CADERNOS DE APONTAMENTOS N.º 30 - 35 (VOLUME V)

VOLUME V

CADERNOS DE APONTAMENTOS N.º 30 - 35

Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Artesãos

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

O Autor:

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

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Volume V
Cadernos de Apontamentos Nº 31 – 36
2ª Edição Revista e Aumentada

Indice:

30– Escritores, Pintores. Artesãos e Artesanato
( Uma Riqueza Cultura da Vila)

31 – COSM * Clube Ornitológico de Salvaterra de Magos
32 – A Origem do Clube Desportivo Salvaterense - CDS
(Os seus Desportos – através dos Anos)

33 – A Vala Real de Salvaterra de Magos
( Uma Fonte de Riqueza Económica)

34 – A Urbanização da vila, no decorrer dos tempos !
35 – Robertos(s),
Uma Fafilia, Uma Dinastia de Toureiros !
Primeira Edição - Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Edição: 100 exemplares – Março 2007
Autor: Gameiro – José
Editor: Gameiro – José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120 – 059 SALVATERRA DE MAGOS

++++++++++++++++++++
2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
`++++++++++++++++++++
Contactos: Telef. 263 505 178 * Telem. 918 905 704
*E-mail : josergameiro@sapo.pt
Os Textos destes Cadernos não acompanham o Acordo Ortográfico de 1990

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Capa: 1ª Caixa *Mestre Fragateiro; Vicente Francisco* José
Maria Ferreira (Escritor) * Dagberto Pina (Pintor)* José
Manuel Cabaço) - 2ª Caixa *António Roberto,Pai – Filhos;
Bandarilheiros - Vicente Roberto e Roberto da Fonseca

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CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 30
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Artesãos

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

“ UMA RIQUEZA CULTURAL DA TERRA “
O Autor:

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

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Primeira Edição
FICHA TECNICA:

Titulo: ESCRITORES, PINTORES, ARTESÃOS E
ARTESANATO

“Uma riqueza cultural da terra”
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 32 – 3
Depósito Legal: 256497 /07
Edição 100 Exemplares – Março 2007

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
********************************************
Contactos: Tel. 263 505 178 * Tem. 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor destes textos não segue o Acordo Ortográfico 1990

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O MEU CONTRIBUTO
Certo é, que o ser humano desde os remotos tempos em
que, necessitava de utensílios para a sua sobrevivência,
teve necessidade de fazê-los. Desde peças em ferro,
madeira e barro, até à roupa, conforme as necessidades
do meio ambiente onde vivia, também os trabalhava.
Os séculos passaram, com o
advento da mecanização, a sua
tecnologia ,fortemente instalada
na primeira metade do séc. XX,
foi um passo para a substituição
de tudo, o que era artesanal. As
artes da lotoaria, carpintaria de
carros e sua ferraria, fazem agora parte da memória
colectiva do povo salvaterrense. Mesmo a feitura de
varandas em ferro, são também um bem escasso, pois
não existem continuadores, para os velhos mestresartífices A indústria do plástico, praticamente tudo
substituiu. Os artefactos como os cestos em Vime, as
Esteiras e Capachos, obras de arte do trabalhador
agrícola que, na sua pobreza de rendimentos e de
conhecimentos literários, pois o analfabetismo era
absoluto, tinha que ter grande engenho para os fazer.
Das mãos dos campinos de Salvaterra de Magos, saíam
aqueles utensílios caseiros, a mulher do campo, por sua
vez fazia as roupas da família, e o vestuário feminino,
alindava-o, com rendas, que pelo seu emaranhado, se
chamavam “Pontos de Bainha” e “Pontos de Arrecuo”.
Trabalho artístico, sempre original em cada peça, até
pela pessoa que os executava, também ornamentava os
coletes e meias dos campinos. Formas de pontear a
linha, como o “Ponto cruz” conserva-se ainda na
população da Glória do Ribatejo, especialmente; nas

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toucas, sacos de pano e almofadas. A olaria, na
freguesia de Muge, onde os utensílios em Barro, poderá
ter ramificações, muito antes da permanência romana,
aqui nesta zona, ainda persiste, com dois oleiros na
terra. O Vime e a Verga, estão radicados na freguesia
de Marinhais, por um antigo “Cesteiro”. O comércio
turístico do concelho, muito vive dessa oferta, que
agora são divulgados como artesanato do concelho. Os
interessados pela história do concelho, como: visitantes
e os jovens, na sua fase escolar, são os grandes
“pesquisadores” desses obreiros da arte caseira e
familiar. Na área da escrita, existem autores, que
publicaram temas respeitantes a esta terra, que é a sua,
ou foi simplesmente adoptiva.
Esta segunda edição agora alguns anos depois tem a
particularidade de registar, alguma actualização, de
alguns Artesãos, Escritores e Pintores de Artes
Plásticas como a Aguarela. Muitas das biografias,
datam de 1988, Foram recolhas “avulso” sem grandes
pretensões, pois o que nos interessou foi que nada se
venha a perder, quanto às informações descritas nas
páginas a seguir.Com as iniciativas do Município local,
desde 2013,são mostrados novos Aguarelistas além de
pintarem locais da terra, as expõem na Galeria
existente na Falcoaria, o que acontece também com o
artesanato, em que os Artesãos mostram ao vivo em
dezenas de Stands, nas festas do concelho.
Março: 2015

JOSE GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

I

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ESCRITORES
JOSE ESTEVAM
(ou José Estevão)

A publicação, do livro “ ANAIS DE SALVATERRA DE MAGOS”, uma
edição de Couto Martins (1959), foi um trabalho, que resultou da
muita documentação na posse do historiador, José Estevam, para
fazer um estudo histórico sobre Alcochete, que ao tempo, tinha
sido incumbido, pelo presidente daquela câmara municipal. Do
vasto espólio recolhida, José Estevam, depressa fez sair à luz do
dia” OS ANAIS”, que nos relata factos e situações, vividas nesta
vila de Salvaterra de Magos, desde o Séc. XIV.
Este precioso documento histórico
sobre Salvaterra de Magos, na altura
completava os poucos originais, que
eram conhecidos e que foram
publicados, em: Portugal Antigo e
Moderno (Pinho Leal), A Estremadura
Portuguesa (Alberto Pimentel),
Dicionário Corográfico (Américo
Costa), Dicionário Portugal (Esteves
Pereira) e Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém.

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ANGELA SARMENTO

(Tareka)
Maria Teresa Guerra Bastos Gonçalves, nasceu em Lisboa, em
1928, sendo filha de pais transmontanos, em criança, nos muitos
períodos da sua meninice e adolescência, passava longo tempo
naquelas paragens do norte de Portugal, terra dos seus
antepassados. Daquela permanência, guardou na sua memória
situações vividas entre a família, e as gentes daquela terra..
Com o nome de escritora, Angela Sarmento, em 1961,
publicou o seu grande livro (romance), a que deu o título “A
Árvore”, que retracta de modo
realista a história de uma família,
que se reparte entre o Ribatejo e
Trás-os-Montes.
Maria Teresa ao enviuvar ainda
nova, com filhos, contrai novo
casamento, com João Sarmento
Ramalho, e vem viver para
Salvaterra de Magos, onde se instala na Quinta das Gatinheiras.
No sossego do local, entre os toiros e a paisagem ribatejana,
em 1974, escreve mais alguns livros, que são editados, e entre
eles destacam-se: “OS DIAS LONGOS” , “A FORÇADA VERDADE “ e
“À BEIRA DA ESTRADA”, que teve de receber uma 2ª edição, tendo
também um dos seus contos entrado nas páginas da edição
HISTÓRIAS BREVES DE ESCRITORES RIBATEJANOS.

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O primeiro, retracta fielmente a penúria vívida pelo homem
ribatejano, especialmente de Salvaterra de Magos, nos dias
longos de Inverno, em que o trabalho não existia.
Os dois primeiros retratam uma forma de viver em
Salvaterra de Magos, em plena Lezíria ribatejana, no dobrar do
séc. XX. O último, descreve a fragilidade da mulher, que tem de
recorrer à prostituição, nos pinhais que existiam junto da sua
casa, próximo da vila. A Tareca, como era conhecida na
intimidade, quando jovem, tendo uma versatilidade de jeitos,
aprendeu Ballet e foi aluna de Raquel Roque Gameiro, em aulas de
pintura.

Foi na televisão, na década de 70, num programa de grande
audiência, que ficou conhecida publicamente, aí dançou com o seu
filho António José Martinho, o conhecido actor ; Tó Zé Martinho.
alcançando grande êxito, dando origem que os jornais falassem
daquela actuação durante dias.
O êxito alcançado com o seu livro “A Arvore”, muitos anos atrás,
é adaptado para uma série de telenovela, para a televisão, que
passa com mesmo nome. Era um trabalho do seu filho Tó Zé
Martinho, que aproveita a experiencia da Tareka, no palco quando
adolescente no Colégio onde estudou.

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Depois foi vista em outras séries de telenovelas, como actriz,
desempenha várias personagens. Ângela Sarmento (Tateka),
sendo irmã de outra escritora; Isabel da Nóbrega, é mãe da
escritora, Maria Magalhães,

JOSE GAMEIRO

José Rodrigues Gameiro, nasceu em Salvaterra de Magos, a 16
de Abril de 1944, filho de pais cuja origem genealógica se perde
no mundo rural, e nestas condições eram analfabetos.
Foi o primeiro de uma de prol de três rapazes, frequentou o
ensino primário, na escola “Presidente Carmona”, na vila. Aos
seis anos de idade, passou por uma mestre-escola – a Mestra,
Maria Augusta Moisés.
Já na escola primária, e concluída a
escolaridade obrigatória – 4ª classe,
na época, onde repetiu os estudos da
3ª classe, por não ter sido proposto a
exame, não aceitou a oferta que seu
pai lhe fez para continuar os estudos,
baseado nos conselhos da sua Prof. Natércia Assunção, que lhe
augurava um futuro em qualquer curso superior de letras.
Tomou tal decisão, porque a família vivia pobremente naquele
tempo, as marcas do após II Guerra Mundial, pesavam muito nas
necessidades económicas, especialmente de quem tinha de se
sustentar do trabalho do campo.

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Com uma curta passagem, de alguns meses, pelos serviços
administrativos da câmara municipal (onde fazia alguns trabalhos
de arquivo de documentos) por influência de seu pai, então já
empregado nos serviços da limpeza das ruas, da autarquia.
O pedido foi feito ao presidente da câmara; José Luís Ferreira
Roquette, e ao secretário; João Segurado Santos, com o
argumento “para ir desemburrando na escrita e não andar na
moina”,.

Cumpria horário e, não auferia qualquer remuneração, fazia de
tudo: Desde recados, recibos para a cobrança da águas, e
arquivava documentos - alguns, estavam no chamado arquivo
morto no sótão do edifício municipal. Foi aí, que fez um primeiro
contacto com a história da sua terra - natal, de que lhe ficou no
gosto.

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Em 1957, com 13 anos de idade, entra no mundo do trabalho
remunerado, na “Central” rodoviária e ferroviária da vila, na rua
Heróis de Chaves, ao serviço da empresa Setubalense, de
transportes públicos de passageiros, da família Belos, de Azeitão
(Setúbal). Naquele mesmo ano, inicia a sua colaboração, com
notícias da terra, em vários jornais da capital, por intermédio dos
seus “Correpondentes”; José Teodoro Amaro e Filipe Hipólito
Ramalho, que vendo o seu jeito para a redacção de textos, lhe
pediam aquele favor.
A colaboração no jornal “AURORA DO RIBATEJO” sediado, na
vizinha vila de Benavente, veio um pouco mais tarde, quando da
saída do primeiro número em Dezembro de 1964. O seu director,
há muito que o vinha sondando para seu colaborador.
Daí para cá, foi o ponto de partida; órgãos da comunicação
social como: DIÁRIO DO RIBATEJO, DIÁRIO DE NOTÍCIAS, RIBATEJO
ILUSTARDO, DIÁRIO DE LISBOA, PORTUGAL HOJE, CORREIO DA MANHÃ, O
RIBAREJO, e o semanário NOVA AURORA, entre outros, registaram

nas suas páginas, a sua colaboração.
O gosto pela pesquisa em assuntos relacionados, com a
passado da história local – Salvaterra de Magos,, tem-no
motivado à sua divulgação, tendo mesmo usado a rádio.
Uma rubrica semanal, que teve na Rádio Marinhais, tratava da
história de Salvaterra, com o nome: “Já Sabia Que !”
Ao longo da sua vida, praticou dois hobby (s), que gostava, a
Columbofilia e Ornitofilia.

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Noticias e assuntos temáticos, daquela primeira modalidade
publicou, nas páginas do jornal MUNDO COLUMBÓFILO (1960). As
revistas, DESPORTO COLUMBÓFILO, VIDA COLUMBÓFILA, e
COLUMBÓFILIA.
Quando prestou serviço militar (1965), no Quartel de Lisboa, na
sua revista militar “MOTORES EM MARCHA”, obteve um prémio,
com um artigo escrito sobre “O pombo-correio, ao serviço das

comunicações militares”.

Em 1985, foi o autor de
um pequeno livro, uma
monografia, com o título
“SALVATERRA DE MAGOS –
VILA HISTÓRICA NO CORAÇÃO
DO RIBATEJO”, em edição

promovida pelo município
salvaterrense,
que
rapidamente se esgotou. No
dia da apresentação pública
deste
trabalho,
na
Biblioteca Municipal, esteve
presente o então primeiroministro, Dr. Mário Soares, que na ocasião visitava o Ribatejo e,
aqui se deslocou para estar presente no acontecimento.
Em 1995, volta a editar com o apoio municipal, uma 2* Edição da
Monografia “Salvaterra de Magos – Vila Histórica no Coração do
Ribatejo”
Trabalhando como Secretário de Redacção, do JORNAL VALE DO
TEJO (1997-2001), semanário com sede em Salvaterra de Magos,
publicou nas suas páginas, artigos sobre a temática da história
local passada e recente da vila, e escreveu e Editou em 2007,

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45 Cadernos de Apontamentos, na “Colecção Recordar, Também
é Reconstruir” - volumes I a VI. Tendo prontos a entrar no prelo
os livros: “Robertos(s) – Uma Família-Uma Dinastia de Toureiros”
* A Toponímia da Vila” * A História dos Bombeiros Voluntários
de Salvaterra de Magos. e a sua Banda de Música * A História do
Clube Desportivo Salvaterrense, e os seus Desportos * A História
do COSM – Clube Ornitológico de Salvaterra de Magos, alguns
deles
dá-os
a
conhecer
no
Blogue:
“www,historiasalvaterra.blogs.sapo.pt, entretanto aberto.

Em Setembro de 2014, foi alvo de uma homenagem pública
promovida pelo Município de Salvaterra de Magos, com uma
Exposição de vida sobe o tema “ José Gameiro – Um Cronista de
Salvaterra de Magos; 50 Anos” – neste evento foi lançado uma 3ª
edição do livro: Salvaterra de Magos – Uma vila no Coração do
Ribatejo” Em 2015, A Colecção “Recordar, Também é
Reconstruir” com 42 Cadernos de Apontamentos – Vol. I a 6,
foram publicados em 2ª edição Revista e Aumentada, no Blogue:
“historiasalvaterra.blogs.sapo.pt”

17

*****************************
****************

JOSE MARIA DA SILVA FERREIRA

Silva Ferreira, nome como assinava os seus trabalhos, nasceu
em Salvaterra de Magos, mas muito novo foi para Lisboa em
busca de vida económica.
Amiúdas vezes vinha à sua terra natal, antes do conflito que,
originou a guerra civil de Espanha, veio a participar nela, pois foi
militar na Força Aérea. De regresso a Portugal, radicou-se na
zona de Cascais, por volta de 1944, após ter exercido um trabalho
na inventariação dos estragos causados pelo ciclone de 1941.
Enquanto funcionário público, no Ministério das Obras Públicas,
onde esteve cerca de 40 anos,
licenciou-se em história, na
especialidade de Arqueologia e
Arte, onde foi professor de história
e de português, durante alguns
anos. Dispersou a sua colaboração
por vários jornais com artigos de
opinião. Recebeu alguns prémios –
menções honrosas – em concursos literários (Reportagem e
Conto). Mais tarde, viria a assumir o cargo de redactor principal
do Jornal “A Nossa Terra”, de Cascais. Quando da saída do seu
primeiro romance, em 1949, as criticas nos jornais como: O

Século, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário da Manhã e

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revista Ocidente, lhe teceram critica auspiciosas, e um bom
futuro, no género de escrita, como: O
romance e teatro.
Silva Ferreira, para além do romance,
“DEPOIS DE UM CERTO DIA”, ainda publicou:
“NUNCA É TARDE”, “ FÉRIAS NA COSTA DO SOL”
e “CADA HOMEM TRAÇA O SEU CAMINHO”

ROBERTO CANEIRA

No dia, 10 de Junho de 1974, nasceu na freguesia da Glória do
Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, ROBERTO MANUEL
MONTEIRO CANEIRA.
Depois da escolaridade que,
frequentou na sua terra, veio a
terminar o seu curso em Évora.
Ao longo dos anos, interviu em
trabalhos de pesquisa, tais
como: “O PALEOLITICO EM GLÓRIA
DO RIBATEJO”, (Cadernos
Culturais – 1), editado em 1998, de que foi o autor e que recebeu
a colaboração na área das ilustrações por parte de um seu
conterrâneo, Leonardo Charréu.
Prefaciou o Caderno, Volume 2 “OLHARES DO PASSADO”, Glória
do Ribatejo. Um trabalho de recolha fotográfica, a preto e branco

19
das décadas 50/60, de Margarida Ribeiro, editado em 1999 e
também deu a sua colaboração em publicações como: “ ESTUDOS
SOBRE GLORIA DO RIBATEJO”, Edição de 2001
*Folhetos das exposições anuais da “Associação para a Defesa
do Património Etnográfico e Cultural de Glória do Ribatejo”
*Actas com o titulo “PELO TEJO ROMANO”, no Politécnico da
cidade de Beja, onde fala sobre a presença romana no Porto
Sabugueiro (Muge) do concelho de Salvaterra de Magos.
Roberto Caneira, ao serviço da câmara municipal de Salvaterra
de Magos, encontrou aí condições para mostrar todo o seu
potencial de homem ligado à cultura, amiúdas viu-se com a
publicação de várias edições com registos de efemérides que
aconteceram ao longo dos tempos em Salvaterra, e até mesmo
concelho, Este trabalho foi resultado da sua constante procura e
recolha de material, mesmo fotográfico, para dar inicio ao
desejado Arquivo Municipal. Em 2001 com tal material deu-lhe o
ensejo de mostrar em exposições, edições de livros sobre um
património etnográfico e arqueológico existente no concelho, que
estava por divulgar.

20
Nos últimos tempos a riqueza do potencial apresentado nas
edições dos Apontamentos Históricos sobre o concelho são disso
um exemplo, a par dos colaboradores que vai conquistando para a
feitura das edições da Revista Magos, que anualmente mostram o
potencial do seu património, em textos de grande e profunda
pesquiza, que vai enriquecendo um trabalho de investigação feito
no concelho.
Com o empenho de Roberto Caneira, também as exposições
periódicas no Museu da Vala, e a feitura de eventos públicos, onde
as cerimónia de agradecimento aos munícipes que ao longo das
suas vidas merecem uma atenção especial dos edis, são
constantes a par de uma mostra do percurso de vida do
homenageado, são o culminar de um incansável trabalho que ele,
dá ao visitante, abrindo muitas portas para o conhecimento
pessoal de quem o visita, no campo turístico.
*****************************

LUIZ AUGUSTO REBELO DA SILVA

Rebelo da Silva, nasceu em Lisboa, no dia 4 de Abril de 1822,
filho de Luis AntónioRebelo da
Silva e de Joaquina da Conceição
Lima, e lá faleceu em 1871. O
politico escritor, nada tem em
linhagem de vida, que o ligue a
Salvaterra de Magos. A maioria
das suas obras, que nos legou,
situa no campo do romance
histórico, área em que recebeu

21
grande apoio de um outro escritor, Alexandre Herculano. Rebelo
da Silva, para além de escritor, foi professor de História
Universal e Pátria, no Curso Superior de Letras (1859) –
Jornalista político, ministro e deputado.
Dos seus estudos
históricos sobre a
história de Portugal, cinco
volumes (séc. XVII e XVII)
sobressaem, e num deles
saiu a colectânea “Contos
e Lendas” publicado em
1848. É um trabalho
literário romanceado, que
descreve um imaginário
“brinco taurino”, onde o
jovem Conde dos Arcos,
perdeu a vida, cerca de
70 anos antes e inclui o título: “A ÚLTIMA CORRIDA DE TOIROS EM
SALVATERRA”, quando da saída da edição, depressa se esgotou e
ao longo dos anos, outras têm sido repetidas, tendo dado origem
aos mais diversos pintores descreverem a cena da morte do
Conde, na arena de Salvaterra, na presença do rei D. José e de
seu pai, o Marquês de Marialva, outros na área da música,
especialmente do fado, têm aproveitado este episódio, sendo
sempre ouvido com grande emoção.
Uma outra edição do livro “Contos e Lendas”, saiu na década
de 60 do séc. XX, e foi editado pela Livraria – Civilização (Porto),
sendo editor Américo Fraga Lamares

22

No ano 2003, os autarcas de Salvaterra, depois de construírem
uma nova urbanização no espaço, que circunda a praça de toiros
da vila, deram ao mesmo, o nome do escritor, completando os
festejos da inauguração, com um cortejo de trajes da época,
pelas ruas da povoação.

*****************************************

MANUEL ANTONIO NAIA DA SILVA
Padre, Prof. Dr.
Nasceu em Salvaterra de Magos, em 1941, sendo o sétimo e

último filho de Manuel Augusto da Silva e de Rosa Antónia Naia,
pescadores vindos da Murtosa (Aveiro), nos primeiros anos do
séc. XX,. Manuel Naia, enquanto menino também ajudou os pais na
faina da pesca no rio Tejo, depois que saiu da escola primária, na
sua terra, frequentou os seminários de Santarém, Almada e o do
Cristo-rei (Lisboa), de onde saiu padre, com a frequência nos
estudos teológicos.
Na família, tinha já um religioso, um seu primo, que chegou a
Arcebispo da Diocese Braga. Quando ainda Diácono, esteve na
paróquia da Azambuja, onde leccionou, e nela iniciou a sua
caminhada religiosa, depois de ordenado padre, em 18 de
Dezembro de 1965, com a primeira missa, na terra onde nasceu.

23
No Couto (Caldas da Rainha) esteve muitos anos na sua
paróquia.. O Padre Manuel Naia, sempre teve um gosto pelo
ensino, foi director do Externato Diocesano Ramalho Ortigão.
Em 1989, apresentou na Universidade Clássica de Lisboa, a sua
licenciatura de doutoramento, com um trabalho a que deu o
título: OCTÁVIO e Minúcio Félix.
,Como professor de Latim, dá a sua colaboração na Universidade
Católica, e tem a seu cargo uma comunidade religiosa na zona de
Benfica (Lisboa).

********************************

TRABALHOS PUBLICADOS
1 – Livros:
 Temas Comuns no De Beneficíciis de Séneca e na
Virtuosa Benfeitoria do Infante D.. Pedro
(Dissertação
de
Doutoramento),
Lisboa,
Universidade Nova,1997

24

Octávio, Minúcio Félix, Introdução e Comentário,
(Dissertação
de
Mestrado),
(“Col.Biblioteca
Euphrosyne –7”), Lisboa, INIC,1990,198 pp..
Temas de História da língua Latina, Lisboa,
Colibri,1998,116 pp..

2 – Artigos:



“O Tratado da Imitação e sua Estrutura”, In AAVV.,
Dionísio de Halicarnasso, Tratado da Imitação,
(“Col.Biblioteca Euphrosyne –1”), Lisboa,INIC,1986,
PP 35 -37
“Mensagem Cristã à Margem do Latim Cristão”,
Humanitas, 50,1998,509-517
“A Memória dos Benefícios em Séneca e no Infante
das Sete Partidas”, Revista da Faculdade de
Ciências
Sociais
e
Humanas,
Tempo,
Temporalidades,Durações, Lisboa, Ed. Colibri,12,
1999,331-340
“Bula de Nomeação do Segundo Bispo de
Santarém” (Tradução do Latim), Boletim Informativo
da Diocese de Santarém, 2. de Maio.1998; In
Diocese de Santarém, 25 Anos, Vida e Projecto,
Almondina,2001
“Benefício e Ofensa à Medida de Séneca”, Bolwtim
de Estudos Clássicos, Coimbra, APEC, Instituto de
Estudos Clássicos, 36, Dez.2001,99-107

“O Infante D .Pedro e a Tradução do Prólogo
do De Officiis de Cicero, Boletim de Estudos
Clássicos Coimbra, APEC, Instituto de Estudos
Clássicos,38, Dez.2002, 93-101
“A Eneida de Vergílio ou a humanidade possível
numa guerra de pactos e coligações” Revista da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, nº16,
Lisboa Ed.Colibri,16,2005,243-257
“As Invocações aos deuses na Teognidea” Boletim
de Estudos Clássicos, Coimbra, APEC, Instituto de
Estudos Clássicos, Junho,2005

25

3

- Recensões Críticas:

“ André Neyton 1”Âge de 1” Or et 1”Âge de
Fer »,Euphrosyne, NS, 13, 1985, 302-303
« Martin M. Winkler, The Persons in Thtee Satires
of Juvenal », Euphrosyne, NS 14. 1986, 280-281

4

– Em Periódicos:



“Thalassa” In Correio do Litoral, 1994
“Miguel Torga” In Correio do Litoral, 1995
Estudo registado por escrito para apresentação de
um Guia de Iniciação ao Latim (Maximo Gaudio
Linguam Latinam Disco, Universitária Editora, da
autoria de Maria Alcina Martires Lopes), Argumentos
Revista, Dez.2001

*************************************

26

JOAQUIM MANUEL CORREIA DA SILVA, e
NATÁLIA BRITO CORREIA GUEDES (Drª)

JOAQUIM MANUEL C. SILVA, durante anos escreveu no Jornal
“Aurora do Ribatejo”, de Benavente, e as suas pesquizas andavam
sobre o passado histórico da vizinha vila de Salvaterra de Magos,
terra de onde pretendia encontrar elementos genealógicos da
origem de sua mulher, que remotamente descendia directamente
dos Mestres Falcoeiros, vindos de Holanda, para a alcoaria real,
no séc. XVIII. Eu, também colaborava naquele semanário, já antes
por volta de 1959, um dia apareceu-me de máquina fotográfico,
solicitando a minha ajuda na obtenção de algumas fotos daquele
edifício já muito degradado à época, e alguns contactos com
famílias cuja origem eram antigas na vila. O tempo passou, veio a
falecer com os dados pesquisados por completar o seu trabalho
reunidos numa edição gráfica.
Sua filha, a Drª NATALIA BRITO
CORREIA GUEDES, dando
seguimento ao desejo do pai,
reuniu aquele espólio e
ordenado,
com
outras
pesquizas efectuadas em várias
fontes, foi especialmente na Torre do Tombo e no Ministério das
Finanças, locais que guardam grande parte da documentação que
fazem a história da vila, onde mais se documentou.

27

Com a colaboração da câmara municipal de Salvaterra de
Magos, em 1989, fizeram sair o volume, editado pelos Livros
Horizonte “O PAÇO REAL DE SALVATERRA DE MAGOS”
Quando exercia o cargo de Directora do Museu dos Coches, em
Lisboa, muito se esforçou para a concretização de uma exposição
sobre a arte da caça de Altanaria, concretamente a “Falcoaria
Real em Salvaterra de Magos”, o que veio a acontecer naquele
museu e depois nesta vila. Na inauguração daquele evento, em
Lisboa, foi convidado e esteve presente, o primeiro-ministro Dr.
Mário Soares.

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28

VICENTE FRANCISCO

Vicente Rodrigues Francisco,
nasceu no lugar da Amoreira,
freguesia de Rio de Moinhos,
concelho de Abrantes, no dia
25 de Abril de 1912., viveu
muitos anos radicado em
Salvaterra de Magos. Vicente
Rodrigues, pessoa idosa
quando fez passar ao livro as
suas recordações, continuava praticamente analfabeto.
Na hierarquia do pessoal navegante das Fragatas, que
trabalhavam no Tejo, chegou a Arrais. O primeiro tendo o titulo
“RECORDAÇÕES DA NAVEGAÇÃO”, foi editado pela Associação dos
Amigos do Tejo, com o apoio da Secretaria de Estado dAmbiente e

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Recursos Naturais, ano de 1987. Um outro livro, CANTOS DO
TEJO, o Arrais Vicente Francisco, através de uma edição
suportada pela câmara municipal de Salvaterra de Magos, em
1996, continua as suas memórias de navegante no rio Tejo, e dános a conhecer uma outra faceta da sua escrita; poemas.

******************

MANUEL MARQUES FRANCISCO

Nasceu em 1944, fez a instrução primária, na escola Carmona
– Salvaterra de Magos, tendo a Profª. Natércia Assunção,
depressa notado que Manuel Francisco, tinha aptidões para a
poesia, pela forma como rimava a quadras. Na adolescência
aprendeu e tocou acordeão, motivado pela “onda” de emigração
clandestina a salto para França,
nos anos 60 do séc. XX, foi também
tentar a sua sorte naquele país.
Não perder a sua veia poeta, mas
nunca levou a sério esse valor,
guardando o seu trabalho de
grande inspiração. Entre a década
de 70 e 80, colaborou com o
Poeta/Escritor; Gabriel Raimundo, nos seus livros (Na Estranja),
(Pontes, Túneis, Usinas e Maisons).

30
Regressado, a Portugal depois da revolução de Abril de 1974, Em
plena liberdade, depressa foi motivado pelo Associativismo
Agrícola nacional, a esteve presente em algumas reuniões
preparativas de contestações nesta área.. Como empresário no
campo técnico agrícola. A poesia, era uma companheira, nas
horas livres, pois acredita no amor, na bondade, na tolerância e
paz entre o ser humano. No campo do companheirismo, nunca
esqueceu os seus amigos de infância, e até mesmo daqueles que

ano, de 1964,ainda jovens adolescentes foram seu companheiro
na Inspeção Militar, e desde aí nunca deixou de organizar e estar
presente na organização dos encontros anuais – assim vai
matando saudades !...
Um dia, em 2015, com tanto material escrito, encontrou na
Editora Modocromia, espaço para a publicação dos seus poemas:
Razão de Ser (2014 -Esgotado); Tempo, de outros Tempos (2015);
são os livros, a que em breve se juntará Palavras de Cristal; Com
Alma e Coração; Marinhais, Terra de Sonhos; Em quatro Gerações
Vivas.

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JOSE ASSEICEIRA CARDADOR (Dr.)

José de Carvalho Asseiceira
Cardador, nasceu na Chamusca em 1914.
e desde muito novo veio para
Salvaterra de Magos, onde casou e
viveu, e após o falecimento, em 1986, foi
sepultado no seu cemitério. O Dr.
Cardador, enquanto pequeno agricultor
na área da vitivinicultura, nos campos
junto ao Tejo a caminho do Escaroupim, foi Vereador Municipal,
interessando pela vida social e cultura, e neste campo deu o seu
contributo às colectividades da terra. A Misericórdia de
Salvaterra, também não deixou de lhe interessar, pertencendo
várias vezes ao seu directório, e assim foi tomando
conhecimento com o passado daquela Instituição. Por volta de
1974, já em idade avançada, foi até Coimbra, terminar o seu curso
de história universal, onde se licenciou. A tese apresentada foi
sobre a história da Santa Casa de Salvaterra, com o titulo:
“Subsídios para o Estudo da Santa Casa da Misericórdia de
Salvaterra de Magos”, da qual teve necessidade de mandar fazer

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alguns exemplares – um para ficar na biblioteca daquela
universidade, outros ofereceu-os a amigos.
O Dr. José Cardador, passou a
lecionar nas cadeiras de História
Universal e Português, no Colégio de
Nossa Senhora da Paz, em Benavente .
Colaborávamos no semanário
“Aurora do Ribatejo”, e a nossa
aproximação pessoal foi mais intensa,
e até chegamos a preencher a sua
última página dedicada a “Salvaterra e seu concelho
Com amizade ofereceu-me um exemplar daquele livro, com
dedicatória, com o passar dos anos, aquele texto dactilografado,
sofreu um “acidente”, o que muito o danificou, com pena minha.
Os anos passaram, um dia, tive coragem de o recuperar para
que não se perdesse – levei semanas a copiá-lo, e acabei de o
publicar no meu blogue;
“históriasalvaterra.blogs.sapo.pt.”, fazendo agora parte do meu
acervo sobre a história de Salvaterra de Magos
*********************

33

JOSÉ AMARO
(José Amaro d`Almeida) – Dr.

No ano de 1972, estava um dia bonito de Primavera, ao cair da
tarde, um bater três vezes na porta de minha casa, levou-me a
entreabri-la. Um senhor, de idade avançada, bem posto de
vestuário, apresentou-se-me e, aí entabulámos um pequeno
diálogo acompanhado de um apertar de mãos. Era o escritor,
José Amaro (José Amaro D`Almeida), vivendo à longos anos em
Lisboa, onde tinha consultório médico. Quando criança, depois da
idade escolar, veio até Salvaterra, aprender o ofício, com seu
tio/avô; Manuel Amaro com oficina de Ferreiro, mesmo ali à
curva para a capela real. Na visita que me fez, ofereceu-me o
livro “Contos do Ribatejo”, com uma dedicatória.
José Amaro, dizem uns, nasceu
em Lisboa, na Mouraria, no dia 9
de Agosto de 1916, e faleceu
naquela cidade a 28 de Agosto
de 1976, sendo filho do beirão,
António Almeida, e de Evangelina
Nunes Amaro, ribatejana de
Almeirim., e bem cedo veio para a terra da mãe, para casa dos
avós maternos. Depois de muito traquejar na vida, sempre
estudando e já maduro de idade, licenciou-se e até foi professor
no Instituto de Hidrologia, a par de estabelecido na capital, com
um consultório, onde até fazia umas análises à urina, e aí
detetava doentes com a Diabetes. Outros, como o nosso
conterrâneo José Sabino d`Assis, estabelecido em Salvaterra, ali

34

junto à torre da Igreja, e que na sua meninice, foi aprendiz de
ferreiro, na oficina ali ao pé da capela real. O mestre Manuel
Amaro, um dia apresentou-lhe para companheiro o seu
sobrinho/neto, José Amaro, vindo de Almeirim. Este foi
protagonista de uma situação que anos mais tarde contou, junto
a outros em livro “ Contos do Ribatejo – 1972” (1), com o titulo “
O Último Dia do Lobo em Salvaterra” (2).

Apresentou esta narrativa , como verdadeira, apenas lhe dando o
cunho literário, que antes publicou nas páginas do jornal “Vida
Ribatejana” nos números 2738, 2739 e 2740 de Dezembro e 1971.
Segundo o seu biógrafo, António João Gonçalves, que o recorda
nas páginas do Jornal “O Almeirinense”,
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Notas: (1) – José Amaro, dedicou o livro “Contos do
Ribatejo” À Memória de Minha Mãe” – Ribatejana de pura
gema – Alma grande em corpo pequeno * (2) – “À memória
do meu tio/avô Manuel Amaro, humilde serralheiro de ofício,
inteligente e bom “

35

Fotos obtidas por José Gameiro – 1980
1)

– Oficina de Manuel Amaro * 2) – Habitação do Mestre
Manuel Amaro * 3) – Casa do Administrador
Rebelo de Andrade

Publicações:

José Amaro (1974), Cartas de um Moinho Saloio, Lisboa: edição de
autor, p. 177-183.
(2) Op. cit. p.115.
(3) In “Quero”, José Amaro (1971), Redondilha Maior, Lisboa:
edição de autor, p.123.
(4) José Amaro & José Soares de Almeida (1967), Variações
sobre o Fado, Lisboa: Edições de Bolso.
(5) José Amaro (1973), Contos do Ribatejo, Lisboa: edição de
autor, p. 123.
(6) In op. cit., últimas páginas.

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Nota: Também a Câmara de Salvaterra de Magos, em
edições próprias, fez sair revistas e livros dos quais nos
lembramos: O livro com o titulo “FORAL DE
SALVATERRA DE MAGOS” (1992), que a
colaboração do Arquivo Nacional da Torre do Tombo *
A revista “ O FORAL”, cujo titulo trata “ O CONCELHO
DE SALVATERRA DE MAGOS DA PRÉ HISTÓRIA
AO SÉC.XVIII (Uma compilação de textos) editada em
1996
* UM OLHAR SOBRE SALVATERRA DE
MAGOS, edição em livro (2001), que publica fotos das
gentes do concelho* “HISTÓRIAS DA RESISTÊNCIA
EM SALVATERRA DE MAGOS,” é uma edição da
Câmara Municipal de Salvaterra de Magos (1997),
onde guarda as memórias de muitos filhos da terra, que
foram perseguidos e torturados, pela polícia política –
PIDE, apenas por manifestarem um idealismo de vida,
diferente do regime que vingou em Portugal, cerca de
50 anos, até a Abril de 1974.
* José Amaro (José Amaro d` Almeida), em 1972,
publicou em CONTOS DO RIBATEJO, um episódio
ocorrido na sua vida, quando adolescente, a que dá o
título: O ÚLTIMO DIA DO LOBO EM SALVATERRA
Também foi editado um livro editado em 1997, sobre
o Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra
de Magos, com o titulo CENTRO PAROQUIAL, que
regista os seus 50 anos de Acção Social em Salvaterra
de Magos (1947-1997). Autor; Padre Agostinho de
Sousa.

37

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38

II
PINTORES
JOÃO DA SILVA ANDRÉ

João Da Silva André, nasceu em Salvaterra de Magos, no dia 12
de Abril de 1924, filho de: Carlos Augusto André, Fragateiro/ou
Marítimo, e de Maria Zeferina, doméstica.
Seu pai trabalhando nas embarcações aportadas no cais da
vala real de Salvaterra de Magos, vivia modestamente, ele bem
cedo entrou no mundo do trabalho, como aprendiz de empregado
de balcão, no estabelecimento de Augusto Pinhão, comerciante na
terra.
.Dois anos volvidos, passou para a construção civil, entrando
mais tarde ao serviço da RARET, nas instalações da Glória do
Ribatejo, onde se manteve até à
idade da reforma. João André, já
nas suas brincadeiras de menino,
utilizava brinquedos por si
construídos, e sendo um curioso
das coisas da sua terra natal, que
ia registando, no campo da poesia,
só aos 50 anos de idade, teve a
primeira oportunidade de mostrá-la, colaborando com um
Conjunto Musical, que se formou na terra, que gravou um CD,
quando da comemoração dos 700 anos do Foral de Salvaterra de
Magos, e apoiado pelo município local. Também nesse tempo
mostrou a sua pequena colecção de artesanato, que esteve em
exposição na Capela Real da sua terra natal. .Tem trabalho feito,
em pedra de lioz, onde esculpiu motivos sobre a trabalho rural e
da vida marítima dos barqueiros da vala real, que fez em 1985 a

39
pedido do executivo municipal, quando do arranjo do espaço
ajardinado, da biblioteca municipal.
. A cerâmica, também era uma arte periodicamente lhe era
solicitada para participação em eventos desta natureza. As
escolas não deixavam de o solicitar a estar presente em algumas
aulas, sendo conhecido pelos alunos pelo mestre – João André.
PARTICIPAÇÕES EM EXPOSIÇÕES
DE ARTES PLÁTICAS, ARTESANATO E CERÃMICA
1985 – 17/06 * Exposição de pintura, nas festas do
Foral de Salvaterra de Magos
1990 – 03/06 * VI Exposição de Artes Plásticas
(Artesanato ao vivo), em Benavente.
1990 – Exposição de Artes
Plásticas (Colectiva) na antiga
Capela Real em Salvaterra de
Magos
1991 – Exposição de Artes
Plásticas (Colectiva) na Capela
Real, em Salvaterra de Magos
1991 – Exposição de Artes
Plásticas (Colectiva), na R.T.P.,
em Lisboa
1992 – 01/08 * Exposição: I Mostra de Artes Plásticas “
Os
Toiros e a Festa Brava” (1)
1992 - Exposição de Artes Plásticas (Individual), em
Glória do Ribatejo
1992 – 04/12 * Semana da Cultura Portuguesa no
Luxemburgo (2)
1992 – Exposição de artes Plásticas (FERSANT), em
Torres Novas

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1993 – 24/07 * Exposição “ II Mostra de Artes Plásticas”
(Colectiva) na Capela Real, em Salvaterra de Magos
1993 – 24/07 * Exposição “ II Mostra de Artes Plásticas”
– Tema: Escultura, com a peça “Passe de Peito”, na
Capela Real, em Salvaterra de Magos (3)
1994 – Exposição de Artes Plásticas (FERSANT), em
Torres Novas
1994 – 07/05 * Exposição “ III Mostra de Artes
Plásticas” (Colectiva) “ Motivos Taurinos e Paisagens
Ribatejanas”, na Capela Real, em Salvaterra de Magos
1994 – Exposição de Artes Plásticas (Comp.ª das
Lezírias) – Filmada para a TVI
1994 - 04/25 * III Mostra de gastronomia de Marinhais –
II do Concelho, realizada em Marinhais, pela AMAR

1995 – 09/06 * Exposição de pintura de artistas do
concelho (Colectiva), quando das Festas do Foral dos
Toiros e do Fandango, na Capela Real, em Salvaterra
de Magos
1996 – Exposição de Artes Plásticas, em Samora
Correia
1996 – 08/06 * V Mostra de Artes Plásticas “ Motivos
Taurinos”, na capela Real em Salvaterra de Magos (4)

41

1996 – 06/22 * V Mostra de Artes Plásticas, “ Paisagem
Ribatejana”, na Capela Real, em Salvaterra de Magos
1997 – 07/06 * IV Mostra de Artes Plásticas, “ Motivos
Taurinos”, Capela Real, em Salvaterra de Magos (5)
1997 – 13/09 * Exposição de Artes Plásticas, em
Valkenswoard, Holanda (6)
1998 - Exposição de Artes Plásticas, em Benavente
2000 – Exposição de Artes Plásticas, em Benavente
2001 – Exposição de Artes Plásticas, em Benavente
2002 – Exposição de Artes Plásticas, em Benavente
2003 – Exposição de Artes Plásticas, em Samora
Correia
(1) – Diploma passado pela câmara municipal de
Salvaterra de Magos
(2)
_ Festejos da geminação entre as duas
localidades, Diploma da CMSM
(3) –
1ªº Prémio em Cerâmica “Menção Honrosa –
Escultura” – Diploma passado pela CMSM
(4) – Menção Honrosa – Diploma da CMSM
(5) –
Menção Honrosa – Escultura, Diploma da
CMSM
(6) - 3ªº Prémio/Escultura, Diploma da CMSM

DAGOBERTO PINA

Dagoberto Manuel Henriques Pina, nasceu em 1953, em Lisboa, e
desde menino, aos 7 anos de idade, veio
viver com seus pais e irmã, para Salvaterra de Magos. Era
Engenheiro Técnico Agrário, quando como autodidacta, em 1991,
iniciou o gosto pela pintura. O gosto ficou, e para um maior
aperfeiçoamento da técnica do desenho, logo frequentou um

42
urso de desenho com o professor Máximo Espósito, na cidade de
Santarém.
1991 – Exposição colectiva nas Festas do Foral de
Salvaterra de Magos
1992 – Exposição colectiva nas Festas do Foral de
Salvaterra de Magos
* I Mostra de Artes Plásticas subordinada ao tema “ Os
Toiros e a Festa”, em Salvaterra de Magos * Exposição
colectiva, no Luxemburgo
1993 – II Mostra de Artes Plásticas, em Salvater-ra de
Magos
1994 – III Mostra de Artes
Plásticas, em Salvaterra de
Magos
1995 – IV Mostra de Artes
Plásticas, em Salvaterra de
Magos
1996 – V Mostra de Artes
Plásticas, em Salvaterra de
Magos
* I Exposição individual, na
antiga Capela Real de Salvaterra de Magos
* Exposição individual, no Restaurante Pina Manique,
em Lisboa
1997 – VI Mostra de Artes Plásticas, em Salvaterra de
Magos
* Exposição individual, na Galeria da Companhia das
Artes, em Santarém
*Exposição individual, na Biblioteca Municipal, em
Constância
*Exposição colectiva, em Valkenswaard (Holanda)
* Exposição na Galeria Vieira Guimarães, em Tomar,
de parceria com o pintor João Cabral
1998 – VII – Mostra de Artes Plásticas, em Salvaterra
de Magos

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* Exposição individual, na antiga Capela Real de
Salvaterra de Magos
*Exposição no Centro Cívico de Animação “Edmundo
Bettencourt”, Funchal (Ilha da Madeira)
* Exposição no Palácio dos Álamos, em Alter do Chão,
de parceria com o pintor João Cabral
1999 – Exposição colectiva, na antiga Capela Real de
Salvaterra de Magos
* Exposição, em Sousel (Alentejo), sobre o tema “ A
Caça”
* VIII – Mostra de Artes Plásticas, em Salvaterra de
Magos
* Exposição, no Museu da Electricidade, Funchal (Ilha
da Madeira), de parceria com o pintor D` Ornellas e
Vasconcelos

ISABEL MIRANDA

Maria Isabel Miranda Fonseca Miranda (Ferreira Lino), nasceu
em 1949, em Salvaterra de
Magos, e aqui fez a escolaridade.
Mais tarde, veio a formar-se
no ISLA, como: Tradutora –
Intérprete. manifestando-se as
suas
aptidões
depressa
revelaram uma inclinação para
as artes plásticas.
Para aperfeiçoar tal arte, recebeu aulas de desenho do
mestre, Massimo Espósito, sediado em Santarém.

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Nos anos oitenta, dedicou-se com grande intensidade à pintura
e, nesse período de tempo foi júri de selecção numa mostra de
Artes Plásticas, em Salvaterra de Magos.
Desde 1989, integra o GART (Grupo de Artistas e Amigos da Arte).
ALGUMAS EXPOSIÇÕES, ONDE EXPÕS INDIVIDUALMENTE
1994 – Salvaterra de Magos - (Capela Real)
1995 – Salvaterra de Magos - (Capela Real)
1996 – Montijo - (Museu Municipal)
1997 – Lisboa - (Teatro Maria Matos)
1998 – Lisboa - (Attium da Casa da Imprensa)
2000 – Caldas da Rainha - (Galaria Peppr´s)
*
- Viseu - (Galeria do Hotel Montebelo)
* – Torres Novas - (Galeria Tabu)
* – Viseu (Átrio do Hospital de Santo António)
2001 – Viseu (Galeria do Hotel Montebelo)
ALGUMAS EXPOSIÇÕES, COLECTIVAS
1992 – Salvaterra de Magos (1ª Mostra de Artes
Plásticas) * 1993 – Salvaterra de Magos (2ª Mostra de
Artes Plásticas) * 1994 – Salvaterra de Magos (3ª
Mostra de Artes Plásticas) * 1995 – Salvaterra de
Magos (Capela Real) * 1995 – Salvaterra de Magos
(4ª Mostra de Artes Plásticas) * 1996 – Santarém
(Salão de Outono) * – Salvaterra de Magos (5ª Mostra
de Artes Plásticas) * 1998 – Vila Franca de Xira (A
Patriarcal) * – Alenquer (Bienal de Arte de
Expressão Figurativa) * 1999 – Caldas da Rainha
(Galeria Pepper´s) * 2000 – Alenquer (Bienal de Arte de
Expressão Figurativa) * 2004 – Caldas da Rainha
(Galeria Pepper´s)

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JOÃO DIAS CABRAL (Dr.)

*Licenciado em Veterinária, vive à longos anos em Salvaterra de
Magos, onde exerce a medicina animal, também como médico
municipal.*Autodidata nas vária técnicas de pintura, iniciou-se
em 1993, na aguarela e mais tarde em óleo.
Efetuou desde então exposições em várias Galerias , das quais
se destacam; “Galeria Republicana”, Santarém; Capela Real de
Salvaterra de Magos; em Tomar,
nas Galerias “Vieira” e
“Guimarães”; em Lisboa, na
Galeria das “Janelas Verdes”; no
Funchal, na Galeria “Edmundo
Bettencourt”; em Valkenswaard,
Holanda; Hotel Sheratou, Lisboa;
Hotel Comfort, no Estoril, entre
outras. Em 1994,97 e 98, recebeu
o 1º prémio nas técnicas de desenho e aguarela, nas várias
Mostras de Artes Plásticas, realizadas em Salvaterra de Magos.*
Participou na ilustração do livro “Notas de Caça”, de

46
José M. da Cunha.*Ilustrou as capas dos 3 livros publicados pelo
Engº. Carlos Rebelo de Andrade, sobre a raça ovina “Merino da
Beira Baixa”, raça ovino “Churra do Campo” e raça caprina
“Charnequeira”*Encontrando-se representado em inúmeras
colecções particulares em todo o país e no estrangeiro.
*A Universidade Sénior em Salvaterra de Magos, tem recebido o
seu contributo, no ensino das técnicas de pintura a Aguarela.
*************************
JOSÉ MANUEL DAMÁSIO CABAÇO

José Manuel Cabaço, nasceu em Salvaterra de Magos, em 1938,
após a escola primária, tal como seu irmão Vidaúl Cabaço
,passou a trabalhar na oficina de seu
pai – o mestre ferreiro, Sílvio
Augusto Cabaço, e ali aprendeu a
forjar o ferro, com Bigorna e carvão
em brasa. Depressa o seu gosto
pelo desenho manifestou-se e a arte
de ferraria foi nascendo com bonitas
peças de arte. A par do ferro, o pintura em desenho de carvão no
papel, dava-lhe o prazer de copiar bonitos fotos. Cabaço, também
ele dotado de imaginação, escreve poesia com muito talento.
A sua colecção de desenhos guardada ao longo dos aos, deu-lhe
oportunidade de expor na Biblioteca Municipal da sua terra.

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III
ARTESÃOS
Os oleiros; Domingos Gomes da Silva e Gabriel Maria Rosa, na
freguesia de Muge, e o cesteiro; Vitor Gonçalves, em Marinhais,
eram os últimos sobreviventes em 2015, que ainda fabricavam os
artefactos de “Barro” e “Vime e Verga”,. Os primeiros um
artesão no fabrico de louças de barro, enquanto o último se
dedicava à cestaria. Ana Paula Henriques Guedes, Maria Isabel
Damásio Andrade, Rita Maria Henriques Pina, Maria Claudina
Codório, Maria Conceição Santos Fonseca, são nomes conhecidos,
pelos trabalhos realizados na Pintura de Artes Decorativas.
Os trabalhos feitos em Ferro Forjado, encontram nos ferreiros;
José Manuel Cabaço, e seu irmão Vidaúl Cabaço, artesãosartistas muito procurados, na arte da ferraria – tal como
portões e varandas. Os irmãos Cabaço, desde meninos
aprenderam esta arte, com seu pai – o mestre ferreiro; Sílvio
Augusto Cabaço, no tempo em que se usava a bigorna para
moldar o ferro em brasa, e a forja a carvão.

48

49

Fotos:
Página 47

Fotos: 48
Trabalhos
Ferraria
Faceboock

José Gameiro

IV
ARTESANATO

50
O Povo rural, especialmente o campino em plena Lezíria
ribatejana quando tinha tempo, resguardava-se do calor,
procurando a sombra de árvores, não deixava de fazer algum
artefactos como: as esteiras para se deitar quer de dia, quer na
noite, tal como os capachos usados em casa.

Estes utensílios feitos com espadanas/ou taboas, (erva
nascida a esmo em zonas de águas paradas e terras húmidas,
depois de cortadas, eram secas à sombra durante algumas
semanas, e quando usadas voltavam a ser molhadas para melhor
serem moldadas) As esteiras, enroladas eram colocadas sob
suas costas, junto às selas nos lombos dos cavalos, tal com as
mantas (mantas lombeiras). Eram trabalhos cuja aprendizagem
vinha de criança, e guardados de gerações, A cestaria, também
tinha o seu lugar, onde o salgueiro/ ou loureiros eram usadas.
As mulheres, em tempo de inverno, quando os trabalhos do
campo eram escassos, não deixavam de costurar a roupa, e
aproveitavam pedaços de tecidos para fazerem pequenos
adereços de artesanato que enfeitavam as camas e móveis.

51

ARTESANATO
Na Glória do Ribatejo, a feitura dos Bordados a Ponto Cruz, e
as Toucas para crianças ainda se conservava muito enraizado
entre a população, tendo na Associação para a Defesa do
Património Etnográfico e Cultural, a sua preservação e defesa.

Na freguesia de Salvaterra de Magos, que alongava o seu
espaço até aos Foro de Salvaterra, viam-se as moças bordar a
Ponto Cruz, e outros utensílios em lã, feitos a duas agulhas.
Nos últimos tempos, Maria Celeste Galricho, Maria Fernanda
Santos Gomes, Joana Damásio são credenciadas artistas,
enquanto Maria Manuela Cantador Pereira, se dedica às Rendas e
Ajour.

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Na área da Pintura e Decoração do barro, Paula Cantador, se
dedica à pequena pintura de objectos decorativos, de motivos da
cultura regional, que vai exposto em certames de Artesanato, tal
como: Lizarda Fernandes Jesus, nascida no Granho, vivendo em
Salvaterra há mais de três décadas, que encontrou nos tecidos
grande motivo para o artesanato Todos eles vão expondo nos
certames realizados nas Festas da vila.

Os pratos de culinária, e doçarias usadas no campo ainda no
dobrar do séc. XX, a par dos feitos pelas gentes varinas
(cagaréus), marítimos e pescadores do Escaroupim, depressa
passaram a ser procurados na restauração do concelho, com
grande empenho do município de Salvaterra de Magos, que desde
1979, vem mantendo todos os anos, as Festas do “Mês da
Enguia”, neste certame de gastronomia é aproveitado para o
Artesanato concelhio ser apresentado ao público em grandes
dezenas de pavilhões.

53

54

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BIBLIOGRAFIA USADA:
Das edições, cujos títulos são publicadas nas páginas
deste trabalho, e os contos “”OS DIAS LONGOS”, “Á
BEIRA DA ESTRADA” de Ângela Sarmento (Tareka)
e “CONTOS DO RIBATEJO” (Editorial Organizações1972)
BIOGRAFIAS:
Pequenos resumos da vida e obra dos autores
referenciados, nesta edição, com pesquisa e
ordenamento do autor.
FOTOS:
Do arquivo do autor,
e nas Páginas de João Cabral e Manuel Francisco –
retiradas do Faceboock

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55

56

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 31
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

Autor
José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:

A ORIGEM DO CLUBE ORNITOLÓGICO
DE SALVATERRA DE MAGOS - COSM
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR!
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 33 – 0
Depósito Legal: 256481 /07
Edição – 100 Exemplares – Março 2007

58

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
*********************************************

O Autor não deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990
* Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

Fotos da Capa: - Aves da Ornitologia Desportiva e Emblema do Clube
Oritológico de Salvaterra de Magos

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O MEU CONTRIBUTO
A ornitófilia desportiva, vem do gosto de criar
e manter aves em cativeiro, muitas das vezes
ajudando a conservar as espécies em vias de
extinção, introduzindo-as depois no habitat
natural.
A selecção metódica entre “primus pares”
leva a que se encontrem exemplares de uma beleza tal que, os
criadores nos tempos modernos, através das suas associações todos
os anos os mostram em exposições-concursos locais, nacionais e até
mundiais. Em 1991, depois de algumas mostras de aves, realizadas no
antigo edifício escolar, que depois foi biblioteca municipal, nasceu o
Clube Ornitológico de Salvaterra de Magos- COSM, colectividade, que
em poucos anos veio ocupar um lugar de grande relevo na organização
do desporto ornitófilo em Portugal. O autor, também ajudou no
aparecimento da estrutura federativa-AOSP, organismo até aí
desconhecida em Portugal, pois o hoby ornitófilo era apoiado pelos
poucos clubes que existiam no país. Porque foi um trabalho de grande
persistência de um punhado de criadores, a sua divulgação já fez parte
do Caderno de Apontamentos, incluído na colecção ”Recordar, Também
é Reconstruir” Em Maio de 2011, fizemos ume edição em PDF sobre esta
colectividade, para uma maior divulgação, dando satisfação a pedidos
de criadores e associados desta colectividade.. Agora, passados alguns
anos e porque continuamos apaixonados por este hobby, mesmo
estando afastado da criação de aves, e porque a existência do COSM,
conheceu algumas alterações acompanhando o progresso aqui
estamos a editar em formato PDF, uma segunda edição.
Março: 2015
O Autor
JOSE GAMEIRO

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O Inicio da Avicultura
em Portugal !
Decerto que as descobertas de novas terras, levadas a cabo
pelos navegadores portugueses, no séc. XVI, são um marco
importante para a criação e estudo das aves exóticas em
Portugal.
A partir, daquela epopeia marítima, nós os portugueses
contactamos pela primeira vez, com novas aves cheias de
exotismo que, passaram a fazer parte dos carregamentos das
caravelas, quando do seu regresso à Europa.
De inicio apenas a realeza, tinha acesso a tão fascinantes aves,
e outros animais de pêlo, porque o povo, esse só muitos séculos
depois a eles teve acesso mais directo, em exposições.
Entre essas aves, os canários, aves da espécie dos Carduelios,
vieram das ilhas oceânicas da Madeira e Açores, e das Canárias,
cujo nome mais tem a ver por ser também lugar de habitação
daqueles animais caninos. Em Portugal, o rei D. Manuel I,
coleccionava animais de pena, e quando ofertava algum, tinha a
delicadeza de informar – vieram das terras longínquas !

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Assim, este rei de Portugal, nos seus contactos políticos, com o
Papa Leão X, enviou para Roma, como presente, em bem
acondicionadas cestas de verga; Pavões, Faisões, Araras,
Avestruzes e Canários, quando da embaixada portuguesa
chefiada por Tristão da Cunha.
Os galináceos de Timor e África, com os Palmípedes, eram as
mais usadas nas amostras da corte portuguesa.

AS PRIMEIRAS EXPOSIÇÕES EM PORTUGAL
Considera-se que o ano de 1903, foi o marco inicial das
exposições públicas de aves em Portugal, e que tiveram lugar na
cidade de Lisboa, levadas a cabo pela rainha D. Amélia, com a
colaboração da Real Sociedade de Horticultura. Algumas fontes,
sustentam que foi D. Pedro V, que fez a primeira amostra de aves
e, tudo indica que o modo regular destes eventos no nosso país,
teve lugar em 1907.
No Largo do Chiado, em Maio de 1911, a comissão de avicultura
da Associação Central de Agricultura Portuguesa, fez a sua
exposição de aves e na sua inauguração contou com a presença
do ministro, Dr. Brito Camacho.
Esta comissão de avicultores, era constituída por: Dr. José
Freire Andrade, Carlos Zeferino Coelho, José Diniz, Luiz
Vasconcelos, José Rumina, Dr. Carlos Almeida Afonso e Leopoldo

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Cardeira. A última exposição levada a cabo por esta comissão,
teve lugar em Maio de 1936, na Tapada da Ajuda.
Também em Outubro daquele ano, o Grémio de Canaricultores
Portugueses, que foi fundado um ano antes, organizou a primeira
exposição de aves canoras e de ornamentação. Naquele tempo
estava instalado o hábito do “passarinheiros” criarem as suas
aves sem selecção e em grandes viveiros.
No campo da ornitologia, foi um dado novo o aparecimento de
exposições – aves de canto e ornamentais - onde os exemplares
tinham lugares individuais. Em 1957, o “Grémio”, dá lugar à
Associação de Avicultores de Portugal (AAP), e esta recebe a
honra de organizar em Lisboa, o V Campeonato Mundial, um
certame da “Conferedation Ornithologique Mondiale”, organismo
cúpula internacional da ornitologia desportiva.
Pela pronta e boa organização deste certame, logo aos
portugueses lhe são cometidos outros eventos internacionais,
nesta área. O VII Campeonato Mundial da C.0.M., em 1959 e, o XII
em 1966 que teve nos novos pavilhões da Feira Internacional de
Lisboa – FIL. Um outro ainda, em 1970, foi realizado na capital, o
XVIII –que deixou recordações, pelas novas mutações de
exemplares ali expostos.

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Aos criadores do Norte do país, também foram solicitadas
organizações a nível internacional., o I grande prémio
Internacional do Porto (1960), Prémio Avícola do Porto (1960)., o
II Grande Prémio Internacional do Porto (1962) e, o II Grande
Prémio Internacional Avícola do Porto no mesmo ano. Por último
na cidade da Maia, em Janeiro de 2001, teve lugar um outro
campeonato mundial de ornitologia.

OS CRIADORES DE AVES EM SALVATERRA !
Por volta de 1950, na vila de Salvaterra de Magos, os
passarinheiros ainda usavam as armadilhas – um método que
vinham de à muitos anos atrás – para capturarem em terrenos
abertos, aves da fauna europeia. O verdelhão, e o se primo, o
pintassilgo, por serem pássaros canoras, eram muito solicitadas
pelas casas de venda de aves, estabelecidas ali à borda do rio
Tejo, em Lisboa, Os marítimos da vala real, por terem viagens
constantes à capital, aportando ali em vários cais encarregavamse destas capturas.
No concelho de Salvaterra de Magos, naquele tempo a floresta,
ainda aqui tinha grandes manchas, onde se viam muitos bandos,
de Corvídeos como: Os Gaios, Corvos, Pegas e Gralhas. Por
serem aves imitantes da voz humana, era tradicional, à porta de
uma taberna ou de uma oficina de sapateiro, uma daquelas aves,

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já “domesticada”, respondendo aos insistentes pedidos dos
clientes, ou de quem passa-se na rua. Uma pequena gaiola de
madeira, era usual ver-se em qualquer residência, com um
canário. O periquito, também tinha entrado nos hábitos
domésticos, desde que o naturalista inglês John Golden, os
estudou e os trouxe da Austrália.
A indústria do plástico, ao revolucionar o aparecimento de
gaiolas naquele material, o criador passou a dispor destes
acessórios mais funcionais e leves, também apropriados para a
criação em canaril e, em sistema individual. Não sendo ainda um
hábito, anilhar as aves, até para o seu estudo genealógico, em
1988, o autor deste trabalho, já com muita prática na
columbofilia, filiou-se num clube existente em Lisboa –
Associação de Avicultores de Portugal-AAP, e na Primavera desse
ano, anilhou as primeiras crias nascidas. Depressa, em
Salvaterra alguns criadores, se interessaram por estes sistema,
que sendo um método seguro, quer para a identificação
permanente, quer no registo de pedigree.

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AMOSTRAS DE AVES
De 1988 a 1990, José Gameiro, António Pires Gomes e Jorge
Manuel Marreiros, tomaram a iniciativa de organizar as primeiras
mostras de aves em Salvaterra de Magos. O espaço disponível,
foi a biblioteca municipal, cedida pelo executivo camarário, para
estes certames, era o
prelúdio de uma grande
“caminhada” da ornitologia
desportiva nesta vila
ribatejana.
A participação de diversos
pássaros como: Canários, Psitacídeos, Exóticos, Columbídeos e
Palmípedes, e o grande número de visitantes, foram o mote para
a constituição de uma associação de criadores – o clube
ornitológico se Salvaterra de Magos.
Foram três anos de grande entusiasmo, que sendo uma
novidade levou à divulgação deste hobby desportivo em
Salvaterra de Magos, levando a juntar novos criadores que
vieram a formar um clube ornitológico na vila.

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NASCEU O CLUBE ORNITOLÓGICO DE
SALVATERRA DE MAGOS- COSM
Em 21 de Março de 1991, um pequeno grupo de criadores,
especialmente de canários, encabeçados por José Rodrigues
Gameiro, no cartório notarial de Salvaterra de Magos, assinam a
escritura pública da fundação do COSM.

SÓCIOS INICIAIS
Por necessidade dos estatutos, e antes das primeiras
eleições, aderiram como iniciadores do COSM os associados:
“José Rodrigues Gameiro, Jorge Manuel Dâmaso Marreiros,
António Manuel Pires Gomes, Carlos Alfredo T. Matias (Dr.), Maria
Conceição da Silva Gameiro, Fernando Manuel Ferreira da Silva,
António Miguel Rodrigues Gameiro, João Dias Cabral (Dr.), João
Manuel Gomes Delgado, José Manuel Matias Coelho, João Luís
Rodrigues e Angelo Miguel da Silva Gameiro” * Logo na primeira
Assembleia Geral, foi votada favoravelmente a proposta de José
Gameiro, ser o fundador com o número 001

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A SUA IDENTIFICAÇÃO
. Depois de vários desenhos, foi
escolhido um apresentado pelo
associado; José Gameiro, que tendo
por base o brasão municipal com
algumas adaptações: na faixa em
branco o nome do clube: Clube
Ornitológico de Salvaterra de
Magos-COSM, a encimar os lados aparecem dois canários de cor
amarela, no centro um falcão, ave emblemática da antiga arte de
falcoaria real, em Salvaterra de Magos. Este emblema passou a
identificar a Associação, conforme era requisitado nos seus
estatutos.

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SEDE DO CLUBE
A sede da colectividade, foi inicialmente instalada na rua Alm.
Cândido dos Reis, numa sala cedida graciosamente no antigo
edifício da creche paroquial, graças à colaboração do padre
Agostinho de Sousa.
Foi uma situação
verificada durante
quatro anos, e
devido ao já elevado
número de sócios
que se vinha
registando, o COSM deixou de utilizar aquele edifício paroquial.
Todo o material e utensílios de exposições, especialmente gaiolas,
património que as direcções, vinham enriquecendo anualmente o
clube, estavam recolhidos, a titulo precário em instalações
camarárias.
Depois desta longa
situação
sem sede
social apropriada, e
numa iniciativa do
associado
Fernando
Ferreira da Silva, foi
alugada uma velha casa
na Av. José Luís Brito
Seabra (frente ao antigo palácio da falcoaria).

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Em 2001, a direcção eleita sob a chefia de José Luís Lamarosa
Ferreira, num trabalho de grande entusiasmo, leva a cabo
naquela velha habitação, as necessárias obras, instalando a sede
da colectividade, até porque o elevado número de associados
justificava-o.
EXPOSIÇÕES
Depois da experiência da realização de Mostras de Aves,
avançou-se para a I Exposição de aves canoras e ornamentais,
que se realizou em 1991, no pavilhão desportivo da escola
secundária – Dr. Gregório Fernandes - situação que se verificou
durante os três anos seguintes.
Nova etapa neste âmbito teve lugar desde 1998, nos celeiros
da EPAC, edifício já na posse da câmara municipal, local onde se
pretendia construir um novo Mercado Diário , Esta situação
verificou-se até 2001.

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Com a assiduidade anual de exposições, o COSM, passou a ser
um clube referenciado, e do norte a sul do país, novos criadores
solicitaram a sua inscrição de sócios, requisitando anilhas
oficiais. Os seus ficheiros depressa chegaram a contar com
cerca de uma centena de
associados. O bom relacionamento
entre o COC (Clube Ornitológico
Coruche) e a Associação
Avicultores de Portugal – AAP
(Lisboa), depressa levaram a que
estas colectividades emprestassem gaiolas e outros acessórios
para suprir a falta que se fazia
sentir devido à grande procura,
nas exposições-feira.
O panorama da ornitologia
nacional, estava no inicio da sua
organização a nível federativo, a presença de representantes do
clube, em várias reuniões foi solicitada.. Num desses encontros
realizado em Almada, o presidente; José Gameiro, acompanhado
de Jorge Manuel Marreiros, tiveram franca participação nos
trabalhos, onde o presidente do COSM, propôs que a nível
nacional que nas anilhas oficiais, em alumínio, consta-se o Stam
do clube, e o de Salvaterra ficaria COSM, no emissão de anilhas
do ano seguinte, verificou-se que o stam poderia comportar
apenas três letras – o que veio a sofrer uma alteração para SMG
Numa outra reunião, José Gameiro, foi ao encontro aceitando
uma proposta vinda de representantes de um grupo de clubes do

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norte do país, para a formação de uma Federação, representativa
dos clubes. Na falta de unanimidade em os presentes, ficou
deliberado a criação da AONP (Associação Ornitológica Norte
Portugal) para os clubes do norte ,até Rio Maior, e da AOSP
(Associação Ornitológica Sul de Portugal), que representaria do
clubes do Centro, Sul e Ilhas.
Mais tarde ainda se trabalhou na constituição de uma
Confederação que incluísse as Associações já constituídas/ou a
constituir – visto haver necessidade de uma represenção de
Portugal, junto do COM – entidade mundial. Mais tarde a
Associação do Sul, passou para FOSIP.
O COSM E A CULTURA
O Clube Ornitológico de Salvaterra, dando resposta corpo dos
seus Estatutos, foi prestando apoio aos pedidos das escolas,
quanto à conservação das aves na natureza e em cativeiro, no
edifício da Escola Secundária e Preparatória, o presidente da
colectividade José Gameiro, deu uma palestra sob o tema”Aves
em Cativeiro – “comece pelo princípio”, levando mesmo os alunos
a terem um primeiro contacto com diversos pássaros criados em
cativeiro, especialmente canários,
Um outro encontro no auditório da Escola da Escola
Profissional da vila, teve lugar um colóquio sob o tema “AS AVES
EM CATIVEIRO – UM HOBBY DESPORTIVO”, onde estiveram
convidados credenciados Juízes (classificadores) portugueses
acreditados a nível mundial.

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RECUPERAÇÃO DE AVES
No âmbito das suas obrigações, foi dando apoio na O COSM,
, foi estando disponível para o estudo e ajudar na recuperação de
aves vitimas de acidente, o que aconteceu muitas vezes, através
da colaboração dos vigilantes da natureza, sediados em Coruche,
as leva para o Centro de Recuperação de Aves –
Boquilobo/Golegã. Aves como: Falcões, Tordos, Andorinhas,
Pombos, Abatardas, Melros, Corujas e Mochos, foram algumas
das espécies recolhidas.

Aves feridas e recuperadas * Fotos de José Gameiro

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AS CRISES DIRECTIVAS E ASSOCIATIVAS
Conforme consta dos direitos dos associados/criadores,
estes podem requisitar anualmente anilhas oficiais, e utilizarem
as exposições-feira, promovidas pelo clube para exporem e
venderem as suas aves. Durante anos a fio os dias da realização
dos certames eram visitados por centenas de outros criadores e
entusiastas deste hobby desportivo. No dia da atribuição dos
troféus, era uma festa com a presença de familiares e amigos
dos premiados.
.Nos tempos de eleições para novos órgãos directivos, e na
ajuda solicitada para a realização das exposições, os seus
deveres, eram dissimulados com desculpas de vária ordem, para
impedir a sua presença e contributo. O património associativo
desceu, e pequenos dislates ajudavam a saída de alguns, dando
mais tarde verem-se estes na origem do aparecimento de outros
clubes na zona - ficavam assim, todos mais fragilizados. Os
corpos directivos, são sempre difíceis de compor, quanto aos
actos eleitorais.
Nos últimos anos os sócios Rui Gaspar Pereira e António Pires
Gomes e Nuno Rangel Grou, entre outros criadores de boa
vontade lá vão conseguindo manter o COSM em actividade, e em
2015, com um bom plano de trabalho delineado para a época
receberam do executivo camarário a cedência de uma sala/sede
no edifício de uma antiga escola primária.

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RECONHECIMENTO:

José Gameiro em 1998 e 2014

75
************************
BIBLIOGRAFIA USADA.
* Revistas da Associação dos Avicultores de Portugal (AAP) *
Jornal do Vale do Tejo (JVT) , outra informação da
especialidade e Faceboock
FOTOS USADOS:
*Pág.62 – 1) anilhas oficiais com stam * 2) – Canário anilhado
* Casal de canários anilhados em gaiola
* pág. 63 – Edifício da Biblioteca Municipal, onde se realizou
a primeira exposição/mostra de Aves
* 1) Emblema oficial do Clube Ornitológico de Salvaterra de
Magos 2) - Estatutos do COSM
*Pág.66 – 1) edifício paroquial, primeira sede do COSM * 2)
– sede do COSM, na Avª José Luis Seabra Edifício,
3) –Em 2001, grupo de sócios do COSM, que realizaram a
exposição na Escola Secundária de Salvaterra de Magos * 2)
* Classificação Aves Exposição – 3) Escola Secundária, 1991 *
3) - Directores do COSM e Juízes classificadores ,na Exposição
*Pág. 71 - Uma Águia Cobreira, encontrada na zona do Açude
da Agolada (Coruche), com uma asa partida - entregue nos
Centros de Recuperação de aves * 2) –
Abetarda, encontrada na zona da Barragem de Magos,
entregue no CRA Boqueilobo/ Golegã.
*Pág. 72 – José Gameiro, é reconhecido pelo seu empenho
durante anos em prole do COSM

************

76

Edição:
José Rodrigues Gameiro

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CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 32
Documentos para a História
De

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

OS SEUS DESPORTOS
O Autor:
JOSE GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

78

Foto da Capa: - A equipa do CDS, em 1952

79

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A ORIGEM DO CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE
(OS SEUS DESPORTOS)
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A 5
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 34 – 7
Depósito Legal: 256482 /07
Edição: 100 Exemplares – Março 2007

80

***************************

2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
**********************
O Autor deste texto não segue o acordo otográfico de 1990
* Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704

E - mail: josergameiro@sapo.pt

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O MEU CONTRIBUTO !
Estávamos em 1957, o campo da
bola, em Salvaterra de Magos, foi
instalado
provisoriamente,
nos
terrenos, da Horta do Loureiro,
propriedade da Misericórdia local.
O último sitio, tinha sido em terreno
camarário, por detrás do hospital, após várias
mudanças, que vinham desde 1926. A Columbofilia, foi
para além do futebol, a primeira prática desportiva a
passar pelo Clube Desportivo Salvaterrense - C.D.S.,
antes que os seus praticantes organizassem uma
associação. Ao longo dos tempos, todos os desportos
e hobys praticados em Salvaterra de Magos, não
deixaram de ter um vínculo com o CDS, sendo a
colectividade mais antiga na vila. Um dia, em 1968,
para um trabalho jornalístico, para o semanário; Aurora
do Ribatejo, conseguimos durante alguns dias reunir
com a ajuda do barbeiro; Alexandre Varanda da Cunha,
um grupo que foram praticantes do futebol, nesta terra.
Mesmo com a idade já avançada, não deixaram de nos
prestarem uma valiosa ajuda. Com a recolha de tanta
informação, não deixamos de a divulgar num primeiro
Apontamento, no Caderno editado em 2007,onde
juntamos outras modalidades desportivas, que se
praticaram nesta vila, através do CDS, ao longo dos
tempos. Também editamos um livro sobre a Origem do
Clube Desportivo Salvaterrense, Agora chegou o
momento de fazermos uma segunda edição deste
Caderno revisto e aumentado.

Março. 2015

JOSÉ GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

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O FUTEBOL,
O PRIMEIRO DESPORTO
EM SALVATERRA DE MAGOS

Naquele já longínquo ano de 1926, vivendo em Lisboa, o
casapiano; António Roquette, nascido em Salvaterra de Magos,
vestindo a camisola de guarda-redes (Keeper, como então se
dizia), da selecção nacional de futebol, enchia as páginas dos
jornais, que noticiavam a sua fama
Roquette, frequentemente vinha de
visita à sua terra, e trazia consigo
vários jogadores, entre eles: Mário Pita,
Gustavo Teixeira e Victor Silva, ídolos do
futebol lisboeta e nacional.
Era por seu intermédio, que se realizavam amiúdas vezes,
alguns jogos de futebol na vila, em campos e sítios improvisados.
O gosto da sua prática começou a minar jovens, e para defrontar
aqueles jogadores de Lisboa, os rapazes de Salvaterra,
constituíram duas equipas; OPERÁRIO e o RURAL, mas as
rivalidades, logo minaram a existência destes dois agrupamentos
e o seu desaparecimento foi inevitável. Os jogos realizavam-se
agora mais assiduamente nos terrenos do Massa pez,
propriedade da casa agrícola Oliveira e Sousa, onde apareceu o
Estrela.

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O ESTRÊLA FUTEBOL CLUBE

Com o aparecimento do Estrêla Futebol Clube, faziam parte da
sua equipa, os jogadores: António Pinheiro, Nazário, Júlio Lino,
Sebastião Cabaço, Fernando Luiz das Neves “O Ciranda”,
Joaquim Santos (Tanganho) e Luís Figueiredo, entre outros.
A SEDE DO ESTRÊLA

A sede do Estrêla Futebol Clube, encontrava-se na casa do
director, Augusto da Luz, na rua Machado Santos, onde à noite na
parede, era colocada uma pequena caixa em madeira,
envidraçada, com uma vela no seu interior, servindo de reclamo
do clube. A equipa, do Estrela, esteve durante algum tempo sob
a orientação do jogador do Benfica; Victor Silva e, foi nesse
período que apareceram os irmãos: Mac-Braid e José Morais, e
outros dois irmãos de nome Cabaço, além de Júlio Lino, este
como: guarda-redes.

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Foram jovens, que ao derem nas vistas e durante muitos anos
foram ídolos neste desporto, especialmente o Mac, que em todo o
Ribatejo, tinha grandes admiradores. O entusiasmo provocado
na vila, com os resultados obtidos, pelo Estrela, que entretanto
defrontava equipas de terras vizinhas, determinando a realização
de um torneio. Nele jogaram os jovens da vila, integrando
equipas como: Os Morcegos, O Marítimo, O Rural, O Sempre
Aparece, O Coração, e o já consagrado Estrêla. Nos jogos
disputados, deram mais nas vistas, Joaquim Cunha, Mário Antão,
Mário Caramelo, Francisco Magalhães e Eurico Borrego.
O GREMIO ARTÍSTICO SALVATERRENSE

Em 1938, existia em Salvaterra de Magos, a associação
recreativa – o Grémio Artístico Salvaterrense, cuja fundação
vinha do Dia de Reis, do ano de 1925. Esta colectividade, tinha a
sua sede na Trav. do Forno de Vidro, e apenas como associados
pessoas que tivessem profissões de operários como: Pedreiro,
Barbeiro, Padeiro, Caixeiro de Balcão e Carpinteiro de Obras.

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Aos outros trabalhadores como: Sapateiro, Funileiro, Carpinteiro
de Carros e Trabalhadores do Campo, era-lhes vedado a condição
de sócios, utilizando a população em geral aquele convívio social,
apenas em dias de bailes, ali organizados.
CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE

Em 1947, numa assembleia-geral, sendo Presidente da Direcção,
o Mestre – Ferreiro; Silvio Cabaço, que propôs e foi aceite a
extinção do Grémio Artístico, e nasceu o Clube Desportivo
Salvaterrense – CDS
A equipa do Estrêla Futebol Clube, é convidada e aceita
integrar-se no Clube Desportivo Salvaterrense – CDS, deixando o
antigo sistema, da sua sede na residência de um dirigente.
O jovem barbeiro, Alexandre
Varanda Cunha, agora dirigente do
CDS, tem a ideia do emblema do clube,
e com outros, como José da Quitéria,
pintam o símbolo da colectividade, que
tem em fundo uma roda de bicicleta,
pois naquela época vivia-se a paixão do
ciclismo.
Muitos jogos foram realizados, quer
em campeonatos distritais, quer em condições de amizade, com
outras equipas vizinhas como: Benavente, Coruche, Almeirim,
Cartaxo e Azambuja.

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Por intermédio dos irmãos Ruy e José Andrade, grandes
adeptos do Benfica, trazem a Salvaterra, a sua equipa de futebol,
onde jogam no dia 2 de Abril de 1950.
De 1954 a 1957, a prática do futebol esteve praticamente
inexistente no CDS, mas naquele último ano, foi retomada,
estando à frente da direcção; João Morais Alexandre e Sérgio
Filipe Andrade. A antiga “Horta do Loureiro” propriedade da
Misericórdia local, foi o local escolhido para a instalação de um
campo provisório, onde ainda se encontra.

A MOTONÁUTICA

Nos anos 60 do séc. XX, o Clube Desportivo Salvaterrense, já
tinha

aberto as suas portas a outras modalidades desportivas, como
uma secção de: Motonáutica, que estava agora em franca
expansão no país. Salvaterra de Magos, com o rio Tejo, e a
Barragem de Magos, nos seus subúrbios, teve em Mário Maymone
Madeira, os irmãos; Manuel João e José Raposo, os irmãos
Ramalho e Mário Gonzaga Ribeiro entre outros, a sua
representatividade neste desporto motorizado.

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O CICLISMO

Retomando uma tradição antiga que,
vinha dos “duelos” Nicolau e Trindade, em
que Joaquim Pinto Figueiredo (Joaquim
Tarau) e Fernando Vieira Andrade
(Fernando Tapada), foram praticantes,
muito recordados pelas gerações
antigas. Alguns jovens interessavam-se
pela modalidade, e em 1961, uma equipa é
constituída através de uma secção no CDS, A oportunidade de
ali se instalar foi dada através de um comerciante de bicicletas
acabado de se instalar na vila.
Naquele ano de 1961, a equipa disputa várias provas de grande
relevo no panorama desportivo nacional, para iniciados, onde
alguns obtêm bons resultados.

Equipa do CDS, coa camisola “Aivil” sua, patrocinadora
* o Autor é o penúltimo do grupo * Foto José Gameiro

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Dando nas vistas, alguns são cobiçados pelo Benfica, Sporting
e Vilafranquense, clubes que vêm a representar. Ainda naquele
ano, realizou-se uma grande prova de ciclismo, em Salvaterra de
Magos, com 20 voltas à vila, onde participaram os ciclistas mais
credenciados do país,
O ANDEBOL
Também o Andebol, pela mão do Prof. Fernando Assunção,
depois de passar pela Casa do Povo, encontrou no Desportivo
Salvaterrense, condições de disputar vários campeonatos.
No inicio da sua existência, vários foram os atletas que se
notabilizaram, e foram representar clubes de escalão nacional,
entre eles: João Santa Bárbara, no decorrer da sua existência
como atleta, foi homenageado a nível de governo, por ser o mais
representativo à data, na selecção nacional.

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O VOLEIBOL
A modalidade do Voleibol, teve no seu início uma secção no
CDS, que durou cerca de dois anos, mas com uma actividade
“acidentada”, levando os seus responsáveis a sair e criar um
clube com nome de, VOLLEY CLUBE DE SALVATERRA
A PESCA DESPORTIVA

Sendo um hoby mais de
cariz íntimo e pessoal, faz
despertar grande interesse
num grande número de
adeptos. Uma secção desta
actividade, teve pelo CDS, em
1968,a
sua
actividade,
participando em vários
concursos da modalidade,
onde se destacaram entre
outros; Manuel Inês Ferreira e
sua esposa, Raquel Ribeiro,
que no seu activo desportivo,
têm o título de campeões
nacionais.
Mais tarde o grupo deixou o Salvaterrense, e representando
outras camisolas, o casal Inês, tem sido chamado a participar em
campeonatos dês pesca, além fronteiras, onde já foram
campeões.

90

O ATLETISMO
Os bombeiros da vizinha vila de Benavente, em 1973,
realizaram uma corrida desta modalidade. Um grupo de jovens
de Salvaterra de Magos, composto por: António Simões Guedes,
José Luís Lamarosa, João Luís E. Pinheiro e José Luís Pinheiro,
participam nela, representando os bombeiros da terra.
O entusiasmo cresceu, e no ano seguinte a secção criada nos
bombeiros, levou a cabo a realização de uma prova interbombeiros, pelas ruas da vila, numa distância de 15 kms, onde se
inscrevem 95 participantes. Os representantes dos bombeiros
da terra, são os vencedores, com o primeiro lugar, para António
Guedes e o 3º para Carlos Duarte.
Em 1983, estes na esperança de melhores contactos
desportivos, fazem abrir uma secção no Clube Desportivo
Salvaterrense, são seus responsáveis; Joaquim da Conceição e
António Simões Guedes, mas devido a várias “situações”, a equipa
e a modalidade deixaram de existir.

O JUDO

Foi nos Bombeiros de Salvaterra que a modalidade, teve o seu
início, em 1981, por intermédio do jovem Júlio Marcelino, que
agregou a participação de 70 entusiastas.

91

Volvidos três anos, uma secção no CDS, dá apoio para a
participação em competições de nível federado, mas dificuldades
de vária ordem depressa, o conjunto fica reduzido a 29
praticantes., acabando por “morrer” algum tempo depois.

O HOQUEI EM PATINS

O Parque Infantil tinha acabado de ser construído, tinha um
ringue, uma pista com piso cimentado para vários desportos.
Um grupo de jovens, em 1976, levado por alguns que já sabiam
patinar, começam no exercício de aprender aquela modalidade.
Uma secção, é criada no Clube Desportivo Salvaterrense, para as
necessárias inscrições e participações em provas de calendário.
O seccionista, Nelsou Caleiro, esforçou-se na remoção da carga
burocrática, que a modalidade impunha, e depressa uma equipa
composta por: Luís Silva, Carlos Cantador, Jorge
Castanheira, José Adão, Manuel Maria, Amadeu Silva e

92

Manuel Pedro, defronta a equipa do Clube Desportivo de Torres
Novas, e sofreu uma derrota de 12-0. Em 1977, sob a orientação
do antigo praticante, Mário Duarte, recebeu o Sport Lisboa e
Benfica, para a taça de Portugal, foi eliminada da prova.
No ano seguinte, orientada por um outro antigo praticante,
Fernando Conde, ainda realiza alguns jogos, as dificuldades
financeiras, são a origem do seu desaparecimento

OS TRAMPOLINS
Foi com o entusiasmo dos prof. António Lopes e Joaquim
Raposo, que a modalidade dos Trampolins, se iniciou em
Salvaterra de Magos. Numa prática com treino regular,
apontando para as competições desportivas, foram criadas
equipas, que representaram, os serviços sociais da Câmara

93

Municipal de Salvaterra de Magos, e o Núcleo de Trampolins da
então escola C+S de Salvaterra. A Ginástica – modalidade de
Trampolins ganha novo impulso com o prof. Carlos Matias, que
treinando um vasto grupo de jovens atletas, leva em 1991, alguns
a serem selecionados, três atletas com as classificações
seguintes: Christina Kenitz, 9º, João
Santos, 25º em iniciadios, e Sérgio
Patrício, 17º em seniores B. Em 1993,
sob a orientação do Prof. Carlos, já
integrados, numa secção no
Desportivo Salvaterrense,
A modalidade ganha novo alento, onde
o seu presidente da direcção Eng.º
Helder Esménio, teve papel de grande
relevo, com o apoio dado aos atletas, que viriam a ganham lugar
de destaque mesmo a nível nacional e mesmo mundial.

A procura dos jovens por esta modalidade, leva, a câmara
municipal, a disponibilizar um velho armazém, para servir de

94
pavilhão de treinos e competições. Em 1996, os atletas, Amadeu
Neves, Christina Knitz e Mariana Cardoso, são convocados para
representar Portugal, no campeonato do mundo que se realizou
no Canadá. Esta modalidade, ganha de novo impulso, e desliza-se
do CDS, sendo criado o Clube de Trampolins de Salvaterra de
Magos, e o prof. Carlos Matias, vai continuando a ser uma grande
referencia, para atrair a juventude, fazendo naquele “viveiro”
grandes praticantes desta modalidade de ginasta, que são
escolhidos para representarem Portugal, em provas mundiais.

**********
******

****************

95

********
*****

Vítor Cabaço e João Santa Bárbara, António Figueiredo,
e Júlio Piçarra, atletas iniciados no CDS, jogaram na
selecção nacional portuguesa, e representaram outros
clubes de nomeada, em Portugal.

***********
********

96

Selecção nacional de futebol,
por intermédio de António Roquette, jogou em Salvaterra
de Magos, num jogo treino

Equipa de Andebol do Clube Desportivo Salvaterrense

Equipa de Voley, do Clube Desportivo Salvaterrense

97

BIBLIOGRADIA USADA:
* DOCOMENTOS PARA A HISTÓRIA DO CLUBE DESPORTIVO
SALVATERRENSE * livro do autor, pronto a ser editado.

* Notícias publicadas na época, pelo autor, na
comunicação social, especialmente no Jornal Vale do
Tejo, em 2002
* Artigos sobre desporto, publicados no Jornal Vale do
Tejo – Ano 2000

FOTOS USADOS:
* Pág. 2 António Roquette, Jogador do Casa Pia, e da
Selecção Nacional
+ Pág. 4 – Equipa do Estrela Futebol Clube: 1º Plano –
Joaquim Amaro (Moliço), Jaime Quitério, Alberto Couto,
Manuel da Silva ( Manel Néu) Geraldo Andrade e João
Inácio – 2º Plano: Joaquim Cunha, Júlio Caniço, MacBraid Fernandes, Victor Damásio, Victorino Oliveira e
Júlio Lino
* Pág. 5 – Ano: 1947 * Equipa do Clube Desportivo
Salvaterrense: 1º Plano: Mac-Braid Fernandes, Manuel
João Raposo (Raposo II), José Luís Borrego, Joaquim
Cunha e José Luís das Neves * 2º Plano: A. Rodrigues
(Director), Manuel Nu, José Raposo (Raposo I), Victor
Damásio, Jaime Quitério, João Tavares, Mário
Caramelo e Alfredo Magalhães
* Pág. 6 – 1964 * Equipa da Scudaria Magos – CDS
* Pág. 7 – Joaquim Pinto Figueiredo (Joaquim Tarau) *
Ano de 1961: Equipa de ciclismo do CDS - Alfredo

98
Xavier, Daniel Carvalho, Mário Leal, José Gameiro, e
José Manuel Damási (Humberto Fernandes - Treinador)
* pág. 9 - Raquel Ribeiro e seu marido Manuel Inês,
quando em competição, num concurso de pesca,
representando o CDS * Raquel Ribeiro, Campeã
Europeia de Pesca Desportiva – Anos: 1980, 1984 e
1993 (vice-campeã nacional)
*Pág.10 – Ano: 1984 – O Judoca, Júlio Marcelino em
competição, realizado num torneio em Esposende.
* Pág. 11 – Ano: 1977, Equipa de Hóquei em Patins do
CDS
* Pág. 12 – Ano: 1994 – Equipa de Trampolins do CDS
* Pág. 16 - - Mac-Braid Fernandes, António Cadório
(Leitão) e José Morais

**********
*****

99

100

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 33

Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

*Uma via para o seu Desenvolvimento
Demográfico e Socioeconómico*

Autor
JOSÉ GAMEIRO

101

Primeira Edição

FICHA TÉCNICA:
Titulo: A VALA REAL
(Uma via para o seus Desenvolvimento
Demográfico e Sócio-económico)
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 35 – 4
Depósito Legal: 256483 /07
Edição: 100 Exemplares – Março 2007

102

**********************
2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
*********************

* Tel. 263 504 458 * 918 905 704
E - mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

Fotos da Capa: - Curso da Vala Real desde a Montante até à Ponte
- 1985
* Curso da Vala real para Jusante, desde a Ponte com os barcos Fragateiros, aportados - 1950

103

O MEU CONTRIBUTO
A económica de Salvaterra de
Magos, via-se pelo constante
trânsito mercantil, das Fragatas,
que iam e vinham com as marés do
rio Tejo, movimento que as leis
assinados por reis ao longo dos séculos, lhe davam
grande importância na riqueza do país. Eu, que
morada no botaréu, ali ao lado da Capela, no dobrar
do séc. XX, não deixava de brincar com o rapazio
da zona na calçada do cais, uma obra construída em
1936, e dos velhos marítimos, que por ali
deambulavam, ouvíamos histórias, como aquelas
dos golfinhos que vinham desde Alverca, saltando
ao lado dos barcos, até junto da boca da vala,
regressando junto a outros que viajavam até Lisboa.
No final das cargas, ou descargas, havia as
caldeiradas, feitas pelas mãos dos fragateiros, com
jeito para a culinária, Comida, acompanhada de
vinho bebido pelos garrafões, que mandavam os
rapazes buscar na taberna do Ti Artur Xavier, ou
então surripiado nos muitos barris que por ali
aguardavam carregamento. Das suas comidas, ao
rapaz que fazia o “recado” davam um naco de pão
com enguias fritas – daquelas grossas que depois de
meia-cosidas, dando gordura à refeição, eram
retiradas para fritar, e comidas como conduto. No
final do repasto havia cantoria aos disfarces e tudo
acabava em bem. Na primeira metade do séc. XX,

104
ainda mostrava a grandeza do seu porto, um cais
onde aportavam algumas dezenas de barcos. Os
fragateiros, já não faziam navegação rio abaixo, rio
a cima até terras de Abrantes, o caudal estava
escasso, especialmente no verão, a Barragem do
Castelo de Bode, tirara-lhes essa riqueza – a água.
Foi o primeiro sinal de morte, para uma navegação
que vinha de séculos, pouco depois em Dezembro
de 1851, com a inauguração da ponte de Vila
Franca de Xira, foi o seu fim.
Os Varinos/Cagaréus, que um dia vieram das
terras de Ovar, para Lisboa para (re) povoar o
bairro da Madragoa, após o terramoto de 1755,
Alguns séculos depois, no final do séc. XX,
algumas outras famílias chegaram a Salvaterra,
vindas dos lados da Murtosa, fazendo por aqui a
pesca do peixe do rio. Os anos passaram, para eles
também havia tempo de mudança, o pescado já não
dava para sustento da família, os mais velhos eram
poucos – os filhos, estavam procurando na
emigração novas formas de sustento. A Construção
civil, foi o refugio para muitos.
Ao homem do campo, foi tempo mudar de rumo,
mesmo que lentamente, iam de abalada à procura
do trabalho fabril, tornavam-se operários, nova
vida económica social e cultural, os esperavam
naquela mudança.
A mecanização e o regadio das terras, chegara e a
dispensa da mão humana (grandes ranchos), e as

105
manadas de gado, já não interessa ao seu
desenvolvimento produtivo.
Tal mudança, não deixava de afectar o trabalho
dos fragateiros da vala, as camionetas de carga,
estavam agora a substituí-los. O cais por vezes
tinha um aspecto desolador – sem movimento.
Ainda vimos e assistimos às descargas de muitos e
grandes caixotes de madeira com material, que veio
dos Estados Unidos da América, com destino à
Glória do Ribatejo. A RARET, estava a instalar-se
nos seus terrenos. Um outro produto estava a ser
usado na agricultura da região um adubo (preto),
pesando cada saca uma centena de quilos cada uma
- eram toneladas, que os fragateiros carregavam às
costas, num vai e vem através de pranchas de
madeira, para camionetas e carroças, enchendo os
antigos celeiros de cereais. da vila Talvez aquele
trânsito nada tivesse a ver com o movimento que o
porto marítimo tivera durante séculos, iniciado na
época da Idade Média, e que foi o ponto do seu
desenvolvimento mais notório no séc. XVIII, época
em que a realeza vinha ao seu Paço Real, e ali
aportava nos Bergantins. Passados alguns anos
desde a edição do primeira Caderno, consideramos
agora oportuno a edição de uma segunda,
devidamente revista e aumentada.
Março 2015
JOSÉ GAMEIRO

106

I
A BACIA DO VALE DO TEJO
O grande Vale do Tejo, segundo nomenclaturas editadas nos
finais do séc. XIX, os geógrafos, atribuíam ao período do
Quaternário, a existência da região, agora denominada por terras
da Lezíria, limitada administrativamente pelas Beiras, e Alto
Alentejo. Estando grande parte das suas terras na Estremadura
(1936-1976)

Segundo aqueles estudos, estava situada como tendo duas subregiões: o Ribatejo Norte e o Ribatejo Sul, pois encontravam-se
separadas, por uma bacia hídrica, cuja relevância se dá
especialmente no rio Tejo. A província do Ribatejo teve uma
duração de cerca de 40 anos., em 1996 passou a incorporar-se
nas 8 regiões então criadas.

107

No final do do séc. XIX, e no primeiro quartel do séc .XXI, a
vasta Lezíria, onde se descortinavam muitas áreas de terras de
aluvião, junto às margens daquele curso de água, encontravamse grandes mouchões. Nessa zona de grande planície, o
armazenamento de águas das cheias, que todos os anos ali
ficavam depositados naquelas terras, eram locais pantanosos,
que provocavam em época estival, doenças como: a malária, aos
povos vizinhos.
No primeiro Foral de Salvaterra, arquivado no tomo I. página
616, da Portugaliae Monomenta Histórica, escrito em latim, onde
à mistura com privilégios concedidos, constam já aquelas
situações que vitimava as populações de borda-de-água.

II
A VILA DE SALVATERRA DE MAGOS,
E A VALA REAL

O Foral de 1 de Julho de 1295, atribuído pelo monarca, D. Dinis,
que manda povoar a vila de Salvaterra de Magos, nas exigências
feitas, constata-se o uso da via fluvial, para movimentar através
do rio Tejo, produtos agrícolas e outras mercadorias.
Os trabalhos da abertura daquela Sangria, tinham começado
no sítio da Ameixoeira, passando pelo sítio de Magos, onde

108
deveria existir um Paul, sendo o seu ponto de ligação com o Tejo,
a Boca da Goiva. A dita obra de abrir a “sangria”, ainda não
estava completa, conforme se lê no Foral do rei D. Manuel I,
concedido a 20 de Agosto de 1517, a Salvaterra de Magos.

Também o rei D. João IV, em 1650, fazia constar, numa
determinação real “ Por constar que o Paul de Magos”, não está
ainda aberto, mandava-o ele abrir, por conta da renda do Infante,
despesa calculada em 45 mil cruzados ficando com légua e meia
de comprimento, num percurso de nascente para poente. Foi seu
último donatário; Pêro Guedes, antes da sua passagem para a
casa real e entregue ao infante D. Luís.
A VALA REAL

Junto às primeiras casas lado Norte, num pequeno
logradouro de lodos, aportavam pequenos barcos de carga de
mercadorias, que navegavam numa pequena vala, sujeita às
águas das marés, vindas do Tejo.
Por vezes viam-se os de vela latina, que faziam as viagens
longas, com destino a Lisboa e Santarém.
Nalguns documentos, nota-se a informação da existência de
uma passagem em madeira, que servia de ponte a caminho do
campo, dando acesso à estrada dos “espanhóis (Almeirim e

109
Santarém) e à barca que no Tejo, ligava à outra margem, para
Valada, Cartaxo e Azambuja.

1954 – Rapazes descalços sentados na muralha da Ponte da Vala
( o autor – José Gameiro), é 3º lado Esquerdo

Um documento de 1758, descreve que a Vala Real/ ou Sangria,
tinha uma ponte de cantaria junto da vila e, de permeio com uma
outra a montante, umas portas/ou sarilhos,no valado do lado
direito, que alimentava um moinho de água, para moer arroz (1).

*********
(1)- Nos anos 50 do séc. XX, ainda se viam no valado (margem direita),
algumas das suas pedras * Nelas as mulheres, 20 anos antes ali lavavam a
roupa * Agora estão tapadas pelo lodo e terra, com salgueiral por cima.

110

Da vila, a menos de eia légua vislumbrava-se a margem
esquerda do rio, as suas águas no verão que corriam
mansamente para Lisboa,, vindas em linha desde as entradas de
Rodão..
Ao longo dos tempos, o constante aumento do movimento de
mercadorias e, até do trânsito de pessoas, que o cais da Vala
Real suportava, vindas nas fragatas registadas na sua portagem,
e de outras que vinham de Alcochete, Montijo, Azambuja, Vila
França de Xira, Constança, Santarém, Moita e Benavente,
aumentavam o tráfego daquele estreito caudal de água.
Também os pescadores, especialmente os Varinos/ou
Cagaréus, vindos das terras de Aveiro, no séc. XVIII, para o (re)
povoamento do bairro da Madragoa (Lisboa), após o terramoto de
1755, também desde aquele tempo por aqui passaram a pescar no
rio em pequenas bateiras, fazendo a lota do peixe, no cais da vala.
Os valados da vala, periodicamente tinham de ser reparados,
pois os rombos provocados pelas águas das cheias, que todos os
anos vitimavam animais e culturas, num ciclo vicioso.
Em 1908, devido a um Inverno chuvoso, que durava há meses, a
falta de trabalho dos trabalhadores do campo, levou o presidente
da câmara municipal a escrever um pedido, a sua magestade o
rei (*), a limpeza da vala real, e seus valados deram trabalho aos
habitantes do concelho e de outras terras vizinhas.

111

Ponte antiga e Muralha * José Gameiro

Uma outra grande obra em 1941/42, foi efectuada na Vala
Real de Salvaterra de Magos, o seu cais foi totalmente
remodelado, uma vasta zona recebeu estacaria, alguma com 12
metros de comprimento, sendo depois revestido todo o local com
uma camada de betão e calçada portuguesa. Uma muralha em
pedra, concluiu aquela benfeitoria, ladeando a estrada de acesso
ao campo, terminando no muro da sua ponte. A construção desta,
segundo alguns especialistas poderá ser da época da ocupação
filipina, em Portugal., no séc. XVII, até porque nesse período de
tempo, tanto o palácio como outras edifícios reais de Salvaterra,
foram alvo de ampliação e conservação. Consta que a ponte da
vala real foi reconstruída em pedra aparelhada, tendo entre as
suas duas bocas, a Jusante e Montante, corta águas para
“amansar” a corrente, obra mandada construir quando da visita
a esta vila, do rei Filipe III
**************

112

(*) A LIMPEZA DA VALA

Já depois da “morte” do seu tráfego marítimo com Fragatas,
após a construção da Ponte de Vila Franca, em 1951,
periodicamente, aquele espaço que serviu de porto da Vala Real,
tem sido sujeito a trabalhos de limpeza, especialmente na
retirada dos lodos da bacia do cais, pois estes crescem devido à
falta da intensa navegação daqueles barcos,
Nos últimos anos outros usos têm sido dados à vala real, em
1980, ali foi construída uma comporta, por cujo pavimento passou
a efetuar-se o trânsito – ao lado, a ponte original, ficou
esperando uma “morte lenta”, pois nunca mais foi reparada e
conservada. Em 1987, uma notícia na comunicação social, dá
conta da presença do membro do governo, Carlos Pimenta, em
Salvaterra de Magos, pois veio apreciar um projecto que no
futuro dava àquele espaço secular, um novo tipo de utilidade –
uma marina, que seria enquadrada numa vasta obra de
recuperação do local e até mesmo do rio, até ao Escaroupim.

Construção do Cais Vala * Fotos retiradas da Revista Magos III –CMSM 2015

113

Fotos de José Gameiro

Foto – José Gameiro

Um pequeno túnel, dava acesso à chamada vala pequena,
ladeada de um lado, por árvores plantadas no final do séc. XIX,
por aquele chegavam as águas da drenagem dos terrenos dos
Foros de Salvaterra, e até mesmo as sobras de um grande
tanque que servia para os animais beberem quando ali passavam
em manadas. Era a vala da pardaleira, como o rapazio lhe
chamava no dobrar do séc. XX, um bom local para as crianças
aprenderem a nadar, antes de passarem para a vala grande.
Naquele sitio os autarcas da terra, acharam por bem, em
2000, construírem, uma ETAR, onde passava a ser canalizado
todo o esgoto doméstico da vila. Para aproveitar o espaço do
cais e de um antigo casario ali existente, o executivo municipal,
em 2005, ali mandou construir um edifício para fins culturais,
obra que foi muito contestada

114

* ) – Cópia do pedido da Câmara Municipal,
para a limpeza da Vala real
A Câmara Municipal do concelho de Salvaterra de
Magos como representante
dos interesses
do seu
município, não pode
deixar de mais uma vez
implorar a attenção de Vossa Majestade para uma
das mais urgentes necessidades do seu concelho afim
de que Vossa Majestade se digne dar –lhe remédio.
Existe neste concelho uma valla que partindo desta
villa se dirige ao Tejo, constituindo a única
comunicação fluvial que liga esta villa com Lisboa e
mais terras marginais do Tejo, é por esta valla que são
transportados todos os géneros produzidos neste
concelho e mais parte dos do concelho de Coruche
que se dirigem aos mesmos pontos,
Daqui se vê a grande importância que para estes
concelhos tem a navegabilidade da mesma valla
attendendo ainda a que o transporte fluvial é o que
maiores garantias offerece devido à modalidade do
prêço .
É porém desfavorável o estado em que a dita valla se
acha, principalmente na sua entrada no Tejo onde os
assoriamentos desta quase lhe impedem a entrada,
tendo de esperar-se a praia-mar para ella se effectuar.
Se não for removido urgentemente o lodo que
constantemente as marés alli depositam e reparada
convenientemmente a mesma entrada, tornar-se-há
dentro em pouco completamente impossível a
navegação.
E não sendo possível a esta Câmara cujos encargos
lhe absorvem totalmente os seus rendimentos, prover a
este mal vem esta mesma câmara respeitosamente
pedir a Vossa Majestade para que esses trabalhos sejam

115
feitos com a possível urgência pela direcção das
obras públicas do Tejo (Secção Hidráulica), a quem
pertencem os trabalhos d`esta natureza, e por isso P.e
a Vossa Majestade Haja por bem deferir.
C.. M. .Salvaterra de Magos, Maio de 1908
* O Presidente da Câmara * Os Vereadores

III

A IMPORTÃNCIA DO SEU PORTO

O Foral de D. Dinis, trouxe-lhe importância de concelho, que
muito contribuiu para o seu povoamento e com o decorrer dos
tempos, o comércio das mercadorias aqui movimentadas,
chegavam também, à Flandres, “uma terra muito para lá de
Espanha”, conforme se pode ler num documento régio de D.
Manuel I
Do início da sua existência como povoado, o seu termo
geográfico, comportava seis aldeias (Culmieiro, Misericórdia,
Coelhos, Cabides, Figueiras, Bilrete de Cima) onde viviam 33
vizinhos, que acresciam aos habitantes da vila, totalizando: 1572
almas. No sítio do Escaroupim, foi plantado um grande pinhal,
nos moldes do de Leiria.
A Salvaterra de Magos, em 1497 chegou um grupo de 40
colonos rurais, daquelas terras longínquas, que vinham
engrossar a população rural, trazendo novos hábitos de cultura
etnográfica. Como as estatísticas eram irregulares, muitas vezes

116
o recenseamento, era feito quando acontecia alguma situação de
guerra, mesmo nesses casos, os números conhecidos são só de
mancebos, até aos 18 anos. Nos recenseamentos de 1864 e 1878,
a diferença populacional já era grande, verificando-se, no
primeiro caso; 677 fogos com 2329 habitantes e no segundo; em
1878, o número aumenta para 696 fogos, para uma população de
2537. Com o decorrer dos séculos, sempre aqui chegaram e se
instalaram famílias, pois as crises populacionais ocorridas no
país, também afectavam esta vasta zona ribatejana.
Nos últimos anos do séc. XIX e, na primeira metade do século
XX, a chegada à Lezíria ribatejana (desde Golegã, Chamusca,
Almeirim, Salvaterra de Magos e Benavente), de ranchos de
mulheres, vindo das Beiras (as Barrõas) especialmente das
terras entre Leiria e Pombal, que aqui vinham trabalhar uma
época sazonal, desde Março até Setembro, regressando a casa m
já muito depois das vindimas. Todos os anos, jovens raparigas
por aqui ficavam casadas, especialmente com campinos e
trabalhadores braçais. Num estudo estatístico publicado em
1940 (1), dava conta que a população da freguesia de Salvaterra
de Magos, se cifrava em 5.253 habitantes (2.502 varões e 2,751
fêmeas), num cômputo de 1.280 famílias regulares. Nesse
mesmo registo, o seu movimento demográfico dava-nos outras
informações:

117

Anos de 1937 a 1940
Nascimentos: Em 1937 – 394 * Em 1938 – 398 * Em 1939
– 413 * Em 1940 – 395
Casamentos: Em 1937 – 77 * Em 1938 – 99
* Em 1939 – 76* Em 1940 – 143
Óbitos: Em 1937 – 175 * Em 1938 – 170 * Em 1939 – 148 *
Em 1940 – 197
Nado-mortos: Em 1937 – 17 * Em 1938 – 25 * Em 1939 –
20 * Em 1940 – 21

Num trabalho publicado em 1981, da autoria de J. Manuel
Nazareth e Fernando dos Santos, sobre um censo estatístico,
da população de Salvaterra de Magos, datado de 1788, onde se
regista uma densidade populacional de 2537 habitantes (1), aí já
são identificados, crianças, solteiros, casados, viúvos e suas
profissões. Com o passar dos tempos, Salvaterra de Magos no
recenseamento de 1981, mostrava um quadro de aumento
significativo populacional: Homens, 3885 e Mulheres 4238, que
incluídos no total do concelho, davam a este uma população de
18.584 habitantes. Os alojamentos agora na vila, eram de 2,971
num conjunto de 2.655 edifícios e dez anos depois em 1991,
registava um decréscimo populacional, passando a contar com
4773 habitantes, os habitantes de Foros deixaram de contar.
***********
(1)- Salvaterra de Magos nos finais do séc. XVIII: - Aspectos sócio
demográficos – Análise Social – 1981

118

MOVIMENTO ECONÓMICO E SÓCIO CULTURAL
Quando em 1758, Salvaterra de Magos deixou de ter donatário
e passou para a casa real, consta no seu memorial, que as terras
do seu termo, davam em abundância; Cevada, Trigo, Milho e
Legumes nas terras frescas, continuando o seu porto fluvial a ter
grande importância no seu escoamento.
Neste novo ciclo, a terra era explorada pelo agricultor
proprietário, que em família constituía uma casa agrícola, e
sendo o trabalhador braçal ou o campino remunerados ao dia.
Alguns anos faltavam para o séc. XX estar meio, o trabalhador
rural, a par das grandes crises que suportava por falta de
trabalho, devido às terras alagadas, pelas cheias, tinha uma jorna
que para os homens, muitas vezes andava por 5 tostões e uma
garrafa de vinho (água-pé), diariamente, num trabalho de sol-asol. Existem documentos importantes, que fornecem notas da de
vida económica da população de Salvaterra de Magos, da pena do
Dr. José Miranda do Vale (*), num trabalho publicado em 1936,
em que faz uma análise comparativa com um outro de 1870 (**),
feito por Silvestre Bernardo Lima.
Este, dá-nos a informação que o Ribatejo, tem uma pecuária
pouco densa e de inferior classificação, pois ficava em 10º lugar
entre 17 distritos.
Neste recenseamento distrital, encontra-se o concelho de
Salvaterra de Magos, na 3ª posição classificativa no distrito,

119
quanto ao gado cavalar, com 1.690 cabeças, sendo Santarém o 1º
com 1.949 e Mação em último lugar, com 22 cabeças.
Num outro estudo publicado, em 1900 (***), desta feita pelo
prof.Paula Nogueira, existiriam no Continente 90.000 cabeças de
gado cavalar, num valor conjecturado de 2.595.000.000 réis,
tendo por média de cabeça o valor de 28.833 réis, contribuindo o
distrito de Santarém com 13,3% (12.000 cabeças), onde
Salvaterra de Magos, tinha lugar de destaque.
Vinte e cinco anos depois, o número destes animais baixa para
80.078, ocupando Salvaterra, a 3ª posição no distrito, com 1.530,
estando o concelho do Sardoal, em último lugar com 19 cabeças
de gado cavalar.
Novo arrolamento foi efectuado, em 1934, continuando os
criadores de gado cavalar de Salvaterra de Magos, na 3ª posição,
no distrito, com 1.339 cabeças, e o Sardoal a manter o último
lugar, mas desta feita com um aumento de 4 unidades. Quanto ao
gado Muar, Salvaterra de Magos, tem em 1870, 42 animais, em
1925 aumentou para 116, tendo em 1934 um efectivo de 141
cabeças de gado desta espécie Neste recenseamento, nos
mesmos anos, existem na freguesia; gado Asinino: 482,1,244 e
1.416 cabeças, como também uma existência de: 3.332,3.344 e
1959 cabeças de gado Bovino

***************
(*) – Boletim Nº 48 da Junta Geral do Distrito de Santarém
(**) – Considerações Gerais e Analíticas do Recenseamento
Pecuário de 1870
(***) – Les Animaux Agricoles

120

PRODUÇÃO AGRICOLA

As suas terras durante séculos deram produção
cerealífera, cujos registos datam do reinado de D.
Sancho II, mas sendo repartida pelos nobres, seus
proprietários e pelas instituições religiosas, que
aqui também vinha receber privilégios.
No entanto é já no século XX, são feitas
estatísticas assiduamente a nível nacional e
distrital, desde 1933, verifica-se alguns dados da
sua agricultura de sequeiro.
Na produção de Trigo, temos em 1933 – 2.472.440
litros, em 1934 – 4.764.900 litros, em 1935 – 4.229.510
litros, em 1936 – 459.120 Kgs, em 1937 – 1.255.560
Kgs, em 1938, 1.170.000 Kgs, e em 1939 – 1.563.000
Kgs.
*
No
Milho,
encontra-se naqueles
anos a produção
seguinte: 1.298.900
Litros – 615.800 –
646.190 – 852.280 –
930.760 – 631.000 e
822.000 * Arroz,
3.000.000 Kgs – 3.300.000 – 2.156.100 – 3.144.530 –
4.232.124 – 3.067.000 – 4.351.000* Centeio, 246.400
litros – 190.640 – 185.400 – 125.590 – 256.290 –
289.000 e 291.000 * Na produção da Fava e respeitante
àqueles registos, verifica-se a falta de informação em
três anos. 1933,1934 e 1936, mas em 1935, a produção

121
foi de 315.860 Litros, em 1937 – 106.100, em 1938 –
136.000 e em 1939 232.000
As suas terras, areno-arenosas, não eram muito
exploradas, no plantio da oliveira e seguindo os dados
dos anos já referidos, encontra-se em 1933 – 39.040
litros, em 1934 – 17.980, em 1935 – 24.210, em 1936 –
2.420, em 1937 – 74.530, em 1938 – 6.000 e em 1939 –
2.844
A bacia do Tejo, com terras de Aluvião, por
natureza frescas e recebendo anualmente os nateiros das
cheias, estavam desde meados do século XIX, a receber
o plantio da vinha, que se estendia lentamente, às terras
arenosas, que tinham pertencido à coutada real de
Salvaterra de Magos. Naqueles registos, encontra-se a
seguinte produção de vinho: Em 1933 – 35.017.840
litros, em 1934 – 4.936.050, em 1935 – 4.407.110, em
1936 – 2.366.220, em 1937 – 3.673.341, em 1939 –
4.859.400 e 1939 – 3.707.000
Na alimentação a população, tinha no mercado carnes
como: Vaca, Carneiro e Porco, para além dos galináceos
e patos que criava em suas capoeiras
A cotação das carnes no mercado, dão-nos a resposta
seguinte: Vaca, em 1937 custava 9$00 o quilo, em 1938
-8$00, em 1939 – 7$00, em 1940 – 7$00
Quanto ao Carneiro, sendo mais consumido, pela
população rural, que o criava anualmente em suas
pequenas parcelas de terreno, mesmo assim, temos em
1937 – 6$00 o quilo, em 1938 – 5$00, em 1939 – 4$00
e em 1940, o mesmo preço. A carne de porco, era a
mais consumida, qualquer família rural, não deixava de
fazer um esforço financeiro para a compra de um bácoro
e ao longo do ano com a engorda feita, no Outono,
procedia-se à matança, onde o agregado familiar e

122
alguns convidados preparavam as carnes (era dia de
festa), ficando os enchidos em fumeiro e as carnes a
salgar. Pelo S. Martinho, ou pelo Natal, começava-se
pelo toucinho e entremeadas, nas sopras de feijão
branco, ou grão.

FEIRAS E MERCADOS
A Feira anual considerada Feira Franca, era conhecida no séc.
XVI, segundo alguns documentos (1), realizava-se em Setembro,
pelo S. Miguel, tempo do acabar as colheitas, tinha lugar no
caminho próximo do Convento. Conhece-se que a feira de
Benavente, começou no ano 1745, com a de Salvaterra decaindo
de procura. No séc. XIX, a feira principal de Salvaterra, já se
realizava em Maio em terrenos da vila, e no primeiros anos do
séc. XX, os autarcas promoveram uma outra em Setembro, fim
do verão, depois dos trabalhos agrícolas terem terminado,
também era tempo para a compra de novas roupas, teve duração
curta, terminou no dobrar do século, pois coincidia com a da
vizinha Benavente. A primeira, mantem-se ainda nos nossos
dias, mas agora sem a grandeza e colorido do passado. O
Mercado mensal de animais, especialmente do porco, deixou de
existir na década de 30 do séc. XX, devido à grande criação
destes animais, em Glória do Ribatejo, Foros de Salvaterra,
Granho (Muge) e Marinhais, passou a realizar-se nesta última
povoação.
***************
(1) – O Convento de Jericó (1542-1834) * Alfredo Betâmio de
Almeida * edição Câmara de Benavente/ 1990

123

O Desenvolvimento sócio económico
Em 1937, na vila de Salvaterra de Magos, contavam-se
43 veículos automóveis, em 1938 – 54, em 1939 – 50 e
em 1940 passou para 57 * Camionetas de carga: em
1937 eram 28 e em 1940 – 32 veículos Bicicletas,
tinham licença camarária: em 1937 -204, em 1938 276, em 1939 – 228 e em 1940 – 207 * Motocicletas:
em 1937 – 15 e em 1940 – 25 * Carros de tracção
animal: em 1937 – 337 e em 1940 – 579

**********
O DESEMPREGO

Sempre que o mau tempo, se prolongava com chuvas desde o
inicio das vindimas, com alguns dias de sol de premeio – o
chamado verão de S. Martinho, em Maio seguinte ainda as terras
mostravam–se encharcadas das cheias. Era tempo de novas
sementeiras, havia que reparar valados e estradas, os autarcas
recorriam ao governo central, para dar subsídios para o povo
rural suprir as suas necessidades económicas. No dobrar do
séc. XX, com a mecanizaçã na agricultura, a substituir grandes
ranchos de trabalhadores na terra, estes estavam ameaçados.
A industrialização ainda era escassa. Com as transformações
sociais, encontradas a partir da Revolução de Abril de 1974, o
Governo, através da Lei 169-D/75 de 31 de Março, cria um
esquema de “Fundo de Desemprego”, a implementar em todo o
país. Nos primeiros anos da década de 80, no concelho de
Salvaterra, verifica-se um surto de desemprego em várias áreas

124
de trabalho, e câmara põe um edifico as dispor dos serviços de
Santarém, para os necessário serviços administrativos.
Alguns anos depois, devido à reorganização deste serviços, os
trabalhadores dos concelhos de Salvaterra, Benavente e
Coruche, encontraram um novo e moderno espaço num edifício
construído, em Salvaterra de Magos.

***************************
*******************

1983 * Desemprego – inscrição em Salvaterra * Foto José Gameiro

1990 Novo edifício Centro de Emprego * Foto José Gameiro

125

Bibliografia usada:
* Os Forais ( D. Dinis, D. Manuel e D. Fernando) *
Anais de Salvaterra de Magos – José Estevam –1959 *
Boletim da Junta da Província do Ribatejo (1933 e
1940) * Salvaterra de Magos, nos finais do séc. XVIII *
Aspectos sócios-demográficos – J. Manuel Nazareth e
Fernando de Sousa * Análise social (Revista do
Gabinete de Investigações sociais) – Segunda série *
Vol. XVII – 1981-2º * Salvaterra de Magos “ Uma vila
no coração do Ribatejo” (1ª edição 1985 e 2ª edição
1991 (esgotados): do Autor * Comunicação Social
Diversa

Fotos Usados:
Pág. 2 Vala real, com as suas léguas de cumprimento,
a caminho do Tejo Ano: 1987 // Foto do Autor *
Pescador Varino/ou Cagaréu, pescando na Vala real –
Ano: 1967 * Foto de Eduardo Gageiro (Revista Século
Ilustrado) * Pág.3 – Última Grande cheia na Vala Real –
Ano:1979 // Foto do Autor
* Pág.4 – No grupo de
rapazes descalços, sentados no muro da Ponte da Vala
real, encontra-se o autor (esperavam os carros com
uvas das vindimas ) - Ano: 1952 * Pág. 5 - O Autor
volta à Ponte da Vala real, 50 anos depois * A Ponte da
Vala real, apresenta um estado de ruína – Ano: 2006//
Fotos do Autor * Pág. 6 – Limpeza do Lodo na bacia da
vala real – 1988 * Paredão do cais da Vala real, os três
túneis passagem de água – Ano. 2000 –Foto: Autor *
Pág.7 – Casario antigo, onde existiram duas tabernas (
zona de cheia – ano de 1953 – a d * Pág. 10 - Fila de
Desempregados, para se inscreverem – Ano 1985 –
Foto do Autor * Pág. 13 – Em tempo de ceifar o trigo –
Ano: 1943 ( a d) * 1983 Desempregados junto aos
serviços de Desemprego

126

Edição: José Rodrigues Gameiro – Março 2015

127

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 34

Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XIX
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

SUAS RUAS, LARGOS E JARDINS
O Autor:
JOSÉ GAMEIRO

128

Fotos da Capa: - Obras na antiga rua do Calvário, dando lugar à Av.
Vicente Lucas de Aguiar, mais tarde Av. Dr.. Roberto Ferreira da
Fonseca – Foto: Ano: 1943 (Alexandre Cunha)

129

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:

URBANIZAÇÃO, E TOPONOMIA DA VILA
( Suas ruas, Largos e Jardins)
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 37 – 0
Depósito Legal: 256484 /07
Edição: 100 Exemplares - Março 2007

130

***************************

2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
***************************
* Contactos Tel. 263 504 458 * Telem. 918 705 914
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

131

O MEU CONTRIBUTO
Ao longo dos séculos, a religião, força militar e
a política, sempre tiveram em cada época, destas
coisas dar, ou mudar os nomes às ruas das urbes,
sendo os feitos de cada cidadão, em cada época
merecedor dessa memória futura.
Decerto são dos bons exemplos dados, e em
Portugal, as grandes localidades, depressa
adoptaram este simbolismo, nos
seus
espaços
habitados,
sobressaindo as ruas e praças.
A vila de Salvaterra de Magos,
durante muitos séculos esteve
confinada a pouco mais de 7 ruas e
alguns largos, onde algumas das
propriedades da casa real, ficavam
na orla dessas vias de trânsito público.
O povo dava grande importância, à conotação
toponímica, com nomes ligados à religião católica,
daí algumas das ruas terem nomes de santos,
como: Santo António, São Paulo e S. Sebastião.
Com o decorrer do tempo gerações ainda
existem, que falam, tão embevecidos da sua rua,

por nelas considerarem a sua habitação, ou o
seu nascimento, ligando-as à sua entidade
pessoal. Por imperativos do terramoto de
1909, a vila de Salvaterra de Magos, teve de
alargar o seu espaço urbano e, depressa abarcou
outras identificações para as suas novas artérias
abertas em terrenos mais para sul da povoação.
Todas elas concluídas no novo regime
republicano, acabado de surgir no país, em 1910,
depressa a toponímia da vila, sofreu grande

132
transformação na sua toponimia, pois foram
substituídos nomes, que duravam à séculos. O
factor político, deu alento aos autarcas que foram
passando pelo município, para uma outra
mudança, foi a revolução em 25 de Abril de 1974,
pois até aí as mudanças eram quase inexistentes.
Em Salvaterra as placas toponímicas, de ferro
esmaltado a azul, do início do século XX, e as
mais recentes em pedra, colocadas nas ruas da
vila, omitem junto ao nome, um pequeno dado
biográfico do escolhido, aliás um dado presente
que se vê nas grandes cidades e, seria a melhor
maneira de dar a conhecer o escolhido,
perpetuando a vida e obra do homenageado.
Passados alguns anos desta edição, e algumas
alterações dão motivo para fazermos uma
segunda edição revista e aumentada.
Março: 2015
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

133

A LOCALIZAÇÃO
A povoação de Salvaterra de Magos, está localizada na margem
Sul do rio Tejo, em pleno coração da Lezíria, fica a cerca de 50
km de Lisboa e a 30 de Santarém.
A Província do Ribatejo existiu desde 1936 a 1996, pertencendo
agora o concelho, de Salvaterra de Magos ao Distrito de
Santarém, tem como fronteira administrativo-territorial; os
concelhos de Almeirim, Cartaxo, Coruche, Benavente e Azambuja,
com a área de 269 Km2, Em 1965 (1) mantendo as suas
confrontações sofreu algumas alterações na sua área de
superfície.
TOPONOMIA
A antiga toponímia da vila mostra as sete ruas de Salvaterra
de Magos, antes de 1788, como: Largo S. Sebastião, Rua do
Arneiro, Azinhaga das Oliveiras, Rua do Jogo da Bola, Trav. do
Forno de Vidro, Trav. do João Gomes, Trav. do Hospital, Rua das
Cozinhas, Rua de S. Paulo, Rua de Santo António, Rua Direita, Rua
de Água, Rua do Pinheiro, Rua do Calvário e o Largo do Pelourinho
(Junto à Câmara). No lado Este, junto da povoação, existiam
terras de baldio, que durante séculos foi vaze douro público,
sendo conhecido por Trás-Monturos.

134
Esta zona, no final do século XIX, recebeu um arranjo
urbanístico, por via da feitura da estrada, para o Escaroupim,
com acesso ao porto fluvial da Palhota. No espaço junto às
moradias e por onde viria a passar a estrada foi colocada
estacaria, e passou a ser conhecido pelo Rossio da vila, dali o
acesso ao campo dava-lhe grande beleza e foram plantadas
carreiras de choupos. Quando da extinção da casa real, no
reinado de D. Maria II, os seus bens foram leiloados em
Salvaterra, e já no final do séc. XIX, com a destruição do que
restava do seu Paço Real e Casa da Ópera, registou-se que muita
da pedra daqueles edifícios, serviu para calcetar algumas ruas
primitivas da vila.
A construção de grandes adegas e armazéns para produtos
agrícolas, estavam na moda, muita dessa construção a par de
habitações, por via do terramoto de 1909, que atingiu Salvaterra
sofreu grandes estragos, até mesmo a sua destruição.
URBANIZAÇÃO
As habitações
Povoação pequena que era, vinda da época medieval, no final
do séc. XIX, começo do séc. XX, as suas habitações ainda eram
construídas por pequenas casas térreas, alinhadas ao longo das
ruas, onde eram usados materiais como: terras de aluvião
(simples ou com palha) (1), em forma de bloco, intervalado por
um fiada de tijolo em forma de taipa, as paredes, rebocadas com
argamassa de cal e, madeiramento que suportava a telha
portuguesa com forma de meia cana de barro cozido. A porta
em madeira, sem vidro, pintada de cor, que ia do verde, ao
castanho e azul, que dava acesso ao interior da casa por um

135

corredor, que por sua vez comunicava este com as poucas
divisões existentes (uma sala de entrada/ou casa de fora, um
quarto e cozinha. A cozinha normalmente de espaço, para uma
grande chaminé construída quase sempre a um canto, onde
funcionava uma lareira, a lenha, sendo a comida cozida durante

horas, dentro de uma panela (também conhecida por burra),em
ferro fundido, com um tripé a sustentá-la, em cima do lume. Na
lateral da chaminé, existia uma aba do mesmo material, ou em
madeira, que servia para guardar pequenos utensílios,
especialmente os fósforos e o candeeiro a petróleo.
Junto à chaminé uma bancada fechava o espaço e servia de pial
para os potes e infusas de barro com água. Por ser grande a
cozinha, o espaço ostentava uma pequena escada em madeira,
fixa à parede dando acesso ao sobrado (sótão), servindo a
madeira do chão deste, de tecto à sala e ao quarto do casal.

136
. O sótão, para além de armazém, era muitas vezes usado como
quarto, pois as famílias quase sempre eram numerosas, com
muitos filhos, dormindo juntos por vezes os rapazes com as
raparigas, enquanto crianças. O pavimento da habitação era de
salão (2), que era lavado semanalmente com um pano embebido
em água, para continuar lustroso e macio. No dobrar do século
XX, as novas moradias construídas, usavam já na construção o
tijolo com cimento, sendo cobertas a telha Marselha, na parede
frontal para a rua, a porta encontrava-se agora muitas vezes
com uma janela de cada lado, ficando as divisões interiores
separadas com um corredor no meio da cas

Palacetes
As famílias de grandes posses, especialmente os grandes
proprietários e agricultores, possuíam em Salvaterra a sua
residência de grandes dimensões tipo palacete, alguns vinham do
século XVIII e, tinham miradouro em cima do telhado.
Nos últimos anos do séc. XIX, início do séc. XX, na vila
passaram a existir outras construções, com primeiro andar,
onde o azulejo forrava a sua frontaria, era um sinal de poder
económico, cópia dos novos edifícios construídos em Portugal,
pelos imigrantes, regressados de África e Brasil.
***********
(1)-Nos tempos modernos, em 1965, sofreu alterações; houve permuta de terrenos com o concelho Benavente, por
troca, por apoiar a inauguração o seu Tribunal
(2)– Salão ( terra negra de aluvião)

137

Nos trabalhos de recuperação das habitações, um novo
projecto urbanístico levou a alargar o seu perímetro de
povoação, sendo construídas novos arruamentos para Sul e
Poente da vila, obras que se arrastaram por alguns anos,

No final daquele ano o rei D. Manuel II, ainda aqui esteve para se
inteirar dos danos sofridos pelo sismo, e inteirar-se das
necessárias soluções às pretensões de uma “Comissão de
Homens Respeitados “ entretanto constituída no concelho, para a
recuperação da vila.
O novo regime politico Republicado, que teve lugar em Outubro
de 1910, veio encontrar as obras de Salvaterra a meio, os novos
autarcas afectos ao regime, logo se apressaram a mudar a
toponímia da vila, aliás uma situação verificada em todo o país.
Nos terrenos a Sul, próximos das chaminés das antigas
cozinhas do que foi o paço real, que ainda se mantinham de pé,
foram abertas algumas ruas: A que o povo conhecia rua “Debaixo
dos Arcos” – começava de norte para sul e tinha no local restos

138
de construção que ligava o palácio velho ao paço das damas,
mais tarde recebeu o nome rua Heróis de Chaves.
A rua Marquês de Pombal, com prolongamento com Rua Luis
de Camões, dando acesso à nova estrada E N 118-2, que liga
Salvaterra à EN 118.
A rua Elias Garcia (que ainda chegou a ter o nome Conde
Arcos, mas por pouco tempo), a do Hospital, por estar em frente
ao novo hospital. A rua do Charco, ficava junto ao muro da nova
Horta do Sopas, (tinha sido aberta para alimentar o povo de
produtos hortícolas – tinha num dos seus topos, para os lados
dos Moinhos, um forno de fabrico de cal), passou a ser conhecida
por Gago Coutinho, em homenagem ao seu feito de ter
atravessado o Atlântico, até ao Brasil.
O conhecido Largo Dr. Oliveira Feijão, nome ilustre da
medicina, contemporâneo do filho da terra; Dr. Gregório
Fernandes, deu lugar à Praça da República.
O muito antigo Largo do Palácio, não teve tempo de saber que,
se chamava de 5 de Outubro, passou a Largo dos Combatentes,
em memória dos militares portugueses que estiveram na I
guerra mundial (1914 -1918). O tempo passava, a miúdas vezes, lá
aparecia um novo nome e, a vila de Salvaterra, sempre
incompleta na sua toponímia, até porque poucos eram os largos e
ruas a serem urbanizados.
Em 1950, um novo mapa da vila, nos mostra uma vila cuja
toponímia era assim conhecida: Av. José Luís Brito Seabra,
(ocupando a antiga Rua Jogo da Bola e Largo S. Sebastião),
terminava em frente ao antigo Palácio da Falcoaria. No antigo
largo, onde existiu um hospital (enquanto o terreno esteve de
poisio – realizava-se a feira anual), em 1937, foi construída uma

139

escola, um pequeno arruamento, lateral recebeu o nome, Av.
António Viana Roquette.
Rua Almirante Cândido Reis, (Rua Santo António), Rua Machado
Santos, (Rua Direita), Rua Miguel Bombarda, (Rua do Pinheiro),
Rua de Água, Av. Vicente Lucas de Aguiar (que foi a Rua do
Calvário), Trav. da Azinhaga, Rua Mártires da Pátria, antes
conhecida pela rua do Monteiro, (em terreno devoluto foi
autorizado a construção de pequenos quartos), Trav. do Forno de
Vidro, e Trav. das Amoreiras.

1980 - Beco (Impasse) dos Quartos * Foto José Gameiro

Rua Porfírio Neves da Silva (rua da Azinhaga), Rua 31 de
Janeiro, Trav. do Forno, Trav. do Bilbau, Trav. do Secretário, Rua
da Capela Real, Rua Nova de S. Paulo, Rua Trás da Igreja, Rua
Marquês de Pombal, a antiga Trav. do Cotovelo (passou para Trav
Heróis de Chaves) ,

140

O Largo dos Combatentes da Grande Guerra, também é
conhecido popularmente por Largo do Lopes, ou do Ribatejano.
A antiga Rua do hospital, registada em mapas da vila (séc.
XVIII) passou de nome e recorda o iminente cientista, médicocirúrgico, Gregório Fernandes, filho de uma antiga família da
terra, e a casa onde nasceu, ostenta várias placas de
homenagens, de que foi alvo.
Para outros beneméritos como: Francisco Ferreira Lino, os
irmãos Roberto (Roberto da Fonseca e Vicente Roberto), têm sido
esquecidos, com culpas graves para aqueles autarcas que, aos
longos de muitas décadas, passaram pelos destinos do concelho.
Com a revolução de Abril de 1974, logo houve oportunidade
para os novos responsáveis camarários se “apressarem” a
mudar e doar novos nomes às ruas da vila, como: António João
Ramalho Almeida, que substituiu a Rua de Água, Porfírio Neves da
Silva, deu lugar ao Gen. Humberto Delgado.
A Rua Marquês de Pombal, absorveu a pequena Luís de
Camões, tendo a toponímia do poeta substituído a rua Direita, a
Rua 31 de Janeiro, foi repartida com a rua 25 de Abril . Outros
espaços da urbanizações da vila, apareceu a Rua Padre Cruz, Rua
Capitão Salgueiro Maia, Padre José Rodrigues Diogo, Rua Centro
Paroquial.
A avenida emblemática da terra, deixou de ter o nome Vicente
Lucas de Aguiar, para Dr. Roberto Ferreira da Fonseca.
Aproveitando uma homenagem que antigos alunos prestaram à

141

sua antiga Profª Primária, Natércia Rita Assunção, o arruamento
com o Bairro da Chesal, Escola Secundária e Parque Infantil,
passou recebeu o seu nome. Em 12 de Outubro de 1999, os
responsáveis da Junta de Freguesia, chefiados por João Nunes
dos Santos, num “impulso de solidariedade”, mudaram a Rua
Trás-sa-Igreja, para Timor Lorosae, estava-se a viver a “euforia”
da visita a Portugal, de Charana Gusmão, presidente de Timor novo país lusófono.
Ao findar do século XX, mais ruas e largos foram recebendo
nomes, como: Dr. Joaquim Gomes de Carvalho, distinto médico,
com consultório na vila, que durante anos foi Delegado de Saúde
no concelho, dando também contributo à Misericórdia local.
Rebelo da Silva, escritor, que imortalizou a morte do Conde dos
Arcos, numa corrida real de toiros, em Salvaterra de Magos,
também passou a ter o seu largo, junto à Praça de Toiros.

Rua Centro Paroquial * Foto José Gameiro

142

RUA GASPAR DA COSTA RAMALHO

Nesta onda de novas doações de nomes, finalmente, e depois
de tantos anos de reparos feitos, alguns na comunicação social, à
falta de respeito dos autarcas, para com este filantropo, foi
atribuído a sua toponímia a uma artéria que, confina com a rua
Padre José Diogo, e a entrada da Misericórdia local, onde se
encontra o seu edifício sede e, Lar/Centro de Dia de Idosos (*)
A URBANIZAÇÃO DA EN 118
(Junto à Praça de Toiros )

Volta na volta, o espaço que envolve a Praça de Toiros, é
alterado com arranjos urbanísticos. Desde 1940, data do seu
primeiro embelezamento, que é um terreno apetecível para os
autarcas locais, darem nas vistas!
Entre muitas outras, já lá foram construídas zonas ajardinadas
separadoras de trânsito, um sistema eléctrico de semáforos,
cópia do que se usava em todo o país, na prevenção dos
acidentes rodoviários.
Em 1996, um novo estudo levou à construção de duas placas
separadoras de trânsito, cujo projecto final dava em duas fontes
artificiais, um projecto de um arq. italiano Flávio Barbini, que
estagiava nos serviços de obras da câmara municipal.
*********
(*)- Vs – Caderno de Apontamentos * Honra ao Mérito

143

Era uma arquitectura moderna, e em voga por essa Europa
fora, logo o povo as chamou de “tigelas”, mas era uma nova
forma urbanística, encontrada, pelo executivo do então
presidente do município, José Gameiro dos Santos

Na segunda foto; Júlio Gonçalves observa as obras * Fotos José Gameiro

Aconteceram, as eleições autárquicas de 1997, um novo
executivo camarário chefiado por Ana Ribeiro foi eleito, a obra
estava a meio, foi tomada a decisão de substituir a construção
por uma “Retunda”, que depois recebeu uma emblemática figura
ribatejana - Campino a cavalo com um toiro bravo. Com
inauguração, prevista para o dia 11 de Outubro de 2002, a mesma
veio a acontecer no dia 18, com a pompa e circunstância
desejada pelos executivos autárquicos – Junta de Freguesia e
Câmara Municipal. de Salvaterra de Magos

144

OS SEUS ESPAÇOS AJARDINADOS
Jardim da Praça da República
O vasto Largo, Dr. Oliveira Feijão, no
final do século XIX, era um espaço
emblemático, pois era o único na vila e,
disso nos dá conta uma planta da vila,
quando das obras que recebeu, para a
construção do jardim público, deixando
de existir as escadarias, uma em frente
ao edifício municipal, que dava acesso da Igreja Matriz à Fonte de
Santo António, e uma outra que dava acesso à Capela real.
O novo jardim público, segundo algumas vozes, era uma
construção semelhante a um outro existente em Almeirim,

Funcionário Municipal – José Gameiro Cantante, frente
à entrada do Jardim Público, na Praça da República (1956)
Foto Alexandre Cunha

145

O jardim, na frente para a residência paroquial, tinha um bonito
portão de entrada, construído em ferro, suportado por duas
colunas em pedra e, pegado a si o mercado diário da terra. Este
espaço público de Salvaterra de Magos, tornou-se uma
curiosidade fotográfica, no primeiro quartel do século XX, sendo
agora uma saudade.
As suas fotos reproduzidas em quantidade fazem a decoração
em tudo quando é lugar público, especialmente em cafés e salas
de restaurantes. Após a revolução republicana, de 1910, o largo
mudou de nome, e passou para Praça da República.
No seu terreno, passa um subterrâneo, que transportava um
caudal de água, que alimentava a Fonte de Santo António., que
estava encostada em forma de meia-lua, à parede em pleno largo
de Santo António (espaço que ligava a rua do mesmo nome à
antiga capela real). A destruição da construção original do
jardim e mercado, verificou-se em 1957, para dar lugar a uma
nova urbanização ajardinada.
Jardim do Largo Combatentes

Situado num
grande espaço
térreo no centro
de Salvaterra de
Magos, mesmo
ali em frente ao
edifício escolar “
O
Século”,
passou a ser
conhecido pelo jardim do Lopes, ou do Ribatejano

146
A sua urbanização como jardim público, ronda o ano de 1957,
pois até aí, no local apenas existiam algumas árvores, já de idade
avançada, e o terreno era de argila com pequena pedra redonda
(saibro). O seu espaço, ocupado com um quadrado, cujo chão
recebeu calçada portuguesa, para além da relva, sustentava
canteiros de flores, nas quatro épocas do ano. O abastecimento
da rede pública de electricidade à vila, em 1951, trouxe a
possibilidade, de aí serem colocados, quatro candeeiros de
grande altura, construídos em cimento, de configuração redonda

AS ESCADARIAS
(Capela Real)

No final do século XIX, em 1892, a construção da estrada de
Salvaterra ao Escaroupim, levou a que algumas janelas e portas
do edifício da antiga capela do paço real, fossem emparedadas,
pois o nível da estrada subiu no lado Sul, do jardim público.,
passando a existir uma estrada com acentuado declive. Também
por volta de 1956, foi destruída a Fonte, com a sua escada.

147

Avenida Dr. Roberto F. Fonseca

A rua do Calvário, nos primeiros anos do século XX, ainda era
uma grande artéria, onde passava o gado, próximo hospital da
vila, onde num espaço com pinhal tinha uma grande cruz em
pedra, ali foi construído a emblemática Praça de Toiros, aquela
cruz foi transferida para o cemitério local, onde se encontra, mas
sem a base de assento primitivo
Vinte cinco anos depois, um grande investimento urbanístico,
trouxe à rua do Calvário, a dimensão de avenida, com os seus
grandes canteiros para relva e flores, onde as árvores em fila, de
ambos os lados, contemplavam os seus cerca de 900 metros de
comprimento. Recebeu o nome de Avenida: Vicente Lucas de
Aguiar, antigo presidente da câmara municipal, passou a ser a via
de maior transito, na vil Logo após a revolução de Abril de 1974,
e com a mudança de alguns nomes nas ruas, a avenida passou a
ser conhecida por: Dr. Roberto Ferreira da Fonseca, distinto
médico, nascido em Salvaterra e, seu presidente da câmara
municipal.

148

A FONTE DO ARNEIRO

Vem de séculos a existência desta Fonte, com uma construção

abobada e escadaria em pedra de lioz.
Passou por períodos de anos, em que a zona envolvente,
esteve descuidada. Por volta de 1985, o terreno de acesso e o
próprio Fontanário, que ainda deita água através de duas bicas,
receberam obras de conservação.

Ano 2000 - O autor, junto à roda de pedra, na Fonte do Arneiro
Foto José Gameiro

149

O vereador Joaquim Mário Antão, com um pequeno
projecto urbanístico, alindou o espaço ajardinando-o,
sendo colocada ali uma roda de pedra, como padrão
emblemático, do existente ainda nos anos 40,
recordando a roda dos enjeitados.

Jardim do Bairro da Chesal

Com a construção do
primeiro núcleo de casas, da
Cooperativa Habitacional de
Salvaterra de Magos, nos
anos 70, do séc. XX, que
ocupou uma parte dos
terrenos
da
Antiga
Coitadinha, sendo destruído
o que restava de um Moinho de Vento, ali foram apareceram
vários espaços ajardinados.
Jardim do Cemitério

Numa grande zona de
terreno, envolvente ao
campo santo, da freguesia
de Salvaterra, por volta de
1980, foi programado
construir uma área de
jardim. Ali foi criado um sítio
verde e plantadas muitas
árvores. Estas cerca de 20
anos depois, a relva e o arvoredo davam ao local um bonito

150

espaço ajardinado. No entanto, no lado Este, foram cortadas as
árvores e tudo foi alterado, dando lugar a um novo acrescento ao
cemitério da vila.
Jardim da Capela da Misericórdia

O terramoto de 1909, destruiu o que ainda restava da
Albergaria/hospital da Misericórdia de Salvaterra e, em 1962, no
local restava ainda duas paredes (à frente e atrás) pegadas à
capela. Já em 1957, o Dr. José Cardador, tinha fotografado a
pedra alusiva a esta casa de saúde, que se encontrava na da
frente, junto à porta.
A família da casa agrícola Oliveira e Sousa, resolveu
urbanizar aquele espaço em jardim, ficando a sua manutenção a
cargo do município local. A pedra de mármore, foi colocada na
parede trás, que foi aproveitada como muro e, colocada na porta,
um gradeamento em ferro.
***********************
**********

151

Jardim da Capela em 2000 * Foto José Gameiro

Albergaria - Pedra em Mármore ,
foto de 1957 José Gameiro

152

BIBLIOGRAFIA UDADA:
Anais de Salvaterra – José Estevam - Edição 1958 *
Salvaterra de Magos – Vila Histórica no Coração do Ribatejo
– José Gameiro Edições; 1985 e 1992 - 2014 * Comunicação
Social - Avulsa * Revista “A Hora” – Ano de 1939 * Revistas
– Publicações Anuais da CMSM * Jornal Vale do Tejo – JVT
– 2002 * Cadernos Apontamentos – Autor
- Livro : A Toponímia da Vila – 2ª Edição
FOTOS USADAS:
Pág. 3 – Palacete da família Roberto(s) * Pág.5 -Terrenos do Rossio
da Vila * Desenho do Paço Real de Salvaterra * Pág. 7 – Palacete
tipo inglês (família Alberto Lapa - construído na Rua Heróis de
Chaves).* Pág.8 – Mapa de Salvaterra – 1788 * Pág. 9 – Rua Cap.
Salgueiro Maia * Pág.10 – Ano 1996, Nova urbanização junto à
Praça de Toiros (Júlio Gonçalves) * Construção de duas placas
ajardinadas na entrada da Avenida (EN118) ano: 2000* Pág. 12
Inauguração do Busto rei D. Dinis (Presidente da Câmara de
Salvaterra e Governador Civil de Santarém) * José Gameiro
Cantante (Funcionário da Câmara) em frente ao Portão do Jardim
Pág. 13 - Jardim Largo dos Combatentes, ano: 1957 * Pág. 14 –
Desenho do espaço do Jardim Público junto à Câmara Municipal,
com a Fonte de S. António e Escadarias * Pág. 15 – Avenida Dr.
Roberto F. Fonseca *Pág. 17 – Espaço ajardinado, Bairro da
Chesal, 2000 * Máquina arrancando as árvores, junto ao cemitério*
Pág. 18 - Pedra do Portal do Albergue/Hospital da Capela da
Misericórdia * Espaço Ajardinado, local onde existiu o Alberque da
Capela, 1960 Pág. 15 – Portal da Hospedaria e Jardim da Capela
da Misericórdia

ANEXO FOGRÁFICO. I, II,III, IV
I – Foto 1- Largo dos Combatentes – Ano 1957 * Foto 2 – Rua 25 de
Abril, Ano 2006 * Foto 3 – Rua Miguel Bombarda, Ano: 1999 * III –
Foto 1, Uma ruela dos Quartos, Ano: 1986 * Foto 2 – Rua Alm.
Cândido dos Reis (Casa da Família Roberto) Ano 1981* Foto 3 –
Rua António João Almeida, Ano 1981* IV – Foto 1 – Rua Machado
Santos, Ano 1940 * Foto 2 – Rua Machado Santos.

153

154

CADERNO DE APONTAMENTOS nº 35

Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

UMA DINASTIA DE TOUREIROS
O Autor:
JOSÉ GAMEIRO

155

Capa: António Roberto da Fonseca (Pai) * Vicente Roberto e
Roberto Jacob (Filhos – Irmãos) * Bandarilheiros séc. XIX e XX

156

Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo: A Disnastia Roberto (s)
* Uma família de Toureiros *

Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN: 978– 989 – 8071 – 37 – 8
Depósito Legal: 256485 /07
Edição: 100 Exemplares - Março de: 2007

157

O meu contributo
Nem

os
aficionados
tauromáquicos, têm curiosidade em
saber quem foram os irmãos Roberto
(s), Qualquer enciclopédia, faz
referência a António Roberto da
Fonseca., e seus irmãos, Antão José da Fonseca e Luís
Roberto da Fonseca, são os iniciadores conhecidos desta
linhagem artística. Quem visita Salvaterra de Magos, no
largo da sua Igreja Matriz, vê ali construído um bonito
edifício, todo ele com a sua fachada em azulejo de cor
verde, forma de decoração, muita usada nos finais do séc.
XIX, e primeiros anos do séc. XX. Segundo alguns
documentos, dizem-nos que a classe rica da terra – os
Lavradores, também receberam a influência dos novosricos, vindos de África e do Brasil. Escrever sobre os
Roberto(s), ou das Casa Agrícola; Roberto & Roberto e, a
sua sucessora; Irmãos Roberto, é de muita responsabilidade,
pois é uma Dinastia, cujo passado enche de certo muitas
páginas, e o nosso propósito é apenas um pequeno
Apontamento. Eles muito deram à sua terra, através de
várias gerações, mesmo para além do simples glorificar o
nome de Salvaterra de Magos. A sua terra mãe, ainda não
lhes fez o merecido agradecimento, dando ao menos o seu
nome a uma rua. Por minha parte, aqui deixo registado o
meu agradecimento à D. Elvira Roberto e seu esposo, Arq.
Luís Vasconcellos, pelo apoio prestado na cedência de
alguns documentos Para esta excelsa família, encaixa o
provérbio popular. “ Quem dá o tem, a mais não é
obrigado!
Março: 2015

JOSE GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

158

*************************

2ª EDIÇÃO REVISTA E AUMENTADA – EDIÇÃO 2015
*************************
* Tel. 263 505 178 * Telem. 918 905 704
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

159
ROBERTO (S
UMA DINASTIA DE TOUREIROS
A ORIGEM

Os nomes Jacob, ou Robert, referenciados em Salvaterra de
Magos, nos meados do séc. XVIII, segundo alguns estudos estão
ligado aos falcoeiros, vindos da Holanda, da zona de
Valkenswaard. como mestres daquela arte. Alguns deles
casaram, com mulheres da vila, e deixaram descendência como:
Antão José Roberto (1), nome já aportuguesado. Dos irmãos
Roberto(s); António Roberto da Fonseca, Luís Roberto da Fonseca,
e Antão José da Fonseca, existem registos que vieram de Angra
do Heroísmo (Açores).
Os tempos passaram, este apelido, ainda se mantém naquela
ilha, desconhecendo-se serem ou não desta genealogia, ou se
ambos são descendentes dos primitivos vindos da Holanda.
Segundo alguns registos, uma das três invasões francesas, houve
aqui em Salvaterra de Magos, forte confronto tendo o povo local
muito ajudado, o exército anglo-português, quando da retirada
dos franceses. Sabe-se que, devido à invasão, muitas famílias se
ausentaram de Salvaterra, com destinos incertos. A família
Roberto, foi de abalada até Lisboa, onde o Conde de Almada (2),
os acolheu.
**********
(1)– Livro; Paço Real de Salvaterra de Magos
(2)- Um edifício apalaçado, ainda existente na vila, ostenta na sua
fachada a “ Pedra de Armas” daquela família “ Os Almadas”

160
António Roberto da Fonseca, desde muito novo, aos 12 anos de
idade, mostrou aptidões para enfrentar toiros de lide. Seus
irmãos, Luís e Antão, também exprimiam este gosto, e tourearam
alguns anos.
António Roberto, como bandarilheiro, esteve durante anos em
actividade, chegando a actuar com os filhos: Vicente Roberto da
Fonseca, Roberto da Fonseca e João Roberto da Fonseca, quer
em Portugal ,quer em Espanha, onde fizeram alarde da sua
magnifica destreza, em praças de toiros, retirou-se das arenas
em 1859. João Roberto da Fonseca, segundo algumas crónicas,
atingiu um plano pouco lisonjeiro, em relação ao dois irmão;
Vicente e Roberto. Um filho do primeiro, com o mesmo nome do
pai, e conhecido apenas por “João Roberto” teve lugar de
destaque, mesmo em confronto, com os tios, nas arenas
tauromáquicas.
Nesta dinastia dos toureiros Roberto(s), alguns registos,
fazem referência a um descendente de nome Tito da Fonseca.,
que também actuou com muita arte, perante animais em praça,
em dias de festa de toiros.
Alguns tratados da especialidade taurina, ainda conservam
uma ou outra crónica, das actuações destes “monstros” da
tauromaquia portuguesa., que foram Vicente e Roberto da
Fonseca.

161
A tourear, ganharam fama e proveito, mas foram humildes na
vida cívica. Depois de retirados das arenas, recolheram-se à
vida da agricultura, na sua terra natal- Salvaterra de Magos.
A agricultura, e a criação de gado bravo, foram caminhos
deixados em aberto, que seus descendentes durante anos
souberam aproveitar, continuando a honrar os nomes de Roberto
e Fonseca.
SINTESE GENEALÓGICA
A casa agrícola Roberto (s), quer sob o nome Roberto &
Roberto, quer mais tarde com o ferro Irmãos Roberto, chegou a
dar trabalho, sustentando muitas dezenas de famílias, de
Salvaterra, e da região ribatejana, na área da campinagem.
ALGUNS REGISTOS DA DINASTIA ROBERTO
ANTÓNIO ROBERTO DA FONSECA,
natural de Angra de Heroísmo, nasceu
em 1801, muito novo veio viver para
Salvaterra de Magos, com seus pais e
irmãos.

Nele foi encontrada muita aficion, foi bandarilheiro
profissional, toureou na antiga praça de toiros existente no
Salitre (Lisboa). * Retirou-se da profissão de picar toiros, em
1859, veio a falecer em Salvaterra de Magos, a 21 de Março de
1882

162
ANTÁO JOSE DA FONSECA,
nasceu em Angra do Heroísmo
(Açores) * Depois de viver em
Salvaterra de Magos, chegou a
tourear a pé e a cavalo, como
amador, em algumas praças do
país.
LUIZ ROBERTO DA FONSECA, nascido em Angra do Heroísmo, tal
como seus irmãos, Antão José da Fonseca e Luiz Roberto da
Fonseca, veio a falecer em Lisboa em 1896.
* No continente, foi bandarilheiro profissional, onde durante
cerca de 20 anos actuou em praças de toiros, e segundo algumas
crónicas, era um toureiro modesto entre os seus pares.
JOÃO ROBERTO DA FONSECA, natural de Salvaterra de Magos,
onde nasceu a 8 de Fevereiro de 1827 * Filho de António Roberto
da Fonseca.
* Faleceu em Samora Correia, no dia 31 de Dezembro de 1859. *
Tal como seu pai, tios, e irmãos, foi toureiro, na categoria de
bandarilheiro, não conseguiu atingir a fama que seus irmãos
Vicente e Roberto, tiveram perante os aficcionados.
VICENTE ROBERTO DA FONSECA – Nasceu em Salvaterra de
Magos, a 28 de Outubro de 1835, foi por ventura o mais famoso
no campo artístico, nas arenas de Portugal e Espanha, de toda a
família Roberto. Foi bandarilheiro profissional, toureando com
seu irmão Roberto Jacob, aos 9 anos de idade foi visto em
público a lidar uma bezerra.

163
Histórias, estão registadas nos manuais do mundo dos toiros,
que os dois, para além de fazem a sorte da gaiola, e da cadeira,
chegaram ao ponto de colocar armas brancas, amarradas aos
cornos dos toiros, especialmente em corridas em Espanha, onde
eram muito solicitados para este tipo de espectáculos.
A SUA MORTE
No dia da passagem dos 76 anos da sua morte, o autor deste
Apontamento, sendo colaborador do jornal “Diário do Ribatejo”,
que se publicava em Santarém, remeteu
ao articulista do mesmo, na área da
tauromaquia – Eusébio Jorge, uma
crónica que tinha em arquivo, extraída
de uma antiga publicação com o nome
“BRANCO e NEGRO”, da autoria de
António Júlio Valle de Sousa – Coimbra, 1
de Julho de 1897
Mais tarde, em 1992, voltou a utiliza-la, nas colunas do Jornal
Vale do Tejo, com redacção em Salvaterra de Magos, pela sua
importância histórica, aqui também a deixamos: “Vimos hoje,
com a alma alanceada por uma profunda saudade, registar o
primeiro aniversário do falecimento dessa simpática
individualidade que se chamou Vicente, prestando a devida
homenagem a esse incomparável amigo que soube conquistar um
nome imorredoiro no toureio português, onde é contado entre os
seus grandes mestres, nobilitar-se por actos de filantropia em
que se reflectiu a bondade da sua alma.

164
Amigo delicado galgava por cima das maiores dificuldades e
sacrifícios para servir os seus amigos, fazendo um perfeito
contraste com a sociedade actual, tão degenerada; filantropo
benemérito, via na felicidade dos outros a sua própria felicidade;
era assim que despendia uma grande parte da sua fortuna,
angariada nas arenas de Portugal e Espanha.
Protegeu hospitais, montepios e outras casas de beneficência,
e em socorrer muita pobreza ignorada, fazendo renascer a
esperança no peito dos desgraçados.
Como bandarilheiro Vicente Roberto ocupou desde muito novo
um dos primeiros lugares entre os mais ilustres artistas da
tauromaquia Portuguesa.
Vicente Roberto, nasceu em Salvaterra de Magos em 1836, sua
mãe Maria Gestrudes, preocupada com o seu futuro, ainda o
recomendou a um alfaiate de Vila Franca de Xira, onde aprendeu
o ofício. Com 13 anos de idade, toureou em Almada, onde o Conde
de Vimioso, estando presente, desceu à arena abraçando-o e lhe
ofereceu um fato completo de bandarilheiro. Aos 18 anos
começou a apresentar-se como toureiro de profissão,
juntamente com seu pai e seu irmão Vicente, que foi igualmente
um excelente artista.
Em 1858, estreou-se na praça do Campo de Sant’ Ana, e estão
bem vivas na memória de todos as ovações que ali alcançou. Em
1865, correndo toiros desembolados, toureou com seu irmão
Roberto na corrida à portuguesa que inaugurou a praça do
Campo Pequeno.

165

Quando toureava, em 1888, na praça da Figueira da Foz ficou
gravemente ferido, e teve que recolher ao hospital da
Misericórdia local. Durante vários dias, esteve entre a vida e a
morte, acabando por se recompor com grande carinho e
cuidados médicos daquele
estabelecimento hospitalar.
Já recomposto, doou àquela
instituição
um
importante
donativo, e no seu testamento
deixou-lhe
um
legado,
manifestando assim a sua gratidão.
Depois deste lamentável desastre, agravou-se cada vez mais a
sua saúde e após um doloroso e prolongado martírio, que
suportou com paciência dum mártir, faleceu às 11 horas, do dia 1
de Junho de 1896.
A lúgubre notícia do seu falecimento, se bem que há muito
esperada, trouxe a Salvaterra de Magos, uma multidão de
admiradores e amigos, que na companhia do povo da terra
desfilaram perante o féretro e espargindo mil benções sobre
aquele que foi um dos seus filhos mais dilectos e um dos seus
mais devotados protectores. Vicente Roberto, evidenciando mais
uma vez os seus sentimentos piedosos, deixou em testamento
vários legados à Misericórdia de Salvaterra de Magos, Figueira da
Foz, Coruche e ao Montepio da terra que o viu nascer”.

166

ROBERTO JACOB DA FONSECA, nasceu em Salvaterra de
Magos, a 20 de Outubro de 1840. Começou por acompanhar seus
irmãos, Vicente e João revelando-se um valor a aproveitar na
tauromaquia portuguesa.
Apesar disso, só lhe foi permitida a sua apresentação pública
na praça da Azaruja, em 1859, obteve tal êxito na sorte de
bandarilhas, que os críticos o viram como
um vanguardista dos toureiros
portugueses da época.
Passou a fazer dupla com seu irmão
Vicente, figurando em cartaz com outras
grandes figuras. Em 1860, na arena do Campo Sant’ana, foi a sua
consagração.
Esteve na inauguração da Praça de Toiros de sua terra –
Salvaterra de Magos, em 1 de Agosto de 1920, onde dirigiu a
corrida, tendo vindo a falecer em Dezembro daquele ano.
Após a sua morte, em testamento aperfilhou o filho - Roberto da
Fonseca Júnior, tendo três descendentes, um dos filhos foi viver
para Coruche, continuando a sua genealogia, também a viver em
Famalicão.
JOÃO ROBERTO DA FONSECA (João Roberto), nasceu em
Salvaterra de Magos, a 19 de Março de 1860.
Por ter o mesmo nome do pai, era conhecido apenas por
“João Roberto”, ficando órfão de pai muito cedo, encontrando nos
seus tios (Roberto da Fonseca e Vicente Roberto), a necessária
protecção familiar. Também enveredou pela vida artística, como
bandarilheiro, influenciado pela fama dos seus tios.

167

A sua estreia nas arenas, foi em Alcácer do Sal, a convite do avô
do que viria, mais tarde a ser “ mestre “ do cavaleiro, João
Núncio, onde a critica da especialidade lhe teceu grandes
elogios e augurou bom futuro na tauromaquia portuguesa.
Depressa os convites para actuar
em praças do país, surgiram,
toureou em Vila Franca de Xira,
Santarém, Coruche. Numa corrida,
em 1879, na Barquinha, fez parte do
cartel, actuando com as primeiras
figuras, como seus tios (Vicente
Roberto e Roberto da Fonseca), e Marcel Botas, os toiros eram
da afamada ganadaria Dr. Máximo da Silva Falcão, teve uma
actuação brilhante, ofuscando os seus opositores.
Em muitas outras actuações, em praças de Portugal e
Espanha, esteve em confronto com o também famoso
bandarilheiro, José Peixinho. Em 1882, ofereceu os seus
préstimos em benefício de uma creche, na praça do Campo
Sant`Ana (Lisboa). Por motivo de doença de seu tio, Vicente
Roberto, o público exigia a sua presença com mais frequência. a
actuar em Lisboa, foi contratado por seis épocas. . Actuou em
todas praças de toiros do país, incluindo a do Campo Pequeno.
Na sua terra – Salvaterra de Magos, também bandarilhou
muitas vezes, em corridas realizadas em praças construídas
em locais diferentes da vila.

168

Foi em Portalegre, no ano de 1895, que fez a sua despedida
das arenas, numa corrida em que esteve magnifico a bandarilhar,
conforme consta nas crónicas da época.
Mais tarde, na sua terra, actuou num festival de beneficência,
mas sem o traje de luces. Com a sua morte terminou, a mais
notável dinastia de toureiros que existiu em todos os tempos, em
Portugal.
A CASA AGRICOLA

O Toureiro João Roberto, retirado dos aplausos das multidões,
recolhe-se ao sossego dos campos, e passou gerir a casa
agrícola, e o testamento, que seu tio Roberto Jacob da Fonseca,
que achou por bem deixá-lo como testamenteiro.
No seu solar, em várias salas, guardava as recordações e
valiosas prendas de que foi alvo., quando os aficcionados o
consideravam um ídolo em arena
Possuindo propriedades, nos concelhos de Salvaterra de
Magos, Benavente e Coruche, a sua casa agrícola, para além de
produzir cereais de sequeiro, tinha no gado, especialmente nos
toiros o seu maior símbolo. O ferro RR (Roberto & Roberto), era
sempre solicitado para actuar em arenas do país, e em 1931, 16
toiros da sua ganadaria, tinham sido corridos, 8 em Tomar, e 8
em Estremoz.
.
Em 1939, já com 78 anos de idade era a imagem viva da
gratidão dos que ainda o não tinha esquecido como ídolo, das
arenas. Da filantropia que sempre soube fazer, recebeu muitos

169

agradecimentos. Caso da Misericórdia de Santarém, que em 14 de
Maio de 1918, lhe atribuiu um diploma de honra, de
reconhecimento pela sua colaboração como toureiro, e cedência
dos toiros numa corrida organizada pelo hospital.
A Associação dos Toureiros Portugueses, em 14 de Fevereiro de
1924, confere-lhe em diploma o título de sócio honorário. Em
1928, um diploma com data de 11 de Junho, é-lhe conferido pelo
Ministério da Guerra, pela presença do seu gado cavalar, numa
exposição de poldros. Depois da sua morte, os seus filhos,
Vicente Roberto da Fonseca, (Dr.) Roberto da Fonseca, e João
Roberto Ferreira da Fonseca, deram seguimento à actividade
agrícola, e o gado passou a usar o ferro: IR (Irmãos Roberto).
Continuando a criação de gado bravo, a nova ganadaria,
depressa ganhou respeito no público aficcionado, e os artistas
em praça só desejavam lidar aquele tipo de gado, que lhes davam
dias de glória em praça. Entre eles contavam-se, os mestres;
Simão da Veiga, João Branco Núncio. O século XX, estava a meio,
a Casa do Ribatejo, que nesse tempo vivia dias de grande
luzimento, não se esqueceu desta dinastia de toureiros, que
foram os Roberto (s). Em aparatosa homenagem, onde o povo
acorreu em massa, descerrou uma placa de agradecimento, que
foi colocada na fachada num prédio da família, na rua Cândido
dos Reis, onde ainda se encontra.

170

*****

Vicente Roberto
Ferreira da Fonseca

Dr. Roberto
Ferreira da
Fonseca

João Roberto
Ferreira da Fonseca

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171

1920 – Toiros da Casa Roberto, na entrada para a corrida
Inaugural da Praça de Toiros de Salvaterra de Magos

1955 - Toiro da ganadaria IR (Irmãos Roberto), aproveitado
para reprodutor, depois de corrido em muitas praças
* Foto Família Roberto

1957 - Manada de toiros bravos da ganadaria IR (Irmãos Roberto),
na Herdade dos Coelhos (Salvaterra de Magos)

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Bibliografia:

* Revista “Branco e Negro” – Coimbra – 1897
* Revista “A Hora” - 1936
* Jornal Vale do Tejo – JVT * 2000
* Documentos de recolha do autor
* Livro: Pedaços da História da Tauromaquia, na
Vila de Salvaterra de Magos – séc. XVIII – XXI
*Caderno Apontamentos – A Família Roberto (s)

Fotos Usados s/ Legenda
* pág. 6 – Vicente Roberto da Fonseca
* pág. 8 – Irmãos Roberto e Peixinho (Bandarilheiros)
* pág.10 – João Roberto da Fonseca

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Edição: José Rodrigues Gameiro – Março 2015

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