Você está na página 1de 6

REABILITAÇÃO DA PONTE SOBRE O RIO UBERABINHA COM PROTENSÃO

EXTERNA
CARACTERÍSTICAS DA PONTE E VISTORIA
A ponte sobre o rio Uberabinha está localizada no km 629,8 da BR-365/MG e foi
projetada no ano de 1969, quando as normas da ABNT sobre o tema eram NB1/1960,
NB2/1960 e NB6/1960. Possui extensão total de 42 m, composta por um vão central de
30 m e dois balanços de 6 m (Figura 2).

A seção transversal é composta por duas vigas-caixão ligadas transversalmente


por transversinas e pela laje (Figura 3).

As vigas principais da OAE são protendidas e os demais elementos (laje, pilares,


transversinas e fundações) utilizam o concreto armado.

Com a finalidade de se avaliar as condições estruturais da OAE, engenheiros do


DNIT realizaram uma vistoria em novembro de 2008, quando foram constatadas várias
manifestações patológicas. O principal problema encontrado foi uma elevada
deformação do vão central da ponte e nos extremos dos balanços, inviabilizando o
tráfego sobre a OAE.
Na Figura 4, é indicada a região onde houve sério dano devido à insuficiência da
seção em resistir aos esforços atuantes. Dano semelhante ocorreu nas duas vigas-
caixão, aproximadamente no meio do vão central.

Na Figura 5, podem ser observadas as barras de aço passivas rompidas devido à


aplicação de esforço acima da tensão de ruptura. A gravidade dos danos apresentados
levou à imediata interdição da estrutura.

No entanto, mesmo após a interdição da ponte ao tráfego de veículos, as flechas


continuaram a evoluir rapidamente, indicando instabilidade da estrutura. Para cessar o
avanço da deformação, os balanços da obra foram carregados com cascalho, aliviando,
assim, o momento fletor no meio do vão central e estabilizando a OAE enquanto
carregada apenas com o seu peso próprio. A substituição total da ponte era uma das
alternativas possíveis, no entanto foi descartada por ser a de maior custo direto e de
implicar em danos ambientais que seriam desnecessários no caso da opção pelo reforço
da estrutura.

INTERVENÇÃO EMERGENCIAL

Após a estabilização da OAE, iniciaram- -se os trabalhos de reforço, que foram


divididos em duas grandes etapas. A primeira delas consistiu em protender as vigas
principais da ponte com cordoalhas instaladas na face inferior da mesma, o que
possibilitou uma avaliação mais detalhada da resposta da estrutura à aplicação dos
esforços (Figura 6).

Constatada a estabilização da estrutura, passou-se para a segunda etapa, que


consistiu no reforço da obra pela instalação de cordoalhas nas laterais da viga, tanto
internas quanto externas. O objetivo do posicionamento retilíneo das cordoalhas da
face inferior da viga foi a introdução de um esforço axial naquela região e consequente
momento fletor contrário ao causado pelo peso próprio da OAE. Já as cordoalhas
instaladas nas laterais das vigas seguiram uma trajetória poligonal, com maiores
excentricidades no meio do vão, onde os momentos fletores são maiores, e com
menores nas seções onde os momentos fletores são menores. Essa trajetória poligonal
é conseguida por meio de desviadores instalados no trajeto das cordoalhas (Figura 7).
Esses desviadores são fabricados especificamente para cada tipo de obra, pelos motivos
já mencionados item 2.2 deste trabalho. Ainda na Figura 7 pode ser observado que, ao
longo da trajetória das cordoalhas, a viga principal foi apicoada. Esse procedimento tem
por finalidade melhorar a aderência entre o concreto existente na viga e o concreto
novo, que servirá de proteção das cordoalhas contra a corrosão, garantindo
durabilidade ao reforço executado.

Souza e Ripper (1998) alertam para a necessidade de garantia da eficiência da


ancoragem, uma vez que os cabos não são aderentes, e uma falha nas ancoragens
implica falha no cabo em sua totalidade. No caso de cabos aderentes, não há esse risco.
A Figura 8 apresenta um detalhe de uma das ancoragens utilizadas nas cordoalhas
instaladas na lateral de uma das vigas. Nela são observadas seis barras que fixam a
ancoragem à estrutura e os seis pequenos blocos de aço que recebem os esforços das
cordoalhas.
Os desviadores são responsáveis por garantir a trajetória das cordoalhas prevista em
projeto. As cordoalhas instaladas nas faces externas das vigas não precisaram vencer
obstáculos, como transversinas e outros elementos estruturais da OAE, o que não foi
possível no caso das cordoalhas que foram instaladas nas faces internas. A Figura 9
mostra um desviador e uma abertura feita em uma das transversinas para viabilizar a
passagem das cordoalhas.

Cánovas (1988) esclarece que a protensão externa como reforço de estruturas costuma
ser utilizada juntamente com a injeção de fissuras com resina epóxi, recomendando que
essa seja realizada antes da aplicação dos esforços de protensão. Isso se deve ao fato de
que planos de deslizamento podem surgir ao longo das fissuras durante a aplicação dos
esforços. No entanto, no presente caso não foi possível a injeção de todas as fissuras
antes da aplicação da protensão, sendo injetadas posteriormente à protensão. Esse fato
não gerou problemas aos serviços de reforço. Feito todo o processo de reforço do
tabuleiro, a durabilidade das cordoalhas, dos desviadores e das ancoragens foi garantida
pelo encamisamento dos mesmos por concreto modificado com látex (Figura 10).

RESULTADOS

Os esforços de protensão externa foram calculados para o trem-tipo de 450 kN, previsto
na norma vigente. Dessa forma, a ponte passou a atender a todas as exigências de
desempenho atuais. A Figura 10 destaca uma das vantagens dessa tecnologia, que é
uma intervenção rápida e com pouca ou nenhuma alteração no sistema estrutural. É
possível ver o traçado dos cabos e a localização dos desviadores e das ancoragens. Os
principais resultados conseguidos foram a colocação da estrutura em serviço em um
tempo inferior a seis meses e o reforço da estrutura para o trem-tipo mais atual (450
kN)

REFERENCIA

VERLY, Rogério Calazans; MAGALHÃES, Edimarques Pereira; FONTES, Fernando


Fernandes; SANTOS, Galileu Silva. Reabilitação de ponte com protensão externa.
Revista Concreto & Construção IBRACON 78. São Paulo, abril/jun., 2015. <Disponível
em:
http://ibracon.org.br/site_revista/concreto_construcoes/ebook/edicao78/files/assets/
basic-html/index.html#1>