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Disciplina: ECV5126 – Portos de Mar, Rios e Canais II

Universidade Federal de Santa Catarina


Departamento de Engenharia Civil

Professores: Sílvio dos Santos, Ms.

AULA N° 1:

SINOPSE HISTÓRICA DA NAVEGAÇÃO MERCANTE

Texto extraído da bibliografia básica, livro: “O Transporte Marítimo Internacional”


SANTOS, José Clayton dos. 2a edição. São Paulo: Ed. Aduaneiras, 1982.

Nos seus primórdios, a humanidade vivia exclusivamente da caça e da pesca e,


com o intuito de aperfeiçoar essas únicas atividades, é que apareceram as primeiras
invenções, surgindo assim o machado, a lança, a flecha, etc. por isso, acreditamos que foi
também com o intuído de conseguir uma pesca mais farta que o homem se aventurou numa
primeira embarcação, a qual naturalmente foi um simples e grotesco tronco de árvore. Com
esse tronco o homem conseguiu a maior façanha de então, ou seja, atravessar um rio
“navegando”.
Muito temo passou, até que alguém teve a idéia de unir um tronco a outro amarrar
com junco, cipó ou outro vegetal, para construir o que hoje chamaríamos de jangada. Com
esse desenvolvimento apareceu a primeira vara para impulsionar essa embarcação, a qual
mais tarde, tomou a forma achatada na extremidade, para se constituir em remo.
Novamente, muitos séculos passaram até que surgiu a idéia de aproveitar a força
do vento, e então a primeira vela, feita de pele ou tecida com vegetal, foi construída.
Nessa época, o homem já pôde heroicamente se vangloriar de ter inventado o
sistema básico de navegação, o qual, nos séculos seguintes, permitiu a ele, sobrepujar os
2/3 de água que compõem a superfície deste planeta.
Obviamente, os aperfeiçoamentos que foram surgindo naquela primeira
embarcação não foram mais motivados apenas pela pesca, mas sim, por vários outros
fatores, tais como: conquista, guerra, política e até mesmo a curiosidade. Porém, dentre
todos esses fatores, um dos que mais provocou no homem a vontade férrea de aprimorar
essa embarcação, foi o comércio, ou seja, a ambição do lucro, a procura de novos
mercados, ou busca de outros clientes. Exemplo disso foi os fenícios, povo conhecidíssimo
por sua índole comercial, que no afã de conseguir seu intento não media esforços para
construir e aperfeiçoar suas embarcações. Ainda nessa época, ou seja, no século VI AC,
esses navegantes e comerciantes conseguiram contornar a África, atravessando o Cabo das
Tormentas, feito este que somente veio a ser sobrepujado, oficialmente, quase dois mil anos
depois, pelo português Vasco da Gama, sendo rebatizado com o nome de Cabo da Boa
Esperança.

Ainda na Antigüidade, devemos também destacar os romanos. Esse povo, apesar


de motivado quase sempre por intenções bélicas, trouxe à humanidade muitos
aperfeiçoamentos na arte de navegar e na construção de embarcações, as quais, sem dúvida
nenhuma, foram de grande valia para o desenvolvimento da marinha mercante.
Na Idade Média, cumprem nos lembrar os Vikings, navegantes escandinavos que,
por motivos políticos, se aventuraram pelo mar. Esse povo, como se sabe, em pleno século
IX atingiu outro continente, o qual somente cinco séculos mais tarde foi oficialmente
“descoberto” por Cristóvão Colombo recebendo o nome de América.
Para resumir as etapas do desenvolvimento técnico da navegação marítima,
relacionamos algumas datas que marcaram inícios de novas épocas nessa imensa epopéia
do esforço humano em prol desse desenvolvimento:

1803 – Robert Fulton, americano, demonstrou pela primeira vez no Rio Sena em
Paris, uma embarcação movida a vapor.

1819 – O “Savannah” um dos primeiros SS (Steamer Ship) saiu do porto de


Savannah nos Estados Unidos e atravessou o Atlântico, chegando a Liverpool 28 dias
depois. Embora o combustível tenha sido suficiente apenas para 85 horas de viagem, ele foi
o primeiro navio a vapor que cruzou o Atlântico. (Lembramos que os primeiros vapores
ainda tinham velas, que eram utilizadas em caso de problemas com as máquinas ou falta de
combustível).
1835 – O SS Great Western, procedente da Inglaterra, chegou à Nova York após 14
dias de viagem, atravessando o Atlântico com 94 passageiros a bordo. Quando estava
próximo a Nova York, tendo acabado o combustível, foi necessário queimar quase toda
madeira que existia a bordo, como: beliches, mesas e até mesmo um mastro. Essa viagem
marcou o início do serviço regular transoceânico.
1836 – Apareceu a hélice, invento que em menos de vinte anos superou
definitivamente o sistema de propulsão por pás giratórias.
1840 – Foram construídos os maiores e últimos veleiros mercantes da história,
esses navios com superfície vélica de até 6.000 m², atingiram velocidades incríveis para a
época, caso dos “Clippers” que chegaram a navegar a 18 nós, (1 nó 1 milha náutica por
hora ou 1,853 Km/h).

1850 – A partir dessa época a navegação mercante teve um enorme progresso com
o aparecimento do navio com casco de ferro, depois chapas de aço. O carvão no início
desse século foi substituído pelo óleo diesel, proporcionando aos navios grandes
aperfeiçoamentos.
No final do século XIX começa a disputa pelo maior e mais veloz navio de
passageiros entre a Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Essa corrida leva ao
aperfeiçoamento a arte naval que criou o Titanic, o France e o majestoso Elizabeth II.
O período entre as duas Grandes Guerras Mundiais, 1914 a 1945, se
caracterizou pelo desenvolvimento dos navios de guerras com as construções dos
encouraçados, submarinos, destróieres e porta-aviões.
1959 – Os Estados Unidos iniciaram a era dos cargueiros atômicos com o
lançamento do “Savannah”, primeiro navio movido a energia atômica, sendo batizado com
esse nome em homenagem ao SS “Savannah” que já conhecemos. Atualmente, com o
encarecimento do petróleo, várias nações estão investindo milhões de dólares em pesquisas
para aperfeiçoar o sistema de propulsão atômica, ou quem sabe, descobrir outra fonte de
energia. Quando isso acontecer, estamos certos, vai ser bem aproveitado pela marinha
mercante.
Essa previsão não se concretizou e o uso da propulsão atômica ficou restrito a
área militar
Nas décadas de 60 e 70 os conflitos no Oriente Médio e o fechamento do Canal
de Suez foram fatores determinantes na construção dos grandes navios petroleiros que
hoje navegam por todos os mares.
A era dos transatlânticos foi encerrada no início década de 70 com o
surgimento dos grandes aviões a jato, os quais podiam cruzar o Atlântico sem escalas. Os
navios de cruzeiros surgiriam somente no final da década de 80 com a evolução da
indústria do turismo.