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1 SÉRIE
ENSINO MÉDIO
Volume 2

FÍSICA
Ciências da Natureza

CADERNO DO PROFESSOR
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

MATERIAL DE APOIO AO
CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CADERNO DO PROFESSOR

FÍSICA
ENSINO MÉDIO
1a SÉRIE
VOLUME 2

Nova edição

2014 - 2017

São Paulo
Governo do Estado de São Paulo
Governador
Geraldo Alckmin
Vice-Governador
Guilherme Afif Domingos
Secretário da Educação
Herman Voorwald
Secretária-Adjunta
Cleide Bauab Eid Bochixio
Chefe de Gabinete
Fernando Padula Novaes
Subsecretária de Articulação Regional
Rosania Morales Morroni
Coordenadora da Escola de Formação e
Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP
Silvia Andrade da Cunha Galletta
Coordenadora de Gestão da
Educação Básica
Maria Elizabete da Costa
Coordenadora de Gestão de
Recursos Humanos
Cleide Bauab Eid Bochixio
Coordenadora de Informação,
Monitoramento e Avaliação
Educacional
Ione Cristina Ribeiro de Assunção
Coordenadora de Infraestrutura e
Serviços Escolares
Dione Whitehurst Di Pietro
Coordenadora de Orçamento e
Finanças
Claudia Chiaroni Afuso
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Barjas Negri
Senhoras e senhores docentes,

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo-
radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que
permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula
de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com
os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor-
dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação
— Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste
programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização
dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações
de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca
por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso
do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb.

Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien-
tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São
Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades
ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias,
dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade
da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas
aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam
a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia-
ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a
diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico.

Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu


trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar
e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história.

Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo.

Bom trabalho!

Herman Voorwald
Secretário da Educação do Estado de São Paulo
A NOVA EDIÇÃO
Os materiais de apoio à implementação f incorporar todas as atividades presentes
do Currículo do Estado de São Paulo nos Cadernos do Aluno, considerando
são oferecidos a gestores, professores e alunos também os textos e imagens, sempre que
da rede estadual de ensino desde 2008, quando possível na mesma ordem;
foram originalmente editados os Cadernos f orientar possibilidades de extrapolação
do Professor. Desde então, novos materiais dos conteúdos oferecidos nos Cadernos do
foram publicados, entre os quais os Cadernos Aluno, inclusive com sugestão de novas ati-
do Aluno, elaborados pela primeira vez vidades;
em 2009. f apresentar as respostas ou expectativas
de aprendizagem para cada atividade pre-
Na nova edição 2014-2017, os Cadernos do sente nos Cadernos do Aluno – gabarito
Professor e do Aluno foram reestruturados para que, nas demais edições, esteve disponível
atender às sugestões e demandas dos professo- somente na internet.
res da rede estadual de ensino paulista, de modo
a ampliar as conexões entre as orientações ofe- Esse processo de compatibilização buscou
recidas aos docentes e o conjunto de atividades respeitar as características e especificidades de
propostas aos estudantes. Agora organizados cada disciplina, a fim de preservar a identidade
em dois volumes semestrais para cada série/ de cada área do saber e o movimento metodo-
ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e lógico proposto. Assim, além de reproduzir as
série do Ensino Médio, esses materiais foram re- atividades conforme aparecem nos Cadernos
vistos de modo a ampliar a autonomia docente do Aluno, algumas disciplinas optaram por des-
no planejamento do trabalho com os conteúdos crever a atividade e apresentar orientações mais
e habilidades propostos no Currículo Oficial detalhadas para sua aplicação, como também in-
de São Paulo e contribuir ainda mais com as cluir o ícone ou o nome da seção no Caderno do
ações em sala de aula, oferecendo novas orien- Professor (uma estratégia editorial para facilitar
tações para o desenvolvimento das Situações de a identificação da orientação de cada atividade).
Aprendizagem.
A incorporação das respostas também res-
Para tanto, as diversas equipes curricula- peitou a natureza de cada disciplina. Por isso,
res da Coordenadoria de Gestão da Educação elas podem tanto ser apresentadas diretamente
Básica (CGEB) da Secretaria da Educação do após as atividades reproduzidas nos Cadernos
Estado de São Paulo reorganizaram os Cader- do Professor quanto ao final dos Cadernos, no
nos do Professor, tendo em vista as seguintes Gabarito. Quando incluídas junto das ativida-
finalidades: des, elas aparecem destacadas.
Além dessas alterações, os Cadernos do possibilitando que os conteúdos do Currículo
Professor e do Aluno também foram anali- continuem a ser abordados de maneira próxi-
sados pelas equipes curriculares da CGEB ma ao cotidiano dos alunos e às necessidades
com o objetivo de atualizar dados, exemplos, de aprendizagem colocadas pelo mundo con-
situações e imagens em todas as disciplinas, temporâneo.

Seções e ícones

Leitura e análise Aprendendo a


aprender
Para começo de Você aprendeu?
conversa

?
!

Pesquisa individual Lição de casa

O que penso Situated learning


sobre arte?

Learn to learn Pesquisa em grupo

Homework Roteiro de
experimentação

Pesquisa de Ação expressiva


campo
Para saber mais Apreciação
SUMÁRIO
Orientação sobre os conteúdos do volume 8

Tema 1 − Universo: elementos que o compõem 9

Situação de Aprendizagem 1 − Um passeio pela galáxia 9

Situação de Aprendizagem 2 − O que tem lá em cima? 14

Situação de Aprendizagem 3 − A Terra é uma bolinha 20

Situação de Aprendizagem 4 − O Sistema Solar 29

Situação de Aprendizagem 5 − Um pulinho à Alfa do Centauro 37

Grade de avaliação 50

Propostas de questões para aplicação em avaliação 51

Tema 2 − Interação gravitacional 53

Situação de Aprendizagem 6 − As aventuras de Selene 53

Grade de avaliação 62

Propostas de questões para aplicação em avaliação 63

Proposta de Situação de Recuperação 64

Tema 3 − Universo, Terra e vida: Sistema Solar 65

Situação de Aprendizagem 7 – Matéria, movimento e Universo 65

Situação de Aprendizagem 8 – 2001: o futuro que já passou 72

Situação de Aprendizagem 9 – As leis de Kepler 83

Grade de avaliação 87

Propostas de questões para aplicação em avaliação 88


Tema 4 – Universo, Terra e vida: origem do Universo e compreensão humana 89

Situação de Aprendizagem 10 – Dimensões do espaço e do tempo 89

Situação de Aprendizagem 11 – A enciclopédia galáctica 105

Grade de avaliação 109

Propostas de questões para aplicação em avaliação 109

Proposta de Situação de Recuperação 110

Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 111

Considerações finais 117

Quadro de conteúdos do Ensino Médio 118


ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME
Neste Caderno, apresentamos uma sequên- a interpretação e a produção de textos, o
cia de Situações de Aprendizagem que têm uso de mensagens audiovisuais e o estabe-
como objetivo desenvolver noções básicas so- lecimento de relações proporcionais entre
bre o Universo. Os conhecimentos trabalha- grandezas físicas, bem como a pesquisa e a
dos seguem três linhas centrais. organização de informações. Há ênfase nas
possibilidades de estabelecer um diálogo in-
A primeira delas objetiva ensinar quais são terdisciplinar com as áreas de Linguagens e
e como são os componentes e as estruturas de Ciências Humanas.
do Universo, estabelecendo relações entre as
dimensões físicas e o conhecimento cotidia- Em todas as Situações de Aprendizagem,
no dos alunos. Trabalha-se, ainda, as relações enfatiza-se a ação dos alunos e propõe-se a
entre as características físicas dos planetas do produção de trabalhos concretos, seguindo
Sistema Solar e suas posições espaciais. uma série de etapas nas quais, você, profes-
sor, tenha condições de acompanhar não
A segunda linha refere-se à noção funda- apenas a participação dos estudantes, mas
mental de gravidade, cuja abordagem sistemá- também o nível de compreensão conceitual
tica inicia-se na Situação de Aprendizagem 6. e o desenvolvimento das habilidades e com-
petências envolvidas.
A terceira propõe a investigação da evolu-
ção das concepções de Universo e de matéria, Entre os tipos de produção solicitados aos
enfatizando aspectos da história mais recente, estudantes está a confecção de maquetes e a
como o surgimento de novas concepções so- realização de encenações de situações físicas
bre o espaço e o tempo e suas repercussões. e de simulações.

Também apontamos para as possibilida- As oportunidades de avaliação de aprendi-


des futuras que o atual conhecimento cientí- zagem foram consideradas na elaboração de
fico permite imaginar: os próximos passos na todas as atividades, havendo diversas situações
exploração do espaço e as chances de encon- em que você, professor, deverá acompanhar o
trarmos vida fora da Terra. Do ponto de vista processo de leitura, interpretação, realização
tecnológico, espaçonaves, sondas espaciais, de medidas, confecção de gráficos e diagramas
satélites e outros artefatos e técnicas relacio- e produção de apresentações. Esperamos que,
nados ao tema são abordados no contexto das por meio dessa avaliação contínua, você tenha
leis da mecânica e de suas aplicações. condições de acompanhar o desenvolvimento
de cada aluno e tomar medidas que permitam
Entre as habilidades e competências en- sanar eventuais dificuldades ainda durante o
fatizadas neste Caderno estão a leitura, processo de aprendizagem.

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Física – 1a série – Volume 2

TEMA 1 − UNIVERSO: ELEMENTOS QUE O COMPÕEM


Um dos maiores interesses dos jovens, A proposta deste Caderno é apresentar um
quando se trata de Ciência, é saber algo mais panorama geral dos conhecimentos atuais sobre
sobre o espaço, o Universo, os planetas, ou os elementos do espaço e alguns conceitos físicos
seja, temas ligados à astronomia e à cosmo- que fundamentam tais conhecimentos. A ênfase é
logia. Além disso, cada vez mais a tecnologia dada na percepção de nossa relação com o espaço,
espacial ganha importância na vida social e suas dimensões e possibilidades, de forma que as
econômica, por conta das telecomunicações e Situações de Aprendizagem procuram enfocar o
por razões estratégicas. ponto de vista humano para as questões espaciais.

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, Despertar o interesse dos estudantes para


a importância desse tema foi reconhecida e que busquem aprofundar seus conhecimentos
valorizada. No Ensino Médio, a disciplina é uma das estratégias adotadas, uma vez que o
que não poderia deixar de tratar o tema é a tempo para se trabalhar com o tema é limitado.
Física, uma vez que ela é a base da ciência e Você poderá verificar isso nas atividades, que su-
da tecnologia do espaço. gerem um bom número de leituras e pesquisas.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
UM PASSEIO PELA GALÁXIA
Esta Situação de Aprendizagem propõe a lei- dições cósmicas e o surgimento da vida e da
tura do livro de ficção O guia do mochileiro das inteligência; possibilitar a organização e a sis-
galáxias, de Douglas Adams, ao longo das aulas. tematização de informações e conceitos físicos
sobre os elementos que compõem o Universo,
Os objetivos são: estimular, por meio da além de fornecer e enriquecer termos específi-
ficção, a leitura de temas científicos; propiciar cos da astronomia e terminologia própria do
debates atuais sobre as relações entre as con- discurso científico.

Conteúdos e temas: os diferentes elementos que compõem o Universo e sua organização; termos, con-
ceitos e ideias associados à descrição dos corpos celestes e sua organização; debates atuais sobre as
relações entre as condições cósmicas e o surgimento da vida e da inteligência.

Competências e habilidades: ler e interpretar textos envolvendo termos e ideias científicas; narrar e
debater as situações imagináveis relacionadas à exploração do espaço.

Sugestão de estratégias: leituras, discussões em sala, narrações e debates; levantamento de representa-


ções sobre o Universo.

Sugestão de recursos: livro O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams, e filme homônimo.

Sugestão de avaliação: ao longo das aulas, você deve ficar atento a indicadores que mostrem que a lei-
tura está sendo realizada pelos alunos; isso pode ser verificado por meio das diversas formas descritas
no tópico Encaminhando a ação.

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Desenvolvimento da Situação de verso da ciência astronômica (planetas, galá-
Aprendizagem xias, estrelas), referências ao surgimento da
vida, questões ligadas às dimensões e distân-
A atividade da leitura é essencial em todas cias do meio espacial e noções matemáticas.
as áreas do conhecimento humano. Despertar
o interesse do estudante pela leitura é abrir-lhe O livro O guia do mochileiro das galáxias
portas para o universo da cultura sistematiza- foi sugerido por uma série de fatores. Em pri-
da, de importância maior que qualquer outra meiro lugar, porque é um livro interessante e
atividade que possamos lhe proporcionar. atual, com linguagem, enredo, referências e
Como a leitura de temas científicos pode ser situações de nível intermediário, adequadas a
estimulada por meio da ficção, escolhemos jovens e adultos. A leitura, portanto, apesar
para esta atividade o livro O guia do mochilei- do esforço exigido, não será inacessível. Trata-
ro das galáxias, de Douglas Adams, publica- -se de um livro atraente, que possui humor,
do no Brasil pela editora Sextantea. Caberá a aventura e romance. Ao mesmo tempo, apre-
você, professor, acompanhar a leitura dos es- senta diversas situações cotidianas que abor-
tudantes e introduzir em suas aulas elementos dam relações humanas e problemas com os
dela derivados. quais nos defrontamos em nosso dia a dia, ou
seja, não é uma obra descolada do contexto
É fundamental que, durante a sua leitu- sociocultural dos estudantes.
ra, você destaque e anote no livro os pontos
que considera relevantes para o trabalho ao Além disso, o livro coloca questões cientí-
longo do volume. Pode ser que ache inte- ficas relevantes e trabalha com uma termino-
ressante, em dado momento, dar destaque logia cujas características são próprias do dis-
à discussão sobre probabilidade e ordens curso científico, com o qual os estudantes estão
de grandeza, estimulada pelos diálogos que iniciando seu contato. Um fator essencial, no
aparecem no capítulo 9. Ou talvez queira entanto, é a acessibilidade, sendo um livro ba-
comentar as teorias sobre o surgimento da rato e fácil de encontrar, além de possuir uma
vida a partir das digressões do capítulo 5. versão cinematográfica de 2005, razoavelmente
No capítulo 24, poderá achar interessante fiel à história escrita. Se escolher outra obra,
a discussão do significado de infinito ou, tente seguir esses critérios.
quem sabe, discutir a ideia de ano-luz. Se
tais discussões vão surgir ou não naqueles Quanto à interdisciplinaridade, na 1ª sé-
exatos pontos da leitura é algo que pode rie do Ensino Médio se estabelece o primeiro
ficar em aberto, pois as mesmas questões contato mais sistemático dos estudantes com
aparecem em diversos pontos da história. os estudos literários. O planejamento de ati-
vidades conjuntas com o professor de Língua
Durante a leitura do livro, os estudantes Portuguesa e Literatura pode ser bastante fru-
vão se defrontar com diversos conceitos e ter- tífero. A leitura do livro sugerido é uma das
mos relacionados aos atuais modelos de Uni- oportunidades para isso.

a
Evidentemente, a escolha do título é uma sugestão. Caso você queira escolher outra leitura, sugerimos que esteja atento
aos critérios que usamos na escolha dessa obra, descritos logo adiante.

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Física – 1a série – Volume 2

Encaminhando a ação 2. Exibição do filme

1. Contextualização Após a contextualização do autor e da


obra, que serão o foco para o desenvolvimento
É importante ter em mente que qualquer da Situação de Aprendizagem, pode-se orga-
obra de ficção levada para a sala de aula nizar a classe para assistir ao filme escolhido.
deve ser devidamente contextualizada, para Sendo um longa-metragem, como é o caso de
que os alunos tenham uma compreensão O guia do mochileiro das galáxias, será neces-
adequada das relações entre essa obra e os sário dispor de aproximadamente duas horas
conteúdos a ser desenvolvidos. A obra fic- para a realização da atividade. Isso nem sem-
cional não possui as mesmas finalidades de pre é algo simples de providenciar na escola,
uma obra didática e, portanto, seu foco não de forma que, se você fizer questão de exibir o
está na precisão conceitual e sim no conteú- filme na íntegra para os estudantes, provavel-
do artístico. mente terá de fazer arranjos de horários com
outros professores. A exibição integral do fil-
No caso específico da obra sugerida, te- me em si não é essencial para o bom anda-
mos uma produção humorística que sati- mento da atividade, que é focada na leitura.
riza, ao mesmo tempo, a ficção científica e
as relações humanas, sobretudo no que se Acreditamos, entretanto, que, caso seja
refere aos conhecimentos científicos e tecno- possível, ao menos um trecho deva ser visto,
lógicos. pois isso certamente facilitaria a leitura dos
alunos. Uma possibilidade é, após a contex-
Dessa forma, sugerimos que você pro- tualização, exibir 15 a 20 minutos iniciais, de
cure conhecer um pouco mais o autor, sua forma a estimular a curiosidade deles, e passar
obra e o contexto em que ela foi produzi- como tarefa que assistam a ele na íntegra, pos-
da. Douglas Adams, comediante britânico sivelmente em grupos, em suas próprias casas.
ligado ao grupo humorístico Monty Python,
produzia O guia do mochileiro das galáxias 3. Orientando a leitura
como um programa de rádio para a BBC de
Londres, tendo-o publicado depois na for- Oriente os alunos para que providenciem
ma de uma série de cinco livros, dos quais o livro. Como se trata de uma obra muito co-
esse é o primeiro. nhecida, não é difícil encontrá-la em bibliote-
cas e lojas de livros usados e, eventualmente,
Não cabe aqui reproduzirmos as abun- na biblioteca da escola.
dantes informações sobre Adams, a série
de livros e o grupo Monty Python, pois são Após iniciada a leitura, é importante que,
encontradas com facilidade na internet. O se não em toda aula, ao menos a cada semana
que queremos enfatizar é a necessidade de seja feita uma verificação do andamento da lei-
dar uma breve explicação aos alunos sobre tura pelos alunos: proponha questões, solicite
essa obra, sobre o autor e por que ela foi es- pequenas descrições e narrações ou proponha
colhida para o trabalho didático. Quanto a debates sobre momentos específicos da histó-
este último aspecto, é importante que você, ria. Eventualmente, peça que entreguem por
professor, procure falar dos conhecimentos escrito respostas a questões propostas ou pe-
que a obra pode ajudar a trazer para a sala quenos resumos ou, ainda, sorteie um aluno
de aula (por exemplo: O que é uma galáxia? da classe para comentar pontos que ele julgou
O que é uma estrela? etc.). interessantes (ou obscuros) em sua leitura.

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É possível, a cada duas aulas, fazer uma Esta atividade é fundamentalmente de-
rápida verificação de leitura, usando para senvolvida em casa. É exigido dos alunos
isso por volta de cinco minutos. Não con- que assistam ao filme logo no início do vo-
vém, porém, adotar sempre a mesma estra- lume e que leiam o livro ao longo dos Temas
tégia, para não criar uma sistemática mecâ- 1 e 2.
nica de leitura. Um dia, por exemplo, peça
que os alunos tragam o livro à classe e eleja Com o intuito de preparar os alunos
um deles para ler um trecho de que gostou para a leitura do livro, as seguintes ques-
e peça que os outros comentem. Em outra tões serão colocadas. Elas servirão também
ocasião, pode-se pedir que um aluno des- para familiarizá-los com a obra e seu autor.
creva a leitura que realizou na semana. Em
outra, ainda, pode-se pedir aos alunos que 1. Qual é o título do livro que seu professor
realizem, em grupo, um resumo da leitura. sugeriu?
Pode solicitar que destaquem expressões e Sugerimos os títulos:
termos desconhecidos, discutam seu signi- tO guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams;
ficado ou, ainda, pode-se pedir aos alunos tEncontro com Rama, de Arthur C. Clarke;
que pesquisem a respeito. Também é possí- tO robô de Júpiter, de Isaac Asimov.
vel fazer breves julgamentos sobre as ações Esses livros são obras de ficção. Ao longo do Caderno, você,
das personagens, estabelecendo debates. O professor, conta com outras sugestões de obras. As ques-
estímulo criado por situações diversifica- tões de acompanhamento da leitura propostas são gerais
das pode incentivar a leitura dos alunos. para se adequar a diversos títulos, de ficção e de não ficção,
permitindo que você faça escolhas e que os alunos leiam
É preciso estar consciente, porém, de que diferentes obras.
nem todos os alunos possuem o mesmo inte-
resse e desenvoltura na leitura e ter em men- 2. Quando soube do título, qual foi sua im-
te que o objetivo da atividade é despertar o pressão sobre o assunto do livro?
prazer e não a obrigação de ler. Espera-se que o aluno escreva livremente sobre suas impressões
iniciais, como forma de incentivar a disposição para a leitura.
Eventualmente, se algum aluno só conse-
guir cumprir parte da leitura, isso não sig- 3. Qual é o nome do autor? O que seu profes-
nifica que ele não tenha tirado proveito da sor comentou sobre ele?
atividade. Além disso, é natural que alguns Professor, é importante que você comente algo sobre o au-
simplesmente não gostem da história, o que tor do livro na primeira aula e verifique se o aluno assimilou,
é aceitável. ao menos, as informações principais.

Vale a pena deixá-los expressar sua opi- 4. Na sua opinião, qual é a relação entre esse
nião e confrontá-la com as diversas opiniões. livro e o conteúdo das aulas?
E, evidentemente, pode ser que você não O aluno deve mencionar conceitos astronômicos, viagens
goste da leitura. Neste caso, sugerimos que espaciais, planetas, galáxias, estrelas, relacionando-os com o
procure uma que julgue interessante. É reco- título ou com o tema do livro.
mendável adaptar as atividades previstas ao
texto de sua escolha. Algumas alternativas a 5. Se houve apresentação de vídeo, que vídeo
essa obra estão apresentadas no item Recur- foi esse? Qual a relação entre o vídeo e o
sos para ampliar a perspectiva do professor livro?
e do aluno para a compreensão do tema, no Alguns livros possuem versão cinematográfica e a exibição de
final deste Caderno. um trecho pode ajudar no processo de leitura. Uma sugestão

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Física – 1a série – Volume 2

é a exibição de um vídeo motivador. Para O robô de Júpiter, 2. Procure mais informações sobre o livro
por exemplo, a exibição de um vídeo sobre os planetas pode que será lido durante as aulas. Você pode
auxiliar na compreensão do assunto pelos alunos. obtê-las na internet usando o roteiro a
seguir:
Ao final da aula na qual foram apresenta-
dos o livro e o filme, solicite uma tarefa aos a) Quem é o autor? Registre sua nacionali-
alunos: dade, local onde vive(eu), data de nasci-
mento e de morte (se necessário).
1. Para a próxima aula, procure
lembrar-se de ideias associadas ao b) Qual é a formação do autor? Em que
espaço que aparecem em meios de profissões atua(ou)? Além de escrever,
comunicação, como filmes, revis- ele exerce(eu) outra atividade?
tas, histórias em quadrinhos, jornais, tele-
jornais, documentários, livros, desenhos c) Que tipos de livro esse autor costuma(va)
animados, propagandas, letras de música. escrever? Há outros livros importantes
Anote em seu caderno essas ideias (plane- escritos por ele? Qual(is)?
tas, naves, extraterrestres, estrelas e assim Professor, para as questões a, b e c, você precisa reunir as in-
por diante), indicando também de onde elas formações solicitadas para checar a pesquisa do aluno.
foram tiradas. Se possível, faça uma pesqui-
sa sobre o tema e leve pelo menos três dos d) Sobre o livro que você vai ler: Que in-
materiais encontrados para a sala de aula. formações novas você conseguiu? Você
encontrou opiniões a respeito dessa
© Thom Lang/
Corbis/Latinstock

© Clark Dunbar/
Corbis/Latinstock

obra? Quais?
Essa é uma questão aberta. É possível que o aluno não en-
contre opiniões sobre o livro, mas isso não compromete a
atividade.

Alguns filmes e seriados de ficção cien-


© Stocktrek Images/
Corbis/Latinstock

tífica podem ajudar o aluno a compreender


© Tony Hallas/
SPL/Latinstock

melhor a leitura desse gênero, como é o caso


de Jornada nas estrelas e Star Wars (Guerra
nas estrelas). Você pode orientar os alunos a
pensar nos aspectos que lhes parecem fanta-
Figura 1. siosos e nos que se aproximam da realidade
(conforme indicado em Aprendendo a apren-
O aluno deve levar para a sala de aula os materiais encontra- der, Caderno do Aluno).
dos: figuras, reportagens, histórias em quadrinhos. Professor,
é importante que você verifique se os materiais têm relação Vale a pena comentar com os alunos as-
com o espaço; caso essa relação lhe pareça muito vaga, pectos práticos e estratégicos que estão tor-
questione o aluno quanto à relação que ele imaginou. Trata- nando as tecnologias espaciais cada vez mais
-se de uma forma de avaliação diagnóstica das concepções importantes dos pontos de vista econômico
prévias dos alunos. e político.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
O QUE TEM LÁ EM CIMA?
Esta Situação de Aprendizagem tem Universo. A partir dessa manifestação co-
como objetivo estimular os alunos a ex- letiva, pretende-se estimular a reflexão e o
pressar as imagens e os modelos que tra- debate, para que os próprios alunos pos-
zem de sua cultura primeira e que dizem sam estabelecer e aperfeiçoar seus modelos
respeito aos elementos que compõem o de representação.

Conteúdos e temas: os diferentes elementos que compõem o Universo e sua organização a partir de
características comuns em relação a massa, distância, tamanho, velocidade, trajetória, formação e
agrupamento.

Competências e habilidades: desenvolver atitude investigativa e de pesquisa bibliográfica e iconográfi-


ca; organizar, representar e expressar, por meio de diferentes linguagens, modelos sobre corpos celes-
tes; desenvolver a prática da escrita, com narração de eventos e descrição de fenômenos.

Sugestão de estratégias: explicitação pelos alunos dos conceitos sobre os elementos do espaço, proble-
matização e debate; sistematização coletiva por meio de imagens e elaboração em grupo de histórias.

Sugestão de recursos: imagens coletadas na internet e em livros ilustrados: planetas, asteroides, come-
tas, satélites, diferentes tipos de estrelas, galáxias, nebulosas, aglomerados globulares, aglomerados
abertos, buracos negros, estrelas de nêutrons; algumas dessas imagens serão necessariamente repre-
sentações pictóricas e não fotográficas, como no caso do buraco negro e das estrelas de nêutrons;
um material particularmente interessante é o livro O Universo, da série Atlas visuais, publicado pela
editora Ática.

Sugestão de avaliação: verificar a qualidade dos produtos (mapa conceitual e história) elaborados
pelos alunos.

Desenvolvimento da Situação de ra etapa para a construção de um modelo


Aprendizagem estruturado do conhecimento astronômico
atual, fundamental para que o estudante se
A prioridade desta Situação de Apren- prepare para compreender seu significado
dizagem é produzir uma estrutura capaz e suas implicações culturais no mundo de
de explicitar os modelos a partir dos quais hoje. Com relação aos conhecimentos siste-
os estudantes concebem o espaço e o Uni- matizados, a ênfase deverá recair sobre os
verso. Todos eles trazem, em sua bagagem seguintes tópicos:
cultural, representações e modelos imagina-
tivos de planetas, cometas, galáxias, estrelas f Planetas orbitam diretamente determina-
e tantas outras coisas. Tais representações dos corpos, denominados estrelas; há ou-
devem ser apresentadas e confrontadas com tros corpos que orbitam as estrelas, mas
as diversas descrições dos outros estudan- que não são considerados planetas.
tes, de materiais de divulgação, do profes- f Estrelas são astros de grande massa, que
sor, entre outros. Trata-se de uma primei- produzem luz e calor, em torno das quais

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Física – 1a série – Volume 2

podemos encontrar planetas e outros cor- apenas uma descrição daquilo que encon-
pos celestes. trou, possivelmente em um desenho ou pa-
f Satélites naturais são corpos que orbitam rágrafo redigido no caderno.
os planetas.
f As estrelas formam agrupamentos chama- 2. Estruturação
dos galáxias, compostos de milhões de es-
trelas. Em sala de aula, organize os alunos em
f O Sol é uma estrela. grupos. Cada grupo será responsável por estru-
f As distâncias relativas entre estrelas são ex- turar e apresentar os objetos pesquisados por
tremamente elevadas. seus integrantes. Oriente o trabalho dos grupos
apresentando-lhes a lista de questões a seguir.

Encaminhando a ação 1. Quais foram os exemplos trazidos pelos co-


legas do grupo? Escreva a lista completa.
1. Pesquisa (solicitada na Situação de Alguns exemplos: nave, Lua, estrela cadente, planeta, raios,
Aprendizagem 1) Sol, extraterrestres (ET), meteoritos, bombas, cometa, fogue-
te, nuvens, asteroide, estrelas, constelações, disco voador, ga-
A primeira etapa do trabalho é a pesqui- láxia, nebulosas, satélite, alienígenas (aliens), buracos negros.
sa que os alunos deverão realizar em casa.
Trata-se de obter representações de quaisquer 2. Descreva três dessas situações trazidas pe-
situações que se refiram ao espaço, tomado na los colegas. Não se esqueça de indicar de
concepção própria dos estudantes. O material onde o exemplo foi tirado.
de pesquisa será, fundamentalmente, aquele Aqui, espera-se que o aluno tente usar o próprio vocabulá-
veiculado pelos meios de comunicação, dos rio para descrever os materiais pesquisados. Professor, neste
quais podemos destacar: momento você ainda está em uma fase de avaliação diag-
nóstica do nível de conhecimento dos alunos. Como neste
f histórias em quadrinhos; exercício é trabalhada a habilidade de escrita, você pode
f propagandas (impressas, televisivas ou ra- avaliar a clareza e a correção do texto.
diofônicas);
f revistas e jornais em geral; 3. Agora, discuta com o grupo: Quais exem-
f livros de ficção ou de divulgação científica; plos estão mais próximos da realidade? E
f reportagens e documentários de televisão; quais parecem ser exageradamente fanta-
f filmes, seriados ou desenhos animados; siosos? Por quê? Registre com suas pala-
f telenovelas; vras as conclusões do grupo.
f video games; O aluno deve apresentar os exemplos e justificá-los. Por exem-
f jogos e brinquedos; plo: foguetes são reais porque vários já foram lançados no es-
f websites. paço, e tais lançamentos foram noticiados em jornais e na TV.
Extraterrestres parecem ser fantasiosos, porque só os vemos
O tipo de objeto ou situação representada em filmes e em depoimentos sem embasamento científico,
pode incluir qualquer coisa que os estudan- que não apresentam nenhuma prova de sua existência.
tes associem ao espaço: planetas, satélites,
espaçonaves, estrelas, seres extraterrestres, 4. Observe a figura a seguir. Ela mostra
óvnis ou discos voadores, trajes espaciais. uma maneira interessante de organizar as
Nenhuma censura deverá ser realizada nes- ideias, de mostrar como uma coisa está
se processo. O aluno não precisa necessaria- relacionada a outra. Com seu grupo, tente
mente levar o material para a escola, mas elaborar um esquema como esse, usando

15
os exemplos que você citou na questão 2. Nesta etapa surgirão diversos aspectos inte-
Ao tentar fazer isso, certamente surgirão ressantes para o encaminhamento. Os alunos
dúvidas e discussões. Quando for preciso, ficarão em dúvida sobre muitas das relações
peça ajuda ao professor, mas também sol- que devem estabelecer. Saliente que, nesta ati-
te a imaginação, pois há muitas manei- vidade introdutória, as dúvidas são normais
ras diferentes de criar o esquema, todas e que é importante a discussão e a argumen-
elas válidas. tação para verificar a coerência das ideias e as
diferentes possibilidades. Observe também que
muitas das dúvidas serão discutidas ao longo
Disco voador deste volume.
é
Peça aos alunos que trabalhem nessas re-
lações, solicite que entreguem por escrito o
Espaçonave
resultado da discussão do grupo, acompanha-
de um ser do da lista de filmes, livros e outros materiais
consultados, enfatizando a importância de
Estrela apresentar referências bibliográficas em todos
Extraterrestre
os trabalhos.
originário de outro que orbita
3. Exposição
integrante de
Planeta
Terminada a etapa anterior, peça a cada
integrante de
grupo que exponha brevemente o que en-
controu. Outros grupos poderão comentar
Sistema estelar e eventualmente discordar das opiniões ex-
Figura 2. pressas pelo grupo que estiver expondo. Se
possível, monte com os alunos um grande es-
As possibilidades de resposta são bastante variadas. Professor, quema na lousa, com os elementos trazidos
você deve verificar a coerência conceitual e realizar as cor- pelos grupos, juntando os mapas conceituais
reções necessárias. elaborados em um único mapa maior.

Estimule os alunos a conversarem sobre 5. Depois que seu esquema estiver concluído,
coisas que “existem” e que “não existem”. faça a apresentação dos resultados do traba-
Oriente a discussão com o objetivo de dis- lho para a turma. Escreva que modificações
cernir aquilo que a Ciência considera prati- você faria no seu esquema, incluindo aquilo
camente certo (como a existência de planetas que aprendeu durante as apresentações dos
orbitando outras estrelas) daquilo que não colegas. Esta é uma tarefa individual.
possui qualquer evidência (como seres in- Professor, você deve verificar as correções feitas pelos alunos.
teligentes em outros planetas) ou do que se
considera improvável (espaçonaves extrater- 4. Sistematização
restres visitando a Terra), sempre lembrando
que, embora o conhecimento científico seja Utilizando-se de uma sequência de ima-
provisório e possa mudar radicalmente, mui- gens que represente os diversos elementos, ela-
tas coisas são conhecidas com razoável grau bore juntamente com os alunos uma estrutura
de certeza. hierárquica que deve incluir:

16
Física – 1a série – Volume 2

f a Terra e a Lua; gos” e “pesquisadores”, cujas informações são


f o Sol, os planetas do Sistema Solar e al- absolutamente questionáveis do ponto de vis-
guns de seus satélites; ta científico. Não há uma ciência denominada
f cometas e asteroides; ufologia aceita pela comunidade científica.
f representações de diversos tipos de estrelas;
f aglomerados de estrelas e nebulosas; Se, por um lado, os alunos podem (e de-
f galáxias. vem) expressar e colocar em questão suas
crenças de forma livre, não cabendo a você
Essas imagens podem ser obtidas na inter- desqualificá-las, por outro, crenças pessoais
net com facilidade, por meio de sites de busca. não devem ser colocadas no mesmo pata-
Como se trata apenas de imagens, e não de mar do conhecimento científico. Seu papel é
texto, você pode aumentar as possibilidades mostrar aquilo que é aceito pela comunidade
de selecionar imagens interessantes usando científica e as razões pelas quais determina-
termos em inglês, dos quais sugerimos uma das afirmações não são aceitas. Por isso, para
pequena lista a seguir: preparar-se para esse debate, sugerimos a bi-
bliografia introdutória citada anteriormente.

Earth, Moon, Sun, Planets, Mercury, 5. Escrevendo uma história


Venus, Mars, Deimos Mars, Jupiter,
Europa Jupiter, Jupiter Moons, Saturn, A seguir, apresentamos uma forma de fazer
Titan Saturn, Uranus, Neptune, Pluto, o fechamento da atividade propondo aos alu-
Solar System, Comets, Halley Comet, nos que utilizem sua imaginação.
Hale-Bopp, Asteroid, Meteorite, Red Giant,
White Dwarf, Brown Dwarf, Planetary 6. Voltando a trabalhar em grupo, a tarefa
Nebulae, Open Cluster, Globular Cluster, agora será imaginar a história de uma via-
Galaxy, Galaxies, Black Hole, Pulsar, gem fictícia pelo espaço. Pode ser uma
Neutron Star, Extrasolar, Supernova. viagem turística, uma viagem de pesquisa,
a história de alguém capturado por uma es-
Quanto a questões sobre discos voadores, paçonave alienígena, um sonho, qualquer
viagens interestelares e seres de outros plane- roteiro imaginado pelo grupo. Na sala de
tas, informe-se sobre o que a Ciência sabe a aula, você deve apenas imaginar a história,
esse respeito. Algumas obras de divulgação que será escrita em casa. Agora, escreva um
científica podem ajudá-lo a conhecer um pou- roteiro resumido da história, que contenha
co mais o assunto. Entre elas, indicamos: seus personagens e os fenômenos e eventos
que serão vistos ao longo da viagem.
f ASIMOV, Isaac. Civilizações extraterre- Professor, avalie se o grupo propôs:
nas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. tpersonagens;
f HEIDMANN, Jean. Inteligências extrater- troteiro;
restres. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. tfenômenos coerentes com o conteúdo da matéria.
f SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos
demônios: a ciência vista como uma vela no Se for possível, seria interessante que as his-
escuro. São Paulo: Companhia das Letras, tórias fossem digitadas e entregues em formato
1997. Relançado em edição de bolso em 2006. eletrônico, para que pudessem ser impressas,
formando um livrinho no final do processo. Se
Alertamos que há muitos livros e artigos de a escola ou a turma possuir um website, as nar-
revistas escritos por autodenominados “ufólo- rativas podem ser publicadas ali, para acesso de

17
todos. Ou, então, um aluno (ou mesmo você) Algumas questões (seção Você aprendeu?)
pode se encarregar de colocá-las em um blog. podem ajudar os alunos no registro dos co-
Caso nada disso seja possível, monte uma pasta nhecimentos adquiridos:
com as histórias da classe para que todos os alu-
nos possam lê-las, de acordo com seu interesse. 1. Qual é a principal diferença
entre um planeta e um satélite
Essa atividade pode ser organizada em qua- natural?
tro etapas. Na primeira delas, encaminhe a for- Os planetas orbitam o Sol (assim como
mação dos grupos de discussão e, de preferên- outros corpos, a exemplo de cometas, asteroides, planetas-
cia, faça um breve encerramento, verificando se -anões). Os satélites naturais, por sua vez, são corpos que
todos os grupos conseguiram montar o esque- orbitam planetas ou planetas-anões. Espera-se aqui que o
ma que será apresentado posteriormente. Você aluno perceba pelo menos que os planetas orbitam o Sol di-
pode estimular a participação dos alunos, per- retamente e que os satélites orbitam os planetas.
correndo os grupos e lançando questões. Evite
que o trabalho seja realizado de forma rápida e 2. Todos os corpos que orbitam o Sol são pla-
sem reflexão. Uma ideia é pedir que elaborem netas? Explique.
um pequeno cartaz em cartolina, para ser usado Não. Há também os cometas, os asteroides e os planetas-anões.
na exposição.
3. Que outros corpos do espaço podem ser
Na segunda etapa, deverá ocorrer a apre- considerados similares ao Sol? Por quê?
sentação dos grupos, com os seus comentários As estrelas. O Sol é uma estrela, pois é um astro que produz
e o incentivo ao debate. A apresentação de luz e calor por meio de reações de fusão nuclear que ocor-
cada grupo deve, idealmente, ser acompanha- rem em seu interior. Neste momento, não é necessário que o
da de uma discussão com a classe. Essas duas aluno compreenda o que é fusão nuclear. Apenas devem ser
etapas são fundamentais para que os alunos evitadas analogias com a queima de combustíveis para não
reflitam sobre os temas de estudo, explicitan- reforçar concepções espontâneas.
do suas ideias e concepções. Fique atento, pois
isso funciona também como uma avaliação 4. O que é uma galáxia? Tem algo a ver com
diagnóstica, revelando aspectos que precisam constelação?
de maior atenção. Galáxia é um imenso agrupamento de estrelas que orbitam
em torno de um centro comum e é geralmente compos-
Para montar a terceira etapa (sistematiza- ta de milhões delas. Constelação é uma das 88 regiões do
ção, com a apresentação de imagens), pode-se céu (na qual algumas estrelas podem formar um padrão, ou
tomar como base o livro O Universo, da série desenho, convencionalmente aceito). Diferentemente das
Atlas visuais, publicada pela editora Ática, galáxias, constelações não são agrupamentos de estrelas
uma obra de fácil obtenção, com um bom re- próximas, mas simplesmente vistas na mesma direção.
sumo do assunto e ótima qualidade de ima-
gens. O enfoque, porém, é um pouco distinto. A etapa final e o seu resultado (as histórias)
Seria interessante caracterizar inicialmente o configuram a melhor oportunidade de avaliação
Sistema Solar, partindo da Terra, depois falar do processo como um todo, seja com relação ao
um pouco das estrelas e de sua formação, para aprendizado conceitual, seja com relação ao en-
finalmente abordar as galáxias ou, em outras volvimento dos estudantes no processo. A reda-
palavras, as estruturas do Universo. Não cabe- ção final também pode ser avaliada pelo profes-
ria falar da exploração espacial nem entrar em sor de Língua Portuguesa, como uma atividade
muitos dados quantitativos. interdisciplinar.

18
Física – 1a série – Volume 2

Em todas essas quatro etapas é importan- introdução, agradecimentos etc.) aparecem antes do início
te frisar a importância de iniciar a leitura do da história. É importante também identificar qual é a edição
livro O guia do mochileiro das galáxias (ou o do livro que o aluno está lendo, porque muitas vezes, entre
escolhido por você), que deve ser verificada a uma edição e outra, textos iniciais e finais podem ser adicio-
partir da próxima atividade. nados, modificados ou retirados pela editora.

1. Na sala de aula, você imaginou d) Procure nas páginas iniciais do livro


uma história de viagem espacial quando ele foi escrito e responda:
com seus colegas e definiu o roteiro. Quantos anos tem essa obra? Você
Agora chegou a hora de escrevê-la. acha que o conhecimento científico
Ela não precisa ser longa; uma ou duas pági- sobre o espaço mudou muito desde
nas são suficientes. Se possível, tente digitá-la que o livro foi escrito? Explique.
no computador. Não se esqueça de que a his- Procurando no livro (no início ou no fim), em geral, é
tória deve apresentar as personagens e suas possível encontrar essa informação, que frequentemente
características e contar um fato, com come- pode ser obtida também na internet. A segunda pergunta
ço, meio e fim. Tente também fazer um dese- é mais aberta e serve para diagnosticar a visão do aluno
nho (à mão ou em algum programa de com- sobre o assunto.
putador) para ilustrar sua história.
Verifique a linguagem, personagens e coerência da história. e) Vamos programar a leitura: Quantas
páginas o livro tem? Quantos capítulos?
2. Agora você já deve ter seu livro de leitura Tente calcular quantas páginas você
em mãos e provavelmente começou a lê-lo. deve ler por semana para terminar a lei-
Aqui vão algumas tarefas para você. tura no prazo estipulado pelo professor.
Vale a pena exigir do aluno um ritmo de leitura, então
a) Na capa do livro também existem textos esse cálculo é importante. Mas tenha em mente que nem
e imagens. Na parte de trás e nas dobras todos os alunos conseguirão acompanhar esse ritmo, o
da capa (orelhas), geralmente há várias que não prejudica a atividade. As atividades com o livro
informações sobre a obra. Faça um re- foram planejadas levando em conta essas diferenças de
sumo dessas informações. ritmo de leitura.
Professor, é importante que você consulte o livro sugerido
aos alunos. Se achar interessante, peça-lhes que escrevam 3. Para a próxima Situação de Aprendiza-
também sobre as imagens da capa do livro. gem você deve providenciar bolas dos
mais variados tamanhos e tipos, a fim de
b) Escreva qual é a relação entre o que há realizar uma atividade sobre o Sistema
na capa do livro e as informações apre- Solar. Algumas sugestões: bola de gude,
sentadas nas aulas. bolinhas de aço, bolinhas de isopor, boli-
Aqui a relação pode ser bastante superficial, mas o aluno nhas de cabeça de alfinete, bola de pingue-
deve conseguir estabelecê-la. -pongue, bola de tênis, bola de borracha,
bola de futebol, bola de vôlei, bola plásti-
c) Verifique no início do livro se há um texto ca grande de parque de diversões. Se pos-
chamado “prefácio” ou “introdução”. Se sível, traga também bolinhas bem peque-
houver, leia-os. Eles foram escritos pelo nas, como as bolinhas de isopor usadas no
autor da obra? O que é dito nesses textos? enchimento de almofadas.
Para que servem? Explique e combine com os alunos os tipos de bola
Nem todos os livros apresentam prefácio ou introdução. que eles podem levar para a atividade da Situação de
Professor, você deve verificar quais tipos de texto (prefácio, Aprendizagem 3.

19
Nas próximas aulas, precisare- os polos Norte e Sul) e o diâmetro equato-
mos de algumas informações im- rial (entre dois pontos opostos na Linha do
portantes sobre a Terra e a Lua. Equador). Descubra esses valores e calcule
Faça a pesquisa em enciclopé- a diferença entre eles.
dias, em livros e na internet e responda: Diâmetro polar: aproximadamente 12 713 km. Diâmetro
equatorial: aproximadamente 12 756 km. Os valores so-
1. Qual é o ponto de maior altitude da su- frem pequenas variações de acordo com a fonte de pes-
perfície terrestre? Qual é essa altitude em quisa consultada.
quilômetros?
A maior altitude da superfície terrestre é encontrada no 5. Qual é a distância entre a Terra e a Lua?
Monte Everest, cerca de 8 850 m ou 8,85 km, localizado na Esse valor varia ao longo da órbita da Lua ao redor da Terra
Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Ti- (e também ao longo do tempo). O valor médio é de apro-
bete. O valor sofre pequenas variações de acordo com a ximadamente 384 405 km, podendo sofrer pequenas varia-
fonte de pesquisa consultada. ções de acordo com a fonte de pesquisa.

2. Qual é o ponto mais profundo dos oceanos 6. Qual é o diâmetro da Lua?


terrestres? Qual é sua profundidade? O diâmetro da Lua é de aproximadamente 3 476 km, va-
O ponto mais profundo dos oceanos terrestres está loca- lor que sofre leves variações de acordo com a fonte de
lizado na Fossa das Ilhas Marianas (Oceano Pacífico), com pesquisa.
10 911 m, aproximadamente. O valor sofre pequenas varia-
ções de acordo com a fonte de pesquisa consultada. Esta Situação de Aprendizagem envol-
ve dois momentos cruciais de trabalho em
3. Qual é o diâmetro do planeta Terra? casa: a pesquisa e a redação final da histó-
O diâmetro do planeta Terra é de aproximadamente ria. Como complemento, os alunos podem
12 756 km. O valor sofre pequenas variações de acordo escrever como suas ideias foram se modifi-
com a fonte de pesquisa consultada. cando ao longo da atividade, desde antes de
iniciar a procura dos materiais até a elabo-
4. Como a Terra não é uma esfera perfeita, ração da história.
há diferença entre o diâmetro polar (entre

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
A TERRA É UMA BOLINHA

Esta é a primeira de uma sequência de ativi- celestes no Sistema Solar. O uso de bolas de ta-
dades cujo objetivo é situar melhor o estudante manhos variados pode ajudar muito nesse pro-
no que concerne às dimensões do Sistema So- cesso, para que os próprios alunos construam
lar. A proposta é tentar tornar o mais concreto um modelo preliminar. Nesta primeira ativida-
possível algo de difícil visualização: as relações de do bloco, focaremos nossa atenção nas di-
entre as dimensões e distâncias dos corpos mensões da Terra e do sistema Terra-Lua.

20
Física – 1a série – Volume 2

Conteúdos e temas: as relações entre as dimensões e as distâncias na Terra e no sistema Terra-Lua; a


esfericidade da Terra; Terra redonda: fato ou teoria?

Competências e habilidades: fazer cálculos de proporções para avaliar dimensões envolvidas em corpos
celestes; estimar e avaliar dimensões espaciais (tamanhos e distâncias); realizar comparações de cor-
pos celestes; trabalhar com diferentes ordens de grandeza.

Sugestão de estratégias: exposição; debate em aula; realização de medidas de diâmetro; simulação do


sistema Terra-Lua.

Sugestão de recursos: bolas de tamanhos diferentes, de qualquer tipo e material (isopor, futebol, vôlei,
tênis, bola de gude, pingue-pongue, basquete); ao menos uma trena (ou fita métrica) e uma régua;
texto A relatividade do erro, de Isaac Asimov.

Sugestão de avaliação: verificar se os alunos conseguem efetuar os cálculos e chegar às conclusões propostas.

Desenvolvimento da Situação de Encaminhando a ação


Aprendizagem
1. As dimensões da Terra
Comece por um questionamento da esferi-
cidade da Terra. Um bom início é perguntar Uma maneira de conduzir essa questão é
aos alunos se eles acreditam que a Terra é re- pedir que os alunos comparem a Terra a uma
donda e que evidências possuem disso. Muitos fruta, não considerando, é claro, a cor, e sim a
vão falar da Terra vista do espaço, pois hoje em textura e o formato. Essa é uma discussão inte-
dia é muito fácil encontrar fotos ou vídeos com ressante a ser feita antes de introduzir os cálcu-
esse tipo de imagem. los de proporção. Contrapor as opiniões a fotos
da Terra vista do espaço também é válido.
Estenda a contextualização discutindo as-
pectos históricos do problema. No entanto, em Essa discussão inicial pode ser sistematizada
razão das restrições do tempo de planejamen- com atividades propostas no Caderno do Aluno:
to, opte aqui por focar a questão: O que signifi-
ca dizer que a Terra é redonda? 1. Como é possível saber que a Terra tem o
formato aproximado de uma bola? Discuta
Uma discussão interessante sobre esse com seus colegas quais são as evidências ou
tema pode ser encontrada no texto A relati- indícios de que a Terra não tem, na verdade,
vidade do erro, de Isaac Asimov. Queremos o formato de uma grande pizza, de uma fo-
que o aluno perceba que as irregularida- lha de papel, de um palmito ou, quem sabe,
des da Terra são pequenas diante de suas até outro formato mais estranho. Escreva
dimensões. suas conclusões.

21
O aluno pode mencionar fotografias aéreas ou espaciais, as- Uma goiaba? Uma pera? Uma jabuticaba?
sim como viagens de avião e de navio, que permitem cons- Ou alguma outra fruta? Discuta com seus
tatar esse formato, ou citar argumentos históricos. Exemplos: colegas qual seria a melhor representação.
o fato de os mastros dos navios desaparecerem por último Escreva suas conclusões, justificando-as.
no horizonte, quando eles se afastam da costa; o formato da Do ponto de vista da textura e da esfericidade da superfície,
sombra da Terra na Lua, vista nos eclipses lunares. Qualquer uma das melhores frutas para representar a Terra é a jabutica-
uma dessas respostas, além de outras do gênero, é válida. ba, por ser bem lisa e esférica. Alguns alunos podem pensar
em outros aspectos, como as camadas internas da Terra, que
2. Assim como aceitamos a ideia de que a não são o foco da pergunta. Cabe ao professor orientá-los.
Terra se parece com uma bola, também te-
mos certeza de que ela não é uma esfera Uma vez colocado o problema para os alu-
perfeita, já que existe o relevo, com mon- nos, oriente-os na escolha de uma bola para
tanhas e tudo o mais, da mesma forma que representar a Terra. Proponha uma atividade
uma laranja também é quase uma bola, na qual eles irão medir o diâmetro da esfera es-
mas longe de ser perfeitamente esférica. colhida e desenhar a circunferência correspon-
Se você fosse imaginar a Terra como uma dente em papel milimetrado, como o Roteiro
fruta, qual seria uma boa representação? de experimentação a seguir.

bola sobre o papel também pode ajudar


O formato da Terra na medida. Anote o valor obtido, em
milímetros (lembre-se de que um centí-
Materiais metro equivale a dez milímetros).
Diâmetro: Verifique se a medição foi feita corre-
f Escolha uma das bolas solicitadas na Li- tamente. Pequenos erros são aceitáveis.
ção de casa para representar a Terra. Essa
bola deve ser menor do que uma folha de 2. Na folha milimetrada, desenhe uma
caderno, porque você vai desenhá-la em circunferência com diâmetro igual ao
tamanho natural; mas ela não deve ser da bola, usando o valor obtido no item
pequena demais, para não dificultar o tra- anterior.
balho (entre 8 cm e 12 cm seria razoável). Verifique se o desenho corresponde à medida efetuada.
f Lápis e borracha.
f Uma calculadora e uma pequena régua 3. Modifique o desenho de forma a levar em
podem ajudar na atividade. Um com- conta – de acordo com o que você imagi-
passo também pode ser útil. na – o fato de a Terra ser levemente acha-
tada nos polos.
Mãos à obra Deixe o aluno livre para decidir o grau de achatamento.

1. A primeira coisa a fazer é medir o diâ- 4. Tente acrescentar ao desenho, com base
metro da bola escolhida para represen- naquilo que você imagina ser a pro-
tar a Terra. Você pode colocá-la sobre porção correta, o relevo da Terra, com
a página milimetrada e usar uma régua montanhas, vales e o fundo dos oceanos.
para auxiliá-lo. Se estiver fazendo a ati- Deixe o aluno livre para decidir a rugosidade a ser repre-
vidade em um dia de sol, a sombra da sentada.

22
Física – 1a série – Volume 2

Agora serão feitos alguns cálculos para equatorial da Terra e seu diâmetro po-
avaliar o desenho do planeta. A ideia é ob- lar. Com o mesmo procedimento, calcu-
ter as proporções corretas, imaginando que le a diferença, em milímetros, que deve-
a Terra é do tamanho da bola que você es- ria haver na bola que você está usando
colheu. Registre cada passo. como modelo do planeta.
Achatamento da Terra = Diâmetro equatorial – Diâmetro
1. Se a Terra tivesse o diâmetro da bola es- polar = 12 756 – 12 713 = 43 km
colhida, qual seria o tamanho da saliên- Exemplo com bola de 80 mm:
cia nessa bola correspondente à altura x – 43 km
da montanha mais alta de nosso plane- 80 mm – 12 756 km
ta? Para fazer esses cálculos, você deve x = 43 u 80/12 756  0,270 mm
montar uma regra de três.
Exemplo com bola de 80 mm: 4. Volte ao seu desenho na folha milime-
x – 8,85 km trada. Observando o relevo e o achata-
80 mm – 12 756 km mento da Terra que você fez, eles são
x = 8,85 u 80/12 756  0,055 mm compatíveis com os resultados dos cál-
culos? Por quê?
2. Imagine que o ponto mais fundo do Em geral, o aluno costuma exagerar tanto o achatamento
oceano terrestre seja uma pequena reen- quanto as dimensões do relevo. Isso é esperado e é justamen-
trância na bola. Use o procedimento te esse ponto que você, professor, deve usar para a discussão.
utilizado no exercício anterior para cal-
cular a profundidade dessa reentrância, 5. A que conclusão você chega a respeito
em milímetros. do formato da Terra? Voltando à ques-
Exemplo com bola de 80 mm: tão da comparação da Terra com uma
x – 10,911 km fruta, você ainda acha que a fruta que
80 mm – 12 756 km escolheu como representação da Terra
x = 10,911 u 80/12 756  0,068 mm continua válida? Explique, discutindo
formato e tipo de superfície.
3. Calcule o achatamento que a bola deve- Em geral, o aluno perceberá que imaginava a Terra muito
ria ter para levar em conta o formato da mais áspera ou rugosa do que ela é de fato. Nesse caso,
Terra. Você já deve ter calculado, na sua deverá sugerir uma fruta mais esférica e de casca mais lisa
pesquisa, a diferença entre o diâmetro do que a anteriormente imaginada.

Algumas questões metodológicas podem de acordo com a turma, por uma discussão mais
surgir neste momento: Como medir o diâmetro metodológica (qual é o melhor método para se
das esferas? Os alunos devem usar calculadora? determinar o diâmetro?) ou ser mais diretivo.
E se os alunos tiverem dificuldades com a regra O recurso de usar a régua para leitura visual
de três? Embora acreditemos que esses aspectos está sujeito a erros de medida que, embora não
possam variar muito de acordo com o profes- interfiram na ideia geral da atividade, podem
sor e a turma, o uso de calculadora aqui pode constituir uma boa oportunidade de discussão
ser benéfico, em termos de formação de compe- sobre procedimentos experimentais. Uma ideia
tências, desde que esteja claro que os estudantes mais sofisticada é usar um barbante para medir
estão acompanhando os raciocínios envolvidos. a circunferência e realizar o cálculo do diâmetro
Quanto à realização das medidas, pode-se optar, dividindo o resultado por π.

23
Quanto à questão da regra de três, acredita- em diversas direções. Em outras palavras, a
mos que, ao longo do primeiro volume, o profes- Terra é realmente muito esférica, se compa-
sor tenha tido oportunidade de verificar como rada às esferas que conhecemos em nosso
a turma lida com a proporcionalidade de gran- dia a dia.
dezas. Se houver problemas aí, este é um bom
momento para uma revisão, com a exposição da Mais uma informação importante pode
resolução de alguns exemplos. Caso contrário, ser tirada desses cálculos. A profundidade
pode-se deixar a tarefa mais a cargo dos alunos. média dos oceanos é de menos de 4 km. Isso
De qualquer forma, nas Situações de Aprendi- significa que, em uma bolinha de 80 mm,
zagem seguintes haverá outras oportunidades de teríamos como oceano uma lâmina de água
exercitar o cálculo de razões e proporções. cuja espessura média seria aproximadamen-
te dois centésimos de milímetro. Do ponto de
Após fazer o desenho do contorno da Ter- vista da nossa bolinha, isso não passa de um
ra, com sua correção para evidenciar as irre- “molhadinho” na superfície. Apesar de apro-
gularidades do relevo, inicie com os alunos ximadamente 2/3 da superfície da bola es-
os cálculos e raciocínios para determinar as tar “molhada”, a quantidade total de água
dimensões das irregularidades superficiais. é ínfima se comparada ao volume total
Pode-se escolher uma bola qualquer trazida do planeta. Assim, é incorreta a ideia de
pela turma e avaliar com os alunos quais se- que a Terra é formada por 2/3 de água,
riam as dimensões das irregularidades. já que, na verdade, a água representa em
torno de 0,02% da massa da Terra. Deve-se
Conforme a pesquisa realizada pelos alu- ressaltar que muitos imaginam a Terra cons-
nos na Situação de Aprendizagem 2, o ponto tituída principalmente de água. Na verdade,
mais profundo da superfície de nosso plane- sua superfície é que é coberta na maior par-
ta localiza-se na Fossa das Ilhas Marianas, te por água, o que são ideias muito distintas.
no Oceano Pacífico, a 10,91 km de profundi-
dade. O Monte Everest, por outro lado, como Finalmente, um último dado. Embora
a montanha mais alta do planeta, eleva-se a não haja um limite físico entre a atmosfera
8,85 km de altitude. Sabendo que o diâmetro e o espaço exterior, é possível considerar sua
equatorial da Terra é de 12 756 km, é possível espessura como 120 km, na medida em que
fazer as comparações solicitadas na atividade e é a partir desse ponto que efeitos atmosféri-
perceber que, mesmo em seus máximos, as de- cos podem ser notados na reentrada de es-
formidades da superfície da nossa Terra-bolinha paçonaves e satélites. Mais de 99% de todos
seriam praticamente imperceptíveis, menores os gases da massa atmosférica estão situados
que a espessura de um fio de cabelo. abaixo desse ponto. Na nossa bola de 80 mm
de diâmetro, portanto, a atmosfera teria uma
Para o cálculo do achatamento polar, é espessura de aproximadamente 0,75 mm,
preciso saber que o diâmetro polar, ou seja, sendo muito mais tênue do que normalmente
o diâmetro medido de um polo a outro de se imagina.
nosso planeta é de 12 713 km, contra os
12 756 km medidos no Equador. Com isso, A partir daí a sugestão é orientar os alunos
chega-se ao valor de 0,270 mm em relação sobre como é possível estabelecer e calcular
ao diâmetro equatorial. Raramente se con- essas proporções para as bolas que eles esco-
segue uma bola de 8 cm de diâmetro tão lheram para representar a Terra. Organize-os
esférica a ponto de possuir uma diferença em grupos e solicite que realizem os cálculos
menor que essa entre os diâmetros medidos e a leitura dos resultados obtidos. Essa inter-

24
Física – 1a série – Volume 2

pretação dos resultados deve conduzi-los às gerimos a leitura do texto “A relatividade do


conclusões já expostas aqui. erro” (livro Antologia 2, de Isaac Asimov, pu-
blicado pela editora Nova Fronteira), apro-
Caso você verifique que os aspectos físi- veitando a discussão para abordar a nature-
cos de nosso planeta (o achatamento, a co- za do conhecimento científico e o significado
bertura de água etc.) já são de conhecimen- das teorias na Ciência.
to geral dos estudantes, pode-se abreviar a
discussão, ressaltando a esfericidade de nos- 2. O sistema Terra-Lua
so planeta em relação às dimensões de suas
imperfeições. A partir da discussão anterior, estabe-
leça outra problematização: E a Lua, será
Uma abordagem histórica também é dese- que fica perto da Terra? Como vocês ima-
jável. A questão Como sabemos que a Terra é ginam? Como os alunos levaram muitas
redonda? pode levar a discussões interessan- bolas, você pode pedir para alguns mos-
tes sobre as noções de teoria e modelos, bem trarem como imaginam a proporção de ta-
como o caráter do conhecimento científico. manhos e distância entre a Terra e a Lua.
Pode-se mostrar que, na Antiguidade grega, Depois oriente que realizem os cálculos
já se imaginava a Terra redonda, tendo sido em grupos e cheguem a uma simulação
inclusive efetuado por Eratóstenes um cálcu- razoável do sistema Terra-Lua. Como os
lo bastante engenhoso, que pode ser encon- grupos poderão ter bolas de tamanhos di-
trado em diversos livros didáticos de Física e ferentes, é possível que se chegue a diver-
Matemática e também em páginas da inter- sas soluções igualmente válidas, desde que
net. Se a opção for por essa abordagem, su- proporcionalmente corretas.

Mãos à obra
A Terra e a Lua
1. Sabendo que a Lua é menor do que a
Com os mesmos métodos que emprega- Terra, qual bola você acha que poderia
mos para conhecer um pouco mais o for- representar a Lua, supondo que a Ter-
mato da Terra, podemos também exami- ra fosse do tamanho da bola usada na
nar a relação de distância e tamanho entre experiência anterior? Escolha uma das
a Terra e a Lua. bolas disponíveis no grupo ou, se não
achar uma adequada, peça emprestada
alguma trazida por outro colega.
Materiais É fundamental deixar a escolha livre. Geralmente os alu-
nos escolhem uma bola bem menor do que a propor-
f A mesma bola usada para representar a cionalmente correta.
Terra na experiência anterior.
f Outras bolas, de tamanho menor. 2. Meça o diâmetro da bola escolhida para
f Lápis e borracha. representar a Lua e anote o resultado,
f Régua, calculadora e compasso podem em milímetros:
ser muito úteis. Verifique a medida anotada pelos alunos.

25
3. Agora, você vai conferir se sua escolha foi damente o movimento da Lua ao redor
adequada. Para isso, você deve recorrer de nosso planeta. Discuta com seus
mais uma vez aos cálculos de proporção. colegas: Que distância seria essa? Um
Usando os valores obtidos na pesquisa e palmo? Um dedo? Um braço? Vários
na atividade anterior, calcule qual deveria metros? Registre suas conclusões.
ser o diâmetro de uma bola para represen- É fundamental deixar a escolha livre. Geralmente os alu-
tar proporcionalmente a Lua. nos escolhem uma distância muito menor do que a pro-
Exemplo com bola de 80 mm representando a Terra: porcionalmente correta.
x – 3 476 km
80 mm – 12 756 km 7. Agora, você pode calcular qual deveria
x = 3 476 u 80/12 756  21,8 mm ser essa distância. De que dados você
precisa? Como deve ser o cálculo? Re-
4. Compare o resultado com o diâmetro da solva a questão e escreva uma conclu-
bola que você escolheu para representar são, comparando o resultado com as
a Lua. A escolha foi adequada? Por quê? discussões realizadas no item anterior.
Caso não tenha sido, procure outra bola Exemplo com bola de 80 mm representando a Terra:
mais próxima da proporção correta. x – 384 405 km
Verifique a coerência da comparação. 80 mm – 12 756 km
x = 38 4405 u 80/12 756  2 411 mm, ou aproximadamente
5. Desenhe na folha milimetrada um cír- 2,41 m
culo representando a Lua, proporcional
ao tamanho da Terra. Conclusão:
Verifique a proporção do desenho. Erros pequenos são Como visto nas questões anteriores, se a Terra for represen-
aceitáveis. tada por uma bolinha com 80 mm de diâmetro, a Lua será
representada por uma bolinha com 21,8 mm de diâmetro,
6. Agora que você tem uma bola represen- girando em torno da bolinha maior a uma distância de
tando a Terra e outra representando a 2 411 mm (aproximadamente, 2,41 m). Assim, subir na mon-
Lua, imagine qual deveria ser a distân- tanha mais alta, que corresponderia a muito menos de
cia entre elas para representar adequa- 1 mm, pouco nos aproximaria da Lua.

A Lua possui um diâmetro de 3 476 km


e orbita a Terra a uma distância média de Raio orbital da Lua
384 405 km. A partir desses dados e da estraté- 80 mm — 12 756 km
gia adotada na etapa anterior, a tarefa dos alu-
nos agora será selecionar as bolas adequadas
x mm — 384 405 km
para a representação do sistema Terra-Lua
em escala. O primeiro passo é identificar o par
Resultado: x = 2 411 mm  2,41 m
de bolas que possa representar, o mais propor-
cionalmente possível, a Terra e a Lua. Se uma
delas, que represente a Terra, possuir 80 mm Assim, nesse exemplo, a Lua-bolinha de-
de diâmetro, por exemplo, precisaremos de verá orbitar a 2,41 m da Terra-bolinha. Seria
outra com 21,8 mm de diâmetro, aproximada- importante que os alunos construíssem essa si-
mente, para representar a Lua. Fazendo uma mulação. Dependendo das dimensões, talvez o
regra de três, podemos também avaliar a que espaço da sala de aula não seja suficiente. Nes-
distância a nossa pequena Lua poderá orbitar se caso, sugerimos o uso do pátio, da quadra
a nossa Terra. No nosso exemplo teríamos: ou de outro espaço da escola.

26
Física – 1a série – Volume 2

Neste ponto, poderia ser introduzida, a sala. Assim você pode aproveitar mais as au-
seu critério, uma discussão sobre as fases da las. Descreva algumas características da
Lua e os eclipses. Esse assunto é normalmente obra. É um livro de ficção, que conta uma
proposto para o Ensino Fundamental e você história? Se for, quais são as personagens e
pode conseguir propostas de atividades para suas características? Em que época e lugar se
abordá-lo. passa a história? Se o livro não for de ficção,
sua tarefa é explicar como estão organizados
Para finalizar a atividade, algumas ques- os capítulos: Que sequência o autor escolheu
tões podem ser propostas aos alunos: para os capítulos? Que tipo de organização
ele usou?
1. Às vezes, as pessoas dizem Professor, é importante conferir as informações no livro. Além
que a Terra é enrugada como a disso, é necessário verificar o nível de compreensão do aluno
casca de uma laranja. Você em relação ao livro escolhido e a coesão e a coerência do texto
concorda com essa afirmação? redigido por ele.
Por quê?
O aluno deve concluir que a superfície da Terra é proporcio- 2. Faça, em seu caderno, uma breve síntese de
nalmente muito mais lisa do que a da casca de uma laranja, três a cinco linhas sobre os acontecimentos
dadas as proporções entre as imperfeições na superfície e o ou explicações dos cinco primeiros capítu-
diâmetro do planeta. los do livro e relacione-os com os conceitos
de Física que você está aprendendo.
2. A distância entre a Terra e a Lua é muito Avalie esses resumos levando em consideração a coesão e a
grande quando comparada às distâncias entre coerência do texto do aluno e se a relação da história com os
dois pontos quaisquer no planeta? Explique. conceitos de Física foi estabelecida corretamente.
Sim. A maior distância, sobre a superfície da Terra, entre dois
pontos quaisquer é de cerca de 20 000 km, e a Lua se situa a A próxima Situação de Aprendizagem vai
quase 400 000 km do planeta. exigir os mesmos materiais: bolas dos mais va-
riados tamanhos. Também seria interessante
3. Você acha que, se pudéssemos atingir o pon- providenciar fotos dos oito planetas do Siste-
to mais profundo dos oceanos da Terra, ma Solar. Como forma de preparar os alunos,
estaríamos muito mais próximos do centro sugere-se solicitar-lhes uma pesquisa, confor-
do planeta? Explique. me indicado a seguir.
Não. A maior profundidade é de aproximadamente 11 km, e
o raio da Terra é de cerca de 6 400 km. No ponto mais fundo Sistema Solar
do oceano, teríamos percorrido apenas 0,17% do trajeto até
o centro da Terra. Nas próximas atividades estu-
daremos o Sistema Solar, que é
A esta altura, é importante também verificar composto basicamente do Sol,
a leitura do livro, proposta no início do volume: de oito planetas, satélites, pla-
netas-anões, asteroides e cometas.
1. Você já deve ter avançado na leitu-
ra do seu livro. Comece a organizar 1. Pesquise, na internet ou em livros, as in-
e a registrar suas ideias e impressões formações a seguir sobre os oito planetas,
sobre o livro e também as relações completando a tabela.
com o que seu professor tem proposto em Pode haver variações de acordo com a fonte de pesquisa.

27
Diâmetro médio Distância média até o Período orbital
Planeta
(km) Sol (milhões de km) (dias ou anos)
Mercúrio 4 878 57,9 87,9 dias
Vênus 12 100 108,2 224,7 dias
Terra 12 756 149,6 365,25 dias
Marte 6 786 227,9 1,88 ano
Júpiter 14 2984 778,4 11,86 anos
Saturno 120 536 1 423,6 29,46 anos
Urano 51 108 2 867,0 84,04 anos
Netuno 49 538 4 488,0 164,8 anos
Tabela 1.
Fonte: Astronomia e Astrofísica/UFRGS. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/ssolar.htm>. Acesso em: 11 nov. 2013.

2. Descubra também o que são planetas- te para remover os fragmentos de matéria ao seu redor. Os
-anões, quais são os conhecidos e em que planetas-anões são oficialmente catalogados pela União As-
posição se encontram no Sistema Solar. Es- tronômica Internacional. Essa é uma questão difícil e pode
creva os resultados da pesquisa na forma de haver muita variação de informação, por se tratar de um as-
uma tabela. sunto que se situa na fronteira do conhecimento científico.
Os planetas-anões são corpos que orbitam diretamente o Professor, você deve levar em conta mais o empenho na pes-
Sol. Eles são esféricos, mas não agregaram massa suficien- quisa do que a precisão das informações obtidas.

Distância média até o


Planeta-anão1 Diâmetro equatorial (km)
Sol (milhões de km)
Ceres 975 415
Plutão 2 390 5 905
Haumea 1 960 6 480
Makemake 1 500 6 847
Éris 2 600 10121
Tabela 2.
1
Estão listados aqui os planetas-anões denominados e reconhecidos oficialmente pela União Astronômica Internacional em junho de 2009. Como se trata
de uma fronteira do conhecimento, essas informações podem mudar rapidamente. Sugerimos ao professor que esclareça isso aos alunos e, se possível, procure
informações atualizadas.
Fontes dos dados: Royal Astronomical Society of New Zealand, disponível em: <http://www.rasnz.org.nz/SolarSys/DwarfPlanets.htm>; Solar System
Objects: Physical Data and Discovery Dates, disponível em: <http://www.johnstonsarchive.net/astro/wrjs103sp.html>; International Astronomical Union,
disponível em: <http://www.iau.org/public_press/news/detail/iau0807/>. Acessos em: 10 dez. 2013.

3. Para finalizar, descubra qual é o diâmetro Você pode orientar os alunos a pedirem
do Sol. ao professor de Geografia, durante uma aula
Aproximadamente 1 391 000 km, podendo haver variações de dessa disciplina, para mostrar-lhes um globo
acordo com a fonte pesquisada. terrestre (conforme indicado em Aprendendo
a aprender, Caderno do Aluno).

28
Física – 1a série – Volume 2

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
O SISTEMA SOLAR

O objetivo aqui é conduzir os alunos à for- to, não é transmitir uma grande quantidade de
mação de uma imagem mais aprofundada do informações, que hoje podem ser facilmente
nosso Sistema Solar, incluindo o conhecimen- obtidas, mas fundamentalmente construir com
to das dimensões relacionadas ao tamanho os alunos uma percepção sobre a Terra em re-
dos planetas e suas órbitas. A ideia, no entan- lação aos outros planetas do Sistema Solar.

Conteúdos e temas: as relações entre as dimensões, as distâncias e as densidades dos corpos celestes
no Sistema Solar.

Competências e habilidades: realizar cálculos de proporções para obter relações entre dimensões, distâncias
e períodos dos planetas do Sistema Solar; estimar e avaliar grandezas como distância, tempo e densidade.

Sugestão de estratégias: exposição; debate em aula; realização de cálculos; construção de maquetes;


atividades de encenação.

Sugestão de recursos: diversas bolas de tamanhos diferentes, de qualquer tipo e material (isopor, fute-
bol, vôlei, tênis, bola de gude, pingue-pongue, basquete); calculadoras.

Sugestão de avaliação: verificar a qualidade das respostas fornecidas pelos alunos na atividade de
análise da tabela de características físicas dos planetas.

Desenvolvimento da Situação de Encaminhando a ação


Aprendizagem
1. Apresentando o Sistema Solar
Retomando as imagens do Sistema Solar
utilizadas na Situação de Aprendizagem 2, É interessante ocupar uma aula para traba-
conduza uma aula expositiva apresentando o lhar a descrição atualizada do Sistema Solar
Sistema Solar e sistematizando a ordem dos com os estudantes. Alguns pontos essenciais a
planetas em relação ao Sol. Introduza a no- serem destacados são:
menclatura apropriada, ressaltando os tipos
de corpos que compõem o Sistema Solar. Fei- 1. Quais são os planetas, sua ordem em rela-
to isso, retome os dados sobre período orbital ção ao Sol, suas principais características e
e distâncias relativas dos planetas ao Sol tra- seus satélites.
balhados na Pesquisa individual da Situação
de Aprendizagem anterior. Ajude os alunos 2. Os tipos de planetas – telúricos (semelhan-
a compreender os dados e comece a discutir tes à Terra: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte)
as propriedades dos planetas. Oriente-os para e jovianos (semelhantes a Júpiter: Júpiter,
que continuem a fazer essas análises com a Saturno, Urano e Netuno) – e sua compo-
ajuda das questões listadas adiante. sição física.

29
3. A nova classificação da União Astronô- análise de dados da tabela respondendo às
mica Internacional (IAU, na sigla em in- questões a seguir:
glês) com relação a planetas e planetas-
-anões. Desde 2006, foi adotada pela IAU 1. Qual é o maior planeta do Sistema Solar?
uma nova nomenclatura para classificar E o menor?
os corpos que orbitam diretamente o Sol. Maior: Júpiter. Menor: Mercúrio.
Eles foram divididos em três categorias:
2. O que significa “período orbital”? Qual é o
f Planetas: corpos que orbitam uma estrela período orbital da Terra?
e possuem formato esférico pela ação de É o tempo necessário para o planeta realizar uma revolução
sua própria gravidade; adquiriram massa completa em torno do Sol. A Terra tem um período orbital de
suficiente para agregar pequenos corpos cerca de 365,25 dias.
e fragmentos (planetesimais) ao seu redor,
produzindo uma vizinhança limpa; sua 3. Você percebe alguma relação entre o período
massa não é grande o suficiente para pro- orbital e a distância entre o planeta e o Sol?
duzir fusão termonucleara. Qual? Como você explicaria essa relação?
f Planetas-anões: diferem dos planetas ape- Quanto maior a distância média do planeta ao Sol, maior seu
nas por não possuírem massa suficiente período orbital. Espera-se que o aluno explique a diferença
para agregar os fragmentos de sua vizi- pela distância maior a ser percorrida, mas há outro fator a
nhança, também são esféricos e orbitam ser considerado: a aceleração centrípeta decorrente da for-
diretamente uma estrela. Esse é o caso de ça gravitacional, que também decai com a distância. Cabe a
Plutão e Ceres. você, professor, decidir se é o caso de aprofundar esse aspec-
f Corpos pequenos do Sistema Solar: os de- to ao discutir essa questão.
mais corpos que orbitam diretamente o
Sol, como os cometas e os asteroides. 4. Você acha que o período orbital é dire-
tamente proporcional à distância entre o
2. Discutindo as propriedades planeta e o Sol, ou seja, o dobro da dis-
dos planetas tância resulta no dobro do período orbi-
tal? Use a regra de três com dois planetas
Esta é uma oportunidade para discutir o quaisquer e tire uma conclusão.
conceito de densidade. Use uma tabela de Não é diretamente proporcional, porque não obedece à
densidade de materiais, encontrada na maio- regra de três. Pode-se comparar, por exemplo, Júpiter e
ria dos livros didáticos, para complementar Saturno. Saturno tem pouco menos que o dobro da dis-
a discussão. Estimule os alunos a analisar os tância média até o Sol, mas quase o triplo de período or-
dados da tabela, ajude-os a perceber que os bital médio. Pode-se também comparar:
planetas mais distantes do Sol são maiores, Para a Terra – Raio orbital/Período  149,6 Gm/1 ano =
mas possuem densidade menor em virtude = 149,6 Gm/ano
de sua composição em grande parte gasosa. Para Marte – Raio orbital/Período  227,9 Gm/1,88 ano =
= 121,2 Gm/ano
A partir das tabelas completadas pelos
alunos na Situação de Aprendizagem 3 (Ta- A tabela a seguir apresenta alguns dados
belas 1 e 2), algumas perguntas, mesclando adicionais sobre os planetas do Sistema Solar.
aspectos qualitativos e quantitativos, podem Use-a para as questões na sequência.
ser formuladas. Peça aos alunos que sigam a
a
No centro das estrelas a pressão gravitacional produz temperaturas de milhões de graus, capazes de fundir núcleos atômicos.
Planetas não têm massa suficiente para isso. No momento adequado, você pode discutir o assunto com os alunos.

30
Física – 1a série – Volume 2

Planeta Massa (kg) Densidade (kg/m3)


Mercúrio 3,3 · 1023 5 430
Telúricos

Vênus 4,9 · 1024 5 250


Terra 6,0 · 1024 5 520
Marte 6,4 · 1023 3 930
Júpiter 1,9 · 1027 1 330
Jovianos

Saturno 5,7 · 1026 710


Urano 8,7 · 1025 1 240
Netuno 1,0 · 1026 1 670
Tabela 3.
Fonte: Astronomia e Astrofísica/UFRGS. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/ssolar.htm>. Acesso em: 11 nov. 2013.

5. Que características você nota que diferen- de Aprendizagem 3), é possível perceber que os planetas jo-
ciam os planetas jovianos dos telúricos? vianos são maiores, mas menos densos que os telúricos; por
Os planetas jovianos possuem maior massa. Professor, isso, massa e diâmetro não são proporcionais.
verifique aqui a interpretação correta das potências
de dez. 9. E a massa da Terra? Corresponde a quantas
vezes a massa do menor planeta? Registre
6. Qual planeta possui a maior massa? E qual os cálculos.
tem a menor? N = MTerra/MMercúrio = 6,0 u 1024 / 3,3 u 1023  18
Maior massa: Júpiter. Menor massa: Mercúrio. A massa da Terra corresponde a aproximadamente 18 vezes
a de Mercúrio.
7. A massa do maior planeta corresponde a
quantas vezes a massa do menor? E a quantas 10. Qual é o planeta mais denso do Sistema
vezes a massa da Terra? Mostre os cálculos. Solar? E o menos denso?
N = MJúpiter/MMercúrio = 1,9 u 1027 / 3,3 u 1023  5 758 Mais denso: Terra. Menos denso: Saturno.
A massa de Júpiter corresponde a aproximadamente 5 758
vezes a de Mercúrio. 11. Quais tipos de planeta são mais densos: os
27 24
N = MJúpiter/MTerra = 1,9 u 10 / 6,0 u 10  317 telúricos ou os jovianos? Por que você ima-
A massa de Júpiter corresponde a aproximadamente 317 ve- gina que há essa diferença?
zes a da Terra. Os telúricos são mais densos, pois possuem proporcional-
Professor, é necessário que você explique brevemente a no- mente mais material sólido (rochas e metais) do que os jo-
tação com potência de dez. vianos, que são compostos predominantemente de gases,
sobretudo hidrogênio e hélio.
8. A massa de um planeta é diretamente pro-
porcional a seu diâmetro? Então, proponha aos alunos o roteiro de ex-
Não, ao analisar a tabela de massas e densidades dos planetas, perimentação a seguir, para aplicar conceitos
bem como a tabela com seus diâmetros médios (Situação sobre proporções do Sistema Solar.

31
Este é um cálculo de proporções, que
Os planetas pode ser montado assim:

Nesta atividade, o que aprendemos so- 75 mm (está para) 12 500 km


bre proporções será aplicado ao Sistema x mm (está para) 150 000 000 km
Solar; assim poderemos ter uma ideia mais Dessa forma, obtém-se a equação:
precisa de quais são as dimensões envolvi- x · 12 500 = 75 · 150 000 000
das nas vizinhanças do planeta.
O resultado será x = 900 000 mm. Como
Materiais 1 m corresponde a 1 000 mm, isso quer
dizer que a distância seria de 900 m. Cer-
f bolas de tamanhos variados; tamente, esse modelo não caberia na sua
f régua. sala de aula e, possivelmente, nem no ter-
reno da escola.
Mãos à obra
Faça agora, em seu caderno, o cálculo
1. Como das outras vezes, a atividade fica exato com o diâmetro da bola que o
muito mais interessante e divertida se a grupo escolheu e os dados obtidos na
iniciamos com o levantamento de hipó- pesquisa.
teses. Com seus colegas de grupo, ten- Os alunos devem fazer o cálculo de acordo com o diâ-
te, sem fazer nenhum cálculo, imaginar metro da bola que escolheram.
quais bolas deveriam ser usadas para re-
presentar cada planeta. Use como refe- 4. A partir do que foi feito na questão
rência a bola que vocês escolheram para anterior, agora é possível fazer cálcu-
representar a Terra. los proporcionais para os tamanhos
e as distâncias no modelo do Sistema
2. Imagine que vocês vão fazer um modelo Solar, sempre tomando como base
do Sistema Solar, com os planetas e órbi- a bolinha escolhida para ser a Terra.
tas nas proporções corretas. Tente fazer São muitos cálculos: para cada plane-
isso com as bolas disponíveis. Desenhe ta, você deve calcular o diâmetro e a
em seu caderno o resultado imaginado. distância do Sol a ser usados na cons-
trução do modelo. Coloque os resul-
3. Agora podemos obter as propor- tados na tabela a seguir e responda às
ções e verificar se o modelo está de questões em seu caderno.
acordo com as proporções reais do Exemplo da determinação dos dados de Mercúrio, com
Sistema Solar. Em primeiro lugar, uma bola de 80 mm representando a Terra:
calcule a distância entre a Terra e o Diâmetro de Mercúrio
Sol no modelo. Suponha que a dis- x – 4 878 km
tância real da Terra ao Sol seja de 80 mm – 12 756 km
150 000 000 km e que o diâmetro da x = 4 878 u 80/12 756  30,6 mm
Terra seja de 12 500 km. Se usarmos Distância média de Mercúrio ao Sol
uma bolinha de 75 mm de diâmetro x – 57 900 000 km
para representar a Terra, qual deverá 80 mm – 12 756 km
ser a distância entre essa bolinha e o x = 57 900 000 · 80/12 756  363 123 mm ou cerca de
Sol no modelo? 363 m.

32
Física – 1a série – Volume 2

5. É possível encontrar bolas para repre-


Dimensões do modelo de Sistema Solar
sentar todos os planetas? Explique.
Diâmetro da Distância até o No exemplo anterior, é possível. Júpiter necessitaria de
Astro
bola (mm) Sol (m ou km) uma bola com cerca de 90 cm de diâmetro – difícil de
Sol 8 724 zero encontrar, mas não impossível.

Mercúrio 31 363 m
6. É possível encontrar uma bola para re-
Vênus 76 679 m presentar o Sol? Por quê?
Terra 80 938 m Não é impossível, mas é difícil, uma vez que ou a bola
representando o Sol deverá ser muito grande (no
Marte 43 1 429 m exemplo, mais de 8 m de diâmetro) ou as dos planetas
Júpiter 897 4,9 km deverão ser muito pequenas, dificultando a monta-
gem de uma maquete prática. Se forem consideradas
Saturno 756 8,9 km
as proporções das órbitas, a maquete do exemplo teria
Urano 321 18,0 km mais de 28 km de raio. Mesmo reduzindo a proporção
a um fator de 10, a maquete ocuparia um círculo de
Netuno 311 28,1 km
2,8 km, desconsiderando-se os planetas-anões. Nesse
Tabela 4. caso, Mercúrio teria apenas 3 mm de diâmetro.

Opcionalmente, uma abordagem quantita- Desafios!


tiva mais sistemática poderia ser adotada, em-
pregando a fórmula da densidade (d = m/V), Dois desafios para quem gosta de fa-
zer cálculos:
para encontrar o volume dos planetas, ou a da
velocidade (v = d/Δt), para encontrar sua ve- f Qual é a velocidade média com que a
locidade orbital média. Com isso, poderíamos Terra percorre sua órbita?
propor questões como: Sabe-se que v = d/6t. A distância percorrida é o perí-
metro da órbita, dado por d = 2 u / u R, em que R é a
f Quantas Terras “cabem” dentro de Júpiter? distância média da Terra ao Sol, expressa em metros.
f Qual planeta se move com maior velocidade? O intervalo de tempo é o período orbital da Terra
(1 ano = 365,25 dias, aproximadamente), expresso em
Para tanto, será preciso introduzir noções segundos.
de cálculo com potências de dez. Além dis- Dessa forma:
so, seria recomendável o uso de calculadoras. d = 2 u / u R = 2 u 3,14 u 1,496 u 1011  9,4 u 1011 m
Em uma abordagem ainda mais avançada, 6t = 365,25 u 24 u 60 u 60  3,16 u 107 s
pode-se trabalhar com a expressão do volu- v = d/6t = 9,4 u 1011/3,16 u 107, ou seja, v é aproximada-
me de uma esfera (V = 4πR3/3) para checar mente 29 785 m/s.
os cálculos.
f Um ano em Netuno equivale a quan-
O risco dessa abordagem quantitativa, en- tos dias na Terra?
tretanto, é o tempo que ela pode consumir e as Considerando que o período orbital de Netuno é de
dificuldades que pode trazer, de forma que é re- aproximadamente 164,08 anos terrestres, basta lem-
comendado avaliar sua conveniência de acordo brar que um ano terrestre tem 365,25 dias. Assim, o
com a turma e com o andamento do trabalho. ano netuniano terá N = 164,08 · 365,25 = 59 930,22
dias terrestres.

33
Uma atividade interessante é fazer com- de satélites de variadas dimensões. Situam-se, no nosso Sis-
parações de filmes com temas semelhantes. tema Solar, na região após o cinturão de asteroides.
Sugerimos estas: sobre os asteroides e come-
tas, a possibilidade de atingirem a Terra e 2. Todos os planetas do Sistema Solar pos-
suas consequências – Impacto profundo (Deep suem satélite? Explique.
Impact), que tem Robert Duvall e Elijah Wood Não. Mercúrio e Vênus não possuem satélites conhecidos.
no elenco, e Armageddon (Armageddon), com
Bruce Willis e Liv Tyler; sobre o planeta 3. Que outros corpos do Sistema Solar, além
Marte – Planeta vermelho (Red Planet), com dos planetas, orbitam o Sol? Cite-os e des-
Val Kilmer, e Missão: Marte (Mission to creva alguns deles.
Mars), com Gary Sinise. (Ver Aprendendo a tPlanetas-anões: corpos esféricos de massas inferiores aos
aprender, Caderno do Aluno.) planetas, possuem fragmentos de matéria de menores di-
mensões em suas proximidades.
Para sistematizar os conhecimentos adqui- tCometas: constituídos principalmente de gelo e rocha,
ridos pelos alunos e estimular novas pesqui- eventualmente aproximam-se do Sol em sua órbita, produ-
sas, podem-se propor as seguintes questões zindo uma cauda gerada pela sublimação das substâncias
(seção Você aprendeu?). voláteis neles presentes. Possuem, em geral, dimensões me-
nores do que os planetas-anões.
1. O que são planetas telúricos tAsteroides: constituídos principalmente de rochas e metais,
e jovianos? Quais são suas ca- giram em torno do Sol em diversas configurações orbitais. São
racterísticas? menores do que os planetas-anões. Fragmentos, ou mesmo
Telúricos: planetas similares ao planeta asteroides e cometas inteiros, podem atingir os planetas.
Terra, constituídos principalmente de rochas e metais, com
dimensões pequenas comparadas aos jovianos, sem anéis e 4. Quais são os planetas-anões conhecidos? Se
com poucos satélites ou nenhum. Em nosso Sistema Solar, você fosse incluí-los no modelo de Sistema
os planetas telúricos estão situados em órbitas mais próxi- Solar proposto em aula, qual deveria ser o di-
mas ao Sol. âmetro de cada bolinha para representá-los?
Jovianos: planetas similares a Júpiter, constituídos principal- Os cálculos dos valores apresentados na tabela foram reali-
mente de hidrogênio e hélio. Com dimensões maiores que zados de forma similar aos referentes ao modelo do Sistema
os planetas telúricos, possuem anéis e grande quantidade Solar com os planetas.

Distância média
Diâmetro equatorial Diâmetro da bola Distância até o Sol
Planeta-anão até o Sol
(km) (mm) (km)
(milhões de km)

Ceres 975 415 6,1 2,6

Plutão 2 390 5 905 15,0 37,0

Haumea 1 960 6 480 12,3 40,6

Makemake 1 500 6 847 9,4 42,9

Éris 2 600 10 121 16,3 63,5

Tabela 5.

34
Física – 1a série – Volume 2

1. Imagine que o modelo de Siste- Paulo, considerando a Terra representada por uma bola de
ma Solar que você e seus colegas 80 mm (Tabela 6). Caso seja difícil os alunos obterem in-
projetaram em sala de aula fosse formações sobre a própria cidade, pode-se usar o mapa da
construído na sua cidade e o Sol região central de São Paulo disponível nos Cadernos do Pro-
fosse representado pela praça central. Nes- fessor e do Aluno (Situação de Aprendizagem 10). Nele se
se caso, em que locais da cidade poderia ser encontram as cinco primeiras referências dadas na Tabela 6
colocado cada um dos planetas para man- (Marco zero, Rua Direita, Câmara Municipal, Rua da Con-
ter uma proporção aproximadamente cor- solação e Rua do Gasômetro). Observe que os locais fo-
reta? Eles teriam de estar em uma mesma ram escolhidos para mostrar que os planetas não precisam
linha reta? Por quê? estar em linha reta. É interessante notar que o desenho no
Sugira aos alunos que consultem um mapa ou guia de ruas de piso sob o marco zero tem um formato de estrela de oito
sua cidade. Como exemplo, aqui foram determinados alguns pontas (rosa dos ventos), inscrita em um círculo com apro-
possíveis locais aproximados para a capital do Estado de São ximadamente 15 m de diâmetro.

Astro Diâmetro da bola (mm) Possível local em São Paulo-SP


Sol 8 724 Marco zero (Praça da Sé)
Mercúrio 31 Final da Rua Direita
Vênus 76 Câmara Municipal
Terra 80 Início da Rua da Consolação
Marte 43 Rua do Gasômetro (Brás)
Júpiter 897 Parque do Ibirapuera
Saturno 756 Cidade Universitária
Urano 321 Parque do Carmo (Itaquera)
Netuno 311 Centro de Rio Grande da Serra
Tabela 6.

2. Vamos voltar à leitura do livro, com mais sões que são termos científicos não
algumas tarefas. Registre em seu caderno: usuais ou desconhecidos por você, usa-
dos para designar ideias, fenômenos, ar-
a) Até que capítulo do livro você leu? Faça tefatos etc. Sua missão agora é folhear
uma síntese geral dessa leitura, redigin- esses capítulos em busca de pelo menos
do um parágrafo. três dessas palavras ou expressões. Ao
Verifique se o resumo está adequado, se há coerência e coesão encontrá-las, anote a frase inteira, mos-
no texto e se o aluno compreendeu a história. trando onde esses termos se encontram.
Verifique se as frases foram transcritas.
b) Comente e explique: Do que você mais
gostou na leitura até o momento? d) Procure em dicionários, enciclopédias,
Resposta pessoal. É importante, de toda forma, verificar se livros ou na internet o significado das
o aluno está compreendendo o enredo e se interessando palavras escolhidas. Esse significado
pelo livro e se os conceitos dados em aula estão sendo rela- está de acordo com o sentido da palavra
cionados com a história. empregado no texto do livro? Explique
por que isso acontece com o significado
c) Nos capítulos que você já leu, deve ter das palavras pesquisadas.
encontrado algumas palavras ou expres- Verifique os significados pesquisados.

35
Constelações cinco são, pela ordem, Sirius (Constelação do Cão Maior),
Canopus (Carina), Arcturus (Boieiro), Alfa do Centauro e
1. Faça uma pesquisa sobre as Vega (Lira).
constelações:
4. Procure informações sobre as seguintes
a) O que são constelações? constelações: Cruzeiro do Sul, Gêmeos,
Segundo a União Astronômica Internacional, constelações Órion, Centauro, Escorpião e Leão.
são regiões do céu definidas pelas fronteiras e não por seu Pode-se orientar o aluno a procurar informações variadas
padrão (desenho). Nessas regiões existem estrelas que for- sobre as constelações citadas: sua localização no céu em
mam um padrão convencionalmente aceito, pois nos pare- diferentes épocas do ano; sua origem; os mitos envolvidos;
cem próximas umas das outras. Essa aparente proximidade o brilho aparente de suas estrelas ou, ainda, sobre quaisquer
está relacionada com nossa perspectiva de observação da informações que possam alimentar a discussão e melhorar a
Terra e com a pequena distância angular das estrelas. Porém, compreensão sobre o significado de uma constelação.
as estrelas de uma constelação podem estar muito distantes
entre si. Atualmente, a IAU divide o céu em 88 constelações. 5. Procure algumas imagens de constelações e
leve-as para a sala de aula.
b) Como seu conhecimento tem sido utilizado? Os resultados dependem do envolvimento dos alunos com
Historicamente, tem servido para a localização dos viajantes a pesquisa solicitada.
no período noturno. Elas servem também para guiar a ob-
servação amadora do céu noturno. Há ainda seu discutível 6. Verifique e indique se algumas dessas es-
sentido astrológico. trelas ou constelações são mencionadas no
livro que você está lendo. Em caso afirma-
c) Quais são as constelações mais conhecidas? tivo, o que é dito sobre elas no livro?
A resposta pode variar. As mais conhecidas são as 12 constela- Os resultados dependem do envolvimento dos alunos com
ções do zodíaco usadas na astrologia (Peixes, Aquário etc.) – a pesquisa solicitada.
embora não exista nenhuma evidência científica da validade
das previsões astrológicas – e algumas outras, como Cruzeiro
© Luke Dodd/SPL/Latinstock

do Sul, Órion, Centauro, Ursa Maior.

d) O que é zodíaco?
É a região do céu percorrida anualmente pelo Sol, do ponto
de vista de um observador terrestre. Há 13 constelações no
zodíaco: as usadas na astrologia (Capricórnio, Aquário, Peixes,
Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e
Sagitário) mais a constelação do Serpentário.

2. Procure histórias, curiosidades ou mitos a


respeito de uma constelação à sua escolha.
Resposta bastante variável, de acordo com as fontes de pesquisa.

3. Descubra quais são as estrelas mais bri-


lhantes do céu.
As dez mais brilhantes são razoavelmente bem estabelecidas.
A partir dessa quantidade há grandes variações em relação
às medidas de magnitude aparente das estrelas. As primeiras Figura 3.

36
Física – 1a série – Volume 2

A próxima Situação de Aprendizagem ainda céu (Cartes du ciel), que pode ser baixado na
vai trabalhar com distâncias e proporções, mas internet (disponível em: <http://web.archive.
agora introduzindo dois novos aspectos: a rela- org/web/20041206202944/www.stargazing.net/
ção entre as distâncias dos planetas do Sol no astropc>; acesso em: 11 nov. 2013).
Sistema Solar e a necessidade de empregar ou-
tras unidades de medida, como o ano-luz. A me- Para obter uma versão em português, clique
todologia será a mesma adotada até aqui – ques- em download e baixe o item basic package; de-
tionamentos e cálculos. Também utilizaremos o pois clique em languages e baixe o pacote de tra-
livro O guia do mochileiro das galáxias ou aquele dução para o português. Instale primeiro o pro-
que você tenha escolhido para trabalhar com os grama, depois o pacote de linguagem, ambos
alunos. Alerte-os sobre a continuação da leitura na mesma pasta. Ao entrar no programa (assim
e lembre-os de trazer o livro para ser usado nas como em outros similares), você será solicitado
discussões, caso eles o tenham adquirido. Se sua a fornecer as coordenadas locais. Configure-as,
escolha de leitura tiver sido outra, será preciso se as da sua cidade estiverem disponíveis. Se for
ambientar a discussão de acordo com ela. preciso, localize as coordenadas com a ajuda de
sites. Para aprender a operar o programa, con-
Para preparar as próximas aulas, seria im- sulte o manual de utilização disponível em por-
portante você realizar uma pesquisa sobre as tuguês, que vem junto com o produto.
constelações. Um livro interessante neste caso é
o Manual do astrônomo, de Ronaldo Rogério de Outro material interessante é Constela-
Freitas Mourão (editora Zahar, 1999). Além de ções indígenas brasileiras, de Germano Bruno
buscar material sobre o assunto em livros e na Afonso, no site Telescópios na escola (disponí-
internet, também é interessante contar com um vel em: <http://www.telescopiosnaescola.pro.
mapa celeste. Há diversos programas de compu- br/indigenas.pdf>; acesso em: 18 nov. 2013).
tador que fazem tais mapas e ajudam a entender
as constelações. Caso você não disponha em sua Esses materiais podem também ser indi-
escola do programa Observatório astronômico, cados aos alunos depois de terem realizado as
distribuído pela Secretaria Estadual de Educa- atividades da Situação de Aprendizagem 5,
ção, sugerimos o programa gratuito Cartas do para que conheçam mais sobre constelações.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
UM PULINHO À ALFA DO CENTAURO
Nesta Situação de Aprendizagem, pretende- gar novas unidades de medida, como o ano-luz,
-se levar o aluno a perceber as dimensões envol- dadas as imensas distâncias envolvidas. Além
vidas quando se fala em distâncias interestelares. disso, tem-se a oportunidade de abordar, ainda
Paralelamente, surgirá a necessidade de empre- que superficialmente, as constelações.

37
Conteúdos e temas: as distâncias estelares; o conceito de ano-luz; constelações.

Competências e habilidades: calcular proporções envolvendo distâncias e tempo; estimar grandezas


como distâncias e intervalos de tempo; compreender e utilizar conceito de ano-luz; buscar e organizar
informações sobre estrelas e constelações; identificar e localizar estrelas e constelações a olho nu ou
em cartas celestes; conhecer a nomenclatura usada na denominação de estrelas em uma constelação.

Sugestão de estratégias: exposição; debate em aula; realização de cálculos; elaboração de maquete; pesquisas.

Sugestão de recursos: mapas celestes.

Sugestão de avaliação: avaliar os cálculos realizados para estimar o tempo da propagação da luz
entre o Sol e os planetas e a representação espacial da constelação, além da compreensão sobre o
conceito de ano-luz.

Desenvolvimento da Situação de Planeta ou Distância do Sol na


Aprendizagem planeta-anão maquete (m)1
Partindo de uma exposição sobre as dis- Mercúrio 0,5
tâncias envolvidas em uma possível maquete Vênus 1
do Sistema Solar, introduz-se uma questão
sobre a distância necessária para representar, Terra 1,5
na mesma maquete, a estrela mais próxima do Marte 2,3
Sol. Com a realização de cálculos de propor-
ção, mostra-se a enorme distância que seria Ceres 4,2
necessária para representar a estrela com o Júpiter 7,8
objetivo de concretizar a ordem de grandeza
Saturno 14,3
dessas distâncias. Com esse contexto, intro-
duz-se o conceito de ano-luz e justifica-se a Urano 28,7
necessidade de uso dessa unidade de medida. Netuno 45,0
Feito isso, trabalha-se o conceito de constela-
ção e suas localizações no céu. Plutão 59
Haumea 65
Encaminhando a ação Makemake 68
1. A questão das distâncias Éris 101
e o ano-luz Tabela 7.
1
A escala adotada nesta tabela permite uma relação simples com a
distância em quilômetros fornecida nas Tabelas 1 e 2.
Uma questão é fundamental para ajudar a
situar os alunos em relação às dimensões envol-
vidas no espaço sideral: trata-se de tentar imagi- Mostre esses valores aos alunos e, mais uma
nar as distâncias entre as estrelas. Se fizéssemos vez, chame a atenção para as enormes diferen-
uma maquete proporcional do Sistema Solar, em ças entre as distâncias dos planetas mais exter-
que a Terra estivesse a 1,5 m de distância do Sol, nos. De qualquer forma, nossa simulação teria
teríamos de montá-la com os seguintes valores: um raio máximo de 101 m a partir do centro,

38
Física – 1a série – Volume 2

com os planetas-anões. Após essa discussão, alcance. Chegar a Marte em missão tripulada
lance uma questão: Se quiséssemos incluir a (um projeto de futuro incerto) é incomparavel-
estrela mais próxima do Sol, a que distância ela mente mais simples, realmente muitíssimo mais
deveria estar nesta simulação? Na verdade, a es- simples e não há perspectivas claras de quando
trela mais próxima do Sol, chamada Proxima isso será possível. Uma olhada nas distâncias
Centauri, está a 4,2 anos-luz daqui, mas não é do Sistema Solar pode dar a ideia de que ir até
visível a olho nu. Ela é parte de um sistema mais Plutão em nave tripulada é um sonho delirante
complexo, denominado Alfa do Centauro, que em nosso contexto atual. Mas ir à Alfa do Cen-
inclui duas outras estrelas bem próximas uma tauro é muito mais difícil que tudo isso.
da outra: Alfa do Centauro A e Alfa do Cen-
tauro B a 4,4 anos-luz do Sol. É de esperar que os alunos já tenham iniciado
a leitura do livro e que essas atividades ajudem a
No livro O guia do mochileiro das galáxias, contextualizar essas questões. Nesta etapa, apre-
há referência a esse sistema logo nas primeiras sente o conceito de ano-luz, enfatizando que se
páginas, quando os alienígenas Vogons adver- trata de uma unidade de distância (e não de tem-
tem que os terráqueos poderiam ter sido in- po). Discuta sobre a necessidade de introdução
formados da destruição do planeta Terra com dessa unidade de medida (em virtude das gran-
antecedência, se tivessem se dado o trabalho de des distâncias verificadas no espaço interestelar) e
fazer uma visita à Alfa do Centauro, que é tão como se relaciona com as unidades mais conheci-
próxima do Sol. das, como o metro e o quilômetro.

Ocorre que estes 4,4 anos-luz correspondem Proponha a atividade a seguir, em que
a 41,5 trilhões de quilômetros, ou 41 500 000 Gm devem ser calculados os tempos de algumas
(gigâmetros). Faça na lousa uma rápida regra viagens entre astros e planetas. A atividade
de três usando a órbita de Plutão e ajude os pode ser realizada em grupo. É importante
alunos a analisar o significado do resultado: que você auxilie os alunos nestes cálculos, que
empregam a relação entre velocidade e dis-
tância: v = d/Δt.
59 m — 5 900 Gm
1. Imagine que você comprou uma espaçonave
xm — 41 500 000 Gm novinha e que com ela pode ir em linha reta,
com velocidade constante de 1 000 km/h, da
Resultado: x = 415 000 m = 415 km Terra à Lua. Quantos dias levaria? Isso dá
uma boa base de comparação entre as dimen-
sões do planeta e a distância até nosso satélite.
Ou seja, se a simulação de Sistema Solar Vamos usar v = d/6t. A distância percorrida é o valor médio de
dos alunos coube em uma praça da cidade, a 384 405 km entre a Terra e a Lua. O ideal é descontar os raios
estrela mais próxima estaria a 415 km de dis- da Terra e da Lua, já que essa distância é contada de centro
tância, mantidas as proporções (distância, por a centro e no caso deste exercício parte-se de uma superfí-
exemplo, entre São Paulo e Franca). Se Plutão, cie até a outra. Se o aluno não levar isso em consideração,
que, na realidade, é muito, muito longe daqui, não há problema, pois não é esse o objetivo do exercício.
cabe nos 59 m de nossa simulação, a distância Dessa forma:
para a estrela, que é nossa vizinha mais próxi- d = 384 405 – 6 378 – 1 737 = 376 290 km
ma, é inimaginavelmente grande. É justamen- v = 1 000 km/h
te aí que está a piada do livro: explorar outras v = d/6t A 6t = d/v = 376 290/1 000 = 376,29 h
estrelas está muito, mas muito além do nosso Esse valor corresponde a 15 dias e 16 horas, aproximadamente.

39
2. Imagine agora que você equipou sua nave 5. Se você calculou certo, deve ter obtido o
com uma superproteção anticalor e que re- resultado de quase cinco horas e meia. Até
solveu dar um passeio perto do Sol para tes- que não é muito tempo... Mas lembre-se: es-
tar o equipamento. Em linha reta e veloci- tamos na velocidade da luz. A luz leva ape-
dade constante de 1 000 km/h, levaria muito nas algumas horas de viagem para chegar
tempo para chegar lá? Meses? Anos? Faça o até Plutão. Isso já é uma distância imensa.
cálculo e compare com o resultado anterior. Imagine, então, quanto a luz percorreria
O cálculo é similar, usando v = d/6t. A distância percorrida é em um ano! É uma distância muito, mas
o valor médio de 149 597 870 km entre a Terra e a Sol. Pode- muito maior, certo? Essa distância tem um
mos descontar os raios da Terra e do Sol, como no exercício nome: ano-luz. Tente calcular quantos qui-
anterior, lembrando que se o aluno não levar isso em conta lômetros a luz percorre em um ano. Lem-
não há problema. Dessa forma, temos: bre-se: ela percorre 300 000 quilômetros em
d = 149 597 870 – 695 500 – 6 378 = 148 895 992 km 1 segundo. E um ano tem muitos segundos:
v = 1 000 km/h são 365 dias (cada um com 24 horas, cada
v = d/6t A 6t = d/v = 148 895 992/1 000 = 148 896 horas  6 204 dias uma com 60 minutos, cada um com 60 se-
Esse valor corresponde a quase 17 anos. gundos). Faça as contas!
Novamente usamos v = d/6t, isolando d = v u 6t
3. Essa certamente não é uma maneira muito 6t = 365,25 u 24 u 60 u 60 = 31 557 600 s
rápida de chegar ao Sol. Se fosse possível via- v = 300 000 km/s
jar na velocidade da luz... (300 000 km/s, ou d = 300 000 u 31 557600 = 9 467 280 000 000 km
seja, a luz percorre 300 000 quilômetros em Portanto, um ano-luz vale aproximadamente 9,46 u 1015 m
1 segundo!) Daqui até o Sol, a jornada levaria
pouco mais de 8 min. Então, em seu caderno, 6. O grupo de estrelas mais próximo do Sol
calcule com maior precisão quanto tempo chama-se Alfa do Centauro. A luz leva
leva a viagem da luz do Sol até a Terra. pouco menos de quatro anos e meio para
Dessa vez teríamos: chegar até lá (ou para vir de lá até nosso sis-
d = 149 597 870 – 695 500 – 6 378 = 148 895 992 km tema solar)! São 4,4 anos-luz de distância.
v = 300 000 km/s Quanto isso representa em quilômetros?
v = d/6t A 6t = d/v = 148 895 992/300 000  496,32 s Basta multiplicar o valor de 9,46 u1012 km por 4,4 e teremos
Esse valor corresponde a cerca de 8 minutos e 16 segundos. aproximadamente 4,2 u 1013 km.

4. Se a luz leva 8 min para chegar do Sol à A realização dessa atividade levará à dis-
Terra, será que gasta muito tempo para cussão sobre a operação com potências de dez
chegar até Plutão, hoje considerado um e sobre a transformação de unidades de tem-
planeta-anão? Calcule isso também e veja po. Esclareça as dúvidas e trabalhe cuidadosa-
como Plutão é longe. (Nem pense em ir até mente essas ideias.
lá com sua espaçonave.)
Neste exercício podemos usar a distância média do Sol a Plutão: Para complementar, você pode designar
d = 5 900 000 000 km mais um ou dois planetas ou planetas-anões
v = 300 000 km/s e propor aos alunos, em grupos, que calculem
v = d/6tA 6t = d/v = 5 900 000 000/300 000  19 667 s o tempo que a luz do Sol leva para chegar até
Esse valor corresponde a cerca de 5 horas e 28 minutos. ele(s). A tabela a seguir mostra os resultados.

40
Física – 1a série – Volume 2

Planeta ou 2. Onde está Alfa do Centauro?


Tempo
planeta-anão
Recomendamos, nesta Situação de Aprendi-
Mercúrio 0 h 03 min 13 s
zagem, localizar Alfa do Centauro no céu com os
Vênus 0 h 06 min 00 s alunos. Na verdade, trata-se de um dos objetos
mais visíveis no céu. Se a pessoa sabe localizar
Terra 0 h 08 min 18 s
a cruz da constelação do Cruzeiro do Sul, verá
Marte 0 h 12 min 39 s à esquerda de sua base uma estrela de brilho in-
Ceres 0 h 23 min 02 s tenso. Se a aula for noturna, saia com os alunos
para localizar esse sistema no céu, facilmente vi-
Júpiter 0 h 43 min 14 s sível mesmo no céu poluído das grandes cidades.
Saturno 1 h 19 min 17 s Caso contrário, podem-se usar as informações
de cartas celestes obtidas na internet.
Urano 2 h 39 min 26 s
Netuno 4 h 09 min 50 s 3. Constelações
Plutão 5 h 27 min 48 s Algumas constelações são fáceis de ser
Haumea 6 h 00 min 02 s identificadas no céu, mesmo em cidades gran-
des, onde as condições de observação são
Makemake 6 h 20 min 25 s precárias. Entre elas, destacamos o Cruzeiro
Éris 9 h 22 min 19 s do Sul, Órion e Escorpião. Se possível, faça
Tabela 8.
isso com os estudantes, seria muito interes-
sante. Conforme apontamos, um bom guia
Em diversos textos podem ser encontradas para iniciar o assunto é o Manual do astrô-
as distâncias de estrelas (ou de outros corpos nomo, de Ronaldo Mourão, que traz dicas
celestes), em anos-luz, até o nosso Sistema So- de como localizar as principais constelações
lar. Um destaque especial pode ser dado para no céu.
as distâncias imensas e seu significado.
O conceito de constelação, porém, pre-
Vimos que do Sol até a Terra a luz leva apro- cisa ser trabalhado de forma a construir a
ximadamente 8 min. Até mesmo da Lua até a percepção de que a constelação não é um
Terra temos um lapso de mais de um segundo, conjunto de estrelas fisicamente próximas
de forma que a Lua que vemos é, na verdade, umas das outras, mas, sim, de estrelas que,
uma imagem de mais de um segundo atrás. Isso por causa de sua posição em relação à Ter-
causaria problemas nas comunicações. De fato, ra, são vistas por nós em uma mesma região
uma mensagem de um planeta até outro não do céu. Isso pode ser entendido a partir dos
pode caminhar mais rapidamente que a luz. seguintes fatos:
Usando a tabela anterior, podemos mostrar, por
exemplo, que uma mensagem de Marte à Terra f Estrelas aparentemente próximas no céu
pode levar de aproximadamente 4 min até mais podem estar muito distantes entre si, por
de 20 min, dependendo da posição dos planetas um efeito de perspectiva.
nas órbitas ao redor do Sol. Mostre a Tabela 8 f O fato de uma estrela ser brilhante pode sig-
aos alunos, peça que eles verifiquem isso e ima- nificar duas coisas: ou ela está muito próxi-
ginem como seria uma conversa telefônica ou ma de nós ou ela é realmente muito grande.
por meio de um comunicador “instantâneo”, f O formato das constelações é convencio-
pela internet, nessas condições. nal. Diferentes povos formaram diferentes

41
constelações. Havendo condições, apre- f Se estivéssemos em outro ponto da galá-
sente algumas constelações dos povos in- xia, observaríamos constelações diferentes,
dígenas brasileiros, da obra Constelações como veremos na sequência da atividade.
indígenas brasileiras, ou peça que os alu-
nos pesquisem, por exemplo, as constela- 4. Montando uma constelação
ções chinesas da Antiguidade.
f A importância das constelações decorre Para esta atividade, peça aos alunos que
do fato de elas permitirem a localização no retomem os resultados da Pesquisa em gru-
espaço. Isso foi muito usado na época das po realizada na Situação de Aprendizagem
grandes navegações. anterior.

Agora será feita uma atividade em grupo com o uso dos resultados da pesquisa sobre
constelações. Para sua realização, você deverá consultar as tabelas apresentadas a
seguir, que mostram as estrelas mais brilhantes de seis constelações, de acordo com
o que se vê da Terra. As estrelas estão listadas por ordem de brilho aparente, sendo
a primeira a mais brilhante. Na segunda coluna há o nome mais comum da estrela. Na primei-
ra coluna há sua designação na constelação, que usa o nome de uma letra grega (alfa, beta,
gama etc.). Na constelação de Gêmeos, por exemplo, a estrela Beta de Gêmeos é conhecida como
Pólux. Com essas letras, quando você encontrar um desenho da constelação, poderá identificar
qual é cada uma das estrelas, pois muitas vezes elas aparecem indicadas dessa forma (se preci-
sar, consulte a tabela de letras do alfabeto grego a seguir). A terceira coluna refere-se à distância
da estrela até o Sistema Solar, medida em anos-luz. Nas duas últimas colunas há dados que
permitem fazer um desenho da constelação em uma folha de papel, caso você não tenha con-
seguido uma boa imagem da constelação.

Letras do alfabeto grego

_ Alfa ¡ Épsilon f Iota i Ni l Rô q Fi


` Beta c Zeta g Capa j Csi m Sigma r Qui
a Gama d Eta h Lambda k Ômicron o Tau s Psi
b Delta e Teta + Mi / Pi p Úpsilon t Ômega

Dados das constelações


Letra Nome Distância do Coordenadas para desenho (mm)
grega da estrela Sol (anos-luz)1 x y
Beta Pólux 34 103 160
Alfa* Castor 52 76 199
Gama Alhena 105 74 44
Gêmeos

Épsilon Mebsuta 940 90 132


Mi Tejat 190 37 105
Eta Propus 350 18 105
Qui Alzirr 57 93 9
Delta Wasat 59 40 100

42
Física – 1a série – Volume 2

Letra Nome Distância do Sol Coordenadas para desenho (mm)


grega da estrela (anos-luz) x y
Alfa* Regulus 77 21 30
Beta* Denebola 36 132 56
Delta* Zosma 58 45 116
Gama* Algeiba 126 50 109
Leão

Épsilon Ras Elased 250 104 148


Teta Chort 178 45 64
Zeta Adhafera 260 42 144
Ômicron* Subra 135 93 7
Eta – 2100 18 78

Letra Nome Distância do Sol Coordenadas para desenho (mm)


grega da estrela (anos-luz) x y
Alfa Antares 600 73 41
Lambda Shaula 365 94 15
Teta Sargas 272 103 0
Delta* Dschubba 400 1 51
Escorpião

Épsilon Hao 65 125 22


Capa – 465 116 10
Beta* Graffias 530 13 58
Úpsilon Lesath 520 87 14
Tau – 430 89 37
Pi* – 520 137 42
Sigma* Alniyat 735 53 44

Letra Nome Distância do Coordenadas para desenho (mm)


grega da estrela Sol (anos-luz) x y
Beta* Rigel 773 7 18
Alfa Betelgeuse 522 108 174
Gama Bellatrix 243 33 163
Órion

Épsilon Alnilam 1342 60 88


Zeta* Alnitak 817 72 81
Capa Saiph 815 89 3
Delta* Mintaka 916 50 97
Iota* Nair al Saif 1300 58 41

43
Letra Nome Distância do Coordenadas para desenho (mm)
grega da estrela Sol (anos-luz) x y
Alfa* Rigil Kentaurus 4 99 2

Beta* Hadar 362 9 6

Teta Menkent 61 17 246

Gama* Miliphain 130 83 120


Centauro

Épsilon – 376 89 76

Eta – 308 88 189

Zeta Alnair 384 129 137

Delta* Ma Wei 395 1 103

Iota – 53 41 243

Coordenadas para desenho (mm)


Letra Nome Distância do
grega da estrela Sol (anos-luz) x y

Alfa* Acrux 321 54 19


Cruzeiro do Sul

Beta Mimosa 352 1 87

Gama Gacrux 88 43 138

Delta – 364 83 106

Épsilon Intrometida 228 66 71


Tabela 9.
1
Os valores de distância fornecidos são medidas aproximadas indicativas que podem sofrer grandes variações
de acordo com novas medições astronômicas mais precisas.
* Indica que não são, na verdade, estrelas, mas conjuntos de estrelas tão próximas em sua posição no céu que,
vistas a olho nu, parecem ser um único ponto brilhante. Com uma boa luneta, a observação cuidadosa poderá
revelar que são várias estrelas.
Fontes: <http://www.alcyone.de/brightest_stars.html>; <http://stars.astro.illinois.edu/sow/sowlist.html>; <http://
www.pa.msu.edu/people/horvatin/Astronomy_Facts/brightest_stars.htm> e <http://www.horizonenergycorp.com/
hpo/constellations/Brightest.htm>. Acessos em: 11 nov. 2013.

44
Física – 1a série – Volume 2

140
Materiais 43; 138

130

f Imagem de uma constelação pesquisada


(Cruzeiro do Sul, Gêmeos, Leão, Órion, 120

Centauro ou Escorpião). 110

f Pedaços de papelão colorido (podem 83; 106


ser retirados de embalagens usadas). 100

f Base rígida de papelão ou plástico, re- 90


donda ou retangular (também podem ser 1; 87

aproveitadas embalagens usadas). 80

f Linha de costura ou de náilon.


f Tesoura, régua e fita adesiva. 70
66; 71

© Lie Kobayashi 60

50
euse 243
Betelg a
522
40

b 916 30
d
c ¡
817 1342
20
54; 19
f
1300 10
Rigel 773

815 0
10 20 30 40 50 60 70 80 90

Figura 5. Cruzeiro do Sul desenhado em uma folha de papel.


Figura 4.

Mãos à obra a) Desenhe dois eixos perpendiculares


em uma folha e marque os valores.
1. Pelo que você notou na tabela, é possí-
vel dizer que as estrelas mais brilhantes b) Depois, usando a régua, marque os
são aquelas mais próximas de nós? pontos correspondentes às estrelas,
Não. como mostra a figura, que dá um
exemplo para a constelação do Cru-
2. Explique como chegou a essa conclusão. zeiro do Sul.
Pode-se chegar a essa conclusão observando, por exem- As respostas das atividades dependem da constelação
plo, que a estrela alfa do Cruzeiro do Sul (321 anos-luz) está escolhida pelo grupo.
bem mais distante do Sol (e da Terra) do que a estrela gama
(88 anos-luz) da mesma constelação. Observe o desenho confeccionado e res-
ponda:
3. Se você não dispõe de um bom desenho
da constelação escolhida, pode usar os 1. Qual foi a constelação escolhida por seu
valores de coordenadas fornecidos na grupo?
tabela, como se fosse desenhar um grá- A resposta vai variar.
fico. Veja a imagem e siga o roteiro:

45
© Lie Kobayashi
2. No desenho da constelação escolhida, Betelgeuse
522 243
anote as distâncias das principais es- a

trelas, em anos-luz, como na imagem b 916


da constelação de Órion, onde se lo- c ¡ d
817 1342
calizam as famosas “Três Marias”, in- f
1300
dicadas com as letras gregas c, ¡ e b. 815
Rigel
773

Figura 8.
© Lie Kobayashi

Betelgeuse
243
522
a
2. Cole a imagem da constelação na base
rígida de papelão ou plástico.

3. Corte pedaços de linha de comprimen-


tos proporcionais às distâncias das
b 916 estrelas. Neste exemplo, escolheu-se a
proporção em que 1 cm vale 50 anos-
c ¡ d -luz. A estrela Betelgeuse, por exemplo,
817 1342
que está a 522 anos-luz, ficou em um
pedaço de linha com aproximadamente
10,5 cm. Afixe cada pedaço de linha à
f estrela correspondente. A outra ponta
1300
do fio deve ser afixada sobre o ponto
Rigel 773 que representa a estrela, no desenho da
815
constelação. Com isso, você terá uma
Figura 6. Constelação de Órion. espécie de móbile, como o da figura.

A resposta depende da constelação escolhida pelo 4. A última sequência de imagens mostra


grupo. as estrelas do exemplo conforme pon-
tos de vista distintos. Observe que ne-
Mãos à obra nhum deles representa o ponto de vista
de quem vê a constelação a partir da
1. Desenhe estrelas no verso dos pedaços Terra (compare com a figura da cons-
de papelão colorido e recorte-as, como telação). Explique por quê.
na figura. Diferentemente de galáxias (que são efetivamente
complexos estelares, distantes de nossa galáxia, mas
© Lie Kobayashi

constituindo um agrupamento), constelações são sé-


ries de estrelas da nossa galáxia, a Via Láctea, que es-
tão na mesma direção quando vistas da Terra, mas não
precisam ser um agrupamento local. Por isso, se forem
observadas a partir de outras partes da galáxia, podem
revelar outra configuração, ou seja, Leão e Escorpião
podem virar outros bichos.
Figura 7.

46
Física – 1a série – Volume 2

© Lie Kobayashi
© Lie Kobayashi
Figura 9.

Figura 10.

© Lie Kobayashi
Figura 11.

Agora, responda às questões: três pontos de vista distintos. Se possí-


vel, tire algumas fotos.
1. Qual deveria ser a posição de observação Verifique os desenhos da constelação feitos nos cadernos.
para que víssemos a constelação da for-
ma como a vemos da Terra? Explique. 3. Se puder, tente observar no céu notur-
A posição em que veríamos a configuração como se no a constelação que você escolheu.
estivéssemos na Terra seria a partir de cima do móbile, No entanto, algumas constelações,
como se houvesse uma câmera no centro da base do como Órion e Escorpião, só podem ser
móbile apontando para o chão. vistas em determinada época do ano.
Pergunte aos alunos se eles conseguiram observar
2. Faça o mesmo com sua constelação. no céu a constelação escolhida e quais foram suas
Desenhe-a no seu caderno a partir de impressões.

Outras informações podem ser acrescenta- umas das outras é utilizar os dados da conste-
das, como a magnitude aparente (que corres- lação Cruzeiro do Sul, apresentados no Roteiro
ponde aproximadamente ao brilho da estrela, de experimentação, para propor uma simulação
visto da Terra), a magnitude absoluta (corres- das posições das estrelas de uma constelação na
pondente à energia radiante efetivamente emi- quadra da escola (ou mesmo dentro da classe
tida pela estrela) e a classe espectral (para infor- ou no pátio). Consideremos que uma das traves
mações sobre isso, consulte, por exemplo, o site de gols em uma quadra represente o Sistema
Astronomia e astrofísica; disponível em: <http:// Solar. Cinco alunos deverão estar em uma das
astro.if.ufrgs.br>, acesso em: 18 nov. 2013). extremidades da quadra a distâncias proporcio-
nais às da tabela (por exemplo, 3,21 m, 3,52 m,
Outra possibilidade de trabalho para a cons- 88 cm) e segurar esferas representando as estre-
trução da ideia de que em uma constelação as las de uma maneira tal que alguém, que esteja
estrelas não estão necessariamente próximas na outra extremidade da quadra, veja o desenho

47
da constelação tal qual o observamos da Terra. Não é correto. Apenas as posições em que elas são vistas no
Será fácil verificar que, dependendo da posição céu são próximas. Vide, por exemplo, a tabela da constelação
do observador (da lateral da quadra, por exem- de Gêmeos. Pólux e Castor estão mais próximas do Sol do
plo), teremos desenhos completamente diferen- que Alhena, que por sua vez está muito mais perto de nós
tes, que os alunos podem tentar reproduzir. do que de Mebsuta. Se a proximidade fosse o critério, devería-
mos fazer parte da constelação de Gêmeos? Também não, pois
Duas dicas importantes há várias estrelas muito mais próximas em outras constelações.

f O número de aulas dessa sequência depen- 2. Explique por que as constelações podem
de da possibilidade de observação noturna ser usadas para orientação e localização.
na escola. Caso não seja possível realizar Elas podem ser usadas porque os padrões que as formam são
essa observação em horário de aula, você praticamente fixos e seus movimentos no céu ao longo de
pode pedir atividades para casa ou marcar uma noite e ao longo do ano são bem conhecidos. Sem esse
uma noite de observação com os alunos. conhecimento, a localização se tornaria impraticável.
f Um assunto que pode surgir, em se tra-
tando de constelações, é a astrologia. 3. Culturas diferentes, como a europeia, a
É importante estar preparado para dife- chinesa e a indígena, possuem constelações
renciar claramente astrologia e astrono- distintas. Explique por que isso é possível.
mia, sobretudo quanto ao caráter científi- É possível porque os agrupamentos de estrelas escolhidos
co desta última, e lembrar que, a despeito para formar as constelações são arbitrários, assim como a es-
de importantes astrônomos do passado colha dos padrões de desenho que as estrelas formam.
terem sido também astrólogos, não exis-
te nenhuma evidência científica das afir- 1. Imagine um desenho do Sistema
mações da astrologia, como propensões Solar bem reduzido no qual a dis-
individuais que dependem do momento tância da Terra até o Sol seja de
de seu nascimento. Uma boa leitura é O apenas 1,5 cm. Nesse desenho,
mundo assombrado pelos demônios, de Carl 1 cm valeria 100 milhões de quilômetros
Sagan, editado pela Companhia das Letras. (100 000 000 km).

Para finalizar, os alunos podem responder a) Será que o desenho inteiro caberia nesta
às questões: página? Faça em seu caderno os cálculos
com os planetas e planetas-anões mais
1. É correto afirmar que uma distantes e apresente uma conclusão.
constelação é composta de es- O desenho não caberia na página, pois Netuno deveria estar
trelas que são fisicamente pró- a quase 45 cm do centro do desenho. Veja os valores aproxi-
ximas umas das outras? Explique. mados na Tabela 10.

Planeta Distância média até o Sol (km) Distância no desenho (cm)


Mercúrio 57 900 000 0,6
Vênus 108 200 000 1,1
Terra 149 600 000 1,5
Marte 227 900 000 2,3
Júpiter 778 400 000 7,8
Saturno 1 423 600 000 14,2
Urano 2 867 000 000 28,7
Netuno 4 488 000 000 44,9
Tabela 10.

48
Física – 1a série – Volume 2

b) E se esse desenho fosse feito bem no estrelas do Cruzeiro do Sul listadas na


centro de uma quadra de futebol de sa- tabela. Sabendo que cada ano-luz cor-
lão? Onde estaria cada planeta? Cabe- responde a aproximadamente 10 trilhões
riam todos no círculo central? Na qua- de quilômetros (10 000 000 000 000 km)a,
dra? Explique. faça um cálculo para descobrir a que
Caberiam todos no círculo central, provavelmente supe- distância essas estrelas estariam no seu
rior a 2 m de diâmetro. Todos os planetas telúricos cabe- desenho em miniatura. O desenho todo
riam na linha demarcatória, que costuma ter 8 cm de es- caberia na quadra? Na cidade? No país?
pessura. Se a linha tiver um pequeno círculo demarcatório Explique.
central, possivelmente Júpiter também ficará nele, já que As distâncias resultantes no suposto desenho são imensas. As
muitas vezes o raio desse círculo excede 8 cm. estrelas não poderiam ser desenhadas, mas caberiam, por
exemplo, no país, com distâncias variando de 88 a 364 km.
c) Imagine agora que se deseja incluir algu- Usando a simplificação de que 1 ano-luz vale 10 trilhões de
mas estrelas “vizinhas”, como as cinco quilômetros (1013 km), o cálculo é simples.

Nome popular Distância até o Sol Distância no desenho


Estrela Distância até o Sol (km)
da estrela (anos-luz) (km)
Alfa Acrux 321 3,21 u 1015 321
15
Beta Mimosa 352 3,52 u 10 352
Gama Gacrux 88 8,80 u 1014 88
15
Delta 364 3,64 u 10 364
15
Épsilon Intrometida 228 2,28 u 10 228
Tabela 11.

2. Agora retome um pouco mais a leitura do relacione-o com o que você leu no livro.
livro. O que você viu em seu livro que pode ser
associado ao conteúdo aprendido em
a) Sua primeira tarefa é exercitar a capaci- cada Situação de Aprendizagem? Regis-
dade de resumir ideias. Até que capítulo tre em seu caderno.
você leu? Elabore uma frase sobre cada Verifique as relações.
capítulo no seu caderno. Essa frase deve
dar uma ideia do que aconteceu ou do Com essas atividades, encerramos um ciclo
que foi discutido naquele capítulo. conceitual. Na próxima Situação de Aprendiza-
Verifique se as frases são coerentes com o livro escolhido. gem, iniciaremos o trabalho com as noções de
massa, peso e gravidade. Se possível, procure da-
b) Agora reveja o conteúdo das cinco dos e materiais históricos sobre a gravidade como
Situações de Aprendizagem estudadas e complemento para as aulas que se seguem.

a
O valor mais preciso seria 9,46 trilhões, mas aqui o valor foi arredondado para facilitar os cálculos.

49
GRADE DE AVALIAÇÃO

Competências e habilidades Indicadores de aprendizagem

f Ler e interpretar textos envolvendo f Identificar termos, fenômenos e situações


Aprendizagem 1

termos e ideias científicas. relacionados ao estudo da astronomia e da ciência


Situação de

f Narrar e debater as situações imagináveis espacial.


relacionadas à exploração do espaço. f Interpretar texto ficcional e estabelecer
relação entre seu conteúdo e a realidade física
cientificamente interpretada.

f Desenvolver atitude investigativa e de f Identificar, em produtos de mídia, referência a


pesquisa bibliográfica e iconográfica. estruturas, fenômenos e situações relacionados
Aprendizagem 2

f Organizar, representar e expressar, por aos corpos celestes e sua configuração espacial, de
Situação de

meio de diferentes linguagens, modelos acordo com o conhecimento científico atual.


sobre corpos celestes. f Representar estruturas e corpos celestes de
f Desenvolver a prática da escrita, com diferentes maneiras e comparar as formas
narração de eventos e descrição de de representação em relação aos aspectos
fenômenos. cientificamente aceitos dos objetos representados.

f Fazer cálculos de proporções para avaliar f Estabelecer relações de proporcionalidade entre as


dimensões envolvidas em corpos celestes. dimensões do planeta Terra e relações métricas de
Aprendizagem 3

f Estimar e avaliar dimensões espaciais objetos do cotidiano.


Situação de

(tamanhos e distâncias); realizar f Descrever e interpretar o movimento orbital da


comparações de corpos celestes. Lua ao redor de nosso planeta.
f Trabalhar com diferentes ordens de f Descrever quantitativamente e em escala as
grandeza. relações métricas relacionadas às dimensões da
Terra e da Lua e ao movimento orbital da Lua ao
redor da Terra.
Aprendizagem 4

f Realizar cálculos de proporções para f Caracterizar o Sistema Solar em relação às


Situação de

obter relações entre dimensões, distâncias propriedades físicas e mecânicas dos planetas.
e períodos dos planetas do Sistema Solar. f Distinguir as categorias de corpos celestes que
f Estimar e avaliar grandezas como orbitam o Sol em função de suas propriedades
distância, tempo e densidade. físicas.

f Calcular proporções envolvendo f Estabelecer uma relação entre as dimensões espaciais


distâncias e tempo; estimar grandezas no contexto do Sistema Solar e os intervalos de tempo
como distâncias e intervalos de tempo. que a luz leva para chegar de um corpo a outro.
f Compreender e utilizar conceito de ano-luz. f Compreender o conceito de ano-luz como uma
Aprendizagem 5

f Buscar e organizar informações sobre unidade de distância baseada na velocidade da luz.


Situação de

estrelas e constelações. f Compreender as diferenças de ordem de grandeza


f Identificar e localizar estrelas e envolvidas nas distâncias interplanetárias em
constelações a olho nu ou em cartas comparação com as distâncias interestelares.
celestes. f Entender o conceito de constelação como uma
f Conhecer a nomenclatura usada na técnica de localização de corpos na esfera celeste
denominação de estrelas em uma e não como um vínculo físico entre diferentes
constelação. estrelas.

50
Física – 1a série – Volume 2

PROPOSTAS DE QUESTÕES PARA APLICAÇÃO EM AVALIAÇÃO


Para a resolução das questões a seguir, utili- Aqui, diversas regras de três são necessárias, mas o aluno pode
ze os dados das tabelas fornecidas no Caderno: raciocinar comparando as respostas e a tabela de dimensões
de planetas e planetas-anões (Tabelas 1 e 2). Considerando
1. Situado no planeta Marte, o Monte Olympus um limão de 50 mm de diâmetro para a Terra, o cálculo seria:
é a montanha mais alta do Sistema Solar, 50 mm – 3 476 km (Lua)
com 24 km entre a base e o pico. Se Marte x – 12 756 km (Terra)
fosse do tamanho de uma bola de pingue- Resultado: x  183 mm
-pongue oficial (38 mm de diâmetro), o ta- Observe que esse valor só é razoável para um coco, uma me-
manho aproximado da protuberância do lancia ou um melão, o que deixa apenas as alternativas c e e
Monte Olympus seria: como opção. Continuando as regras de três para os demais
corpos, teríamos Mercúrio com 70 mm, Ceres com 7 mm e
a) 0,0013 mm. Plutão com 33 mm. Isso elimina a alternativa e, pois uma amei-
xa com apenas 7 mm de diâmetro seria algo muito incomum.
b) 0,013 mm.
3. A velocidade atingida pela Apolo 11, que
c) 0,13 mm. levou os primeiros astronautas à Lua, foi
de 40 000 km/h. Imagine que fosse possível
d) 1,3 mm. construir um veículo dez vezes mais rápido
que caminhasse em linha reta em velocidade
e) 13 mm. constante. Quanto tempo esse veículo leva-
Neste caso, basta fazer uma regra de três: ria para ir do Sol até Plutão? E do Sol até
38 mm – 6 786 km (Marte) Alfa do Centauro?
x – 24 km (Monte Olympus) Este cálculo pode ser feito pela relação d = v u 6t.
Resultado: x  0,134 mm Para Plutão, temos d = 5,9 u 109 km (dado da Tabela 2).
Vale a pena comentar que, proporcionalmente, é uma pro- Para Alfa do Centauro, que está a 4,4 anos-luz, devemos
tuberância bem mais perceptível do que as calculadas para a levar em conta que 1 ano-luz vale 9,46 u 1012 km, o que dá
Terra na Situação de Aprendizagem 1. d = 4,4 u 9,46 u 1012 = 41,62 u 1012 km.
Em ambos os casos, temos v = 400 000 km/h.
2. Imagine que a Lua tivesse o tamanho de um Para Plutão, teremos 6t = d/v = 14 750 h, ou aproximadamente
limão. Neste caso, que frutas poderiam re- 1 ano e 250 dias.
presentar os planetas Mercúrio e Terra e os Para Alfa do Centauro, 6t  1,04 u 108 h, ou aproximadamente
planetas-anões Ceres e Plutão, nessa ordem? 11 879 anos.
É interessante comentar esta brutal diferença com os alunos.
a) Melancia, jaca, melão e goiaba.
4. Se tivéssemos de nos comunicar com alguém
b) Ameixa, jabuticaba, laranja e uva. em Vênus por meio de sinais de rádio (como
em um telefone celular ou pela internet), para
c) Maçã, coco, uva-passa e jabuticaba. percorrer a distância entre os dois planetas
quando eles estivessem à menor distância
d) Coco, goiaba, laranja e maçã. possível entre si, a mensagem levaria (para
simplificar, suponha que a órbita dos plane-
e) Laranja, melancia, ameixa e uva. tas em torno do Sol é uma circunferência):

51
a) 138 segundos. d = 1,49 u 1011 m - 1,08 u 1 011 m = 0,414 u 1011 m
Usando a relação d = v · 6t, com v igual à velocidade da luz
b) 138 minutos. 3 u 108 m/s, teremos:
6t = 0,414 u 1011 / 3 u 108 m/s = 138 s
c) 138 horas.
5. Um ano terrestre dura aproximadamente
d) 138 dias. 8 766 horas, pois o período orbital da Terra
é de 365 dias e 6 horas. Quantas horas du-
e) 138 anos. ram os anos dos planetas Vênus e Marte?
Considerando na Tabela 1 as distâncias entre Vênus e o Sol Neste exercício, basta consultar a Tabela 1 e fazer um cál-
e entre a Terra e o Sol, se fizermos a subtração dos dois va- culo simples.
lores teremos a distância mínima possível entre os dois pla- Vênus: período = 224,7 dias = 224,7 u 24 horas  5 392,8 horas.
netas. Esse cálculo seria: Marte: período = 1,88 ano = 1,88 u 8 766 horas  16 480 horas.

52
Física – 1a série – Volume 2

TEMA 2 – INTERAÇÃO GRAVITACIONAL


A interação gravitacional é algo que literal- apresenta ideias e relações que permearão di-
mente nos envolve, desde o momento em que versas discussões daqui por diante. A ênfase,
nascemos. Apesar de sua onipresença na nossa na presente proposta, é articular a formulação
vida, ou até por causa dela, a gravidade é algo da ideia de campo gravitacional com a análi-
cujo significado é difícil de captarmos. Esse se qualitativa e quantitativa de fenômenos em
tema é estudado desde a Antiguidade grega, diversas situações.
passando por Galileu, Newton, Einstein, em
um debate que se estende até os dias de hoje. Seguindo a linha deste Caderno, procura-
mos apresentar situações que não se restrin-
A relevância e a atualidade do tema mais gissem à superfície da Terra, buscando inserir
do que justifica sua presença no Currículo de a interação gravitacional sob uma perspectiva
Física, com a ênfase para as questões concei- mais ampla.
tuais, ao lado das abordagens matemáticas.
O recurso à imaginação e à capacidade de
Em um trabalho que inicia sua concei- previsão dos estudantes é enfatizado nas ativi-
tuação, neste volume, o estudo da gravitação dades propostas.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6
AS AVENTURAS DE SELENE

O objetivo central desta Situação de de História também pode ser de grande


Aprendizagem é abordar as noções de cam- auxílio.
po gravitacional, massa e peso. Além disso,
por intermédio da pesquisa sugerida para Outro objetivo desta Situação de Aprendi-
a produção do texto, pretende-se abordar, zagem é levar os alunos à formalização desses
ainda que de forma superficial, alguns as- conceitos por meio da prática de resolução de
pectos da cosmogonia greco-romanaa. Nes- exercícios que envolvem fenômenos físicos liga-
te ponto, uma interação com o professor dos à gravidade.

Conteúdos e temas: noção de gravidade como resultado de um campo gravitacional; relação entre
campo gravitacional e força; massa e peso; condições da superfície lunar; possibilidades de exploração
da Lua; modelos de Universo na mitologia greco-romana.

Competências e habilidades: interpretar textos envolvendo termos e ideias científicos; pesquisar infor-
mações históricas; descrever situações e fenômenos físicos a partir de condições dadas; refletir sobre
relações entre ambiente físico e práticas sociais; elaborar texto, na forma de ficção, que aborde fenô-
menos físicos de acordo com leis dadas; interpretar e aplicar expressões matemáticas que descrevem
fenômenos físicos; utilizar funções de calculadoras eletrônicas.

a
A cosmogonia é um sistema que tem por objetivo explicar a formação do Universo. Uma possível fonte de pesquisa é o
livro O Universo: teorias sobre sua origem e evolução, de Roberto de Andrade Martins, publicado pela editora Moderna.

53
Sugestão de estratégias: leituras; discussões em sala; narrações; debates.

Sugestão de recursos: texto “As aventuras de Selene”; calculadoras científicas (uma por grupo de alu-
nos) ou, alternativamente, o uso do computador na sala de informática.

Sugestão de avaliação: avaliar a continuidade da história produzida pelos alunos, levando em conta os
aspectos físicos da suposta vida na superfície lunar.

Desenvolvimento da Situação de Encaminhando a ação


Aprendizagem
1. Lendo e imaginando
Com o objetivo principal de introduzir os
conceitos de campo gravitacional, massa e peso, Oriente a leitura coletiva do texto a seguir. A
propomos que os alunos criem a continuação ideia é que os alunos, trabalhando em grupos,
de uma história de ficção que se desenvolve na produzam uma continuidade para a história.
Lua. A intenção é que, nas situações e descrições Porém, ao longo desse processo, espera-se que
pesquisadas e criadas pelos alunos para a elabo- eles imaginem como seria a vida na Lua, quais
ração do texto, forme-se um ambiente propício as condições para que essa vida fosse viável e,
para a aprendizagem desses conceitos. sobretudo, percebam que fenômenos diferentes
poderiam ser observados a partir dessa condição.
Para que seja possível a formalização dos
conceitos, esta Situação de Aprendizagem Assim, antes mesmo de apresentar conceitos
propõe também a resolução de exercícios nu- de gravidade ou campo, estimule a imagina-
méricos que envolvem os conceitos de campo ção dos estudantes a partir da leitura do texto,
gravitacional, massa e peso. pedindo-lhes para imaginar que coisas podem
ocorrer, que novos fenômenos eles imaginam,
A ideia é que o enfoque não esteja na de- quais as dificuldades e assim por diante. O es-
finição nem na memorização das fórmulas, tímulo pode se dar a partir de atividades coti-
mas em uma análise que demonstre a relação dianas, como fazer compras, jogar bola, subir e
quantitativa entre os conceitos. Essa parte do descer escadas, fazer comida etc. Na exposição
trabalho vai ainda fundamentar a continua- dos alunos, surgirão muitas das concepções que
ção da história criada pelos alunos. eles possuem a respeito do ambiente lunar.

As aventuras de Selene

Selene adorava andar de bicicleta, mas estava ficando cansada dessa história de ir à escola
pedalando todos os dias. Desde que havia entrado no Ensino Médio, tinha de pedalar de sua
casa, em Santos, até o novo colégio, em Campinas. E, quando reclamava à sua mãe, Diana,
ainda tinha de ouvir:

− Ah, Selene, se você morasse na Terra, ia ter de andar mais de 150 quilômetros para ir de
Santos até Campinas... E olha que é subida, hein? Com gravidade da Terra e tudo.

54
Física – 1a série – Volume 2

− É, mãe, mas lá na Terra tem carro, trem, ônibus, essas coisas que aqui na Lua não tem.

− Pois é, Selene, mas se lá é tão bom, por que você acha que todo mundo quer vir morar
aqui? Você reclama muito, menina, são só 15 minutos de pedalada até o domo Campinas.

Verdadeiras cidades fechadas, alguns domos lunares tinham nomes de localidades da Terra.
Pareciam imensos estádios de futebol totalmente cobertos, mas, em vez de arquibancadas,
havia apartamentos e onde seria o campo havia parques enormes. Com a atmosfera no inte-
rior dos domos, era possível levar uma vida bastante normal: ter bichos de estimação, plantas
e até pegar uma piscina. A bicicleta, o skate e a patinete eram os meios de transporte mais
comuns, por causa do ambiente fechado, da dificuldade de produzir energia e da baixa gravi-
dade. Também eram muito usadas as pequenas asas-deltas, bem menores e mais práticas que
as similares terrestres.

Aquele dia, porém, Selene estava ansiosa para percorrer novamente o túnel de volta a
Campinas, pois era ali que Demétrio iria chegar da Terra. O filho da amiga de infância de
sua mãe iria estudar e morar na Lua e a entusiasmada Selene estava incumbida de recebê-lo e
ensinar a ele as coisas básicas da vida lunar. Selene sabia que os terráqueos eram muito fortes,
mas tinham vários probleminhas cotidianos ao chegar à Lua. Já havia conversado bastante
com Demétrio pela internet, apesar da chatice de esperar sempre dois segundos para uma
resposta. Mesmo assim, tinha certeza de que ele precisaria muito de sua ajuda.

Elaborado por Luís Paulo de Carvalho Piassi especialmente para o São Paulo faz escola.

A proposta é que os alunos terminem a his- nos esforço do que na Terra e ajudaria as pessoas a se exercitar, o
tória apresentada. Antes disso, é preciso que que é necessário em um ambiente de baixa gravidade. As fontes
eles fixem seus pontos principais, o que pode de energia seriam limitadas e o transporte por meio de automó-
ser feito por meio de algumas questões: veis representaria um consumo excessivo desnecessário.

1. Como você imagina as cidades menciona- 3. Se a Lua não possui atmosfera, como você
das na história (domos lunares)? Elas são explica que os habitantes usem pequenas
iguais às cidades da Terra? Que diferenças asas-deltas para se locomover?
você imagina que deveria haver? Faça um Dentro das cidades fechadas deve haver uma atmosfera am-
desenho esquemático mostrando sua ideia biente. Esse ar seria útil também na sustentação das asas-deltas.
de um domo lunar.
Deixe o desenho a cargo da imaginação do aluno e dos 4. Por que é preciso esperar mais de dois segun-
questionamentos que os colegas eventualmente façam. dos para receber uma resposta quando se con-
versa pela internet com uma pessoa na Lua?
2. Nas cidades lunares mencionadas no texto Pense na velocidade da luz e naquilo que estu-
não são usados carros nem ônibus, como damos na Situação de Aprendizagem 5.
na Terra. Explique por quê. A distância entre a superfície da Terra e da Lua é de mais de
As respostas podem ser relacionadas à dificuldade de obter com- 300 mil quilômetros, o que exigiria mais de 600 mil quilômetros
bustível e comburente (pois não há ar), à poluição e ao espaço de percurso dos sinais eletromagnéticos que se propagam na
reduzido. O importante é que o aluno reflita sobre as condições velocidade da luz. Percorrer essa distância consumiria, para ida
diferentes na Lua. A locomoção por meios naturais exigiria me- e volta, mais de dois segundos.

55
Respondidas essas questões, os alunos po- Exemplos de outras situações possíveis na Lua: arrastar e
derão produzir a própria história. erguer móveis pesados, levar muitos objetos em mochilas
enormes, pular muros muito altos.
2. Pensando e produzindo uma história
b) Usando fórmulas de Física, pode-se con-
A seguir há uma série de questões e cluir que um salto na Lua, ou um objeto
situações que podem ajudá-lo a ela- lançado para cima, poderá atingir uma
borar e escrever sua história. Anote altura seis vezes maior do que na Terra.
suas ideias no caderno. Ou seja, pulos de mais de 1 m de altura
e de mais de 5 m de distância são perfei-
1. Pense no que você quer que ocorra com tamente possíveis. O mesmo ocorre com
as personagens. Elas vão namorar? Have- objetos lançados, seja para cima, seja
rá dificuldades? Enfrentarão perigos? Elas para os lados: a altura e o alcance são
não vão gostar uma da outra quando se seis vezes maiores que na Terra. Imagi-
virem? Discuta com seus colegas algumas ne jogos como futebol, vôlei, basquete
possibilidades. Anote algumas ideias. e pingue-pongue nessa situação. O que
A resposta fica a cargo da imaginação dos alunos. É impor- poderia ser feito com skates e bicicletas?
tante observar a coerência da história. São muitas as situações interessantes. Dê
um exemplo.
2. Pense que Demétrio está chegando a um lu- Os alunos podem pensar que vôlei exigiria quadras com te-
gar que ele não conhece e onde não apenas tos muito altos; o lançamento no basquete poderia ser feito
os costumes são diferentes, mas também a de bem longe, assim como os chutes no futebol; as quadras e
própria maneira como as coisas acontecem. os campos teriam de ser maiores; manobras radicais de skates
Na Lua a gravidade é menor, a duração do e bicicleta seriam feitas de alturas muito maiores; as quedas
dia é diferente, não há ar fora das cidades fe- de bicicleta e skate seriam menos perigosas etc.
chadas. Para sair dos domos lunares, as pes-
soas têm de usar trajes espaciais. Há muitas c) Construções como prédios, pontes e
possibilidades de criar situações de aventu- mesmo o mobiliário podem ser muito
ra, perigo ou humor. Anote algumas ideias. menos reforçados na Lua, pois seu peso
A resposta fica a cargo da imaginação dos alunos. será bem menor. O mesmo vale para
empilhamento de objetos (por exemplo,
3. Alguns conceitos de Física podem ajudar colocação de livros em estantes) e para
a pensar em situações interessantes para a altura de edifícios. Imagine algo assim
incluir em sua história. Aí vão algumas e anote.
dicas: Algumas possibilidades seriam: poderia haver estantes muito
altas; prateleiras simples poderiam suportar bastante peso;
a) Na Lua há gravidade, mas ela é apro- pontes poderiam ser improvisadas com materiais impensá-
ximadamente 1/6 da gravidade terrestre. veis na Terra; os edifícios poderiam ser mais ousados e preci-
Muitas coisas impossíveis na Terra são sariam de menos material de construção.
possíveis na Lua: carregar um armário
pesado, saltar do andar de cima de uma d) Apesar do peso menor, os objetos man-
casa... Imagine também os problemas têm sua massa; assim, um objeto joga-
enfrentados por uma pessoa da Lua que do de uma pessoa para outra provocará
vem à Terra: terá de fazer muita muscu- impacto similar ao verificado na Terra.
lação para se acostumar a carregar seis Levantar uma mala pesada pode ser
vezes seu peso lunar. uma moleza, mas, se você jogá-la para

56
Física – 1a série – Volume 2

alguém, o efeito pode ser desastroso. Deve-se enfocar a ideia de que o peso
Você pode imaginar situações assim. pode ser interpretado como uma força, do
As respostas podem variar. Lembre-se: frear veículos po- ponto de vista da física newtoniana. Pode-se
deria ser complicado e o impacto de objetos pesados dar ênfase às unidades de medida emprega-
se manteria. das para determinar pesos e massas. Aborde
também a questão da diferença entre peso e
e) Cair na Lua nem sempre é uma experiên- massa, cuja discussão pode ser encontrada
cia suave. Dependendo da altura da que- em diversos livros didáticos. Sugerimos que
da, a velocidade atingida pode ser alta. você selecione ou elabore exercícios numéri-
Isso pode enganar uma personagem dis- cos envolvendo ambientes com diferentes in-
traída. Imagine uma situação como essa. tensidades de campo gravitacional.
A resposta fica a cargo da imaginação dos alunos.
A partir dessa formalização, os alunos po-
4. Agora você pode pensar no desfecho da dem pensar melhor em como continuar a his-
história. Uma boa história tem de ter co- tória de Selene.
meço, meio e fim. Porém, mais do que isso,
quase sempre ocorre alguma complicação: Mais uma observação: ao preparar exercí-
um perigo, um desentendimento, um mis- cios para os alunos, é bom evitar usar dados
tério. Pense em uma novela ou um filme a disponíveis em diversas tabelas a respeito dos
que assistiu e relembre como as coisas se valores de g na superfície de Júpiter e outros
complicam antes de ser (ou não) resolvi- planetas gasosos, porque, afinal de contas, não
das no final. Usando essas dicas, você pode é possível uma situação em que a pessoa estives-
imaginar algumas situações complicadoras se na “superfície” gasosa do planeta, pois o que
e um bom final para sua história. temos ali são os limites visíveis de uma espessa
Avalie as histórias e, caso julgue necessário, faça interven- atmosfera. Usar tais dados em exercícios sem
ções, sugerindo e comentando alguns aspectos e esclare- explicitar esse fato causa a impressão errada de
cendo dúvidas. que nesses planetas é possível pisar na “superfí-
cie”. Também não é confirmada (nem prevista)
Com esses estímulos, os alunos podem pen- a existência de planetas rochosos de dimensões
sar em mais detalhes de como pode ser o am- compatíveis com Júpiter. Em nosso Sistema So-
biente dentro dos domos lunares. Por exemplo, lar, até onde sabemos, a Terra é o local de maior
em relação às atividades cotidianas, tipos novos gravidade em que poderíamos pisar.
de objetos e artefatos podem ser imaginados.
Isso tudo deve constituir um debate em sala de 4. Compartilhando a história
aula, com as suas anotações na lousa e comentá-
rios a respeito de possíveis sugestões dos alunos. Uma aula pode ser destinada para que os
alunos, em grupo, apresentem sua continuida-
3. Formalizando conceitos de para a história de Selene, de acordo com
a dinâmica estabelecida por você. O resultado
A proposta para a terceira etapa desta desse trabalho pode ser colocado no blog ou
sequência é a formalização dos conceitos de na pasta, com os trabalhos que foram elabo-
peso, massa e campo gravitacional. Como tex- rados com os alunos na Situação de Aprendi-
to de apoio para esta parte conceitual, sugeri- zagem 2.
mos a Leitura 13 das Leituras de Física do Gref
(disponível em: <http://www.if.usp.br/gref/ Nessa parte entra uma discussão interes-
mec/mec2.pdf>; acesso em: 18 nov. 2013). sante com relação à leitura do livro O guia do

57
mochileiro das galáxias. Uma breve reflexão a assim, é preciso ter clareza para saber que mes-
respeito da colonização humana na Lua, reali- mo nos livros “sérios” de ficção científica ou de
zada nesta Situação de Aprendizagem, mostra fantasia os “seres alienígenas” são, na verdade,
como surgem, em função do ambiente físico, representações humanas.
mudanças relevantes nas práticas sociais e na
forma como os sujeitos percebem o mundo ao 5. Exercitando
seu redor, incluindo valores sociais.
Ao menos uma aula com exercícios en-
No entanto, a leitura do livro parece cami- volvendo cálculos é necessária nesta etapa.
nhar em outra direção. As diferenças ambien- Dos fenômenos discutidos nesta Situação de
tais e, muito mais, as culturais deveriam ser, Aprendizagem, alguns podem ser analisados a
com muito mais razão, absolutamente grandes partir de expressões matemáticas encontradas
entre nós e eventuais seres alienígenas como na maioria dos livros didáticos ou sites sobre
Ford Prefect e Zaphod Beeblebrox. Seria muito os seguintes temas: movimentos simultâneos,
interessante, nesta etapa do trabalho, estimular lançamento horizontal e lançamento oblíquo.
esse tipo de reflexão nos alunos. Evidentemen- Sugerimos que se realize o trabalho com as se-
te, trata-se de um livro de humor, mas, mesmo guintes expressõesa:

Descrição Fórmula Exemplo

Tempo de queda de um corpo 2h Alguém deixa cair uma caneta


abandonado do repouso a tqueda= da carteira: quanto tempo ela
partir de certa altura. g leva para chegar ao chão?

Altura máxima atingida


v02 Uma pessoa lança um objeto
por um corpo lançado para hmáx= para outra, que está em um local
cima na vertical, com certa 2g mais alto, como uma sacada.
velocidade inicial.

Velocidade final que um


Você deixa seu celular cair no
corpo atinge ao tocar o solo, vfinal= 2gh chão. Com que velocidade ele
quando abandonado em
chega ao solo?
repouso de certa altura.

Distância horizontal
2h Uma bolinha de gude em
percorrida por um objeto .v0
D= movimento cai pela borda de
lançado horizontalmente, g
uma mesa: onde ela vai cair?
antes de atingir o solo.

Alcance horizontal de um Um estudante lança sua


v 2sen2ș
corpo lançado de forma A= 0 borracha para um colega no
oblíqua em relação ao solo. g outro lado da sala.
Tabela 12.

a
Estas expressões consideram desprezível a resistência do ar, válidas de forma aproximada em muitas situações.

58
Física – 1a série – Volume 2

Em primeiro lugar, é fundamental ressal- vitacional fosse igual a 2,5 m/s2, qual se-
tar: o objetivo aqui não é fazer os alunos me- ria o tempo de queda?
morizarem fórmulas, nem mesmo treiná-los Aplicando diretamente a fórmula, tqueda = 1,0 s.
na resolução de exercícios envolvendo essas
expressões. O que se deseja é trabalhar com 3. Quando se joga um objeto para cima, ele
algumas competências importantes, como a chega até certa altura e começa a cair. De
interpretação e a aplicação de fórmulas em que fatores você acha que depende essa al-
situações físicas. Por isso, a ênfase deveria ser tura? Explique seu raciocínio.
dada justamente à interpretação de cada ex- Espera-se que o aluno fale da velocidade inicial e da gra-
pressão. Os exercícios a seguir podem facilitar vidade. Alguns podem mencionar outros fatores. Cabe ao
essa interpretação. professor esclarecer isso a partir da fórmula apresentada na
questão 4.
1. Para iniciar, pense em um fenômeno simples:
a queda de um objeto de certa altura. É co- 4. A fórmula a seguir serve para fazer o cál-
mum deixarmos as coisas caírem da mesa. culo da altura máxima atingida por um
Quanto tempo será que um objeto leva para objeto lançado para cima com velocidade
chegar ao chão? Antes de tudo, pense nos v2
inicial igual a v0: hmáx= 0 .
fatores que influenciam o tempo de queda. 2g
Você acha que esse tempo depende:
a) Se você lançar uma bola para cima a
a) Da altura da mesa? Explique. 4 m/s de velocidade, qual será a altura
Quanto maior a altura da mesa, maior o tempo de queda. atingida por ela?
Aplicando diretamente a fórmula, hmáx = 0,8 m ou 80 cm.
b) Da massa do objeto? Explique.
Não, mas pode-se imaginar que muitos alunos pensem que b) E se fizer o mesmo na Lua, onde a in-
há essa dependência. Cabe ao professor esclarecer que não. tensidade do campo gravitacional é de
g = 1,6 m/s2?
c) Da gravidade? Ou seja, seria diferente Aplicando diretamente a fórmula, hmáx = 5 m.
na Lua? Explique.
Sim. Na Lua (gravidade menor), o tempo seria menor. 5. Para sabermos algo sobre a chance de um
objeto quebrar em uma queda, um dado
2h
2. Observe a fórmula a seguir: tqueda= . importante é a velocidade final com que um
g
corpo atinge o solo, quando abandonado em
Ela pode ser usada para encontrar o tempo repouso de certa altura. Uma fórmula para
de queda, desde que se possam desprezar esse cálculo é a seguinte: vfinal = 2gh .
os efeitos da resistência do ar. Imagine que
um vidro de perfume cai de um balcão de Determine essa velocidade final para um
1,25 m de altura. objeto que cai de 5 m de altura, na Terra e
na Lua. Compare os resultados e explique
a) Na Terra, onde a intensidade do cam- as diferenças.
po gravitacional vale aproximadamente Aplicando diretamente a fórmula:
g = 10 m/s2, qual seria esse tempo de queda? Na Terra: vfinal = 10 m/s
Aplicando diretamente a fórmula, tqueda = 0,5 s. Na Lua: vfinal = 4 m/s
Como esperado, a velocidade final é proporcional à raiz
b) E se a mesma queda ocorresse em um quadrada da aceleração que, por sua vez, é proporcional à
local onde a intensidade do campo gra- gravitação local.

59
6. Usando essa mesma fórmula, tente mostrar peito da queda dos corpos. Um vídeo muito
que um objeto que cai de 80 cm de altura na interessante a ser exibido no computador (ou
Terra (a altura de uma mesa) poderia cair de sugerido para que os alunos vejam) mostra
5 m na Lua sofrendo o mesmo impacto. o astronauta Dave Scott, na missão Apolo
Aplicando diretamente a fórmula: 15, na Lua, realizando uma demonstração
Na Terra: vfinal = 4 m/s de queda livre com uma pena e um martelo.
Na Lua: vfinal = 4 m/s Com isso, ele mostra o que Galileu havia de-
A velocidade final é a mesma. fendido séculos antes: que em um ambiente
sem ar todos os objetos cairiam à mesma ace-
Neste momento, pode-se comentar um leração. No vídeo, pode-se ouvir Dave Scott
pouco a famosa discussão de Galileu a res- explicando, em inglês:

© Johnson Space Center Collection/NASA


Bem, na minha mão esquerda eu tenho uma
pena; na minha mão direita, um martelo.

Imagino que um dos motivos para estarmos aqui


hoje é por causa de um cavalheiro chamado Galileu,
que há muito tempo fez uma descoberta muito im-
portante sobre objetos em queda em campos gravi-
tacionais. Pensamos: que lugar seria melhor do que a
Lua para confirmar suas descobertas?

E pensamos em fazer isso aqui para vocês. A pena


é, como seria apropriado, uma pena de falcão, home- Figura 12.
nageando o nosso Falcão1.

Eu vou largar os dois juntos aqui e, ao que se espera, eles atingirão o chão ao mesmo tempo.

[pausa]

Isto prova que o senhor Galileu estava correto em suas afirmações.

Apollo Lunar Surface Journal. The hammer and the feather. Transcrição de Eric M. Jones, 1996.
Tradução Luís Paulo de Carvalho Piassi. Disponível em: <http://www.hq.nasa.gov/alsj>. Acesso em: 11 nov. 2013.

1
O falcão é o símbolo da Força Aérea dos Estados Unidos.

A discussão deve ser encaminhada para que está no denominador: quanto mais in-
mostrar aos alunos como os fatores influem tensa a gravidade, menor o tempo de queda.
nos resultados das expressões matemáticas. Observe também que aqui tratamos g como
2h intensidade do campo gravitacional e não
Na fórmula tqueda= , o fator h (altura) está
g simplesmente como aceleração da gravida-
no numerador, indicando que, quanto maior de, porque queremos que o aluno associe g
a altura, maior o tempo de queda. O contrá- a uma propriedade do local (planeta, Lua)
rio ocorre com o campo gravitacional (g), onde se está.

60
Física – 1a série – Volume 2

Não é preciso trabalhar com todas as cin- não deixa de ser muito interessante a leitura do
co expressões matemáticas apresentadas na livro 2001: uma odisseia no espaço, do próprio
Tabela 12, se julgar que isso não está de acor- Clarke, a obra de ficção que foi produzida simul-
do com o tempo disponível ou o preparo pré- taneamente com o filme, a partir do roteiro. No
vio da média dos alunos. Em todos os casos, entanto, deve-se estar ciente de que há algumas
é interessante procurar fazer o cálculo com diferenças pequenas, mas fundamentais, no en-
dados cotidianos. redo das duas obras.
v02sen2ș
Quanto à expressão A= , que Para os mais entusiasmados, sugerimos tam-
g bém a leitura dos livros 2010: uma odisseia no
utiliza uma função trigonométrica que pode espaço II; 3001: a odisseia final; e 2061: uma
se mostrar bastante difícil para os alunos que odisseia no espaço III, todos de Clarke, que dão
desconhecem esses conteúdos, uma boa ideia continuidade à história do filme (e não do livro)
talvez seja apenas dizer que se trata de uma e abordam muitos conceitos interessantes de as-
forma matemática de calcular inclinações e tronomia, física espacial e astronáutica. O livro
usar a calculadora ou uma tabela. Incluímos 2010: uma odisseia no espaço II foi adquirido
essa fórmula porque ela embute uma discussão há alguns anos pelo Governo do Estado de São
interessante sobre as trajetórias no lançamento Paulo para as bibliotecas das escolas públicas
oblíquo. e pode, portanto, ser encontrado em algumas
delas. Há também uma versão cinematográfica
Se não quiser propor para os alunos cálculos dessa obra, denominada 2010: o ano em que fa-
com a fórmula, vale a pena comentar ao menos remos contato, filmada por outro diretor e com
a trajetória parabólica e mostrar alguns resul- características bem distintas da abordagem dada
tados interessantes, como o alcance máximo de em 2001: uma odisseia no espaço. De qualquer
45° e as diferenças que seriam observadas entre forma, a Situação de Aprendizagem 8 traz uma
a Terra e a Lua. O chute de um goleiro de fute- proposta de trabalho com o filme 2001.
bol em um tiro de meta, por exemplo, atingiria
uma distância mais de seis vezes maior do que A seguir, sugerimos alguns exercícios
na Terra, pois o alcance é inversamente propor- envolvendo cálculos. Você pode propor ou-
cional à intensidade do campo gravitacional. tros, de acordo com o desenvolvimento de
Isso certamente exigiria que os campos de fu- sua turma.
tebol lunares tivessem outras dimensões ou as
bolas tivessem outras especificações. 1. De um prédio de 25 andares,
com 80 m de altura, é solta
Há filmes interessantes de ficção científica uma pedra. Quanto tempo ela
que podem auxiliá-lo e a seus alunos na aproxi- leva para atingir o solo? Se fos-
mação desse tema. É o caso do famoso filme de se na Lua, quanto duraria essa queda?
ficção científica: 2001: uma odisseia no espaço.
2h
Em 2008, a obra completou 40 anos e edições Aplicando-se diretamente tqueda=
g
, teremos:
comemorativas foram lançadas em DVD, o que Na Terra: tqueda = 4 s
facilita o acesso ao material. As informações so- Na Lua: tqueda = 10 s
bre esse filme são abundantes na internet e em
livros e revistas. Muitas biografias de Stanley 2. Um jogador de vôlei dá um saque verti-
Kubrick, o diretor, e de Arthur C. Clarke, au- calmente para cima, com velocidade de
tor de ficção científica que escreveu o roteiro do 16 m/s. Que altura a bola atinge? E se a jo-
filme, estão disponíveis na internet. Além disso, gada fosse na Lua?

61
v02
Aplicando-se diretamente hmáx=
2g
, teremos: história desta Situação de Aprendizagem. Es-
Na Terra: hmáx = 12,8 m ses nomes têm alguma relação com a história?
Na Lua: hmáx = 80 m Em sites de busca, o aluno poderá descobrir, por exemplo, que:
tDemétrio é relativo a Deméter (deusa grega da agricultu-
3. Se não fosse a resistência do ar, um corpo ra). Como as fases da Lua estão essencialmente associadas à
abandonado de uma altura de 45 m (15 an- época de plantio, eis uma relação de Demétrio com a Lua.
dares) atingiria que velocidade? E se esse tDiana (deusa grega) geralmente é associada à caça, mas
lançamento fosse realizado na Lua? também à Lua e suas fases.
Aplicando-se diretamente : vfinal = 2gh , teremos: tSelene (deusa grega) representa a Lua.
Na Terra: vfinal = 30 m/s
Na Lua: vfinal = 12 m/s Escreva um texto comparando e
relacionando a história de Selene
Informe os alunos de que os nomes das per- com o que é abordado em seu li-
sonagens da narrativa “As aventuras de Selene” vro de leitura. Há ideias em co-
não foram escolhidos ao acaso e solicite que des- mum? Há algo no livro que você pode asso-
cubram o motivo de cada escolha. ciar à história produzida nesta Situação de
Aprendizagem?
Sua missão será procurar os signi- Verifique as associações, se o aluno conseguiu fazer uma
ficados dos nomes Demétrio, Se- ponte entre a história de Selene e o livro de leitura por meio
lene e Diana, que aparecem na de um texto coerente e coeso.

GRADE DE AVALIAÇÃO

Competências e habilidades Indicadores de aprendizagem

f Interpretar textos envolvendo termos e ideias f Compreender o fenômeno da queda dos corpos
científicos. como resultante de uma interação gravitacional.
Situação de Aprendizagem 6

f Pesquisar informações históricas. f Identificar fenômenos e situações cujas


características são influenciadas pela intensidade
f Descrever situações e fenômenos físicos a partir
de condições dadas; refletir sobre relações entre da interação gravitacional.
ambiente físico e práticas sociais. f Estabelecer relações quantitativas entre a
intensidade do campo gravitacional e os
f Elaborar texto, na forma de ficção, que aborde
fenômenos físicos de acordo com leis dadas. resultados de fenômenos mecânicos ocorridos nas
proximidades da superfície de um corpo celeste.
f Interpretar e aplicar expressões matemáticas
que descrevem fenômenos físicos.
f Utilizar funções de calculadoras eletrônicas.

62
Física – 1a série – Volume 2

PROPOSTAS DE QUESTÕES PARA APLICAÇÃO EM AVALIAÇÃO


1. No planeta fictício Vogon, a intensidade do e) muito mais fácil, pois, mesmo lançado
campo gravitacional é de 20 m/s2. Quanto com a mesma velocidade, o objeto atin-
tempo uma arma desintegradora levaria giria uma altura seis vezes maior.
para cair do cinturão de um soldado Vogon, Aqui vale a pena discutir a diferença entre massa e peso e
a partir de 1 m de altura? Compare esse va- salientar que o peso, ou seja, a força gravitacional na Lua,
lor com os valores na Terra e na Lua. seria menor. A alternativa e é compatível com a expressão
Com os dados fornecidos para o planeta Vogon, temos: matemática para a altura máxima (hmáx), inversamente pro-
2h 2 u1 porcional à intensidade do campo gravitacional.
tqueda = = = 0,1  0,31 s.
g 20
Para a Terra, g = 10 m/s², e o resultado é tqueda  0,45 s, e para a 4. Pense em um dos esportes presentes nos
Lua, com g = 1,6 m/s², o resultado é tqueda  1,12 s. Jogos Olímpicos. Como você imagina
que ele se alteraria se fosse praticado em
2. Na espaçonave Coração de Ouro, há um ambiente de gravidade menor, como
um campo gravitacional artificial (fictí- a Lua?
cio, pois, até onde se sabe, não é possível Aqui cabem várias respostas, todas elas associadas à menor
criar campos gravitacionais artificiais) de intensidade da força gravitacional. No basquete, por exem-
valor igual à metade do campo terrestre. plo, os lançamentos atingiriam distâncias maiores. Os saltos
Qual seria a velocidade atingida por uma em altura seriam mais altos, o lançamento de dardos teria um
xícara de chá que caísse de uma mesa alcance seis vezes maior, e assim por diante.
de 80 cm de altura? Compare esse valor
com os valores na Terra e na Lua. (Não 5. Muitas tarefas ingratas do nosso cotidia-
se esqueça de transformar as unidades no seriam menos difíceis se vivêssemos em
de medida.) um local com uma gravidade menor, como
Neste caso, h = 0,8 m e g = 5 m/s², velocidade da xícara na a Lua. Das alternativas a seguir, qual é a
nave: v  2,82 m/s. Na Terra, teríamos v = 4 m/s, enquanto na única atividade que ficaria praticamente
Lua, v = 1,6 m/s. tão difícil como aqui na Terra?

3. Aqui na Terra, jogar algo leve, como o li- a) Passar oito horas trabalhando em pé.
vro Guia do mochileiro das galáxias, para
alguém no andar de cima ou no telhado b) Carregar uma mochila cheia de livros.
é uma tarefa relativamente simples. Jogar
objetos para cima na Lua seria: c) Subir uma rua íngreme antes de chegar
em casa.
a) impossível, em razão da ausência de gra-
vidade. d) Empurrar um carrinho cheio de com-
pras no mercado.
b) um pouco mais difícil, pois o peso seria
seis vezes menor, mas a massa seria seis e) Pular o muro de casa porque se esque-
vezes maior. ceu de levar a chave.
Das indicadas, a única tarefa que não depende do peso, mas
c) igualmente fácil, pois a massa não se altera, sim da massa, é empurrar o carrinho de compras. Todas as
havendo apenas uma redução de 1/6 no peso. outras seriam diretamente beneficiadas com a redução do
peso e, de certa forma, mesmo o carrinho de compras seria
d) um pouco mais fácil, porque o objeto empurrado com um pouco mais de facilidade na medida em
seria aparentemente 6% mais leve. que o atrito depende do peso.

63
PROPOSTA DE SITUAÇÃO DE RECUPERAÇÃO
No Tema 1, alguns aspectos fundamentais proporcional e às operações matemáticas.
foram abordados: Cabe, neste caso, partir de exemplos me-
nos elaborados, envolvendo situações co-
f o conhecimento dos corpos que compõem muns de proporção, para depois abordar
o Universo; pelo menos alguns dos exemplos que fo-
f as atividades de leitura; ram mencionados ao longo deste Caderno.
f os cálculos de proporções e as conclusões Utilize exercícios que envolvam cálculos de
que podem ser tiradas a partir deles. proporção mais acessíveis para o trabalho
de recuperação.
A estratégia de recuperação deve seguir li-
nhas distintas em cada um dos três aspectos. O Tema 2 envolve a atividade de escrita, a
imaginação de situações com gravidade dife-
No primeiro, temos uma lacuna de informa- rente da Terra e alguns cálculos sobre queda
ção que pode ser suprida por meio de pesquisa de corpos. Identifique onde os problemas são
em materiais escritos ou na internet. Sugerimos, maiores. A atividade de escrita pode ser facil-
neste caso, que os alunos realizem uma pesqui- mente incentivada, mesmo que alguns alunos
sa e, com ela pronta, façam um seminário ou ainda tenham dificuldade na expressão escrita.
escrevam um texto sobre os principais tipos de Se o estudante não se vê capaz de continuar a
corpos e estruturas do Universo: as estrelas, os história proposta, peça que ele construa sua
planetas, os satélites e as galáxias. Utilize as di- própria história a partir do zero, individual-
versas indicações bibliográficas que foram feitas mente ou em grupos de alunos que tenham
ao longo das Situações de Aprendizagem. apresentado dificuldades similares. A questão
de imaginar situações em gravidade diferente
A atividade de leitura, por outro lado, só pode ser abordada oralmente com pequenos
pode ser suprida pela própria leitura. Verifi- grupos de alunos, lançando questões basea-
que quais foram os obstáculos envolvidos no das nos itens que destacamos a respeito do
caso dos alunos nos quais se evidenciam difi- ambiente lunar.
culdades na obtenção do texto, falta de tempo
para leitura e deficiências de interpretação. A parte que envolve cálculos pode ser tra-
Vale a pena, em qualquer caso, trabalhar a balhada novamente a partir de exercícios sim-
leitura em classe, com acompanhamento e ples. Sugerimos que utilize exercícios mais co-
discussão orientados por você, pelo menos de muns (e simples) de queda livre e que os faça
algumas partes do livro solicitado. usando a gravidade da Terra e a da Lua, veri-
ficando as diferenças nos resultados. A partir
A questão dos cálculos, por sua vez, pode daí, alguns exercícios similares podem ser pro-
envolver obstáculos quanto ao raciocínio postos aos estudantes.

64
Física – 1a série – Volume 2

TEMA 3 – UNIVERSO, TERRA E VIDA: SISTEMA SOLAR


Neste tema, o conjunto de Situações de ço, abordado sobretudo nas Situações de
Aprendizagem propostas tem como objetivo Aprendizagem 8 e 9. Finalmente, o ter-
estudar três aspectos fundamentais sobre o ceiro aspecto fundamental é o conceitual-
Sistema Solar. -fenomenológico, que aparece nas três Si-
tuações de Aprendizagem, enfatizando o
O primeiro deles, que poderíamos deno- conhecimento sobre as leis e os conceitos
minar aspecto histórico-filosófico, é explo- empregados pela Física na interpretação
rado principalmente na Situação de Apren- dos fenômenos do movimento, particular-
dizagem 7, por meio das visões de Universo mente dos corpos celestes. Isso pode ser
historicamente construídas em sua relação visto mais intensamente nas Situações de
com as concepções de espaço e matéria. Aprendizagem 8 e 9, em que as leis clás-
sicas do movimento são apresentadas e
O segundo aspecto é o sociotecnoló- empregadas na interpretação de diversos
gico, que se refere à exploração do espa- fenômenos.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7
MATÉRIA, MOVIMENTO E UNIVERSO

Esta Situação de Aprendizagem tem duplo f elaboração de relato da pesquisa na forma


objetivo. Primeiro, dando continuidade ao de um pôster.
processo iniciado em diversas atividades pro-
postas nos temas anteriores, deseja-se desen- Além disso, pretende-se que os alunos
volver habilidades relacionadas à pesquisa em tenham ao menos um contato abrangente
suas diversas etapas: com alguns aspectos da sucessão de teorias
e modelos que explicam os fenômenos físi-
f busca em fontes de consulta, seja pela in- cos fundamentais do Universo, o que inclui
ternet, seja por meio de materiais biblio- as teorias sobre a matéria, sobre o movi-
gráficos ou audiovisuais; mento e sobre o Universo em um contexto
f interpretação desses materiais e identifi- integrado.
cação das informações relevantes aos ob-
jetivos da pesquisa;

Conteúdos e temas: teorias, modelos e processos de investigação sobre a origem, a evolução e a cons-
tituição do Universo; evolução dos modelos sobre o Universo (matéria, radiação e interações); etapas
da evolução estelar (formação, gigante vermelha, anã branca, supernova, buraco negro); algumas
especificidades do modelo cosmológico atual (espaço curvo, universo inflacionário, Big Bang).
Competências e habilidades: buscar, interpretar e identificar informações relevantes, por meio da
internet, de materiais audiovisuais ou de outras fontes de consulta bibliográfica; elaborar e apresentar
relatos na forma de pôster.
Sugestão de estratégias: pesquisa bibliográfica; elaboração e apresentação de pôsteres.

65
Sugestão de recursos: sites, livros e revistas.
Sugestão de avaliação: avaliar a participação e o desempenho dos alunos nas pesquisas; elaboração e
apresentação dos pôsteres.

Desenvolvimento da Situação de f História e Filosofia: professores dessas


Aprendizagem disciplinas podem ajudar na pesquisa de
informações, sobretudo (mas não somen-
A proposta para esta Situação de Apren- te) naquelas referentes às concepções de
dizagem é promover uma exposição de pôste- mundo da Antiguidade.
res elaborados pelos alunos, tal como em um f Química: como boa parte do tema se re-
simpósio de pesquisa. Os temas dos pôsteres laciona às concepções sobre a matéria, o
serão distribuídos entre os grupos das diver- professor dessa disciplina certamente terá
sas turmas. Seria conveniente conseguir um muito a contribuir.
espaço na escola (um corredor, um pátio, uma f Arte: a elaboração dos pôsteres pode con-
quadra) onde os trabalhos possam ser expos- tar com a ajuda desses professores.
tos, permitindo que todos vejam os cartazes f Língua Portuguesa e Literatura: os profes-
dos colegas. sores dessas disciplinas podem assessorar a
elaboração dos textos e contribuir com ele-
Se possível, também seria interessante so- mentos para a pesquisa.
cializar os resultados dos trabalhos com toda f Língua Estrangeira: muitas matérias podem
a escola. Nesse caso, os grupos poderiam fi- ser obtidas em língua estrangeira. Uma as-
car à disposição dos colegas, funcionários e sessoria pode ser útil tanto na fase da pes-
visitantes para explicar o conteúdo de seus quisa (quais termos empregar para uma
pôsteres. busca na internet ou em uma biblioteca, por
exemplo) como para a tradução de textos.
Um concurso para eleger os melhores
cartazes também poderia ser promovido, Encaminhando a ação
com votação dos próprios alunos. Por meio
dessa estratégia, espera-se que eles tenham A realização desta Situação de Aprendiza-
interesse em produzir seus cartazes com a gem exige momentos não contíguos. Sugerimos
melhor qualidade possível, uma vez que os que, depois de fazer a orientação a respeito da
trabalhos serão expostos e poderão partici- pesquisa, seja trabalhada a Situação de Apren-
par de um concurso. dizagem 8, dando um prazo para que os alunos
apresentem os materiais pesquisados. Da mes-
Outra possibilidade é promover uma expo- ma forma, as outras duas etapas programadas
sição dos melhores pôsteres para a Diretoria para a atividade seriam intercaladas entre as ou-
de Ensino ou de região, já que as diversas es- tras Situações de Aprendizagem. A ideia é que,
colas poderão realizar a mesma atividade na nas aulas intermediárias, você possa verificar o
mesma época. andamento das pesquisas e a confecção dos car-
tazes, além de estabelecer breves relações entre a
Esta atividade pode contar com a ajuda pesquisa e os demais assuntos tratados em aula.
de professores de outras áreas, promovendo a A Tabela 13 mostra um esquema possível de en-
integração entre os componentes curriculares, caminhamento da Situação de Aprendizagem 7,
por exemplo: em aulas intercaladas.

66
Física – 1a série – Volume 2

Etapas da pesquisa (Situação de Aprendizagem 7)


Tema abordado
intercaladas com outras Situações de Aprendizagem

Apresentação da proposta de pesquisa Teorias da Antiguidade

Situação de Aprendizagem 8 – 2001: o futuro que já passou

Checagem de materiais pesquisados Astronomia e mecânica clássica

Situação de Aprendizagem 9 – As leis de Kepler

Projetos dos pôsteres Teorias da cosmologia moderna

Situação de Aprendizagem 10 – Dimensões do espaço e do tempo

Apresentação dos pôsteres

Tabela 13. Sugestão de sequência para o encaminhamento da Situação de Aprendizagem 7.

Na primeira aula desta Situação de Apren- A pesquisa com recursos da internet


dizagem, você deve apresentar a proposta de deve ser dirigida de forma a não se restrin-
pesquisa, indicando os temas a serem traba- gir a um simples “copiar e colar”, sem refle-
lhados. Na Tabela 14, sugerimos 20 temas, dos xão. Para isso, tarefas específicas são solici-
quais talvez possam ser escolhidos oito por tadas aos alunos, que deverão transformar
classe, dependendo do número de alunos as informações obtidas em suas pesquisas
por grupo. Cada tema de pesquisa está asso- em uma nova mídia, com novos objetivos e
ciado ao nome de um cientista ou de um fi- enfoques.
lósofo que trabalhou em torno desse assunto.
Os temas são distribuídos por épocas, abran- Neste Caderno, você vai fazer
gendo desde a Antiguidade grega, passando uma pesquisa sobre o tema ge-
pela Renascença, até os tempos modernos. A ral Matéria, movimento e Uni-
escolha teve como critério, além da relevância verso, por meio da investiga-
do assunto, a disponibilidade de informações, ção a respeito de um cientista ou de um
tanto na internet como em livros e enciclo- filósofo e de suas principais contribuições.
pédias. Por isso, decidimos não sugerir, por Seu professor vai atribuir um tema específi-
exemplo, temas da Idade Média, cujos mate- co ao seu grupo. Destaque na tabela a seguir
riais em português são raros. o tema que você vai pesquisar.

67
Cientista ou filósofo Tema de pesquisa

© SPL/Latinstock
1 Aristóteles Os elementos, a teoria do movimento, o céu e a Terra.

2 Leucipo de Mileto Os átomos, o movimento e a matéria. O vazio.


3 Cláudio Ptolomeu O sistema geocêntrico.
© Bibliotheque Nationale,
Paris, France/The Bridgeman
Art Library/Keystone

Giordano
4 Cosmologia e vida em outros planetas.
Bruno

5 Nicolau Copérnico O sistema heliocêntrico.


6 Galileu Galilei O heliocentrismo, a relatividade e a inércia.
© Toni Schneiders/
Interfoto/Latinstock

Johannes
7 As leis de Kepler e o modelo de Sistema Solar.
Kepler

8 Christiaan Huygens As descobertas astronômicas e a teoria ondulatória da luz.


9 Isaac Newton A gravitação e as leis do movimento. As partículas de luz.
10 Pierre-Simon Laplace A hipótese nebular da formação do Sistema Solar. O determinismo.
11 Immanuel Kant A vida em outros planetas. A formação do Sistema Solar.
© CHEMICAL HERITAGE
FOUNDATION/
SPL/Latinstock

John
12 A matéria e os átomos.
Dalton
© Library of Congress/SPL/
Latinstock

Niels
13 O modelo do átomo.
Bohr

A Teoria da Relatividade. Equivalência entre matéria e


14 Albert Einstein
energia.
15 Werner Karl Heisenberg A mecânica quântica e o princípio da incerteza.

68
Física – 1a série – Volume 2

Cientista ou filósofo Tema de pesquisa


16 Paul Adrien Dirac A relatividade e a antimatéria.
17 Arthur Stanley Eddington A fusão nuclear e as estrelas.

© Emilio Segre Visual


Archives/American Institute of
Physics/SPL/Latinstock
Edwin
18 A lei de Hubble e a expansão do Universo.
Hubble

19 George Anthony Gamov A teoria do Big Bang.


20 Murray Gell-Mann Os quarks e o modelo-padrão.
Tabela 14. Propostas temáticas para realização da Situação de Aprendizagem 7.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

O objetivo é que cada grupo faça um car- procedimentos são muito importantes na formação de com-
taz ou pôster e o apresente aos colegas. O tra- petências ligadas à pesquisa, organização e apresentação de
balho deve ser realizado em três etapas, des- informações.
critas a seguir, conforme Caderno do Aluno.
Estabeleça com os alunos as datas de entrega f Imagens: A ideia é selecionar imagens que
das tarefas. possam ser usadas no cartaz para ilustrar
as informações que o grupo deseja apre-
Coletando informações e imagens sentar. Em um cartaz, as imagens são tão
importantes quanto o texto. As figuras e as
Na data marcada para entrega, os alunos fotos devem ser grandes e o texto, resumi-
devem apresentar dois tipos de material: do; portanto, é preciso selecionar imagens
de tamanho adequado.
f Textos: Depois de pesquisar textos sobre Professor, verifique a pesquisa iconográfica (imagens) e opi-
o assunto, é indicado fazer cópias dos ma- ne sobre a adaptação e a seleção. Caso julgue necessário,
teriais encontrados (trechos de livros ou solicite que a pesquisa seja mais aprofundada.
enciclopédias, artigos de revistas, páginas
da internet). Não é necessário resumir ou Projetando o pôster
escrever nesta etapa, apenas organizar os
materiais em uma pasta para apresentá-los. Na data marcada, o grupo deve trazer
Professor, verifique se os textos trazidos pelos alunos são coe- para a sala de aula um projeto do pôster e
rentes com a pesquisa e se eles anotaram adequadamente um resumo da apresentação que pretende fa-
as fontes de onde foram retirados. O ideal é que os alunos zer, além da pasta com a pesquisa dos textos
tragam os textos na íntegra. e das figuras. Com um lápis, em uma folha de
Verifique também a organização do material e se eles fizeram cartolina, o grupo deve marcar os locais onde
um índice no início da pasta para facilitar a organização. Esses vão entrar figuras e textos:

69
© Ron Boardman, Life Science Image/Minden Pictures/Latinstock
© SPL/Latinstock © Paul D. Stewart/SPL/Latinstock
A teoria da evolução das espécies
Charles Darwin e a Evolução das espécies
Charles Robert Darwin FRS (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 — Downe,
.enW, 19 de $briO de 1882 Ioi uP nDWurDOisWD briWkniFo Tue ¿Fou IDPoso Sor ser
o autor da teoria da evolução das espécies. Esta teoria mostra como se dá
a evoOuomo Sor meio da seOeomo naturaO e se[uaO das esSpcies. Sua teoria Ioi
eOaborada durante sua e[Sediomo a bordo do Beagle.
Darwinismo Social Darwin e Mendel
2 termo ³Darwinismo SociaO´ Ioi So- As teorias de Darwin e Mendel hoje,
SuOari]ado Sor historiadores Sara des- de certa forma, smo comSlementares,
crever o Sensamento desenvoOvido no entanto, nem semSre foi assim. Ao
durante os spcuOos ;,; e ;; acerca Sasso Tue a teoria de Mendel mostra-
do crescimento das SoSuOao}es e va Tue as características Sassavam
Charles Darwin das nao}es. 2 Darwinismo sociaO p de Sais Sara ¿lhos hereditariamente, a
a tentativa de se aSOicar as ideias re- teoria da evolução de Darwin mostra-
Oacionadas j evoOuomo das esSpcies, va Tue os seres Soderiam evoluir Sara
Sara comSreender as sociedades outros seres.
humanas. De acordo com este Sensa- ASenas no ¿nal do spculo ;,;, com a
mento Sessoas mais inteOiJentes ou Jenptica bastante fortalecida Sor da-
com maior Soder aTuisitivo Soderiam dos e[Serimentais, foi Sossível aliar a
ser comSreendidas Sor sua descen- teoria Darwiniana j Jenptica e j biolo-
dência, como se estas característi- Jia, criando o neodarwinismo.
CaSa do livro A origem das cas Iossem heranoas Jenpticas. 1o
espécies, de 1859 entanto, várias críticas foram feitas a
esta teoria. EOa foi considerada, Srin-
Fontes consultadas
ciSaOmente no Sys-SeJunda *uerra
httSdarwin-online.orJ.uN
Darwin, C. A origem das espé-
Mundial, uma teoria racista.
cies. Coleção planeta Darwin. A e[Sedição de Darwin a bordo do
Planeta Vivo, 2009. HMS Beagle

Figura 13. Um exemplo de pôster.

f Indicar os títulos, que devem ser escritos pode ter um ou dois parágrafos relativos ao cientista ou
com letra grande. filósofo (biografia, descobertas, período histórico, con-
f Estabelecer o espaço de cada figura com ceitos, influências, repercussões, aplicações etc.). Auxilie
um retângulo e indicar dentro dele qual os alunos na seleção dos tópicos que estarão presentes
imagem será inserida. Pode-se colar uma no pôster e lembre-os de que devem se preparar para
cópia da figura no local com fita adesi- falar sobre todos os temas presentes no resumo.
va, provisoriamente. Verifique os projetos produzidos pelos alunos e opine sobre
f Elaborar uma legenda para cada figura. possíveis melhorias de forma e conteúdo. A ideia do pôster não
f Apontar os lugares onde devem aparecer é abarcar tudo sobre o autor; por isso, a seleção do que entra no
os textos informativos em letras menores. pôster é por si só um exercício importante para o grupo.
f Indicar os locais onde aparecerão tabelas.
f Indicar os locais para as referências das Apresentando o pôster
fontes consultadas.
No dia da apresentação, o grupo deve levar
O professor vai avaliar o projeto do grupo e para a aula seu pôster e o resumo da apresen-
dar sugestões de melhorias para a apresentação tação. O ideal é mostrar o pôster ao profes-
na data marcada. Ele também vai avaliar o re- sor uns dias antes, para que ele dê sugestões.
sumo da apresentação. Também será necessário treinar a apresenta-
Para os projetos dos pôsteres, os alunos precisam trazer ção com os colegas de grupo.
para a sala de aula uma cartolina, bem como os textos e tChecagem prévia do pôster: o ideal é olhar os pôsteres
as imagens que pretendem colocar no pôster (por isso é antes do dia da apresentação e sugerir, quando necessário,
importante, na aula anterior, lembrá-los de trazer esses algumas melhorias.
materiais). Trata-se de mais uma oportunidade para você tResumo da apresentação: também é importante conferir
verificar o andamento do trabalho, checar se as orien- previamente o resumo para orientar os grupos a respeito
tações dadas anteriormente foram seguidas e dar mais do que será falado no dia da apresentação.
algumas dicas e ideias para a confecção dos cartazes. tApresentação: estipule o formato da apresentação; onde os
Você pode solicitar aos alunos um resumo de uma a duas pôsteres serão afixados, quem vai apresentar, quanto tempo
páginas digitadas, organizado em tópicos. Cada tópico durará cada apresentação, o tempo para as perguntas, se a

70
Física – 1a série – Volume 2

apresentação será apenas para a classe ou se será para toda a o livro de Roberto de Andrade Martins con-
escola, e assim por diante. Tudo isso deve ser planejado com tinua sendo uma boa referência, bem como o
antecedência e explicado aos alunos. O ideal é que você dê episódio 10 da série Cosmos (O limite do eter-
um retorno de avaliação a cada uma das etapas. no). Além disso, há uma página muito interes-
sante sobre cosmologia no site de Astronomia
Sobrando tempo, após a escolha dos te- e Astrofísica da Universidade Federal do Rio
mas e as questões que os alunos certamente Grande do Sul <http://astro.if.ufrgs.br/univ/>
terão sobre os trabalhos, você pode comen- (acesso em: 11 nov. 2013), de autoria de Ke-
tar algo sobre as ideias da Grécia clássica a pler Souza Oliveira Filho. Nesse site o assunto
respeito do Universo (temas 1 a 3) e os ques- é tratado em diversos aspectos.
tionamentos destas ideias surgidos no Renas-
cimento (temas 4 a 6). Um ponto importante A seguir propomos uma pesquisa indi-
é a passagem do modelo geocêntrico para vidual que aprofundará o conhecimento do
o heliocêntrico e as complicações que isso aluno a respeito de um veículo espacial es-
produziu na época de Galileu, em razão da colhido por ele. No segundo momento pede-
adoção do modelo geocêntrico pela Igreja. -se uma pesquisa sobre o autor de 2001: uma
Havendo a possibilidade de aprofundar o odisseia no espaço, Arthur C. Clarke, que é
assunto, você pode encontrar informações foco da próxima Situação de Aprendizagem.
em diversos livros. Recomendamos O Uni-
verso: teorias sobre sua origem e evolução,
1a parte
de Roberto de Andrade Martins. Disponível
em muitas escolas, os DVDs da série Cosmos
também podem ser úteis no preparo dessa Observe a tabela a seguir, que lista diver-
discussão, particularmente o episódio 3 (A sos artefatos usados na exploração espacial.
harmonia dos mundos). Em algumas bibliote-
cas, pode-se encontrar o livro de Carl Sagan Foguete espacial Sonda espacial
no qual a série foi baseada. Espaçonave Estação espacial
Ônibus espacial Telescópio em órbita
Se ainda houver tempo, você pode dis-
cutir um pouco a respeito da importância Satélite artificial Jipe lunar
dos trabalhos de Galileu, Newton e Kepler Tabela 15.

para a compreensão do Universo. Pode-se


falar também sobre as teorias de Laplace e Escolha um deles e procure as seguintes
Kant sobre a formação do Sistema Solar informações a seu respeito:
e as especulações em torno da existência
de outros sistemas solares. Os mesmos ma- 1. O que é esse veículo ou equipamento?
teriais que recomendamos anteriormente O aluno deve indicar o artefato escolhido entre os listados. É
(o livro de Roberto de Andrade Martins e o possível que ele sugira comentar um artefato não presente na
episódio 3 da série Cosmos) podem ser uma lista. Neste caso, avalie a pertinência aos propósitos da pesquisa.
boa base.
2. Para que ele serve?
Para finalizar, uma discussão sobre aspec- Verifique a qualidade das informações fornecidas. Alguns
tos das teorias cosmológicas modernas seria artefatos – como os satélites espaciais – podem ter muitas
bastante recomendável e, de certa forma, ter- utilidades (civis e militares, por exemplo). A Tabela 19, na
minaria de contemplar a maioria dos temas Situação de Aprendizagem 8, apresenta resumidamente
propostos para a sessão de painéis. Para isso, a utilização de cada um dos artefatos.

71
3. Tente encontrar uma imagem dele. 3. Do que trata o filme 2001: uma odisseia no
Verifique se a imagem corresponde ao artefato pesquisado. espaço?
A resposta pode variar bastante. O aluno pode pesquisar
2a parte informações sobre o enredo ou sobre o tema. Em relação
ao enredo, os aspectos centrais são a descoberta do estra-
Faça uma pesquisa sobre o famoso escri- nho objeto (o monólito negro) e as dificuldades dos astro-
tor de ficção científica Arthur C. Clarke e so- nautas com o computador inteligente da nave Discovery, o
bre o filme 2001: uma odisseia no espaço. HAL-9000. Sobre o tema, entre as possíveis respostas estão:
a conquista do espaço, a colonização da Lua e do espaço, o
1. Que tipo de histórias Arthur C. Clarke costu- surgimento da inteligência humana, a superação do ser hu-
mava escrever? mano pela máquina, entre outros. Você pode assistir ao filme
Arthur C. Clarke escrevia ficção científica, geralmente sobre e informar-se sobre ele.
viagens espaciais e colonização do espaço no nosso próprio
Sistema Solar ou em suas vizinhanças em um futuro não mui- 4. Qual foi a importância do filme 2001: uma
to remoto. Raramente há guerras espaciais em suas histórias. odisseia no espaço na época do seu lançamen-
Os alienígenas são poucos. Quando aparecem, não são hos- to e por que até hoje, mais de 40 anos depois,
tis, geralmente representam formas de vida muito mais evo- ele ainda é tão comentado?
luídas do que a nossa, envoltas em uma aura de mistério, e O filme é importante, entre outros motivos, porque conse-
suas ações são de difícil compreensão pelos humanos. guiu retratar de forma convincente algumas questões sobre
a vida no espaço e o destino da humanidade, temas sempre
2. Cite algumas de suas obras mais conhecidas. atuais. Mais de 40 anos após seu lançamento, o filme ainda
São aceitáveis várias respostas. A obra mais conhecida é, sem é comentado pela genialidade artística do diretor, Stanley
dúvida, o roteiro do filme 2001: uma odisseia no espaço. Ou- Kubrick, pela cuidadosa assessoria científica de Arthur C.
tras obras são Encontro com Rama, O vento solar, A cidade e Clarke e pelos efeitos especiais inovadores.
as estrelas e O fim da infância, todas altamente recomendá-
veis. As duas últimas são geralmente consideradas pela crítica 5. Procure cenas e trechos do filme na internet.
como os melhores romances de Clarke. Professor, confira as fontes pesquisadas pelos alunos.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8
2001: O FUTURO QUE JÁ PASSOU
Por meio do uso de cenas do filme 2001: ao movimento dos corpos no contexto do es-
uma odisseia no espaço e da leitura de um tex- paço. Como produto final, propõe-se a reali-
to, essa Situação de Aprendizagem discute al- zação de uma pesquisa sobre dispositivos de
guns aspectos das leis da mecânica aplicadas exploração espacial.

Conteúdos e temas: campos gravitacionais e relações de conservação na descrição do movimento de


naves e satélites; conceituação de gravidade e imponderabilidade. Noções de referenciais e forças iner-
ciais. Elementos da exploração espacial: satélites, estações, sondas, telescópios, ônibus espaciais etc.
Competências e habilidades: conhecer equipamentos tecnológicos de exploração espacial, reconhecer
seus usos e associá-los a leis da mecânica; ler e interpretar informações sobre dispositivos espaciais
apresentados em diferentes linguagens.
Sugestão de estratégias: pesquisa de informações em diferentes fontes de consulta; análise e interpre-
tação de cenas de filme e textos; debate em aula.

72
Física – 1a série – Volume 2

Sugestão de recursos: DVD do filme 2001: uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick; texto fornecido
nos Cadernos do Professor e do Aluno.
Sugestão de avaliação: verificar a participação dos alunos nas discussões em aula, a qualidade das
pesquisas e as respostas aos exercícios.

Desenvolvimento da Situação de Encaminhando a ação


Aprendizagem
A primeira dificuldade, evidentemen-
O filme 2001: uma odisseia no espaço, di- te, é obter o filme. Embora seja uma obra
rigido por Stanley Kubrick, com roteiro de muito conhecida, talvez não seja simples
Arthur C. Clarke, é considerado uma das de conseguir em uma locadora. Se você
obras-primas do cinema de todos os tem- não tiver acesso ao filme, sugerimos duas
pos. Clássico da ficção científica, em 2008 alternativas.
completou 40 anos, no mesmo ano de faleci-
mento de Clarke, um dos maiores escritores A primeira é procurar as cenas em um
do gênero, autor de incríveis viagens pela site de vídeos. Apesar de esses sites esta-
imaginação científica. A arte cinematográ- rem sempre sendo atualizados, 2001: uma
fica de Kubrick aliada à meticulosidade odisseia no espaço é um filme conhecido e,
científica de Clarke produziu uma obra que por isso, não é difícil encontrar trechos dis-
tem sido vista com novas leituras e inter- poníveis na internet. A pesquisa será mais
pretações desde seu lançamento. Por conta eficiente se for efetuada em inglês: 2001: A
disso, é um dos filmes mais utilizados como space odisseya.
recurso didático no mundo todo, não ape-
nas por professores de Física, mas também O site Ciência à mão disponibiliza ima-
no ensino de História, Geografia, Biologia, gens de cenas do filme indicadas na Tabela
Filosofia, o que mostra seu potencial inter- 17. Se não for possível acessar o site, ain-
disciplinar. da resta a opção de trabalhar apenas com o
texto a seguir, sem passar o trecho do filme.
Apesar disso, trata-se de uma obra difícil No texto, um personagem descreve com hu-
para alguns alunos do Ensino Médio, mais ha- mor e linguagem coloquial sua experiência
bituados a filmes de ação, narrativas explícitas ao assistir a uma parte de 2001: uma odisseia
e finais felizes e fáceis de entender. O filme, no no espaço. Se o caminho for esse, organize a
entanto, não atende a nenhuma dessas expec- sala para a leitura. Os alunos de cada gru-
tativas. Nossa proposta é trabalhar com tre- po podem se alternar na leitura em voz alta
chos cujas cenas envolvem movimento. Com para os demais. Em qualquer encaminha-
elas, podem-se discutir alguns aspectos das mento, acreditamos que a leitura do texto
leis da mecânica aplicadas ao movimento dos deva ser feita antes de se passar qualquer
corpos no contexto do espaço. trecho do filme.

a
Como não há diálogos nessas cenas, não é necessária a versão em português do filme.

73
2008: uma odisseia no cinema (e no banheiro)

Dizem que o filme fez 40 anos, mas é muito legal. Atrasado, eu entrei no cinema e a primei-
ra coisa que vi foram aqueles macacos enormes lá na frente. Estavam muito bravos, gritando
feito doidos e com uns ossos grandes na mão. A coisa tava feia. Fiquei assustado. Me veio
rapidamente à mente: será que entrei no filme certo? Não era um filme de espaço? Mas bem
nesse momento um dos macacos jogou um osso para cima. O osso subiu, subiu, subiu, até que,
quando ele começou a cair, tudo mudou. Um silêncio, o céu estrelado, um brilho no canto e
uma nave, satélite ou sei lá o que passando calmamente, como se nada tivesse acontecido. Será
que o osso virou uma nave? Foi quando senti algo estranho em minha nuca. Uma pancada.
Uma voz lá do fundo da escuridão parecendo me dizer algo... “senta, cabeção!”.

Sentei, tirei o saquinho amassado de pipoca que ficou na gola da camisa, mas conti-
nuo absorvido nas cenas. A nave continua lá, passeando devagar. Beeem devagar... Ao
fundo, um planetão azul, só pode ser a Terra, pelo menos aquele russo falou que ela era
azul. Uma valsa começa a tocar. As cenas são lindas. A Terra, o céu, outra nave estranha,
que parece ter um ventilador na ponta. Para onde foram os macacos? Agora aparece ou-
tra coisa orbitando a Terra. Deve ser algo importante, porque a música fica mais forte.
Parece uma roda. Uma baita rodona, com janelinhas acesas e girando no espaço.

Seja lá o que for, ainda parece em construção. Imagine uma enorme roda de bicicleta.
Melhor, uma roda de carroça. Acho que é uma coisa mais ou menos assim:
© Jairo Souza Design

A música continua. A roda sai de cena


e agora aparece outra nave, com formato
de avião. Se essas naves são daqueles ma-
cacos, só posso dizer que eles estão cheios
da grana. Mas não, agora aparece o inte-
rior da nave. Parece mesmo um avião. Só
tem um passageiro e, ainda por cima, dor-
mindo. Uau, cada poltrona tem uma TV! A
passagem não deve ser barata... Mas o que
é isso? Uma caneta f lutuando no ar, sosse-
gada. Agora entra uma aeromoça. Acho que
é aeromoça, mas essa roupa branca parece
de enfermeira. E esse chapéu? Espero que
Figura 14. no futuro ele nunca entre na moda. Lá vem
ela, andando de jeito esquisito, tentando se
equilibrar. Será que bebeu? Um close no sapatinho branco dela... Está escrito grip
shoes... hummm... sapatos aderentes, coisa chique. Deve ser a falta de gravidade. Ou
será que não? Eles não estão em órbita da Terra? Lá não tem gravidade? Não sei, uma
coisa é certa: não são macacos! Ela coloca a caneta de volta no bolso do passageiro,
desliga a TV. Queria ver o que ela iria fazer se tivesse baba do dorminhoco voando
pela cabine...

74
Física – 1a série – Volume 2

Estamos na cabine do piloto. Pela janela dá pra ver: lá está a roda, girando, girando,
e nós chegando perto. Isso sim é roda-gigante. Será que vamos encontrar os macacos?
E dá-lhe valsa, como essa coisa demora! O que é isso agora? Estamos no meio da roda,
naquela entrada... Deve ser a garagem. Lá vem a nave... E o céu parece que está girando.
Meu amigo, esses caras devem ficar tontos. Aliás, quem são aqueles sujeitos? No chão
da garagem tem uns carinhas trabalhando. E no teto também, de cabeça para baixo. No
espaço as coisas são estranhas.

Voltamos para a cabine do piloto. Que aconteceu agora? A roda não está mais giran-
do, quem está girando é o céu! Que confusão... Ah, espera aí, acho que é só impressão,
acho que a navezinha é que está girando igual à grandona. Lógico, senão como ia entrar
na garagem? Gente, ninguém fala nada nesse filme, é só valsa... Se bem que os macacos
estavam trocando uma ideia forte.

Nossa, que elevador doido! Tem até sofá de couro. O cara chegou, acho que vai acon-
tecer alguma coisa. Essas recepcionistas são bonitinhas, mas esse chapéu, quem inventou
isso? Espera aí, estou sentindo dor de barriga! Epa, o cara tem de fazer identificação por
voz. Agora ele está dentro da navezona, dá até pra ver o chão curvado. Ai, ele deve estar
na beirada da roda... Opa, o cara vai telefonar... uf... Em um videofone. Na janela... Ai...
Aparece a Terra, parece que está girando no céu, mas deve ser o movimento da nave. En-
graçado, nessa nave as coisas não flutuam, é tudo normal, por que será? Não tem mais
jeito... Tenho de ir ao banheiro. Justo agora que parece que vai rolar alguma coisa.

...

De fato, fiz o que tinha de fazer lá no banheiro, mas estou de volta. Ei, o que é isso?
Valsa de novo?! E essa outra nave? Parece uma bolota. Aonde esse sujeito está indo? É a
Lua! Será que os macacos estão lá? Essa nave é legal, mas esse cara só dorme... Lá vem a
aeromoça de novo com umas bandejinhas. Credo, parece papinha de nenê, para tomar de
canudinho. Mas, espera aí, o que essa aeromoça está fazendo? Está subindo pela parede...
Ficou de ponta-cabeça, acho que nessa nave as coisas flutuam também. Com certeza,
olha lá a bandeja do cara pairando no ar! E o que é isso? Zero Gravity Toilet... Banheiro
de gravidade zero. Como será que eles fazem?
Elaborado por Luís Paulo de Carvalho Piassi especialmente para o São Paulo faz escola.

Com base na leitura do texto, você pode pe- A próxima etapa é falar sobre o filme,
dir aos alunos que, coletivamente, expliquem para que os alunos se situem. Para aqueles
o que leram. Isso é importante para perceber mais empolgados, que quiserem saber mais
se eles compreenderam a história e se estabe- a respeito, sugerimos o livro Mundos perdi-
leceram algumas relações. Algumas questões dos de 2001, de Arthur C. Clarke, que conta
feitas pelo narrador poderão ser abordadas toda a história de como o filme foi produ-
mais adiante. zido. Também há informações na edição da

75
revista Exploradores do Futuro, da Scientific Seguem algumas questões de interpreta-
American Brasil, e em O superlivro dos filmes ção do texto “2008: uma odisseia no cinema
de ficção científica, editado pela revista Su- (e no banheiro)”.
perinteressante.
1. No texto, quatro diferentes veículos es-
Se você dispuser do DVD, este será o mo- paciais foram mencionados. Destaque os
mento de exibir os trechos do filme. Uma trechos em que eles são mencionados.
possibilidade é trabalhar exatamente com o “Um silêncio, o céu estrelado, um brilho no canto e uma
trecho correspondente ao texto “2008: uma nave, satélite ou sei lá o que passando calmamente, como se
odisseia no cinema (e no banheiro)”. Para nada tivesse acontecido.”
isso, ajuste o DVD no tempo 19min30s e exi- “Sentei, tirei o saquinho amassado de pipoca que ficou na
ba o filme até os 37 minutos, que é a cena do gola da camisa, mas continuo absorvido nas cenas. A nave
banheiro de gravidade zero. Isso tudo requer continua lá, passeando devagar.”
18 minutos de exibição. Pulando o trecho do “Agora aparece outra coisa orbitando a Terra. Deve ser algo
videofone e da conversa com cientistas rus- importante, porque a música fica mais forte. Parece uma roda.
sos, entre os instantes 28min e 33min, podem- Uma baita rodona, com janelinhas acesas e girando no espaço.”
-se economizar mais cinco minutos, se for “A música continua. A roda sai de cena e agora aparece outra
necessário. Quanto aos vídeos disponíveis na nave, com formato de avião.”
internet, há trechos menores. Talvez seja inte- “De fato, fiz o que tinha de fazer lá no banheiro, mas estou
ressante exibir mais de um deles. Uma opção, de volta. Ei, o que é isso? Valsa de novo?! E essa outra nave?
para os alunos que tiverem acesso à internet, Parece uma bolota.”
é pedir que associem os eventos descritos no
texto lido àquilo que eles observaram nas 2. Baseando-se na descrição do texto (e na-
cenas dos vídeos na internet. Nesse caso, é quilo que você pesquisou sobre o filme),
importante que você oriente a turma sobre tente completar a tabela a seguir com as
como encontrar os vídeos. características de cada veículo.

Leva Permanece Que formato Decola e pousa É veículo de Possui


pessoas? em órbita? possui? na Terra? transporte? motor?
Veículo

Não Sim Cilíndrico Não Não Não


1
Veículo

Sim Sim Circular Não Não Não


2
Veículo

Aerodinâmico
Sim Sim Sim Sim Sim
3

(como um avião)
Veículo

Sim Não Esférico Não Sim Sim


4

Tabela 16.

76
Física – 1a série – Volume 2

3. A partir dos dados da tabela, tente deter- Veículo 4 – Espaçonave: leva passageiros da estação espacial
minar que tipos de artefato são os quatro até a Lua.
veículos mencionados (satélite, sonda,
nave, foguete, ônibus espacial, estação es- 4. A tabela a seguir apresenta uma lista de
pacial). Justifique suas respostas. cenas do filme 2001: uma odisseia no espa-
Veículo 1 – Satélite: orbita a Terra e não leva passageiro. ço, com as respectivas marcações de tempo
Veículo 2 – Estação espacial: mantém pessoas em órbita da Terra. (baseadas na versão em DVD). Responda
Veículo 3 – Ônibus espacial: transporta passageiros da Terra. Co- às questões sobre a física do movimento
loca-os em órbita. dos corpos das cenas selecionadas.

2001: uma odisseia no espaço – Análise física de algumas cenas


Cena Observar Questões
Satélite em
19min 53s
órbita

Rotação da estação, 1. Qual é a finalidade da rotação da


20min 51s Estação espacial
localização dos pisos estação espacial?

2. Em que local da estação as


21min 21s Estação espacial
pessoas estão? E em que posição?

Interior do Caneta e braço


21min 42s 3. Por que a caneta flutua?
ônibus flutuando

Comissária de 4. Os sapatos aderentes substituem a


22min 16s Sapatos aderentes
bordo gravidade? Por quê?

Movimentos do 5. Qual é o referencial adotado nesta


22min 57s Aproximação
ônibus e da estação cena? O que se observa?

Céu estrelado e
6. Qual é o referencial adotado nesta
23min 34s Janela do ônibus movimento da
cena? O que se observa?
estação

Céu estrelado e
Entrada da 7. Qual é o referencial adotado nesta
23min 51s movimento do
estação cena? O que se observa?
ônibus

Entrada da Salas com pessoas 8. Como se explica o fato de as


24min 07s
estação zoom out no piso e no teto pessoas estarem de ponta-cabeça?

Movimento do 9. O que mudou nesta cena em relação


24min 36s Acoplamento
ônibus à cena da questão 5? Por quê?

77
2001: uma odisseia no espaço – Análise física de algumas cenas
Cena Observar Questões
Céu estrelado e
10. O que mudou nesta cena em relação
24min 56s Janela do ônibus movimento da
à cena da questão 6? Por quê?
estação

25min 52s Recepção Janela da estação

Esquema na Planta da estação


26min 13s
parede espacial

Curvatura do piso e 11. Relacione a curvatura do piso com


26min 53s Corredor
do teto a cena da questão 2.

Cabine 12. Explique o movimento observado


27min 37s Movimento da Terra
videofônica na janela da cabine.

13. Estes motores estão ligados?


33min 48s Nave lunar Motores
Explique.

Sala de Formato da sala e


34min 00s
passageiros janelas

Subindo pelas
35min 22s Copa 14. Explique esta cena.
paredes

36min 00s Sala de controle Janelas

Janelas e formato da 15. Descreva a disposição da sala de


36min 08s Externa da nave
nave estar e da sala de controle.

Floyd e o 16. É possível a bandeja se mover


36min 35s Bandeja flutuando
comandante flutuando assim? Por quê?

Zero Gravity
36min 39s
Toilet
Tabela 17. Roteiro de questões sobre o filme 2001: uma odisseia no espaço.
Fonte: Site Ciência à mão (Universidade de São Paulo). Disponível em: <http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=afi&cod=_
gravitacaoereferenciaisc>. Acesso em: 3 jan. 2014. Nesse link pode-se encontrar uma versão ampliada do conteúdo da tabela, com
fotogramas das cenas correspondentes e outras questões. Professor, no Caderno do Aluno são reproduzidas apenas as linhas da tabela que
contêm questões.

78
Física – 1a série – Volume 2

Questões Respostas das questões


A rotação da estação espacial tem a finalidade de produzir um efeito centrífugo, que simula uma gravidade
1 artificial. Assim, se você amarrar uma corda na alça de um balde e girá-lo, como faz um lançador olímpico
de martelo, a água do fundo dele não vai derramar.

As pessoas estão situadas na borda da roda, com seus pés voltados para fora e as cabeças voltadas para o
2 centro da estação.

A caneta flutua porque está em movimento orbital, junto com a nave e as pessoas dentro dela. Ali há gravi-
3 dade, mas, como todos os corpos estão igualmente em órbita, há a sensação de imponderabilidade, simi-
lar à que haveria para as pessoas dentro de um elevador em queda livre.

Os sapatos aderentes substituem apenas parcialmente a gravidade, pois não produzem uma força que atua
4 em todo o corpo da moça. É por isso que ela anda com dificuldade.

Nessa cena, o referencial é externo tanto à nave quanto à estação espacial. Seria o referencial de outro
5 objeto que estivesse em órbita da Terra.

6 Aqui o referencial é o do ônibus espacial.

7 Nessa cena estamos no referencial da estação espacial.

O efeito centrífugo da rotação da estação faz que as pessoas sintam como se houvesse uma força aponta-
8 da do centro para fora. Então, todos os tripulantes sempre estarão com os pés voltados para fora da roda e
a cabeça voltada para o centro.

9 Aqui observamos que o ônibus espacial está em rotação para permitir o acoplamento à estação.

Observamos que a estação parece parada agora, mas as estrelas no céu efetuam um movimento circular. É
10 a mudança do referencial.

Observamos que o piso é curvado de forma côncava, mostrando com essa curvatura que o piso fica locali-
11 zado na periferia da estação e as pessoas andam com as cabeças voltadas para o centro.

Trata-se da Terra. Parece que está em movimento circular no céu. Isso ocorre porque estamos em um
12 referencial girante.

13 Na verdade, os motores podem estar desligados, porque a nave pode prosseguir por inércia de um ponto a outro.

Aqui há novamente a sensação de ausência de peso, apesar de a nave estar sujeita ainda à gravidade ter-
14 restre. Isso permite que a pessoa se posicione livremente no espaço e ande em qualquer parede ou teto,
desde que use um calçado aderente.

Observe que as janelas frontais estão em uma posição completamente perpendicular às janelas laterais.
15 Os pilotos estão sentados virados “para a frente” da nave e os passageiros estão sentados virados “para os
lados”. Isso só é possível por conta da imponderabilidade.

Na verdade, isso só ocorreria se a nave sofresse uma pequena aceleração propulsionada pelos motores.
16 Caso contrário, a bandeja deveria permanecer em repouso em relação à nave.

Tabela 18.

A sequência de questões traz conceitos em duas categorias A Tabela 18 mostra respostas possíveis. As questões 1, 4, 8, 13,
principais: 15 e 16 orientam a compreensão das demais ou apresentam
1. Conceito de gravitação: a relação entre gravidade e mo- situações mais difíceis de serem compreendidas. Você pode
vimento orbital. abordá-las com os alunos primeiro, para verificar a conclu-
2. A noção de referencial e os efeitos de um referencial girante. são deles. Depois, você pode discutir a ideia de referencial e

79
sugerir aos alunos que tentem responder em grupo às ques- a Lei da Conservação da quantidade de
tões 5, 6, 7, 9 e 10. As questões 2, 3, 11, 12 e 14 podem ser pas- movimento linear, a Lei de Conservação
sadas como tarefa para casa e comentadas na aula seguinte. do momento angular (quantidade de movi-
mento) e a primeira Lei de Newton.
Leis da Mecânica e exploração
espacial A tabela a seguir traz um resu-
mo das características dos
Com relação às leis da Mecânica, alguns principais artefatos de explora-
aspectos são especialmente interessantes, como ção espacial.

Tripulantes e
Finalidade Trajeto Propulsão
controle
Impulsionar outros Da superfície da Terra Pode levar tripulantes Realizada pela
dispositivos para a até o espaço, pondo em uma cápsula ou expulsão de gases
Foguete

órbita terrestre ou outro dispositivo lançar dispositivos. no sentido oposto,


para fora dela. em órbita ou o Após lançado, o seguindo a Lei
impulsionando a controle é automático. de Conservação
outro corpo celeste. da quantidade de
movimento.

Transportar Da Terra até outro Transporta pessoas. Usa um foguete para


pessoas e materiais corpo celeste, Controle feito por sair da Terra, mas
Nave

de um corpo celeste podendo ou não computador de bordo possui propulsão a


a outro. pousar e, desse corpo, e por tripulantes. jato, própria para
voltar à Terra. manobras e retorno.

Transportar Da superfície Leva tripulantes. Usa foguetes


Ônibus espacial

pessoas e materiais terrestre até uma É controlado externos na ida e


até a órbita trajetória orbital, remotamente por propulsão própria,
terrestre. com retorno mediante computador e por também a jato, para
aterrissagem, como tripulantes. Possui asas o retorno.
um avião. e formato de avião para
o pouso na Terra.

Estabelecer Permanece em órbita Não leva Permanece em órbita,


comunicações, da Terra durante toda tripulantes, apenas em movimento
monitorar a a sua vida útil. equipamentos, como inercial. Possui
Satélite

superfície da câmeras, antenas e rotação, mantendo


Terra, realizar outros dispositivos. a mesma direção
experimentos Controlado da Terra. pela conservação do
científicos. momento angular.
Possui jatos para
ajustes de órbita.

80
Física – 1a série – Volume 2

Tripulantes e
Finalidade Trajeto Propulsão
controle
Realizar pesquisas Da Terra até outro Leva apenas Após a propulsão
e obter dados em corpo celeste, equipamentos e dos foguetes, segue
outros corpos podendo orbitá-lo seu controle é feito trajetória inercial até o
celestes, como ou nele pousar. remotamente a partir corpo celeste. Depois,
Sonda

planetas, satélites, Eventualmente da Terra e por um usa foguetes próprios


cometas etc. pode andar sobre computador de bordo. para ajustar órbitas e
a superfície. Quase eventuais dispositivos
sempre não há de amortecimento de
retorno à Terra. queda para o pouso.

Realizar Permanece em órbita Abriga pessoas por Montada no espaço


Estação espacial

experimentos da Terra durante toda longos períodos de por meio da junção


científicos. Base a sua vida útil. tempo. Controlada de partes enviadas
de lançamento de por tripulantes, em várias viagens.
espaçonaves. computador e Permanece em órbita
remotamente. e tem ajustes feitos
por propulsores
próprios.

Fazer observações Permanece em órbita Leva somente Fica em órbita


Telescópio
espacial

astronômicas da Terra durante toda instrumentos. por inércia. Possui


fora da atmosfera a sua vida útil. Controlado a partir propulsores para
terrestre. da Terra. ajustes.
lunar

Transporte de Move-se sobre o solo Leva tripulantes, que Por rodas, com
Jipe

pessoas no solo. lunar. controlam o veículo. motor elétrico.

Tabela 19. Artefatos de exploração espacial e suas características.


Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

1. Procure nas cenas do filme 2001: uma Modeling Archive. (Disponível em: <http://www.2001-
odisseia no espaço os artefatos de explora- 3d-archive.info/>. Acesso em: 11 nov. 2013.)
ção espacial apresentados na tabela.
Os alunos podem utilizar os trechos mencionados na tabela 2. A Lei de Conservação da quantidade de
da questão 4, em que aparecem três categorias de dispo- movimento linear, que está associada à
sitivos: na cena da questão 1, aparece uma estação espa- Lei da Ação e Reação (terceira Lei de
cial girante; o ônibus espacial aparece em seguida, levando Newton), é fundamental para a compreen-
o personagem até a estação; a partir da cena da questão são do princípio de funcionamento do fo-
13, estamos em uma espaçonave que leva o personagem guete, usado não apenas no foguete em si,
da estação espacial até a Lua. Na cena dos 19min53s (que não mas em diversos outros dispositivos, quan-
está na tabela do Caderno do Aluno), aparece um satélite do é necessário realizar ajustes orbitais ou
em órbita. Algumas imagens desses e de outros veículos do de trajetória. Identifique essas situações na
filme podem ser obtidas no site 2001: A Space Odyssey – 3D tabela e explique-as.

81
Essa lei é fundamental na compreensão do princípio de fun- apenas ao centro de visitantes, mas também
cionamento do foguete. Além do próprio foguete espacial, existe a possibilidade de conhecer o projeto
que usa a propulsão de reação dos gases para erguer-se do CBERS. Vale a pena também ser comenta-
solo e partir para o espaço, diversos outros artefatos − como do o Programa Espacial Brasileiro descrito
os ônibus espaciais, os satélites e as estações espaciais − usam no site <http://www.aeb.gov.br/> (acesso
pequenos foguetes para fazer ajustes em suas trajetórias, em- em: 11 nov. 2013).
bora não os utilizem constantemente. Um satélite pode lan-
çar jatos para baixo, por exemplo, para se elevar na órbita, por Como Lição de casa, os alunos podem fa-
meio da força de reação aplicada para cima. zer um levantamento sobre as concepções a
respeito da simulação da gravidade e sobre
3. A Lei de Conservação da quantidade de como é feito o lançamento e a manutenção de
movimento angular garante que um ob- satélites no espaço.
jeto colocado em rotação livre no espaço
permanecerá nessa mesma rotação, sem 1. Nas espaçonaves de filmes e de
alterar sua velocidade angular nem a dire- livros de ficção científica, as pes-
ção de seu eixo de rotação. Quais artefatos soas podem caminhar normal-
da tabela dependem disso para seu correto mente, pois ali há uma espécie de
funcionamento? Explique. gravidade artificial. No entanto, no filme
A conservação da quantidade de movimento angular é 2001: uma odisseia no espaço, apenas algu-
fundamental para manter artefatos em rotação uniforme mas naves parecem possuir algo parecido
e com orientação fixa. É um procedimento muito usado com gravidade artificial. Explique por quê.
em satélites. No filme, é empregado também na estação Somente a estação espacial possui algo similar à gravi-
espacial. dade artificial. Isso ocorre por causa do efeito centrífu-
go produzido por sua rotação. As pessoas no interior da
4. Como no espaço quase não há atrito, os estação têm a sensação de sofrer uma força na direção
movimentos orbitais ocorrem sem preci- radial, orientada para a periferia, onde fica o piso. Isso
sar de propulsão. Trata-se de um movi- pode ser ilustrado com o giro de um balde (ou garrafa
mento que não requer combustível para PET) preso a um barbante e com um pouco de água no
ser mantido. Identifique na tabela os veí- fundo, mostrando que a água não é derramada. Nos ou-
culos que aproveitam esse princípio físico tros veículos retratados, não há um sistema similar, de for-
e explique como eles fazem isso. ma que a sensação é de imponderabilidade, mesmo nos
As naves espaciais, uma vez que abandonam a atmosfera locais onde os campos gravitacionais são significativos.
do planeta, podem se mover por inércia, sem depender do Isso ocorre com o ônibus espacial: ele está em órbita jus-
funcionamento de um motor, a não ser para pequenos ajus- tamente porque a gravidade terrestre o atrai; no entanto,
tes de trajetória. O mesmo se aplica a satélites e estações a sensação de quem está em seu interior é similar à de
espaciais, inclusive telescópios em órbita, como o Hubble. ausência de peso.

Vale a pena comentar com os alunos que 2. Para que servem os satélites artificiais? Como
o Brasil desenvolve satélites de sensoria- eles são colocados em órbita da Terra?
mento remoto em cooperação com a Chi- Os satélites podem ser projetados para monitorar a super-
na (projeto CBERS) no Inpe, em São José fície do planeta (como aqueles que fotografam o solo), ser
dos Campos. Nesse local há um centro de usados como antenas de comunicação e transmissão de in-
visitantes que recebe excursões escolares. formações (como aqueles usados na transmissão de TV, GPS
Para saber mais, entre na página do Inpe e outras aplicações), além de diversas outras utilizações civis
<http://www.inpe.br> (acesso em: 11 nov. e militares. Eles são colocados em órbita por foguetes ou ôni-
2013) e clique em visitas. Há a opção de ir bus espaciais.

82
Física – 1a série – Volume 2

3. Sabemos que diversos artefatos podem ser a) satélite meteorológico.


mantidos em órbita da Terra, em movi-
mento contínuo, a altíssimas velocidades, b) ônibus espacial.
por longos períodos. Isso não exigiria o
consumo de muita energia? Explique. c) sonda espacial.
Não. Isso ocorre em virtude da quase ausência de atrito com
o ar atmosférico, muitíssimo rarefeito, nas regiões onde es- d) jipe lunar.
ses satélites orbitam nosso planeta. No entanto, passado um
longo tempo, os efeitos desse atrito fazem-se sentir e, se e) estação espacial.
não forem realizados ajustes, os satélites podem vir a cair,
desintegrando-se na atmosfera terrestre. Caso você tenha optado pelo encaminha-
mento proposto na Tabela 13, entre a finali-
4. Dos veículos espaciais relacionados a seguir, zação desta Situação de Aprendizagem e o
assinale aquele que deve possuir formato ae- início da próxima, peça que os alunos tragam
rodinâmico e asas para que possa ser contro- os materiais pesquisados para a Situação de
lado na atmosfera terrestre: Aprendizagem 7 e faça a checagem deles.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 9
AS LEIS DE KEPLER
Nesta Situação de Aprendizagem, a pro- desses livros como base para a apresenta-
posta é trabalhar com alguns aspectos do ção das leis. Nosso foco será discutir alguns
movimento orbital, com destaque às carac- aspectos importantes raramente apresenta-
terísticas apontadas por Kepler em suas co- dos nos livros e propor uma sequência de
nhecidas leis. Não apresentaremos aqui as atividades para que o aluno adquira uma
leis de Kepler, cuja discussão e enunciados compreensão do significado das leis, ao
podem ser obtidos na maior parte dos livros mesmo tempo que desenvolve importantes
didáticos. Sugerimos que você escolha um habilidades e competências.

Conteúdos e temas: as leis da Mecânica nas interações astronômicas; campos gravitacionais e rela-
ções de conservação na descrição do movimento do sistema planetário, dos cometas, das naves e
dos satélites.

Competências e habilidades: elaborar e interpretar dados em diferentes formas de apresentação; trans-


formar informações de uma forma de apresentação em outra; realizar medidas.

Sugestão de estratégias: confecção de gráficos; análise de dados pelos alunos.

Sugestão de recursos: tabela com dados sobre os planetas (disponível na Situação de Aprendizagem 4).

Sugestão de avaliação: durante as atividades em classe, avaliar o desenvolvimento do aluno na


confecção de gráficos e na análise dos dados.

83
Desenvolvimento da Situação de netas: Tycho, Kepler e Galileo (disponível em:
Aprendizagem <http://astro.if.ufrgs.br/movplan2/movplan2.
htm>; acesso em: 11 nov. 2013), que também
As leis de Kepler podem ser inicialmente pode servir de base para a apresentação das leis
apresentadas por meio de formas variadas de Kepler.
que estão descritas a seguir. Após essa intro-
dução, propõe-se a elaboração de um gráfico Nesse mesmo site há uma página – As três
que evidencie a órbita de uma sonda espacial leis de Kepler sobre o movimento dos planetas –
em torno de um planeta. Analisando algumas que mostra simulações animadas das três leis
características da órbita dessa sonda espacial, (disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/Orbit/
trabalharemos a compreensão e o aprofunda- orbits.htm>, acesso em: 11 nov. 2013). Se for
mento das leis de Kepler. possível ter acesso a computadores conec-
tados à internet, essa é uma forma bastante
Encaminhando a ação interessante de ilustrar cada uma das leis. Na
primeira simulação, há um corpo em órbita e
Apresentando Kepler e suas leis pode-se escolher a excentricidade da órbita,
desde as mais circulares até as elípticas mais
Alguns aspectos biográficos de Kepler e de excêntricas. Na simulação da segunda lei, o
suas leis, dentro de um contexto histórico, po- trajeto mostra a área varrida pelo raio vetor
dem ser obtidos no episódio 3 da série Cosmos durante o movimento, ilustrando a segunda
em DVD (A harmonia dos mundos). Porém, não lei de Kepler. Na terceira, podem-se escolher
recomendamos a exibição do vídeo nesta Si- órbitas de um satélite mais próximas ou mais
tuação de Aprendizagem, pois tomaria mais de distantes do planeta e constatar as diferenças
uma aula. De qualquer forma, você pode assis- nos tempos de revolução, como estabelecido
tir ao vídeo e fazer uma apresentação do tema pela terceira lei de Kepler.
baseado na discussão ali presente. Outra boa
fonte de informação é o site Movimento dos pla- Construindo uma órbita

Órbita de uma sonda espacial


© Jairo Souza Design

A figura ao lado representa as posições


de uma sonda espacial em órbita de um
planeta de nosso Sistema Solar.

Sua missão é descobrir que planeta é


esse. Trata-se de uma trajetória simulada Planeta
na qual as marcas foram tomadas a cada
três horas.

No entanto, a figura não está em uma


boa escala para realizar nosso experi- Figura 15. Simulação de posições sucessivas de uma sonda
mento. Sua primeira tarefa é construir espacial em torno de um corpo celeste. Em situações reais, a
essa trajetória na grade milimetrada, excentricidade da órbita de satélites é bem próxima de zero.

usando coordenadas fornecidas numa es-


cala mais adequada.

84
Física – 1a série – Volume 2

Na tabela a seguir, temos dados que permitem construir essa trajetória. São 46 pares
de pontos com valores em milímetros. Nesta escala, cada milímetro equivale a 1 000 km,
de modo que o primeiro par de coordenadas corresponderia, na escala real, a x = 0 e
y = 63 000 km.

x y x y x y x y x y x y x y x y
0 63 9 93 40 120 104 134 210 65 102 0 40 15 8 42
0 68 12 98 48 124 120 133 195 33 90 1 33 19 5 46
1 73 16 102 58 127 136 131 173 16 77 3 26 23 3 52
2 78 22 107 68 130 155 127 152 7 66 4 21 28 2 57
3 83 27 112 79 133 176 117 133 3 56 8 15 33
5 89 33 116 91 133 198 99 117 1 48 11 12 37
Tabela 20.

O centro do planeta está na coordenada x = 186 mm, y = 67 mm. Para desenhar o


planeta, deve-se traçar uma circunferência de 6 mm de raio em torno desse ponto.
O gráfico confeccionado pelos alunos deverá ficar com o seguinte aspecto:

150

140

130

120

110

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210

Figura 16.

85
Explique brevemente a situação, dizendo velocidade. Você também pode explorar a relação entre a
que esses dados servirão para compreender segunda lei de Kepler e a conservação do momento an-
um pouco mais as leis de Kepler. Mostre aos gular “L = p u r = constante”, na qual, ao diminuir o raio da
alunos como representar os pontos na grade órbita, a velocidade deve aumentar para garantir a conser-
milimetrada presente no Caderno do Aluno. vação, já que p = m u v.

Após terminar o gráfico, eles devem res- 5. Usando o gráfico, determine qual é a distân-
ponder às seguintes questões: cia máxima percorrida pela sonda entre duas
marcações seguidas.
1. Sabendo que, no gráfico, 1 mm correspon- Esse valor deverá ser próximo de 36 mm, o que corresponde
de a 1 000 km, determine a distância má- a 36 000 km.
xima que a sonda espacial atinge, em rela-
ção ao planeta, no percurso de sua órbita. 6. Da mesma forma, determine a distância mí-
(Esse ponto é denominado apoastroa.) nima entre duas marcas.
Medido com a régua, esse valor deverá ser próximo de Esse valor deverá ser próximo de 5 mm, o que corresponde
186 mm, o que corresponde a 186 000 km. a 5 000 km.

2. Tente agora determinar o periastro, que é 7. Sabendo que o tempo entre duas marca-
o ponto no qual a distância é mínima. Não ções é de três horas, determine a velocidade
há nenhuma marca nesse ponto, por isso mínima e a velocidade máxima, em metros
você deverá tentar imaginar a trajetória se- por segundo (ou quilômetros por hora),
guida pela sonda entre uma marca e outra. atingida pela sonda em sua órbita.
Esse valor deverá ser próximo de 24 mm, o que corresponde VMIN. = d/6t = 5 000 km/3 h  1 667 km/h
a 24 000 km. VMÁX. = d/6t = 36 000 km/3 h  12 000 km/h

3. Explique por que o espaçamento entre as 8. Qual é o período orbital da sonda, ou


marcas não é sempre igual ao longo da seja, quanto tempo ela leva para percor-
trajetória, apesar de o intervalo de tempo rer uma órbita completa? Esse valor será
decorrido entre as posições sucessivas ser chamado de T.
sempre o mesmo. Para encontrar T, basta considerar que temos 46 intervalos
Isso ocorre porque a velocidade da sonda varia ao longo da iguais de 3 h. Assim, T = 3 u 46 = 138 h.
órbita.
9. Baseado no tamanho do planeta no gráfico
4. A partir da resposta à questão anterior, ex- e em uma tabela com dados sobre os plane-
plique como a velocidade da sonda varia ao tas do Sistema Solar, descubra a qual pla-
longo da órbita em torno do planeta. neta esses dados se referem. Explique seu
A velocidade da sonda é maior nas proximidades do pla- raciocínio.
neta e menor nas regiões mais afastadas dele. Aproveite Se considerarmos o tamanho, concluiremos que o planeta
a oportunidade para aprofundar a discussão sobre a se- é Vênus, que possui raio de aproximadamente 6 000 km.
gunda lei de Kepler – áreas iguais são varridas em tempos
iguais; logo, quanto mais próximo, menor será o raio; com Você também pode colocar as seguintes
isso, para manter áreas iguais, é necessário o aumento da questões:

a
Quando o corpo está orbitando a Terra, o ponto mais distante é denominado apogeu. Essa terminação “geu” (geo)
refere-se à Terra, como na palavra “geografia”.

86
Física – 1a série – Volume 2

f Determine as larguras máxima e mínima uma vez que tragam os materiais necessá-
da trajetória da sonda. Calcule a média, rios. É o momento também de questioná-los
somando os dois valores e dividindo o re- sobre a leitura do livro.
sultado por dois. Esse valor é chamado de
raio orbital médio, r. Nesta altura, esperamos que você
f Desafio especial: há uma fórmula para en- já tenha terminado a leitura do li-
contrar a massa do planeta por meio dos vro indicado no início deste volu-
dados orbitais. Ela é derivada da terceira me. Mesmo que ainda não tenha
lei de Kepler: M = 5,9 u 1011 u r3 / T2. De- terminado, é um ótimo momento para escre-
termine a massa do planeta e confira com ver algumas de suas impressões sobre a leitu-
uma tabela se era realmente o planeta que ra. O que achou da obra como um todo? O
você deduziu na questão 9. desfecho foi como imaginava? Caso não tenha
concluído, como imagina que será o final da
Caso você esteja seguindo o encaminha- história? O livro levou você a se interessar por
mento proposto na Tabela 13, entre a fina- outras leituras? Sua tarefa é escrever uma re-
lização desta Situação de Aprendizagem e o dação que aborde essas questões, além de dar
início da próxima, os alunos deverão trazer um panorama sobre o conteúdo da obra.
os projetos dos pôsteres para que você pos- Professor, verifique se na redação o aluno trata dos con-
sa avaliar e sugerir eventuais alterações. É ceitos de Física estudados até o momento; avalie também
importante lembrá-los disso e solicitar mais os comentários em relação à história.

GRADE DE AVALIAÇÃO

Competências e habilidades Indicadores de aprendizagem


Situação de Aprendizagem 7

f Buscar, interpretar e identificar informações f Ler, interpretar e selecionar informações acerca


relevantes, por meio da internet, de materiais da história e da filosofia da Ciência.
audiovisuais ou de outras fontes de consulta f Refletir, organizar e construir textos referenciados
bibliográfica. em pesquisa prévia.
f Elaborar e apresentar relatos na forma de
pôster.
Situação de Aprendizagem 8

f Conhecer equipamentos tecnológicos de f Estabelecer relações entre equipamentos


exploração espacial, reconhecer seus usos e tecnológicos e conceitos da Mecânica.
associá-los a leis da Mecânica. f Interpretar, analisar e identificar conceitos em
f Ler e interpretar informações sobre obra cinematográfica de ficção científica.
dispositivos espaciais.

87
Situação de Aprendizagem 9

f Elaborar e interpretar dados em diferentes f Construir gráficos a partir de uma tabela de


formas de apresentação. dados.
f Transformar informações de uma forma de f Relacionar, compreender e interpretar as leis de
apresentação em outra. Kepler a partir de gráfico e análise dos dados.
f Realizar medidas. f Aplicar as leis de Kepler para resolver situações-
-problema.

PROPOSTAS DE QUESTÕES PARA APLICAÇÃO EM AVALIAÇÃO


1. Quanto de energia uma estação espacial do necessária para a manutenção do satélite de forma a com-
tipo “roda de carroça” precisa gastar para pensar o baixíssimo atrito dissipativo.
se manter em rotação e, por conta da cen-
trifugação, gerar a sensação de peso? 4. De acordo com as leis de Kepler (assinale a
Para manter-se em rotação, uma estação como essa não pre- alternativa correta):
cisa de nenhuma energia extra, pois a conservação da quan-
a) Os planetas possuem órbitas circulares.
tidade de movimento angular preserva a velocidade rotacio-
nal, visto que o torque de atrito é desprezível em decorrência b) Cada planeta possui uma velocidade
da rarefação no espaço sideral. fixa, de acordo com sua órbita.

2. O interesse na tecnologia espacial é pu- c) O tempo de revolução de um planeta em


ramente científico ou tem sentido prático torno do Sol depende de sua massa.
também? Comente.
Existe sentido prático também. Boa parte das comunicações d) O Sol está localizado no centro das ór-
telefônicas atuais, assim como dos processos globais de lo- bitas dos planetas.
calização e de troca de informações (como GPS e internet), e) Um planeta move-se mais rapidamente
dependem de satélites em órbita. Há ainda satélites para ob- quando está mais próximo do Sol.
servação militar e de interesse estratégico e político em geral.
5. Por qual razão foguetes de lançamento
3. Pode-se dizer que a energia necessária para precisam ser aerodinâmicos, mas estações
colocar um satélite em órbita correspon- espaciais não?
de à quase totalidade da energia gasta em Somente os foguetes precisam vencer a extrema resistência
toda sua vida útil? Justifique. do ar (que é denso na atmosfera), antes de alcançarem re-
Sim. Sendo alta a rarefação no espaço, é mínima a energia giões mais rarefeitas.

88
Física – 1a série – Volume 2

TEMA 4 – UNIVERSO, TERRA E VIDA: ORIGEM


DO UNIVERSO E COMPREENSÃO HUMANA

O estudo do Universo tem sido objeto tórios a respeito do tema, a partir de concei-
dos Cadernos desde o início deste volume. É tos centrais da Física contemporânea. A se-
chegado o momento de abordar duas ques- gunda questão, que todos nós nos fazemos,
tões gerais que ainda não foram trabalha- é se estamos sós no Universo. Essa é uma
das. A primeira delas é a respeito de nossa pergunta recorrente nos meios de comuni-
própria concepção de Universo. Trata-se de cação, mas raramente apresentada aos estu-
uma questão complexa que se confunde com dantes do ponto de vista do conhecimento
as próprias noções de espaço e tempo. Pro- científico atual. A Situação de Aprendiza-
curamos, na Situação de Aprendizagem 10, gem 11 propõe justamente uma introdução
apresentar alguns questionamentos introdu- a esse assunto.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 10
DIMENSÕES DO ESPAÇO E DO TEMPO

Nesta Situação de Aprendizagem, nos- conceito de espaço e de suas dimensões. Esses


so objetivo é trazer ao aluno, ainda que de desenvolvimentos, inicialmente imaginados
forma elementar, as discussões em torno da apenas como formas sofisticadas de abstra-
natureza das dimensões do espaço. No século ção matemática, acabaram por formar a base
XIX, avanços na Matemática decorrentes dos teórica para a formulação da Teoria da Rela-
trabalhos de Riemann e de outros cientistas tividade de Einstein, que, por sua vez, está na
levaram a concepções novas a respeito do origem das modernas teorias cosmológicas.

Conteúdos e temas: teorias e modelos propostos para a origem, evolução e constituição do Universo,
além das formas atuais para sua investigação e os limites de seus resultados; evolução dos modelos
sobre o Universo.

Competências e habilidades: desenvolver a leitura e a interpretação de textos; formular hipóteses; esta-


belecer relações entre representações hipotéticas.

Sugestão de estratégias: leitura e discussão de textos.

Sugestão de recursos: textos (fornecidos ao longo da Situação de Aprendizagem) e mapas ou guias de ruas.

Sugestão de avaliação: avaliar o desempenho do aluno durante o processo de leitura e interpretação de


textos e na pesquisa sobre artefatos espaciais.

89
Desenvolvimento da Situação de Após essa breve discussão, alguns pontos
Aprendizagem podem ser enfatizados:

A ideia de que o espaço, da forma como f dimensão é algo que se refere a espaço e
o vivenciamos, possui três dimensões não é sua medida;
imediatamente óbvia, apesar de “outras di- f nosso espaço, em princípio, possui três di-
mensões”, “3-D” e outras expressões como mensões;
essas serem comuns em nosso cotidiano. Vale f é possível imaginar a existência de espaços
a pena, inicialmente, discutir o significado de com mais de três dimensões.
o espaço possuir três dimensões e, com base
nisso, analisar o que poderia ser entendido Para que isso fique mais claro, um primei-
como um espaço de mais de três dimensões, ro passo é discutir a tridimensionalidade do
do ponto de vista físico. espaço. Isso pode ser feito a partir da ideia
de coordenadas, ainda que de forma super-
Para o professor que quiser se aprofun- ficial. Como localizamos um objeto no espa-
dar no tema e compreender a importância ço? Se estivermos no espaço da sala de aula,
da discussão em torno das dimensões para a podemos dizer algo como “Maria senta-se na
Física contemporânea, sugerimos o livro Hi- quarta carteira da primeira fileira”, utilizando
perespaço, de Michio Kaku, que apresenta a duas coordenadas. Para isso, logicamente, te-
questão de uma forma bastante interessante. mos de saber qual é a primeira fileira, mas de
Outros livros bons para conhecer mais sobre qualquer forma são duas coordenadas. Para
essa questão são os de divulgação escritos identificar um local em um mapa usamos uma
por Stephen Hawking, como Uma breve his- ideia parecida: em um guia de ruas, por exem-
tória do tempo, O Universo numa casca de noz plo, há normalmente duas coordenadas (uma
e Uma nova história do tempo, este último in- letra e um número ou duas letras) para indicar
tegrante da Biblioteca do Professor. onde está determinada rua.

Encaminhando a ação Você pode ilustrar melhor, por exemplo,


localizando a rua da escola em um guia ou
As dimensões em um mapa da cidade. No caso de um guia
ou mapa com índice de ruas, talvez valha a
Inicie a aula com um debate, perguntando pena providenciar uma cópia ampliada, com
aos alunos o que eles conhecem a respeito da destaque (à caneta marca-texto) para a rua
ideia de dimensões. Alguns podem se referir a da escola, tanto do índice quanto do trecho
situações que viram ou ouviram na mídia (via- do mapa onde ela se encontra. Essas cópias
gens a outras dimensões, seres de outras dimen- ampliadas podem ser coladas em cartolina,
sões), pois a palavra é muito empregada em que deve ser levada para as salas onde você
desenhos animados e histórias em quadrinhos. vai trabalhar com a atividade. Depois, pode
Outros poderão lembrar que essa palavra está ser afixada no corredor para que todos os
relacionada a tamanho, como observamos em alunos possam ver. Nos casos em que a es-
frases do tipo “as dimensões do apartamento cola não puder ser localizada em um mapa
são muito reduzidas”, “um desastre de grandes com índice ou em um guia de ruas, o profes-
dimensões”, “um país de dimensões continen- sor pode optar por outra localidade conheci-
tais”. Outra possibilidade é que mencionem da pela maioria dos alunos, como um ponto
aspectos tecnológicos, como o cinema em três turístico de uma grande cidade, por exemplo.
dimensões ou algo do gênero. No índice deve constar algo como:

90
Física – 1a série – Volume 2

f Rua Machado de Assis, C7; Observe o mapa da região central


f Rua Manuel Bandeira, D6; da cidade de São Paulo, adiante.
f Rua da Matriz, B4.
Usando a escala em milímetros, podemos
Nesse caso, as coordenadas da Rua Ma- localizar qualquer lugar no mapa, como as
chado de Assis são C e 7 e no mapa deve estações de metrô (indicadas pelo símbolo ).
haver a indicação de um quadrado em que A estação central de São Paulo, a Sé, está na
aparece a rua. Não é necessário que os alu- coordenada horizontal x = 103 mm e na co-
nos façam essa localização, basta ilustrar ordenada vertical y = 105 mm.
rapidamente a ideia e depois deixar o mapa
disponível para que todos possam ver. Você 1. Use sua régua e verifique esses valores no
pode comentar também (e até mostrar) ma- mapa.
pas do Estado, do Brasil ou de região que
possuam indicações de coordenadas geográ- 2. Localize algumas estações de metrô que apa-
ficas. O que importa destacar, em todos os recem no mapa e coloque os resultados na
casos, é que o mapa é uma representação em tabela a seguir.
duas dimensões. Depois, questione os alunos
se essas duas dimensões são suficientes para Estação de
x (mm) y (mm)
localizar um objeto no espaço. metrô
Anhangabaú 74 122
Neste momento é importante mostrar a
necessidade, em algumas localizações, de uti- Brigadeiro 29 6

lizar uma terceira coordenada para determi- Liberdade 87 83


nar em que altura em relação ao solo ou em
Luz 99 183
que altitude (em relação ao nível do mar) o
objeto se encontra. Por exemplo, alguns siste- Pedro II 140 111
mas de GPS indicam, além das duas coorde- República 51 145
nadas geográficas, a altitude. As localizações
de um avião ou de um helicóptero são exem- São Bento 97 141
plos em que é necessário saber não apenas Sé 103 105
as coordenadas geográficas, mas também a Tabela 21.
distância em relação ao solo. Da mesma for-
ma, para definir as dimensões de uma sala, 3. Sabendo que, nesse mapa, cada milíme-
como a classe, podemos medir sua largu- tro corresponde a aproximadamente 15 m,
ra, seu comprimento e sua altura, ou seja, use sua régua e determine a distância apro-
três dimensões. ximada entre as estações Santa Cecília
(x = 22 mm e y = 170 mm) e Vergueiro
É interessante mostrar que um evento de- (x = 68 mm e y = 3 mm).
manda a “coordenada tempo”, por exemplo, A distância medida na régua é de 172 mm. A distância em
uma colisão de veículos numa certa esquina metros será d = 15 u 172 = 2 580 m.
em um certo instante. Lembre então que um
gráfico x 3 t já trabalha com a “quarta dimen- 4. O que há nas coordenadas x = 110 mm e
são” pois o y e o z estão implícitos. Todos es- y = 160 mm?
ses aspectos são desenvolvidos nos exercícios O Mercado Municipal de São Paulo. No mapa está indicado
a seguir. somente “Mercado”.

91
© Geomapas Editora de Mapas e Guias

Figura 17. Mapa da região central da cidade de São Paulo.


92
Física – 1a série – Volume 2

5. Com as coordenadas x e y você consegue Toda essa discussão deve ser breve, para
localizar qualquer lugar em um mapa como que possamos seguir para a outra etapa, que
esse? Explique. exigirá um pouco de esforço de imaginação
Sim, porque ele é uma representação no papel, ou seja, dos alunos. Trata-se da discussão inspira-
plana. da em um livro escrito em 1884 por Edwin
Abbott, teólogo e escritor inglês, conhecedor
6. Quantas coordenadas são necessárias para lo- de matemática. A obra, denominada Flatland
calizar completamente uma pessoa? Explique. – a romance of many dimensions (traduzido no
Seria necessário que, além das duas coordenadas x e y, fosse Brasil pela editora Conrad como Planolân-
dada a informação sobre a altitude, ou seja, três coordenadas. dia: um romance de muitas dimensões) é uma
crítica à estrutura social inglesa escrita de
7. Se uma pessoa estivesse no Centro de forma satírica. Na história, o protagonista e
São Paulo e possuísse um GPS (do inglês narrador vive em um mundo de duas dimen-
Global Positioning System [Sistema Global sões, que é brevemente descrito no texto, e, em
de Posicionamento]) com chip de localiza- dado momento, recebe a visita de uma esfera
ção que fornecesse o ponto do mapa refe- do mundo tridimensional, o que o leva a inú-
rente ao local onde ela está, poderíamos sa- meras descobertas interessantes.
ber exatamente onde ela se encontra? Antes
de responder, lembre-se de que no Centro de Trata-se de uma leitura muito indicada aos
São Paulo há muitos arranha-céus. alunos interessados e, evidentemente, reco-
Não, porque as coordenadas x e y não mostram em que an- mendável ao professor. O trecho a seguir mos-
dar de um prédio, por exemplo, a pessoa está. tra um pouco do que a história aborda.

Quando olhamos um mapa, vemos uma representação em duas dimensões de algo


que é na verdade tridimensional. Como assim? Se você respondeu à questão 6, deve
ter pensado que saber as coordenadas x e y de uma pessoa não é suficiente para deter-
minar exatamente onde ela está. Se a pessoa estiver em um edifício, essas coordenadas
não dizem nada sobre em que andar ela se encontra. Para isso, seria preciso mais uma coordena-
da, que poderia ser indicada pela letra z. Dizemos que nosso mundo é tridimensional porque são
necessárias três coordenadas para localizar um objeto no espaço. Mas por que nosso universo tem
exatamente três dimensões? Por que não duas, ou quatro, ou cinco? Isso é uma coisa que muitos
cientistas ainda estão tentando responder. Ao longo da história, alguns pensadores imaginaram
como seria o universo se houvesse um número diferente de dimensões. Um exemplo é o livro Pla-
nolândia: um romance de muitas dimensões, de Edwin Abbott, escrito em 1884. Veja um trecho
dessa história:

“Eu chamo meu mundo de Planolândia, não porque o chamamos assim, mas para deixar
clara sua natureza para vocês, meus felizes leitores, privilegiados por viver no espaço. Imagine
uma vasta folha de papel com linhas retas, triângulos, quadrados, pentágonos, hexágonos e
outras figuras que, em vez de ficarem fixas em seus lugares, se movessem livremente na su-
perfície, sem poder dela sair ou entrar, como se fossem sombras. Você terá uma boa ideia de
como é o meu país e as pessoas que vivem nele. [...]

93
© Seely & Co.
1

2 6 3

Legendas
4 5
1 - Planolândia
2 - Nenhuma dimensão: Pontolândia
3 - Uma dimensão: Linholândia
4 - Duas dimensões: Planolândia
5 - Três dimensões: Espaçolândia Figura 18. Planolândia
6 - Um romance de muitas dimensões (Edwin Abbott, 1884).

Em um país assim, você vai perceber imediatamente que é impossível existir uma coisa que se
possa chamar de ‘figura sólida’; mas talvez imagine ser possível ao menos distinguir visualmente
triângulos, quadrados e outras figuras, movendo-se como acabei de descrever. Ao contrário, não
podemos ver nada do gênero, nem sequer distinguir uma figura da outra. Nada é visível para nós,
exceto linhas retas, e a razão disso eu vou mostrar rapidamente. Coloque uma moeda no centro de
uma mesa e incline-se sobre ela olhando para baixo. Ela terá a aparência de um círculo. Mas, se você
for se abaixando aos poucos, verá que a moeda parecerá cada vez mais oval e, quando você estiver
olhando do nível da borda da mesa, a moeda deixará de ser oval para se tornar uma linha reta.

O mesmo ocorre se você tentar fazer isso com um triângulo, um quadrado ou qualquer
outra figura de cartolina. Assim que você olha da borda da mesa, verá que ela deixa de pare-
cer uma figura, tornando-se uma linha reta.”
ABBOTT, Edwin. Flatland: a romance of many dimensions. Disponível em inglês:
<https://ia600503.us.archive.org/25/items/flatlandromanceo1884abbo/flatlandromanceo1884abbo.pdf>.
Acesso em: 2 abr. 2014. Tradução e adaptação Luís Paulo de Carvalho Piassi.

Nossa sugestão é que após um breve co- seria um mundo bidimensional. Nosso ob-
mentário sobre essa história, se inicie uma jetivo maior não é a exatidão das previsões
discussão a respeito dessa possibilidade e sim o esforço de imaginação, que ajuda,
imaginária. Como seria um mundo bidimen- ao mesmo tempo, o desenvolvimento do
sional? O que veríamos? O que não veríamos? conceito de dimensões do espaço e da possi-
O que seria possível ou não fazer? bilidade de imaginar mundos com números
diferentes de dimensões. Para isso, peça aos
Havendo tempo, proponha aos alunos alunos que respondam às questões:
que se sentem em grupos e imaginem como

94
Física – 1a série – Volume 2

1. Explique resumidamente do que trata o nós ou de qualquer compartimento fechado em nosso uni-
texto. verso, da mesma forma que vemos o que há dentro de um
Professor, verifique a interpretação dos alunos. O ponto prin- ser de duas dimensões.
cipal tratado no texto é um mundo fictício parecido com
uma folha de papel.

© Aeroestudio
© Aeroestudio
Figura 19.
Figura 20.
2. Explique como os habitantes de Planolândia
veem uns aos outros. Eles conseguem ver as O tempo como uma dimensão
formas da mesma maneira como as vemos
nas figuras acima? Por quê? A próxima etapa do trabalho é introdu-
Não, porque eles vivem em um plano. Eles veriam todas as zir a ideia de que o tempo também pode ser
figuras como segmentos de reta. imaginado como uma dimensão. Essa ideia
é uma das bases para a Teoria da Relativi-
3. Em Planolândia, quantas coordenadas dade elaborada por Albert Einstein, mas
são necessárias para localizar completa- não foi ele que a imaginou pela primeira vez.
mente um objeto? Por quê? Sendo assim, Dez anos antes da publicação do trabalho de
Planolândia é um mundo de quantas di- Einstein, o escritor britânico H. G. Wells já
mensões? publicara um livro em que esse tipo de espe-
Como se trata de um mundo plano, bastam duas coordena- culação aparecia. Trata-se do famoso A má-
das, assim como ocorre nos mapas de rua. Planolândia tem quina do tempo, que gerou não apenas adap-
duas dimensões. tações do romance para o cinema, mas que
também inspirou muitos escritores de ficção
4. Que objeto(s) mantém(êm) o mesmo tama- científica a imaginar as mais interessantes
nho visto(s) de qualquer ponto? possibilidades de viagem no tempo.
Somente o círculo, por sua simetria radial. Seu “tamanho” é
o diâmetro. Prosseguindo na estratégia de trabalhar
com a leitura e a interpretação de textos
5. Observe a figura a seguir; ela representa uma como um estímulo à imaginação e ao hábito
casa de Planolândia. Outros habitantes desse de ler, iniciaremos com um pequeno trecho,
universo conseguiriam ver o que há dentro que é uma tradução adaptada das primeiras
dessa casa? E nós, que vivemos em um mun- páginas de A máquina do tempo. A sugestão
do de três dimensões? Explique. é dizer aos alunos que se trata de uma obra
Outros habitantes desse universo não conseguiriam, ao pas- famosa, escrita no final do século XIX e que
so que nós, que vivemos em três dimensões, conseguimos. apresentou, pela primeira vez na ficção, uma
Como curiosidade, pode-se comentar que um ser de quatro ideia muito interessante. Em seguida, peça
dimensões provavelmente poderia ver o que há dentro de que leiam o trecho:

95
Na sua casa dum bairro de Londres, o “explorador do

© Heinemann
tempo” expunha-nos misterioso problema. Seus olhos
brilhantes faiscavam. Na lareira as chamas crepitavam.
A luz refletia-se nas bolhazinhas que se formavam em
nossos copos.

Era depois do jantar, quando os pensamentos vagueiam em li-


berdade. Recostados nas poltronas, admirávamos a profusão de
suas ideias. Naquele instante, tomávamos conhecimento de um dos
novos paradoxos do nosso bizarro anfitrião:

– Prestem atenção, por favor. Tenho de discutir uma ou duas


ideias universalmente aceitas. Por exemplo: a Geometria que nos Figura 21. A máquina do tempo
ensinaram na escola é baseada sobre uma concepção errônea. (H. G. Wells, 1895).

– Não é uma proposição grande demais para início de conversa?


– perguntou Filby, um sujeito discutidor, de cabeleira ruiva.

– Um pouco de paciência. Sabem todos que uma linha matemática, uma linha de dimen-
são nula, não tem existência real. O mesmo se dá com o plano matemático. Estas coisas são
meras abstrações.

– Perfeito – disse o psicólogo.

– Assim – prosseguiu o explorador – um cubo, tendo apenas comprimento, largura e es-


pessura, pode ter existência real?

– Tenho uma objeção: é claro, um corpo sólido existe. Todas as coisas reais... – interferiu
Filby.

– Assim pensa a maioria. Mas esperem um pouco. Pode existir um cubo instantâneo?

– Não estou entendendo – disse Filby.

– Pode um cubo ter existência real sem durar um espaço de tempo qualquer?

Filby ficou pensativo, enquanto o outro continuava:

– Todo corpo real deve ter comprimento, largura, espessura e... duração. Temos a tendên-
cia de menosprezar esse fato. Há realmente quatro dimensões: as três, que chamamos planos
do espaço, e uma quarta: o tempo. Temos a tendência de estabelecer uma distinção imagi-
nária entre as três primeiras dimensões e o tempo. Eis aí o que significa a quarta dimensão,
embora muitas pessoas falem nisso sem saber o que dizem. A quarta dimensão é apenas um
modo de encarar o tempo. Não há diferença alguma entre o tempo e qualquer uma das três
dimensões do espaço, a não ser que a nossa consciência se mova ao longo do primeiro.

96
Física – 1a série – Volume 2

O explorador do tempo continuou suas explorações, como se tratasse duma lógica fantás-
tica, concluindo que a ciência moderna levou o homem a admitir uma Geometria das Quatro
Dimensões. Dizendo ocupar-se dessa Geometria, acrescentou:

– Os homens de ciência sabem perfeitamente que o tempo não passa duma espécie de espaço.

– Ora – disse o médico – se o tempo é apenas uma quarta dimensão do espaço, por que não
nos podemos mover no tempo como fazemos nas dimensões do espaço?

– Podemos ir dum lado para outro em todas as direções do espaço, mas não podemos
andar de um lado para outro no tempo – acrescentou o psicólogo.

– Pois é este justamente o germe da minha descoberta. Há muito que tive a ideia duma
máquina... Tenho provas experimentais.

– Uma máquina para viajar no tempo! – exclamou alguém.

– Que poderá viajar indiferentemente em qualquer direção do espaço ou do tempo, ao


sabor do piloto.
WELLS, H. G. A máquina do tempo. Texto em português de Paulo Mendes Campos. São Paulo: Ediouro, 1972.
(Coleção Elefante). © by Joan A. Mendes Campos.

Assim como no texto Planolândia, suge- possível, de acordo com a Teoria da Relativi-
rimos numa primeira etapa que você peça dade. Mas trata-se, ao que sabemos, de uma
aos alunos que falem sobre aquilo que le- viagem sem volta. Poderíamos, movendo-nos
ram, anotando no quadro os pontos prin- em um corpo a uma velocidade próxima à da
cipais. Novamente, é possível que surjam as luz, avançar 50 ou 100 anos no futuro, consu-
mais variadas perguntas, por isso, embora mindo para isso um tempo bem menor, como
você não seja obrigado a ter uma resposta uma semana. No entanto, não existe nenhu-
para tudo, é conveniente ao menos ler algu- ma indicação de que seja possível retornar.
ma indicação sobre o assunto. Uma questão
que pode surgir é se é possível a viagem no Um argumento interessante contra a pos-
tempo. Deve-se ter cuidado ao responder sibilidade de viagens no tempo ao passado é
questões do tipo “é possível”, porque, afinal que, se isso fosse viável, deveríamos ter via-
de contas, o conhecimento científico não é jantes do futuro entre nós. Mas isso, é cla-
definitivo e algo que parece impossível hoje ro, não garante nada. Eles poderiam estar
pode perfeitamente ser corriqueiro daqui aqui, porém escondidos; esse é o argumen-
alguns anos. De qualquer forma, as teorias to dos que gostam de emoção e fantasia. Os
atuais da Física parecem indicar a impossi- pessimistas poderiam dizer que não temos
bilidade da viagem ao passado. viajantes do futuro simplesmente porque o
mundo acabará antes que se descubra a má-
Por outro lado, embora seja tecnicamente quina do tempo. Outros podem dizer que
inviável, a viagem ao futuro é de certa forma a viagem ao passado é possível, mas não

97
para pontos do tempo antes da descoberta 6. Segundo o texto, o que a máquina do tempo
da máquina do tempo. Em outras palavras, é capaz de fazer? Como o seu inventor justifi-
essa discussão pode ir longe. ca seu funcionamento?
A máquina permite livre movimentação pela dimensão do
Embora sejam apenas especulações, estimu- tempo. O autor diz que isso é possível porque o tempo seria
lar esse tipo de debate entre os alunos é inte- uma dimensão similar às dimensões do espaço.
ressante, pois trabalha justamente a capacidade
de argumentação lógica e a atitude positiva dos Para finalizar esta etapa, veja se os alu-
estudantes diante de questões científicas. nos se lembram de filmes ou de histórias que
envolvam viagens no tempo. A ideia é deixá-
Você pode colocar as seguintes questões re- -los refletir livremente sobre algumas dessas
lacionadas ao texto A máquina do tempo. histórias e estimulá-los a falar a respeito das
consequências que a viagem do tempo pode-
1. Explique resumidamente do que trata o texto. ria ter. Caso não se recordem de filmes com
Ele fala sobre a construção de uma máquina do tempo, ba- viagens no tempo, você pode sugerir que
seada na ideia de que o tempo é uma dimensão, assim como eles imaginem consequências a respeito do
as dimensões do espaço. que iria acontecer caso pudéssemos viajar
no tempo. Como sugestão de filmes para os
2. Quem é o narrador da história? Ele parti- alunos assistirem em casa, poderíamos citar
cipa da história ou é um mero observador? a última versão de A máquina do tempo, O
Explique. exterminador do futuro, a série De volta para
Ele é um dos ouvintes da palestra do explorador do tempo; o futuro, além de alguns menos conhecidos,
portanto, é participante da história. como O som de trovão e Linha do tempo, que
são interessantes e fáceis de serem encontra-
3. Explique por que o narrador diz que o dos em DVD.
tempo também pode ser considerado uma
dimensão. As viagens espaciais
Porque todo objeto, para ter existência real, deve ter altura,
largura e comprimento (as três dimensões do espaço), mas Todos os procedimentos desta atividade,
também deve ter duração, que é a dimensão do tempo. até aqui, levam ao que podemos chamar de
discussões abertas, em que ideias e possi-
4. Para localizar um objeto, um fato ou um bilidades são lançadas. Esse processo é im-
evento, além das três coordenadas no espaço, portante para que os alunos percebam que
também é necessário saber uma coordenada trabalhar com conceitos físicos muitas vezes
de tempo? Explique. envolve esforço de imaginação e abertura a
Para saber onde um objeto está, é necessário que se diga em novas possibilidades.
que instante de tempo se quer a localização do objeto, ou
seja, além das coordenadas de espaço, é necessária uma in- Entretanto, também é interessante tra-
formação sobre o tempo. zer para a sala de aula algumas perspectivas
mais consistentes daquilo que a Ciência já
5. Qual é, segundo o texto, a maior diferença estabeleceu. Não é possível, é claro, em uma
entre a coordenada do tempo e as coordena- ou duas aulas, imaginar que seja viável desen-
das do espaço? volver conteúdos da Teoria da Relatividade
A principal diferença, segundo o texto, é que no espaço po- ou das teorias mais modernas. No entanto,
demos ir e voltar em qualquer dimensão, o que não ocorria pode-se falar aos alunos sobre a existência
com o tempo até a invenção da máquina do tempo. dessas teorias e o que elas preveem.

98
Física – 1a série – Volume 2

Você pode utilizar alguns materiais como re- nossas histórias. Isso porque, para que fosse
ferência nessa discussão, além dos livros já su- possível ir e voltar em algumas semanas, tería-
geridos. Um muito interessante, dirigido a ado- mos de desenvolver uma velocidade próxima à
lescentes, é O tempo e o espaço do tio Albert, que da luz e, então, os efeitos relativísticos passa-
conta a história de uma menina envolvida com riam a ser bastante significativos.
seu tio em aventuras relativísticas. Outro livro
de divulgação científica que trata da questão do Um pulinho à Alfa do Centauro, como pro-
tempo é O enigma do tempo, de Paul Davies. posto anteriormente, ocuparia algo em torno
de quatro anos na velocidade da luz. Contando
A ideia é informá-los da existência de tais com a volta, levaria mais quatro anos. Ou seja,
teorias e de alguns de seus aspectos, já que elas seriam necessários oito anos, no mínimo, para
constituem hoje um dos maiores ícones cultu- ir e voltar. Mas – e isso é a coisa importante – é
rais da Física na sociedade contemporânea. possível (na teoria) fazer esse trajeto em muito
Ao mesmo tempo, devemos abrir uma porta menos tempo, de acordo com a Teoria da Rela-
para que eles queiram e possam encontrar tividade, porque, quando viajamos a uma velo-
caminhos para saber mais, para se interessar cidade próxima à da luz, o espaço se contrai, ou
pelo assunto. seja, encolhe na direção de nosso movimento.

Uma linha de abordagem que julgamos É como se você fosse pegar uma rodo-
interessante e estimulante é uma discussão via de 500 km de comprimento e, estando a
a respeito das viagens espaciais e suas possi- 100 km/h, imaginasse que levaria cinco horas
bilidades reais. Na maioria dos filmes de fic- para chegar ao seu destino. Mas, de repente,
ção, viajar no espaço é algo quase tão simples você nota que quando está a essa velocidade
quanto entrar em um carro, ligar o motor e a rodovia estranhamente passa a ter apenas
sair por aí. Poucos são os que procuram retra- 10 km de comprimento, de forma que seu tra-
tar as dificuldades envolvidas nesse processo jeto duraria meros seis minutos. E isso não
e, talvez, uma razão para isso é que essas di- ocorre por causa do encolhimento da estrada,
ficuldades são tão imensas que fazem a coisa mas porque o espaço encolheu na direção do
toda perder a graça. Particularmente, o livro seu movimento.
O guia do mochileiro das galáxias trata com
graça essa forma de apresentar as viagens es- Se você acha isso muito difícil de enten-
paciais, propondo até um “motor de improba- der ou de aceitar, pode ter certeza de que é
bilidade infinita”, que literalmente quer dizer um excelente sinal – é mesmo muito difícil
algo que nunca vai poder existir. de entender ou de aceitar. Isso por conta de
toda nossa experiência cotidiana que diz que
Apesar de tudo isso, há alguns pontos que essas coisas são impossíveis. Para fazer a via-
podem ser discutidos como possibilidades fu- gem até Alfa do Centauro em uma semana,
turas, embora remotas. Primeiro, imaginemos você teria de ter uma velocidade equivalente a
o que ocorreria se um dia pudermos viajar 99,999% da velocidade da luz, o que deixaria
para fora de nosso Sistema Solar em um tempo a distância aproximadamente 200 vezes me-
razoável, de forma que, no prazo de algumas nor. Supondo que você fosse fazer um passeio
semanas, possamos dar um passeio entre as es- em um veículo do tamanho de um carro pe-
trelas mais próximas e voltar para contar tudo queno, você precisaria dispor de 100 bilhões
aos amigos. De acordo com a Teoria da Rela- de bilhões de joules (1020 J) de energia, que é
tividade, quando voltássemos, nossos amigos mais ou menos o consumo mundial de ener-
estariam muito velhos para se interessar pelas gia em um ano.

99
Talvez, no futuro, encontremos maneiras Dois deles estão relacionados aos filmes
mais eficientes de obter energia. O Sol, por de ficção científica e suas viagens espaciais: A
exemplo, emite 4 milhões de vezes esse valor ciência de Star Wars, de Jeanne Cavelos, e prin-
em um único segundo. cipalmente A Física de Jornada nas estrelas, de
Lawrence Krauss. Para quem quer conhecer
O outro problema é o tempo. Ir até Alfa do mais sobre a literatura de ficção, quatro livros
Centauro vai exigir um mínimo de oito anos são muito interessantes por abordarem a ques-
entre ida e volta, para quem está na Terra, tão das viagens espaciais levando em conta os
embora se passe pouco tempo dentro da nave. obstáculos impostos pela Teoria da Relativida-
Você faz uma viagem de duas semanas, mas o de. Um deles é Nêmesis, de Isaac Asimov, que,
pessoal aqui na Terra tem de esperar oito anos além de trazer muitos outros conceitos interes-
até você voltar com os souvenirs. santes de astronomia, trata do problema e de
uma fictícia invenção da viagem superluminal,
Não tem jeito. Isso pode ser muito pior ou seja, acima da velocidade da luz. Esse livro,
se você decidir fazer turismo em Betelgeuse, porém, pouco aborda a questão do tempo, o
terra de Ford Prefect, o simpático persona- que é feito de forma interessante em Tau zero, de
gem de O guia do mochileiro das galáxias, Poul Anderson, que traz muitos conceitos
que fica a 500 anos-luz. Com boa quanti- de relatividade (e até sobre o Big Bang), e de
dade de energia, você vai e volta em duas uma forma realmente impressionante em O
semanas, porém, aqui na Terra já se terão orador dos mortos, de Orson Scott Card, que
passado mais de mil anos. A não ser que in- mostra que o impacto do problema do tempo
ventem uma maneira de as pessoas viverem nas viagens espaciais poderia levar a outras
todo esse tempo, de preferência sem tédio, maneiras de nos relacionarmos com o tempo.
seus amigos terão se tornado figuras esque- Finalmente, não podemos deixar de indicar
cidas no passado longínquo e, de qualquer Contato, de Carl Sagan, no qual foi baseado
forma, muita coisa poderá ter mudado na o filme de mesmo nome. Tanto no livro como
Terra nesses mil anos. no filme não aparecem apenas muitas das ideias
de relatividade e conceitos de astronomia, mas
A melhor maneira de trabalhar esse con- também a discussão da possibilidade de detec-
teúdo é contar alguns desses fatos e outros ção de vida inteligente fora da Terra.
que você encontrará em livros, sites e revistas
de divulgação científica. Além dos livros que Os exercícios apresentados na sequência po-
sugerimos, damos algumas ideias de outros dem auxiliá-lo a estimular os alunos a discutirem
materiais que seriam um apoio interessante possibilidades relacionadas aos conceitos físicos
para quem quer se aprofundar no assunto. abordados nesta Situação de Aprendizagem.

Causa e efeito

Um dos grandes problemas em imaginar viagens no tempo é a chamada relação de causa e


efeito. Se você esbarra distraidamente em um vaso sobre a mesa, ele pode cair e, depois, pode
quebrar. Sua mãe, vendo isso, pode ficar brava e lhe aplicar um castigo. Há, assim, uma sequência
de eventos que ocorrem necessariamente em certa ordem, porque um é efeito do outro. Observe:

esbarrão  queda do vaso 


 vaso quebrado  mãe brava  castigo

100
Física – 1a série – Volume 2

E se o castigo fosse, por exemplo, não ir a certa festa e se, nessa festa, você fosse conhecer
uma pessoa por quem se apaixonaria e com quem futuramente se casaria e teria filhos? E se
um desses filhos fosse a pessoa que viria a descobrir a cura de uma terrível doença, salvando
a humanidade? Seu esbarrão teria impedido a salvação da humanidade! Esse pode não ser
o melhor argumento para convencer sua mãe a deixar você ir à festa. Mas pense um pouco:
E se a sua mãe conheceu seu pai em uma festa? E se você voltasse ao passado e atrapalhasse
tudo entre eles? O que aconteceria? Você existiria? Se você não nascesse, como poderia impe-
dir seu pai e sua mãe de se conhecerem? Não há algo estranho aqui? Essa situação aparece
em um famoso filme de viagem no tempo: De volta para o futuro. A relação de causa e efeito
poderia ser quebrada se a viagem no tempo fosse possível. Isso é explorado em diversos ou-
tros filmes. Reúna-se em grupo com seus colegas e discuta as questões a seguir.

1. Você já assistiu a algum filme em que havia 6. Viagens somente ao futuro, sem possibilida-
viagens no tempo? Quais? de de retorno, não quebram a relação de cau-
Verifique se as respostas são coerentes com a ideia de viagem sa e efeito, pois não criam diversos possíveis
no tempo. futuros, mas apenas um. Imagine que você
pudesse viajar ao futuro, sem possibilidade
2. Descreva resumidamente o enredo de um de retorno. Você faria isso? Como imagina
desses filmes. que seria sua vida futura? Escreva suas ideias.
Verifique se a descrição inclui realmente viagens no tempo. Resposta aberta. Verifique a coerência.

3. Nesse filme há uma tentativa das persona- 1. Usando o mapa do Centro


gens de quebrar a sequência de causas e de São Paulo, disponível na
efeitos? Explique o que acontece. primeira atividade desta Situ-
Avalie se os alunos encontraram situações de quebra de cau- ação de Aprendizagem, locali-
sa e efeito. ze o que existe em cada par de coordenadas
indicadas na tabela a seguir.
4. Discuta com seus colegas: viajar ao passa-
do poderia mudar a sequência de causas e x (mm) y (mm) Pontos da cidade
efeitos? Imagine uma situação dessas. Des-
creva o que você faria se pudesse voltar ao 15 151 Santa Casa (hospital)
passado. Esquina da Av. Ipiranga com a
Resposta aberta. 65 155 Av. São João

5. Com viagens ao passado, a ideia de que 10 20 Av. Paulista

um evento possa ser determinado com três Rua São Caetano (“rua das
123 192 noivas”)
coordenadas de espaço e uma de tempo
desaparece, pois cada evento alterado no 65 109 Câmara Municipal
passado mudaria todo o presente. Haveria Tabela 22.
infinitos presentes possíveis. Se você tivesse
alterado algo em seu passado, estaria exata- 2. É comum usar um gráfico espaço × tempo
mente onde está agora? Onde poderia estar? para descrever o movimento de um obje-
Escreva o que imaginou. to. Um exemplo de movimento em linha
Resposta aberta. Verifique a coerência. reta com velocidade constante é quando

101
descemos a escada rolante em um shopping c) O gráfico representa a descida completa
center. Esse movimento poderia ser descrito na escada rolante ilustrada na figura ou
pelo seguinte gráfico: apenas parte dela? Explique.
Representa apenas metade da descida, pois, na figura, estão
x (m)
4 representados 8 m, ao passo que no gráfico estão indicados
apenas 4 m.
3
2
d) De acordo com essas informações, em
1
quanto tempo a pessoa completaria a
1 2 3 4 5 6 7 8 t (s) descida na escada rolante?
Uma boa resposta, para um aluno que ainda não está ha-
Figura 22. Movimento uniforme na direção x com velocidade bituado com as fórmulas, mas que domina o raciocínio
vx = 0,5 m/s.
proporcional, seria a seguinte: a descida seria completa-
da em 16 s, pois a pessoa percorre 0,5 m a cada segundo.
© Alexandre Camanho

Como são 8 m de descida, cada um dos 8 m exigirá 2 s


de percurso.

3. Ao observar o gráfico da questão 2, uma


pessoa ficou com a seguinte dúvida: Como
pode um gráfico que parece o desenho de
0

uma subida ser empregado para represen-


1

tar uma descida? Como você explicaria


2

isso a ela?
3

Professor, estimule um debate entre os alunos durante a re-


4

solução dessa questão. Na correção, é importante frisar os


5

seguintes aspectos:
6

tNa verdade, o gráfico pode representar qualquer movimento


7

em velocidade constante ao longo de uma dimensão. Temos,


8

nesse gráfico, uma dimensão espacial e uma dimensão tempo-


ral. A dimensão temporal não indica nenhuma relação espacial;
Figura 23. assim, não tem sentido dizer que ela se refere a subir, descer ou
ir para qualquer lado. Ela indica apenas o transcorrer do tempo.
Nesse caso, x é a distância medida ao lon- tPor outro lado, a dimensão usada como x é espacial, mas não
go da escada rolante. Poderíamos até colo- é necessariamente uma dimensão horizontal, como se costuma
car marcas ao longo da escada indicando representar. No exemplo em questão, ela foi propositadamente
a metragem e localizar a pessoa a partir escolhida como uma coordenada inclinada em relação ao solo.
do momento em que ela inicia a descida. Também poderiam ser usadas, da mesma forma, as letras y e z
para representar a posição do corpo ao longo da escada rolante.
Observe o gráfico e responda: tTudo isso vem mostrar que a dimensão temporal tem uma na-
tureza quase distinta da dimensão espacial, pelo menos do pon-
a) Em que ponto da escada rolante a pes- to de vista de nossa vivência cotidiana. Ao representar a coorde-
soa encontra-se após quatro segundos? nada temporal em um suporte espacial (o gráfico), muitas vezes
No ponto correspondente a 2 m de descida. os alunos sentem-se confusos em relação ao significado daque-
la representação e acabam confundindo relações espaciais (em
b) E após sete segundos? cima, embaixo) com relações temporais (antes, depois), quando
A pessoa estará no ponto correspondente a 3,5 m. elas estão dinamicamente implicadas (subidas, descidas).

102
Física – 1a série – Volume 2

4. Vimos que o gráfico com duas coordenadas shopping, teríamos que dispor de uma sucessão de coorde-
(uma de espaço e uma de tempo) é suficiente nadas temporais, o “quando”, associada aos correspondentes
para localizar em que ponto da escada rolan- pares de coordenadas espaciais, o “onde”. Um “quando” 6t e
te uma pessoa se encontra. “onde” 6s compõem um “evento”.

a) Se quiséssemos localizar a pessoa em um b) E se precisássemos localizar essa pessoa


ponto qualquer no primeiro andar de um em qualquer lugar de um shopping de
shopping, um gráfico como esse seria sufi- vários andares, qual seria o número de
ciente? Quantas coordenadas seriam ne- coordenadas?
cessárias? Como poderíamos representar Nessa situação, além das duas coordenadas espaciais ante-
esse movimento graficamente? Explique. riores, deveríamos contar com mais uma, para representar o
Nesse caso, seriam necessárias duas coordenadas espaciais e andar. Contaríamos, então, com três coordenadas espaciais
uma coordenada temporal, porque um andar do shopping e uma temporal.
é uma superfície contínua. Para localizar a pessoa em um an-
dar poderíamos usar um sistema de coordenadas x e y sobre 5. Baseando-se nas questões anteriores, imagi-
um mapa do andar do shopping, como os que encontramos ne um passeio no shopping como o da histo-
em muitos deles. Para determinar o passeio da pessoa pelo rinha a seguir:

Marília entra no shopping Ping Ping para um encontro com Prudente às 19h, em frente à lanchonete
Churrasquinho Digatto. O problema é que há duas lojas da Churrasquinho Digatto no shopping Ping Ping:
uma no quarto andar, nas coordenadas x = 18 m e y = 25 m, e outra no térreo, nas coordenadas x = 180 m e
y = 64 m. Os dois chegam pontualmente, mas não se encontram, pois cada um vai para uma das lanchone-
tes, ou seja, para coordenadas espaciais distintas. Após esperar por dez minutos, Marília lembra-se da outra
unidade Digatto, mas está sem créditos no celular... Prudente, por sua vez, sai às 19h14 da Digatto no térreo
e vai procurar Marília no quarto andar. Ele também está sem créditos no celular, é claro. Exatamente às
19h15 ele está em x = 42 m, y = 123 m e z = 1o andar em frente à loja de esportes Schutz. E ela está em frente
à sorveteria De Rettis, em x = 42 m, y = 123 m e z = 2o andar. O mesmo x, o mesmo y e o mesmo t... mas o z
era diferente. Se o piso fosse transparente, eles teriam se visto. Se fosse... Exatamente às 19h18 ela passa por
x = 28 m e y = 33 m, bem em frente à loja de doces Gulamatta, no segundo andar. Prudente passa exatamen-
te pelas mesmas coordenadas espaciais, mas às 19h19... e eles não se encontram. Agora o problema foi o t...

Podemos considerar esse passeio uma su- 3. Marília decide andar: t = 19h10min; x = 18 m; y = 25 m;
cessão de eventos em quatro dimensões. z = 4o andar.
Explique isso, imaginando os movimentos 4. Prudente decide andar: t = 19h14min; x = 180 m; y = 64 m;
e as situações pelas quais as personagens z = Térreo.
passam durante essa história. Continue a 5. Prudente na loja Schutz: t = 19h15min; x = 42 m; y = 123 m;
narrativa, em seu caderno, com mais al- z = 1o andar.
guns desencontros e indique todas as coor- 6. Marília na loja De Rettis: t = 19h15min; x = 42 m; y = 123 m;
denadas em cada um dos eventos narrados. z = 2o andar.
Na história, ocorrem vários eventos e todos eles necessitam 7. Marília na loja Gulamatta: t = 19h18min; x = 28 m; y = 33 m;
de quatro dimensões para serem descritos: z = 2o andar.
1. Chegada de Marília: t = 19h; x = 18 m; y = 25 m; z = 4o andar. 8. Prudente na loja Gulamatta: t = 19h19min; x = 28 m;
2. Chegada de Prudente: t = 19h; x = 180 m; y = 64 m; z = Térreo. y = 33 m; z = 2o andar.

103
Da mesma forma, qualquer “história”, de qualquer objeto, só Reflita sobre elas e, a partir disso, compare a
pode ser precisamente descrita com o fornecimento dos da- “Planolândia esférica” com o espaço-tempo
dos relativos ao espaço, que configura três dimensões, e ao da relatividade, que está em expansão desde
tempo, que acrescenta mais uma dimensão. Em outras pala- o Big Bang.
vras, vivemos, de fato, em um universo quadridimensional. O espaço-tempo da relatividade é quadridimensional: três
dimensões de espaço e uma de tempo. Os pontos na su-
1. Procure informações sobre os au- perfície da bexiga fazem parte de um espaço-tempo tri-
tores dos dois textos que lemos nes- dimensional, cujo espaço tem duas dimensões. O raio (r),
ta Situação de Aprendizagem (Pla- proporcional ao tempo (t), é a terceira dimensão da “Pla-
nolândia e A máquina do tempo). nolândia esférica”. A Figura 24 mostra uma possibilidade
Quem foram eles? Onde e quando viveram? de representação.
Verifique as informações. Ambos são autores ingleses do

© Claudio Ripinskas/R2 Editorial


século XIX.

2. Comparando os dois textos, que semelhan-


ças e diferenças observamos nas ideias dos
dois autores? Explique.
Ambos falam sobre dimensões, mas Planolândia preocupa-
-se apenas com dimensões do espaço e A máquina do tem-
po diz que o tempo é uma dimensão.

3. Qual das duas histórias lhe parece mais fan-


tasiosa? Por quê?
Planolândia é mais fantasiosa porque retrata um universo
completamente distinto do nosso e A máquina do tempo
apenas propõe uma tecnologia nova que, pelos conheci- Figura 24.
mentos atuais, não é possível.
Caso sua opção tenha sido o encaminha-
4. Explique em um parágrafo qual é a principal mento proposto na Tabela 13, observe que es-
diferença entre o mundo da Planolândia e o sas aulas foram programadas estrategicamen-
nosso mundo real. te para acontecer logo antes da apresentação
A principal diferença é que no mundo de Planolândia há dos pôsteres. A ideia é que durante as aulas os
apenas duas dimensões do espaço, enquanto no nosso mun- alunos tenham bastante oportunidade de dis-
do são três as dimensões espaciais. cutir e de manifestar suas dúvidas e interesse
sobre o assunto, de forma que isso possa criar
5. Pense na experiência de soprar uma bexiga um clima propício para o dia da apresentação.
de forma que sua superfície cresça continua- Quanto mais as atividades puderem prender
mente. O raio da bexiga será proporcional o interesse e a atenção do aluno, maiores as
ao tempo e cada ponto da superfície pode- chances de aproveitarmos o período letivo de
rá ser considerado o centro, pois todos os forma positiva e quem sabe, se não for sonhar
outros pontos se afastam dele. Tente repre- demais, de despertarmos nele a vontade de ler
sentar essas observações em um desenho. e aprender mais sobre Ciência.

104
Física – 1a série – Volume 2

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 11
A ENCICLOPÉDIA GALÁCTICA

Nesta Situação de Aprendizagem, o ob- a muitos adultos: Existe vida fora da Terra?
jetivo é tratar de uma questão que interessa Será que um dia faremos contato com outras
não apenas aos jovens alunos, mas também civilizações?

Conteúdos e temas: avaliação científica das hipóteses de vida fora da Terra; estimativas das ordens de
grandeza de medidas astronômicas para situar a vida em geral e a vida dos seres humanos em particu-
lar, temporal e espacialmente no Universo.

Competências e habilidades: observação e interpretação de cenas de vídeo e de dados sobre pesquisas


relativos à busca de vida inteligente extraterrestre.

Sugestão de estratégias: análise de cenas de filme; debate em aula; pesquisa.

Sugestão de recursos: DVD da série Cosmos, episódio 12 (Enciclopédia galáctica).

Sugestão de avaliação: verificar a participação dos alunos nas discussões em aula, na pesquisa e nas
respostas às questões propostas.

Desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem
O ponto de partida para essa discussão girá muito mais do que uma simples aula e só
pode se basear no vídeo da série Cosmos, epi- poderá ser viabilizado por uma exibição co-
sódio 12, denominado Enciclopédia galáctica. letiva. Lembre-se de que o filme tem duração
Verifique se a série está disponível em sua es- de 150 minutos e não faz muito sentido exibir
cola. Caso você não tenha acesso ao vídeo, al- um filme se isso impedir que depois se possa
gumas alternativas podem ser encaminhadas: prosseguir nas discussões.

f Se você tiver acesso ao livro Cosmos, de A equação de Drake está diretamente re-
Carl Sagan, pode procurar o capítulo 12 e lacionada à discussão da existência de vida
discuti-lo com os alunos. fora da Terra. Ela foi formulada por Frank
f Pode pesquisar informações sobre o pro- Drake, em 1960, para se fazer uma estimati-
jeto SETI (Busca de Vida Inteligente Ex- va do número de civilizações existentes em
traterrestre). Um bom livro em português nossa galáxia. Para compreender com mais
sobre o assunto é de Jean Heidmann, Inte- detalhes a equação, sugerimos a leitura do
ligências extraterrestres. O projeto consiste capítulo 12 de Cosmos ou do livro Inteli-
em uma pesquisa de sinais de rádio prove- gências extraterrestres, de Jean Heidmann
nientes do espaço, de forma a detectar pos- (2001). Outra leitura interessante é o livro
síveis sinais de origem artificial. Civilizações extraterrenas, de Isaac Asimov
f Pode procurar o filme Contato, com Jodie (1980), que também constitui uma excelente
Foster, e exibir para a turma. Porém, isso exi- base para aspectos de astronomia em geral.

105
Encaminhando a ação Depois dessas discussões, é possível traba-
lhar um pouco com a equação de Drake:
Como cada episódio de Cosmos tem dura-
ção de 60 minutos, não será possível exibi-lo N = R u fp u ne u fl u fi u fc u L
por inteiro em uma única aula. Sugerimos que
você fale um pouco sobre a série e sobre Carl N é o número total estimado de civilizações
Sagan (informações encontradas na própria em nossa galáxia. Esse número depende de vá-
embalagem da obra) e exiba o episódio 12 em rios fatores e sobre muitos deles não há nenhu-
duas partes. ma avaliação segura (a respeito disso, sugerimos
o livro de Asimov anteriormente citado). A su-
Após a exibição do filme, o ponto princi- posição por trás da equação é que o Sistema So-
pal será a discussão dos temas que ele envol- lar e a Terra são cenários típicos da possibilidade
ve. Do mesmo modo como na leitura dos tex- de desenvolvimento da vida e da inteligência em
tos, vale a pena retomar com os alunos aquilo um planeta. Porém, essa suposição é questiona-
que eles entenderam a respeito do vídeo e da por alguns cientistas, que acreditam que na
quais dúvidas surgiram. Certamente haverá Terra se desenvolveu uma civilização por cir-
perguntas para as quais nem você, e possi- cunstâncias muito raras e específicas. Com os
velmente nem os cientistas, terão respostas, dados astronômicos de que dispomos hoje, ain-
o que é perfeitamente natural, porque esta- da não é possível decidir em favor de uma ou
mos tratando literalmente de uma fronteira outra posição. De qualquer maneira, os fatores
da Ciência. da equação de Drake são os seguintes:

Significado Observação
Taxa de formação de estrelas semelhantes
R Pode ser determinado com certa precisão.
ao Sol, por ano, na galáxia.
Fração de estrelas similares ao Sol que Tem sido pesquisado atualmente.
fp
possuem planetas a seu redor. Deve-se chegar a uma boa estimativa.
Número de planetas em cada sistema solar
Sabe-se que no nosso sistema solar esse
ne cujas condições permitem o surgimento da
número é 1: a Terra.
vida.
No nosso sistema solar, esse valor foi de
Fração dos planetas onde, havendo
fl 100%. Não se sabe o que poderia ocorrer
condições, a vida efetivamente surge.
em outros.
Na Terra, bilhões de anos foram
Fração dos planetas onde uma forma de necessários para o surgimento da vida
fi
vida inteligente se desenvolve. inteligente. Nada garante que isso possa
acontecer facilmente.
Fração dos planetas em que a vida Esse é um dado que não temos. Só sabemos
fc inteligente desenvolve tecnologias de que a espécie humana desenvolve tais
comunicação. tecnologias.
Tempo de duração, em anos, de uma Não sabemos também. Quanto tempo
L
civilização tecnológica. vamos durar?
Tabela 23.

106
Física – 1a série – Volume 2

Na página Aliens da Ciência do site Ciên- dos. Seria muito interessante fazer isso com os
cia à mão, da USP, pode-se fazer esse cálculo alunos em classe, mesmo que você dispusesse de
de forma interativa e instantânea. (Disponível apenas um único computador ligado à internet.
em: <http://www.cienciamao.if.usp.br/aliens/
drake.php>. Acesso em: 11 nov. 2013.) De qualquer forma, fazendo uma estimativa
desses valores, pode-se calcular o número de ci-
Sugerimos que você entre nessa página e ten- vilizações na nossa galáxia multiplicando todos
te algumas configurações para ver os resulta- os fatores. Vejamos um exemplo:

R fp ne fl fi fc L
N= 50 20% 2 50% 10% 50% 200 = 100
Tabela 24.

Aqui a estimativa é de cem civilizações Ocorre que a vida surgiu há muitos milhões
tecnológicas na nossa galáxia, existindo ao de anos na Terra. Por que outras raças inteli-
mesmo tempo que nós. Alguns dados são gentes não surgiram antes em nosso planeta?
mais ou menos conhecidos, outros são ver- Talvez a inteligência seja um fenômeno raro,
dadeiros “chutes”, por exemplo, o tempo de mas não sabemos.
duração de uma civilização tecnológica colo-
cado como L = 200 anos. Desde que começa- Proponha aos alunos que experimentem fa-
mos a nos comunicar por rádio, ainda não se zer essas estimativas:
passaram cem anos. Isso pode continuar por
milhares ou milhões de anos, ou podemos 1. Faça, com seus colegas, uma estimativa
nos destruir amanhã. Outros dados também otimista na qual a chance de encontrar ci-
são duvidosos, como a fração de desenvolvi- vilizações seja grande. Discuta cada fator,
mento de inteligência fi. Não temos nenhu- coloque seus valores na tabela a seguir e
ma informação confiável que possa nos dar faça os cálculos.
um número. A única coisa que sabemos é que
aqui se desenvolveu uma espécie inteligente.

R fp ne fl fi fc L
N= =
Tabela 25.

Professor, verifique apenas se as respostas são coerentes com 2. Faça agora uma estimativa pessimista na
as condições apresentadas no texto, se os parâmetros condi- qual a única civilização existente na galáxia
zem com a discussão. O valor resultante deve ser maior do seja a nossa. Que fatores você acha mais fácil
que 100, que foi o exemplo de base. estimar? Quais são mais difíceis? Explique.

R fp ne fl fi fc L
N= =
Tabela 26.

107
O valor resultante deve ser menor do que 100, que foi o exem- 1. Pesquise informações sobre o
plo de base. O valor NÃO pode ser zero, evidentemente, pois projeto SETI:
significaria que nossa civilização tecnológica não existe.
a) Qual é a sua origem?
3. Discuta com seus colegas: O que você imagina Surgiu por iniciativa do astrofísico Frank Drake na década
que aconteceria se descobríssemos uma civili- de 1960.
zação em um planeta distante 20 anos-luz da
Terra, com quem não pudéssemos ter contato b) Quais são os seus objetivos?
direto? Lembre-se de que as mensagens levam Detectar eventuais civilizações extraterrestres.
20 anos para ir e mais 20 anos para voltar.
Que mudanças isso traria à nossa vida? c) Quais métodos utiliza?
Resposta pessoal. Captação de sinais de rádio com características de origem
artificial (tecnológica).
1. A equação de Drake nos mos-
tra que: d) Quais resultados obteve até hoje?
Até o momento, nenhum sinal mostrou-se sério candidato a
a) existe vida em outros planetas. ser de origem artificial.

b) a civilização é um evento muito raro no 2. Procure informações sobre o programa


Universo. SETI@home, explique do que se trata,
como funciona e como é possível contri-
c) os discos voadores são uma realidade. buir para o projeto.
Em qualquer abordagem, é interessante conhecer algo so-
d) podemos estimar o número de civiliza- bre o projeto SETI e particularmente sobre o SETI@home,
ções na galáxia. empreendimento que emprega a capacidade de realizar
cálculos de milhões de computadores pessoais ao redor do
e) civilizações de outros planetas já podem mundo para ajudar na análise dos dados recebidos pelos
ter entrado em contato conosco. radiotelescópios.
Qualquer um pode colaborar com o projeto instalando um
2. Explique em linhas gerais do que se trata o software disponível para download nas páginas do projeto.
projeto SETI (Busca de Vida Inteligente Ex- Com ele, toda vez que o computador estiver ocioso, uma
traterrestre), apresentado pelo professor. pequena porção dos dados será analisada e enviará os resul-
Trata-se de um projeto de busca de vida inteligente fora da tados ao projeto. Infelizmente, não há um site do SETI@home
Terra por meio de sinais de rádio emitidos por eventuais civi- Brasil, há somente a versão portuguesa, o Portugal@home.
lizações existentes. A detecção dos sinais é feita por radiote- (Disponível em: <http://www.portugalathome.org/seti.php>.
lescópios e analisada por computadores. Acesso em: 10 dez. 2013.)

108
Física – 1a série – Volume 2

GRADE DE AVALIAÇÃO
Competências e habilidades Indicadores de aprendizagem
f Desenvolver a leitura e a interpretação de textos. f Compreender o conceito de dimensão e sua
Aprendizagem 10

f Formular hipóteses. relação com o espaço e com o tempo.


Situação de

f Estabelecer relações entre representações f Determinar localizações a partir de coordenadas.


hipotéticas. f Interpretar texto ficcional e estabelecer
relação entre seu conteúdo e a realidade física
cientificamente interpretada.
Aprendizagem 11

f Observação e interpretação de cenas de vídeo e f Analisar, interpretar e refletir sobre o tema


Situação de

de dados de pesquisas relativas à busca de vida inteligências extraterrestres.


inteligente extraterrestre. f Relacionar, compreender e aplicar a equação
de Drake.

PROPOSTAS DE QUESTÕES PARA APLICAÇÃO EM AVALIAÇÃO


1. De que forma podemos relacionar a Pla- e) O tempo é absoluto, mas a velocidade
nolândia ao espaço-tempo de nosso universo? da luz é uma grandeza relativa.
O espaço-tempo de nosso universo é quadridimensional
(três dimensões de espaço e uma de tempo). Como na Pla- 4. Que afirmação da Teoria da Relatividade
nolândia há apenas duas dimensões de espaço, seu espaço- é diretamente incompatível com “viajar”
-tempo seria tridimensional. para outras épocas?

2. De acordo com o viajante do tempo, no a) O espaço-tempo é quadridimensional.


texto A máquina do tempo, por que deve-
ria ser possível caminhar para o passado e b) Os comprimentos dependem da veloci-
para o futuro? dade do observador.
O viajante do tempo argumenta que o tempo é uma dimen-
são como as outras. Então, se podemos viajar livremente no c) Os intervalos de tempo dependem da
espaço, também podemos fazê-lo no tempo. velocidade do observador.

3. De acordo com a Teoria da Relatividade: d) As massas dos objetos não são inva-
riantes.
a) As viagens no tempo são possíveis, para
o passado e para o futuro. e) A velocidade da luz independe do refe-
rencial e não pode ser superada.
b) É possível atingir e até superar a veloci-
dade da luz. 5. A que se pode atribuir o grande esforço
atual para identificar estrelas com planetas
c) As dimensões do tempo e do espaço são em seus arredores comparáveis à Terra?
influenciadas pelo movimento dos corpos. A avaliação da probabilidade de encontrar vida em ou-
tros sistemas depende da determinação da porcentagem
d) Não é possível realizar viagens a outros de estrelas e planetas em circunstâncias parecidas com
sistemas solares. a nossa.

109
PROPOSTA DE SITUAÇÃO DE RECUPERAÇÃO
A atividade de elaboração dos pôsteres panhar de perto o grupo de alunos com pro-
conta com a recuperação a cada passo em sua blemas, talvez utilizando somente metade dos
própria estrutura, mas acreditamos que seja dados da Tabela 20.
interessante prever procedimentos de recupe-
ração para as Situações de Aprendizagem 8 e A recuperação pode ser focada nos textos
9. Na oitava, o foco central é a interpretação e nos materiais audiovisuais e em sua respecti-
do texto e as questões propostas. É interes- va interpretação. É possível que o aluno tenha
sante que você verifique se os alunos tiveram tido dificuldade na compreensão de algum
acesso ao trecho do filme e, se possível, provi- desses materiais ou até mesmo tenha faltado
dencie isso. A formação de pequenos grupos no dia em que algum material foi trabalhado.
interagindo com você para a abordagem das A sugestão é que você retome ao menos um
questões é uma forma de recuperação simples trecho dos textos ou do filme com os alunos
e efetiva. Depois de rediscutir as questões, so- e discuta sua interpretação. Aspectos mais
licite aos alunos que entreguem novamente as informativos, como os tipos de artefatos es-
respostas reformuladas. Uma alternativa, caso paciais ou os fatores da equação de Drake,
não seja possível conseguir o filme, é trabalhar não precisam ser enfatizados. No entanto,
com a interpretação do texto “2008: uma odis- se a dificuldade for essa, utilize a Tabela 19,
seia no cinema (e no banheiro)”, comparando que mostra as características dos artefatos, e a
as situações apresentadas com os resultados explicação da equação de Drake e discuta-as
da pesquisa sobre dispositivos espaciais. com os alunos.

Na Situação de Aprendizagem 9, você pode Uma alternativa, caso não se disponha de


fornecer aos alunos uma folha milimetrada materiais audiovisuais, é o uso de trechos
com o gabarito da atividade sobre a órbita de de textos extraídos de alguns dos sites indica-
uma sonda espacial (Figura 16) para eles reali- dos, como o Portugal@home e o Astronomia
zarem medidas, caso perceba que a dificulda- e astrofísica (disponível em: <http://astro.
de se encontra nessa etapa. Caso ela esteja na if.ufrgs.br>; acesso em: 18 nov. 2013), traba-
elaboração do gráfico, uma sugestão é acom- lhando com a interpretação de textos.

110
Física – 1a série – Volume 2

RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO


PROFESSOR E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO
DO TEMA
Livros que poderiam ser alternativas antes das descobertas permitidas pela ex-
ao Guia do mochileiro das galáxias: ploração espacial.
f Temas abordáveis: Aspectos do Sistema Solar,
ASIMOV, Isaac. Civilizações extraterrenas. conceitos sobre gravidade, planetas, viagens
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. espaciais.
f Desvantagens: Embora ainda seja publicado, é
f Sinopse: Neste livro, Asimov discute de difícil de ser encontrado. Porém, é relativamen-
forma didática as possibilidades de exis- te comum e barato em lojas de livros usados.
tência de civilizações em outros lugares do f Número de páginas: 142.
Universo além da Terra.
f Destaques didáticos: Levanta com detalhes CALIFE, Jorge Luiz. Como os astronautas
diversos aspectos da astronomia, como o vão ao banheiro? E outras questões perdidas no
Sistema Solar, planetas, estrelas e meio in- espaço. Rio de Janeiro: Record, 2003.
terestelar. Possui grande potencial interdis-
ciplinar com Biologia e Química. f Sinopse: Livro de não ficção, discute a ex-
f Temas abordáveis: Aspectos do Sistema ploração espacial.
Solar, evolução estelar, formação do Siste- f Destaques didáticos: Trata de diversas
ma Solar, exobiologia, aspectos de geociên- questões sobre a história da exploração
cias, viagens espaciais. espacial e os principais temas atuais a res-
f Desvantagens: É um livro mais caro e mais peito desse assunto. Como livro de curiosi-
extenso. dades, tem boas chances de ser apreciado
f Número de páginas: 311. pelos alunos.
f Temas abordáveis: Aspectos do Sistema
ASIMOV, Isaac. O robô de Júpiter. São Paulo: Solar, astronáutica, exobiologia, gravi-
Hemus, [s. d.]. tação, exploração espacial, metodologia
científica.
f Sinopse: Lucky Starr, um misto de detetive f Desvantagens: É um pouco mais caro e
e agente policial do espaço, tenta resolver mais extenso que O guia do mochileiro das
um mistério de sabotagem em Júpiter. galáxias.
f Destaques didáticos: Obra produzida com f Número de páginas: 251.
finalidades didáticas, visando aos jovens
leitores, prende a leitura pela aventura e CLARKE, Arthur C. Encontro com Rama.
pelo mistério. Apresenta muitos concei- Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.
tos de astronomia do Sistema Solar. Faz
parte de uma série de aventuras compos- f Sinopse: Um imenso artefato desconhe-
ta por mais cinco livros escritos na década cido aproxima-se do Sistema Solar e uma
de 1950 (As cavernas de Marte, Os oceanos missão espacial é realizada para estudá-lo.
de Vênus, Grande sol de Mercúrio, Vigilan- f Destaques didáticos: Arthur C. Clarke
te das estrelas e Os anéis de Saturno) que descreve com cuidado e precisão diversos
mostram como se imaginavam os planetas fenômenos físicos, envolvendo não apenas

111
astronomia, mas conceitos mecânicos de- ADAMS, Douglas. O guia do mochileiro das
senvolvidos neste Caderno. O livro possui galáxias. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. Obra
continuações, o que também é interessan- de ficção que retrata as aventuras de uma per-
te, pois induz o aluno a continuar lendo. sonagem pela galáxia.
f Temas abordáveis: Astronomia do Sistema
Solar, exploração espacial, métodos da as- ANDERSON, Poul. Tau zero. Rio de Janeiro:
tronomia, órbitas, gravidade, referenciais gi- Francisco Alves, 1983.
rantes, metodologia científica, exobiologia.
f Desvantagens: Embora ainda seja publi- ASIMOV, Isaac. Antologia. Rio de Janeiro:
cado, é difícil de ser encontrado. Porém, é Nova Fronteira, 1992. Obra em dois volumes
relativamente comum e barato em lojas de com ensaios de Isaac Asimov sobre temas va-
livros usados. riados de Ciências.
f Número de páginas: 188.
____________. Nêmesis. Rio de Janeiro: Re-
Mais algumas alternativas: cord, 1989.

CLARKE, Arthur C. 2010: uma odisseia no espa- CARD, Orson Scott. O orador dos mortos.
ço II. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. São Paulo: Aleph, 1990.

SAGAN, Carl. Contato. São Paulo: Compa- CAVELOS, Jeanne. A ciência de Star Wars
nhia das Letras, 1997. Apesar de ainda ser edi- (Guerra nas estrelas). São Paulo: Market
tado, é extenso (mais de 350 páginas). Books, 1999. Uma análise astrofísica sobre
viagens espaciais alienígenas, planetas e ro-
SHEFFIELD, Charles. O Universo dos cons- bôs, conforme retratados nos filmes e livros
trutores: maré de verão − livro I. Rio de Ja- da série Star Wars.
neiro: Record, 1993. É encontrado em lojas de
livros usados. CLARKE, Arthur C. 2001: uma odisseia no
espaço. São Paulo: Expressão e Cultura, 1975.
Há também Os náufragos do Selene e Luz Esse é o primeiro livro da série. Foi escrito ao
da Terra de Arthur C. Clarke. Essas duas obras mesmo tempo que o filme era produzido, na
transmitem uma visão de como seria viver no década de 1960. A história é a mesma do filme,
único satélite natural da Terra: as dificuldades, embora haja diferenças de enredo em alguns
as possibilidades, os encantos e os desafios. detalhes. Muitas passagens que geram dúvidas
no filme são explicadas no livro.
Todas estas últimas alternativas possuem
aspectos muito interessantes e, embora sejam ____________. 2061: uma odisseia no espaço
praticamente inviáveis para uma atividade em III. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
que todos os alunos precisem lê-los, são ótimas Sessenta anos depois do primeiro contato
indicações de leitura individual e recomenda- com os monólitos, os seres humanos resol-
dos para o professor que queira aprofundar vem desafiá-los, em uma aventura que nos
suas leituras de ficção científica. leva a uma viagem a um cometa e às luas do
planeta Júpiter, chamado agora de Lúcifer.
Outras referências e sugestões Aqui, mais uma impressionante descoberta
é realizada... Não podemos contar para não
ABBOTT, Edwin A. Planolândia: um roman- estragar a história, mas diremos que está li-
ce de muitas dimensões. Tradução Leila de gada à famosa canção dos Beatles Lucy in the
Souza Mendes. São Paulo: Conrad, 2002. sky with diamonds.

112
Física – 1a série – Volume 2

____________. 3001: a odisseia final. Rio de 1997. Nesse livro, Sagan discute a natureza da
Janeiro: Nova Fronteira, 1997. Finalmente, Ciência em contraposição a pseudociências e
aqui vamos descobrir algo mais sobre os crenças místicas.
misteriosos monólitos e seus construtores.
Nesse livro final, a imaginação de Clarke SALLUM, Erika; LOPES, Juliana. O superli-
nos leva a um futuro mil anos adiante, no vro dos filmes de ficção científica. São Paulo:
qual as pessoas habitam edifícios inimagina- Abril, 2005. v. 1. (Coleção Cinemão). Nesse
velmente altos, que ultrapassam a atmosfera livreto especial lançado pela revista Superinte-
terrestre e contam com tecnologias avança- ressante, você encontra um breve catálogo ilus-
díssimas, e a memória humana pode ser ar- trado dos principais filmes de ficção científica.
mazenada em um chip. Um personagem já
conhecido aparece nessa história, vindo de STANNARD, Russel. O tempo e o espaço do tio
séculos passados. Albert. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
As aventuras relativísticas da menina Gedanteen
____________. Mundos perdidos de 2001. e seu tio Albert.
2. ed. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura,
1973. Clarke conta a história da produ- UNIVERSO. São Paulo: Ática, 1990. (Série Atlas
ção do filme 2001: uma odisseia no espaço. visuais). Nesse livro é apresentado um panorama
dos corpos celestes, iniciando pelo Sistema Solar
DAVIES, Paul. O enigma do tempo: a revolu- e pela descrição das estrelas e das galáxias, além
ção iniciada por Einstein. 2. ed. Rio de Janei- de aspectos da exploração espacial.
ro: Ediouro, 2000.
Sites e softwares
HAWKING, Stephen. O Universo numa casca
de noz. São Paulo: Mandarim, 2001. AFONSO, Germano Bruno. Constelações in-
dígenas brasileiras. Documento eletrônico em
HEIDMANN, Jean. Inteligências extraterres- formato PDF. Disponível em: <http://www.
tres. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. Discute telescopiosnaescola.pro.br/indigenas.pdf>.
a pesquisa a respeito da possibilidade de existên- Acesso em: 18 nov. 2013. Texto sobre algumas
cia de civilizações extraterrestres. das principais constelações dos povos indíge-
nas do Brasil.
KRAUSS, Lawrence M. A Física de Jornada
nas estrelas. São Paulo: Makron Books, 1996. CHEVALLEY, Patrick. Cartas do céu [pro-
grama de computador]. 2004. Disponível em:
MARTINS, Roberto de A. O Universo: teo- <http://web.archive.org/web/20041206202944/
rias sobre sua origem e evolução. São Paulo: www.stargazing.net/astropc>. Acesso em: 11
Moderna, 1994. nov. 2013. Software de mapas celestes que per-
mite ao usuário produzir representações do céu a
MOURÃO, Ronaldo R. F. Manual do astrôno- partir de qualquer data e coordenada geográfica.
mo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. Livro
em que o autor dá dicas sobre como observar o Grupo de Reelaboração do Ensino de Fí-
céu em caráter amador. sica (Gref). Leituras de Física: Mecânica.
Documento eletrônico em formato PDF.
SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos Disponível em: <http://fep.if.usp.br/~profis/
demônios: a ciência vista como uma vela no leituras_mec.html>. Acesso em: 11 nov. 2013.
escuro. São Paulo: Companhia das Letras, Material didático do Gref voltado para o

113
aluno, constituído de leituras curtas, ativida- Filmes
des e exercícios.
A máquina do tempo (The Time Machine). Di-
Observatório astronômico. O software, distri- reção: Simmon Wells. EUA, DreamWorks/
buído pela Secretaria Estadual de Educação, Warner Bros. 2002. 96 min. O cientista
é um excelente simulador celeste (tradução do Alexander Hartdegen constrói uma máqui-
Starry Night estadunidense). na do tempo para voltar ao passado e sal-
var sua noiva Emma, que fora assassinada.
OLIVEIRA FILHO, Kepler S. O.; SARAIVA, Depois de fracassar nas viagens de regresso
Maria F. O. Astronomia e astrofísica. Página da (ele não consegue salvar Emma), resolve ir
internet. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs. ao futuro e se depara com a humanidade di-
br/>. Acesso em: 18 nov. 2013. Nessa página vidida em duas raças: Eloi e Morlock.
os autores apresentam um panorama geral dos
conceitos de astronomia e astrofísica. Armageddon. Direção: Michael Bay. EUA,
Touchstone Pictures/Jerry Bruckheimer Films/
SCARANO JR., Sérgio. O que aconteceu com Valhalla Motion Pictures. 1998. 150 min. O
Plutão? Documento eletrônico em formato filme inicia com uma chuva de pequenos me-
PDF. Disponível em: <http://www.telescopios teoros que atingem a Terra (incluindo Nova
naescola.pro.br>. Acesso em: 11 nov. 2013. Iorque). A Nasa, então, localiza um asteroide
Apresenta explicações didáticas sobre a nova gigantesco que vai colidir com nosso plane-
classificação dos planetas oficializada pela ta. O filme retrata a preparação de um grupo
União Astronômica Internacional. de perfuradores de petróleo para tentar evi-
tar a colisão buscando modificar a trajetória
Telescópios na escola. Disponível em: <http:// do asteroide.
www.telescopiosnaescola.pro.br/>. Acesso em:
11 nov. 2013. O programa educacional Teles- Contato (Contact). Direção: Robert Zemeckis.
cópios na escola visa ao ensino de Ciências EUA, Warner Bros. 1997. 150 min. A dra. Elea-
utilizando telescópios robóticos para a ob- nor Arroway (Ellie), que investiga a existência de
tenção de imagens dos astros em tempo real. civilizações extraterrestres, estuda uma mensa-
Os telescópios são operados por meio de uma gem recebida do espaço com instruções para a
página da web, não necessitando de conhe- construção de máquina que possibilita uma via-
cimento prévio em astronomia. Também há gem espacial. Ela será a primeira pessoa a testar
sugestões de atividades pedagógicas para ser a máquina e tentar contato com outra civilização.
realizadas na sala de aula, com níveis dife-
renciados de complexidade para vários graus De volta para o futuro (Back To The Future).
de ensino. Direção: Robert Zemeckis. EUA, Universal
Pictures. 1985. 116 min. O jovem Marty McFly
Revista volta ao passado em uma máquina do tempo
construída pelo dr. Emmett L. Brown. Inter-
SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL. São ferindo no curso da história, faz que sua mãe
Paulo: Duetto, 2005. Edição especial, v. 4. Ex- se apaixone por ele, antes de se casar com seu
ploradores do futuro, Arthur Clarke: ficção das pai. Com sua existência em risco, ele precisa
origens. São apresentados aspectos da vida e da reaproximar seus pais para “salvar” sua vida.
obra de Arthur C. Clarke. A revista faz parte de
uma coleção que inclui mais três autores famo- De volta para o futuro II (Back to The Fu-
sos: Isaac Asimov, Júlio Verne e H. G. Wells. ture Part II). Direção: Robert Zemeckis. EUA,

114
Física – 1a série – Volume 2

Universal Pictures. 1989. 107 min. O jovem Linha do tempo (Timeline). Direção: Richard
Marty McFly e sua namorada viajam no tem- Donner. EUA, Paramount Pictures/UIP. 2003.
po com a máquina do dr. Emmett L. Brown. 116 min. O professor Johnston realiza, com seus
No futuro, o desafeto da família McFly, Biff alunos, escavações em um sítio arqueológico na
Tannen, consegue roubar a máquina do tempo França. Eles descobrem uma câmara mortuária
e voltar para o passado, entregando para ele fechada havia 600 anos. Quando o professor
mesmo um almanaque com os resultados dos deixa o sítio para se dirigir à empresa patroci-
jogos que ainda não haviam acontecido. Biff nadora dos estudos, algo inusitado acontece:
usa o almanaque para ganhar muitas apostas e ao abrirem a câmara, os alunos encontram nela
isso provoca uma confusão na linha do tempo. uma lente bifocal (que não existia na época
Caberá a Marty consertar a situação. em que fora fechada) e uma carta escrita por
Johnston. Na empresa, o grupo descobre que,
De volta para o futuro III (Back to The Fu- ao usar uma máquina do tempo, o professor foi
ture Part III). Direção: Robert Zemeckis. transportado para a época da Guerra dos Cem
EUA, Universal Pictures. 1990. 117 min. O dr. Anos. Então, organizam uma expedição de res-
Emmett L. Brown perde-se no tempo e vai pa- gate e partem para encontrá-lo.
rar no século XIX. Exímio cientista, ele ende-
reça uma carta a Marty McFly, fazendo-a ser Missão: Marte (Mission to Mars). Direção:
entregue em determinados local e horário do Brian De Palma. EUA, Touchstone Pictures/
século XX, em que se encontraria Marty. Ao Spyglass Entertainment/Jacobson Company/
receber o recado do amigo, Marty parte para Red Horizon Productions. 2000. 114 min. Du-
o passado a fim de resgatá-lo. rante uma missão ao planeta Marte, um grupo
de astronautas morre após uma tempestade.
Gravidade (Gravity). Direção: Alfonso Cuarón. Em seguida, outra equipe de resgate é enviada
EUA/Reino Unido, Warner Bros. 2013. 90 min. para investigar o caso. Após pousarem, encon-
Um grupo de astronautas realiza manutenção tram um único sobrevivente e descobrem a ver-
no telescópio Hubble quando são atingidos dadeira história do que aconteceu.
por estilhaços de um satélite que fora destruí-
do por um míssil russo. Sem comunicação ou O exterminador do futuro (Terminator). Direção
apoio da Nasa, a missão dos astronautas passa de James Cameron. EUA, Pacific Western/
a ser, então, o retorno à Terra. Orion Pictures Corporation. 1984. 107 min.
Em 2029, a Resistência Humana, liderada
Impacto profundo (Deep impact). Direção: por John Connor, está vencendo a guerra en-
Mimi Leder. EUA, Dreamworks SKG/Para- tre máquinas e homens. Na tentativa de re-
mount Pictures/Zanuck/Brown Productions. verter isso, as máquinas enviam ao passado
Paramount Pictures/UIP. 1998. 120 min. Um (1984) um robô coberto com tecido vivo para
astrônomo mirim acidentalmente descobre matar Sarah Connor, a mãe de John, antes
um cometa com 11 mil metros de diâmetro. mesmo de ele nascer. O plano é descoberto e
Esse cometa passa a ser monitorado e algum John envia, do futuro, o tenente Kyle Reese
tempo depois está prestes a se chocar com a para defender sua mãe.
Terra. Uma equipe formada por estaduni-
denses e russos planeja colocar detonadores O guia do mochileiro das galáxias (The
nucleares para fragmentar o cometa e salvar Hitchhiker’s Guide to the Galaxy). Direção:
o planeta, o que funciona em parte, mas frag- Garth Jennings. EUA, Buena Vista. 2005.
mentos dele ainda atingem a Terra, causando 109 min. Esse filme (homônimo do livro de
grande destruição. Douglas Adams) apresenta a história de Arthur

115
Dent, um ser humano que viaja pelo espaço esperava. Esse acidente começa a provocar
com seu amigo extraterrestre após descobrir alterações temporais que têm consequências
que sua casa será demolida para construção de no presente.
uma autoestrada hiperespacial. As instruções
para ele sobreviver a essa aventura estão todas Planeta vermelho (Red Planet). Direção:
em um livro chamado O guia do mochileiro das Antony Hoffman. EUA, Warner Bros/Village
galáxias. Roadshow Pictures/NPV Entertainment/The
Canton Company/Mars Production. 2000.
O som do trovão (A Sound of Thunder). 106 min. A destruição do planeta Terra está
Direção de Peter Hyans. EUA/Alemanha/ na iminência de acontecer e é preciso encon-
República Tcheca, Warner Bros/Vip/Euro- trar outro lugar para a colonização humana.
pa Films. 2005. 103 min. Em 2055, as via- Diante desse cenário, um grupo de astronau-
gens no tempo são possíveis e esse grande tas é enviado para uma expedição a Marte.
avanço científico começa a ser usado com Porém, após um acidente, eles perdem o con-
fins lucrativos. A empresa Safari no Tempo tato com a Terra e um dos robôs, enviado para
oferece a clientes ricos caçadas jurássicas, e auxiliá-los, volta-se contra a tripulação, acar-
em uma das viagens algo não sai como se retando diversos problemas.

116
Física – 1a série – Volume 2

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entre as questões que mais interessam aos alvo de interesse econômico. Assim como hoje
jovens de hoje, certamente está a da conquista existem técnicos que trabalham em platafor-
do espaço e das possibilidades que isso pode mas de petróleo longe da costa, em poucas
nos trazer no futuro. décadas a profissão de astronauta será muito
mais comum.
Longe de ser um aspecto sonhador ou fan-
tasioso da Ciência, o interesse pelo espaço é Não é à toa que países como a França
fundamental para nossa sociedade. mantêm bases espaciais na América do Sul:
estamos próximos do Equador, o que nos tor-
Hoje em dia, o mercado espacial já movi- na privilegiados no lançamento de foguetes.
menta bilhões de dólares com os satélites de Por conta disso, há muito tempo se defende
telefonia, previsão do tempo, GPS, internet e que o Brasil deve investir mais e mais em tec-
muitas outras aplicações. nologia espacial, daí a existência do Programa
Espacial Brasileiro.
Em futuro próximo, deverão entrar em ope-
ração os primeiros protótipos de indústrias Um dos principais objetivos desse desen-
orbitais em microgravidade, sobretudo na área volvimento é despertar os jovens para o as-
farmacêutica, de materiais e da eletrônica. sunto e mostrar sua importância no que deve
ser, muito em breve, um mercado de trabalho
No espaço há minérios, energia solar e promissor.
condição de imponderabilidade que serão

117
QUADRO DE CONTEÚDOS DO ENSINO MÉDIO
1a série 2a série 3a série
MOVIMENTOS: CALOR, AMBIENTE E EQUIPAMENTOS
GRANDEZAS, VARIAÇÕES USOS DE ENERGIA ELÉTRICOS
E CONSERVAÇÕES
– Fenomenologia: calor, – Circuitos elétricos
– Grandezas do movimento: temperatura e fontes
– Campos e forças
identificação, caracterização
– Trocas de calor e propriedades eletromagnéticas
e estimativa
Volume 1

térmicas da matéria
– Motores e geradores
– Quantidade de movimento
– Aquecimento e clima
linear, variação e conservação – Produção e consumo de
– Calor como energia energia elétrica
– Leis de Newton
– Máquinas térmicas
– Trabalho e energia mecânica
– Equilíbrio estático e dinâmico  – Entropia e degradação de
energia

UNIVERSO, TERRA E VIDA SOM, IMAGEM E MATÉRIA E RADIAÇÃO


COMUNICAÇÃO
– Universo: elementos que o – Matéria, suas propriedades e
compõem – Som: fonte, características organização
físicas e usos
– Interação gravitacional – Átomo: emissão e absorção
Volume 2

– Luz: fontes e características da radiação


– Sistema Solar físicas
– Fenômenos nucleares
– Origem do universo e – Luz e cor
compreensão humana – Partículas elementares
– Ondas eletromagnéticas e
– Microeletrônica e informática
transmissões eletromagnéticas

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CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL Química: Ana Joaquina Simões S. de Mattos Rosângela Teodoro Gonçalves, Roseli Soares
NOVA EDIÇÃO 2014-2017 Carvalho, Jeronimo da Silva Barbosa Filho, João Jacomini, Silvia Ignês Peruquetti Bortolatto e Zilda
Batista Santos Junior, Natalina de Fátima Mateus e Meira de Aguiar Gomes.
COORDENADORIA DE GESTÃO DA Roseli Gomes de Araujo da Silva.
EDUCAÇÃO BÁSICA – CGEB Área de Ciências da Natureza
Área de Ciências Humanas
Biologia: Aureli Martins Sartori de Toledo, Evandro
Coordenadora Filosofia: Emerson Costa, Tânia Gonçalves e
Rodrigues Vargas Silvério, Fernanda Rezende
Maria Elizabete da Costa Teônia de Abreu Ferreira.
Pedroza, Regiani Braguim Chioderoli e Rosimara
Diretor do Departamento de Desenvolvimento Geografia: Andréia Cristina Barroso Cardoso, Santana da Silva Alves.
Curricular de Gestão da Educação Básica Débora Regina Aversan e Sérgio Luiz Damiati.
João Freitas da Silva Ciências: Davi Andrade Pacheco, Franklin Julio
História: Cynthia Moreira Marcucci, Maria de Melo, Liamara P. Rocha da Silva, Marceline
Diretora do Centro de Ensino Fundamental Margarete dos Santos Benedicto e Walter Nicolas
de Lima, Paulo Garcez Fernandes, Paulo Roberto
dos Anos Finais, Ensino Médio e Educação Otheguy Fernandez.
Orlandi Valdastri, Rosimeire da Cunha e Wilson
Profissional – CEFAF Luís Prati.
Sociologia: Alan Vitor Corrêa, Carlos Fernando de
Valéria Tarantello de Georgel
Almeida e Tony Shigueki Nakatani.
Coordenadora Geral do Programa São Paulo Física: Ana Claudia Cossini Martins, Ana Paula
PROFESSORES COORDENADORES DO NÚCLEO Vieira Costa, André Henrique GhelÅ RuÅno,
faz escola
PEDAGÓGICO Cristiane Gislene Bezerra, Fabiana Hernandes
Valéria Tarantello de Georgel
Área de Linguagens M. Garcia, Leandro dos Reis Marques, Marcio
Coordenação Técnica Educação Física: Ana Lucia Steidle, Eliana Cristine Bortoletto Fessel, Marta Ferreira Mafra, Rafael
Roberto Canossa Budiski de Lima, Fabiana Oliveira da Silva, Isabel Plana Simões e Rui Buosi.
Roberto Liberato Cristina Albergoni, Karina Xavier, Katia Mendes
Smelq Cristina de 9lbmimerime :oeÅe e Silva, Liliane Renata Tank Gullo, Marcia Magali Química: Armenak Bolean, Cátia Lunardi, Cirila
Rodrigues dos Santos, Mônica Antonia Cucatto da Tacconi, Daniel B. Nascimento, Elizandra C. S.
EQUIPES CURRICULARES
Silva, Patrícia Pinto Santiago, Regina Maria Lopes, Lopes, Gerson N. Silva, Idma A. C. Ferreira, Laura
Área de Linguagens Sandra Pereira Mendes, Sebastiana Gonçalves C. A. Xavier, Marcos Antônio Gimenes, Massuko
Arte: Ana Cristina dos Santos Siqueira, Carlos Ferreira Viscardi, Silvana Alves Muniz. S. Warigoda, Roza K. Morikawa, Sílvia H. M.
Eduardo Povinha, Kátia Lucila Bueno e Roseli Fernandes, Valdir P. Berti e Willian G. Jesus.
Língua Estrangeira Moderna (Inglês): Célia
Ventrella.
Regina Teixeira da Costa, Cleide Antunes Silva,
Área de Ciências Humanas
Educação Física: Marcelo Ortega Amorim, Maria Ednéa Boso, Edney Couto de Souza, Elana
Filosofia: Álex Roberto Genelhu Soares, Anderson
Elisa Kobs Zacarias, Mirna Leia Violin Brandt, Simone Schiavo Caramano, Eliane Graciela
Gomes de Paiva, Anderson Luiz Pereira, Claudio
dos Santos Santana, Elisabeth Pacheco Lomba
Rosângela Aparecida de Paiva e Sergio Roberto Nitsch Medeiros e José Aparecido Vidal.
Kozokoski, Fabiola Maciel Saldão, Isabel Cristina
Silveira.
dos Santos Dias, Juliana Munhoz dos Santos,
Kátia Vitorian Gellers, Lídia Maria Batista Geografia: Ana Helena Veneziani Vitor, Célio
Língua Estrangeira Moderna (Inglês e
BomÅm, Lindomar Alves de Oliveira, Lúcia Batista da Silva, Edison Luiz Barbosa de Souza,
Espanhol): Ana Beatriz Pereira Franco, Ana Paula
Aparecida Arantes, Mauro Celso de Souza, Edivaldo Bezerra Viana, Elizete Buranello Perez,
de Oliveira Lopes, Marina Tsunokawa Shimabukuro
Neusa A. Abrunhosa Tápias, Patrícia Helena Márcio Luiz Verni, Milton Paulo dos Santos,
e Neide Ferreira Gaspar.
Passos, Renata Motta Chicoli Belchior, Renato Mônica Estevan, Regina Célia Batista, Rita de
Língua Portuguesa e Literatura: Angela Maria José de Souza, Sandra Regina Teixeira Batista de Cássia Araujo, Rosinei Aparecida Ribeiro Libório,
Baltieri Souza, Claricia Akemi Eguti, Idê Moraes dos Campos e Silmara Santade Masiero. Sandra Raquel Scassola Dias, Selma Marli Trivellato
Santos, João Mário Santana, Kátia Regina Pessoa, e Sonia Maria M. Romano.
Língua Portuguesa: Andrea Righeto, Edilene
Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Roseli
Bachega R. Viveiros, Eliane Cristina Gonçalves História: Aparecida de Fátima dos Santos
Cordeiro Cardoso e Rozeli Frasca Bueno Alves.
Ramos, Graciana B. Ignacio Cunha, Letícia M.
Pereira, Carla Flaitt Valentini, Claudia Elisabete
Área de Matemática de Barros L. Viviani, Luciana de Paula Diniz,
Silva, Cristiane Gonçalves de Campos, Cristina
Matemática: Carlos Tadeu da Graça Barros, Márcia Regina Xavier Gardenal, Maria Cristina
de Lima Cardoso Leme, Ellen Claudia Cardoso
Ivan Castilho, João dos Santos, Otavio Yoshio Cunha Riondet Costa, Maria José de Miranda
Doretto, Ester Galesi Gryga, Karin Sant’Ana
Yamanaka, Rosana Jorge Monteiro, Sandra Maira Nascimento, Maria Márcia Zamprônio Pedroso,
Kossling, Marcia Aparecida Ferrari Salgado de
Zen Zacarias e Vanderley Aparecido Cornatione. Patrícia Fernanda Morande Roveri, Ronaldo Cesar
Barros, Mercia Albertina de Lima Camargo,
Alexandre Formici, Selma Rodrigues e
Priscila Lourenço, Rogerio Sicchieri, Sandra Maria
Área de Ciências da Natureza Sílvia Regina Peres.
Fodra e Walter Garcia de Carvalho Vilas Boas.
Biologia: Aparecida Kida Sanches, Elizabeth
Área de Matemática
Reymi Rodrigues, Juliana Pavani de Paula Bueno e
Matemática: Carlos Alexandre Emídio, Clóvis Sociologia: Anselmo Luis Fernandes Gonçalves,
Rodrigo Ponce.
Antonio de Lima, Delizabeth Evanir Malavazzi, Celso Francisco do Ó, Lucila Conceição Pereira e
Ciências: Eleuza Vania Maria Lagos Guazzelli, Edinei Pereira de Sousa, Eduardo Granado Garcia, Tânia Fetchir.
Gisele Nanini Mathias, Herbert Gomes da Silva e Evaristo Glória, Everaldo José Machado de Lima,
Maria da Graça de Jesus Mendes. Fabio Augusto Trevisan, Inês Chiarelli Dias, Ivan Apoio:
Castilho, José Maria Sales Júnior, Luciana Moraes Fundação para o Desenvolvimento da Educação
Física: Anderson Jacomini Brandão, Carolina dos Funada, Luciana Vanessa de Almeida Buranello, - FDE
Santos Batista, Fábio Bresighello Beig, Renata Mário José Pagotto, Paula Pereira Guanais, Regina
Cristina de Andrade Oliveira e Tatiana Souza da Helena de Oliveira Rodrigues, Robson Rossi, CTP, Impressão e acabamento
Luz Stroeymeyte. Rodrigo Soares de Sá, Rosana Jorge Monteiro, Log  Print GráÅca e Logística S. A.
GESTÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO CONCEPÇÃO DO PROGRAMA E ELABORAÇÃO DOS Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton Luís
EDITORIAL 2014-2017 CONTEÚDOS ORIGINAIS Martins e Renê José Trentin Silveira.

COORDENAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu


FUNDAÇÃO CARLOS ALBERTO VANZOLINI DOS CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS DOS Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo e
CADERNOS DOS PROFESSORES E DOS Sérgio Adas.
CADERNOS DOS ALUNOS
Presidente da Diretoria Executiva
Ghisleine Trigo Silveira História: Paulo Miceli, Diego López Silva,
Mauro de Mesquita Spínola
Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e
CONCEPÇÃO
Raquel dos Santos Funari.
GESTÃO DE TECNOLOGIAS APLICADAS Guiomar Namo de Mello, Lino de Macedo,
À EDUCAÇÃO Luis Carlos de Menezes, Maria Inês Fini Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza
coordenadora! e Ruy Berger em memória!.
Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe,
Direção da Área
Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina
Guilherme Ary Plonski AUTORES
Schrijnemaekers.

Coordenação Executiva do Projeto Linguagens


Coordenador de área: Alice Vieira. Ciências da Natureza
Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Coordenador de área: Luis Carlos de Menezes.
Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins,
Geraldo de Oliveira Suzigan, Jéssica Mami Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo
Gestão Editorial
Makino e Sayonara Pereira. Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene
Denise Blanes
Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta
Educação Física: Adalberto dos Santos Souza, Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana,
Equipe de Produção
Carla de Meira Leite, Jocimar Daolio, Luciana Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso
Venâncio, Luiz Sanches Neto, Mauro Betti, Mendes da Silveira e Solange Soares de Camargo.
Editorial: Amarilis L. Maciel, Ana Paula S. Bezerra,
Renata Elsa Stark e Sérgio Roberto Silveira.
Angélica dos Santos Angelo, Bóris Fatigati da Silva,
Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite,
Bruno Reis, Carina Carvalho, Carolina H. Mestriner, LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto,
Carolina Pedro Soares, Cíntia Leitão, Eloiza Lopes, Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida
Érika Domingues do Nascimento, Flávia Medeiros, Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria
Giovanna Petrólio Marcondes, Gisele Manoel, Fidalgo. Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo
Jean Xavier, Karinna Alessandra Carvalho Taddeo, Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro,
LEM – Espanhol: Ana Maria López Ramírez, Isabel
Leslie Sandes, Mainã Greeb Vicente, Maíra de Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão,
Gretel María Eres Fernández, Ivan Rodrigues
Freitas Bechtold, Marina Murphy, Michelangelo Martin, Margareth dos Santos e Neide T. Maia
Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume.
Russo, Natália S. Moreira, Olivia Frade Zambone, González.
Física: Luis Carlos de Menezes, Estevam Rouxinol,
Paula Felix Palma, Pietro Ferrari, Priscila Risso,
Guilherme Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo
Regiane Monteiro Pimentel Barboza, Renata Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet
de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti,
Regina Buset, Rodolfo Marinho, Stella Assumpção Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar,
José Luís Marques López Landeira e João Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell
Mendes Mesquita, Tatiana F. Souza e Tiago Jonas
Henrique Nogueira Mateos. Roger da PuriÅcação Siqueira, Sonia Salem e
de Almeida. Yassuko Hosoume.
Matemática
Direitos autorais e iconografia: Beatriz Fonseca Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes, Denilse
Coordenador de área: Nílson José Machado.
Micsik, Dayse de Castro Novaes Bueno, Érica Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, Hebe
Matemática: Nílson José Machado, Carlos
Marques, José Carlos Augusto, Juliana Prado da Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de Sousa
Silva, Marcus Ecclissi, Maria Aparecida Acunzo Pastore Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria Fernanda
Forli, Maria Magalhães de Alencastro, Vanessa Ferreira da Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidião.
Bianco e Vanessa Leite Rios. Walter Spinelli.
Caderno do Gestor
Edição e Produção editorial: R2 Editorial, Jairo Souza Ciências Humanas Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de
Design GráÅco e Occy Design projeto gráÅco!. Coordenador de área: Paulo Miceli. Felice Murrie.

Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas

* Nos Cadernos do Programa São Paulo faz escola são S239m São Paulo Estado! Secretaria da Educação.
indicados sites para o aprofundamento de conhecimen-
Material de apoio ao currículo do Estado de São Paulo: caderno do professor; física, ensino médio,
tos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados
1a série / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Estevam Rouxinol, Guilherme
e como referências bibliográficas. Todos esses endereços
Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola
eletrônicos foram checados. No entanto, como a internet é
Pinto de Oliveira, Maxwell Roger da PuriÅcação Siqueira, Yassuko Hosoume. ¹ São Paulo: SE, 2014.
um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria da
Educação do Estado de São Paulo não garante que os sites v. 2, 120 p.
indicados permaneçam acessíveis ou inalterados. Edição atualizada pela equipe curricular do Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais, Ensino
Médio e Educação ProÅssional ¹ CEFAF, da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica ¹ CGEB.
* Os mapas reproduzidos no material são de autoria de
terceiros e mantêm as características dos originais, no que ISBN 978-85-7849-638-8
diz respeito à grafia adotada e à inclusão e composição dos 1. Ensino médio 2. Física 3. Atividade pedagógica I. Fini, Maria Inês. II. Rouxinol, Estevam.
elementos cartográficos (escala, legenda e rosa dos ventos). III. Brockington, Guilherme. IV. Gurgel, Ivã. V. Piassi, Luís Paulo de Carvalho. VI. Bonetti, Marcelo
de Carvalho. VII. Oliveira, Maurício Pietrocola Pinto de. VIII. Siqueira, Maxwell Roger da PuriÅcação.
* Os ícones do Caderno do Aluno são reproduzidos no IX. Hosoume, Yassuko. X. Título.
Caderno do Professor para apoiar na identificação das
CDU: 371.3:806.90
atividades.
Validade: 2014 – 2017