclusão Foram incluídos indivíduos socialmente ativos selecionados na Fase I e que compareceram à Fase II deste estudo o qual obedeceu a um critério de amostra populacional com base no censo do IBGE. Critérios de Exclusão Indivíduos portadores de deformidades físicas congênitas ou adquiridas com uso de próteses; Indivíduos portadores de doenças neurológicas ou degenerativas graves. Da amostra selecionada 7 indivíduos , 5 homens e mulheres, foram excluídos. Coleta dos Dados e Instrumentos O levantamento de dados desta população foi realizado dentro do projeto “Avaliação Multidimensional dos Idosos de Porto Alegre”, no qual os indivíduos foram transportados até o Campus da PUCRS para estas coletas entre outras de diversas unidades desta Universidade. A avaliação foi feita através de instrumento de medida métrica validada pelo INMETRO (trena metálica antropométrica marca Sanny). As medições na posição sentada foram realizadas sobre um cubo de mdf laminado com 40 cm de largura, 40 cm de altura e 40 cm de profundidade. A avaliação foi feita com os indivíduos descalços e com menor volume de roupas quanto possível. A mensuração de estatura foi realizada com estadiômetro. As variáveis medidas foram as seguintes: Estatura em posição ortostática; Altura de ombros em posição sentada; Altura de olhos em posição sentada; Comprimento nádega-joelho em posição sentada; Comprimento nádega-poplítea em posição sentada; Altura do joelho em posição sentada; Alcance da ponta da mão estendida; Altura solo - virilha em posição ortostática; Altura solo - cotovelo em posição ortostática; Largura dos ombros em posição sentada; Análise Estatística Os dados foram armazenados em uma planilha Excel e Access. As análises foram realizadas no programa SPSS (Statistical Package for the Social 2

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Sciences) versão 11.5. Adotou-se um nível de significância de 5%. Os resultados foram comparados com os valores expressos em tabelas de referências para a população adulta e avaliadas as respectivas diferenças entre as medidas. Aspectos Éticos A realização do presente estudo foi efetuada após a aprovação da Comissão Científica do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS e do Comitê de Ética em Pesquisa na Área de Saúde da PUCRS. Os voluntários da pesquisa assinaram termo de consentimento livre e esclarecido. A pesquisa foi conduzida dentro das normas da Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) sob número de aprovação 1066/05-CEP, em 07 de novembro de 2005 com o título “Estudo Multidimensional Comparativo de 10 anos: 1995-2005”. Discussão e Considerações Finais O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de produzir padrões de referência dimensionais da população idosa que venham a auxiliar aos profissionais, tanto da área biomédica quanto àqueles que desenvolvem projetos relacionados à ergonomia ou ao planejamento de espaços para a população idosa. Por ser uma fase da vida de maior probabilidade de perdas contínuas: limitações funcionais, perda do emprego, perda de companheiros, há uma tendência a esteriotipação generalizada da velhice. É importante enfatizar a necessidade de se projetar ambientes seguros, sobre os quais os idosos possam exercer as atividades com autonomia e, com isso, aumentar seu senso de eficácia e auto-estima. Para vir de encontro a esta necessidade é que se propôs a montagem deste trabalho a partir da ausência de dados morfométricos de populações específicas tais como a população idosa. Através deste levantamento pudemos estabelecer comparações com dados referenciais e encontrar diferenças suficientemente importantes para afirmar que estes dados não são adequados a esta população. A respeito da importância das diferenças encontradas destacamos, por exemplo, a medida de altura do solo até o cotovelo, que tem relação direta com o posicionamento de barras de segurança, pois é essencial no estabelecimento das alturas dos planos horizontais. Para estas, a

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medida da colocação é normatizada através de uma regra de que a mesma deve ser colocada sete centímetros abaixo do valor médio do indivíduo que a utiliza. Como as normas brasileiras se baseiam em levantamentos considerados universais (de origem européia e americana) têm-se para esta medida, em especial, no percentil 5, 104,9 cm para homens e 97 para mulheres, gerando um valor mínimo de altura de barras de 90 cm, como rege a ABNT. A importância para qual nos referimos é que a altura encontrada no estudo foi de 95,7 cm para homens e 89 cm para mulheres, no percentil 5, o que nos conduz à conclusão de as barras devem ser reposicionadas quando forem indicadas para esta população. Quando avaliamos as medidas de alcance da ponta da mão estendida, ou também denominado alcance frontal de apreensão, temos que utilizar os valores de percentis 5, pois são os menores valores que possibilitam a determinação da amplitude espacial de alcance à volta do usuário. Também nesta medida verificamos diferenças de até 7,5 cm, no sexo masculino, significando a impossibilidade, por exemplo, de alcance de um balcão de agência bancária. Salienta-se que, mesmo havendo uma diferença nas médias de estatura de até 16 cm entre os sexos, os valores médios de comprimento de nádega até joelho da população estudada são muito próximos. Chegando, no percentil 95, a serem iguais. Com isto podemos nos apoiar na bibliografia que nos diz que ossos longos, como o fêmur, tendem a sofrer menor diminuição com o envelhecimento. Sabe-se da forte influência que o ambiente físico exerce sobre o cotidiano do indivíduo, especialmente no idoso em função do número de horas em que este permanece na sua residência. Torna-se necessário ratificar que as limitações decorrentes do avanço da idade não são o verdadeiro problema, uma vez que são parte do ciclo natural de vida humana. O real problema é a falta de interação entre as limitações e diversidades humanas com o ambiente em que vivem, fazendo-se com que a tarefa do arquiteto seja a de superar essas dificuldades e projetar ambientes que compensem essas limitações. A contribuição que este trabalho pretende é no sentido de iniciar um processo de mudança na maneira de pensar de forma que entendam a importância da adequação de um ambiente na manutenção da capacidade plena de seu usuário.

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Referências Bibliográficas YUSUFF R. et al The Ageing Population and Implication to product design. University Putra Malaysia. [capturado 16 fev 2007] Disponível em www.umoncton.ca/cie/conferences/35thconf/cie35%20proceedings/pdf/ 035. pdf. HAYFLICK L. Como e por que envelhecemos. Rio de Janeiro: Campus; 1997. 366 p. OMS - Organização Mundial de Saúde. Envelhecimento ativo: Uma política de saúde/World Health Organization. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; 2005. PAPALÉO Netto M. Gerontologia. A Velhice e o Envelhecimento em Visão Globalizada. São Paulo: Atheneu; 2005. PAPALÉO Netto M. O Estudo da Velhice no séc. XX: Histórico e definição do Campo e Termos Básicos. In: Freitas EV. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. JECKEL-NETO EA, Cunha GL. Teorias Biológicas do Envelhecimento. In: Freitas EV. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. WAJNGARTEN M., 18º Congresso Internacional de Gerontologia. [Anotações] Goiânia. Importance of lipid management in the elderly. Palestra. 28 de junho de 2005. KROEMER KHE. Manual de ergonomia: Adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Bookman; 2005. DIETER EH. Estudo da resposta óssea a estímulos físicos passivos, de baixa magnitude e alta freqüência, em mulheres com baixa massa óssea. Porto Alegre: Tese de Doutorado; 2005. SOUZA ACA. Osteoporose. In: Clemente E, Jeckel Neto EA. (Orgs.). Aspectos Biológicos e geriátricos do envelhecimento. Porto Alegre: Edipucrs; 2002 p. 161190. PANERO J e Zelnik M. Human Dimension and Interior Space. A source book of design reference standards. Barcelona: Gili; 2002. IIDA I. Ergonomia. Projeto e Produção. São Paulo: Edgar Blücher LTDA; 2002. Terra NL (org.). Entendendo as queixas do idoso. Porto Alegre: EDIPUCRS; 2003. IIDA I. Ergonomia. Projeto e Produção. São Paulo: Edgar Blücher LTDA; 2002. BOUERI Filho JJ. Antropometria aplicada à arquitetura, urbanismo e desenho industrial. São Paulo: USP; 1999. DIETER E. Envelhecimento Bem-Sucedido. Porto Alegre: Edipucrs; 2003. PERRACINI MR. Planejamento e Adaptação do Ambiente para Pessoas Idosas. In: Freitas EV. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005.

DETERMINAÇÃO DE MALONDIALDEÍDO EM AMOSTRAS BIOLÓGICAS POR CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA

DETERMINATION OF MALONDIALDEHYDE IN BIOLOGICAL SAMPLES BY HIGH PERFORMANCE LIQUID CHROMATOGRAPHY

Leite, Carlos Eduardo; Especialista em toxicologia; Instituto de Toxicologia – PUCRS carlos.leite@pucrs.br Petersen, Guilherme Oliveira; Aluno de Graduação de Farmácia; Instituto de Toxicologia - PUCRS guipetersen@gmail.com Betto, Mariel Raquel Borges; Aluna de Mestrado do Programa de PósGraduação em Biologia Celular e Molecular; Instituto de Toxicologia/Laboratório de Farmacologia Aplicada – PUCRS. maribetto@gmail.com Campos, Maria Martha; PhD; Instituto de Toxicologia/Faculdade de Odontologia – PUCRS. maria.campos@pucrs.br Resumo Um desequilíbrio no sistema de produção de espécies reativas do oxigênio (ERO) ou a incapacidade do organismo em neutralizá-las, faz do estresse oxidativo um mecanismo fisiopatológico crítico, ligado a doenças

cardiovasculares, neoplasias, doenças neurológicas e, processos fisiológicos normais, como o envelhecimento. O conhecimento da extensão do estresse oxidativo sobre o organismo é de extrema importância para o desenvolvimento de novas terapias e medicamentos. A ação das ERO sobre os componentes celulares gera diversos produtos secundários, como o malondialdeído (MDA). A quantificação dos níveis de MDA é considerada um parâmetro confiável para a avaliação do estresse oxidativo celular. O objetivo deste trabalho é validar um método para quantificação de MDA em diferentes amostras biológicas. A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) foi a técnica escolhida, devido a

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sua alta especificidade e sensibilidade. Para a determinação do MDA, a amostra é derivatizada e injetada no sistema CLAE, utilizando coluna C18 e detector de fluorescência. Os parâmetros de validação seguem as normas preconizadas pela ANVISA. Os resultados preliminares mostram que nas condições cromatográficas utilizadas, foi possível detectar o MDA em concentrações normalmente encontradas no plasma e, que será possível aperfeiçoar e validar o método.

Palavras-chave: estresse oxidativo, malondialdeído, cromatografia líquida de alta eficiência. Abstract Oxidative stress is caused by an imbalance between the production of reactive oxygen species (ROS) and the ability of biological systems to readily detoxify these reactive intermediates, or even to repair the resulting damage. Thus, oxidative stress is accepted as a critical pathophysiological mechanism in several human pathologies such as, cardiovascular diseases, cancer, neurologic alterations, and physiological processes as aging. The knowledge about the extension of oxidative stress in the human body is extremely relevant for developing new therapies. The action of ROS in cellular components generates secondary products, such as malondialdehyde (MDA). The quantification of MDA levels is a suitable parameter to assess cellular oxidative stress. The aim of this work was to validate a high performance liquid chromatography (HPLC) method for quantification of MDA in biological samples. HPLC was chosen due its high specificity and sensibility. To determinate MDA, the sample is derivatized and injected in the HPLC system, using a C18 column and a fluorescent detector. The validation parameters followed the ANVISA recommendations. The preliminary results, under the chromatographic conditions adopted by us, showed that it is possible to detect MDA in concentrations often found in plasma of healthy rats, and that it is possible to further improve and validate this method.

Keywords:

oxidative

stress,

malondialdehyde,

high

performance

liquid

chromatography.

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Introdução Diferentes estilos de vida e fatores ambientais (incluindo, por exemplo, tabagismo, dieta, álcool, radiações ionizantes, biocidas, pesticidas e infecções virais) e outros fatores relacionados à saúde (por exemplo, obesidade ou o processo de envelhecimento) podem ser pró-carcinogênicos. Em todos estes casos, o estresse oxidativo atua como um mecanismo fisiopatológico crítico (Mena et al., 2009). O estresse oxidativo é causado por um desequilibro no sistema de produção de espécies reativas do oxigênio (ERO), ou radicais livres, e a capacidade do organismo em neutralizar estes compostos ou reparar os danos por eles causados. Desta forma, o estresse oxidativo é aceito como um processo importante, envolvido em diferentes patologias, incluindo doenças

cardiovasculares, câncer, diabetes, artrite reumatóide, ou afecções neurológicas como Doença de Alzheimer ou Parkinson (Del Rio et al., 2005; Mena et al., 2009) As ERO são estruturas químicas, geralmente instáveis, que possuem o átomo de oxigênio em sua constituição e, que conduzem a diversas interações quando entram em contato com os tecidos biológicos. Estes compostos podem ser produzidos no organismo como um resultado de processos bioquímicos convencionais ou, podem ser atribuídos à estimulação externa por uma variedade de características físicas, químicas ou biológicas (Angelopoulou et al., 2009). Todos os componentes celulares são suscetíveis à ação das ERO; porém, a membrana plasmática é um dos mais atingidos em decorrência da peroxidação lipídica, o que frequentemente acarreta danos nas estruturas celulares e altera a sua funcionalidade. Consequentemente, há perda da seletividade na troca iônica e liberação do conteúdo de organelas, como as enzimas hidrolíticas dos lisossomas, além da formação de produtos citotóxicos, culminando com a morte celular (Ferreira e Matsubara, 1997; Bagis et al., 2005). Os lipídios estão entre as principais classes atingidas pelo estresse oxidativo, sendo que a peroxidação lipídica dá origem a diversos produtos secundários. Estes produtos são principalmente aldeídos, como o malondialdeído (MDA), que aumentam o dano oxidativo (Del Rio et al., 2005). O MDA possui ação citotóxica e genotóxica, encontrando-se em níveis elevados em algumas patologias associadas ao estresse oxidativo. Altos níveis de MDA podem afetar a

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funcionalidade mitocontrial, alterando a permeabilidade da membrana e a excitabilidade celular. A quantificação dos níveis de MDA nos sistemas biológicos é considerada um parâmetro confiável para a avaliação do estresse oxidativo celular em amostras biológicas (Bagis et al., 2005; Del Rio et al., 2005). Os métodos clássicos para a determinação do MDA em amostras biológicas baseiam-se na sua derivatização com o ácido tiobarbitúrico (ATB). A condensação destas duas espécies dá origem a um composto com alta absortividade que pode ser quantificada em espectrofotômetro (Del Rio et al., 2005). Embora estes métodos ainda sejam amplamente utilizados, eles não são específicos para detecção dos produtos de peroxidação lipídica, uma vez que quantificam a soma das diferentes substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico, denominadas TBARS (Steghens et al., 2001; Del Rio et al., 2005). Nos últimos anos diversas metodologias utilizando cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) foram propostas, com o objetivo de melhorar a especificidade e a sensibilidade, evitando os desvios dos métodos mais antigos (Del Rio et al., 2005). Objetivo e justifivativa O objetivo deste trabalho é validar um método confiável para a quantificação de MDA em plasma por CLAE. Posteriormente, este método será utilizado para fazer o monitoramento do estresse oxidativo em diversas amostras biológicas de interesse dos pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que desenvolvem pesquisas em conjunto com o Instituto de Toxicologia da PUCRS (InTox). Nestes projetos de pesquisa, a avaliação do estresse oxidativo, seja ele induzido por fatores endógenos (como por exemplo, envelhecimento e processos inflamatórios) ou exógenos

(medicamentos, radiações, drogas e pesticidas), é de extrema importância. Materiais e métodos Instrumentação e condições cromatográficas Para a validação da metodologia foi utilizado um Cromatógrafo Líquido de Alta Eficiência Agilent® 1100 SERIES (USA), equipado com degaseificador,

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bomba isocrática, injeção manual com loop de 20 μL e 50 μL e detectores ultravioleta e de fluorescência. Para a separação cromatográfica, foi utilizada uma coluna de fase reversa C18 (250 mm x 4,6 mm, 5μm), sob fluxo de 1 mL/min da fase móvel, composta de metanol/tampão fosfato (55:45 v/v). Os comprimentos de onda para a detecção espectrofluorimétrica foram 532 nm (excitação) e 553 nm (emissão). Preparação da amostra As amostras utilizadas são de plasma proveniente de ratos machos da espécie Wistar (Rattus norvegicus). Posteriormente, serão utilizadas outras amostras biológicas como, por exemplo, fígado e cérebro. A análise de MDA também será validada para amostras de plasma humano. As amostras de plasma foram derivatizadas com ATB, aquecidas em condições ácidas por um período de 1 h, precipitadas, diluídas e centrifugadas. Posteriormente, 20 μL do sobrenadante resultante do processo de centrifugação foram injetados no cromatógrafo. Desenvolvimento e validação da técnica A validação de métodos pode ser definida como “o processo pelo qual atributos ou figuras de mérito são determinados e avaliados, sendo estes importantes em um programa de garantia de qualidade” (Valentini et al., 2004). Portanto, o objetivo principal é assegurar que determinado procedimento analítico apresente resultados reprodutíveis e confiáveis, que sejam adequados aos fins para os quais tenha sido planejado. Para o desenvolvimento da metodologia, foram utilizados trabalhos publicados nos últimos anos em revistas conceituadas (Mão et al., 2006; Ghotto et al., 2007; Candan e Tuzmen, 2008). O processo de desenvolvimento e validação da metodologia para a medida de MDA foi realizado de acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e, envolveu: (i) revisão bibliográfica (para seleção da técnica mais apropriada); (ii) adaptação do método às condições do laboratório; (iii) otimização da técnica e; (iv) subsequente determinação dos parâmetros especificidade e seletividade, linearidade, precisão, limite de detecção (sensibilidade) e exatidão (ANVISA, 2003).

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Resultados Os resultados preliminares mostram que nas condições cromatográficas utilizadas e com o processo de extração empregado para o tratamento das amostras, foi possível detectar o MDA nas concentrações normalmente encontradas no plasma (Figuras 1 e 2).

Figura 1. Cromatograma do padrão de MDA adicionado a uma amostra de plasma.

Figura 2. Cromatograma obtido a partir de uma amostra de plasma.

Para confirmação da identidade, do tempo de retenção e, para uma avaliação preliminar da recuperação do MDA nas amostras, foi adicionado 1 μM de padrão de MDA a uma amostra de plasma. A amostra controle não recebeu adição de MDA. As duas amostras foram injetadas separadamente (Figura 3). A amostra sem adição de padrão apresentou uma área de 3.973 e a amostra com adição apresentou 5.740. Desta forma, confirmou-se que o pico era

correspondente ao MDA. O tempo de retenção nas condições cromatográficas utilizadas foi de 3.77 minutos. A recuperação, para testes preliminares, foi considerada satisfatória.

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Figura 3. Sobreposição dos cromatogramas da amostra de plasma e da amostra de plasma com adição de padrão de MDA.

Considerações finais e perspectivas Através da avaliação dos resultados obtidos até o momento, podemos afirmar que o InTox tem condições de validar e aperfeiçoar a análise de MDA em amostras biológicas. Esta análise será disponibilizada para a comunidade científica da PUCRS, a fim de fornecer informações confiáveis para médicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde, para a avaliação do estresse oxidativo nas diversas situações em que a mesma se aplica, contribuindo, dessa forma, para o aprimoramento de terapias e para o desenvolvimento de novos fármacos com potencial anti-oxidante. Referências Angelopoulou R, Lavranos G, Manolakou P. ROS in the aging male: Model diseases with ROS-related pathophysiology. Reprod Toxicol. [Epub ahead of print], Abril 2009. Bagis S, Tamer L, Bilgin GSR, Guler H, Erdogan BEC. Free radicals and antioxidants in primary fibromyalgia: an oxidative stress disorder? Rheumatol. Int., n.3, p.188-190, 2005. Candan N, Tuzmen N. Very rapid quantification of malondialdehyde (MDA) in rat brain exposed to lead, aluminium and phenolic antioxidants by high-performance liquid chromatography-fluorescence detection. NeuroToxicology, n.29, p. 708– 713, 2008.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA FUNDAÇÃO IRMÃO JOSÉ OTÃO

STRATEGIC PLANNING IN THE IRMÃO JOSÉ OTÃO FOUNDATION

Gehlen de Leão, Álvaro; Dr.; Faculdade de Engenharia – PUCRS gehleao@pucrs.br Suárez Maciel, Ana Lúcia; Dr.; Faculdade de Serviço Social – PUCRS ana.suarez@pucrs.br Hartmann Duhá, André; Dr.; Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia – PUCRS aduha@pucrs.br Resumo Em anos recentes, como consequência do acentuado crescimento da importância das entidades do Terceiro Setor nos contextos nacional e internacional, o modelo de gestão utilizado por estas organizações sem fins lucrativos passou a se constituir em um elemento-chave para a sua perenidade. Assim, as entidades que integram esse setor têm sido desafiadas a rever seus processos e práticas, reconhecendo que o paradigma organizacional que as orienta ainda está sendo construído. Oriundos de três distintas áreas do conhecimento, os autores deste artigo se propõem a compartilhar a experiência vivenciada, a partir de junho de 2008, na Direção Executiva da Fundação Irmão José Otão. Nesse sentido, o presente artigo descreve e reflete sobre o processo desencadeado na referida Fundação, partindo da premissa de que o planejamento estratégico é uma ferramenta essencial para a gestão das organizações do Terceiro Setor, desde que observadas as suas particularidades.

Palavras-chave: planejamento estratégico, terceiro setor, inovação. Abstract In recent years, as a result of growing importance of the entities of the Third Sector in the national and international contexts, the management model used by

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these non-profits organizations has turned into a key element for their survival. Thus, the entities within this sector have been challenged to review their procedures and practices, recognizing that the organizational paradigm is still under construction. Coming from three different areas of knowledge, the authors aim to share their experience lived from June 2008 on the Executive Board at Irmão José Otão Foundation. Accordingly, this paper describes and reflects on the process initiated at the Foundation, based on the premise that strategic planning is an essential tool for the management of Third Sector organizations, provided that their particularities are taken into account.

Keywords: strategic planning, third sector, innovation. Introdução A Fundação Irmão José Otão é uma entidade sem fins lucrativos, sediada na cidade de Porto Alegre e instituída, em 1981, pela União Sulbrasileira de Educação e Ensino, a partir de uma iniciativa do Conselho Universitário da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ao longo dos seus quase vinte e oito anos de existência, a Fundação Irmão José Otão vem consolidando a sua presença nos contextos local, regional, nacional e internacional por um conjunto de iniciativas nas áreas educacional, cultural e social, em sintonia com a direção estratégica da PUCRS e com as tendências de gestão no âmbito do Terceiro Setor. No ano de 2008, a Fundação Irmão José Otão passou por um processo de realinhamento organizacional que possibilitou a revisão do seu posicionamento perante o conjunto de stakeholders com o qual se relaciona. Nesse processo, a necessidade de uma nova metodologia de trabalho passou a ser evidente e o planejamento estratégico foi vislumbrado como uma ferramenta capaz de qualificar esse processo. O presente artigo tem por objetivo compartilhar a experiência dos autores na Direção Executiva da Fundação Irmão José Otão, com vistas a permitir uma reflexão sobre a aplicabilidade do planejamento estratégico na gestão de organizações do Terceiro Setor, apresentando as etapas percorridas e os resultados alcançados a partir da sua aplicação na referida Fundação.

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Planejamento Estratégico Aplicado a Organizações do Terceiro Setor O gerenciamento estratégico se constitui em um processo permanente, desenvolvido em ciclos que abrangem as etapas de planejamento, execução, monitoramento e avaliação. O planejamento estratégico, em particular, busca uma gestão eficaz e sustentável da organização, destacando-se alguns aspectos relevantes na sua elaboração: o estabelecimento da visão de futuro, como forma de inspirar e mobilizar os stakeholders na realização das atividades da organização; a abertura para a mudança, associada à capacidade de lidar com as resistências inerentes ao processo; e a definição do nível de participação das pessoas no processo de planejamento (Queiroz, 2004). O processo de planejamento estratégico deve ser conduzido de forma a responder às questões-chave para o sucesso da organização (Hudson, 2009), entre as quais se pode ressaltar: o que, especificamente, a organização deseja alcançar nos próximos anos? o que ela aprendeu com as experiências passadas? como os recursos deveriam ser alocados entre os diferentes objetivos? quais os padrões de qualidade a serem atingidos? Ainda, segundo Hudson (2009), algumas características se destacam em um processo de gerenciamento estratégico: a complexidade decorrente da inserção da organização em um ambiente de alto grau de incerteza; a necessidade de uma abordagem integrada, que perpasse a estrutura funcional da organização; a clareza e a integração dos diversos elementos-chave do planejamento estratégico, entre os quais a missão, a visão de futuro, os objetivos estratégicos e os indicadores de desempenho. Nesse sentido, e atendendo à solicitação do Conselho Deliberativo, a Diretoria Executiva iniciou, no mês de outubro de 2008, as atividades de preparação do Plano Estratégico da Fundação Irmão José Otão (FIJO, 2008) para o período de 2009 a 2012. O processo de planejamento estratégico foi precedido da elaboração de um diagnóstico para análise do ambiente externo – envolvendo aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais – e para análise interna de desempenho e capacidade da organização, o qual foi apresentado aos integrantes do Conselho Deliberativo em reunião realizada no dia 26 de setembro de 2008. Os resultados deste diagnóstico permitiram definir a missão, os valores

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e a visão de futuro da Fundação Irmão José Otão, bem como estabelecer os objetivos estratégicos e as iniciativas estratégicas a eles vinculadas. Missão, Valores e Visão de Futuro Ao longo do último trimestre do ano de 2008, em um trabalho desenvolvido pela Diretoria Executiva, com o apoio de integrantes do Conselho Deliberativo, foram redefinidos a missão, os valores e a visão de futuro da Fundação Irmão José Otão, a seguir apresentados. Missão – A Fundação Irmão José Otão tem por missão incentivar, promover e viabilizar projetos e atividades de produção, difusão e aplicação do conhecimento, em prol do desenvolvimento cultural, social e econômico do País. Valores – Transparência, sustentabilidade, inovação e responsabilidade social. Visão de Futuro – Até 2012, ser reconhecida como uma Fundação de referência na gestão de projetos e na realização de atividades que possibilitem o aumento dos níveis de desenvolvimento cultural, social e econômico do País. Objetivos Estratégicos A partir da definição da missão, dos valores e da visão de futuro da Fundação Irmão José Otão, iniciou-se o processo de estabelecimento dos objetivos estratégicos para o período de 2009 a 2012, acompanhados de um conjunto de iniciativas estratégicas, cuja implementação se inicia a partir do Plano de Trabalho proposto para o ano de 2009. Objetivo Estratégico 1: desenvolver projetos e atividades, nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, compondo parcerias e articulando redes de cooperação, em âmbito nacional e internacional. Este objetivo possui três iniciativas estratégicas a ele vinculadas: implementar o Project Management Office na Fundação Irmão José Otão; prestar serviços de gerenciamento de projetos; e prestar serviços na área da educação, envolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Objetivo Estratégico 2: mobilizar recursos visando a sustentabilidade dos projetos e das atividades. Este objetivo possui duas iniciativas estratégicas a ele

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vinculadas: implementar o Setor de Captação de Recursos na Fundação Irmão José Otão; e desenvolver um Programa de Relacionamento com organizações. Objetivo Estratégico 3: colaborar no desenvolvimento e na disseminação de tecnologias de inovação social. Este objetivo possui cinco iniciativas estratégicas a ele vinculadas: promover um Projeto de Desenvolvimento Social na Comunidade São Judas Tadeu; desenvolver o Projeto Observatório do Terceiro Setor; promover articulação com o Torneio Talento Empreendedor da PUCRS; desenvolver o Projeto Banco de Tecnologias Sociais; e implementar um modelo de organização socialmente responsável na Fundação Irmão José Otão. Objetivo Estratégico 4: apoiar atividades de capacitação no campo das ciências, das artes e da cultura. Este objetivo possui quatro iniciativas estratégicas a ele vinculadas: promover o Curso de Especialização em Gestão da Responsabilidade Social; promover o Curso de Especialização em Gestão no Terceiro Setor; promover cursos de capacitação na Área de Desenvolvimento Social; e desenvolver atividades culturais com a comunidade. Objetivo Estratégico 5: incentivar a formação acadêmica e profissional de estudantes, mediante a viabilização de oportunidades de realização de estágios e a concessão de bolsas de estudo. Este objetivo possui três iniciativas estratégicas a ele vinculadas: aumentar a oferta de oportunidades de estágio para alunos de graduação; preparar alunos de graduação para o ambiente profissional; e criar um Fundo de Bolsas para alunos de graduação. Objetivo Estratégico 6: fortalecer a imagem institucional da Fundação Irmão José Otão junto à sociedade. Este objetivo possui uma iniciativa estratégica a ele vinculada: implementar uma Política de Comunicação Social na Fundação Irmão José Otão. Iniciativas Estratégicas e Áreas de Atuação A implementação do Plano Estratégico da Fundação Irmão José Otão teve início logo após a sua apresentação e aprovação em reunião do Conselho Deliberativo, realizada no dia 6 de janeiro de 2009. Nesta reunião, através da apresentação do Plano de Trabalho 2009, foram detalhadas as iniciativas estratégicas vinculadas aos objetivos definidos no Plano

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Estratégico, incluindo as metas, o período de realização, o orçamento e os setores responsáveis por sua execução. A figura 1 apresenta a nova estrutura organizacional da Fundação Irmão José Otão (FIJO, 2009), adotada a partir de janeiro de 2009, visando atender às iniciativas estratégicas estabelecidas no Plano de Trabalho.

Conselho Deliberativo Conselho Fiscal Diretoria Executiva

Apoio e Secretaria

Assessoria Jurídica

Assessoria de Comunicação

Coordenação de Projetos

Captação de Recursos

Prestação de Serviços

Administrativo Financeiro

Bolsas e Estágios

Cursos e Eventos

Desenvolvimento Social

Figura 1 – Estrutura Organizacional da Fundação Irmão José Otão

A estrutura organizacional compreende os órgãos administrativos – Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Diretoria Executiva –, cujas atribuições estão claramente definidas no Estatuto da Fundação Irmão José Otão, e uma estrutura funcional composta por setores responsáveis pela execução das atividades definidas no Plano de Trabalho. As atribuições específicas dos setores funcionais – Coordenação de Projetos, Captação de Recursos, Prestação de Serviços, AdministrativoFinanceiro, Bolsas e Estágios, Cursos e Eventos, Desenvolvimento Social, Apoio e Secretaria, Assessoria Jurídica e Assessoria de Comunicação – podem ser visualizadas na página disponibilizada na Internet, através do endereço eletrônico www.fijo.org.br. O Plano de Trabalho da Fundação Irmão José Otão, para o ano de 2009, prevê o desenvolvimento de 18 iniciativas estratégicas, com a utilização do

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conceito de Gerenciamento de Projetos (PMI, 2000), que é definido como sendo a aplicação sistemática de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas com o intuito de alcançar os resultados esperados a partir da alocação criteriosa de recursos na realização de projetos. O conjunto de iniciativas estratégicas é apresentado na tabela 1, classificando-as por áreas de atuação, e estando o seu gerenciamento e a sua execução sob a responsabilidade da Diretoria Executiva e dos demais integrantes da estrutura organizacional da Fundação Irmão José Otão.
Tabela 1 – Iniciativas Estratégicas, Áreas de Atuação e Setores Responsáveis Iniciativas Estratégicas Áreas de Atuação Setores Responsáveis Aumentar a oferta de oportunidades de Central de Estágios estágio para alunos de graduação. Bolsas e Estágios FIJO Preparar alunos de graduação para o ambiente profissional. Promover o Curso de Especialização em Gestão da Responsabilidade Social. Cursos e Eventos Promover o Curso de Especialização em Cursos e Eventos Gestão no Terceiro Setor. Promover cursos de capacitação na Área de Desenvolvimento Social. Promover um Projeto de Desenvolvimento Social na Comunidade São Judas Tadeu. Desenvolver o Projeto Observatório do Terceiro Setor. Desenvolvimento Social Desenvolvimento Social Desenvolver o Projeto Banco de Tecnologias Sociais. Desenvolver atividades culturais com a comunidade. Promover articulação com o Torneio Talento Empreendedor da PUCRS. Prestar serviços de gerenciamento de Escritório de Projetos projetos. FIJO Prestação de Serviços Prestar serviços na área da educação, envolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Implementar o Project Management Office na Coordenação de Fundação Irmão José Otão. Projetos Implementar o Setor de Captação de Recursos na Fundação Irmão José Otão. Captação de Recursos Desenvolver um Programa de Relacionamento com organizações. Diretoria Executiva Criar um Fundo de Bolsas para alunos de Bolsas e Estágios graduação. Implementar uma Política de Comunicação Assessoria de Social na Fundação Irmão José Otão. Comunicação Implementar um modelo de organização Desenvolvimento Social socialmente responsável na Fundação Irmão José Otão.

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Nas

seções

seguintes

serão

detalhadas

as

principais

iniciativas

estratégicas ora em desenvolvimento, descrevendo as atividades executadas e os resultados esperados. Incentivo à Formação Acadêmica e Profissional de Estudantes: a Central de Estágios FIJO A Central de Estágios FIJO está vinculada ao Setor de Bolsas e Estágios na estrutura organizacional da Fundação Irmão José Otão, se constituindo em um dos agentes de integração de estágios curriculares dos alunos de graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, estando sua atuação balizada pelo objetivo estratégico de incentivar a formação acadêmica e profissional de estudantes, mediante a viabilização de oportunidades de realização de estágios e a concessão de bolsas de estudo. Tendo como responsabilidade, para o ano de 2009, a operacionalização das iniciativas estratégicas de aumento da oferta de oportunidades de estágio e de preparação de alunos de graduação para o ambiente profissional, a Central de Estágios FIJO desenvolve as seguintes atividades: (a) elaboração de convênios com os locais de estágio; (b) divulgação de ofertas para os alunos de graduação da PUCRS; (c) agilização nos processos de recrutamento e seleção e de contratação de estagiários dentro do perfil definido pelo local de estágio; (d) acompanhamento dos alunos e assessoria aos locais de estágio, desde o processo de recrutamento e seleção até a conclusão do estágio, seguindo o enquadramento definido pela legislação e em conformidade com as

especificidades de cada curso de graduação; (e) acompanhamento da avaliação das partes envolvidas durante o processo de estágio, através de instrumento de acompanhamento do estágio, de entrevistas individuais, de visitas aos locais de estágio, e de encontros com o professor responsável nas Unidades Acadêmicas da PUCRS; (f) participação em eventos referentes ao mundo do trabalho e captação de novos locais e oportunidades de estágio, de acordo com as necessidades das áreas de formação, analisando e avaliando as condições do local de estágio;

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(g) realização de eventos que auxiliem os alunos de graduação da PUCRS na preparação para sua inserção no mundo do trabalho, orientando-os na elaboração do seu currículo, no desenvolvimento das competências valorizadas pelas organizações e no processo de seleção para uma vaga; (h) participação em reuniões com professores coordenadores de estágios das Unidades Acadêmicas da PUCRS e com o Núcleo de Estágios das PróReitorias de Graduação e de Assuntos Comunitários. Apoio às Atividades de Capacitação no Campo das Ciências, das Artes e da Cultura A Fundação Irmão José Otão, através do seu Setor de Cursos e Eventos, atua na capacitação de profissionais no campo das ciências, das artes e da cultura, ofertando Cursos de Especialização e Cursos de Extensão em parceria com a PUCRS. Como decorrência das novas diretrizes estabelecidas pelo seu Plano Estratégico, esta oferta passa a contar com seguinte escopo: desenvolvimento de projetos de cursos que tenham o Desenvolvimento Social como objeto de estudo, bem como o fomento à realização de cursos de caráter interdisciplinar, congregando várias Unidades Acadêmicas da PUCRS. Nesta linha de atuação, a partir de abril de 2009, a Fundação Irmão José Otão está promovendo os seguintes cursos: (a) curso de especialização em Gestão do Terceiro Setor, visando à qualificação de profissionais para a gestão de organizações do Terceiro Setor, com senso ético, espírito crítico-reflexivo e competências teóricas e

metodológicas, através da análise da conformação contemporânea das organizações de Terceiro Setor, da reflexão sobre as possibilidades e os limites das práticas destas organizações no contexto da sociedade atual, e da habilitação para a utilização de princípios, conceitos e metodologias de gestão social em diferentes realidades organizacionais que compõem este setor; (b) curso de especialização em Gestão da Responsabilidade Social, com o objetivo de qualificar profissionais para a gestão da responsabilidade social no âmbito das organizações de primeiro, segundo e terceiro setores, através da análise do movimento da responsabilidade social na contemporaneidade, do

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estudo das suas determinações econômicas, políticas, sociais, culturais e ambientais, da reflexão sobre as possibilidades e os limites das práticas de responsabilidade social no contexto da sociedade atual, e da habilitação para a utilização de princípios, conceitos e metodologias de gestão socialmente responsável nas organizações. Para ambos os cursos foram estabelecidas parcerias com organizações do primeiro, segundo e terceiro setores do Estado do Rio Grande do Sul, viabilizando a oferta de bolsas de estudo para os alunos. Dentre as organizações que firmaram parceria para a realização dos cursos de especialização, destacam-se a Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Rio Grande do Sul, a Associação Cristã de Moços, a Associação Rio-Grandense de Fundações, a Confederação Nacional das Cooperativas Médicas – UNIMED, o Instituto Renner, a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, a Fundação Projeto Pescar, o Grupo do Terceiro Setor, a ONG Parceiros Voluntários, a Secretaria Estadual da Justiça e Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – RS. O Observatório do Terceiro Setor e o Projeto de Desenvolvimento Local Comunitário O Observatório do Terceiro Setor está sendo concebido a partir do compromisso com a disseminação da cultura e de um modelo de gestão inovador e empreendedor no âmbito do Terceiro Setor, e da necessidade de implantar, na Região Sul do País, um Observatório do Terceiro Setor, garantindo um espaço que possa contribuir com o Desenvolvimento Social do Estado do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, o Observatório possui os seguintes objetivos: (a) colaborar com o desenvolvimento social do Estado do Rio Grande do Sul, a partir da implantação de um Observatório do Terceiro Setor na Fundação Irmão José Otão, visando à efetivação de um modelo de gestão pública que garanta os direitos sociais da população gaúcha; (b) realizar estudos sobre a situação do Terceiro Setor no Estado do Rio Grande do Sul, mapeando e identificando tecnologias de intervenção social;

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(c) subsidiar os órgãos gestores das políticas sociais públicas com propostas de ação sintonizadas com as demandas da sociedade gaúcha; (d) mapear tecnologias sociais de caráter inovador, no contexto das organizações de Terceiro Setor, visando favorecer a multiplicação de

experiências bem-sucedidas no âmbito da gestão social pública; (e) contribuir com a qualificação dos agentes que atuam nesse contexto, através de ações de assessoria às suas demandas, bem como de promoção de processos formativos. O Projeto de Desenvolvimento Local Comunitário, por seu turno, é desenvolvido em parceria com a Coordenadoria de Desenvolvimento Social da Pró-Reitoria de Extensão da PUCRS e com a Associação de Moradores da Vila São Judas Tadeu (AMOVITA). As principais atividades desenvolvidas neste projeto envolvem a

assessoria para implementação do Projeto Sócio-Educativo da AMOVITA e elaboração de um diagnóstico social da realidade local para subsidiar a comunidade na definição de futuros projetos sociais que possam apoiar o desenvolvimento social sustentável, em especial as ações voltadas à infância e à adolescência. Este projeto conta com a atuação de uma equipe técnica da Fundação Irmão José Otão, composta por um assistente social, um pedagogo e dois estagiários de Serviço Social. Desenvolvimento de Projetos e Atividades através de Parcerias e Redes de Cooperação O desenvolvimento de projetos e atividades através do estabelecimento de parcerias e da articulação de redes de cooperação está vinculado à implementação do Escritório de Projetos FIJO, que tem como finalidade principal a prestação de serviços de gerenciamento de projetos (PMI, 2000) na área da educação, envolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Desde o início do ano de 2009, o Escritório de Projetos FIJO está apoiando a PUCRS no Projeto Primeira Empresa Inovadora – PRIME, instituído pela Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, para a concessão de subvenção econômica para empresas nascentes e inovadoras, com o objetivo de criar

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condições financeiras para que essas empresas possam enfrentar com sucesso os principais desafios de seus estágios iniciais de desenvolvimento. O Escritório de Projetos FIJO, como coordenador operacional do Programa PRIME, tem como atribuição principal o apoio à Coordenação Geral do Programa PRIME na PUCRS, executando as seguintes atividades: (a) auxílio à divulgação do programa ao público em geral e atendimento para o esclarecimento de dúvidas em relação ao programa; (b) gerenciamento da documentação entregue pelas empresas e auxílio administrativo na realização das atividades de seleção e de treinamento das empresas participantes do programa; (c) apoio para a realização de visitas às empresas selecionadas, com o intuito de verificar o andamento do programa, a utilização dos recursos financeiros e o cumprimento das metas previstas; (d) elaboração de relatórios gerenciais para o controle da Coordenação Geral do Programa na PUCRS e para o atendimento das solicitações da FINEP junto à PUCRS. Mobilização de Recursos para a Sustentabilidade dos Projetos e das Atividades da Fundação Com o intuito de potencializar a mobilização de recursos para a sustentabilidade dos projetos e das atividades da Fundação Irmão José Otão, foram iniciados, ainda no segundo semestre de 2008, estudos para a estruturação do setor de Captação de Recursos (Herbst e Norton, 2007; Norton, 2003), a partir de uma série de atividades de benchmarking e de capacitação em âmbito nacional e internacional, sob a responsabilidade da Diretoria Executiva. Inclui-se nessa iniciativa a análise das possibilidades de implantação de atividades de gerenciamento de endowment funds como um futuro pilar do modelo de gestão da Fundação Irmão José Otão, com o intuito de prover os recursos necessários para o cumprimento da sua missão, de forma sustentável e no longo prazo.

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Fortalecimento da Imagem Institucional da Fundação Irmão José Otão junto à Sociedade A política de comunicação social da Fundação Irmão José Otão está sendo definida com o objetivo de fortalecer a sua imagem institucional, incluindo a alteração da sua identidade visual e ampliação da utilização dos meios de comunicação eletrônica, através da remodelação da sua página na Internet e da criação de uma newsletter digital. Além disso, procurou-se estabelecer um mecanismo que viabilizasse a participação mais intensa dos públicos que se relacionam com a Fundação, destacando-se o convite efetuado aos integrantes do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal para participação em reuniões semanais com a Diretoria Executiva. Considerações Finais Em seus quase vinte e oito anos de atuação, a Fundação Irmão José Otão tem percorrido uma trajetória que reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento cultural, social e econômico do País. O presente artigo procurou descrever as atividades de planejamento estratégico desenvolvidas pela Fundação Irmão José Otão durante o ano de 2008, apresentando as principais diretrizes do seu realinhamento estratégico, bem como as ações já

desencadeadas como fruto dessas propostas. A partir destas atividades, a Fundação Irmão José Otão, em razão do seu vínculo com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, reforça a sua identidade voltada para a consolidação de uma organização que tem as marcas da Instituição Acadêmica. A materialização dessa identidade é reforçada pelo intenso envolvimento dos integrantes do seu Conselho Deliberativo, do seu Conselho Fiscal, do seu corpo funcional e da sua Diretoria Executiva, que é composta por três professores oriundos de três distintas áreas do conhecimento – administração de empresas, engenharia e serviço social –, vinculados às Unidades Acadêmicas da PUCRS que, a partir de uma gestão interdisciplinar, garantem a articulação da Fundação com a Universidade, com as suas congêneres e com a sociedade em geral. A tradução de uma boa prática, no âmbito das organizações de Terceiro Setor, no caso ilustrado da Fundação Irmão José Otão, se alicerça nos seguintes

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aspectos: a importância da missão organizacional na definição do seu papel no conjunto da sociedade; a capacidade de decifrar as demandas e as necessidades dos públicos com os quais interage, buscando incorporá-las no planejamento; a busca pelo desenvolvimento de competências específicas para atuação no setor, com vistas a uma atuação qualificada na área; a observância do marco legal vigente no setor; a atenção à sustentabilidade da organização; e a imprescindibilidade do planejamento estratégico como ferramenta de gestão capaz de viabilizar um modelo de gestão competente e inovador. Assim, a transparência, a sustentabilidade, a inovação e a

responsabilidade social passam a ser os valores a serem adotados para que os resultados alcançados possam gerar impactos positivos para todos os públicos que interagem com a Fundação Irmão José Otão e com a Universidade. Por fim, reafirma-se o propósito da atual Diretoria Executiva de conduzir a Fundação Irmão José Otão de forma a preservar a sua trajetória histórica e, ao mesmo tempo, torná-la protagonista na construção de propostas inovadoras no contexto das organizações que compõem o Terceiro Setor no Brasil. Referências FIJO. Planejamento Estratégico 2009-2012. Porto Alegre: Fundação Irmão José Otão, 2008. FIJO. Relatório de Atividades 2008. Porto Alegre: Fundação Irmão José Otão, 2009. HERBST, N. B.; NORTON, M. The Complete Fundraising Handbook. London: Directory of Social Change, 2007. HUDSON, M. Managing without Profit: leadership, management and governance of third sector organisations. London: Directory of Social Change, 2009. NORTON, M. The Worldwide Fundraiser’s Handbook: a resource guide for NGOs and community organisations. London: Directory of Social Change, 2003. PMI. A Guide to the Project Management Body of Knowledge: PMBOK Guide 2000 Edition. Newtown Square: Project Management Institute, 2000. QUEIROZ, M. O Planejamento Estratégico e as Organizações do Terceiro Setor. In: VOLTOLINI, R. (org). Terceiro Setor: Planejamento e Gestão. São Paulo: Editora SENAC, 2004. .

EDUCAÇÃO ONLINE: UMA EDUCAÇÃO INOVADORA?

ONLINE DISTANCE EDUCATION: INNOVATION IN WHAT SENSE?

Lucia Maria Martins Giraffa, Dr.; FACIN/CEAD – PUCRS giraffa@pucrs.br Elaine Turk Faria, Dr.; FACED/CEAD - PUCRS elaine.faria@pucrs.br Resumo A Educação a Distância (EAD) na PUCRS constituiu-se no ano de 1999 e a nova forma de gestão estabeleceu-se em 2006, após estudos sobre a caminhada percorrida e a necessidade de inovar com sustentabilidade para manter-se na vanguarda do mercado nacional. Este capítulo apresenta o resultado do projeto de renovação da Coordenadoria de Educação a Distância (CEAD), mais conhecida como PUCRS VIRTUAL, destacando os aspectos de mudanças e inovações relacionados à (re) estruturação da organização, opções tecnológicas e paradigma educacional, aliados aos tempos de cibercultura e educação virtual, sem perda dos princípios norteadores do Estilo Marista de Educar. Após a descrição do contexto e soluções implementadas para realizar as mudanças e inovações no setor, apresenta-se algumas reflexões acerca das possibilidades da EAD online mediada pela Internet e seus recursos. Conclui-se que a gestão de projetos de EAD online com qualidade técnica, tecnológica, pedagógica e de pessoal requer cuidados em muitos sentidos e envolve não apenas o investimento, a aquisição dos equipamentos, e sim ênfase no preparo dos profissionais que utilizarão estas mídias, mas também o tratamento pedagógico a elas aplicado.

Palavras-chave: Educação a Distância online, Tecnologias Digitais, Inovação e Aprendizagem.

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Introdução A Educação a Distância (EAD) não é uma modalidade de ensino nova. A EAD na sua forma mais tradicional se apoiava no uso da infraestrutura dos correios para enviar os materiais e lições aos alunos distantes. Estabelecia-se o modo assíncrono de estudar. Cabia ao professor estruturar o curso, organizar as lições, criar materiais, dividindo os conteúdos entre informação teórica e exercícios de fixação. Os alunos recebiam estes módulos, liam os textos, faziam os exercícios e algumas vezes os remetiam para correção. A maioria dos cursos enviava o gabarito dos exercícios confiando na autodisciplina do aluno e no seu senso de responsabilidade. Com os avanços da tecnologia, o surgimento dos computadores e, principalmente da rede Internet, vivenciamos um sistema social baseado na viabilidade de atividades online (síncronas), onde o acesso à informação está muito facilitado, permitindo que distâncias e tempo não sejam mais fatores restritivos para comunicação, surgindo a “nova” EAD. Uma EAD tecnologicamente dependente da evolução e consolidação das Tecnologias Digitais (TDs). Uma EAD online que emerge de uma civilização científica e técnica, imersa na globalização da economia, na mundialização da cultura e na internacionalização da Educação. Segundo (Aretio, 2007), esta nova realidade fez com que fosse estendida a todo o planeta uma preocupação em adequar a formação dos indivíduos para que eles desenvolvam as competências necessárias para trabalhar e conviver neste novo cenário. Os ciclos de renovação do conhecimento associado às tecnologias digitais se produzem num período temporal muito inferior a vida das pessoas. Desta forma, se faz premente que o indivíduo se atualize constantemente para poder acompanhar o ritmo da sociedade e sentir-se inserido e apto para desenvolver funções produtivas. A EAD não é por si só, inovadora, mas a Educação Virtual (Virtual Learning), ou simplesmente EAD online, apoiada em Tecnologias Digitais permite um novo olhar acerca de uma prática tradicional. Mudar os meios implica em rever a prática docente e a forma como se deve organizar os cursos. É procurar sublimar a perda da presença física, utilizando como elemento a virtualidade e suas características. Neste novo contexto surgem os desafios para se fazer EAD de qualidade. Como se resolve a questão de estar presente no virtual? A reposta

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é a interatividade mediada pelos recursos de comunicação hoje disponibilizados nos AVEA’s (Ambientes Virtuais de apoio ao Ensino e a Aprendizagem). Assim, apesar do termo EAD, essa alternativa de educação assume como desafio, minimizar a importância da distância geográfica entre professores e alunos, aproximando-os por meio da interatividade. Em muitas aulas presenciais, a ‘distância’ entre mestre e educandos é grande, por isso muitas escolas, em que a presença é obrigatória, estão adotando métodos e procedimentos que têm sido bem sucedidos na EAD, promovendo a interatividade e a autonomia dos alunos. Este relato apresenta o resultado do projeto de renovação da Coordenadoria de Educação a Distância (CEAD), mais conhecida como PUCRS VIRTUAL (PV), destacando os aspectos de mudanças e inovações relacionados à estrutura da organização, escolhas tecnológicas e paradigma educacional, aliados aos tempos de cibercultura e educação virtual, sem perda dos princípios norteadores do estilo marista de educar. Enfatiza-se que a tecnologia é um meio e não um fim quando se trata de educação de qualidade. Objetivos 1. Relatar a proposta de mudança na Educação a Distância da PUCRS. 2. Promover reflexão acerca da necessidade da formação docente para atuar com alunos oriundos da geração digital. 3. Divulgar o trabalho realizado no âmbito da PUCRS relacionado à oferta inovadora de cursos virtuais online de extensão e especialização. Mudança e Inovação estrutural para manter a competitividade A PUCRS VIRTUAL foi criada em 1999 como uma Unidade autônoma e em 2006 passou a ser uma Coordenadoria da PROEX (Pró-Reitoria de Extensão), denominando-se, então, Coordenadoria de Educação a Distância (CEAD). Neste momento, após uma reflexão sobre sua caminhada e os recursos existentes na atualidade mudou-se a tecnologia e a gestão dos recursos humanos da Unidade. A solução encontrada na época da criação da EAD da PUCRS era a utilização de satélite como tecnologia de comunicação para a geração e transmissão de aulas fortemente associadas a videoconferências e/ou

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teleconferências. Os alunos interagiam com os professores pelo serviço telefônico 0800 e o material das aulas era disponibilizado na plataforma WEBCT (Web Course Tools). O modelo ponderava as atividades síncronas e assíncronas em função do projeto do curso, geralmente usando como base 20% das aulas transmitidas via satélite e com alunos assistindo de forma simultânea nos pontos distantes distribuídos pelo país. No auge deste modelo a PV possuía unidades em quase todos os estados brasileiros, podendo, também, transmitir para diversos países do continente americano, África e Europa; embora nunca tenha ocorrido um curso internacional. As aulas gravadas seguiam o modelo das aulas presenciais com uso de slides em PowerPoint onde o conteúdo estava estruturado e o professor, sentado a uma mesa, em frente a câmeras, em estúdio com cenário fixo, discorria sobre o assunto do encontro. A interação era obtida por meio do uso de serviço telefônico ou perguntas no ambiente na ferramenta de chat. Este modelo requereu a criação de uma infraestrutura de pessoal de apoio ao docente, a fim de poder viabilizar o atendimento dos inúmeros alunos matriculados no curso e espalhados geograficamente no território brasileiro. Nem todos os cursos possuíam alunos com tal granuralidade, mas a maioria deles era oriunda de pelo menos três estados diferentes. Fato este que exigiu a criação de toda uma logística, ainda existente, embora adaptada aos novos tempos e demandas. A necessidade de comunicação síncrona, de o aluno receber a imagem em um local distante e poder interagir com a equipe de professores e tutores, e a diversidade geográfica do território brasileiro, considerando que estávamos no final da década de 90, século XX, a opção recomendada na época era, sem dúvida, a utilização de satélite; o qual garantia a abrangência e os serviços demandados pela proposta pedagógica. Com o passar dos anos, a evolução e consolidação da Internet, os custos elevados da manutenção do sistema de satélite e, principalmente, da mudança na proposta conceitual e entendimento do que seriam as aulas virtuais, a valorização da interação, a ênfase na mediação no ambiente virtual de aprendizagem, a PV muda sua forma de trabalhar. O foco deixa de ser a valorização das aulas gravadas como elemento basilar da aprendizagem dos alunos, para se focar na estruturação de cursos onde a aprendizagem do estudante está vinculada a uma

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postura de autonomia, desenvolvimento de competências de pesquisa, análise, crítica, construção textual, argumentação e trabalho em equipe. Nesta nova proposta a PV foi reestruturada no ano de 2006. Os cursos foram reformulados, a equipe de professores foi renovada (hoje temos apenas 20% da equipe original), a fim de refletir o novo momento e nova percepção do papel da unidade de EAD no contexto da Universidade. A PV é uma unidade de serviços cujo papel é apoiar e gerir as ações e políticas da PUCRS no que tange a modalidade de Educação a Distância. A PUCRS VIRTUAL tem por missão auxiliar a produzir e difundir conhecimento de forma inovadora, observando os preceitos do Estilo Marista de Educar, fundamentada na formação humana, orientada por critérios de qualidade e ética. Segundo Rodrigues (2006) “a gestão estratégica das organizações é influenciada e orientada pelas mudanças exógenas, relacionadas às estruturas de mercado, e pelas mudanças endógenas, que devem ser implementadas no ambiente interno da organização” (p. 223). Isto significa examinar as forças e os elementos que impactam de modo crítico no desempenho da instituição, levando em consideração o contexto competitivo. Nesta perspectiva, necessitou-se examinar a estrutura organizacional e o desenvolvimento dos recursos humanos da instituição em questão; realizando mudanças que contemplassem os aspectos de atendimento diversificado e flexibilizado. Neste sentido, a grande dificuldade encontra-se na própria legislação trabalhista brasileira que não se atualizou. Não existem ainda subsídios legais para se enquadrar os novos profissionais que atuam no segmento de EAD e este é um grande desafio da gestão de pessoal. A estrutura organizacional, atual, da PV contempla os seguintes apoiadores: • Gestores para organizar e atender as demandas relacionadas à organização e supervisão dos cursos. • Professores Colaboradores, lotados em unidades acadêmicas e com horas cedidas para atuação na CEAD. Eles ministram aulas nos cursos de capacitação dos professores para uso do AVEA, supervisionam a

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equipe na elaboração dos materiais e avaliações necessários para a estruturação do espaço virtual de aprendizagem; • Professores para ministrarem as aulas, atender os alunos e elaborarem os materiais e avaliações necessários para a estruturação do espaço virtual de aprendizagem. • Auxiliares Técnicos em EAD (ATEDS) que organizam e sistematizam as informações geradas no ambiente virtual em função do grande volume de informações produzidos nos fóruns e, também, na publicação e disponibilização de materiais elaborados pelos professores. Enfatiza-se que a PV não “tutores” em seu quadro de pessoal. • Núcleos de Informática associado à Gerência de Tecnologia de Informação e Comunicação (GTIT) que cuida de todos os aspectos relacionados à manutenção e infraestrutura de hardware da plataforma onde estão os repositórios e sala de aula virtual. • Help Class responsável pelo suporte aos usuários da plataforma MOODLE (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment). • Nucleo de Mídia e Design (NMD) setor que trabalha com a manipulação, formatação e disponibilização de objetos digitais em multimídia, que viabilize os recursos a serem inseridos no repositório de recursos a serem disponibilizados nas aulas virtuais. Importante salientar que o uso de áudio e vídeos é cada vez mais explorado na EAD. Estes materiais são produzidos a partir das demandas dos professores que fazem o designer do curso. Neste setor também é fundamental a presença de web designers que permitam a customização da plataforma e a organização estética do ambiente. • Estagiários são alunos da graduação da PUCRS que formatam os materiais digitais, acompanham as gravações, organizam os materiais do curso no arquivo virtual (webfólio) do curso, acompanham/registram a entrega de materiais, de avaliações e de emails, organizam a modelagem do ambiente virtual, entre outras atividades. • Uma infraestrutura de secretaria e recepção que suporte todas as ações administrativas e de serviço de correio.

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Seguindo na linha inovadora e empreendedora da Universidade, aliada a abertura da legislação educacional brasileira, a Coordenadoria de Educação a Distância (CEAD) da PUCRS passou a estruturar as políticas de EAD da instituição e a administrar o Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem na plataforma MOODLE, em substituição ao WEBCT. Este AVEA (MOODLE) foi implementado em 2006 nas disciplinas semipresenciais da graduação, disciplinas presenciais que optaram pelo ambiente para suporte as aulas e também em todos os cursos virtuais. Mudança e Inovação Pedagógica alinhada com a proposta Marista O momento atual exige uma crescente interatividade e interconectividade, propiciada pelas TDs, com emprego de vários meios de comunicação e diferentes equipamentos interligados em rede. Essa interatividade se constitui no diferencial da EAD da PUCRS VIRTUAL, na oferta dos seus cursos: disponibilidade de acesso ao ambiente virtual do curso na modalidade 24x7 (todo o dia e durante toda semana), comunicação facilitada com toda a equipe de apoio e professores, uso de tecnologia digital de ponta, inibição da impressão de materiais em papel (incentivo a uma cultura de responsabilidade ambiental, apesar do aluno poder imprimir tudo o que desejar o curso apenas usa materiais digitais ou digitalizados), interatividade freqüente entre os integrantes do curso e disponibilização de áudios e vídeos contextualizados com o assunto do curso (com baixo índice de reaproveitamento integral de materiais em função da personalização das atividades a cada turma). O uso de materiais multimídia especialmente elaborados para o curso auxilia a superar o grande desafio da EAD com ênfase conteudista (mera informação proporcionada pelo fácil acesso à Internet e aos hipertextos) sem desenvolvimento efetivo da aprendizagem, abrindo espaço para cursos de baixa qualidade e de resultado duvidosos os quais têm realizado um “desserviço” a comunidade que acredita na EAD. Destaca-se, ainda, como característica relevante, a versatilidade desta metodologia, que tanto pode ser permeada pelo ensino presencial,

semipresencial ou virtual, como também se adequa ao ensino formal ou nãoformal.

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Com o advento da Internet, a qual completa dez anos de uso massivo, a sociedade contemporânea mudou a forma como se comunica e, também, podese dizer que existe uma mudança na forma como se aprende. Segundo Lévy (2003), o aluno que navega no ciberespaço possui uma forma diferenciada de trabalhar o conhecimento. Esta percepção pode ser facilmente comprovada pelos inúmeros recursos que um aluno nativo do ciberespaço utiliza no seu cotidiano. Estamos acostumados a observar o jovem de hoje usar de forma simultânea o MSN, a Internet, jogar, falar no telefone e até mesmo estudar. Isto pode parecer muito complexo e pouco provável para nós imigrantes do ciberespaço. Além deste aspecto de mudança no comportamento, vamos encontrar a questão da quebra do paradigma da presencialidade. Hoje um aluno não precisa mais estar no mesmo espaço físico que seu professor e colegas. E, também, a questão da sincronicidade fica relevada a outro plano, uma vez que o ferramental disponível (fóruns, blogs, páginas e outros) permitem que a informação seja disponibilizada e tratada de forma assíncrona, sem prejuízo da qualidade (desde que bem planejada). Hoje temos os nativos digitais sendo ensinados e tutelados por imigrantes digitais (Prensky, 2001). Isto significa que os docentes não nasceram imersos nas tecnologias e tiveram de aprendê-las. Logo, a percepção não é a mesma. O desafio é grande e temos de vencer preconceitos antes de tudo. Esta nova geração de discentes faz coisas diferentes e são expoentes de mudanças relacionadas à globalização. Eles se comunicam com seus pares e demais pessoas de forma mais intensa, usando o computador, o celular, os iPods, os blogs, os Wikis, as salas de bate-papo na Internet, os jogos em rede e as diversas plataformas de comunicação que a cada dia são criadas. Não se sabe a novidade que vem por ai, mas se sabe que a comunicação interativa é a base de toda oferta tecnológica. As pessoas querem se comunicar a um simples toque de botão. Nada mais natural para quem desde bebê foi estimulado a usar um controle remoto e foi educado que a distância física não é fator impeditivo para comunicação e a aprendizagem. Esta geração denominada de Homo Zappiens por Veen e Vrakking (2009) é agente de mudança na educação. Os autores salientam que esta geração se difere de qualquer outra porque cresceu numa era digital.

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EAD online: uma educação inovadora e de qualidade a partir da capacitação docente A formação docente oferecida pela PUCRS VIRTUAL através de suas Oficinas (http://www.ead.pucrs.br/cursos/oficinamoodle/portal/index.php) MOODLE capacita o

professor da Universidade a criar a infraestrutura de sua sala de aula virtual em função do projeto pedagógico da sua Unidade Acadêmica. As Oficinas tem sido uma estratégia inovadora de proporcionar reflexões acerca do papel das tecnologias versus o papel do docente neste novo e desafiador contexto que emerge do uso massivo de TDs na sociedade. Estas Oficinas ocorrem durante os semestres letivos e também nos períodos de recesso escolar, para turmas pequenas, que tanto podem ser de mestres da mesma Unidade Universitária como de grupos diversificados. O objetivo principal destas oficinas é o de levar os professores a aprenderem a criar ambientes virtuais de ensino e de aprendizagem, descobrindo as funcionalidades (recursos e atividades) do MOODLE, utilizando diferentes serviços e ferramentas computacionais para gestão e interação nestes ambientes. Outro aspecto fundamental que se faz necessário no que tange a formação do docente para atuar no ciberespaço está ligada a seleção e organização de materiais digitais. Neste aspecto o uso Bibliotecas Virtuais (organizadas a partir de links e materiais disponíveis na Internet) e disponibilização de livros virtuais (EBooks) estão sendo cada vez mais incentivados na EAD. Nos cursos da PV incentiva-se a utilização do acervo digital interno provindo da Biblioteca Central da PUCRS e da Editora da PUCRS (EDIPUCRS), além do portal

www.dominiopublico.org.br o qual permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal. Assim como estes, muitos outros sites e portais de editoras nacionais ou internacionais são utilizados e incentivados seu uso, já que disponibilizam ser acervo científico na íntegra e no formato digital.

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Outra estratégia utilizada para compor o acervo de materiais usados nos cursos são os repositórios brasileiros de Objetos de Aprendizagem (OA), tais como: RIVED (http://www.rived.mec.gov.br) CESTA (http://www.cinted.ufrgs.br/CESTA/) LabVirt (www.labvirt.fe.usp.br) Oe3-tools (http://www.cesec.ufpr.br/etools/oe3) Banco Internacional de Objetos Educacionais

(http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/) Estes repositórios de OA permitem que se encontre uma série de possibilidades gratuitas de softwares educacionais Se o curso permitir o uso de programas escritos em inglês, alternativa interessante encontra-se em

repositórios internacionais tais como: MERLOT (http://www.merlot.org/merlot/) CAREO (http://www.ucalgary.ca/commons/careo), ARIADNE (http://www.ariadne-eu.org) Wisc-Online (http://www.wisc-online.com) Os repositórios mencionados acima incorporam o conceito atual de tratar o projeto de softwares educacionais na perspectiva de Objetos de Aprendizagem, observando a questão do reuso e interoperabilidade. Segundo Weller, et al. (2003), um OA é uma parte digital do material da aprendizagem que se dirige a um tópico claramente identificável ou resultado da aprendizagem e tem o potencial de reutilização em contextos diferentes. A figura 1 apresenta a interface da Comunidade MOODLE de Professores da PUCRS usuários do AVEA, devidamente capacitados nas Oficinas da CEAD, a qual foi criada para permitir o intercâmbio de informações e boas práticas adquiridas pelos docentes da Universidade. Esta ação, também inovadora, abriu espaço para o professor dialogar com colegas de forma ágil e acessível, com total autonomia e flexibilidade. E, sensíveis ao fato de que a maioria dos docentes são imigrantes digitais e não é possível adquirir destreza com uso de ferramentas digitais sem a devida reflexão e prática, esta comunidade permite ao professor obter ajuda com seus pares e equipe da CEAD, a qual acompanha as contribuições no intuito de fornecer apoio virtual.

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Figura 1: Comunidade MOODLE de professores da PUCRS

Apesar de não ser possível, ainda, por questões legais, realizar cursos de mestrado e doutorado totalmente a distância, a Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação (PRPPG) da PUCRS, ciente dos avanços tecnológicos, da necessidade de se manter atualizada e das vantagens que estes recursos digitais síncronos e assíncronos podem trazer para a pós-graduação Stricto Sensu e a pesquisa define sua política de EAD a qual confere “um caráter de virtualidade e ubiqüidade (pervasividade) que a própria natureza do desenvolvimento científico e tecnológico requer, dentro dos padrões atuais da tecnologia”. Neste sentido ela incentiva os professores a utilizarem salas de aulas virtuais como repositórios e elementos de articulação e interação extraclasse, promovendo a cultura da discussão virtual no âmbito das disciplinas presenciais. Além do uso destes ambientes virtuais mais formais existe o estimulo à criação de blogs para os professores colocarem materiais e divulgarem sua pesquisa e idéias. O uso destes recursos tão comuns no ciberespaço amplia o espaço tradicional de pesquisa e divulgação cientifica. A gerencia destes blogs e salas virtuais é realizada em parceria com a CEAD, a qual funciona como elemento articulador destas ações na comunidade de pesquisa da PUCRS. A partir desta política de EAD, a PRPPG passa a usar “tecnologias de comunicação síncronas na defesa das teses e dissertações, nos exames de qualificação e em reuniões regulares de pesquisa, viabilizando o trabalho de comissões e a discussão colegiada, exigindo menor esforço de deslocamento e

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possivelmente

um

menor

volume

de

recursos

financeiros,

permitindo

participações que, tivessem de ser 100 % presenciais, nem sempre seriam possíveis.” Enfatiza-se que, para este novo discente, nesta nova instituição educacional, é preciso que o professor se aproprie do paradigma da EAD, compreendendo sua potencialidade e referencial teórico, para melhor usufruir dos recursos tecnológicos, com vistas a uma educação interativa, inovadora e de qualidade. Cabe à instituição e aos educadores criarem ambientes de aprendizagem em que os alunos possam ser orientados, não só sobre onde encontrar informações, mas, também, como avaliá-las, analisá-las, organizá-las, tendo em vista seus objetivos. Nessa proposta, os próprios professores passam a perceber o

conhecimento, cada vez mais, como um processo contínuo de busca e pesquisa de recursos instrucionais e informações, atualizando mais fácil e rapidamente seu material didático. Assim, a ameaça de padronização e massificação da EAD, ou ainda, a pretensão de ser propiciadora de um curso de “aligeiramento” da aprendizagem ficará descartada, assumindo uma postura política e

procedimentos pedagógicos adequados. A reflexão crítica sobre estas questões, possivelmente, levará a uma prática de mediação pedagógica que favoreça a interatividade. Considerações finais A experiência acumulada nesta área permite afirmar que não é só a tecnologia que possibilita o sucesso da EAD online. Muito mais importante do que ela oferece em termos de oportunidades e infraestrutura é a necessidade dos professores entendê-la e utilizá-la. A tecnologia, em si, não é boa nem má, o uso que se faz dela é que determina se o resultado é positivo ou negativo. Organizar uma aula virtual não é tarefa fácil para quem possui pouca familiaridade com uso de tecnologias e em especial os recursos da Internet. O atributo difícil, também é relativo, uma vez que o docente que costuma planejar criteriosamente e de forma diversificada sua aula presencial encontrará muita similaridade no organizar as aulas virtuais. Evidente que o acompanhamento virtual demanda uma nova postura e organização do tempo do professor, e

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principalmente, um entendimento por parte do aluno de que apenas o ambiente virtual está sempre disponível e o professor não fica a sua disposição todo o tempo. Ensinar a distância no modo online é diferente de ensinar presencialmente, mesmo para professores com larga experiência de magistério. Isso significa que é necessário conhecer, estudar, pesquisar, avaliar e refletir sobre todos os aspectos envolvidos nesse processo bem como ressignificar a trajetória já percorrida a partir da experiência no presencial. Não há espaço para improvisação total, ou seja, o docente tem de organizar todo o curso antes que o mesmo ocorra e no caso de inclusão de recursos multimídia estes devem ser previamente projetados e, preferencialmente, estar disponíveis por ocasião do curso. É uma nova forma de pensar e realizar o espaço da sala de aula. Ao mesmo tempo em que se exige este rigoroso planejamento, o professor deve ser flexível e apto a improvisar a partir das intervenções dos seus alunos e ser capaz de corrigir eventuais lacunas através da criação de atividades e disponibilização de materiais complementares. Isto vai requerer cada vez mais domínio de conteúdo e expertise, razão pela qual muitos pesquisadores de EAD questionam a formação que hoje se fornece aos professores, a qual não os prepara devidamente para atuar nesta modalidade, fazendo com que seja imperioso capacitar os professores. Como toda educação, formal ou continuada, necessita ter qualidade, a EAD online, especificamente, por ser inovadora e apresentar legislação educacional própria, é avaliada constantemente, para ter autorização e reconhecimento dos cursos desenvolvidos, bem como o credenciamento da instituição de ensino. Nesse sentido, acredita-se que, como todos os cursos de graduação e pós-graduação estão sendo sistematicamente avaliados

(interna/externamente) e redimensionados, na busca da qualidade (requisito indispensável à Educação, tanto mais num país em desenvolvimento, não importando se é presencial ou à distância), justifica-se repensar a tecnologia, o paradigma educacional, a interatividade e as ações inovadoras no campo da EAD cujo foco central é a qualidade da educação ofertada.
“Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.” Eric Hoffer

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Referências ARETIO. G, L. (coord.) Ruiz Corbella, M.; Domínguez Fajardo, D. De la educación a distancia a la educación virtual. Barcelona: Ariel, 2007. LÉVY, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Editora 34, 2003. PRENSKY, M. Digital Natives, Digital Immigrants. In: The Horizon, MCB University Press, Vol. 9 No. 5, October 2001. RODRIGUES, C. Blogs e a Fragmentação do Espaço Público. Covilhã-Portugual: Livros Labcom, 2006. Disponível em: <http://www.livroslabcom.ubi.pt/coleccoes.html> acesso em junho de 2009 WELLER et al. Putting the pieces together: What working with learning objects means for the educator. Disponível em: <http://ietstaff.open.ac.uk/m.j.weller/elearn.doc> acesso em junho 2009 VEEN, W.; VRAKKING, B. Homo Zappiens - Educando na Era Digital. Porto Alegre: ARTMED, 2009.

O MUSEU DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DA PUCRS: MEDIAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E SOCIEDADE

THE MUSEUM OF SCIENCES AND TECHNOLOGY - PUCRS: MEDIATING KNOWLEDGE AND SOCIETY

Simões Pires, Melissa G.; PhD; MCT- PUCRS mgspires@pucrs.br Scolari, Luiz Marcos; Esp; MCT - PUCRS scolari@pucrs.br Jeckel-Neto, Emílio A.; PhD; MCT- PUCRS jeckel@pucrs.br Resumo Discute-se um tipo de ação de responsabilidade social do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS (MCT-PUCRS) feita através da divulgação de informações científicas relacionadas a temas atuais relevantes por meio de exposições temporárias não previstas no calendário de atividades do Museu. Estas exposições são elaboradas a partir de temas que têm grande impacto no cotidiano da comunidade no momento. São apresentados dois casos que exemplificam esta ação: as exposições sobre o surto de dengue e sua prevenção em 2008 e sobre o impacto da ação das pessoas na população de bugios, relacionada com o avanço da febre amarela no Rio Grande do Sul em 2009.

Palavras-chave: Papel social, Informação científica e tecnológica, Museu de Ciências. Abstract One kind of social responsibility action of the Museum of Sciences and Technology of PUCRS (MCT-PUCRS) is discussed. The Museum’s action is to promote unscheduled exhibits on scientific information about current relevant topics concerning the society. Two cases are presented: the an epidemic outbreak

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of dengue and its prevention in 2008, and the impact of people actions on the bugio monkees related to the onset of yellow fever in the State of Rio Grande do Sul in 2009.

Keywords: Social role, scientific and technological information, Sciences museum. Introdução A exposição permanente do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS (MCT-PUCRS) foi inaugurada em 14 de dezembro de 1998 e, atualmente, apresenta mais de 800 experimentos interativos, distribuídos na área de exposições do Prédio 40 e no PROMUSIT (Programa Museu Itinerante). Através de dioramas, multimeios, interações vivas, jogos virtuais e exposições temporárias diversas, são envolvidas diversas áreas como: física, matemática, astronomia, geologia, paleontologia, arqueologia, história e outras (Borges et al., 2008). Segundo Nicholson (2002), o estudo da museologia tem oportunizado uma evolução nos processos de criação de uma exposição científica. Trabalhos como o de Cazelli e colaboradores (2002), afirmam que duas dimensões têm sido consideradas fundamentais nessas exposições: a primeira refere-se à promoção da compreensão pública da ciência e da tecnologia (C&T). A segunda é a abordagem social, que visa trazer a cultura da sociedade de um modo geral para dentro dos museus, a fim de que os conhecimentos científicos e tecnológicos atuais, que estão presentes na mídia e geram controvérsias, sejam

compartilhados e discutidos pelo público. Essa abordagem social está relacionada à atuação do museu como responsável por processos de divulgação científica junto à comunidade. Também diz respeito ao nível de entendimento de ciência e tecnologia necessário para que cada cidadão tenha a condição de compreender o seu entorno, ampliando as possibilidades e oportunidades de atuação no seu meio social. Valente e colaboradores (2005) ressaltam que as demandas da sociedade e as questões educacionais vêm conformando o papel social dos museus de ciência, sobretudo na absorção de novas idéias e tendências por parte dessas

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instituições, no replanejamento das formas de trabalho, especialmente para que os museus possam acompanhar as rápidas mudanças do mundo contemporâneo. O fato do MCT-PUCRS utilizar a exposição como ferramenta prática, tanto para o meio científico quanto para o cidadão comum, permite que as necessidades cotidianas de uma comunidade sejam utilizadas como ponto de partida e de inspiração para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia, da inovação e da criação no espaço museal. Essa nova relação imediata entre a demanda da sociedade e a inovação da exposição deve estar embasada no reconhecimento mútuo das contribuições que cada lado pode oferecer para que, juntos, tomem decisões e atitudes que dizem respeito à sociedade em geral (Valente et al., 2005). Nesse contexto insere-se o presente trabalho, apresentando duas ações fora do calendário previsto, elaboradas pela equipe do MCT-PUCRS com a finalidade de prestação de esclarecimentos a comunidade envolvendo os temas dengue e febre amarela, em momentos distintos em que a compreensão pública dos temas envolvia diretamente a tomada de decisões e atitudes da população. Descrição do processo de Inovação A primeira ação no âmbito do MCT-PUCRS ocorreu em março de 2008, quando a dengue estava tornando-se um problema de saúde pública no Rio Grande do Sul. A equipe do MCT-PUCRS procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre e estabeleceu uma parceria para elaborar a exposição interativa denominada “Corrida contra a dengue”. Através de atividade lúdica, a exposição alertou os visitantes sobre os riscos dessa doença, bem como as maneiras de precaver-se contra a mesma. Tal iniciativa mostrou-se válida, pois era buscada intensamente por alunos, professores e publico em geral. A conscientização da comunidade quanto aos riscos e sua responsabilidade nos cuidados para evitar a disseminação da dengue foram os focos principais dessa exposição. Além de todas as informações técnicas contidas nesse espaço, havia um jogo gigante com dados, onde os alunos disputavam uma “corrida contra a dengue” ao longo de uma trilha Nesta trilha havia determinadas atitudes corretas ou incorretas que faziam o participante avançar ou retroceder até que

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conseguisse chegar ao ponto final. Os finalistas eram premiados com uma taça comemorativa ao seu sucesso (Figura 1).

Figura 1 - Aspectos da exposição “Corrida contra a Dengue”.

A segunda ação de responsabilidade social ocorreu no início de 2009, quando do avanço significativo da febre amarela no Estado do Rio Grande do Sul. Essa exposição abrangia, não somente o tema “doença febre amarela”, mas também envolvia um acontecimento que estava preocupando o meio científico de forma importante: o abate de bugios no estado causado por informações incorretas. Várias comunidades estavam, equivocadamente, considerando o bugio como transmissor da enfermidade e, por medo, estavam matando estes animais, quando estes macacos sofrem contaminação antes dos humanos e morrem da doença ao invés de transmiti-la. Para a elaboração dessa exposição, buscou-se o apoio das Unidades Acadêmicas da PUCRS, através de docentes e discentes engajados na temática. Foi elaborada então a exposição “Proteja o seu anjo da guardo” (Figura 2), que alertava para o fato de que os bugios eram, na verdade, sentinelas sanitárias que indicavam a presença da doença em determinada região e eram vítimas da mesma.

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Figura 02 - Painel da exposição “Proteja seu anjo da guarda”.

Utilizou-se também nesse espaço o tema de uma campanha lançada pelo professor da Faculdade de Biociências, Dr. Julio Cesar Bicca Marques que divulgou a importância bugio como um indicador de que a doença estaria presente em determinado local. Além das informações citadas, outras buscavam alertar o público sobre a importância de sua atuação contínua para o controle dos mosquitos transmissores (Aedes aegypti), abordando temas como medidas de prevenção (Figura 3), meios de propagação, além de mostrar os sinais e sintomas da doença (Figura 4).

Figura 3 - Painel sobre a prevenção da febre amarela.

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Figura 4 - Painel sobre os sintomas da febre amarela.

Resultados Embora não se tenha mensurado sistematicamente o impacto dessas exposições, um indicador de sua relevância é foi a grande procura por mais informações dobre os temas abordados. Os visitantes em geral buscam essas informações com a equipe de mediadores que trabalham na exposição do Museu. Muitas vezes, conversavam com os mediadores para compartilharem seus anseios e/ou sugestões para se ampliar a divulgação sobre as temáticas. Já os professores que acompanharam grupos de estudantes, além de contarem com a mediação no espaço museal, solicitaram informações sobre formas de trabalhar o tema em sala de aula com a Coordenação Educacional do MCT-PUCRS.

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Considerações Finais Acreditamos que, pela credibilidade do MCT-PUCRS junto à sociedade, todas as informações veiculadas pelo Museu sejam mais facilmente aceitas e assimiladas por alunos, professores e pelo publico em geral, não somente pela forma são como são elaborados os ambientes expositivos, mas também pela qualidade e clareza do conteúdo trabalhado. A finalidade do Museu como espaço de divulgação científica tem se mostrado presente, pois, pelo relato de visitantes, após essa experiência, muitos passam a ser multiplicadores de das informações obtidas na exposição por as considerarem fidedignas. Também se mostraram sensibilizados pelo impacto dessas doenças na vida das pessoas e no meio ambiente. Assim, considera-se que estas ações focadas no cotidiano imediato da sociedade contribuem de forma eficaz e comprometida para que, em tempo hábil, as pessoas possam utilizar os conhecimentos da ciência para efetivarem-se como cidadãos atuantes e conscientes do seu papel e da sua responsabilidade social. Referências BORGES, Regina Maria Rabello; LIMA, Valderez Marina do Rosário; IMHOFF, Ana Lúcia. Contextualização no Âmbito do Projeto Nº 057 CAPESFAPERGS: Observatório da Educação, Museu Interativo e Educação em Ciências. In: ______; MANCUSO; Ronaldo (orgs.). Museu Interativo: fonte de inspiração para a escola. 2ª ed. ver. e ampl. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. p. 7-19. CAZELLI, S.; QUEIROZ, G.; ALVES, F.; FALCÃO, D.; VALENTE, M.; GOUVÊA, G.; COLINVAUX, D. Tendências Pedagógicas das Exposições de um Museu de Ciência. In: GUIMARÃES, V.; SILVA, G. Implantação de centros e museus de ciências. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002. p. 208-218. NICHOLSON, F. Applied museology in exhibit development in the 21st century. In: GUIMARÃES, V.; SILVA, G. Implantação de centros e museus de ciências. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002. p. 120-122. VALENTE, M. E., CAZELLI, S. e ALVES, F.: Museus, ciência e educação: novos desafios. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 12 (suplemento), p. 183203, 2005.

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