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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DA ...

TURMA DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ... REGIÃO

TÍCIO e MÉVIO, já qualificados nos autos do “Habeas Corpus” nº..., por deu advogado
que esta subscreve, inconformados com a decisão que denegou seu pedido de “Habeas
Corpus”, vêm, perante Vossa Excelência, respeitosamente, interpor RECURSO ORDINÁRIO
CONSTITUCIONAL, com fundamento no artigo 105, inciso II, alínea a, da Constituição Federal e
no artigo 30 e seguintes da Lei nº 8.038/1990.

Requer seja o presente recurso recebido, processado e encaminhado, com as


inclusas razões, ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça.

Termos em que,

Pede deferimento.

Local, 27 de março de 2017.

Advogado,

OAB...

Razões de Recurso Ordinário Constitucional

Recorrentes: Tício e Mévio

Recorrida: Justiça Pública

Habeas Corpus nº...

Egrégio Superior Tribunal de Justiça

Colenda Turma

Douta Procuradoria de Justiça

Em que pese o notório saber jurídico do Egrégio Tribunal Regional Federal da ...
Região, sua decisão merece ser reformada, pelas razões de fato e direito a seguir expostas.

I – DOS FATOS

Tício e Mévio foram denunciados, em outubro de 2012, pela prática do delito de


apropriação indébita previdenciária, previsto no art. 168-A, caput, do Código Penal, por terem,
em março de 2012, supostamente, deixado de repassar à Previdência Social, na forma e prazo
legais, as contribuições previdenciárias descontadas dos funcionários da empresa Gramas, na
qual são sócios.
Tício é sócio-gerente, com maioria do capital, enquanto Mévio é sócio minoritário,
não participando da gestão da sociedade. A empresa Gramas foi submetida à fiscalização,
sendo lavrado auto de infração, remetido ao Parquet.

No curso do inquérito policial, Tício foi interrogado, tendo informado que era o
responsável pela folha de pagamento e descontava as contribuições, contudo, devido à crise
financeira pela qual passava a empresa, deixou de repassá-las à Previdência Social, utilizando o
dinheiro para pagar seus fornecedores. Ademais, Tício informou que, em junho de 2012, antes
do oferecimento da denúncia, havia providenciado a declaração do débito e o pedido de
parcelamento junto ao órgão autárquico, tendo comprovado o adimplemento de todas as
parcelas.

Após a denúncia, os réus apresentaram resposta à acusação, requerendo a


absolvição sumária, que foi negada pelo magistrado. Diante disso, a defesa de ambos impetrou
“Habeas Corpus”, o qual foi denegado pelo Tribunal Regional Federal da ... Região.

II – DO DIREITO

a) Da nulidade pela ilegitimidade passiva de Mévio

Mévio é parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação, restando configurada a
nulidade do processo, conforme se demonstrará a seguir.

O artigo 564, inciso II, do Código de Processo Penal, prevê que é nulo o processo nos
casos de ilegitimidade de parte. Já o artigo 647 do mesmo diploma legal, determina a
concessão de “Habeas Corpus” quando alguém se encontre na iminência de sofrer coação
ilegal em sua liberdade de ir e vir, sendo uma das hipóteses a manifesta nulidade do processo
(artigo 648, inciso VI, do CPP).

O denunciado Tício, sócio-gerente da empresa Gramas, revelou em seu


interrogatório ser o responsável pela folha de pagamento, já que era o gestor da sociedade. Já
o réu Mévio é apenas sócio minoritário, não possuindo poderes de gestão, nem qualquer
controle sobre a folha de pagamento de pessoal e os repasses de contribuições sociais à
Previdência Social.

Em face de tal cenário, é necessário reconhecer-se que Mévio não concorreu para a
prática do crime, sendo, portanto, parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação,
devendo ser reconhecida a nulidade do processo ab initio, com fundamento no artigo 564,
inciso II, do CPP, e concedida a ordem de “Habeas Corpus”, conforme artigo 647 c/c artigo 648,
VI, ambos do CPP.

b) Da extinção da punibilidade de Tício


A punibilidade de Tício foi extinta pela realização do parcelamento, na forma da lei,
sendo necessária sua absolvição sumária, conforme se demonstrará a seguir.
O artigo 168-A, §2º do Código Penal, prevê que a punibilidade do agente é extinta se
ele, de forma espontânea, declarar, confessar e efetuar o parcelamento das contribuições
devidas à Previdência Social, na forma da lei, antes do início da ação fiscal. A legislação fiscal
regulamenta o referido parcelamento, havendo previsão no artigo 83, §4º da Lei 9.430/1996 e
no artigo 9º, §2º, da Lei 10.684/2003 de que é extinta a punibilidade do crime previsto no art.
168-A, do Código Penal, quando a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente
realizam o pagamento integral dos tributos e acessórios que tenham sido objeto de concessão
de parcelamento.
No caso em questão, Tício procedeu à declaração do débito, realizou o parcelamento
e adimplemento integral dos tributos e acessórios devidos em junho de 2012, conforme
comprovado nos autos, meses antes do oferecimento da denúncia, sendo necessário
reconhecer a extinção de sua punibilidade.
Assim, deve ser concedida a ordem de Habeas Corpus, com fundamento no artigo
647 c/c artigo 648, VII, ambos do CPP, para o fim de reconhecer-se a extinção da punibilidade
de Tício, conforme artigo 168-A, §2º do Código Penal c/c art. 83, §4º da Lei 9.430/1996,
absolvendo-o sumariamente, com forte no artigo 397, IV, do CPP.

III – PEDIDOS
Ante o exposto, requer seja o presente recurso recebido e provido para o fim de
a) Conceder “Habeas Corpus” para o recorrente Mévio, conforme artigo 647 c/c
artigo 648, VI, ambos do CPP, reconhendo-se a nulidade do processo ab initio,
com fundamento no artigo 564, inciso II, do CPP;
b) Conceder “Habeas Corpus” para o recorrente Tício, conforme artigo 647 c/c
artigo 648, VII, ambos do CPP, para o fim de reconhecer-se a extinção da
punibilidade, conforme artigo 168-A, §2º do Código Penal c/c art. 83, §4º da Lei
9.430/1996, absolvendo-o sumariamente, com forte no artigo 397, IV, do CPP;
c) Expedir salvo-conduto em prol dos recorrentes, conforme artigo 660, §4º do CPP.

Termos em que,

Pede deferimento.

Local, 27 de março de 2017.

Advogado,

OAB...