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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

Cleones Aparecido Gonçalves da Silva


Fernanda Michele Batista
Jeferson Barbosa Santos
Marlene de Oliveira Barros

TRATAMENTO DE SOLOS MOLES COM


SISTEMA STABTEC®.

SÃO PAULO
2010
2

Cleones Aparecido Gonçalves da Silva


Fernanda Michele Batista
Jeferson Barbosa Santos
Marlene de Oliveira Barros

TRATAMENTO DE SOLOS MOLES COM


SISTEMA STABTEC®.

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi

Orientador: Profª. Drª. Gisleine Coelho de Campos

SÃO PAULO
2010
3

Cleones Aparecido Gonçalves da Silva


Fernanda Michele Batista
Jeferson Barbosa Santos
Marlene de Oliveira Barros

TRATAMENTO DE SOLOS MOLES COM


SISTEMA STABTEC®.

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi

Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2010.

_____________________________________________
Profª. Drª. Gisleine Coelho de Campos

______________________________________________
Nome do professor da banca
Comentários:_________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
4

AGRADECIMENTOS

Á nossa família, pela compreensão e apoio para que pudéssemos alcançar nossos
objetivos.

Ao Professor Wilson Shoji Iyomasa, pela sua amizade, orientação e disponibilização


de dados que possibilitaram a realização deste trabalho.

E especialmente a nossa orientadora Professora Doutora Gisleine Coelho de


Campos pela sua capacidade, paciência e determinação em nos mostrar a
importância da finalização deste trabalho. Muito obrigado por não nos deixar desistir
deste sonho.
5

RESUMO

A Engenharia Civil está sempre inovando para atender a escassez de áreas nobres
para construção e também a necessidade de proteger o meio ambiente. Isso implica
no aprimoramento das técnicas de tratamento de Solos Moles já existentes e na
busca por novas alternativas para possibilitar o uso do solo, nos locais onde há
presença deste tipo de solo. Neste trabalho, apresenta-se uma revisão bibliográfica
sobre as características dos Solos Moles e também sobre algumas técnicas já
conhecidas e utilizadas em tratamento de solos moles, dando ênfase à nova
metodologia STABTEC®, objeto do estudo de caso discutido. Uma análise
comparativa entre as técnicas descritas, como também análises e resultados do
sistema STABTEC® sua metodologia executiva, equipamentos e procedimentos são
também apresentadas.

Palavras Chave: Solos Moles, Tratamento, Sistema STABTEC®


6

ABSTRACT

Civil Engineering is always innovating to attend the shortage of building prime areas,
and also the need to protect the environment. This implies the improvement of the
existing treatment techniques for Soft Soils, and the investigation for new alternatives
to enable the use of soil, in that sites where this kind of soil exist. This work presents
a bibliographic review on the characteristics of Soft Soils and also some techniques
already known and used in the treatment of soft soils, emphasizing the new
methodology STABTEC®, the subject of the case study discussed. A comparative
analysis of the techniques described, as well as analysis and results of STABTEC®
system, its methodology, equipment and procedures are also presented.

Keywords: Soft Soil, Treatment, STABTEC® System.


7

LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1 - Detalhe da fita de geodreno 21 


Figura 5.2 - Detalhe da fita de geodreno 21 
Figura 5.3 - Fita do geodreno aplicada na obra 22 
Figura 5.4 - Influência dos drenos verticais na velocidade de adensamento do solo 22 
Figura 5.5 - Equipamento cravador 23 
Figura 5.6 - Detalhe das sapatas do equipamento cravador 24 
Figura 5.7 - Equipamento e detalhe da cravação do geodreno 25 
Figura 5.8 - Detalhe da cravação 25 
Figura 5.9 - Sequência executiva da cravação dos drenos 25 
Figura 5.10 - Geodrenos cravados no solo 26 
Figura 5.11 - Efluente dos geodrenos fluindo para o canal 26 
Figura 5.12 - Compactação da areia do aterro com rolo liso vibratório 27 
Figura 5.13 - Via Apia 28 
Figura 5.14 - Porta Capena 28 
Figura 5.15 - Etapas do processo físico 32 
Figura 5.16 - Pescoço da coluna de Jet Grouting 33 
Figura 5.17 - Perfuratriz para execução de colunas de Jet Grouting 34 
Figura 5.18 - Equipamento de Jet Grouting 35 
Figura 5.19 - Colunas de Jet Grouting 36 
Figura 5.20 - Coluna secante de Jet Grouting - poço de visita e ventilação 36 
Figura 5.21 - Bomba de alta pressão para Jet Grouting 37 
Figura 5.22 - Perfuratriz para Jet Grouting 37 
Figura 5.23 - Furo com diâmeto de 3" 40 
Figura 5.24 - Injeção de calda (bainha) 40 
Figura 5.25 - Processo de Infeção de calda em execução 41 
Figura 5.26 - Grafico de pressões 41 
Figura 5.27 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 1ª fase 42 
Figura 5.28 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 2ª fase 42 
Figura 5.29 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 3ª fase 43 
Figura 5.30 - Detalhe esquemático 45 
8

Figura 5.31 - Exemplo de multimisturador acoplado ao braço da escavadeira 46 


Figura 5.32 - Exemplo de alimentador de aglomerantes 47 
Figura 5.33 - Tanque de aglomerantes 47 
Figura 5.34 - Equipamento multimisturador 47 
Figura 6.1 - Vista aérea de Itanhaém 50 
Figura 6.2 - Sistema Integrado - Mambu Branco 50 
Figura 6.3 - Escavação para retirada do 2º corpo de prova 56 
Figura 6.4 - Escavação da vala nos trechos de 150 e 200kg/m³ 57 
Figura 6.5 - Escavação da vala a 2,0m 57 
Figura 6.6 - Escavação da vala a 2,5m 58 
Figura 6.7 - Escavação da vala a 3,20m 58 
Figura 6.8 - Verificação da integridade da parede escavada 59 
Figura 6.9 - Final da escavação 59 
Figura 6.10 - Verificação da profundidade da escavação (3,20m) 60 
Figura 6.11 – Amostra indeformada 60 
Figura 6.12 - Início da escavação para retirada do 1º corpo de prova 61 
Figura 6.13 - Moldagem do 1º corpo de prova (topo a 1,0m e fundo a 1,5m) 61 
Figura 6.14 - Aplicação da parafina para retirada do corpo de prova 62 
Figura 6.15 - Envolvimento do corpo de prova com tela 62 
Figura 6.16 - Retirada do 1º corpo de prova 63 
Figura 6.17 - Escavação da vala teste, após o tratamento 67 
Figura 6.18 - Retirada de amostra através de bloco indeformado 68 
9

LISTA DE TABELAS

Tabela 6.1 - Resultados dos ensaios de compressão simples em amostras 63 


Tabela 6.2 - Resumo da Análise Granulométrica 64 
Tabela 6.3 - Resumo dos Ensaios de Limites de Atterberg 64 
Tabela 6.4 - Resumo dos Ensaios de Massa Real e W (%) 65 
Tabela 6.5 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples 65 
Tabela 6.6 - Resumo dos Ensaios de Análise Química - Água 66 
Tabela 6.7 - Resumo dos Ensaios de Análise Química - Solo 66 
Tabela 6.8 - Resumo da Análise Granulométrica 68 
Tabela 6.9 - Resumo dos Ensaios de Limites de Atterberg 69 
Tabela 6.10 - Resumo dos Ensaios de Massa Real e W (%) 69 
Tabela 6.11 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples 69 
Tabela 6.12 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples - Bloco Indeformado 70 
10

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


ARBA American Road Builders Association
C Chemical
CCP Cement Churning Pile
CJG Column Jet Grout
CP Cement Piles
JG Jumbo Grout
JSG Jumbo Special Grout
LL Limite de Liquidez
LP Limite de Plasticidade
PEAD Politileno de Alta Densidade
PVC Policloreto de Vinila
SABESP Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SPT Standart Penetration Test
11

LISTA DE SÍMBOLOS

% Percentual
“ Polegadas
a.C. Antes de Cristo
a/c Água / cimento
cm Centímetro
cm²/g centímetro quadrado por grama
e Índice de vazio
fcd Resistência Característica de Projeto
h Hora
In situ No local
k Coeficiente de permeabilidade
kg Quilograma
kgf/cm² Quilograma força por centímetro quadrado
l Litro
m/s Metro por segundo
m³ Metro cúbico
min/m Minuto por metro
mm Milímetro
pH Potencial Hidrogênio-iônico
sc/m³ Saco por metro cúbico
12

SUMÁRIO
p.

1  INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 

2  OBJETIVOS ....................................................................................................... 15 

2.1  Objetivo Geral ........................................................................................................... 15 

2.2  Objetivo Específico ................................................................................................. 15 

3  MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................ 16 

4  JUSTIFICATIVA ................................................................................................ 17 

5  REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.............................................................................. 18 

5.1  Solos Moles ............................................................................................................... 18 

5.2  Tratamento com aplicação de Geodreno em Solos Moles........................... 20 


5.2.1  Descrição de Execução do Geodreno ................................................................ 22 

5.3  Tratamento com solo cal em solos moles ........................................................ 27 


5.3.1  Fatores intervenientes na estabilização ou melhoria dos solos com a cal . 29 
5.3.2  Execução................................................................................................................. 30 
5.3.3  Utilização da cal com outros aditivos ................................................................. 31 

5.4  Tratamento com Jet Grouting em solos moles ............................................... 32 


5.4.1  Injeção de calda de cimento ................................................................................ 37 
5.4.2  Produtividade .......................................................................................................... 38 
5.4.3  Capacidade portante ............................................................................................. 38 

5.5  Injeções de consolidação em solos moles....................................................... 38 


5.5.1  Descrição Básica de Execução da Injeção de Consolidação......................... 43 
5.5.2  Materiais para injeção de caldas ......................................................................... 44 

5.6  Tratamento de Solos Moles com Sistema Stabtec® ....................................... 44 


5.6.1  Equipamentos utilizados ....................................................................................... 46 
13

5.7  Vantagens e Desvantagens .................................................................................. 48 

6  ESTUDO DE CASO ........................................................................................... 49 

6.1  Características da obra em estudo ..................................................................... 49 


6.1.1  Local da obra .......................................................................................................... 49 
6.1.2  Estudo Geológico................................................................................................... 51 
6.1.3  Geologia do Local .................................................................................................. 51 
6.1.4  Caracterização Geotécnica do Solo de Fundação ........................................... 51 
6.1.5  Testes preliminares para os serviços de estabilização de solos moles –
STABTEC ®......................................................................................................................... 53 
6.1.6  Método executivo ................................................................................................... 54 
6.1.7  Resultados Preliminares ....................................................................................... 63 

6.2  Resultados................................................................................................................. 64 


6.2.1  Ensaios preliminares ............................................................................................. 64 
6.2.2  Sondagens .............................................................................................................. 64 
6.2.3  Ensaio de Caracterização .................................................................................... 64 
6.2.4  Ensaios de Compressão Simples – Laboratório............................................... 65 
6.2.5  Ensaios de Analise Químicas .............................................................................. 66 

6.3  Análise dos Resultados ......................................................................................... 67 


6.3.1  Verificação dos Resultados em Campo ............................................................. 67 
6.3.2  Ensaios de Compressão Simples – Amostra Deformada Misturada em
Laboratório .......................................................................................................................... 69 
6.3.3  Ensaio de Compressão Simples – Amostra Indeformada da Mistura de
Solo-Cimento ...................................................................................................................... 70 

6.4  Análise Crítica .......................................................................................................... 70 

7  CONCLUSÕES .................................................................................................. 71 

REFERÊNCIAS......................................................................................................... 73 

ANEXO A .................................................................................................................... 1 

ANEXO B .................................................................................................................... 3 
14

1 INTRODUÇÃO

Com o crescimento dos centros urbanos e a aceleração na construção civil, existe


atualmente uma grande corrida à procura por áreas disponíveis e que atendam às
necessidades da Engenharia Civil.

Muitas vezes essas áreas, estão situadas em regiões com solos de baixa
capacidade de suporte, exigindo assim que a engenheiros busque novas técnicas de
melhoramento que possibilitem a utilização desses solos.

Com o avanço da tecnologia nos últimos anos, essas áreas, antes consideradas
inadequadas para a construção passam a ser alternativas técnicas e econômicas
viáveis. Atualmente existem soluções de tratamento de solos, como as apresentadas
no capítulo 5 deste trabalho para a utilização dessas áreas, sem a necessidade de
recorrer à remoção da camada de solo mole.

Entre estas técnicas estão a aplicação de geodreno que atua como elemento
drenante, o solo cal, que pode ser aplicado em praticamente todos os tipos de solo,
o Jet Grouting que atua no melhoramento das características mecânicas do solo, a
injeção de consolidação que atua como impermeabilização ou consolidação e o
Sistema STABTEC®, objeto do estudo que consiste na mistura de aglomerantes em
pó com o solo mole com a finalidade de gerar estabilidade da massa.

Para a escolha da melhor alternativa para uma dada obra são considerados alguns
fatores como: tipo de solo, materiais disponíveis, acessibilidade, entre outros,
visando obter-se soluções mais econômicas e eficientes.
15

2 OBJETIVOS

O presente trabalho tem como objeto de estudo os métodos convencionais e as


novas soluções alternativas voltadas ao tratamento de solos moles, para que as
áreas de várzea tornem-se locais apropriados para a implantação de futuros
empreendimentos e obras de infraestrutura.

2.1 Objetivo Geral

Apresentar as metodologias existentes para o tratamento de solos moles,


considerando o melhoramento de suas propriedades geotécnicas, em especial a
resistência e deformabilidade. São ainda analisadas as possíveis dificuldades, bem
como a viabilidade técnica de se utilizar o sistema STABTEC®, um novo método de
tratamento de solos moles.

2.2 Objetivo Específico

Apresentar características técnicas, através de um estudo de caso, da nova


tecnologia STABTEC® e seus métodos construtivos para o tratamento de áreas com
solos de baixa capacidade de suporte (camadas de solos moles), comparando-a
com soluções já consagradas no Brasil como: geodrenos, injeções de consolidação,
CCP e colunas de cal.
16

3 MÉTODO DE TRABALHO

Para desenvolvimento teórico desta pesquisa foram estudados os métodos


executivos, as vantagens e desvantagens do tratamento de solos moles, por meio
de pesquisas bibliográficas realizadas em livros que abordam os conceitos da
geotecnia, normas técnicas (ABNT), revistas especializadas com ênfase na
construção civil, teses, visitas a obras em andamento, entrevistas com engenheiros
projetistas e profissionais de empresas especializadas em tratamento de solos e
também sites da internet que abordam soluções técnicas relacionados ao tratamento
de solos moles.

No estudo de caso foi apresentado o sistema STABTEC®, um método de tratamento


de solos moles relativamente novo no Brasil com início de utilização em maio de
2005. Para abordar este método foram feitas pesquisas nas empresas
especializadas do ramo de Geotecnia e visitas a obras, buscando-se, durante estas,
contatar os profissionais envolvidos a fim de verificar a aplicabilidade desta nova
técnica.
17

4 JUSTIFICATIVA

Durante muitos anos os esforços mantiveram-se na direção de realizar a gestão da


oferta, construindo em áreas onde o solo é mais estável. No Brasil, apesar da
grande quantidade de terra existente, a concentração de áreas disponíveis para
empreendimentos pouco coincide com a necessidade populacional das metrópoles,
exigindo-se assim a exploração de áreas com presença de solos moles.

Em função do crescimento acelerado das metrópoles nas últimas décadas, verifica-


se um aumento da utilização de áreas onde há solos moles, que são requisitadas
para novos empreendimentos, e exigem a implantação de uma infraestrutura de
transporte, esgoto e drenagem.

Nos dias atuais, há também uma preocupação com a sustentabilidade das obras
civis; a legislação está mais exigente nas liberações de áreas para bota fora de
material orgânico, em alguns casos até contaminados, e nas liberações de áreas de
jazidas. Soma-se a isso o fato de que aterros aplicados sobre bolsões de solos
moles, caso não rompam durante a construção, tem uma elevada probabilidade de
apresentar patologias devido a recalques indesejados, comprometendo o
empreendimento futuro.

O transporte dos materiais em distâncias longas também acarreta custo elevado na


adoção da alternativa de troca de solo, significando ainda prazos maiores. Com o
objetivo de reduzir custos e viabilizar procedimentos através de ações tecnológicas,
deu-se início a aplicação de métodos de tratamento de solo mole, os quais têm a
finalidade de promover a estabilização da massa de solo, capacitando-a a absorver
tensões devido a um novo carregamento.

Dentro deste cenário, este trabalho visa apresentar alguns métodos de tratamento
de solo mole, dando ênfase ao STABTEC®.
18

5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A necessidade de construir sobre áreas com grandes espessuras de solo mole se


tornou um problema muito comum, principalmente pela falta de áreas disponíveis,
com boas características geotécnicas no que diz respeito à capacidade de suporte e
deformabilidade, para execução e ampliação da infraestrutura rodoviária e urbana,
bem como novos empreendimentos imobiliários. As áreas de solos moles, por
apresentarem características de baixa resistência ao cisalhamento e grande
compressibilidade, tornam a execução dessas obras muito problemática e
representam grandes desafios à engenharia civil.

Atualmente, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas e tem ajudado a


Engenharia Civil a se modernizar no sentido de melhoria da qualidade, aumento da
vida útil da obra, otimização de recursos, rapidez e menores custos. Estas provém
soluções mais atrativas em termos técnicos e econômicos, do que as soluções
convencionais, em grande parte das situações em que são aplicadas.

Neste capítulo são discutidas as técnicas já consagradas e apresentadas novas


metodologias de tratamento de solos, após breve explanação sobre as principais
características dos solos moles.

5.1 Solos Moles

Segundo Pinto (2000), devido a sua baixa resistência, a análise do comportamento


de solos moles como fundação de estruturas geotécnicas ou civis é importante sobre
dois aspectos: adensamento/deformação e estabilidade.

“Entende-se por solos moles os solos sedimentares com baixa


resistência à penetração (valores de SPT não superiores a quatro
golpes), em que a fração argila imprime as características de solo
coesivo e compressível. São, em geral, argilas moles, ou areias
argilosas fofas, de deposição recente, isto é, formadas durante o
Quaternário” (MASSAD, 2003, p.86).

“Os ambientes de deposição podem ser os mais variados possíveis,


desde o fluvial – o deltaico-lacustre até o costeiro, incluindo-se as
19

lagunas e as baías (Christofoletti, 1980). Eles distinguem-se quer


pelo meio de deposição (água doce, salgada ou salobra); quer pelo
processo de deposição (fluvial ou marinho), quer ainda pelo local de
deposição (várzeas ou planícies de inundação, praias, canais de
mar, etc). A deposição depende da litologia da área de erosão, do
seu clima e da forma de transporte dos sedimentos. Os depósitos
sedimentares diferem entre si em função dessas condições
ambientais, que diferem no espaço e no tempo. Para a formação de
um depósito uniforme é necessária a ocorrência de condições
ambientais estáveis.

Para se ter uma idéia da complexidade do fenômeno basta listar os


fatores que afetam a sedimentação. São eles: a) a velocidade das
águas; b) a quantidade e a composição da matéria em suspensão na
água; c) a salinidade e a floculação de partículas; d) a presença de
matéria orgânica, tais como o húmus, detritos vegetais, conchas, etc.

É muito comum um solo sedimentar estar impregnado com húmus,


matéria orgânica absorvida pelas partículas de solo ou por suas
agregações, imprimindo-lhe uma cor escura e um cheiro
característico.

Os pântanos, uma subcategoria dos ambientes de deposição,


caracterizam-se por abundante presença de águas rasas, paradas.
A ação das bactérias e fungos é truncada pela ausência de oxigênio
e pela presença de ácidos, o que preserva os detritos vegetais e
orgânicos, dando origem a depósitos orgânicos nas bordas de lagos
e lagunas e em áreas planas atingidas pela preamar (planícies de
maré) ou pelas cheias dos rios (planícies de inundação). Muitos
depósitos formados desse modo encontram-se hoje soterrados,
constituindo as camadas de argilas orgânicas turfosas pretas,
subsuperficiais, como as que ocorrem nas várzeas do rio Pinheiros,
ou no subsolo da Baixada Santista” (MASSAD, 2003, p.86 e 87).

Segundo Nascimento (1970), o solo natural constitui simultaneamente um material


complexo e variável de acordo com a sua localização. Contudo, devido à sua
universalidade e baixo custo, apresenta normalmente uma grande utilidade
enquanto material de Engenharia Civil. Não é, porém, anormal que o solo de um
determinado local não cumpra, total ou parcialmente, os requisitos necessários. Terá
então de ser tomada uma decisão relativa à solução mais indicada para cada caso,
e que irá geralmente contemplar uma das seguintes hipóteses:

a) Aceitar o material original e ajustar o projeto às restrições por ele impostas;


b) Remover o material do seu local original e substituí-lo por material de qualidade
superior;
20

c) Alterar as propriedades do solo existente de forma a criar um material capaz de


responder às necessidades da tarefa prevista.

Nesta última possibilidade, a alteração das propriedades do solo para possibilitar a


sua utilização como material de engenharia, é normalmente designada por
ESTABILIZAÇÃO DE SOLOS.

As alterações das propriedades de um solo podem ser de ordem química, física e


biológica. No entanto, devido à grande variabilidade dos solos, nem todos os
métodos serão bem sucedidos em todos os tipos de solos. A escolha de um método
de estabilização é normalmente condicionada pelo número de camadas e tipos de
solos. Deve-se notar que a estabilização não é um processo sem erros, através do
qual toda e qualquer propriedade do solo é alterada para melhor. Uma aplicação
correta de qualquer método exige assim a identificação clara de quais as
propriedades do solo que se pretendem melhorar (CRISTELO, 2001).

5.2 Tratamento com aplicação de Geodreno em Solos Moles

O geodreno é um dreno vertical, que compõe a família dos geocompostos


drenantes, que podem ser utilizados em drenagens verticais e horizontais. O núcleo
de PEAD (polietileno de alta densidade) do geodreno atua como elemento drenante,
o qual possui considerável capacidade de vazão, e é integralmente envolvido por um
geotêxtil não-tecido, que atua como filtro (Figuras 5.1 e 5.2). Sua aplicação principal
é na aceleração de recalques de construções executadas sobre solos moles,
podendo reduzir o tempo de ocorrência destes, de alguns anos para poucos meses.

O adensamento de solos compressíveis é feito através da remoção da água


(reduzindo a pressão neutra) contida nos mesmos. Tradicionalmente, a água era
retirada pela aplicação de uma sobrecarga sobre a área a ser construída. Como os
solos compressíveis geralmente apresentam baixa permeabilidade e portanto,
dificuldade e lentidão para eliminação da água, seu adensamento também é lento. O
uso do Geodreno agiliza a expulsão da água e acelera o processo de adensamento
do solo mole (SOLOTRAT, 2009).
21

Figura 5.1 - Detalhe da fita de geodreno


Fonte: Max Dren ( S/D)

Figura 5.2 - Detalhe da fita de geodreno


Fonte: Max Dren ( S/D)

Esta técnica é utilizada onde o terreno não apresenta suporte para a realização de
um aterro direto, caso típico de regiões que apresentam solo mole de grande
espessura. Nesses casos a remoção da camada ruim torna-se inviável, podendo ser
tratado o solo mole (Max Dren - S/D).

Os geodrenos são constituídos por fitas de 10 cm de largura (Figura 5.3) fabricadas


a partir de um geotêxtil, contendo em seu interior um material de estrutura aberta
que permite a passagem da água (SOLOTRAT, 2009).
22

Figura 5.3 - Fita do geodreno aplicada na obra


Fonte: Solotrat (2009)

5.2.1 Descrição de Execução do Geodreno

Na execução do tratamento do solo mole com a técnica dos geodrenos sobre a


extremidade superior das fitas deve ser lançado um colchão drenante (Figura 5.4),
executado com material granular aberto (areia grossa ou pedrisco), que conduzirá o
efluente dos drenos para fora da região do aterro (SOLOTRAT, 2009).

Figura 5.4 - Influência dos drenos verticais na velocidade de adensamento do solo


Fonte: Solotrat (2009)
23

As fitas são cravadas com espaçamento entre 1,20m e 1,50m, podendo variar
conforme projeto, formando uma rede de alta densidade que drena o solo mole
aumentado sua estabilidade. Costuma-se usar uma distribuição triangular em planta,
que aumenta a eficiência de drenagem

Os geodrenos geralmente são fabricados em rolos de 200,00 m. Quando a fita de


um rolo acaba durante a cravação, ela é grampeada à extremidade de outro rolo, de
forma a manter sua continuidade. Na parte superior do colchão drenante a fita é
cortada deixando-se uma sobra para permitir seu dobramento para dentro do
material drenante.

O equipamento cravador de drenos verticais dispõe de uma torre onde está alojado
o pistão hidráulico que realiza a cravação da haste (Figura 5.5). Esta torre pode ser
movimentada para permitir sua verticalização antes da operação de cravação do
dreno (SOLOTRAT, 2009).

Figura 5.5 - Equipamento cravador


Fonte: Solotrat (2009)
24

O equipamento cravador é montado sobre sapatas que são dimensionadas para


aplicar no terreno uma pressão compatível com sua resistência, que é bastante
baixa devido à existência de solo mole (Figura 5.6).

Figura 5.6 - Detalhe das sapatas do equipamento cravador


Fonte: Solotrat (2009)

Os geodrenos são cravados no solo por equipamento especial cravador, que realiza
essa tarefa pressionando uma haste vazada através do terreno (Figura 5.7). A fita
drenante (geodreno), é instalada dentro da haste. Para impedir que a fita volte
quando a haste de cravação é retirada do terreno, em sua extremidade inferior é
colocada uma sapata metálica, que se agarra ao solo ancorando a fita no terreno
(Figuras 5.8 a 5.10).
25

Figura 5.7 - Equipamento e detalhe da cravação do geodreno


Fonte: Solotrat (2009)

Figura 5.8 - Detalhe da cravação


Fonte: Solotrat (2009)

Figura 5.9 - Sequência executiva da cravação dos drenos


Fonte: Solotrat (2009)
26

Figura 5.10 - Geodrenos cravados no solo


Fonte: Solotrat (2009)

Geralmente após a execução dos geodrenos o aterro é compactado com areia,


tendo a finalidade de atuar como colchão drenante (Figuras 5.11 e 5.12).

Figura 5.11 - Efluente dos geodrenos fluindo para o canal


Fonte: Solotrat (2009)
27

Figura 5.12 - Compactação da areia do aterro com rolo liso vibratório


Fonte: Solotrat (2009)

5.3 Tratamento com solo cal em solos moles

Quando um solo não tem as características geotécnicas exigidas para suportar a


obra projetada, principalmente quanto à sua resistência, torna-se necessário corrigi-
lo ou substituí-lo por outro, com a adição ou subtração de componentes, ou com a
ação de agentes químicos (orgânicos ou inorgânicos). A escolha da técnica e os
critérios técnicos devem ser baseados na economia e ainda na finalidade da obra.

Segundo Guimarães (2002), a estabilização ou melhoria dos solos instáveis com


adições de cal é uma das mais antigas técnicas empregadas pelo homem. Há
exemplos encontrados ao sul da Itália, na Via Apia1 (Figura 5.13), entre a Porta
Capena-Capua-Brindisi2 (Figura 5.14), construída no ano 312 a.C., e num trecho da

1
Uma das principais estradas da Antiga Roma.
2
Inicialmente a estrada ligava Roma a Capua, posteriormente ampliada até Brindisi.
28

muralha da China, datado de 228 a.C. A técnica foi reavivada nos anos 20 do século
passado e sua expressão pode ser medida pelo consumo de cal, em 1993, nos
Estados Unidos (1,2 x 106 t/ano) e no Japão (0,5 x 106 t/ano).

Figura 5.13 - Via Apia


Fonte: Wikipédia (2010)

Figura 5.14 - Porta Capena


Fonte: Wikipédia (2010)
29

5.3.1 Fatores intervenientes na estabilização ou melhoria dos solos com


a cal

O sistema se baseia na inter-relação de elementos presentes no solo, dos


componentes do meio ambiente e da cal adicionada. O solo influi com seus
constituintes principais - argilas e quartzo; já o meio ambiente exerce influência com
os fatores temperatura, água e ar; e a cal (hidratada ou virgem) com a expressão de
seus teores de óxidos de cálcio e de magnésio.

Alguns dos mecanismos das reações envolvidas na estabilização ou na melhoria dos


solos com a cal ainda não são bem conhecidos, mas sabe-se que no processo
predominam os efeitos físicos e físico-químicos da interação da cal com o solo
(GUIMARÃES, 2002).

A cal - como produto resultante da calcinação em altas temperaturas de rochas


carbonatadas existentes na superfície terrestre - provoca reflexos quando em
contato com o solo quanto à capacidade de troca iônica, à intensidade dos
fenômenos de floculação/aglomeração, à variedade das reações pozolânicas e, por
fim, à recarbonatação dos hidróxidos de cálcio e magnésio.

A estabilização de solos através da inclusão de materiais como a cal permite atingir


os objetivos propostos e, além de constituir um método relativamente pouco
dispendioso e de fácil aplicação, pode ser aplicado em praticamente todos os tipos
de solo.

A reação cal/solo inicia-se quase imediatamente, devido à alteração do pH3 que a


alcalina cal provoca no meio. Reações de floculação/aglomeração acontecem, em
primeiro lugar, logo acompanhadas da troca iônica entre as argilas presentes no solo
e a cal.

Assim, nessa ocasião, têm início às alterações das propriedades do solo, como o
aumento da capacidade de suporte, redução da expansão/contração, melhoria da

3
Índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer.
30

plasticidade e, também, da sensibilidade à água. Ocorrem, posteriormente, as


reações pozolânicas - formação de compostos químicos silico aluminosos pelo
ataque da cal aos minerais argilosos e ao quartzo.

Ao mesmo tempo, acontecem os fenômenos de carbonatação devido ao ataque do


anidrido carbônico (contido no ar e nas águas de infiltração) aos hidróxidos da cal,
completando a química do processo.

Essas alterações provocadas no solo pela adição da cal são influenciadas por
fatores do meio ambiente, entre eles a temperatura, a composição do ar atmosférico
(principalmente a quantidade de oxigênio e anidrido carbônico), a ação das águas
emergentes do lençol freático e, finalmente, os esforços mecânicos realizados para
obter a estabilização.

Com as reações citadas, a adição da cal aos solos argilosos provoca mudanças
favoráveis quanto à plasticidade, granulometria e limites de Atterberg (limites de
plasticidade), e variações de volume e da resistência suporte. Isso também ocorre
quanto aos valores relativos à compactação, a densidade, ao teor de umidade ótimo,
à retenção de água e à acidez do solo (GUIMARÃES, 2002)..

5.3.2 Execução

Diversos manuais, entre eles o The National Lime Association (ARBA, 2003),
orientam a execução da estabilização de solos com cal, quanto aos equipamentos,
materiais (espécie e sua incorporação ao solo), camadas tratadas (base, sub-base e
camadas profundas), além de apontar as restrições relativas às condições climáticas
e às águas presentes em quantidades expressivas, que exigem drenagem para
possibilitar a mistura do solo com a cal. É preciso avaliar ainda a necessidade de
"capa" (camada de agregados ou selantes) sobre o solo, do controle da umidade,
intensidade da compactação, teores de sais sulfatados - e também a possibilidade
de correção de fendas e de pontos de desintegração, entre outros retoques.
31

As operações do método executivo devem obedecer a seguinte seqüência:


• tratamento prévio do solo, se necessário;
• preparação do leito, com o auxílio da topografia e determinação da geometria
da camada;
• desmonte e transporte do solo da jazida para o leito ou escarificação do solo
local, ambos submetidos a uma pulverização parcial;
• controle da granulometria, com pulverizações sucessivas;
• colocação e espalhamento da cal;
• mistura da cal e colocação do solo no ponto de umidade ótimo;
• homogeneização;
• compactação na densidade recomendada pelo projeto;

5.3.3 Utilização da cal com outros aditivos

Segundo Guimarães (2002), após análise do tipo de solo, da disponibilidade de


materiais na região, do conhecimento dos métodos executivos e dos aspectos
econômicos envolvidos na obra, pode ser conveniente empregar aditivos para
melhorar o desempenho da cal como estabilizadora de solo, principalmente no que
diz respeito a sua propriedade aglomerante.

Dentre esses aditivos, os mais utilizados são:


• cimento Portland;
• cinzas volantes - de natureza pozolânica, resíduos da queima de carvão em
usinas termoelétricas;
• minerais de granulação fina:
• compostos orgânicos - como certos polímeros (resinas), naturais ou
sintéticos, e como a lignina4 , um subproduto da indústria de celulose.

4
O sulfonato de lignina é um subproduto químico resultante do despolpamento da madeira.
32

5.4 Tratamento com Jet Grouting em solos moles

O Jet Grouting é uma técnica de melhoria de solos realizada diretamente no interior


do terreno, sem escavação prévia, utilizando para tal um ou mais jatos horizontais de
grande velocidade (cerca de 250 m/s) que aplicam a sua elevada energia cinética na
desagregação da estrutura do terreno natural e na mistura de calda de cimento com
as partículas de solo desagregado, dando origem a um material de melhores
características mecânicas do que o inicial e de menor permeabilidade (CARRETO,
1999).

Esta técnica está ligada ao ramo da geotecnia de melhoramento e condicionamento


de solos argilosos moles e cimentação de solos arenosos fofos; é empregada no
mundo inteiro como uma técnica de melhoramento e tratamento de maciços
(HACHICH,1996).

O processo físico da técnica de Jet Grouting envolve as seguintes etapas (Figura


5.15 e 5.16):
• Corte: a estrutura inicial do solo é quebrada e os fragmentos do solo são
dispersos pela ação de um ou mais jatos horizontais.
• Mistura e substituição parcial: uma parte dos fragmentos do solo é substituída
e a outra parte é misturada com a calda injetada, a partir dos bicos de injeção.
• Cimentação: os fragmentos de solo são aglutinados entre si pela ação auto-
endurecedora da calda, formando um corpo consolidado.

Figura 5.15 - Etapas do processo físico


Fonte: Bilfinger ( 2010)
33

Figura 5.16 - Pescoço da coluna de Jet Grouting


Fonte: Bilfinger ( 2010)

O conceito fundamental da tecnologia Jet Grouting é o emprego da força de impacto


do jato hidráulico para desagregar o solo. Nesta tecnologia, a pressão de
bombeamento de calda de cimento, que é, inicialmente, energia de natureza
potencial, transforma-se em energia cinética, injetando-se calda de cimento através
de bicos laterais (geralmente orifícios de diâmetro compreendido entre 1,8 e 4,0 mm)
à haste, com uma velocidade que atinge 200 - 320 m/s. Combinando movimentos de
rotação e de translação ascendente da haste com os bicos jateadores, são criadas
formas que variam desde as cilíndricas até as lamelares, sendo, portanto, a forma
geométrica do corpo tratado, como o diâmetro obtido, no caso de colunas (Figura
5.17), apenas e meramente um detalhe do processo, função da característica do
terreno e do método de execução - emprego ou não de ar comprimido ou desmonte
hidráulico, conforme explicações a seguir:

• Método CCP (Cement Churning Pile) - haste singela, monotubo (NAKANISHI,


1970).
Historicamente, a letra C inicial desse método era atribuída à “chemical" devido ao
uso de aglutinante químico. Neste método utiliza-se apenas uma haste de aço para
jateamento da calda de cimento, sem o emprego de ar comprimido, formando, desta
34

forma, colunas de diâmetros menores. Pode-se usar neste processo, haste dupla,
sem a utilização de ar.

Figura 5.17 - Perfuratriz para execução de colunas de Jet Grouting


Fonte: Bilfinger ( 2010)

• Método JSG (Jumbo Special Grout) ou JG (Jumbo Grout) - tubo duplo com
emprego de ar comprimido (NAKANISHI e YAHIRO, 1975).
Neste método se utilizam duas hastes coaxiais: numa delas (a interna) injeta-se
calda de cimento e na outra (envolvendo o jato de calda) o ar comprimido, obtendo-
se desta forma colunas de diâmetros maiores do que aquelas obtidas sem o
emprego de ar comprimido;

• Método CJG (Column Jet Grout) - tubo triplo, com emprego de ar comprimido
(YAHIRO, 1976).
Neste método se utilizam três hastes coaxiais, e dois bicos jateadores. No superior,
de menor diâmetro, injeta-se, a pressões elevadas, água envolvida por ar
comprimido e no inferior, de diâmetro menor, injeta-se calda de cimento a pressões
relativamente mais baixas, obtendo-se colunas de grande diâmetro (até 3m). Este
processo, pelo elevado custo da bomba, é raramente empregado no Brasil.
35

Enfatiza-se que, tanto em um quanto em outro método (processo de injeção), as


equipes e equipamentos são exatamente os mesmos, variando única e tão somente
as hastes (mono, duplas ou triplas) e a permanência na obra de um compressor.
Por esta razão, na realidade são em essência os mesmos, e para uma única
finalidade: tratamento e melhoramento de maciços terrosos (Figura 5.18).

Figura 5.18 - Equipamento de Jet Grouting


Fonte: Bilfinger ( 2010)

A adoção de um ou outro processo é ditada pelo custo: para ser tratado um


determinado volume (e o tratamento significa a injeção no substrato de determinada
taxa de cimento – 12 sc/m3, por exemplo), a quantidade de colunas (Figuras 5.19 e
5.20) (e conseqüentemente a metragem perfurada) decresce à medida que se
emprega CCP → JG → CJG, eis porque, para grandes áreas a consolidar,
normalmente é empregado no Brasil, o processo JG (HACHICH, 1996).
36

Figura 5.19 - Colunas de Jet Grouting


Fonte: Bilfinger ( 2010)

Figura 5.20 - Coluna secante de Jet Grouting - poço de visita e ventilação


Fonte: Tecnogeo (2009)
37

5.4.1 Injeção de calda de cimento

A injeção da calda de cimento é executada através do orifício de pequeno diâmetro


do hidromonitor. A injeção tem início quando a perfuração atinge a profundidade
desejada (Figuras 5.21 e 5.22).

Procedendo-se a injeção com a coluna girando a uma rotação adequada, se


consegue obter um fuste cilíndrico com diâmetro de até 2,0m de diâmetro,
dependendo do tipo do material. O produto final obtido é um solo cimentado com
características de resistência muito superior ao solo original e permeabilidade muito
inferior a do solo inicial.

 
Figura 5.21 - Bomba de alta pressão para Jet Grouting
Fonte: Bilfinger ( 2010)

 
Figura 5.22 - Perfuratriz para Jet Grouting
Fonte: Bilfinger ( 2010)
38

A calda de cimento normalmente tem traço a/c = 1,0, ou seja, para cada saco de 50
kg de cimento, emprega-se 50 litros de água.

5.4.2 Produtividade

As produtividades variam do tipo de terreno a consolidar e do método empregado


(CCP ou JG). Normalmente a produção efetiva de colunas se situa no entorno de
800 a 1000 metros/equipamento/mês, para um tempo de execução da ordem de 6 a
8 min/m, para um só bico alojado no hidromonitor. Não é recomendável a adoção de
dois bicos: o ganho de produção, reflete-se de modo exponencial na perda de
material, qualidade e resistência das colunas (HACHICH, 1996).

5.4.3 Capacidade portante

Segundo Hachich (1996), a capacidade portante de uma coluna executada pelo


processo Jet Grouting varia do tipo de terreno a consolidar, do diâmetro da coluna e
do consumo de cimento adotado, sendo que neste caso não adianta se aumentar
demasiadamente este consumo porque, além de onerar demais o custo da coluna, o
ganho de resistência correspondente é irrisório. A taxa de trabalho normalmente
adotada (fcd), varia da ordem de 20 kgf/cm2 (solos argilosos) a 40 kgf/cm2 (solos
arenosos).

5.5 Injeções de consolidação em solos moles

É um processo construtivo que tem como objetivo, mediante o preenchimento dos


vazios que apresentam os terrenos, transformar o solo existente num outro dotado
de características físicas diferentes (ZIRLIS, 2003).

Se as características fixadas para o novo meio se reportarem à permeabilidade, o


trabalho recebe o nome de tratamento de impermeabilizações.
39

Se as características fixadas para o novo meio se reportarem à deformabilidade e


resistência mecânica, diz-se que é um tratamento de consolidação.

Para alcançar o objetivo da injeção introduz-se nos vazios do meio primitivo, através
de uma rede de perfuração adequadamente disposta e sob determinadas pressões,
um líquido ou suspensão mais ou menos viscoso, que depois vai se transformar em
sólido, quer por um processo de simples endurecimento (caldas de cimento), quer
por transformações químicas (caldas de produtos químicos), originando um novo
meio.

A impermeabilização, enquanto tratamento, visa reduzir o coeficiente de


permeabilidade (k) do meio primitivo. A íntima relação de k com e (índice de vazios),
assegura o resultado, desde que tenha havido êxito na introdução da mistura.

Os tratamentos de consolidação podem visar a deformabilidade ou a resistência, que


não são necessariamente proporcionais. A redução do índice de vazios tem maior
incidência na deformabilidade que na resistência ao corte; apenas a coesão
apresenta aumentos relevantes após a injeção, pois relativamente ao ângulo de
atrito interno não é usual verificarem-se incrementos substanciais após o tratamento
(ZIRLIS, 2003).

O objetivo do tratamento de solos e rochas por injeção é o de promover melhorias


para situações especiais da engenharia civil.

O tratamento é feito pela injeção de um determinado volume de material no maciço,


a uma determinada pressão. Este material pode ocupar vazios existentes; romper o
maciço e nele se alojar, provocando o adensamento das camadas adjacentes; ou se
impregnar em seus vazios.

O material injetado pode ser calda de cimento, argamassa, solo-cimento ou


compostos químicos. Usualmente, são injetadas caldas de cimento.

Os procedimentos básicos para a execução dos trabalhos envolvem os seguintes


passos:
40

a) Execução de um furo com diâmetro mínimo de 3”, que atravessa a camada a ser
tratada (Figura 5.23);

Figura 5.23 - Furo com diâmeto de 3"


Fonte: Solotrat (2006)

b) Colocação de um tubo de PVC rígido, com diâmetro interno de 1,0” a 1,5”,


devidamente preparado com válvulas tipo manchete, espaçadas entre 30,0 e 100,0
cm. Injeção de calda até o preenchimento total do espaço anelar entre o tubo de
PVC e o furo (bainha) (Figura 5.24);

Figura 5.24 - Injeção de calda (bainha)


Fonte: Solotrat (2006)
c) Com o auxílio de um obturador duplo, a partir da manchete inferior, deve ser
executada a injeção, que irá promover o rompimento da bainha e a introdução de um
41

volume predeterminado de material no solo, em tantas fases quantas forem


necessárias (Figuras 5.25 a 5.29).

Figura 5.25 - Processo de Infeção de calda em execução


Fonte: Solotrat (2006)

Figura 5.26 - Grafico de pressões


Fonte: Solotrat (2006)
42

Figura 5.27 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 1ª fase


Fonte: Solotrat (2006)

Figura 5.28 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 2ª fase


Fonte: Solotrat (2006)
43

Figura 5.29 - Comportamento típico das pressões durante a injeção - 3ª fase


Fonte: Solotrat (2006)

5.5.1 Descrição Básica de Execução da Injeção de Consolidação

Os furos são dispostos em planta, seguindo uma distribuição geométrica, que


procura minimizar as interferências com obstáculos existentes, bem como abranger
as áreas a serem tratadas. Para cada local, são definidas algumas etapas de injeção
dos furos. Em geral, a abrangência inicial da área a ser tratada é grande, e vai
sendo reduzida em função dos resultados de pressão e volume obtidos nos furos
iniciais (ZIRLIS, 2003).

Para minimizar os custos, devem ser utilizados os menores diâmetros dos furos e do
tubo de PVC, o que garante uma espessura mínima de bainha. Normalmente, a
tubulação de injeção tem diâmetro de 1/2” ou 3/4” (SOLOTRAT, 2003) .

A injeção de um determinado furo será feita após a calda da bainha ter alcançado
uma resistência mínima, que impeça seu retorno à superfície e, consequentemente,
o tratamento do solo adjacente. O tempo de espera para pega e endurecimento da
bainha é de até 24 horas.
44

5.5.2 Materiais para injeção de caldas

As caldas comumente usadas, tanto na injeção do solo quanto da bainha, são


constituídas de cimento, solo e água (ZIRLIS, 2003).

- A água deve se apresentar visualmente limpa e isenta de quantidades prejudiciais


de impurezas como óleo, ácido, álcalis, sais e matéria orgânica de qualquer outra
substância que interfira com as reações de hidratação dos sólidos da calda.

- O cimento deve ser do tipo Portland, apresentar espessura Blaine5 não inferior a
3.200 cm2/g. Os locais de armazenamento devem estar secos e ventilados, para
retardar a hidratação. Não é bom empilhar mais de 10 sacos e estas pilhas devem
estar apoiadas sobre tablado de madeira, para o cimento não ficar em contato direto
com o piso. Cimento já em início de processo de hidratação não pode ser
empregado em injeções.

- Os solos devem ser argilosos com teor de areia inferior a 20% e isentos de matéria
orgânica, com Limite de Liquidez (LL) mínimo de 50 e Limite de Plasticidade (LP)
mínimo de 20. Materiais naturais com estas características são encontrados com
facilidade.

5.6 Tratamento de Solos Moles com Sistema Stabtec®

O Sistema STABTEC® consiste na mistura mecânica e monitorada de aglomerantes


em pó com solos moles (Figura 5.30) (argila orgânica, turfas, solos dragados, solos
moles contaminados, entre outros) sempre em condições de solos saturados,
submersos no lençol freático local, com a finalidade de gerar estabilização da
massa, capacitando-a a absorção de tensões devido a carregamentos, inadmissíveis
no caso da situação natural.

5
É a finura do cimento em termos de superfície especifica em cm²/g, obtida através do permeabilimetro de Blaine. Consiste
em se fazer passar uma certa quantidade de ar através de uma camada de cimento de porosidade conhecida (e=050)
45

Figura 5.30 - Detalhe esquemático


Fonte: Caruso (2009)

Os materiais utilizados para a consolidação dos solos moles são basicamente


aglomerantes secos em pó. Estes podem ser compostos de um só tipo ou por dois
ou mais aglomerantes. A definição do aglomerante depende de ensaios preliminares
que devem ser desenvolvidos em função de tipo de solo a ser tratado e da
resistência que se deseja. É comum determinados tipos de aglomerantes ficarem
inertes em solos agressivos, pois eventualmente impedem a reação do mesmo com
a água intersticial do solo. No caso de solos agressivos ou contaminados, o sistema
STABTEC poderá resolver tanto o problema de estabilização de massa de solo
quanto a sua descontaminação. Assim, os tipos de aglomerantes poderão variar
segundo seus princípios e características, podendo ser à base de cimento (com ou
sem pozolana), cal, escória de alto forno, fibras vegetais e mistas.

Após a definição do aglomerante, serão estabelecidos os parâmetros da mistura,


como o consumo de material, pressão e vazão do ar comprimido como veículo de
transporte do aglomerante. Em campo é necessário criar aterros de ponta6 ou de
conquista7, que garantam o suporte e locomoção, principalmente da escavadeira,
até a borda ou bolsão de solo a ser tratado.

6
Aterro de ponta: material lançado sobre aterro tratado.
7
Aterro de conquista: material lançado sobre solo de baixa consistência para se garantir suporte de trabalho
46

5.6.1 Equipamentos utilizados

O multimisturador de 6 m de comprimento, acoplado ao braço da escavadeira,


recebe através de mangote conectado, o aglomerante em pó, que é injetado no solo
com auxílio de ar comprimido, através de bicos injetores dispostos em pás rotativas,
que promovem simultânea mistura do aglomerante com solo mole (Figura 5.31).

Figura 5.31 - Exemplo de multimisturador acoplado ao braço da escavadeira


Fonte: Caruso (2009)

O aglomerante em pó é armazenado em tanques pressurizados, sobre esteiras


hidráulicas, denominados de alimentadores de aglomerantes (Figura 5.32). Este é
bombeado até o multimisturador em dosagens previamente estabelecidas na fase de
análise do projeto. O conjunto de alimentação possui dois tanques independentes
para evitar paralisações dos serviços, pois permite que enquanto um deles seja
abastecido, o outro continua o bombeamento do pó junto ao multimisturador
(Figura 5.33). Os serviços de estabilização de solos moles é executado por áreas de
4,0 x 4,0m, com uma profundidade máxima de 6,00m. A capacidade produtiva do
equipamento é de 800,00m³ por dia (Figura 5.34).
47

Figura 5.32 - Exemplo de alimentador de aglomerantes


Fonte: Caruso (2009)

Figura 5.33 - Tanque de aglomerantes


Fonte: Caruso (2009)

Figura 5.34 - Equipamento multimisturador


Fonte: Caruso (2009)
48

5.7 Vantagens e Desvantagens

Destaca-se a seguir as vantagens e desvantagens em relação aos métodos


apresentados neste trabalho.

Métodos Vantagens Desvantagens


de
Tratamento
Maior velocidade na estabilização Ensaio de laboratório com
de massa. Não há necessidade de coleta de material “in situ”, com
substituição de solos ou aterros teste em campo para ajuste de
provisórios. dosagem.
É possível através do Sistema de Limitação de espessura de
Stabtec

Aquisição de Dados (DAC) do camada de tratamento (6m).


equipamento, armazenar dados Custo elevado de
durante a execução do projeto de equipamentos.
estabilização, controlar o fluxo e a
pressão exatas do aglutinante
melhorando a performance,
reduzindo custos e gerando
relatórios detalhados.
A grande eficiência devido às Nota-se que toda vez que se
ótimas características drenantes adensa um solo significa que
em todas as condições, vencendo água está sendo retirada de
Geodreno

grande profundidade em relação a seu interior , ou seja, há


outros métodos, eficaz em diminuição dos vazios entre os
eventuais deslocamentos do grãos dos solos. Para que o
terreno, graças à flexibilidade dos adensamento seja mais
drenos e rapidez de execução. rápido será necessário o aterro
temporári de sobrecarga.
É uma das técnicas mais antigas, É um processo onde o
facilidade e rapidez no processo resultado está diretamente
de mistura com solo a tratar e ligado à reação com o solo, ora
Solo Cal

também pelo fato do cal ser mais o cal não reage, ora se torna
barato que o cimento. muito rígido, levando a trincas
em um determinado período.
Geralmente o solo cal tem
resistência menor que o solo
cimento.
É um sistema que permite atingir Não é recomendado para solos
distâncias horizontais maiores orgânicos, turfosos ou com
Jet Grouting

através de jatos, aumentando grandes vazios. Os solos


significativamente o diâmetro da orgânicos ou com algum
coluna, com conseqüente redução produto químico pode dificultar
na quantidade de perfuração. a reação do cimento,
comprometendo a formação da
coluna.
49

6 ESTUDO DE CASO

Neste capítulo é abordada a tecnologia STABTEC®, suas vantagens e


desvantagens, as características da obra de estudo, o local da obra, a geologia do
local, as características geotécnicas do solo, as análises de estabilidade, os
parâmetros geotécnicos adotados para análises e os resultados para a implantação
do sistema STABTEC®.

6.1 Características da obra em estudo

Execução das obras do lote 03 do Sistema Produtor de Água Mambu/Branco da


Região Metropolitana da Baixada Santista, para ampliação do Sistema Integrado de
Abastecimento de Água da Baixada Santista.

Construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) e adutoras do Sistema


Mambu-Branco, ambas no Município de Itanhaém com mais de 55 km de adutoras
para o transporte da água tratada.

6.1.1 Local da obra

Sabesp - Sistema Produtor de Água - Mambú/Branco, objeto deste estudo, localiza-


se no município de Itanhaém, litoral Sul de São Paulo, na Estrada do Mambú
Branco, s/n, Itanhaém/SP, que faz parte do Programa de Abastecimento de Água da
Região Metropolitana da Baixada Santista (Figura 6.1).
50

Figura 6.1 - Vista aérea de Itanhaém


Fonte: PMI (2003).

Figura 6.2 - Sistema Integrado - Mambu Branco


Fonte: SABESP ( 2010 ).
51

6.1.2 Estudo Geológico

O estudo geológico foi realizado para obter informações para um projeto preliminar
para implantação de adutoras, no município de Itanhaém, localizado no litoral de
São Paulo.

6.1.3 Geologia do Local

Segundo sondagens do local fornecidas pelo consórcio, o terreno local apresenta o


seguinte perfil geotécnico: terreno com predominância de argila marinha com alta
plasticidade e em alguns trechos com presença de turfa e areia fofa.

6.1.4 Caracterização Geotécnica do Solo de Fundação

Neste item apresenta-se o resultado comparativo entre: ensaios de laboratório e


resultado de campo, e mostra a diferença de resultado devido às variações das
condições encontradas em campo.

A utilização do sistema STABTEC® é apresentada como alternativa à contenção com


estacas pranchas juntamente com rebaixamento do lençol freático para escavação
de vala em terreno de baixa resistência para implantação de adutoras.

Por se tratar de um serviço de estabilização de solos moles, deve-se requerer uma


investigação local de qualidade para que testes possam ser realizados,
aproximando-se ao máximo em laboratório da condição real de campo.

Esta investigação deve ser feita para obter dados suficientes para um projeto
preliminar. Nesta etapa devem ser conhecidos os níveis dos limites de camada e os
tipos de subsolos.

Os estudos preliminares ao serviço STABTEC®, são divididos em duas etapas:


- Testes in situ;
- Testes em laboratório.
52

Os testes in situ são executados para determinação do perfil geotécnico e obtenção


de amostras. As amostras obtidas em campo servem para execução de ensaios de
laboratório para identificar e descrever camadas de solo e suas características. Esta
etapa está dividida em testes para classificação, propriedades de engenharia e
propriedades químicas.

A classificação do solo é realizada através de ensaios para se obter conhecimento


sobre o tipo e consistência do subsolo. Os resultados dos ensaios descritos a seguir
e representados no item 6.2 dão uma idéia da adequação das camadas de solo para
estabilização de massa.

a) In situ
- Sondagem à Percussão
Em laboratório proprio
- Teor de Umidade dos Solos;
- Análise Granulométrica Conjunta;
- Massa Específica Real dos Grãos;
- Limites de Atterberg.
Em laboratório de Análises Quimicas
- Parâmetros especificados no EUROSOILSTAB (2002),

Os testes em laboratórios, devido à complexidade da interação química e física de


solos com cimento, e ao fato de que não há a possibilidade de se prever melhores
dosagens e estabilizadores sem antes estudá-los em laboratório, é realizado um
programa de testes para projeto de misturas antes dos serviços de STABTEC® em
campo.

Destaca-se a seguir os procedimentos laboratoriais para os ensaios de mistura em


amostras.

b) Solo
Primeiramente foram obtidas amostras de solo do local sob investigação, para que
fossem estudadas em laboratório as misturas com os teores de cimento pré-
definidos.
53

Estabilizadores
Estabilizadores são materiais com propriedades hidráulicas, no caso em estudo foi
utilizado o cimento Portland do tipo CP-III-40 RS.

Misturador Planetário
De acordo com a EUROSOILSTAB, (2002), para ter uma mistura próxima à
adquirida em campo, as misturas devem ser realizadas com a ajuda de um
misturador do tipo planetário, de maneira metódica e tempo estimado em guia de
projeto.

Moldagem
Posterior a etapa de moldagem, foram moldados corpos de prova com as dimensões
de Φ 5 cm x 10 cm, para realização de ensaios de compressão simples em diversas
idades.

6.1.5 Testes preliminares para os serviços de estabilização de solos moles –


STABTEC ®.

Os testes são caracterizados pela verificação da viabilidade técnica da utilização dos


serviços de STABTEC®.

Tomou-se como base para aplicação dessa técnica os seguintes procedimentos:

- Sondagens – Perfil Individual de sondagens a Percussão;


- Ensaios de Laboratório na empresa (solo + aglutinante);
- Retirada de blocos indeformados e posterior ensaio em laboratório;
- Projeto indicando os locais da ensecadeira e adutora;
- Testes em campo com escavações realizadas a 4, 34 e 36 dias após o tratamento.
54

6.1.6 Método executivo

As plantas e as seções das valas estão representadas no (Anexo A – Desenho I e


II). Os testes foram divididos em duas fases:

Na primeira fase foi feita a análise do processo executivo e verificação da resistência


com idade de tratamento inferior a 7 dias.
Data do tratamento: 02-03/07/2009
Data da escavação: 06/07/2009

Esta fase de testes teve como principal objetivo a verificação do processo executivo,
analisando as possíveis dificuldades encontradas, bem como a verificação das
resistências atingidas em curto prazo (inferior a 7 dias de tratamento), com
diferentes consumos de aglomerante (cimento), em dosagens de 100 até 200 Kg/m³.

Quanto ao processo produtivo, o que se verificou como dificuldade foi o tratamento


com o eixo da máquina (PM), posicionado perpendicular ao eixo da adutora. Nesta
posição ocorre uma significativa perda de produtividade devido às constantes
manobras que devem ser realizadas pelo equipamento para manter esta
perpendicularidade.

Como sugestão para a correção deste fator, sugeriu-se o tratamento com a máquina
posicionada paralela ao eixo da adutora (Anexo A – Desenho I), o que possibilitou o
tratamento das paredes e do fundo da vala em linhas, sem a necessidade de
constantes manobras do equipamento. Sendo assim, a alteração da seção da vala
estará na espessura das paredes laterais, que passarão de 0,80 para 1,60 m,
atendendo a geometria do misturador (0,80 x 1,60 m) (TECNOGEO, 2009).

Após a execução dos testes para esta primeira fase, no quarto dia após o
tratamento, foram realizadas escavações antecipadas. Nos trechos com consumo
de cimento inferior a 150 Kg/m³, a resistência apresentou-se insuficiente nas
paredes laterais após a escavação. Porém nos trechos de consumo equivalente a
55

180 e 200 Kg/m³, foi possível escavar em até 2 metros de profundidade, com alguma
resistência nas paredes laterais.

Após a realização destes testes nesta primeira fase, observou-se que seriam
necessários novos testes para a verificação da resistência com idades superiores a
30 dias, com dosagens variando entre 80 e 200 Kg/m³.

Na segunda fase seguiu-se a verificação do consumo de cimento e análise de


resistência com idade de tratamento superior a 30 dias
Data do tratamento: 21/07/2009
Data da primeira escavação (trecho com consumo de 80kg/m³): 24/08/2009
Data da segunda escavação (trechos com 150 e 200kg/m³): 28/08/2009

O segundo teste foi planejado de acordo com as plantas e seções do (Anexo A –


Desenho I e II), tendo como objetivo verificar as resistências com idade de
tratamento superior a 30 dias. Para o local deste teste, foi importante o apoio da
equipe de topografia, que indicou um ponto coincidente ao eixo da adutora, onde o
solo local se mostrou ideal para o tratamento.

O primeiro trecho escavado (consumo de cimento de 80 Kg/m³), conforme mostra a


Figura 6.3, teve 100 % do seu volume tratado. O objetivo deste teste foi a verificação
da utilização de um consumo mínimo de cimento em todo o volume, comparado a
consumos maiores (150 e 200 Kg/m³) com tratamento somente na seção “U”,
ficando o volume a ser escavado sem o tratamento. O motivo desta verificação foi a
constatação de que existem áreas de influência fora das seções de tratamento com
a presença de cimento, o que acreditou-se que pode haver uma similaridade entre a
utilização de um consumo baixo em todo o volume, e a de um consumo maior
somente na seção “U” (Anexo A – Desenho I – corte típico A-A). Neste trecho (80
Kg/m³) foram retirados 2 blocos indeformados (Figuras 6.12 a 6.16), onde pode-se
notar a total verticalidade da parede após escavação de até 2,5 metros de altura
(Figuras 6.12 a 6.15). Destes blocos indeformados de solo-cimento foram talhados
corpos de prova para ensaios a compressão até a ruptura e com medidas de
deformações (Tabela 6.1).
56

Com 35 dias de tratamento, escavou-se uma vala nos trechos correspondentes aos
consumos de 150 e 200 Kg/m³ (Desenho I – planta II). Conforme observado nas
ilustrações (Figuras 6.4 a 6.11), obteve-se a verticalidade das paredes com 3,20 m
de escavação da vala em ambos os trechos. Estes resultados comprovam o ganho
de resistência ao longo de 30 dias, possibilitando as escavações com esta idade de
tratamento. O odor de cimento após a escavação comprova o fato de que, neste
período de 30 dias, o cimento ainda está sofrendo o processo de reação com o solo,
o que indica um ganho de resistência ainda maior após 30 dias. Se considerado uma
idade de tratamento maior do que 30 dias, possivelmente poderá trabalhar com
consumos entre 80 e 150 Kg/m³, dependendo do material encontrado ao longo do
eixo da adutora (TECNOGEO, 2009).

Figura 6.3 - Escavação para retirada do 2º corpo de prova


Fonte: Tecnogeo (2009)
57

Figura 6.4 - Escavação da vala nos trechos de 150 e 200kg/m³


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.5 - Escavação da vala a 2,0m


Fonte: Tecnogeo (2009)
58

Figura 6.6 - Escavação da vala a 2,5m


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.7 - Escavação da vala a 3,20m


Fonte: Tecnogeo (2009)
59

Figura 6.8 - Verificação da integridade da parede escavada


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.9 - Final da escavação


Fonte: Tecnogeo (2009)
60

Figura 6.10 - Verificação da profundidade da escavação (3,20m)


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.11 – Amostra indeformada


Fonte: Tecnogeo (2009)
61

Figura 6.12 - Início da escavação para retirada do 1º corpo de prova


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.13 - Moldagem do 1º corpo de prova (topo a 1,0m e fundo a 1,5m)


Fonte: Tecnogeo (2009)
62

Figura 6.14 - Aplicação da parafina para retirada do corpo de prova


Fonte: Tecnogeo (2009)

Figura 6.15 - Envolvimento do corpo de prova com tela

Fonte: Tecnogeo (2009)


63

Figura 6.16 - Retirada do 1º corpo de prova


Fonte: Tecnogeo (2009)

6.1.7 Resultados Preliminares

Tabela 6.1 - Resultados dos ensaios de compressão simples em amostras

Fonte: Tecnogeo (2009)


64

6.2 Resultados

Através de sondagens, coletas de amostras, ensaios e análise química, pode-se


verificar que se trata de um terreno heterogêneo.

6.2.1 Ensaios preliminares

6.2.2 Sondagens

A sondagem apresentada no anexo B, trata-se do ponto mais próximo de onde


foram executados os serviços, distante aproximadamente 30m.

Através dos ensaios apresentados no item 6.2.3, verificou-se que se trata de um solo
com algumas características diferentes.

6.2.3 Ensaio de Caracterização

Os resultados dos ensaios de laboratório, realizados com amostras obtida em


campo, próximo ao local do serviço estão representados nas tabelas 6.2 a 6.4.
Tabela 6.2 - Resumo da Análise Granulométrica

Amostra Profundidade Análise Granulométrica


(m) Argila % Silte % Areia %
01 1,0 – 1,5 54 28 18
02 2,0 – 2,5 15 07 77
03 3,0 29 19 50
Fonte: Tecnogeo (2009)

Tabela 6.3 - Resumo dos Ensaios de Limites de Atterberg

Amostra Profundidade Análise Granulométrica


(m)
LL % LP % IP %
01 1,0 – 1,5 281,8 202,0 79,8
02 2,0 – 2,5 43,3 26,9 16,4
03 3,0 86,6 45,3 41,3
Fonte: Tecnogeo (2009)
65

Tabela 6.4 - Resumo dos Ensaios de Massa Real e W (%)

Amostra Profundidade Massa Especifica Real Umidade Natural


(m) (kg/m³) (%)
01 1,0 – 1,5 1,936 279,6
02 2,0 – 2,5 2,590 71,2
03 3,0 2,524 94,8
Fonte: Tecnogeo (2009)

6.2.4 Ensaios de Compressão Simples – Laboratório

Os ensaios de Compressão Simples, de acordo com os procedimentos de


laboratório, foram moldados e posteriormente rompidos, corpos de prova para
ensaio de compressão simples (NBR-12770/92). Seus resultados estão
apresentados em forma resumida na tabela 6.5.

Tabela 6.5 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples

Dosagem Idade Resistência Média


(kg/m³) (dias) (kPa)
60 07 70
60 14 119
60 28 132
60 56 168
60 90 112
90 07 302
90 14 359
90 28 537
90 56 638
90 90 727
120 07 468
120 14 782
120 28 1.161
120 56 1.483
120 90 1.476
Fonte: Tecnogeo (2009)
66

6.2.5 Ensaios de Analise Químicas

Os ensaios de análises químicas nas amostras de Água e de Solo, foram realizados


em laboratório e os resumos destes resultados estão apresentados na tabela 6.6 e
6.7.

Tabela 6.6 - Resumo dos Ensaios de Análise Química - Água

Parâmetros Composição química Amostra 01


Acidez (mg/l) CaCO3 44,00
Carbonato (mg/l) CaCO3 27,00
Matéria Orgânica (mg/l) - 108,00
Cloreto (mg/l) Cl 59,10
pH - 6,67
Sulfato (mg/l) SO4 6,00
Sulfeto (mg/l) S <0,1
Carbono Orgânico Total C 5,40
(mg/l)
Fonte: Tecnogeo (2009)

Tabela 6.7 - Resumo dos Ensaios de Análise Química - Solo

Parâmetros Composição química Amostra 01


Acidez (mg/kg) CaCO3 480,00
Carbonato (mg/kg) CaCO3 1,21 x 104
Capacidade de Troca - 170,00
Catiônica (mmol/kg)
Cloreto (mg/kg) Cl 216,00
Matéria Orgânica (%) - 16,00
pH - 6,93
Sulfato (mg/kg) SO4 1,08 x 10³
Sulfeto (mg/kg) S 100,00
Carbono Orgânico Total C 360,00
(mg/kg)
Fonte: Tecnogeo (2009)
67

6.3 Análise dos Resultados

Após todos os estudos em laboratório, observou-se que os resultados para o teor de


90 kg de cimento por m³ de solo estavam acima do esperado. Para otimização do
prazo e do custo da obra foi adotado então um teor médio de 80kg de cimento por
m³ de solo.

6.3.1 Verificação dos Resultados em Campo

Para verificação dos resultados em campo, após os serviços de STABTEC® , para


comparar os resultados, uma amostra foi coletada em campo através de bloco
indeformado, ao mesmo tempo .em que eram realizados os serviços de escavação
de uma vala teste (Figuras 6.16 e 6.17).

Figura 6.17 - Escavação da vala teste, após o tratamento


Fonte: Tecnogeo (2009)
68

Figura 6.18 - Retirada de amostra através de bloco indeformado


Fonte: Tecnogeo (2009)

Foi realizada também uma nova coleta mais próxima aos serviços, ou seja, mais
representativa para que fossem realizadas os ensaios em laboratório e uma
comparação dos resultados campo x laboratório.

Nas tabelas 6.8 a 6.10 são apresentados os resumos de todos os ensaios realizados
na nova amostra, que confirmaram a premissa de local com solo heterogêneo.

Tabela 6.8 - Resumo da Análise Granulométrica

Amostra Profundidade (m) Análise Granulométrica


Argila % Silte % Areia %
01 1,0 39 56 5
Fonte: Tecnogeo (2009)
69

Tabela 6.9 - Resumo dos Ensaios de Limites de Atterberg

Amostra Profundidade (m) Análise de Atterberg


LL % LP % IP %
01 1,0 79 47 32
Fonte: Tecnogeo (2009)

Tabela 6.10 - Resumo dos Ensaios de Massa Real e W (%)

Amostra Profundidade (m) Massa Específica Umidade Natural %


Real (kg/m²)
01 1,0 2,643 140
Fonte: Tecnogeo (2009)

6.3.2 Ensaios de Compressão Simples – Amostra Deformada Misturada em


Laboratório

Com amostras deformadas misturadas em laboratório foram moldados novos


corpos de prova e posteriormente rompidos, de acordo com as especificações para
ensaio de compressão simples (Tabela 6.11).

Tabela 6.11 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples

Dosagem (kg/m³) Idade (dias) Resistência Média (kPa)


80 07 29
80 29 30
80 43 32
Fonte: Tecnogeo (2009)
70

6.3.3 Ensaio de Compressão Simples – Amostra Indeformada da Mistura de


Solo-Cimento

Com amostras indeformadas da mistura Solo-cimento e os dados da tabela 6.9 é


conhecido o resultado de resistência média para os ensaios de compressão simples,
realizado a partir de corpos de prova talhados do bloco indeformado retirado em
campo (Tabela 6.12).

Tabela 6.12 - Resumo dos Ensaios de Compressão Simples - Bloco Indeformado

Dosagem (kg/m³) Idade (dias) Resistência Média (kPa)


80 43 82
Fonte: Tecnogeo (2009)

6.4 Análise Crítica

Especificamente em relação ao estudo de caso, de acordo com a literatura, os testes


de laboratório podem ter resultados até 60% maiores que os de campo, em relação
aos resultados de resistência obtida.

Porém, a justificativa para este caso, pode ser devido a areia lançada para formação
de uma passagem de veículos, material este encontrado próximo ao local onde fora
retirado o bloco de amostra indeformada, ou seja, esta areia pode ter sido carreada
e misturada ao perfil de solo antes do tratamento e, com isto, otimizado os
resultados quando o solo foi tratado.

Além disto, os testes preliminares de laboratório, foram realizados utilizando amostra


de solo coletada a uma distância de aproximadamente 30m do local do tratamento, e
estudos posteriores confirmaram que a neste local, o perfil de solo apresentava
porcentagens pouco maiores de silte e areia em relação à amostra de solo usada
anteriormente para testes de laboratório.
71

7 CONCLUSÕES

As investigações geológicas, assim como o exato entendimento de profissionais de


Engenharia têm grande importância para o êxito técnico de empreendimentos,
porque subsidiam a adoção de soluções adequadas as características do solo.

O terreno faz parte integrante de qualquer construção, afinal é ele que dá


sustentação ao carregamento aplicado e também determina as características
fundamentais do projeto em função de seu perfil e de características físicas como
elevação, drenagem e localização.

Para efeito prático de uma construção, é preciso conhecer o comportamento que se


espera de um solo quando este receber os esforços solicitantes.

As características dos solos interferem na escolha do tipo de fundação mais


adequado. No caso dos solos moles, que apresentam baixa capacidade de suporte,
não é recomendável o apoio de superestrutura diretamente sobre ele, o que pode
ocosionar recalques e prejudicar sua funcionalidade e desempenho ou até mesmo
levar a obra ao colapso.

Dentre as técnicas apresentadas neste trabalho foram destacados o geodreno que


pode acelerar o adensamento do solo pela redução da pressão neutra, aumentando
a resistência ao cisalhamento e, portanto, criando uma condição de estabilidade
para receber as cargas definitivas da superfície; a cal que pode ser aplicada em
praticamente todos os tipos de solo, porém muitas vezes é necessário um longo
tempo para a mistura adquirir a sua resistência mecânica; a técnica Jet Grout que
consiste nas alterações das propriedades mecânicas do solo “in situ“, conferindo ao
maciço maior resistência, menor compressibilidade e relativa impermeabilidade e a
injeção de consolidação que tem por objetivo o de impermeabilizar e dar
consistência ao solo, modificando suas características físicas.
72

A finalidade do sistema Stabtec® é gerar estabilidade da massa absorvendo as


tensões devido a carregamentos, inadmissíveis no caso da situação natural.

Dentre os métodos de tratamentos apresentados neste trabalho, entre muitos outros


existentes, a atuação do Sistema Stabtec® na referida obra apresentou melhor
desempenho, pois a espessura do solo mole a ser tratada era de 4,00 m dentro do
limite de tratamento do sistema, a condição de campo para utilização do
equipamento de aplicação era favorável e o sistema atendia a necessidade do
cronograma da obra.
73

REFERÊNCIAS

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BILFINGER BERGER SPEZIAL TIEFBAU GMBH (2010). Disponível em:


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controlo de qualidade. Dissertação de Mestrado em Mecânica dos Solos, FCTUNL,
Lisboa - Disponível em: <www.googleacademico.com.br>. Acesso em: 05 abril 2010.

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<www.osx.com.br>. Acesso em: agosto 2010

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adição de cal. Tese de Mestrado em Engenharia Civil – Estruturas, Geotecnia e
Fundações. Universidade do Minho. Disponível em:
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Cientificos, São Paulo, 2000.
74

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SABESP (2010). Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, 2010

SOLOTRAT (2006). Livro de Manuais Técnicos - Engenharia Geotécnica – Edição


e Revisão Solotrat – 2ª edição, São Paulo, 2006

TECNOGEO (2010). Tecnogeo Engenharia e Fundações Ltda., São Paulo, 2010.

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ZIRLIS, A. C. Livro de Manuais Técnicos. Edição e revisão Solotrat, 1ª edição, São


Paulo, 2003.
ANEXO A
2
3

ANEXO B
4
5
6
7
8
9