Você está na página 1de 75

Município de Maceió - AL

Assistente – Secretário Escolar

1. Sistema Educacional Brasileiro: Lei Federal nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional)
e suas alterações, Decreto Federal nº 5.622/2005 e suas alterações; Atribuições dos entes federados na
organização política da educação, criação dos Sistemas Educacionais e dos Conselhos Municipais, Estaduais e
Nacional. ........................................................................................................................................................................................... 1

2. Censo escolar: significado e utilização. ......................................................................................................................... 19

3. Gestão escolar e democrática: princípios e importância; O Projeto Político Pedagógico da Escola: princípios
e importância; O Regimento Escolar; As funções e atribuições do Conselho Escolar e o papel do sujeito que
compõe a escola; A importância da relação comunidade/escola; Eleição para diretor(a) escolar; As atribuições da
direção escolar e da coordenação pedagógica; Função e importância do Conselho de Classe.................................. 20

4. Organização administrativa e secretariado escolar: tipos e métodos de arquivamento; escrituração escolar:


certificados, históricos, boletins, diplomas, atas, matrículas, transferências, aproveitamento de estudos,
equivalência de estudos, promoção, classificação e reclassificação, diário de classe, registro e cadastro da vida
funcional dos servidores da escola; Formas de documentação. ....................................................................................... 33

5. Noções básicas de administração: planejamento, organização, direção e controle. .......................................... 40

6. Uso da informática para arquivamento, escrituração e documentação................................................................ 42

7. Redação de correspondências oficiais: Manual de Redação da Presidência da República. .............................. 44

8. Técnicas de atendimento ao público. ............................................................................................................................ 56

9. Relações humanas no trabalho. ...................................................................................................................................... 58

Questões ................................................................................................................................................................................... 60

Apostila gerada especialmente para: Mailton Martins de Brito 106.232.004-22


Candidatos ao Concurso Público,

O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas relacionadas

ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho na prova.

As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em contato,

informe:

- Apostila (concurso e cargo);

- Disciplina (matéria);

- Número da página onde se encontra a dúvida; e

- Qual a dúvida.

Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O professor terá

até cinco dias úteis para respondê-la.

Bons estudos!

1
Apostila gerada especialmente para: Mailton Martins de Brito 106.232.004-22
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura,
1. Sistema Educacional Brasileiro: Lei o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
Federal nº 9.394/1996 (Lei de IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
Diretrizes e Bases da Educação
1 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Atualizado em
Nacional) e suas alterações, Decreto .09.2016 às 11:06 horas.
Federal nº 5.622/2005 e suas V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos
alterações; Atribuições dos entes
oficiais;
federados na organização política da VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma
educação, criação dos Sistemas desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
Educacionais e dos Conselhos IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extraescolar;
Municipais, Estaduais e Nacional. XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as
práticas sociais.
XII - consideração com a diversidade étnico-racial.

TÍTULO III
Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos
Do Direito à Educação e do Dever de Educar
nos colocar à sua disposição, durante todo o prazo do concurso
para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será
zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, efetivado mediante a garantia de:
podem ocorrer erros de digitação ou dúvida conceitual. Em I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17
qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma:
atendimento ao cliente para que possamos esclarecê-lo. Entre em a) pré-escola;
contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br b) ensino fundamental;
c) ensino médio;
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 19961 II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de
idade;
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. III - atendimento educacional especializado gratuito aos
educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio
TÍTULO I para todos os que não os concluíram na idade própria;
Da Educação V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
criação artística, segundo a capacidade de cada um;
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do
desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas educando;
instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com
da sociedade civil e nas manifestações culturais. características e modalidades adequadas às suas necessidades e
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as
predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. condições de acesso e permanência na escola;
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação
prática social. básica, por meio de programas suplementares de material
didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde;
Comentário: A educação escolar de que se trata essa lei, considera a IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a
educação em instituições próprias à esse fim de modo porém que essa variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis
educação tome sentido não só na vida escolar da criança mas, também, ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.
no meio profissional e na prática social. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino
fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do
TÍTULO II dia em que completar 4 (quatro) anos de idade.
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 5° O acesso à educação básica obrigatória é direito público
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. público para exigi-lo.

1
§ 1o O poder público, na esfera de sua competência federativa, sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade
deverá: obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva;
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito
escolar, bem como os jovens e adultos que não concluíram a Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação
educação básica; infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os
II - fazer-lhes a chamada pública; currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência básica comum;
à escola. IV-A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal
§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará e os Municípios, diretrizes e procedimentos para identificação,
em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste cadastramento e atendimento, na educação básica e na educação
artigo, contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de superior, de alunos com altas habilidades ou superdotação; (Incluído
ensino, conforme as prioridades constitucionais e legais. pela Lei nº 13.234, de 2015)
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento
art. 208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com
judicial correspondente. os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a
melhoria da qualidade do ensino;
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e
garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada pósgraduação;
por crime de responsabilidade. VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de
§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem
Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis responsabilidade sobre este nível de ensino;
de ensino, independentemente da escolarização anterior. IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,
respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os
Art. 6° É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das estabelecimentos do seu sistema de ensino.
crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de
Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade
Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes permanente, criado por lei.
condições: § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do acesso a todos os dados e informações necessários de todos os
respectivo sistema de ensino; estabelecimentos e órgãos educacionais.
II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos
Poder Público; Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de
III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no educação superior.
art.
213 da Constituição Federal. Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições
Comentário: É dever do Estado garantir escola pública na educação oficiais dos seus sistemas de ensino;
básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta
idade de modo que o acesso à essa educação é direito público subjetivo, do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição
ou seja, todo e qualquer cidadão tem direito à ela e caso não consiga tem, proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser
também, o direito de acionar o poder público para exigi-la. Por outro atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas
lado, a matrícula nas escolas é dever dos pais ou responsáveis a partir esferas do Poder Público;
dos 4 anos. III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em
consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação,
integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios;
TÍTULO IV
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,
Da Organização da Educação Nacional
respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os
estabelecimentos do seu sistema de ensino;
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o
ensino.
ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art.
§ 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação,
38 desta Lei;
articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.
normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias
educacionais. Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências
referentes aos Estados e aos Municípios.
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos
desta Lei.
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições
oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com
planos
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
educacionais da União e dos Estados;
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições
oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios; II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas;
III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao III - baixar normas complementares para o seu sistema
Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus de ensino;

2
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela
estabelecimentos do seu sistema de ensino; iniciativa privada;
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com III - os órgãos federais de educação.
prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros
níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal
as necessidades de sua área de competência e com recursos acima compreendem:
dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo
manutenção e desenvolvimento do ensino. Poder Público estadual e pelo Distrito Federal;
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder
municipal. Público municipal;
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e
ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de mantidas pela iniciativa privada;
educação básica. IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal,
respectivamente.
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação
comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; de ensino.
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e
financeiros; Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação
estabelecidas; infantil mantidas pelo Poder Público municipal;
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor iniciativa privada;
rendimento; III – os órgãos municipais de educação.
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando
processos de integração da sociedade com a escola; Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento)
for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas,
alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; mantidas e administradas pelo Poder Público;
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por
competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima
de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas
seguintes categorias: (Regulamento)
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são
instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo;
estabelecimento de ensino; II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive
pedagógica do estabelecimento de ensino; cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua
III - zelar pela aprendizagem dos alunos; entidade mantenedora representantes da comunidade;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por
menor rendimento; grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto
participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à no inciso anterior;
avaliação e ao desenvolvimento profissional; IV - filantrópicas, na forma da lei.
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as
famílias e a comunidade. TÍTULO V
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão CAPÍTULO I
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as Da Composição dos Níveis Escolares
suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
projeto pedagógico da escola; I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos fundamental e ensino médio; II - educação superior.
escolares ou equivalentes.
Comentário: A educação básica vai dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete)
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares anos e é dividida em três etapas a educação infantil (creche e pré-escola),
públicas de educação básica que os integram progressivos graus de a educação fundamental (até a oitava série, 9° ano) e o ensino médio.
autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, Outra etapa da educação é o ensino superior, em que o estudante opta
observadas as normas gerais de direito financeiro público. pela “área” em que quer estudar e que só é possível após a conclusão da
educação básica.
Art. 16. O sistema federal de ensino compreende:(Regulamento)
I - as instituições de ensino mantidas pela União; CAPÍTULO II

3
DA EDUCAÇÃO BÁSICA VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o
Seção I disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino,
Das Disposições Gerais exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de
horas letivas para aprovação;
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares,
educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de
exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e conclusão de cursos, com as especificações cabíveis.
em estudos posteriores. Parágrafo único. A carga horária mínima anual de que trata o inciso
I do caput deverá ser progressivamente ampliada, no ensino médio, para
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, mil e quatrocentas horas, observadas as normas do respectivo sistema
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, de ensino e de acordo com as diretrizes, os objetivos, as metas e as
grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros estratégias de implementação estabelecidos no Plano Nacional de
critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse Educação. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
do processo de aprendizagem assim o recomendar.
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis
tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a
exterior, tendo como base as normas curriculares gerais. carga horária e as condições materiais do estabelecimento.
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das
inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de condições disponíveis e das características regionais e locais, estabelecer
ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.
Lei.
Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada,
organizada de acordo com as seguintes regras comuns: em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da
distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger,
II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o
do ensino fundamental, pode ser feita: conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política,
a) por promoção, para alunos que cursaram, com especialmente da República Federativa do Brasil, observado, na
aproveitamento, a educação infantil, o disposto no art. 31, no ensino fundamental, o
série ou fase anterior, na própria escola; disposto no art. 32, e no ensino médio, o disposto no art. 36. (Redação
dada pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
b) por transferência, para candidatos procedentes de
outras escolas; § 2º O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais,
constituirá componente curricular obrigatório da educação infantil e do
c)independentemente de escolarização anterior, mediante
ensino fundamental, de forma a promover o desenvolvimento cultural
avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e
dos alunos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa
adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de § 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é
ensino; componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino
fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela
III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por
série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, Medida Provisória nº 746, de 2016)
desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis
do respectivo sistema de ensino; horas;
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries II – maior de trinta anos de idade;
distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que,
ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física;
curriculares; IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de
V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes outubro de 1969; V – (Vetado) VI – que tenha prole.
critérios: § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições
das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro,
especialmente das matrizes indígena, africana e europeia.
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do
aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os § 5º No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua
quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de inglesa a partir do sexto ano. (Redação dada pela Medida Provisória nº
eventuais provas finais; 746, de 2016)
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos § 6o As artes visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens
com atraso que constituirão o componente curricular de que trata o § 2º deste artigo.
(Redação dada pela Lei nº 13.278, de 2016).
escolar;
§ 7º A Base Nacional Comum Curricular disporá sobre os temas
c)possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante
transversais que poderão ser incluídos nos currículos de que trata o
verificação do aprendizado;
caput. (Redação dada pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
§ 8º A exibição de filmes de produção nacional constituirá
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de
componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica
preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo
da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas)
rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de
horas mensais. (Incluído pela Lei nº 13.006, de 2014)
ensino em seus regimentos;

4
§ 9o Conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas
as formas de violência contra a criança e ao adolescente serão incluídos,
como temas transversais, nos currículos escolares de que trata o caput
deste artigo, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 Seção II
(Estatuto da Criança e do Adolescente), observada a produção e Da Educação Infantil
distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº 13.010,
de 2014)
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem
§ 10. A inclusão de novos componentes curriculares de caráter como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco)
obrigatório na Base Nacional Comum Curricular dependerá de anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
aprovação do Conselho Nacional de Educação e de homologação pelo complementando a ação da família e da comunidade.
Ministro de Estado da Educação, ouvidos o Conselho Nacional de
Secretários de Educação - Consed e a União Nacional de Dirigentes de
Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
Educação - Undime. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três
anos de idade;
Art. 26.A- Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de
médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e
idade.
cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá
Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação
seguintes regras comuns:
da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o
I - avaliação mediante acompanhamento e registro do
estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para
indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o
índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas o acesso ao ensino fundamental;
contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas,
história do Brasil. distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho
educacional;
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos
povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias
currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral;
literatura e história brasileiras. IV - controle de frequência pela instituição de educação pré-
escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do
total de horas;
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão,
ainda, as seguintes diretrizes: V - expedição de documentação que permita atestar os processos
de desenvolvimento e aprendizagem da criança.
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos
direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem
democrática; Seção III
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em Do Ensino Fundamental
cada estabelecimento;
III - orientação para o trabalho; Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove)
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade,
desportivas não-formais. terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema
adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a
especialmente: sociedade;
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em
necessidades e interesses dos alunos da zona rural; vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de
II - organização escolar própria, incluindo adequação do atitudes e valores;
calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; III IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de
- adequação à natureza do trabalho na zona rural. solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida
Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, indígenas e social.
quilombolas será precedido de manifestação do órgão normativo do § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino
respectivo sistema de ensino, que considerará a justificativa apresentada fundamental em ciclos.
pela Secretaria de Educação, a análise do diagnóstico do impacto da ação § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série
e a manifestação da comunidade escolar. (Incluído pela podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão
Lei nº 12.960, de 2014) continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de
ensinoaprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de
ensino.
Comentário: Quando se fala em educação, mais especificamente em
educação básica deve-se considerar não apenas os conteúdos § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua
administrados em sala de aula, mas também, o desenvolvimento integral portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas
do aluno de modo a possibilitar seu desenvolvimento enquanto cidadão línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
inserido em um contexto social favorecendo seu desenvolvimento para § 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância
o trabalho e também para seus estudos posteriores servindo, assim, utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações
como base para o seu desenvolvimento enquanto sujeito e autor do seu emergenciais.
futuro.

5
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que
conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo presidem a produção moderna;
como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;
Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e III- (Revogado)
distribuição de material didático adequado. § 2º (Revogado)
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema § 3º A organização das áreas de que trata o caput e das respectivas
transversal nos currículos do ensino fundamental. competências, habilidades e expectativas de aprendizagem, definidas na
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante Base Nacional Comum Curricular, será feita de acordo com critérios
da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários estabelecidos em cada sistema de ensino. (Redação dada pela Medida
normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o Provisória nº 746, de 2016)
respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer § 4º (Revogado)
formas de proselitismo. § 5º Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a
definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas construção de seu projeto de vida e para a sua formação nos aspectos
para a habilitação e admissão dos professores. cognitivos e socioemocionais, conforme diretrizes definidas pelo
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas Ministério da Educação. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de
diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do 2016)
ensino religioso. § 6º A carga horária destinada ao cumprimento da Base Nacional
Comum Curricular não poderá ser superior a mil e duzentas horas da
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos carga horária total do ensino médio, de acordo com a definição dos
quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo sistemas de ensino. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
progressivamente ampliado o período de permanência na escola. § 7º A parte diversificada dos currículos de que trata o caput do art.
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas 26, definida em cada sistema de ensino, deverá estar integrada à Base
alternativas de organização autorizadas nesta Lei. Nacional Comum Curricular e ser articulada a partir do contexto
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em histórico, econômico, social, ambiental e cultural. (Incluído pela Medida
tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. Provisória nº 746, de 2016)
§ 8º Os currículos de ensino médio incluirão, obrigatoriamente, o
Seção IV estudo da língua inglesa e poderão ofertar outras línguas estrangeiras,
Do Ensino Médio em caráter optativo, preferencialmente o espanhol, de acordo com a
disponibilidade de oferta, locais e horários definidos pelos sistemas de
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração ensino. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
mínima de três anos, terá como finalidades: § 9º O ensino de língua portuguesa e matemática será obrigatório
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos nos três anos do ensino médio. (Incluído pela Medida Provisória nº 746,
adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de de 2016)
estudos; § 10. Os sistemas de ensino, mediante disponibilidade de vagas na
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do rede, possibilitarão ao aluno concluinte do ensino médio cursar, no ano
educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se letivo subsequente ao da conclusão, outro itinerário formativo de que
adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou trata o caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
aperfeiçoamento posteriores; § 11. A critério dos sistemas de ensino, a oferta de formação a que
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, se refere o inciso V do caput considerará: (Incluído pela Medida
incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual Provisória nº 746, de 2016)
e do pensamento crítico; I - a inclusão de experiência prática de trabalho no setor
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos produtivo ou em ambientes de simulação, estabelecendo parcerias e
processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de fazendo uso, quando aplicável, de instrumentos estabelecidos pela
cada disciplina. legislação sobre aprendizagem profissional; e (Incluído pela Medida
Provisória nº 746, de 2016)
Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base II - a possibilidade de concessão de certificados intermediários
Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos específicos, a de qualificação para o trabalho, quando a formação for estruturada e
serem definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas seguintes organizada em etapas com terminalidade. (Incluído pela Medida
áreas de conhecimento ou de atuação profissional: (Redação dada pela Provisória nº 746, de 2016)
Medida Provisória nº 746, de 2016) § 12. A oferta de formações experimentais em áreas que não
I - linguagens; (Redação dada pela Medida Provisória nº 746, de constem do Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos dependerá, para sua
2016) continuidade, do reconhecimento pelo respectivo Conselho Estadual de
II - matemática; (Redação dada pela Medida Provisória nº 746, de Educação, no prazo de três anos, e da inserção no Catálogo Nacional dos
2016) Cursos Técnicos, no prazo de cinco anos, contados da data de oferta
inicial da formação. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
III - ciências da natureza; (Redação dada pela Medida Provisória
nº 746, de 2016) § 13. Ao concluir o ensino médio, as instituições de ensino emitirão
diploma com validade nacional que habilitará o diplomado ao
IV - ciências humanas; e (Redação dada pela Medida Provisória nº
prosseguimento dos estudos em nível superior e demais cursos ou
746, de 2016)
formações para os quais a conclusão do ensino médio seja obrigatória.
V - formação técnica e profissional. (Incluído pela Medida
(Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
Provisória nº 746, de 2016)
§ 14. A União, em colaboração com os Estados e o Distrito Federal,
§ 1º Os sistemas de ensino poderão compor os seus currículos com
estabelecerá os padrões de desempenho esperados para o ensino
base em mais de uma área prevista nos incisos I a V do caput. (Redação
médio, que serão referência nos processos nacionais de avaliação,
dada pela Medida Provisória nº 746, de 2016)

6
considerada a Base Nacional Comum Curricular. (Incluído pela Medida II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou
Provisória nº 746, de 2016) já o estejam cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso,
§ 15. Além das formas de organização previstas no art. 23, o ensino e podendo ocorrer:
médio poderá ser organizado em módulos e adotar o sistema de créditos a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as
ou disciplinas com terminalidade específica, observada a Base Nacional oportunidades educacionais disponíveis;
Comum Curricular, a fim de estimular o prosseguimento dos estudos. b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as
(Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) oportunidades educacionais disponíveis;
§ 16. Os conteúdos cursados durante o ensino médio poderão ser c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de
convalidados para aproveitamento de créditos no ensino superior, após intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao
normatização do Conselho Nacional de Educação e homologação pelo desenvolvimento de projeto pedagógico unificado.
Ministro de Estado da Educação. (Incluído pela Medida Provisória nº
746, de 2016) Art. 36.D- Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de
§ 17. Para efeito de cumprimento de exigências curriculares do nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao
ensino médio, os sistemas de ensino poderão reconhecer, mediante prosseguimento de estudos na educação superior.
regulamentação própria, conhecimentos, saberes, habilidades e Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível
competências, mediante diferentes formas de comprovação, como: médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quando
(Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão
I - demonstração prática; (Incluído pela Medida Provisória nº a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a
746, de 2016) conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma
II - experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência qualificação para o trabalho.
adquirida fora do ambiente escolar; (Incluído pela Medida Provisória nº
746, de 2016) Seção V
III - atividades de educação técnica oferecidas em outras Da Educação de Jovens e Adultos
instituições de ensino; (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
IV - cursos oferecidos por centros ou programas ocupacionais; Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que
(Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e
V - estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou médio na idade própria.
estrangeiras; e (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e
VI - educação a distância ou educação presencial mediada por aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular,
tecnologias. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de
Seção IV-A trabalho, mediante cursos e exames.
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a
permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e
Art. 36.A- Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o complementares entre si.
ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo
para o exercício de profissões técnicas. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se,
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, preferencialmente, com a educação profissional, na forma do
facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas regulamento.
nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com
instituições especializadas em educação profissional. Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos,
que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
Art. 36.B- A educação profissional técnica de nível médio será prosseguimento de estudos em caráter regular.
desenvolvida nas seguintes formas: § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I - articulada com o ensino médio; I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores
II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído de quinze anos;
o ensino médio. II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de
Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio dezoito anos.
deverá observar: § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação;
II - as normas complementares dos respectivos sistemas de Comentário: A educação infantil (até os 5 anos de idade) deve ser
ensino; complementar à ação da família e da comunidade desde então
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu possibilitando o desenvolvimento da criança enquanto um ser biopsico-
projeto pedagógico. social.
O ensino fundamental, por sua vez, com duração de 9 anos e tento
Art. 36.C- A educação profissional técnica de nível médio articulada, início aos 6 anos de idade visa a formação básica do cidadão, ou seja, - o
prevista no inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de desenvolvimento da capacidade de aprender através do domínio da
forma: leitura, da escrita e do cálculo, a compreensão do ambiente natural e
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que
ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o se fundamenta a sociedade, a aquisição de conhecimentos e habilidades
aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma e a formação de atitudes e valores e o fortalecimento dos vínculos de
instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em
que se assenta a vida social.

7
O ensino médio com duração mínima de 3 anos tem como finalidade comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas
o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos anteriormente, a de comunicação;
preparação para o trabalho, o aprofundamento do desenvolvimento V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e
enquanto ser humano e a integração da teoria à pratica profissional. profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os
A Educação Profissional Técnica de Nível Médio, que tem por conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual
princípios os mesmos pressupostos do ensino médio além de preparar o sistematizadora do conhecimento de cada geração;
educando para o exercício de profissões técnicas. VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente,
A Educação de Jovens e Adultos, diz respeito àqueles que não deram em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à
continuidade no ensino fundamental e médio na idade prevista e que têm comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
o direito de prossegui-la na idade adulta. VII - promover a extensão, aberta à participação da população,
visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação
CAPÍTULO III cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL VIII - atuar em favor da universalização e do aprimoramento da
Da Educação Profissional e Tecnológica educação básica, mediante a formação e a capacitação de profissionais, a
realização de pesquisas pedagógicas e o desenvolvimento de atividades
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos de extensão que aproximem os dois níveis escolares.
objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e (Incluído pela Lei nº 13.174, de 2015)
modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da
tecnologia. Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser programas:
organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis
diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos
sistema e nível de ensino. estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído
§ 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes o ensino médio ou equivalente;
cursos: II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o
I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo
II – de educação profissional técnica de nível médio; seletivo;
III – de educação profissional tecnológica de graduação e III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e
pósgraduação. doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos
§ 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às
pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, exigências das instituições de ensino;
características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino.
§ 1º. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino
com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos
continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do
trabalho. (Regulamento) cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios
para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Incluído
pela Lei nº 11.331, de 2006) (Renumerado do parágrafo único para § 1º
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e
pela Lei nº 13.184, de 2015).
tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação,
reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de § 2º No caso de empate no processo seletivo, as instituições públicas
estudos. de ensino superior darão prioridade de matrícula ao candidato que
comprove ter renda familiar inferior a dez salários mínimos, ou ao de
Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnológica, além
menor renda familiar, quando mais de um candidato preencher o critério
dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à
inicial. (Incluído pela Lei nº 13.184, de 2015)
comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento
e não necessariamente ao nível de escolaridade. § 3º O processo seletivo referido no inciso II do caput considerará
exclusivamente as competências, as habilidades e as expectativas de
aprendizagem das áreas de conhecimento definidas na Base Nacional
CAPÍTULO IV
Comum Curricular, observado o disposto nos incisos I a IV do caput do
Da Educação Superior
art. 36. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)

Art. 43. A educação superior tem por finalidade: Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito ensino superior, públicas ou privadas, com variados graus de
científico e do pensamento reflexivo; abrangência ou especialização.
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento,
aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos
contínua;
limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, avaliação. (Regulamento)
visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente
difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do
identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá
homem e do meio em que vive;
reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento.

8
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável avaliação específicos, aplicados por banca examinadora especial,
por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e poderão ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as
fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a superação das normas dos sistemas de ensino.
deficiências. § 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos
programas de educação a distância.
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do § 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período
ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver. mantidos no período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada instituições públicas, garantida a necessária previsão orçamentária.
período letivo, os programas dos cursos e demais componentes
curriculares, sua duração, requisitos, qualificação dos professores, Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando
recursos disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida
respectivas condições, e a publicação deve ser feita, sendo as 3 (três) por seu titular.
primeiras formas concomitantemente: (Redação dada pela lei nº 13.168, § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas
de 2015). próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições
I - em página específica na internet no sítio eletrônico oficial da nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo
instituição de ensino superior, obedecido o seguinte: (Incluído pela lei nº Conselho Nacional de Educação.
13.168, de 2015) § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades
a) toda publicação a que se refere esta Lei deve ter como estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
título curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos
“Grade e Corpo Docente”; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) internacionais de reciprocidade ou equiparação.
b) a página principal da instituição de ensino superior, § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por
bem como a página da oferta de seus cursos aos ingressantes sob a universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por
forma de vestibulares, processo seletivo e outras com a mesma universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e
finalidade, deve conter a ligação desta com a página específica avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou
prevista neste inciso; superior.
(Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
c)caso a instituição de ensino superior não possua sítio Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a
eletrônico, deve criar página específica para divulgação das transferência de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de
informações de que trata esta Lei; (Incluída pela lei nº 13.168, de existência de vagas, e mediante processo seletivo.
2015) Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei.
d) a página específica deve conter a data completa de sua (Regulamento)
última
atualização; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrência
II - em toda propaganda eletrônica da instituição de ensino de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não
superior, por meio de ligação para a página referida no inciso I; (Incluído regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito,
pela lei nº 13.168, de 2015) mediante processo seletivo prévio.
III - em local visível da instituição de ensino superior e de fácil
acesso ao público; (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como
IV - deve ser atualizada semestralmente ou anualmente, de universidades, ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e
acordo com a duração das disciplinas de cada curso oferecido, admissão de estudantes, levarão em conta os efeitos desses critérios
observando o seguinte: (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) sobre a orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos
a) caso o curso mantenha disciplinas com duração normativos dos sistemas de ensino.
diferenciada, a
publicação deve ser semestral; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de
b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês antes do formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de
início das extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam
aulas; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) por: (Regulamento)
c)caso haja mudança na grade do curso ou no corpo docente até I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo
o início das aulas, os alunos devem ser comunicados sobre as sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de
alterações; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) vista científico e cultural, quanto regional e nacional;
V - deve conter as seguintes informações: (Incluído pela lei nº II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação
13.168, de 2015) acadêmica de mestrado ou doutorado;
a) a lista de todos os cursos oferecidos pela instituição de ensino III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
superior; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) Parágrafo único. É facultada a criação de universidades
b) a lista das disciplinas que compõem a grade curricular de cada especializadas por campo do saber. (Regulamento)
curso e as respectivas cargas horárias; (Incluída pela lei nº 13.168, de
2015) Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às
c) a identificação dos docentes que ministrarão as aulas em cada universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
curso, as disciplinas que efetivamente ministrará naquele curso ou I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas
cursos, sua titulação, abrangendo a qualificação profissional do docente de educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais
e o tempo de casa do docente, de forma total, contínua ou intermitente. da União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;
(Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) (Regulamento)
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas
estudos, demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de as diretrizes gerais pertinentes;

9
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa
científica, produção artística e atividades de extensão; Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor
ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade (Regulamento)
institucional e as exigências do seu meio;
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em
consonância com as normas gerais atinentes;
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de CAPÍTULO V
investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais;
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei,
no ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos; a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais
financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na
universidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação
dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: especial.
I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
II - ampliação e diminuição de vagas; serviços especializados, sempre que, em função das condições
III - elaboração da programação dos cursos; específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; V - comuns de ensino regular.
contratação e dispensa de professores; VI - planos de carreira § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado,
docente. tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.

Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, assim ou superdotação:
como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e
§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas organização específicos, para atender às suas necessidades;
pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: II - terminalidade específica para aqueles que não puderem
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em
administrativo, assim como um plano de cargos e salários, atendidas as virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo
normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis; o programa escolar para os superdotados;
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com III - professores com especialização adequada em nível médio ou
as normas gerais concernentes; superior, para atendimento especializado, bem como professores do
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas
investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de classes comuns;
acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo,
peculiaridades de organização e funcionamento; mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,
aprovação do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, intelectual ou psicomotora;
instalações e equipamentos; V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
de ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom
desempenho. Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação
a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas
pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades
desse alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento 2015)
Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das
instituições de educação superior por ela mantidas. Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins
princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa
comunidade institucional, local e regional. preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos ou superdotação na própria rede pública regular de ensino,
que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.
bem como da escolha de dirigentes.

1
Comentário: A Educação especial diz respeito ao direito à Educação, § 6o O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima em
preferencialmente na rede regular aos educandos com deficiência, exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou prérequisito para o ingresso em cursos de graduação para formação de
superdotação, que possuem necessidades especiais e que requerem, em docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educação - CNE.
alguns casos, atenção especial. À essas crianças o direito à educação deve § 7o (Vetado).
ser garantido visando o maior desenvolvimento possível desse § 8º Os currículos dos cursos de formação de docentes terão por
educando. referência a Base Nacional Comum Curricular. (Incluído pela Medida
Provisória nº 746, de 2016) (Vide Medida Provisória nº 746, de 2016)
TÍTULO VI
Dos Profissionais da Educação Art. 62. A- A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do
art. 61 far-se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas.
que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os
reconhecidos, são: profissionais a que se refere o caput, no local de trabalho ou em
instituições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação
I – professores habilitados em nível médio ou superior para a profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e de
docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; pós-graduação.
II – trabalhadores em educação portadores de diploma de
pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:
supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de I - cursos formadores de profissionais para a educação básica,
mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes
III - trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino
técnico ou superior em área pedagógica ou afim; e (Redação dada pela fundamental;
Medida Provisória nº 746, de 2016) II - programas de formação pedagógica para portadores de
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação
respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins básica;
à sua formação para atender o disposto no inciso V do caput do art. 36. III - programas de educação continuada para os profissionais de
(Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016) educação dos diversos níveis.
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo
a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração,
aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a
terá como fundamentos: educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida,
conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas nesta formação, a base comum nacional.
competências de trabalho;
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá
supervisionados e capacitação em serviço; prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em
instituições de ensino e em outras atividades. Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-seá
em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica farse- e doutorado.
á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com
universidades e institutos superiores de educação, admitida, como curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título
formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e acadêmico.
nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível
médio na modalidade normal. Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos
§ 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos
regime de colaboração, deverão promover a formação inicial, a estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
§ 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de títulos;
magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com
distância. licenciamento periódico remunerado para esse fim;
§ 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará III - piso salarial profissional;
preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de IV - progressão funcional baseada na titulação ou
recursos e tecnologias de educação a distância. habilitação, e na avaliação do desempenho;
§ 4o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação,
mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de incluído na carga de trabalho;
formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica VI - condições adequadas de trabalho.
pública. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício
§ 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das
incentivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na normas de cada sistema de ensino.
educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8o do art. 201
iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as
licenciatura, de graduação plena, nas instituições de educação superior. exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho
de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de

1
educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando
do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino;
coordenação e assessoramento pedagógico. V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento
§ 3o A União prestará assistência técnica aos Estados, ao Distrito dos sistemas de ensino;
Federal e aos Municípios na elaboração de concursos públicos para VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e
provimento de cargos dos profissionais da educação. privadas;
VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a
TÍTULO VII atender ao disposto nos incisos deste artigo;
Dos Recursos financeiros VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de
programas de transporte escolar.
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários
de: Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento
I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do do ensino aquelas realizadas com:
Distrito I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou,
Federal e dos Municípios; quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise,
II - receita de transferências constitucionais e outras precipuamente, ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão;
transferências; II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter
III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; assistencial, desportivo ou cultural;
IV - receita de incentivos fiscais; V - outros recursos previstos em lei. III - formação de quadros especiais para a administração pública,
sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos;
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os IV - programas suplementares de alimentação, assistência
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o médicoodontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de
que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita assistência social;
resultante de impostos, compreendidas as transferências V - obras de infraestrutura, ainda que realizadas para beneficiar
constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público. direta ou indiretamente a rede escolar;
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e
respectivos Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo desenvolvimento do ensino.
previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público,
mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da
receita orçamentária de impostos. Constituição Federal.
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos
estatuídos neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na
orçamento anual, ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a prestação de contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto no
abertura de créditos adicionais, com base no eventual excesso de art. 212 da Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições
arrecadação. Constitucionais Transitórias e na legislação concernente.
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as
efetivamente realizadas, que resultem no não atendimento dos Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e
percentuais mínimos obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades
trimestre do exercício financeiro. educacionais para o ensino fundamental, baseado no cálculo do custo
§ 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União, mínimo por aluno, capaz de assegurar ensino de qualidade.
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será
imediatamente ao órgão responsável pela educação, observados os calculado pela União ao final de cada ano, com validade para o ano
seguintes prazos: subsequente, considerando variações regionais no custo dos insumos e
I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, as diversas modalidades de ensino.
até o vigésimo dia;
II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será
cada mês, até o trigésimo dia; exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de
III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino.
cada mês, até o décimo dia do mês subsequente. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de
§ 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do
e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. esforço fiscal do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município
em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino.
Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela
ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na
básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno,
as que se destinam a: relativo ao padrão mínimo de qualidade.
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União
profissionais da educação; poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento
II - aquisição, manutenção, construção e conservação de de ensino, considerado o número de alunos que efetivamente
instalações e equipamentos necessários ao ensino; frequentam a escola.
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino; § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em
favor do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios se estes

1
oferecerem vagas, na área de ensino de sua responsabilidade, conforme assistência estudantil, assim como de estímulo à pesquisa e
o inciso VI do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior desenvolvimento de programas especiais.
à sua capacidade de atendimento.
Art. 79-A. (Vetado)
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior
ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distrito Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como
Federal e Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.
prescrições legais.
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou ensino, e de educação continuada. (Regulamento)
filantrópicas que: § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas
resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu pela União.
patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto; § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames
II - apliquem seus excedentes financeiros em educação; e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de
escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão
no caso de encerramento de suas atividades; aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e
IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos integração entre os diferentes sistemas. (Regulamento)
recebidos. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a incluirá:
bolsas de estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de
demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de
cursos regulares da rede pública de domicílio do educando, ficando o comunicação que sejam explorados mediante autorização, concessão ou
Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua permissão do poder público;
rede local. II - concessão de canais com finalidades exclusivamente
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão educativas;
receber apoio financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas de III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público,
estudo. pelos concessionários de canais comerciais.

TÍTULO VIII Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino


Das Disposições Gerais experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei.

Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização
agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria.
desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de
educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, com os Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a
seguintes objetivos: equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a de ensino.
recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas
identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados
em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às funções de monitoria, de acordo com seu rendimento e seu plano de
informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional estudos.
e demais sociedades indígenas e não-índias.
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá
ensino no provimento da educação intercultural às comunidades exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de
indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por
§ 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos
indígenas. assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Disposições Constitucionais Transitórias.
Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos:
I - fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como
cada comunidade indígena; universidades integrar-se-ão, também, na sua condição de instituições
II - manter programas de formação de pessoal especializado, de pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da
destinado à educação escolar nas comunidades indígenas; legislação específica.
III - desenvolver currículos e programas específicos, neles
incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas TÍTULO IX
comunidades; Das Disposições Transitórias
IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático
específico e diferenciado. Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir
§ 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo de outras da publicação desta Lei.
ações, o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á, nas
universidades públicas e privadas, mediante a oferta de ensino e de

1
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe
encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em
diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a vista o que dispõem os arts. 8o, § 1o, e 80 da Lei no 9.394, de 20 de
Declaração Mundial sobre Educação para Todos. dezembro de 1996,
§ 2º (Revogado)
§ 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a DECRETA:
União, devem: I - (Revogado)
a) (Revogado) CAPÍTULO I
b) (Revogado) DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
c) (Revogado)
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos Art. 1º Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a
insuficientemente escolarizados; distância como modalidade educacional na qual a mediação
III - realizar programas de capacitação para todos os professores didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com
em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com
distância; estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do lugares ou tempos diversos.
seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. § 1º A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão
§ 4º (Revogado) e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das obrigatoriedade de momentos presenciais para:
redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime I - avaliações de estudantes;
de escolas de tempo integral. II - estágios obrigatórios, quando previstos na legislação
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal pertinente;
e aos Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam III - defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando
condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e previstos na legislação pertinente; e
dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. IV - atividades relacionadas a laboratórios de ensino,
quando for o caso.
Art. 87.A- (Vetado).
Art. 2º A educação a distância poderá ser ofertada nos seguintes
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios níveis e modalidades educacionais:
adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei I - educação básica, nos termos do art. 30 deste Decreto;
no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua publicação. II - educação de jovens e adultos, nos termos do art. 37 da Lei no
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos III - educação especial, respeitadas as especificidades legais
sistemas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. pertinentes;
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos IV - educação profissional, abrangendo os seguintes cursos e
incisos II e III do art. 52 é de oito anos. programas:
a) técnicos, de nível médio; e
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser b) tecnológicos, de nível superior;
criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei, V - educação superior, abrangendo os seguintes cursos e programas:
integrar-se ao respectivo sistema de ensino. a) sequenciais;
b) de graduação;
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior c) de especialização;
e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de d) de mestrado; e
Educação ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos e) de doutorado.
sistemas de ensino, preservada a autonomia universitária.
Art. 3º A criação, organização, oferta e desenvolvimento de cursos e
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. programas a distância deverão observar ao estabelecido na legislação e
em regulamentações em vigor, para os respectivos níveis e modalidades
Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de da educação nacional.
dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não alteradas § 1º Os cursos e programas a distância deverão ser projetados com a
pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de mesma duração definida para os respectivos cursos na modalidade
dezembro de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e presencial.
7.044, de 18 de outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as § 2º Os cursos e programas a distância poderão aceitar transferência
modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. e aproveitar estudos realizados pelos estudantes em cursos e programas
presenciais, da mesma forma que as certificações totais ou parciais
Referencias obtidas nos cursos e programas a distância poderão ser aceitas em
Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
outros cursos e programas a distância e em cursos e programas
presenciais, conforme a legislação em vigor.

DECRETO Nº 5.622, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2005.


Art. 4º A avaliação do desempenho do estudante para fins de
promoção, conclusão de estudos e obtenção de diplomas ou certificados
Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes
e bases da educação nacional. dar-se-á no processo, mediante:
I - cumprimento das atividades programadas; e II
- realização de exames presenciais.

1
§ 1º Os exames citados no inciso II serão elaborados pela própria Art. 10. Compete ao Ministério da Educação promover os atos de
instituição de ensino credenciada, segundo procedimentos e critérios credenciamento de instituições para oferta de cursos e programas a
definidos no projeto pedagógico do curso ou programa. distância para educação superior.
§ 2º Os resultados dos exames citados no inciso II deverão prevalecer § 1º O ato de credenciamento referido no caput considerará como
sobre os demais resultados obtidos em quaisquer outras formas de abrangência para atuação da instituição de ensino superior na
avaliação a distância. modalidade de educação a distância, para fim de realização das
atividades presenciais obrigatórias, a sede da instituição acrescida dos
Art. 5º Os diplomas e certificados de cursos e programas a distância, endereços dos polos de apoio presencial, mediante avaliação in loco,
expedidos por instituições credenciadas e registrados na forma da lei, aplicando-se os instrumentos de avaliação pertinentes e as disposições
terão validade nacional. da Lei no 10.870, de 19 de maio de 2004.
Parágrafo único. A emissão e registro de diplomas de cursos e
programas a distância deverão ser realizados conforme legislação § 2º As atividades presenciais obrigatórias, compreendendo
educacional pertinente. avaliação, estágios, defesa de trabalhos ou prática em laboratório,
conforme o art. 1º, § 1º, serão realizados na sede da instituição ou nos
Art. 6º Os convênios e os acordos de cooperação celebrados para fins polos de apoio presencial, devidamente credenciados.
de oferta de cursos ou programas a distância entre instituições de ensino § 3º A instituição poderá requerer a ampliação da abrangência de
brasileiras, devidamente credenciadas, e suas similares estrangeiras, atuação, por meio do aumento do número de polos de apoio presencial,
deverão ser previamente submetidos à análise e homologação pelo órgão na forma de aditamento ao ato de credenciamento.
normativo do respectivo sistema de ensino, para que os diplomas e § 4º O pedido de aditamento será instruído com documentos que
certificados emitidos tenham validade nacional. comprovem a existência de estrutura física e recursos humanos
Art. 7º Compete ao Ministério da Educação, mediante articulação necessários e adequados ao funcionamento dos polos, observados os
entre seus órgãos, organizar, em regime de colaboração, nos termos dos referenciais de qualidade, comprovados em avaliação in loco.
arts. 8o, 9o, 10 e 11 da Lei no 9.394, de 1996, a cooperação e integração § 5º No caso do pedido de aditamento visando ao funcionamento de
entre os sistemas de ensino, objetivando a padronização de normas e pólo de apoio presencial no exterior, o valor da taxa será complementado
procedimentos para, em atendimento ao disposto no art. 80 daquela Lei: pela instituição com a diferença do custo de viagem e diárias dos
I - credenciamento e renovação de credenciamento de avaliadores no exterior, conforme cálculo do Instituto Nacional de
instituições para oferta de educação a distância; e Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP.
II - autorização, renovação de autorização, reconhecimento e § 6º O pedido de ampliação da abrangência de atuação, nos termos
renovação de reconhecimento dos cursos ou programas a distância. deste artigo, somente poderá ser efetuado após o reconhecimento do
Parágrafo único. Os atos do Poder Público, citados nos incisos I e II, primeiro curso a distância da instituição, exceto na hipótese de
deverão ser pautados pelos Referenciais de Qualidade para a Educação credenciamento para educação a distância limitado à oferta de
a Distância, definidos pelo Ministério da Educação, em colaboração com pósgraduação lato sensu.
os sistemas de ensino. § 7º As instituições de educação superior integrantes dos sistemas
estaduais que pretenderem oferecer cursos superiores a distância
Art. 8º Os sistemas de ensino, em regime de colaboração, organizarão devem ser previamente credenciadas pelo sistema federal, informando
e manterão sistemas de informação abertos ao público com os dados de: os polos de apoio presencial que integrarão sua estrutura, com a
I - credenciamento e renovação de credenciamento demonstração de suficiência da estrutura física, tecnológica e de
institucional; recursos humanos. (Incluído pelo Decreto nº 6.303, de 2007)
II - autorização e renovação de autorização de cursos ou
programas a distância; Art. 11. Compete às autoridades dos sistemas de ensino estadual e
III - reconhecimento e renovação de reconhecimento de do Distrito Federal promover os atos de credenciamento de instituições
cursos ou programas a distância; e para oferta de cursos a distância no nível básico e, no âmbito da
IV - resultados dos processos de supervisão e de respectiva unidade da Federação, nas modalidades de:
avaliação. I - educação de jovens
Parágrafo único. O Ministério da Educação deverá organizar e e adultos;
manter sistema de informação, aberto ao público, disponibilizando os II - educação especial; e
dados nacionais referentes à educação a distância. III - educação profissional.
§ 1º Para atuar fora da unidade da Federação em que estiver sediada,
CAPÍTULO II a instituição deverá solicitar credenciamento junto ao Ministério da
DO CREDENCIAMENTO DE INSTRUÇÕES PARA OFERTA DE Educação.
CURSOS E § 2º O credenciamento institucional previsto no § 1o será realizado
PROGRAMAS NA MODALIDADE A DISTÂNCIA em regime de colaboração e cooperação com os órgãos normativos dos
sistemas de ensino envolvidos.
§ 3º Caberá ao órgão responsável pela educação a distância no
Art. 9º O ato de credenciamento para a oferta de cursos e programas
Ministério da Educação, no prazo de cento e oitenta dias, contados da
na modalidade a distância destina-se às instituições de ensino, públicas
publicação deste Decreto, coordenar os demais órgãos do Ministério e
ou privadas.
dos sistemas de ensino para editar as normas complementares a este
Parágrafo único. As instituições de pesquisa científica e tecnológica,
Decreto, para a implementação do disposto nos §§ 1o e 2o.
públicas ou privadas, de comprovada excelência e de relevante produção
em pesquisa, poderão solicitar credenciamento institucional, para a
oferta de cursos ou programas a distância de: Art. 12. O pedido de credenciamento da instituição deverá ser
formalizado junto ao órgão responsável, mediante o cumprimento dos
I - especialização;
seguintes requisitos:
II - mestrado;
I - habilitação jurídica, regularidade fiscal e capacidade
III - doutorado; e
econômicofinanceira, conforme dispõe a legislação em vigor;
IV - educação profissional tecnológica de pós-graduação.

1
II - histórico de funcionamento da instituição de ensino, quando avaliativo, observado o Decreto no 5.773, de 2006, e normas expedidas
for o caso; pelo Ministério da Educação.
III - plano de desenvolvimento escolar, para as instituições de § 1º A instituição credenciada deverá iniciar o curso autorizado no
educação básica, que contemple a oferta, a distância, de cursos prazo de até doze meses, a partir da data da publicação do respectivo ato,
profissionais de nível médio e para jovens e adultos; ficando vedada a transferência de cursos para outra instituição.
IV - plano de desenvolvimento institucional, para as instituições § 2º Caso a implementação de cursos autorizados não ocorra no
de educação superior, que contemple a oferta de cursos e programas a prazo definido no § 1o, os atos de credenciamento e autorização de
distância; cursos serão automaticamente tornados sem efeitos.
V - estatuto da universidade ou centro universitário, ou § 3º Os pedidos de credenciamento e recredenciamento para
regimento da instituição isolada de educação superior; educação a distância observarão a disciplina processual aplicável aos
VI - projeto pedagógico para os cursos e programas que serão processos regulatórios da educação superior, nos termos do Decreto no
ofertados na modalidade a distância; 5.773, de 2006, e normas expedidas pelo Ministério da Educação.
VII - garantia de corpo técnico e administrativo qualificado; § 4º Os resultados do sistema de avaliação mencionado no art. 16
VIII - apresentar corpo docente com as qualificações exigidas na deverão ser considerados para os procedimentos de renovação de
legislação em vigor e, preferencialmente, com formação para o trabalho credenciamento.
com educação a distância;
IX - apresentar, quando for o caso, os termos de convênios e de Art. 15. Os pedidos de autorização, reconhecimento e renovação de
acordos de cooperação celebrados entre instituições brasileiras e suas reconhecimento de cursos superiores a distância de instituições
cossignatárias estrangeiras, para oferta de cursos ou programas a integrantes do sistema federal devem tramitar perante os órgãos
distância; próprios do Ministério da Educação.
X - descrição detalhada dos serviços de suporte e infraestrutura § 1º Os pedidos de autorização, reconhecimento e renovação de
adequados à realização do projeto pedagógico, relativamente a: reconhecimento de cursos superiores a distância oferecidos por
a) instalações físicas e infraestrutura tecnológica de instituições integrantes dos sistemas estaduais devem tramitar perante
suporte e os órgãos estaduais competentes, a quem caberá a respectiva supervisão.
atendimento remoto aos estudantes e professores;
b) laboratórios científicos, quando for o caso; § 2º Os cursos das instituições integrantes dos sistemas estaduais
c)pólo de apoio presencial é a unidade operacional, no País ou no cujas atividades presenciais obrigatórias forem realizados em polos de
exterior, para o desenvolvimento descentralizado de atividades apoio presencial fora do Estado sujeitam-se a autorização,
pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas reconhecimento e renovação de reconhecimento pelas autoridades
ofertados a distância; competentes do sistema federal.
d) bibliotecas adequadas, inclusive com acervo § 3º A oferta de curso reconhecido na modalidade presencial, ainda
eletrônico remoto e acesso por meio de redes de comunicação e que análogo ao curso a distância proposto, não dispensa a instituição do
sistemas de informação, com regime de funcionamento e requerimento específico de autorização, quando for o caso, e
atendimento adequados aos estudantes de educação a distância. reconhecimento para cada um dos cursos, perante as autoridades
§ 1º O pedido de credenciamento da instituição para educação a competente.
distância deve vir acompanhado de pedido de autorização de pelo menos
um curso na modalidade. Art. 16. O sistema de avaliação da educação superior, nos termos da
§ 2º O credenciamento para educação a distância que tenha por base Lei no 10.861, de 14 de abril de 2004, aplica-se integralmente à educação
curso de pós-graduação lato sensu ficará limitado a esse nível. superior a distância.
§ 3º A instituição credenciada exclusivamente para a oferta de
pósgraduação lato sensu a distância poderá requerer a ampliação da Art. 17. Identificadas deficiências, irregularidades ou
abrangência acadêmica, na forma de aditamento ao ato de descumprimento das condições originalmente estabelecidas, mediante
credenciamento. (Incluído pelo Decreto nº 6.303, de 2007) ações de supervisão ou de avaliação de cursos ou instituições
credenciadas para educação a distância, o órgão competente do
Art. 13. Para os fins de que trata este Decreto, os projetos respectivo sistema de ensino determinará, em ato próprio, observado o
pedagógicos de cursos e programas na modalidade a distância deverão: contraditório e ampla defesa:
I - obedecer às diretrizes curriculares nacionais, estabelecidas I - instalação de diligência, sindicância ou processo
pelo Ministério da Educação para os respectivos níveis e modalidades administrativo;
educacionais; II - suspensão do reconhecimento de cursos superiores ou da
II - prever atendimento apropriado a estudantes portadores de renovação de autorização de cursos da educação básica ou
necessidades especiais; profissional;
III - explicitar a concepção pedagógica dos cursos e programas a III - intervenção;
distância, com apresentação de: IV - desativação de cursos; ou
a) os respectivos currículos; V - descredenciamento da instituição para educação a distância.
b) o número de vagas proposto; § 1º A instituição ou curso que obtiver desempenho insatisfatório na
c)o sistema de avaliação do estudante, prevendo avaliações avaliação de que trata a Lei no 10.861, de 2004, ficará sujeita ao disposto
presenciais e avaliações a distância; e nos incisos I a IV, conforme o caso.
d) descrição das atividades presenciais obrigatórias, tais § 2º As determinações de que trata o caput são passíveis de recurso
como estágios curriculares, defesa presencial de trabalho de ao órgão normativo do respectivo sistema de ensino.
conclusão de curso e das atividades em laboratórios científicos, bem
como o sistema de controle de frequência dos estudantes nessas CAPÍTULO III
atividades, quando for o caso. DA OFERTA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EDUCAÇÃO
ESPECIAL E
Art. 14. O credenciamento de instituição para a oferta dos cursos ou EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NA MODALIDADE A DISTÂNCIA, NA
programas a distância terá prazo de validade condicionado ao ciclo EDUCAÇÃO BÁSICA

1
Art. 24. A oferta de cursos de especialização a distância, por
Art. 18. Os cursos e programas de educação a distância criados instituição devidamente credenciada, deverá cumprir, além do disposto
somente poderão ser implementados para oferta após autorização dos neste Decreto, os demais dispositivos da legislação e normatização
órgãos competentes dos respectivos sistemas de ensino. pertinentes à educação, em geral, quanto:
Art. 19. A matrícula em cursos a distância para educação básica de I - à titulação do corpo docente;
jovens e adultos poderá ser feita independentemente de escolarização II - aos exames presenciais; e
anterior, obedecida a idade mínima e mediante avaliação do educando, III - à apresentação presencial de trabalho de conclusão
que permita sua inscrição na etapa adequada, conforme normas do de curso ou de monografia.
respectivo sistema de ensino. Parágrafo único. As instituições credenciadas que ofereçam cursos
de especialização a distância deverão informar ao Ministério da
CAPÍTULO IV Educação os dados referentes aos seus cursos, quando de sua criação.
DA OFERTA DE CURSOS SUPERIORES, NA MODALIDADE A
DISTÂNCIA Art. 25. Os cursos e programas de mestrado e doutorado a distância
estarão sujeitos às exigências de autorização, reconhecimento e
Art. 20. As instituições que detêm prerrogativa de autonomia renovação de reconhecimento previstas na legislação específica em
universitária credenciadas para oferta de educação superior a distância vigor.
poderão criar, organizar e extinguir cursos ou programas de educação § 1º Os atos de autorização, o reconhecimento e a renovação de
superior nessa modalidade, conforme disposto no inciso I do art. 53 da reconhecimento citados no caput serão concedidos por prazo
Lei no 9.394, de 1996. determinado conforme regulamentação.
§ 1º Os cursos ou programas criados conforme o caput somente § 2º Caberá à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
poderão ser ofertados nos limites da abrangência definida no ato de Superior - CAPES editar as normas complementares a este Decreto, no
credenciamento da instituição. âmbito da pós-graduação stricto sensu.
§ 2º Os atos mencionados no caput deverão ser comunicados à
Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. CAPÍTULO VI
§ 3º O número de vagas ou sua alteração será fixado pela instituição DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
detentora de prerrogativas de autonomia universitária, a qual deverá
observar capacidade institucional, tecnológica e operacional próprias Art. 26. As instituições credenciadas para oferta de cursos e
para oferecer cursos ou programas a distância. programas a distância poderão estabelecer vínculos para fazê-lo em
bases territoriais múltiplas, mediante a formação de consórcios,
Art. 21. Instituições credenciadas que não detêm prerrogativa de parcerias, celebração de convênios, acordos, contratos ou outros
autonomia universitária deverão solicitar, junto ao órgão competente do instrumentos similares, desde que observadas as seguintes condições:
respectivo sistema de ensino, autorização para abertura de oferta de I - comprovação, por meio de ato do Ministério da Educação,
cursos e programas de educação superior a distância. após avaliação de comissão de especialistas, de que as instituições
§ 1º Nos atos de autorização de cursos superiores a distância, será vinculadas podem realizar as atividades específicas que lhes forem
definido o número de vagas a serem ofertadas, mediante processo de atribuídas no projeto de educação a distância;
avaliação externa a ser realizada pelo Ministério da Educação. II - comprovação de que o trabalho em parceria está devidamente
§ 2º Os cursos ou programas das instituições citadas no caput que previsto e explicitado no:
venham a acompanhar a solicitação de credenciamento para a oferta de a) plano de desenvolvimento institucional;
educação a distância, nos termos do § 1o do art. 12, também deverão ser b) plano de desenvolvimento escolar; ou
submetidos ao processo de autorização tratado neste artigo.
c) projeto pedagógico, quando for o caso, das instituições parceiras;
Art. 22. Os processos de reconhecimento e renovação do III - celebração do respectivo termo de compromisso, acordo ou
reconhecimento dos cursos superiores a distância deverão ser convênio; e
solicitados conforme legislação educacional em vigor. IV - indicação das responsabilidades pela oferta dos cursos ou
Parágrafo único. Nos atos citados no caput, deverão estar programas a distância, no que diz respeito a:
explicitados: a) implantação de polos de educação a distância, quando
I - o prazo de reconhecimento; e for o caso;
II - o número de vagas a serem ofertadas, em caso de instituição b) seleção e capacitação dos professores e tutores;
de ensino superior não detentora de autonomia universitária. c)matrícula, formação, acompanhamento e avaliação dos
estudantes;
Art. 23. A criação e autorização de cursos de graduação a distância d) emissão e registro dos correspondentes diplomas ou
deverão ser submetidas, previamente, à manifestação do: certificados.
I - Conselho Nacional de Saúde, no caso dos cursos de Medicina,
Odontologia e Psicologia; ou Art. 27. Os diplomas de cursos ou programas superiores de
II - Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no caso graduação e similares, a distância, emitidos por instituição estrangeira,
dos cursos de Direito. inclusive os ofertados em convênios com instituições sediadas no Brasil,
Parágrafo único. A manifestação dos conselhos citados nos incisos I e deverão ser submetidos para revalidação em universidade pública
II, consideradas as especificidades da modalidade de educação a brasileira, conforme a legislação vigente.
distância, terá procedimento análogo ao utilizado para os cursos ou § 1º Para os fins de revalidação de diploma de curso ou programa de
programas presenciais nessas áreas, nos termos da legislação vigente. graduação, a universidade poderá exigir que o portador do diploma
estrangeiro se submeta a complementação de estudos, provas ou exames
CAPÍTULO V destinados a suprir ou aferir conhecimentos, competências e habilidades
DA OFERTA DE CURSOS E PROGRAMAS DE PÓS-GRADUÇÃO A na área de diplomação.
DISTÂNCIA § 2º Deverão ser respeitados os acordos internacionais de
reciprocidade e equiparação de cursos.

1
aplicar, em ato próprio, as sanções previstas no art. 17, bem como na
Art. 28. Os diplomas de especialização, mestrado e doutorado legislação específica em vigor.
realizados na modalidade a distância em instituições estrangeiras
deverão ser submetidos para reconhecimento em universidade que Art. 34. (Revogado)
possua curso ou programa reconhecido pela CAPES, em mesmo nível ou
em nível superior e na mesma área ou equivalente, preferencialmente Art. 35. As instituições de ensino, cujos cursos e programas
com a oferta correspondente em educação a distância. superiores tenham completado, na data de publicação deste Decreto,
mais da metade do prazo concedido no ato de autorização, deverão
Art. 29. A padronização de normas e procedimentos para solicitar, em no máximo cento e oitenta dias, o respectivo
credenciamento de instituições, autorização e reconhecimento de cursos reconhecimento.
ou programas a distância será efetivada em regime de colaboração
coordenado pelo Ministério da Educação, no prazo de cento e oitenta Art. 36. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
dias, contados da data de publicação deste Decreto.
Art. 37. Ficam revogados o Decreto no 2.494, de 10 de fevereiro de
Art. 30. As instituições credenciadas para a oferta de educação a 1998, e o Decreto no 2.561, de 27 de abril de 1998.
distância poderão solicitar autorização, junto aos órgãos normativos dos
respectivos sistemas de ensino, para oferecer os ensinos fundamental e Brasília, 19 de dezembro de 2005; 184o da Independência e 117o da
médio a distância, conforme § 4o do art. 32 da Lei no 9.394, de 1996, República.
exclusivamente para: I - a complementação de aprendizagem; ou II - em
situações emergenciais.
ATRIBUIÇÃO DOS ENTES FEDERADOS E CRIAÇÃO DOS
Parágrafo único. A oferta de educação básica nos termos do caput
SISTEMAS EDUCACIONAIS
contemplará a situação de cidadãos que:
I - estejam impedidos, por motivo de saúde, de acompanhar
Sistema Nacional de Educação
ensino presencial;
II - sejam portadores de necessidades especiais e requeiram
serviços especializados de atendimento; O Sistema Nacional de Educação é tema que vem suscitando o
aprofundamento da compreensão sobre sistema, no contexto da história
III - se encontram no exterior, por qualquer motivo;
da educação, nesta Nação tão diversa geográfica, econômica, social e
IV - vivam em localidades que não contem com rede regular de
culturalmente. O que a proposta de organização do Sistema Nacional de
atendimento escolar presencial;
Educação enfrenta é, fundamentalmente, o desafio de superar a
V - compulsoriamente sejam transferidos para regiões de difícil
fragmentação das políticas públicas e a desarticulação institucional dos
acesso, incluindo missões localizadas em regiões de fronteira; ou VI -
sistemas de ensino entre si, diante do impacto na estrutura do
estejam em situação de cárcere.
financiamento, comprometendo a conquista da qualidade social das
aprendizagens, mediante conquista de uma articulação orgânica.
Art. 31. Os cursos a distância para a educação básica de jovens e Os debates sobre o Sistema Nacional de Educação, em vários
adultos que foram autorizados excepcionalmente com duração inferior a momentos, abordaram o tema das diretrizes para a Educação Básica.
dois anos no ensino fundamental e um ano e meio no ensino médio Ambas as questões foram objeto de análise em interface, durante as
deverão inscrever seus alunos em exames de certificação, para fins de diferentes etapas preparatórias da Conferência Nacional de Educação
conclusão do respectivo nível de ensino. (CONAE) de 2009, uma vez que são temas que se vinculam a um objetivo
§ 1º Os exames citados no caput serão realizados pelo órgão comum: articular e fortalecer o sistema nacional de educação em regime
executivo do respectivo sistema de ensino ou por instituições por ele de colaboração.
credenciadas.
§ 2º Poderão ser credenciadas para realizar os exames de que trata Para Saviani, o sistema é a unidade de vários elementos
este artigo instituições que tenham competência reconhecida em intencionalmente reunidos de modo a formar um conjunto coerente e
avaliação de aprendizagem e não estejam sob sindicância ou operante (2009, p. 38). Caracterizam, portanto, a noção de sistema: a
respondendo a processo administrativo ou judicial, nem tenham, no intencionalidade humana; a unidade e variedade dos múltiplos
mesmo período, estudantes inscritos nos exames de certificação citados elementos que se articulam; a coerência interna articulada com a
no caput. externa.
Art. 32. Nos termos do que dispõe o art. 81 da Lei no 9.394, de 1996, Alinhado com essa conceituação, este Parecer adota o entendimento
é permitida a organização de cursos ou instituições de ensino de que sistema resulta da atividade intencional e organicamente
experimentais para oferta da modalidade de educação a distância. concebida, que se justifica pela realização de atividades voltadas para as
Parágrafo único. O credenciamento institucional e a autorização de mesmas finalidades ou para a concretização dos mesmos objetivos.
cursos ou programas de que trata o caput serão concedidos por prazo Nessa perspectiva, e no contexto da estrutura federativa brasileira,
determinado. em que convivem sistemas educacionais autônomos, faz-se necessária a
institucionalização de um regime de colaboração que dê efetividade ao
Art. 33. As instituições credenciadas para a oferta de educação a projeto de educação nacional. União, Estados, Distrito Federal e
distância deverão fazer constar, em todos os seus documentos Municípios, cada qual com suas peculiares competências, são chamados
institucionais, bem como nos materiais de divulgação, referência aos a colaborar para transformar a Educação Básica em um conjunto
correspondentes atos de credenciamento, autorização e reconhecimento orgânico, sequencial, articulado, assim como planejado sistemicamente,
de seus cursos e programas. que responda às exigências dos estudantes, de suas aprendizagens nas
§ 1º Os documentos a que se refere o caput também deverão conter diversas fases do desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social.
informações a respeito das condições de avaliação, de certificação de Atende-se à dimensão orgânica quando são observadas as
estudos e de parceria com outras instituições. especificidades e as diferenças de cada uma das três etapas de
§ 2º Comprovadas, mediante processo administrativo, deficiências escolarização da Educação Básica e das fases que as compõem, sem
ou irregularidades, o Poder Executivo sustará a tramitação de pleitos de perda do que lhes é comum: as semelhanças, as identidades inerentes à
interesse da instituição no respectivo sistema de ensino, podendo ainda condição humana em suas determinações históricas e não apenas do

1
ponto de vista da qualidade da sua estrutura e organização. Cada etapa condições necessárias para o seu desenvolvimento integral. Estas são
do processo de escolarização constitui-se em unidade, que se articula finalidades de todas as etapas constitutivas da Educação Básica,
organicamente com as demais de maneira complexa e intrincada, acrescentando-se os meios para que possa progredir no mundo do
permanecendo todas elas, em suas diferentes modalidades, trabalho e acessar a Educação Superior. São referências conceituais e
individualizadas, ao logo do percurso do escolar, apesar das mudanças legais, bem como desafio para as diferentes instâncias responsáveis pela
por que passam por força da singularidade de cada uma, bem assim a dos concepção, aprovação e execução das políticas educacionais.
sujeitos que lhes dão vida.
Atende-se à dimensão sequencial quando os processos educativos CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – CNE
acompanham as exigências de aprendizagem definidas em cada etapa da
trajetória escolar da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Missão
Fundamental e Médio), até a Educação Superior. São processos
educativos que, embora se constituam em diferentes e insubstituíveis O CNE tem por missão a busca democrática de alternativas e
momentos da vida dos estudantes, inscritos em tempos e espaços mecanismos institucionais que possibilitem, no âmbito de sua esfera de
educativos próprios a cada etapa do desenvolvimento humano, competência, assegurar a participação da sociedade no
inscrevem-se em trajetória que deve ser contínua e progressiva. desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional
de qualidade.
A articulação das dimensões orgânica e sequencial das etapas e
modalidades da Educação Atribuições

Básica, e destas com a Educação Superior, implica a ação coordenada As atribuições do Conselho são normativas, deliberativas e de
e integradora do seu conjunto; o exercício efetivo do regime de assessoramento ao Ministro de Estado da Educação, no desempenho das
colaboração entre os entes federados, cujos sistemas de ensino gozam de funções e atribuições do poder público federal em matéria de educação,
autonomia constitucionalmente reconhecida. Isso pressupõe o cabendo-lhe formular e avaliar a política nacional de educação, zelar pela
estabelecimento de regras de equivalência entre as funções distributiva, qualidade do ensino, velar pelo cumprimento da legislação educacional
supletiva, de regulação normativa, de supervisão e avaliação da educação e assegurar a participação da sociedade no aprimoramento da educação
nacional, respeitada a autonomia dos sistemas e valorizadas as brasileira.
diferenças regionais. Sem essa articulação, o projeto educacional – e, por
conseguinte, o projeto nacional – corre o perigo de comprometer a
Compete ao Conselho e às Câmaras exercerem as atribuições
unidade e a qualidade pretendida, inclusive quanto ao disposto no artigo
conferidas pela Lei 9.131/95, emitindo pareceres e decidindo privativa e
22 da LDB: desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum
autonomamente sobre os assuntos que lhe são pertinentes, cabendo, no
indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para
caso de decisões das Câmaras, recurso ao Conselho Pleno.
progredir no trabalho e em estudos posteriores, inspirada nos princípios
de liberdade e nos ideais de solidariedade humana.
Compromissos
Mais concretamente, há de se prever que a transição entre PréEscola
e Ensino Fundamental pode se dar no interior de uma mesma instituição,
requerendo formas de articulação das dimensões orgânica e sequencial 1 - Consolidar a identidade do Conselho Nacional de Educação
entre os docentes de ambos os segmentos que assegurem às crianças a como Órgão de Estado, identidade esta afirmada e construída na prática
continuidade de seus processos peculiares de aprendizagem e cotidiana, nas ações, intervenções e interações com os demais sistemas
desenvolvimento. Quando a transição se dá entre instituições diferentes, de ensino.
essa articulação deve ser especialmente cuidadosa, garantida por
instrumentos de registro – portfólios, relatórios que permitam, aos 2 - Participar do esforço nacional comprometido com a qualidade
docentes do Ensino Fundamental de uma outra escola, conhecer os social da educação brasileira, cujo foco incide na escola da diversidade,
processos de desenvolvimento e aprendizagem vivenciados pela criança na e para a diversidade, tendo o PNE e o PDE como instrumentos de
na Educação Infantil da escola anterior. Mesmo no interior do Ensino conquista dessa prioridade.
Fundamental, há de se cuidar da fluência da transição da fase dos anos
iniciais para a fase dos anos finais, quando a criança passa a ter diversos 3 - Articular e Integrar num diálogo permanente, as Câmaras de
docentes, que conduzem diferentes componentes e atividades, educação básica e de educação superior, correspondendo às exigências
tornando-se mais complexas a sistemática de estudos e a relação com os de um Sistema Nacional de Educação que, ultrapasse barreiras
professores. burocráticas, mediante prática orgânica e unitária. As câmaras devem
A transição para o Ensino Médio apresenta contornos bastante intensificar o dialogo entre si. Não há subordinação entre elas, pois
diferentes dos anteriormente referidos, uma vez que, ao ingressarem no representam níveis de ensino de um único sistema nacional de educação.
Ensino Médio, os jovens já trazem maior experiência com o ambiente Estrategicamente, a articulação e integração CES e CEB possibilita
escolar e suas rotinas; além disso, a dependência dos adolescentes em aperfeiçoar as leituras das diferentes etapas do processo de
relação às suas famílias é quantitativamente menor e qualitativamente escolarização, aproximando as câmaras, constituindo um todo orgânico,
diferente. Mas, certamente, isso não significa que não se criem tensões, que se exerce no Conselho Pleno e, conseqüentemente, um verdadeiro
que derivam, principalmente, das novas expectativas familiares e sociais Conselho Nacional de Educação.
que envolvem o jovem. Tais expectativas giram em torno de três
variáveis principais conforme o estrato sociocultural em que se 4 - Consolidar a estrutura e diversificar o funcionamento do CNE.
produzem: a) os “conflitos da adolescência”; Não queremos que ele responda apenas às demandas, mas que se
b) a maior ou menor aproximação ao mundo do trabalho; c) a constitua em espaço de fortalecimento de suas relações com os demais
crescente aproximação aos rituais da passagem da Educação Básica para sistemas de ensino e com os segmentos sociais, espaço de estudos para
a Educação Superior. as comissões bicamerais, audiências públicas, fóruns de debates, sempre
Em resumo, o conjunto da Educação Básica deve se constituir em um cuidando da dotação de infra-estrutura material necessária e do quadro
processo orgânico, sequencial e articulado, que assegure à criança, ao de pessoal próprio.
adolescente, ao jovem e ao adulto de qualquer condição e região do País
a formação comum para o pleno exercício da cidadania, oferecendo as

1
5 - Instaurar um diálogo efetivo, articulado e solidário, com todos A Câmara de Educação Básica tem como atribuições analisar e emitir
os sistemas de ensino (em nível federal, estadual e municipal), em pareceres sobre procedimentos e resultados de processos de avaliação
compromisso com a Política Nacional de Educação, em regime de da educação infantil, fundamental, média, profissional e especial,
colaboração e de cooperação. Talvez este se constitua no desafio maior deliberar sobre diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da
para o CNE. Educação; e acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação
(PNE).
Estrutura Organizacional MEC/CNE
A Câmara de Educação Superior teve algumas de suas atribuições
Conselho Nacional de Educação alteradas na forma dos arts. 20 e 21 da Medida Provisória 2.216-37, de
31 de agosto de 2001.
Até a edição da Medida Provisória 2.216, a Câmara de Educação
Superior deliberava sobre a autorização, o reconhecimento, a renovação
de reconhecimento de todos os cursos de graduação das instituições de
ensino superior vinculadas ao Sistema Federal de Ensino, sobre o
credenciamento de instituições de ensino superior, assim como sobre a
aprovação de Estatutos e Regimentos provenientes dessas instituições.
A partir da edição Medida Provisória 2.216, e do Decreto 3.860/2001,
que a regulamentou, a Câmara de Educação Superior passou a se
manifestar somente nos processos relativos aos cursos de Direito e aos
da área de saúde (Medicina, Psicologia e Odontologia) e sobre o
credenciamento das instituições que pretendem ministrar cursos na
área jurídica e da saúde, e sobre o credenciamento e o recredenciamento
Conselho Nacional de Educação - Secretaria Executiva 1 de Universidades e Centros Universitários, ficando a cargo do próprio
MEC a manifestação sobre os demais cursos de graduação e o
credenciamento e o recredenciamento das instituições de ensino
superior correspondentes. No tocante aos Estatutos e Regimentos, a
competência da Câmara restringe-se, hoje, à aprovação dos Estatutos das
Universidades e Centros Universitários, enquanto que a aprovação de
Regimentos das instituições não universitárias ficou sob a
responsabilidade do MEC.
As atribuições da Câmara de Educação Superior foram modificadas
pela Medida Provisória n.º 147, de 15 de dezembro de 2003, convertida
na Lei 10.861/2004, que institui o Sistema Nacional de Avaliação e
Histórico Progresso do Ensino Superior e dispõe sobre a avaliação do ensino
superior, revoga a alínea “a” do § 2° do art. 9° da Lei n° 4.024, de 20 de
A primeira tentativa de criação de um Conselho na estrutura da dezembro de 1961, e os artigos 3° e 4° da Lei n° 9.131, de 24 de
administração pública, na área de educação, aconteceu na Bahia, em novembro de 1995, que criou o Conselho Nacional de Educação.
1842, com funções similares aos “boards” ingleses e, em 1846, a
Comissão de Instrução Pública da Câmara dos Deputados propôs a Fonte: http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/apresentacao

criação do Conselho Geral de Instrução Pública.


A ideia de um Conselho Superior somente seria objetivada em 1911 CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE ALAGOAS
(Decreto nº 8.659, de 05/04/1911) com a criação do Conselho Superior
de Ensino. Criado pela Lei Estadual Nº. 2.511, de 1962 e reformulado pela Lei
A ele seguiram-se o Conselho Nacional de Ensino (Decreto nº 16.782- Nº. 4531, de 1984, o CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO foi alçado,
A, de 13/01/1925), o Conselho Nacional de Educação (Decreto nº em 1989, pela CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, a uma posição duplamente
19.850, de 11/04/1931), o Conselho Federal de Educação e os Conselhos superior em relação ao seu passado: como se não bastasse ser ele, a
Estaduais de Educação (Lei nº 4.024, de 20/12/1961), os Conselhos partir da NOVA ORDEM LEGAL, uma instância constitucionalmente
Municipais de Educação (Lei nº 5692, de 11/08/1971) e, novamente, criada, recebeu uma configuração efetivamente democrática, na medida
Conselho Nacional de Educação (MP nº 661, de 18/10/94, convertida na em que o legislador constituinte determinou que dele participassem,
Lei nº 9.131/95). "proporcionalmente, representantes das instituições e dos professores
O atual Conselho Nacional de Educação-CNE, órgão colegiado das redes públicas e particular de ensino, em todos os níveis, bem assim
integrante do Ministério da Educação, foi instituído pela Lei 9.131, de dos pais dos educandos e dos órgãos de representação dos estudantes".
25/11/95, com a finalidade de colaborar na formulação da Política Infelizmente, quando regulamentado em 1993, através da Lei Nº. 5.440,
Nacional de Educação e exercer atribuições normativas, deliberativas e de iniciativa do Governador Geraldo Bulhões, o CONSELHO ESTADUAL
de assessoramento ao Ministro da Educação. DE EDUCAÇÃO tomou uma configuração claramente inconstitucional,
As Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior, que seja porque restringiu as redes públicas de ensino ao sistema estadual,
compõem o Conselho, são constituídas cada uma, por doze conselheiros, seja porque excluiu do rol de conselheiros os órgãos de representação
sendo membros natos em cada Câmara, respectivamente, o Secretário de dos estudantes.
Educação Fundamental e o Secretário de Educação Superior do Posta em prática a regra legal flagrantemente inconstitucional,
Ministério da Educação, nomeados pelo Presidente da República. contra a CONSTITUIÇÃO funcionou o CEE/AL até dezembro de 2000,
Compete ao Conselho e às Câmaras exercer as atribuições conferidas quando, por meio da Lei Nº. 6.202, o Conselho Estadual recupera sua
pela Lei 9.131/95, emitindo pareceres e decidindo privativa e legalidade, vendo-se, inclusive, elevado ao status de órgão que, não
autonomamente sobre os assuntos que lhe são pertinentes, cabendo, no apenas "expedirá as normas gerais disciplinadoras do ensino nos
caso de decisões das Câmaras, recurso ao Conselho Pleno. sistemas oficial e privado e procederá a interpretação, na esfera
administrativa, da legislação específica", como consta da CONSTITUIÇÃO
ESTADUAL, mas deverá, também "participar da formulação da política

2
de educação em Alagoas, inclusive do Plano Estadual de Educação e sociedade pública ou civil (Secretaria Municipal da Educação, escolas,
acompanhar sua execução, zelando em todas as situações para que seja universidades, sindicatos, câmara municipal, Ministério Público),
assegurado amplo envolvimento da sociedade no aperfeiçoamento da cidadão ou grupo de cidadãos.
educação estadual em todos os seus níveis e modalidades". Propositiva – sugerir políticas de educação, sistemas de avaliação
Claro está, do ponto de vista dessa nova lei, que o CEE/AL, ao tempo institucional, medidas para melhoria de fluxo e de rendimento escolar e
em que hoje retorna ao seio da legalidade, recebe a prerrogativa de ser propor cursos de capacitação para professores.
espaço privilegiado de participação social e de guardião da prática Mobilizadora – estimular a sociedade no acompanhamento dos
democrática da gestão do ensino público, preceituada pela nova LDB. serviços educacionais; informá-la sobre as questões educacionais do
Essa sua natureza democrática ainda mais se acentua quando o município; tornar-se um espaço de reunião de esforços do executivo e da
Governador do Estado, fiel à CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, define, através comunidade para melhoria da educação.
de Decreto, uma composição claramente proporcional para o novo Deliberativa – essa atribuição deverá ser definida na lei que cria o
CONSELHO ESTADUAL, dando, pela primeira vez na história alagoana, conselho, que pode, por exemplo, aprovar regimentos e estatutos;
assento aos estudantes naquele mais alto colegiado da educação autorizar cursos, séries ou ciclos; e deliberar sobre os currículos
estadual. propostos pela secretaria.
Assim sendo, pode-se afirmar que o novo CONSELHO, pela sua nova Normativa – só é exercida quando existe o sistema de ensino próprio.
estrutura, que contempla a presença de conselheiros representando Ele pode assim, elaborar normas complementares às nacionais em
instituições, docentes, pais e estudantes, de forma proporcional à relação às diretrizes para regimento escolar, determinar critérios para
amplitude das redes públicas e privada de ensino, e pelas suas acolhimento de alunos sem escolaridade e interpretar a legislação e as
atribuições, é hoje, de direito e de fato, o espaço por excelência de normas educacionais.
participação social nas políticas e práticas da educação em Alagoas. Fiscalizadora – promover sindicâncias, solicitar esclarecimento dos
responsáveis ao constatar irregularidades e denunciá-las aos órgãos
Fonte: http://cee.al.gov.br/institucional competentes. (Secretaria Municipal de Educação, Ministério Público,
Tribunal de Contas, Câmara dos Vereadores).
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Pro_cons/cme-to.pdf
O que é Conselho Municipal de Educação - CME?
É o órgão do sistema responsável pela legislação educacional, que
regulamenta, fiscaliza e propõe medidas para melhoria das políticas
educacionais. É também um instrumento de ação social atendendo a 2. Censo escolar: significado e
demandas da sociedade quanto a transparência no uso dos recursos e a utilização.
qualificação dos serviços públicos educacionais. A sociedade,
representada no conselho, torna-se vigilante na defesa do direito de
todos à educação de qualidade e na observância dos regulamentos e leis
federais.
O Conselho Municipal, em sintonia com as políticas nacional e O que é?
estadual, deve estar aberto à participação das diversas tendências
educacionais, o que o torna representativo entre os habitantes do O Censo Escolar é uma pesquisa que tem por objetivo realizar um
município e perante os demais organismos de poder. O Conselho deve amplo levantamento sobre as escolas de educação básica no País. É o
dividir com a população a preocupação com a educação municipal na mais importante levantamento estatístico educacional brasileiro sobre
busca de alternativas para os problemas existentes, evitando vínculo as diferentes etapas e modalidades de ensino da Educação Básica e da
com partidos políticos. Educação Profissional.
As informações coletadas podem ser classificadas em quatro grandes
Qual é a importância da criação do Conselho Municipal de dimensões: escolas, alunos, profissional escolar e turmas.
Educação? Para cada dimensão existem informações que buscam caracterizar
- atuar na defesa dos direitos educacionais assegurados nas leis esses grupos, a saber:
vigentes; Escolas: Infraestrutura disponível (local de funcionamento, salas,
- sensibilizar os poderes públicos municipais quanto às tipo de abastecimento de água e de energia elétrica, destinação de lixo e
responsabilidades no atendimento das demandas dos segmentos, em esgoto sanitário), dependências existentes (diretoria, secretaria,
conformidade com as políticas públicas da educação; cozinha, tipo de banheiro, laboratórios, acessibilidade, quadra de
- procurar formas de parcerias que defendam o direito de todos esporte, parque infantil), equipamentos (computadores, acesso à
à educação de qualidade; Internet, aparelhos de TV e DVD, antena parabólica), etapas e
- municipalizar a preocupação na resolução dos problemas modalidades de escolarização oferecidas; organização do ensino
educacionais; fundamental; localização, dependência administrativa, mantenedora e
- participar da formulação, implantação, supervisão e avaliação tipo de escola privada, escolas privadas conveniadas com o poder
da política educacional; público.
- estabelecer um elo interlocutor entre a sociedade e o poder Alunos: Sexo, cor/raça, idade, nacionalidade, local de nascimento,
público. turma que frequenta, etapa e modalidade de ensino que frequenta,
utilização de transporte escolar, tipo de deficiência.
Qual a competência CME? Profissionais escolares: São coletadas informações dos
professores/as, auxiliares/assistentes educacionais,
Baixar normas complementares às nacionais, autorizar, credenciar e
profissionais/monitores de atividade complementar e
supervisionar os estabelecimentos de ensino (LDB Art. 11).
tradutores/intérprete de Libras. Das informações coletadas, podemos
ressaltar: sexo, cor/raça, idade, escolaridade (formação: nível e curso,
Quais as funções do CME?
instituição formadora), etapa e modalidade de ensino de exercício, turma
Consultiva – Responder a consultas sobre alvará, credenciamento e de exercício, disciplinas que ministra, nacionalidade e função que exerce.
leis educacionais e suas aplicações, submetidas a ele por entidades da

2
Turmas: tipo de atendimento (escolarização, atividade A Gestão Democrática na organização do trabalho escolar: a
complementar, classe hospitalar, unidade de atendimento contribuição do PPP1
socioeducativo, unidade prisional, atendimento educacional
especializado - AEE), horários de início e de término, modalidade, etapa, As mudanças, atualmente refletidas no espaço escolar têm suas
disciplinas, dentre outras. origens num processo mais amplo e complexo que antecede os anos 90.
Destarte, para compreender o quadro atual, precisamos buscar na
Quem faz? história os elementos constitutivos do processo de mudança nos
aspectos econômicos, sociais e políticos.
O Censo Escolar é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e De acordo com Silva Jr, a escola desenvolve seu trabalho no interior
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (lnep), autarquia federal de uma sociedade capitalista; nela se manifestam as contradições e
vinculada ao Ministério da Educação, e é realizado em regime de determinações; da mesma forma, são variadas e, frequentemente,
colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios. conflitantes as interpretações sobre a função da escola e/ou organização
A coleta tem caráter declaratório e é executada mediante coleta de dados do trabalho pedagógico. Essas contradições impostas pelo capitalismo
descentralizada, englobando todos os estabelecimentos públicos e permeiam a luta ideológica das ideias e convicções, assim, a escola tende
privados de educação básica. a reproduzir as tensões e forças nas relações de poder e na própria
organização do trabalho pedagógico.
Como é feito? Com base no pressuposto de que a organização do trabalho
pedagógico traduz, na sua prática, esse movimento das políticas
O preenchimento dos dados é feito diretamente na Internet, por meio educacionais, da legislação, dos modelos de gestão, da formação inicial e
do sistema Educacenso, no endereço eletrônico continuada e das formas de participação, os profissionais da educação
www.educacenso.inep.gov.br. O usuário de cada escola deve acessar o consideram relevante a gestão democrática para a organização do
sistema, utilizando seu CPF e senha cadastrada. trabalho na escola. Mas não estão descartados os interesses ideológicos
que este trabalho traz consigo no bojo das discussões e na prática.
Uma análise crítica a respeito da gestão democrática, da participação
Os sistemas de ensino (estaduais ou municipais) que possuem
e do coletivo revelou os dois lados de uma mesma situação. Se, no aspecto
sistemas próprios de coleta podem migrar os dados para o banco de
ideológico, a gestão democrática tem sido usada para concretização das
dados do lnep.
políticas educacionais de forma desvirtuada, visando a utilização da
O Educacenso é um sistema amigável, de fácil operação e com
Associação de Pais e Mestres e Funcionários – APMF, e dos colegiados
funcionalidades que permitem avaliar em tempo real a consistência das
escolares para os interesses hegemônicos, por outro, é inegável a
informações prestadas. Além disso, o sistema permite a disponibilização
necessidade da participação de toda a comunidade escolar e as benesses
de relatórios com informações consolidadas da escola que possibilitam a
dessa prática.
verificação e análise dos dados declarados.
O que passa a caracterizar as teorias modernas da administração não
são mais a coerção e a manipulação características da teoria Clássica e de
Quando é feito? relações Humanas, mas o dirigismo calcado nas práticas da motivação,
cooperação e integração.
O Censo Escolar é realizado anualmente. O período de coleta é Procurou-se aqui relacionar a gestão democrática na organização do
definido por Portaria, e, nos últimos anos, o início da coleta tem sido a trabalho pedagógico, tendo como referência as políticas educacionais e
última quarta-feira do mês de maio, nomeada como o Dia Nacional do apresentar o Projeto Político Pedagógico – PPP como colaborador nesse
Censo Escolar. Essa data de referência foi escolhida para se adequar ao processo de gestão democrática. O PPP aponta um caminho possível para
calendário escolar de um país com a grandeza e a diversidade do Brasil. uma gestão democrática. Nesse sentido, nossa preocupação é analisar as
possibilidades de práticas de participação no espaço escolar, buscando
Fonte: http://portal.inep.gov.br/descricao-do-censo-escolar
uma abordagem crítica.
Compreender e buscar o contraponto dessa discussão “parece” ser o
3. Gestão escolar e democrática: caminho a ser percorrido pela comunidade escolar a ser construído pelo
PPP. Esse caminho passa, necessariamente, pela organização do espaço
princípios e importância; O Projeto escolar, pelo trabalho diário realizado por cada um dos sujeitos da
Político Pedagógico da Escola: comunidade escolar, considerando-se os aspectos de tempo, espaço,
formação, legislação, administração, políticas educacionais, recursos
princípios e importância; O Regimento financeiros e humanos, o que define a complexidade da educação
Escolar; As funções e atribuições do vivenciada em seu espaço mais específico que é a escola.
Essa complexidade não pode significar o impedimento de mudanças
Conselho Escolar e o papel do sujeito no espaço escolar; uma visão crítica tem exatamente o objetivo de
que compõe a escola; A importância denunciar e de buscar caminhos alternativos.
A gestão democrática vista como uma forma diferente de
da relação comunidade/escola; Eleição encaminhar o trabalho pedagógico na escola deve articular todos os
para diretor(a) escolar; As atribuições responsáveis pelo PPP de forma a interagirem com toda a
da direção escolar e da coordenação comunidade escolar. A partir do momento em que se busca uma nova
organização, também as relações de trabalho no espaço escolar
pedagógica; Função e importância do deverão ser ressignificadas. Esta ressignificação deve ter como base
Conselho de Classe. a possibilidade de real participação dos diferentes segmentos, com
ênfase no coletivo com espaços para trocas de conhecimentos e de
responsabilidades.
Essa mudança exige uma ruptura com a cultura autoritária que
GESTÃO ESCOLAR E DEMOCRÁTICA: PRINCÍPIOS E perpassa a história da escola que, instalada em nossos hábitos, exige que
IMPORTÂNCIA; se entenda a participação como um princípio da democracia. Portanto, a
participação não pode ser privilégio de uns poucos, mas uma

1 Texto adaptado de Silvana Barbosa de Oliveira, disponível em http://www.pucpr.br/

2
possibilidade para todos, oportunizada de forma efetiva e acessível a As diretrizes educacionais respondem a uma política educacional,
toda a comunidade escolar. que, dentro de uma sociedade capitalista, traz suas contradições e a luta
pela superação de classes sociais e do poder hegemônico. Discutir
Um Pouco de História: Buscando As Origens da Gestão Democrática políticas educacionais “implica, na verdade, em trazer informações sobre
o passado (organização do capital) e, com elas, cotejar a forma de ser do
Vivemos numa sociedade capitalista cujo princípio é a produção de presente (reorganização do mesmo sistema produtivo)”. Ainda, segundo
mercadorias e serviços através do trabalho que depende das diferenças a autora, não é possível analisar a educação sem relacioná-la às
socioeconômicas entre aqueles que detêm ou controlam os meios de mudanças da base produtiva e às exigências de reorganização do capital.
produção. Nesse sistema o objetivo é aumentar o capital, isto é, lucrar. O O quadro das mudanças atuais tem o seu “gérmen”, a partir da crise
sistema capitalista passou por diversas fases desde as suas origens até capitalista dos anos setenta no Brasil e a difusão da ideologia neoliberal.
os dias atuais. Essa ideologia postulava que o Estado de Bem Estar estaria reduzindo a
Tomaremos como base as mudanças da década de noventa, na qual a poupança e os investimentos do setor público, sendo responsável pelo
globalização representa uma reestruturação econômica em âmbito fraco desenvolvimento da economia, aliada às políticas sociais que
mundial, tendo como aparato ideológico o neoliberalismo fundamentado canalizavam investimentos de setores produtivos para os improdutivos.
em um discurso que privilegia a esfera econômica. Assim, temos a Diante disto, o neoliberalismo propôs alterações para o papel do Estado,
globalização como processo de integração mundial, via de acordo com as quais o mercado substituiria a política e um Estado
internacionalização do capital, ou seja, a transnacionalização. Mínimo substituiria o Estado de Bem Estar. Para realizar essas medidas
Esse processo de reestruturação econômica inclui a redução do papel propostas, a privatização foi um dos caminhos apresentados, pois
do Estado na diminuição do investimento do setor público, reformas teoricamente diminuiria os gastos do Estado e incentivaria a livre
administrativas, estabilização fiscal e redução do crédito interno e das competição do mercado, garantindo os interesses dos setores privados
barreiras de mercado. da economia.
Bruno explica que é praticamente impossível haver desenvolvimento Essa reorganização do capitalismo, em fase de desenvolvimento
fora deste quadro de economia internacionalizada. desde os anos setenta apresentou-se de forma mais clara nos últimos
Completa ainda a autora: [...] Entretanto, a integração das várias anos, através da globalização da economia, da transnacionalização das
economias numa estrutura global não implica em homogeneização das estruturas de poder e da reestruturação produtiva.
condições econômicas e sociais existentes em cada uma delas. Antes, o Seguindo a tese da autora, esta reorganização do capitalismo
que ocorre é a reprodução generalizada das desigualdades em escala constitui-se um processo vasto e complexo e mostra as tendências de
mundial. Isto porque a divisão internacional do trabalho foi dois processos simultâneos, quais sejam: a nova fase de
profundamente alterada e o que se observa é que esta integração não se internacionalização do capital e a reorganização produtiva que, por sua
dá em termos de nação, mas de setores da economia. vez, altera as estruturas de poder do capitalismo. Nesse mesmo sentido,
a autora esclarece:

Esse processo aponta para um movimento de mudanças sem Assim, a novidade da forma atual de internacionalização do capital,
precedentes; soma-se a ordem econômica, a reestruturação do trabalho, comumente designada globalização, reside no fato de se constituir um
as inovações tecnológicas e das próprias estruturas de poder, entre as processo de integração mundial que já não integra nações ou economias
quais os organismos multilaterias que têm expandido cada vez mais as nacionais, mas conjuga a ação dos grandes grupos econômicos entre si e
suas ações, via empréstimos e financiamentos. no interior de cada um deles, não só ultrapassando, mas ignorando, em
É dentro desse contexto de mudanças que se faz necessário suas ações e decisões, as fronteiras nacionais.
reconhecer o papel que o Banco Internacional de Reconstrução e A partir dos anos noventa, a questão da qualidade já incorporada aos
Desenvolvimento – BIRD, conhecido como Banco Mundial, tem discursos políticos educacionais alia-se ao modelo neoliberal. “A
desempenhado, especialmente em relação à educação. É a partir dos qualidade educativa, nesta década de 90, é requerida numa perspectiva
anos noventas, que o Banco adquire expressiva importância no âmbito mercadológica, neocientificista, neoconservadora, orientada para
das políticas públicas brasileiras. “Com a crescente mobilidade do implantar-se nos países em desenvolvimento, como o Brasil”.
capital, a educação deixou de ser uma questão nacional. Daí a
interferência cada vez mais incisiva dos organismos transnacionais”. Portanto, a educação no que concerne ao mercado pode ser vista sob
Dentro desse quadro de mudanças, a educação passa a ter função dois aspectos concretos:
primordial, pois, enquanto política pública é considerada como serviço - 1º, em relação à gestão da escola, com ênfase na reorganização
essencial que o Estado deve garantir. das funções administrativas, da participação coletiva, das parcerias,
De acordo com a ideologia neoliberal, as políticas educacionais do voluntariado;
também tomam forma adequada à lógica do mercado. O modelo de - 2º, na busca da qualidade total.
gestão administrativo empresarial será transferido para a gestão da Em relação ao primeiro aspecto, Bruno aponta para a necessidade de
escola. A racionalização custo/benefício, a descentralização e a busca por promover formas consensuais de tomada de decisões, com a
uma maior participação da comunidade é o modelo a ser alcançado. “Os participação dos sujeitos envolvidos, o que constitui uma estratégia para
conceitos de produtividade, eficácia, excelência e eficiência serão prevenir conflitos e resistências que possam obstruir a implementação
importados das teorias administrativas para as teorias pedagógicas”. das medidas consideradas necessárias. O segundo aspecto,
Esse modelo tem como meta final a qualidade que, a partir dos anos transplantado do setor privado para o setor público, diz respeito ao
noventa, já está incorporada aos discursos políticos educacionais modelo de qualidade total e busca a eficiência dos resultados com a
aliando-se ao modelo neoliberal. Para Lima, essa qualidade preza o redução de custos, enfatizando a relação entre consumidor e cliente.
resultado, e a escola é o instrumento de efetivação das políticas Analisar as políticas educacionais requer a compreensão de um novo
educacionais de adequação dos alunos à sociedade capitalista. Para o panorama na forma de organização das sociedades, do modo de
autor, a escola tem servido aos interesses do Estado capitalista. produção e de relações entre as pessoas.
Essas mudanças representam o solo fecundo para o movimento das Nessa ótica, impossível pensar a educação sem pensar nas alterações
reformas implantadas tanto nos aspectos legais, quanto nos ideológicos da base produtiva, nas exigências de reorganização do capital, sempre
e de políticas educacionais. A LDB 9394/96 torna a gestão democrática explicitadas pela constante modernização do sistema. Nesse sentido,
um princípio, além da criação dos Conselhos Escolares. impossível pensar a educação fora do espectro da contradição que põe
lado a lado a mudança e a permanência, que impõe novas formas de

2
trabalho no interior da mesma relação de produção, que aciona velhas dificuldades, obstáculos e elementos facilitadores da elaboração do
atitudes, apenas maquiadas pelo velho dogma do mercado. projeto políticopedagógico.
Começaremos esclarecendo o próprio título: “projeto
O processo histórico como caminho para o entendimento da políticopedagógico”. Entendemos que todo projeto pedagógico é
educação, enquanto prática social construída materialmente, nos auxilia necessariamente político. Poderíamos denominá-lo, portanto, apenas
a perceber que os fatos não acontecem por acaso e, sim que estão ligados “projeto pedagógico”. Mas, a fim de dar destaque ao político dentro do
por um conjunto de fatores materiais, que alteram nosso modo de vida e pedagógico, resolvemos desdobrar o nome em “políticopedagógico”.
produção conforme os interesses hegemônicos do momento histórico.
O pressuposto básico é que a educação é impactada pela lógica do Frequentemente se confunde projeto com plano. Certamente o plano
capital, ou seja, os processos educacionais e os processos sociais mais diretor da escola — como conjunto de objetivos, metas e procedimentos
abrangentes de reprodução estão intimamente interligados. Portanto, — faz parte do seu projeto, mas não é todo o seu projeto.
limitar uma mudança educacional radical às margens corretivas Isso não significa que objetivos metas e procedimentos não sejam
interesseiras do capital significa abandonar de uma só vez, Necessários. Mas eles são insuficientes, pois, em geral, o plano fica no
conscientemente ou não, o objetivo de uma transformação social campo do instituído, ou melhor, no cumprimento mais eficaz do
qualitativa. Do mesmo modo, contudo, procurar margens de reforma instituído, como defende hoje todo o discurso oficial em torno da
sistêmica na própria estrutura do sistema do capital é uma contradição “qualidade” e, em particular, da “qualidade total”. Um projeto necessita
em termos. É por isso que é necessário romper com a lógica do capital se sempre rever o instituído para, a partir dele, instituir outra coisa. Tornar-
quisermos contemplar a criação de uma alternativa educacional se instituinte. Um projeto político-pedagógico não nega o instituído da
significativamente diferente. escola que é a sua história, que é o conjunto dos seus currículos, dos seus
métodos, o conjunto dos seus atores internos e externos e o seu modo de
A clareza da relação entre educação e capital nos impele a buscar vida. Um projeto Sempre confronta esse instituído com o instituinte.
caminhos através da inter-relação das políticas educacionais e das Não se constrói um projeto sem uma direção política, um norte, um
mudanças na prática. Uma das formas de materializar as mudanças rumo. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é também político. O
propostas pelas políticas educacionais é a legislação. A LDB 9394/96 projeto pedagógico da escola é por isso mesmo, sempre um processo
traduz as orientações dos organismos internacionais, apontando para os inconcluso, uma etapa em direção a uma finalidade que permanece como
princípios de produtividade, eficiência e qualidade total. horizonte da escola.
A LDB trouxe para a escola a questão da gestão democrática, - De quem é a responsabilidade da constituição do projeto da escola?
tratando-a de forma específica nos artigos que se seguem, bem como a
forma dessa construção coletiva através do PPP e da participação da O projeto da escola não é responsabilidade apenas de sua direção.
comunidade em Conselhos Escolares ou Colegiados. Ao contrário, numa gestão democrática, a direção é escolhida a
partir do reconhecimento da competência e da liderança de alguém
Art. 14 – Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão capaz de executar um projeto coletivo. A escola, nesse caso, escolhe
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as primeiro um projeto e depois essa pessoa que pode executá-lo. Assim
suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: realizada, a eleição de um diretor ou de uma diretora se dá a partir
I- Participação dos profissionais da educação na elaboração do da escolha de um projeto políticopedagógico para a escola. Portanto,
projeto político-pedagógico da escola; ao se eleger um diretor de escola, o que se está elegendo é um projeto
II- Participação das comunidades escolar e local em conselhos para a escola.
escolares ou equivalentes.
Como vimos, o projeto pedagógico da escola está hoje inserido num
cenário marcado pela diversidade. Cada escola é resultado de um
processo de desenvolvimento de suas próprias contradições. Não
O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA: PRINCÍPIOS E existem duas escolas iguais. Diante disso, desaparece aquela arrogante
IMPORTÂNCIA; pretensão de saber de antemão quais serão os resultados do projeto para
todas as escolas de um sistema educacional. A arrogância do dono da
verdade dá lugar à criatividade e ao diálogo. A pluralidade de projetos
Projeto Político Pedagógico.
pedagógicos faz parte da história da educação da nossa época.
Por isso, não deve existir um padrão único que oriente a escolha do
Até muito recentemente a questão da escola limitava-se a uma projeto de nossas escolas. Não se entende, portanto, uma escola sem
escolha entre ser tradicional e ser moderna, Essa tipologia não autonomia, autonomia para estabelecer o seu projeto e autonomia para
desapareceu, mas não responde a todas as questões atuais da escola. executá-lo e avaliá-lo.
Muito menos à questão do seu projeto2.
A autonomia e a gestão democrática da escola fazem parte da própria
A crise paradigmática também atinge a escola e ela se pergunta sobre natureza do ato pedagógico. A gestão democrática da escola é, portanto,
si mesma, sobre seu papel como instituição numa sociedade pósmoderna uma exigência de seu projeto políticopedagógico.
e pós-industrial, caracterizada pela globalização da economia, das
Ela exige, em primeiro lugar, uma mudança de mentalidade de todos
comunicações, da educação e da cultura, pelo pluralismo político, pela
os membros da comunidade escolar. Mudança que implica deixar de lado
emergência do poder local. Nessa sociedade cresce a reivindicação pela
o velho preconceito de que a escola pública é apenas um aparelho
participação e autonomia contra toda forma de uniformização e o desejo
burocrático do Estado e não uma conquista da comunidade. A gestão
de afirmação da singularidade de cada região, de cada língua etc.
democrática da escola implica que a comunidade, os usuários da escola,
A multiculturalidade é a marca mais significativa do nosso tempo. sejam os seus dirigentes e gestores e não apenas os seus fiscalizadores
ou, menos ainda, os meros receptores dos serviços educacionais. Na
Como isso se traduz na escola? gestão democrática pais, mães, alunas, alunos, professores e
Nunca o discurso da autonomia, cidadania e participação no espaço funcionários assumem sua parte de responsabilidade pelo projeto da
Escolar ganhou tanta força. Estes têm sido temas marcantes do debate escola.
educacional brasileiro de hoje. Essa preocupação tem-se traduzido,
sobretudo pela reivindicação de um projeto políticopedagógico próprio Há pelo menos duas razões que justificam a implantação de um
de cada escola. Neste texto, gostaríamos de tratar deste assunto, processo de gestão democrática na escola pública:
sublinhando a sua importância, seu significado, bem como as

2 Texto extraído de GADOTTI, Moacir. “Projeto político pedagógico da escola:

fundamentos para sua realização”.

2
presente. Projeto pressupõe uma ação intencionada com um sentido
1) A escola deve formar para a cidadania e, para isso, ela deve dar definido, explícito, sobre o que se quer inovar. Nesse processo podemse
o exemplo. A gestão democrática da escola é um passo importante no distinguir dois momentos:
aprendizado da democracia. A escola não tem um fim em si mesma. Ela
está a serviço da comunidade. Nisso, a gestão democrática da escola está a) o momento da concepção do projeto;
prestando um serviço também à comunidade que a mantém. b) o momento da institucionalização e implementação do projeto.
2) A gestão democrática pode melhorar o que é específico da escola,
isto é, o seu ensino. A participação na gestão da escola proporcionará um Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o
melhor conhecimento do funcionamento da escola e de todos os seus futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para
atores; propiciará um contato permanente entre professores e alunos, o arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova
que leva ao conhecimento mútuo e, em consequência, aproximará também estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado
as necessidades dos alunos dos conteúdos ensinados pelos professores. melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como
A autonomia e a participação — pressupostos do projeto político- promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis
pedagógico da escola — não se limitam à mera declaração de princípios os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores.
consignados em algum documento. Sua presença precisa ser sentida no
Conselho de Escola ou Colegiado, mas também na escolha do livro didático,
A noção de projeto implica, sobretudo tempo:
no planejamento do ensino, na organização de eventos culturais, de
atividades cívicas, esportivas, recreativas. Não basta apenas assistir às
reuniões. a) Tempo político — define a oportunidade política de um
determinado projeto.
A gestão democrática deve estar impregnada por certa atmosfera b) Tempo institucional — Cada escola encontra-se num
que se respira na escola, na circulação das informações, na divisão determinado tempo de sua história. O projeto que pode ser inovador
do trabalho, no estabelecimento do calendário escolar, na para uma escola pode não ser para outra.
distribuição das aulas, no processo de elaboração ou de criação de c) Tempo escolar — O calendário da escola, o período no
novos cursos ou de novas disciplinas, na formação de grupos de qual o projeto
trabalho, na capacitação dos recursos humanos etc. A gestão é elaborado é também decisivo para o seu sucesso.
democrática é, portanto, atitude e método. A atitude democrática é d) Tempo para amadurecer as ideias — Só os projetos
necessária, mas não é suficiente. Precisamos de métodos burocráticos são impostos e, por isso, revelam-se ineficientes em médio
democráticos de efetivo exercício da democracia. Ela também é um prazo. Há um tempo para sedimentar ideias. Um projeto precisa ser
aprendizado, demanda tempo, atenção e trabalho. discutido e isso leva tempo.
Como elementos facilitadores de êxito de um projeto, podemos
Existem, certamente, algumas limitações e obstáculos à instauração destacar:
de um processo democrático como parte do projeto políticopedagógico
da escola. Entre eles, podemos citar: 1) Comunicação eficiente. Um projeto deve ser factível e seu
enunciado facilmente compreendido.
a) a nossa pouca experiência democrática; 2) Adesão voluntária e consciente ao projeto. Todos precisam estar
b) a mentalidade que atribui aos técnicos e apenas a eles envolvidos. A corresponsabilidade é um fator decisivo no êxito de um
a capacidade de planejar e governar e que considera o povo incapaz de projeto;
exercer o governo ou de participar de um planejamento coletivo em 3) Suporte institucional e financeiro, que significa: vontade política,
todas as suas fases; pleno conhecimento de todos — principalmente dos dirigentes — e
c) a própria estrutura de nosso sistema educacional que é recursos financeiros claramente definidos.
vertical; 4) Controle, acompanhamento e avaliação do projeto. Um projeto
d) o autoritarismo que impregnou nossa prática que não pressupõe constante avaliação não consegue saber se seus
educacional; objetivos estão sendo atingidos.
e) o tipo de liderança que tradicionalmente domina nossa 5) Uma atmosfera, um ambiente favorável. Não se deve desprezar
atividade política no campo educacional. certo componente mágico-simbólico para o êxito de um projeto, certa
mística que cimenta a todos os que se envolvem no design de um projeto.
6) Credibilidade. As ideias podem ser boas, mas, se os que as
Enfim, um projeto políticopedagógico da escola apoia-se: a)
defendem não têm prestígio, comprovada competência e legitimidade, o
no desenvolvimento de uma consciência crítica;
projeto pode ficar limitado.
b) no envolvimento das pessoas: comunidade interna e
7) Referencial teórico que facilite encontrar os principais conceitos
externa à escola;
estrutura ao projeto.
c) na participação e na cooperação das várias esferas de
governo;
A falta desses elementos obstaculiza a elaboração e a implantação de
d) na autonomia, responsabilidade e criatividade como um projeto novo para a escola. A implantação de um novo projeto
processo e político pedagógico da escola enfrentará sempre a descrença
como produto do projeto. generalizada dos que pensam que de nada adianta projetar uma boa
escola enquanto não houver vontade política dos “de cima”. Contudo, o
O projeto da escola depende, sobretudo, da ousadia dos seus agentes, pensamento e a prática dos “de cima” não se modificarão enquanto não
da ousadia de cada escola em assumir-se como tal, partindo da "cara" que existir pressão dos “de baixo”. Um projeto políticopedagógico da escola
tem, com o seu cotidiano e o seu tempo-espaço, isto é, o contexto deve constituir-se num verdadeiro processo de conscientização e de
histórico em que ela se insere. formação cívica; deve ser um processo de recuperação da importância e
Um projeto políticopedagógico constrói-se de forma interdisciplinar. da necessidade do planejamento na educação.
Não basta trocar de teoria como se ela pudesse salvar a escola. Tudo isso exige certamente uma educação para a cidadania.
Pelo que foi dito até agora, o projeto pedagógico da escola pode ser - O que é "educar para a cidadania"?
considerado como um momento importante de renovação da escola.
Projetar significa “lançar-se para frente”, antever um futuro diferente do

2
A resposta a essa pergunta depende da resposta à outra pergunta: — existentes entre as disciplinas, indo, portanto, além da interação e
“O que é cidadania?”. reciprocidade existentes entre as ciências.
Pode-se dizer que cidadania é essencialmente consciência de direitos Da nossa experiência vivida nesses últimos anos, tentando entender
e deveres e exercício da democracia. Não há cidadania sem democracia. esse movimento, algumas lições podemos tirar que nos levam a acreditar
A democracia fundamenta-se em três direitos: nessa concepção/realização da educação. Por isso, baseado nessa crença,
apresentamos um “decálogo” no livro Escola cidadã, em 1992. Para nós,
- direitos civis, como segurança e locomoção; a escola cidadã surge como uma realização concreta dos ideais da escola
- direitos sociais, como trabalho, salário justo, saúde, educação, pública popular, cujos princípios vimos defendendo, ao lado de Paulo
habitação etc. Freire, nas últimas duas décadas. Concretamente, dessa experiência
- direitos políticos, como liberdade de expressão, de voto, de vivida, pudemos tirar algumas lições. Para finalizar, gostaríamos de
participação em partidos políticos e sindicatos etc. mencionar pelo menos quatro:

O conceito de cidadania, contudo, é um conceito ambíguo. Em 1789 a 1) A escola não é o único local de aquisição do saber elaborado.
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão estabelecia as primeiras Aprendemos também nos fins de semana, como costuma dizer Emília
normas para assegurar a liberdade individual e a propriedade. Existem Ferreiro.
diversas concepções de cidadania: a liberal, a neoliberal, a progressista 2) Não existe um único modelo capaz de tornar exitosa a ação
ou socialista democrática (o socialismo autoritário e burocrático não educativa da escola. Cada escola é fruto de suas próprias contradições.
admite a democracia como valor universal e despreza a cidadania como Existem muitos caminhos, inclusive para a aquisição do saber elaborado. E
valor progressista). o caminho que pode ser válido numa determinada conjuntura, num
Existe hoje uma concepção consumista de cidadania (não ser determinado local ou contexto, pode não o ser em outra conjuntura ou
enganado na compra de um bem de consumo) e uma concepção oposta contexto. Por isso, é preciso incentivar a experimentação pedagógica e,
que é uma concepção plena de cidadania, que consiste na mobilização da sobretudo, ter uma mentalidade aberta ao novo e não atirar pedras no
sociedade para a conquista dos direitos acima mencionados e que devem caminho daqueles que buscam melhorar a educação.
ser garantidos pelo Estado. A concepção liberal e neoliberal de cidadania 3) Todos não terão acesso à educação enquanto todos —
— que defende o “Estado mínimo”, a privatização da educação e que trabalhadores e não trabalhadores em educação, estado e sociedade civil
estimula a concentração de renda — entende que a cidadania é apenas — não se interessarem por ela. A educação para todos supõe todos pela
um produto da solidariedade individual (da “gente de bem”) entre as educação.
pessoas e não uma conquista no interior do próprio Estado. A cidadania 4) Houve uma época em que pensávamos que as pequenas
implica em instituições e regras justas. O Estado, numa visão socialista mudanças impediam a realização de uma grande" mudança. Por isso, no
democrática, precisa exercer uma ação — para evitar, por exemplo, os nosso entender, elas deveriam ser evitadas e todo o investimento deveria
abusos econômicos dos oligopólios — fazendo valer as regras definidas ser feito numa transformação radical e ampla. Hoje, minha certeza é outra:
socialmente. a grande mudança exige também o esforço contínuo, solidário e paciente
das pequenas ações. Estas, no dia-a-dia, construídas passo a passo, numa
certa direção, também são essenciais à grande mudança. E o mais
Cidadania e autonomia são hoje duas categorias estratégicas de importante: devem ser feitas hoje. Como dizia Paulo Freire, “a melhor
construção de uma sociedade melhor em torno das quais há maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não
frequentemente consenso. Essas categorias se constituem na base da é possível ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se
nossa identidade nacional tão desejada e ainda tão longínqua, em eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje o que hoje não
função do arraigado individualismo tanto das nossas elites, quanto pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude
das fortes corporações emergentes, ambas dependentes do Estado fazer.
paternalista.
Isso, de forma alguma, significa renunciar ao sonho da construção de
O movimento atual da chamada “escola cidadã” está inserido nesse uma sociedade justa e humana, nem jogar no lixo da História nossa
novo contexto histórico de busca de identidade nacional. A “escola utopia revolucionária. Precisamos, sobretudo da utopia neossocialista
cidadã” surge como resposta à burocratização do sistema de ensino e à contra a ideologia neoliberal que prega o fim da utopia e da história.
sua ineficiência. Estamos convencidos, acima de tudo, que a educação, mais do que passar
É nesse contexto histórico que vem se desenhando o projeto e a por uma melhoria da qualidade do ensino que está aí, como sustenta o
realização prática da escola cidadã em diversas partes do país, como uma Banco Mundial, ela precisa de uma transformação radical, exigência
alternativa nova e emergente. Ela vem surgindo em numerosos premente e concreta de uma mudança estrutural provocada pela
municípios e já se mostra nas preocupações dos dirigentes educacionais inevitável globalização da economia e das comunicações, pela revolução
em diversos Estados brasileiros. da informática a ela associada e pelos novos valores que estão
Movimentos semelhantes já ocorreram em outros países. Vejam-se refundando instituições e convivência social na emergente sociedade
as “Citizenship Schools” que surgiram nos Estados Unidos nos anos 50, pós-moderna. Por isso, como afirmamos no início do texto, não se
dentro das quais se originou o importante movimento pelos Direitos constrói um projeto políticopedagógico sem uma direção política, um
Civis naquele país, colocando dentro das escolas americanas a educação norte, um rumo.
para a cidadania e o respeito aos direitos sociais e humanos.
O REGIMENTO ESCOLAR;

Do movimento histórico-cultural a que nos referimos, estão surgindo Regimento Escolar


alguns eixos norteadores da escola cidadã: a integração entre educação
Constitui um conjunto de regras que norteiam e regulam a estrutura
e cultura, escola e comunidade (educação multicultural e comunitária), a
e o funcionamento escolar, além de definir a organização administrativa,
democratização das relações de poder dentro da escola, o enfrentamento
didática, pedagógica, disciplinar e estabelecer direitos e deveres de todos
da questão da repetência e da avaliação, a visão interdisciplinar e
que convivem no ambiente.
transdisciplinar e a formação permanente dos educadores. A
É o Regimento Escolar, o legitimador e legalizador dos atos escolares,
interdisciplinaridade refere-se à estreita relação que as disciplinas
consoante legislação vigente. É o resultado do pacto celebrado entre
mantêm entre si e a Transdisciplinaridade, à superação das fronteiras

2
todos que fazem a escola, visando a normatização das relações, direitos
e deveres.

Para que serve:

Sua função é fortalecer a autonomia da escola numa perspectiva AS FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO ESCOLAR E O
democrática, além de assegurar os princípios filosóficos e PAPEL DO SUJEITO QUE COMPÕE A ESCOLA;
políticopedagógicos que norteiam a prática educativa escolar,
garantindo-lhe as suas especificidades pedagógicas e administrativas. Gestão democrática e a mobilização da equipe escolar3

Porque o Regimento deve ser autônomo: E por falar em gestão, como proceder de forma mais democrática nos
sistemas de ensino e nas escolas públicas?
O Regimento expressará o projeto educativo da escola, construído
coletivamente, permitindo que ela expresse sua identidade sem perder A participação é educativa tanto para a equipe gestora quanto para
de vista a legislação e as diretrizes e políticas educacionais nacionais e os demais membros das comunidades escolar e local. Ela permite e
estaduais. requer o confronto de ideias, de argumentos e de diferentes pontos de
vista, além de expor novas sugestões e alternativas. Maior participação e
Como elaborar o Regimento da escola: envolvimento da comunidade nas escolas produzem os seguintes
resultados:
O regimento deve ser elaborado coletivamente, com a participação
de todos os segmentos da comunidade escolar, através de assembleia, - Respeito à diversidade cultural, à coexistência de ideias e de
com a finalidade de discutir e deliberar conteúdos que comporão o concepções pedagógicas, mediante um diálogo franco, esclarecedor e
Regimento. respeitoso;
- Formulações de alternativas, após um período de discussões onde
as divergências são expostas.
Estrutura Regimental: - Tomada de decisões mediante procedimentos aprovados por
toda a comunidade envolvida
O Regimento das escolas deverá contemplar os seguintes itens - Participação e convivência de diferentes sujeitos sociais em um
relacionados: espaço comum de decisões educacionais.
A gestão democrática dos sistemas de ensino e das escolas públicas
Atualização do Regimento: requer a participação coletiva das comunidades escolar e local na
administração dos recursos educacionais financeiros, de pessoal, de
I - o objeto, a indicação do âmbito de sua aplicação e a patrimônio, na construção e na implementação dos projetos educacionais.
fundamentação legal; Mas para promover a participação e deste modo implementar a gestão
II - a denominação da instituição e respectiva localização; democrática da escola, procedimentos prévios podem ser observados:
III - a identificação da entidade mantenedora e sua - Solicitar a todos os envolvidos que explicitem seu
natureza jurídica; comprometimento com a alternativa de ação escolhida;
IV - os níveis e modalidades de educação e ensino - Responsabilizar pessoas pela implementação das alternativas
oferecidos e horários de funcionamento; acordadas;
V - os princípios filosóficos e pedagógicos e as finalidades da - Estabelecer normas prévias sobre como os debates e as decisões
instituição de ensino; serão realizados;
VI - os elementos constitutivos da organização escolar, a - Estabelecer regras adequadas à igualdade de participação de
saber: a) forma de gestão; todos os segmentos envolvidos;
b) organização administrativa; - Articular interesses comuns, ideias e alternativas
c) organização didática e pedagógica; complementares, de forma a contribuir para organizar propostas mais
coletivas.
d) serviços de apoio administrativo e técnico-pedagógico;
- Esclarecer como a implementação das ações serão
e) órgãos colegiados;
acompanhadas e supervisionadas;
f) princípios de convivência social contemplando os direitos e deveres
- Criar formas de divulgação das ideias e alternativas em debate
dos segmentos que compõem a escola.
como também do processo de decisão.
A escola deve possibilitar espaços de revisão e atualização dos
Gestão democrática implica compartilhar o poder, descentralizando-
dispositivos do seu Regimento, de modo a acompanhar o dinamismo das
o. Como fazer isso? Incentivando a participação e respeitando as pessoas
ações desenvolvidas, através de emendas regimentais que devem ser
e suas opiniões; desenvolvendo um clima de confiança entre os vários
aprovadas pelos colegiados escolares.
segmentos das comunidades escolar e local; ajudando a desenvolver
competências básicas necessárias à participação (por exemplo, saber
ouvir, saber comunicar suas ideias). A participação proporciona
mudanças significativas na vida das pessoas, na medida em que elas
passam a se interessar e se sentir responsáveis por tudo que representa
interesse comum.
Assumir responsabilidades, escolher e inventar novas formas de
relações coletivas faz parte do processo de participação e trazem
possibilidades de mudanças que atendam a interesses mais coletivos.
A participação social começa no interior da escola, por meio da
criação de espaços nos quais professores, funcionários, alunos, pais de
alunos etc. possam discutir criticamente o cotidiano escolar. Nesse

3 Texto adaptado disponível em http://crv.educacao.mg.gov.br/

2
sentido, a função da escola é formar indivíduos críticos, criativos e Numa escola que tem como objetivo formar indivíduos
participativos, com condições de participar criticamente do mundo do participativos, críticos e criativos, a organização estudantil adquire
trabalho e de lutar pela democratização da educação. A escola, no importância fundamental.
desempenho dessa função, precisa ter clareza de que o processo de O grêmio estudantil constitui-se em mecanismo de participação dos
formação para uma vida cidadã e, portanto, de gestão democrática passa estudantes nas discussões do cotidiano escolar e em seus processos
pela construção de mecanismos de participação da comunidade escolar, decisórios, constituindo-se num laboratório de aprendizagem da função
como: Conselho Escolar, Associação de Pais e Mestres, Grêmio política da educação e do jogo democrático. Possibilita, ainda, que os
Estudantil, Conselhos de Classes etc. estudantes aprendam a se organizarem politicamente e a lutar pelos seus
Para que a tomada de decisão seja partilhada e coletiva, é necessária direitos.
a efetivação de vários mecanismos de participação, tais como: o Articulado ao processo de constituição de mecanismos de
aprimoramento dos processos de escolha ao cargo de dirigente escolar; participação colegiada dentro da escola destaca-se também a
a criação e a consolidação de órgãos colegiados na escola (conselhos necessidade da participação e acompanhamento da aplicação dos
escolares e conselho de classe); o fortalecimento da participação recursos financeiros, tanto na escola como nos sistemas de ensino. A
estudantil por meio da criação e da consolidação de grêmios estudantis; responsabilidade de acompanhar e fiscalizar a aplicação dos recursos
a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico da escola; a para a educação é de toda a sociedade. Todos os envolvidos direta e
redefinição das tarefas e funções da associação de pais e mestres, na indiretamente são chamados a se responsabilizar pelo bom uso das
perspectiva de construção de novas maneiras de se partilhar o poder e a verbas destinadas à educação. Nesse sentido, pais, alunos, professores,
decisão nas instituições. servidores administrativos, associação de bairros, ou seja, as
Não existe apenas uma forma ou mecanismo de participação. Entre comunidades escolar e local têm o direito de participar, por meio dos
os mecanismos de participação que podem ser criados na escola, diferentes conselhos criados para essa finalidade.
destacam-se: o conselho escolar, o conselho de classe, a associação de A Lei no 9.424/96, que instituiu o Fundef e, posteriormente, a Lei n°
pais e mestres e o grêmio escolar. 11.494/07, que instituiu o Fundeb, definiu que o acompanhamento e o
controle social sobre a repartição, a transferência e a aplicação dos
Conselho escolar recursos do Fundo seriam exercidos, junto aos respectivos governos, no
O conselho escolar é um órgão de representação da comunidade âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por
escolar. Trata-se de uma instância colegiada que deve ser composta por Conselhos a serem instituídos em cada esfera administrativa. A
representantes de todos os segmentos da comunidade escolar e perspectiva é de que a participação no controle social do fundo contribui
constitui-se num espaço de discussão de caráter consultivo e/ou para a garantia da eficiência do gerenciamento dos recursos para a
deliberativo. Ele não deve ser o único órgão de representação, mas educação básica.
aquele que congrega as diversas representações para se constituir em O processo de participação na escola produz, também, efeitos
instrumento que, por sua natureza, criará as condições para a culturais importantes. Ele ajuda a comunidade a reconhecer o
instauração de processos mais democráticos dentro da escola. Portanto, patrimônio das instituições educativas – escolas, bibliotecas,
o conselho escolar deve ser fruto de um processo coerente e efetivo de equipamentos – como um bem público comum, que é a expressão de um
construção coletiva. A configuração do conselho escolar varia entre os valor reconhecido por todos, o qual oferece vantagens e benefícios
estados, entre os municípios e até mesmo entre as escolas. Assim, a coletivos. Sua utilização por algumas pessoas não exclui o uso pelas
quantidade de representantes eleitos, na maioria das vezes, depende do demais. É um bem de todos; todos podem e devem zelar pelo seu uso e
tamanho da escola, do número de classes e de estudantes que ela possui. sua adequada conservação. A manutenção e o desenvolvimento de um
bem público comum requerem algumas condições:
Conselho de classe 1. Recursos financeiros adequados, regulares e bem gerenciados,
O conselho de classe é mais um dos mecanismos de participação da de modo a oferecer as mesmas condições de uso, acesso e permanência
comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem nas escolas a alunos em condições sociais desiguais;
desenvolvido na unidade escolar. Constitui-se numa das instâncias de 2. Transparência administrativa e financeira com o controle
vital importância num processo de gestão democrática, pois "guarda em público de ações e decisões. Desse modo, cabe ao gestor informar com
si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por clareza e em tempo hábil a relação dos recursos disponíveis, fazer
objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do prestações de contas, promover o registro preciso e claro das decisões
qual desenvolve-se o processo de trabalho escolar" (DALBEN, 1995). tomadas em reuniões;
Nesse sentido, entendemos que o conselho de classe não deve ser uma 3. Processo participativo de tomada de decisões, implementação,
instância que tem como função reunir-se ao final de cada bimestre ou do acompanhamento e avaliação. Ressaltamos que o cotidiano de trabalho
ano letivo para definir a aprovação ou reprovação de alunos, mas deve das escolas deve ter por referência um projeto pedagógico construído
atuar em espaço de avaliação permanente, que tenha como objetivo coletivamente e o apreço às decisões tomadas pelos órgãos colegiados
avaliar o trabalho pedagógico e as atividades da escola. Nessa ótica, é representativos.
fundamental que se reveja a atual estrutura dessa instância, rediscutindo Em síntese, a gestão democrática do ensino pressupõe uma maneira
sua função, sua natureza e seu papel na unidade escolar. de atuar coletivamente, oferecendo aos membros das comunidades local
e escolar oportunidades para:
Associação de pais e mestres - Reconhecer que existe uma discrepância entre a situação real
A associação de pais e mestres, enquanto instância de participação, (o que é) e o que gostaríamos que fosse (o que pode vir a ser).
constitui-se em mais um dos mecanismos de participação da - Identificar possíveis razões para essa discrepância.
comunidade na escola, tornando-se uma valiosa forma de aproximação - Elaborar um plano de ação para minimizar ou solucionar esses
entre os pais e a instituição, contribuindo para que a educação problemas.
escolarizada ultrapasse os muros da escola e a democratização da gestão
seja uma conquista possível. Envolvendo a comunidade na gestão da escola

Grêmio estudantil A gestão escolar constitui um modo de articular pessoas e


experiências educativas, atingir objetivos da instituição escolar,
administrar recursos materiais, coordenar pessoas, planejar atividades,
distribuir funções e atribuições. Em síntese, se estabelecem,

2
intencionalmente, contatos entre as pessoas, os recursos realizar práticas pedagógicas, comprometidas, particularmente num
administrativos, financeiros e jurídicos na construção do projeto país de contrastes como o nosso, onde convivem grandes desigualdades.
pedagógico da escola. A gestão democrática, por sua vez, requer, dentre O presente texto, ainda que não tenha a pretensão de esgotar a
outros, a participação da comunidade nas ações desenvolvidas na escola. discussão pretende buscar ao debate o papel do diretor e do pedagogo
Envolver a comunidades escolar e local é tarefa complexa, pois articula unitário, na gestão democrática, apontando brevemente a gestão
interesses, sentimentos e valores diversos. Nem sempre é fácil, mas democrática como possibilidades de organização do trabalho da escola
compete às equipes gestoras pensar e desenvolver estratégias para pública pela via do Projeto Político Pedagógico e da Organização
motivar as pessoas a se envolver e participar na vida da escola. As Curricular.
possibilidades de motivação são várias, desde a concepção e o uso dos
espaços escolares até a organização do trabalho pedagógico. A Fundamentação teórica
mobilização das pessoas pode começar quando elas se defrontam com
situações-problema. As dificuldades nos incentivam a criar novas formas A prática educativa é um fenômeno social, sendo uma atividade
de organização, de participar das decisões para resolvê-las. Espaços de humana necessária à existência e ao funcionamento de toda a sociedade.
discussão possibilitam trabalhar ideias divergentes na construção do Através das Políticas Públicas em Educação tem-se oportunidades de
projeto educativo. Como criar, ou então fortalecer, ambientes que refletir e construir novos paradigmas que possibilitem uma educação
favoreçam a participação? Na construção de ambientes de participação e voltada para a classe trabalhadora. Precisa-se lançar um olhar político
mobilização de pessoas, algumas estratégias tornamse fundamentais. sobre o final do século XX que possibilite a reflexão sobre as discussões
Vejamos algumas: contemporâneas da ciência política e, por conseguinte, a urgência de um
novo enfoque das ciências sociais, com óbvias consequências sobre as
- Estar atento às solicitações da comunidade. políticas educacionais.
- Ouvir com atenção o que os membros da comunidade têm a dizer.
- Delegar responsabilidades ao máximo possível de pessoas. A partir deste enfoque, podem-se demandar novos conceitos de
- Mostrar a responsabilidade e a importância do papel de cada um Estado, Nação, Democracia, Cidadania e um repensar sobre a formação
para o bom andamento do processo. política e pedagógica do professor.
- Garantir a palavra a todos. A Pedagogia é um campo do conhecimento sobre a problemática
- Respeitar as decisões tomadas em grupo. educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo uma
- Criar ambientes físicos confortáveis para assembleias e reuniões. diretriz orientadora de sua ação educativa. O pedagógico refere-se à
- finalidade da ação educativa, implicando objetivos sócio-políticos a partir
Estimularcadapresentenasreuniõesounasassembléiasaseresponsabilizar dos quais se estabelecem formas organizativas e metodológicas da ação
por trazer, pelo menos, mais uma pessoa para o próximo encontro. educativa. Entra em cena o papel do pedagogo e do diretor, na construção
- Tornar a escola um espaço de sociabilidade. do Projeto Político Pedagógico da escola, que é um instrumento que
- Valorizar o trabalho participativo. descreve e revela o espaço escolar para além de suas intenções, que supere
- Destacar a importância da integração entre as pessoas. os conflitos, elimine as competitividades corporativas e autoritárias,
- Submeter o trabalho desenvolvido na escola às avaliações da rompendo com a rotina do mundo impessoal e racionalizado da burocracia
comunidade e dos conselhos ou órgãos colegiados. que permeia as relações no interior da escola.
- Valorizar a presença de cada um e de todos.
- Desenvolver projetos educativos voltados para a comunidade em Para Pino “encontramo-nos em período de transição, onde
geral, não só para os alunos. resoluções têm sido elaboradas com o intuito de normalizar ou legalizar,
- Ressaltar a importância da comunidade na identidade da as Legislações e as Políticas Públicas que regem a educação em nosso
unidade escolar. país”.
- Tornar o espaço escolar disponível para comunidade.
Cidadãos e educadores devem conhecer bem a lei que nos rege e
A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO COMUNIDADE/ESCOLA; acompanhar permanentemente os andamentos das discussões e as
novas resoluções que estão sendo apresentadas pelo Conselho Nacional
Gestão democrática e Participação da comunidade. de Educação. É importante, portanto, que cada profissional da educação,
esteja participando através de organizações, conselhos e sindicatos,
A gestão democrática4 destas discussões a fim de poder contribuir na elaboração de Leis que
favoreçam o desenvolvimento de nosso próprio trabalho e
consequentemente o desenvolvimento de nosso alunado.
As evidentes mudanças científicas-tecnológicas, econômicas, sociais,
Pensando nas Políticas Públicas, não podemos negar a importância
políticas e cultural, ocorridas no mundo contemporâneo têm
do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública que mobilizou
influenciado direta e indiretamente a organização da sociedade que
educadores de todo canto deste país, promovendo em nível nacional,
concretamente reflete em seus processos educacionais.
estadual e municipal, vários seminários, palestras e encontros, debates e
Em sincronia com essas mudanças, que já vem de outrora, a
congressos a fim de se buscar coletivizar as propostas de cada entidade
organização da sociedade mediada por essas relações refletiu, em
representativa.
diferentes contextos históricos e formas de desenvolvimento de gestão
De acordo com Pino a estes “atores coletivos cabe o papel de
pedagógica e administrativa, buscando referências nos mais variados
assegurar as políticas globais e articuladas como moderadoras das
espaços de composição social.
desigualdades econômicas e sociais e de responderem ao aumento das
Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as
demandas no contexto de uma maior divisão do trabalho e expansão do
práticas da sociedade, seja ela de natureza social, política, econômica ou
mercado na sociedade de massas”.
cultural.
É importante registrarmos a necessidade de a sociedade civil ocupar
Neste sentido é essencial conhecer as expectativas dessa
seu assento na condução das Políticas Públicas em nosso país, se de fato
comunidade, seus anseios, sua forma de organização, sobrevivência seus
queremos a democratização das mesmas bem como das relações sociais.
costumes e valores. A partir daí poder auxiliá-la a ampliar seu
Não podemos permitir a acomodação e a manutenção das linhas
instrumental de compreensão e transformação social. Para tanto é
conservadoras nas questões educacionais. É um trabalho lento que
preciso ter clareza do homem e de sociedade que pretende formar, para
precisa de todos nós. As modificações nos indicam profundas reformas

4 Texto adaptado de OST, N. M.

2
na Educação Brasileira e que não podem deixar de ser acompanhadas estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio
atentamente por nós educadores. social.
Considerando a especificidade do trabalho pedagógico no âmbito da Tais influências se manifestam por meio desconhecido de
escola pública e as demandas cotidianas inerentes a sua organização, é experiências, valores, crenças, modos de agir, técnicas e costumes
preciso estar discutindo as relações sociais entre sociedade, educação e acumulados por muitas gerações de indivíduos e grupos, transmitidos,
trabalho, fazendo uma análise reflexiva, fortalecendo as ações assimilados e recriados pelas novas gerações.
articuladoras deste processo, considerando ainda, a perspectiva do papel A escola, como instituição social, tem como função a democratização
do diretor e do pedagogo unitário dentro das escolas públicas. dos conhecimentos produzidos historicamente pela humanidade, é um
Repensadas sob a luz da gestão democrática. espaço de mediação entre sujeito e sociedade, para isso o conhecimento
Compreender de que forma a sociedade mundializada, o é a fonte para efetivação de um processo de emancipação humana e de
neoliberalismo e as ideologias conservadoras tratam de orientar os transformação social. E assim, o papel político da escola deve estar
sistemas educativos para, sobre a base de um pensamento único, atrelado ao seu papel pedagógico.
reafirmar seus projetos como os exclusivamente possíveis e válidos.
Preparar os profissionais da educação em todos os níveis e Durante décadas a escola aconteceu de forma muito semelhante à da
modalidades, no empenho e na busca de novas alternativas, capazes de Administração de Empresas, o que não contribuiu para que a escola
contribuir com a melhoria e no desempenho de nossas práticas cumprisse com sua real função e muito menos atendesse as necessidades
pedagógicas numa condição de aprendiz e de pesquisadores deste novo da comunidade escolar, sendo vista como uma educação que reforçava a
tempo da história da educação. prática da divisão do trabalho, a formação de sujeitos em massa,
Para Ferreira: “gestão significa tomar decisões, organizar, dirigir as possíveis reprodutores da lógica vigente.
políticas educacionais que se desenvolvem na escola comprometida com As mudanças ocorridas nos últimos anos nas áreas da ciência,
a formação da cidadania. E, pensar na gestão democrática da escola tecnologia, economia e na cultura, influenciou a organização da
pública nos remete obrigatoriamente, pensar a possibilidade de sociedade, e isso reflete na área educacional. Ao longo dos anos
organicamente constituir a escola como espaço de contradição, houveram avanços e retrocessos, porém, deve-se lembrar que para
delimitando os processos de organização dos segmentos escolares pensar em gestão democrática da escola pública necessita
diante de seu papel enquanto escola pública”. obrigatoriamente a pensar a escola como espaço de contradição, e que se
Saviani afirma que neste contexto: “a gestão do mundo globalizado organiza coletivamente numa relação intrínseca entre teoria e prática.
e a gestão educacional devem se alicerçar em ideais que necessitam Numa gestão democrática é necessário que haja participação de fato,
ser firmado, explicitados, compreendidos e partilhados nas tomadas através da participação de toda a comunidade escolar e das instâncias
de decisões sobre a formação dos cidadãos, que estejam atuantes a colegiadas. Isso exige mudança no papel do diretor quanto à
dirigir o mundo e as instituições. Compreendendo a educação como fragmentação dos trabalhos, mudança de postura, centralização das
uma mediação que se realiza num contexto social que se faz a partir tomadas de decisões, e corporativismo. Ao considerar a análise feita a
das determinações da contemporaneidade e a partir do ser que respeito da gestão escolar, não se pode falar em resultados, no processo
aprende, necessário se faz a estes dois “mundos” para cumprir com a ensino aprendizagem, sem primeiro analisar o contexto social, político e
responsabilidade de educador em formar mentes e corações”. econômico em que esta aprendizagem acontece, e para que isso aconteça
Se a pedagogia estuda as práticas educativas tendo em vista explicitar é preciso reportar à questão social, pois ela pode nos indicar o ingresso
finalidades, objetivos sociopolíticos e formas de intervenção pedagógica de um novo sujeito histórico, numa sociedade em constante
para a educação, o pedagógico se expressa, justamente, na transformação.
intencionalidade e no direcionamento dessa ação.
Para Gadotti: “fazer pedagogia é fazer prática teórica por Coutinho diz que “a gestão democrática da educação compreende
excelência. É descobrir e elaborar instrumentos de ação social. Assim noção de cidadania como capacidade conquistada por todos os
sendo, o pedagogo e o diretor, à luz de uma concepção progressista indivíduos, de se apropriarem dos bens socialmente criados, de
de educação, têm sua função de mediador do trabalho pedagógico, atualizarem todas as potencialidades de realização humana abertas pela
agindo em todos os espaços de contradição para a transformação da via social em cada contexto histórico determinado”.
prática de uma educação pública e de qualidade, visando à Neste sentido é preciso compreender a gestão, como tomadas de
emancipação das classes populares.” decisões, como organização e direcionamento das políticas educacionais
Neste sentido a gestão democrática passa a ser vista sob o ponto da que se desenvolvem na escola, comprometida com a formação do
organização coletiva da escola em função de seus sujeitos, pois é uma cidadão. É um compromisso de quem toma decisões, de quem tem
tarefa que exige rigor teórico prático de quem organiza, decide debate, consciência do coletivo democrático, de quem tem responsabilidade de
discute o trabalho escolar. Significa permitir o trabalho específico e ao formar seres humanos por meio da educação.
mesmo tempo, orgânico dos sujeitos em função das necessidades Segundo Prais “isto significa entender o conhecimento como fonte
histórico-sociais dos seus alunos. Tomando aqui a especificidade do para efetivação de um processo de emancipação humana e de
trabalho do pedagogo, na tentativa de entender seu papel como transformação social. Garantindo dessa forma o processo ensino
mediador da intencionalidade educativa da escola, pela via dos aprendizagem como um caminho para a ruptura e a serviço das
diferentes segmentos que a compõe. mudanças necessárias”.
A sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliarem Os momentos coletivos que permitem a discussão, as análises e os
no desenvolvimento de suas capacidades, prepará-los para a avanços, no sentido de articulação entre teoria e prática, são o momento,
participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social, segundo Kunzer de apropriação do saber coletivo que passa a garantir
pois não há sociedade sem prática educativa e nem prática educativa sem uma “pedagogia emancipatória” uma luta pela superação intelectual
sociedade. entre pensamento e ação, teoria e prática.
Para Gadotti “a prática educativa não é apenas exigência da vida em
sociedade, mas também o processo de prover os indivíduos de Conselhos de classe versus “conselhos de classe”
conhecimentos e experiências culturais que os tornam preparados para
atuar no meio social e transformá-lo em função de suas necessidades
Os conselhos de classe vêm sendo realizados, em grande parte das
sejam elas, econômicas, sociais ou políticas”.
escolas, orientados por modelos avaliativos classificatórios e com
Pela ação educativa, o meio exerce influência sobre os indivíduos e
caráter sentencitivo - se propondo a deferir uma sentença ao aluno.
estes, ao assimilarem e recriarem essas influências torna-se capazes de

3
Nestas sessões, o privilégio ao passado é evidente. Hoffman defende que aprendizagem de todos os alunos. Assim, são professores e escolas que
esta deve ser uma ação voltada para o futuro, de caráter interativo e precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se
reflexivo, deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de às escolas e aos professores. A, dimensão da exclusão de muitos alunos
competências necessárias à aprendizagem dos alunos. da escola pode ser medida:
Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas - pela constatação das práticas reprovativas baseadas em
escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos parâmetros de maturidade e de normalidade;
diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com - pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e
outros educadores e com outros conhecimentos. As questões atitudinais escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. A inclusão nas
não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do classes regulares de alunos que necessitam de atendimento
ensino-aprendizagem. especializado, sem que haja a preparação do professor no desempenho
Para Hoffman, projetar a avaliação no futuro dos alunos significa de seu papel, priva os alunos com necessidades especiais de uma
reforçar as setas dos seus caminhos: confiar, apoiar, sugerir e, escolaridade digna. Para Hoffman, um sério compromisso irá mobilizar
principalmente, desafiá-los a prosseguir por meio de provocações a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais
significativas. Uma atividade ética Não basta desenvolver a avaliação conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. Se incluir é
educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro, mas fundamental e singular, como no caminho de Santiago, é necessário
torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores, por valorizar cada passo do processo, sem pressa, vivendo cada dia o
posturas políticas, fundamentos filosóficos e considerações sociais. inusitado.
Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o
que fazem e por que fazem. As práticas educacionais exigem, além de ELEIÇÃO PARA DIRETOR(A) ESCOLAR;
conhecimento, metodologia, trabalho científico, a inclusão da dimensão As atribuições da direção escolar e da coordenação
ética e sensível. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para pedagógica;
dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de
conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas, Os limites do sistema eletivo5
estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto
avaliativo. Embora algumas experiências localizadas remontem à década de 60,
As reformas educacionais Oriundas de posturas políticas que não a reivindicação da escolha de diretores escolares por meio de processo
devem se sobrepujar aos atos educativos, as novas medidas em avaliação eletivo, em âmbito nacional, é fenômeno que se inicia nos começos da
educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos, por se tratar década de 80, no contexto da redemocratização política do país. Em
de uma atividade prática, ética em seu sentido mais original, porque está vários estados, iniciam-se processos de eleição de diretores escolares na
embasada em juízo de valor. Não concordamos que deva haver regra primeira metade dessa década, com a ascensão dos primeiros
única em avaliação, ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras governadores estaduais eleitos após a ditadura iniciada em 1964. Em
das reformas educacionais, porque cada situação envolve a 1989, vários estados inscrevem em suas constituições a obrigatoriedade
singularidade dos participantes do processo educativo. Não da eleição como critério de escolha dos diretores nas escolas públicas.
encontramos mecanismos únicos, classificatórios que deem conta da
complexidade do ato avaliativo. É preciso considerar, como alerta
Entretanto, já ao final da década de 80 e início da de 90, verifica-se certo
Morim, a complexidade inerente a tal finalidade.
refluxo das eleições em alguns estados, produto da ação de governos
pouco comprometidos com a democracia, que entram com Ações
A participação dos pais da comunidade Diretas de Inconstitucionalidade contra as eleições, com a clara intenção
de proteger seus interesses político-partidários identificados com
Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos, práticas clientelistas.
considerando, entretanto, a natureza do envolvimento; a realidade social Apesar disso, porém, a adoção de processo eletivo como critério para
destes pais; a constituição de suas famílias; a luta pela sobrevivência, etc., escolha de diretores expande-se em todo o país, fazendo-se realidade em
nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não grande número de municípios e em estados onde antes vigorava a
podem ser atribuídas às famílias, muito menos o trabalho de superação nomeação política. Em alguns sistemas que já haviam experimentado a
destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes, mas escolha democrática dos diretores, como o Estado do Paraná e o Distrito
dos profissionais que atuam nas escolas, bem como são de sua Federal, os governadores eleitos em 1994 voltam a introduzir a eleição
responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o direta, em cumprimento a suas plataformas de governos ou a promessas
enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. feitas em suas campanhas eleitorais. O fato, aliás, de os políticos
É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos, passarem a inscrever em suas plataformas eleitorais o compromisso com
dialogar com a escola, assumir o que lhes é de responsabilidade. a eleição de diretores indica sua sensibilidade para algo que passou a
Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola, que fazer parte dos desejos de parcelas da população envolvidas com a
não significa atribuir a eles a tarefa da escola. A educação inclusiva Num gestão da escola pública. Este parece ser mais um resultado positivo do
processo de avaliação mediadora, a promoção se baseia na evolução movimento em torno da eleição de diretores que se verificou a partir de
alcançada pelo aluno, na sua singularidade e de acordo com suas inícios da década de 80: o de inscrever-se no imaginário dessas parcelas
possibilidades, desde que se tenha garantido as melhores oportunidades da população a escolha democrática de diretores escolares como um
possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um. valor positivo e como um direito a ser reivindicado.
Nesse contexto, a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída Mas, como toda inovação, a perspectiva de introdução da via eletiva
ao aluno, às suas dificuldades ou à sua incapacidade. para escolha de diretores escolares provoca grande número de
expectativas nos sujeitos envolvidos, muitas delas impossíveis de serem
A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua realizadas. Por isso, é importante ter presente algumas limitações
do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. Dessa apontadas pela prática. A seguir comentarei como se manifestaram, nas
compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao experiências examinadas, os limites das eleições de diretores com
aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social, em respeito a algumas expectativas que se tinha a seu respeito.
condições de igualdade educativa, isto é, oferece ao aluno condições Um dos principais argumentos para a implantação das eleições de
adequadas de aprendizagem de acordo com suas características, suas diretores fundamenta-se na crença na capacidade do sistema eletivo de
possibilidades. Isso significa encontrar meios para favorecer neutralizar as práticas tradicionalistas calcadas no clientelismo e no

5 PARO, Vitor. Eleições de diretores de escolas públicas: avanços e limites da prática.

Acessado em 20 de fevereiro de 2010.

3
favorecimento pessoal, que inibem as posturas universalistas (1988) constata a falta de avanços na participação dos vários segmentos
reforçadoras da cidadania. A esse respeito, parece que as eleições escolares na escola de modo a implicar a distribuição do poder. Em
tiveram um importante papel na diminuição ou eliminação, nos sistemas Vitória, segundo técnicas da Secretaria de Educação, apesar dos avanços,
em que foram adotadas, da sistemática influência dos agentes políticos ainda há muita reclamação a respeito do diretivismo e do autoritarismo
(vereadores, deputados, prefeitos, cabos eleitorais etc.) na nomeação do do diretor. Em Goiânia, Dourado (1990) também constata a resistência
diretor. Mas, isso não significa que o clientelismo tenha deixado de de professores e diretores em aceitar as tentativas de se instalarem
exercer suas influências na escola. Por um lado, em alguns sistemas Grêmios Estudantis e "outros canais de participação na escola."
continuaram a existir brechas para a penetração da influência do agente
político na nomeação do diretor; por outro, as práticas clientelistas Obviamente, as pessoas que pensavam que, com as eleições, o diretor
passaram a fazer parte também do interior da própria escola, quer no mudaria seu comportamento, de forma radical e imediata, frustraram-se
processo de eleição do diretor, quer durante o exercício de seu mandato. ao perceber que muito das características do chefe monocrático que
detém a autoridade máxima na escola persistiu mesmo com a eleição.
Certa permanência da influência político-partidária verificou-se Mas, o que isso reafirma é que as causas do autoritarismo existente nas
especialmente nos sistemas em que a eleição se deu por lista tríplice, com unidades escolares não advêm exclusivamente do provimento do diretor
a escolha definitiva de um dos três nomes ficando por conta do poder pela via da nomeação política. Antes, é preciso considerar que tal
executivo. No Estado do Paraná, nas eleições de 1983, Zabot (1984) autoritarismo é resultado da conjunção de uma série de determinantes
refere-se às "inúmeras iniciativas dos grupos de pressão interessados na internos e externos à unidade escolar que se sintetizam na forma como
nomeação de determinados candidatos." Também no Município de se estrutura a própria escola e no tipo de relações que aí têm lugar. Por
Goiânia, Canesin (1993) reporta as "marcas profundas no clientelismo" isso, mais uma vez é preciso ter presente que, também neste caso, não se
presente nas primeiras eleições, práticas também referidas em Dourado trata em absoluto de culpar a eleição, mas de reconhecer que ela tem
(1990). limites que só podem ser superados quando se conjuguem, ao processo
Mas não só nos locais em que havia a escolha por lista tríplice esteve eletivo, outras medidas que toquem na própria organização do trabalho
presente a pressão clientelista. Especialmente nas primeiras eleições, os e na distribuição da autoridade e do poder na escola.
agentes políticos não desistem de tentar fazer valerem seus interesses Outra circunstância que evidencia os limites da eleição de diretores é
clientelistas. É o caso, por exemplo, do Estado de Minas Gerais onde, que ela não está imune ao corporativismo por parte dos grupos que
apesar da existência de regras bem definidas e divulgadas, ainda houve interagem na escola. A esse respeito, o maior número de reclamações
assédio de políticos para burlá-las. (Mello & Silva, 1994) contidas em relatos de autoridades das secretarias de educação e de
Uma peculiar forma de intervir movido por interesses clientelistas é pessoas envolvidas nas mudanças refere-se à atitude de professores que,
a praticada por certos agentes políticos que, alijados, pelo sistema pouco afeitos às regras da democracia que supõem que o eleito, embora
eletivo, de sua anterior oportunidade de influir diretamente na escolhido pela maioria, deve governar visando o bem de todos, procuram
nomeação dos dirigentes escolares, prevalecem-se de sua experiência tirar proveito da situação, buscando favorecimento ao grupo dos
política para influenciar no próprio processo de eleição que se dá na docentes em troca de seu apoio a determinado candidato.
unidade escolar. Calaça, em estudo realizado na rede municipal de ensino Finalmente, uma importante característica das eleições é que, como
de Goiânia, dá conta de práticas desse tipo na eleição de 1984, nesse todo processo de democracia, a participação e o envolvimento das
município, ao informar que "alguns candidatos patrocinados por pessoas enquanto sujeitos na condução das ações é apenas uma
vereadores distribuíram santinhos, calendários e camisetas e possibilidade, não uma garantia. Especialmente em sociedades com
prometeram favores em troca de votos." (Calaça, 1993) fortes marcas tradicionalistas, sem uma cultura desenvolvida de
Também no interior da própria unidade escolar, segundo participação social, é muito difícil conseguir-se que os indivíduos não
reclamações do pessoal que aí trabalha, podem ser identificadas deleguem a outros aquilo que faz parte de sua obrigação enquanto
ocorrências de práticas mais tradicionalistas que se supunham sujeito partícipe da ação coletiva. No caso da escola pública, as
superadas com a eleição. Um dos professores entrevistados por Castro et reclamações, especialmente de diretores, dão conta de que a eleição do
al., no Estado do Rio Grande do Sul, declara que continua a haver as dirigente acaba, em grande medida, significando não a escolha de um
"panelinhas" existentes antes das eleições. (Castro et al., 1991) Por seu líder para a coordenação do esforço humano coletivo na escola, mas
turno, Holmesland et al. (1989) também apresentam depoimentos de muito mais uma oportunidade de jogar sobre os ombros do diretor toda
diretores que evidenciam uma concepção clientelista do pessoal escolar, a responsabilidade que envolve a prática escolar. Dourado (1990) refere-
que exige uma contrapartida pessoal ao apoio dado na eleição. se a esse tipo de situação como a uma redução do processo democrático
O fato, entretanto, de a incipiente prática política introduzida pelas a "mera delegação de poderes" e Holmesland et al. (1989) consideram
eleições de diretores não ter sido capaz de eliminar por completo essas que "o diretor de escola pública, mesmo eleito, é um indivíduo que tende
expectativas e comportamentos clientelistas não pode levar a que se a sentir-se desacompanhado, desprotegido, solitário."
impute às eleições as causas desses males que nada mais são, na verdade, Não há dúvida de que, se o problema é a falta de tradição
do que remanescentes de uma cultura tradicionalista que só a prática da democrática, é com a insistência em mecanismos de participação e de
democracia e o exercício autônomo da cidadania poderá superar. exercício da democracia que se conseguirá maior envolvimento de todos
Outra expectativa que muitas pessoas tinham com relação à eleição em suas responsabilidades. Mas, diante da associação que muitos fazem
era a de que esta conseguiria eliminar o autoritarismo existente na escola entre o direito de votar e a omissão em coparticipar das
e a falta de participação de professores, alunos, funcionários e pais nas responsabilidades do eleito, nunca é demais meditar sobre as palavras
decisões. A suposição por trás dessa expectativa era a de que a falta de de Agnes Heller sobre a questão da relação entre liberdade e dever:
participação e o autoritarismo existentes na escola se deviam, em grande "Toda pessoa tem a liberdade de não reconhecer nenhum valor
parte ou exclusivamente, ao fato de o diretor, não tendo compromissos moral. Mas, como já disse, isso não a ajuda a ser livre. Hegel tinha razão
com o pessoal escolar ou com os usuários da escola, por não ter sido quando distinguiu entre liberdade e arbítrio. A liberdade é sempre
escolhido por estes, tendia a articular-se apenas com os interesses do liberdade para algo, e não apenas liberdade de algo. Se interpretarmos a
Estado, voltando as costas para a unidade escolar e sua comunidade. Com liberdade apenas como o fato de sermos livres de alguma coisa,
a eleição, esperavam que a escola se encaminhasse rapidamente para encontramo-nos no estado de arbítrio, definimo-nos de modo negativo.
uma convivência democrática e para a maior participação de todos em A liberdade é uma relação e, como tal, deve ser continuamente
sua gestão. Todavia, as experiências mostraram que havia mais otimismo ampliada. O próprio conceito de liberdade contém o conceito de dever, o
do que realismo nessas previsões. Numa apreciação dessa questão no conceito de regra, de reconhecimento, de intervenção recíproca. Com
Distrito Federal, após as eleições, no período de 1985 a 1988, Couto efeito, ninguém pode ser livre se, em volta dele, há outros que não o são."

3
professores. Holmesland et alii assim se referem à postura dos
A nova situação do diretor professores no Estado do Rio Grande do Sul:
"O sentimento de não cooptação por parte dos diretores parece ser
Passar de uma situação clientelista, onde o que vale é o critério bastante forte e se tornou mais evidente por ocasião das greves gerais de
político-partidário, para uma situação de escolha democrática, magistério. No Rio Grande do Sul os diretores tomaram o partido dos
legitimado pela vontade dos sujeitos envolvidos na situação escolar, faria professores e foram juntos à praça pública. Por essas razões a hierarquia
supor, para muitos, mudanças significativas no perfil do diretor da escola do sistema de ensino tenha, talvez, se sentido ameaçada, percebendo a
pública básica. Entretanto, se assim aconteceu, isto não foi percebido de eleição como um fator desestruturante de sua posição de poder."
modo inequívoco pelos que compartilham de alguma forma o espaço (Holmesland et al., 1989)
escolar. O processo de escolha é apenas um dos múltiplos determinantes Antes, era praxe o diretor nomeado encaminhar listas com os nomes
a influir na maneira de gerir a escola e, em especial, no modo de agir do dos professores em greve sempre que solicitado pelas autoridades
próprio diretor. Além disso, se, por um lado, a eleição pressupõe superiores. Com a eleição do dirigente escolar, essa prática passou a ser
mudanças de condutas do diretor (movidas, especialmente, pelo questionada e negada pelo diretor, que passou a reivindicar melhor
compromisso que a eleição provoca com os eleitores), por outro, os tratamento dos governos aos movimentos grevistas. Um exemplo típico
inúmeros problemas da gestão escolar, que permanecem, contribuem dessa nova postura é relatado por Calaça, referindo-se à greve no sistema
para dificultar a percepção das mudanças ocorridas. Isto sem falar em municipal de ensino de Goiânia no início do segundo semestre de 1983:
problemas novos que surgem em substituição a antigos. Um desses "Nesse confronto aberto, o prefeito contava apenas com o apoio de
novos problemas é referido por Castro et al. quando apresentam as um bloco pequeno de vereadores que exigia dele a demissão imediata
dificuldades do novo diretor para ter acesso aos órgãos centrais do dos grevistas. Já os 83 diretores, na condição de eleitos pela comunidade
sistema escolar: escolar posicionaram-se contra a decisão do prefeito Nion e defendiam o
"Quando o sistema era clientelístico, o diretor era escolhido com base diálogo; alguns vereadores e a Secretária da Educação cobravam do
em critérios políticos e tinha uma forma de relacionamento baseada Prefeito as promessas de palanque do PMDB e o pressionavam para
nesta indicação política. Com a eleição de diretores, isto se modifica e o resolver o impasse que ele próprio criou."
velho sistema entra em desuso, mas uma nova forma de relacionamento Em Santa Catarina, em 1987, conforme relatado por Leal & Silva, o
está em processo de formação e assim o diretor eleito tem muito menos diretores assumem posição semelhante, ao emitirem o chamado
acesso às fontes de poder - à Secretaria de Obras do Estado e aos contatos "Manifesto dos Diretores das Escolas Estaduais de Santa Catarina",
políticos tradicionais. O diretor eleito enfrenta, além de todas as resultante de assembleia realizada em 4 de junho, em Florianópolis:
dificuldades inerentes à função, a de construir uma nova forma de "Outro aspecto que a leitura do Manifesto e da ata da assembleia
relacionamento com os órgãos superiores num breve período de revela é a posição de mediadores que os diretores parecem assumir.
mandato." (Castro et al., 1991) Colocam-se numa clara posição de defesa dos professores e de seus
Em Holmesland et al. (1989) encontram-se evidências de que, apesar direitos, na medida em que consideram suas reivindicações justas e
da eleição, o diretor continua numa situação de dubiedade entre o poder legítimas e decidem não encaminhar, às instâncias superiores, as listas
do Estado e as reivindicações da escola. Sente que tem obrigação para com os nomes dos professores grevistas, solicitadas pelo governo. Ao
com o Estado, mas, ao mesmo tempo, recebe pleitos de seus liderados mesmo tempo, exercem pressão sobre o governo para que apresse os
que entram em contradição com as determinações do sistema superior entendimentos com as associações, cumpra a legislação em vigor e não
de autoridade, e se vê em conflito pois não pode deixar de ouvir aqueles puna os professores em greve." (Leal & Silva, 1987)
que o elegeram. Sente, por isso, que era mais fácil a situação anterior em Todavia, parece que a nova situação ainda não teve a qualidade de
que recebia determinações superiores e as impunha aos seus dotar o diretor e a escola de um novo poder de barganha diante do
comandados, sem maiores dificuldades. próprio Estado que, habituado a agir clientelisticamente no atendimento
Essa situação não deixa de ser reveladora de uma contradição às unidades escolares, com a ausência do clientelismo, se acomoda em
originária do próprio processo democrático de escolha do diretor. Mas simplesmente não dar ouvidos às solicitações do diretor. De qualquer
parece que esta é precisamente uma qualidade que se busca com a forma, o ter conseguido nova postura, pelo menos do diretor, parece ser
instituição da eleição: que as contradições venham à tona e, no caso do uma conquista do processo eletivo que não se deve menosprezar. Além
diretor, que este seja, pelo menos em parte, desarticulado do poder disso, há indícios de que os próprios diretores consideram a nova
autoritário do Estado e se articule com os interesses da escola. situação mais positiva para a administração da escola.
Parece que o diretor consegue perceber melhor, agora, sua situação
contraditória pelo fato de ser mais cobrado pelos que o elegeram. Este é É interessante observar que a eleição de diretores não apenas traz
um fato novo que não pode ser menosprezado. À sua condição de novas determinações ao papel do diretor, mas, em muitos casos,
responsável último pela escola e de preposto do Estado no que tange ao possibilita o acesso ao cargo a um novo contingente de professores que,
cumprimento da lei e da ordem na instituição escolar, soma-se agora seu pelo critério da nomeação clientelista, dificilmente viriam a se tornar
novo papel de líder da escola, legitimado democraticamente pelo voto de dirigentes escolares. Ao mesmo tempo, deve-se observar também que o
seus comandados, que exige dele maior apego aos interesses do pessoal antigo diretor era mais identificado com as obrigações burocráticas e não
escolar e dos usuários, em contraposição ao poder do Estado. Isso serviu tinha um passado de escolha livre por seus comandados como estímulo
para introduzir mudanças na conduta dos diretores eleitos que passaram para defender mecanismos democráticos como passa a ter o diretor
a ver com maior cuidado as solicitações de professores, funcionários, eleito.
alunos e pais. Um membro da diretoria do Fórum Paranaense em Defesa Finalmente, nota-se que, com a menor preocupação com as questões
da Escola Pública, Gratuita e Universal considera que, se a eleição não mais propriamente burocráticas, ganha espaço na pauta de ocupações do
mudou o papel do diretor, pelo menos o afetou, servindo para quebrar "a diretor a atenção ao pedagógico. A função de direção, anteriormente
marca autoritária presente na relação entre a direção da escola e o corpo enredada em múltiplas atividades destinadas a atender solicitações dos
docente, discente etc." Considera ele que houve maior proximidade entre órgãos superiores pouco relacionadas com as atividades-fim da escola,
diretor e professores bem como com funcionários, alunos e pais e cita de repente se sente também pressionada a dedicar-se com maior
como exemplo a maior facilidade e possibilidade de existência dos cuidado ao pedagógico que, afinal de contas, foi objeto de todos os
grêmios estudantis, que eram muito dificultados anteriormente e que discursos nas campanhas para a eleição. O processo eletivo, dessa forma,
passaram a ser vistos com maior simpatia pela direção. não apenas favorece o comprometimento com a razão de ser da escola,
Uma evidência da maior aproximação do diretor com o corpo docente ou seja, o educativo, por parte dos candidatos, mas também propicia a
foi sua mudança de atitude com relação aos movimentos grevistas dos colocação em evidência do pedagógico nas discussões que se fazem, por

3
parte de todos, em torno da questão diretiva. Como consequência, parece preferência das pessoas pela eleição como critério de escolha dos
estar ganhando maior relevo, tanto nas preocupações dos diretores diretores, sequer cogitando elas de outra alternativa.
eleitos, quanto nas exigências de seus liderados, a atenção com as Com relação aos professores, esses dados contrastam enormemente
atividades pedagógicas da escola. Na pesquisa de campo, isso com os que foram obtidos na cidade de São Paulo, em 1991, em consulta
transpareceu no depoimento do pessoal escolar bem como de outras feita entre os professores e especialistas da rede municipal, em que cerca
pessoas envolvidas nas experiências. de 81% dos docentes preferiram a escolha pela via do concurso. A
Essa constatação é muito importante porque acena para uma nova hipótese que se pode levantar - sujeita, obviamente, a estudos mais
orientação na prática diretiva escolar que deixa de identificar-se com aprofundados que lhe possam verificar a validade - é a de que, em
uma práxis "burocratizada" no sentido que lhe dá Sánchez Vázquez ambientes onde se faz presente a discussão política da democracia e sua
(1977), de prática reiterativa como um fim em si mesma, passando a efetivação pela via do voto, os sujeitos estão mais propensos a concordar
constituir-se em prática mediadora que, em seu caráter administrativo com essa medida do que nos locais onde a existência do sistema de
de "utilização racional de recursos para a realização de fins concursos com aparência de justiça social tem eclipsado a discussão a
determinados" (Paro, 1986), instrumentaliza a consecução dos objetivos respeito de sua própria inadequação para atender as necessidades
educativos da instituição escolar. políticas de democracia na escola.

Democracia na escola Tudo isso remete à própria situação atual da escola pública básica.
Sendo esta uma questão de natureza eminentemente política, visto que
Um ponto positivo a creditar à introdução das eleições como critério quem detém o poder de decidir, o Estado, nega-se a atender os interesses
de escolha dos dirigentes escolares é o interesse despertado nos vários dos usuários que são os que financiam a escola estatal por meio de seus
sistemas onde o processo se deu. Os vários depoimentos colhidos junto impostos, nem sempre ela é assim percebida pelos que trabalham na
a pessoas ligadas diretamente à escola ou a administração do sistema de unidade escolar. Nos sistemas em que o diretor é nomeado, seu
ensino confirmam aquilo que alguns estudos já haviam constatado com compromisso político é com quem está no poder, porque foi quem o
relação ao grande comparecimento dos vários setores da escola nas nomeou; nos sistemas em que ele é concursado, seu compromisso é
eleições. também com quem está no poder, pois o concurso isolado não estabelece
A grande participação das pessoas nas eleições ganha significado nenhum vínculo do diretor com os usuários mas sim com o Estado que é
especial quando associada à opinião daqueles que estiveram envolvidos quem o legitima pela Lei. Mas há uma diferença importante: quando há a
com o processo. Tanto nas entrevistas que fiz quanto nos estudos a nomeação pura e simples, o aspecto político fica à mostra, provocando,
respeito das eleições em vários sistemas em que elas se deram, a maioria especialmente em períodos de democratização da sociedade,
das pessoas tem uma opinião bastante positiva sobre os benefícios descontentamento e mobilização dos prejudicados no sentido de superar
trazidos pela adoção do novo critério de escolha. Segundo um exassessor a situação; mas, nos casos em que há a ocorrência do concurso como
da Secretaria da Educação do Estado do Paraná, uma das provas de que critério exclusivo de escolha, há o agravante de que o aspecto político fica
a eleição era um processo acertado é que, nesse Estado, praticamente escamoteado, com maior tendência de acomodação e de crença na
todas as prefeituras adotaram o processo eletivo como critério para justificativa meramente técnica para os problemas da escola.
escolha do diretor. Uma consciência política mais desenvolvida e voltada para os
Sobre o fato de a participação dos vários setores nas decisões da interesses de todos na escola, sem restringir-se ao corporativismo
escola ficarem aquém do desejado, é importante atentar para as estreito ou às imposições muitas vezes antieducativas do Estado, só
observações feitas por Calaça a propósito das eleições em Goiânia. Após poderá desenvolver-se num ambiente escolar em que todos possam
considerar que, "embora esteja a escola elegendo seu diretor, já há oito conviver como sujeitos, com direitos e deveres percebidos a partir da
anos, não se instituiu uma prática efetiva de participação dos vários discussão aberta de todas as questões que afetam a vida de todos na
segmentos em suas decisões com a conseqüente criação de canais que escola. Embora a simples existência da eleição de diretores não tenha a
facilitassem esse processo", a autora pondera entretanto que possibilidade de instituir, por si só, esse ambiente na escola, parece certo
"os vários segmentos, pelo fato mesmo de elegerem o diretor, se que ela é uma prática que tem concorrido, de alguma forma, para isso.
sentem compelidos, e bem à vontade, a fazer interlocução com o diretor. Segundo Dourado (1990), a partir da implementação das eleições, em
Comumente, as pessoas em conversa de 'pé de ouvido' elogiam ou Goiânia, "professores, funcionários, pais e alunos começaram a discutir a
criticam a ação do diretor e ainda dão sugestões ou fazem escola que tinham e, em alguns casos, a esboçar, ainda que
reivindicações." (Calaça, 1993) preliminarmente, a escola que queriam." O citado diretor do Fórum
Essa maior possibilidade de opinar, característica de um ambiente Paranaense em Defesa da Escola Pública, Gratuita e Universal considera
mais democrático, acaba levando os sujeitos envolvidos na educação que o que houve de positivo com a eleição foi "a abertura no debate sobre
escolar a uma postura mais participativa. A abertura para um diálogo as questões educativas na escola, envolvendo tanto a comunidade de
mais franco certamente possibilita o surgimento de conflitos de opiniões dentro como a comunidade de fora."
e interesses. O que não se deve, porém, é tomar isso como algo negativo, Essa maior discussão e maior participação, especialmente de pais e
mas considerar o que verdadeiramente se passa, isto é: a eleição de alunos, acaba contribuindo para que se dê, na escola, o desejado controle
diretores, ao supor um processo de discussão e de exame crítico da democrático do Estado por parte dos usuários de seus serviços. No
realidade e dos interesses em jogo, está apenas fazendo vir à tona estado de Mato Grosso do Sul, onde a eleição de diretores associou-se à
conflitos que permaneciam latentes e que só se resolverão de modo instalação dos colegiados escolares, Paixão constata que
positivo pelo exercício do diálogo e da democracia.
O que se observa também é que os conflitos que vêm à tona revelam "algumas decisões tomadas também demonstraram mudanças na
uma maior consciência política que começa a se desenvolver entre os postura tradicional de gestão da escola. As audiências solicitadas à
participantes do processo. Essa maior consciência política do pessoal Secretaria de Educação passaram a ser feitas pelos colegiados e, em
escolar e dos usuários da escola se manifesta quer em sua politização em algumas ocasiões, em conjunto com a Associação de Pais e Mestres
termos de exigir mais do diretor eleito e do Estado de modo geral, quer (APM). Constata-se, também, fortalecimento da ação colegiada à
na preferência por soluções democráticas para a seleção do diretor, não proporção que certas irregularidades ocorridas na escola passaram a ser
admitindo um retrocesso para a escolha pela via da simples nomeação encaradas com maior seriedade, havendo formalização de denúncias e
por critério político partidário. Tanto nos depoimentos dos vários instalação de sindicâncias para averiguações e possíveis correções. Desta
sujeitos envolvidos, quanto em estudos sobre o assunto é notável a forma, o poder compartilhado tem inibido a prática de ações
irresponsáveis." (Paixão, 1994)

3
A circunstância de ser um colegiado e não o diretor isoladamente a
levar suas reivindicações aos escalões superiores da Secretaria de Conselhos de classe
Educação significa importante inversão na forma de pressão da escola
sobre as autoridades estatais, sobre cujos benefícios me referi em Os conselhos de classe vem sendo realizados, em grande parte das
trabalho anterior ao relevar a importância da gestão colegiada na busca escolas, orientados por modelos avaliativos classificatórios e com
de melhor apoio para a escola, afirmando que é mais difícil dizer "não" caráter sentencitivo - se propondo a deferir uma sentença ao aluno.
ao pedido da escola, "quando a reivindicação não for de uma pessoa, mas Nestas sessões, o privilégio ao passado é evidente. Hoffman defende que
de um grupo, que represente outros grupos e que esteja esta deve ser uma ação voltada para o futuro, de caráter interativo e
instrumentalizado pela conscientização que sua própria organização reflexivo, deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de
propicia." (Paro, 1987) competências necessárias à aprendizagem dos alunos.
Certamente o impacto das eleições sobre a democracia na escola Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas
ficou muito aquém do esperado pelos mais otimistas que queriam, senão escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos
todos, pelo menos um grande número de pessoas, entre pais, alunos, diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com
funcionários e professores, participando intensamente das decisões da outros educadores e com outros conhecimentos. As questões atitudinais
escola pública. O que se deu, na verdade, além da ocorrência não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do
importantíssima de um novo clima de liberdade de expressão e de uma ensino-aprendizagem.
maior consciência de direitos e deveres, foi que a participação mais ativa Para Hoffman, projetar a avaliação no futuro dos alunos significa
ficou por conta de alguns poucos elementos mais persistentes em suas reforçar as setas dos seus caminhos: confiar, apoiar, sugerir e,
ações. Mas, a lição importante a tirar parece ser precisamente a respeito principalmente, desafiá-los a prosseguir por meio de provocações
da importância de se contar com pessoas que se dispõem a participar significativas. Uma atividade ética Não basta desenvolver a avaliação
democraticamente, porque, mesmo contando com reduzido número de educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro, mas
adeptos atuantes, a prática democrática tem conseguido imprimir uma torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores, por
nova qualidade nos rumos das ações desenvolvidas no interior da escola. posturas políticas, fundamentos filosóficos e considerações sociais.
Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o
A maneira de o indivíduo fazer prevalecer seus interesses em que fazem e por que fazem. As práticas educacionais exigem, além de
concordância com o respeito aos direitos dos demais é, cada vez mais, conhecimento, metodologia, trabalho científico, a inclusão da dimensão
sua intervenção nos destinos da sociedade. Isto não se consegue apenas ética e sensível. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para
delegando as tomadas de decisão a parlamentares e executivos distantes dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de
que, em grande medida, escapam ao controle daqueles em nome dos conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas,
quais o governo deve exercer-se. Por mais incipiente que ainda seja, essa estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto
participação dos indivíduos na vida dos organismos civis da sociedade avaliativo.
apresenta pelo menos dois aspectos de fundamental importância para o As reformas educacionais Oriundas de posturas políticas que não
desenvolvimento da democracia. Por um lado, na medida em que se devem se sobrepujar aos atos educativos, as novas medidas em avaliação
envolve com outros sujeitos (individuais ou coletivos), o indivíduo educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos, por se tratar
exercita sua cidadania "já que ser cidadão, e ser indivíduo, é algo que se de uma atividade prática, ética em seu sentido mais original, porque está
aprende, e é algo demarcado por expectativas de comportamentos embasada em juízo de valor. Não concordamos que deva haver regra
singulares." (DaMatta, 1991) Por outro lado, ao intervir com sua opinião única em avaliação, ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras
e explicitação de seus interesses, procurando influir nas decisões que se das reformas educacionais, porque cada situação envolve a
tomam nos órgãos e instâncias onde se realizam as atividades-fim do singularidade dos participantes do processo educativo. Não
aparelho estatal (escolas, atendimento de saúde, transportes etc.), os encontramos mecanismos únicos, classificatórios que deem conta da
cidadãos contribuem para realizar o controle democrático do Estado, complexidade do ato avaliativo. É preciso considerar, como alerta
concorrendo para que este atue de acordo com os interesses da Morim, a complexidade inerente a tal finalidade.
população que o mantém.
Uma análise consistente da realidade escolar brasileira mostra que a
atual situação de precariedade da escola pública só poderá ser superada
a partir de forte vontade política dos governantes, que se concretize na
necessária atenção para com o ensino e no provimento dos recursos
imprescindíveis para a realização de uma escola pública de qualidade. A
esse respeito, a eleição de diretores não tem o imediatismo que muitos
desejariam. Seu papel é apenas o de contribuir para que a população
possa contar com um recurso que lhe possibilite exercer alguma pressão
sobre o Estado para que ele atue na direção desejada. Em síntese, a razão
determinante da opção pela eleição como mecanismo de seleção de
diretores é a crença de que, por um lado, podese escolher um profissional
que se articule com os interesses da escola, e por outro, o próprio método
de escolha condiciona, em certa medida, seu compromisso, não com o
Estado, como fazem as opções do concurso e da nomeação, mas com os
servidores e usuários da escola. Mas, por mais importante que seja esse
comprometimento - porque deixa aberta a possibilidade de o diretor,
articulando-se com usuários e servidores, pressionar o Estado - ele é
apenas um recurso para melhorar a escola, não uma certeza. Tudo
dependerá do jogo de forças envolvidas, que não é função, obviamente,
apenas da eleição do diretor.

FUNÇÃO E IMPORTÂNCIA DO
CONSELHO DE CLASSE.

3
Espécies de arquivo
Especificamente, os arquivos de instituições públicas da esfera
4. Organização administrativa e federal, estadual ou municipal, de atividades administrativas, judiciárias
secretariado escolar: tipos e métodos ou legislativas, são classificados em três espécies: correntes, temporários
e permanentes.
de arquivamento; escrituração escolar: • Arquivo corrente: blocos de documentos atuais que são
certificados, históricos, boletins, consultados com muita frequência, para a realização de tarefas,
esclarecimento de dívidas e pesquisas.
diplomas, atas, matrículas, • Arquivo temporário: bloco de documentos que é retirado de
transferências, aproveitamento de arquivos correntes para ser transferido para depósitos temporários.
• Arquivo permanente: bloco de documentos de caráter
estudos, equivalência de estudos, histórico, cultural ou científico que são preservados indefinidamente.
promoção, classificação e
reclassificação, diário de classe, Destruição de documentos: como se faz?
Vamos pensar que alguns documentos possuem data de validade.
registro e cadastro da vida funcional Alguns documentos são guardados por 1, 2 ou 5 anos. Depois que o
dos servidores da escola; Formas de tempo de validade dos documentos venceu, eles são destruídos.
Para efetivar a classificação de validade de tempo de certos
documentação. documentos é necessário analisar a sua importância, o seu valor
documental e social, e se caiu em desuso.
Transferência de documentos
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA E SECRETARIADO ESCOLAR: Com frequência, é preciso verificar as condições dos arquivos para
TIPOS E MÉTODOS DE ARQUIVAMENTO; realizar a transferência de documentos. Com a verificação e análise de
documentos, saberemos para onde transferir os documentos, se é para o
Arquivo arquivo inativo ou morto, ou se o documento permanece no arquivo
1. Conjunto de documentos manuscritos, gráficos, fotográficos, ativo. Os processos de transferência de documentos são:
etc., produzidos, recebidos e acumulados no decurso das atividades, de • periódico – fazemos a transferência de documentos para o
uma entidade pública ou privada. Inicialmente, como instrumentos de arquivo inativo ou morto, de forma planejada, em dias preestabelecidos.
trabalho e posteriormente conservados como prova e evidência do • Permanente – em que a transferência de documentos se dá em
passado, para fins de direito dessa entidade ou terceiros, ou ainda para intervalos não preestabelecidos, quando for necessário, devido ao
fins culturais e informativos. acúmulo de documentos.
2. Conjunto de documentos relativos à história de país, região, • Diário – em que a transferência é, como o próprio nome diz,
cidade, instituição, família, pessoa, etc. diária, quando consultamos um documento e verificamos que não é mais
3. Recinto onde se guardam esses documentos. 4. Conjunto de necessidade mantê-lo no arquivo ativo, então, podemos transferi-lo para
dados digitalizados que pode ser gravado em um dispositivo de o arquivo inativo ou morto. O ato de preservar documentos é tão
armazenamento e tratado como ente único. Arquivos podem conter importante que há uma lei na constituição que assegura isso. Vejamos o
representações de documentos, figuras estáticas ou em movimento, sons que diz o artigo abaixo:
e quaisquer outros elementos capazes de serem digitalizados. Arquivo. Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de
Resumidamente: arquivos são conjuntos organizados de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto,
documentos, produzidos ou recebidos e preservados por instituições portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes
públicas ou privadas, ou ainda por pessoas. E são divididos em duas grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: (EC n.
categorias: públicos e privados. Os públicos são produzidos ou recebidos 42/2003) I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver;
por instituições governamentais de caráter federal, estadual ou III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras objetos,
municipal. Os privados são produzidos e recebidos por pessoas físicas, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
conforme suas atividades específicas, e instituições que não são públicas. artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
O arquivo tem como função classificar, organizar e preservar a paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
documentação. Os arquivos constituem fontes culturais de grande § 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e
relevância, pois guardam a memória histórica individual e coletiva, protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários,
manifestações culturais, fatos da civilização, leis, criações científicas e registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de
tecnológicas, etc. E, por isso, devem ser preservados. acautelamento e preservação. § 2º Cabem à Administração Pública, na
forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências
para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. § 3º A lei
Tipos de arquivo
estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e
Os arquivos são classificados em três tipos: ativo, inativo e morto. A
valores culturais. § 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão
esses tipos relaciona-se a frequência do uso ou consulta.
punidos, na forma da lei. § 5º Ficam tombados todos os documentos e os
• Arquivo morto: onde estão guardados documentos que nunca sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.
ou pouquíssimas vezes são consultados. Apesar da condição desse tipo
de arquivo, não deve ser considerado depósito de lixo. Existem depósitos
Antigamente, a preservação documental tinha caráter histórico. A
próprios para esse tipo de arquivo, como por exemplo: caixas de papelão
preocupação primordial era justamente proteger a memória histórica
próprias.
dos fatos registrados na forma de documentos. Com o passar do tempo,
• Arquivo inativo: armazena documentos com pouca frequência
houve o aumento de produção e veiculação de informações técnicas e
de uso. Uma boa opção para esse tipo de arquivo, quando há grande
científicas em diferentes setores da sociedade. Na Administração
quantidade de documentos, é a microfilmagem, cujo processo de
Pública, principal - mente, tem-se produzido, a cada dia, mais e mais
reprodução fotográfica reduzida atinge 95% do tamanho original do
documentos. Com isso, atualmente o objetivo de preservar e arquivar
documento.
documentos não é só histórico, mas sim de racionalizar a informação,

3
proporcionar a eficiência administrativa e tornar prática a tomada de A classificação por ordem alfabética permite vários procedimentos:
decisões. • palavra por palavra, letra por letra, até o final de cada palavra;
• o último sobrenome vem primeiro, por exemplo: Dias Lucas
ONDE ARQUIVAR OS DOCUMENTOS Eduardo de Sousa
• não se considera na ordem de arquivamento: títulos, graus de
Como sabemos, os documentos registram fatos e informações úteis e parentesco, tais como: Dr., Junior e Filho;
relevantes, por isso precisamos arquivá-los em lugares próprios e • nomes precedidos por prefixos são arquivados conforme a
seguros. Existem vários tipos de pastas, depósitos de papelão, primeira letra do prefixo. A primeira letra do prefixo é escrita com letra
equipamentos de ferro e fichários para o arquivamento de documentos. maiúscula: Del Vigna Dalva;
Portanto, nesta unidade, nosso objetivo é identificar os procedimentos • não se separa sobrenome composto por substantivo e adjetivo:
para guardar documentos. Castelo Branco Luis. Conectivos como de, do, da, e, que antecedem
sobrenome, não são considerados na ordem de alfabética: Monteiro
Organização de arquivos Alice Sales de.
Na organização de arquivos, precisamos observar alguns princípios
básicos, como segurança, previsão, simplicidade, acesso e flexibilidade. A
preocupação com a segurança de arquivos é imprescindível. Por isso, é
necessário tomar medidas contra incêndio, extravio e condições
impróprias de preservação de documentos e manter os sigilosos em
lugar conveniente.
Com a dinâmica dos serviços administrativos e com o passar do
tempo, a tendência é o número de documentos aumentar. No arquivamento de nome de empresas segue a ordem direta,
Isso nos leva a observar o crescimento do volume e a complexidade observando o seguinte:
dos documentos a serem arquivados. Por isso, não precisamos adotar • escrevemos os números por extenso;
normas rígidas de arquivamento, mas sim sermos flexíveis para esse • não consideramos o artigo (a, as, o, os) no arquivamento, ele é
procedimento, para que não sejam arquivados quaisquer documentos. deslocado para o fim: Estado de São Paulo (o).

Métodos de arquivamento Arquivamento por assunto


Como vimos, arquivar é um processo que exige conhecimento e
técnica. Na maioria das vezes o adquirimos na prática rotineira de nosso Arquivam-se os documentos, em pastas, por ordem de assunto.
trabalho, na secretaria da escola. Já falamos sobre documentação, tipos e Dentro das pastas, por exemplo, pode-se obedecer a ordem de data, por
espécies de arquivo, e transferência de documentos. Agora, vamos exemplo.
relembrar ou conhecer alguns métodos de arquivamento? São vários os
métodos de arquivamento: alfabético, numérico e alfanumérico. Dia dos Estudantes
Contudo, nesta unidade, vamos falar do método alfabético, que é o mais Dia dos Professores
simples, prático e proporciona-nos consultas diretas e rápidas. Além
Festa Junina
disso, é o mais utilizado nas instituições, principalmente na secretaria
escolar, onde o mais importante, para nós, são os nomes dos alunos. Reunião do Conselho de Classe

Como já vimos, o método alfabético possibilita vários procedimentos


Atenção:
de arquivamento. Quando arquivamos, organizamos pastas de acordo
O método alfabético refere-se ao nome de pessoas, de empresas ou com o método de classificação que escolhemos e, dentro das pastas,
razões sociais. também organizamos documentos conforme uma classificação,
dependendo da função do arquivo e do tipo de documento. Veja o
Bem, você já começou organizando o exemplo do método alfabético. exemplo: em um arquivo ordenado pelo gênero da correspondência, há
Agora, vamos descrever algumas regras do método e sua ordem de uma pasta para cada gênero: Avisos, Memorando, Ofício e Requerimento.
arquivamento. Em cada pasta os documentos são arquivados por data. Em uma
secretaria escolar, os arquivos são organizados de diferentes formas,
Arquivamento por nomes pois há uma diversidade de documentos que são manuseados e
preservados nos arquivos, como documentos de alunos,
correspondências oficiais, livros-ata, diários, Leis, etc.

Outras formas de arquivamento


São as necessidades da secretaria escolar que ditam a forma de
arquivar documentos. Às vezes, há necessidade de arquivar documentos
por data, ano, série. É o caso de correspondência expedidas e recebidas,
dossiês ou pastas de alunos. Vale ressaltar que os documentos dos
alunos, em muitas escolas, são arquivados em armários de grande porte
com pastas suspensas, para tornar prático o manuseio.

Protocolo e Registro
Um serviço essencial é o registro de entrada e de saída de
documentos na escola. Para isso, é necessário o uso diário do livro de
protocolo, pois somos seres humanos e a nossa memória costuma falhar.
Com registros escritos, podemos esclarecer dúvidas, atestar a expedição
e recebimento de documentos.

3
ESCRITURAÇÃO ESCOLAR: CERTIFICADOS, HISTÓRICOS,
BOLETINS, DIPLOMAS, ATAS, MATRÍCULAS, TRANSFERÊNCIAS, Ata de encerramento de ano letivo
APROVEITAMENTO DE ESTUDOS, EQUIVALÊNCIA DE ESTUDOS, Segue o mesmo padrão da anterior, mas com outra finalidade:
PROMOÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO, DIÁRIO DE registrar o encerramento do ano letivo. Vale ressaltar que pode se
CLASSE, REGISTRO E CADASTRO DA VIDA FUNCIONAL DOS relatar, na forma de ata, o que foi modificado durante o ano letivo
SERVIDORES DA ESCOLA; referente à turma, aluno e outros tópicos.

ESCRITURAÇÃO ESCOLAR
ATA ENCERRAMENTO DO ANO LETIVO DE 2006
Cada instituição pública ou privada, prestadora de serviços
específicos, possui documentos que marcam as atividades que são Aos vinte dias do mês de dezembro do ano de dois mil e seis, de
realizadas nesse determinado contexto. A esses documentos chamamos acordo com o estabelecido no Calendário Escolar, aprovado pelo
de gêneros textuais administrativos, burocráticos ou institucionais. Veja Parecer n. seis, de vinte e um de agosto do ano de dois mil, que
um exemplo: geralmente, em um banco, os gêneros textuais peculiares a determina a oferta de duzentos dias letivos para o corrente ano,
seus serviços são cheques, formulários bancários com diferentes encerrou-se o ano letivo de dois mil e seis, após terem sido cumpridos
finalidades, contratos financeiros, principalmente procedimentos
duzentos dias letivos e executadas a(s) grade(s) curriculare(s)
realizados por meio eletrônico, etc. Muitas instituições administrativas
produzem gêneros comuns, como: cartas comerciais, atas, memorandos, aprovada(s) pelo Parecer n. oito, do ano de dois mil. A instituição de
ofícios, contratos, etc. Mas, o que muda em seus textos é o assunto, a ensino funcionou nos turnos vespertino e matutino. Com oferta de
finalidade, que expede e que recebe. Partindo dessa primeira exposição, Ensino Fundamental – Segunda Fase, de quinta a oitava série. Sendo
o objetivo desta unidade é explicar os gêneros textuais administrativos quinta e sexta série no perí- odo matutino e sétima e oitava série, no
da es - cola e seus usos. A escola também possui seus gêneros textuais período vespertino. Nada mais tendo a relatar, eu, Maria da Glória
específicos. O professor, por exemplo, trabalha com o livro didático, Campos Peixoto, Secretária, lavrei a presente ata, que será assinada
textos, diário de classe, etc. A secretaria também possui seus gêneros
por mim e pelo Diretor desta instituição de ensino.
textuais peculiares, isto é, o conjunto de textos com configurações
específicas, que pertencem a um contexto específico e que serve a uma
esfera social, que é a comunidade da escola. Portanto, ofício,
requerimento, ata, ficha, certificado, histórico escolar, declaração, São Pedro, 28 de fevereiro de 2006.
memorando, cadastro de professores(as), diário de classe são, por
exemplo, gêneros textuais da secretaria escolar, pois têm configurações João Ribeiro Costa Maria Campos Peixoto
e finalidades específicas e servem, principalmente, para estabelecer a Diretor Secretária
comunicação entre as pessoas. Quando o(a) aluno(a) recebe seu
histórico escolar pode ler a síntese de toda a sua trajetória de estudos,
pesquisa, resolução de questões, interação com professores(as), colegas
e direção, etc. Isso significa que o histórico escolar é um gênero textual
Observamos que datas e números de documentos são escritos por
da linguagem escrita, que tem uma finalidade social: a história escolar de
extenso, nesse tipo de documento.
uma pessoa que passou pelo ensino funda - mental e/ou médio.
Termo de abertura e encerramento do instrumento (livro) de
Gêneros da secretaria escolar
registro de investiduras e exonerações
Neste longo tópico, identificaremos gêneros textuais escritos que são
utilizados na escola e que também os chamamos de escrituração escolar. TERMO DE ABERTURA
Veja que cada gênero tem uma finalidade social.
Este livro contém 240 páginas, numeradas e rubricadas por mim,
Ata de abertura de ano letivo destinando-se ao registro de investidura e exoneração de Diretores,
Tem como finalidade registrar a abertura do ano letivo que é um fato Vice-diretores e Secretários Escolares.
relevante à história da escola e da educação.
____________________________
ATA DE ABERTURA DO ANO LETIVO DE 2006
Estabelecimento de Ensino
Aos vinte e sete dias do mês de fevereiro do ano de dois mil e seis,
de acordo com o Calendário Escolar, aprovado pelo Parecer n. seis, de ____________________________
vinte e um de agosto do ano de dois mil, que determina a oferta de Local e Data
duzentos dias letivos para o corrente ano, iniciou-se as atividades do
ano letivo de dois mil e seis, com adoção da(s) grade(s) curriculare(s) ____________________________
aprovada(s) pelo Parecer n. oito, do ano de dois mil. A instituição de Assinatura do(a) Diretor(a)
ensino funcionará no corrente ano letivo no Ensino Fundamental –
Segunda Fase, de quinta a oitava série. Nada mais tendo a relatar, eu,
Maria da Glória Campos Peixoto, Secretária, lavrei a presente ata, que
será assinada por mim e pelo Diretor desta instituição de ensino.

Termo de investidura do diretor(a), vice-diretor(a) e


São Pedro, 28 de fevereiro de 2006.
secretário(a)
João Ribeiro Costa Maria Campos Peixoto
A autoridade responsável pela posse é definida no Regimento Escolar
Diretor Secretária
da Instituição de Ensino.

3
TERMO DE ENCERRAMENTO

Nesta data, esgotamos todas as suas folhas, declaramos encerrado


o presente livro de Registro de Investidura e Exoneração.
Essas vagas são divulgadas pela secretária por meio de cartazes, de
____________________________ telefone, ou de interação face a face. No Calendário Escolar está
Local e Data estabelecido período para matrícula que deve ser obedecido. No período
de matrícula, os interessados às vagas na escola são atendidos, para
____________________________ esclarecimentos do procedimento de matrícula. Os documentos
Assinatura do(a) Diretor(a) apresentados por esses interessados são examinados. Quando há casos
de equivalência, adaptação e aproveitamentos de estudos, a pessoa
interessada em efetuar a matrícula é encaminhada à direção.
TERMO DE INVESTIDURA DO DIRETOR
Perfil da(a) aluno(a) para efetuação de matrícula nova
Aos doze dias do mês de fevereiro do ano de dois mil e seis, a
• Ser iniciante no processo de educação formal, não ter estudado
Senhora Júlia Cardoso de Lima, natural de Brasília/DF, Registro
anteriormente em nenhum estabelecimento de ensino.
Profissional n. 432 758, Carteira de Identidade n. 145 567 – SSP/DF,
• Ter sido matriculado no ano anterior, mas que não renovou sua
27 de abril de 1985, assume a função de Diretora do Centro de Ensino
matrícula.
Fundamental Anísio Teixeira, para qual foi nomeada, por meio do Ato
• Ter sido transferido de uma escola para outra do mesmo
de Nomeação n. 8, de 26 de janeiro de 2006, publicado no D.O.U n.
sistema de ensino ou de outro Estado da Federação, ou, ainda, de outro
0056, de 17 de janeiro de 2006.
país.
• Não ter documentação que comprove escolaridade anterior.
___________________________________________________________________
Brasília/DF, 12 de fevereiro de 2006.
Procedimentos de matrícula

Para efetuar a matrícula das pessoas que estão com os documentos


___________________________________________________________________
organizados os procedimentos são:
Carimbo e assinatura Carimbo e assinatura do(a)
• preencher formulário de solicitação de matrícula ou similar em
Da autoridade competente uma via, com os dados fornecidos por quem está interessando em
empossado(a). efetuar a matrícula. Esse interessado deve assinar o formulário;

Atenção:
O(a) aluno(a) menor de idade não pode assinar o formulário de
matrícula.

Termo de exoneração do diretor(a), vice-diretor(a) e • solicitar e identificar fotografias do(a) aluno(a), escrevendo o
secretário(a) nome e a série no verso;
• grampear as fotos na solicitação de matrícula, similar,
TERMO DE EXONERAÇÃO DO VICE-DIRETOR declaração provisória para matrícula ou histórico escolar e ficha
individual;
Aos vinte e dois dias do mês de novembro de dois mil e cinco, foi • compor a pasta individual do(a) aluno(a) com os documentos
exonerado da função de Vice-Diretor do Centro de Ensino Médio relacionados acima. É frequente pais ou responsáveis ou outras pessoas
Padre Anchieta, o Senhor José Antônio Dias Castro, por meio do Ato n. tentarem fazer matrícula na escola, sem ter a documentação necessária
46, de 18 de novembro de 2005, publicado no D.O.U n. 98, de 16 de para isso. Quando ocorrer essa situação, você deve recorrer às leis
novembro de 2005. federais, estaduais ou municipais do Conselho de Educação ou Câmara
de Educação Básica ou buscar conversar com pessoas mais experientes
_______________________________________________________________ no trabalho de secretaria, para saber como agir nesses casos.
Brasília/DF, 12 de fevereiro de 2006.
Renovação de matrícula
Todo ano ou semestre é realizada a renovação de matrícula dos
_______________________________________________________________ alunos que já estão na escola, pois todo aluno matriculado no ano
Carimbo e assinatura Carimbo e assinatura anterior tem direito a essa renovação. A instituição de ensino tem o dever
do(a) de assegurar as vagas dos alunos que estão em atividade de recuperação.
Para a realização da renovação de matrícula, alguns procedimentos
Da autoridade competente exonerado(a).
devem ser organizados pelo secretário escolar e sua equipe, que são:
• divulgar na comunidade escolar, com antecedência,
informações sobre período e normas para a renovação de matrícula e
DOCUMENTOS PERTINENTES AO ALUNO pedido de transferência;
• compor as novas turmas depois do encerramento do período
Nesta parte, descrevemos procedimentos de processo de ingresso e de matrícula, preparando as listas de matrícula por série, modalidade,
permanência do aluno na escola. turma e turno;
• exigir declaração, em formulário próprio, do(a) pai (mãe) ou
do(a) aluno(a), ou do responsável para efetuar a renovação de matrícula,
Procedimento de realização de matrícula nova caso o(a) aluno(a) seja menor de idade;
São vários os procedimentos para a efetuação de matrícula nova, que • após a renovação, fazer levantamento do número de vagas
dependem de fatos ocorridos na secretaria escolar. Primeiro, após a disponíveis para matrícula nova.
renovação de matrícula de alunos que já estão na escola, matrícula
interna, verifica-se o número de vagas remanescentes, isto é, disponíveis. Transferência de aluno

3
Consiste na transferência do(a) aluno(a) de uma instituição de ensino Por fim, registramos na ficha individual do(a) aluno(a), em ata e no
para outra, de um curso para outro, de uma habilitação para outra, de um histórico escolar a carga horária e o resultado do aproveitamento de
Estado para outro, de um país para outro, conforme sua solicitação, caso estudo.
seja maior de idade, ou do pai, mãe ou responsável, caso seja menor de
idade. Para a realização da transferência, a secretaria escolar recebe a ATA DE APROVEITAMENTO DE ESTUDOS
solicitação do(a) interessado(a) e procede a preparação do histórico
escolar que é o principal documento desse processo. A transferência Aos cinco dias do mês de junho de dois mil e seis foi concedido
do(a) aluno(a) pode ocorrer em dois momentos: aproveitamento de estudos ao aluno Aluísio de Moura Araújo, da 7a
• Durante o ano letivo: providenciam-se o histórico escolar, série da Educação de Jovens e Adultos, no componente curricular
datado e assinado pelo(a) diretor(a) e pelo(a) secretário(a) escolar, e a “História”, de acordo com o Regimento Escolar. E, para constar, eu,
ficha individual do(a) aluno(a), ambos com cópia. Entregamos ao Anésia Maria Guimarães do Prado, Secretária desta Instituição de
solicitante responsável o original do histórico escolar e a ficha Ensino, lavrei a presente ata, assinada por mim, pela Diretora
individual. Peça o recibo do interessado nas cópias desses documentos. Carmem Lúcia Sales e pelas professoras Ana Maria Cardoso e Rute
Essas cópias serão arquivadas na pasta individual do(a) aluno(a) que Araújo da Silva.
será remanejada para o arquivo permanente. Deve-se registrar a
transferência do(a) aluno(a) no diário de classe e avisar aos(às) Assinaturas:
professores(as) da turma sobre o ocorrido.
• Final do ano letivo: quando a transferência ocorre nesse _______________________ __________________________
período, providenciamos histórico escolar com cópia, lançado no campo
Diretor Secretária
pertinente todas as informações necessárias da vida escolar do aluno,
_______________________
como: dispensa de educação física, etc. Quanto a recibo e arquivamento,
o procedimento é similar ao tópico anterior (transferência durante o ano Professoras
letivo).

Atenção: Equivalência de estudos


O recibo consta de data da entrega do documentos de
transferência e assinatura de quem recebeu. Observe os termos: É o nome que atribuímos ao procedimento de equivalência entre os
estudos realizados no exterior e a estrutura de educação do Brasil. Esse
Recebido em 12/07/2006. processo também pode ocorrer no mesmo país. Para montar esse
processo são necessários os seguintes documentos: histórico escolar,
Por Maria Tereza de Souza Araújo. currículo, boletim, certificado ou gênero similar com o visto do
consulado expedido pela Embaixada do Brasil no país de origem ou pelo
ADAPTAÇÃO DE ESTUDOS Itamaraty.
Os documentos relacionados devem ser apresentados em tradução
oficial feita por tradutor juramentado ou por instituições legitimadas:
Consiste no procedimento pedagógico com o objetivo de
escola de línguas, embaixadas, repartição pública, etc. Caso o(a) aluno(a)
complementar carga horária, conteúdos ou componentes curriculares
tenha estudado no Brasil, os documentos necessários para abertura de
inexistentes ou insuficientes ao currículo do curso pretendido. Diante
processo são: histórico escolar e/ou ficha individual da(s) série(s)
desse caso, para a efetivação de matrícula, é necessário analisar
cursada(s).
previamente o histórico escolar do aluno, com a finalidade de constatar
a regularidade e autenticidade desse documento. Depois de recebidos esses documentos do solicitante à matrícula,
o(a) secretário(a) irá examiná-los e posteriormente irá encaminhá-los à
Depois desse procedimento, a documentação deve ser encaminhada
direção para tomar as providências cabíveis.
aos responsáveis para análise do caso de adaptação e aproveitamento de
estudos, com o objetivo de definir um e/ou mais componente(s) Portanto, é de competência da direção considerar a equivalência do
curricular(es) necessário(s) à adaptação. Após esse procedimento, diferente nível ou série(s), faixa etária do(a) aluno(a) e abordagem
registramos a adaptação a ser cumprida na ficha de solicitação de pedagógica para indicar a série a ser cursada pelo(a) discente.
matrícula ou em outros gêneros, conforme o caso. E, ainda, registramos Mediante a esse procedimento, a matrícula será efetivada pela
o resultado final da adaptação em ata, na ficha individual e, em caso de comissão, registrando-se, na ficha de matrícula, as adaptações a serem
transferência, também no histórico escolar. realizadas.
Por fim, as cópias autenticadas da documentação escolar serão
arquivadas na pasta do(a) aluno(a).
Aproveitamento de estudos
Consiste em um recurso pedagógico que possibilita à instituição de
ensino creditar estudos, que contemplem o(a) aluno(a), de mesmo ou
equivalente valor formativo, realizados com aproveitamento em outro
curso ou em outro contexto, com objetivo de continuidade de estudo. No Promoção do(a) aluno(a)
exame e decisão acerca do aproveitamento da(s) disciplina(s), são Percebendo que o(a) aluno(a) demonstra habilidades e
observados: seu valor formativo; conteúdo programático; carga horária; conhecimentos além da série que está cursando, o(a) professor(a) pode
atendimento especial ao aluno para recuperação de estudos. encaminhá-lo, conforme o parecer do conselho de classe ou comissão de
Esse recurso pedagógico pode ser efetivado conforme resultado da professores(as), à realização de avaliação de todo o conteúdo de todos os
análise de documentação apresentada, testes, entre - vistas, etc. O componentes curriculares da série em andamento, com a finalidade de
desenvolvimento desse procedimento segue o roteiro que consiste em: comprovar estar o(a) aluno(a) apto a cursar a série seguinte. Esse
receber a documentação do(a) aluno(a) e examiná-la detalhadamente procedimento pedagógico consiste na “Promoção do(a) Aluno(a)”, que
para a comprovação de sua regularidade e autenticidade. Depois, a pode ocorrer em qualquer época do ano letivo, de acordo com os
documentação deve ser encaminhada aos responsáveis, professores(as) seguintes procedimentos:
específicos(as), para análise e escolha dos casos que merecem • registramos, no livro de Atas de exames e processos especiais
aproveitamento de estudos. de avaliação, o resultado do processo de promoção do(a) aluno(a);

4
• registramos, na ficha individual do(a) aluno(a), os resultados • estar prestando serviço militar inicial ou comprovar realizar
obtidos na avaliação: nota ou menção/conceito final, resulta - do final: atividade esportiva obrigatória na instituição militar que serve;
aprovado e, ainda, os dias letivos e/ou carga horária correspondente; • ser amparado pela Lei n. 1.044/1969;
• registramos, na ficha individual da série anterior, notas ou • ser amparado pela Lei n. 7.692/1988. Depois que o(a) aluno(a)
menções/conceitos obtidos na avaliação e, também, os dias letivos estiver ciente que pode ser dispensado da educação física, pode entrar
decorridos até a data da promoção do(a) aluno(a); em ação a secretaria escolar com procedimentos específicos, que são:
• registramos, na ficha individual da nova série, os dias letivos • orientar o(a) aluno(a) a requerer a dispensa da educação física;
restantes; • comunicar ao(à) professor(a) responsável pela prática a data
• o período em que o(a) aluno(a) estava frequentando a série que foi concedida a dispensa do(a) aluno(a);
anterior não deve se contado como falta na nova série; • registrar a dispensa do(a) aluno(a) da educação física, con -
• observamos que a soma dos dias letivos decorridos, na série forme amparo legal, na ficha individual, no histórico escolar, diploma e
anterior, mais os dias letivos constantes, na nova série, resultem no total certificado, quando esses três últimos documentos forem expedidos.
de 180 ou 200 dias letivos, se for o caso;
• observamos, ainda, que a promoção do(a) aluno(a) deve Histórico Escolar.
constar nos diários de classe das duas séries e no histórico escolar do Ficha de Avaliação.
aluno, por motivo de transferência. Certificados, diplomas e registros.

Atenção: Documentos Escolares, Administrativos e de Gestão Escolar


Exemplo de observação que deve constar no diário de classe e
no histórico escolar, por motivo de transferência: Os documentos escolares, administrativos e de gestão devem estar
A aluna Maria Lúcia da Silva Luz foi promovida, em 20 de junho sob a guarda e a responsabilidade da secretaria da escola. A expedição
de 2006, para a 4a série do ensino fundamental, conforme Parecer dos documentos deverá sempre acontecer em duas vias devendo uma
n. X, do Conselho de Classe. ser arquivada na pasta do aluno interessado ou arquivo da secretaria da
escola para posterior comprovação, se necessário.
ATA DE PROMOÇÃO DO(A) ALUNO(A)
Documentos escolares
Aos quatro dias do mês da abril de dois mil e seis, registra-se que
a aluna Ana Luiza Moraes e Silva, conforme rezam o Parágrafo único
- Boletim dos alunos
do artigo X da Resolução n. Y e o Regimento Escolar desta Instituição
de Ensino, aprovado pela Comissão Escolar, frequentou a segunda É o documento de comunicação entre a escola e a família do aluno,
série, do ensino fundamental, até esta data, cumprindo o total de 120 referente ao aproveitamento escolar.
dias letivos, tendo sido submetida à avaliação em todos os Todo aluno regularmente matriculado e frequentando receberá um
componentes curriculares da citada série e obteve os seguintes boletim de acompanhamento do aproveitamento escolar e assiduidade
resultados: Língua Portuguesa 10; Matemática 9.7; Ciências 10; bimestralmente.
Geografia, 9.8; Artes 9.6 e História 10, portando com resultado final O documento poderá ser retirado na Secretaria Escolar em até quinze
“Aprovada”. Para constar, eu, Maria de Jesus Gomes Lima, Secretária dias após a data da entrega oficial, definida no calendário interno do
desta Instituição de Ensino, lavrei a presente ata que está por mim educandário – após esta data, a entrega de boletins dar-se-á no próximo
assinada, pelo Diretor, Luis Cláudio Dias, pelos Professores da aluna: bimestre, devendo ser excluídos os boletins não retirados.
Lidia Brito, Sérgio Nascimento e Maria Cândida Nogueira e pelos
membros do Conselho de Classe: Luis Cláudio Dias, Vera Lúcia - Histórico escolar
Cardoso e Lidia Brito.
Histórico Escolar é o documento que registra a vida escolar do aluno.
4 de abril de 2006. Deve ser preenchido em duas vias, devidamente datado e assinado pelo
Secretário Escolar e Diretor da unidade escolar, com seus respectivos
Assinaturas: carimbos, sendo uma via entregue ao aluno (em até trinta dias da
apresentação do atestado de vaga ou na data da conclusão do Ensino
_________________________ ______________________________ Fundamental) e a outra arquivada nos seus assentamentos.
Diretor Secretária No cabeçalho, além dos dados da unidade escolar, como nome,
número do ato legal de Autorização de Funcionamento do Educandário,
endereço, telefone, devem constar os dados do aluno, o último ano
_________________________
cursado por ele e o amparo legal (preferencialmente apenas a LDB nº
Professores 9.394/96).
Conselho de Classe O registro das médias deve ser de acordo com os registros dos diários
de classe e/ou das Atas de Resultados Finais. Em caso de históricos de
alunos com série/ano concluídos em outro estabelecimento de ensino,
Dispensa de educação física deve-se transcrever fielmente as informações (atenção especial a
nomenclatura utilizada – série, ano, ciclo).
A dispensa da educação física é amparada pela Lei n. 7.692/1988 e Deve-se registrar carga horária anual e a porcentagem total de
para se beneficiar dessa dispensa, é necessário o aluno se enquadrar em frequência. O Histórico Escolar não deve conter rasuras, espaços em
uma das seguintes condições: • ter mais de trinta anos; branco ou aplicação de corretivos.
• ter filho(s); Todos os esclarecimentos sobre a vida escolar do aluno devem ser
apostilados no campo de observações do Histórico Escolar.
• comprovar exercer atividade profissional em jornada igual ou
superior a seis horas; - Certificado
• estar cursando pós-graduação;

4
O certificado é utilizado para certificar conclusão de curso e será O requerimento é a solicitação sob o amparo da lei, mesmo que o
concedido ao aluno que concluiu com aproveitamento e assiduidade motivo seja suposto. A petição é o pedido, sem certeza legal ou sem
qualquer nível da educação básica - deve ser registrado junto ao segurança quanto ao despacho favorável.
protocolo específico de retirada da documentação pertinente à Quando concorrem duas ou mais pessoas, então teremos um
conclusão do Ensino Fundamental. abaixoassinado (requerimento coletivo).
A diferença entre o certificado e o diploma é que: certificado é O requerimento admite invocação, porém não aceita fechos que não
utilizado para certificar a conclusão de curso ou participação de eventos, são os seus. Exemplos apropriados: Nestes termos, Aguarda
congressos, seminários, simpósios, palestras; diploma é expedido deferimento, Espera deferimento.
quando o curso oferece uma habilitação profissional em áreas técnicas
(pedagogia, direito, medicina, etc.).
No verso do certificado deverão constar as seguintes informações:
- Convite e convocação
Certificado REGISTRADO sob livro/ano 20___, folha nº_____ -
validade nacional de acordo com a LDB nº 9.394/96, Art. 24, inciso O convite está atrelado a aceitação facultativa, já a convocação, atrela-
VII. Cidade, ______de _____________ de 20____. se ao aceitamento obrigatório.
Ass. do Responsável: _____________________ A convocação corresponde ao convite, mas tem o sentido de
intimação, exigindo o comparecimento, devendo ser justificada a
- Protocolo específico do Certificado do Ensino Fundamental impossibilidade de fazê-lo. Já o convite é somente uma solicitação.
A convocação poderá ser realizada para cumprimento das atividades
O “protocolo específico” é documento que deve ser arquivado na previstas em calendário escolar e da legislação vigente.
unidade escolar e dar-se-á da seguinte forma: Cada escola deverá organizar o “livro de convocação”, no qual serão
- por ano letivo: todos os protocolos do ano deverão ser acostadas as mais diversas situações de convocação (dias gerenciados,
reunidos em um único livro e numerados em ordem crescente, com formações, etc), com o objetivo de recolher as assinaturas dos
organização alfabética. interessados. Este livro deverá ficar guardado na secretaria escolar.
- Os protocolos do ano correspondente deverão ser
encadernados para melhor organização. - Calendário Escolar

- Atestado de vaga A LDB nº 9.394/96 em seu Art. 24, Inciso I, determina que o ano letivo
tenha duração mínima de 200 dias letivos e 800 horas/aula.
É documento expedido pela secretaria da escola que garante vaga no A Secretaria de Educação, mediante aprovação do Conselho
curso especificado no requerimento, com prazo de validade estabelecido Municipal de Educação define, em calendário, as datas de início e fim do
no próprio documento. ano letivo, bem como as datas de início e fim de bimestres, recessos e
É de fundamental importância arquivar o atestado de vaga recebido feriados escolares, além das datas de eventos comuns a toda a rede de
da escola destino, no prontuário do aluno, uma vez que sua finalidade é ensino.
assegurar a continuidade de estudos do aluno em situação de Com base no calendário geral, as escolas organizarão calendário
transferência. próprio contendo as datas comemorativas e de homenagens específicas
Ele indica que há vaga na escola pretendida, porém não se traduz em (às mães, aos pais, aos professores, etc), cronograma de entrega de notas,
documento hábil de comprovação de realização de matrícula em outro datas de conselhos de classe, reuniões pedagógicas, entrega de boletins
educandário. e eventos diversos, respeitando-se o cumprimento fiel dos 200 dias
letivos, ou seja, dia letivo é considerado com efetivo trabalho escolar que
- Atestado de frequência envolva atividades com alunos.

Documento emitido para comprovar que o aluno está regularmente - Diário de Classe
matriculado e frequentando as aulas na referida escola.
O atestado de frequência deve ser expedido quando solicitado pelos O Diário de Classe é um instrumento de gestão e de escrituração
pais ou responsável legal, independente do motivo do pedido. No caso de escolar que acompanha e controla o desenvolvimento da ação do
transferência, deve-se orientar a família quanto à exigência da professor.
apresentação do atestado de vaga para expedição do processo de Este documento relaciona todos os alunos matriculados por ano,
transferência. série, ciclo ou etapa, turno e turma, registra o rendimento escolar,
frequência, conteúdos programáticos, dias letivos e feriados. O Diário de
- Declaração de matrícula Classe é o documento oficial que deve permanecer arquivado em todas
as Secretarias Escolares. O Diário de Classe é composto por:
Geralmente é emitida antes que o aluno inicie frequência na escola.
Ela declara que o aluno está regularmente matriculado na unidade a) Ficha de frequência: deve ser preenchida com os dados do
educacional, mas não atesta a frequência. Deve ser expedida quando professor (nome completo), a frequência dos alunos e quantidade de
solicitada pelos pais ou responsável legal. faltas ao final de cada bimestre, além do número de aulas dadas (ou dias
letivos). O professor deve registrar o nome completo dos alunos que
- Requerimento vierem a ser admitidos no curso do ano letivo, registrar a data de
admissão e anotar as frequências. Caso um aluno deixe de frequentar as
É o instrumento que serve para solicitar algo a uma autoridade do aulas (transferência ou abandono), o nome do mesmo não deverá ser
serviço público. riscado – as faltas deverão ser atribuídas até que haja a comunicação, por
Não se envia requerimento a empresas comerciais ou a grêmios parte da secretaria escolar, da transferência e, nos casos de abandono
esportivos. Para estes casos, o pedido ou a solicitação é objeto de (30 dias letivos de infrequência), o professor deverá fazer tal anotação
carta/ofício. ao lado do nome do aluno, sem riscá-lo, e deixar de atribuir faltas.

4
Se o Secretário Escolar observar a falta, no diário de frequência de escolar do aluno, como: complementação de estudos, avanço
algum dos dados essenciais acima descritos, deverá comunicar o fato ao progressivo, classificação, reclassificação, aceleração, aproveitamento
Diretor do Educandário, tendo o Professor presente, a fim de que se de estudos e progressão parcial, conselho de classe. Registro das
corrija o que se fizer necessário. reuniões realizadas pelo colegiado e assembleias.
- Livro de registros de emissão (retirada) de históricos escolares
b) Ficha de avaliação: deve ter a assinatura do professor (e nome de alunos que concluíram o Ensino Fundamental.
completo) e ser preenchida com as notas ou menções que traduzem o - Livro Ponto de funcionários: Registro da frequência diária dos
aprendizado do aluno - lembramos que as notas devem ser atribuídas funcionários lotados na escola.
conforme a lei que rege o sistema de avaliação. É importante que o - Relatório do quadro de faltas dos funcionários.
professor registre no diário de avaliação a data e o conteúdo avaliado – - Censo Escolar.
lembramos que é obrigatória a Recuperação Paralela em todos os casos - Movimento Bimestral: registro da quantidade de alunos por
que o aluno tiver nota inferior à média. Se for da preferência do turma/turno/sexo da escola no início e no final de cada bimestre.
professor, poderá atribuir com caneta de cor diferente as notas abaixo - Relatório de Frequência Escolar do Programa Bolsa Família.
de 7,0, a fim de ficar mais fácil a visualização e eliminação das notas mais - Relatório dos alunos que são beneficiados pelo transporte
baixas, para fins de média bimestral – ressaltamos que a média bimestral escolar. Ficha cadastral dos funcionários da escola.
é resultado de soma exata e divisão exata – havendo a necessidade de - Relatório de controle de estoque e pedido da Alimentação
aumentar a nota do aluno, isto deverá estar registrado no diário a título Escolar.
de menção. Informar também o total de faltas ao final de cada bimestre. - Arquivo da Carta de Apresentação dos Estágios realizados no
educandário.
c) Diário de conteúdo: é documento importante, pois nele registra-
se a evolução dos conteúdos programáticos trabalhados, as datas de Ata
provas, datas de recuperação paralela, realização de projetos, etc. As
informações no diário de conteúdos devem ser feitas de forma objetiva,
É o documento de valor jurídico, que consiste no resumo fiel dos
tipificando o conteúdo trabalhado e o período, uma vez que o plano de
fatos, ocorrências e decisões de sessões, reuniões ou assembleias,
aula (ou planejamento) deve ser mantido em caderno específico, o qual
realizadas por comissões, conselhos, congregações, ou outras entidades
poderá ter acompanhamento por parte da equipe pedagógica escolar.
semelhantes, de acordo com uma pauta, ou ordem-do-dia, previamente
Deverá conter data e assinatura. divulgada. É geralmente lavrada em livro próprio, autenticada, com as
páginas rubricadas pela mesma autoridade que redige os termos de
Alteração de nome de aluno ou de profissional da Unidade Escolar abertura e de encerramento. O texto apresenta-se seguidamente, sem
parágrafos, ocupando cada linha inteira, sem espaços em branco ou
Com base nos dados da nova Certidão de Nascimento ou Casamento, rasuras, para evitar fraudes. A fim de ressalvar os erros, durante a
o Secretário deverá registrar na ficha de matrícula do aluno (e no Sistema redação, usar-se-á a palavra digo; se for constatado erro ou omissão,
de Gerenciamento Escolar) ou no cadastro individual do profissional do depois de escrito o texto, usar-se-á a expressão em tempo. Quem redige
educandário: a ata é o secretário (efetivo do órgão, ou designado ad hoc para a
a) O aluno _______ (nome anterior) a partir de ______ (data) passou reunião). A ata vai assinada por todos os presentes, ou somente pelo
a chamar-se _______ (nome atual) conforme __________________ (documento presidente e pelo secretário, quando houver registro específico de
oficial) expedido(a) em __/__/__. frequência.
b) O servidor público municipal ___________ (nome anterior) Observações: Com o advento do computador, as atas têm sido
ocupante do cargo de _______ passou a chamar-se ______________________ elaboradas e digitadas, para posterior encadernação em livros de ata. Se
(nome atual) conforme _______________________ (documento oficial) isto ocorrer, deve ser indicado nos termos de abertura e fechamento,
expedido (a) em rubricando-se as páginas e mantendo-se os mesmos cuidados referentes
__/__/__. às atas manuscritas. Dispensam-se as correções do texto, como indicado
anteriormente. No caso de se identificar, posteriormente, algum erro ou
Documentos administrativos imprecisão numa ata, faz-se a ressalva, apresentando nova redação para
o trecho. Assim, submetida novamente à aprovação do plenário, ficará
Fazem parte do rol de documentos administrativos: consagrada. O novo texto será exarado na ata do dia em que foi aprovado,
mencionando-se a ata e o trecho original. Suas partes componentes são:
- Documento legal de criação da Unidade Escolar (legislação 1. Cabeçalho, onde aparece o número (ordinal) da ata e o nome do órgão
pertinente). que a subscreve. 2. Texto sem delimitação de parágrafos, que se inicia
pela enunciação da data, horário e local de realização da reunião, por
- Livros de protocolos: Registro de entrada e saída de
extenso, objeto da lavratura da Ata. 3. Fecho, seguido da assinatura de
documentos (transferências) e correspondências, com data e assinatura
presidente e secretário, e dos presentes, se for o caso.
de quem os recebeu. Pasta de inventário de equipamento e material
permanente (bens): Registro de todos os equipamentos e materiais
permanentes da escola. FORMAS DE DOCUMENTAÇÃO
- Coletânea de Legislação pertinente à área da educação.
- Constituição Federal e Estadual; Lei Orgânica; Lei de Diretrizes A vida moderna se apresenta de forma complexa, cuja dinâmica da
e Bases da Educação Nacional 9394/96; Resoluções; Pareceres e sociedade atual diferencia-se devido ao progresso industrial e
Indicações do Conselho Municipal de Educação; Conselho Nacional de tecnológico. Nesse contexto, os conhecimentos são produzidos de
Educação; Estatuto da Criança e do Adolescente; Estatuto do Servidor; diferentes formas e por diversas instituições.
Lei Complementar - Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos Para que seja mais fácil o acesso a eles, documentos especializados
Profissionais da Educação, além de publicações referentes às normas de são produzidos e normatizados, registrando fatos e conhecimentos
administração de pessoal. conforme sua função social. Desse processo, surge a documentação que
- Atas: Registro dos resultados finais por aluno: rendimento constitui o conjunto de métodos que tem como objetivo a produção,
escolar (aprovado, reprovado, evadido), notas ou menções durante o ano sistematização, distribuição e utilização de documentos. Quanto à
letivo (atas de conselho de classe). Registro da regularização da vida finalidade da documentação, vamos ler o que João Bosco Medeiros e

4
Sonia Hernandes têm a dizer: “Em sentido amplo, a documentação tem O que é administração?
por finalidade reunir e organizar todos os conhecimentos que o homem
adquiriu através dos tempos e com isso permitir sua divulgação e De acordo com o Aurélio: administração “é um conjunto de
utilização, proporcionando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, princípios, normas e funções que tem por fim ordenar os fatores de
a finalidade da documentação, na maioria dos casos, depende da forma produção e controlar a sua produtividade e eficiência, para se obter
como foi organizada e de como é utilizada.” A função social da determinado resultado”. Observe, ainda, a definição de outro autor: “a
documentação é de auxiliar o planejamento, o estudo, a pesquisa de administração como processo de planejar para organizar, dirigir e
qualquer campo ou nível, a busca da história, de fatos, isto é, referências controlar recursos humanos, materiais, financeiros e informacionais
necessárias para se tomar decisões e, sobretudo, gerar informação. visando à realização de objetivos”.
Conforme a natureza da empresa, a informação se organiza e se encontra Assim, pode-se observar que os conceitos acima estão carregados de
disponível na forma de jornais, livros, manuais, noticiários, boletins, termos como controle, produtividade e eficiência, característicos do
teses, monografias, programas de computador, etc. Em uma secretaria modo de produção capitalista. No entanto, a administração enquanto
escolar, por exemplo, as informações peculiares estão registradas em atividade essencialmente humana nasceu antes de a sociedade se
gêneros (documentos) específicos: livros-ata, históricos escolares, organizar a partir do ideal capitalista.
diários de classe, memorandos, requerimentos, ofícios, projeto Nesse sentido, outro autor, Vitor Paro, em seu livro Administração
políticopedagógico da escola, atas de conselho de classe, etc. Tais Escolar: introdução crítica, ao discutir o conceito de administração como
documentos organizam e regulam o trabalho de um contexto, em relação fenômeno universal, define o termo como “a utilização racional de
ao processo de produção, distribuição e utilização desses documentos. recursos para a realização de fins determinados”.
Por meio desse processo se organiza e registra a vida escolar do aluno, Considerando que a escola é uma organização que, como muitas
escrevendo páginas e páginas da história de uma escola, cidade, Estado outras, lida com pessoas. Sua peculiaridade está em ser a primeira
ou país, enfim, da sua educação. A documentação se apresenta na forma instituição que os cidadãos, ainda crianças, conhecem depois da família.
comercial, científica ou oficial, conforme sua organização, utilização ou Mais ainda, uma instituição que, em complemento às famílias, tem a
finalidade. É comercial quando é organizada e utilizada pelas empresas missão de educar. A experiência na escola contribui positivamente para
e destina-se a fins estritamente comerciais. É científica quando o objetivo desenvolver os sentimentos de confiança e satisfação de pertencer à
principal é o de proporcionar informações científicas ou mesmo sociedade e de exercer a cidadania. A secretaria escolar é a porta de
didáticas, sem visar diretamente o lucro. E, por fim, é oficial quando sua entrada da escola para a comunidade externa.
organização e utilização têm o objetivo de auxiliar e assessorar a Ela é também a produtora e guardiã da memória e da documentação
Administração Pública no que diz respeito à coleta e à classificação de da escola, de seus alunos e professores, e que garante o controle de toda
documentos oficiais, tais como: Leis, Leis Complementares, Decretos, etc. a situação escolar: atendimento, qualidade dos serviços, funcionamento.
Hoje, a informática tem nos ajudado muito, facilitando a busca de A secretaria escolar é um braço executivo da equipe administrativa e
documentação e informações em bancos de dados sistematizados de pedagógica e dela depende o bom funcionamento da organização escolar.
forma precisa e eficiente, tanto é que várias empresas já estão Ela é o órgão responsável pelos serviços de escrituração, documentação,
informatizadas, inclusive as instituições de ensino. Arquivo Produzimos correspondência e processos referentes à vida do estabelecimento de
documentos e mais documentos. E precisamos guardá-los de alguma ensino e à vida escolar dos alunos, trabalhando coletivamente para a
forma, visto que neles encontam-se informações preciosas. E como fazer gestão administrativa e pedagógica do estabelecimento de ensino.
isso? Juntamente com o seu diretor, responde administrativamente e
Arquivar é guardar documentos de forma organizada em um arquivo, legalmente pela documentação escolar.
conforme já estudamos acima neste tópico. A secretaria escolar é importantíssima na dinâmica de uma escola. É
através do correto lançamento e da efetivação dos chamados registros
escolares que são verificados: os direitos de um candidato à matrícula; a
regularidade da vida escolar; o desenvolvimento da aprendizagem de um
5. Noções básicas de administração: aluno; o acompanhamento pedagógico; os resultados finais de cada
aluno para promoção ou expedição de certificados de conclusão.
planejamento, organização, direção e A secretaria escolar representa perante a comunidade o órgão de
controle. maior importância na produção e organização de informações para
dentro e para fora da escola. Para dentro da escola inclui as informações
usadas por alunos, professores e equipe técnico-administrativa.
Para fora inclui informações às autoridades públicas responsáveis
pela administração de redes de ensino e pelas políticas nacionais.
As atribuições da secretaria escolar são:
Fundamentos da administração, supervisão e execução da
área administrativa da secretaria da escola. - assistir os órgãos de administração, a direção a equipe-
pedagógica, o corpo docente, os funcionários do estabelecimento de
ensino e a clientela (pais e alunos).
Você, funcionário de escola pública, vivencia todos os dias práticas
- Proceder à matrícula escolar dos alunos.
educativas significativas na vida de nossas crianças, adolescentes e
- Controlar e guardar os livros registro de classe, livro-ponto e
adultos. É a sirena que toca, é a fila de entrada, é a merenda gratuita, é a
documentos pertinentes às rotinas da escola.
sala arrumada desta ou de outra forma, é o início ou fim do bimestre, é a
reprovação... O que talvez você não saiba é que tudo que acontece na - Manter os registros atualizados dos prontuários dos alunos,
escola está ligado, tem origem em diferentes concepções teóricas e professores e funcionários.
metodológicas que permeiam a administração ou gestão educacional. - Manter em dia, o arquivo e os registros das fichas de avaliações
Sendo assim, convém definir que discutir a administração ou gestão e fichas individuais dos alunos, por período letivo, de acordo com o
escolar leva à discussão acerca do conceito de administração em geral e, Regimento Escolar.
também, a compreender a história da gestão, pois as transformações - Fazer o controle das ocorrências diárias da escola: faltas de
econômicas e tecnológicas, bem como os princípios, funções e maneira funcionários, professores e alunos.
de gerir interferem nas práticas sociais e educacionais. - Representar o estabelecimento de ensino nas relações entre
este e a comunidade escolar.

4
Expedir e assinar documentos previamente solicitados: declarações, departamento e considerá-lo dentro da política escolar, pois é a
históricos escolares e outros. Secretaria a responsável por todos os eventos burocráticos e legais de
- Encaminhar ao órgão competente os documentos de rotina e funcionamento da instituição.
outros que forem solicitados. Assim a rotina pode ser dividida da seguinte forma:
- Executar a redação e a gestão de correspondência.
- Organizar, preparar e agendar reuniões e assembleias. Janeiro e Fevereiro
- Elaborar atas de reuniões.
- Controlar as chamadas telefônicas recebidas e realizadas. - Realização de matrícula para alunos remanescentes e
- Articular a comunicação interna; divulgar as informações transferidos;
pertinentes recebidas. - Cadastramento dos alunos no SERE;
- Zelar pela guarda e sigilo dos documentos escolares. - Geração de disquete da matrícula inicial;
- Manter os quadros estatísticos da escola em dia. - Organização das turmas;
- Manter atualizados e organizados os arquivos de legislação e - Ensalamento dos alunos;
da vida da escola. - Preparação dos livros registro de classe;
- Manter afixado em edital os atos oficiais do estabelecimento de - Elaboração do horário das aulas;
ensino - Elaboração do livro ponto dos professores;
- Análise dos documentos apresentados para deferimento das
Da rotina de trabalho matrículas pelo diretor;
- Levantamento de alunos com disciplinas em dependência;
- Deixar a mesa sempre em ordem, sem excesso de papéis. - Análise de currículos de alunos transferidos sujeitos à
- Manter os equipamentos em condições de uso e em seus realização de adaptações ou integralização de currículo;
devidos lugares. - Informação à equipe pedagógica do estabelecimento da relação
- Manter a atenção redobrada quando estiver conferindo a de alunos que deverão cumprir adaptações, dependências, etc;
documentação escolar. - Levantamento da documentação pendente de alunos com
- Evitar idas e vindas ou levantar-se a todo momento matrícula condicional para proceder à cobrança desses documentos;
ausentando-se do ambiente de trabalho. - Conferência das rematrículas;
- Não perder a calma diante de situações difíceis. - Organização do arquivo inativo do período letivo anterior;
- Evitar choque de opiniões, sempre chegar a um consenso. - Organização do arquivo ativo do período letivo em curso
- Cumprir e fazer cumprir as determinações de superiores (pastas individuais, com documentação dos alunos);
hierárquicos. - Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos:
- Distribuir as tarefas inerentes à Secretaria entre os auxiliares. históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc;
- Iniciar o dia com tarefas mais demoradas que exijam maior - Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino;
esforço físico e/ou mental.
- Rever todo o expediente a ser submetido ao despacho do Março e Abril
diretor.
- Apresentar ao diretor, em tempo hábil, todos os documentos - Levantamento da documentação pendente de alunos com
que devem ser assinados matrícula condicional para proceder à cobrança desses documentos;
- Atender ao telefone dizendo o nome do estabelecimento de - Recebimento dos canhotos do 1º bimestre, entregues pelos
ensino e seu nome, com nitidez, repetindo tantas vezes quanto professores à equipe pedagógica, com o registro da frequência e
necessário até que seja compreendido. avaliação dos alunos;
- Nunca se exaltar ou responder com impertinência a quem quer - Alimentação do Sistema SERE com os resultados da frequência
que seja. e avaliações do 1º bimestre;
- Deixar disponível junto ao telefone caneta e bloco de anotações. - Impressão de boletins, editais. etc, para divulgação desses
Dentro de suas características, a Secretaria regula a admissão e a resultados;
saída dos alunos e compõe os arquivos, os livros e os prontuários - Atualização dos livros registro de classe com as transferências
necessários para o devido funcionamento da escola. recebidas e expedidas;
A Secretaria organiza e mantém os arquivos de todos aqueles que já
passaram pela escola, chamados de egressos, assim como mantém os - Geração de disquete com os dados dos relatórios finais para
registros que se referem a todos os alunos e professores ativos na escola. alimentar a Base Central do SERE, fornecer dados para o Censo Escolar
Os livros arquivados pela Secretaria são registros de matrícula, e para o cálculo da demanda;
listagem de alunos, atas de reuniões e resultados, livro de transferências, - Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos:
livro de protocolos, livro de ponto dos funcionários, livro de históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc;
requerimentos, livro de ofícios (que informam pais, alunos e órgãos - Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino;
responsáveis), livro de remessas circulares e comunicados internos e
outros controles que cada instituição particularmente decide manter.
Maio, Junho e Julho
O Secretário é responsável por planejar, coordenar e executar todos
os trabalhos administrativos da escola dentro dos prazos estabelecidos,
e também de participar das reuniões pedagógicas e de gestão escolar, - Recebimento dos canhotos do 2º bimestre, entregues pelos
com parceria direta com o diretor. professores à equipe pedagógica, com o registro da frequência e
avaliação dos alunos;
Geralmente, a Secretaria tem horários específicos para atender a
comunidade escolar e esse atendimento é feito em balcões de acesso - Alimentação do Sistema SERE com os resultados da frequência
externo à escola. e avaliações do 2º bimestre;
Há quem diga que a Secretaria é o coração da escola, pois sem ela não - Impressão de boletins, editais, etc, para divulgação desses
existe história do aluno, do corpo docente, dos funcionários e da resultados;
instituição como um todo. É muito importante valorizar este

4
- Atualização dos livros registro de classe com as transferências - Identificação de vagas existentes para outras séries;
recebidas e expedidas; - Realização das matrícula de alunos recebidos por transferência
- Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos: da rede privada de ensino, de outros municípios, estados, etc;
históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc; - Expedição de boletins, editais, etc., para divulgação dos
- Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino; resultados finais dos alunos;
- Encerramento do período letivo semestral (para cursos - Impressão do relatório final e encaminhamento à
subsequentes); CDE/DIE/SEE;
- Renovação das matrículas para os alunos do 2º semestre. - Impressão, assinatura e arquivamento das fichas individuais,
na
Agosto e Setembro Pasta Individual dos alunos;
- Geração do disquete de relatórios finais e entrega para o NRE;
- Recebimento dos canhotos do 3º bimestre, entregues pelos - Expedição dos históricos escolares e diplomas (se for o caso)
professores à equipe pedagógica, com o registro da frequência e dos alunos concluintes de curso;
avaliação dos alunos; - Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos:
- Alimentação do Sistema SERE com os resultados da frequência históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc;
e avaliações do 3º bimestre; - Organização do cadastro de espera para vagas escolares que
- Impressão de boletins, editais, etc, para divulgação desses ainda poderão estar disponíveis;
resultados; - Divulgação para a comunidade do período de recesso da escola
- Atualização dos livros registro de classe com as transferências (quando autorizado pela SEE), bem como o horário de atendimento da
recebidas e expedidas; secretaria durante o período das férias escolares;
- Preparação dos históricos escolares dos alunos que irão - Coleta de dados de matrícula para o primeiro momento
concluir o curso naquele ano (deixar digitado até a penúltima série); referencial;
- Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos: - Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino;
históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc;
- Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino;
- Geração de arquivo de matrícula inicial correspondente a 6. Uso da informática para
agosto, com opção para o Ensino Médio (quando a escola ofertar 8ª arquivamento, escrituração e
série) e planejamento para o próximo ano;
documentação.
Outubro e Novembro

- Atualização dos livros registro de classe com as transferências


Informática
recebidas e expedidas;
Hoje, quem trabalha com o computador sabe da sua grande utilidade.
- Preparação dos históricos escolares dos alunos que irão
Muitas escolas de várias cidades do país já estão equipadas com
concluir o curso naquele ano (deixar digitado até a penúltima série);
computadores, utilizando a tecnologia da informática. Contudo,
- Expedição de correspondência aos pais ou responsáveis sobre conhecemos a realidade do Brasil, há uma triste desigualdade social:
a decisão do aluno continuar ou não no estabelecimento de ensino no muitas escolas já se servem do computador para a otimização dos
próximo período letivo, solicitando atualização de endereço; serviços administrativos, porém muitas outras ainda utilizam máquina
- Expedição de toda a documentação solicitada pelos alunos: de escrever. As pessoas, que trabalham nas escolas informatizadas,
históricos escolares, transferências, declarações, certidões, etc; relatam que a informática é um sistema que ajuda muito nas rotinas da
- Programação das matrículas, atendendo ao disposto na escola. Nossa esperança é que todas as escolas do Brasil tenham
instrução anual de matrículas do DIE/SEED; computadores e que sejam utilizados para facilitar os serviços
- Divulgação para os funcionários da escola e para a comunidade administrativos da equipe da secretaria escolar.
escolar sobre o calendário e procedimentos para a matrícula;
- Realização da previsão de vagas para séries iniciais; Inserir a informática na educação não é apenas adquirir
- Atualização da correspondência do estabelecimento de ensino; equipamentos e programas de computador para a escola. O sucesso e a
eficácia de um projeto educacional que utiliza a informática como mais
Dezembro um recurso no processo pedagógico exigem capacitação e novas atitudes
- Atualização dos livros registro de classe com as transferências dos profissionais da educação diante da realidade e do contexto
recebidas, expedidas e alunos desistentes; educacional. Conhecimento, visão crítica e consciência do educador em
- Recebimento dos canhotos do 4º bimestre, entregues pelos relação ao seu papel são fundamentais. Os profissionais deverão estar
professores à equipe pedagógica, com o registro da frequência e capacitados para fazer a integração da informática com sua proposta de
avaliação dos alunos; ensino e da escola, devendo estar abertos a mudanças e dispostos a
- Alimentação do Sistema SERE com os resultados da frequência assumir um novo papel: o de facilitador e coordenador dos processos de
e avaliações do 4º bimestre; ensino e aprendizagem. Os profissionais da educação devem assessorar
- Programação da plataforma de turmas para o próximo período o aluno diante de uma situação-problema para que, juntos, possam
letivo; encontrar a melhor solução, podendo testar e utilizar diferentes
- Programação e efetivação das matrículas, atendendo ao recursos. Esse novo papel exige maior empenho do professor, algo que
disposto na instrução anual de matrículas do DIE/SEE; não é adquirido em treinamentos técnicos ou em cursos em que os
- Divulgação para os funcionários da escola e para a comunidade conceitos educacionais e o domínio do computador são trabalhados
escolar sobre o calendário e procedimentos para a matrícula; separadamente, esperando-se que os participantes façam a integração
- Realização da previsão de vagas para séries iniciais; entre ambos. É preciso um processo de formação continuada do
- Realização das rematrículas dos alunos aprovados e que professor, que se realiza na articulação entre a exploração da tecnologia
permanecerão no estabelecimento de ensino; computacional, a ação pedagógica com o uso do computador e as teorias
educacionais.

4
- O computador está travando com frequência.
O professor deve ter a oportunidade de discutir o como se aprende e - O programa necessário para a aula não está funcionando em
o como se ensina. Deve também ter a chance de poder compreender a todos os computadores.
própria prática e de transformá-la. Com a visão atual de trabalho em - A tinta da impressora acabou antes da finalização da impressão
equipe, é importante que todos os profissionais envolvidos na ação dos trabalhos.
pedagógica, e não só o professor, passem por um processo de formação - Não há computador suficiente para toda a turma.
continuada. Com a capacitação adequada, o técnico em multimeios - Algumas máquinas estão com vírus que prejudicam seu
didáticos, por exemplo, terá mais condição de contribuir com os funcionamento.
professores no uso da tecnologia voltada à educação. Para que os - O arquivo onde foram gravados os trabalhos dos alunos foi
educadores tenham condições de criar ambientes de aprendizagem que perdido. - Nem todos os computadores possuem recursos de multimídia.
possam garantir um movimento contínuo de construção e reconstrução - A escola não possui um sistema de monitoramento adequado
do conhecimento, é preciso reestruturar seu processo de formação para de acesso à internet.
assumir a característica de continuidade. Nesse sentido, professores e - A memória dos computadores é insuficiente para a instalação
técnicos em educação devem preparar- -se para desenvolver de novos programas. Esses são apenas alguns exemplos de problemas
competências, tais como as listadas por Almeida (1998): que podem ser encontrados no ambiente de informática da escola. As
- Estar aberto a aprender como aprender. dificuldades devem ser descritas em relatório e levadas à direção da
- Atuar a partir de temas emergentes no contexto de interesse escola para que sejam solucionadas. Alguns problemas podem ser
dos alunos. resolvidos pelos próprios técnicos em multimeios ou professores, a
- Promover o desenvolvimento de projetos cooperativos. partir da elaboração de normas de utilização dos ambientes de
- Assumir atitude de investigador do conhecimento e da informática, como por exemplo:
aprendizagem do aluno. - A escola deverá designar um profissional para ser o
- Propiciar a reflexão, a depuração e o pensar sobre o pensar. responsável pela instalação dos programas e configuração dos
Rede e-Tec Brasil 74 Informática Aplicada à Educação - Dominar computadores, função que pode ser desempenhada pelo técnico em
recursos computacionais. multimeios didáticos.
- Identificar as potencialidades de aplicação desses recursos na - Manter uma empresa ou profissional capacitado para
prática pedagógica. manutenção periódica dos computadores.
- Desenvolver um processo de reflexão na prática e sobre a - Numerar os computadores, monitores e teclados para facilitar
prática, reelaborando continuamente teorias que orientem sua atitude a identificação dos problemas nas máquinas.
de mediação. É preciso aprender a lidar com as rápidas mudanças, ser - Evitar o uso de dispositivos, como o pen drive, sem a verificação
dinâmico e flexível, o que exige estar em constante sintonia com a prévia com antivírus. Diante disso, fica clara a necessidade de
realidade e atento aos impactos das inovações na educação. Nesse novo capacitação do profissional para trabalhar a informática como recurso
contexto educacional, influenciado pelas novas tecnologias de pedagógico. É preciso haver uma construção gradativa das competências
informação e comunicação, o educador deve estar preparado para a específicas para o uso de recursos tecnológicos, lembrando, porém, que
possibilidade de encontrar alunos que saibam até mais que ele sobre a construção dessas competências não deve ser isolada do processo mais
determinado assunto. Com a rapidez e a diversificação dos meios de amplo de construção das competências profissionais. Escolha algum
informação no mundo moderno, o professor deixou de ser o único curso que você já tenha realizado e faça um resumo relatando as
detentor do conhecimento. Assim, o processo de capacitação dos contribuições que a capacitação trouxe para sua atuação profissional,
profissionais de educação deve englobar conhecimentos básicos de com o objetivo de avaliar a importância de renovar seus conhecimentos
informática, conhecimentos pedagógicos, integração das tecnologias visando superar desafios e desempenhar cada vez melhor seu papel
com as propostas pedagógicas, formas de gerenciamento da sala de aula como técnico em multimeios didáticos. No processo de implantação e
com os novos recursos tecnológicos, revisão das teorias de utilização da informática na escola, é importante que os administradores
aprendizagem, didática, projetos multi, inter e transdisciplinares. Com escolares também tenham uma visão dos benefícios da incorporação da
isso, será obtida uma maior segurança para atuar com a informática na tecnologia no dia a dia da escola e atuem, efetivamente, na construção da
educação. A partir do momento em que a escola disponibiliza nova prática pedagógica proporcionada pelo uso do computador e dos
computadores e softwares como auxílio para as aulas, torna-se seus objetivos, uma vez que o apoio da direção da escola é um dos fatores
imprescindível saber avaliar os recursos para utilizá-los de forma fundamentais para que os projetos da escola possam ser executados com
adequada. É indispensável que os professores e técnicos de educação êxito. A falta de apoio da direção pode tornar impossível a execução de
sejam capacitados para utilizar e avaliar o computador e os softwares qualquer projeto pedagógico. Por isso, é tão importante que o
disponíveis como instrumentos pedagógicos. administrador escolar também seja capacitado e tenha uma visão
O professor precisa conhecer e aprender a lidar com os recursos dos educativa condizente com a incorporação da informática como recurso
programas de computador que serão utilizados em suas aulas, e os pedagógico na escola, a fim de adequar suas atitudes com consciência do
técnicos, além disso, devem ter condições de deixar os equipamentos seu papel, que deve ser o de colaborador, incentivador e facilitador do
plenamente prontos para a utilização proposta pelo professor. Com a processo.
capacitação, o educador será capaz de incorporar a informática como Todos os profissionais que trabalham no ambiente escolar têm um
recurso pedagógico, planejando com segurança aulas mais criativas e papel importante no processo educacional como um todo e devem
dinâmicas, em que haja integração da tecnologia com a proposta de contribuir para a construção da escola como um espaço estimulador da
ensino. Além disso, poderá utilizar os recursos do computador como aprendizagem. Dessa forma, também os funcionários da educação, como
apoio na elaboração de provas, no controle das notas dos alunos, na você, técnico em multimeios didáticos, precisam estar capacitados para
elaboração de relatórios e em outras atividades que fazem parte do auxiliar e contribuir no processo de implantação e utilização da
cotidiano escolar. É natural que professores e demais profissionais da informática na escola. Cada um, no âmbito de sua formação e atuação,
escola que trabalhem ou estejam envolvidos nas atividades em tem muito a colaborar. Dentro de suas competências, professores,
ambientes tecnológicos encontrem problemas e dificuldades. Por isso, o administradores e funcionários de escola podem, juntos, contribuir para
gerenciamento de situações comuns a ambientes de informática é um a construção de um espaço escolar no qual a informática seja utilizada
aspecto que não pode faltar na capacitação dos educadores. Com a como um recurso pedagógico motivador e construtivo. Inserir, de
prática cotidiana, o profissional da educação, seja professor ou técnico, alguma forma, os profissionais de todas as áreas no processo de
saberá lidar melhor com imprevistos e problemas como os seguintes: implantação e utilização da informática na escola faz com que todos se

4
sintam importantes e responsáveis pelos resultados. A troca de obrigatoriedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro
experiências e de informações entre os profissionais de educação de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de anos
envolvidos no processo é importante na busca de melhorias e de transcorridos desde a Independência. Essa prática foi mantida no
soluções para os problemas enfrentados no ambiente de informática da período republicano. Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza,
escola, bem como no planejamento das atividades a serem desenvolvidas uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às
e na definição dos objetivos a serem alcançados. Para isso, são comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma única
recomendáveis a realização de reuniões periódicas e a utilização de interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes, o que exige o
outros canais diários de comunicação, como as mensagens por correio uso de certo nível de linguagem. Nesse quadro, fica claro também que as
eletrônico (e-mail), por exemplo. A incorporação das novas tecnologias comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre
de comunicação e informação na escola resulta em um processo contínuo um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas
de mudança, uma vez que as atualizações tecnológicas são constantes e comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes
rápidas. Veja como exemplo os computadores que usamos em casa, no dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou
trabalho ou em uma lan house, os quais, de tempos em tempos, precisam instituições tratados de forma homogênea (o público).
ser atualizados para que continuem nos atendendo. Em função dessa Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações
rapidez evolutiva, todos os profissionais precisam se atualizar oficiais foram incorporados ao longo do tempo, como as formas de
frequentemente para continuarem aptos a utilizar as ferramentas, os tratamento e de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura dos
programas e os equipamentos de informática. expedientes, etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para
O aprendizado, além de ser um processo em contínua mudança, é comunicações oficiais, regulados pela Portaria no 1 do Ministro de
coletivo. Negar o contexto no qual vivemos é nos transformar numa Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais de meio século
“caixa-preta”; é não querer perceber o que está ao nosso redor; é de vigência, foi revogado pelo Decreto que aprovou a primeira edição
desprezar uma característica típica do ser humano: a capacidade de deste Manual. Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou
aprender. Aprender é mudar. Aprender significa romper fazer das características específicas da forma oficial de redigir não deve
constantemente para que possamos nos posicionar como seres ensejar o entendimento de que se proponha a criação – ou se aceite a
autônomos e transformadores diante do ecossistema no qual estamos existência – de uma forma específica de linguagem administrativa, o que
inseridos. coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma
distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza pelo abuso
de expressões e clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas de
7. Redação de correspondências oficiais: construção de frases. A redação oficial não é, portanto, necessariamente
árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade básica –
Manual de Redação da Presidência da comunicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe certos
República. parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira diversa daquele da
literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial,
passemos à análise pormenorizada de cada uma delas.
Caro candidato, o Manual de Redação da Presidência possui 6
capítulos. 1.1. A Impessoalidade
Em nossa apostila, abordaremos apenas os capítulos 1 e 2, já
que os demais capítulos correspondem a conteúdos gramaticais A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita.
que já foram estudados em tópicos anteriores da mesma. Para que haja comunicação, são necessários:

CAPÍTULO I a) alguém que comunique,


ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL b) algo a ser comunicado, e
c) alguém que receba essa comunicação.
1. O que é Redação Oficial
No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão,
o Poder Público redige atos normativos e comunicações. Interessanos Serviço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto relativo às
tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo. A redação oficial deve atribuições do órgão que comunica; o destinatário dessa comunicação ou
caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do
clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses Executivo ou dos outros Poderes da União. Percebe-se, assim, que o
atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que constam das
administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos comunicações oficiais decorre:
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a) da ausência de impressões individuais de quem comunica:
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Chefe de
publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a
princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que
devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais. permite que comunicações elaboradas em diferentes setores da
Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja Administração guardem entre si certa uniformidade;
redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas
compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos, bem possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido
como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de Direito: é como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um
inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A destinatário concebido de forma homogênea e impessoal;
publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e concisão. Além de c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo
atender à disposição constitucional, a forma dos atos normativos temático das comunicações oficiais se restringe a questões que dizem
obedece a certa tradição. Há normas para sua elaboração que remontam respeito ao interesse público, é natural que não cabe qualquer tom
ao período de nossa história imperial, como, por exemplo, a

4
particular ou pessoal. Desta forma, não há lugar na redação oficial para Outras questões sobre a linguagem, como o emprego de neologismo e
impressões pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a estrangeirismo, são tratadas em detalhe em 9.3.
um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto Semântica.
literário. A redação oficial deve ser isenta da interferência da
individualidade que a elabora. A concisão, a clareza, a objetividade e a 1.3. Formalidade e Padronização
formalidade de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária impessoalidade. As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é, obedecem
a certas regras de forma: além das já mencionadas exigências de
1.2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é imperativo, ainda,
certa formalidade de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida
A necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento
e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio caráter público para uma autoridade de certo nível (v. a esse respeito 2.1.3. Emprego dos
desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, Pronomes de Tratamento); mais do que isso, a formalidade diz respeito à
aqui entendidos como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras polidez, à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a
para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos comunicação. A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
públicos, o que só é alcançado se em sua elaboração for empregada a necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a administração
linguagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja federal é una, é natural que as comunicações que expede sigam um
finalidade precípua é a de informar com clareza e objetividade. As mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão, uma das metas deste
comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser Manual, exige que se atente para todas as características da redação
compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse oficial e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos. A clareza
objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados datilográfica, o uso de papéis uniformes para o texto definitivo e a
grupos. Não há dúvida que um texto marcado por expressões de correta diagramação do texto são indispensáveis para a padronização.
circulação restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o Consulte o Capítulo II, As Comunicações Oficiais, a respeito de normas
jargão técnico, tem sua compreensão dificultada. Ressalte-se que há específicas para cada tipo de expediente.
necessariamente uma distância entre a língua falada e a escrita. Aquela é
extremamente dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração
de costumes, e pode eventualmente contar com outros elementos que
auxiliem a sua compreensão, como os gestos, a entoação, etc. Para 1.4. Concisão e Clareza
mencionar apenas alguns dos fatores responsáveis por essa distância. Já
a língua escrita incorpora mais lentamente as transformações, tem maior A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto
vocação para a permanência, e vale-se apenas de si mesma para oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de
comunicar. A língua escrita, como a falada, compreende diferentes níveis, informações com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa
de acordo com o uso que dela se faça. Por exemplo, em uma carta a um qualidade, é fundamental que se tenha, além de conhecimento do
amigo, podemos nos valer de determinado padrão de linguagem que assunto sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revisar o texto
incorpore expressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se percebem
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do vocabulário eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias. O
técnico correspondente. Nos dois casos, há um padrão de linguagem que esforço de sermos concisos atende, basicamente ao princípio de
atende ao uso que se faz da língua, a finalidade com que a empregamos. economia linguística, à mencionada fórmula de empregar o mínimo de
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter impessoal, por palavras para informar o máximo. Não se deve de forma alguma entendê-
sua finalidade de informar com o máximo de clareza e concisão, eles la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
requerem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Tratase
culto é aquele em que a) se observam as regras da gramática formal, e b) exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que
se emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma. nada acrescentem ao que já foi dito. Procure perceber certa hierarquia
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na de ideias que existe em todo texto de alguma complexidade: ideias
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das diferenças fundamentais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o
lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem também
das idiossincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao texto,
a pretendida compreensão por todos os cidadãos. nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, ser
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de dispensadas. A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial,
expressão, desde que não seja confundida com pobreza de expressão. De conforme já sublinhado na introdução deste capítulo. Pode-se definir
nenhuma forma o uso do padrão culto implica emprego de linguagem como claro aquele texto que possibilita imediata compreensão pelo
rebuscada, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem leitor. No entanto a clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende
próprios da língua literária. Pode-se concluir, então, que não existe estritamente das demais características da redação oficial. Para ela
propriamente um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do concorrem:
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de
preferência pelo uso de determinadas expressões, ou será obedecida interpretações que
certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas isso não implica,
poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto;
necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de
linguagem burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser
entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de circulação
evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. A linguagem
restrita, como a gíria e o jargão;
técnica deve ser empregada apenas em situações que a exijam, sendo de
c)a formalidade e a padronização, que possibilitam a
evitar o seu uso indiscriminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e
imprescindível
mesmo o vocabulário próprio a determinada área, são de difícil
entendimento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se ter o uniformidade dos textos;
cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações encaminhadas a d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos
outros órgãos da administração e em expedientes dirigidos aos cidadãos. linguísticos

4
que nada lhe acrescentam. revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima.
Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no redigir.
É pela correta observação dessas características que se redige com Por fim, como exemplo de texto obscuro, que deve ser evitado em
clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável releitura de todo texto todas as comunicações oficiais,
redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscuros e de erros Transcrevemos a seguir um pitoresco quadro, constante de obra de
gramaticais provém principalmente da falta da releitura que torna Adriano da Gama Kury, a partir do qual podem ser feitas inúmeras frases,
possível sua correção. Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, combinando-se as expressões das várias colunas em qualquer ordem,
ainda, se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O que nos com uma característica comum: nenhuma delas tem sentido! O quadro
parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio que tem aqui a função de sublinhar a maneira de como não se deve
adquirimos sobre certos assuntos em decorrência de nossa experiência escrever:
profissional muitas vezes faz com que os tomemos como de
conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva,
esclareça, precise os termos técnicos, o significado das siglas e
abreviações e os conceitos específicos que não possam ser dispensados.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que são
elaboradas certas comunicações quase sempre compromete sua clareza.
Não se deve proceder à redação de um texto que não seja seguida por sua

Como não se deve escrever: ciplinar cia le estrut


para horizon condici uras.
uma tal, onante
práxis ,
de
trabalh
o de
grupo,
CAPÍTULO II
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS

2. Introdução

A redação das comunicações oficiais deve, antes de tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, Aspectos Gerais da Redação Oficial. Além
disso, há características específicas de cada tipo de expediente, que serão tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua análise,
vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modalidades de comunicação oficial: o emprego dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos
e a identificação do signatário.

2.1. Pronomes de Tratamento

2.1.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento

O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali, após serem
incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a
empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior.
Prossegue o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa
de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim
usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e adotou-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa
santidade.” A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos.
Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual
emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas.

2.1.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento

Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, nominal e
pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância
para a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o
substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da
terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero
gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for
homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa
Senhoria deve estar satisfeita”.

2.1.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento

5
COLUN COL COLUN COLUN COLUN COLU COLU
AA UNA AC AD AE NA F NA G
B
1. A Se Uma No interess Substa Numa A trans
necessi carac correta e nciand ótica parên
dade teriz relação primári o oe preven cia de
emerge entre da populaç vitaliza tiva e cada
a por
nte estrutur ão, ndo, não ato Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento obedece a
ae mais secular tradição. São de uso consagrado:
decisi
superes curativ Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
onal.
trutura a,
2. O Prefi A Sem Não No Um
quadro gura superaç prejudi car assumi contex indisp
normat ão de o atual ndo to de ensáv
ivo nunca um el salto
cada nível das
como sistem de
obstácu contrib
implícit a qualid
lo e/ou uições, o, integra ade.
resistên
do,
cia
passiva
3. O Reco A Com Potenci Na O plane
critério nduz pontual critério ando e medid ament
metodo a corresp s increm a em o de
lógico sínte ondênci n entand que discre
ses a entre o, isso pânci
ão dirigísti
objetivo seja as e
cos, factível
se discra
recurso ,
sias
s existe
ntes.
4. O Incre O Para além Eviden Em A
modelo ment redireci das ciando termos adoçã o
de a onamen contrad e de de uma
desenv to das ições e explicit meto
eficáci
linhas dificuld ando dologi
olvime ae
ades a difere
nto de eficiên
iniciais, nciad
tendênc cia, a.
ias em
ato
5. O Prop O Numa Ativand A A
novo icia incorpo visão oe cavalei redefi
tema rament orgânic a e implem ro da nição
social o das não entand de uma
Situaçã
funções o, nova
totaliza o
ea figura
nte, contin profis
descent
ralizaçã gente, sional
o .
decisio
nal
6. O Prop O Median Não Com as O
método õe-se reconhe te omitind devida coenvol
particip a cimento mecani o ou se vimen
ativo da smos da calando impres to ativo
demand , mas cindíve de
particip
a não antes is opera
ação, particul dores e
satisfeit enfatiz
a arizand utent
ações,
o, es.

7. A Privi Uma Segund o Recupe Como Uma


utilizaç legia coligaçã um rando, sua congr
ão o módulo de ou premis uente
potenci orgânic interde antes flexibi
al
pendên

5
a revalor sa lidade 01.010-000 – São Paulo. SP
interdis izando, indisp das
ensáve Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento
digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lista anterior. A dignidade
é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo
desnecessária sua repetida evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para
a) do Poder Executivo; particulares. O vocativo adequado é:
Presidente da República; Senhor Fulano de Tal,
Vice-Presidente da República; (...)
Ministros de Estado;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal; No envelope, deve constar do endereçamento:
Oficiais-Generais das Forças Armadas; Ao Senhor
Embaixadores; Fulano de Tal
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos Rua ABC, nº 123
de natureza especial; 70.123 – Curitiba. PR
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Prefeitos Como se depreende do exemplo acima fica dispensado o emprego do
Municipais. superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento
de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
b) do Poder Legislativo: tratamento Senhor. Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento,
Deputados Federais e Senadores; e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra
Ministro do Tribunal de Contas da União; geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que
Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado.
dos Tribunais de Contas Estaduais; Presidentes É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis
das Câmaras Legislativas Municipais. em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor
confere a desejada formalidade às comunicações. Mencionemos, ainda, a
c) do Poder Judiciário: forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição, em
Ministros dos Tribunais Superiores; comunicações dirigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o
Membros de Tribunais; vocativo:
Juízes;
Auditores da Justiça Militar. Magnífico Reitor,
(...)
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes
de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo: Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimo hierarquia eclesiástica, são:
Senhor Presidente do Congresso Nacional, Excelentíssimo
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo
correspondente é:
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, Santíssimo Padre,
seguido do cargo respectivo: (...)
Senhor Senador,
Senhor Juiz, Vossa Eminência ou Vossa Eminência
Senhor Ministro, Reverendíssima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o
Senhor Governador, vocativo:
Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal,
autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a seguinte forma: (...)

A Sua Excelência o Senhor Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas


Fulano de Tal a Arcebispos e Bispos; Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria
Ministro de Estado da Justiça Reverendíssima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos.
70.064-900 – Brasília. DF Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos e demais
religiosos.
A Sua Excelência o Senhor
2.2. Fechos para Comunicações
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70.165-900 – Brasília. DF O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de
arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para fecho que
vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria nº1 do
A Sua Excelência o Senhor
Ministério da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com o
Fulano de Tal fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego
Juiz de Direito da 10a Vara Cível de somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de
Rua ABC, no 123 comunicação oficial:

5
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República: documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:
Respeitosamente, – introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das
Atenciosamente, formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar
que”, empregue a forma direta;
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto
autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em
devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério das parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
Relações Exteriores. – conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente
reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
2.3. Identificação do Signatário Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em
que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, Já quando se tratar de mero encaminhamento de documentos a
todas as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da estrutura é a seguinte:
autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da – introdução: deve iniciar com referência ao expediente que
identificação deve ser a seguinte: solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido
solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que
(Espaço para assinatura) é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento
encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata),
NOME
e a razão pela qual está sendo encaminhado, segundo a seguinte
Chefe da Secretária-geral da Presidência da República
fórmula:
“Em resposta ao Aviso nº 12, de 1º de fevereiro de 1991, encaminho,
(Espaço para assinatura) anexa, cópia do Ofício nº 34, de 3 de abril de 1990, do Departamento Geral
NOME de Administração, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal.” Ou
Ministro de Estado da Justiça “Encaminho, para exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama
no 12, de 1o de fevereiro de 1991, do Presidente da Confederação Nacional
de Agricultura, a respeito de projeto de modernização de técnicas
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em agrícolas na região Nordeste.”
página isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a – desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer
última frase anterior ao fecho. algum comentário a respeito do documento que encaminha, poderá
acrescentar parágrafos de desenvolvimento; em caso contrário, não há
3. O Padrão Ofício parágrafos de desenvolvimento em aviso ou ofício
de mero encaminhamento.
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade
do que pela forma: o ofício, o aviso e o memorando. Com o fito de f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
uniformizá-los, pode-se adotar uma diagramação única, que siga o que
chamamos de padrão ofício. As peculiaridades de cada um serão tratadas g) assinatura do autor da comunicação; e
adiante; por ora busquemos as suas semelhanças.
h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do Signatário).
3.1. Partes do documento no Padrão Ofício
3.2. Forma de diagramação
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as seguintes partes:
Os documentos do Padrão Ofício5 devem obedecer à seguinte forma
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que de apresentação:
o
expede: a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de
corpo 12 no
Exemplos: texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de rodapé;
Mem. 123/2002-MF Aviso 123/2002-SG Of. 123/2002-MME b) para símbolos não existentes na fonte Times New
Roman poder-
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
direita: c)é obrigatória constar a partir da segunda página o número da
página;
Exemplo: d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
13 impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens
Brasília, 15 de março de 1991. esquerda e direta terão as distâncias invertidas nas páginas pares
(“margem espelho”);
c) assunto: resumo do teor do documento e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de
distância da
Exemplos: margem esquerda;
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo,
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores. 3,0
cm de largura;
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a g) o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm; 5 O
comunicação. No caso do ofício deve ser incluído também o endereço. constante neste item aplica-se também à exposição de motivos e à
mensagem (v. 4. Exposição de Motivos e 5. Mensagem).
e) texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de

5
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 3.3. Aviso e Ofício
pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não
comportar tal recurso, de uma linha em branco; 3.3.1. Definição e Finalidade
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado,
letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial praticamente
forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento; idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é expedido
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma
A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações; hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais
l) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos
impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm; oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do
m) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de ofício, também com particulares.
arquivo Rich
Text nos documentos de texto; 3.3.2. Forma e Estrutura
n) dentro do possível, todos os documentos elaborados
devem ter o arquivo de texto preservado para consulta Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão ofício,
posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos; com acréscimo do vocativo, que invoca o destinatário (v. 2.1 Pronomes de
o) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos Tratamento), seguido de vírgula.
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento
+ número do documento + palavras-chaves do conteúdo Ex.:
“Of. 123 - relatório produtividade ano 2002”

5
Exemplos:

Excelentíssimo Senhor Presidente da República


Senhora Ministra
Senhor Chefe de Gabinete
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente:
– nome do órgão ou setor;
– endereço postal;
– telefone e endereço de correio eletrônico.

Exemplo de Ofício

5
Exemplo de Aviso

3.4. Memorando

3.4.1. Definição e Finalidade

O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo
nível ou em nível diferente. Trata -se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna. Pode ter caráter mera mente administrativo,
ou ser empregado para a exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados por determinado setor do serviço púb lico. Sua característica
principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos
burocráticos. Para evitar desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento
e, no caso de falta de espaço, em folha de continuação. Esse procedi mento permite formar uma espécie de processo simplificado, assegurando maior
transparência à tomada de decisões, e permitindo que se historie o andamento da matéria tratada no memorando.

5
3.4.2. Forma e Estrutura

Quanto a sua forma, o memorando segue o mod elo do padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo
que ocupa.

Exemplos:
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos

Exemplo de Memorando

5
4. Exposição de Motivos

4.1. Definição e Finalidade

Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao Vice -Presidente para:


a) informá-lo de determinado assunto;
b) propor alguma medida; ou
c) submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado.
Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os Min
istros envolvidos,
sendo, por essa razão, chamada de interministerial.

4.2. Forma e Estrutura

Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício). O anexo que acompanha a exposição de motivos
que proponha alguma medida ou apresente projeto de ato no rmativo, segue o modelo descrito adiante. A exposição de motivos , de acordo com sua
finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que proponha
alguma medida ou submeta projeto de ato normativo.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do Presidente da República, s ua estrutura
segue o modelo antes referido para o padrão ofício.

Exemplo de Exposição de Motivos de caráter informativo

5
resolver;
Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presidente b) ensejar mais profunda avaliação das diversas causas
da República a sugestão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe do problema e dos efeitos que pode ter a adoção da medida ou a
apresente projeto de ato normativo – embora sigam também a estrutura edição do ato, em consonância com as questões que devem ser
do padrão ofício –, além de outros comentários julgados pertinentes por analisadas na elaboração de proposições normativas no âmbito do
seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar: Poder Executivo (v. 10.4.3.).
a) na introdução: o problema que está a reclamar a c)conferir perfeita transparência aos atos propostos.
adoção da Dessa forma, ao atender às questões que devem ser analisadas na
medida ou do ato normativo proposto; elaboração de atos normativos no âmbito do Poder Executivo, o texto da
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida exposição de motivos e seu anexo complementam-se e formam um todo
ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar o problema, e coeso: no anexo, encontramos uma avaliação profunda e direta de toda
eventuais alternativas existentes para equacioná-lo; a situação que está a reclamar a adoção de certa providência ou a edição
c)na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou de um ato normativo; o problema a ser enfrentado e suas causas; a
qual solução que se propõe, seus efeitos e seus custos; e as alternativas
ato normativo deve ser editado para solucionar o problema. existentes. O texto da exposição de motivos fica, assim, reservado à
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à exposição de demonstração da necessidade da providência proposta: por que deve ser
motivos, devidamente preenchido, de acordo com o seguinte modelo adotada e como resolverá o problema. Nos casos em que o ato proposto
previsto no Anexo II do Decreto no 4.176, de 28 de março de 2002. for questão de pessoal (nomeação, promoção, ascensão, transferência,
Anexo à Exposição de Motivos do (indicar nome do Ministério ou readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, recondução,
órgão equivalente) nº de 200. remoção, exoneração, demissão, dispensa, disponibilidade,
aposentadoria), não é necessário o encaminhamento do formulário de
anexo à exposição de motivos.
1. Síntese do problema ou da situação que reclama providências
Ressalte-se que:
2. Soluções e providências contidas no ato normativo ou na
– a síntese do parecer do órgão de assessoramento
medida proposta
jurídico não dispensa o encaminhamento do parecer
completo;
3. Alternativas existentes às medidas propostas Mencionar:
- se há outro projeto do Executivo sobre a matéria;
– o tamanho dos campos do anexo à exposição de
- se há projetos sobre a matéria no Legislativo; -
motivos pode ser alterado de acordo com a maior ou menor
outras possibilidades de resolução do problema.
extensão dos comentários a serem ali incluídos.
4. Custos Mencionar:
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente que a atenção
- se a despesa decorrente da medida está prevista na
aos requisitos básicos da redação oficial (clareza, concisão,
lei orçamentária anual; se não, quais as alternativas para
impessoalidade, formalidade, padronização e uso do padrão culto de
custeá-la;
linguagem) deve ser redobrada. A exposição de motivos é a principal
- se é o caso de solicitar-se abertura de crédito modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pelos
extraordinário, especial ou suplementar;
Ministros. Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao
- valor a ser despendido em moeda corrente; Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, ainda, ser publicada no
Diário Oficial da União, no todo ou em parte.
5. Razões que justificam a urgência (a ser preenchido somente se o
ato proposto for medida provisória ou projeto de lei que deva tramitar 5. Mensagem
em regime de urgência) Mencionar:
- se o problema configura calamidade pública; 5.1. Definição e Finalidade
- por que é indispensável a vigência imediata;
- se se trata de problema cuja causa ou agravamento não tenham
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes
sido previstos;
Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder
- se se trata de desenvolvimento extraordinário de situação já Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato da
prevista. Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião da
abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias
6. Impacto sobre o meio ambiente (sempre que o ato ou medida que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim,
proposta possa vir a tê-lo) fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interesse dos
poderes públicos e da Nação. Minuta de mensagem pode ser
7. Alterações propostas encaminhada pelos Ministérios à Presidência da República, a cujas
assessorias caberá a redação final. As mensagens mais usuais do Poder
Texto atual Texto proposto Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes finalidades:

8. Síntese do parecer do órgão jurídico a) encaminhamento de projeto de lei ordinária,


Com base em avaliação do ato normativo ou da medida proposta à complementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou
luz das questões levantadas no item 10.4.3. complementar são enviados em regime normal (Constituição, art.
A falta ou insuficiência das informações prestadas pode acarretar, a 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1o a 4o). Cabe lembrar
critério da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, a devolução que o projeto pode ser encaminhado sob o regime normal e mais
do projeto de ato normativo para que se complete o exame ou se tarde ser objeto de nova mensagem, com solicitação de urgência. Em
reformule a proposta. O preenchimento obrigatório do anexo para as ambos os casos, a mensagem se dirige aos Membros do Congresso
exposições de motivos que proponham a adoção de alguma medida ou a Nacional, mas é encaminhada com aviso do Chefe da Casa Civil da
edição de ato normativo tem como finalidade: Presidência da República ao Primeiro Secretário da Câmara dos
a) permitir a adequada reflexão sobre o problema que Deputados, para que tenha início sua tramitação (Constituição, art.
se busca 64, caput). Quanto aos projetos de lei financeira (que compreendem

5
plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais e Presidência da República. Esta mensagem difere das demais porque vai
créditos adicionais), as mensagens de encaminhamento dirigem-se encadernada e é distribuída a todos os Congressistas em forma de livro.
aos Membros do Congresso Nacional, e os respectivos avisos são
endereçados ao Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é h) comunicação de sanção (com restituição de
que o art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual autógrafos).
sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais precisamente, “na Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso Nacional,
forma do regimento comum”. E à frente da Mesa do Congresso encaminhada por Aviso ao Primeiro Secretário da Casa onde se
Nacional está o Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 57, originaram os autógrafos. Nela se informa o número que tomou a lei e se
§ 5o), que comanda as sessões conjuntas. As mensagens aqui restituem dois exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o
tratadas coroam o processo desenvolvido no âmbito do Poder Presidente da República terá aposto o despacho de sanção.
Executivo, que abrange minucioso exame técnico, jurídico e
econômico-financeiro das matérias objeto das proposições por elas i) comunicação de veto.
encaminhadas. Tais exames materializam-se em pareceres dos Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 66, § 1o),
diversos órgãos interessados no assunto das proposições, entre eles a mensagem informa sobre a decisão de vetar, se o veto é parcial, quais
o da Advocacia-Geral da União. Mas, na origem das propostas, as as disposições vetadas, e as razões do veto. Seu texto vai publicado na
análises necessárias constam da exposição de motivos do órgão onde íntegra no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao contrário
se geraram (v. 3.1. Exposição de Motivos) – exposição que das demais mensagens, cuja publicação se restringe à notícia do seu
acompanhará, por cópia, a mensagem de encaminhamento ao envio ao Poder Legislativo. (V. 19.6.Veto)
Congresso. j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular frequência
b) encaminhamento de medida provisória. mensagens com:
Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Constituição, o – encaminhamento de atos internacionais que
Presidente da República encaminha mensagem ao Congresso, dirigida a acarretam encargos ou compromissos gravosos
seus membros, com aviso para o Primeiro Secretário do Senado Federal, (Constituição, art. 49, I);
juntando cópia da medida provisória, autenticada pela Coordenação de – pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis às
Documentação da Presidência da República. operações e prestações interestaduais e de exportação
(Constituição, art. 155, § 2o, IV);
c)indicação de autoridades. – proposta de fixação de limites globais para o
As mensagens que submetem ao Senado Federal a indicação de montante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI);
pessoas para ocuparem determinados cargos (magistrados dos – pedido de autorização para operações financeiras
Tribunais Superiores, Ministros do TCU, Presidentes e Diretores do externas
Banco Central, Procurador-Geral da República, Chefes de Missão (Constituição, art. 52, V); e outros.
Diplomática, etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, incisos Entre as mensagens menos comuns estão as de:
III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência privativa
– convocação extraordinária do Congresso Nacional
para aprovar a indicação. O curriculum vitae do indicado, devidamente
(Constituição, art. 57, § 6o);
assinado, acompanha a mensagem.
– pedido de autorização para exonerar o Procurador-
Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2o);
d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-
– pedido de autorização para declarar guerra e
Presidente da República se ausentarem do País por mais de 15 dias.
decretar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. 49, III, e 83),
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a
e a autorização é da competência privativa do Congresso Nacional. O
paz
Presidente da República, tradicionalmente, por cortesia, quando a
(Constituição, art. 84, XX);
ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada
Casa do Congresso, enviando-lhes mensagens idênticas. – justificativa para decretação do estado de defesa ou
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4o);
– pedido de autorização para decretar o estado de sítio
e) encaminhamento de atos de concessão e renovação
(Constituição, art. 137);
de concessão de emissoras de rádio e TV. A obrigação de submeter
tais atos à apreciação do Congresso Nacional consta no inciso XII do – relato das medidas praticadas na vigência do estado
artigo 49 da Constituição. Somente produzirão efeitos legais a de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo único);
outorga ou renovação da concessão após deliberação do Congresso – proposta de modificação de projetos de leis
Nacional (Constituição, art. 223, § 3o). Descabe pedir na mensagem financeiras
a urgência prevista no art. 64 da Constituição, porquanto o § 1o do (Constituição, art. 166, § 5o);
art. 223 já define o prazo da tramitação. Além do ato de outorga ou – pedido de autorização para utilizar recursos que
renovação, acompanha a mensagem o correspondente processo ficarem sem despesas correspondentes, em decorrência de
administrativo. veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária
anual (Constituição, art. 166, § 8o);
f) encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior. – pedido de autorização para alienar ou conceder
O Presidente da República tem o prazo de sessenta dias após a terras públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição,
abertura da sessão legislativa para enviar ao Congresso Nacional as art. 188, § 1o); etc.
contas referentes ao exercício anterior (Constituição, art. 84, XXIV),
para exame e parecer da Comissão Mista permanente (Constituição, 5.2. Forma e Estrutura
art. 166, § 1o), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a
tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedimento As mensagens contêm:
disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno.
a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
g) mensagem de abertura da sessão legislativa. horizontalmente, no início da margem esquerda:
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre a situação do Mensagem no
País e solicitação de providências que julgar necessárias (Constituição,
art. 84, XI). O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da

6
b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e
o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da margem
esquerda;
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,

c)o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;

d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto,


e
horizontalmente fazendo coincidir seu final com a margem direita.

A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da


República, não traz identificação de seu signatário.

6
Exemplo de Mensagem

6
6.1. Definição e Finalidade 8. Correio Eletrônico

Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os 8.1 Definição e finalidade


procedimentos burocráticos, passa a receber o título de telegrama toda O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e celeridade,
comunicação oficial expedida por meio de telegrafia, telex, etc. Por transformou-se na principal forma de comunicação para transmissão de
tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos cofres públicos e documentos.
tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso do telegrama
apenas àquelas situações que não seja possível o uso de correio 8.2. Forma e Estrutura
eletrônico ou fax e que a urgência justifique sua utilização e, também em Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua
razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação deve pautar-se flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para sua
pela concisão (v. 1.4. Concisão e Clareza). estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível
com uma comunicação oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e
6.2. Forma e Estrutura Comunicações Oficiais). O campo assunto do formulário de correio
eletrônico mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura dos organização documental tanto do destinatário quanto do remetente.
formulários disponíveis nas agências dos Correios e em seu sítio na Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado,
Internet. preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que encaminha
algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo.
7. Fax Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de
leitura. Caso não seja disponível, deve constar na mensagem o pedido de
7.1. Definição e Finalidade confirmação de recebimento.

O fax (forma abreviada já consagrada de fac-simile) é uma forma de 8.3 Valor documental
comunicação que está sendo menos usada devido ao desenvolvimento
da Internet. É utilizado para a transmissão de mensagens urgentes e para Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio
o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há premência, eletrônico tenha valor documental, i. é, para que possa ser aceito como
quando não há condições de envio do documento por meio eletrônico. documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a
Quando necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na identidade do remetente, na forma estabelecida em lei.
forma de praxe. Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia
xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos modelos, se Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm
deteriora rapidamente.

7.2. Forma e Estrutura


8. Técnicas de atendimento ao público.
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que
lhes são inerentes. É conveniente o envio, juntamente com o documento
principal, de folha de rosto, i. é., de pequeno formulário com os dados de
identificação da mensagem a ser enviada, conforme exemplo a seguir:
Atendimento Público ao Cidadão6
[Órgão Expedidor]
[Setor do órgão expedidor] Ao longo da história foi mostrado que os gregos, há mais de 2.500
[Endereço do órgão expedidor] anos, geravam desenvolviam conhecimentos em áreas como filosofia,
_____________________________________________________________________________ matemática, geometria, música, etc. O apogeu da civilização grega
Destinatário:_____________________________________________________________ começa a perder seu brilho a partir do século II a.C, quando os gregos
No do fax de foram submetidos à República Romana. Como pode um povo tão
destino:_________________________________________ desenvolvido como os gregos ser dominado pelos incultos romanos?
Data:_______/_______/____ Sabe-se hoje que os romanos exerceram seu poder sobre grande parte
Remetente:______________________________________________________________ da Europa durante mais de 700 anos, graças a uma organização militar
Tel. p/ contato:_____________________ Fax/correio muito eficaz e, especialmente, a um serviço público muito competente.
eletrônico:_____________________________ Os gregos, embora tivessem também exércitos poderosos, não
No de páginas: esta +___________________No dispunham de uma estrutura administrativa que lhes desse suporte. A
do sociedade grega era desenvolvida, mas não se constituiu em um Estado
documento:_____________________________ forte e organizado. Sociedade não pode ser confundida com Estado.
Observações:_____________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ Uma vez que as comunidades humanas aumentaram e ampliaram o
_________________________________________________________________________________ número de participantes, os homens sentiram a necessidade de uma

6 df?sequence=1&isAllowed=y

http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/handle/1/1685/M%C3%B3dulo_1.p

63
método mais elaborado de organização das relações entre seus tempestividade e suficiência, as demandas de informação, produtos ou
membros. Para esse fim, surgiu o Estado, uma organização constituída serviços por ele apresentadas.
por um governo e um quadro administrativo. Para o governo, coube Tempestividade: atender no prazo é muito importante hoje. As
exercer o poder político. Quanto ao quadro administrativo, coube pessoas estão sempre com pressa, pois somos todos escravos do tempo.
organizar a estrutura do Estado e atender o cidadão, em seu No passado, tempestividade não era valor no atendimento.
relacionamento com as diversas facetas desse Estado, por isso chamado Suficiência: o atendimento para ser bom deve ser completo. Não
de serviço público. Há, portanto, em primeiro lugar, a sociedade. Depois pode ficar faltando informação ou alguma etapa do serviço. Preste
vem o Estado, que compreende o governo em conjunto ao serviço atenção: suficiência não significa ir além, mas sim fazer tudo e apenas o
público. O Estado foi concebido para atender necessidades da sociedade. que é necessário para atender a demanda do cidadão.
É a sociedade que estabelece os limites e as condicionantes para o
exercício do poder por parte do Estado. Você está certo, portanto, se pensar atendimento e tratamento de
forma integrada. São duas ações que se complementam para compor o
Uma pessoa ao procurar uma repartição pública, é um atendimento de excelência.
cidadãousuário e não um cliente-consumidor. O cliente existe quando
vamos a uma loja comprar produtos, ou a um banco fazer um depósito Nem sempre é fácil analisar onde termina o tratamento e começa o
ou um saque em conta corrente. No serviço público nós somos todos atendimento.
cidadãos em busca de atendimento. É importante saber no trabalho de atendimento ao cidadão, qual
atividade se refere a atendimento e qual se refere a tratamento.
Um servidor não deve ser confundido com serviçal. O nome Muitos usuários valorizam por demais um bom tratamento e acabam
“servidor” para o detentor de um cargo público tem como objetivo aceitando com tranquilidade quando não são atendidos. Outros, ao
reforçar a ideia de que a missão desse profissional é prestar serviço e contrário, quando procuram um órgão público, querem ser plenamente
oferecer atendimento ao cidadão. Essa é uma relação diferente daquela atendidos em sua demanda, não se preocupando muito com a forma
existente entre um cliente e um vendedor. O serviço público não vende como são recebidos, ou seja, com o tratamento que recebem. Existem
produtos, mas sim disponibiliza serviços para a comunidade. cidadãos que não se incomodam em ficar um longo tempo em uma fila,
desde que encontrem solução para seu problema. Eles querem ser
No cotidiano de uma sociedade, não existem muitas dificuldades para atendidos, não importando muito se irão esperar sentados ou em pé.
se identificar quando um bom ou mau atendimento ocorre. Pode ser em Tais cidadãos, porém, serão muito exigentes quanto ao atendimento
lojas, na farmácia, supermercado, banco ou qualquer instituição pública. de sua demanda. Mas há ainda usuários que dizem que foram "mal
Porém, quando é feita uma análise sobre as causas que levam a fazer uma atendidos" quando, na realidade, suas solicitações não puderam ser
avaliação positiva ou negativa do atendimento recebido, é comum atendidas por questões legais ou por outra impossibilidade. O fato é que
enumerar fatores que nem sempre dizem respeito exatamente ao serviço o indeferimento de um pedido será sempre mal recebido. O que pode
desejado ou produto adquirido. fazer o atendente nesses casos? O desconforto do usuário pode ser
Quando pensamos em “bom atendimento”, normalmente pensamos amenizado dependendo da forma como lhe é apresentada a negativa.
em atendimento cortês e gentil, e imaginamos um funcionário bem Embora este não tenha sido atendido, pelo menos foi muito bem tratado.
educado, com um sorriso. Cortesias básicas, como sorrir ou dizer “Ás suas Por isso que se diz:
ordens”, ”Por favor”, “Muito obrigado”, são indispensáveis, sim, no
contato com o usuário, mas, por si só, não garantem o bom atendimento. Visão Sistêmica do Atendimento7
Então, o que é um bom atendimento?
Dentre as várias responsabilidades, atribuições e tarefas do serviço
Imagine que você vai até uma seção de serviço público em busca de público, uma das mais nobres é dar atendimento direto e pessoal ao
um documento, uma consulta ou um simples carimbo. Ao entrar em uma cidadão, pois é nesse contato face a face que se materializa
unidade pública, é recebido com cortesia e atenção, mas não encontra o simbolicamente a principal razão de existir do Estado.
produto ou serviço que buscava. Houve aqui um bom tratamento, mas Desde o setor onde você trabalha até os escalões superiores, onde são
não foi um bom atendimento. Em uma outra ocasião, você faz o um traçadas as estratégias do órgão, o objetivo comum é garantir a
pedido e um funcionário lhe explica, educadamente, que sua solicitação satisfação do usuário do serviço público, ou seja, o cidadão.
somente poderá ser atendida dentro de uma semana e não no dia Estamos querendo dizer que, em um órgão público, qualquer que seja
seguinte, pois “houve um problema no sistema”. Mais uma vez, você a função, rotina ou procedimento do trabalho, todos os funcionários
também foi bem tratado, mas não foi bem atendido. estão sistemicamente envolvidos com o atendimento ao cidadão. O
servidor público é um agente do Estado a serviço da sociedade. E cabe a
Pare se entender o que é um bom atendimento, é necessário saber os você, responsável pelo atendimento direto e pessoal ao cidadão colocar
conceitos de atendimento e tratamento: à disposição dele os serviços demandados.
Por mais simples que possa parecer a tarefa que desempenhamos,
Atendimento Refere-se a satisfazer as demandas de informação, temos que ter em conta que ela faz parte de um todo, de um “sistema”.
produtos ou serviços apresentadas pelo cidadão. Cada função desempenhada, por mais singela que seja, vai determinar o
Tratamento refere-se respeito à forma como o usuário é recebido e sucesso do processo ou comprometê-lo.
atendido. Veja um exemplo que talvez você já tenha vivenciado: a função de
Bom atendimento trata-se de atendimento de qualidade, o que uma servidora é organizar e direcionar as pessoas para determinadas
inclui dar um bom tratamento ao cidadão e satisfazer, com filas, e faz isso com a maior cortesia e disposição possível. Coloca cada

7 df?sequence=1&isAllowed=y

http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/handle/1/1685/M%C3%B3dulo_1.p

64
pessoa na fila certa, mas, por desconhecimento ou descuido, deixa de efetividade. Essa é uma maneira singela de explicar três conceitos
informar que a prestação do serviço solicitado não poderá ser efetivada importantes em administração:
pelo atendente se essa pessoa não tiver a carteira de identidade ou o CPF,
por exemplo. Eficiência está diretamente relacionada à utilização de recursos
É bem provável que muitas pessoas ficarão na fila certa por quase como financeiros, humanos e materiais. É para conseguir mais
uma hora e, quando chegar sua vez, descobrirão que a espera foi em vão, eficiência que deve-se refletir sobre as rotinas que são desempenhadas,
pois não estão com os documentos necessários para o atendimento. sobre os fluxos de papéis e informações e sobre os funcionários
Imagine a situação daquele servidor que vai ter que dizer ao cidadão que envolvidos nas tarefas das quais as pessoas fazem parte
não poderá atendê-lo por não estar de posse dos documentos... Ocasionalmente as pessoas realizam um trabalho há muito tempo,
Para se dar um bom atendimento, é necessário que o servidor sempre da mesma maneira, e não se dão conta de que as condições
detenha conhecimento de suas funções e visualize todo o processo que ambientais mudaram e que esse trabalho pode ser feito de uma maneira
envolve o atendimento. É isso que é chamado de visão sistêmica do melhor, mais rápida, com economia de material e de tempo.
atendimento. Periodicamente, convém discutir com os colegas as rotinas de
trabalho, para ver se é possível otimizá-las. Com a eliminação de alguns
Visão sistêmica do atendimento passos, que podem ter se tornados desnecessários, e a combinação de
outros, é possível obter ganho de tempo e economia de material.
A visão sistêmica do atendimento compreende também variáveis As ações que buscam trazer eficiência ao trabalho representam ainda
além das pessoas envolvidas direta ou indiretamente nas diversas um ganho adicional: fazer de forma diferente algo que sempre fizemos
tarefas de prestação de serviços. O espaço da área de atendimento, a de uma mesma maneira torna mais interessante o nosso dia-adia.
temperatura do local, o funcionamento dos equipamentos, a Uma análise minuciosa de uma sequência de tarefas pode mostrar
acessibilidade, e até uma cadeira desconfortável devem ser que recursos financeiros, esforços físicos ou materiais podem ser
compreendidas na visão sistêmica. dispensados sem comprometer a prestação de serviço. Essa revisão de
Claro que um servidor público nem sempre é responsável por todas rotinas pode melhorar a qualidade do serviço e o resultado obtido. E
esses fatores do atendimento , mas sim que este deve ter consciência das quando falamos de resultado, estamos no âmbito da eficácia.
relações entre as atividades. Se cada um fizer bem a sua parte, o Cada servidor, em sua função, deve atingir determinado objetivo, que
resultado final será bom. é o resultado de seu trabalho. Muitas vezes esse resultado a ser atingido
O serviço público oferece um bom atendimento ao cidadão quando é expresso em metas. Atingir os resultados, cumprir as metas é ser eficaz.
todos os servidores entendem qual a finalidade maior que está por trás
de todos os papéis, carimbos, protocolos e procedimentos A eficácia é fundamental, mas é necessário sempre se questionar:
administrativos. E sabem que o resultado final dependerá do bom quais os custos dessa eficácia? Não basta atender um grande números de
funcionamento de cada parte desse conjunto. usuários em seu posto de atendimento se esse trabalho significa apenas
Quando temos visão sistêmica do atendimento, evitamos retornos fazer a fila andar rápido. O cidadão está sendo bem orientado?
desnecessários do cidadão, pois saberemos prever algum problema que Será que está recebendo todas as informações de que necessita? Está
pode eventualmente acontecer em uma etapa seguinte à análise do compreendendo o que está sendo explicado a ele?
pedido. Assim como a eficiência não pode ser o único foco, a produtividade,
ou seja, a eficácia, ainda que seja também muito importante, não pode
ser a única preocupação do servidor. Quando você prioriza a eficácia em
seu trabalho sem se preocupar com a eficiência, está assumindo que os
fins justificam os meios.
Não é uma postura adequada, especialmente no serviço público que
não pode ignorar as normas legais. Logo, o servidor, deve facilitar ao
Eficiência, Eficácia e Efetividade no Atendimento8 cidadão o acesso aos serviços públicos.
Em tal atendimento, considere a melhor utilização dos recursos
públicos em busca do aumento da produtividade. Esse aumento de
Imaginemos um time de futebol que faça jogadas corretas, passes
produtividade deve considerar o custo necessário ao desempenho da
precisos conforme os treinamentos, defesas bem colocadas, lançamentos
atividade e o benefício correspondente obtido. Aqui já entramos no
impecáveis...mas não faz gols. No campo, os jogadores fazem tudo certo,
terceiro conceito: a efetividade.
conforme orientado pelo técnico, mas não conseguem a vitória
necessária para vencerem o campeonato. Este time tem eficiência. Vamos lembrar do time de futebol de nossos sonhos, sobre o qual já
falamos: ele joga bem, faz gols e deixa a torcida feliz.
Pense agora em um time que não faz nenhum lance bonito ou que
pareça correto ou bem executado. Os jogadores fazem apenas o No atendimento, a efetividade é atingida quando você servidor
necessário para conduzir a bola até o campo do adversário. Não desempenha seu trabalho da melhor maneira possível e o cidadão recebe
conseguem produzir nenhuma jogada de destaque...mas marcam pelo um bom atendimento (incluindo aqui um bom tratamento) e fica
menos um gol, suficiente para garantir a vitória da equipe. Este time tem satisfeito com a solução dada a sua demanda.
eficácia. Efetividade não necessariamente significa que temos que conceder
Agora vamos sonhar com um time que consegue fazer o que os dois tudo o que o cidadão solicita. A efetividade estará presente também nos
times acima fizeram e algo mais: belas jogadas, gols bonitos, conseguem casos em que uma solicitação não pode ser atendida, mas o cidadão
a vitória e deixam a torcida maravilhada e feliz. Este time tem recebe de forma clara e suficiente a explicação pelo indeferimento. Nesse

8 df?sequence=1&isAllowed=y

http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/handle/1/1685/M%C3%B3dulo_1.p

65
caso, o usuário certamente volta para casa chateado, mas reconhecendo
a impossibilidade de sua demanda.
Eficiência e eficácia são possíveis de serem objetivadas. Já a
efetividade é carregada de subjetividade. Ela depende da situação do
atendimento. A efetividade de um atendimento depende menos de
normas e de metas e mais de sensibilidade do atendente. O objetivo final
14 é a satisfação do cidadão e ele é um ser único que estará vivenciando
com você uma situação também única. Para garantir a efetividade de
todas nossas ações no trabalho, devemos aplicar esta fórmula
Devido à capacitação do quadro de pessoal do funcionalismo público
brasileiro, seria possível dizer que o serviço público tem feito grandes
progressos no que diz respeito à eficiência e eficácia, mas ainda não
avançou tanto no que diz respeito à efetividade das ações. Uma boa
forma de acompanhar a qualidade, alcance e impacto do desempenho de
uma repartição e de seus atendentes é criar canais para o usuário
registrar sua percepção em relação ao atendimento recebido. As
pesquisas de satisfação do usuário constituem uma ferramenta de
gestão que ajuda muito a verificação da efetividade do serviço oferecido.

9. Relações humanas no trabalho.

As Relações Humanas entre indivíduos têm vida própria e peculiar,


que ultrapassa as características de seus componentes e se manifesta
não só na relação de um grupo com outro, mas também, e
principalmente, nas relações que os membros de um grupo mantêm
entre si.
Do ponto de vista teórico as relações humanas resultam da mútua
interação interindividual e coletiva, esta interação gera uma dinâmica
que é uma área das ciências sociais, em particular da sociologia e da
psicologia, chamada de dinâmica de grupos, esta procura aplicar
métodos científicos ao estudo dos fenômenos grupais.
Do ponto de vista aplicado ou técnico, as relações humanas são
medidas e direcionadas pela dinâmica de grupos, que é o método de
trabalho baseado na teoria do relacionamento interpessoal e intermodal.

Relações Humanas no Ambiente de Trabalho:

Relações Humanas está vinculada ao Respeito Pessoal – que


compreende promover o relacionamento profissional baseado na ética,
no respeito e no reconhecimento das diferenças de cada pessoa. Assim,
resulta-se se na melhoria no desempenho das pessoas; aumento do
orgulho pessoal em pertencer à empresa; crescimento da satisfação dos
colaboradores; maior retenção de talentos; aumento na participação no
mercado; progresso na qualidade dos serviços e atendimento; melhoria
da imagem institucional; expansão dos negócios da empresa; aumento
da eficácia organizacional; equipes mais inspiradas para superação de
metas e a motivação das pessoas em busca de objetivos.
São alguns aspectos dos treinamentos comportamentais e as regras
de boa convivência funcional e que devem ser trabalhadas com
superiores, subordinados e colegas:

http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/handle/1/1685/M%C3%B3dulo_1.p

66
Na Administração Científica, o homem era tratado como uma
·Respeitar o chefe imediato, colegas, subordinados e clientes – extensão da máquina, o conceito de “homo economicus”, cuja ideia
quem respeita, sempre será respeitado. principal é a de que a principal motivação da pessoa no trabalho é a
·Não cortar a palavra de quem fala – falar pouco e com segurança remuneração.
agrada mais aos clientes e colegas. Homem médio e homem de primeira classe: surge o estudo da
·Ser claro na comunicação – falar somente o necessário. Saber ouvir administração de operações fabris, no qual Taylor distingue o homem médio
é uma arte! do homem de primeira classe. Ao homem de primeira classe deveria ser
·Cuidar para não ferir o outro com reações agressivas – controlar selecionado para a tarefa que lhe fosse mais apropriada e incentivada
emoções é fundamental. financeiramente, pois este é altamente motivado e realiza seu trabalho sem
desperdiçar tempo nem restringir sua produção. No entanto, um homem de
·Procurar a causa das antipatias para vencê-las – conhecer a si
primeira classe pode tornar-se ineficiente se lhe faltarem incentivos ou se
mesmo e procurar ser compatível com colegas e chefia são básicos para
sofrer pressão do grupo de trabalho para diminuir a produção.
o trabalho harmonioso e rentável.
·Nunca dizer categoricamente: “Não concordo! Você está errado” –
dizer a mesma coisa com outros termos. A maneira como você diz é Na burocracia apresentada por Weber, o que conta é o cargo e não a
mais importante do que aquilo que você diz. pessoa, por isso devia-se evitar lidar com as emoções e as irracionalidades
humanas. As pessoas devem ser promovidas por mérito, e não por ligações
·Aprender a enaltecer as qualidades positivas das pessoas, através
afetivas. A autoridade decorre do cargo ocupado e não da pessoa.
do elogio – esta é a melhor arma para quem quer conquistar e cativar
amigos.
Foi só na Escola das Relações Humanas, com o Estudo de Hawthorne que
·Usar normas de etiqueta social, aplicando-as corretamente como:
o indivíduo começou a ser visto como pessoas que agem como membros de
dizer obrigada, por favor, com licença etc.
um grupo. Quando a administração trata bem os funcionários, o
·Ter sempre um semblante alegre e sorridente – o sorriso contagia
desempenho do grupo tende a ser positivo. A administração deve observar o
favoravelmente o ambiente. A simpatia atrai amizades.
comportamento dos grupos, e tratar os funcionários de forma coletiva, ao
·Mostrar interesse pelos outros – as pessoas gostam de receber incentivar o trabalho em equipe.
atenção. Amigos sim; íntimos não!
·Dar importância ao outro, por mais humilde que seja – valorizar
Dessa forma, as pessoas são dotadas de conhecimentos, habilidades e
cada pessoa é uma questão de respeito.
atitudes, que variam de pessoa para pessoa, de acordo com sua formação,
·Lembrar sempre que ninguém nasce sabendo – aprender é experiências e oportunidades. Nas organizações, os indivíduos se
descobrir as suas próprias ignorâncias; dialogar uma arte! relacionam. Elton Mayo identificou dois tipos de organização, a formal e
·Gostar do que faz é gostar de si. Gostar do outro e amar seu informal.
trabalho são ingredientes de sucesso nas relações humanas.
Organização formal: é a organização formalizada por meio de normas
Relações indivíduo/organização9 e regulamentos escritos e detalhados, com desenho de cargos, ou seja, a
especificação dos requisitos e atribuições relativos ao cargo, os cargos
Antes de apresentarmos as relações entre organização e indivíduo, seguem uma estrutura hierárquica ou linha de comando, que atua
vamos conceituar cada um separadamente: organizando as pessoas e os recursos a fim de alcançar determinados
objetivos. Na organização formal, as rotina de trabalho e os procedimentos
Organização são formalizados, de forma que os funcionários saibam como exercer suas
tarefas.
Uma organização é uma coletividade com uma fronteira
relativamente identificável, uma ordem normativa (regras), níveis de Organização informal: diferente da organização formal, que é criada
autoridade (hierarquia), sistemas de comunicação e sistemas de para atingir os objetivos da empresa, a organização informal não possui
coordenação dos membros (procedimentos); essa coletividade existe em normas e regulamentos formais. A organização informal nasce dos
uma base relativamente contínua, está inserida em um ambiente e toma relacionamentos das pessoas que possuem interesses em comum ou que
parte de atividades que normalmente se encontram relacionadas a um compartilham valores semelhantes. A convivência dos funcionários
conjunto de metas; as atividades acarretam consequências para os distribuídos nos diversos níveis hierárquicos revelam amizades e
membros da organização, para a própria organização e para a diferenças entre as pessoas. A organização informal serve para atender às
sociedade10. necessidades de sociais, de relacionamento das pessoas. Por exemplo: a
turma do cafezinho, o pessoal do futebol de sábado, o pessoal do barzinho,
Simplificando, uma organização é um sistema composto por uma etc.
coletividade de recursos como pessoas, informações, conhecimento,
instalações, dinheiro, tempo, espaço, entre outros. As pessoas são os Assim, com a integração, o que as organizações têm a ganhar é o maior
recursos mais importantes, pois são os recursos humanos que aproveitamento da energia humana de que dispõem. E, porque o processo de
processam os demais recursos buscando realizar objetivos. A integração implica cessão de ambas as partes, o problema que se apresenta
administração é o processo de tomar decisões que faz com que as ao autor, e que é explorado, é a compreensão das mudanças que a
organizações sejam capazes de utilizar corretamente seus recursos organização e o indivíduo terão que sofrer para alcançar a maior energia
para atingir seus objetivos. no esforço produtivo. No pressuposto do autor, as bases para o maior
aproveitamento da energia humana, vale dizer: para a eficiência, residem
Indivíduo na própria incompatibilidade que há entre os objetivos organizacionais e
Os indivíduos são as pessoas. O modelo de gestão por competências interesses individuais. A vivência em grupo (e os objetivos deste) impõe a
apresenta que as pessoas são indivíduos dotados de Conhecimentos, organização e a institucionalização do trabalho, que cria papéis e padrões
Habilidades e Atitudes. esperados de desempenho e comportamentos, estabelecendo uma teia de
No entanto, sabemos que nem sempre a administração enxergou as relações que podem ser de mando, de lealdade, de confiança, de cooperação,
pessoas desse modo... servidão, e assim por diante, e posicionando as pessoas em relação a si
próprias e em relação aos outros. Nesse sentido, o exercício da atividade
profissional não apenas expressa a singularidade do indivíduo, resultado das

9 Lacombe, B. B. A Relação Indivíduo-Organização: é Possível não se ORGANIZACIONAIS, Recife. Anais... Recife: Observatório da Realidade
Identificar com a Organização? In: ENCONTRO DE ESTUDOS Organizacional: PROPAD/UFPE: ANPAD, 2002. 1 CD.
10 HALL, R. H. Organizações: estruturas, processos e resultados. Pearson, 2004.

6
suas escolhas, mas também o posiciona no seu grupo social. A sua mobilidade (A) educação básica obrigatória e gratuita dos seis aos
manifesta o desenvolvimento de suas habilidades e a valorização de sua quatorze anos de idade;
atividade em relação ao seu grupo11. (B) educação infantil e ensino fundamental obrigatórios e
gratuitos; (C) ensino fundamental e ensino médio obrigatórios e
gratuitos;
(D) educação básica obrigatória e gratuita a todos que
Questões desejarem cursá-la;
(E) educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos
dezessete anos de idade.

04. (Prefeitura de Campo Verde/MT- Professor- Ciências-


01. (SEAP/DF- Professor- IBFC/2013) De acordo com o que
Consulplan/2013) Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
disserta a Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, LDB nº. 9394/96, em relação às escolas que oferecem a
Brasileira (LDB), julgue os itens a seguir:
Educação Básica, analise:
I. A LDB reconhece que a educação abrange os processos
I. O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais,
formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência
inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de
humana, no trabalho, nas instituições de ensino, nos movimentos
ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto em lei.
sociais e nas manifestações culturais. Por isso, a lei disserta,
II. A carga horária mínima anual será de oitocentas horas
expressamente, que a educação escolar deverá vincular-se ao mundo
distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar,
do trabalho e à prática social.
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.
II. A educação básica é obrigatória e gratuita dos 6 anos aos 17 anos
III. A classificação em qualquer série ou etapa pode ser feita por
de idade, organizada da seguinte forma: pré-escola, ensino
promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou a
fundamental e ensino médio. Sendo a educação infantil gratuita às
fase anterior, na própria escola: por transferência, para candidatos
crianças de até 6 anos de idade. III. O atendimento ao educando é
procedentes de outras escolas.
previsto, em todas as etapas da educação básica, por meio de
IV. O controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o
programas suplementares de material didático-escolar e alimentação.
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino,
Transporte e assistência à saúde não estão expressamente previstos na
exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas
LDB 9394/96, sendo deixados à lei ordinária.
letivas para aprovação.
III. O atendimento ao educando é previsto, em todas as
Estão corretas apenas as afirmativas:
etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de
material didático-escolar e alimentação. Transporte e assistência à (A) I, II, III
saúde não estão expressamente previstos na LDB 9394/96, sendo (B) I, III, IV
deixados à lei ordinária. (C) II, III, IV
IV.É garantida a vaga na escola pública de educação infantil ou de (D) I, II, IV
ensino fundamental mais próxima da residência a toda criança a partir (E) I, II, III, IV
do dia em que completar 4 anos de idade.
V. É garantido acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e 05. (TSE- Analista Judiciário- Pedagogia- Consulplan/2014)
médio para todos os que não os concluíram na idade própria, porém Segundo o art. 9º inciso IV da LDB 9394/96, a incumbência de traçar um
vedado acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da conjunto de diretrizes capaz de nortear os currículos e os seus conteúdos
criação artística, segundo a capacidade de cada um. mínimos, reforçando a necessidade de se propiciar a todos a formação
É correto o que afirma em: básica comum é
(A) I, II e III, apenas. (A) dos Municípios em colaboração com o Conselho Municipal de
(B) I e IV, apenas. Educação.
(C) II, III e V, apenas. (B) da União em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os
(D) I, IV e V, apenas. Municípios.
(C) dos Estados em colaboração com os Municípios.
02. É correto afirmar, conforme artigo 24, inciso V da LDB, que a (D) dos Conselhos de Educação em regime de colaboração com os
verificação do rendimento escolar expressa uma ênfase na (A) Estados e a União.
classificação dos estudantes de acordo com suas notas.
(B) reprovação e aprovação nos diferentes níveis de 06. (SEDUC –AM- Pedagogo- FGV/2014) As opções a seguir
ensino. apresentam destaques da Lei nº 9394/96, à exceção de uma. Assinale-a.
(C) evasão e retenção dos estudantes nos diferentes anos (A) Flexibilidade do currículo – permite a incorporação de
de escolaridade. disciplinas considerando o contexto e a clientela.
(D) promoção dos estudantes ao longo dos níveis de (B) Educação Artística e Ensino Religioso – disciplinas obrigatórias
ensino. no Ensino Básico.
(C) Jornada escolar no Ensino Fundamental – pelo menos quatro
03. (TJ/GO- Analista Judiciário- Pedagogia- FGV/2014) A horas em sala de aula.
educação escolar, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da (D) Educação Profissional – constitui um curso independente do
Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96, é dever da família e do Ensino Médio.
Estado. (E) Educação organizada em dois níveis – Educação Básica e
Cabe ao Estado garantir, a partir da nova redação do Art. 4º da LDB Educação Superior.
instituída pela Lei nº 12.796, de 2013:

11 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034

75901976000200008&script=sci_arttext

6
07. (IF-SP- Professor- Biologia- IF-SP/2015) Segundo a Lei nº 9394, Segundo a autora, o projeto político-pedagógico, comprometido
de 1996, a respeito do tema “diplomas", é incorreto afirmar que: com uma educação democrática e de qualidade, caracteriza- se
(A) Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível fundamentalmente como:
médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao (A) atividades articuladas, com temas selecionados
prosseguimento de estudos na educação superior. semestralmente
(B) Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando (B) planejamento global, com conteúdos selecionados por série
registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por (C) ação intencional, com compromisso definido coletivamente
seu titular. (D) plano anual, com objetivos definidos pelos professores
(C) Os diplomas de graduação expedidos por universidades (E) instrumento técnico, com definição metodológica
estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos 12. (FCC/TRE-AL – Técnico Judiciário – Área
internacionais de reciprocidade ou equiparação. Administrativa/2010) Relatório, relatório de viagem, rascunho, filme
(D) Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por e livro são, respectivamente, exemplos de:
universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por
universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e (A) gênero, formato, suporte, espécie e tipo;
avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou (B) forma, formato, gênero, tipo e espécie;
superior.
(C) suporte, formato, espécie, gênero e tipo; (D) espécie,
(E) Os diplomas expedidos pelas universidades e aqueles conferidos tipo, forma, suporte e formato; (E) tipo, espécie, formato, suporte
por instituições não-universitárias serão registrados pelo Conselho e gênero.
Nacional de Educação.
13. (Consulplan/TSE – Técnico Judiciário/2012) “Boletim de
08. (INSS- Analista Pedagogia- FUNRIO/2014) Segundo o artigo 24 ocorrência e certidão de nascimento configuram-se como exemplos de
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394 de 1996, em seu ____________ documental.” Assinale a alternativa que completa
inciso VI, o controle de frequência dos alunos ficará a cargo da corretamente a afirmativa anterior.
(A) secretaria de ensino municipal, conforme o disposto no (A) forma;
seu regimento, e exigida a frequência mínima de setenta e cinco por
(B) espécie;
cento do total de horas letivas para aprovação.
(C) formato;
(D) tipo
(B) secretaria de ensino estadual, conforme o disposto no
seu regulamento, e exigida a frequência mínima de setenta e cinco por
14. (FCC/TRE/SP – Técnico Judiciário/2012) De acordo com o
cento do total de horas letivas para aprovação.
gênero, os documentos de arquivo podem ser identificados como:
(C) escola, conforme o disposto no seu regimento e nas
(A) técnicos, administrativos, culturais e históricos;
normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima
(B) masculinos, femininos e neutros;
de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação.
(C) pessoais, institucionais, públicos e privados;
(D) escola, conforme o disposto no seu regimento, e exigida
(D) textuais, iconográficos, sonoros e audiovisuais;
a frequência mínima de oitenta e cinco por cento do total de horas
letivas para aprovação. (E) correntes, centrais, intermediários e permanentes
(E) secretaria de educação básica do MEC, conforme o
disposto em regimento federal, e exigida a frequência mínima de 15. (CRF/RJ – Agente Administrativo – Quadrix/2015) Um acervo
oitenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. exige um arquivamento adequado que viabilize a localização dos
documentos. Quando o documento é acondicionamento em seu local de
09. (SEDUC-RO - Professor – História – FUNCAB/2013) Quanto guarda (pasta, gaveta ou caixa), o arquivamento pode ser feito de forma
ao Projeto Político-Pedagógico, é INCORRETO afirmar que ele: horizontal ou vertical. Sobre o arquivamento horizontal, leia as
afirmativas.
(A) deve ser democrático.
(B) precisa ser construído coletivamente.
I. É indicado para documentos de grandes dimensões, como
(C) confere identidade à escola.
mapas, plantas e papéis de grandes dimensões.
(D) explicita a intencionalidade da escola.
II. Nesse arquivamento, os documentos são arquivados lado a lado.
(E) mostra-se abrangente e imutável.
III. É o mais comum, sendo largamente adotado nos arquivos
correntes e intermediários, onde o acondicionamento é feito em caixas ou
10. (ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de
pastas suspensas.
Pedagogia CESPE/2010) Julgue os itens a seguir, relativos a projeto
Está correto o que se afirma em:
políticopedagógico, que, nas instituições, pode ser considerado processo
de permanente reflexão e discussão a respeito dos problemas da (A) I, somente.
organização, com o propósito de propor soluções que viabilizem a (B) I e II, somente.
efetivação dos objetivos almejados. (C) III, somente.
Os pressupostos que norteiam o projeto político-pedagógico estão (D) II e III, somente.
desvinculados da proposta de gestão democrática. (E) todas.
(...) Certo
(...) Errado 16. (CEMIG-TELECOM – Analista Administrativo Jr. –
FRAMINAS/2014) A organização de arquivos consiste, em qualquer
11. (Prefeitura de Palmas - TO - Professor - Língua instituição, no desenvolvimento de determinadas etapas de trabalho.
Espanhola – FDC/2010) “O projeto político-pedagógico antecipa um
futuro diferente do presente. Não é algo que é construído e arquivado A etapa que se inicia pelo exame dos estatutos, regimentos,
como prova do cumprimento de tarefas burocráticas.” regulamentos, normas, organogramas e demais documentos que
(Ilma Passos) compõem a instituição mantenedora do arquivo é (A)
Análise de dados coletados.
(B) Planejamento.
(C) Implantação e acompanhamento.

6
(D) Levantamento de dados 24. (Pref. Miguel Pereira – Secretário Escolar - FUNCAB/2013)
Quais são as etapas relacionadas à matrícula?
17. (SURG – Auxiliar Administrativo – CONSULPAM/2014) A (A) Organização e processamento.
Organização de Documentos e Arquivos é um serviço que tem como (B) Estabelecimento de vagas e preenchimento de vagas.
FINALIDADE principal: (C) Divulgação do calendário de matrícula e arquivamento
(A) Buscar meios de engavetar a papelada e agilizar o atendimento dos documentos.
das pendências. (D) Preenchimento de formulários e guarda das
(B) Retirar os documentos das mesas dos profissionais e colocá-los documentações.
em um arquivo, com o intuito de diminuir a documentação exposta.
(C) Criar uma técnica de incineração para diminuir a papelada. 25. (Pref. Miguel Pereira – Secretário Escolar - FUNCAB/2013)
(D) Criar instrumentos de controle e monitoramento do O documento de correspondência interna da escola, utilizado como
armazenamento e tráfego de documentos nas empresas, por intermédio recurso para dar instruções relativas à execução de tarefas
da implantação de técnicas e metodologias de organização e denominase:
gerenciamento de arquivos. (A) ofício
(B) requerimento
18. A respeito de digitalização e microfilmagem aplicada aos arquivos, (C) memorando
julgue os itens que se seguem. (D) ordem de serviço
O processo de microfilmagem de documentos arquivísticos deve
adotar símbolos ISO nas sinaléticas. 26. Analise:
(...) Certo
(...) Errado 1. Atendendo à solicitação contida no expediente acima referido,
vimos encaminhar a V. Sª. As informações referentes ao andamento dos
19. Pode-se eliminar documentos arquivísticos submetidos a serviços sob responsabilidade deste setor.
processos de digitalização mesmo que a eliminação não esteja prevista na 2. Esclarecemos que estão sendo tomadas todas as medidas
tabela de temporalidade de documentos. necessárias para o cumprimento dos prazos estipulados e o atingimento
(...) Certo das metas estabelecidas.
(...) Errado
A redação do documento acima indica tratar-se
20. Com relação aos sistemas informatizados de gestão arquivística (A) do encaminhamento de uma ata.
de documentos (SIGAD) e à microfilmagem de documentos, julgue o item (B) do início de um requerimento.
a seguir. (C) de trecho do corpo de um ofício.
De acordo com a legislação em vigor, o original do documento (D) da introdução de um relatório.
permanente microfilmado não pode ser eliminado. (E) do fecho de um memorando.
(...) Certo
(...) Errado 27. A redação inteiramente apropriada e correta de um documento
oficial é:
(A) Estamos encaminhando à Vossa Senhoria algumas
21. Conforme estabelece o Decreto nº 1.799, de 30 de janeiro de reivindicações, e esperamos poder estar sendo recebidos em vosso
1996, assinale, entre os elementos a seguir, aquele que não consta na gabinete para discutir nossos problemas salariais.
imagem de abertura de uma série de documentos microfilmados. (B) O texto ora aprovado em sessão extraordinária prevê a
(A) Identificação do detentor dos documentos a serem redistribuição de pessoal especializado em serviços gerais para os
microfilmados. departamentos que foram recentemente criados.
(B) Local e data da microfilmagem. (C) Estou encaminhando a presença de V. Sª. Este jovem, muito
(C) Registro no Ministério da Justiça. inteligente e esperto, que lhe vai resolver os problemas do sistema de
(D) Identificação do equipamento utilizado, da unidade informatização de seu gabinete.
filmadora e do grau de redução. (D) Quando se procurou resolver os problemas de pessoal aqui neste
(E) Menção, quando for o caso, de que a série de departamento, faltaram um número grande de servidores para os
documentos microfilmados continua em microfilme posterior. andamentos do serviço.
(E) Do nosso ponto de vista pessoal, fica difícil vos informar de quais
22. Para que os documentos de um acervo arquivístico possam ser providências vão ser tomadas para resolver essa confusão que foi criado
microfilmados, é necessário que, além de estarem higienizados: pelos manifestantes.
(A) possuam as mesmas dimensões;
(B) possuam um mesmo assunto; 28. A frase cuja redação está inteiramente correta e apropriada para
(C) estejam devidamente organizados; (D) estejam fora de uma correspondência oficial é:
uso corrente; (E) não possuam mais valor de uso. (A) É com muito prazer que encaminho à V. Exª. Os convites para a
reunião de gala deste Conselho, em que se fará homenagens a todos os
23. (Pref. Miguel Pereira – Secretário Escolar - FUNCAB/2013) ilustres membros dessa diretoria, importantíssima na execução dos
No final do ano, o secretário de uma escola resolveu fazer uma nossos serviços.
arrumação nos arquivos e diante de várias pastas, resolveu agrupá-las (B) Por determinação hoje de nosso Excelentíssimo Chefe do Setor,
por ordenação, segundo indicações do Conselho Nacional de Educação. nos dirigimos a todos os de vosso gabinete, para informar de que as
Assim, o secretário adotou que nomenclatura para cada arquivo medidas de austeridade recomendadas por V. Sa. já estão sendo tomadas,
organizado? para evitar-se os atrasos dos prazos.
(A) Arquivo dinâmico e arquivo em memória. (C) Estamos encaminhando a V. Sa. os resultados a que chegaram
(B) Arquivo vivo e arquivo morto. nossos analistas sobre as condições de funcionamento deste setor, bem
como as providências a serem tomadas para a consecução dos serviços e
(C) Arquivo permanente e arquivo estático.
o cumprimento dos prazos estipulados.
(D) Arquivo núcleo e arquivo em movimento.
(D) As ordens expressas a todos os funcionários é de que se possa
estar tomando as medidas mais do que importantes para tornar nosso

7
departamento mais eficiente, na agilização dos trâmites legais dos alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou a fase anterior,
documentos que passam por aqui. na própria escola: por transferência, para candidatos procedentes de
(E) Peço com todo o respeito a V. Exª, que tomeis providências outras escolas.
cabíveis para vir novos funcionários para esse nosso setor, que se
encontra em condições difíceis de agilizar todos os documentos que 05. Resposta: B.
precisamos enviar. De acordo com a referida Lei, a União com a colaboração com os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem traçar um conjunto
29. A respeito dos padrões de redação de um ofício, é INCORRETO de diretrizes capaz de nortear os currículos e os seus conteúdos
afirmar que: mínimos, reforçando a necessidade de se propiciar a todos a formação
(A) Deve conter o número do expediente, seguido da sigla do órgão básica comum, ou seja, para elaboração das diretrizes que devem
que o expede. nortear os currículos a União junto com os Estados, Distrito Federal e
(B) Deve conter, no início, com alinhamento à direita, o local de onde Municípios devem elabora-las.
é expedido e a data em que foi assinado.
(C) Deverá constar, resumidamente, o teor do assunto do 06. Resposta B.
documento. De acordo com o Art.33 da LDB, ela diz, que o ensino religioso, de
(D) O texto deve ser redigido em linguagem clara e direta, matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do
respeitando-se a formalidade que deve haver nos expedientes oficiais. cidadão.... Cabe aos pais decidir se os filhos vão ou não frequentar as
(E) O fecho deverá caracterizar-se pela polidez, como por exemplo: aulas.
Agradeço a V. Sª. A atenção dispensada.
07. Resposta E.
30. (ANP – Técnico Administrativo – CESGRANRIO/2016) Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando
registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida
Segundo manuais como o Manual de Redação da Presidência da por seu titular.
República, avisos, ofícios e memorandos expedidos pelo órgão público § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas
devem conter oito partes. próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições
Constitui parte dispensável desses três tipos de expediente o(s) nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo
seguinte(s) dado(s): Conselho Nacional de Educação.
a) tipo de expediente, complementado pela identificação de quem o § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades
expede. estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
b) local e data em que foi expedido. curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos
c) identificação do signatário por intermédio de RG e CPF. internacionais de reciprocidade ou equiparação.
d) assunto, com a indicação do teor do documento. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por
e) nome do destinatário. universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por
universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e
avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou
Respostas
superior.
01. Resposta: B.
08. Resposta C.
Errada: II. A educação básica é obrigatória e gratuita dos 4 anos (e não
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o
dos 6 anos como escrito na afirmativa) aos 17 anos de idade, organizada
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de
da seguinte forma: pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. Sendo
ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do
a educação infantil gratuita às crianças de até 5 anos de idade (e não 6
total de horas letivas para aprovação.
como afirmado).
09. Resposta: E
Errada: III. O atendimento ao educando é previsto, em todas as O currículo formal é mais estático - por ser um conjunto de
etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de proposições educacionais legais a serem atingidas -, o PPP deve ser
material didático-escolar e alimentação, transporte e assistência à
dinâmico, mutável, vivo e, portanto, contraditório."
saúde (estão, sim, expressos na referida lei)
Errada: V. É garantido acesso público e gratuito aos ensinos
10. Resposta: E (Errado)
fundamental e médio para todos os que não os concluíram na idade
A construção do PPP é responsabilidade de toda a comunidade escolar.
própria, e também o acesso aos níveis mais elevados do ensino, da
Portanto, a afirmativa é errada.
pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.
11. Resposta: C
02. Resposta: D.
Gadotti (2001), relata que a palavra projeto vem do verbo projetar,
A ênfase é na promoção dos alunos ao longo dos níveis de ensino
lançar-se para frente, dando sempre a ideia de movimento, de mudança. A
de acordo com a verificação da aprendizagem, possibilitando o avanço
sua origem etimológica, como explica Veiga (2001), vem confirmar essa
nos cursos e nas series mediante a verificação do aprendizado
forma de entender o termo projeto que "vem do latim projectu, particípio
adquirido.
passado do verbo projecere, que significa lançar a diante". Na definição de
Alvaréz (1998) o projeto representa o laço entre presente e futuro, sendo
03. Resposta: E.
ele a marca da passagem do presente para o futuro. Para Fagundes (1999),
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será o projeto é uma atividade natural e intencional que o ser humano utiliza
efetivado mediante a garantia de: para procurar solucionar problemas e construir conhecimentos. Alvaréz,
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 por sua vez, afirma que, no mundo contemporâneo, o projeto é a mola do
(dezessete) anos de idade. dinamismo, se tomando em instrumento indispensável de ação e
transformação.
04. Resposta: D. Boutinet (2002), explica que o termo projeto teve seu reconhecimento
Errada: III. A classificação em qualquer série ou etapa (exceto a no final XVII e a primeira tentativa de formalização de um projeto foi
primeira do ensino fundamental) pode ser feita por promoção, para através da criação arquitetônica, com o sentido semelhante ao que nele se

7
reconhece atualmente, apesar da marca do pensamento medieval "no qual 18. Resposta: Certo.
o presente pretende ser a reatualização de um passado considerado como De acordo com a Resolução no 10 do Conselho Nacional de
jamais decorrido". Arquivos (CONARQ), a questão está correta. A microfilmagem dos
Na tentativa de uma síntese, pode-se dizer que a palavra projeto faz documentos arquivísticos passou a ser realizada dentro dos padrões e
referência a ideia de frentes de um projetar, lançar para, a ação intencional normas internacionais (ISO).
e sistemática, onde estejam presentes: a utopia concreta/confiança, a Sinaléticas são símbolos (figuras) utilizados na microfilmagem de
ruptura/continuidade e o instituinte/instituído. Segundo Gadotti, todo documentos, refletindo a situação do documento microfilmado. Por
projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar exemplo, se o original estiver ilegável, existe um símbolo com este
significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar significado.
um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de
promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. 19. Resposta: Errado.
Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente A microfilmagem tem validade legal. Quanto à digitalização, ela não
determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação é totalmente aceita pela legislação vigente em nosso país. Por essa
possível, comprometendo seus atores e autores. razão, os documentos originais (em suporte de papel) devem ser
guardados por um determinado tempo (caso tenham prazo
12. Resposta: D. prescricional), ou preservados para sempre (caso tenham valor
A questão apresenta uma relação de exemplos e pergunta ao candidato permanente), mesmo que tenham sido digitalizados.
qual é a alternativa que corresponde corretamente a esses itens, em
termos respectivos. De acordo com a classificação dos arquivos, sabemos 20. Resposta: Certo.
que relatório é exemplo de espécie, relatório de viagem é exemplo de tipo De acordo com a Lei nº 5.433/1968, art. 2º (regula a microfilmagem
documental, rascunho é forma, filme é suporte e livro, por fim, é exemplo de documentos oficiais e dá outras providências), e o Decreto no
de formato. Portanto a alternativa correta é a contida na letra d. 1.799/1996, art. 13 (regulamenta a Lei no 5.433/1968), os
documentos de valor permanente ou histórico nunca poderão ser
13. Resposta: D. eliminados, mesmo que tenham sido microfilmados. Preserva-se o
Esta questão versa sobre o estudo da tipologia documental. Observe documento original.
que, como estudamos, o tipo documental se constitui a partir da espécie
documental. Portanto, “boletim” e “certidão” são exemplos de espécie 21. Resposta: E.
documental, sendo que “boletim de ocorrência” e “certidão de Alternativa E está se referindo ao documentos microfilmados. E de
nascimento” são considerados tipos documentais, objeto da letra d, visto acordo com o Decreto no 1.799/1996, art. 7º, inciso VI, um dos
que há a junção da função geradora do documento à espécie documental. elementos constantes na imagem de abertura dos documentos
Assim, a letra d está correta. Nunca é demais lembrarmos que cópia, microfilmados é o seguinte: VI - menção, quando for o caso, de que a
original, minuta, rascunho e esboço são exemplos da alternativa a, que se série de documentos a serem microfilmados é continuação da série
refere à forma dos documentos arquivísticos, diferentemente do formato contida em microfilme anterior.
– objeto da letra c –, que possui como exemplos: livro, caderno, códice e
microficha. 22. Resposta: C
A microfilmagem não elimina o prévio tratamento da
14. Resposta: D. documentação (preparo): retirar grampos e clipes, desamassar todos
O gênero refere-se ao modo pelo qual os dados e informações estão os documentos, definir o arranjo (organização) da documentação,
registrados no suporte documental. Quanto ao gênero, os documentos entre outros procedimentos.
podem ser textuais, iconográficos, sonoros, filmográficos, audiovisuais,
cartográficos, micrográficos e informáticos. Nesse sentido, a letra d é a 23. Resposta: B.
alternativa que representa a resposta correta. Arquivo “VIVO”, de utilização corrente e passível de assentamentos,
referente aos alunos com escolarização em processo na instituição;
15. Resposta: A. - Arquivo “MORTO”, insuscetível de escrituração e referente aos
O arquivamento horizontal consiste na disposição dos documentos alunos que concluíram curso e aos alunos que não chegaram a concluir
uns sobre os outros e arquivados em caixas ou estantes (nos arquivos curso na própria instituição, tendo estes últimos sido transferidos ou
permanentes) e também em escaninhos (para documentos do gênero não.
cartográfico: mapas, plantas).
24. Resposta: A.
O trabalho relacionado com a matrícula pode ser dividido em duas
16. Resposta: D. etapas: organização e processamento:
O levantamento da produção documental pode ser realizado por - Organização: momento de planejar a matrícula:
meio de questionários, observações e entrevistas nos locais de 1. Estabelecer o número de vagas por série, ciclo, nível, turma,
trabalho. Ressalta-se aqui a importância de e conhecer a legislação turno e modalidades, resguardando as vagas dos repetentes e
referente aos âmbitos externos (leis, decretos, resoluções) e interno da veteranos,
instituição que mantem os documentos, bem como os regulamentos
existentes numa organização. É necessário que se conheça também a
estrutura organizacional dos órgãos que mantem os documentos.
Assim, pode-se fazer a coleta de dados ligadas a documentação da
instituição (o gênero, a espécie, o estado físico do documento, o volume
Powered by TC PDF ( www.tc pdf.org)

observando o número de professores, salas de aula disponíveis, mobiliário


do acervo, entre outros), para se poder traçar um diagnóstico dentro suficiente e adequado.
da realidade da empresa. 2. Indicar o servidor ou servidores que participarão do processo de
matrícula e capacitá-los para a efetivação da matrícula e orientação aos
17. Resposta: D. pais e responsáveis para o preenchimento de fichas e formulários.
A organização de documentos e arquivos tem por finalidade 3. Divulgar para a comunidade o calendário de matrícula.
desenvolver métodos de controle, monitoramento e movimentação 4. Providenciar fichas de matrícula, projeto pedagógico, regimento
dos documentos para que a sua localização seja rápida e eficiente. escolar e materiais de expediente para a efetivação da matrícula.

7
- Processamento: momento de efetuar a matrícula, organizar e
arquivar os documentos escolares.

25. Resposta: D.
A correspondência interna é o instrumento de comunicação para
assuntos internos, entre chefias de unidades administrativas de um
mesmo órgão. É o veículo de mensagens rotineiras, objetivas e simples,
que não venham a criar, alterar ou suprimir direitos e obrigações, nem
tratar de assuntos de ordem pessoal.
- A Correspondência Interna – CI, substitui o memorando, cuja
nomenclatura não deve ser mais utilizada.
Suas partes componentes são:
1. Título (abreviado - CI - com a sigla do órgão emitente e o número
do documento), em letras maiúsculas
2. Data, por extenso, à direita da página
3. Destinatário, precedido da preposição Para
4. Remetente, precedido da preposição De
5. Assunto, expresso sinteticamente
6. Texto, paragrafado, explanando o assunto da CI
7. Fecho de cortesia, com o advérbio Atenciosamente
8. Assinatura, nome e cargo da autoridade ou chefia que subscreve
a
CI.

26. (C) / 27. (B) / 28. (C) / 29. (E) /30. (C)