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RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO DE FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA NO

REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS

Victor Novais Buriti


email:vnburiti@gmail.com

Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Objetivos e filho. Cabe observar que conforme decidido no


Busca-se trazer breves apontamentos sobre o PP nº 0003325-80.2018.2.00.0000 do CNJ, não
Provimento nº 63 de 14 de novembro de 2017 é possível o reconhecimento concomitante de
editado pelo Conselho Nacional de Justiça um pai e uma mãe socioafetivos,
(CNJ) que determinou a possibilidade do impossibilitando que o referido procedimento
reconhecimento extrajudicial da filiação seja adotado para fim de burlar o instituto da
socioafetiva e seu ingresso no Registro Civil das adoção. Outro ponto importante a ser observado
Pessoas Naturais. é que Lei nº 8.560/92 veda expressamente que
conste das certidões de nascimento a natureza
Métodos e Procedimentos da filiação, desta forma, a certidão de
Será feita principalmente a análise do citado nascimento do reconhecido não poderá fazer
provimento, além dos dispositivos legais e qualquer menção ao reconhecimento
normativos relacionados. Também será feita socioafetivo, constando apenas nos campos
uma breve análise da doutrina existente sobre o próprios o nome dos pais.
tema, além da jurisprudência dos tribunais
superiores e decisões do próprio CNJ ao Conclusões
interpretar o referido Provimento. O provimento analisado trará diversos desafios
a serem enfrentados como, por exemplo, a
Resultados possibilidade da multiparentalidade e seus
O Provimento nº 63/2017 autorizou que seja efeitos jurídicos. Deve se ter também especial
feito o reconhecimento da filiação socioafetiva atenção ao fato de que a filiação constante da
diretamente nos cartórios de Registro Civil. Os certidão de nascimento não é mais apenas a
requisitos são simples, ser maior de 18 anos, biológica, podendo também ser a socioafetiva.
capaz e ser 16 anos mais velho que o Além disso, fica demonstrada a importante
reconhecido. É vedado o reconhecimento entre participação do Registro Civil das Pessoas
irmãos e pelos ascendentes e também quando Naturais na prevenção de conflitos e na solução
houver discussão judicial sobre a filiação ou dos novos dilemas do Direito de Família. O
procedimento de adoção. Cabe observar que o registro passa a retratar cada vez mais a
Provimento admite a multiparentalidade, ou realidade social e não meramente a verdade
seja, a concomitância do vínculo biológico com biológica.
o socioafetivo, podendo o reconhecido ter mais
de um pai ou mãe registral. Por isso, o
reconhecimento depende da anuência dos pais Referências Bibliográficas
que constam do registro, além da anuência do BRASIL. Conselho Nacional de Justiça.
próprio reconhecido, se maior de 12 anos. Cabe Provimento n. 63. 2017. Disponível em:
ao registrador fazer entrevista pessoal com os http://www.cnj.jus.br/files/atos_administrativos/p
interessados a fim de verificar a inexistência de rovimento-n63-14-11-2017-corregedoria.pdf.
indícios de fraude, vícios de vontade ou dúvida Acesso em 10.10.2018.
sobre a existência da posse de estado de filho, DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das
além de alertar quanto as consequências famílias. 8. ed. São Paulo: Ed. Revista dos
jurídicas do reconhecimento. Portanto, não Tribunais, 2011.
basta o mero reconhecimento, se faz necessário MADALENO, Rolf. Curso de direito de família. 6.
a presença da posse de estado de filho, ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
caracterizada pelo vínculo continuo e duradouro CASSETTARI, Christiano. Multiparentalidade e
de afeto e o tratamento mútuo como pai ou mãe parentalidade socioafetiva: efeitos jurídicos. 3.
ed. São Paulo: Atlas, 2017.