Você está na página 1de 9

Caderno de Teoria do Estado e da Constituição

Carolina Abreu dos Santos

Universidade Federal de Viçosa

Professor: Roberto Luquini

Unidade I

Relações entre Estado e Direito

 Teoria Monísta: estatismo jurídico


 Teoria Dualista: pluralista
 Teoria do Paralelismo: distintos e interdependentes (mediana)

Teoria Tridimensional do Direito

FATO, VALOR e NORMA: são os elementos integrantes do Estado como


realidade sócio-ética-jurídica ( sociológica, filosófica e jurídica)

 Correspondência como tríplice aspecto da Teoria Geral do


Estado.

Indicação de leitura: REALE, Teoria do Direito e do Estado;

Fundamentos do Direito; e Teoria Tridimensional do Direito

Teoria Geral do Estado

Conceito: corresponde à parte geral do Direito Constitucional, compreende


um conjunto de ciências aplicadas à compreensão do fenômeno estatal, destacando
a Sociologia, a Política e o Direito.

Tríplice aspecto da Teoria Geral do Estado

 Teoria social do Estado (fato) – quando analisa a gênese e o


desenvolvimento do fenomeno estatal, em função dos fatores históricos, sociais
e econômicos.
 Teoria política do Estado (valor) – quando justifica as finalidades
do governo em razão dos diversos sistemas de cultura.
 Teoria jurídica do Estado (norma) – quando estuda a estrutura
“A caracterização apenas como uma realidade de fato leva
fatalmente às soluções monistas, desde o totalitarismo de Hobbes ao
realismo simplista de Duguit. Atentando-se apenas para o aspecto
axiológico, descamba-se para o idealismo platônico e hegeliano, com
o endeusamento do poder público. Finalmente, a se considerar o
Estado somente pelo prisma da sua finalidade parcial de criador e
ordenador das normas jurídicas, incide-se no erro de desprezar a
realidade fático-axiológica, espraiando-se no campo raso do
materialismo, no tecnicismo jurídico, no normativismo kelseniano e nas
demais soluções de caráter monista.” Página 6, Maluf, Teoria Geral do
Estado.
Noção de Estado
Razão e vontade: bases da criação e da organização do Estado. O Estado é
obra da inteligência e da vontade dos menbros do grupo social.
Ler pág 19 – conceito de Estado: Teoria Geral do Estado, MALUF. As definições
de Estado são complexas e contraditórias, por isso opta-se por um conceito simples:
O Estado é o executor da soberania nacional.
Teorias sobre a origem do Estado
 Teoria patriarcal: mantém o patriarcalismo, centralismo. Justifica
o autoritarismo, monarquias absolutistaas, ditaduras. (não é suficiente para
explicar o surgimento do Estado como organização politica, apenas alguns
modelos de Estado – como acontece com todas as outras teorias)
 Teoria matriarcal: oposição formal ao patriarcalismo, Familiar,
porém o poder é centrado na mãe.
 Teoria patrimonial: união das profissões econômicas, divisão do
trabalho.
 Teora contratualista: convenção entre os membros da sociedade
humana.
 Teoria da força: resultou do poder de dominação dos mais forte
sobre os mais fracos.

Teorias sobre a justifição do Estado


a- Justificações teológico-religiosas
Teoria do direito divino sobrenatural: o Estado não tem o dever de
respeitar a leis divinas.
Teoria do direito divino providencial: separação de poder temporal e
espiritual
b- Justificações/teorias racionalistas
Thomas Hobbes: Leviatã
Locke: liberalismo, transferência de exercício e não de direitos.
Jean Jacques Rousseau: liberdade consiste em trocar a vontade
particular pela vontade geral. Finalidade de justiça e bem comum.
Unidade II
Evolução histórica do Estado
- Estado Antigo: 3.000 a.C a séc. V (finda com a invasão dos bárbaros e a
queda do império romano). Guerra constante, população heterogênea, monarquia de
feitio teocrático.
- Estado grego: absorção do indivíduo pelo Estado.
- Estado romano: a lei era o direito e a justiça.
- Estado medieval (finda com a queda de Constantinopla, revolução anticlerica).
Feudalismo > descentralização.
O Estado medieval e a igreja romana > séc. VII começa o desenvolvimento da
supremacia do poder espiritual frente ao poder temporal (direito divino providencial)
- Estado absolutista: transição das monarquias medievais para monarquias
absolutistas, a doutrina de Maquiável, absolutismo monárquico fundamentado no
direito divino sobrenatural, John Locke e a reação antiabsolutista.
- Estado liberal: influência do racionalismo, do humanismo no final do séc XVIII
e das revoluções inglesa, francesa e norte-americana.
- Estado totalitário: decorre da insuficiência do Estado liberal para a promoção
do bem comum, ex: comunismo, fascismo e nazismo.
- Estado contemporâneo: o Estado e o individuo = é dever do Estado realização
do bem pública material e moral; o Estado e o Direito = instrumento utilizado para o
alcance do bem comum; a globalização e o Estado contemporâneo na ordem
internacional.
Unidade III - Elementos essenciais do Estado
A condição de Estado perfeito pressupõe a existência dos três elementos
concomitantemente: população homogênea, território certo e inalienével e governo
independente.
 Povo: conjunto de cidadãos do Estado.

Cidadania lato sensu = nacionalidade / cidadania stricto sensu = cidadania


ativa (exercício dos direitos políticos)
População: designa a massa total de indivíduos que vivem dentro das
fronteiras
Nação: indivíduos que estão unidos pela origem comum, interesses comuns
e, principalmente por ideais e aspirações comuns.
Raça (etnia), língua e religião: compõem o conceito de nação, mas não são
fatores essenciais.
Princípo das nacionalidades: toda nação está destinada a formar um
Estado, tem o direito de organizar um Estado.
Gropalli observou que a homogeneidade do elemento populacional – nação
– reflete um fortalecimento maior dos Estados assim chamados nacionais, em
confronto com os ditos plurinacionais, destituidos de coesão interna e
frequentemente corroídos pelas lutas de raça e tendências.
O direito público internacional prestigia a doutrina das nacionalidades, que
consiste no direito de cada grupo nacional homogênio de constituir em Estado
soberano.
 Território: “Território é a parte do globo terrestre na qual se acha
efetivamente fixado o elemento poulacional”
Corrente dominante: o território deve ser fixo e determinado.
Princípo da territorialidade: impenetrabilidade da ordem jurídica estatal.
Princípio da extraterritorialidade: tolerância dos Estados em reconhecer as
embaixadas e as representações diplomáticas como extensão do próprio territória
a que pertencem.
Relação jurídica entre o Estado e o território: Dominium – o Estado é
proprietáro de território (choca com a ideia de propriedade privada) e Imperium: o
Estado exerce o seu poder sobre o povo, e através dele, sobre o território (não
explica a atuação do Estado em trechos desabitados).
A rigor, não existe uma relação jurídica entre o Estado e o território. Este é
parte integrante daquele. Se houvesse, a ideia mais aceitaseria a de imperium.
Mar territorial: faixa de águas que banham as costas de um Estado e sobre
as quais ele exerce direitos de soberania.
 Poder/governo soberano
O titular do poder soberano é o povo, porém o Estado que exerce o poder
ou a soberania.
- Relativização da soberania
O Direito Comunitário e o compartilhamento da soberania no Estado
contemporâneo.
Unidade VI – A personalidade jurídica do Estado
 A escola alemã: supervalorização do Estado – a nação é apenas
um elemento do Estado, que não o personifica nem o representa. O Estado
é uma pessoa moral/jurídica por si mesmo.
 Carré de Malberg: nação e Estado são uma só pessoa, porém,
com faces distintas. O Estado não pode ser uma pessoa fora da Nação e
esta não tem personalidadejurídica senão no Estado.
 Léon Duguit: negação de qualquer tipo de personaidade, moral
ou jurídica, tanto ao Estado quanto à Nação.
Análise crítica: O Estado tem uma personalidade que não anula a Nação,
é a sua expressão soberana e necessária. A teoria de Carré é a que mais se
aproxima da realidade.
CONCEITO DE PESSOA MORAL: As coletividades não têm vida
própria, independente dos indivíduos que as formam. Existem os fatos
psíquicos coletivos que embora existam porque existem os indivíduos, são
diferentes dos fatos psíquicos individuais. Os mitos, as religiões, a moral, a
opinião coletiva, são fenômenos sociais que reagem sobre os indivíduos
determinando-lhes a maioria das ideias, das crenças e das ações. Cada
homem é tanto individual como social e talvez mais social do que individual.
Pessoa moral ou pessoa social é um conceito de natureza
sociológica e psicológica social.
O Estado é a personalidade jurídica de uma personalidade moral:
a Nação.
Finalidade do Estado: atingir o bem público.
Competência: forma de atuação do Estado para atingir sua
finalidade.
Divergência se o Estado era o fim ou meio. Para a primeira
corrente o Estado é o fim do homem, o homem é um meio de que serve o Esado para
realizar sua grandeza (visão ultrapassada), enquanto para a segunda corrente o
Estado tem fins e não é um fim.
Conceito de bem público: o bem público não é a simples soma
do bem de todos os que formam a sociedade estatal, consiste no conjunto de meios
de aperfeiçoamento que a sociedade politicamente organizada tem por fim oferecer
aos homens: atmosfera de paz, de moralidade e segurança – protegendo os direitos
dos associados, [...] de certos instrumentos de progresso – auxiliando os cidadãos a
se aperfeiçoarem [...]. O bem público é relativo para cada sociedade quanto aos meios
de atingi-lo e quanto ao seu próprio conteúdo.
Unidade VII – Os poderes do Estado
1. A divisão do poder
No Estado contemporâneo é inaceitável que o poder seja ilimitado.
 Técnicas de limitação do poder:
a) Divisão territorial do poder: descentralização, n.g. federalismo.
b) Delimitação da área de atuação do Estado: tem como base a Declaração de
Direitos e Garantias do Homem.
c) Divisão funcional do poder: separação de poderes (Montesquieu).
2. A unidade do poder e a pluralidade dos órgãos de sua manifestação
O Estado possui somente um poder que se exercita sob várias formas.
3. Interdependência dos poderes – Contenção do poder pelo poder.
Sistema de freios e contrapesos:os atos que que o Estado pratica podem ser de duas
espécies – gerais e especiais.
4. Interpenetração dos poderes
Ocorre em situações específicas, de exceção, que não caracterizam invasão de
competência entre os poderes.
Unidade VIII – Formas de Estado
1. Estados simples e compostos
1.1. Estados Simples
a) O Estado simples ou unitário se divide em organizações administrativas,
como municípios, comunas, departamentos ou províncias. São
delegações do Poder Central, este sim controla e fiscaliza todas as
autoridades
b) O Estado Regional não é como um unitário puro, o Poder Central confere
competência e as retira quando quiser.
c) Estado Autonômico: competência são avocadas pelas regiões
autonômicas (mais democráticas). Possui autonomia legislativa e
administrativa, mas não possuem autonomia política.
Estados Regional e Autonômico são menos centralizados que o Unitário e
mais centralizados que o Federal.
1.2. Estados Compostos (união de dois ou mais Estados)
a) União Pessoal: ocorre acidental e involuntariamente. Características:
união casual, transitório, não possui personalidade jurídica internacional.
b) União Real: (real = res = coisa, objeto concreto) colebração consciente e
voluntária. Características: não chegam a constituir um novo sujeito, a
união não elabora leis, possui caráter permanente, mas pode ser
dissolvida por acordo.
c) União incorporada: formam uma nova unidade (parecido com federação)
d) Confederação: união permanente e contratual, sem perda das respectivas
soberanias. Características: não há restrição no aspecto interno da
soberania dos Estados participante, não
Unidade VIII – Formas de Estado
Estado Unitário e Estado Federal
 Origem do Estado Federal: resultado de uma experiência norte-americana.
Marco inicial – Constituição norte-americana de 1787. Não existe hierarquia
entre União e Estados Membros.
 Características esssenciais do federalismo – segundo Dallari
- Surgimento de um novo Estado (fusão de Estado, abrem mão da sua
soberania, passam a ser autônomos)
- A base jurídica do Estado Federal é uma Constituição
- Não há direito de secessão, independente de disposição expressa no texto
constitucional.
- A soberania pertence ao Estado Federal, sendo autônomos os Estados
Membros e a União ( exerce o poder soberano em nome do Estado Federal ). Os
Estados-membros só têm personalidade jurídica de Direito Pública interno, assim
como a União, apenas o Estado Federal possui o poder soberano, pessoa
jurídica de Direito Internacional.
- Aquisição pelos indivíduos ...
-Distribuição do poder do governo em dois planos harmônicos: federal e
estadual.
- Composição bicameral do Poder Legislativo.
- Constância dos princípios fundamentais da Federação e da República, sob as
garantias da imutabilidade desses princípios, da rigidez constitucional e do intuito
da intervenção federal.
Conceito de autonomia: é a capacidade de desenvolver atividades dentro dos
limites previamente impostos pelo poder soberano.

Distinção
União: PJ de Direito interno (autônoma), representa os interesses agregadores.
união: representa o movimento de fusão dos Estados membros.
Estado Federal: é soberano, determina a competência dos Estados membros e
da União, a constituição é do Estado Federal.

Federalismo brasileiro e federalismo orgânico.


O federalismo brasileiro é mais rigido que o norte-americano
É um federalismo orgânico porque não surgiu da forma tradicional, artificial, e sim,
natural-histórica.
EUA : federalismo clássico, centrípeto
Mais descentealizado, pois houve um movimento de centralização de poderes,
entidades soberanas vão abrir mão de sua soberania.
BRASIL: federalismo centrifugo, orgânico.
Mais centralizado

Distribuição

Estado
Unitário

Poderes de
 Diferença entre confederação e federação