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Com o intuito de aprimorar os conhecimentos em Metodologia Científica, este

texto utilizará o filme O Físico para abordar os tipos de conhecimento que são
importantes durante uma pesquisa. Assim, citaremos através do filme, o
conhecimento popular, o científico, o filosófico e o teológico. Dessa forma, pretende-
se de uma forma didática associar elementos de estudo para um maior
entendimento.
A trama de aventura foi lançada no ano de 2014 na direção de Philipp Stolzl,
baseado na obra literária de Noah Gordon. O filme possui sinopse para idade de 14
anos e conta com o seguinte elenco principal: Tom Payne (Robert Cole, personagem
principal); Ben Kingsley (Ibn Sina); Stellan Skarsgard (Henry Croft, o Barbeiro). É
importante ressaltar que, a distribuidora brasileira fez alguns cortes no filme,
reduzindo 36 minutos do filme original. Mesmo assim, é possível entender o enredo
e fazer análises a respeito da obra.
Desse modo, o enredo inicia-se na Inglaterra no século XI, tendo como cena
base da dramaturgia, a morte da mãe de Robert, quando ele ainda era criança,
vítima da “doença do lado”. Esta doença nos dias atuais é conhecida como
apendicite. Seu sintoma consiste em uma dor do lado direito na parte baixa do
abdômen, na altura do umbigo. Na época medieval, este mal era irreversível devido
à supremacia do conhecimento teológico. Assim, não tinha tratamento, levando o
paciente na maioria das vezes à morte.
De acordo com Lakatos, o conhecimento teológico, é embasado em doutrinas
que contêm proposições sagradas, reveladas pelo sobrenatural e, por esse motivo,
são consideradas infalíveis e indiscutíveis. No início do filme, o barbeiro fala para
sua plateia que as doenças são invocadas pelo demônio. Isto demonstra o poder da
Igreja Católica neste período. Tal influência causava uma barreira para o
aprofundamento dos estudos científicos.
Além disso, os “médicos” sofriam com a falta de informações sobre o corpo
humano, já que dissecar cadáveres era considerada uma prática pagã. Assim, a
Igreja estendia a sacralidade do corpo de Jesus aos demais corpos, ou seja, mesmo
morto o corpo não podia ser dissecado e estudado. Desse modo, eram utilizados
remédios nos tratamentos baseados em conhecimento empírico, com ervas
medicinais. Outras vezes, como indica o filme, até urina de cavalo poderia ser
vendida camuflada como remédio.
O conhecimento popular existe desde a época dos homens das cavernas. É
um conhecimento passado de pai para filho, e que, de certa forma, deu origem a
todos os outros tipos de conhecimento. Todos esses conhecimentos, quando
devidamente comprovados, foram sistematizados e apropriados pela ciência. No
entanto, a grande maioria dos fatos do nosso cotidiano atual teve origem no senso
comum, e muitas vezes, por mero acaso. Um exemplo disso eram as práticas de
prognóstico de gravidez utilizadas no passado:

Modo de se saber se uma mulher dará a luz ou não: colocarás


cevada e trigo em dois sacos de pano, que todos os dias a mulher
molhará com a sua urina; e também tâmaras e areia nos dois sacos.
Se a cevada e o trigo germinarem, ela dará a luz. Se a cevada
germinar em primeiro lugar, será uma menina; se o trigo germinar em
primeiro lugar, será um menino. Se nem um nem outro germinar, ela
não dará à luz (TATON, 1959 apud CHASSOT, 2003, p. 24).

Desse modo, certas práticas derivadas do conhecimento popular não


possuem respaldo científico. Podem-se citar as superstições: não comer mangas à
noite e nem mistura-las com leite; não deixar o noivo ver sua amada vestida de
noiva antes do casamento; não passar debaixo de escadas; colocar uma vassoura
virada atrás da porta para espantar uma visita chata...
. Os ditos populares, expressões do conhecimento popular, não ferem a
credibilidade do senso comum, pois não é imputado esse tipo de conhecimento a
obrigatoriedade de se verificar a sua validade de maneira sistematizada. No filme, o
barbeiro falou para Rob que era impossível o tratamento da catarata e da doença do
lado. Estas informações foram obtidas pela vivência dele, porém ao passar do
tempo, ele percebeu que estava errado. Isso só foi possível, pela busca do
conhecimento científico do judeu que o tratou e em seguida por seu aprendiz, após
realizar a viagem rumo à Pérsia.
De acordo com Matallo Júnior (1989), o conhecimento científico começa a
partir do momento em que as explicações saem do campo da opinião e entram no
mundo do método da ciência. O senso comum é um conjunto de informações não
sistematizadas, fragmentadas. A partir do momento em que essas informações
começam a ser justificado por meio de argumentos aceitáveis, o senso comum
começa a evoluir em direção à ciência. Em outras palavras, o senso comum trabalha
com o juízo de valor, com o subjetivo. Assim, não há como determinar se uma
opinião é boa ou má, verdadeira ou falsa. O desenvolvimento científico leva esses
comportamentos informais a um formalismo, um padrão aceitável pela maioria como
verdade.
O conhecimento científico obtido no processo metodológico tem como
finalidade, na maioria das vezes, explicar e discutir um fenômeno baseado na
verificação de uma ou mais hipóteses. Sendo assim, está diretamente vinculado a
questões específicas na qual trata de explicá-las e relacioná-las com outros fatos.
“Ao analisar um fato, o conhecimento científico não apenas trata de explicá-lo, mas
também busca descobrir suas relações com outros fatos e explicá-los” (GALLIANO,
1986, p. 26).
Em consonância com o supracitado, Robert obteve conhecimentos filosóficos
de Hipócrates, que compara a peste negra como as raízes de uma árvore, o que
tornaria impossível a retirada por completo das pústulas. Porém, ele não se conteve
apenas esta informação. Através da observação dos corpos dos pacientes, Rob
estabeleceu uma hipótese que o causador da peste negra era as pulgas, pois suas
mortalhas estavam cheias delas. Assim, quando o hospedeiro morria o corpo
esfriava e as pulgas procuram outra vítima.
Pode-se observar também, a aplicação do conhecimento científico quando o
mestre Ibn Sina elabora um gráfico para analisar a taxa de mortalidade na cidade.
Através de conhecimentos matemáticos de proporção, ele estabelece um número de
vítimas através da quantidade de óbitos na enfermaria. Além disso, o mestre físico,
também foi autor de livros no qual descreveu os cálculos das órbitas das estrelas e
planetas.
Neste sentido, Filosofia e Ciência possuem como objetivo a busca da verdade
e uma sistematização do conhecimento. Porém, as perguntas que a Filosofia tenta
responder são diferentes daquelas que a Ciência consegue responder. Enquanto a
Ciência é fortemente baseada em fatos, tentando estabelecer leis e padrões, a
Filosofia é especulativa, baseada principalmente na argumentação.
Os primeiros pensadores gregos, ao tomar contato com estrangeiros,
verificavam que eram homens como eles. Ao perguntarem sobre monstros marítimos
ou lendários, começaram a perceber que esses não existiam, ou se existiam, não
podiam ser comprovados, ganhando assim, o status de lenda. Essa busca da
verdade levou ao questionamento dos mitos. A indagação em busca da verdade
levou ao nascimento da filosofia (CHAUÍ, 2005).
Aristóteles, o terceiro grande filósofo grego que foi discípulo de Platão,
discordou da doutrina platônica, depois de mais de vinte anos de Academia. Ele
promoveu uma aproximação entre os fenômenos e as formas, o que levou à criação
do método indutivo. Essa discordância gerou uma grande divergência com o seu
mestre, Platão, a quem é atribuída a frase: “Aristóteles me despreza como o potro
que escoiceia a mãe que o deu à luz”. Aristóteles respondeu: “Amigo de Platão, mas
mais amigo da verdade” (CHASSOT, 2004, p. 51).
Esta indagação em busca da verdade também é abordada no filme. Pode-se
exemplificar quando Robert questiona o mestre sobre a possibilidade de eliminar as
postulas, confrontando as ideias de Hipócrates. Outro fator importante, é que ele não
ficou satisfeito por não descobrir como tratar a peste negra e ficava fazendo
perguntas ao mestre. Além disso, ele debatia com Ibn Sina sobre a possibilidade de
realizar procedimentos de intervenção da doença de lado.
Contudo, as respostas recebidas através do mestre não foram atrativas.
Quando ele pergunta se podia ter curado a doença da sua mãe, Ibn diz que estaria
fora do alcance, dizendo que talvez pudesse ser possível em 100 ou até em mil
anos. Mesmo assim, Robert parte para o campo da pesquisa e começa a estudar os
órgãos de um paciente que morrera por conta da doença do lado. Assim, através
dos experimentos, Rob elabora materiais científicos, que posteriormente, o auxiliaria
a realizar cirurgias, combatendo este mal.
Desse modo, a obra cinematográfica exemplifica os conhecimentos
Empíricos, Científicos, Filosóficos e Teológicos, demonstrando ser uma importante
interpretação do livro The Physician. Assim, ao utilizar este método para trabalhar, o
docente motiva os discentes a despertar o interesse pelo assunto, permitindo uma
maximização do entendimento.
Rob abre um corpo e começa a estudar os órgãos de um paciente que
morrera por conta da doença do lado
Calculou a orbita das estrelas e planetas, escreveu livros com os cálculos.
Mestre podia ter curado a doença da minha mãe?Está fora do nosso alcance, talvez
em 100 anos, talvez em mil.
Peste Negra: Que tal tirar estas pústulas: o mestre respondeu: as raízes são
profundas, Hipócrates compara isso como as raízes de uma árvore, e ele retruca,
ele viu com os próprios olhos?Está questionando Hipócrates? O senhor me disse
para questionar as certezas aqui. Em seguida, o mestre o prova com o corpo de um
animal. Ele sugere fazer testes com seres humanos, porém é proibido.
O gráfico feito por Ibn Sina, assim como os cálculos utilizando a
probabilidade, para mensurar o numero de infectados na cidade.
Ele descobre que o causador da peste negra são as pulgas através da
observação dos pacientes, pois suas mortalhas estavam cheias de pulgas, qd o
hospedeiro morre o corpo esfria e as pulgas procuram outra vítima, então todo corpo
é uma ameaça. Começam a cremação dos corpos, assim como, as vestimentas dos
médicos, protegendo mais os seus corpos. Eles não ficam só no achismo, vão
estudar os livros, e verificam as pulgas dos ratos, começam a caça aos ratos e a
cremação deles e percebem através do gráfico que a taxa de mortalidade estava
caindo.
Ele não ficou satisfeito por não descobrir como tratar a peste negra e ficava
fazendo indagações ao mestre.
Rob abre um corpo e começa a estudar os órgãos de um paciente que
morrera por conta da doença do lado.
O mestre pergunta como é o corpo humano e ele responde que é incrível. Ele
fala que o coração tem duas câmaras, como uma parede que separa as duas, e o
mestre retruca, e como o sangue vai de um lado para o outro, e ele responde, vai
pelos pulmões eu acho – mestre: então vc está dizendo que toda teoria da
circulação humana está errada? Nada é como está nos livros.
O garoto cresce sob os cuidados de Bader (Stellan Sarsgard), o barbeiro
local, que vende bebidas para cura de doenças. Ao crescer, Rob (Tom Payne)
aprende tudo o que Bader sabe sobre cuidar de pessoas doentes, mas ele sonha
aprender muito mais. Então descobre que, na Pérsia, há um médico famoso, Ibn
Sina (Ben Kingsley), que coordena um hospital. Algo impensável na Inglaterra. Para
aprender com ele, Rob aceita fazer uma longa viagem rumo à Ásia e para isso
esconde o fato de ser cristão, já que apenas judeus e árabes podem entrar na
Pérsia.

Lakatos e Marconi (2003, p.85) definem método como sendo “um conjunto das
atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite
alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros , traçando o caminho a
ser seguido”.
Também Oliveira (2002, p. 58) contribui, afirmando que método é um conjunto de
regras ou critérios que servem de referência no processo de busca da explicação ou
da elaboração de previsões, em relação a questões ou problemas específicos.
Porém, antes de desenvolver o método, é preciso estabelecer os objetivos que
pretendemos atingir, de forma clara, examinando de uma maneira ordenada as
questões: Por que ocorre? Como ocorre? Onde ocorre? Quando ocorre? O que
ocorre?
Método é o conjunto de processos empregados em uma investigação. Segundo
Cervo e Bervian (2002, p. 23-25), não inventamos um método, ele depende do
objeto da pesquisa, pois toda a investigação nasce de algum problema observado
ou sentido, por isso o uso do conjunto de etapas de que se serve o método
científico, para fornecer subsídios necessários na busca de um resultado para a
hipótese pesquisada. Segundo Fachin (2003, p. 28), o método científico é um traço
característico da ciência aplicada, pelo qual se coloca em evidência o conjunto de
etapas operacionais ocorrido na manipulação para alcançar determinado objetivo
científico. Para tanto, consideramos pelo menos dois aspectos do método científico:

• sua aplicação de modo generalizado, denominada método geral;


• sua aplicação de forma particular, ou, relativamente, a uma situação do
questionamento científico, denominada método específico. O método é, portanto,
segundo Oliveira (2002, p. 57), “Uma forma de pensar para se chegar à natureza de
um determinado problema, quer seja para estudá-lo, quer seja para explicá-lo.” Você
já pode entender que a ciência é constituída de um conhecimento racional, metódico
e sistemático, capaz de ser submetido à verificação, buscado através de métodos e
técnicas diversas, ou seja, por passos nos quais se descobrem novas relações entre
fenômenos que interessam a um determinado ramo científico ou aspectos ainda não
revelados de um determinado fenômeno (GALLIANO, 1986, p. 28).

Referências
https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/apendicite/
http://www.anisioteixeira.com.br/arquivosblog/MetodologiaMedio/Aula%2001.pdf
http://www.mat.ufrgs.br/~giacomo/Disciplinas/Metodologia%20cientifica%20.pdf