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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

TÓPICOS ESPECIAIS EM ENGENHARIA QUÍMICA 3

GUILHERME SOUZA

JONATAS BRITO BARBOSA DE OLIVEIRA

JUAREZ DANTAS DO NASCIMENTO JÚNIOR

NATHÁLIA DE MORAIS BRIANO

RELATÓRIO SOBRE SIMULAÇÕES DE TROCADORES DE


CALOR NO ASPEN PLUS

Recife – PE

2017
1. INTRODUÇÃO

Os trocadores de calor são equipamentos de muita importância na engenharia


(principalmente na engenharia química). Sendo aproveitados na indústria com aplicações
das mais variadas. São amplamente utilizados em aquecedores, refrigeradores, no
condicionamento de ar, em usinas de geração de energia, processamento de gás natural,
petroquímica, etc. É um dispositivo para transferência de energia de fluidos com
temperaturas diferentes. Existem três princípios diferentes pelos quais se baseiam os
trocadores:

1) Pela mistura de fluidos: Dois fluidos de temperaturas diferentes se misturam


num único sistema até atingirem o equilíbrio térmico.

2) Com armazenagem intermediária: Os fluidos quente e frio são escoados


alternadamente na mesma passagem, quando o fluido quente atravessa, o calor é
armazenado, assim aquecerá o fluido mais frio.

3) Através de uma parede que separa os fluidos (este é o mais utilizado na


indústria): Os fluidos escoam no trocador sem contato direto entre si, através de
tubulações distintas separadas por paredes de alta condutibilidade térmica. A eficiência
dos trocadores depende do: material utilizado na construção; da geometria do trocador; e
das características do fluido (fluxo, temperatura, coeficiente de condutibilidade). Para
melhorar a troca de calor são utilizados (na maioria dos casos) aletas, que fazem com que
o fluido se disperse em área menores, facilitando o processo.

1.1 Tipos de trocadores

Existe várias regras que classificam os variados tipos de trocadores de calor. No


caso dos trocadores de calor casca e tubo, eles são divididos em três seções principais:
cabeça frontal, cabeça traseira e casca. Existem vários métodos para classificar a
geometria dos trocadores de casca e tubo; um deles é por padrões TEMA, que são
codificados por diferentes letras que especificam as configurações de corpo e cabeça
disponíveis. Cada configuração estabelece um comportamento diferente entre os fluidos
utilizados industrialmente. Segue na Figura 1 algumas categorias relacionados a
geometria do trocador.
1.1.1 Tipos de tubos

Os tubos podem ser encontrados em três formas:

• Tubos fixos: tubos retos em ambos os lados usando folhas de tubos estacionárias
soldadas. Alguns permutadores tipo TEMA como estes são: AEL, BEM e NEN, entre
outros. A vantagem é que a construção desse tipo é de baixo custo e é fácil de fazer a
limpeza.
• U-tubes: consiste em tubos dobrados na forma de U. Nesta configuração requer
apenas uma folha de tubo estacionária. O custo desse tubo é semelhante ao custo do tubo
fixo. Esses tubos não devem ser utilizados para serviços com líquidos muito sujos.

Figura 1. Tipos de trocador, casca e tubo.


• Cabeça flutuante: é a configuração mais adaptável e também a de maior custo.
Nessa concepção, uma das cabeças é relativamente fixada à casca, enquanto a outra
extremidade é deixada livre para "flutuar" dentro da casca.

1.1.2 Tipos de tubos

Para a casca há muitos arranjos de fluxo possíveis, dependendo do tipo de casca,


disposição do tubo e tipo defletor, entre outras

• Tipo de cassete E: é um invólucro de uma única etapa, o fluido entra no invólucro


em uma extremidade e sai no outro. Este é o tipo de casca mais comum e simples.
• Tipo de cassete F: Esta casca consiste em um defletor longitudinal, que divide o
casco em duas etapas.
• Tipo de cassete J: corresponde a um invólucro onde existem três bocais, dois em
uma extremidade e um no lado oposto.
• Tipo G: é um compartimento de fluxo dividido, usado principalmente em
reboilers de termossifão;
• Tipo de cassete H: consiste basicamente em dois encadernados lateralmente tipo
G.
• Tipo X: O fluido entra no topo ou no fundo de uma concha, atravessa os tubos e
afasta se no lado oposto;
• Tipo K: usado geralmente para reboilers tipo chaleira.

2. METODOLOGIA

Foram realizadas simulações no Aspen Plus 8.8 de alguns tipos de trocadores de


calor: aquecedor trocando calor com um resfriador, trocador de calor com duas correntes
contracorrentes e um trocador casca e tubo. Foi utilizado o modelo termodinâmico NRTL-
RK, pois este era adequado para o tipo de substâncias presentes nos componentes.

2.1.1 Aquecedor e resfriador

Foi utilizado o modelo “HEATER” para simulação, onde foi simulado a


transferência de calor de um aquecedor para um resfriador, como mostra a Figura 2.

Figura 2. Aquecedor e resfriador acoplados.


Fonte: Feito pelo autor.

Na Tabela 1, tem-se os dados utilizados na simulação.


Tabela 1. Dados das propriedades das correntes utilizadas.

CORRENTE “HOT” CORRENTE “COLD”


C6H6 = 0,5; C8H8 = 0,2;
COMPOSIÇÃO H2O = 1
C8H10 = 0,2; H2O = 0,1
TEMPERATURA (ºC) 200 20
PRESSÃO (bar) 4 10
FLUXO (kg/h) 10.000 60.000

2.1.2 Trocador de calor com duas correntes contracorrentes

Foi escolhido o modelo “HEATX” para a simulação, como mostra a Figura 3.


Foram utilizadas duas correntes, uma fria e outra quente, similares as utilizadas na Tabela
2.

Figura 3. Trocador de calor simulado.


Fonte: Feito pelo autor.

2.1.3 Trocador de calor casco e tubo

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1.1 Aquecedor e resfriador

Após a simulação do sistema aquecedor-resfriador, foram obtidos os seguintes


resultados, conforme mostra as Tabelas 4 e 5.
Tabela 4. Resultados obtidos no resfriador.

RESFRIADOR
TEMPERATURA DE SAÍDA (ºC) 150,86
PRESSÃO DE SAÍDA (bar) 10
QUANTIDADE DE CALOR
6,21 x 108
TRANSFERIDO (KJ/hr)

Tabela 5. Resultados obtidos no aquecedor.

RESFRIADOR
TEMPERATURA DE SAÍDA (ºC) 10
PRESSÃO DE SAÍDA (bar) 4
QUANTIDADE DE CALOR
-6,21 x 108
TRANSFERIDO (KJ/hr)

3.1.2 Trocador de calor com duas correntes contracorrentes

Após a simulação do trocador de calor com duas correntes contracorrentes, foram


obtidos os seguintes resultados, conforme mostra a Tabela 6.

Figura 4. Resultados após a simulação.

4. CONCLUSÕES

O próprio sentido da palavra engenharia já indica um significado à importância


dos trocadores de calor, pois engenharia significa, a grosso modo, fazer algo necessário
da melhor maneira possível usando a menor quantidade de recursos necessários. Assim,
nota-se que a importância dos trocadores de calor está na sua utilização na escala
industrial, tendo em mente que não existe de um ponto de vista de sustentabilidade da
matriz energética de uma indústria fazer aquecimento ou resfriamento em larga escala
sem que utilize de trocadores de calor.
O Aspen Plus é um programa computacional desenvolvido para facilitar a vida de
engenheiros químicos envolvidos com os processos industriais nas inúmeras fábricas ao
redor do mundo. A sua importância deve-se a capacidade de simular e modelar diversos
processos industriais de elevado grau de complexidade em poucos minutos, os quais
engenheiros levariam horas ou dias para simular e modelar corretamente. Vale ressaltar
que grande parte da evolução dos processos industriais nos últimos anos se deve ao fato
de engenheiros terem tido a oportunidade de utilização dessa ferramenta em suas
pesquisas e testes de suas hipóteses. O Aspen, assim como outros programas de simulação
e modelagem de processos industriais, é de indispensável companhia aos engenheiros
recém-formados, pois assim como outras áreas do conhecimento, os processos químicos
tendem a tornar-se cada vez mais aderentes a esses tipos de tecnologia.