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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARÁ

TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020


PRESIDENTE
Des. LEONARDO DE NORONHA TAVARES
VICE-PRESIDENTE
Desª. CÉLIA REGINA DE LIMA PINHEIRO
CORREGEDORA DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM
Desª. MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES
CORREGEDORA DO INTERIOR
Desª. DIRACY NUNES ALVES

CONSELHO DA MAGISTRATURA
Des. LEONARDO DE NORONHA TAVARES Desª. MARIA DE NAZARÉ SILVA GOUVEIA DOS SANTOS
Desª. CÉLIA REGINA DE LIMA PINHEIRO Des. MAIRTON MARQUES CARNEIRO
Desª. MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES Des. JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR
Desª. DIRACY NUNES ALVES Desª. ROSI MARIA GOMES DE FARIAS

DESEMBARGADORES
MILTON AUGUSTO DE BRITO NOBRE
RÔMULO JOSÉ FERREIRA NUNES GLEIDE PEREIRA DE MOURA
LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO JOSÉ MARIA TEIXEIRA DO ROSÁRIO
VÂNIA VALENTE DO COUTO FORTES BITAR CUNHA MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO
RAIMUNDO HOLANDA REIS MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO
VÂNIA LÚCIA CARVALHO DA SILVEIRA ROBERTO GONÇALVES DE MOURA
CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO MARIA FILOMENA DE ALMEIDA BUARQUE
MARIA DE NAZARÉ SILVA GOUVEIA DOS SANTOS EDINÉA OLIVEIRA TAVARES
RICARDO FERREIRA NUNES LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO
LEONARDO DE NORONHA TAVARES MAIRTON MARQUES CARNEIRO
CÉLIA REGINA DE LIMA PINHEIRO EZILDA PASTANA MUTRAN
MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES MARIA ELVINA GEMAQUE TAVEIRA
LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA
DIRACY NUNES ALVES JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR
ROSI MARIA GOMES DE FARIAS
RONALDO MARQUES VALLE

SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO


Plenário da Seção de Direito Público
2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO
Sessões às terças-feiras
Plenário de Direito Público
Desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento
Sessões às segundas-feiras
Desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro
Desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento
Desembargadora Diracy Nunes Alves
Desembargadora Diracy Nunes Alves
Desembargador Roberto Gonçalves de Moura
Desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto
Desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto
Dra. Eva do Amaral Coelho - Juíza convocada
Desembargadora Ezilda Pastana Mutran
Desembargadora Maria Elvina Gemaque Taveira
SEÇÃO DE DIREITO PENAL
Desembargadora Rosileide Maria da Costa Cunha
Dra. Eva do Amaral Coelho - Juíza convocada Plenário da Seção de Direito Penal
SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO Sessões às segundas-feiras
Desembargador Milton Augusto de Brito Nobre
Plenário da Seção de Direito Privado
Desembargador Rômulo José Ferreira Nunes
Sessões às quintas-feiras
Desembargadora Vânia Valente do Couto Fortes Bitar Cunha
Desembargador Constantino Augusto Guerreiro
Desembargador Raimundo Holanda Reis
Desembargador Ricardo Ferreira Nunes
Desembargadora Vânia Lúcia Carvalho da Silveira
Desembargador Leonardo de Noronha Tavares
Desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos
Desembargadora Maria de Nazaré Saavedra Guimarães
Desembargador Leonam Gondim da Cruz Júnior
Desembargadora Gleide Pereira de Moura
Desembargador Ronaldo Marques Vale
Desembargador José Maria Teixeira do Rosário
Desembargador Maria Edwiges de Miranda Lobato
Desembargadora Maria do Ceo Maciel Coutinho
Desembargador Mairton Marques Carneiro
Desembargadora Maria Filomena de Almeida Buarque
Desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias
Desembargadora Edinéa Oliveira Tavares
Desembargador José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Júnior
1ª TURMA DE DIREITO PENAL
1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
Plenário de Direito Penal
Plenário de Direito Privado
Sessões às terças-feiras
Sessões às segundas-feiras
Desembargadora Vânia Lúcia Carvalho da Silveira
Desembargador Constantino Augusto Guerreiro
Desembargador Maria Edwiges de Miranda Lobato
Desembargador Leonardo de Noronha Tavares
Desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias (Presidente)
Desembargadora Maria do Ceo Maciel Coutinho
Desembargadora Maria Filomena de Almeida Buarque
2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Desembargador José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Júnior (Presidente)
Plenário de Direito Penal
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
Sessões às terças-feiras
Plenário de Direito Privado
Desembargador Milton Augusto de Brito Nobre (Presidente)
Sessões às terças-feiras
Desembargador Rômulo José Ferreira Nunes
Desembargador Ricardo Ferreira Nunes (Presidente)
Desembargadora Vânia Valente do Couto Fortes Bitar Cunha
Desembargadora Maria de Nazaré Saavedra Guimarães
Desembargador Ronaldo Marques Vale
Desembargadora Gleide Pereira de Moura
Desembargador José Maria Teixeira do Rosário
3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Desembargadora Edinéa Oliveira Tavares
Plenário de Direito Penal
1ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO
Sessões às quintas-feiras
Plenário de Direito Público
Desembargador Raimundo Holanda Reis
Sessões às segundas-feiras
Desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos
Desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro
Desembargador Leonam Gondim da Cruz Júnior
Desembargador Roberto Gonçalves de Moura
Desembargador Mairton Marques Carneiro (Presidente)
Desembargadora Ezilda Pastana Mutran
Desembargadora Maria Elvina Gemaque Taveira (Presidente)
Desembargadora Rosileide Maria da Costa
SUMÁRIO
PRESIDÊNCIA 8
VICE-PRESIDÊNCIA 11
CORREGEDORIA DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM 14
CORREGEDORIA DO INTERIOR 16
COORDENADORIA DOS PRECATÓRIOS 18
SECRETARIA JUDICIÁRIA 28
TRIBUNAL PLENO 39
SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO 62
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO- UPJ 68
SEÇÃO DE DIREITO PENAL 387
TURMAS DE DIREITO PENAL
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PENAL - UPJ 478
COORDENADORIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS
SECRETARIA DA VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE ACIDENTE DE TRÂNSITO 482
SECRETARIA DA VARA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DO MEIO AMBIENTE 561
SECRETARIA DA 11ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 563
SECRETARIA DA 12ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 572
SECRETARIA DA 2ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 585
SECRETARIA DA 3ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 598
SECRETARIA DA 4ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 736
SECRETARIA DA 5ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 747
SECRETARIA DA 6ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 749
SECRETARIA DA 7ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 754
SECRETARIA DA 8ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 779
SECRETARIA DA 9ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 781
SECRETARIA DA 10ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL 801
TURMAS RECURSAIS 843
SECRETARIA DA VARA DO 1º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE ANANINDEUA 848
SECRETARIA DA VARA DO 2º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE ANANINDEUA 855
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE MARITUBA 857
SECRETARIA DA 1 VARA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA 872
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CIVEL DE CASTANHAL 880
TURMAS RECURSAIS 889
FÓRUM CÍVEL
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 921
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 956
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 974
SECRETARIA DA 4ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1009
SECRETARIA DA 5ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1021
SECRETARIA DA 6ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1032
SECRETARIA DA 7ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1046
SECRETARIA DA 8ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1074
SECRETARIA DA 9ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1091
SECRETARIA DA 10ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1122
SECRETARIA DA 11ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1156
SECRETARIA DA 12ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1210
SECRETARIA DA 13ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1223
SECRETARIA DA 1ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1240
SECRETARIA DA 2ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1294
SECRETARIA DA 3ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1297
SECRETARIA DA 4ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1324
SECRETARIA DA 5ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1326
SECRETARIA DA 6ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1338
SECRETARIA DA 7ª VARA DE FAMÍLIA DA CAPITAL 1339
SECRETARIA DA 15ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1370
SECRETARIA DA 1ª VARA DE EXECUÇÃO FISCAL DA CAPITAL 1398
SECRETARIA DA 3ª VARA DE EXECUÇÃO FISCAL DA CAPITAL 1609
SECRETARIA DA 14ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL 1626
SECRETARIA DA 4ª VARA DA FAZENDA DA CAPITAL 1628
UPJ DAS VARAS DA FAZENDA DA CAPITAL - 1ª VARA DA FAZENDA 1646
UPJ DAS VARAS DA FAZENDA DA CAPITAL - 2ª VARA DA FAZENDA 1692
UPJ DAS VARAS DA FAZENDA DA CAPITAL - 3ª VARA DA FAZENDA 1744
UPJ DAS VARAS DA FAZENDA DA CAPITAL - 5ª VARA DA FAZENDA 1752
FÓRUM CRIMINAL
DIRETORIA DO FÓRUM CRIMINAL 1757
SECRETARIA DA 1ª VARA CRIMINAL DA CAPITAL 1759
SECRETARIA DA 10ª VARA CRIMINAL DA CAPITAL 1763
SECRETARIA DA 12ª VARA CRIMINAL DA CAPITAL 1770
SECRETARIA DA 1ª VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI 1771
SECRETARIA DA 1ª VARA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER 1774
SECRETARIA DA VARA DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO 1780
SECRETARIA DA VARA DE CARTA PRECATORIA CRIMINAL 1781
SECRETARIA DA 1ª VARA DE CRIMES CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1784
SECRETARIA DA 2ª VARA DE CRIMES CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1787
FÓRUM DE ICOARACI
SECRETARIA DA VARA DE FAMILIA DISTRITAL DE ICOARACI 1788
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DISTRITAL DE ICOARACI 1799
FÓRUM DE MOSQUEIRO
SECRETARIA DA VARA CIVEL E CRIMINAL DISTRITAL DE MOSQUEIRO 1805
FÓRUM DE ANANINDEUA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA 1806
SECRETARIA DA 1ª VARA DE FAMÍLIA DE ANANINDEUA 2072
SECRETARIA DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE ANANINDEUA 2087
SECRETARIA DA 2ª VARA DE FAMÍLIA DE ANANINDEUA 2099
SECRETARIA DA VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DE ANANINDEUA 2104
SECRETARIA DA 3ª VARA CRIMINAL DE ANANINDEUA 2106
SECRETARIA DA 2ª VARA CIVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA 2107
SECRETARIA DA 4ª VARA CRIMINAL DE ANANINDEUA 2158
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA 2161
FÓRUM DE BENEVIDES
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BENEVIDES 2164
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BENEVIDES 2165
FÓRUM DE MARITUBA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARITUBA 2166
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARITUBA 2167
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE MARITUBA 2170
EDITAIS
COMARCA DA CAPITAL - EDITAIS 2174
COMARCA DE ABAETETUBA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ABAETETUBA 2175
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ABAETETUBA 2230
COMARCA DE MARABÁ
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARABÁ 2239
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARABÁ 2270
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARABÁ 2304
SECRETARIA DA 1ª VARA CRIMINAL DE MARABÁ 2342
SECRETARIA DA 1ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE MARABÁ 2345
SECRETARIA DA 2ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE MARABÁ 2351
COMARCA DE SANTARÉM
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2357
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2380
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2384
SECRETARIA DA 4ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2399
SECRETARIA DA 5ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2411
SECRETARIA DA 6ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTARÉM 2415
SECRETARIA DA VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE SANTARÉM 2427
VARA DO JUIZADO ESPECIAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO DE SANTARÉM 2434
SECRETARIA DO JUIZADO DA VARA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE SANTARÉM 2469
COMARCA DE ALTAMIRA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ALTAMIRA 2497
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ALTAMIRA 2523
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ALTAMIRA 2526
SECRETARIA DA VARA AGRÁRIA DE ALTAMIRA 2543
SECRETARIA DA VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE ALTAMIRA 2553
COMARCA DE TUCURUÍ
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE TUCURUÍ 2560
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE TUCURUÍ 2568
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE TUCURUÍ 2569
COMARCA DE CASTANHAL
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE CASTANHAL 2570
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE CASTANHAL 2640
SECRETARIA DA 1ª VARA CRIMINAL DE CASTANHAL 2699
COMARCA DE BARCARENA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BARCARENA 2704
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BARCARENA 2727
COMARCA DE PARAUAPEBAS
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAUAPEBAS 2747
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAUAPEBAS 2780
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAUAPEBAS 2790
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE PARAUAPEBAS 2792
SECRETARIA DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA E EXECUÇÃO FISCAL DE PARAUAPEBAS 2795
COMARCA DE ITAITUBA
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ITAITUBA 2801
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE ITAITUBA 2829
SECRETARIA DO TERMO JUDICIÁRIO DE AVEIRO DA COMARCA DE ITAITUBA 2854
COMARCA DE TAILÂNDIA
SECRETARIA DA 2ª VARA DE TAILÂNDIA 2857
COMARCA DE RURÓPOLIS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE RURÓPOLIS 2862
COMARCA DE URUARÁ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE URUARÁ 2865
COMARCA DE REDENÇÃO
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE REDENÇÃO 2866
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE REDENÇÃO 2870
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE REDENÇÃO 2871
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE REDENÇÃO 2872
COMARCA DE PARAGOMINAS
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAGOMINAS 2874
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAGOMINAS 2888
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE PARAGOMINAS 2904
SECRETARIA DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE PARAGOMINAS 2906
COMARCA DE DOM ELISEU
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE DOM ELISEU 2913
COMARCA DE PACAJÁ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE PACAJÁ 2914
COMARCA DE RONDON DO PARÁ
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL DE RONDON DO PARÁ 2927
COMARCA DE MONTE ALEGRE
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE MONTE ALEGRE 2929
COMARCA DE FARO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE FARO 2964
COMARCA DE ORIXIMINA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE ORIXIMINA 3006
COMARCA DE OBIDOS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE OBIDOS 3017
COMARCA DE ALENQUER
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE ALENQUER 3041
COMARCA DE TERRA SANTA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE TERRA SANTA 3045
COMARCA DE CAPANEMA
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE CAPANEMA 3073
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE CAPANEMA 3083
COMARCA DE GOIANÉSIA DO PARÁ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE GOIANÉSIA DO PARÁ 3085
COMARCA DE SANTO ANTÔNIO DO TAUÁ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SANTO ANTÔNIO DO TAUÁ 3086
COMARCA DE SALINÓPOLIS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SALINÓPOLIS 3096
COMARCA DE SANTA IZABEL DO PARÁ
SECRETARIA DA VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE SANTA IZABEL DO PARÁ 3098
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE SANTA IZABEL DO PARÁ 3109
SECRETARIA DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE SANTA IZABEL DO PARÁ 3118
COMARCA DE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA
SECRETARIA DA 1ª VARA DE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA 3124
SECRETARIA DA 2ª VARA DE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA 3128
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA 3138
COMARCA DE CURIONÓPOLIS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE CURIONÓPOLIS 3150
COMARCA DE XINGUARA
SECRETARIA DA 1 VARA CIVEL E EMPRESARIAL DE XINGUARA 3155
COMARCA DE CAPITÃO POÇO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE CAPITÃO POÇO 3157
COMARCA DE BAIÃO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE BAIÃO 3164
COMARCA DE GARRAFÃO DO NORTE
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE GARRAFÃO DO NORTE 3171
COMARCA DE TUCUMÃ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE TUCUMÃ 3186
COMARCA DE AFUÁ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE AFUÁ 3191
COMARCA DE BRAGANÇA
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE BRAGANÇA 3194
COMARCA DE ITUPIRANGA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE ITUPIRANGA 3195
COMARCA DE PONTA DE PEDRAS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE PONTA DE PEDRAS 3200
COMARCA DE OURILÂNDIA DO NORTE
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE OURILÂNDIA DO NORTE 3201
COMARCA DE NOVO REPARTIMENTO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE NOVO REPARTIMENTO 3204
COMARCA DE SOURE
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SOURE 3208
COMARCA DE MOCAJUBA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE MOCAJUBA 3211
COMARCA DE BONITO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE BONITO 3265
COMARCA DE PRIMAVERA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE PRIMAVERA 3281
COMARCA DE CAMETÁ
SECRETARIA DA 2ª VARA DE CAMETÁ 3284
COMARCA DE SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA 3381
COMARCA DE CANAÃ DOS CARAJÁS
SECRETARIA DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE CANAÃ DOS CARAJÁS 3382
SECRETARIA DA VARA CRIMINAL DE CANAÃ DOS CARAJÁS 3387
COMARCA DE AUGUSTO CORREA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE AUGUSTO CORREA 3391
COMARCA DE BREVES
SECRETARIA DA 1ª VARA DE BREVES 3392
SECRETARIA DO JUIZADO ESPECIAL CIVEL E CRIMINAL DE BREVES 3418
COMARCA DE IGARAPÉ-AÇU
SECRETARIA DO TERMO JUDICIÁRIO DE MAGALHÃES BARATA 3436
COMARCA DE MÃE DO RIO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE MÃE DO RIO 3442
COMARCA DE PORTO DE MOZ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE PORTO DE MOZ 3451
COMARCA DE PRAINHA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE PRAINHA 3460
COMARCA DE SÃO DOMINGOS DO ARAGUAIA
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SÃO DOMINGOS DO ARAGUAIA 3461
COMARCA DE SÃO FÉLIX DO XINGU
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SÃO FÉLIX DO XINGU 3463
COMARCA DE SENADOR JOSE PORFIRIO
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE SENADOR JOSE PORFIRIO 3465
COMARCA DE VISEU
SECRETARIA DA VARA UNICA DE VISEU 3472
COMARCA DE MARACANÃ
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE MARACANÃ 3473
COMARCA DE ANAPU
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE ANAPU 3475
COMARCA DE ELDORADO DOS CARAJÁS
SECRETARIA DA VARA ÚNICA DE ELDORADO DOS CARAJÁS 3481
8
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

PRESIDÊNCIA

O Desembargador Leonardo de Noronha Tavares, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do


Pará, no uso de suas atribuições legais, etc. RESOLVE:

PORTARIA Nº 1365/2020-GP, DE 17 DE JUNHO DE 2020. * Republicada por retificação.

Altera a Portaria Nº 1162/2020-GP, de 08 de abril de 2020, que dispõe sobre o Plano de


Contingenciamento de despesas no âmbito do Poder Judiciário do Pará, em razão dos efeitos da
pandemia do novo coronavírus-COVID-19

CONSIDERANDO os termos da Portaria Nº 1162/2020-GP, de 08 de abril de 2020, que dispõe sobre o


Plano de Contingenciamento de despesas no âmbito do Poder Judiciário do Pará, em razão dos efeitos da
pandemia do novo coronavírus-COVID-19, com redação dada pela Portaria nº 1170/2020-GP, de 14 de
abril de 2020,

Art.1º Alterar a Portaria Nº 1162/2020-GP, de 08 de abril de 2020, que dispõe sobre o Plano de
Contingenciamento de despesas no âmbito do Poder Judiciário do Pará, em razão dos efeitos da
pandemia do novo coronavírus-COVID-19.

Art. 2º O dispositivo abaixo da Portaria Nº 1162/2020-GP, passa a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 2º ................................................................................................

§2º A suspensão prevista no inciso I, alínea "m" desta Portaria não se aplica aos cargos de chefia do
Apoio Direto."

Art.3º Ficam revogadas as alíneas "c", "k" e "l", do inciso I, do art. 2º da Portaria Nº 1162/2020-GP, de 08
de abril de 2020.

Art.4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

PORTARIA N° 1381/2020-GP. Belém, 19 de junho de 2020.

Considerando o pedido de licença médica do Juiz de Direito Bruno Aurélio Santos Carrijo, protocolizado
sob o Nº PA-MEM-2020/14784.

DESIGNAR o Juiz de Direito Haroldo Silva da Fonseca, titular da Vara Agrária de Redenção, para
responder, sem prejuízo de sua jurisdição, pela Vara Criminal de Redenção no período de 18 de junho a
17 de julho do ano de 2020.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ

CONCURSO PÚBLICO PARA O PROVIMENTO DE VAGAS E A FORMAÇÃO DE CADASTRO DE


RESERVA EM CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR E DE NÍVEL MÉDIO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DO PARÁ (TJ/PA)
9
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

EDITAL Nº 20 - TJ/PA, DE 19 DE JUNHO DE 2020

O Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em cumprimento à decisão proferida nos autos do Processo nº
0834699-89.2020.8.14.0301 e do Processo nº 0834936-26.2020.8.14.0301, ambos em andamento na 2ª
Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, torna pública a inclusão de
candidatos sub judice no resultado final na avaliação biopsicossocial, divulgado por meio do item 2 do
Edital nº 15 - TJ/PA, de 8 de abril de 2020, e suas alterações, conforme a seguir especificado.

[...]

2 DO RESULTADO FINAL NA AVALIAÇÃO BIOPSICOSSOCIAL DOS CANDIDATOS QUE


SOLICITARAM CONCORRER COMO PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

2.1 Relação final dos candidatos considerados pessoas com deficiência na avaliação biopsicossocial, na
seguinte ordem: cargo/área/especialidade/localidade de vaga, número de inscrição e nome do candidato
em ordem alfabética.

[...]

CARGO 6: ANALISTA JUDICIÁRIO - ESPECIALIDADE: DIREITO/6ª - PARAGOMINAS

Relação final dos candidatos sub judice considerados pessoas com deficiência na avaliação
biopsicossocial, na seguinte ordem: número de inscrição e nome do candidato em ordem alfabética.

[...] 10003396, Adriano Mendes Rodrigues.

[...]

CARGO 11: OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/7ª - SOURE

Relação final dos candidatos sub judice considerados pessoas com deficiência na avaliação
biopsicossocial, na seguinte ordem: número de inscrição e nome do candidato em ordem alfabética.

[...] 10051642, Jorge Norberto Gomes Villas.

[...]

CARGO 12: AUXILIAR JUDICIÁRIO/CENTRAL

Relação final dos candidatos sub judice considerados pessoas com deficiência na avaliação
biopsicossocial, na seguinte ordem: número de inscrição e nome do candidato em ordem alfabética.

[...] 10051532, Jorge Norberto Gomes Villas.

[...]

CARGO 12: AUXILIAR JUDICIÁRIO/6ª - PARAGOMINAS

Relação final dos candidatos sub judice considerados pessoas com deficiência na avaliação
biopsicossocial, na seguinte ordem: número de inscrição e nome do candidato em ordem alfabética.

[...] 10003557, Adriano Mendes Rodrigues.


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[...]

JUIZ GERALDO NEVES LEITE

Presidente da Comissão
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VICE-PRESIDÊNCIA

RESENHA DE DISTRIBUI??O - 19/06/2020 A 19/06/2020 -


Magistrado: VANIA LUCIA CARVALHO DA SILVEIRA
Secretaria: 1ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0001941-23.2020.8.14.0000 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 1ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: PROC. VIRTUAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PROC. MIGRADO PARA O SEEU
COM ALTERAÇÃO DO DÍGITO VERIFICADOR. OBJ: CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR.
DISTRIBUIÇÃO CONFORME ORIENTAÇÕES DA PORTARIA CONJUNTA Nº05, 07, 08, 09 E 13/2020-
GP/VP/CJRMB/CJCI, DECRETO ESTADUAL Nº 729/2020 E RESOLUÇÃO 318 DO CNJ.

Partes: AGRAVANTE: ADILSON DIVINO SCHIMIDT


AGRAVADO: JUSTIÇA PUBLICA

Magistrado: ROSI MARIA GOMES DE FARIAS


Secretaria: 1ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0011397-16.2006.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 1ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ART 157 §2º I E II C/C ART 14 II DO CPB. OBJ.: CONCESSÃO DE
LIVRAMENTO CONDICIONAL. AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL DISTRIBUÍDO CONFORME
PORTARIA CONJUNTA Nº 5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE 2020.AGRAVO DE EXECUÇÃO
TRAMITANDO NO SISTEMA SEEU SOB O Nº 0011397-46.2006.8.14.0401
Partes: AGRAVANTE: RENATO FABRICIO LOUREIRO PIMENTEL
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: MILTON AUGUSTO DE BRITO NOBRE


Secretaria: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0009843-22.2019.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ART. 217-A, DO CPB. OBJ.: CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR.
AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL DISTRIBUÍDO CONFORME PORTARIA CONJUNTA Nº
5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE 2020.
Partes: AGRAVANTE: ANTONIO PAULO DA SILVA AVELAR
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: VANIA VALENTE DO COUTO FORTES BITAR CUNHA


Secretaria: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0002714-39.2014.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: PROC. VIRTUAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PROC. MIGRADO PARA O SEEU.
OBJ: CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. DISTRIBUIÇÃO CONFORME ORIENTAÇÕES DA
PORTARIA CONJUNTA Nº05, 07, 08, 09 E 13/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, DECRETO ESTADUAL Nº
729/2020 E RESOLUÇÃO 318 DO CNJ.

Partes: AGRAVANTE: ALEX BRENO FEITOSA DO NASCIMENTO


AGRAVADO: JUSTIÇA PUBLICA
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Magistrado: RONALDO MARQUES VALLE


Secretaria: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0000204-94.2009.8.14.0056 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ARTIGO 121, PARAGRAFO 2º, DO CPB. OBJ.: CONCESSÃO DE PRISÃO
DOMICILIAR/PROGRESSÃO DE REGIME PARA O SEMIABERTO. AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL
DISTRIBUÍDO CONFORME PORTARIA CONJUNTA Nº 5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE
2020.
Partes: AGRAVANTE: MANOEL PINHEIRO DA SILVA
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: ROMULO JOSE FERREIRA NUNES


Secretaria: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0029282-53.2018.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ART. 157, DO CPB. OBJ.: RESTABELECIMENTO DE REGIME
ABERTO/CONCESSÃO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL. AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL
DISTRIBUÍDO CONFORME PORTARIA CONJUNTA Nº 5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE
2020.
Partes: AGRAVANTE: JOHN LUAN MACEDO DA SILVA
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: MILTON AUGUSTO DE BRITO NOBRE


Secretaria: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0001775-75.2015.8.14.0061 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 2ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: PROC. VIRTUAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PROC. MIGRADO PARA O SEEU.
OBJ: CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. DISTRIBUIÇÃO CONFORME ORIENTAÇÕES DA
PORTARIA CONJUNTA Nº05, 07, 08, 09 E 13/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, DECRETO ESTADUAL Nº
729/2020 E RESOLUÇÃO 318 DO CNJ.
Partes: AGRAVANTE: SALIM RIBEIRO DE SOUZA
AGRAVADO: JUSTIÇA PUBLICA

Magistrado: RAIMUNDO HOLANDA REIS


Secretaria: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0012780-39.2018.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ART. 157, PARAGRAFO 2º, DO CPB. AGRAVO DE
EXECUÇÃO PENAL DISTRIBUÍDO CONFORME PORTARIA CONJUNTA
Nº 5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE 2020
Partes: AGRAVANTE: JEAN MIRANDA CORREA
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: MARIA DE NAZARE SILVA GOUVEIA DOS SANTOS


Secretaria: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0008356-17.2019.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: CAP. LEGAL: ART. 157, PARAGRAFO 2º, DO CPB. OBJ.: SUSTAÇÃO DE
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MONITORAÇÃO ELETRÔNICA.AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL DISTRIBUÍDO CONFORME


PORTARIA CONJUNTA
Nº 5/2020/GP/VP/CJCI, DE 23 DE MARÇO DE 2020
Partes: AGRAVANTE: ALISON ANDREW SANTANA TRAVASSOS
AGRAVADO: JUSTIÇA PÚBLICA

Magistrado: MAIRTON MARQUES CARNEIRO


Secretaria: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0006810-92.2017.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: PROC. VIRTUAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PROC. MIGRADO PARA O SEEU.
OBJ: EXTINÇÃO DA PENA. DISTRIBUIÇÃO CONFORME ORIENTAÇÕES DA PORTARIA CONJUNTA
Nº05, 07, 08, 09 E 13/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, DECRETO ESTADUAL Nº 729/2020 E RESOLUÇÃO
318 DO CNJ.
Partes: AGRAVANTE: MAILSON RODRIGUES ALMEIDA
APELADO: JUSTIÇA PUBLICA

Magistrado: LEONAM GONDIM DA CRUZ JUNIOR


Secretaria: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Processo: 0007002-88.2018.8.14.0401 Distribuicao: 19/06/2020
A??o: Agravo de Execução Penal
Vara: 3ª TURMA DE DIREITO PENAL
Valor:0.0 Situa??o: DISTRIBUIDO
Fundamento: PROC. VIRTUAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PROC. MIGRADO PARA O SEEU.
OBJ: CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. DISTRIBUIÇÃO CONFORME ORIENTAÇÕES DA
PORTARIA CONJUNTA Nº05, 07, 08, 09 E 13/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, DECRETO ESTADUAL Nº
729/2020 E RESOLUÇÃO 318 DO CNJ.
Partes: AGRAVANTE: DILSON MARINHO PICANCO
AGRAVADO: JUSTIÇA PUBLICA
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CORREGEDORIA DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM

PROCESSO Nº 0001652-64.2020.2.00.0814
REQUERENTES: ARIANI DE NAZARE AFONSO NOBRE BARROS / ADRIANA AFONSO
NOBRE
REQUERIDO: JUIZO DA 2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE MARITUBA
PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS: MOROSIDADE PROCESSUAL (AUTOS Nº 0800402-

75.2020.8.14.0133)
DECIDO: (...) Analisando os fatos apresentados pela reclamante, percebe-se que a sua real intenção era o
prosseguimento do feito nº 0800402-75.2020.8.14.0133. Ocorre que, consoante às informações prestadas
pelo Magistrado, aliada às informações colhidas por meio do sistema PJE, observo que a morosidade
reclamada não subsiste, uma vez que os autos encontram-se com a interposição de agravo de
instrumento da decisão ora proferida e aguardando o encaminhamento de eventual decisão do juízo de 2º
grau. Diante do exposto, considerando não haver a princípio qualquer outra medida a sertomada por este
Órgão Correcional, DETERMINO o ARQUIVAMENTO da presente reclamatória,
com fulcro no art. 9º, § 2º da Resolução nº 135 do Conselho Nacional de Justiça. Dê-se ciência às partes.
Utilize-se cópia do presente como ofício. À Secretaria para os devidos fins. Belém, data registrada do
sistema. Desembargadora MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES Corregedora de Justiça da
Região Metropolitana de Belém

PJECOR REP Nº 0001349-50.2020.2.00.0814


REQUERENTE: ESCRITORIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃOECAD
(ADV.: KELLY VILHENA DIB TAXI JACOB - OAB/PA 18.949)
REQUERIDO: JUÍZO DA 10ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BELÉM
REF.: PROCESSO Nº 0050657-66.2011.814.0301
DESPACHO: Tratam os presentes autos de Representação por Excesso de Prazo ofertada, mediante
advogado, por ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ¿ ECAD em desfavor do
JUÍZO DE DIREITO DA 10ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA COMARCA DE BELÉM, junto a esta
Corregedoria de Justiça, alegando, em síntese, excessiva morosidade na tramitação do Processo nº
0050657-66.2011.814.0301. Instada a manifestar-se, a Juíza de Direito Titular da Unidade Judiciária, Dra.
Marielma Ferreira Bonfim Tavares, inicialmente, por meio da Assessora do Juízo, Sra. Simone Pamplona,
prestou as informações solicitadas as quais foram desconsideradas por esta Corregedoria que determinou
que a própria magistrada prestasse as informações devidas. Em 09/06/2020, a Magistrada Titular da
Unidade Judiciária, em atendimento à determinação desta Corregedoria, informou, em suma, que a
reclamação apresentada - Ação Ordinária nº 0050657-66.2011.814.0301, foi recebida no gabinete do juízo
em 03/06/2019 para análise e prolação da Sentença. Esclareceu que o art. 12 do novo Código de
Processo Civil estabelece que os magistrados devem seguir uma ordem cronológica ao proferir sentenças,
cujo critério de análise objetiva garantir a razoável duração do processo, impedindo o prolongamento
indefinido para julgamento das ações, excetuando-se as prioridades legais e as hipóteses de exclusão da
regra, ressaltando que antes da suspensão do expediente presencial e da instituição do Regime
Diferenciado de Trabalho em face da pandemia do COVID-19, estavam sendo analisados por aquele juízo
os processos físicos conclusos nos meses de
março e abril/2019. Destacou que a apreciação do processo ora reclamado, por se tratar de processo
físico, depende do atendimento presencial por meio do deslocamento de servidor até o prédio do Fórum
Cível, sendo que apenas em casos indispensáveis as atividades das unidades poderão ser realizadas
presencialmente, nos termos do art. 5º da PORTARIA CONJUNTA Nº 5/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, DE 23
DE MARÇO DE 2020, o que não é o caso dos autos, pois inexiste pedido de tutela urgência. Desse modo,
o citado processo deverá aguardar o retorno das atividades presenciais para ser analisado, segundo a
ordem cronológica de conclusão, em face da situação extraordinária imposta pela pandemia do COVID-19
e das medidas temporárias estabelecidas pela Portaria Conjunta nº 05/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, de
23/03/2020. Por fim, esclareceu que aquele Juízo vem atuando de forma contínua na análise dos
processos em andamento e, igualmente, buscará dar solução aos feitos
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

físicos ao término da suspensão do expediente presencial, em prazo que não acarrete prejuízo aos
jurisdicionados. É o Relatório. Decido: Analisando os fatos narrados pela requerente nestes autos,
percebe-se que a sua real intenção consiste no prosseguimento da Ação Ordinária nº 0050657-
66.2011.814.0301, nos ulteriores de direito. Ocorre que, de acordo com as informações prestadas pelo
juízo representado, devidamente confirmadas por esta Corregedoria de Justiça por meio de
consulta realizada no Sistema de Gestão de Processos Judiciais ¿ LIBRA, o processo em exame tramita
em autos físicos, não podendo, pelo menos por ora, ser acessado pela Magistrada. É importante sopesar
que a partir do dia 23 de Março de 2020 foi instituído o ¿Regime de Trabalho Diferenciado ¿ RTD¿
(teletrabalho) - conforme previsão contida na Portaria Conjunta Nº 5/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, de 23
março de 2020, que dispôs " sobre a atuação das unidades administrativas e judiciárias do Poder
Judiciário do Estado do Pará, em face da adequação de medidas temporárias de prevenção diante da
evolução do contágio pelo Novo Coronavírus (COVID-19) - que teve seu prazo de vigência inicialmente
prorrogado até o dia 15/maio/2020 pela Portaria Conjunta nº 7/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, de
28/abril/2020, tendo passado por nova prorrogação para o dia 30/junho/2020, de acordo com a Portaria
Conjunta n° 14/2020-GP/VP/CJMB/CJCI, de 04/junho/2020. De todo modo, nada impede que a Magistrada
responsável pela Unidade Judiciária determine a digitalização do Processo nº 0050657-66.2011.814.0301,
nos termos do § 1º do art. 9º, da Portaria Conjunta nº 10/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, de 15 de maio de
2020, verbis: ¿Art. 9º. (...) § 1º. O magistrado pode determinar que o trabalho de digitalização dos
processos físicos seja realizado de forma gradual e sob demanda, podendo, quando for possível,
ser realizado por um único servidor público, como medida preventiva a fim de evitar possível
contaminação da COVID-19 pelo manuseio compartilhado de papel.¿ Ante o exposto, não
vislumbrando nesse excepcional momento outra medida a ser adotada, tendo em vista o Processo nº
0050657-66.2011.814.0301 tramitar em
autos físicos, DETERMINO o sobrestamento desta representação até a cessação das medidas restritivas
acima apontadas e o consequente retorno das atividades forenses à sua normalidade, quando os
respectivos autos deverão voltar em conclusão, para que este Órgão Correcional possa melhor analisar a
questão e adotar as providências pertinentes. Dê-se ciência às partes, servindo a presente decisão como
ofício. À Secretaria para as providências cabíveis. Belém (PA), data da assinatura eletrônica.
Desembargadora MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES - Corregedora de Justiça da Região
Metropolitana de Belém
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CORREGEDORIA DO INTERIOR

Correição Parcial - Processo n° 0002034-57.2020.2.00.0814

Requerente: Neucinei de Souza Fernandes (Advogado Nelson Pedro Batista das Neves ¿ OAB/PA Nº
26.942).

Requerido: Juízo de Direito da Comarca de Gurupá-PA.

Decisão: Trata-se de Correição Parcial protocolado por Neucinei de Souza Fernandes, através de
advogado devidamente habilitado, contra ato proferido pelo Juízo de Direito da Vara Única da Comarca
de Gurupá nos autos da Ação Civil Pública n. 0003904-40.2019.814.0020. No documento n. 51207 dos
presentes autos consta certidão lavrada no dia 18/06/2020 pelo Diretor de Secretaria desta Corregedoria
de Justiça esclarecendo a tramitação do feito. Constata-se que o patrono da requerente protocolou o
presente expediente no Sistema Processo Judicial Eletrônico das Corregedorias - PJeCor, em desacordo
com o que dispõe o parágrafo único do artigo 270 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado
do Pará, verbis: ¿A correição parcial será julgada pelas Turmas de Direito Público, Privado ou Penal,
segundo a matéria controvertida¿. Ante o exposto, encaminhem-se os presentes autos à Vice-
Presidência desta Corte, em observância ao artigo 37, inciso II do texto regimental. Dê-se ciência ao
requerente. Belém, Pa, 18 de junho de 2020. Desa. DIRACY NUNES ALVES, Corregedora de Justiça das
Comarcas do Interior.

Processo n° 0002153-18.2020.2.00.0814

Requerente: Divisão de Arrecadação Extrajudicial do TJPA.

Decisão: Trata-se de expediente por meio do qual à Divisão de Acompanhamento e Fiscalização de


Arrecadação Extrajudicial comunica a ausência de prestação de contas e não pagamento de valores de
R$ 103.507,82 do Fundo de Reaparelhamento do Judiciário mais 28.887,56 do Fundo do Registro Civil,
totalizando débito de R$ 130.395,38, para adoção das providências cabíveis, conforme dispõe art. 174 do
Código de Normas. Registrou a Coordenação de Arrecadação que foram concedidos todos os prazos
legais ao Cartório para o recolhimento das taxas de fiscalização correspondentes e remessa de
informações ou esclarecimentos sobre a situação das prestações de contas, contudo, o prazo encerrou e o
cartório apenas solicitou parcelamento, sem saldar a dívida. É o sucinto relatório. Dispõe art. 174 do
Código de Normas que verificada a pendência na prestação de contas da serventia o Oficial será
notificado, no prazo, de 15 (quinze) dias para regularização e pagamentos das taxas. Ocorrendo
reincidência da conduta ou não o fazendo no prazo estipulado, a Coordenadoria Geral de Arrecadação
informará o fato a Corregedoria de Justiça para instauração do devido Processo Administrativo Disciplinar.
Conforme se observa dos autos, o Oficial em atraso e em débito é Titular da Serventia de Oriximiná, sendo
esta provida, cuja relação jurídica com a administração é regida pelo instituto da delegação, sendo
necessária a instauração de Processo Administrativo Disciplinar para apuração de eventual
responsabilidade. Observa-se, também que, com a conduta apresentada, não vem cumprindo as
prescrições legais e normativas relativas à atuação notarial e registral, em especial quanto aos
pagamentos legais obrigatórios aos FRC e FRJ, bem como as prestações de contas e atendimento às
notificações e determinações dos órgãos de fiscalização e controle, pondo, em risco, inclusive, a
segurança jurídica dos atos praticados. Constitui um dos deveres legais dos notários e dos oficiais de
registro, previsto no art. 30, XV, da lei nº 8.935/94, observar as normas técnicas estabelecidas pelo juízo
competente. Dispõe o art. 1.200, incisos I, V e VII, do Código de Normas que constitui infrações
administrativas sujeitas às penalidades previstas na normativa, inobservância das prescrições legais e
normativa, o descumprimento de quaisquer dos deveres previstos no art. 30 da lei nº 8.935/94 e o
descumprimento de quaisquer dos artigos do código. É inegável que, pelas informações prestadas pela
SEPLAN, o Oficial não vem cumprindo com os deveres de eficiência e presteza que deve permear a
prestação dos serviços, bem como, com a recalcitrância, não vem cumprindo suas obrigações
administrativas e financeiras com a administração do Poder Judiciário, o que em tese configura as
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

infrações indicadas impondo-se a necessidade de apuração disciplinar. Dessa feita, considerando os fatos
apresentados, determino, com fulcro no art. 1.189 e seguintes do Código de Normas, a instauração do
competente Processo Administrativo Disciplinar em desfavor de Carlos Haroldo da Silva Martins, Titular do
Cartório do Único Ofício de Oriximiná, delegando poderes ao Juiz Corregedor Permanente da Comarca
para presidir o procedimento, nos termos do § 1º, do art. 1.193 do mesmo código. Encaminhe-se cópia dos
autos ao Juiz Corregedor Permanente delegado, baixando os atos normativos necessários. Dê-se ciência
ao delegatário, inclusive com a determinação de que proceda, no prazo de 15 (quinze) dias, o pagamento
dos débitos e as devidas prestações de contas pendentes, conforme assinalado nas informações ID
45214. Proceda-se às anotações e registros cadastrais. À Secretaria da SJCI para os devidos fins. Belém,
17 de junho de 2020. DESA DIRACY NUNES ALVES, Corregedora de Justiça das Comarcas do Interior.
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COORDENADORIA DOS PRECATÓRIOS

PRECATÓRIO nº.: 049/2016 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0010207-53.2008.814.0051 CREDOR(A): Joel


Gato Marinho ADVOGADO(A): Lenilson Sousa de Assis ¿ OAB/PA nº.18489 ENTE DEVEDOR: Município
de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA nº.10112 ATO
DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿ 1988 quanto ao
regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na forma das
Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente Federado/Devedor
e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e sucessivos, sobre a
instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais incidentes, assim como
sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo impugnação formulada,
junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de Processos/Gestão Contábil para
operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções legais, em estrita conformidade com a
instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do recolhimento de custas pela(s) parte(s)
credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico- Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para
dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim como informação de dados documentais
(RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária e Dígito Verificador) da(s) parte(s)
credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A propósito, cumpre ressaltar que ante os
termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI, faculta-se à(s) parte(s) interessada(s)
informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de Precatórios:
coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as necessárias
operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de arquivo
digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e demais
providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado com
assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já referido
(coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após 30(trinta)
dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s), determino o
sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do crédito ¿
atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas as
operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 047/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0003837-79.2003.814.0051 CREDOR(A):


Vanusa Maria de Carvalho Miléo ADVOGADO(A): Vanusa Maria de Carvalho Miléo ¿ OAB/PA nº.8725
ENTE DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿
OAB/PA nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da
República ¿ 1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de
apresentação, na forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação
ao Ente Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias
corridos e sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções
legais incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não
havendo impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante informação de
dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária e Dígito Verificador)
da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A propósito, cumpre ressaltar
que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI, faculta-se à(s) parte(s)
interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de Precatórios:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as necessárias


operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de arquivo
digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e demais
providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado com
assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já referido
(coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após 30(trinta)
dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s), determino o
sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do crédito ¿
atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas as
operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 044/2016 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0000049-04.2012.814.0051 CREDOR(A):


Jeanne Cristina dos Santos Soares ADVOGADO(A): Laercíla Fátima Machado de Souza ¿ OAB/PA
nº.13574-B ENTE DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda
Batista ¿ OAB/PA nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição
da República ¿ 1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de
apresentação, na forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação
ao Ente Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias
corridos e sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções
legais incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não
havendo impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 033/2018 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0003633-32.2003.814.0051 CREDOR(A): José


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

dos Reis SIlva ADVOGADO(A): Wilson Luiz Gonçalves Lisboa ¿ OAB/PA nº.8919 ENTE DEVEDOR:
Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA nº.10112 ATO
DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿ 1988 quanto ao
regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na forma das
Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente Federado/Devedor
e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e sucessivos, sobre a
instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais incidentes, assim como
sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo impugnação formulada,
junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de Processos/Gestão Contábil para
operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções legais, em estrita conformidade com a
instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do recolhimento de custas pela(s) parte(s)
credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico- Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para
dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim como informação de dados documentais
(RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária e Dígito Verificador) da(s) parte(s)
credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A propósito, cumpre ressaltar que ante os
termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI, faculta-se à(s) parte(s) interessada(s)
informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de Precatórios:
coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as necessárias
operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de arquivo
digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e demais
providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado com
assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já referido
(coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após 30(trinta)
dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s), determino o
sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do crédito ¿
atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas as
operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 033/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0003532-60.2008.814.0051 CREDOR(A):


Izabel Ferreira Quintino Costa ADVOGADO(A): Manoel Altemar Moutinho de Souza ¿ OAB/PA nº.12139
ENTE DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿
OAB/PA nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da
República ¿ 1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de
apresentação, na forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação
ao Ente Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias
corridos e sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções
legais incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não
havendo impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
21
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 032/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0003532-60.2008.814.0051 CREDOR(A):


Daniel Ferreira Quintino Costa ADVOGADO(A): Manoel Altemar Moutinho de Souza ¿ OAB/PA nº.12139
ENTE DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿
OAB/PA nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da
República ¿ 1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de
apresentação, na forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação
ao Ente Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias
corridos e sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções
legais incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não
havendo impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 031/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0003532-60.2008.814.0051 CREDOR(A):


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Darlison Ferreira Quintino ADVOGADO(A): Manoel Altemar Moutinho de Souza ¿ OAB/PA nº.12139 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 021/2019 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0008765-09.2009.814.0051 CREDOR(A):


Sidney José dos Santos Duarte ADVOGADO(A): Juliane Fontenele Zampietro ¿ OAB/PA nº.14519 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
23
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 017/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0010555-04.2010.814.0051 CREDOR(A):


Kirley Conceição de Souza ADVOGADO(A): Cristiano Batista Motta ¿ OAB/PA nº.10645 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

PRECATÓRIO nº.: 016/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0010555-04.2010.814.0051 CREDOR(A


Cristiano Batista Motta ADVOGADO(A): Cristiano Batista Motta ¿ OAB/PA nº.10645 ENTE DEVEDOR:
Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA nº.10112 ATO
DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿ 1988 quanto ao
regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na forma das
Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente Federado/Devedor
e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e sucessivos, sobre a
instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais incidentes, assim como
sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo impugnação formulada,
junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de Processos/Gestão Contábil para
operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções legais, em estrita conformidade com a
instrução técnica formalizada (cálculos), mediante informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ)
e bancários (Banco/Agência/Conta bancária e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s)
e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta
nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI, faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail
institucional da Coordenadoria de Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e
bancários para viabilizar as necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim
como para disponibilização de arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para
manifestação. A manifestação e demais providências documentais/informativas devem ser veiculados
digitalmente (documento digitalizado com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura
digital, para o e-mail institucional já referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e
tramitação da espécie requisitória. Após 30(trinta) dias sem as necessárias providências
documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s), determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em
subconta específica para levantamento oportuno do crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o
exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas as operações financeiras, e ante a
liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os necessários registros e baixas, assim como
formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita Federal, conforme Termo de Cooperação
Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos, conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se.
Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA
Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº. 583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 015/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0010555-04.2010.814.0051 CREDOR(A):


Kleyton Conceição de Souza ADVOGADO(A): Cristiano Batista Motta ¿ OAB/PA nº.10645 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
25
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 014/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0010555-04.2010.814.0051 CREDOR(A): Keila


Francisca Conceição de Souza ADVOGADO(A): Cristiano Batista Motta ¿ OAB/PA nº.10645 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

PRECATÓRIO nº.: 001/2017 PROCESSO DE ORIGEM: nº.0000929-77.2008.814.0051 CREDOR(A): Rui


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Jaime dos Anjos Sousa ADVOGADO(A): Haroldo Quaresma Castro ¿ OAB/PA nº.11913 ENTE
DEVEDOR: Município de Santarém-PA PROCURADORIA GERAL: Arilson Miranda Batista ¿ OAB/PA
nº.10112 ATO DECISÓRIO: Em cumprimento ao que dispõe o art.100 da Constituição da República ¿
1988 quanto ao regime de pagamento de precatórios sob estrita ordem cronológica de apresentação, na
forma das Emendas Constitucionais ¿ EC nº.94/2016 e nº.99/2017, faculto manifestação ao Ente
Federado/Devedor e à(s) parte(s) credora(s) e/ou beneficiária(s), no prazo de 08 (oito) dias corridos e
sucessivos, sobre a instrução técnica firmada pelo Serviço de Cálculos quanto a retenções legais
incidentes, assim como sobre valor do crédito liquido devido/resultante. Transcorrido o prazo, não havendo
impugnação formulada, junte-se e/ou certifique-se e, na sequência, ao Serviço de Análise de
Processos/Gestão Contábil para operacionalizar pagamento e recolhimento/devolução de retenções
legais, em estrita conformidade com a instrução técnica formalizada (cálculos), mediante comprovação do
recolhimento de custas pela(s) parte(s) credora(s)/interessada(s), para expedição de Alvará Eletrônico-
Sistema/ SDJ (ou expressa anuência para dedução do crédito liquido) ¿ salvo gratuidade judiciária, assim
como informação de dados documentais (RG/CPF ou CNPJ) e bancários (Banco/Agência/Conta bancária
e Dígito Verificador) da(s) parte(s) credora(s)/interessada(s) e/ou beneficiária(s) ¿ sendo o caso. A
propósito, cumpre ressaltar que ante os termos da Portaria Conjunta nº.005/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI,
faculta-se à(s) parte(s) interessada(s) informar(em) através do e-mail institucional da Coordenadoria de
Precatórios: coord.precatorios@tjpa.jus.br seus dados documentais e bancários para viabilizar as
necessárias operações financeiras de pagamento e retenções legais, assim como para disponibilização de
arquivo digital da planilha de cálculos com detalhamento de valores, para manifestação. A manifestação e
demais providências documentais/informativas devem ser veiculados digitalmente (documento digitalizado
com assinatura) ou em formato de Arquivo-PDF com assinatura digital, para o e-mail institucional já
referido (coord.precatorios@tjpa.jus.br), para oportuna juntada e tramitação da espécie requisitória. Após
30(trinta) dias sem as necessárias providências documentais/informativas da(s) parte(s) interessada(s),
determino o sobrestamento da(s) quantia(s) em subconta específica para levantamento oportuno do
crédito ¿ atentando-se, na ocasião, para o exaurimento de saldo e encerramento da subconta. Efetuadas
as operações financeiras, e ante a liquidação do crédito requisitado, arquivemse os autos, com os
necessários registros e baixas, assim como formal ciência ao Juízo de Execução. Comunique-se à Receita
Federal, conforme Termo de Cooperação Técnica nº.01/2017. Na hipótese de impugnação aos cálculos,
conclusos os autos. Publique-se. Oficie-se. Belém-PA, 17 de junho de 2020. LÚCIO BARRETO
GUERREIRO Juiz Auxiliar da Presidência TJPA Coordenadoria de Precatórios CPREC Portaria nº.
583/2019-GP

Protocolo: SigaDOC nº. PA-EXT-2020/03007 Requerente: Município de Santo Antônio do Tauá - Pa


Procuradoria: Roberto de Souza Cruz - OAB/PA nº. 23048 João Eudes de Carvalho Neri - OAB/PA nº.
11.183 Credores: Gilberto Barata Cardoso Maria Lolita Ramos Dias Advogadas: Vilma Aparecida de
Souza Chavaglia - OAB/PA nº. 3882 Maria de Nazaré Cunha Kauffman - OAB/PA nº. 6181 Requerido:
Coordenadoria de Precatórios - CPREC/TJPA Referência: Plano de Pagamento de Precatórios nº.
025/2020. Desconstituição de sequestro. Aportes mensais. Pedido de Reconsideração. ATO DECISÓRIO:
Trata-se de manifestação formulada pelo Município de Santo Antônio do Tauá - Protocolo SigaDOC nº.
PA-EXT-2020/03007, de 17 de junho de 2020, solicitando a liberação de valores sequestrados em razão
de decisão publicada no DJ 28/05/2020, e apuração do valor real devido pelo Município. Em síntese,
alega que houve pagamento integral do Precatório nº. 003/2017, em que é credora Maria Lolita Ramos
(processo de origem: 0000058-16.2003.814.0094), juntando cópia de transferência eletrônica e recibo de
pagamento assinado pela credora e datada de 20/02/2019, bem como, documentação pertinente à
comunicação ao Juízo de Execução. Quanto ao Precatório nº. 017/2018 em que é credor Gilberto Barata
Cardoso (processo de origem: 0000029-35.1997.814.0094), a municipalidade alega a não localização do
Ofício nº. 113/2018 - CPREC/PREC, solicitando nova requisição e sustação do bloqueio, comprovando
ainda o pagamento de honorários sucumbenciais devidos às patronas. Requer ao final urgência na
solução em vista ao fechamento de folha de pagamento do Município, juntando documentação pertinente.
É a síntese da pretensão formulada. Inicialmente, destaca-se que o Ente Federado - Município de Santo
Antônio do Tauá, segue regime geral de pagamento de precatórios, competindo-lhe, obrigatoriamente,
incluir em seu orçamento, verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de decisões judiciais
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

com trânsito em julgado, conforme preceitua o §5º, art. 100 da Constituição Federal. Cumpre registrar que
compete ao Presidente do Tribunal o processamento e pagamento de precatórios inscritos, conforme
preceitua o art. 3º, inciso V da Resolução nº. 303/2019 - CNJ, portanto, inexistindo qualquer informação
quanto ao tempestivo pagamento dos créditos, na Coordenadoria de Precatórios e nos autos de
precatórios sob sua gestão, legítima a medida constritiva. Quanto às alegações do Município, no que
tange, a quitação do Precatório nº. 003/2017 e ao pagamento dos honorários sucumbenciais no Precatório
nº. 017/2018, ante a inexistência de informações nos autos dos Precatórios, necessária a manifestação do
Juízo de Execução quanto às alegações formuladas pelo Município. Com relação ao Ofício nº. 113/2018 -
CPREC/PREC, incabível nova requisição em decorrência da não localização do documento pelo
Município, uma vez que a requisição foi devidamente encaminhada pela Coordenadoria de Precatórios no
dia 13/07/2018 e recebido pelo Município em 16/07/2018, conforme Aviso de Recebimento assinado por
servidora /pessoa encarregada de prenome Nágila, fls. 11. Nessa linha de entendimento, ante a
necessária instrução e informação desta Coordenadoria que viabilize a adequada solução do pleito,
considerando os termos do art. 20, §8º, da Resolução nº. 303/2019 - CNJ, cautelarmente, determino que:
Oficie-se ao Juízo de Execução para prestar informação no prazo de 05 (cinco) dias, remetendo cópia do
requerimento, via malote digital, e-mail institucional e siga-doc, de forma a viabilizar a celeridade da
informação; - Igualmente, faculto manifestação à parte credora no prazo de 05 (cindo) dias, devendo
solicitar cópia do expediente através do e-mail institucional da Coordenadoria de Precatórios:
coord.precatorios@tjpa.jus.br, nos termos da Portaria Conjunta nº.005/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI; - -
Obtida a informação, retorne o expediente conclusos para decisão. Publique-se. Belém, 18 de junho de
2020. Belém, 18 de junho de 2020. LUCIO BARRETO GUERREIRO JUIZ AUXILIAR DA CONCILIACAO
DE PRECATORIO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

SECRETARIA JUDICIÁRIA

Número do processo: 0805900-66.2020.8.14.0000 Participação: PACIENTE Nome: LEONARDO SOUSA


DUARTE registrado(a) civilmente como LEONARDO SOUSA DUARTE Participação: ADVOGADO Nome:
GEISA CLAUDIA ALVES DE ALMEIDA FERNANDES OAB: 6758/TO Participação: AUTORIDADE
COATORA Nome: Antonio Jose dos Santos Participação: FISCAL DA LEI Nome: PARA MINISTERIO
PUBLICO

PLANTÃO JUDICIÁRIO DO 2º GRAU – DIAS 15 A 18 DE JUNHO DE 2020

SEÇÃO DE DIREITO PENAL

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE LIMINAR Nº 0805900-66.2020.8.14.0000

PACIENTE: LEONARDO SOUSA DUARTE

IMPETRANTE: DRA. GEISA CLAUDIA ALVES DE ALMEIDA FERNANDES - OAB/TO 6758

IMPETRADO: MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DE SÃO GERALDO DO ARAGUAIA/PA

RELATORA: DESA. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Vistos, etc.

Trata-se de HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO c/c PEDIDO DE LIMINAR em favor de LEONARDO


SOUSA DUARTE impugnado ato do MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DE SÃO GERALDO
DO ARAGUAIA/PA, no processo nº 0001263-21.2020.8.14.0125.

Extrai-se da impetração que o ora paciente foi autuado em inquérito em 02 de junho de 2020, onde figura,
como suposto autor do fato (roubo na praça da Bíblia), tendo como suposto ofendido Bruno Santos Silva,
na data de 23 de março de 2020.

Aponta que segundo o Boletim de Ocorrência (BO), a suposta vítima noticiou que se encontrava no dia 23
de março de 2020 sentado na praça da Bíblia, quando em dado momento fora abordado por dois homens
em uma motocicleta bem velha, sendo aparentemente uma moto BIZ 100. E, segundo o relator os
homens, seria um magro, baixo, com camisa cobrindo o rosto e outro de estatura média, forte, também
com o rosto coberto, que o sujeito forte de posse de uma faca, tomou de assalto uma motocicleta e seu
celular. Sendo registrado o BO em 24 de março de 2020.

Impugna a validade do termo de reconhecimento datado de 05 de maio de 2020 feito pela vítima.

Requer liminarmente o relaxamento da prisão por falta de fundamentação idônea do decreto de prisão
preventiva, já que o ora paciente detentor de condições pessoais favoráveis, com a expedição do
competente alvará de soltura. Finalmente, requer, após colhidas informações perante a autoridade
coatora, julgamento favorável do presente pedido, com a definitiva concessão do ¨Writ¨.

Juntou documentos, inclusive decisão proferida em 16/06/2020, que indeferiu pedido de liberdade
provisória, mantendo-se a prisão cautelar

É o relatório.

Decido.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Consoante relatado, alega a impetração que o ora paciente encontra-se sofrendo constrangimento ilegal
diante da manutenção da sua prisão preventiva em decisão proferida em 16/06/2020, apesar de ausência
de requisitos legais que justifiquem a manutenção da custódia preventiva, e de possuir o ora paciente
condições pessoais favoráveis.

Trago à colação a decisão demandada, na parte que interessa:

“Analisando detidamente os autos, esse Juízo comungando em sua integralidade do entendimento do


Ministério Público, constata-se que o pedido deve ser indeferido, não existe modificação na situação do
caso, seja de ordem jurídica ou fática, que faça modificar o entendimento da prisão cautelar.

Insurge-se o requerente contra a decisão que decretou sua prisão preventiva, em virtude de sua suposta
participação no delito dos art. 157, § 2º, II e VII, do Código Penal. Cumpre frisar que a prisão preventiva, é
uma das medidas cautelares de natureza pessoal, juntamente com a prisão em flagrante e a prisão
temporária. Por se tratar de prisão cautelar, visa assegurar a utilidade do provimento jurisdicional final,
revestindo-se das características da instrumentalidade, provisoriedade e acessoriedade.

Diz-se instrumental porque serve de meio e modo a alcançar determinada medida principal no processo
penal. Provisória, porquanto só dura enquanto não alcançada a finalidade principal e enquanto os
requisitos que a autorizaram ainda estiverem presentes. Na realidade é uma medida acessória, pois
vincula a sorte da medida cautelar à da principal, aquela sendo alcançada, esta perde a eficácia.

O decreto de prisão preventiva haverá de ser fundamentado, como uma garantia de que o juiz quando
determinou uma restrição de um direito fundamental do indivíduo, expôs as razões de sua decisão. É uma
garantia de tutela judicial efetiva e adequada em conformidade com o mandamento constitucional.
Analisando detidamente os autos verifica-se que o decreto de prisão preventiva preencheu os requisitos
do art. 312 e ss do CPP, devendo o pedido de liberdade provisória ser indeferido.

Formalmente está correto, primeiro porque os crimes que fundamentaram a prisão são punidos com
reclusão e segundo porque estão preenchidos os requisitos. Materialmente inconteste a existência do
fumus comissi delict consubstanciado na prova da materialidade do crime e de indícios suficientes da
autoria, conforme fundamentação idônea das provas acostada nos autos, e ainda, as diligencias
investigativas realizadas apontaram o representado como sendo um dos responsáveis pela pratica do
crime, além disso, o reconhecimento do acusado pela vitima em sede policial tem previsão legal inserido
no titulo reservado as provas e tem por finalidade a identificação de um suspeito através da palavra da
vitima, afastando assim a incidência de abuso de autoridade, que pune o sistema de justiça, pelo simples
exercício de seu dever de acautelar.

Quanto ao periculun libertatis, este se faz presente, sendo imperiosa manter sua prisão cautelar para
garantia da ordem pública, porque o indiciado, com seu ato demonstrou periculosidade acentuada, já que
teria praticado roubo em concurso de pessoas, em plena praça pública, utilizando-se de uma arma branca
para ameaçar e amedrontar a vitima, logrando êxito e subtraindo-lhe sua motocicleta e seu o aparelho
celular. Além disso, conforme consta nos autos que ensejou a prisão do acusado, a autoridade policial
relata que o acusado é contumaz na pratica delitiva dessa natureza. Isto posto, é incabível a concessão da
liberdade provisória se presentes os motivos da prisão preventiva, entendimento firmado na jurisprudência
e expresso na lei.

(...)

Analisando os autos observa-se que a prisão preencheu os requisitos legais, porque foi proferida por Juiz
competente, o qual entendeu existir prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, pois nessa
fase basta a prova indiciaria e a plena fica para a condenação, se for o caso.

Assim, as provas são contundentes no sentido de demonstrar a existência de indícios de autoria quanto ao
delito em questão, no caso roubo majorado pelo concurso de pessoas e emprego de arma branca, e
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

pressuposto da prisão preventiva, a qual exige fundadas razões de acordo com qualquer prova admitida
na lei penal, de autoria ou participação em crimes como o qual é imputado ao requerido.

A prisão deve ser mantida devido a garantia da ordem pública, já tão assolada por essa onda de violência
contra pessoa, em especial delitos de roubo e latrocínio, que assolam o país, privilegiando-se o direito da
Sociedade em viver com seus bens em paz em detrimento do direito da pessoa acusada em responder em
liberdade. Ressalta-se que estes tipos de delitos, com a presença de violência a pessoa para subtrair seus
bens, gera comoção e instabilidade social, cabendo ao Poder Judiciário ser criterioso e dá resposta ao
meio social da forma mais adequada e proporcional, que no caso é a prisão cautelar. III. Dispositivo Pelas
razões expostas, MANTENHO A PRISÃO CAUTELAR PELOS SEUS PRÓPRIOS TERMOS, indeferindo o
pedido de liberdade provisória.

Em que pesem os argumentos lançados pela defesa, não se verifica, da análise de decisão impugnada
apresentada, a presença de elementos que justifiquem a concessão da liminar pleiteada, eis que a prisão
do ora paciente encontra-se devidamente fundamentada na garantia da ordem pública, obedecendo todos
os ditames legais, não tendo a impetração demonstrado a presença do fumus boni iuris e do periculum in
mora, razão pela qual a indefiro.

Ante o exposto, solicito as informações à autoridade tida como coatora, nos termos da Resolução n.º
004/2003 – GP e Provimento Conjunto nº 008/2017, acerca das razões apresentadas pelo impetrante.

Após, encaminhem-se os autos a Procuradoria de Justiça, para os devidos fins.

Cumpra-se.

Belém/PA, 18 de Junho de 2020.

Desa. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO - Plantonista

Número do processo: 0805930-04.2020.8.14.0000 Participação: PACIENTE Nome: RONALDO TIBURCO


DANTAS registrado(a) civilmente como RONALDO TIBURCO DANTAS Participação: ADVOGADO Nome:
ARIVALDO AIRES DA ROCHA OAB: 9186/PA Participação: AUTORIDADE COATORA Nome: CELSO
QUIM FILHO Participação: FISCAL DA LEI Nome: PARA MINISTERIO PUBLICO

PROCESSO Nº 0805930-04.2020.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: PLANTÃO CRIMINAL ORDINÁRIO

AÇÃO: HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO LIMINAR

IMPETRANTE: ARIVALDO AIRES DA ROCHA - ADVOGADO

PACIENTE: RONALDO TIBURCO DANTAS

IMPETRADO: JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE PARAUAPEBAS/PA

DESEMBARGADORA PLANTONISTA: MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

R.h.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Cuida-se da ordem de habeas corpus liberatório, com pedido liminar, impetrada – em sede de plantão
criminal ordinário, as 16h36min do dia 18/06/2020 – pelo advogado Arivaldo Aires da Rocha em benefício
de RONALDO TIBURCO DANTAS, indicando como autoridade coatora o Juízo de Direito da 2ª Vara
Criminal da Comarca de Parauapebas/Pa.

Defende o impetrante, em apertada síntese, que o paciente se encontra preso preventivamente desde o
dia 17/03/2020, acusado pela suposta prática do crime tipificado nos arts. 33 e 35 da Lei 11343/2006,

Aduze que a prisão do paciente é manifestamente ilegal, diante do excesso de prazo para o término da
instrução criminal, visto que o mesmo se encontra preso há mais de 90 dias, sem que até o presente
momento houvesse conclusão do inquérito ou oferecimento da denúncia.

Destaca que impetrou pedido de liberdade provisória no juízo a quo e que não houve manifestação.

Afirma que o paciente é usuário de drogas.

Alega que o paciente possui qualidades pessoais favoráveis para responder em liberdade.

Assim, pugna pela concessão da medida liminar, para revogar a prisão do paciente e, no mérito, a
confirmação da ordem. Juntam documentos.

É, em resumo, o relatório.

Passo a decidir sobre o cabimento do writ neste plantão judicial.

Analisando o teor da Resolução nº 016/2016-GP, que trata sobre o Plantão Judiciário Ordinário, e
estabelece as matérias que serão objeto do plantão judicial, verifico que os fatos versados no presente writ
não se enquadram em nenhuma das situações listadas no mencionado ato regulamentar, uma vez que o
paciente está se insurgindo contra prisão efetivada em 18/03/2020, o que demonstra a ausência de
prejuízo e do caráter de urgência no momento da interposição do mandamus, de modo a ensejar a
atuação do Plantão ordinário.

Ademais, em consulta ao sistema LIBRA deste Tribunal, verifico que a prisão preventiva do paciente foi
revogada em 16/06/2020, com aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, diante do excesso de
prazo na marcha processual.

Portanto, depreende-se que cessou o alegado constrangimento ilegal.

Assim, inexistindo prejuízo ao seu direito de ir e vir, julgo prejudicado o presente feito à míngua de perda
de objeto e determino, por consequência, o seu arquivamento.

Belém, 18 de junho de 2020.

Desa. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Desembargadora - Plantonista

Número do processo: 0805889-37.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: LUIS HENRIQUE


BRITO FERREIRA Participação: ADVOGADO Nome: LUIS HENRIQUE BRITO FERREIRA OAB:
27197/PA Participação: AUTORIDADE COATORA Nome: VARA CRIMINAL DA COMARCA DE
BRAGANÇA Participação: FISCAL DA LEI Nome: PARA MINISTERIO PUBLICO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

PLANTÃO JUDICIÁRIO DO 2º GRAU – DIAS 15 A 18 DE JUNHO DE 2020

SEÇÃO DE DIREITO PENAL

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE LIMINAR Nº 0805889-37.2020.8.14.0000

PACIENTE: GLEISON MONTEIRO DA SILVA

IMPETRANTE: DR. LUIS HENRIQUE BRITO FERREIRA – OAB/PA 27.197

IMPETRADO: MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BRAGANÇA/PA

RELATORA: DESA. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Vistos, etc.

Trata-se de HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO c/c PEDIDO DE LIMINAR em favor de GLEISON


MONTEIRO DA SILVA apontando como autoridade coatora o MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA
CRIMINAL DA COMARCA DE BRAGANÇA/PA.

Aduz a impetração que o ora paciente foi preso em flagrante por suposta prática do crime esculpido no art.
33 da Lei nº 11.343/2006, no dia 16/06/2020, por volta das 16h:15min. No entanto, até o presente
momento, a autoridade demanda não analisou os Autos de Prisão em Flagrante e a legalidade da prisão e
nem a converteu em prisão preventiva, assim como não realizou audiência de custódia e sequer designou
ou apresentou motivos para a não realização pela plataforma de uso diário e comum na comarca de
Bragança/PA, em resposta ao requerimento protocolizado mais cedo pelo ora impetrante.

Alega que segundo o próprio indiciado em conversa reservada, este teria ido ao local da prisão apenas
para consumir droga, sendo a única pessoa a ser presa, uma vez que aqueles que realmente estavam
comercializando drogas conseguiram evadir-se do locus do crime.

Justificando na ilegalidade e na ausência de justa causa para a manutenção da prisão, pois decorrido mais
de 24 horas da prisão em flagrante e não sendo realizada e sequer designada a audiência de custódia,
requer a concessão de LIMINAR para determinar o imediato relaxamento da prisão do paciente, com
expedição do competente Alvará de Soltura, bem como a urgente comunicação e determinação para que a
SUSIPE o solte imediatamente. E, em definitivo, requer a confirmação do pedido liminar.

Juntou documentos.

É o relatório.

Decido.

Consoante relatado, aduz a impetração que o ora paciente encontra-se sofrendo constrangimento ilegal
pela ausência de análise de prisão em flagrante, ocorrida no dia 16/06/2020, e pela não realização de
audiência de custódia, devendo ser relaxada a referida prisão pela ausência de justa causa para a sua
manutenção.

Para se evitar supressão de instância, pois até a presente data não se encontra cadastrada no sistema
LIBRA a análise do pedido de relaxamento da prisão protocolado pelo ora impetrante no dia 17/07/2020,
no processo que tramita no 1º Grau de nº 0004081-03.2020.8.14.0009, SOLICITO com a máxima urgência
informações à autoridade tida como coatora, nos termos da Resolução n.º 004/2003 – GP e Provimento
Conjunto nº 008/2017, acerca das razões apresentadas na impetração.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Após, conclusos, para análise da liminar pleiteada.

Cumpra-se.

Belém/PA, 18 de Junho de 2020.

Desa. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Desembargadora Plantonista

Número do processo: 0805886-82.2020.8.14.0000 Participação: PACIENTE Nome: EDUARDO DOS


ANJOS MORAES Participação: ADVOGADO Nome: SAMANTHA RAQUEL COSTA SANTANA OAB:
26568/PA Participação: AUTORIDADE COATORA Nome: Juiízo da Única Vara da Comarca de Limoeiro
do Ajuru Participação: FISCAL DA LEI Nome: PARA MINISTERIO PUBLICO

PLANTÃO JUDICIÁRIO DO 2º GRAU – DIAS 15 A 18 DE JUNHO DE 2020

SEÇÃO DE DIREITO PENAL

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE LIMINAR Nº 0805886-82.2020.8.14.0000

PACIENTEEDUARDO DOS ANJOS MORAES

IMPETRANTE: SAMANTHA RAQUEL COSTA SANTANA – OAB/PA 26.568

IMPETRADO: MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE LIMOEIRO DO AJURU/PA

RELATORA: DESA. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Vistos, etc.

Trata-se de HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO c/c PEDIDO DE LIMINAR em favor de EDUARDO DOS
ANJOS MORAES impugnado ato do MM. JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE
LIMOEIRO DO AJURU/PA, que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, no dia 14/06/2020,
no processo nº 0000541.04.2020.8.140087 (conforme pesquisa no LIBRA).

Extrai-se da impetração que no dia 13 de junho de 2020, o ora paciente, que possui 19 (dezenove) anos
, primário e de bons antecedentes, foi preso em suposto flagrante por infração ao art. 33, caput, da Lei
de Tóxicos, na modalidade ter em depósito para comercialização o entorpecente popularmente conhecido
como maconha, que estava acondicionado em 33 (trinta) pequenos papelotes, apesar de não ter
confessado, mas constar o contrário no termo do seu depoimento.

Consta ainda que em 14/06/2020, a Autoridade demanda converteu o flagrante em prisão preventiva: a)
atendendo à representação genérica da Autoridade Policial; b) sem realizar audiência de custódia e c) sem
ouvir o Ministério Público.

Alega estar o ora paciente sofrendo constrangimento ilegal, aduzindo que se converteu a prisão em
flagrante em prisão preventiva sem observância da Jurisprudência dos Tribunais Superiores e da
Legislação Infraconstitucional, pois i) utilizou o núcleo da tipologia criminosa como justificativa para
garantia da ordem pública e ii) não avaliou a possibilidade concreta de substituição da prisão por
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

cautelares alternativas, não motivando idoneamente o decreto prisional.

Justificando hão haver necessidade da prisão cautelar do Paciente, conforme o art. 282, do CPP, já que a
situação pessoal a afasta, por ser primário, de bons antecedentes, com residência fixa e labora no distrito
do suposto fato criminoso, requer a concessão da medida liminar determinando que seja expedido o
Alvará de Soltura a fim de que aguarde ao julgamento do mérito do writ em liberdade, mesmo que
fiscalizada por alguma das medidas estabelecidas no art. 319 do CPP.

Juntou documentos.

É o relatório.

Decido.

Consoante relatado, aduz a impetração que o ora paciente encontra-se sofrendo constrangimento ilegal,
justificando que o ora paciente teve convertida sua prisão em flagrante em prisão preventiva no dia
14/06/2020 sem observância da Jurisprudência dos Tribunais Superiores e da Legislação
Infraconstitucional, pois i) utilizou o núcleo da tipologia criminosa como justificativa para garantia da ordem
pública e ii) não avaliou a possibilidade concreta de substituição da prisão por cautelares alternativas, não
motivando idoneamente o decreto prisional.

Analisando o sistema de acompanhamento processual LIBRA, extrai-se que a autoridade demandada


devidamente justificou a prisão preventiva para garantir da ordem pública, baseado na gravidade concreta
do caso, diante da grande quantidade da droga, bem como perigo de reiteração criminosa, já que vários
procedimentos encontram-se tramitando em nome do ora paciente pelas diversas supostas práticas
delituosas, nos seguintes termos:

“No caso vertente, a imputação que pesa sobre o autuado é de ter cometido crime doloso punido com
pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos, o que autoriza o decreto de prisão preventiva a teor
do inciso I do art. 313 do CPP. Nesse momento, não está evidenciada a presença de nenhuma excludente
de antijuridicidade, o que afasta a vedação do art. 314 do CPP quanto ao decreto de prisão preventiva.

No caso, presente o fumus comissi delicti, verifico que há necessidade da segregação cautelar do
autuado nos moldes do art.312 do CPP, para a garantia da ordem pública, dada a gravidade do crime
em tese perpetrado pelo mesmo (tráfico ilícito de entorpecentes), que implica em substanciais
prejuízos à sociedade fomentando a prática de diversos outros crimes. Ressalta-se que, consoante
consta no auto de prisão em flagrante, foi encontrada na posse do autuado grande quantidade de
entorpecente (33 (trinta e três) purucas de maconha) bem como numerário (R$ 85,00 – oitenta e
cinco reais). Ademais, consoante seu próprio depoimento perante a autoridade policial, já teria
vários procedimentos instaurados em seu desfavor sendo em Abaetetuba dois roubos, um tráfico e
uma adulteração veicular e em Limoeiro do Ajuru um roubo, a demonstrar que, em liberdade vem
encontrando estímulos para delinquir e corroborar o periculum libertatis.

Quanto à audiência de custódia, discorro. O Conselho Nacional de Justiça editou a resolução n.


213/2015 tornando obrigatória a apresentação de pessoa presa em flagrante delito, em até 24 horas, para
realização de audiência de custódia de réus presos, a fim de ser entrevistado sobre sua qualificação,
estado civil, naturalidade, filiação, grau de instrução, meios de vida ou profissão, local onde exerce
atividade laborativa, antecedentes criminais, primariedade e circunstâncias objetivas da prisão, e assim
analisar a legalidade e necessidade da prisão, sobre eventual ocorrência de tortura e sobre os direitos
assegurados ao preso.

O Tribunal de Justiça do Estado do Pará editou o provimento conjunto n. 01/2016, ratificando os termos da
resolução n. 213 do CNJ. Ocorre que para realização da audiência de custódia se faz necessária a
presença de Defensor Público ou advogado constituído, conforme dispõe o art. 1º do Provimento conjunto
n. 01/2016. É público e notório que na Comarca de Limoeiro do Ajuru não há Defensor Público, e nem ao
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

menos um profissional de seus quadros designado para responder por esta Vara Única, o que além de
trazer enormes prejuízos a população vem prejudicando o andamento dos processos na Comarca.

Não obstante, a autoridade policial desta comarca informou, mediante ofício (Ofício nº 102/2018-DPCLA)
datado de 25 de junho de 2018, que a Delegacia de Polícia de Limoeiro do Ajuru conta com efetivo policial
muito baixo, totalizando 4 servidores (sendo 1 delegado, 1 escrivã e 2 investigadores) e ainda nem todos
trabalham ao mesmo tempo, pois enquanto uns estão trabalhando outros estão de folga. Ademais,
comunicou que as celas da delegacia estão interditadas, sendo totalmente insalubres, não possuindo
nenhuma condição dos presos permanecerem ali por muito tempo.

No ponto, transcrevo o Art. 4º da Resolução 213, de 15 de dezembro de 2015 do CNJ: Art. 4º A audiência
de custódia será realizada na presença do Ministério Público e da Defensoria Pública, caso a pessoa
detida não possua defensor constituído no momento da lavratura do flagrante. Parágrafo único. É vedada
a presença dos agentes policiais responsáveis pela prisão ou pela investigação durante a audiência de
custódia.

Por fim, destaco que, em razão da pandemia de COVID-19, a Portaria Conjunta Nº 1/2020-
GP/VP/CJRMB/CJCI, de 13 de março de 2020, em seu Art. 10-B, §3º, (acrescentado pela Portaria
Conjunta nº 3/2020-GP/VP/CJRMB/CJCI, de 18 de março de 2020) suspendeu a realização de
audiências de custódia na forma presencial, devendo o controle da prisão ser realizado por meio
da análise do auto de prisão em flagrante, na forma estabelecida no art. 8º, §§, da Recomendação
nº 62, de 2020 do CNJ, o que foi corroborado pela portaria Conjunta nº 4/2020-GP, de 19 de março
de 2020, DJE 6860/20 e pelas portarias posteriores.

Por essas razões, deixo de realizar a audiência de custódia.

Entretanto a não realização de audiência de custódia não torna a prisão ilegal, uma vez que seus
requisitos já foram analisados ao norte, estando a custódia do réu formal e materialmente dentro da
legalidade. Nesse sentido, transcrevo decisão recente do Superior Tribunal de Justiça, verbis: (...)

HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO


PARA O TRÁFICO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO FLAGRANTE. AUSÊNCIA DE AUDIÊNCIA DE
CUSTÓDIA. QUESTÃO SUPERADA. FLAGRANTE HOMOLOGADO PELO JUIZ E CONVERTIDO EM
PRISÃO PREVENTIVA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GRAVIDADE
CONCRETA. PERICULOSIDADE SOCIAL. NECESSIDADE DA PRISÃO PARA GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES DO ART.
319 DO CPP. INVIABILIDADE. COAÇÃO ILEGAL NÃO DEMONSTRADA.

1. (omissis)

2. A não realização da audiência de custódia, por si só, não é apta a ensejar a ilegalidade da prisão
cautelar imposta ao paciente, uma vez respeitados os direitos e garantias previstos na Constituição
Federal e no Código de Processo Penal. Ademais, operada a conversão do flagrante em prisão
preventiva, fica superada a alegação de nulidade na ausência de apresentação do preso ao Juízo
de origem, logo após o flagrante. Precedentes. (...) (HC 344.989/RJ, Rel. Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 28/04/2016)

Pelas razões expendidas, converto a prisão em flagrante de EDUARDO DOS ANJOS MORAES em prisão
preventiva na forma do art. 310, II, c/c o art. 312 do CPP, visando a garantia da ordem pública.

Comunique-se esta decisão, recomendando à autoridade policial observância quanto ao prazo legal para a
conclusão e remessa do IPL respectivo e que o exame de corpo de delito seja realizado na data da prisão
pelos profissionais de saúde no local em que a pessoa presa estiver, complementado por registro
fotográfico do rosto e corpo inteiro, a fim de documentar eventuais indícios de tortura ou maus tratos,
conforme a Recomendação nº 62, de 2020 do CNJ.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AUTORIZO, desde logo, a transferência do autuado à CRRMOC, vez que a Delegacia de Polícia
encontra-se interditada.

Na forma estabelecida no art. 8º, §§ da Recomendação nº 62, de 2020 do CNJ, determino seja
observado o protocolo das autoridades sanitárias, com o encaminhamento do preso à rede de
saúde para diagnóstico, comunicação e atendimento previamente ao ingresso no estabelecimento
prisional, notificando-se posteriormente o juízo competente para o julgamento do processo.

À Secretaria para que inclua o nome do autuado na lista de presos provisórios desta Unidade e para que
inclua o presente mandado no BNMP. (Grifos nossos)

Em que pesem os argumentos lançados pela defesa, não verifico a presença de elementos que justifiquem
a concessão de liminar, eis que a prisão do paciente encontra-se devidamente regular, conforme
apresentado, e obedeceu a todos os ditames legais, não tendo a impetração demonstrado a presença do
fumus boni iuris e do periculum in mora, razão pela qual a indefiro.

Ante o exposto, solicito as informações à autoridade tida como coatora, nos termos da Resolução n.º
004/2003 – GP e Provimento Conjunto nº 008/2017, acerca das razões apresentadas pelo impetrante.

Após, encaminhe os autos a Procuradoria de Justiça, para manifestação.

Cumpra-se.

Belém/PA, 18 de Junho de 2020.

Desa. MARIA EDWIGES DE MIRANDA LOBATO

Desembargadora Plantonista

ANÚNCIO DE JULGAMENTO

ANÚNCIO DE JULGAMENTO DA 16ª SESSÃO ORDINÁRIA DO PLENÁRIO VIRTUAL DO TRIBUNAL


PLENO do ano de 2020: Faço público a quem interessar possa que, para a 16ª Sessão Ordinária do
Plenário Virtual do Tribunal Pleno, a realizar-se através da ferramenta Plenário Virtual, com início às 14h
do dia 1º de julho de 2020, e término às 14h do dia 8 de julho de 2020, também foram pautados, pela
Secretaria Judiciária, os feitos abaixo discriminados, podendo vir a ser apreciados aqueles que,
eventualmente, forem adiados ou suspensos na 15ª Sessão Ordinária do Plenário Virtual do Tribunal
Pleno do ano de 2020.

PROCESSOS JUDICIAIS ELETRÔNICOS PAUTADOS (PJe)

1 ¿ Agravo Regimental em Agravo de Instrumento (Processo Judicial Eletrônico nº 0802127-


47.2019.8.14.0000)

Agravante: Equatorial Transmissora 7 SPE S.A. (Advs. Sylvio Clemente Carloni ¿ OAB/SP 228252, Flávio
Augusto Queiroz Montalvão das Neves - OAB/PA 12358)

Agravado: Vice-Presidente do TJE/PA


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Interessado: Ely Salim Khayat (Advs. Gustavo Freire da Fonseca ¿ OAB/PA 12724, Brahim Bitar de
Sousa - OAB/PA 16381)

Procuradora de Justiça: Leila Maria Marques de Moraes

RELATORA: VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL

2 - Mandado de Segurança Cível (Processo Judicial Eletrônico nº 0804590-93.2018.8.14.0000)

Impetrante: Partido do Movimento Democrático Brasileiro (Advs. Diorgeo Diovanny Stival Mendes da
Rocha Lopes da Silva ¿ OAB/PA 12614, Ilton Giussepp Stival Mendes da Rocha Lopes da Silva ¿ OAB/PA
22273)

Impetrado: Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará - Alepa

Litisconsorte Passivo Necessário: Estado do Pará (Procuradores do Estado Daniel Cordeiro Peracchi ¿
OAB/PA 10729 e Margarida Maria Rodrigues Ferreira de Carvalho ¿ OAB/PA 1629)

Procurador-Geral de Justiça: Gilberto Valente Martins

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

3 - Mandado de Segurança Cível (Processo Judicial Eletrônico nº 0802447-68.2017.8.14.0000)

Impetrante: Silvia Raquel Castanhos Sabat (Adv. Manoel de Jesus Silva Filho ¿ OAB/PA 7448)

Impetrado: Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará

Litisconsorte Passivo Necessário: Estado do Pará (Procurador do Estado José Rubens Barreiros de
Leão ¿ OAB/PA 5962)

Procurador-Geral de Justiça: Gilberto Valente Martins

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

4 ¿ Ação Direta de Inconstitucionalidade (Processo Judicial Eletrônico nº 0807586-


64.2018.8.14.0000)

Recorrente: Ministério Público do Estado do Pará ¿ MPPA (Procurador-Geral de Justiça Gilberto Valente
Martins)

Recorrido: Município de Ipixuna do Pará

Recorrido: Câmara Municipal de Ipixuna do Pará

Procurador-Geral de Justiça: Gilberto Valente Martins

RELATORA: DESA. EZILDA PASTANA MUTRAN


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020
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TRIBUNAL PLENO

Número do processo: 0804129-53.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: EDMEIA


FERREIRA OLIVEIRA SILVA Participação: ADVOGADO Nome: WARLEY VIANEY GOMES MAIA OAB:
79368/MG Participação: IMPETRADO Nome: Desembargador Ronaldo Marques Valle Participação:
IMPETRADO Nome: CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIACAO E SELECAO E DE
PROMOCAO DE EVENTOS - CEBRASPE Participação: ADVOGADO Nome: ROGERIO DA SILVA
ANDRE OAB: 26433/DF Participação: ADVOGADO Nome: ALESSANDRA STRACQUADANIO COSTA
COUTO OAB: 16247/DF Participação: ADVOGADO Nome: ALEXANDRE BOTELHO FERREIRA OAB:
96773/MG Participação: ADVOGADO Nome: DANIEL BARBOSA SANTOS OAB: 13147/DF Participação:
AUTORIDADE Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

PROCESSO N° 0804129-53.2020.814.0000

MANDADO DE SEGURANÇA
TRIBUNAL PLENO

Relatora: Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

DESPACHO

Trata-se de Pedido de Reconsideração apresentado por Edmeia Ferreira Oliveira Silva contra a
decisão desta Relatora que indeferiu a concessão do pedido liminar (id 3035211), formulado nos
presentes autos de Mandado de Segurança (proc. 0804129-53.2020.814.0000).

Entretanto, a autora impetrou um segundo Mandado de Segurança (proc. n° 0804591-10.2020.814.0000),


distribuído sob a minha relatoria, também relacionado com a prova discursiva do concurso público da
carreira de Juiz Substituto deste E. Tribunal de Justiça do Pará, sendo que após a divulgação da
motivação do indeferimento do recurso administrativo da candidata, fato novo, por entender presentes os
requisitos legais, deferi parcialmente a liminar requerida, determinando nova correção do recurso
administrativo de acordo com os critérios do Edital do concurso, assegurando à candidata que a sua prova
prática de Sentença seja corrigida, caso logre alcançar a pontuação mínima necessária para a
classificação na prova discursiva P2, em consequência, nas demais fases do certame, caso aprovada.

Pelo exposto, considerando a concessão parcial da medida liminar no segundo Mandado de Segurança
(proc. 0804591-10.2020.814.0301), determino a intimação da impetrante para que se manifeste quanto
a existência de interesse processual no prosseguimento do presente writ, com fundamento no artigo
485, inciso VI do CPC, no prazo legal de 05 (cinco) dias úteis.

Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da impetrante, retornem os autos conclusos.

P. R. I.

Servirá a cópia da presente decisão como mandado/ofício, nos termos da Portaria nº 3.731/2015 – GP.

Belém (PA), 17 de junho de 2020.

Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0803982-27.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: ADRIANO


SANTOS DE SOUSA Participação: ADVOGADO Nome: ADRIANO SANTOS DE SOUSA OAB: 297032/SP
Participação: IMPETRADO Nome: Presidente de Comissão de Concurso - Ronaldo Marques Vale
Participação: INTERESSADO Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ Participação:
INTERESSADO Nome: CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIACAO E SELECAO E DE
PROMOCAO DE EVENTOS - CEBRASPE Participação: TERCEIRO INTERESSADO Nome: ESTADO DO
PARÁ Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

MANDADO DE SEGURANÇA – PROCESSO N.º 0803982-27.2020.814.0000

ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

IMPETRANTE: ADRIANO SANTOS DE SOUSA

ADVOGADO: ADRIANO SANTOS DE SOUSA

IMPETRADO: ATO DO PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO PARA O CARGO DE


JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ, DESEMBARGADOR
RONALDO MARQUES VALE

LITISCONSORTE NECESSÁRIO: ESTADO DO PARÁ

PROCURADOR: CELSO PIRES CASTELO BRANCO

DECISÃO MONOCRÁTICA

1 - Inobstante as cópias de decisões judiciais de outros Magistrados carreadas aos autos pelo
impetrante, com intuito desta Relatora reconsiderar o posicionamento adotado, mantenho a decisão de
indeferimento do pedido de liminar, conforme os fundamentos já consignados na decisão monocrática
constante do ID-3024555.p.01/05;

2 - O impetrante aduz a existência de urgência na tramitação processual do presente Mandado de


Segurança, mas verifico que, de forma contrária, atravessou várias petições impedindo a tramitação
regular do processo, pleiteando a reconsideração da decisão monocrática do ID-3024555.p.01/05, contra
a qual poderia ter utilizado a via recursal apropriada, mas, após interpor agravo interno, protocolou pedido
de desistência do mesmo, portanto, qualquer retardo na tramitação processual deve ser atribuído a própria
atitude reiterada do impetrante;

3 - Cumpra-se a determinação de remessa dos autos ao Ministério Público para manifestar o que
entender de direito.

4 - Após retornem conclusos para as providências necessárias ao julgamento.

Publique-se. Intime-se.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

Desa. Luzia Nadja Guimarães Nascimento

Relatora
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0805896-29.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: MARCELO ALFF


VENEZIANI Participação: ADVOGADO Nome: MARCELO ALFF VENEZIANI OAB: 10791/RN
Participação: IMPETRADO Nome: Desembargador Ronaldo Marques Valle Participação: IMPETRADO
Nome: CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIACAO E SELECAO E DE PROMOCAO DE
EVENTOS - CEBRASPE Participação: AUTORIDADE Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO
PARÁ

TRIBUNAL PLENO – MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0805896-29.2020.8.14.0000

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

IMPETRANTE: MARCELO ALFF VENEZIANI

ADVOGADO: MARCELO ALFF VENEZIANI (OAB/PA 10.791)

IMPETRADO: PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO PARA INGRESSO NA


CARREIRA DA MAGISTRATURA (EDITAL Nº 1/2019) – DESEMBARGADOR RONALDO MARQUES
VALLE

DECISÃO MONOCRÁTICA

Mandado de segurança com pedido de liminar impetrado contra ato considerado ilegal praticado pelo
Excelentíssimo Desembargador Presidente da Comissão do concurso público para provimento de vagas e
formação de cadastro de reserva no cargo de Juiz Substituto do Tribunal de Justiça do Estado do Pará
(Edital nº 1/2019).

O impetrante informa que na prova de sentença cível a Banca Avaliadora injustamente lhe atribuiu nota de
4,18 resultando na eliminação do certame porque não alcançou a nota mínima (6,00).

Informa ter interposto 05 (cinco) recursos administrativos todos indeferidos pela Banca que se utilizou de
fundamentação genérica, contraditória e teratológica.

Alega, entretanto, que há ilegalidade na atuação da Banca Avaliadora resultante da violação dos princípios
da motivação dos atos administrativos, razoabilidade proporcionalidade, transparência e isonomia, visto
que deixou de atribuir ao candidato a pontuação proporcional nos quesitos 2.1.1, 2.1.2, 2.1.4, 2.1.5 e 2.2
(sentença cível).

Requereu medida liminar para compelir a Banca Avaliadora a: (1) proceder à (re)análise, fundamentada e
individual, de todos os recursos administrativos interpostos contra a sentença cível (P3), constatada a
carência de motivação e flagrante ilegalidade, em atenção aos princípios da razoabilidade, da motivação
dos atos administrativos, da proporcionalidade e da transparência; (2) conceder a nota mínima para que o
impetrante avance à próxima etapa do certame em seguida proceder à reabertura de prazo (idêntico aos
demais candidatos) para que o impetrante apresente os documentos referentes à etapa de inscrição
definitiva, em atendimento ao princípio constitucional da isonomia; (3) concessão dos benefícios da justiça
gratuita; (4) Ao final, que a segurança seja concedida em definitivo.

É o relatório. DECIDO:

No caso em análise, consoante as razões deduzidas percebe-se que o impetrante inegavelmente deseja
ver reapreciada a sua prova de sentença cível, tendo deixado extremamente claro em seu arrazoado
inicial a discordância com a pontuação que lhe foi atribuída pela Banca Examinadora. Nesse intuito
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

afirmou que a ilegalidade decorreu da violação dos princípios da motivação dos atos administrativos,
razoabilidade proporcionalidade, transparência e isonomia, visto que não lhe foi atribuída a pontuação
proporcional nos quesitos 2.1.1, 2.1.2, 2.1.4, 2.1.5 e 2.2 (sentença cível).

Ainda no petitório inicial o imperante realizou a transcrição das respostas aos recursos administrativos
interpostos, alusivos aos quesitos acima referidos, com objetivo de indicar a alegada generalidade.
Confira-se:

“Quesito 2.1.1 – Recurso indeferido. Deveria o candidato, a fim de demonstrar o conhecimento sobre a
matéria, apontar que a reparação de danos, de acordo com o sistema jurídico pátrio, tem como
fundamento a ocorrência de ato ilícito, com amparo no art. 186 do Código Civil, ou de ato-fato
indenizatório, com base no art. 927, parágrafo único, do Código Civil. A hipótese se amolda à ocorrência
de ato ilícito, sendo certo que o pedido indenizatório encontra amparo no art. 186, em composição com o
art. 927, "caput", ambos do Código Civil. Os arts. 186 e 927, "caput", disciplinam o dever de indenizar a
partir de ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência que causar dano a outrem, devendo-se,
nessa hipótese, verificar a ocorrência de nexo causal entre o evento lesivo e a conduta do causador do
dano. No âmbito do ilícito civil, prevalece a teoria da causalidade adequada (art. 403 do Código Civil),
segundo a qual somente se considera existente o nexo causal caracterizador da responsabilidade civil
quando a conduta do agente for determinante à ocorrência do dano. Ao contrário do que alega, a nota
obtida pelo candidato está de acordo com o conteúdo abordado.

Quesito 2.1.2 – Recurso indeferido. Deveria o candidato, a fim de demonstrar o conhecimento sobre a
matéria, apontar que, embora a mera existência de ato ilícito, em caráter isolado, não seja suficiente para
gerar automaticamente a obrigação de indenizar eventuais danos morais, geralmente o dano moral é
reconhecido, em tese, sem a necessidade de demonstração das consequências da conduta ilícita, o que
não é o caso dos autos, principalmente por envolver pessoa jurídica. No caso do dano moral, há ofensa a
direito da personalidade, o que abrange a dignidade da pessoa humana, seu íntimo, sua honra, sua
reputação, seus sentimentos de afeto, conforme art. 12 do Código Civil. Contudo, em se tratando de
pessoa jurídica, a extensão dos direitos da personalidade não é ampla e irrestrita, como decorre da própria
dicção legal do art. 52 do Código Civil: “Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos
direitos da personalidade”. A pessoa jurídica, assim como a pessoa física, será considerada vítima de
lesão de natureza moral desde que a ofensa atinja a sua honra objetiva, ou seja, desde que a violação
atinja a sua reputação, de modo a macular o seu nome, sua credibilidade perante a sociedade em que
atua, segundo entendimento firmado pelo colendo STJ na Súmula n. 227. Portanto, para que seja
caracterizado o dano moral à pessoa jurídica, é imprescindível a comprovação dos danos causados a sua
imagem e a seu bom nome comercial. Dessa forma, a indenização por dano moral à pessoa jurídica
apenas merece deferimento diante de provas concretas que evidenciem que a sua honra objetiva tenha
sofrido graves danos, posto que, ao contrário do que ocorre com a pessoa humana, não se pode presumir
o dano moral em prol da pessoa jurídica. Ao contrário do que alega, a nota obtida pelo candidato está de
acordo com o conteúdo abordado.

Quesito 2.1.4 – Recurso indeferido. Deveria o candidato, a fim de demonstrar o conhecimento sobre a
matéria, apontar que a mera presença de representante do réu na realização de busca e apreensão diante
de funcionários e clientes não é apta a gerar abalo à honra objetiva da autora. De fato, o réu tinha legítima
pretensão à utilização da medida, que foi emanada de autoridade judicial competente. Como se vê, no
caso dos autos, a autora não demonstrou conduta capaz de macular seu nome ou sua credibilidade
perante a sociedade em virtude da efetivação da busca e apreensão, limitando-se a relatar o
constrangimento sofrido. De acordo com o art. 538 do Código de Processo Civil, não cumprida a obrigação
de entregar coisa no prazo estabelecido na sentença, será expedido mandado busca e apreensão ou de
imissão na posse em favor do credor, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel. Veja-se que o
enunciado não se enquadrava no Decreto n. 911/69. Ao contrário do que alega, a nota obtida pelo
candidato está de acordo com o conteúdo abordado.

Quesito 2.1.5 – Recurso indeferido. Deveria o candidato, a fim de demonstrar o conhecimento sobre a
matéria, apontar que a expedição de mandado de busca e apreensão é medida disposta no CPC para os
casos de descumprimento de obrigação de entregar coisa no prazo estabelecido na sentença, de forma
que não houve procedimento temerário, não havendo que falar, assim, em condenação por litigância de
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

má-fé. Veja-se que o candidato que se posicionou pela discussão da matéria nos autos principais não teve
prejuízo na correção, que apenas exigia o conhecimento da aplicação da litigância de má-fé ao caso. Ao
contrário do que alega, a nota obtida pelo candidato está de acordo com o conteúdo abordado.

Quesito 2.2 – Recurso indeferido. Deveria o candidato apresentar o seguinte dispositivo: ante o exposto,
julgo improcedente o pedido, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do inciso I do
art. 487 do CPC, e condeno a autora ao pagamento de honorários advocatícios no percentual de (10% a
20%) do valor da causa, nos termos dos §§ 2.o e 6.o do art. 85 do CPC. Ao final, deveria o candidato
encerrar com: P.R.I. Local, data assinatura. Ao contrário do que alega, a nota obtida pelo candidato está
de acordo com o conteúdo do dispositivo e do encerramento. No caso, é importante esclarecer que, ainda
que o candidato julgasse parcialmente procedente ou procedente o pedido, foi dada pontuação parcial,
haja vista a demonstração do conhecimento de outros requisitos do dispositivo que não ficaram
prejudicados pelo equívoco na conclusão do mérito.” (ID 3212563).

Diante dessas respostas o impetrante aduziu que “em todas as justificativas, a banca examinadora utilizou
a seguinte fórmula: (1) resultado do recurso (“Recurso indeferido”); (2) o que o candidato haveria de alegar
para obter a nota completa (“Deveria o candidato, a fim de demonstrar o conhecimento sobre a matéria,
apontar que...”); (3) afirmação de que a nota está correta (“Ao contrário do que alega, a nota obtida pelo
candidato está de acordo com o conteúdo abordado”).” (ID 3212563).

Disse, ainda, que em nenhum momento o CEBRASPE analisou concretamente os recursos interpostos
limitando-se a simplesmente afirmar que a nota está de acordo com o conteúdo abordado sem explicar o
porquê, isto é, sem rebater os argumentos levantados pelo candidato nos recursos interpostos.

Contudo, neste juízo prefacial a princípio não vejo perfeitamente configurada a alegada violação dos
princípios da administração pública (motivação dos atos administrativos, razoabilidade proporcionalidade,
transparência e isonomia). Isto porque a mera utilização de fragmentos textuais isolados, conforme
expressamente indicados na petição inicial, não me parece suficiente para macular toda a correção outrora
realizada pela Banca Avaliadora sobre a sentença cível do candidato a ponto de ensejar uma reanálise
como requerido em sede liminar neste mandamus.

De outra banda, nos recursos que interpôs (ID 3212607) o autor requereu que lhe fossem atribuídas as
seguintes notas: 0,6 (quesito 2.1.1); 3,33 pontos (quesito 2.1.2); 0,5 pontos (quesito 2.1.4); 0,37 pontos
(quesito 2.1.5) e 1,5 pontos (quesito 2.2).

Ocorre que, após realizar uma brevíssima e simplória análise sobre o Padrão de Respostas Definitivo da
Prova Escrita (P 3 ) – Sentença Cível, fornecido pela Banca Examinadora (ID 3212606), é possível
vislumbrar sem grande dificuldade diversas situações fáticas nas quais as respostas dos candidatos
podem ser enquadradas, iniciando na hipótese 0 (zero) até a hipótese (5), no quesito 2.1.1; da hipótese 0
(zero) a hipótese 6 (seis), no quesito 2.1.2; da hipótese 0 (zero) a hipótese 3 (três), no quesito 2.1.4; da
hipótese 0 (zero) a hipótese 4 (quatro), no quesito 2.1.5, e finalmente da hipótese 0 (zero) a hipótese 8
(oito) para o quesito 2.2.

Diante disso, e por não vislumbrar neste juízo inicial vício na fundamentação consignada nas respostas
aos recursos administrativos, daí porque entendo que não é caso para acolher o pedido reanálise dos
recursos, por conseguinte também não vejo como acolher o pedido seguinte, no sentido de modificar a
pontuação atribuída ao impetrante, visto que, para tanto, haverá de ser realizado um confronto entre a
sentença redigida pelo candidato (ID’s 3212611, 3212612, 3212613, 3212614, 3212665 e 3212667) com o
Padrão de Respostas Definitivo da Prova Escrita (P3) (ID 3212606).

Tal pretensão, bem verdade que em juízo sumário de cognição, parece encontrar óbice no Tema 485 (RE
nº 632.853/CE), apreciado pelo STF sob a sistemática da repercussão geral. Nesse julgamento ficou
definido que não cabe ao Poder Judiciário, no exercício do controle de legalidade em sede de concurso
público, substituir a Banca Avaliadora para reapreciar a resposta oferecida à determinada questão ou
mesmo o critério de correção, senão vejamos:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Concurso público. Correção de prova. Não compete
ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas
dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas. Precedentes. 3. Excepcionalmente, é permitido ao
Judiciário juízo de compatibilidade do conteúdo das questões do concurso com o previsto no edital do
certame. Precedentes. 4. Recurso extraordinário provido.

(RE 632853, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2015, ACÓRDÃO
ELETRÔNICO DJe-125 DIVULG 26-06-2015 PUBLIC 29-06-2015)

Destarte, na presente hipótese o impetrante objetiva ir muito além daquilo que excepcionalmente é
permitido ao Poder Judiciário, isto é, o exame de compatibilidade entre o conteúdo de sua prova (sentença
cível P 3 ) com o padrão de respostas divulgado pela banca examinadora, visto que para cada item
impugnado sem e de recurso administrativo é requerido que a nota inicialmente aplicada pela Banca seja
majorada realizando-se um novo enquadramento na escala de pontuação consoante aquilo que o próprio
imperante entende correto.

Nessa perspectiva, acolher a pretensão do impetrante eventualmente significará que o Poder Judiciário
estará deveras agindo em substituição a Banca reavaliando as respostas de candidato e as notas
atribuídas.

Ante o exposto, indefiro o pedido de liminar. Concedo ao impetrante os benefícios da Justiça Gratuita.

Notifique-se a Autoridade apontada como coatora quanto ao conteúdo da petição inicial, enviando-lhe a
segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste
informações;

Ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica de direito público interessada,
enviando-lhe cópia da inicial sem documentos, para que, querendo, ingresse no feito.

Após, sigam os autos à Procuradoria-Geral de Justiça.

Belém (PA), 18 de junho de 2020.

Desa. LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

Relatora

Número do processo: 0805754-25.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: ALBERTINO


SOARES MOREIRA JUNIOR Participação: ADVOGADO Nome: WANESSA OLIVEIRA SILVA OAB:
23411/PA Participação: ADVOGADO Nome: ANDRE BECKMANN DE CASTRO MENEZES OAB:
10367/PA Participação: ADVOGADO Nome: ROMULO RAPOSO SILVA OAB: 14423/PA Participação:
ADVOGADO Nome: MARCELLA NOBRE ALARCAO OAB: 30358/PA Participação: IMPETRADO Nome:
Maria Filomena de Almeida Buarque

TRIBUNAL PLENO.

MANDADO DE SEGURANÇA Nº. 0805754-25.2020.8.14.0000.


COMARCA: BELÉM/PA.

IMPETRANTE: ALBERTINO SOARES MOREIRA JUNIOR.


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ADVOGADO: ANDRÉ BECKMANN DE CASTRO MENEZES – OAB/PA N. 10.367.

IMPETRADO: JUIZ DA 6 VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA CAPITAL.

PROCURADORA DE JUSTIÇA: TEREZA CRISTINA DE LIMA.

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: “PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO EM FACE DE ATO


JUDICIAL. DECISÃO CONTRA A QUAL CABE RECURSO COM EFEITO SUSPENSIVO. SUCEDÂNEO
RECURSAL. NÃO CABIMENTO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ORDEM NÃO CONHECIDA.
PROCESSO EXTINTO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO”.

Trata-se de MANDADO DE SEGURANÇA impetrado por ALBERTINO SOARES MOREIRA JUNIOR


contra suposto ato coator praticado pela DESA. MARIA FILOMENA DE ALMEIDA BUARQUE que
julgou monocraticamente o recurso de agravo de instrumento, sem apreciar os embargos de
declaração, produzindo decisão ilegal, pois teria vedado à parte o acesso a um julgamento
colegiado, negando vigência ao procedimento do CPC.

Em suas razões, sustenta o cabimento do Mandado de Segurança contra o presente ato judicial, por
inexistir previsão de recurso com efeito suspensivo e ter identificado teratologia, ou ilegalidade na decisão.

É o relatório. Decido monocraticamente.

No caso, o impetrante se insurge contra uma decisão monocrática proferida pela impetrada nos autos do
Agravo de Instrumento n. 0803212-05.2018.8.14.0000, que julgou monocraticamente o recurso, julgando
prejudicados os Embargos de Declaração e Agravos Internos protocolizados da decisão interlocutória
antes proferida.

E conforme disposto no art. 1.021 do CPC “contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno
para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno
do tribunal”.

Veja-se, portanto, que existe recurso cabível contra a decisão que julga monocraticamente o Agravo de
Instrumento.

De ressaltar que o Código de Processo Civil de 2015 previu expressamente a possibilidade de o relator
conceder efeito suspensivo aos recursos em geral (efeito suspensivo ope judicis), como se vê no
parágrafo único de seu art. 995, o que afasta qualquer dúvida sobre a aplicação do mencionado art. 5,
inciso II, da Lei n. 12.016/2009, in verbis:

Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em
sentido diverso.

Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da
imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e
ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso.

Com fulcro nessas considerações, conclui-se que não é cabível o manejo do presente writ quando existe
outro meio de impugnação cabível para combater a decisão vergastada, razão pela qual o processo
merece ser extinto, sem resolução de mérito, ante a inadequação da via escolhida.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Sobre o tema, transcrevo precedente do C. STJ:

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ATO JUDICIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM.


DECISÃO QUE CONCEDE EFEITO SUSPENSIVO. ACÓRDÃO QUE INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL.
CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. EXISTÊNCIA DE RECURSO PRÓPRIO.
SUCEDÂNEO RECURSAL. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO.

1. Recurso ordinário interposto contra acórdão no qual foi mantida a extinção de impetração contra ato
judicial, com fulcro na Súmula 267/STF. O ato judicial alegadamente coator (fls. 94-96) apenas deferiu
efeito suspensivo em agravo de instrumento interposto contra decisão que antecipou tutela e,
assim, fica claro nos autos que o presente mandado de segurança foi utilizado como sucedâneo
recursal, uma vez que há previsão legal para o recurso próprio, o qual, inclusive, foi interposto (fls.
102 e 142).

3. "A decisão judicial impugnada não é manifestamente ilegal, tampouco teratológica, razão porque não
cabe, in casu, mandado de segurança. Com arrimo nos arts. 10 da Lei n.º 12.016/2009, e 212 do
Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a solução correta é o indeferimento liminar da petição
inicial do mandado de segurança" (AgRg no MS 18.636/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Corte
Especial, DJe 19.11.2015).

4. "O Mandado de Segurança não é sucedâneo de recurso, sendo imprópria a sua impetração
contra decisão judicial passível de impugnação prevista em lei (art. 557, § 1o. do CPC), consoante o
disposto na Súmula 267 do STF" (AgRg no RMS 35.133/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Primeira Turma, DJe 19.4.2013.).

Recurso ordinário improvido.

(RMS 42.116/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2016,
DJe 24/02/2016)

PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ATO JUDICIAL. TERATOLOGIA. INEXISTÊNCIA.

1. O mandado de segurança contra ato judicial restringe-se a situações excepcionais, como a


inexistência de recurso hábil a impugnar o decisum e sua natureza teratológica.

2. A decisão impugnada proferida nos autos de inquérito penal originário desafia agravo regimental
. Não sendo interposto, torna descabida a impetração, sob pena de transformar o mandamus em mero
sucedâneo recursal. Além disso, a decisão judicial acha-se devidamente fundamentada, o que afasta a
hipótese de teratologia.

3. Ordem denegada. Mandado de segurança extinto sem resolução de mérito.

(MS 16.078/AL, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, CORTE ESPECIAL, julgado em 31/08/2011, DJe
26/09/2011)

Assim, ante a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do


processo, indefiro, liminarmente, a petição inicial, na forma do art. 10, da Lei nº 12.016/2009 e julgo extinto
o feito, sem análise do mérito, na forma do art. 485, I, c/c 932, III do NCPC, condenando a Impetrante no
pagamento das despesas processuais devidas.

Sem honorários advocatícios, em razão da Súmula 105 do STJ e 512 do E. STF.

P.R.I. Oficie-se no que couber.


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Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos.

Belém, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator

Número do processo: 0833109-77.2020.8.14.0301 Participação: AUTORIDADE Nome: HAROLDO


RODRIGUES MACHADO Participação: ADVOGADO Nome: MARCIENE DE SOUSA LIMA OAB: 55
Participação: AUTORIDADE Nome: GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ Participação: AUTORIDADE
Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

MANDADO DE SEGURANÇA – PROCESSO N.º 0833109-77.2020.8.14.0301

ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

IMPETRANTE: HAROLDO RODRIGUES MACHADO

ADVOGADA: MARCILENE DE SOUSA LIMA

IMPETRADO: EXCELENTÍSSIMO GOVERNADOR DO ESTADO DO PARÁ HELDER ZAHLUTH


BARBALHO

LITISCONSORTE NECESSÁRIO: ESTADO DO PARÁ

DECISÃO MONOCRÁTICA

Tratam os presentes autos de MANDADO DE SEGURANÇA impetrado por HAROLDO


RODRIGUES MACHADO contra ATO DO EXECELENTÍSSIMO GOVERNADOR DO ESTADO DO PARÁ
HELDER ZAHLUTH BARBALHO, consubstanciada na suposta inconstitucionalidade da aplicação ao
impetrante, que é inativo da Polícia Militar do Estado do Pará, de alíquota de contribuição previdenciária
no percentual de 9,5% (nove e meio por cento) a partir de abril de 2020, invocando sem eu favor o
disposto no art. 84, inciso II, da Lei Complementar n.º 128/2020, que supostamente isentaria de
contribuição previdenciária os militares aposentados e pensionistas da contribuição.

Alega que o Governo do Estado do Pará, em 15 de fevereiro de 2020, anunciou a taxação no


percentual de 9,5% da remuneração para os inativos militares e respectivos pensionistas para o mês de
abril de 2020, o que teria sido implementado em seus proventos, com os descontos nos respectivos
contracheques.

Afirma que a medida foi baseada na Lei Federal nº 13.954, publicada no Diário Oficial da União do dia 17
de dezembro de 2019, que teve como objetivo a reformulação de inúmeros atos normativos aplicáveis aos
Militares Federais e Estaduais, bem como pensionistas, estabelecendo dentre as diversas alterações
legislativas, a contribuição dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, ativos ou
inativos, e de seus pensionistas, na mesma alíquota aplicável às Forças Armadas, no percentual de 9,5%
(nove inteiros e cinco décimos por cento).
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Diz que posteriormente foi publicada a Lei Complementar Estadual 128/2020, de inciativa do
Governador do Estado do Pará, que dentre as alterações das regras quanto a contribuição previdenciária
no Estado, teria excluído os aposentados e pensionistas militares da referida contribuição previdenciária,
em seu art. 84, inciso II, portanto, diante da referida exclusão, sustenta que não poderia ser imposta a
obrigação, sem aparo legal, o que violaria o princípio da legalidade, estabelecido no art. 37 da CF.

Assevera que houve publicação no dia 15 de fevereiro de 2020, no portal da Agência Pará1,
consignando uma matéria em que o Procurador Geral do Estado esclarece a aplicação da alíquota de
9,5% da Lei Federal nº 13.954/19, mas sem observar o art. 84, II, da Lei Complementar Estadual
128/2020, que teve inciativa do próprio Governador do Estado, em violação aos princípios da legalidade e
publicidade.

Invoca em seu favor a existência de medida cautelar deferida pelo Supremo Tribunal Federal, na
Ação Cível Originária nº 3.350, Relator Ministro Roberto Barroso, ajuizado pelo Estado do Rio Grande do
Sul, na qual teriam sido suspensos os efeitos do referido ato normativo cautelarmente, em julgamento
proferido no dia 19.02.2020, posto que a Lei Federal n 13.954/19 teria extrapola os limites de competência
legislativa para a edição de normas gerais no que diz respeito a inatividade e pensões de policiais militares
e bombeiros dos Estados, na forma do art. 22, inciso XI, da CF, com redação da Emenda Constitucional
n.º 103/2019.

Defende assim a aplicação da Lei Complementar Estadual n.º 128/2020, que teria disciplinado de
maneira específica a matéria e dentro dos limites constitucionais, preservando a harmonia do pacto
federativo, transcrevendo doutrina sobre a matéria.

A Lei Federal nº 13.954/2019 teria violado a regra constitucional de competência disciplinada no art.
22, inciso XI da Constituição Federal, invocando ainda o julgamento proferido no RE 194.74, Relator
Ministro Edson Fachin, julgado em 29.06.2017, sob o fundamento de descentralização da matéria.

Defende assim a presença dos pressupostos necessários a concessão da medida liminar.

Requer ao final seja concedida a gratuidade e deferida medida liminar determinando a suspensão dos
descontos na alíquota de 9,5% a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos militares
inativos e pensionistas, a que alude o Art. 24-C da Lei Federal nº 13.954/2019, por ser contrária ao
previsto no art. 84, II, da Lei Complementar Estadual 128/2020, e a decisão proferida pelo STF na Medida
Cautelar na Ação Cível Originária nº 3.350.

É o relatório. DECIDO.

A discussão do presente Mandado de Segurança, impetrado por policial militar inativo, diz respeito
a suposta inconstitucionalidade da imposição da alíquota de contribuição previdenciária, no percentual de
9,5% (nove e meio por cento), que passou a ser aplicada com base na Lei Federal nº 13.954/2019.

Analisandos os autos, entendo que não se encontram presentes os pressupostos necessários para a
concessão da medida liminar requerida, no sentido de suspensão dos descontos de contribuição
previdenciária do impetrante, no percentual de 9,5% (nove e meio por cento). Vejamos:

Nosso ordenamento jurídico sofreu profunda alteração no seu sistema previdenciário no final do
ano de 2019, inclusive em relação aos proventos dos policiais e bombeiros militares, com a promulgação
da Emenda Constitucional n.º 103, de 12.11.2019, que introduziu as seguintes alterações no texto da
Constituição Federal de 1988:

“Art. 149 - Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio
econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação
nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no
art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

§ 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, contribuições
para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos
aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da
base de contribuição ou dos proventos de aposentadoria e de pensões.

§ 1º-A. Quando houver déficit atuarial, a contribuição ordinária dos aposentados e pensionistas poderá
incidir sobre o valor dos proventos de aposentadoria e de pensões que supere o salário-mínimo.”

A referida Emenda Constitucional incluiu dentre as competências privativas da União, legislar sobre
normas gerais de inatividade e pensão dos policiais e bombeiros militares, ex vi art. 22, inciso XXI, da CF,
com redação da Emenda Constitucional n.º 103/2020, in verbis:

“Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

(...)

XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação, mobilização,
inatividades e pensões das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares;”

Daí porque, houve alteração do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, através da Lei Federal
n.º 13.954/2019, com respaldo na Emenda Constitucional n.º 103, de 12.11.2019, estabelecendo a
contribuição previdenciária dos policiais e bombeiros militares inativos, com alíquota igual a aplicável às
Forças Armadas, nos seguintes termos:

“Art. 24-B. Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios as seguintes
normas gerais relativas à pensão militar:

I - o benefício da pensão militar é igual ao valor da remuneração do militar da ativa ou em inatividade;

II - o benefício da pensão militar é irredutível e deve ser revisto automaticamente, na mesma data da
revisão das remunerações dos militares da ativa, para preservar o valor equivalente à remuneração do
militar da ativa do posto ou graduação que lhe deu origem; e

III - a relação de beneficiários dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, para
fins de recebimento da pensão militar, é a mesma estabelecida para os militares das Forças
Armadas.

Art. 24-C. Incide contribuição sobre a totalidade da remuneração dos militares dos Estados, do
Distrito Federal e dos Territórios, ativos ou inativos, e de seus pensionistas, com alíquota igual à
aplicável às Forças Armadas, cuja receita é destinada ao custeio das pensões militares e da
inatividade dos militares.

(...)

§ 2º Somente a partir de 1º de janeiro de 2025 os entes federativos poderão alterar, por lei ordinária,
as alíquotas da contribuição de que trata este artigo, nos termos e limites definidos em lei federal.”

Neste contexto, a priori não se pode afirmar que a finalidade do legislador estadual foi isentar de
recolhimento de contribuição previdenciária, os policiais e bombeiros militares inativos, ao aprovar a
redação do art. 84, inciso II, da Lei Complementar Estadual 128/2020, nos seguintes termos:

“Art. 84. As contribuições devidas ao regime próprio de previdência social do Estado do Pará são:

I – (...)
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

II - contribuição dos servidores públicos inativos e respectivos pensionistas, excluídos os inativos e


pensionistas militares, à razão de 14% (catorze por cento), sobre a parcela dos proventos de
aposentadoria e pensão que supere o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de
Previdência Social de que trata o art. 201 da Constituição Federal, ressalvado o disposto no § 1º do art.
218 da Constituição Estadual;”

Ao contrário, as reformas previdenciárias indicam a finalidade de recolhimento previdenciário dos


militares inativos, posto que todas as normas foram no sentido de elevação das contribuições.

Assim, em tese, a exclusão dos inativos decorreu da existência de legislação (Lei Federal n.º
13.954/2019) já regulamentando a alíquota a ser aplicada, inobstante a discussão sobre sua
constitucionalidade ou não.

É verdade que, ao estabelecer a contribuição dos militares inativos dos Estados com alíquota igual
a aplicável às Forças Armadas, a União pode ter extrapolado sua competência para legislar sobre normas
gerais, estabelecida no art. 22, inciso XXI, da CF, com redação da Emenda Constitucional n.º 103/2020,
conforme consignado na liminar deferida pelo Ministro Luiz Roberto Barroso, na Ação Cível Originária nº
3.350, com base na interpretação sistemática dos arts. 42, § 1º; 142, § 3º, X; e 149, § 1º, da CF.

No entanto, também deve ser observado que na liminar deferida na Ação Cível Originária nº 3.350
não houve determinação de suspensão da aplicação do art. 24-C, §§1.º e 2.º, do Decreto-Lei nº 667, de 2
de julho de 1969, com alterações da Lei Federal n.º 13.954/2019, mas sim que:

“... a União se abstenha de aplicar ao Estado do Rio Grande do Sul qualquer das providências previstas no
art. 7º da Lei nº 9.717/1998 ou de negar-lhe a expedição do Certificado de Regularidade Previdenciária
caso continue a aplicar aos policiais e bombeiros militares estaduais e seus pensionistas a alíquota de
contribuição para o regime de inatividade e pensão prevista em lei estadual, em detrimento que prevê o
art. 24-C do Decreto Lei nº 667/1969...”

Logo, a nova sistemática de recolhimento de contribuições previdenciário dos militares inativos não
teve sua eficácia obstada ou suspensa e encontra-se em plena vigência.

Neste sentido, entendo ser temerária a alteração da relação jurídica estabelecida entre as partes,
para isentar o impetrante do recolhimento de contribuição previdenciária, em caráter liminar, sem que haja
o entendimento de mérito sobre a constitucionalidade ou não da nova sistemática de contribuição, o que
depende da interpretação sobre a amplitude da definição das normas gerais, compreendida no art. 22,
inciso XXI, da CF, com redação da Emenda Constitucional n.º 103/2020, tendo em vista o possível efeito
multiplicar da decisão, que, certamente, ocasionará impacto desfavorável a toda sociedade, principalmente
em decorrência dos seus efeitos no momento de crise de saúde e econômica que vivenciamos
atualmente.

Assim, por cautela e segurança jurídica, entendo razoável manter a sistemática vigente de
arrecadação de contribuições previdenciárias dos policiais e bombeiros militares inativos, até que haja o
pronunciamento de mérito sobre a matéria, face a presunção de constitucionalidade que desfrutam as leis,
mas principalmente pelo possível efeito multiplicador da decisão, sem que haja real dimensão de impacto
econômico que poderá ocasionar no sistema previdenciário, em juízo ainda preliminar da matéria, o que
pode ser irreversível.

Daí porque, o periculum in mora na espécie é invertido e milita de forma desfavorável ao


impetrante.

Sobre a matéria há precedente do Pleno do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a


possibilidade de efeito multiplicador da decisão judicial, para a finalidade de suspender liminar concedida
em favor de contribuinte, consignando que, nestas circunstâncias, não se torna inócua a concessão da
medida apenas no julgamento de mérito, por ser assegurado ao contribuinte a restituição do pagamento
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

indevido, mas, ao contrário, impossibilita o fisco de receber o que deve ser arrecadado, para fazer frente
às políticas públicas necessárias, ensejando assim prejuízos aos cofres públicos, nos seguintes termos:

“EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA:


SUSPENSÃO. GRAVE LESÃO À ECONOMIA PÚBLICA. EFEITO MULTIPLICADOR. SUBSTITUIÇÃO
TRIBUTÁRIA "PARA FRENTE". I. - O Supremo Tribunal Federal, pelo seu Plenário, julgando os RREE
213.396-SP e 194.382-SP, deu pela legitimidade constitucional, em tema de ICMS, da denominada
substituição tributária ‘para frente’. II. A medida liminar, nos termos em que concedida, impossibilita a
Fazenda Pública de receber a antecipação do ICMS por um largo período, o que lhe causa dano,
sendo ainda certo que a segurança, se concedida, a final, não resultará inócua, dado que ao
contribuinte é assegurada a restituição do pagamento indevido. III. - Necessidade de suspensão
dos efeitos da liminar, tendo em vista a ocorrência do denominado "efeito multiplicador". IV. -
Agravo não provido.”

(SS 1489 AgR, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 01/03/2001, DJ 11-10-
2001 PP-00007 EMENT VOL-02047-01 PP-00118)

Corrobora ainda este entendimento, os próprios fundamentos utilizados pelo Ministro Luiz Roberto
Barroso, na Ação Cível Originária nº 3.350, pois naquele processo o Estado do Rio Grande do Sul
pretendia não sofrer sanções da União por aplicar a alíquota estabelecida na Lei Estadual, no percentual
de 14% (catorze por cento), ao invés da estabelecida na Lei Federal, no percentual de 9,5% (nove e meio
por cento), ou seja, a iminência de prejuízo decorria do possível impacto econômico ao Estado por força
da perda de arrecadação, além das possíveis sanções ao ente federado, conforme consignado, in verbis:

“...Sob essa perspectiva, a edição de atos normativos cuja aplicação implicará a redução das
alíquotas de contribuição praticadas pelo Estado revela comportamento contraditório.

Isso porque, por um lado, a União exige dos demais entes públicos que adotem medidas que
garantam o equilíbrio de seus regimes próprios de previdência, e por outro, restringe os meios
para o alcance desse mesmo objetivo ao limitar a arrecadação do tributo instituído para financiá-lo.

Ao contrário do que a União argumenta, entendo que a unificação das alíquotas de contribuição aplicáveis
às Forças Armadas e aos militares estaduais não assegura simetria na política remuneratória aplicável a
essas carreiras. Considerando que cabe à União e a cada um dos Estados fixar a remuneração de seus
militares, a alíquota única incidirá sobre bases de cálculo distintas, resultando em remunerações líquidas
com valores diferentes.

Penso, ainda, não haver demonstração (i) de que a perda de arrecadação decorrente da redução da
alíquota da contribuição seria compensada por outras medidas instituídas pela Lei nº 13.954/2019,
tais como a ampliação da base de cálculo e a elevação das idades para a condução de militares à
reserva remunerada, ou (ii) de que implementação conjunta de todas essas ações não seria
necessária para garantir a sustentabilidade do regime gaúcho.

Considero presente, ainda, o perigo na demora. Isso porque, se deixar de aplicar a mesma alíquota de
contribuição estipulada para os militares da União, o Estado aparentemente estará sujeito: (i) à aplicação
das consequências jurídicas previstas no art. 7º da Lei nº 9.717/1998, dentre as quais a suspensão das
transferências voluntárias, o impedimento para celebrar contratos e a suspensão de empréstimos e
financiamentos; e (ii) à negativa de expedição do Certificado de Regularidade Previdenciária (art. 9º, IV, da
Lei nº 9.717/1998). Essas providências podem causar sérios prejuízos à execução de suas políticas
públicas.

Não vislumbro, ainda, a existência de perigo na demora inverso, já que: (i) a decisão não produz
impacto direto no sistema de inatividades e pensões mantido pela União; e (ii) o Estado deverá se
responsabilizar por danos eventualmente causados a seus servidores e pensionistas caso
proferida decisão de mérito que lhe seja desfavorável, nos termos do art. 302, I, do CPC/2015.”
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Os fundamentos retro transcritos deixam evidente a preocupação do Ministro Relator em relação ao


impacto econômico da decisão no sistema de arrecadação das contribuições previdenciárias e que
eventuais prejuízos sofridos pelos servidores e pensionistas, caso ao final seja favorável a decisão de
mérito, podem ser resolvidos, na forma do art. 302, I, do CPC/15, o que milita de forma contrária a
pretensão liminar de isenção do recolhimento de contribuições previdenciárias.

Por tais razões, em juízo não exauriente, indefiro o pedido de liminar, nos termos da
fundamentação.

Notifique-se o Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Pará para prestar as informações


que entender necessárias, no prazo legal, e promova-se a ciência da pessoa jurídica de direito público
interessada, para ingressar na demanda, querendo.

Vistas ao Ministério Público para manifestar o que entender de direito.

Após retornem os autos conclusos para providencias necessárias ao julgamento.

Publique-se. Intime-se.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

Desa. Luzia Nadja Guimarães Nascimento

Relatora

Número do processo: 0804016-02.2020.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: DIEGO


LOCATELI DE MELLO FERREIRA Participação: ADVOGADO Nome: DIEGO LOCATELI DE MELLO
FERREIRA OAB: 297141/SP Participação: AUTORIDADE Nome: PRESIDENTE DO CONCURSO
PÚBLICO DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO PARÁ

Processo n°: 0804016-02.2020.8.14.0000

Órgão Julgador: Tribunal Pleno

Classe: Mandado de Segurança

Impetrante: Diego Locateli de Mello Ferreira

Advogado: Diego Locateli de Mello Ferreira - OAB/SP 297.141

Impetrado: Presidente da Comissão do Concurso Público da Magistratura do Estado do Pará.

Relator: Des. Roberto Gonçalves de Moura

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. ADMISSÃO AO QUADRO DE JUIZ


SUBSTITUTO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ. PRETENSÃO DE CORREÇÃO DE
QUESTÕES. FALTA DE LEGITIMIDADE PASSIVA DA AUTORIDADE IMPETRADA. PRESIDENTE DA
COMISSÃO ORGANIZADORA. COMPETÊNCIA DA BANCA EXAMINADORA PARA A CORREÇÃO DO
ATO. PRECEDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). EXTINÇÃO DO FEITO SEM
RESOLUÇÃO DE MÉRITO. SEGURANÇA DENEGADA NA FORMA DO ARTIGO 485, VI, DO CPC/15
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C/C 6º, § 5º, DA LEI Nº 12.016/09.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de MANDADO DE SEGURANÇA, com pedido de tutela antecipada, impetrado por DIEGO
LOCATELI DE MELO FERREIRA contra ato apontado como ilegal praticado pelo PRESIDENTE DA
COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO PARÁ.

Em suas razões iniciais constantes no id. 3017743, págs. 1/8, relata o impetrante que se inscreveu no
concurso público para provimento de cargo da magistratura do Estado do Pará.

Aduz o impetrante que após lograr êxito na etapa objetiva, foi classificado para a segunda etapa do
certame, que dizia respeito à realização da prova subjetiva escrita, prática de sentença cível e criminal

Afirma que o gabarito elaborado pela Banca Examinadora da questão de número 04 padece de ilegalidade
e essa ilegalidade obstaculizou sua classificação para as demais fases do certame.

Defende que o padrão de resposta está descompassado da lei, tornando assim imperioso a realização do
controle de legalidade do ato, no sentido de que seja determinado à colenda Comissão do Concurso a
adaptação da resposta ao comando normativo.

Ressalta o impetrante que a pontuação para o item questionado seria de 0,65 pontos e a nota obtida por
ele foi de 5,90 pontos, de modo que, com a adequação legal do gabarito à norma, atingiria a nota mínima
para acesso às demais fases do concurso, qual seja, 6.00 pontos.

Em seguida fala sobre a preservação do princípio da isonomia no caso.

Diz que o presente writ tem como objetivo o controle de legalidade da questão n° 04, item 01, do Concurso
Público mencionado.

Expõe que não pretende a ingerência sobre o mérito administrativo, mas sim o controle raso de legalidade.
Assim, pretende a adequação da exigência feita pela Banca Examinadora ao comando normativo previsto
expressamente em lei.

Fala o impetrante sobre o seu direito líquido e certo.

Defende, ainda, a respeito da presença dos requisitos necessários para o deferimento do pedido de tutela
de urgência.

Requereu a tutela antecipada com vistas a que seja determinado a sua manutenção no concurso, bem
como que a autoridade impetrada proceda a correção da prova de sentença e, por fim, a concessão da
segurança conforme pleiteado.

Juntou documentos.

Éo relato do necessário.

Passo a decidir.

Éde sabença que a ação de mandado de segurança deve ser impetrada em razão de um ato a ser
praticado ou já praticado por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atividade
pública, de modo que essa demanda consiste em analisar o procedimento desse sujeito, integrante dos
quadros da Administração Pública, com poder de decisão e competente para, além de praticar o ato
questionado, desfazê-lo.
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Assim, nos termos do § 3º do art. 6º da Lei 12.016/2009, “considera-se autoridade coatora aquela que
tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática”. Em outras palavras,
autoridade é quem detém competência para praticar ou ordenar a prática do ato a que se atribui a pecha
de ilegalidade ou abusividade.

Tem-se, no caso, que a pretensão do impetrante é a discussão de questão do Concurso Público regido
pelo Edital nº 01/2019 para ingresso no quadro de Juiz Substituto deste Tribunal. Desse modo, muito
embora o certame esteja sendo realizado pelo Judiciário, o executor dele é o Centro Brasileiro de
Pesquisa em Avaliação e Seleção de Promoção em Eventos (CEBRASPE), responsável pela elaboração e
aplicação das provas, conforme o item 1.1 do respectivo edital, “verbis”:

1 DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES.

1.1 O concurso público será regido por este edital e executado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em
Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), sob a supervisão da Comissão do Concurso
do TJPA e contará com a participação de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em
todas as etapas.

Dessa forma, observa-se que a prática do ato ora impugnado foi de incumbência da entidade executora do
certame, por intermédio da Banca Examinadora, e não da autoridade impetrada, de forma que, sendo
assim, não ostenta esta legitimidade passiva ad causam para figurar no presente processado. Nesse
sentido, o precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a seguir colacionado:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.


CONCURSO PÚBLICO. PRETENSÃO ANULAÇÃO DE QUESTÕES. INDICAÇÃO DO ESTADO COMO
AUTORIDADE IMPETRADA. FALTA DE LEGITIMIDADE. COMPETÊNCIA DA BANCA EXAMINADORA.
ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ.
RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. AGRAVO INTERNO DOS PARTICULARES A
QUE SE NEGA PROVIMENTO.

(...)

2. Conforme anteriormente afirmado, muito embora o concurso público tenha sido realizado pelo Ministério
Público, a executora do certame era o CESPE, responsável pela elaboração e aplicação das provas.
Desse modo, se a pretensão do ora recorrente é a rediscussão de questões do certame, tem-se que a
prática do ato incumbe à executora do certame, isto é, a Banca Examinadora, e não ao Estado ou
Ministério Público, que não ostenta legitimidade ad causam. Precedentes: RMS 51.539/GO, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 11.10.2016; e AgRg no RMS. 37.924/GO, Rel. Min.
MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 16.4.2013.

(...)

5. Agravo Interno dos Particulares a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1448802/ES, Rel. Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 30/09/2019, DJe 03/10/2019)

Vale ressaltar que se mostra inaplicável, na hipótese, a aplicação da teoria da encampação materializada
na Súmula 623 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma vez que o seu acolhimento importaria em
modificação de competência estabelecida pela Constituição Estadual, considerando-se que o dirigente da
Banca Examinadora não possui a prerrogativa de que seus atos sejam apreciados via mandado de
segurança impetrado diretamente perante este Sodalício.

Àvista do exposto, INDEFIRO a petição inicial ante à ilegitimidade da autoridade impetrada (artigo 485, VI,
do CPC/15) e, por consequência, denego a segurança nos termos do artigo 6º, § 5º, da Lei nº 12.016/09.

Sem custas ante o pedido de justiça gratuita que ora defiro.


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Sem honorários advocatícios nos termos do artigo 25 da Lei nº 12.016/09 c/c Súmula 512 do STF.

Publique-se. Intimem-se.

ÀSecretaria para as devidas providências.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

Desembargador ROBERTO GONÇALVES DE MOURA

Relator

Número do processo: 0808601-34.2019.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: AURICLEITON


ANTONIO DE ARAUJO Participação: ADVOGADO Nome: AURICLEITON ANTONIO DE ARAUJO OAB:
46112/GO Participação: IMPETRADO Nome: PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO
DA MAGISTRATURA DO PARÁ Participação: AUTORIDADE Nome: PROCURADORIA GERAL DO
ESTADO DO PARÁ

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0808601-34.2019.8.14.0000

IMPETRANTE: AURICLEITON ANTÔNIO DE ARAÚJO

IMPETRADO: PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE


VAGAS E FORMAÇÃO DE CADASTRO DE RESERVA NO CARGO DE JUIZ DE DIREITO
SUBSTITUTO NO TJPA – DES. RONALDO MARQUES VALLE

IMPETRADO: CEBRASPE

DECISÃO MONOCRÁTICA

O impetrante AURICLEITON ANTÔNIO DE ARAÚJO, já qualificado nos autos do processo em


epígrafe, atravessou petição de Id. n. 2928547, requerendo a desistência do presente recurso.

Inicialmente, conforme sedimentado pelo STF no julgamento do RE 255.837-AgR/PR, em sede de


repercussão geral, é lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança, independentemente
de aquiescência da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda,
quando for o caso, dos litisconsortes passivos necessários, conforme julgados abaixo:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA. PROCESSO CIVIL. MANDADO


DE SEGURANÇA. PEDIDO DE DESISTÊNCIA DEDUZIDO APÓS A PROLAÇÃO DE SENTENÇA.
ADMISSIBILIDADE. “É lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança,
independentemente de aquiescência da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal
interessada ou, ainda, quando for o caso, dos litisconsortes passivos necessários” (MS 26.890-AgR/DF,
Pleno, Ministro Celso de Mello, DJe de 23.10.2009), “a qualquer momento antes do término do julgamento”
(MS 24.584-AgR/DF, Pleno, Ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 20.6.2008), “mesmo após eventual
sentença concessiva do ‘writ’ constitucional, (…) não se aplicando, em tal hipótese, a norma inscrita no art.
267, § 4º, do CPC” (RE 255.837-AgR/PR, 2ª Turma, Ministro Celso de Mello, DJe de 27.11.2009).
Jurisprudência desta Suprema Corte reiterada em repercussão geral (Tema 530 – Desistência em
mandado de segurança, sem aquiescência da parte contrária, após prolação de sentença de mérito, ainda
que favorável ao impetrante). Recurso extraordinário provido. (RE 669367, Relator(a): Min. LUIZ FUX,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2013, ACÓRDÃO
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ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLIC 30-10-2014.

No mesmo sentido:

MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍPIO DE CANOAS. REENQUADRAMENTO.


PEDIDO DE DESISTÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Considerando o pedido de desistência da impetrante, bem
como a desnecessidade da anuência da autoridade coatora, a homologação da desistência e a denegação
da segurança são medidas que se impõem, de acordo com os arts. 6º, §5º, da Lei Federal nº 12.016/09, e
art. 267, inciso VIII, do Código de Processo Civil. Precedentes desta Corte. DESISTÊNCIA
HOMOLOGADA E SEGURANÇA DENEGADA. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70065268062,
Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Francesco Conti, Julgado em 30/06/2015)

APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. LICENÇA PARA EXERCÍCIO


DE MANDATO CLASSISTA. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. DENEGAÇÃO DA
SEGURANÇA. Diante do pleito de desistência formulado pela parte impetrante, impõe-se a denegação da
segurança, consoante a regra contida no artigo 6º, §5º, da Lei Federal nº 12.016/09, e art. 267, inciso VIII,
do Código de Processo Civil. Precedentes do e. STF e deste TJRS. Segurança denegada. (Apelação Cível
Nº 70053894515, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo Delgado, Julgado
em 03/03/2016)

SERVIDOR PÚBLICO. DESISTÊNCIA DO MANDAMUS. POSSIBILIDADE. O impetrante pode desistir a


qualquer tempo do mandado de segurança, sem a necessidade de aquiescência da autoridade impetrada.
Doutrina e precedentes conferidos. DESISTÊNCIA HOMOLOGADA. DECISÃO MONOCRÁTICA.
(Mandado de Segurança Nº 70058109711, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Nelson Antônio Monteiro Pacheco, Julgado em 18/08/2015).

Assim, tendo em vista que o impetrante desistiu do mandado de segurança, impositiva a


homologação do pedido e a extinção do feito, conforme dispõe o art. 6º, § 5º, da Lei nº 12.016/06, c/c art.
485, inciso VIII, do CPC.

Nesta mesma linha, apresenta-se os seguintes julgados:

MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. AGENTE EDUCACIONAL. SINDICÂNCIA.


PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. DESISTÊNCIA DO MANDAMUS. POSSIBILIDADE.
EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, COM FULCRO NO ARTIGO 6º,
PARÁGRAFO 5º, DA LEI FEDERAL Nº 12.016/09 E ART. 267, INCISO VIII, DO CPC. SEGURANÇA
DENEGADA, FACE À DESISTÊNCIA DA PARTE IMPETRANTE. (Mandado de Segurança Nº
70063881304, Segundo Grupo de Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Matilde Chabar
Maia, Julgado em 11/09/2015)

MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. CUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS. ATO


DETERMINANDO A OPÇÃO POR UM DOS CARGOS. DESISTÊNCIA DA PARTE IMPETRANTE.
HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO PROCESSO. Homologada a desistência postulada pela parte
impetrante. Processo extinto, sem resolução de mérito, co m base no artigo 6º, § 5º, da Lei nº 12.016/06 e
no art. 267, inc. VIII, do CPC. DESISTÊNCIA HOMOLOGADA. PROCESSO EXTINTO. (Mandado de
Segurança Nº 70066200981, Segundo Grupo de Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 31/08/2015)

Precedente do STJ:

AGRAVO REGIMENTAL. HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO MANDAMENTAL


APÓS A PROLAÇÃO DE SENTENÇA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.
POSSIBILIDADE. PRECEDENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Conforme orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, o Impetrante pode desistir da ação
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de mandado de segurança a qualquer tempo, mesmo após a prolação de sentença de mérito (RE
669.367/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, DJe de
30/10/2014).

2. A desistência da ação não implica renúncia ao direito discutido, sendo incidente a regra processual que
determina a extinção do processo sem julgamento de mérito.

3. Agravo regimental desprovido.

(AgRg nos EDcl nos EDcl na DESIS no RE nos EDcl no AgRg no REsp 999.447/DF, Rel. Ministra
LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/06/2015, DJe 15/06/2015) (grifei)

Ante o exposto, homologo o pedido de desistência formulado pelo impetrante, e julgo extinto o
mandado de segurança, sem resolução de mérito, com base no artigo 6º, § 5º, da Lei nº 12.016/06 e no
art. 485, inc. VIII, do NCPC.

Concedo os benefícios da gratuidade de Justiça.

Sem custas e honorários, em atenção à Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal e 105 do
Superior Tribunal de Justiça e art. 25 da Lei nº 12.016/09.

P.R.I.C.

Belém-PA, 18 de junho de 2020.

Juíza Convocada Eva do Amaral Coelho

Relatora

Número do processo: 0805188-76.2020.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: POLENTUR -


VIAGENS & TURISMO LTDA - EPP Participação: ADVOGADO Nome: HELHIO PEREIRA MENDES OAB:
15025/MA Participação: AUTORIDADE Nome: GOVERNADOR DO ESTADO DO PARÁ Participação:
AUTORIDADE Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

EDITAL DE INTIMAÇÃO

No uso de suas atribuições legais, o Secretário Judiciário INTIMA POLENTUR - VIAGENS & TURISMO
LTDA para que, querendo, apresente contrarrazões aos Embargos de Declaração opostos nos autos do
processo nº 0805188-76.2020.8.14.0000. Belém/PA, 19/6/2020.

DAVID JACOB BASTOS

Secretário Judiciário

Número do processo: 0804278-49.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: HD COMERCIAL


DE TECIDOS LTDA Participação: ADVOGADO Nome: INGRID THAINA LISBOA DA COSTA OAB:
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27381/PA Participação: ADVOGADO Nome: ANTONIO CARLOS AIDO MACIEL OAB: 7009/PA
Participação: IMPETRADO Nome: GOVERNADOR DO ESTADO DO PARÁ Participação: AUTORIDADE
Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

EDITAL DE INTIMAÇÃO

No uso de suas atribuições legais, o Secretário Judiciário INTIMA HD COMERCIAL DE TECIDOS LTDA
para que, querendo, apresente contrarrazões aos Embargos de Declaração opostos nos autos do
processo nº 0804278-49.2020.8.14.0000. Belém/PA, 19/6/2020.

DAVID JACOB BASTOS

Secretário Judiciário

Número do processo: 0808966-88.2019.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: FRANCISCO


DE ASSIS MARIANO DOS SANTOS Participação: ADVOGADO Nome: FRANCISCO DE ASSIS
MARIANO DOS SANTOS OAB: 5.019/TO Participação: PARTE AUTORA Nome: GIOVANNA GAUDIOSO
Participação: ADVOGADO Nome: FRANCISCO DE ASSIS MARIANO DOS SANTOS OAB: 5.019/TO
Participação: PARTE AUTORA Nome: LORENA GUIMARAES LAURIA Participação: ADVOGADO Nome:
FRANCISCO DE ASSIS MARIANO DOS SANTOS OAB: 5.019/TO Participação: PARTE AUTORA Nome:
TAMY DA COSTA FELIX Participação: ADVOGADO Nome: FRANCISCO DE ASSIS MARIANO DOS
SANTOS OAB: 5.019/TO Participação: IMPETRADO Nome: Presidente da Comissão Organizadora do
Concurso para provimento do cargo de Juiz Substituto do TJPA Participação: AUTORIDADE Nome:
PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

PROCESSO Nº 0808966-88.2019.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR

IMPETRANTES: FRANCISCO DE ASSIS MARIANO DOS SANTOS, GIOVANNA GAUDIOSO, LORENA


GUIMARAES

LAURIA E TAMY DA COSTA FELIX

ADVOGADO: FRANCISCO DE ASSIS MARIANO DOS SANTOS– OAB/TO 5019

IMPETRADO: PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA


DO ESTADO DO PARÁ

ENDEREÇO: AV. ALMIRANTE BARROSO N 3089 - BAIRRO: SOUZA - CEP: 66613-710 - BELÉM – PA

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. PEDIDO DE EXTINÇÃO DA AÇÃO POR PERDA DO


OBJETO. DESISTÊNCIA DO MANDAMUS. HOMOLOGAÇÃO. AÇÃO EXTINTA COM FUNDAMENTO
NO ARTIGO 485, VIII, CPC/15.

1. Encontrando-se plenamente formalizado, homologa-se o pedido de desistência da ação


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mandamental, e, por conseguinte, declara-se extinta a presente ação, com fulcro no artigo 485, VIII,
do CPC/15. Precedentes STF e STJ.
2. Mandamus extinto sem resolução do mérito.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Tratam os presentes autos de MANDADO DE SEGURANÇA impetrado por FRANCISCO DE ASSIS


MARIANO DOS SANTOS, GIOVANNA GAUDIOSO, LORENA GUIMARAES contra ato praticado pelo
PRESIDENTE DA COMISSÃO DO CONCURSO PÚBLICO, objetivando inscrição e realização de prova
de concurso público para o provimento de vagas e a formação de cadastro de reserva no cargo de Juiz de
Direito substituto do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

Encaminhados a minha relatoria, inicialmente, deneguei a segurança postulada, tendo sido oposto Agravo
Interno com pedido de reconsideração da decisão monocrática.

Em juízo de retratação, proferi decisão deferindo o pedido liminar para permitir a realização da prova
objetiva pelos impetrantes (Id. 2502469).

Ocorre que, posteriormente, em petição de Id. 3173460, os impetrantes requerem a desistência do


mandamus tendo em vista reprovação nas provas realizadas, inexistindo interesse processual no
prosseguimento do feito, acrescentando que tal possibilidade já foi reconhecida no julgamento do Recurso
Extraordinário (RE) 669367.

Éo suficiente relatório.

DECIDO.

Inicialmente, impende destacar que segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal,
inclusive com julgamento pela sistemática da repercussão geral, de que “(...) É lícito ao impetrante desistir
da ação de mandado de segurança, independentemente de aquiescência da autoridade apontada como
coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda, quando for o caso, dos litisconsortes passivos
necessários” (MS 26.890-AgR/DF, Pleno, Ministro Celso de Mello, DJe de 23.10.2009), “a qualquer
momento antes do término do julgamento” (MS 24.584-AgR/DF, Pleno, Ministro Ricardo Lewandowski,
DJe de 20.6.2008), “mesmo após eventual sentença concessiva do ‘writ’ constitucional, (…) não se
aplicando, em tal hipótese, a norma inscrita no art. 267, § 4º, do CPC” (RE 255.837-AgR/PR, 2ª Turma,
Ministro Celso de Mello, DJe de 27.11.2009). Jurisprudência desta Suprema Corte reiterada em
repercussão geral (Tema 530 - Desistência em mandado de segurança, sem aquiescência da parte
contrária, após prolação de sentença de mérito, ainda que favorável ao impetrante). Recurso
extraordinário provido. (RE 669367, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Rosa Weber,
Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2013, publicado no DJe de 29/10/2014), tenho que não há qualquer
óbice a pretensão da impetrante.

A propósito, assim também já decidiu o STJ:

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. A HOMOLOGAÇÃO DE


DESISTÊNCIA DO MANDADO DE SEGURANÇA PODE SER FEITA A QUALQUER TEMPO,
INDEPENDENTE DE ANUÊNCIA DA PARTE CONTRÁRIA. MATÉRIA JULGADA SOB O REGIME DE
REPERCUSSÃO GERAL PELO STF NO RE 669.367. AGRAVO REGIMENTAL DO ESTADO DO
MARANHÃO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Esta Corte tem adotado o entendimento firmado
pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 669.367, submetido ao regime de repercussão
geral, publicado do DJe de 30.10.2014, de que pode ser homologada a desistência do Mandado de
Segurança a qualquer tempo, independentemente de anuência da parte contrária. 2. Agravo
Regimental do Estado do Maranhão ao qual se nega provimento. (AgRg no REsp 1334812/MA, Rel.
Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 31/08/2015)
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Ademais, estando o advogado munido de poderes especiais para desistir, não há impedimentos para o
acolhimento do pedido.

Ante o exposto, homologo o pedido de desistência, haja vista a perda superveniente do objeto alegada
pelo próprio impetrante, e, via de consequência, declaro extinta a presente ação mandamental, com fulcro
no artigo 485, VIII, do CPC/15.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos, dando-se baixa na distribuição deste Egrégio TJE/PA.

Publique-se. Intimem-se.

Belém, 19 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

RELATOR

Número do processo: 0805711-88.2020.8.14.0000 Participação: IMPETRANTE Nome: RAYSSA


MATAYOSHI DA CRUZ FERREIRA Participação: ADVOGADO Nome: JONAS PEREIRA BEZERRAS
JUNIOR OAB: 30685/PA Participação: ADVOGADO Nome: ITAMAR GONCALVES CAIXETA OAB:
10613/PA Participação: IMPETRADO Nome: GOVERNADOR DO ESTADO DO PARÁ Participação:
IMPETRADO Nome: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PARÁ Participação: AUTORIDADE
Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0805711-88.2020.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO

IMPETRANTE: RAYSSA MATAYOSHI DA CRUZ FERREIRA

IMPETRADOS: ESTADO DO PARÁ e SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO PARÁ – SEDUC

RELATORA: JUÍZA CONVOCADA EVA DO AMARAL COELHO

DESPACHO

1. Defiro o pedido de justiça gratuita (Id. n. 31953710)

2. Reservo-me para apreciar o pedido liminar depois da prestação das informações, em razão da
excepcionalidade da apreciação de medidas de urgência sem a oitiva da parte contrária.

3. Notifiquem-se as autoridades impetradas para prestarem informações, bem como, intime-se o órgão de
representação judicial da respectiva pessoa jurídica para, querendo, ingressar no feito (Lei nº 12.016/2009,
art. 7º, I e II).

4. Decorrido o prazo legal, com ou sem as informações, voltem os autos conclusos para apreciação do
pedido liminar.

Publique-se.
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A Secretaria de origem para os devidos fins.

.Juíza Convocada Eva do Amaral Coelho

Relatora

Número do processo: 0800915-54.2020.8.14.0000 Participação: EXEQUENTE Nome: ALENSON


MARLON TAVARES LAMEIRA Participação: ADVOGADO Nome: KHAREN KAROLLINNY SOZINHO DA
COSTA OAB: 19588/PA Participação: ADVOGADO Nome: RENATO JOAO BRITO SANTA BRIGIDA
OAB: 6947 Participação: EXECUTADO Nome: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ

TRIBUNAL PLENO – PEDIDO DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Nº 0800915-54.2020.8.14.0000

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

EXEQUENTE: ALENSON MARLON TAVARES LAMEIRA

ADVOGADO: RENATO JOÃO BRITO SANTA BRIGIDA (OAB/PA 6.947) e OUTRA

EXECUTADO: ESTADO DO PARÁ

PROCURADOR DO ESTADO: ANTONIO CARLOS BERNARDES FILHO

PROCESSO REFERÊNCIA: 0004396-97.2016.8.14.0000 (MANDADO DE SEGURANÇA)

DESPACHO

Diga o(a) exequente sobre a impugnação no prazo legal.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

Desa. LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

Relatora
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SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

Número do processo: 0802446-78.2020.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: FABRICIO


BACELAR MARINHO Participação: ADVOGADO Nome: FRANCISCO OTAVIO DOS SANTOS PALHETA
JUNIOR OAB: 2722 Participação: ADVOGADO Nome: JHONNY SPINDOLA DE SOUZA LIMA OAB:
26895/PA Participação: ADVOGADO Nome: TASSIO ROBERTO MOREIRA RIBEIRO OAB: 28243/PA
Participação: AUTORIDADE Nome: Dr. ALESSANDRO OZANAN

MANDADO DE SEGURANÇA N.º 0802446-78.2020.814.0000

IMPETRANTE:FABRÍCIO BACELAR MARINHO

ADVOGADO: Dr. Francisco Otavio dos Santos Palheta Junior e outros

IMPETRADO: DR. ALESSANDRO OZANAN

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES

DECISÃO MONOCRÁTICA

Tratam-se os autos de Mandado de Segurança impetrado por FABRÍCIO BACELAR MARINHO, contra
DR. ALESSANDRO OZANAN, Juiz de Direito da 06ª Vara Cível e Empresarial da Capital.

Em sua peça vestibular, o Impetrante afirma ser patrono de diversas causas judiciais, e diante dos poderes
que lhe foram outorgados por sua cliente, propôs Ação de Cobrança de Seguro DPVAT (Proc. nº 0024726-
34.2007.814.0301) na qual figurou como requerente Maria Célia Ramos dos Reis, e requeridas as
seguradoras Excelsior Seguros S/A e Seguradora Líder de Consórcio do Seguro DPVAT S/A, buscando o
pagamento de seguro DPVAT em razão da morte de Marinaldo dos Reis Lima, vítima de acidente de
trânsito.

A demanda foi julgada procedente, transitando o feito em julgado em 22/02/2019, sendo remetidos os
autos à Vara de Origem para prosseguimento da Execução Definitiva em 02/04/2019.

Afirma o Suplicante que, em 24/05/2019, o Juízo da Execução proferiu despacho informando ao patrono
que a Exequente havia revogado seus poderes. O causídico peticionou em 05/06/2019 aduzindo a
existência de contrato de honorários advocatícios entre as partes, no percentual de 30%, requerendo que
fosse reservado os honorários contratuais e sucumbenciais, por ocasião do pagamento à Exequente.

Todavia, em 13/03/2020, foi intimado através do DJE acerca do indeferimento do pedido de reserva de
honorários contratuais, em desacordo com o que prevê o art. 22, §4º da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da
Advocacia), sendo liberado para o advogado, ora Impetrante, apenas a quantia de R$9.217,21, a título de
honorários sucumbenciais. Inconformado impetrou o presente writ, buscando a proteção do direito
alegado. (ID nº 2874299).

Éo relato do necessário.

DECIDO.

Consoante cediço entendimento, o mandado de segurança – disciplinado pela Lei 12.016/2009[1] – é


remédio constitucional que objetiva a garantia de direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus
ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa sofra, ou tenha justo
receio de sofrer, violação por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as
funções que exerça.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

A lei especial veda, ainda, seu cabimento em três expressas hipóteses, conforme se extrai de seu art. 5º,
veja-se:

Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:

I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução;

II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;

III - de decisão judicial transitada em julgado.

Em sentido semelhante o Supremo Tribunal Federal assim sumulou entendimento:

“Súmula 267 do STF - Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição”.

Por sua vez, o art. 10º da Lei do Mandado de Segurança assim dispõe:

“Art. 10. A inicial será desde logo indeferida, por decisão motivada, quando não for o caso de mandado de
segurança ou lhe faltar algum dos requisitos legais ou quando decorrido o prazo legal para a impetração.”

No caso dos autos, após trânsito em julgado de sentença que reconheceu direito ao
pagamento de seguro DPVAT, em sede de Ação de Execução, o Juízo Impetrado indeferiu o pedido de
reserva de honorários contratuais, razão pela qual cabível o recurso de agravo de instrumento, conforme
expressa previsão do parágrafo único do art. 1.015 do Código de Processo Civil:

Art. 1.015 – Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

(...)

Parágrafo único – Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias


proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de
execução e no processo de inventário.

Nesse sentido, assim se posiciona a jurisprudência pátria:

Ementa: AGRAVO INTERNO. RESPONSABILIDADE CIVIL. RESERVA DE HONORÁRIOS, MANDADO


DE SEGURANÇA. HIPOTESE DE NÃO CABIMENTO. INC. II, ART. 5º DA LEI 12.016/2019. Nos termos
do inc. II do artigo 5º da Lei 12.016/2019, não caberá a ordem de mandado de segurança para atacar
decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo. Conforme o parágrafo único do art.
1.015 do Novo Código de Processo Civil, caberá agravo de instrumento contra a decisão
interlocutória que, em sede de liquidação de sentença ou cumprimento de sentença, indeferir
pedido de reserva de honorários. As razões deduzidas neste agravo interno não ensejam qualquer
modificação na decisão monocrática recorrida. Agravo interno não provido.(Agravo Interno, Nº
70083475186, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marcelo Cezar Muller, Julgado
em: 28-05-2020) (destaquei).

Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. ACIDENTE DO TRABALHO. RESERVA DE HONORÁRIOS.


INDEFERIMENTO. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO GROSSEIRO NA
UTILIZAÇÃO DESTE REMÉDIO CONSTITUCIONAL. FORTE NO ART. 10 DA LEI 12.016/2009 C/C O
ARTIGO 330, INCISO III DO NCPC, INCABÍVEL O PRESENTE MANDADO DE SEGURANÇA, DE
MANEIRA QUE VAI INDEFERIDA SUA INICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA NÃO
CONHECIDO.(Mandado de Segurança Cível, Nº 70083267062, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Marcelo Cezar Muller, Julgado em: 19-11-2019) (destaquei).
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Compete ao advogado, em nome próprio, requerer a reserva de honorários


contratuais, assim para recorrer sobre o tópico, como interessado. Logo, a decisão que negou
reserva de honorários contratuais deveria ser desafiada por Agravo de Instrumento, sendo incabível tal
discussão via Mandado de Segurança, uma vez que tal remédio processual se destina a proteger direito
líquido e certo, contra ato praticado pela Autoridade Coatora com ilegalidade ou abuso de poder, quando
não houver recurso cabível, o que evidentemente não se enquadra no presente feito.

Assim, em atendimento ao previsto no art. 10º da Lei 12.016/2009 c/c o artigo 330,
inciso III do CPC, não conheço o presente Mandado de Segurança, por ser incabível nos termos da
fundamentação.

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. RICARDO FERREIRA NUNES

Relator

[1] Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por
habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física
ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria
for e sejam quais forem as funções que exerça.

Número do processo: 0803583-32.2019.8.14.0000 Participação: PARTE AUTORA Nome: EQUATORIAL


PARA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A Participação: ADVOGADO Nome: MARCEL AUGUSTO
SOARES DE VASCONCELOS OAB: 14977/PA Participação: ADVOGADO Nome: LUCIMARY GALVAO
LEONARDO OAB: 20103/PA Participação: ADVOGADO Nome: LUCILEIDE GALVAO LEONARDO
PINHEIRO OAB: 368 Participação: IMPETRADO Nome: JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CIVEL E
EMPRESARIAL DA COMARCA DE ICOARACI-PA Participação: TERCEIRO INTERESSADO Nome:
GUAJARA COMERCIO VAREJISTA, ATACADISTA E EXPORTACAO DE PESCADOS LIMITADA

SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO.

MANDADO DE SEGURANÇA – N.º 0803583-32.2019.8.14.0000.

COMARCA: BELÉM/PA.

IMPETRANTE: EQUATORIAL PARÁ DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.

ADVOGADO: LUCIMARY GALVÃO LEONARDO GARCES – OAB/PA N. 20.103-A.

IMPETRADO: JUIZ DE DIREITO DA 1 VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DA COMARCA DE ICOARACI/PA.

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. ATO DO JUIZ QUE DETERMINOU A CONDUÇÃO DO


PRESIDENTE DA CONCESSIONÁRIA PARA LAVRATURA DE TCO. PROCESSO ORIGINÁRIA QUE
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SE ENCONTRA TRANSITADO EM JULGADO. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO ENTRE AS PARTES.


MANDAMUS PREJUDICADO.

Trata-se de MANDADO DE SEGURANÇA interposto perante este Egrégio Tribunal de Justiça por
EQUATORIAL PARÁ DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. contra ato do JUIZ DE DIREITO DA 1 VARA
CÍVEL E EMPRESARIAL DA COMARCA DE ICOARACI/PA que determinou expedição de mandado de
condução contra o Presidente da referida concessionária de energia para lavratura de TCO, autorizando,
desde logo o uso de força policial, consoante os termos da inicial (ID 1724847).

O presente mandamus foi protocolizado no Plantão Judicial, tendo o Desembargador Plantonista Ricardo
Ferreira Nunes deferido parcialmente a liminar, para suspender tão somente a ordem de condução
coercitiva do representante da concessionária de energia, posto que a discussão acerca da
impossibilidade do cumprimento da ordem proferida pelo Juízo Singular ainda não havia sido
definitivamente solucionada.

Os autos foram distribuídos inicialmente à Desa. Edinéa Oliveira Tavares, determinou a remessa do feito à
Desembargadora Maria Filomena de Almeida Buarque, por ser preventa para a análise do feito (fls. 78).

Após, constam as suspeições das Desembargadoras Maria Filomena de Almeida Buarque (fls. 79) e
Edinéa Oliveira Tavares (fls. 81).

Por derradeiro, os autos foram distribuídos à minha relatoria.

É o relatório. Decido Monocraticamente.

Pois bem, após verificar o andamento dos autos no Juízo de Piso, constatei que a Ação Ordinária, a saber,
o Proc. n. 0800406-39.2019.8.14.0201, cujo ato do juiz originou a impetração do presente Mandado de
Segurança, encontra-se transitada em julgado, tendo o próprio juízo impetrado homologado um acordo
entre as partes, motivo pelo qual entendo que o julgamento do presente feito encontra-se prejudicado.

Neste sentido, transcrevo precedente de jurisprudência pátria:

MANDADO DE SEGURANÇA. FATO SUPERVENIENTE. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NOS AUTOS


PRINCIPAIS. PERDA DO OBJETO DO WRIT. ORDEM PREJUDICADA.

(TJPR – Mandando de Segurança n. 0001556-89.2017.8.16.9000 - Maringá - Rel.: Juiz James Hamilton


de Oliveira Macedo - J. 30.10.2017)

ASSIM, conforme exposto em alhures, entendo que a análise do presente MANDADO DE SEGURANÇA
se encontra PREJUDICADA, motivo pelo qual extingo o processo sem resolução de mérito.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquive-se.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator
66
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0805839-11.2020.8.14.0000 Participação: SUSCITANTE Nome: 1ª VARA CIVEL E


EMPRESARIAL DE ANANINDEUA PA Participação: SUSCITADO Nome: 3ª VARA CIVEL E
EMPRESARIAL DE ANANINDEUA PA Participação: INTERESSADO Nome: MARIO GUILHERME ALVES
PINTO Participação: ADVOGADO Nome: ANA PAULA CARDOSO REIS OAB: 26264/PA Participação:
ADVOGADO Nome: AUGUSTO DE JESUS DOS SANTOS REIS OAB: 22 Participação: AUTORIDADE
Nome: PARA MINISTERIO PUBLICO

SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO.

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA CÍVEL – Nº. 0805839-11.2020.8.14.0000.

COMARCA: ANANINDEUA/PA.

SUSCITANTE: JUIZO DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA.

SUSCITADO: JUÍZO DE DIREITO DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA.

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE


ANANINDEUA E JUÍZO DE DIREITO DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA. VARA DE REGISTROS
PÚBLICOS. AÇÃO DE SONEGADOS C/C NULIDADE DE INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL E INDENIZAÇÃO POR PERDAS
E DANOS. ALEGAÇÃO DE SONEGAÇÃO DOS BENS DA HERANÇA. VÍCIOS EXTRÍNSECOS AO REGISTRO.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA 3ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA. APLICAÇÃO ART. 133, INCISO
XXXIV, ALÍNEA ‘c’, DO RITJPA.

Trata-se de um Conflito Negativo de Competência suscitado pelo Juízo de Direito da 1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca
de Ananindeua, perante o Juízo de Direito da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Ananindeua.

No presente caso, o Juízo suscitado aduziu, em síntese, que a competência privativa para julgar sobre anulação dos
registros públicos é da 1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Ananindeua.

Já o Juízo Suscitante aduziu a matéria trazida aos autos não reside na desconstituição que do ato notarial em si, mas de
todo o arcabouço fático jurídico que ensejou o sobredito inventário extrajudicial, além da necessidade do inventário judicial, o
que induz a competência residual do juízo cível da 3ª vara da comarca, com fundamento na Resolução nº 011/2014-GP, que
dispõe sobre a competência mencionada vara, e não do juízo especializado em registros públicos.

É o relatório. Decido monocraticamente.

O cerne do presente conflito reside em definir qual Juízo possui a competência para processar e julgar a AÇÃO DE
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

SONEGADOS C/C NULIDADE DE INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL E INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS.

E no presente caso, verifico que o reconhecimento da nulidade do ato registral está relacionado a atos extrínsecos ao próprio
registro, o que, de fato, extrapola a competência da Vara Especializada em registros públicos.

Nesse sentido:

EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. VARA DE REGISTROS PÚBLICOS - VARA CÍVEL AÇÃO DE
CANCELAMENTO DE MATRÍCULA. ALEGAÇÃO DE INVALIDADE DA RELAÇÃO JURÍDICA. VÍCIOS EXTRÍNSECOS AO
REGISTRO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO CÍVEL. CONFLITO CONHECIDO E PROVIDO. 1. O Município de Santarém, ao
propor a ação, não ataca o ato registral em si, mas o negócio jurídico que o precedeu, alegando a invalidade dos recibos de
compra e venda, de modo que o cancelamento do registro seria mera consequência de eventual declaração de nulidade do
negócio jurídico. 2. Assim, o reconhecimento da nulidade do negócio levado a registro está relacionado a vícios extrínsecos
ao ato registral, extrapolando a competência da Vara especializada em registros públicos. 3. Conflito conhecido e provido
para declarar a competência do juízo suscitado para julgar a ação.

(TJPA. 2014.04649861-48, 140.742, Rel. JOSE MARIA TEIXEIRA DO ROSARIO, Órgão Julgador TRIBUNAL PLENO,
Julgado em 2014-11-19, Publicado em 2014-11-21)

Diante do exposto, com força no artigo 133, inciso XXXIV, alínea c, forçoso reconhecer a competência do Juízo de
Direito da 3ª Vara de Cível e Empresarial de Ananindeua, para o processamento e julgamento da demanda.

P. R. I. Oficie-se onde couber.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO- UPJ

Número do processo: 0805117-45.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: JOSE ANDRE LIMA


CUNHA Participação: ADVOGADO Nome: HELBERT LUCAS RUIZ DOS SANTOS OAB: 320439/SP
Participação: AGRAVADO Nome: BANCO DO BRASIL SA Participação: ADVOGADO Nome: RAFAEL
SGANZERLA DURAND OAB: 16637/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
AGRAVO DE INSTRUMENTO (202):0805117-45.2018.8.14.0000
AGRAVANTE: JOSE ANDRE LIMA CUNHA
Nome: JOSE ANDRE LIMA CUNHA
Endereço: AVENIDA MOGNO, 63, NOVO, !2 DE OUTUBRO, ITUPIRANGA - PA - CEP: 68580-000
Advogado: HELBERT LUCAS RUIZ DOS SANTOS OAB: SP320439-A Endereço: desconhecido
AGRAVADO: BANCO DO BRASIL SA
Nome: BANCO DO BRASIL SA
Endereço: RUA 15 DE NOVEMBRO, S/N, Perto da Praça, CENTRO, ITUPIRANGA - PA - CEP: 68580-000
Advogado: RAFAEL SGANZERLA DURAND OAB: PA16637-A Endereço: AVENIDA DAS NACOES
UNIDAS 12901, Avenida das Nações Unidas 12901, BROOKLIN PAULISTA, SãO PAULO - SP - CEP:
04578-910
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por JOSÉ ANDRÉ LIMA CUNHA, contra decisão proferida
pelo Juízo da Vara Única de Itupiranga/PA, nos autos da Ação de Indenização por Danos Morais c/c
Tutela Antecipada (Processo Físico nº 0002703-03.2016.8.14.0025), movida em face do BANCO DO
BRASIL S/A, que indeferiu o pedido de concessão da justiça gratuita, determinando o recolhimento das
custas devidas no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de extinção do feito.

Em suas razões recursais (Num. 728694 – Pág. 1/10), o agravante requerer a concessão dos benefícios
da justiça gratuita, uma vez que consta nos autos documentos comprobatórios da sua impossibilidade de
arcar com as custas do processo.

Em sede de liminar, este Relator, por meio da decisão monocrática Num. 748065 – Pág. 1/2, deferiu o
efeito suspensivo pleiteado, determinando a intimação do agravado para apresentação de contrarrazão.

Houve oferta de contrarrazões (Num. 884075 – Pág. 1/4), pugnando pelo improvimento do recurso.

Éo relatório.

DECIDO.

Conheço do Agravo de Instrumento, eis que presentes os requisitos de admissibilidade recursal.

Assim, o recurso comporta julgamento imediato, com fulcro no art. 932, V, ‘a’, do CPC.

Sabe-se que tem direito aos benefícios da gratuidade de justiça a pessoa natural com insuficiência de
recursos para pagar as custas processuais, emolumentos e honorários advocatícios, nos termos do art.
98, do CPC, tudo em consonância com a garantia constitucionais do acesso à justiça e da concessão do
benefício da assistência judiciária gratuita aos necessitados (art. 5º, XXXV e LXXIV do CF/88,
respectivamente), revestindo-se, assim, sua declaração de hipossuficiência de presunção relativa de
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

veracidade (‘iuris tantum’), nos termos do art. 99, § 3º, do CPC.

Nesse passo, apenas quando houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais
para a concessão desse benefício, deve o magistrado, antes de indeferir o pedido de gratuidade,
determinar ao requerente que comprove preencher os requisitos para a concessão da gratuidade da
justiça, tudo em observância ao comando do art. 99, § 2º, do CPC. Veja-se:

Art. 99, § 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a
falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido,
determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.

A respeito da matéria, o E. TJPA já firmou entendimento de que o magistrado, analisando as provas


indicadas nos autos, pode, de ofício, deliberar acerca da hipossuficiência configurada nos autos, desde
que existam provas nos autos que indiquem a capacidade econômica do requerente, in verbis:

Súmula n° 06: A alegação de hipossuficiência econômica configura presunção meramente relativa de que
a pessoa natural goza do direito ao deferimento da gratuidade de justiça prevista no artigo 98 e seguintes
do Código de Processo Civil (2015), podendo ser desconstituída de ofício pelo próprio magistrado caso
haja prova nos autos que indiquem a capacidade econômica do requerente.

Todavia, assim não procedeu o magistrado, não oportunizando à parte que comprovasse preencher os
pressupostos para fazer jus ao benefício, incorrendo em erro de procedimento ao indeferir de plano o
pleito de gratuidade (Num. 728718 – Pág. 8).

Veja-se que, das provas carreadas aos autos, observa-se indícios da capacidade econômica do
requerente, uma vez que consta nos autos a informação de que o autor é pecuarista (Num. 728705 – Pág.
21).

Ademais, note-se que os autos do processo que tramita no primeiro grau são físicos (n°0002703-
03.2016.8.14.0025), tendo o agravante juntado as peças obrigatórias a este recurso e aquelas que ela
entendeu serem necessárias ao deslinde da controvérsia, das quais sequer consta declaração de
hipossuficiência do autor.

Assim, diante de elementos que evidenciam a falta dos pressupostos para a concessão do benefício, se
torna imperiosa a intimação da parte para comprovar os requisitos.

Acerca da necessidade de prévia intimação da parte para comprovar sua hipossuficiência, este E. Tribunal
já pacificou entendimento por meio de suas 02 (duas) Turmas de Direito Privado:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE INDEFERIU O PEDIDO DE GRATUIDADE DA JUSTIÇA.


A ANÁLISE EM QUESTÃO DEVE SEGUIR O PARÂMETRO ESTIPULADO NO ART. 99, §2º E §3º DO
CPC. O JUÍZO DE PISO DEIXOU DE OBSERVAR AS FORMALIDADES ATINENTES À ANÁLISE DO
PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA, POIS DEIXOU DE OPORTUNIZAR QUE A PARTE APRESENTASSE
OS DOCUMENTOS PERTINENTES ANTES DE INDEFERIR O PEDIDO DE GRATUIDADE. DECISÃO A
QUO ANULADA. PERDA DE OBJETO RECURSAL. RECURSO PREJUDICADO (TJ-PA. AI 0004325-
61.2017.8.14.0000. 1ª Turma de Direito Privado. Rel. Gleide Pereira de Moura. Julgamento em
13/08/2019. DJe 28/08/2019) (grifo nosso).

---------------------------------------------------------------------------------------------

AGRAVO DE INSTRUMENTO - INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA -


I N VIABILIDADE - NE CE S S IDADE D E O P O RT UNI Z AR À P ART E A CO MP ROV A Ç Ã O
DOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA GRATUIDADE - OBSERVÂNCIA AO DISPOSTO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

NO ART. 99, § 2º DO CPC/2015 - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. À UNANIMIDADE. (TJ-PA.


AI 0006183-30.2017.8.14.0000. 2ª Turma de Direito Privado. Rel. Maria de Nazaré Saavedra Guimarães.
Julgamento em 24/04/2018. DJe 03/05/2018) (grifo nosso).

Evidencia-se, ainda, que a Constituição da República, em seu art. 5º, LV, garante que aos litigantes em
processo judicial ou administrativo, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes.

Sendo assim, imperativa é a desconstituição da decisão guerreada, para que seja concedido ao autor, ora
agravante, prazo para juntada aos autos de maiores provas capazes de atestar a alegada carência
financeira, em observância as disposições do CPC.

Ante o exposto, de ofício, conheço de matéria de ordem pública, nos termos dos artigos 278, parágrafo
único c/c 283, ambos do CPC, para declarar a nulidade da decisão ora guerreada, remetendo os autos ao
juízo de primeiro grau, para que este conceda prazo para comprovação da hipossuficiência financeira do
agravante, em face do que julgo prejudicado o Agravo de Instrumento interposto, nos termos do art. 932,
III, do CPC, conforme fundamentação supra.

Após o trânsito em julgado desta decisão, certifique-se e associe-se aos autos principais, dando-se baixa
na distribuição deste Relator.

Belém (PA), data registrada no sistema.

JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR

DESEMBARGADOR – RELATOR

Número do processo: 0802514-33.2017.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MARTA PEREIRA


VILELA DE FIGUEIREDO Participação: ADVOGADO Nome: OTAVIO BATISTA ARANTES DE MELLO
OAB: 15265/DF Participação: AGRAVANTE Nome: CELSO DE FIGUEIREDO VILELLA DE ANDRADE
Participação: ADVOGADO Nome: OTAVIO BATISTA ARANTES DE MELLO OAB: 15265/DF Participação:
AGRAVADO Nome: VIVENDA-ASSOCIACAO DE POUPANCA E EMPRESTIMO EM LIQUIDACAO
Participação: ADVOGADO Nome: ROSINEIA DANTAS DE VASCONCELOS OAB: 019424/PA
Participação: ADVOGADO Nome: MARY MACHADO SCALERCIO OAB: 5163/PA Participação:
ADVOGADO Nome: ALBERTO DE LIMA FREITAS OAB: 1782/PA Participação: ADVOGADO Nome:
CLAUDIA DOCE SILVA COELHO DE SOUZA OAB: 8975 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO. AGRAVO
INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO – Nº. 0802514-33.2017.8.14.0000.

COMARCA: BELÉM/PA.

AGRAVANTE: VIVENDA – ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E EMPRÉSTIMO EM LIQUIDAÇÃO.

ADVOGADOS: GABRIEL COMESANHA PINHEIRO – OAB/PA n. 15.274; ROSINÉIA DANTAS DE


VASCONCELOS – OAB/PA n. 19.424; e FLÁVIA ALMEIDA DE SOUSA OLIVEIRA BRAGA – OAB/PA n.
16.510.

AGRAVADO: MARTA PEREIRA VILELA DE FIGUEIREDO e CELSO DE FIGUEIREDO VILELA DE


ANDRADE.

ADVOGADO: OTÁVIO BATISTA ARANTES DE MELLO – OAB/DF N. 15.265 e CARLA BETINI DE


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

OLIVEIRA – OAB/DF n. 31.025.

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO EXECUTIVA HIPOTECÁRIA.


DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO ORIGINÁRIA. APLICAÇÃO DO EFEITO TRANSLATIVO.
EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. RAZÕES DO AGRAVO INTERNO.
NULIDADE DO JULGAMENTO MONOCRÁTICO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR
CONTRARRAZÕES. OCORRÊNCIA. juízo de retratação. possibilidade. intimação na pessoa dos
causídicos da agravada para apresentação das contrarrazões. petição dos agravantes informando que os
veículos ESTÃO bloqueados por determinação do juízo de piso. impossibilidade. penhora de bem diverso
do hipotecado. preferência. suspensão do bloqueio judical existente nos automóveis dos recorrentes.

I. A ausência ou irregularidade da intimação dos patronos da parte agravada, para o oferecimento de


contrarrazões implica em nulidade absoluta do julgamento monocrático do Agravo de Instrumento;

II. No caso, consta certidão da Secretaria da UPJ informando que a intimação eletrônica, para a
apresentação de contrarrazões, foi dirigida aos patronos Mary Machado Scalercio; Alberto de Lima Freitas;
e Cláudia Doce Silva Coelho de Souza, uma vez que a advogada Rosinéia Dantas de Vasconcelos não se
encontrava cadastrada no sistema à época;

III. Tratando-se de execução hipotecária, aplicável o disposto no art. 835, §3 do CPC, pelo que a penhora
de veículo do devedor, antes do bem dado em garantia, violaria tal dispositivo;

IV. Efeito suspensivo que se ateve somente a suspensão do bloqueio das contas correntes, onde os
recorrentes estavam recebendo os benefícios previdenciários, bem como das contas poupanças, que não
excederem a quantia de 40 (quarenta) salários mínimos, em respeito ao art. 833, inciso IV e X do
CPC/2015;

V. Juízo de Retratação, para anular a decisão monocrática proferida nos autos, determinando a
intimação da recorrida para apresentar as contrarrazões recursais do Recurso de Agravo de Instrumento.
E determinação para o desbloqueio judicial dos veículos que estejam em nome dos recorrentes, em
respeito ao art. 835, §3 do CPC.

Trata-se de AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO com pedido tutela de urgência


interposto perante este Egrégio Tribunal de Justiça por VIVENDA – ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E
EMPRÉSTIMO EM LIQUIDAÇÃO nos autos da AÇÃO EXECUTIVA HIPOTECÁRIA proposta em desfavor
de MARTA PEREIRA VILELA DE FIGUEIREDO e CELSO DE FIGUEIREDO VILELA DE ANDRADE
diante de seu inconformismo com a DECISÃO MONOCRÁTICA de lavra deste DESEMBARGADOR que
conheceu e deu provimento ao agravo de instrumento, no sentido de reconhecer a prescrição
originária da pretensão executória do crédito, anulando a decisão agravada, e, por força de efeito
translativo, julgou improcedentes os pedidos da execução, extinguindo o processo originário com
resolução do mérito, na forma do art. 487, II, do CPC.

Em suas razões, a recorrente sustenta inicialmente a nulidade da decisão monocrática, tendo em vista o
cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a republicação da decisão interlocutória para
apresentação de contrarrazões, posto que a mesma teria sido publicada em nome de causídicos que não
estavam mais atuando no processo. Após, sustenta a inocorrência da prescrição.

Contrarrazões às fls. 325/336, onde os recorridos sustentam que a parte teve ciência dos autos em
23/04/2018, não se sustentando a tese de nulidade da decisão monocrática por ausência de intimação
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

para apresentar contrarrazões. E quanto ao mérito, sustentam que os argumentos lançados pela
agravante, de inexistência da prescrição, não superam os fatos processuais.

Por derradeiro, os recorridos MARTA PEREIRA VILELA DE FIGUEIREDO e CELSO DE FIGUEIREDO


VILELA DE ANDRADE protocolizaram petição requerendo o desbloqueio dos veículos bloqueados nos
autos, posto que tal restrição está ocasionando diversos transtornos na vida dos recorridos, em razão do
impedimento, inclusive, de emissão do CRLV, mesmo estando com os IPVAs pagos.

É o sucinto relatório. Passo a decidir o presente caso monocraticamente.

1. DO AGRAVO INTERNO:

1.1. DA NULIDADE DA DECISÃO MONOCRÁTICA – AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR


CONTRARRAZÕES:

Pois bem, da análise dos argumentos expostos pela recorrente, de suma importância verificar no nome de
quais causídicos ocorreu a intimação para a apresentação das contrarrazões ao recurso de Agravo de
Instrumento.

Às fls. 287 determinei à Secretaria da UPJ, que procedesse ao devido cumprimento do item 3 da decisão
ID 314075 – Pág. 1-3, que era a intimação da recorrida, para a apresentação das contrarrazões.

Ocorre que, na certidão de fls. 338, a Secretaria da UPJ informou que “segundo consta na aba
‘expedientes’ do presente feito, as partes foram intimadas acerca do teor do Despacho Id n. 538552, na
data de 11/04/2018, através da intimação eletrônica pelo sistema PJe [...] Certifico, outrossim, que
referida intimação eletrônica foi dirigida aos patronos da parte Agravada Mary Machado Scalercio,
Alberto de Lima Freitas e Cláudia Doce Silva Coelho de Souza, uma vez que a advogada Rosinéia
Dantas de Vasconselos não encontrava-se cadastrada no sistema à época”.

E ao analisar os autos do Agravo de Instrumento, nos quais constam a cópia integral do processo
principal, observo que a recorrente VIVENDA – ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E EMPRÉSTIMO EM
LIQUIDAÇÃO trocou de advogados diversas vezes.

Quanto aos advogados que foram intimados para apresentar as contrarrazões, observo que a advogada
MARY MACHADO SCALERCIO (Procuração às fls. 71 – de 16 de novembro de 1999), somente
protocolou a inicial, em 17 de dezembro de 2001.

Já o causídico ALBERTO DE LIMA FREITAS, foi constituído em 05 de agosto de 2008 (Procuração às


fls. 124), mas o mesmo foi destituído em 07 de janeiro de 2015 (Assembleia Geral Extraordinária),
conforme informações constantes na petição de fls. 168/169, momento em que foi acostado aos autos
procuração, outorgando poderes aos advogados GABRIEL COMESANHA PINHEIRO – OAB/PA n.
15.274; ROSINÉIA DANTAS DE VASCONCELOS – OAB/PA n. 19.424; e FLÁVIA ALMEIDA DE SOUSA
OLIVEIRA BRAGA – OAB/PA n. 16.510, PARA ATUAREM EXCLUSIVAMENTE NOS AUTOS DO
PROCESSO ORIGINÁRIO, a saber, Processo n. 0001366-38.2002.8.14.0301 (fls. 170).

Por derradeiro, não foi encontrado nenhum instrumento procuratório dando poderes a advogada
CLÁUDIA DOCE SILVA COELHO.

Desta forma, conforme aludiu o recorrente, nas razões do Agravo Interno, fundamentado na análise da
cópia integral dos autos e na certidão da Secretaria da UPJ, verifico que, de fato, não ocorreu a
intimação dos causídicos da recorrente, para a apresentação das contrarrazões recursais, fato este
que gera a nulidade absoluta da decisão monocrática proferida às fls. 294/299.

Neste sentido, transcrevo precedente do C. STJ, in verbis:


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E


COMPENSAÇÃO DE DANOS MORAIS. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE CONTRARRAZÕES
AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREJUÍZO. NULIDADE CONFIGURADA.

1. Ação ajuizada em 29/09/2015. Recurso especial concluso ao gabinete em 25/08/2016. Julgamento:


CPC/73.

2. O propósito recursal é definir i) se há nulidade processual, por cerceamento de defesa, tendo em


vista a ausência de intimação dos recorrentes para apresentarem contrarrazões ao agravo de
instrumento interposto pelos recorridos; e ii) se o benefício do prazo em dobro, previsto no art. 191 do
CPC/73, deve ser concedido às partes que, a despeito de possuírem procuradores distintos, oferecem
contestação em peça única.

3. A intimação da parte agravada para resposta é procedimento natural de preservação do princípio


do contraditório, nos termos do art. 527, V, do CPC/73. Sob este prisma, a dispensa do referido ato
processual ocorre tão somente quando o relator nega seguimento ao agravo (REsp 1.148.296/SP,
Corte Especial, DJe 28/09/2010).

4. A INTIMAÇÃO PARA A APRESENTAÇÃO DE CONTRARRAZÕES É CONDIÇÃO DE VALIDADE DA


DECISÃO QUE CAUSA PREJUÍZO À PARTE.

5. Na hipótese, o agravo de instrumento foi interposto pelos recorridos contra decisão que reconheceu a
intempestividade de sua peça contestatória, sendo que o provimento de seu recurso - e o consequente
reconhecimento da tempestividade da contestação - representou inegável prejuízo aos recorrentes, que
tiveram cerceado o seu direito ao contraditório.

6. Tendo em vista o reconhecimento da nulidade da decisão monocrática proferida, tem-se como


prejudicada a análise da questão relativa à tempestividade da contestação.

7. Recurso especial conhecido e provido.

(REsp 1653146/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/09/2017, DJe
14/09/2017)

No tocante as alegações dos recorridos, de que a recorrente teve ciência dos autos em 23/04/2018,
destaco que, após consultar a “aba” expedientes do PJE, constatei que esta ciência diz respeito a uma
petição dos recorrentes, no recurso principal, que informaram que o juízo de piso não havia cumprido a
determinação do Tribunal ad quem, mas não constam nos autos a ciência, por parte da VIVENDA –
ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E EMPRÉSTIMO EM LIQUIDAÇÃO, do decisum para apresentar as
contrarrazões recursais.

Desta forma, utilizando-me do Juízo de Retratação, previsto no art. 1.021, §2 do CPC/2015, torno sem
efeito a Decisão Monocrática prolatada às fls. 294/299, devendo os recorridos serem devidamente
intimados, para, no prazo legal, apresentarem contrarrazões recursais, e somente após a realização deste
ato processual, os presentes autos devem ser conclusos para o seu devido julgamento.

1. DA PETIÇÃO DOS RECORRENTES MARTA PEREIRA VILELA DE FIGUEIREDO e CELSO DE


FIGUEIREDO VILELA DE ANDRADE INFORMANDO QUE OS AUTOMÓVEIS ESTÃO
BLOQUEADOS JUDICIALMENTE:

Quanto a referida petição, passo a tecer algumas ponderações sobre os fatos que antecederam referido
pedido:

A decisão vergastada foi bem ampla, quando ao arresto dos bens dos executados, conforme passo a
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transcrever a seguir: “Nesse sentido, em observância aos princípios da Economia Processual, Efetividade
da Prestação Jurisdicional e Duração Razoável do Processo, procedo o arresto de bens dos executados,
até o limite da execução (R$ 114,491,55)”.

Quando da análise do pleito liminar, às fls. 259, recebi o presente recurso no efeito devolutivo e
suspensivo, no que tange ao bloqueio das contas correntes onde os recorrentes recebem os benefícios
previdenciários, bem como das contas poupanças que não excedam a quantia de 40 (quarenta) salários
mínimos, em respeito ao art. 833, inciso IV e X do CPC/2015.

Assim, apesar da decisão do juízo englobar todos os bens do executado, o decisum proferido por este
Desembargador englobou somente as quantias que estão depositadas nos Bancos, conforme verificado
em alhures.

Desta forma, tendo os recorrentes protocolizado petição informando que os automóveis encontram-se
bloqueados judicialmente, passo a realizar a devida análise, tendo em vista que ainda dizem respeito a
liminar requerida em sede recursal.

No caso, constato que o juízo da base utilizou como fundamente para o arresto dos bens o art. 830 do
CPC, segundo o qual “se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quanto
bastem para garantir a execução”. Ocorre que no presente caso, se trata de uma execução hipotecária,
existindo dispositivo próprio no CPC sobre isso, conforme alude o art. 835, § 3, ao dispor que “na
execução de crédito como garantia real, a penhora recairá sobre coisa dada em garantia, e, se a coisa
pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da penhora”.

Neste sentido, transcrevo precedente do C. STJ:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. NOMEAÇÃO DE BENS À PENHORA.


CRÉDITO GARANTIDO POR PENHOR. PREFERÊNCIA DO ART. 655, § 1º, DO CPC. RELATIVIDADE.
AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E RECUSA DO CREDOR. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ.

1. Inocorrência de maltrato ao art. 535 do CPC quando o acórdão recorrido, ainda que de forma sucinta,
aprecia com clareza as questões essenciais ao julgamento da lide, não estando o magistrado obrigado a
rebater, um a um, os argumentos deduzidos pelas partes.

2. "Na execução de crédito com garantia hipotecária, pignoratícia ou anticrética, a penhora recairá,
preferencialmente, sobre a coisa dada em garantia; se a coisa pertencer a terceiro garantidor, será
também esse intimado da penhora" (art. 655, § 1º, do CPC).

3. Relatividade da preferência indicada no art. 655, § 1º, do CPC.

Precedentes.

4. Hipótese em que a garantia pignoratícia consiste em debêntures de uma empresa falida, bem de difícil
liquidez.

5. Inviabilidade de se contrastar o entendimento do Tribunal de origem acerca da ausência de liquidez das


debêntures e da efetiva recusa do credor a sua penhora, em razão do óbice da Súmula 7/STJ.

6. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.

(REsp 1485790/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em
11/11/2014, DJe 17/11/2014)

Sobre referido tema, também destaco jurisprudência pátria, que alude especificamente sobre a penhora de
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

automóveis, antes da penhora do bem hipotecado:

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. AÇÃO DE EXECUÇÃO


HIPOTECÁRIA. PENHORA DE BEM DIVERSO DO HIPOTECADO. PREFERÊNCIA. - Tratando-se de
execução hipotecária, aplicável o disposto no art. 835, §3º, do CPC, pelo que a penhora de veículo
do devedor, antes do bem dado em garantia, violaria tal dispositivo. - Ademais, a própria parte
agravada concorda com o pedido da parte agravante, mas quando a penhorabilidade do próprio bem deve,
primeiro, ser decidido na origem, sob pena de supressão de instância. AGRAVO PROVIDO.

(Agravo de Instrumento, Nº 70083978130, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Gelson Rolim Stocker, Julgado em: 08-06-2020)

ASSIM, exerço o Juízo de Retratação previsto no art. 1.021, §2 do CPC/2015, para anular a decisão
monocrática proferida nos autos (fls. 294/299), determinando a intimação da recorrida, nas pessoas
dos causídicos GABRIEL COMESANHA PINHEIRO – OAB/PA n. 15.274; ROSINÉIA DANTAS DE
VASCONCELOS – OAB/PA n. 19.424; e FLÁVIA ALMEIDA DE SOUSA OLIVEIRA BRAGA – OAB/PA
n. 16.510 para apresentarem as contrarrazões recursais, no prazo legal, do Recurso de Agravo de
Instrumento.

Determino também o desbloqueio dos veículos que estejam em nome dos recorrentes, em respeito
ao art. 835, §3 do CPC, devendo o juízo de piso dar o efetivo cumprimento deste decisum.

À Secretaria, para os devidos fins, devendo oficiar o juízo de piso sobre a determinação
supramencionada.

Após a apresentação das devidas contrarrazões, conclusos para decisão do mérito recursal.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator

Número do processo: 0032036-84.2012.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: CINTHYA


GRASIELLE SOUTO DA ROCHA Participação: ADVOGADO Nome: CINTHYA GRASIELLE SOUTO DA
ROCHA OAB: 9882/PA Participação: APELADO Nome: DELTA PUBLICIDADE S A Participação:
ADVOGADO Nome: JORGE LUIZ BORBA COSTA OAB: 41 Participação: ADVOGADO Nome: KELLY
CRISTINA GARCIA SALGADO TEIXEIRA OAB: 10604/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

Faço público a quem interessar possa que, nos autos do processo de nº 0032036-84.2012.8.14.0301
foram opostos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, estando intimada, através deste ato, a parte interessada
para a apresentação de contrarrazões, em respeito ao disposto no §2º do artigo 1023 do novo Código de
Processo Civil. (ato ordinatório em conformidade com a Ata da 12ª Sessão Ordinária de 2016 da 5ª
Câmara Cível Isolada).
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Belém,(Pa), 18 de junho de 2020

Número do processo: 0806535-56.2016.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: MARCELO


MEDEIROS MACEDO Participação: ADVOGADO Nome: THIAGO FERREIRA DE LIMA SILVA OAB:
2285800A/PA Participação: ADVOGADO Nome: NATALIA VARELA CAON OAB: 3246800A/PE
Participação: APELADO Nome: Chefe do Setor de Concursos da FADESP Participação: APELADO Nome:
ESTADO DO PARÁ

PROCESSO Nº 0806535-56.2016.8.14.0301

ÓRGÃO JULGADOR: 2ª Turma de Direito Público

RECURSO: APELAÇÃO CÍVEL (198)

COMARCA: BELéM

APELANTE: MARCELO MEDEIROS MACEDO

Advogado(s) do reclamante: THIAGO FERREIRA DE LIMA SILVA, NATALIA VARELA CAON

APELADO: CHEFE DO SETOR DE CONCURSOS DA FADESP, ESTADO DO PARÁ


REPRESENTANTE: PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PARÁ, PROCURADORIA GERAL DO
ESTADO DO PARÁ

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

DESPACHO

Intime-se o recorrente, para manifestação de interesse no prosseguimento do feito.

Caso positivo, pronuncie-se acerca da possibilidade de conciliação, apresentando proposta a ser


submetida à parte contrária, no prazo de 15 (quinze) dias.

Após, independentemente de oferta de pacto, encaminhem-se os autos para manifestação da


Procuradoria Geral do Estado do Pará – PGE, através de sua Câmara de Conciliação, para manifestação
a respeito da possibilidade de conciliar, e, assim sendo, apresentar parâmetros da composição, no prazo
de 30 (trinta) dias.

ÀSecretaria para as providências cabíveis.

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

RELATOR
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0807548-18.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ESTADO DO PARÁ


Participação: AGRAVADO Nome: JOCILAURA MACIEL CAVALCANTE Participação: ADVOGADO Nome:
JOCILAURA MACIEL DE CAVALCANTE OAB: 22876/PA

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de pedido de efeito suspensivo em agravo de instrumento interposto pela ESTADO DO PARÁ,
contra decisão proferida pelo Juízo da Vara da Única de Terra que não acolheu a impugnação nos autos
de ação de execução de título judicial proposta por JOCILAURA MACIEL CAVALCANTE.

Em síntese, a agravada pleiteia que o Estado do Pará pague honorários advocatícios referentes a
processos em que atuou como defensora dativa.

O Estado do Pará apresentou impugnação que foi julgada improcedente.

O Juízo de primeiro grau proferiu decisão no seguinte sentido:

“Portanto, por entender justo o valor arbitrado, julgo improcedente a IMPUGNAÇÃO À EXECUÇÃO
ofertada pelo Estado do Pará estabelecendo como valor total de honorários a importância de R$
26.368,16, em favor da autora JOCILAURA MACIEL CAVALCANTE, sobre os quais incidem juros da
forma aplicável aos rendimentos da poupança (art. 12, inc. II, da Lei 8177/91), desde a citação, e correção
monetária pelo IPCAe, desde a data das audiências, tendo em conta a modulação dos efeitos das ADI´s
4357 e 4425, pelo STF, em 25/03/2015, e entendimento do STJ no REsp 1270439/PR.

32. Sem custas.

33. Honorários a serem pagos pelo réu, que fixo em 10% sobre o valor atualizado da causa.

34. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se.

Terra Santa-PA, 14 de junho de 2019.”

Em suas razões recursais o agravante aduz o seguinte: necessidade de concessão do efeito suspensivo;
inexistência de títulos a serem executados; incerteza do título judicial; sentença penal não arbitrou
honorários; omissão que deveria ser oportunamente sanada; ausência de citação do estado para
manifestação nos autos originais; impossibilidade de nomeação de defensor dativo; existência de
Defensoria Pública na região; não comprovação da intimação da Defensoria Pública do Estado para atuar
nos processos; não comprovação da situação de pobreza dos assistidos; necessidade de observância do
prazo de 120 dias para pagamento de RPV; incidente de arguição de inconstitucionalidade; autonomia dos
estados para legislar sobre RPV.

Ao final, o conhecimento e provimento do recurso de agravo de instrumento.

Em decisão interlocutória, o efeito suspensivo pretendido foi deferido, conforme documento de ID Num.
2228960 - Pág. 1/4.

A parte agravada apresentou contrarrazões pugnando pelo conhecimento e desprovimento do recurso.

O Ministério Público de 2º Grau deixou de opinar no feito por entender ausente o interesse público.

O agravante, Estado do Pará, peticionou nos autos informando a realização de acordo extrajudicial, razão
pela qual requereu sua homologação e extinção do processo com resolução de mérito, nos termos do art.
487, III, b do CPC, sendo ordenada a baixa do processo para o Juízo de Primeiro Grau, conforme
documento de ID Num. 3183800 - Pág. 1.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Éo relatório.

Decido.

Primeiramente destaco que a conciliação deve ser buscada em qualquer fase da marcha processual, bem
como que o magistrado deve zelar pela duração razoável do processo, conforme o disposto nos incisos II
e V do art. 139 do CPC, a seguir transcritos:

“Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:

(...)

II - velar pela duração razoável do processo;

V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores


e mediadores judiciais;”

Nesse compasso e tendo em vista a petição subscrita pelas partes, homologo os termos do acordo
formulado, conforme documento de ID Num. 3183801 - Pág. 1/2, a fim de que produza seus efeitos legais
e jurídicos, e julgo extinta com resolução de mérito a Ação de Execução de Título Judicial, nos termos do
art. 487, III, alínea ‘b’ do CPC/2015, reconhecendo, por consequência, prejudicado o presente recurso.

Baixem os autos ao Juízo de origem para expedição de RPV nos termos da legislação vigente.

Certificado o trânsito em julgado, arquivem-se os autos, dando-se baixa na distribuição.

Servirá a presente decisão como mandado/oficio nos termos da Portaria 3731/2015 – GP.

Belém (PA), 16 de junho de 2020.

DESEMBARGADORA EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora

Número do processo: 0015761-24.2006.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome:


SUPERINTENDENCIA EXECUTIVA DE MOBILIDADE URBANA DE BELEM Participação: APELADO
Nome: JOSE EDUARDO BRANCHES SOARES Participação: ADVOGADO Nome: MARTA DO
SOCORRO DE FARIAS BARRIGA OAB: 7156/PA

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ

2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO – REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO CÍVEL Nº 0015761-


24.2006.8.14.0301

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

APELANTE: SUPERINTENDÊNCIA EXECUTIVA DE MOBILIDADE URBANA DE BELÉM - SEMOB


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ADVOGADO: SAMIR COSTA DEMACKI (OAB/PA 18.851)

APELADO: JOSÉ EDUARDO BRANCHES SOARES

ADVOGADA: MARTA DO SOCORRO FARIAS BARRIGA (OAB/PA 7.156)

EMENTA

APELAÇÃO CÍVEL. REMESSA NECESSÁRIA. TRANSPORTE IRREGULAR DE PASSAGEIROS.


CABIMENTO APENAS DE PENALIDADE DE MULTA E MEDIDA ADMINISTRATIVA DE RETENÇÃO DO
VEÍCULO. APREENSÃO INDEVIDA POR INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NO CTB. RECURSO
CONTRÁRIO À SÚMULA Nº 510 DO STJ, DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.144.810/MG SOB O RITO
DOS RECURSOS REPETITIVOS E JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE NESTE TJPA. AUSÊNCIA DE
CONTRARIEDADE À DECISÃO PROFERIDA NA ACP Nº 2005.1.016950-8 - TJPA. RECURSO NÃO
PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA EM REMESSA NECESSÁRIA.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de apelação cível interposta pela Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém –
SEMOB (CTBEL, à época da sentença) em face da sentença proferida pelo juízo da 2ª Vara da Fazenda
da Capital que julgou parcialmente procedente a ação de anulação de ato administrativo c/c pedido de
antecipação de tutela proposta por José Eduardo Branches Soares.

Confirmando a tutela antecipada (Num. 1316015 - Pág. 1-2), a sentença combatida (Num. 1316019 - Pág.
1-2) determinou a restituição do veículo do apelado livre do pagamento de encargos, salvo a multa pelo
transporte clandestino, determinando sua cobrança por ocasião do licenciamento do veículo.

Irresignada, a SEMOB interpôs a presente apelação (ID Num. Num. 1316020 - Pág. 2-8) alegando a
impossibilidade de julgamento monocrático do presente recurso, bem como a contrariedade da sentença
vergastada com a decisão que determinou a apreensão de todos os veículos que estivessem
transportando passageiros irregularmente (ação civil pública nº 2005.1.016950-8).

Justifica que a conduta de retenção do veículo adotada pelo órgão de trânsito ocorreu, portanto, em estrita
observância à decisão judicial transitada em julgado, cuja inobservância geraria sanções inclusive de
ordem criminal.

Requer, ao final, o provimento recursal para reforma da sentença com a declaração de improcedência do
pedido.

Recurso recebido apenas no efeito devolutivo (IDs Num. 1316024 - Pág. 2 e Num. 1332536 - Pág. 1).
Decorreu in albis o prazo para apresentação de contrarrazões pelo apelado (ID Num. 1316024 - Pág. 3).

Regularmente distribuído, coube-me a relatoria do feito.

O Ministério Público manifestou-se pelo conhecimento e improvimento recursal (Num. 1787916 - Pág. 1-4).

Éo relatório. Decido monocraticamente.

Presentes os pressupostos recursais, conheço da apelação. No mérito, entretanto, não merece


provimento, visto que a sentença recorrida está ancorada no ordenamento jurídico vigente e na
jurisprudência sedimentada acerca da temática.

O cerne da presente ação é a penalidade cabível em virtude da prática de infração de transporte


clandestino de bens e pessoas. Acerca do tema, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) assim dispõe:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

“Art. 231. Transitar com o veículo:

VIII - efetuando transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for licenciado para esse fim,
salvo casos de força maior ou com permissão da autoridade competente:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo;”

A infração de transporte clandestino de bens e pessoas é caracterizada como média, aplicando-se ao


infrator a penalidade de multa e, como medida administrativa, a retenção do veículo até que se resolva a
irregularidade, a qual não deve ser confundida com a penalidade de apreensão, que somente deve ser
aplicada nas hipóteses em que a legislação prevê tal punição para a infração cometida.

Portanto, a retenção é medida administrativa pela qual o agente de trânsito impede que o veículo seja
liberado até que a situação de irregularidade seja sanada, ocasião em que o veículo será restituído ao seu
proprietário independentemente do pagamento de multas e despesas com remoção e estadia por ausência
de cominação legal, segundo sedimentado pelo STJ no julgamento do REsp 1.144.810/MG sob o rito dos
recursos repetitivos e que continua sendo aplicado pela recente jurisprudência do Tribunal Superior:

ADMINISTRATIVO. TRANSPORTE RODOVIÁRIO INTERESTADUAL DE PASSAGEIROS.


IRREGULARIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA. APREENSÃO DO
VEÍCULO. LIBERAÇÃO CONDICIONADA AO PAGAMENTO DAS DESPESAS DE TRANSBORDO.
IMPOSSIBILIDADE.

1. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firmada no REsp 1.144.810/MG, submetido


ao rito do art. 543-C do CPC/1973, afigura-se ilegal o condicionamento da liberação do automóvel ao
prévio pagamento de multas e despesas com transbordo, com fulcro no art. 231, VIII, do CTB, por
ausência de previsão legal.

2. O transporte de passageiros, sem a devida autorização, configura infração de trânsito que impõe
somente a pena de multa e, como medida administrativa, a mera retenção do veículo até que se resolva a
irregularidade, e não a sua apreensão, que abrange o recolhimento do bem ao depósito do órgão de
trânsito (ex vi do art. 262, § 2º, do CTB). Entendimento consolidado na Súmula 510 do STJ.

3. Encontrando-se o acórdão recorrido em harmonia com o entendimento desta Corte de Justiça, impõe-se
a incidência da Súmula 83 do STJ.

4. Recurso Especial não provido.

(REsp 1750606/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe
27/11/2018)

Referido entendimento culminou na edição do enunciado da súmula nº 510 do STJ, que assim dispõe: “A
liberação de veículo retido apenas por transporte irregular de passageiros não está condicionada ao
pagamento de multas e despesas. (Súmula 510, PRIMEIRA SEÇÃO, julgada em 26/03/2014, DJe
31/03/2014).

Desse modo, na hipótese ora em analise, em se tratando de infração de trânsito em que a lei não prevê
penalidade de apreensão, mas simples medida administrativa de retenção, é ilegal e arbitrária a
apreensão do veículo, assim como o condicionamento da respectiva liberação ao pagamento de multas e
de despesas.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Ademais, não merece acolhimento a alegação recursal de que a sentença ora atacada contraria decisão
interlocutória proferida na ação civil pública nº 2005.1.016950-8 (processo CNJ nº 0005495-
20.2005.8.14.0301), a qual foi sentenciada em 10/01/2006 julgando procedente o pedido inicial para
declarar a “ilegalidade do transporte de passageiros em veículos como vans, peruas ou kombis e similares
no município de Belém, Estado do Pará, determinando-se que a requerida proceda a efetiva fiscalização,
coibindo a prática da atividade irregular e clandestina de passageiros”, sem, contudo, determinar a
apreensão de veículos.

Referida decisão fora confirmada em apelação pelo Acórdão nº 110.565 da 2ª Câmara Cível Isolada deste
TJPA, o qual transitou em julgado.

Assim, resta claro que a determinação judicial na referida ACP foi no sentido de que órgão de controle ora
apelante proceda a efetiva fiscalização dos veículos visando coibir a prática da atividade irregular e
clandestina de passageiros, em observância ao CTB.

Não há autorização, portanto, para atuação arbitrária de aplicação de penalidade não prevista no CTB ou
outro diploma legal, ou seja, as decisões trazidas pelo apelante não legitimam a indevido ato de apreensão
perpetrado, razão pela qual a sentença merece ser mantida.

Este é o entendimento que vem sendo aplicado por esta Corte, senão vejamos:

“APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO ORDINÁRIA DE ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. APREENSÃO


DE VEÍCULO. TRANSPORTE REMUNERADO DE PASSAGEIRO SEM AUTORIZAÇÃO DO ÓRGÃO
COMPETENTE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. RECURSO CONHECIDO E
IMPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME.

1. A infração de trânsito consubstanciada no transporte remunerado de passageiros, sem a devida licença


do órgão competente, é considerada como de natureza média, apenada somente com multa e, como
medida administrativa, a simples retenção. Inteligência do artigo 231, VIII, do CTB.

2. Assim, em se tratando de infração de trânsito em que a lei não comina, em abstrato, penalidade de
apreensão, mas simples medida administrativa de retenção, mostra-se ilegal e arbitrária a constrição do
veículo objeto da lide por ausência de amparo legal. Precedente STJ.

3. Apelo conhecido e improvido. À unanimidade.”

(TJPA, 0022518-37.2008.8.14.0301, Ac. 192.789, Rel. ROBERTO GONCALVES DE MOURA, Órgão


Julgador 1ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO, Julgado em 2018-05-28, Publicado em 2018-06-25)

***

APELAÇÃO CÍVEL. ADMINISTRATIVO. TRANSPORTE IRREGULAR DE PASSAGEIROS. VEÍCULO


APREENDIDO. NÃO CABIMENTO. PENALIDADE DE RETENÇÃO E PAGAMENTO DE MULTA -
LIBERAÇÃO NÃO CONDICIONADA AO PAGAMENTO DE OUTROS ENCARGOS. ENTENDIMENTO
FIRMADO PELO STJ POR MEIO DE RECURSO REPETITIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
REDUÇÃO. POSSIBILIDADE.

1- A sentença ilíquida proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município e as respectivas
autarquias e fundações de direito público está sujeita ao duplo grau de jurisdição;

2- Nos termos do art. 231, VIII, do CTB, em caso de transporte irregular de passageiros, é aplicável a
medida administrativa de retenção e o pagamento de multa; sendo, portanto, arbitrária e ilegal a
apreensão do veículo.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

3- O STJ firmou entendimento, em julgamento de recursos repetitivos, no sentido de que é aplicável a


pena de retenção do veículo, com liberação sem condicionamento ao pagamento da multa e despesas;
(...)

5- Reexame necessário e recurso de apelação conhecidos. Apelação desprovida; em reexame, sentença


alterada nos termos da fundamentação.

(TJPA, 0025313-30.2008.8.14.0301, Ac. 178.721, Rel. CELIA REGINA DE LIMA PINHEIRO, Órgão
Julgador 1ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO, Julgado em 2017-07-24, Publicado em 2017-08-02)

Ante o exposto, com fulcro no que dispõe o art. 932, incisos IV, “a” e “b” e VIII do CPC/2015 c/c art. 133,
XI, “a”, “b” e “d”, do RITJPA, nos termos da súmula nº 510 e do acórdão proferido do REsp 1144810/MG
sob o rito dos recursos repetitivos, ambos do STJ, conheço e nego provimento à apelação, e, em sede
de remessa necessária, mantenho a sentença reexaminada.

Após o decurso do prazo recursal sem qualquer manifestação, certifique-se o trânsito em julgado e dê-se a
baixa no sistema LIBRA com a consequente remessa dos autos ao juízo de origem.

P.R.I.C.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

Desa. LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

Relatora

Número do processo: 0026121-20.2013.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: GERALDO DE


OLIVEIRA FURTADO Participação: ADVOGADO Nome: NATALIN DE MELO FERREIRA OAB: 5468
Participação: APELADO Nome: BANCO ITAUCARD S.A. Participação: ADVOGADO Nome: EGBERTO
HERNANDES BLANCO OAB: 457 Participação: ADVOGADO Nome: CARLA CRISTINA LOPES
SCORTECCI OAB: 25727/PA

EMENTA:

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE JUROS REMUNERATÓRIOS E C/C REPETIÇÃO DE


INDÉBITO, INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. SENTENÇA JULGOU
IMPROCEDENTES OS PEDIDOS POR CONSIDERAR QUE A ABUSIVIDADE DE CLÁUSULAS NÃO
PODE SER CONHECIDA DE OFÍCIO, CONFORME SÚMULA 381/STJ, DEVENDO O AUTOR INDICAR
QUAIS CLÁUSULAS JULGA ABUSIVAS DE MANEIRA ESPECÍFICA E QUE DISSABORES DO
COTIDIANO, DECORRENTES DAS RELAÇÕES CONTRATUAIS NÃO SÃO CAPAZES DE GERAR
DANO MORAL. DECISÃO CORRETA. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE CLÁUSULAS ABUSIVAS;
APLICABILIDADE DO CDC; EXISTÊNCIA DE COMISSÃO DE PERMANÊNCIA; JUROS
REMUNERATÓRIOS ACIMA DA TAXA MÉDIA DO MERCADO; EXISTÊNCIA DE DANO MORAL;
MULTA MORATÓRIA ACIMA DE 2%. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. APELANTES NÃO
INDICOU QUAIS CLÁUSULAS ENTENDE ABUSIVAS E NEM QUAL PERCENTUAL DE JUROS DEVE
SER APLICADO.

I- Da analise do contrato juntado, verifico a existência de multa moratória de 2% e não acima deste
percentual como alega o apelante (verifica-se no ponto 18.2) e não há previsão de comissão de
permanência (ID 1868468 - Pág. 16), portanto não prosperam tais alegações do apelante quanto a esses
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

pontos.

II- Quanto aos juros remuneratórios, o apelante alega estarem acima da média do mercado, sem, no
entanto, indicar qual percentual deve ser aplicado, argumentando genericamente e apresentando
conceitos, jurisprudência e artigos sem associa-los ao caso concreto.

Da mesma forma ocorre com as cláusulas consideradas abusivas pelo apelante, cláusulas essas que não
foram apontadas.

III- A revisão contratual com inversão do ônus da prova é plenamente possível, desde que a parte autora
indique especificamente quais cláusulas entende como abusivas, tal entendimento decorre diretamente da
Súmula 381/STJ. Assim, não se aceita a revisão de ofício das cláusulas contratuais.

IV – Quanto aos pedidos indenizatórios por danos morais e materiais, considerando que não restou
comprovada qualquer ilegalidade no contrato, também não devem prosperar.

V - Recurso CONHECIDO E DESPROVIDO, mantendo a sentença atacada em todos os seus aspectos.

Número do processo: 0804240-37.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: PETROLEO SABBA


SA Participação: ADVOGADO Nome: REYNALDO ANDRADE DA SILVEIRA OAB: 1746/PA Participação:
ADVOGADO Nome: ANTONIO ARAUJO DE OLIVEIRA JUNIOR OAB: 4279 Participação: ADVOGADO
Nome: ARTHUR VICTOR SA LIMA OAB: 29572/PA Participação: AGRAVADO Nome: JOSE JAIR DE
SOUZA Participação: AGRAVADO Nome: ANDREA FREITAS DA SILVA Participação: AGRAVADO
Nome: POSTO SAO DOMINGOS LTDA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
AGRAVO DE INSTRUMENTO (202):0804240-37.2020.8.14.0000
AGRAVANTE: PETROLEO SABBA SA
Nome: PETROLEO SABBA SA
Endereço: Avenida Alcindo Cacela, - de 1320/1321 a 2035/2036, Nazaré, BELéM - PA - CEP: 66040-020
Advogado: ARTHUR VICTOR SA LIMA OAB: PA29572 Endereço: desconhecido Advogado: ANTONIO
ARAUJO DE OLIVEIRA JUNIOR OAB: 4279-A Endereço: Avenida Alcindo Cacela, - de 1320/1321 a
2035/2036, Nazaré, BELéM - PA - CEP: 66040-020 Advogado: REYNALDO ANDRADE DA SILVEIRA
OAB: PA1746-A Endereço: Avenida Alcindo Cacela, - de 1320/1321 a 2035/2036, Nazaré, BELéM - PA -
CEP: 66040-020
AGRAVADO: JOSE JAIR DE SOUZA, ANDREA FREITAS DA SILVA, POSTO SAO DOMINGOS LTDA
Nome: JOSE JAIR DE SOUZA
Endereço: Rua Diogo Móia, - até 1157 - lado ímpar, Umarizal, BELéM - PA - CEP: 66055-170
Nome: ANDREA FREITAS DA SILVA
Endereço: Rua João Balbi, - até 814/815, Nazaré, BELéM - PA - CEP: 66055-280
Nome: POSTO SAO DOMINGOS LTDA
Endereço: Avenida Governador José Malcher, - de 1209/1210 a 1770/1771, Nazaré, BELéM - PA - CEP:
66060-230
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Agravo de Instrumento com pedido de efeito suspensivo e tutela antecipada recursal
interposto por PETRÓLEO SABBÁ S.A (Num. 3036588- Pág.1/13), contra decisão proferida pela 13ª Vara
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Cível e Empresarial da Comarca de Belém-PA, nos autos da AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C.C
ABSTENÇÃO DE USO DE MARCA E COBRANÇA DE MULTA COM PEDIDO DE TUTELA DE
URGÊNCIA (processo eletrônico nº 0826473-32.2019.814.0301), ajuizado pelo agravante em face de
POSTO SÃO DOMINGOS LTDA, JOSÉ JAIR DE SOUZA e ANDREA FREITAS DA SILVA, que
determinou que o agravante adequasse o valor da causa, entendeu pela existência de conexão da
demanda principal e a ação nº 0827917-03.2019.814.0301 e indeferiu o pedido de tutela de urgência.
Desta decisão foram opostos embargos de declaração, os quais foram conhecidos e não providos pelo
juízo a quo.

Em despacho de Num. 3094950-Pág.1/2, verifiquei a irregularidade na representação da parte e


determinei a intimação do agravante para que, no prazo de 5 (cinco) dias, sanasse o vício apontado no
referido despacho, especificamente, para que juntasse aos autos a correta cadeia de substabelecimentos
que outorgaram poderes válidos aos advogado que assinou o presente recurso, sob pena de não
conhecimento.

O agravante juntou aos autos novo substabelecimento, datado de 03/06/2020 e com assinatura da
outorgante digitalizada (Num. 3205986-Pág.1/2)

Éo relatório.

DECIDO.

Primeiramente, para melhor elucidação do presente caso, cumpre fazer um breve histórico dos fatos do
presente caso.

Em juízo de admissibilidade, ao analisar a cadeia de procurações e substabelecimentos, a fim de verificar


a regularidade de representação da agravante, verifiquei que consta, nos autos, procuração pública em
que figura como outorgante a agravante, através de seus diretores, conferindo poderes para, dentre
outros, a advogada Maria Cristina de Araújo Carvalho Ferreira (Num. 3036589-Pág.1/2).

A referida advogada, por sua vez, substabeleceu os poderes, com reserva de poderes, para, dentre
outros, o advogado Pedro Bentes Neto. Verifiquei que este substabelecimento contém cláusula expressa
de vedação para a realização de outros novos substabelecimentos (Num. 3036589-Pág.3/5):

“Éestritamente vedado o substabelecimento do presente instrumento, no todo ou em parte, com ou sem


reservas de poderes”.

Ou seja, os substabelecidos não detinham poderes para substabelecer os poderes recebidos.

Acontece que, o presente recurso fora assinado pelo advogado Arthur Victor Sá Lima, o qual recebeu
poderes para representar a agravante justamente através de substabelecimento assinado pelo advogado
Pedro Bentes Neto. Substabelecimento este que era proibido, conforme vedação expressa acima
transcrita.

Dessa maneira, proferi despacho determinando que o agravante saneasse o referido vício e juntasse aos
autos a correta cadeia de substabelecimentos que outorgaram poderes válidos ao advogado signatário do
presente recurso, no prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de seu não conhecimento do recurso (Num.
3094950-Pág.1/2).

Pois bem.

O presente recurso fora proposto em 06/05/2020, pelo advogado Arthur Victor Sá Lima, utilizando
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

substabelecimento inválido outorgado pelo Advogado Pedro Bentes Netos, tendo em vista a expressa
vedação para substabelecer os poderes recebidos da Advogada Maria Cristina de Araújo Ferreira.

Diante disso, é de se inferir que o advogado Arthur Victor Sá Lima não detinha poderes de representação
do agravante em juízo quando da interposição do presente instrumento.

Assim sendo, em cumprimento ao despacho de Num. 3094950, o agravante juntou aos autos novo
substabelecimento, este datado de 03/06/2020, que contem assinatura digitalizada da advogada Maria
Cristina de Araújo Carvalho Ferreira (Num. 3205986-Pág.1/2)

Portanto, conclui-se que o novo substabelecimento juntado aos autos pelo agravante, a fim de sanear o
vício, fora emitido em data posterior a interposição do presente recurso.

Destaco, todavia, que o substabelecimento de poderes não opera efeitos retroativos, de modo que possa
ensejar a regularidade da representação processual do agravante quando da interposição do presente
recurso.

Nesse sentido, segue o entendimento jurisprudencial em casos análogos:

“AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSO CIVIL. APELO NÃO CONHECIDO.


IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL NO ATO DE INTERPOSIÇÃO DO
RECURSO. VÍCIO NÃO SANADO PELO RECORRENTE. RECURSO INADMISSÍVEL. APLICAÇÃO DO
ART. 76, § 2.º, I DO CPC. DECISÃO MANTIDA.

I- A ausência de demonstração da regularidade na representação processual do recorrente, no ato de


interposição do recurso, importa o não conhecimento do mesmo, em caso de o vício não ser
sanado, consoante inteligência do art. 76, § 2.º, I do CPC/15;

II- In casu, ao apresentar procuração e substabelecimento atualizados, o recorrente não logrou


êxito em demonstrar a representação processual válida ao tempo da interposição nem da ratificação
do recurso, tendo em vista que os poderes lhe foram outorgados posteriormente à data de tais atos,
além de que o causídico deixou de ratificar os atos praticados anteriormente ao substabelecimento que lhe
conferiu poderes; Agravo Interno desprovido”. (TJ-AM 00010089720188040000 AM 0001008-
97.2018.8.04.0000, Relator: Paulo César Caminha e Lima, Data de Julgamento: 04/06/2018, Primeira
Câmara Cível) (grifo nosso)”

“AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS BANCÁRIOS. APELAÇÃO ASSINADA


DIGITALMENTE POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. INTIMAÇÃO PARA SANAR
IRREGULARIDADE. APRESENTAÇÃO DE SUBSTABELECIMENTO COM DATA POSTERIOR AO
PROTOCOLO DO RECURSO. INADMISSIBILIDADE. NOVO SUBSTABELECIMENTO JUNTADO NO
AGRAVO REGIMENTAL. INADMISSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.

1. O substabelecimento assinado em data posterior à interposição do recurso não convalida a


irregularidade na representação processual, pois produz efeitos tão somente a partir de sua
outorga, não retroagindo à período anterior à assunção dos poderes ad judicia e especiais.

2. A juntada de documentos no agravo regimental não supre a respectiva apresentação em momento


oportuno, em razão da perfectibilização da preclusão consumativa. 3. Agravo Regimental desprovido”. (TJ-
AC 00166962720118010001 AC 0016696-27.2011.8.01.0001, Relator: Júnior Alberto, Data de
Julgamento: 22/09/2014, Segunda Câmara Cível, Data de Publicação: 27/09/2014).”

(GRIFO NOSSO)
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“DECISÃO

(...)

Verifica-se que o recurso de Apelação foi interposto em 10/08/2017 pelo advogado Renato de Souza
Pinto, OAB/AM 8.794, enquanto que o substabelecimento apresentado, que lhe conferiu poderes, é datado
de 03/11/2017, portanto posterior ao protocolo da Apelação, i. é, não ficou demonstrado que à
época do protocolo o referido causídico dispunha de poderes para atuar pela recorrente.

(...)

Pelo exposto, com fundamento no art. 76, § 2.º, I c/c 932, III, ambos do CPC/15, não conheço do
recurso, em razão da irregularidade de representação da parte."

(TJ-AM - APL: 06001290920168040001 AM 0600129-09.2016.8.04.0001, Relator: Paulo César Caminha e


Lima, Data de Julgamento: 09/11/2017, Primeira Câmara Cível, Data de Publicação: 10/11/2017).”

(GRIFO NOSSO)

Ademais, independente disso, ressalto que a assinatura constante no novo substabelecimento juntado aos
autos no Num. 3205986-Pág.1/2, a fim de regularizar a representação, é mera cópia de assinatura
digitalizada da outorgante. Ressalto que assinatura digitalizada é diversa de assinatura eletrônica, eis que
na digitalizada não se tem a certeza necessária de que realmente a assinatura fora feita pelo outorgante,
não sendo, portanto, válida.

Nesse sentido, cito os seguintes entendimentos jurisprudenciais:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RECURSO SUBSCRITO POR ADVOGADO COM PODERES


OUTORGADOS POR MEIO DE PROCURAÇÃO COM ASSINATURA DIGITALIZADA. PRAZO PARA
REGULARIZAR REPRESENTAÇÃO CONCEDIDO. NÃO ATENDIMENTO. REQUISITO NECESSÁRIO À
SEGURANÇA JURÍDICA. INVALIDADE DO ATO. RECURSO INADMISSÍVEL. DECISÃO
MONOCRÁTICA. HIPÓTESE DO ART. 557, CPC/73. PRECEDENTES DO STJ. NÃO CONHECIMENTO
DO APELO. (TJPB - ACÓRDÃO/DECISÃO do Processo Nº 01241600320128152001, - Não possui -,
Relator DES. MARCOS CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE , j. em 02-08-2018)

(grifo nosso)

PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. RECURSO SUBSCRITO POR PROCURADORA SEM


H A B ILITAÇÃO V ÁLIDA. S UBS TABEL E CI ME NT O CO M AS S I NAT URA DI G I T AL I Z A D A .
IMPOSSIBILIDADE. INTIMAÇÃO PARA SANAR IRREGULARIDADE PROCESSUAL (ART. 932,
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC). INÉRCIA. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DE VALIDADE DO APELO.
RECURSO INADMISSÍVEL. APLICAÇÃO DO ART. 76, § 2º, INCISO I, DO CPC. NÃO CONHECIMENTO.
1. Ao analisar o apelo, verifiquei que a advogada subscrevente apresentou substabelecimento com
assinatura digitalizada da substabelecente, o que é inadmissível, e determinei a intimação da
apelante, através da sua advogada, para sanar o vício de representação processual. Todavia, a parte a
apresentou outro substabelecimento nos mesmos moldes. 2. Assim sendo, vê-se que o vício não foi
sanado e que, conseguinte, o apelo não pode ser conhecido nos termos do art. 76, § 2º, inciso I, do
CPC. Precedentes do STJ (TJPB - ACÓRDÃO/DECISÃO do Processo Nº 00008648620128150531, -
Não possui -, Relator DES. JOSE AURELIO DA CRUZ , j. em 16-05-2016)

(grifo nosso)
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Dessa forma, constatado que, mesmo após ter sido oferecido prazo ao agravante para sanar a
irregularidade na representação processual, e esta não ter sido sanada, é imperioso o não conhecimento
do presente recurso, nos moldes do art. 76, §2º, I do CPC.

Ante o exposto, com fundamento no art. 76, §2º, I c/c art. 932, III, ambos do CPC, NÃO CONHEÇO DO
PRESENTE RECURSO, em razão da sua inadmissibilidade.

Comunique-se ao Juízo a quo a presente decisão.

Após o trânsito em julgado desta decisão, dê-se baixa na distribuição deste Relator e associe-se ao
processo eletrônico principal.

Belém-PA, data registrada no sistema.

JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR

DESEMBARGADOR- RELATOR

Número do processo: 0010987-16.1996.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: BANPARÁ


Participação: APELADO Nome: CONCEICAO FERNANDES CORDEIRO Participação: APELADO Nome:
ADALBERTO JORGE DE MORAIS RODRIGUES Participação: APELADO Nome: MARIO DOMINGOS
CANELAS ALMEIDA Participação: APELADO Nome: BELEMCAR RENT A CAR LTDA

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

APELAÇÃO CÍVEL N. 0010987-16.1996.8.14.0301.

COMARCA: BELÉM/PA.

APELANTE: BANCO BANPARÁ S/A.

ADVOGADO: HELGA OLIVEIRA DA COSTA - OAB/PA N. 12.975.

APELADO: BELEMCAR RENT A CAR.

ADVOGADO: NÃO CONSTA.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXECUÇÃO. EXTINÇÃO DO PROCESSO NA FORMA DO


ART. 267, II, DO CPC. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por BANCO BANPARÁ S/A, nos autos da Ação de Execução
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proposta contra BELEMCAR RENT A CAR, diante do inconformismo com a sentença proferida pelo Juiz
de Direito da 1ª Vara de Fazenda de Belém/PA, que julgou extinto o processo sem resolução do
mérito, com base no art. 267, II, do CPC/73.

Razões recursais no evento Num. 2319773 - Pág. 2, aduzindo que não houve intimação pessoa do
apelante conforme determina o §1º, do art. 267, do CPC/1073.

Sem contrarrazões.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Sem delongas o presente recurso merece ser acolhido.

Éque, conforme preceitua o §1º, do art. 267, do CPC “O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e III, o
arquivamento dos autos, declarando a extinção do processo, se a parte, intimada pessoalmente, não
suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas” (grifei).

No caso dos autos, observa-se que não houve a intimação pessoal do autor.

Neste sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESPEJO. ALUGUÉIS


VENCIDOS E DEMAIS DESPESAS. CONDENAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXTINÇÃO.
ABANDONO DA CAUSA. POSSIBILIDADE. 1. Nos termos do art. 267, III, § 1º, do CPC/1973, o
abandono da causa por mais de 30 (trinta) dias implica a extinção do processo se o exequente,
pessoalmente intimado para promover os atos e diligências que lhe competir, permanecer inerte.
(...) (AgInt no REsp 1457324/MG, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 28/03/2017, DJe 04/04/2017)

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. REQUISITOS


DE VALIDADE DA CDA. NULIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. EXTINÇÃO DO PROCESSO. ABANDONO DE CAUSA. ART. 267, III,
DO CPC. INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE. NECESSIDADE. (...) O abandono da causa pelo autor
pressupõe a demonstração do ânimo de abandonar o processo, comprovado quando, intimado
pessoalmente, não se manifestar quanto ao interesse em prosseguir no feito, circunstância que
não ocorreu no caso dos autos. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1387858/RS, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013)

PROCESSO CIVIL. EXTINÇÃO DO PROCESSO POR MAIS DE TRINTA DIAS PELO ART. 267, III, § 1º,
DO CPC. INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE. NECESSIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO E PROVIDO. 1.- Nos termos do art. 267, III, do CPC, o abandono da causa pelo autor
pressupõe a demonstração inequívoca do ânimo de abandonar o processo exteriorizado pela
inércia manifesto situação que, processualmente, apenas, se configura quando, intimado
pessoalmente, permanece o autor silente quanto ao intento de prosseguir no feito, circunstância que
não se revela na espécie dos autos, visto que não intimada pessoalmente a autora, não sendo possível
presumir o desinteresse ante o fato de haver antes requerido a suspensão do processo para informar o
endereço do réu. Precedentes do STJ. 2.- Recurso Especial provido. (REsp 1137125/RJ, Rel. Ministro
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/10/2011, DJe 27/10/2011)

RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. EXTINÇÃO POR ABANDONO. ARTIGO 267, INCISO III, DO
CPC. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça
firmou-se no sentido de ser imprescindível à extinção do feito, a intimação pessoal do autor, procedendo-
se à intimação por edital, quando desconhecido o endereço. A extinção do processo por abandono do
autor pressupõe o ânimo inequívoco, ante a inércia manifestada quando intimado pessoalmente,
permanece ele silente quanto ao intento de prosseguir no feito, o que não se deu no caso dos
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autos. 2. O Tribunal Regional entendeu que, tendo o juízo singular oportunizado a emenda à inicial,
deferindo prazo de 30 dias para que a CEF informasse o endereço atualizado do requerido, não teria
havido manifestação da recorrente, razão porque correta estaria a extinção do feito sem julgamento de
mérito, não obstante a ausência de intimação pessoal. 3. Recurso especial provido. (REsp 1148785/RS,
Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/11/2010, DJe
02/12/2010)

ASSIM, com fundamento no art. 932, do CPC c/c art. 133, XII, letra “b”, do RITJ/PA, CONHEÇO e DOU
PROVIMENTO ao presente recurso de apelação, no sentido de anular a sentença de primeiro grau que
julgou extinto o processo sem resolução do mérito, determinando, por conseguinte, o retorno dos autos ao
juízo de origem para o seu regular processamento.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, encaminhem-se os autos ao juízo a quo.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator

Número do processo: 0006777-55.2016.8.14.0040 Participação: APELANTE Nome: EMILIO SILVA


LOPES Participação: ADVOGADO Nome: AMANDA MARRA SALDANHA OAB: 158 Participação:
APELADO Nome: BANCO HONDA S/A. Participação: ADVOGADO Nome: JULIANO JOSE HIPOLITI
OAB: 11513/MS

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO.

APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0006777-55.2016.814.0040.


COMARCA: PARAUAPEBAS / PA.

APELANTE: EMÍLIO SILVA LOPES.

ADVOGADO: AMANDA MARRA SALDANHA - OAB/PA nº 15.158.

APELADO: BANCO HONDA S/A.

ADVOGADO: JULIANO JOSÉ HIPOLITI - OAB/MS nº 11.513.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS


JUROS. TAXA DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO DUODÉCUPLO DA MENSAL. POSSIBILIDADE DE
SUA COBRANÇA NO CASO CONCRETO. PRECEDENTES DO STJ. JUROS REMUNERATÓRIOS.
TAXA MENSAL QUE FOI 9,4% SUPERIOR A TAXA MÉDIA DIVULGADA PELO BACEN. SITUAÇÃO
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QUE NÃO HABILITA, POR SI SÓ, A ALTERAÇÃO DA TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS.


AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE E ONEROSIDADE EXCESSIVA. PRECEDENTE DO STJ. COMISSÃO
DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM DEMAIS ENCARGOS PREVISTOS
PARA O PERÍODO DE ANORMALIDADE (INADIMPLEMENTO). PRECEDENTE DO STJ.
SUCUMBÊNCIA MÍNIMA DO RÉU. MANUTENÇÃO DO ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. REFORMA
PARCIAL DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça por EMÍLIO SILVA
LOPES, nos autos da Ação Revisional movida em desfavor do BANCO HONDA S/A, diante de seu
inconformismo com a sentença proferida pelo juízo da 3ª Vara Cível de Parauapebas, que julgou
improcedente todos os pedidos elencados na exordial.

Razões às fls. ID 2066518 - pág. 01/21, onde o Recorrente sustenta, em síntese, a impossibilidade de
capitalização dos juros, a cobrança de juros remuneratórios abusivos, a impossibilidade de cobrança da
comissão de permanência cumulada com os demais encargos previstos para o período de inadimplemento
contratual e, ao final, a repetição do indébito.

Contrarrazões apresentada às fls. ID 2066519 - Pág. 01/20, tendo o Recorrido pleiteado, em suma, pelo
desprovimento do recurso.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

1. Da capitalização mensal dos juros.

Sobre o tema, destaco que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado quanto a
aplicabilidade da medida provisória nº 2.170-36/2001 aos contratos firmados com as instituições
financeiras, conforme preconiza a sua súmula nº 539: “É permitida a capitalização de juros com
periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro
Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que
expressamente pactuada.”

No caso em particular, verifico a existência de previsão expressa acerca da possibilidade da


capitalização dos juros, bem como de que o contrato de financiamento foi celebrado no mês de
fevereiro/2014, ou seja, em data posterior a edição da Medida Provisória nº 1.963-17/2000.

Por conseguinte, destaco recente precedente do Superior Tribunal de Justiça acerca do anatocismo (AgRg
no AREsp 429029 / PR, Relator Ministro MARCO BUZZI, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/03/2016,
publicado no DJe em 18/04/2016), sedimentando o entendimento no âmbito da Segunda Seção do
Tribunal da Cidadania – que trata especificamente sobre matéria de direito privado -, onde o Digníssimo
Relator consignou o seguinte: “A existência de uma norma permissiva, portanto, é requisito
necessário e imprescindível para a cobrança do encargo, porém não suficiente/bastante, haja vista
estar sempre atrelado ao expresso ajuste entre as partes contratantes, principalmente em virtude
dos princípios da liberdade de contratar, da boa-fé e da adequada informação”

Complementando, assim destacou o Min. Marco Buzzi:

“Não é demais anotar, também, que o conceito que se tem sobre o que seja considerado ‘expressa
pactuação’ foi novamente redimensionado. No bojo do REsp n. 973.827/RS, representativo da
controvérsia, Relatora para o acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 8/8/2012,
DJe 24/9/2012, afirmou-se que ‘a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao
duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada’...

Pois bem, após o panorama traçado, é inegável que a capitalização, seja em periodicidade anual ou
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ainda com incidência inferior à ânua - cuja necessidade de pactuação, aliás, é firme na jurisprudência
desta Casa -, não pode ser cobrada sem que tenham as partes contratantes, de forma prévia e
tomando por base os princípios basilares dos contratos em geral, assim acordado, pois a ninguém
será dado negar o caráter essencial da vontade como elemento do negócio jurídico, ainda que nos
contratos de adesão, uma vez que a ciência prévia dos encargos estipulados decorre da aplicação dos
princípios afetos ao dirigismo contratual.

De fato, sendo pacífico o entendimento de que a capitalização inferior à anual depende de


pactuação, outra não pode ser a conclusão em relação àquela em periodicidade ânua, sob pena de
ser a única modalidade (periodicidade) do encargo a incidir de maneira automática no sistema financeiro,
embora inexistente qualquer determinação legal nesse sentido, pois o artigo 591 do Código Civil apenas
permite a capitalização anual e não determina a sua incidência automaticamente”

Com efeito, verifico que ao tempo da perfectibilização do ajuste contratual entre os litigantes, já vigoravam
as disposições da MP nº 2.170-36, bem como de que as provas dos autos permitem inferir que o pacto
fez previsão expressa acerca da capitalização dos juros, pois às fls. ID 2066515 - pág. 40, é possível
observar a previsão de taxa efetiva anual de juros (26,31%) superior ao duodécuplo da mensal (1,97%).
Logo, deve permanecer inalterado o entendimento sufragado pelo juiz de base, no tocante a possibilidade
de capitalização dos juros.

Nesse diapasão, assim vem se manifestando a mais recente jurisprudência do C. STJ:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIMITAÇÃO DOS JUROS. REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ.
CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. LEGALIDADE. PACTUAÇÃO EXPRESSA. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA. PREVISÃO CONTRATUAL. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO.
INADMISSIBILIDADE. JUROS DE MORA. 1% AO MÊS. DECISÃO MANTIDA.

3. "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa
e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp n. 973827/RS, Relatora
para o acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 8/8/2012 DJe
24/9/2012). Precedente representativo da controvérsia (art. 543-C do CPC/1973).

(AgRg no AREsp 586987 / RS, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, publicado no DJe
30/05/2016)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL EXPRESSAMENTE PACTUADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA.
AGRAVO DESPROVIDO.

2. A eg. Segunda Seção do STJ, em sede de julgamento de recurso especial representativo da


controvérsia, firmou tese no sentido de que: (a) "É permitida a capitalização de juros com periodicidade
inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n.
1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada"; e (b) "A
capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e
clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp 973.827/RS, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO,
julgado em 08/08/2012, DJe de 24/09/2012).

(AgRg no AREsp 798151 / MS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em 27/05/2016)

2. Dos juros remuneratórios.


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Sobre o tema, o Recorrente sustenta que a taxa mensal cobrada superou em muito a taxa média prevista
para contratações de mesma natureza (contrato de financiamento de veículo).

Nos termos do documento de fls. ID 2066515 - pág. 40, verifica-se de forma incontroversa que a taxa
mensal de juros cobrada pelo Apelado correspondeu ao importe de 1,97% a.m. Isto posto, considerando
que o contrato foi firmado no mês de fevereiro/2014, bem como se tratou de financiamento de veículo,
verifico que consoante os dados divulgados pelo Banco Central do Brasil – BACEN
(https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consu ltarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores),
a taxa média mensal cobrada para operações desta natureza era de 1,80% a.m.

Dessarte, ainda que a taxa mensal de juros remuneratórios previstos no contrato tenha sido superior a
média aferida pelo BACEN, é fato que a superioridade da taxa contratual representou um percentual de
apenas 9,4%, razão por que a particularidade do caso não implica afirmar que houve abusividade ou
onerosidade excessiva do consumidor. Vale dizer, ainda, que o C. STJ possui entendimento tranquilo no
sentido de que a revisão da taxa contratual dos juros não pode ser feita a partir da simples aferição de
superioridade da taxa contratual comparada com a taxa média de mercado, pois, para tanto, faz-se
imprescindível a ocorrência de uma desvantagem exagerada, o que no caso, claramente, não ocorreu.
Neste sentido, confira-se:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO


BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. INAPLICÁVEL LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO. JUROS DE
MORA. PERCENTUAL CONTRATADO EM 1% AO MÊS. POSSIBILIDADE.
REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. AGRAVO DESPROVIDO.

1. A taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira acima da taxa média do
mercado não induz, por si só, à conclusão de tratar-se de cobrança abusiva. Precedentes. Assim,
ante a ausência de comprovação cabal da cobrança abusiva, deve ser mantida, in casu, a taxa de juros
remuneratórios acordada.

(STJ - AgRg no AREsp 591826 / RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em
17/03/2016)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE


CLÁUSULAS DE CONTRATO BANCÁRIO. INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. JUROS
REMUNERATÓRIOS. CONFIGURAÇÃO DA MORA. JUROS MORATÓRIOS.
INSCRIÇÃO/MANUTENÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. DISPOSIÇÕES DE OFÍCIO.
DELIMITAÇÃO DO JULGAMENTO

I - JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE CARACTERIZAM A MULTIPLICIDADE.


ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação
dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) A
estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São
inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art.
406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações
excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de
colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente
demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto.

(STJ - REsp 1061530 / RS - S2 - SEGUNDA SEÇÃO -, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe
10/03/2009)

“A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma
vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes
Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de
20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da
média.”
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(STJ - REsp 1061530 / RS - S2 - SEGUNDA SEÇÃO -, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe
10/03/2009)

Dessarte, deve permanecer inalterada a taxa de juros remuneratórios previstos no contrato entabulado
entre os litigantes.

3. Da cobrança de comissão de permanência.

Sobre a cobrança de comissão de permanência, consigno que o C. STJ vem entendendo por refutar a
possibilidade de sua cumulação com os demais encargos incidentes durante o período inadimplência.
Neste sentido, confira-se:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. REAJUSTE.


VARIAÇÃO CAMBIAL. RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA DA CAPTAÇÃO. COMPROVAÇÃO
ESPECÍFICA. DESNECESSIDADE. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE
CUMULAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.

4. É válida a cláusula contratual que prevê a cobrança da comissão de permanência, calculada pela taxa
média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, de acordo com a espécie da operação, tendo
como limite máximo o percentual contratado, sendo admitida apenas no período de inadimplência, desde
que pactuada e não cumulada com os encargos da normalidade (juros remuneratórios e correção
monetária) e/ou com os encargos moratórios (juros moratórios e multa contratual).

(REsp 1217057 / TO, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, publicado no DJe em
26/04/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. BANCÁRIO.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL. PACTUADA. CONTRATO POSTERIOR À MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.170-
36/2001. POSSIBILIDADE DA COBRANÇA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. COBRANÇA CUMULADA.
ENCARGOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.

2. É possível a cobrança de comissão de permanência durante o período de inadimplemento contratual, à


taxa média dos juros de mercado, limitada ao percentual fixado no contrato (Súmula nº 294 do STJ),
desde que não cumulada com a correção monetária (Súmula nº 30 do STJ), com os juros
remuneratórios (Súmula nº 296 do STJ) e moratórios e multa contratual (REsp n. 1.058.114/RS, recurso
representativo de controvérsia, Relator p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda
Seção, julgado em 12/8/2009, DJe 16/11/2010).

(AgRg no AREsp 765304 / RS, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, publicado no DJe 15/02/2016)

Isso posto, assiste razão ao Recorrente quando afirma sobre impossibilidade da cumulação da comissão
de permanência com os demais encargos previstos para o período de anormalidade. Ademais, constato
que nos termos da cláusula nº 3.6 do contrato (fls. ID 2066515 - Pág. 41/42), de fato ocorreu a indevida
cobrança de comissão de permanência com os demais encargos previstos especificamente para o período
de anormalidade.

Dessarte, entendo que o Recorrente faz jus a devolução de valores, na forma simples, concernentes ao
quantum efetivamente pago a título de comissão de permanência.

4. Da conclusão.

ASSIM, ante todo o exposto, CONHEÇO E DOU PARCIAL PROVIMENTO ao apelo interposto, somente
para:
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a) consignar acerca da impossibilidade de cobrança cumulada, durante o período de


anormalidade, da comissão de permanência com os demais encargos previstos para o mesmo
período;

b) imputar ao Réu a obrigação de devolver, na forma simples, os valores concernentes ao


quantum efetivamente pago pelo Autor a título de comissão de permanência, devendo a apuração
dos valores ocorrer em sede de liquidação.

Por via de consequência, considerando a sucumbência mínima do Réu, mantenho, nos moldes
estabelecidos na sentença, o ônus de sucumbência fixado, integralmente, em desfavor do Autor,
com fulcro no art. 86, parágrafo único do CPC/2015.

P P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0377291-50.2016.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: MANOEL MARIA


GARCIA DE LEMOS Participação: ADVOGADO Nome: FERNANDA DA COSTA SILVA CUNHA OAB:
23416/PA Participação: APELANTE Nome: IRES MARIA CARDOSO MAGALHAES Participação:
ADVOGADO Nome: FERNANDA DA COSTA SILVA CUNHA OAB: 23416/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
APELAÇÃO CÍVEL (198):0377291-50.2016.8.14.0301
APELANTE: MANOEL MARIA GARCIA DE LEMOS, IRES MARIA CARDOSO MAGALHAES
Nome: MANOEL MARIA GARCIA DE LEMOS
Endereço: AV. PEDRO ALVARES CABRAL. PASS. BROTINHO, Nº 20, ESQUINA COM A PASS. BOM
FUTURO, Telégrafo Sem Fio, BELéM - PA - CEP: 66113-440
Nome: IRES MARIA CARDOSO MAGALHAES
Endereço: Av. Pedro Alvares Cabral, Passagem Brotinho, 20, esquina com Passagem Bom Futuro,
Telégrafo Sem Fio, BELéM - PA - CEP: 66113-440
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Apelação Cível interposta por M.M.G.D.L. e I.M.C.M. (processo nº 0377291-


50.2016.8.14.0301 – autos virtuais), contra sentença proferida pelo Juízo da 5ª Vara de Família da
Comarca da Capital, nos autos da Ação de Divórcio Consensual (processo nº 0377291-
50.2016.8.14.0301 – autos físicos), que atendendo ao pedido de desistência da ação apresentado pelas
partes, extinguiu o feito sem resolução do mérito, nos termos do artigo 485, VIII do CPC, condenando os
desistentes ao pagamento das custas processuais – Núm. 1474244.

Alegam os recorrentes que não podem arcar com as despesas judiciais , sem prejuízo do seu próprio
sustento bem como o de sua família, e que o valor dos bens amealhados na constância da união conjugal
sofreram considerada valorização, que não reflete a condição econômica atual dos apelantes.

Pleiteiam a concessão da gratuidade na esfera recursal e no mérito, que seja o apelo julgo totalmente
procedente, no sentido de conceder ajustiça gratuita aos apelantes para que não sejam condenados ao
pagamento de custas.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Éo breve relatório.

DECIDO.

Existentes elementos que evidenciam o preenchimento dos pressupostos legais para a concessão da
justiça gratuita aos autores, defiro a gratuidade de justiça, no âmbito recursal, destacando que a
presente concessão não retroage para alcançar encargos processuais anteriores. Cito:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. 1.


DESERÇÃO DO RECURSO ESPECIAL AFIRMADA PELA CORTE DE ORIGEM. PEDIDO DE
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA. PRODUÇÃO DE
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA 7/STJ. 2. INAPLICABILIDADE DO
ENTENDIMENTO FIRMADO NO AGRG NOS ERESP 1.222.355/MG. 3. INÉRCIA DA RECORRENTE EM
ATENDER O CHAMADO PARA A REALIZAÇÃO DO PREPARO. DESERÇÃO CONFIGURADA. 4.
IRRETROATIVIDADE DA CONCESSÃO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. 5. AGRAVO
IMPROVIDO. 1. Na hipótese em análise, o Tribunal local, tomando por base os documentos existentes nos
autos, concluiu que a parte não faria jus ao benefício de assistência judiciária gratuita. Assim, o recurso
especial foi inadmitido na origem por ser deserto. 1.1. Pretensão de revisar as conclusões da instância de
origem passa pelo reexame de fatos e provas, o que é inviável em tema de recurso especial, nos termos
do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. 2. Não sendo o pedido de assistência judiciária gratuita o mérito do
recurso especial, não se aplica à espécie o seguinte entendimento: "é desnecessário o preparo do recurso
cujo mérito discute o próprio direito ao benefício da assistência judiciária gratuita. Não há lógica em se
exigir que o recorrente primeiro recolha o que afirma não poder pagar para só depois a Corte decidir se faz
jus ou não ao benefício" (AgRg nos EREsp 1.222.355/MG, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte Especial,
julgado em 4/11/2015, DJe 25/11/2015). Precedentes. 3. Por diversas vezes, o Tribunal local, após rejeitar
os inúmeros pedidos de gratuidade de justiça, abriu prazo para que a parte insurgente efetuasse o
preparo. Contudo, a recorrente quedou-se inerte, razão pela qual a pena de deserção é medida de rigor. 4.
Não assiste à insurgente o direito à realização de novo pedido de assistência judiciária gratuita perante o
STJ, uma vez que a concessão de benesse não tem efeito retroativo, logo não isenta a parte do
recolhimento do preparo até que o seu pedido seja deferido. 5. Agravo interno improvido. (STJ - AgInt no
AREsp: 983952 RJ 2016/0244004-0, Relator: Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Data de Julgamento:
23/05/2017, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/06/2017).

O recurso comporta julgamento imediato, na forma do art. 932, III do CPC/2015, eis que é
manifestamente inadmissível, face o não preenchimento do requisito de admissibilidade recursal do seu
cabimento.

Analisando os autos, verifico que o juízo ‘a quo’, em 06/07/2016, entendendo haver elementos nos autos
que evidenciavam a falta dos pressupostos legais para a gratuidade, concedeu o prazo de 05 (cinco) dias
para que os autores comprovassem fazer jus ao beneficio da gratuidade (Num. 1474237 – Pág. 1).

Apresentada manifestação pelos autores (Num. 1474238), a magistrada, em 09/08/2016, indeferiu a


gratuidade, determinando prazo para recolhimentos das custas (ID 1474239, p.1).

Em ato contínuo, os autores informaram a interposição de agravo de instrumento contra a decisão que
negou a gratuidade (Num. 1474241 - Pág. 10), ao qual foi negado provimento por meio de decisão
monocrática do Relator, Desembargador Roberto Gonçalves de Moura - Núm. 1474241 - Pág.17/22, em
face da qual não há noticia nos autos de interposição de agravo interno.

Note-se que, por meio do presente recurso de apelação buscam alcançar a isenção das custas
processuais iniciais, matéria que já foi objeto no julgamento do agravo de instrumento nº 0010732-
20.2016.814.0000, e que portanto, resta alcançada pela preclusão consumativa, descabendo
o reavivamento do debate em recurso de apelação, sob pena infringência ao princípio da
unirrecorribilidade,
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Quanto a proibição de rediscussão de matéria e ao referido princípio, o art. 507 do CPC/2015, assim
estabelece:

Évedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a
preclusão

Nessa esteira, o que a recorrente pretende é discutir matéria que já foi objeto de recurso anterior,
qual seja, o agravo de instrumento, o que demonstra de forma cristalina a falta de pressuposto de
admissibilidade, por manifesta preclusão consumativa.
Ante o exposto, NÃO CONHEÇO da Apelação Cível, por ser inadmissível, nos termos do art. 932, III, do
CPC/2015, em razão da preclusão da matéria.

Diante a não comprovação do pagamento das custas iniciais, apurados pela UNAJ no ID 1474240 - Pág.
1, intimem-se os apelantes a recolhê-las, ficando desde já autorizado seu parcelamento em quatro vezes.
Caso não as recolham, certifique-se e oficie-se a SEPLAN para as providências de seu mister.

Após o trânsito em julgado desta decisão, certifique-se e arquive-se, dando-se baixa na distribuição deste
Relator.

Belém (PA), data registrada no sistema.

JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR

DESEMBARGADOR- RELATOR

Número do processo: 0809687-40.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: BANCO


BRADESCO SA Participação: AGRAVADO Nome: MARIA ALICE XIMENES SOUSA

PODER JUDICÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

No uso de suas atribuições legais, a UPJ das Turmas de Direito Público e Privado intima o Agravante a
recolher as custas no prazo de 5 (cinco) dias, para a renovação da intimação do agravado, conforme
determinado pela Exma. Desa. ID 3217941 a teor do art. 23 da Lei de Custas do Estado do Pará (Lei
Estadual n° 8.328/2015).

Belém, 19 de junho de 2020

Número do processo: 0008032-84.2007.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: SAFRA LEASING SA


ARRENDAMENTO MERCANTIL Participação: ADVOGADO Nome: CARLOS ALBERTO GUEDES FERRO
E SILVA OAB: 1076/PA Participação: ADVOGADO Nome: MICHEL FERRO E SILVA OAB: 61
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Participação: ADVOGADO Nome: IVANILDO RODRIGUES DA GAMA JUNIOR OAB: 8525/PA


Participação: ADVOGADO Nome: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES OAB: 15201/PA
Participação: APELADO Nome: W & E COMERCIO E TRANSPORTES DE FRIOS LTDA - ME

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO.

APELAÇÃO CÍVEL N.º 0008032-84.2007.8.14.0301.

COMARCA: BELÉM / PA.

APELANTE: BANCO SAFRA S/A.

ADVOGADO: NELSON WILLIANS FRATONI RODRIGUES - OAB/PA nº 15.201.

APELADO: W & E COMERCIO E TRANSPORTES DE FRIOS LTDA - ME.

ADVOGADO: NÃO CONSTA.

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. EXTINÇÃO DO PROCESSO


NA FORMA DO ART. 485, III DO CPC. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL. PROVIDÊNCIA DO
§ 1º ART. 485 DO CPC NÃO CUMPRIDA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por BANCO SAFRA S/A, nos autos da Ação de Execução de
Reintegração de Posse proposta contra W & E COMERCIO E TRANSPORTES DE FRIOS LTDA - ME,
diante do inconformismo com a sentença proferida pelo Juiz de Direito da 8ª Vara Cível e Empresarial de
Belém/PA, que julgou extinto o processo sem resolução do mérito, com base no art. 485, inc. II e III,
do CPC/15.

Razões recursais aduzindo que a parte autora não foi intimada pessoalmente consoante determina o art.
485, § 1º do CPC/2015.

Sem contrarrazões.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Sem delongas o presente recurso merece ser acolhido.

Compulsando os autos verifico que, de fato, não houve a intimação pessoal da parte autora nos termos o
§1º, do art. 485, do CPC/2015, sendo realizada apenas intimação via diário de justiça eletrônico,
consoante se vê nos eventos Num. 2363226 - Pág. 2.

Neste sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça desde o antigo CPC/1973, quanto ao art.
267, III, § 1º, cujo texto foi mantido no atual código, apenas alterando o prazo de cumprimento da ordem,
in verbis:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESPEJO. ALUGUÉIS


VENCIDOS E DEMAIS DESPESAS. CONDENAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXTINÇÃO.
ABANDONO DA CAUSA. POSSIBILIDADE. 1. Nos termos do art. 267, III, § 1º, do CPC/1973, o
abandono da causa por mais de 30 (trinta) dias implica a extinção do processo se o exequente,
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pessoalmente intimado para promover os atos e diligências que lhe competir, permanecer inerte.
(...) (AgInt no REsp 1457324/MG, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 28/03/2017, DJe 04/04/2017)

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. REQUISITOS


DE VALIDADE DA CDA. NULIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. EXTINÇÃO DO PROCESSO. ABANDONO DE CAUSA. ART. 267, III,
DO CPC. INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE. NECESSIDADE. (...) O abandono da causa pelo autor
pressupõe a demonstração do ânimo de abandonar o processo, comprovado quando, intimado
pessoalmente, não se manifestar quanto ao interesse em prosseguir no feito, circunstância que
não ocorreu no caso dos autos. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1387858/RS, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013)

PROCESSO CIVIL. EXTINÇÃO DO PROCESSO POR MAIS DE TRINTA DIAS PELO ART. 267, III, § 1º,
DO CPC. INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE. NECESSIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO E PROVIDO. 1.- Nos termos do art. 267, III, do CPC, o abandono da causa pelo autor
pressupõe a demonstração inequívoca do ânimo de abandonar o processo exteriorizado pela
inércia manifesto situação que, processualmente, apenas, se configura quando, intimado
pessoalmente, permanece o autor silente quanto ao intento de prosseguir no feito, circunstância que
não se revela na espécie dos autos, visto que não intimada pessoalmente a autora, não sendo possível
presumir o desinteresse ante o fato de haver antes requerido a suspensão do processo para informar o
endereço do réu. Precedentes do STJ. 2.- Recurso Especial provido. (REsp 1137125/RJ, Rel. Ministro
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/10/2011, DJe 27/10/2011)

RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. EXTINÇÃO POR ABANDONO. ARTIGO 267, INCISO III, DO
CPC. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça
firmou-se no sentido de ser imprescindível à extinção do feito, a intimação pessoal do autor, procedendo-
se à intimação por edital, quando desconhecido o endereço. A extinção do processo por abandono do
autor pressupõe o ânimo inequívoco, ante a inércia manifestada quando intimado pessoalmente,
permanece ele silente quanto ao intento de prosseguir no feito, o que não se deu no caso dos
autos. 2. O Tribunal Regional entendeu que, tendo o juízo singular oportunizado a emenda à inicial,
deferindo prazo de 30 dias para que a CEF informasse o endereço atualizado do requerido, não teria
havido manifestação da recorrente, razão porque correta estaria a extinção do feito sem julgamento de
mérito, não obstante a ausência de intimação pessoal. 3. Recurso especial provido. (REsp 1148785/RS,
Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/11/2010, DJe
02/12/2010)

ASSIM, com fundamento no art. 932, do CPC c/c art. 133, XII, letra “b”, do RITJ/PA, CONHEÇO e DOU
PROVIMENTO ao presente recurso de apelação, no sentido de anular a sentença de primeiro grau que
julgou extinto o processo sem resolução do mérito, determinando, por conseguinte, o retorno dos autos ao
juízo de origem para o seu regular processamento.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, encaminhem-se os autos ao juízo a quo.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator
99
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0010282-67.2013.8.14.0005 Participação: APELANTE Nome: HELIECIO NUNES


DE MOURA Participação: ADVOGADO Nome: DENNIS SILVA CAMPOS OAB: 15811/PA Participação:
APELADO Nome: ESTADO DO PARA

SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

PROCESSO Nº: 0010282-67.2013.8.14.0005

APELANTE: HELIECIO NUNES DE MOURA

APELADO: ESTADO DO PARÁ

PROC. DE JUSTIÇA: DRA. MARIZA MACHADO DA SILVA LIMA

RELATOR: DES. DIRACY NUNES ALVES

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por HELIECIO NUNES DE MOURA, em face da sentença
prolatada pelo MM Juízo da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Altamira, nos autos da Ação
Ordinária ajuizada contra o ESTADO DO PARÁ, para pagamento dos valores retroativos do auxílio
fardamento, a qual foi julgada improcedente por ausência de provas de não ter recebido o auxílio,
bem como os gastos com fardamento, ID 923002.

Inconformado, o autor/apelante, interpôs o presente recurso de apelação, alegando: Ser necessário


deferimento de inversão do ônus da prova uma vez que a outra parte possui o monopólio da informação,
tornando a situação mais onerosa a parte autora/apelante. Por fim, requereu reforma da sentença
proferida pelo juízo a quo a fim de que o Estado do Pará fosse condenado ao pagamento de auxílio
fardamento, ID 923003.

No ID 923004, constam as contrarrazões do ESTADO DO PARÁ, defendendo o acerto da sentença, a


comprovação de licitação para aquisição de uniformes, no período de 2005 a 2010; ausência de legislação
que garanta o pagamento retroativo do auxílio fardamento, e, a existência do Termo de Compromisso
lavrado em 2012, no qual ficou firmado o pagamento de auxilio fardamento, a cada seis meses,
começando no primeiro semestre de 2012. Por fim, requer o conhecimento e improvimento do recurso.

Uma vez distribuídos neste Egrégio Tribunal de Justiça, coube-me a relatoria do feito. Ato Contínuo, fiz
remessa ao Douto Parquet, para manifestação, ID 924856.

Ao retornarem do órgão Ministerial, passam a constar dos mesmos, a manifestação de ID 959517, pela
falta de interesse público, a ensejar a intervenção daquele órgão.

É O RELATÓRIO

DECIDO

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço e recebo o presente recurso.

Estudando os autos na forma que merece observo que, o cerne da questão está no fato de que o
apelante busca o reconhecimento de seu direito ao recebimento do auxílio fardamento, retroativo ao ano
de 2012.

Pois bem, examinemos a legislação acerca da matéria.


100
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

A Lei n.º 4.491/73, mais especificamente em seus artigos 78 e seguintes, prevê o direito ao recebimento
do uniforme, ou a auxílio para aquisição destes, na forma da lei. Assim vejamos.

Art. 78 - O aluno da Escola de Formação de Oficiais e praças de graduação inferior a terceiro (3°)
sargento, têm direito, por conta do Estado, ao uniforme, roupa branca e de cama, de acordo com as
tabelas de distribuição fixadas pelo Comando Geral da Polícia Militar.

Art. 79 - O policial militar ao ser declarado Aspirante a Oficial, ou promovido a terceiro (3°)
sargento, faz jus a um auxílio para aquisição de uniforme no valor de três (3) vezes o soldo de sua

graduação.

Parágrafo Único - Idêntico direito assiste aos oficiais nomeados e aos que ingressarem nos
quadros da PMPA no posto de segundo (2°) tenente.

Art. 80 - Ao Oficial, subtenente e sargentos PM, que o requerer quando promovidos, será
concedido um auxílio correspondente ao valor de um (1) soldo do novo posto ou graduação para

aquisição de uniforme.

§1° - A concessão prevista neste artigo será feita mediante despacho em requerimento do policial-militar
ao seu Comandante.

§ 2° - O auxílio referido neste artigo poderá ser requerido novamente se o policial-militar


permanecer mais de 4 (quatro) anos no mesmo posto ou graduação.

Art. 81 - O policial-militar que perder seu uniforme em qualquer sinistro havido em Organização
policial-militar ou militar ou em viagens a serviço, receberá um auxílio correspondente ao valor de
até três (3) vezes o valor do soldo de seu posto ou graduação.

Parágrafo Único - Ao Comandante do policial-militar prejudicado, por comunicação deste, cabe


providenciar sindicância e em solução determinação, se for o caso, o valor desse auxílio em função dos
prejuízos sofridos.

Contudo, este direito foi convertido em pecúnia a partir do ano de 2012, após a assinatura, em janeiro de
2012, de um Termo de Compromisso entre o Estado e categoria, que a época estava de greve, no qual
ficou registrado o pagamento, em pecúnia, do auxilio fardamento, semestralmente.

Deste modo, alega o apelante que, antes da ocorrência da celebração deste Termo de
Compromisso, não recebeu o denominado auxílio.

Contudo, não foi possível verificar nos autos qualquer prova da falta de fornecimento do
fardamento pelo Estado ou mesmo a comprovação de gastos com a compra do uniforme,
considerando que somente apresentou alguns recibos sem data e sem valor fiscal, ID 922995, fls.
23/23 e id 9222996, fls. 01/03.

De modo contrário, o Estado do Pará, conforme se depreende da documentação acostada,


trouxe aos autos a comprovação de que nos anos de 2005 a 2010 realizou diversos processos
licitatórios para a aquisição de uniformes, sendo consequência lógica, que seria para o fardamento
a toda a sua corporação, ID 922999.

Assim sendo, entendo que o recorrente deixou de obter sucesso em se desincumbir do ônus trazido pelo
art. 373, I, do CPC/2015, aplicável ao caso em comento, pois cabe a ele o ônus de provar os fatos do
direito que pretende que seja reconhecido por este Poder.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Corroborando com o entendimento desta decisão, colaciono julgados deste Egrégio Tribunal de Justiça.

EMENTA: APELAÇO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA PARA PAGAMENTO DOS VALORES RETROATIVOS
DO AUXÍLIO FARDAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FALTA DE FORNECIMENTO DO
FARDAMENTO PELO ESTADO OU MESMO A COMPROVAÇÃO DE GASTOS PELO AUTOR COM A
COMPRA DO UNIFORME, QUE SUSTENTE A SUA PRETENSÃO. PRECEDENTES. RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO. I – Analisando a legislação atinente à matéria, qual seja a Lei n.º4.491/73,
mais especificamente em seus artigos 78 e seguintes, é possível concluir que o policial militar faz jus ao
recebimento do uniforme ou a Auxílio fardamento, com destino a suprir os gastos com a compra deste,
entretanto, esse direito somente foi convertido em pecúnia a partir do ano de 2012. II – Não foi possível
verificar nos autos qualquer prova da falta de fornecimento do fardamento pelo Estado ou mesmo a
comprovação de gastos pelo Autor com a compra do uniforme, que sustentaria sua pretensão. III –
Apelante que não logrou êxito em se desincumbir do ônus trazido pelo art. 373, I do CPC/2015. IV –
Apelação conhecida e improvida. (2729067, 2729067, Rel. ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA,
Órgão Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2020-01-27, Publicado em 2020-02-12)
APELAÇÃO CÍVEL.

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. COBRANÇA DE AUXÍLIO


FARDAMENTO. ANALISANDO A LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA, QUAL SEJA A LEI N.º4.491/73,
MAS ESPECIFICAMENTE EM SEUS ARTIGOS 78 E SEGUINTES, É POSSÍVEL CONCLUIR QUE O
POLICIAL MILITAR FAZ JUS AO RECEBIMENTO DO UNIFORME OU A AUXÍLIO FARDAMENTO, COM
DESTINO A SUPRIR OS GASTOS COM A COMPRA DESTE. OCORRE QUE O ESTADO DO PARÁ
TROUXE AOS AUTOS A COMPROVAÇÃO DE QUE NOS ANOS DE 2005 A 2010 REALIZOU
DIVERSOS PROCESSOS LICITATÓRIOS PARA A AQUISIÇÃO DE UNIFORMES PARA FORNECER
FARDAMENTO A TODA A SUA CORPORAÇÃO. EM SENTIDO CONTRÁRIO, NÃO HÁ NOS AUTOS
QUALQUER PROVA DA FALTA DE FORNECIMENTO DO FARDAMENTO PELO ESTADO OU MESMO
A COMPROVAÇÃO DE GASTOS PELO AUTOR COM A COMPRA DO UNIFORME, QUE SUSTENTE A
SUA PRETENSÃO. DESTE MODO, O APELANTE NÃO LOGROU ÊXITO EM SE DESINCUMBIR DO
ÔNUS DO ART.373, I DO CPC. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
ACÓRDÃO Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores componentes da 1ª Turma de
Direito Público, por unanimidade de votos, CONHECER DO RECURSO E NEGAR-LHE PROVIMENTO,
tudo nos termos relatados pela Desembargadora Relatora. Belém (PA), 10 de dezembro de 2019.
Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN Relatora (2551116, 2551116, Rel. EZILDA PASTANA
MUTRAN, Órgão Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2019-12-02, Publicado em 2019-12-
10).

Diante do exposto: De forma monocrática, na forma do permissivo no art 133, do R.I deste Egrégio
Tribunal de Justiça, julgo o recurso conhecido e improvido, para manter a sentença em todos os seus
termos.

Belém, 18 de JUNHO de 2020

Desa. Diracy Nunes Alves

Relatora

Número do processo: 0803607-26.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ADMINISTRADORA


DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA Participação: ADVOGADO Nome: AMANDIO FERREIRA
TERESO JUNIOR OAB: 16837/PA Participação: AGRAVADO Nome: KAYLANY MOREIRA ARAUJO

AGRAVO DE INSTRUMENTO N°:0803607-26.2020.814.0000


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO.

AGRAVANTE: ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO NACIONAL HONDA LTDA.

ADVOGADO: Amandio Ferreira Tereso Junior - OAB/PA 16837-A e outra.

AGRAVADO: KAYLANY MOREIRA ARAÚJO

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES.

DECISÃO

Analisando o recurso interposto, verifico desde logo, que estão presentes os pressupostos de
admissibilidade, razão pela qual passo a apreciá-lo.

O agravante insurge-se contra a decisão do Juízo da Vara Cível de Novo Progresso que nos autos da
ação de busca e apreensão (Processo n.º 0800137-30.2020.8.14.0115), determinou a juntada do contrato
original do título que embasa a ação, conforme transcrição a seguir:

“Assim, conforme o art. 321 da Lei nº 13.105/2015, intime-se a parte autora para que, no prazo de 15
(quinze) dias, sob pena de indeferimento, emende a petição inicial, nos seguintes termos:

a) Apresente o original do título que embasa a ação, para depósito em secretaria, com petição física,
identificada com o número do presente processo, a data da sua distribuição e número do presente evento,
peticionando eletronicamente nos autos com a prova do protocolo nesta unidade judiciária.

b) Sendo o caso de busca e apreensão, indique o fiel depositário residente e domiciliado neste município,
inclusive informando seu endereço. Após, venham os autos conclusos para análise da inicial. Novo
Progresso/PA, 30 de março de 2020TAINÁ MONTEIRO DA COSTAJuíza de Direito. Titular da Vara Cível
de Novo Progresso/PA

A recorrente afirma em seu recurso que todos os requisitos para a concessão da liminar foram observados
na data da propositura da ação, não havendo óbice ao deferimento da liminar.

Sustenta que estão presentes todos os argumentos para a concessão da tutela, quais sejam, prova
inequívoca e verossimilhança da alegação. Roga, a concessão de efeito ativo para deferimento da liminar
pleiteada, em decisão final, o provimento do agravo de instrumento.

Alega, em suas razões, que é impossível juntar o contrato original, pois a avença foi assinada digitalmente,
logo, não há o contrato na sua forma física, na medida em que as partes firmaram o negócio jurídico
mediante assinatura digital, a qual se mostra totalmente eficaz e não invalida o contrato original; lembra
que a Medida Provisória 2.002-2, de 24 de agosto de 2001, instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileiras, disciplinando a assinatura eletrônica e garantindo efetividade e validade jurídica aos
documentos eletrônicos.

Pois bem, em juízo sumário de cognição, verifico ausentes os requisitos do artigo 300, do CPC, aptos a
concessão do efeito ativo.

Dispõe o citado dispositivo legal que “a tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo”.

No caso em apreço, não vislumbro a existência da probabilidade do provimento do recurso. Isso porque o
Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência impondo a obrigação de anexar a via original do contrato
para instruir ação de busca e apreensão. Eis a ementa:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO - DETERMINAÇÃO DE EMENDA À INICIAL


A FIM DE QUE FOSSE APRESENTADO O TÍTULO ORIGINAL DA CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO -
PROVIDÊNCIA NÃO ATENDIDA SEM CONSISTENTE DEMONSTRAÇÃO DA INVIABILIDADE PARA
TANTO - TRIBUNAL A QUO QUE MANTEVE A SENTENÇA DE INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO
INICIAL, NOS TERMOS DO ART. 267, INC. I, DO CPC, POR AFIRMAR QUE A CÓPIA DO CONTRATO
DE FINANCIAMENTO É INÁBIL PARA EMBASAR A DEMANDA. INSURGÊNCIA DA CASA BANCÁRIA.

Hipótese: Controvérsia acerca da necessidade de apresentação do título original do contrato de


financiamento com garantia fiduciária (cédula de crédito bancário) para instruir a ação de busca e
apreensão.

1. Possibilidade de recorrer do "despacho de emenda à inicial".

Excepciona-se a regra do art. 162, §§ 2º e 3º, do Código de Processo Civil quando a decisão interlocutória
puder ocasionar prejuízo às partes. Precedentes.

2. Nos termos da Lei nº 10.931/2004, a cédula de crédito bancário é título de crédito com força executiva,
possuindo as características gerais atinentes à literalidade, cartularidade, autonomia, abstração,
independência e circulação.

O Tribunal a quo, atento às peculiaridades inerentes aos títulos de crédito, notadamente à circulação da
cártula, diligente na prevenção do eventual ilegítimo trânsito do título, bem como a potencial dúplice
cobrança contra o devedor, conclamou a obrigatoriedade de apresentação do original da cédula, ainda que
para instruir a ação de busca e apreensão, processada pelo Decreto-Lei nº 911/69.

A ação de busca e apreensão, processada sob o rito do Decreto-Lei nº 911/69, admite que, ultrapassada a
sua fase inicial, nos termos do artigo 4º do referido regramento normativo, deferida a liminar de apreensão
do bem alienado fiduciariamente, se esse não for encontrado ou não se achar na posse do devedor, o
credor tem a faculdade de, nos mesmos autos, requerer a conversão do pedido de busca e apreensão em
ação executiva.

A juntada do original do documento representativo de crédito líquido, certo e exigível,


consubstanciado em título de crédito com força executiva, é a regra, sendo requisito indispensável
não só para a execução propriamente dita, mas, também, para todas as demandas nas quais a
pretensão esteja amparada na referida cártula.

A dispensa da juntada do original do título somente ocorre quando há motivo plausível e justificado para
tal, o que não se verifica na presente hipótese, notadamente quando as partes devem contribuir para o
adequado andamento do feito, sem causar obstáculos protelatórios.

Desta forma, quer por força do não-preenchimento dos requisitos exigidos nos arts. 282 e 283 do CPC,
quer pela verificação de defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o
indeferimento da petição inicial, após a concessão de prévia oportunidade de emenda pelo autor (art. 284,
CPC), é medida que se impõe. Precedentes.

3. Recurso especial desprovido.

(REsp 1277394/SC, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 16/02/2016, DJe
28/03/2016). (grifei)

Em que pese a interpretação conferida pela Corte Superior excepcionar a juntada do título original quando
houver motivo plausível para tanto, entendo que o agravante não conseguiu demonstrar a exceção à
regra. Não parece crível a sua alegação de que o contrato foi firmado através de assinatura digitais. O
que se vislumbra do contrato apresentado na ação de origem (ID 15785149) é um documento digitalizado
através de escaneamento, onde apenas a assinatura do agravante foi feita através de chave eletrônica.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Dessa forma, da análise perfunctória das alegações e demais documentos anexados ao agravo de
instrumento, verifico ausentes os requisitos do artigo 300, do Código de Processo Civil.

Ante o exposto, indefiro o efeito suspensivo ativo pleiteado pelo agravante, sem prejuízo da análise
exauriente das demais razões recursais após a formação do contraditório.

Intime-se o agravado, nos termos do inciso II, do art. 1.019, do CPC, para responder ao presente recurso.

Após o cumprimento das diligências, retornem os autos conclusos.

Belém, 18 de junho de 2020.

RICARDO FERREIRA NUNES

Desembargador Relator

Número do processo: 0071271-24.2013.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: FRANCINETE DO


SOCORRO SALBE FERREIRA Participação: ADVOGADO Nome: HAROLDO SOARES DA COSTA OAB:
8004 Participação: ADVOGADO Nome: KENIA SOARES DA COSTA OAB: 15650/PA Participação:
APELADO Nome: BV FINANCEIRA SA CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Participação:
ADVOGADO Nome: BRUNO HENRIQUE DE OLIVEIRA VANDERLEI OAB: 21678/PE Participação:
ADVOGADO Nome: MAURICIO COIMBRA GUILHERME FERREIRA OAB: 16814/PA 1ª TURMA DE
DIREITO PRIVADO. APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0071271-24.2013.814.0301.

COMARCA: BELÉM / PA.

APELANTE: FRANCINETE DO SOCORRO SALBE FERREIRA.

ADVOGADO: KENIA SOARES DA COSTA - OAB/PA nº 15.650.

ADVOGADO: HAROLDO SOARES DA COSTA - OAB/PA nº 18.004.

APELADO: BV FINANCEIRA S/A - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO.

ADVOGADO: BRUNO HENRIQUE DE OLIVEIRA VANDERLEI - OAB/PE 21.678.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. PRELIMINAR. CERCEAMENTO


DE DEFESA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DA PROVA
PERICIAL REQUERIDA. DESNECESSIDADE. CÉDULA DE CRÉDITO JUNTADA AOS AUTOS.
MÉRITO. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. TAXA
DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO DUODÉCUPLO DA MENSAL. POSSIBILIDADE DE SUA
COBRANÇA NO CASO CONCRETO. PRECEDENTES DO STJ. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça por FRANCINETE DO
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SOCORRO SALBE FERREIRA, nos autos da Ação Revisional movida em desfavor do BV FINANCEIRA
S/A - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO, diante de seu inconformismo com a sentença
proferida pelo juízo da 9ª Vara Cível de Belém, que julgou improcedente os pedidos elencados na exordial.

Razões às fls. ID 438601 - pág. 01/18, onde o Recorrente sustenta, preliminarmente, a violação da ampla
defesa e contraditório, posto que foi requerida a produção de prova pericial, contudo, o juízo a quo
proferiu o julgamento antecipado da lide. No mérito, aduz pela vedação de capitalização mensal dos juros,
razão porque requer a revisão do pacto para valores inferiores ao que fora cobrado no contrato de
empréstimo pessoal.

Contrarrazões apresentada às fls. ID 438602 - pág. 01/14, tendo o recorrido pleiteado, em suma, pelo
desprovimento do recurso.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

Preliminarmente, verifico que o Apelante aduz a ocorrência de cerceamento de defesa ante o julgamento
antecipado da lide, uma vez que requereu na exordial a produção de prova pericial para fins de
comprovação dos encargos abusivos cobrados pela instituição financeira, contudo, no meu sentir, entendo
ser completamente desnecessária a produção de laudo contábil por perito oficial do juízo, eis que
consoante o arcabouço fático e probatório da demanda, já podemos aferir de plano sobre a existência ou
não de encargos abusivos no contrato de financiamento entabulado entre os litigantes, pois o mesmo foi
juntado aos autos, sendo completamente desnecessária a elaboração de laudo por expert do juízo. Neste
sentido, confira-se:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. ALEGAÇÃO DE


CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUROS
REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. ENTENDIMENTO
FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. PREVISÃO NO CONTRATO. REEXAME DE
PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. NÃO PROVIMENTO.

1. Não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, devidamente


fundamentado, sem a produção de prova técnica considerada dispensável pelo juízo, uma vez que
cabe ao magistrado dirigir a instrução e deferir a produção probatória que entender necessária à formação
do seu convencimento.

(STJ - AgInt no AREsp 1443474 / MS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, publicado no DJe
em24/09/2019)

Assim, REJEITO a preliminar de cerceamento de defesa.

No mérito, verifico que a irresignação do Apelante se limita a impugnar a possibilidade de capitalização


mensal dos juros. Sobre o tema, destaco que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento tranquilo
quanto a aplicabilidade da medida provisória nº 2.170-36/2001 aos contratos firmados com as instituições
financeiras, conforme preconiza a sua súmula nº 539: “É permitida a capitalização de juros com
periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro
Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que
expressamente pactuada.”

No caso em particular, verifico a existência de previsão expressa acerca da possibilidade da


capitalização dos juros, bem como de que o contrato de empréstimo foi celebrado no mês de maio/2010,
ou seja, em data posterior a edição da Medida Provisória nº 1.963-17/2000.

Por conseguinte, destaco recente precedente do Superior Tribunal de Justiça acerca do anatocismo (AgRg
106
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

no AREsp 429029 / PR, Relator Ministro MARCO BUZZI, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/03/2016,
publicado no DJe em 18/04/2016), sedimentando o entendimento no âmbito da Segunda Seção do
Tribunal da Cidadania – que trata especificamente sobre matéria de direito privado -, onde o Digníssimo
Relator consignou o seguinte: “A existência de uma norma permissiva, portanto, é requisito
necessário e imprescindível para a cobrança do encargo, porém não suficiente/bastante, haja vista
estar sempre atrelado ao expresso ajuste entre as partes contratantes, principalmente em virtude
dos princípios da liberdade de contratar, da boa-fé e da adequada informação”

Complementando, assim destacou o Min. Marco Buzzi:

“Não é demais anotar, também, que o conceito que se tem sobre o que seja considerado ‘expressa
pactuação’ foi novamente redimensionado. No bojo do REsp n. 973.827/RS, representativo da
controvérsia, Relatora para o acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 8/8/2012,
DJe 24/9/2012, afirmou-se que ‘a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao
duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada’...

Pois bem, após o panorama traçado, é inegável que a capitalização, seja em periodicidade anual ou
ainda com incidência inferior à ânua - cuja necessidade de pactuação, aliás, é firme na jurisprudência
desta Casa -, não pode ser cobrada sem que tenham as partes contratantes, de forma prévia e
tomando por base os princípios basilares dos contratos em geral, assim acordado, pois a ninguém
será dado negar o caráter essencial da vontade como elemento do negócio jurídico, ainda que nos
contratos de adesão, uma vez que a ciência prévia dos encargos estipulados decorre da aplicação dos
princípios afetos ao dirigismo contratual.

De fato, sendo pacífico o entendimento de que a capitalização inferior à anual depende de


pactuação, outra não pode ser a conclusão em relação àquela em periodicidade ânua, sob pena de
ser a única modalidade (periodicidade) do encargo a incidir de maneira automática no sistema financeiro,
embora inexistente qualquer determinação legal nesse sentido, pois o artigo 591 do Código Civil apenas
permite a capitalização anual e não determina a sua incidência automaticamente”

Com efeito, verifico que ao tempo da perfectibilização do ajuste contratual entre os litigantes, o qual se
refere a um pacto de financiamento de veículo, já vigoravam as disposições da MP nº 2.170-36, bem
como de que o contrato fez previsão expressa acerca da capitalização dos juros, pois às fls. ID
438594 - Pág. 11, é possível observar a previsão de taxa efetiva anual de juros (17,74%) superior ao
duodécuplo da mensal (1,37%). Logo, deve permanecer inalterado o entendimento sufragado pelo juiz de
base.

Nesse diapasão, assim vem se manifestando a mais recente jurisprudência do C. STJ:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIMITAÇÃO DOS JUROS. REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ.
CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. LEGALIDADE. PACTUAÇÃO EXPRESSA. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA. PREVISÃO CONTRATUAL. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO.
INADMISSIBILIDADE. JUROS DE MORA. 1% AO MÊS. DECISÃO MANTIDA.

3. "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa
e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp n. 973827/RS, Relatora
para o acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 8/8/2012 DJe
24/9/2012). Precedente representativo da controvérsia (art. 543-C do CPC/1973).

(AgRg no AREsp 586987 / RS, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, publicado no DJe
30/05/2016)
107
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL EXPRESSAMENTE PACTUADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA.
AGRAVO DESPROVIDO.

2. A eg. Segunda Seção do STJ, em sede de julgamento de recurso especial representativo da


controvérsia, firmou tese no sentido de que: (a) "É permitida a capitalização de juros com periodicidade
inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n.
1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada"; e (b) "A
capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e
clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp 973.827/RS, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO,
julgado em 08/08/2012, DJe de 24/09/2012).

(AgRg no AREsp 798151 / MS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em 27/05/2016)

A respeito da Lei de Usura (Decreto-Lei nº 22.626/1933), frise-se que o Supremo Tribunal Federal entende
que ela não se aplica às taxas de juros estipuladas pelas instituições financeiras, nos termos da súmula
596/STF, a saber: “As disposições do Decreto 22.626/33 não se aplicam às taxas de juros e aos outros
encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema
financeiro nacional. Isto posto, podemos concluir que é perfeitamente possível a exigência de juros
remuneratórios em patamar superior a 12% ao ano.

Nesta senda, colaciono abaixo os seguintes precedentes do C. STJ:

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO (ART. 544 DO CPC) - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO


CUMULADA COM CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO – DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU
PROVIMENTO AO RECLAMO. INCONFORMISMO DA AUTORA.

1. Juros remuneratórios. Impossibilidade de limitação em 12% ao ano, pois os juros remuneratórios


não sofrem a limitação imposta pelo Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura), conforme dispõe a Súmula
596/STF.

(STJ - AgRg no AREsp 736246 / MS, Relator Ministro MARCO BUZZI, publicado no DJe em
26/02/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO


BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. INAPLICÁVEL LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO. JUROS DE
MORA. PERCENTUAL CONTRATADO EM 1% AO MÊS. POSSIBILIDADE.
REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. AGRAVO DESPROVIDO.

1. A taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira acima da taxa média do mercado
não induz, por si só, à conclusão de tratar-se de cobrança abusiva. Precedentes. Assim, ante a ausência
de comprovação cabal da cobrança abusiva, deve ser mantida, in casu, a taxa de juros remuneratórios
acordada.

(STJ - AgRg no AREsp 591826 / RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em
17/03/2016)

ASSIM, ante todo o exposto, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO ao apelo interposto, devendo ser
mantida na íntegra os termos da sentença vergastada.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se.


108
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0805469-32.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: BANCO J. SAFRA


S.A Participação: ADVOGADO Nome: BRUNO HENRIQUE DE OLIVEIRA VANDERLEI OAB: 21678/PE
Participação: AGRAVADO Nome: CARLEY MARTINS ARAUJO

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
DESEMBARGADORA MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO JUÍZO DE ORIGEM: 3ª VARA CÍVEL DE ANANINDEUA. AGRAVO


DE INSTRUMENTO Nº: 0805469-32.2020.8.14.0000 AGRAVANTE: BANCO J. SAFRA S.A Advogado:
BRUNO HENRIQUE DE OLIVEIRA VANDERLEI AGRAVADO: CARLEY MARTINS ARAUJO
RELATORA: Desª. MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO
DESPACHO

Compulsando os presentes autos, verifica-se que o Agravante, quando da interposição do recurso de


Agravo de Instrumento, acostou o boleto (ID n. 3168417) e comprovante bancário de pagamento
supostamente referente ao preparo, entretanto, não juntou o relatório de contas do processo, emitido pela
Unidade de Arrecadação Judiciária – UNAJ.

Como cediço, este Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por meio da UNAJ, com fundamento no
que determina o Provimento n.º 5/2002, de 11 de setembro de 2002, da Corregedoria Geral de Justiça
deste Tribunal, em seus artigos 4º, inciso I, 5º e 6º, coloca à disposição dos interessados, um
demonstrativo referente ao pagamento do recurso, identificando, de maneira clara, o número do processo
e o nome do recurso.

Assim, o demonstrativo acima referenciado é documento essencial para fins de comprovação do preparo,
tendo em vista que além de identificar os valores a serem pagos, informa o número do processo e do
boleto bancário que se vinculam ao cálculo realizado, devendo ser obrigatoriamente juntado aos autos.

Épacífico entendimento deste Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará no sentido de que a ausência
do mencionado relatório de contas importa na deserção do recurso, conforme é possível citar,
exemplificativamente, o julgamento do Agravo Interno nº 0006886-94.2008.8.14.0028, cuja ementa
transcreve-se abaixo:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL CONVERTIDO EM AGRAVO INTERNO. APELAÇÃO CÍVEL.


DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO AO RECURSO ANTE A AUSÊNCIA DE PREPARO.
COMPROVANTE DO PREPARO RECURSAL DESACOMPANHADO DA CONTA DE PROCESSO.
IMPOSSIBILIDADE DE JUNTADA POSTERIOR. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. RECURSO
CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Deve o recorrente, no momento da interposição do recurso,
comprovar o preparo recursal, sob pena de deserção, consoante inteligência do art. 511 CPC/73 c/c
artigos 4º a 6º do Provimento nº 005/2002 da C.G.J./TJPA 2. O regular recolhimento do preparo somente
se prova mediante a integralidade da documentação, o que inclui o relatório da conta do processo, emitido
pela Unidade de Arrecadação Judicial - UNAJ, sem o qual não há como aferir se os valores informados e
pagos mantêm relação com a apelação interposta. 3. O relatório da conta do processo é documento
indispensável para demonstrar os valores das custas judiciais a serem pagas, além de identificar o número
do processo e o boleto bancário gerado. 4. Agravo interno conhecido e improvido. 5. À unanimidade.

(2016.05141272-20, 169.758, Rel. MARIA ELVINA GEMAQUE TAVEIRA, Órgão Julgador 4ª CAMARA
CIVEL ISOLADA, Julgado em 2016-12-19, Publicado em 2017-01-10)
109
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Ocorre que, o Código de Processo Civil de 2015, que é aplicável ao caso em tela, já que a decisão
agravada foi publicada após sua entrada em vigor, trouxe inovação processual, possibilitando a intimação
do advogado para suprir a falta referente a comprovação do recolhimento do preparo, nos termos do artigo
1.007, §§ 2º e 4º do diploma processual vigente.

Outrossim, considerando que o Agravante não realizou a devida comprovação do preparo no ato de
interposição do recurso, torna-se imprescindível o recolhimento em dobro, conforme determina o artigo
1.007, § 2º do Código de Processo Civil.

Desse modo, intime-se a parte Recorrente, a fim de, no prazo legal de 05 (cinco) dias, acostar o
relatório de contas capaz de completar a documentação necessária para comprovar o preparo do
recurso, bem como comprovar o recolhimento do referido preparo em dobro, sob pena de deserção
.

Após, retornem-me os autos conclusos.

Belém, 19 de junho de 2020.

DESEMBARGADORA MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO

Relatora

Número do processo: 0002024-78.2008.8.14.0201 Participação: APELANTE Nome: LAMINADORA CIMEL


LTDA - EPP Participação: ADVOGADO Nome: RAQUEL DE ANDRADE ESQUIVEL OAB: 13199/PA
Participação: ADVOGADO Nome: KARINA DE NAZARE RAMOS PEREIRA OAB: 13749/PA Participação:
APELADO Nome: VIMEX VITORIA EXPORTACAO DE MADEIRAS LTDA Participação: ADVOGADO
Nome: ELTON CABRAL BRANCHES SOARES OAB: 26592/PA

APELAÇÃO CÍVEL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TRANSAÇÃO DAS PARTES. DESISTÊNCIA


UNILATERAL DA PARTE AUTORA ANTES DA HOMOLOGAÇÃO. INVIABILIDADE. ARREPENDIMENTO
QUE ATENTA CONTRA O PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA E NÃO ENCONTRA RESPALDO, NO
CASO, NAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 849 DO CÓDIGO CIVIL. PRECEDENTES DO STJ.

1. Preliminar contrarrecursal de intempestividade rejeitada, eis que o apelo foi interposto dentro do prazo
recursal.

2. Pedido alternativo de purgação da mora não conhecido, tendo em vista que a apelante deixou de
refutar, pontualmente, os fundamentos expostos na sentença em relação a não incidência da multa
contratual. Falta da exposição dos fatos e do direito e as razões do pedido de reforma da decisão, no
ponto. Inteligência do art. 1.010, II e III, do CPC.

3. Tese principal conhecida. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que não é possível a
desistência unilateral da transação, ainda que antes de sua homologação.

4. “Transação é o negócio jurídico bilateral, em que duas ou mais pessoas acordam em concessões
recíprocas, com o propósito de pôr termo à controvérsia sobre determinada relação jurídica, seu conteúdo,
extensão, validade ou eficácia. 7. Uma vez concluída a transação, impossível é a qualquer das partes o
arrependimento unilateral, mesmo que ainda não tenha sido homologado o acordo em Juízo. Ultimado o
ajuste de vontade, por instrumento particular ou público, inclusive por termo nos autos, as suas cláusulas
ou condições obrigam definitivamente os contraentes, de sorte que sua rescisão só se torna possível 'por
dolo, coação, ou erro essencial quanto à pessoa ou coisa controversa' (Código Civil de 2002, art. 849; CC
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

de 1916, art. 1.030).” Trecho de ementa extraída do REsp 1558015/PR.

5. Caso concreto no qual o acordo foi integralmente cumprido pela apelada, trazendo-lhe a legítima
expectativa de seu cumprimento. Boa-fé objetiva.

6. Incabíveis os pedidos contrarrecusais de aplicação de multa por litigância de má fé, e de majoração da


verba sucumbencial. Isso porque não resta caracterizado, no agir da parte recorrente, quaisquer das
condutas previstas pelo artigo 80 do CPC, bem como, não pode haver, no caso dos autos, a aplicação do
art. 85, parágrafos 1º, 11 e 12, do CPC, pois a sentença recorrida não fixou verba honoraria passível de
ser majorada por esta Corte.

- RECURSO DESPROVIDO.

Número do processo: 0807951-84.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MARCELO


MARTINS MANESCHY Participação: ADVOGADO Nome: ARTHUR SISO PINHEIRO OAB: 17657/PA
Participação: ADVOGADO Nome: ANA PAULA PEREIRA MARTINS OAB: 28999/PA Participação:
AGRAVANTE Nome: RENATA MAROJA GEMAQUE MANESCHY Participação: ADVOGADO Nome:
ARTHUR SISO PINHEIRO OAB: 17657/PA Participação: ADVOGADO Nome: ANA PAULA PEREIRA
MARTINS OAB: 28999/PA Participação: AGRAVADO Nome: MADRI INCORPORADORA LTDA
Participação: ADVOGADO Nome: FABIO RIVELLI OAB: 21074/PA Participação: ADVOGADO Nome: YUN
KI LEE OAB: 1693 Participação: AGRAVADO Nome: PDG INCORPORADORA, CONSTRUTORA,
URBANIZADORA E CORRETORA LTDA Participação: ADVOGADO Nome: FABIO RIVELLI OAB:
21074/PA Participação: ADVOGADO Nome: YUN KI LEE OAB: 1693 Participação: AGRAVADO Nome:
CONSTRUTORA LEAL MOREIRA LTDA Participação: ADVOGADO Nome: EDUARDO TADEU FRANCEZ
BRASIL OAB: 13179/PA Participação: ADVOGADO Nome: GUSTAVO FREIRE DA FONSECA OAB:
12724/PA Participação: AGRAVADO Nome: CONDOMINIO TORRES LIBERTO Participação:
ADVOGADO Nome: CRISTYANE BASTOS DE CARVALHO OAB: 4642 Participação: ADVOGADO Nome:
FABRICIO AUGUSTO MAGALHAES DE ASSUNCAO FERREIRA OAB: A1851200/PA Participação:
ADVOGADO Nome: THIAGO PEREIRA DE CARVALHO OAB: 303 Participação: ADVOGADO Nome:
OTAVIO AUGUSTO DA SILVA SAMPAIO MELO OAB: 16676/PA Participação: ADVOGADO Nome:
SERGIO LEITE CARDOSO FILHO OAB: 4110 Participação: ADVOGADO Nome: BRENO LOBATO
CARDOSO OAB: 15000/PA

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS, COM


PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA E PEDIDO ANTECIPADO DE PROVAS.
CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. HONORÁRIOS PERICIAIS. RESPONSABILIDADE
PELO PAGAMENTO DA PARTE QUE O REQUEREU. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO
DESPROVIDO.

- De acordo com a jurisprudência da Corte Superior de Justiça, a despeito de cristalizar-se a inversão do


ônus da prova, é responsável pelo pagamento dos honorários periciais a parte que os requer. Em síntese,
ainda que deferida, a inversão do ônus da prova não tem o condão de obrigar o fornecedor a custear
prova requerida pelo consumidor ( AgInt no REsp 1473670/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO,
QUARTA TURMA, julgado em 11/06/2019, DJe 18/06/2019).

- AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO.

Número do processo: 0810511-96.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: EDUARDO BEBE


111
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

LTDA - ME Participação: ADVOGADO Nome: ALVARO AUGUSTO DE PAULA VILHENA OAB: 4771/PA
Participação: AGRAVADO Nome: MIGUEL RODRIGUES FIGUEIRO JUNIOR Participação: AGRAVADO
Nome: MIGUEL RODRIGUES FIGUEIRO

SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

COMARCA DE BELÉM/PA

AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 0810511-96.2019.8.14.0000


AGRAVANTE: EDUARDO BEBE LTDA - ME

AGRAVADOS: MIGUEL RODRIGUES FIGUEIRÓ e MIGUEL RODRIGUES FIGUEIRÓ JUNIOR

RELATOR: DES. LEONARDO DE NORONHA TAVARES

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ILEGITIMIDADE DE PARTE E


DESPACHO DE MERO EXPEDIENTE. CUMPRIMENTO DE DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE
E ANALISADA POR ESTA INSTÂNCIA RECURSAL. PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE. INCABIMENTO.
RECURSO NÃO CONHECIDO.

DECISÃO MONOCRÁTICA

O EXMO. SR. DESEMBARGADOR LEONARDO DE NORONHA TAVARES (RELATOR):

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO, com pedido de efeito suspensivo, interposto por


EDUARDO BEBE LTDA - ME contra decisão proferida pelo MM. Juiz de Direito da 4ª Vara Cível e
Empresarial de Belém que, nos autos da Ação de Despejo por Falta de Pagamento com Cobrança de
Débito e Acessórios (Proc. n. 0825275-28.2017.8.14.0301) movida por MIGUEL RODRIGUES FIGUEIRÓ
e outro, determinou o cumprimento de decisão anterior (ID n. 12855759), acerca da expedição de
mandado de desocupação compulsória, em relação aos imóveis comerciais localizados no Município de
Ananindeua, à Trav. WE-42, nº 341, no Conjunto Cidade Nova IV, Bairro da Cidade Nova, Boxes “A” e
“C”.

Em suas razões (ID n. 2528073), a agravante alegou que não teria sido intimada/citada da decisão
agravada, e que se encontra no imóvel há mais de 5 (anos), bem como repisou os mesmos argumentos
apresentados nos autos dos Agravos de Instrumento, sob o n. 0808477-85.2018.8.14.0000 e o n.
0808367-52.2019.8.14.0000, interpostos por Sr. Bruno Alexandre Sereni (representante legal da
recorrente), os quais neguei provimento.

Assim, em síntese, aduziu que suas mercadorias estariam avaliadas em mais de R$ 50.000,00 (cinquenta
mil reais); e que os imóveis locados se localizam no Município de Ananindeua; impondo-se, no seu
entendimento, a incompetência do juízo para apreciação do feito em razão do lugar.

Asseverou também a ausência de comprovação da propriedade dos autores/agravados


sobre os bens em questão; assim também discorreu acerca da dispensabilidade pelo magistrado de
origem da caução referente a três meses de locação, nos termos da Lei n. 8245/91.

Apontou sobre a ausência de notificação para retomada do imóvel e a que justificasse o


débito cobrado.

Ao final, pugnou pela concessão da justiça gratuita e do efeito suspensivo, no sentido de


suspender a decisão que determinou a desocupação dos imóveis; e, no mérito, pelo provimento do
112
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

recurso.

Distribuídos os autos, inicialmente, ao Des. Constantino Augusto Guerreiro (ID n. 3030410),


o i. magistrado identificou a prevenção deste Relator, em razão do Agravo de Instrumento, sob o n.
0808477-85.2018.814.0000.

Contrarrazões, sob o ID n. 2539302.

É o relatório.

DECIDO.

Ab initio, uma vez deferida a concessão da gratuidade processual pelo magistrado de origem, aplico o art.
9º da Lei n. 1.060/50.

Com efeito, a despeito do recurso ora analisado, é imperioso ressaltar que decisão por ora recorrida
determinou o cumprimento de decisão anterior no sentido de que fosse expedido mandado de
desocupação compulsória, diante de não ter sido realizada de forma voluntária, em cumprimento à ordem
judicial anteriormente proferida (ID n. 6583769); bem como em face da ausência de concessão do efeito
suspensivo nos autos do Agravo de Instrumento, sob o n. 0808367-52.2019.8.14.0000.

Nesse diapasão, vislumbro, primeiramente, que os contratos de locação foram firmados no nome da
pessoa física, Bruno Alexandre Sereni (ID n. 2539304 e ID n. 2539306), que seria, inclusive, o
representante da agravante (ID n. 2528075 e ID n. 2528076), restando, assim, evidente a ilegitimidade da
recorrente, sendo vedada, desse modo, a postulação do presente recurso pela empresa mencionada, nos
termos do art. 17 do CPC/2015.

Ademais, resta claro que a “decisão interlocutória”, ora agravada, não passa de um despacho de
cumprimento do decisum anterior, já analisado nos autos dos Agravos de Instrumento acima
mencionados, em que, repiso, neguei-lhes provimento.

Dessa forma, o sistema jurídico nacional confere aos recursos o princípio da taxatividade, ou seja,
somente é passível de impugnação por essa via os atos descritos na norma vigente no país. Portanto,
devido à ausência de inclusão dos despachos no rol trazido como atos impugnáveis, errado seria o exame
de mérito da matéria nele contida ante a impossibilidade do manejo do presente recurso.

Ante o exposto, diante da ilegitimidade da agravante, e, ainda, com base nos princípios da taxatividade,
em face do art. 932, III, do CPC, deixo de conhecer do presente recurso.

Belém (PA),19 de junho de 2020.

LEONARDO DE NORONHA TAVARES

RELATOR

Número do processo: 0805933-56.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: JULIO RAMOS


RIBEIRO Participação: ADVOGADO Nome: GABRIEL MOTA DE CARVALHO OAB: 23473/PA
Participação: AGRAVADO Nome: BANCO ITAUCARD S.A. Participação: ADVOGADO Nome: CRISTIANE
BELINATI GARCIA LOPES OAB: 13846/PA

SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO – 2ª TURMA DE DIREITO


PRIVADO
113
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº AI 0805933-56.2020.8.14.0000 - PJE

AGRAVANTE: JULIO RAMOS RIBEIRO

ADVOGADO: Dr. Gabriel Mota de Carvalho

AGRAVADO: BANCO ITAUCARD S/A

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES

Vistos, etc.

Analisando o recurso interposto, verifica-se que o Agravante acosta declaração de hipossuficiência,


declarando sua impossibilidade em arcar com o pagamento das custas e despesas processuais sem
prejuízo de seu sustento e sua família, requerendo seja-lhe deferida à gratuidade de justiça, nos termos
dos arts. 98 e 99 do CPC/2015.

Defiro a assistência judiciária em grau de recurso, considerando que inexiste nos autos elementos que
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a sua concessão, nos termos do art. 99, §§ 2º e 3º,
presumindo-se verdadeira a declaração de hipossuficiência corroborada pelos documentos acostados.

Assim, verifico desde logo, o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade, estando a matéria
tratada inserida no rol do art. 1.015 do NCPC, razão pela qual passo a apreciá-lo.

O presente agravo de instrumento se insurge contra a decisão do Juízo da 1ª Vara Cível e Empresarial da
Comarca de Marituba, na Ação de Busca e Apreensão (Proc. Nº 0801833-74.2019.814.0006), movida pelo
Banco Itaucard S/A contra Júlio Ramos Ribeiro.

Em resumo, a Instituição Financeira pretende a busca e apreensão de veículo descrito na exordial,


defendendo a inadimplência contratual por parte da demandada.

O Juízo Singular, ao analisar a questão, deferiu a liminar pretendida, nos seguintes termos:

“...1. Estando documentalmente comprovada a mora, expeça-se Mandado de busca, apreensão e citação.

2. Nos termos do §9º, do art. 3º, do Decreto-Lei nº 911, de 1º de outubro de 1969, incluído pela Lei nº
13.043, de 13 de novembro de 2014, promova-se imediatamente o bloqueio judicial da circulação do bem
descrito na petição inicial, através do Sistema RENAJUD, após o pagamento das custas, bem como o
levantamento de tal restrição após a apreensão do veículo.

3. Efetivada a medida, CITE-SE o(a) requerido(a) para querendo, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a
integralidade da dívida, conforme disposto no §2º, do art. 56 da Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004,
e/ou, contestar no prazo de 15 (quinze) dias, contados da execução da liminar (§3º, art. 56, Lei nº 10.931,
de 2 de agosto de 2004).

4. Na mesma oportunidade, com fundamento no §14, do art. 3º, do Decreto-Lei nº 911, de 1º de outubro
de 1969, INTIME-SE o(a) requerido(a) para que entregue ao Sr. Oficial de Justiça os respectivos
documentos do veículo.

5. O Oficial de Justiça deverá cumprir o Mandado com observância do art. 212 do CPC.

6. Autorizo, ainda, a utilização da ordem de arrombamento e força policial para o cumprimento da medida,
caso necessário.
114
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

7. Deposite-se o bem e os documentos em mãos dos representantes da parte autora.

8. Providências necessárias.

9. Servirá o(a) presente, por cópia digitada, como Mandado/Ofício, nos termos do Provimento nº 003/2009-
CJRMB e alterações posteriores. Cumpra-se na forma e sob as penas de lei.” (Id nº 3217132)

Tal decisão originou o presente Agravo de Instrumento, no qual o Recorrente visa revogar a liminar
concedida, considerando que o Juízo “a quo” teria deixado de atentar aos vícios maculadores do processo,
ante a ausência da via original do contrato firmado entre as partes, e da comprovação a constituição em
mora. (Id nº 3217127).

Passo a analisar o pedido de concessão do efeito suspensivo.

Preleciona o artigo 1.019, inciso I do Código de Processo Civil que o relator poderá atribuir efeito
suspensivo ao recurso de agravo de instrumento, ou deferir, em antecipação de tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão.

Pois bem, em juízo sumário de cognição, verifico presentes os requisitos do artigo 300, do CPC, aptos a
conceder o efeito suspensivo ao recurso.

A probabilidade do direito se apresenta por precedentes deste Tribunal que afirma a necessidade de
apresentação da cédula de crédito bancário original para subsidiar a ação de busca e apreensão.
Transcrevo as ementas:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. INICIAL DESACOMPANHADA DA


VIA ORIGINAL. NECESSIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Observo que o
agravante não instruiu a ação de execução com a via original da Cédula de Crédito Bancário. 2. Ocorre
que o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo pela necessidade de juntada do original do título
executivo, sob pena de indeferimento da petição inicial 3. Como se percebe, no caso, a cópia desse
documento não tem o mesmo valor do original. Assim sendo, revela-se correta a decisão agravada que
exigiu a via original do título de crédito. 4. Recurso conhecido e desprovido.

(2018.03405484-35, 194.694, Rel. JOSE MARIA TEIXEIRA DO ROSARIO, Órgão Julgador 2ª TURMA DE
DIREITO PRIVADO, Julgado em 2018-08-07, Publicado em 2018-08-24)

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. DECISÃO


INTERLOCUTÓRIA QUE DETERMINOU A EMENDA DA INICIAL PARA JUNTAR A CÉDULA DE
CRÉDITO BANCÁRIO ORIGINAL. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. Sendo a cédula de
crédito bancário título de crédito circulável e sujeito ao princípio da cartularidade, é imprescindível a
apresentação do documento original, para fins de ajuizamento da ação de busca e apreensão, dada a
possibilidade de sua circulação, mediante endosso. Necessário, portanto, a juntada da via original do
título. (Precedentes STJ) À unanimidade, nos termos do voto do desembargador relator, decisão
confirmada na sua integralidade. Recurso desprovido.

(2018.00502642-95, 185.550, Rel. LEONARDO DE NORONHA TAVARES, Órgão Julgador 1ª TURMA DE


DIREITO PRIVADO, Julgado em 2018-02-05, Publicado em 2018-11-27)

Já o risco de dano é inerente a decisão recorrida, uma vez que o Agravante pode se ver privado da posse
do bem com a efetivação da medida liminar.

Dessa forma, em análise perfunctória dos elementos trazidos pelo Recorrente, concedo o efeito
suspensivo ao agravo de instrumento.
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Comunique-se ao Juízo de origem o inteiro teor desta decisão, por força do artigo 1.019, I, do CPC.

Intime-se a agravada, nos termos do inciso II, do art. 1.019, do CPC, para responder ao presente recurso.

Após o cumprimento das diligências, retornem os autos conclusos.

Belém, 19.06.2020

Ricardo Ferreira Nunes

Desembargador Relator

Número do processo: 0805120-29.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MARIA DA CRUZ


SOUSA DA SILVA Participação: ADVOGADO Nome: THAINAH TOSCANO GOES OAB: 8854
Participação: AGRAVADO Nome: INSS - INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL Processo nº
0805120-29.2020.8.14.0000

Órgão Julgador: 1ª Turma de Direito Público

Recurso: Agravo de Instrumento

Comarca da Parauapebas

Agravante: Maria da Cruz Sousa da Silva

Agravado: Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS

Relator: Des. Roberto Gonçalves de Moura

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO. AÇÃO DE CONCESSÃO


DE APOSENTADORIA POR IDADE RURAL EM FACE DO INSS. COMARCA DE PARAUAPEBAS.
COMARCA QUE NÃO É SEDE DE VARA DA JUSTIÇA FEDERAL. COMPETÊNCIA DELEGADA DA
JUSTIÇA ESTADUAL. COMPETÊNCIA RECURSAL DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. REMESSA
DO PRESENTE RECURSO AO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO, com pedido de efeito suspensivo ativo,


interposto por MARIA DA CRUZ SOUSA DA SILVA contra decisão proferida pelo Juízo de Direito da 3ª
Vara Cível da Comarca de Parauapebas, que reconheceu a sua incompetência absoluta para julgar o feito
e determinou a remissão dos autos ao Juízo da Comarca de Curionópolis/PA, onde reside a
requerente/ora agravante, para o regular prosseguimento do feito.

Em suas razões recursais, a agravante relata os fatos esclarecendo que ingressou com a
ação ordinária visando o recebimento de aposentadoria por idade rural, sendo desde logo prolatada
decisão interlocutória reconhecendo de ofício a incompetência “absoluta” do juízo, sem que houvesse
qualquer manifestação da parte adversa sobre o assunto.

Explica que a decisão agravada suscita que há INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA, se referindo


a territorialidade da demanda, e ainda declara, de ofício, matéria de COMPETÊNCIA RELATIVA, pelo que
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a agravante sustenta que o magistrado se equivocou na prolação da decisão.

Para defender os seus argumentos, a recorrente afirma que as regras de competência


relativa prestigiam a vontade das partes, por meio da criação de normas que buscam protegê-las (autor e
réu), franqueando a elas a opção pela sua aplicação ou não no caso concreto. Em razão de sua maior
flexibilidade, também a lei poderá modificar tais regras. Surgem, assim, as regras de competência relativa,
dispositivas por natureza e que buscam privilegiar a liberdade das partes.

Nesse sentido, explica que o valor da causa e o território são questões de competência
relativa, enquanto, que a matéria e a função são questões de competência absoluta. Desse modo, aduz
que fica claro que a questão de escolha do território é de competência relativa, onde há prorrogação da
competência quando não houver nenhum tipo de objeção pela parte ré, como ocorreu no caso concreto.

Por essa razão, entende que o juiz “a quo” errou quando declarou de ofício questão de
territorialidade como sendo de competência absoluta.

Assevera que, conforme dispõe o artigo 65 do CPC, se prorroga a competência relativa se o


réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação. E que, no caso concreto, a agravante
escolheu a comarca de Parauapebas para processar e julgar a presente demanda, não sendo impugnado
pela parte adversa, não podendo, assim, ser
declarada de ofício pelo juiz, por ser matéria de competência relativa,
consoante a Súmula 33 do STJ (a incompetência relativa não pode ser declarada
de ofício) cabendo a outra parte argui-la por meio de exceção, na forma do art.
112 do CPC e art. 64 do NCPC.

Destaca que tanto a legislação processual (art. 112 do CPC/ art. 64 NCPC), como o
entendimento já sumulado pelo STJ (súmula n° 33), asseguram a
impossibilidade de o magistrado declinar da competência sem que haja provocação para tanto.

Defende a necessidade de concessão do efeito suspensivo ativo no sentido de obstar a


remessa dos autos para a Comarca de Curionópolis, visando permanecer o processamento e julgamento
da lide na Comarca de Parauapebas, visto que a territorialidade é competência relativa que se prorroga
quando há anuência entre as partes, o que houve no presente caso.

No mérito, requer a reforma total da decisão agravada, por violação literal do artigo 64, 65
do NCPC e Súmula 33 do STJ, mantendo os autos para processamento e julgamento da lide na Comarca
em que foi distribuída, Parauapebas.

Juntou documentos.

Coube-me a relatoria do feito por distribuição.

Éo relatório, síntese do necessário.

DECIDO.

Inicialmente, cumpre lembrar que, em se tratando de matéria de interesse da União, qual seja, pleito de
pensão por morte em face de uma Autarquia Federal - INSS, compete à Justiça Federal apreciá-la,
conforme os termos do art. 109, I, da CF.

No caso presente, observa-se que a Justiça Estadual de 1º grau funcionou investida de jurisdição federal,
já que não existe Vara Federal na Comarca de Parauapebas.

Nesses casos, o juízo estadual da Comarca em questão, que não é sede de Vara da Justiça Federal,
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excepcionalmente, é competente para processar e julgar causas em que for parte autarquia federal.

O art. 109, I, § 3º[1], da CF, prevê essa possibilidade de processamento das ações movidas em face de
autarquia previdenciária federal perante o juízo estadual de 1º grau investido na competência excepcional
quando na Comarca não houver Vara Federal.

Contudo, esse mesmo artigo, em seu § 4º[2], dispõe que os recursos interpostos contra decisões
proferidas pelo juízo estadual, em jurisdição excepcional, serão dirigidos ao Tribunal Regional Federal da
área de jurisdição do juiz de 1º grau e não ao Tribunal de Justiça do Estado.

A doutrina e jurisprudência firmaram entendimento no sentido de aplicação do art. 15, I, da Lei n. 5.010/66,
a Lei de Organização da Justiça Federal, que previa a competência delegada da Justiça Estadual, com
fulcro no art. 109, § 3º, da Constituição.

A doutrina assim leciona:

“Enfim, a competência será do juízo de Direito ou do juízo federal do foro do domicílio do executado. Se o
devedor mantiver domicílio no interior, onde não haja juízo federal, a Fazenda Federal não deve ajuizar a
execução em vara federal da capital do Estado correspondente. Nesse caso, a execução será proposta
perante o juiz estadual da comarca domicílio do devedor. O juiz estadual estará, na espécie, investido de
competência federal, devendo os recursos que forem interpostos ser encaminhados ao Tribunal Regional
Federal da Região que compreenda aquela comarca”. (DIDIER Jr, Fredie. Pressupostos processuais e
condições da ação: o juízo de admissibilidade do processo. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 154.).

Seguindo esse entendimento, em que pese a prestação jurisdicional de primeiro grau ter ocorrido na
Justiça Estadual, em razão da competência delegada, o recurso da decisão proferida pelos juízes
estaduais, investidos de jurisdição federal, devem ser apreciados pelo Tribunal Regional Federal,
conforme expressa disposição da Carta Magna (art. 108, II[3]).

Por todo o exposto, de ofício, DECLARO A INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA deste Tribunal de Justiça do
Estado do Pará para processar e julgar o presente recurso, pelo que determino a remessa dos presentes
autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao qual compete o julgamento da presente apelação.

Publique-se. Intimem-se.

ÀSecretaria para as providências cabíveis.

Servirá a presente decisão como mandado/ofício, nos termos da Portaria nº 3731/2015 – GP.

Belém – PA, 18 de junho de 2020.

Desembargador ROBERTO GONÇALVES DE MOURA

Relator

[1] Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e
as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;(...)

§3º Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários,
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as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não
seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas
sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

[2] § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal
na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

[3] Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais:

II - julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no
exercício da competência federal da área de sua jurisdição.

Número do processo: 0000341-98.2010.8.14.0005 Participação: APELANTE Nome: ALUMINAL


COMERCIO E PARTICIPACOES LTDA Participação: ADVOGADO Nome: RONALDO SOARES ROCHA
OAB: 12949/DF Participação: APELANTE Nome: AGRO PECUARIA CARAIBAS LTDA Participação:
ADVOGADO Nome: RONALDO SOARES ROCHA OAB: 12949/DF Participação: APELADO Nome:
ULISSES ESPINDOLA CARDOSO Participação: ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS SANTOS OAB: 167
Participação: APELADO Nome: ACIR JOSE COELHO Participação: ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS
SANTOS OAB: 167 Participação: APELADO Nome: VALDICE DOMINGOS DE FREITAS Participação:
ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS SANTOS OAB: 167 Participação: APELADO Nome: GENILDO DE
LIMA MARTINS Participação: ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS SANTOS OAB: 167 Participação:
APELADO Nome: PEDRO AUGUSTO MACIEL MONTEIRO Participação: ADVOGADO Nome: DELMIRO
DOS SANTOS OAB: 167 Participação: APELADO Nome: ACIOLI JOSE TEIXEIRA Participação:
ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS SANTOS OAB: 167 Participação: APELADO Nome: ODELIR GALLO
Participação: ADVOGADO Nome: DELMIRO DOS SANTOS OAB: 167 Participação: AUTORIDADE Nome:
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - DILIGÊNCIA DETERMINADA -EMENDA


DA INICIAL - NÃO CUMPRIMENTO - EXTINÇÃO DO PROCESSO. SENTENÇA CONFIRMADA –
RECURSO DESPROVIDO.

A CONDUTA PROCESSUAL ADOTADA PELO MAGISTRADO A QUO, CONDIZ COM O QUE


DETERMINA O ART. 321 E SEU E SEU PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/2015, SOBRETUDO POR SE
TRATAR DE EMENDA DA PETIÇÃO INICIAL AJUIZADA DE FORMA DEFICIENTE.

DESCUMPRIDA A DETERMINAÇÃO NOS TERMOS IMPOSTOS, DEVE SER MANTIDO O


INDEFERIMENTO DA INICIAL, JULGANDO POR CONSEQUÊNCIA EXTINTO O PROCESSO, SEM
RESOLUÇÃO DO MÉRITO, COM BASE NO ARTIGO 485, I, DO NCPC (PRECEDENTES).

NOS TERMOS DO VOTO DO DESEMBARGADOR RELATOR, SENTENÇA A QUO CONFIRMADA NA


SUA INTEGRALIDADE. RECURSO DE APELAÇÃO DESPROVIDO.

Número do processo: 0006689-51.2015.8.14.0040 Participação: APELANTE Nome: ISAIAS BARROS


Participação: ADVOGADO Nome: STHEFANNY MOREIRA DOS SANTOS OAB: 820 Participação:
APELANTE Nome: INSS - INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL Participação: APELADO Nome:
INSS - INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL Participação: APELADO Nome: ISAIAS BARROS
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Participação: ADVOGADO Nome: STHEFANNY MOREIRA DOS SANTOS OAB: 820

SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO.

APELAÇÃO N. 0006689-51.2015.8.14.0040

COMARCA: PARAUAPEBAS

APELANTE: ISAIAS BARROS

ADVOGADO: STHEFANNY MOREIRA DOS SANTOS

APELADO: INSS- INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL

ADVOGADO: ALESSANDRA LOVATO BIANCO SANTOS

APELANTE: INSS- INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL

ADVOGADO: ALESSANDRA LOVATO BIANCO SANTOS

APELADO: ISAIAS BARROS

ADVOGADO: STHEFANNY MOREIRA DOS SANTOS

RELATORA: DESEMBARGADORA DIRACY NUNES ALVES

EMENTA: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO


AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO E/OU CONVERSÃO EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
ACIDENTÁRIA C/C PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. IMPOSSIBILIDADE. LAUDO PERICIAL
QUE ATESTA A CAPACIDADE LABORATIVA DO AUTOR. SENTENÇA MANTIDA.

1. A aposentadoria por invalidez é o benefício previdenciário devido ao trabalhador permanentemente


incapaz de exercer qualquer atividade laborativa e que também não possa ser reabilitado em outra
profissão;

2. Não há direito à concessão da aposentadoria por invalidez, nos termos do art. 42 da Lei nº 8.213/91, se
a perícia judicial aponta que o postulante possui incapacidade temporária, bem como não o considera
insuscetível de reabilitação; Das provas colacionadas nos autos, não restou demonstrado que a doença
incapacitante do autor/apelante para o trabalho, requisito esse, imprescindível para o deferimento do
auxílio doença.

3. In casu, o laudo da perícia oficial realizada concluiu que o apelante não apresenta incapacidade
laborativa ou redução da capacidade de trabalho, encontrando-se, por conseguinte, apto a exercer
atividade que garanta sua subsistência.

4. Irrepetibilidade do valor percebido de boa-fé por força de tutela antecipada. Natureza alimentar do
benefício. Hipossuficiência do segurado. Aplicação dos princípios da razoabilidade e da dignidade da
pessoa humana.;

5. Recursos conhecidos e improvidos. Manutenção da sentença.


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Nos autos de ação de restabelecimento de benefício auxílio-doença acidentário e/ou conversão em


aposentadoria por invalidez c/c antecipação de tutela, o autor Isaias Barros e o requerido INSS- Instituto
Nacional de Seguro Social, interpõem recursos de apelação frente sentença prolatada pelo juízo da 3ª
vara cível e empresarial de Parauapebas que julgou improcedente o pedido formulado pela autora,
extinguindo o processo com resolução do mérito.

Na apelação interposta por Isaias Barros (ID Num 1018569, pág. 01/15), esta afirma que teve deferido o
benefício da aposentadoria por invalidez, todavia, com termo inicial a partir da data indicada no laudo
médico (06/05/f parcialmente o pedido formulado, eis que somente foi concedido o auxílio ) o que não
pode prosperar.

Alega que que faz jus ao benefício auxílio doença desde o requerimento administrativo ao NB
522.988.906- (03/12/2007).

Prequestiona o artigo 6º e o artigo 196 da CF/88 e os artigo 59, 89 e 90 da lei 8.213/91.

Requer o conhecimento e provimento do recurso.

Na apelação interposta pelo INSS - Instituto Nacional de Seguro Social (fls. 82/85), este narra ter
tentado administrativamente o restabelecimento do benefício de auxílio-doença n. 551.199.145-3, que
gozou entre 30/04/2012 a 02/02/2015, o que foi indeferido, motivo pelo qual, ajuizou a presente ação
requerendo o restabelecimento do auxílio-doença ou, subsidiariamente, a concessão da aposentadoria por
invalidez ou auxílio-acidente.

Alega que em perícia médica judicial, o laudo médico realizou abordagem descabida do quadro de saúde
do apelante, indo de encontro aos inúmeros laudos, atestados, exames e relatórios médicos apresentados,
bem como, colocou em dúvida a ocorrência dos fatos apresentados e a veracidade dos sintomas
apresentados.

Diz que preenche os requisitos legais para o recebimento do benefício em tutela antecipada.

Alega preencher a qualidade de segurado, a carência para o recebimento dos benefícios solicitados.

Requer o conhecimento e provimento do apelo.

Na apelação interposta pelo INSS, este sustenta o direito ao recebimento da devolução integral de todos
os valores recebidos a título de benefício previdenciário por incapacidade concedido em razão da decisão
provisória.

Requer o conhecimento e provimento do apelo.

Manifesta-se o INSS - Instituto Nacional de Seguro Social em contrarrazões (ID Num 1018571, pág.
01/03).

A parte autora não apresentou contrarrazões (ID Num. 1018571, pág. 04).

Opina o Órgão Ministerial pelo improvimento do recurso do autor Isaias Barros e pelo provimento do
recurso do INSS-Instituto Nacional de Seguro Social.

É o relatório, decido.

Presentes os requisitos a admissibilidade recursal, conheço ambos os recursos e não havendo questões
prévios, adentro no mérito.
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Cinge-se a controvérsia recursal sobre o direito ou não do autor/apelante Isaias Barros em receber o
benefício de aposentadoria por invalidez.

O autor requereu via administrativa a concessão de auxilio-doenca, sendo este indeferido em razão de
não contestação de incapacidade para o trabalho ou para sua vida habitual (ID Num 1018557, pág. 16).

O autor aduz possuir transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatia
(CID M51.1), espondilose (CID M47) e dor lombar baixa (CID M54.4).

Como cediço, a aposentadoria por invalidez é o benefício previdenciário devido ao trabalhador


permanentemente incapaz de exercer qualquer atividade laborativa e que também não possa ser
reabilitado em outra profissão.

Nos termos do artigo 42 da Lei nº 8.213/91, que dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência
Social, in verbis:

Art. 42 - A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será
devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e
insusceptível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga
enquanto permanecer nesta condição.

Com efeito, para a concessão de referido benefício, é necessário o preenchimento de três requisitos
legais, quais sejam: a qualidade de segurado, o cumprimento do período de carência e a comprovação
da incapacidade para o trabalho bem como a não suscetibilidade de reabilitação para o exercício
de atividade que lhe garanta a subsistência.

No caso dos autos, por se tratar de causa acidentária, a prova pericial é imprescindível para apurar as
reais condições de saúde da postulante do benefício da aposentadoria por invalidez, objetivando auferir se
o mesmo efetivamente encontrava-se impossibilitado de exercer definitivamente uma atividade laboral.

Assim, conforme a conclusão do laudo médico-pericial do exame realizado no autor, o mesmo não
apresenta moléstia que o incapacite permanentemente para o exercício de uma atividade laboral. Senão
vejamos.

Em 29 de outubro de 2015, conforme determinação judicial (ID Num 1018563, pág. 01), foi realizada
perícia e inobstante ser cediço, que por força do princípio da livre apreciação da prova, consagrado no art.
436, do CPC/73, “O juiz não está adstrito ao laudo pericial”. Todavia, a rejeição do parecer do perito
judicial pressupõe a existência de outros elementos de convicção nos autos, hábeis para solucionar
questão de natureza técnica, que depende de conhecimento especial e não pode ser suprida pela
experiência pessoal do julgador. Assim, na ausência desses elementos, como ocorre no caso em análise,
não assiste ao julgador recusar as conclusões apresentadas no laudo.

Na perícia realizada pelo Dr. Marco Antonio Pinho Pereira, médico perito do trabalho, este conclui que (ID
Num 1018566, pág. 03/04) baseado no histórico, documentos médicos analisados e exame físico especial
apresentando discretas alterações, onde pode-se concluir que o autor é portador de discopatia, não
conferindo incapacidade ou redução para o desempenho da sua atividade laboral relatada ou para o
desempenho de qualquer atividade que lhe garanta a sua subsistência.

Ademais o autor não apresenta nenhuma das doenças incapacitantes, contidas no artigo 151 da lei
8.213/91 e na portaria interministerial MPS/MS n. 2.998/2001, quais sejam: tuberculose ativa, hanseníase,
alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível
e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida
(aids) ou contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada. (Redação dada
pela Lei nº 13.135, de 2015) .
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Outrossim, no laudo não consta qualquer incapacidade ou redução para o exercício da atividade habitual,
e nada que afete os atos da vida independente do autor.

Por conseguinte, após a leitura do supramencionado laudo, não ficou caracterizada qualquer doença que
denote a incapacidade laborativa definitiva do apelante, sendo forçoso reconhecer que inexiste direito ao
benefício previdenciário pleiteado.

Com efeito, consoante se depreende do laudo pericial, não restou demonstrada a incapacidade total e
irreversível do apelante para desempenhar uma atividade laboral, motivo pelo qual, o recorrido
efetivamente não faz jus à concessão do benefício da aposentadora por invalidez ou auxílio-doença.

Neste sentido:

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. ACIDENTE DE TRABALHO. CONVERSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE EM


APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. INCAPACIDADE
TOTAL E DEFINITIVA NÃO CONSTATADA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. 1.
Omissis. 2. Aposentadoria por invalidez. 2.1. A concessão de aposentadoria por invalidez pressupõe que o
segurado demonstre sua filiação ao Regime Geral de Previdência Social e sua permanente incapacidade
de exercer qualquer trabalho capaz de garantir seu digno sustento. 2.2. Caso concreto em que o acervo
probatório dos autos atesta apenas a subsistência de uma inaptidão definitiva do segurado para exercer
determinadas atividades laborais. Não há falar, assim, em concessão do benefício de aposentadoria por
invalidez, porquanto não verificada a incapacidade permanente do acidentado para o exercício de todo e
qualquer trabalho que lhe garanta o sustento. Correção do ato administrativo que resolveu pelo
deferimento de auxílio-acidente ao obreiro. Sentença de improcedência que, diante disso, merece ser
mantida. Preliminar afastada. Apelação desprovida. (Apelação Cível Nº 70076290469, Nona Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Rel. Des. Carlos Eduardo Richinitti, Julgado em 21/03/2018)

Ementa: ACIDENTE DE TRABALHO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. AUSÊNCIA DE


INCAPACIDADE TOTAL PARA O TRABALHO. DESCABIMENTO. Descabe a concessão do benefício de
aposentadoria por invalidez quando não evidenciada a incapacidade total e permanente do segurado para
o trabalho. Improcedência mantida. Apelação desprovida. (Apelação Cível Nº 70075935197, Décima
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Túlio de Oliveira Martins, Julgado em 29/01/2018)”

E, uma vez que não estando comprovada qualquer doença ocupacional que denote a incapacidade
laborativa do autor, é forçoso reconhecer que inexiste o direito à concessão do benefício reclamado.

Ante o exposto nego provimento ao recurso de Isaias Barros.

Do recurso de apelação de INSS

Alega o INSS- Instituto Nacional de Seguro Social que tem o direito ao recebimento da devolução integral
de todos os valores recebidos a título de benefício previdenciário por incapacidade concedido ao autor em
sede de tutela antecipada.

Entendo não lhe assistir razão.

Conforme se depreende dos autos, o autor que é hipossuficiente, percebeu de boa-fé o benefício
previdenciário que importa verba de natureza alimentar.

Com efeito, em observância aos princípios da razoabilidade e da dignidade da pessoa humana que
norteiam o direito, não se pode entender pelo cabimento da devolução desses valores.

Neste sentido:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA.


CONCESSÃO DE PENSÃO POR MORTE. EX-COMPANHEIRA COM DIREITO A PENSÃO
ALIMENTÍCIA. TEMPUS REGIT ACTUM. LC 39/2002. IRREPETIBILIDADE DOS
VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE TUTELA ANTECIPADA. NATUREZA ALIMENTAR. 1- A apelante
pretende ter reformada a sentença que julgou parcialmente procedente seu pedido, fixando o percentual
de 10% (dez por cento) sobre o montante integral da pensão, sendo o restante do percentual de 90%
(noventa por cento), rateado em partes iguais entre a viúva e a filha menor impúbere, que vieram a
integrar a lide na qualidade de litisconsortes necessárias. 2- No que tange à concessão de benefício de
pensão por morte, cediço que deve observância, excetuando-se as regras de transição, à legislação em
vigor na data do óbito do segurado, nos termos do Enunciado da Súmula nº 340 do STJ e em atenção ao
princípio do tempus regit actum; 3- A Lei n º 8.213/91, é clara ao dispor em seu art. 12 que o servidor civil,
desde que amparado por regime previdenciário próprio, é excluído do Regime Geral de Previdência Social,
restando indubitável que a legislação que deve viger a questão é a estadual, especificamente, a Lei
Complementar n° 39/2002, com alteração dada pela LC nº 49/2005; 4- O benefício da pensão por morte
deve respeitar a mesma proporção que os alimentos recebidos. O direito da ex-companheira à pensão do
segurado não deve extrapolar os limites da obrigação de prestação de alimentos estabelecida em decisão
judicial no percentual de 10% (dez por cento); 5- A apelante auferiu quantia superior ao que lhe era devido,
mas tal verba possui natureza alimentar, recebida de boa-fé, não competindo a devolução destes valores.
Deste modo, entendo que devam ser compensados entre si os valores supramencionados, razão pela qual
deixo de condenar o apelado ao pagamento do correspondente crédito retroativo da apelante; 6- Recurso
conhecido e desprovido (2018.03262534-48, 194.496, Rel. Celia Regina de Lima Pinheiro, Órgão
Julgador 1ª turma de direito público, Julgado em 2018-08-13, Publicado em 2018-08-21)

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO. COMPETÊNCIA. DEVOLUÇÃO


DE VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE TUTELA ANTECIPADA. NATUREZA ALIMENTAR.
IRREPETIBILIDADE. - A Constituição Federal prevê como exceção ao artigo 109, I, no parágrafo 3º, que
serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, as
causas em que for parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja
sede de vara do juízo federal. - A propósito dos pagamentos efetuados em cumprimento a decisões
antecipatórias de tutela, não se desconhece o julgamento proferido pelo C. STJ no Recurso Especial
Representativo de Controvérsia nº 1.401.560/MT, que firmou orientação no sentido de que a reforma da
decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários
indevidamente recebidos. Todavia, é pacífica a jurisprudência do E. STF, no sentido de ser indevida a
devolução de valores recebidos por força de decisão judicial antecipatória dos efeitos da tutela, em razão
da boa-fé do segurado e do princípio da irrepetibilidade dos alimentos. - Tem-se, ainda, que o Pleno do
Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recuso Especial n. 638115, já havia decidido pela irrepetibilidade
dos valores recebidos de boa fé até a data do julgamento. - Não há notícia nos autos de que a autora
tenha agido em fraude ou má-fé a fim de influenciar a decisão do magistrado a quo nos autos de nº
850/2007, que tramitou perante a 1ª Vara Civil da Comarca de Itápolis - SP. Razoável, portanto, presumir
que a parte autora agiu de boa-fé, sendo indevida a cobrança de valores levada a efeito pelo INSS. - Apelo
improvido. (TRF-3 - Ap: 00270977220134039999 SP, Relator: desembargadora federal Tania Marangoni,
data de julgamento: 27/11/2017, oitava turma, Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 data:12/12/2017)

Ante o exposto, nego provimento ao recurso do INSS.

Do dispositivo

Ante o exposto, conheço e nego provimento a ambos os recursos, deste modo, mantenho a decisão
recorrida.

Eis a decisão.

Belém, 18 de junho de 2020.

Desembargadora Diracy Nunes Alves


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Relatora

Número do processo: 0005508-92.2013.8.14.0037 Participação: APELANTE Nome: DAVI MARQUES


DOS SANTOS Participação: ADVOGADO Nome: DENNIS SILVA CAMPOS OAB: 15811/PA Participação:
APELADO Nome: ESTADO DO PARA

SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

APELAÇÃO CÍVEL - PROCESSO N.º 0005508-92.2013.8.14.0037

APELANTE: DAVI MARQUES DOS SANTOS

APELADO: ESTADO DO PARÁ

PROCURADORADE JUSTIÇA: MARIA DA CONCEIÇÃO GOMES DE SOUZA RELATORA: DESA.


DIRACY NUNES ALVES

DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposto por DAVI MARQUES DOS SANTOS, em face da r sentença
prolatada pelo MM Juízo de Direito da Vara Única da Comarca de Oriximiná, nos autos de AÇÃO COMUM
PARA PAGAMENTO DOS VALORES RETROATIVOS DE AUXÍLIO FARDAMENTO, o qual julgou
improvida.

Inconformado, DAVI MARQUES DOS SANTOS interpôs o presente recurso de apelação, sob o ID n.º
1150331, alegando: a) Que a sentença não condiz com o produzido nos autos, e com a legislação
estadual sobre o pagamento do referido auxílio; b) Que antes do ano de 2012 o Estado não pagava o
auxílio, e passou a reembolsar o valor de um soldo da referida graduação, a partir daquele ano; c)
Dessa forma, não havia como trabalhar sem o uso de farda, obrigatória por lei; d) Que cumpre ao
Estado do Pará fazer prova do regular fornecimento de uniforme, não tendo se desincumbido de
seu ônus probatório, tendo em vista que não demonstrou o fornecimento regular de todas as
peças, devendo ser responsabilizado nos termos do art. 78 e seguintes da Lei Estadual nº 4.491/73 e, e
) Que resta claro que o Estado começou a pagar o auxílio apenas em 2012, e que a lei que concede esse
benefício é bem anterior (1973), presume-se então, que nos anos anteriores a 2012 o autor não o recebia.
Por fim, requer a reforma da r. sentença, para condenar o Estado do Pará a pagar os valores retroativos
do auxílio fardamento devido aos militares e o pré-questionamento da matéria ao norte vergastada.

Constam do ID n.º 1150332, as contrarrazões recursais, as quais vem combatendo todos os


argumentos da apelante, aduzindo: a) Que a sentença não merece reparos, considerando que o direito ao
uniforme não corresponde a obrigação de natureza pecuniária, não configurando auxílio, mas obrigação in
natura, que é cumprida pelo Estado do Pará; b) Que o artigo 78, da Lei n.º 4.491/73 prevê o direito
ao uniforme, roupa branca e de cama, e se o Estado do Pará. nesta oportunidade, comprova haver
realizado os certames licitatórios para aquisição dos uniformes, tendo por consequência lógica, a entrega
destes aos integrantes da corporação, não subsiste razão para o prosseguimento desta demanda,
devendo ser prontamente rechaçada a tentativa de o recorrente obter injusto enriquecimento em
prejuízo dos cofres públicos; c) Que houve a celebração de Termo de Compromisso com os
representantes da categoria, a fim de atender à reivindicação da classe quando os mesmos se
encontravam em estado de greve, sendo que neste documento ficou acordado que partir do ano de 2012
o adimplemento da obrigação seria feito semestralmente e mediante entrega de valor, não se tornando
devida a respectiva parcela de forma retroativa e, d) Que o autor não fez prova de suas alegações,
limitando-se a elencar os supostos gastos e lhes atribuir valores irreais, assim sendo, há
inexistência de danos suportados, e apenas intuito de obter injusto locupletamento às custas do Poder
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Público. Por fim, requer seja negado provimento ao recurso, mantendo-se a r. sentença recorrida pelos
legítimos fundamentos expostos.

Uma vez distribuídos neste Egrégio Tribunal de justiça, coube-me a relatoria do feito. Ato Contínuo,
recebi o recurso apenas em efeito devolutivo, e fiz remessa ao Douto Parquet, para manifestação, ID
1153790.

Ao retornarem do órgão Ministerial, passam a constar dos mesmos, o parecer de ID 1187267, pelo
conhecimento e improvimento do recurso.

É O RELATÓRIO

DECIDO

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço e recebo o presente recurso.

Estudando os autos na forma que merece observo que, o cerne da questão está no fato de que o
apelante busca o reconhecimento de seu direito ao recebimento do auxílio fardamento, retroativo ao ano
de 2012.

Pois bem, examinemos a legislação acerca da matéria. A Lei n.º 4.491/73, mais especificamente em
seus artigos 78 e seguintes, prevê o direito ao recebimento do uniforme, ou a auxílio para aquisição
destes, na forma da lei. Assim vejamos.

Art. 78 - O aluno da Escola de Formação de Oficiais e praças de graduação inferior a terceiro (3°)
sargento, têm direito, por conta do Estado, ao uniforme, roupa branca e de cama, de acordo com as
tabelas de distribuição fixadas pelo Comando Geral da Polícia Militar.

Art. 79 - O policial militar ao ser declarado Aspirante a Oficial, ou promovido a terceiro (3°)
sargento, faz jus a um auxílio para aquisição de uniforme no valor de três (3) vezes o soldo de sua

graduação.

Parágrafo Único - Idêntico direito assiste aos oficiais nomeados e aos que ingressarem nos
quadros da PMPA no posto de segundo (2°) tenente.

Art. 80 - Ao Oficial, subtenente e sargentos PM, que o requerer quando promovidos, será
concedido um auxílio correspondente ao valor de um (1) soldo do novo posto ou graduação para

aquisição de uniforme.

§1° - A concessão prevista neste artigo será feita mediante despacho em requerimento do policial-militar
ao seu Comandante.

§ 2° - O auxílio referido neste artigo poderá ser requerido novamente se o policial-militar


permanecer mais de 4 (quatro) anos no mesmo posto ou graduação.

Art. 81 - O policial-militar que perder seu uniforme em qualquer sinistro havido em Organização
policial-militar ou militar ou em viagens a serviço, receberá um auxílio correspondente ao valor de
até três (3) vezes o valor do soldo de seu posto ou graduação.

Parágrafo Único - Ao Comandante do policial-militar prejudicado, por comunicação deste, cabe


providenciar sindicância e em solução determinação, se for o caso, o valor desse auxílio em função
dos prejuízos sofridos.
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Contudo, este direito foi convertido em pecúnia a partir do ano de 2012, após a assinatura, em janeiro de
2012, de um Termo de Compromisso entre o Estado e categoria, que a época estava de greve, no qual
ficou registrado o pagamento, em pecúnia, do auxilio fardamento, semestralmente.

Deste modo, alega o apelante que, antes da ocorrência da celebração deste Termo de Compromisso,
não recebeu o denominado auxílio.

Contudo, não foi possível verificar nos autos qualquer prova da falta de fornecimento do
fardamento pelo Estado ou mesmo a comprovação de gastos com a compra do uniforme,
considerando que somente apresentou alguns recibos sem data e sem valor fiscal, ID 1150324, fls.
23/24

De modo contrário, o Estado do Pará, conforme se depreende da documentação acostada,


trouxe aos autos a comprovação de que nos anos de 2006 a 2010 realizou diversos processos
licitatórios para a aquisição de uniformes, sendo consequência lógica, que seria para o fardamento
a toda a sua corporação, ID 1150328.

Assim sendo, entendo que o recorrente deixou de obter sucesso em se desincumbir do ônus trazido pelo
art. 373, I, do CPC/2015, aplicável ao caso em comento, pois cabe a ele o ônus de provar os fatos do
direito que pretende que seja reconhecido por este Poder.

Corroborando com o entendimento desta decisão, colaciono julgados deste Egrégio Tribunal de Justiça.

EMENTA: APELAÇO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA PARA PAGAMENTO DOS VALORES RETROATIVOS
DO AUXÍLIO FARDAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FALTA DE FORNECIMENTO DO
FARDAMENTO PELO ESTADO OU MESMO A COMPROVAÇÃO DE GASTOS PELO AUTOR COM A
COMPRA DO UNIFORME, QUE SUSTENTE A SUA PRETENSÃO. PRECEDENTES. RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO. I – Analisando a legislação atinente à matéria, qual seja a Lei n.º4.491/73,
mais especificamente em seus artigos 78 e seguintes, é possível concluir que o policial militar faz jus ao
recebimento do uniforme ou a Auxílio fardamento, com destino a suprir os gastos com a compra deste,
entretanto, esse direito somente foi convertido em pecúnia a partir do ano de 2012. II – Não foi possível
verificar nos autos qualquer prova da falta de fornecimento do fardamento pelo Estado ou mesmo a
comprovação de gastos pelo Autor com a compra do uniforme, que sustentaria sua pretensão. III –
Apelante que não logrou êxito em se desincumbir do ônus trazido pelo art. 373, I do CPC/2015. IV –
Apelação conhecida e improvida. (2729067, 2729067, Rel. ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA,
Órgão Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2020-01-27, Publicado em 2020-02-12)
APELAÇÃO CÍVEL.

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. COBRANÇA DE AUXÍLIO


FARDAMENTO. ANALISANDO A LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA, QUAL SEJA A LEI N.º4.491/73,
MAS ESPECIFICAMENTE EM SEUS ARTIGOS 78 E SEGUINTES, É POSSÍVEL CONCLUIR QUE O
POLICIAL MILITAR FAZ JUS AO RECEBIMENTO DO UNIFORME OU A AUXÍLIO FARDAMENTO, COM
DESTINO A SUPRIR OS GASTOS COM A COMPRA DESTE. OCORRE QUE O ESTADO DO PARÁ
TROUXE AOS AUTOS A COMPROVAÇÃO DE QUE NOS ANOS DE 2005 A 2010 REALIZOU
DIVERSOS PROCESSOS LICITATÓRIOS PARA A AQUISIÇÃO DE UNIFORMES PARA FORNECER
FARDAMENTO A TODA A SUA CORPORAÇÃO. EM SENTIDO CONTRÁRIO, NÃO HÁ NOS AUTOS
QUALQUER PROVA DA FALTA DE FORNECIMENTO DO FARDAMENTO PELO ESTADO OU MESMO
A COMPROVAÇÃO DE GASTOS PELO AUTOR COM A COMPRA DO UNIFORME, QUE SUSTENTE A
SUA PRETENSÃO. DESTE MODO, O APELANTE NÃO LOGROU ÊXITO EM SE DESINCUMBIR DO
ÔNUS DO ART.373, I DO CPC. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
ACÓRDÃO Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores componentes da 1ª Turma de
Direito Público, por unanimidade de votos, CONHECER DO RECURSO E NEGAR-LHE PROVIMENTO,
tudo nos termos relatados pela Desembargadora Relatora. Belém (PA), 10 de dezembro de 2019.
Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN Relatora (2551116, 2551116, Rel. EZILDA PASTANA
MUTRAN, Órgão Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2019-12-02, Publicado em 2019-12-
10). .
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Diante do exposto: De forma monocrática, na forma do permissivo no art 133, do R.I deste Egrégio
Tribunal de Justiça, acompanho o parecer ministerial e julgo o recurso conhecido e improvido, para manter
a sentença em todos os seus termos.

Belém, 17 de JUNHO de 2020

Desa. Diracy Nunes Alves

Relatora

Número do processo: 0007390-41.2017.8.14.0040 Participação: APELANTE Nome: L.M.S.E.


EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Participação: ADVOGADO Nome: ROSEVAL RODRIGUES
DA CUNHA FILHO OAB: 10652/PA Participação: APELADO Nome: ADALBERTO JOSE DA SILVA
LOURENCO

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
APELAÇÃO CÍVEL (198):0007390-41.2017.8.14.0040
APELANTE: L.M.S.E. EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA
Nome: L.M.S.E. EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA
Endereço: RUA A-10, QD 21, LT 01/03, SALA 10, CIDADE JARDIM, PARAUAPEBAS - PA - CEP: 68515-
000
Advogado: ROSEVAL RODRIGUES DA CUNHA FILHO OAB: PA10652-A Endereço: AVENIDA T 28, - de
1171/1172 ao fim, ST BUENO, GOIâNIA - GO - CEP: 74215-040
APELADO: ADALBERTO JOSE DA SILVA LOURENCO
Nome: ADALBERTO JOSE DA SILVA LOURENCO
Endereço: RUA S5, QD. 205, LT. 06, S/N, NÃO INFORMADO, CIDADE JARDIM, PARAUAPEBAS - PA -
CEP: 68515-000
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Apelação Cível interposta por L.M.S.E. EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., em


face de sentença proferida pelo Juízo da 3ª Vara Cível e Empresarial de Parauapebas/PA, nos autos da
Ação de Reintegração de Posse com Pedido Liminar c/c Indenização por Perdas e Danos, movida
contra ADALBERTO JOSÉ DA SILVA LOURENÇO, que julgou extinta a ação sem resolução do mérito,
face a inadequação da via eleita, nos termos do artigo 485, VI do CPC.

Em suas razões recursais (Num. 2246437 – Pág. 1/31), a apelante sustenta que as partes celebraram um
contrato de promessa de compra e venda, em que o apelado se comprometeu a pagar o saldo devedor de
R$ 31.842,00 (trinta e um mil, oitocentos e quarenta e dois reais), montante que seria financiado em 180
(cento e oitenta) parcelas, reajustadas com juros moratórios de 6% (seis por cento) ao ano e correção
monetária pelo IGPM/FGV.

No entanto, alega que o apelado deixou de cumprir com suas obrigações a partir da 59ª parcela, vencida
em 01/09/2015, quedando-se em mora à aludida parcela de financiamento, bem como em relação às
parcelas subsequentes. E, apesar de ter sido devidamente notificado, manteve-se inerte.

Assevera que o pacto firmado entre as partes estabelece como forma de rescisão a inadimplência de mais
de três parcelas consecutivas, assim, entende que a inércia do apelado, quando notificado, ocasionou a
resolução automática do contrato.
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E, com a resolução automática do contrato, defende que a posse do apelado no imóvel se tornou indevida,
ilegal e ilegítima, gerando pressupostos para a presente ação, pelo o que aduz que o magistrado de piso
incorreu em erro, não havendo dúvidas acerca da adequação dos pedidos de reintegração da apelante na
posse do respectivo imóvel.

Requer, portanto, a cassação da sentença, para que seja oportunizada a devida instrução do feito e, ao
final, a prolação de nova sentença ou, caso não seja esse o entendimento, pugna pela reforma da
sentença para que seja deferido o pedido de reintegração à apelante na posse do imóvel, com a
consequente aplicação das penalidades previstas no pacto em questão.

Não há notícias de devida intimação do apelado para responder ao recurso, nem mesmo há contrarrazões
juntada aos autos.

Éo relatório.

DECIDO.

Conheço da Apelação Cível, uma vez que preenchidos os requisitos de admissibilidade recursal.

Consigna-se, primeiramente, que muito embora não exista contrarrazões ao recurso nos autos, não se
verifica ofensa ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que o presente recurso comporta julgamento
imediato, com fulcro na interpretação conjunta do art. 932, VIII do CPC c/c art. 133, XI, “d” do Regimento
Interno deste E. TJPA, logo, ausente prejuízo efetivo ao apelado, em observância ao princípio pas de
nullité sans grief. Veja-se:

Cinge-se a controvérsia acerca da possibilidade ou não de reintegração de posse da Construtora no


imóvel, dado que o comprador restou inadimplente com o contrato de compra e venda firmado entre as
partes.

De acordo com a Construtora apelante, o contrato celebrado entre as partes já se rescindiu


automaticamente com a inadimplência do comprador, conforme previamente pactuado, sendo assim, a
posse do apelado deixou de ser justa e pacífica, justificando o manejo da presente ação de reintegração
de posse.

Não obstante as razões da recorrente, é sabido que se firmou o entendimento no sentido de que, em
atenção ao princípio da boa-fé objetiva, para fins de reintegração de posse com base em inadimplemento
contratual, se faz necessária a prévia e imprescindível manifestação judicial acerca da resolução
contratual, mesmo na hipótese de haver cláusula resolutória expressa para o caso de inadimplemento.

Nesse sentido, destaca-se:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO POSSESSÓRIA E AÇÃO


CONSIGNATÓRIA. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. CLÁUSULA RESOLUTIVA EXPRESSA.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO JUDICIAL PARA A
RESOLUÇÃO DO CONTRATO. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. Observa-se que o tema inserto nos arts. 474 e 475, do Código Civil não foi objeto de debate pela Corte
local, tampouco foram opostos embargos de declaração, nesse ponto, a fim de suprir eventual omissão. É
entendimento assente no Superior Tribunal de Justiça a exigência do prequestionamento dos dispositivos
tidos por violados, ainda que a contrariedade tenha surgido no julgamento do próprio acórdão recorrido.
Incidem, na espécie, as Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal.
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2. De qualquer forma, a jurisprudência do STJ entende que é imprescindível a prévia manifestação


judicial na hipótese de rescisão de compromisso de compra e venda de imóvel para que seja
consumada a resolução do contrato, ainda que existente cláusula resolutória expressa, diante da
necessidade de observância do princípio da boa-fé objetiva a nortear os contratos. Precedentes.

3. Agravo interno não provido.

(AgInt no AREsp 1278577/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
18/09/2018, DJe 21/09/2018) (grifo nosso).

---------------------------------------------------------------------------------------------

AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO


RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA.
RESCISÃO CONTRATUAL. INEXISTÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA. POSSE JUSTA.
AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DA DEMANDA. AGRAVO DESPROVIDO.

1. "É imprescindível a prévia manifestação judicial na hipótese de rescisão de compromisso de


compra e venda de imóvel para que seja consumada a resolução do contrato, ainda que existente
cláusula resolutória expressa, diante da necessidade de observância do princípio da boa-fé
objetiva a nortear os contratos. Por conseguinte, não há falar-se em antecipação de tutela
reintegratória de posse antes de resolvido o contrato de compromisso de compra e venda, pois
somente após a resolução é que poderá haver posse injusta e será avaliado o alegado esbulho
possessório" (REsp 620787/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 28/04/2009,
DJe 27/04/2009).

2. Agravo interno desprovido.

(AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1534185/PE, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA
TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 06/11/2017) (grifo nosso).

Sintonizado ao entendimento do C. STJ, as 02 (duas) Turmas de Direito Privado deste E. Tribunal firmou
mesmo posicionamento:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. INADIMPLEMENTO DE CONTRATO DE


COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO JUDICIAL DE RESCISÃO DO
CONTRATO PARA DEFERIMENTO DA REINTEGRAÇÃO DE POSSE. INOCORRÊNCIA.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO, À UNANIMIDADE. 1 - Há
muito, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento no sentido de que em atenção ao princípio da
boa-fé objetiva, para fins de Reintegração de Posse com base em inadimplemento contratual, se faz
necessária a prévia e imprescindível manifestação judicial acerca da resolução contratual, mesmo
na hipótese de haver cláusula resolutória expressa para o caso de inadimplemento. Precedentes do
STJ e desta 2ª Turma de Direito Privado. 2 – Hipótese dos autos em que a rescisão contratual não foi
objeto da demanda, não tendo havido, portanto, manifestação judicial a respeito da rescisão contratual
com a verificação dos pressupostos que justificam a resolução do contrato de compra e venda do
imóvel. Sem a efetiva rescisão contratual por meio de declaração judicial não é possível se falar em
esbulho e, em consequência, de pedido de reintegração de posse. 3 - Tendo vista a inadequação
da via eleita pelo apelante e a impossibilidade de observância, na hipótese, do rito especial
destinado as ações possessórias, impõe-se a manutenção da sentença que extinguiu o feito sem
resolução do mérito 4 – Recurso conhecido e desprovido, à unanimidade. (TJ-PA. AP 0017059-
55.2016.8.14.0040. 2ª Turma de Direito Privado. Rel. RICARDO FERREIRA NUNES. Julgado em
04/02/2020, Publicado em 12/02/2020) (grifo nosso).

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P R O C E S S U A L C I V I L . A G R A V O D E
INSTRUMENTO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C REINTEGRAÇÃO DE POSSE. LIMINAR
DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DEFERIDA. CAUSA DE PEDIR. INADIMPLEMENTO
EM CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INEXISTÊNCIA DE PRÉVIA
MANIFESTAÇÃO JUDICIAL SOBRE A RESOLUÇÃO DO CONTRATO ANTES DA ANÁLISE DA
LIMINAR POSSESSÓRIA. CONTRARIEDADE AOS PRECEDENTES DO STJ. NECESSIDADE DE
OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA. DECISÃO AGRAVADA REFORMADA. Recurso
conhecido e provido. (TJPA. AI 0078747-75.2015.8.14.0000. 1ª Turma de Direito Privado. Rel. Maria do
Ceo Maciel Coutinho. Julgado em 04/02/2019. DJe 06/02/2019) (grifo nosso).

Deste modo, para que seja requerida e deferida a reintegração de posse faz-se necessária a prévia
declaração de rescisão contratual por decisão judicial e, somente após isso, deverá ser analisado eventual
pedido de reintegração de posse.

No caso dos autos, a rescisão contratual não foi objeto da demanda, não tendo havido manifestação
judicial a respeito da rescisão contratual com a verificação dos pressupostos que justificam a resolução do
contrato de compra e venda do imóvel. Logo, sem a efetiva rescisão contratual por meio de declaração
judicial não é possível se falar em esbulho e, em consequência, de pedido de reintegração de posse.

Atente-se, ainda, ao fato de que, sem o pedido de rescisão contratual na exordial, a análise dos requisitos
para tanto significaria ultrapassar os limites da lide, configurando decisão extra petita, o que é vedado em
nosso ordenamento jurídico.

Feitas estas considerações, entendo que não merece reforma a sentença, pois é imprescindível a prévia
manifestação judicial na hipótese de rescisão de compromisso de compra e venda de imóvel para que seja
consumada a resolução do contrato e, só então, preenchidos os requisitos para a busca de medida
possessória.

Assim, tendo em vista a inadequação da via eleita pela apelante e a impossibilidade de observância na
hipótese do rito especial destinado as ações possessórias, impõe-se a manutenção da sentença que
extinguiu o feito sem resolução do mérito, na linha da jurisprudência do STJ e deste Tribunal de Justiça.

Ante o exposto, com fulcro na interpretação conjunta do artigo 932, VIII c/c artigo 133, XI, ‘d’ do Regimento
Interno deste E. Tribunal, CONHEÇO, porém, NEGO PROVIMENTO a Apelação Cível, mantendo a
sentença em seus termos, conforme fundamentação supra.

Após o trânsito em julgado, remetam-se estes autos ao juízo ‘a quo’, dando-se baixa na distribuição deste
Relator.

Belém-PA, data registrada no sistema.

JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR

Desembargador – Relator

Número do processo: 0801928-02.2019.8.14.0040 Participação: APELANTE Nome: BANCO BRADESCO


SA Participação: APELADO Nome: IRACEMA LEAL DOS SANTOS Participação: ADVOGADO Nome:
ADRIANE DE SOUZA DA ROCHA OAB: 25472 Participação: ADVOGADO Nome: TATHIANA
ASSUNCAO PRADO OAB: 14531/PA Participação: ADVOGADO Nome: NICOLAU MURAD PRADO OAB:
131
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

14774/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
APELAÇÃO CÍVEL (198):0801928-02.2019.8.14.0040
APELANTE: BANCO BRADESCO SA
Nome: BANCO BRADESCO SA
Endereço: Banco Bradesco S.A., Rua Benedito Américo de Oliveira, s/n, Vila Yara, OSASCO - SP - CEP:
06029-900
Advogado: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES OAB: PA15201-A Endereço: AVENIDA DAS
NACOES UNIDAS 12901, Avenida das Nações Unidas 12901, BROOKLIN PAULISTA, SãO PAULO - SP -
CEP: 04578-910
APELADO: IRACEMA LEAL DOS SANTOS
Nome: IRACEMA LEAL DOS SANTOS
Endereço: AV. BURITI, LOTE 04, QUADRA 38, CASAS POPULARES II, PARAUAPEBAS - PA - CEP:
68515-000
Advogado: NICOLAU MURAD PRADO OAB: PA14774-A Endereço: RUA D, 374, CIDADE NOVA,
PARAUAPEBAS - PA - CEP: 68515-000 Advogado: TATHIANA ASSUNCAO PRADO OAB: PA14531-A
Endereço: RUA D, 374, CIDADE NOVA, PARAUAPEBAS - PA - CEP: 68515-000 Advogado: ADRIANE
DE SOUZA DA ROCHA OAB: 25472-A Endereço: desconhecido
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Apelação Cível interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça por BANCO BRADESCO
S/A, nos autos da Ação Declaratória de Nulidade de Desconto Previdenciário c/c Repetição de Indébito e
Danos Morais (processo nº 0801928-02.2019.8.14.0040), proposta por IRACEMA LEAL DOS SANTOS,
em razão da sentença proferida pelo juízo da 2ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Parauapebas –
PA, que julgou procedentes os pedidos da autora/apelada, com resolução de mérito, nos termos do art.
487, I do CPC. Custas e honorários pelo réu/apelante, estes fixados em 10% (dez por cento) do valor da
condenação.

Em suas razões recursais, sob o Num. 2225084 – pág. 1/31, o apelante alega: a) preliminar: do
cerceamento de defesa, com a existência de contradição dos fatos narrados com as provas e os efeitos da
revelia, além da impossibilidade do julgamento antecipado da lide, que ocorreu antes do término do prazo
para a apresentação de contestação; e b) mérito: da ausência de ato ilícito praticado pelo apelante, que
agiu em exercício regular de seu direito. Em razão disso, reputa inexistentes os danos morais vindicados,
mas, caso mantidos, que sejam minorados. Pugna pela inaplicabilidade da repetição em dobro do indébito,
pois alega a ocorrência de engano justificável. Requer o conhecimento e provimento do recurso, para a
reforma da sentença recorrida.

Contrarrazões recursais sob o Num. 2225092 – pág. 1/13, nas quais a apelada requer seja mantida a
decisão recorrida em seus termos integrais.

Éo relatório.

Decido.

O presente recurso comporta julgamento imediato com fulcro na interpretação conjunta do art. 932, VIII do
CPC c/c art. 133, XII, “d”, do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça.

Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, conheço do recurso e passo à sua análise. A


causa versa sobre relação de consumo e deve ser analisada à luz da Lei nº 8.078/90 – Código do
Consumidor.
132
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

O caso concreto se trata de Ação Declaratória de Nulidade de Desconto Previdenciário c/c Repetição de
Indébito e Danos Morais, na qual a autora, ora apelada, alega na petição inicial que a instituição financeira
agravante vem debitando mensalmente em seus proventos de aposentadoria parcelas referentes a 01
(um) empréstimo consignado alusivo ao contrato de número 809122873, cuja contratação não reconhece.

Em decisão interlocutória sob o Num. 2225064 – pág. 1/2, o juízo de 1º grau deferiu o pedido de tutela
antecipada requerido, determinando o cancelamento/suspensão dos descontos questionados, mediante
expedição de ofício ao INSS, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, além da citação do réu/apelante, que
não chegou a apresentar a sua defesa escrita.

Sobre tal fato, observo que a carta registrada com Aviso de Recebimento – AR (Num. 2225080 – pág. 1)
foi recebida pelo apelante no dia 23/04/2019 e anexada aos autos no dia 07/06/2019, conforme
andamento constante no sistema PJE.

Nos termos do art. 231, I do CPC, o prazo para a apresentação de defesa escrita teve início nessa data
(07/06/2019), contudo o juízo de 1º grau sentenciou precocemente o feito no dia 13/06/2019, decretando a
revelia do banco apelante quando ainda fluindo o prazo legal para o apelante apresentar sua contestação.
Logo, cristalina a afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório insculpido no art. 5º, LV de nossa
Carta Magna.

Outrossim, ao sentenciar o feito, o juízo de 1º grau assim discorreu: “(...). Ora, tratando a relação jurídica
aqui posta de inequívoca relação de consumo, art.2º e 3º do CDC, e diante da fragilidade da parte autora,
consumidor, impõe-se a inversão do ônus da prova em seu favor. É importante salientar que, conforme a
súmula 479 do STJ, as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito
interno relativos a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Nesse
sentido, tais instituições têm o dever de proceder com a máxima diligência na realização de empréstimos
consignados, principalmente, quando se trata de pessoa idosa, vez que mais vulnerável à ocorrência de
fraude. Na verdade, deveria o réu, na condição de agente financeiro, ter maior cautela diante de
contratações de empréstimos, certificando-se de que o cliente teve a clara compreensão do que estava
contratando, afastando assim o vício de consentimento e, por consequência, a validade do contrato. (...).
Com a inversão do ônus da prova, incumbia-se a instituição financeira de demonstrar a regularidade na
realização do pacto, o que não foi feito, vez que o requerido foi revel. (...)”.

Ora, neste caso, além do acima exposto, não se mostrava viável também a inversão do ônus da prova tão
somente na sentença, pois se trata de exceção ao disposto no art. 373 do CPC, sendo regra de instrução
e não de julgamento, razão pela qual deve ser feita antes de findada a instrução processual, eis que a
condenação tem por base uma conduta imputada ao réu BANCO BRADESCO S/A.

Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento:

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CÓDIGO DE DEFESA DO


CONSUMIDOR. LEI 8.078/90, ART. 6º, INC. VIII. REGRA DE INSTRUÇÃO. DIVERGÊNCIA
CONFIGURADA. 1. O cabimento dos embargos de divergência pressupõe a existência de divergência de
entendimentos entre Turmas do STJ a respeito da mesma questão de direito federal. Tratando-se de
divergência a propósito de regra de direito processual (inversão do ônus da prova) não se exige que os
fatos em causa no acórdão recorrido e paradigma sejam semelhantes, mas apenas que divirjam as
Turmas a propósito da interpretação do dispositivo de lei federal controvertido no recurso. 2. Hipótese em
que o acórdão recorrido considera a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, inciso VIII, do CDC
regra de julgamento e o acórdão paradigma trata o mesmo dispositivo legal como regra de instrução.
Divergência configurada. 3. A regra de imputação do ônus da prova estabelecida no art. 12 do CDC tem
por pressuposto a identificação do responsável pelo produto defeituoso (fabricante, produtor, construtor e
importador), encargo do autor da ação, o que não se verificou no caso em exame. 4. Não podendo ser
identificado o fabricante, estende-se a responsabilidade objetiva ao comerciante (CDC, art. 13). Tendo o
consumidor optado por ajuizar a ação contra suposto fabricante, sem comprovar que o réu foi realmente o
fabricante do produto defeituoso, ou seja, sem prova do próprio nexo causal entre ação ou omissão do réu
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

e o dano alegado, a inversão do ônus da prova a respeito da identidade do responsável pelo produto pode
ocorrer com base no art. 6º, VIII, do CDC, regra de instrução, devendo a decisão judicial que a determinar
ser proferida "preferencialmente na fase de saneamento do processo ou, pelo menos, assegurando-se à
parte a quem não incumbia inicialmente o encargo, a reabertura de oportunidade" (RESP 802.832, STJ 2ª
Seção, DJ 21.9.2011). 5. Embargos de divergência a que se dá provimento. (STJ. EREsp 422778/SP.
Segunda Seção. Min. Rel. Maria Isabel Gallotti. Julgamento em 29/02/2012. DJe 21/06/2012) (grifei).

PROCESSUAL CIVIL. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.


REGRA DE INSTRUÇÃO. EXAME ANTERIOR À PROLAÇÃO DA SENTENÇA. PRECEDENTES DO STJ.
1. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do
CDC, é regra de instrução e não regra de julgamento, sendo que a decisão que a determinar deve -
preferencialmente - ocorrer durante o saneamento do processo ou - quando proferida em momento
posterior - garantir a parte a quem incumbia esse ônus a oportunidade de apresentar suas provas.
Precedentes: REsp 1395254/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
15/10/2013, DJe 29/11/2013; EREsp 422.778/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/
Acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 29/02/2012, DJe
21/06/2012. 2. Agravo regimental não provido. (STJ. AgRg no REsp 1450473/SC. Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES. DJe 23/09/2014) (grifo nosso) (grifei)

Corroborando o raciocínio, trago julgados desta Egrégia Corte de Justiça, por suas 02 (duas) Turmas de
Direito Privado:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO C/C COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E


REPARAÇÃO DE DANO MORAL E MATERIAL. PRELIMINAR. NULIDADE DA SENTENÇA.
DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NA
SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. MOMENTO OPORTUNO. FASE DE SANEAMENTO. REGRA DE
PROCEDIMENTO. NECESSIDADE DE ANULAÇÃO DA SENTENÇA A QUO COM RETORNO DOS
AUTOS À ORIGEM PARA REABERTURA DE OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO NOS AUTOS,
SENDO RETOMADA A FASE PROBATÓRIA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO ADESIVO
PREJUDICADO. APELO CONHECIDO E PROVIDO. (2018.02379268-97, Não Informado, Rel.
CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO, Órgão Julgador 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO, Julgado
em 2018-06-14, publicado em 2018-06-14) (grifei)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO


ANTES DA PROLAÇÃO DA SENTENÇA, PREFERENCIALMENTE NA FASE SANEADORA DO FEITO.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Ademais, o entendimento pacífico do Colendo Superior Tribunal
de Justiça é no sentido de que a inversão do ônus probatório deve ocorrer preferencialmente na fase de
saneamento do processo, sendo assegurado à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo, a
reabertura de oportunidade para apresentação de provas. 2. Como se depreende do entendimento do
STJ, recomenda-se que a questão relativa à inversão do ônus da prova seja apreciada ainda na fase
saneadora do feito, mas ela pode ser feita posteriormente, desde que antes da sentença e garantida à
parte a quem incumbia esse ônus a oportunidade de apresentar suas provas. 3. No caso dos autos, a
decisão saneadora já ocorrera. Desse modo, caso entenda-se pela inversão do ônus da prova, cuja
discussão deve ocorrer antes da sentença, deve ser garantida a oportunidade de apresentação de provas
a quem deter o ônus probatório. 4. Recurso conhecido e provido. (2018.03555577-30, 195.220, Rel. JOSE
MARIA TEIXEIRA DO ROSARIO, Órgão Julgador 2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO, Julgado em 2018-
08-21, publicado em 2018-09-03) (grifei)

Assim, demonstrado está a ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório assegurado no art. 5º,
LV da CR, de forma que a sua inobservância acarreta nulidade insanável.

Dito isto, nos termos do art. 932, VIII do CPC c/c art. 133, XII, “d”, do Regimento Interno deste Egrégio
Tribunal de Justiça, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao recurso, acolhendo a preliminar de
cerceamento de defesa, nos termos da fundamentação ao norte lançada, para declarar a nulidade da
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sentença por violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, devolvendo o feito à fase de
apresentação de contestação, conforme fundamentação supra, restando prejudicados os demais da
apelação.

Transitando em julgado esta decisão, dê-se baixa na distribuição deste relator.

Belém – PA, em data registrada no sistema.

José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Júnior

Desembargador – Relator

Número do processo: 0033806-78.2013.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: MARIA DO


PERPETUO SOCORRO DINIZ DE MORAES Participação: ADVOGADO Nome: HAROLDO SOARES DA
COSTA OAB: 8004 Participação: ADVOGADO Nome: KENIA SOARES DA COSTA OAB: 15650/PA
Participação: APELANTE Nome: BANCO ITAU VEICULOS S.A. Participação: ADVOGADO Nome: CELSO
MARCON OAB: 13536/PA Participação: APELADO Nome: BANCO ITAU VEICULOS S.A. Participação:
ADVOGADO Nome: CELSO MARCON OAB: 13536/PA Participação: APELADO Nome: MARIA DO
PERPETUO SOCORRO DINIZ DE MORAES Participação: ADVOGADO Nome: HAROLDO SOARES DA
COSTA OAB: 8004 Participação: ADVOGADO Nome: KENIA SOARES DA COSTA OAB: 15650/PA 1ª
TURMA DE DIREITO PRIVADO. APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0033806-78.2013.814.0301.

COMARCA: BELÉM / PA.

APELANTE / APELADO: MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO DINIZ MORAES.

ADVOGADO: KENIA SOARES DA COSTA - OAB/PA nº 15.650.

ADVOGADO: HAROLDO SOARES DA COSTA - OAB/PA nº 18.004.

APELADO / APELANTE: BANCO ITÁU VEÍCULOS S/A (BANCO FIAT S/A).

ADVOGADO: CARLA CRISTINA LOPES SCORTECCI - OAB/PA nº 25.727-A.

ADVOGADO: EGBERTO HERNANDES BLANCO - OAB/SP 89.457.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. PRELIMINAR. CERCEAMENTO


DE DEFESA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DA PROVA
PERICIAL REQUERIDA. DESNECESSIDADE. CONTRATO DE FINANCIAMENTO JUNTADO AOS
AUTOS. MÉRITO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. TAXA DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO
DUODÉCUPLO DA MENSAL. POSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA NO CASO CONCRETO.
PRECEDENTES DO STJ. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO
COM DEMAIS ENCARGOS PREVISTOS PARA O PERÍODO DE ANORMALIDADE
(INADIMPLEMENTO). PRECEDENTE DO STJ. TARIFA DE EMISSÃO DE CARNÊ (TEC) E DA TARIFA
DE ABERTURA DE CRÉDITO (TAC). IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA APÓS A RESOLUÇÃO DO
CMN Nº 3.518/2007, EM 30.4.2008. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MANUTENÇÃO DO
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PERCENTUAL. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSOS DE APELAÇÃO CONHECIDOS E


IMPROVIDOS.

Tratam-se de APELAÇÕES CÍVEIS interpostas perante este Egrégio Tribunal de Justiça por MARIA DO
PERPÉTUO SOCORRO DINIZ MORAES e BANCO ITÁU VEÍCULOS S/A (BANCO FIAT S/A), nos autos
da Ação Revisional movida por aquela em desfavor deste, diante do inconformismo de ambos com a
sentença proferida pelo juízo da 7ª Vara Cível de Belém, que julgou parcialmente procedente os pedidos
da exordial, tão somente para vedar a cobrança cumulada da comissão de permanência com os demais
encargos previstos para o período de inadimplência, bem como afastou a cobrança da Taxa de Emissão
de Carnê (TEC) e Taxa de Abertura de Crédito (TAC), determinando que todos os valores indevidamente
pagos pelo Autor fossem devolvidos na forma simples.

Razões da Autora apresentada às fls. ID 628418 - Pág. 01/17, onde a Recorrente sustenta,
preliminarmente, a violação da ampla defesa e contraditório, posto que foi requerida a produção de prova
pericial, contudo, o juízo a quo proferiu o julgamento antecipado da lide. No mérito, aduz pela vedação de
capitalização mensal dos juros, razão porque requer a revisão do pacto para valores inferiores ao que fora
cobrado no contrato de empréstimo pessoal.

Mesmo tendo sido devidamente intimado, o Réu não apresentou contrarrazões.

Razões do Réu às fls. ID 628419 - pág. 01/09, tendo ele alegado, em suma, a legalidade na cobrança da
TEC, TAC e comissão de permanência, pelo que seria indevida a devolução de tais valores. Ao final,
requereu também a minoração dos honorários advocatícios de sucumbência que foram fixados em seu
desfavor.

Contrarrazões da Autora às fls. ID 628420 - Pág. 01/05, sendo requerido por ela, em resumo, o
desprovimento do apelo interposto pelo Réu.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

1. Da preliminar de cerceamento de defesa.

Preliminarmente, verifico que a Apelante aduz a ocorrência de cerceamento de defesa ante o julgamento
antecipado da lide, uma vez que requereu na exordial a produção de prova pericial para fins de
comprovação dos encargos abusivos cobrados pela instituição financeira, contudo, no meu sentir, entendo
ser completamente desnecessária a produção de laudo contábil por perito oficial do juízo, eis que
consoante o arcabouço fático e probatório da demanda, já podemos aferir de plano sobre a existência ou
não de encargos abusivos no contrato de financiamento entabulado entre os litigantes, pois o mesmo foi
juntado aos autos, sendo completamente desnecessária a elaboração de laudo por expert do juízo. Neste
sentido, confira-se:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. ALEGAÇÃO DE


CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUROS
REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. ENTENDIMENTO
FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. PREVISÃO NO CONTRATO. REEXAME DE
PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. NÃO PROVIMENTO.

1. Não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, devidamente


fundamentado, sem a produção de prova técnica considerada dispensável pelo juízo, uma vez que
cabe ao magistrado dirigir a instrução e deferir a produção probatória que entender necessária à formação
do seu convencimento.

(STJ - AgInt no AREsp 1443474 / MS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, publicado no DJe
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em24/09/2019)

Assim, REJEITO a preliminar de cerceamento de defesa.

2. Do mérito.

2.1- Da capitalização dos juros.

Sobre o tema, destaco que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento tranquilo quanto a
aplicabilidade da medida provisória nº 2.170-36/2001 aos contratos firmados com as instituições
financeiras, conforme preconiza a sua súmula nº 539: “É permitida a capitalização de juros com
periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro
Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que
expressamente pactuada.”

No caso em particular, verifico a existência de previsão expressa acerca da possibilidade da


capitalização dos juros, bem como de que o contrato de empréstimo foi celebrado no mês de maio/2011,
ou seja, em data posterior a edição da Medida Provisória nº 1.963-17/2000.

Por conseguinte, destaco recente precedente do Superior Tribunal de Justiça acerca do anatocismo (AgRg
no AREsp 429029 / PR, Relator Ministro MARCO BUZZI, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/03/2016,
publicado no DJe em 18/04/2016), sedimentando o entendimento no âmbito da Segunda Seção do
Tribunal da Cidadania – que trata especificamente sobre matéria de direito privado -, onde o Digníssimo
Relator consignou o seguinte: “A existência de uma norma permissiva, portanto, é requisito
necessário e imprescindível para a cobrança do encargo, porém não suficiente/bastante, haja vista
estar sempre atrelado ao expresso ajuste entre as partes contratantes, principalmente em virtude
dos princípios da liberdade de contratar, da boa-fé e da adequada informação”

Complementando, assim destacou o Min. Marco Buzzi:

“Não é demais anotar, também, que o conceito que se tem sobre o que seja considerado ‘expressa
pactuação’ foi novamente redimensionado. No bojo do REsp n. 973.827/RS, representativo da
controvérsia, Relatora para o acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 8/8/2012,
DJe 24/9/2012, afirmou-se que ‘a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao
duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada’...

Pois bem, após o panorama traçado, é inegável que a capitalização, seja em periodicidade anual ou
ainda com incidência inferior à ânua - cuja necessidade de pactuação, aliás, é firme na jurisprudência
desta Casa -, não pode ser cobrada sem que tenham as partes contratantes, de forma prévia e
tomando por base os princípios basilares dos contratos em geral, assim acordado, pois a ninguém
será dado negar o caráter essencial da vontade como elemento do negócio jurídico, ainda que nos
contratos de adesão, uma vez que a ciência prévia dos encargos estipulados decorre da aplicação dos
princípios afetos ao dirigismo contratual.

De fato, sendo pacífico o entendimento de que a capitalização inferior à anual depende de


pactuação, outra não pode ser a conclusão em relação àquela em periodicidade ânua, sob pena de
ser a única modalidade (periodicidade) do encargo a incidir de maneira automática no sistema financeiro,
embora inexistente qualquer determinação legal nesse sentido, pois o artigo 591 do Código Civil apenas
permite a capitalização anual e não determina a sua incidência automaticamente”

Com efeito, verifico que ao tempo da perfectibilização do ajuste contratual entre os litigantes, o qual se
refere a um pacto de financiamento, já vigoravam as disposições da MP nº 2.170-36, bem como de que
o contrato fez previsão expressa acerca da capitalização dos juros, pois às fls. ID 628416 - Pág. 27,
é possível observar a previsão de taxa efetiva anual de juros (29,53%,) superior ao duodécuplo da mensal
(2,18%). Logo, deve permanecer inalterado o entendimento sufragado pelo juiz de base.
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Nesse diapasão, assim vem se manifestando a mais recente jurisprudência do C. STJ:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIMITAÇÃO DOS JUROS. REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ.
CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. LEGALIDADE. PACTUAÇÃO EXPRESSA. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA. PREVISÃO CONTRATUAL. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO.
INADMISSIBILIDADE. JUROS DE MORA. 1% AO MÊS. DECISÃO MANTIDA.

3. "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa
e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp n. 973827/RS, Relatora
para o acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 8/8/2012 DJe
24/9/2012). Precedente representativo da controvérsia (art. 543-C do CPC/1973).

(AgRg no AREsp 586987 / RS, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, publicado no DJe
30/05/2016)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL EXPRESSAMENTE PACTUADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA.
AGRAVO DESPROVIDO.

2. A eg. Segunda Seção do STJ, em sede de julgamento de recurso especial representativo da


controvérsia, firmou tese no sentido de que: (a) "É permitida a capitalização de juros com periodicidade
inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n.
1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada"; e (b) "A
capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e
clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp 973.827/RS, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO,
julgado em 08/08/2012, DJe de 24/09/2012).

(AgRg no AREsp 798151 / MS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em 27/05/2016)

A respeito da Lei de Usura (Decreto-Lei nº 22.626/1933), frise-se que o Supremo Tribunal Federal entende
que ela não se aplica às taxas de juros estipuladas pelas instituições financeiras, nos termos da súmula
596/STF, a saber: “As disposições do Decreto 22.626/33 não se aplicam às taxas de juros e aos outros
encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema
financeiro nacional. Isto posto, podemos concluir que é perfeitamente possível a exigência de juros
remuneratórios em patamar superior a 12% ao ano.

Nesta senda, colaciono abaixo os seguintes precedentes do C. STJ:

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO (ART. 544 DO CPC) - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO


CUMULADA COM CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO – DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU
PROVIMENTO AO RECLAMO. INCONFORMISMO DA AUTORA.

1. Juros remuneratórios. Impossibilidade de limitação em 12% ao ano, pois os juros remuneratórios


não sofrem a limitação imposta pelo Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura), conforme dispõe a Súmula
596/STF.

(STJ - AgRg no AREsp 736246 / MS, Relator Ministro MARCO BUZZI, publicado no DJe em
26/02/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. INAPLICÁVEL LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO. JUROS DE


MORA. PERCENTUAL CONTRATADO EM 1% AO MÊS. POSSIBILIDADE.
REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. AGRAVO DESPROVIDO.

1. A taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira acima da taxa média do mercado
não induz, por si só, à conclusão de tratar-se de cobrança abusiva. Precedentes. Assim, ante a ausência
de comprovação cabal da cobrança abusiva, deve ser mantida, in casu, a taxa de juros remuneratórios
acordada.

(STJ - AgRg no AREsp 591826 / RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em
17/03/2016)

2.2- Da comissão de permanência.

Sobre a cobrança de comissão de permanência, consigno que o C. STJ vem entendendo por refutar a
possibilidade de sua cumulação com os demais encargos incidentes durante o período inadimplência.
Neste sentido, confira-se:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. REAJUSTE.


VARIAÇÃO CAMBIAL. RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA DA CAPTAÇÃO. COMPROVAÇÃO
ESPECÍFICA. DESNECESSIDADE. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE
CUMULAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.

4. É válida a cláusula contratual que prevê a cobrança da comissão de permanência, calculada pela taxa
média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, de acordo com a espécie da operação, tendo
como limite máximo o percentual contratado, sendo admitida apenas no período de inadimplência, desde
que pactuada e não cumulada com os encargos da normalidade (juros remuneratórios e correção
monetária) e/ou com os encargos moratórios (juros moratórios e multa contratual).

(REsp 1217057 / TO, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, publicado no DJe em
26/04/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. BANCÁRIO.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL. PACTUADA. CONTRATO POSTERIOR À MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.170-
36/2001. POSSIBILIDADE DA COBRANÇA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. COBRANÇA CUMULADA.
ENCARGOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.

2. É possível a cobrança de comissão de permanência durante o período de inadimplemento contratual, à


taxa média dos juros de mercado, limitada ao percentual fixado no contrato (Súmula nº 294 do STJ),
desde que não cumulada com a correção monetária (Súmula nº 30 do STJ), com os juros
remuneratórios (Súmula nº 296 do STJ) e moratórios e multa contratual (REsp n. 1.058.114/RS, recurso
representativo de controvérsia, Relator p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda
Seção, julgado em 12/8/2009, DJe 16/11/2010).

(AgRg no AREsp 765304 / RS, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, publicado no DJe 15/02/2016)

Isso posto, não assiste razão ao Réu/Recorrente quando afirma sobre possibilidade da cumulação da
comissão de permanência com os demais encargos previstos para o período de anormalidade. Ademais,
constato que nos termos da cláusula nº 17 do contrato de financiamento (fls. ID 628416 - Pág. 25), de fato
ocorreu a indevida cobrança de comissão de permanência com os demais encargos previstos
especificamente para o período de anormalidade.

Dessarte, a Autora faz jus a devolução de valores, na forma simples, concernentes ao quantum
efetivamente pago a título de comissão de permanência.
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2.3- Da Taxa de Emissão de Carnê – TEC e Taxa de Abertura de Crédito – TAC.

Sem devaneios, destaco que o C. STJ já teve a oportunidade de se manifestar em sede de recurso
representativo de controvérsia, motivo pelo qual colaciono abaixo trecho final do voto proferido pela Minª
Relatora Maria Isabel Gallotti:

“VII - TESES REPETITIVAS

Ficam estabelecidas as seguintes teses para o efeito do art. 543-C, do CPC:

2ª TESE:

Com a vigência da Resolução CMN 3.518/2007, em 30.4.2008, a cobrança por serviços bancários
prioritários para pessoas físicas ficou limitada às hipóteses taxativamente previstas em norma
padronizadora expedida pela autoridade monetária. Desde então, não mais tem respaldo legal a
contratação da Tarifa de Emissão de Carnê (TEC) e da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), ou outra
denominação para o mesmo fato gerador. Permanece válida a Tarifa de Cadastro expressamente
tipificada em ato normativo padronizador da autoridade monetária, a qual somente pode ser cobrada no
início do relacionamento entre o consumidor e a instituição financeira.”

(REsp 1251331 / RS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, publicado no DJe em 24/10/2013)

Desse modo, uma vez que o contrato de financiamento foi celebrado em maio/2011, ou seja, em data
posterior a vigência da Resolução CMN 3.518/2007, de 30/04/2008, faz-se imperiosa a manutenção de
reconhecimento da ilegalidade da TEC e da TAC, devendo, por via de consequência serem devolvidos ao
consumidor, na forma simples, os valores efetivamente pagos a título das referidas tarifas.

2.4- Do valor dos honorários advocatícios sucumbenciais.

Acerca do tema, o Réu/Apelante aduz que o valor fixado a título de honorários advocatícios sucumbenciais
(15% sobre o valor da causa, o qual foi indicado pelo Autor no quantum de R$-60.523,59 - sessenta mil,
quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e nove centavos -), representaria valor exorbitante, pelo que
requereu a sua minoração. Contudo, é patente a constatação de que o juízo a quo obedeceu ao interregno
valorativo concernente ao percentual dos honorários advocatícios, bem como relativo a sua base de
cálculo, pelo que foi obedecida a disposição contida no art. 85, §2º, do CPC/2015, assim como não
representou a exorbitância alegada pelo Recorrente. Isto posto, imperiosa se faz a manutenção da
sentença também neste particular.

3. Da conclusão

ASSIM, ante todo o exposto, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO aos apelos interpostos tanto pela
Autora como pelo Réu, devendo ser mantida na íntegra os termos da sentença vergastada.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0014822-89.1998.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: BANCO DA


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AMAZONIA SA [BASA DIRECAO GERAL] Participação: ADVOGADO Nome: FABRICIO DOS REIS
BRANDAO OAB: 11471/PA Participação: ADVOGADO Nome: CAIO ROGERIO DA COSTA BRANDAO
OAB: 13221/PA Participação: ADVOGADO Nome: PATRICIA DE NAZARETH DA COSTA E SILVA OAB:
11274/PA Participação: APELADO Nome: KAZUNORI YAMAGUCHI Participação: ADVOGADO Nome:
MARCELO DE OLIVEIRA CASTRO RODRIGUES VIDINHA OAB: 10491/PA Participação: APELADO
Nome: ESPOLIO DE HIROSHI FUJIYAMA Participação: ADVOGADO Nome: MARCIO DE OLIVEIRA
LANDIN OAB: 17523/PA Participação: APELADO Nome: TSUYOSHI YAMAGUCHI Participação:
ADVOGADO Nome: PEDRO MIGUEL LARCHER DAS NEVES FELIX ALVES OAB: 11201/PA
Participação: APELADO Nome: FUMIHIRO YAMAGUCHI Participação: APELADO Nome: JOAO HIDEO
TAKAKURA Participação: APELADO Nome: ICHITARO ISHIHARA Participação: APELADO Nome:
HIROSHI ISHIHARA Participação: APELADO Nome: TAKANORI KIMURA Participação: APELADO Nome:
ATSUO AKAO Participação: ADVOGADO Nome: ELLEN MARIA HOLANDA AKAO OAB: 7973/PA
Participação: APELADO Nome: MICHIKAZU TAKAKURA Participação: APELADO Nome: TAKUO
YAMAMOTO Participação: APELADO Nome: MICHIKO FUJIYAMA Participação: ADVOGADO Nome:
MARCIO DE OLIVEIRA LANDIN OAB: 17523/PA

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

APELAÇÃO CÍVEL N. 0014822-89.1998.8.14.0301.

COMARCA: BELÉM/PA.

APELANTE(S): BANCO DA AMAZONIA SA.

APELADO(A)(S): KAZUNORI YAMAGUCHI e OUTROS.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO. DESPACHO


Intime-se a parte apelante para se manifestar acerca da petição do evento Num. 2821558 - Pág. 1.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator

Número do processo: 0805484-98.2020.8.14.0000 Participação: CORRIGENTE Nome: R & R


EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA. Participação: ADVOGADO Nome: SEBASTIAO
BANDEIRA OAB: 8156/PA Participação: CORRIGIDO Nome: AUTO SOCORRO PUMA LTDA - ME

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
CORREIÇÃO PARCIAL CÍVEL (10942):0805484-98.2020.8.14.0000
CORRIGENTE: R & R EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA.
Nome: R & R EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA.
Endereço: Quadra Um, Lote 16, (Fl.29), Nova Marabá, MARABá - PA - CEP: 68506-540
Advogado: SEBASTIAO BANDEIRA OAB: PA8156-A Endereço: desconhecido
CORRIGIDO: AUTO SOCORRO PUMA LTDA - ME
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Nome: AUTO SOCORRO PUMA LTDA - ME


Endereço: Rua Três, 17, Quadra 4, Lote 15, Ademar Guimarães, REDENçãO - PA - CEP: 68552-430
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Correição Parcial apresentada por R & R EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES contra


ato do Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Marabá-PA, nos autos da AÇÃO DE DESPEJO E
COBRANÇA DE ALUGUEIS C.C PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA, em fase de cumprimento de
sentença (processo eletrônico nº 0800665-68.2019.814.0028), ajuizado pelo requerente em face de
AUTO SOCORRO PUMA LTDA, que proferiu a seguinte decisão:

Em análise detida dos autos, infere-se que o valor do débito constante na decisão id 14391266 está
incorreto com o inicialmente proposto, e não há registro de intimação da parte.

Sendo assim, visando evitar eventual alegação de nulidade, INTIME-SE o devedor, via Dje, na pessoa de
seu causídico, para pagamento do valor de R$ 184.180,88, nos termos da decisão id14391266.

Sem prejuízo, OFICIE-SE ao DETRAN, tal como determinado na decisão id 16743315.

Tangente ao pedido de desocupação, em que pese constar no acordo a retomada do bem em caso de
inadimplemento, considerando que a parte não foi constituída em mora, por ora, aguarde-se a
formalização do contraditório.

CUMPRA-SE. INTIMEM-SE VIA DJE. OFICIE-SE.

Cumpra-se.

Marabá, 01/06/2020.

Alega o requerente, que as partes conciliaram, nos autos principais, e que o acordo fora homologado por
sentença transitada em julgado. Todavia, narra que, devido a inadimplência do requerido, ingressou com o
pedido de cumprimento de sentença.

Assevera que o valor inicial cobrado foi de R$ 184.180,88, todavia, ao juízo a quo, ao invés fazer constar o
valor executado, determinou a intimação do executado, nos autos principais, para o pagamento no valor
de R$ 2.007,00.

Alega que, publicada a decisão, o executado, dos autos principais, não promoveu o pagamento, o que
ensejou o pedido do requerente no prosseguimento do feito, requerendo aplicação da multa de 10% e o
acréscimo de 10% a título de honorários, conforme previsto na legislação pátria.

Defende ainda, que requereu o cumprimento de sentença referente a obrigação de fazer, para que o
executado desocupasse o imóvel.

Argumenta que a decisão, ora questionada, não está elencado no rol de cabimento de recursos previsto
no CPC, motivo pelo qual ingressou com a presente Correição Parcial.

Aduz que a decisão guerreada implicou em inversão tumultuaria de atos processuais, com dilação abusa
de prazo e que fez com que o processo retornasse ao início da fase de cumprimento de sentença, o que
não possui amparo em lei.

Assevera que a decisão padece de equívoco também quanto ao pedido de cumprimento de sentença na
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parte da obrigação de fazer (desocupar o imóvel), pois afirma não ter a obrigação de constituir o
executado em mora.

Requer a concessão de liminar para suspender a ordem judicial e a determinação de prosseguimento do


feito.

Éo necessário.

DECIDO.

De acordo com o art. 268 do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça, a Correição Parcial é
cabível quando não houver recurso cabível previsto em lei.

Art. 268. Cabe correição parcial para emenda de erros ou abusos que importem na inversão tumultuária de
atos, na paralisação injustificada dos feitos ou na dilação abusiva de prazos, quando, para o caso, não
haja recurso previsto em lei

(grifo nosso).

No caso em análise, verifica-se que o requerente manejou a presente Correição Parcial em face de
decisão proferida nos autos da ação de despejo e cobrança de aluguéis cumulado com pedido de tutela
provisória, em fase de cumprimento de sentença.

Assim sendo, resta evidente a ausência de cabimento do presente instrumento para impugnar a decisão
proferida, tendo em vista que o art. 1.015, parágrafo único do CPC prevê, expressamente, o cabimento do
Recurso de Agravo de Instrumento para impugnar as decisões proferidas na fase de cumprimento de
sentença.

Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

(...)

Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase
de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de
inventário.

(grifo nosso)

Diante disso, dispõe o art. 269 do RITJEPA sobre a rejeição liminar da Correição Parcial:

Art. 269.Distribuída a petição, poderá o relator rejeitá-la de plano, se:

(...)

II –do ato impugnado couber recurso

(grifo nosso)

Isto posto, REJEITO de plano a presente Correição Parcial, nos termos do art. 269, II do RITJEPA, por ser
manifestamente incabível.
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Após o trânsito em julgado, dê-se baixa na distribuição deste Relator e associe-se aos autos eletrônicos
principais.

Belém- PA, data registrada no sistema.


José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Júnior

Desembargador - Relator

Número do processo: 0805840-93.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: JOAO DE


CARVALHO Participação: ADVOGADO Nome: GABRIEL MOTA DE CARVALHO OAB: 23473/PA
Participação: AGRAVADO Nome: BV FINANCEIRA SA CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

ÓRGÃO JULGADOR: 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

AUTOS Nº: 0805840-93.2020.814.0000

CLASSE: RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO

JUÍZO DE ORIGEM: 1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ANANINDEUA

AUTOS DE ORIGEM Nº: 0801299-33.2019.814.0006

AGRAVANTE: JOÃO DE CARVALHO

AGRAVADO: BV FINCANCEIRA S/A CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVSTIMENTO

RELATORA: DESA. MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO

DECISÃO MONOCRÁTICA

Vistos os autos.

JOÃO DE CARVALHO interpôs RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE


TUTELA PROVISÓRIA DE URÊNCIA contra a decisão de Id. 3210117, proferida pelo Juízo de Direito da
1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Ananindeua, nos autos da Ação de Busca e Apreensão nº
0801299-33.2019.814.0006, ajuizada por BV FINCANCEIRA S/A CRÉDITO, FINANCIAMENTO E
INVSTIMENTO, que deferiu a medida liminar de busca e apreensão requestada.

Em suas razões (Id. 3210061), sustenta a impossibilidade de concessão de medida liminar baseada em
cópia simples de cédula de crédito bancário, cuja via original não teria sido depositada na serventia do
juízo de origem, documento este indispensável à propositura da ação, cuja petição inicial não teve a
emenda determinada nesse sentido. Acrescenta a ausência de mora, uma vez que a cobrança de
encargos excessivos, como na espécie, a desnatura. Em sede de tutela provisória de urgência recursal,
tenciona a atribuição de efeito suspensivo ao recurso e, meritoriamente, o seu provimento, a fim de que
seja anulada a decisão agravada, determinando-se a emenda da petição inicial da ação em testilha, a fim
de que seja depositada a via genuína daquele título de crédito na serventia do juízo de origem.

Brevemente Relatados.
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Decido.

Quanto ao Juízo de admissibilidade, vejo que o recurso é tempestivo, adequado à espécie e conta com
pedido de gratuidade processual, o qual hei por bem deferir, com arrimo no §3º do art. 99 do Código de
Processo Civil de 2015[1], por não vislumbrar elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais
para a sua concessão, conforme dispõe o §2º do mesmo dispositivo legal. Demais disso, está instruído
com os documentos necessários, nos termos do art. 1.017 do Código de Processo Civil de 2015. Portanto,
preenchidos os pressupostos extrínsecos (tempestividade, regularidade formal, inexistência de fato
impeditivo ou extintivo do direito de recorrer e isenção de preparo) e intrínsecos (cabimento, legitimidade e
interesse para recorrer); SOU PELO SEU CONHECIMENTO.

A cédula de crédito bancário, como título cambial que é, não prescinde de certos requisitos, conforme se
depreende do teor do §1º do art. 29 da Lei nº 10.931/2004, litteris:

Art. 29. A Cédula de Crédito Bancário deve conter os seguintes requisitos essenciais:

(...)

§1 o A Cédula de Crédito Bancário será transferível mediante endosso em preto, ao qual se


aplicarão, no que couberem, as normas do direito cambiário, caso em que o endossatário, mesmo
não sendo instituição financeira ou entidade a ela equiparada, poderá exercer todos os direitos por ela
conferidos, inclusive cobrar os juros e demais encargos na forma pactuada na Cédula. (Destaquei)

Portanto, reveste-se de cartularidade, razão pela qual uma vez emitida, deve ter sua circulação restringida,
sob pena de ocorrência de fraude ao negócio jurídico firmado, em decorrência de sua possível reutilização
e consequente duplicidade de cobrança em desfavor do devedor. Eis, nesse sentido, entendimento
recente do Superior Tribunal de Justiça atinente à matéria, litteris:

RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO - DETERMINAÇÃO DE EMENDA À INICIAL


A FIM DE QUE FOSSE APRESENTADO O TÍTULO ORIGINAL DA CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO -
PROVIDÊNCIA NÃO ATENDIDA SEM CONSISTENTE DEMONSTRAÇÃO DA INVIABILIDADE PARA
TANTO - TRIBUNAL A QUO QUE MANTEVE A SENTENÇA DE INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO
INICIAL, NOS TERMOS DO ART. 267, INC. I, DO CPC, POR AFIRMAR QUE A CÓPIA DO CONTRATO
DE FINANCIAMENTO É INÁBIL PARA EMBASAR A DEMANDA. INSURGÊNCIA DA CASA BANCÁRIA.
Hipótese: Controvérsia acerca da necessidade de apresentação do título original do contrato de
financiamento com garantia fiduciária (cédula de crédito bancário) para instruir a ação de busca e
apreensão. 1. Possibilidade de recorrer do "despacho de emenda à inicial". Excepciona-se a regra do art.
162, §§ 2º e 3º, do Código de Processo Civil quando a decisão interlocutória puder ocasionar prejuízo às
partes. Precedentes. 2. Nos termos da Lei nº 10.931/2004, a cédula de crédito bancário é título de
crédito com força executiva, possuindo as características gerais atinentes à literalidade,
cartularidade, autonomia, abstração, independência e circulação. O Tribunal a quo, atento às
peculiaridades inerentes aos títulos de crédito, notadamente à circulação da cártula, diligente na
prevenção do eventual ilegítimo trânsito do título, bem como a potencial dúplice cobrança contra o
devedor, conclamou a obrigatoriedade de apresentação do original da cédula, ainda que para
instruir a ação de busca e apreensão, processada pelo Decreto-Lei nº 911/69. A ação de busca e
apreensão, processada sob o rito do Decreto-Lei nº 911/69, admite que, ultrapassada a sua fase
inicial, nos termos do artigo 4º do referido regramento normativo, deferida a liminar de apreensão
do bem alienado fiduciariamente, se esse não for encontrado ou não se achar na posse do
devedor, o credor tem a faculdade de, nos mesmos autos, requerer a conversão do pedido de
busca e apreensão em ação executiva. A juntada do original do documento representativo de
crédito líquido, certo e exigível, consubstanciado em título de crédito com força executiva, é a
regra, sendo requisito indispensável não só para a execução propriamente dita, mas, também, para
todas as demandas nas quais a pretensão esteja amparada na referida cártula. A dispensa da
juntada do original do título somente ocorre quando há motivo plausível e justificado para tal, o que não se
verifica na presente hipótese, notadamente quando as partes devem contribuir para o adequado
andamento do feito, sem causar obstáculos protelatórios. Desta forma, quer por força do não-
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preenchimento dos requisitos exigidos nos arts. 282 e 283 do CPC, quer pela verificação de defeitos e
irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o indeferimento da petição inicial, após a
concessão de prévia oportunidade de emenda pelo autor (art. 284, CPC), é medida que se impõe.
Precedentes. 3. Recurso especial desprovido. (REsp 1277394/SC, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA
TURMA, julgado em 16/02/2016, DJe 28/03/2016) (Destaquei)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÉDULA DE CRÉDITO


BANCÁRIO. CÓPIA SEM AUTENTICAÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE.
SÚMULA 7/STJ. 1. A juntada do original do documento representativo de crédito líquido, certo e
exigível é a regra, sendo requisito indispensável para todas as demandas nas quais a pretensão
esteja amparada na referida cártula. Precedentes. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar
matéria de fato (Súmula 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp
899.121/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 30/08/2018, DJe
11/09/2018) (Destaquei)

Àluz dessas premissas e, compulsando os autos de origem, constata-se que a tentativa de depósito da via
original da cédula de crédito bancário que instrumentalizou a relação jurídica de direito material havida
com a parte ora agravada (Id. 12589499), oportunizada pelo juízo de origem através da decisão de Id.
10828372, foi intempestiva, consoante atestou a certidão de Id. 13390649.

Nessa toada, a simples cópia daquele título cambial, tal como juntada na espécie, desserve à finalidade
reportada, porquanto a via original ainda estará passível de circulação no mercado, fato este que os
princípios da razoabilidade e proporcionalidade não têm o condão de atenuar.

Por derradeiro, tenho que o presente feito comporta julgamento unipessoal, pois segundo a dicção
do art. 926 do CPC/2015, os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e
coerente. Subsequentemente, o art. 932, incisos IV e V, alínea “a” do CPC/2015, autoriza o relator do
processo apreciar, monocraticamente, o mérito recursal, quando o recurso ou a decisão recorrida forem
contrários não apenas às Súmulas do Supremo Tribunal Federal e às do Superior Tribunal de Justiça,
como também às do próprio Tribunal de Justiça.

O art. 133 do Regimento Interno desta Corte de Justiça, por sua vez, observando as diretrizes ao norte,
possibilita o julgamento monocrático na espécie, notadamente com o desiderato de imprimir efetividade ao
princípio da celeridade e economia processual, sem descurar, evidentemente, da garantia constitucional
do devido processo legal.

Àvista do exposto, com lastro no art. 133, XII, “d” do RITJE/PA[2], CONHEÇO DO RECURSO E DOU-LHE
PROVIMENTO para, lançando mão do efeito translativo recursal, INDEFERIR A PETIÇÃO INICIAL da
Ação de Busca e Apreensão ajuizada na origem e, por conseguinte, promover a sua extinção sem a
resolução de mérito, nos termos do parágrafo único do art. 321[3] c/c 485, I[4] do CPC.

Dê-se ciência ao juízo de origem e intimem-se as partes, podendo servir a presente decisão como
mandado/ofício, nos termos da Portaria nº 3.731/2015 - GP.

Transitada em julgado, arquivem-se os autos.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

Desa. MARIA DO CÉO MACIEL COUTINHO

Relatora

[1] Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na
petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso. (...) § 2o O juiz somente poderá indeferir o
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a
concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação
do preenchimento dos referidos pressupostos. § 3 o Presume-se verdadeira a alegação de
insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. (Destaquei)

[2] Art. 133. Compete ao relator: (...) XII - dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária:
(...) d) à jurisprudência dominante desta e. Corte ou de Cortes Superiores.

[3] Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor,
no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido
ou completado. Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

[4] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial.

Número do processo: 0804978-25.2020.8.14.0000 Participação: AUTORIDADE Nome: I. K. N. B.


Participação: ADVOGADO Nome: ARTHUR CONCEICAO BRITO OAB: 24628/PA Participação:
ADVOGADO Nome: FERNANDA VALENTE CARDOSO OAB: 25804/PA Participação: AUTORIDADE
Nome: M. R. M. D. S. Participação: ADVOGADO Nome: ANDREA LUISA FONSECA SARRAF OAB:
12711/PA

PROCESSO: 0804978-25.2020.814.0000

SEC. ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO – 2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO AGRAVO DE


INSTRUMENTO
AGRAVANTE: I.K.N.B.

ADVOGADO(A): Arthur Conceição Brito, OBA/PA 24.628 e Fernanda Valente Cardoso, OAB/PA 25.804

AGRAVADO(A): M.R.M.D.S.

ADVOGADO(A): Andrea Luisa Fonseca Sarraf, OAB/PA 12.711

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES

DECISÃO MONOCRÁTICA
Vistos etc.

Defiro a gratuidade processual requerida pela agravante.

1. Juízo de admissibilidade.

Presente os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

2. Breve relato dos fatos.

Da leitura dos autos, observa-se que o presente agravo de instrumento se insurge contra decisão proferida
na ação de guarda compartilhada, regulamentação de visitas c/c pedido de tutela antecipada (proc. nº
0852575-91.2019.8.14.0301) que tramita na 7ª Vara de Família de Belém, que deferiu o pleito
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antecipatório nos seguintes termos:

“Trata-se de GUARDA, DIREITO DE CONVÍVIO E ALIMENTOS ajuizada por M. M. D. S., em face de I. K.


N. B., todos qualificados na inicial.

1-Entendo ser prudente a fixação da guarda compartilhada da menor C. B. D. S., devendo sua
residência ser fixada com a mãe, ora requerida.

Quanto ao direito de convívio do pai, ora requerente, em razão do dispõe a Constituição Federal sobre o
Direito à Vida e em razão das recomendações do Ministério da Saúde ante a Pandemia do Novo
Coronavírus COVID-19 sobre o distanciamento social, bem como o crescente número de casos na cidade
de Belém, que na data de hoje, segundo dados atualizados da Secretaria de Saúde do Estado do Pará
(SESPA), divulgados em seus INSTAGRAM oficial, já somam 487 (quatrocentos e oitenta e sete) casos e
21 (vinte e um) óbitos, DETERMINO que o direito de convívio do requerente em relação à menor C. B.
D. S., enquanto durarem as medidas de proteção relacionadas ao Novo Coronavirus, devem ser
feitas através de meio virtual, por meio de vídeo chamadas, ou outro meio tecnológico que permita
o contato virtual entre a menor e o requerente, que não ponha em risco a integridade física das
partes neste momento de Pandemia, antes os graves riscos de contaminação. Devem os pais se
utilizarem do bom senso neste momento caótico que se encontra o Brasil, e aqui no Pará com essa
Pandemia alastrada do Coronavirus COVID-19 onde as autoridades de saúde recomendam a todos o
DISTANCIAMENTO SOCIAL cada um devendo fazer a sua parte para diminuir os riscos de transmissão.
Ademais, o contato virtual nesse momento é prova de amor, eis que isolados fisicamente, juntos
virtualmente. (...)”

Nas razões recursais, o inconformismo girou em torno apenas quanto à modificação da guarda da menor.
A agravante afirma que já exerce, desde o nascimento da filha, a guarda unilateral da menor, que foi
fixada em acordo firmado entre ela e o agravado nos autos da ação de oferecimento de alimentos c/c
regulamentação do direito de visitas (proc. Nº 0726477-03.2016.8.14.0301), tendo restado definido na
referida avença que a visitação paterna ocorreria de forma livre. Defende inexistir no feito originário provas
concretas de que a ora recorrente estivesse dificultando o convívio entre pai e filha, que pudesse justificar
a alteração da modalidade de guarda unilateral para guarda compartilhada. Argui, ainda, que o pai não faz
questão de ter convívio com a filha, negando-se a cumprir, inclusive, a decisão agravada, preferindo
esperar a realização da audiência designada para o mês de novembro/2020 para que realize as
vídeochamadas autorizadas pelo juízo singular. Alega que foi desejo do agravado que a guarda da criança
ficasse com a agravante, ficando com a atribuição de supervisionar os interesses da filha, contudo, nem tal
supervisão vem sendo exercida, pois o genitor não procura pela criança, ficando meses sem dar notícias,
eximindo-se de qualquer responsabilidade financeira extra.

Sob tais argumentos postulou concessão de efeito suspensivo apenas quanto ao deferimento da guarda
compartilhada, para que seja permitido a manutenção da guarda unilateral materna, conforme acordo já
homologado.

Éo relato do necessário.

3. Análise do pedido de efeito suspensivo.

Nos exatos termos dos arts. 995, parágrafo único e 1.019, I do CPC/15, infere-se que para concessão do
efeito suspensivo ao agravo de instrumento deve estar demonstrada, além da probabilidade de provimento
do recurso, a existência de risco de lesão grave e de difícil reparação, devendo haver uma fundamentação
consistente nesse sentido, já que necessário demonstrar o caráter de urgência da medida requerida.

O agravante logrou êxito em demonstrar a presença dos requisitos exigidos pelas razões que passo a
explicar.

Na origem, verifica-se que o ora agravado busca a modificação da guarda de sua filha e que seja
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regulamentado o direito de visita. Em atendimento à tutela de urgência requerida, o juízo singular


determinou que guarda da menor seria compartilhada, tornando o lar materno como residência fixa e, além
disso, definiu que a visitação do pai ocorresse por vídeochamada em razão da necessidade de manter o
distanciamento social por conta da pandemia do COVID-19.

Importante ressaltar que, anteriormente, os pais da infante já haviam definido, em 24/05/2017, que a
guarda seria exercida unilateralmente pela mãe, conforme acordo homologado judicialmente nos autos da
ação de oferecimento de alimentos e regulamentação de visita (proc. Nº 0726477-03.2016.8.14.0301 – ID
3114038 – pág. 54 e 55).

Ocorre que, compulsando os autos da ação originária (ID 31140403 – pág. 04 a 19), embora o agravado
afirme que a genitora da criança não permita que ele retire a filha de casa, dificultando que pai e filha
estreitem os laços afetivos e que desde o mês de julho/2019 a agravada estaria impedindo a visitação, tais
alegações vieram desacompanhadas de qualquer indício de verossimilhança, vez que a documentação
acostada com a inicial se restringiu apenas aos documentos pessoais do recorrido, certidão de nascimento
da filha e cópia da sentença que homologou o acordo firmado entre as partes. Nota-se, ainda, que nem
quando foi dada oportunidade do ora agravado emendar a inicial foi acostado qualquer documentação que
embasasse o pedido de modificação de guarda, limitando-se a adequar o nome da ação aforada (ID
3114043 – pág. 07).

Ora, sabe-se que nas hipóteses de guarda dos filhos se é recomendado evitar mudanças bruscas,
especialmente em sede de liminar como ocorreu, especialmente quando a parte que pretende a
modificação da guarda não traz elementos de prova que corroborem com a alegação de impedimento do
exercício do direito de visitação ou de má conduta por parte da mãe. Além disso, entendo ser prudente, ao
menos neste momento processual, a manutenção da guarda unilateral materna, a qual, repito, foi definido
em acordo homologado judicialmente, dado o clima de animosidade entre os pais, conforme se extrai das
mensagens de texto de ID 3114038 – pág. 35 a 39, podendo, no decorrer da instrução processual e desde
que atende ao princípio do melhor interesse da criança, ser revisto se for o caso.

Assim, em análise perfunctória das alegações e demais documentos anexados ao agravo de instrumento,
encontro evidências capazes de me convencer da probabilidade do direito invocado e do risco de lesão,
sendo este representado pela alteração de uma situação de fato consolidada por acordo judicial sem
observância dos requisitos legais exigidos no art. 300 do CPC, razão pela qual deve ser concedido o efeito
suspensivo pretendido.

4. Dispositivo.

Ante tais considerações e preenchidos os requisitos previstos no parágrafo único do art. 995 do CPC/15,
defiro o pedido de efeito suspensivo apenas e tão somente quanto ao capítulo da decisão que modificou
a guarda da menor C.B.D.S., restabelecendo, por via de consequência, a guarda unilateral materna fixada
em acordo homologado nos autos do proc. Nº 0726477-03.2016.8.14.0301.

Comunique-se o juízo prolator da decisão guerreada.

Intime-se a agravada para, querendo, no prazo legal, responder aos termos do recurso, nos termos do
inciso II do art. 1.019 do CPC.

ÀProcuradoria do Ministério Público, na forma do art. 178, II do CPC.

Após, conclusos para julgamento.

Belém, 17 de junho de 2020.

Des. RICARDO FERREIRA NUNES


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Relator

Número do processo: 0805870-31.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ESTADO DO PARA


Participação: AGRAVADO Nome: ANTONIA RAIMUNDA DE OLIVEIRA PEREIRA Participação:
ADVOGADO Nome: ITA CAVALEIRO DE MACEDO MENDONCA OAB: 159 Participação: ADVOGADO
Nome: ANA CLARA BRASIL TEIXEIRA OAB: 016731/PA Participação: ADVOGADO Nome:
ALESSANDRA ARAUJO TAVARES OAB: 5550

2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO – AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0805870-31.2020.8.14.0000

RELATORA: DESEMBARGADORA LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO.

AGRAVANTE: ESTADO DO PARÁ

ADVOGADO: PAULO DE TARSO DIAS KLAUTAU FILHO

AGRAVADO: ANTONIA RAIMUNDA DE OLIVEIRA PEREIRA

ADVOGADO: ALESSANDRA ARAÚJO TAVARES

DECISÃO MONOCRÁTICA

Recurso interposto pelo Estado do Pará, contra decisão interlocutória que deferiu a tutela provisória de
urgência que pugnava pela suspensão dos descontos praticados nos proventos de aposentadoria da
autora/agravada a título de imposto de renda.

A agravada alega ser portadora de Cegueira Monocular e juntou exames médicos privados para pugnar
pelo benefício atrelado ao inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/88. O juízo entendeu que estavam
presentes os requisitos e concedeu a tutela de urgência determinado a suspensão dos descontos de
Imposto de Renda nos proventos de aposentadoria da agrava sob pena de multa de R$5.000,00 em caso
de descumprimento.

O Estado recorre alegando a ilegitimidade passiva nos termos do art. 62 do Regulamento Geral do Regime
Próprio de Previdência Social do Estado do Pará e ausência dos requisitos para a tutela de urgência
considerando a não observância do art. 30 da Lei Federal no 9.250/95.

Pede a reforma da decisão.

Tempestivo e adequado comporta provimento face a escancarada ilegitimidade passiva.

O IGEPREV – INSTITUTO DE GESTAO PREVIDENCIÁRIA DO PARÁ é uma autarquia que possui


dotação orçamentária própria e responde judicialmente suas responsabilidades, tendo em vista o corpo de
procuradores próprios. Assim, possui total ingerência sobre os proventos previdenciários sob sua
responsabilidade; uma vez que é autarquia que possui personalidade jurídica para figurar no polo passivo
da demanda (e autonomia financeira para responder por eventuais ônus advindos de suposta condenação
judicial) em razão do disposto no artigo 60 da Lei Complementar 39/2002, que instituiu o sistema
previdenciário no Estado do Pará.

Art. 60. Fica criado o Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Pará - IGEPREV, autarquia estadual,
com sede e foro na Capital do Estado do Pará, vinculada à Secretaria Especial de Estado de Gestão,
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dotada de personalidade jurídica de direito público, patrimônio e receitas próprios, gestão administrativa,
técnica, patrimonial e financeira descentralizadas.

Dessa forma, tendo em vista que a agravada se encontra na inatividade e que o lançamento/suspensão de
descontos nesse tipo de vínculo, inclusive de Imposto de Renda Pessoa Física, é da inteira
responsabilidade do IGEPREV, assiste razão ao agravante em seu pleito para que seja reconhecida a
ilegitimidade, aliás, interesse e legitimidade são condições da ação e devem ser apreciadas ex officio pelo
juiz.

Reconhecida a ilegitimidade do Estado do Pará na presente lide DOU PROVIMENTO ao recurso para
DETERMINAR A SUA EXCLUSÃO DA LIDE com fundamento no art. 60 da Lei Complementar 39/2002 e
art. 62 do Regulamento Geral do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Pará.

Oficie-se ao juízo do 1º grau para adoção das ulteriores de direito que o caso requer.

Servirá a presente decisão, por cópia digitalizada, como MANDADO DE


CITAÇÃO/INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO.

P.R.I.C.

Belém(PA), 18 de junho de 2020

Desa. LUZIA NADJA GUIMARÃES NASCIMENTO

Relatora

Número do processo: 0054182-51.2014.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: MUNICÍPIO DE


BELÉM Participação: APELADO Nome: RODOLFO TAMER XERFAN Participação: ADVOGADO Nome:
SANDRA MARINA RIBEIRO DE MIRANDA MOURAO OAB: 48

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

Pelo Presente, a Unidade de Processamento Judicial do 2º Grau intima a parte apelada do ID nº 381466
que negou provimento ao recurso de apelação interposto por IPAMB (Instituto de Previdência e
Assistência do Município de Belém) .

18 de junho de 2020

Número do processo: 0117195-83.2015.8.14.0076 Participação: APELANTE Nome: BANCO PAN S.A.


Participação: ADVOGADO Nome: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO OAB: 23255/PE
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Participação: APELADO Nome: VANDERCI ALVES MARTOS Participação: ADVOGADO Nome: DRIELY
TATYAYA COSTA DA FONSECA SOARES OAB: 7446

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS. CARRO CLONADO E FINANCIADO. RESTRIÇÃO AO CARRO ORIGINAL. SENTENÇA QUE
JULGOU PROCEDENTE A INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INSURGÊNCIA DO BANCO RÉU.
PRELIMINARES. ILEGITIMIDADE ATIVA. INOCORRÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
INOCORRÊNCIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. MÉRITO. ATOS ILÍCITOS QUE NÃO SE CONFUNDEM. O
BANCO APELANTE É RESPONSÁVEL PELO DANO CAUSADO, INDEPENDENTE DE CULPA. ART. 187
C/C ART. 927 DO CC/2002. ART. 14 C/ART. 17 DO CDC/90. REDUÇÃO DO QUANTUM
INDENIZATÓRIO. NECESSIDADE. EXTENSÃO DO DANO QUE SE DELIMITA A RESTRIÇÃO JUNTO
AOS ÓRGÃOS PÚBLICOS DE FISCALIZAÇÃO DO TRÂNSITO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO
PARCIALMENTE.

I – Sentença que julgou PROCEDENTE o pedido constante da inicial, CONDENANDO o banco réu a
indenizar, a título de indenização por dano moral, o valor correspondente a 20 (vinte) salários mínimos, no
montante de R$ 18.740,00 (dezoito mil, setecentos e quarenta reais).

II – Conteúdo probatório para comprovar a existência do dano moral, dado a restrição do uso do
automóvel frente a restrições indevidas. A responsabilidade do banco apelante não se resume a
culpabilidade dos seus atos.

III - Necessidade, todavia, que seja acolhido o pleito de redução do quantum indenizatório, visto que a
extensão do dano comprovado se resumiu a restrição do veículo junto ao DETRAN.

IV - Recurso conhecido e provido parcialmente, para reduzir o valor indenizatório ao valor de R$ 10.000,00
(dez mil reais), mantida a sentença nos demais aspectos.

Número do processo: 0023812-89.2014.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: ALESSANDRA


SANTOS DE SOUSA Participação: ADVOGADO Nome: JORGE MANUEL TAVARES FERREIRA
MENDES OAB: 492 Participação: ADVOGADO Nome: LUCIANA DA MODA BOTELHO OAB: 955
Participação: APELANTE Nome: JOSE ALEXANDRE SANTOS DE SOUSA Participação: ADVOGADO
Nome: JORGE MANUEL TAVARES FERREIRA MENDES OAB: 492 Participação: ADVOGADO Nome:
LUCIANA DA MODA BOTELHO OAB: 955 Participação: APELADO Nome: CENTRO SOCIAL E
CULTURAL PALACIO BOLONHA Participação: ADVOGADO Nome: LYGIA SOARES RIBEIRO DOS
SANTOS OAB: 0182060A/PA Participação: ADVOGADO Nome: DENISE PINHEIRO SANTOS MENDES
OAB: 3752 Participação: APELADO Nome: SAMIS TUR DO BRASIL AGENCIA DE VIAGENS E TURISMO
LTDA - ME Participação: ADVOGADO Nome: LYGIA SOARES RIBEIRO DOS SANTOS OAB:
0182060A/PA Participação: ADVOGADO Nome: DENISE PINHEIRO SANTOS MENDES OAB: 3752

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS.


GENITOR DOS AUTORES QUE FALECEU APÓS APRESENTAR PROBLEMAS DE SAUDE EM
CRUZEIRO TURÍSTICO . AÇÃO QUE BUSCA RESPONSABILIZAR AS REQUERIDAS PELA
ENFERMIDADE APRESENTADA PELO DE CUJUS, QUE LEVOU A SEU ÓBITO. ALEGAÇÃO DE
OMISSÃO NO DECORRER DA VIAGEM. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTE O PEDIDO DOS
AUTORES. INCONFORMISMO DOS AUTORES. ALEGAÇÃO DE ATO OMISSIVO QUE LEVOU AO
ÓBITO DO GENITOR DOS REQUERENTES. ATO OMISSIVO NÃO COMPROVADO NOS AUTOS.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. MANUTENÇÃO DE SENTENÇA.

I – SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTE o pedido dos autores e a caracterização de dano.

II - Alegação de o ato omissivo que gerou o dano encontra-se provado nos autos.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

III - Ato omissivo que não pode ser presumido. Conteúdo probatório que não permite responsabilizar as
apeladas. Cabia aos autores provarem o fato constitutivo do seu direito, ou seja, a prática do ato ilícito que
lhe teria causado danos profundos na personalidade, os danos morais e materiais sofridos e o nexo de
causalidade entre o comportamento da ré e o prejuízo; no entanto, não há nos autos prova concreta de
ação ou omissão culposa ou dolosa das rés, nem o nexo de causalidade entre o suposto ato e o resultado
morte.

IV- Testemunhas ouvidas na instrução que relatam o atendimento médico que foi dispensado ao de cujus
durante a viagem, e a recusa do passageiro em acatar a sugestão da companhia, de que desembarcasse
para ir ao hospital, tendo o mesmo inclusive assinado termo de responsabilidade para não ter que fazê-lo.

V- Inexistindo prova da ação/omissão praticada pelos autores, bem como seu nexo de causalidade com o
evento óbito, impõe-se a manutenção da sentença. Recurso conhecido e desprovido.

Número do processo: 0804212-69.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: BANCO


BRADESCO SA Participação: AGRAVADO Nome: MARIA OSCARINA NERY Participação: ADVOGADO
Nome: ANDRELINO FLAVIO DA COSTA BITENCOURT JUNIOR OAB: 11112/PA PROCESSO: 0804212-
69.2020.8140000 SEC. ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO – 2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
AGRAVO DE INSTRUMENTO.

AGRAVANTE: BANCO BRADESCO S/A,

ADVOGADO: KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI OAB/PA 15.674 A

AGRAVADO: MARIA OSCARINA NERY.

ADVOGADO: FLÁVIO BITENCOURT OAB/PA 11.112

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES

DECISÃO
Vistos, etc.

Analisando o recurso interposto, verifico desde logo, o preenchimento dos pressupostos de


admissibilidade, estando a matéria tratada inserida no rol do art. 1.015 do NCPC, razão pela qual passo a
apreciá-lo.

Da leitura dos autos, observa-se que o recurso em tela se insurge contra a decisão proferida pelo juízo da
Vara Cível e Empresarial da Comarca de Magalhães Barata, que deferiu a antecipação dos efeitos da
tutela pleiteada na exordial. Entendeu o juízo a quo, restarem presentes os requisitos autorizadores para a
concessão da medida de urgência, nos seguintes termos:

Existe indícios de fraude na formalização do contrato, conforme comprova com a juntada dos documentos,
sendo, portanto verossímil a alegação. Entendo que haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil
reparação, posto que os descontos vêm sendo realizados na aposentadoria da Requerente. Não há perigo
de irreversibilidade do provimento antecipado, posto que a qualquer momento, poderá novamente ser
reincluídos, caso sejam legítimos.

Ante todo o exposto, CONCEDO A TUTELA ANTECIPADA em forma de liminar, determinando que os
Reclamados, suspendam imediatamente os descontos em desfavor da Reclamante, sob pena de multa de
R$ 2.000,00 por cada desconto irregular.
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O agravante alega, em suas razões (ID 3034604), que é necessário a concessão de efeito suspensivo ao
recurso, sob ocorrência de dano irreparável. Alega a desnecessidade de estipulação de multa e a sua
onerosidade excessiva, e que a decisão ignora o princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Afirma
que o prazo para cumprimento da decisão é exíguo e pugna por um prazo maior para cumprimento da
obrigação, dada a complexidade do sistema bancário e da logística de encaminhamento de negócios
jurídicos.

Pugna pela concessão do efeito suspensivo a este recurso, vez que presentes os pressupostos
autorizadores da medida e, ao final, pelo acolhimento do recurso para que seja reformado o ato decisório.

Passo a analisar o pedido de concessão do efeito suspensivo.

Preleciona o artigo 1.019, inciso I do Código de Processo Civil que o relator poderá atribuir efeito
suspensivo ao recurso de agravo de instrumento, ou deferir, em antecipação de tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão.

Pois bem, para que isto ocorra, é necessário que, nos termos do parágrafo único do artigo 995 do Código
de Processo Civil, o agravante demonstre a probabilidade de provimento do recurso e que o efeito
imediato da decisão recorrida cause risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação.

In casu, a probabilidade de provimento do recurso se enlaça à análise acerca da regularidade da


contratação e da ausência de fraude no contrato bancário. Todavia, pelo menos em sede de análise
perfunctória, verifico haver dúvidas acerca da efetiva regularidade da contratação, principalmente
considerando que se trata a autora de pessoa idosa, que afirma não ter celebrado o contrato, objeto de
discussão.

Todavia, com relação ao valor arbitrado a título de astreintes, sabe-se que as mesmas devem ser fixadas
em valor relevante e sempre de forma razoável e proporcional, considerando o contexto fático do
processo, de modo a compelir a parte destinatária do comando judicial a cumprir o que lhe foi
determinado, porém, sem exacerbar os limites do razoável.

No caso concreto, tem-se que foi determinado que o ora agravante promovesse a suspensão dos
descontos no benefício previdenciário da parte reclamante, referente ao contrato de empréstimo
questionado na lide, sob pena de multa de R$ 2.000,00 ( dois mil reais) por cada desconto irregular.

A meu ver, o valor fixado pelo juízo de primeiro grau a título de astreintes se mostra elevado e em
desconformidade com os parâmetros legais, sendo capaz de ensejar enriquecimento ilícito da parte
eventualmente beneficiada, de forma que demonstrado que o efeito imediato da decisão recorrida pode
causar dano grave de difícil ou impossível reparação. Isto, principalmente considerando a desproporção
entre os valores dos descontos de R$ 7,55 ( sete reais e cinquenta e cinco centavos) e o da multa imposta
a cada desconto efetuado e a ausência de limitação da multa.

Assim, pelo acima exposto, decido conceder parcialmente o efeito suspensivo ativo pleiteado, no
que tange ao valor da multa a cada descumprimento, reduzindo-a para R$500,00 (quinhentos reais)
limitada ao valor de R$ 15.000,00 ( quinze mil reais), para que incida a cada desconto indevido referente
ao contrato discutido nos presentes autos, e comunicando-se o juízo prolator da decisão guerreada.

Intime-se o Agravado para, querendo, no prazo legal, responder aos termos do recurso, nos termos do
inciso II do art. 1.019 do CPC.

Após, conclusos para julgamento.

Servirá a cópia da presente decisão como mandado/ofício, nos termos da portaria 3731/2015-GP.

Belém, 17 de junho de 2020.


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

DES. RICARDO FERREIRA NUNES

Relator

Número do processo: 0807897-55.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: JORGE ALEX


MEDEIROS ALVES Participação: ADVOGADO Nome: SIMONE DO SOCORRO PESSOA VILAS BOAS
OAB: 8104/PA Participação: ADVOGADO Nome: SANDRO MAURO COSTA DA SILVEIRA OAB: 8707/PA
Participação: ADVOGADO Nome: PAULO ANDRE CORDOVIL PANTOJA OAB: 9087/PA Participação:
ADVOGADO Nome: ANANDA NASSAR MAIA OAB: 19088/PA Participação: ADVOGADO Nome: NILVIA
MARILIA DE ANDRADE GAIA OAB: 25206/PA Participação: AGRAVADO Nome: ALECK EDUARDO
SOUZA ALVES Participação: AGRAVADO Nome: CRISTIANE FRANCE LEMOS DE SOUZA

EMENTA

AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CÍVEL. REDUÇÂO DA VERBA


ALIMENTAR. não vislumbradas, provas suficientes e satisfatórias que justificassem, a minoração do
quantum alimentício, tendo em vista, que o agravante em momento algum comprovou o risco de lesão
grave ou de difícil reparação, já que não houve modificação em sua remuneração. Portanto, o conteúdo
probatório não é consistente para modificar a decisão agravada. as necessidades do menor, incapaz de
prover a própria subsistência, e não demonstrada, suficientemente, a impossibilidade do alimentante em
arcar com a mantença no valor estipulado, estando este de acordo com o princípio da razoabilidade,
devem ser mantidos os alimentos provisórios conforme fixados pela decisão hostilizada. RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO.

Número do processo: 0002542-90.2009.8.14.0045 Participação: APELANTE Nome: SOCIEDADE DE


EDUCACAO, CULTURA E TECNOLOGIA DA AMAZONIA S/A Participação: ADVOGADO Nome:
ROSEVAL RODRIGUES DA CUNHA FILHO OAB: 10652/PA Participação: APELADO Nome: ISRAEL
CARVALHO AFONSO

al

SECRETARIA ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO – 2º TURMA DE DIREITO PRIVADO

APELAÇÃO CÍVIL Nº 0002542-90.2009.8.14.0045

APELANTE: SOCIEDADE DE EDUCACAO, CULTURA E TECNOLOGIA DA AMAZONIA S/A

ADVOGADOS: ROSEVAL RODRIGUES DA CUNHA FILHO E OUTROS

APELADO: ISRAEL CARVALHO AFONSO

RELATORA: DESª. GLEIDE PEREIRA DE MOURA

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITÓRIA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM A RESOLUÇÃO


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

DO MÉRITO. INCISO II DO ART. 485 DO CPC/2015. NECESSÁRIA A PRÉVIA INTIMAÇÃO PESSOAL


DA PARTE. INTELIGÊNCIA DO ART. 485, §1º DO CPC/15. SENTENÇA ANULADA. RECURSO
PROVIDO.

I - Busca o recorrente a desconstituição da sentença que extinguiu o processo sem resolução de mérito,
com base no art. 485, II do CPC/15.

II – Aduziu o recorrente que seria imprescindível a intimação pessoal da parte antes de se extinguir o feito
com fulcro no art. 485, II do CPC/15.

III – O julgador singular deixou de proceder a intimação pessoal da parte, a que se refere o §1º do art. 485
do CPC, motivo pelo qual se justifica a anulação da sentença, em função da inobservância de tal
formalidade legal.

IV - Recurso conhecido e provido para anular a sentença e determinar o prosseguimento do feito.

Número do processo: 0001254-87.2010.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: HAPVIDA


ASSISTENCIA MEDICA LTDA Participação: ADVOGADO Nome: ISAAC COSTA LAZARO FILHO OAB:
18663/CE Participação: APELADO Nome: JEFFERSON WILLIAM RODRIGUES OLIVEIRA Participação:
ADVOGADO Nome: CARIMI HABER CEZARINO CANUTO OAB: 12038/PA

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS. NEGATIVA DO PLANO EM AUTORIZAR EXAME. DANO MORAL. COMPROVADO NOS
AUTOS. EXAME SÓ AUTORIZADO APÓS DETERMINAÇÃO JUDICIAL. REDUÇÃO DO QUANTUM
INDENIZATÓRIO. NECESSIDADE. CONDUTA QUE INFLIGIU DANO APENAS DANO PSICOLÓGICO.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARCIALMENTE.

I – SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTE o pedido do autor, CONDENANDO a ré a pagar à


importância de importância de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) em título de indenização por dano moral,
corrigido monetáriamente pelos índices do TJPA e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês.

II – Conteúdo probatório suficiente para comprovar a existência do dano moral. Documentação nos autos
indica que a parte ora apelada requereu diversas vezes a autorização do exame, o qual fora autorizado
somente após determinação judicial. Precedentes.

III - Necessidade, todavia, que seja acolhido o pleito de redução do quantum indenizatório, visto que, por
mais da demora injustificada para a autorização do exame, a apelante forneceu o serviço. Para mais,
verifica-se dos autos que o dano moral se configurou apenas na esfera psicológica, não existindo danos
para além.

IV - Recurso conhecido e provido parcialmente, para reduzir o valor indenizatório para o montante de R$
10.000,00 (dez mil reais), mantendo a sentença nos demais aspectos.

Número do processo: 0808998-30.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: A. D. D.


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Participação: ADVOGADO Nome: BEATRIZ MOTA BERTOCCHI OAB: 25318/PA Participação:


ADVOGADO Nome: IONE ARRAIS DE CASTRO OLIVEIRA OAB: 3609/PA Participação: ADVOGADO
Nome: FERNANDO AUGUSTO BRAGA OLIVEIRA OAB: 5555 Participação: ADVOGADO Nome: LUAN
ATA QUEIROZ ABADESSA DA SILVA OAB: 20115/PA Participação: ADVOGADO Nome: BARBARA
ARRAIS DE CASTRO CARVALHO OAB: 15352/PA Participação: AGRAVADO Nome: M. E. L. C.
Participação: REPRESENTANTE Nome: FRANCY MARIA LIMA CHAVES OAB: null Participação:
ADVOGADO Nome: JOSE RONALDO DIAS CAMPOS OAB: 3234/PA Participação: ADVOGADO Nome:
CARLA RENATA MOREIRA PEREIRA NASCIMENTO OAB: 11126/PA Participação: ADVOGADO Nome:
DAMIAO JOSE BANDEIRA DO NASCIMENTO OAB: 656

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0808998-30.2018.8.14.0000

COMARCA: SANTARÉM / PA

AGRAVANTE: A. D. D.

ADVOGADO(A)(S): IONE ARRAES OLIVEIRA (OAB/PA nº. 3.609)

AGRAVADA: M. E. L. C.

REPRESENTANTE: FRANCY MARIA LIMA CHAVES

ADVOGADO(A)(S): JOSÉ RONALDO DIAS CAMPOS (OAB/PA nº. 3.234)

RELATOR: Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

DECISÃO MONOCRÁTICA

Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO:

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIMENTOS PROVISÓRIOS. PUBLICAÇÃO DA DECISÃO


AGRAVADA. NOME DA ADVOGADA HABILITADA. PEDIDO EXPRESSO DE INTIMAÇÃO EM NOME
DA CAUSÍDICA. VÍCIO DA PUBLICAÇÃO. NECESSIDADE DE REFAZIMENTO DO ATO. AGRAVO
CONHECIDO E PROVIDO.

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO interposto por A. D. D., nos autos de Ação de Investigação de
Paternidade c/c Alimentos proposta por M. E. L. C., representada por FRANCY MARIA LIMA CHAVES,
diante do inconformismo com a decisão proferida pelo Juízo de Direito da 2ª Vara Cível e Empresarial da
Comarca de Santarém/PA, que concedeu tutela antecipada para arbitrar alimentos provisórios em
favor da Agravada no importe do valor correspondente a 30 (trinta) salários mínimos.

Nas razões recursais, o Agravante pugna pela nulidade do processo e da decisão agravada, bem como
pela sua reforma. Sustenta, preliminarmente, que: i) conforme a regra do art. 7º, da Lei de Ação de
Alimentos, o processo originário deveria ter sido arquivado por ocasião da audiência ocorrida no dia
27/11/2013, pois a Agravada restou ausente injustificadamente no ato, mesmo tendo sido devidamente
intimada, sendo que o processo deveria ter sido extinto naquele momento, o que resulta a nulidade dos
atos decisórios posteriores; ii) se configurou cerceamento de defesa, em razão de a decisão agravada
não ter sido publicada no nome da atual advogada do Agravante; e, iii) houve cerceamento de defesa
por violação do art. 343, §1º, do CPC, na medida em que o Agravante não foi intimado pessoalmente
para atos processuais que sucederam o despacho de fls. 184, dos autos originários, impedindo-se a
participação deste em audiências ou, quando intimado pessoalmente, não houve respeito ao lapso
temporal hábil previsto no art. 334, do CPC, ressaltando, ainda, que os advogados do Agravante à época
não possuíam poderes específicos para receber intimações em nome do demandado, e que houve
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

nítido abandono de causa pelos causídicos do Agravante constituídos naquele período, prejudicando o
princípio da ampla defesa e contraditório.

No mérito, argumenta, em síntese, ser completamente exorbitante e desproporcional a fixação de


alimentos provisórios no importe de 30 salários mínimos para a Agravada. Nesse sentido, alega não
ser possível arbitrar valores tão elevados pelo simples fato de a Agravada residir na Suíça, pois tal
situação decorreu de opção pessoal da genitora da Agravada, razão pela qual a decisão agravada teria
desrespeitado o trinômio necessidade-possibilidade-proporcionalidade.

Defende, outrossim, ser incabível a presunção de paternidade em desfavor do Agravante, porquanto o


seu não comparecimento na audiência de coleta de material genético restou justificado, mercê do lapso
de tempo irrisório (7 dias úteis) entre a data o recebimento da intimação da audiência para coleta de
material genético e a realização desta, o que violou a norma do art. 334, do CPC, que prevê interstício
mínimo de 20 dias, registrando ainda que o Agravante não reside na comarca onde o processo tramita.
Alega, por fim, que inexiste qualquer elemento que denote a intenção de se eximir de realizar o exame de
DNA.

Inicialmente a relatoria do feito coube ao Des. José Roberto Maia Junior por distribuição regular realizada
em 26/112018, ocasião em foi deferido parcial efeito suspensivo para reduzir a verba de alimentos
provisórios para o importe de 15 (quinze) salários mínimos.

Contra tal decisão, o Agravante opôs embargos de declaração (Id. 1304255).

Após, o relator originário, e. Des. José Roberto Maia Junior firmou sua suspeição, conforme decisão
de Id. 2480491.

Em seguida, os autos eletrônicos foram distribuídos a este relator. E, na oportunidade, determinei a


intimação da Agravada para apresentar contrarrazões ao agravo e remessa à Procuradoria de Justiça para
manifestação.

Em contrarrazões (Id. 2656591), a Agravada pleiteia o conhecimento e desprovimento do agravo de


instrumento.

Por sua vez, nesta instância, a Procuradoria de Justiça se manifesta pelo conhecimento e parcial
provimento do recurso para o fim de reduzir o valor arbitrado a título de alimentos provisórios para o
importe de 15 (quinze) salários mínimos.

É o breve relatório. Decido monocraticamente.

Porque satisfeitos os requisitos objetivos e subjetivos de admissibilidade, deve ser conhecido o agravo de
instrumento.

Na essência, o recurso veicula impugnação contra decisão que, em sede de tutela provisória de urgência,
considerando a presunção de paternidade, arbitrou alimentos provisórios em favor da criança M. E. L. C.
no valor correspondente a 30 (salários) mínimos vigentes. Conforme relatado, questiona-se, nesta
instância, a existência de vícios processuais, bem como o mérito do direito à prestação de alimentos
provisórios no importe fixado.

i. Cerceamento de defesa: publicação da decisão em nome de outro advogado do Agravante.

Um dos pontos de impugnação do recurso refere-se à publicação da decisão agravada, que, não obstante
a existência prévia de intimação exclusiva no nome de determinada Advogada, foi realizada em nome dos
antigos patronos do demandando, que não mais possuem a qualidade de representantes processuais
deste.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Efetivamente, verifico que a decisão agravada incorreu em error in procedendo.

Compulsando os autos (Ids. 1162595 e 1162603), constatei que no curso do processo, o Agravante foi
intimado pessoalmente para audiência de coleta de material genético em 26/9/2018 e no dia 2/10/2018
apresentou petição de habilitação da Advogada IONE ARRAIS OLIVEIRA (OAB/PA Nº. 3.609), juntamente
com o instrumento de procuração. Nesta petição, restou consignado expressamente que futuras
intimações deveriam se dar exclusivamente no nome da referida patrona.

No entanto, a decisão agravada, proferida em 30/102018, e publicada no DJe nº.6536/2018, não conteve
o nome da referida advogada, sendo consignada na publicação os nomes dos antigos advogados do
requerido, que não mais possuíam poderes de representação deste.

Há jurisprudência do STJ nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. PEDIDO DE INTIMAÇÃO


EXCLUSIVA. INTIMAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE ADVOGADO DIVERSO. NULIDADE
APONTADA NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE EM QUE SE MANIFESTOU NOS AUTOS. 1. Nos termos
da jurisprudência do STJ, nos casos em que há mais de um advogado constituído nos autos, a
intimação poderá ocorrer em nome de qualquer um ou alguns deles, desde que ausente pedido
expresso no sentido de que a intimação ocorra especificamente em nome de algum ou de todos
eles. 2. Na hipótese dos autos, consta que o recorrente, ao apresentar o substabelecimento (fl. 183,
e-STJ), requereu expressamente que todas as intimações "inclusive as publicações no DPJ sejam
veiculadas em nome do advogado Antônio João Gusmão Cunha, constante no instrumento ora
colacionado, sob pena de nulidade" (fl. 182, e-STJ). 3. Dessa forma, deve ser reconhecida a
nulidade das intimações feitas em nome de outro causídico. Ressalta-se ainda que o recorrente
suscitou a referida nulidade na primeira oportunidade que teve para se manifestar nos autos,
afastando assim a preclusão da matéria. 4. Recurso Ordinário provido.

(RMS 58.754/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2018, DJe
19/11/2018)

Nestes casos, a publicação do ato decisório violou a regra do art. 272, §5º, do CPC, tornando sem efeito
o ato de intimação da decisão, haja vista a comunicação do ato restar viciada, razão pela qual deve ser
reconhecida a necessidade de publicação de nova decisão, a fim de se sanado o vício, devendo o juízo de
primeiro grau fiscalizar os atos de comunicação das partes com a atualização da autuação do processo,
de modo a garantir o efetivo conhecimento do atos processuais. Ressalto que a parte Agravante alegou o
vício na primeira oportunidade em que teve de se manifestar, na forma do art. 272, §8º, do CPC.

Por isso mesmo, deve ser acolhida a preliminar de vício de publicação do ato decisório.

ASSIM, nos termos da fundamentação, CONHEÇO e DOU PROVIMENTO ao agravo de instrumento no


sentido de anular a publicação da decisão agravada, tornando-a sem efeito, determinando que o juízo
de primeiro grau proceda nova publicação com a indicação correta do nome da Advogada do
Agravante, reabrindo-se prazo para as partes.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos.

Belém/PA, 18 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

Desembargador – Relator
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Número do processo: 0001201-69.2010.8.14.0015 Participação: APELANTE Nome: ESTADO DO PARA


Participação: APELADO Nome: JULIO CESAR AUGUSTO Participação: AUTORIDADE Nome: PARA
MINISTERIO PUBLICO

DECISÃO MONCORÁTICA

Tratam os presentes autos de APELAÇÃO CÍVEL interposta pelo ESTADO DO PARÁ contra a r.
sentença prolatada pelo MM. Juiz de Direito da 1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Castanhal nos
autos da EXECUÇÃO FISCAL ajuizada pelo ora apelante em face de JULIO CÉSAR AUGUSTO, tendo o
decisum atacado (Id. 2814622) declarado a prescrição intercorrente e em consequência julgado extinto o
processo, nos termos do art. 487, II, do CPC.

Em breve síntese da exordial (id. 2306295) o Estado do Pará ajuizou Execução Fiscal em desfavor de
JÚLIO CESAR AUGUSTO pleiteando a quantia descrita na Certidão de Dívida Ativa que instrui a
Execução Fiscal mencionada.

Em despacho de Citação em 08/03/2010 (id.2814621), foi cumprido por Oficial de Justiça em 28/04/2010,
contudo, infrutífero, consoante Certidão de id. 28142621, página 10.

A Fazenda Pública foi intimada, sendo dado vista em 20/05/2010, tendo se manifestado em 27/05/2011
(id.2814621 – Pág 15), requerendo a citação por carta rogatória no endereço informado, bem como, no
caso de não pagamento, a penhora on-line via Bacenjud.

O juiz a quo somente se manifestou acerca do pedido em 2015, deferindo a citação por carta precatória,
sendo a Carta precatória cumprida, porém não sem êxito, pois a citação do executado não foi realizada já
que o mesmo não mais no endereço informado, conforme certidão do Sr. Oficial de Justiça. (conforme
decisão (Id nº 2814621 – Pág. 24 e 36)

Em despacho datado de 30/05/2018, foi determinada a intimação da Fazenda Pública para manifestação.

Após, consta certidão informando a determinação de conclusão de todos os processos de execução fiscal,
que ainda não foram sentenciados, datada de 05/06/2019.

Resolvendo a lide, em sentença datada de 18/06/2019, o D. Juízo de 1º grau extinguiu o feito, declarando
a prescrição intercorrente do crédito tributário. (Id nº 2814622)

O Estado do Pará interpôs o presente recurso de apelação (ID nº 2814623), alegando, em síntese, a
nulidade da decisão por ausência de fundamentação específica, afirmando que o juízo proferiu sentença
genérica apenas afirmando que desde junho de 2013 já teria iniciado a contagem do prazo prescricional.

Salienta a ausência dos elementos essenciais da sentença, pois o juízo ignorou as individualidades de
cada processo.

Alega a ausência de fixação do termo inicial e final da contagem do prazo prescricional, conforme
orientação jurisprudencial contida no Resp 1.340.553-RS, no qual a sentença se fundamentou.

Por fim, afirma a não ocorrência da prescrição intercorrente, pois após despacho citatório ocorrido em
08/03/2019, ocorreu a interrupção do prazo prescricional, nos termos do art. 174, parágrafo único do CTN.
Alega houve demora da justiça para realização da citação por carta precatória, e após frustrada, sem que
tenha sido realizada a intimação do exequente, embora haja despacho nesse sentido, o juízo proferiu
sentença, não podendo a inércia do judiciário ser atribuída a Fazenda Pública.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Pugnou pelo integral provimento do presente recurso, com o reconhecimento da não incidência da
prescrição intercorrente, para restabelecer a plena validade e exigibilidade do crédito tributário.

Não foram ofertadas contrarrazões recursais, eis que sequer houve a citação do executado.

O Ministério Público se absteve de intervir no feito, ante a ausência de interesse social apto a atrair a
intervenção do Parquet.

Éo sucinto relatório.

DECIDO

Compulsando os autos, entendo que o apelo comporta julgamento monocrático, com base no art. 932, V
do CPC/2015 c/c artigo 133, XI, d, do RITJPA, por ser a sentença recorrida contrária a julgamento do
Recurso Especial nº 1.340.553 – RS, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

Cinge-se a questão à análise se configurou ou não a prescrição intercorrente da ação de execução fiscal
para cobrança de IPVA.

Prescrição tributária, em apertada síntese, é o lapso temporal dentro do qual a Fazenda Pública, por meio
do seu procurador, deverá inscrever o crédito em dívida ativa, ajuizar a execução fiscal e, ainda, exercer,
em certa medida, o direito de ação. Se a ação foi ajuizada, mas não ocorreu, dentro de certo tempo, a
citação ou a localização de bens do devedor para a penhora, fala-se em prescrição intercorrente:
prescrição no decurso do processo judicial.

A Lei de Execução Fiscal, em seu art. 40, § 4º, instituiu a possibilidade de o juiz decretar, ex officio, a
prescrição intercorrente, configurada quando, proposta a execução fiscal e decorrido o prazo de
suspensão, o feito permanecer paralisado por mais de cinco anos, desde que antes seja intimada a
Fazenda Pública. Vejamos:

Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou
encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de
prescrição.

(...)

§ 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois
de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la
de imediato.

Sobre o dispositivo transcrito, Leonardo Carneiro da Cunha apresenta seu escólio:

“Nos termos do § 4º do art. 40 da Lei 6.830/1980, é possível ao juiz, na execução fiscal, reconhecer de
ofício a prescrição intercorrente, desde que ouvida previamente a Fazenda Pública. O contraditório deve,
nesse caso, ser instalado para oportunizar à Fazenda Pública demonstrar a eventual existência de alguma
causa suspensiva ou interruptiva da prescrição e, enfim, para que possa contribuir com o convencimento
do magistrado, instaurando um diálogo entre parte e juiz, no que se asseguram a cooperação (CPC, art. 6º
e o contraditório (CPC, art. 10). (A Fazenda pública em Juízo. 13ª ed. Forense. 2016. p. 441)”.

Acerca das consequências da ausência de intimação prévia da Fazenda Pública para se manifestar acerca
da prescrição intercorrente, o Douto professor assim leciona:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Se o juiz decretar a prescrição intercorrente, sem a prévia audiência da Fazenda Pública, será nula a
decisão, em razão de um erro in procedendo. Não havendo prévia audiência da Fazenda Pública,
exsurgirá manifesto error in procedendo, ou seja, um vício no procedimento ou um equívoco na aplicação
de regras procedimentais pelo juízo de primeira instância, cabendo apelação para que se anule a sentença
que extinguir a execução fiscal. (Ob. cit.).

Recentemente, o STJ, em julgamento do Recurso Especial nº 1.340.553 – RS, submetido ao rito dos
Recursos Repetitivos, definiu a sistemática para a contagem da prescrição intercorrente, estabelecendo
regras para a correta aplicação do artigo 40 e parágrafos da Lei de Execuções Fiscais, senão vejamos:

RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015 (ART. 543-C, DO


CPC/1973). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SISTEMÁTICA PARA A CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO
INTERCORRENTE (PRESCRIÇÃO APÓS A PROPOSITURA DA AÇÃO) PREVISTA NO ART. 40 E
PARÁGRAFOS DA LEI DE EXECUÇÃO FISCAL (LEI N. 6.830/80). 1. O espírito do art. 40, da Lei n.
6.830/80 é o de que nenhuma execução fiscal já ajuizada poderá permanecer eternamente nos
escaninhos do Poder Judiciário ou da Procuradoria Fazendária encarregada da execução das respectivas
dívidas fiscais. 2. Não havendo a citação de qualquer devedor por qualquer meio válido e/ou não sendo
encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora (o que permitiria o fim da inércia processual),
inicia-se automaticamente o procedimento previsto no art. 40 da Lei n. 6.830/80, e respectivo prazo, ao fim
do qual restará prescrito o crédito fiscal. Esse o teor da Súmula n. 314/STJ: "Em execução fiscal, não
localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da
prescrição qüinqüenal intercorrente". 3. Nem o Juiz e nem a Procuradoria da Fazenda Pública são os
senhores do termo inicial do prazo de 1 (um) ano de suspensão previsto no caput, do art. 40, da LEF,
somente a lei o é (ordena o art. 40: "[...] o juiz suspenderá [...]"). Não cabe ao Juiz ou à Procuradoria a
escolha do melhor momento para o seu início. No primeiro momento em que constatada a não localização
do devedor e/ou ausência de bens pelo oficial de justiça e intimada a Fazenda Pública, inicia-se
automaticamente o prazo de suspensão, na forma do art. 40, caput, da LEF. Indiferente aqui, portanto, o
fato de existir petição da Fazenda Pública requerendo a suspensão do feito por 30, 60, 90 ou 120 dias a
fim de realizar diligências, sem pedir a suspensão do feito pelo art. 40, da LEF. Esses pedidos não
encontram amparo fora do art. 40 da LEF que limita a suspensão a 1 (um) ano. Também indiferente o fato
de que o Juiz, ao intimar a Fazenda Pública, não tenha expressamente feito menção à suspensão do art.
40, da LEF. O que importa para a aplicação da lei é que a Fazenda Pública tenha tomado ciência da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido e/ou da não localização do devedor. Isso é
o suficiente para inaugurar o prazo, ex lege. 4. Teses julgadas para efeito dos arts. 1.036 e seguintes
do CPC/2015 (art. 543-C, do CPC/1973): 4.1.) O prazo de 1 (um) ano de suspensão do processo e do
respectivo prazo prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da Lei n. 6.830/80 - LEF tem início
automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não localização do devedor ou da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo, sem prejuízo dessa contagem
automática, o dever de o magistrado declarar ter ocorrido a suspensão da execução(...). 5. Recurso
especial não provido. Acórdão submetido ao regime dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 543-C,
do CPC/1973).

(STJ - REsp: 1340553 RS 2012/0169193-3, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de
Julgamento: 12/09/2018, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 16/10/2018).

Conforme consignado no paradigma retro transcrito, o que importa para a aplicação da prescrição
intercorrente é que a Fazenda Pública tenha tomado ciência da inexistência de bens penhoráveis
no endereço fornecido ou da não localização do devedor. Fatores suficientes para inaugurar o
prazo, ex lege.

Impende registrar, ainda, que o prazo de suspensão se inicia automaticamente, na forma do art. 40, caput,
da Lei de Execução Fiscal, sendo despicienda a prévia manifestação do magistrado determinando a
suspensão ou o arquivamento da ação, desde que a Fazenda Pública seja devidamente intimada. É o que
dispõe o parágrafo único do artigo 25 da LEF.

Art. 25 - Na execução fiscal, qualquer intimação ao representante judicial da Fazenda Pública será feita
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

pessoalmente.

(...)

Parágrafo Único - A intimação de que trata este artigo poderá ser feita mediante vista dos autos, com
imediata remessa a representante judicial da Fazenda Pública, pelo cartório ou secretaria.

Com efeito, por força da Jurisprudência já consolidada pelo STJ e conforme previsto no dispositivo legal
supra, prevalece a regra de intimação pessoal da Fazenda, inclusive, nos feitos em tramitação anteriores à
vigência da Lei n° 11.051/2004, diante de sua natureza eminentemente processual.

Ocorre que, in casu, denoto dos autos que a citação do executado, por carta precatória, restou frustrada,
conforme certidão Id nº Id nº 2814621 – Pág. 36. Ato contínuo, o juízo de 1º grau determinou a intimação
do Estado do Pará (Id nº 2814621) para tomar ciência da não ocorrência da citação. Não consta nos autos
se o despacho foi publicado e tampouco a intimação pessoal da Fazenda Pública. Posteriormente,
sobrevindo a sentença extinguindo o feito e declarando a prescrição intercorrente.

Constata-se, então, que frustrada a citação por meio de carta precatória, a Fazenda Pública Estadual não
foi intimada pessoalmente com vistas dos autos, conforme determina o art. 25 e parágrafo único, da Lei
6.830/80, para tomar ciência da não localização do executado, de tal sorte que não houve o início
automático do prazo de um ano de suspensão e, por conseguinte, também não iniciou automaticamente a
contagem do quinquênio prescricional.

Sobre a ausência de intimação prévia da Fazenda Pública, leciona o professor Leonardo Carneiro da
Cunha:

Se o juiz decretar a prescrição intercorrente, sem a prévia audiência da Fazenda Pública, será nula a
decisão, em razão de um erro in procedendo. Não havendo prévia audiência da Fazenda Pública,
exsurgirá manifesto error in procedendo, ou seja, um vício no procedimento ou um equívoco na aplicação
de regras procedimentais pelo juízo de primeira instância, cabendo apelação para que se anule a sentença
que extinguir a execução fiscal. (A Fazenda pública em Juízo. 13ª ed. Forense. 2016. p. 441). (Grifo
nosso).

Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.268.324/PA (TEMA
508), em 17/10/2012, sob a sistemática dos recursos repetitivos fixou a tese de que o representante da
Fazenda Pública Municipal (caso dos autos), em sede de execução fiscal, possui a prerrogativa de ser
intimada pessoalmente, em virtude do disposto no art. 25 da Lei 6.830/80, razão pela qual não é válida,
nessa situação, a intimação efetuada, exclusivamente, por meio da imprensa oficial.

Assim, torna-se imprescindível a intimação pessoal da Fazenda Pública, em sede de execução fiscal,
antes da decisão que decreta a prescrição intercorrente (art. 40, §4º, da LEF).

Logo, descaracterizada a inércia da Fazenda Pública e constatado erro de procedimento na decretação da


prescrição intercorrente, a nulidade da sentença é medida que se impõe, com a continuidade regular do
processo executório.

Ante tais considerações, CONHEÇO DA APELAÇÃO e DOU-LHE PROVIMENTO, para cassar a sentença
apelada e determinar o retorno dos autos ao juízo de origem para o devido prosseguimento do feito.

É como voto.

Belém, 17 de junho de 2020.

Desembargadora Ezilda Pastana Mutran


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Relatora

Número do processo: 0000772-86.2011.8.14.0009 Participação: APELANTE Nome: BANCO BMG SA


Participação: ADVOGADO Nome: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO OAB: 23255/PE
Participação: APELADO Nome: MARCELINA BORGES DE ASSIS

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DESEMBARGADOR JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JUNIOR
APELAÇÃO CÍVEL (198):0000772-86.2011.8.14.0009
APELANTE: BANCO BMG SA
Nome: BANCO BMG SA
Endereço: AV ALVARES CABRAL, 1707, - de 791/792 ao fim, LOURDES, BELO HORIZONTE - MG -
CEP: 30170-001
Advogado: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO OAB: PE23255-A Endereço: DEZESSETE DE
AGOSTO, 175, APTO 902, CASA FORTE, RECIFE - PE - CEP: 52060-590
APELADO: MARCELINA BORGES DE ASSIS
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PARA
Nome: MARCELINA BORGES DE ASSIS
Endereço: Rua Principal da Vila Benjamin Constant, sn, Próximo Fazenda do Vavá, Estrada do Cacoal,
BRAGANçA - PA - CEP: 68600-000
Nome: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PARA
Endereço: VISCONDE DE SOUZA FRANCO, 601, APTO 1902, UMARIZAL, BELéM - PA - CEP: 66055-
905
DECISÃO MONOCRÁTICA

Trata-se de Apelação Cível interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça pelo BANCO BMG S/A,
nos autos da Ação de Indenização por Danos Morais c/c Repetição do Indébito com Pedido Liminar
(processo nº 0000772-94.2011.8.14.0009) proposta por MARCELINA BORGES DE ASSIS, ora apelada,
em razão da sentença proferida pelo juízo da 1ª Vara da Cível e Empresarial da Comarca de Bragança –
PA, que julgou procedente o pedido da autora/apelada, condenando o réu/apelante: (i) na restituição de
todo o valor pago, acrescido de juros legais, pela taxa SELIC, desde a citação, e correção monetária pelo
IPCA a partir da data do desconto indevido (súmula STJ nº 43) até a data da citação, sendo que, a partir
daí aplica-se tão somente a taxa SELIC; e (ii) nos danos morais, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais),
acrescidos de juros legais, a partir da citação, pela SELIC, bem como correção monetária a partir da
sentença, conforme súmula nº 362 do STJ. Custas e honorários de sucumbência, fixados em 10% (dez
por cento) do valor da condenação, pelo réu/apelante.

Em suas razões recursais, sob o Num. 2752255 – pág. 1/27, o réu/apelante alega no mérito, a inexistência
de qualquer ato ilícito praticado, em razão da operação de empréstimo questionada ter sido feita mediante
assinatura de contrato que refinanciou dívida preexistente da apelada, tendo agido tão somente em um
exercício regular de direito. Sustenta que se houvesse dúvidas por parte do juízo de 1º grau quanto à
veracidade da operação, este deveria ter oficiado ao Banco do Brasil para que fossem anexados aos autos
o extrato da conta corrente da autora/apelada. Portanto, entende incabíveis os danos morais e materiais
observados na sentença recorrida, requerendo os seus afastamentos. Porém, mantidos os morais, pugna
que sejam minorados. Requer o conhecimento e provimento do presente recurso.

Contrarrazões recursais sob o Num. 2752258 – pág. 1/3, nas quais a autora/apelada requer seja mantida a
sentença recorrida.
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Éo relatório.

Decido.

Primeiramente, verifico que houve um erro no cadastro do número do processo no Sistema PJe, haja vista
que o sistema aponta o número 0000772-86.2011.8.14.0009, quando, na realidade, o número correto,
conforme papeleta de distribuição sob o Num. 2752239 – pág. 2 é 0000772-94.2011.8.14.0009, devendo,
portanto, ser retificado. Providencie a UPJ.

O recurso comporta julgamento imediato, com fulcro na interpretação do art. 932, V, “a” do CPC.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo à sua análise.

O caso concreto versa sobre contratos de empréstimos consignados não reconhecidos pela apelada, em
seu benefício de aposentadoria de nº 107.192.729-6. Conforme relata na petição inicial, foi surpreendida
com diversos descontos em seu benefício previdenciário, iniciados no mês de junho de 2005 e agosto de
2007, referentes a 03 (três) contratos de empréstimos consignados, sendo que não contratou tal serviço
junto ao banco apelante.

Compulsando os autos, verifico que o conjunto probatório dos autos foi produzido por ambas as partes,
dentre os quais destaco: (i) cópia de histórico de consignações no benefício de aposentadoria da apelada,
sob o Num. 2752239 – pág. 11/13, constando o registro dos contratos de números 150980816, com
situação “INATIVA – ALTERADA” e 194819082 e 194508595, estes últimos com situação “ATIVA”,
celebrados com o Banco BMG, ora apelante; (ii) cópia do Boletim de Ocorrência Policial, sob o Num.
2752239 – pág. 15, registrado pela Sra. ZULEIDE BORGES DA SILVA (filha da apelada), no qual informa
a descoberta dos descontos; (iii) cópia de comprovante de operação referente ao contrato nº 150980816,
sob o Num. 2752243 – pág. 42; e (iv) cópia de consulta interna denominada “liquidação financeira”, sob o
Num. 2752243 – pág. 43, contendo dados sobre a operação de nº 150980816/01.

O banco réu ofereceu contestação sob o Num. 2752243 – pág. 1/23, alegando incialmente que “(...). De
fato, a autora celebrou junto ao réu os contratos de empréstimo mencionados na peça exordial. Todavia,
após a formalização dos instrumentos, ela entrou em contato com o réu, pleiteando o cancelamento das
avenças, o que fora prontamente atendido. Entretanto, quando da realização de um contrato de
empréstimo consignado, o banco envia à fonte pagadora cópia deste, devidamente assinado, para que os
descontos passem a ser efetuados mensalmente. Porém, quem realiza os descontos no contracheque da
autora é a fonte pagadora deste, após envio de solicitação do réu, que o faz quando da celebração dos
contratos. Ademais disso, quando do cancelamento dos contratos, o banco enviou imediatamente
solicitação para que as parcelas não fossem mais descontadas, mas é possível que a suspensão dos
descontos não seja imediata, a depender da organização e programação do órgão pagador.”.

Além disso, deixou de anexar aos autos os contratos questionados (e os comprovantes dos alegados
cancelamentos), pugnando pela concessão de prazo para a apresentação dos mesmos em juízo. Sobre o
pleito, dispunham os artigos 396 e 397 do CPC/73 (atuais artigos 434 e 435 do CPC), vigente à época:

Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos
destinados a provar-lhe as alegações. (grifei)

Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a
fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos
autos. (grifei)

Ora, os termos da lide foram bem definidos na petição inicial, onde a apelada alega não ter feito os
empréstimos cujas parcelas lhe estavam sendo debitadas em seu benefício de aposentadoria. Ao
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apelante, nos termos do art. 333, II do CPC/73 (atual art. 373, II do CPC) cabia o ônus de comprovar a
existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da apelante, enquanto autora.

Em audiência de instrução realizada no dia 14/01/2015, sob o Num. 2752247 – pág. 1/2, compareceram a
apelada, bem como banco apelante, representado por preposto. Em suas declarações, informou a apelada
que: “(...) que já solicitou empréstimos por intermédio de sua aposentadoria; que um dos empréstimos foi
feito através do Bando(sic) do Brasil e não se recorda quando foi encerrado; que outro empréstimo foi feito
através da Caixa Econômica Federal e encerrará no ano de 2017; que recentemente efetuou um terceiro
empréstimo, sendo que ainda não recebeu os respectivos valores; que não se recorda do valor
descontado mensalmente referente aos empréstimo(sic); que não solicitou os quatro empréstimos
efetuados em 2011; que promoveu os pagamentos dos empréstimos e nunca recebeu tais valores; que
não se recorda se solicitou empréstimos nos anos de 2005 e 2007; que solicitou os empréstimos com
funcionários do próprio Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. (...) que fez um único empréstimo
através da pessoa conhecida por Luciano; que Luciano representa o Banco BMG em Bragança; que já
promoveu o pagamento; que não se recorda o ano em que solicitou tal empréstimo”.

Por seu turno, a preposta do banco apelante assim declarou ao juízo: “(...) que não é funcionária do Banco
BMG; que comparece na qualidade de preposta da empresa; que não tem qualquer conhecimento dos
fatos narrados na inicial.”

Apresentadas as alegações finais, os autos foram conclusos para sentença.

Friso que a instrução do feito observou o art. 373, I e II do CPC, que distribui o ônus da prova, cabendo ao
réu provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além da legislação
processual civil pátria, o Código de Defesa do Consumidor também deve ser observado no caso concreto,
conforme enunciado da Súmula nº 297 do STJ. Vejamos:

CPC:

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;

II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.

CDC:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

(...)

§3º. O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Súmula nº 297 STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.

Com efeito, a apelada comprovou a ocorrência de descontos em seus proventos, mas o banco apelante
não se desincumbiu de seu mister em comprovar a veracidade da transação questionada, haja vista ser
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seu ônus provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito pleiteado pela apelada.
Acerca da particularidade do caso, destaco que as instituições bancárias respondem objetivamente pelos
danos gerados por fortuito interno relativo à fraude praticada por terceiros, conforme o teor da Súmula nº
479 do STJ, e em sede de recurso especial repetitivo, abaixo transcritos:

Súmula nº 479 STJ. As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JULGAMENTO PELA SISTEMÁTICA


DO ART. 543-C DO CPC. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS. DANOS
CAUSADOS POR FRAUDES E DELITOS PRATICADOS POR TERCEIROS. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA. FORTUITO INTERNO. RISCO DO EMPREENDIMENTO. 1. Para efeitos do art. 543-C do
CPC: As instituições bancárias respondem objetivamente pelos danos causados por fraudes ou delitos
praticados por terceiros - como, por exemplo, abertura de conta corrente ou recebimento de empréstimos
mediante fraude ou utilização de documentos falsos -, porquanto tal responsabilidade decorre do risco do
empreendimento, caracterizando-se como fortuito interno. 2. Recurso especial provido. (REsp
1197929/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/08/2011, DJe
12/09/2011)

Analisando a sentença recorrida, sobre os danos reconhecidos, discorro inicialmente sobre os materiais,
os quais restaram concretizados no que é pertinente aos contratos não reconhecidos pela apelada, cujos
descontos ocorreram conforme demonstra o histórico de consignações anexado sob o Num. 2752239 –
pág. 11/13, constando o registro dos contratos de números 150980816, 194819082 e 194508595, com
situação “ativa” e “inativa – alterada”, ou seja, os descontos das parcelas foram feitos regularmente pelo
Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, com o consequente repasse ao banco apelante.

Aliás, friso que muito embora tenha o banco apelante alegado ter enviado ofício ao INSS para comunicar o
cancelamento dos contratos, e que as parcelas respectivas não fossem mais descontadas, não comprovou
a adoção de tal providência, pois deixou de anexar o citado documento aos autos.

Inclusive, nem mesmo a juntada tardia (já em sede recursal) da documentação sob o Num. 2752255 –
pág. 28/34 e Num. 2752255 – pág. 39/47 há de ser considerada, pois não se adequam à situação prevista
no art. 435, parágrafo único, do CPC. In verbis:

Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a
fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos
autos.

Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou
a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos,
cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e
incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5°.

Ora, as operações anexadas possuem data anterior ao ajuizamento da ação, e muito embora tenha
pleiteado dilação de prazo para a apresentação dos contratos, quando da apresentação da contestação, o
apelante justificou a impossibilidade da juntada no momento oportuno em razão da busca demorada em
seus arquivos internos, o que não se admite, já que os contratos de operações bancárias possuem
vinculação à agência e ao município de onde foram firmados. Tendo sido supostamente firmados em
Bragança – PA, cidade de menor porte do interior de nosso estado, tenho que tal busca não seria
demasiada longa, sendo possível a apresentação em tempo dos contratos em discussão.

Desta forma, comprovados pelo histórico de consignações da apelada, referente ao benefício de número
107.192.729-6 (Num. 2752239 – pág. 11/13), e não tendo a autora MARCELINA BORGES DE ASSIS
apresentado recurso de apelação contra a sentença de 1º grau, deve o banco apelado proceder com a
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devolução de todo o valor descontado do benefício da apelada, de forma simples, tal como o já disposto
na sentença recorrida.

Do exposto, considerando todos os fatos e provas referentes a eles analisados, é inegável que a apelada
sofreu abalo psicológico que foge do mero aborrecimento, pois resta claro que as operações financeiras
em discussão não foram por ela efetuadas.

Portanto, ultrapassado o mero aborrecimento, há o dano moral, com o seu consequente dever de
indenizar. Com efeito, a indenização por dano moral deve ser fixada mediante prudente arbítrio do Juiz, de
acordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, observada a finalidade compensatória, a
extensão do dano experimentado e, o grau de culpabilidade do agente. Deve ainda, constituir exemplo
didático para o ofensor, de que a sociedade e o Direito repugnam a conduta violadora, porque é
incumbência do Estado defender e resguardar a dignidade humana.

Ciente de que a indenização objetiva sancionar o lesante, inibindo-o em relação a novas condutas, seu
valor deve corresponder a um desestímulo, contudo, sem ensejar enriquecimento ilícito do ofendido, mas
também não pode ser ínfimo a ponto de permitir a reincidência em conduta negligente.

Esclarece-nos Caio Mário da Silva Pereira (in Responsabilidade Civil, Forense, 1990, p. 61) as funções da
indenização por danos morais: "O fulcro do conceito ressarcitório acha-se deslocado para a convergência
de duas forças: caráter punitivo para que o causador do dano, pelo fato da condenação, veja-se castigado
pela ofensa praticada e o caráter compensatório para a vítima que receberá uma soma que lhe
proporcione prazer em contrapartida do mal".

Sobre a questão, trago decisões desta Egrégia Corte de Justiça, por suas 02 (duas) Turmas de Direito
Privado:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS.


EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO C/C PEDIDO LIMINAR E SUSPENSÃO
DOS DESCONTOS E DANOS MORAIS E MATERIAIS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. TESE
RECURSAL DE INEXISTÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO
CREDITÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AUSENCIA DE PROVA DA
EFETIVA CONTRATAÇÃO E TRANSFERENCIA DO DINHEIRO EM BENEFICIO DA CONSUMIDORA.
DESCONTOS ILEGAIS EM PROVENTOS. VERBA DE CARÁTER ALIMENTAR. COBRANÇA INDEVIDA.
RESTITUIÇÃO SIMPLES (DANO MATERIAL). DANOS MORAIS. CONFIGURAÇÃO. DANO “IN RE IPSA”.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA "OPE LEGIS". QUANTUM FIXADO EM OBEDIÊNCIA AOS
PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. EFEITO
TRANSLATIVO. MODIFICAÇÃO DO TERMO INICIAL E DO ÍNDICE APLICÁVEL DA CORREÇÃO
MONETÁRIA E DOS JUROS MORATÓRIOS NAS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E MORAL.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (2019.03823852-62, 208.187, Rel. MARIA DO CEO MACIEL
COUTINHO, Órgão Julgador 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO, Julgado em 2019-09-16, publicado em
2019-09-18) (grifei)

EMENTA: CIVIL E PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. FRAUDE.
CONTRATO DE FINANCIAMENTO NÃO REALIZADO. AUSENCIA DE ZELO E SEGURANÇA NAS
OPERAÇÕES REALIZADAS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM ÓRGÃO DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO. DANO MORAL IN RE IPSA. 1 – O apelante é quem possui tecnologia na
prestação do serviço, que deve ser disponibilizado ao consumidor com segurança, informação, clareza e
transparência, cabendo-lhe fornecer a prova de que não ocorreu falha na referida prestação, pois, em caso
contrário, a ele será debitada a responsabilidade por qualquer falha e o dever de indenizar. 2 – In casu, a
conduta negligente da instituição financeira, que celebrou contrato com terceiro, em nome da parte autora,
sem a devida cautela necessária para tanto, ocasionou diversos transtornos e aborrecimentos para a
demandante, como a inscrição indevida do seu nome em órgão de proteção ao crédito, que extrapolam o
mero dissabor. 3 – Inarredável a conclusão de que, com a indevida negativação, o recorrente violou o
patrimônio moral do apelado, causando lesão à sua honra e reputação, e, por isso, desnecessária sua
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comprovação, já que se trata de dano moral puro. 4 – Minoração do quantum indenizatório de R$


30.000,00 (Trinta mil reais) para R$ 10.000,00 (Dez mil reais), em homenagem ao princípio da
razoabilidade. Necessidade de adequação aos parâmetros jurisprudenciais. 5 – Recurso conhecido e
provido parcialmente. DECISÃO MONOCRATICA. (...). (2018.03109884-61, Não Informado, Rel. EDINEA
OLIVEIRA TAVARES, Órgão Julgador 2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO, Julgado em 2018-08-08,
publicado em 2018-08-08).

Diante de tais critérios norteadores, o valor fixado como indenização pelo dano moral, R$ 5.000,00 (cinco
mil reais), está adequado a reparar a lesão psicológica causada à apelada, razão pela qual o mantenho.

Por se tratar de matéria de ordem pública, ajusto, ex officio, os consectários legais para os danos
materiais, estabelecendo juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso (cada
desconto indevido), conforme o artigo 398 do Código Civil e a Súmula nº 54 do STJ, e correção monetária
a partir da data do efetivo prejuízo (Súmula nº 43 do STJ); e, quanto aos danos morais, juros de mora de
1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso, conforme a Súmula nº 54 do STJ e correção
monetária a partir da data do arbitramento (Súmula nº 362 do STJ).

Posto isto, CONHEÇO e NEGO PROVIMENTO ao recurso de apelação do BANCO BMG S/A, mantendo
a sentença de 1º grau, porém ajustando, ex officio, os consectários legais a serem aplicados: (i) quanto
aos danos materiais: juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso (cada
desconto indevido), conforme o artigo 398 do Código Civil e Súmula nº 54 do STJ e correção monetária a
partir da data do efetivo prejuízo (Súmula nº 43 do STJ); e, (ii) quanto aos danos morais, juros de mora de
1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso, conforme a Súmula nº 54 do STJ e correção
monetária a partir da data do arbitramento (Súmula nº 362 do STJ).

Tendo por consideração o erro na autuação do número do processo, à UPJ para a devida
retificação.

Transitando em julgado esta decisão, dê-se baixa na distribuição deste relator.

Belém – PA, em data registrada no sistema.

José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Junior

Desembargador – Relator

Número do processo: 0805293-53.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: OSVALDO


RODRIGUES BRAZ Participação: ADVOGADO Nome: EDUARDO TADEU FRANCEZ BRASIL OAB:
13179/PA Participação: AGRAVANTE Nome: MARIA HELENA MARTINS LUCENA BRAZ Participação:
ADVOGADO Nome: EDUARDO TADEU FRANCEZ BRASIL OAB: 13179/PA Participação: AGRAVADO
Nome: DISMOBRAS IMPORTACAO, EXPORTACAO E DISTRIBUICAO DE MOVEIS E
ELETRODOMESTICOS S/A

1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO

ORIGEM: JUÍZO DE DIREITO DA 11ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE BELÉM

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0805293-53.2020.8.14.0000

AGRAVANTE: OSVALDO RODRIGUES BRAZ E MARIA HELENA MARTINS LUCENA BRAZ


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AGRAVADO: DISMOBRAS IMPORTACAO, EXPORTACAO E DISTRIBUICAO DE MOVEIS E


ELETRODOMESTICOS S/A

RELATORA: DESA. MARIA FILOMENA DE ALMEIDA BUARQUE

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C DESPEJO. EFEITO


SUSPENSIVO. PROBABILIDADE DO DIREITO E RISCO DE DANO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO
DEMONSTRADO. EFEITO SUSPENSIVO ATIVO CONCEDIDO.

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO, com pedido de efeito suspensivo, interposto por OSVALDO
RODRIGUES BRAZ E MARIA HELENA MARTINS LUCENA BRAZ, em face da decisão prolatada pelo
douto Juízo de Direito da 11ª Vara Cível e Empresarial de Belém, nos autos da Ação de Rescisão
Contratual c/c Despejo ajuizada em face de DISMOBRAS IMPORTACAO, EXPORTACAO E
DISTRIBUICAO DE MOVEIS E ELETRODOMESTICOS S/A.

A decisão agravada foi lavrada nos seguintes termos:

“(...) Sustentam os requerentes que devem ser desobrigados do pagamento da caução por três
fundamentos distintos, a saber: a) a exigência é extremamente onerosa para os locadores; b) o crédito dos
aluguéis inadimplidos ultrapassa em muito o valor correspondente a 3 (três) meses de. aluguel; c) há
provas de que a demandada possui capacidade financeira para pagar as prestações mensais da relação
de inquilinato e não o faz de forma intencional.

Entretanto, julgo que nenhum dos argumentos apresentados merece acolhimento, como passo a
fundamentar.

De saída, rejeito a alegação dos autores de que a exigência da garantia se revela excessiva, na medida
em que os demandantes são idosos e que perderam fonte de receita pelo inadimplemento contratual em
comento. Para além dos demandantes não terem carreado aos autos qualquer documento comprobatório
de suas condições de idosos, igualmente não apresentaram dados que comprovem a ausência de
capacidade financeira para suportar a caução comentada.

Em verdade, extrai-se o inverso do caderno processual: constam nos autos documentos indicando que os
demandantes são sócios da empresa Rodrigues & Lucena Ltda. E, mediante uma rápida consulta ao
buscador Google, identifica-se que a referida pessoa jurídica é a sociedade empresarial “Brazz Brazz”,
empresa tradicional do ramo de papelaria e afins, e que possui ao menos 5 filais nas cidades de Belém e
de Ananindeua. Logo, até onde se pode divisar, não se verifica hipossuficiência financeira dos locadores
para prestar a cautela legal.

No que se refere ao argumento de que o valor do débito da locatária supera em muito o valor da caução,
tornando-a dispensável, registro que ainda não há certeza quanto a existência da dívida em apreço. Não
obstante os requerentes tenham acostado um e-mail supostamente encaminhado por preposto da
requerida, reconhecendo o débito (Id. 4764540), o aludido documento ainda não foi submetido ao crivo do
contraditório para se apurar a sua veracidade (se, de fato, o e-mail foi enviado por funcionário da
empresa), sua validade (se o funcionário possuía poderes para representar a empresa) e a sua atualidade.

Sobremais, convém delinear que a caução prevista no art. 59, §1º da Lei 8245/91 tem por objetivo garantir
um piso indenizatório para o locatário, caso se sagre vencedor da lide. Destarte, permitir que o débito que
fundamenta a pretensão do locador seja o instrumento assecuratório para a hipótese de rejeição do pedido
do próprio locador é um paradoxo lógico flagrante, não podendo prosperar semelhante raciocínio.

Ainda sobre a questão, colhe-se julgado recente do Superior Tribunal de Justiça:


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[...] Por fim, com relação à alegação de que a ré evidenciou que sua mora contratual é voluntária e que
não se origina de insuficiência de recursos financeiros, registro que tais cogitações não guardam
pertinência para o julgamento da lide em tela, porquanto a obrigação do oferecimento de caução não está
vinculado a um juízo de moral do inadimplemento do locatório. Desse modo, deixo de analisar o referido
argumento.

Pois bem. Não tendo os requerentes prestado a caução determinada por este Juízo e não tendo
apresentado fundamento jurídico válido para deixarem de fazê-lo, prossigo com a demanda, sem o
cumprimento da liminar. (...)”

Os Agravantes/Autores ajuizaram a Ação de Despejo alegando que firmaram contrato de locação de um


imóvel com o Agravado/Requerido no valor inicial de R$18.000,00 (dezoito mil reais), para o primeiro ano,
R$20.000,00 (vinte mil reais) para o segundo ano, R$22.000,00 (vinte e dois mil reais) para o terceiro ano.

Narram que desde novembro de 2017 o mesmo deixou de cumprir com sua obrigação de Locatário, seja
com as parcelas dos aluguéis, seja das parcelas acessórias, inclusive pagamento de IPTU. Desse modo
requereram a concessão da liminar de despejo e a procedência da demanda.

O Juízo de piso concedeu a liminar, condicionando o seu cumprimento com o depósito de caução no valor
de 03 (três) meses de aluguel.

Os Agravantes apresentaram petição oferecendo cheque-caução (ID 10974124 – pág. 01/02 – autos de 1º
grau), tendo o Juízo de piso indeferido o pleito de utilização do referido cheque para fins de caução (ID
15363365 – pág. 01 – autos de 1º grau).

Os Agravantes apresentaram nova petição requerendo a compensação do valor do débito locatício para a
caução requerida pelo Juízo (ID 16022165 – pág. 01/04), tendo o Magistrado indeferido tal pleito, dando
continuidade a demanda sem o cumprimento da liminar, motivo do presente agravo.

A Agravante alega em suas razões recursais a necessidade de reforma da decisão recorrida, uma vez que
o cheque é meio de caução idônea, devendo ser aceito.

Alternativamente aduz que seria o caso de dispensa da caução, uma vez que o débito locatício supera a
caução. Pugna ao final pelo deferimento do efeito suspensivo e no mérito o provimento do mesmo.

Juntou documentos.

É o relatório.

DECIDO.

Em obediência ao disposto no art. art. 6º, caput, da LICC, tempus regict actum. Deste modo, os
pressupostos de admissibilidade recursal devem ser examinados à luz do art. 1015 e seguintes do NCPC.

O recurso é cabível, por força o disposto no art. 1015, inciso I, do NCPC.

Pois bem. O recurso é tempestivo e foi instruído com as peças obrigatórios, pelo que entendo preenchidos
os pressupostos de admissibilidade.

Consabido, incumbe ao relator apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de
competência originária do tribunal, de acordo com o artigo art. 932, II do NCPC.

Entendo estarem presentes os requisitos necessários à concessão do efeito suspensivo ativo pleiteado,
consoante dispõe o parágrafo único do artigo 995 do NCPC. Senão vejamos.
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Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em
sentido diverso.

Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da
imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação,
E ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso.

Insurge-se o agravante contra a decisão que indeferiu a compensação do débito locatício para a caução
requerida pelo Juízo, impedindo assim o cumprimento da liminar anteriormente deferida.

Com efeito, vislumbro a presença da probabilidade de provimento do recurso, uma vez que no que tange a
prestação de caução prevista no art. 59, §1º da Lei do Inquilinato, entendo que é possibilitada a dispensa
da mesma no presente caso, considerando que o período de locativos em atraso supera o valor daquela,
conforme nota-se no documento de ID 3148691 – pág. 01.

A jurisprudência pátria entende no mesmo sentido, vejamos:

LOCAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA. - Não se conhece de agravo retido protocolado após a consumação
do decêndio recursal. - Nos termos do art. 6º, parágrafo único, quando o inquilino promove, sem aviso
prévio de trinta dias ao locador, a denúncia unilateral da locação por tempo indeterminado, incide multa
equivalente a um mês de aluguel. Multa minorada. - Possível a compensação da caução com o valor dos
locativos inadimplidos. - Caso em que o locador pretende a majoração do valor do aluguel contratado, em
razão da não realização de obras a que se comprometera a locatária. Ausência de previsão contratual
nesse sentido. Descabimento. AGRAVO RETIDO NÃO CONHECIDO. APELO PROVIDO EM PARTE.
RECURSO ADESIVO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70052127503, Décima Sexta Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo Sérgio Scarparo, Julgado em 21/03/2013)

EMENTA: CIVIL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO DE


ALUGUERES EM ATRASO. LIMINAR DEFERIDA. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE RAZÕES
COMBATENDO OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. REJEITADA. PRELIMINAR DE

INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL. PREVALÊNCIA DE ELEIÇÃO DE FORO. COMPROVAÇÃO DA


PROPRIEDADE DO IMÓVEL. DESPECIENDA. CAUÇÃO DE 3 (TRÊS) MESES DO VALOR DO
ALUGUEL. DESNECESSIDADE. COMPROVAÇÃO DA MORA DO LOCATÁRIO. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO.

1- In casu, as razões apresentadas combatem os fundamentos da decisão recorrida, em consonância com


o princípio da dialeticidade, devendo ser rejeitada, portanto, a preliminar arguida.

2- Em se tratando de contrato de locação de imóveis firmado entre as partes, elegendo como foro, a
comarca de Belém, afastada se encontra a preliminar de incompetência territorial.

3- Em ações de despejo, em que se faz prova da relação locatícia, despicienda é a necessidade de se


comprovar a propriedade do bem imóvel.

4- Ademais, em relação à necessidade de caução de 3 (três) meses do valor do aluguel para que seja
deferida liminar de despejo, encontra-se superada pela jurisprudência quando se trata do caso concreto de
falta de pagamento dos alugueres em atraso, inclusive, superior a esse período.

5- Assim, comprovada a inadimplência contratual, acertada a decisão recorrida.

6- Recurso conhecido e desprovido.

(TJPA – Acórdão n 2585101 – Relator: Des. Leonardo de Noronha Tavares – Julgado em: 09/12/2019)
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[grifei]

Ademais, o risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação se encontra no fato de que os
Agravantes estão sendo lesados financeiramente com o inadimplemento do Agravado, sem poder utilizar o
imóvel para obter verba de caráter alimentar por meio de outro aluguel.

Ante ao exposto, DEFIRO O PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO ATIVO para, a teor do art. 59 da Lei nº
8.245/91, dispensar a caução determinada pelo Juízo de piso, dando-se cumprimento a liminar já deferida,
nos termos da funtamentação.

Intime-se a parte Agravada, para apresentar contraminuta ao presente recurso, facultando-lhe juntar
cópias das peças que entender necessárias.

Publique-se. Intimem-se. Comunique-se ao Juízo de origem.

SERVIRÁ A PRESENTE DECISÃO COMO MANDADO/OFÍCIO, nos termos da Portaria nº 3731/2015-GP.

Belém, 17 de junho de 2020.

MARIA FILOMENA DE ALMEIDA BUARQUE

Desembargadora Relatora

Número do processo: 0810442-17.2017.8.14.0006 Participação: APELANTE Nome: BANCO DO BRASIL


SA Participação: ADVOGADO Nome: RAFAEL SGANZERLA DURAND OAB: 16637/PA Participação:
APELADO Nome: A.DIAS FERREIRA - ME Participação: APELADO Nome: ALCINEY DIAS FERREIRA 1ª
TURMA DE DIREITO PRIVADO APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0810442-17.2017.8.14.0006.

COMARCA: ANANINDEUA / PA.

APELANTE: BANCO DO BRASIL SA.

ADVOGADO: RAFAEL SGANZERLA DURAND - OAB/PA nº 16.637-A.

APELADO: A. DIAS FERREIRA – ME e ALCINEY DIAS FERREIRA.

ADVOGADO: NÃO CONSTITUÍDO.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA. DETERMINAÇÃO DE


EMENDA DA PETIÇÃO INICIAL. INÉRCIA DO AUTOR. VIA ORIGINAL DO CONTRATO DE
FINANCIAMENTO / CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. AUSÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ.
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
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Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça pelo BANCO DO
BRASIL SA, nos autos da Ação de Execução por Quantia Certa movida em desfavor de A. DIAS
FERREIRA – ME e ALCINEY DIAS FERREIRA, diante de seu inconformismo com a sentença prolatada
pelo juízo da 1º Vara Cível de Ananindeua, que extinguiu o processo sem resolução do mérito, uma vez
que, mesmo tendo sido oportunizado ao Autor, não foi trazido por ele a via original da cédula de crédito
bancário, pelo que indeferiu a petição inicial.

Razões de apelação, onde o Recorrente alega, em síntese, da desnecessidade de apresentação da via


original do contrato, ante a ausência de natureza cambial da cédula de crédito. Sustenta ainda vício de
fundamentação da sentença.

Sem contrarrazões.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

Sem delongas, entendo que não assiste razão ao apelante, pois o E. STJ já se manifestou a esse respeito:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÉDULA DE CRÉDITO


BANCÁRIO. CÓPIA SEM AUTENTICAÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE.
SÚMULA 7/STJ.

1. A juntada do original do documento representativo de crédito líquido, certo e exigível é a regra, sendo
requisito indispensável para todas as demandas nas quais a pretensão esteja amparada na referida
cártula. Precedentes.

2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria de fato (Súmula 7/STJ).

3. Agravo interno a que se nega provimento.

(AgInt nos EDcl no AREsp 899.121/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA,
julgado em 30/08/2018, DJe 11/09/2018) (grifo nosso).

Nesse sentido, também é a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, considerando-se


necessário a juntada do original da cédula de crédito bancário para a propositura da ação de execução,
como se observa in verbis:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO CONVERTIDA EM AÇÃO DE EXECUÇÃO.


CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO EM CÓPIA. DETERMINAÇÃO DE EMENDA DA INICIAL PARA
JUNTAR O DOCUMENTO ORIGINAL. NÃO ATENDIMENTO DA DETERMINAÇÃO DE EMENDA.
EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA
SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO, À UNANIMIDADE. (TJ-PA. AP 0001244-
20.2016.8.14.0201. 1ª Turma de Direito Privado. Rel. Maria do Ceo Maciel Coutinho. Julgamento em
02/12/2019. DJe 11/12/2019) (grifo nosso).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. INICIAL DESACOMPANHADA DA


VIA ORIGINAL. NECESSIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Observo que o
agravante não instruiu a ação de execução com a via original da Cédula de Crédito Bancário. 2.
Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo pela necessidade de juntada do original
do título executivo, sob pena de indeferimento da petição inicial. 3. Como se percebe, no caso, a
cópia desse documento não tem o mesmo valor do original. Assim sendo, revela-se correta a decisão
agravada que exigiu a via original do título de crédito. 4. Recurso conhecido e desprovido. (AP 0014766-
38.2016.8.14.0000. 2ª Turma de Direito Privado. Rel. José Maria Teixeira do Rosário. Julgado em
07/08/2018. DJe 24/08/2018) (grifo nosso).
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Deste modo, com escopo nos referidos precedentes e pelas razões de fato acima elencadas, imperiosa se
faz a manutenção da sentença vergastada.

ASSIM, ante o exposto, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO ao recurso de apelação, devendo a


sentença ser mantida em todos os seus termos.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se.

Belém/PA, 18 de junho de 2020. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0809458-80.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ALAN JONATHAN


SOBRAL MARTINS Participação: ADVOGADO Nome: WEVERTON CARDOSO OAB: 3721 Participação:
AGRAVADO Nome: BANPARÁ Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO
DO PARÁ

AGRAVO DE INSTRUMENTO

AGRAVANTE: ALAN JONATHAN SOBRAL MARTINS

AGRAVADO: BANCO DO ESTADO DO PARÁ – BANPARÁ S/A

RELATORA: Desembargadora EZILDA Pastana MUTRAN

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. CONSIGNAÇÃO EM


FOLHA DE PAGAMENTO E DESCONTO EM CONTA CORRENTE ACIMA DE 30%. AUSÊNCIA DE
ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE POR PARTE DO BANCO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA
VONTADE. CANCELAMENTO DO ENUNCIADO 603 DA SÚMULA DO STJ. DECISÃO MANTIDA.

1. A legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor diz respeito apenas aos
empréstimos consignados em folha de pagamento, não sendo a referida norma aplicável aos descontos
que incidem diretamente na conta corrente.

2. Deve ser preservado o princípio da autonomia da vontade contratual manifestada pelo consumidor,
quando este contrai dívidas no exercício da capacidade contratual plena.

3. Mostram-se legítimos os descontos em conta corrente, quando resta demonstrado que os gastos foram
realizados de forma livre e consciente em conformidade com cláusula expressa e que não há limite de
30% a ser observado nos contratos com desconto em conta corrente.

4. “A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator, e cancelou a Súmula nº 603, com fulcro no artigo 125, § 2º e § 3º, do RISTJ, com manifestação
favorável do Ministério Público Federal quanto ao cancelamento da referida Súmula.” REsp 1555722/SP.

5. Recurso conhecido e improvido.

ACÓRDÃO

ACORDAM os Exmos. Desembargadores que integram a Egrégia 1ª Turma de Direito Público do Tribunal
de Justiça do Estado do Pará, à unanimidade de votos, conhecer do recurso e negar-lhe provimento, nos
termos do voto do relator.
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Belém (Pa), ...... de ............. de 2020.

Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora

RELATÓRIO

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO, com pedido de tutela recursal de urgência, interposto por
ALAN JONATHAN SAOBRAL MARTINS contra decisão interlocutória proferida pelo Juízo da 1ª Vara
Cível de Altamira que, nos autos de Ação Ordinária proposta em face do BANCO DO ESTADO DO PARÁ
– BANPARÁ S/A, que indeferiu o pedido de tutela de urgência, mantendo os descontos em conta corrente
do autor, até julgamento do mérito ou de deciso ulterior.

Irresignado o Autor interpôs o presente recurso, alegando o desacerto da decisão agravada por não
observar o decidido pelos tribunais do país e por este Tribunal de Justiça, no sentido de que a cobrança de
contratos bancários em conta corrente superior a 30% dos rendimentos líquidos é ilegal, ferindo a
dignidade da pessoa humana.

Sustentou que o indeferimento do pedido ocasiona ao agravante dano de difícil reparação, uma vez que
compromete a renda familiar demasiadamente. Pugnou ao final, seja deferida a antecipação da tutela
recursal, vez que presentes os requisitos de perigo inverso da demora e verossimilhança, já que a
jurisprudência maciça prevê a possibilidade de readequação dos descontos no limite percentual de 30%
do salário do agravante. Pugna pela concessão do efeito suspensivo ao recurso, e no mérito pela reforma
da decisão agravada.

Coube-me a relatoria do feito por distribuição.

Foi indeferido o pedido de aplicação de efeito suspensivo.

Em contrarrazões ao Agravo, o BANPARÁ requereu a manutenção da decisão de primeiro grau com o


improvimento do recurso.

O Ministério Público de 2º grau não possui interesse em atuar no feito.

Vieram os autos conclusos.

É o relatório.

DECIDO

Recebo o presente recurso por estarem preenchidos todos os seus requisitos de admissibilidade.

O recurso de Agravo Interno interposto contra decisão liminar confunde-se com o mérito do presente
recurso, razão pela qual entendo prejudicado em razão do julgamento desta.

Urge salientar que, como cediço, em sede de agravo de instrumento, o julgamento deve ater-se ao acerto
ou eventual desacerto da decisão prolatada em primeiro grau, abstraindo-se o quanto possível de se
adentrar ao meritum causae discutido na demanda principal, cingindo-se, pois, à decisão vergastada.

Primeiramente, importante esclarecer que a relação jurídica existente entre a instituição financeira e a
contratante caracteriza-se como de consumo, submetendo-se às normas do Código de Defesa do
Consumidor (Lei 8.078/90, art. 2º, § 2º), que conceitua:
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Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final. (...)

§2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as
de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter
trabalhista.

Com base no dispositivo legal, sobreveio o Enunciado nº 297 da Súmula do STJ, o qual preceitua que
"o Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras".

O resultado da incidência da norma tutelar do consumidor é o exame com a flexibilização do princípio da


obrigatoriedade dos termos contratados (pacta sunt servanda), que autoriza a desconsideração de
cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada em relação ao fornecedor, por essa
razão consideradas abusivas (CDC art. 6º, inc. V, e art. 51, inc. IV).

No entanto, mesmo que o caso em tela se submeta à regência do Código de Defesa do Consumidor
(Lei 8.078/90), sua aplicação deve ser feita com parcimônia, uma vez que a autora/agravada contraiu os
empréstimos no exercício da sua capacidade contratual plena, bem como teve prévio conhecimento dos
termos e descontos a serem efetuados tanto no contracheque como em sua conta corrente.

Neste tocante, cumpre distinguir o consignado em folha de pagamento daqueles cujas parcelas são
autorizadas a serem descontadas em conta corrente.

A legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor diz respeito apenas aos
empréstimos consignados, não sendo a referida norma aplicável aos descontos que incidem em
conta corrente, os quais não estão limitados ao patamar de 30% dos rendimentos do mutuário.

Conforme entendimento da Corte Superior, não é possível impor às instituições financeiras aplicarem por
analogia a limitação de 30% prevista para consignados com desconto em folha de pagamento (lei
10.820/03), uma vez que no empréstimo consignado, quando o desconto é direto na folha de pagamento,
o consumidor obtém condições mais vantajosas em decorrência da maior segurança para o financiador,
enquanto que no caso de empréstimo bancário normal, a instituição financeira faz uma análise do crédito
com base no histórico do correntista, sem saber quais fontes o cidadão possa ter.

In casu, examinando o contracheque do recorrido, verifica-se que a instituição financeira não ultrapassou o
limite instituído de 30% do remuneração do recorrente, restando ainda um saldo de R$ 6,19 (seis reais e
dezenove centavos). O grande comprometimento da renda do autor/ agravado deu-se posteriormente
quando contratou por várias vezes o empréstimo BANPARACARD, que ocorre diretamente no caixa
eletrônico.

Nessas circunstâncias, não se verifica qualquer ilegalidade na conduta do banco, não havendo como
carrear à instituição financeira as consequências derivadas de eventual comprometimento da renda
salarial, devendo, por ora, ser observado o princípio da autonomia da vontade e da livre disponibilidade
dos créditos havidos em conta bancária e do salário.

Ademais, embora não tenha sido expressamente suscitado no caso em apreço, acerca da retenção
indevida de valores pelo credor, cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp
1555722/SP, em 22/08/2018, cancelou o Enunciado nº 603 de sua súmula de jurisprudência, que assim
dispunha:

“Évedado ao banco mutuante reter em qualquer extensão o salário, os vencimentos e/ou proventos de
correntista para adimplir o mútuo comum contraído, ainda que haja cláusula contratual autorizativa,
excluído o empréstimo garantido por margem salarial consignada, com desconto em folha de pagamento,
que possui regramento legal específico e admite a retenção de percentual.”
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O verbete vinha incorrendo em inapropriada interpretação pelos juízes e Tribunais do país, consoante
claro esclarecimento do ministro Luis Felipe Salomão: “Há órgãos julgadores que vem entendendo que o
enunciado simplesmente veda todo e qualquer desconto realizado em conta corrente, mesmo em conta
que não é salário, mesmo que exista prévia e atual autorização concedida pelo correntista, quando na
verdade, a teleologia da súmula foi no sentido de evitar retenção, que é meio de apropriação indevida
daqueles valores . Ou seja, o banco, para saldar uma dívida, cheque especial ou de contrato de mútuo,
invade a conta corrente do seu cliente e se apropria de valores. [...]

Tal consideração, harmoniza e robustece a tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da
possibilidade de descontos em valores superiores a 30% dos salários dos mutuários, em se tratando de
contratos com previsão expressa de desconto das parcelas em conta corrente:

RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÕES DE MÚTUO FIRMADO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.


DESCONTO EM CONTA-CORRENTE E DESCONTO EM FOLHA. HIPÓTESES DISTINTAS.
APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DA LIMITAÇÃO LEGAL AO EMPRÉSTIMO CONSIGNADO AO MERO
DESCONTO EM CONTA-CORRENTE, SUPERVENIENTE AO RECEBIMENTO DA REMUNERAÇÃO.
INVIABILIDADE. DIRIGISMO CONTRATUAL, SEM SUPEDÂNEO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.

1. A regra legal que fixa a limitação do desconto em folha é salutar, possibilitando ao consumidor que tome
empréstimos, obtendo condições e prazos mais vantajosos, em decorrência da maior segurança
propiciada ao financiador. O legislador ordinário concretiza, na relação privada, o respeito à dignidade
humana, pois, com razoabilidade, limitam-se os descontos compulsórios que incidirão sobre verba
alimentar, sem menosprezar a autonomia privada.

2. O contrato de conta-corrente é modalidade absorvida pela prática bancária, que traz praticidade e
simplificação contábil, da qual dependem várias outras prestações do banco e mesmo o cumprimento de
pagamento de obrigações contratuais diversas para com terceiros, que têm, nessa relação contratual, o
meio de sua viabilização. A instituição financeira assume o papel de administradora dos recursos do
cliente, registrando lançamentos de créditos e débitos conforme os recursos depositados, sacados ou
transferidos de outra conta, pelo próprio correntista ou por terceiros.

3. Como característica do contrato, por questão de praticidade, segurança e pelo desuso, a cada dia mais
acentuado, do pagamento de despesas em dinheiro, costumeiramente o consumidor centraliza, na conta-
corrente, suas despesas pessoais, como, v.g., luz, água, telefone, tv a cabo, cartão de crédito, cheques,
boletos variados e demais despesas com débito automático em conta.

4. Consta, na própria petição inicial, que a adesão ao contrato de conta-corrente, em que o autor
percebe sua remuneração, foi espontânea, e que os descontos das parcelas da prestação –
conjuntamente com prestações de outras obrigações firmadas com terceiros – têm expressa
previsão contratual e ocorrem posteriormente ao recebimento de seus proventos, não
caracterizando consignação em folha de pagamento.

5. Não há supedâneo legal e razoabilidade na adoção da mesma limitação, referente a empréstimo


para desconto em folha, para a prestação do mútuo firmado com a instituição financeira
administradora da conta-corrente. Com efeito, no âmbito do direito comparado, não se extrai nenhuma
experiência similar – os exemplos das legislações estrangeiras, costumeiramente invocados, buscam, por
vezes, com medidas extrajudiciais, solução para o superendividamento ou sobreendividamento que,
isonomicamente, envolvem todos os credores, propiciando, a médio ou longo prazo, a quitação do débito.
próprios devedores –, que é o da insolvência civil.

7. A solução concebida pelas instâncias ordinárias, em vez de solucionar o superendividamento, opera no


sentido oposto, tendo o condão de eternizar a obrigação, visto que leva à amortização negativa do débito,
resultando em aumento mês a mês do saldo devedor. Ademais, uma vinculação perene do devedor à
obrigação, como a que conduz as decisões das instâncias ordinárias, não se compadece com o sistema
do direito obrigacional, que tende a ter termo.
178
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

8. O art. 6º, parágrafo 1º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro confere proteção ao ato
jurídico perfeito, e, consoante os arts. 313 e 314 do CC, o credor não pode ser obrigado a receber
prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.

9. A limitação imposta pela decisão recorrida é de difícil operacionalização, e resultaria, no comércio


bancário e nas vendas a prazo, em encarecimento ou até mesmo restrição do crédito, sobretudo para
aqueles que não conseguem comprovar a renda.

10. Recurso especial do réu provido, julgado prejudicado o do autor.

(REsp 1586910/SP, rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 29/08/2017, DJe
03/10/2017). (grifo meu)

No mesmo sentido, os Tribunais vêm se posicionando:

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. CONTRATOS


DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO E DESCONTOS EM CONTA-
CORRENTE. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 30% DA REMUNERAÇÃO MENSAL DO MUTUÁRIO.
IMPOSSIBILIDADE. LIVRE DISPOSIÇÃO CONTRATUAL. PROBABILIDADE DO DIREITO. NÃO
DEMONSTRAÇÃO. DECISÃO MANTIDA.

[...]

2. Não há abusividade na realização de descontos superiores a 30% dos rendimentos do


consumidor/mutuante, referentes a prestações de empréstimos, quando decorrentes do mero exercício de
disposição contratual, haja vista terem sido livremente pactuadas, com expressa previsão de desconto em
folha de pagamento e/ou conta-corrente.

3. Agravo de Instrumento desprovido.

(Acórdão n. 1055061, 07044481320178070000, Relator: ANGELO PASSARELI 5ª Turma Cível, Data de


Julgamento: 19/10/2017, Publicado no DJE: 23/11/2017. Pág.: Sem Página Cadastrada.)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO CIVIL E CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS EM


FOLHA DE PAGAMENTO E DEBITADOS EM CONTA CORRENTE. DESCONTO EM CONTA
CORRENTE ACIMA DE 30%. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE POR PARTE DO
BANCO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE. 1. A legislação que limita o desconto a 30% da
remuneração do devedor diz respeito apenas aos empréstimos consignados em folha de pagamento, não
sendo a referida norma aplicável aos descontos que incidem diretamente na conta corrente. 2. Deve ser
preservado o princípio da autonomia da vontade contratual manifestada pelo consumidor, quando este
contrai dívidas no exercício da capacidade contratual plena. 3. Recurso conhecido e não provido.

(TJ-DF 07030186020168070000 0703018-60.2016.8.07.0000, Relator: NÍDIA CORRÊA LIMA, Data de


Julgamento: 27/04/2017, 8ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 05/05/2017)

Portanto, em que pese os descontos realizados comprometerem grande parte dos rendimentos do
agravante, não há como, neste momento, imputar qualquer abusividade por parte da instituição bancária.
Isto porque, o autor tinha pleno conhecimento de sua capacidade financeira e do nível de
comprometimento de sua renda mensal e, livremente, autorizou os bancos a proceder aos descontos
mensais.

Assim, não sendo a legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor aplicável aos
demais descontos que incidem na conta corrente, mas tão somente aos empréstimos consignados.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Ante o exposto, CONHEÇO DO AGRAVO DE INTRUMENTO, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo a


decisão a quo, nos termos da fundamentação lançada. É o como voto.

Servirá a presente decisão como mandado/ofício, nos termos da Portaria nº 3.731/2015 - GP.

Belém (Pa), 02 de junho de 2020.

Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora

Número do processo: 0809458-80.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ALAN JONATHAN


SOBRAL MARTINS Participação: ADVOGADO Nome: WEVERTON CARDOSO OAB: 3721 Participação:
AGRAVADO Nome: BANPARÁ Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO
DO PARÁ

AGRAVO DE INSTRUMENTO

AGRAVANTE: ALAN JONATHAN SOBRAL MARTINS

AGRAVADO: BANCO DO ESTADO DO PARÁ – BANPARÁ S/A

RELATORA: Desembargadora EZILDA Pastana MUTRAN

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. CONSIGNAÇÃO EM


FOLHA DE PAGAMENTO E DESCONTO EM CONTA CORRENTE ACIMA DE 30%. AUSÊNCIA DE
ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE POR PARTE DO BANCO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA
VONTADE. CANCELAMENTO DO ENUNCIADO 603 DA SÚMULA DO STJ. DECISÃO MANTIDA.

1. A legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor diz respeito apenas aos
empréstimos consignados em folha de pagamento, não sendo a referida norma aplicável aos descontos
que incidem diretamente na conta corrente.

2. Deve ser preservado o princípio da autonomia da vontade contratual manifestada pelo consumidor,
quando este contrai dívidas no exercício da capacidade contratual plena.

3. Mostram-se legítimos os descontos em conta corrente, quando resta demonstrado que os gastos foram
realizados de forma livre e consciente em conformidade com cláusula expressa e que não há limite de
30% a ser observado nos contratos com desconto em conta corrente.

4. “A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator, e cancelou a Súmula nº 603, com fulcro no artigo 125, § 2º e § 3º, do RISTJ, com manifestação
favorável do Ministério Público Federal quanto ao cancelamento da referida Súmula.” REsp 1555722/SP.

5. Recurso conhecido e improvido.

ACÓRDÃO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ACORDAM os Exmos. Desembargadores que integram a Egrégia 1ª Turma de Direito Público do Tribunal
de Justiça do Estado do Pará, à unanimidade de votos, conhecer do recurso e negar-lhe provimento, nos
termos do voto do relator.

Belém (Pa), ...... de ............. de 2020.

Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora

RELATÓRIO

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO, com pedido de tutela recursal de urgência, interposto por
ALAN JONATHAN SAOBRAL MARTINS contra decisão interlocutória proferida pelo Juízo da 1ª Vara
Cível de Altamira que, nos autos de Ação Ordinária proposta em face do BANCO DO ESTADO DO PARÁ
– BANPARÁ S/A, que indeferiu o pedido de tutela de urgência, mantendo os descontos em conta corrente
do autor, até julgamento do mérito ou de deciso ulterior.

Irresignado o Autor interpôs o presente recurso, alegando o desacerto da decisão agravada por não
observar o decidido pelos tribunais do país e por este Tribunal de Justiça, no sentido de que a cobrança de
contratos bancários em conta corrente superior a 30% dos rendimentos líquidos é ilegal, ferindo a
dignidade da pessoa humana.

Sustentou que o indeferimento do pedido ocasiona ao agravante dano de difícil reparação, uma vez que
compromete a renda familiar demasiadamente. Pugnou ao final, seja deferida a antecipação da tutela
recursal, vez que presentes os requisitos de perigo inverso da demora e verossimilhança, já que a
jurisprudência maciça prevê a possibilidade de readequação dos descontos no limite percentual de 30%
do salário do agravante. Pugna pela concessão do efeito suspensivo ao recurso, e no mérito pela reforma
da decisão agravada.

Coube-me a relatoria do feito por distribuição.

Foi indeferido o pedido de aplicação de efeito suspensivo.

Em contrarrazões ao Agravo, o BANPARÁ requereu a manutenção da decisão de primeiro grau com o


improvimento do recurso.

O Ministério Público de 2º grau não possui interesse em atuar no feito.

Vieram os autos conclusos.

É o relatório.

DECIDO

Recebo o presente recurso por estarem preenchidos todos os seus requisitos de admissibilidade.

O recurso de Agravo Interno interposto contra decisão liminar confunde-se com o mérito do presente
recurso, razão pela qual entendo prejudicado em razão do julgamento desta.

Urge salientar que, como cediço, em sede de agravo de instrumento, o julgamento deve ater-se ao acerto
ou eventual desacerto da decisão prolatada em primeiro grau, abstraindo-se o quanto possível de se
adentrar ao meritum causae discutido na demanda principal, cingindo-se, pois, à decisão vergastada.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Primeiramente, importante esclarecer que a relação jurídica existente entre a instituição financeira e a
contratante caracteriza-se como de consumo, submetendo-se às normas do Código de Defesa do
Consumidor (Lei 8.078/90, art. 2º, § 2º), que conceitua:

Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final. (...)

§2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as
de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter
trabalhista.

Com base no dispositivo legal, sobreveio o Enunciado nº 297 da Súmula do STJ, o qual preceitua que
"o Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras".

O resultado da incidência da norma tutelar do consumidor é o exame com a flexibilização do princípio da


obrigatoriedade dos termos contratados (pacta sunt servanda), que autoriza a desconsideração de
cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada em relação ao fornecedor, por essa
razão consideradas abusivas (CDC art. 6º, inc. V, e art. 51, inc. IV).

No entanto, mesmo que o caso em tela se submeta à regência do Código de Defesa do Consumidor
(Lei 8.078/90), sua aplicação deve ser feita com parcimônia, uma vez que a autora/agravada contraiu os
empréstimos no exercício da sua capacidade contratual plena, bem como teve prévio conhecimento dos
termos e descontos a serem efetuados tanto no contracheque como em sua conta corrente.

Neste tocante, cumpre distinguir o consignado em folha de pagamento daqueles cujas parcelas são
autorizadas a serem descontadas em conta corrente.

A legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor diz respeito apenas aos
empréstimos consignados, não sendo a referida norma aplicável aos descontos que incidem em
conta corrente, os quais não estão limitados ao patamar de 30% dos rendimentos do mutuário.

Conforme entendimento da Corte Superior, não é possível impor às instituições financeiras aplicarem por
analogia a limitação de 30% prevista para consignados com desconto em folha de pagamento (lei
10.820/03), uma vez que no empréstimo consignado, quando o desconto é direto na folha de pagamento,
o consumidor obtém condições mais vantajosas em decorrência da maior segurança para o financiador,
enquanto que no caso de empréstimo bancário normal, a instituição financeira faz uma análise do crédito
com base no histórico do correntista, sem saber quais fontes o cidadão possa ter.

In casu, examinando o contracheque do recorrido, verifica-se que a instituição financeira não ultrapassou o
limite instituído de 30% do remuneração do recorrente, restando ainda um saldo de R$ 6,19 (seis reais e
dezenove centavos). O grande comprometimento da renda do autor/ agravado deu-se posteriormente
quando contratou por várias vezes o empréstimo BANPARACARD, que ocorre diretamente no caixa
eletrônico.

Nessas circunstâncias, não se verifica qualquer ilegalidade na conduta do banco, não havendo como
carrear à instituição financeira as consequências derivadas de eventual comprometimento da renda
salarial, devendo, por ora, ser observado o princípio da autonomia da vontade e da livre disponibilidade
dos créditos havidos em conta bancária e do salário.

Ademais, embora não tenha sido expressamente suscitado no caso em apreço, acerca da retenção
indevida de valores pelo credor, cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp
1555722/SP, em 22/08/2018, cancelou o Enunciado nº 603 de sua súmula de jurisprudência, que assim
dispunha:

“Évedado ao banco mutuante reter em qualquer extensão o salário, os vencimentos e/ou proventos de
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correntista para adimplir o mútuo comum contraído, ainda que haja cláusula contratual autorizativa,
excluído o empréstimo garantido por margem salarial consignada, com desconto em folha de pagamento,
que possui regramento legal específico e admite a retenção de percentual.”

O verbete vinha incorrendo em inapropriada interpretação pelos juízes e Tribunais do país, consoante
claro esclarecimento do ministro Luis Felipe Salomão: “Há órgãos julgadores que vem entendendo que o
enunciado simplesmente veda todo e qualquer desconto realizado em conta corrente, mesmo em conta
que não é salário, mesmo que exista prévia e atual autorização concedida pelo correntista, quando na
verdade, a teleologia da súmula foi no sentido de evitar retenção, que é meio de apropriação indevida
daqueles valores . Ou seja, o banco, para saldar uma dívida, cheque especial ou de contrato de mútuo,
invade a conta corrente do seu cliente e se apropria de valores. [...]

Tal consideração, harmoniza e robustece a tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da
possibilidade de descontos em valores superiores a 30% dos salários dos mutuários, em se tratando de
contratos com previsão expressa de desconto das parcelas em conta corrente:

RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÕES DE MÚTUO FIRMADO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.


DESCONTO EM CONTA-CORRENTE E DESCONTO EM FOLHA. HIPÓTESES DISTINTAS.
APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DA LIMITAÇÃO LEGAL AO EMPRÉSTIMO CONSIGNADO AO MERO
DESCONTO EM CONTA-CORRENTE, SUPERVENIENTE AO RECEBIMENTO DA REMUNERAÇÃO.
INVIABILIDADE. DIRIGISMO CONTRATUAL, SEM SUPEDÂNEO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.

1. A regra legal que fixa a limitação do desconto em folha é salutar, possibilitando ao consumidor que tome
empréstimos, obtendo condições e prazos mais vantajosos, em decorrência da maior segurança
propiciada ao financiador. O legislador ordinário concretiza, na relação privada, o respeito à dignidade
humana, pois, com razoabilidade, limitam-se os descontos compulsórios que incidirão sobre verba
alimentar, sem menosprezar a autonomia privada.

2. O contrato de conta-corrente é modalidade absorvida pela prática bancária, que traz praticidade e
simplificação contábil, da qual dependem várias outras prestações do banco e mesmo o cumprimento de
pagamento de obrigações contratuais diversas para com terceiros, que têm, nessa relação contratual, o
meio de sua viabilização. A instituição financeira assume o papel de administradora dos recursos do
cliente, registrando lançamentos de créditos e débitos conforme os recursos depositados, sacados ou
transferidos de outra conta, pelo próprio correntista ou por terceiros.

3. Como característica do contrato, por questão de praticidade, segurança e pelo desuso, a cada dia mais
acentuado, do pagamento de despesas em dinheiro, costumeiramente o consumidor centraliza, na conta-
corrente, suas despesas pessoais, como, v.g., luz, água, telefone, tv a cabo, cartão de crédito, cheques,
boletos variados e demais despesas com débito automático em conta.

4. Consta, na própria petição inicial, que a adesão ao contrato de conta-corrente, em que o autor
percebe sua remuneração, foi espontânea, e que os descontos das parcelas da prestação –
conjuntamente com prestações de outras obrigações firmadas com terceiros – têm expressa
previsão contratual e ocorrem posteriormente ao recebimento de seus proventos, não
caracterizando consignação em folha de pagamento.

5. Não há supedâneo legal e razoabilidade na adoção da mesma limitação, referente a empréstimo


para desconto em folha, para a prestação do mútuo firmado com a instituição financeira
administradora da conta-corrente. Com efeito, no âmbito do direito comparado, não se extrai nenhuma
experiência similar – os exemplos das legislações estrangeiras, costumeiramente invocados, buscam, por
vezes, com medidas extrajudiciais, solução para o superendividamento ou sobreendividamento que,
isonomicamente, envolvem todos os credores, propiciando, a médio ou longo prazo, a quitação do débito.
próprios devedores –, que é o da insolvência civil.

7. A solução concebida pelas instâncias ordinárias, em vez de solucionar o superendividamento, opera no


sentido oposto, tendo o condão de eternizar a obrigação, visto que leva à amortização negativa do débito,
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

resultando em aumento mês a mês do saldo devedor. Ademais, uma vinculação perene do devedor à
obrigação, como a que conduz as decisões das instâncias ordinárias, não se compadece com o sistema
do direito obrigacional, que tende a ter termo.

8. O art. 6º, parágrafo 1º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro confere proteção ao ato
jurídico perfeito, e, consoante os arts. 313 e 314 do CC, o credor não pode ser obrigado a receber
prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.

9. A limitação imposta pela decisão recorrida é de difícil operacionalização, e resultaria, no comércio


bancário e nas vendas a prazo, em encarecimento ou até mesmo restrição do crédito, sobretudo para
aqueles que não conseguem comprovar a renda.

10. Recurso especial do réu provido, julgado prejudicado o do autor.

(REsp 1586910/SP, rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 29/08/2017, DJe
03/10/2017). (grifo meu)

No mesmo sentido, os Tribunais vêm se posicionando:

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. CONTRATOS


DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO E DESCONTOS EM CONTA-
CORRENTE. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 30% DA REMUNERAÇÃO MENSAL DO MUTUÁRIO.
IMPOSSIBILIDADE. LIVRE DISPOSIÇÃO CONTRATUAL. PROBABILIDADE DO DIREITO. NÃO
DEMONSTRAÇÃO. DECISÃO MANTIDA.

[...]

2. Não há abusividade na realização de descontos superiores a 30% dos rendimentos do


consumidor/mutuante, referentes a prestações de empréstimos, quando decorrentes do mero exercício de
disposição contratual, haja vista terem sido livremente pactuadas, com expressa previsão de desconto em
folha de pagamento e/ou conta-corrente.

3. Agravo de Instrumento desprovido.

(Acórdão n. 1055061, 07044481320178070000, Relator: ANGELO PASSARELI 5ª Turma Cível, Data de


Julgamento: 19/10/2017, Publicado no DJE: 23/11/2017. Pág.: Sem Página Cadastrada.)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO CIVIL E CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS EM


FOLHA DE PAGAMENTO E DEBITADOS EM CONTA CORRENTE. DESCONTO EM CONTA
CORRENTE ACIMA DE 30%. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE POR PARTE DO
BANCO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE. 1. A legislação que limita o desconto a 30% da
remuneração do devedor diz respeito apenas aos empréstimos consignados em folha de pagamento, não
sendo a referida norma aplicável aos descontos que incidem diretamente na conta corrente. 2. Deve ser
preservado o princípio da autonomia da vontade contratual manifestada pelo consumidor, quando este
contrai dívidas no exercício da capacidade contratual plena. 3. Recurso conhecido e não provido.

(TJ-DF 07030186020168070000 0703018-60.2016.8.07.0000, Relator: NÍDIA CORRÊA LIMA, Data de


Julgamento: 27/04/2017, 8ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 05/05/2017)

Portanto, em que pese os descontos realizados comprometerem grande parte dos rendimentos do
agravante, não há como, neste momento, imputar qualquer abusividade por parte da instituição bancária.
Isto porque, o autor tinha pleno conhecimento de sua capacidade financeira e do nível de
comprometimento de sua renda mensal e, livremente, autorizou os bancos a proceder aos descontos
mensais.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Assim, não sendo a legislação que limita o desconto a 30% da remuneração do devedor aplicável aos
demais descontos que incidem na conta corrente, mas tão somente aos empréstimos consignados.

Ante o exposto, CONHEÇO DO AGRAVO DE INTRUMENTO, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo a


decisão a quo, nos termos da fundamentação lançada. É o como voto.

Servirá a presente decisão como mandado/ofício, nos termos da Portaria nº 3.731/2015 - GP.

Belém (Pa), 02 de junho de 2020.

Desembargadora EZILDA PASTANA MUTRAN

Relatora

Número do processo: 0805829-64.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: S. D. P. D. R. C.


Participação: ADVOGADO Nome: RAFAELA DA SILVA SANTOS OAB: 28212/PA Participação:
AGRAVADO Nome: L. C. M. L. J. Participação: ADVOGADO Nome: RONALDO FELIPE SIQUEIRA
SOARES OAB: 8165

PROCESSO: 0805829-64.2020.814.0000

SEC. ÚNICA DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO – 2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO AGRAVO DE


INSTRUMENTO
AGRAVANTE: S.D.P.D.R.C.

ADVOGADO(A): Rafaela da Silva Santos, OAB/PA 28.212

AGRAVADO(A): L.C.M.L.J.

ADVOGADO(A): Ronaldo Felipe Siqueira Soares, OAB/PA 8165

RELATOR: DES. RICARDO FERREIRA NUNES

DECISÃO MONOCRÁTICA
Vistos etc.

Defiro a gratuidade processual requerida pela agravante.

1. Juízo de admissibilidade.

Presente os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

2. Breve relato dos fatos.

Da leitura dos autos, observa-se que o presente agravo de instrumento se insurge contra decisão proferida
na ação de guarda compartilhada, direito de convívio e oferta de alimentos (proc. nº 0804565-
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

79.2020.8.14.0301) que tramita na 7ª Vara de Família de Belém, que deferiu o pleito antecipatório
postulado pelo ora agravado nos seguintes termos:

“Trata-se de AÇÃO DE GUARDA, DIREITO DE CONVÍVIO E OFERTA DE ALIMENTOS ajuizada por L. C.


M. L. J., em face de S. D. P. D. R. CORRÊA, todos qualificados na inicial.

2-Nos termos do inciso II do art. 1.584 do Código Civil, tendo em vista o melhor interesse dos menores os
quais devem ter sua guarda definida judicialmente em caso de separação dos pais, entendo ser prudente
a fixação da guarda compartilhada da menor L. E. C. L., e regulo, ainda, o direito de convívio do pai, ora
requerente, a ser realizado em finais de semana alternados, feriados prolongados e festas de final de ano
alternados e parte das férias escolares, devendo haver comunicação e acordo prévio com a mãe

da menor, sempre respeitados os interesses da mesma.

3-Em razão da prova da relação de parentesco (art. 2º da LA), cópia da certidão de nascimento da menor
de fls. 13 e diante da necessidade presumida da mesma, DEFIRO A OFERTA DE ALIMENTOS
PROVISÓRIOS em 25% (vinte e cinco por cento) do salário mínimo vigente, devendo os valores serem
depositados na conta bancária da requerida, a ser indicada no prazo de 10 (dez) dias, contados da
intimação da presente decisão, mais o pagamento do plano de saúde da menor, pagos até o quinto dia útil
de cada mês, devidos a partir da citação, segundo artigo 13, §2º da Lei de Alimentos. (...)”

Nas razões recursais, a agravante afirma que em 10/07/2019 foi proposta pelo recorrido demanda tratando
de alimentos e direito de visitação da filha, tombada sob o nº 0836941-55.2019.8.14.0301 e em trâmite no
juízo da 1ª Vara de Família de Belém. Diz que essa ação é idêntica à demanda que originou o presente
recurso, configurando, dessa maneira, em litispendência. Aduz que o juízo da 1ª Vara de Família já
arbitrou alimentos provisórios, inclusive em patamar superior ao que foi fixado pelo juízo da 7ª Vara de
Família e que a manutenção da decisão ora agravada causará sérios prejuízos à menor, pois ficará vários
meses recebendo um valor menor do que fixado anteriormente.

Sob tais argumentos postulou concessão de efeito suspensivo dos efeitos da decisão agravada.

Éo relato do necessário.

3. Análise do pedido de efeito suspensivo.

Nos exatos termos dos arts. 995, parágrafo único e 1.019, I do CPC/15, infere-se que para concessão do
efeito suspensivo ao agravo de instrumento deve estar demonstrada, além da probabilidade de provimento
do recurso, a existência de risco de lesão grave e de difícil reparação, devendo haver uma fundamentação
consistente nesse sentido, já que necessário demonstrar o caráter de urgência da medida requerida.

O agravante logrou êxito em demonstrar a presença dos requisitos exigidos.

Isto porque, conforme se depreende dos documentos apresentados com o recurso, de fato, existe uma
ação envolvendo as mesmas partes que trata sobre guarda, regulamentação de visitas e oferta de
alimentos referente à menor L. E. C. L., conforme se verifica no ID 3207183. Referida demanda foi
proposta em 107/07/2019, ou seja, antes da ação que originou o presente recurso que foi distribuída em
16/01/2020 (ID 3207182). Nota-se, pelo teor das decisões proferidas pelos dois juízos que a matéria
versada nas duas demandas é, aparentemente, a mesma, o que, à primeira vista, corrobora a tese da
agravante da existência de litispendência.

Embora não se tenha notícias se a primeira demanda tenha sido eventualmente extinta por desistência,
ainda sim, o juízo da 7ª Vara de Família de Belém não seria o competente para analisar o feito, vez que,
nos termos do art. 286 do CPC, a distribuição da nova ação deveria ser por dependência, o que, no
presente caso, seria o juízo da 1ª Vara de Família.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Assim, em análise perfunctória das alegações, encontro evidências capazes de me convencer da


probabilidade do direito invocado e do risco de lesão, sendo este representado pela possibilidade da
decisão recorrida ter sido proferida por juízo absolutamente incompetente, razão pela qual deve ser
concedido o efeito suspensivo pretendido.

4. Dispositivo.

Ante tais considerações e preenchidos os requisitos previstos no parágrafo único do art. 995 do CPC/15,
defiro o pedido de efeito suspensivo nos termos como pleiteado pela agravante, permanecendo em vigor
a decisão proferida pelo juízo da 1ª Vara de Família de Belém no proc. 0836941-55.2019.8.14.0301.

Comunique-se o juízo prolator da decisão guerreada.

Intime-se o agravado para, querendo, no prazo legal, responder aos termos do recurso, nos termos do
inciso II do art. 1.019 do CPC.

ÀProcuradoria do Ministério Público, na forma do art. 178, II do CPC.

Após, conclusos para julgamento.

Belém, 18 de junho de 2020.

Des. RICARDO FERREIRA NUNES

Relator

Número do processo: 0046254-30.2010.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: VALDENIZE SOUSA


DA PAIXAO Participação: ADVOGADO Nome: ALESSANDRO SERRA DOS SANTOS COSTA OAB:
13370/PA Participação: APELANTE Nome: FABRICIO SIQUEIRA CAVALCANTE Participação:
APELANTE Nome: JESSICA DA PAIXAO CAVALCANTE Participação: APELANTE Nome: FABIO
SIQUEIRA CAVALCANTE Participação: APELANTE Nome: ALINE DA PAIXÃO CAVALCANTE
Participação: APELADO Nome: CAIXA SEGURADORA S/A Participação: ADVOGADO Nome: LUANA
SILVA SANTOS OAB: 16292/PA Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTÉRIO PÚBLICO DO
ESTADO DO PARÁ Participação: TERCEIRO INTERESSADO Nome: VALDENIZE SOUSA DA PAIXAO

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO DE APELAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO


OBRIGATÓRIO DPVAT. O JUÍZO SINGULAR EXTINGUIU O FEITO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO,
DECLARANDO A PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO AUTORAL. COM EFEITO, O STJ DEFINIU QUE O
DPVAT (SEGURO OBRIGATÓRIO DE DANOS PESSOAIS CAUSADOS POR VEÍCULOS
AUTOMOTORES DE VIAS TERRESTRES), TEM CARÁTER DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE
CIVIL, RAZÃO PELA QUAL A AÇÃO DE COBRANÇA DE BENEFICIÁRIO DA COBERTURA
PRESCREVE EM TRÊS ANOS. QUANTO AO TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DESTE PRAZO, A
JURISPRUDÊNCIA É ASSENTE NO SENTIDO DE QUE O TERMO INICIAL É A DATA DA CIÊNCIA DA
DEBILIDADE OU INCAPACITAÇÃO, JÁ TENDO ESTE ENTENDIMENTO, INCLUSIVE, SIDO
RATIFICADO PELA EDIÇÃO DA SÚMULA N.º 573 DO STJ. IN CASU, TEM-SE QUE O LAUDO MÉDICO
ACOSTADO DATA DE 28.10.2010, SENDO ESTA A DATA A SER CONSIDERADA, NÃO CABENDO AO
JUDICIÁRIO CONJECTURAR SE DESDE O ACIDENTE O AUTOR JÁ DEVERIA SABER DA
DEBILIDADE PERMANENTE. CONSIDERANDO-SE QUE A AÇÃO FOI PROPOSTA EM 25.11.2010,
DEVE SER AFASTADA A PRESCRIÇÃO NO CASO EM COMENTO. ANALISANDO O A PRETENSÃO
AUTORAL QUANTO AO RECEBIMENTO DO SEGURO DPVAT VERIFICO QUE O LAUDO PERICIAL
ACOSTADO ATESTA DE FORMA CABAL AS SEQUELAS DECORRENTES DO SINISTRO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AUTOMOBILÍSTICO E ESTÃO ACOSTADOS OS DEMAIS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A


CONSTITUIR O SEU DIREITO AO RECEBIMENTO REFERENTE AO SEGURO OBRIGATÓRIO. PELO
PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM DEVE SER APLICADA A REDAÇÃO ORIGINAL DA LEI, SEM AS
MODIFICAÇÕES INTRODUZIDAS A PARTIR DA LEI N. LEI N.º 11.482/2007, CONSIDERANDO-SE A
DATA DO SINISTRO. ASSIM, O SALÁRIO MÍNIMO A SER LEVADO EM CONTA DEVE SER AQUELE
VIGENTE À ÉPOCA DO SINISTRO, EM CONSONÂNCIA COM O ART. 5°, §1°, DA CITADA LEI 6.194/74.
QUANTO AO VALOR A SER PAGO A TÍTULO DE SEGURO DPVAT, DEVE SER APLICADA A
RESOLUÇÃO N.º35/2000, DO CNSP, POSTO QUE ABARCADA PELO ENTENDIMENTO JÁ SUMULADO
PELO STJ. ASSIM, APLICANDO-SE A PROPORCIONALIDADE LEGAL, TEM-SE QUE O APELADO
TEVE SEQUELAS IRREVERSÍVEIS E DEBILIDADE PERMANENTE DAS FUNÇÕES DE MEMBRO
SUPERIOR ESQUERDO, FAZENDO JUS A 70% (SETENTA POR CENTO) SOBRE O VALOR INTEGRAL
DE 40 (QUARENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS, PERFAZENDO O TOTAL DE 28 (VINTE E OITO) SALÁRIOS
MÍNIMOS VIGENTES À ÉPOCA DA LIQUIDAÇÃO. OS JUROS SÃO DEVIDOS DESDE A CITAÇÃO DA
REQUERIDA, E DEVEM OBSERVAR AS ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO INPC. RECURSO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO PARA REFORMAR A SENTENÇA E JULGAR O FEITO
PARCIALMENTE PROCEDENTE, CONDENANDO A SEGURADORA REQUERIDA AO PAGAMENTO DO
SEGURO DPVAT NO VALOR REFERENTE A 28 (VINTE E OITO) SALÁRIOS MÍNIMOS VIGENTE NO
MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA, ACRESCIDOS DE JUROS, DESDE A CITAÇÃO DA
SEGURADORA.

Número do processo: 0002657-85.2007.8.14.0015 Participação: APELANTE Nome: MARIA CICERA DA


SILVA BRITO Participação: ADVOGADO Nome: MARIA CICERA DA SILVA BRITO OAB: 21096/PA
Participação: APELADO Nome: JOSE DE RIBAMAR ALVES COELHO Participação: APELADO Nome:
PATRICIA DE FATIMA GARCIA TEIXEIRA COELHO Participação: ADVOGADO Nome: ADAILSON JOSE
DE SANTANA OAB: 11487/PA

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. SENTENÇA QUE JULGOU


IMPROCEDENTE O PEDIDO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. AUTORA QUE DISCUTE
PROPRIEDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 554 DO CPC. CABÍVEL AÇÃO REIVINDICATÓRIA,
QUE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM AÇÃO POSSESSÓRIA. AUTORA/APELANTE QUE NÃO
SE DESINCUMBIU DE COMPROVAR OS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA PROCEDÊNCIA DA
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I- Analisando os
autos, percebe-se que de fato a apelante detém a propriedade do bem em litígio, todavia, o que se
pretende discutir quando da ação de Reintegração de posse não é a propriedade, mas sua posse, tendo
em vista a turbação praticada pelo réu. Nesse caso, a ação possessória não é o meio adequado para
tanto, mas sim a ação reivindicatória .II- No caso dos autos o pleito objeto do presente recurso discute
propriedade, a qual dá azo a propositura de Ação Reivindicatória, que para tanto não pode ser
considerada como uma ação possessória, eis que estas se diferenciam exatamente em decorrência da
causa de pedir, ou seja, enquanto nas ações possessórias a causa de pedir é o jus possessionis (a posse
como fato) e visam à manutenção ou à reintegração de posse sobre a coisa, a ação reivindicatória têm
como causa de pedir o jus possidendi (a propriedade) e visa ao reconhecimento do direito de gozar, fruir e
dispor da coisa. III- Desse modo, não há como aplicar o artigo o art. 554 do CPC, na medida em que ele
estabelece a possibilidade de receber as ações possessórias uma pela outra quando estiverem presentes
os pressupostos correspondentes, não sendo o caso dos autos, eis que o que a apelante pretende é
discutir propriedade e a ação cabível (Reivindicatória) não se trata de uma ação possessória. IV- O autor
apelante não se desincumbiu do ônus de comprovar que um dia deteve a posse do bem em comento, bem
como os demais requisitos necessários para procedência da ação. Assim, o desatendimento desse ônus
impõe a improcedência da ação. V- Por todo o exposto, voto no sentido de o recurso seja conhecido,
porém desprovido.
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Número do processo: 0801588-52.2017.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ADENILSON SILVA


PEREIRA Participação: ADVOGADO Nome: DENNIS SILVA CAMPOS OAB: 15811/PA Participação:
AGRAVADO Nome: ESTADO DO PARÁ

PROCESSO Nº 0801588-52.2017.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: 2.ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO

RECURSO: AGRAVO DE INSTRUMENTO

COMARCA: CAPANEMA (1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL)

EMBARGADO/AGRAVANTE: ADENILSON SILVA PEREIRA

ADVOGADO: DENNIS SILVA CAMPOS OAB/PA Nº15811

EMBARGANTE/AGRAVADO: ESTADO DO PARÁ

PROCURADOR DO ESTADO: GUSTAVO LYNCH

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

DESPACHO

Manifeste-se o embargado/agravante acerca dos embargos de declaração opostos (Id. 3031117), no prazo
legal.

Após, retornem os autos conclusos.

Publique-se. Intimem-se.

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

RELATOR

Número do processo: 0801597-14.2017.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ANDERSON DA


SILVA ALBUQUERQUE Participação: ADVOGADO Nome: DENNIS SILVA CAMPOS OAB: 15811/PA
Participação: AGRAVADO Nome: ESTADO DO PARÁ

PROCESSO Nº 0801597-14.2017.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: 2.ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO

RECURSO: AGRAVO DE INSTRUMENTO


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

COMARCA: CAPANEMA (1ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL)

EMBARGADO/AGRAVANTE: ANDERSON DA SILVA ALBUQUERQUE

ADVOGADO: DENNIS SILVA CAMPOS OAB/PA Nº15811

EMBARGANTE/AGRAVADO: ESTADO DO PARÁ

PROCURADOR DO ESTADO: GABRIELLA DINELLY R. MARECO

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

DESPACHO

Manifeste-se o embargado/agravante acerca dos embargos de declaração opostos (Id. 3040239), no prazo
legal.

Após, retornem os autos conclusos.

Publique-se. Intimem-se.

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

RELATOR

Número do processo: 0005783-88.2014.8.14.0010 Participação: APELANTE Nome: MUNICIPIO DE


BREVES Participação: ADVOGADO Nome: WALTER ANTONIO FURTADO PUREZA OAB: 9898/PA
Participação: APELADO Nome: MANOEL GARCIA MARQUES Participação: ADVOGADO Nome:
ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome: MANOEL
RONALDO VILHENA DE ALMEIDA Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE
MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome: MANOEL TRINDADE FEITOSA BARATINHA
Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA
Participação: APELADO Nome: MARA TATIANE LEAO FARIAS Participação: ADVOGADO Nome:
ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome: MARIA
ANGELA MAIA FERREIRA Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE
MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome: MARIA DAS DORES LIMA SANCHES
Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA
Participação: APELADO Nome: MARIA DAS GRACAS FERNANDES COSTA Participação: ADVOGADO
Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome:
MARIA DE NAZARE DOS SANTOS LEAO Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA
MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA Participação: APELADO Nome: MARIA DO SOCORRO VIANA
XISTO Participação: ADVOGADO Nome: ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA
Participação: APELADO Nome: MARCIA FERREIRA DO MONTE Participação: ADVOGADO Nome:
ANDREIA DE FATIMA MAGNO DE MORAES OAB: 7909/PA

PROCESSO PJE Nº 0005783-88.2014.8.14.0010

ÓRGÃO JULGADOR: 2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

RECURSO: APELAÇÃO CIVIL/ REMESSA NECESSÁRIA

COMARCA: BREVES (1ª VARA)

APELANTE: MUNICÍPIO DE BREVES (PROCURADOR MUNICIPAL: WALTER ANTONIO FURTADO


PUREZA – OAB/PA N° 9.898)

APELADOS: MANOEL GARCIA MARQUES E OUTROS (ADVOGADA: ANDREIA DE FATIMA MAGNO


DE MORAES – OAB/PA N° 7.909)

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL/ REMESSA NECESSÁRIA. AÇÃO DE COBRANÇA. INCENTIVO


FINANCEIRO AOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS). INCENTIVO DE CUSTEIO E
INCENTIVO ADICIONAL ESTABELECIDOS PELA PORTARIA N° 674/2003 DO MINISTÉRIO DE
SAÚDE. ADICIONAL QUE REPRESENTA UMA DÉCIMA TERCEIRA PARCELA A SER PAGA PARA O
AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE POR EXPRESSA DETERMINAÇÃO DA PORTARIA.
MANUTENÇÃO DA SISTEMÁTICA PELAS PORTARIAS POSTERIORES. INCENTIVO DE ADICIONAL
DEVIDO. PRECEDENTES DO TJE/PA. DECISÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA
DOMINANTE DESTE TRIBUNAL. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA.

1 – A Portaria n° 674/2003, ao revisar as normas da Portaria nº 1.350 de 24.07.2002, estabeleceu dois


tipos de incentivos financeiros vinculados ao programa de Agentes Comunitários de Saúde e repassados
pela União aos Municípios, quais sejam, o incentivo de custeio e o incentivo adicional.

2 – O incentivo adicional representa uma décima terceira parcela a ser paga para o agente comunitário de
saúde, consoante o disposto no art. 3º da Portaria n° 674/2003 do Ministério da Saúde e há expressa
determinação do dispositivo, tratando-se de parcela única com periodicidade anual, tendo sido mantido
nas portarias seguintes o seu repasse ao final do último trimestre de cada ano. Precedentes do TJPA.

3 – Negar o direito dos autores ao recebimento de parcela oriunda do repasse de verbas do Ministério da
Saúde incorreria em respaldar o enriquecimento ilícito do ente público municipal, que estaria recebendo
uma verba federal com um fim específico e dando outra destinação.

4 – Apelo conhecido e improvido. Sentença mantida em sede de remessa necessária.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Cuidam-se de REMESSA NECESSÁRIA e de APELAÇÃO CÍVEL interposta pelo MUNICÍPIO DE


BREVES, em face da decisão proferida pelo Juízo de Direito da 1ª Vara da Comarca de Breves que, nos
autos da Ação Ordinária de Cobrança movida por MANOEL GARCIA MARQUES E OUTROS, julgou
procedente o pedido dos autores para condenar o ente municipal ao pagamento do Incentivo Adicional,
nos critérios definidos por portaria pelo Ministério da Saúde, respeitada a prescrição quinquenal.

Inconformado, o apelante argumenta que a instauração de vantagem pecuniária, qual seja o incentivo
adicional financeiro, exige lei específica disciplinando o assunto, nos termos do art. 37, X, art. 61, §1° e art.
169, §1°, I e II, da CF/88, não podendo ser concedido por meio de portaria.

Dessa maneira, sustenta que apenas o chefe do poder executivo, por meio de lei, pode conceder
vantagem ou aumento de remuneração de servidores públicos, observando a dotação orçamentária e os
limites previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Assim, requer o conhecimento e provimento do apelo para reformar a sentença recorrida, a fim de julgar
improcedente o pedido dos autores.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Foram apresentadas contrarrazões (Id. 2340657).

Encaminhados a esta Egrégia Corte de Justiça, após regular distribuição, coube-me a relatoria do feito.

O recurso foi recebido em seu duplo efeito e os autos foram remetidos ao Ministério Público para exame e
parecer (Id. 2930343), que se manifestou pelo conhecimento e provimento do apelo (Id. 3207089).

É o relatório. Decido.

Presente os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e, de ofício, da remessa necessária,


com fulcro no artigo 496, I, do CPC/2015, por se tratar de sentença ilíquida contrária à Fazenda Pública.

Compulsando os autos, entendo que comporta julgamento monocrático, por se encontrar o recurso
contrário à jurisprudência dominante deste Tribunal, consoante o art. 932, VIII, do CPC/2015 c/c art. 133,
XI, d, do Regimento Interno TJ/PA.

No presente caso, cinge-se a controvérsia em aferir o direito dos autores/apelados, que exercem a função
de agentes comunitários de saúde desde as suas respectivas nomeações no Município de Breves, ao
recebimento do incentivo financeiro.

A decisão ora recorrida entendeu que os autores fazem jus ao recebimento do incentivo adicional, eis que
a verba é repassada ao Município ao fim de cada ano, devendo ser paga aos servidores conforme
determinado pelas portarias do Ministério da Saúde.

Com efeito, o Ministério da Saúde, por meio de portarias, n° 314/14, n° 260/13, n° 459/12, n° 1.599/11, n°
3.178/10, n° 2.008/09 e n° 1.234/08, fixou e atualizou o valor do incentivo financeiro referente à
implantação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), assim como o fez por meio do Decreto Estadual n°
10.500/2001.

Portanto, deve-se verificar se o valor do incentivo financeiro destinado aos ACS depende de lei para o seu
repasse, conforme alegado pelo Município apelante, ou se pode ser instituído por meio de portaria, bem
como cabe analisar se a verba deve ser destinada aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Senão
vejamos:

O Ministério da Saúde instituiu o incentivo financeiro adicional vinculado ao Programa Agentes


Comunitários de Saúde mediante da Portaria nº 1.350 de 24.07.2002, que estabelece:

Art. 1º Instituir o Incentivo Financeiro Adicional vinculado ao Programa de Saúde da Família e ao


Programa de Agentes Comunitários de Saúde.

§1º O incentivo de que trata este Artigo será transferido, em parcela única, do Fundo Nacional de
Saúde aos Fundos Municipais de Saúde dos municípios qualificados no Programa de Saúde da
Família ou no Programa de Agentes Comunitários de Saúde, no último trimestre de cada ano.

§2º O montante a ser repassado será calculado com base no número de agentes comunitários de saúde,
cadastrados no Sistema de Informação de Atenção Básica - SIAB, no mês de julho de cada ano.

§3º O recurso referente ao Incentivo Financeiro Adicional que trata o caput deste artigo, deverá ser
utilizado exclusivamente no financiamento das atividades dos ACS.

Posteriormente, a Portaria n° 674/2003, estabeleceu dois tipos de incentivos financeiros vinculados ao


programa Agentes Comunitários de Saúde e repassados pela União aos Municípios, quais sejam, o
incentivo de custeio e o incentivo adicional:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Art. 1º Estabelecer dois tipos de incentivo financeiro vinculado à atuação de Agentes Comunitários de
Saúde, integrantes de equipes do Programa de Agentes Comunitários de Saúde ou do Programa de
Saúde da Família:

I – Incentivo de custeio;

II – Incentivo adicional.

Art. 2º Definir que o incentivo de custeio é um valor destinado ao custeio da atuação de agentes
comunitários de saúde, transferido em parcelas mensais de 1/12 (um doze avos), pelo Fundo Nacional de
Saúde para os Fundos Municipais de Saúde ou, em caráter excepcional, para os Fundos Estaduais de
Saúde.

(...)

Art. 3º Definir que o incentivo adicional representa uma décima terceira parcela a ser paga para o
agente comunitário de saúde.

(...)

§2º O valor do incentivo adicional será transferido do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos
Municipais de Saúde ou, em caráter excepcional, para os Fundos Estaduais de Saúde, em uma
única parcela, no último trimestre de cada ano.

A partir destes dispositivos, observa-se que o repasse mensal do incentivo de custeio se trata de ajuda
com despesas gerais do programa, cabendo ao Município a destinação do recurso dentro do âmbito
destinado.

Todavia, no que diz respeito ao incentivo adicional, há expressa determinação do dispositivo da Portaria nº
674/2003, estabelecendo o repasse do incentivo aos agentes comunitários de saúde, bem como, trata-se
de parcela única com periodicidade anual, representando uma décima terceira parcela a ser paga para o
agente comunitário de saúde.

Ressalta-se que, apesar da revogação da Portaria nº 674/2003 pela Portaria nº 648/2006, e desta pela
Portaria 2.488/2011, todas do Ministério da Saúde, foi mantido o repasse de parcela única ao final do
último trimestre de cada ano.

Ademais, o incentivo em tela não constitui remuneração, mas sim adicional, conforme expresso de modo
explícito nos dispositivos acima colacionados, com natureza de gratificação, sendo possível sua instituição
por meio de portaria.

Por outro lado, em momento algum a municipalidade recorrente negou ter recebido tais valores
provenientes do Ministério da Saúde, restando incontroverso que a verba está sendo repassada ao ente
municipal.

Dessa forma, negar o direito dos autores/apelados ao recebimento do repasse das verbas oriundas do
Ministério da Saúde incorreria em respaldar o enriquecimento ilícito do ente público municipal, que estaria
recebendo uma verba federal com um fim específico e dando outra destinação, o que não é razoável sob o
prisma do regime do Direito Administrativo.

A decisão recorrida se encontra em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal, conforme se denota:

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO DE APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO DE


COBRANÇA. INCENTIVO FINANCEIRO AOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE. PORTARIA Nº
193
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

3.238, DE 18.12.2008. MANUTENÇÃO DA SISTEMÁTICA PELAS PORTARIAS POSTERIORES DO


MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA QUE EXPRESSAMENTE ESTABELECE O REPASSE MENSAL
DO INCENTIVO AOS SERVIDORES, BEM COMO O PAGAMENTO DA PARCELA EXTRA NO ÚLTIMO
TRIMESTRE. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. ACOLHIMENTO DE TAL TESE INCORRERIA EM
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO ENTE PÚBLICO MUNICIPAL, QUE ESTARIA RECEBENDO UMA
VERBA FEDERAL COM UM FIM ESPECÍFICO E DANDO OUTRA DESTINAÇÃO, O QUE NÃO É
RAZOÁVEL NO PRISMA DO REGIME DO DIREITO ADMINISTRATIVO. OBSERVÂNCIA DOS
VALORES PAGOS QUANDO HOUVER O CUMPRIMENTO DO JULGADO. SENTENÇA REFORMADA
NOS CAPÍTULOS REFERENTES AOS JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA, CUSTAS PROCESSUAIS E
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. EM REEXAME
NECESSÁRIO, SENTENÇA MODIFICADA EM PARTE. DECISÃO UNÂNIME (2160456, 2160456, Rel.
ROBERTO GONCALVES DE MOURA, Órgão Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2019-08-
19, Publicado em 2019-09-04)

APELAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA. INCENTIVO FINANCEIRO AOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE


SAÚDE. PORTARIA N.º 674/2003 DO MINISTÉRIO DA SAÚDE QUE ESTABELECEU O INCENTIVO DE
CUSTEIO E O INCENTIVO ADICIONAL. O INCENTIVO ADICIONAL REPRESENTA UMA DÉCIMA
TERCEIRA PARCELA A SER PAGA PARA O AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE POR EXPRESSA
DETERMINAÇÃO DA PORTARIA. MANUTENÇÃO DA SISTEMÁTICA PELAS PORTARIAS
POSTERIORES. INCENTIVO DE ADICIONAL DEVIDO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

1. O Programa Agentes Comunitários de Saúde é mantido por financiamento tripartite entre a


União, os Estados e os Municípios.

2. A Portaria 674/2003, ao revisar as normas da Portaria nº 1.350 de 24.07.2002, estabeleceu dois


tipos de incentivos financeiros vinculados ao programa de Agentes Comunitários de Saúde e
repassados pela União aos Municípios, quais sejam, o incentivo de custeio e o incentivo adicional.

3. O incentivo adicional representa uma décima terceira parcela a ser paga para o agente
comunitário de saúde, consoante art. 3º Portaria 674/2003 do Ministério da Saúde e há expressa
determinação do dispositivo, estabelecendo o repasse mensal do incentivo aos agentes
comunitários de saúde, bem como, trata-se de parcela única com periodicidade anual.

4. A sistemática de repasse de parcela única ao final do último trimestre de cada ano, fora mantida, em
que pese a revogação da Portaria nº 674/2003 pela Portaria nº 648/2006, e desta pela Portaria
2.488/2011, todas do Ministério da Saúde, naquilo que incompatível (art. 3º), o que leva à conclusão de
que esse repasse se refere ao incentivo adicional, que se assemelha ao 13º salário.

5. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (914782, 914782, Rel. NADJA NARA COBRA MEDA, Órgão
Julgador 2ª Turma de Direito Público, Julgado em 2018-09-06, Publicado em 2018-09-06)

EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.


INCENTIVO FINANCEIRO AOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE. PORTARIA N.º 674/2003 DO
MINISTÉRIO DA SAÚDE QUE ESTABELECEU O INCENTIVO DE CUSTEIO E O INCENTIVO
ADICIONAL. O INCENTIVO ADICIONAL REPRESENTA UMA DÉCIMA TERCEIRA PARCELA A SER
PAGA PARA O AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE POR EXPRESSA DETERMINAÇÃO DA
PORTARIA. MANUTENÇÃO DA SISTEMÁTICA PELAS PORTARIAS POSTERIORES. REEXAME
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO PARA ALTERAR OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E
ADEQUAÇÃO DO ÍNDICE DA CORREÇÃO MONETÁRIA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA NOS DEMAIS
TERMOS.

1. Reexame Necessário. O Programa Agentes Comunitários de Saúde é mantido por financiamento


tripartite entre a União, os Estados e os Municípios.

2. A Portaria 674/2003, ao revisar as normas da Portaria nº 1.350 de 24.07.2002, estabeleceu dois


tipos de incentivos financeiros vinculados ao programa de Agentes Comunitários de Saúde e
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

repassados pela União aos Municípios, quais sejam, o incentivo de custeio e o incentivo adicional.

3. O incentivo adicional representa uma décima terceira parcela a ser paga para o agente
comunitário de saúde, consoante art. 3º Portaria 674/2003 do Ministério da Saúde e há expressa
determinação do dispositivo, estabelecendo o repasse mensal do incentivo aos agentes
comunitários de saúde, bem como, trata-se de parcela única com periodicidade anual.

4. A sistemática de repasse de parcela única ao final do último trimestre de cada ano, fora mantida, em
que pese a revogação da Portaria nº 674/2003 pela Portaria nº 648/2006, e desta pela Portaria
2.488/2011, todas do Ministério da Saúde, naquilo que incompatível (art. 3º), o que leva à conclusão de
que esse repasse se refere ao incentivo adicional, que se assemelha ao 13º salário.

5. Na forma do artigo 85, §4º do CPC, os honorários advocatícios, nas causas em que não houver
condenação ou for vencida a Fazenda Pública, são fixados de acordo com a apreciação equitativa do Juiz,
cujo percentual deve ser fixado na fase de liquidação desta decisão. (...) 5. Reexame conhecido e
parcialmente provido para adequar honorários e os consectários legais. Manutenção da sentença nos
demais termos. (2018.03177143-44, 194.355, Rel. MARIA ELVINA GEMAQUE TAVEIRA, Órgão Julgador
1ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO, Julgado em 2018-08-06, Publicado em 2018-08-17)

Diante do exposto, com amparo na jurisprudência dominante deste Tribunal, conheço e nego provimento
ao apelo, na forma do artigo 932, VIII, do CPC/2015 c/c art. 133, XI, d, do Regimento Interno TJ/PA,
conforme fundamentação. Em sede de remessa necessária, mantenho a sentença em todos os seus
temos.

Após o decurso do prazo recursal sem qualquer manifestação, certifique-se o trânsito em julgado e dê-se
baixa na distribuição.

Publique-se. Intime-se.

ÀSecretaria para as providências cabíveis.

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

Relator

Número do processo: 0001861-40.2017.8.14.0105 Participação: APELANTE Nome: SINDICATO DOS


TRABALHADORES DA EDUCACAO PUBLICA DO PA Participação: ADVOGADO Nome: PAULO
HENRIQUE MENEZES CORREA JUNIOR OAB: 12598/PA Participação: APELADO Nome: MUNICIPIO
DE CONCORDIA DO PARA Participação: ADVOGADO Nome: NIVALDO RIBEIRO MENDONCA FILHO
OAB: 20548/PA

PROCESSO PJE Nº 0001861-40.2017.8.14.0105

ÓRGÃO JULGADOR: 2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO

RECURSO: APELAÇÃO CÍVEL


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COMARCA: CONCÓRDIA DO PARÁ (VARA ÚNICA)

APELANTE: SINDICATO DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO PÚBLICA DO PARÁ - SINTEPP


(ADVOGADO: PAULO HENRIQUE MENEZES CORREA JUNIOR – OAB/PA N° 12.598)

APELADO: MUNICÍPIO DE CONCÓRDIA DO PARÁ (ADVOGADO: NIVALDO RIBEIRO MENDONÇA


FILHO – OAB/PA N° 20.548)

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. DECISÃO DE RECONHECIMENTO DA


ILEGITIMIDADE ATIVA DO SINDICATO. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. DIREITOS
HETEROGÊNEOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO C. STJ. APELO
CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. Diante das situações fáticas diversas dos representados, ocupantes de cargos distintos, assim como
tendo em vista a variedade das gratificações postuladas, tem-se a necessidade de exame individual para
aferir o direito dos servidores ao recebimento das verbas específicas, com evidente heterogeneidade do
pedido.

2. Jurisprudência do C. STJ consolidada no sentido de que os sindicatos, na qualidade de substitutos


processuais, são legítimos para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos ou individuais
homogêneos.

3. Apelo conhecido e improvido.

DECISÃO MONOCRÁTICA

Cuida-se APELAÇÃO CÍVEL interposta pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO


PÚBLICA DO PARÁ - SINTEPP, em face da decisão proferida pelo Juízo de Direito da Vara Única da
Comarca de Concórdia do Pará, nos autos da Ação de Cobrança movida em desfavor do MUNICÍPIO DE
CONCÓRDIA DO PARÁ.

Por meio da decisão ora apelada, o magistrado sentenciante extinguiu o processo sem resolução do
mérito, com fulcro no art. 485, §3° do CPC/2015, reconhecendo a ilegitimidade ativa do Sindicato em razão
da demanda não tratar de direitos individuais homogêneos.

Inconformado, o apelante sustenta que é entidade sindical regulamentada, com registro juntado aos autos,
possuindo legitimidade para a defesa de interesses individuais e coletivos dos seus representados, o que
inclusive é defendido pelos tribunais superiores.

Argumenta que a norma constitucional disposta no art. 8°, III, da CF/88 não estabelece diferença entre
direito individual homogêneo e heterogêneo, havendo indiscutível legitimidade ativa frente à defesa de
interesses individuais subjetivos dos servidores de educação.

Diante dessas razões, requer o conhecimento e provimento do apelo, com o reconhecimento da nulidade
da decisão recorrida para dar prosseguimento ao feito com o retorno dos autos ao Juízo de origem, a fim
de que seja proferida nova decisão.

Foram apresentadas contrarrazões (Id. 2617183).

Encaminhados a esta Egrégia Corte de Justiça, após regular distribuição, coube-me a relatoria do feito.

O recurso foi recebido em seu duplo efeito e os autos foram remetidos ao Ministério Público de Segundo
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Grau para exame e parecer (Id. 2924585), que se manifestou pela ausência de interesse público em
opinar (Id. 2999118).

Éo relatório. Decido.

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Compulsando os autos, entendo que o recurso comporta julgamento monocrático, consoante art. 932,
IV, do CPC c/c art. 133, XI, b e d, do Regimento Interno TJ/PA.

De início e sem delongas, verifico que as razões recursais não merecem acolhida, eis que, em que pese o
sindicato possuir legitimidade para postular direitos individuais de seus representados, tais direitos devem
ser homogêneos, o que não se constata do caso dos autos, senão vejamos.

Na presente hipótese, o apelante postulou na petição inicial aos servidores públicos municipais
representados o pagamento das parcelas referentes ao mês de outubro e novembro de 2016 de:
gratificação de escolaridade (50%); de magistério (25%); de educação especial (50%); de interiorização
(30 e 50%); pelo exercício de função de direção de escola (60, 80 e 100%); pelo exercício da função de
vice direção de escola (50%); de adicional de titularidade (10, 20 e 30%); de progressão vertical na
carreira (5% entre níveis); além de vantagem pessoal.

Conforme documentos juntados aos autos no Id. 2617171, os representados ocupam cargos e posições
distintas, dentre eles “Professor”; “Professor especialista”; “Professor-orientador”; “Professor mestrado”;
“Professor Nível Médio”; “Coordenador pedagógico”; “Vice-Diretor” e “Diretor”.

Assim sendo, observa-se que a situação de cada representado é particular, sendo necessário exame
individual dos vínculos para aferir o direito dos servidores ao recebimento das parcelas específicas
postuladas, de acordo com o cargo ocupado, tempo de serviço, titulação e demais requisitos necessários
para identificar a verossimilhança com as gratificações listadas.

Em outras palavras, tem-se causas de pedir diversas diante dos contextos fáticos distintos dos servidores,
demonstrando evidente heterogeneidade do pedido.

Nesse sentido se manifesta a jurisprudência consolidada do C. STJ, não cabendo maiores digressões
sobre o tema, a propósito:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. AUSÊNCIA.


AÇÃO ORDINÁRIA. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL (ART. 8º, III, DA CF).
IMPOSSIBILIDADE. ASSOCIAÇÃO DE SERVIDORES. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. DIREITOS
HETEROGÊNEOS. REVISÃO.

IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES. 1. Na origem o Sindicato dos


Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina - SINTRAFESC ajuizou ação
ordinária contra a Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, objetivando a condenação da ré ao imediato
pagamento de valores reconhecidos administrativamente, acrescidos de juros legais e correção monetária.

2. O acórdão recorrido negou provimento à apelação, mantendo a sentença que extinguiu o feito,
sem resolução de mérito, por ilegitimidade ativa ad causam, nos termos do art. 267, IV, do
CPC/1973, ao fundamento de que: "o caso dos autos a natureza do direito postulado não guarda
qualquer homogeneidade porque originado de causas de pedir diversas e que sequer são
conhecidas do juízo".

3. Afasta-se a alegada violação do artigo 535 do CPC/1973, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se
de maneira clara e fundamentada a respeito das questões importantes para a solução da controvérsia, não
havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração.
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4. Acerca da suposta infringência ao art. 8º, III, da Constituição Federal, o recurso não merece ser
conhecido. Isso porque não cabe a esta Corte Superior, em sede de recurso especial, a análise de
eventual ofensa a dispositivos constitucionais, cabendo unicamente ao STF a uniformização de
interpretação de tais normas, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal.

5. No tocante à legitimidade ad causam, ressalta-se que a jurisprudência do STJ trilha no sentido


de que os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, são legítimos para atuar
judicialmente na defesa dos interesses coletivos ou individuais homogêneos, que prescinde da
autorização especial (individual ou coletiva) dos substituídos (Súmula 629 do STF), ainda que veicule
pretensão que interesse a apenas parte de seus membros e associados (Súmula 630 do STF).
Precedente: AgInt no REsp 1.533.580/RS, Rel.

Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 26/9/2018.

6. Todavia, no caso dos autos, além da ilegitimidade ativa da entidade sindical ter sido solucionada à luz
de dispositivo constitucional (art. 8º, III, da CF), matéria insuscetível de ser examinada em sede de recurso
especial, a Corte local entendeu que a natureza do direito postulado "não guarda qualquer
homogeneidade porque originado de causas de pedir diversas e que sequer são conhecidas do juízo".
Assim, não se mostra possível a alteração das conclusões firmadas no voto condutor, a fim de que se
reconheça a homogeneidade do direito, tal como colocada a questão nas razões recursais, por demandar,
necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos. Incidência, in casu, da
Súmula 7/STJ. Precedentes: AgInt no REsp 1.525.037/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma,
DJe 12/3/2018; REsp 1.796.185/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 29/5/2019;
REsp 1.667.409/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/9/2017; AgInt no REsp
1.560.816/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 23/5/2016; REsp n.
1.593.037/RR, Rel.

Min. Regina Helena Costa, DJe: 18/10/2017.

7. Recurso especial parcialmente conhecido e improvido.

(REsp 1662362/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/08/2019,
DJe 29/08/2019)

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO


DO ART. 535, II, DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA.

SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. AÇÃO COLETIVA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE RECONHECEU A


ILEGITIMIDADE ATIVA DO SINDICATO, NO CASO CONCRETO, À LUZ DOS FATOS E DAS
PECULIARIDADES DA CAUSA, NATUREZA HETEROGÊNEA DO DIREITO POSTULADO. REVISÃO.
IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES DO STJ, EM CASOS
ANÁLOGOS. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.

I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado
na vigência do CPC/73.

II. Na origem, trata-se de ação ordinária, ajuizada por Sindicato, objetivando a declaração do direito dos
substituídos ao imediato pagamento dos valores que entende devidos (auxílio-transporte, verbas
remanescentes do percentual de 28,86%, abono de permanência, ao adicional de insalubridade),
reconhecidos administrativamente, mas não pagos, e que se encontram lançados para pagamento em
"exercícios anteriores". A sentença - mantida pelo acórdão recorrido - reconheceu a legitimidade ativa do
Sindicato autor, por não se postular, em substituição processual, direito individual homogêneo, porquanto
"a natureza do direito postulado não guarda a homogeneidade mencionada porque originado de causas de
pedir diversas. Tanto é que na petição inicial a parte autora lista as diversas origens das verbas devidas:
auxílio- tranporte, verbas remanescentes do percentual de 28,86%, abono de permanência, adicional de
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insalubridade. O único ponto em comum da pretensão reside na alegação de que houve o reconhecimento
de direitos dos servidores, no âmbito administrativo, com repercussão pecuniária sobre a remuneração
dos substituídos, cujo pagamento está condicionado à inserção, como despesas de exercícios anteriores
(DEA), na lei orçamentária. (...) A necessidade da análise de cada um dos processos administrativos a fim
de se verificar a origem, a natureza e a legalidade dos créditos pleiteado, além de denunciar a falta de
homogeneidade do direito pleiteado, importaria inversão indevida entre as fases processuais de
conhecimento e execução.

Assim, presente a diversidade entre as situações particulares de cada um dos substituídos, é


manifesta a natureza heterogênea e personalíssima dos direitos individuais dos substituídos, com
aspectos fáticos distintos e que necessitam de análise específica da prova e do momento da sua
constituição".

III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi
dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do
acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração apreciaram fundamentadamente, de modo
coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução
jurídica diversa da pretendida.

IV. Consoante jurisprudência desta Corte, ao apreciar espécies análogas, "tendo o Tribunal de origem
reconhecido a ilegitimidade ativa do sindicato agravante em razão do direito postulado não guardar
qualquer homogeneidade porquanto originado de causas de pedir diversas, de modo que presente a
diversidade entre as situações particulares de cada um dos substituídos, a evidenciar a natureza
heterogênea e personalíssima do direito postulado, inviável por meio de substituição processual, a revisão
desse entendimento, de modo a reconhecer o caráter homogêneo dos interesses e direitos postulados
pelo sindicato agravante, demanda o necessário reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado na
via estreita do recurso especial, por força da Súmula 7/STJ" (STJ, AgInt no REsp 1.560.816/SC, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/05/2016). No mesmo sentido:
STJ, REsp 1.662.362/RS, Rel.

Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 29/08/2019;

AgInt no REsp 1.525.037/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 12/03/2018;
REsp 1.667.409/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/09/2017.
Precedência, no caso, da Súmula 7/STJ.

V. Agravo interno improvido.

(AgInt no REsp 1603396/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/11/2019, DJe 18/11/2019)

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA. SERVIDOR PÚBLICO. SINDICATO.

SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. PAGAMENTO DE VALORES RECONHECIDOS


ADMINISTRATIVAMENTE. DIREITOS HETEROGÊNEOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ.

1. Trata-se na origem de Ação Ordinária ajuizada pelo recorrente na condição de substituto processual,
contra o Instituto Federal Farroupilha na qual se busca provimento jurisdicional que condene o réu ao
imediato pagamento de valores por ele reconhecidos ou que venha a reconhecer administrativamente
como devidos e lançados para pagamento como "exercícios anteriores" em favor dos substituídos.

2. Inexiste a alegada ofensa ao art. 1022 do CPC/2015, haja vista que a matéria em questão foi analisada,
de forma completa e fundamentada, pelo Tribunal de origem.

3. No que diz respeito à legitimidade ativa do Sindicato, a jurisprudência do STJ entende que tais
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entes possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses coletivos ou individuais
homogêneos, independentemente de autorização expressa dos associados.

4. No caso dos autos, verifica-se que a Corte de origem concluiu pela ilegitimidade do Sindicato,
uma vez que "tudo que os substituídos têm em comum entre si é o fato de pertencerem à mesma
carreira e estarem vinculados à mesma pessoa jurídica. Assim, o grau de homogeneidade do
direito é tão mínima que se teria, na prática, não uma ação coletiva, mas sim um litisconsórcio
multitudinário, em vista da necessidade de prova individualizada para que se forme o juízo correto
acerca do momento da constituição dos direitos individuais dos substituídos" (fl. 264, e-STJ).

5. Inviável modificar o fundamento adotado pelo Tribunal para afastar o caráter heterôgeneo dos direitos
defendidos e a consequente ilegitimidade do sindicato para propor ação coletiva, ante o óbice da Súmula
7/STJ.

6. Recurso Especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido.

(REsp 1667409/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2017, DJe
13/09/2017)

Portanto, diante dos fundamentos e da jurisprudência exposta, constato que se encontra escorreita a
decisão recorrida que reconheceu a ilegitimidade ativa do Sindicato, tendo em vista que a demanda não
versa sobre direito individual homogêneo.

Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC c/c art. 133, XI, b e d, do Regimento Interno TJ/PA,
conheço do recurso e nego-lhe provimento, mantendo a sentença inalterada, nos termos da
fundamentação.

Àsecretaria para as devidas providências.

Belém, 18 de junho de 2020.

Des. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

Relator

Número do processo: 0801470-08.2019.8.14.0000 Participação: REPRESENTANTE Nome: VALE S.A.


Participação: ADVOGADO Nome: PEDRO BENTES PINHEIRO NETO OAB: 12816/PA Participação:
ADVOGADO Nome: PEDRO BENTES PINHEIRO FILHO OAB: 3210/PA Participação: ADVOGADO
Nome: DANIELLE SERRUYA SORIANO DE MELLO OAB: 7830 Participação: AUTORIDADE Nome:
DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PARÁ

PROCESSO Nº: 0801470-08.2019.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: 2ª TURMA DE DIREITO DE DIREITO PÚBLICO

RECURSO: AGRAVO DE INSTRUMENTO

COMARCA: MARABÁ (2ª VARA CÍVEL E EMPRESARIAL)

AGRAVANTE: VALE S/A


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ADVOGADO: DANIELLE SERRUYA SORIANO DE MELLO (OAB/PA 17.830)

AGRAVADO: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PARÁ

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

DESPACHO

Considerando o Conflito Negativo de Competência (0805878-08.2020.8.14.0000) instaurado em autos


apartados ao presente recurso, é provável a perda superveniente do interesse processual ante o decurso
do tempo, pelo que determino, com fulcro no artigo 933 do CPC/2015, a intimação da recorrente para que
se manifeste acerca do interesse no prosseguimento do feito, sob pena de não conhecimento do recurso.

Publique-se e intimem-se

Belém, 18 de junho de 2020.

DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

RELATOR

Número do processo: 0810963-09.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: YOLANDA DE


SOUZA VILHENA Participação: ADVOGADO Nome: ISMAEL OLIVEIRA DE SOUZA OAB: 24050/PA
Participação: AGRAVADO Nome: CONDOMINIO DO EDIFICIO ALVES MELO Participação: ADVOGADO
Nome: JOSE RICARDO PINTO BENTES OAB: 021632/PA Participação: AUTORIDADE Nome:
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

A Unidade de Processamento Judicial das Turmas de Direito Público e Privado do Tribunal de Justiça do
Estado do Pará intima a parte agravante para providenciar o recolhimento de custas referentes ao
processamento do recurso de Agravo Interno, em atendimento à determinação contida no art. 33, § 10 da
Lei Ordinária Estadual nº 8.583/17.

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Número do processo: 0124085-28.2015.8.14.0144 Participação: APELANTE Nome: SEBASTIAO


OLIVEIRA PINHEIRO Participação: ADVOGADO Nome: GLEIDSON DOS SANTOS RODRIGUES OAB:
22635/PA Participação: ADVOGADO Nome: ILTON GIUSSEPP STIVAL MENDES DA ROCHA LOPES DA
SILVA OAB: 22273/PA Participação: ADVOGADO Nome: DIORGEO DIOVANNY STIVAL MENDES DA
ROCHA LOPES DA SILVA OAB: 12614/PA Participação: ADVOGADO Nome: BRENO FILIPPE DE
ALCANTARA GOMES OAB: 21820/PA Participação: APELADO Nome: BANCO PAN S.A. Participação:
ADVOGADO Nome: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO OAB: 23255/PE
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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

Faço público a quem interessar possa que, nos autos do processo de nº 0124085-28.2015.8.14.0144
foram opostos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, estando intimada, através deste ato, a parte interessada
para a apresentação de contrarrazões, em respeito ao disposto no §2º do artigo 1023 do novo Código de
Processo Civil. (ato ordinatório em conformidade com a Ata da 12ª Sessão Ordinária de 2016 da 5ª
Câmara Cível Isolada).

Belém,(Pa), 18 de junho de 2020

Número do processo: 0805849-55.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ESTADO DO PARA


Participação: AGRAVADO Nome: DISMOBRAS IMPORTACAO, EXPORTACAO E DISTRIBUICAO DE
MOVEIS E ELETRODOMESTICOS S/A

PROCESSO Nº 0805849-55.2020.8.14.0000

ÓRGÃO JULGADOR: 2ª TURMA DE DIREITO PÚBLICO

RECURSO: AGRAVO DE INSTRUMENTO

COMARCA: ANANINDEUA (VARA DA FAZENDA PÚBLICA)

AGRAVANTE: ESTADO DO PARÁ

PROCURADORA DO ESTADO: BIANCA ORMANES

AGRAVADO: DISMOBRÁS IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE MÓVEIS E


ELETRODOMÉSTICOS S/A

ADVOGADOS: LEONARDO DE LIMA OAB/MG 91.166 E RAFAEL FABIANO SANTOS SILVA OAB/MG
116.200

RELATOR: DES. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA

Tratam os presentes autos de AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO,


interposto por ESTADO DO PARÁ, contra decisão interlocutória proferida pelo MM. Juízo da Vara da
Fazenda Pública de Ananindeua, nos autos da Ação de Execução Fiscal (n. º 0811310-58.2018.8.14.0006)
promovida pelo recorrente em desfavor de DISMOBRÁS IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E
DISTRIBUIÇÃO DE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS S/A.

Por meio da decisão agravada, o Juízo de Direito da Fazenda Pública de Ananindeua deferiu o
sobrestamento da execução fiscal porquanto entendeu aplicar ao caso o Tema 987 do Superior Tribunal
de Justiça. Por seu turno, o Estado interpôs embargos declaratórios, que foram rejeitados ao argumento
de que, tal como ocorre na recuperação judicial, deferida a recuperação extrajudicial devem ser suspensas
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as ações de execução fiscal.

Alega, em suma, que a empresa executada não se encontra em regime de recuperação judicial, mas em
regime de recuperação extrajudicial. Assim sendo, é cristalino que a sistemática do recurso sobrestado
não se pode aplicar ao presente caso e a fundamentação da decisão que se reporte a regime de
recuperação diverso do aplicado ao executado representa erro, aplicando-se ao caso a legislação relativa
às empresas em recuperação extrajudicial.

Ressalta, ainda, que a decisão de primeira instância determina o indevido sobrestamento da execução
fiscal e causa significativo prejuízo ao Estado, que fica impedido de reaver os valores a que tem direito;
que o sobrestamento da execução e o impedimento causam significativos prejuízos à economia e à
arrecadação, além de representar grande potencial multiplicador de sobrestamento de execuções que, ao
final, devem satisfazer ao interesse público.

Diante dessas circunstâncias, pleiteia a concessão de efeito suspensivo com o fim de que se permita a
retomada da execução fiscal e o início da fase constritiva e, ao final, pleiteia a reforma definitiva da
decisão.

Éo relatório.

Decido.

Para a análise do pedido de efeito suspensivo formulado pelo agravante, necessário se faz observar o que
preceituam os artigos 995, parágrafo único e 1.019, I, do NCPC.

Ressalte-se, por oportuno, que o exame da matéria, para o fim da concessão do efeito suspensivo, pela
celeridade que lhe é peculiar, dispensa digressão acerca de toda a temática que envolve os fatos, a qual
merecerá o devido exame por ocasião do julgamento do mérito recursal.

Da análise prefacial dos autos, neste juízo de cognição sumária, vislumbro que há plausibilidade nos
argumentos expendidos pelo agravante a respeito da decisão que deferiu o sobrestamento da execução
fiscal porquanto entendeu aplicar ao caso o Tema 987 do Superior Tribunal de Justiça.

Pois bem, foi determinado o sobrestamento pelo STJ de todos os processos que versam sobre o tema "
possibilidade da prática de atos constritivos em face de empresa em recuperação judicial, em sede de
execução fiscal" (Tema 987, REsp 1.712.484) em razão de decisão que afetou o recurso à sistemática de
julgamento de recursos repetitivos, determinando a suspensão de todos os feitos que versam sobre o
tema tramitando no território nacional.

O presente caso não cuida de empresa que se encontra em recuperação judicial, mas em recuperação
extrajudicial, instituto jurídico diverso que não tem o condão de obstar a execução fiscal da dívida ativa.

A recuperação extrajudicial trata-se de uma negociação das dívidas empresariais realizadas diretamente
pelo devedor e respectivos credores, sem a interveniência do Poder Judiciário, que apenas homologa o
plano apresentado em juízo, desde que respeitados os requisitos legais.

Por meio dela, o empresário pode negociar diretamente com seus credores e elaborar um acordo que será
homologado pelo juiz, se presentes os requisitos legais.

Assim, o acordo não pode incluir titulares de créditos de natureza tributária, conforme se verifica do § 1º do
artigo 161, da Lei nº 11.101/2005:

Art. 161. O devedor que preencher os requisitos do art. 48 desta Lei poderá propor e negociar com
credores plano de recuperação extrajudicial.
203
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

§ 1º Não se aplica o disposto neste Capítulo a titulares de créditos de natureza tributária, derivados
da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho, assim como àqueles previstos
nos arts. 49, § 3º , e 86, inciso II do caput, desta Lei.

Quanto à suspensão dos direitos, ações e execuções, trata-se de solução adotada na recuperação judicial
(Lei nº 11.101/05, art. 6º, § 4º).

No sistema da recuperação extrajudicial, a lei adota tratamento diverso à questão, ao admitir


expressamente o prosseguimento das ações e execuções em face da recuperanda, relativamente aos
credores não sujeitos ao plano de recuperação, como é o caso.

A legislação que rege a matéria é expressa ao proibir a suspensão de direitos, ações ou execuções dos
credores não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial, caso do titular de dívida ativa, conforme
inteligência do § 4º do artigo 161, da Lei nº 11.101/2005:

§ 4º O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não acarretará suspensão de


direitos, ações ou execuções, nem a impossibilidade do pedido de decretação de falência pelos credores
não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial.

Vale enfatizar, ainda, que a cobrança judicial da dívida ativa não é sujeita a concurso de credores,
conforme lição do artigo 29 da Lei nº 6.830/80:

Art. 29 - A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento.

Assim, em uma análise sumária do caderno processual, verifico que os efeitos do plano de recuperação
extrajudicial não alcançam a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública, ficando restritos aos
débitos perante credores privados.

Quanto ao periculum in mora, configura-se com a iminência de não adimplemento do débito tributário, o
que implica em perda para os cofres públicos.

Ante o exposto, com fulcro nos artigos 995, § único e 1.019, I, ambos do NCPC, em atenção ao restrito
âmbito de cognição sumária, defiro o efeito suspensivo pleiteado, até ulterior deliberação deste
Egrégio Tribunal de Justiça.

Esclareça-se que a presente decisão tem caráter precário, cuja decisão não configura antecipação do
julgamento do mérito da ação, não constitui e nem consolida direito, podendo, perfeitamente, ser alterado
posteriormente por decisão colegiada ou mesmo monocrática do relator.

Intime-se a parte agravada, para que, caso queira, apresente contrarrazões ao presente recurso, também
no prazo de 15 (quinze) dias, nos termos do art. 1019, II, do NCPC.

Comunique-se ao Juízo a quo, encaminhando-lhe cópia dessa decisão.

Por fim, retornem-me conclusos para ulteriores.

Publique-se. Intime-se.

Servirá a presente decisão, por cópia digitalizada, como MANDADO DE


CITAÇÃO/INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO.

Belém, 18 de junho de 2020.


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Des. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO

Relator

Número do processo: 0025120-04.2007.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: HELOISA DE FATIMA


DA SILVA NEVES Participação: ADVOGADO Nome: RENATO DA SILVA NEVES OAB: 2819
Participação: APELADO Nome: ESTADO DO PARA Participação: APELADO Nome: INSTITUTO DE
GESTAO PREVIDENCIARIA DO ESTADO DO PARA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
GABINETE DA DESA. ELVINA GEMAQUE TAVEIRA

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, bem como as formalidades do art. 1.010 do Código de


Processo Civil, recebo a Apelação em ambos os efeitos, nos termos caput do artigo 1.012 e 1.013 do
diploma supramencionado.

Remetam-se os autos eletrônicos (processo n.º 0025120-04.2007.8.14.0301 – PJE) ao Órgão Ministerial


nesta Superior Instância, para manifestar-se como fiscal da ordem jurídica.

ÀSecretaria, para os devidos fins.

P.R.I.C.

Belém, 12 de junho de 2020.

ELVINA GEMAQUE TAVEIRA

Desembargadora Relatora

Número do processo: 0057780-18.2011.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: CASF-CAIXA DE


ASSIST DOS FUNCIONARIOS DO BANCO AMAZONIA Participação: ADVOGADO Nome: ROBERTA
DANTAS DE SOUSA OAB: 11013/PA Participação: APELADO Nome: RUBENS HEITOR DE
MAGALHAES SOUSA Participação: ADVOGADO Nome: ROBERTA MELLO DE MAGALHAES SOUSA
OAB: 2394 Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ
Participação: TERCEIRO INTERESSADO Nome: ERICA CRISTINA DOS SANTOS CARVALHO

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0057780-18.2011.8.14.0301
COMARCA DE ORIGEM: BELÉM
APELANTE: CASF-CAIXA DE ASSIST DOS FUNCIONARIOS DO BANCO AMAZONIA
ADVOGADO: ERICA CRISTINA DOS SANTOS CARVALHO – OAB/PA 14.488
APELADO: RUBENS HEITOR DE MAGALHAES SOUSA
205
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ADVOGADO: ROBERTA MELLO DE MAGALHAES SOUSA – OAB/PA 12.394


RELATORA: DESª. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES

EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA


DE DÉBITO C/C NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL. CDC. INAPLICABILIDADE. ENTIDADE DE
AUTOGESTÃO. SÚMULA 608 STJ. APLICAÇÃO DA LEI Nº 9.656/98. PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
DE URGÊNCIA - ANGIOPLASTIA. RISCO DE VIDA. IMPLANTAÇÃO DE 02 STENTS
FARMACOLÓGICOS. EXIGÊNCIA DE COPARTICIPAÇÃO NOS CUSTOS COM O STENTS. CLÁUSULA
LEGÍTIMA RESTRITIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SOPESADA DIANTE DE BENS
CONSTITUCIONALMENTE QUALIFICADOS. DIREITO À SAUDE, VIDA E DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO À UNANIMIDADE.
1. Inaplicabilidade do CDC. Súmula 608 do STJ. Entidade com natureza jurídica de autogestão
multipatrocinada e sem fins lucrativos. Readequação da fundamentação.
2. Embora reconhecida como legítima cláusula restritiva de prestação de serviços, sua aplicação há de ser
mitigada quando se revela circunstância excepcional, consubstanciada na necessidade de tratamento de
urgência (implantação de 02 stents farmacológicos) decorrente de doença grave, que se não tratada a
tempo (procedimento de angioplastia), tornaria inócua a finalidade principal do ajuste celebrado, que é a
de assegurar o amparo à saúde e à vida.
3. Exigência de reembolso de 50% sobre o material necessário (stents) que se mostra desarrazoada ante
a necessidade de restabelecimento de sua saúde e preservação de sua vida. Escorreita a decisão de 1º
grau, ainda que sob fundamento equivocado quanto à aplicação do CDC ao acaso, entretanto, fazendo
prevalecer bem jurídico constitucionalmente qualificado a fim de garantir do Apelado.
4. Recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e desprover o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora Relatora
Edinéa Oliveira Tavares.

Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0002547-97.2017.8.14.0051 Participação: APELANTE Nome: EDERLAN DA


TRINDADE CARNEIRO Participação: APELADO Nome: BANCO GMAC S.A.

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0002547-97.2017.8.14.0051
COMARCA DE ORIGEM: SANTARÉM
APELANTE: EDERLAN DA TRINDADE CARNEIRO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ADVOGADO: FABIANO DE LIMA NARCISO (DEFENSOR PÚBLICO)


APELADO: BANCO GMAC S.A.
ADVOGADA: STÊNIA RAQUEL ALVES DE MELO - OAB/PA 24.647- A
RELATORA: DESA. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. DEFENSORIA PÚBLICA ATUANDO


COMO CURADORIA ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO POR NEGATIVA GERAL. IMPOSSIBILIDADE.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO À UNANIMIDADE.
1. A prerrogativa de impugnação por negativa geral pela Defensoria Pública, encontra-se prevista no
art.341, parágrafo único do CPC. Entretanto, tal dispositivo é aplicado apenas à contestação em
processos de conhecimento, não se estende aos embargos à execução.
2. Esclareça-se que a Súmula 196 do STJ estabelece a legitimidade do curador especial para
apresentação de embargos em favor do executado, não o eximindo do dever do embargante de apontar
qualquer vício capaz de desconstituir o título executivo.
3. Recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e desprover o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora Relatora
Edinéa Oliveira Tavares.

Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0015257-49.2015.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: HOTEL PALACIO


LTDA - ME Participação: ADVOGADO Nome: WALAQ SOUZA DE LIMA OAB: 3644 Participação:
ADVOGADO Nome: PAULO AUGUSTO DE AZEVEDO MEIRA OAB: 5586 Participação: ADVOGADO
Nome: LUA RIBEIRO DE SOUSA COSTA OAB: 70000A Participação: APELADO Nome: ADONAY DOS
SANTOS CARDOSO

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0015257-49.2015.8.14.0301
COMARCA DE ORIGEM: BELÉM
APELANTE: ADONAY DOS SANTOS CARDOSO
ADVOGADO: CLAUDINE R. DE OLIVEIRA M. BECKMAN (DEF. PÚBLICA)
APELADO: HOTEL PALÁCIO LTDA ME
ADVOGADO: WALAQ SOUZA DE LIMA OAB/PA 13.644
ADVOGADO: PAULO AUGUSTO DE AZEVEDO MEIRA OAB/PA 5.586
RELATORA: DESA. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C
COBRANÇA DE ALUGUÉIS E DEMAIS ENCARGOS LOCATÍCIOS E CONCESSÃO INAUDITA ALTERA
PARS DE DESCOUPAÇÃO DO IMÓVEL. MANDADO DE DESPEJO. PEDIDO DE SUSPENSÃO.
INDEFERIMENTO. ÔNUS SUCUMBENCIAL. PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA. CONCESSÃO.
RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO À UNANIMIDADE.
1. No caso, observa-se que o Magistrado a quo, após decretar o despejo, determinou a expedição de novo
mandado de desocupação do imóvel já concedendo ao apelante o prazo de 15 (quinze) dias para seu
cumprimento voluntário. Sentença mantida no ponto.
2. A gratuidade de justiça deve ser concedida à parte que não dispõe de recursos para pagar com as
despesas do processo, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.
3. A teor do que dispõe a Súmula 06 deste E. Tribunal, a presunção de hipossuficiência econômica é
relativa, contudo, somente pode ser indeferida de ofício pelo magistrado quando houver prova nos autos
em sentido contrário, o que não se verifica na hipótese dos autos.
4. Recurso conhecido e provido parcialmente à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e prover parcialmente o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora
Relatora Edinéa Oliveira Tavares.

Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0002955-31.2015.8.14.0028 Participação: APELANTE Nome: SEGURADORA


LIDER DOS CONSORCIOS DO SEGURO DPVAT S.A. Participação: APELADO Nome: JAMERSON
GEREMIAS FERREIRA SILVA Participação: ADVOGADO Nome: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA
PORTO OAB: 656

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0002955-31.2015.8.14.0028
COMARCA DE ORIGEM: MARABÁ
APELANTE: SEGURADORA LIDER DOS CONSORCIOS DO SEGURO DPVAT S.A.
ADVOGADO: ROBERTA MENEZES COELHO DE SOUZA – OAB/PA 11.037-A
APELADO: JAMERSON GEREMIAS FERREIRA SILVA
ADVOGADO: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA PORTO – OAB/MG 119.304
RELATORA: DESª. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DPVAT. ALEGAÇÃO DE


INEXISTÊNCIA DE COBERTURA PARA A HIPÓTESE DE PERDA DE ELEMENTOS DENTÁRIOS. DANO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

MERAMENTE ESTÉTICO. NÃO ACOLHIMENTO. LAUDO PERICIAL QUE ATESTA PERDA


PERMANENTE PARCIAL INCOMPLETA EM GRAU RESIDUAL DA ESTRUTURA CRANIOFACIAL.
INDENIZAÇÃO DE 10% SOBRE R$ 13.500,00. SENTENÇA DE 1º GRAU MANTIDA. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO À UNANIMIDADE.
1. A perda de dentes, mesmo com a possibilidade de realização de tratamentos odontológicos para
minimizar as sequelas, ultrapassam o mero dano estético, configurando-se como dano de caráter
permanente e, portanto, passível de ser indenizada pelo seguro obrigatório DPVAT.
2. Considerando que, na presente hipótese, o laudo pericial realizado pelo IML atestou categoricamente a
existência amputação traumática de dois dentes incisivos centrais e caninos lateral esquerdos, perda
estética de 10% na tabela DPVAT, não há que se falar em inexistência de cobertura indenizatória.
3. Recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e desprover o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora Relatora
Edinéa Oliveira Tavares.

Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0800194-10.2017.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: FRANCISCA DE


ALMEIDA DOS SANTOS Participação: ADVOGADO Nome: NICOLAU MURAD PRADO OAB: 14774/PA
Participação: AGRAVADO Nome: FRANK SILVIO SILVA VIANA Participação: AUTORIDADE Nome:
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2º TURMA DE DIREITO PRIVADO
AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0800194-10.2017.8.14.0000
COMARCA DE ORIGEM: PARAUAPEBAS
AGRAVANTE: FRANCISCA DE ALMEIDA DOS SANTOS
ADVOGADO: NICOLAU MURAD PRADO – OAB/PA 14.774-B
AGRAVADO: FRANK SILVIO SILVA VIANA
ADVOGADO: NÃO HÁ NOS AUTOS
RELATORA: DESA. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE DIVÓRCIO COM


RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL ANTES DO CASAMENTO, PARTILHA DE BENS,
ALIMENTOS E DANO MORAL. PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS. EX-CÔNJUGE. QUADRO DEPRESSIVO.
LAUDO MÉDICO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE INCAPACIDADE LABORATIVA. NECESSIDADE
DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO À UNANIMIDADE
1. É cediço que o encargo alimentar entre cônjuges/companheiros é excepcional, pois se presume que
cada um é capaz de arcar com seu próprio sustento, sendo cabível os alimentos para aquele que não
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

pode, por seu trabalho, se sustentar com o próprio esforço, observando-se, sempre, o binômio
necessidade/possibilidade.
2. Inobstante as alegações recursais, admita-se inexistir nos autos comprovação de que a recorrente,
embora portadora de quadro depressivo, esteja sem condições de trabalhar e prover o seu sustento, eis
que não há nenhuma prova indicando eventual incapacidade laborativa, muito menos que fosse
dependente economicamente do recorrido.
3. Necessidade de dilação probatória.
4. Recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e desprover o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora Relatora
Edinéa Oliveira Tavares.

Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0000974-62.2017.8.14.0006 Participação: APELANTE Nome: BANCO J. SAFRA


S.A Participação: ADVOGADO Nome: JOSE LIDIO ALVES DOS SANTOS OAB: 156187/SP Participação:
ADVOGADO Nome: ROBERTA BEATRIZ DO NASCIMENTO OAB: 24871/PA Participação: APELADO
Nome: ANDERSON LUIZ SIQUEIRA MARQUES

APELAÇÃO CÍVEL. ação de BUSCA E APREENSÃO. GARANTIA EM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA.


DETERMINADA EMENDA À INICIAL PARA JUNTADA DE ORIGINAL DO CONTRATO. NÃO
ATENDIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. MANUTENÇÃO DA
SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO À UNANIMIDADE.

1. Tratando-se a cédula de crédito bancário título executivo extrajudicial, deve a Ação de Busca e
Apreensão, fundamentada nessa cártula, vir acompanhado do original. Precedente do STJ e da 2ª Turma
de Direito Privado deste E. TJPA.

2. Determinada a apresentação e não atendido pela instituição financeira, escorreito o


indeferimento da inicial.

3. Recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

Número do processo: 0001656-80.2011.8.14.0065 Participação: APELANTE Nome: JANAILSON DA


SILVA SANTOS Participação: ADVOGADO Nome: MARCELO GLEIK CAETANO CAVALCANTE OAB:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

520 Participação: APELADO Nome: ITAU SEGUROS S/A Participação: ADVOGADO Nome: PATRICIA
DE OLIVEIRA DIAS OAB: 14610/PA Participação: ADVOGADO Nome: LUANA SILVA SANTOS OAB:
16292/PA Participação: ADVOGADO Nome: MARILIA DIAS ANDRADE OAB: 14351/PA

APELAÇÃO. COBRANÇA. SEGURO DPVAT. TRATOR. TROCA DE PNEU. ACIDENTE DE TRABALHO.


INDENIZAÇÃO DEVIDA. ACIDENTE CAUSADO POR VEÍCULO AUTOMOTOR. INVALIDEZ
PERMANENTE PARCIAL INCOMPLETA. 50%. DIMINUIÇÃO PROPORCIONAL DA INDENIZAÇÃO.
ARTIGO 3º, §1º, II DA LEI N.º 6194/74. SÚMULA 474 E TEMA 542 EM RECURSO REPETITIVO DO STJ.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO À UNANIMIDADE.

1. “A caracterização do infortúnio como acidente de trabalho não impede, necessariamente, que esse
também seja considerado como um acidente causado por veículo automotor e, portanto, coberto pelo,
DPVAT”. Precedente do STJ.

2. O fato preponderante para fazer jus ao recebimento do seguro são “os danos pessoais causados por
veículos automotores de vias terrestres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou
não”, conforme alínea “l”, do artigo 20, do Decreto-Lei n.º 73/66, incluída pela Lei n.º 6.194/74. Ou seja, é
necessário que o veículo tenha participação ativa nos danos suportados pela vítima.

3. A perícia médica realizada na vítima concluiu que as lesões sofridas impingiram ao requerente invalidez
permanente parcial incompleta, cuja repercussão dos danos foram na razão de 50% (ID 2296945, fls.
224/225 dos autos físicos), justificando a redução proporcional da indenização do DPVAT, na forma do
artigo 3º, §1º, II da Lei n.º 6194/74.

4. Súmula 474/STJ - A indenização do seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário, será
paga de forma proporcional ao grau da invalidez.

5. Recurso de Apelação conhecido e provido à unanimidade para condenar a ré ao pagamento do seguro.

Número do processo: 0802698-18.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: CONSEG


ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA Participação: ADVOGADO Nome: VANESSA SMAIL DE
MORAES OAB: 63694/PR Participação: ADVOGADO Nome: NATHALIA KOWALSKI FONTANA OAB:
44056/PR Participação: AGRAVADO Nome: P. J. COMERCIO DE DESCARTAVEIS LTDA - ME

EMENTA

AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E


APREENSÃO. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO, TENDO EM VISTA QUE HAVENDO ACOLHIMENTO
AO PEDIDO DE APLICAÇÃO DE MULTA PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO, DE RESTITUIR O
BEM, IRÁ LHE CAUSAR PREJUÍZOS CONSIDERÁVEIS. O EFEITO SUSPENSIVO FOI CONCEDIDO
TENDO EM VISTA QUE O RECORRENTE ENVIOU A NOTIFICAÇÃO DA MORA, PARA ENDEREÇO
DIVERSO, DO QUE FOI FORNECIDO PARA A AGRAVADA. O DECRETO-LEI Nº 911/69 PRESCREVE,
EXPRESSAMENTE, EM SEUS ARTS. 2º E 3º, QUE, VERIFICADA A INADIMPLÊNCIA, QUALQUER
AÇÃO DO CREDOR SERÁ PRECEDIDA DE NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR PARA CONSTITUÍ-LO EM
MORA. O LEGISLADOR ESTABELECEU QUE A MORA DEVE SER COMPROVADA POR MEIO DE
NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR REALIZADA COM AVISO DE RECEBIMENTO ENDEREÇADA PARA O
LOGRADOURO CONSTANTE NO CONTRATO, PRESCINDINDO QUE O RECEBIMENTO SEJA
PESSOAL, ENFIM, TERCEIRO PODE RECEBER A MISSIVA E SE ESTARÁ ATENDIDO O REQUISITO.
ORA, O ENDEREÇO CONSTANTE NO AVISO DE RECEBIMENTO (AR), É DIVERSO DO ENDEREÇO
DA AGRAVADA E A SEGUNDA AR NÃO FOI RECEBIDA POR NINGUÉM, CONCLUINDO-SE,
PORTANTO, QUE A DEVEDORA NÃO FOI DEVIDAMENTE NOTIFICADA. LOGO, NÃO SENDO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

CUMPRIDO O DISPOSTO NO PARÁGRAFO 2º, DO ART. 2º, DO DECRETO-LEI Nº 911/69, NÃO É


POSSÍVEL BUSCA E APREENSÃO DO BEM ALIENADO FIDUCIARIAMENTE. RECURSO CONHECIDO
E DESPROVIDO.

Número do processo: 0032300-38.2011.8.14.0301 Participação: REPRESENTANTE Nome: A. S. A.


Participação: ADVOGADO Nome: ANDRE LUIZ EIRO DO NASCIMENTO OAB: 8429 Participação:
ADVOGADO Nome: HIAN CARVALHO OLIVEIRA OAB: 929 Participação: AUTORIDADE Nome: A. B. S.
A. Participação: ADVOGADO Nome: JEDYANE COSTA DE SOUZA OAB: 657 Participação:
AUTORIDADE Nome: M. S. D. J. S. Participação: ADVOGADO Nome: JEDYANE COSTA DE SOUZA
OAB: 657 Participação: AUTORIDADE Nome: M. P. D. E. D. P.

ACÓRDÃO Nº ___________DJE:____/_____/_______
PODER JUDICIÁRIO
2ª TURMA DE DIREITO PRIVADO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0032300-38.2011.8.14.0301
COMARCA DE ORIGEM: BELÉM
APELANTE: A. S. A.
ADVOGADO: ANDRÉ EIRÓ OAB/PA 8.429
APELADA: M. S. de J. S.
ADVOGADO: JEDYANE COSTA DE SOUZA – OAB Nº 13.657/PA
APELADA: A. B. S. A
ADVOGADO: JEDYANE COSTA DE SOUZA – OAB Nº 13.657/PA
RELATORA: DESEMBARGADORA EDINÉA OLIVEIRA TAVARES

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. DIVÓRCIO LITIGIOSO C/C GUARDA, ALIMENTOS E PARTILHA DE


BENS. AGRAVOS RETIDOS. DESPROVIDOS. IMÓVEIS ADQUIRIDOS NA CONSTÂNCIA DO
CASAMENTO. PARTILHA DO PATRIMONIO MANTIDA. ALIMENTOS FIXADOS EM FAVOR DO FILHO
DO CASAL. DEVER PATERNO. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS.
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. DEVER DE PROBIDADE PROCESSUAL. MANTIDOS RECURSO CONHECIDO
E DESPROVIDO À UNANIMIDADE.
1.Em atenção ao princípio do tempus regit actum, a análise do recurso e agravos retidos, deve se dar com
base do Código Processualista de 1973, haja vista que a decisão guerreada foi publicada na vigência do
referido códex. 1a) Sobre a hipossuficiência não comprovada e 1b)Oitiva de testemunha afastada por
contradita, a jurisprudência tem firmado entendimento que a prova documental, quanto ao patrimônio do
casal, supera esse ato. Estou por desprover os agravos retidos.
2.Os bens adquiridos na constância do matrimonio são suscetíveis de partilha, a teor do que dispõem os
artigos 1.725, 1.658 e 1.575 do Código Civil de 2002. Sentença recorrida mantida.
3.Alimentos ao filho menor do casal fixado na sentença, ônus que lhe competia a teor do que dispõe o art.
331, I, do CPC-73 (atual art. 373, I, CPC-2015). Mantido.
4.Litigância de má-fé mantida pela demonstração de violação ao dever de probidade processual.
5.Em consonância com o parecer ministerial recurso conhecido e desprovido à unanimidade.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos,

Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores membros componentes da Colenda 2ª Turma


de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, por unanimidade de votos, em
conhecer e desprover o Recurso, nos termos do voto relatado pela Exma. Desembargadora Relatora
Edinéa Oliveira Tavares.
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Sessão Ordinária – Plenário Virtual - Plataforma PJe e Sistema Libra com início às 14:00 h., do dia 09 de
junho de 2020, presidida pelo Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes, em presença do Exmo. Representante
da Douta Procuradoria de Justiça.

Turma Julgadora: Desa. Edinéa Oliveira Tavares (relatora), Exmo. Des. Ricardo Ferreira Nunes
(Presidente), Des. José Maria Teixeira do Rosário e Desa. Gleide Pereira de Moura.

Desa. EDINÉA OLIVEIRA TAVARES


Desembargadora relatora

Número do processo: 0000033-66.2009.8.14.0112 Participação: APELANTE Nome: MUNICIPIO DE


JACAREACANGA Participação: APELADO Nome: BERNARDO AKAI MUNDURUKU Participação:
ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO
DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: ENIVALDO WARU
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome:
WALTER SAW MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB:
625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação:
APELADO Nome: LUCIDEA PUXU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA
OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783
Participação: APELADO Nome: ANGELICA BURUM MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome:
CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE
AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: ISIDORO KRIXI Participação:
ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO
DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: MAURICIO TAWE
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome:
VALDELINO POXO MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA
OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783
Participação: APELADO Nome: URSULA DATIE MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome:
CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE
AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: LUIS ALBERTO KIRIXI MUNDURUKU
Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO
Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: ELIAS DACE
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome:
GENILDO KABA MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB:
625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação:
APELADO Nome: RAINERIO PAIGO MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE
FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO
PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: JOSE ALMIR TAWE MUNDURUKU Participação:
ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO
DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: GILMAR MAHU
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome:
AMANCIO KARU MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB:
625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação:
APELADO Nome: MARTINHO SAW MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE
FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO
PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: MARIA CONCEICAO SAW MUNDURUKU
Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO
Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: IRAMA KABA
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
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ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome:
DORIVALDO MANHUARI MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA
PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB:
783 Participação: APELADO Nome: AGENOR WARO MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome:
CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE
AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: DELIVANO KIRIXI MUNDURUKU
Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO
Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: ALOISIO
PUXU MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625
Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação:
APELADO Nome: MARIA ROSIMEIRE AKAY MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE
FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO
PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: CECILIO KIRIXI MUNDURUKU Participação:
ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação: ADVOGADO Nome: JOAO
DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: APELADO Nome: ROSIVALDO TAWE
MUNDURUKU Participação: ADVOGADO Nome: CLEUDE FERREIRA PAXIUBA OAB: 625 Participação:
ADVOGADO Nome: JOAO DUDIMAR DE AZEVEDO PAXIUBA OAB: 783 Participação: AUTORIDADE
Nome: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

0000033-66.2009.8.14.0112

No uso de suas atribuições legais, a UPJ das Turmas de Direito Público e Privado intima a parte
interessada de que foi opostos Recurso de Embargos de Declaração, estando facultada a apresentação
de contrarrazões, nos termos do artigo 1.023, §2º, do CPC/2015.

Belém, 19 de junho de 2020.

Número do processo: 0806795-61.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: UNIMED DE


BELEM COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Participação: ADVOGADO Nome: DIOGO DE
AZEVEDO TRINDADE OAB: 11270/PA Participação: AGRAVADO Nome: MANOEL CAMPOS DE
VASCONCELOS NETO Participação: ADVOGADO Nome: ANA CAROLINA DA ROCHA MOREIRA OAB:
25723/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

A Unidade de Processamento Judicial das Turmas de Direito Público e Privado do Tribunal de Justiça do
Estado do Pará intima a parte interessada para que, querendo, apresente contrarrazões aos Embargos de
Declaração opostos nos autos, a teor do que estabelece o § 2º do art. 1.023 do Código de Processo Civil
de 2015.

19 de junho de 2020
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Número do processo: 0803816-63.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MARIA SOLANGE


MARQUES JUSSARA Participação: ADVOGADO Nome: ABRAHAM ASSAYAG OAB: 3 Participação:
ADVOGADO Nome: DANIEL ASSAYAG OAB: 2510 Participação: ADVOGADO Nome: MARCOS JAYME
ASSAYAG OAB: 12172/PA Participação: AGRAVANTE Nome: JOAO PAULO HOLANDA MARQUES
JUSSARA Participação: ADVOGADO Nome: ABRAHAM ASSAYAG OAB: 3 Participação: ADVOGADO
Nome: DANIEL ASSAYAG OAB: 2510 Participação: ADVOGADO Nome: MARCOS JAYME ASSAYAG
OAB: 12172/PA Participação: AGRAVADO Nome: GABRIEL PINHEIRO JUSSARA Participação:
ADVOGADO Nome: ENOY CARNAVAL FONSECA OAB: 14680/PA Participação: ADVOGADO Nome:
AMANDA CARNEIRO FONSECA OAB: 224/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

No uso de suas atribuições legais, a UPJ das Turmas de Direito Público e Privado intima o interessado,
querendo, oferecer contrarrazões ao Recurso Especial, interposto nos presentes autos no prazo de 15
(quinze) dias, a teor do que estabelece o art. 1.030, do Código de Processo Civil.

19 de junho de 2020

Número do processo: 0801634-07.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MUNICIPIO DE


BELEM Participação: AGRAVADO Nome: LEVINDO SILDO Participação: AUTORIDADE Nome:
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

A Unidade de Processamento Judicial das Turmas de Direito Público e Privado do Tribunal de Justiça,
intima a parte de que foi interposto Recurso Especial, estando facultada a apresentação de contrarrazões,
nos termos do artigo 1.030 do CPC/2015.

Belém, 19 de junho de 2020.

Número do processo: 0000013-98.2015.8.14.0004 Participação: APELANTE Nome: MUNICIPIO DE


ALMEIRIM - PREFEITURA MUNICIPAL Participação: APELADO Nome: SIMAO FERREIRA DA SILVA
Participação: ADVOGADO Nome: LUIZ SIMONSEN SOARES DA SILVA OAB: 1392/AP Participação:
APELADO Nome: DANIELLE DINIZ NETO MOREIRA Participação: ADVOGADO Nome: LUIZ SIMONSEN
SOARES DA SILVA OAB: 1392/AP Participação: APELADO Nome: LESLANE PRISCYLA DA CRUZ
MEDEIROS Participação: ADVOGADO Nome: LUIZ SIMONSEN SOARES DA SILVA OAB: 1392/AP
Participação: APELADO Nome: JOAQUIM MARCELINO GONCALVES DE SOUZA NETO Participação:
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

ADVOGADO Nome: LUIZ SIMONSEN SOARES DA SILVA OAB: 1392/AP Participação: APELADO Nome:
ELIZANGELA DE OLIVEIRA RODRIGUES SADALA Participação: ADVOGADO Nome: LUIZ SIMONSEN
SOARES DA SILVA OAB: 1392/AP Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTERIO PUBLICO DO
ESTADO DO PARA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

0000013-98.2015.8.14.0004

No uso de suas atribuições legais, a UPJ das Turmas de Direito Público e Privado intima a parte
interessada de que foi opostos Recurso de Embargos de Declaração, estando facultada a apresentação
de contrarrazões, nos termos do artigo 1.023, §2º, do CPC/2015.

Belém, 19 de junho de 2020.

Número do processo: 0806509-83.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ALCOA WORLD


ALUMINA BRASIL LTDA Participação: ADVOGADO Nome: MARCELO COUTINHO DA SILVEIRA OAB:
13282/PA Participação: AGRAVADO Nome: INVASORES DO IMÓVEL SITUADO NAS PROXIMIDADES
DO LAGO JARÁ, ATRÁS DA UFOPA, MUNICÍPIO DO JURUTI/PA Participação: ADVOGADO Nome:
DILTON REGO TAPAJOS OAB: 8628/PA Participação: PROCURADOR Nome: DILTON REGO TAPAJOS
OAB: 8628/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
UNIDADE DE PROCESSAMENTO JUDICIAL DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

0806509-83.2019.8.14.0000

Por meio deste, notifica-se a parte interessada acerca da interposição de recurso de Agravo Interno no
presente processo, para fins de apresentação de contrarrazões, em querendo, em respeito ao disposto no
§2º do artigo 1021 do novo Código de Processo Civil.

19 de junho de 2020

Número do processo: 0805601-60.2018.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: BANPARÁ


Participação: AGRAVADO Nome: DEOLINDO PINTO ALVES JUNIOR Participação: PROCURADOR
Nome: ALCINDO VOGADO NETO OAB: 6266/PA

Considerando a existência de dúvida não manifestada sob a forma de conflito suscitada nos autos nº
0005882-20.2016.814.0000, em que há questionamento quanto a competência para julgamento de
demandas envolvendo empréstimo consignado feito por servidor público, determino a remessa do feito à
Secretaria para os devidos fins.

Belém, 27 de fevereiro de 2019.

DESEMBARGADORA CÉLIA REGINA DE LIMA PINHEIRO


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Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará

Número do processo: 0804419-68.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: ELIDE MORAIS DA


SILVA Participação: ADVOGADO Nome: JOAO PAULO DA SILVEIRA MARQUES OAB: 16008/PA
Participação: AGRAVADO Nome: BRADESCO VIDA E PREVIDENCIA S.A. 1ª TURMA DE DIREITO
PRIVADO. AGRAVO DE INSTRUMENTO – Nº. 0804419-68.2020.8.14.0000.

COMARCA: PARAUAPEBAS/PA.

AGRAVANTE: ELIDE MORAIS DA SILVA.

ADVOGADOS: JOÃO PAULO DA SILVEIRA MARQUES – OAB/PA N. 16.008.

AGRAVADO: BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.

ADVOGADO: NÃO CONSTITUÍDO.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE COBRANÇA. SIMPLES AFIRMAÇÃO DE POBREZA


NA PETIÇÃO INICIAL. COMPROVAÇÃO DA INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. ART. 99, §3º, DO
CPC/2015. REQUISITOS PREENCHIDOS. PRECEDENTES. ART. 133, XII, ALÍNEA “d”, DO
REGIMENTO INTERNO DO TJPA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO com pedido de antecipação de tutela interposto perante este
Egrégio Tribunal de Justiça por ELIDE MORAIS DA SILVA nos autos da AÇÃO DE COBRANÇA que
move em desfavor de BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S.A. diante de seu inconformismo com a
decisão interlocutória prolatada pelo juízo de direito da 1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de
Parauapebas que indeferiu o pedido de justiça gratuita.

Em suas razões, a agravante sustenta que juntou aos autos seus últimos dois contracheques,
comprovando auferir em média mensal o importe de R$ 5.613,29 (cinco mil, seiscentos e treze reais e
vinte e nove centavos), e por tais fatos, o pedido veio a ser indeferido.

Entretanto, sustenta que junto com os autos, acostou também certidão de nascimento de seu filho, que
consta atualmente com 05 (cinco) anos de idade.

Sem contrarrazões, ante a ausência de citação do Recorrido no juízo a quo (STJ - REsp 898207/RS).

É o relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade recursal, conheço do recurso.

Em primeiro lugar, destaco que o CPC/2015 estabelece normas para concessão de assistência judiciária
aos necessitados, mais precisamente em seu art. 98, o qual preconiza: “A pessoa natural ou jurídica,
brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e
os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.”, conceito este
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complementado pelos §§ 3º e 4º do art. 99, senão vejamos: “§3º Presume-se verdadeira a alegação de
insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. §4º A assistência do requerente por advogado
particular não impede a concessão de gratuidade da justiça.”.

Analisando a decisão do Juízo Monocrático, verifico que o mesmo indeferiu o pedido de justiça gratuita,
conforme os documentos acostados aos autos.

Contudo, diferentemente do alegado pelo magistrado de piso, entendo que a Agravante comprovara sim o
estado de miserabilidade jurídica por meio dos documentos de fls. 21 (Declaração de insuficiência de
recursos) e fls. 63/64 (Comprovante de pagamento), que demonstra que a agravante recebe um total
líquido por mês de R$ 5.613,29 (cinco mil, seiscentos e treze reais e vinte e nove centavos). Portanto,
considerando também o fato de que a recorrente possui um filho de 05 (cinco) anos, além dos gastos
presumíveis que a mesma tem (moradia, alimentação, colégio etc.) não é o fato da recorrente receber a
quantia supramencionada, que se poderá retirar a presunção legal de hipossuficiência.

Ademais, conforme já mencionado em alhures, às fls. 21 constam as declarações de hipossuficiência,


documento este que possui presunção de veracidade, nos termos do art. 99, §3º, do CPC/2015.

Outrossim, conforme a súmula nº 06 deste Egrégio Tribunal de Justiça: “Para a concessão dos Benefícios
da Justiça Gratuita basta uma simples afirmação da parte declarando não poder arcar com as custas
processuais, tendo em vista que a penalidade para a assertiva falsa está prevista na própria legislação que
trata da matéria”.

Sobre o assunto, assim dispõe a jurisprudência do Tribunal da Cidadania:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. JUSTIÇA GRATUITA.


DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA. INDEFERIMENTO SUMÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.

1. Embora cediço que a declaração firmada pelo requerente do benefício da justiça gratuita gera simples
presunção relativa de hipossuficiência, não pode o juiz indeferir sumariamente o pedido, sem
fundamentar sua decisão nos elementos fáticos dos autos ou, ausentes esses, sem oportunizar à
parte a comprovação do alegado estado de miserabilidade. Precedentes.

(STJ - AgInt no REsp 1623938 / RO, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, publicado no DJe
16/05/2017)

RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO PRÉVIO DO


PREPARO OU DE RENOVAÇÃO DO PEDIDO PARA MANEJO DE RECURSO EM QUE SE DISCUTE O
DIREITO AO BENEFÍCIO. DESNECESSIDADE. AFERIR CONCRETAMENTE, SE O REQUERENTE FAZ
JUS À GRATUIDADE DE JUSTIÇA. DEVER DA MAGISTRATURA NACIONAL. INDÍCIO DE
CAPACIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO REQUERENTE. INDEFERIMENTO, DE OFÍCIO, COM
PRÉVIA OPORTUNIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO À BENESSE. POSSIBILIDADE.
REEXAME DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO. ÓBICE IMPOSTO PELA SÚMULA 7/STJ.

2. Consoante a firme jurisprudência do STJ, a afirmação de pobreza, para fins de obtenção da


gratuidade de justiça, goza de presunção relativa de veracidade. Por isso, por ocasião da análise
do pedido, o magistrado deverá investigar a real condição econômico-financeira do requerente,
devendo, em caso de indício de haver suficiência de recursos para fazer frente às despesas,
determinar seja demonstrada a hipossuficiência.

(STJ - REsp 1584130 / RS, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, publicado no DJe em
07/06/2016)

ASSIM, ante todo o exposto, com fulcro no art. 133, XII, alínea “d”, do Regimento Interno deste TJPA,
CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao recurso de agravo de instrumento, para deferir ao Recorrente os
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benefícios da justiça gratuita, na forma do art. 98 e seguintes do CPC/2015, devendo a ação ter o
regular prosseguimento no juízo de 1º grau.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquive-se.

Belém/PA, 15 de junho de 2020. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0806527-07.2019.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MUNICIPIO DE


BARCARENA Participação: AGRAVADO Nome: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA
Participação: AUTORIDADE Nome: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA

PROCESSO ELETRÔNICO Nº 0806527-07.2019.8.14.0000

RECURSO ESPECIAL

RECORRENTE: MUNICÍPIO DE BARCARENA

RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ

DECISÃO

Trata-se de recurso especial (Id 2889458) interposto pelo Município de Barcarena, com fundamento na
alínea “a” do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de
Justiça do Estado do Pará, cuja ementa tem o seguinte teor:

“AGRAVO INTERNO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA, COM A PRESENÇA DE PROFISSIONAIS
INTERPRETES DE LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) NAS SALAS DE AULAS DAS ESCOLAS
MUNICIPAIS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

1. Assim, ao contrário do alegado pelo agravante, não cabe ao Poder Judiciário demonstrar qual
procedimento deveria ser adotado para que a Administração Púbica procedesse as contratações dos
profissionais de capacitados em Libras, sob pena de violação ao Princípio da Separação dos Poderes.

2. De igual modo, o que compete ao Poder Judiciário é intervir em situações de descumprimento de


normas jurídicas – mormente as constitucionais – por parte do Poder Público, de modo a concretizar os
princípios da supremacia e da máxima efetividade da Constituição.

2. Recurso conhecido e desprovido”

Sustentou a parte recorrente, em síntese, violação ao disposto nos artigos 27 e 28, X, XII e XII, da Lei nº.
13.146/2015, haja vista que o Município de Barcarena disponibiliza práticas pedagógicas inclusivas em
programas de formação inicial e continuada de professores, além de formação continuada para o
atendimento educacional especializado (AEE) em libras, atendendo expressamente o princípio da
legalidade.

Apresentaram-se contrarrazões (Id 2939542).

Éo relatório. Decido.
219
TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

O recurso interposto esbarra na súmula 735 do Supremo Tribunal Federal (“Não cabe recurso
extraordinário contra acórdão que defere medida liminar”, dado que não decisão provisória, em regra, não
abre espaço para a via eleita (v.g., STJ 1ª Turma, AgInt no AREsp 1090207/SP, DJe 16/04/2019).

Sendo assim, não admito o recurso especial.

Publique-se. Intimem-se e Cumpra-se.

Belém/PA, 03 de junho de 2020.

Desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro

Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará

Número do processo: 0802232-92.2017.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MAGDA REGINA


FRITCHE Participação: ADVOGADO Nome: NICOLAU MURAD PRADO OAB: 14774/PA Participação:
REPRESENTANTE Nome: GUSTAVO HENRIQUE FRITCHE FRANZINA OAB: null Participação:
ADVOGADO Nome: TATHIANA ASSUNCAO PRADO OAB: 14531/PA Participação: AGRAVADO Nome:
L.M.S.E. EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Participação: ADVOGADO Nome: ROSEVAL
RODRIGUES DA CUNHA FILHO OAB: 10652/PA

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE DEFERIMENTO DE JUSTIÇA GRATUITA E


DESARQUIVAMENTO DOS AUTOS. INDEFERIMENTO PELO JUÍZO DE ORIGEM.

1) Pedido de assistência judiciária não apreciado pelo juízo de origem. A omissão do Judiciário referente a
pedido de assistência judiciária gratuita deve atuar em favor da parte que requereu o benefício,
presumindo-se o seu deferimento.

2) uma vez deferido o benefício da justiça gratuita a agravante fica isenta do pagamento das taxas e
custas judiciais, inclusive da taxa referente ao pedido de desarquivamento de autos, mesmo que
eletrônicos, nos termos do artigo 98, § 1°, I do CPC c/c artigo 3°, § 5°, da Lei 8.328/2015.

3) Recurso conhecido e provido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores


Componentes da 1ª Turma de Direito Privado deste Egrégio Tribunal de Justiça do Pará, na 14ª Sessão de
Julgamento do Plenário Virtual, realizada entre os dias 08/06/2020 e 15/06/2020, à unanimidade, em
CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do voto do Relator.

Julgamento presidido pelo Exm Sr Des CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

Belém (PA), data registrada no sistema.

JOSÉ ROBERTO PINHEIRO MAIA BEZERRA JÚNIOR

Desembargador Relator
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0033080-41.2012.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: IVO TAVARES DA


COSTA Participação: ADVOGADO Nome: BRENDA FERNANDES BARRA OAB: 13443/PA Participação:
APELADO Nome: BANCO HONDA S/A. Participação: ADVOGADO Nome: JULIANO JOSE HIPOLITI
OAB: 11513/MS 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO. APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0033080-41.2012.814.0301.

COMARCA: BELÉM / PA.

APELANTE: IVO TAVARES DA COSTA.

ADVOGADO: BRENDA FERNANDES BARRA - OAB/PA nº 13.443.

APELADO: BANCO HONDA S/A.

ADVOGADO: JULIANO JOSÉ HIPOLITI - OAB/MS nº 11.513.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS


JUROS. TAXA DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO DUODÉCUPLO DA MENSAL. POSSIBILIDADE DE
SUA COBRANÇA NO CASO CONCRETO. PRECEDENTES DO STJ. JUROS REMUNERATÓRIOS.
TAXA MENSAL QUE FOI 15,78% SUPERIOR A TAXA MÉDIA DIVULGADA PELO BACEN. SITUAÇÃO
QUE NÃO HABILITA, POR SI SÓ, A ALTERAÇÃO DA TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS.
AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE E ONEROSIDADE EXCESSIVA. PRECEDENTE DO STJ. COMISSÃO
DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM DEMAIS ENCARGOS PREVISTOS
PARA O PERÍODO DE ANORMALIDADE (INADIMPLEMENTO). PRECEDENTE DO STJ.
MANUTENÇÃO DO ESTADO DE MORA DO CONSUMIDOR. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA DO RÉU.
REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça por IVO TAVARES
DA COSTA, nos autos da Ação Revisional movida em desfavor do BANCO HONDA S/A, diante de seu
inconformismo com a sentença proferida pelo juízo da 3ª Vara Cível de Belém, que julgou improcedente
todos os pedidos elencados na exordial.

Razões às fls. ID 1095482 c/c ID 1095484 - pág. 01/02, onde o Recorrente sustenta, em síntese, a
impossibilidade de capitalização dos juros, a cobrança de juros remuneratórios abusivos, a impossibilidade
de cobrança da comissão de permanência cumulada com os demais encargos previstos para o período de
inadimplemento contratual, o afastamento do estado de mora e, ao final, a repetição do indébito.

Contrarrazões apresentada às fls. ID 1095485 - Pág. 01/21, tendo o Recorrido pleiteado, em suma, pelo
desprovimento do recurso.

É o sucinto relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.

1. Da capitalização mensal dos juros.

Sobre o tema, destaco que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado quanto a
aplicabilidade da medida provisória nº 2.170-36/2001 aos contratos firmados com as instituições
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financeiras, conforme preconiza a sua súmula nº 539: “É permitida a capitalização de juros com
periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro
Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que
expressamente pactuada.”

No caso em particular, verifico a existência de previsão expressa acerca da possibilidade da


capitalização dos juros, bem como de que o contrato de financiamento foi celebrado no mês de
novembro/2009, ou seja, em data posterior a edição da Medida Provisória nº 1.963-17/2000.

Por conseguinte, destaco recente precedente do Superior Tribunal de Justiça acerca do anatocismo (AgRg
no AREsp 429029 / PR, Relator Ministro MARCO BUZZI, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/03/2016,
publicado no DJe em 18/04/2016), sedimentando o entendimento no âmbito da Segunda Seção do
Tribunal da Cidadania – que trata especificamente sobre matéria de direito privado -, onde o Digníssimo
Relator consignou o seguinte: “A existência de uma norma permissiva, portanto, é requisito
necessário e imprescindível para a cobrança do encargo, porém não suficiente/bastante, haja vista
estar sempre atrelado ao expresso ajuste entre as partes contratantes, principalmente em virtude
dos princípios da liberdade de contratar, da boa-fé e da adequada informação”

Complementando, assim destacou o Min. Marco Buzzi:

“Não é demais anotar, também, que o conceito que se tem sobre o que seja considerado ‘expressa
pactuação’ foi novamente redimensionado. No bojo do REsp n. 973.827/RS, representativo da
controvérsia, Relatora para o acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 8/8/2012,
DJe 24/9/2012, afirmou-se que ‘a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao
duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada’...

Pois bem, após o panorama traçado, é inegável que a capitalização, seja em periodicidade anual ou
ainda com incidência inferior à ânua - cuja necessidade de pactuação, aliás, é firme na jurisprudência
desta Casa -, não pode ser cobrada sem que tenham as partes contratantes, de forma prévia e
tomando por base os princípios basilares dos contratos em geral, assim acordado, pois a ninguém
será dado negar o caráter essencial da vontade como elemento do negócio jurídico, ainda que nos
contratos de adesão, uma vez que a ciência prévia dos encargos estipulados decorre da aplicação dos
princípios afetos ao dirigismo contratual.

De fato, sendo pacífico o entendimento de que a capitalização inferior à anual depende de


pactuação, outra não pode ser a conclusão em relação àquela em periodicidade ânua, sob pena de
ser a única modalidade (periodicidade) do encargo a incidir de maneira automática no sistema financeiro,
embora inexistente qualquer determinação legal nesse sentido, pois o artigo 591 do Código Civil apenas
permite a capitalização anual e não determina a sua incidência automaticamente”

Com efeito, verifico que ao tempo da perfectibilização do ajuste contratual entre os litigantes, já vigoravam
as disposições da MP nº 2.170-36, bem como de que as provas dos autos permitem inferir que o pacto
fez previsão expressa acerca da capitalização dos juros, pois às fls. ID 1095476 - Pág. 9, é possível
observar a previsão de taxa efetiva anual de juros (29,84%) superior ao duodécuplo da mensal (2,20%).
Logo, deve permanecer inalterado o entendimento sufragado pelo juiz de base, no tocante a possibilidade
de capitalização dos juros.

Nesse diapasão, assim vem se manifestando a mais recente jurisprudência do C. STJ:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIMITAÇÃO DOS JUROS. REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ.
CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. LEGALIDADE. PACTUAÇÃO EXPRESSA. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA. PREVISÃO CONTRATUAL. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO.
INADMISSIBILIDADE. JUROS DE MORA. 1% AO MÊS. DECISÃO MANTIDA.
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3. "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa
e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp n. 973827/RS, Relatora
para o acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 8/8/2012 DJe
24/9/2012). Precedente representativo da controvérsia (art. 543-C do CPC/1973).

(AgRg no AREsp 586987 / RS, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, publicado no DJe
30/05/2016)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL EXPRESSAMENTE PACTUADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA.
AGRAVO DESPROVIDO.

2. A eg. Segunda Seção do STJ, em sede de julgamento de recurso especial representativo da


controvérsia, firmou tese no sentido de que: (a) "É permitida a capitalização de juros com periodicidade
inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n.
1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada"; e (b) "A
capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e
clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é
suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" (REsp 973.827/RS, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO,
julgado em 08/08/2012, DJe de 24/09/2012).

(AgRg no AREsp 798151 / MS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em 27/05/2016)

2. Dos juros remuneratórios.

Sobre o tema, o Recorrente sustenta que a taxa mensal cobrada superou em muito a taxa média prevista
para contratações de mesma natureza (contrato de financiamento de veículo).

Nos termos do documento de fls. ID 1095476 - Pág. 9, verifica-se de forma incontroversa que a taxa
mensal de juros cobrada pelo Apelado correspondeu ao importe de 2,20% a.m. Isto posto, considerando
que o contrato foi firmado no mês de novembro/2009, bem como se tratou de financiamento de veículo,
verifico que consoante os dados divulgados pelo Banco Central do Brasil – BACEN
(https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consu ltarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores),
a taxa média mensal cobrada para operações desta natureza era de 1,90% a.m.

Dessarte, ainda que a taxa mensal de juros remuneratórios previstos no contrato tenha sido superior a
média aferida pelo BACEN, é fato que a superioridade da taxa contratual representou um percentual de
15,78%, razão por que a particularidade do caso não implica afirmar que houve abusividade ou
onerosidade excessiva do consumidor. Vale dizer, ainda, que o C. STJ possui entendimento tranquilo no
sentido de que a revisão da taxa contratual dos juros não pode ser feita a partir da simples aferição de
superioridade da taxa contratual comparada com a taxa média de mercado, pois, para tanto, faz-se
imprescindível a ocorrência de uma desvantagem exagerada, o que no caso, claramente, não
ocorreu. Neste sentido, confira-se:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO


BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. INAPLICÁVEL LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO. JUROS DE
MORA. PERCENTUAL CONTRATADO EM 1% AO MÊS. POSSIBILIDADE.
REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. AGRAVO DESPROVIDO.

1. A taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira acima da taxa média do
mercado não induz, por si só, à conclusão de tratar-se de cobrança abusiva. Precedentes. Assim,
ante a ausência de comprovação cabal da cobrança abusiva, deve ser mantida, in casu, a taxa de juros
remuneratórios acordada.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

(STJ - AgRg no AREsp 591826 / RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, publicado no DJe em
17/03/2016)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE


CLÁUSULAS DE CONTRATO BANCÁRIO. INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. JUROS
REMUNERATÓRIOS. CONFIGURAÇÃO DA MORA. JUROS MORATÓRIOS.
INSCRIÇÃO/MANUTENÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. DISPOSIÇÕES DE OFÍCIO.
DELIMITAÇÃO DO JULGAMENTO

I - JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE CARACTERIZAM A MULTIPLICIDADE.


ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação
dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) A
estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São
inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art.
406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações
excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de
colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente
demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto.

(STJ - REsp 1061530 / RS - S2 - SEGUNDA SEÇÃO -, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe
10/03/2009)

“A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma
vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes
Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de
20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da
média.”

(STJ - REsp 1061530 / RS - S2 - SEGUNDA SEÇÃO -, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe
10/03/2009)

Dessarte, deve permanecer inalterada a taxa de juros remuneratórios previstos no contrato entabulado
entre os litigantes.

3. Da cobrança de comissão de permanência.

Sobre a cobrança de comissão de permanência, consigno que o C. STJ vem entendendo por refutar a
possibilidade de sua cumulação com os demais encargos incidentes durante o período inadimplência.
Neste sentido, confira-se:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. REAJUSTE.


VARIAÇÃO CAMBIAL. RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA DA CAPTAÇÃO. COMPROVAÇÃO
ESPECÍFICA. DESNECESSIDADE. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE
CUMULAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.

4. É válida a cláusula contratual que prevê a cobrança da comissão de permanência, calculada pela taxa
média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, de acordo com a espécie da operação, tendo
como limite máximo o percentual contratado, sendo admitida apenas no período de inadimplência, desde
que pactuada e não cumulada com os encargos da normalidade (juros remuneratórios e correção
monetária) e/ou com os encargos moratórios (juros moratórios e multa contratual).

(REsp 1217057 / TO, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, publicado no DJe em
26/04/2016)
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. BANCÁRIO.


CAPITALIZAÇÃO MENSAL. PACTUADA. CONTRATO POSTERIOR À MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.170-
36/2001. POSSIBILIDADE DA COBRANÇA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. COBRANÇA CUMULADA.
ENCARGOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.

2. É possível a cobrança de comissão de permanência durante o período de inadimplemento contratual, à


taxa média dos juros de mercado, limitada ao percentual fixado no contrato (Súmula nº 294 do STJ),
desde que não cumulada com a correção monetária (Súmula nº 30 do STJ), com os juros
remuneratórios (Súmula nº 296 do STJ) e moratórios e multa contratual (REsp n. 1.058.114/RS, recurso
representativo de controvérsia, Relator p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda
Seção, julgado em 12/8/2009, DJe 16/11/2010).

(AgRg no AREsp 765304 / RS, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, publicado no DJe 15/02/2016)

Isso posto, assiste razão ao Recorrente quando afirma sobre impossibilidade da cumulação da comissão
de permanência com os demais encargos previstos para o período de anormalidade. Ademais, constato
que nos termos da cláusula nº 6 do contrato (fls. ID 1095476 - Pág. 12), de fato ocorreu a indevida
cobrança de comissão de permanência com os demais encargos previstos especificamente para o período
de anormalidade.

Dessarte, entendo que o Recorrente faz jus a devolução de valores, na forma simples, concernentes ao
quantum efetivamente pago a título de comissão de permanência.

4. Da mora.

Sem delongas, consigno que a mora do consumidor não deve ser descaracterizada, ante a constatação
de que a cobrança de encargos abusivos ocorreu durante o período de anormalidade do contrato
(inadimplência). Neste sentido:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO


BANCÁRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA
RECURSAL DO AUTOR.

2. A Segunda Seção desta Corte, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.061.530/RS, assentou que: (i)
"o reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros
remuneratórios e capitalização) descarateriza a mora" e (ii) "não descaracteriza a mora o ajuizamento
isolado de ação revisional, nem mesmo quando o reconhecimento de abusividade incidir sobre os
encargos inerentes ao período de inadimplência contratual".

(STJ - AgInt no AREsp 1497446 / RS, Relator Ministro MARCO BUZZI, publicado no DJe em
16/03/2020)

5.Da conclusão.

ASSIM, ante todo o exposto, CONHEÇO E DOU PARCIAL PROVIMENTO ao apelo interposto, somente
para:

a) consignar acerca da impossibilidade de cobrança cumulada, durante o período de


anormalidade, da comissão de permanência com os demais encargos previstos para o mesmo
período;

b) imputar ao Réu a obrigação de devolver, na forma simples, os valores concernentes ao


quantum efetivamente pago pelo Autor a título de comissão de permanência, devendo a apuração
dos valores ocorrer em sede de liquidação.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Por via de consequência, considerando a sucumbência mínima do Réu, condeno o autor ao


pagamento das custas e honorários advocatícios no importe de 10% sobre o valor atualizado da
causa, contudo, considerando que o Autor foi beneficiado com a justiça gratuita, as obrigações
decorrentes de sua sucumbência ficam sob condição suspensiva, nos exatos termos do art. 98,
§3º, do CPC/2015.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se.

Belém/PA, 19 de junho de 2020.

CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0000938-78.2008.8.14.0005 Participação: APELANTE Nome: BANCO DA


AMAZONIA S/A Participação: ADVOGADO Nome: ELIEL DA ROCHA SILVA OAB: 89000A Participação:
APELADO Nome: IGOR FARIA FONSECA Participação: ADVOGADO Nome: IGOR FARIA FONSECA
OAB: 226 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO. APELAÇÃO CÍVEL – Nº. 0000938-78.2008.8.14.0005.

COMARCA: ALTAMIRA/PA.

APELANTE: BANCO DA AMAZÔNIA S/A.

ADVOGADO: ELIEL DA ROCHA SILVA – OAB/PA N. 15.889.

APELADO: IGOR FARIA FONSECA.

ADVOGADO: IGOR FARIA FONSECA – OAB/PA N. 13.226-B.

RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

DECISÃO MONOCRÁTICA
Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXECUÇÃO DE HONORÁRIOS


ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. INTIMAÇÃO DO
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA OU NA EXECUÇÃO ESPECÍFICA DOS HONORÁRIOS.
PRECEDENTES DO C. STJ. ART. 133, XII, ALÍNEA “d”, DO REGIMENTO INTERNO DO TJPA.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta perante este Egrégio Tribunal de Justiça por BANCO DA
AMAZÔNIA S/A nos autos do CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
SUCUMBENCIAIS protocolada em desfavor de IGOR FARIA FONSECA diante de seu inconformismo
com a sentença prolatada pelo JUÍZO DA 3 VARA CÍVEL E EMPRESARIAL DE ALTAMIRA que acolheu
o pedido de impugnação ao cumprimento de sentença e determinou que os juros de mora dos honorários
advocatícios incidam a partir da citação, na fase de conhecimento.

Em suas razões, o recorrente requer que o cálculo dos juros de mora dos honorários advocatícios
sucumbenciais tenha por termo inicial a data do trânsito em julgado da decisão que acolheu os embargos
monitórios, ou a data da intimação do devedor, quanto ao início da fase de cumprimento de sentença.

Contrarrazões, às fls. 436/438, momento em que o recorrido sustenta que se os juros retroagem contra o
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

réu, desde a data da propositura da ação ou da citação válida, deve os honorários seguir a mesma
proximidade temporal.

Às fls. 459 determinei a intimação do apelante no sentido de se manifestar expressamente a respeito dos
requisitos de admissibilidade recursal, notadamente em razão do teor da decisão objeto da impugnação,
não havendo manifestação, conforme certidão de fls. 461.

É o relatório. Decido monocraticamente.

Preenchidos os requisitos de admissibilidade recursal, conheço do recurso, tendo em vista que o recurso é
tempestivo, estando devidamente contrarrazoado e com as custas recursais devidamente pagas, conforme
certidão de fls. 439.

E analisando detidamente os autos, contrapondo a sentença do juízo a quo, com as razões do apelo do
recorrente, ancorado em precedente do C. STJ, entendo que o recurso merece ser provido
monocraticamente.

Isto porque a sentença foi enfática ao afirmar que os juros de mora dos honorários advocatícios
devem incidir a partir da citação, na fase de conhecimento (fls. 404). E neste ponto está o equívoco
do juízo monocrático, devidamente apontado no apelo (fls. 419), quando aduz que o cálculo dos juros de
mora dos honorários advocatícios sucumbenciais é a data da intimação do devedor no início da fase de
cumprimento de sentença.

Sobre o tema, o C. STJ já se manifestou, apontando como termo inicial para a incidência dos juros de
mora dos honorários advocatícios sucumbenciais, a intimação no cumprimento da sentença ou na
execução específica dos honorários, não havendo corrosão de seu valor com o tempo, pois deve ser
calculado com base no débito originário corrigido e acrescido de juros, conforme o título que deu suporte à
execução inicial.

Neste sentido:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS DE


SUCUMBÊNCIA. PERCENTUAL SOBRE A EXECUÇÃO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL.
INTIMAÇÃO NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA OU NA EXECUÇÃO ESPECÍFICA DOS
HONORÁRIOS.

1. Os juros de mora sobre os honorários advocatícios só incidem com a intimação para pagamento
no cumprimento de sentença ou na execução específica dos honorários. Não há corrosão de seu
valor com o tempo, pois deve ser calculado com base no débito originário corrigido e acrescido de
juros, conforme o título que deu suporte à execução inicial.

2. Agravo interno a que se nega provimento.

(AgInt no AREsp 887.644/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em
10/11/2016, DJe 18/11/2016)

ASSIM, ante todo o exposto, com fulcro no art. 133, XII, alínea “d”, do Regimento Interno deste TJPA,
CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao recurso de apelação cível, no sentido de que os juros de mora dos
honorários advocatícios devem incidir a partir da intimação no cumprimento de sentença, ou na execução
específica dos honorários, conforme precedente do C. STJ.

P.R.I. Oficie-se no que couber.

Após o trânsito em julgado, retornem os autos ao juízo de piso.


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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Belém/PA, 19 de junho de 2020. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator

Número do processo: 0001562-23.2011.8.14.0301 Participação: APELANTE Nome: COMERCIAL DE


ALIMENTOS RIO GUAMA LTDA Participação: ADVOGADO Nome: JOSE AUGUSTO TORRES
POTIGUAR OAB: 1569/PA Participação: APELANTE Nome: UNIMED DE BELEM COOPERATIVA DE
TRABALHO MEDICO Participação: ADVOGADO Nome: DIOGO DE AZEVEDO TRINDADE OAB:
11270/PA Participação: APELADO Nome: UNIMED DE BELEM COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
Participação: ADVOGADO Nome: DIOGO DE AZEVEDO TRINDADE OAB: 11270/PA Participação:
APELADO Nome: COMERCIAL DE ALIMENTOS RIO GUAMA LTDA Participação: ADVOGADO Nome:
JOSE AUGUSTO TORRES POTIGUAR OAB: 1569/PA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ÚNICA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

ATO ORDINATÓRIO

Proc. nº 0001562-23.2011.8.14.0301

A Unidade de Processamento Judicial das Turmas de Direito Público e Privado do Tribunal de Justiça do
Estado do Pará intima a parte Comercial de Alimentos Rio Guamá Ltda para que, querendo, apresente
contrarrazões aos Embargos de Declaração opostos nos autos.

19 de junho de 2020

Número do processo: 0801707-08.2020.8.14.0000 Participação: AGRAVANTE Nome: MARKO


ENGENHARIA E COMERCIO IMOBILIARIO LTDA Participação: ADVOGADO Nome: THEO SALES
REDIG OAB: 14810/PA Participação: AGRAVANTE Nome: ADRIANA VASQUES REZENDE DOS
SANTOS CORREA Participação: ADVOGADO Nome: THEO SALES REDIG OAB: 14810/PA Participação:
AGRAVANTE Nome: ANTONIO CLEMENTINO REZENDE DOS SANTOS Participação: ADVOGADO
Nome: THEO SALES REDIG OAB: 14810/PA Participação: AGRAVADO Nome: ELISANGELA MOREIRA
PINTO Participação: ADVOGADO Nome: ADRIANE CELIS DE SOUSA RAIOL OAB: 17489-B/PA
Participação: ADVOGADO Nome: ALESSANDRA APARECIDA SALES DE OLIVEIRA OAB: 7352

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA. DESCONSIDERAÇÃO DA


PERSONALIDADE JURÍDICA. VIABILIDADE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. CDC.

- A desconsideração da personalidade jurídica é medida extrema, uma vez que excetua a regra geral da
desvinculação existente entre a pessoa jurídica e a personalidade de seus sócios. Os artigos 50 do Código
Civil e 28 do CDC preveem tal possibilidade, mediante o preenchimento dos requisitos. Aplicação da
Teoria menor, expressa no Código de Defesa do Consumidor. Na espécie, a prova trazida aos autos
evidenciou a ausência de patrimônio da devedora para ressarcir os prejuízos causados a consumidora, ora
agravada.

- Manutenção da decisão que julgou procedente o incidente de desconsideração da personalidade jurídica,


nos termos da norma do art. 28 do CDC.

- RECURSO DESPROVIDO
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Número do processo: 0801316-53.2020.8.14.0000 Participação: RECORRENTE Nome: OI MOVEL S.A.


Participação: ADVOGADO Nome: ELADIO MIRANDA LIMA OAB: 86235/RJ Participação: RECORRIDO
Nome: MYRIAM NANCY SELGAS FRANCHI

PROC. Nº 0801316-53.2020.8.14.0000

PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO À APELAÇÃO

REQUERENTE: OI MÓVEL S.A.

ADVOGADO(A): Eladio Miranda Lima, OAB/MT 13.242-A

REQUERIDO(A): MYRIAM NANCY SELGAS FRANCHI

ADVOGADO(A): Maria da Glória Carvalho Castro, OAB/PA 10.739 e Valmir Santiago dos Santos Filho,
OBA/PA 17339

RELATOR: Desembargador RICARDO FERREIRA NUNES

DECISÃO

Vistos etc.

Trata-se de petição apresentada por OI MÓVEL S.A. visando atribuição de efeito suspensivo ao recurso
de apelação por ela interposto em face de sentença proferida nos autos da ação ordinária declaratória de
obrigação de fazer c/c rescisão contratual e indenização por danos morais e materiais (proc. Nº 0039716-
57.2011.8.14.0301), tramitada no juízo da 8ª Vara Cível e Empresarial de Belém, demanda aforada por
MYRIAM NANCY SELGAS FRANCHI contra a ora requerente. Referido recurso ainda não foi distribuído
conforme se verifica em consulta do sistema Libra, tendo o peticionante se utilizado da prerrogativa
prevista no §3º, inciso I[1] do art. 1.012 do CPC.

Em seu pleito, afirma que a ora requerida aforou, em momentos distintos, três ações contra a requerente,
a saber: 1) ação ordinária declaratória de obrigação de fazer c/c rescisão contratual e indenização por
danos morais e materiais (proc. Nº 0039716-57.2011.8.14.0301); 2) ação de despejo (proc. Nº 0019506-
43.2015.8.14.0301) e 3) ação de despejo (proc. Nº 080551-53.2019.8.14.0301).

Segue aduzindo que as duas ações de despejo acima mencionadas estavam tramitando perante o juízo
da 1ª Vara Cível e Empresarial de Belém, contudo, tais processos foram remetidos ao juízo da 8ª Vara
Cível e Empresarial para serem processados em conjunto dada a conexão das causas. Argumenta que
não tinha conhecimento da ação de despejo tombada sob o nº 0019506-43.2015.8.14.0301, pois durante
todo o desenrolar dessa demanda não houve citação da empresa requerente, tendo o juízo singular
exarado sentença de procedência sem sequer ouvi-la, decretando seu despejo por falta de pagamento de
aluguéis, mesmo estando todos os comprovantes de quitação anexos ao processo nº 0039716-
57.2011.8.14.0301.

Sustenta, ainda, que a sentença é extra petita, uma vez que a condenação por danos materiais a título de
lucros cessantes em razão da inadimplência dos aluguéis advindos da relação locatícia entre as partes
não faz partes dos pedidos das ações que a requerente tinha conhecimento. Além disso, defende que a
sentença seria ultra petita porque condenou a ora requerente ao pagamento de alugueres, parcelas de
IPTU e faturas da COSANPA que nunca foram requeridas na inicial dos processos conexos.
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TJPA - DIÁRIO DA JUSTIÇA - Edição nº 6926/2020 - Segunda-feira, 22 de Junho de 2020

Éo relato do necessário. Decido.

Sabe-se que a apelação interposta em face de sentença que confirma liminar deve ser recebida apenas no
efeito devolutivo, conforme leciona o §1º do art. 1.012 do CPC. Contudo, na forma do §4º desse dispositivo
legal, caso demonstrada a probabilidade do provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação,
houver risco de dano grave ou de difícil reparação, é possível a atribuição de efeito suspensivo ao recurso:

Art. 1.012 - A apelação terá efeito suspensivo.

§1º - Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua
publicação a sentença que:

(...)

V - confirma, concede ou revoga tutela provisória;

(...)

§4º - Nas hipóteses do § 1º, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante
demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação, houver
risco de dano grave ou de difícil reparação.

No caso em exame, penso que a requerente não se desincumbiu de demonstrar os requisitos exigidos
pelas razões que passo a explicar.

Na origem, trata-se de ação ordinária declaratória de obrigação de fazer c/c rescisão contratual e
indenização por danos morais e materiais (proc. 0039716-57.2011.8.14.0301) em que o juízo singular
julgou procedente os pedidos deduzidos na inicial e, confirmando a liminar deferida, determinou que a ora
requerente retirasse os seus equipamentos do imóvel da autora no prazo de 60 (sessenta) dias contados
da sentença, declarando rescindido o contrato de locação. Além de ter confirmado a mencionada tutela de
urgência, condenou, a empresa de telefonia ao pagamento do valor de R$10.000,00 (dez mil reais) a título
de danos morais e R$46.400,00 (quarenta e seis mil e quatrocentos reais) de lucros cessantes, bem como
ao pagamento dos aluguéis atrasados, parcelas de IPTU e faturas da COSANPA pendentes durante o
período de locação.

Pois bem. Compulsando os documentos que acompanharam o presente requerimento, não se vislumbra,
por ora, o alegado cerceamento defesa na ação de despejo de nº 0019506-43.2015.8.14.0301, haja vista
que, embora a requerente não tenha sido citada, tal demanda, consoante se depreende da consulta no
sistema Libra,