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Tutoria 2 - M1 Etapa 3 - Crescimento e Desenvolvimento

Objetivo 1 - Descrever as etapas do desenvolvimento neuropsicomotor do nascimento até


os 10 anos.
IDADE 2 A 6 MESES
Desenvolvimento Físico
- entre 3 e 4 meses ocorre uma redução da velocidade do ganho de peso, cerca de 20 g por dia
- em torno dos 4 meses o peso passa a se duplicar
- reflexos arcaicos se atenuam (diminuem)
- desaparecimento do reflexo primitivo de preensão permite segurar e soltar objetos
- qualidade dos movimento espontâneos sofre mudanças: passam de mais amplos e desordenados para menores e
circulares
- podem rolar o corpo intencionalmente, indicando maior controle da flexão do tronco
- quando sentados conseguem manter a cabeça ereta, podendo manter o olhar firme sobre as coisas
- amadurecimento do sistema visual: melhor percepção de profundidade
- ciclos de sono e vigília passam a ser regulares
- necessidades totais de sono: 14 a 16 hrs
- maioria dos bebês dormem cerca de 6 a 8 horas seguidas
- aos 4 a 6 meses o eletroencefalograma do sono exibe um padrão maduro: demarcação de estágios de movimento
rápido dos olhos (sono REM)e quatro estágios de sono não REM
- os ciclos de sono são menores, cerca de 50 a 60 min enquanto no adulto a média é de 90 min
Desenvolvimento Cognitivo
- mudança qualitativa
- passam a demonstrar um interesse por um mundo maior
- ex: durante a amamentação, deixam de se concentrar exclusivamente na mãe e passam a ficar mais distraídos, olha
pra tudo
- neste período passam a explorar seu próprio corpo, olhando fixamente para as mãos, tocando suas orelhas,
bochechas e genitais
- desenvolvimento inicial do senso de indivíduo, separado da mãe, é o primeiro estágio de desenvolvimento da
personalidade
Desenvolvimento Emocional e Comunicação
- bebês interagem mais
- manifestam expressões faciais distintas de acordo com o contexto (medo, alegria, irritação, interesse ...)
-primeira etapa do desenvolvimento da comunicação: imitação facial, cantar, brincadeiras com as mãos, interagem
com os pais.

IDADE 6 A 12 MESES
Desenvolvimento Físico
- crescimento desacelera ainda mais
- com cerca de um ano, o peso do nascimento é triplicado, comprimento aumentado em 50% , perímetro cefálico
em 10 cm
- capacidade de sentar sem apoio: 6 a 7 meses
- capacidade de girar sentado: 9 a 10 meses
- capacidade de preensão entre os dedos e o polegar (pinça grosseira): 8 a 9 meses
- capacidade de preensão entre polegar e indicador (pinça digital fina): ao redor de 12 meses
- começam a engatinhar e ficar em pé e tentar andar: 8 meses até 1 ano (geralmente)
- essas “conquistas motoras” se correlacionam com o aumento da mielinização e o crescimento do cerebelo
- ocorre o início da erupção dos dentes , geralmente os incisivos centrais inferiores

Desenvolvimento Cognitivo
- com 6 meses já descobriu suas mãos e aprende a manipular objetos , levando quase tudo até a boca
- a complexidade da brincadeira , quantos esquemas (cada ação representa uma ideia não verbais sobre o que as
coisas são para ele) diferentes são sustentados pelo pensamento é um indicador útil de desenvolvimento cognitivo
- principal marco do desenvolvimento é de perceber a permanência do objeto, isso ocorre por volta dos 9 meses,
quando o bebê se dá conta que o objeto permanece existindo mesmo quando não é mais visto
- quando não encontra um objeto que estava com ele, passa a procurá-lo.

Desenvolvimento Emocional
- são capazes de “diferenciar” um conhecido dos pais, por exemplo e para isso passam a chorar o agarrar,
demonstrando “ansiedade pelo estranho”
- anteriormente os bebês dormiam a noite toda, mas podem passar a começar a acordar regularmente e chorar, como
se lembrasse que os pais não estão em seu quarto
- emerge uma nova demanda por autonomia, passando a querer se alimentar sozinho, com as mãos ou possuindo
uma colher, assim como a mãe
- momento onde há as crises de birra, conflito entre autonomia e controle dos pais

Comunicação
- com cerca de 7 meses ocorre expressões variadas de emoção, sendo capazes de responder a sons vocais e
expressões faciais
- com cerca de 9 meses passam a perceber que suas emoções podem ser compartilhadas, ex: passam a mostrar seus
brinquedos para os pais, como forma de dividir sua alegria
- entre 8 e 10 meses começam a balbuciar com muitas sílabas e inflexões que lembram a linguagem de índio
- a primeira palavra verdadeira surge quando é um som usado diversas vezes para se referir a um objeto ou pessoa,
e varia de acordo com a descoberta da criança sobre a constância do objeto

IDADE 12 A 18 MESES
Desenvolvimento Físico
- no 2° ano de vida a velocidade de crescimento desacelera ainda mais e o apetite diminui
- o crescimento do cérebro com a mielinização contínua resulta em aumento do perímetro cefálico em 2 cm durante
o ano
- maioria das crianças começam a andar sem apoio próximo de 12 meses, outras não andam antes dos 15 meses,
porém andar precocemente não indica que há um avanço de desenvolvimento em outros domínios
- inicialmente a criança caminham com a base alargada, joelhos arqueados e braços fletidos nos cotovelos
- o refinamento subsequente permite mais estabilidade e eficácia energética
- depois de vários meses praticando, o centro de gravidade se desvia para trás e o tronco fica mais estável

Desenvolvimento Cognitivo
- exploração do ambiente
- conseguem segurar, soltar, alcançar melhor
- o aprendizado segue os preceitos do estágio sensório-motor de Piaget
- passam a empilhar blocos, criam efeitos interessantes
- certos objetos passam a ser usados de acordo com sua real finalidade, exemplo: pente no cabelo, xícara para beber
- a imitação dos pais e de crianças mais velhas representa um modo importante de se aprender

Desenvolvimento Emocional
- a partir do momento que passam a andar, o humor do bebê pode modificar, ficam mais irritados
- passam a controlar a distância entre elas mesmas e seus pais
- geralmente orbitam em volta de seus pais, movimentam-se para longe e retornam em seguida para seus pais como
um “local de segurança”
- o orgulho da criança por suas realizações ilustra o estágio de autonomia e separação de Erikson
- crianças que são controladas e desencorajadas o tempo todo acabam sentindo vergonha, raiva, dúvida e
insegurança

Desenvolvimento da Linguagem
- a linguagem receptiva precede a linguagem expressiva
- aos 12 meses pronunciam os primeiros monossílabos e já respondem apropriadamente a diversas colocações
simples como “não, tchau, me dá”
- crianças com 2 anos podem emitir jargões polissilábicos
- a maior parte da comunicação dos seus desejos e ideias permanece sendo a não verbal

IDADE 18 A 24 MESES
Desenvolvimento Físico
- nesta idade o desenvolvimento motor aumenta
- melhora no equilíbrio, agilidade e o surgimento da capacidade de correr e subir escadas
- altura e peso aumentam com velocidade constante durante o ano, com ganho de 12,5 cm e 2,5 kg
- o crescimento do crânio diminui um pouco

Desenvolvimento Cognitivo
- relação causa e efeito é mais bem entendida
- crianças nessa idade demonstram flexibilidade na solução de problemas
- aos 18 meses ocorrem importantes mudanças nos domínios da emoção e linguagem

Desenvolvimento Emocional
- a maioria das crianças, nesta fase passam a ter um maior apego, estágio de reaproximação
- muitas crianças usam brinquedos acolchoados ou cobertor que funciona como símbolo do pai ou da mãe ausente
- passam a entender melhor o que pode ou não, sendo muitas vezes elas mesmas que dizem “não não” para
determinado objeto proibido
- linguagem passa a ser um meio de controlar impulsos, raciocínio inicial e conexão entre idéias
- primórdio da formação da consciência

Desenvolvimento da Linguagem
- nesta idade o vocabulário da criança passa de 10 a 15 palavras aos 18 meses para 50 a 100 aos 2 anos
- após adquirir um vocabulário com cerca de 50 palavras, as crianças nesta idade passam a combiná-las formando
“frases”
- o início da linguagem verbal marca o fim do período sensório-motor
Objetivo 2 - Descrever o desenvolvimento do Sistema Nervoso (embriologicamente e pós
nascimento).
RESUMO:
0 sistema nervoso central (SNC) origina-se de um espessamento dorsal do ectoderma - ​a placa neural - que
aparece por volta do meio da terceira semana. A placa neural é induzida pela notocorda situada abaixo, e pelo
mesoderma paraxial. Ela se dobra para formar um sulco neural que tem pregas neurais de ambos os lados. Quando,
durante a quarta semana, as pregas neurais começam a se fundir para formar o tubo neural, algumas células
neuroectodérmicas não são incluídas nele, mas permanecem entre o tubo neural e o ectoderma da superfície,
constituindo a crista neural.

A extremidade cefálica do tubo neural forma o encéfalo, cujos primórdios são o encéfalo anterior, o encéfalo médio
e encéfalo posterior. 0 encéfalo anterior dá origem aos hemisférios cerebrais e ao diencéfalo. 0 encéfalo médio do
embrião torna-se o encéfalo médio do adulto, e o encéfalo posterior dá origem à ponte, ao cerebelo e ao bulbo. O
restante do tubo neural se torna a medula espinhal.

0 canal neural, a luz do tubo neural, dá origem aos ventrículos encefálicos e ao canal central da medula espinhal. As
paredes do tubo neural se espessam pela proliferação das células neuroepiteliais. Essas células dão origem a todas
as células nervosas e às células da macróglia do sistema nervoso central. A micróglia diferencia-se a partir de
células mesenquimais que chegam ao sistema nervoso central junto com os vasos sangüíneos.

A hipófise origina-se de duas partes complementares distintas: uma evaginação do ectoderma do estomodeu - a
bolsa hipofisária - que dá origem à adenoipófise e uma invaginação do neuroectoderma do diencéfalo - o broto
neuro hipofisário - que dá origem à neuro hipófise.

As células dos gânglios cranianos, espinhais e autônomos derivam de células da crista neural, que se originam da
crista neural. As células de Schwann, que formam a bainha de mielina dos axônios externos à medula espinhal,
também se originam das células da crista neural. Do mesmo modo, a maior parte do sistema nervoso autônomo e
todo o tecido cromafim, incluindo a medula da supra-renal, originam-se de células da crista neural.

PASSO A PASSO NO PROCESSO:

Formação do Tubo Neural e Cristas Neurais


O tubo neural se origina da placa neural (Figuras 1 e 2), uma área espessada do ectoderma neural na região dorsal
média, que surge por volta da terceira semana, induzida pela notocorda e mesoderma paraxial. A placa neural,
muda sua conformação, com elevação das suas bordas laterais (pregas neurais), passando a se chamar sulco neural
(Figuras 1 e 2). As pregas neurais vão se aproximando e o sulco neural se aprofundando, formando a goteira neural.
Quando as pregas neurais fundem-se, forma-se então o tubo neural (figuras 2 e 3).

A formação do tubo neural começa em torno do 22º ao23º dia, induzido pela epiderme da região dorsal e pela
notocorda. O tubo neural se fecha primeiramente na região medial do embrião. As extremidades ainda abertas são
denominadas neuroporos. O neuroporo rostral (abertura anterior) (Figura 1) fechará por volta do 25º dia; e a
abertura caudal, o neuroporo caudal (Figura 1), vai se fechar dois dias mais tarde. Antes do fechamento do
neuroporos, a cavidade do tubo neural é preenchida por líquido amniótico. Com o fechamento dos neuroporos, a
cavidade passa então a ser preenchida por líquido ependimário. O termo líquido cerebroespinhal só é usado quando
surgem os plexos coróides.

Durante a formação do tubo neural, em embriões de cerca de três semanas e meia, na região de fusão das pregas
neurais, células se desprendem da superfície e migram para as laterais do tubo neural, essas células constituem a
crista neural. A crista neural se forma até no mínimo quatro semanas e meia, no encéfalo, e durante muito mais
tempo na medula espinhal.

Figura 2 - Esquema de cortes transversais de embriões progressivamente mais velhos, ilustrando a formação do sulco neural, tubo neural e
crista neural (a a f). Nas fotos de microscopia eletrônica de varredura, evidencia-se o início do desenvolvimento das vesículas encefálicas
primárias durante a formação e a elevação da prega neural craniana (g) e o fechamento do tubo neural na quarta semana (h) e formação do
prosencéfalo (F), Mesencéfalo (M) e Rombencéfalo (H).
Figura 3 – A. Vista dorsal de embrião humano no 22° dia em que podem ser observados sete somitos de cada lado do tubo neural. B. Embrião
com 23 dias. O sistema nervoso está em conexão com a cavidade amniótica pelos neuróporos cefálico e caudal. C. Eletromicrografia
destacando somitos (S).
O sistema nervoso é dividido em:
• Sistema Nervoso Central (SNC)​: derivado do tubo neural; consiste em encéfalo e medula espinhal
• Sistema Nervoso Periférico (SNP)​: derivado da crista neural; consiste em neurônios fora do SNC e nervos
cranianos e espinhais, que unem o encéfalo e a medula espinhal às estruturas periféricas;
• Sistema Nervoso Autônomo​: possui partes tanto do SNC como do SNP, consiste em neurônios que inervam
músculo liso, músculo cardíaco ou glândulas; dividido em dois componentes: Simpático e Parassimpático.

Histogênese das células do sistema nervoso central


Glioblastos (figura 4) são células de sustentação primordiais, provenientes de células neuroepiteliais. Elas migram
da camada neuroepitelial para as camadas do manto e marginal, dando origem aos ​astrócitos e
oligodendrócitos​(figura 4).
As células neuroepiteliais também formam as ​células ependimárias (figura 4), estas formam o epêndima, que
reveste o canal central da medula espinhal.
As ​Células Mesenquimais se diferenciam em células microgliais (figura 4), que fazem parte do sistema
mononuclear fagocitário.
Desenvolvimento da Medula Espinhal
Durante a fase de sulco neural e logo após a fusão das pregas neurais, o tubo neural é constituído por células
neuroepiteliais, que formam a camada neuroepitelial ou neuroepitélio. Com o tubo neural fechado, as células
neuroepiteliais dão origem a outro tipo celular, as células nervosas primitivas ou neuroblastos, que formam a
camada do manto. Esta camada, por sua vez, forma a camada marginal. Portanto, a medula espinhal com seis
semanas é composta pelas seguintes zonas:
Zona Ventricular (figuras 5): constituída por células neuroepiteliais da parede do tubo neural, dão origem a todos
os neurônios e células macrogliais da medula espinhal.
Zona Intermediária (figuras 5): formada por neuroblastos, provenientes das células neuroepiteliais em divisão da
zona ventricular. Neuroblastos se tornam neurônios.
Zona Marginal (figuras 5): composta pelas partes externas das células neuroepiteliais. É a futura substância branca
da medula espinhal.

Figura 5 – Esquema ilustrativo da formação das zonas da medula espinhal e das placas alares (A) e basais (B). Observe que essas placas são
separadas trasversalmente pelo sulco limitante.
Por volta de oito a dez semanas, a medula espinhal é
parecida com a do adulto. Com o espessamento das
paredes laterais da medula surgem às placas alares e
placas basais, dorsais e ventrais, respectivamente
(Figuras 5, 6 e 7). Essas placas são separadas pelo sulco
limitante (Figuras 5, 6 e 7). As lâminas alares são
unidas por uma delgada placa do teto, dorsalmente, e as
lâminas basais, por uma delgada placa do soalho,
ventralmente (Figura 6 e 7). As placas alares formam os
cornos dorsais cinzentos (funções aferentes) e as placas
basais, os cornos cinzentos ventrais e laterais (funções
eferentes) (Figura 6). O sulco limitante se estende por
toda a medula espinhal e até o encéfalo médio,
cranialmente.

Figura 6 – Esquema ilustrativo das placas basais e alares,


comparando com os seus derivados adultos (medula espinhal em
baixo

Figura 7 – Seção transversal de um embrião de cerca de 40 dias, desenvolvimento da medula espinhal, com ênfase no sulco limitante
Além do corno dorsal e do corno ventral, existe o corno intermediário, nas porções torácica e lombar superior da
medula espinhal, contendo neurônios da parte simpática do sistema nervoso autônomo.
Externamente, a medula espinhal embrionária encontra-se delimitada por uma camada fibrosa de prolongamentos
de células gliais, a membrana limitante externa (Figura 5), formada inicialmente pelos prolongamentos das células
ependimárias, os quais posteriormente se retraem.

Desenvolvimento dos Gânglios Espinhais


Os neurônios unipolares nos gânglios espinhais (figura 8) derivam de células da crista neural. O prolongamento
periférico das células do gânglio espinhal vão através dos nervos espinhais para terminações nervosas sensoriais em
estruturas somáticas ou viscerais. Os prolongamentos centrais penetram a medula espinhal e constituem as raízes
dorsais dos nervos espinhais.

Formação das meninges


As meninges são formadas pela dura-máter, pia-máter e aracnóide. A dura-máter (figura 9) é proveniente do
mesênquima que circunda o tubo neural. E a Pia-máter e a aracnóide (figura 9) são derivadas das células da crista
neural. O líquido cerebroespinhal (LCE) embrionário começa a se formar durante a 5ª semana, produzido pela tela
corióide dos ventrículos laterais, 4º ventrículo e 3º ventrículo. Através das aberturas mediana e lateral, o LCE passa
para o espaço subaracnóide. É absorvido pelas vilosidades aracnóideas, que são protusões da aracnóide nos seios
venosos da dura-máter.
Mudanças de Posição da Medula Espinhal
No embrião, a medula espinhal estende-se por todo o comprimento do canal vertebral, mas a coluna vertebral e a
dura-máter crescem mais rapidamente, e a extremidade caudal da medula espinhal coloca-se gradualmente em
níveis relativamente mais altos. No recém-nascido, a medula termina na vértebra L3; e no adulto, na borda inferior
da primeira vértebra lombar. Abaixo de L2, uma extensão filiforme da pia-máter dá origem ao filamento terminal,
que se fixa ao periósteo da primeira vértebra coccígea. As raízes nervosas inferiores à extremidade terminal da
medula espinhal, o cone medular, formam um feixe de raízes nervosas, a cauda equina (figura 10). A dura-máter
continua fixada à coluna vertebral até o cóccix.

igura 10 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento da porção caudal da medula espinhal em relação à coluna vertebral em embriões com 8
semanas (A), feto de 24 semanas (B), recém-nascido (C) e adulto (D).

Mielinização das fibras nervosas


Na medula espinhal, as bainhas de mielina começam a se formar durante o período fetal tardio e continuam a
fazê-lo durante o primeiro ano pós-natal, pelos olidendrócitos (no SNC) e células de Schwann (no SNP).
Figura 1 – Imagens de microscopia eletrônica de varredura, evidenciando as vesículas encefálicas primárias (A) que se constituem de
prosencéfalo (F), mesencéfalo (M) e rombencéfalo (H); e as vesículas encefálicas secundárias (B), compostas por telencéfalo (T), diencéfalo
(D), mesencéfalo (M), metencéfalo (Mt) e mielencéfalo (My). Asterisco, evaginação do telencéfalo; seta, istmo rombencefálico; pontas de seta,
teto do quarto ventrículo; o, pedículo óptico.

Figura 2 – Esquema ilustrativo das vesículas encefálicas primárias e secundárias

Figura 4 – Esquema ilustrativo das vesículas encefálicas e seus derivados adultos​.


Desenvolvimento do Encéfalo
A junção do encéfalo posterior com o encéfalo médio é conhecida como istmo rombencefálico.

Flexuras Encefálicas
Surgem entre a quarta e oitava semanas. São elas:
1) Flexura mesencefálica (figura 5): na região do mesencéfalo; direcionada ventralmente.
2) Flexura cervical (figura 5): na junção do rombencéfalo com a medula espinhal; direcionada ventralmente.
3) Flexura pontina (figura 5): entre o metencéfalo e o mielencéfalo; direção oposta das duas anteriores.

Telencéfalo
Logo após o aparecimento das vesículas ópticas (diencéfalo), um segundo par de divertículos aparece, mais dorsal e
rostralmente, as vesículas telencefálicas (Figura 6), primórdios dos hemisférios cerebrais, cujas cavidades formam
os ventrículos laterais. Gradualmente, vão se formando o pólo frontal e o pólo temporal, e posteriormente o pólo
occipital começa a ser visto (Figuras 7 e 8). A expansão dos hemisférios não é uniforme, e a região entre os pólos
frontal e temporal fica deprimida, constituindo a ínsula.

Figura 6 – Esquema ilustrativo das vesículas telencefálicas

No período fetal ocorrem várias mudanças, as mais perceptíveis são:


1) União dos hemisférios cerebelares, com a visualização do verme na parte mediana;
2) Os hemisférios continuam seu crescimento, cobrindo, gradualmente, o diencéfalo e o mesencéfalo, e
posteriormente uma parte do cerebelo (Figuras 7 e 8);
3) Os pólos frontal e temporal vão se unindo, cobrindo a ínsula, assim no nascimento, só uma fossa lateral indica
sua presença;
4) Sulcos aparecem na superfície dos hemisférios (Figuras 7 e 8);
5) As flexuras cervical, pontina e mesencefálica tornam-se menos evidentes;
6) Os hemisférios acabam se encontrando na linha média, achatando suas superfícies mediais. Portanto, no feto,
ocorre a diferenciação das principais partes do encéfalo e um grande crescimento deste (aumento de várias centenas
de vezes em volume).

Figura 7 – Desenvolvimento do sistema nervoso central. Em A, a seta mostra como a telencéfalo cresce na direção posterior e se superpõe às
outras vesículas telencefálicas (embrião de cerca de 35 dias). Em B, está representado o crescimento de todas as vesículas encefálicas, as
setas representam a direção de crescimento. A seta pontilhada mostra o crescimento das vias aferentes e eferentes sobre a área insular até a
medula espinhal (embrião de cerca de 44 dias). Em C, as vesículas telencefálicas se transformaram no córtex cerebral (a seta demonstra a
direção do seu crecimento), alguns sulcos já estão se formando (feto de cerca de 6 meses)
Depois do nascimento, o peso dobra durantes os primeiros nove meses de vida, e em torno dos seis anos atinge 90%
do peso do adulto. Isso ocorre pela produção de células da glia, formação de dentritos e mielinização dos axônios.
As comissuras conectam áreas correspondentes dos hemisférios cerebrais. São elas: lâmina terminal, comissura
anterior (une os lobos temporais direito e esquerdo) (Figura 8), comissura do hipocampo (une os pilares direito e
esquerdo do fórnice), corpo caloso (une os hemisférios cerebrais direito e esquerdo) (Figura 8).

Figura 8 – Vista medial do desenvolvimento do sistema nervoso central. Observe o crescimento do telencéfalo sobre o diencéfalo, com a
formação dos sulcos e giros, e o crescimento do corpo caloso em direção posterior. Cérebro de cerca de 37 dias, 44 dias e cérebro adulto,
respectivamente.
A partir da oitava semana, as vias aferentes e eferentes desenvolvem-se sobre a área insular, formando sinapses
com o diencéfalo (Figura 7), por meio dos núcleos da base, dando origem a uma espessa camada fibrosa, a cápsula
interna, que separa o núcleo caudado (telencéfalo), medial, do tálamo (diencéfalo), lateral; e, o putame (telencéfalo)
do pálido (diencéfalo).

A parede dos hemisférios cerebrais é composta de quatro camadas: ventricular, subventricular, intermediária e
marginal (fibras aferentes e neurônios dispersos).
As células da camada ventricular migram pela superfície formando a camada intermediária. Células da zona
intermediária migram para a zona marginal e dão origem às camadas corticais, essa migração é conduzida
principalmente pelas células da glia radial, que através de um prolongamento pioneiro (eixo condutor), as células
vão subindo gradativamente e estendendo um prolongamento como uma cauda; por isso a substância cinzenta se
localiza na periferia, e os axônios caminham centralmente para formar o grande volume de substância branca, o
centro medular.

No início do desenvolvimento do telencéfalo, a superfície dos hemisférios cerebrais é lisa; contudo, com o
crescimento, há o surgimento de sulcos e giros, que promove aumento da superfície do córtex sem necessitar de
grande aumento do tamanho do crânio (Figuras 9 e 10). Os primeiros sulcos surgem nas áreas filogeneticamente
mais antigas, como o sulco do cíngulo e o sulco do hipocampo do córtex límbico, o sulco calcarino do córtex visual
e o sulco central das áreas motoras e sensoriais.

Figura 9 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento dos sulcos e giros do córtex cerebral, em fetos de 14 semanas, 26 semanas, 30 semanas e
38 semanas..
Figura 10 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento dos sulcos e giros no córtex cerebral.

Após o nascimento, dificilmente surgem novas células neurais, mas as células já existentes desenvolvem mais
prolongamentos, estabelecendo sinapses com outras células, o que é responsável pela grande capacidade de
aprendizagem do cérebro. Durante o primeiro ano de vida, um neurônio cortical estabelece cerca de 100.000
sinapses com outros neurônios. Nesse contexto, a formação da bainha de mielina das fibras nervosas é muito
importante, já que facilita a condução do impulso nervoso. O processo de mielinização não está totalmente
completado até os 20 anos. ​Atividade funcional do cérebro: Os primeiros indícios de atividade cerebral são
percebidos com cinco ou seis semanas e consistem em movimentos de extensão ou flexão do colo e da região
torácica. Eles vão progredindo gradualmente, sendo que todos os padrões motores parecem estar presentes no início
do segundo trimestre.

Diencéfalo
Com o fechamento do neuroporo rostral, aparecem duas evaginações laterais, de cada lado do encéfalo anterior, as
vesículas ópticas, primórdios das retinas e dos nervos ópticos. Elas identificam o diencéfalo. As evaginações
medianas que deixam o encéfalo anterior são a glândula pineal (Figuras 8 e 11) e a neuro-hipófise. Uma
característica marcante do diencéfalo é o tálamo dorsal, uma intumescência bilateral que aparece com
aproximadamente cinco semanas.

Composto pelo epitálamo, tálamo e hipotálamo (Figura 11). O tálamo é separado do epitálamo pelo sulco
epitalâmico, e do hipotálamo pelo sulco hipotalâmico.
Os tálamos se encontram e se fundem na linha mediana que cruza o terceiro ventrículo – a adesão intertalâmica.
O hipotálamo contém os corpos mamilares.
O epitálamo é formado pela glândula pineal.
A cavidade do diencéfalo é o 3º ventrículo (Figura 11).
Obs: No prosencéfalo não há subdivisão em lâminas alares e basais, porque o sulco limitante se estende
cefalicamente somente até o encéfalo médio.
A hipófise origina-se de duas fontes:
1) Divertículo hipofisário (bolsa de Rathke) (Figura 12): evaginação do teto ectodérmico do estomodeu; originará a
adenoipófise ou lobo anterior (parte glandular).
2) Divertículo neuroipofisário (Figura 12): invaginação do neuroectoderma do diencéfalo; originará a neuroipófise
ou lobo posterior (parte nervosa).
Figura 11 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento do diencéfalo. Nos cortes C, D e E, observe o tálamo, hipotálamo e epitálamo. Em D,
observe a glândula pineal, dorsalmente. A) Embrião no final da quinta semana; B e C) Embrião de 7 semanas; D) Embrião de 8 semanas; E)
Seção
transversal do
diencéfalo. .
Mesencéfalo
É a parte do encéfalo que sofre as menores modificações durante o desenvolvimento. Na parte ventral (tegmento)
(Figura 13), com um desenvolvimento intenso da formação reticular, observa-se uma continuação da estrutura
rombencefálica, enquanto a parte dorsal, constituída pelos colículos superiores e inferiores (Figura 13), pode ser
considerada uma continuação das regiões prosencefálicas. Os colículos se originam das lâminas alares e o tegmento
se origina das lâminas basais. Os colículos superiores estão relacionados com os reflexos visuais, e os inferiores,
com os reflexos auditivos. O tegmento contém os núcleos do terceiro nervo craniano. O núcleo do quarto nervo
craniano aparece no istmo rombencefálico.
No período fetal, forma-se uma grande massa de fibras descendentes na região ventral, constituindo o pedúnculo da
base. Essas fibras são corticoespinhais (piramidais) e corticonucleares.
Os pedúnculos da base juntamente com a substância negra e o tegmento, formam os pedúnculos cerebrais direito e
esquerdo (Figura 13).
Cavidade: aqueduto cerebral (Figura 13) (liga o 3º ventrículo ao 4º ventrículo).

Figura 13 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento do mesencéfalo. A) Embrião de 5 semanas; B) Feto de 11 semanas.


Metencéfalo
As paredes do metencéfalo formam o cerebelo e a ponte, enquanto que sua cavidade forma a parte superior do 4º
ventrículo.

Cerebelo
Origina-se de espessamentos dorsais das placas alares do metencéfalo. No início do período fetal, os dois
hemisférios cerebelares se unem dorsalmente, formando uma porção mediana, o verme. As partes laterais se
expandem e começam a adquirir fissuras antes da metade da vida pré-natal. Comparativamente ao córtex cerebral, o
córtex cerebelar se forma pela migração de células da zona matricial, formando as camadas sobrepostas (Figura
14). As células emigradas dispõem-se inicialmente em uma compacta camada cortical (camada granulosa externa),
que de modo contrário ao córtex cerebral, ainda se prolifera na vida pós-natal. Essa intensa proliferação da camada
granulosa externa é responsável pelo aumento da superfície do cerebelo. No sexto mês de vida intra-uterina.
O cerebelo se liga ao mesencéfalo, à ponte e ao bulbo, pelos pedúnculos cerebelares superior, médio e inferior,
respectivamente, que são constituídos por feixes de fibras. A mielinização dos pedúnculos segue a ordem de
formação, começando pelo inferior durante o segundo trimestre, depois pelo superior e, termina, com o médio,
pouco antes do nascimento.
É formado pelo vestibulocerebelo (arquicerebelo), constituído pelo lobo floconodular; pelo espinocerebelo
(paleocerebelo), constituído pela parte cranial do corpo; e, pelo pontocerebelo (neocerebelo), constituído pela parte
caudal do corpo (Figuras 14 e 15).
O cerebelo possui dois tipos de substância cinzenta: os núcleos (denteado, globoso, emboliforme e fastigial) e o
córtex cerebelar.
É o centro para controle do equilíbrio e da postura.
Cavidade: 4º ventrículo (Figura 15).

Figura 14 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento do cerebelo. Em A, feto de aproximadamente 3 meses, ilustrando o crescimento da crista
cerebelar de dentro para fora (setas vermelhas); com o crescimento do neocerebelo, o cerebelo vestibular (em vermelho) se desloca
inferiormente. Em B, feto de aproximadamente 5 meses, ilustrando o crescimento do cerebelo, principalmente pelo crescimento do
neocerebelo (verde). Em C, corte longitudinal, na região do verme cerebelar, mostrando o desenvolvimento do córtex cerebelar, através da
migração das células a partir da zona-matriz ventricular.
Ponte
Reenvia sinais que ligam a medula espinhal e o córtex cerebral com o cerebelo. Contém os núcleos pontinos
(Figura 15), cocleares e vestibulares, os núcleos sensitivos do nervo trigêmio e núcleo do nervo facial.
Cavidade: 4º ventrículo (Figura 15).

Figura 15 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento da ponte e do cerebelo. Em A, embrião no fim da quinta semana; em B, seção transversal
do metencéfalo (ponte e cerebelo); em C, embrião de 6 semanas; em D, feto de 17 semanas.

Mielencéfalo
As paredes do mielencéfalo formam o bulbo, enquanto que sua cavidade forma a parte inferior do 4º ventrículo
(Figura 16). O teto do encéfalo posterior se torna romboidal, devido à separação das lâminas alares, coberto
dorsalmente por uma fina lamela, o véu medular, para a qual os vasos sanguíneos se invaginam, formando os
plexos coróides (Figura 16). Assim as lâminas alares e basais ficam dispostas no assoalho do encéfalo posterior
(Figura 16). Consequentemente, as áreas motoras (lâminas basais) são mediais às sensitivas (lâminas alares).

Bulbo
Porção do encéfalo de maior semelhança com a medula espinhal. Cavidade: porção inferior do 4º ventrículo,
possuindo a forma rombóide. Placa do teto (parede dorsal) distendida e muito adelgaçada, devido à flexura pontina
(Figura 16). Contém os núcleos gráceis, medialmente, e os núcleos cuneiformes, lateralmente (Figura 16) – áreas
isoladas de substância cinzenta, formadas devido à migração dos neuroblastos das placas alares para a zona
marginal. O bulbo contém os núcleos dos nervos cranianos glossofaríngeo, vago, acessório e hipoglosso, derivados
de células da lâmina basal. Pirâmide (Figura 16): área ventral; contém as fibras do trato corticoespinhal. Contêm
centros e redes de nervos que regulam a respiração, batimentos cardíacos, movimentos reflexos e outras funções.
igura 16 – Esquema ilustrativo do desenvolvimento do bulbo. Em A, embrião no fim da quinta semana; em B, C e D, observe como o quarto
ventrículo adquire a forma rombóide, a disposição das placas alares e basais e a localização das pirâmides e dos núcleos grácil e cuneiforme.

Objetivo 3 - Classificar o RN quanto às medidas antropométricas, relacionando com a


curva de crescimento (OMS/ NCHS).

Objetivo 4 - Descrever o desenvolvimento hormonal esperado desde o nascimento até os


10 anos.