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TEMAS TRATADOS

Histórico e fundamentos do constitucionalismo brasileiro


07/05/2020 Poder Constituinte
14/05/2020 Poder Constituinte Originário e Derivado
21/05/2020 Poder Constituinte Derivado Reformador / Recorrente; Poder Difuso
28/05/2020 Poder Constituinte Supranacional; Revisor
Remédios Constitucionais

HISTÓRICO E FUNDAMENTOS DO CONSTITUCIONALISMO BRASILEIRO


No Regime Militar em 1964 foram restritas garantias individuais e sociais, em 1979 a legislação
eleitoral foi alterada para reestabelecer o pluripartidarismo, que é um alicerce da democracia. Em
1980 com a crise econômica, fortaleceu os Sindicatos e entidades de classe e partidos de oposição.
Em 1984, emergiu o movimento das “Diretas já!”, exigindo a retomada das eleições diretas até que
em 1985 foi eleito Tancredo Neves e José Sarney como vice.
Mas a redemocratização do Brasil só foi concluída com a promulgação da CF/88, em 05 de outubro
de 1988. Nela foram nela incluídos inúmeros direitos e garantias, entre os quais se destacam o
sufrágio universal e o voto direto e secreto, objetivando assegurar a construção de um Estado
Democrático de Direito.

A Constituição é a norma fundamental e suprema que rege a organização e o funcionamento do


Estado. É um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a
forma de seu governo, o modo de aquisição e exercício de poder, o estabelecimento de seus órgãos,
os limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas garantias.

PIRAMIDE NORMATIVA DE KELSEN


Kelsen coloca a Constituição no topo da pirâmide normativa, por dispor sobre como todas as demais
normas devem ser elaboradas. Embaixo dela estão todas as normas infraconstitucionais, que são
desprovidas de supremacia.
CONSTITUCIONAIS
Nenhuma norma do ordenamento jurídico pode se opor a
constituição, ela é a superior a todas as demais normas.

CONSTITUCIONAIS
Emendas Constitucionais
Constituição; Fica abaixo da constituição, até ser aprovada, depois fica no
Emendas Constitucionais; mesmo nível. Está na constituição, mas não se confunde
Tratados Internacionais sobre com ela.
Direitos Humanos; 1. Altera dispositivos da CF
INFRACONSTITUCIONAIS 2. Integra dispositivos da CF
Tratados Internacionais; 3. Altera outra emenda já existente bicameral.
Leis Complementares;
Leis Ordinárias;
Leis Delegadas;
INFRACONSTITUCIONAIS
Decretos Legislativos; Não possuem hierarquia entre si, elas são primárias capazes
Resoluções; de gerar direitos e criar obrigações desde que não contrarie
Medidas Provisórias; a CF.
Decretos Regulares;

INFRALEGAL INFRALEGAIS
Normas Individuais; Normas secundárias, não tendo poder de gerar direitos,
Portarias;
nem obrigações, não pode contrariar as normas primárias,
sob pena de invalidade. É o caso de portarias, instruções
normativas, etc.

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CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
Sintética ou de conteúdo conciso, limita-se a prever os elementos essenciais da
concisa organização e do funcionamento do Estado
Extensão
Analítica ou de conteúdo extenso, aborda outras matérias que ultrapassam
prolixa aquelas consideradas essenciais

Histórica a resulta do passar do tempo, sendo criada ao longo dos anos


Modo de
Elaboração
elaborada por um órgão constituinte, referindo-se às ideologias
Dogmática
do momento de sua elaboração

é a Constituição não formalizada, composta pelos costumes, pela


Não escrita jurisprudência, convenções e textos constitucionais esparsos e tem
como principal exemplo a Constituição Inglesa.
Forma
Constituição elaborada em determinado momento da história por
Escrita órgão competente para tanto e codificada e sistematizada em um
único texto
a Constituição pode ser alterada, mas, para tanto, é necessário
Rígida observar um procedimento mais rigoroso do que aquele utilizado
para a edição das leis.
Semirrígida ou
ela é composta por uma parte rígida e outra flexível.
semiflexível
Alterabilidade
Imutável não admite qualquer alteração em seu texto.

admite alterações em seu texto pelo mesmo processo utilizado


Flexível
para a criação das leis.

as normas constitucionais, escritas ou costumeiras, que podem


Material
estar ou não em um documento escrito
Conteúdo
forma de existir do Estado, reduzida à forma escrita em U1 -
Formal Constituição e hermenêutica um documento solene que somente
pode ser alterado de acordo com o processo nela mesmo descrito

Pactuada criada a partir de um pacto entre rivais.

inicialmente a Constituição foi outorgada e, posteriormente,


Cesarista
referendada pelo povo.
Origem
Outorgada a Constituição foi elaborada sem a participação popular

Promulgada a Constituição foi elaborada com a participação popular

ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO
Elementos orgânicos: relativos à organização, ao funcionamento e à estrutura do poder e do Estado
Elementos limitativos: referem-se aos direitos e garantias fundamentais, que visam à limitação do
poder do Estado, mas que não se relacionam aos direitos sociais.
Elementos socioideológicos: correlatos ao Estado de bem-estar social, que revelam caráter
intervencionista e social das
Constituições modernas.
Elementos de estabilização constitucional: destinados a assegurar a solução de conflitos
constitucionais, defesa da

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Constituição, do Estado e das instituições democráticas. Eles objetivam alcançar a
paz social.
Elementos formais de aplicabilidade: estatuem normas de aplicação da Constituição.

07/05/2020
PODER CONSTITUINTE
Poder responsável pela formulação e atualização das constituições, através da criação, alteração ou
substituição das normas constitucionais.

14/05/2020
PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO
a) Conceito
É o poder que atua na etapa de criação das constituições. Elaborando uma nova constituição ou
promovendo a ruptura com a ordem constitucional precedente.

b) Características
. Inicial: Quando se cria uma nova constituição, substituindo uma constituição existente, as normas da antiga
deixam de vigorar, caso a nova constituição não as contemplem.

. Ilimitado (não se confunde com absoluto): Pode se opor completamente àquilo que o ordenamento
anterior previa. Não se submete, inclusive, às cláusulas pétreas da constituição anterior.
Teoria da vedação ao efeito cliquet – ao retrocesso social, prega que a constituição não pode ser criada de
forma a reduzir direitos que já existem. A evolução deve ser para melhor. Essa teoria tem representatividade
doutrinária mínima.

. Incondicionado: O poder originário pode se manifestar independentemente de condições pré-


estabelecidas, ou seja, não há nenhuma espécie de “manual” que indicam como uma forma deve ser criada,
tendo em vista que existem várias formas para criação (promulgada, outorgada, cesarista, pactuada).
(Emmanuel Joseph Seyès, O que é o terceiro Estado?)

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Quando se cria uma nova constituição promulgada geralmente ocorre um plebiscito, onde o
povo é consultado sobre a vontade popular de se ter uma nova constituição. O sentimento
de renovação constitucional, de modo geral, é perceptivelmente aflorado levando a criação de uma nova
constituição.

. Soberano: Ele pode se manifestar a qualquer tempo, independentemente do tempo de vigência da


constituição.

. Permanente: O poder originário sempre existirá, independentemente de criação de nova constituição. Ele
não se esgota quando se manifesta, pois, o poder do povo, que é o titular do poder, nunca se esgota.

c) Modos de expressão do poder originário


São as maneiras através das quais o poder pode se manifestar no momento em que uma constituição é
criada.

. Outorga: Representa declaração unilateral por parte do agente que se encontra à frente do Estado. Ela é
expressão da vontade do agente ou de grupo social. Não há participação ou desejo popular. Pode ser
considerado o podo mais simplificado de se produzir uma constituição.

. Assembleia Constituinte: Corresponde a um órgão instituído com fins de elaborar uma nova constituição.
Por meio dessa assembleia é que se utiliza de meio democrático de criação constitucional.

. Referendo: O eleitorado nacional elegerá integrantes que serão responsáveis por criar a constituição que
será posta em votação pelo eleitorado nacional. Caso aprovada a constituição passa a vigorar. Caso rejeitada,
será rejeitado novo projeto. Será elaborada nova constituição até que seja aprovada pelo povo. Exprime uma
forma democrática de elaboração de constituição.

PODER CONSTITUINTE - DERIVADO


a) Conceito
É o poder que promove a atualização das constituições, adequando-as à sua realidade contemporânea.

b) Características
. Continuidade: Ele dá continuidade ao ordenamento constitucional, adaptando o ordenamento à realidade.

. Subordinação: Ele se submete a limitações impostas pelo poder originário. Alguns doutrinadores o chamam
de poder limitado.

. Condicionado: Ele somente pode se manifestar de acordo com condições pré-estabelecidos pelo poder
originário.

c) Limitações
. Materiais (cláusulas pétreas EXPLÍCITAS e IMPLÍCITAS – art. 60, § 4º da Constituição Federal)
A própria constituição indica o que pode ser modificado. As cláusulas pétreas
representam normas constitucionais que não podem ser abolidas enquanto a
Constituição Federal vigorar.
As cláusulas pétreas podem ser explicitas ou implícitas, sendo a primeira, aquelas
que são indicadas diretamente na constituição (FO-VO-SE-DI), já as implícitas são
aquelas que estão espalhadas pela Constituição mas que tenham ligação com o
art. 60, § 4º (art. 5º, CF/88). As cláusulas pétreas implícitas podem ser
modificadas, apenas, para melhorar.

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Segundo a doutrina, o § 4º do art. 60 não pode ser alterado, mesmo que seja para melhorar
ou incluir mais benefícios.

. Formais (art. 60, I a III e § 2º da Constituição Federal)


A revisão constitucional nasce da própria Constituição. Mais especificadamente, surge somente através das
Constituições escritas (rígidas). Portanto, esse poder está compreendido na modalidade das normas
constitucionais.
A rigidez está prevista na própria Constituição: para haver reforma do texto, há previsão de um procedimento
que deve ser obedecido. O referido procedimento é distinto e mais complexo do que aquele estabelecido
para aprovar e mudar leis ordinárias.
A competência reformadora toma corpo através de um instrumento chamado “Emenda Constitucional”,
sendo que quem exerce tal competência é o Congresso Nacional.
O artigo 60 da Magna Carta de 1988, em seus incisos I a III, elenca a quem cabe a iniciativa para a propositura
de Emendas Constitucionais:

"A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal
II - do Presidente da República
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria
relativa de seus membros."

Além do requisito da propositura pelos legitimados mencionados acima, há de se observar o procedimento


para votação e aprovação das Emendas Constitucionais, previsto no parágrafo segundo do artigo 60 da
Constituição de 1988:
"§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver,
em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros."

. Circunstanciais (art. 60, § 1º da Constituição Federal)


São circunstanciais aquelas situações tendentes a impossibilitar ou impedir que a reforma constitucional se
realize em determinadas ocasiões, que se podem tachar de “anormais”: o estado de sítio, a intervenção
federal, o estado de emergência, etc. Circunstâncias estas que impedem a livre manifestação do poder
reformador, por sua própria natureza e feição.
Esses limites circunstanciais do Poder Constituinte derivado de revisão e reforma constitucional são
encontrados no parágrafo primeiro do artigo 60 da Magna Carta de 1988, in verbis:

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


 I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
 II - do Presidente da República;
 III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria relativa de seus membros.
"§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio."

§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número
de ordem.

Emendas na CF rejeitadas, são apresentadas novamente somente no outro ano.

21/05/2020
PODER CONSTITUINTE DERIVADO - REVISOR
É o poder encarregado de modificar pontualmente o texto constitucional através de procedimento
específico estabelecido pelo próprio poder originário.

Procedimento especial: Limitação formal

Particularidades

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 Fundamento art. 3º ADCT
 Somente pode se manifestar em uma única oportunidade (teoria da dupla revisão
Constitucional)
 Limitação temporal: 5 anos
 Quorum: maioria absoluta
 Unicameralidade da sessão (sessão única de votação)

PODER CONSTITUINTE DERIVADO - DECORRENTE


É aquele que atua na etapa da criação e reformulação das constituições estaduais, com vistas a estruturar e
organizar os estados-membros.

Fundamento: Art. 11 do ADCT, Prazo para manifestação. (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias)

Ato das Disposições Constitucionais Transitórias


Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado
da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.
Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no prazo de seis meses, votar a lei orgânica
respectiva, em dois turnos de discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na Constituição estadual.

Distrito Federal: Entidade de política híbrida, Norma fundamental: Lei Orgânica, é titular de poder
decorrente.
Do Estado de Defesa
Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado
de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas
por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.
§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas
e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes:
I - restrições aos direitos de:
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;
b) sigilo de correspondência;
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos
danos e custos decorrentes.
§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual
período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação.
§ 3º Na vigência do estado de defesa:
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz
competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial;
II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua
autuação;
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário;
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.
§ 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas, submeterá
o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta.
§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco dias.
§ 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo continuar
funcionando enquanto vigorar o estado de defesa.
§ 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa.
SEÇÃO II
Do Estado de Sítio
Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao
Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o
estado de defesa;

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II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.
Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua
prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.

Do Distrito Federal
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício
mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
Constituição.
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com
a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração.
§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.
§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da polícia penal, da polícia militar
e do corpo de bombeiros militar.

PODER CONSTITUINTE - DIFUSO


Relaciona-se à mutação constitucional, mecanismo informal através do qual são construídas novas
interpretações aos dispositivos constitucionais, com transformação do sentido, sem que se opere qualquer
modificação do seu texto. Sustenta-se que a mutação constitucional ocorre devido a características de
algumas normas constitucionais, como nas com conteúdo aberto, imprecisos, os quais abrem margem para
que os intérpretes do direito preencham sua interpretação. Elas precisam do caso concreto para adquirir seu
sentido, como é o caso dos direitos fundamentais.

Assim, a mutação constitucional estaria associada à plasticidade de algumas normas constitucionais que
teriam seu sentido e alcance modificados em virtude de alguma mudança na realidade que permitiria
uma evolução através da interpretação. Soma-se ao poder constituinte de reforma um mecanismo mais
simples e informal de alteração da constituição que visa evitar o descompasso entre texto constitucional e
novas demandas sociais.

Da mesma forma, diferencia-se o poder constituinte difuso do poder constituinte de reforma, pois o último
conta com um procedimento previamente estabelecido para a alteração constitucional.

INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

 Literal
 Histórico
 Sistemático
 Teleológico
 Interpretação conforme a constituição
 Máxima efetividade
CF Art 226
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar,
devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (APENAS DISSO, ATRAVES DE OUTROS ARTIGOS, É VISTO SOBRE A INTERPRETAÇÃO
DE UNIÃO HOMOAFETIVA)

PODER CONSTITUINTE - SUPRANACIONAL


 Direito comunitário
 Reunião entre estados soberanos
 Regulamentação de interesses comuns
 Preservação da soberania e independência nacional

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PODER CONSTITUINTE – FENÔMENOS CONSTITUCIONAIS
As leis anteriores à CF/88 podem ser recepcionadas ou não recepcionadas, sendo necessário, de início,
analisar se a lei era constitucional ao tempo de sua constituição. Caso a lei fosse compatível com
a constituição vigente à sua época, e fosse igualmente compatível com a CF/88, seria recepcionada. Caso
não fosse compatível, seria revogada por não recepção.
Obs: não se pode convalidar norma que anteriormente era inconstitucional.

Recepção é o fenômeno que ocorre quando a nova constituição aceita/mantém a validade das normas
infraconstitucionais anteriores, ou seja, há compatibilidade material (a análise é meramente material, não
importando a forma).

Repristinação é o fenômeno de regresso de uma norma revogada pela não mais vigência da lei revogadora,
sendo que este instituto, em regra, não pode ocorrer. Para uma melhor explicação, segue um exemplo:
Surge uma lei B que revoga a Lei A. Posteriormente surge uma Lei C que revoga a Lei B. Dessa forma, a Lei
A voltaria a ter vigência, pois a Lei B que a revogou não mais se encontra no ordenamento jurídico. Em
regra, isso não pode ocorrer automaticamente, apenas sendo possível se a nova lei (no caso, a Lei C) trazer
expressamente que a lei inicial (no caso a Lei A) voltaria a ter vigência.
Apesar da figura da repristinação não ser permitida, o “efeito repristinatório” é perfeitamente viável. Este
ocorre no seguinte caso: a Lei B revoga a Lei A. Em controle de constitucionalidade, o STF entende que a
Lei B é inconstitucional. Nesse caso, a Lei A volta a vigorar automaticamente.

Desconstitucionalização é o fenômeno pelo qual a nova constituição transforma parte


da constituição anterior em norma infraconstitucional. Apenas pode ocorrer se vier expressamente no
novo texto constitucional.

Recepção material de norma constitucional é o fenômeno em que a nova constituição mantém em vigor
parte da constituição anterior, sendo que este fenômeno tem caráter precário/temporário.
Obs: as Emendas à Constituição podem ser propostas por 1/3 dos deputados federais ou senadores.

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