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GRUPO I

Os tentilhões de Darwin, utilizados pelo naturalista para a construção da sua teoria da evolução,
são um grupo de aves de diversas espécies, pertencentes à mesma ordem, que, entre outros
aspetos, apresentam diferenças na morfologia dos bicos. Estas e outras espécies de aves terrestres
das ilhas Galápagos estão em rápido declínio, para o que terá contribuído a introdução de uma
espécie invasora – a mosca Philornis downsi. As moscas adultas põem os ovos nos ninhos das
aves. As larvas destas moscas alimentam-se do sangue e dos tecidos das crias das aves, o que
provoca redução do crescimento, deformação do bico e aumento da mortalidade.
Os cientistas observaram que, na construção dos seus ninhos, os tentilhões utilizavam fibras de
algodão retiradas de cordas dos estendais da roupa. Perante tal facto, com o intuito de contribuírem
para a minimização do problema provocado pela mosca Philornis downsi, desenvolveram o seguinte
estudo na ilha de Santa Cruz.
Métodos e resultados
1 – Foram colocados 30 dispensadores de algodão, em intervalos de 40 metros, em dois trajetos.
Metade dos dispensadores continha algodão tratado com uma solução do inseticida
permetrina a 1%, e a outra metade continha algodão tratado com água.
2 – Uma vez por semana, procuraram-se ninhos ativos na proximidade de cada um dos
dispensadores.
3 – Terminada a criação, os ninhos foram recolhidos. Quantificaram-se os parasitas, larvas de
P. downsi, em cada ninho. O algodão e os restantes materiais naturais utilizados na construção
dos ninhos foram separados e pesados. Os resultados obtidos estão representados na Figura
2A.

Para monitorizar o sucesso reprodutivo dos tentilhões, foi desenvolvido um outro procedimento.
1 – Utilizaram-se outros 37 ninhos de tentilhões localizados nas proximidades dos trajetos
anteriormente estabelecidos.
2 – Foram pulverizados 20 ninhos com solução de permetrina a 1% e 17 ninhos com água.
3 – Os ninhos tratados com inseticida não apresentavam larvas, enquanto os do outro grupo
apresentavam em média 17 parasitas. Os resultados relativos à sobrevivência das crias
(número de crias capazes de voar) estão representados na Figura 2B.
125
75 N.º total de crias monitorizadas
Algodão tratado com inseticida
Algodão tratado com água N.º de crias capazes de voar
100
Número de parasitas

50
Número de crias

75

50
25

25

0 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 Ninhos tratados Ninhos tratados
com inseticida com água
Algodão/grama

Figura 2A – Número de parasitas e quantidade Figura 2B – Número total de crias monitorizadas


de algodão por ninho e número de crias capazes de voar

Baseado em S. Knutie et al., «Darwin’s finches combat introduced nest parasites with fumigated cotton»,
Current Biology, Vol. 24, n.º 9, 2014.

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1. Um dos objetivos do estudo desenvolvido foi

(A) investigar a capacidade de as aves construírem ninhos recorrendo a algodão.


(B) inventariar a quantidade de parasitas dos tentilhões existentes nas ilhas Galápagos.

(C) confirmar a eficácia do algodão tratado com água no controlo da larva da mosca.

(D) verificar se a introdução de inseticida nos ninhos pode ser feita pelas próprias aves.

2. No estudo descrito, uma das variáveis dependentes foi

(A) o trajeto onde foram colocados os dispensadores de algodão.


(B) o número de larvas de mosca contabilizadas nos ninhos recolhidos.

(C) a quantidade de inseticida no algodão existente nos dispensadores.

(D) a concentração de inseticida utilizada para pulverizar os ninhos.

3. No estudo descrito,

(A) os grupos experimentais foram tratados com inseticida em ambos os procedimentos.


(B) os grupos de controlo foram tratados com inseticida em ambos os procedimentos.

(C) o grupo de controlo foi tratado com inseticida apenas no segundo procedimento.

(D) o grupo experimental foi tratado com inseticida apenas no primeiro procedimento.

4. Os resultados registados na Figura 2A mostram que

(A) o efeito do inseticida nas larvas depende da quantidade de algodão utilizada no ninho.
(B) o uso de mais de um grama de algodão com água influencia a quantidade de parasitas presentes.

(C) a quantidade de parasitas está diretamente relacionada com a quantidade de algodão.

(D) a utilização de mais de três gramas de algodão com inseticida provoca a morte de 100% das larvas.

5. De acordo com a teoria darwinista, o efeito da espécie invasora P. downsi nas aves que parasita poderá
estar relacionado com o facto de

(A) não ter havido seleção dos indivíduos que conseguiram desenvolver resistência à larva da mosca.
(B) as populações com informação genética para a resistência ao parasita não terem sido selecionadas.

(C) as mutações não terem introduzido características que permitiriam tornar alguns tentilhões mais aptos.

(D) não ter ocorrido sobrevivência diferencial de tentilhões resistentes ao parasita, ao longo do tempo.

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6. Os ninhos utilizados no estudo pertenciam a quatro espécies de tentilhões de Darwin: Geospiza fortis,
Geospiza fuliginosa, Camarhynchus parvulus e Platyspiza crassirostris. As afirmações seguintes dizem
respeito à taxonomia de diferentes espécies de tentilhões.

I. Camarhynchus parvulus e Platyspiza crassirostris pertencem a classes diferentes.


II. Geospiza fortis e Geospiza fuliginosa pertencem ao mesmo género.
III. Camarhynchus heliobates e Camarhynchus parvulus têm menor número de taxa em comum do que
Geospiza fortis e Platyspiza crassirostris.

(A) I é verdadeira; II e III são falsas.


(B) I e III são verdadeiras; II é falsa.

(C) II é verdadeira; I e III são falsas.

(D) II e III são verdadeiras; I é falsa.

7. A morfologia dos bicos dos tentilhões de Darwin está relacionada com pressões seletivas e,
portanto, com um processo de evolução .

(A) idênticas … divergente


(B) idênticas … convergente
(C) diferentes … divergente

(D) diferentes … convergente

8. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência cronológica


de acontecimentos que ocorrem durante o ciclo de vida de P. downsi. Inicie a ordenação pela etapa onde
se produzem células diploides.

A. Deposição de ovos.

B. Meiose.

C. Fecundação.

D. Transformação em inseto adulto.

E.  Ingestão de sangue.

9. Explique de que modo os resultados registados na Figura 2B podem contribuir para desenvolver uma
solução capaz de minimizar o declínio das populações de tentilhões provocada pela P. downsi.

Na sua resposta justifique o sucesso de P. downsi, relacionado com o facto de esta ser uma espécie
invasora.
GRUPO II

A polinização animal é importante para a produção agrícola, em particular para a produção de frutos e para
uma parte significativa das culturas hortícolas. No entanto, a monocultura intensiva pode ser prejudicial aos
insetos, por falta de recursos florais e de locais de refúgio.
Devido à perda de habitats, ao uso de pesticidas, às alterações climáticas e às doenças, tem-severificado
o declínio das populações de abelhas, importantes agentes polinizadores.
Realizou-se um estudo em campos de cultura intensiva de abóbora para avaliar os efeitos dos fatores
seguintes na polinização:
− disponibilidade de habitats seminaturais (plantas herbáceas não cultivadas e floresta);
− visitas de abelhas das espécies Apis mellifera e Bombus terrestris.

Foram testadas algumas hipóteses, de entre as quais se destacam as seguintes:


Hipótese 1 – o número de grãos de pólen depositados nas flores de abóbora está diretamente
relacionado com o número de visitas de Apis mellifera e de Bombus terrestris;
Hipótese 2 – o número de visitas de insetos polinizadores é mais elevado em campos adjacentesa habitats
seminaturais do que em campos adjacentes a outros campos de cultura.

Métodos e condições experimentais

1 – O estudo realizou-se em 18 campos de cultura de abóbora, Cucurbita maxima, cada um com


uma área de cerca de 3 ha.
2 – Os campos de abóbora estavam rodeados de paisagens que diferiam na quantidade relativa
de habitats seminaturais e de campos de cultivo (milho, trigo ou batata), num raio de 1 km.
3 – A temperatura média anual da região é de cerca de 11 ºC, e a precipitação média anual é de
700 mm.
4 – Foram feitas observações das visitas de insetos polinizadores e foram recolhidas amostras
de pólen ao longo de 4 trajetos em cada campo.
5 – As visitas dos polinizadores foram gravadas em vídeo, ao longo de períodos de 15 minutos,
em 3 dias de julho, durante a floração, nas horas em que os estigmas 1 estão recetivos e os
grãos de pólen estão disponíveis e são viáveis.
6 – As amostras de pólen depositado foram recolhidas nos estigmas das flores visitadas.

Resultados
Foram observadas 2100 abelhas, das quais 79% pertenciam à espécie Apis mellifera, 14%
pertenciam à espécie Bombus terrestris e 7% pertenciam a outras espécies.
Na Figura 2, constam outros resultados deste estudo.

Nota:
1 Estigmas – locais das estruturas reprodutoras femininas onde os grãos de pólen são depositados.

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A B

Número de grãos de pólen por flor feminina

Número de grãos de pólen por flor feminina


20 000 20 000

16 000 16 000

12 000 12 000

8000 8000

4000 4000

0 0
0 20 40 60 0 40 80 120

Número de visitas de Bombus terrestris Número de visitas de Apis mellifera

C D

Número de grãos de pólen por flor feminina


Número de visitas de Bombus terrestris

20 000

60
16 000

40 12 000

8000
por flor feminina

20
4000

0 0
30 50 70 90 30 50 70 90

Percentagem de campo de cultivo Percentagem de campo de cultivo


num raio de 1 km num raio de 1 km

Figura 2 – Relação entre as visitas dos polinizadores e a deposição de pólen (A e B); Relação entre a proporção
de campo de cultivo num raio de 1 km e as visitas de Bombus terrestris (C); Relação entre a proporção
de campo de cultivo num raio de 1 km e a deposição de pólen pelos diferentes polinizadores (D)

Baseado em: S. C. Pfister et al., «Dominance of cropland reduces the pollen


deposition from bumble bees», Scientific Reports, 2018.

1. As afirmações seguintes dizem respeito à interpretação dos dados apresentados na Figura 2.

I. O número de grãos de pólen depositados diminui com o aumento da percentagem de campo de cultivo
num raio de 1 km.
II. Um aumento de 10% de campo de cultivo num raio de 1 km aumenta o número de visitas de Bombus
terrestris.
III. Se houver 10% de habitats seminaturais, o número de grãos de pólen depositados é maior do que se
essa percentagem for de 50%.

(A) I é verdadeira; II e III são falsas.


(B) I e III são verdadeiras; II é falsa.

(C) II é verdadeira; I e III são falsas.

(D) II e III são verdadeiras; I é falsa.


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2. No estudo descrito, uma das variáveis dependentes foi

(A) o tipo de cultura dos diferentes campos.

(B) a percentagem de campo cultivado.

(C) a área de habitat seminatural.

(D) o número de grãos de pólen depositados.

3. O aumento da variabilidade genética e a conquista do ambiente terrestre pelos seres eucariontes


autotróficos estão associados ao predomínio da fase

(A) haploide e à união de gâmetas de plantas diferentes, da mesma espécie.


(B) diploide e à união de gâmetas de plantas diferentes, da mesma espécie.

(C) haploide e à união de gâmetas da mesma planta.

(D) diploide e à união de gâmetas da mesma planta.

4. As abelhas apresentam um sistema circulatório

(A) fechado, havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

(B) fechado, não havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

(C) aberto, não havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

(D) aberto, havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

5. Relativamente ao ciclo de vida de Cucurbita maxima, pode afirmar-se que

(A) os esporos são células com núcleo diploide.

(B) a fecundação é dependente da polinização.

(C) a meiose é pós-zigótica.

(D) o esporófito é haploide.

6. O movimento ascendente da seiva elaborada ocorre quando

(A) as reservas são armazenadas ao nível da raiz.

(B) há formação de frutos acima dos órgãos fotossintéticos.

(C) se verifica uma taxa de transpiração muito elevada.

(D) a taxa de absorção radicular supera a da transpiração foliar.


GRUPO III

As plantas carnívoras constituem um grupo de plantas que vive, frequentemente, em solospobres em


nitrogénio. As plantas capturam presas com as suas folhas, digerindo-as através daatuação de enzimas,
segregadas para o exterior, o que lhes permite suprir a carência de nitrogénio.Recentemente, uma equipa de
investigadores descobriu que a evolução para o carnivorismo, que ocorreu independentemente em três
espécies de plantas, uma asiática, uma americana e uma
australiana, dependeu de alterações nos mesmos conjuntos de genes.
Num primeiro momento, foi sequenciado o genoma de Cephalotus follicularis, uma planta da Austrália que, como
resultado da expressão diferencial de genes, tem folhas carnívoras, em forma de jarro, e folhas planas, não
carnívoras, especializadas na atividade fotossintética. A comparaçãoentre os genes que são transcritos nos dois
tipos de folhas permitiu compreender as alterações associadas ao carnivorismo. Percebeu-se, por exemplo, que
temperaturas mais elevadas promoviam o desenvolvimento de folhas carnívoras.
Num segundo momento, os investigadores compararam a constituição das proteínas digestivas presentes nos
fluidos digestivos de C. follicularis com a constituição das proteínas presentes em outras duas plantas
carnívoras (Nepenthes alata, asiática, e Sarracenia purpurea, americana). Os investigadores verificaram que a
substituição de alguns aminoácidos durante a evolução destas proteínas originou, de forma independente,
enzimas digestivas semelhantes.
Diversas proteínas vegetais que, nas plantas não carnívoras, constituem, por exemplo, defesas contra fungos
ou outras pragas evoluíram para proteínas digestivas, como uma quitinase capaz decatalisar a destruição do
polissacarídeo que constitui o exoesqueleto dos insetos.
Baseado em: K. Fukushima et al., «Genome of the pitcher plant Cephalotus reveals genetic
changes associated with carnivory», Nature Ecology & Evolution, Vol. 1, n.º 59, 2017.

1. De acordo com o texto, o nutriente obtido pelas plantas, através do carnivorismo, entra na constituição

(A) da celulose.
(B) dos ácidos nucleicos.

(C) do amido.

(D) dos ácidos gordos.

2. Nas plantas carnívoras, a digestão é

(A) intracorporal e extracelular.


(B) semelhante à digestão que ocorre na hidra.

(C) extracorporal e extracelular.

(D) semelhante à digestão que ocorre na planária.

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3. As folhas carnívoras e as folhas não carnívoras de Cephalotus follicularis constituem

(A) estruturas homólogas, em que foram transcritos diferentes genes.


(B) estruturas análogas, em que foram transcritos os mesmos genes.

(C) estruturas análogas, em que foram transcritos diferentes genes.

(D) estruturas homólogas, em que foram transcritos os mesmos genes.

4. Em relação às folhas de Cephalotus follicularis, podemos afirmar que

(A) o desenvolvimento dos dois tipos de folhas é independente de fatores externos.

(B) a formação de folhas carnívoras implica a utilização de um código genético diferente.

(C) as folhas planas têm menor quantidade de clorofila do que as folhas em forma de jarro.

(D) nas folhas carnívoras, os processos digestivos exigem uma intensa síntese proteica.

5. A quitinase atua facilitando a quebra de

(A) ligações peptídicas entre monossacarídeos.


(B) ligações peptídicas entre aminoácidos.

(C) ligações glucosídicas entre monossacarídeos.

(D) ligações glucosídicas entre aminoácidos.

6. De acordo com os dados do texto, a evolução das proteínas digestivas nas plantas carnívoras dos vários
continentes constitui um caso de evolução

(A) convergente, provocada por distintas pressões seletivas.


(B) condicionada pela existência de insetos ricos em nitrogénio.
(C) divergente, relacionada com a ocorrência de mutações.

(D) condicionada pela ocorrência de solos pobres em nutrientes.

7. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta dos
acontecimentos relacionados com o carnivorismo em Cephalotus follicularis. Considere as relações de
causa e efeito entre os acontecimentos.

A. Fusão de vesículas exocíticas com a membrana celular.

B. Maturação de proteínas no complexo de Golgi.

C. Absorção de nutrientes.

D. Degradação de substâncias complexas.

E.  Transcrição do DNA associado à síntese de enzimas digestivas.

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8. Faça corresponder cada uma das descrições relativas à síntese de proteínas digestivas, expressas na
coluna A, à respetiva molécula, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Aminoácido
(a) Enzima que participa na transcrição da informação genética.
(2) DNA polimerase
(b) Polímero de ribonucleótidos contendo informação para a
(3) Gene
síntese de um péptido.
(4) RNA mensageiro
(c) Monómero que entra na constituição de péptidos.
(5) RNA polimerase

9. Explique, segundo a perspetiva neodarwinista, a evolução das proteínas digestivas presentes nas plantas
carnívoras a partir de proteínas vegetais existentes em plantas não carnívoras.
GRUPO IV

A acumulação de plásticos nos oceanos constitui um problema ambiental que se tem vindo
a agravar. As tartarugas marinhas, nas várias etapas do seu ciclo de vida, correm um risco
significativo de ingestão de detritos de plástico. A ingestão destes materiais pode ter consequências
letais, em especial nos primeiros anos de vida, em que as tartarugas flutuam e se deslocam ao
sabor das correntes marinhas em direção a mar aberto. O problema é agravado pelo facto de os
animais confundirem os plásticos com os seus alimentos naturais (por exemplo, medusas – animais
que, tal como a hidra, pertencem ao filo dos Cnidários), por não conseguirem regurgitar e pelo facto
de a comida permanecer 5 a 23 dias no tubo digestivo de algumas espécies de tartarugas, o que
aumenta o risco de obstrução ou de perfuração do tubo digestivo.
Um grupo de investigadores levou a cabo um estudo que pretendeu estabelecer a relação entre
a quantidade de plástico ingerido e a probabilidade de morte, por comparação com o número de
animais cuja morte ocorreu por causas não relacionadas com a ingestão de plástico (por exemplo,
choques com embarcações ou prisão em redes de pesca).
Através da análise dos dados resultantes de 224 necropsias (exame médico para determinar a
causa da morte) e da análise dos dados de outros 706 registos de tartarugas mortas que deram à
costa, os investigadores descobriram que há 22% de risco de morte para as tartarugas que ingerem
1 detrito de plástico, enquanto a ingestão de 14 detritos aumenta esse risco para 50%.
Os dados do Quadro I indicam a percentagem de tartarugas necropsiadas em cujo tubo digestivo
havia detritos de plástico.

Quadro I

Tartarugas com plástico


N.º de
no tubo digestivo
tartarugas
necropsiadas Número Percentagem (%)

Crias 24 13 54,2
Juvenis 175 41 23,4

Subadultas 13 2 15,4

Adultas 12 2 16,7

Total 224 58 25,9

Baseado em: C. Wilcox et al., «A quantitative analysis linking sea turtle mortality
and plastic debris ingestion», Scientific Reports, 8, 2018.

1. Um dos objetivos do estudo foi

(A) estudar o regime alimentar das tartarugas marinhas.


(B) avaliar a influência da ingestão de alguns tipos de resíduos na mortalidade das tartarugas.

(C) investigar a relação entre a decomposição do plástico e a distribuição das tartarugas marinhas.

(D) determinar o número de tartarugas mortas que deram à costa.

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2. Considere as afirmações seguintes, relativas às características do grupo de referência utilizado no estudo.

De acordo com os dados apresentados,

I. o grupo de referência inclui tartarugas escolhidas aleatoriamente.


II. o grupo de referência inclui tartarugas que morreram devido ao choque com embarcações.
III. o grupo de referência inclui tartarugas de diversas idades.

(A) III é verdadeira; I e II são falsas.

(B) I é verdadeira; II e III são falsas.

(C) II e III são verdadeiras; I é falsa.

(D) I e II são verdadeiras; III é falsa.

3. Os resultados do estudo permitem concluir que

(A) a apetência para a ingestão de plásticos é maior nas tartarugas do que em outras espécies.
(B) a deglutição de catorze detritos de plástico é fatal para todas as tartarugas marinhas.

(C) a quantidade de plástico ingerido pelas tartarugas aumenta a toxicidade a nível celular.
(D) a ingestão de plástico diminui a probabilidade de as tartarugas atingirem a fase reprodutora.

4. Ao contrário do que ocorre nas tartarugas, na medusa, a digestão ocorre

(A) parcialmente no interior das células.

(B) sem intervenção de enzimas.

(C) ao longo de um tubo digestivo.

(D) no interior do organismo do animal.

5. Observando-se, ao microscópio, um lote de células extraídas das tartarugas alvo do estudo, em meio de
montagem com água retirada do local onde habitam, será de esperar que

(A) a água entre nas células, pois estas são hipotónicas.

(B) a água saia das células, pois estas são hipertónicas.


(C) as células fiquem plasmolisadas, devido à saída de água.

(D) as células fiquem túrgidas, devido à entrada de água.

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6. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta de
acontecimentos relacionados com o ciclo de vida das tartarugas marinhas. Inicie a sequência pela etapa
que corresponde à produção de gâmetas.

A. Postura de ovos na praia.


B. Migração para mar aberto.

C. Formação de células haploides.

D. Acasalamento em zonas de reprodução.

E.  União de células sexuais.

7. Justifique as diferenças registadas no Quadro I, relativamente à presença de plástico no tubo digestivo dos
diversos grupos de tartarugas, tendo em conta os dados fornecidos no texto.

8. As tartarugas têm um sistema circulatório semelhante ao dos anfíbios e diferente do sistema circulatório
dos mamíferos.
Compare as características morfofisiológicas do sistema circulatório das tartarugas e do sistema
circulatório dos mamíferos quanto à eficácia na obtenção de energia.
GRUPO V

A insulina é uma hormona, codificada por um gene, que controla os níveis de glucose no sangue,
mantendo-os numa concentração adequada ao bom funcionamento do organismo.
Quando uma mãe não produz insulina em quantidade suficiente entre duas gravidezes, desenvolve
diabetes tipo 2, e o segundo filho irá crescer num ambiente gestacional onde a concentração
de glucose no plasma ‒ glicemia ‒ é muito elevada. Segundo Guillaume Charpentier, este filho,
relativamente ao irmão mais velho, corre um risco quatro vezes maior de se tornar diabético. Aquele
autor constata ainda que, em células de crianças nascidas de mães diabéticas, se observa a adição
de um grupo químico a alguns nucleótidos dos genes implicados na regulação da produção de
insulina, o que compromete essa regulação.
Estudos recentes têm demonstrado como os fatores ambientais ‒ alimentação, consumo de
drogas, stress, poluição atmosférica e condições climáticas ‒ influenciam a expressão dos genes,
gerando mudanças nos caracteres sem que, no entanto, ocorram mutações do DNA. Essa influência
relaciona-se com o grau de ligação de certos grupos químicos ao DNA ou às histonas (proteínas
à volta das quais o DNA se enrola para formar a cromatina), podendo conduzir à inativação ou à
ativação da transcrição dos genes. Estes mecanismos de alteração da expressão do DNA podem
ser hereditários.
Atualmente, um dos objetivos dos cientistas é identificar todos os locais do DNA em que ocorrem
modificações químicas semelhantes às descritas.
Baseado em: C. Bruyère, «Épigenétique: quand notre environnement influence nos gènes»,
Science & Univers, N.º 29, agosto de 2018.

1. Os mecanismos de alteração da expressão do DNA referidos no texto consideram-se hereditários quando


resultam de

(A) ligações de certos grupos químicos aos nucleótidos do DNA de células somáticas.

(B) modificações da sequência de aminoácidos nas histonas de células que originam gâmetas.

(C) ligações de certos grupos químicos aos nucleótidos do DNA de células que originam gâmetas.
(D) modificações da sequência de aminoácidos nas histonas de células somáticas.

2. De acordo com o texto, as mudanças nos caracteres dos indivíduos

(A) surgem devido à influência de fatores ambientais.

(B) são selecionadas por influência de fatores ambientais.

(C) ocorrem na população devido a mutações génicas.

(D) resultam de alterações no processo de tradução.

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3. A síntese de uma proteína a partir da informação de um gene resulta da

(A) replicação conservativa da informação genética.

(B) transcrição do gene para moléculas de RNA de transferência.

(C) leitura aleatória do RNA mensageiro no citoplasma.

(D) tradução da sequência de codões do RNA mensageiro processado.

4. Na utilização da glucose nas células animais, verifica-se que

(A) a glucose em excesso no organismo é transformada em amido.

(B) a glucose é degradada em reações que ocorrem em vias anabólicas.

(C) a oxidação completa da glucose ocorre em condições aeróbias.

(D) a oxidação completa da glucose implica a produção de ácido láctico.

5. A insulina, quimicamente, é um

(A) polissacarídeo.

(B) polipéptido.

(C) fosfolípido.

(D) ribonucleótido.

6. As mutações que ocorrem numa sequência de nucleótidos que codifica uma proteína

(A) podem causar modificações na estrutura dos aminoácidos.

(B) causam alterações nos mecanismos de tradução.

(C) causam alterações nos mecanismos de transcrição.

(D) podem levar à formação de diferentes proteínas.

7. A adição de um grupo químico a alguns nucleótidos pode conduzir ao aparecimento de doenças.

Explique de que modo o aparecimento da diabetes, nas condições descritas no texto, pode ser interpretado
à luz de uma nova abordagem lamarckista da evolução.
GRUPO VI

Em 1995, dois paleontólogos chineses descobriram em rochas – fosforitos – da sequência estratigráfica


superior da Formação de Doushantuo minúsculos fósseis de forma esférica, impecavelmente conservados
que, após exame ao microscópio eletrónico, foram identificados como fósseis de seres coloniais do género
Volvox – colónia de algas verdes unicelulares cujas células são haploides.
Estudos posteriores do mesmo estrato da sequência de Doushantuo permitiram identificarum segundo
tipo de microfósseis esferoides como sendo semelhantes a fósseis de embriões de animais, uma vez que
indiciam a existência de um padrão de divisão idêntico ao das primeiras fases de desenvolvimento dos
embriões animais da atualidade. Estes fósseis, não sendo ainda deseres multicelulares, apresentam evidências
para a diferenciação celular, com uma separação entre células reprodutoras (germinais) e soma (todo o
organismo, exceto as células que desempenham função reprodutora).
A multicelularidade terá evoluído independentemente, a partir de ancestrais distintos, em diferentes grupos de
seres, como algas verdes multicelulares, alguns fungos e animais. Para estabelecer uma filogenia exata,
contudo, é necessária a recolha de mais dados.
Baseado em D. Condon et al., «U-Pb Ages from the Neoproterozoic Doushantuo Formation, China»,
Science, Vol. 308, 2005
e em L. Chen et al., «Cell differentiation and germ-soma separation in Ediacaran animal embryo-like fossils»,
Nature 516, 2014.

1. Se fossem observadas, ao microscópio ótico, células dos dois tipos de organismos fossilizados encontrados,
o que permitiria distingui-las seria a existência de

(A) parede celular nas células do primeiro tipo de organismos.

(B) vacúolos nas células do segundo tipo de organismos.

(C) cloroplastos nas células do segundo tipo de organismos.

(D) núcleo nas células do primeiro tipo de organismos.

2. De acordo com a classificação de Whittaker modificada, a colónia do género Volvox é constituída por seres
que pertencem ao Reino

(A) Plantae.
(B) Fungi.

(C) Monera.

(D) Protista.

3. A separação entre células germinais e células somáticas num organismo pressupõe a

(A) existência de genomas diferentes nas células.

(B) independência relativamente ao meio.

(C) regulação génica ao nível da transcrição.

(D) ocorrência de mutações génicas sequenciais.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 14/ 16


4. Admitindo que as células germinais dos seres fossilizados descritos no texto se formariam pelo mesmo
processo de divisão celular que origina os gâmetas dos animais, classifique as afirmações seguintes.

I. As células filhas teriam a mesma ploidia que a célula-mãe.


II. Ocorreriam fenómenos de recombinação génica.
III. Verificar-se-ia uma única divisão celular.

(A) II é verdadeira; I e III são falsas.


(B) I e III são verdadeiras; II é falsa.

(C) I e II são verdadeiras; III é falsa.

(D) III é verdadeira; I e II são falsas.

5. Volvox é uma colónia de seres que apresentam um ciclo de vida , com meiose .

(A) haplonte … pré-espórica

(B) haplonte … pós-zigótica


(C) haplodiplonte … pós-zigótica

(D) haplodiplonte … pré-espórica

6. Para o estabelecimento de relações filogenéticas entre os seres vivos referidos no texto, foram utilizados
dados que podem ser considerados argumentos

(A) paleontológicos e bioquímicos.


(B) biogeográficos e bioquímicos.

(C) biogeográficos e citológicos.

(D) paleontológicos e citológicos.

7. Explique, tendo em conta os dados, porque se pode admitir o aparecimento da multicelularidade nos seres
atuais a partir de diferentes ancestrais.

8. Refira três vantagens da multicelularidade.