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INSTITUTO TÉCNICO DE BARUERI

PROFª MARIA SYLVIA CHALUPPE MELLO


TÉCNICO EM QUÍMCA

APLICAÇÃO DE EXTRATOS BRUTOS DE FLORES COMO INDICADORES


DE pH

BEATRIZ LEAL DE OLIVEIRA


EDUARDO CARLOS GILISK
ELOISA CALDAS ROQUE NASCIMENTO
RAFAEL DA SILVA JERONIMO

BARUERI
2016
BEATRIZ LEAL DE OLIVEIRA
EDUARDO CARLOS GILISK
ELOISA CALDAS ROQUE NASCIMENTO
RAFAEL DA SILVA JERONIMO

APLICAÇÃO DE EXTRATOS BRUTOS DE FLORES COMO INDICADORES


DE pH

Monografia de conclusão de curso


apresentada ao Curso de Química do
Instituto Técnico de Barueri Profª Maria
Sylvia Chaluppe Mello, como requisito
parcial à conclusão do curso.

Orientador: Prof(a) . Dr(a). ................................................

Barueri
2016
BEATRIZ LEAL DE OLIVEIRA
EDUARDO CARLOS GILISK
ELOISA CALDAS ROQUE NASCIMENTO
RAFAEL DA SILVA JERONIMO

APLICAÇÃO DE EXTRATOS BRUTOS DE FLORES COMO INDICADORES


DE pH

Monografia de conclusão de curso


apresentada ao Curso de Química do
Instituto Técnico de Barueri Profª Maria
Sylvia Chaluppe Mello, como requisito
parcial à conclusão do curso.

Aprovada em _______/_______/______

Banca Examinadora:

Barueri

2016
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho em memória de


José Paulo e Wilson que foram parte
importante deste trabalho e exemplos
para todos nós.
AGRADECIMENTOS

Agradecemos, primeiramente, a instituição por nos proporcionar a


oportunidade e estrutura para a realização deste trabalho. Agradecemos,
também a todos os professores que nos auxiliaram, não só no desenvolvimento
do trabalho, mas sim em todo o decorrer do curso. Ao professor Maurício Tiba,
professor Hebert e ao professor Guilherme que dedicaram uma parte de seu
tempo para esclarecer nossas dúvidas e a professora Alexandra Dias que nos
acompanhou durante a parte prática. Agradecimentos póstumos ao professor
José Paulo que com paciência respondeu á várias de nossas dúvidas e por ser
um excelente professor e profissional, a qual nos espelhamos; E ao técnico
Wilson pelos proveitosos esclarecimentos. Somos gratos também a todos os
nossos colegas, que colaboraram diretamente e indiretamente para a
realização deste trabalho, em especial a Juliana Rodrigues, Karen Tentoni,
Jennifer Macedo e André Soares. A todos o nosso muito obrigado.
EPÍGRAFE

“Paixão e satisfação caminham lado a lado. Sem elas, qualquer


felicidade é apenas temporária, porque não há o que a faça durar.”
― Nicholas Sparks
RESUMO

Este trabalho tem como finalidade a produção de indicadores naturais de


pH por meio da aplicação de extratos brutos de flores, com a possível
substituição dos indicadores sintéticos geralmente utilizados. As flores
utilizadas foram Bougainvillea glabra (Primavera), Bougainvillea spectabilis
(Primavera), Bougainvillea sanderiana (Primavera), Rhododrendron simsii
(Azaléia), e Jasminum mesnyi (Jasmim), sendo as três primeiras do mesmo
gênero, mas não da mesma espécie.
As flores foram escolhidas por conta de sua coloração característica, na
qual os pigmentos responsáveis são as Antocianinas, derivado das
Antocianidinas que são parte de uma classe geral de elementos químicos
denominados flavonoides.
A retirada dos extratos utilizados foram feitos através da extração
alcoólica simples, seguida de uma titulação com uma solução padronizada de
NaOH (Hidróxido de sódio) a 0,1mol.L-1 titulada com HCl (Ácido clorídrico)
também padronizada a 0,1mol.L-1.

Palavras-chave: Indicadores, pH, flores, antocianinas.


ABSTRACT

The objective of this work is the production of natural pH indicators through


the application of crude flower extracts, with the possible replacement of
synthetic indicators generally used. The flowers used were Bougainvillea glabra
(Spring), Bougainvillea spectabilis (Spring), Bougainvillea sanderiana (Spring),
Rhododrendron simsii (Azalea), and Jasminum mesnyi (Jasmine), Being the
first three of the same genus, but not of the same species.
The flowers were chosen because of their characteristic coloration, in which
the pigments responsible are Anthocyanins, derived from Anthocyanidins that
are part of a general class of chemical elements called flavonoids.

The extracts were extracted using simple alcoholic extraction, followed by


titration with a standard solution of NaOH (sodium hydroxide) at 0,1mol.L-1
titrated with HCl (hydrochloric acid) also standardized at 0,1mol.L-1.

Key words: Indicators, pH, flowers, anthocyanins.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO………………......……………………………………………….....1
2 OBJETIVO........................................................................................................2
3 JUSTIFICATIVA................................................................................................3
4 PRODUTOS NATURAIS..................................................................................4
5 BIODIVERSIDADE BRASILEIRA.....................................................................5
6 SOREN SORENSEN.................................……...……….......……………….….6
7 CONCEITO DE pH E pOH................................................................................7
8 TEORIAS DE ÁCIDO-BASE.............................................................................9
9 pHMETRO......................................................................................................12
10 INDICADORES DE pH.................................................................................13
10.1 Indicadores sintéticos................................................................................14
11 O PRINCÍPIO DE LE CHATELIER ..............................................................16
12 FLAVONOIDES............................................................................................18
13 ANTOCIANINAS...........................................................................................19
13.1 A importância das antocianinas.................................................................19
14 MATERIAL E MÉTODOS.............................................................................21
15 RESULTADOS E DISCUSSÕES..................................................................22
16 CONCLUSÃO...............................................................................................24
17 REFERÊNCIAS............................................................................................25
18 REFERÊNCIAS DE FIGURAS.....................................................................28
LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Soren Sorensen…………...............................................................6


FIGURA 2 – Escala de pH..................................................................................8
FIGURA 3 – Conceito de Brönsted-Lowry.........................................................10
FIGURA 4 – pHmetro.........................................................................................12
FIGURA 5 – Estrutura da fenolftaleína..............................................................15
FIGURA 6 – Flavona..................................……………...…...…………………...18
FIGURA 7 – Unidade estrutural do flavonoide...................................................18
FIGURA 8 – Estrutura das antocianinas comumente encontrada em flores.....19
FIGURA 10 – Maceração da flor de Bougainvillea sanderiana.........................21
LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – Resultado das analises do indicador feito a partir da Bougainvillea


glabra.................................................................................................................22
TABELA 2 – Resultado das analises do indicador feito a partir da Bougainvillea
spectabilis..........................................................................................................22
TABELA 3 – Resultado das analises do indicador feito a partir da Bougainvillea
sanderiana.........................................................................................................22
TABELA 4 – Resultado das analises do indicador feito a partir da
Rhododrendron simsii........................................................................................22
TABELA 5 – Resultado das analises do indicador feito a partir da Jasminum
mesnyiv..............................................................................................................23
TABELA 6 – Ponto de viragem dos indicadores produzidos.............................23
TABELA 7 – Comparação dos pontos de viragem de indicadores sintéticos com
o produzido........................................................................................................23
1

1. INTRODUÇÃO

O uso de produtos naturais no ensino da Química vem se destacando nos


últimos anos. Esse destaque é o resultado da necessidade de estudos que
venham possibilitar o entendimento da riqueza existente nos mesmos.
Atualmente, sabe-se que os produtos naturais além de biodegradáveis, são
compostos por um número imenso de substâncias com diversos tipos de
atividades farmacológicas, biológicas e medicinais sendo ainda possível
encontrá-los nos alimentos, perfumes, remédios, cosméticos e diversos outros
materiais. A grande diversidade de espécies vegetais disponíveis na natureza
contendo compostos orgânicos coloridos tais como flavonóides, taninos,
carotenóides, entre outros, tem permitido diversos estudos envolvendo
trabalhos didáticos e aplicações industriais (BISHOP, 1972). Segundo Giulietti
(2005) só no Brasil, o número de espécies de plantas ultrapassa os 56.000, o
que compreende quase 19% da flora mundial, sendo que o conhecimento da
biodiversidade no país ainda é muito incompleto e não ultrapassa 5 % desse
total (GIULIETTI et al., 2005). Segundo Baccan et. al (1979,p. 46) “os
indicadores ácido-base ou indicadores de pH são substâncias orgânicas
fracamente ácidas (indicadores ácidos) ou fracamente básicas (indicadores
básicos) que apresentam cores diferentes para suas formas protonadas e
desprotonadas; isto significa que mudam de cor em função do pH.” Podem ser
classificados de acordo com o mecanismo de mudança de cor ou os tipos de
titulação nos quais são aplicados (ROSS, 1989). Com o passar dos anos e com
a formalização dos conceitos de ácido e base, os estudos envolvendo esses
tipos de indicadores a partir de extratos de plantas teve um grande
crescimento. Inicialmente, os trabalhos eram restritos a sua aplicação na
análise qualitativa de soluções aquosas mencionadas ainda no século XVII por
diversos pesquisadores como Boyle, Iorden e duClos e descritas apenas em
1972 (BOYLE, 1972b; IORDEN, 1972; DuCLOS, 1972). Posteriormente,
Willian Lewis descreveu, pela primeira vez, a utilização de extratos de plantas
para determinação do ponto final de titulações de neutralização (TERCI e
ROSSI, 2002).
2

2. OBJETIVO

O objetivo deste trabalho é produzir indicadores a partir de flores e


analisar sua potencialidade como substitutos para os indicadores sintéticos.
3

3. JUSTIFICATIVA

O uso de indicadores tem uma vasta gama de aplicações no contexto da


química, que vão desde a identificação do pH e íons metálicos na água.

Inúmeros processos químicos, dependem diretamente do controle do pH,


substâncias químicas que forneçam indicação visual são de extrema utilidade,
substâncias estas chamadas indicadores.

Vários autores têm se preocupado em aproveitar corantes contidos nos


tecidos dos vegetais, que têm a propriedade de mudar sua coloração em
função do meio. A definição dos corantes, sua aplicabilidade na indústria,
aspectos históricos e técnicas de separação podem ser encontrados no Journal
of Chemical Education e em reuniões anuais cientificas realizadas no Brasil.

As transformações estruturais que ocorrem quando há variação no pH do


meio e que são responsáveis pelas mudanças de coloração observadas, foram
objeto de estudo de diversos autores, dos quais destacam-se o trabalho do
pionero Geissman e Brouillard.

Nosso trabalho se dispõe a apresentar a utilização destes corantes na


criação de indicados naturais, utilizando-se de vegetais facilmente encontrados
no Brasil, assim trazendo uma proposta de baixo custo e fácil aplicabilidade no
ensino de química visando uma maior acessibilidade ao uso de indicadores.
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4. PRODUTOS NATURAIS

“Os produtos naturais são utilizados pela humanidade desde tempos


imemoriais. A busca por alívio e cura de doenças pela ingestão de ervas e
folhas talvez tenha sido uma das primeiras formas de utilização dos produtos
naturais. A história do desenvolvimento das civilizações Oriental e Ocidental é
rica em exemplos da utilização de recursos naturais na medicina, no controle
de pragas e em mecanismos de defesa, merecendo destaque a civilização
Egípcia, Greco-romana e Chinesa. A medicina tradicional chinesa desenvolveu-
se com tal grandiosidade e eficiência que até hoje muitas espécies e
preparados vegetais medicinais são estudados na busca pelo entendimento de
seu mecanismo de ação e no isolamento dos princípios ativos.
A natureza sempre despertou no homem um fascínio encantador, não só
pelos recursos oferecidos para sua alimentação e manutenção, mas por ser
sua principal fonte de inspiração e aprendizado. A busca incessante pela
compreensão das leis naturais e o desafio de transpor barreiras à sua
sobrevivência, como o clima e as doenças, levaram o homem ao atual estágio
de desenvolvimento científico, mesmo após o avanço tecnológico observado
nos dias de hoje.” (Quím. Nova vol.29 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2006)
“Os produtos naturais podem ser derivados de diversas fontes naturais
como plantas, micróbios e animais. Podem ser representados por um
organismo inteiro como uma planta, uma parte de um organismo como as
folhas ou até mesmo um extrato de um organismo como um alcaloide que pode
ser isolado ou um vegetal, animal ou micro-organismo. No entanto na prática o
termo produto natural refere-se aos metabolismo secundário sendo pequenas
moléculas produzidas por um organismo, mas não rigorosamente necessárias
para a sua sobrevivência.” (NASCIMENTO, J. Set. 2014)
5

5. BIODIVERDIDADE BRASILEIRA

"O Brasil é um país de proporções continentais: seus 8,5 milhões km²


ocupam quase a metade da América do Sul e abarcam várias zonas climáticas
– como o trópico úmido no Norte, o semiárido no Nordeste e áreas temperadas
no Sul. Evidentemente, estas diferenças climáticas levam a grandes variações
ecológicas, formando zonas biogeográficas distintas ou biomas: a Floresta
Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície
inundável; o Cerrado de savanas e bosques; a Caatinga de florestas
semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata
Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km²,
que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas,
estuários e pântanos.

A variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna


brasileiras: o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Esta abundante
variedade de vida – que se traduz em mais de 20% do número total de
espécies da Terra – eleva o Brasil ao posto de principal nação entre os 17
países megadiversos (ou de maior biodiversidade).

Além disso, muitas das espécies brasileiras são endêmicas, e diversas


espécies de plantas de importância econômica mundial – como o abacaxi, o
amendoim, a castanha do Brasil (ou do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba
– são originárias do Brasil.” (Ministério do Meio Ambiente.)
6

6. SOREN SORENSEN (1868 - 1939)

Soren Peter Lauritz Sorensen, foi um bioquímico dinamarquês, que nasceu


em Havrebjerg a 9 de janeiro de 1868 e faleceu em Copenhaga a 12 de
fevereiro de 1939.

Realizou trabalhos sobre enzimas e proteínas introduzindo o conceito de


pH em 1909 para exprimir a concentração de iões de hidrogénio. A escala de
pH é imprescindível num laboratório moderno, sendo utilizada em inúmeros
procedimentos químicos.

Sorensen começou a estudar Medicina na Universidade de Copenhaga,


mudando-se posteriormente para Química. Formou-se em 1891, tendo, a partir
daí, e até 1899, ano em que se doutorou, trabalhado no estudo da síntese
inorgânica na Universidade Técnica da Dinamarca em Copenhaga. Começou a
colaborar com o Laboratório Carlsberg em Copenhaga, associado à cerveja
Carlsberg.

Após a morte do Professor J. Kjeldahl (1849-1900), Sorensen é convidado


para diretor do Laboratório. Aí realiza diversas experiências em bioquímica,
relacionadas com aminoácidos, proteínas e enzimas, conduzindo-o à
descoberta da medição do pH.

A escala de pH rapidamente foi aceite pela comunidade bioquímica. Em


1914, a química alemã Leonor Michaelis publicou um livro relacionado com o
assunto. A utilização da escala de pH tornou-se praticamente indispensável e
em 1935 foi desenvolvido e comercializado por Arnold Beckman o primeiro
medidor portátil de pH.

As letras pH são a abreviatura de pondus hydrogenii traduzido como


potencial de hidrogénio. Em 1938 Sorensen retirou-se do Laboratório
Carlsberg, tendo falecido em 1939.

Figura 1. Soren Sorensen (1868 - 1939)


7

7. CONCEITO DE pH e pOH

O pH ou potencial de hidrogénio iónico, é um índice que indica a acidez,


neutralidade ou alcalinidade de um meio. O conceito foi introduzido por S. P. L.
Sørensen em 1909. O "p" deriva do alemão potenz, que significa poder de
concentração, e o "H" é para o ion de hidrogénio (H+).

Às vezes é referido do latim pondus hydrogenii. O "p" equivale ao simétrico


do logaritmo de base 10 da atividade dos ions a que se refere, ou seja:

pH = - log10 [H+]

Em que [H+] representa a concentração de ions H+ expressa em mol/dm3.

Segundo a teoria de Arrhenius, os ácidos são compostos que reagem com


água e sofrem ionização, originando como único cátion o hidrônio (H3O+(aq)). Já
as bases são compostos que, em meio aquoso, sofrem dissociação iônica,
liberando como único ânion a hidroxila (OH-(aq)).

Mas existem várias substâncias diferentes no cotidiano, além de soluções


químicas usadas em laboratórios e indústrias que apresentam diferentes níveis
de acidez e basicidade. Só para citar um exemplo, o café é ácido, mas quase
todos sabem que o ácido sulfúrico é um ácido bem mais forte que o café.
Assim, para medir o grau de acidez e de basicidade das soluções, foram
criadas as escalas de pH e pOH, respectivamente.

A sigla pH significa potencial (ou potência) de hidrogeniônico e indica o teor


de íons hidrônio (H3O+(aq)) livres por unidade de volume da solução. Quanto
mais hidrônios houver no meio, mais ácida será a solução. Por consequência,
podemos dizer que quanto mais íons OH-(aq) houver no meio, mais básica ou
alcalina será a solução.

Em uma solução aquosa, sempre há esses dois íons (H3O+ e OH-), pois a
própria água sofre uma autoionização.

2 H2O ↔ H3O+ e OH-

Assim, para ser ácida, uma solução deve ter uma concentração maior de
cátions H3O+ do que de OH- livres em seu meio, e o contrário ocorre com as
soluções básicas.
8

Ácidas:[H3O+]>[OH-]
Básicas: [H3O+]<[OH-]

No caso da água, a quantidade desses íons no meio é igual ([H3O+] = [OH-]),


por isso, ela é neutra.

Isso nos ajuda a entender melhor a escala de pH, que costuma ser usada
entre valores de 0 a 14, em temperaturas de 25°C. A temperatura precisa ser
especificada porque ela altera a quantidade de íons no meio. Se aumentarmos
a temperatura, por exemplo, a energia das partículas também aumentará. Por
isso, elas se movimentarão mais rápido, o que resultará em um maior número
de choques entre elas e, portanto, em uma maior quantidade de íons
produzidos.

Figura 2: Escala de pH
9

8. TEORIAS DE ÁCIDO-BASE

 Teoria de Arrhenius (1859-1927)

Baseado em seus experimentos com condutividade elétrica em meio


aquoso, o químico, físico e matemático sueco Svante August Arrhenius propôs,
em 1884, os seguintes conceitos para definir ácidos e bases: “Ácidos são
compostos em solução aquosa que ionizam, produzindo como íon positivo
apenas o cátion hidrogênio (H+) ou, mais corretamente, o íon H3O+,
denominado íon hidrogênio ou hidroxônio.”

Assim, genericamente, temos:

H+(aq) + H2O(l) → H3O+(aq)

Exemplos:

HCl(aq) + H2O(l) → H3O+(aq) + Cl-(aq)


HNO3(aq) + H2O(l) → H3O+(aq) + NO3-(aq)
H2SO4(aq) + 2H2O(l) → 2H3O+(aq) + SO42-(aq)

“Bases ou hidróxidos são compostos que, por dissociação iônica, liberam,


como íon negativo, apenas o ânion hidróxido (OH-), também chamado de
hidroxila ou oxidrila.”

Exemplos:

NaOH(aq) → Na+(aq) + OH-(aq)


Ca(OH)2(aq) →Ca2+(aq) + 2 OH-(aq)

 Teoria de Brönsted-Lowry (1879-1947 e 1874-1939)

De forma independente, o dinamarquês Johannes Nicolaus Brönsted e o


inglês Thomas Martin Lowry, propuseram no mesmo ano outra teoria ácido-
base conhecida como Teoria Brönsted-Lowry, que diz o seguinte: “Ácido é a
espécie química que doa prótons. Já uma base é o receptor de prótons.”

Neste caso, considera-se como próton o íon hidrogênio. Isto é visto na reação
a seguir, onde o ácido cianídrico doa um próton para a água, que atua,
portanto, como base:
10

HCN(aq) + H2O(l) → CN-(aq) + H3O+(aq)

Essa reação é reversível, sendo que o íon hidrônio (H3O+) pode doar um
próton para o íon CN-. Desta forma, o íon hidrônio (H3O+) atua como ácido e o
CN- como base.

CN-(aq) + H3O+(aq)→ HCN(aq) + H2O(l)

 Teoria de Lewis (1875-1946)

Esta teoria foi criada pelo químico americano Gilbert Newton Lewis e diz o
seguinte: “Um ácido de Lewis é um receptor de um par de elétrons e uma base
de Lewis é uma doadora de um par de elétrons.”
Essa teoria introduz um conceito novo, é mais abrangente, mas não
invalida a teoria de Brönsted-Lowry. Pois todo ácido de Lewis é um ácido de
Brönsted, e consequentemente toda base de Lewis é uma base de Brönsted.
Isto ocorre porque um próton recebe elétrons, ou seja, um ácido de Lewis pode
unir-se a um par solitário de elétrons em uma base de Lewis.

Para Lewis, uma reação ácido-base consiste na formação de uma ligação


covalente coordenada mais estável. Assim, quando uma base de Lewis doa um
par de elétrons para uma base de Lewis, ambos formam uma ligação covalente
coordenada, em que ambos os elétrons provém de um dos átomos, como
ocorre no exemplo abaixo:

Figura 3. Conceito de Brönsted-Lowry.

Nesse caso, a amônia atua como a base de Lewis e de Brönsted, pois ela
doa os seus dois elétrons para o próton, sendo, portanto, a receptora do
próton. Além disso, formou-se uma ligação covalente entre o hidrogênio (o
próton) e a amônia.
11

Já a água é o ácido de Lewis e de Brönsted, pois ele doa o próton e


recebe os elétrons, note como o oxigênio do hidróxido formado a partir da água
ficou com um par de elétrons a mais.
12

9. pHMETRO

O pHmetro ou medidor de pH é um aparelho usado para medição de pH,


constituído basicamente por um eletrodo e um circuito potenciômetro. O
aparelho é calibrado de acordo com os valores referenciado em cada soluções
de calibração. Para que se conclua o ajuste é então calibrado em dois ou mais
pontos.

Tipos de pHmetro

Existem basicamente quatro tipos de pHmetro, são eles:

 pHmetro de bancada

É indicado para trabalhos que requerem controle ou monitoramento do pH, mV


e temperatura. Tem ainda como diferencial a indicação e compensação
automática de temperatura

 pHmetro de bolso

Substitui o papel pH e possui compensação automática de temperatura.

 pHmetro portátil

Utilizado geralmente em indústrias alimentícias, farmacêuticas, químicas,


açucareiras e etc. Este tipo de pHmetro é ideal para determinar o pH do
material no local da medição, evitando assim problemas ou erros por
contaminação.

 pHmetro digital

Mais utilizado em trabalhos de pesquisa e rotina do laboratório, o pHmetro


digital possui alta precisão nos resultados.

Figura 4: pHmetro.
13

10. INDICADORES DE pH

O pH é o potencial hidrogeniônico, ou seja, refere-se à concentração de


íons [H+] (ou H3O+) em uma solução. Quanto maior a quantidade desses íons,
mais ácida é a solução.

Desse modo, os indicadores apresentam uma cor quando estão em meio


ácido e outra cor quando estão em meio básico.

A escala de pH geralmente varia entre 0 e 14, sendo que o 7 representa um


meio neutro, os valores abaixo de 7 são meios ácidos e quanto menor o pH,
mais ácido é o meio, enquanto os valores acima de 7 são meios básicos e
quanto maior esse valor, mais básico é o meio.

Abaixo temos alguns exemplos de soluções do cotidiano com o pH próximo


ao indicado pela escala, a 25ºC. No entanto, geralmente os valores de pH e
pOH (potencial hidroxiliônico – indica a concentração de íons OH-, sendo que
quanto maior, mais básico é o meio) são decimais.

Assim, os indicadores ácido-base são também usados para indicar os


valores aproximados de pH.

O sistema de funcionamento dos indicadores é o seguinte: geralmente eles


são um ácido fraco ou uma base fraca que entra em equilíbrio com a sua base
ou ácido conjugado, respectivamente, que apresenta coloração diferente. Veja
um exemplo:

Indicador ácido + H2O ↔ H3O+ + Base conjugada


(cor A) (cor B)

Quando esse indicador genérico entra em contato com um meio ácido,


segundo o Princípio de Le Chatelier, o equilíbrio é deslocado no sentido de
formação do ácido fraco, ficando com a cor A. Por outro lado, se o indicador
entrar em contato com um meio básico, os íons OH - da solução básica irão
reagir com os íons H3O+ do indicador. Desse modo, o equilíbrio será deslocado
no sentido de repor os íons H3O+, ou seja, para a direita, que é também o
sentido de formação da base conjugada, e o sistema adquire a cor B.

Para que a mudança de cor possa ser vista a olho nu, deve haver uma
alteração de duas unidades no valor do pH.
14

Os indicadores são muito usados em titulações, técnica de laboratório para


descobrir a concentração de uma solução por meio do gotejamento de outra
solução de concentração conhecida.

No entanto, para se escolher o indicador certo, é preciso considerar as


forças relativas dos ácidos e das bases que participam da reação e também da
faixa de viragem do indicador. Por exemplo, a faixa de viragem da fenolftaleína
é entre 8,2 e 10,0, então ela é indicada para reações em que o ponto de
viragem ocorre em pH básico, mas não em que o ponto de viragem ocorre em
pH ácido.

10.1 Indicadores Sintéticos

“Há existência em nosso cotidiano de substâncias que possuem sabor


azedo, tais como o suco de limão e vinagre, assim também como aquelas que
apresentam sabor adstringente, que é o caso da banana, do caqui verde e do
leite de magnésia. Esses tipos de sabores identificam dois importantes grupos
de substâncias: os ácidos e as bases.

Todavia, experimentar toda e qualquer substância a fim de identificá-la e


deter um resultado concreto não é conveniente, tornando-se, na maioria dos
casos, perigoso. Foi então que químicos do passado perceberam que
substâncias de sabor azedo, os ácidos, quando misturados a suco de uva ou
de amora, apresentavam coloração avermelhada. Já com as substâncias de
sabor adstringente, as bases, tornavam-se azuladas quando misturadas a tais
sucos. Este fato deve-se a presença de indicadores naturais presentes no suco
da uva e da amora.

Os indicadores sintéticos são ácidos ou bases fracas com equilíbrio


químico facilmente deslocável, que apresentam a propriedade de mudar de cor
em regiões distintas de pH, possuindo uma coloração A em meio ácido e uma
coloração B em meio básico. Estas substâncias são utilizadas para indicar a
acidez ou basicidade de soluções aquosas.

A coloração apresentada por todos os tipos de indicadores está


diretamente relacionada às diferenças estruturais nos pares conjugados ácido-
base em solução, mudando de cor em função de alterações em sua estrutura
química.

No decorrer do tempo, várias teorias foram apresentadas na definição de


ácidos e bases. Entre elas, Arrhenius (Tito e Canto, 2002, pág.103) descreve:
15

“o íon H+ é o responsável pelo sabor azedo dos ácidos e pela sua ação sobre
indicadores. Da mesma forma, o íon OH- é o responsável pelo sabor
adstringente das bases e por sua ação sobre indicadores”. O mesmo cientista,
em estudos posteriores, constatou que as bases atacavam a pele, tornando-a
escorregadia, com aparência de ensaboada. Os ácidos, por sua vez, a
desidratava, tornando-a seca e ressecada. Isso pode ser explicado por reações
químicas entre os ácidos e as bases com substâncias presentes na própria
pele.

Na mesma época verificou-se que um grande número de compostos não


se encaixavam em nenhum destes grupos, tais como o cloreto de sódio, a
sacarose, o éter, a acetona e o etanol; substâncias estas que são estudadas
em separado de ácidos e bases.

Como vimos, tanto ácidos como bases possuem a propriedade de alterar a


cor de um indicador. Em sua definição, já é mencionado o fato de
apresentarem uma coloração em meio ácido e outra em meio básico. A maioria
dos indicadores utilizados em laboratório são sintéticos, sendo a fenolftaleína o
mais comum deles; incolor em meio ácido e rósea em meio básico. A cor
vermelho intensa indica pH superior a 10, devido a sua desprotonação,
originando a forma básica conjugada na estrutura química da substância
analisada. Há também uma ampla utilização de outros indicadores, como, por
exemplo, o alaranjado de metila, o azul de bromofenol, o vermelho de
timolftaleína, o vermelho de fenol, o roxo de metalcrisol, entre outros.” (Luís,
André. Universidade Federral de Santa Maria, 2017)

Figura 5. Estrutura da fenolftaleína(3,3-Bis(4-hidroxifenil)-1(3H)


isobenzofuranona
16

O PRINCÍPIO DE LE CHATELIER

O químico francês Henry Louis Le Chatelier (1850-1936) era também


engenheiro químico e metalúrgico, e divulgava a relação da química com a
indústria. Em 1884, ele enunciou uma generalização (sobre o comportamento
de sistemas em equilíbrio ao serem perturbados) que era simples, porém de
grande alcance. Ela foi chamada de Princípio de Le Chatelier e pode ser
descrita assim: “Quando se aplica uma força em um sistema em equilíbrio, ele
tende a se reajustar procurando diminuir os efeitos dessa força.”

Esse princípio mostra que quando alteramos um sistema em equilíbrio,


ele buscará adquirir um novo estado que anule essa perturbação. Dessa forma,
há um deslocamento do equilíbrio, ou seja, uma busca por uma nova situação
de equilíbrio, favorecendo um dos sentidos da reação. Se favorecer a reação
direta, com formação de mais produto, dizemos que o equilíbrio se deslocou
para a direita. Entretanto, é dito que se deslocou para a esquerda se foi
favorecida a reação inversa, com formação de reagentes.

Existem três fatores que provocam essas alterações, eles são:


concentração, pressão e temperatura. Examinemos resumidamente cada um
deles:

 Concentração

Se, em uma reação em equilíbrio, com temperatura constante,


aumentarmos a concentração de um, ou de todos os reagentes, a reação
será deslocada no sentido direto, pois para entrar em um novo equilíbrio o
sistema terá que gerar mais produtos. O contrário também ocorre: se
aumentarmos a concentração dos produtos a reação se deslocará no
sentido inverso, fornecendo mais reagentes

 Pressão

Se aumentarmos a pressão de um a reação gasosa em equilíbrio, sem


alterarmos a temperatura, ocorrerá uma contração do volume. Portanto, o
equilíbrio se deslocará no sentido do menor volume, ou seja, que possui
menos quantidade de matéria em mol. Já se diminuirmos a pressão, o
volume dos gases se expandirá, deslocando o equilíbrio no sentido da
reação com maior volume (maior número de mol).

 Temperatura
17

Aumento da temperatura: o equilíbrio será deslocado no sentido da


reação endotérmica (reação que absorve calor).

Diminuição da temperatura: o equilíbrio será deslocado no sentido da


reação exotérmica (reação que libera calor).
18

11. FLAVONOIDES

Os flavonoides são compostos naturais, derivados da benzo-γ-pirona,


apresentando a estrutura química C6-C3-C6. Ocorrem no estado livre ou, mais
comumente, como O-glicosídeos, embora exista um número considerável de C-
glicosídeos. São conhecidos mais de 2000 flavonoides, sendo o maior grupo de
compostos fenólicos naturais encontrados na natureza e, por isso, são usados
como compostos marcadores quimiossistemáticos. Seu nome deriva do termo
em latim flavus, que significa amarelo, embora a flavona pura seja incolor.

Terapeuticamente sua função não está ainda claramente esclarecida. O


grupo é conhecido pelos seus efeitos anti-inflamatórios, antialérgicos e
vasoprotetores (tratamento de tromboses). Rutina e hesperidina são
importantes flavonoides empregados em tratamentos de fragilidade capilar.

Figura 6. Flavona. Figura 7. Unidade Estrutural do Flavonoide.


19

12. ANTOCIANINAS

As antocianinas são flavonoides estruturalmente relacionados com a


flavona. O nome é derivado do grego antho-, flor, e kyanus-, azul. São
pigmentos encontrados na seiva, sendo que a cor do órgão é determinada pelo
pH da seiva. O azul de determinadas flores e o vermelho da rosa podem ser
devidos ao mesmo glicosídeo, em pH diferente.

São parte de uma classe geral de elementos químicos chamados


flavonoides ou bioflavonoides. A grande coisa sobre estes nutrientes é seus
valores antioxidantes. Os antioxidantes ajudam o corpo a combater alguns
elementos destrutivos conhecidos como "radicais livres" que atacam o corpo de
várias maneiras. Os Antioxidantes são bons para o sangue, para o sistema
circulatório, o coração e os pulmões e outras partes do corpo. Eles ajudam a
prevenir a infecção, inflamação e vírus. Os cientistas também dizem que altos
valores de antioxidantes podem ser úteis em limitar o risco de certos cânceres.

Antocianinas são um tipo específico de elemento envolvido na vida da


planta. Elas são os pigmentos de sementes das plantas, frutos ou outras
peças. Os Nutricionistas frequentemente dizem ao público que os alimentos
coloridose não processados estão entre as escolhas alimentares mais
saudáveis. Esses alimentos irão reforçar a resistência do organismo a uma
série de condições e desafios. As Antocianinas são uma parte vital desta ideia.

Figura 8. Estrutura das antocianinas comumente encontrada em flores.

13.1 Importância das Antocianinas

As Antocianinas podem ser especialmente úteis para pessoas que


querem obter alguns dos benefícios para a saúde desses tipos de nutrientes
sem a ingestão de uma grande quantidade de açúcares.
20

Toda a investigação em torno dos muitos benefícios de saúde das


Antocianinas e outros tipos de bioflavonóides ressaltam a importância de uma
dieta baseada em vegetais. Os cientistas analisaram diversos países ao redor
do mundo onde uma dieta baseada em vegetais é a norma, e muitos deles têm
atraído as mesmas conclusões: há razões nutricionais para este tipo de dieta.

Para mais informações sobre esse tipo de benefício para a saúde, converse
com seu médico de família e um nutricionista qualificado.
21

13. MATERIAL E MÉTODOS

As flores escolhidas foram coletadas momentos antes da análise, para que


tivesse uma maior obtenção dos pigmentos necessários. Utiliza-se como
amostra as flores: Primavera de três classes diferentes (Bougainvillea glabra,
Bougainvillea spectabilis, Bougainvillea sanderiana), Azaléia (Rhododrendron
simsii), e Jasmim (Jasminum mesnyi). Todas as flores foram escolhidas por
conta de sua coloração característica, na qual as antocianinas são
responsáveis pela coloração. As extrações foram realizadas através do
processo de maceração, no qual cerca de 30g de cada amostra foi macerada
com 300mL de etanol 70% permanecendo em repouso dentro da estufa por 48
horas na temperatura constante de 40C°, embrulhada em papel alumínio para
que não tivesse interferência da luz. Após este período, o material foi filtrado e
parte do solvente evaporado para obtenção dos respectivos extratos.

Logo após a obtenção dos extratos, os mesmos foram titulado utilizando


uma bureta de 50 mL, com uma solução padronizada de NaOH (Hidróxido de
sódio) a 0,1mol.L-1 titulada com HCl (Ácido clorídrico) também padronizada a
0,1mol.L-1.

Figura 9. Maceração da flor Bougainvillea sanderiana.


22

14. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Todos os testes foram realizados em triplicata com os extratos etanólicos da


Bougainvillea glabra, Bougainvillea spectabilis, Bougainvillea sanderiana,
Rhododrendron simsii, e Jasminum mesnyi, respectivamente, apresentaram
alto ponto de viragem, como pode ser observado nas tabelas a seguir:

Indicador I pH antes Gasto (mL) pH depois


1 1,98 4,60 11,75
2 2,00 5,00 11,25
3 1,95 5,70 11,80
Tabela 1: Resultado das analises do indicador feito a
partir da Bougainvillea glabra.

Indicador II pH antes Gasto (mL) pH depois


1 2,00 4,60 9,60
2 1,95 5,60 11,00
3 2,10 6,40 11,98
Tabela 2: Resultado das analises do indicador feito a
partir da Bougainvillea spectabilis.

Indicador III pH antes Gasto (mL) pH depois


1 2,30 7,10 13,00
2 1,96 5,10 12,88
3 2,20 5,00 11,00
Tabela 3: Resultado das analises do indicador feito a
partir da Bougainvillea sanderiana.

Indicador IV pH antes Gasto (mL) pH depois


1 1,94 5,10 10,75
2 1,96 5,40 11,80
3 1,98 5,00 9,80
Tabela 4: Resultado das analises do indicador feito a
partir da Rhododrendron simsii.
23

Indicador V pH antes Gasto (mL) pH depois


1 1,93 5,70 12,51
2 2,10 5,00 11,84
3 2,00 4,90 11,99
Tabela 5: Resultado das analises do indicador feito a
partir da Jasminum mesnyiv.

Resultados dos testes, realizados com os indicadores feitos a partir dos


extratos da Bougainvillea glabra, Bougainvillea spectabilis, Bougainvillea
sanderiana, Rhododrendron simsii, e Jasminum mesnyi, respectivamente:

GRUPO AMOSTRAL
INDICADOR pH ANTES pH DEPOIS
I 1,98 11,60 ± 0,76
II 2,02 10,86 ± 1,76
III 2,15 12,29 ± 2,79
IV 1,96 10,78 ± 2,49
V 2,01 12,11 ± 0,87
Tabela 6: Ponto de viragem dos indicadores
produzidos.

Após os resultados apresentados, pode-se perceber que os indicadores


produzidos possuem ponto de viragem semelhantes aos indicadores sintéticos
Amarelo de Alizarina.

INTERVALO
COR DO pH APROXIMADO DE COR DO pH
ABAIXO DA pH DE MUDANÇA ACIMA DA
INDICADOR VIRAGEM DE COR VIRAGEM
ALARANJADO DE METILA VERMELHO 3,1 - 4,4 AMARELO
FENOLFTALEÍNA INCOLOR 8,2 - 10,0 ROSA
TIMOLFTALEÍNA INCOLOR 9,4 - 10,6 AZUL
AMARELO DE ALIZARINA AMARELO 10,1 - 12,0 VERMELHO
INDICADOR PRODUZIDO VERMELHO 9,8 - 12,5 AMARELO
Tabela 7: Comparação dos pontos de viragem de indicadores sintéticos com o produzido.
24

15. CONCLUSÃO

Em virtude do que foi mencionado, os indicadores naturais produzidos pelo


grupo no laboratório desta unidade escolar, apresentaram alto ponto de
viragem, portanto, são semelhantes aos indicadores sintéticos Amarelo de
Alizarina GG e ao Tornassol.

Possui um baixo custo de produção, eliminando possíveis gastos com


indicadores sintéticos. Pode ser utilizado didaticamente com o intuito de
demonstração e produção em aula.
Ademais, foi possível observar que a extração dos compostos foi simples e
rápida, assim podendo reforçar a praticidade do uso em aulas práticas.
25

16. REFERÊNCIAS

CORTES, M. S.; RAMOS, L. A.; CAVALHEIRO, É. T . G. Titulação


espectrofotmétricas de sistemas ácidos-bases utilizando extratos de flores
contendo antocianinas. Instituto de Química de São Carlos, Universidade de
São Carlos. São Carlos – São Paulo. Jul. 2007. Disponível em
<http://www.scielo.br/>. Acesso em: 25 Mar. 2015
COUTO, A. B.; RAMOS, L. A.; CAVALHEIRO, É. T. G. Aplicação de pigmentos
de flores no ensino de química. Departamento de Química – Universidade
Federal de São Carlos. São Carlos – São Paulo. Out. 1997. Disponível em
<http://www.scielo.br/>. Acesso em: 25 Mar. 2015
SOARES, M H. F. B.; CAVALHEIRO, É. T. G. Aplicação de extratos brutos de
flores de quaresmeira e azaléia e da casca de feijão preto em volumetria ácido-
base. Um experimento para curso de análise quantitativa. Departamento de
Química, Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia, Universidade Federal de
São Carlos. São Carlos – São Paulo. Jun. 2000. Disponível em
<http://www.scielo.br/>. Acesso em: 25 Mar. 2015.
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corantes naturais no ensino médio. Eclet. Quím. Vol. 26 São Paulo 2001.
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2002.

PERUZZO, Francisco Miraguaia (Tito); CANTO, Eduardo Leite; Química: na


abordagem do cotidiano, Ed. Moderna, São Paulo,SP – 2002.
SARDELLA, Antônio; MATEUS, Edegar; Curso de Química: química geral, Ed.
Ática, São Paulo/SP – 1995.

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Ciência e Tecnologia. Disponível em: <https://cienciaetecnologias.com/quimica-
organica-produtos-naturais/>. Acesso em: 23 Out 2016.
PERUZZO, Francisco Miraguaia (Tito); CANTO, Eduardo Leite; Química: na
abordagem do cotidiano, Ed. Moderna, São Paulo,SP – 2002.
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Ática, São Paulo/SP – 1995.
JR, C. V.; BOLZANI, V. da S.; BARREIRO, E. J.; Os produtos naturais e a
química medicinal moderna.
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FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. "Teorias ácido-base de Arrhenius, de


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FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. ”Indicadores ácido-base”; Mundo Educação.
Disponível em < http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/indicadores-
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FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. “O Princípio de Le Chatelier”; Mundo


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TERCI, Daniela Brotto Lopes. “Aplicações analíticas e didáticas de


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<http://www.bv.fapesp.br/en/dissertacoes-teses/5443/analytical-and-didactic-
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MARÇO, P. H.; POPPI, R. J.; Procedimentos analíticos para identificação de


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2016.
SOARES, M. H. F. B.; CAVALHEIRO, É. T. G.; Aplicação de extratos brutos de
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São Carlos. Acesso em 23 de outubro de 2016.
ROSSI, A. V.; TERCI, D. B. L.; Indicadores naturais de Ph: usar papel ou
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23 de outubro de 2016.
BELLETTATO, R. D.; Utilização de indicadores orgânicos de pH no ensino de
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em 23 de outubro de 2016.
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Aplicação de corantes naturais no ensino médio. Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho Araraquara, Brasil. Acesso em 23 de outubro
de 2016.

CAVALHEIRO, É. T. G; Aplicação de corantes naturais no ensino médio.


Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Araraquara, Brasil.
Acesso em 23 de outubro de 2016.
27

CUCHINSKI, A. S.; CAETANO, J.; DRAGUNSKI, D. C.; Extração dos corantes


da beterraba (Beta Vulgaris) para utilização como indicador ácido-base.
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do Oeste do Paraná, Brasil. Acesso em 23 de outubro de 2016.

HAZRA, A.; Natural Indicator: To Measure the Acid-Base Degree of a


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http://www.chesci.com/articles/csrl/v3i12/13_CS21204509.pdf>. Acesso em 23
de outubro de 2016.
JUNIOR, G. W.; BISPO, L. M.; Corantes Naturais Extraídos de Plantas para
Utilização como Indicadores de pH. Escola de Engenharia de Lorena,
Universidade de São Paulo. Disponível em 23 de outubro de 2016.
28

17. REFERÊNCIAS DE FIGURAS

Figura 1 – Soren Sorensen. Disponível em: Soren Peter Lauritz Sorensen.


Disponível em: Usberco e Salvados. Ano. Química volume único. Edição ed. Nº
de volumes vols. Volume Vol: Editora Saraiva

Figura 2 – Escala de pH. Disponível em: Usberco e Salvados. Ano. Química


volume único. Edição ed. Nº de volumes vols. Volume Vol: Editora Saraiva

Figura 3 – Conceito de Brönsted-Lowry Disponível em:


http://brasilescola.uol.com.br/quimica/teorias-acidobase-
arrheniusbronstedlowry-lewis.htm.
Figura 4 – pHmetro. Foto tirada pelos autores.

Figura 5 – Estrutura da fenolftaleína. Disponível em:


http://www.ufpa.br/quimicanalitica/sindicador.htm.

Figura 6 – Flavona. Disponível em:


http://www.sbfgnosia.org.br/Ensino/flavonoides_e_antocianinos.html

Figura 7 – Unidade estrutural do flavonoide.


http://medifungi.com/pt/ar/apigenina-e-c-ncer.81.html
Figura 8 – Estrutura das antocianinas comumente encontrada em flores.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/qn/v21n2/3459.pdf.
Figura 10 – Maceração da flor de Bougainvillea sanderiana. Foto tirada pelos
autores.