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CONSTIPAÇÃO

Medcel
Normal: Defecar no máximo 3x/dia e >3x/semana

ELEVADA PREVALENCIA (27%)


FATORES DE RISCO:
-Mulheres
-Medicações
-Sedentarismo (Ex: paciente acamado)
-Depressão (doença neuropsiquiátricas)

ETIOLOGIAS:
CONSTIPAÇÃO FUNCIONAL: Não tem causa orgânica detectável
 Critérios ROMA IV:
o Evacuação <3x/semana
o Sintomas recorrentes pelo menos 3 meses de maneira recorrente
o Mínimo de 6 meses antes do diagnostico
 Obviamente não pode ter causa orgânica
o Com 2 ou MAIS destes:
 Força para evacuar (em pelo menos 25% das evacuações)
 Fezes endurecidas (25% das evacuações)
 Sensação de evacuação incompleta (25%)
 Sensação de obstrução anorretal (25%)
 Manobras manuais (evacuação digital em 25%)
o Critérios insuficientes para fechar Sindrome do Intestino Irritavel!! (SII =/=
constipação funcional) Diferencia pela dor (presente no SII e ausente na
funcional).

DESORDENS NEUROLÓGICAS: Nesse caso não é funcional


Periféricas:
- Diabetes Mellitus
- Neuropatia autonômica
- Doença de Hirschsprung (problema do plexo mioentérico congênito – megacolon
congênito na criança)
- Doença de Chagas
- Pseudo-obstrução intestinal (Sindrome de Ogilvie) (obstrução funcional)
 Alteração entre sistema parassimpático e simpático
 Frequente em: Distúrbios hidroeletrolíticos; Usuários de Opioide,
trauma raquimedular, grande queimado.
Centrais:
- Esclerose Multipla; Injúria de medula espinal; Parkinson.

SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL: Sem causa orgânica


(MUDOU ALGUNS PONTOS DO ROMA III PRO ROMA IV)
ROMA IV:
Dor abdominal recorrente (Só dor – não mais desconforto!!)
 Pelo menos 1 vez/semana nos últimos 3 meses
Sintomas iniciados há 6 meses
Relacionada à evacuação, associada a alteração na FREQUENCIA ou na FORMA das fezes.
 Alteração na frequência: Aumentado (> 3x/dia) ou Reduzido (<3x/semana)
É comum a dor aliviar ao evacuar.
Ou seja, difere de constipação funcional pq na SII precisa ter dor!
Obs: No Roma III poderia vir associada a dor ou desconforto abdominal. Enquanto no Roma IV
apenas dor (foi retirado o desconforto)

DESORDENS NÃO NEUROGENICAS


- Hipotireoidismo
- Hipocalemia
- Anorexia nervosa
- Gravidez
- Pan-hipopituitarismo
- Esclerose sistêmica

MEDICAÇÕES ASSOCIADAS:
- Analgesicos (ppt opioides)
- Anticolinergicos (ex: escopolamida)
- Antidepressivos (ex: ADT)
- Antipsicoticos
- Suplemento de Ferro
- Bloqueadores dos canais de cálcio
TIPOS DE CONSTIPAÇÃO: Subdivide-se em 3 subtipos
1. Constipação com trânsito normal: A constipação funcional clássica – associado a
distúrbios psicossociais

2. Constipação com trânsito lento: Existe diminuição de neurônios do plexo mioentéricos.


Mais grave, costumam ser mulheres jovens, evacuam até 1x/semana. Pode levar a inercia
colônica.

3. Distúrbios da defecação: Dissinergia com contração paradoxal ou Disfunção do assoalho


pélvico ou do esfíncter anal.
-O esfíncter anal não relaxa para evacuar. Nesse caso não adianta dar laxante!
-Comum ocorrer fissura anal ou hemorroida

DIAGNÓSTICO
-HISTÓRIA DETALHADA, TOQUE RETAL
-DOENÇAS SISTEMICAS OU NEUROLÓGICAS
-MEDICAÇÕES

#CAI NA PROVA:
-SINAIS DE ALARME:
Dor (não é normal no constipado)
Sangramento ou anemia crônica
Emagrecimento
Tenesmo (Sensação constante de evacuar, mesmo com reto vazio)
Febre
Fezes em fita/afiladas

INDIVÍDUO SEM SINAL DE ALARME = TRATAMENTO EMPÍRICO


INDIVÍDUO COM SINAL DE ALARME = INVESTIGAÇÃO com exames
o Ex.lab: Hemograma, glicemia, creatinina, cálcio e hormônios tireoideamos.
o Colonoscopia
o Raio x baritado (enema opaco) –> Escolha para Megacolon.
EXAMES PARA DETECTAR O TEMPO DE TRANSITO COLONICO
 Capsula com marcadores radiopacos
 Normal é inferior a 72ha evacuação de todos os marcadores
 120h depois é feito o raio-x:
 Se >20% dos marcadores estiverem em cólon direito/esquerdo =
Transito lento
 Se >20% estiverem no reto = Distúrbio da defecação (trânsito normal, mas
a via de saída está impedindo)

 Cintilografia: Outra opção para avaliar trânsito -> Menos disponível e mais cara.

 Monometria anorretal: Importante -> Avaliar pressão intrarretal. Pode avaliar alterações
do assoalho
TRATAMENTO DA CONSTIPAÇÃO FUNCIONAL
1ª opção: Mudança do estilo de vida
-Aumentar ingesta de água: 2-3L por dia
-Aumentar ingesta de Fibras:
“Fibra retém liquido, aumentando o bolo fecal e estimulando a peristals ao distender o colon”
-Atividade física

Se não responder a essa terapia = Laxante


 Osmóticos: Polietilenoglicol (PEG), Lactulose, Leite de Magnésio
o Estimulam secreção intestinal de água e aumentam frequência de evacuações
 Lubrificantes: Óleo mineral
o Amolecem as fezes
 Estimulantes: Bisacodil, Sene e Picossulfato de sódio
o Mais perigosos pois aumentam atividade motora: podendo causar distúrbios
como hipocalemia e enteropatia perdedora de proteínas

Obs: Laxantes não são bons para uso crônico pois podem causar “dependência”...cada vez
precisa de doses maiores. Então laxantes só em caso de ultima necessidade
Procinéticos: Podem ser associados (Domperidona e bromoprida por exemplo)

Em Falha de tratamentos laxativos orais ou presença de Fecaloma:


Supositórios de glicerina
Desimpactação manual
Enema de óleo mineral ou glicerina.

Cirurgia em casos dramáticos: Colectomia subtotal com anastomose ileorretal


(retira o colon, juntando o íleo diretamento com o reto)
o Preencher os 5 critérios: Deve-se ter certeza que é irreversível!!
1. Constipação crônica severa e incapacitante não responsiva a
medicação (fez tudo e nada adiantou)
2. Inercia colonica (cólon parou)
3. Ausência de pseudo-obstrução intestinal crônica (comprovada por
estudos radiológicos ou manométricos)
4. Ausência de disfunção de assoalho pélvico (com base na manometria)
5. Ausência de dor abdominal como sintoma principal.

Novidade do Roma IV em relação ao tratamento:


Biofeedback -> Primeira escolha no tratamento de doentes com dissinergia: Espécie de
fisioterapia anal.

Constipação Funcional em criança: CAI


 Criança com mais de 4 anos*
 Com 2 ou mais dos seguintes:
 < 3 evacuações por semana
 História de retenção excessiva de fezes
 História de evacuação dolorosa ou endurecida
 História de fezes de grande diâmetro (obstrui o vaso)
 Episódio de incontinencia fecal paradoxal (critério adicional)
*A criança possui controle esfincteriano após os 2 anos
Ex: Criança com >4 anos, constipada, que mela a roupa e obstrui o vaso sanitário.
Conduta: Não precisa de exames.
Tratamento clínico
 Laxativos orais (Polietilenoglicol ou óleo mineral*)+ Ingesta de
fibras e água
- Nesse caso já inicia com laxativos orais
Se impactação fecal
 Supositórios ou Enema (clister)

Supositório

Clister/enema para lavagem

*Não usar óleo mineral em crianças < 12 meses ou com neuropatias (alto risco de aspiração
extremamente grave)