Você está na página 1de 20

TABACO

O tabaco é a segunda droga mais consumida no mundo e no Brasil, 47%


de homens e 12% de mulheres que o consomem em um total da população
mundial de 59% de usuários de tabaco, ou seja, a maioria da população faz uso
de tabaco, e através dessa estatística vemos o quão problemático é isso. E,
sendo que, dentre esses usuários, os indivíduos do sexo masculino são
majoritariamente os consumidores de tabaco.

Temos um outro número bem agravante que mostra que 50% desses
indivíduos são vítimas de doença tabaco relacionadas e possuem idade
produtiva, com capacidade de trabalhar e com isso geram renda e impostos,
então para nossa sociedade, governo e previdência isso é importante, tendo-se
um aspecto financeiro. E se 50% dessas vítimas tem idade produtiva significa
que terá uma perda econômica, causando um problema para a sociedade em
termos econômicos, e problemas relacionados à saúde.

Temos um aumento do número de mortes em idade produtiva, diminuindo


a arrecadação para o governo e um aumento do absenteísmo (índice de falta ao
trabalho), que também gera implicações no mercado financeiro, além da
diminuição do rendimento produtivo, pois se o indivíduo falta, adoece ou vai
trabalhar mas não está na sua plenitude de saúde tem-se uma menor
capacidade produtiva, impactando no rendimento da empresa, tendo também
problemas financeiros e econômicos relacionados ao tabaco, decorrentes de um
quadro de saúde ou de doença provocado por ele.

70% de mortes ocorrem em países em desenvolvimento, onde a


assistência medica já é precária, ou seja, temos um percentual de mortes em
países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, tabaco relacionadas, e
isso é um percentual muito elevado por ser um tipo de morte considerada
evitável, pois se não consumir e não for um fumante passivo a pessoa não
morreria por causa dessa circunstância, morrendo assim de uma morte evitável.

Brasil

O Brasil é o quarto maior produtor de fumo do mundo, o maior exportador


mundial de tabaco, sendo o nosso principal comprador a Europa, onde cerca de
45% do que é produzido aqui vai para a Europa, 23% para o Extremo Oriente e
10% para a América do Norte, África e Oriente Médio, temos uma pulverização
das nossas exportações, mas quase metade daquilo que exportamos vai para a
Europa, que são grandes consumidores de tabaco. Essas exportações do
produto totalizaram no ano de 2014 mais de 5 bilhões de dólares, o que é muito
em termo de receita, assim, há de se considerar que é uma indústria com forte
poderio econômico, não havendo intenção de acabar com ela, por gerar renda,
empregos, receita para o pais, e dificilmente o governo irá ataca-la.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tabaco é


responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão, 80% da ocorrência de
bronquites crônicas, 30% de ocorrências de infarto do miocárdio e 25% dos
derrames cerebrais, doenças essas de difícil tratamento, crônicas, algumas
capazes de matar repentinamente, onerosas, onde as medicações são mais
caras e período de internamento pode acontecer de maneira recorrente, fazendo
com que se tenha um gasto com tratamento estimado na ordem de 200 bilhões
de dólares/ano, sendo caro para o governo ou sociedade pagar por esses
tratamentos, pois são milhões de pessoas com doenças tabaco relacionadas.

Segundo a OMS tem-se a ocorrência de cerca de 200 mil mortes por ano
no Brasil tabaco relacionadas, número considerado grande comparado a 45 mil
mortes por ano por acidentes de transito, onde se tem muitas propagandas e
campanhas no dia-a-dia relacionas ao cuidado no transito, temos assim, 4,5
vezes a mais mortes tabaco relacionadas que não sabemos.

Gráfico

Em uma projeção pegando desde 2005 até 2030 o tabaco será capaz de
matar cerca de 175 milhões de pessoas no mundo até 2030, ou seja, muitas
pessoas irão morrer e poderiam não morrer pois são mortes evitáveis, na curva
de mortalidade tabaco relacionada temos em cima os países desenvolvidos, na
curva abaixo os países em desenvolvimento, e por fim os desenvolvidos. Isso é
uma projeção de morte e tem também uma correlação com gastos, educação,
informação. Para nós, agente de saúde, isso significa que teremos o
adoecimento dessa população, o que é muito ruim, pois terá um número
crescente de mortes, mas até a pessoa morrer, se não for por infarto, terá
doenças crônicas tabaco relacionadas, e a necessidade do serviço de saúde.

OMS

Segundo a OMS hoje no mundo tem-se cerca de 1,2 bilhões de fumantes,


e cerca de 700 mil crianças são fumantes passivos, o que é pior, pois são
pessoas que não têm intenção de fumar e estão expostas aos danos causados
pelo tabaco devido às suas substâncias muito nocivas, ou seja, cerca de 1/3 da
população está exposta direta ou indiretamente aos efeitos nocivos da nicotina,
substância responsável pela psicoatividade do tabaco e demais substâncias
toxicas (monóxido de carbono, substâncias irritantes e carcinogênicas, além da
nicotina propriamente dita).

São consumidos cerca de 20 bilhões de cigarros por dia, o que equivale


a mais ou menos 200 toneladas de nicotina por dia, sendo um consumo enorme.

E pensando em especial nos indivíduos que não querem fumar e se expor


à essas substâncias toxicas e que vinham sofrendo com essa exposição, pois
em ambientes com cigarros todos são fumantes, no Brasil foi criada a Lei 9294
de 1996 que diz não ser permitido fumar em ambientes fechados de uso coletivo,
o que fez com que criasse áreas reservadas para os fumantes, como os
fumôdromos nos shoppings ou locais separados para os indivíduos fumarem, e
isso quando a lei foi criada podia, mas agora ela mudou e não pode mais.

Essa Lei foi criada após o relatório da OMS que mostrava 700 mil crianças
eram expostas de maneira passiva aos efeitos tóxicos das substâncias
veiculadas através da fumaça do tabaco, e o Brasil entrou como partícipe de um
programa da OMS para combater e diminuir a exposição passiva à essa
substancia, e por isso que surgiu a Lei, em decorrência da participação desse
movimento mundial contra o tabaco e pela saúde.

Farmacobotânica

O tabaco é uma planta anual, de folhas macias e veias salientes na parte


inferior, é a Nicotiana tabacum L., e ao passarmos a mão na sua folha percebe-
se que é oleaginosa, característica dada pela presença da nicotina, além de ser
meio aveludada com saliência na parte inferior.
A nicotina é um alcaloide, líquido oleaginoso de coloração parda, e já foi
utilizada como inseticida, sendo considerada uma substância muito tóxica.

Formas de uso

Existem várias formas de uso:

 Cigarro, que é a forma mais comum no nosso país


 Charuto
 Bidi
 Cachimbo
 Rapé
 Tabaco de mascar

E existem variações dessas formas de uso, algumas não são comuns em


nosso país, o rapé por exemplo, foi muito utilizado na época de Brasil-colônia
tínhamos os senhores de fazenda que após o jantar iam para a “salinha” de
fumar o rapé e também o cheiravam, sendo um consumo evidentemente
masculino, pois as mulheres não participavam na época dessas conversas de
homens, ainda existe em nosso pais mas não é comum ser utilizado, não faz
parte da nossa cultura, principalmente cigarro e charuto que é mais consumido.

Tem-se em outros países o hábito de mascar o tabaco, é uma forma


comum, sendo muito mais cultural, e a absorção é diferente, o pH é distinto.
Assim a depender da cultura tem-se várias formas de serem utilizados.

Classificação dos fumantes

Classificamos os fumantes em relação ao número de cigarros consumidos


de forma didática em 3 grupos:

 Fumante ocasional: Aquele que fuma 1-2 cigarros por dia e não é
considerado dependente, é aquele que vai para balada, começa a beber,
alguém começa a fumar e ele dá uma pitada, fuma hoje, amanhã, enfim,
fuma esporadicamente.

 Fumante regular: Fuma até 10 cigarros podia, mas não é considerado


ainda dependente, e não tem aquela vontade ou fissura de aumentar o
número de cigarros, e isso é importante, pois algumas drogas provocam
uma fissura imensa, sendo muito difícil do indivíduo parar de fumar devido
essa fissura, e o cigarro é uma dessas substancias que provocam fissura.

 Indivíduo dependente: É aquele que fuma cerca de 20 ou mais cigarros


por dia, tendo um risco muito alto para a ocorrência de doenças
relacionadas ao tabaco.

O alvo das estratégias de mercado

Embora seja tão tóxica e tão nociva para nosso organismo, os indivíduos
ainda continuam fumando, mesmo tendo a informação de que ela é danosa, as
pessoas que fumam têm dificuldade de parar de fumar, e o que influencia no mal
hábito de fumar seria, por exemplo, o círculo de amizades, pois ainda existe uma
pressão para que se fume e em uma dada faixa etária isso ainda ocorre, onde
não se tem uma personalidade opinião formada, e o nome técnico disso na
toxicologia é POTENCIAL DE ABUSO, assim, o p potencial de abuso de uma
droga é dado pelo somatório dos reforços primários e secundários.

 Reforço primário está relacionado com as características físico-químicas


da substância, velocidade com que ela é absorvida e chega ao sitio de
ação, se é lipofílica ou hidrofílica, se atravessa as barreiras e chega no
sitio alvo rapidamente.
 Reforço secundário tem a ver com as características ambientais, a
influência dos amigos, se existe a pressão, se é de venda livre, se é
acessível e tem pontos de vendas, se existe um marketing para consumir.

Em relação ao potencial de abuso, ele pode ser ALTO quando se tem um


reforço primário e reforço secundário positivos, MODERADO em um reforço
primário positivo e reforço secundário negativo, ou vice-versa, BAIXO ao ter um
reforço primário e reforço secundário negativos.

Toda droga tem potencial de abuso, cocaína é mais danosa para nosso
organismo do que o tabaco, já o tabaco é pior para nossa saúde do que a
maconha? Para fumar cigarro coloca na boca, puxa e solta a fumaça, já a
maconha a pessoa segura a fumaça, e dessa forma o volume de tragada, a
retenção são diferentes, a quantidade de algumas substâncias presentes na
maconha são muito maiores do que no tabaco, a forma de uso da maconha é
muito mais de retenção.

Então toda droga ou grupo de drogas tem seu potencial de abuso


caracterizado pelos reforços primário e secundário, e o somatório deles é que
vai dizer o quão esse potencial de abuso é elevado ou não. Se a substância
como reforço primário tem capacidade de produzir dependência ou não, se ela
produz fissura ou não, o tipo de efeito produzido, se tem sensação de prazer ou
não.

Em relação ao cigarro existe uma pressão para a o consumo, a depender


da faixa etária, mas o alvo das estratégias de mercado, embora a substância
seja danosa ao nosso organismo, o que se faz para vender muito cigarro são:

 Preços baixos, sendo fácil adquirir.


 Pontos de venda, posicionamento dos locais de venda ou seja, em cada
boteco ou padaria tem-se maço de cigarros sendo vendido.
 Embalagens e sabores dos cigarros, as embalagens mudaram um
pouco, porque a partir da Lei de 1996 passou-se a colocar nas
embalagens os danos ocasionados pelo tabaco, mas tem-se pensado
através do sensorial, que é o chamado neuromarketing, porque está cada
vez mais difícil buscar a fidelidade do cliente, assim mascaram o forte
sabor do tabaco com sabores atrativos, que minimizam o sabor amargo a
fim de atrair, principalmente pessoas mais jovens onde os fatores
gustativos estão mais sensíveis.
 Propagando e promoção, no passado, antes da Lei de 1996, as imagens
de publicidade de tabaco eram muito bonitas, tendo a imagem de um cara
com aspecto másculo, com atributos esportivos e bem-sucedido, com o
carro da moda, em um lugar paradisíaco, praticando esporte ou aventuras
radicais, além de estarem muito relacionadas com desenhos animados.

E esses alvos são tão importantes e tão estratégicos, que realmente dão
certo, o sucesso da indústria de tabaco está relacionado a essas quatro
estratégias de mercado, tanto é que o sucesso deles é valido, pois 85% dos
fumantes começam a se expor efetivamente ao tabaco muito cedo, até os 16
anos de idade, tendo uma vida inteira para fumar.
A publicidade sempre foi direcionada aos jovens, mostrando a eles
atributos relacionados ao tabaco como a beleza, sucesso, independência,
liberdade, bom desempenho sexual e esportivo, com mensagens subliminares
que ficam no inconsciente, fazendo com que aceitemos a possibilidade de fumar,
de isso fazer parte da nossa vida, fornecendo uma falsa imagem desses atributos
positivos relacionados ao consumo do tabaco.

Em dezembro de 2000, no Brasil, a Lei da restrição da propaganda de


produtos derivados do tabaco foi sancionada a fim de evitar toda essa influência
de celebridades, atributos de sucesso e de independência, relacionados ao
tabaco. Assim, a Lei faz com que seja exposto que o tabaco produz danos ao
nosso organismo, e isso também mudou porque antes tinha que ter apenas uma
advertência na embalagem, e agora com a nova Lei teve várias modificações.

Lei Antifumo

 Antes: não havia definição sobre os ambientes fechados de uso coletivo


onde era proibido fumar
 Depois: nesse momento, criou-se os fumódromos, locais reservados,
com um pouco mais de janela ou um pouco mais de corrente para as
pessoas poderem fumar, agora não, agora é proibido o consumo em
qualquer local fechado, mesmo que parcialmente, por uma parede ou teto.

 Antes: permitia áreas para fumantes ou fumódromos em ambientes


fechados.
 Depois: agora não existem mais os fumódromos.

 Antes: permitia a propaganda comercial dos produtos fumígenos em


displays, com restrições.
 Depois: na padaria por exemplo, tinha o local de exposição do cigarro e
em cima um display de propaganda, hoje pode ter o cigarro exposto, mas
não pode mais o display de propaganda que ficava iluminado, vetando
qualquer propaganda comercial em todo território nacional.
 Antes: estabelecia que as embalagens deveriam conter advertências, em
uma das laterais dos maços, carteiras ou pacotes.
 Depois: obriga a advertência em 100% da face posterior e em uma das
laterais, e a partir desse ano a advertência também deve estar em 30%
da parte frontal, ou seja, quase toda a embalagem deve ter informação
quanto aos danos causados para a saúde ou para a sociedade.

Número de fumantes no Brasil cai 30,7% nos últimos 9 anos

Esse é um dado importante pois mostra que o número de fumantes vem


caindo em nosso pais, em torno de 30,7%, algumas estatísticas mostram 28%
quase na última década, e essa queda é resultado de ações promovidas pelo
governo federal, entre elas:

 Aumento do preço dos cigarros, é um dos alvos, pois antes era o preço
baixo que permitia um maior número de vendas, aumentando-se assim o
preço do cigarro.
 Proibição da propaganda, porque o marketing é um alvo de mercado
para aumentar as vendas.
 Lei Antifumo, traz informações à sociedade dos malefícios causados
pelo cigarro

Assim temos como campanha de antifumo, o dia 31 de maio que é o Dia


Mundial Sem Tabaco, e segundo o INCA a cada ano 200 mil pessoas morrem
no Brasil por conta do cigarro, o que significa 23 pessoas morrendo por hora,
sendo importante destacar que é uma morte evitável. Nos últimos 8 anos, 1 em
cada 4 fumantes deixou de fumar, sendo uma redução importante de 28%, mas
mesmo assim, as internações por câncer de pulmão cresceram em 2013, sendo
mais de 19 mil, ou seja, o número de fumantes está diminuindo, mas ainda temos
as consequências desses fumantes, por isso o grau de internação e os gastos
ainda são alto, tendo-se ainda um período para poder tratar esses indivíduos que
fumavam e o SUS oferece o tratamento gratuito contra o tabagismo, tendo-se 5
motivos para o indivíduo parar de fumar:

1. Quem fuma vive em média 8 anos a menos que um não-fumante


2. O tabaco está ligado a cerca de 50 tipos de doenças ou mais sendo
responsável por 1 a cada 3 casos de câncer, sendo que alguns tipos ainda
não tem cura ou tem um prognostico ruim ou qualidade de vida ruim.

3. O cigarro também prejudica quem não fuma, os chamados fumantes


passivos às vezes sofrem mais do que o ativo, pois ele está exposto a
outras substâncias das quais o indivíduo ativo não está, podendo ter
danos maiores a depender do material que se fuma.

4. Com o fumo você inala cerca de 4700 substancias tóxicas que


causam danos ao nosso organismo.

5. Largar o vício traz benefícios ao organismo, mesmos fumando há


muito tempo.

Constituintes químicos

Alguns compostos químicos presentes no tabaco são danosos, como o


cádmio, DDT, xileno, formaldeído, metanol, cloreto de vinila, cetona, butano,
ccetileno e monóxido de carbono que se liga mais fortemente a hemoglobina
formando a carboxihemoglobina, diminuindo a oxigenação dos tecidos, o que
pode causar problemas cardíacos, respiratórios e de nutrientes, tendo déficit
relacionados a diminuição do transporte de oxigênio, o que tardiamente pode
levar a morte dos tecidos, e a grande vilã que é a Nicotina, responsável pela
dependência produzida pelo tabaco.

Fumaça

A fumaça do tabaco é uma mistura heterogênea oriunda de 3 processos:

 Pirólise: ocorre a decomposição pelo calor das substâncias presentes


no tabaco em substâncias menores.
 Pirossíntese: as moléculas menores e as maiores que foram quebradas
se recompõe, se reagrupam/recombinam formando novas substâncias
 Destilação: destilação de alguns componentes, como por exemplo, a
nicotina
Temos todas aquelas mais de 4700 substâncias presentes no tabaco, que
com o aquecimento e dependendo da forma de uso a temperatura chega até
600º, se decompõe em moléculas menores que ficam em um meio como se fosse
um meio reacional no tabaco, irão se rearranjar, se reagrupar e formar novos
compostos e não sabemos a toxicidade deles, pois não sabemos sequer o que
vai formar, pois tem variação do tipo de tabaco, e como é um material vegetal
sofre influência de vários fatores como o sol e umidade.Então, cada folha de
tabaco produzida em diversos locais do mundo irá apresentar características de
compostos distintos, e assim não sabemos, obrigatoriamente, todas as novas
substâncias que serão formadas durante a pirossíntese, e nem como todas elas
se comportam para a decomposição do calor, tendo uma variação e uma
toxicidade variável a depender do tipo de material.

Essa fumaça é constituída basicamente de 2 fases:

 Gasosa que é majoritária e representa 60%, e nesse material tem-se


gases e vapores derivados da combustão
 Particulada principalmente representado por 20% de nicotina e alcatrão
e 20% de água

Nessa fumaça temos grupos de substâncias que didaticamente foram


divididos em 4 grandes grupos, em função da sua ação tóxica:

1º Grupo: Constituintes irritantes, são caracterizados por óxido de nitrogênio,


acroleína, acetonitrila, fenóis e cresóis, substâncias inaladas ao ser um fumante
ativo ou passivo que são responsáveis pela irritação e inflamação, desde a
faringe até os alvéolos propiciando o aumento da ocorrência de bronquites e
enfisema, proporcionando uma maior vulnerabilidade à infecções bacterianas e
viróticas, que podem culminar em uma insuficiência respiratória.

Essas substancias propiciam a ocorrência desses danos respiratórios,


principalmente, pulmonar porque são capazes de inibir movimentos ciliares
brônquicos, ou seja, impedem a nossa capacidade de expulsar as impurezas
inaladas e o organismo responde aumentando a quantidade de secreção, tendo
por consequência um aumento da densidade bactéria, tendo assim a paralisação
ciliar que vai regredindo uma redução desse movimento ciliar e uma inibição
fagocitária, ocorrendo a inflamação bronquiolar. Essa inflamação da mucosa
brônquica, a fibrose peribrônquica e a hipersecreção do muco que acontece pela
presença dessas substâncias irritantes, associados a uma deficiência de aporte
de oxigênio, presença de monóxido de carbono e a consequente formação de
carboxihemoglobina, vão associados aumentar a possibilidade de deficiência
respiratória e cardíaca, pois se tiver uma menor oferta de oxigênio e também
vai ter uma menor oferta de nutrientes, o coração vai precisar de mais.

2º Grupo: Constituintes carcinogênicos, representados principalmente, pelos


hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HAP), alcatrão e benzopireno. Como
exemplo de câncer provocado pelo tabaco temos o câncer labial, que traz uma
dificuldades sérias de relacionamento, trabalho, além de problemas de saúde
graves, pois as vezes começam com pequenas lesões na região labial que não
são dada nenhuma importância, não procurando médico, e isso evolui, além do
câncer de garganta, de pulmão e de nariz.

3º Grupo: Monóxido de carbono, existem 3 fatores que influenciam no


conteúdo de monóxido de carbono, ou seja, que ele seja maior ou menor no ato
de fumar o tabaco:

 Temperatura de combustão: quanto menor a temperatura de


combustão maior vai a quantidade de monóxido de carbono produzida
 Porosidade do papel: quanto maior o poro do papel do cigarro que está
sendo consumido, maior a quantidade de O2 que adentra e menor a
quantidade de monóxido de carbono
 Tamanho do cigarro: quanto mais se fuma maior a proporção ou maior
a produção de monóxido de carbono

E o maior problema do monóxido de carbono é a formação da


carboxihemoglobina que tem uma maior afinidade pela hemoglobina em relação
ao oxigênio, tendo com isso o bloqueio da capacidade transportadora de
oxigênio, que estará menos disponível para nossas extremidades, e diminuindo
a liberação do O2 para os tecidos temos um déficit respiratório que favorece a
ocorrência de bronquite e enfisema, além de aumentar o número de ocorrências
de cardiopatias e aterosclerose.

4ºGrupo: Nicotina, é a grande vilã, substância capaz de provocar dependência


nos fumantes de tabaco, é absorvida rapidamente, assim 7 segundos após uma
pitada no cigarro, cachimbo ou charuto ela é absorvida, chega no cérebro e
exerce o seu efeito, promovendo a sensação de prazer ao liberar dopamina.

Tem-se uma distinção entre fumar cachimbo/ charuto ou cigarro, pois é


material com o pH diferenciado, o que leva à absorção em locais distintos.

 Se fumar cigarro, a nicotina estará ionizada porque o pH é em torno


de 5,5 e com isso a absorção se dá mais profundamente, em nível
pulmonar, câncer de pulmão, laringe, faringe acometem mais
fumantes de cigarro.
 Se fumar charuto ou cachimbo a nicotina não estará ionizada, pois
o pH é em torno de 8,5 e com isso a absorção já ocorre na cavidade
oral, tendo na mucosa oral a absorção da nicotina e com isso os danos
estão muito relacionados a mucosa oral e normalmente quando se tem
câncer de boca, lábio ou mucosa, tem um indivíduo fumante de
charuto ou cachimbo.

A nicotina é responsável pelo potencial de dependência, principalmente,


porque é absorvida e exerce seu efeito rapidamente. É pouco ligada as proteínas
plasmáticas, o que significa que será distribuída rapidamente e irá rapidamente
para o local de ação. Cerca de 90% é biotransformada no fígado e seu principal
produto de biotransformação é a cotinina que também é um metabólito ativo.
Além disso atravessa a barreira placentária e é secretada no leite, ou seja, a
mulher que teve o bebê e é fumante não deve amamentar o bebê, porque senão
a nicotina vai aparecer no leite e o bebê vai ficar dependente também, e a
barreira placentária funciona como um funil de concentração, para se ter uma
ideia, ao beber uma dose de whisky para o bebê é como se fosse 5, para outras
substâncias o uso equivale a 10 para o bebe, ou seja, o que a gestante ingere
para o feto é uma concentração muito maior. É excretada inalterada na urina e
esse pH é dependente, ou seja, urina ácida maior eliminação.

Nicotina

É capaz de aumentar os níveis de epinefrina e norepinefrina, e em


gestantes têm um aumento de até 60% dos níveis dessas substâncias, além de
alterar a vasopressina, favorecendo a ocorrência de abortos espontâneos.
Também promove a vasoconstrição do miocárdio, aumentando a
frequência cardíaca e respiratória, pressão arterial e os níveis de glicemia. Além
disso, promove uma ação no colesterol favorecendo a ocorrência de
aterosclerose, deposição de placas de ateroma, o que causa dano cardíaco.

Quando é associada ao monóxido de carbono aumentam a demanda por


oxigênio pelo miocárdio, favorecendo a ocorrência de isquemia e trombose
coronariana.

E ela também diminui a temperatura corporal e a irrigação cutânea porque


temos uma dificuldade de fazer com que o oxigênio e alguns nutrientes cheguem
nas extremidades, o que leva a uma dificuldade de oxigenação, e assim uma
dificuldade de circulação, tendo como consequência uma hipóxia nesses locais,
com lábios e extremidade dos dedos dos pés e das mãos escurecidos, podendo
culminar em uma doença chamada de doença de Buerger, que causa uma
tromboangeíte obliterante, que culmina no fato de ter que extirpar parte do corpo
do indivíduo, principalmente as extremidades.

Mecanismo de ação

A nicotina atua em determinados grupos de neurônios, principalmente os


da região tegumental-ventral que possui receptores de acetilcolina nicotínicos
tipo beta-2, atuando nessa zona promovendo a liberação de dopamina e quando
isso acontece temos, principalmente na região cerebral, núcleo acubens, córtex
pré-frontal e amigdala cerebral, neurônios liberando dopamina, e essas quatro
regiões juntamente ativam o hipotálamo, e isso acontece em fração de
segundos, tendo uma sensação de prazer. E quando cessa a exposição à
nicotina tem-se o inverso, não tem dopamina suficiente para poder exercer a
sensação de prazer, tendo-se a sensação desagradável, e é por isso que as
pessoas voltam a consumir o cigarro, para voltar a ter a sensação de prazer.

Tabagismo

Temos mais de 50 tipos de doenças tabaco relacionadas, e segundo o


código internacional de doença, o tabagismo é uma doença classificada pelo
código CID F17.1, sendo de transtornos mentais e comportamentais devidos ao
uso de fumo e promove efeitos nocivos para a saúde.
O tabagismo é uma doença:

 Pediátrica, porque 85% dos tabagistas começam a fumar antes dos 16


anos de idade, sendo muito jovens.
 Crônica, pois causa dependência e cerca de 80% dos tabagistas querem
parar de fumar, mas apenas 3% conseguem parar por ano.
 Transmissível, porque os indivíduos sofrem influência da propaganda,
da publicidade, do marketing e também há a influência das celebridades.
 Contagiosa, pois tem o fumo passivo como responsável pelo aumento de
30% da ocorrência de câncer de pulmão, sendo um percentual
expressivo.
 Ainda tem a possibilidade de influenciar na ocorrência de doenças
periodontais, porque mancha os dentes e acaba propiciando algumas
retrações e processos inflamatórios; a impotência; aumento na ocorrência
de cataratas; e a doença de Buerger que causa a tromboangeíte
obliterante onde se tem a diminuição da oxigenação, principalmente da
região periférica de alguns membros, com a possibilidade de ter que
extirpar a área total ou parte dela.

Indução enzimática

O tabaco aumenta o nível da isoenzima 1A2 do citocromo P-450,


responsável pela biotransformação da maioria dos fármacos, e ao aumentar
esse nível tem-se uma diminuição ou um aumento da formação, assim, se o
metabolito desse fármaco for inativo a dose deveria ser ajustada, e se for ativo
teria, provavelmente, um tempo menor de ação dessa substância, tendo-se que
ajustar o tempo de administração. Assim, um indivíduo tabagista precisaria fazer
ajuste de dose das suas medicações que sofrem biotranformação através dessa
isoenzima do citocromo P-450.

Ganho de peso

O indivíduo ao parar de fumar pode ganhar peso, porque quando o


indivíduo está fumando ocorre uma maior oxidação de lípides, uma
lipoperoxidação, que não é bom para nossa saúde pois forma intermediários
reativos (espécies reativas de oxigênio) tendo um efeito danos para nosso
organismo, mas diminui o índice de massa corpórea (IMC) em alguns indivíduos.
Ao fumar tem-se a liberação de dopamina e serotonina, principalmente
dopamina, levando a supressão do apetite, aumento da atividade adrenérgica,
diminuição da temperatura corporal e da necessidade de ingestão alimentar, pois
o indivíduo já está bem, já está com sensação de prazer produzida pela liberação
desses neurotransmissores, tendo de fato uma diminuição na ingestão de
alimentos, mas isso não acontece para todos pois o apetite e a saciedade
envolvem fatores intrínsecos como leptina, que tem uma variação de produção
ao longo do dia, tendo níveis muito diferentes em mulheres e homens, além de
grelina, neuropeptídeo Y e lipase lipoproteica. Assim, de uma maneira geral, tem
redução de peso quando o indivíduo se torna um tabagista, e pode ter um ganho
de peso ao parar de fumar, mas os benefícios ao parar de fumar são
infinitamente maiores do que o ganho de peso que pode ser minimizada com
uma dieta mais adequada, balanceada e pratica de exercícios.

Efeitos deletérios na gravidez

Durante a gravidez a mulher não deveria utilizar nenhum tipo de droga,


mas estáticas não muito boa em relação ao tabagismo mostra um aumento
crescente em relação ao uso de tabaco durante a gravidez, e os efeitos
deletérios são importantes, podendo levar:

 Aumento de 40% na ocorrência de prematuridade (nascem de 30-35


semanas de gestação) devido a uma alteração de vasopressina levando
a prematuridade do fetos, que irão ter uma possibilidade maior de morte
até completar um ano.
 Aumento de 70% da possibilidade de ocorrer aborto espontâneo.
 Aumenta o dobro da ocorrência de recém-nascido de baixo peso, até por
conta da ocorrência de prematuridade.
 Aumento em 30% de morte perinatal.

São efeitos importantes, além de outras situações que podem acontecer


e um fator importante é que muitas das vezes as gestantes não falam que
fumaram ou estão fumando durante a gestação devido ao sentimento de culpa,
têm medo de serem punidas por esse fato e elas precisam de ajuda porque parar
de fumar, pois é realmente muito difícil, e por não assumirem a dependência
tem-se situações como essas.
E não são as expectativas de uma gestante ter um filho com algumas
deformações devido ao uso de tabaco durante a gravidez e ao pensar que foi ela
quem fez isso o sentimento de culpa é muito grande, mas se soubessem disso
antes talvez não tivessem fumado durante a gravidez. Há uma possibilidade de
desenvolvimento intelectual e emocional retardados, crianças com estaturas
inferiores, mal formação congênita, deslocamento da placenta, e dificilmente
crianças como essas sobrevivem por muito tempo, mas elas nascem, então tem
aquele impacto do nascimento e o sofrimento de todos.

Síndrome de abstinência

O tabaco provoca síndrome de abstinência, e sua intensidade varia


conforme o tempo e a quantidade de cigarros consumidos, assim, quanto maior
o número de cigarros e maior o tempo que se fuma, maior ou mais fortes serão
os sintomas da síndrome de abstinência, que variam de indivíduo para indivíduo.

E os comportamentos são: irritabilidade, transtornos do sono


(normalmente o indivíduo tem insônia), ansiedade, dificuldade de concentração
e de coordenação psicomotora (o indivíduo abstêmio tem pequenos tremores,
onde uma coordenação motora fina, por exemplo, é muito difícil). Nas primeiras
24 horas essas sintomatologias são mais fortes, vão diminuindo, mas podem
perdurar por vários meses.

A tolerância ocorre para alguns efeitos, principalmente para os efeitos de


tontura, vômito, sudorese, hipotensão que normalmente os iniciantes tem.

A dependência, segundo a OMS, é um transtorno progressivo, crônico e


recorrente, cuja gravidade varia, podendo atingir comportamentos de forte
resistência a mudanças, ou seja, o indivíduo gosta de tudo sempre da mesma
forma, qualquer mudança de atitude, comportamento, local, de tipos de coisas
que estava acostumado ele tende a ser contra, alguns tem isso como uma
característica pessoal marcante, mas quem não tem o ato de fumar pode aflorar.

Abordagem farmacológica do tabagismo

A farmacoterapia no tratamento do tabagismo pode ser útil para minimizar os


sintomas da síndrome de abstinência e facilitar uma abordagem cognitivo-
comportamental, devendo sempre ser utilizada junto com a abordagem
cognitivo-comportamental.

As situações potenciais que recomendam o uso da farmacoterapia são:

 Quando pacientes fumam mais ou menos 20 cigarros por dia, ou que


fumam o primeiro cigarro até 30 minutos após acordar e fumam no mínimo
10 cigarros por dia.
 Quando o Teste de Fagerstrom dá um índice de maior ou igual a 5, esse
teste pode ser acessado na internet, e é um conjunto de perguntas em
que atribui-se pontos a cada uma delas, e se no somatório dessas
perguntas obtiver um índice maior ou igual a cinco significa que precisa
de uma farmacoterapia para ajudar no tratamento de se manter abstêmio.
 Quando a abordagem cognitivo-comportamental falha deve-se associar a
farmacoterapia porque os sintomas da abstinência são relatados pelos
indivíduos como insuportáveis precisando de uma medicação para poder
atenuar e ultrapassar esse período que a síndrome é forte e, ainda assim,
se manter abstêmio.
 A critério clinico desde que não haja contra-indicações.

Farmacoterapia eficaz

A farmacoterapia pode ser uma Terapia de Reposição de Nicotina


(TRN) onde existem várias vias alternativas de utilização, como:

 Adesivos transdérmicos: Tem tido mais sucesso devido a lenta


liberação de nicotina, mas quem tem problemas dermatológicos tem
algumas contraindicações, dessa forma, a desvantagem é poder causar
irritação de pele
 Goma de mascar: Tem como desvantagem o fato de cada pessoa ter
uma força para mascar diferente, mascando em um número ou frequência
distinta de um para o outro, o que influencia nos picos de liberação de
nicotina, tendo liberação em picos e não em uma curva ascendente, em
platô.
 Inalador em aerossol
 Spray nasal
 Comprimidos sub-linguais
 Pastilhas

Tem-se também terapia não nicotínica, com o uso de:

 Bupropiona, um antidepressivo de liberação lenta.


 Nortriptilina, antidepressivo tricíclico, utilizado devido à ansiedade que o
indivíduo fica quando está abstêmio.
 Clonidina, é um anti-hipertensivo com ação alfa-adrenérgica e inibidor
seletivo da recaptura de serotonina
 Vareniciclina, é um agonista parcial dos receptores acetilcolina-
nicotínicos, podendo ser muito empregada, e tem uma grande vantagem
em relação as outras substâncias por inibir a atividade dopaminérgica
produzida pela nicotina, sendo considerada a única substância que
promove alívio da fissura, então isso é interessante pois o indivíduo tem
aquela vontade intransponível de fumar ou fazer consumo do tabaco, e a
vareniciclina modula essa fissura.

A culpa está no gene

Um trabalho interessante diz que a culpa é do gene, alguns pesquisadores


dos EUA avaliaram o gene CHRNA4 e verificaram que nele tem a configuração:
citosina-citosina, citosina-timina e timina-timina, e quando se tem ao menos uma
timina nesse gene tem-se a possibilidade de responder melhor a farmacoterapia
e conseguir se manter abstêmio, assim, a pessoa que tem a timina no gene o
efeito da vareniciclina (avaliada) para o tratamento contra o tabagismo é maior.

Nessa estatística quando o indivíduo tem citosina-citosina, na realidade o


sucesso para ele parar de fumar é de apenas 30%, quando ele tem citosina-
timina ou timina-timina tem em torno de 50% de sucesso, sendo um percentual
expressiva, pois essa diferença de 20% é muito significativa para o sucesso da
farmacoterapia para o indivíduo se manter abstêmio.

Perspectivas

As perspectivas que se tem é a possibilidade de desenvolvimento de


vacinas anti-tabaco, em que algumas delas já estão sendo testadas e induzem
anticorpos que se ligam a nicotina impedindo sua chegada ao cérebro, porque
sabe-se que ela é absorvida rapidamente e em fração de segundos chega ao
cérebro, e se tiver encorpada, ligada ao anticorpo, se torna uma molécula grande
e dificilmente chegará ao cérebro rapidamente, pois precisará se desprender
para depois ligar, ser biotransformada para que o produto de biotransformação
chegue no cérebro, isso irá demorar, o que significa que o reforço primário será
negativo, e assim o potencial de abuso vai ser de moderado a baixo,
diminuindo a possibilidade de ter um alto potencial de abuso e com isso, vai ter
uma dificuldade de chegar no sítio de ação, e se não chega no sítio não libera
dopamina e não se tem prazer, e assim não tem vontade de continuar a usar o
tabaco e se tornar dependente.

Cigarro eletrônico

Como o mercado e o número de usuários vem caindo, a indústria a fim de


buscar outras formas de atingir seu público e atrair novos consumidores criou o
e-cigarrete ou e-cig, que são os cigarros eletrônicos, como uma nova maneira
de consumo. Ele surgiu como uma estratégia de reduzir o tabagismo, pois muitos
dos indivíduos, que fazem o uso de cigarro, tem a dependência física do ato de
levar o cigarro a boca e se tem uma terapia de substituição por algo que pode
ser levado a boca, que solte fumaça, e que não gere dano, seria uma estratégia
bacana, só que na realidade na composição do cigarro eletrônico, muitas vezes
nem tem nicotina, alguns tem em níveis decrescente, como se fosse uma terapia
de reposição para o organismo se adaptar. No entanto, mesmo não tendo a
nicotina, a composição dos cartuchos tem substâncias que são muito tóxicas, e
por isso, a ANVISA proibiu no Brasil a sua comercialização, e esses cigarros
têm:

 Luz de LED que imita a brasa, possuindo várias cores, mas basicamente
a vermelha para dizer que o cigarro está aceso.
 Bateria, como se fosse uma bateria de celular, cilíndrica, que
normalmente dura 3 dias.
 Chip processador que controla essa luz de LED e o aquecimento desse
material.
 Sensor de pressão que detecta quando o cigarro é sugado para iniciar o
aquecimento.
 Aquecedor, propriamente dito.
 Cartucho que pode ser trocado, então quando a pessoa bafora não sente
cheiro de nada.

Uma campanha que saiu na CBS News em 2013 falando que as


companhias de tabaco apostam em cigarros eletrônicos para ajudar a
compensar a perda de fumantes de cigarros tradicionais, e isso tudo é pensando
no mercado.

Hoje já se tem mais de 400 marcas com uma composição bem variada,
mas basicamente tem-se com ou sem nicotina, e assim pode ter a maioria
dessas marcas até 5 níveis, de 0 a 24 mg de nicotina por cartucho, mas se tem
além da nicotina a nitrosamina, dietilenoglicol e glicerina vegetal, e essas
substâncias são carcinogênicas, então ainda tem danos produzidos. Assim a
ANVISA, através da RDC 46 de 28/08/2009 proibiu a venda de consumo de
cigarros eletrônicos no Brasil.