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III.3.

EXEMPLO DE DIFUSÃO E CONVECÇÃO OCORRENDO


SIMULTANEAMENTE

III.3.A. DIFUSÃO RÁPIDA ATRAVÉS DE UM FILME ESTAGNADO, REGIME


PERMANENTE

mistura gasosa circulando, y1=y1,l

comprimento Espécie 2 presente no capilar


do capilar= l
∆z

z y1=y1,sat=y1,0

Espécie 1 evaporando de um grande reservatório


de líquido

Figura 14: Difusão rápida através de um filme estagnado

Considera-se que uma substância 1 evapora rapidamente através de um


capilar que contém uma substância 2, na forma de vapor, constituindo um meio
estagnado, quando comparado à outra substância, cuja velocidade de evaporação
é alta. Supõe-se que o volume de líquido é muito grande e que no topo do capilar
circula uma mistura gasosa de concentração y1,l , de modo que as concentrações
em z=0 e em l permanecem constantes e, portanto, estabelece-se um regime
permanente.

Solução matemática

A técnica é fazer um balanço de massa (equação de continuidade) e


combinar a equação com a lei de Fick, como feito nos exemplos anteriores.

(velocidade de acumulação da espécie 1 no volume A∆z) =

(velocidade de entrada de espécie 1 em z) - (velocidade de saída de espécie 1 em z+∆z)

ou seja,

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( A∆zc1 ) = AN1 z − AN1 z + ∆z (144)
∂t

Dividindo-se a equação acima pelo volume infinitesimal, e fazendo-se ∆z


tender a zero, obtém-se:

∂ ∂N
c1 = − 1 (145)
∂t ∂z

Como no estado estacionário não há nenhuma acumulação, então:

dN1
0= (146)
dz

e, por integração,

N1 = constante (147)

Para combinar esse resultado com a equação de Fick, considera-se agora a


contribuição da difusão mais a contribuição da convecção. A equação que
representa o fluxo é apresentada com as duas contribuições, isto é:

N1 = c1( v1 − v* ) + c1v* = J1 + c1v* = J1 + y1N = J1 + y1( N1 + N 2 ) (148)

Se a espécie 2, na forma de vapor, é considerada estagnada frente à


velocidade de evaporação de 1, então

v 2 = 0; N 2 = 0 (149)

Substituindo-se a equação (149) na equação (148):

N1 = J1 + y1N1 (150)

A equação de difusão é dada:

dy1
J1 = −cD12 (151)
dz

Substituindo-se a equação (151) na (150), obtém-se:

cD12 dy1
N1 = − (152)
( 1 − y1 ) dz

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Esta equação diferencial de primeira ordem está sujeita a duas condições
de contorno, pois N1 já uma constante de integração desconhecida.
z = 0, y1 = y1,0
(153)
z = l, y1 = y1,l

Sua integral indefinida resultará em

N1 z = cD12 ln( 1 − y1 ) + C (154)

Substituindo-se as condições de contorno,

C = −cD12 ln(1 − y1,0 ) (155)

Logo,

cD12  1 − y1,l 
N1 = ln  (156)
l  1 − y1, 0 

Substituindo-se as as equações (155) e (156) na equação (154), obtém-se

z
1 − y1  1 − y1,l  l
= (157)
1 − y1,0  1 − y1,0 

o que equivale a

z
y2  y 2 ,l l
=  (158)
y 2,0  y 2,0 

Portanto, desenvolve-se um perfil do componente 2, ainda que se


mantenha estagnado, isto é, o fluxo difusivo corresponde um fluxo convectivo
contrário, que anula o fluxo líquido. Imagine que o componente 2 tenta ir até o
líquido mas o arraste provocado pelo componente 1 torna o ganho líquido de 2
nulo. Veja as equações:

N 2 = c2 v 2 = J 2 + c2 v∗ = c2 ( v 2 − v∗ ) + c2 v∗ = −c2 y1v1 + c2 y1v1 = 0 (159)

Como N 2 = 0 e v2 = 0 , então a velocidade da mistura é representada por


v1.

Além disso, apesar do fluxo total da espécie 1 ser constante, os fluxos


difusivos variam com z:

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z
dy cD  1 − y1,l  l  1 − y1,l 
J 1 = −cD12 1 = 12 (1 − y1,0 )  ln  (160)
dz l 1− y  1− y 
 1, 0   1, 0 

Expressão equivalente é dada para o componente 2.

Exercício 15: Obtenha a fração molar do dióxido de carbono que difunde em uma
película estagnada de ar de 1cm de profundidade a 1 atm e 25o C, em função da
posição. Essa película está num tubo capilar que contém ácido sulfúrico. O CO2 é
absorvido instantaneamente ao atingir o líquido. A pressão parcial de CO2 na boca
do tubo é igual a 0,01 atm. Considere que o experimento está sendo realizado à
pressão de 1 atm. Responda também como pode haver distribuição da fração
molar de ar se o fluxo do mesmo é nulo? (Lei de Dalton : p1 = y1P )

p1 =0,01 atm
z=0
1 cm CO2

z=l p1=0
H2SO4

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