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Diretrizes

Centros de Atenção Psicossocial


(CAPS)

Acolhimento e Acesso

Novembro de 2015 1
Como acessar o CAPS?
Os CAPS são serviços especializados da rede de atenção psicossocial
(RAPS) do município de Curitiba destinados ao acompanhamento de
pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às pessoas
com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas, em sua área territorial, conforme o plano terapêutico
singular.

Assim, pessoas que necessitem de tal cuidado devem


preferencialmente ser encaminhadas a partir de outros serviços da
RAPS do município: unidades básicas de saúde, núcleos de apoio à
saúde da família, unidades de pronto atendimento (UPAs),
consultório na rua e outros.

As pessoas podem também por procura espontânea receberem um


acolhimento inicial no serviço.

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Como acessar o CAPS?
Os CAPS são serviços “porta-aberta”, isto é realizam práticas
assistenciais em ambiente de “portas abertas”, acolhedor e inserido
nos territórios dos bairros. Acompanham o usuário não apenas dentro
do serviço, mas necessariamente em outros espaços, implicando as
redes de suporte social e os saberes e recursos dos territórios.

Desta forma o acesso ao CAPS pode ser referenciado ou oriundo de


uma demanda espontânea. O acesso ao primeiro acolhimento poderá
ser regulado a fim de priorizar atendimento dos casos mais graves,
contanto que o tempo de espera para o primeiro acolhimento não
ultrapasse 96h

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O Acolhimento inicial
Acolhimento não é uma simples triagem. É o primeiro atendimento,
por demanda espontânea ou referenciada, incluindo as situações de
crise no território; consiste na escuta qualificada, que reafirma a
legitimidade da pessoa e/ou familiares que buscam o serviço.

A Política Nacional de Humanização define o acolhimento como um


modo de operar nos processos de trabalho em saúde de forma a
atender a todos que procuram os serviços de saúde, visando
reinterpretar as demandas, construir o vínculo terapêutico inicial e/
ou corresponsabilizar-se pelo acesso a outros serviços, caso
necessário.

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O Acolhimento inicial
Quem acolhe toma sob sua responsabilidade o agenciamento do
cuidado, seja por meio dos procedimentos próprios ao serviço
procurado, seja em outro serviços do mesmo campo ou de outro.

Todo acolhimento é realizado pela equipe multiprofissional escalada


para o dia, sendo todos os casos discutidos com equipe de referencia
para o território, sempre com a participação de profissionais de nível
superior nas decisões a serem tomadas.

Em caso de encaminhamento para outro ponto de atenção, isto


significa em ato responsável daquele que encaminha; ou seja
articulando o caso com o outro serviço na forma de transferencia do
cuidado.

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Priorização da demanda para o
acolhimento inicial
Demanda proveniente das Unidades de Pronto Atendimento, Central
de Leitos Psiquiátricos, Consultório na Rua e articuladores de saúde
mental do território: deve ser acolhida de segunda a sexta, das
8:00h as 17:00h de caráter imediato até o máximo de 72h.

Demanda proveniente de egressos de hospitalização ou avaliadas


pelos núcleos de apoio a saúde da família: deve ser acolhida de
segunda a sexta, das 8:00h as 17:00h entre 24h a 72h

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Priorização da demanda para o
acolhimento inicial
Demanda proveniente diretamente das unidades básicas de saúde da
atenção primaria: deve ser acolhida de segunda a sexta, das 8:00h as
17:00h em até 96h.

CASOS ESPECIAIS: demandas judiciais (Medidas Sócio Educativas),


crise psicossocial (tentativa de Suicídio; quadros de sofrimentos
psíquicos graves) e população em situação de vulnerabilidade
psíquica e social (gestantes; população em situação de rua; situação
de violência) devem ser acolhidas de segunda a sexta, das 8:00h as
17:00h de caráter imediato até o máximo de 72h, independente do
ponto de atenção proveniente.

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Pontos considerados na avaliação nos
acolhimentos iniciais
Avaliação do paciente: alimentação, sono, atividades de lazer,
histórico e exame clínico, exame do estado mental, recursos
pessoais no cuidado etc.
Avaliação familiar: histórico; dinâmica de funcionamento,
qualidade das relações interpessoais, apoio familiar no cuidado,
situação sócio-econômica, condições de moradia, etc.
Avaliação de Território: recursos da comunidade, grau de
envolvimento do usuário e família com esses recursos.
Fatores de Risco: Violência doméstica, tentativa de suicídio,
histórico de institucionalização, instabilidade/escassez de vínculos
afetivos significativos, histórico de abuso de substâncias psicoativas,
história familiar.
Recursos da Rede: Ofertas de Atendimento no territorio.

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Fatores que justificam o
acompanhamento direto do CAPS
Não deve-se levar em consideração exclusivamente o diagnóstico
clinico para justificar o acompanhamento mais próximo do CAPS,
mas um conjunto de variáveis, tais como: a funcionalidade da
pessoa, sua autonomia, seu suporte familiar/social, as
vulnerabilidades envolvidas, alem da ausência de resposta
terapêutica em outros serviços de saúde ou intersetoriais.

O CAPS no acolhimento inicial deve considerar as avaliações


realizadas por equipes de outros serviços da RAPS para definir o
plano de tratamento. Por isso, discussões de casos entre os pontos
de atenção da RAPS devem acontecer constantemente.

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Corresponsabilização de outros pontos
da RAPS e as Transferências de Cuidado
A discussão de todo caso que após avaliação do CAPS for
reencaminhado ao ponto de atenção original deve preferencialmente
ocorrer com o profissional encaminhador.

Desta forma, toda transferencia do cuidado devera ter resumo do


acolhimento inicial assim como todo caso devera ser discutido com o
profissional responsável por se corresponsabilizar por ele.

São pontos de atenção da RAPS-Curitiba: unidades básicas de saúde,


núcleos de apoio à saúde da família, unidades de pronto atendimento
(UPAs), consultório na rua, serviços de residência terapêutica,
centros de convivência, SAMU 192 e serviços hospitalares.

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Conheça os outros serviços da RAPS:
Unidade Básica de Saúde: serviço de saúde constituído por equipe
multiprofissional responsável por um conjunto de ações de saúde, de
âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da
saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a
reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo
de desenvolver a atenção integral que impacte na situação de saúde e
autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das
coletividades.
Os casos que puderem receber seu cuidado através da Atenção
Primaria, este deve ocorrer com o apoio/orientação/
matriciamento decorrente da articulação entre as equipes dos
CAPS e as equipes dos NASF de seus territórios.

Centro de Convivência: é unidade pública, articulada às Redes de


Atenção à Saúde, onde são oferecidos à população em geral espaços de
sociabilidade, produção e intervenção na cultura e na cidade

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Conheça os outros serviços da RAPS:
Equipe de Consultório na Rua: equipe constituída por profissionais que
atuam de forma itinerante, ofertando ações e cuidados de saúde para a
população em situação de rua, com transtorno mental e usuários de álcool
e outras drogas, considerando suas diferentes necessidades de saúde.

As UPAS 24h são responsáveis, em seu âmbito de atuação, pelo


acolhimento, classificação de risco e cuidado nas situações de urgência e
emergência das pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.
Os CAPS deverão se articular às UPAS do seu território de
abrangência (com avaliação medica e/ou do enfermeiro), a fim
de apoiar e articular os cuidados das pessoas em fase aguda do
transtorno mental, seja ele decorrente ou não do uso de crack,
álcool e outras drogas, principalmente nas situações que
necessitem de internação.

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Com o cuidado constituído em rede, ressalta-se nesse processo que o
CAPS é referencia pela atenção e seguimento dos habitantes que
venham apresentar transtornos mentais graves e persistentes de uma
determinada região.

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