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O conteúdo deste livro está adequado à proposta
da BNCC, conforme a Resolução nº 2, de 22 de
dezembro de 2017, do Ministério da Educação.

Língua Portuguesa Direção de Arte


7o ano do Ensino Fundamental Elto Koltz

Lécio Cordeiro Projeto gráfico


Hilka Fabielly
Editor
Lécio Cordeiro
Coordenação editorial
Revisão de texto Distribuidora de Edições Pedagógicas Ltda.
Dárfini Lima Rua Joana Francisca de Azevedo, 142 – Mustardinha
Recife – Pernambuco – CEP: 50760-310
Editoração eletrônica Fone: (81) 3205-3333
Adriana Ribeiro CNPJ: 09.960.790/0001-21 – IE: 0016094-67
Marcos Durant
Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos
Capa direitos dos textos contidos neste livro. A Distribuidora de Edições
Gabriella Correia/Nathália Sacchelli/ Pedagógicas pede desculpas se houve alguma omissão e, em
Sophia karla edições futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes.
Fotos: kenny1/shutterstock.com
Para fins didáticos, os textos contidos neste livro receberam,
sempre que oportuno e sem prejudicar seu sentido original,
uma nova pontuação.

As palavras destacadas de amarelo ao longo do livro sofreram


modificações com o novo Acordo Ortográfico.

ISBN: 978-85-7797-708-6
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e
Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Impresso no Brasil

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Manual do Educador

Apresentação
Inúmeros estudos no campo da Linguística e a sociedade nos últimos anos desse período,
da Linguística Aplicada — além da própria rea- impulsionadas sobretudo pela globalização, e
lidade, avaliada oficialmente pelo Saeb e pelo a impressionante capacidade de multiplicação
Enem, entre outros instrumentos — têm impos- do conhecimento decorrente das novas tecnolo-
to um grande desafio aos professores e pes- gias da informação e da comunicação geraram
quisadores da área da educação linguística: re- a necessidade de novos parâmetros para a for-
pensar o ensino voltado para a metalinguagem mação dos cidadãos2.
gramatical1, que, devido a vários fatores, não se Assim, consensualmente o objetivo maior está
mostra mais suficiente para atender às inúme- definido já faz algum tempo: desenvolver a com-
ras demandas comunicativas que envolvem os petência linguística do aluno de forma a ampliar
aprendizes neste grande ambiente multimodal sua habilidade comunicativa e facilitar seu trân-
em que estão inseridos: a sociedade densa- sito entre as mais diferentes situações de uso
mente semiotizada em que vivemos (BRASIL, efetivo da língua. Em outras palavras, é nossa
2000). Como bem lembram Dionísio e Vascon- missão, enquanto agentes de socialização, pro-
celos (2013, p. 19), “nossa história de indivíduos mover o letramento dos nossos alunos, levá-los
letrados começa com nossa imersão no univer- a compreender como essa competência funciona
so em que o sistema linguístico é apenas um e como podem fazer para que funcione melhor.
dos modos de constituição dos textos que ma- Entre os imperativos dessa “nova realidade”
terializam nossas ações sociais”. está a indispensável necessidade de trabalhar a
Segundo Rojo (2009, p. 87), entre os anos leitura e a escrita com ênfase na multiplicidade
1970 e 1990, com a chamada virada pragmá- de gêneros textuais. Mas não só isso. É funda-
tica, “propostas, programas e materiais didáti- mental abrir espaço nas nossas aulas para ativi-
cos passaram a se pronunciar decisivamente dades de reflexão sobre a língua e a linguagem,
em favor da presença do texto, e mais, de uma que visam não à metalinguagem técnica, mas à
diversidade de textos, em especial das mídias concepção de que um ensino eficaz se proces-
de grande circulação, em sala de aula”. Assim, sa por meio do percurso
os currículos de Língua Portuguesa se descen-
tralizaram dos conteúdos gramaticais e passa- uso reflexão uso
ram a se caracterizar como centrados em pro-
cedimentos — eixos procedimentais de leitura Ou seja: esse trânsito não é possível se não
e de produção de textos (ROJO, 2009). Desse for feito a partir dos textos. Como não existe tex-
modo, nas últimas décadas do século passado to sem gramática, o grande desafio é conseguir
começaram a se configurar os atuais paradig- unir toda essa teoria, as gramáticas e as boas
mas para o ensino da língua materna. As trans- intenções e transformar tudo em prática — cla-
formações sociopolíticas pelas quais passou ra, interessante e eficiente.

1 Não identificamos essa prática com o ensino tradicional. Percebemos a tradição como um conjunto de práticas pedagógicas cristalizadas ao longo
dos anos, o que não implica, portanto, um posicionamento pejorativo. Como bem lembra Mendonça (2009: 201), “aspectos dessa tradição podem ser
hoje questionados com o devido distanciamento, que nos possibilita um olhar menos envolvido e mais objetivo, mas isso não significa desprezar todo
o trabalho feito em determinados momentos da nossa educação. Por exemplo, na escola tradicional, também há práticas de letramento significativas,
algumas das quais deveriam ser resgatadas, mesmo com outra roupagem. É o caso da recitação de poemas, dos saraus na escola, em que os alunos
eram solicitados a conhecer textos poéticos, memorizá-los e declamá-los, para uma audiência de colegas, professores e pais. Era, enfim, um evento
de letramento significativo dentro da vida escolar”.
2 Cf. Brasil (2000) e Rojo (2009).

III

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Esta coleção foi escrita justamente com esse desde o início. Isto é, propor uma abordagem
propósito, pois muito se discute sobre a viabili- ampla da competência comunicativa por meio
dade de se ensinar gramática na escola, mas das três bases fundamentais:
esse não é o maior problema. A grande ques-
tão é ter bastante claro o que devemos ensinar, leitura, análise linguística
como devemos ensinar e com que finalidade. É e produção textual
essa compreensão que vem norteando o nosso
trabalho pedagógico há quase dez, tanto nos li- Durante esta reformulação, procuramos acres-
vros didáticos que temos publicado quanto em centar ainda mais temas transversais, conscien-
nossa prática nas salas de aula. Talvez por isso, tes de que o aperfeiçoamento dessa competência
desde a publicação da primeira edição, em 2013, deve conduzir, necessariamente, à formação de
esta coleção tem rendido muitos elogios, tanto cidadãos flexíveis, democráticos e protagonistas,
dos estudantes quanto dos professores, que se capazes de realizar leituras múltiplas — a leitura
mantêm fiéis à nossa proposta pedagógica des- na vida e a leitura na escola.
de então. Para nossa felicidade, a excelente re- Por tudo isso, agradecemos a todos os pro-
cepção nos quatro cantos do País nos mostrou fessores e estudantes que acreditam no nosso
que estamos no caminho certo, buscando uma trabalho e permitem a nossa participação na
verdadeira renovação nas formas de ensinar e sua vida. Nada disso teria sentido sem o apoio
aprender a nossa língua. de todos vocês. Muito obrigado!
Nesta segunda edição, buscamos manter o Desnecessário dizer que este trabalho não se
mesmo princípio que norteou o nosso trabalho finda aqui. Ele se estenderá à sua prática diária,
como agente de letramento. Seria um equívo-
co supor que a abordagem feita nos livros dos
alunos é suficiente para alcançar essa forma-
ção. Como acontece em todo trabalho coletivo,
o sucesso será resultado da participação efetiva
de todos. Nada fará sentido se não buscarmos
juntos o mesmo objetivo incansavelmente.
Nesse sentido, para facilitar nosso diálogo,
elaboramos este Manual do Educador. Nele
procuramos trazer subsídios para ampliar ain-
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da mais sua prática e enriquecer a abordagem


do livro do aluno. Desnecessário dizer, também,
que todos os comentários feitos são sugestões
e que nos colocamos sempre a disposição para
dialogar com todos e todas em busca de aper-
feiçoamento. Tenham certeza de que cada su-
gestão e crítica será recebida e analisada com
carinho.

Lécio Cordeiro
leciocordeiro@editoraconstruir.com.br

IVIV

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Manual do Educador

O que
ensinar?
No que se refere ao ensino de língua, um cuschi (2008), isso seria substituir uma metodo-
questionamento é inevitável: por que ensinar o logia inadequada por outra. Na verdade, essa
português aos brasileiros, que o têm como lín- sistematização envolverá uma série de estraté-
gua materna? É aparentemente uma contradi- gias que, por meio da epilinguagem, levarão os
ção: há utilidade em ensinar o que o aluno já alunos a perceber que a língua é perpassada
sabe? Se aprofundarmos ainda mais esta ques- por uma infinidade de saberes, crenças, práti-
tão, podemos nos fazer outra pergunta, conse- cas, papéis sociais, intenções, relações de po-
quência natural da primeira: então, quando se der, etc. Esse conhecimento lhes mostrará que
ensina língua, o que se ensina de fato? a língua não é neutra, e essa consciência permi-
Ora, todos os falantes refletem em algum mo- tirá que, de posse dos recursos que ela mesma
mento sobre a língua que falam. O que ensinar? lhes oferece, eles possam alcançar efeitos de
Em várias ocasiões ela é alvo de avaliações posi- sentido muito mais amplos.
tivas, negativas, estéticas, críticas. É essa a base É claro que muito disso eles já sabem. Não
da atividade epilinguística. Cabe a nós, como é na escola, por exemplo, que eles aprendem
agentes de letramento e socialização, ajudar os que devem se dirigir a determinadas pessoas
alunos a sistematizar essas avaliações para que por meio de senhor, senhora, e que com outras
ampliem a sua competência comunicativa. podem usar você. Mas há uma infinidade de co-
Na prática, isso não quer dizer que as aulas nhecimento que lhes é revelado apenas no am-
de análise sintática devem ser substituídas por biente escolar. Ou seja, devemos levá-los não
aulas de linguística, análise do discurso, filoso- a aprender a língua, mas a ampliar sua compe-
fia da linguagem, etc. Como bem lembra Mar- tência comunicativa.
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Língua e
gramática
Trabalhar com uma língua natural signifi- à outra, à tarde; e à outra, à noite. Como jamais
ca lidar com um objeto científico “escondido”, puderam sair dessa clausura, essas pessoas
como supostamente defendia Ferdinand de veriam a realidade de forma bastante reduzida.
Saussure. Em conformidade com os preceitos Para a primeira, ela seria diáfana; para a segun-
existencialistas, o teórico argumentou no Curso da, crepuscular; e para a terceira, obscura. Qual
de linguística geral (Cultrix, 1972:15) que, para delas estaria certa? Considerando-se o posicio-
revelar e estudar esse objeto, precisamos dis- namento adotado, todas elas seriam adequa-
por previamente de um ponto de vista sobre ele. das. Era exatamente sobre isso que Saussure
Segundo ele, “bem longe de dizer que o obje- certamente falava: o ponto de vista, de fato, cria
to precede o ponto de vista, diríamos que é o o objeto.
ponto de vista que cria o objeto”. Seguindo esse Por outro lado, há de se perceber que a visão
raciocínio, Marcuschi (2008, p. 50) observa que que cada uma delas tinha sobre a realidade,
“o ensino, seja lá do que for, é sempre o ensino apesar de adequada, era incompleta. Os lin-
de uma visão do objeto e de uma relação com guistas são como os presos da caverna. Fazem
ele. Isto vale para o nosso objeto: a língua”. A suas pesquisas e seus questionamentos e todo
forma como a percebemos aponta diretamente resultado a que chegam é — e sempre será —
para os fenômenos linguísticos aos quais nos incompleto. Externalizar esse “objeto escondi-
dedicamos nesta Coleção: o texto, os gêneros, do” e teorizar sobre ele é tarefa extremamente
a compreensão e a análise gramatical. penosa, um verdadeiro trabalho de Sísifo1. E se
Acontece, porém, que várias teorias lançam concebermos a linguagem como o fez Pinker2,
pontos de vista sobre nosso objeto. Para ilus- essa tarefa perdurará talvez por todo o sempre.
trar bem essa pluralidade de concepções de lín- Não obstante, os estudos linguísticos apon-
gua, vale recontar o famoso mito da caverna, tam normalmente em quatro grandes direções
de Platão. Mas, como dizia Machado de Assis, no sentido de desvendar esse “objeto escondi-
quem conta um conto aumenta um ponto. No do”. Cada uma delas conduz a uma noção de
mito original, algumas pessoas vivem presas gramática bastante específica:
no interior de uma caverna, sempre de costas a. A língua é uma estrutura. Essa definição pri-
para a entrada. O único contato que têm com vilegia a análise interna dos elementos lin-
a realidade são as sombras das pessoas que guísticos (fonemas, morfemas, sintagmas e
passam pela entrada da caverna refletidas na proposições) e sua relação entre si. Cabe à
parede. Imagine, entretanto, que, por alguma gramática descrever as diferentes maneiras
razão, três dessas pessoas só pudessem ver de organização dessa estrutura.
esses vultos em períodos específicos do dia: a b. A língua é um somatório de “usos exempla-
uma só é permitido ver as sombras pela manhã; res”. Essa noção leva à concepção de que

1 O mito de Sísifo narra a trajetória de um homem ardiloso que, tendo enganado a morte e meia dúzia de deuses, foi condenado a rolar uma rocha
imensa até o cume de uma escarpada montanha. Mas sempre que chegava ao alto, a pedra despencava, e ele era obrigado a recomeçar a estafante
e ininterrupta tarefa.
2 “O funcionamento da linguagem está tão distante de nossa consciência quanto os fundamentos lógicos da postura de ovos para as moscas”
(Pinker, 2004:13).

VIVI

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Manual do Educador

a gramática deve prescrever, em termos de d. A língua é uma atividade sociointerativa situa-


certo ou errado, a forma como devemos fa- da, perspectiva que se volta para a sociointe-
lar e escrever. Não há aqui qualquer relação ração relacionada a aspectos históricos e dis-
com a realidade de uso dos falantes, mas cursivos. Por essa perspectiva, a gramática é
com um conceito de norma ideal restrita ape- estrutura, cognição, funcionamento, história
nas a essa gramática. e, fundamentalmente, interação entre os su-
c. A língua é um conjunto de processos mentais jeitos.
e estruturantes. Por essa perspectiva, a lín-
gua direciona sua finalidade para a criação Ao longo da produção desta Coleção, a defi-
e expressão do pensamento, levando à no- nição de língua como uma atividade sociointe-
ção de gramática cognitiva-funcionalista. Se rativa situada guiou toda a abordagem dos con-
reduzido, esse ponto de vista a resumiria à teúdos, pois está mais do que provado que se
sua condição exclusiva de fenômeno mental mostra a mais abrangente para a consecução
e sistema de representação conceitual. dos nossos objetivos.

Leitura, produção e
análise linguística
A proposta de língua que norteia a coleção dão. Feito isso, passamos a gramática tradicio-
deixa clara nossa visão acerca da leitura, da pro- nal em revista e procuramos ao máximo fazer
dução de textos e do trabalho com a gramática. uma abordagem teórico-prática que consideras-
Dessa forma, esses três pilares são trabalhados se as demandas comunicativas da nossa so-
de maneira interligada. Há uma influência recí- ciedade e, sobretudo, observasse nuanças im-
proca entre eles: um repercute no outro e todos portantes do português brasileiro que até então
são importantes para a produção de sentido. têm sido veementemente ignoradas pelos livros
Tendo isso em vista, procedemos a uma aná- didáticos. Como dissemos, é uma continuação,
lise bastante criteriosa de textos: literários e revista e ampliada, do estudo iniciado em Con-
não literários, verbais e não verbais, etc. Nosso textualizando a gramática. O professor que tra-
critério sempre se pautou na escolha de textos balhou com este livro encontrará aqui bastantes
cuja leitura e análise despertasse o interesse do subsídios para renovar sua prática de ensino de
aluno e, concomitantemente, contribuísse efe- língua portuguesa.
tivamente para a sua formação enquanto cida-

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A reformulação
Inúmeros propósitos nos levaram a reformular Essa sugestão de organização dos conteúdos
esta coleção, mas o principal foi, sem dúvida, o em sequências didáticas nos pareceu a mais
desejo de continuar participando ativamente da viável para guiar a coleção. Por meio dela, po-
transformação pela qual vem passando o ensino demos abranger vários gêneros e trabalhá-los
de língua portuguesa em benefício da formação em espiral, sempre buscando uma abordagem
cidadã dos nossos alunos. A percepção clara gradativamente mais profunda. É o que reflete a
desse objetivo guiou todos os passos dados du- estrutura dos livros e dos capítulos.
rante todo o trabalho. Cada livro da Coleção está dividido em oito
Desde o início, o desafio e a responsabili- capítulos, segmentados em duas partes e no-
dade de produzir um trabalho sério e honesto meados conforme o gênero e os temas trans-
impuseram a necessidade de assumir um po- versais abordados. Seguindo a proposta de
sicionamento definido a respeito do ensino da Schneuwly e Dolz, na etapa de elaboração do
leitura, da produção de textos e da análise lin- esboço, selecionamos os gêneros que seriam
guística, ponto de vista que já apresentamos trabalhados ao longo dos livros e os agrupamos
em detalhes anteriormente. Feito isso, passa- conforme a sua tipologia textual. A partir daí, pu-
mos a projetar um esboço da coleção de modo demos traçar um roteiro de abordagem dos con-
a contemplar efetivamente esses três eixos nor- teúdos que possibilitasse um trabalho integrado
teadores e as diretrizes recomendadas pelos com os três eixos norteadores da nossa prática
PCN. Nesse esboço, montamos a estrutura dos e passível de realização em tempo hábil.
livros tendo como base a leitura de Schneuwly e
Dolz (2004), que trazem uma proposta de agru-
pamento dos gêneros a partir de noções como Todo o planejamento foi pensado para
domínio social de comunicação, capacidades contemplar aproximadamente 37 aulas
de linguagem, tipologias textuais, etc. Eles pro- teórico-práticas por bimestre, consideran-
põem um trabalho espiralado com gêneros e do o ano com 180 dias letivos e 5 aulas
tipos organizados em sequências didáticas. por semana, incluídas aí as avaliações.
Grosso modo, a ideia é apresentar aos alunos Como há 8 capítulos em cada livro, a in-
ciclicamente tipos e gêneros textuais de forma tenção é trabalhar 2 capítulos por bimes-
a habilitá-los a conhecer e dominar, ao final do tre, ou seja, 1 capítulo a cada 18 aulas.
processo, o máximo de competências possível.
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Manual do Educador

A produção textual
e a leitura

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Em substituição às deno­minadas “aulas de junto destes), des­de a observação analítica de
redação”, o professor de Língua Portuguesa um acontecimento ou leitura atenta de um artigo
atualmente lida com o desafio de trabalhar a lei- científico ou cartum, por exemplo, até a seleção
tura e a escrita sob um termo mais maduro e das palavras e da organização estru­tural que ca-
abran­gente: “produção textual”. Ma­duro porque racterizarão o produ­to final.
implica as diversas etapas da construção do De acordo Bortone e Braga Martins (2008),
conhe­cimento envolvidas na confecção de um saber escrever é hoje, mais do que nunca, uma
texto; abrangente porque não mais se restringe ne­cessidade de sobrevivência em so­ciedades
à composi­ção escrita metódica baseada em es- como a nossa, em que tudo, ou quase tudo,
quemas limitados. é intermedia­ do pela escrita. A escola, infeliz­
Nesse caso, os conceitos de texto também mente, costuma ensinar a produ­ção textual de
têm recebido, na escola, significados plurais e forma inadequada, e isso, em vez de contribuir
mais firmados nas práticas cotidianas, quando para que o sujeito adquira proficiência na es­
se aplicam aos textos ver­bais e não verbais e crita, ajuda a promover bloqueios e temores em
ao serem leva­dos para a sala de aula exemplos relação a essa prática. O sistema escolar, ao
reais de gêneros e tipos textuais. Essa nova avaliar a redação do aluno, preocupa-se em ver
prática pedagógica com certeza representa um somente os erros gramaticais, como ortografia,
avanço na educação de alunos críticos e ca­ acentuação e pon­tuação. Embora todos esses
pazes de bem lidar com os recur­sos disponíveis ele­mentos gramaticais possam incidir sobre a
de sua língua, para proveito próprio e da socie- coerência e coesão textual, por si só não são
dade. elementos sufi­cientes para organizar a tessitura
Sim, quando falamos em produção textual, do texto. Nessa perspectiva, a prá­tica da escrita
nos referimos a todas as atividades necessárias escolar não observa a autoria do aluno, a cria-
para que se construa um enuncia­do (ou um con- tividade, a progressão temática, a função so­cial

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e a intencionalidade do autor do texto. Ao tra- fatoriamente uma primeira e de­cisiva etapa de
balhar com a reda­ção escolar, comete-se uma seu processo de letramento e alfabetização, ten­
série de equívocos, entre eles: do, inclusive, se apropriado de al­gumas práticas
mais complexas e menos cotidianas (relaciona-
• Solicitar que o aluno escreva sem um desti- das a esferas públicas de uso da lin­guagem),
natário real. seja de leitura e escri­ta, seja de compreensão
• Solicitar que o aluno escreva para completar e produ­ção de textos orais. Essas práticas apre-
o tempo da aula. sentam padrões linguísticos e textuais que, por
• Solicitar que o aluno escreva para se atribuir sua vez, deman­dam novos tipos de reflexão so-
uma nota. bre o funcionamento e as propriedades da lin-
• Solicitar que o aluno escreva aquilo que o guagem em uso, assim como a sistematização
professor quer. dos conhecimen­tos linguísticos correlatos mais
re­levantes. Portanto, cabe ao ensino de língua
Sabemos das deficiências que muitos dos materna, nesse nível de ensino-aprendizagem,
nossos alunos enfren­tam no processo de lei- aprofundar o processo de inserção qualificada
tura e es­crita e do empenho reforçado que um do aluno na cultura da escrita:
ensino que abarque tais obje­tivos requer. Ainda
assim, é pa­pel da escola tornar seus alunos efi- • Aperfeiçoando sua formação como leitor e
cientes produtores de textos, acompanhando-os produtor de textos escritos.
em todas as etapas necessárias. • Desenvolvendo as compe­tências e habilida-
O ensino de Língua Portu­guesa nos quatro des de leitura e escrita requeridas por esses
anos finais do Ensino Fundamental apresenta novos níveis e tipos de letramento.
características próprias, devidas tanto ao per- • Ampliando sua capacidade de reflexão sobre
fil escolar do aluna­do desse nível quanto às as propriedades e o funcionamento da língua
deman­das sociais que a ele se apresen­tam, ao e da linguagem.
final do período. • Desenvolvendo as compe­tências e habilida-
Primeiramente, espera-se que o aluno ingres- de associadas a usos escolares, formais e/
sante nesse seg­mento já tenha cumprido satis­ ou públi­cos da linguagem oral.
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Manual do Educador

Em segundo lugar, a trajetória desse aluno Considerando-se tanto as demandas de co-


em direção à autono­mia relativa nos estudos e municação e/ou conhecimentos linguísticos im­
ao ple­no exercício da cidadania pode ser con- plicadas no quadro acima des­crito quanto as
siderada, por um lado, mais de­lineada; e, por recomendações expressas por diretrizes, orien­
outro, ainda não sa­tisfatoriamente consolidada. tações e parâmetros curriculares oficiais. O en-
O que deverá implicar, no processo de en­sino- sino de Língua Por­tuguesa, nos quatro últimos
aprendizagem escolar desses anos, um maior anos do Ensino Fundamental, deve or­ganizar-se
peso relativo para esses eixos de formação. de forma a garantir ao aluno:
Finalmente, o destino do alu­no, ao final des-
se período de es­colarização obrigatória, é bas- • O desenvolvimento da lin­guagem oral, a
tante diversificado. E, muitas vezes, im­plica a apropriação e o desenvolvimento da lingua-
interrupção temporária ou mesmo definitiva de gem escrita, especialmente no que diz res-
sua educação escolar, motivo pelo qual o Ensino peito a demandas oriundas seja de situações
Fundamental deve garantir a seus egressos um e instâncias pú­blicas e formais de uso da
domínio da escri­ta e da oralidade suficiente para língua, seja do próprio processo de ensi­no-
as demandas básicas do mundo do trabalho e aprendizagem escolar.
do pleno exercício da cidadania, inclusive no • O pleno acesso ao mundo da escrita.
que diz respeito à fruição da literatura em língua • A proficiência em leitura e escrita, no que diz
portuguesa. Tais circuns­tâncias atribuem a es- respeito a gê­neros discursivos e tipos de tex­to
ses anos do Ensino Fundamental uma respon­ representativos das principais funções da es-
sabilidade ainda maior, no que diz respeito ao crita em diferentes esferas de atividade social.
processo de formação tanto do leitor e do pro- • A fruição estética e a apre­ ciação crítica
dutor pro­ficiente e crítico de textos quanto do lo- da produção literá­ria associada à língua
cutor capaz de uso adequado e eficiente da lin- portugue­sa, em especial a da literatura bra-
guagem oral em situações privadas ou públicas. sileira.

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• O desenvolvimento de ati­tudes, competên- Já as atividades de compreen­são e interpre-
cias e habilida­des envolvidas na compreen- tação do texto têm como objetivo final a forma-
são da variação linguística e no con­ vívio ção do leitor (inclusive a do leitor li­terário) e o
democrático com a diversi­dade dialetal, de desenvolvimento da proficiência em leitura.
forma a evitar o preconceito e valorizar as Portan­to, só podem constituir-se como tais na
dife­
rentes possibilidades de expres­ são lin- medida que:
guística.
• O domínio das normas ur­banas de prestígio, • Encararem a leitura como uma situação de
especialmen­ te em sua modalidade escrita, interlocução lei­ tor/autor/texto socialmente
mas também nas situações orais públicas con­textualizada.
em que seu uso é social­mente requerido. • Respeitarem as convenções e os modos de
• As práticas de análise e re­flexão sobre a ler próprios dos di­ferentes gêneros, tanto lite-
língua, na medida em que se revelarem rários quanto não literários.
pertinen­tes, seja para a (re)construção dos • Desenvolverem estratégias e capacidades
sentidos de textos, seja para a compreensão de leitura, tanto as relacionadas aos gêne-
do funcionamento da língua e da linguagem. ros propos­tos, quanto as inerentes ao nível
de proficiência que se pretende le­var o aluno
Nesse sentido, as atividades de leitura e es- a atingir.
crita, assim como de produção e compreensão
oral, em situações contextualizadas de uso, de- Por fim, as propostas de produção es­crita
vem ser prioritárias no ensino-aprendizagem des- devem visar à formação do produtor de texto e,
ses anos de escolarização e, por con­seguinte, na portanto, ao desenvolvimento da proficiência em
proposta pedagógica dos livros didáticos de Por- escrita. Nesse sentido, não po­dem deixar de:
tuguês (LDP) a eles destinados. Por ou­tro lado,
as práticas de reflexão, assim como a constru- • Considerar a escrita como uma prática so-
ção correla­ta de conhecimentos linguísticos e a cialmente situada, propondo ao aluno, por-
descrição gramatical, devem justificar-se por sua tanto, con­dições plausíveis de produção do
funcionalida­de, exercendo-se, sempre, com base texto.
em textos produzidos em condições sociais efe- • Abordar a escrita como pro­cesso, de forma a
tivas de uso da língua, e não em situações di­ ensinar expli­citamente os procedimentos en­
dáticas artificialmente criadas. volvidos no planejamento, na produção, na
No trabalho com o texto, em qualquer de suas revisão e na reescri­ta dos textos.
dimensões (lei­tura e compreensão, produção de • Explorar a produção de gê­neros ao mesmo
textos orais e escritos, constru­ção de conheci- tempo diversos e pertinentes para a conse-
mentos linguísti­ cos), é fundamental a diversi- cução dos objetivos estabelecidos pelo nível
dade de estratégias, assim como a ar­ticulação de ensino visado.
entre os vários aspectos envolvidos, de forma a • Desenvolver as estratégias de produção rela-
garantir a progressão nos estudos. Além des­ses, cionadas tanto ao gênero proposto quanto ao
em cada um dos componentes de Língua Portu- ao grau de proficiência que se pretende levar
guesa outros cri­térios afiguram-se fundamentais o aluno a atingir.
para garantir à coleção um desem­penho ao me-
nos satisfatório, em termos metodológicos.

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Manual do Educador

A leitura antecede e acompanha


a produção textual
A leitura regular e de quali­dade não serve Não duvidamos da importân­cia de outras for-
apenas como ar­cabouço de modelos de textos mas de veicula­ção de informação e conteúdo.
a serem apreendidos pelo estudan­te. A prática De fato, o valor da mensagem pode estar além
da leitura, aliada aos constantes exercícios, fará da forma com que é conduzida e, em muitos ca-
com que o aluno assimile, em seu co­tidiano, as sos, essa forma acrescenta interesse à própria
melhores formas de posicionar seus pensamen- mensagem. No entanto, não podemos negar
tos em um texto. que alguém habituado a dialogar com textos nos
Dessa forma, o professor deve, antes de tudo, seus variados formatos e veí­culos torna-se um
ensinar seus alunos a serem bons leitores. Essa melhor leitor, pois abrange sua capacidade de
árdua tarefa não se esgota, é contínua em todas recepção estética.
as aulas e está atrelada aos momentos de pro- Assim, os textos escritos devem continuar fa-
dução tex­tual propriamente ditos: leitura e es- zendo parte da rotina dos alunos e, tal iniciativa,
crita são habilidades que dialo­gam entre si, se deve ser incentivada pela escola a ser tomada
complementam e se aperfeiçoam. durante as aulas.
É notório, todavia, o distan­ciamento ocorrido, Tanto este manual como o li­vro do aluno com o
cada vez mais, entre os jovens e os textos escri­ qual ele inte­rage estão permeados de exem­plos,
tos em suas práticas cotidianas. Ainda que a In- exercícios e orientações de abordagem atrelados
ternet, principal espaço de compartilhamento de aos diferen­tes tipos de texto, em suas for­mas ver-
informações atualmente, ofereça a leitura de di- bais e não verbais. Acredi­tamos na diversidade
versos textos ver­bais, as imagens (especialmen- de conteúdo como uma importante ferramen­ta
te vídeos) e as músicas têm tornado o contato para o aperfeiçoamento do tra­balho do educador
com os textos escritos menos assíduo. bem como do aprendizado do aluno.

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Manual do Educador

Competências específicas
de língua portuguesa para
o ensino fundamental
1. Compreender a língua como fenômeno cultu- 6. Analisar informações, argumentos e opiniões
ral, histórico, social, variável, heterogêneo e manifestados em interações sociais e nos
sensível aos contextos de uso, reconhecen- meios de comunicação, posicionando-se
do-a como meio de construção de identida- ética e criticamente em relação a conteúdos
des de seus usuários e da comunidade a que discriminatórios que ferem direitos humanos
pertencem. e ambientais.
2. Apropriar-se da linguagem escrita, reconhe- 7. Reconhecer o texto como lugar de manifes-
cendo-a como forma de interação nos dife- tação e negociação de sentidos, valores e
rentes campos de atuação da vida social e ideologias.
utilizando-a para ampliar suas possibilidades 8. Selecionar textos e livros para leitura integral,
de participar da cultura letrada, de construir de acordo com objetivos, interesses e proje-
conhecimentos (inclusive escolares) e de se tos pessoais (estudo, formação pessoal, en-
envolver com maior autonomia e protagonis- tretenimento, pesquisa, trabalho etc.).
mo na vida social.
9. Envolver-se em práticas de leitura literária
3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos que possibilitem o desenvolvimento do senso
e multissemióticos que circulam em diferen- estético para fruição, valorizando a literatu-
tes campos de atuação e mídias, com com- ra e outras manifestações artístico-culturais
preensão, autonomia, fluência e criticidade, como formas de acesso às dimensões lúdi-
de modo a se expressar e partilhar informa- cas, de imaginário e encantamento, reconhe-
ções, experiências, ideias e sentimentos, e cendo o potencial transformador e humaniza-
continuar aprendendo. dor da experiência com a literatura.
4. Compreender o fenômeno da variação lin- 10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferen-
guística, demonstrando atitude respeitosa tes linguagens, mídias e ferramentas digitais
diante de variedades linguísticas e rejeitando para expandir as formas de produzir sentidos
preconceitos linguísticos. (nos processos de compreensão e produ-
5. Empregar, nas interações sociais, a varieda- ção), aprender e refletir sobre o mundo e rea-
de e o estilo de linguagem adequados à si- lizar diferentes projetos autorais.
tuação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e
ao gênero do discurso/gênero textual.

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Língua Portuguesa no Ensino
Fundamental – anos finais:
práticas de linguagem, objetos
de conhecimento e habilidades
Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, o jornalísticos – informativos e opinativos – e os
adolescente/jovem participa com maior critici- publicitários são privilegiados, com foco em es-
dade de situações comunicativas diversificadas, tratégias linguístico-discursivas e semióticas vol-
interagindo com um número de interlocutores tadas para a argumentação e persuasão. Para
cada vez mais amplo, inclusive no contexto es- além dos gêneros, são consideradas práticas
colar, no qual se amplia o número de professo- contemporâneas de curtir, comentar, redistribuir,
res responsáveis por cada um dos componen- publicar notícias, curar etc. e tematizadas ques-
tes curriculares. Essa mudança em relação aos tões polêmicas envolvendo as dinâmicas das re-
anos iniciais favorece não só o aprofundamen- des sociais e os interesses que movem a esfera
to de conhecimentos relativos às áreas, como jornalística-midiática. A questão da confiabilida-
também o surgimento do desafio de aproximar de da informação, da proliferação de fake news,
esses múltiplos conhecimentos. A continuida- da manipulação de fatos e opiniões têm desta-
de da formação para a autonomia se fortalece que e muitas das habilidades se relacionam com
nessa etapa, na qual os jovens assumem maior a comparação e análise de notícias em diferen-
protagonismo em práticas de linguagem realiza- tes fontes e mídias, com análise de sites e ser-
das dentro e fora da escola. viços checadores de notícias e com o exercício
No componente Língua Portuguesa, amplia- da curadoria, estando previsto o uso de ferra-
-se o contato dos estudantes com gêneros tex- mentas digitais de curadoria. A proliferação do
tuais relacionados a vários campos de atuação discurso de ódio também é tematizada em todos
e a várias disciplinas, partindo-se de práticas de os anos e habilidades relativas ao trato e respei-
linguagem já vivenciadas pelos jovens para a to com o diferente e com a participação ética e
ampliação dessas práticas, em direção a novas respeitosa em discussões e debates de ideias
experiências. são consideradas. Além das habilidades de lei-
Como consequência do trabalho realizado tura e produção de textos já consagradas para
em etapas anteriores de escolarização, os ado- o impresso são contempladas habilidades para
lescentes e jovens já conhecem e fazem uso de o trato com o hipertexto e também com ferra-
gêneros que circulam nos campos das práticas mentas de edição de textos, áudio e vídeo e pro-
artístico-literárias, de estudo e pesquisa, jorna- duções que podem prever postagem de novos
lístico/midiático, de atuação na vida pública e conteúdos locais que possam ser significativos
campo da vida pessoal, cidadãs, investigativas. para a escola ou comunidade ou apreciações e
Aprofunda-se, nessa etapa, o tratamento dos réplicas a publicações feitas por outros. Trata-se
gêneros que circulam na esfera pública, nos de promover uma formação que faça frente a fe-
campos jornalístico-midiático e de atuação na nômenos como o da pós-verdade, o efeito bolha
vida pública. No primeiro campo, os gêneros e proliferação de discursos de ódio, que possa

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promover uma sensibilidade para com os fatos seus contextos de produção, o que contextualiza
que afetam drasticamente a vida de pessoas e e confere significado a seus preceitos. Trata-se
prever um trato ético com o debate de ideias. de promover uma consciência dos direitos, uma
Como já destacado, além dos gêneros jorna- valorização dos direitos humanos e a formação
lísticos, também são considerados nesse campo de uma ética da responsabilidade (o outro tem
os publicitários, estando previsto o tratamento direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho).
de diferentes peças publicitárias, envolvidas em Ainda nesse campo, estão presentes gêne-
campanhas, para além do anúncio publicitário e ros reivindicatórios e propositivos e habilidades
a propaganda impressa, o que supõe habilidades ligadas a seu trato. A exploração de canais de
para lidar com a multissemiose dos textos e com participação, inclusive digitais, também é pre-
as várias mídias. Análise dos mecanismos e per- vista. Aqui também a discussão e o debate de
suasão ganham destaque, o que também pode ideias e propostas assume um lugar de desta-
ajudar a promover um consumo consciente. que. Assim, não se trata de promover o silen-
No campo de atuação da vida pública ga- ciamento de vozes dissonantes, mas antes de
nham destaque os gêneros legais e normativos explicitá-las, de convocá-las para o debate,
– abrindo-se espaço para aqueles que regulam analisá-las, confrontá-las, de forma a propiciar
a convivência em sociedade, como regimentos uma autonomia de pensamento, pautada pela
(da escola, da sala de aula) e estatutos e có- ética, como convém a Estados democráticos.
digos (Estatuto da Criança e do Adolescente e Nesse sentido, também são propostas análises
Código de Defesa do Consumidor, Código Na- linguísticas e semióticas de textos vinculados
cional de Trânsito etc.), até os de ordem mais a formas políticas não institucionalizadas, mo-
geral, como a Constituição e a Declaração dos vimentos de várias naturezas, coletivos, produ-
Direitos Humanos, sempre tomados a partir de ções artísticas, intervenções urbanas etc.

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No campo das práticas investigativas, há ticos, verbetes de enciclopédias colaborativas,
uma ênfase nos gêneros didático-expositivos, vídeos-minuto etc. Trata-se de fomentar uma
impressos ou digitais, do 6º ao 9º ano, sendo formação que possibilite o trato crítico e criterio-
a progressão dos conhecimentos marcada pela so das informações e dados.
indicação do que se operacionaliza na leitura, No âmbito do Campo artístico-literário, trata-
escrita, oralidade. Nesse processo, procedimen- -se de possibilitar o contato com as manifesta-
tos e gêneros de apoio à compreensão são pro- ções artísticas em geral, e, de forma particular
postos em todos os anos. Esses textos servirão e especial, com a arte literária e de oferecer as
de base para a reelaboração de conhecimentos, condições para que se possa reconhecer, valo-
a partir da elaboração de textos-síntese, como rizar e fruir essas manifestações. Está em jogo
quadro-sinópticos, esquemas, gráficos, infográ- a continuidade da formação do leitor literário,
ficos, tabelas, resumos, entre outros, que per- com especial destaque para o desenvolvimen-
mitem o processamento e a organização de co- to da fruição, de modo a evidenciar a condição
nhecimentos em práticas de estudo e de dados estética desse tipo de leitura e de escrita. Para
levantados em diferentes fontes de pesquisa. que a função utilitária da literatura – e da arte
Será dada ênfase especial a procedimentos de em geral – possa dar lugar à sua dimensão hu-
busca, tratamento e análise de dados e informa- manizadora, transformadora e mobilizadora, é
ções e a formas variadas de registro e socializa- preciso supor – e, portanto, garantir a forma-
ção de estudos e pesquisas, que envolvem não ção de – um leitor-fruidor, ou seja, de um sujei-
só os gêneros já consagrados, como apresenta- to que seja capaz de se implicar na leitura dos
ção oral e ensaio escolar, como também outros textos, de “desvendar” suas múltiplas camadas
gêneros da cultura digital – relatos multimidiá- de sentido, de responder às suas demandas e

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de firmar pactos de leitura. Para tanto, as habi- ser e estar no mundo e, pelo reconhecimento do
lidades, no que tange à formação literária, en- que é diverso, compreender a si mesmo e de-
volvem conhecimentos de gêneros narrativos senvolver uma atitude de respeito e valorização
e poéticos que podem ser desenvolvidos em do que é diferente.
função dessa apreciação e que dizem respeito, Outros gêneros, além daqueles cuja aborda-
no caso da narrativa literária, a seus elementos gem é sugerida na BNCC, podem e devem ser
(espaço, tempo, personagens); às escolhas incorporados aos currículos das escolas e, assim
que constituem o estilo nos textos, na configu- como já salientado, os gêneros podem ser con-
ração do tempo e do espaço e na construção templados em anos diferentes dos indicados.
dos personagens; aos diferentes modos de Também, como já mencionado, nos Anos Fi-
se contar uma história (em primeira ou tercei- nais do Ensino Fundamental, os conhecimen-
ra pessoa, por meio de um narrador persona- tos sobre a língua, sobre as demais semioses
gem, com pleno ou parcial domínio dos acon- e sobre a norma-padrão se articulam aos de-
tecimentos); à polifonia própria das narrativas, mais eixos em que se organizam os objetivos
que oferecem níveis de complexidade a serem de aprendizagem e desenvolvimento de Lín-
explorados em cada ano da escolaridade; ao gua Portuguesa. Dessa forma, as abordagens
fôlego dos textos. No caso da poesia, desta- linguística, metalinguística e reflexiva ocorrem
cam-se, inicialmente, os efeitos de sentido pro- sempre a favor da prática de linguagem que
duzidos por recursos de diferentes naturezas, está em evidência nos eixos de leitura, escrita
para depois se alcançar a dimensão imagética, ou oralidade.
constituída de processos metafóricos e meto- Os conhecimentos sobre a língua, as de-
nímicos muito presentes na linguagem poética. mais semioses e a norma-padrão não devem
Ressalta-se, ainda, a proposição de objeti- ser tomados como uma lista de conteúdos
vos de aprendizagem e desenvolvimento que dissociados das práticas de linguagem, mas
concorrem para a capacidade dos estudantes como propiciadores de reflexão a respeito do
de relacionarem textos, percebendo os efeitos funcionamento da língua no contexto dessas
de sentidos decorrentes da intertextualidade práticas. A seleção de habilidades na BNCC
temática e da polifonia resultante da inserção está relacionada com aqueles conhecimen-
– explícita ou não – de diferentes vozes nos tos fundamentais para que o estudante possa
textos. A relação entre textos e vozes se ex- apropriar-se do sistema linguístico que organi-
pressa, também, nas práticas de compartilha- za o português brasileiro.
mento que promovem a escuta e a produção Alguns desses objetivos, sobretudo aque-
de textos, de diferentes gêneros e em diferen- les que dizem respeito à norma, são transver-
tes mídias, que se prestam à expressão das sais a toda a base de Língua Portuguesa. O
preferências e das apreciações do que foi lido/ conhecimento da ortografia, da pontuação, da
ouvido/assistido. acentuação, por exemplo, deve estar presen-
Por fim, destaque-se a relevância desse cam- te ao longo de toda escolaridade, abordados
po para o exercício da empatia e do diálogo, conforme o ano da escolaridade. Assume-se,
tendo em vista a potência da arte e da literatura na BNCC de Língua Portuguesa, uma pers-
como expedientes que permitem o contato com pectiva de progressão de conhecimentos que
diversificados valores, comportamentos, cren- vai das regularidades às irregularidades e dos
ças, desejos e conflitos, o que contribui para usos mais frequentes e simples aos menos ha-
reconhecer e compreender modos distintos de bituais e mais complexos.

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO – Trata-se, em relação a este Campo, de ampliar e qualificar a participação
das crianças, adolescentes e jovens nas práticas relativas ao trato com a informação e opinião, que estão no
centro da esfera jornalística/midiática. Para além de construir conhecimentos e desenvolver habilidades envolvidas
na escuta, leitura e produção de textos que circulam no campo, o que se pretende é propiciar experiências
que permitam desenvolver nos adolescentes e jovens a sensibilidade para que se interessem pelos fatos que
acontecem na sua comunidade, na sua cidade e no mundo e afetam as vidas das pessoas, incorporem em suas
vidas a prática de escuta, leitura e produção de textos pertencentes a gêneros da esfera jornalística em diferentes
fontes, veículos e mídias, e desenvolvam autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e
posicionamentos diversos e possam produzir textos noticiosos e opinativos e participar de discussões e debates
de forma ética e respeitosa.

Leitura Apreciação e réplica


Relação entre gêneros e mídias

Estratégia de leitura: apreender os sentidos globais do texto

Efeitos de sentido

Produção de textos Relação do texto com o contexto de produção e experimentação


de papéis sociais

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Manual do Educador

HABILIDADES
Vários são os gêneros possíveis de serem contemplados em atividades de leitura e produção de textos para além
dos já trabalhados nos anos iniciais do ensino fundamental (notícia, álbum noticioso, carta de leitor, entrevista
etc.): reportagem, reportagem multimidiática, fotorreportagem, foto-denúncia, artigo de opinião, editorial, resenha
crítica, crônica, comentário, debate, vlog noticioso, vlog cultural, meme, charge, charge digital, political remix,
anúncio publicitário, propaganda, jingle, spot, dentre outros. A referência geral é que, em cada ano, contemplem-
se gêneros que lidem com informação, opinião e apreciação, gêneros mais típicos dos letramentos da letra e do
impresso e gêneros multissemióticos e hipermidiáticos, próprios da cultura digital e das culturas juvenis.
Diversos também são os processos, ações e atividades que podem ser contemplados em atividades de uso e
reflexão: curar, seguir/ser seguido, curtir, comentar, compartilhar, remixar etc.
Ainda com relação a esse campo, trata-se também de compreender as formas de persuasão do discurso
publicitário, o apelo ao consumo, as diferenças entre vender um produto e “vender” uma ideia, entre anúncio
publicitário e propaganda.

(EF69LP01) Diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio, posicionando-se contrariamente a esse tipo
de discurso e vislumbrando possibilidades de denúncia quando for o caso.
(EF69LP02) Analisar e comparar peças publicitárias variadas (cartazes, folhetos, outdoor, anúncios e
propagandas em diferentes mídias, spots, jingle, vídeos etc.), de forma a perceber a articulação entre elas em
campanhas, as especificidades das várias semioses e mídias, a adequação dessas peças ao público-alvo, aos
objetivos do anunciante e/ou da campanha e à construção composicional e estilo dos gêneros em questão, como
forma de ampliar suas possibilidades de compreensão (e produção) de textos pertencentes a esses gêneros.

(EF69LP03) Identificar, em notícias, o fato central, suas principais circunstâncias e eventuais decorrências; em
reportagens e fotorreportagens o fato ou a temática retratada e a perspectiva de abordagem, em entrevistas os
principais temas/subtemas abordados, explicações dadas ou teses defendidas em relação a esses subtemas; em
tirinhas, memes, charge, a crítica, ironia ou humor presente.

(EF69LP04) Identificar e analisar os efeitos de sentido que fortalecem a persuasão nos textos publicitários,
relacionando as estratégias de persuasão e apelo ao consumo com os recursos linguístico-discursivos utilizados,
como imagens, tempo verbal, jogos de palavras, figuras de linguagem etc., com vistas a fomentar práticas de
consumo conscientes.
(EF69LP05) Inferir e justificar, em textos multissemióticos – tirinhas, charges, memes, gifs etc. –, o efeito de
humor, ironia e/ou crítica pelo uso ambíguo de palavras, expressões ou imagens ambíguas, de clichês, de
recursos iconográficos, de pontuação etc.

(EF69LP06) Produzir e publicar notícias, fotodenúncias, fotorreportagens, reportagens, reportagens


multimidiáticas, infográficos, podcasts noticiosos, entrevistas, cartas de leitor, comentários, artigos de opinião
de interesse local ou global, textos de apresentação e apreciação de produção cultural – resenhas e outros
próprios das formas de expressão das culturas juvenis, tais como vlogs e podcasts culturais, gameplay, detonado
etc.– e cartazes, anúncios, propagandas, spots, jingles de campanhas sociais, dentre outros em várias mídias,
vivenciando de forma significativa o papel de repórter, de comentador, de analista, de crítico, de editor ou
articulista, de booktuber, de vlogger (vlogueiro) etc., como forma de compreender as condições de produção que
envolvem a circulação desses textos e poder participar e vislumbrar possibilidades de participação nas práticas de
linguagem do campo jornalístico e do campo midiático de forma ética e responsável, levando-se em consideração
o contexto da Web 2.0, que amplia a possibilidade de circulação desses textos e “funde” os papéis de leitor e
autor, de consumidor e produtor.

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Produção de textos Textualização

Revisão/edição de texto informativo e opinativo

Planejamento de textos de peças publicitárias de campanhas


sociais

Oralidade Produção de textos jornalísticos orais


*Considerar todas as habilidades dos eixos
leitura e produção que se referem a textos ou
produções orais, em áudio ou vídeo

Planejamento e produção de textos jornalísticos orais

Oralidade Participação em discussões orais de temas controversos de in-


teresse da turma e/ou de relevância social

Análise linguística/semiótica Construção composicional

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP07) Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e
circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito
ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse
contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias
de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do
professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos,
reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros,
fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.
(EF69LP08) Revisar/editar o texto produzido – notícia, reportagem, resenha, artigo de opinião, dentre outros –,
tendo em vista sua adequação ao contexto de produção, a mídia em questão, características do gênero, aspectos
relativos à textualidade, a relação entre as diferentes semioses, a formatação e uso adequado das ferramentas de
edição (de texto, foto, áudio e vídeo, dependendo do caso) e adequação à norma culta.
(EF69LP09) Planejar uma campanha publicitária sobre questões/problemas, temas, causas significativas para a
escola e/ou comunidade, a partir de um levantamento de material sobre o tema ou evento, da definição do público-
alvo, do texto ou peça a ser produzido – cartaz, banner, folheto, panfleto, anúncio impresso e para internet, spot,
propaganda de rádio, TV etc. –, da ferramenta de edição de texto, áudio ou vídeo que será utilizada, do recorte e
enfoque a ser dado, das estratégias de persuasão que serão utilizadas etc.
(EF69LP10) Produzir notícias para rádios, TV ou vídeos, podcasts noticiosos e de opinião, entrevistas, comentários,
vlogs, jornais radiofônicos e televisivos, dentre outros possíveis, relativos a fato e temas de interesse pessoal, local
ou global e textos orais de apreciação e opinião – podcasts e vlogs noticiosos, culturais e de opinião, orientando-se
por roteiro ou texto, considerando o contexto de produção e demonstrando domínio dos gêneros.
(EF69LP11) Identificar e analisar posicionamentos defendidos e refutados na escuta de interações polêmicas em
entrevistas, discussões e debates (televisivo, em sala de aula, em redes sociais etc.), entre outros, e se posicionar
frente a eles.
(EF69LP12) Desenvolver estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/ redesign (esses
três últimos quando não for situação ao vivo) e avaliação de textos orais, áudio e/ou vídeo, considerando sua
adequação aos contextos em que foram produzidos, à forma composicional e estilo de gêneros, a clareza,
progressão temática e variedade linguística empregada, os elementos relacionados à fala, tais como modulação
de voz, entonação, ritmo, altura e intensidade, respiração etc., os elementos cinésicos, tais como postura corporal,
movimentos e gestualidade significativa, expressão facial, contato de olho com plateia etc.
(EF69LP13) Engajar-se e contribuir com a busca de conclusões comuns relativas a problemas, temas ou questões
polêmicas de interesse da turma e/ou de relevância social.
(EF69LP14) Formular perguntas e decompor, com a ajuda dos colegas e dos professores, tema/questão polêmica,
explicações e ou argumentos relativos ao objeto de discussão para análise mais minuciosa e buscar em fontes
diversas informações ou dados que permitam analisar partes da questão e compartilhá-los com a turma.
(EF69LP15) Apresentar argumentos e contra-argumentos coerentes, respeitando os turnos de fala, na
participação em discussões sobre temas controversos e/ou polêmicos.
(EF69LP16) Analisar e utilizar as formas de composição dos gêneros jornalísticos da ordem do relatar, tais como
notícias (pirâmide invertida no impresso X blocos noticiosos hipertextuais e hipermidiáticos no digital, que também
pode contar com imagens de vários tipos, vídeos, gravações de áudio etc.), da ordem do argumentar, tais como
artigos de opinião e editorial (contextualização, defesa de tese/opinião e uso de argumentos) e das entrevistas:
apresentação e contextualização do entrevistado e do tema, estrutura pergunta e resposta etc.

XXIII

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Análise linguística/semiótica Estilo

Efeito de sentido

CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA – Trata-se, neste Campo, de ampliar e qualificar a participação dos
jovens nas práticas relativas ao debate de ideias e à atuação política e social, por meio do(a):
• compreensão dos interesses que movem a esfera política em seus diferentes níveis e instâncias, das
formas e canais de participação institucionalizados, incluindo os digitais, e das formas de participação não
institucionalizadas, incluindo aqui manifestações artísticas e intervenções urbanas;
• reconhecimento da importância de se envolver com questões de interesse público e coletivo e compreensão
do contexto de promulgação dos direitos humanos, das políticas afirmativas, e das leis de uma forma geral em
um estado democrático, como forma de propiciar a vivência democrática em várias instâncias e uma atuação
pautada pela ética da responsabilidade (o outro tem direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho);
• desenvolvimento de habilidades e aprendizagem de procedimentos envolvidos na leitura/escuta e produção de
textos pertencentes a gêneros relacionados à discussão e implementação de propostas, à defesa de direitos e a
projetos culturais e de interesse público de diferentes naturezas.
Envolvem o domínio de gêneros legais e o conhecimento dos canais competentes para questionamentos,
reclamação de direitos e denúncias de desrespeitos a legislações e regulamentações e a direitos; de discussão
de propostas e programas de interesse público no contexto de agremiações, coletivos, movimentos e outras
instâncias e fóruns de discussão da escola, da comunidade e da cidade.

Leitura Reconstrução das condições de produção e circulação e


adequação do texto à construção composicional e ao estilo de
gênero
(Lei, código, estatuto, código, regimento etc.)

XXIV
XXIV

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP17) Perceber e analisar os recursos estilísticos e semióticos dos gêneros jornalísticos e publicitários, os
aspectos relativos ao tratamento da informação em notícias, como a ordenação dos eventos, as escolhas lexicais,
o efeito de imparcialidade do relato, a morfologia do verbo, em textos noticiosos e argumentativos, reconhecendo
marcas de pessoa, número, tempo, modo, a distribuição dos verbos nos gêneros textuais (por exemplo, as formas
de pretérito em relatos; as formas de presente e futuro em gêneros argumentativos; as formas de imperativo em
gêneros publicitários), o uso de recursos persuasivos em textos argumentativos diversos (como a elaboração do
título, escolhas lexicais, construções metafóricas, a explicitação ou a ocultação de fontes de informação) e as
estratégias de persuasão e apelo ao consumo com os recursos linguístico-discursivos utilizados (tempo verbal,
jogos de palavras, metáforas, imagens).
(EF69LP18) Utilizar, na escrita/reescrita de textos argumentativos, recursos linguísticos que marquem as relações
de sentido entre parágrafos e enunciados do texto e operadores de conexão adequados aos tipos de argumento
e à forma de composição de textos argumentativos, de maneira a garantir a coesão, a coerência e a progressão
temática nesses textos (“primeiramente, mas, no entanto, em primeiro/segundo/terceiro lugar, finalmente, em
conclusão” etc.).
(EF69LP19) Analisar, em gêneros orais que envolvam argumentação, os efeitos de sentido de elementos típicos
da modalidade falada, como a pausa, a entonação, o ritmo, a gestualidade e expressão facial, as hesitações etc.
Trata-se também de possibilitar vivências significativas, na articulação com todas as áreas do currículo e com
os interesses e escolhas pessoais dos adolescentes e jovens, que envolvam a proposição, desenvolvimento e
avaliação de ações e projetos culturais, de forma a fomentar o protagonismo juvenil de forma contextualizada.
Essas habilidades mais gerais envolvem o domínio contextualizado de gêneros já considerados em outras
esferas – como discussão oral, debate, palestra, apresentação oral, notícia, reportagem, artigo de opinião, cartaz,
spot, propaganda (de campanhas variadas, nesse campo inclusive de campanhas políticas) – e de outros, como
estatuto, regimento, projeto cultural, carta aberta, carta de solicitação, carta de reclamação, abaixo-assinado,
petição online, requerimento, turno de fala em assembleia, tomada de turno em reuniões, edital, proposta, ata,
parecer, enquete, relatório etc., os quais supõem o reconhecimento de sua função social, a análise da forma como
se organizam e dos recursos e elementos linguísticos e das demais semioses envolvidos na tessitura de textos
pertencentes a esses gêneros.
Em especial, vale destacar que o trabalho com discussão oral, debate, propaganda, campanha e apresentação
oral podem/devem se relacionar também com questões, temáticas e práticas próprias do campo de atuação
na vida pública. Assim, as mesmas habilidades relativas a esses gêneros e práticas propostas para o Campo
jornalístico/midiático e para o Campo das práticas de ensino e pesquisa devem ser aqui consideradas: discussão,
debate e apresentação oral de propostas políticas ou de solução para problemas que envolvem a escola ou a
comunidade e propaganda política. Da mesma forma, as habilidades relacionadas à argumentação e à distinção
entre fato e opinião também devem ser consideradas nesse campo.
(EF69LP20) Identificar, tendo em vista o contexto de produção, a forma de organização dos textos normativos
e legais, a lógica de hierarquização de seus itens e subitens e suas partes: parte inicial (título – nome e data
– e ementa), blocos de artigos (parte, livro, capítulo, seção, subseção), artigos (caput e parágrafos e incisos) e
parte final (disposições pertinentes à sua implementação) e analisar efeitos de sentido causados pelo uso de
vocabulário técnico, pelo uso do imperativo, de palavras e expressões que indicam circunstâncias, como advérbios
e locuções adverbiais, de palavras que indicam generalidade, como alguns pronomes indefinidos, de forma a
poder compreender o caráter imperativo, coercitivo e generalista das leis e de outras formas de regulamentação.

XXV

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA
Leitura Apreciação e réplica

Produção de textos Textualização, revisão e edição

Oralidade Discussão oral

Oralidade Registro

Análise linguística/semiótica Análise de textos legais/normativos, propositivos e reivindicatórios

Modalização

XXVI
XXVI

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP21) Posicionar-se em relação a conteúdos veiculados em práticas não institucionalizadas de participação


social, sobretudo àquelas vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e
práticas próprias das culturas juvenis que pretendam denunciar, expor uma problemática ou “convocar” para
uma reflexão/ação, relacionando esse texto/produção com seu contexto de produção e relacionando as partes e
semioses presentes para a construção de sentidos.
(EF69LP22) Produzir, revisar e editar textos reivindicatórios ou propositivos sobre problemas que afetam a vida
escolar ou da comunidade, justificando pontos de vista, reivindicações e detalhando propostas (justificativa,
objetivos, ações previstas etc.), levando em conta seu contexto de produção e as características dos gêneros em
questão.
(EF69LP23) Contribuir com a escrita de textos normativos, quando houver esse tipo de demanda na escola –
regimentos e estatutos de organizações da sociedade civil do âmbito da atuação das crianças e jovens (grêmio
livre, clubes de leitura, associações culturais etc.) – e de regras e regulamentos nos vários âmbitos da escola –
campeonatos, festivais, regras de convivência etc., levando em conta o contexto de produção e as características
dos gêneros em questão.
(EF69LP24) Discutir casos, reais ou simulações, submetidos a juízo, que envolvam (supostos) desrespeitos a
artigos, do ECA, do Código de Defesa do Consumidor, do Código Nacional de Trânsito, de regulamentações
do mercado publicitário etc., como forma de criar familiaridade com textos legais – seu vocabulário, formas de
organização, marcas de estilo etc. -, de maneira a facilitar a compreensão de leis, fortalecer a defesa de direitos,
fomentar a escrita de textos normativos (se e quando isso for necessário) e possibilitar a compreensão do caráter
interpretativo das leis e as várias perspectivas que podem estar em jogo.
(EF69LP25) Posicionar-se de forma consistente e sustentada em uma discussão, assembleia, reuniões de
colegiados da escola, de agremiações e outras situações de apresentação de propostas e defesas de opiniões,
respeitando as opiniões contrárias e propostas alternativas e fundamentando seus posicionamentos, no tempo de
fala previsto, valendo-se de sínteses e propostas claras e justificadas.
(EF69LP26) Tomar nota em discussões, debates, palestras, apresentação de propostas, reuniões, como forma de
documentar o evento e apoiar a própria fala (que pode se dar no momento do evento ou posteriormente, quando,
por exemplo, for necessária a retomada dos assuntos tratados em outros contextos públicos, como diante dos
representados).
(EF69LP27) Analisar a forma composicional de textos pertencentes a gêneros normativos/ jurídicos e a gêneros
da esfera política, tais como propostas, programas políticos (posicionamento quanto a diferentes ações a serem
propostas, objetivos, ações previstas etc.), propaganda política (propostas e sua sustentação, posicionamento
quanto a temas em discussão) e textos reivindicatórios: cartas de reclamação, petição (proposta, suas
justificativas e ações a serem adotadas) e suas marcas linguísticas, de forma a incrementar a compreensão de
textos pertencentes a esses gêneros e a possibilitar a produção de textos mais adequados e/ou fundamentados
quando isso for requerido.
(EF69LP28) Observar os mecanismos de modalização adequados aos textos jurídicos, as modalidades deônticas,
que se referem ao eixo da conduta (obrigatoriedade/permissibilidade) como, por exemplo: Proibição: “Não se
deve fumar em recintos fechados.”; Obrigatoriedade: “A vida tem que valer a pena.”; Possibilidade: “É permitido a
entrada de menores acompanhados de adultos responsáveis”, e os mecanismos de modalização adequados aos
textos políticos e propositivos, as modalidades apreciativas, em que o locutor exprime um juízo de valor (positivo
ou negativo) acerca do que enuncia. Por exemplo: “Que belo discurso!”, “Discordo das escolhas de Antônio.”
“Felizmente, o buraco ainda não causou acidentes mais graves.”

XXVII

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA – Trata-se de ampliar e qualificar a participação dos jovens
nas práticas relativas ao estudo e à pesquisa, por meio de:
• compreensão dos interesses, atividades e procedimentos que movem as esferas científica, de divulgação
científica e escolar;
• reconhecimento da importância do domínio dessas práticas para a compreensão do mundo físico e da realidade
social, para o prosseguimento dos estudos e para formação para o trabalho; e
• desenvolvimento de habilidades e aprendizagens de procedimentos envolvidos na leitura/escuta e produção de
textos pertencentes a gêneros relacionados ao estudo, à pesquisa e à divulgação científica.

Leitura Reconstrução das condições de produção e recepção dos


textos e adequação do texto à construção composicional e ao
estilo de gênero

Relação entre textos

Apreciação e réplica

Estratégias e procedimentos de leitura


Relação do verbal com outras semioses
Procedimentos e gêneros de apoio à compreensão

XXXXVIII
VIII

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Manual do Educador

HABILIDADES
Essas habilidades mais gerais envolvem o domínio contextualizado de gêneros como apresentação oral,
palestra, mesa-redonda, debate, artigo de divulgação científica, artigo científico, artigo de opinião, ensaio,
reportagem de divulgação científica, texto didático, infográfico, esquemas, relatório, relato (multimidiático) de
campo, documentário, cartografia animada, podcasts e vídeos diversos de divulgação científica, que supõem
o reconhecimento de sua função social, a análise da forma como se organizam e dos recursos e elementos
linguísticos das demais semioses (ou recursos e elementos multimodais) envolvidos na tessitura de textos
pertencentes a esses gêneros.
Trata-se também de aprender, de forma significativa, na articulação com outras áreas e com os projetos e
escolhas pessoais dos jovens, procedimentos de investigação e pesquisa. Para além da leitura/escuta de textos/
produções pertencentes aos gêneros já mencionados, cabe diversificar, em cada ano e ao longo dos anos, os
gêneros/produções escolhidos para apresentar e socializar resultados de pesquisa, de forma a contemplar a
apresentação oral, gêneros mais típicos dos letramentos da letra e do impresso, gêneros multissemióticos, textos
hipermidiáticos, que suponham colaboração, próprios da cultura digital e das culturas juvenis.
(EF69LP29) Refletir sobre a relação entre os contextos de produção dos gêneros de divulgação científica – texto
didático, artigo de divulgação científica, reportagem de divulgação científica, verbete de enciclopédia (impressa
e digital), esquema, infográfico (estático e animado), relatório, relato multimidiático de campo, podcasts e vídeos
variados de divulgação científica etc. – e os aspectos relativos à construção composicional e às marcas linguística
características desses gêneros, de forma a ampliar suas possibilidades de compreensão (e produção) de textos
pertencentes a esses gêneros.
(EF69LP30) Comparar, com a ajuda do professor, conteúdos, dados e informações de diferentes fontes,
levando em conta seus contextos de produção e referências, identificando coincidências, complementaridades
e contradições, de forma a poder identificar erros/imprecisões conceituais, compreender e posicionar-se
criticamente sobre os conteúdos e informações em questão.
(EF69LP31) Utilizar pistas linguísticas – tais como “em primeiro/segundo/terceiro lugar”, “por outro lado”, “dito de
outro modo”, isto é”, “por exemplo” – para compreender a hierarquização das proposições, sintetizando o conteúdo
dos textos.
(EF69LP32) Selecionar informações e dados relevantes de fontes diversas (impressas, digitais, orais etc.),
avaliando a qualidade e a utilidade dessas fontes, e organizar, esquematicamente, com ajuda do professor, as
informações necessárias (sem excedê-las) com ou sem apoio de ferramentas digitais, em quadros, tabelas ou
gráficos.
(EF69LP33) Articular o verbal com os esquemas, infográficos, imagens variadas etc. na (re)construção dos
sentidos dos textos de divulgação científica e retextualizar do discursivo para o esquemático – infográfico,
esquema, tabela, gráfico, ilustração etc. – e, ao contrário, transformar o conteúdo das tabelas, esquemas,
infográficos, ilustrações etc. em texto discursivo, como forma de ampliar as possibilidades de compreensão
desses textos e analisar as características das multissemioses e dos gêneros em questão.
(EF69LP34) Grifar as partes essenciais do texto, tendo em vista os objetivos de leitura, produzir marginálias (ou
tomar notas em outro suporte), sínteses organizadas em itens, quadro sinóptico, quadro comparativo, esquema,
resumo ou resenha do texto lido (com ou sem comentário/análise), mapa conceitual, dependendo do que for
mais adequado, como forma de possibilitar uma maior compreensão do texto, a sistematização de conteúdos e
informações e um posicionamento frente aos textos, se esse for o caso.

XXIX

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
Produção de textos Consideração das condições de produção de textos de
divulgação científica
Estratégias de escrita

Estratégias de escrita: textualização, revisão e edição

Estratégias de produção

Oralidade Estratégias de produção: planejamento e produção de


apresentações orais

Estratégias de produção

Análise linguística/semiótica Construção composicional


Elementos paralinguísticos e cinésicos
Apresentações orais

Análise linguística/semiótica Usar adequadamente ferramentas de apoio a apresentações


orais

XXX
XXX

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP35) Planejar textos de divulgação científica, a partir da elaboração de esquema que considere as
pesquisas feitas anteriormente, de notas e sínteses de leituras ou de registros de experimentos ou de estudo
de campo, produzir, revisar e editar textos voltados para a divulgação do conhecimento e de dados e resultados
de pesquisas, tais como artigo de divulgação científica, artigo de opinião, reportagem científica, verbete
de enciclopédia, verbete de enciclopédia digital colaborativa , infográfico, relatório, relato de experimento
científico, relato (multimidiático) de campo, tendo em vista seus contextos de produção, que podem envolver a
disponibilização de informações e conhecimentos em circulação em um formato mais acessível para um público
específico ou a divulgação de conhecimentos advindos de pesquisas bibliográficas, experimentos científicos e
estudos de campo realizados.
(EF69LP36) Produzir, revisar e editar textos voltados para a divulgação do conhecimento e de dados e resultados
de pesquisas, tais como artigos de divulgação científica, verbete de enciclopédia, infográfico, infográfico
animado, podcast ou vlog científico, relato de experimento, relatório, relatório multimidiático de campo, dentre
outros, considerando o contexto de produção e as regularidades dos gêneros em termos de suas construções
composicionais e estilos.
(EF69LP37) Produzir roteiros para elaboração de vídeos de diferentes tipos (vlog científico, vídeo-minuto,
programa de rádio, podcasts) para divulgação de conhecimentos científicos e resultados de pesquisa, tendo em
vista seu contexto de produção, os elementos e a construção composicional dos roteiros.
(EF69LP38) Organizar os dados e informações pesquisados em painéis ou slides de apresentação, levando
em conta o contexto de produção, o tempo disponível, as características do gênero apresentação oral, a
multissemiose, as mídias e tecnologias que serão utilizadas, ensaiar a apresentação, considerando também
elementos paralinguísticos e cinésicos e proceder à exposição oral de resultados de estudos e pesquisas, no
tempo determinado, a partir do planejamento e da definição de diferentes formas de uso da fala – memorizada,
com apoio da leitura ou fala espontânea.
(EF69LP39) Definir o recorte temático da entrevista e o entrevistado, levantar informações sobre o entrevistado
e sobre o tema da entrevista, elaborar roteiro de perguntas, realizar entrevista, a partir do roteiro, abrindo
possibilidades para fazer perguntas a partir da resposta, se o contexto permitir, tomar nota, gravar ou salvar a
entrevista e usar adequadamente as informações obtidas, de acordo com os objetivos estabelecidos.

(EF69LP40) Analisar, em gravações de seminários, conferências rápidas, trechos de palestras, dentre outros, a
construção composicional dos gêneros de apresentação – abertura/saudação, introdução ao tema, apresentação
do plano de exposição, desenvolvimento dos conteúdos, por meio do encadeamento de temas e subtemas
(coesão temática), síntese final e/ou conclusão, encerramento –, os elementos paralinguísticos (tais como: tom e
volume da voz, pausas e hesitações – que, em geral, devem ser minimizadas –, modulação de voz e entonação,
ritmo, respiração etc.) e cinésicos (tais como: postura corporal, movimentos e gestualidade significativa, expressão
facial, contato de olho com plateia, modulação de voz e entonação, sincronia da fala com ferramenta de apoio
etc.), para melhor performar apresentações orais no campo da divulgação do conhecimento.
(EF69LP41) Usar adequadamente ferramentas de apoio a apresentações orais, escolhendo e usando tipos
e tamanhos de fontes que permitam boa visualização, topicalizando e/ou organizando o conteúdo em itens,
inserindo de forma adequada imagens, gráficos, tabelas, formas e elementos gráficos, dimensionando a
quantidade de texto (e imagem) por slide, usando progressivamente e de forma harmônica recursos mais
sofisticados como efeitos de transição, slides mestres, layouts personalizados etc.

XXXI

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
Análise linguística/semiótica Construção composicional e estilo
Gêneros de divulgação científica

Marcas linguísticas
Intertextualidade

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO – O que está em jogo neste campo é possibilitar às crianças, adolescentes e
jovens dos Anos Finais do Ensino Fundamental o contato com as manifestações artísticas e produções culturais
em geral, e com a arte literária em especial, e oferecer as condições para que eles possam compreendê-las e
frui-las de maneira significativa e, gradativamente, crítica. Trata-se, assim, de ampliar e diversificar as práticas
relativas à leitura, à compreensão, à fruição e ao compartilhamento das manifestações artístico-literárias,
representativas da diversidade cultural, linguística e semiótica, por meio:
• da compreensão das finalidades, das práticas e dos interesses que movem a esfera artística e a esfera literária,
bem como das linguagens e mídias que dão forma e sustentação às suas manifestações;
• da experimentação da arte e da literatura como expedientes que permitem (re)conhecer diferentes maneiras de
ser, pensar, (re)agir, sentir e, pelo confronto com o que é diverso, desenvolver uma atitude de valorização e de
respeito pela diversidade;
• do desenvolvimento de habilidades que garantam a compreensão, a apreciação, a produção e o compartilhamento
de textos dos diversos gêneros, em diferentes mídias, que circulam nas esferas literária e artística.
Para que a experiência da literatura – e da arte em geral – possa alcançar seu potencial transformador e
humanizador, é preciso promover a formação de um leitor que não apenas compreenda os sentidos dos textos,
mas também que seja capaz de frui-los. Um sujeito que desenvolve critérios de escolha e preferências (por
autores, estilos, gêneros) e que compartilha impressões e críticas com outros leitores-fruidores.
Leitura Reconstrução das condições de produção, circulação e recepção
Apreciação e réplica

XXXII
XXXII

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP42) Analisar a construção composicional dos textos pertencentes a gêneros relacionados à divulgação
de conhecimentos: título, (olho), introdução, divisão do texto em subtítulos, imagens ilustrativas de conceitos,
relações, ou resultados complexos (fotos, ilustrações, esquemas, gráficos, infográficos, diagramas, figuras,
tabelas, mapas) etc., exposição, contendo definições, descrições, comparações, enumerações, exemplificações
e remissões a conceitos e relações por meio de notas de rodapé, boxes ou links; ou título, contextualização
do campo, ordenação temporal ou temática por tema ou subtema, intercalação de trechos verbais com fotos,
ilustrações, áudios, vídeos etc. e reconhecer traços da linguagem dos textos de divulgação científica, fazendo
uso consciente das estratégias de impessoalização da linguagem (ou de pessoalização, se o tipo de publicação
e objetivos assim o demandarem, como em alguns podcasts e vídeos de divulgação científica), 3ª pessoa,
presente atemporal, recurso à citação, uso de vocabulário técnico/especializado etc., como forma de ampliar suas
capacidades de compreensão e produção de textos nesses gêneros.
(EF69LP43) Identificar e utilizar os modos de introdução de outras vozes no texto – citação literal e sua
formatação e paráfrase –, as pistas linguísticas responsáveis por introduzir no texto a posição do autor e dos
outros autores citados (“Segundo X; De acordo com Y; De minha/nossa parte, penso/amos que”...) e os elementos
de normatização (tais como as regras de inclusão e formatação de citações e paráfrases, de organização de
referências bibliográficas) em textos científicos, desenvolvendo reflexão sobre o modo como a intertextualidade e a
retextualização ocorrem nesses textos.
A formação desse leitor-fruidor exige o desenvolvimento de habilidades, a vivência de experiências significativas
e aprendizagens que, por um lado, permitam a compreensão dos modos de produção, circulação e recepção das
obras e produções culturais e o desvelamento dos interesses e dos conflitos que permeiam suas condições de
produção e, por outro lado, garantam a análise dos recursos linguísticos e semióticos necessária à elaboração da
experiência estética pretendida.
Aqui também a diversidade deve orientar a organização/progressão curricular: diferentes gêneros, estilos, autores
e autoras – contemporâneos, de outras épocas, regionais, nacionais, portugueses, africanos e de outros países –
devem ser contemplados; o cânone, a literatura universal, a literatura juvenil, a tradição oral, o multissemiótico, a
cultura digital e as culturas juvenis, dentre outras diversidades, devem ser consideradas, ainda que deva haver um
privilégio do letramento da letra.
Compete ainda a este campo o desenvolvimento das práticas orais, tanto aquelas relacionadas à produção de
textos em gêneros literários e artísticos diversos quanto as que se prestam à apreciação e ao compartilhamento
e envolvam a seleção do que ler/ouvir/assistir e o exercício da indicação, da crítica, da recriação e do diálogo, por
meio de diferentes práticas e gêneros, que devem ser explorados ao longo dos anos.

(EF69LP44) Inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos e de diferentes visões de mundo, em textos
literários, reconhecendo nesses textos formas de estabelecer múltiplos olhares sobre as identidades, sociedades e
culturas e considerando a autoria e o contexto social e histórico de sua produção.
(EF69LP45) Posicionar-se criticamente em relação a textos pertencentes a gêneros como quarta-capa, programa
(de teatro, dança, exposição etc.), sinopse, resenha crítica, comentário em blog/vlog cultural etc., para selecionar
obras literárias e outras manifestações artísticas (cinema, teatro, exposições, espetáculos, CD´s, DVD´s etc.),
diferenciando as sequências descritivas e avaliativas e reconhecendo-os como gêneros que apoiam a escolha do
livro ou produção cultural e consultando-os no momento de fazer escolhas, quando for o caso.

XXXIII

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
Leitura Reconstrução das condições de produção, circulação e recepção
Apreciação e réplica

Reconstrução da textualidade e compreensão dos efeitos de


sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e
multissemióticos

Adesão às práticas de leitura

Produção de textos Relação entre textos

Consideração das condições de produção


Estratégias de produção: planejamento, textualização e
revisão/edição

Oralidade Produção de textos orais

XXXXXIV
XIV

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP46) Participar de práticas de compartilhamento de leitura/recepção de obras literárias/ manifestações


artísticas, como rodas de leitura, clubes de leitura, eventos de contação de histórias, de leituras dramáticas, de
apresentações teatrais, musicais e de filmes, cineclubes, festivais de vídeo, saraus, slams, canais de booktubers,
redes sociais temáticas (de leitores, de cinéfilos, de música etc.), dentre outros, tecendo, quando possível,
comentários de ordem estética e afetiva e justificando suas apreciações, escrevendo comentários e resenhas para
jornais, blogs e redes sociais e utilizando formas de expressão das culturas juvenis, tais como, vlogs e podcasts
culturais (literatura, cinema, teatro, música), playlists comentadas, fanfics, fanzines, e-zines, fanvídeos, fanclipes,
posts em fanpages, trailer honesto, vídeo-minuto, dentre outras possibilidades de práticas de apreciação e de
manifestação da cultura de fãs.
(EF69LP47) Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada
gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, a escolha lexical
típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes
dos tempos verbais, dos tipos de discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso
direto, se houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se estrutura a
narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da
caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes
no texto (do narrador, de personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras
e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada
gênero narrativo.
(EF69LP48) Interpretar, em poemas, efeitos produzidos pelo uso de recursos expressivos sonoros (estrofação,
rimas, aliterações etc), semânticos (figuras de linguagem, por exemplo), gráfico- espacial (distribuição da mancha
gráfica no papel), imagens e sua relação com o texto verbal.
(EF69LP49) Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções
culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um
desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas
marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor.
(EF69LP50) Elaborar texto teatral, a partir da adaptação de romances, contos, mitos, narrativas de enigma e de
aventura, novelas, biografias romanceadas, crônicas, dentre outros, indicando as rubricas para caracterização
do cenário, do espaço, do tempo; explicitando a caracterização física e psicológica dos personagens e dos seus
modos de ação; reconfigurando a inserção do discurso direto e dos tipos de narrador; explicitando as marcas de
variação linguística (dialetos, registros e jargões) e retextualizando o tratamento da temática.
(EF69LP51) Engajar-se ativamente nos processos de planejamento, textualização, revisão/ edição e reescrita,
tendo em vista as restrições temáticas, composicionais e estilísticas dos textos pretendidos e as configurações
da situação de produção – o leitor pretendido, o suporte, o contexto de circulação do texto, as finalidades etc. – e
considerando a imaginação, a estesia e a verossimilhança próprias ao texto literário.
(EF69LP52) Representar cenas ou textos dramáticos, considerando, na caracterização dos personagens,
os aspectos linguísticos e paralinguísticos das falas (timbre e tom de voz, pausas e hesitações, entonação e
expressividade, variedades e registros linguísticos), os gestos e os deslocamentos no espaço cênico, o figurino e
a maquiagem e elaborando as rubricas indicadas pelo autor por meio do cenário, da trilha sonora e da exploração
dos modos de interpretação.

XXXV

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Língua Portuguesa – 6o ao 9o Ano (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO
CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
Oralidade Produção de textos orais
Oralização

Análise linguística/semiótica Recursos linguísticos e semióticos que operam nos textos


pertencentes aos gêneros literários

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/semiótica Variação linguística

XXXXXVI
XVI

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Manual do Educador

HABILIDADES

(EF69LP53) Ler em voz alta textos literários diversos – como contos de amor, de humor, de suspense, de terror;
crônicas líricas, humorísticas, críticas; bem como leituras orais capituladas (compartilhadas ou não com o
professor) de livros de maior extensão, como romances, narrativas de enigma, narrativas de aventura, literatura
infanto-juvenil, – contar/recontar histórias tanto da tradição oral (causos, contos de esperteza, contos de animais,
contos de amor, contos de encantamento, piadas, dentre outros) quanto da tradição literária escrita, expressando
a compreensão e interpretação do texto por meio de uma leitura ou fala expressiva e fluente, que respeite o
ritmo, as pausas, as hesitações, a entonação indicados tanto pela pontuação quanto por outros recursos gráfico-
-editoriais, como negritos, itálicos, caixa-alta, ilustrações etc., gravando essa leitura ou esse conto/reconto, seja
para análise posterior, seja para produção de audiobooks de textos literários diversos ou de podcasts de leituras
dramáticas com ou sem efeitos especiais e ler e/ou declamar poemas diversos, tanto de forma livre quanto de
forma fixa (como quadras, sonetos, liras, haicais etc.), empregando os recursos linguísticos, paralinguísticos e
cinésicos necessários aos efeitos de sentido pretendidos, como o ritmo e a entonação, o emprego de pausas
e prolongamentos, o tom e o timbre vocais, bem como eventuais recursos de gestualidade e pantomima que
convenham ao gênero poético e à situação de compartilhamento em questão.
(EF69LP54) Analisar os efeitos de sentido decorrentes da interação entre os elementos linguísticos e os
recursos paralinguísticos e cinésicos, como as variações no ritmo, as modulações no tom de voz, as pausas,
as manipulações do estrato sonoro da linguagem, obtidos por meio da estrofação, das rimas e de figuras
de linguagem como as aliterações, as assonâncias, as onomatopeias, dentre outras, a postura corporal e
a gestualidade, na declamação de poemas, apresentações musicais e teatrais, tanto em gêneros em prosa
quanto nos gêneros poéticos, os efeitos de sentido decorrentes do emprego de figuras de linguagem, tais como
comparação, metáfora, personificação, metonímia, hipérbole, eufemismo, ironia, paradoxo e antítese e os efeitos
de sentido decorrentes do emprego de palavras e expressões denotativas e conotativas (adjetivos, locuções
adjetivas, orações subordinadas adjetivas etc.), que funcionam como modificadores, percebendo sua função na
caracterização dos espaços, tempos, personagens e ações próprios de cada gênero narrativo.

(EF69LP55) Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito


linguístico.
(EF69LP56) Fazer uso consciente e reflexivo de regras e normas da norma-padrão em situações de fala e escrita
nas quais ela deve ser usada.

XXXVII

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Leitura Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção
de textos

Caracterização do campo jornalístico e relação entre os


gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digital

Apreciação e réplica

Relação entre textos

Estratégia de leitura
Distinção de fato e opinião
Estratégia de leitura: identificação de teses e argumentos
Apreciação e réplica

Efeitos de sentido

Efeitos de sentido
Exploração da multissemiose

XXXXXVIII
XVII

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF06LP01) Reconhecer a impossibilidade de uma (EF07LP01) Distinguir diferentes propostas editoriais


neutralidade absoluta no relato de fatos e identificar – sensacionalismo, jornalismo investigativo etc. –, de
diferentes graus de parcialidade/ imparcialidade forma a identificar os recursos utilizados para impactar/
dados pelo recorte feito e pelos efeitos de sentido chocar o leitor que podem comprometer uma análise
advindos de escolhas feitas pelo autor, de forma a crítica da notícia e do fato noticiado.
poder desenvolver uma atitude crítica frente aos textos
jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas feitas
enquanto produtor de textos.
(EF06LP02) Estabelecer relação entre os diferentes (EF07LP02) Comparar notícias e reportagens sobre
gêneros jornalísticos, compreendendo a centralidade da um mesmo fato divulgadas em diferentes mídias,
notícia. analisando as especificidades das mídias, os processos
de (re)elaboração dos textos e a convergência das
mídias em notícias ou reportagens multissemióticas.
(EF67LP01) Analisar a estrutura e funcionamento dos hiperlinks em textos noticiosos publicados na Web e
vislumbrar possibilidades de uma escrita hipertextual.
(EF67LP02) Explorar o espaço reservado ao leitor nos jornais, revistas, impressos e on-line, sites noticiosos etc.,
destacando notícias, fotorreportagens, entrevistas, charges, assuntos, temas, debates em foco, posicionando-
se de maneira ética e respeitosa frente a esses textos e opiniões a eles relacionadas, e publicar notícias, notas
jornalísticas, fotorreportagem de interesse geral nesses espaços do leitor.
(EF67LP03) Comparar informações sobre um mesmo fato divulgadas em diferentes veículos e mídias,
analisando e avaliando a confiabilidade.
(EF67LP04) Distinguir, em segmentos descontínuos de textos, fato da opinião enunciada em relação a esse
mesmo fato.

(EF67LP05) Identificar e avaliar teses/opiniões/posicionamentos explícitos e argumentos em textos


argumentativos (carta de leitor, comentário, artigo de opinião, resenha crítica etc.), manifestando concordância ou
discordância.
(EF67LP06) Identificar os efeitos de sentido provocados pela seleção lexical, topicalização de elementos e
seleção e hierarquização de informações, uso de 3ª pessoa etc.
(EF67LP07) Identificar o uso de recursos persuasivos em textos argumentativos diversos (como a elaboração
do título, escolhas lexicais, construções metafóricas, a explicitação ou a ocultação de fontes de informação) e
perceber seus efeitos de sentido.
(EF67LP08) Identificar os efeitos de sentido devidos à escolha de imagens estáticas, sequenciação ou
sobreposição de imagens, definição de figura/fundo, ângulo, profundidade e foco, cores/tonalidades, relação com
o escrito (relações de reiteração, complementação ou oposição) etc. em notícias, reportagens, fotorreportagens,
foto-denúncias, memes, gifs, anúncios publicitários e propagandas publicados em jornais, revistas, sites na
internet etc.

XXXIX

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Produção de textos Estratégias de produção: planejamento de textos informativos

Textualização, tendo em vista suas condições de produção,


as características do gênero em questão, o estabelecimento
de coesão, adequação à norma-padrão e o uso adequado de
ferramentas de edição

Estratégias de produção: planejamento de textos


argumentativos e apreciativos

Textualização de textos argumentativos e apreciativos

Produção e edição de textos publicitários

Oralidade Planejamento e produção de entrevistas orais

XL
XL

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF67LP09) Planejar notícia impressa e para circulação em outras mídias (rádio ou TV/vídeo), tendo em vista as
condições de produção, do texto – objetivo, leitores/espectadores, veículos e mídia de circulação etc. –, a partir
da escolha do fato a ser noticiado (de relevância para a turma, escola ou comunidade), do levantamento de dados
e informações sobre o fato – que pode envolver entrevistas com envolvidos ou com especialistas, consultas a
fontes, análise de documentos, cobertura de eventos etc.–, do registro dessas informações e dados, da escolha de
fotos ou imagens a produzir ou a utilizar etc. e a previsão de uma estrutura hipertextual (no caso de publicação em
sites ou blogs noticiosos).
(EF67LP10) Produzir notícia impressa tendo em vista características do gênero – título ou manchete com verbo
no tempo presente, linha fina (opcional), lide, progressão dada pela ordem decrescente de importância dos fatos,
uso de 3ª pessoa, de palavras que indicam precisão –, e o estabelecimento adequado de coesão e produzir
notícia para TV, rádio e internet, tendo em vista, além das características do gênero, os recursos de mídias
disponíveis e o manejo de recursos de captação e edição de áudio e imagem.
(EF67LP11) Planejar resenhas, vlogs, vídeos e podcasts variados, e textos e vídeos de apresentação e
apreciação próprios das culturas juvenis (algumas possibilidades: fanzines, fanclipes, e-zines, gameplay, detonado
etc.), dentre outros, tendo em vista as condições de produção do texto – objetivo, leitores/espectadores, veículos
e mídia de circulação etc. –, a partir da escolha de uma produção ou evento cultural para analisar – livro, filme,
série, game, canção, videoclipe, fanclipe, show, saraus, slams etc. – da busca de informação sobre a produção
ou evento escolhido, da síntese de informações sobre a obra/evento e do elenco/seleção de aspectos, elementos
ou recursos que possam ser destacados positiva ou negativamente ou da roteirização do passo a passo do game
para posterior gravação dos vídeos.
(EF67LP12) Produzir resenhas críticas, vlogs, vídeos, podcasts variados e produções e gêneros próprios das
culturas juvenis (algumas possibilidades: fanzines, fanclipes, e-zines, gameplay, detonado etc.), que apresentem/
descrevam e/ou avaliem produções culturais (livro, filme, série, game, canção, disco, videoclipe etc.) ou evento
(show, sarau, slam etc.), tendo em vista o contexto de produção dado, as características do gênero, os recursos
das mídias envolvidas e a textualização adequada dos textos e/ou produções.
(EF67LP13) Produzir, revisar e editar textos publicitários, levando em conta o contexto de produção dado,
explorando recursos multissemióticos, relacionando elementos verbais e visuais, utilizando adequadamente
estratégias discursivas de persuasão e/ou convencimento e criando título ou slogan que façam o leitor motivar-se a
interagir com o texto produzido e se sinta atraído pelo serviço, ideia ou produto em questão.
(EF67LP14) Definir o contexto de produção da entrevista (objetivos, o que se pretende conseguir, porque aquele
entrevistado etc.), levantar informações sobre o entrevistado e sobre o acontecimento ou tema em questão,
preparar o roteiro de perguntar e realizar entrevista oral com envolvidos ou especialistas relacionados com o fato
noticiado ou com o tema em pauta, usando roteiro previamente elaborado e formulando outras perguntas a partir
das respostas dadas e, quando for o caso, selecionar partes, transcrever e proceder a uma edição escrita do texto,
adequando-o a seu contexto de publicação, à construção composicional do gênero e garantindo a relevância das
informações mantidas e a continuidade temática.

XLI

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA


Leitura Estratégias e procedimentos de leitura em textos legais e
normativos

Contexto de produção, circulação e recepção de textos e


práticas relacionadas à defesa de direitos e à participação
social

Relação entre contexto de produção e características


composicionais e estilísticas dos gêneros (carta de solicitação,
carta de reclamação, petição on-line, carta aberta,
abaixo-assinado, proposta etc.)
Apreciação e réplica

Estratégias, procedimentos de leitura em textos reivindicatórios


ou propositivos
Produção de textos Estratégia de produção: planejamento de textos reivindicatórios
ou propositivos

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA


Leitura Curadoria de informação

Produção de textos Estratégias de escrita: textualização, revisão e edição

Oralidade Conversação espontânea

Procedimentos de apoio à compreensão


Tomada de nota

Análise linguística/semiótica Textualização


Progressão temática

Textualização

XLII
XLII

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF67LP15) Identificar a proibição imposta ou o direito garantido, bem como as circunstâncias de sua aplicação, em
artigos relativos a normas, regimentos escolares, regimentos e estatutos da sociedade civil, regulamentações para o
mercado publicitário, Código de Defesa do Consumidor, Código Nacional de Trânsito, ECA, Constituição, dentre outros.
(EF67LP16) Explorar e analisar espaços de reclamação de direitos e de envio de solicitações (tais como
ouvidorias, SAC, canais ligados a órgãos públicos, plataformas do consumidor, plataformas de reclamação),
bem como de textos pertencentes a gêneros que circulam nesses espaços, reclamação ou carta de reclamação,
solicitação ou carta de solicitação, como forma de ampliar as possibilidades de produção desses textos em casos
que remetam a reivindicações que envolvam a escola, a comunidade ou algum de seus membros como forma de
se engajar na busca de solução de problemas pessoais, dos outros e coletivos.
(EF67LP17) Analisar, a partir do contexto de produção, a forma de organização das cartas de solicitação
e de reclamação (datação, forma de início, apresentação contextualizada do pedido ou da reclamação, em
geral, acompanhada de explicações, argumentos e/ou relatos do problema, fórmula de finalização mais ou
menos cordata, dependendo do tipo de carta e subscrição) e algumas das marcas linguísticas relacionadas à
argumentação, explicação ou relato de fatos, como forma de possibilitar a escrita fundamentada de cartas como
essas ou de postagens em canais próprios de reclamações e solicitações em situações que envolvam questões
relativas à escola, à comunidade ou a algum dos seus membros.
(EF67LP18) Identificar o objeto da reclamação e/ou da solicitação e sua sustentação, explicação ou justificativa,
de forma a poder analisar a pertinência da solicitação ou justificação.
(EF67LP19) Realizar levantamento de questões, problemas que requeiram a denúncia de desrespeito a direitos,
reivindicações, reclamações, solicitações que contemplem a comunidade escolar ou algum de seus membros e
examinar normas e legislações.

(EF67LP20) Realizar pesquisa, a partir de recortes e questões definidos previamente, usando fontes indicadas e
abertas.
(EF67LP21) Divulgar resultados de pesquisas por meio de apresentações orais, painéis, artigos de divulgação
científica, verbetes de enciclopédia, podcasts científicos etc.
(EF67LP22) Produzir resumos, a partir das notas e/ou esquemas feitos, com o uso adequado de paráfrases e citações.
(EF67LP23) Respeitar os turnos de fala, na participação em conversações e em discussões ou atividades
coletivas, na sala de aula e na escola e formular perguntas coerentes e adequadas em momentos oportunos em
situações de aulas, apresentação oral, seminário etc.
(EF67LP24) Tomar nota de aulas, apresentações orais, entrevistas (ao vivo, áudio, TV, vídeo), identificando e
hierarquizando as informações principais, tendo em vista apoiar o estudo e a produção de sínteses e reflexões
pessoais ou outros objetivos em questão.
(EF67LP25) Reconhecer e utilizar os critérios de organização tópica (do geral para o específico, do específico
para o geral etc.), as marcas linguísticas dessa organização (marcadores de ordenação e enumeração, de
explicação, definição e exemplificação, por exemplo) e os mecanismos de paráfrase, de maneira a organizar mais
adequadamente a coesão e a progressão temática de seus textos.
(EF67LP26) Reconhecer a estrutura de hipertexto em textos de divulgação científica e proceder à remissão a
conceitos e relações por meio de notas de rodapés ou boxes.

XLIII

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
Leitura Relação entre textos

Estratégias de leitura
Apreciação e réplica

Reconstrução da textualidade
Efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos
linguísticos e multissemióticos
Produção de textos Construção da textualidade
Relação entre textos

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/semiótica Fono-ortografia
Elementos notacionais da escrita
Léxico/morfologia

Morfossintaxe

XLIV
XLIV

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF67LP27) Analisar, entre os textos literários e entre estes e outras manifestações artísticas (como cinema,
teatro, música, artes visuais e midiáticas), referências explícitas ou implícitas a outros textos, quanto aos temas,
personagens e recursos literários e semióticos
(EF67LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura
adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infanto-
juvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas, narrativas de aventuras,
narrativas de enigma, mitos, crônicas, autobiografias, histórias em quadrinhos, mangás, poemas de forma livre e
fixa (como sonetos e cordéis), vídeo-poemas, poemas visuais, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto
lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.
(EF67LP29) Identificar, em texto dramático, personagem, ato, cena, fala e indicações cênicas e a organização do
texto: enredo, conflitos, ideias principais, pontos de vista, universos de referência.

(EF67LP30) Criar narrativas ficcionais, tais como contos populares, contos de suspense, mistério, terror, humor,
narrativas de enigma, crônicas, histórias em quadrinhos, dentre outros, que utilizem cenários e personagens
realistas ou de fantasia, observando os elementos da estrutura narrativa próprios ao gênero pretendido, tais
como enredo, personagens, tempo, espaço e narrador, utilizando tempos verbais adequados à narração de fatos
passados, empregando conhecimentos sobre diferentes modos de se iniciar uma história e de inserir os discursos
direto e indireto.
(EF67LP31) Criar poemas compostos por versos livres e de forma fixa (como quadras e sonetos), utilizando
recursos visuais, semânticos e sonoros, tais como cadências, ritmos e rimas, e poemas visuais e vídeo-poemas,
explorando as relações entre imagem e texto verbal, a distribuição da mancha gráfica (poema visual) e outros
recursos visuais e sonoros.

(EF67LP32) Escrever palavras com correção ortográfica, obedecendo as convenções da língua escrita.
(EF67LP33) Pontuar textos adequadamente.
(EF06LP03) Analisar diferenças de sentido entre (EF07LP03) Formar, com base em palavras primitivas,
palavras de uma série sinonímica. palavras derivadas com os prefixos e sufixos mais
produtivos no português.
(EF67LP34) Formar antônimos com acréscimo de prefixos que expressam noção de negação.
(EF67LP35) Distinguir palavras derivadas por acréscimo de afixos e palavras compostas.
(EF06LP04) Analisar a função e as flexões de (EF07LP04) Reconhecer, em textos, o verbo como o
substantivos e adjetivos e de verbos nos modos núcleo das orações.
Indicativo, Subjuntivo e Imperativo: afirmativo e
negativo.
(EF06LP05) Identificar os efeitos de sentido dos modos (EF07LP05) Identificar, em orações de textos lidos ou
verbais, considerando o gênero textual e a intenção de produção própria, verbos de predicação completa e
comunicativa. incompleta: intransitivos e transitivos.

XLV

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/semiótica Morfossintaxe

Sintaxe

Elementos notacionais da escrita/morfossintaxe

Semântica
Coesão

Coesão

XLVI
XLVI

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF06LP06) Empregar, adequadamente, as regras de (EF07LP06) Empregar as regras básicas de


concordância nominal (relações entre os substantivos e concordância nominal e verbal em situações
seus determinantes) e as regras de concordância verbal comunicativas e na produção de textos.
(relações entre o verbo e o sujeito simples e composto).
(EF07LP07) Identificar, em textos lidos ou de produção
própria, a estrutura básica da oração: sujeito, predicado,
complemento (objetos direto e indireto).
(EF07LP08) Identificar, em textos lidos ou de produção
própria, adjetivos que ampliam o sentido do substantivo
sujeito ou complemento verbal.
(EF07LP09) Identificar, em textos lidos ou de produção
própria, advérbios e locuções adverbiais que ampliam o
sentido do verbo núcleo da oração.
(EF06LP07) Identificar, em textos, períodos compostos
por orações separadas por vírgula sem a utilização de
conectivos, nomeando-os como períodos compostos
por coordenação.
(EF06LP08) Identificar, em texto ou sequência textual, (EF07LP10) Utilizar, ao produzir texto, conhecimentos
orações como unidades constituídas em torno de um linguísticos e gramaticais: modos e tempos verbais,
núcleo verbal e períodos como conjunto de orações concordância nominal e verbal, pontuação etc.
conectadas.
(EF06LP09) Classificar, em texto ou sequência textual, (EF07LP11) Identificar, em textos lidos ou de produção
os períodos simples compostos. própria, períodos compostos nos quais duas orações
são conectadas por vírgula, ou por conjunções que
expressem soma de sentido (conjunção “e”) ou
oposição de sentidos (conjunções “mas”, “porém”).
(EF06LP10) Identificar sintagmas nominais e verbais
como constituintes imediatos da oração.
(EF06LP11) Utilizar, ao produzir texto, conhecimentos
linguísticos e gramaticais: tempos verbais, concordância
nominal e verbal, regras ortográficas, pontuação etc.
(EF06LP12) Utilizar, ao produzir texto, recursos de (EF07LP12) Reconhecer recursos de coesão
coesão referencial (nome e pronomes), recursos referencial: substituições lexicais (de substantivos
semânticos de sinonímia, antonímia e homonímia e por sinônimos) ou pronominais (uso de pronomes
mecanismos de representação de diferentes vozes anafóricos – pessoais, possessivos, demonstrativos).
(discurso direto e indireto).
(EF67LP36) Utilizar, ao produzir texto, recursos de coesão referencial (léxica e pronominal) e sequencial e outros
recursos expressivos adequados ao gênero textual.

XLVII

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Língua Portuguesa – 6o e 7o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/semiótica Coesão

Sequências textuais

Modalização

Figuras de linguagem

XLXLVIII
VIII

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Manual do Educador

HABILIDADES
6o ano 7o ano

(EF07LP13) Estabelecer relações entre partes do texto,


identificando substituições lexicais (de substantivos
por sinônimos) ou pronominais (uso de pronomes
anafóricos – pessoais, possessivos, demonstrativos),
que contribuem para a continuidade do texto.
(EF67LP37) Analisar, em diferentes textos, os efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos linguístico-
discursivos de prescrição, causalidade, sequências descritivas e expositivas e ordenação de eventos.
(EF07LP14) Identificar, em textos, os efeitos de
sentido do uso de estratégias de modalização e
argumentatividade.
(EF67LP38) Analisar os efeitos de sentido do uso de figuras de linguagem, como comparação, metáfora,
metonímia, personificação, hipérbole, dentre outras.

XLIX

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Leitura Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção
de textos
Caracterização do campo jornalístico e relação entre os
gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digital

Estratégia de leitura: apreender os sentidos globais do texto


Apreciação e réplica

Relação entre textos

Estratégia de leitura: apreender os sentidos globais do texto


Apreciação e réplica

Efeitos de sentido

Efeitos de sentido
Exploração da multissemiose

Produção de textos Estratégia de produção: planejamento de textos informativos

LL

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF89LP01) Analisar os interesses que movem o campo jornalístico, os efeitos das novas tecnologias no campo e
as condições que fazem da informação uma mercadoria, de forma a poder desenvolver uma atitude crítica frente
aos textos jornalísticos.
(EF08LP01) Identificar e comparar as várias editorias (EF09LP01) Analisar o fenômeno da disseminação de
de jornais impressos e digitais e de sites noticiosos, de notícias falsas nas redes sociais e desenvolver estratégias
forma a refletir sobre os tipos de fato que são noticiados para reconhecê-las, a partir da verificação/avaliação do
e comentados, as escolhas sobre o que noticiar e veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL,
o que não noticiar e o destaque/enfoque dado e a da análise da formatação, da comparação de diferentes
fidedignidade da informação. fontes, da consulta a sites de curadoria que atestam a
fidedignidade do relato dos fatos e denunciam boatos etc.
(EF89LP02) Analisar diferentes práticas (curtir, compartilhar, comentar, curar etc.) e textos pertencentes a
diferentes gêneros da cultura digital (meme, gif, comentário, charge digital etc.) envolvidos no trato com a
informação e opinião, de forma a possibilitar uma presença mais crítica e ética nas redes.
(EF89LP03) Analisar textos de opinião (artigos de opinião, editoriais, cartas de leitores, comentários, posts de blog
e de redes sociais, charges, memes, gifs etc.) e posicionar-se de forma crítica e fundamentada, ética e respeitosa
frente a fatos e opiniões relacionados a esses textos.
(EF08LP02) Justificar diferenças ou semelhanças no (EF09LP02) Analisar e comentar a cobertura da
tratamento dado a uma mesma informação veiculada imprensa sobre fatos de relevância social, comparando
em textos diferentes, consultando sites e serviços de diferentes enfoques por meio do uso de ferramentas de
checadores de fatos. curadoria.
(EF89LP04) Identificar e avaliar teses/opiniões/posicionamentos explícitos e implícitos, argumentos e contra-
argumentos em textos argumentativos do campo (carta de leitor, comentário, artigo de opinião, resenha crítica
etc.), posicionando-se frente à questão controversa de forma sustentada.
(EF89LP05) Analisar o efeito de sentido produzido pelo uso, em textos, de recurso a formas de apropriação textual
(paráfrases, citações, discurso direto, indireto ou indireto livre).
(EF89LP06) Analisar o uso de recursos persuasivos em textos argumentativos diversos (como a elaboração do
título, escolhas lexicais, construções metafóricas, a explicitação ou a ocultação de fontes de informação) e seus
efeitos de sentido.
(EF89LP07) Analisar, em notícias, reportagens e peças publicitárias em várias mídias, os efeitos de sentido
devidos ao tratamento e à composição dos elementos nas imagens em movimento, à performance, à montagem
feita (ritmo, duração e sincronização entre as linguagens – complementaridades, interferências etc.) e ao ritmo,
melodia, instrumentos e sampleamentos das músicas e efeitos sonoros.
(EF89LP08) Planejar reportagem impressa e em outras mídias (rádio ou TV/vídeo, sites), tendo em vista as
condições de produção do texto – objetivo, leitores/espectadores, veículos e mídia de circulação etc. – a partir da
escolha do fato a ser aprofundado ou do tema a ser focado (de relevância para a turma, escola ou comunidade),
do levantamento de dados e informações sobre o fato ou tema – que pode envolver entrevistas com envolvidos
ou com especialistas, consultas a fontes diversas, análise de documentos, cobertura de eventos etc. -, do
registro dessas informações e dados, da escolha de fotos ou imagens a produzir ou a utilizar etc., da produção de
infográficos, quando for o caso, e da organização hipertextual (no caso a publicação em sites ou blogs noticiosos
ou mesmo de jornais impressos, por meio de boxes variados).

LI

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Produção de textos Estratégia de produção: textualização de textos informativos

Estratégia de produção: planejamento de textos argumentativos


e apreciativos

Textualização de textos argumentativos e apreciativos

Estratégias de produção: planejamento, textualização, revisão


e edição de textos publicitários

Oralidade Estratégias de produção: planejamento e participação em


debates regrados

Estratégias de produção: planejamento, realização e edição de


entrevistas orais

LII
LII

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF89LP09) Produzir reportagem impressa, com título, linha fina (optativa), organização composicional (expositiva,
interpretativa e/ou opinativa), progressão temática e uso de recursos linguísticos compatíveis com as escolhas
feitas e reportagens multimidiáticas, tendo em vista as condições de produção, as características do gênero, os
recursos e mídias disponíveis, sua organização hipertextual e o manejo adequado de recursos de captação e
edição de áudio e imagem e adequação à norma-padrão.
(EF89LP10) Planejar artigos de opinião, tendo em vista as condições de produção do texto – objetivo, leitores/
espectadores, veículos e mídia de circulação etc. –, a partir da escolha do tema ou questão a ser discutido(a), da
relevância para a turma, escola ou comunidade, do levantamento de dados e informações sobre a questão, de
argumentos relacionados a diferentes posicionamentos em jogo, da definição – o que pode envolver consultas
a fontes diversas, entrevistas com especialistas, análise de textos, organização esquemática das informações e
argumentos – dos (tipos de) argumentos e estratégias que pretende utilizar para convencer os leitores.
(EF08LP03) Produzir artigos de opinião, tendo em vista (EF09LP03) Produzir artigos de opinião, tendo em
o contexto de produção dado, a defesa de um ponto vista o contexto de produção dado, assumindo posição
de vista, utilizando argumentos e contra-argumentos diante de tema polêmico, argumentando de acordo
e articuladores de coesão que marquem relações de com a estrutura própria desse tipo de texto e utilizando
oposição, contraste, exemplificação, ênfase. diferentes tipos de argumentos – de autoridade,
comprovação, exemplificação princípio etc.
(EF89LP11) Produzir, revisar e editar peças e campanhas publicitárias, envolvendo o uso articulado e
complementar de diferentes peças publicitárias: cartaz, banner, indoor, folheto, panfleto, anúncio de jornal/revista,
para internet, spot, propaganda de rádio, TV, a partir da escolha da questão/problema/causa significativa para a
escola e/ou a comunidade escolar, da definição do público-alvo, das peças que serão produzidas, das estratégias
de persuasão e convencimento que serão utilizadas.
(EF89LP12) Planejar coletivamente a realização de um debate sobre tema previamente definido, de interesse
coletivo, com regras acordadas e planejar, em grupo, participação em debate a partir do levantamento de
informações e argumentos que possam sustentar o posicionamento a ser defendido (o que pode envolver
entrevistas com especialistas, consultas a fontes diversas, o registro das informações e dados obtidos etc.), tendo
em vista as condições de produção do debate – perfil dos ouvintes e demais participantes, objetivos do debate,
motivações para sua realização, argumentos e estratégias de convencimento mais eficazes etc. e participar de
debates regrados, na condição de membro de uma equipe de debatedor, apresentador/mediador, espectador (com
ou sem direito a perguntas), e/ou de juiz/avaliador, como forma de compreender o funcionamento do debate, e
poder participar de forma convincente, ética, respeitosa e crítica e desenvolver uma atitude de respeito e diálogo
para com as ideias divergentes.
(EF89LP13) Planejar entrevistas orais com pessoas ligadas ao fato noticiado, especialistas etc., como forma
de obter dados e informações sobre os fatos cobertos sobre o tema ou questão discutida ou temáticas em
estudo, levando em conta o gênero e seu contexto de produção, partindo do levantamento de informações
sobre o entrevistado e sobre a temática e da elaboração de um roteiro de perguntas, garantindo a relevância
das informações mantidas e a continuidade temática, realizar entrevista e fazer edição em áudio ou vídeo,
incluindo uma contextualização inicial e uma fala de encerramento para publicação da entrevista isoladamente ou
como parte integrante de reportagem multimidiática, adequando-a a seu contexto de publicação e garantindo a
relevância das informações mantidas e a continuidade temática.

LIII

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO JORNALÍSTICO/MIDIÁTICO
Análise linguística/semiótica Argumentação: movimentos argumentativos, tipos de
argumento e força argumentativa
Estilo

Modalização

CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA


Leitura Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção
de textos legais e normativos

Contexto de produção, circulação e recepção de textos e


práticas relacionadas à defesa de direitos e à participação
social

Relação entre contexto de produção e características


composicionais e estilísticas dos gêneros
Apreciação e réplica

Estratégias e procedimentos de leitura em textos


reivindicatórios ou propositivos

LIV
LIV

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF89LP14) Analisar, em textos argumentativos e propositivos, os movimentos argumentativos de sustentação,


refutação e negociação e os tipos de argumentos, avaliando a força/tipo dos argumentos utilizados.
(EF89LP15) Utilizar, nos debates, operadores argumentativos que marcam a defesa de ideia e de diálogo
com a tese do outro: concordo, discordo, concordo parcialmente, do meu ponto de vista, na perspectiva aqui
assumida etc.
(EF89LP16) Analisar a modalização realizada em textos noticiosos e argumentativos, por meio das modalidades
apreciativas, viabilizadas por classes e estruturas gramaticais como adjetivos, locuções adjetivas, advérbios,
locuções adverbiais, orações adjetivas e adverbiais, orações relativas restritivas e explicativas etc., de maneira a
perceber a apreciação ideológica sobre os fatos noticiados ou as posições implícitas ou assumidas.

(EF89LP17) Relacionar textos e documentos legais e normativos de importância universal, nacional ou local
que envolvam direitos, em especial, de crianças, adolescentes e jovens – tais como a Declaração dos Direitos
Humanos, a Constituição Brasileira, o ECA -, e a regulamentação da organização escolar – por exemplo, regimento
escolar -, a seus contextos de produção, reconhecendo e analisando possíveis motivações, finalidades e sua
vinculação com experiências humanas e fatos históricos e sociais, como forma de ampliar a compreensão dos
direitos e deveres, de fomentar os princípios democráticos e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade
(o outro tem direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho).
(EF89LP18) Explorar e analisar instâncias e canais de participação disponíveis na escola (conselho de escola,
outros colegiados, grêmio livre), na comunidade (associações, coletivos, movimentos, etc.), no munícipio ou no
país, incluindo formas de participação digital, como canais e plataformas de participação (como portal e-cidadania),
serviços, portais e ferramentas de acompanhamentos do trabalho de políticos e de tramitação de leis, canais de
educação política, bem como de propostas e proposições que circulam nesses canais, de forma a participar do
debate de ideias e propostas na esfera social e a engajar-se com a busca de soluções para problemas ou questões
que envolvam a vida da escola e da comunidade.
(EF89LP19) Analisar, a partir do contexto de produção, a forma de organização das cartas abertas, abaixo-
assinados e petições on-line (identificação dos signatários, explicitação da reivindicação feita, acompanhada ou
não de uma breve apresentação da problemática e/ou de justificativas que visam sustentar a reivindicação) e a
proposição, discussão e aprovação de propostas políticas ou de soluções para problemas de interesse público,
apresentadas ou lidas nos canais digitais de participação, identificando suas marcas linguísticas, como forma de
possibilitar a escrita ou subscrição consciente de abaixo-assinados e textos dessa natureza e poder se posicionar
de forma crítica e fundamentada frente às propostas
(EF89LP20) Comparar propostas políticas e de solução de problemas, identificando o que se pretende fazer/
implementar, por que (motivações, justificativas), para que (objetivos, benefícios e consequências esperados),
como (ações e passos), quando etc. e a forma de avaliar a eficácia da proposta/solução, contrastando dados e
informações de diferentes fontes, identificando coincidências, complementaridades e contradições, de forma a
poder compreender e posicionar-se criticamente sobre os dados e informações usados em fundamentação de
propostas e analisar a coerência entre os elementos, de forma a tomar decisões fundamentadas.

LV

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA


Produção de textos Estratégia de produção: planejamento de textos reivindicatórios ou
propositivos

Oralidade Escuta
Apreender o sentido geral dos textos
Apreciação e réplica
Produção/Proposta
Análise linguística/semiótica Movimentos argumentativos e força dos argumentos

Leitura Curadoria de informação


Produção de textos Estratégias de escrita: textualização, revisão e edição

Oralidade Conversação espontânea

Procedimentos de apoio à compreensão


Tomada de nota

Análise linguística/semiótica Textualização


Progressão temática

Textualização

Modalização

LVI
LVI

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF89LP21) Realizar enquetes e pesquisas de opinião, de forma a levantar prioridades, problemas a resolver ou
propostas que possam contribuir para melhoria da escola ou da comunidade, caracterizar demanda/necessidade,
documentando-a de diferentes maneiras por meio de diferentes procedimentos, gêneros e mídias e, quando for
o caso, selecionar informações e dados relevantes de fontes pertinentes diversas (sites, impressos, vídeos etc.),
avaliando a qualidade e a utilidade dessas fontes, que possam servir de contextualização e fundamentação de
propostas, de forma a justificar a proposição de propostas, projetos culturais e ações de intervenção.
(EF89LP22) Compreender e comparar as diferentes posições e interesses em jogo em uma discussão ou
apresentação de propostas, avaliando a validade e força dos argumentos e as consequências do que está sendo
proposto e, quando for o caso, formular e negociar propostas de diferentes naturezas relativas a interesses
coletivos envolvendo a escola ou comunidade escolar.

(EF89LP23) Analisar, em textos argumentativos, reivindicatórios e propositivos, os movimentos argumentativos


utilizados (sustentação, refutação e negociação), avaliando a força dos argumentos utilizados.
(EF89LP24) Realizar pesquisa, estabelecendo o recorte das questões, usando fontes abertas e confiáveis.
(EF89LP25) Divulgar o resultado de pesquisas por meio de apresentações orais, verbetes de enciclopédias
colaborativas, reportagens de divulgação científica, vlogs científicos, vídeos de diferentes tipos etc.
(EF89LP26) Produzir resenhas, a partir das notas e/ou esquemas feitos, com o manejo adequado das vozes
envolvidas (do resenhador, do autor da obra e, se for o caso, também dos autores citados na obra resenhada),
por meio do uso de paráfrases, marcas do discurso reportado e citações.
(EF89LP27) Tecer considerações e formular problematizações pertinentes, em momentos oportunos, em
situações de aulas, apresentação oral, seminário etc.
(EF89LP28) Tomar nota de videoaulas, aulas digitais, apresentações multimídias, vídeos de divulgação científica,
documentários e afins, identificando, em função dos objetivos, informações principais para apoio ao estudo e
realizando, quando necessário, uma síntese final que destaque e reorganize os pontos ou conceitos centrais e
suas relações e que, em alguns casos, seja acompanhada de reflexões pessoais, que podem conter dúvidas,
questionamentos, considerações etc.
(EF89LP29) Utilizar e perceber mecanismos de progressão temática, tais como retomadas anafóricas (“que,
cujo, onde”, pronomes do caso reto e oblíquos, pronomes demonstrativos, nomes correferentes etc.), catáforas
(remetendo para adiante ao invés de retomar o já dito), uso de organizadores textuais, de coesivos etc., e analisar
os mecanismos de reformulação e paráfrase utilizados nos textos de divulgação do conhecimento.
(EF89LP30) Analisar a estrutura de hipertexto e hiperlinks em textos de divulgação científica que circulam na Web
e proceder à remissão a conceitos e relações por meio de links.
(EF89LP31) Analisar e utilizar modalização epistêmica, isto é, modos de indicar uma avaliação sobre o valor de
verdade e as condições de verdade de uma proposição, tais como os asseverativos – quando se concorda com
(“realmente, evidentemente, naturalmente, efetivamente, claro, certo, lógico, sem dúvida” etc.) ou discorda de (“de
jeito nenhum, de forma alguma”) uma ideia; e os quase-asseverativos, que indicam que se considera o conteúdo
como quase certo (“talvez, assim, possivelmente, provavelmente, eventualmente”).

LVII

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
Leitura Relação entre textos

Estratégias de leitura
Apreciação e réplica

Reconstrução da textualidade e compreensão dos efeitos


de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísti-
cos e multissemióticos
Produção de textos Construção da textualidade

Relação entre textos

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/ semiótica Fono-ortografia

Léxico/morfologia

Morfossintaxe

LVIII
LVIII

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF89LP32) Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de mecanismos de intertextualidade (referências,


alusões, retomadas) entre os textos literários, entre esses textos literários e outras manifestações artísticas
(cinema, teatro, artes visuais e midiáticas, música), quanto aos temas, personagens, estilos, autores etc., e entre o
texto original e paródias, paráfrases, pastiches, trailer honesto, vídeos-minuto, vidding, dentre outros.
(EF89LP33) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura
adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos
contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas,
crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como
haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo
preferências por gêneros, temas, autores.
(EF89LP34) Analisar a organização de texto dramático apresentado em teatro, televisão, cinema, identificando
e percebendo os sentidos decorrentes dos recursos linguísticos e semióticos que sustentam sua realização como
peça teatral, novela, filme etc.
(EF89LP35) Criar contos ou crônicas (em especial, líricas), crônicas visuais, minicontos, narrativas de aventura
e de ficção científica, dentre outros, com temáticas próprias ao gênero, usando os conhecimentos sobre os
constituintes estruturais e recursos expressivos típicos dos gêneros narrativos pretendidos, e, no caso de
produção em grupo, ferramentas de escrita colaborativa.
(EF89LP36) Parodiar poemas conhecidos da literatura e criar textos em versos (como poemas concretos,
ciberpoemas, haicais, liras, microrroteiros, lambe-lambes e outros tipos de poemas), explorando o uso de recursos
sonoros e semânticos (como figuras de linguagem e jogos de palavras) e visuais (como relações entre imagem e
texto verbal e distribuição da mancha gráfica), de forma a propiciar diferentes efeitos de sentido.

(EF08LP04) Utilizar, ao produzir texto, conhecimentos (EF09LP04) Escrever textos corretamente, de acordo
linguísticos e gramaticais: ortografia, regências e com a norma-padrão, com estruturas sintáticas
concordâncias nominal e verbal, modos e tempos complexas no nível da oração e do período.
verbais, pontuação etc.
(EF08LP05) Analisar processos de formação de
palavras por composição (aglutinação e justaposição),
apropriando-se de regras básicas de uso do hífen em
palavras compostas.
(EF08LP06) Identificar, em textos lidos ou de produção (EF09LP05) Identificar, em textos lidos e em produções
própria, os termos constitutivos da oração (sujeito e próprias, orações com a estrutura sujeito-verbo de
seus modificadores, verbo e seus complementos e ligação-predicativo.
modificadores).
(EF08LP07) Diferenciar, em textos lidos ou de (EF09LP06) Diferenciar, em textos lidos e em
produção própria, complementos diretos e indiretos produções próprias, o efeito de sentido do uso dos
de verbos transitivos, apropriando-se da regência de verbos de ligação “ser”, “estar”, “ficar”, “parecer” e
verbos de uso frequente. “permanecer”.

LIX

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/ semiótica Morfossintaxe

Elementos notacionais da escrita/morfossintaxe

Semântica

Coesão

LX
LX

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF08LP08) Identificar, em textos lidos ou de produção (EF09LP07) Comparar o uso de regência verbal e
própria, verbos na voz ativa e na voz passiva, regência nominal na norma-padrão com seu uso no
interpretando os efeitos de sentido de sujeito ativo e português brasileiro coloquial oral.
passivo (agente da passiva).
(EF08LP09) Interpretar efeitos de sentido de
modificadores (adjuntos adnominais – artigos definido
ou indefinido, adjetivos, expressões adjetivas) em
substantivos com função de sujeito ou de complemento
verbal, usando-os para enriquecer seus próprios textos.
(EF08LP10) Interpretar, em textos lidos ou de produção
própria, efeitos de sentido de modificadores do
verbo (adjuntos adverbiais – advérbios e expressões
adverbiais), usando-os para enriquecer seus próprios
textos.
(EF08LP11) Identificar, em textos lidos ou de produção
própria, agrupamento de orações em períodos,
diferenciando coordenação de subordinação.
(EF08LP12) Identificar, em textos lidos, orações (EF09LP08) Identificar, em textos lidos e em
subordinadas com conjunções de uso frequente, produções próprias, a relação que conjunções (e
incorporando-as às suas próprias produções. locuções conjuntivas) coordenativas e subordinativas
estabelecem entre as orações que conectam.
(EF08LP13) Inferir efeitos de sentido decorrentes do
uso de recursos de coesão sequencial: conjunções e
articuladores textuais.
(EF09LP09) Identificar efeitos de sentido do uso de
orações adjetivas restritivas e explicativas em um
período composto.
(EF08LP14) Utilizar, ao produzir texto, recursos de
coesão sequencial (articuladores) e referencial (léxica
e pronominal), construções passivas e impessoais,
discurso direto e indireto e outros recursos expressivos
adequados ao gênero textual.
(EF08LP15) Estabelecer relações entre partes do texto, (EF09LP10) Comparar as regras de colocação
identificando o antecedente de um pronome relativo pronominal na norma-padrão com o seu uso no
ou o referente comum de uma cadeia de substituições português brasileiro coloquial.
lexicais.

LXI

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Língua Portuguesa – 8o e 9o anos (Continuação)
PRÁTICAS DE LINGUAGEM OBJETOS DE CONHECIMENTO

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO


Análise linguística/semiótica Coesão

Modalização

Figuras de linguagem

Variação linguística

LXII
LXII

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Manual do Educador

HABILIDADES
8o ano 9o ano

(EF09LP11) Inferir efeitos de sentido decorrentes do


uso de recursos de coesão sequencial (conjunções e
articuladores textuais).
(EF08LP16) Explicar os efeitos de sentido do
uso, em textos, de estratégias de modalização e
argumentatividade (sinais de pontuação, adjetivos,
substantivos, expressões de grau, verbos e perífrases
verbais, advérbios etc.).
(EF89LP37) Analisar os efeitos de sentido do uso de
figuras de linguagem como ironia, eufemismo, antítese,
aliteração, assonância, dentre outras.
(EF09LP12) Identificar estrangeirismos, caracterizando-
-os segundo a conservação, ou não, de sua forma
gráfica de origem, avaliando a pertinência, ou não, de
seu uso.

LXIII

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Uma coleção que inovará
a sua prática pedagógica
Os capítulos foram elaborados
com base em temas
transversais que contextualizam
os conteúdos trabalhados. A disposição sistemática
dos temas facilita o estudo.

io
Ár Histórias do cotidiano
su M Capítulo
Crônica
3 Primeiro momento – No meu tempo ---------------------------92
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------94
• Análise linguística ----------------------------------------------------98
– Revisando os verbos -------------------------------------------98

Capítulo
Conto
1 Lá vem história...
Primeiro momento – Isso é coisa de menino amarelo --12
• Os modos verbais ---------------------------------------------------99
• Aspecto verbal --------------------------------------------------------101
• Prática linguística ----------------------------------------------------102
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------18 • É hora de produzir ---------------------------------------------------105
• Análise linguística ----------------------------------------------------21 Segundo momento – O “jeitinho brasileiro” é inimigo
– Os nomes: substantivo e adjetivo ---------------------------21 da prevenção ---------------------------108
• Prática linguística ----------------------------------------------------24 • Desvendando os segredos do texto ----------------------------110
• É hora de produzir ---------------------------------------------------28 • Análise linguística ----------------------------------------------------113
Segundo momento – A luz é como a água ------------------30 – Os advérbios ------------------------------------------------------113
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------34 • Prática linguística ----------------------------------------------------114
• Análise linguística ----------------------------------------------------37 • É hora de produzir ---------------------------------------------------116
– As preposições ---------------------------------------------------37 • A escrita em foco -----------------------------------------------------118
• Prática linguística ----------------------------------------------------39 – Uso das consoantes s, z e x----------------------------------118
• É hora de produzir ---------------------------------------------------42 • A escrita em questão ------------------------------------------------120
• A escrita em foco -----------------------------------------------------44
– Uso do x e do ch ------------------------------------------------44
Por dentro dos fatos
4
• A escrita em questão ------------------------------------------------45
Capítulo
Primeiro momento – Internet e mídias sociais: O Universo
reportagem numa janela ------------------------------128

Capítulo
Mito e lenda
2 De volta às origens
Primeiro momento – Eco e Narciso ----------------------------52
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------133
• Análise linguística ----------------------------------------------------136
– Formas nominais dos verbos ---------------------------------136
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------57 – A estrutura dos verbos------------------------------------------138
• Análise linguística ----------------------------------------------------60 – Conjugação verbal ----------------------------------------------139
– Os pronomes e a coesão --------------------------------------60 – As vozes dos verbos --------------------------------------------145
• Prática linguística ----------------------------------------------------62 • Prática linguística ----------------------------------------------------146
• É hora de produzir ---------------------------------------------------65 • É hora de produzir ---------------------------------------------------151
Segundo momento – O uapé -------------------------------------68 Segundo momento – Religiões africanas são alvo
• Desvendando os segredos do texto ----------------------------70 de intolerância--------------------------154
• Análise linguística ----------------------------------------------------72 • Desvendando os segredos do texto ----------------------------158
– Pronomes possessivos, indefinidos e relativos ----------72 • Análise linguística ----------------------------------------------------161
• Prática linguística ----------------------------------------------------76 – O modo imperativo ----------------------------------------------161
• É hora de produzir ---------------------------------------------------80 • Prática linguística ----------------------------------------------------163
• A escrita em foco -----------------------------------------------------83 • É hora de produzir ---------------------------------------------------168
– Os ditongos ei, eu e oi -----------------------------------------83 • A escrita em foco -----------------------------------------------------170
• A escrita em questão ------------------------------------------------83 – Verbos regulares e irregulares -------------------------------170
• A escrita em questão ------------------------------------------------171

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Todos os capítulos do livro são


divididos em dois momentos, o que
As propostas de produção
favorece a abordagem em espiral.
textual são verdadeiras
oficinas de escritores.

LXIV
LXIV

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Manual do Educador

Os pontos fortes
desta coleção
Ao aliar as três bases do ensino de língua portuguesa (leitura, produção e análise
linguística) de maneira contextualizada, esta coleção possibilita um trabalho eficiente e
divertido em sala de aula. Conheça os principais pontos da nossa proposta:

Ênfase no trabalho reflexivo com a língua.

Abordagem gramatical renovada.

Trabalho inovador com o português brasileiro.

Abordagem de temas transversais.

Abordagem em espiral da leitura, da análise


linguística e da produção textual.

Propostas de produção de textos voltadas para a realidade.

Questões de concursos voltados para o segmento (Colégios


de Aplicação, Institutos Federais, Colégio Militar, etc.).

Interpretação de texto focada no processo de inferência.

Manuais do educador elaborados para auxiliar


a prática pedagógica de forma eficiente.

E mais: todo o conteúdo é enriquecido com as tirinhas de Preá e Café e seus


amigos da escola! Juntos eles têm enfrentar as excentricidades de uma professora
ranzinza que não mede esforços para manter a língua portuguesa tal como era nos
tempos de Camões.

LXV

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AL
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M
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ç DO
n h e UCA 1 Reprodução do livro do aluno
C o ED
o
ul
p ít
Ca 18

Cada página do manual traz uma


DO
Para discutir
Aprenda 1. Qual a ideia central do texto?
Sugestão de Abordagem mais!
2. O que Pincelo acha sobre comer comidas esquisitas?
O conto faz parte do 3. No início do conto, Aquarelita tem desejos de comer comidas
universo da literatura em
diferentes devido à gravidez. Ela queria comer giz de cera. Se
Para as questões da seção Para
que seres fantasiosos
ela não comesse, o que poderia acontecer? É possível isso

página do livro do aluno em tamanho


ou situações ficcionais

discutir, propomos as seguintes


interagem com o leitor. acontecer?
Assim como vários 4. Como você pode ver, nesse texto a autora explora o sentido
gêneros literários, o
respostas para discussão: conto apresenta narrador,
personagens e enredo.
da expressão coisa de menino amarelo. Você já ouviu essa
expressão? O que ela significa no conto?

1. O comportamento de um me- Tradicionalmente, o

reduzido. Ou seja, reproduzimos todo


conto se define como
nino amarelo que é conhecido uma estrutura fechada,
em que o conflito se
por fazer trelas e badernas. desenvolve em direção
a um desenlace claro.
Desvendando os segredos do texto
2. Pincelo acha que pode fazer
Essa é uma das principais
diferenças entre o conto

mal e não é comida de gente.


e gêneros narrativos mais
extensos, como o romance,
que possui conflitos
1. O texto Isso é coisa de menino amarelo faz alusão ao mun-
secundários. do das artes, particularmente à pintura. Como é possível dedu-
3. O menino poderia nascer com zir tal informação?
cara de giz de cera. O nome da mãe, Aquarelita, de aquarela, e o nome do pai, Pincelo,

4. A expressão é usada para de-


signar travessuras de crianças
desobedientes, dissimuladas,
travessas, etc.
que faz referência ao pincel.

2. “A cidade inteira ficou agitada com a notícia que estava se


espalhando.” O que podemos inferir do lugar onde a família do
menino amarelo morava?
o conteúdo destinado ao aluno lado a
Que era uma cidade pequena e por isso todos se conheciam.

3. “Dona Aquarelita deu à luz um bebê amarelo. Amarelo de


verdade.” A partir dessa afirmação feita pelo narrador, que
outro(s) sentido(s) pode ter a expressão menino amarelo?
Amarelo pode ser uma referência a alguma doença. Uma criança
lado com o conteúdo preparado para
da raça amarela, tom de pele associado aos asiáticos.

Leitura Complementar
18

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auxiliar o seu trabalho. Na prática,
Uma forma de entretenimento indis- Na revista Língua Portuguesa isso, ele expõe as opiniões de
sociável da vida dos seus alunos é (Editora Segmento) de outubro estudiosos e de escritores.
o video game. E essa mídia, com
o avanço da tecnologia, oferece
jogos cada vez mais sofisticados,
de 2010, há uma reportagem de
Edgard Murano sobre o assunto:
Os video games viram arte nar-
O modelo mais simples é o do jo-
gador que dá vida, pelo joystick,
a um ou mais personagens que
temos dois livros em uma só brochura,
o que torna ainda mais prático o seu
que tecem tramas tão complexas rativa. Lá, o autor escreve: “Re- têm desafios a serem superados,
que já há quem os tome por expe- sultado da interatividade aliada dentro de um roteiro bem defini-
riências tão realistas quanto o cine- ao enredo, os games começam do, com direito a clímax, come-
ma e tão imersivas quanto a litera- a sedimentar uma forma própria ço, meio e fim.
tura. de contar histórias”. Para provar

1818

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desempenho em sala de aula.

Manual do Educador

Conto

33
Capítulo
1
Diálogo com
o professor

Perguntas inferenciais são


aquelas cujas respostas

Área lateral dos manuais


não estão na superfície do
texto, mas são extraídas de
“pistas”, informações que
permitem ao leitor levantar
hipóteses. Elas estimulam o
loridos liberados do aquário da mãe, que eram os únicos que raciocínio e, para respondê-
flutuavam vivos e felizes no vasto lago iluminado. No banheiro,
flutuavam as escovas de dentes de todos, [...] os potes de cre-
-las, o aluno precisa aces-
me e a dentadura de reserva da mãe, e o televisor da alcova sar ainda mais seu conheci-
principal flutuava de lado, ainda ligado no último episódio do
mento de mundo, segundo

Nas áreas laterais do seu


filme [...]. No final do corredor, flutuando entre duas águas, Totó
estava sentado na popa do bote, agarrado aos remos e com a o que lhe é oferecido no tex-
máscara no rosto, buscando o farol do porto até o momento em
que houve ar nos tanques de oxigênio, e Joel flutuava na proa to. A questão 11 da seção
buscando ainda a estrela polar com o sextante, e flutuavam
pela casa inteira seus 37 companheiros de classe, eternizados
Dicionário
Desvendando os segredos
no instante de fazer xixi no vaso de gerânios, de cantar o hino A esmo – Sem direção
definida.
do texto na página seguinte
é um bom exercício para a
da escola com a letra mudada por versos de deboche contra o Alcova – Quarto.
diretor, de beber às escondidas um copo de brandy da garrafa Gerânios – São plantas de

capacidade de inferir.

manual, você encontrará todo o


pequeno porte que vivem
do pai. Pois haviam aberto tantas luzes ao mesmo tempo que
bem no clima temperado.
a casa tinha transbordado, e o quarto ano elementar inteiro da Têm flores de formatos
escola de São João Hospitalário tinha se afogado no quinto variados, sempre muito
coloridas.
andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Em Madri de
Brandy – Produto
Espanha, uma cidade remota de verões ardentes e ventos ge- resultante da destilação do
lados, sem mar nem rio, e cujos aborígines de terra firme nunca vinho; conhaque.
foram mestres na ciência de navegar na luz.
Dezembro de 1978.
MÁRQUEZ, Gabriel García. Doze contos peregrinos.
Sugestão de
Abordagem

conteúdo preparado para apoiar


Rio de Janeiro: Record, 1992. pp. 65–66.

33
Para os pais de Totó e Joel,
o que seria maturidade?

o seu trabalho, enriquecendo a


Peça para seus alunos re-
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 33 29/03/18 07:30

fletirem sobre isso. Será que


Anotações o texto nos dá alguma pis-
ta? Depois, questione o que
eles acham que é maturida-
de e se consideram Totó e
Joel maduros ou imaturos.
Por fim, convide-os a refletir
sobre si mesmos, segundo
suas próprias opiniões. sua abordagem com variadas
informações.
33

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Manual do Educador

Anotações
Conto

29
Capítulo
1
Elovich | Shutterstock

Photographee.eu | Shutterstock
Vasilyev Alexandr | Shutterstock

Os manuais contam com áreas


Sugestão de
Abordagem
2.

4. Para enriquecer a propos-


Vasilyev Alexandr| Shutterstock

1. ta, seria interessante levar


para a sala de aula mais

específicas para você realizar suas


3.
Planejamento imagens que possam servir
Para produzir seu conto, pense nisto:
como tema para a produ-
1. Narrador-personagem – Identifique quem é o narrador,
imagine sua história de vida, quem são seus antagonistas, ção do conto.
o que acontece com ele…
2. Fatos narrados – Selecione os fatos que você desenvolve-
rá no conto, procurando colocá-los em ordem crescente de

anotações de forma organizada,


tensão até atingir o clímax. BNCC – Habilidades gerais
3. Espaço – Onde se passa o conto?

4. Personagens – Quais são os outros personagens do conto? EF69LP05 EF69LP53


EF69LP44 EF69LP54
Avaliação EF69LP47 EF69LP56
1. Peça a um colega para avaliar o seu texto. A avaliação de- EF69LP51
verá contemplar os seguintes aspectos:

registrando todas as informações


Aspectos analisados Sim Não
Há narrador-personagem? BNCC – Habilidades específicas
O enredo está estruturado?
Há descrição da cena? EF67LP28 EF67LP33
Os personagens estão caracterizados? EF67LP30 EF07LP10
EF67LP32

importantes referentes à aula


2. Após a avaliação, discuta com seu colega sobre os comen-
tários que ele fez do seu conto. Que sugestões ele tem para
melhorar seu texto?
3. Agora, no seu caderno, reescreva os trechos que julgar ne-
cessários.
29

realizada. Assim, ficará muito mais


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Anotações

fácil localizá-las depois, inclusive


nos anos seguintes.
29

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o
1
ul
p ít
Ca 10

Objetivos Pedagógicos

Ao final deste capítulo, o aluno


Capítulo 1 Lá vem
deve ser capaz de: história...

Objetivos pedagógicos
• Demonstrar conhecimento bá-
sico sobre o gênero e suas fun-
ções sociais: o que é um con- 1. Os textos estão por todos os lados.
Conhecimentos prévios

to? Para quem é escrito? Por E, no nosso dia a dia, utilizamos uma
quantidade enorme deles. Você já
quê? Para quê? E como é feito? percebeu isso?
2. Os textos são muito variados. Uns
• Expressar-se de forma oral e compartilham algumas característi-

escrita sobre os temas abor-


cas; outros são completamente di-
ferentes. Reflita: como são os textos
dados nos textos. que contam histórias?

No início dos capítulos,


3. O conto é um desses textos em que
• Reconhecer mais de um tipo se conta uma história. Você conhe-
ce mais algumas características dos
textual em um mesmo texto. contos?

• Realizar leituras inferenciais.

enfatizamos quais são os objetivos


• Identificar fenômenos da lingua-
gem — ambiguidade, argumen- Caracterizando o gênero
tação, informações implícitas e
explícitas — e o valor semântico Neste capítulo, vamos estudar o conto, um gênero textual em que a nar-
rativa é sempre curta. Essa qualidade do conto acarreta outras caracte-
de algumas palavras no texto. rísticas, como poucos personagens, esquemas temporal e ambiental

pedagógicos que pretendemos


mais simples e uma ou poucas ações, o que não permite tramas
• Realizar prática e análise linguís- secundárias, diferentemente de gêneros narrativos mais lon-

tica: substantivos e adjetivos,


gos, como a novela e o romance.

pronomes, o uso do x e do ch.


• Planejar, produzir e avaliar um
conto. LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 10 29/03/18 07:30

Anotações
alcançar. Esses tópicos ajudarão
bastante a elaboração do seu
1010

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planejamento bimestral.

LXVI
LXVI

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Manual do Educador

o
1
Diálogo com o professor
ul
p ít
Ca 40
Texto 1
Aprenda
mais! A raposa e as uvas

Os manuais da coleção foram


Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendurados à
Diálogo com Na língua portuguesa,
existem dois tipos de
palavras: as lexicais e as
grande altura, em uma videira que crescia ao longo de uma
o professor gramaticais. As palavras
treliça, e fez de tudo para alcançá-los, saltando o mais alto
lexicais são aquelas que,
como o próprio nome faz
que podia. Mas seu esforço foi em vão, pois os cachos estavam
A confusão que se faz sobre o
supor, compõem o léxico
da língua, isto é, o seu fora de seu alcance. Por isso, ela desistiu de tentar.
uso das preposições se des-
vocabulário. São, portanto,
palavras com as quais Afastou-se e, com um ar de dignidade e indiferença, falou:
dobra em muitos outros casos,
nomeamos os seres, as
ações, as qualidades, etc. — Eu pensei que aquelas uvas estavam maduras, mas vejo
Já as palavras gramaticais
como o emprego do acento dife- são aquelas que, quando agora que elas eram, na verdade, bastante azedas.

produzidos buscando um diálogo


isoladas, são desprovidas
rencial. Não é a presença ou não de significado. Na nossa
comunicação, essas
Moral da história: Quem desdenha quer comprar.
SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014, p. 3.
do acento que determina o sen- palavras se apoiam nas
lexicais para compor

tido de uma palavra, mas o seu estruturas maiores. As


preposições são, portanto,
Texto 2

emprego. Não é necessário o O gato e os pássaros


palavras gramaticais.
Observe:

auxílio da grafia para saber se a Você prefere sorvete Um gato, certa vez, ouviu que as aves de um aviário es-

palavra ponto diz respeito a um


com ou sem calda?

permanente com o professor.


tavam todas doentes. Então ele se disfarçou de médico e,
Se retirarmos desse

lugar onde esperamos o ônibus exemplo a preposição


com, que sentido ela
levando consigo alguns instrumentos próprios da profissão
médica, apresentou-se à porta
ou a um tipo de bordado ou a um
teria? Nenhum. O mesmo do local, perguntando pela
aconteceria com a palavra

conceito geométrico. E assim


sem. Fora do contexto, saúde das aves.
as palavras gramaticais
— Nós vamos ficar muito bem — elas responderam, sem
sucessivamente, provavelmente
não têm sentido. Construir
o sentido com uma
deixar o gato entrar — quando não existirem mais gatos para
com todas as palavras.
dessas palavras só seria

Assim, utilizamos estes boxes para


possível se elas fossem
inseridas, portanto, nos comer.
num contexto. É o que
As regras de acentuação são acontece neste diálogo,
Moral da história: Um mau amigo é pior que um inimigo.
em que a preposição com, SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014, p. 4.

as únicas que se baseiam mais mesmo isolada, permite a


produção de sentido, mas,
3. Estudamos que as preposições são uma classe de palavras
ou menos solidamente na fala. ainda assim, apoiado na
pergunta: invariáveis, o que quer dizer que não se alteram, independente-
Assim, é um engano imaginar, — Você prefere sorvete
mente do gênero, grau ou número das palavras que ligam. Às

por exemplo, que, ao se mudar


com ou sem calda? vezes, no entanto, as preposições se unem a outras palavras

esclarecer nosso posicionamento


— Com. para estabelecer uma adequada relação de concordância entre
o acento da palavra sabiá para os termos. É essa união que chamamos de locução prepositi-

o a da primeira sílaba, tem-se o 40

adjetivo sábia. E, se não houver


nenhum acento, tem-se um ver- LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 40 29/03/18 07:30

bo, sabia. Ora não é a mudança


de posição ou a eliminação do
acento gráfico que transforma
uma palavra em outra, mas é
o fato de a palavra ser uma ou
BNCC – Habilidades gerais

EF69LP44
EF69LP53
EF69LP56
Anotações
sobre controvérsias teóricas e deixar
claros os motivos que nos levaram a
ser outra que exige a colocação
do acento em uma ou em outra BNCC – Habilidades específicas
sílaba ou que não haja nenhum
EF67LP28 EF07LP06
acento gráfico. EF67LP36 EF07LP12

4040

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adotar certas posturas.

Manual do Educador

Sugestão de abordagem
Conto

31
Capítulo
1
— Parabéns — disse o pai. — E agora?
— Agora, nada — disseram os meninos. — A única coisa
que a gente queria era ter o barco no quarto, e pronto. Sugestão de
Na noite de quarta-feira, como em todas as quartas-feiras, os
pais foram ao cinema. Os meninos, donos e senhores da casa, Abordagem
fecharam portas e janelas e quebraram a lâmpada acesa de um

No segundo momento deste ca-

Ao longo do seu manual, você encontrará


lustre da sala. Um jorro de luz dourada e fresca feito água co-
meçou a sair da lâmpada quebrada, e deixaram correr até que
o nível chegou a quatro palmos. Então desligaram a corrente, Dicionário pítulo, o texto principal, de García
Márquez, traz a riqueza da litera-
tiraram o barco e navegaram com prazer entre as ilhas da casa.
E assim continuaram navegando nas noites de quarta-feira, Louros – Folhas do
aprendendo a mexer com o sextante e a bússola, até que os loureiro arrumadas em
tura fantástica para a sala de aula.

inúmeras sugestões de como abordar


formato de grinalda,
pais voltavam do cinema e os encontravam dormindo como an-
jos em terra firme. Meses depois, ansiosos por ir mais longe,
usadas pelos gregos e
pelos romanos para coroar Partindo do pressuposto de que a
pediram um equipamento de pesca submarina. Com tudo: más-
sua literatura é feita com elemen-
os vencedores de torneios.
Renitente – Teimoso.
caras, pés de pato, tanques e carabinas de ar comprimido.
tos do dia a dia, como ele pró-
Gardênia – Flor grande e
— Já é ruim ter no quarto de empregada um barco a remo aromática nativa de regiões
que não serve para nada — disse o pai. — Mas pior ainda é
prio afirma em Cheiro de goiaba
tropicais e subtropicais,

querer ter, além disso, equipamento de mergulho.


muitas vezes cultivada

(Record), podemos buscar boas


como ornamental.
— E se ganharmos a gardênia de ouro do primeiro semes- Devido à delicadeza e à
tre? — perguntou Joel. exclusividade da gardênia,

— Não — disse a mãe, assustada. — Chega.


no texto subentende-
-se que a gardênia de ouro
ideias no Festival Internacional
O pai reprovou sua intransigência. seria a premiação máxima
de Teatro de Objetos (Fito), que

melhor os conteúdos em sala de aula.


— É que estes meninos não ganham nem um prego por conferida pela escola

cumprir seu dever — disse ela —, mas por um capricho são


aos alunos com melhor
desempenho. reúne artistas do mundo inteiro.
O objetivo é revelar, como García
capazes de ganhar até a cadeira do professor.

Márquez, “a poesia dos utensí-


lios domésticos”. Assim, criamos

De visitas técnicas a filmes relacionados


boas possibilidades de trabalho:
1. Produção de texto: seus alu
nos podem escrever sobre brin-
cadeiras com objetos. Uma cama
que se torna um navio, um balde
que vira tambor, etc. Cada um

31
pode relatar como lidava, na in-
fância, com o mundo a sua volta.
2. Festival de cinema ou de
teatro: dividindo a turma em
ao tema trabalhado, procuramos trazer
sugestões úteis para a sua prática
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 31 29/03/18 07:30

grupos, solicite que cada gru-


po crie uma narrativa com ob-
Anotações jetos, utilizando os conceitos de
enredo, personagem, narrador,
cena, clímax, etc. A ideia é que

pedagógica. Com isso, ficará muito mais


eles produzam curtas-metra-
gens ou encenações teatrais e
se apresentem em um festival.

31

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fácil planejar as suas aulas.

o
1 Leitura complementar
ul
p ít

Nesta seção, trazemos pequenos


Ca 18
Para discutir
Aprenda 1. Qual a ideia central do texto?
Sugestão de Abordagem mais!
2. O que Pincelo acha sobre comer comidas esquisitas?
O conto faz parte do 3. No início do conto, Aquarelita tem desejos de comer comidas
universo da literatura em
diferentes devido à gravidez. Ela queria comer giz de cera. Se
Para as questões da seção Para

textos teóricos associados ao


que seres fantasiosos
ou situações ficcionais ela não comesse, o que poderia acontecer? É possível isso

discutir, propomos as seguintes


interagem com o leitor. acontecer?
Assim como vários 4. Como você pode ver, nesse texto a autora explora o sentido
gêneros literários, o
respostas para discussão: conto apresenta narrador,
personagens e enredo.
da expressão coisa de menino amarelo. Você já ouviu essa
expressão? O que ela significa no conto?

1. O comportamento de um me- Tradicionalmente, o


conto se define como
nino amarelo que é conhecido uma estrutura fechada,
em que o conflito se
por fazer trelas e badernas.

conteúdo trabalhado no capítulo. A


desenvolve em direção
a um desenlace claro.
Desvendando os segredos do texto
2. Pincelo acha que pode fazer
Essa é uma das principais
diferenças entre o conto

mal e não é comida de gente.


e gêneros narrativos mais
extensos, como o romance,
que possui conflitos
1. O texto Isso é coisa de menino amarelo faz alusão ao mun-
do das artes, particularmente à pintura. Como é possível dedu-

nossa intenção foi enriquecer ainda


secundários.
3. O menino poderia nascer com zir tal informação?
cara de giz de cera. O nome da mãe, Aquarelita, de aquarela, e o nome do pai, Pincelo,
que faz referência ao pincel.
4. A expressão é usada para de-
signar travessuras de crianças
desobedientes, dissimuladas,
2. “A cidade inteira ficou agitada com a notícia que estava se
espalhando.” O que podemos inferir do lugar onde a família do

mais a sua prática com sugestões


travessas, etc. menino amarelo morava?
Que era uma cidade pequena e por isso todos se conheciam.

3. “Dona Aquarelita deu à luz um bebê amarelo. Amarelo de


verdade.” A partir dessa afirmação feita pelo narrador, que
outro(s) sentido(s) pode ter a expressão menino amarelo?
Amarelo pode ser uma referência a alguma doença. Uma criança
da raça amarela, tom de pele associado aos asiáticos.

Leitura Complementar
18

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de textos teóricos coadunados com
Uma forma de entretenimento indis- Na revista Língua Portuguesa isso, ele expõe as opiniões de
sociável da vida dos seus alunos é (Editora Segmento) de outubro estudiosos e de escritores.
o video game. E essa mídia, com
o avanço da tecnologia, oferece
jogos cada vez mais sofisticados,
de 2010, há uma reportagem de
Edgard Murano sobre o assunto:
Os video games viram arte nar-
O modelo mais simples é o do jo-
gador que dá vida, pelo joystick,
a um ou mais personagens que
a nossa abordagem. Com isso,
que tecem tramas tão complexas rativa. Lá, o autor escreve: “Re- têm desafios a serem superados,
que já há quem os tome por expe- sultado da interatividade aliada
riências tão realistas quanto o cine-
ma e tão imersivas quanto a litera-
tura.
ao enredo, os games começam
a sedimentar uma forma própria
de contar histórias”. Para provar
dentro de um roteiro bem defini-
do, com direito a clímax, come-
ço, meio e fim. criamos um elo interessante entre a
1818

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teoria e a prática.

LXVII

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o n o
ça lu
h e oa
n d 2
o
C ro Capítulo
De volta

li v
às origens
1. Quando falamos em um lugar fechado e

Conhecimentos prévios
amplo, ouvimos nossa voz repercutir no
ambiente. É o que chamamos de eco.
Você sabe por que isso ocorre?
2. Imagine-se na Grécia Antiga, por volta

ck
to
rs
do século VI a.C. Como você acha que

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os gregos naquele tempo entendiam o

oz
ar
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que é o eco?

lia
ta
na
3. Ao longo da História, os seres humanos
sempre procuraram entender a nature-
za. Qual seria a fonte de conhecimento
dos primeiros seres humanos sobre os
fenômenos da natureza?

Caracterizando o gênero
O que estudaremos neste capítulo:
• Características e funções dos mitos
Os mitos são histórias que narram, de modo fantasioso, a origem dos misté-
rios, da vida, dos fenômenos da natureza, do homem. Essas histórias foram • Os pronomes e o mecanismo da coesão
• Pronomes possessivos, indefinidos e

Abertura de
criadas pelos povos para satisfazer sua necessidade de encontrar explica-
ções para esses elementos. Como o conhecimento científico é produ- relativos
zido lentamente através dos tempos, nem sempre esses povos dis- • Os ditongos ei, eu e oi
punham de dados concretos para explicá-los. A solução? Bem, a

Capítulo
solução foi recorrer à fantasia, ao misticismo, à imaginação…

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Conhecimentos prévios Caracterizando o gênero


Nesta seção, iniciamos o trabalho com o capítulo. Depois de checar o que você já
Aqui você encontrará perguntas cujo objetivo é sabe sobre o gênero, é hora de
despertar a sua curiosidade e o seu interesse pelo sistematizar esse conhecimento,
gênero textual que será tema do estudo. A intenção observando a sua função
é investigar os conhecimentos que você já tem social e suas características
sobre o gênero. composicionais.

O MOMeNTO Mito
e ir Eco e Narciso
iM
Pr
Antes de começar a ler
— Não aguento mais essa tagarela da Eco — segredou um
dia a deusa dos bosques a uma das suas ninfas.
De fato, não era só Diana que não suportava mais o falatório
da ninfa; nenhuma das suas amigas podia mais vê-la pela fren-
te sem fugir de sua língua incansável. Apesar de ser tão bela
quanto a mais bela das ninfas, Eco tinha a mania incontrolável
de falar pelos cotovelos.

O objetivo aqui é
Antes de — Por que não se cala de vez em quando? — diziam-lhe as
começar a ler amigas.
O texto que você vai — Homem algum suportará uma mulher que fale sem parar,
ler agora foi retirado do mesmo sendo tão bela como você.

apresentar informações
livro As 100 melhores Mas Eco não se corrigia e prosseguia falando até a exaus-
histórias da mitologia,
uma excelente coletânea tão. Um dia, porém, meteu-se com Juno, a esposa de Júpiter, e
de mitos greco-romanos isso foi a sua ruína.
organizada por Carmen O deus dos deuses tinha dado mais uma de suas escapadas,
Seganfredo e A. S.
Franchini. Neste texto, é e Juno andava por perto, farejando o seu rastro. A própria Eco

importantes para a
narrada a história da ninfa já gozara dos favores de Júpiter e prometera ocultar, a pedido
Eco e de Narciso, um do grande deus, os amores que ele agora mantinha com outra
jovem e vaidoso caçador.
ninfa. A deusa dos bosques não queria saber de fofocas e, por
isso, fazia vistas grossas ao namoro. Afinal, meter-se com o
deus supremo podia trazer-lhe problemas funestos.
Certo dia, porém, Juno, tomada pela cólera, chegou quase
a tempo de flagrar o esposo nos braços da tal ninfa. Eco, após compreensão do texto
que será lido. Mais uma
alertar o casal, dissera a Júpiter:

vez, entram em cena os


conhecimentos prévios,
O primeiro e o
MoMEnTo
Do
Conto
n A luz é como a água
gu
necessários para a sE

segundo momentos
No Natal, os meninos tornaram a pedir um barco a remo.
52 — De acordo — disse o pai —, vamos comprá-lo quando

LPemC_2018_BNCC_7A_Cap2.indd 52 29/03/18 06:42


produção de sentido. Antes de
começar a ler
O conto que você vai ler
voltarmos a Cartagena.
Totó, de 9 anos, e Joel, de 7, estavam mais decididos do que
seus pais achavam.
— Não — disseram em coro. — Precisamos dele agora e aqui.
é um dos mais belos da
— Para começar — disse a mãe —, aqui não há outras águas

Cada capítulo traz dois


literatura mundial. Foi
escrito pelo prêmio Nobel navegáveis além da que sai do chuveiro.
de Literatura de 1982, o Tanto ela como o marido tinham razão. Na casa de Carta-
colombiano Gabriel García
Márquez (1927-2014), e gena de Índias, havia um pátio com um atracadouro sobre a

textos principais que


faz parte do seu livro Doze baía e um refúgio para dois iates grandes. Em Madri, porém,
contos peregrinos. Nesse
viviam apertados no quinto andar do número 47 do Paseo de
texto, García Márquez usa
do realismo mágico, ponto la Castellana. Mas, no final, nem ele nem ela puderam dizer
muito marcante em sua obra. não, porque haviam prometido aos dois um barco a remo com

exemplificam o gênero
sextante e uma bússola se ganhassem os louros do terceiro
Em 1967, o escritor publicou
seu livro mais importante,
Cem anos de solidão. Nessa ano primário, e tinham ganhado. Assim sendo, o pai comprou
obra, ele narra a trajetória
tudo sem dizer nada à esposa, que era a mais renitente em
dos Buendía na cidade
imaginária de Macondo, pagar dívidas de jogo. Era um belo barco de alumínio com um
desde a sua fundação até a fio dourado na linha de flutuação.
— O barco está na garagem — revelou o pai na hora do
sétima geração. Essa obra
ganhou destaque mundial
desde as primeiras semanas
de sua publicação, sendo
considerada um marco da
literatura latino-americana.
almoço. — O problema é que não tem jeito de trazê-lo pelo ele-
vador ou pela escada, e na garagem não tem mais lugar.
No entanto, na tarde do sábado seguinte, os meninos con-
trabalhado. Procuramos
No início deste capítulo, vimos vidaram seus colegas para carregar o barco pelas escadas e
que, muitas vezes, um escritor
se inspira para escrever um
conto a partir de um mote. Foi
o que aconteceu com Gabriel
conseguiram levá-lo até o quarto de empregada.
sempre selecionar
textos interessantes que
García Márquez. Veja como
ele explica a origem desse
conto:
“Esta aventura fabulosa foi o
resultado de uma leviandade
minha quando participava de
um seminário sobre a poesia
dos utensílios domésticos.
Totó me perguntou como
era que a luz acendia só
com a gente apertando um
botão, e não tive coragem
pudessem contribuir para
para pensar no assunto duas

Para discutir
vezes. — A luz é como a
água — respondi. — A gente
abre a torneira, e sai.” a formação/consolidação
30
Aprenda
mais!
O conto faz parte do
1. Qual a ideia central do texto?
2. O que Pincelo acha sobre comer comidas esquisitas?
3. No início do conto, Aquarelita tem desejos de comer comidas
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 30 29/03/18 07:30
do hábito da leitura.
universo da literatura em
diferentes devido à gravidez. Ela queria comer giz de cera. Se
que seres fantasiosos
ou situações ficcionais ela não comesse, o que poderia acontecer? É possível isso
interagem com o leitor. acontecer?
Assim como vários 4. Como você pode ver, nesse texto a autora explora o sentido
gêneros literários, o
conto apresenta narrador,
da expressão coisa de menino amarelo. Você já ouviu essa
personagens e enredo. expressão? O que ela significa no conto?

Tradicionalmente, o
conto se define como
uma estrutura fechada,
em que o conflito se
desenvolve em direção
a um desenlace claro.
Essa é uma das principais Desvendando os segredos do texto
diferenças entre o conto
e gêneros narrativos mais

Para discutir
extensos, como o romance,
que possui conflitos
1. O texto Isso é coisa de menino amarelo faz alusão ao mun-
secundários. do das artes, particularmente à pintura. Como é possível dedu-
zir tal informação?
O nome da mãe, Aquarelita, de aquarela, e o nome do pai, Pincelo,
que faz referência ao pincel.

2. “A cidade inteira ficou agitada com a notícia que estava se


espalhando.” O que podemos inferir do lugar onde a família do
Este é o momento de expressar oralmente as
suas opiniões sobre o texto lido. As questões
menino amarelo morava?
Que era uma cidade pequena e por isso todos se conheciam.

que trouxemos enfatizam aspectos discursivos


3. “Dona Aquarelita deu à luz um bebê amarelo. Amarelo de
verdade.” A partir dessa afirmação feita pelo narrador, que
outro(s) sentido(s) pode ter a expressão menino amarelo?

importantes e ressaltam que a língua não é um


Amarelo pode ser uma referência a alguma doença. Uma criança
da raça amarela, tom de pele associado aos asiáticos.

18

LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 18 29/03/18 07:30


meio de comunicação neutro.

LXVIII
LXVIII

LPemC_ME_7A_2018_BNCC_Paginas_Iniciais.indd 68 24/05/18 18:04


Manual do Educador

Desvendando os
Capítulo
2
Para discutir

segredos do texto
1. Com que finalidade os gregos criaram o mito de Eco e Narciso?
2. Numa de suas mais conhecidas canções, Caetano Veloso faz
a seguinte afirmação: “Narciso acha feio o que não é espe-
lho”. O que ele quis dizer?
3. Como vimos, as ninfas eram criaturas cuja única ocupação
era cuidar de sua própria beleza. Na tela de J. W. Waterhouse,

Nas questões de
a ninfa Eco está retratada segundo os padrões de beleza do
século XIX. Esse padrão mudou muito em relação ao que
temos hoje?
4. Com base nessa leitura e no que vimos no capítulo anterior,
aponte duas diferenças básicas que podemos estabelecer
entre o mito e o conto.

compreensão textual, você Análise linguística


Capítulo
1

Desvendando os segredos do texto


terá de assumir muitas Os nomes: substantivo e adjetivo
1. No primeiro parágrafo do texto, como Diana é identificada? Leia a tirinha a seguir:

vezes o papel de detetive Análise linguística


A deusa dos bosques. XAXADO/Antonio Cedraz

© 2015 King Features Syndicate/Ipress.


das informações ditas e
2. No mito, a ninfa Eco apresenta uma característica que a tor-
na insuportável. Responda qual era essa característica e trans-
creva do texto três expressões utilizadas pelos autores para se

Nesta seção você verá que


referir a esse traço negativo da ninfa.

não ditas pelo autor. Aqui


Falar demais. As expressões utilizadas: tagarela; língua incan-
sável; falar pelos cotovelos; prosseguia falando até a exaustão. 1. O humor da tirinha é possibilitado pela surpresa representada
no último quadrinho. Por quê?
2. Na tirinha, podemos identificar três personagens: Marieta,

você perceberá que os estudar gramática não é


3. Analise o terceiro parágrafo do mito e responda às ques- Xaxado e Zé Pequeno. Para Marieta e Xaxado, o que é o
tões. melhor amigo do homem?
3. Quais são os argumentos utilizados por Xaxado e Marieta
“— Por que não se cala de vez em quando? — di- para convencer Zé de que o livro lhe faria bem?
ziam-lhe as amigas. — Homem algum suportará
uma mulher que fale sem parar, mesmo sendo tão
bela como você.” textos escondem muitos
4. Como se classificam as palavras Zé, amigo, homem, vida?
As palavras Zé, amigo, homem, vida são utilizadas para
nomear, por isso fazem parte do grupo dos nomes. Os nomes
decorar regras complicadas.
compreendem palavras com forte valor referencial (com eles,

LPemC_2018_BNCC_7A_Cap2.indd 57
57

29/03/18 06:42
segredos…
podemos fazer referência aos seres, falar sobre eles) e outras
com grande potencial qualificativo. Daí o fato de os nomes es-
tarem divididos tradicionalmente em dois grandes grupos: os
substantivos e os adjetivos.
Na verdade, como não
A força referencial, no entanto, não é exclusiva dos substan-
tivos. É o que acontece com o pronome ele no primeiro quadri-
nho da tirinha. Observe:
existe texto sem gramática,
Ele não morde.

O livro ela é uma ferramenta


Na fala de Xaxado, o pronome ele está sendo utilizado no
lugar de um substantivo (livro), por isso é considerado uma pa-
lavra com valor substantivo. indispensável para a
21

LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 21 29/03/18 07:30


produção de sentidos.

Prática linguística

A origem do mundo

Prática linguística
Na origem, nada tinha forma no universo. Tudo se confundia,
e não era possível distinguir a terra do céu nem do mar. Esse
abismo nebuloso se chamava caos. Quanto tempo durou? Até
hoje não se sabe.
Uma força misteriosa, talvez um deus, resolveu pôr ordem
nisso. Começou reunindo o material para moldar o disco ter-
restre, depois o pendurou no vazio. Em cima, cavou a abóbada
celeste, que encheu de ar e de luz. Planícies verdejantes se es-
tenderam então na superfície da Terra, e montanhas rochosas
se ergueram acima dos vales. A água dos mares veio rodear as
terras. Obedecendo à ordem divina, as águas penetraram nas
bacias para formar lagos, torrentes desceram das encostas, e
É hora de praticar os
rios serpearam entre os barrancos.
Assim, foram criadas as partes essenciais do nosso mundo.
Elas só esperavam seus habitantes. Os astros e os deuses logo
iriam ocupar o céu, depois, no fundo do mar, os peixes de esca-
conhecimentos estudados
na seção Análise linguística.
mas luzidias estabeleceriam domicílio, o ar seria reservado aos
pássaros e a terra a todos os outros animais, ainda selvagens.
Era necessário um casal de divindades para gerar novos
deuses. Foram Urano, o céu, e Gaia, a Terra, que puseram no
mundo uma porção de seres estranhos.
Pouzadoux, Claude. Contos e lendas da mitologia grega. São Paulo: Companhia das
Letras, 2001. p. 12.
Lembre-se: nada de decorar
regras! O mais importante é
entender como funciona a
estrutura da nossa língua e
76
É hora de produzir
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap2.indd 76 29/03/18 06:42
usá-la em nosso favor.
Antes de começar a escrever
Mitos pertencem a uma tradição oral, ou seja, são passados

Proposta
de geração para geração sem registro escrito, oralmente. Por
isso, é muito comum encontrarmos vários mitos que propõem
Dicionário
explicações para os mesmos fenômenos.
Várias foram as civilizações encontradas pelos europeus
Conhecida comumente
pelo nome de onze-horas
quando chegaram ao continente americano. Com uma tradição
(Portulaca grandiflora), bastante rica, essas civilizações dispunham de uma infinidade
essa bela planta é de mitos.

Todo o trabalho
tipicamente brasileira. Seu
nome é uma referência
a uma particularidade
sua muito especial: suas
Proposta
flores se abrem, como se
A seguir, você encontrará um parágrafo introdutório (A e B)
acordassem, sempre às
Capítulo
2
onze horas e se fecham no
decorrer do dia.
de dois mitos indígenas e algumas informações sobre seus
personagens. Seu trabalho será dar continuidade a um desses
parágrafos introdutórios utilizando as informações disponíveis realizado com a leitura
A escrita em foco
para produzir a sua versão do mito. Sim, sua história deverá

A escrita em foco
propor uma explicação para o surgimento da onze-horas.
Depois do trabalho, o professor reunirá todas as histórias
produzidas pela turma em um livro, que será doado à biblioteca e a análise linguística Os ditongos ei, eu e oi

conduz às propostas de
da escola.

Devemos acentuar a vogal dos ditongos abertos éi, éu e ói


Cobra Norato (ou Honorato)
quando tônicos em palavras oxítonas e monossílabas.
Parágrafo A

Conta-se que, em uma tribo da Amazônia,


uma índia deu à luz dois bebês gêmeos que, produção textual, pois
papéis céu herói Niterói ilhéu carretéis

É importante observar que, com o novo Acordo Ortográfico


da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em 2009, esses di-
Para encerrar os
na verdade, eram cobras: um menino, Hono- Aprenda
tongos deixaram de receber acento gráfico quando tônicos em
rato, ou Norato, e uma menina, Maria Cani-
nana…
os textos são o ponto de
palavras paroxítonas. Veja:

Como era Como é


mais!
Mito e lenda são
gêneros textuais bastante
semelhantes. Entre
capítulos, trouxemos
tópicos interessantes e
• Norato era bom, mas sua irmã era perversa. idéia ideia outras características
comuns, ambos são
• Para que Norato se transformasse definitivamente em hu-
mano, era necessário fazer a serpente beber leite e feri-la na
cabeça até sair sangue. partida e de chegada de bóia boia predominantemente
narrativos, têm origem na
tradição oral e remontam a
tempos imemoriais.
80

todo o nosso estudo.


As principais diferenças
entre esses gêneros dizem
respeito à sua identificação
importantes relacionados
à escrita, como o
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap2.indd 80 29/03/18 06:42
A escrita em questão cultural e aos temas
abordados. Enquanto
os mitos pertencem
a uma civilização, um
1. Leia a lenda a seguir e responda às questões: povo (mitologia grega,
nórdica, romana, iorubá,

A Cuca
guarani, muduruku, etc.),

emprego de letras
as lendas se relacionam
a determinadas regiões
A Cuca é, sem dúvida, um dos principais seres do folclore (algumas são contadas
brasileiro, principalmente pelo fato de o personagem ter sido apenas na Região

específicas e a ortografia
Nordeste, outras apenas na
descrito por Monteiro Lobato em seus livros infantis e de ter
Região Sul) e fazem parte
sido adaptado para a televisão no programa Sítio do Pica-Pau do seu folclore. Os mitos
Amarelo. A Cuca se originou de outra lenda: a Coca, uma tradi- abordam temas ligados aos
deuses, à origem de tudo,
ção trazida para o Brasil na época da colonização.
à finalidade da vida, etc. Já

de certas palavras que


Segundo a lenda, a Cuca é uma velha feia que tem forma de as lendas falam de fatos
jacaré e que rouba as crianças desobedientes, sendo usada, históricos, personagens
reais, heróis populares,
muitas vezes, como uma forma de fazer medo a crianças que
santos, etc.
não querem dormir.

83

rA
M
En
To Capítulo
1
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap2.indd 83 29/03/18 06:42
costumam nos confundir.
CE r
En
1. Neste capítulo, conhecemos um pouco das características do conto, um gêne-
ro textual marcado pela narração. Podemos perceber muitas dessas característi-

Encerramento
cas nas histórias em quadrinhos, ou simplesmente HQs. Nelas, cada quadrinho
cria um efeito temporal, mostrando ao leitor a passagem do tempo e a sequência
de ações praticadas pelos personagens. Por esse motivo, dizemos que as HQs
são narrativas sequenciais. Observe esses aspectos no exemplo a seguir, de
Orlandeli.

Na reta final do capítulo,


Capítulo
1
Mídias em contexto

revisamos os principais 1. O tema central da história em quadrinhos Peixe Grande é a relação de dominação que
o Peixe Grande exerce sobre os peixinhos. Essa relação está baseada na admiração que

Mídias em contexto
os peixinhos têm pelo grandalhão, justamente por serem menores. Sabendo disso, o Pei-
xe Grande se exibe com exuberância e imponência. No entanto, no final da HQ, quando

conteúdos trabalhados vemos que a história não se passa no oceano, mas em um pequeno aquário, percebemos
que essa dominação não faz sentido. Pensando nisso, discuta com os seus colegas e o seu
professor:
a) Vocês conhecem algum filme cuja temática se assemelha a essa? Qual?

realizando atividades b) Em que situações do cotidiano podemos perceber uma relação de dominação como
essa? Nesse contexto, quem é o Peixe Grande e quem são os peixinhos?

Finalizamos o capítulo
bastante reflexivas e
2. Um filme muito interessante em que podemos perceber uma relação temática com a
HQ de Orlandeli é o famoso Vida de Inseto, lançado em 1998 pela Pixar. Apesar de ser um

levando a reflexão para


Divulgação.

filme claramente voltado para o público infantil, Vida de Inseto apresenta em seu enredo
abordagens próprias dos adultos, com uma narrativa intensa que o transforma em um filme
mais sobre a natureza humana que sobre a vida dos insetos. A base do enredo é a relação

Aprenda mais! contextualizadas. A de dominação que os gafanhotos exercem sobre as formigas, que são escravizadas por
eles para juntar comida.
a) No enredo do filme, o gafanhoto Hopper, o vilão, é um
o universo virtual. A
intenção aqui é refletir e
Walmir Americo Orlandeli é cartunista, quadrinista e ilustrador, formado no curso de Publicidade e Propaganda.
Atua na área de cartum e ilustração desde 1994. Nas HQs “Sic”, Orlandeli apresenta algo bem diferente do padrão personagem bastante parecido com o Peixe Grande.
literário, tendo como principal base o formato de tira dupla e uma narrativa com formato mais curto. Seus textos
possuem influência na linguagem literária, tendo como resultado final algo bem próximo de pequenos “contos
Indique o que há em comum entre esses personagens.
gráficos”. b) Hopper odeia novas ideias. Em uma cena do filme,

47
ele assassina três gafanhotos de sua gangue sem de-
monstrar qualquer sinal de remorso somente porque
intenção é levar você
opinar. tiveram a ideia de que talvez não fosse mais necessá-
rio voltar ao formigueiro para aterrorizar as formigas.
LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 47 29/03/18 07:30 Em outra cena, quando faz um discurso incisivo para
as formigas, ele diz exatamente o que pensa sobre ter
ideias:
compreender melhor
Divulgação.

— Que isso sirva de lição para todas vocês, formigas.

esse ambiente e
Ideias são coisas muito perigosas. Vocês são furado-
ras de terra desmioladas colocadas neste mundo para
nos servir.
Nesse contexto, explique por que Hopper considera as
ideias “coisas muito perigosas”.
c) No filme, que personagem representa as ideias novas,
uma ameaça ao domínio de Hopper? perceber como ele útil
49

LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 49 29/03/18 07:30


para o seu estudo.

LXIX

LPemC_ME_7A_2018_BNCC_Paginas_Iniciais.indd 69 24/05/18 18:04


RIO
Á
M
SU

Capítulo
Conto
1 Lá vem história...
Primeiro momento – Isso é coisa de menino amarelo---12
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------18
• Análise linguística-----------------------------------------------------21
– Os nomes: substantivo e adjetivo----------------------------21
• Prática linguística-----------------------------------------------------24
• É hora de produzir----------------------------------------------------28
Segundo momento – A luz é como a água-------------------30
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------34
• Análise linguística-----------------------------------------------------37
– As preposições----------------------------------------------------37
• Prática linguística-----------------------------------------------------39
• É hora de produzir----------------------------------------------------42
• A escrita em foco------------------------------------------------------44
– Uso do x e do ch-------------------------------------------------44
• A escrita em questão-------------------------------------------------45

Capítulo
Mito e lenda
2 De volta às origens
Primeiro momento – Eco e Narciso-----------------------------52
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------57
• Análise linguística-----------------------------------------------------60
– Os pronomes e a coesão---------------------------------------60
• Prática linguística-----------------------------------------------------62
• É hora de produzir----------------------------------------------------65
Segundo momento – O uapé--------------------------------------68
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------70
• Análise linguística-----------------------------------------------------72
– Pronomes possessivos, indefinidos e relativos-----------72
• Prática linguística-----------------------------------------------------76
• É hora de produzir----------------------------------------------------80
• A escrita em foco------------------------------------------------------83
– Os ditongos ei, eu e oi------------------------------------------83
• A escrita em questão-------------------------------------------------83

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3
Histórias do cotidiano
Capítulo
Primeiro momento – No meu tempo----------------------------92
Crônica • Desvendando os segredos do texto-----------------------------94
• Análise linguística-----------------------------------------------------98
– Revisando os verbos--------------------------------------------98
• Os modos verbais----------------------------------------------------99
• Aspecto verbal---------------------------------------------------------101
• Prática linguística-----------------------------------------------------102
• É hora de produzir----------------------------------------------------105
Segundo momento – O “jeitinho brasileiro” é inimigo
da prevenção----------------------------108
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------110
• Análise linguística-----------------------------------------------------113
– Os advérbios-------------------------------------------------------113
• Prática linguística-----------------------------------------------------114
• É hora de produzir----------------------------------------------------116
• A escrita em foco------------------------------------------------------118
– Uso das consoantes s, z e x-----------------------------------118
• A escrita em questão-------------------------------------------------120

4
Por dentro dos fatos
Capítulo
Primeiro momento – Internet e mídias sociais: O Universo
Reportagem numa janela-------------------------------128
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------133
• Análise linguística-----------------------------------------------------136
– Formas nominais dos verbos----------------------------------136
– A estrutura dos verbos-------------------------------------------138
– Conjugação verbal-----------------------------------------------139
– As vozes dos verbos---------------------------------------------145
• Prática linguística-----------------------------------------------------146
• É hora de produzir----------------------------------------------------151
Segundo momento – Religiões africanas são alvo
de intolerância---------------------------154
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------158
• Análise linguística-----------------------------------------------------161
– O modo imperativo-----------------------------------------------161
• Prática linguística-----------------------------------------------------163
• É hora de produzir----------------------------------------------------168
• A escrita em foco------------------------------------------------------170
– Verbos regulares e irregulares--------------------------------170
• A escrita em questão-------------------------------------------------171

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RIO
Á
M
SU

5
Fontes de informação
Capítulo
Primeiro momento – Um barato de inseto--------------------182
Artigo de • Desvendando os segredos do texto-----------------------------185
divulgação • Análise linguística-----------------------------------------------------188
científica – Sujeito e predicado-----------------------------------------------188
Texto expositivo • Prática linguística-----------------------------------------------------190
em livro didático • É hora de produzir----------------------------------------------------195
Segundo momento – Vários “Brasis” dentro do Brasil--198
• Desvendando os segredos do texto-----------------------------200
• Análise linguística-----------------------------------------------------202
– Sujeito simples, composto e desinencial-------------------202
• Prática linguística-----------------------------------------------------204
• É hora de produzir----------------------------------------------------209
• A escrita em foco------------------------------------------------------211
– Uso dos porquês-------------------------------------------------211
• A escrita em questão-------------------------------------------------212

Palavras carregadas de significado


Capítulo
Letra de
6 Primeiro momento – Ser diferente é normal-----------------220
Desvendando os segredos do texto-------------------------------222
Análise linguística------------------------------------------------------225
música
– Sujeito indeterminado-------------------------------------------225
Poema – Oração sem sujeito-----------------------------------------------226
Prática linguística-------------------------------------------------------228
É hora de produzir------------------------------------------------------234
Segundo momento – Texto 1: Sinal fechado----------------236
Texto 2: Não tenho pressa----------237
Desvendando os segredos do texto-------------------------------238
Análise linguística------------------------------------------------------240
– Concordância verbal---------------------------------------------240
Prática linguística-------------------------------------------------------242
É hora de produzir------------------------------------------------------246
A escrita em foco-------------------------------------------------------248
– Uso de ç, s e ss - ------------------------------------------------248
A escrita em questão--------------------------------------------------250

LPemC_ME_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 8 25/05/18 15:17


7
O que penso sobre…
Capítulo
Primeiro momento – A internacionalização do mundo---258
Artigo de Desvendando os segredos do texto-------------------------------260
opinião Análise linguística------------------------------------------------------264
– Transitividade verbal---------------------------------------------264
– Verbo de ligação--------------------------------------------------266
Prática linguística-------------------------------------------------------267
É hora de produzir------------------------------------------------------272
Segundo momento – Para que serve a celebridade?-----274
Desvendando os segredos do texto-------------------------------277
Análise linguística------------------------------------------------------280
– Objeto direto e objeto indireto---------------------------------280
– Predicativo do sujeito e do objeto----------------------------282
Prática linguística-------------------------------------------------------283
É hora de produzir------------------------------------------------------287
A escrita em foco-------------------------------------------------------289
– Uso de mas e mais, a e há, mal e mau-------------------289
A escrita em questão--------------------------------------------------290

Capítulo
Editorial
8 Defendendo opiniões
Primeiro momento – Inteligências------------------------------300
Desvendando os segredos do texto-------------------------------303
Análise linguística------------------------------------------------------306
– Tipos de predicado-----------------------------------------------306
Prática linguística-------------------------------------------------------308
É hora de produzir------------------------------------------------------312
Segundo momento – A violência das torcidas--------------314
Desvendando os segredos do texto-------------------------------316
Análise linguística------------------------------------------------------320
– Concordância nominal-------------------------------------------320
Prática linguística-------------------------------------------------------324
É hora de produzir------------------------------------------------------327
A escrita em foco-------------------------------------------------------330
– Uso de sc, sç e xc-----------------------------------------------330
A escrita em questão--------------------------------------------------330

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o
1
ul
p ít
Ca 10

Objetivos Pedagógicos

Ao final deste capítulo, o aluno


Capítulo 1 Lá vem
deve ser capaz de: história...
•• Demonstrar conhecimento bá-
sico sobre o gênero e suas fun-
ções sociais: o que é um con- 1. Os textos estão por todos os lados.

Conhecimentos prévios
to? Para quem é escrito? Por E, no nosso dia a dia, utilizamos uma
quantidade enorme deles. Você já
quê? Para quê? E como é feito? percebeu isso?
2. Os textos são muito variados. Uns
•• Expressar-se de forma oral e compartilham algumas característi-

escrita sobre os temas abor-


cas; outros são completamente di-
ferentes. Reflita: como são os textos
dados nos textos. que contam histórias?
3. O conto é um desses textos em que
•• Reconhecer mais de um tipo se conta uma história. Você conhe-
ce mais algumas características dos
textual em um mesmo texto. contos?

•• Realizar leituras inferenciais.


•• Identificar fenômenos da lingua-
gem — ambiguidade, argumen- Caracterizando o gênero
tação, informações implícitas e
explícitas — e o valor semântico Neste capítulo, vamos estudar o conto, um gênero textual em que a nar-
rativa é sempre curta. Essa qualidade do conto acarreta outras caracte-
de algumas palavras no texto. rísticas, como poucos personagens, esquemas temporal e ambiental
mais simples e uma ou poucas ações, o que não permite tramas
•• Realizar prática e análise linguís- secundárias, diferentemente de gêneros narrativos mais lon-

tica: substantivos e adjetivos,


gos, como a novela e o romance.

pronomes, o uso do x e do ch.


•• Planejar, produzir e avaliar um
conto. LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 10 29/03/18 07:30

Anotações

1010

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Manual do Educador

Conto

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Diálogo com
o professor

Como sabemos, trabalhar


habilidades de leitura, inter-
pretação e linguística sig-
nifica lançar mão de vários
textos, verbais e não ver-
bais, de diferentes gêneros,
em situações reais de uso

om
.c
ck
da língua. O conto é um gê-

to
rs
tte
hu
|S
nero narrativo cuja riqueza
oz
ar
m_
lia
ta
na

reside no infinito imaginário


humano, que é muito pre-
sente no uso da língua.

Anotações

o que estudaremos neste capítulo:


• Características e funções do conto
• Adjetivos, substantivos e o processo
de substantivação
• As preposições
• Uso do x e do ch

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Sugestão de Abordagem

Antes de apresentar aos seus conceitos que eles certamente já


alunos novos textos, aproveite a dominam, mas de forma intuitiva
oportunidade para checar o que e inconsciente. Nosso papel é
eles conhecem, suas próprias aprofundar e expandir o domínio
histórias, etc. Enredo, tempo, nar- consciente e desenvolver a habi- POE, Edgar Allan.
Histórias extraordinárias.
rador, personagem e clímax são lidade e o uso reflexivo da língua. Companhia das letras.

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o
1
ul
p ít
Ca 12
MoMEnTo
o Conto
E ir
iM Isso é coisa de menino amarelo
Pr
Sugestão de Era uma vez... Mas não
era uma vez igual a todas as
Abordagem vezes. Era uma vez bem espe-
cial. Era uma vez uma moça toda
cheia de beleza e graça que se
Filmes, desenhos anima- Antes de chamava Aquarelita. Essa moça
começar a ler
dos, novelas e seriados são estava grávida. Qualquer dia, um
bebê iria sair para brincar fora da
bons exemplos para se tra-
Ceci Calado é uma
pernambucana que
sua barriga.
inventou de escrever
balhar a construção de uma e ilustrar histórias para
crianças e jovens. Tudo
Aquarelita até que era uma pes-
soa bem normal, mas sempre tinha
personagem e as variações começou com Coralice, a
menina que escorregou
umas vontades estranhas de comer
coisas esquisitas. O coitado do Pin-
linguísticas decorrentes da do céu. Logo em seguida,
escreveu A incrível história celo, seu marido, rodava a cidade
identidade dela. Neles, dia-
do peixe que engoliu um
inteira procurando as comidas que
rio e O menino que não
ela queria: carne de jacaré com
riamente, são encenadas
tinha cartão de crédito.
O conto Isso é coisa de manga-espada, brigadeiro com
menino amarelo se propõe
diferentes situações de co- a dar uma explicação
maionese, quindim com goiaba-
da e mel, feijoada com sorvete
sobre o que vem a ser
municação. esse comportamento de
gente “amarela”. Nesse
de graviola, canjica com cebola
caramelada...
Essa é uma boa hora para
caso, Raul é o menino
amarelo da nossa história. Num bendito dia chuvoso,
ela quis saborear jabutica-
estimular um espectador
Ele era amarelo mesmo!
E adorava provocar, trelar
bas maduras e prateadas.
mais atento!
e badernar o tempo todo.
Acabou ficando muito Mas essa fruta ainda não
conhecido. Depois, passou existe. Pincelo teve o maior

Os alunos podem obser-


a se sentir triste. Como o
trabalho para realizar esse
próprio título sugere, neste
desejo maluco. Então, ele
var de que forma a seleção
conto Ceci Calado explora
o sentido da expressão imaginou uma ideia fabu-
coisa de menino amarelo.
vocabular colabora para a
losa! Comprou uma tinta
Leia o texto com atenção
procurando entender qual é especial na confeitaria
construção de uma perso- o sentido dessa expressão. do bairro e pintou todas
as jabuticabas que havia
nagem. Por exemplo, um vi- encontrado exatamente

lão que tem um bordão que da cor de prata.


Aquarelita estava com
vira a sua marca, ou como tanta água na boca para

ele muda o tom e as pala-


experimentar as jabutica-
bas que nem examinou di-
vras quando está sozinho e 12
quando está diante de seus
inimigos; as personagens- LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 12 29/03/18 07:30

-tipo: o “feirante”, o “taxista”,


o “malandro”, etc. BNCC – Habilidades gerais
Interessante notar, também, o Anotações
EF69LP44 EF69LP53
papel normalmente conferido
EF69LP47 EF69LP54
à fala dos nordestinos, entre EF69LP49
outros, falares nas novelas.
E como essa representação
contribui para a propagação BNCC – Habilidades específicas
de preconceitos.
EF67LP28 EF67LP38

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Manual do Educador

Conto

13
Capítulo
1
reito o pacote. Meteu uma porção de frutinhas na boca. Comeu logo de cinco em
cinco. Muito gulosa ela era!
Houve outro dia em que ela acordou querendo comer um negócio que nin-
guém vai adivinhar... Foi o desejo mais louco de todos! E não foi que Dona
Aquarelita teve vontade de engolir uma caixa de giz de cera todinha de lápis
amarelo?!?!?!
Seu esposo ficou doido. Não conseguiu ficar calado dessa vez:
— Mulher, isso não pode! Você vai ficar doente! Não se pode comer giz de
cera, lápis de cor, borracha, papel, régua, tesoura... Quem já viu uma trela
dessas? Isso lá é comida de gente!
E ela respondeu:
— Que conversa, Pincelo! Grávida pode comer tudo! Se eu não comer essa
comidinha gostosa, meu menino vai nascer com cara de lápis de cera.
Aquarelita foi dizendo isso e começando a mudar de cor. Foi ficando verde,
vermelha, roxa... E, para evitar um problema dos grandes, seu esposo prome-
teu que iria até a livraria mais perto de casa para comprar a desejada caixa de
lápis!
Quando Pincelo chegou, sua esposa quase que engoliu os lápis com caixa
e tudo... Pois não é que ela devorou quatro lápis de cera amarelos!
Não se passou nem uma hora e a gritaria começou:
— Pincelo! Pincelo! Pincelo! O menino está chutando muito! Socorro! Ou ele
vai nascer agora ou ele queria mesmo era ter comido giz de cera azul!
Pincelo deu um pulo agoniado, feito bode brabo, e saiu arrastando a esposa
para ir à maternidade.
Você não sabe o que aconteceu! A cidade inteira ficou agitada com a notícia
que estava se espalhando:
— Aquarelita deu à luz um bebê amarelo! Amarelo de verdade! Da cor da
gema do ovo!
No começo era tudo novidade. A casa dessa família ficou muito movimenta-
da. Todo mundo queria ver o tal bebê amarelo. Até gente da televisão tinha ido
conhecer o menino. Até gente do Japão tinha ido conhecer o menino! Até avião
pousava na janela do quarto para conhecer o menino amarelo!
Colocaram o nome dele de Raul. E Raul foi crescendo todo cheio de direito
e... amarelo! Só porque era diferente e conhecido por todo mundo, o menino
ficava ainda mais cheio de direito — como dizia sua mãe.
E ele gostava de uma novidade, de um papo comprido, de umas mentiri-
nhas aqui, de umas baguncinhas ali... Raul sempre fazia seus pais passarem
vergonha na rua: falava alto, esperneava, fazia escândalos, trelas e muitas
mugangas...
Tudo o que ele aprontava, as pessoas comentavam:
— Que amostração! Isso só pode ser coisa do menino amarelo!

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Sugestão de
Abordagem

Tipos de conto
O conto, após ter adquirido identi-
dade própria, vem se manifestan-
do das mais diversas maneiras,
de modo que dificilmente é fiel a
uma classificação fixa, devido, jus-
tamente, a essa liberdade que os
autores têm de imprimir novas ca-
racterísticas a cada conto que pro-
duzem. Além disso, não existem,
mesmo dentro de qualquer classi-
ficação, contos puros. Todo conto
apresenta múltiplas características,
porém com predominância de uma
que lhe dá sua localização em de-
terminada categoria.
Conto fantástico ou de fantasia:
é uma das formas mais livres de es-
crever, pois permite à imaginação
um vasto desenvolvimento. Tome-
mos como exemplo as histórias de
Harry Potter, que é a representação 14
de um mundo fruto da imaginação.
Conto de ação: é o tipo mais co- LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 14 29/03/18 07:30

mum; começou com As mil e uma Assombramento, que abre o volu- Conto de efeitos emocionais:
Noites. Nos dias atuais, os contos me Pelo Sertão, de Afonso Arinos. visa simular uma sensação no lei-
policiais e de mistério lhe dão con- É uma extensa narrativa em torno tor, de terror, de pânico, de surpre-
tinuidade. de um mal-entendido. sa, etc., como nas histórias de Hoff-
Conto de ideia: veículo de doutri- mann, Poe e outros. Em geral, vem
Conto de cenário ou atmosfe-
nas filosóficas, estéticas, políticas, mesclado com o conto de ideia.
ra: nele predominam o cenário e o
ambiente sobre o enredo e os pro- etc., é mais utilizado e frequente
Disponível em: www.recantodasletras.com.br/
tagonistas. Na Literatura Brasileira, que o de ambiente e atmosfera. teorialiteraria/382403. Acesso em 16/06/2015.

temos como exemplo o Conto de

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Manual do Educador

Conto

15
Capítulo
1
Assim, a fama de Raul foi crescendo e se espalhando pelo bairro, pela cida-
de, pelo estado, pelo país... E, quando qualquer menino não queria obedecer à
mãe, logo ouvia:
— Vini, que coisa tão boba! Isso é coisa de menino amarelo!
— Laura, que coisa mais feia! Isso é coisa de menino amarelo!
— Rafaela, que coisa cabulosa! Isso é coisa de menino amarelo!
— Manu, que coisa mais chata! Isso é coisa de menino amarelo!
Nenhuma criança gostava de ouvir essas frases porque coisa de menino
amarelo era igual a coisa boba, coisa feia, coisa mal-educada, coisa chata...
Foi uma pena, mas foi bem assim que o menino amarelo começou a ficar
conhecido.
Quando ele completou dez anos de idade, ganhou uma caixa enorme e cheia
de lápis amarelo. Do jeito que ele queria.
E Raul saiu riscando e pintando de amarelo tudo o que encontrava pela fren-
te. Ninguém segurava mais esse menino!
Certa vez, numa festa de São João, no meio de uma praça cheia de gente,
ele aprontou uma bagunça das grandes. Mergulhou numa poça d’água e encheu
a boca de barro! O menino amarelo comeu barro e ficou totalmente lambuzado.
— Rauuuuuul! Pelo amor de Deus, menino! Por que você fez isso? Por que
você sujou sua roupa nova de barro? Quer me deixar zangada, é?! — perguntou
Aquarelita!
— Não, mãe! Eu só queria comer um pouquinho de barro! Eu estava com
muita vontade — respondeu o garoto, sorrindo meio desconfiado.
Pois foi exatamente aí que uma menina gritou para a praça inteira ouvir:
— Pronto! Agora a desculpa do menino amarelo é comer barro!
E esse acontecimento também caiu na boca do povo. Toda criança que fazia
alguma baderna e tentava dar explicação inventada aos pais escutava essa
piadinha:
— Sei... Desculpa de menino amarelo é comer barro!
Mas... E o que aconteceu depois? O que aconteceu depois foi bem triste...
O menino amarelo não tinha mais amigos, não tinha mais colegas e quase que
não tinha mais nome! Ninguém nem se lembrava de que seu nome era Raul.
Todo mundo só o chamava de Menino Amarelo. Nenhum menino e nenhuma
menina queriam brincar com Raul. Nenhum menino queria ser chamado de me-
nino amarelo. Até os bichos da natureza olhavam meio de banda para o menino.
O menino amarelo, quer dizer, Raul foi ficando triste, tão triste que até o seu
amarelo foi clareando. Depois ele resolveu que não ia sair de casa nunca mais.
Trancou-se no quarto sozinho e ligou a televisão. Começou a chorar baixinho.
De repente, apareceu na TV o desenho de um menino vermelho. Ele era
alegre, educado e muito querido pelas pessoas e pelos animais. Então, Raul

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Ca

16 teve uma ideia muito diferente. Parecia ser um plano


perfeito.
O menino saiu correndo pela casa gritando:
— Mãe! Mãe! Eu não quero mais ser amarelo! Eu
não quero mais ser amarelo!
Aquarelita saiu da cozinha apressada:
— Que conversa é essa, Raul? Quem já viu mudar
de cor assim. Que conversa de menino a... a... a...
Ela viu que ia falar besteira e desistiu. Raul emendou:
— Quando eu morava na sua barriga, a senhora co-
meu um montão de lápis de cor amarela. E foi por isso
que eu nasci desse jeito. Não foi?
— Sim. É verdade. Eu tive uma vontade incontrolável de
comer giz de cera amarelo e você nasceu assim: da cor da
gema do ovo.
— Pois agora eu decidi que não quero mais ser amarelo.
Eu vou comer uma caixa de lápis de cor vermelha para mudar
de cor. Eu quero ser vermelho! Cansei de amarelo!
— Olha, Raul, não sei se essa mágica vai funcionar. Mas, se
é para você voltar a ser um menino alegre, vou pedir ao seu pai
para comprar esses lápis.
E foi o que ela fez. O pai de Raul achou essa invenção uma
maluquice, mas comprou a caixa de giz vermelho e voltou voan-
do. Aquarelita fez uma panela de brigadeiro, misturou com os
lápis picados e colocou tudo num prato fundo. Raul
veio em disparada, sentou-se numa cadeira
e devorou aquela misturada com
a rapidez de um leão faminto.
E olha que ele ainda achou a
gororoba uma delícia.
— Filho, é melhor você ir
tirar uma soneca e esperar o
resultado sem pressa nenhu-
ma — aconselhou seu pai.
O menino voltou para o
quarto e se deitou relaxado e
sonolento. Estava bastante
cansado do dia cheio que
havia tido. Dormiu num pis-
car de olhos. Só acordou na

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Manual do Educador

Conto

17
Capítulo
1
manhã seguinte... VERMELHO, que nem um tomate maduro!
— Viva! Viva! Viva! Eu agora sou vermelho! — saiu gritando
pela casa, pela rua, pela cidade, pelo país, pelo mundo...
Sugestão de Abordagem
Os pais de Raul acordaram surpresos e felizes com a notícia
que estavam ouvindo e seguiram o menino na sua corrida es-
tabanada. Aquarelita não suportou a tremenda estripulia que Seria interessante utilizar o con-
Raul estava fazendo e, aflita, segurou o menino pelo braço:
— Calma, Raul! Você vai acabar sendo atropelado por um teúdo do boxe Dicionário — com
Dicionário
carro. Ande devagar!
E o menino prontamente respondeu:
palavras extraídas do texto Isso
— Mãe! Eu não faço uma coisa dessas... Não vê que isso é
Mugangas – Expressão
facial cômica. é coisa de menino amarelo —
como mote para trabalhar o dicio-
coisa de menino amarelo? Cabulosa – Chata,
E todo mundo ao redor caiu na maior gargalhada. complicada.

nário em sala de aula. De acordo


Baderna – Confusão,
Raul, agora um menino vermelho, saiu com essa frase diverti- bagunça.
da. Gororoba – Comida de
Assim, nunca mais ninguém chamou Raul gosto ruim e de aparência com o Minidicionário Houaiss da
esquisita.
de menino amarelo. Nunca mais ninguém
olhou atravessado para ele. Agora todo
Estabanada – Desajeitada língua portuguesa (2010), o di-
cionário é uma “listagem, geral-
na maneira de fazer as
mundo queria ser amigo do Menino coisas; desastrada.
Estripulia – Ato de fazer
mente em ordem alfabética, das
Vermelho chamado Raul, porém... travessura.
Até hoje as pessoas grandes cos-
tumam falar para os meninos da- palavras e expressões de uma
nados, quando eles aprontam
alguma bobeira: língua ou um assunto com seus
— Isso é coisa de menino
amarelo...
respectivos significados ou sua
CALADO, Ceci. Isso é coisa de menino
amarelo. Recife: Prazer de Ler, 2015.
equivalência em outro idioma” (p.
258).
Você poderia iniciar mostrando a
importância da ordem alfabética
em contextos sociais em que ela
é usada. Em seguida, promova
um jogo de adivinhação. Para
isso, divida a turma em grupos.
Todos os grupos consultarão o
dicionário escolhendo palavras
17 pouco usadas e anotarão no ca-
derno o seu significado. Em se-
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guida, cada grupo revelará para
os demais as palavras escolhidas
Leitura Complementar para que elaborem supostas de-
finições. Ao final, um grupo lerá
O Dicionário Houaiss da Língua as suas definições para o outro,
Portuguesa é dos mais completos que deverá dizer qual a definição
do País. Ele tem 229 mil verbetes, denotativa e qual a formulada pe-
416 mil sinônimos, 27 mil antônimos los colegas.
e 57 mil palavras em estilo arcaico.
É praticamente impossível você
não encontrar nele o que procura!

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Ca 18
Para discutir
Aprenda 1. Qual a ideia central do texto?
Sugestão de Abordagem mais!
2. O que Pincelo acha sobre comer comidas esquisitas?
O conto faz parte do 3. No início do conto, Aquarelita tem desejos de comer comidas
universo da literatura em
diferentes devido à gravidez. Ela queria comer giz de cera. Se
Para as questões da seção Para
que seres fantasiosos
ou situações ficcionais ela não comesse, o que poderia acontecer? É possível isso

discutir, propomos as seguintes


interagem com o leitor. acontecer?
Assim como vários 4. Como você pode ver, nesse texto a autora explora o sentido
gêneros literários, o
respostas para discussão: conto apresenta narrador,
personagens e enredo.
da expressão coisa de menino amarelo. Você já ouviu essa
expressão? O que ela significa no conto?

1. O comportamento de um me- Tradicionalmente, o


conto se define como
nino amarelo que é conhecido uma estrutura fechada,
em que o conflito se
por fazer trelas e badernas. desenvolve em direção
a um desenlace claro.
Desvendando os segredos do texto
2. Pincelo acha que pode fazer
Essa é uma das principais
diferenças entre o conto

mal e não é comida de gente.


e gêneros narrativos mais
extensos, como o romance,
que possui conflitos
1. O texto Isso é coisa de menino amarelo faz alusão ao mun-
secundários. do das artes, particularmente à pintura. Como é possível dedu-
3. O menino poderia nascer com zir tal informação?
cara de giz de cera. O nome da mãe, Aquarelita, de aquarela, e o nome do pai, Pincelo,
que faz referência ao pincel.
4. A expressão é usada para de-
signar travessuras de crianças
desobedientes, dissimuladas,
2. “A cidade inteira ficou agitada com a notícia que estava se
espalhando.” O que podemos inferir do lugar onde a família do
travessas, etc. menino amarelo morava?
Que era uma cidade pequena e por isso todos se conheciam.

3. “Dona Aquarelita deu à luz um bebê amarelo. Amarelo de


verdade.” A partir dessa afirmação feita pelo narrador, que
outro(s) sentido(s) pode ter a expressão menino amarelo?
Amarelo pode ser uma referência a alguma doença. Uma criança
da raça amarela, tom de pele associado aos asiáticos.

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Leitura Complementar
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Uma forma de entretenimento indis- Na revista Língua Portuguesa isso, ele expõe as opiniões de
sociável da vida dos seus alunos é (Editora Segmento) de outubro estudiosos e de escritores.
o video game. E essa mídia, com de 2010, há uma reportagem de O modelo mais simples é o do jo-
o avanço da tecnologia, oferece Edgard Murano sobre o assunto: gador que dá vida, pelo joystick,
jogos cada vez mais sofisticados, Os video games viram arte nar- a um ou mais personagens que
que tecem tramas tão complexas rativa. Lá, o autor escreve: “Re- têm desafios a serem superados,
que já há quem os tome por expe- sultado da interatividade aliada dentro de um roteiro bem defini-
riências tão realistas quanto o cine- ao enredo, os games começam do, com direito a clímax, come-
ma e tão imersivas quanto a litera- a sedimentar uma forma própria ço, meio e fim.
tura. de contar histórias”. Para provar

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Manual do Educador

Conto

19
Capítulo
1
4. Conforme o texto, “Raul foi crescendo todo cheio de direito
e... amarelo”. Retire do texto o fato que explica o senso de au-
toridade do menino amarelo.
BNCC – Habilidades gerais
Porque era diferente e conhecido por todo mundo.

EF69LP44 EF69LP49
5. O conto Isso é coisa de menino amarelo foi escrito a par- EF69LP47 EF69LP54
tir de uma expressão popularmente conhecida. Não é possível
definir precisamente a origem da maioria das expressões e dos
ditados populares. Isso porque eles são transmitidos oralmente

Anotações
de geração para geração. No texto, a autora utiliza um dita-
do popular relacionado à expressão coisa de menino amarelo.
Que ditado é esse?
Desculpa de menino amarelo é comer barro.

6. Agora, explique qual é o sentido desse ditado de acordo


com o conto de Ceci Calado.
O sentido do ditado está associado ao com-
portamento de quem sempre procura repassar
para alguém a culpa por ter feito algo errado.

7. Entre os ditados populares a seguir, qual deles possui o


sentido apontado na questão anterior?
a) Desculpa de aluno que tira nota ruim é reconhecer que não
estudou.
b) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
c) Gato escaldado tem medo de água fria.
d) Desculpa de jogador ruim é chuteira frouxa.

8. Nesse conto, o narrador participa dos fatos narrados ou


apenas observa o desenrolar das ações? Como podemos clas-
sificar esse tipo de narrador?
O narrador apenas observa os fatos, por esse motivo é classifi-
cado como observador.

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Os limites da história, a liberda- que os conceitos básicos de nar-


de de ir e vir e o olhar do jogador rativa, que dão suporte ao conto,
(que pode ser primeira ou terceira já fazem parte da sua prática dis-
pessoa) variam, mas o resultado é cursiva.
sempre o de uma experiência nar-
rativa única: o da interatividade.
Seria interessante levar esse tema
para conversar em sala. A inten-
ção é fazer o aluno compreender

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o
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Ca 20
9. No conto, normalmente o enredo é estruturado em torno de
um único conflito, que pode variar bastante, desde a oposição
entre dois personagens ao dilema existencial de um protago-
Sugestão de nista consigo mesmo. É o conflito que possibilita o clima de ten-
Abordagem são que geralmente envolve o conto. À medida que o conflito
aumenta, a narrativa vai se tornando mais tensa, até atingir o
clímax, isto é, a tensão máxima. Após o clímax, vem o desfe-
Aproveite a questão 9 como Aprenda
mais!
cho, o fim do enredo, no qual os autores procuram surpreender
o leitor com um final inesperado, impactante. Esse jogo entre
ponto de partida para re- O menor conto
conflito, clímax e desfecho é responsável por despertar e pren-

lembrar os alunos concei- do mundo der o interesse do leitor durante a narrativa.


No conto Isso é coisa de menino amarelo, essas características
tos importantes relaciona-
Embora muitos estudiosos
da Teoria da Literatura não
do conto podem ser identificadas. Pensando nisso, explique:

dos à construção do texto a) Qual é o conflito desenvolvido ao longo do texto?


reconheçam o miniconto
como um gênero, ele tem

narrativo, como narrador, No conto, o conflito corresponde à postura do menino amarelo,


chamado a atenção de
muitos escritores. Por uma
questão de economia de que, aproveitando-se de sua fama, faz tudo o que quer, da forma
personagens, espaço, tem- palavras, nos minicontos
que quer, sem se preocupar com as consequências dos seus
po narrativo, etc.
é muito mais importante
sugerir que mostrar,
deixando para o leitor o atos.
trabalho de “preencher” a
narrativa a partir de sua
imaginação. O escritor
guatemalteco Augusto b) Em que momento da narrativa o conflito atinge o seu limite,
Monterroso é o autor do isto é, o clímax?
miniconto mais conhecido
do mundo, escrito com O clímax acontece quando, devido ao seu comportamento, o
apenas 37 letras:
menino amarelo perde seus amigos e sua identidade, ficando
Diálogo com “Quando acordou,
o dinossauro ainda muito triste e sozinho.
estava lá.”
o professor
Nos minicontos, o número
de letras não é rígido, mas,

O conto tem origem desconhecida


como se vê, quanto menos,
melhor. Em 2004, o escritor c) Como ocorre o desfecho dessa narrativa?
e remonta aos primórdios da pró-
pernambucano Marcelino
Freire publicou a obra O desfecho ocorre quando, triste e sozinho, o menino amarelo
Os cem menores contos
pria arte literária. No século XIX, o brasileiros do século, pela liga a televisão, assiste a um desenho em que aparece um me-

conto se distancia da novela e do


editora Ateliê Editorial. Para
compor o livro, Marcelino nino vermelho e decide mudar de cor.
procurou grandes escritores

romance, adquirindo espaço pró- brasileiros com o seguinte


desafio: escrever um

prio. Grandes contistas surgem miniconto de até cinquenta


letras.

no mundo inteiro, por exemplo,


Edgar Allan Poe, nos Estados Uni- 20

dos; Maupassant, na França; Eça


de Queirós, em Portugal e Macha- LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 20 29/03/18 07:30

do de Assis, no Brasil.
meios narrativos. Essa preferên- O espaço físico da narrativa nor-
Na estrutura do conto, normal- cia pela concisão e a concen- malmente não varia muito devido
mente há um só drama, um só tração dos efeitos torna o conto à própria dimensão do conto. A
conflito. Rejeitam-se as digres- uma narrativa curta. Uma carac- variação temporal em geral não
sões e as extrapolações, pois terística importante é que ele ter- importa: o passado e o futuro
busca-se um só objetivo, um só mina justamente no clímax, ao do fato narrado são irrelevantes.
efeito. Com isso, a dimensão do contrário do romance, em que o Caso seja necessário, o contista
conto é reduzida: o autor usa a clímax aparece em algum ponto condensa o passado e o expõe
contração, isto é, a economia dos antes do final. ao leitor em poucas linhas.

2020

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Manual do Educador

Conto

21
Capítulo
1
Análise linguística
Sugestão de
Os nomes: substantivo e adjetivo Abordagem
Leia a tirinha a seguir:
XAXADO/Antonio Cedraz
Para as questões discur-

© 2015 King Features Syndicate/Ipress.


sivas lançadas na seção
Análise linguística, propo-
mos estas respostas:
1. Porque o leitor é sur-
1. O humor da tirinha é possibilitado pela surpresa representada
no último quadrinho. Por quê? preendido em sua expec-
2. Na tirinha, podemos identificar três personagens: Marieta,
Xaxado e Zé Pequeno. Para Marieta e Xaxado, o que é o
tativa, pois, de acordo
melhor amigo do homem? com o que os dois primei-
3. Quais são os argumentos utilizados por Xaxado e Marieta
para convencer Zé de que o livro lhe faria bem? ros quadrinhos sugerem,
4. Como se classificam as palavras Zé, amigo, homem, vida? Zé Pequeno estaria com
As palavras Zé, amigo, homem, vida são utilizadas para
nomear, por isso fazem parte do grupo dos nomes. Os nomes
medo de um cachorro
compreendem palavras com forte valor referencial (com eles, (o melhor amigo do ho-
mem), mas na verdade
podemos fazer referência aos seres, falar sobre eles) e outras
com grande potencial qualificativo. Daí o fato de os nomes es-
tarem divididos tradicionalmente em dois grandes grupos: os ele está com medo dos
substantivos e os adjetivos.
A força referencial, no entanto, não é exclusiva dos substan- livros.
tivos. É o que acontece com o pronome ele no primeiro quadri-
nho da tirinha. Observe: 2. Os livros.
Ele não morde.
3. Ele não morde; é o me-
O livro lhor amigo do homem;
é um amigo para toda a
Na fala de Xaxado, o pronome ele está sendo utilizado no
lugar de um substantivo (livro), por isso é considerado uma pa- vida.
lavra com valor substantivo.
4. São substantivos.
21

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Devido a essas características Essas características do con- BNCC – Habilidades gerais


— pequena extensão e pouca to podem variar de uma época
variação espacial e temporal —, para outra, mas essas variações EF69LP05 EF69LP56
o número de personagens que ocorrem em maior ou menor grau, EF69LP55
participam do conto é pequeno. constituindo sempre uma estrutu-
Também não há espaço para ra básica que configura o gênero. BNCC – Habilidades específicas
personagens complexas: a ênfa- Disponível em: www.proativa.vdl.ufc.br/primei-

se é colocada em suas ações e


roaprender/curso_portugues/aula33/programa-
cao/02.html. Acesso em 08/03/2015. Adaptado.
EF67LP08 EF07LP06
EF67LP32
não em seu caráter.

21

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Da mesma forma, o potencial de qualificar não é exclusivo
dos adjetivos. Algo parecido acontece, por exemplo, em ela bri-
lha, em que o verbo (brilhar) parece qualificar o pronome ela,
Diálogo com Aprenda que, como vimos anteriormente, é um pronome substantivo,
mais! pois exerce a função de um substantivo.
o professor É importante observar que os nomes podem se combinar:
Há substantivos que só
podem ser usados no os adjetivos sempre acompanham um substantivo (ou palavra
com valor de substantivo), qualificando-o. Nesse caso, a ideia
A propósito do miniconto,
plural, como óculos,
núpcias e fezes. Outros de qualificar significa apenas atribuir uma característica, que
na seção Aprenda mais na
são usados tanto no plural
quanto no singular, mas, não necessariamente será positiva.
Assim, ao possibilitar a referenciação e a qualificação, subs-
página 20, seria interessan-
para sabermos o seu
número (plural ou singular), tantivos e adjetivos são palavras fundamentais para nos comu-
é necessário observar o
te trazer para o debate em seu determinante. Veja:
o ônibus, os ônibus; este
nicarmos.

sala a twitteratura: a litera- pires, estes pires; meu


lápis, meus lápis, etc.
Palavras que determinam o substantivo
tura que se faz no Twitter, Leia o texto a seguir:

site de relacionamento de Por que às vezes nosso espirro “foge”?


sucesso mundial. por Yuri Vasconcelos

Com um limite de 140 ca- Simples! Porque a vontade passa. Mas, para entender
por que ela passa, é preciso, antes, saber que o espirro é
racteres, milhares de au- um mecanismo de defesa do nosso nariz contra partícu-
las ou substâncias que causem irritação da mucosa na-
tores, conhecidos ou não, sal […]. Poeira, pólen, pelo de animais, ácaros ou subs-
veiculam, através do site, tâncias voláteis, como perfumes e produtos de limpeza,
são alguns dos agentes causadores do espirro. Quando
contos, poemas, crônicas, essas substâncias entram em contato com a mucosa do
notícias, enfim, todo tipo de nariz, provocam irritação e acionam no organismo um
mecanismo de defesa para expulsá-las […].
conteúdo, literário ou não. http://mundoestranho.abril.com.br/saude/vezes-nosso-espirro-foge-611510.
shtml. Acessado em 16/12/2010

A discussão é interessan- Analisando o título desse texto, observamos que o pronome


te porque o microblog faz nosso acompanha o substantivo espirro, determinando o seu
sentido. Essa determinação inclui uma série de fatores, que
parte da realidade de boa vão desde a simples concordância com o substantivo (mascu-
parte dos alunos. Para o jor- lino e plural) à expressão de sentidos. Nesse caso, ao utilizar
esse pronome possessivo, o jornalista procura criar mais pro-
nalista, escritor e apresenta- ximidade entre ele e seu leitor, pois se inclui entre as pessoas

dor Marcelo Tas, “o Twitter é cujo espirro, às vezes, “foge”.

uma maquininha de cutucar 22


corações e mentes na ve-
locidade da Luz. Em 140 LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 22 29/03/18 07:30

toques ou menos, a imagi-


nação é o limite”. A relação
dos jovens com o ambiente Anotações
virtual será discutida no li-
vro do 9º ano, capítulo 5.

2222

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Manual do Educador

Conto

23
Capítulo
1
Outro exemplo interessante de palavras que determinam os substantivos ocorre quando,
em algumas regiões, os falantes utilizam artigo antes de nomes de pessoas para indicar
Anotações
maior afetividade, como em:

A Paula é uma pessoa muito especial.

Essas palavras que acompanham os substantivos delimitando seu sentido são chama-
das de determinantes. Várias classes de palavras podem desempenhar esse papel:

• Adjetivos e locuções adjetivas

cabelos cacheados (adjetivo)


suco de laranja (locução adjetiva)
cardápio de hoje (locução adjetiva)
pneus de trás (locução adjetiva)

• Numerais, pronomes e artigos


Aprenda
dois textos (numeral) mais!
aquela onda (pronome demonstrativo) Chamamos de locução
o policial (artigo definido) a reunião de duas ou Por isso, as aulas de português,
uma plantação (artigo indefinido)
em geral, não se dedicam a com-
mais palavras de classes
gramaticais diferentes
que se juntaram para
A substantivação exercer a função de um
único termo. Com isso,
preender a língua que se fala,
Agora, leia a capa do livro O que é o saber?, de Oscar Brenifier. podemos entender que
locução adjetiva é a
mas a corrigir uma lista de su-
Observe que, no título, a palavra saber, que reconhecemos
normalmente como um verbo, está sendo usada como substan-
união de palavras que têm
valor de adjetivo, ou seja,
postos erros. Com resultado nulo.
tivo. Na nossa comunicação diária, frequentemente utilizamos
como substantivos palavras de outras classes. Esse fenômeno
qualificam um substantivo.
Geralmente, as locuções Imaginem se o mesmo ocorresse
com botânica ou zoologia: a tare-
adjetivas são formadas por
é chamado de substantivação e ocorre sempre com o auxílio preposição + substantivo,

fa dos professores seria ensinar


de um artigo. Veja outros exemplos: como suco de laranja,
amor de mãe, consumo
de energia.
O olhar dela chamava muito minha atenção.
(verbo substantivado)
os alunos a corrigir plantas e bi-
Uma das melhores tarefas da vida é praticar o bem. chos!
Só há uma saída para a esco-
(advérbio substantivado)
Ela é uma artista que vive à procura do belo.
(adjetivo substantivado) la: aceitar a mudança da língua
A bonitinha da minha filha ficou na recuperação. como um fato. Isso não deve sig-
nificar que a escola deve aceitar
(adjetivo substantivado)

23 “qualquer jeito de escrever”, que


não deve mais corrigir. O que a
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escola precisa fazer é ler e ana-
lisar textos escritos em diversos
Repensando o estilos, chamar a atenção para
Ensino da Gramática as diferentes construções, levar
os alunos a escreverem e rees-
A maioria dos cidadãos pensa dos. Mesmo as pessoas cultas creverem até “chegarem perto”
que gramática é um compêndio que sabem que as línguas mu- de dominar estes estilos.
com regras definitivas, seguidas dam pensam, no fundo, que as
por escritores, e que todos de- línguas mudavam antigamente, O que a escola não deve mais é
vem seguir em toda circunstân- mas, agora, não. Acontece que fazer listas para os alunos deco-
cia, sob pena de estarem erra- estão mudando na nossa cara! rarem.

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Prática linguística
Repensando o
Leia a charge a seguir:
Ensino da Gramática
Aprenda
mais!
O ensino de gramática na es-
A charge é um gênero
cola deve surgir paralelo ao textual por meio do qual o

trabalho do texto. Assim, de-


autor expressa criticamente
sua opinião sobre fatos do
dia a dia. Para isso, ele
vemos lembrar sempre que o procura criar uma situação
inusitada e engraçada. As

texto é constituído em determi- charges sempre abordam


acontecimentos atuais e de

nado contexto sócio-histórico interesse público.

e ideológico para proporcio-


nar aos educandos um olhar 1. Podemos afirmar que o autor desse quadrinho criticou:

mais crítico sobre os termos a) Os jovens brasileiros que não estudam.


b) O seu avô, que costumava lhe dar muitas ordens.
gramaticais. c) O comportamento dos idosos.
d) Os jovens que não atendem aos pedidos dos idosos.
Nessa perspectiva, as teo- e) A educação dos jovens brasileiros em língua portuguesa.

rias enunciativas têm possi- 2. Para produzir esse quadrinho, podemos afirmar que Duke

bilitado novos estudos sobre teve como mote:


a) Uma recordação de sua infância.
a linguagem, sobretudo pela b) Uma notícia.
possibilidade de analisar a c) Um livro.
d) Uma opinião sua a respeito da educação.
língua como uma dispersão e) Um pensamento de seu avô.

de regularidades linguísticas 3. Na frase “Leia esta notícia para mim”, podemos identificar

constituídas historicamente. um ato de fala, isto é, uma ação verbal realizada pelo idoso.

Pensemos, por exemplo, no


Esse ato de fala expressa:
a) Uma dúvida.
conceito de adjetivo apresen- b) Um arrependimento.
c) Uma ordem.
tado comumente nas gramá- d) Uma afirmação.

ticas normativas. Em geral, e) Um alerta.


24
esse conceito é fundamenta-
do na tese platoniana de que
“a existência do ser precede
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ser. Ou seja, a palavra, enquan- predominância do ser sobre o


o seu nome”. Isto é, os nomes
to adjetivo, designa, fornece o nome, como falsa e provável
devem se adequar às coisas
modo de ser ou representa algo em gravidez falsa e provável
que representam, pois o ser
que surge para nossos sentidos candidato.
preexiste à linguagem. Nesse
como uma entidade identificada
sentido, embora com algumas
fora da linguagem. Apesar disso,
variações, o adjetivo é concei-
é comum encontrarmos expres-
tuado normalmente como a
sões enunciativas em que pala-
palavra que atribui caracterís-
vras não se conformam à ideia da
tica, aparência ou estado do

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Manual do Educador

Conto

25
Capítulo
1
4. Que palavra da frase expressa claramente esse ato de fala?
Explique. Compartilhe
ideias Sugestão de Abordagem
O verbo ler, que está flexionado no modo imperativo.

A questão 7 é uma ótima opor-


5.
tunidade para dar continuidade
As falas do menino também representam atos de fala. O
que esses atos representam?
Os atos de fala do menino representam dúvidas, pois ele não ao trabalho com adjetivos. Po-
sabe ler direito. deríamos desenvolver uma dinâ-
6. Como são classificadas as frases proferidas pelo menino? mica dos adjetivos focando na
Frases de situação. valorização do próximo. O obje-
7.
tivo seria destacar as qualidades
Leia as duas frases abaixo e responda à questão proposta.
dos alunos/colegas, não seus
O menino chegou cansado da escola.
O menino cansado chegou da escola.
defeitos. Para realizar a dinâmi-
ca, divida a turma em 2 grupos.
As duas frases têm o mesmo sentido? Justifique.
Em seguida, oriente cada grupo
Não. Na primeira, o adjetivo cansado qualifica o menino quando
chegou da escola, expressando um estado passageiro. Na se-
a perguntar a cada colaborador
gunda, o adjetivo qualifica o menino, expressando um estado da escola um adjetivo positivo,
de cansaço permanente. sabendo que as qualidades não
poderão ser repetidas. Estabele-
8. A adjetivação é um fenômeno que ocorre quando uma pa-
ça um total de qualidades para
lavra originalmente de outra classe gramatical assume a função cada grupo.
de adjetivo. Marque a sentença em que observamos esse me-
canismo gramatical. Depois de os alunos anotarem
a. A prova ontem foi dificílima, segundo Fábio.
b. Já dizia a sábia música: “Falem bem, falem mal, mas falem os respectivos adjetivos positi-
de mim!”.
c. Rolou um clima muito chato durante a festa, daí resolvi dar
vos, deverão escolher 5 qualida-
uma sumida e puxei meu carro. des mais marcantes e confeccio-
d. Paula correu, correu, correu, mas não encontrou um cristão
que a ajudasse naquela tarefa. nar faixas com elas e para fixar
e. É muito simples a construção do enredo desse conto. no mural da escola. A moral da
25 dinâmica se define no seguinte
pensamento: todos nós temos
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defeitos, mas nossas qualidades
são os maiores suportes, desa-
BNCC – Habilidades gerais fios e reflexos da nossa perso-
Anotações nalidade. Ao realizar essa dinâ-
EF69LP05 mica, você dará oportunidade
EF69LP56 aos alunos de pensarem que é
necessário valorizar as pessoas
BNCC – Habilidades específicas dizendo adjetivos que as deixem
com o dia mais feliz e tranquilo.
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9. Existe um gênero textual ainda mais conciso que o conto: o chamado miniconto, ou
microconto. Nele, um pequeno punhado de palavras, que, por vezes, não ultrapassa uma
linha, cria uma história, deixando a cargo do leitor o preenchimento, por meio de sua inter-
pretação, das possíveis lacunas deixadas no texto devido à sua concisão. Leia, a seguir,
um exemplo de miniconto:

O menino, olhando uma foto na parede, pergunta ao pai:— Pai, por que a
mamãe foi pro céu?
Diálogo com Enquanto apertava forte a mão do menino, ele respondeu:
— Pra não deixar teu irmãozinho sozinho lá, filho.
o professor Marcelo Spalding. In: CHAFFE, Laís; SPALDING, Marcelo. Minicontos e muito menos. Porto Alegre: Casa
Verde, 2009.

Acreditamos que o mo- Baseado nos seus conhecimentos sobre o tipo textual narrativo e o gênero conto, responda
às questões a seguir.
mento de produção tex- a. Que tipo de narrador identificamos nesse microconto?
tual, seja em sala, seja em Narrador-observador.

casa, é especial e deve ser b. Apesar do tamanho minúsculo, esse conto apresenta conflito, nó e desenlace. Identifique

contínuo e muito bem pla-


esses elementos na narrativa.
“Pai, por que a mamãe foi pro céu?”, conflito; “Enquanto apertava forte a mão do menino”,
nejado. Se for realizado em
nó; “Pra não deixar teu irmãozinho sozinho lá, filho”, desenlace.
sala de aula, reserve um
tempo adequado para que
10. Nos textos narrativos, é muito comum o emprego da conotação, isto é, a utilização de
palavras ou expressões de maneira diferente do habitual, literal.
os alunos possam traba- a. Identifique no microconto uma expressão de sentido conotativo.

lhar bem. Reforce e valori- “Foi pro céu.”

ze a ideia de que eles são b. Dizemos que a conotação diz respeito a uma maneira pessoal de ver o mundo, as pes-
soas, as situações. Pensando nisso, avalie o uso da expressão identificada no item A. Esse
autores e, por isso, respon- uso foi adequado? Justifique.

sáveis pelo que escrevem. A expressão foi empregada adequadamente, pois simula a fala de uma criança e a maneira

Deixe-os à vontade para como a morte é percebida no universo infantil.

consultar o dicionário e a 11. As narrativas comumente apresentam uma sucessão de fatos, que caracterizam a

gramática. Por fim, consi- passagem do tempo. No enredo do microconto, percebemos a referência a dois fatos ocor-
ridos antes da cena principal.
dere nossas propostas de a. Que fatos são esses?

trabalho como um guia, e A morte do irmão e a morte da sua mãe.

não um limitador.
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BNCC – Habilidades específicas


Anotações
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Manual do Educador

Conto

27
Capítulo
1
b. Esses fatos ocorreram ao mesmo tempo? Explique.
Não. A morte do irmão ocorreu primeiro.

12. Sobre o emprego dos artigos no texto, analise as afirmações a seguir.


I. Em “uma foto”, o artigo determina o sentido do substantivo.
II. Na oração “ele respondeu”, o artigo se refere ao pai.
III. Em “o menino”, o artigo poderia ser substituído por um, sem prejuízo da correção gra-
matical e do sentido.
Está correto o que se afirma apenas em:
a. I. b. II. c. III. d. I e II. e. II e III.

13. Costuma-se falar que substantivo é a palavra que dá nome aos seres, mas esse é um
conceito um tanto incompleto, dado que existem também palavras que originalmente per-
tencem a outras classes gramaticais, mas que, em algumas situações, comportam-se como
substantivos, quando colocamos um artigo antes delas, por exemplo. A esse fenômeno
dá-se o nome de substantivação. Logo, é muito mais lógico conceituar substantivo como
toda palavra que pode ser antecedida por um determinante (artigo, pronome possessivo/
demonstrativo, numeral cardinal/ordinal). Agora, leia as frases a seguir:

I. Dizem que mais importante que o receber é o dar.


II. A beleza de cada pessoa não se resume à aparência física, tenha certeza disso.
III. Depois que limpei a casa toda, o inteligente do Rodrigo passou com a sandália toda suja
de terra!
IV. A charge é um gênero textual humorístico cuja função é criticar um acontecimento ou
personalidade pública.
V. Só os ousados saem na frente neste serviço.

Ocorre o processo de substantivação apenas em:


a. I, II e IV. b. I, IV e V. c. I, III e V. d. II, III e IV. e. II, IV e V.

14. Observe o título da série a seguir, originária da Netflix.


a. Como se classifica a palavra defensores nesse contexto? Ex-
plique.
Como um substantivo, pois foi substantivada pelo emprego do
artigo.

b. Escreva uma frase utilizando a palavra defensores e a classifi-


que de acordo com o sentido que você lhe atribuir.
Divulgação.

Resposta pessoal.

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Ca 28
É hora de produzir

Leitura Antes de começar a escrever


Complementar Da utilidade dos animais
Terceiro dia de aula. A professora é um não sabe que o cachorro é o maior amigo
amor. Na sala, estampas coloridas mos- da gente? Cachorro faz muita falta. Mas
tram animais de todos os feitios. “É preciso não é só ele não. A galinha, o peixe, a
A tipologia de Norman Fried-
querer bem a eles”, diz a professora, com vaca… Todos ajudam […].”
man um sorriso que envolve toda a fauna, pro- ANDRADE, Carlos Drummond de. Da utilidade dos animais.
In: De notícias e não notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro:
tegendo-a. “Eles têm direito à vida, como
Propondo uma tipologia mais
José Olympio, 1975.
nós, e além disso são muito úteis. Quem

sistemática e, ao mesmo tem- No início do conto Da utilidade dos animais, você percebeu

po, mais completa, Norman Compartilhe que duas vozes se cruzam: a do narrador e a da professora. O
narrador é a voz utilizada pelo autor para fazer sua narração,
ideias
Friedman levanta as princi- por isso não podemos confundir autor e narrador.

pais questões a que é preciso


Em uma narrativa, o narrador pode contar os fatos a partir
de dois pontos de vista, ou seja, dois focos narrativos, o que
responder para tratar do nar- determina o tipo de narrador. Relembrando:
Foco narrativo em primeira pessoa – o narrador é também
rador: Quem conta a história? personagem da própria história que conta, isto é, ele vivencia

Trata-se de um narrador em os fatos narrados. Por essa razão, esse foco narrativo determi-
na o que chamamos de narrador-personagem.
primeira ou terceira pessoa? Foco narrativo em terceira pessoa – o narrador não par-

Não há ninguém narrando?


ticipa da história; ele apenas observa o desenrolar dos fatos e
narra-os com certo distanciamento, por isso é definido como
De que posição ou ângulo em narrador-observador.
Agora, você certamente percebeu que o trecho do conto Da
relação à história o narrador utilidade dos animais foi produzido com foco narrativo em ter-
conta (Por cima? Na periferia? ceira pessoa, e seu narrador, portanto, é apenas um observa-
dor, não participa dos fatos narrados. Sua tarefa será reescre-
No centro? De frente? Mudan- ver o trecho do conto lido acima, adotando o foco narrativo em

do?)? Que canais de infor-


primeira pessoa. Como narrador-personagem, reescreva esse
fragmento imaginando-se como um dos alunos da turma.
mação o narrador usa para Proposta
comunicar a história ao leitor Nesta atividade, você produzirá um conto com foco narrativo
(palavras? Pensamentos? Sen- em primeira pessoa, ou seja, o narrador será também perso-
nagem. Ao final, a turma poderá reunir todos os contos produ-
timentos do autor ou do perso- zidos e compor um livro. Escreva seu conto baseado em uma
nagem? Ações? Falas do au- 28
destas imagens:

tor? Falas do personagem? Ou


uma combinação disso tudo?) LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 28 29/03/18 07:30

A que distância ele coloca o geral para o particular: “da decla-


leitor da história (próximo? Dis- ração à inferência, da exposição
tante? Mudando?) à apresentação, da narrativa ao Anotações
A tipologia do narrador de drama, do explícito ao implícito,
Friedman procura fornecer da ideia à imagem”.
elementos para responder a
Disponível em: http://www.ufrgs.br/proin/
essas questões em cada caso. versao_1/foco/index03.html. Adaptado. Acesso
Essa distinção vai nortear a em 22/06/2015.

suas ideias, organizadas do

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Manual do Educador

Conto

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Capítulo
1

Elovich | Shutterstock

rstock
Photographee.eu | Shutte
Vasilyev Alexandr | Shutterstock

Sugestão de
Abordagem
2.

4. Para enriquecer a propos-


Vasilyev Alexandr| Shutterstock

1. ta, seria interessante levar


3.
para a sala de aula mais
Planejamento imagens que possam servir
Para produzir seu conto, pense nisto:
como tema para a produ-
1. Narrador-personagem – Identifique quem é o narrador,
imagine sua história de vida, quem são seus antagonistas, ção do conto.
o que acontece com ele…
2. Fatos narrados – Selecione os fatos que você desenvolve-
rá no conto, procurando colocá-los em ordem crescente de
tensão até atingir o clímax. BNCC – Habilidades gerais
3. Espaço – Onde se passa o conto?
4. Personagens – Quais são os outros personagens do conto? EF69LP05 EF69LP53
EF69LP44 EF69LP54
Avaliação EF69LP47 EF69LP56
1. Peça a um colega para avaliar o seu texto. A avaliação de- EF69LP51
verá contemplar os seguintes aspectos:

Aspectos analisados Sim Não


Há narrador-personagem? BNCC – Habilidades específicas
O enredo está estruturado?
Há descrição da cena? EF67LP28 EF67LP33
Os personagens estão caracterizados? EF67LP30 EF07LP10
2. Após a avaliação, discuta com seu colega sobre os comen-
EF67LP32
tários que ele fez do seu conto. Que sugestões ele tem para
melhorar seu texto?
3. Agora, no seu caderno, reescreva os trechos que julgar ne-
cessários.
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Anotações

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Ca 30
MoMEnTo
Do
Conto

u n A luz é como a água


g
sE No Natal, os meninos tornaram a pedir um barco a remo.
— De acordo — disse o pai —, vamos comprá-lo quando
voltarmos a Cartagena.
Antes de Totó, de 9 anos, e Joel, de 7, estavam mais decididos do que
começar a ler
seus pais achavam.
O conto que você vai ler — Não — disseram em coro. — Precisamos dele agora e aqui.
Sugestão de é um dos mais belos da
literatura mundial. Foi
— Para começar — disse a mãe —, aqui não há outras águas
navegáveis além da que sai do chuveiro.
Abordagem escrito pelo prêmio Nobel
de Literatura de 1982, o Tanto ela como o marido tinham razão. Na casa de Carta-
colombiano Gabriel García
Márquez (1927-2014), e gena de Índias, havia um pátio com um atracadouro sobre a
faz parte do seu livro Doze
Para ampliar o conhecimento de
baía e um refúgio para dois iates grandes. Em Madri, porém,
contos peregrinos. Nesse
viviam apertados no quinto andar do número 47 do Paseo de
texto, García Márquez usa
mundo dos alunos, sugira uma do realismo mágico, ponto
muito marcante em sua obra.
la Castellana. Mas, no final, nem ele nem ela puderam dizer
não, porque haviam prometido aos dois um barco a remo com
pesquisa sobre Cartagena de Ín- Em 1967, o escritor publicou
seu livro mais importante,
sextante e uma bússola se ganhassem os louros do terceiro

dias, uma belíssima cidade por- ano primário, e tinham ganhado. Assim sendo, o pai comprou
Cem anos de solidão. Nessa
obra, ele narra a trajetória
tudo sem dizer nada à esposa, que era a mais renitente em
tuária ao norte da Colômbia, elei-
dos Buendía na cidade
imaginária de Macondo, pagar dívidas de jogo. Era um belo barco de alumínio com um
fio dourado na linha de flutuação.
ta patrimônio histórico e cultural
desde a sua fundação até a

— O barco está na garagem — revelou o pai na hora do


sétima geração. Essa obra
ganhou destaque mundial

da humanidade. Sua história está desde as primeiras semanas


de sua publicação, sendo
almoço. — O problema é que não tem jeito de trazê-lo pelo ele-
vador ou pela escada, e na garagem não tem mais lugar.
inserida, é claro, nas narrativas considerada um marco da
literatura latino-americana. No entanto, na tarde do sábado seguinte, os meninos con-

sobre as descobertas do novo No início deste capítulo, vimos


que, muitas vezes, um escritor
vidaram seus colegas para carregar o barco pelas escadas e
conseguiram levá-lo até o quarto de empregada.
mundo: ela foi colônia espanhola.
se inspira para escrever um
conto a partir de um mote. Foi
o que aconteceu com Gabriel

Também seria muito interessante


García Márquez. Veja como
ele explica a origem desse

estimular seus alunos a pesqui-


conto:
“Esta aventura fabulosa foi o

sarem sobre o Paseo de la Cas-


resultado de uma leviandade
minha quando participava de
um seminário sobre a poesia
tellana, em Madri. Esta famosa dos utensílios domésticos.
Totó me perguntou como

avenida já foi curso de um anti- era que a luz acendia só


com a gente apertando um

go rio. Mais adiante, no conto, botão, e não tive coragem


para pensar no assunto duas

aparece o seguinte: “saía pelas


vezes. — A luz é como a
água — respondi. — A gente

varandas, derramava-se em tor-


abre a torneira, e sai.”

rentes pela fachada e formou um 30

leito pela grande avenida, numa


correnteza dourada que iluminou LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 30 29/03/18 07:30

a cidade até o Guadarrama”.


BNCC – Habilidades gerais
Anotações
EF69LP44 EF69LP53
EF69LP47 EF69LP54
EF69LP49

BNCC – Habilidades específicas

EF67LP28 EF67LP38
Pôr do sol em Cartagena de Índias.

3030

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Manual do Educador

Conto

31
Capítulo
1
— Parabéns — disse o pai. — E agora?
— Agora, nada — disseram os meninos. — A única coisa
que a gente queria era ter o barco no quarto, e pronto. Sugestão de
Na noite de quarta-feira, como em todas as quartas-feiras, os
pais foram ao cinema. Os meninos, donos e senhores da casa, Abordagem
fecharam portas e janelas e quebraram a lâmpada acesa de um
lustre da sala. Um jorro de luz dourada e fresca feito água co-
meçou a sair da lâmpada quebrada, e deixaram correr até que
No segundo momento deste ca-
o nível chegou a quatro palmos. Então desligaram a corrente, Dicionário pítulo, o texto principal, de García
Márquez, traz a riqueza da litera-
tiraram o barco e navegaram com prazer entre as ilhas da casa.
E assim continuaram navegando nas noites de quarta-feira, Louros – Folhas do
aprendendo a mexer com o sextante e a bússola, até que os loureiro arrumadas em
formato de grinalda, tura fantástica para a sala de aula.
pais voltavam do cinema e os encontravam dormindo como an-
jos em terra firme. Meses depois, ansiosos por ir mais longe,
usadas pelos gregos e
pelos romanos para coroar Partindo do pressuposto de que a
pediram um equipamento de pesca submarina. Com tudo: más-
sua literatura é feita com elemen-
os vencedores de torneios.
Renitente – Teimoso.
caras, pés de pato, tanques e carabinas de ar comprimido.
tos do dia a dia, como ele pró-
Gardênia – Flor grande e
— Já é ruim ter no quarto de empregada um barco a remo aromática nativa de regiões
que não serve para nada — disse o pai. — Mas pior ainda é
prio afirma em Cheiro de goiaba
tropicais e subtropicais,

querer ter, além disso, equipamento de mergulho.


muitas vezes cultivada

(Record), podemos buscar boas


como ornamental.
— E se ganharmos a gardênia de ouro do primeiro semes- Devido à delicadeza e à
tre? — perguntou Joel. exclusividade da gardênia,

— Não — disse a mãe, assustada. — Chega.


no texto subentende-
-se que a gardênia de ouro
ideias no Festival Internacional
O pai reprovou sua intransigência.
— É que estes meninos não ganham nem um prego por
seria a premiação máxima
conferida pela escola
de Teatro de Objetos (Fito), que
cumprir seu dever — disse ela —, mas por um capricho são
aos alunos com melhor
desempenho. reúne artistas do mundo inteiro.
O objetivo é revelar, como García
capazes de ganhar até a cadeira do professor.

Márquez, “a poesia dos utensí-


lios domésticos”. Assim, criamos
boas possibilidades de trabalho:
1. Produção de texto: seus alu
nos podem escrever sobre brin-
cadeiras com objetos. Uma cama
que se torna um navio, um balde
que vira tambor, etc. Cada um
pode relatar como lidava, na in-
31 fância, com o mundo a sua volta.
2. Festival de cinema ou de
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teatro: dividindo a turma em
grupos, solicite que cada gru-
po crie uma narrativa com ob-
Anotações jetos, utilizando os conceitos de
enredo, personagem, narrador,
cena, clímax, etc. A ideia é que
eles produzam curtas-metra-
gens ou encenações teatrais e
se apresentem em um festival.

31

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o
1
ul
p ít
Ca 32

Sugestão de
Abordagem

“[…] mergulharam como tu-


barões mansos por baixo
dos móveis e das camas e
resgataram do fundo da luz
as coisas que durante anos
No fim, os pais não disseram que sim ou — Deus te ouça — respondeu a mãe.
tinham-se perdido na escu- que não. Mas Totó e Joel, que tinham sido Na quarta-feira seguinte, enquanto os
ridão.” os últimos nos dois anos anteriores, ganha-
ram em julho as duas gardênias de ouro e o
pais viam A batalha de Argel, as pessoas
que passaram pela Castellana viram uma
reconhecimento público do diretor. Naquela cascata de luz que caía de um velho edifí-
Essa passagem pode ser mesma tarde, sem que tivessem tornado a cio escondido entre as árvores. Saía pelas
um bom mote para discus- pedir, encontraram no quarto os equipamen- varandas, derramava-se em torrentes pela

são. Como será que seus


tos em seu invólucro original. De maneira fachada e formou um leito pela grande ave-
que, na quarta-feira seguinte, enquanto os nida, numa correnteza dourada que iluminou
alunos compreendem luz e pais viam O último tango em Paris, enche-
ram o apartamento até a altura de duas bra-
a cidade até o Guadarrama. Chamados com
urgência, os bombeiros forçaram a porta do
escuridão no universo des- ças, mergulharam como tubarões mansos quinto andar e encontraram a casa coberta

se conto?
por baixo dos móveis e das camas e resga- de luz até o teto.
taram do fundo da luz as coisas que durante O sofá e as poltronas forradas de pele
de leopardo flutuavam na sala a diferentes
Aproveite para realçar a
anos tinham-se perdido na escuridão.
Na premiação final, os irmãos foram acla- alturas, entre as garrafas do bar e o pia-
construção insólita em “do mados como exemplo para a escola e ga- no de cauda com seu xale de Manilha que
nharam diplomas de excelência. Dessa vez, agitava-se com movimentos de asa a meia
fundo da luz” e refletir com não tiveram que pedir nada, porque os pais água como uma arraia de ouro. Os utensí-

eles sobre como isso con- perguntaram o que queriam. E eles foram
tão razoáveis que só quiseram uma festa
lios domésticos, na plenitude de sua poesia,
voavam com suas próprias asas pelo céu
tribui para a construção da em casa para os companheiros de classe. da cozinha. Os instrumentos da banda de
guerra, que os meninos usavam para dan-
imagem poética e do argu-
O pai, a sós com a mulher, estava radiante.
— É uma prova de maturidade — disse. çar, flutuavam a esmo entre os peixes co-
mento. 32

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Leitura Complementar Anotações

SOLÉ, Isabel (1998).


Estratégias de leitura.
Porto Alegre: Artmed.

3232

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Manual do Educador

Conto

33
Capítulo
1
Diálogo com
o professor

Perguntas inferenciais são


aquelas cujas respostas
não estão na superfície do
texto, mas são extraídas de
“pistas”, informações que
permitem ao leitor levantar
hipóteses. Elas estimulam o
loridos liberados do aquário da mãe, que eram os únicos que raciocínio e, para respondê-
flutuavam vivos e felizes no vasto lago iluminado. No banheiro,
flutuavam as escovas de dentes de todos, [...] os potes de cre-
-las, o aluno precisa aces-
me e a dentadura de reserva da mãe, e o televisor da alcova sar ainda mais seu conheci-
principal flutuava de lado, ainda ligado no último episódio do
filme [...]. No final do corredor, flutuando entre duas águas, Totó mento de mundo, segundo
estava sentado na popa do bote, agarrado aos remos e com a o que lhe é oferecido no tex-
máscara no rosto, buscando o farol do porto até o momento em
que houve ar nos tanques de oxigênio, e Joel flutuava na proa to. A questão 11 da seção
buscando ainda a estrela polar com o sextante, e flutuavam
pela casa inteira seus 37 companheiros de classe, eternizados
Dicionário
Desvendando os segredos
no instante de fazer xixi no vaso de gerânios, de cantar o hino A esmo – Sem direção
definida.
do texto na página seguinte
é um bom exercício para a
da escola com a letra mudada por versos de deboche contra o Alcova – Quarto.
diretor, de beber às escondidas um copo de brandy da garrafa Gerânios – São plantas de
do pai. Pois haviam aberto tantas luzes ao mesmo tempo que pequeno porte que vivem
bem no clima temperado. capacidade de inferir.
a casa tinha transbordado, e o quarto ano elementar inteiro da Têm flores de formatos
escola de São João Hospitalário tinha se afogado no quinto variados, sempre muito
coloridas.
andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Em Madri de
Brandy – Produto
Espanha, uma cidade remota de verões ardentes e ventos ge- resultante da destilação do
lados, sem mar nem rio, e cujos aborígines de terra firme nunca vinho; conhaque.
foram mestres na ciência de navegar na luz.
Dezembro de 1978.
MÁRQUEZ, Gabriel García. Doze contos peregrinos.
Sugestão de
Rio de Janeiro: Record, 1992. pp. 65–66.
Abordagem
33
Para os pais de Totó e Joel,
o que seria maturidade?
Peça para seus alunos re-
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fletirem sobre isso. Será que


Anotações o texto nos dá alguma pis-
ta? Depois, questione o que
eles acham que é maturida-
de e se consideram Totó e
Joel maduros ou imaturos.
Por fim, convide-os a refletir
sobre si mesmos, segundo
suas próprias opiniões.

33

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o
1
ul
p ít
Ca 34
Desvendando os segredos do texto
Sugestão de Abordagem 1. Nesse conto, podemos identificar a presença de que tipo de
narrador?

Além das palavras que selecio-


Narrador em terceira pessoa.

namos para o vocabulário, seria 2. Quando os pais negaram o barco a remo, os filhos disse-
ram em coro: “Precisamos dele agora e aqui”. Como se trata de
interessante trabalhar o sentido um ato de fala, podemos afirmar que essa frase expressa:
de outras: a) Um pedido urgente.
b) Um lamento.
Aprenda
Sextante é um instrumento de mais! c) Uma ordem impensada.
d) Um grito de socorro.
navegação que permite medir a Sempre que falamos ou
escrevemos para alguém,
e) Um pedido de paciência.

altura dos astros, apesar da ins- temos uma intenção: fazer


um convite, alertar sobre 3. Para justificar a inutilidade de os filhos terem em casa um

tabilidade do observador. Seria um perigo, pedir licença, barco a remo, a mãe argumentou: “Para começar, aqui não há
outras águas navegáveis além da que sai do chuveiro”. Nessa
prometer algo, agradecer

produtivo mostrar uma imagem e um favor, desculpar-nos,


etc. Assim, tudo que fala, podemos identificar a presença da ironia. O que ela quis

contar um pouco sua história. No


falamos são ações. Essas dizer na verdade?
ações que se dão por
Como a ironia consiste em afirmar o contrário daquilo que se
conto, com o sextante, Joel bus-
meio da palavra são o que
chamamos de atos de
fala. O menor ato de fala é pensa, na verdade ela quis dizer que era impossível navegar
ca a estrela polar, que é tradi- definido como frase.
dentro de casa.
cionalmente utilizada como ponto
de referência náutica, uma antiga
4. Com base no texto, podemos supor que a família possuía
boas condições financeiras ou vivia em dificuldades? Como era
orientação para a humanidade. Aprenda o contexto econômico em que vivia a família? Justifique sua
mais! resposta com uma frase do texto.
Totó estava sentado na popa do A compreensão do A família certamente dispunha de boas condições de vida. “Na
bote, que é a parte traseira de
contexto econômico
e social que envolve a casa de Cartagena de Índias, havia um pátio com um atraca-

todas as embarcações. É onde


narrativa é fundamental
para a criação da obra e, douro sobre a baía e um refúgio para dois iates grandes.”
consequentemente, para
tradicionalmente fica o aparelho a construção do sentido 5. Leia:

de manobra. Daí a expressão de


do texto por parte do leitor.
Dessa forma, a descrição
— Para começar — disse a mãe —, aqui não há ou-
vento em popa, geralmente usa-
dos personagens e do
espaço contribuem para tras águas navegáveis além da que sai do chuveiro.
que o texto seja coerente.
da com otimismo, quando as coi- No Primeiro Momento deste capítulo, vimos que é muito co-

sas na vida parecem favoráveis. 34

Joel estava na proa, que é justa-


mente a “frente” da embarcação.
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Totó segurava os remos, e Joel ou aborígenes, são povos autóc- terra firme realça a caraterística
se orientava por estrelas. tones, sociedades nativas de um de um povo acostumado a viver
O narrador termina assim: “Em determinado lugar. num lugar “sem mar nem rio”?
Madri de Espanha, uma cidade A pesquisa sobre essas palavras Será que a força da palavra abo-
remota de verões ardentes e ven- e a reflexão sobre seus usos no rígine contribui para isso? É uma
tos gelados, sem mar nem rio, e texto irão enriquecer a intepreta- boa pergunta para eles.
cujos aborígines de terra firme ção dos seus alunos. Por exem-
nunca foram mestres na ciência plo, o texto nos permitiria pensar
de navegar na luz”. Aborígines, que a expressão aborígine de

3434

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Manual do Educador

Conto

35
Capítulo
1
mum o emprego da conotação nos textos narrativos. Que figura de linguagem percebemos
nesse trecho?
A ironia. BNCC – Habilidades gerais
6. Identificamos o uso de uma figura de linguagem no titulo do texto.
EF69LP47
a) Que figura é essa?
EF69LP49
Comparação.

b) Como essa figura contribui para o aspecto extraordinário da narrativa?


Na narrativa, a comparação passa a ser real, instaurando o aspecto fantástico. BNCC – Habilidades específicas
7. Em A luz é como a água, temos Totó e Joel como personagens principais e desenca-
EF67LP28
deadores de um enredo extraordinário. Desde o princípio da narrativa, os dois demonstram
grande interesse por equipamentos para mergulho e por um barco. Tal desejo gera estra- EF67LP38
nhamento nos pais, pois no pequeno apartamento que habitavam em Madri, Espanha, não
havia “outras águas navegáveis além da que sai do chuveiro”. Como os meninos venceram
esse obstáculo?
Os meninos quebraram uma lâmpada acesa e viram um jorro de luz inundar a casa. A
partir de então, começaram a navegar pela luz.

8. No discurso que fez na cerimônia em que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em


1982, Gabriel García Márquez se referiu a si mesmo como descendente de uma linhagem
de “inventores de fábulas que acreditam em tudo”. Morto em 17 de abril de 2014, aos 87
anos, ele deixou uma obra envolvente, permeada pelo chamado realismo mágico. Com
base no texto lido, explique o que você entende por realismo mágico.
Resposta pessoal. Esperamos que os alunos percebam, a partir do conto, que o realismo
Anotações
mágico consiste na mistura entre o real e a fantasia, construída com tanta naturalidade que
envolve o leitor e o leva a acreditar em qualquer coisa.

9. O realismo mágico está muito presente nesse conto. A esse respeito, analise as afirma-
ções a seguir.
I. A luz é vista como fantástica somente pelos meninos, que navegam nela quando estão
sozinhos.
II. O fantástico é visto naturalmente como real, por isso a luz é, de fato, líquida como a água.
III. O conto revela uma realidade em que não há distinção entre o possível e o impossível.

É correto o que se afirma apenas em:


a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III.

35

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35

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o
1
ul
p ít
Ca 36
10. A caracterização do personagem, como o próprio termo sugere, é a soma de todas as
suas características, tudo o que pode ser descoberto por meio de uma análise cuidadosa:
idade, aparência, temperamento, escolhas, atitudes, modo de falar, etc. Nos textos nar-
Sugestão de rativos em geral, a caracterização é feita ao longo da história, revelando os personagens
Abordagem basicamente em três dimensões: física, sociológica e psicológica. De fato, muitos aspectos
fazem parte dessa qualificação, porém um dos mais importantes é o perfil psicológico.
Esse perfil corresponde à sua maneira de agir, pensar, falar, etc. A caracterização pode
Para as questões da seção Aná- ser feita de maneira direta ou indireta. Quando o narrador descreve o personagem, por
lise linguística, propomos estas exemplo, está caracterizando-o diretamente. Já a caracterização indireta ocorre quando o
narrador não descreve os personagens, mas deixa pistas sobre como ele é, pensa, age.
respostas: a) No conto, o narrador opta pela caracterização direta ou indireta dos personagens?
1. Não é possível jogar no campo O narrador opta pela caracterização indireta.
devido à grande quantidade b) Descreva o perfil psicológico do pai de Totó e Joel. Selecione um trecho do texto que
de lixo. denote esse perfil.
O pai dos meninos parece ser bastante compreensivo e gosta de satisfazer os gostos dos
2. Complementando o sentido do
filhos. No início do conto, quando eles tornam a pedir um barco a remo, ele imediatamente
verbo jogar com o termo lixo:
concorda em atender ao pedido. Adiante, para cumprir a promessa feita aos meninos, ele
“Proibido jogar lixo”.
compra o barco e não diz nada à mulher.
3. A palavra em expressa uma
c) Descreva também o perfil psicológico da mãe dos meninos.
noção de lugar.
A mãe dos meninos parece ser bastante racional e questionadora. Não atende aos capri-
Para a questão 11, sugerimos es- chos dos filhos sem que tenha uma boa justificativa para isso. Nas duas ocasiões em que
tas respostas eles pediram presentes, ela lhes negou com intransigência.
a) Afirmação falsa. “No Natal, os
11. Agora, você analisará as afirmações a seguir e indicará se são verdadeiras ou falsas
meninos tornaram a pedir um com base nas suposições que podemos fazer sobre as informações presentes no texto.
barco a remo.” Para justificar sua resposta, escreva no seu caderno uma frase do texto que esclareça cada
uma delas. Em alguns casos, é possível admitir mais de uma justificativa.
b) Afirmação verdadeira. “O pai
a) No Natal, os meninos pediram pela primeira vez um barco a remo.
reprovou sua intransigência.” b) O pai dava mais atenção aos pedidos dos filhos que a mãe.
c) Afirmação verdadeira. “Mas, c) Os meninos eram determinados a alcançar seus objetivos.
d) Os pais conheciam muitos filmes.
no final, nem ele nem ela pude- e) Cartagena de Índias não é uma cidade litorânea.
ram dizer não, porque haviam f) O barco dos meninos flutuou na luz porque, sendo de madeira, não poderia ser utilizado
prometido aos dois um barco na água para não apodrecer.
g) O edifício onde a família morava era alto, com mais de três andares.
a remo com sextante e bússo- h) O edifício onde a família morava era velho e ficava no centro da cidade.
la se ganhassem os louros do i) Certamente alguém da família gostava de música clássica.

terceiro ano primário, e tinham 36

ganhado.”
d) Afirmação verdadeira. “Na noi- LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 36 29/03/18 07:35

te de quarta-feira, como em to- compreendendo-o globalmente, luz até o teto.”


das as quartas-feiras, os pais é possível afirmar que os meninos h) Afirmação verdadeira. “Na quarta-
foram ao cinema.” navegaram na luz porque não po- -feira seguinte, enquanto os pais
e) Afirmação falsa. “Na casa de deriam fazê-lo na água, dentro de viam A batalha de Argel, as pes-
Cartagena de Índias, havia um casa, afinal “a luz é como a água”, soas que passaram pela Castella-
pátio com um atracadouro so- fantasia que revela o realismo má- na viram uma cascata de luz que
bre a baía e um refúgio para gico do texto. caía de um velho edifício escondi-
dois iates grandes.” g) Afirmação verdadeira. “Chama- do entre as árvores. Saía pelas va-
f) Afirmação falsa. Não há fra- dos com urgência, os bombeiros randas, derramava-se em torren-
se no texto que possa justi- forçaram a porta do quinto andar tes pela fachada e formou um leito
ficar a resposta. No entanto, e encontraram a casa coberta de pela grande avenida, numa cor-

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Manual do Educador

Conto

37
Capítulo
1
Análise linguística
Diálogo com
o professor
As preposições
Leia a tirinha: Optamos por uma defini-
SILVESTRE/Eudson de Paula ção mais simples de pre-
posição, mesmo sabendo
que tal simplicidade po-
deria gerar problemas de
ordem didática. Como ain-
da não trabalhamos com a
1. Para Silvestre, por que é impossível jogar no campo?
sintaxe propriamente dita,
2. Ao que parece, a placa colocada pelo homem na árvore à preferimos seguir por esta
beira do campo está com o sentido incompleto, o que des-
perta o aborrecimento de Silvestre. Como poderíamos des- linha para não confundir os
fazer esse problema de sentido? alunos. No entanto, depen-
3. Na tira, qual é a relação de sentido expressa pela palavra em?
dendo do nível de conheci-
Nesse contexto, a palavra em é classificada como uma pre-
posição. As preposições são palavras invariáveis que unem mentos prévios da turma,
Aprenda
dois termos e contribuem para a construção de sentido entre
eles. Assim, elas podem indicar posse (Aquele carro é de Jor- mais! evidentemente podemos
ge), lugar (Paula está em casa), companhia (Moro com meus O conceito de preposição aprofundar a abordagem e
pais), instrumento (Ela se cortou com a faca), meio (Viajamos
ampliar a definição. Segun-
vem do latim praepositione
de avião), origem (Viemos do Recife), tempo (Vou esperá-los e quer dizer “ato de colocar

até 7 horas), etc. do Azeredo (2008, p. 196),


antes”. Assim, podemos
entender que preposição
As preposições contribuem bastante para a construção do é a palavra que ocupa
sentido e não podem ser utilizadas aleatoriamente. Por isso, uma posição anterior. “chama-se preposição a
Na prática, ela une dois
não faria sentido se, na tirinha, substituíssemos a preposição
em por com. Nesse caso, a preposição mais adequada é mes-
termos, fazendo com que o
segundo fique subordinado
palavra invariável que pre-
mo em, que estabelece uma relação de sentido de lugar. ao primeiro.
cede uma unidade nomi-
nal — substantivo, prono-
No entanto, em muitas situações, não escolhemos a prepo-
sição pensando no seu significado. Nesses casos, ela nos é
imposta pela própria dinâmica da língua, ou seja, ela é determi- me substantivo, infinitivo
nada pela palavra que a precede (verbo, substantivo, adjetivo
ou advérbio): —, convertendo-a em um
37 constituinte de uma unida-
de maior”.
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renteza dourada que iluminou a


cidade até o Guadarrama.”
Diálogo com o professor
i) Afirmação verdadeira. “O sofá e
A propósito do trabalho com a ta de música clássica, mas não
as poltronas forradas de pele
de leopardo flutuavam na sala questão 11, é importante desta- obrigatoriamente. O importante é
a diferentes alturas, entre as car que certas informações ape- que o aluno reconheça como vá-
garrafas do bar e o piano de nas nos permitem supor algo lidas as suas próprias hipóteses,
cauda com seu xale de Ma- dentro da narrativa. Por exemplo, desde que possíveis dentro do
nilha que agitava-se com mo- a presença de um piano de calda texto. Afinal, é ele quem preen-
vimentos de asa a meia água no apartamento nos possibilita che as lacunas e “escreve” a his-
como uma arraia de ouro.” apenas supor que alguém gos- tória com o autor.

37

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o
1
ul
p ít
Ca 38
Gosto de estudar.
Preciso de você.
Confio em você.
Ela estava confiante em mim.
BNCC – Habilidades gerais Ele foi derrotado pelos aborrecimentos.

EF69LP05 As preposições podem se contrair, formando outra preposi-


ção, ou se combinar com outras palavras, originando uma lo-
EF69LP56 cução prepositiva, isto é, um grupo de palavras que funciona
como uma preposição. Observe:

AMIGO/ Eudson de Paula

Repensando o
Ensino da Gramática

O uso das preposições tem ge- Você sabe qual é o melhor amigo do homem?

rado muitas dificuldades para os


alunos, por ter uma relação ín- DE - preposição + O - artigo = DO - preposição (contração)

tima com as regências nominal


e verbal. Seria interessante que Observe que, na contração, a preposição sofre alguma mu-
dança, o que não ocorre na combinação. Veja outros exemplos:
fossem levantadas questões de
regência de alguns nomes e Gosto muito daquele livro.
(preposição de + pronome aquele = contração)
verbos com os quais os alunos
precisam lidar diariamente em Ela estuda num colégio religioso.
(preposição em + artigo um = contração)
sua vida, como na frase “Profes-
sor, posso ir ao banheiro?”. Esse
exemplo pode servir de âncora
para a reflexão sobre variação 38
linguística e situações de comu-
nicação. LPemC_2018_BNCC_7A_Cap1.indd 38 29/03/18 07:30

Você pode destacar para os


alunos que, no dia a dia deles, as imposições da gramática tra-
não é gerado nenhum problema dicional, o que é outra discus- Anotações
de comunicação quando dizem são. Importa dizer que, em todos
“Professor, posso ir no banhei- os casos, o sentido da sentença
ro?”, pois a situação de fala é não é dado exclusivamente pela
capaz de esclarecer o objeti- preposição, mas pelo contexto
vo comunicativo. O problema é sociodiscursivo em que o enun-
confrontar essa realidade com ciado é proferido.

3838

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Manual do Educador

Conto

39
Capítulo
1
É possível ver o suspeito através do vidro.
(locução prepositiva = combinação)

Há muita poeira em cima do armário.


(locução prepositiva = combinação)

Prática linguística

1. Complete as lacunas com a preposição adequada:

a) Estávamos ansiosos para o primeiro encontro. (com – para)

b) O médico o considerou apto para o trabalho. (com – para)

c) Mostrou-se atenciosa com todos os colegas. (por – com)

d) Nenhum artista é imune a críticas. (a – para)

e) Tinha antipatia a algumas pessoas. (para – a)

f) Os grandes amigos são solidários uns com os outros. (para


– com)
Dicionário
g) O cigarro é nocivo para o organismo. (com – para)
As fábulas são narrativas
h) A obra era composta de pedaços de madeira. (em – de) curtas cujos personagens
são animais que agem
como seres humanos. A
i) Não guardo ressentimento por vocês. (a – por) intenção é distrair e, ao
mesmo tempo, passar
j) Minha mãe é avessa a brigas. (a – por) algum ensinamento,
expresso por meio de uma
k) Senti falta de minha família. (por – de) lição moral.

2.Os textos a seguir são classificados como fábulas, um gê-


nero textual que compartilha algumas características com os
contos. Leia esses textos procurando preencher as lacunas.
Em seguida, proponha uma lição moral.

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Texto 1
Aprenda
mais! A raposa e as uvas
Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendurados à
Diálogo com Na língua portuguesa,
existem dois tipos de
palavras: as lexicais e as
grande altura, em uma videira que crescia ao longo de uma
o professor gramaticais. As palavras
treliça, e fez de tudo para alcançá-los, sal