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RESUMO DOS CAPÍTULOS 1,2 E 3 DO LIVRO

“ECONOMIA DA CULTURA”

Segundo Alfredo Bertini, autor do livro “Economia da Cultura”,


a sociedade não dá importância à indústria do entretenimento,
mesmo que esta seja a maior atividade econômica do planeta.
Existem poucos registros, referências ou informações sobre o
campo da economia neste sentido. Ele percebeu, ao analisar a
sociedade pela perspectiva da política pública, que existe
grande desprezo político em relação à cultura, ao turismo e ao
esporte. Houve crescimento econômico no setor terciário
alavancado pelas atividades do entretenimento. Através das
inovações tecnológicas foi possível identificar dois tipos de
desenvolvimento socioeconômico do entretenimento: o primeiro
foi a possibilidade de consumo pelo lazer e o segundo, mais
complexo, demonstra que essas atividades tendenciavam a se
transformarem em motor econômico por dependerem da capacidade
cognitiva dos recursos humanos.

Bertini explica que existe um grande mercado de


entretenimento, devido a uma enorme demanda pelo lazer.
Citando Comparato, o autor diz que os EUA exportaram cerca de
US$ 30 bilhões em entretenimento no ano de 1997. O autor diz,
ainda existir a competitividade intra e intersetorial
decorrente da própria variedade de possibilidade que o setor
oferece. A criatividade consegue impor, subliminarmente,
regras e hábitos de consumo de entretenimento em âmbito
global, devido à globalização. Ele ainda, que precisa haver
uma reflexão sobre a importância da produção de entretenimento
com os princípios das identidades locais. Alfredo Bertini
destaca a força econômica da indústria do entretenimento.
Contudo, não se deve diminuir a importância da globalização e
nem aceitá-la. O que deve ser feito é melhorar o pensamento
sobre esse fenômeno econômico.

Segundo o autor, a indústria do entretenimento pode ser vista


como boa ou ruim, pois, as economias não-hegemônicas não
conseguem produzi-la, porque são sufocadas pelas economias
hegemônicas, com seu grande poder produtivo. Em contrapartida,
como a globalização faz a integração entre os povos, ela deixa
aberto um espaço para o intercâmbio de culturas. Contudo, para
isso deve ser valorizado o compromisso de produções locais,
afirma o autor.

Ainda assim, levando em conta essa ressalva, o produtor que


quiser ter um pouco de ganho financeiro, deverá tentar se
incluir neste esquema capitalista. Ele terá que pensar
globalmente quando for produzir e, assim, ampliar suar
oportunidade de negócio. O autor aponta recursos como: o
satélite, a internet, a fibra óptica e a revolução digital
como fatores de encurtamento de distância, tornando cada vez
mais semelhante relativo às questões culturais, turísticas ou
esportivas.

Porém, Alfredo Bertini identifica que a globalização dissemina


produtos não-hegemônicos, ou seja, oriundos dos países sub-
desenvolvidos. E ainda, a globalização traz produtos
comerciais com ideologias subliminares, gera perda gradativa
da identidade local e promove a exploração da criatividade em
países pobres. Tendo em vista ainda, a tentativa de transmitir
mensagens ideológicas de supremacia cultural. Na sequência, o
autor fala sobra a criação da propriedade intelectual coletiva
para o resguardo da cultura local, sendo esta discutida em
fóruns internacionais.

De acordo com o autor, em 1980 deu-se início ao arquivamento


de dados sobre produtos que não agregavam riquezas à nação.
Após um período de duas a três décadas, houve um melhoramento
no tratamento destes dados sobre os mercados culturais. A
princípio, a idéia era que esses produtos exerceriam outra
forma de valor que iria além da dimensão econômica. Na
verdade, era o senso de identidade propiciado pelo consumo
destes produtos. Deste entendimento surge o conceito de
capital cultural que consiste em valor monetário, de origem de
mero egoísmo; e valor cultural composto por sistema de ideais,
costumes e tradições.

Alfredo Bertini explica o significado de cultura como “...um


complexo de valores, crenças, costumes e ideais de uma
determinada sociedade, cuja difusão ocorre por meio de
variadas manifestações e expressões de cunho artístico.” Ele
define economia da cultura como a produção cultural.

No Brasil, o artista precisa ser multifacetado, ou seja, meio


produtor e empreendedor, além de ser o próprio artista. Já nos
EUA, as grandes produtoras preferem que as funções, nas
produções cinematográficas, sejam bem definidas, até mesmo
para haver melhor hierarquia e profissionalismo.

O autor diagnostica que a globalização vem provocando


homogeneização da cultura pelas grandes produtoras, acabando
consequentemente, com as culturas locais. Por outro lado, a
auto-afirmação lingüística tem sido uma alternativa como
resistência a esta invasão, não somente cultural, mas a
invasão de outras línguas também. Outra questão importante na
defesa das identidades locais é a criação da propriedade
intelectual coletiva. De acordo com Bertini, propriedade
intelectual coletiva seria a valorização coletiva da
capacidade intelectual de um povo.

Já no Brasil, Alfredo bertini explica que a TV aberta também


promove certa homogeneização. A programação da TV aberta,
falando principalmente das telenovelas, foca a cultura Carioca
e Paulista e as difunde para todo o país, obrigando quem está
no nordeste, por exemplo, a consumirem sempre estas culturas.
Um bom exemplo cita o autor, é o da TV RBS, em Porto Alegre,
que abre espaço para a exibição de curtas-metragens gaúchos.

Segundo o autor, o setor audiovisual é considerado como um dos


mais relevantes de toda indústria do entretenimento, portanto,
um poderoso recurso para comunicação social em massa.

Alfredo Bertini conclui dizendo que o produto audiovisual é um


elemento muito importante para ajudar a preservar as
identidades locais, tendo em vista sua alta capacidade de
penetração no mercado.