UNIPAR - UNIVERSIDADE PARANAENSE

Geraldo Scramin Neto – RA: 6829

FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA: MINISTÉRIO PÚBLICO, ADVOCACIA PÚBLICA E PRIVADA E A DEFENSORIA PÚBLICA

CIANORTE 2010

Orientador: Prof.Geraldo Scramin Neto – RA: 6829 FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA: MINISTÉRIO PÚBLICO. como requisito parcial de avaliação e obtenção do Título de Bacharel em Direito. ADVOCACIA PÚBLICA E PRIVADA E A DEFENSORIA PÚBLICA Trabalho acadêmico apresentado à disciplina de Direito Constitucional do Curso de Direito da Universidade Paranaense – UNIPAR. Sérgio. CIANORTE 2010 .

..................................................................................................................................................3 Princípios...................................................................03 2.........4 Funções.......................06 2............. F UNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA..................................................................................................................................................................05 2................................................................................................03 2...................................................................03 2.........................08 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................09 4 REFERÊNCIAS...................SUMÁRIO 1...................03 2................1 Ministério Público.......................................................... IN TRODUÇÃO......1...............1..........3 Defensoria Pública..........................................................................................................................................................................2 Advocacia Pública e Privada.....1 Histórico..................................................................................................................................................1...........................09 .........06 2...................2 Conceito...................................................................................................................................1...............................04 2.................

protegia os cidadãos pacíficos e castigos aqueles que assim não se portavam. a fim de garantir o acesso à justiça. cita outros posicionamentos. inclusive exercer o direito positivo nas relações concretas.1. que dentre suas funções. na figura do Egito Magiai. Ainda. procuram a origem do Ministério Público lá no antigo Egito.1 Ministério Público 2. 2.3 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem por objetivo analisar funções essenciais à justiça. já na Idade Média.1 Histórico Autores como Mazzilli (apud MORAES. Algumas dessas especificidades iremos ver agora em diante nos tópicos que seguem. interesse político-social. por falta de regulamentação legislativa. Para isto será necessário que seja feito uma revisão bibliográfica a fim de angariar conhecimentos mais além sobre o tema proposto. p. em Portugal. 597). nos saions germânicos. ou ainda em Roma com os advocatus fisci e os procuratores caesaris. cuja finalidade é ampliar o campo de visão daqueles que são e dos virão a ser operadores do direito. que acreditam ter surgido o Ministério Público nos Éforos de Esparta. por volta de quatro mil anos atrás. 597). estrutura administrativa etc. que como serão vistas são essenciais à promoção da justiça. nos bailos e senecais. Advocacia Pública e Privada e. o Rei Don Juan I criou “El Ministerio . estabelecidas constitucionalmente e por lei infraconstitucional que regulamenta a matéria seguinte. principalmente daqueles que sofrem com os mais variados obstáculos impostas por tantas circunstâncias que influem na vida dos cidadãos. Já outros não tanto. 2008. Sabe-se que existem órgãos que por várias circunstâncias tem uma maior eficácia. complementando. 2 FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA A seguir serão pormenorizadas funções como o Ministério Público. p. Alexandre Moraes (2008.

p. as vestes próprias e até mesmo o vezo de atuar como se magistrado fosse. 127/130). em capítulo destacado. 598-601). o Ministério Público do Trabalho. que se referia aos procuradores do Rei. o Ministério Público Militar. embora devesse ter o ardor do advogado no patrocínio da causa. o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.2 Conceito Nas palavras de Alexandre Moraes: O Ministério Público é instituição permanente. o controle externo de determinadas atividades administrativas ligadas ao Poder Executivo. o Ministério Público Federal. bem representa a contradição decorrente de tais influências. 2. a postura independente que aqui somente se subordina à consciência jurídica de seu membro. No decorrer do processo histórico e legislativo.4 Fiscal”. como. No Brasil.. veio para essa finalidade. herdou a simetria da carreira com a magistratura. (b) da Europa continental. essencial à função jurisdicional do Estado. p. Até que na atual Constituição.1. 152 apud MORAES. (MORAES. O Ministério Público da União. 127). com a moldura e a consistência que lhe foi dada pela Constituição de 1988. pois (a) dos Estados Unidos. o direito de assento ao lado dos juízes. o Decreto n° 120. de 21 de janeiro de 1843. o resquício de poder participar da política partidária. os Ministérios Públicos dos Estados.. ainda que em hipóteses previstas em lei. que compreende: a. 601). inclusive as prerrogativas similares. o Ministério Público com total autonomia e independência ampliam suas funções (arts. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. a denominação de sua chefia. Quanto à regulamentação do Ministério Público. está na Lei Maior ao assegurar sua autonomia funcional e administrativa (art. o Ministério Público abrange: 1. o Ministério Público vai adquirindo força e ganhando seu espaço. b. O Ministério Público desenvolveu-se sob a influência do Novo e Velho Mundo. o Ministério Público surgiu no Código de Processo Criminal de 1832. 2008. Assim. surgiu na França o Ministério Público. 1994. e da simbiose vem a sua força. herdou a desvinculação com o Poder Judiciário. 2008. por fim. c. Conforme Nagib Slaibi Filho: O Ministério Público brasileiro. inclusive da própria estrutura dos poderes da República. (SLAIBI FILHO. constitucionalmente. do . 2. com a referência “promotor da ação penal”. aliás. d. p.

que só existe unidade dentro de cada Ministério Público. não ficando sujeito às ordens de quem quer que seja. p. inexistindo entre o Ministério Público Federal e os dos Estados. somente devendo prestar contas de seus atos à Constituição.625/93. a indivisibilidade. o mesmo autor. a imparcialidade da atuação do órgão do Ministério Público. . O órgão do Ministério Público é independente no exercício de suas funções. a independência funcional e o princípio do promotor natural”. respectivamente à ordem acima: A unidade significa que os membros do Ministério Público integram um só órgão sob a direção única de um só Procurador-geral. nem entre os diversos ramos do Ministério Público da União. (RTJ 147/142 apud MORAES.1. 2008. garantia esta destinada a proteger. p. pois o Ministério Público não se pode subdividir em vários outros Ministérios Públicos autônomos e desvinculados uns dos outros. (MORAES. art.3 Princípios Na Constituição está prevista princípios institucionais do Ministério Público. os quais são: “a unidade. 1° da Lei Complementar/SP n° 734/93). que criariam a figura do promotor de exceção. 604). (MORAES. (MORAES. em incompatibilidade com a Constituição Federal. O Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência do presente princípio por maioria de votos. (MORAES. O Ministério Público é uno porque seus membros não se vinculam aos processos nos quais atuam. 2008. 1° da Lei Complementar Federal n° 75/93 e art. tanto em sua defesa quanto essencialmente em defesa da sociedade. 2. p. 1996. ressalvando-se. 127 da Constituição Federal. O que se entende por cada um desses princípios. p. que determina que somente o promotor natural é que deve atuar no processo. 2008. podendo ser substituídos uns pelos outros de acordo com as normas legais. às leis e à sua consciência. 2008. 604). 603). no sentido de proibirem-se designações casuísticas efetuadas pela chefia da Instituição. pois ele intervém de acordo com seu entendimento pelo zelo do interesse público. Importante ressaltar que a indivisibilidade resulta em verdadeiro corolário do princípio da unidade. que verá a Instituição atuando técnica e juridicamente. p. 2008. (DECOMAIN. 606). 605). porém.5 regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. art. p. nem entre o de um Estado e o de outro. principalmente. p.19 apud MORAES. 2008.605). 1° da Lei n° 8. comenta.

há ainda os princípios infraconstitucionais. (MORAES. São funções institucionais do Ministério Público: I – promover. IV – promover a ação de insconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados. VII – exercer o controle externo da atividade policial. 2008. 607). a irrecusabilidade e a irresponsabilidade”. na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. uma vez que inexiste hierarquia entre eles. 604). p. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais.4 Funções De acordo com Alexandre Moraes. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. MP/DF e MPM) e MPEs –. como para o “campo cível como fiscal dos demais Poderes Públicos e defensor da legalidade e moralidade administrativa. que são: “o exercício da ação penal. 607-8). II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição.6 De acordo com o mesmo autor supracitado. MPT. inclusive com a titularidade do inquérito civil e da ação civil pública. na forma da lei complementar respectiva. p. III – promover o inquérito civil e a ação civil pública. p. promovendo as medidas necessárias a sua garantia. VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial. 2. Os princípios institucionais do Ministério Público devem ser analisados e interpretados em relação a cada um dos ramos do Parquet – MPU (com suas quatro previsões: MPF. o Ministério Público se transformou num verdadeiro defensor da sociedade. para a proteção do patrimônio público e social. mas tão-somente distribuição constitucional de atribuições. nos casos previstos nesta Constituição. VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. 2. 2008. (MORAES.2 Advocacia Pública e Privada De acordo com Alexandre Moraes: . requisitando informações e documentos para instruí-los.1. quando a Constituição Federal de 1988 ampliou suas funções. privativamente. Isso vale tanto para o campo penal. (MORAES. a ação penal pública. 2008. V – defender judicialmente os direito e interesses das populações indígenas. na forma da lei. onde o parquet exerce a titularidade exclusiva da ação penal pública.

sob pena de inexistência dos atos processuais praticados. 635). A Constituição Federal de 1988. 635). 39. (MORAES. 28 da citada EC n° 19/98. como já ocorre no habeas corpus e na revisão criminal. em seu art. do art. estabeleceu que: “O advogado é indispensável à administração da Justiça. (MORAES. as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. diretamente ou através de órgão vinculado.7 A advocacia Pública é a instituição que. Aplica-se à Advocacia Pública as normas remuneratórias previstas no art. Ainda. demonstrando a regularidade de sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. nos termos do art. § 4° e os teto e subteto previstos pelo inciso XI. aos quais será assegurado o prazo de dois anos de efetivo exercício para aquisição da estabilidade. 2008. trazendo a Emenda Constitucional n° 19/98 a novidade da obrigatoriedade da participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas suas fases.” Nesse dispositivo fica expresso a participação dos advogados nesse Estado Democrático de Direito. (MORAES. 2008. 133 da Carta Maior. apesar de constituir fator importantíssimo a presença do advogado no processo.. Os procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas e serão organizados em carreira. ressalvada a situação daqueles que já se encontrassem em estágio probatório à época da promulgação da Emenda Constitucional n° 19/98. não é absoluto.] O advogado deve comprovar sua efetiva habilitação profissional. mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios. Aos procuradores será assegurada estabilidade após três anos de efetivo exercício. a Constituição Federal de 1988 trouxe essa inovação. Sobre esses princípios constitucionais. quais sejam.[. p. Assim. . judicial e extrajudicialmente. nos limites da lei. representa a União. continua existindo a possibilidade excepcional da lei outorgar o ius postulandi a qualquer pessoa. que Alexandre Moraes assim explicitou: O princípio constitucional da indispensabilidade da intervenção do advogado. previsto no art. indispensabilidade do advogado e imunidade do advogado. para o mesmo autor. 37. p. sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. fazendo com que o Ministério Público deixasse de representar judicialmente a União. 635-6).. 133. nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização – prevendo o ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição mediante concurso público – e funcionamento. na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos. 2008. p. para garantia dos direitos e liberdades públicas previstos na Constituição Federal e em todo o ordenamento jurídico. cabendo-lhe. com sua redação dada pela EC n° 41/03. O Advogado-Geral da União será chefe da Advocacia-Geral da União. após relatório circunstanciado das corregedorias.

na classe inicial.. cabendo-lhe. (STJ. sendo natural que. 7). O Congresso Nacional. 1999. que é a defesa da causa. organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados. assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. de forma excepcional e taxativa. assegurando-lhes autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. ou ofendendo a honra. 2008. o texto constitucional assegurou.3 Defensoria Pública Também para Defensoria Pública. entre os “os donos do poder” e os oprimidos. até. o constituinte reservou dispositivo legal expressamente tratando sobre essa temática. Vejamos o que diz. qual seja. 22 do ADCT. a de proporcionar a justa distribuição da justiça e a de prestar solidariedade às pessoas que buscam apoio na Instituição. através da Lei Complementar. aos defensores públicos investidos na função até a data de instalação da Assembléia Nacional Constituinte o direito de opção pela carreira.] no sentido de manter o equilíbrio. é que a Defensoria Pública se impõe como instituto essencial do Estado de Direito. o façam. de imediato. porém. a fim de enfrentar o desenvolvimento desigual entre as classes sociais. Recurso em Habeas corpus n° 4804/RS. (GALLIEZ. visando o acesso à justiça daqueles que necessitarem dessa função jurisdicional do Estado. em cargos de carreira. p.. parágrafo único. Nunca. ou contra o representante do Ministério Público. 1999. 134. p. 1996). por seus atos e manifestações no exercício da profissão. no exercício regular da atividade. 2008. fora dos limites da causa ou da defesa de direitos e prerrogativas de que desfrutam. deixando de lado o essencial. ( GALLIEZ. Nos termos do art. pelo menos em relação ao aspecto jurídico. . A EC n° 45/04 fortaleceu as Defensorias Públicas Estaduais. pois como decidiu o Superior Tribunal de Justiça. providos. para uma luta contra o colega adverso. sujeitando-se aos limites legais. mediante concurso público de provas e títulos. com ardor e veemência. desabusada e desnecessariamente. 5). 638-9). uma dupla tarefa. (MORAES. 636-7). (MORAES. p. com a observância das garantias e vedações previstas no art. não é absoluta. 2. Paulo Galliez neste sentido: Aqui se consolida o desempenho maior da Defensoria Pública.8 A inviolabilidade do advogado. [. Os advogados prestam importante serviço e contribuição para o bom exercício da Justiça. p. da Constituição.

23 set. p. Seção I. DECOMAIN. e exercem suas funções regulamentadas por lei a fim de promover principalmente o interesse social.-Rel. Ação declaratória de constitucionalidade. STJ – Recurso em Habeas corpus n° 4804/RS – 6°T. Pedro Roberto. Nagib. estão previstas constitucionalmente. Anselmo Santiago. ed. A Defensoria Pública: O Estado e a cidadania. O ministério público na Constituição de 1988. 16. 1994. . inclusive com seus princípios próprios. Rio de Janeiro: Forense. 1996.9 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Todas essas funções que são essenciais à justiça têm seu processo histórico. GALLIEZ.-v. Comentários à lei orgânica nacional do ministério público. Alguns mais outros menos. 1996.u. p. Florianópolis: Obra Jurídica.1999. devido circunstâncias que envolvem outra discussão muito mais aprofundada sobre esse assunto. 3. 4 REFERÊNCIAS MAZZILLI. Tanto o Ministério Público. e produzem seus efeitos atualmente. Hugo Nigro. Min. 152. também. SLAIBI FILHO. Rio de Janeiro: Lumen Júris. originando-se normalmente de correntes mundiais que por fim vieram a surtir seus efeitos no ordenamento jurídico pátrio. Diário da Justiça. a Defensoria Pública. Paulo. p. São Paulo: Saraiva. 1996. como a Advocacia Pública e Privada e.2.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful