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Inês Pimenta

Psicologia do Desenvolvimento

1.O desenvolvimento

Para Mazel e Houzel (1975) o desenvolvimento é um processo que faz passar a criança ao
estado adulto. O desenvolvimento é um processo que não é contínuo.
 Touchpoint: Ponto do acontecimento que rompeu o normal dos nossos dias.

*O desenvolvimento quantitativo tem implicações no modo como se relaciona com os


outros
* Regressões: quando se passa de 1-2 não se volta a trás , por regra, mas quando isso não
acontece, existe uma regressão ( acontece quando algo não está bem adquirido). O
recomeço do percurso pode não tomar o mesmo rumo, logo há mudança de
personalidade.

O estudo do desenvolvimento psicológico da criança tem como propósito:


a) Analisar diferentes aspetos da personalidade na sua evolução evolutiva através dos
tempos; b) Estudar a organização destes aspetos – desenvolvimento motor, intelectual e
afetivo – em períodos distintos.
» A maturação (Bee, 1997) é o conjunto de mudanças físicas determinadas pelas
informações contínuas do código genético e comum a todos os membros duma mesma
espécie. Processo do qual ninguém pode escapar.

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Tom Kiewiz (1970) defende que:


- A importância da relação com o meio ambiente é fundamental ao desenvolvimento;
- A forma mais primitiva de comportamento é o movimento da totalidade ou dum
segmento corporal (este movimento pode ser exógeno ou endógeno).

Não conseguimos controlar a maturação. Existem muitos aspetos biológicos envolvidos


pois o organismo é um elemento ativo no processo de aprendizagem.

Para Piaget o desenvolvimento é uma construção.

2. Evolução e desenvolvimento físico de uma criança


“ A criança é o pai do mundo”
“ Os primeiros anos influenciam decisivamente o tipo de adulto que se torna”

 O sujeito humano constrói-se adulto a partir da criança que era.


No início do séc. XX as crianças eram vistas como “mini-adultos” e retratados como tal.
Antigamente, nenhuma criança era vista como centro educativo e de atenção de família
(década 30) todas as crianças eram escravizadas até à década de 80.
O que se forma:
O ponto de partida consiste na fusão de duas células que se vão multiplicar:
- 4 células (10h)
- 150 células (1 semana)
- Crescimento muito rápido que se especializa em 3 camadas
1º. Sistema nervoso central, pele (o que separa o dentro do fora)
2º. Sistema digestivo
3º. Esqueleto, coração e músculos

Até ao 2º mês:
» Sensibilidade tátil vem antes dos sistemas proximais (olfativo e gustativo) e do sistema
vestibular (conjunto de orgãos do ouvido interno) e sistema visual.
» A pele tem o primado estrutural sobre os outros sentidos
- é a única a cobrir toda a pele
- contém vários sentidos distintos (toque, pressão, dor e calor)
- o tocar é o único dos 5 sentidos a possuir uma estrutura reflexiva

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7 semanas
» Começa a dar os primeiros movimentos de braços e pernas (impercetíveis para a mãe)
 origem de agressão.

Ao 2º mês
» Presença: olhos, orelhas, nariz, língua, braços com mãos, dedos e polegar.
» Funcionamento: do estômago (suco digestivo, do fígado, dos rins e do coração)
» O cérebro já possui os mesmos elementos que o cérebro adulto, mas as células nervosas
estão longe de atingir a sua maturidade.
» Os órgãos sexuais são ainda indiferenciados mas existe um rebordo genital que se
transforma no 3º mês em sexo masculino ou feminino.

Os meses seguintes
(Período fetal)
“O feto aperfeiçoa o que possui e prepara-se para poder suportar a separação do
nascimento”. » O frio: constitui e desenvolve uma camada de gordura
» A fome: treina-se com o chuchar no polegar
» As doenças: é imunizado pela sua mãe
» A asfixia: aperfeiçoando e desenvolvendo tecidos pulmonares para poder respirar.

Das 28 às 40 semanas:
» Todas as funções fisiológicas podem estar suficientemente estabelecidas para permitir a
sobrevivência do nascimento (Gesell, 1946/1996, p .47)
» A maturação e o desenvolvimento comportamental são ambos graduais, não há
mudanças abruptas.
 Gessel, defende que o desenvolvimento é contínuo com períodos sensiveis e pode ser
concebido por:
- Períodos sensíveis, nos quais a aprendizagem se faz mais facilmente (ex: a aprendizagem
de línguas ou de regras).
- Períodos críticos, único tempo onde a aprendizagem se faz (ex: as crianças selvagens).

 Piaget defendia: a existência de estádios de desenvolvimento que seriam específicos


de tal forma que o estádio seguinte incorporava o anterior:
- A existência de estádios de desenvolvimento que seriam específicos de tal forma que o
estádio seguinte incorporava o anterior.
- A existência de uma transformação do padrão de pensamento anterior.

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- Nunca se retorna ao estádio anterior.

FASE vs ESTÁDIO
- A fase era defendida por Freud e era permitido retornos e estádios anteriores em
situações critícas.
- O estádio é a integração e é impossível voltar atrás.

 Para Freud, a diferença entre estádio e fase é que o estádio tem marcha
irredutível, não se volta a um estádio passado quando já se passou para um
estádio superior, enquanto na fase pode haver regressão. Há progresso e
integração do estádio anterior para o seguinte. A regressão e/ou fixação
acontecem quando existe um desvio ao desenvolvimento.

Paradigma psicanalítico
Da pulsão à relação
Freu define pulsão como:
» Um conceito limite entre o psíquico e o somático
» Um lugar de articulação do corpo e da psiché
1. Freud e a sua criação…
» À descoberta do inconsciente
» Desenvolvimento de uma teoria ( psicossexual infantil )
 Freud propõe um modelo onde os processos mentais teriam a sua génese no
inconsciente, dando importância maior aos aspetos pulsionais.
Os processos mentais são inconscientes e que em toda a vida mental “apenas
determinados atos e partes isoladas são conscientes”.
2. Pulsões sexuais:
- São necessidades sexuais no homem e nos animais movidos pela “libido” como a
pulsão de nutrição é movida pela “ fome”
- Desempenham-se por causa das doenças nervosas e mentais – papel extra
importante.

 A civilização foi criada à custa de satisfação das pulsões.

3. Metapsicologia de Freud

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» Primeira tópica
» Segunda tópica

 Na primeira tópica Freudiana existem 3 sistemas: (pré-consciente que


conjuntamente com o
» o consciente (Cs) consciente assume a função
» o pré-consciente (Pcs de atenção).
» inconsciente (Ics)
• rege grande parte do nosso funcionamento mental juntamente com o Pcs-Cs
• Divisão entre Ics e Pcs
- Descritivamente podemos considerar os processos inconscientes como
não conscientes.
- Muitos destes processos não conscientes encontram-se no sistema Pré-
consciente (Pcs), uma área de armazenamento das lembranças, necessária
para que a consciência, uma vez que não podemos manter todas as
lembranças no consciente (Cs) ao mesmo tempo.
- Estas lembranças, pré-conscientes (Pcs), facilmente se tornam
conscientes como por exemplo, acontecimentos que após um esforço
podemos reconstituir.
- Mas os processos inconscientes podem não se tornar conscientes mesmo
após um esforço se o seu conteúdo estiver recalcado. O recalcamento
acontece
sempre que um vivido for demasiado intenso para poder ser elaborado e
integrado no vivido coerente do indivíduo.
- Podemos, então, considerar que os processos inconscientes que
facilmente assomam ao consciente pertencem ao sistema Pcs, enquanto os
processos inconscientes sobre os quais atua a censura, pertencem ao sistema
Ics e podem estar sujeitos ao recalcamento.
- O inconsciente reprimido constrói-se a partir de vividos (internos ou
externos) que são intoleráveis para o individuo e que por isso são recalcados e
retirados da acessibilidade do consciente.
- Por outro lado, os conteúdos recalcados têm sobre eles a censura que os
impede de acederem ao consciente e por isso eles tentam aparecer por via de
conteúdos neutros, torneando assim a censura e apresentando-se por via de
atos falhados, lapsus linguae ou mesmo através de sintomas ou de
comportamentos bizarros.
- A censura impede que as pulsões se manifestem ao bel-prazer do
indivíduo sendo por isso que Freud declara que «a civilização foi criada (…) à
custa da satisfação as pulsões».
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 Na segunda tópica de Freud existe:


» o id (reservatório de energia psíquica, governa irrestritamente no início da vida. Este
funciona por descarga de acúmulos de tensão, ou seja, sempre que o desconforto se
instale o bebé procede à sua descarga de tensão através da motilidade
(chorando,esbracejando) podendo aí ter manifestações agressivas.

» o ego (resulta da diferenciação do id, aprendizagem, segundo Freud é “uma


organização coerente de processos mentais”, sendo mediador entre o id e o superego.
É assim a parte do id que foi modificada pela influência direta do mundo externo,por
intermédio do sistema perceção consciência (pcpt-Cs) ).
-
» superego (moral e regras, A construção do superego tem, pois, como base o inter-
jogo entre: • Os investimentos objetais • O seu destino • O papel da identificação.A
diferenciação do superego a partir do ego representa a caraterística mais importante
do desenvolvimento, tanto do indivíduo como da espécie, por conter em si a
expressão permanente da influência dos pais e os aspetos da natureza mais elevada,
pois, «quando éramos criancinhas, conhecemos essas naturezas mais elevadas,
admirámo-las e tememo-las e, posteriormente, colocámo-las em nós mesmos» (Freud,
1923/1989, p.51).
O EGO
- Elemento mediador entre o id e o superego
- Considerado como “uma organização coerente de processos mentais”
- É aquela parte do id que foi modificada pela influência direta do mundo externo,
por intermédio do pcpt-cs (aparelho perceção-consciência);
- Procura aplicar a influência do mundo externo ao id (…) esforça-se por substituir
o princípio do prazer, que reina irrestritamente no id, pelo princípio da realidade.
- É também inconsciente;
- Comporta-se exatamente como o reprimido.
- Deriva das sensações corporais (da sup do corpo)
- Projeção mental da superficie do corpo

A formação do ego deve-se ao:

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- Sistema perceção consciência


- Corpo
- A superfície do corpo constitui um lugar de onde podem originar-se sensações
(externas e internas)
- A dor porque através dela chegamos à ideia do nosso corpo

A construção do ego por duas vias:


- as sensações propriocetivas
-o aparelho perceção-consciência

O ego tem as seguintes funções:


1. Controlar as abordagens de motilidade, instalando progressivamente a
capacidade de diferir no tempo o desejo da satisfação dos impulsos emergentes;
2. Supervisionar todos os processos constituintes (mesmo quando) vai dormir à
noite, ainda exerce censura sobre os sonhos;
3. Procede às repressões necessárias à exclusão de certas tendências da mente.

Nas neuroses existiria antítese entre:


- O ego coerente
- O ego reprimido (este é expelido dele – split-off)

Níveis primitivos de defesa:


- Clivagem
- Projeção
- Negação
- Split-o

O SUPER EGO
- Código de conduta
- Estrutura externa
- Resíduo das primitivas escolhas objetais do id

A construção do superego tem como base o interjogo entre:


1. Os investimentos objetais
2. O seu destino
3. O papel da identificação

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A identificação
» É a “mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa”;
» Permite tomar a pessoas a quem se identifica como modelo;
» Pode surgir com qualquer nova perceção de uma qualidade comum partilhada
com alguma outra pessoa que não é objeto de instinto sexual.

 O superego não é somente um resíduo das primitivas escolhas objetais do id,


também representa uma formação reativa energética contra essas escolhas. O
superego tem uma dupla origem:
- Natureza biológica (prolongado desamparo e dependência na infância);
- Natureza histórica (herança do desenvolvimento cultural após a época glaciar).

A diferenciação do superego a partir do ego representa:


- A característica mais importante do desenvolvimento, tanto do individuo como
da espécie
- Expressão permanente da influência dos pais
- Os aspetos da natureza mais elevada

O superego representa a mais alta da natureza do homem:


- A crescente consciência e a causa moral
- A religião
- A capacidade de autojulgamento

A comunicação abundante entre o ideal do ego e os impulsos instintuais do id


revela em grande parte o ideal e permanece inconsciente e inacessível ao ego.

O Superego aparece:
- Elemento internalizável na relação significativa com os objetos investidos na
relação primária
- A internalização do superego decorre na resolução do complexo de Édipo através
da assunção da conduta moral-SUBLIMAÇÃO (defesa mais evoluída do ser humano
– sentir prazer em coisas simples da vida)
sublimação: quando aprendem a verdadeira conduta.

é a “mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa”.


*Pessoa com que se identifica é vista como modelo

* ID – INCONSCIENTE E FUNCIONA COM O PRINCIPIO PRAZER DESPRAZER

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 Freud estabelece relação entre o inconsciente, a sexualidade infantil e o adoecer


neurótico adulto, propondo um modelo onde os processos mentais teriam a sua
génese no inconsciente.
 importância maior aos aspetos pulsionais, considerando que os processos mentais
são inconscientes e que em toda a vida mental «apenas determinados atos e partes
isoladas são conscientes»
 Comum observarmos pessoas que embora manifestem ações específicas, uma vez
confrontados com os seus atos, podem não os entender e/ou mesmo negarem a sua
autoria como quando alguém, face a um comportamento, diz “isto não sou eu”,
mostrando como muitas vezes consciente e inconsciente se desencontram e tornam o
comportamento individual desarmonioso.
 A sexualidade pode esconder o sofrimento e ter um papel no adoecer neurótico.

4. As 3 teorias da Pulsão
Freud define pulsão como:
» Um conceito limite entre o psíquico e o somático;
» Um lugar de articulação do corpo e da psiché;
» Uma fonte somática que deve ser representada na psiché;
» Pulsões sexuais são necessidades sexuais no homem e nos animais movidas pela “libido”
como a pulsão de nutrição é movida pela “fome”.
 É um processo dinâmico que se define através de 4 elementos principais:
1. A fonte (sexual ou agressivo)
2. O objeto
3. Uma carga energética (poussé-força) ou fator de motricidade ou impulso
4. Um fim

1º Teoria (Satisfação da Necessidade)


» Diferencia-se posteriormente da autoconservação.
» A não realização da pulsão está na origem da ansiedade.
2º Teoria (Teoria do Narcisismo)
» O narcisismo alcança a autoestima:
- uma parte da autoestima é primária, é o resíduo do narcisismo primário
- decorre da omnipotência corroborada pela experiência (realização do ideal
do eu)
- Provém da satisfação da Libido objetal
* Libido = consiste em uma energia psíquica que resulta maioritariamente do instinto
sexual e que determina o comportamento da vida do homem.

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3º Teoria (Conceito de pulsão de vida e pulsão de morte)


» Pulsão de vida:
- conjuga as pulsões sexuais , as pulsões de autoconservação e o
narcisismo.
» Pulsão de morte é:
- de forma simples tudo aquilo que desliga o sujeito de si e do mundo
embora aparente estar virada para dentro e tenda à autodestruição
- viradas para dentro e tendentes à autodestruição;
- seria secundariamente virada para o exterior sob a forma de pulsões de
agressão.
- A pulsão de morte age silenciosamente e visa retornar ao nível zero de
excitação.
 A pulsão é, portanto, um processo dinâmico que se define, segundo o mesmo autor,
através de quatro elementos principais, a saber: a fonte ou origem, o objeto, a carga
energética ou fator de motricidade ou impulso e um fim. A pulsão seria, então,
decorrente da excitação e apelava a uma relação significativa que lhe desse sentido e
finalidade relacional.

5. Teoria da Sexualidade
(Da pulsão à intersubjetividade)
Segundo Pinto a sexualidade infantil é sobretudo autoerótica e satisfaz-se no próprio
corpo, não se orientando para um objeto seja ele qual for.
A sexualidade infantil
» A sexualidade infantil manifesta-se parcialmente através das zonas erógenas:
- Fase oral
- Fase anal
- Fase fálica
- Latência
- Fase genital/instrumental

• A sexualidade infantil pode ser satisfeita através através da articulação de duas


dimensões que organizam o conjunto da vida psíquica:
1. Princípio do prazer/desprazer (processo primário)
Ideia chave: O princípio do prazer-desprazer (Freud, 1911; Dias, 2005) é o tipo de
funcionamento mental existente ao nascer e que funciona por descarga dos
acúmulos de energia, isto é, sempre que o bebé sinta um desprazer a incomodá-lo
ele intenta um movimento que lhe reduza a tensão e o desconforto desse excesso
de energia.
 Quando a mãe amamenta, não só amamenta como dá prazer. Ao mesmo
tempo, isto permite, que o bebé construa o seu EU nuclear a partir dos

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sentimentos primordiais (sentimentos elementares da existência que surgem


espontaneamente)
 O bebé tenta evitar o desconforto
 No início, a realidade com que se cruza é demasiado desprazedora, e para
responder a isso, há uma descarga da acumulação de tensão (choro, espernear e
esbracejar).

2. Dinâmica pulsão/objeto
 Segundo Freud, a pulsão sexual está associada com a nutrição e satisfação
 O ato de alimentar transforma-se de um ato de sobrevivência para um ato de
prazer, de encontro e significado.
A pulsão na sexualidade infantil é autoerótica, não se orienta para um objeto,
sendo orientada e mediada pela construção de uma relação com significado
orientada para os cuidadores
 Satisfaz-se sobre o corpo próprio; Não se orienta para um objeto seja ele qual
for.
 Freud diz que quando mais se fortalece a libido objetal (investimento no outro)
menos relevante é a libido do eu. A satisfação da libido passa pela dinâmica
relacional estabelecida entre a criança, os cuidadores e o mundo que a rodeia
orgãos produtores de libido: lábios, pele, mucosa anal, clitoris, boca, pénis,musculos

❖ Os autoerotismos da sexualidade infantil:


- Tem base nas zonas erógenas
- Seja qual a região da epiderme ou da mucosa que excitada de uma certa maneira
pode procurar uma excitação de tipo sexual.

 Fase oral: Até 9 meses ou 1 ano , primeira organização do libido


» Pode ser dividida em 2 fases:
- 0 a 6 meses ( caraterização por sucção – nibbles)
- 6 a 12 meses (Devido ao crescimento dos dentes a zona de conforto é a boca e
sistema digestivo. O prazer é obtido através dos alimentos.)
» A boca é a zona erógena
» A fonte pulsional prevalente é a zona bucolabial onde se acrescental órgãos sensoriais
como a visão e o tocar constituindo-se como zonas erógenas.
» Tem como base a alimentação. O desconforto é provocado pela espera/resposta da mãe
adequada que lhe permita o alívio de acumulos de pressão desprazerosos.
» Na fase oral a impressão visual que deriva do tocar é o caminho para a excitação
libridinosa,a significação do mundo e do próprio Eu corporal. Começa-se a distinguir entre
o eu e o outro.
» A partir daqui surge um vínculo mãe-filho, sendo a mãe a primeira sedutora do bebé

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 quando há um conflito maternal entre o bebé real e o bebé ideal pode haver
uma relação de não desejo – um olhar vazio maternal pode provocar danos ao bebé
» Fase estruturante no desenvolvimento sexual adulto; a mãe deve mostrar prazer ao
bebé com ternura, mas nunca abusando na sexualização pois o bebé pode ter uma
sobrecarga de excitações, podendo provocar traumas.
» O fim da pulsão sexual consiste no prazer autoerótico e desejo de incorporação.
 O autoerotismo e a incorporação assumem um papel determinante no
desenvolvimentodo bebé pois é através deste processo que ele vai dando sentido ao
mundo e aos desconfortos, ou seja, é através deste processo que vai tornando mais
suportável os estímulos internos e externos que lhe perturbam os sentidos.
Abraham:
- Considera existirem 2 subrepostos na fase: a oral “incorporação” e o
sárdico “gosto de mordiscar”.
Pinto:
- Considera que é uma fase de fruição (atribuição positiva ou negativa ao vivido) e
significação (atribuição de sentidos dos objetos e do mundo interno).

Freud: relaciona o desenvolvimento intelectual com a vida pulsional originária. Fruição e


significação

 Fase anal: 1 ano a 3 anos


» Zona de conforto é a anal e uretral
» A criança sente prazer na retenção e expulsão da urina e fezes
» A criança começa a controlar os esfincteres e começam a ser-lhe estabelecidos limites
que
coincidem com o seu processo de aprendizagem e autonomização.
» Fixação nesta fase pode levar à teimosia.
» A criança vai descobrindo o seu poder sobre a mãe e esta depende do comportamento
da
criança para a encorajar ou limitar o seu movimento de autonomização.
» O não parcial coloca limites e está também na base do super ego que a criança vai
desenvolver na próxima fase (fálica)  a criança aprende a dizer aos pais que não quando
estes lhe dizem também , colocando limites.

Abraham: propõe 2 subetapas para a organização anal dos pulsões


- uma fase anal evacuativa na qual expulsa o objeto e o destrói

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- uma fase masoquista anal retentiva que corresponde ao prazer da retenção


voluntária das fezes, ou seja, prazer de reter o objeto sem si.

Freud: Defendia a criança com controlo.


Pinto: Controlo/ Descontrolo , Autonomia/ Dependência e sentimento de integridade
pessoal/ameaça.

Brun e Chouvier: Além do prazer na mucosa oral, interligado com o controlo e afirmação
de autonomia crescente da criança, consider que o fim da pulsão é dupla: o prazer
autocrótico e procura de controlo sobre o objeto.

 Fase Fálica 4anos aos 5anos


» Zona erógena é a zona genital
» Conflito diretamente da criança na criança
» Fase da construção da intimidade, na qual a criança começa a diferenciar o homem da
mulher pela curiosidade da diferença entre os pais
» Édipo complexo (uma criança), identifica com a mãe, mas depois, por medo da castração
rejeita o pai. Mais tarde identifica-se com o pai mas com medo de perder a mãe.
» A angústia predominante é a angústia de castração.
» Fixação nesta fase pode causar problemas futuros da identidade sexual.
» A organização fálica coloca enfase no órgão sexual feminino e é em nosso entender uma
leitura desajustada de Freud pois as meninas manifestam muitas vezes um grande orgulho
em serem meninas e, por isso, esta leitura machista não faz sentido.
Freud: diferença dos sexos , complexo do édipo e conflito de castração

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Abraham diferença dos sexos , complexo do édipo e conflito de castração

Pinto diferença dos sexos , construção da intimidade

 Quando o sujeito resolve o complexo de édipo, passa à próxima fase

 Latência 6anos aos 12anos


» Período de calma
» Criança concentra-se em outras coisas (escola, amigos, todos os seus interesses) a
criança investe na escola e na aprendizagem tentando imitar o comportamentos dos
adultos que admira.
» A criança começa a desinteressar-se pelos problemas sexuais e passa a interessar-se
pelo conhecimento. Surge então o conceito de sublimação que Freud afirmava que era
uma das nossas maiores defesas;
» rapaz – rapaz; rapariga – rapariga; as crianças começam amizades com pessoas do
mesmo sexo e desvalorizam o sexo oposto, pondo-lhe defeitos
» Afigura-se vergonha e embaraço
» Não há fixação.

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 Fase Genital Puberdade +12anos


» Retorna o interesse dos orgãos genitais e erógena zona
» Indivíduos podem e satisfazendo relações sexuais e viver uma vida plena.
» Não há fixação.
» Capacidade instrumental para ser pai ou mãe.

Freud e Abraham
- Primardia genital
- Interação das zonas
- Erógenas parciais
- Finalidade genital

Aplicações prática do paradigma psicanalítico


O paradigma psicanalítico perspetiva várias aplicações práticas da teoria que podemos
nomear ponto a ponto colocando, entre outras que decorram da capacidade conceptual e
criativa dos profissionais. A aplicação prática acontece sempre na relação com a pessoa,
apelando a atenção aos quatro pontos seguintes:
1. Ao inconsciente como reservatório mental, acessível ou não à mente consciente que se
manifesta em comportamentos, inibições e/ou sintomas ou lapsus linguae que a pessoa
não compreende, nem consegue integrar;

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2. À problemática psicossexual infantil que se apresenta no centro da ação adulta, dos


seus desvirtuamentos funcionais e das expressões sintomáticas;
3. À necessidade - vista como pulsão ou como falta que apela a uma relação que a
satisfaça – elemento central da relação humana, exigindo que os profissionais de saúde
sejam capazes de, a par e passo, perceberem e distinguirem necessidade emergente na
pessoa a cuidar;
4. Ao sintoma, que se apresenta como sinal ou como solução de compromisso, que
desvela conteúdos que têm dificuldade de ser expressos verbalmente pela pessoa
necessitada de cuidados.
 Cada uma destas implicações práticas coloca como exigência uma atitude disponível e
capaz de integrar as diversas falas da pessoa necessitada de cuidados, atendendo
sobretudo aos diversos níveis comunicacionais e à harmonia/desarmonia existente entre
eles (Pinto & Queirós, 2015) de tal modo que, sempre que se verifique desarmonia essa
comunicação da pessoa tem que ser integrada no diálogo profissional de saúde-pessoa
necessitada de cuidados.

A Díade Mãe-Bebé no centro do desenvolvimento (SPITZ)


uma perspetiva psicodinâmica dos aspetos facilitadores e de risco desenvolvimental. É
assim, a atividade emocional da mãe e os seus afetos que orientam a vida.

 A mãe tem um papel importante na abertura ao mundo progressivo da criança


pois ajuda-a a suportar os estímulos internos, permitindo-lhe uma descarga de
tensão. Para isso, o diálogo permite ao bebé transformar estimulos sem
significação em sinais significativos.

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Do desejo de um
bebé à realidade:
 Implica a
recapitulação
individual dos
progenitores
 Desperta tensões
arcaicas na mãe e no
pai relativas ao bebé
desconhecido e ao
mundo fantasmático
de infância.
 Significa uma
perda de infância

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Estádio Anobjetal – Defendido por SPITZ


 No mundo do recém não há objeto nem relação de objeto. Isto é, a perceção
que tem está extremamente protegido pelo sistema intenocetivo e piropriocetivo
onde “o sentir toma um sentido extensivo principalmente visceral, centrado no
sistema nervoso autónomo e manifesta-se sob a forma de perceção emocional”

Organizadores do psiquismo humano e fase pré-objetal:

1º Organizador- “Estádio pré-objectal ou sem objecto” por volta do 3º mês


 O recém-nascido ainda não se encontra “organizado” em diversas dimensões,
tais como: percepção e actividade; o funcionamento psíquico e somático ainda não
estão separados; o meio circundante não é percebido.

 Não existe diferenciação entre o soma e o psíquico, nem entre ego e id.
Também não há diferenciação entre os estímulos recebidos e o comportamento é
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inespecífico, respondendo a um estímulo casualmente.

 O bebé começa a ter como objeto intermediário a face, onde a perceção por
contacto dá lugar à perceção à distância (visualiza ações e objetos). O sorriso é o
primeiro organizador e é caraterizado pela compreensão de estímulos
provenientes do exterior, que ajuda a interagir com a realidade.

 É estabelecido assim, a divisão tópica do aparelho psiquico em consciente, pré-


consciente e inconsciente.

 Existe a possibilidade do bebé deslocar os seus investimentos pulsionais de uma


função psiquica para outra de um traço mnésico para outro (isto é, processo de
pensar).

 A função de barreira de proteção é transferida para o “Eu” emergente mais


flexivel e seletivo.

 O bebé já é capaz de sintetizar e integrar-se, sendo que o sorriso estabelece o


início das relações sociais no ser humano. Assim, a reposta de sorriso é um
indicador de que um amplo processo de organização aconteceu na psique do bebê:
o consciente separou-se do inconsciente, já que o reconhecimento, expresso no
ato de sorrir, é claramente um sinal de consciência que dirige intencionalmente os
seus atos. Está surgindo um ego rudimentar e corporal, uma organização diretora
central

 Quando os estímulos de origem interna ( fome, sede) ou externa (por exemplo,


barulho, frio, luz...), ultrapassam um determinado limiar, a criança para
reencontrar o estado de sossego, tem de reagir (chorando por ex).

2º Organizador- ; “ Estádio precursor do objecto” fase objetal – por volta do


7º/8º mês (angústia do 8ºmês)

 Aqui, o bebé consegue-se distinguir do “outro”, isto é, consegue perceber que


ele é uma pessoa e a mãe é outra. O bebé chora pelo objeto de amor (o rosto
materno) que só reconhece na sua ausência (experiencia isto na presença de
outras pessoas, outros rostos – quando a mãe não está é como se não existisse
mais relação).

 Com o facto do bebé ver o outro como um objeto distindo de si, deixa-o
vulnerável, pois adquiriu uma capacidade de distinção e tudo o que é estranho aos
seus olhos, assusta-o deixando de sorrir indistintamente a qualquer figura humana

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ou máscara. (o aparelho psiquico é resultado de construção, fruto da relação com


o ambiente) -> Aqui Spitz junta-se a Freud.

 O bebê, que até então havia sorrido muitas vezes com evidente prazer quando
da aproximação de qualquer pessoa, subitamente passa a expressar graus
variados de desagrado à aproximação de uma pessoa que lhe é pouco familiar. A
conclusão é que o bebê tornou-se capaz de diferenciar as pessoas conhecidas das
estranhas

 Aos 8 meses (+/-) o choro é de angústia propriamente dita (sem psiquismo não
há angústia – não existem traumas psiquicos ao nascer só podem haver traumas
fisiológicos.)

 No mundo de vivência do bebé , só há espaço para o que está presente, não há


ideia de outro lugar, por exemplo se o bebé está na sala e a mãe no jardim , o bebé
não consegue perceber que a mãe está no jardim.

 Não há espaço para a “mentira” (ou equívoco), pois a relação flui através da
vivência imediata apreendida no toque, no tom da voz... Não há espaço para a
mentira – a não ser que as palavras que acompanhem esta vivência mintam sobre
o sentimento em jogo.

3º Organizador- “Estádio do objecto libidinal, propriamente dito”


15º mês ao 18º mês

 O bebé adquire a capacidade de dizer “não” e sente-se autonómo e capaz de


tudo.

 O “não” do outro impede a criança de se aproximar de objetos que deseja. Se


executar ações comandadas pelo seu interesse tem medo de perder o amor da

21
Inês Pimenta

pessoa que diz que não (porque a ama).

 Deixar de fazer o que deseja (descarregar tensões intimas) é deixar de existir,


submeter-se inteiramente ao outro, sendo um retrocesso no desenvolvimento na
aquisição da independência. A birra (+/- 15ºmês) é uma demonstração desta luta,

FINALIDADE

1º Organizador
Assim, o primeiro dos organizadores da psique estrutura a percepção e
estabelece os rudimentos do ego.
 Para que exista psiquismo é preciso que o vazio do bebé surja

2º Organizador
 O segundo integra as relações de objeto com os impulsos e estabelece o ego
como uma estrutura psíquica organizada com uma variedade de sistemas,
mecanismos e funções.
 Para o sujeito existir na sua individualidade é preciso que se distancie da
dependência da mãe

3ºOrganizador
O terceiro organizador e abre caminho para o desenvolvimento de relações
objetais segundo o padrão humano da comunicação semântica.
 Para o sujeito existir na sua individualidade é preciso que se distancie da
dependência da mãe
 Para o sujeito se identificar com o seu nome próprio

Isso torna possível tanto o surgimento do "eu" quanto o início de relações sociais
humanas!

ANEXO 1
Da simbiose à constância objetal – (MARGARETH MAHLER)

3 fases de desenvolvimento:
 Fase autística normal
 Fase simbiótica norma
 Fase de separação individuação
o Diferenciação
o Afastamento
22
Inês Pimenta

o Reaproximação
o Aquisição da constância objetal

Autismo normal

 Inicio de vida (aprox. 4 semanas)


 Período onde a criança pouco ou nada comunica
 Bebé passa muito tempo em semi-sonolência e semi-vigilia
 O bebé responde a tudo o que o faça chorar (Fome/tensões)
 Predominio fisiológico (deve ser protegido contra excessos de estimulações)
 Cuidados Maternos
* Manuntenção do estado de equilibrio do bebé
* Suprir as necessidades
* Ajudar o bebé a discriminar diferentes qualidades de experiência, uma
boa/prazerosa e outra má/desprazer.

Fase simbiótica normal


 A partir do 2ºmês :
* Consciência difusa do objeto que satisfaz a necessidade (início da fase simbiótica
normal)
* O bebé funciona como se ele e sua mão fossem um sistema omnipotente – uma
unidade dual dentro de uma fronteira comum”
 O bebé vai-se tornando mais atento ao exterior.
 A criança parece incorporar os padrões de cuidado materno preferido pela mãe.
Fase de separação – individuação
(Estende-se do 4º mês aos 3 anos quando a criança revela já uma individualidade clara)

A atenção do bébe:
* Durante a fase de simbiose era em grande parte dirigida para dentro ou focado de um

23
Inês Pimenta

modo cenestésico vago para dentro da órbita simbiótica;


* Gradualmente expande-se através do período de vigília (…) essa atenção combina-se
com um stock crescente de memórias de idas e vindas da mãe;
* De experiências “boas” e “más”, cujo alívio não vinha do self mas da mãe e podia ser
“confiantemente esperado” pelo bebé.

 Sub-fases (4):
1º. Diferenciação
2º. Afastamento
3º. Reaproximação
4º. Constância objetal

• 1º Diferenciação (6/7meses)
“ Fase simbiota”
Por volta dos 6/7 meses
 O bebé apresenta uma intensa “exploração manual, tátil e visual do rosto da
mãe, assim como das partes cobertas (vestidas) e descobertas do corpo desta (…)”
 O bebé descobre fascinado, um broche, um par de óculos ou um pingente
usado pela mãe” que o leva a organizar e distinguir o familiar e o não-familiar.
 Os bebés esboçam a libertação do colo
A partir dos 7/8meses:
Observa-se um padrão visual da confrontação com a mãe
 Instala-se ansiedade relativa ao estranho (distingui familia de não familia)

• 2º. Afastamento (separação/individuação)


 Passa a ter uma ideia muito segura de si
 Aos 16/18meses a criança aventura-se à descoberta
 Aos 2 anos dá-se a separação fisica, desenvolvimento muito rapido da sua
autonomia e adquire uma consciência cognitiva do objeto.

• 3º Reaproximação à mãe
O andar permite:
 Grandes progressos na afirmação da individualidade
 Mostrar um caso de amor com o mundo
 Alcança o primeiro nível de identidade, o de ser uma entidade individual
24
Inês Pimenta

separada, esboça (a partir dos 18 meses) uma reaproximação à mãe.

Nesta subfase de reaproximação os padrões de relação com a figura materna


voltam a alterarse, pois, a criança apresenta agora:
 Uma preocupação renovada com o paradeiro materno
 Uma necessidade crescente de compartilhar com a mãe as suas habilidades e
experiências : Uma grande necessidade de ter o amor do objeto.

A criança manifesta
 Busca deliberada ou contacto intimo
 Introdução linguagem simbólica

• 4º. Constância objetal

Dupla tarefa
 Atingir uma individualidade definida
 Obter um certo grau de constância do objeto emocional

A constância objetal implica:


 Manutenção do objeto de amor ausente
 Unificação do objeto “bom” e “mau” numa única representação total.

A constância objetal é:
 o último estágio no desenvolvimento de uma relação de objeto madura
 o objeto de amor não será rejeitado (trocado por outro caso não possa
proporcionar satisfações).

25
Inês Pimenta

O Paradigma Construtivista
(Aspetos essenciais do pensamento de Jean Piaget)
* Documentos analisados: José Pinto

 Desenvolvimento: é a marcha de conquistas onde os esquemas precedentes


se integram esquemas mais complexos e flexíveis, tendo por base o organismo que
lhes dá suporte, por um lado, e procura a satisfação da necessidade por outro lado,
pois «(…) qualquer ação – quer dizer, qualquer movimento, qualquer pensamento
ou qualquer sentimento – responde a uma necessidade. (…) Terminando a ação
logo que se se dê a satisfação das necessidades»

 O autor propunha-se, pois, mostrar a sequência de aquisições tão


pormenorizadamente quanto possível, tendo por base que «o desenvolvimento
dá-se por degraus sucessivos, por estádios e por períodos.

Psicologia Genética
 tem como propósito estudar o desenvolvimento mental, isto é, as «funções mentais
pelo seu método de formação e, portanto, pelo seu desenvolvimento na criança».
Estuda, como a Psicologia Geral, a génese e o desenvolvimento das funções. E para
além da inteligência, estuda também a perceção, a afetividade, a memória, a
representação, a emoção ou mesmo a moral.

Psicologia da criança
Propõe estudar o crescimento mental, ou seja, o desenvolvimento das condutas onde
se incluem os comportamentos e a consciência, como resultado final, considerando o
comportamento como algo completo em padrões ou esquemas apresentados e não como
um processo de construção gradual e progressivo.
Tem a sua origem no estudo pré-natal, na embriologia dos reflexos e da motricidade

26
Inês Pimenta

apresentada pelo feto, embora o seu estudo radique sobre o comportamento final
manifesto e não tenha em conta cada processo, a sua génese e a sua evolução.

Diferença entre a Psicologia da Criança e a Psicologia Genética


 A primeiracentrava-se na criança e nas suas condutas, enquanto produto final,
permitindo a proposta de Piaget estudar a equilibaração, a desequilibração e as
compensações das estruturas e as suas especificidades funcionais, os seus processos de
progressão ao longo do desenvolvimento humano.
 A perspetiva genética do desenvolvimento afasta a criança duma perspetiva que
pudesse pensá-la como um adulto em miniatura.

 Podemos concluir que a coordenação da ação e a diferenciação da sucção


afinam e organizam este esquema de ação tornando o bebé mais capaz para distinguir e
agir sobre os objetos. Esta afinação comportamental é, pois uma equilibração majorante
do reflexo de sucção que introduz o comportamento psicológico na ação, mostrando que,
de facto, o comportamento não está finalizado e percorre um caminho de progressivas
assimilações e acomodações que o tornam mais complexo, coordenado e efetivo à
necessidade do bebé.
*O autor (Piaget, 1966/1975) considera que existem duas circunstâncias para
considerar o ato de sucção como uma organização psíquica:
• A existência de uma significação

27
Inês Pimenta

• Uma busca dirigida

 Piaget introduziu o conceito de estádio que se caraterizaria por uma sucessão de


aquisições

28
Inês Pimenta

29
Inês Pimenta

PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO

 O processo de socialização da criança tem por base a representação e as crescentes


competências de evocação que este vai adquirindo e que tem a sua génese na imitação
progressivamente afinada e capaz de primeiro repetir em esquema circular para depois se
tornar capaz de interiorizar e utilizar, expandindo os modelos onde aplica essa mesma
imitação. Este processo inclui a imitação diferida e também o jogo e o desenho que, que
nos revela como as acções, os afetos e o pensamento passam a ter as imagens mentais
como mediadoras das relações da criança com o meio social e com o seu mundo interno.
A capacidade de representação do mundo, de si e dos acontecimentos passados vividos
e dos futuros ansiados e desejados tornam-se competências entretanto adquiridas,
introduzindo o tempo, o passado, o presente e o futuro.

30
Inês Pimenta

A imitação tem um papel muito importante no desenvolvimento humano, pois


participa de forma direta na passagem do período sensório-motor para o período
operatório.
O desenvolvimento da imitação do reflexo à imitação diferida confirma-nos que «o
desenvolvimento dá-se por degraus sucessivos (…)»

São necessárias duas condições para haver imitação:


1) Os esquemas serem suscetíveis de diferenciação
2) O modelo ser percebido pelo bebé como idêntico aos seus resultados anteriores

A imitação é um dos meios comunicacionais e representacionais da criança e a sua


aquisição tem como génese o período sensório-motor
Piaget (1975b) considera que a imitação não é instintiva ou hereditária mas antes uma
construção lenta onde existe uma progressiva afinação com o real e com as competências
pessoais em jogo no processo evocativo, pois «a criança aprende a imitar e essa aquisição
suscita, (…), todos os problemas relativos à construção sensóriomotora e mental»

O autor considera que, no início, é legítimo considerar não haver imitação, mas simples
reflexo e que a sua repetição pode conduzir efetivamente a uma imitação. No final, a
criança torna-se cada vez mais capaz de imitar e de, usando a representação, poder
aplicar essas aprendizagens a outros contextos num ato de clara inteligência.

31
Inês Pimenta

 O autor distingue seis fases na evolução aquisitiva da imitação, a saber:


1) a ausência de imitação
 O autor considera que, no início, é legítimo considerar não haver imitação, mas simples
reflexo e que a sua repetição pode conduzir efetivamente a uma imitação

2) a imitação esporádica;
 os esquemas reflexos começam a dar lugar à assimilação de certos elementos
exteriores
 o processo de imitação evolui nesta fase «como uma atividade assimiladora suscetível
de exercício ou de repetição e, por isso mesmo, de reconhecimento e de generalização

3) os inícios da imitação sistemática;


 a criança ainda não imita movimentos equivalentes do próprio corpo mesmo que os
conheça por via tátil ou cinestésica, mas não os capte visualmente, por isso, a imitação
dos movimentos do rosto, invisíveis para a criança continuam ausentes nesta fase do
desenvolvimento
 a criança nesta fase é capaz de imitar todos os movimentos de mãos que ela faz
espontaneamente e por interesse próprio (Piaget, 1975b, p. 39-41), desde que não
envolvam totalidades mais complexas para as quais não está ainda capaz
 Também não imita, ainda, movimentos novos que não pertençam já ao seu repertório
comportamental.

4.1) a imitação de movimentos não visíveis do corpo


 Nesta fase «pode-se acompanhar passo a passo, efetivamente, a assimilação gradual
dos movimentos visíveis do rosto de outrem aos invisíveis do próprio rosto do sujeito

4.2) inicio da imitação dos modelos sonoros e visuais;


 A criança torna-se agora mais capaz de imitar modelos sonoros (como bater num pato
de plástico com uma vara), verificando-se, nesta fase, o mesmo, no que diz respeito aos
modelos visuais
 Nesta fase, ainda verificamos uma dificuldade de acomodação a novos modelos por
parte da criança

32
Inês Pimenta

5) imitação sistemática dos novos modelos, incluindo os movimentos invisíveis do próprio


corpo;
 aparecendo nesta fase a crescente capacidade de imitação a novos modelos
apresentados
 A criança torna-se agora capaz de descobrir novos meios dentro da própria
coordenação do esquema numa capacidade crescente de acomodação
 Verifica-se pois uma crescente competência de imitação mas ainda baseada em
tentativas, isto é, em ações práticas.
 parece tornar-se claro na no progresso das aquisições que o bebé vai integrando a
noção de corpo e posteriormente torna-se capaz de imitar os comportamentos
 A aquisição da imagem corporal parece ser adquirida passo a passo, vendo-se que o
gesto imitado pode aparecer vertido noutra parte do corpo por falta de interiorização da
zona específica (por ex. antes de bater no ventre a criança imita o gesto do adulto,
batendo na mesa, no joelho ou na perna. A aquisição demora mais de dois meses).
 A sua aquisição possibilita o aparecimento da imitação diferida

6) a imitação diferida:
 A imitação, a par da inteligência começa a interiorizar-se. No fim do período
sensóriomotor, a criança inicia a imitação diferida, que deixa de ser uma cópia percetiva.
O ato, desligado do contexto, torna-se significante, uma representação em pensamento.

As implicações da imitação para a prática de enfermagem


Relação pessoa-enfermeiro tem como ponto de partida o individuo e a sua necessidade
(não o seu desejo).
 A satisfação da necessidade implica por seu lado a compreensão dos aspectos mais
básicos do desenvolvimento para, assim, se poder adequar a intervenção as capacidades
da pessoa no aqui e agora da relação terapêutica que se pretende estabelecer.
 A aceitação não valorativa da pessoa (neste caso a criança) como ela é no momento da
relação torna-se a chave mestra para a criação da área de encontro necessária a qualquer
cuidado.
 Podemos concluir que para além da aquisição da construção da imitação diferida esta
aprendizagem possibilita uma melhor compreensão dos fundamentos da relação com o
outro, o seu respeito e a necessidade da criação de uma área de encontro.
 Estes conhecimentos possibilitam ainda intervir ao nível da educação para a saúde,
tranquilizando fundamentadamente as mães acerca destas aquisições, evitando que a
ansiedade materna/paterna possa distorcer um processo maturacional que tem o seu
ritmo próprio.
Perceber o processo de construção da imitação, bem como de outras aquisições

33
Inês Pimenta

humanas possibilita intervir sustentado no conhecimento e, dessa forma, ter segurança


alicerçada no conhecimento e não no poder estatutário das profissões.

34
Inês Pimenta

O desenvolvimento mental: não é mais que «uma construção contínua (…) cujas fases de gradual
ajustamento levariam a uma elasticidade e mobilidade tanto maiores quanto maior o seu equilíbrio. Consiste
essencialmente numa marcha para o equilibrio, é um verdadeiro processo de descentração e de flexibilização
funcional.

 O processo de equilibração é, portanto, crescente de complexidade e de flexibilidade


As estruturas variáveis, que definem as formas ou os estados sucessivos de equilíbrio e são as formas35de
organização mental (motor/intelectual e afetivo), operando a dois níveis, a saber, o individual e o social. Assim,
a equilibração é considerada como um processo regulador que possibilita que as experiências e elementos
exteriores novos sejam incorporados nas estruturas mentais, possibilitando uma adaptação pela integração do
Inês Pimenta

 Por volta do 8/9 meses a criança parece adquirir a permanência do


objeto, inexistente até aqui. A permanência do objeto apresenta-se como
um ponto nodal do desenvolvimento uma vez que esta aquisição de
reconhecimento do objeto para além da presença percetiva parece que se
associa à capacidade de guardar internamente o objeto e que pressupõe
aceitar a sua existência como alguém exterior e com vida própria. Esta
descoberta aparece associada em René Spitz com a angústia do 8º mês e o
medo da criança perder o objeto cuidador, agora que já o reconhece como
diferente de si mesmo, bem como com o processo de
separaçãoindividuação de Margareth Mahler, associando-se ambas ao
processo crescentemente autonómico e, indissociavelmente, ao conceito
de eu da criança em relação às figuras cuidadoras. Por exemplo: Ao
apresentar-se «um móbil que segue a trajetória ABCD (…) a criança de
cinco ou seis meses segue com os olhos o trajeto AB e, quando o móbil
36
Inês Pimenta

desaparece em B, procura-o em A; depois, espantando.se por vê-lo em C,


segue-o com os olhos de C a D, procura-o em C e depois em A. (…) o efeito
túnel não é primitivo e só se constitui depois de adquirida a permanência
do objeto [tornando-se claro que] (…) o efeito percetivo é então
nitidamente determinado pelos esquemas sensório-motores» (Piaget,
1966/1995, p.35).

Por exemplo: Nos primeiros meses de vida existe «um universo sem objetos, formado por
quadros percetivos que aparecem e desaparecem por reabsorção, não sendo um objeto
procurado uma vez encoberto pro um resguardo (por exemplo, o bebé retira a mão
quando prestes a agarrá-lo se o objeto é tapado com um lenço). Quando a criança começa
a procura-lo em A, onde o objeto acaba de ser tapado, e se desloca para B (por exemplo, à
sua direita, enquanto A era à esquerda do sujeito), a criança, embora vendo o objeto ser
colocado em B, quando do seu novo desaparecimento, procura-o frequentemente em A,
ou seja, no sítio em que a ação resultou uma primeira vez e sem ligar as sucessivas
deslocações do objeto que todavia observou, seguindo-as com atenção» (Piaget, 1972,
p.26).

Por exemplo: É assim que, ao puxar os cordões que pendem da cobertura do seu berço, o
bebé descobre a oscilação de todos os brinquedos dele suspensos e ligará assim
casualmente a ação de puxar os cordões e o efeito geral desta oscilação. Ora ele vai
imediatamente servir-se desse esquema para agir à distância sobre o que quer que seja:
puxará o cordão para fazer continuar o balanceamento que observa a dois metros do

37
Inês Pimenta

berço, para prolongar um assobio ouvido do fundo do quarto, etc. Esta espécie de
causalidade mágica ou “magico-fenomenista” manifesta bem o egocentrismo causal
primitivo».

38
Inês Pimenta

ANEXO 2

A TEORIA DA VINCULAÇÃO- Bowlby

39
Inês Pimenta

 Na 1ª fase, (desde o nascimento até aos 2 meses) o recém-nascido usa os sistemas

neonatais como o riso, o balbuciar, o choro para atrair potenciais cuidadores, estes
comportamentos são direcionados a qualquer pessoa por perto, uma vez que não
consegue distinguir adultos. Promovem proximidade, induzindo que outras pessoas se
aproximem e peguem nele. O riso de bebé provoca na mãe o riso, quanto mais a mãe dá
um feedback mais o bebé responde interagindo. O nível de resposta da mãe é
fundamental na qualidade da vinculação ao longo do desenvolvimento do bebé

Desde os 2 até aos 6 meses o recém-nascido, com o desenvolvimento da audição e da


visão, começa a discriminar cada vez mais os adultos, mostrando-se mais responsivo ao

40
Inês Pimenta

cuidador/mãe. Comportamentos como agarrar ou seguir um adulto são adicionados ao


espectro de comportamentos de vinculação. Esta fase coincide com a segunda e terceira
fase de desenvolvimento sensório-motor de Piaget.

 Na fase de vinculação evidente (6 meses até 1 ano) o bebé é mais ativo na procura de
proximidade e contacto às suas figuras discriminadas do que anteriormente, muito devido
ao desenvolvimento da locomoção. Este novo comportamento, permite que o bebé use o
cuidador como uma “base segura” para explorar o ambiente que o rodeia.
 Em linhas gerais, se o cuidador está presente, o sistema de vinculação do bebé está
relaxado e assim, está livre para explorar. Por outro lado, se o cuidador não está presente
ou não responde, o sistema de vinculação é ativado, e o Comportamento de Vinculação é
exibido. Estranhos começam a ser tratados com precaução, e são potenciais causas de
alarme e ansiedade.Para além da locomoção, o bebé mostra outros comportamentos que
são desenhados para manter a proximidade do cuidador , tais como o protesto causado
pela ausência da mãe, a saudação quando a mãe volta, o agarrar , entre outros.

41
Inês Pimenta

 Na última fase de desenvolvimento, (a partir dos 2 anos) a criança começa a ver o


cuidador como uma pessoa independente, resultado da diminuição do seu
‘egocentrismo’. A relação transforma-se numa relação recíproca. A criança toma
conhecimento dos objectivos e planos dos cuidadores e tenta influenciá-los. Se a mãe
deixa a criança sozinha, ela implora, suborna, amua numa tentativa de manter a
proximidade, em vez de chorar ou agarrar como fazia nas fases anteriores. É ,assim, uma
fase marcada por grande desenvolvimento cognitivo.

 Bowlby defendia que o Comportamento de Vinculação continuava durante toda a vida


de uma forma semelhante à última fase, apesar de após os 3 anos de idade, este
comportamento ser menos frequente e urgente pois a criança sente-se menos vezes
ameaçada.
*Durante a adolescência a vinculação da criança com os seus pais começa a ser
substituída por relações com os outros, normalmente colegas de escola.
»Na idade adulta, a relação emocional é direcionada para o parceiro e amigos
próximos.
*Finalmente, na velhice, este comportamento é projetado para os pais e filhos.

42
Inês Pimenta

43
Inês Pimenta

ANEXO 3

44
Inês Pimenta

 Mary Main Solomon juntamente com o seu grupo, fez um estudo porque achavam que
no plano anterior muitas pessoas não tinham o mesmo tipo de respostas.

Padrão de manipulação atípica  não tinha caraterísticas sempre iguais e apresentava-se


legivel , isto é, capaz de ser visto a partir de um denominador comum (O medo). Mais
tarde, passaram a ser caraterizadas o padrão desorganizado desorientado onde estudos
mais recentes revelam que estas crianças são mais expostas a várias patologias
psiquiátricas/psicológicas.

ANEXO 4

45
Inês Pimenta

3. Adolescência

 A partir do 6ºano, a criança fica completamente focada no grupo de iguais (do mesmo
sexo). Este processo é baseado no comportamento dos pais e é considerado tranquilo.
Denomina-se de período de transações rígidas com movimentos rígidos.

 Chega-se então a um período complicado, a adolescência, período relativamente longo


em que tudo que era certo, virou dúvida como é o exemplo da dúvida do corpo (onde
acaba e onde começa). É um período de transformações da pessoa.

 Quando a área de encontro entre adolescente e pais não funciona, o adolescente


tende a ser mais complicado, podendo levar à doença, ao abuso, ou seja, a 1 adolescente
de risco.
 Um adolescente é 1 pessoa muito vulnerável apesar de competente. Sendo a
adolescência um período de revolução, o adolescente é instável.

 Na adolescência, o adolescente revê, revisita e recapitula a infância. Enquanto isso, os


pais reveem a adolescência, podendo haver problemas entre o casal.

O que é a adolescencia?
 A adolescência é uma fase muito importante na vida do ser humano, pois é nesta que
se dão as maiores mudanças tanto a nível físico como intelectual. É nesta altura que existe
uma maior individualização do sujeito, devido a um desapego do adolescente para com as
figuras parentais.

 É o período compreendido entre a infância e a idade adulta e que se inicia na


puberdade. Relaciona-se com o crescimento físico (universal), psicológico, social e
humano do indivíduo, entre os 13 e os 18 anos.
 É uma fase específica do desenvolvimento humano, que se segue à fase da puberdade,
caracterizada como sendo um período de grandes mudanças vivenciadas em determinado
contexto cultura e , revela-nos as transformações culturais, por um lado, e o

46
Inês Pimenta

desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários por outro.

 Este fenómeno acontece desde a infância e prolonga-se até à idade adulta ou seja a
partir do momento em que começa a produzir-se a maturidade sexual até que o indivíduo
alcança a condição social de adulto e independente.

 A adolescência é um período de transição onde acontecem um sem número de


transformações cuja origem é o corpo e a finalidade é a inserção psicossocial ativa do
próprio adolescente

Em termos psicológicos podem definir-se três períodos principais no processo


adolescentil, que são:

• Adolescência Inicial ou Pré Adolescência (dos 11 aos 14 anos)

 Existe uma estranheza face ao corpo, devido a mudanças corporais.


* Os limites do EU, até aí bem definidos, dão agora lugar a um corpo novo e
sentido como desforme muitas vezes (o desalinho, a falta de jeito, as trapalhices).
Isto deve-se ao crescimento abrupto do corpo e à perda dos limites do EU.

 Inico dos grupos, grupos estes que nesta fase não tem uma função especifica.
* À parte destas mudanças corporais, inicia-se os grupos, grupos estes que não
servem para nada, não têm funções específicas para além do “estar junto”. Os
rapazes tendem a fazer grupos homogéneos grandes, enquanto as raparigas fazem
grupos heterogéneos, sendo os rapazes mais velhos que elas. Mais tarde, quando
as raparigas entram nos grupos masculinos, tornam-nos mais dinâmicos.

 Único luto que acontece é pelo seu próprio corpo.

• Adolescência Intermédia (dos 14 aos 16 anos)


 Surge uma grande necessidade de estar em grupo, havendo uma grande
partilha, até da própria intimidade.
 Existe uma organização da sexualidade e vários lutos: Luto pelo corpo da
infância, luto pelos pais assexuados.

• Adolescência Tardia (dos 17 aos 20 anos)


 Início da constituição de parelhas amorosas, havendo relações mais intimas. Os
relacionamentos com os familiares tende a melhorar nesta fase.
 Este período é o essencial para a transformação de uma pessoa dependente numa

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Inês Pimenta

pessoa independente, adquirindo-se identidade.


 O número de grupos diminui
 Luto pelo próprio grupo adolescente, pois perde o seu padrão.

48
Inês Pimenta

Identidade

 A identidade um processo que se desenvolve de forma irregular ao longo da vida de


cada pessoa. Existem vários fatores que influenciam a formação da identidade, como
por exemplo as experiências individuais.

 Identidade é assim:
- Noção de singularidade como pessoa
- Noção de que é um ser único com identidade própria
- Consciência de que tem vários papéis a desempenhar
- Integração de diversas autoimagens numa imagem única
- Saber o que é e o que se quer da vida
- Noção de segurança e independência
- Capacidade de aprender
- Sexualidade integrada

 Este desenvolvimento é interrompido de vez em quando por crises, as chamadas


crises de identidade, particularmente no período da adolescência, quando o sentido
de identidade está sujeito a uma certa tensão.
 Autonomia e identidade parecem andar a par, pois se a primeira autorregula, a
segunda facilita a identificação com as figuras significativas, o querer ser igual ou fazer
como a pessoa de quem se gosta e este processo parece culminar num paradoxo de bom
prognóstico: a identidade. Este conceito de identidade e o seu processo de aquisição é
tanto mais importante porque nos recoloca face à importância do outro no processo de
ser único e irrepetível.

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Inês Pimenta

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Inês Pimenta

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Inês Pimenta

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Inês Pimenta

Importância da idade nas vivências do adolescente, grupo e família

 O papel dos grupos e dos pais apresentam-se como suporte básico do desenvolvimento
adolescente. Estes envolvem-se nos seus grupos e procuram neles suporte para o seu
corpo com limites difusos e para os seus vividos de enlace.

 Torna-se claro que a idade assume um papel fundamental na reorganização dos vividos
adolescentes. Um adolescente de 14 anos tem propósitos, desejos e anseios diferentes de
um com 18 anos.

 De igual forma é importante a relação com a família e grupos pois quanto mais a
relação é frutuosa e tolerante mais os riscos desenvolvimentais decrescem e os fatores
facilitadores do desenvolvimento se tornam mais eficazes.

GRUPOS

Construção de Grupos

Grupo inicial (1ªfase):


• O adolescente não consegue viver sem grupo.
• Juntam-se durante o dia.
• Os grupos de rapazes são constituídos apenas por rapazes, enquanto os grupos das
raparigas são constituídos também por rapazes

Imersão do grupo (2ªfase):


• Ocorre na segunda fase da adolescência
• Há mais contactos interpessoais e maior envolvimento dentro do grupo

3ªfase:
53
Inês Pimenta

• Redução drástica do tamanho do grupo


• Início do aparecimento dos primeiros pares, relações sérias
• Luto pelo grupo anterior

ESTUDO (J.Pinto)
- Para conhecer melhor as vivências dos adolescentes e perceber como é que os grupos e
a família participam no processo de adolescente estudou-se a realidade grupal de
adolescentes entre os 12 e 18 anos.

Hipóteses:
1. A abertura ao grupo e o suporte do grupo de pares diminui com a idade;
2. Os adolescentes de 12-14 anos e de 15-16 anos apresentam mais comportamentos de
risco (aventura e risco, predominância narcísica, rejeição de regras) que os de 17-18 anos;
3. Os adolescentes de 12-14 anos e de 15-16 anos apresentam mais comportamentos de
proteção desenvolvimental (suporte do grupo familiar e relação do grupo familiar/grupo
de pares) que os de 17-18 anos.

Resultados:
 Os resultados do teste ANOVA não indicam qualquer diferença entre a idade dos
adolescentes e a abertura ao grupo e o suporte do grupo de pares que se mantêm ao
longo do curso temporal em estudo, infirmando a nossa primeira hipótese. No entanto,
os resultados da hipótese 2 indicam que existe uma diferença significativa entre a
idade/aventura e risco.
 O teste de Tukey indica-nos que os adolescentes iniciais (12-14 anos) e os adolescentes
intermédios (15-16 anos) apresentam significativamente mais comportamentos de
rejeição de regras que os adolescentes de 17-18 anos. Indica-nos também que os
adolescentes iniciais (12-14 anos) apresentam significativamente mais comportamentos
de suporte do grupo familiar que os adolescentes de 17-18 anos.
Não existe diferença significativa entre o grupo dos 15-16 anos e o de 17-18 anos
relativamente ao suporte do grupo familiar.

Conclusão
A aventura e risco e a rejeição de regras indicam-nos como a fase inicial e intermédia
adolescente contêm uma área de risco e rejeição, estas devem ser temperadas com
suporte e abertura familiar ao grupo de pares, nomeadamente na fase inicial da
adolescência.
O isolamento do adolescente nos seus grupos - longe do suporte familiar – pode revelar

54
Inês Pimenta

adolescentes em risco desenvolvimental.


Os resultados parecem sugerir que o adolescente conta com a constância dos grupos na
sua abertura sem retorno aos mesmos, enquanto espera aceitação dos pares e suporte
para si próprio dos seus familiares.

ESTUDO A SEPARAÇÃO DO(S) GRUPO(S) E A ENTRADA NO ENSINO SUPERIOR(J.Pinto)


- A separação é um vivido que nos acompanha através de todo o ciclo vital, provocando
perdas que obrigam a processos de retirada de investimento afetivo dos objetos e sujeitos
perdidos e que, por isso, instalam processos de luto mais ou menos intensos e bem ou mal
resolvidos.

 Uma mudança complicada é a conclusão do ciclo de estudos do ensino secundário ou


afim, que impõe ao adolescente uma dispersão dos seus grupos, que até aí tinham
existido e a alteração das suas rotinas e modos de funcionamento.

 Aqui, dá-se um processo de transição adolescente , a adaptabilidade relaciona-se com a


vinculação prévia e com os seus padrões de segurança ou insegurança. Assim, a função
intermediária dos grupos adolescentes pode ter sido concluída ou, ao invés ter sido
interrompida antes do seu término. Assim, o processo individual, nesta fase do
desenvolvimento, envolve uma transição da adolescência para a idade adulta jovem

 Na perspetiva psicodinâmica os processos elaborativos das perdas e dos lutos face aos
processos de separação possibilitam uma elaboração crescente de individuação e de
identidade.Por outro lado, os processos de separação onde a mudança é sentida pode
fazer emergir dúvidas, receios e desamparos, tornando o jovem instável, angustiado e/ou
desamparado, com prejuízo para a construção da sua identidade social. Esta dificuldade
coloca o adolescente tardio face a uma angústia de separação.

 Os objetivos do presente estudo são:


1. perceber como é que os jovens vivem e sentem esta separação;
2. destacar as categorias de respostas ao processo de separação em curso
3. perceber como o conceito de perda do próprio grupo se exprime;
4. perceber quais são as facetas protetoras e as de risco potencial para o
desenvolvimento harmonioso dos jovens em transição para a idade adulta emergente

55
Inês Pimenta

Resultados
Os resultados permitem-nos compreender que existem quatro grandes categorias:

 A Separação Segura (o Sentimento de Adaptação e o Sentimento de Integração Grupal)


- a capacidade de adaptação assume um papel central
- os resultados mostram que neste padrão de vivência predomina um sentimento de
integração grupal e uma autoestima confirmatória das competências do eu na relação
com os outros pares em situação de mudança

 A Separação Elaborada( Sentimento de Aceitação da Perda e o Sentimento de


Alteração do Padrão de Relação)
- O Sentimento de Aceitação da Perda clarifica como o adolescente tardio organiza e
elabora a separação e a perda após um primeiro período de tempo em que sente ter
perdido redes de relação e rotinas que lhe provocaram mal-estar e tornaram os seus dias
mais difíceis e solitários.
- Sentimento de Alteração do Padrão de Relação, os jovens declaram um sentimento de
falta dos amigos, um quebrar dos elos de ligação que lhes provocou desconforto
conseguindo engendrar formas de ultrapassar a falta e se integrarem noutras rotinas
dentro de novos grupos

 Separação Insegura ( Sentimento de Solidão/Desamparo, o Sentimento de


Angústia/Medo e o Sentimento de Saudade/Desorientação)
- A Separação Insegura introduz desconforto e conflito nos jovens tendendo a reduzir a
sua rede de relações ou, no mínimo, promovendo um Sentimento de Solidão e Desamparo
que remete os jovens para um conflito interno de não pertença que pode eternizar o luto
de forma patológica.
- O Sentimento de Angústia e Medo pode então surgir na sequência da solidão e do
desamparo ou instalar-se de forma direta relativamente à separação do adolescente
tardio. A angústia e o medo da perda relativa ao romper do vivido grupal adolescente e ao
novo desconhecido que se apresentava
- Sentimentos de Saudade e Desorientação é outra das respostas à separação do grupo, à
mudança de local de habitação e à perda da familiaridade dos contextos. O vivido do
estranho parece instalar-se e deixar os jovens desorientados e fixados nas relações
perdidas com os pares da sua adolescência

56
Inês Pimenta

 Separação Falhada que envolve a Negação da Falta e o Sentimento de


Resignação/Focalização na Tarefa
- É um padrão de resposta ao afastamento do adolescente do seu grupo e do seu meio
familiar. Existem adolescentes tardios que face à separação parecem negar a falta e a
mudança a que foram sujeitos. A clivagem e o acting-out parece ser uma forma inicial de
lidar com o vivido intolerável da separação. Aparentemente tudo parece correr bem,
aparecendo a falta posteriormente, manifesta em ações ou sentimento de saudade

Conclusão
A entrada no ensino superior implica, então, uma alteração do padrão de relação com o
grupo adolescente, instalando um período de exploração, de mudanças sociais e das
relações de proximidade e intimidade. Esta mudança testa a separação-individuação
adolescente.
Assim, os adolescentes com padrões mais inseguros de vinculação tecem um processo de
separação e luto mais tortuoso onde os níveis de sofrimento e de angústia parecem
tornar-se exacerbados, provocando danos, quer no processo de integração social quer no
modo como o jovem se redefine no seu Eu.

ANEXO 5

FAMÍLIA
Importância do jogo entre pais e crianças:
O jogo tem uma importância na infância e no processo adolescente pois pode
proporcionar uma ponte essencial entre pais e crianças, permitindo que cada um trabalhe
as suas ansiedades e reações apaixonadas de amor e ódio
No entanto, um adolescente privado de brincar na infância, ou alguém que se ressente
por ver cerceado o seu tempo de jogo pelas figuras parentais pode sentir-se invadido ou
controlado, criando confusão
O jogo assume-se, pois, como objeto intermediário para a simbolização e como alicerce da
relação com as figuras parentais que apela a uma mutualidade significante que possibilite
um entendimento crescente do que se passa no próprio e no outro. Esta tarefa permite-
nos perceber como o jogo se assume como guardião e transformador de sentidos.

ANEXO 6

57
Inês Pimenta

Adolescente: Saúde e Doença

ADOLESCENTES: SAÚDE E DOENÇA (J.Pinto)


Saúde é vista como «estado de bem-estar físico, mental e social, total e não apenas a
ausência de doença, ou de incapacidade»
Saúde e doença têm um palco privilegiado: a família.

 Existem duas linhas de pensamento que nos conduzem aos conceitos de saúde e de
doença, a saber: a relação e a rutura do sentimento de continuidade do existir.

 Os adolescentes são suscetíveis às vulnerabilidades e desequilíbrios dos outros,


sobretudo os das figuras parentais, resultando daí muitas das suas próprias
dificuldades, nomeadamente os seus movimentos de isolamento que podem, no
limite, encerrar uma grande violência vertida dentro ou fora de si mesmos. É neste
contexto que acontecem comportamentos autodestrutivos e/ou destrutivos. Estes
consistem em comportamentos onde impera a descarga dos acúmulos de tensão
devidas a uma insuficiente compreensão e significação.

 Já referido, o jogo tem uma importância na infância e no processo adolescente


e por isso, Winnicott no seu livro “O jogo e a realidade” diz-nos que a capacidade
da criança estar sozinha é um indicativo de saúde mental pois entende esta
capacidade como uma competência da criança para lidar com um mundo interno
de significações entretanto bem conseguidas na relação mutual pais-criança.

 Também quando a aquisição de identidade é completada acontece que o


adolescente revela maior autoestima e maior capacidade para lidar com a
adversidade e o obstáculo sem perder a sua competência integrativa e resolutiva.

 A doença tem uma raiz relacional que interage com a própria bioquímica de
forma mais ou menos duradoira e que apela a uma integração progressiva do
desencontro e a criação de novas significações que permitam a construção duma
identidade capaz de se autogovernar sem se consumir na destruição do outro em
si mesmo.

58
Inês Pimenta

Desenvolvimento da identidade e pessoa


(Passagem bebé -> criança -> adolescente -> adulto -> idoso)

Erick Erison Uma das tarefas da adolescência é a formação da identidade

Velhice Sabedoria
(após os 65 anos)
Idade Adulta Cuidado
(35-65 anos)
Idade Adulta Jovem Amor
(18/20-35 anos)
Adolescência Fidelidade Se uma falhar as subsequentes são
(12-18/20 anos)
afetadas!
Idade Escolar Competência
(6-12 anos) Existe uma construção ao longo do
Idade de Brincar Propósito ciclo vital
(3-6 anos)
Infância Inicial Vontade
(18 meses-3anos)
Período de bebé Esperança
(0-18 meses)
ANEXO 7
59
Inês Pimenta

60
Inês Pimenta

61
Inês Pimenta

Teoria de Erikson:
 Princípio epigenético
- Erikson defende que o desenvolvimento ocorre em estádios sequenciais e claramente
definidos. Cada um desses estádios deve ser satisfatoriamente resolvido para que ocorra
um desenvolvimento estável e sem problemas. De acordo com este principio caso não
ocorra a resolução eficaz de um determinado estádio, todos os estádios subsequentes
refletirão esta falha: desajusto físico, cognitivo, social ou emocional.

▫ Resolução positiva: virtude, ganho psicológico, emocional e social: uma qualidade, um


valor, um sentimento.
▫ Resolução negativa: indivíduo socialmente desajustado; ansiedade e fracasso.

62
Inês Pimenta

Formação e construção da identidade


▪ Somatório de identificações
▪ Vivido do semelhante  diferente e único
▪ É essencial que as crianças passem por este processo porque se não o
fizerem vão perder a sua unidade identitária.
▪ Segundo Erikson, os adolescentes no início da adolescência estão em
confusão de identidade. Para sair desse período de confusão, o adolescente precisa de um
período de moratória.

63
Inês Pimenta

64
Inês Pimenta

As crises de desenvolvimento de Eric Erikson


Eric considera que os processos que nos governam são três:
1. Processos somáticos

2. Processos do ego individual


- protege a coerência e a individualidade
- prepara para os choques resultantes das descontinuidades súbitas (no organismo e no
meio ambiente)
- prepara para antever os perigos (internos e externos)

3. Processo de organização social


- o humano está organizado em agrupamentos geográfica e historicamente coerentes:
família, classe, comunidade, nação
- “o seu corpo está exposto a dor e tensão; o seu ego à ansiedade; e, como membro de
uma sociedade, é suscetível ao pânico que emana do seu grupo”

➢ O autor considera que:


 O Id é um depósito de toda a história evolucionária (das respostas da ameba até às
necessidade atuais)
 O Superego é uma espécie de governador automático que limita a expressão Id,
expondo-lhe as exigência da consciência
 O Ego está entre o Id e o Superego, equilibrando e evitando as formas extremas
(impulsos do Id e compulsões do Superego)
“O ego é, então, uma instituição interna desenvolvida para proteger a ordem
dentro dos indivíduos, da qual depende toda a ordem exterior”

65
Inês Pimenta

O PAPEL DO JOGO
Erikson considera o jogo fundamental porque:
1. desenvolve o domínio sobre os objetos
2. facilita a dramatização dos elementos da cultura da criança
3. a ansiedade no jogo acontece quando a criança se identifica ao objeto danificado

O jogo tem 3 fases:


1. A autoesfera
- o jogo centraliza-se no próprio corpo

2. A microesfera
-um abrigo para refletir o seu ego
- sempre que é irrefletido, desperta ansiedade que desagrega subitamente o jogo
- quando a microesfera a assusta ou decepciona, a criança pode regredir à autoesfera, à
fantasia, à sucção do polegar

3. A macroesfera
-o mundo passa a ser compartilhado com os outros, mais social e de convivência
- existência de regras no jogo, à semelhança de Piaget, aceitando o facto de perder

 A identidade emergente do jogo transpõe as etapas da infância quando: O eu


corporal e as imagens parentais adquirem as suas conotações culturais Acontece uma
internalização “de alguém que pode andar” e tornar a sua autoestima mais realista
A identidade do seu ego (criança) só adquire verdadeira força a partir do reconhecimento
convicto e constante das realizações autênticas, isto é, realizações que têm significado na
cultura.

66
Inês Pimenta
James Marcia

67
Inês Pimenta

➢ O desenvolvimento da identidade do Eu tem sido encarado ora


 Como fases ou estádios potencialmente mais integrados que os
anteriores (ERIKSON)
 Como mudanças que não significam maior maturidade ou maior
integridade

Levinson
As teorias da mudança
 Levinson defende a vida adulta como a passagem por sucessivas estações que não
representam necessariamente uma progressão no desenvolvimento.
 A vida adulta como passagem por sucessivas estações que não representam
necessariamente uma progressão no desenvolvimento.
A teoria das estações (conceito desta teoria é a estrutura da vida)
 O autor fez um estudo com adultos de idades compreendidas entre os 35 anos e os 45
anos. Partiu de “entrevistas biográficas” a indivíduos do sexo masculino pertencentes a
diversos grupos profissionais. Os sujeitos foram entrevistados 5 a 10 vezes, num período
de 2 /3 meses.
Levinson conclui que…
O desenvolvimento se processa ao longo de 4 estações ou eras:

1. Preadulthood
-Faz-se a transição da adolescência para a vida adulta e o conceito chave é a separação –
externa (novos papeis, independência financeira) e interna (mais diferenciação do EU face
à figuras parentais).
2. Early adulthood
- Início da vida adulta
Composta por 3 fases:
2.1. Entrada no mundo adulto
- Exploração das possibilidades da vida

2.2. A transição dos 30 anos


- Desenvolvimento de uma estrutura de vida estável, com maiores responsabilidades.
Pode reformular a sua estrutura de vida e torná-la mais realista

68
Inês Pimenta

2.3. O estabelecimento
- Os indivíduos desenvolvem a segunda estrutura de vida, podendo fazer profundas
escolhas novas ou reafirmar antigas
- Duas tarefas a realizar: a consolidação de uma posição na sociedade o que pressupõe
uma ligação sólida à família e o desenvolvimento da estrutura resultante da prossecução
da primeira tarefa

3. Middle adulthood
- A vida adulta ou meia-idade
- É antecedida por um período de transição que pode conter uma crise moderada ou
profunda (altura dos divórcios, ruturas nas amizades, ...)
- A tarefa fundamental é o desenvolvimento de 1 nova etapa de individualização

 Na entrada para a meia-idade desenvolve-se uma nova estrutura de vida que pode
manter grandes níveis de satisfação
 A tarefa maior consiste em fazer escolhas fundamentais que podem levar a ruturas no
casal, com os amigos ou com o trabalho
 Para os sujeitos que não conseguem estabelecer uma estrutura de vida adequada,
representa constrição ou declínio; para quem é bem-sucedido, pode representar a fase
mais criativa do ciclo de vida

A transição dos 50 anos: estabelecimento de 1 nova estrutura


- O culminar da meia-idade: pode proporcionar satisfação se os sujeitos se adaptarem às
mudanças de papéis e do EU
- Transição para a vida adulta (60-65anos): tardia onde os indivíduos se preparam para a
reforma e para o declínio físico

4. Late adulthood
- A vida adulta tardia (adaptação ao declínio físico e à perda da juventude)

69
Inês Pimenta

ANEXO 8

70
Inês Pimenta

Idade Adulta Processo longo e diferenciado. Com muitas ocorrências

71
Inês Pimenta

Envelhecimento
*existe ganhos e perdas no percurso vivencial mas estudos posteriores indicam que os
idosos tendem a descartar os ganhos de forma mais acentuada do que as perdas

 O envelhecimento é uma área de estudo recente da psicologia quando


comparada ao estudo da infância e da adolescência.
“ A idade adulta passa a ser reconhecida (…) como um período caraterizado pela
ocorrência de mudanças sistemáticas e significativas.

• O envelhecimento
 Etimologicamente, a palavra envelhecimento provém do latim “veclus,
vetulusm” – velho; o sufixo “mento”, designa ação, logo, a ação de envelhecer
 Fontaine considera o envelhecimento como «um processo diferencial de
degradação», ou seja.. «é um processo de deterioração endógena e irreversível
das capacidades funcionais do organismo (…) equivalente à fase final de um
programa de desenvolvimento e diferenciação

72
Inês Pimenta

• Envelhecimento é o processo de diminuição orgânica e funcional com perda


gradual da capacidade de adaptação do individuo ao meio ambiente, aumento da
vulnerabilidade e maior ocorrência de processos patológicos que culminam na
morte (Netto, 2002)
processo diferencial biopsicossocial, isto é, envolve todas as dimensões
culturais.
- No contexto cultural individualista do ocidente as pessoas idosas são
consideradas como absolotamente fracas e incapazes para contribuir
utilitariamente para a sociedade.
-Na culturas coletivistas as pessoas idosas são veneradas como uma fonte de
conhecimento e de tradições culturais.

✓ A IDADE E O ENVELHECIMENTO

 Idade cronológica:
- Tempo decorrido desde o nascimento até ao presente (é a idade oficial do
individuo).
- A organização mundial de saúde convencionou que idoso é todo o individuo 65+
anos, independentemente do sexo e estado da saúde.
- A organização das nações unidas considera 60+/65+ consoante seja de país
subdesenvolvidos ou desenvolvido, respetivamente.

 Idade biológica
- Relaciona-se com a conservação ou perda de capacidades do organismo humano
- Pode coincidir ou não com a idade cronológica
- Relaciona-se com o envelhecimento orgânico, o aspeto fisico , capacidade
intelectual e estado de saúde do individuo.

 Idade sociológica
- Caraterizada pelos desempenhos dos papeis
- Regras sociais
- Estatuto individual * A retirada do mundo do trabalho implica também uma série de
- Papeis esperados perdas ou lutos relativos aos papeis profissionais. Certo dia um
- Estereótipos senhor que fora engenheiro na vida ativa teve um desabafo muito
clarificador: “ antes diziam. Lá vai o Sr. Engenheiro com o filho e
agora dizem lá vai o senhor Dr. com o pai”. A inversão dos papéis
no idoso tem nele um impacto muito grande e pode, como na
presente passagem, encerrar em si um processo de perda e luto
que obrigue a um reinvestimento diferenciado do idoso noutras
tarefas que o façam sentir uteis.*

73
Inês Pimenta

 Idade psicológica
- Relaciona-se com o comportamento e a adpatação individual
- São as capacidades psiquicas (inteligencia, perceção, aprendizagem, memoria,
autoestima, nivel de autonomia e autoregulação do idoso)

✓ O ENVELHECIMENTO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO

 Primário:
- Mudanças intrinsecas ao processo de envelhecimento que são de todo
irreversiveis”

 Secundário
- “Refere-se às mudanças causadas pela doença que estão correlacionadas com a
idade mas podem ser revertidos ou prevenidos”
- Doença e envelhecimento confluem como processo

 Terciário
- “Refere-se à mudanças que sucedem de forma precipitada na velhice”

Neugarten (1979) considerou duas idades


1) Jovens idosos dos 55 anos aos 75 anos – competente e potencialmente ativos
2) Os “idosos-idosos” com 75+ - frágeis e e necessitados de cuidados

IDADE FUNCIONAL (Baltes e Smith)

 3º Idade
- Potencial de manutenção de forma fisica
- Reservas cognitivas- emocionais
- Niveis elevados de bem estar
- Boa gestão de ganhos e perdas do envelhecimento

 4º Idade
- Perdas de potencial cognitivo e de aprendizagem
- Aumento de sintomas e stress crónico
- Considerável prevalência de demências (50% aos 90 anos)
- Elevados niveis de fragilidade, disfuncionalidade e multimorbilidade.

74
Inês Pimenta

✓ PROCESO BIOLÓGICO DE ENVELHECIMENTO


Porque envelhecemos biologicamente? (Existem 2 grupos teóricos)

1) Teoria determinista – defendem o envelhecimento como consequência direta de


um programa genético (teoria genética e telomerase)

2) Teoria estocásticas – o envelhecimento seria uma consequência de lesões


sucessivas que conduzem a desgaste, à disfunção e à morte celular (desgaste e
rutura)
 Diferentes teorias estotásticas referem as espécies reativas ao oxigénio (ROS).
A ROS tem assim um papel importante pois é responsável pela homeostasia da
diferenciação e da morte celular. Aqui a lesão celular pode estar implicada em
respostas tão distintas como morte celular ou transferência neoplásia. A ineficácia
dos sitema antioxidante e protetivo aumenta o stress oxidativo celular induzindo
lesão oxidativa (do DNA, das proteínas e dos lipidos).
As lesões do DNA provocam:
- Diminuição da capacidade de reparação com o envelhecimento
- As lesões oxidativas acumulam-se e comprometem a transcriçao genética
- Depoletam a apoptose das células serescentes que deixam de ser substituidas

* No entanto o processo de envelhecimento consiste num “equilibrio dinâmico


entre fatores fisicos, psiquicos e sociais” (Pinto, 2007)
envelhecimento é travado ou acelerado consoante a genética (nature) e as
opções de vida (Nurture)
 Os papéis e o estatuto associam-se nas atividades sociais e grupos de idosos, os
estereotipos veiculam ideias acerca do envelhecimento e o modelo social
(individualista ou comunitário).

 Genes do envelhecimento:
Moficam o ritmo individual do envelhecimento e a suscetibilidade por patologias tardias

 Genes da longevidade:
Com uma associação positiva com o tempo devido cujo fenótipo:
- Diminuiu a incidência de doenças da idade
- Repara eficazmente o DNA
- Modela a resposta ao stress
- Regula a resposta inflamatória (idosos respondem quatro vezes mais com a inflamação
do que os mais jovens)

75
Inês Pimenta

* Portadores de genes homozigóticos ADIPOQ/del/del , APOC3CG e CETPV tinham-no mais


frequentemente e apresentavam mera número de genes de envelhecimento.

A DERMOGRAFIA
- A população tem vindo a envelhecer. Europeus com mais de 65 anos passaram de 13.7%
para 17.4% de 1990 para 2011 e podem vir a ser mais de 30% da população europeia em
2060.

✓ FATORES PROTETORES E DE RISCO


Os ganhos e perdas vivenciais do idoso consoante os estudos
 o processo de envelhecimento e o avançar de idade tem associados a si um
conjunto de ganhos e perdas
 Os ganhos têm um impacto positivo que geram bem-estar e salvaguardam a
autoestima do idoso
 Por outro lado, o tempo comporta um somatório de perdas que na relação quer
intra individual quer inter individual desenham sentidos individuais e subjetivos que
podem atribuir mais importancia a perdas do que a ganhos
 As perdas próximas podem ser valorizadas em detrimento das ocorrências distantes
mesmo que sejam mais dolorosas para si
 O idoso tende a valorizar mais os custos das pequenas perdas proximas do que
perdas mais distantes
 As perdas parecem ter um impacto direto no dia a dia do idoso e a sua leitura
subjetiva tende a focalizar o que é proximo em detrimento do que possa ser distante e
peroso.
 Assim envelhecer é uma etapa de perdas crescentes:
1.físicas e fisiológicas, relacionadas, entre outras, com as perdas sensoriais, de visão, de
audição;
2.psicológicas , relacionam-se com os impactos das perdas psicológicas e relacionais no
comportamento e na autoimagem;
3.relacionais , onde se associam as perdas de amigos, familiares, por um lado e dos
contextos familiares (ocorrem mudanças de residência por institucionalização ou
ingresso na casa de um familiar).

76
Inês Pimenta

✓ IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA (FRONTEIRAS INDIVIDUAIS E FAMILIARES NOS MAIS


ADULTOS: Um (re)arranjo em construção) J.Pinto

• Ser idoso implica dificuldades, mas também oportunidades, por vezes


escondidas por detrás do biombo das dores que difusamente assolapam o
indivíduo. As dores físicas podem mesmo esconder, na psicossomática,
muitos desencantos que uma vez desvelados ajudam a novos enlaces e a
novas modalidades relacionais, entretanto impossibilitadas (Pinto, 2010)
 A escuta atenta dessas queixas e o seu reenquadramento na dinâmica
desenvolvimental do indivíduo, por via da sua história pessoal recontada,
pode criar novos entendimentos e desafios nas pessoas idosas e nos seus
cuidadores

• O envelhecimento mobiliza o indivíduo e a família, implicando,


necessariamente, um (re)arranjo das fronteiras, das relações e das forças
com que cada elemento enfrenta estaetapa incontornável da existência.
 As fronteiras mais não são que limites, balizando o comportamento
comunicacional do mais adulto e da família.
 O mais adulto pode, também, perturbar a família na sua dinâmica, ao
insistir em modelos relacionais cristalizados outrora usados com eficácia e
mestria na família de origem.

• O envelhecimento confronta o mais adulto com o seu contorno corporal


onde se salientam a perda de competências – equilíbrio ortostático,
mobilidade, elasticidade, memória, orientação, etc….
 No contraponto existe o seu corpo jovem/adulto forte, capaz e audaz
que, pelo menos em memória, não se pode deixar e que, por isso, expõe o
mais adulto a um corpo envelhecido e estranho que tem que tornar seu.
 Esta integração provoca, de forma mais ou menos contida, desencontros
identitários, revelados na tristeza, no aborrecimento, no sentimento de
contrariedade, de vazio, na instabilidade emocional e/ou nas condutas ou
ideações suicidárias, ou tão só num apelo à reorganização dos limites
(corporais e representacionais) que instalam uma problemática narcísica da
construção do eu/não eu dos mais adultos. Estes revelam o seu mal-estar
quando não suportados e transformados pelos seus significativos.
 Nestes casos acentuase, confirma-se e amplifica-se o desencontro
relacional. Um dos efeitos visíveis é a constituição duma área conflitual, um
desencontro que, no limite, pode aprisionar o mais adulto, quer num
retraimento excessivo quer num queixume sofrido ancorado no seu corpo
débil.

77
Inês Pimenta

• A família pode dar palco e oportunidade para esta reorganização egóica,


pois, o mais adulto precisa, para ter êxito na aceitação dos seus novos
limites corporais, duma área de encontro com os seus familiares que o
suportem e confirmem na sua história e na recriação de significantes acerca
de si.
 A chegada do mais adulto à família vai, alterar as forças e os equilíbrios.
A sua presença transporta uma história prévia que muitas vezes tende a
instalar padrões anteriores de relação que alteram as regras até aí
estabelecidas nas famílias. Isto acontece sempre que a relação conjugal não
se encontra bem estabelecida e pode levar à constituição de alianças e/ou
coligações entre o mais adulto e o seu descendente.
 Na aliança a queixa dos terceiros vai no sentido de serem excluídos em
favor do mais adulto, com frases como “agora a minha mãe só vive para a
mãe dela…” ou outras equivalentes.
Na coligação o conflito torna-se ainda mais explícito entre os coligados e a
restante família, num debate que tem como finalidade a ascendência no
estabelecimento de regras e de interditos. A lealdade ao familiar idoso pode
mesmo tornar acrítica a atuação do descendente.
 As famílias sofrem grandes níveis de stress nestas situações e podem, no
limite, eleger um paciente identificado ou mesmo desmoronar-se.

• Por outro lado, envelhecimento envolve perdas variadas e apela à resolução


de lutos múltiplos que podem aprisionar o idoso numa série de lutos
patológicos.
 A coabitação entre mais adulto e família implica, ela mesma, uma série
de perdas relacionadas com o meio envolvente, a casa, os amigos, as lidas
diárias e até os cheiros e as memórias de toda uma vida. Muitas vezes
adicionam-se a estes lutos o dos entes queridos que já partiram. O
desencanto pode abater-se neste “lugar novo e estranho” quando
comparado com o tempo das visitas antigas. O tempo urge, a esperança é
diminuta e o desejo pela vida pode mesmo escassear.
 Os lutos são sempre processos lentos que envolvem várias etapas até à
sua resolução. A negação, o isolamento, a raiva, a negociação, a depressão e
a aceitação (Ross, 1998) são um continuum necessário à conclusão
satisfatória de um luto. Na pessoa idosa a negação, o isolamento e a revolta
podem coexistir, dificultando ou impossibilitando o processo da nova
vivência familiar.

Assim, Envelhecer com a família implica sempre um longo trabalho que envolve
como pressuposto a aceitação/confirmação das histórias pessoais de cada membro
e isto, por seu lado, apela a um funcionamento plástico das famílias, ao sarar das
feridas prévias e ao edificar dum contexto onde o envelhecer do mais adulto e da
família sejam uma nova oportunidade de partilha e crescimento mútuo. 78
Inês Pimenta

1ºESTUDO – Fatores protetores e de risco


 Bonghesoni estudou 84 individuos normais de 52 anos aos 87 anos sobre a melhoria de
memória episódica
* Verificou-se que durante o período dos 43 anos aos 63 anos
- declinou em 33
- melhorou em 23
- mante-se estável em 23

1. A melhoria de memória na meia idade estava associada com o aumento de 13% do


volume hipocampal (p<0.01) na velhice.
2. O aspeto essencial ao envelhecimento é a questão de tempo
 Quando o tempo é percebido como “sem data de retorno marcada” os objetivos são
de conhecimento
 Percebido como limitado os objetivos emocionais tornam-se essenciais.

* Há assim uma associação entre a perceção do tempo ( a perceção de falta de vida, a


idade cronológica e as diferenças nos objetivos sociais relatados*
 A perceção do tempo é maleável e os objetivos sociais mudam entre os 23 anos e os 83
anos quando o tempo das restrições se impõe.

2º ESTUDO (comparação de atividades usuais)


 Consistiu em um estudo de grupo com grupo de comparação de atividades usuaus com
166 idosos (65 anos ou +) saudáveis da área de Washington , medido no inicio e 12 meses
depois verificou-se
1. Melhoria do estado de saude fisica
2. Menos visitas do médico
3. Menos uso de medicação
4. Menos quedas
5. Menos problemas que no grupo de comparação
6. Melhor moral
7. Menos solidão que o grupo de controlo
8. Ao nivel das atividades o grupo de comparação revelou um declinio significativo no
numero total de atividades e o de intervenção revelou um aumento de atividades

 Isto leva a concluir que a presença de alguém junto do idoso é essencial para o seu bem
estar. De igual forma a redução dos fatores de risco necessita de um cuidados de longo
termo.

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Inês Pimenta

3º ESTUDO (pressão, solidão e qualidade de vida em idosos)


 Foi feito um estudo a uma amostra de 22 idoso que se interviu com 6
 Foram usados 4 instrumentos:
1. Avaliação breve
2. Escala de depresão geriátrica
3. Escala de solidão da UCLA e WHOQO2-BRIF

 Este estudo demonstrou


- que existiam correlações positivas entre a depressão e a solidão
- que existiam correlações negativas entre a qualidade de vida e a depressão e solidão
- que algumas variáveis sociodemográficas como o meio de residência e satisfação com a
relação com os amigos que influenciou a perceção da solidão, da depressão e da
qualidade de vida.

• A relação com o idoso apela…


 Mais uma compreensão do atual e do seu entendimento histórico vivencial – no
sentido de possibilidades bem-estar decorrente da área de encontro estabelecida
– do que o protelar num tempo incerto que o idoso sinta distante e contigente.
 A noção do tempo imediato de um futuro que é já ali torna-se pois, a morte da
relação com o idoso e por consequência , o alvo preferencial de investigação e
clarificação.

• A construção de uma área de encontro permite restaurar o bem estar e a


esperança no idoso ou pelo menos minimizar o seu sentimento de solidão.

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Inês Pimenta

4º ESTUDO (modo que os fatores relatados da idade afetam o bem estar na pop italiana)
 139 adultos (20-99 anos) foram recrutados no norte de itália (contexto individualista) e
na Sardanha (contexto coletivista)
 Seguiram-se os diferentes grupos:
- Jovens adultos ( 20/30 anos)
- Idosos (65/74 anos)
- Muito idosos (75+ anos)

1. Os participantes da Sardenha revelam


- Melhores niveis de bem estar e mais baixos niveis de stress psicológico
. O participante do grupo de idosos repontou mais estratégias de enfrentamento
emocional e satisfação pessoal
- Existem menos sintomas depressivos que o grupo dos muito idosos.
 Uma possibilidade de explicar é que os contextos socioculturais enfatizam o papel
positivo social do idoso que prevalece na Sardanha promove o bem estar psicológico na
adultez.

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