Você está na página 1de 56

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular

1
Expediente

imprensa@sieeesp.com.br

DIRETORIA

Presidente

4
Benjamin Ribeiro da Silva
Colégio Albert Einstein Matéria de Capa
1º Vice-presidente
José Augusto de Mattos Lourenço
Colégio São João Gualberto
Avaliação: há novos modelos que podemos utilizar?
2º Vice-presidente
Waldman Biolcati
Curso Cidade de Araçatuba
1º Tesoureiro

12 34
José Antônio Figueiredo Antiório
Colégio Padre Anchieta Aprendizado Opinião
2º Tesoureiro
Antônio Batista Grosso
Colégio Átomo As contribuições da Politicamente correto
1º Secretário neurologia para o
Itamar Heráclio Góes Silva
entendimento das
36
Educ Empreendimentos Educacionais
Bett Educar
2º Secretário
Antônio Francisco dos Santos
fobias escolares
Sistema Educacional São João STEM ganha espaço
nas escolas - e na Bett
Diretores de regionais
ABCDMR
Oswana M. F. Fameli - (11) 4437-1008
16 Jurídico
Educar 2019
Araçatuba
Declarações de
recebimentos e
40
Waldman Biolcati - (18) 3623-1168
Curso
Bauru
Gerson Trevizani Filho - (14) 3227-8503 pagamentos
Campinas
Antonio F. dos Santos - (19) 3236-6333
Introdução à
Educação 4.0
Guarulhos
Wilson José Lourenço Júnior - (11) 4963-6842
Marília
20 BNCC
BNCC: 2019 é o ano do
Luiz Carlos Lopes - (14) 3413-2437
Ribeirão Preto
João A. A. Velloso - (16) 3610-0217
ensaio geral! 44 Volta às Aulas

Osasco
Expectativas
José Antonio F. Antiório - (11) 3681-4327 e realidade
Presidente Prudente
Antonio Batista Grosso - (18) 3223-2510 22 Aprendizagem
Metacognição:
46
Santos
Ermenegildo P. Miranda - (13) 3234-4349 Formação
São José dos Campos neurociência e
Maria Helena Bitelli Baeza Sezaretto - (12) 3931-0086
aprendizagem Aprender o que
São José do Rio Preto
Cenira Blanco Fernandes Lujan - (17) 3222-6545 é preciso ser
Sorocaba
Edgar Delbem - (15) 3231-8459
26 Metodologia

FEVEREIRO DE 2019 - Edição 251 Modelos para se 48 Viagem Educacional


Produção Editorial alcançar os objetivos Viagem Educacional
Editora-chefe:
• Gisele Carmona - MTB 0085361/SP
propostos pela BNCC Sieeesp 2019
Assessoria de Imprensa:

52
• Gisele Carmona
• Ygor Jegorow - MTB 0086640/SP

Editor gráfico 28 Entrevista


• Balduíno Ferreira Leite
Simone da Silva Viana: Obrigações
Reportagem e Redes sociais:
• Ygor Jegorow Histórias que
ouvi contar
54
Colaboradores:
• Ana Paula Saab • Antonio Higa
• Carlos Alberto Nonino • Ulisses de Souza
• Clemente de Sousa Lemes
Cursos
32
• Ivaci de Oliveira • Jocelin de Oliveira
• José Maria Tomazela • José Rodrigues Inclusão
www.sieeesp.com.br
Rua Benedito Fernandes, 107 - São Paulo - SP
CEP 04746-110 - (11) 5583-5500 Para surdos
Impressão: Companygraf antenados
Os artigos assinados nesta publicação são
de inteira responsabilidade dos autores.

2 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


Editorial

Boas-vindas aos Benjamin


Ribeiro da Silva

noVos tempos Presidente do Sieeesp


benjamin@einstein24h.com.br

O novo governo da República


se inicia com a marca da
esperança. Com o amplo res-
paldo obtido nas urnas, o presidente
Jair Bolsonaro teve liberdade para
Para a Educação, há sinais claros
de que as mudanças serão positivas. O
novo titular da Pasta reforçou o papel
da Escola Privada para a melhoria da
O discurso de
educação brasileira como um todo.
compor um Ministério capaz de fazer
frente ao grande desafio nacional da
Sem alarde, sempre em parceria com
os pais, nossos estabelecimentos já
posse do novo
retomada do crescimento, que passa
pela aprovação de reformas, reequilí-
adotam os cuidados para evitar que presidente e as
cheguem aos alunos conteúdos com
brio das contas públicas e geração de viés ideológico. primeiras medidas
empregos, além do incessante com-
bate à corrupção.
A intenção do presidente de reduzir
as contribuições do Sistema S nos traz
anunciadas surgem
Com a posse, na alvorada de um
novo ano, o governo Bolsonaro sai
alívio. A Escola Particular é a que mais
contribui para um sistema de educação
como um raio de
do terreno das expectativas para o que se tornou seu concorrente direto, esperança
da prática. A sorte está lançada. As uma vez que o Sistema S não se atém
primeiras medidas de impacto estão a atender seu público específico, pres-
sendo anunciadas. tando serviços educacionais de forma
Devemos dar um voto de confiança ampla e não gratuita.
ao governo que se inicia. A cobrança de mensalidade no
Mesmo não tendo sido o nosso ensino superior público, hoje gratuito,
candidato, Jair Messias Bolsonaro re- nos parece medida digna de considera-
presenta, nesse momento, opção única ção. O que vemos é o aluno da escola A Escola Particular acabou atin-
para os anseios do povo brasileiro por particular, que pagou para cursar o gida fortemente, nos últimos anos,
mudanças. ensino médio, ter isenção total de pelo cenário recessivo do país. Houve
Seu governo começa com impor- pagamento quando acessa a universi- aumento na inadimplência, perda de
tante respaldo popular e, a julgar pelo dade pública. Seria mais justo oferecer alunos e queda de receita, levando ao
discurso de posse, em que pediu apoio a gratuidade apenas para o aluno que, fechamento de um número expressivo
aos congressistas, tem a possibilidade comprovadamente, não tem condições de estabelecimentos.
real de construir a maioria nos parla- financeiras de pagar. Nesse cenário, o discurso de posse
mentos para aprovar as reformas. Vamos torcer para que a equipe do novo presidente e as primeiras me-
As propostas até aqui apresentadas de Bolsonaro consiga levar a efeito didas anunciadas surgem como um raio
para a economia, se concretizadas, uma das propostas que, segura- de esperança. Podemos estar no limiar
podem pavimentar o caminho para mente, mais angariaram apoio à de um novo tempo de bonança. Mais
uma rápida arrancada em direção sua candidatura: a redução da carga que nossa torcida, a Escola Particular
contrária à da recessão em que nos tributária. Estudo da Fundação se empenhará em dar sua contribuição
encontramos. Getúlio Vargas mostra que a Escola a essa nova era, trabalhando com
A reforma da Previdência é medida Particular é um dos setores econômi- eficiência e educando com amor. Se
que se impõe, face ao aumento na cos mais tributados do país, apesar a nova ordem econômica acontecer,
expectativa de vida do brasileiro. Não de sua relevante contribuição para o vamos gerar mais empregos. No plano
há como se opor às privatizações e ensino brasileiro. estadual, nossos sinceros votos de
concessões de estatais e serviços pú- O sucesso do novo governo na sucesso ao governo que aqui também
blicos que não têm função estratégica, recuperação da economia diz respeito se inicia.
servindo apenas a barganhas políticas direto a todos nós, brasileiros, e, em Novas ideias, novos tempos, espe-
ou cabides de empregos. especial, ao nosso segmento. rança que se renova!

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


3
Matéria de Capa

AVALIAÇÃO:
HÁ NOVOS MODELOS
QUE PODEMOS UTILIZAR?
ANGÚSTIAS E DÚVIDAS SOBRE elaborar e testar hipóteses, formular
MODELOS AVALIATIVOS

A
e resolver problemas e criar soluções
s novas demandas que têm (inclusive tecnológicas) com base nos
chegado aos contextos edu- conhecimentos das diferentes áreas.
cacionais tem colocado vários 3. Valorizar e fruir as diversas mani-
questionamentos acerca de nossas festações artísticas e culturais, das
práticas pedagógicas, os currículos locais às mundiais, e também participar
que desenhamos e nossos modelos de práticas diversificadas da produção
pedagógicos. No quesito avaliação, há artístico-cultural.
inúmeras angústias que batem à porta 4. Utilizar diferentes linguagens –
dos educadores e dos gestores edu- verbal (oral ou visual-motora, como Li-
cacionais. Podemos elencar algumas bras, e escrita), corporal, visual, sonora
delas: 1. Entendemos por que temos pro- e digital –, bem como conhecimentos
vas escritas sem consulta como modelo das linguagens artística, matemática e
típico de avaliação em um mundo em científica, para se expressar e partilhar
que cada um de nós pode pesquisar informações, experiências, ideias e
qualquer informação na tela do celular? sentimentos em diferentes contextos e
2. Como consigo acessar a capacidade produzir sentidos que levem ao enten-
do pensamento crítico de um aluno? 3. dimento mútuo.
Há formatos avaliativos diferentes da 5. Compreender, utilizar e criar
“boa e velha” prova de questões para tecnologias digitais de informação e co-
testar a memorização de informações municação de forma crítica, significativa,
por parte dos alunos? 4. Novos mode- reflexiva e ética nas diversas práticas
los já foram provados e validados em sociais (incluindo as escolares) para se
algum contexto educacional de forma a comunicar, acessar e disseminar informa-
comprovar sua eficácia e aplicabilidade? ções, produzir conhecimentos, resolver
É pedido de cada profissional do- problemas e exercer protagonismo e
cente que se trabalhe competências autoria na vida pessoal e coletiva. preendendo-se na diversidade humana
nos alunos e não conglomerados de 6. Valorizar a diversidade de saberes e reconhecendo suas emoções e as dos
conhecimentos enciclopédicos. A Base e vivências culturais e apropriar-se de outros, com autocrítica e capacidade
Nacional Comum Curricular (BNCC) foi conhecimentos e experiências que para lidar com elas.
um documento que vai justamente lhe possibilitem entender as relações 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a
nesta direção, quando coloca a neces- próprias do mundo do trabalho e resolução de conflitos e a cooperação,
sidade das escolas serem canais do fazer escolhas alinhadas ao exercício fazendo-se respeitar e promovendo o
desenvolvimento de dez competências da cidadania e ao seu projeto de vida, respeito ao outro e aos direitos huma-
principais em nossos estudantes. São com liberdade, autonomia, consciência nos, com acolhimento e valorização da
elas, conforme segue abaixo: crítica e responsabilidade. diversidade de indivíduos e de grupos
1. Valorizar e utilizar os conhecimen- 7. Argumentar com base em fatos, sociais, seus saberes, identidades, cul-
tos historicamente construídos sobre dados e informações confiáveis, para turas e potencialidades, sem preconcei-
o mundo físico, social, cultural e digital formular, negociar e defender ideias, tos de qualquer natureza.
para entender e explicar a realidade, pontos de vista e decisões comuns 10. Agir pessoal e coletivamente
continuar aprendendo e colaborar para que respeitem e promovam os direitos com autonomia, responsabilidade,
a construção de uma sociedade justa, humanos, a consciência socioambiental flexibilidade, resiliência e determina-
democrática e inclusiva. e o consumo responsável em âmbito ção, tomando decisões com base em
2. Exercitar a curiosidade intelec- local, regional e global, com posiciona- princípios éticos, democráticos, inclu-
tual e recorrer à abordagem própria mento ético em relação ao cuidado de si sivos, sustentáveis e solidários.
das ciências, incluindo a investigação, a mesmo, dos outros e do planeta. A angústia que fica em nossa mente
reflexão, a análise crítica, a imaginação 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar quando olhamos para essas competên-
e a criatividade, para investigar causas, de sua saúde física e emocional, com- cias e os instrumentos avaliativos

4 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


Como vamos
analisar o quanto
um determinado
aluno melhorou
na sua capacidade
de tomada de
decisões de forma
a ser um cidadão
atuante em seu

freepik.com
meio social?

comumente utilizados nas escolas se


traduz na compreensão de que nossas
provas não conseguem ser facilmente
adaptadas para acessar o quanto cada
um dos alunos evolui no desenvolvi-
mento das 10 competências elencadas
acima. Como vamos analisar o quanto
um determinado aluno melhorou na
sua capacidade de tomada de decisões
de forma a ser um cidadão atuante em
seu meio social? De que forma vamos
mensurar o quanto um aluno progrediu
na sua competência enquanto usuário
do mundo digital no sentido de navegar
nesse novo contexto de forma crítica
e responsável? Vejamos um exemplo:

LEIA COM ATENÇÃO AS PALAVRAS


ABAIXO E COMPLETE AS
AFIRMATIVAS:

VEGETAÇÃO – CLIMA – FAUNA


FLORA – ANIMAIS

a) A é muito im-
portante porque ela fornece oxigênio
e purifica o ar.
b) Dá-se nome de ao
conjunto de animais de uma determi-
nada região.
c) O influencia a
sobrevivência dos animais.
d) Os , vegetais,
água, ar, a luz do sol, os minerais são
recursos naturais.

A questão acima foi retirada de uma


prova real e percebemos que, além de

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


5
Matéria de Capa

freepik.com
algumas problemáticas de construção conhecimento nos livros, enciclopédias nos, mas as provas ainda são centradas
da própria prova (a letra A tem como e manuscritos, nas grandes bibliotecas. na memorização de informações, na
resposta correta VEGETAÇÃO, mas Assim, cabe ao aluno o dever de tentar reprodução de conteúdos entregues pe-
cabe questionar se a FLORA também incorporar, memorizar o maior número los professores e inseridas em formatos
não tem papel importante na produção de informações possíveis para poder que geram dificuldades e obstáculos.
do oxigênio e purificação do ar), ela atuar adequadamente no mundo. Além de tudo, há uma crença muito
não acessa o pensamento crítico do O papel do professor dentro deste forte de que a boa escola é aquela onde
estudante, o que ele(a) pensa dos prob- contexto é de transmissor do conhe- os alunos têm dificuldade para tirar
lemas de sustentabilidade do meio am- cimento. Ele é o cidadão de notório a nota mínima para ser aprovado ou
biente e o quanto esse conhecimento saber que tem o dever de transmitir onde há um número grande de alunos
irá empoderá-lo(a) para ter atitudes esse conhecimento que domina para em recuperação. Essa visão de que a
diferenciadas diante dos cuidados com os alunos, considerados muitas vezes escola boa tem que ser uma escola difícil
o planeta. Essa questão está apenas como uma “tábua rasa”. Cabe ao profes- é bastante estranha, na verdade, pois se
testando o quanto o aluno memorizou sor a responsabilidade de “derramar” fizermos um paralelo com um hospital,
os elementos que formam os contextos para os alunos todo o conhecimento podemos ver a distorção da realidade
climáticos/ambientais. que ele tem em seu repertório de sa- que aqui se põe. Pense em um hospital
beres. A avaliação vai surgir nesse con- que tem alto índice de médicos que não
QUEBRANDO PARADIGMAS texto como ferramenta para verificar o conseguem fazer seus pacientes me-
A fim de encontrarmos alguns quanto desse conhecimento entregue lhorar… Pense em um hospital que “é
caminhos para resolver esta temática pelo professor realmente ficou retido ótimo… olha… a maioria dos pacientes
tão paradoxal das avaliações pre- no arcabouços de conhecimento dos está na UTI…”
cisamos retomar um assunto muito discentes. Assim, as provas precisam Obviamente, um hospital que tem
importante: as visões de ensino-apren- ser necessariamente sem consulta e vão a maioria dos pacientes na UTI, ao
dizagem. Ainda é frequente que as verificar se os alunos sabem “de cor” invés de melhorarem e progredirem
instituições escolares se situem como os nomes dos órgãos que constituem positivamente, não é um bom hospital,
espaços de transmissão de conhe- o sistema digestivo, os dez tipos de ad- (Werneck, 2001). Sendo assim, por que
cimento. Essa transmissão segue um vérbio da língua portuguesa, ou ainda achamos que uma escola que reprova
modelo industrial: colocamos os alunos as capitais dos principais países da Eu- muito, ou que deixa um número enorme
em fileiras corretamente alinhadas e os ropa. Cria-se uma situação totalmente de alunos em recuperação, seja uma
alunos são tratados como seres iguais, artificial para os dias de hoje, onde você boa escola? Por que nossas avaliações
com processos de aprendizagem que aparta o aluno das fontes e da possibili- precisam ser direcionadas para o mau
deveriam ser assemelhados e com pro- dade da pesquisa. resultado? Não estamos desta forma tra-
gressões de maturidade e cognição em O papel da escola frente à cons- zendo uma experiência negativa no que
conformidade com o desenvolvimento trução de competências e saberes dos tange à relação dos nossos alunos com
de suas faixas etárias. Neste contexto, alunos fica muito problemática, pois o processo de ensino aprendizagem? O
o conteúdo é analisado do prisma da queremos desenvolver a capacidade modelo de avaliação é muito arcaico. Não
realidade do século 19 que guarda o do pensamento crítico de nossos alu- reflete as competências estabelecidas

6 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
7
Matéria de Capa

pelos documentos de diretrizes educa-

freepik.com
cionais, nem as demandas de mercado de
trabalho, muito menos as necessidades
sociais dos seres humanos do século 21.
Acho que outro exemplo que
podemos dar nesta direção é do papel
das provas individuais. Hoje falamos em
trabalho em equipe, em capacidade de
colaboração, em processos participati-
vos seja na vida cotidiana seja na vida
profissional. Projetamo-nos no mundo
globalizado, das conexões, das grandes
redes e dos contatos multilaterais de
forma a respeitar os múltiplos saberes,
as experiências diversas e as inúmeras
formas de recortar e interpretar a
realidade. Contudo, nas práticas edu-
cacionais continuamos a realizar pro-
vas individuais, que não demonstram
a capacidade daquele aluno de fazer
qualquer conhecimento que tenha ser
útil para o outro, ou que possa se somar
ao conhecimento de uma equipe. Em
um contexto histórico em que tudo é
compartilhado, fazemos provas que
testam os alunos de forma segmentada.

MAS, AFINAL, EXISTEM NOVOS


MODELOS DE AVALIAÇÃO?
Este provavelmente é o ponto que
mais traz inquietações para os educado- inúmeras possibilidades que podemos subsídio para se chegar às conclusões
res. Se os modelos antigos de provas e explorar a fim de construir alternativas. necessárias. Seria o caso de oferecer
testes estão ultrapassados, quais são os Essas novas opções podem ser incor- aos alunos um desenho super comum
novos modelos que devemos utilizar? Há poradas paulatinamente nos nossos para representar a atividade do coração.
contextos em que esses modelos já são contextos, ganhando espaços pouco-

freepik.com
utilizados largamente e que podemos a-pouco, conforme o corpo docente vai
comprovar sua eficácia? E ainda temos se sentindo mais confiante diante des-
as pressões das famílias que têm nos sas novas oportunidades. Encerremos
modelos de avaliação do passado o nossas reflexões com possibilidades de
único modelo conhecido. Assim, como ferramentas de avaliação alternativas.
explicar que é preciso imprimir modelos São algumas delas:
avaliativos diferentes? Como convencer Pode-se pensar numa pergunta
de que há ganhos expressivos nesta PROVAS COM CONSULTA instigante que provoque uma consulta
transformação? Quebrar o paradigma das provas como, por exemplo: O batimento cardía-
A boa notícia é que ainda trata-se de com consulta e das provas sem consulta co pode gerar sinais elétricos como o
um campo muito novo, em construção. é um grande desafio. Parece impossível desenho acima representa? O seu co-
Mudanças deste calibre nos desafiam caminhar na direção da construção de ração também pode produzir energia
e só conseguem ser implementadas a modelos avaliativos que incluam provas elétrica? Provas desta natureza nos
partir de um trabalho pedagógico forte, com consulta no repertório dos tipos direcionam para um dos quatro pilares
colaborativo, medindo riscos e apren- de avaliação de qualquer escola. Pouco reforçados pela Unesco em seu plano
dendo com o processo de tentativa- adianta provas com consulta se eles para a educação do futuro: O Aprender
erro. Também precisamos nos debruçar tiverem o mesmo formato das provas a aprender. Isso está relacionado com
sobre o projeto-político-pedagógico da sem consulta. É necessário mudar os a capacidade de pesquisar, consultar e
instituição e há de se analisar instrumen- tipos de questões eliminando perguntas aprender a partir das informações que
tos avaliativos institucionalizados como que testam informações como “Quais são coletadas, analisadas e sobre as
o Enem e os vestibulares de ponta, que são os nomes das quatro partes que quais se reflete.
geram pressões acadêmicas nas escolas compõe o coração?” (átrio direito, átrio
desde a educação infantil. Contudo, esquerdo, ventrículo direito e ventrículo PROCESSOS DE AUTOAVALIAÇÃO
penso que há um horizonte bastante esquerdo). É necessário colocar questões Há uma grande objeção e pré-concei-
interessante diante dos educadores do que estimulem o pensamento dos estu- tos que levam os docentes a desvalorizar
mundo inteiro frente ao futuro que se dantes e que a consulta (por exemplo, as autoavaliações. Tendemos a crer que
descortina diante de todas as nações. Há nas ferramentas de busca) sirvam de os alunos não são capazes de realizar

8 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


esse tipo de processo. É como se todas dem a ser mais ricas quando realizadas do sujeito crítico e atuante no mundo
as pessoas tivessem falhas de caráter em grupo, mas tem procedimentos e que a escola precisa ajudar a construir.
a ponto de fazerem sempre autoava- objetivos diferentes dos antigos forma-
liações atribuindo a si mesmos valores tos de trabalhos feitos em grupo, onde ATIVIDADES CONTÍNUAS
superiores aos que deveriam, em tese, normalmente era um único aluno que As provas têm sido muito usadas
merecer. Contudo, a prática nos demons- fazia o trabalho e os demais só adiciona- nas escolas para gerar um momento
tra que os alunos são, na verdade, mais vam seu nome no trabalho e recebiam de “estudo forçado” a fim de garantir
rígidos com eles mesmos do que nós uma nota fácil. Projetos precisam ser o trabalho que deveria ser garantido
seríamos. Vale a pena ressaltar também orientados para a construção de um em escolas de período integral. Elas são
que para um modelo destes funcionar produto final, algo concreto e tácito, encarados como elementos com super-
é preciso dar parâmetros claros para que traz contribuições para os alunos e poderes, pois deveriam amedrontar os
os alunos terem clareza de como se para a comunidade escolar. alunos e forçá-los ao estudo. Contudo,
avaliarem. Ou seja, é preciso substituir a Assim, um projeto precisa ser fa- a prática tem nos demonstrado que
velha nota de 0-10 por construções mais tiado em algumas etapas como 01. é por meio da atividade contínua de
concretas. Por exemplo: podemos pen- planejamento 02. preparação 03. pes- pequenas tarefas significativas que
sar em uma série de perguntas sobre quisa 04. construção 05. recondução geram maior nível de engajamento com
um trabalho em que o aluno avalia: ( ) de rumo 06. produção do produto final o conhecimento e o trabalho cognitivo.
fazia isso com muita facilidade ( ) fazia 07. apresentação do produto final. Cada Assim, a avaliação que se dá por meio das
isso com alguma facilidade ( ) fazia isso uma das etapas podem ter avaliações, atividades contínuas têm sido mais efe-
com dificuldade ( ) fazia isso com muita não no sentido de gerar uma nota tivas no real acesso ao desenvolvimento
dificuldade. Ainda podemos pensar em numérica, mas no sentido de gerar discente. Obviamente, o grande desafio
ferramentas avaliativas em que o aluno “feedback” para o desenvolvimento e é o desenho dessas atividades. Pouco
se analisa como faz “determinada coisa” a evolução dos discentes no que tange à adianta incorporar essa abordagem ava-
( ) sempre ( ) bastante ( ) suficiente sua capacidade de trabalhar em grupo, liativa e simplesmente desmembrarmos
( ) insuficiente. sua competência enquanto “soluciona- uma prova tradicional em fatias de prova
dor de problemas”, sua habilidade de a serem feitas em etapas. Aqui, cabe
PROJETOS conviver com opiniões diferentes, sua frisar que o trabalho é com atividades
O trabalho com projetos são muitas comunicabilidade, sua criatividade etc. significativas e não exercícios estruturais
vezes confundidos com os antigos “tra- Esse tipo de avaliação, de fato, pode de testagem de memorização de conhe-
balhos em grupo”. Essas atividades ten- ser muito mais útil para a emergência cimentos e informações.

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


9
Matéria de Capa

freepik.com
AVALIAÇÕES POR COMPETÊNCIAS ( ) com proficiência e pensamento criativo. Essas duas pos-
As avaliações por competências são ( ) de forma satisfatória sibilidades trazem a problematização
muito ricas para qualquer contexto es- ( ) com dificuldade de cenários reais da vida cotidiana para
colar. Elas abrem o leque dos objetivos ( ) com muita dificuldade verificar competências que precisam
instrucionais das comunidades esco- ( ) de forma bastante autônoma ser desenvolvidas pelos alunos. Freire
lares. Podemos pensar em competên- ( ) de forma autônoma (1985) será justamente um dos primeiros
cias como criatividade, comunicação, ( ) de forma satisfatória a apontar o papel imprescindível do ato
comunicação digital, pensamento ( ) com alguma ajuda de perguntar como fundamental para
crítico, empatia, capacidade de nego- ( ) com necessidade de ajuda o processo de ensino-aprendizagem,
ciação, trabalho em equipe etc. Pode A vantagem deste formato de avalia- bem como a relevância de incentivar a
parecer difícil e subjetivo avaliar essas ção é a possibilidade de se avaliar ele- curiosidade dos alunos para buscar res-
competências. Nesta direção, vale a mentos mais amplos da vida do estu- postas para perguntas e problemas que
pena escolher um pequeno grupo e dante como sua capacidade de resolver os desafiem e os coloquem em posição
fazer uma etapa “piloto” para que o problemas, sua competência comuni- investigativa. •
corpo docente aprenda a lidar com cativa, sua habilidade linguística, entre
essa mudança de paradigma, ajustar o outros ramos da constituição do ser. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
rumo, rever os instrumentos, avaliar o Esse tipo de avaliação deixa o processo FREIRE, P., Por uma pedagogia da pergunta.
papel da autoavaliação nestes casos e avaliatório mais completo, mais holístico, Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1985
no preparo das famílias para lidar com mais formador e com maior capacidade WERNECK, H. A Nota Prende, a Sabedoria
modelos avaliativos diferentes. de explicar a evolução discente. Liberta. Rio de Janeiro, DPA. 2001.

GRADUAÇÕES EM VEZ DE NOTAS AVALIAÇÕES VIA APRESENTAÇÃO/


Já mencionamos um pouco esta RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
questão do trabalho com graduações Já pensou em construir uma fer- Lucia Rodrigues
ao invés de notas de 0 a 10. Elas podem ramenta avaliativa, com consulta, em Alves
ser em diversos formatos, por exemplo: que os alunos são desafiados a fazer Formada em Letras pela
( ) com muita frequência perguntas ao invés de respondê-las? E Universidade de São Paulo,
Mestre em Linguística
( ) com frequência será possível imaginarmos avaliações Aplicada pela PUC-SP e
( ) às vezes que se dão por meio de resolução de educadora na área de Ensino de Língua
Inglesa desde a década de 90. Hoje é Diretora
( ) com pouca frequência problemas efetivos da vida diária? de escolas do grupo Seven Idiomas e atua há
( ) quase nunca Possivelmente, esse tipo de avaliação 18 anos na área de Programa Bilíngue para
Colégios.
( ) com bastante proficiência demande pesquisa, análise de cenários

10 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
11
Aprendizado

As Contribuições da
Neurobiologia para
o entendimento das
Fobias Escolares

O cuidar e a escuta
emocional no
processo da
aprendizagem
escolar

A s emoções, segundo Damásio,


são complexos psicofisiológi-
cos que se caracterizam por
súbitas rupturas no equilíbrio afetivo
de curta duração, com repercussões
Por longo tempo, o componente
emocional tem sido descuidado na
educação institucionalizada. As contri-
buições científicas recentes auxiliam a
resolução dessa deficiência, uma vez
çada a enfrentar uma determinada
situação, a criança se sente ameaçada,
provocando o medo irracional e incon-
trolável. Tal quadro pode levar a reações
imprevisíveis de fuga, agressão ou auto-
consecutivas sobre a integridade da que revelam e comprovam a dimensão agressão, dando início a um comporta-
consciência e sobre a atividade funcio- emocional do aprendizado. mento fóbico, que pode desencadear
nal de vários órgãos. Diferentemente, As crianças e educadores estão sem- um estado de fobia, considerado um
os sentimentos são estados afetivos pre envolvidos em emoções. Uma aula sinal de alerta para o aparelho psíquico.
mais estáveis e duráveis, provavelmente bem-humorada promove bem-estar A fobia escolar não está ligada à
provindos de emoções correlatas que físico, psicológico, afetivo, seguro, libe- classe social ou ao coeficiente intelec-
lhe são cronologicamente anteriores. rando neurotransmissores favoráveis tual, mas pode estar associada à an-
Conjugando ideias de Piaget e Vy- à aprendizagem. As emoções básicas, gústia de uma separação da criança ou
gotsky, Damásio afirma que as emoções como prazer, tristeza, raiva, medo, amor do pré-adolescente com os seus pais,
e a razão não são elementos comple- e alegria têm uma enorme escala de principalmente a mãe. Há um senti-
tamente dissociados como propôs variação, por exemplo: o prazer pode mento de desamparo que não permite a
Descartes. Até hoje, o senso comum é variar da satisfação ao êxtase; a tristeza, criança raciocinar sobre os fatos, sendo
que a razão é o contrário da emoção. do desapontamento ao desespero; o esse o momento que a ansiedade é
Entretanto, Damásio mostra em seus medo, da timidez ao temor; a raiva, do desencadeada.
trabalhos que pessoas que possuem descontentamento ao ódio. Elas podem A fobia pode desencadear distúrbios
alguma deficiência na região do cérebro ser percebidas em sala de aula, basta psicossomáticos, tais como cefaleia,
responsável pelas emoções apresentam um olhar! diarreia, dores de barriga e outros.
dificuldades de aprendizado. A ida à escola de uma criança, no No caso do medo, os sintomas são
Nesse sentido, as emoções são geral, une alegria e ansiedade, seja para transitórios, logo que o indivíduo se
fundamentais no processo de apren- ela ou mesmo para seus pais. As reações acostuma, desaparece. Assim, a fobia
dizagem, pois geram sentimentos, infantis são variadas, frequentemente exige um olhar e um tratamento mais
atos racionais, que são utilizados para apresentando um ataque agudo de específico e elaborado.
aprender. Assim, as emoções são as ansiedade, um estado emocional que Atitudes negativas de determinadas
iniciadoras do processo. provém do medo, pois, quando for- pessoas podem agravar a situação,

12 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


pelos outros. Assim, isso inclui o medo que seja direto e real, é perfeitamente

Janko Ferlic / Unsplash


de falar em público, de errar os exercí- normal se proteger.
cios ao ser chamado no quadro, de ter Ao sentir-se ameaçada, a criança
que ler em voz alta ou até mesmo pela acelera o metabolismo, antecipando
presença do professor ou da professora a necessidade iminente de “fugir ou
que não estabelecem uma relação de se defender”. O corpo lança uma cor-
confiança e flexibildade emocional no rente de hormônios vasoconstritores
processo da aprendizagem cognitiva e aceleradores de frequência cardíaca,
dos conteúdos curriculares. entre os quais estão a epinefrina, a nore-
Segundo Pince (2002), aprendiza- pinefrina e o esteroide cortisol. É uma
gem emocional é uma parte integral reação neuroendócrina, puramente
da aparente aprendizagem cognitiva, fisiológica, que perpassa pelo sistema
acontecendo em um contexto dinâmico,
As emoções são relacional e emocional inconsciente.
mental superior para ser interpretado
e avaliado sobre o contexto do perigo.
fundamentais Processos cognitivos e emocionais
quase sempre dirigem o crescimento
Quando esses hormônios são lan-
çados no corpo, o coração começa a
no processo de com sucesso das capacidades cogniti-
vas. A emoção vai dando forma à cog-
bater mais rápido e mais forte, a pele
fica fria e arrepiada, os olhos se dila-
aprendizagem, nição e à aprendizagem. As crises emo-
cionais, naturais ao desenvolvimento ou
tam para enxergar melhor e as áreas
do cérebro envolvidas na tomada de
pois geram específica da criança, vão influenciar de decisões recebem a informação de que
forma crônica a evolução desta mesma é hora de agir. É nesse momento que
sentimentos, atos aprendizagem. entra em ação as amígdalas cerebrais
racionais, que A eficácia emocional da criança se
relaciona com a percepção da própria
– estruturas responsáveis pelos pro-
cessamentos das emoções primitivas,
são utilizados capacidade de lidar, monitorar, mane-
jar e mudar sentimentos adversos que
do medo e do ódio, amor, raiva e são
vizinhas do cérebro límbico-primitivo,
para aprender inibem a persistência da busca de um
objetivo. Ela pode experimentar senti-
tendo também como função arquivar
as memórias emocionais.
mentos e pedir ajuda, o que torna um Cérebro emocional é mais rápido
aprendiz mais eficiente. que o pensante, segundo o neurocien-
O papel da escola e do educador tista Joseph E. LeDoux em seu livro - O
é promover eventos que colaborem Cérebro Emocional, sendo necessários
como forçar a criança a ficar no es- com a sociabilidade, resgatar o prazer apenas 12 milissegundos para que as
paço sem dialogar, ridicularizar os sen- de aprender, propondo desafios, pos- informações emocionais possam ser
timentos, usar chantagens e subornos, sibilitando a oportunidade de apren- enviadas para o tálamo, onde são pro-
ignorar o medo para ver se a criança der por meio da educação coopera- cessadas e conduzidas para as amígda-
esquece. tiva, colaborativa e menos excludente. las cerebrais. Ele chama esse cérebro
A criança que sofre de Transtorno Deve-se propor auxiliar a negociação emocional de “estrada secundária”,
Fóbico Escolar é tensa, ansiosa e apre- de conflitos, ensinar a assumir res- enquanto que a “estrada principal”
ensiva, apresenta frequentemente o ponsabilidades por suas ações e seu ou o cérebro pensante leva de 30 a
sentimento de tristeza, depressão, comportamento. Ao arcar com essas 40 milissegundos para processar um
irritabilidade por não conseguir ver tarefas, a criança passa a não imputar acontecimento qualquer. As crianças
solução para a ansiedade que sente. No culpa aos outros. Assim, melhora sua têm medos que não entendem ou não
geral, o sono e as funções executivas – a organização intrínseca do self para a conseguem controlá-los, porque suas
atenção e a memória – são prejudicados. condição real de seu desenvolvimento. emoções são processadas pelas estra-
O corpo apresenta sintomas somáti- Para despertar estas condições é das secundárias e, somente segundos
cos devido à excitação do sistema ner- necessário que o educador entenda a depois, é que o cérebro pensante en-
voso autonômico, como sudorese, boca neurobiologia do gatilho emocional que tende o que aconteceu.
seca, pulso rápido, respiração super- acontece no cérebro da criança, como e Educar a emoção é promover a
ficial, dor de cabeça, enjoos, podendo quando ele é disparado e por que muitas habilidade relacionada com o motivar a
também apresentar inquietudes e com- vezes, em determinadas situações, a si mesmo e persistir mediante frustra-
portamentos motores sem sentidos. criança perde o controle emocional. O ções, controlar impulsos, canalizando
A criança apresenta um medo exa- fundamental é compreender que essas emoções para situações apropriadas.
gerado de um objeto ou situação espe- reações são saudáveis, por ser um sinal A escola é um dos espaços para
cífica, muitas vezes desproporcional ao de que seu corpo reage aos estímulos. se despertar essas relações, sendo
perigo real. As fobias podem ser clas- A fobia acontece num processo necessário que se inclua no currículo
sificadas com base no objeto do medo, químico nos circuitos cerebrais. Sendo escolar estudos sobre as “Habilidades
como, por exemplo, cobras e lugares assim, ocorre nas trocas neuroquímicas Sociais e Emocionais, na aprendizagem
fechados. No caso da escola, considera- entre as células neuronais, numa estru- cognitiva de conteúdos escolares com
se como fobia social escolar, ou seja, é tura que nos protege involuntariamente mais sentido e significado para a vida”.
o medo de ser negativamente avaliado do perigo, as amígdalas cerebrais. Desde Além disso, praticar gratificações

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


13
Aprendizado

mento musical, permitir o lúdico usando

Joseph Gonzalez / Unsplash


o corpo como ferramenta da aprendiza-
gem cognitiva, usar a criatividade.
É fundamental estabelecer o vínculo
de confiança e afetividade na relação da
aprendizagem escolar e compreender
que os “atrasados” não existem no
processo educacional, cada criança é
única dentro dos aspectos cognitivos,
emocionais, afetivos e sociais.
Para que a criança goste da escola e
transforme as informações em conhe-
cimentos para vida, o educador precisa
estar atento quanto ao domínio da lin-
guagem, enfatizando textos, poemas,
Gente grande a oralidade e sistematizar o conheci-
esquece que mento linguístico formal e não formal
com a criança; à capacidade visual, ao
também é difícil promover a criação com ou sem estímu-
los visuais, explorando formas, cores,
ser criança construção de jogos usando o corpo
como ferramenta de estímulos; à com-
petência auditiva, propondo atividades
de criação de sons, intensidade e ritmo,
ao promover atividades corporais usan-
prorrogadas, incentivar e estimular a Peguntei para a professora, mas ela do a dança, música, permitindo uma
criança, ajudando-a a liberar seu melhor não me respondeu, então, perguntei coreografia usando fitas, bandeiras,
talento e conseguir seu engajamento aos meus colegas e eles também não balões para serem habilmente mane-
aos objetivos de interesses comuns. sabiam. Alguns dias depois, perdi minha jados no ar.
O desenvolvimento da Educação folha dos exercícios e levei uma bronca A escola não pode ser um ambiente
Emocional e Social para minimizar os da professora. Fiquei muito triste e autoritário, deve ser renovadora, flexi-
Transtonos das fobias escolares se faz calado na sala de aula.”, conta V. 8 anos. vel e com possibilidades para questina-
necessário. Quem lida com a criança em “Hoje a professora gritou tanto mentos. É preciso possibilitar a escuta
fase escolar precisa conhecer as ideias que eu me despedacei”. G, 7 anos, que dos sentimentos e outros estados men-
relativas à educação dos hemisférios apresentava frequentes episódios de tais de si mesmo e do outro, reconhecer
cerebrais, bem como as de estruturas cefaléia e dores abdominais indo para que a aula não precisa ser realizada
funcionais do sistema de recompensa a escola. somente dentro da sala convencional,
e emocional, a fim entender de que Considerando que não há fórmulas permitindo um passeio ao ar livre para
maneira acontecem as emoções e mágicas para se obter uma aprendiza- observar os pássaros, as árvores, a
como são interpretadas em processos gem eficiente, o importante é conhecer construção do espaço físico da escola,
psíquicos extremamente subjetivos, as- a realidade da criança, despertar o in- promovendo os conhecimentos alicer-
sociado ao desenvolvimento da prática teresse e reconhecer sua emoção. Esta- çados na Ciência, além de permitir que a
da escuta emocional da criança no belecer vínculos afetivos e de confiança criança pense e provoque a reflexão – “a
espaço escolar. com objetivo de se evitar que o medo melhor escola não é aquela que trans-
Alguns relatos de crianças que apre- transforme-se em uma fobia diante do mite conteúdos densos e de repetição,
sentaram problemas de fobia escolar, processo da aprendizagem escolar. mas aquela que provoca e promove o
após vivenciarem situações destrutivas Visando uma perspectiva educacio- pensar sobre o pensar e que permite
na escola, ajudam a elucidar o assunto: nal inovadora, deve-se considerar que o questionamentos e dúvidas”.
“Se os professores e os pais tives- educador estimule os sonhos da criança Quanto mais atividades prazerosas
sem a ideia de como é assustador para e, a partir desses, faça metas e objetivos nas práticas pedagógicas forem reali-
“nós” ouvirmos críticas destrutivas, para serem realizados e superados. zadas no cotidiano escolar, há menos
carregadas de raiva, às vezes aos gritos, O educador pode minimizar os fobias escolares e mais os cérebros das
das pessoas que amam, talvez fossem riscos da fobia escolar no momento da crianças agradecem! •
mais cuidadosos em suas “broncas”. elaboração do seu planejamento e de
Os adultos exageram e nos magoam suas práticas pedagógicas, utilizando-se
profundamente.”, J.V 11 anos. de recursos e metodologias agradáveis
“Gente grande esquece que também para serem aplicados no processo da marta pires
relvas
é difícil ser criança.”, conta P.M 9 anos. aprendizagem como, por exemplo,
“Um dia eu estava em sala de aula, estimular a observação do ambiente ex- Autora de livros e DVDs sobre
Neurociência e Educação pela
quando tive uma dúvida do que fazer terno, explorar a contação de histórias, WAK Editora. Psicopedagoga,
com a folha do exercício de Matemática. a dramatização, o uso dos jogos de atua na área de aplicação da
Neurociência na Aprendizagem
Não sabia se era para colar no caderno. palavras, tocar ou escutar algum instru-

14 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
15
Jurídico

Declarações de
recebimentos e
pagamentos

A nualmente, as empresas têm


a obrigatoriedade de en-
tregar declarações referentes
a rendimentos recebidos e os pagos a
terceiros, que servem de base para o
e CSLL, ainda que em um único mês do
ano-calendário, por si ou como repre-
sentante de terceiros.
Deverão também entregar a DIRF,
as pessoas físicas e jurídicas domicilia-
beneficiários de rendimentos, entre
os principais:
• que tenham sofrido retenção do
imposto sobre a renda ou de contri-
buições, ainda que em um único mês
Fisco cruzar os dados dos contribuintes das no país que efetuaram pagamento, do ano-calendário;
e fiscalizá-los. crédito, entrega, emprego ou remessa • do trabalho assalariado, quando
a pessoa física ou jurídica residente ou o valor pago durante o ano-calendário
DIRF– Declaração do Imposto sobre domiciliada no exterior, ainda que não for igual ou superior a R$ 28.559,70
a Renda Retido na Fonte tenha havido a retenção do imposto, (vinte e oito mil, quinhentos e cinquen-
No mês de fevereiro, as empresas de valores referentes a aplicações ta e nove reais e setenta centavos, valor
devem entregar a DIRF, referente aos em fundos de investimento de con- correspondente ao ano-calendário de
rendimentos pagos no decorrer do ano versão de débitos externos, royalties, 2016, pois não houve ainda publicação
de 2018, até o dia 28/02/2019. serviços técnicos e de assistência de Instrução Normativa atualizando
Estão obrigadas à entrega da técnica, juros e comissões em geral, este valor);
DIRF, as pessoas físicas e jurídicas que juros sobre o capital próprio, aluguel • do trabalho sem vínculo em-
pagaram ou creditaram rendimentos e arrendamento, lucros e dividendos pregatício, de aluguéis e de royalties,
sobre os quais tenha incidido retenção distribuídos, além de outras operações acima de R$ 6.000,00 (seis mil reais),
do Imposto sobre a Renda Retido na com o exterior. pagos durante o ano-calendário, ainda
Fonte, como também, as Contribuições As pessoas obrigadas a apresentar que não tenham sofrido retenção do
Sociais Retidas na Fonte – PIS, COFINS a DIRF, deverão informar todos os imposto sobre a renda;

16 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


freepik.com
Devem ser
informados também
os dados relativos
a pagamentos de
planos de saúde de
empregados e seus
dependentes

• de previdência privada e de pla- ano-calendário de 2016, pois não houve mente pago, no caso de falta de entrega
nos de seguros de vida com cláusula ainda publicação de Instrução Norma- destas declarações ou entrega após o
de cobertura por sobrevivência, Vida tiva atualizando este valor). prazo, limitado a 20% (vinte por cento).
Gerador de Benefício Livre (VGBL), Devem ser informados também 2- De R$ 20,00 (vinte reais) para
pagos durante o ano-calendário, ainda os dados relativos a pagamentos de cada grupo de 10 (dez) informações
que não tenham sofrido retenção do planos de saúde de empregados e seus incorretas ou omitidas.
imposto sobre a renda; dependentes. A multa mínima a ser aplicada será
• auferidos por residentes ou domi- O sujeito passivo que deixar de de:
ciliados no exterior, inclusive nos casos apresentar a DIRF, nos prazos fixados, 1- R$ 200,00 (duzentos reais), tratan-
de isenção e de alíquota zero; ou que a apresentar com incorreções do-se de pessoa física, pessoa jurídica
• valores referentes a aposenta- ou omissões, será intimado a apresen- inativa e pessoa jurídica optante pelo
dorias, mesmo que isentas; tar declaração original, no caso de não regime de tributação, previsto na Lei nº
• de dividendos e lucros, pagos a apresentação, ou a prestar esclare- 9.317 de dezembro de 1996, revogada
partir de 1996, e de valores pagos a cimentos, nos demais casos, no prazo pela Lei Complementar nº 123, de 14 de
titular ou sócio de microempresa ou estipulado pela Secretaria da Receita dezembro de 2006;
empresa de pequeno porte, exceto Federal do Brasil - RFB, e sujeitar-se-á 2- R$ 500,00 (quinhentos reais) nos
pró-labore e aluguéis, quando o valor às seguintes multas: demais casos.
total anual pago for igual ou superior a 1- De 2% (dois por cento) ao mês- Essa é uma declaração de suma
R$ 28.559,70 (vinte e oito mil, quinhen- calendário ou fração, incidente sobre o impor tância, pois seus dados são
tos e cinquenta e nove reais e setenta montante dos tributos e contribuições cruzados com outras declarações im-
centavos, valor correspondente ao informados na DIRF, ainda que integral- postas pela Receita Federal do Brasil,

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


17
Jurídico

freepik.com
como DCTF – Declaração de Débitos forma escalonada, conforme crono- cessão de mão de obra e empreitada,
e Créditos Tributários Federais, que grama abaixo: nos termos do art. 31 da Lei 8.212.1991;
é uma declaração onde são informa- • a partir de 10 de janeiro de 2019: as • Pessoas jurídicas responsáveis pela
dos os dados relativos aos tributos pessoas jurídicas com faturamento em retenção de PIS/PASEP, COFINS e CSLL;
retidos e respectivos pagamentos, 2016 igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 • Pessoas jurídicas e físicas que
como também, DIRPF – Declaração de (setenta e oito milhões de reais); pagaram ou creditaram rendimentos
Imposto de Renda Pessoa Física, onde • a partir de 1º de Julho de 2019 em- sobre os quais haja retenção do Im-
são informados os dados relativos aos pregadores pessoas físicas, empresas posto sobre a Renda Retido na Fonte
rendimentos pagos, impostos retidos e optantes pelo Simples Nacional, produ- (IRRF), por si ou como representante
pagamento desses impostos. tores rurais pessoas físicas e entidades de terceiros.
sem fins lucrativos.
Informes de Rendimentos Prazo de entrega dos eventos da
Além da obrigatoriedade de en- O que é o EFD REINF: EFD REINF:
trega da DIRF, conforme critérios acima É o mais recente módulo do Sistema - Até o dia 15 do mês subsequente
mencionados, as pessoas deverão tam- Público de Escrituração Digital (SPED) ao que se refira a escrituração. •
bém disponibilizar aos beneficiários e está sendo construído em comple-
dos rendimentos, informe de rendi- mento ao eSocial.
mentos, onde constam as informações Abrange todas as retenções do con-
relativas à fonte pagadora, beneficiário tribuinte sem relação com o trabalho, Wagner Eduardo
dos rendimentos, os rendimentos bem como as informações sobre a Bigardi

pagos, impostos retidos, contribuição receita bruta para a apuração das con- Gestor Fiscal na Meira
para a Previdência Social, pagamentos tribuições previdenciárias substituídas Fernandes. Contador com
mais de 25 anos de atuação
a previdência privada e pensões. (desoneração da folha de pagamento). nas áreas Fiscal e Contábil,
sendo 16 anos no segmento educacional. Pós-
graduado em Controladoria e Administração
Novidades para 2019 – EFD REINF Quais contribuintes estão obriga- Financeira e Negócios pela Universidade
Paulista – UNIP, Pós-graduado em Consultoria e
Conforme Instrução Normativa RFB dos ao EFD REINF: Gestão de Empresas pela Faculdade Trevisan e
1.701/2017, as pessoas jurídicas estarão • Pessoas jurídicas que prestam e graduando em Direito na Universidade Unifieo.
wagner.bigardi@meirafernandes.com.br
sujeitas à entrega da EFD REINF, de contratam serviços realizados mediante

18 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
19
BNCC

BNCC:
2019 é o ano do ensaio geral!

A Base Nacional Comum Cur-


ricular (BNCC) que se tornou
lei em dezembro de 2017 tem
como principal papel, definir as apren-
dizagens mínimas e progressivas que
condição de área de conhecimento com
oferecimento obrigatório e frequência
optativa nas escolas públicas, a redução
do ciclo alfabetizador de três para dois
anos, o predomínio do teor preparatório
todos os estudantes de todas as escolas para as avaliações externas e a retirada
do Brasil (públicas e particulares) devem das questões de gênero na forma de
aprender em cada ano e em cada com- objetos de conhecimento. Independente
ponente curricular. Ela não é novidade. das divergências, temos que reconhecer
Esse documento já estava previsto na a importância de o país ter uma BNCC
Constituição Federal desde a década orientadora das aprendizagens, por
de oitenta. A BNCC enquanto uma lei mais que ela necessite continuar a ser
(Resolução CNE/CP nº2 de 22/12/2017), discutida.
regula, padroniza, mas também pro- Estruturalmente, o documento
voca, desestabiliza, instiga a escola e, parte de dez competências gerais que
em especial, os professores a mudarem devem ser operacionalizadas em sala de
sua forma de ensinar. O parágrafo único aula da Educação Infantil até o Ensino
de seu artigo 15 é claro ao afirmar que Médio. No caso da Educação Infantil,
“A adequação dos currículos à BNCC deve as competências gerais se refletem
ser efetivada preferencialmente até 2019 nos seis direitos de aprendizagem
ou, no máximo, até início do ano letivo de e nos cinco campos de experiência,
2020”, o que faz do ano de 2019 um ano através dos quais os seis direitos são
para “treinarmos” a BNCC na sala de operacionalizados. As atividades em
aula e chegarmos a 2020, quando obri- cada campo de experiência são orga-
gatoriamente deverá estar em prática, nizadas em três faixas etárias: bebês
com um pouco mais de segurança na (0 a 1,5 ano), crianças bem pequenas
efetivação de seus propósitos. Façamos, (de 1,6 a 3 anos) e crianças pequenas
então, um rápido retrospecto desse (4 e 5 anos). No Ensino Fundamental,
controvertido documento que constitui as mesmas dez competências gerais
uma política de Estado (logo, atravessa precisam estar presentes em todas as
governos) e que na Educação Infantil cinco áreas do conhecimento (Lingua-
e no Ensino Fundamental já norteia gem, Matemática, Ciências da Natureza,
oficialmente o ensino de nossas escolas. Ciências Humanas e Ensino Religioso) e
A BNCC nasceu sob diversos protes- em todos os componentes curriculares
tos e críticas sendo o seu formato um das áreas. Os componentes curriculares
dos principais pontos criticados. A BNCC são divididos em unidades temáticas
foi usada mesmo antes de nascer como (eixos) que por sua vez se subdividem
parte do novo modelo de Ensino Médio em objetos do conhecimento (conteú-
que o governo aprovou em 2016 através dos). Cada objeto de conhecimento dá
de Medida Provisória. Logo, estabele- origem às habilidades que devem ser
ceu-se uma urgência em aprovar uma desenvolvidas em sala de aula.
Base que já constava num novo mode- Além dessa estrutura de conteúdo, a res e de toda a equipe gestora porque
lo educacional. A solução encontrada BNCC traz diversos princípios pedagógi- dependem da quebra de paradigmas
após alguns embates foi dividir a BNCC cos sobre os quais a ação docente deve pedagógicos fortemente edificados
em duas: Educação Infantil e Ensino estar apoiada. O foco no desenvolvi- por meio da trajetória escolar docente.
Fundamental e Ensino Médio que até mento de habilidades e competências, Colocar em prática metodologias ativas
o momento não foi oficializada. A pri- a utilização de metodologias ativas que pressupõe a confiança na capacidade de
meira crítica é que essa divisão quebrou considerem o aluno como parte ativa do aprender do aluno e o domínio não só
a organicidade que uma Base curricular processo de aprender e a progressão das técnicas, mas da habilidade de gerir
da Educação Básica precisa ter. Diversas das aprendizagens são os principais. projetos e acreditar no caos construtivo.
outras críticas surgiram, sendo as prin- Esses princípios serão os responsáveis Planejar levando em conta a progressão
cipais, a elevação do Ensino Religioso à pelos maiores desafios dos professo- das aprendizagens significa conceber e

20 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


professor que deverá prever contínuos

freepik.com
resgates de aprendizagens em seu
planejamento, ressignificando a ideia
de “aluno sem base”. Outra questão de
ordem prática que a BNCC trás à tona é
o conjunto de aprendizagens mínimas
necessárias para caracterizar a efetivi-
dade do trabalho do professor.
É por tudo isso que o maior foco
no processo de operacionalização da
BNCC deve ser a formação contínua dos
professores, pois a efetividade dessa im-
plantação repousa numa prática docente
dinâmica que atribua ao aluno papel cres-
centemente ativo no ato de aprender, na
mudança de postura e atitude docentes a
caminho de uma visão integral do aluno
e no desenvolvimento de competências
socioemocionais. Aprendemos a dar
aulas com os professores que tivemos,
logo, somos o retrato de um modelo
cristalizado de ensino. Professor fala,
aluno ouve, de preferência em fileiras
de carteiras retilíneas que nos permi-
tam ver uma só cabeça (cabendo aí, no
mínimo, duas interpretações). Romper
com esse modelo requer treinamento,
apoio técnico, infraestrutura e, acima de
tudo, motivação e crença de que isso é
possível.
Para que a Base faça diferença nas
escolas, ela terá que ser vista muito
mais pelo seu lado de oportunidade do
que por sua dimensão legal. A história
mostra que nunca conseguimos mu-
danças efetivas na educação somente a
partir de leis e decretos. Para promover
mudanças, a legislação precisa ser legiti-
mada e isso somente ocorre quando as
mudanças instituídas encontram eco na
crença dos professores, que por sua vez
só acreditam quando se sentem seguros
e enxergam coerência no processo.
Desenvolver competências por meio do
currículo, garantir direitos de aprendiza-
gem e saber aplicar, na prática, princípios
da Pedagogia diferenciada serão os três
maiores desafios das escolas e dos siste-
mas de ensino. Mão à obra! É na hora que
ensaiamos que descobrimos os pontos
a serem aperfeiçoados e aqueles cujos
administrar situações-problema ajusta- ao nono ano do Ensino Fundamental. resultados motivam à continuidade do
das ao nível e às possibilidades dos Numa estrutura espiralada, os grandes nobre ato de educar. •
alunos e adquirir uma visão longitudinal temas surgem em todos os anos, apenas
dos objetivos do ensino, além de prati- num nível mais complexo. Isso significa,
car diariamente a avaliação formativa. por exemplo, que em Ciências, os alu-
Alguns desafios ganham destaque e nos estudarão o tema Vida e Evolução júlio furtado
um dos principais é a operacionalização do primeiro ao nono ano e não mais
de um currículo em forma de espiral, concentrado no sétimo e no oitavo ano Doutor em Ciências da
Educação e Mestre em
que apresenta os objetos de conheci- como era de costume. Essa estrutura Educação. Pedagogo
mento (conteúdos) distribuídos em uni- curricular trás, também, necessidades e Psicopedagogo.
Conferencista e escritor.
dades temáticas presentes do primeiro de mudança de atitudes por parte do

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


21
Aprendizagem

Metacognição:
Neurociência e Aprendizagem

As contribuições da Neurociência dentes da vontade humana como as fério dominante da linguagem e


para a aprendizagem batidas do coração e a respiração.

A
das funções psicolingüísticas (sic).
neurociência vem colaborando O hemisfério direito é responsável
na última década com novas As pesquisas realizadas no estudo pelas funções de síntese, organiza-
descobertas sobre o funcio- do funcionamento do cérebro têm ção, processo emocional, atenção
namento do cérebro humano e como as contribuído para o entendimento de visual, memória visual de objetos
funções cognitivas e executivas podem sua participação no processo cognitivo, e figuras. O hemisfério direito pro-
auxiliar no processo de aprendizagem tais como: memória, alfabetização, cessa os conteúdos não-verbais,
do indivíduo. As tarefas realizadas leitura/escrita, aprendizagem, tomada como as experiências, as atividades
diariamente pressupõem a atividade de decisões, inteligência, interpretação de vida diária, a imagem das orien-
cerebral. textual, linguagem, raciocínio lógico tações espaço-temporais e as
De acordo com Fontes e Fischer – cálculos, interpretação de símbolos atividades interpessoais (FONSECA,
(2016), a neurociência é um campo inter- numéricos –, sonhos e emoções. [s.d.],apud KAUARK, 2008, p. 266).
disciplinar que engloba diferentes áreas Os estudos mais recentes sobre o
do conhecimento como: neuroanato- cérebro humano coadunam com a ideia A neurociência e a aprendizagem
mia, neurofisiologia, neuroquímica, dos dois hemisférios cerebrais traba- se relacionam objetivando o sucesso
neuroimagem, genética, farmacologia, lhando em conjunto, interconectando no aprendizado em qualquer etapa
neurologia, psicologia, psiquiatria, pro- informações e ações. A estimulação da vida do sujeito. Os pressupostos da
curando pesquisar as diversas relações por meio de atividades e estratégias neurociência podem auxiliar na educa-
entre o comportamento e a atividade adequadas podem melhorar o desem- ção e na aprendizagem dos estudantes,
cerebral. penho da tarefa proposta. visando melhorar seu desempenho
acadêmico.
Curiosidade O que dizem as pesquisas?
O cérebro é o órgão do corpo (...) o hemisfério esquerdo é respon- NEUROCIÊNCIA E APRENDIZAGEM
humano responsável pelas ações sável pelas funções de análise, or- a) Estudantes aprendem melhor
voluntárias e involuntárias. As ganização, seriação, atenção audi- quando são altamente motivados
ações voluntárias se relacionam tiva, fluência verbal, regulação dos do que quando não têm motivação;
com o que se pode controlar, como comportamentos pela fala, praxias, b) stress impacta aprendizado;
comer, falar, brincar, entre outras, e raciocínio verbal, vocabulário, c) ansiedade bloqueia oportuni-
as ações involuntárias são indepen- cálculo, leitura e escrita. É o hemis- dades de aprendizado;

22 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


freepik.com
Texto extraído da tese de doutorado da autora.
d) estados depressivos podem im-
pedir aprendizado;
e) o tom de voz de outras pes-
soas é rapidamente julgado no
A memória é muito importante
cérebro como ameaçador ou não- para o aprendizado, pois é necessário
ameaçador;
f) as faces das pessoas são julgadas armazenar e recuperar a informação
quase que instantaneamente (i.e.
intenções boas ou más); para que haja aprendizado
g) feedback é importante para o
aprendizado;
h) emoções têm papel-chave no envolvida no ato de aprender, a inte- dificuldades de leitura e de compreensão
aprendizado; ração com o objeto de aprendizagem possam se instrumentalizar para traba-
i) movimento pode potencializar e com o meio social, uma alimentação lhar com novas metodologias de ensino,
as oportunidades de aprendizado; adequada, uma boa qualidade de sono intervindo ativamente no processo de
k) nutrição impacta o aprendizado; e o estado motivacional do indivíduo. aprendizagem de seus estudantes.
l) sono impacta consolidação de A memória é muito importante para
memória; o aprendizado, pois é necessário arma- Metacognição e leitura: funções
m) estilos de aprendizado (prefe- zenar e recuperar a informação para cognitivas, executivas
rências cognitivas) são devidas à que haja aprendizado. Este assunto será As funções cognitivas mais rele-
estrutura única do cérebro de cada abordado no próximo item. vantes compreendem a percepção, a
indivíduo; Dessa forma, a neurociência con- atenção, a memória, a linguagem e as
n) diferenciação nas práticas de tribui para que os profissionais de edu- funções executivas.
sala de aula são justificadas pelas cação entendam melhor os processos A correlação entre percepção, aten-
diferentes inteligências dos alunos cognitivos e metacognitivos envolvidos ção e memória possibilita uma apren-
(TOKUHAMA-ESPINOSA, 2008, apud na aprendizagem e nas dificuldades de dizagem com qualidade. Percepção,
Zaro, 2010, p. 204). aprendizagem dos estudantes, possibili- atenção e memória são aspectos da
tando que os profissionais de educação, cognição definidos por Torres e Desfilis
Para que haja aprendizagem, é pre- principalmente os docentes universi- (1997, apud RUSSO, 2015, p. 49), “como
ciso levar em consideração a emoção tários que lidam com estudantes com processos mediante os quais o sujeito

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


23
Aprendizagem

é capaz de codificar, armazenar e recu- mente para realizar uma atividade. mação pode passar para a memória
perar a informação.” Por esse motivo, Alternada: é utilizada quando o de longo prazo.
tais aspectos são de suma importância sujeito precisa prestar atenção A memória de longo prazo - reten-
para que a aprendizagem ocorra. em estímulos diferentes, mas não ção de informações por períodos
A percepção é um aspecto da fun- ao mesmo tempo e, sim de forma prolongados de tempo.
ção cognitiva que abrange os proces- alternada.
sos de reconhecimento, organização e Sustentada: é utilizada durante uma Percepção, atenção e a memória tra-
atribuição de significado a um estímulo atividade que exige a manutenção balham interligadas às funções executivas
vindo do ambiente por meio dos órgãos do foco por um período contínuo que envolvem organizar, planejar, monito-
sensoriais. Para que a percepção ocor- de tempo sem distrações. rar, comparar e avaliar. O córtex pré-frontal
ra, o indivíduo precisa receber um Seletiva: é um ato consciente de é responsável pela função executiva e pelo
estímulo externo e compará-lo com se concentrar e evitar distrações funcionamento cognitivo global.
suas informações armazenadas inter- oriundas de estímulos externos ou As funções executivas organizam as ca-
namente, para que possa haver um internos, inibindo aqueles que são pacidades perceptivas, mnésicas e práxicas
reconhecimento. irrelevantes. dentro de um contexto, com a finalidade
Em relação à atenção, esta é di- Concentrada: é utilizada quando o de: eleger um objetivo; decidir o início da
rigida para o estímulo que se julgue sujeito estuda, dirige ou executa proposta; planejar as etapas de execução;
ser importante na ocasião. A memória uma tarefa que exige a concentra- monitorar as etapas, comparando-as com
depende da percepção e da atenção ção em um determinado estímulo. o modelo proposto; modificar o modelo,
para que possa cumprir seu papel que (Hiperfoco). se necessário; avaliar o resultado final em
é, a aquisição, formação, conservação relação ao objetivo inicial.
e evocação das informações. MEMÓRIA Na aprendizagem, as funções exe-
Memória de trabalho ou operacional cutivas são importantes para os estu-
ATENÇÃO – armazenamento de informações dantes, pois prepara o indivíduo a tomar
Dividida: é utilizada quando o su- novas que podem rser etidas por decisões, avaliar e adequar seus com-
jeito precisa prestar atenção em aproximadamente quinze segun- portamentos e estratégias, buscando a
dois ou mais estímulos simultanea- dos. Por meio da repetição a infor- resolução de um problema.

Funções executivas e Metacognição


Funções executivas cognitivas Compreendem as funções ou habilidades envolvidas no controle e direcionamento
do comportamento, incluindo inibição de elementos irrelevantes, seleção,
integração e manipulação das informações relevantes, habilidades de
planejamento, flexibilidade cognitiva e comportamental, monitoramento de
atitudes, memória de trabalho e mecanismos atencionais.
Funções autorreguladoras do Envolvem a regulação comportamental em situações nas quais a análise cognitiva
comportamento ou os sinais ambientais não são suficientes para determinar uma resposta
adaptativa.
Funções de regulação da atividade É responsável pela iniciativa e continuidade das ações direcionadas a metas, assim
como dos processos mentais.
Funções dos processos metacognitivos Relacionam-se à teoria da mente e a autoconsciência, ao ajustamento e apropriado
comportamentos social.
Fonte: Adaptado de Seabra (2012, p.35)

A neurociência denomina meta-


freepik.com

cognição a relação entre o processo de


aprender e as capacidades de planeja-
A memória mento e regulação da própria atividade
em função de determinados objetivos.
depende da A Metacognição pode interferir posi-
percepção e tivamente ou negativamente (quando
não utilizada) na aprendizagem ou em
da atenção qualquer área de atuação. •
para que
possa cumprir bianca acampora
s. ferreira

seu papel Doutora em Ciências da


Educação. Mestre em
Cognição e Linguagem.
Psicopedagoga. Coach.
Pedagoga.

24 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
25
Metodologia

Modelos
para se
alcançar os contato com ambientes virtuais do que têm adotado é o desenvolvimento de es-

objetivos
com o mundo real. paços estruturados que se assemelham
A proposta principal da BNCC é fazer a oficinas. São os chamados ‘espaços
com que o aluno saiba como aplicar o maker’. Equipados com ferramentas,

propostos conhecimento que recebe em sala de


aula e desenvolver competências, algo
que o modelo educacional usado até
matérias-primas básicas, componentes
e mecanismos, permitem que o aluno
assimile conceitos teóricos realizando

pela BNCC agora não se mostrou capaz de reali-


zar. Muitos educadores observam que,
após quatorze ou mais anos no ensino
projetos que resultaram na criação de
objetos funcionais.
Neles, o educador, ao invés de
fundamental, o estudante conclui esta despejar conteúdo, cria o envolvimento,
etapa dos estudos sem estar apto para o compartilhamento de conhecimen-
a realização das tarefas mais básicas do tos transmitindo o saber por meio do

A Base Nacional Comum Cur- dia a dia. É deste modelo também que fazer. É óbvio que a melhor forma de
ricular (BNCC), aprovada em surgem questionamentos sobre ‘para assimilar conceitos de física é durante
maio de 2018 e que norteará que estou aprendendo isso?’ e parte a realização de projetos que culminem
os programas educacionais do ensino das angústias de uma geração que não na produção de componentes eletrôni-
fundamental a partir do próximo ano sabe lidar com as frustrações. A escola cos. Independentemente do grau de
em todo o país, retira a ênfase na é o ambiente onde devem conhecer os complexidade dos objetos, os alunos
apresentação teórica de conteúdos processos que levam às realizações. atuam desde a concepção e manufatura
para privilegiar a descoberta e o apren- A BNCC não define programas de de componentes mecânicos até sua
dizado por meio do fazer. A iniciativa ensino. Apenas aponta metas. Desta montagem final. Desta forma, além de
busca contextualizar o conteúdo, dar forma, gestores das redes pública e se familiarizarem com diversos tipos de
sentido à aprendizagem, algo de suma privada devem desenvolver metodolo- tecnologias e desenvolverem inúmeras
importância, particularmente para os gias próprias em busca deste objetivo. habilidades – inclusive a de trabalhar em
jovens de hoje, que acabam tendo mais Uma das alternativas que muitas escolas grupo e aprimorar relações interpes-

26 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


freepik.com

superior que desenvolvem, em seus algo é a melhor maneira de mostrar


espaços makers, entre outros, impres- como funcionam as teorias, sejam quais
soras 3D e as fornecem gratuitamente forem, que não devem ser decoradas,
a escolas do nível fundamental, muitas mas vivenciadas para serem compreen-
Motivar o aluno vezes com a única exigência de asso-
ciaram suas marcas ao projeto.
didas. A oportunidade de aprendizado
surge do que acontece.
a realizar algo Não adianta, porém, dispor de
espaços assim estruturados e manter
O caminho é o processo. Hoje se
pensa no objetivo e esquecendo o pro-
é a melhor projetos pedagógicos conteudistas. A
proposta da BNCC é levar o aluno para
cesso, o que é errado na proposta de um
modelo educacional que busca desen-
maneira de o centro do processo de aprendizagem, volver o pensar, o refletir e o aprimorar.
o que ocorrerá por meio de uma nova Deve-se aprender com o processo, com
mostrar como forma de pensar as tecnologias, desde os erros que acontecem; os erros são
funcionam as mais manuais às digitais. O professor
passa a ter um novo papel: o de propor-
elementos reais e ativos do processo
ensino-aprendizagem e não deflatores
as teorias, cionar a descoberta, em detrimento da
transmissão de conteúdos e cobrança
de resultados.
Os jovens de hoje são virtuais. Sua
sejam quais da sua assimilação – o que se dá, com
o modelo conteudista, geralmente, de
dificuldade em compreender seno e
cosseno não advém da equação, mas
forem, que forma meramente temporária. da falta de materialidade daquilo e do
Este novo conceito de ensino não fato de que esses jovens não enxergam,
não devem ser está na proposta da BNCC: está na cul- não materializam. Falta a parte prática
tura, no modelo educacional de cada da relação com o real, porque ele não
decoradas, mas instituição. E, por conta dos movimen- subiu a árvore para pegar a goiaba. A
vivenciadas tos do mercado, as que desejarem so-
breviver de forma independente terão
fruta que ele conhece vem embalada
em caixas. Tudo é oferecido com muita
para serem de possuir identidades próprias que as
diferenciem no mercado. A concentra-
facilidade, o que os poupa a passagem
por processos. É isso que os fazem se
compreendidas ção excessiva que se observa hoje no
ensino superior levou pouco mais de
desesperarem, matarem-se, viverem
angustiados, porque, no primeiro de-
dez anos para se concretizar. No ensino safio, por mais insignificante que seja,
fundamental, as recentes aquisições da frustram-se. A realidade virtual em
Kroton tornam evidente que o mesmo que vivem faz com que não consigam
acontecerá, mas num espaço de tempo materializar nada, nem a angústia nem
muito menor, deixando três ou quatro o problema. Devem sentar em grupo e
grandes grupos ‘comandando’ o setor. discutir. Será que conseguem se posicio-
soais – alunos podem assimilar melhor Além do movimento que o setor nar em grupo ou, como no Whatsapp,
as teorias, mas com significados que, educacional vivenciará nos próximos bloquearão o primeiro interlocutor que
por conta do modelo antigo, não lhes anos, o país passa por um momento os contrariar?
eram transmitidos. crítico. Além de toda a polarização, o A BNCC não é currículo. É uma se-
Este conceito de aprendizagem Brasil perdeu oportunidades impor- mente para disseminação de um novo
pode ser tanto intra quanto extracur- tantes. A maior delas foi o chamado modelo. Seu papel é ser o insumo para
ricular. Os ambientes onde isso se dará Bônus Demográfico, episódio raro para a constituição do currículo da rede e
devem se adequar à realidade de cada uma nação, quando a maior parte de formulação dos planos de projetos
instituição e da comunidade onde está sua população está apta a produzir. O pedagógicos das escolas para que elas
inserida. Podem dispor apenas de mate- país era uma pirâmide que tinha como tenham suas identidades. Instituições
riais simples, como tábuas de MDF, fios, base pessoas em idade adequada para têm características distintas, o que tem
lâmpadas, canos de PVC, serras, parafu- o mercado de trabalho, o que não foi de ser respeitado nas propostas de cada
sos, porcas e ferramentas. A intenção é aproveitado por conta da crise. Agora, uma. É a base que dá rumo para onde
que proporcionem a oportunidade dos tornou-se um losango e, daqui a 30 se quer chegar. Indica os objetivos, mas
jovens criarem coisas que integram sua anos, será uma pirâmide invertida, com não como eles serão atingidos. Isso deve
realidade, que estão presentes em seus idosos desqualificados para o mundo ser previsto na proposta pedagógica o
cotidianos e, desta forma, assimilarem do trabalho. Não há reforma previden- que cabe à gestão. •
o conhecimento. Para tanto, os espaços ciária que trate um país com mais de
devem ser estruturados e adequados à 30% de sua população incapaz física e
realização de projetos. intelectualmente de produzir recursos
Não demandam, necessariamente, financeiros. cesar silva
grandes investimentos nem muita Por isso, a educação deve formar um
sofisticação. Todavia, alguns chegam jovem diferente, que questione, que se Presidente da Fundação FAT,
entidade sem fins lucrativos
a contar com equipamentos de ponta motive. Educação tem de ter significado que desenvolve cursos
que são muito mais acessíveis do que se para que evidencie qual é a razão de nas áreas de educação e
tecnologia.
pode imaginar. Há instituições de ensino se aprender. Motivar o aluno a realizar

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


27
Entrevista

Simone da Silva Viana Ygor Jegorow

Histórias que ouvi contar

“A s etapas e as sugestões
apresentadas têm como
objetivo estimular o traba-
lho interdisciplinar dessas disciplinas em
nossas escolas; considerando a prática so-
história participando ativamente com os
outros no mundo. Uma educação trans-
formadora é capaz de promover mudan-
ças por meio da leitura do espaço”, diz.
no cotidiano escolar, sendo necessário
políticas educacionais que atendam a
regionalidade de cada lugar no Brasil.
Desse modo, verifica-se que a Nova
Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996,
cial concreta da educação como objeto de Escola Particular - Nos últimos anos, a como os Parâmetros Curriculares Na-
reflexão e formação ao longo do processo relação entre educação e cultura tem sido cionais (PCNs) de 1997, enfatizam a
formativo dos alunos e sua inserção no prestigiada na elaboração das políticas ideia de diversidade cultural, múltiplos
contexto sociocultural” diz a professora educacionais? olhares sobre a cultura e a História do
Especialista em História Moderna. SIMONE VIANA - Acredito que sim, patrimônio material e imaterial do Brasil.
Nesta entrevista à Revista Escola mas ainda falta muito ainda para que Nos permitindo, como professores, am-
Particular, a pesquisadora também fala isto ocorra de maneira plena em nosso pliar estes temas, incorporando leituras
sobre a relação entre educação e cultura país. Pois na atualidade são muito os críticas de textos em sala de aulas, res-
e que, na sala de aula, um professor problemas da sociedade, dos bairros e da gates de lendas e tradições regionais,
nunca pode menosprezar a história do comunidade, que acabam influenciando pesquisas de fontes históricas, estudo de
outro, não dar a importância merecida a o modo pelo qual as políticas públicas são textos literários, possibilitar discussões
ela. “Para uma boa prática, é necessário recebidas e postas em ação no cotidiano a respeito da diversidade cultural e
conhecer e fortalecer a identidade so- escolar. narrativas cotidianas. Mas isso só será
cial, possibilitando ao aluno conhecer Assim, não adianta apenas termos viável pedagogicamente se Escola, Do-
e reconhecer o espaço onde vivem, políticas educacionais, que prestigiam centes e Alunos estiverem abertos para
pertencer e se apropriar do mesmo no educação e cultura, cabe oferecer à a realidade da comunidade escolar, pelo
decorrer da sua História, promovendo a grande maioria das escolas públicas, prin- saber adquirido a partir das vivências e
troca de significados e vivências”, diz. O cipalmente, que enfrentam dificuldades tradições dela.
que entra também no assunto de diversi- para colocar em prática as diretrizes e A formação dos professores e a sua
dade cultural, o conhecimento e respeito ações políticas estabelecidas no plano qualificação também deveria ser uma
à cultura do outro, incentivar a memória de governo, condições estruturais fa- ação, aliás, primordial, na execução de
e novos saberes, conhecer tradições e o voráveis para a execução dessas políti- políticas educacionais que integram
lugar em que vive. cas, atendendo assim de forma eficaz educação e cultura. É necessário quali-
“Conhecer para respeitar! Conhecer às necessidades da educação. Visto que ficar os docentes, oportunizar novas
o aluno em todos os aspectos, com o artigo 10 da Lei nº. 9.394 (BRASIL, 1996) metodologias de ensino que permita
quem ele vive, sua família, o que faz nas aponta que um dos deveres do Estado é o uso de novas práticas educacionais
horas em que não está na escola e até a “elaborar e executar políticas e planos e elaboração e execução de projetos
profissão de seus pais, oportunizaria o educacionais, em consonância com as di- pedagógicos que incentive a integração
surgimento de uma nova relação entre retrizes e planos nacionais de educação, entre Educação e Cultura.
o professor e o aluno. Aprender a ser, integrando e coordenando as suas ações O currículo escolar também é outra
só é possível quando existem trocas e as dos seus Municípios. ação necessária, pois deveriam dar maior
de saberes, partilha de experiências e ênfase ao cotidiano escolar, permitir
situações instigadoras”. EP - Que tipo de políticas e ações do estudos de Histórias regionais, locais,
A professora é enfática em dizer poder público poderiam ser realizadas que incentivassem a formação de uma
que a realização de diversas produções para associar cultura e educação? identidade cultural e consequentemente
artísticas, individuais ou coletivas, nas SV - Penso que os Parâmetros Cur- nacional; dar ênfase às tradições, valores,
linguagens da arte (música, artes visuais, riculares Nacionais - PCNs (BRASIL, 1997) memórias, vivências e uma nova percep-
dança, teatro, artes audiovisuais), é são propostas do Ministério da Educação ção do tempo e do espaço.
essencial para a descoberta de novos e do Desporto (MEC), datadas de 1997,
saberes e vivências por meio das histórias 1998 e 1999, para a abordagem curricu- EP - O contato com a cultura propicia
orais. lar da educação básica, com o objetivo um trabalho mais voltado para a valoriza-
“Conhecer, analisar, refletir e com- de serem um referencial comum para a ção das raízes culturais. Qual a importância
preender os diferentes processos de educação de todos os Estados do Brasil, de ele ser incentivado a desenvolver esse
Arte, com seus diferentes instrumentos não é suficiente, pois muitos professo- tipo de reflexão?
de ordem material e ideal, socioculturais res têm tido dificuldades em aplicar as SV - Nos últimos anos, a relação entre
e históricas. Compreender que o homem sugestões apresentadas por eles, o tra- Educação e Cultura foi incorporada nas
é um ser histórico, capaz de construir sua balho interdisciplinar ainda é um desafio políticas educacionais visando reforçar

28 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


Professora e Pesquisadora
nas áreas de História, História
Regional, Trabalho, Políticas Sociais,
Educação e Cultura. e Contemporânea e
a autoestima dos alunos, fortalecer as
Graduada em História, um de seus projetos
identidades sociais e resgatar a história como professora é o “Histórias que ouvi
oral de diversas regiões. Em outras contar” que tem como objetivo incentivar
palavras, as experiências culturais inte- o trabalho, de forma interdisciplinar,
ragindo dentro e fora da escola. disciplinas como História, Geografia,
Mas, como disse antes, na realidade Literatura, Artes e Cultura nas escolas.
falta muito ainda para que essas políticas
sejam efetivadas de fato. É importante
refletir esta questão, como a Cultura se
traduz em experiências escolares? Qual a
imagem que os alunos têm de si mesmos,
de seu lugar, de seu país, do mundo em
que vivem? É preciso, enquanto profes-
sores, buscarmos esse olhar, essa identi-
dade, esse sujeito capaz de transformar
a sua realidade a partir do conhecimento
obtido por ela. Oportunizar ao aluno a
busca de suas raízes, em relembrar coisas
do passado, seja na família ou comu-
nidade, na cidade ou região, tornando a
história viva; tornando-se sujeitos de sua
própria História, sendo capaz de trans-
formá-la de maneira crítica e consciente.
Vamos propiciar à sociedade ci-
dadãos críticos, transformadores e
sensíveis ao meio em que vivem.

EP - De que forma os professores po-


dem oportunizar, por meio de atividades
pedagógicas, a busca por estas raízes
culturais com os alunos?
SV - Por meio de projetos pedagógi-
cos que trabalhem educação e cultura.
A cultura é plural, implica sujeitos, va-
lores, manifestações artístico-culturais e
materiais, imaginário social, identidade,
conhecimento, relações de poder, re-
ligião, etc.; possibilitando assim várias
possibilidades de projetos interdisci-
plinares, girando em torno de grandes
temas, como: Identidade e Pluralidade;
Cultura de massa e Consumo; Patrimônio
e Herança Cultural; Cultura e Cidadania.
Todos estes temas estão interligados,
valorizando a cultura no cenário educa-
cional. Assim sendo, a cultura configura
um mundo de símbolos, que atribui
significados e delimita a forma como se
lê, se sente, se vive; definindo a maneira
de ser e de agir do indivíduo.
Para que a abordagem pedagógica
seja um sucesso, é necessário motivação,

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


29
Entrevista

mostrando para o aluno a relevância do 2º Passo: SV - Muitas contribuições, incentivar


trabalho para o seu entendimento do • Relato de lendas, tradições e cos- a diversidade cultural, o conhecimento
presente, mostrando que o assunto é tumes pelos alunos... Histórias que eu e respeito a cultura do outro, incentivar
importante e atual, despertando o inte- ouvi contar. a memória e novos saberes, conhecer
resse pelo Projeto, uma nova forma de • Análise de textos e debates em tradições e o lugar em que vive. Conhecer
ver e ensinar Cultura, aprimorando sua grupo, almejando repensar a função so- para respeitar! Conhecer o aluno em to-
vida social e cultural. cial e política dos envolvidos; articulando dos os aspectos, com quem ele vive, sua
É importante destacar que os proje- cotidiano, cultura e sociedade. família, o que faz nas horas em que não
tos ou atividades pedagógicas podem ser • Aprofundamento de informações está na escola e até a profissão de seus
recriadas com a autonomia do professor, sobre o contexto em que ocorre a trama pais, oportunizaria o surgimento de uma
problematizando a relação cultura e vivida pelos personagens, possibilitando nova relação entre o professor e o aluno.
educação a partir de novas histórias e abordagens mais complexas de acordo Aprender a ser, só é possível quando
vivências para todo o processo de apren- com os interesses do público-alvo. existem trocas de saberes, partilha de
dizagem desde a Educação Infantil ao experiências e situações instigadoras.
Ensino Superior. 3º Passo: Assim, vamos gerar cidadãos capazes
• Elaborar um livro com ilustrações de mudar e transformar o lugar em que
EP - O que não é recomendável um pro- criativas a respeito dos temas sugeridos, vivem, sem precisar mudar de lugar.
fessor fazer ao trabalhar, com os alunos, a utilizando-se de materiais recicláveis e de A História das populações indígenas e
história cultural da região ou comunidade muita imaginação. afro-brasileira é de suma importância de
em que se insere a escola? • Nesse momento, o aluno poderá ser compreendida e vivida na atualidade;
SV - Menosprezar a história do outro, criar uma história fictícia baseada nas como meio de conscientização e valori-
não dar a importância merecida a ela. pesquisas e relatos realizados, ou re- zação do passado dos povos indígenas e
Para uma boa prática, é necessário produzir histórias que ouviu contar, ou africanos, oportunizando ao aluno a re-
conhecer e fortalecer a identidade so- ainda, descrever histórias contidas nos flexão e o respeito às diferenças culturais
cial, possibilitando ao aluno conhecer documentos estudados na primeira fase em nosso país. A promulgação da Lei
e reconhecer o espaço onde vivem, do projeto. 10.639/03, alterando a LDB, estabeleceu
pertencer e se apropriar do mesmo no • Apresentação mais detalhada dos a obrigatoriedade da temática “História
decorrer da sua História, promovendo a pressupostos teóricos e metodológicos e Cultura Afro-Brasileira” no currículo
troca de significados e vivências. a serem utilizados, permitindo ao aluno oficial da rede de ensino da educação
ser um sujeito ativo no processo de básica, oportunizando a visibilidade e o
EP - Uma das propostas do seu projeto aprendizagem. reconhecimento da cultura e memória
“Histórias que ouvi contar”, é incentivar o do povo africano e suas experiências na
trabalho, de forma interdisciplinar, discip- 4º Passo: sociedade brasileira ao longo da História.
linas como História, Geografia, Literatura, • Finalmente, organizar uma ex- A mesma lei foi novamente alterada
Artes e Cultura nas escolas. Que tipo de posição de todo o material utilizado pela de n. 11.645/08, com a inclusão da
atividades poderiam ser realizadas para na concretização do Projeto, desde as temática indígena nas escolas, em uma
promover este trabalho? pesquisas, relatos, entrevistas, textos abordagem que possibilita ao aluno do
SV - As etapas e as sugestões apre- literários ao Livro confeccionado pelos ensino fundamental, médio e superior
sentadas têm como objetivo estimular o alunos. ter uma visão crítica à imagem dos povos
trabalho interdisciplinar com a História, • Organizar um cenário criativo e indígenas, sua diversidade étnico-cultu-
Geografia, Literatura, Artes e Cultura em propício para a mostra e exposição dos ral, sua história e presença na atualidade.
nossas escolas; considerando a prática livros. Desta forma, a escola deve reconhe-
social concreta da educação como ob- • Permitir um ambiente adequado cer e valorizar a história e a cultura
jeto de reflexão e formação ao longo para visitas e um espaço para a leitura das africana, a afro-brasileira e a indígena,
do processo formativo dos alunos e sua histórias criadas pelos alunos/autores. que são imprescindíveis para o ensino
inserção no contexto sociocultural. É importante destacar que é uma da diversidade cultural no Brasil. Trata-
Segue então, as atividades que foram proposta que pode ser modificada e se de um momento em que a educação
realizadas na execução do Projeto: adaptada a todo instante para atender brasileira busca valorizar devidamente a
a diversos objetivos pedagógicos, públi- história e a cultura de seu povo afrodes-
1º Passo: cos-alvo, realidades diversas, podendo cendente e indígena, buscando assim
• Motivação na seleção de textos ser recriado com a autonomia do profes- desconstruir paradigmas racistas e eu-
literários ou não; documentos históri- sor, problematizando a relação cultura rocêntricos da memória e História desses
cos de diversas fontes, como escrita e e educação, a partir de novas histórias povos, que devem ser reconhecidos e
oral; imagens; favorecendo uma leitura e vivências. respeitados.
prazerosa e de fácil compreensão a res- Tratar a discussão sobre a cultura
peito das lendas, tradições e costumes EP - Que contribuição atividades que afro-brasileira como matéria/disciplina
da região pertencente ao aluno. incentivem o conhecimento e o respeito significa dar um passo importante para
• Descrição da Pesquisa realizada à diferença cultural e a heterogeneidade reduzir as desigualdades e a violência que
com diversos documentos oferecidos. de experiências sociais poderiam trazer marcam o país.
• Mobilizar os saberes e conhecimen- para a formação dos alunos? Seria uma A luta contra o preconceito é tanto
tos prévios sobre o tema escolhido, identi- forma de trabalhar o combate ao pre- política quanto acadêmica. Os atores
ficando o interesse do aluno pelo assunto. conceito? sociais que trazem constantemente

30 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


para o debate público a questão do ra- selecionados. Nesse contexto, o profes- A educação desempenha um papel
cismo, em parte ajudam a mostrar que sor necessita pensar e propor diversas importante neste processo de transfor-
estas questões têm dimensão histórica situações de ensino-aprendizagem, nas mação, é preciso oportunizar o aluno a
e política. quais os alunos terão a oportunidade buscar meios de evoluir em sua vida sob
Para a Unesco, debater essas de construir soluções para as situações, todos os aspectos, despertando no ser
questões em sala de aula é fundamental, verificá-las, pensando e repensando so- humano a consciência e reflexão crítica
é primordial que ensinem aos estudantes bre elas; Visando favorecer a formação para uma transformação social, diante
que todas as pessoas são iguais, indepen- do cidadão para que este assuma formas de uma realidade com grande influência
dentemente da cultura ou até mesmo de participação social, política e de ati- midiática, tecnológica e virtual.
de sua cor. Um dos compromissos dos tudes críticas diante da realidade que o
países-membros da Organização das cerca, aprendendo a discernir limites e EP - Algo que gostaria de acrescentar?
Nações Unidas é garantir o cumprimento possibilidades em sua atuação e transfor- SV - Compreender que o homem é
da Agenda 2030 para o Desenvolvimento mação da realidade histórica na qual está um ser histórico, capaz de construir sua
Sustentável, adotada pelo Brasil e todos inserido. Reconhecendo a importância história participando ativamente com
os outros Estados-membros da ONU de contemplar o ser humano como um os outros no mundo. Uma educação
em 2015. Entre os 17 objetivos globais da todo, estabelecendo uma conexão do transformadora é capaz de promover
agenda, está a garantia de ambientes de indivíduo com o meio, na formação dos mudanças por meio da leitura do espaço;
aprendizagem seguros e não violentos, cidadãos nas suas concepções mais am- o qual traz em si todas as marcas da vida
inclusivos e eficazes e a promoção da plas e democráticas. Em outras palavras, dos homens, construído cotidianamente
educação para a igualdade e os direitos constituindo-se desta forma em um e que expressa tanto as nossas utopias,
humanos. processo educativo fundamentalmente como os limites que nos são postos; é
democrático, pelo desenvolvimento oportunizar a reflexão sobre o papel de
EP - Que habilidades e competências de capacidades de percepção, crítica e sujeitos de nossa História, mobilizando
o contato com as diferentes formas de autoconhecimento com sujeitos de um para os caminhos de acesso ao conhe-
arte, por meio de visitas dos alunos aos tempo e lugar. cimento, associada a cultura, leitura
espaços culturais como museus, teatros, crítica da realidade, desafiando-nos para
centros de exposição, pode desenvolver que percebamos que o mundo pode ser
nos estudantes? mudado, transformado, reinventado.
SV - A realização de diversas
produções artísticas, individuais ou co-
Um dos desafios A escola tem como desafio nos
dias atuais a formação do cidadão,
letivas, nas linguagens da arte (música,
artes visuais, dança, teatro, artes audio-
da educação é para que este tenha conscientemente
participação social, política e atitudes
visuais), na descoberta de novos saberes inspirar, criar e críticas diante da realidade que vive,
e vivências por meio das histórias orais. oportunizando uma atuação e trans-
Conhecer, analisar, refletir e com- recriar possibilidades formação da realidade histórica na qual
preender os diferentes processos de está inserido. É imprescindível que a
Arte, com seus diferentes instrumentos de lutas contra sociedade e o Estado percebam e as-
de ordem material e ideal, socioculturais
e históricas. o preconceito, sumam que a escola é uma instituição
social plural, que se educa para a vida e
Analisar, refletir, respeitar e preser-
var as diversas representações culturais,
a violência, a para a cidadania. Se fazendo necessário
repensar o significado da transformação
utilizadas por diferentes grupos sociais e
étnicos, interagindo com o patrimônio
alienação, o social no cenário educacional e assim
buscar para o nosso país, uma Educação
material e imaterial da História a qual está autoritarismo Libertadora; como defendeu e propôs
inserido (local, nacional e global) que se Paulo Freire, pois fiel aos princípios de
deve conhecer e compreender em sua uma educação libertadora, ele soube
dimensão sócio-histórica. reinventar-se nos tempos e nos espaços
A escola deve educar para a vida e em que viveu. Assim, um dos desafios
EP - Importante ser resgatada a na vida, desde bem cedo, entendendo da educação é inspirar, criar e recriar
identidade cultural, concomitantemente, a sociedade como um espaço de reali- possibilidades de lutas contra o precon-
preparar o aluno para o futuro. A Educa- zações instigando no aluno a formação ceito, a violência, a alienação, o autorita-
ção 4.0 faz pensar em toda a evolução de uma consciência crítica e cidadã. rismo, enfim uma nova ressignificação
tecnológica atual, e também nas neces- Para isso, será necessário que a escola da atuação pedagógica para aceitar e
sidades educacionais das novas gerações. tenha clareza de seu currículo, de sua incluir as diferenças do outro, das nos-
As habilidades desenvolvidas hoje, nas proposta pedagógica, de seu sistema sas próprias diferenças e assumir uma
escolas, vão suprir as necessidades destes de avaliação no processo de ensino e de postura diante das diferenças produzidas
futuros profissionais? aprendizagem, na ação educativa; dis- ao longo da História da Humanidade. A
SV - O ensino hoje deve partir da cutindo-a e colocando como perspectiva escola que queremos é mediadora da
vida, das situações cotidianas, para a possibilidade de mudar essa realidade, aprendizagem, que tem como objetivo e
que seja um estudo com significado. É repensar a formação de homens capazes responsabilidade, transformar os alunos
preciso que o professor tenha claro essa de transformar, caracterizada pela ação em pessoas; provocando uma verdadeira
questão ao desenvolver os conteúdos transformadora do mundo. transformação social. •
2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
31
Inclusão

Os surdos que recebem as


mesmas oportunidades
de participação e
de reconhecimento
podem apresentar uma
adaptação excelente

PARA SURDOS
ANTENADOS

A lgumas pessoas teimam em


não reconhecer que as dife-
renças são uma realidade
positiva, enriquecedora, um brilho a
mais na vida! Foi-se o tempo em que o
Se existem tais resultados, também
existem esforços para mudanças. Nossas
leis, desde a última Constituição (1988),
asseguram o direito de aprender para
todas as crianças. As escolas se multipli-
parecia perdido, porque sua base é a
brincadeira, na verdade, é um momento
fantástico para a aprendizagem.
E os surdos? Acreditando que os
surdos que recebem as mesmas opor-
desejável, numa sala de aula, era a fileira caram e, agora, há o conhecimento de tunidades de participação e de reconhe-
de alunos quietos, estrategicamente que cada criança tem seu ritmo, seu jeito cimento podem apresentar uma adap-
colocados de costas para os colegas, próprio de aprender e de se comunicar e tação excelente, se atendidos desde o
fechados em suas quadradas mesinhas que TODOS juntos podem contribuir com início escolar, criamos uma Turma do
individuais! Os professores estavam as melhorias. Futuro Verde, com muita esperança de
sempre certos, portanto, o aluno que Como conseguir isso? Falando de sur- que todos possam desenvolver seu po-
não acompanhasse era o “problema” dos, por exemplo, fica claro que estamos tencial de aprendizagem. Bem, vamos
da família, é claro! discutindo uma comunicação que se faz falar em três passos, como lidar com
Hoje, o Brasil participa com o resto de forma diferente, sem a audição. Tais surdos antenados:
do mundo de ações que procuram mu- crianças, quando estimuladas, são tão 1) As crianças surdas precisam ser
dar esse cenário! Ainda estamos entre espertas, que a própria família demora integradas no mesmo espaço que seus
os últimos do mundo em alfabetização a descobrir a deficiência auditiva, porque colegas. Em nossa “Turma do Futu-
porque muitas de nossas crianças não elas se comunicam com firmeza e até ro Verde”, Cátia é uma menina linda,
leem, não escrevem e não interpretam com certa impaciência. Ocorre que a simpática, querida pelos amigos e surda.
textos. Mas, não estamos falando de cri- escola, nem os professores, estão pre- É como desejamos que seja na escola.
anças com necessidades especiais, uma parados para oferecer o que precisam. Cada criança precisa ser reconhecida por
vez que essa realidade acontece com os Como todas as crianças, o período de suas qualidades, o que ajudará todos a
alunos que terminam o ensino funda- Educação Infantil é quando o cérebro serem melhores. A atitude de aceitação
mental, de acordo com as provas inter- está funcionando a mil, porque os da professora é o modelo a ser seguido
nacionais promovidas pela Organização neurônios se desenvolvem em redes de nas brincadeiras, nas atividades diversas,
para a Cooperação e Desenvolvimento conexões que surpreendem até o mais porque os surdos gostam de brincar,
Econômico (OCDE). experiente cientista! Aquele tempo que jogar, descobrir novidades e participar de

32 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


freepik.com
tudo que qualquer criança tem interesse seus colegas, sem perder nada por ter
As crianças surdas
em fazer. Ao falar com ela, faça-a olhar uma segunda língua. A possibilidade de precisam ser
para você e ela vai entender tudo. A cri- oralização também é oferecida, porque
ança surda tem uma facilidade especial a escolha é da família – a única coisa que integradas no
de lidar com gestos e de compreender
expressões. Na “Turma do Futuro Ver-
não pode acontecer é negar estímulos
que são a base da preparação do cérebro
mesmo espaço
de”, onde todos são super-heróis, Cátia
tem a habilidade nas mãos e a percepção
para a aprendizagem, o resto acontece.
3) Finalmente, para conviver em nos-
que seus colegas
no olhar como seus dons principais. so mundo, que não se restringe a surdez,
Imagine numa brincadeira de esconde- as crianças precisam conhecer a língua aquele prazer que só um educador sabe
esconde: ela percebe os movimentos que de seu país, para participar com todos os traduzir no sorriso feliz da criança que se
outras crianças não notam. outros. Assim, a Turma do Futuro Verde descobre, enquanto se deslumbra com
2) No segundo passo, vem a principal oferece a possibilidade de aprender por- um mundo de amigos e conhecimentos. É
função do professor, oferecer condições tuguês com jogos, caderno de atividades uma realização profissional saber que fez
de comunicação. A Libras foi reconhecida e com inclusão digital, um conhecimento parte daquele futuro que se desdobra das
como língua oficial dos surdos, portanto, indispensável na era da informatização, oportunidades que florescerão, como se
por meio dela, uma criança surda poderá porque as crianças vão crescer usando dá com uma semente bem cuidada. •
se comunicar em qualquer lugar com computadores, então, é melhor que
outras pessoas com surdez. A escola, que saibam como aproveitá-los nas diversas
tem crianças surdas, tem que oferecer atividades escolares, desde cedo.
Luiza elena l.
essa possibilidade, que servirá como Concluindo, a criança surda precisa ribeiro do valle
gancho também para o aprendizado do da possibilidade de conviver com as ex-
Mestre em Psicologia
português. A “Turma do Futuro Verde” periências que serão parte do seu cres- Escolar Educacional.
oferece amplo vocabulário e tradução cimento e vida diária. A hora de começar Entre os livros lançados,
estão “Adolescência, as
em Libras de todas as histórias, enfim, é na Educação Infantil. Com os recursos contradições da idade” e “Aprendizagem
possibilidade de aprender brincando, disponíveis para oferecer para a criança, na Educação de Crianças e Adolescentes”.
Publicados pela Wak Editora.
ao mesmo tempo, na mesma idade que o professor terá seu trabalho facilitado e

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


33
Opinião

freepik.com
POLITICAMENTE CORRETO
A vida em sociedade é dinâmica,
e é natural que sofra modifica-
ções, ao longo do tempo.
Viver em sociedade, de maneira civi-
lizada, exige respeito humano, que leva
informais, de isolamento e falta de opor-
tunidades de progresso profissional.
Alguns, mais extremados, acabam, via
encarceramento, afastados do convívio
coletivo.
Pregam a liberdade de culto e cren-
ça, e usam-na para ridicularizar e contes-
tar cultos e crenças alheias. Inventam
condenações a procedimentos alheios,
tentando criminalizar, por exemplo,
o indivíduo a se abster, em público, de A sociedade só sobrevive enquanto fantasias de índios e marchinhas como
comportamentos que choquem ou con- depositária, praticante e defensora “Maria Sapatão”, “Cabeleira do Zezé”,
trariem valores e tradições de terceiros. de seus valores e tradições. Tentar “Seu cabelo não nega” e outras.
Tais valores e tradições não dizem res- despi-la de qualquer conteúdo moral Sob a denominação genérica de
peito a entendimentos estritamente é transformá-la em mais um rebanho arte, montam obras e espetáculos com
pessoais, que beiram a insanidade, mas irracional, ainda que amestrado. cenas de sexo explícito, até envolvendo
ao conjunto de valores, socialmente Vivemos tempos tumultuados, de animais e figuras sagradas, sem qual-
sedimentados. sucessivas afrontas e intimidações, cor- quer preocupação com avisos prévios
Muitas vezes, os comportamentos roendo hábitos e entendimentos havidos de conteúdo e indicação etária. É direito
antissociais acabam por sofrer vedações como respeitosos. Na verdade, sob o de cada um a assistência, mas é direito
legisladas, obrigando civilidades. Urinar manto enganoso do “politicamente cor- de todos tomar conhecimento prévio
e defecar são atitudes naturais e sempre reto”, busca-se o esvaziamento de todo do que irão assistir.
compreendidas, desde que não realiza- o conteúdo imaterial que armazenamos. É dever da sociedade reagir e tentar
das ao ar livre e sob o olhar indignado Existe uma mal disfarçada tenta- sobreviver, enquanto organismo vivo e
de terceiros. tiva de ruptura social, agasalhada sob harmônico. Valores e tradições susten-
A humanidade sempre contou a égide da vanguarda e inovação. Em tam a nacionalidade, e sem eles somos
com indivíduos rebelados, que vivem verdade, ocorre um espetáculo odioso um corpo vazio, mero e mal conduzido
demonstrando seu inconformismo com de cinismo e irresponsabilidade. rebanho. É a barbárie. •
os valores e tradições do meio onde Pregam banheiros coletivos, que
vivem. Tais indivíduos reafirmam seus sirvam indistintamente a todos os
entendimentos praticando as ações a gêneros, pretensamente respeitando o
que julgam ter direito, ainda que cau- interesse de indivíduos que, sendo ho- Pedro Israel
Novaes de Almeida
sando indisposições e contrariedades. mens, sentem-se mulheres, e vice-versa.
Tais indivíduos sempre foram de- E como fica o direito das mulheres, em Engenheiro agrônomo e
sestimulados pela condenação social, usar banheiros preservando a intimi- advogado, aposentado.
pedroinovaes@uol.com.br
através de ações conjuntas, sempre dade e privacidade?

34 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
35
Bett Educar

STEM ganha espaço


nas escolas - e na Bett
Brasil Educar 2019
Redação Bett Educar

A abordagem STEM propõe que


os conteúdos dos campos de
Ciências, Tecnologia, Engenha-
ria e Matemática sejam trabalhados de
forma interdisciplinar e prática. Esse
movimento leva inovação de verdade
para dentro das escolas.
O movimento educacional conhe-
cido por STEM - Science, Technology,
Engineering and Mathematics nasceu
nos Estados Unidos e vem ganhando
força no Brasil com sua proposta de
reformulação dos currículos do ensino
básico. Não há um modelo pedagógico
único, mas três características são
fundamentais no ensino sob a ótica do
STEM: abordagens interdisciplinares;
conexão dos conteúdos escolares com
a realidade dos alunos; aprendizado por
meio de atividades práticas.
Dessa forma, o STEM se aproxima
do movimento maker, ao propor que
o aluno ponha a mão na massa para
aprender. E também dialoga com as
metodologias que trabalham por pro-
jetos ou resolução de problemas.
Alguns fatores da conjuntura
brasileira estão favorecendo o cres-
cimento de interesse pelo STEM por
aqui. “Com a Base Nacional Comum Cur-
ricular, ganham importância a interdis-
ciplinaridade e as metodologias ativas.
Também há o olhar para competências
socioemocionais. Numa abordagem
STEM, os alunos desenvolvem colabo-
ração, liderança, respeito, capacidade
de argumentação e, principalmente,
o desenvolvimento de pensamento
crítico, científico e criatividade”, cita
Lilian Bacich, doutora em Psicologia
Escolar e do Desenvolvimento Humano
pela USP, cofundadora da Tríade Educa-
cional e palestrante do Congresso Bett
Brasil Educar.
Muitas escolas do país têm optado
ainda por incluir as “artes” no leque
freepik.com

de disciplinas, para que os alunos não


fiquem excessivamente focados nas dis-

36 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


As aulas de STEM podem ser
feitas em qualquer lugar da escola. Há muitos
exemplos que derrubaram por terra a crença de que
há necessidade de laboratórios sofisticados

freepik.com
ciplinas exatas. Assim, adotam o acrôni- vai precisar ter um olhar mais distancia- materiais de baixíssimo custo, além de
mo STEAM, que seria STEM+Artes. do de seu componente curricular, pois focar na sustentabilidade utilizando
Outras, incluem as Ciências Humanas, deve encontrar os pontos de conexão sucata.
a área de Linguagem, construindo com os demais componentes. Só assim
diferentes acrônimos para identificar ele poderá promover experiências de Aprendizado na prática
a abordagem. aprendizagem realmente significativas Outro mito que o STEM derruba é
Embora muitos dos conceitos que por meio do STEM”, afirma a palestran- a necessidade de saber primeiro a teo-
o STEM tem por base não sejam exata- te da Bett Brasil Educar. ria para depois colocar algum conheci-
mente uma novidade, a implementação Nesse contexto de atividades práti- mento em ação. Assim como os alunos,
do modelo costuma esbarrar em alguns cas, uma sala de aula com carteiras en- os professores também aprendem na
obstáculos, como a necessidade de mu- fileiradas fica claramente inadequada. prática. Ou seja, não é preciso primeiro
dança de cultura escolar e de formação Mas isso não implica na necessidade de ser um especialista teórico em STEM
docente. “No começo, o próprio aluno laboratórios cheios de equipamentos para só depois adotar essa abordagem
não entende muito bem a relação entre caros. “A mudança de espaço é uma na sala de aula. “Nós defendemos a
o que está fazendo e o conhecimento, urgência. Mas as aulas de STEM podem experimentação docente. O profes-
principalmente se já é acostumado a ser feitas em qualquer lugar da escola. sor começa a criar uma aula de STEM
aulas mais expositivas, em um modelo Há muitos exemplos que derrubaram numa semana, vê os resultados, e vai
tradicional de escola”, explica Lilian. por terra a crença de que há neces- aperfeiçoando. Ele aprende a fazer por
Mas ela garante que apesar de alguma sidade de laboratórios sofisticados”, meio da ação e, assim, vai aprimorando
resistência inicial, os estudantes se garante Lilian. sua prática pedagógica”, diz Lilian.
adaptam rapidamente se o professor Um dos exemplos é o da profes- Isso não significa transformar os
estiver bem preparado ao auxiliar a sora Débora Garofalo, que recebeu o alunos em “cobaia”; na verdade, pro-
sistematização e a identificação do que Prêmio Nacional Professores do Brasil e fessores e alunos constroem juntos um
está sendo trabalhado na proposta. figura no Top 50 no Global Teacher Prize novo conhecimento. E, juntos, desen-
O grande desafio para a aplicação graças a seu projeto de robótica com volvem estratégias para lidar com os
do STEM nas instituições de ensino é, sucata, desenvolvido em uma escola desafios que se apresentarem durante
portanto, a formação docente, que, de periferia, parte da rede municipal de a caminhada. “O professor precisa de
principalmente nas disciplinas relacio- São Paulo. Robótica também pode fa- muita clareza de onde quer chegar. Com
nadas à abordagem, é altamente espe- zer parte da abordagem STEM e Débora esse ponto, faz uma espécie de plane-
cializada e fragmentada. “O professor prova que pode ser desenvolvida com jamento reverso e vai aprendendo no

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


37
Bett Educar

Há momentos
em que o
professor tem
que falar: vamos
prestar atenção
neste conceito

freepik.com
processo. Se ele ficar só esperando, a as ciências da natureza” virou um dos
inovação não acontece nunca”, afirma grandes temas do Congresso de 2019. Origem
a palestrante da Bett Brasil Educar. No dia 17 de maio, os interessados A valorização das áreas do
Um dos cuidados par a quem poderão participar na sequência de três STEM - assim como o próprio termo
começa a adotar o STEM é evitar ter momentos de reflexão e aprendizados – teve origem na década de 1960
atividades práticas 100% do tempo, para sobre STEM/STEAM. nos Estados Unidos, em resposta
não cair no extremo oposto das aulas Primeiro, Lilian Bacich e seu sócio ao lançamento do satélite Sputi-
puramente expositivas. Ensinar sob a na Tríade Educacional, Leandro Holan- nik, pela antiga União Soviética. O
abordagem STEM pressupõe inverter da, vão falar sobre “Formação de governo americano percebeu que
a lógica tradicional: em vez de primeiro Professores para a Implementação do precisava de gente qualificada se
decorar a teoria para depois fazer uma STEM na Educação Básica”. Logo em quisesse tomar a frente na cor-
experiência, deve-se partir da prática seguida, Roseli de Deus Lopes, livre- rida espacial e, para isso, decidiu
para descobrir e nomear os conceitos docente da Poli-USP e coordenadora- pensar no longo prazo e passou a
por trás do que se observou. “Não geral da Febrace (Feira Brasileira de incentivar que a educação básica
adianta só construir. Deve-se depois Ciências e Engenharia), dará a palestra tivesse um foco maior nas ciên-
refletir, organizar as descobertas em “Educação STEAM: da exploração livre cias e tecnologia. Ao longo dos
conhecimentos acadêmicos”, explica à pesquisa científica e tecnológica”. De- anos a abordagem foi ganhando
Lilian. “Há momentos em que o pro- pois do almoço, como fechamento do consistência, se espalhando pela
fessor tem que falar: vamos prestar assunto, os congressistas vão conhecer Europa e se mostrando cada dia
atenção neste conceito, auxiliando o experiências exitosas de aplicação de mais necessário no mundo inteiro.
aluno no estabelecimento de algumas STEM. Na palestra “Atraindo os Jovens
relações que, talvez, ele não consiga para as Ciências: Duas Boas Práticas”,
fazer sozinho e, como par mais experi- Mariana Peão Lorenzin, do Colégio SERVIÇO
ente, o papel do professor é essencial Bandeirantes, e Susan Bishop, da Saint
nesses momentos. Mas, claro, ainda Paul’s School, vão mostrar o que já
assim pode ser uma aula dialogada e está sendo feito em suas instituições
participativa”. de ensino.
Além de ser contemplado no Con-
Tendências gresso, o STEM marcará presença
Acompanhando de perto as tendên- também na área de exposição, onde
cias para a educação do país, este ano a vários fornecedores vão apresentar
Bett Brasil Educar aumentou o espaço de soluções e materiais para ajudar os
para o assunto, que já foi tema de pales- gestores que desejam implementar ou
Mais informações:
tras em edições anteriores. “STEM - o aperfeiçoar a abordagem STEM em suas bettbrasileducar.com.br
desafio de atrair e formar jovens para escolas. A visitação à feira é gratuita.

38 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
39
freepik.com
Curso

Introdução à Educação 4.0


A presenta-se nesta edição o quarto módulo do curso
‘Introdução à Educação 4.0’. No módulo anterior foi
apresentado o pilar sustentado pela Engenharia e
Gestão do Conhecimento (EGC), destacando-se aspectos cen-
trais relacionados ao desenvolvimento do conhecimento tácito
reflete a unicidade entre o espaço físico (arquitetônico) e o cibe-
respaço (digital), na perspectiva de uma integração cyberfísica.
Uma das aplicações práticas deste conceito é permitir que os
ambientes de aprendizagem sejam analisados e transformados
de modo a oferecer maior plasticidade no suporte a proces-
(competências e habilidades) e explícito (teórico/midiático). sos metodológicos ativos, ressignificando e revalorizando a
Neste módulo, é apresentado o quarto pilar teórico-tecnológico infraestrutura da escola.
da Educação 4.0, que trata da Ciberarquitetura. Este conceito Acompanhe este novo módulo e bons estudos!

Módulo IV
Educação 4.0: Macrovisão

Ciberarquitetura (CBQ)
Pilar CBQ – Responsável pela integração de processos tecnológicos e mídias para o conhecimento,
integrando os níveis da Mesoestrutura e Infraestrutura presentes no Modelo Sistêmico de Educação.

A ciberarquitetura[3] se objetiva nas A ocupação do espaço, sua utilização, lugar, para ser construído. O problema, o
expressões físicas do ambiente, se sub- supõe sua constituição como lugar: o primeiro problema, se coloca quando se
jetiva na dimensão do ciberespaço[12], “salto qualitativo” que leva do espaço carece de espaço ou de tempo.
(re) objetivando-se no contexto das ao lugar é, pois, uma construção. O es- A diferenciação fundamental entre
relações humanas, síncronas ou não, de- paço se projeta ou se imagina; o lugar se espaço e lugar convida à construção de
senvolvidas em ambientes de interação constrói. Constrói-se “a partir do fluir da uma categoria conceitual que visa repre-
social. Distingue-se aqui espaço e lugar, vida” e a partir do espaço como suporte; sentar a dimensão de um espaço que
ciberespaço e ciberlugar. Nas palavras de o espaço, portanto, está sempre dis- não se projeta unicamente nas coorde-
Frago e Escolano[13]: ponível e disposto para converter-se em nadas físicas conhecidas (altura, largura,

40 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


Imagem cedida pelo autor
Figura 5: A Sala inteligente1 é ao mesmo tempo uma sala de aula colaborativa e interativa, espaço laboratorial,
sala de informática otimizada por sistemas com a inclusão de quadro e outros recursos digitais disponibilizados
em um mesmo ambiente ciberarquitetônico, contemplando convergência de mídia analógico-digital como
suporte a processos pedagógicos/andragógicos dedicados à educação formal e corporativa.
1
CARVALHO NETO, C. Z. Salas Inteligentes. São Paulo: INPI, 2005.

construído pela comunicação, por meio

Ilustração cedida pelo autor


da interação de sujeitos que concebem,
produzem, compartilham, interpretam e
reinterpretam formas simbólicas[4], por
via midiática.
Com o estabelecimento desses refe-
renciais essenciais, estudos e pesquisas
passaram a ser realizadas conduzindo
à concepção das chamadas Salas Inteli-
gentes.
Sala Inteligente[3], enquanto conceito,
profundidade) e tempo, mas que pode deriva de um conjunto de pesquisas Figura 6: Palestra magna em ‘Auditorium’: por
quase um milênio se protagonizou este modelo
ser percebido como tal através da bidi- levadas a efeito a partir de 1991. O proble- pedagógico-arquitetônico dedicado à educação.
mensão de uma tela de vídeo (ou de um ma inicial que deu origem às pesquisas
monitor), ou mesmo à tridimensão do dizia respeito a conhecer, historica-

Imagem cedida pelo autor


espaço ‘3D’, criando-se assim a dimensão mente, como evoluíram os ambientes
de espaço-tempo digital, destacando-se arquitetônicos educacionais, em função
que a variável tempo encontra-se presen- das concepções pedagógicas expressas
te configurando espaços-tempo a duas, ao longo do tempo e quais suas carac-
três e a quatro dimensões. Desse modo terísticas e impactos para o ensino e
situa-se a Ciberarquitetura como um con- aprendizagem contemporâneos.
tinuum que conecta diferentes espaços e Ao longo dos séculos as práticas
ciberespaços, por hipermídia situada em pedagógicas, mais francamente dis-
ciberlugares da comunicação presencial cursivas, tiveram papel de destaque
e remota, síncrona ou assíncrona. nas formas de comunicação docente-
Seguindo por esta trilha se torna discente, nos processos de ensino- Figura 7: Do Auditorium se chegou à sala de aula,
em grande parte devido à utilização de uma “nova
necessário e pertinente criar a categoria aprendizagem, sendo posteriormente mídia”, o quadro-negro. Este modelo vem sendo
de ciberlugar, emprestando e a seguir diferenciadas com a introdução paulatina utilizado há mais de três séculos, alcançando o
concebendo na forma de um produto do quadro-negro, marcando a transição século XXI.

complexo, os significados conceituais do Auditorium para a Sala de Aula. Este


contrapostos a Levy e tomados a Frago, processo pôde ser mais notadamente timeios, como tais espaços costumam
relativamente aos conceitos originais percebido a partir de meados do século serem designados.
de ciberespaço e lugar. Nesta perspec- 19, alcançando o século 20 e firmando um Anexos a sala de aula, como a biblio-
tiva Ciberlugar é, pois, uma construção tipo de arquitetura escolar como até hoje tecas, o laboratório de informática,
que se objetiva através da ocupação é utilizada tendo por local de eventos multimídia, ciências e outros ambientes
do Ciberespaço. Parafraseando Frago, frequentes, a sala de aula. comumente presentes nos prédios esco-
o ciberlugar constrói-se a partir do fluir No decorrer do tempo, ao redor da lares da atualidade, embora propiciem
da vida simbolizada (através de formas sala de aula foram sendo incorporados variados acessos à informação acabam
simbólicas de Thompson[3]) tendo o ci- anexos de apoio tais como bibliotecas, por produzir fragmentações pedagógi-
berespaço como suporte. O Ciberespaço, laboratórios de ciências e, mais recente- cas visto que se localizam em distintos
portanto, está disponível e disposto para mente, já no final do século 20, a sala de espaços arquitetônicos e, portanto,
converter-se em Ciberlugar para ser vídeo, o laboratório de informática e mul- diferentes informações serão acessadas

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


41
Curso

Curso de introdução à Educação

freepik.com
4.0 (com audiovisuais)
O Curso de introdução à Educação
4.0 é de autoria do Prof. Dr. Cas-
siano Zeferino de Carvalho Neto e
foi concebido para propiciar uma
macrovisão teórico-tecnológica
do modelo desenvolvido. Tem
por público-alvo docentes, es-
pecialistas, gestores e demais
interessados na Educação.
• Para realizar o curso, siga os
passos:
Passo 1: acesse https://4educa.
com.br/
Passo 2: cr ie sua conta:
https://4educa.com.br/wp-login.
php?action=register
Passo 3: veja em seu e-mail a
confirmação da conta (por vezes
pode ir para a caixa de SPAM,
esteja atento (a)). Crie uma nova
senha, para usar facilmente os
recursos da plataforma.
Passo 4: Acesse e realize o curso
(https://4educa.com.br/cursos/
introducao-a-educacao-4-0/)

em distintos instantes de tempo durante e densidade de informação para os A integração de mídia analógico-
os processos de ensino-aprendizagem. processos de ensino-aprendizagem, digital propiciada pela Ciberarquitetura
Por exemplo, durante uma aula quando comparadas ao conjunto de oferece novas possibilidades de intera-
de Biologia em que se deveria contar mídias e, portanto, acesso à informação ção pedagógica para os processos edu-
com a imagem de um ecossistema e o que hoje os estudantes e as pessoas, cacionais que acontecem no recinto da
recorte de uma lâmina de um espécime de um modo geral, têm fora da escola. escola, mas que podem ir para além dele
ao microscópio, o professor terá a lousa Eis o ponto de ruptura entre o mundo por educação ubíqua de base digital. •
como aliada e quiçá um painel impresso vivenciado no dia a dia e o cotidiano
para interagir com os estudantes, pois escolar, uma das principais fontes de Módulo V: continua no próximo número.
o que poderia ser visto e compartilha- desinteresse e baixo aproveitamento
do na internet e com a projeção de escolar na atualidade.
um microscópio encontra-se, respec- Neste contexto de investigações
tivamente, na ‘sala de informática’ e no e autoria é que foram concebidas as Cassiano Zeferino
de Carvalho Neto
‘laboratório de ciências’. Perde-se, com chamadas Salas Inteligentes, suporta-
isso, o sincronismo da ação pedagógica/ das por pesquisas, desenvolvimento Presidente do Instituto para
a Formação Continuada
andragógica e o aproveitamento educa- e inovações que buscaram conhecer, em Educação (IFCE)
cional é reduzido, além de que na sala compreender e superar os problemas e Gestor de Projetos
Especiais do Laboratório de Pesquisa
de aula, propriamente dita, os recursos enumerados, com vistas a alcançar em Educação Científica e Tecnológica
de acesso e tratamento da informação uma mais profunda e ampla integração do Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA), onde realizou seu pós-doutorado
ficam geralmente restritos aos discur- pedagógica/andragógica, apresentando com ênfase em Educação Digital. Tem
doutorado em Engenharia e Gestão do
sos verbais do professor, aos símbolos assim um conjunto de novas soluções Conhecimento e Mestrado em Educação
grafados na lousa e, quando existente, (tecnologias), para a educação básica e Científica e Tecnológica, ambos realizados
na Universidade Federal de Santa Catarina
a um livro didático ou apostila. superior, pautadas no conceito de ciber- (UFSC). Sua formação é em Pedagogia e Física,
Tais circunstâncias se mostram em- arquitetura educacional[4] e convergência pela PUCSP.
E-mail: ifceduca@gmail.com
pobrecidas, em termos de qualidade de mídia analógico-digital.

Referências:
[3]
CARVALHO NETO, C. Z. Dissertação de Mestrado: “Espaços ciberarquitetônicos e a integração de mídias por meio de técnicas derivadas de tecno-
logias dedicadas à educação“. Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Florianópolis, 2006. Disponível em: http://www.carvalhonetocz.com/publicacao-academica/. Acesso em 04/01/2019.
[4]
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis: Ed. Vozes, 2011.
[12]
LÉVY, P. A conexão planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. São Paulo: ed. 34, 2001.
[13]
FRAGO, A. &; ESCOLANO, A. Currículo, Espaço e Subjetividade: A Arquitetura como programa. 2. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
Apoio institucional na autoria do Curso de Introdução à Educação 4.0: Instituto para a Formação Continuada em Educação (IFCE) (www.ifce.com.br).

42 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
43
Volta às Aulas

Expectativas e Realidade

M ais um período de férias


escolares está terminando,
e chega o momento de
retomar a rotina e se preparar para a
volta às aulas e precisamos pensar nesta
retomada.
Primeiramente, sugiro a todos – es-
tudante, escola e família, a pensar nos
sentimentos que estão envolvidos neste
momento de volta às aulas. Podemos
ficar felizes, tristes, apreensivos, relaxa-
dos ou ansiosos.
Não basta Identificando os sentimentos, o pró-
ximo passo é pensar sobre as expectati-
só querer vas escolares para o próximo semestre?
identificar as Perguntas tais como: ter mais chan-
ce para aprender? Ter mais possibilidade
expectativas, de ser aprovado? Prestar mais atenção
no que o professor fala? Recuperar as
é necessário notas? Ou seja, o que espero, o que de-
freepik.com

sejo para este semestre escolar.


fazer algo para Sim, porque não basta só querer
identificar as expectativas, é necessário
alcançá-las fazer algo para alcançá-las. Ficar apenas
no campo das ideias, os desejos não se
cumprem e ai surge o sentimento de
frustração, desilusão, que são senti-
mentos nada confortáveis. Identificar

44 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


freepik.com
Todo conhecimento
deve ter alegria SUGESTÕES para essa retomada da Os pais devem sempre respeitar o
ao novo e a vida escolar
Para o estudante: Planejar cada
ritmo do seu filho, prestando atenção
nele e mantendo um diálogo.
escola é um lugar atividade é extremamente importante! Para a escola: receber os estudantes
Sugiro a todos elaborar uma agenda com música, brincadeiras, sorteios de
onde adquirimos física ou virtual para registrar os com- brindes, tendo como objetivo acolher
conhecimento promissos fixos, como horários das
aulas, datas de provas, incluindo datas
o estudante com festa e amenizar o
clima de final de férias. Mostrar aos estu-
de atividades extracurriculares – como dantes que, além de conhecimento eles
as expectativas é um passo importante, inglês e natação –, aniversário dos também encontram na escola alegria
mas é imprescindível fazer algo para colegas, passeios escolares, festas e e diversão. Aliás, todo conhecimento
alcançá-las. feriados. deve ter alegria ao novo e a escola é um
Para tornar viável ou provável a O estudante deve saber que a escola lugar onde adquirimos conhecimento,
realização das expectativas, é reco- precisa ser levada a sério e que é preciso deve ser, portanto, onde a alegria esteja
mendável que o estudante esteja mo- se dedicar, é sua responsabilidade ir sempre presente.
tivado. Sem motivação é muito mais “bem” ou “mal” na vida escolar. Desejo a todos os estudantes um
difícil cumpri-las. Para os pais: é uma ótima oportuni- semestre próspero, com abundância de
O que proponho é fazer uma lista dade para conversar sobre as expecta- conhecimento, com grande produção
das atitudes, dos comportamentos tivas que têm em relação ao filho na sua de ideias novas, fartura de alegria ao
relacionados com o cumprimento delas. vida estudantil. aprender!
Tais como: estudar mais tal disciplina; O problema é que, dependendo No meu site www.sylviacamargo.
fazer as tarefas logo ao chegar a casa; da maneira como os pais se expressam com.br você vai encontrar um vídeo
estudar todos os dias, não só para as e do nível da cobrança (para mais ou com o depoimento de um adolescente
provas; prestar mais atenção no que o para menos), o estudante pode ser sobre suas expectativas. •
professor fala; fazer resumos todos os prejudicado.
dias; anotar mais o que o professor diz; Segundo um estudo publicado no
observar as orientações da escola; e Journal of Family Psychology, as crianças
assim por diante. tiram as notas que os pais esperam que sylvia maria
piva camargo
Chamo esse momento de Expecta- elas tirem. Ou seja: se você acha que seu
tivas e Realidade. Quando o estudante filho é um bom aluno e espera que ele Pedagoga formada pela
faz sua parte para chegar onde deseja tire sempre notas boas, é provável que Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-
em relação aos estudos, essa é a me- ele, de fato, se saia bem na escola. Em SP), com especialização
em psicopedagogia pelo Instituto
lhor forma de se alinhar com o fluxo da contrapartida, se as suas expectativas Sedes Sapientiae, especialização em
vida escolar, colhendo bons resultados são baixas em relação à performance psicomotricidade pelo Núcleo Ramain Thiers
(CESIR) e especialização em adolescência pela
como estar satisfeito, feliz, tranquilo. O acadêmica do seu pequeno, há maiores Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
aluno é sempre agente de sua própria chances de que ele tenha um desem- www.sylviacamargo.com.br
http://lattes.cnpq.br/7543632971137936
aprendizagem. penho medíocre.

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


45
Formação

Aprender o que é preciso ser


U ma gentil senhora enviou-me
uma carta perguntando o
que sua neta de nove anos
deveria aprender na escola. Ela tinha em
mente os conteúdos acadêmicos, mas a
aqueles que mesmo diante da condição
de pobreza e outras dificuldades con-
seguem ter bom desempenho na escola.
Trata-se de um estudo da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento
volvem atividades criativas propiciam
ao educando maiores possibilidades
de sucesso. Políticas educacionais que
garantam a presença do Estado no
espaço escolar e práticas pedagógicas
pergunta me trouxe algumas reflexões Econômico (OCDE). mais interativas podem reduzir a vul-
acerca das aspirações que geramos em O estudo mostra que fatores que nerabilidade dos estudantes. Para tal,
nossos filhos e alunos a respeito do que contribuem para os números negativos é preciso também que a formação do
eles necessitam saber para viverem suas estão ligados a habilidades sociais, que aprendente transcenda os conteúdos
vidas. Não somente isso, mas que tipo poucas vezes são ensinadas na escola. dos currículos tradicionais.
de formação queremos dar a eles. Além disso, as expectativas dos alunos
Esses questionamentos vieram em são de desencantamento. Desencanta- Das relações com o fracasso, alter-
meio a algumas notícias ruins que foram mento que não está apenas no olhar dos nativas para o sucesso escolar
divulgadas na imprensa referentes a mais desfavorecidos, mas nas condições Muitas crianças e adolescentes com
resultados da educação no Brasil. Uma estruturais precárias e patológicas de histórico de insucesso escolar passam
delas dizia que apenas 2,1% dos alunos nossa educação. pouco tempo com os pais, residem longe
pobres do país têm bom desempenho Um dos fatores mais incisivos para da escola, em lugares violentos, são per-
escolar. O Brasil é um dos países em que esse estado de coisa é o ambiente em tencentes a classes menos favorecidas
há maior desigualdade social e menor que se estuda. Escolas que têm pro- ou têm dificuldades de aprendizagem
número de estudantes resilientes, fessores bem formados e que desen- motivadas por diferentes fatores, orgâni-

46 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


O papel de quem de idiomas. Contudo, não estão livres

freepik.com
de encontrarem dificuldades na escola.
educa é crucial A esses, insurgem-se tantos problemas
de ordem afetiva, que se tornam susce-
para um ensino tíveis ao peso da frustração, chegando,
algumas vezes, ao suicídio. Na verdade,
de qualidade, o que desejam não é acabar com a vida,
mas pôr fim à dor emocional.
especialmente Em qualquer das situações, o apren-
quando se trata dente será sempre um ser individual,
humano, com sua estrutura pessoal
de atributos que exposta diante das suas dificuldades de
aprendizagem. Um ser, sobre o qual, o
estabeleçam uma olhar do professor deverá atentar prio-
ritariamente para suas necessidades
educação cidadã afetivas. É comum os alunos sentirem-
se excluídos por não se adaptarem ao
modelo escolar que lhe é oferecido.
Como professores, devemos estar
de instrumentos externos à escola, pois sempre avaliando e reavaliando nossa
a questão está ligada às desigualdades, prática docente e o direcionamento do
desempregos, dentre outros fatores nosso esforço. Se na busca por igual-
sociais e econômicos. dade e resgate do sucesso escolar esta-
Mas percebemos que, como profes- mos repetindo o modelo que queremos
sores, ainda podemos fazer a diferença desconstruir, será preciso rever nossos
em muitas vidas que são depositárias do conceitos. Quando amorosamente edu-
nosso cuidado na escola. Recebemos camos, surgem grandes possibilidades
constantemente alunos que não con- de superar conflitos.
seguem aprender. Precisamos analisar Cada dia, mais crianças e adoles-
os motivos por que não aprendem. centes levam suas dúvidas e anseios
Diferentes abordagens são feitas na para a sala de aula. Não existe manual
tentativa de entendê-los. para educá-los. Porém, o papel de
No olhar do aprendente, a escola quem educa é crucial para um ensino
reflete o professor. A maneira como de qualidade, especialmente quando se
cos ou não. São exemplos utilizados ele ensina e transmite o conteúdo pode trata de atributos que estabeleçam uma
para justificar as causas do chamado despertar ou não o interesse. A distân- educação cidadã. Não se faz isso sem
“fracasso escolar”. O professor Bernard cia que o professor mantém da família, formação humana.
Charlot, contudo, diz que o fracasso es- desconhecendo as razões para os in- Respondi à pergunta daquela senho-
colar não existe. O que existe são alunos sucessos, pode provocar nos educandos ra dizendo que nesse tempo de tanta
em situação de fracasso. Ou seja, não baixas expectativas no que tange ao seu complexidade e desafios, é necessário
existe um objeto “fracasso escolar”, futuro e a importância da escola. aprender os predicados invisíveis que
analisável como tal. Segundo ele, a noção No olhar do professor, a família par- nos tornam mais preparados para a
de fracasso é usada para exprimir tanto ticipa pouco da vida escolar dos alunos. vida e o que ela traz de bom ou ruim.
a reprovação de uma determinada série, Os problemas que enfrentam no meio Terminei a minha resposta dizendo que
quanto a não aquisição de certos conhe- social e familiar provocam o desinte- é extremante importante aprender o
cimentos ou competências. Trata-se de resse, devido à falta de perspectivas na que é preciso saber, mas é fundamental
uma noção tão extensa, que se tornou vida, pois, muitas vezes, estudantes são aprender o que é preciso ser. •
confusa e vaga. obrigados a trabalhar para o próprio
Ao sair do escopo de uma análise sustento e o da família, ficando exaustos,
abstrata para a avaliação das diversas desmotivados e cansados em demasia
eugênio cunha
situações concretas na escola, o tema para continuarem com os estudos.
ganha sua humanidade em razão de pes- Como contraponto dessa realidade Professor, doutor em
soas que convivem com circunstâncias estão os filhos das classes mais favore- educação e autor dos livros
de caos nos núcleos familiar, escolar cidas, aos quais, a condição financeira “Afeto e aprendizagem”
“Autismo e inclusão”,
e social. A complexidade da situação dos pais outorga-lhes tempo e opor- “Práticas pedagógicas para inclusão e
diversidade”, “Autismo na escola: um jeito
deixa-nos a clareza de que apenas uma tunidades para seguirem estudando, diferente de aprender, um jeito diferente de
solução com mecanismos da escola não fazendo ainda diversas outras ativi- ensinar” e “Educação na família e na escola”,
publicados pela WAK Editora.
seria suficiente. Seria necessária a ajuda dades complementares, como cursos

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


47
Viagem Educacional

Não perca esta oportunidade única

SIEEESP Do dia 4 ao dia 17 ou 21

Oswaldo Tavares

O Sieeesp está entusiasmado em


oferecer Alemanha e Estônia,
como destinos para nossa 21ª
viagem educacional. Ao final, a opção
imperdível será conhecer os fjords da
destaque da OCDE bem como a Estônia,
que tem surpreendido os educadores de
todo mundo, sendo o case do momento.
Será uma oportunidade única de conhecer
a estratégia que a tornou n°1 da Europa e
ca e privada; as estratégias de gestão,
formação de professores, critérios de
avaliação de alunos; currículo; inovação
e uso de tecnologia, e outros assuntos
de interesse. Estamos preparando semi-
Noruega, Patrimônio da Humanidade 3° entre todas as nações avaliadas pelo nários para conhecer a situação atual e
pela UNESCO. PISA.” os desafios futuros da educação alemã
“Procuramos sempre dar a conhecer o Para viabilizar nossa missão, conta- e estoniana.
sistema de ensino que esteja na vanguarda mos com o fundamental apoio do Minis- • Visitar as melhores escolas, tendo
ou que ofereça inovações e qualidade para tério da Cultura, Juventude e Esportes contatos com o corpo diretivo e docente,
que a gestão de nossas escolas seja apri- da Alemanha (que é responsável por e visitando as instalações. A delegação
morada. Por isso, nos últimos anos fomos educação) e do Ministério da Educação e será dividida em 2 grupos, e as instituições
ao Japão, Polônia, Inglaterra, Finlândia, Fundação INNOVE da Estônia, que estão selecionadas incluem desde a pré-escola
Rússia, Singapura, Coréia, China e muitos ultimando um programa pedagógico de ao ensino médio e técnico. Também ire-
outros países, tendo nossas missões sido alto interesse. Teremos também o valioso mos a 1 universidade.
muito bem avaliadas”, diz Benjamin Ri- suporte de nosso Consulado Geral em • Como nas viagens anteriores, incen-
beiro da Silva, Presidente do Sindicato. O Munique e de nossa Embaixada em Tallinn. tivar a troca de valiosas experiências com
presidente confirma que o pais escolhido educadores dos países visitados, abrindo
desta vez foi a Alemanha. “Seguindo esta OBJETIVOS importantes portas de intercâmbio, inclu-
linha escolhemos este ano um país que • Conhecer o sistema educacional de sive entre os próprios participantes.
oferece múltiplas opções de escolas e é ambos os países; o papel da escola públi-
QUEM PARTICIPA
A viagem destina-se a educadores de
todo o País, não sendo exigido ser asso-
ciado do Sieeesp. Nossas delegações têm
sido numerosas e muito representativas
da educação privada no Brasil. Procura-
mos dar toda assistência e facilidades, pois
o pacote inclui vários seminários e visitas
técnicas, sempre com intérprete, hotéis
confortáveis, ônibus e guias à disposição
e tours para melhor conhecer o país e seu
ambiente cultural.

EDUCAÇÂO NA ALEMANHA
A delegação vai ter contato com um
sistema bem diferente do brasileiro. O
Governo fixa metas e fornece as diretrizes
gerais, a serem postas em prática pelos
freepik.com

Estados, LANDER, responsáveis principais


pela educação na Alemanha. A estrutura

48 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


Fotos: pixabay
MUNICH MUNICH

as metas pretendidas, e cabe à escola


implementar a estratégia e alcançar os
resultados.
Ainda, de acordo com o INNOVE
(semelhante ao Board of Education da
Finlândia), importa destacar o seguinte
admite grande flexibilidade, atendendo EDUCAÇÂO NA ESTÔNIA para explicar o sucesso:
ao perfil e vocação do jovem: A Estônia possui o mais sólido e • a rede escolar está focada nas neces-
• Kindergarten: pré-escola opcional, igualitário sistema educacional da Europa, sidades e oportunidades de desenvolvi-
de 1 a 6 anos, disponível para atender seguindo o exemplo de seu desempenho mento do país, e em sua posição na União
todas as crianças; econômico e social. Está no topo dos Europeia e no cenário global;
• Grundschule: educação primária países com liberdade econômica. Tanto o • por essa razão, escolheu-se priorizar
obrigatória, para estudantes de 7 a 11 anos; setor público como o privado, reconheci- as áreas de Ciências e TI. As escolas esto-
A seguir, o ensino possibilita variáveis, damente, detém a mais avançada gestão nianas constituem hoje modelo em fase
atendendo competências e habilidades, digital da Europa. A explicação para es- de adaptação por outros países da OCDE,
vocações e requisitos das famílias: ses resultados é uma só: o acerto de sua que pretendem dar ênfase à tecnologia
• Gymnasium: até 12°ou 13°anos, política educacional. na escola;
voltado para o ensino acadêmico, prepara O Ministério conseguiu negociar um • o currículo e as técnicas em classe
para obtenção do ABITUR, certificado que pacto, estabelecendo prioridades para priorizam o espírito crítico e a solução
habilita o ingresso numa universidade. obtenção de resultados em longo prazo. de problemas pelos alunos, incentivados
• Hauptschule: do 5°ao 9° anos, com Por exemplo, o Planejamento Estratégico sempre a tomarem decisões e adquirirem
ênfase inicial no ensino acadêmico e grade atual vai até 2020, mas um grupo de “ex- responsabilidades pessoais.
curricular incorporando gradativamente perts” já está trabalhando no próximo,
treinamento vocacional. que abrangerá de 2021 a 2035. O País O Sistema de Educação:
• Realschule: o currículo inclui part- investe 6% do PIB no setor, percentual • Pré-escola: disponível para todas as
time estudo e outro treinamento técnico/ semelhante ao do Brasil. crianças dos 3 aos 7 anos.
vocacional. Segundo a Ministra de Educação, • Educação Básica: obrigatória, inclui
Em alguns Estados, o Gesamptschule Mailis Reps, a principal razão do êxito é a - Ensino Primário, dividido em 2 níveis,
é um tipo de escola que engloba as 3 mo- eficiente gestão e uso de recursos, bem do 1º ao 3º e do 4ºao 6º anos
dalidades acima. como os seguintes fatores fundamentais: - Lower Secondary, do 7º ao 9º anos
• Berufschule: com duração de 3 • A educação é valorizada pela socie- * Ensino Secundário, com 2 opções:
anos, é a escola profissionalizante após dade. Mediante um pacto, todos devem acadêmico ou vocacional, do 10º ao 12º
Hauptschule ou Realschule, que inclui entender que a razão do progresso do anos.
período de estágio remunerado na pro- País está na estratégia de ensino, cuja
fissão escolhida. qualidade deve ser exigida pelas famílias,
• Forderschule e Sonderschule: es- que devem reconhecer a autoridade da OSLO
colas para estudantes com necessidades escola e de seu corpo docente.
especiais, com professores possuidores • As oportunidades devem ser univer-
de formação específicas. sais e equitativas, principalmente porque
Os resultados desse variado e, talvez, o país tem 1/3 de crianças de origem russa.
complexo sistema têm indicado que a A Estônia possui o 3° índice igualitário do
Alemanha está formando jovens de alta mundo, à frente da Finlândia e atrás ape-
performance, cujos resultados estão bem nas do Canadá e Dinamarca.
acima dos demais países da OCDE. Conhe- • Ampla autonomia é outorgada à
ceremos essas escolas na Região Sul, reno- escola, a seus diretores e professores. A
mada por obter as melhores avalia-ções e formação é uma prioridade. O Ministé-
oferecer ensino de mais alto nível. rio determina o currículo geral e define

2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular


49
Viagem Educacional

PROGRAMA PRELIMINAR (sujeito a pequenas mudanças) TALLINN

Alemanha:
nossa viagem será concentrada na Bavária e em Baden Wurttemberg, ao Sul
• Munique: a mais alegre, acolhedora e visitada cidade do País. Capital alemã da cerveja, com
seus famosos “biergartens”, tavernas bávaras e intensa vida noturna. É um centro cosmo-
polita e cultural, inovador da moda, famoso por sua gastronomia e paraíso para compras.
• Stuttgart: moderna metrópole comercial, com destaque para a indústria automobilística
(Mercedes e Porsche), mas com o charme de bairros tradicionais como Killesberg. Destaca-se
também por ser centro de arte, gastronômico e por ser Rota do Vinho.
4/5 Saída de Guarulhos, pela Air France, com destino a Munique, via Paris.
5/5 Chegada a Munique, recepção e traslado ao Hotel Countryard City Center
6/5 Munique: city tour para conhecer Marienplatz; a Torre da Prefeitura e seu famoso carrilhão;
Palácios Nymphenburg e Residenz; Frauenkirche; o centro de compras de Viktualienmarkt; as
ruas exclusivas de Brienner Str.e Maximilian Str., além do bairro animado de Schwabing; o Allianz
Park do Bayern e o imperdível Deutsch Museum de Ciências, e outras atrações.
7/5 Saída para Stuttgart, parando para visita e almoço na belíssima cidade universitária de Tu-
bingen, à beira do Rio Neckar, a “Cambridge” da Alemanha. Hospedagem no Hilton Garden Inn.

Fotos: pixabay
8/5 Stuttgart: seminário organizado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Esportes, seguido BERGEN
de visita a 2 escolas. Curtir a Calwer Str. e Konigstr., além do Outlet City Metzingen.
9/5 Visita a 2 escolas por grupo e, à tarde, vamos conhecer o famoso Museu Mercedes Benz.
10/5 Visita a 2 escolas por grupo.
11/5 Traslado ao Aeroporto de Frankfurt para ida a Tallinn, pela Lufthansa. Recepção e
Hospedagem no Hotel Radisson Blu Olumpia.

ESTÔNIA
• TALLINN: é o mais preservado centro medieval da Europa e ao mesmo tempo uma das
capitais mais digitalizadas e de gestão moderna na Europa.
12/5 City tour com destaque para a Cidade Velha murada, suas agitadas e típicas ruelas animadas
de bares e bons restaurantes, principalmente a magnífica Raekoja Plaz e seus prédios históri-
cos; o Palácio Kadriorg, a Catedral de St Mary, o bairro e Fortaleza de Toompea, o Mercado
de Artesanato de Muurivahe, junto às muralhas, e Passagem Katariina.
13/5 Seminário sobre o sistema de ensino, avaliação do presente e desafios futuros, coor-
denado pelo Ministério de Educação. Visita a 1 kindergarten e a escola de educação básica.
14/5 Visita a escolas selecionadas e ao Mektory Centre, que coopera enfatizando uso de IT
na escola. Seminário na Tallinn Haridusanet, com foco em matemática, ciências e tecnologia.
COMO PARTICIPAR
15/5 Visita a 2 escolas por grupo e Seminário de avaliação e troca de experiências, organizado 1. Do site www.viagemeducacional.
pela Innove e Associação de Diretores de Escolas de Tallinn.
com.br: imprimir e preencher a Ficha de
16/5 Grupo A: traslado ao aeroporto para voo a Oslo Inscrição
Grupo B: retorno ao Brasil via Paris, chegando no dia 17/5 2. Encaminhar ao IES Educação
Internacional, organizador da viagem:
NORUEGA: TOUR CULTURAL (opcional) oswaldo@ies.tur.br ou solicitar mais
16/5 OSLO: hospedagem no Radisson Blu Scandinavia. Visita para conhecer uma das mais belas informações sobre valores e a viagem
e diversificadas capitais da Escandinávia, combinando a tradição e o moderno – Museu Munch, por tel. 11-47029414 ou 46129035, ou com
a Ópera futurista, Vigeland Park; e a história dos vikings, que dominaram o Norte da Europa naila@iies.tur.br.
do século 9 ao 11, destacando o Museu do Navio Viking e o Museu Kon-Tiki.
3. Os pagamentos são efetuados no
17/5 Norway in a Nutshell: início de um dos circuitos mais belos do mundo, fazendo o percurso câmbio turismo e podem ser parcelados
de trem, ônibus e minicruzeiros, de Oslo a Flam e Myrdal, com paisagens inesquecíveis, repletas 4. O pacote inclui aéreo, hotel com
de penhascos verticais, cachoeiras e fjords. Hospedagem no Fretheim Hotel.
café, traslados, intérpretes, ônibus à
18/5 FLAM: minicruzeiro até Gudvangen para ver o “rei dos Fjords” –Sognefjord- o mais disposição, seminários, visitas a escolas,
extenso, profundo (1700m) e impressionante; o Parque Nacional de Jotunheimen, a geleira
Jostedalsbreen. No fim de tarde, ida a Bergen e hospedagem no Radisson Blu Bergen. tours indicados e acompanhamento do
19/5 BERGEN: capital do Reino na Idade Média, entreposto avançado da Liga Hanseática ,é
IES/SIEEESP. •
Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. A beleza é estonteante de suas colinas (acesso
pelo teleférico Floyen), com vista magnífica dos fjords e ilhas. Destaque para o Bairro de PARTICIPE DESTA
Bryggen e Mercado de Peixes. EXPERIÊNCIA ÚNICA.
20/5 OSLO: iremos até a capital, conhecendo o Hardanger Fjord, as espetaculares cascatas
Vorigfoss e o centro de esqui de Geilo. Hospedagem no Radisson Blu Hotel. A VIAGEM TRARÁ AMPLOS
OBS: durante todo o trajeto, as malas irão em ônibus separado. BENEFÍCIOS PARA SUA ESCOLA!
21/5 Traslado ao aeroporto para retorno ao Brasil, via Paris, e FIM DESTE TOUR MEMORÁVEL!

50 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
51
Expediente

AGENDA de obrigações • MARÇO DE 2019 •


• 06/03/2019 SALÁRIOS - ref. 02/2019 • 20/03/2019 INSS (Empresa) - ref. 02/2019
E-Social (Doméstica) - ref. 02/2019 PIS – Folha de Pagamentos - ref. 02/2019
• 07/03/2019 FGTS - ref. 02/2019 SIMPLES NACIONAL - ref. 02/2019
CAGED - ref. 02/2019 • 22/03/2019 COFINS – Faturamento - ref. 02/2019
PIS – Faturamento - ref. 02/2019
• 08/03/2019 ISS (Capital) - ref. 02/2019
EFD – Contribuições - ref. 01/2019 • 29/03/2019 IRPJ – (Mensal) - ref. 02/2019
CSLL – (Mensal) - ref. 02/2019

Dados fornecidos pela HELP – Administração e Contabilidade • helpescola@helpescola.com.br • (11) 3399-5546 / 3399-4385

52 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
53
Cursos

54 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019


2019 – Fevereiro – Revista Escola Particular
55
56 Revista Escola Particular – Fevereiro – 2019