Você está na página 1de 160

Ações Culturais

e Sociais em
Biblioteconomia
Prof.a Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos

Indaial – 2020
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020

Elaboração:
Prof.a Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

M444a

Mattos, Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas

Ações culturais e sociais em biblioteconomia. / Miriam de Cassia


do Carmo Mascarenhas Mattos. – Indaial: UNIASSELVI, 2020.

150 p.; il.

ISBN 978-85-515-0437-6

1. Biblioteconomia. - Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 020

Impresso por:
Apresentação
Olá, acadêmico, tudo bem?! Seja bem-vindo à disciplina de Ações
Culturais e Sociais em Biblioteconomia. Apresentaremos aspectos relevantes
sobre a importância de alguns tipos de atividades em bibliotecas e outras
unidades de informação.

Este livro didático é organizado em três unidades, sempre com


resumos e autoatividades ao final de cada tópico.

Na Unidade 1, traremos alguns conceitos básicos sobre cultura e ações


culturais, bem como o papel de mediador do profissional da informação
nesses contextos. Também abordaremos o papel social da biblioteconomia.

Nas unidades 2 e 3, preparamos um rol de atividades possíveis com


base em experiências reais de ações culturais e sociais em bibliotecas. A ideia
não é apresentar ‘receitas’ ou apenas exemplos de atividades que possam
ser executadas, mas também inspirá-los e instigá-los no envolvimento e
planejamento de novas ações de cunho cultural e social, sempre levando em
conta o tipo e especificidades de cada unidade informacional.

Esperamos que você goste da disciplina e que consiga observar


a grandiosidade e a importância da participação direta dos profissionais
de nossa área na comunidade e na sociedade em geral, bem como seu
comprometimento com a democracia e cidadania. Vamos lá?

Bons estudos!

Prof.a Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro


que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares,
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.

Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!

VI
Sumário
UNIDADE 1 – CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS.............1

TÓPICO 1 – CULTURA E BIBLIOTECONOMIA................................................................................3


1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 CONCEITUANDO CULTURA.............................................................................................................4
2.1 CARACTERÍSTICAS DA CULTURA..............................................................................................5
2.2 TIPOS DE CULTURA . ......................................................................................................................7
2.2.1 Cultura de massa.......................................................................................................................7
2.2.2 Cultura erudita...........................................................................................................................9
2.2.3 Cultura popular.......................................................................................................................11
2.2.3.1 Cultura material e imaterial ...............................................................................................12
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................17
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................18

TÓPICO 2 – MEDIAÇÃO CULTURAL................................................................................................19


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................19
2 DEBATES INICIAIS SOBRE MEDIAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA.........................................22
3 MEDIAÇÃO CULTURAL EM BIBLIOTECAS ...............................................................................24
3.1 INFORMAÇÃO E CULTURA . ......................................................................................................27
4 AÇÃO CULTURAL: POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO....................28
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................31
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................32

TÓPICO 3 – O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECONOMIA............................................................33


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................33
2 A BIBLIOTECONOMIA NO CONTEXTO SOCIAL......................................................................34
3 PARCERIAS PARA PROJETOS CULTURAIS E SOCIAIS...........................................................38
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................40
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................45
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................46

UNIDADE 2 – EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA...................................47

TÓPICO 1 – PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA................................................49


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................49
2 EXEMPLOS DE AÇÕES CULTURAIS...............................................................................................50
2.1 SELFIE NA BIBLIO...........................................................................................................................51
2.2 ALUNO DESTAQUE........................................................................................................................52
2.3 PAINEL INTERATIVO.....................................................................................................................54
2.3.1 Parede lousa ............................................................................................................................55
2.3.2 Painel de asas............................................................................................................................56
2.4 CANTINHO DA LITERATURA DE LAZER................................................................................57
2.5 JOGOS NAS BIBLIOTECAS............................................................................................................58
2.6 QUEBRA-CABEÇA COLABORATIVO.........................................................................................59

VII
2.7 SEMANA NACIONAL DO LIVRO E DA BIBLIOTECA...........................................................60
2.8 LEITORES DESTAQUE DO ANO..................................................................................................63
2.9 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS.........................................................................................................64
2.10 TROCA-TROCA DE LIVROS.......................................................................................................67
2.11 EXPOSIÇÕES...................................................................................................................................68
2.12 SUGESTÕES DE LEITURA...........................................................................................................70
2.13 CLUBE DO LIVRO.........................................................................................................................71
2.14 PROJETO DOE SOLIDARIEDADE E RECEBA CONHECIMENTO......................................73
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................75
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................76

TÓPICO 2 – AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS......................................77


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................77
2 PROJETOS SOCIAIS DE COMBATE AO PRECONCEITO ........................................................77
2.1 PROJETO BAÚ CULTURAL ..........................................................................................................78
2.2 SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.......................................................................................81
2.3 BIBLIOTECA E RESPEITO À DIVERSIDADE.............................................................................84
2.3.1 I Semana da Diversidade realizada na Biblioteca Pública do Estado da Bahia..............84
2.3.2 Biblioteca da UFC – Cinema LGBT: close na lacração........................................................85
2.3.3 Calendário da diversidade.....................................................................................................86
2.3.4 Experiências internacionais . .................................................................................................87
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................90
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................93
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................94

UNIDADE 3 – EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA..........................................95

TÓPICO 1 – PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE............................97


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................97
2 DIRETRIZES PARA BIBLIOTECAS PÚBLICAS VERDES NO BRASIL...................................98
2.1 COLETA SELETIVA DE LIVROS...................................................................................................99
2.2 SALA DE LEITURA SUSTENTÁVEL..........................................................................................101
2.2.1 Biblioteca sustentável Prof. Arlindo Corrêa da Silva........................................................103
2.3 OFICINAS EM BIBLIOTECAS......................................................................................................104
2.3.1 Oficina de reciclagem de livros e revistas..........................................................................105
2.3.2 Biblioagrorural.......................................................................................................................105
2.3.3 Oficinas juninas sustentáveis ..............................................................................................106
3 PARTICIPAÇÃO EM CAMPANHAS DA ÁREA DA SAÚDE...................................................107
3.1 SETEMBRO AMARELO................................................................................................................108
3.2 OUTUBRO ROSA...........................................................................................................................110
3.3 NOVEMBRO AZUL ......................................................................................................................112
3.4 CAMPANHA CONTRA A DENGUE . .......................................................................................113
3.4.1 Bibex (Biblioteca de Extensão) na campanha contra a dengue.......................................113
3.4.2 Biblioteca Professor Mário Gemignani na campanha contra a dengue.............................114
3.4.3 Biblioteca de Manguinhos: Dia Mundial de Luta contra a Aids.....................................115
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................117
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................118

TÓPICO 2 – PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE


COMBATE A PRECONCEITOS...................................................................................119
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................119
2 PROJETOS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA...................................................................119

VIII
2.1 AGROLIVROS ................................................................................................................................120
2.2 ARVORETECA................................................................................................................................120
2.3 TENDA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA PARQUE COQUEIROS .........................................122
2.4 BIBLIOTECONOMIA VAI À ESCOLA.......................................................................................125
2.5 PROJETO ESQUEÇA UM LIVRO................................................................................................126
2.5.1 Esqueça um livro – Projeto Cidade Biblioteca de Búzios................................................127
2.5.2 Projeto Esqueça um Livro – AMAFE..................................................................................128
2.6 LEITURA EM ÔNIBUS..................................................................................................................129
2.6.1 “Tem um livro no meu Caminho” em Belo Horizonte....................................................129
2.6.2 “Parada do livro” em São Paulo..........................................................................................129
2.7 BIBLIOTECAS ITINERANTES.....................................................................................................130
2.7.1 Biblioteca itinerante em ônibus...........................................................................................131
2.7.2 Biblioteca itinerante em Bicicleta – JoinvilLê.....................................................................131
2.7.3 Biblioteca itinerante em hospitais.......................................................................................132
2.7.4 Biblioteca itinerante em escolas infantis . ..........................................................................133
2.7.5 Bibliotecas geladeiras............................................................................................................134
2.7.5.1 Geladeiroteca – abra e sinta o sabor da leitura......................................................135
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................137
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................140
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................141

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................143

IX
X
UNIDADE 1

CONCEITOS INICIAIS SOBRE


CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer os conceitos de cultura;

• relacionar cultura e biblioteconomia;

• refletir criticamente sobre o papel social do profissional da informação na


sociedade contemporânea;

• compreender o trabalho de ação cultural na área de Biblioteconomia e


Ciência da Informação;

• relacionar a informação pública com a ação cultural;

• compreender a biblioteca como um centro de cultura.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

TÓPICO 2 – MEDIAÇÃO CULTURAL

TÓPICO 3 – O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECONOMIA

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

1 INTRODUÇÃO
Observamos que os profissionais da informação podem e devem ser
protagonistas de ações culturais e sociais, quer seja no sentido de dinamizar,
divulgar e preservar as unidades de informação ou ainda nos processos de
produção cultural e desenvolvimento educacional e social.

Seja em ambientes virtuais ou físicos ou ainda nos diversos espaços,


como bibliotecas públicas, escolares, especializadas, comunitárias, centros de
documentação, entre outros. Tais ambientes não devem ser limitados, como
alguns os veem erroneamente, a ambientes estáticos e úteis somente quando há a
necessidade e obrigação de realizar pesquisa para cumprir tarefa acadêmica (nos
níveis básico, secundário ou superior) ou profissional.

Nas Unidades de Informação, a ação cultural ou social pode ser um


estímulo à leitura, uma contribuição educativa, uma prática que colabore para
transformações na realidade social, em que os usuários se tornam sujeitos da
cultura e criação de novos conhecimentos.

A ação cultural e social é oportuna ainda mais no período atual, de


muitas transformações e avanços tecnológicos. Nesse sentido, o profissional
da informação pode ser mediador nessas transformações, facilitando o acesso
e ampliando as oportunidades dos usuários no desenvolvimento de práticas
culturais e sociais.

Isso pode ser potencializado ao observarmos uma pesquisa realizada pelo


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Perfil dos Municípios Brasileiros
– Gestão 2009 (Munic) dedicou-se, entre outros temas, a estudar as atividades
e equipamentos culturais presentes nos municípios. Tal pesquisa identificou
um crescimento – em relação a 1999 – de 22,1% de bibliotecas públicas no país,
impulsionado por uma política de universalização implementada pelo governo
federal na época (IBGE, 2009).

Isso significou que, em 2009, 93,2% das 5.564 cidades brasileiras possuíam
ao menos uma biblioteca. Isso demonstra a importância da biblioteca e a sua
participação e contribuição no tocante à educação e à cultura.

3
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

DICAS

Entre no site do IBGE e obtenha mais informações sobre essa pesquisa:


Perfil dos Municípios Brasileiros – Gestão 2009: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/
biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=244692.

FONTE: <https://loja.ibge.gov.br/media/catalog/product/cache/1/image/720x660/9df78eab33
525d08d6e5fb8d27136e95/c/a/capamunic_asssocial2009.jpg>. Acesso em: 26 nov. 2019.

No entanto, para continuarmos falando do papel cultural e social das


bibliotecas, precisamos resgatar ou conhecer alguns aspectos conceituais de cultura.

2 CONCEITUANDO CULTURA
Cultura é um termo complexo e de grande importância para as ciências
humanas em geral. Sua etimologia vem do latim culturae, que significa ato de plantar
e cultivar. Aos poucos, acabou adquirindo o sentido de cultivo de conhecimentos
(GUERRA, 2018).

FIGURA 1 – O PENSADOR

FONTE: <https://www.culturagenial.com/escultura-o-pensador-de-augusto-rodin/>.
Acesso em: 26 nov. 2019.

4
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

Numa perspectiva antropológica, o britânico Edward Tylor (1832-1917)


definiu cultura como todo o complexo que envolve o conhecimento, as crenças,
a arte, a moral, a lei, os costumes, os hábitos e as capacidades adquiridos pelo
homem como membro da sociedade; ou seja, a expressão da totalidade da vida
social do homem, caracterizada pela sua dimensão coletiva (DIANA, 2018).

Sociologicamente, a concepção de cultura também é semelhante. Assim,


a cultura é a representação do conjunto de saberes e tradições produzidos pela
interação social entre os membros de uma comunidade ou sociedade, que, por
sua vez, moldam e criam padrões comportamentais que influenciam a estrutura
e organização social (DIANA, 2018).

O termo cultura passa a ter uma abrangência que antes não se percebia,
sendo agora entendido como produção e criação da linguagem, da religião, da
sexualidade, dos instrumentos e formas do trabalho, das formas da habitação, do
vestuário e culinária, das expressões de lazer, da música, da dança, dos sistemas de
relações sociais, particularmente os sistemas de parentesco ou estrutura da família,
das relações de poder, da guerra e paz, da noção da vida e morte (CHAUÍ, 2008).

2.1 CARACTERÍSTICAS DA CULTURA


Segundo Guerra (2018), uma característica da cultura é que ela é
indissociável da realidade social, ou seja, está presente sempre que os seres
humanos se organizam em sociedade. Trata-se de uma construção histórica e
produto coletivo da vida humana.

Falar de cultura implica necessariamente se referir a um processo social


concreto. Costumes, tradições, manifestações culturais e folclóricas como festas,
danças, cantigas, lendas etc. só fazem sentido enquanto parte de uma cultura
específica; ou seja, as manifestações culturais não podem ser compreendidas fora
da realidade e história da sociedade a qual pertencem (GUERRA, 2018).

Outra característica da cultura citada por Guerra (2018) é o seu aspecto


dinâmico. Por isso, é mais pertinente pensá-la como um processo e não como
algo estagnado no tempo. “Isso fica claro no mundo globalizado, marcado por
rápidas transformações tecnológicas, pelo constante contato entre as culturas
e disseminação de padrões culturais pelos meios de comunicação de massa”.
No entanto, mesmo quando se fala de sociedades tradicionais, não quer dizer
que elas não se modifiquem. Todo aspecto de determinada cultura tem a sua
própria dinâmica, pois não existe nenhuma sociedade humana que esteja isenta
de transformações com o tempo e contato com outras culturas.

A cultura de determinada sociedade é passada de uma geração a


outra através da educação, manifestações artísticas e outras formas
de transmissão de conhecimento. O comportamento dos indivíduos
vai depender desse aprendizado cultural. Portanto, um menino e
uma menina agem diferentemente não por causa de seus hormônios,

5
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

mas devido à educação diferenciada que recebem. É por isso também


que maneiras de falar, se vestir, se alimentar, se comportar, etc. de
um povo específico pode ser tão estranho aos olhos de outros povos.
O que é repugnante para indivíduos de uma sociedade, pode ser
desejável em outra. Mais ainda: em uma mesma sociedade, o que era
impensável no século passado pode se tornar comum hoje em dia e
vice-versa (GUERRA, 2018, s.p.).

As sociedades humanas historicamente desenvolveram formas diferentes


de se organizar, de se relacionar internamente com outros grupos sociais e com
o meio ambiente. Sociedades distintas vão necessariamente originar culturas
diferentes, ou seja, diferentes formas de ver o mundo e orientar a atividade social.

É por isso que, segundo Guerra (2018), existem tantas diferenças culturais,
mesmo sendo todos pertencentes à mesma espécie humana. As diferenças
culturais não podem ser explicadas em termos de diferenças geográficas ou
biológicas. No passado, explicações baseadas no determinismo geográfico ou
genético contribuíram para reforçar o racismo e preconceitos, além de terem
servido como justificativa para a dominação de uns povos sobre outros.

FIGURA 2 – CARACTERÍSTICAS DA CULTURA

Determinada
pelo conjunto
de saberes,
comportamentos
e modos de
fazer

É transmitida Possui um
para gerações CULTURA caráter
porteriores simbólico

É adquirida
por meio das
relações sociais
de um grupo

FONTE: A autora

6
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

2.2 TIPOS DE CULTURA


A cultura é um processo permanente de construção/desconstrução e
reconstrução, que perpassa os períodos históricos e as práticas sociais. O que
varia, portanto, é a importância de cada fase, de acordo com as situações. Para
Cuche (1999 apud SOUZA, 2010, p. 4), nenhuma cultura existe “em estado puro,
sem que jamais tenha passado por qualquer influência, mesmo que seja a mais
simples possível”.

Dito isso, neste tópico, apresentaremos uma breve descrição de três tipos
de cultura que são fundamentais quando pensamos nas atividades culturais em
bibliotecas.

QUADRO 1 – DIFERENÇAS DE CLASSES NA PRODUÇÃO CULTURAL

Divisões culturais Expressões


Informações produzidas pela música
Cultura Erudita clássica (erudita), ópera, escultura, pintura,
(Cultura produzida pela elite) quadros, literatura, obras de arte, ballet, alta
gastronomia, moda (alta costura).
Informações produzidas pelo grafite, festas
populares diversas (carnaval, festa junina
Cultura Popular etc.), criações folclóricas, manifestações
(Cultura produzida pelo povo) populares diversas, danças regionais
(frevo, gaúcha), comidas típicas (feijoada,
mungunzá etc.), artesanatos.
Cultura de Massa Informações produzidas pelos veículos
(Cultura produzida pelos meios como imprensa, rádio, cinema, música,
de comunicação) televisão e internet.

FONTE: Rasteli (2019, p. 55)

2.2.1 Cultura de massa


Vários autores afirmam que, para entender o que é cultura de massa,
é necessário se reportar ao século XV, com o surgimento da imprensa escrita
criada por Gutemberg, história que já detalhamos em outros livros didáticos.
Foi a partir desse período que a literatura e as informações, que antes tinham
seu conhecimento restrito a uma elite, passaram a chegar a um número maior
de pessoas. Claro que isso ocorreu de forma progressiva, sendo ampliada ao
longo da história.

Na Revolução Francesa e sua busca pela liberdade de expressão,


somada à Revolução Industrial, constrói-se um mercado consumidor voltado
à maioria da população. Desse período até os dias atuais, a cultura de massa
se desenvolve amplamente, em consonância com a indústria cultural e os
meios de comunicação de massa, como jornal, rádio, televisão, cinema, teatro e,
posteriormente, a internet.

7
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

A cultura de massa, dentro do sistema capitalista, é produzida não apenas


para comunicar, mas principalmente para vender e se tornar altamente lucrativa
aos donos dos meios de comunicação. Essa sociedade de consumo alimenta a
cultura de massa, que passa a ser feita em série, de forma industrial, para o maior
número de pessoas.

DICAS

A cultura de massa é um produto da indústria cultural, termo criado pelos


filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, fundadores da Escola de Frankfurt,
instituto de pesquisas sociais voltado à discussão sobre questões culturais da sociedade
atual. De acordo com Adorno e Horkheimer, a indústria cultural cria padrões de consumo e
transmite notícias, fatos ou acontecimentos de acordo com seus interesses, desenvolvendo
uma sociedade alienada à realidade. Leia:
HORKHEIMER, Max; ADORNO, Theodor. A indústria cultural: o iluminismo como mistificação
de massas. p. 169 a 214. In: LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. São Paulo: Paz e
Terra, 2002. 364 p.

Vamos refletir um pouco? A seguir, observe o quadrinho da Mafalda e


reflita sobre o poder que a mídia exerce sobre as pessoas, criando a ideologia
e a cultura de massa. Essa cultura é fundamental para a cadeia produtiva na
sociedade capitalista.

FIGURA 3 – CULTURA DE MASSAS

FONTE: <https://www.portaldovestibulando.com/2014/09/industria-cultural-questoes-de.html>.
Acesso em: 26 nov. 2019.

8
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

Essa cultura deixa de ser um instrumento de crítica, conhecimento,


livre pensamento, para ser um produto vendável, padronizado de acordo com
princípios gerais que orientam essa sociedade, que não tem tempo de questionar
aquilo que consome e quer apenas distração e lazer nas horas de folga de uma
rotina diária de trabalho intensa e repetitiva.

2.2.2 Cultura erudita


Podemos afirmar que a cultura erudita é uma consequência dos saberes
que são produzidos pela sociedade e vão se organizando ao redor do mundo,
cuja riqueza, em parte, é fruto do aproveitamento desses saberes e é centralizada
por uma classe social.

Santos (2009) define cultura erudita como toda e qualquer forma de


cultura produzida dentro de um conjunto de conhecimentos adquiridos por meio
do estudo organizado, que pode ser acadêmico ou não.

FIGURA 4 – MANIFESTAÇÕES DA CULTURA ERUDITA

FONTE: <http://eruditacultura.blogspot.com/p/complexos-culturais.html>;
<https://br.pinterest.com/pin/540432024027528695/?lp=true>. Acesso em: 26 nov. 2019.

Para falarmos em cultura erudita, nos reportamos ao período entre os séculos


XIII e XIX, de formação dos Estados Nacionais Modernos, ou seja, do surgimento
de parte das nações atuais, como Inglaterra, França e Alemanha. Segundo Burke
(1999), uma das preocupações dos governos dessas nações era a criação de uma
identidade comum à população, a fim de fortalecer os laços entre as pessoas,
delineando uma cultura nacional. Para o autor, essa identidade nacional acabava
refletindo, na verdade, os interesses das classes dominantes, que se esforçavam
por produzir uma cultura que as diferenciasse do restante da população.

O movimento a partir do Renascimento Cultural, quando os mecenas


financiavam os artistas renascentistas, os traziam para seu círculo de convivência
e os estimulavam a produzir obras de arte de grande valor estético e técnico, que
reproduzissem o estilo de vida da nobreza ou da alta burguesia.

9
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

NTE
INTERESSA

MECENAS

Os mecenas eram ricos e poderosos comerciantes, príncipes, condes, bispos e


banqueiros que financiavam e investiam na produção de arte como maneira de obter
reconhecimento e prestígio na sociedade.

Eles foram de extrema importância para o desenvolvimento das artes plásticas


(escultura e pintura), literatura e arquitetura durante o período do Renascimento Cultural
(séculos XV e XVI).

A burguesia, classe social que enriqueceu muito com o renascimento comercial,


viu na prática do mecenato uma forma rápida de alcançar o status de nobreza. Isso era
obtido também com a compra dos títulos de nobreza.
 
O ato de patrocinar e investir em arte e cultura é conhecido como mecenato.
 
Principais mecenas da época do Renascimento Cultural:

• Lourenço de Medici (banqueiro italiano)


• Come de Medici (banqueiro e político italiano)
• Galeazzo Maria Sforza (duque de Milão)
• Federico da Montefeltro (duque de Urbino)
• Francisco I (rei da França) 
 
Curiosidade:

A palavra "mecenas" tem sua origem na Roma Antiga. No século I a.C., Caio Mecenas foi um
conselheiro do imperador romano Otávio Augusto. Caio Mecenas patrocinou a produção
de vários artistas e poetas nesta época.

FONTE: <https://www.suapesquisa.com/pesquisa/mecenas.htm>. Acesso em: 26 nov. 2019.

Moutinho (2017) apresenta a produção artística erudita como dotada de


um determinado padrão de criação, que se intensificou com o surgimento da
sociedade de Corte, nos séculos XVI e XVII, e com a preocupação da nobreza em
se distanciar e se diferenciar das demais camadas populares, sendo a erudição
e a etiqueta peças essenciais desse processo. É nesse período que surgem as
primeiras grandes obras-primas da música clássica, registradas em partituras.
Para o autor, além da esfera musical, outras áreas da produção cultural, como a
literatura, também passaram por um processo de erudição, com a transformação
de contos populares em clássicos contos de fada, comuns ao nosso cotidiano atual
e com os quais se costuma entreter as crianças ao relatar tais aventuras fantásticas.
Como resultado desse processo pode-se, então, apontar a existência de algumas
características associadas à cultura erudita e a sua produção:

10
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 5 – CARACTERÍSTICAS DA CULTURA ERUDITA

Seus frutos são consequência do surgimento de certo


Cultura academicismo, ou seja, de um conjunto de conhecimentos
Erudita sistematizados que, para serem dominados, devem ser
aprendidos segundo princípios e regras estabelecidas.

Cultura Costumam ser preservados por meios escritos e/ou mecânicos,


passando de geração em geração, de modo a preservar a
Erudita originalidade da obra bem como sua finalidade autoral.

É heterogênea, podendo se manifestar nas mais variadas


Cultura formas, como uma composição musical, uma pintura, um
Erudita texto literário, uma peça de teatro, entre outras formas de
apresentação.

FONTE: Adaptada de Moutinho (2017)

Como o acesso a esse tipo de cultura fica restrito a um grupo pequeno, ela
fica ligada ao poder econômico e é considerada superior. Essa consideração pode
acabar tornando-se preconceituosa e desmerecendo as outras formas de cultura.
O erudito é tudo aquilo que demanda muito estudo, mas não se deve pensar que
uma expressão cultural popular como o hip-hop, por exemplo, é pior que uma
música clássica (PORTAL EDUCAÇÃO, 2019).

2.2.3 Cultura popular


Um outro padrão de organização cultural é a cultura popular. Esta refere-
se aos valores das manifestações de um povo, principalmente dos trabalhadores,
dos populares, dos guetos, dos marginalizados, dos dominados. “Nesse caso,
estamos nos referindo às produções locais, ligadas a uma determinada tradição.
São temas ligados à cultura popular: o folclore e a cultura popular tradicional”
(RASTELI, 2019, p. 16).

Rios (2014) diz que a cultura popular tradicional é constituída por bens
simbólicos criados por trabalhadores, homens e mulheres do povo, normalmente
com baixo poder aquisitivo e baixo nível de instrução formal, que têm ligações
diretas com as condições concretas de uma luta intensiva pela sobrevivência. As
manifestações da cultura popular abrangem os artesanatos; os trançados (como
a cestaria do Vale do Ribeira e do Litoral norte e sul do estado de São Paulo
com a utilização de cipós encontráveis na Mata Atlântica); cerâmicas; bonecos de
panos; danças (catira, jongo); cavalgadas; cavalhadas e festas religiosas (Cosme e
Damião, Festa do Divino etc.).

11
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

FIGURA 6 – CULTURA POPULAR BRASILEIRA

FONTE: <https://robertalessablog.wordpress.com/2012/10/24/filosofiando-ideias-reverencia-a-
tradicao/cultura-popular-do-brasil-2/>. Acesso em: 26 nov. 2019.

Para Rasteli (2019), ao tomarmos essa classificação de produções culturais,


poder-se-ia inferir que a atuação do bibliotecário mediador tivesse como desafios:

FIGURA 7 – BIBLIOTECÁRIO COMO MEDIADOR

Difundir os elementos
da cultura erudita,
possibilitando a
descoberta de novas
linguagens e de novas
formas artísticas

BIBLIOTECÁRIO
COMO MEDIADOR
Lidar com critérios DA CULTURA Recuperar e difundir
com os elementos a cultura popular, que
da cultura de massa, se encontram muitas
procurando direcionar vezes esquecidos,
o desenvolvimento de deteriorados pela
perspectivas críticas indústria cultural

FONTE: Adaptada de Rasteli (2019, p. 16)

2.2.3.1 Cultura material e imaterial


Os tipos de cultura ainda podem ser classificados como material e
imaterial. Segundo Bezerra (2017), cultura material e cultura imaterial são dois
tipos de patrimônio que expressam a cultura e características de determinado
grupo ou região.

A cultura material é composta por elementos concretos, como construções


e objetos artísticos. Já a cultura imaterial é relacionada a elementos abstratos, como
hábitos e rituais. Nesse sentido, é associada aos elementos concretos e abstratos
de uma sociedade, representando a cultura e história de sua população. Os bens

12
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

de natureza material podem ser móveis ou imóveis. Também são considerados


bens imóveis as estruturas físicas, como cidades históricas, sítios arqueológicos
e paisagísticos e bens individuais. Já os móveis são os bens que podem ser
transportados, como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais,
bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

No Brasil, existem três formas de proteção dos bens de cultura material:

FIGURA 8 – FORMAS DE PROTEÇÃO DO DA CULTURA MATERIAL

Tombamento Registro Inventário

FONTE: A autora

Apresentamos, a seguir, alguns exemplos de bens da cultura material


brasileira classificados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN, 2017):

• Centro Histórico de Ouro Preto (Ouro Preto/MG).


• Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro/ RJ).
• Conjunto Arquitetônico de Paraty (Paraty/RJ).
• Centro Histórico de Olinda (Olinda/PE).
• Pelourinho (Salvador/BA).
• Parque Nacional Serra da Capivara (São Raimundo Nonato/PI).
• Universidade Federal do Paraná (Curitiba/PR).

Bezerra (2017, grifo nosso) explica que os bens de cultura imaterial são os
elementos abstratos que fazem parte de uma cultura e dizem respeito às práticas
e domínios da vida social de determinado grupo.

No Brasil, o IPHAN tem registrados  47 bens imateriais, divididos em


formas de expressão, saberes, celebrações e lugar. Confira a seguir uma lista do
patrimônio imaterial do nosso país:

13
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

QUADRO 2 – LISTA DE PATRIMÔNIOS IMATERIAIS


FORMAS DE
SABERES CELEBRAÇÕES LUGARES
EXPRESSÃO
Arte Kusiwa – Pintura Ofício das Paneleiras Círio de Nossa Senhora Cachoeira de Iauaretê
Corporal e Arte de Goiabeiras (ES). de Nazaré (PA). – Lugar Sagrado dos
Gráfica Wajápi (AP). Modo de fazer Viola Festa do Divino povos indígenas dos
Samba de Roda do de Cocho (MT e MS). Espírito Santo de Rios Uaupés e Papuri
Recôncavo Baiano (BA). Ofício das Baianas de Pirenópolis (GO). (AM).
Jongo no Sudeste (SP, Acarajé (BA). Ritual Yaokwa Feira de Caruaru (PE).
RJ, ES, MG). Modo artesanal de do povo indígena Tava, Lugar de
Frevo (PE). fazer Queijo de Minas Enawenê Nawê (MT). Referência para o
Tambor de Crioula do nas regiões do Serro, Festa de Sant'Ana de Povo Guarani (RS).
Maranhão (MA). da Serra da Canastra e Caicó (RN). Feira de Campina
Matrizes do Samba no Salitre/ Alto Paranaíba Complexo Cultural do Grande (PB).
Rio de Janeiro: partido (MG). Bumba meu-Boi do
alto, samba de terreiro Ofício dos Mestres de Maranhão (MA).
e samba enredo (RJ). Capoeira (todos os Festa do Divino
Roda de Capoeira estados). Espírito Santo da
(todos os estados). Modo de fazer Renda Cidade de Paraty (RJ).
Toque dos Sinos em Irlandesa tendo como Festa do Senhor Bom
Minas Gerais (MG). referência este Ofício Jesus do Bonfim (BA).
Ritxòkò: Expressão em Divina Pastora (SE). Festividades do
Artística e Cosmológica Ofício de Sineiro (MG). Glorioso São Sebastião
do Povo Karajá (TO, Sistema Agrícola na região do Marajó
PA, GO, MT). Tradicional do Rio (PA).
Fandango Caiçara (SP, Negro (AM). Festa do Pau de Santo
PR). Saberes e Práticas Antônio de Barbalha
Carimbó (PA). associados ao modo de (CE).
Maracatu Nação (PE). fazer Bonecas Karajá Romaria de Carros
Maracatu Baque Solto (TO, PA, GO, MT). de Boi da Festa do
(PE). Produção Divino Pai Eterno de
Cavalo-Marinho (PE). Tradicional e práticas Trindade (GO).
Teatro de Bonecos socioculturais Procissão do Senhor
Popular do Nordeste associadas à Cajuína Jesus dos Passos de
– Mamulengo, Babau, no Piauí estadual (PI). Florianópolis (SC).
João Redondo e Modos de Fazer Cuias Complexo Cultural do
Cassimiro Coco (RN, do Baixo Amazonas Boi Bumbá do Médio
PE, PB, CE, DF). (PA). Amazonas e Parintins
Caboclinho Tradições Doceiras (AM).
pernambucano (PE). da Região de Pelotas
Literatura de Cordel e Antiga Pelotas –
(RJ, DF, AL, BA, CE, Morro Redondo,
MA, PB, PI, PE, RN, Ituruçu, Capão do
SE). Leão e Arroio do
Marabaixo (AP). Padre (RS).
Sistema Agrícola
Tradicional de
Comunidades
Quilombolas do Vale
do Ribeira (SP).

FONTE: Adaptado de Bezerra (2017)

14
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

Esses bens podem ser ofícios, saberes, celebrações, formas de expressão


e também lugares, como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas
culturais coletivas. A cultura imaterial é passada de geração a geração. Com isso,
os bens costumam ser recriados e modificados pelos grupos e comunidades de
acordo com o ambiente, através da interação com a natureza e com o contexto
histórico da sociedade (BEZERRA, 2017).

NOTA

UNESCO DEFINE PATRIMÔNIO IMATERIAL

O patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível compreende as expressões de vida


e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem
de seus ancestrais e passam seus conhecimentos a seus descendentes.

Apesar de tentar manter um senso de identidade e continuidade, esse patrimônio


é particularmente vulnerável, uma vez que está em constante mutação e multiplicação de
seus portadores. Por essa razão, a comunidade internacional adotou a Convenção para a
Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial em 2003.

É amplamente reconhecida a importância de promover e proteger a memória


e as manifestações culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sítios
históricos e paisagens culturais. No entanto, não só de aspectos físicos se constitui a cultura
de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas
festas e em diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente,
recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa porção imaterial da
herança cultural dos povos, dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial.

Para muitas pessoas, especialmente as minorias étnicas e os povos indígenas,


o patrimônio imaterial é uma fonte de identidade e carrega a sua própria história. A
filosofia, os valores e as formas de pensar refletidos nas línguas, tradições orais e diversas
manifestações culturais constituem o fundamento da vida comunitária. Num mundo de
crescentes interações globais, a revitalização de culturas tradicionais e populares assegura
a sobrevivência da diversidade de culturas dentro de cada comunidade, contribuindo para
o alcance de um mundo plural.

Ciente da importância dessa forma de patrimônio e da complexidade envolvida


na definição dos seus limites e de sua proteção, a UNESCO vem, nos últimos 20 anos, se
esforçando para criar e consolidar instrumentos e mecanismos que conduzam ao seu
reconhecimento e defesa. Em 1989, a Organização estabeleceu a Recomendação sobre
a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular e vem, desde então, estimulando a sua
aplicação ao redor do mundo. Esse instrumento legal fornece elementos para a identificação,
a preservação e a continuidade dessa forma de patrimônio, assim como de sua disseminação.

De modo a estimular os governos, ONGs e as próprias comunidades locais


a reconhecer, valorizar, identificar e preservar o seu patrimônio cultural imaterial, a
UNESCO criou um título internacional, concedido a destacados espaços (locais onde são
regularmente produzidas expressões culturais) e manifestações da cultura tradicional e
popular. Assim, em 2003 e 2005, a Proclamação das Obras-Primas do Patrimônio Oral
e Imaterial da Humanidade selecionou, por meio de um júri internacional, espaços e
expressões de excepcional importância, dentre candidaturas oferecidas pelos países.

15
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Além das gravações, registros e arquivos, a UNESCO considera que uma das
formas mais eficazes de preservar o patrimônio imaterial é garantir que os portadores
desse patrimônio possam continuar produzindo-o e transmitindo-o. Assim, a Organização
estimula os países a criarem um sistema permanente de identificação de pessoas (artistas,
artesãos etc.) que encarnam, no grau máximo, as habilidades e técnicas necessárias para
a manifestação de certos aspectos da vida cultural de um povo e a manutenção de seu
patrimônio cultural material.

Finalmente, em 2003, após uma série de esforços, que incluíram estudos técnicos
e discussões internacionais com especialistas, juristas e membros dos governos, a UNESCO
adotou a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Essa convenção
regula o tema do patrimônio cultural imaterial e, assim, complementa a Convenção do
Patrimônio Mundial, de 1972, que cuida dos bens tangíveis, de modo a contemplar toda a
herança cultural da humanidade.

FONTE: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/world-heritage/intangible-heritage/>.
Acesso em: 26 nov. 2019.

Agora que já sabemos os conceitos básicos sobre cultura, podemos refletir


sobre a cultura como um processo em constantes transformações – sendo a cultura
a expressão da totalidade da vida social humana, caracterizada pela sua dimensão
coletiva e em processo permanente de construção/desconstrução e reconstrução
nos diversos períodos históricos e práticas sociais, ela é passível de mudanças, a
depender das influências de determinada época e/ou meio social.

Bem como os novos tempos, pois o futuro é um horizonte aberto de


possibilidades para os bibliotecários – como já visto em outras disciplinas do
curso de Biblioteconomia, os profissionais da informação (particularmente os
bibliotecários) são mediadores da informação e, portanto, da cultura nas suas mais
diversas expressões. Com o desenvolvimento das Tecnologias da Comunicação e
Informação (TIC), estas podem contribuir para a potencialização do trabalho dos
profissionais da informação. Nesse sentido, as ações culturais e sociais podem
significar, no trabalho do bibliotecário, um ambiente de maior interação com os
usuários, disponibilização de mais bens culturais, compartilhamento e criação.

16
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Os profissionais da informação podem e devem ser protagonistas de ações


culturais e sociais, quer seja no sentido de dinamizar, divulgar e preservar
as unidades de informação ou ainda nos processos de produção cultural e
desenvolvimento educacional e social.

• A ação cultural ou social pode ser um estímulo à leitura, uma contribuição


educativa, uma prática que colabore para transformações na realidade
social, em que os usuários se tornam sujeitos da cultura e criação de novos
conhecimentos.

• A cultura  é um termo complexo e de grande importância para as ciências


humanas em geral. Sua etimologia vem do latim culturae, que significa “ato
de plantar e cultivar”. Aos poucos, acabou adquirindo também o sentido de
cultivo de conhecimentos.

• A cultura possui algumas características, como: é determinada pelo conjunto


de saberes, comportamentos e modos de fazer; possui caráter simbólico; é
adquirida por meio das relações sociais de um grupo e é transmitida para
gerações posteriores.

• A cultura erudita é produzida pela elite e pode ser expressada pela música
erudita clássica, ópera, por conjunto de artes ou ainda por culturas gastronômicas
e de moda. Já a cultura popular é produzida pelo povo e se manifesta pelas
festas e costumes populares, bem como no artesanato. A cultura de massa é
aquela produzida pelos meios de comunicação, como jornal, rádio, cinema,
televisão, internet, e se caracteriza pela cultura do consumo.

• A cultura pode ser classificada como material ou imaterial, sendo a cultura


material composta por elementos concretos, como construções e objetos
artísticos. Já a cultura imaterial é relacionada a elementos abstratos, como
hábitos e rituais. Nesse sentido, é associada aos elementos concretos e abstratos
de uma sociedade, representando a cultura e história de sua população.

• O bibliotecário, como mediador da cultura, pode difundir os elementos da


cultura erudita, possibilitando a descoberta de novas linguagens e de novas
formas artísticas. Esse profissional também pode recuperar e também difundir
a cultura popular, que se encontra muitas vezes esquecida, deteriorada pela
indústria cultural. Pode lidar com critérios dos elementos da cultura de massa,
procurando direcionar o desenvolvimento de perspectivas críticas.

17
AUTOATIVIDADE

1 Com base na classificação cultural de Rasteli (2019) – Cultura Erudita, Cultura


Popular e Cultura da Massa – quais os desafios que se poderia inferir quanto
à atuação do bibliotecário como mediador?

FONTE: RASTELI, A. Mediação cultural em bibliotecas: contribuições conceituais. Dissertação –


Mestrado em Ciência da Informação. Unesp, 2019.

2 Sobre as ações culturais e sociais em Biblioteconomia no período atual, de


muitas transformações e avanços tecnológicos, é CORRETO afirmar que:

a) ( ) O profissional da informação pode ser mediador nessas transformações,


facilitando o acesso e ampliando as oportunidades dos usuários no
desenvolvimento de práticas culturais e sociais.
b) ( ) A ação cultural e social é inoportuna para os bibliotecários, ainda mais
no período atual, marcado por muitas incertezas, transformações e
avanços tecnológicos.
c) ( ) A atuação do bibliotecário como mediador deve ser de não lidar com a
cultura de massa, para não direcionar o desenvolvimento de perspectivas
críticas.
d) ( ) Cultura material e cultura imaterial são irrelevantes, pois só expressam
a cultura e características de determinado grupo ou região.
e) ( ) Todas as alternativas estão incorretas.

18
UNIDADE 1
TÓPICO 2

MEDIAÇÃO CULTURAL

1 INTRODUÇÃO
A palavra mediação vem do latim mediatione, que designa originalmente
intervenção humana entre duas partes, ação de dividir em dois ou estar no
meio (SILVA; FARIAS, 2018). O conceito de mediação foi tomado por diferentes
perspectivas, conforme Rasteli e Cavalcante (2013), indicando as seguintes ideias de:

FIGURA 9 – PERSPECTIVAS DA MEDIAÇÃO

Interveniência

Ponte Relação
ou elo
MEDIAÇÃO

Religação Conjugação

FONTE: Adaptada de Rasteli e Cavalcante (2013)

Todas essas perspectivas são estabelecidas nas relações humanas por


meio de um elemento mediador. Assim, nas pesquisas sobre mediação da
informação que desenvolve há alguns anos, Osvaldo de Almeida Júnior defende a
modificação do objeto da Ciência da informação. Ele aponta que hoje a informação
– principalmente a informação registrada – é aceita como sendo esse objeto, mas
sustenta a necessidade de reconsideração, ou seja, a mediação da informação
deve ser o principal objeto da Ciência da Informação.

Almeida Júnior (2009, p. 2) e seu grupo de pesquisa “Interfaces: informação


e conhecimento” através do projeto de pesquisa Mediação da Informação e Múltiplas
Linguagens, têm como objetivo “analisar a mediação da informação, não só no
âmbito de sua relação mais estreita com a disseminação e a transferência da
informação, mas também” [...] as implicações que sobre ela incidem o trabalho e o
conhecimento de outras linguagens, presentes nas várias mídias informacionais”
(ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p. 2). Para o grupo, mediação da informação é “[...]
Toda ação de interferência – realizada pelo profissional da informação –, direta
ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva;
que propicia a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente,
uma necessidade informacional (ALMEIDA JÚNIOR., 2009, p. 3).

19
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Para Almeida Júnior (2009, p. 4), a mediação da informação é dividida


em implícita e explícita, sendo que a primeira (implícita) ocorre nos “espaços
dos equipamentos informacionais em que as ações são desenvolvidas sem a
presença física e imediata dos usuários. Nesses espaços [...] estão a seleção, o
armazenamento e o processamento da informação”. Já a segunda (explícita)
acontece nos ambientes em que a presença do “usuário é inevitável, é condição
sine qua non para sua existência, mesmo que tal presença não seja física, por
exemplo, nos acessos à distância” (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p. 4).

FIGURA 10 – MEDIAÇÃO VIA SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO


MEDIAÇÃO IMPLÍCITA MEDIAÇÃO EXPLÍCITA
• Práticas técnicas de estímulo à cultura • Práticas pedagógicas de estímulo à cultura
• provisão de documentos relacionados às • projetos de ação cultural
práticas culturais e de memória • cursos relacionados à arte e à cultura
• levantamento bibliográfico sobre contextos • estímulos e editais de cultura
diversos da prática artístico-cultural • disseminação seletiva da informação
• serviços de alerta de materiais ligados à
cultura, lazer e entretenimento.

FONTE: Adaptada de Silva e Farias (2018)

Essa tipologia indicada denota que a mediação da informação é um processo


encadeado e articulado que envolve tanto questões pedagógicas (mediação
explícita) quanto questões técnicas (mediação implícita), considerando que ambas
se complementam num continuum de ação de interferência indireta e/ou direta
junto à comunidade de usuários, respectivamente (SILVA; FARIAS, 2018).

Para Rosa (2009), com relação à mediação nos serviços de informação


de estímulo à cultura, a prática da ação cultural nas unidades de informação é
importante por produzir contribuições educativas e por seu caráter transformador
na realidade social, ou seja, a ação cultural não se resume em disponibilização
de bens culturais, podendo também ampliar a participação social e a criação de
novos bens culturais e conhecimentos. Assim, o profissional de biblioteconomia
é um dos agentes a proporcionar um ambiente para que o usuário participe, no
sentido de opinar, formular e criar.

Almeida Júnior (2009) sustenta que a mediação da informação perpassa


todos os serviços relacionados com o tratamento e a disseminação da informação,
caracterizando-se como um processo implícito de mediação, na medida em que
o usuário não está presente, embora ele seja o alvo de todo esse trabalho de
organização do conhecimento.

Debray (1993, p. 28-29) afirma que “mediações permeiam todo o processo


de comunicação e de transferência de informações. O conjunto dinâmico dos
procedimentos e corpos intermédios que se interpõem entre uma produção de
signos e uma produção de acontecimentos”.

20
TÓPICO 2 | MEDIAÇÃO CULTURAL

Já para a professora Nanci Oddone (1998), o bibliotecário tem sido


definido, na estrutura desse processo, como intermediário das ações de
comunicação da informação, situado por muitos autores no meio caminho entre
o emissor/produtor do conhecimento e o receptor/consumidor do conhecimento
gerado. Segundo a autora, seria seu papel identificar e atender às necessidades
informacionais de seus usuários imediatos e potenciais, procurando estabelecer
uma “dinâmica entre os repositórios estáticos do conhecimento que se encontram
sob sua responsabilidade e as questões vivas dos indivíduos na busca de novas
informações e conhecimentos” (ODDONE, 1998, p. 2).

No contexto dessa nova realidade sociocultural que vemos se desenvolver,


o trabalho do profissional bibliotecário deve configurar-se, de fato, como tarefa de
mediação, de interfaceamento, de filtragem, de elo no processo de apropriação de novos
conhecimentos, requerendo qualificações diferenciadas e em constante evolução.

A compreensão das novas dimensões que caracterizam seu exercício


profissional passa necessariamente pelo resgate do relevante papel social do
bibliotecário, sendo fundamental que os profissionais da informação tenham a
percepção que o papel de mediador é inerente a sua atuação. No entanto, para
muitos profissionais da área, a mediação se explicita principalmente nos serviços
de referência ou no processo de disseminação. Sendo pouco abordada em sua
formação, a mediação da informação acaba sendo considerara implícita e não
explicitada, principalmente como objeto de pesquisa científica.

A mediação está presente em todo conjunto de atividades do ‘fazer’


biblioteconômico, desde o processo de seleção e aquisição do acervo, da definição
do que expor ou não na biblioteca, no momento de indicação de materiais e até
mesmo nas palavras que são utilizadas no momento de indexação do acervo nas
bases de dados. Está presente, também, no momento de definir políticas que
podem discriminar ou não os usuários, e quando o profissional se posiciona ou
não frente a debates políticos de questões relevantes para a área.

Dessa forma, concordando com Almeida Júnior (2009, p. 6), “Se todo fazer
do profissional da informação é voltado para a mediação – quer implícita, quer
explícita – considerarmos a mediação da informação como objeto da área é um
encaminhamento lógico e natural”.

Silva (2015) classifica a mediação da informação em três tipos fundantes:

FIGURA 11 – CLASSIFICAÇÃO DA MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Mediação Mediação Mediação


técnica da pedagógica da institucional
informação informação da informação

FONTE: Adaptada de Silva (2015)

21
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

A mediação técnica da informação – concerne às ações de organização,


representação da informação envidadas pelo profissional da informação
estimulando o uso da informação, seja em ambiente físico ou virtual.
Por exemplo, a elaboração de catálogos, interação por e-mail e/ou redes
sociais do acervo do centro de informação, entre outros.
A mediação pedagógica da informação – consiste na condução
dos procedimentos e heurísticas a serem utilizadas no processo de
mediação. Para tanto, é fundamental um olhar constante nos estudos
de usuários contemplando questões relativas ao uso do acervo, das
condições tecnológicas, do serviço, das questões de pessoal e avaliação
da atuação do centro de informação de forma geral buscando uma
aproximação com a comunidade, assim como promovendo autonomia
para que o usuário tenha condições de escolha para apreensão e
apropriação da informação.
A mediação institucional da informação – está relacionada aos
procedimentos de como o profissional da informação irá buscar recursos
(financeiros, pessoais, equipamentos, acervo, instrumentos tecnológicos
etc.), seja dentro ou fora da instituição que o centro de informação
está inserido para concretizar suas ações e interferências, assim como
promover sua sustentabilidade (SILVA, 2015, p. 105, grifo do autor).

Os tipos de mediação apresentados por Silva (2015) possuem um conjunto


de características entre si. A primeira é de contradição, na medida em que há
o foco mais intenso em um tipo de mediação em detrimento das demais. Por
exemplo, o foco demasiado na mediação técnica relega a um plano inferior
a mediação pedagógica e institucional. O segundo é de complementaridade.
Quando se pensa a mediação a partir do aspecto institucional, a tendência é de
que mediação técnica e mediação pedagógica sejam contempladas dependendo
das condições oferecidas/conquistadas na mediação institucional e dependendo
do foco da equipe que medeia a informação. O terceiro e principal foco é o de
interdependência.

As três mediações podem apresentar contradições e complementos, mas


a lógica mais proficiente é a de que são interligadas como atividades holísticas e
estratégicas no sentido de que a mediação da informação precisa do institucional
para se “estabelecer estrutural e gerencialmente, além do técnico e pedagógico
para se estabelecer no caráter social e pragmático dos sujeitos (comunidade de
usuários) envolvidos na mediação da informação” (SILVA; FARIAS, 2018, p. 111).

2 DEBATES INICIAIS SOBRE MEDIAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA


A partir do momento em que aceitamos que o objeto da Ciência da
Informação é a mediação da informação, levamos em conta que não só a
informação registrada é relevante. Assim, diversas ações culturais já existentes
em unidades de informação ganham sentido, pois segundo Almeida Júnior
(2009), se nosso campo está apenas circunscrito à informação registrada, por
que fazer atividades culturais?

22
TÓPICO 2 | MEDIAÇÃO CULTURAL

Assim, a finalidade da ação cultural e/ou social é desenvolver o processo


de criação, favorecendo meios para que os indivíduos sejam criadores e façam
suas próprias escolhas. Para isso, o profissional da informação deve proporcionar
um ambiente para que o usuário participe, no sentido de opinar, formular e criar,
possibilitando o favorecimento de diversos usurários e potenciais usuários que
têm a oralidade como principal fonte de informação.

Também inclui comunidades étnicas ou grupos diferenciados que têm


a possibilidade de, através de ações culturais nesses espaços, se identificarem
com o ambiente, sentindo-se pertencentes a ele. Além de possibilitar ao usuário
“padrão” visualizar o “outro” e a troca de experiências e identificações mútuas,
a ação cultural contribui para o debate sobre o multiculturalismo que deve estar
presente nos ambientes informacionais.

Segundo Santos (2009), a cultura é uma dimensão do processo social,


da vida de uma sociedade em todos os aspectos da dinâmica social, não sendo
legítimo se considerar, portanto, que a cultura exista em alguns contextos e
não em outros. Assim, devemos explicitar a diversidade cultural, sendo que a
mediação nessas ações é fundamental.

Considera-se multiculturalismo um mecanismo para lutar contra toda


forma de intolerância e em favor de políticas públicas capazes de garantir os
direitos civis básicos a todos, ou seja, políticas que levem em conta os múltiplos
modos de ser e estar no mundo, que caracterizam populações diversas, com
especificidades culturais.

DICAS

Sobre o tema de combate à discriminação nos espaços das bibliotecas,


recomendamos a leitura do livro: Multiculturalismo em Ciência da Informação. Ele está
disponível em formato digital na biblioteca da UNIASSELVI.

FIGURA – CAPA DO LIVRO MULTICULTURALISMO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

FONTE: A autora

23
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Nesta obra, a autora reflete que as unidades de informação e suas atividades e


políticas de coleções não são elementos neutros e desinteressados na transmissão de
conteúdos dos conhecimentos. Por isso não se deve incorrer no erro de transmitir visões
de mundo particulares como se fossem universais, reproduzindo valores que participarão
da formação de identidades individuais e sociais e, portanto, formando sujeitos sociais.

Mattos (2013) acredita que há uma relação muito próxima entre a importância
de estudos sobre mediação na formação do profissional da informação e a realização de
ações ligadas à diversidade cultural. E que o maior desafio hoje no campo da Ciência da
Informação e na Biblioteconomia é a formação do profissional.

A mediação não é abordada como um objeto de pesquisa e, portanto, passa


quase que despercebida pela formação dos profissionais de biblioteconomia.
A fim de buscar uma reflexão sobre o assunto, trazemos aqui uma mensagem
de Ho Chi Minh, cujo nome verdadeiro era Nguyen Tat Thanh. Ele foi um líder
vietnamita e principal articulista da luta do Vietnã contra o domínio colonial
francês. Vejamos:

FIGURA 12 – HO CHI MINH

Nem muito alto, nem muito largo, nem imperador, nem rei.
Você é só um marco na estrada, que se ergue junto à rodovia.
As pessoas passam. Você indica a direção certa, e impede que se
percam. Você informa a distância que se precisa ainda percorrer.
Sua tarefa não é pequena e toda gente lembrará sempre de você.

FONTE: <https://www.biography.com/political-figure/ho-chi-minh>. Acesso em: 26 nov. 2019.

A mensagem de Ho Chi Minh, registrada na Figura 12, foi deixada


aos professores vietnamitas do século passado. Ela pode ser reportada aos
bibliotecários e profissionais da informação, destacando o caráter de mediadores
da informação e a responsabilidade sobre suas ações perante a sociedade. Mediar
é também ser um marco na estrada e indicar a direção certa. Essa função intrínseca
no fazer biblioteconômico é tão importante quanto ir à direção certa.

3 MEDIAÇÃO CULTURAL EM BIBLIOTECAS


Um dos documentos importantes para iniciarmos nossa conversa sobre
mediação cultural em bibliotecas é a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948). Essa declaração foi escrita após a libertação dos países envolvidos na
Segunda Guerra Mundial e as atrocidades cometidas naquele período. Nessa
declaração, a cultura se tornou um fator de singularização da pessoa humana,
promovendo sua dignidade.

24
TÓPICO 2 | MEDIAÇÃO CULTURAL

Destacamos aqui dois artigos em especial:

Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à


segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos
econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço
nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização
e os recursos de cada país. [...]

Artigo 27° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida
cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso
científico e nos benefícios que deste resultam (DECLARAÇÃO DOS
DIREITOS HUMANOS, 1948, p. 5-6, grifo nosso).

Segundo Rasteli (2019), uma série de tratados internacionais, entre outros


instrumentos adotados desde 1945, expandiram o escopo dos direitos humanos,
incluindo ações sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial, o
combate à discriminação contra as mulheres, os direitos da criança e os direitos
culturais, apenas para citar alguns.

Nessa tônica, destacamos o artigo 216 da Constituição brasileira, prevendo


que “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso
às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão
das manifestações culturais” (BRASIL, 1988, p. 96, grifo nosso).

Entretanto, mesmo sendo ressaltada nesses dois importantes documentos


é possível constatar que grande parte da população sofre privações referentes aos
elementos formadores da cultura.

Nesse aspecto, concordamos com Rasteli (2019), pois o pleno exercício da


cidadania está vinculado às práticas culturais estabelecidas, como as atividades
de produção e recepção cultural: ler, escrever, compor, pintar e dançar, entre
outras manifestações culturais.

Sob esse ângulo, as práticas culturais referem-se, também, à participação


cultural dos sujeitos no acesso às informações, como também em
frequentar teatros, museus, arquivos, cinemas e bibliotecas. Desse
modo, o acesso à cultura torna-se condição prévia que facilitaria (ou
não) a produção e a apropriação de produtos culturais efetivados por
processos mediadores, situação em que as bibliotecas se enquadram
fazendo parte do amplo sistema cultural (RASTELI, 2019, p. 111).

Rasteli (2019) ainda destaca que as bibliotecas, enquanto componentes


do sistema cultural, teriam relações intrínsecas com todas as esferas que
cercam o termo informação, já que a base de toda atividade cultural é a criação,
disponibilidade, circulação e apropriação das informações. Estas podem ser
oriundas de qualquer âmbito da criatividade humana, de qualquer expressão,
linguagem, registradas em algum suporte informacional ou não. Desse modo, a
informação seria tratada como um fenômeno intensamente relacionado à ordem
do conhecimento, à interação social e à comunicação.

25
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Com relação ao papel das bibliotecas nesses processos de acesso cultural,


destacamos alguns manifestos que se referem às bibliotecas como equipamentos
culturais e informacionais indispensáveis para o acesso às informações,
aprendizagens contínuas, tomadas de decisões independentes e para o
desenvolvimento cultural dos indivíduos e grupos sociais. São eles:

QUADRO 3 – MANIFESTOS IMPORTANTES SOBRE CULTURA

MANIFESTOS DISPONÍVEL EM:

https://www.ifla.org/files/assets/public-libraries/
publications/PL-manifesto/pl-manifesto-pt.pdf

https://www.ifla.org/files/assets/school-libraries-
resource-centers/publications/school-library-
guidelines/school-library-guidelines-pt.pdf

https://www.ifla.org/node/8976

https://www.ifla.org/publications/iflaunesco-
manifesto-for-digital-libraries

FONTE: A autora

Tais documentos destacam o papel das bibliotecas, que podem assumir


grande relevância ao estabelecer centros de informação e cultura, atuando
essencialmente na diminuição das desigualdades sociais, culturais e econômicas.

Nessa vertente, tem-se a informação como artefato material e simbólico


de produção de sentidos, fenômeno da ordem do conhecimento e da cultura.
Pode-se, então, entender que a informação é matéria-prima para a elaboração da
cultura. A informação é o elemento primordial para a prática social e a construção
da cultura. “Tem-se, desse modo, que a cultura é constituída por agentes e
instituições sociais em constantes interações baseada no acesso, produção,
difusão, recepção e apropriação de bens simbólicos” (RASTELI, 2019, p. 16).

Cada cultura tem um valor próprio a ser reconhecido, um estilo específico


que se manifesta na língua, nas crenças, nos costumes, na arte e que veicula um
espírito próprio (a identidade) (COELHO NETO, 2008). Assim, no vasto território

26
TÓPICO 2 | MEDIAÇÃO CULTURAL

brasileiro, coabitam diversas identidades culturais e, desse modo, somos muitas,


e como exemplos temos a cultura gaúcha, paulista, baiana, mineira etc. Em cada
espaço ou região uma identidade cultural aflora, diferente no sotaque, no hábito,
nos modos de ser, pensar e existir.

Uma cultura em meio a outras existentes num processo de constantes


mudanças e influências se funde com outras, novas e acasos inesperados
num vasto processo aberto e mutante. O profissional de biblioteconomia, ao
trabalhar com atividades culturais, terá como desafios lidar com as contradições
socioculturais da comunidade, sempre respeitando, contudo, as características
culturais do grupo com o qual trabalhará (RASTELI, 2019).

3.1 INFORMAÇÃO E CULTURA


A informação é um fenômeno intensamente relacionado à ordem do
conhecimento, à interação social e à comunicação, “sendo produto de uma
construção social que ocorre num contexto cultural-histórico-político marcado
por diferenças e disputas de classe, não só de natureza econômica e material,
mas também simbólica” (AZEVEDO; MARTELETO, 2008, p. 277). Nessa tônica,
os autores têm a informação como artefato material e simbólico de produção de
sentidos, fenômeno da ordem do conhecimento e da cultura.

Pode-se, então, entender junto a Ramos (2006), que a informação é matéria-


prima para a elaboração da cultura. Tem-se, desse modo, que a informação é o
elemento primordial para a prática social e a construção da cultura.

E
IMPORTANT

A cultura é constituída pelos agentes e instituições sociais em constante


interação baseada na produção, difusão, recepção e apropriação de bens simbólicos.
Atualmente, o aprendizado do mundo é mediado pelas informações que ordenam a
cultura e dão sentido à relação com o mundo.

Nessa instância, a informação referencia tanto os modos de relação dos


sujeitos com a realidade como os artefatos criados nas e pelas relações e práticas
sociais. Nessa direção, Perrotti (2016, p. 9) vislumbra uma perspectiva sociocultural
da informação, que por sua vez apresenta facetas que contemplam e ultrapassam
patamares meramente físicos ou técnicos, já que a informação apresenta “uma
incontornável e distintiva dimensão simbólica, forjada na cultura, por meio de
signos que são constituídos e compartilhados em relações históricas e sociais”.

27
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Já Barreto (2005) define a informação como uma ferramenta da consciência


dos indivíduos. Desse modo, a informação somente exerceria sua função de gerar/
complementar conhecimento quando assimilada e compreendida como tal.

Hjorland (2007, p. 154-155) se reporta à assimilação da informação,


que passa a ser compreendida como apropriação. Nesse aspecto, a geração de
conhecimento difere, portanto, de sujeito para sujeito, avaliando que “uma
mesma informação pode ter diferentes significados para diferentes pessoas e
para a mesma pessoa em diferentes tempos”.

Barreto (2005, p. 7) considera, desse modo, a participação ativa do sujeito


no processo de apropriação das informações, revelando uma complexidade cuja
importância da ação do bibliotecário se faz em estabelecer mediações, interações
simbólicas entre os sujeitos e o mundo cultural.

Para Rasteli (2019), é através de outros (bibliotecários) que o sujeito


(usuário) estabelece relações com objetos de conhecimento, ou seja, que a
elaboração cognitiva (apropriação cultural) se funda na relação com o outro,
processo visto como mediação.

E
IMPORTANT

A apropriação cultural está inserida no processo de produção de significados,


constituindo em experiências para os sujeitos, não como meros decodificadores de
conteúdos, mas como produtores de novos significados. Ao verificar as informações
no contexto social-cultural, a Ciência da Informação poderá contribuir com pesquisas
centradas em políticas, dinâmicas e em práticas culturais nos equipamentos informacionais.

4 AÇÃO CULTURAL: POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO DO


BIBLIOTECÁRIO
Ação cultural e as várias possibilidades de atuação do profissional
bibliotecário nessa área é o principal tema deste texto. Muito rico em criatividade,
faz com que viajemos nas inúmeras ações que apresenta. Ação cultural é um
espaço de ampla atuação, podendo ser realizado em qualquer espaço como:
escolas públicas, privadas, escolares, universitárias, comunitárias etc.

Cabral (1999) nos fala das dificuldades de na prática ocorrerem atividades


de ação cultural. A autora explica que os profissionais não se sentem preparados
para desenvolver essas atividades, resultando em insegurança por parte destes.
Isso pode ocorrer, segundo ela, por falta de publicações teóricas relativas ao

28
TÓPICO 2 | MEDIAÇÃO CULTURAL

assunto. Isso se deve, também, pela pouca experiência concreta desenvolvida


nas universidades, pois em muitas universidades que ofertam o curso de
Biblioteconomia sequer existe a disciplina de ação cultural e social.

Há situações nas quais a atividade cultural instiga, perturba e incomoda.


O resultado da atividade cultural não é o lazer por si só, como também o
estranhamento e a reflexão. O resultado “é uma dimensão política por estar
revestida de um caráter transformador, que visa operar mudanças na realidade”
(CABRAL, 1999). A autora convida o leitor a se “engajar politicamente” em
projetos ligados à área. Explica que, para esse envolvimento não ocorrer de forma
autoritária, é necessário que saibamos a conceituação básica sobre ação cultural,
norteadora de nossas atividades.

Cabral (1999), em sua conceituação básica, nos apresenta as diferenças


entre “fabricação cultural”, “ação cultural” e “animação cultural” baseadas em
Coelho Neto (1999), que explica que a principal diferença entre fabricação cultural
e ação cultural é a forma com que se dá o papel do agente cultural na condução
do processo. Na fabricação cultural, o agente somente enumera as ferramentas
necessárias para a criação. Essa ação é planejada e tem como “objeto” um resultado
esperado, pode-se dizer que é “feita para”. Já na ação cultural é “feita junto”, ou
seja, não é algo pronto para ser consumido, ele tem que provocar e ganhar a
“cara” de seu público. O resultado deste será a possibilidade de reflexão acerca
do tema abordado. Poderíamos dizer que é brincar de pensar.

Já a animação cultural tem como objetivo “divertir” o público. Não


muito diferente da televisão, que segundo Milanesi (2003, p. 54), cria a “anorexia
informacional”. Tal autor considera que a informação vem pronta, não sendo
necessária a reflexão. “Ele tem conhecimento apenas daquilo que decidiram
que ele deve saber, ele é um ser planetário incapaz de explicar a sua própria
história”. O resultado, conclui, é a abdicação da criatividade e o atrofiamento
da capacidade de inventar. Este último, segundo Milanesi (2003), é o oposto dos
objetivos da ação cultural.

Para a autora, é necessário que o profissional bibliotecário esteja


preparado para trabalhar com equipes multidisciplinares, pois isso facilita
quanto ao receio de não estar totalmente preparado (MILANESI, 2003). A partir
do desenvolvimento de atividades, esse receio passa e a sua superação é o
aprimoramento das atividades.

No que se refere ao conceito de cultura, é teoria norteadora também de


nossas atividades, ela apresenta o conceito de Fávero (1983 apud CABRAL 1999),
e baseada neste, conclui que “cultura é um processo dinâmico e ininterrupto,
construído na práxis social a partir da experiência concreta da vida dos sujeitos,
sendo trabalho que se materializa na ação humana”. Ao realizar experiências
de ação cultural, conforme conceituação básica, o profissional bibliotecário dará
um passo adiante na busca de uma comunidade pensante e profissionais que,
em muitos momentos, confundirão o “EU” com o “OUTRO”, fundamental na
verdadeira socialização de experiências e culturas.

29
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

A partir dos anos de 1970 é que o profissional bibliotecário passa a


discutir sobre as possibilidades de mudanças de uma biblioteca elitista para uma
biblioteca mais popular. Nesse período muitas dificuldades foram enfrentadas,
pois o alto índice de analfabetismo, bem como a saída de um momento político
de ditadura não eram condições fáceis de serem trabalhadas.

Cabral (1999) também apresenta o que a ação cultural libertadora deve conter:

FIGURA 13 – CARACTERÍSTICAS DE AÇÕES CULTURAIS LIBERTADORAS

Que os indivíduos não sejam apenas receptores, mas sujeitos da criação cultural.

A elaboração da cultura com o povo e não para o povo.

Facilitar a utilização de instrumentos adequados ao desenvolvimento da


capacidade criadora dos indivíduos.

A desalienação da cultura e a busca de uma identidade cultural.

A democratização da cultura.

FONTE: Adaptada de Cabral (1999)

Assim, vimos que, ao estudar as variadas facetas da ação cultural


é possível descobrir diversas possibilidades de atuação nas unidades de
informação. A partir da parte teórica e prática é possível engajar-se para ser
um futuro profissional comprometido com a sociedade, bem como um agente
promotor de ação cultural.

30
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A palavra mediação vem do latim mediatione, que designa originalmente


intervenção humana entre duas partes, ação de dividir em dois ou estar no
meio. O conceito de mediação foi tomado por diferentes perspectivas, indicando
ideias de relação, interveniência, conjugação, religação, ponte ou elo.

• Mediação da informação pode ser considerada toda ação de interferência


– realizada pelo profissional da informação –, direta ou indireta; consciente
ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; que propicia
a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente, uma
necessidade informacional.

• A mediação da informação é dividida em implícita e explícita, sendo que a


primeira (implícita) ocorre nos espaços dos equipamentos informacionais em
que as ações são desenvolvidas sem a presença física e imediata dos usuários.
Nesses espaços estão a seleção, o armazenamento e o processamento da
informação. Já a segunda (explícita) acontece nos ambientes onde a presença
do usuário é inevitável, é condição sine qua non para sua existência, mesmo que
tal presença não seja física, como por exemplo, nos acessos a distância.

• Com relação à mediação nos serviços de informação de estímulo a cultura, a


prática da ação cultural nas unidades de informação é importante por produzir
contribuições educativas e por seu caráter transformador na realidade social.
Ou seja, a ação cultural não se resume em disponibilização de bens culturais,
podendo também ampliar a participação social e a criação de novos bens
culturais e conhecimentos. Assim, o profissional de biblioteconomia é um dos
agentes a proporcionar um ambiente para que o usuário participe, no sentido
de opinar, formular e criar.

• A mediação está presente em todo conjunto de atividades do ‘fazer’


biblioteconômico. Desde o processo de seleção e aquisição do acervo, na
definição do que expor ou não na biblioteca, no momento de indicação de
materiais e até mesmo nas palavras que são utilizadas no momento de indexação
do acervo nas bases de dados. Está presente, também, no momento de definir
políticas que podem discriminar ou não os usuários, e quando o profissional se
posiciona ou não frente a debates políticos de questões relevantes para a área.

• A finalidade da ação cultural é desenvolver o processo de criação, favorecendo


meios para que os indivíduos sejam criadores e façam suas próprias escolhas.
Para isso, o profissional da informação deve proporcionar um ambiente para
que o usuário participe, no sentido de opinar, formular e criar, possibilitando
o favorecimento a diversos usurários e potenciais usuários que têm a oralidade
como principal fonte de informação.

31
AUTOATIVIDADE

1 Almeida Júnior (2009) divide a mediação da informação em implícita e


explícita. Explique essa divisão.

FONTE: ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Mediação da informação e múltiplas linguagens. Tendências


da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, América do Norte, v. 2, n. 8, 2009.

2 Rasteli (2019) destaca que as bibliotecas, enquanto componentes do sistema


cultural, teriam relações intrínsecas com todas as esferas que cercam o termo
informação. Por quê?

FONTE: RASTELI, A. Mediação cultural em bibliotecas: contribuições conceituais. Dissertação


– Mestrado em Ciência da Informação. Unesp, 2019.

32
UNIDADE 1
TÓPICO 3

O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECONOMIA

1 INTRODUÇÃO
Embora pouco debatida, a importância da ação cultural e social no Brasil
é significativa. Tanto numa perspectiva geral como na ação dos profissionais que
atuam em unidades de informação, as ações culturais e sociais colaboram com o
fortalecimento do processo de cidadania, com a qualidade de vida das pessoas e
mesmo com a economia do país. Por tais razões a informação e a cultura também
são consideradas bens econômicos e sociais.

Em Serviços bibliotecários e desenvolvimento social: um desafio profissional,


Amaral (1995) desnuda o papel estratégico da informação e da cultura na
atualidade, na perspectiva econômica e social. Nesse artigo de fôlego, a autora
aborda questões importantes relativas à informatização, à economia e à política
de informação, ressaltando a importância das bibliotecas e dos bibliotecários para
o desenvolvimento social.

Já de início, a autora arremata: “A informação é um fator imprescindível


para impulsionar o desenvolvimento da sociedade, constituindo-se em um
insumo de fundamental importância de geração de conhecimento que, por
sua vez, possibilitará de modo eficiente a satisfação das diversas demandas da
população” (AMARAL, 1995, p. 1).

Amaral (1995) destaca que é importante o bibliotecário atuar sempre


atento às mudanças impostas pelos avanços da tecnologia, sendo receptivo a elas,
desenvolvendo principalmente sua criatividade. Segundo a autora, o profissional
criativo conseguirá adaptar-se às novas demandas informacionais dos usuários
e do mercado de trabalho, pois “[...] no futuro, o único elemento não disponível
por meio de computadores, por mais inteligentes que esses venham a ser, será a
criatividade, essencial para sobrevivência do profissional da informação”.

No ano seguinte, embora não se remetendo especificamente às ações


culturais e sociais, Amaral (1996) publica Marketing e desafio profissional em unidades
de informação, trazendo à baila um viés de busca de financiamento de ações com
o qual as unidades de informação (e também os profissionais da informação),
devem ter como organizações essenciais com efetiva participação para promover
o desenvolvimento da sociedade.

33
Em defesa de uma nova postura profissional diante da realidade,
Amaral (1996, p. 6) já sustentava, há mais de duas décadas que “É preciso sair
do imobilismo, levantar da cadeira, sair do escritório, [...] negligenciar rotinas
tradicionais e práticas antiquadas em favor do espírito de descoberta do mundo
dos usuários, com flexibilidade de atitudes”.

2 A BIBLIOTECONOMIA NO CONTEXTO SOCIAL


Primeiramente, nossa principal preocupação como bibliotecário era de
organizar, zelar e catalogar a informação, na sua maioria em formato de livros e
documentos em papel. Aprendíamos que essa era nossa maior função. Nas últimas
décadas, porém, processaram-se mudanças significativas, principalmente a partir
da expansão do uso de computadores e da internet. Novos paradigmas foram
estabelecidos e a ciência da informação definitivamente ocupou maior espaço na
sociedade. Segundo Albagli (1996, p. 396):

Essa crescente inserção socioeconômica da ciência supõe, por sua vez,


a aceitação, pela sociedade, do caráter benéfico da atividade científica e
de suas aplicações. Do mesmo modo, implica uma rápida assimilação,
na vida cotidiana dos indivíduos, dos artefatos técnico-científicos
transformados em objetos de consumo, dada a velocidade com que
vêm ocorrendo as inovações nesse campo. A própria sociedade amplia
seu interesse e preocupação em melhor conhecer e também controlar
– o que se faz em ciência e o que dela resulta: verdadeira "revolução
comercial" e a ascensão da classe burguesa, que iria estimular o
desenvolvimento das ciências e das técnicas.

Com isso, logo entendemos que nosso desafio é ainda maior, pois o
bibliotecário faz parte de uma sociedade que, apesar de ser considerada “da
informação”, convive – destacadamente no Brasil – com dados de gritante
desigualdade social e falta de informação. Corroborando com Depallesc (1987
apud ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 8), “apesar de los avances técnicos considerables
como el desarrolho de las computadoras y el progreso espectacular de las
telecomunicaciones, la información em los países capitalistas no está al alcance
del pueblo ni está organizada para uso popular”.

As ações dos profissionais bibliotecários têm que vir ao encontro de seu


papel social, de sua incumbência, não importando se trabalha em um espaço
apropriado com recursos ou em outro que não os tem.

Segundo Almeida Júnior (1997, p. 33, tradução do autor), “Exime-se,


assim, a biblioteca de qualquer culpa pela falta de usuários, já que a sua função
– possibilitar a recuperação da informação – está sendo executada a contento,
dentro das possibilidades oferecidas pelo governo e dentro do que acham ser o
interesse e a expectativa da população”.

34
Mas só a disponibilização da informação não é suficiente para constituir
a sociedade da informação. O mais importante é o aprendizado contínuo, que
ultrapassa os limites tradicionais das escolas e universidades, estando inserido no
dia a dia do indivíduo para toda sua vida. Esse aprendizado está, principalmente,
no uso da tecnologia da informação, comunicação e no seu conteúdo. Logo, o
ideal é aumentar a participação das pessoas na vida social, cultural e política
através da democratização do acesso a novas tecnologias, para que a informação
seja distribuída de maneira a atender e satisfazer às necessidades dessa sociedade.

Segundo George Miller (1978 apud MACGARRY, 1999, p. 3):

A informação é algo de que necessitamos quando deparamos com uma


escolha. Qualquer que seja o seu conteúdo a quantidade de informação
necessária depende da complexidade da escolha. Se depararmos com
um grande espectro de escolhas igualmente prováveis, [...] precisamos
de mais informações do que se encarássemos uma simples escolha
entre as alternativas.

O impacto que a infinidade de informações causa no cotidiano do ser


humano depende de como, por quem e com que objetivos ela é utilizada. A
informação por si só não é boa nem ruim. Esse impacto positivo ou negativo
depende da intenção de quem dissemina essas informações. Assim, o aprendizado
contínuo se faz necessário exatamente para que o indivíduo tenha a capacidade de
processar, diferenciar e filtrar milhares de informações recebidas continuamente
dos meios de comunicação, utilizando somente aquelas que possam de alguma
forma lhe ser útil.

Oportunamente citamos Ayala e Ayala (1995 apud ALMEIDA JÚNIOR,


1997 p. 11): “na sociedade capitalista [...] a desigualdade econômica engendra
a desigualdade de acesso aos outros bens produzidos pela sociedade, inclusive
a cultura. Deste modo, os dominados economicamente também o são política e
culturalmente”. Obviamente, a informação não foge desse contexto.

A evolução de um país na sociedade da informação depende do


envolvimento ativo dos indivíduos, mais especificamente os cientistas e
pesquisadores em tecnologia de informação e comunicação. Porém, “antes de
qualquer coisa, o Estado precisa encarar a informação como um recurso de gestão
e desenvolvimento para o país” (FERREIRA, 2003, p. 37).

Segundo Mansell e Wehn (1998 apud WERTHEIN, 2000 p. 77):

O acesso universal ao conteúdo e às fontes de conhecimento apontam


para a necessidade de resolver vários outros desafios. Um dos mais
relevantes é elevar o volume de informação de qualidade e de expressão
da população de cada sociedade. Isso envolverá convencer o governo e
centros produtores de conhecimento financiados por recursos públicos
a tornarem disponíveis ao público às informações produzidas.

35
E, nesse particular (disseminação do conhecimento), o profissional
bibliotecário exerce papel preponderante, visto que cabe a ele, devidamente
preparado, levar ao seu usuário não só a informação pronta e acabada, mas
também alternativas de consultas que visem enriquecer a pesquisa solicitada.
Conforme Valentim (2002, p. 89), “a qualificação e criatividade do profissional
bibliotecário são indispensáveis, a fim de que ele possa saber agir diante de
situações novas, sabendo buscar novas soluções para velhos problemas”. Como
evitar, então, que as novas tecnologias aumentem mais a disparidade social entre
as pessoas e as nações?

Moreira (1995, p. 73), pondera:

Contudo, temos que considerar que o uso de tecnologias não irá


resolver os problemas da biblioteconomia, mas sua utilização adequada
e desmistificada oferece perspectivas positivas para a atuação do
bibliotecário diante das atuais exigências. Cabe a ele reconhecer que
a prioridade é a formação profissional e não o uso obrigatório das
tecnologias; cabe-lhe igualmente perceber a urgência da formação de
uma cultura tecnológica entre os profissionais e utilizar os recursos
de informática para a obtenção do enriquecimento das atividades
profissionais, considerando que o computador pode ajudá-lo a
encontrar uma maneira de atuação mais interativa e participativa.

Sem esquecermos da importância de ter o poder público como aliado de


peso nessa missão de tornar a informação um bem acessível a todos, citamos
Ferreira (2003, p. 40) quando ele diz: “O Estado deve ser alertado para a
necessidade de estar comprometido na criação de políticas públicas voltadas para
a inclusão do cidadão, em um contexto em que a informação é preconizada como
a nova força motriz do desenvolvimento”.

Abordando a democratização do acesso à informação com relações de


poder e com a própria democratização da sociedade, relacionamos que o acesso à
informação pode se configurar como um elemento propulsor do desenvolvimento
humano. Para tanto, algumas organizações da sociedade civil vêm trabalhando
no desenvolvimento de políticas de informação que visam dar embasamento à
luta e à conquista de direitos e deveres civis em prol de uma democracia mais
participativa.

Vejamos a seguir um depoimento de uma profissional que tem atuado


nessa perspectiva social da Biblioteconomia.

36
TÓPICO 3 | O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECONOMIA

NOTA

Por Catia Lindemann

Bibliotecária ativista de biblioteconomia social e presidente da Comissão Brasileira de


Bibliotecas Prisionais (CBBP) da Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários (FEBAB)

FIGURA – BIBLIOTECONOMIA SOCIAL

FONTE: <https://biblioteconomiasocial.blogspot.com/2015/02/biblioteconomia-social.html>.
Acesso em: 26 nov. 2019.

Obter o título de bacharel em Biblioteconomia, dentro de uma Ciência Social


Aplicada, área com o respaldo técnico do conhecimento e aceitar essa verdade como
única, sempre me causou inquietude ao longo do curso. Ora, para o senso comum, o
bibliotecário é um profissional que lida somente com a técnica de organização das obras
do conhecimento, fica sempre uma imagem do indivíduo estereotipado das bibliotecas.
Em minha concepção, a biblioteconomia é mais que fazer isso, ou mais deve ser. A
interação entre a técnica e o social me fez conceber o que intitulo de Biblioteconomia
Social, lembrando que dentro da contemporaneidade, talvez seja preciso conceber uma
técnica bibliotecária, mencionando a responsabilidade social que a cerca. Devemos tratar
e disseminar a informação, mas também levar a informação a quem não tem ingresso a
ela, transformando a nossa biblioteconomia em ponte para o acesso à educação, afinal não
classificamos e catalogamos apenas os livros, mas os saberes acima de tudo.

A biblioteconomia transforma o bibliotecário único enquanto profissional referência


da informação e pela experiência acadêmica vivida ao longo do curso, participando de
modo ativo de projetos sociais de cunho bibliotecário, aprendi que não há como aplicar o
social, se não houver uma exímia técnica, mas conceber uma técnica sem o respaldo social
requer uma boa discussão cientifica.

FONTE: <https://biblioteconomiasocial.blogspot.com/2015/02/biblioteconomia-social.html>.
Acesso em: 26 nov. 2019.

37
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

3 PARCERIAS PARA PROJETOS CULTURAIS E SOCIAIS


Em sua reflexão sobre os desafios das unidades de informação e do
profissional bibliotecário na atualidade, Amaral (1996) sustenta que, quer
queiram, quer não, os bibliotecários precisam enfrentar o dilema do financiamento
de ações para melhor atendimento aos seus usuários. Na visão da autora, a
aplicação de técnicas mercadológicas no setor de informação permitirá que
essas unidades sejam encaradas como um "negócio". “Essa abordagem pode
auxiliar o profissional da informação a vislumbrar a dimensão da unidade de
informação e dos serviços prestados pelos seus profissionais da informação no
desenvolvimento da sociedade” (AMARAL, 1996).

Embora ainda seja pouco explorado pelo profissional da informação na


obtenção de recursos, o marketing cultural apresenta-se como uma possibilidade
de parceria entre a unidade de informação e empresas. Amaro (2000) defende
que o uso de técnicas de marketing cultural melhora a imagem das unidades de
informação, agregando qualidade nos serviços prestados e valorizando a imagem
do profissional da informação.

Muitos costumam associar o marketing cultural apenas a grandes


projetos, mas também pode ser utilizado na divulgação de projetos menores.
O fato de o marketing cultural estar mais relacionado a grandes projetos, como
festivais e filmes, pode servir como ressalva para realização de um projeto em
uma biblioteca. No entanto, devemos atentar que projetos de pequeno porte são
de grande valia para atingir um público segmentado (AMARO, 2000).

A visão dos dois autores é semelhante quanto à necessidade de os


bibliotecários trabalharem a partir das necessidades dos usuários, orientando
o uso do produto cultural para satisfazer tais necessidades. Amaral (1996)
acrescenta que, para utilizar o marketing cultural, o bibliotecário deve conhecer
conceitos mercadológicos e adaptá-los à unidade de informação.

[...] para a adoção do marketing evidenciam a constante necessidade


de incutir o verdadeiro profissionalismo naqueles que trabalham em
unidades de informação, reconhecendo a importância da informação
como insumo básico das atividades desenvolvidas, sem descuidar da
prioridade que deve ser dada ao usuário como consumidor dos produtos
e serviços oferecidos por essas organizações (AMARAL, 1996, p. 4).

Manovich (2001 apud RIBEIRO; CUNHA, 2007) amplia esse debate ao


destacar o uso cada vez maior da internet no cotidiano das pessoas e, portanto,
podendo ser utilizada pelo bibliotecário como ferramenta para projetos de ações
culturais e sociais. E, nessa perspectiva, criando possibilidades de agregar novos
conhecimentos e contribuir com o desenvolvimento social e cultural da sociedade.

Rosa (2009) já acentuava o uso das novas tecnologias em várias bibliotecas,


centros culturais e museus, como a Library of Congress, disponibilizando seu
catálogo de fotografias históricas para que os usuários façam comentários,

38
TÓPICO 3 | O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECONOMIA

compartilhem informações ou criem blogs que promovam leitura, como o caso


da Biblioteca de Colmenarejo de la Universidad Carlos III de Madrid e o Blog da
Biblioteca do ISCA da Universidade de Aveiro.

[...] a ação cultural não se limita à disponibilização de informação, só


isso não é suficiente para que ocorra a prática cultural, o profissional
da informação deve trabalhar a informação com o objetivo de gerar
novos conhecimentos, criar oportunidades e apresentar caminhos
para que os envolvidos reflitam e sejam capazes de criar conclusões
gerando novos conhecimentos.
Vemos que para isso é necessário a visão crítica por parte do profissional da
informação, para que o mesmo possa oferecer possibilidades individuais
de criação e difusão da informação, expandir as possibilidades individuais
e ao mesmo tempo não interferir nesse processo, e sim trabalhar como
mediador da informação (ROSA, 2009, p. 379).

39
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

LEITURA COMPLEMENTAR

MEDIAÇÃO CULTURAL EM BIBLIOTECAS:


CONTRIBUIÇÕES CONCEITUAIS

Alessandro Rasteli

[...]

Biblioteca e ação cultural

Organizar a informação não basta, diz Milanesi (1987, p. 104): “É necessário


torná-las públicas. Essa tarefa que dá potência à informação, que potencializa a
informação é ação cultural”.

Não se pode inferir com segurança sobre a existência de práticas de


ação cultural em bibliotecas brasileiras, ao menos na concepção de ação cultural
trabalhada por Coelho (2012) quando articula que o objetivo da ação cultural não
é o de construir um tipo determinado de sociedade, mas, sim, o de provocar as
consciências para a totalização, no sentido dialético do termo, de um novo tipo
de vida derivado do enfrentamento aberto das tensões e conflitos surgidos na
prática social concreta.

Mas, como o próprio Coelho (2012) argumenta, é difícil manter essa aposta,
maiormente em âmbito brasileiro, onde fatores diversos tornam-se congruentes
para a manutenção do atual panorama em que as bibliotecas estão inseridas.

Os relatos encontrados na literatura da área sobre a ação cultural e


a biblioteca são pautados, muitas vezes, nos conceitos de autores como Freire
(1981), Flusser (1983), Almeida (1987) e Teixeira Coelho (2012).

No enfoque às bibliotecas universitárias, Sanches e Rio (2010) destacam não


existir uma fórmula ou uma receita para o desenvolvimento de uma ação cultural
dentro da biblioteca universitária ou em qualquer outro segmento de biblioteca,
mas tem-se somente a existência de um princípio e de um envolvimento.

Nesse quesito, os autores propõem em dizer que o conceito de ação cultural


se mescla com a noção de atividades com atos de reflexão político e democrático.
Uma ação mediante atividades culturais constituídas de circunstâncias-
problemas vividas como experiências humanas, que potencialize e fomente a
capacidade criativa de repensar o novo a partir do antigo, num efeito contínuo de
emancipação intelectual (SANCHES; RIO, 2010).

No estudo de práticas de ação cultural no cotidiano das bibliotecas públicas


de Salvador, Ribeiro e Cunha (2007) atestam que as atividades consideradas como
ação cultural relatadas pelos bibliotecários são: atividades de hora do conto para
as crianças, murais educativos, filmes, exposições e oficinas de arte.

40
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

Porém, Ribeiro e Cunha (2007) também observam que as bibliotecas de


Salvador não estão promovendo a ação cultural proposta por autores como
Freire (1981), Flusser (1983), Milanesi (2003) e Coelho (2012).

Todavia, os autores consideram que não se deve permitir ao usuário


sair da biblioteca após permanecer passivamente ao que aconteceu, mas
sobretudo envolvê-lo como elemento participante, produzindo, trocando ideias
e experiências culturais (RIBEIRO; CUNHA, 2007). Incidindo sobre a atuação do
bibliotecário no campo da cultura e na ação cultural como operação sociocultural,
Cunha (2010, p. 75) entende que o trabalho de agentes culturais volta-se:

Para a realização de processos e a promoção de serviços, ou seja,


para a dinamização e para as mudanças de estado ou de situações
que conduzam ao enriquecimento intelectual, cognitivo, sensitivo
(estético), associativo, social ou mesmo corporal, e que possam ocorrer
na medida em que se estabeleçam oportunidades diferenciadas em
face das atitudes, vivências e do senso-comum cotidianos.

Assim, numa perspectiva abreviada, Cunha (2010) traça a ação cultural


como uma intervenção simultaneamente técnica, política, social e econômica,
podendo ser levada a efeito pelas bibliotecas, que conceba, coordene, gere ou
participe de programas, projetos e atividades diversas.

Em linhas gerais, Cunha (2010) também aponta que o discurso da ação


cultural segue a tradição humanista ou iluminista da pluralidade das experiências
e da diversidade do pensar, implicando que, por seu intermédio, possam ser
geradas novas ações individuais e coletivas.

Nesse quesito, pensa-se que a ação cultural possa produzir um efeito


contínuo em elaborações, em experiências e em conhecimentos. Entretanto,
apesar do conceito de ação cultural ter surgido em meados do século passado,
atualmente, no contexto das bibliotecas, presencia-se pouca produção científica
sobre a questão.

Almeida Júnior (2017) atesta que, na década de 1990 e em boa parte


dos anos de 2000, o tema da ação cultural foi quase esquecido. Fenômeno este
percebido não apenas nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, mas
presente em todos os segmentos do conhecimento e da sociedade, em especial na
política e em todos os movimentos organizados da população.

Dessa maneira, Almeida Júnior (2017) escreve que as discussões em


torno da ação cultural em bibliotecas permaneceram longínquas de debates e
preocupações de pesquisadores, estudiosos e bibliotecários fazendo-se com que
outros assuntos emergissem em pautas como tecnologia, informática, gestão da
informação e do conhecimento.

41
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

Contudo, na década de 1980, Paulo Freire (1981) trabalhou a noção de


ação cultural constituindo-a de quatro ações básicas: o diálogo, a conscientização,
a atividade educativa e a libertação. Na acepção de Freire (1981), os sujeitos
assumem os papeis de criadores da ação.

IMAGEM – O semeador de livros

Para uma compreensão crítica e consciente, existe a veracidade de perceber-


se os sujeitos como seres “abertos” ou libertos existentes no mundo e com o mundo.
Somente sujeitos, como “seres abertos”, serão capazes de realizar a complexa operação
de, simultaneamente, transformar o mundo através de sua ação, captando a realidade
e expressando-a por meio de sua linguagem criadora (FREIRE, 1981).

Para Flusser (1980), uma biblioteca ação cultural é aquela que participa no
processo de oferecer a palavra ao não público. Nesse aspecto, dar a palavra implica
em fornecer à aspiração fundamental de igualdade, onde a classe dominada tem
o direito de criar, recriar, decidir e optar.

Barros (2007) argumentou que a ação cultural “[...] implica um projeto, a


partir do público-alvo e de objetivos claramente definidos, girando em torno de
imaginação, ação e reflexão [...]”.

Transportadas para a prática, as três premissas (imaginar, agir e refletir)


podem ser desenvolvidas a partir de um problema detectado, a preocupação, as
ideias e o pensamento criativo, como pontos de partida para seguir em direção à
realidade e à solução concreta (BARROS, 2007).

Barros (2007) apoiou-se como estratégia pré-definida na prática da ação


cultural, no alcance de uma pedagogia aplicável: informar-debater-criar/resgatar
conhecimento.

42
TÓPICO 1 | CULTURA E BIBLIOTECONOMIA

A autora analisou a ação cultural como uma intervenção sociocultural,


respeitando-se cada comunidade e suas características, com propósito de se
atingir conhecimento, afetando, desse modo, a condição cultural e social da
sociedade em foco.

Para Coelho (2012), uma proposta pedagógica para a ação cultural é a


utilização do modo operativo da arte: livre, libertário e questionador, para, assim,
revitalizar laços comunitários corroídos e interiores individuais dilacerados por
cotidianos fragmentados, ocasionados pelos disparates sociais.

Nessa proposta está a noção de provocar-se as consciências para que os


sujeitos se apropriem da cultura e criem as condições de um novo tipo de vida
derivado do enfrentamento aberto de tensões e conflitos surgidos na prática
social concreta (COELHO, 2012).

Cunha (2010, p. 75) utiliza simultaneamente as expressões ação cultural


e animação cultural descrevendo-as como “uma intervenção simultaneamente
técnica, política, social e econômica”, exercida pelo poder público ou organizações
privadas que concebem, coordenem, gerem ou participem de programas, projetos
e atividades relativas à:

1) Formação ou aprendizado de técnicas e/ou de conhecimentos


artesanais, artísticos e científicos; 2) difusão de obras simbólicas e de
experiências estéticas por meio de espetáculos, festivais, exposições,
debates, seminários; 3) formação e desenvolvimento de grupos
sociais, com seus objetivos específicos e os gerais de melhoria de vida,
em defesa de direitos civis ou de cidadania – grupos de idosos, de
adolescentes, de mulheres, de bairro, de proteção ambiental, etc.; 4)
educação popular, vinculada a temas delimitados; mas de tratamento
informal e adesão voluntária – alfabetização, vulgarização científica
e tecnológica, dinamização de bibliotecas, habilidades artesanais ou
bricolagem, línguas, etc.; 5) formação ou aprendizado de habilidades
corporais ou desportivas – cursos e treinamentos; 6) difusão de
modalidades esportivas (jogos, torneios, campeonatos); 7) turismo
social (de férias, de fins de semana, acampamentos); 8) conservação e
popularização do acesso e do conhecimento a patrimônios e acervos
históricos, científicos e artísticos; 9) criação ou estímulo à formação
de centros ou de movimentos de informação e de formação culturais
em pequenas e médias comunidades; 10) treinamento de quadros
voluntários, semiprofissionais ou profissionais de agentes ou
animadores (CUNHA, 2010, p. 75-76).

Nota-se que Cunha (2010) determina um campo de trabalho amplo


para a ação ou animação cultural, abrangendo diversas áreas da cultura como a
artística, científica, popular (artesanatos), educacional, patrimonial, ambiental e
fortalecimento de grupos sociais, entre outros.

Cunha (2010, p. 76) defende a ação cultural como “Todo o sistema de


símbolos que resume e representa os comportamentos e a criação cultural faz
parte de seu universo possível”. A ação cultural é luta “contra a barbárie e,

43
UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS SOBRE CULTURA E ATIVIDADES SOCIAIS

consequentemente, a favor de um processo civilizatório”. Na vertente de processo


emancipatório, Coelho (1986) fala que a ação cultural é a contínua descoberta,
o reexame constante, a reelaboração da vida. Analisa-se assim, que o grupo se
descobrirá, bem como seus fins e seus meios.

A ação cultural também se manifesta no oferecimento de oportunidades


para a criação, o entendimento e a difusão de bens culturais não industrializados;
selecionados com critérios, manifestações e obras qualitativas produzidas pela
cultura de massa (CUNHA, 2010).

Na proposta formulada por Paulo Freire (1981), a ação cultural é um


processo de afirmação do homem como ser consciente de sua realidade, voltada
para a libertação e fundamentada no diálogo.

No âmbito das linguagens artísticas, a ação cultural tende a levar os sujeitos


a reconhecerem seus problemas e sua realidade, abordando-os criticamente
através das expressões culturais. Intitulada de arte engajada, a arte como protesto
expressa os dilemas, representa realidades conflituosas e inadequadas, expõe
simultaneamente a ação cultural, política e social.

FONTE: RASTELI, A. Mediação cultural em bibliotecas: contribuições conceituais.


Dissertação (Mestrado em Ciencia da Informação) Unesp, 2019. Disponível em: https://
www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/
rasteli_a_do_mar.pdf. Acesso em: 26 nov. 2019.

44
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Nas últimas décadas, processaram-se mudanças significativas na formação


dos profissionais de biblioteconomia, principalmente a partir da expansão do
uso de computadores e da internet. Novos paradigmas foram estabelecidos e a
ciência da informação definitivamente ocupou maior espaço na sociedade.

• O bibliotecário faz parte de uma sociedade que, apesar de ser considerada


“da informação”, convive – destacadamente no Brasil – com dados de gritante
desigualdade social e falta de informação. Logo, o ideal é aumentar a participação
das pessoas na vida social, cultural e política através da democratização do
acesso a novas tecnologias, para que a informação seja distribuída de maneira
a atender e satisfazer às necessidades dessa sociedade.

• As ações dos profissionais bibliotecários dever ir ao encontro de seu papel social,


de sua incumbência, não importando se trabalha em um espaço apropriado
com recursos ou em outro que não os tem.

• É importante que o profissional de biblioteconomia procure parcerias com


outros profissionais, órgãos governamentais e privados. As empresas devido
a incentivos fiscais têm participado com muita frequência no patrocínio dos
produtos culturais. Também existem instrumentos legais municipais estaduais
e federais de incentivo à cultura, como a Lei do Audiovisual (8.685/83) e a Lei
Rouanet (8.313/91), dentre outros.

• Além de fonte de recursos, o uso de técnicas de marketing cultural melhora


a imagem da biblioteca, agrega qualidade nos serviços prestados e valoriza a
imagem do profissional da informação.

• Na prática cultural, o profissional da informação deve trabalhar com o objetivo


de gerar novos conhecimentos, criar oportunidades e apresentar alternativas
para que as pessoas reflitam e criem conclusões, gerando novos conhecimentos.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

45
AUTOATIVIDADE

1 Amaral (1995) destaca uma qualificação fundamental para o bibliotecário


adaptar-se às novas demandas informacionais dos usuários e do mercado
de trabalho, que também é fundamental para o desenvolvimento de ações
culturais e sociais. Qual é?

FONTE: AMARAL, S. A. Serviços bibliotecários e desenvolvimento social: um desafio


profissional. Revista Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 2, 1995. Disponível em: http://
revista.ibict.br/ciinf/article/view/589/591. Acesso em: 1 set. 2019.

a) ( ) Conhecimento de recursos de informática e computadores.


b) ( ) Noções de mercadologia.
c) ( ) Criatividade.
d) ( ) Estar atualizado quanto à legislação.
e) ( ) Nenhuma alternativa está correta.

2 O marketing cultural pode ser associado apenas a grandes projetos de ações


sociais e culturais em unidades de informação. Você concorda com essa
afirmativa? Por quê?

46
UNIDADE 2

EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA
BIBLIOTECONOMIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as práticas de ações culturais em bibliotecas;

• refletir criticamente sobre o papel de mediador e promotor de ações culturais;

• compreender as dinâmicas possíveis em atividades culturais;

• realizar práticas de ações culturais;

• relacionar a informação pública com a ação cultural;

• compreender a biblioteca como um centro de cultura.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

TÓPICO 2 – AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

47
48
UNIDADE 2
TÓPICO 1

PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, abordaremos as formas práticas de ações culturais em
bibliotecas. Veremos que existe um universo infinito de possibilidades, em que os
profissionais da informação podem utilizar os elementos de sua formação somados
a sua prática profissional para realizar práticas com diferenciais culturais e sociais.

Para isso, o primeiro passo é ter a consciência de que a biblioteca é um


espaço vivo e sem limites de criar e recriar, adaptar, movimentar.

Como vimos na Unidade 1, atividades culturais são todas aquelas que nos
remetem à arte, entretenimento e ação interativa, sendo a biblioteca e seus usuários
os agentes criadores e participativos do processo cultural e não o objeto em si.

Pensamos como Santos (2015), que se remete a bibliotecas que rompem


seus paradigmas tradicionais e deixam de ser apenas um suporte ou uma
extensão da comunidade, “caracterizada pelo excesso de burocracia, pelo zelo
por seu acervo ou por seu espaço físico e pelo tecnicismo exagerado de seus
profissionais” para se transformar em espaços prazerosos, atraentes, dinâmicos,
e de livre acesso à leitura e ao conhecimento. Espaços voltados principalmente
para a produção cultural! (SANTOS, 2015, p. 175).

Sendo o campo de atuação vasto e indeterminado, em que o profissional


da informação pode trabalhar todos os suportes e possibilidades, “a importância
da prática da ação cultural nas unidades de informação, explica-se pela
contribuição educativa que a mesma produz o seu caráter transformador na
realidade social, onde os indivíduos tornam-se sujeitos da cultura e criação de
novos conhecimentos” (ROSA, 2009, p. 373).

Dito isso, a partir desse momento você verá um catálogo de possibilidades


e exemplos de ações culturais que você pode copiar, adaptar e se inspirar para
também aplicar nas instituições onde você atua ou venha atuar. Mas antes,
trazemos algumas dicas importantes para a elaboração de qualquer projeto.

49
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

E
IMPORTANT

Dicas importantes!

Planejamento e autorização
Uma ação cultural e/ou social prescinde um planejamento e a elaboração de um
projeto, mesmo que simplificado. Lembrando que, na maioria das vezes, as bibliotecas são
subordinadas a uma instituição, logo, os projetos sempre devem ser aprovados antes do
seu início. Claro que, dependendo da instituição, algumas bibliotecas têm certa autonomia.

Criação de uma arte


Esse passo é importante para qualquer projeto, pois profissionaliza o material
tornando sua divulgação mais atrativa e profissional. Para fazer essa etapa, você pode
utilizar sua criatividade e habilidades; ou ainda fazer parcerias com: Setor de marketing da
instituição; com alunos e professores de cursos específicos, como artes ou comunicação
visual; ou ainda, com pessoas da comunidade e/ou usuários.

Elaboração das regras


Todo projeto cultural precisa ter suas regras claras, tanto para os participantes quanto
para os membros da equipe da biblioteca que, por ventura, venham divulgar ou atender aos
usuários interessados em participar. O registro escrito dá credibilidade ao processo!

Divulgação
Pense com sua equipe diversas formas de divulgação, virtuais e impressas.
Dependendo da instituição, vale a pena passar nas salas de aula ou ainda utilizar os sistemas
formais de comunicação. Dependendo do projeto, pode ser enviado release à imprensa,
possibilitando reportagens, como veremos em alguns exemplos neste livro didático.

Brindes
Para tornar alguns projetos atrativos, pode-se pensar no oferecimento de brindes
e sorteios. Estes podem ser custeados de diversas formas, por exemplo, as bibliotecas que
praticam multa, este recurso pode ser revertido para esse fim (sempre lembrando que isso
tem que ser previsto no regimento da biblioteca). Ou ainda prever verbas específicas no
orçamento da biblioteca. Também, novamente, pode-se firmar parcerias com empresas.

2 EXEMPLOS DE AÇÕES CULTURAIS


Neste subtópico, indicaremos várias ações culturais aplicadas em
bibliotecas, a fim de despertar sua criatividade e, ao mesmo tempo, mostrar a
importância social de tais ações.

50
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.1 SELFIE NA BIBLIO


O olhar do profissional bibliotecário nas ações culturais deve estar aberto
e focado nas tendências de costumes e modismos de cada época em especial.
As redes sociais em movimento constante são uma realidade em crescimento e
engajamento por todas as faixas etárias, com tendência a continuar a crescer cada
vez mais.

Em relatório divulgado pelas empresas  We are Social  e  Hootsuite,


intitulado Digital in 2018: The Americas, foi divulgado que 62% da população
brasileira está ativa nas redes sociais. O relatório também constatou que 58% já
buscaram por um serviço ou produto pela internet (DINO, 2018).

O profissional da informação precisa assim ficar atento às novas tendências


sociais e utilizar destas no processo de incentivo à leitura. Para isso é sempre bom
uma boa dose de criatividade.

O projeto Selfie na Biblio surgiu dessa necessidade de inovar e encantar


os usuários da Biblioteca Dante Alighieri, do Centro Universitário Leonardo da
Vinci de Guaramirim e desenvolvido pela bibliotecária Elisabete. Teve, assim,
quatro objetivos principais:

FIGURA 1 – OBJETIVOS DA ATIVIDADE

Integração Marketing da
Incentivo à Divulgação da
com os Instituição nas
leitura Biblioteca
usuários redes sociais

FONTE: A autora

FIGURA 2 – ARTE AÇÃO CULTURAL SELFIE NA BIBLIO

FONTE: A autora

51
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Como foi aplicado


1- O usuário, ao realizar empréstimo, tinha direito a realizar uma selfie na
biblioteca, individual ou em grupo.
2- Na sequência, deveria postar em suas redes sociais, utilizando o hashtag
#selfienaBiblioUniasselvi.
3- O usuário levava até a biblioteca uma impressão simples da sua selfie e esta
era colocada em um mural feito especificamente para o projeto.
4- O usuário recebia um cupom que deveria ser preenchido com seus dados e
colocado na urna para concorrer a uma cesta de brindes.
5- No dia previsto era realizado o sorteio e a foto do ganhador(a) era divulgada.

• Vejamos os registros do projeto

FIGURA 3 – ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO SELFIE NA BIBLIO

FONTE: A autora

FIGURA 4 – ENTREGA DO PRÊMIO DO SORTEIO DO PROJETO SELFIE NA BIBLIO

FONTE: A autora

2.2 ALUNO DESTAQUE


Essa é uma ação comum em muitas bibliotecas. Tem a finalidade de
evidenciar à comunidade acadêmica ou escolar os alunos assíduos da biblioteca.
Projeto de fácil elaboração, mas sempre levando em conta as dicas, dadas no
início desta unidade, de planejamento e parcerias.
52
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 5 – ARTE ALUNO DESTAQUE

FONTE: A autora

NOTA

Uma dica! Um leitor assíduo, como aluno destaque, pode ganhar um livro
como brinde!

• Como aplicar
◦ Pelo sistema da biblioteca é retirado relatório de alunos com maior número
de empréstimos.
◦ Determinar a periodicidade mensal, bimestral, trimestral etc.
◦ Criar um painel para colocar em destaque a foto, nome e curso do usuário,
poderá ser criada uma arte individual ou um painel para todo o ano, com
espaços para colocar as fotos e identificações.
◦ Selecionar um brinde.
◦ Chamar o aluno (a) para o recebimento.
◦ Registrar com foto ou vídeo a premiação.

Possíveis variações: pode-se elaborar e entregar um certificado de aluno


destaque, que pode ser validado como atividade complementar. Para isso, o
aluno deve entregar algo por escrito como resultado de sua leitura. Nesse caso, o
projeto precisa ser aprovado e entrar nas regras oficiais da instituição.

FIGURA 6 – EXEMPLO DE CERTIFICADO DE ALUNO DESTAQUE

FONTE: <https://www.colegiocatarinense.g12.br/projeto-aluno-destaque-premia-os-melhores-
do-cc/>. Acesso em: 26 nov. 2019.

53
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Essa ação faz com que a biblioteca participe de forma direta em processos
institucionais e, além do estímulo ao uso da biblioteca, possibilita:

FIGURA 7 – RESULTADOS POSSÍVEIS DA AÇÃO

Incentivo à Estímulo a Divulgação da


leitura escrita Biblioteca

FONTE: A autora

Outra variação desse projeto pode ser desenvolvida em outros contextos,


como no ambiente escolar foi feito o projeto Biblioteca Viva, desenvolvido no colégio
Bahiense. Nesse caso, o projeto desenvolvia várias ações concomitantemente, como:

• Bibliopass – é um passaporte que tem como objetivo fazer com que os alunos
registrem suas leituras, que denominamos “viagem da imaginação”.
• Li, curti e compartilho – mural interativo que fica na biblioteca e tem como
objetivo o compartilhamento da opinião do aluno sobre o livro lido.
• Aluno leitor – projeto desenvolvido exclusivamente para os alunos do 1º ano.

Sempre no início do semestre, a escola parabenizava seus alunos com um


certificado pela sua participação e interesse, dando destaque à atividade em um
painel elaborado especificamente para a ação.

FIGURA 8 – MURAL PROJETO BIBLIOTECA VIVA

FONTE: <http://bahiense.g12.br/wp-content/gallery/projeto_biblioteca_ef_jpa_2018/IMG-
20180720-WA0038.jpg>. Acesso em: 26 nov. 2019.

2.3 PAINEL INTERATIVO


Dentro do contexto do usuário como agente participativo, os painéis
interativos são atraentes, convidativos à participação do usuário e trazem um
colorido ao ambiente da biblioteca.

54
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.3.1 Parede lousa


FIGURA 9 – AÇÃO PAREDE LOUSA

FONTE: A autora

O projeto Parede Lousa foi outra ação desenvolvida na biblioteca da


UNIASSELVI de Guaramirim. Seu objetivo é atrair acadêmicos para a biblioteca,
promovendo espaços de criação, interação, divulgação e lazer. A parede lousa
permite uma participação mais expressiva, dando liberdade de criação com seu
enfoque mais liberal, deixando sempre uma chamada para direcionar os usuários
na sua participação.

• Como foi aplicada


1- Foi escolhida uma parede da biblioteca para receber a pintura.
2- Foi adquirida tinta preta fosca e giz colorido.
3- Foi realizada a pintura do espaço determinado.
4- Foi deixado um chamado para a utilização da lousa. Exemplo: Recados do
Bem. Também poderá deixar algumas brincadeiras e jogos desenhados, como
jogo da velha, pontinho, forca, ou criar desafios de perguntas entre outros.
5- Foi determinado um tempo para limpar a lousa e colocar mais atividades.

Essa ação também poderá ser implantada em bibliotecas públicas e escolares,


sempre com a preocupação de dar o enfoque correto para cada tipo de usuário.

Um exemplo de aplicação em bibliotecas, sejam elas públicas, escolares ou


universitárias, é deixar charadas para serem resolvidas, assim como desafios com
perguntas sobre diversos temas culturais, curiosidades, história, conhecimentos gerais,
enfim, a criatividade sempre será a maior ferramenta para qualquer ação cultural.

55
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.3.2 Painel de asas


Outro tipo de painel interativo é o de asas de anjos ou borboletas, além de
coloridos e alegres, dão a possibilidade de os usuários realizarem selfies junto aos
painéis e, após, divulgarem em suas redes sociais.

FIGURA 10 – PAINEL DE ASAS

FONTE: A autora

Ações conjuntas aproximam a biblioteca com todos os cursos da IES.


O painel de asas da Figura 10 foi desenvolvido na Biblioteca Dante Alighieri,
da UNIASSELVI de Guaramirim, com o curso de Arquitetura, que, na semana
acadêmica do curso, realizou a intervenção na biblioteca.

Neste subtópico, daremos opções dentro de cada segmento em que a


biblioteca está inserida, para sua maior compreensão.

• Como foi aplicada


1- O curso de Arquitetura da faculdade realizaria a semana acadêmica e um dos
focos seria uma intervenção em algum ambiente da faculdade.
2- A bibliotecária entrou em contato com a coordenadora do curso de Arquitetura
da faculdade para que a intervenção fosse realizada na biblioteca.
3- A atividade de intervenção do curso não precisou de um projeto do próprio
curso de Arquitetura, pois a bibliotecária já tinha o projeto de painel de asas
pronto, só necessitava de pessoal para a sua aplicação.
4- As tintas foram arrecadadas pelos acadêmicos.
5- Os acadêmicos responsáveis pela intervenção, através de um retroprojetor,
projetaram a imagem na parede escolhida e, assim, riscaram o desenho.
6- Após, os acadêmicos realizaram a pintura e finalização do painel.
7- O painel foi divulgado em redes sociais pela biblioteca e pelo curso de
Arquitetura.

Variações do projeto:

56
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Ação interdisciplinar
Se o seguimento em que a biblioteca atua é universitário, e possui o curso
de Arquitetura ou Design, entrar em contato com a coordenação destes e sugerir
uma intervenção na biblioteca na semana acadêmica do curso. Essa atividade
será realizada pelos acadêmicos.

Ação individualizada
Ação realizada apenas pela biblioteca, sem a participação de outros setores
ou áreas.

Ação de extensão
Poderá ser realizado por acadêmicos do curso de Biblioteconomia como
um projeto de extensão em parceria com alguma biblioteca que tenha profissional
bibliotecário, e realizar uma ação de doação de livros aliada à campanha do
agasalho e outras campanhas sociais. O material arrecadado poderá ser inserido
no acervo da biblioteca parceira. As asas poderão ser pintadas na biblioteca
parceira ou os acadêmicos podem utilizar um painel itinerante.

FIGURA 11 – MÉTODO DE APLICAÇÃO E REALIZAÇÃO DA PINTURA

FONTE: A autora

2.4 CANTINHO DA LITERATURA DE LAZER


Para incentivar a leitura e proporcionar bem-estar e conforto aos usuários,
tornando a biblioteca cada vez mais atrativa e aconchegante, estimulando
o usuário a frequentá-la mais, uma das opções é o Cantinho da Literatura de
Lazer. A nomenclatura fica por conta da criatividade de cada profissional. Esse
espaço deve ser descontraído, com sofás, pufes, jogos, e decorado com quadros
e pinturas nas paredes.

57
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 12 – CANTINHO DA LITERATURA DE LAZER – UNIASSELVI GUARAMIRIM

FONTE: A autora

• Como foi aplicado


1- Escolher o espaço físico na biblioteca para aplicação da ação.
2- Providenciar estantes, móveis (sofá, pufe, mesa), redes (se o projeto do
espaço permitir), quadros e jogos.
3- Sugestão: realizar parceria com curso de Design ou Arquitetura, se tiver, no
segmento em que a biblioteca se insere – para pinturas nas paredes – caso
não possua, buscar formas de decorar e alegrar o espaço.
4- Organizar os livros de literatura de lazer (romances, clássicos, autoajuda etc.).
5- Divulgar o espaço por e-mail e/ou redes sociais.

Em bibliotecas públicas, esse espaço poderá ser utilizado para contação de


histórias, saraus, apresentação de teatro, manhãs ou tardes de autógrafos, sempre
analisando o tamanho do espaço e o público que receberá.

Em bibliotecas escolares, o cantinho poderá ser chamado de cantinho de


literatura infanto-juvenil, entre outras variações, em que poderá ser realizada
contação de histórias, apresentação de marionetes, saraus, competição de jogos
de dominó, damas e xadrez.

2.5 JOGOS NAS BIBLIOTECAS


A inserção de jogos em bibliotecas tem o intuito de descontrair e estimular
o raciocínio lógico e a socialização. Um dos jogos muito utilizados em bibliotecas
é o xadrez, “[...] o xadrez tem o objetivo educativo, recreativo, cognitivo e instiga à
competitividade. Como forma de desenvolver essas habilidades nos estudantes”
(GESSI; SILVA, 2014, p. 2).

58
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 13 – JOGOS NA BIBLIOTECA

FONTE: A autora

Poderão ser utilizados xadrez, dominó, cubo mágico, damas, jogos com
dados etc.

• Possibilidades de aplicação
1- Se a biblioteca possui um espaço de literatura de lazer, ou somente um
espaço de lazer, os jogos poderão ser colocados neste espaço. Se não
possui nenhum desses espaços, escolher uma ou mais mesas, conforme a
quantidade de jogos, para organizá-los.
2- Colocar uma placa fazendo o chamado aos jogos.
3- Registrar com fotos e/ou vídeos.
4- Encaminhar e-mails e postar em redes sociais.

2.6 QUEBRA-CABEÇA COLABORATIVO


Seguindo a mesma linha dos jogos, o quebra-cabeça colaborativo tem a
finalidade de socialização e auxiliar o processo de aprendizagem, além de tornar
o ambiente da biblioteca convidativo e interativo.

FIGURA 14 – QUEBRA-CABEÇA NA BIBLIOTECA

FONTE: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2277039299060859&set
=a.1876319835799476&type=3&theater>. Acesso em: 26 nov. 2019.

59
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Na biblioteca da UNIASSELVI de Guaramirim foi feito um espaço para


isso, sendo disponibilizado um quebra-cabeça para os usuários montarem em
colaboração, ou seja, cada usuário pode montar, a sua vontade, partes do quebra-
cabeça ou todo ele, se assim se dispuser. Para destacar esse espaço, novamente foi
criada uma arte de divulgação, também identificado o local do projeto.

FIGURA 15 – UNINDO AS CABEÇAS

FONTE: A autora

• Como aplicar
1- Adquirir um quebra-cabeça de tamanho médio a grande.
2- Separar uma mesa para a sua montagem.
3- Confeccionar um folheto ou cartaz para o chamado, explicando o
funcionamento.
4- Registrar com foto e/ou vídeo.
5- Divulgar por e-mails e redes sociais.

2.7 SEMANA NACIONAL DO LIVRO E DA BIBLIOTECA


Instituída pelo Decreto n° 84.631, de 09/04/80, a Semana Nacional do Livro
e da Biblioteca é realizada sempre na última semana do mês de outubro.

O objetivo da data é o de incentivar a leitura e a construção do


conhecimento através da difusão do livro, da informação e do acesso
a diversas formas de manifestações artísticas e culturais. Além disso,
a comemoração visa, também, divulgar a profissão do bibliotecário
e possibilitar a atualização e o desenvolvimento deste profissional
(BIBLIOTECA NACIONAL, 2016, s.p.).

A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca deverá ter uma programação


interessante para atrair seus usuários a participarem de forma interativa. Deverá
ser programada com antecedência para a sua organização ser impecável, afinal
é o evento anual da biblioteca. Quando não puder realizar um evento maior,
poderá ser alguma ação para destacar essa data.
60
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

A biblioteca poderá ser aberta ao público em geral, como o caso da


biblioteca pública; ser somente realizada para os usuários internos, caso das
bibliotecas escolares; ou ser aberta ao público ou somente comunidade acadêmica,
que é o caso das faculdades e universidades.

Embora o período de realização seja para a última semana do mês de


outubro, algumas bibliotecas a realizam em datas próximas a esta.

• Como aplicar
1- Planejar uma programação da Semana. É interessante porque ela poderá ter
um tema central.
2- Divulgar a programação por rádio, quando puder, e-mails e redes sociais.
3- Organizar a biblioteca com decoração, exposições etc.
4- Registrar o evento com fotos e/ou vídeos.
5- Divulgar por e-mails e nas redes

FIGURA 16 – CARTAZ DE CHAMADA

FONTE: <https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/prefeitura-de-fortaleza-promove-semana-do-
livro-e-da-biblioteca-da-rede-cuca-2018>. Acesso em: 26 nov. 2019.

61
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 17 – EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO

FONTE: <https://www.101fm.com.br/101/semana-do-livro-e-biblioteca/>. Acesso em: 26 nov. 2019.

62
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Observe que dentro da programação estão previstas diversas ações


culturais, como Cine Biblio, palestras, exposições, dentre outras. Novamente,
ressaltamos a importância da construção de parcerias para que a programação
fique mais atrativa.

2.8 LEITORES DESTAQUE DO ANO


Essa ação poderá ser incluída na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca
ou realizada separadamente. Ação simples e prática de aplicar, homenageia os
leitores do ano, incentivando a leitura.

FIGURA 18 – LEITORES DESTAQUE

FONTE: A autora

• Como aplicar
1- Determinar quais categorias de usuários serão premiadas.
2- Retirar relatório estatístico de empréstimos por usuários através do software
da biblioteca.
3- Determinar data para as premiações.
4- Organizar a biblioteca para o evento.
5- Selecionar prêmios.
6- Convidar os homenageados.
7- Registrar o evento com fotos e/ou vídeos.
8- Divulgar por e-mails e redes sociais.

FIGURA 19 – PREMIAÇÃO DOS LEITORES DO ANO

FONTE: A autora

63
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 20 – PREMIAÇÃO DOS LEITORES DO ANO

FONTE: A autora

2.9 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS


Essa é outra ação que poderá ocorrer dentro da programação da Semana
Nacional do Livro e da Biblioteca, assim como para o Dia das Crianças, comemorado
no dia 12 de outubro, ou em algumas datas durante o ano isoladamente, o que
ocorre como prática em bibliotecas escolares e bibliotecas públicas.

O ato de contar histórias, além de antigo, atrai atenção de crianças e


adultos, instiga a imaginação. Segundo Moreira (2016, p. 26), “ouvir histórias
desenvolve o pensamento crítico e oferece para as crianças a possibilidade de
conhecer um mundo encantador, mas, também, cheio de conflitos e dificuldades
que precisam ser enfrentados”, e, assim, de forma lúdica, poética e cultural, serem
preparadas para a vida.

A contação de histórias poderá ocorrer em forma de teatro, musicalizada


ou simplesmente uma roda de conversa, em que o contador, através do diálogo,
vai contando a história e instigando o público a participar.

• Como aplicar
1- Determinar a data para o evento e que tipo de contação ocorrerá.
2- Divulgar o evento para o público-alvo.
3- Organizar.
4- Registar com fotos e/ou vídeos.
5- Divulgar por e-mails e redes sociais após o evento.

64
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 21 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA

FONTE: <https://bsp.org.br/2011/11/16/6690/>. Acesso em: 28 nov. 2019.

Atividades de contação de histórias podem também ser atividades


permanentes na biblioteca, como acontece na biblioteca comunitária “Barca dos
livros”. Nessa biblioteca, o objetivo central são as atividades culturais.

Destaque para a contação de histórias em um barco, na Lagoa da Conceição,


um dos principais pontos turísticos de Florianópolis.

FIGURA 22 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA BARCA DOS LIVROS

FONTE: <https://barcadoslivros.org/galeria-de-fotos/#jp-carousel-12983>. Acesso em: 28 nov. 2019

FIGURA 23 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA BARCA DOS LIVROS (2)

FONTE: <https://barcadoslivros.org/galeria-de-fotos/#jp-carousel-12931>. Acesso em: 28 nov. 2019.

Mas a contação de histórias na Biblioteca Barca dos livros explora também


as temáticas específicas, tanto direcionadas a crianças quanto a adultos.

65
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

DICAS

BIBLIOTECA BARCA DOS LIVROS

Conheça um pouco mais desse projeto. Assista ao vídeo 10 anos de história.


Acesse: https://www.youtube.com/watch?time_continue=85&v=lTqNU4iWSkY

Projetos culturais de bibliotecas podem ganhar dimensões extraordinárias. Veja a


seguir os prêmios de reconhecimento. Da mesma forma, convidamos você a conhecer o
projeto e ações visitando o site da instituição.

Prêmios e destaques

A Barca dos Livros é referência na área do livro e da leitura e presença constante


na mídia local e nacional. Já recebeu vários prêmios:

1º FLIC – Festival de Literatura Internacional Catarinense 2016


A Barca dos Livros foi o projeto homenageado durante o 1º FLIC por facilitar o acesso ao livro
e à leitura, formar novos leitores e estimular o desenvolvimento comunitário e individual.

Prêmio Vivaleitura 2014


Prêmio organizado pelo MinC, MEC e OEI, a Barca dos Livros recebeu o prêmio de Melhor
Biblioteca Comunitária do País.

Medalha Cultural Cruz e Souza 2009


A Barca dos Livros é uma das instituições que foi homenageada pelo Estado de Santa
Catarina, com a Medalha Cultural Cruz e Sousa.

Prêmio Franklin Cascaes de Cultura 2009


A Barca dos Livros foi premiada na área de literatura como entidade formadora de leitores
e facilitadora do acesso ao livro.

II Fórum do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL/MinC) e I Encontro Internacional


de Bibliotecas Comunitárias / São Paulo Ação Destaque 2008

Prêmio Vivaleitura 2007


(Minc/MEC e OEIAE e Grupo Santillana) (2007) Finalista na CATEGORIA I – Bibliotecas
Públicas, Privadas e Comunitárias.

11° Concurso FNLIJ/Petrobras 2006 – Melhores Programas de Incentivo à Leitura junto a


Crianças e Jovens de todo o Brasil, 2º lugar.

FONTE: <https://barcadoslivros.org/barca-dos-livros/premios-e-destaques/>. Acesso em:


28 nov. 2019.

66
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.10 TROCA-TROCA DE LIVROS


Muitos leitores adquirem livros que após a sua leitura ficam guardados,
sem utilização, e segundo o matemático, bibliotecário e introdutor da
biblioteconomia na Índia, Shiyali Ramamrita Ranganathan, criador das cinco leis
da biblioteconomia que ficaram conhecidas como as cinco leis de Ranganathan,
sua primeira lei diz que “Livros são para uso”, devem estar sempre a serviço da
informação, conhecimento e cultura.

A troca de livros entre leitores faz com que os livros estejam sempre
cumprindo sua função. Essa ação não gera nenhum custo financeiro à biblioteca,
de fácil e prática aplicabilidade.

FIGURA 24 – EXEMPLOS DE TROCA-TROCA DE LIVROS

FONTE: <https://www.sescpe.org.br/2017/04/25/sesc-arcoverde-realiza-feira-troca-troca-de-
livros-e-gibis/>. Acesso em: 28 nov. 2019.

FIGURA 25 – EXEMPLO DE TROCA-TROCA DE LIVROS

FONTE: <http://portal.ifrn.edu.br/campus/ipanguacu/noticias/troca-troca-de-livros-na-
biblioteca-myriam-coeli>. Acesso em: 28 nov. 2019.

67
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Como aplicar
1- Determinar a data para o troca-troca.
2- Confeccionar cartaz para divulgação.
3- Divulgar na mídia, se possível, por e-mails e redes sociais.
4- Organizar o espaço físico.
5- Selecionar alguns títulos, para garantir que os primeiros que chegarem para
a troca tenham livros para escolher.
6- Registrar com fotos e vídeos.
7- Divulgar nas redes sociais.

2.11 EXPOSIÇÕES
A biblioteca, sendo um espaço de informação e cultura, deverá estar
sempre em movimento constante de ações, pois é ponto de referência aos usuários
na atualização de seus conhecimentos.

FIGURA 26 – EXPOSIÇÃO EM BIBLIOTECA

FONTE: <https://www.osaogoncalo.com.br/cadernos/27040/biblioteca-abre-exposicoes-de-
ilustracoes-e-obras-raras-em-itaborai>. Acesso em: 28 nov. 2019.

A biblioteca poderá ser espaço para exposições, sejam escolares,


acadêmicas ou culturais, dando maior visibilidade pela rotatividade de público
que por ela passa.

As exposições escolares e acadêmicas se definem por exposição dos trabalhos


desenvolvidos em sala, esse processo gera valorização e visibilidade aos trabalhos
para outras turmas ou cursos, já as culturais levam cultura a todas as áreas.

Na ilustração a seguir apresentamos uma exposição de alunos de moda


na biblioteca de artes, ciências e humanidades de São Paulo – EACH.

68
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 27 – EXPOSIÇÃO ALUNOS DE MODA EACH

FONTE: <http://www5.each.usp.br/biblioteca-exposicoes/>. Acesso em: 28 nov. 2019.

As exposições também podem gerar uma interlocução social e podem


ser atividades permanentes, dando visibilidade às atividades acadêmicas e da
comunidade.

Na biblioteca escolar, as exposições ganham maior dimensão, fazem da


biblioteca uma vitrine, chamando e incentivando os alunos a explorarem as atividades
expostas. Nesse tipo de biblioteca, a relação bibliotecário e professor deve estar ainda
mais próxima, a fim de promoverem juntos ações de incentivo à leitura.

Vejamos o exemplo da biblioteca da escola secundária D. João II, que


promoveu a Exposição Rosa dos Ventos, com trabalhos realizados pelos alunos
do 7º ano no âmbito da disciplina de Geografia.

FIGURA 28 – EXPOSIÇÃO ROSA DOS VENTOS NA BIBLIOTECA ESCOLAR D. JOÃO II

FONTE: <https://letrasnaosaotretas.blogspot.com/2018/06/biblioteca-escolar-exposicao-rosa-
dos.html>. Acesso em: 28 nov. 2019.

Observamos que quando planejamos uma exposição é necessário que o


espaço seja de grande circulação de usuários e de boa visibilidade.

69
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Como aplicar
1- Planejar e determinar o tipo de exposição que realizará.
2- Contatar os envolvidos para a exposição.
3- Organizar o espaço.
4- Divulgar na mídia, se possível, e-mails e redes sociais.
5- Registar com fotos e/ou vídeos.
6- Divulgar durante a exposição em redes sociais.

2.12 SUGESTÕES DE LEITURA


Uma prática comum em Bibliotecas e de grande relevância é as sugestões
de leitura, dando possibilidades de novas leituras aos usuários.

FIGURA 29 – CARTAZ SUGESTÃO DE LEITURA

FONTE: A autora

Os acervos das bibliotecas costumam serem grandes e com isso se perdem


muitas possibilidades de conhecimento, a prática de dar ideias de novas leituras
faz despertar o desejo pelo usuário, mostrar o livro com o resumo, poderá levá-
lo a emprestar esse livro, assim novos horizontes se abrem de imaginação,
informação e conhecimento.

Mesmo sendo uma ação simples não descarta a utilização da criatividade


por parte do bibliotecário, podendo usar muitos recursos para essa ação, como
expositores com livros em local de grande circulação ou cartazes com fotos dos
livros em lugares visíveis, ou até mesmo divulgação em redes sociais ou e-mails,
a criatividade é livre.

Um exemplo simples para divulgação das sugestões ou dicas de leitura é


colocar um livro em cada mesa de leitura na biblioteca, poderá colocar um panfleto
preso na capa do livro, com uma frase sugestiva como: “a leitura te dá asas”.

70
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Como aplicar
1- Separar os materiais (livros, folhetos, DVD ou CD) que serão divulgados.
2- Planejar a forma de divulgação.
3- Aplicar.

No exemplo a seguir vemos a criatividade dos profissionais de


biblioteconomia da Unisociesc, em que seu painel de sugestões de livros
se relaciona com a forma de apresentação da NetFlix, que é uma provedora
internacional de filmes e séries, muito utilizada no Brasil e no mundo. Essa
forma de aprensentação, no mínimo, chama a atenção do leitor e potencializa seu
interesse nos livros da biblioteca.

FIGURA 30 – EXEMPLO DE APRESENTAÇÃO DE SUGESTÃO DE LEITURAS

FONTE: A autora

2.13 CLUBE DO LIVRO


Atualmente, existem duas formas básicas de contato com os textos
escritos: através da leitura de instrução, que é técnica e informativa, e a leitura de
entretenimento, que abrange a ficção, os romances e poesias.

Ler é, hoje em dia, uma atividade desempenhada por diferentes


motivos: lemos porque temos de estudar uma obra literária para
um teste escolar, lemos porque determinado livro nos ajudará a
desempenhar melhor a nossa profissão ou lemos porque um amigo nos
sugeriu um romance, um policial ou uma obra filosófica que poderá
mudar a forma como encaramos as nossas vidas. Independentemente
do motivo pelo qual o façamos, o processo de leitura deveria ser
encarado como um caminho de descobertas e aprendizagens que nos
trará um bem inqualificável: o conhecimento (CAÇADOR, 2019, s.p.).

71
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

O Clube do Livro é uma ação muito utilizada por grupos seletos de


usuários, para a leitura de entretenimento.

O Clube do Livro ou Clube de Leitura tem a finalidade de incentivar
o hábito da leitura, com a partilha de opiniões por uma obra escolhida para
leitura de um grupo de leitores, em que expressam discussões sobre esta, com
seus pareceres e críticas, ou seja, um grupo de pessoas que se encontram após
escolherem um determinado título de livro para todos lerem e assim discutirem
suas opiniões sobre o ele.

FIGURA 31 – EXEMPLO DE CARTAZ

FONTE: A autora

• Como aplicar
1- Planejar a estrutura de encontros e local para a realização.
2- Criar a Logomarca do Clube do Livro.
3- Divulgar sua criação para a inscrição dos integrantes do grupo.
4- Criar um livro de atividades ou ata para registrar todos os encontros.
5- Registrar e divulgar todos os encontros.

FIGURA 32 – REUNIÃO DO CLUBE DO LIVRO

FONTE: A autora

72
TÓPICO 1 | PRÁTICAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.14 PROJETO DOE SOLIDARIEDADE E RECEBA


CONHECIMENTO
Doe Solidariedade e Receba Conhecimento foi outra campanha derivada
do projeto Coleta Seletiva de Livros, pela Biblioteca da UNIASSELVI de
Guaramirim. Os participantes foram convidados a doar alimentos e roupas para
o projeto e em troca recebiam um livro. Estes foram anteriormente arrecadados
no projeto Coleta seletiva de Livros. Os alimentos e roupas arrecadadas eram
destinados a projetos sociais escolhidos previamente.

Essa campanha de cunho social tem sua aplicabilidade na simplicidade e


praticidade.

• Como foi aplicado


1- Separação dos livros em bom estado para a doação.
2- Confecção de cartaz para divulgação (contendo data de início e final, local,
finalidade, tipo de donativo a ser recebido e qual instituição será beneficiada).
3- Divulgação por meio eletrônico e redes sociais.
4- Organização de espaço de fácil visibilidade.
5- Classificação e sinalização por área dos livros a serem doados.
6- Organização de caixas para coleta das doações.
7- Ficar atento para informar e esclarecer os usuários quanto à campanha,
quando necessário.
8- Ao término, organizar a entrega dos donativos recebidos.
9- Realização da entrega e documentação com fotos e/ou filmagem.
10- Divulgação em meio eletrônico e redes sociais.

Na experiência da biblioteca da UNIASSELVI de Guaramirim, os donativos


solicitados foram roupas e alimentos não perecíveis, que foram direcionados a
um projeto que auxilia pessoas carentes com alimentos, roupas e abrigo quando
necessário.

FIGURA 33 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DA AÇÃO SOLIDÁRIA

FONTE: A autora

73
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 34 – DOE SOLIDARIEDADE E RECEBA CONHECIMENTO EM AÇÃO

FONTE: A autora

74
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• O campo de atuação do bibliotecário é vasto e como agente cultural pode e deve


atuar em ações culturais, pois elas são informações que atuam na formação do
conhecimento de cada ser.

• A criatividade é sem limites para a aplicação das ações culturais.

• A prática de exposição nas bibliotecas permite uma maior interlocução com a


comunidade acadêmica, escolar e com a comunidade.

• O profissional bibliotecário deverá estar sempre atento às inovações e novas


ideias, para assim poder desenvolver com criatividade suas ações.

75
AUTOATIVIDADE

1 Quantos e quais são as etapas relevantes para a elaboração de uma ação


cultural?

2 Quais são as etapas para elaboração de uma ação de premiação ao leitor


mais assíduo? Cite também os benefícios dessa ação.

76
UNIDADE 2 TÓPICO 2

AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas têm um papel social muito importante na sociedade, pois
são espaços onde todos os públicos, de todas as idades, gênero, credo, raça ou
classe social utilizam de forma democrática o acesso à informação. Acreditamos
que essa função informacional deva ser extrapolada e que as bibliotecas podem e
devem se envolver em atividades sociais mais amplas.

Como Nunes e Spudeit (2017) apontam, as bibliotecas e os profissionais


de biblioteconomia podem ser agentes transformadores sociais, instruindo,
capacitando os indivíduos e incentivando o desenvolvimento do senso crítico e a
curiosidade, podem auxiliar a autonomia da busca da informação. Isso quer dizer
que a biblioteca pode disponibilizar serviços como: apresentações musicais e de
teatro, oficinas, cinema, palestras e debates sobre temas diversos relacionados à
política, cultura, racismo, feminismo, bullying, dentre outros. Além disso, pode
promover exposições, concertos e muito mais, a fim de aproximar as pessoas da
cultura e também espaço de aprendizagem e construção de uma consciência mais
reflexiva e crítica.

2 PROJETOS SOCIAIS DE COMBATE AO PRECONCEITO


A biblioteca é um espaço de resistência. Ela atuará dessa forma quando
os bibliotecários entenderem que a informação reproduz os vários caminhos
possíveis e que depende deles o escamotear ou não de formas alternativas de
pensar o mundo.

Quando discutimos a mediação da informação no âmbito das bibliotecas,


a entendermos não como um momento, mas como um processo que abrange todo
o fazer do profissional bibliotecário. E o principal: tal processo é compreendido a
partir da ideia de que a informação está impregnada de concepções, de ideologias
que interferem a sua apropriação por parte dos usuários. Nenhuma cultura é
melhor do que outra, elas são diferentes. É preciso o respeito às diferenças.
Nenhuma pessoa é melhor que a outra, elas são diferentes. Da mesma maneira é
preciso respeito às diferenças.

Nessa linha de pensamento, separamos algumas ações sociais e culturais


que abordam experiências que buscam dar visibilidade à necessidade de combate
aos preconceitos e discriminação.
77
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.1 PROJETO BAÚ CULTURAL


O Projeto Baú cultural é a contação de histórias e outras atividades
para inserção da temática africana/afro-brasileira na sala de aula, foi idealizado
e realizado por uma acadêmica do curso de Biblioteconomia da UDESC – e
também bolsista na época – do Núcleo de estudos Africanos e Afro-brasileiro
NEAB/UDESC. Tinha como objetivo a promoção da educação para a diversidade
étnico-cultural e disseminação de informações sobre as culturas africanas/afro-
brasileiras através de atividades como contação de histórias, com objetos e
personagens africanos, entre outros, despertando o interesse dos participantes
pela pesquisa da cultura africana e afro-brasileira.

Foram realizadas 18 oficinas em diversos municípios do estado de Santa


Catarina. Entre professores, alunos e bibliotecários atingiu-se diretamente mais
de 400 pessoas.

FIGURA 35 – COLETÂNEA DE FOTOS DAS OFICINAS DO PROJETO BAÚ CULTURAL

FONTE: A autora

• Como funciona a oficina do baú de histórias

É uma técnica muito comum entre os contadores de história: a utilização


de objetos dentro de caixas, sacos de pano ou sacolas, para que através de uma
dinâmica os participantes peguem esses objetos e a partir deles formulem histórias.

O grande desafio é criar a história em conjunto, apenas uma história


em que cada participante insira o objeto que tirou da caixa, saco ou sacola,
continuando a parte do outro e buscando dar sequência lógica aos fatos. Ao
participar de uma atividade dessas, teve-se a ideia de focá-la apenas em objetos
africanos e afro-brasileiros. Mas o baú pode ser trabalhado de diversas formas,

78
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

com vários objetos de diferentes tipos, ou ainda com uma temática mais específica,
como alimentação, cidades, religiosidade etc. Nas atividades desenvolvidas até
o momento, trabalhamos com a diversidade de objetos. A seguir, descrevemos
nossa metodologia.

• Metodologia utilizada

Primeiramente, busca-se dar um clima à sala, executando músicas


africanas em som ambiente, com tecidos sobre cadeiras, roupas africanas ou
que lembrem as roupagens africanas e afro-brasileiras. No início, utilizamos um
tecido na cabeça como turbante, que já dava uma diferenciação nas atividades.
Forma-se um círculo podendo ser com cadeiras ou forra-se o assoalho com papel
pardo e senta-se no chão (o que torna a atividade mais aconchegante).

Inicia-se uma conversa sobre o continente africano e aspectos das


múltiplas culturas presentes nele, desmistificando uma África totalitária. Exalta-
se a variedade de língua e de povos. A pergunta inicial é: “Vamos conversar sobre
um lugar que é muito, muito, muito longe e ao mesmo tempo muito, muito, muito perto...”.
A partir daí são dadas dicas desse lugar e depois é apresentado o mapa da África
com a pergunta: “Mas por que a África é muito, muito, muito perto?”. A pergunta
aponta para diversas respostas diferentes e assim vai se fazendo o debate e
quebrando alguns mitos.

É lançada às crianças a pergunta: “Mas o que vocês conhecem sobre a


África?”, e, aos poucos, apresentam-se vários objetos africanos e afro-brasileiros.
Ao apresentar uma imagem de um Griot, fala-se da oralidade e da ancestralidade.

FIGURA 36 – MATERIAIS UTILIZADOS NA OFICINA

FONTE: A autora

Nesse momento aproveita-se para fazer uma contação de histórias –


selecionamos vários contos africanos para serem utilizados nesse momento – um
deles é o conto do Baú de histórias, em que um personagem muito especial, Ananse,
consegue se superar e libertar todas as histórias que estavam presas em um baú,
junto de “Deus do Céu”. Ao final, fala-se a seguinte frase: “A minha história entrou
por uma porta e saiu pela outra e quem quiser que conte outra”, assim contamos outra
história. Para cada oficina são contadas duas histórias de forma oral.

79
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Sendo um modo opcional, alguns contadores utilizam livros e gravuras,


porém, nessa atividade queremos valorizar a oralidade, característica das culturas
africanas, na forma de contação de histórias, em que os Griots memorizavam as
histórias para que fossem repassadas para outras gerações. A contação é feita com
objetos que são retirados do baú.

Após, é proposto às crianças uma brincadeira: “Será que sai mais alguma
história desse baú?”. Convida-se o grupo a criar uma nova história, utilizando os
objetos que conheceram. Todos os objetos são colocados dentro do baú, que, em
seguida, é colocado no meio da sala (o baú pode ser confeccionado com uma caixa
de papelão). Cada criança pega um objeto por vez e conta uma parte da história.

Explica-se que cada participante deve dar continuidade à história do


outro, inserindo um novo objeto retirado do baú. Enfatiza-se a necessidade do
trabalho em grupo e apresentam-se os Nguzo Saba – os sete princípios de origem
africana – presentes em uma das histórias contadas: Os Sete Novelos. As crianças
são convidadas a utilizar esses princípios e, juntas, escreverem um livro com a
história criada na dinâmica do baú.

Cada criança ganha uma folha de papel, caneta e giz de cera para desenhar
e escrever a sua parte na história, enfatizando o objeto utilizado. Nesse momento
a atenção deve ser redobrada para auxiliar os alunos no que for necessário. As
crianças que não colaboraram diretamente com a formulação da história ficam
junto às que contaram e, entre si, decidem o modo com que dividirão as tarefas
a serem feitas. Juntam-se todas as páginas e cria-se um título para a história,
formando o livro. Pede-se para uma das crianças desenhar a capa e a última
folha do livro deve constar o nome de todos os participantes, como autores e
produtores do livro. O trabalho é fotocopiado e cada criança leva uma cópia para
casa. O original vai para a biblioteca da escola.

FIGURA 37 – ESCREVENDO E ILUSTRANDO A HISTÓRIA

FONTE: A autora

80
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

2.2 SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Muitas bibliotecas promovem atividades relacionadas ao dia da
consciência negra. Em geral, as bibliotecas realizam no mês de novembro uma
programação especial, alusiva ao Dia da Consciência Negra, com atividades que
buscam  trazer uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
O público é convidado a conhecer um pouco mais dessa cultura em oficinas e
apresentações musicais.

NOTA

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data – transformada


em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 – não
foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de
Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.

Essa data está regulamentada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que
incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia
Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre
História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas, as aulas sobre os temas: História da África e
dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da
sociedade nacional propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas
social, econômica e política ao longo da história do país.

Comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de


homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem
do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada
em 1888.

FONTE: <https://www.sohistoria.com.br/ef2/culturaafro/p3.php>. Acesso em: 28 nov. 2019.

No exemplo a seguir, vemos a programação da Biblioteca Municipal de


Teotônio Vilela, com diversas atividades com objetivo de reflexão sobre a inserção
do negro na sociedade brasileira e sobre a questão da igualdade racial.

Entre as atividades em alusão à data, aconteceu na biblioteca a exposição


de obras bibliográficas com obras literárias, históricas, fotográficas e biográficas
sobre grandes figuras da cultura afrodescendente no Brasil e no mundo. Algumas
obras são:

a) O Negro na Fotografia Brasileira do Século XIX.


b) O Racismo – Explicado aos meus filhos.
c) Pensar o Brasil para o Enfrentamento do Racismo.

81
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 38 – EXEMPLO DE PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NA BIBLIOTECA

FONTE: <http://www.prefeiturateotonio.com.br/noticias/1930/secretaria-de-cultura-comemora-
a-semana-da-consciencia-negra>. Acesso em: 28 nov. 2019.

Também destacamos três oficinas que podem ser realizadas: Abayomi,


turbante e tranças.

FIGURA 39 – OFICINA DE ABAYOMI

FONTE: <http://www.bibliotecas.ba.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=814>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

82
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

NOTA

BONECAS ABAYOMI

Para acalentar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos tumbeiros –
navio de pequeno porte que realizava o transporte de escravos entre África e Brasil – as
mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas,
feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção. As bonecas, símbolo de
resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa ‘Encontro precioso’,
em Iorubá, uma das maiores etnias do continente africano cuja população habita parte da
Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim.

Sem costura alguma (apenas nós ou tranças), as bonecas não possuem


demarcação de olho, nariz nem boca, isso para favorecer o reconhecimento das múltiplas
etnias africanas. Inspirado pela tradição dessa arte histórica, a artesã e arte-educadora,
Cláudia Muller, desenvolveu um trabalho único e, com o objetivo de evidenciar a memória
e identidade popular do povo brasileiro, valorizando a diversidade cultural que reina na
terra brasilis, criou o projeto Matintah Pereira. A iniciativa produz versões próprias das
Abayomi e promove oficinas tanto para ensinar o processo de criação quanto para discutir
a importância histórica e social entorno das bonecas.

FONTE: <http://www.afreaka.com.br/notas/bonecas-abayomi-simbolo-de-resistencia-tradicao-
e-poder-feminino/>. Acesso em: 28 nov. 2019.

FIGURA 40 – OFICINA DE TURBANTES

FONTE: <http://www.bibliotecas.ba.gov.br/2017/11/911/NovembroNegro-Estilista-do-Ile-Aiye-
fara-oficina-de-turbantes-na-Biblioteca-do-Rio-Vermelho.html>. Acesso em: 28 nov. 2019.

83
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 41 – OFICINA DE TRANÇAS

FONTE: <https://www.facebook.com/576634146004594/photos/a.590292294638779/7052964
63138361/?type=3&theater>. Acesso em: 28 nov. 2019.

2.3 BIBLIOTECA E RESPEITO À DIVERSIDADE


A valorização e respeito pela diversidade e multiculturalismo é um debate
social importante que deve ser evidenciado pelos profissionais de biblioteconomia.
A biblioteca precisa ser organismo inovador, criativo e dinâmico e também
multicultural. Nesse sentido, o convidamos ao desenvolvimento de ações que
busquem dar visibilidade à diversidade.

2.3.1 I Semana da Diversidade realizada na Biblioteca


Pública do Estado da Bahia
No Brasil, são poucas as iniciativas. Encontramos, por exemplo, a
programação da I Semana da Diversidade realizada na Biblioteca Pública
do Estado da Bahia. Foi promovida em parceria com o Grupo Gay da Bahia,
relacionando a XI Parada do Orgulho Gay. A programação incluiu palestras,
debates, instalações artísticas e exibição de filmes sobre LGBTQI+ (BRASIL, 2017).

84
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

E
IMPORTANT

O QUE SIGNIFICA LGBTQI+?

A sigla é dividida em duas partes. A primeira, LGB, diz respeito à orientação sexual
do indivíduo. A segunda, TQI+, diz respeito ao gênero.

• L: lésbica: é toda mulher que se identifica como mulher e têm preferências sexuais por
outras mulheres.
• G: gay: é todo homem que se identifica como homem e têm preferências sexuais por
outros homens.
• B: bissexuais: pessoas que têm preferências sexuais por dois ou mais gêneros.
• T: transexuais, travestis e transgêneros: pessoas que não se identificam com os gêneros
impostos pela sociedade, masculino ou feminino, atribuídos na hora do nascimento e
que têm como base os órgãos sexuais.
• Q: queer: pessoas que não se identificam com os padrões de heteronormatividade
impostos pela sociedade e transitam entre os “gêneros”, sem também necessariamente
concordar com tais rótulos.
• I: intersexuais: antigamente, chamadas de hermafroditas, são pessoas que não
conseguem ser definidas de maneira distinta em masculino ou feminino.
• +: engloba todas as outras letrinhas de LGBTT2QQIAAP, como o “A” de assexualidade.
• P de pansexualidade.

FONTE: <https://br.vida-estilo.yahoo.com/gays-lesbicas-transexuais-005455414.html>. Acesso


em: 3 dez. 2019.

2.3.2 Biblioteca da UFC – Cinema LGBT: close na lacração


Outra experiência encontramos na Biblioteca da Universidade Federal
do Ceará, que promoveu uma programação de cineclube em alusão ao Dia
Internacional do Orgulho LGBTI, comemorado no dia 28 de junho

Intitulada de “Cinema LGBT: close na lacração”, a programação propôs


aos usuários um mergulho em filmes sensíveis a diferentes questões relacionadas
à comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais.
Foram exibidos quatro longas-metragens, que procuraram representar um pouco
de cada identidade, seja através dos personagens, seja através dos realizadores,
além de abordar assuntos como LGBTfobia, preconceito, raça, classe, amor, afeto,
sexualidade, gênero, família etc., localizados no cenário internacional e brasileiro
(BIBLIOTECA UFC, 2019).

Depois da exibição de cada filme foi proposto um debate sobre a obra. Os


participantes do cine clube e do debate recebiam certificado de participação.

Vejamos os títulos dos filmes:

85
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Paris is burning (1990), de Jennie Livingston.


• Carol (2015), de Todd Haynes.
• Favela gay (2014), de Rodrigo Felha.
• Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda.

2.3.3 Calendário da diversidade


Outra iniciativa é o projeto que visa à concepção de um calendário para
arrecadar verba para a fundação da Biblioteca da Diversidade.

Esse espaço, sem fins lucrativos, buscará oferecer um acervo bibliográfico


para atender a todas as minorias sexuais, proporcionando  produtos e serviços
de informação destinados a promover a diversidade. Também abrigará cursos,
seminários, fóruns de debates e encontros que atendam à necessidade de
aprofundamento de temas envolvendo gênero e orientação sexual.

O projeto idealizado pelo bibliotecário  Cristian Brayner já está em sua


terceira edição. O calendário traz bibliotecários LGBTQI+ e bibliotecárias em
cenas sensuais, ou não, que toparam a proposta voluntariamente.

A ideia surgiu após Cristian presenciar um episódio homofóbico dentro


de uma biblioteca da Universidade de Brasília (UnB), no qual uma leitora foi
tratada com desprezo por uma atendente após procurar por um livro com
temática lésbica.

FIGURA 42 – CALENDÁRIO DA DIVERSIDADE

FONTE: A autora

86
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

2.3.4 Experiências internacionais


Em nível internacional esse cenário é um pouco diferente, pois existem
diversas ações de bibliotecas relacionadas ao tema da diversidade.

Nos Estados Unidos, por exemplo, junho é o mês do livro LGBT nas
bibliotecas e temos bibliotecários envolvidos diretamente nos movimentos
(CRB8, 2018).

FIGURA 43 – BIBLIOTECÁRIAS PRESENTES NA PARADA DO ORGULHO LGBT DE SÃO


FRANCISCO, NOS ESTADOS UNIDOS

FONTE: <http://www.crb8.org.br/junho-e-o-mes-do-livro-lgbt-nas-bibliotecas/>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

Trata-se de uma comemoração nacional entre bibliotecas públicas e


privadas, bibliotecas universitárias e comunitárias, em que autores, leitores
e profissionais das bibliotecas celebram e refletem sobre as histórias de vida,
experiências e a literatura da comunidade LGBT. Originalmente foi estabelecida
no início dos anos 1990 pelo The Publishing Triangle – uma associação norte-
americana de gays e lésbicas na indústria editorial – como o Mês Nacional de
Lésbicas e Gays (CRB8, 2018).

O Mês do Livro GLBT é uma iniciativa da Associação Americana de


Bibliotecas (American Library Association – ALA) e é coordenado
por meio de seu  Escritório de Diversidade, Alfabetização e Serviços
de Extensão e também de sua Mesa Redonda de Gays, Lésbicas,
Bissexuais e Transgêneros (GLBT), que está empenhada em atender
as necessidades de informação e acesso da comunidade LGBT, do
público em geral e também dos profissionais de bibliotecas que se
identificam como gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transgêneras.
Por todo o país eventos e programações LGBT em bibliotecas são
incentivados, celebrados e reúnem pessoas para celebrar os livros, a
leitura e a diversidade (CRB8, 2018, s.p.).

87
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 44 – ARTE DA ALA EM CELEBRAÇÃO AO MÊS DO LIVRO GLBT

FONTE: <http://www.crb8.org.br/junho-e-o-mes-do-livro-lgbt-nas-bibliotecas/>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

Outras iniciativas, como a Biblioteca Pública de Nova York e da biblioteca


acadêmica da Universidade Estadual de Henderson, entram na campanha.

FIGURA 45 – ARTE DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE NY PARA CELEBRAR O MÊS DO LIVRO GLBT

FONTE: <http://www.crb8.org.br/junho-e-o-mes-do-livro-lgbt-nas-bibliotecas/>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

FIGURA 46 – DISPLAY COM PÔSTER EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DE TIROTEIO


MOTIVADO POR HOMOFOBIA

FONTE: <https://www.instagram.com/p/BU0GdvZA7Qw/?taken-by=bellmorelibrary>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

88
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

A Huie Library – biblioteca acadêmica da Universidade Estadual de


Henderson, fica na cidade de  Arkadelphia, no Arkansas, e montou
esse display incrível com um poster em homenagem às vidas perdidas
na Pulse Nightclub em Orlando na Flórida, que foram dizimadas em
um  tiroteio motivado por homofobia  em 2016, que foi considerado
o mais mortífero incidente de violência e ódio contra pessoas da
comunidade LGBTQ, e também da comunidade latina nos Estados
Unidos (CRB8, 2018, s.p.)

Outra experiência interessante ocorre na Biblioteca Pública do Brooklyn,


em Nova York, onde existe contação de histórias para crianças feitas por uma drag
queen e por ativistas pelos direitos LGBT.

FIGURA 47 -- HORA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS DRAG QUEEN COM A CONTADORA


HONEY MAHOGANY CELEBRANDO O ORGULHO LGBT NA BIBLIOTECA PÚBLICA
DE SÃO FRANCISCO

FONTE: <http://www.crb8.org.br/junho-e-o-mes-do-livro-lgbt-nas-bibliotecas/>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

FIGURA 48 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COM DRAG QUEEN

FONTE: <http://www.bibliotecasdobrasil.com/2016/09/diversidade-lgbtq-nas-bibliotecas-drag.html>.
Acesso em: 28 nov. 2019.

89
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

LEITURA COMPLEMENTAR

BIBLIOTECA DA DIVERSIDADE

ENTREVISTA
RBBD – Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação

CRISTIAN SANTOS, Bibliotecário da Câmara dos


Deputados desde 2009, tendo atuado na Biblioteca
do Superior Tribunal de Justiça por dez anos. É
Pós-doutorando em História pela Casa de Rui
Barbosa, Doutor em Literatura e Práticas Sociais
pela Universidade de Brasília, Mestre em Ciência
da Informação, Graduado em Filosofia, Tradução,
Biblioteconomia, Teologia e Letras (Língua e
Literatura Francesas). É membro titular do Conselho Regional de Biblioteconomia
(1ª Região) e membro titular do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB).
Além de se dedicar ao estudo da relação entre literatura e sagrado, tendo sido
agraciado, recentemente, com o Prêmio Casa de las Américas por seu livro
Devotos e Devassos (EdUSP, 2014), analisa a atuação do Poder Legislativo em
matérias envolvendo as bibliotecas, políticas de leitura e assuntos afins.

RBBD: Qual foi a sua principal motivação para idealizar a Biblioteca da


Diversidade?

Cristian: A revolta frente ao silêncio desdenhoso, quase cínico das bibliotecas


brasileiras em torno das questões de gênero e de orientação sexual me arrancou da
letargia e pôs fim ao meu projeto de ser, apenas, um bibliotecário bem remunerado
da Câmara dos Deputados. Três acontecimentos me conduziram ao “despertar”.
Tudo começou em um dia calorento de agosto, quando estagiava no balcão de
empréstimo da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB). Uma moça se
aproximou; trazia nas mãos um romance lésbico. A bibliotecária que me treinava,
mirou, com asco, a capa do livro, e investiu pesado na feição de desprezo dirigida
a menina que, acuada, saiu encolhida, com os olhos fitos no chão. Embora já tenha
passado 17 anos do ocorrido, jamais me esquecerei da dor estampada no rosto
daquela leitora. Experimentei, mais tarde que não se trata de um caso isolado.
Posteriormente, a bissexual Virginia Woolf me afetou profundamente ao acusar,
em Um Teto Todo Seu, os bibliotecários da Universidade de Oxford de entupirem o
catálogo com verbetes e remissivas misóginas. Finalmente, observei que, embora o
Brasil prepare a maior Parada Gay do mundo, também ocupa o topo no ranking de
assassinatos de homossexuais. E aí me perguntei: nossos acervos, nossos produtos
e serviços, nosso modo de tratar e divulgar a informação tem levado em conta
que a homofobia mata um homossexual a cada 28 horas em nosso país? Cheguei
à conclusão de que nossas bibliotecas, em geral, manifestam pouco ou nenhum
interesse em lidar com corpos e desejos fora da norma. Alguns colegas, como a

90
TÓPICO 2 | AÇÕES CULTURAIS DE COMBATE A PRECONCEITOS

bibliotecária da UnB, se valem de modalidades explícitas de violência simbólica;


a grande maioria, contudo, opta pelo tom diplomático, apregoando acolhimento e
bons préstimos a todos os cidadãos, discurso facilmente desmascarado com uma
simples consulta ao OPAC.

A Biblioteca da Diversidade nasce, portanto, como uma tentativa de combater esse


quadro de violência física e simbólica, alimentado pela ignorância. A Associação
Biblioteca da Diversidade, em vias de registro, é uma pessoa jurídica de direito
privado sem fins lucrativos, notadamente autônoma, não sendo vinculada a
partidos políticos, grupos religiosos e/ou qualquer entidade ou filosofia. Seus
objetivos são três:

a) Oferecer um acervo bibliográfico destinado a atender às necessidades das


minorias sexuais e religiosas.
b) Propiciar uma gama de produtos e serviços de informação destinados a
visibilizar a diversidade sexual.
c) Promover cursos, seminários, fóruns de debates e encontros que atendam às
necessidades de aprofundamento dos temas envolvendo gênero e orientação sexual.

RBBD: Por que você pensou na criação do calendário?

Cristian: O calendário foi uma estratégia destinada a lançar a ideia da Biblioteca


da Diversidade. Aproveitei a ocasião para ridicularizar o estigma de que a
Biblioteconomia é, exclusivamente, feminina, convidando homens bibliotecários
e alunos de Biblioteconomia para posar. Essa discussão me pareceu necessária
porque, ao desnaturalizar a relação totalizante entre gênero e profissão, passamos
a interrogar a própria identidade reducionista atribuída à biblioteca como locus
de cuidado, e ao profissional como “tia boazinha”. Visibilizei, ainda, por meio
da nudez de homens negros e brancos, jovens e maduros, oriundos de todas as
regiões do país, a estupidez de um segundo estereótipo que nos persegue: de que
o bibliotecário, por exercer o sacerdócio da custódia de fontes documentais, acaba
perdendo o seu rosto, o seu sexo, o seu desejo. Reproduzir bibliotecários nus foi
o mecanismo encontrado para desmentir a tese de que o valor que permeia a
nossa missão enquanto profissionais é a neutralidade. Ao se fazerem fotografar
desnudos dentro da biblioteca, eles dissociaram, terminantemente, a relação
entre produtividade e submissão, os dois elementos do corpo moderno, segundo
Michel Foucault. De fato, embora pretendendo serem úteis à sociedade – todos
eles estão munidos ou cercados de livros, evocando seu ministério de guardiães
do saber –, se mantém indóceis ao discurso normativo, que criminaliza e pune
sujeitos tidos como fora do padrão. Embora não saiba, ao certo, se o processo
de significação ficou claro para todos, o que posso afirmar é que o calendário
agradou muito. O calendário foi noticiado em jornais e sites de notícias de todo
o mundo, como a França, México, Estados Unidos, Itália e Colômbia. Em 28 dias,
todos os exemplares tinham sido vendidos, inclusive para bibliotecários da Nova
Zelândia e Dinamarca.

91
UNIDADE 2 | EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NA BIBLIOTECONOMIA

RBBD: Como você vê a articulação desse projeto com as bibliotecas públicas?

Cristian: O Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas reconhece


que não há liberdade e prosperidade individual e coletiva sem acesso efetivo à
informação. E sabemos que os homossexuais, lésbicas, transexuais e bissexuais
brasileiros são impedidos de exercem, plenamente, a sua cidadania, seja em
virtude de uma teia de discursos de ódio, muitos deles justificados por textos
ditos “sagrados”, seja pela inoperância do Estado, frequentemente atrelado a
forças conservadoras. Minha única aspiração é que consigamos criar um espaço
simbólico acolhedor às vítimas do ódio envolvendo gênero e orientação sexual.
Que nas estantes de nossa Biblioteca um adolescente gay encontre um livro que o
auxilie em seu processo de empoderamento e que tenhamos palestras destinadas
a esclarecer a comunidade a respeito da transexualidade. Enfim, que a Biblioteca
da Diversidade seja um contraponto ao silêncio de tantas outras instituições.

RBBD: Como as pessoas podem colaborar com o projeto?

Cristian: Nosso maior desafio, neste momento, é adquirir o terreno onde será
construída a sede da Biblioteca. O valor gravita em torno de R$ 800.000,00. Além
de doações em dinheiro, aceitamos itens bibliográficos para serem incorporados
ao nosso acervo (serão bem-vindas todas as obras que discutam questões ligadas
à sexualidade, bem como títulos de Literatura, Filosofia, Psicologia e Ciências
Sociais em geral).

FONTE: <https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/download/563/463>. Acesso em: 28 nov. 2019.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

92
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• As bibliotecas têm um papel social muito importante na sociedade, pois são


espaços onde todos os públicos, de todas as idades, gênero, credo, raça ou
classe social se utilizam de forma democrática ao acesso à informação.

• As bibliotecas e os bibliotecários poderão servir como transformadores sociais,


instruindo, capacitando os indivíduos e incentivando o desenvolvimento
do senso crítico e a curiosidade, podem auxiliar a autonomia da busca da
informação.

• A biblioteca pode disponibilizar serviços como: apresentações musicais e de


teatro, oficinas, cinema, palestras e debates sobre temas diversos relacionados
à política, cultura, racismo, feminismo, bullying, dentre outros.

• A biblioteca pode ser propulsora de exposições, concertos e muito mais


para aproximar as pessoas da cultura e também espaço de aprendizagem e
construção de uma consciência mais reflexiva e crítica.

• A valorização e respeito pela diversidade e multiculturalismo é um debate social


importante que deve ser evidenciado pelos profissionais de biblioteconomia.

• A biblioteca precisa ser organismo inovador, criativo e dinâmico e também


multicultural.

• A biblioteca é um espaço de resistência. Ela atuará dessa forma quando os


bibliotecários entenderem que a informação reproduz os vários caminhos
possíveis e que depende deles o escamotear ou não de formas alternativas de
pensar o mundo.

• Quando discutimos a mediação da informação no âmbito das bibliotecas, a


entendemos não como um momento, mas como um processo que abrange todo
o fazer do profissional bibliotecário.

• A informação está impregnada de concepções e de ideologias que interferem


a sua apropriação por parte dos usuários. Nenhuma cultura é melhor que a
outra, elas são diferentes. É preciso o respeito às diferenças. Nenhuma pessoa
é melhor que a outra, elas são diferentes. Da mesma maneira é preciso respeito
às diferenças.

93
AUTOATIVIDADE

1 Por que as bibliotecas têm um papel social muito importante na sociedade?

2 Como os profissionais da biblioteconomia podem promover ações de


combate ao preconceito e a discriminação?

94
UNIDADE 3

EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA
BIBLIOTECONOMIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as práticas de ações sociais em bibliotecas;

• refletir criticamente sobre o papel de mediador e promotor de ações sociais;

• compreender as dinâmicas possíveis em atividades sociais;

• realizar práticas de ações sociais;

• relacionar a informação pública com a ação social.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – PRÁTICAS SOCIAIS COM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

TÓPICO 2 – PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE


COMBATE A PRECONCEITOS

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

95
96
UNIDADE 3
TÓPICO 1

PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

1 INTRODUÇÃO
Cada vez mais se espera que as bibliotecas sejam equipamentos culturais
dinâmicos, sustentáveis e conectados às necessidades de suas comunidades.

Mas o que significa ser sustentável? A sustentabilidade é um desafio que


vem se apresentando à sociedade, pois propõe novos rumos de comportamento
e estabelece novas bases de desenvolvimento em todos os contextos e setores.
Observamos que a sustentabilidade compreende os requisitos ambientais,
econômico, social e cultural, e a biblioteca, sendo um instrumento cultural, está
diretamente envolvida nesse debate.

Concordamos com Cardoso e Machado (2016) que as bibliotecas são


espaços potenciais de conscientização do cidadão e devem servir como exemplo
a ser seguido, principalmente aquelas mantidas pelo Estado. Estas devem ser
as primeiras a incorporar os princípios da construção sustentável; critérios e
princípios de economia de recursos naturais; procedimentos para minimizar
o impacto ambiental; o gerenciamento racional dos bens públicos; a gestão
adequada de resíduos sólidos; e a colaborar para ampliar o acesso à informação,
incentivar a leitura e as práticas sustentáveis. Assim iniciaremos este tópico,
trazendo um pouco do conceito de bibliotecas verdes e alguns passos para as
suas transformações.

Da mesma forma, as bibliotecas, além do seu papel central de organização


e disseminação da informação, podem e devem estar envolvidas em temas sociais
relevantes, como campanhas da área de saúde, por exemplo.

Assim, neste tópico faremos esse recorte de atividades sociais possíveis


de serem desenvolvidas em bibliotecas dos temas de sustentabilidade e saúde,
e convidamos você a acompanhar e pensar em outras atividades possíveis,
que entrelacem as ações do profissional de biblioteconomia com os problemas
sociais existentes.

97
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2 DIRETRIZES PARA BIBLIOTECAS PÚBLICAS VERDES NO


BRASIL
O Movimento Biblioteca Verde surgiu no início de 1990, no entanto,
só ganhou popularidade na biblioteconomia por volta de 2003. Para Antonelli
(2008), o Movimento Biblioteca Verde é composto de um número crescente
de bibliotecários, bibliotecas, cidades, faculdades e campus universitários
comprometidos com a transformação de bibliotecas, reduzindo o seu impacto
ambiental no planeta.

Para Cardoso e Machado (2016), cabe esclarecer que os termos ‘bibliotecas


sustentáveis’ e ‘bibliotecas verdes’ normalmente são utilizados como sinônimos
no campo da arquitetura e construção da biblioteca, no entanto, ser verde é
apenas um passo para se tornar sustentável. De acordo com Miller (2010), para
uma biblioteca tornar-se verde são necessárias algumas ações que, adaptadas
à realidade brasileira, podem ser divididas em quatro passos: plano de ação,
projeto arquitetônico, serviços e educação ambiental. O autor ressalta que a
responsabilidade por essa transformação é de todos, portanto o envolvimento
da equipe da biblioteca é determinante para o sucesso do projeto. Nesse sentido,
sugere a criação de um Comitê Verde responsável por definir as ações, as
inciativas, os programas e os projetos da biblioteca verde.

Antes de irmos para as práticas de ações sociais sustentáveis, resolvemos


então apresentar de forma breve as contribuições de Cardoso e Machado (2016, p.
147), que a partir das reflexões acerca do conceito de bibliotecas verdes, indicam
alguns passos para uma biblioteca se transformar em verde e sustentável.

• Estabelecer um Comitê Verde envolvendo funcionários da biblioteca


e comunidade.
• Elaborar um plano de ação com os objetivos, metas, metodologia
para implantação das ações e mudanças previstas ao longo de um
determinado tempo. Esse plano deve levar em conta os recursos
necessários.
• Conscientizar a comunidade local a respeito dos benefícios que a
biblioteca verde pode trazer.
• Implantar no projeto arquitetônico de construção do edifício de
uma nova biblioteca baseado nos critérios de sustentabilidade, de
acordo com a ISO/TR 11219:2012, visando, se possível, à certificação
ambiental LEED, ou AQUA.
• Trabalhar hábitos e atitudes, procedimentos, projetos e ações nas
bibliotecas existentes que não possuem recursos ou condições para
reformas.
• Aplicar a gestão ambiental no ambiente de trabalho preocupando-
se com as aquisições ecológicas, quer sejam materiais de escritório,
móveis, equipamentos ou produtos e ferramentas de limpeza.
• Adotar a Agenda Ambiental de Administração Pública (A3P)
levando-se em consideração o Manual de Compras Sustentáveis e a
norma ISO 14001 para tomada de decisão na seleção de fornecedores.
• Economizar recursos naturais, utilizar bem os recursos financeiros
e preocupar-se com os demais materiais utilizados nos serviços da
biblioteca para reduzir a produção de lixo, mitigando o impacto que
esses resíduos sólidos causam no meio ambiente.

98
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

• Adotar a educação ambiental como princípio no processo de


formação dos funcionários e usuários da biblioteca.
• Manter uma coleção atualizada sobre as questões ambientais a
fim de desenvolver ações de difusão da informação ambiental na
comunidade.
• Contribuir com a disseminação e o acesso da informação ambiental
visando à qualidade de vida da população.
• Incentivar pesquisas na área.
• Criar programas e projetos pautados na Educação Ambiental
que, além de incentivarem a leitura, visem à conscientização dos
usuários sobre ações ecologicamente corretas.
• Levar em consideração as datas comemorativas do meio ambiente
para realização de palestras, debates, oficinas, trabalhos de campo,
exposições, concursos, entre outras ações culturais.
• Incentivar a utilização de publicações digitais,  audiobooks,
periódicos eletrônicos, CD e DVD, evitando a impressão.
• Descartar publicações do acervo da biblioteca preocupando-se com
a reutilização das mesmas, doando-as ou reciclando-as.
• Colocar em prática a regra dos cinco ‘R’: reduza, reuse, recicle,
respeite e responsabilize.

As autoras ressaltam que essas recomendações são, em sua maioria,


consideradas ações possíveis de serem realizadas em qualquer biblioteca,
bastando o comprometimento dos gestores, bibliotecários e demais funcionários.
Ao mesmo tempo, buscar exemplos de sucesso de práticas e projetos de bibliotecas
verdes também é uma forma de estimular a propagação dessa ideia no país.

2.1 COLETA SELETIVA DE LIVROS


O tema de sustentabilidade é um assunto em constante debate na
sociedade. E, infelizmente, não raras são as notícias sobre descarte de livros no
lixo. A fim de amenizar a atuação na temática, com uma visão sustentável sobre
o tema, nasce o projeto “coleta seletiva de livros”, uma iniciativa da Biblioteca
da UNIASSELVI de Guaramirim, em Santa Catarina. O projeto visou à coleta,
separação e destinação correta dos materiais bibliográficos e, ao mesmo tempo,
possibilitou a integração de diversos projetos de incentivo à leitura.

Nessa ação, temos como figura central o profissional bibliotecário, que, ao


receber as doações, define os destinos dos materiais coletados, como apresentamos
a seguir:

99
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 1 – POSSIBILIDADES DE DESTINAÇÃO DOS MATERIAIS COLETADOS

Seleção de materiais que possam ser


utilizados como brindes em outros
projetos de incentivo à leitura.

Descarte de forma correta, como


Incorporação ao acervo, caso esteja por exemplo a reciclagem. Essa ação
em bom estado e faça parte de sua pode inclusive gerar alguma renda
política de coleções. para a biblioteca, dependendo do
volume a ser vendido.

Doação para outras instituições,


contribuindo com bibliotecas
escolares, comunitárias, prisionais
entre outras.

FONTE: A autora

• Como aplicar

A realização dessa ação é de baixo custo e de fácil aplicação. O gasto


financeiro se resume à impressão de cartazes, que serão adesivados em caixas
de papelão para coletar os materiais doados. As caixas devem ficar expostas na
entrada da biblioteca, de fácil acesso e visibilidade.

A divulgação também deverá ser por cartazes expostos em corredores e/


ou salas de aula, e estendido a todos os usuários e comunidade em geral.

FIGURA 2 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO FIGURA 3 – COLETA DO MATERIAL

FONTE: A autora FONTE: A autora

100
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

2.2 SALA DE LEITURA SUSTENTÁVEL


A consciência de sustentabilidade é uma necessidade que está se tornando
realidade em todas as áreas do conhecimento e em todos os segmentos. Dessa
forma, torna-se cada vez mais urgente a sua aplicação nas bibliotecas.

Aos profissionais bibliotecários cabe a busca por conhecimento de


sustentabilidade, reciclagem e reutilização, para, assim, tornarem-se agentes
atuantes e responsáveis nessa campanha de preservação mundial, com consciência
de preservação através de consumo e ações sustentáveis.

Neste subtópico, usaremos como exemplo de sustentabilidade o projeto


Sala de Leitura Sustentável, que tem por finalidade incentivar o prazer pela leitura,
disseminação da informação e conhecimento, proporcionar um espaço cultural e
contribuir com a sustentabilidade, através de salas de leitura nas comunidades
carentes e/ou instituições, entre outros, utilizando a reciclagem de materiais nas
estruturas físicas das salas.

• Como aplicar
1- Planejar a implantação da sala, tendo em vista o local; a busca de materiais;
cronograma de execução e entrega da sala; campanha ou aquisição de
material bibliográfico; jogos educativos e de lazer.
2- Aplicar a campanha ou aquisição do acervo.
3- Arrecadar materiais para reciclagem, tais como: caixas de madeira ou
plástico de frutas e legumes; carretéis de madeira, de fios elétricos ou cabos
para internet; paletes; embalagens de massa corrida (barrica), entre outros.
4- Desenhar o leiaute da sala.
5- Preparar o material para a reciclagem, lixar e pintar as madeiras.
6- Registrar a construção da sala com fotos e vídeos.
7- Montar a sala.
8- Organizar o acervo.
9- Registar o trabalho final com fotos e vídeos.
10- Divulgar a sala na mídia, se possível, e-mails e redes sociais.

A ilustração a seguir mostra a sala de leitura sustentável desenvolvida


pela bibliotecária do SENAC de São Miguel do Oeste, em 2015.

FIGURA 4 – SALA DE LEITURA DO SENAC SÃO MIGUEL DO OESTE-SC

FONTE: A autora

101
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 5 – SALA DE LEITURA DO SENAC SÃO MIGUEL DO OESTE-SC (2)

FONTE: A autora

Tal projeto chamou a atenção de outros setores da comunidade, e a


bibliotecária do Senac, à época, foi convidada a replicar a experiência no hospital
Regional Terezinha Gaio Basso, de São Miguel do Oeste – SC.

Para isso, foi realizado um trabalho coletivo entre funcionários do hospital,


bibliotecária e comunidade para a arrecadação dos materiais necessários, bem
como a produção das peças que envolvia lixamento, pintura e montagem destas.

FIGURA 6 – MESAS E PUFFS DO HOSPITAL TEREZINHA GAIO BASSO, DE SÃO


MIGUEL DO OESTE – SC

FONTE: A autora

102
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

FIGURA 7 – PORTA-REVISTAS E BANCOS FEITOS DE MATERIAL RECICLADO – HOSPITAL


TEREZINHA GAIO BASSO, DE SÃO MIGUEL DO OESTE – SC

FONTE: A autora

2.2.1 Biblioteca sustentável Prof. Arlindo Corrêa da Silva


Outra experiência nesse sentido foi desenvolvida na Biblioteca Prof.
Arlindo Corrêa da Silva, única biblioteca da zona rural de Betim (MG), localizada
na Instituição Social Ramacrisna.

FIGURA 8 – BIBLIOTECA SUSTENTÁVEL PROF. ARLINDO CORRÊA DA SILVA

FONTE: <https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/zona-rural-de-mg-ganha-biblioteca-
sustentavel/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

O projeto foi selecionado e patrocinado por meio de edital da Fundação


Biblioteca Nacional, ligada ao Ministério da Cultura e ao Sistema Nacional de
Bibliotecas Públicas. A biblioteca foi toda renovada utilizando mobiliários
sustentáveis.

Além do projeto de inovação do espaço, a proposta, segundo a bibliotecária,


era dar o exemplo para os frequentadores da importância da sustentabilidade
(ROSA, 2015).

103
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Além do mobiliário sustentável, feito com paletes de madeira doados pela


Toshiba, todo o espaço foi customizado pelas crianças, jovens e pelas mulheres da
Cooperativa Futurarte. As crianças do Centro de Apoio Educacional Ramacrisna
– CAER – fizeram desenhos reutilizando papéis; o grupo de jovens Antenados
customizou armários e prateleiras reaproveitando revistas em quadrinhos;
e as cooperadas da Futurarte reaproveitaram sobras de tecidos utilizados na
produção. O intuito foi deixar o espaço mais alegre, colorido, sustentável e com a
cara do público que o frequenta (ROSA, 2015).

FIGURA 9 – MESAS E ESTANTES COM PALETES

FONTE: <https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/zona-rural-de-mg-ganha-biblioteca-
sustentavel/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

FIGURA 10 – SOFÁ COM PALETES

FONTE: <https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/zona-rural-de-mg-ganha-biblioteca-
sustentavel/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

2.3 OFICINAS EM BIBLIOTECAS


Uma boa forma de envolvimento da comunidade e de ampliação de
usuários da biblioteca é a promoção de oficinas e cursos. Estas podem, inclusive,
virar fonte de renda dos participantes ou mesmo da própria biblioteca. A temática
da sustentabilidade tem sido fonte de inspiração para a criação de formas de
aproveitamento de materiais. Muitas bibliotecas viram esse nicho e passaram a
promover oficinas.

Vejamos agora algumas experiências e/ou possibilidades de oficinas.


104
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

2.3.1 Oficina de reciclagem de livros e revistas


Muitas vezes temos materiais para descarte na biblioteca, estes podem ser
matéria-prima para oficinas de reciclagem e de artesanato. Na ideia apresentada
a seguir, a biblioteca pôde aproveitar a temática natalina para propor uma oficina
que visou transformar livros e revistas descartados em enfeites de Natal.

FIGURA 11 – ARTESANATO DE LIVROS – TEMAS NATALINOS

FONTE: A autora

• Como aplicar as oficinas:


1- Planejar e organizar o conteúdo a ser ministrado.
2- Determinar se será cobrado um valor de investimento ou se será gratuito.
3- Definir data de realização.
4- Determinar número mínimo e máximo para acontecer a oficina.
5- Confeccionar cartaz de divulgação.
6- Divulgar na mídia, se possível, e-mails e redes sociais para a chamada de
público.
7- Registrar com fotos e/ou vídeos.
8- Divulgar por e-mails e redes sociais.

2.3.2 Biblioagrorural
Alguns projetos desenvolvidos por bibliotecários são dignos de premiação.
Vejamos o projeto Biblioagrorural, criado pela coordenadora da Biblioteca
Municipal Wilson Marques, de Tomé-Açú, no Pará.

Em notícia veiculada no site do Ministério da cidadania, afirma-se que foi


pensando em manter a agricultura de subsistência, principal atividade da região, e
em trazer os agricultores e seus filhos para dentro da biblioteca que a idealizadora
do projeto iniciou o Biblioagrorural, oferecendo um ciclo de oficinas e palestras
sobre manejo sustentável para agricultores das comunidades de Tabocal Ponte e
Mariquita Rosário, na zona rural do município do Pará (BRASIL, 2019).

105
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

Para ensinar as técnicas que a população necessitava, ela também teve que
fazer parcerias e foi até a Secretaria Estadual de Agricultura. “Eles nos cederam
técnicos para auxiliar na formação da comunidade”, relatou. Na primeira
etapa do projeto, a equipe foi até as comunidades para aulas práticas com os
agricultores. Já na segunda etapa, os beneficiados tiveram que ir até a biblioteca
para a continuidade das oficinas (BRASIL, 2019).

“Com isso, nós conseguimos trazer os agricultores e seus filhos para


dentro da biblioteca, o que não é muito comum. Nós mostramos a eles que temos
informações que são importantes e que eles podem vir até nós para se orientar e
melhorar suas práticas”, afirmou a coordenadora do projeto (BRASIL, 2019).

Como resultado, além do aumento da produtividade e preservação do


meio ambiente, a biblioteca acabou construindo a própria horta, onde os alunos
das escolas públicas agora têm aulas de educação ambiental. “Muitos jovens da
zona rural não tinham perspectiva, achavam que ficariam ali para sempre. Agora,
eles sabem que, se quiserem continuar com a atividade agrícola, podem estudar
e se especializar para obter resultados bem melhores”.

FIGURA 12 – OFICINA DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA AGRICULTORES

FONTE: <http://cultura.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/biblioagricultura_tom%C3%A9-
a%C3%A7%C3%BA-1.jpg>. Acesso em: 4 dez. 2019.

E os resultados não param por aí. No ano passado, em 2018, as duas


iniciativas foram premiadas entre as dez melhores do projeto Conecta, que busca
a transformação social por meio das bibliotecas públicas municipais. Uma prova
de que as bibliotecas podem atuar como mobilizadoras de mudança em suas
comunidades e que sua função vai muito além de guardar livros (BRASIL, 2019).

2.3.3 Oficinas juninas sustentáveis


A seguir, apresentamos um exemplo para que você possa visualizar que se
pode aproveitar períodos específicos do ano para fazer atividades na biblioteca.
Aqui, a Fundação Pedro Calmon faz uma programação de ações sustentáveis, por
meio de oficinas, que envolve sua rede de bibliotecas (FPC, 2019).

106
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

As oficinas de origami, reciclagem e artesanato têm o objetivo de propor


novas formas de utilização de materiais descartáveis, além de estimular a leitura
nos pequeninos através de uma oficina literária. Da mesma forma, segundo os
organizadores, as oficinas ampliam a compreensão sobre o assunto. “Além de
ensinar e divertir, permite uma consciência cidadã reaproveitando o que antes
seria descartável, em novos produtos, conservando a matéria-prima e protegendo
o meio ambiente” (FPC, 2019).

As atividades ocorreram durante todo o dia na Biblioteca Central do Estado


da Bahia (BCEB/Barris),  Biblioteca Anísio Teixeira (BAT/Pelourinho),  Biblioteca
Infantil Monteiro Lobato (BIML/Nazaré) e Biblioteca Juracy Magalhães Junior
(BJMJr/Itaparica e Salvador).

FIGURA 13 – OFICINAS JUNINAS

FONTE: <http://www.fpc.ba.gov.br/2019/05/1468/Oficinas-de-arte-abordam-a-sustentabilidade-
em-Bibliotecas.html>. Acesso em: 4 dez. 2019.

3 PARTICIPAÇÃO EM CAMPANHAS DA ÁREA DA SAÚDE


Com intuito de conscientização e informação, os órgãos de saúde
nacionais e internacionais criaram meses de prevenção e conscientização. A
biblioteca pode contribuir com essas campanhas, sendo agente social direto no
processo de informação sobre tais temas. Foi o que ocorreu na Biblioteca da
UNIASSELVI de Guaramirim-SC, que promoveu ações no setembro amarelo,
com a campanha de combate ao suicídio, e no outubro rosa, com a campanha
de prevenção ao câncer de mama.

107
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

3.1 SETEMBRO AMARELO


Nessas campanhas, o foco é a sensibilização aos temas em debate. Existem
várias formas de participação, mas, em geral, inicia-se pela utilização das marcas
de campanha, bem como as cores, além dos slogans de campanhas, fôlderes
informativos, palestras, balões etc.

NOTA

O Setembro Amarelo

É uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, foi criado em


2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP
(Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca
o  Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). A ideia é pintar, iluminar e
estampar o amarelo nas mais diversas resoluções, garantindo mais visibilidade à causa.

FIGURA 14 – SLOGAN SETEMBRO AMARELO

FONTE: <https://www.setembroamarelo.org.br/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor


público e privado e a população de forma geral se envolveram nesse movimento
que vai de Norte a Sul do Brasil. Monumentos como o Cristo Redentor (RJ), o
Congresso Nacional e o Palácio do Itamaraty (DF), o Estádio Beira Rio (RS) e o
Elevador Lacerda (BA), para citar apenas alguns, e até mesmo times de futebol,
como o Santos FC, Flamengo e Vitória da Bahia, participam da campanha.
Mas todos podem ser divulgadores dessa importante causa. Ações  na
rua, caminhadas, passeios ciclísticos, roupas amarelas ou simplesmente o uso
do laço no peito já despertam a atenção e contribuem para a conscientização.
Faça parte desta causa! 

108
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

NTE
INTERESSA

Origem da cor amarela

Segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha foi adotada


por causa da história de Mike Emme, que em 1994, com apenas 17 anos, tirou a própria vida
dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com
fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo
desespero de Mike, e a mensagem foi se espalhando mundo afora. O carro era um Mustang
68, restaurado e pintado pelo próprio Mike. Os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme,
iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio "fita amarela", ou "yellow
ribbon", em inglês.

FONTE: <https://web.archive.org/web/20181022041324/http://www.acp.med.br/noticia/
campanha-setembro-amarelo-promove-a-valoracao-a-vida-c1c58f84-63a4-4823-8a6f-
ff4cc30ee4f6>. Acesso em: 4 dez. 2019.

• Como aplicar
1- Buscar parceria para realizar as palestras, de preferência com a coordenação
do Curso de Psicologia, se houver na sua IES, assim poderá aproveitar
disciplinas afins e montar grupos de acadêmicos para ministrarem as
palestras, caso contrário, buscar um profissional que se disponha.
2- Organizar, com as coordenações de curso, o agendamento das turmas para
participarem nas datas.
3- Organizar a biblioteca para as palestras, local, decoração, cartazes.
4- Registrar com fotos e/ou vídeos.
5- Divulgar por e-mail e redes sociais.

Lembrando que é possível fazer atividades em outros tipos de bibliotecas,


como públicas, escolares, especializadas, entre outras. O importante é sempre
buscar parcerias e publicizar as ações. A participação em campanhas como essa
pode estar no calendário e planejamento anual da biblioteca.

FIGURA 15 – PALESTRA NA BIBLIOTECA UNIASSELVI GUARAMIRIM-SC

FONTE: A autora

109
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 16 – APRESENTAÇÃO NA BIBLIOTECA UNIASSELVI GUARAMIRIM-SC

FONTE: A autora

FIGURA 17 – PALESTRANTES ACADÊMICAS DO CURSO DE PSICOLOGIA

FONTE: A autora

Para ter mais atrativos na atividade, podem ser oferecidos brindes aos
convidados e participantes, isso depende da organização, dos recursos e parcerias
disponíveis.

FIGURA 18 – BRINDES PARA OS CONVIDADOS DAS PALESTRAS NA BIBLIOTECA


UNIASSELVI GUARAMIRIM-SC

FONTE: A autora

3.2 OUTUBRO ROSA


Mais um exemplo são as campanhas de conscientização para o Outubro
Rosa, mês de prevenção ao câncer de mama.

110
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

NOTA

Outubro Rosa

Esse movimento começou nos Estados Unidos, onde vários estados tinham ações
isoladas referente ao câncer de mama e/ou mamografia no mês de outubro. Posteriormente,
com a aprovação do Congresso Americano, o mês de outubro se tornou o mês nacional
(americano) de prevenção do câncer de mama.

A história do Outubro Rosa remonta à última década do século


20, quando o laço cor-de-rosa foi lançado pela Fundação Susan G.
Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida
pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida
anualmente na cidade (www.komen.org).

A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes, teatros etc.


surgiu posteriormente, e não há uma informação oficial de como, quando e onde foi
efetuada a primeira iluminação. O importante é que foi uma forma prática para que o
Outubro Rosa tivesse uma expansão cada vez mais abrangente para a população e que,
principalmente, pudesse ser replicada em qualquer lugar, bastando apenas adequar a
iluminação já existente.

Em outubro de 2009, multiplicam-se as ações relativas ao Outubro Rosa em todas


as partes do Brasil. Novamente, as entidades relacionadas ao câncer de mama e empresas
se unem para expandir a campanha.

FONTE: <http://www.outubrorosa.org.br/quemsomos.htm>. Acesso em: 4 dez. 2019.

Inspirada pela campanha, a UNIASSELVI, através de sua rede de bibliotecas,


propõe a Campanha “Amor em Lenços”, que visou arrecadar lenços para serem
doados à Rede Feminina de Combate ao Câncer da região de cada biblioteca.

Ações do Outubro Rosa podem ser incorporadas na Semana Nacional do
Livro e da Biblioteca, que ocorre na última semana do mês de outubro.

FIGURA 19 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DA CAMPANHA AMOR EM LENÇOS

FONTE: A autora

111
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Como aplicar
1- Planejar a ação com os bibliotecários da Rede de Bibliotecas.
2- Determinar o tempo da ação.
3- Criar a arte para divulgação.
4- Organizar o local para recebimento das doações.
5- Divulgar por mídia, se possível, e-mails e redes sociais.
6- Registrar através fotos e/ou vídeos.
7- Realizar a entrega com registro de fotos e/ou vídeos.

3.3 NOVEMBRO AZUL


Outra campanha da saúde importante é o novembro azul.

NOTA

Novembro Azul

A campanha Novembro Azul é mundialmente conhecida como Movember, junção


das palavras Moustache (bigode) e November (novembro). Surgiu na Austrália em 2003. O
mês foi escolhido porque abriga, no dia 17, o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

No Brasil, o pioneiro a adotar a campanha e nomeá-la de Novembro Azul foi


o Instituto Lado a Lado pela Vida, em 2008, com objetivo de quebrar o preconceito do
homem de ir ao médico e, quando necessário, fazer o exame de toque.

FONTE: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/conscientizacao/4404/149/>. Acesso em:


4 dez. 2019.

Consciente da importância dessa campanha, a Biblioteca Nilo Peçanha, do


Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB – também
realizou diversas atividades alusivas à campanha Novembro Azul, disseminando
informações através de murais e no seu sistema interno de TV.

No encerramento da campanha, ainda houve a distribuição de chocolates


com o tema. “Queremos que quando os usuários entrem na biblioteca, eles
percebam que nós enquanto profissionais da informação estamos juntos na
divulgação e conscientização das principais ações de prevenção e solidariedade”,
comentou Thiago Silva, Coordenador Geral da Biblioteca (IFPB, 2014, s.p.).

112
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

FIGURA 20 – CAMPANHA NOVEMBRO AZUL

FONTE: <http://editor.ifpb.edu.br/campi/joao-pessoa/noticias/2014/copy2_of_pasta_modelo/
biblioteca-nilo-pecanha-promove-atividades-alusivas-ao-novembro-azul>. Acesso em: 4 dez. 2019.

3.4 CAMPANHA CONTRA A DENGUE


Aqui, apresentaremos duas bibliotecas que se envolveram na campanha
contra a dengue.

3.4.1 Bibex (Biblioteca de Extensão) na campanha


contra a dengue
A Bibex (Biblioteca de Extensão), unidade móvel vinculada à Fundação
Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da ação Leitura
na Praça, promoveu ações com o objetivo de leitura e peças sobre a dengue,
manuseio de livros, diversas atividades lúdicas e estímulo à leitura entre  as
crianças (BAHIA, 2014).

FIGURA 21 – EVENTO DA BIBEX

FONTE: <http://www.bibliotecas.ba.gov.br/2016/04/304/Projeto-da-Biblioteca-de-Extensao-
encantou-criancas-na-Boca-do-Rio.html>. Acesso em: 4 dez. 2019.

113
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

O evento teve um espetáculo infanto-juvenil que levava mensagem sobre


a prevenção ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e
zika. A dengue Dengosa, que com humor propõe debate sobre o combate do agente
transmissor, esclarece dúvidas sobre as doenças e estimula a plateia a tomar
medidas preventivas necessárias para examinar os criadouros do mosquito.

3.4.2 Biblioteca Professor Mário Gemignani na campanha


contra a dengue
A Biblioteca Municipal Professor Mário Gemignani, com o Acessa SP,
que fica no prédio da biblioteca, foi palco de ação de mobilização na Campanha
de Combate à Dengue no Município de Capão Bonito, com orientações técnicas
sobre o tema.

FIGURA 22 – CAMPANHA CONTRA A DENGUE NA BIBLIOTECA PROFESSOR MÁRIO GEMIGNANI

FONTE: <http://www.capaobonito.sp.gov.br/biblioteca-municipal-e-acessa-sp-em-acao-na-
campanha-de-combate-a-dengue/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

A coordenadora da Biblioteca Municipal, em parceria com as secretarias


municipais, organizaram a ação no espaço da Biblioteca Municipal com o intuito de
abraçar a causa e, junto à equipe de professoras da biblioteca, durante as semanas
que antecederam a ação de mobilização, distribuíram panfletos e cartazes, assim
como deram algumas orientações aos usuários e leitores do local sobre os cuidados
para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti (PMCB, 2015).

Também em parceria com a vigilância epidemiológica de Capão Bonito, as


agentes de combate a endemias realizaram a ação de mobilização, com orientações
técnicas de Combate à Dengue na sala de leitura da Biblioteca Municipal, falando
dos cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti,
limpeza das casas, utensílios e quintais, até monitoramento dos arredores das casas
e de terrenos baldios (PMCB, 2015).

114
TÓPICO 1 | PRÁTICAS SOCIAIS EM TEMAS AMBIENTAIS E DE SAÚDE

Foi feita também uma exposição de material coletado com vários estágios
do mosquito Aedes aegypti, desde a larva até a forma adulta, ou seja, o seu ciclo de
vida, de modo que os usuários e leitores tiveram a oportunidade de ver exatamente
como se desenvolve o mosquito, assim como esclarecer todas as suas dúvidas junto
ao órgão competente (PMCB, 2015).

Com a ação realizada nas dependências da Biblioteca Municipal, recebendo


todas as orientações e os cuidados necessários, os usuários do Acessa SP e os leitores
do espaço público – Biblioteca – tornam-se praticamente agentes multiplicadores
em sua família e comunidade na prevenção à dengue através do combate aos focos
do mosquito transmissor da doença – o Aedes aegypti (PMCB, 2015).

É mais uma forma de participação ativa da população na Campanha de


Combate à Dengue no município de Capão Bonito.

FIGURA 23 – CAMPANHA CONTRA A DENGUE NA BIBLIOTECA PROFESSOR


MÁRIO GEMIGNANI (2)

FONTE: <http://www.capaobonito.sp.gov.br/biblioteca-municipal-e-acessa-sp-em-acao-na-
campanha-de-combate-a-dengue/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

3.4.3 Biblioteca de Manguinhos: Dia Mundial de Luta


contra a Aids
A biblioteca de Manguinhos, localizada no Rio de Janeiro, realiza
atividade no Dia Mundial de Luta contra a Aids. A proposta, que teve parceria
com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi a realização de uma mostra de
filmes e curtas-metragens, e, ao final das sessões, era promovido um debate e
mesa-redonda sobre o assunto.

Observamos que a biblioteca de Manguinhos possui, até o momento, o


maior acervo sobre Aids da América Latina, que foi doado pela Abia em 2014.
O acervo é composto de jornais, revistas, livros, fotos, cds e dvds, cartazes etc.
(ICICT/FIOCRUZ, 2018).

115
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 24 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO EVENTO CINE AIDS

FONTE: <https://www.icict.fiocruz.br/content/dia-mundial-de-luta-contra-aids-biblioteca-de-
manguinhos-realiza-atividades>. Acesso em: 4 dez. 2019.

116
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Cada vez mais se espera que as bibliotecas sejam equipamentos culturais


dinâmicos, sustentáveis e conectados às necessidades de suas comunidades.

• A sustentabilidade é um desafio que vem se apresentando à sociedade,


pois propõe novos rumos de comportamento e estabelece novas bases de
desenvolvimento em todos os contextos e setores.

• A sustentabilidade compreende os requisitos ambientais, econômico, social


e cultural, e a biblioteca, sendo um instrumento cultural, está diretamente
envolvida nesse debate.

• As bibliotecas são espaços potenciais de conscientização do cidadão e


devem servir como exemplo a ser seguido, principalmente aquelas mantidas
pelo Estado. Estas devem ser as primeiras a incorporar os princípios da
construção sustentável; critérios e princípios de economia de recursos naturais;
procedimentos para minimizar o impacto ambiental; o gerenciamento racional
dos bens públicos; a gestão adequada de resíduos sólidos; e a colaboração para
ampliar o acesso à informação, incentivar a leitura e as práticas sustentáveis.

• É importante o engajamento das bibliotecas em campanhas da área de saúde


promovendo debates e selecionando materiais para auxiliar o processo
informacional da população sobre os temas.

• Existem muitos projetos sociais que podem ser desenvolvidos pela biblioteca e
com parcerias institucionais e comunitários.

117
AUTOATIVIDADE

1 Cite algumas ações possíveis para transformar uma biblioteca no conceito


Biblioteca verde e sustentável.

2 Imagine que você é um profissional de biblioteconomia da área escolar, e na


região onde fica a escola está ocorrendo um surto de dengue. Quais ações a
biblioteca poderia propor para participar da campanha?

118
UNIDADE 3
TÓPICO 2

PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE


COMBATE A PRECONCEITOS

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas têm um papel social muito importante na sociedade,
pois são espaços onde todos os públicos, de todas as idades, gênero, credo,
raça ou classe social se utilizam de forma democrática do acesso à informação.
Acreditamos que essa função informacional deve ser extrapolada e que as
bibliotecas podem e devem se envolver em atividades sociais mais amplas.

Nesse sentido, destacamos o papel das bibliotecas públicas e comunitárias,


que por suas especificidades abrangem um maior número de pessoas, ampliando
assim suas funções educacionais, sociais e culturais.

Para Nunes e Spudeit (2017), as bibliotecas e os bibliotecários poderão


servir como transformadores sociais, instruindo, capacitando os indivíduos e
incentivando o desenvolvimento do senso crítico e na curiosidade podem auxiliar
a autonomia da busca da informação. Isso quer dizer que a biblioteca pode
disponibilizar serviços como: apresentações musicais e de teatro, oficinas, cinema,
palestras e debates sobre temas diversos relacionados à política, cultura, racismo,
feminismo, bullying, dentre outros. Além disso, pode promover exposições,
concertos e muito mais para aproximar as pessoas da cultura e também ser espaço
de aprendizagem e construção de uma consciência mais reflexiva e crítica.

2 PROJETOS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA


O ato de ler faz com que o indivíduo leitor tenha respostas para o mundo
e para o que está acontecendo ao seu redor. É nos livros que temos a chance de
entrar em contato com o desconhecido, conhecer outras épocas e outros lugares
– e com eles “abrir a cabeça”. Por isso, incentivar a formação de leitores não é
apenas fundamental no mundo globalizado em que vivemos, é trabalhar pela
sustentabilidade do planeta, ao garantir a convivência pacífica entre todos e o
respeito à diversidade (GROSSI, 2008).

Diante dessa importância, selecionamos alguns projetos sociais que vêm


sendo desenvolvidos em bibliotecas pelo país.

119
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.1 AGROLIVROS
O projeto Agrolivros foi uma derivação do projeto Coleta Seletiva de
Livros, da Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI, sendo utilizados os livros de
literatura arrecadados que não faziam parte da política de coleções da biblioteca,
ou ainda que tinham duplicidade.

O objetivo do projeto também era o incentivo à leitura, mas como
uma ação social, doando livros diretamente à comunidade e ao mesmo tempo
dando visibilidade à biblioteca. A atividade foi realizada na praça da cidade de
Guaramirim, sendo uma ideia simples e de fácil aplicação.

• Como foi aplicada


1- Foi criada uma arte e slogan.
2- Foram impressos folhetos e presos com clips nas capas dos livros.
3- Foram amarrados barbantes entre galhos ou de árvore para árvore.
4- Ao longo da atividade, quem passava pela praça era convidado a “realizar
a colheita”, explicando que os livros eram para doação e que se tratava de
uma campanha de incentivo à leitura.

Essa campanha pode ser uma ação ocasional, uma opção de atividade para
algum evento institucional, e assim tornar a biblioteca sempre ativa e participante.
Agrolivros – como a palavra mesmo remete – cultivo, plantação de livros que deva
ser colhida, por essa razão tem-se o slogan Agrolivros: colha os frutos.

Esse tipo de ação também pode ser realizado em ações sociais para a
comunidade.

FIGURA 25 – PANFLETO DA AÇÃO AGROLIVROS

FONTE: A autora

2.2 ARVORETECA
Projeto parecido foi desenvolvido também na Universidade Federal de Rio
Grande – FURG – com o nome de Arvoreteca: incentivando à leitura. Entre junho de
2017 até julho de 2018 foram distribuídos em torno de 2000 livros de literatura infantil,
literatura infantojuvenil e literatura geral (OLIVEIRA; SILVA; NOGUEIRA, 2017).

120
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

FIGURA 26 – PROJETO ARVORETECA

FONTE: Oliveira, Silva e Nogueira (2017, s.p.)

Observa-se que os livros são etiquetados para identificação, de modo que


a venda fosse dificultada. E também era limitada a “colheita” de dois livros por
pessoa. O projeto busca incentivar a leitura e ao mesmo tempo contribuir para
formação do leitor que não tem condições de adquirir livros.

O projeto Arvoreteca foi viabilizado pelo Sistema de Bibliotecas (SiB)


como projeto de extensão.

NOTA

Projeto de Extensão

Conforme consta no artigo 207 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), as


Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) devem ser compostas pela tríplice ensino,
pesquisa e extensão.

Os projetos de extensão são aqueles que ampliam a atuação do campus


universitário para além do que normalmente se espera. A extensão, em geral, serve de
campo de testes para que os alunos experimentem o que têm aprendido nas aulas e ao
mesmo tempo atuem diretamente com a comunidade, retornando seus conhecimentos
em práticas sociais.

As bibliotecas universitárias também podem propor atividades de extensão.


Parcerias com cursos de várias áreas também são bem-vindas

121
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

O projeto Arvoreteca acabou envolvendo também a Prefeitura


Municipal, que ampliou o projeto com a disposição de “casinhas de cultura”,
um modelo de projeto “troca-troca” já citado na Unidade 2, mas agora como
projeto permanente. Veja a reportagem no link do UNI a seguir.

DICAS

Assista à reportagem do projeto acessando este link: http://g1.globo.com/rs/


rio-grande-do-sul/bom-dia-rio-grande/videos/t/edicoes/v/projeto-arvoreteca-incentiva-
habito-da-leitura-em-rio-grande/6321375/.

FIGURA – REPORTAGEM SOBRE CASINHA DA CULTURA E ARVORETECA

Observa-se o quanto é relevante diversificar projetos, unir ações culturais e


ações sociais, tornando a biblioteca humanizada e despertando a humanidade nos
usuários, independente da categoria de ensino em que ela se enquadra.

2.3 TENDA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA PARQUE


COQUEIROS
A Tenda Biblioteca Comunitária Parque de Coqueiros é resultado de um
Projeto de Extensão do curso de Biblioteconomia da Universidade do Estado de
Santa Catarina (UDESC), com a Associação de Moradores do Bairro de Coqueiros
que fica na área continental de Florianópolis, tendo como responsáveis uma
professora do Departamento de Biblioteconomia da UDESC, uma bibliotecária
e uma bolsista graduanda do curso de Biblioteconomia da mesma instituição.
O projeto também conta com a participação de diversos alunos do curso, bem
como os oficineiros entre outros colaboradores e todos desenvolvem atividades
de forma voluntária (GRIEGER, 2019).

122
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

FIGURA 27 – PROJETO TENDA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA

FONTE: <https://www.udesc.br/noticia/projeto_biblioteca_parque_da_udesc_promove_
encontro_de_cosplay_e_desfile_de_moda_alternativa_no_domingo>. Acesso em: 4 dez. 2019.

A Tenda Biblioteca foi inaugurada em outubro de 2018 e a cada 15 dias, no


sábado e no domingo, funciona das 9h às 17h30min. As ações de uma biblioteca
parque vão além dos livros, tem a proposta de oferecer um espaço informacional
utilitário multicultural que viabilize a aproximação da comunidade ao mundo
das artes e cultura em geral, como cinema, fotografia, música, teatro, dança, artes
plásticas, artesanato e conhecimentos transformadores de sua realidade.

FIGURA 28 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COM MÚSICA

FONTE: A autora

Tal projeto foi concebido para atender aos usuários do Parque de


Coqueiros, moradores dos bairros do entorno, bem como das cidades vizinhas
com o objetivo de disseminar informação, conhecimento, lazer e diversão para
esse público (GRIEGER, 2019).

123
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 29 – PRIMEIROS COLOCADOS NA COMPETIÇÃO COSPLAY

FONTE: A autora

A Tenda Biblioteca tem proporcionado uma série de atividades


multiculturais, tais como: atividades teatrais, musicais, exibição de filmes, mediação
de leitura, biblioterapia, empréstimo de livros, recreação com pintura artística facial,
oficina de argila, contação de histórias, oficina de origami, oficina de sementes, oficina
de cata-vento, oferecendo um espaço lúdico com almofadas, tapetes, brinquedos e
jogos para deixar o ambiente mais acolhedor (GRIEGER, 2019).

DICAS

Assista ao vídeo Biblioteca colaborativa montada no parque de Coqueiros


aproxima comunidade e literatura e conheça mais sobre o projeto: https://www.youtube.
com/watch?v=X9S1KCSPNHs.

Todo o seu acervo, que conta com mais de 1000 itens, é composto por
doações advindas de campanhas feitas pelos integrantes da equipe através das
redes sociais e de seus grupos informais (GRIEGER, 2019).

124
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

2.4 BIBLIOTECONOMIA VAI À ESCOLA


O projeto Biblioteconomia vai à Escola nasceu da iniciativa de alunos da 4ª
fase de Biblioteconomia do Centro de Ciências da Educação da Universidade do
Estado de Santa Catarina – UDESC. As reflexões debatidas na disciplina de Ação
Cultural sobre o papel social da Biblioteconomia trouxeram à tona a preocupação
com as competências que a profissão pode desempenhar.

O enfoque que levou à elaboração desse projeto que visava propor ações
culturais junto às escolas de Ensino Fundamental apresenta, além da função social
do bibliotecário, o papel desse profissional como agente mediador. A ideia foi
viabilizar momentos lúdicos para os alunos de Ensino Fundamental, propondo
a interação com a comunidade, bem como despertar futuros usuários para as
bibliotecas.

O projeto promoveu atividades lúdico-culturais em escolas a fim de


despertar a vontade e o prazer da leitura, tais como teatro de bonecos, atividades
interativas com fantoches e de estímulo à criatividade infantil.

FIGURA 30 – PROJETO BIBLIOTECONOMIA VAI À ESCOLA

FONTE: A autora

NOTA

“Esperamos aprender e retribuir à sociedade a oportunidade de estarmos


cursando a Universidade Pública, buscando somar teoria e prática em atividades fora das
paredes da Universidade” (PROJETO BIBLIOTECONOMIA VAI À ESCOLA, 2005, documento
da autora).

Além das atividades de contação de histórias, os alunos também criaram


um livro infantil, que contava a história de uma menina que adorava a biblioteca
e que quando cresce se torna bibliotecária. No livro também tinha um encarte
para as crianças recortarem e montarem a personagem Lili.

125
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 31 – LIVRO LILI A MENINA DA MEIA LILÁS

FONTE: A autora

FIGURA 32 – ENCARTE DO LIVRO LILI A MENINA DA MEIA LILÁS

FONTE: A autora

2.5 PROJETO ESQUEÇA UM LIVRO


Projeto de incentivo à leitura de abrangência nacional, baseado em uma
ideia norte-americana.

O projeto começou em abril de 2013, em São Paulo, pela iniciativa


individual do jornalista Felipe Brandão. A ideia é inspirada no conceito
de BookCrossing, criado nos EUA no começo dos anos 2000 e combina
leitura e  urbanidade. Hoje, a campanha possui voluntários em todo
Brasil e já se tornou de domínio público (AMAF, 2018a, s.p.).

Sem dúvida é uma ação de fácil aplicação, mas de grande impacto social
e cultural, divulgando e disponibilizando a leitura em diversos locais, pois todo
local é lugar para se realizar o início de um grande hábito, o de ler.

126
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

• Como aplicar
1- Planejar a forma de aquisição do material a ser doado na ação.
2- Desenvolver a arte para divulgação, junto ao panfleto informativo que irá
com o livro doado.
3- Determinar data de início e final da ação.
4- Definir se será somente deixado ou incentivada a devolução, como também
a possibilidade de deixar outro livro já lido.
5- Determinar locais para esquecer os livros.
6- Divulgar antes na mídia, se possível, em redes sociais.
7- Registrar com fotos e vídeos.
8- Divulgar na mídia após a aplicação, se possível, em redes sociais.

2.5.1 Esqueça um livro – Projeto Cidade Biblioteca de


Búzios
No município de Búzios, no Rio de Janeiro, a campanha Esqueça um
Livro já faz parte de seu calendário cultural através do projeto de Lei nº 76/2018,
de iniciativa da Comissão de Educação da Câmara Municipal que foi aprovado
por unanimidade (PIERONI, 2018).

A proposta de lei, sugerida por integrantes do Projeto Cidade Biblioteca


de Búzios, visa apreciar a arte da palavra, promover a poesia e a prosa, reunir os
amantes da literatura e interagir com alguns dos personagens do dia a dia na cidade
de Búzios. Foi feito em parceria com a Prefeitura Municipal por meio da Secretaria
Municipal de Cultura.

FIGURA 33 – ESQUEÇA UM LIVRO

FONTE: <https://cliquediario.com.br/cidades/campanha-esqueca-um-livro-sera-incluida-no-
calendario-cultural-de-buzios>. Acesso em: 4 dez. 2019.

São desenvolvidas diversas atividades, como o Sarau de 5º, que ocorre toda
última quinta-feira do mês, na Biblioteca Municipal. O Sarau na Praça, o Clube de
Leitura, o Troca-troca de livro e Biblioteca Andante (biblioteca itinerante), dentre
outras atividades que que levam os livros de acordo com o tema da festividade.

127
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

2.5.2 Projeto Esqueça um Livro – AMAFE


Esse modelo de projeto já foi realizado por diversos agentes no Brasil
e no mundo. Aqui destacamos uma iniciativa da Associação de Moradores e
Amigos de Jacarepaguá, localizada no Rio de Janeiro. A ação da AMAFE “esqueça
um livro” foi inspirada em uma iniciativa individual de um morador de “Pequena
biblioteca popular”.

Passeando pelas ruas do nosso bairro um morador viu na calçada de


uma residência uma Pequena Biblioteca com livros que podem ser
retirados livremente e quem puder também pode colocar livros para
que outros possam aproveitar. Excelente ideia que se cada casa, cada
prédio decidir imitar estaríamos colaborando para que a leitura fosse
mais popular (AMAFE, 2018b, s.p.).

FIGURA 34 – PEQUENA BIBLIOTECA POPULAR

FONTE: <http://www.amafreguesia.org/pequena-biblioteca-popular-olha-que-excelente-ideia-
que-devemos-imitar/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

Assim, a AMAF fez um material de divulgação e promoveu a ação


“esqueça um livro”, estimulando moradores à leitura e compartilhamento.

FIGURA 35 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO ESQUEÇA UM LIVRO

FONTE: <https://www.amafreguesia.org/dia-25-de-julho-e-o-dia-do-escritor-se-a-ideia-e-boa-
porque-nao-a-divulgar-e-praticar/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

128
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

2.6 LEITURA EM ÔNIBUS


São inesgotáveis as possibilidades de incentivar a leitura, o importante é
deixar fluir a criatividade, uma delas é a leitura em ônibus. É possível verificar
várias iniciativas que levaram os livros para dentro do ônibus, algumas para as
rodoviárias e metrôs. A questão é que muitas dessas iniciativas não são e não têm
a participação direta de bibliotecários. Sabemos que é uma ação que requer um
bom planejamento e parceria, em especial com empresas de transporte público e
manutenção. Mas vale a pena o envolvimento, pois não só o incentivo à leitura,
mas também mostrar e divulgar a fonte de livros, ou seja, a biblioteca.

Materiais de divulgação da biblioteca e de seus serviços nesses espaços


potencializa usuários e posteriores parcerias.

Ter à disposição os livros no transporte público é um apelo de incentivo


bem recebido pelos usuários, pois é muitas vezes um tempo longo de viagem,
assim será bem aplicado o tempo ocioso com uma boa leitura.

2.6.1 “Tem um livro no meu Caminho” em Belo Horizonte


Na ilustração a seguir, vemos a iniciativa da empresa de transporte
urbano Ansal, em Minas Gerais, de disponibilização de livros em ônibus, com a
campanha “Tem um livro no meu Caminho” (TRIBUNA DE MINAS, 2018).

FIGURA 36 – LIVROS EM ÔNIBUS

FONTE: <https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/25-10-2018/empresa-de-transporte-
urbano-disponibiliza-livros-em-coletivos.html>. Acesso em: 4 dez. 2019.

2.6.2 “Parada do livro” em São Paulo


Já na Figura 37 também temos a iniciativa ligada ao transporte coletivo.
A campanha “Parada do livro”, em São Paulo, foi uma iniciativa de duas
universitárias que tiveram uma ótima ideia para incentivar a leitura e tornar mais
agradável a vida de quem passa muito tempo esperando por um ônibus na cidade
de São Paulo: instalar estantes de livros em dez pontos da capital.

129
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

A proposta foi vencedora do concurso realizado pela Escola Superior de


Propaganda e Marketing – ESPM –, que selecionou um projeto e daria toda a
assessoria necessária para começar uma campanha de crowdfunding, ou seja, de
financiamento coletivo (BIBLIOTECA DE SÃO PAULO, 2013).

Em um mês, as alunas conseguiram arrecadar R$ 5.700,00 e colocaram


o projeto em prática. O objetivo é que as pessoas que estão nos pontos
peguem gratuitamente um dos livros disponíveis nas estantes, leiam durante
os deslocamentos, levem para casa e o devolvam na mesma estante quando
terminarem de lê-lo. Os interessados podem fazer doações também (BIBLIOTECA
DE SÃO PAULO, 2013).

FIGURA 37 – PARADA DO LIVRO

FONTE: <https://bsp.org.br/2013/06/13/projeto-oferecera-livros-em-pontos-de-onibus/>.
Acesso em: 4 dez. 2019.

2.7 BIBLIOTECAS ITINERANTES


O acesso à leitura ainda é muito restrito, não existem muitas ações
governamentais que sejam realizadas de forma abrangente em todas as regiões de
nosso vasto país, e em épocas de acesso excessivo das redes sociais necessitamos
nos ater a mais ações de incentivo à leitura.

Aqui apresentaremos mais uma ação há muito tempo conhecida
pelos profissionais bibliotecários, que são as bibliotecas itinerantes, as quais
proporcionam o acesso à leitura em locais e datas diferenciadas.

Uma das qualidades desse projeto é a possibilidade de abranger várias
áreas urbanas e rurais e categorias de usuários, por ser um projeto ambulante.

• Como aplicar
1- Criar um projeto para viabilizar recursos financeiros para sua aplicação.
2- Definir no projeto o tipo de veículo ou suporte que será utilizado.
3- Determinar o leiaute da biblioteca no veículo.
4- Criar arte para plotagem no veículo e divulgação do projeto, assim como a
logomarca a ser utilizada.

130
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

5- Adquirir o acervo por doações ou compra.


6- Divulgar o projeto por mídia, se possível, redes sociais.
7- Prever data para inauguração.
8- Registrar com fotos e vídeos.
9- Manter o projeto ativo.

2.7.1 Biblioteca itinerante em ônibus


O projeto Livros nas Praças é um projeto da Prefeitura de Itapetininga
(SP), com a aquisição de um ônibus-biblioteca, que pode ser visitado por qualquer
pessoa. São mil títulos de literatura infantil e infantojuvenil que podem ser lidos
no próprio ônibus, mas para o empréstimo dos títulos os usuários devem ir até a
biblioteca comunitária ou então à biblioteca municipal, ambas no centro da cidade.

O objetivo do projeto é o desenvolvimento pessoal, intelectual e social das


crianças e adolescentes através da leitura (G1, 2017).

FIGURA 38 – BIBLIOTECA ITINERANTE EM ÔNIBUS

FONTE: <https://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/projeto-livros-nas-pracas-
leva-biblioteca-itinerante-para-itapetininga.ghtml>. Acesso em: 4 dez. 2019.

2.7.2 Biblioteca itinerante em Bicicleta – JoinvilLê


O projeto JoinvilLê é realizado pela Prefeitura de Joinville através da
Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), que foi desenvolvido em 2013. Desde
então, vem ampliando o projeto e os espaços de atendimento, que perpassa
pontos de ônibus, praças, escolas, hospitais, dentre outros (NSC, 2019).

A JoinvilLê tem o objetivo de fomentar o hábito da leitura entre a


comunidade e conta, atualmente, com cerca de 200 livros, de diversos gêneros
literários, direcionados a adultos e crianças (NSC, 2019).

Trata-se de biblioteca móvel acoplada a uma bicicleta que circula por


vários espaços públicos da cidade.

131
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

O projeto também sempre participa da Feira do Livro e Casa da Cultura.


Seu sistema de empréstimo dos livros é simples: o cidadão escolhe o título do seu
interesse, leva para casa e, após a leitura, devolve o livro à biblioteca itinerante,
garantindo que outras pessoas tenham acesso à obra. O empréstimo é gratuito e
não é necessário fazer cadastro (NSC, 2019).

FIGURA 39 – PROJETO JOINVILLÊ

FONTE: <https://www.nsctotal.com.br/noticias/biblioteca-itinerante-joinville-oferece-leitura-aos-
usuarios-do-hospital-sao-jose-de>. Acesso em: 4 dez. 2019.

2.7.3 Biblioteca itinerante em hospitais


Se nos exemplos anteriores que apresentamos é necessário investimentos
e parcerias, neste mostramos que a simplicidade em determinados contextos
funciona da mesma forma.

Falamos da biblioteca itinerante realizada na Santa Casa de Marília. A ação


surgiu inspirada em outro programa já em andamento, em que foram espalhados
livros pelos corredores principais e salas de espera as “Bibliotecas livres”,
onde pacientes, acompanhantes e funcionários podem emprestar livros sem o
compromisso de devolução. As organizadoras do projeto afirmam que a maioria
das obras era devolvida e ao mesmo tempo o projeto tem gerado muitas doações.

Mas essa iniciativa não atendia aos pacientes acamados, assim foi
desenvolvida a “Biblioteca Itinerante”, em que uma equipe de funcionários e
voluntários seleciona os livros, mesclando gêneros. Tudo vai parar num carrinho
que percorre as alas de internação (I7 NOTÍCIAS, 2013).

132
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

FIGURA 40 – BIBLIOTECA ITINERANTE NO HOSPITAL

FONTE: <http://www.i7noticias.com/paraguacu/noticia/12857/biblioteca-itinerante-estimula-
leitura-entre-pacientes-da-santa-casa-de-marilia>. Acesso em: 4 dez. 2019.

2.7.4 Biblioteca itinerante em escolas infantis


O mesmo modelo de biblioteca itinerante pode ser replicado para
outros contextos, sendo a educação infantil um deles. A criatividade também é
fundamental. Vejamos o exemplo da Biblioteca Pe. Moreau com o projeto “Santa
Leitura” e seu “Caminhão da santa Leitura”.

FIGURA 41 – CAMINHÃO DA LEITURA

FONTE: <https://bibliotecacolsantamaria.wordpress.com/2016/05/31/projeto-santa-leitura-
biblioteca-itinerante/#jp-carousel-2795>. Acesso em: 4 dez. 2019.

Tal projeto foi uma parceria da biblioteca da escola com a equipe de Língua


Portuguesa e Artes do Fundamental II, e teve como objetivo o incentivo dos alunos à
leitura, levando um pouco do que a biblioteca tem a oferecer para próximo do espaço
dos alunos.  Para isso, desenvolveram o  Caminhão Santa Leitura, confeccionado
pela equipe da Conservação. Para a seleção da logomarca que estampa o carrinho
foi feito um concurso na aula de artes (BIBLIOTECA PE. MOREAU, 2016).

133
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 42 – LOGO SANTA LEITURA

FONTE: <https://bibliotecacolsantamaria.wordpress.com/2016/05/31/projeto-santa-leitura-
biblioteca-itinerante/#jp-carousel-2785>. Acesso em: 4 dez. 2019.

O envolvimento dos alunos foi tão exitoso que foram propostas


capacitações de “Minibibliotecários” para que eles pudessem auxiliar diretamente
o projeto. Assim, o projeto de Santa Leitura também proporcionou um debate
sobre a importância da profissão de biblioteconomia.

“O Caminhão do Santa Leitura fica disponível para visita e empréstimo de


livros de segunda à quarta-feira na hora do intervalo dos alunos do Fundamental
II. A cada dia, dois Mini Bibliotecários cuidam da visitação, indicam livros aos
colegas e fazem os empréstimos!” (BIBLIOTECA PE. MOREAU, 2016, s.p.).

2.7.5 Bibliotecas geladeiras


No olhar sobre sustentabilidade, reciclagem e reutilização, além é claro
do incentivo à leitura, a geladeira biblioteca é uma ação já conhecida que vem
se replicando.

A transformação da geladeira em biblioteca é dinâmica na sua aplicação,
e além de chamar atenção podem ser colocadas em escolas, nos corredores,
nas instituições de vários seguimentos, estimulando colaboradores e clientes,
consultórios médicos, assim como em via pública, ficando à disposição para
toda a sociedade.

Importante ressaltar que a geladeira deverá ser reciclada, deve ter sido
descartada, pois assim além de incentivo à leitura estará colaborando com a
sustentabilidade.

• Como aplicar
1- Planejar onde será aplicada a ação.
2- Adquirir a geladeira, uma ou mais (depósitos de lixo municipal).
3- Escolher o nome que será dado ao projeto, por exemplo, Geloteca, Bibliodeira.
4- Determinar a arte que será aplicada na geladeira (plotagem ou pintura).

134
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

5- Adquirir o acervo, sempre ter livros guardados, em caso de não devolução


dos que foram pegos, ter para abastecer novamente, assim como realizar
trocas de títulos, em caso de alta demanda de empréstimos.
6- Determinar o local da aplicação.
7- Criar material para divulgação.
8- Registrar com fotos e/ou vídeos.
9- Inaugurar o projeto.
10- Divulgar na mídia, se possível, em redes sociais.

2.7.5.1 Geladeiroteca – abra e sinta o sabor da leitura


Na UNIASSELVI você pode desenvolver um projeto de extensão com esse
perfil, trata-se da Geladeiroteca.

No exemplo a seguir, o projeto foi desenvolvido na Escola Municipal


Pe. Martinho Stein, localizada em Timbó – SC, em parceria com os acadêmicos
da UNIASSELVI, que eram bolsistas do programa UNIEDU (PREFEITURA DE
TIMBÓ, 2018).

FIGURA 43 – GELADEIROTECA

FONTE: <https://www.timbo.sc.gov.br/educacao/2018/escola-municipal-pe-martinho-stein-
desenvolve-projeto-geladeiroteca/>. Acesso em: 4 dez. 2019.

O projeto pode ser desenvolvido em outros espaços, como ocorreu com a


empresa Click Soluções.

135
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

FIGURA 44 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO PROJETO GELADEIROTECA

FONTE: <http://www.clicksolucoesinteligentes.com.br/noticias/projeto-geladeiroteca-49.html>.
Acesso em: 4 dez. 2019.

136
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

LEITURA COMPLEMENTAR

COMISSÃO DE BIBLIOTECAS PRISIONAIS

ENTREVISTA
RBBD – Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação

CATIA LINDEMANN, CRB/10-2349. Presidente da


Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais – CBBP.
Bibliotecária formada pela Universidade Federal do Rio
Grande – FURG. Ativista de Biblioteconomia Social com
atuação em Bibliotecas Prisionais e Mediação da Leitura
para Populações Socialmente Vulneráveis. Responsável pela
implantação de Biblioteca na maior Penitenciária do Interior
do Estado do Rio Grande do Sul, contribuindo para que
apenados se transformassem em autores de obras literárias. Espaço de discussão
sobre Biblioteconomia Social: https://biblioteconomiasocial.blogspot.com.br/.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8516091906727346.

RBBD: Por que a Comissão de Bibliotecas Prisionais foi criada?

Catia Lindemann: Em função da preocupação com a ausência de debates e reflexões


concernentes à temática das bibliotecas prisionais e respaldo dentro da relevância
pertinente que envolve as unidades de informação presentes no cárcere. Além
disso, o manifesto da IFLA/UNESCO) sobre bibliotecas públicas 1994 entende
que o acesso à informação é fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos
e da sociedade como um todo. Neste sentido, encoraja as autoridades nacionais
e locais a comprometerem-se no desenvolvimento das bibliotecas públicas, que
devem oferecer serviços para todos, sem distinção de idade, cor, raça, religião ou
condição social, inclusive pessoas privadas de liberdade. Ao final, o Manifesto
faz um convite à comunidade de bibliotecários para que seus princípios sejam
implementados. Considerando as discussões atuais sobre as bibliotecas de
estabelecimentos penitenciários, bem como a possibilidade de remição da pena
por meio da leitura, ao criar a Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais, a
FEBAB buscou cumprir com os princípios estabelecidos no Manifesto.

RBBD: Quais são as ações da Comissão?

Catia Lindemann: Nossa intenção é promover as bibliotecas prisionais e a presença


do bibliotecário nas unidades penais, a fim de assegurar o direito à educação
e ao desenvolvimento humano dos apenados, respeitando e fazendo cumprir a
legislação vigente no país. Além disso, vamos buscar:
• Realizar um diagnóstico acerca da situação das bibliotecas prisionais no Brasil,
da técnica ao seu contexto social, com foco nos apenados.
• Mapear profissionais e suas respectivas experiências realizadas no Brasil.

137
UNIDADE 3 | EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NA BIBLIOTECONOMIA

• Criar um banco de dados dentro do site da FEBAB para fornecer todo o tipo de
informação útil tanto para o debate quanto para utilização prática.
• Orientar e acompanhar a implantação de bibliotecas prisionais respeitando o
que diz a legislação sobre a matéria.
• Capacitar o pessoal, de acordo com as especificidades que as bibliotecas
prisionais apresentam, para atuarem nestes espaços como agentes sociais.

RBBD: Como você avalia a repercussão da criação da Comissão entre os


profissionais?

Catia Lindemann: A iniciativa da FEBAB dentro da Biblioteconomia foi de


uma receptividade que nem nós esperávamos. No entanto, embora no Brasil a
criação de bibliotecas prisionais esteja legitimada por meio de Lei de Execuções
Penais há mais de três décadas, pouco ou quase nada se debatia até então sobre
o assunto e, para muitos, saber que unidade de informação no cárcere não é
assistencialismo e sim um direito, causou certo alvoroço. Mas isso foi ótimo,
fomentou o debate, mostrou a que viemos, afinal, esta é nossa intenção: informar,
esclarecer, servir de aporte norteador sobre o assunto. Mas um outro aspecto
positivo e de muita valia é que a Comissão ganhou a receptividade de outras
áreas afins, tais como o Direito e Educação com um todo – isso inclui Pedagogia,
Letras, ciências que desenvolvem projetos educacionais e humanitários nas
prisões brasileiras. Estivemos recentemente no “I Seminário Internacional de
Arte e Educação Prisional” – nossa primeira participação enquanto comissão, e
obtivemos, por exemplo, a parceria do Programa Novos Horizontes, da UDESC,
que se insere a “Universidade nos espaços de privação de liberdade”. Por meio
de um dos coordenadores, prof. de História Dr. Paulino Cardoso, obtivemos a
oferta de disponibilização de todo e qualquer suporte necessário para futura
empreitada da Comissão. Para que se tenha uma noção da multidisciplinaridade
desta parceria, o programa envolve professores das áreas de Pedagogia, História,
Biblioteconomia, Artes Cênicas, Matemática e Arquitetura e Urbanismo, além de
técnicos de Serviço Social, e tem o apoio do Tribunal de Justiça de Santa Catarina
(TJ-SC), da Academia de Justiça e Cidadania (Acadejuc), da Secretaria de Estado da
Justiça e Cidadania (SJC) e do Departamento de Administração Prisional (Deap).
Também já fizemos contato com a Pastoral Carcerária – CNBB, para comunicar
nossa existência e nos colocarmos à disposição. Para nossa surpresa, recebemos
um retorno imediato em que eles solicitam nossa ajuda, pois não tinham ciência
da legalidade das bibliotecas prisionais. Como a Pastoral tem vários projetos de
remição da pena por meio da leitura, a maioria destas ações esbarram exatamente
na inexistência de bibliotecas dentro das instituições penais. Ou seja, aos poucos
vamos ganhando espaços e buscando fazer jus a nossa missão, que é dar ao Brasil
uma representatividade oficial no que tange às bibliotecas prisionais, por meio da
disponibilização de fontes de informação concernentes à temática das bibliotecas
de estabelecimentos penitenciários, alinhando as diretrizes já existentes no âmbito
da biblioteconomia com a legislação vigente no país.

138
TÓPICO 2 | PRÁTICAS SOCIAIS DE INCENTIVO À LEITURA E DE COMBATE A PRECONCEITOS

RBBD: Após a criação da Comissão, você acredita que teremos mais bibliotecários
interessados em atuar em projetos junto às unidades prisionais?

Catia Lindemann: Recentemente, fizemos inclusive uma enquete informal sobre o


assunto, que pode ser verificada na íntegra em nosso primeiro boletim informativo
(https://issuu.com/bibliotecasprisional/docs/cartilha_cbbp) e constatamos que há
sim um grande interesse por parte da nossa área. Em verdade, o que falta é a
aplicabilidade da lei e, lógico, capacitação, já que a biblioteca prisional possui
suas especificidades. Trata-se de uma biblioteca especial em que não basta querer
trabalhar nela, é preciso acima de tudo estar preparado para tal, principalmente
no que circunda as próprias diretrizes da Comissão de Bibliotecas Prisionais da
IFLA para atuação de bibliotecário prisional:
• Equilíbrio emocional.
• Postura dinâmica.
• Capacidade de adaptação (ambiente prisional).
• Boa comunicação oral.
• Capacidade de liderança e de supervisão (trabalho com reclusos).
• Interesse em trabalhar com a diversidade cultural, étnica e linguística.
• Gosto em trabalhar na educação de adultos.
• Criatividade.
• Sensibilidade e atenção.
• Capacidade inventiva e de abstração.
• Conhecimentos de Direito e de legislação penal.

Concluo considerando que a primeira “Comissão Brasileira de Bibliotecas


Prisionais” nasceu amparada pelas palavras-chave juramentadas pela nossa
profissão, exatamente no que tange: Humanidade, Liberdade e Dignidade da
Pessoa Humana. É esse o papel do bibliotecário hodiernamente, ou seja, facilitar
o acesso, mediar informação para os cidadãos, como ferramenta para exercer
sua cidadania e quando o bibliotecário consegue utilizar o seu fazer profissional
de maneira pragmática e humanista, temos então a representatividade da
Biblioteconomia Social, somando e fazendo a diferença nas comunidades com
diferenças tão distintas dentro da sociedade, a exemplo das prisões, em que as
bibliotecas prisionais não são benemérito, mas legalidade.

FONTE: <https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/download/729/595>. Acesso em: 4 dez. 2019.

139
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• As ações sociais em bibliotecas proporcionam ao profissional bibliotecário uma


atuação mais completa e direta com a sociedade.

• O profissional bibliotecário deverá avaliar as ações dos pontos de vista


financeiro, custo gerado para sua aplicabilidade, praticidade de realização,
sendo fácil e prático, sem demandar muito tempo nas atividades diárias do
setor e os benefícios gerados a partir dela.

• É relevante diversificar projetos, unir ações culturais e ações sociais,


tornando a biblioteca humanizada e despertando a humanidade nos usuários
independentemente da categoria de ensino em que ela se enquadra.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

140
AUTOATIVIDADE

1 O que são bibliotecas itinerantes?

2 O que são projetos de extensão e como eles podem ser utilizados como
incentivo à leitura?

141
142
REFERÊNCIAS
ALBAGLI, S. Divulgação científica: informação para a cidadania? Revista
Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 3, 1996. Disponível em: http://dici.
ibictbr/archive/00000 175/. Acesso em: 10 jun. 2019.

ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Mediação da informação e múltiplas linguagens.


Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, América do
Norte, v. 2, n. 8, 2009.

ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Sociedade e biblioteconomia. São Paulo: Polis,


1997. 129 p.

AMAF – Associação de Moradores e Amigos da Freguesia de Jacarépagua.


Esqueça um livro. 2018a. Disponível em: https://www.amafreguesia.org/dia-25-
de-julho-e-o-dia-do-escritor-se-a-ideia-e-boa-porque-nao-a-divulgar-e-praticar/.
Acesso em: 25 out. 2019.

AMAF – Associação de Moradores e Amigos da Freguesia de Jacarépagua.


Pequena Biblioteca Popular! Olha que excelente ideia que devemos imitar.
2018b. Disponível em: http://www.amafreguesia.org/pequena-biblioteca-
popular-olha-que-excelente-ideia-que-devemos-imitar/. Acesso em: 25 out. 2019.

AMARAL, S. A. Serviços bibliotecários e desenvolvimento social: um desafio


profissional. Revista Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 2, 1995.
Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/589/591. Acesso em: 1o
set. 2019.

AMARAL, S. A. Marketing e desafio profissional em unidades de informação.


Revista Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 3, 1996. Disponível em: http://
www.ibict.br/cienciadainformacao/include/getdoc.php?id=831&
article=493&mode=pdf. Acesso em: 1o jun. 2019.

AMARO, V. R. Marketing cultural em bibliotecas. Revista Informativa on-


line- Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: http://
biblioteca.estacio.br/artigos/010.htm. Acesso em: 15 set. 2019.

ANTONELLI, M. The green library movement: An overview of green library


literature and actions from 1979 to the future of green libraries. Eletronic Green
Journal, v. 27, 2008.

143
AZEVEDO, M. C.; MARTELETO, R. M. Informação e segurança pública: a
construção do conhecimento social em ambiente comunitário. TransInformação,
Campinas, v. 20, n. 3, p. 273-284, set./dez., 2008. Disponível em: http://www.
brapci.inf.br/index.php/article/view/0000020350/6edd1cec2e393449e3ec82
4e31181fa2. Acesso em: 18 set. 2019.

BAHIA. Biblioteca de Extensão: Projeto da Biblioteca de Extensão encantou


crianças na Boca do Rio. 2014. Disponível em: http://www.bibliotecas.ba.gov.
br/2016/04/304/Projeto-da-Biblioteca-de-Extensao-encantou-criancas-na-Boca-
do-Rio.html. Acesso em: 25 nov. 2019.

BARRETO, A. A. A estrutura do texto e a transferência da informação.


Datagramazero, v. 6, n. 3, p. 1-10, jun. 2005.

BEZERRA, J. Cultural material e cultura imaterial. 2017. Disponível em: https://


www.diferenca.com/cultural-material-e-cultura-imaterial/. Acesso em: 15 set.
2019.

BIBLIOTECA DE SÃO PAULO. Livros em pontos de ônibus. 2013. Disponível


em: https://bsp.org.br/2013/06/13/projeto-oferecera-livros-em-pontos-de-onibus/.
Acesso em: 5 dez. 2019.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Semana Nacional do Livro e da Biblioteca.


Rio de Janeiro, 23 de out. 2016. Disponível em: https://www.bn.gov.br/acontece/
noticias/2016/10/semana-nacional-livro-biblioteca. Acesso em: 25 set. 2019.

BIBLIOTECA PE. MOREAU. Colégio Santa Maria. Projeto Santa Leitura


Biblioteca itinerante. 2016. Disponível em: https://bibliotecacolsantamaria.
wordpress.com/2016/05/31/projeto-santa-leitura-biblioteca-itinerante/. Acesso
em: 2 out. 2010.

BIBLIOTECA UFC. Cineclube da Biblioteca Central do Pici promove


mostra sobre cinema LGBT. 2017. Disponível em: https://biblioteca.ufc.br/
cineclube-da-biblioteca-central-do-pici-promove-mostra-sobre-cinema-lgbt/.
Acesso em: 3 dez. 2019.

BORGES, S. de O. Arte com páginas de livros. Facebook. Disponível em: https://


pt-br.facebook.com/salete.deoliveiraborges. Acesso em: 23 set. 2019.

BRASIL. Ministério da Cidadania. Bibliotecas públicas do Pará mostram que é


possível unir cultura e meio ambiente para gerar cidadania. 2019. Disponível
em: http://mds.gov.br/area-de-imprensa/noticias/2019/junho/bibliotecas-
publicas-do-para-mostram-que-e-possivel-unir-cultura-e-meio-ambiente-para-
gerar-cidadania Acesso em: 28 out. 2019.

144
BRASIL. Universidade Federal do Ceará. Biblioteca Universitária. Cineclube
da Biblioteca Central do Pici promove mostra sobre cinema LGBT. 2017.
Disponível em: https://biblioteca.ufc.br/cineclube-da-biblioteca-central-do-pici-
promove-mostra-sobre-cinema-lgbt/. Acesso em: 29 out. 2019.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil:


promulgada em 5 de outubro de 1988. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1988.

BURKE, P. Cultura popular na Idade Moderna. São Paulo: Companhia das


Letras, 1999.

CAÇADOR, J. A importância dos clubes de leitura. 2019. Disponível em:


https://www.acasadojoao.info/post/a-import%C3%A2ncia-dos-clubes-de-leitura.
Acesso em: 26 set. 2019.

CARDOSO, N. B.; MACHADO, E. C. Bibliotecas públicas verdes e sustentáveis


no Brasil Bahia, 2016. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da
Informação, 17. Anais...Bahia, 2016.

CHAUÍ, M. Cultura e democracia. Crítica y emancipación: Revista


latinoamericana de Ciencias Sociales, Buenos Aires, ano 1, n. 1, jun. 2008.
Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/secret/CyE/
cye3S2a.pdf. Acesso em: 11 set. 2019.

COELHO NETO, T. A cultura e seu contrário: cultura, arte e política pós-2001.


São Paulo: Iluminuras: Itaú Cultural, 2008.

COELHO NETO, T. Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário.


2. ed. São Paulo: Iluminuras, 1999.

CRB8. Junho é o mês do livro LGBT nas bibliotecas. 2018. Disponível em:
http://www.crb8.org.br/junho-e-o-mes-do-livro-lgbt-nas-bibliotecas/. Acesso em:
1o nov. 2019.

DEBRAY, R. Curso de midiologia geral. Petrópolis: Vozes, 1993.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Assembleia Geral


das Nações Unidas em Paris. 10 dez. 1948. Disponível em: https://www.ohchr.org/
EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf. Acesso em: 11 set. 2019.

DIANA, D. O que é cultura? Toda Matéria. 2018. Disponível em: https://www.


todamateria.com.br/o-que-e-cultura/. Acesso em: 25 set. 2019.

DINO, D. 62% da população brasileira está ativa nas redes sociais. 2018.
Disponível em: https://exame.abril.com.br/negocios/dino/62-da-populacao-
brasileira-esta-ativa-nas-redes-sociais/. Acesso em: 1o nov. 2019.

145
FERREIRA, R. da S. A sociedade da informação no Brasil: um ensaio sobre os desafios
do estado. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 1, p. 36-41, jan./abr. 2003.

FPC – Fundação Pedro Calmon. Oficinas de arte abordam a sustentabilidade em


Bibliotecas. Bahia, 2019. Disponível em: http://www.fpc.ba.gov.br/2019/05/1468/
Oficinas-de-arte-abordam-a-sustentabilidade-em-Bibliotecas.html. Acesso em:
28 out. 2019.

G1. Projeto Livros nas Praças leva biblioteca itinerante para Itapetininga. 2017.
Disponível em: https://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/
projeto-livros-nas-pracas-leva-biblioteca-itinerante-para-itapetininga.ghtml.
Acesso em: 25 out. 2019.

GESSI, F. J. S.; SILVA, A. M. S. da. Importância e benefícios do xadrez


no processo de formação. In: OS DESAFIOSDA ESCOLA PÚBLICA
PARANAENSE NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE. Paraná: Governo do
estado do Paraná, 2014. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/
portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2014/2014_ufpr_edfis_artigo_
fernando_jose_sanglard_gessi.pdf. Acesso em: 3 dez. 2019.

GRIEGER, L. R. Biblioterapia itinerante na tenda biblioteca comunitária parque


de coqueiros em Florianópolis/SC. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa
Catarina, Florianópolis, v. 24, n. 2, p. 456-461, abr./jun., 2019.

GROSSI, G. P. Leitura e sustentabilidade. Nova Escola, São Paulo, SP, n. 18, abr.
2008.

GUERRA, L. A. Cultura. Infoescola. 2018. Disponível em: https://www.


infoescola.com/sociedade/cultura/. Acesso em: 25 set. 2019.

HJORLAND, B. Information Seeking and Subject Representation: An Activity-


theoretical approach to Information Science. Westport & London: Greenwood
Press, 2007.

HORKHEIMER, M.; ADORNO, T. A indústria cultural: o iluminismo como


mistificação de massas. p. 169-214. In: LIMA, L. C. Teoria da cultura de massa.
São Paulo: Paz e Terra, 2002. 364 p.

IBGE. Perfil dos municípios Brasileiros. 2009. Disponível em: https://biblioteca.


ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=244692. Acesso
em: 7 set. 2019.

ICICT/FIOCRUZ – Instituto de Comunicação e Informação Científica e


Tecnológica em Saúde. Dia Mundial de Luta contra a Aids: Biblioteca de
Manguinhos realiza atividades. 2018 Disponível em: https://www.icict.fiocruz.
br/content/dia-mundial-de-luta-contra-aids-biblioteca-de-manguinhos-realiza-
atividades. Acesso em: 24 out. 2019.

146
IFPB. Biblioteca Nilo Peçanha promove atividades alusivas ao Novembro
Azul. 2014. Disponível em: http://editor.ifpb.edu.br/campi/joao-pessoa/
noticias/2014/copy2_of_pasta_modelo/biblioteca-nilo-pecanha-promove-
atividades-alusivas-ao-novembro-azul. Acesso em: 20 nov. 2019.

IPHAN. Patrimônio cultural material. 2017. Disponível em: http://portal.iphan.


gov.br/pagina/detalhes/276. Acesso em: 20 out. 2019.

I7 NOTÍCIAS. Biblioteca itinerante estimula leitura entre pacientes da Santa


Casa de Marília. 2013. Disponível em: http://www.i7noticias.com/paraguacu/
noticia/12857/biblioteca-itinerante-estimula-leitura-entre-pacientes-da-santa-
casa-de-marilia. Acesso em: 25 out. 2019.

MACGARRY, K. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória.


Trad. LEMOS, H. V. de. Brasília: Briquet de Lemos/livros, 1999. 205 p.

MATTOS, M. C. C.M. Multiculturalismo em ciência da informação.


Florianópolis: IOESC, 2013.

MILANESI, L. Biblioteca. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

MILLER, K. Public Libraries Going Green. [S.l]: ALA Editions, 2010.

MOREIRA, A. F. Currículos e programas no Brasil. Campinas: Papirus, 1995.

MOURA, V. H. V. Biblioteca escolar: espaço de ação pedagógica. Escola de


Ciência da Informação da UFMG: UFMG, 2008.

MOUTINHO, W. T. Cultura erudita e popular. São Paulo: Cultura, 2017.

NSC. Biblioteca itinerante Joinville oferece leitura aos usuários do Hospital


São José de Joinville. 2019. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/
noticias/biblioteca-itinerante-joinville-oferece-leitura-aos-usuarios-do-hospital-
sao-jose-de. Acesso em: 25 out. 2019.

NUNES, G. G.; SPUDEIT, D. A biblioteconomia social em foco: análise da


função social das bibliotecas públicas de Florianópolis. 2017. Anais...Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. 27. Florianópolis, 2017.

NUNES, G. G.; SPUDEIT, D. A biblioteconomia social em foco: análise da


função social das bibliotecas públicas de Florianópolis. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 27. Vitória, 2019.
Anais... Vitória, 2019.

ODDONE, N. O profissional de informação e a mediação dos processos


cognitivos: a nova face de um antigo personagem. Informação & Sociedade:
estudos, João Pessoa, v. 8, n. 1, p. 25-41, 1998.

147
OLIVEIRA, F. R. de; SILVA, S. V.; NOGUEIRA, R. D. R. Biblioteconomia social
por meio de projeto de extensão: Arvoreteca incentivando a leitura. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 13, n. esp. CBBD, 2017.

PERROTTI, E. Infoeducação: um passo além científico-profissional.


Informação@Profissões, v. 5, n. 2, p. 4-31, 2016. Disponível em: http://www.
brapci.inf.br/index.php/article/view/0000022796/d73c153e8dd2c69c8e0947
65b73d542a. Acesso em: 1o out. 2019.

PIORONI, T. Campanha Esqueça um Livro será incluída no calendário


cultural de Búzios. 2018. Disponível em: https://cliquediario.com.br/cidades/
campanha-esqueca-um-livro-sera-incluida-no-calendario-cultural-de-buzios.
Acesso em: 25 out. 2019.

PMCB – Prefeitura Municipal De Capão Bonito. Biblioteca Municipal e Acessa


SP em Ação na Campanha de Combate à Dengue. 2015. Disponível em: http://
www.capaobonito.sp.gov.br/biblioteca-municipal-e-acessa-sp-em-acao-na-
campanha-de-combate-a-dengue/. Acesso em: 24 out. 2019.

PORTAL EDUCAÇÃO. Cultura de massa, cultura popular e cultura erudita.


2019. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/
conteudo/cultura/48831. Acesso em: 26 set. 2019.

PREFEITURA DE TIMBÓ. Escola Municipal Pe. Martinho Stein desenvolve


projeto Geladeiroteca. 2018. Disponível em: https://www.timbo.sc.gov.br/
educacao/2018/escola-municipal-pe-martinho-stein-desenvolve-projeto-
geladeiroteca/. Acesso em: 1o nov. 2019.

R7. Biblioteca móvel leva conscientização sobre dengue para bairro da Boca
do Rio. 2016. Disponível em: https://noticias.r7.com/bahia/biblioteca-movel-
leva-conscientizacao-sobre-dengue-para-bairro-da-boca-do-rio-11042016. Acesso
em: 24 out. 2019.

RAMOS, L. B. Centros de cultura, espaços de informação: um estudo sobre a


ação do Galpão Cine Horto. Belo Horizonte: Argumentum, 2006.

RASTELI, A. Mediação cultural em bibliotecas: contribuições conceituais.


Dissertação de Mestrado em Ciência da Informação. Unesp, 2019.

RASTELI, A.; CAVALCANTE, L. E. Mediação cultural e apropriação da


informação em bibliotecas públicas. Encontros Bibli: revista eletrônica
de biblioteconomia e ciência da informação, v. 19, n. 39, p. 43-58, 2014.
Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-
2924.2014v19n39p43. Acesso: 10 out. 2019.

148
RIBEIRO; A. S.; CUNHA, V. A. Ação cultural e biblioteca pública, novos
caminhos para a educação e o desenvolvimento humano. CINFORM – Encontro
Nacional de Ensino e Pesquisa da Informação, 7. 2007, Salvador. Anais...
Salvador, 2007. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/4729.
Acesso: 23 jun. 2019.

RIOS, S. Cultura popular: práticas e representações. Revista Sociedade e


Estado, v. 29, n. 3, p. 791-820, set./dez., 2014. Disponível em: http://www.scielo.
br/pdf/se/v29n3/a07v29n3.pdf. Acesso em: 3 set. 2019.

ROSA, A. J. S. da. A prática de ação cultural em bibliotecas. Revista ACB:


Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 14, n. 2, p. 372-381, jul./
dez., 2009.

ROSA, M. Zona Rural de MG ganha biblioteca sustentável. 2015. Disponível


em: https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/zona-rural-de-mg-ganha-
biblioteca-sustentavel/. Acesso em: 25 out. 2019.

ROSÁRIO FILHO, J.; NOBRE, J. C. Ação cultural na prática da biblioteca:


uma estratégia dinâmica na mediação do conhecimento. Meu Artigo. [20--].
Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/acao-
cultural-pratica-bibliotecaria.htm. Acesso em: 3 set. 2019.

SANTOS, J. L. dos. O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 2009.

SANTOS, J. M. Ação cultural em Bibliotecas Públicas: o bibliotecário como


agente transformador. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação,
São Paulo, v. 11, n. 2, p. 173-189, jun./dez. 2015.

SÃO PAULO (Estado). Portal do Governo. Biblioteca de São Paulo. Contação de


histórias diverte adultos e crianças. 16 nov. 2011. Disponível em: https://bsp.
org.br/2011/11/16/6690/. Acesso em: 20 set. 2019.

SESC. SESC Arcoverde realiza feira do troca-troca de livros e gibis. 25 abr.


2017. Disponível em: https://www.sescpe.org.br/2017/04/25/sesc-arcoverde-
realiza-feira-troca-troca-de-livros-e-gibis/. Acesso em: 26 set. 2019.

SILVA, G. da. Ação cultural em bibliotecas: o caso da Biblioteca Pública de


Trabalho de Conclusão de Curso em Ciência da Informação, UFF, Universidade
Federal Fluminense, 2015.

SILVA, J. L. C.; FARIAS, M. G. G. Abordagens conceituais e aplicativas da


mediação nos serviços de informação. R. Ci. Inf. e Doc., Ribeirão Preto, v. 8, n.
2, p. 106-123, set. 2017/fev. 2018. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/
incid/article/download/122628/133890/. Acesso em: 7 set. 2019.

149
SISBI-UEFS. Biblioteca Central Julieta Carteado. Semana Nacional do Livro
e da Biblioteca 2016: programação. Disponível em: http://sites.uefs.br/portal/
sites/bibuefs/paginas-do-menu-raiz/eventos/semana-nacional-do-livro-e-da-
biblioteca/Cartaz%20-%20Programacao%20da%20SNLB.jpg/view. Acesso em:
23 set. 2019.

SOUZA, A. de A. Debates sobre cultura, cultura popular, cultura erudita e


cultura de massa. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO
NA REGIÃO NORDESTE 12.; I NTERCOM – SOCIEDADE BRASILEIRA DE
ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO. Campina Grande
/PB, 2010. Anais... Campina Grande /PB, 2010. Disponível em: http://www.
intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2010/resumos/R23-1573-1.pdf. Acesso
em: 26 set. 2019.

TRIBUNA DE MINAS. Empresa de transporte urbano disponibiliza livros


em coletivos. 2018. Disponível em: https://tribunademinas.com.br/noticias/
cidade/25-10-2018/empresa-de-transporte-urbano-disponibiliza-livros-em-
coletivos.html. Acesso em: 25 out. 2019.

VALENTIM, M. L. P. (Org.). Formação do profissional da informação. São


Paulo: Polis, 2002.

VALENTIM, M. L. P. (Org.). O profissional da informação: formação, perfil e


atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. 152 p.

WERTHEIN, J. A sociedade da informação e seus desafios. Revista Ciência da


Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 71-77, maio/ago. 2000.

150