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IGREJA PRESBITERIANA DE BOA VIAGEM - IPBV

CURSO PARA OFICIAIS – DIÁCONOS E PRESBÍTEROS

Aula 1.

O que é liderança? Quais são os requisitos para liderar? O que Deus concede
e exige dos líderes da igreja? Como liderar segundo o coração de Deus?

I – O QUE É LIDERANÇA?

A Bíblia não nos fornece um conceito de liderança. A literatura atual sobre


liderança revela duas vertentes. Uma delas afirma que “uma definição explícita
[de liderança] não é necessária”.1 Outra reúne dezenas de autores, cada um
sugerindo seu próprio significado. Um autor respeitado sugere, por exemplo, que
liderança é o “processo pelo qual um indivíduo influencia um grupo de indivíduos
a atingirem um objetivo comum”.2 Para Blanchard liderança “é a capacidade de
influenciar outros a liberar seu poder e potencial de forma a impactar o bem
maior”.3 Esta consideração diferencia-se das demais por sua ênfase na liberação
do “poder e potencial” dos liderados e pela incorporação da ideia de “bem maior”
que abrange não apenas os resultados da organização, mas “aquilo que é
o melhor para todos os envolvidos”.4 Distancia-se da noção ultrapassada de uso
das pessoas para alcançar objetivos meramente institucionais e financeiros e
abre um espaço para a realização do pleno potencial humano. O ponto a
questionar é se tal conceito é, de fato, bíblico e, por conseguinte, cristão.

Primeiro, o que vem a ser o “bem maior”? Os cristãos podem responder


afirmando que o “bem maior” é o próprio Deus. Essa identificação do “bem maior”
com Deus seria bonita, mas inadequada à presente frase, pois significaria que

1
LORSCH, Jay. A Contingency Theory of Leadership. In: NOHRIA, Nitin; KHURANA, Rakesh.
(Ed.). Handbook of Leadership Theory and Practice: An HBS Centennial Colloquium on Advancing
Leadership. Boston: Harvard Business Press, 2010, p. 413.
2
NORTHOUSE, Peter G. Leadership: Theory and Practice. 3. ed. Thousand Oaks: Sage Publications, Inc.,
2004, p. 3.
3
BLANCHARD, Ken et al. Liderança de Alto Nível: Como Criar e Liderar Organizações de Alto
Desempenho. Reimpressão. Porto Alegre: Bookman, 2007, p. 15
4
BLANCHARD, op. cit., loc. cit. Grifo nosso
liderança seria “influenciar outros a liberar seu poder e potencial de forma a
impactar” Deus. Isso não coaduna com a perspectiva ortodoxa. O melhor é
compreender o “bem maior” como o propósito de Deus. Deus tem uma
deliberação bíblica para a sua igreja, de modo que liderança seria “a capacidade
de influenciar outros a liberar seu poder e potencial de forma a impactar” ou
alcançar ou realizar este propósito.

Surge, porém, um segundo problema, agora relacionado aos termos “poder” e


“potencial”. Do ponto de vista da Escritura, por causa da queda, o “poder” e
“potencial” do homem nem sempre são construtivos. Temos uma capacidade
inata de deformar, deteriorar e piorar as coisas. Deixados às nossas próprias
inclinações, produzimos dano (cf. as “obras da carne” em Gl 5.19-21). Sendo
assim, o mais recomendado é pensar em “poder” e “potencial” como aquilo que
podemos realizar pela graça de Deus — o que Deus permite e até exige que os
cristãos regenerados façam antes da glorificação.

Temos ainda de compreender melhor em que sentido a liderança cristã é capaz


de “influenciar”. Biblicamente, “Deus é quem opera em nós tanto o querer quanto
o realizar” (Fp 2.13). Do ponto de vista secular, homens e mulheres se destacam
por sua capacidade inata de influenciar, logicamente sob a égide da providência
e da graça comum. O ponto a destacar é que a Bíblia nos informa de que a
origem de todo bom fruto cristão é Deus. É o Espírito Santo quem motiva,
revitaliza e concede impulso duradouro que prossegue até a glorificação. É Deus
mesmo quem concede influência ao líder, como lemos em Salmos 144.1-2:
“Bendito seja o Senhor […] quem me submete o meu povo” (Sl 144.1,2 — grifo
nosso). Não há líder cristão que consiga isso, pelo menos não produzindo fruto
espiritual duradouro (cf. Jo 15.16). A obra é de Deus, as iniciativas são dele e é
ele quem produz na igreja tanto o despertamento quanto o entorpecimento (Is
51.17, 22).

Então, o quem ver a ser liderança bíblica ou espiritual?

Observemos os exemplos da Escritura: Nós temos um líder que não tem nada
de carismático, Moisés (Êx 3.11); um menino, Jeremias, que admite que não
passa de “uma criança” (Jr 1.6); um Isaías que sabe ser um homem impuro,
desqualificado para sequer permanecer diante do Senhor dos Exércitos (Is 6.5).
Esses são modelos bíblicos — e outros poderiam ser citados.

Deus escolhe pessoas que se sentem inadequadas, ele chama aos humildes e
aparentemente incapazes. Sendo assim, o modelo bíblico de liderança parece
divergir do modelo secular. A diferença não está, como temos ouvido nas últimas
décadas, na ideia cristã de serviço (cf. Mc 10.42-45). Atualmente, o modelo do
líder que serve é apresentado em qualquer seminário empresarial. O ponto em
que a liderança cristã diverge radicalmente da secular é na insistência da
primeira em afirmar que é impossível produzir resultados à parte da intervenção
divina; é impossível liderar biblicamente com base na carne; a igreja é conduzida
pelo Espírito. Se eu influenciar um membro da igreja a ser santo, pobre homem!
Buscará a santidade a partir da influência de mim, outro miserável pecador; se o
Conselho influenciar a igreja a abraçar uma visão ou declaração de missão, isso
não será diferente de um Estado motivar seus cidadãos a abraçar determinada
ideologia. Almejamos ser instrumentos em uma obra divina, oramos por um
avivamento autêntico e desejamos que graça celestial transborde a partir de
nossa liderança. Quando isso não ocorre é o fim — ou talvez, a evidência de que
até o começo foi comprometido.

Isso deve nos fazer pensar se, em nossos ideais de liderança, não estamos
assumindo definições influenciadas pela cultura circundante. Nosso Senhor nos
convoca a pensar a liderança biblicamente: “Sabeis que os que são
considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles
os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim” (Mc 10.42-
43a; grifo nosso).

II – O QUE É LIDERANÇA CRISTÃ?

Liderança cristã é a capacidade de caminhar com as pessoas fazendo o que


Deus quer e, pelo poder do Espírito, segundo o mistério da providência, auxiliá-
las e guiá-las a amadurecer espiritualmente, a cumprir os mandados da criação
e a servir ao Senhor com os seus dons
III – OS REQUISITOS DA LIDERANÇA CRISTÃ

1. Gostar de gente (Jo 1.14; Mc 10.21; Ef 5.2)

Não tem como o líder cristão não ter esta característica, pois, no seu dia a dia,
ele vai precisar lidar com muitas pessoas o tempo todo. E, se ele não gostar de
pessoas, ele não vai conseguir avançar com seus projetos, não vai conseguir
liderar.

Se “liderança cristã é a capacidade de CAMINHAR COM AS PESSOAS”, o líder


deve gostar de gente. Jesus nos deixou um exemplo; ele dedicou tempo e
atenção às pessoas (Mc 10.21, 46-52; Jo 1.14;). O líder cristão tem de interessar-
se e demonstrar compaixão por gente de carne e osso (Mt 14.14-16; cf. Mc 6.34;
Ef 5.2).

Isso implica, necessariamente, em amar a igreja assim como Cristo a ama (1Co
13.1-3; Ef 5.25-27; 2Co 11.28). Líderes amargurados ou cínicos, que falam mal
da igreja, não seguem o padrão de liderança de Jesus.

Como o líder cristão cuida de pessoas, ele precisa ser confiável para que ele
possa ajudar a cuidar delas.

Outro ponto importante é que, quando o Pastor da igreja local tem um líder que
não é confiável para com a visão e a direção da Igreja local. Quando isso
acontece, ele vai precisar estar de “olho” neste líder o tempo todo para ajudá-lo
a não se desviar da direção que Deus à Igreja local (Amós 3.7).

2. Andar com Deus (Mc 1.32-39; At 8.26; 18.9-10; cf. Is 30.21)

Se “liderança cristã é a capacidade de caminhar com as pessoas FAZENDO O


QUE DEUS QUER”, o líder deve andar com Deus (Gn 5.24; 6.9; 17.1; cf. 7.5;
12.4).

O Senhor Jesus cavava tempo em sua agenda para dedicar-se à oração (Mc
1.32-39; Lc 6.12). Ele chamou seus apóstolos não apenas para fazer — pregar
e exorcizar —, mas antes de tudo, para comparecer e ser — virem para “junto
dele” e “estarem com ele” (Mc 3.13-15).
O discernimento da vontade de Deus para o trabalho exige comunhão com ele
(Is 30.21; Jr 33.3). Moisés, Josué, Filipe e o apóstolo Paulo são exemplos disso.
Moisés entendeu que tinha de voltar ao Egito e libertar o povo de Israel (Êx 3.10,
16-18). Josué foi animado e guiado pelo Senhor para conquistar Canaã (Js 1.1-
9). Deus orientou Filipe na evangelização (At 8.26). Paulo, por sua vez, não
começou a pregar imediatamente após a sua conversão, como pode nos levar a
crer Atos 9.18-20. Entre Atos 9.19 e 9.20 passaram-se três anos, nos quais o
apóstolo retirou-se na Arábia, recebendo instruções de Deus sobre o evangelho
(Gl 1.10-24). Ele foi conduzido por Deus; quis pregar na Ásia e, em seguida,
tentou ir até a Bitínia, mas foi impedido pelo “Espírito de Jesus” e dirigiu-se à
Macedônia (At 16.6-10).

Atos 13.2 é outro exemplo disso. A igreja em Antioquia buscou ao Senhor em


jejuns e orações. Então o Espírito Santo ordenou aos irmãos que enviassem
Paulo e Barnabé para uma viagem. Aquela importante iniciativa missionária não
decorreu do ímpeto humano, mas de uma instrução específica de Deus.

Qual é a vontade de Deus para o trabalho? Se não tivermos resposta clara a


essa questão, a obra está em apuros. Líderes bíblicos guiam a igreja nos
caminhos do Senhor. Isso exige que eles andem com Deus.

3. Encher-se do Espírito (At 1.8; Ef 5.15-21)

Se a liderança cristã tem relação com “o PODER DO ESPÍRITO”, o líder deve ser
cheio do Espírito Santo. Este era um requisito básico para a escolha de líderes
da igreja do NT (At 6.3).

Voltando ao que eu disse na introdução, a maioria dos livros sobre liderança


afirma que não existe liderança sem influência. Deve ser reafirmado que a
influência da liderança vem de Deus.

Deus é o principal agente da obra (Zc 4.6; 
At 1.8; 9.31; 
1Co 2.1-5). É Deus
quem produz amadurecimento (santificação), motivação para a obediência, os
dons e as condições contextuais e circunstanciais para seu uso.

Biblicamente “Deus é quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar” (Fp
2.13). Quem produz amadurecimento (santificação), motivação para a
obediência, os dons e as condições contextuais e circunstanciais para uso
desses dons é Deus. Quem motiva, quem revitaliza, quem concede um impulso
duradouro que prossegue até a glorificação é o Espírito Santo. Quem concede
influência ao líder é o Senhor (Sl 144.1,2). Não há presbítero docente ou regente
ou outro líder de qualquer departamento ou ministério que consiga isso por suas
forças, pelo menos não produzindo fruto espiritual duradouro (cf. Jo 15.16). A
obra é dele, as iniciativas são dele e é ele quem produz na igreja tanto o
despertamento quanto o entorpecimento (Is 51.17, 22).

O ponto em que a liderança cristã diverge radicalmente da não-cristã é na


insistência da primeira em afirmar que é impossível produzir resultados à parte
da intervenção divina; é impossível liderar biblicamente com base na carne; a
igreja é conduzida pelo Espírito

4. Descansar na providência (Is 46.8-11; Fp 2.13; BCW 11, CMW 12;


CFW 5.1)

Se a liderança cristã é “a capacidade de caminhar com as pessoas fazendo o


que Deus quer e, no poder do Espírito, SEGUNDO O MISTÉRIO DA
PROVIDÊNCIA”, o líder deve descansar na providência.

Dito de outro modo, Deus é soberano sobre a obra. Ele envia sobre a igreja
períodos de luz e trevas, discernimento claro e confusão (Is 45.5-7; cf. Is 6.9-13;
2Ts 2.11-12). O que Deus determina inevitavelmente ocorrerá (Is 46.8-11). Ele
envia tanto o avivamento quanto o “atordoamento” (Hc 3.2; Is 51.17, 22). Esta é
a aplicação, no âmbito da liderança, da doutrina da providência.

Quais são as obras da providência de Deus? Resposta: As obras da providência


de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar
e governar todas as suas criaturas e todas as ações delas. Referência bíblica:
Sl 145.17; 104.10-24; Hb 1.3; Mt 10.29-30; Os 2.6. Breve Catecismo de
Westminster, pergunta 11; grifo nosso.

Que são os decretos de Deus? Resposta: Os decretos de Deus são os atos


sábios, livres e santos do conselho de sua vontade, pelos quais, desde toda a
eternidade, ele, para a sua própria glória, imutavelmente predestinou tudo o que
acontece, em especial com referência aos anjos e os homens. Referências
bíblicas: Is 45.6-7; Ef 1.11; Rm 11.33; Sl 33.11; Ef 1.4-5; Rm 9.22-23. Catecismo
Maior de Westminster, pergunta 12; grifo nosso.

Isso não anula a responsabilidade humana. Os maus líderes são


responsabilizados por seus erros (Zc 11.17). No entanto, a perspectiva da
providência lança por terra o mito da liderança que guia para o sucesso. Moisés
não entrou na Terra Prometida (Dt 32.48-52). Josué não conquistou todas as
terras de Canaã (Js 13.1). Jeremias não foi ouvido por sua geração (Jr 1.18-19;
8.18-22; 18.18; 20.1-2). Se a tradição estiver correta, Isaías foi cerrado ao meio
e Jeremias morto a pedradas (Hb 11.17-38). Paulo tentou visitar os
tessalonicenses, mas foi “barrado” por Satanás (1Ts 2.18). Davi levantou um
censo em Israel sob a influência do diabo que, por sua vez, correspondia a um
decreto de Deus (1Cr 21.1, 14; 2Sm 24.1-9).

Líderes precisam descansar na providência, entender que mesmo os momentos


mais improdutivos e trevosos da igreja ocorrem para que se cumpra um propósito
divino (Mt 10.28-31; Rm 8.28). Líderes bíblicos descansam sabendo que estão
guardados — eles e a igreja — nas mãos poderosas do Redentor (Jo 10.27-30;
Ap 1.20).

5. Conduzir em metas bíblicas (Ef 4.13-16; 2Pe 3.18; Gn 1.26-28; 2.15-


25; 1Pe 4.10)

Se a liderança cristã é “a capacidade de caminhar com as pessoas fazendo o


que Deus quer e, no poder do Espírito, segundo o mistério da providência,
AUXILIÁ-LAS E GUIÁ-LAS A AMADURECER ESPIRITUALMENTE
CUMPRINDO OS MANDATOS DA CRIAÇÃO E SERVINDO COM OS SEUS
DONS”, isso equivale a dizer que o líder deve conduzir os liderados para o
alcance de metas bíblicas.

Metas bíblicas são alvos de qualidade e não meramente de quantidade. Líderes


espirituais conduzem seus liderados a fazer três coisas:

a) Crescer em santidade como fruto da graça, ou seja, a amadurecer em Cristo


(Ef 4.11-16; 2Pe 3.18).
b) Cumprir as ordenanças divinas (os mandatos espiritual, social e cultural,
estabelecidos na criação — Gn 1.26-28, 2.15-25).
c) Servir a Deus servindo aos irmãos e ao próximo, com os dons recebidos de
Deus (Rm 12.3-8; 1Pe 4.10).

Em suma, além de focalizar o fazer, os líderes bíblicos também destacam o ser.

IV – O QUE DEUS CONCEDE E EXIGE

_______________ Êx 3.10-11; Is 6.8-9; Jr


1.5-6; At 14.23

_______________ _______________________ _______________

Fp 4.16; At 15.1-35 Êx 4.1-17; Rm 12.4-8;

1Co 12.28

_______________

Jo 21.15-23; At
23.11; Ef 3.14-21
Uma única exigência: Fidelidade (1Co 4.1-2; Jo 10.11)

V – COMO LIDERAR SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS?

O coração é a sede dos sentimentos do homem. Salomão nos ensina que


devemos prioritariamente guardar o coração porque dele procedem as saídas da
vida. Jesus disse que do coração é que originam os maus desígnios. Jeremias
nos ensina que enganoso é o coração mais do que todas as coisas e
desesperadamente corrupto. É impressionante a influência do coração nas
decisões. Diz o Senhor que a boca fala do que está cheio o coração. Muitas
vezes dizemos coisas ruins porque o nosso coração está doente. Como
precisamos pedir ao Senhor que sonde e examine o nosso fraco coração!
Devemos ter a coragem do salmista de reconhecer nossas mazelas e pedir ao
Senhor que nos perdoe e nos cure (Sl 51).

Devemos ter um coração saudável. Um coração centrado em Deus. Coração


submisso e obediente. Manso e humilde. Sensível e encorajador. Misericordioso
e amoroso. Ele deve ser firme nas decisões. Sensato nos relacionamentos. Que
discerne bem no meio das circunstâncias difíceis. Um coração inclinado para os
ensinos do Mestre. Um líder deve ter sempre um coração sincero, despido de
quaisquer resquícios de hipocrisia e segundas intenções. Porque, na verdade,
temos esta tendência. Jesus condenou veementemente a hipocrisia dos líderes
judaicos. Devemos ser sempre transparentes não nos importando com as
consequências.

É mister que peçamos a Deus que guarde o nosso coração das más
influências.

Líderes como Sansão, Davi, Salomão e muitos outros reis de Israel não
guardaram o seu coração. Foram contaminados pela sensualidade e pela
idolatria. Erraram o alvo. Perderam o foco do Senhor e o brilho da sua liderança.
Transformaram a comissão em omissão. Entristeceram o coração do Pai. Não
deram testemunho do Senhor que os havia chamado com tanto amor. Foram, na
verdade, ingratos. Não corresponderam às expectativas de Deus.
O nosso coração deve ser como o de Abraão, que deixou a sua terra para a terra
que Deus havia determinado e ele foi uma benção para as nações; como José
que preferiu ser preso a ceder para a sensualidade da esposa de Potifar e,
assim, comprometer a sua fidelidade ao Senhor e o Seu plano; como Moisés que
deixou os tesouros do Egito para servir ao Senhor na liderança do Seu povo;
como o de Josué que levou o povo à terra prometida; como Neemias que
recebeu de Deus a incumbência de reconstruir os muros de Jerusalém e o fez
em 52 dias; e como o de Paulo que recebeu a ordem de Jesus de levar o Seu
evangelho de Jerusalém (oriente) a Roma (ocidente). Cumpriu a missão com
inteireza de coração. Coragem, determinação, amor e fé.

A igreja precisa urgentemente de líderes absolutamente comprometidos com o


Reino de Deus. Homens e mulheres que queiram, em Cristo, gastar suas vidas
na proclamação do evangelho da graça. Que usem a sua profissão para
testemunhar a sua fé em Cristo. Líderes santos que invistam suas vidas no
treinamento de outras pessoas. Que sejam ornamento na igreja treinando
pessoas para serem semelhantes a Jesus.

O coração do líder deve estar no centro da vontade de Deus. Que a nossa


missão principal seja a de falar de Cristo às pessoas sem preconceito, agindo
com um coração acolhedor. Líderes cuja missão seja libertadora, impactadora e
encorajadora. O foco do coração do líder é o Senhor. O mesmo Senhor tem
prazer na obediência do Seu servo. O Reino de Deus necessita de homens e
mulheres cujo coração seja totalmente do Senhor. “Porque, quanto ao Senhor,
seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo
coração é totalmente dele” (2 Cr 16.9).

Jesus é o nosso maior exemplo de alguém que tem o coração na Missão. Ele é
nosso líder-servo que veio servir e dar a Sua vida em resgate de muitos (Mt
20.28). Ele tabernaculou entre nós em perfeita sintonia com o Pai. Todo o Seu
ministério estava centrado na Missão do Pai. Jesus andava entre os pobres. No
Seu coração não havia preconceito. Ele pregou o evangelho do Reino; ensinou
o caráter do Pai e curou as enfermidades físicas e emocionais. Foi para a cruz
com plena consciência de Missão. Morreu nos amando com um amor
incomparável. A Sua vida foi um exemplo de obediência. Ele nos ensinou que o
mais importante é buscar e salvar o homem perdido para que haja alegria no céu
debaixo da glória de Deus.

Sabendo o que é liderança cristã

Conhecendo os seus requisitos

Conhecendo os seus recursos

Por graça, sendo fiéis