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Linguagem Cinematográfica

Chamamos de linguagem cinematográfica o conjunto de planos, ângulos, movimentos


de câmera e recursos de montagem que compõem o universo de um filme.
Da mesma forma que na linguagem gramatical os substantivos, adjetivos e advérbios
exercem funções específicas e são usados da maneira mais inteligível possível (não
seremos bem compreendidos se dissermos: muito o quando feliz vi fiquei), os aspectos
da linguagem cinematográfica devem ser planejados para se obter a melhor forma de
expressão.
Para isso, é preciso ter em conta que cada plano, movimento de câmera, etc, tem um
efeito psicológico, um valor dramático específico e exerce seu papel dentro da
totalidade que é um filme. Portanto, ao se escolher um enquadramento, deve-se levar
em conta o seu efeito visual individual e também como ele se encaixa na continuidade
do trabalho.
Assim a seguir enumeramos alguns dos principais aspectos da linguagem...

Campo: compreende tudo o que está presente na imagem: cenários, personagens,


acessórios.

Extra-campo: remete ao que, embora perfeitamente presente, não se vê.


É o que não se encontra na tela, mas que complementa aquilo que vemos.
Designa o que existe alhures, ao lado ou em volta do que está
enquadrado.

Plano: é a imagem-movimento. É uma perspectiva temporal, uma modelação espacial.

Contra-plano: dialoga com o plano e pode ser definido como uma tomada feita com a
câmera orientada em direção oposta à posição da tomada anterior.

Planos

O tamanho de um plano é determinado pela distância entre a câmera e o objeto


filmado. Deve haver adequação entre o tamanho do plano e seu conteúdo material (o
plano é mais afastado quanto mais coisas há para ver) e seu conteúdo dramático.
Existem numerosos planos e eles raramente são unívocos: o plano geral de uma
paisagem pode perfeitamente enquadrar uma personagem entrando em primeiro
plano, e é possível dispor atores em diversas distâncias.

Plano geral:
Enquadra a cena em sua totalidade. É aberto e procura registrar o espaço onde as
personagens estão. O corpo humano é enquadrado por inteiro e sempre temos o
ambiente (interno ou externo) ocupando grande parte da tela. Reduzindo o homem a
uma silhueta minúscula, este plano o reintegra no mundo, faz com que as coisas o
devorem, "objetivando-o". Dá uma tonalidade psicológica pessimista, uma ambiência
moral um tanto negativa e, às vezes, também traz uma dominante dramática de
exaltação , lírica ou mesmo épica.
Plano americano:
É o plano que enquadra a figura humana do joelho para cima. Geralmente não
comporta mais do que três personagens reunidas. Tem esse nome devido à sua grande
popularidade entre os diretores de Hollywood das décadas de 30 e 40.

Plano seqüência:
É a filmagem de toda uma ação contínua através de um único plano (sem cortes).

Close:
É o plano enquadrado de uma maneira muito próxima do assunto. A figura humana é
enquadrada do ombro para cima, mostrando apenas o rosto do/a ator/atriz. Com isso,
o cenário é praticamente eliminado e as expressões tornam-se mais nítidas para o/a
espectador/a. Corresponde a uma invasão no plano da consciência, a uma tensão
mental considerável, a um modo de pensamento obsessivo.

Plano detalhe:
Semelhante ao close, mas se refere a objetos. Enquadra um objeto isolado ou parte
dele ocupando todo o espaço da tela. Ressalta um aspecto visual, eliminando o que
não é importante no momento.

Ângulos
São determinados pela posição da câmera em relação ao objeto filmado.

Plongée:
A câmera filma o objeto de cima para baixo, ficando a objetiva acima do nível normal
do olhar. Tende a ter um efeito de diminuição da pessoa filmada, de rebaixamento.

Contra-plongée:
A câmera filma o objeto de baixo para cima, ficando a objetiva abaixo do nível normal
do olhar. Geralmente, dá uma impressão de superioridade, exaltação, triunfo, pois faz
"crescer" o/a ator/atriz.

Inclinado:
É uma tomada feita a partir de uma inclinação do eixo vertical da câmera. Pode ser
empregada subjetivamente, materializando aos olhos do/a espectador/a uma
impressão sentida por uma personagem, como uma inquietação ou um desequilíbrio
moral.

Movimentos de câmera
Constituem a base técnica do plano em movimento. São definidos levando-se em
conta se o movimento da câmera é de rotação (em torno do seu eixo) ou de translação
(locomovendo-se em avanço ou recuo, subindo ou descendo).

Panorâmica:
A câmera se move em torno do seu eixo, fazendo um movimento giratório, sem sair do
lugar. Trata-se de um movimento da câmera que pode ser horizontal (da esquerda
para a direita ou da direita para a esquerda), vertical (de cima para baixo ou vice-
versa) ou oblíquo. A panorâmica vertical é também conhecida como tilt.

Travelling:
A câmera é movida sobre um carrinho (ou qualquer suporte móvel) num eixo
horizontal e paralelo ao movimento do objeto filmado. Este acompanhamento pode
ser lateral ou frontal, neste último caso podendo ser de aproximação ou de
afastamento.

Zoom:
No zoom, a câmera se mantém fixa e é seu conjunto de lentes que se move, fazendo
com que o objeto se apresente mais afastado ou mais próximo na imagem.

Montagem
Montar significa dispor, compor, construir. A montagem no cinema é a organização
dos planos de um filme em certas condições de ordem e duração. Consiste na sucessão
das tomadas ou planos dentro de uma sequência, de forma a dar-lhes unidade
interpretativa.

Corte seco:
é quando há uma transição imediata, direta de uma cena para outra. Foi um dos
primeiros procedimentos da montagem, usado na hora da transição de um filme para
outro. Usado quando se quer obter imagens que se sucedem dentro de um enredo.

Fusão:
É quando uma cena desaparece simultaneamente ao aparecimento da cena seguinte.
As cenas se superpõem: enquanto uma se apaga, a outra aparece. Mantém a fluidez e
a suavidade de uma seqüência. Seu uso pode significar uma passagem de tempo.
Também é usada quando se quer suprimir ações que sejam dispensáveis na narração
(processo conhecido como elipse).

Fade:
Quando a imagem vai surgindo aos poucos de uma tela preta (ou de outra cor
qualquer), temos o fade in. Quando ela vai desaparecendo até que a tela fique preta,
temos o fade out. A velocidade com que a imagem dá lugar à tela preta e vice-versa
pode ser controlada de acordo com o efeito desejado. O fade in é comumente usado
no início de uma seqüência e o fade out, como conclusão.
Pode denotar a passagem de tempo ou um deslocamento espacial, assim como na
fusão.

Cortina:
É uma forma de transição de planos que ocorre quando uma cena encobre outra
(geralmente entrando no eixo horizontal, mas pode ocorrer também no sentido
vertical, diagonal, em íris e em uma infinidade de formas). Pode ocorrer também
através de uma linha que corre o quadro, mudando as ações.
Montagem Paralela:
É quando duas ou mais sequências são abordadas ao mesmo tempo, intercalando as
cenas pertencentes a cada uma, alternadamente, a fim de fazer surgir uma significação
de seu confronto. Ocorre quando se quer fazer um paralelo, uma aproximação
simbólica entre as cenas, como por exemplo a aproximação temporal.

Pioneiros

Irmãos Lumière: diretores franceses


Os franceses Auguste (1862-1954) e Louis (1864-1948) Lumière são responsáveis pela
primeira exibição pública de uma imagem em movimento (em 1895) e, por isso, são
considerados, muitas vezes, como sendo os fundadores da Sétima Arte. Seus filmes
mostravam acontecimentos comuns: operários saindo da fábrica em Lyon, ondas
agitando-se no mar, etc. Em 1896, inauguraram na Rússia a primeira sala de projeções
cinematográficas.

Chegada do trem à cidade (L'arrivée à la ciotat, 1895):


Primeira projeção cinematográfica exibida ao público, em 28/12/1895.
Palavras de Georges Meliès, presente na exibição: " A mostra começou com uma
fotografia estática que depois de alguns segundos começou a se mover. O trem
apareceu e acelerou em direção ao público. Nós estávamos estonteados por este
espetáculo". Na cena, o foco vai para frente e para trás, permanecendo a imagem
sempre clara. Provavelmente nasce aí o princípio da montagem.

Georges Meliès (1861 - 1938): diretor francês


Este francês, que já havia sido pintor, mágico e caricaturista de jornal, decidiu criar
seus próprios filmes. Em 1896, começou, então, a fazer películas parecidas com as dos
irmãos Lumière. Entretanto, sua prática como mágico acabou influenciando-o e
levando-o a produzir truques cinematográficos e a usar o drama (a ficção) em seus
filmes.
Com essa inovação, o cinema passou a ser efetivamente um entretenimento, ao lado
do teatro e da música. Meliès é considerado o pai dos efeitos especiais. Ele concebia o
cinema como um teatro filmado. Em seus filmes, a câmera em plano geral filmava os
atores com o mesmo campo de visão de um espectador que assiste a uma peça.

Viagem à lua (Le voyage dans la lune, 1902):


Obra satírica de ficção científica baseada na obra de Júlio Verne.
Alguns homens são escolhidos para empreenderem uma viagem à lua num foguete e,
chegando lá, têm que se defender dos ataques dos terríveis habitantes. Na época, não
havia recursos para realizar efeitos espetaculares que pudessem convencer o
espectador. Apesar disso, as 30 cenas apresentam qualidades de estilo e imaginação. A
linguagem visual (cenários, figurinos) é bem próxima à do teatro e aos efeitos especiais
utilizados pelos mágicos.

Griffith (1875-1948): diretor norte-americano


Começou sua carreira como ator e foi diretor de cinema em 1908.
Mostrou que o cinema podia explorar um universo maior que os limites do palco.
Realizou principalmente películas que relatavam fatos da História. Ele foi além do
plano geral (presença de primeiro plano), e usava o retrospecto (ação que ocorre num
tempo anterior ao representado no momento ou flash back) e a ação paralela.
Valorizava o estado emocional das personagens. Sua câmera possuía uma atuação
livre, poética e imaginativa. É considerado o grande inventor da montagem.

O nascimento de uma nação (The birth of a nation, 1915):


Um escravagista do Sul é ferido numa batalha contra os abolicionistas e, quando volta
para casa, encontra o poder legislativo de sua cidade dominado por negros. Resolve
fundar, então, a Ku Klux Klan. Os críticos da época deploraram seu tratamento
reacionário da luta do povo negro pela liberdade. O racismo expresso no filme
provocou grandes protestos de setores da sociedade da época, e Griffith chegou a ser
denunciado na justiça. Esta é a grande contradição (e polêmica) do filme: apesar de
possuir uma técnica avançada, o seu conteúdo social é extremamente retrógrado.

Carl Dreyer (1889-1968): diretor dinamarquês


Este jornalista e roteirista fez um cinema introspectivo e filosófico.
Os filmes que dirigiu são quase um estudo da alma humana. Uma precisão natural o
levou a um estilo próprio, focado no indivíduo.

A paixão de Joana d'Arc (Le passion de Jeanne d'Arc, 1928):


Baseado em crônicas autênticas do processo, o filme retrata um único dia, desde a
prisão até o julgamento de Joana D'arc. Possui muitos closes e ação austera, com raros
desvios das unidades clássicas de tempo e espaço. O rosto de Joana é focalizado
sempre erguido para seus acusadores, e estes a encaram de cima para baixo. A
película é de andamento lento, cheia de silêncios e imobilidade. As legendas quebram
o ritmo, mas são necessárias, pois a ação às vezes é muito sutil para se sustentar
somente no visual. É um filme introspectivo (passivo, contemplativo), que se concentra
nas fisionomias e na vida interior das personagens, em seus aspectos psicológicos.

Sergei Eisenstein (1898-1948): diretor russo


Nasceu na ex-URSS e, apesar de ter feito apenas 14 filmes, é um dos diretores mais
inovadores e pioneiros da história do cinema. Sua técnica de montagem influenciou
Orson Welles, Godard, Brian de Palma e Oliver Stone. Formou-se engenheiro e
trabalhou no Exército Vermelho antes de se concentrar na transformação do cinema
em arma política.

Encouraçado Potenkin (Bronenosets Potyomkin, 1929):


O filme retrata um incidente da Revolução de 1905: a tripulação do encouraçado
Potenkin se rebela num motim contra a péssima condição de vida e a comida
estragada. À parte de sua finalidade didática, este filme é um ótimo exemplo do
trabalho pioneiro de Eisenstein na edição.
Ele acreditava que uma das grandes propriedades do cinema era mostrar mais do que
simples imagens da vida cotidiana. Através da justaposição e da sucessão rítmica de
imagens, ele criava significações e sentimentos poderosos. A história não possui
personagens, mas estereótipos sociais: o marinheiro, o padre, a mãe, o estudante, etc.
Fritz Lang (1890-1976): diretor austro-americano
Fez mais de 30 filmes na Alemanha e nos EUA. Sua formação em artes e arquitetura se
faz evidente na concepção visual de suas obras. Ele desenvolveu as narrativas e criou
as atmosferas de seus filmes utilizando símbolos expressionistas e jogos de luz, e
através da edição. Assim como as linhas e formas convencionais eram distorcidas no
Expresionismo Alemão, suas cidades futurísticas são retratadas de uma maneira
distorcida.

M, O Vampiro de Düsseldorf (M, 1931):


É baseado na história real de Peter Kürten, um assassino de crianças que, em 1925,
semeou o horror na cidade de Düsseldorf. O filme aborda alguns dos temas favoritos
do diretor: os vários rostos do poder para garantir a ordem social, a vingança como
meio de destruição, a inadaptação e a angústia do indivíduo numa sociedade nazista.
Primeira obra-prima do cinema falado, pela utilização do som como figura da
linguagem narrativa. Significou a consagração de Fritz Lang como diretor e passou a ser
uma referência do cinema expressionista alemão.

Josef von Sternberg (1894-1969): diretor austro-americano:


Roteirista e diretor de fotografia conhecido por seus inovadores efeitos de iluminação
e figurino, e pelo erotismo estilizado de alguns de seus filmes. Também operador de
câmera, Sternberg era obcecado pelo aspecto visual de seus trabalhos. O tema de seus
filmes geralmente gira em torno da tensão entre ilusão e realidade, entre emoção e
razão. Após a Primeira Guerra Mundial, foi diretor assistente até dirigir seu primeiro
longa-metragem, "The Salvation Hunters"(1925). Considerado o descobridor de
Marlene Dietrich, foi o pioneiro do filme noir poético, utilizando um imaginativo jogo
de luzes e sombras para criar atmosferas de grande força dramática. Após alguns
filmes com Dietrich, sua carreira começou a declinar, mas teve uma volta triunfal
com "Anataban" (1952).

O anjo azul (Der blaue engel, 1930):


Uma cantora de cabaré sensual e perversa enlouquece um severo e despótico
professor de literatura, até levá-lo às mais cruéis humilhações. Referência obrigatória
do Expressionismo Alemão em seu acesso ao cinema falado. Baseado no romance
Professor Unrat, de Heinrich Mann, destaca-se mais pelo perfil psicológico das
personagens do que pelo uso do som. Revelou a atriz Marlene Dietrich.

John Ford (1894 - 1973): diretor norte-americano


Pode ser considerado o pai do western. Embora tenha se aventurado em outros
assuntos, inclusive comédias e dramas, ninguém jamais soube como ele retratar o
oeste inóspito e fazer emergir heróis tão fascinantes. Ganhou cinco Oscars.

No tempo das diligências (Stagecoach, 1939):


A viagem de uma diligência contendo os mais variados tipos de pessoas, que têm que
enfrentar os ataques apaches e vêem suas vidas modificadas para sempre. Primeiro
Western sonoro de John Ford, o filme elevou bastante a reputação do diretor. Foi
indicado para sete Oscars e ganhou dois. Sua estrutura é bastante formal: dividido
ordenadamente em oito episódios (quatro cenas de ação que alternam com quatro
cenas de interação entre as personagens).

Sangue de herói (Fort apache, 1948):


É um excelente exemplo da concepção que John Ford tem do cinema. Esta polêmica
obra-prima do diretor é um canto ao mito da cavalaria ianque e uma denúncia da
arrogância suicida e do desprezo racista do militarismo. Este primeiro faroeste da
trilogia dedicada à cavalaria norte-americana é uma metáfora das circunstâncias que
levaram à morte do General Custer, a frente da Sétima Cavalaria.

Carol Reed (1906-1976): diretor britânico


Durante os anos 20, fez pequenos papéis no teatro. No início dos anos 30, trabalhou
como assistente de direção e estreou como diretor em "Midshipman Easy" (1935).
Alcançou o auge de sua criatividade no final da década de 40 com três filmes de
destaque: "Old man out" (1947), "O ídolo caído" (1948) e "O terceiro homem" (1949).
Ganhou os Oscars de melhor filme e diretor por "Oliver!" (1968).

O terceiro homem (The third man, 1949):


Um escritor de romances vai visitar em Viena um amigo, que acaba morrendo num
acidente. A polícia acusa o morto de vários crimes e o amigo faz de tudo para provar
sua inocência. É considerado por muitos o melhor filme noir feito fora da Inglaterra.
Como os filmes do gênero, é extremamente romântico, apesar de conter uma dose de
sarcasmo.

Mário Peixoto (1908- 1982): diretor belga-brasileiro


Nasceu na Bélgica e veio para o Brasil aos dois anos de idade. Em 1926, foi para a
Inglaterra e descobriu que queria ser ator. Voltou ao Brasil no ano seguinte e
participou do grupo Teatro de Brinquedo.
Dessa experiência surgiu a vontade de fazer um filme. Numa viagem a Paris, viu a
imagem que deu origem a Limite: a capa da revista "Vu" de 14/08/29. A face feminina
de frente, grandes olhos fixos e braços masculinos cercam a cabeça da moça e exibem,
em primeiro plano, as mãos algemadas. Depois de Limite, tentou realizar outros filmes
sem sucesso.

Limite:
A ação do filme se passa num barco. Nele, perdidos no mar, estão um homem e duas
mulheres, que, abatidos, deixam de remar e parecem conformados com seus destinos.
Cada um conta, através de flash backs, sua história. Estreou em 1931, patrocinado pelo
Chaplin Club, mas não conseguiu distribuição comercial. Predominam os planos
próximos (closes), que revelam as reações e estados de alma das personagens. Quase
não há planos gerais. Por duas vezes foi escolhido em inquérito nacional (promovidos
pela Cinemateca Brasileira em 1988 e pela Folha de São Paulo em 1995) o melhor filme
brasileiro de todos os tempos.

Alfred Hitchcock (1899 - 1980): diretor britânico


Nasceu na Inglaterra e ingressou no mundo do cinema na década de 20, como
roteirista. Depois se tornou assistente de direção e estreou na direção em 1925. Na
década de 30, já era o diretor jovem de mais sucesso e mais bem pago do cinema
britânico. Tido como um mestre do suspense, era um grande narrador de histórias,
além de técnico soberbo.

Psicose (Pshyco, 1960):


Uma secretária rouba 40 mil dólares de seu patrão e, na fuga, é obrigada a parar num
hotel, onde é assassinada. Sua irmã e um detetive particular seguem sua pista até
descobrirem muito mais do que esperavam. Filme baseado no romance de Robert
Bloch. A história é inspirada na vida de um homem chamado Ed Gein, conhecido como
"o assassino canibal de Winsconsin". Considerado por muitos o filme mais assustador,
cruel e sádico de Hitchcock, foi filmado em preto e branco por opção do próprio
diretor, que considerava que, a cores, o filme ficaria "ensangüentado" demais.
Recebeu quatro indicações ao Oscar e ganhou um Globo de Ouro.

A sombra de uma dúvida (Shadow of a doubt, 1943):


Charlie é um assassino de viúvas ricas. Fugindo da polícia, vai para o interior passar um
tempo com sua família, para alegria de sua sobrinha (chamada Charlie por sua causa),
que o admira muito. Mas o comportamento estranho do tio e as visitas dos detetives
que o investigam levam a sobrinha a descobrir que ele é um assassino. Assim, além de
sua decepção, ela tem que conviver com a dúvida de revelar ou não o terrível segredo
à família e lutar pela própria vida.

Orson Welles (1915 - 1985): diretor norte-americano


Dizem que influenciou mais diretores do que qualquer outra pessoa, em grande parte
com seu primeiro longa-metragem: Cidadão Kane. Viajou o mundo, trabalhou na
Broadway e no rádio (aterrorizando os EUA com a emissão dramatizada e em tom
jornalístico da novela radiofônica "A guerra dos mundos", em 1938). No ano seguinte,
passou a fazer filmes.
Todo o seu trabalho apresenta toques de genialidade, entretanto nunca foi o favorito
das bilheterias e lutava para financiar seus filmes.
Também atuou como ator para outros diretores.

Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941):


O multimilionário Charles Foster Kane morre em sua mansão, dizendo apenas uma
palavra: "rosebud". Com o objetivo de descobrir o seu significado, um repórter vai
atrás das pessoas que viveram e trabalharam com Kane. Elas contam suas histórias
(mostradas no filme através de uma série de flash backs) que revelam a personalidade
de Kane, mas não são suficientes para revelar o significado de sua última palavra,
mistério que só o público descobre no final.

A marca da maldade (A touch of evil, 1958):


Trata-se de um enredo ambientado numa cidadezinha mexicana de fronteira, com um
policial da divisão de narcotraficantes opondo-se a um tira corrupto, que forja as
provas para encriminar um jovem mexicano. A leitura que o cineasta faz desse
episódio policial o enriquece, torna-o complexo, irresistível. A abertura é conhecida,
com justiça, como uma das mais impactantes já vistas. A câmera segue os personagens
principais durante 3 minutos, sem corte. A abertura cumpria a função de resumir a
história toda naqueles poucos minutos e a melhor maneira de fazê-lo era dirigir um
plano-sequência contínuo.

Retirado de http://www.fafich.ufmg.br/~labor/cursocinema/