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LESÃO RENAL AGUDA
A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome clí- Obs.: na cistatina C apresenta mais benefícios na LRA
nica caracterizada pela redução abrupta da TFG (de que a creatinina, pois ele é um marcador mais precoce,
horas a dias), ou seja, uma piora da função renal de no entanto, apresenta a desvantagem de sofrer interfe-
forma aguda. Sendo assim o paciente vai apresentar rência nos pacientes que tem disfunção da tireoide, he-
todas as complicações existentes em um paciente que patopatas e com uso de corticoide, além disso, muitos
não consegue filtrar o sangue direito, ou seja, ele vai planos de saúde não cobrem pois é mais caro.
apresentar retenção de escórias nitrogenadas (princi-
palmente ureia e creatinina) e perda da homeostase hí- Fatores de risco
drica (desenvolve um quadro de oligúria causando uma
hipervolemia), eletrolítica (hipercalemia) e ácido-básica
(acidose metabólica).
Obs.: existe casos de lesão renal que não é oligúrica.
2/3 dos pacientes internados em UTI
o 5 a 10% vão necessitar de diálise
o Taxas de mortalidade de 30 - 70%
História natural da LRA
Na pre-
sença de uma le-
são renal aguda o
paciente pode
apresentar quatro
desfechos: 1) uma
recuperação total,
2) uma lesão
aguda em que o paciente precise de uma dialise e se
recupere, mas sem voltar para sua creatinina basal, 3)
teve uma lesão aguda e não se recuperou se tornando Diagnóstico
um paciente crônico, ou 4) um paciente que já apresente
Obs.: para dizer que o paciente apresentou uma lesão
uma doença renal crônica que evolua com uma LRA, ge-
renal aguda e para classifica-la devemos avaliar a va-
rando assim um crônico que se recupere da LRA ou que
necessite de dialise. riação da creatinina e a diurese
Consolidação dos critérios diagnósticos
Biomarcadores
Até 2002 – mais de 30 definições de LRA
A creatinina é o biomarcador mais utilizado cli-
2002 – RIFLE
nicamente, no entanto está longe de ser o marcador
ideal. Pois a creatinina na LRA não é um marcador pre- 2007 – AKIN
coce, trabalhos mostram que ela só chega a subir 24 a 2012 – KDIGO
48h depois da LRA. Sendo assim existem marcadores
RIFLE
mais fidedignos e precoces para avaliar a LRA, como no
exemplo abaixo.
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AKIN Pré-renal
Elevação das escórias nitrogenadas (azotemia)
ocasionada por redução do fluxo sanguíneo renal ou
pressão de perfusão renal diminuída.
Insuficiência circulatória renal
Depleção “verdadeira” do volume intravascular
Depleção do volume intravascular “efetivo” (he-
patopata ou com IC)
Doença da artéria renal (trombose ou estenose
da artéria renal)
Hemodinâmica intrarrenal alterada (como no
KDIGO caso das medicações que agem nas arteríolas)
São os parâmetros utilizados hoje; Depleção “verda-
deira” do volume in-
Ele apresenta três estágios (1, 2 e 3) e utiliza
travascular
como parâmetro a creatinina sérica e o debito
urinário. Hemorragia
Perdas GI
Perdas renais
Outros
Depleção do volume intravascular “efetivo”
IC
Sepse (devido a uma vasodilatação periférica
causada pelos mediadores inflamatórios, e uma
vasoconstricção da arteríola aferente)
Cirrose (SHR)
O que é a síndrome cardiorrenal?
Obs.: pode ocorrer em alguns casos do paciente se
apresentar no estagio 1 na creatinina e 3 no debito uri-
nário, e para classificarmos sempre o colocamos no pior
que ele apresentar.
Obs.: para saber o quanto o paciente urinou pega-se a
diurese, divide pelo peso e depois pelo tempo.
Classificação da SCR
Epidemiologia
Antes da uniformização dos critérios: 5 a 25%
nas UTIs
Após o KDIGO: cerca de 50% dos pacientes em
UTI
Mortalidade: cerca de 50% dos pacientes com
necessidade de Terapia Renal Substitutiva (TRS)
Etiologia
Pré-renal
o Mais comum (50-60%)
Renal Obs.: é preciso entender que o coração e o rim estão
o 30-40% interligados, qualquer alteração um uma das estruturas
Pós-renal pode gerar uma alteração na outra em conjunto, como
o 5-10% dos casos no esquema a baixo:
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SEPSE X IRA
Obs.: o corpo entende que ele tá desidratado pois toda
a água está na ascite.
Classificação:
Síndrome hepatorrenal
Há duas teorias: a teoria da vasodilatação e a
inflamatória. Na da vasodilatação, temos uma vasodi-
latação esplâncnica, uma hipovolemia relativa (o vaso
fica depletado), o corpo vai entender que o paciente
esta desidratado e vai ativar o SRAA e SN simpático
para aumentar o debito cardíaco, faz uma vasoconstric-
ção arterial e iniciar uma inflamação no rim.
Doença da artéria renal
Estenose da artéria renal
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Hemodinâmica intrarrenal alterada Necrose tubular aguda
Vasoconstricção arteriolar aferente Isquêmica (hipovolemia, choque, sepse, pos-
o AINES, Inibidores de calcineurina operatório) (seria aquele paciente com uma
Vasodilatação da arteriola eferente (vai au- causa pré renal que demorou para ser estabili-
mentar a isquemia renal, pois o sangue vai sair zado causando um maior dano renal)
mais rápido) Nefrotóxica (aminoglicosideos, anfotericina B,
o IECA/BRA radiocontraste, tenofovir, agentes quimioterápi-
cos)
Reversível até certo ponto…
Nefropatia por pigmento
Autorregulação renal (até PAS 80mmHg*) – va- o Rabdomiólise
sodilatação da aferente e vasocontricção da o Hemólise
eferente Outras causas: NIA, glomerulonefrites, vasculites
Renal intrínseca
Pós-renal
Obstrução aguda do sistema uroexcretor
o Cerca de 10% dos casos
o Geralmente anúria, mas pode ocorrer
débito urinário normal
Lesão no próprio parênquima renal Principal causa: HPB
Outras causas:
Glomérulo, túbulo, vasos, interstício o Neoplasias
Grande maioria dos casos – Necrose Tubular o Bexiga neurogênica
Aguda (NTA) (o túbulo é mais sensível à isque- o Nefrolitíase
mia do que o glomérulo) o Ligadura cirúrgica acidental de urete-
o recuperação 2 a 4 semanas res
Nefropatia por contraste iodado
O contraste pode causar uma lesão renal de
duas formas, ele faz uma lesão no túbulo proximal dire-
tamente devido a toxicidade e também causa isquemia
devido uma vasoconstricção da arteríola aferente (é
uma pré-renal e renal).
Lesão tubular isquêmica + toxicidade direta
Aumento de Cr 24-48 horas após uso de con-
traste iodado (tomografia)
Obs.: o tempo máximo de regeneração do epitélio re- LRA não oligurica
nal é de 3 meses, por isso dizemos que uma lesão renal Fatores de risco: DRC (Cr>1,5), nefropatia di-
crônica é a partir de 3 meses. abética, tipo de contraste, volume do contraste,
mieloma múltiplo
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Prevenção: Tratamento
Tentar outro exame (USG, RM…) Pré-renal – repor volemia (cristalóides)
Suspender iECA ou BRA (autorregulação renal) Pós-renal – desobstrução VVUU
Suspender diuréticos
Renal
Suspender Metformina (risco de acidose lática)
Hidratar bem o paciente (SF 1mL/kg/h 24h ou Manter a volemia do paciente
HCO3 por 4h) Tratar causa-base (GN, NIA…)
N-Acetilcisteina (pacientes de risco elevado*) Suspender medicamentos nefrotóxicos
Quadro clínico Ajuste de drogas pela função renal
Último caso: Terapia Renal Substitutiva
De assintomático até coma o Até 6% dos pacientes com LRA necessi-
HAS, edema pulmonar, pericardite urêmica tarão de diálise…
Distúrbios da hemostasia (disfunção plaquetá-
Abordagem Terapêutica
ria)
Neurológicas: encefalopatia (flapping), mioclo- Definir tratamento - Conservador ou Dialítico
nias, convulsão
Inflamação nas mucosas/dismotilidade: náuseas Indicações de Diálise
e vômitos, dor abdominal
Hipercalemia / Acidose metabólica
(K normal/baixo: leptospirose, aminoglicosi-
deos, anfoB, HAS maligna)
Aumento de creatinina
1ª pergunta: Lesão Renal Aguda ou DRC? Prevenção
2ª pergunta: Se LRA… Otimização do status volêmico
É pré-renal, intrínseca ou pós-renal? Débito cardíaco e pressão arterial → melhorar
perfusão renal
Lesão Renal Aguda x DRC
Controle de Balanço Hídrico
USG o Reduzir hidratação sempre que possível
o tamanho renal (9-11cm) / córtex renal o Uso de diurético venoso – controle de
(espessura >1,2cm) / diferenciação Balanço hídrico
córtico-medular Ressuscitação volêmica
Sumário de Urina o Quanto e até quando?
o Densidade / cilindros largos / sinais o Solução de escolha: CRISTALÓIDES (SRL
glomerulonefrite ou NIA ou SF)
Estigmas da DRC Uso de droga vasoativa: Noradrenalina / Va-
o Anemia, aumento de PTH, lesão em ou- sopressina (V2)
tros órgão-alvo Uso de inotrópicos: Dobutamina
Lesão Renal Aguda – qual setor acometido?
Pós-renal – imagem (USG) / passagem de SVD
Pré-renal X renal (avalia o grau de hidratação
do paciente)
o FE = Subst urin x Cr plasma / Subst
plasma x Cr urinária
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LRA induzida por drogas ou nefrotoxinas
Identificar pacientes sob risco
Ajuste de dose de drogas pela TFGe
Monitorar função renal durante o tratamento
Tentar drogas alternativas
Evitar combinações de nefrotóxicos
Tratamento não dialítico
Obs.: o tratamento não dialítico não cai na primeira
prova
Hipercalemia
Identificar e suspender fontes de potássio: dieta
e drogas
Alterações ECG: gluconato de cálcio
Medidas para deslocar o potássio para dentro
da célula:
o Glicose + insulina
o Beta adrenérgico
o Bicarbonato de sódio se acidose meta-
bólica grave
Aumento da excreção de potássio
o Resinas de troca: sorcal
o Diurético
Ácido-base
Identificar a causa da acidose metabólica: aci-
dose lática? Cetoacidose? ATR?
Reposição de bicarbonato **
o Bicarbonato < 15
o pH < 7,15
hipervolemia
o Manejo de volemia com controle de hi-
dratação e diuréticos (alça, tiazídicos)