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Shuttle Run Test e Shuttle Ride Test

10-m Shuttle Run Test para PC (Protocolo de Verschuren et al., 2010):

O teste é realizado em um espaço de 10 metros de comprimento (protocolo adaptado)


delimitado por marcadores que podem ser cones ou fita adesiva. Os pacientes devem
vestir sapatos e sua órtese (quando necessário). Durante todo o teste a frequência
cardíaca dos pacientes será monitorada pelo Monitor de Frequência Cardíaca (Polar®
FT1). A Pressão Arterial será mensurada no repouso e após o teste (primeiro e segundo
minuto da recuperação). O paciente será orientado a percorrer o caminho demarcado,
acompanhado do terapeuta, seguindo um sinal sonoro padronizado, gravado em um CD,
e deve completar o caminho antes do próximo sinal sonoro. O intervalo entre os sinais irá
diminuir a cada minuto (estágio), fazendo com que o paciente aumente sua velocidade de
marcha 0,25 km/h a cada minuto. A classificação GMFCS do paciente irá estabelecer a
velocidade inicial do paciente:

GMFCS I: A velocidade inicial será de 5 km/h.


GMFCS II: A velocidade inicial será de 2 km/h.
GMFCS III: Para essa classificação há uma mudança no protocolo, o paciente irá
percorrer uma distância de 7,5 metros, sua velocidade inicial será de 1,5 km/h e o
aumento da velocidade será de 0,19 km/h (Verschuren et al., 2011).

Curiosidade: O protocolo inicialmente criado delimitava uma distância de 20 metros a ser


percorrida (20-m Shuttle Run Test) com velocidade inicial de 8 km/h e aumento de 0,5
km/h, porém Verschuren et al. (2010) relata que com a velocidade inicial alta muitas
crianças, adolescente e adultos tinham dificuldade em realizá-lo. Assim, o novo
protocolo de 10 metros é uma alternativa mais prática para mensurar a capacidade
aeróbia.

Shuttle Ride Test (Protocolo de Verschuren et al., 2013):

Esse protocolo foi desenvolvido a partir do protocolo 10-m Shuttle Run Test para PC
classificado como GMFCS II (usar o sinal sonoro do GMFCS II). O teste é realizado
em um espaço de 10 metros de comprimento delimitado por marcadores que podem
ser cones ou fita adesiva. O paciente estará em sua cadeira de rodas e irá propulsioná-la
durante o percurso antes do próximo sinal sonoro. Durante todo o teste a frequência
cardíaca dos pacientes será monitorada pelo Monitor de Frequência Cardíaca (Polar®
FT1). A Pressão Arterial será mensurada no repouso e após o teste (primeiro e segundo
minuto da recuperação). O paciente será orientado a percorrer o caminho demarcado,
acompanhado do terapeuta, seguindo um sinal sonoro padronizado, gravado em um
CD, e deve completar o caminho antes do próximo sinal sonoro. Ele deve virar a
cadeira 180° para realizar o percurso novamente. A velocidade inicial será de 2 km/h e
irá aumentar 0,25 km/h a cada minuto (estágio).

Observação: A cada 20 metros, o terapeuta deve marcar na ficha de avaliação a


frequência cardíaca do paciente.
Critérios de interrupção: o paciente não consiga atingir a marcação final (pare 1,5
metros antes) antes do sinal sonoro por duas vezes consecutivas, o paciente peça para
parar o teste e/ou apresentem: dor, dispnéia intensa ou intolerável, cãibras musculares nos
membros inferiores, tontura, sudorese intensa e/ou palidez.

Materiais utilizados: Cones, fita adesiva e fita métrica para marcação do espaço;
cronometro; monitor de frequência cardíaca; CD com gravação do sinal sonoro; ficha de
avaliação; dois avaliadores (de preferência) para acompanhar o paciente e realizar as
marcações na ficha de avaliação.

Espaço físico recomendado: É recomendado um corredor ou sala de exercício com 12


metros de comprimento

Variáveis para análise: serão analisados no repouso, no pico do esforço e após o teste
(recuperação): frequência cardíaca (FC) e pressão arterial (PA).

Aplicação clínica: Por meio deste teste será possível avaliar: (1) o condicionamento
cardiorrespiratório dos pacientes (quando comparado com crianças/adolescentes típicos);
(2) acompanhar a evolução clínica da doença, e (3) avaliar a resposta do paciente a
determinado tratamento eleito (avaliação inicial e reavaliação).

Exemplos clínicos:

Teste 1: Paciente com paralisia cerebral (GMFCS I) e 10 anos de idade, percorreu uma
distância de 909 metros, durante 8 minutos de testes. Apresentou 90 bpm de FC de
repouso, e 110/70 mmHg de PA de repouso. Atingiu FC máxima de 201 bpm, e PA final
de 130/70 mmHg. O teste foi finalizado pois o paciente não conseguiu atingir a marcação
dos 10 metros por duas vezes consecutivas.
De acordo com os dados obtidos podemos calcular a FC de treino para o paciente
utilizando 40% da FC.

FC de treino = FC de repouso + % de treino (FC máxima – FC de repouso)

FC de treino = 90 + 40% (201-90)

FC de treino = 90 + 0,4 (111)

FC de treino = 134 bpm

O treino desse paciente pode ser realizado em uma quadra, esteira e/ou cicloergômetro de
membro inferior. O paciente deve portar um frequencímetro durante o treinamento, e a
carga da bicicleta e/ou a velocidade e inclinação da esteira devem ser aumentadas até que
o paciente atinja a FC de treino (134 bpm). Durante todo o treino essa FC deve ser
mantida. Inicialmente a duração do treino pode ser de 10-15 minutos, duração que pode
ser aumentada a medida que o paciente for conseguindo realizar o exercício mantendo
essa FC alvo.
Após 6 semanas de treinamento um novo teste deve ser realizado e os novos dados obtidos
utilizados para o novo cálculo da FC de treino (60% da FC).

Teste 2: O paciente com paralisia cerebral (GMFCS I) e 10 anos de idade, percorreu uma
distância de 1137 metros, durante 10 minutos de testes. Apresentou 85 bpm de FC de
repouso e 110/60 mmHg de PA de repouso. Atingiu FC máxima de 205 bpm e PA final
de 130/60 mmHg. O teste foi finalizado pois o paciente não conseguiu atingir a marcação
dos 10 metros por duas vezes consecutivas.

FC de treino = FC de repouso + % de treino (FC máxima – FC de repouso)

FC de treino = 85 + 60% (205-85)

FC de treino = 85 + 0,6 (120)

FC de treino = 157 bpm.

Referências Bibiográficas

VERSCHUREN O1, TAKKEN T. 10-metre shuttle run test. J Physiother.


2010;56(2):136.

VERSCHUREN O1, BLOEMEN M, KRUITWAGEN C, TAKKEN T. Reference values


for aerobic fitness in children, adolescents, and young adults who have cerebral palsy and
are ambulatory. Phys Ther. 2010 Aug;90(8):1148-56.

VERSCHUREN O, ZWINKELS M, KETELAAR M, REIJNDERS-VAN SON F,


TAKKEN T. Reproducibility and validity of the 10-meter shuttle ride test in wheelchair-
using children and adolescents with cerebral palsy. Phys Ther. n, 7, v. 93, p. 967-74, Jul.
2013.

Colaboradoras na redação deste documento:

Ft. Gabriela Davoli, Ft. Kamila Pena, Mariane Lopes, Profa. Dra. Ana Claudia Mattiello
Sverzut