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Aluno: Ivan Dornela Goulart e Yago Santos Goncalves

2º semestre de 2018
Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional
Departamento de Educação Física - Disciplina obrigatória: Fisiologia do Exercício (TN4 – Bacharelado noturno)
Professor: Dr. Samuel Penna Wanner

Estudo dirigido sobre a aula prática

Exercício 1. O estudante Bruno de Oliveira Brandão (25 anos, 78 kg) realizou o Yoyo Intermitent test 1. Durante o
teste, os seguintes dados foram registrados:

1a) Estimar o VO2MÁX do estudante, considerando-se a equação descrita a seguir: VO2MÁX = d × 0,0084 + 36,4
Sendo: d = distância percorrida (m); VO2MÁX = capacidade aeróbica máxima (expressa em mLO2.kg-1.min-1 ).
Cada estágio completo corresponde a correr uma distância de 40 m.
d = 21 x 40m d = ​840m
Vo2max = 840m x 0,0084 + 36,4 = 7,056 + 36,4 = ​43,46 mLo2.kg-1.min-1

1b) Classificar o VO2MÁX do estudante, utilizando como referência alguma tabela de classificação. Citar a
referência bibliográfica de onde a tabela foi encontrada.
Segundo HERDY 2016, o estudante Bruno de Oliveira Brandão de 25 anos com Vo2max de 43,46 mLo2.kg-1.min-1 sua
aptidão cardiorespiratória considerada como ​Regular.
HERDY, Artur Haddad; CAIXETA, Ananda. Brazilian cardiorespiratory fitness classification based on maximum oxygen
consumption. ​Arquivos brasileiros de cardiologia​, v. 106, n. 5, p. 389-395, 2016.

1c) Qual é o significado fisiológico da medida do VO2MÁX? Por que devemos conhecer o valor de VO2MÁX de
um indivíduo?
O consumo máximo de oxigênio (VO2max) reflete a máxima capacidade de um indivíduo absorver, transportar e
consumir oxigênio. O valor de VO2MÁX informa o custo energético da atividade (estado estável), consumo máximo
reflete a capacidade máxima de transporte e utilização de O2, indica a aptidão cardiorrespiratória, em combinação com a
produção de CO2 (VCO2 ) indica o substrato energético metabolizado, importante preditor de risco cardiovascular e da
qualidade de vida.

1d) Quais são as principais diferenças entre o Yoyo Intermitent test 1 e o teste de Margaria (exercício 2)?
Quando é mais aplicável utilizar o Yoyo Intermitent test 1?
No Yoyo Intermitent test 1 há um incremento na velocidade de deslocamento que é controlada por um sinal sonoro em
corridas de ida e volta de 20m, sendo que no teste de Margaria o deslocamento tem característica retilínea e contínua de
movimentação e este deve ser percorrida ao menor tempo possível e com velocidade constante. Ambos são de fácil
aplicação e baixo custo, porém o Yoyo Intermitent test 1 tem uma validade considerada melhor para esportes que tem
trocas repentinas de movimentos e direções por refletir a resposta fisiológica do jogo.

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Exercício 2. O estudante Fabrício de Souza Assis completou 2.400 m em 11 min e 10 s e atingiu uma frequência
cardíaca máxima (FCMÁX) de 210 bpm. O Fabrício possui 29 anos de idade e a sua massa corporal corresponde
a 84 kg.

2a) Considerando a equação proposta por Margaria (1976), estimar o VO2MÁX do estudante.
Equação: d = [(5 VO2MÁX – 30) · t] + 5 VO2MÁX Sendo: d = distância percorrida (m); t = tempo para percorrer a
distância determinada (min) VO2MÁX = capacidade aeróbica máxima (expressa em mLO2.kg-1.min-1).
A predição do VO2máx é dada pela equação (distância adotada + 30[tempo] / 5[tempo] + 5)
VO2máx = (2400 + 30 x 11,16 / 5 x 11,16 + 5) = 2065,2 / 60,8 = ​33,97 mLO2.kg-1.min-1

2b) ​Comparar o valor da FCMÁX do Fabrício medido durante o protocolo de Margaria com os valores estimados
por meio das seguintes equações:
Equação tradicional: FCMÁX = 220 - idade (anos)
Equação proposta por Tanaka et al. (2001): FCMÁX = [208 - (0,7 x idade)]
Suponha que o Fabrício realizou, em outro dia, uma corrida durante 90 min mantendo sua FC dentro de uma
faixa de variação adequada para promoção das adaptações relacionadas ao treinamento aeróbico (entre 70 e
90% da FCMÁX). O Fabrício registrou os dados armazenados em seu cardiofrequencímetro e verificou que a
FCMÉDIA correspondeu a 162 bpm.
Equação tradicional: FCMÁX = 220 - idade (anos) = 220 - 29 = ​191 bpm
Equação proposta por Tanaka et al. (2001): FCMÁX = [208 - (0,7 x idade)] = 208 - (0,7 x 29) = ​187,7 bpm

2c) O Fabrício se exercitou em qual % da sua FCMÁX?


FCMÁX = 187,7 bpm -> 100%
FCMÉDIA = 162 bpm -> X
X = 162 x 100 / 187,7 =​ 86,31%

2d) Qual foi o gasto energético do Fabrício durante essa corrida? Informações importantes: 1 MET = 1
kcal.kg-1.h-1 ou 3,5 mLO2.kg-1.min-1 1 LO2 = 5,05 kcal
Segundo a tabela, considerando 84% FC, já que FC% de 86,31% na corrida => 73% do Vo2Max = 33,97 x 0,73 = 24,8.
Em METs => 24,8 mLO2.kg-1.min-1 / 3,5 mLO2.kg-1.min-1 = 7,08
GE = 7,08 x 84kg x 1,5h = ​892,08 Kcal ou 176,64 LO2

2e) Na média, quantas vezes o gasto energético durante a corrida foi maior em comparação com o repouso?
GE = 1 x 84kg x 1,5h = 126 Kcal => 892,08 Kcal / 126 Kcal = ​7,08 vezes

2f) O Fabrício se exercitou em qual % da sua FCRESERVA?


Informações importantes: FCREPOUSO do Fabrício = 121 bpm FCRESERVA = FCMÁX - FCREPOUSO
%FCRESERVA = (FCEXERCÍCIO – FCREPOUSO) / FCRESERVA
FCRESERVA = 187,7 bpm - 121 bpm = 66,7 bpm
%FCRESERVA = (162 bpm - 121 bpm) / 66,7 bpm = ​61,46%

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Exercício 3. O estudante Ewerton Luís Martins Paranhos (massa corporal igual a 96 kg) realizou duas corridas de
2.000 m, com um intervalo de 1 h entre as mesmas. Durante as corridas, o estudante manteve valores de PSE
iguais a 11 (“relativamente fácil”) e a 15 (“cansativo”). A cada 200 m, foram registrados o tempo de corrida e a
FC. Os dados registrados estão descritos na tabela a seguir:

3a) ​Construir um gráfico que compare as alterações da FC em função da distância percorrida pelo Ewerton ao
realizar os dois exercícios.

3b) As respostas da FC induzidas pelo exercício físico (realizado em 2 valores distintos de PSE) ocorreram
conforme esperado? E o tempo para completar as duas corridas de 2.000 m? Favor justificar ambas as
respostas, tendo como base os dados apresentados na tabela acima.

3c) É possível prescrever a intensidade do exercício utilizando-se a PSE como referência? Quais são as
possíveis limitações da utilização da PSE para prescrever a intensidade do exercício?
A escala de percepção do esforço PSE pode também ser aplicada para indicar a intensidade da atividade física. Com
essa abordagem psicofisiológica, o indivíduo que está se exercitando classifica em uma escala numérica as sensações
percebidas relativas ao nível de esforço. O monitoramento e o ajuste da PSE durante a atividade física proporcionam
uma maneira efetiva de prescrever o exercício a partir da percepção do esforço pelo indivíduo que coincide com as
medidas objetivas da sobrecarga fisiológica/metabólica, o que inclui % da FCmáx , % do O2máx e concentração
sanguínea de lactato. A atividade física que corresponde aos níveis mais altos de gasto de energia e de sobrecarga
fisiológica produz taxações mais altas da PSE. Uma EPE de 13 ou 14 (transmite a sensação de “um pouco difícil”;)
coincide com cerca de 70% da FCmáx durante o exercício no cicloergômetro e na esteira rolante; uma PSE entre 11 e
12 corresponde ao exercício no limiar do lactato para indivíduos treinados e não treinados. Uma das limitações para o
uso da PSE é o processo de familiarização do indivíduo para correta indicação do esforço na escala. Outra questão é
que encontra-se discrepâncias quando se comparam os valores de PSE e os dados da freqüência cardíaca para ilustrar
as dificuldades encontradas quando usados ​na reabilitação clínica.

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Exercício 4. ​A estudante Gabriela Silva de Oliveira realizou duas corridas de 2.000 m, com um intervalo de 1 h
entre as mesmas. Durante as corridas, a estudante manteve valores de FC correspondentes a 145 bpm (140 –
150 bpm) e a 165 bpm (160 – 170 bpm). A cada 200 m, foram registrados o tempo de corrida, a FC e a PSE. Os
dados registrados estão descritos na tabela a seguir:

4a) ​As respostas da PSE induzidas pelo exercício físico (realizado em dois valores distintos de FC) ocorreram
conforme esperado? E o tempo para completar as duas corridas de 2.000 m? Favor justificar ambas as
respostas, tendo como base os dados apresentados na tabela acima.
As respostas da PSE induzidas pelo exercício físico ocorreram conforme o esperado, apesar de ter ocorrido uma
regressão na PSE no início da primeira corrida, que pode ter ocorrido em função do processo de familiarização com a
escala de Borg.
O valor percebido na escala na primeira corrida, de menor intensidade, foi menor que o valor percebido na segunda
corrida.
Também o tempo para completar as duas corridas ocorrem dentro do esperado, sendo a corrida com maior FC ocorreu
em menor tempo, por representar um exercício de maior intensidade.

4b) ​É possível prescrever a intensidade do exercício utilizando-se a FC como referência? Quais são as possíveis
limitações da utilização da FC para prescrever a intensidade do exercício?
A frequência cardíaca do exercício é conveniente para prescrever a intensidade do exercício, pois o percentual de
consumo de O2 máximo e o percentual da FC máxima se relacionam de maneira previsível, independentemente de
sexo, raça, nível de aptidão, modalidade da atividade ou idade. O treinamento não afeta a frequência cardíaca de um
determinado indivíduo para um percentual específico do consumo de O2 máximo, razão pela qual há pouca necessidade
de ajustar frequentemente a prescrição dos exercícios em relação às mudanças induzidas pelo treinamento na
capacidade aeróbica, desde que o exercício seja executado com um determinado percentual da frequência cardíaca
máxima (FCmáx). As limitações da utilização da FC ocorrem na estimativa da frequência cardíaca máxima (FCmáx), as
fórmulas de previsão estão associadas a erro para mais ou para menos e devem ser usadas com cautela. Cada fórmula
representa uma regra simples e conveniente, e não determina a frequência cardíaca máxima de uma determinada
pessoa. Por exemplo, dentro dos limites normais da variação e utilizando a fórmula 220 menos idade, a frequência
cardíaca máxima real de 95% (± 2 desvios padrão) de homens e mulheres com 40 anos de idade oscila entre 160 e 200
bpm.

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Exercício 5. ​O estudante Pablo Erick de Souza Cruz realizou um exercício com aumentos progressivos da
velocidade, a qual foi aumentada em 0,5 km/h a cada 200 m. A FC e a PSE do estudante foram registradas a cada
200 m, conforme descrito na tabela abaixo. O Pablo completou 2.200 m e atingiu uma velocidade de 14,0 km/h; é
importante destacar que, nos últimos 400 m, a medida da FC foi imprecisa.

5a)​ ​Plotar o gráfico dos valores de FC em função da velocidade de corrida durante esse exercício progressivo.

5b) ​Identificar a velocidade de corrida associada ao limiar de lactato sanguíneo do Pablo. O limiar de lactato é
identificado na velocidade que antecede a perda do aumento linear da FC durante o exercício progressivo
(CONCONI, 1982).
Velocidade -> 10.5 km/h

5c) ​Por que é importante determinar o limiar de lactato de um indivíduo? Como o limiar de lactato pode ser
utilizado para prescrever a intensidade de um treinamento físico?
O limiar de lactato de um indivíduo é um fator importante para prescrição de treinamento aeróbico e predizer seu
desempenho de “Endurance”. O exercício realizado ao nível ou ligeiramente acima do limiar do lactato proporciona outro
método efetivo de treinamento aeróbico. Independentemente do nível específico de lactato sanguíneo escolhido para o
treinamento de endurance, a relação lactato sanguíneo-intensidade do exercício deve ser avaliada periodicamente, com
a intensidade da atividade física sendo ajustada à medida que a aptidão melhora.

5d) ​Por que o ocorre o aumento da concentração de ácido lático na musculatura esquelética e na circulação
sanguínea durante o exercício físico? Como o lactato é removido da circulação sanguínea durante e após o
exercício físico? O acúmulo de lactato prejudica o desempenho físico?
O lactato sanguíneo acumula-se somente quando sua diminuição por oxidação ou conversão do substrato não
acompanha sua produção. A produção e o acúmulo de lactato são acelerados quando a intensidade do exercício
aumenta. Os íons hidrogênio (H+) que se dissociam do ácido láctico representam um problema importante para os
mecanismos homeostáticos do corpo. Nos níveis normais de pH, o ácido láctico quase imediata e completamente se
dissocia em H + e lactato (La−). Poucos distúrbios podem ocorrer se H + livre não exceder a propriedade corporal de
tamponá-lo, mantendo o pH em um nível relativamente estável. O pH diminui quando o excesso de ácido láctico
ultrapassa a capacidade imediata de tamponamento do corpo. Pode ocorrer desconforto conforme o sangue se torna
mais ácido, prejudicando o desempenho no exercício. A manutenção de um baixo nível de lactato conserva também as
reservas de glicogênio, inibindo o processo de fadiga muscular e aumentando a duração de um esforço aeróbico intenso.
O ciclo de Cori (fígado e rins) remove o lactato liberado pelos músculos ativos e o utiliza para reabastecer as reservas de
glicogênio depletadas pela atividade física intensa. O músculo não apenas é o principal local de produção de lactato,
mas também um tecido primário para a remoção do lactato via oxidação pelo processo de lançamento do lactato entre as
células. Outros órgãos que utilizam lactato como o coração e o cérebro também catabolizam o lactato como substrato
energético aeróbico.

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Aluno: Ivan Dornela Goulart e Yago Santos Goncalves
Exercício 6. O objetivo da sexta atividade foi determinar a velocidade crítica do estudante Flávio de Souza
Magalhães, conforme protocolo descrito por Hill (2001). Para isso, o estudante realizou duas corridas com
distâncias diferentes: 1.000 e 2.000 m. O estudante percorreu essas distâncias no menor tempo possível e teve
um intervalo de descanso de 1 h entre as duas corridas. A FC do Flávio foi registrada em intervalos regulares,
conforme descrito na tabela abaixo.

6a)​ ​Calcular a velocidade crítica do Flávio, em m/s e em km/h, de acordo com a equação descrita logo abaixo:
Velocidade crítica (em m/s) = (2a distância – 1a distância) / (2o tempo – 1o tempo)
Obs.: Os dados de distância sempre devem ser informados em metros e os dados de tempo em segundo.
Velocidade crítica (em m/s) = (2000 - 1000) / (587 - 241) = 1000 / 346 = ​2,9 m/s
Velocidade crítica (em km/h) = 2,9 x 3,6 = ​10,44 km/h

6b)​ ​Por que é importante determinar a velocidade crítica de um indivíduo?


A velocidade crítica (Vcrit) corresponde a uma intensidade limítrofe de esforço que pode ser mantida com estado estável
de VO2MÁX e lactato (SILVA et al., 2006). A velocidade crítica é um instrumento para prescrição e controle do
treinamento aeróbico que se caracteriza pela precisão do trabalho realizado na intensidade alcançada em m/s. Desta
forma, é possível prescrever de maneira mais eficiente programa de treinamentos, além de favorecer avaliação mais
precisa dos efeitos, do treinamento desenvolvido.

Exercício 7. ​Antes e após correr 2.000 m mantendo uma FC entre 160 e 170 bpm, a estudante Gabriela Silva de
Oliveira realizou 5 tentativas referentes a um teste de reação simples no celular. Antes da corrida, o tempo de
reação médio da discente correspondeu a 415 ms e, após a corrida, correspondeu a 383 ms. Quais respostas
fisiológicas induzidas pelo exercício físico poderiam explicar a maior velocidade de reação da estudante após
correr 2.000 m?
Sugestão de leitura: Influência do exercício físico na cognição: Uma atualização sobre mecanismos fisiológicos. Revista
Brasileira de Medicina do Esporte, v. 20, p. 237-241, 2014.

Estudos indicam que os efeitos agudos de exercícios físicos como aumento do fluxo sanguíneo cerebral (Smith et al.,
2010 ) e o aumento da atividade de neurotransmissores sinápticos (Sharma et al., 1991 ; Anish, 2005 ) elevam o
desempenho cognitivo e poderiam explicar a maior velocidade de reação da estudante após correr 2.000 m.

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