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HISTÓRIA E FORMAÇÃO DO PORTUGUÊS DO BRASIL

Parte I

1. Por que são escassos os documentos do latim falado? Quais as fontes para o estudo do
latim vulgar?

R: O latim vulgar era usado pelo povo, e por esses não possuirem educação estudantil, não
sabiam como usar bem o latim clássico utilizado pela corte e expoentes do governo, e muito menos
tinham conhecimentos de escrita. Ainda assim há muitas fontes para o estudo do latim falado,
como as cartas de Cícero (com maior prepondição ao latim clássico), textos satíricos, e contamos
com o “Appendix Probi”, livro de gramática escrito por um desconhecido, e que possui formas de
usar o lado corretamente, com exemplos de como ele é usado erronêamente. Além disso a Igreja
Católica contribuiu muito para a divulgação do latim vulgar, já que a fala utilizada pela maioria
apóstolos era a de iletrados, então por mais que eles aprendessem com os demais apóstolos
letrados, seu linguajar ficava próximo do vulgar.

2. Uma obra literária pode servir de fonte para o estudo do latim vulgar? Por quê?

R: Sim, por que as obras literárias utilizaram a língua como ela é falada no dia-a-dia pelo povo,
e essa é a base para que na época dissesem haver dois latins, o usado pelo povo, vulgar, e o
usado pela corte, clássico, além disso como já mencionado na primeira pergunta, muitas foram as
obras que ajudaram em sua divulgação.

3. Por que as línguas românicas se originaram do latim vulgar e não do latim clássico?

R: Por ser mais simples e falado por pessoas em geral, o latim vulgar era mais comum para o
povo, assim a comunicação entre eles pouco a pouco criou novas palavras e termos para o dia-a-
dia. Entretanto é sabido que as línguas românicas não se originaram diretamente do latim vulgar,
mas sim das variações chamadas de romanço, que eram as variações entre o latim e as línguas
neolatinas.

4. Explique a razão da existência dos romanços como estágios intermediários na formação das
línguas românicas.

R: Os romanços eram as variações linguísticas utilizadas no chamdo período pré-histórico da


l+ingua portuguesa, sendo a língua falada nas duas margen do Rio Minho, infelizmente não há
muitos registros dessa época, e que ficou foram inscrições em latim vulgar com elementos
hispânicos e alusões aos romanços, ainda assim, essa linguagem deixou requiscios falados
suficientes para servirem de base para a reestruturação do galaico-português, que através do
movimento da Reconquista na época proto-histórica, foi levado de norte a sul como língua corrente.

5. Indique uma obra literária contemporânea que possa ser considerada fonte para o estudo do
português falado e justifique sua resposta.

R: Há algumas obras a serem destacadas quando falamos do português falado, mas a que tenho
mais afinidade e certamente é uma das mais conhecidas em sua versão cinematográfica, é “Auto
da Compadecida”, escrita por Ariano Suassuna (1927-2014). Um escritor paraibano que também
escreveu poesias, romances, e ensaios de obras de dramaturgia. A obra é ambientada no cenário
nordestino, a particularidade linguística dos personagens é fascinante e é narrada com o português
falado pelas pessoas na região. Há grande riqueza no vocabulário desse povo, e uma palavra pode
significar várias coisas. Claro que em contraste com o português falado pelos sulistas é visto como
errado, entretanto algumas palavras e conceitos são fundamentados no português antigo, e isso
demonstra uma riqueza em conservação histórica do idioma, certamente uma obra para se
acompanhar ou mesmo assistir.
Parte II

TEXTO PARA TRADUZIR

6. Traduza o texto desta crônica para o português brasileiro contemporâneo. Identifique


algumas características linguísticas deste texto e aponte a que período de desenvolvimento
da língua ele pertence, justificando sua resposta.

Razoões desvairadas, que alguuns fallavam sobre o casamento del Rei Dom Fernamdo

Quamdo foi sabudo pello reino, como elRei reçebera de praça Dona Lionor por sua molher, e lhe
beijarom a maão todos por Rainha, foi o poboo de tal feito mui maravilhado, muito mais que da
primeira; por que ante desto nom enbargando que o alguuns sospeitassem, por o gramde e
honrroso geito que viiam a elRei teer com ella, nom eram porem çertos se era sua molher ou nom;
e muitos duvidamdo, cuidavom que se emfa daria elRei della, e que depois casaria segundo
perteemçia a seu real estado: e huuns e outros todos fallavam desvairadas razõoes sobresto,
maravilhamdose muito delRei nom emtemder quamto desfazia em si, por se comtemtar de tal
casamento. E delles diziam que melhor fezera elRei teella por tempo, e des i casar com outra
molher; mas que esto era cousa que mui poucos ou ne nhuum, posto que emtemdessem que tal
amor lhe era danoso, o ltiveeixavom depois e desemparavom, moormente nos mançebos anos. E
leixadas as fallas dalguuns simprezes, que em favor delle razoavom, dizendo que nom era
maravilha o que elRei fezera, e que ja a outros acomteçera semelhavel erro, avemdo gramde amor
a alguumas molheres; dos ditos dos emtemdidos fundados em siso, alguuma cousa digamos em
breve: os quaaes fallamdo em esto o que pareçia, diziam que tal bem queremça era muito
demgeitar, moormente nos Reis e senhores, que mais que nenhuuns dos outros desfaziam em si
per liamça de taaes amores. Ca pois que os antiigos derom por doutrina, que ho Rei na molher que
ouvesse de tomar, principalmente devia desguar dar nobreza de geeraçom, mais que outra
alguuma cousa, que aquel que o comtrario desto fazia, nom lhe viinha de boom siso, mas de
samdiçe, salvo se husamça dos homeens em tal feito lhe emprestasse nome de sesudo: e pois que
elRei Dom Fernamdo leixava filhas de tam altos Reis; com que lhe davom gramdes e homrrosos
casamentos, e tomava Dona Lionor, que tantos com trairos tiinha pera o nom ser, que bem devia
seer posto no conto de taaes. Outros diziam, que isto era assi como door da qual ao homem prazia
e nom prazia, dizemdo que todollos sabedores concordavom, que todo homem namorado tem
huuma espeçia de samdiçe; e esto por duas razoões, a primeira por que aquello que em alguuns
he causa intrimseca das outras maneiras de sam diçe, he em estes causa de taaes amores: a
segunda por que a virtude extimativa, que he emperatriz das outras potemçias da alma açerca das
cousas senssivees, he tam doemte em taaes homeens, que nom julga o ogeito da cousa que vee
tal qual elle he, mas tal qual a elle parece; ca el jullga a fea por fremosa, e aquella que traz dampno
seer a elle proveitosa; e por tanto todo juizo da razom he sovertido açerca de tal ogeito, em tanto
que qual quer outra cousa que lhe consselhem, podera bem reçeber; mas quamto açena de tal
molher a elle prazivel, cousa que lhe digam do boom comsselho nom reçebe, se o consselho he
que a leixe e nom cure delle, ante lhe faz huum acreçentamento de door, que he fora de todo boom
juizo; de guisa que se he tal pessoa o que comsselhou, de que possa tomar vimgamça, tomaa assi
como fez elRei Dom Fernamdo, que mandou fazer justiça em alguuns do seu poboo, que o bem
comsselhavom em semelhamte caso, segundo ja teendes ouvido.

Tradução:
Desvairadas razões para alguns falassem sobre o casamento do Rei Dom Fernando

Quando o reino soube como o Rei recebeu a pobre Senhora Lionor por sua mulher, e todos lhes
beijaram a mão como Rainha, o povo ficou muito maravilhado, muito mais que antes, por que antes
disto, não embargando que alguns suspeitassem, por conta do grande e honroso jeito que viam o
Rei ter com ela, não era porém certo se era sua mulher ou não, e muitos duvidando, cuidavam para
ver se o Rei se enfadaria dela, e depois se casaria com alguém que pertencia a seu nível Real.

E entre uns e outros, todos falavam desvairadas coisas sobre isto, maravilhando-se muito pelo
Rei não entender o quanto isso o desmerecia, por se contentar com tal casamento, e eles diziam
que era melhor o Rei tê-la por um tempo, e depois se casar com outra mulher, mas que isso era
algo para poucos ou nenhum dizer, visto que entendiam que tal amor lhe era ruim, o deixavam e
depois o desamparavão, principalmente nos primeiros anos. E deixadas as falas de alguns
simplistas, que em seu favor raciocinavam, dizendo que não era nada demais o que fizera o Rei, e
que há outros já havia ocorrido o mesmo erro, havendo grande amor a algumas mulheres dos que
se diziam ter juízo, digamos alguma coisa em breve, os quais falando sobre o que isto parecia,
diziam que tal querer era muito desmerecedor para os Reis e senhores, que mais que nenhum
outro, desfaziam em si por nuancias de tais amores. O que os antigos deram aqui por doutrina, que
aquela que o Rei tomasse como mulher, deveria principalmente ser de geração nobre, e que
aquele que fizesse ao contrário disso, não está em seu perfeito juízo, mas sim louco, a não ser que
alguns homens lhe dessem como estando em perfeito juízo, já que o Rei Dom Fernando deixava
filhas de dignos altos Reis, com quem lhe podia dar honrosos casamentos, e tomava Dona Lionor,
que não tinha nada para ser nobre, e por bem deveria ser chamada de pobre. Outros diziam que
isto era algum tipo de dor da qual um homem perecia e não sabia, dizendo que todos que sabiam
assim concordavam, que todo homem apaixonado tem uma espécie de loucura, e por estas duas
razões; a primeira por que aquilo que em alguns havia causado diferentes maneiras de loucuras, e
em nestas causas de tais amores. A segunda por que a virtude estimava que a sabedoria das
outras potencialidades da alma acerca de coisas sensíveis, é tão doente em tais homens, que eles
não julgam corretamente as coisas como são, mas sim como lhes parecem, e assim ele julga a feia
por formosa, e aquela que lhe traz dano, será à ele proveitosa.

Portanto, todo juízo da razão se trasformou de tal jeito sobre isso, tanto que em qualquer outra
coisa que o aconselhem, poderá ele bem receber, mas quanto ao assunto da tal mulher, qualquer
coisa plausível que o digam, ele não ouvirá, se o conselho é que a deixe e não se acerque dela,
antes lhe fará algo que lhe causa dor, ainda que fora algo de bom juízo. De pronto que tal pessoa
que o aconselhou, ele tomou vingança, como assim foi com o Rei Dom Fernando, que mandou
fazer justiça sobre algumas pessoas do seu povo, que bem o aconselharam referente ao caso,
segundo já se tem ouvido boatos.

Parte III
7. Quais as principais características linguísticas (fonético-fonológicas, morfológicas, sintáticas,
lexicais, semânticas e pragmáticas) do português do Brasil no início do séc. XXI?

R: O português brasileiro sofreu grandes mudanças nos últimos dois séculos, dentre elas 3
reformas ortográficas, ocorridas em 1943, 1971 e 2009, ainda podendo ocorrer mais uma a
qualquer momento. Entre essas modificações podemos também incluir o estrangeirismo,
seja aportuguesando as palavras, ou apenas inserido-as no dia-a-dia, como deletar ou ok.
Não descartando também as gírias utilizadas em diferentes partes do país, um linguajar que
está enraizado na cultura do idioma de maneira popular, palavras essas que significam
outros contextos no modo formal da língua, ou aquelas criadas para significar algo em
particular como a antiga djow, que significa cara, mas que não é reconhecida pelos
gramáticos. Junto a essas linguagens populares já acrescemos o uso da língua utilizada na
internet, o acesso a vida online é tão vasto que as pessoas para se comunicarem
rapidamente, ou usam abreviações das palavras, como tc para teclar, cc para com certeza
ou tb para também por exemplo, ou fazem uso dos emoticons, que são desenhos que
representam algum tipo de emoção, como desconfiança, dúvida, riso e afins. Além dessas
modificações que são criadas conforme os grupos de pessoas encontram equivalentes para
expressar outra coisa, temos as diferenciações de fala por região, classe e grupo social,
onde cada lugar usa gírias ou jargões específicos, transformando o idioma em algo diferente
para quem não reconhece aquela particularidade. Assim, podemos analisar e concluir que
as características do português no início do século XXI, são apenas mudanças que
acompanham o idioma e que sempre existiram, não podendo alguém afirmar que tais
particularidades da fala e da gramática irão perdurar, mas que certamente evoluiram e serão
modificadas.

8. Considerando a variedade diatópica da língua, apresente algumas características fonéticas


que permitam opor o Português Brasileiro do Português Europeu na atualidade.

R: Certamente as maiores diferenças entre os idiomas está na fonética, mas também há


algumas na escrita, como o uso de consoantes mudas usadas por Portugal, i.e. actual ao
invés de atal, alrém de o uso do gerúndio não ser aplicado pelos falantes do português
europeu. Outras característica são o uso tu ser mais comum que o você, também fazerem o
uso do vos e não vocês, o uso dos pronomes que são mais aplicados no fim das palavras,
como apercebi-me, ajude-me, pediu-me… além de expressões como sabe ao telefone o
europeu usa estou e não o alô brasileiro, e seguindo assim com telemóvel e não celular,
casa de banho e não banheiro, autocarro para ônibus, comboio para trem, paragem para
ponto de ônibus, fato para terno, fixe para legal, talho para açougue, entre outras diferenças,
especialmente na liguagem diária e urbana. Entretanto, essas diferenças encontram-se cada
vez mais esreitas, graças a internet e a pessoas que criam listas comparativas entre os
idiomas, assim sendo, ser falante de dos “portugueses” fica mais fácil!

9. O que se entende por Lusofonia? Pesquise e discorra sobre a situação do Português no


mundo hoje.

R: Lusofonia é a palavra para identificar os países falantes do português, embora o


português brasileiro tenha suas particulares diferenças do português europeu, também se
enquadra nesse conjunto com os demais países e comunidades falantes do idioma. Hoje em
dia o português é reconhecido como a quarta líndua europeia mais falada no mundo, e
também dentre os idiomas originários do latim é a que possui mais falantes. Este possui
duas “linhas” linguísticas principais, o português brasileiro (detentor da maior quantidade de
pessoas falantes do português), e o europeu, que exerce algumas diferenças interessantes,
tanto no idioma falado no dia-a-dia como em sua gramática. Apesar dessa diferença, há um
grande esforço por parte dos países lusófonos para criar uma língua estável e padrão,
embora ainda estejamos distantes de uma conformidade total sobre o uso gramatical do
idioma, tudo aponta para uma maior colaboração entre os países, que aguardam uma
conformidade ou melhor abertura por parte de Portugal. Certamente o idioma é muito rico e
exerce grande influência no cenário mundial, incluindo ser uma das línguas que mais cresce
em número de pessoas estudando o idioma pela internet, além de ter possuir uma
estimativa de crescimento que chegará a mais 350 milhões de falantes até 2050, e isso se
deve aos esforços dos estudiosos e professores que colaboram para uma contínua melhoria
e ensino do idioma.

10. Como você interpreta a canção de Caetano Veloso no contexto de nossa discussão?

“Gosto de sentir a minha língua roçar


A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
Quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira!
Fala!”
(Caetano Veloso)

R: A canção fala de como Caetano Veloso gosta de se expressar bem e o quanto valoriza o
bem falar português, não à toa ele cita Luis de Camões, Fernando Pessoa e Guimarães
Rosa. Fala também de quão rica é a língua portuguesa, uma riqueza tão vasta que quando a
empregamos o mais polida possível, cria-se confusões, especialmente nos mais leigos,
embora paródias e prosódias tenham potênciais para confundir também os estudantes mais
assíduos da língua, e por fim, para deixa claro o seu amor pelo português brasileiro, ele
deixa sua mensagem do quanto valoriza nosso idioma, fazendo dele sua pátria.