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UFCD SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

10746 SITUAÇÕES – EPIDÉMICAS/ PANDÉMICAS

Formadora: Ana Sousa

2020
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Índice

Introdução .................................................................................................................................................. 4

1.1. Deveres e direitos dos empregadores e trabalhadores na prevenção da epidemia/pandemia............. 6

1.2. Funções e competências – planeamento, organização, execução, avaliação ........................................ 9

1.3. Cooperação interna e externa – diferentes atores e equipas ............................................................. 11

1.4. Medidas de intervenção e prevenção para trabalhadores e clientes e/ou fornecedores – Plano de
Contingência da empresa/organização (procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em articulação
com os Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho da empresa, trabalhadores e respetivas estruturas
representativas, quando aplicável) ........................................................................................................... 18

1.4.1. Reduzir os contactos entre trabalhadores, e trabalhadores clientes e/ou fornecedores ................. 18

1.4.2. Reduzir os contactos entre trabalhadores e outras pessoas nos intervalos, pausas e espaços comuns
................................................................................................................................................................. 19

1.4.3. Nas empresas ou estabelecimentos abertos ao público, eliminar ou limitar a interação física entre
os trabalhadores e clientes e /ou fornecedores ........................................................................................ 20

1.4.4. Garantir o acesso a todos os trabalhadores aos equipamentos de proteção individual adequados 21

1.4.5. Reforçar as práticas de higienização dos equipamentos de proteção individual e roupas de trabalho
................................................................................................................................................................. 21

1.5. Comunicação e Informação (diversos canais) – participação dos trabalhadores e seus representantes
................................................................................................................................................................. 22

1.6. Auditorias periódicas às atividades económicas, incluindo a componente comportamental


(manutenção do comportamento seguro dos trabalhadores) ................................................................... 24

1.6.1. Pré auditoria – continuidade de negócio e preparação para uma eventual pandemia .................... 25

1.6.2. Auditorias no momento da pandemia/epidemia ............................................................................ 26

1.6.3. Auditorias internas pós pandemia .................................................................................................. 26

2. Plano de contingência ........................................................................................................................... 27

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

2.1. Legislação e diretrizes internacionais, nacionais e regionais .............................................................. 28

2.2. Articulação com diferentes estruturas – do sistema de saúde, do trabalho e da economia e


autoridade competentes .......................................................................................................................... 30

2.3. Comunicação interna, diálogo social e participação na tomada de decisões ..................................... 32

2.4. Responsabilidade e aprovação do plano ............................................................................................ 33

2.5. Disponibilização, divulgação e atualização do plano (diversos canais) .............................................. 34

2.6. Política, planeamento e organização .................................................................................................. 35

2.7. Procedimentos a adotar para casos suspeitos e confirmados de doença infeciosa (isolamento,
contacto com assistência médica, limpeza e desinfeção, descontaminação e armazenamento de resíduos,
vigilância de saúde de pessoas que estiveram em estreito contacto com trabalhadores/as infetados/as) 38

2.8. Avaliação de riscos ............................................................................................................................. 49

2.10. Proteção dos trabalhadores mais vulneráveis e grupos de risco – adequação da vigilância ............. 62

3. Revisão do plano de contingência, adaptação das medidas e verificação das ações de melhoria .......... 67

4. Manual de reabertura das atividades económicas ................................................................................ 67

4.1. Diretrizes organizacionais – modelo informativo, fases de intervenção, formação e comunicação .... 68

4.2. Indicações operacionais – precauções básicas de prevenção e controlo de infeção, condições de


proteção antes do regresso ao trabalho presencial e requisitos de segurança e saúde no local de trabalho
................................................................................................................................................................. 69

4.3. Gestão de riscos profissionais – fatores de risco psicossocial, riscos biomecânicos, riscos profissionais
associados à utilização prolongada de EPI, riscos biológicos, químicos, físicos e ergonómicos .................. 73

4.4. Condições de proteção e segurança para os consumidores/clientes .................................................. 83

4.5. Qualidade e segurança na prestação do serviço e/ou entrega do produto – operação segura,
disponibilização de EPI, material de limpeza de uso único, entre outros, descontaminação ..................... 88

4.6. Qualidade e segurança no manuseamento, dispensa e pagamento de produtos e serviços ............... 89

4.7. Sensibilização e promoção da saúde – capacitação e combate à desinformação, saúde pública e SST 89

4.8. Transformação digital – novas formas de trabalho e de consumo ...................................................... 93

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

5. Síntese .................................................................................................................................................. 95

6. Bibliografia............................................................................................................................................ 96

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Introdução

Ao longo de décadas o mundo tem sido confrontado com diversos surtos de doenças
contagiosas e de rápida transmissão. Estes surtos têm elevados impactos na nossa vida
pessoal e profissional. Não só alteram formas de vida, como têm impacto na alimentação
e na saúde, nas interações sociais, e formas/modelos de trabalho.

A segurança no trabalho tem um papel preponderante na manutenção e cumprimento das


medidas de segurança que reduzem ou eliminam em determinados contextos a
propagação/contágio.

Algumas experiências recentes como a síndrome respiratória aguda grave (SARS), os surtos
de vírus da gripe A (H1N1) e do vírus do Ébola, salientaram a importância de concentrar a
atenção nos locais de trabalho, não só para identificar as populações em risco, mas também
para compreender os mecanismos de propagação das doenças e implementar medidas de
controlo e prevenção bem sucedidas. Quando um trabalhador/a contrai uma doença
infeciosa, os mecanismos de propagação da doença no local de trabalho devem ser
investigados e devem ser adotadas medidas de controlo da exposição profissional ao risco.

Neste sentido, vamos abordar ao longo deste manual, todo o enquadramento inerente às
entidades/elementos responsáveis pela organização das medidas de segurança, planos de
contingência e regras de segurança e saúde nos locais de trabalho.

De salientar a distinção entre pandemia e epidemia:

Uma epidemia corresponde ao aumento considerável do número de casos de determinada


doença, em várias regiões ou países, num determinado período de tempo.

Uma pandemia é a disseminação mundial de uma doença, que se espalhou por diferentes
continentes, afetando geralmente um grande número de pessoas, com transmissão
sustentada e na comunidade. Na maioria das vezes está associada a uma grande disrupção
social e coloca sobre enorme pressão os serviços de saúde a nível global.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

1. Papel do responsável pelo apoio aos serviços de segurança e saúde no


trabalho na gestão de riscos profissionais em cenários de exceção

Hoje em dia a preocupação crescente com o aumento de infeções por todo o mundo tem
sido permanente. Os governos, empregadores, trabalhadores e as suas organizações
enfrentam um desafio no combate a situações de exceção, como é o exemplo de situações
pandémicas e epidémicas, para garantir a segurança e saúde no trabalho.

A Declaração do Centenário da OIT – Organização Internacional do Trabalho, aprovada em


junho de 2019, estabeleceu que "condições de trabalho seguras e saudáveis são
fundamentais para um trabalho digno". Isto é ainda mais significativo atualmente, uma vez
que garantir a segurança e a saúde no trabalho é indispensável na gestão das crises de
saúde e na capacidade de retomar o trabalho.

Neste sentido, governo, empregadores, trabalhadores e as suas organizações têm um papel


crucial no controlo do contágios nos locais de trabalho e no país. Desenvolvendo,
acompanhando e avaliando medidas de controlo e disseminação.

O responsável pelo apoio aos serviços de segurança e saúde no trabalho tem um papel
preponderante na:

o Identificação de trabalhadores/setores face a um aumento de risco de contágio


o Implementação de medidas de controlo e prevenção com base na avaliação dos
riscos
o Divulgação de informação relativa a medidas preventivas e de proteção destinadas
a reduzir a propagação de doenças infeciosas, em colaboração com as autoridades
de saúde pública

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

1.1. Deveres e direitos dos empregadores e trabalhadores na prevenção da


epidemia/pandemia

Os empregadores são responsáveis por assegurar as condições de segurança e saúde dos


seus trabalhadores em todos os aspetos relacionados com o trabalho (Código do Trabalho,
Art.º 281), devendo, por isso, assegurar a implementação das medidas necessárias à
prevenção da transmissão de pandemias ou epidemias e informar e consultar os
trabalhadores sobre a aplicação das medidas de prevenção.

Os trabalhadores têm direito a prestar o trabalho em condições de segurança e saúde,


devendo cumprir as respetivas prescrições e cooperar ativamente na avaliação dos riscos
e na implementação das medidas (Código do Trabalho, Art.º 281), devendo, por isso, na
situação de pandemia ou epidemia, adotar rigorosamente as práticas recomendadas e ter
um comportamento responsável.

Deve ser reforçada a informação e consulta dos trabalhadores e, sempre que existam,
devem ser consultadas e envolvidas as suas estruturas representativas, nomeadamente
comissões de trabalhadores, delegados sindicais e representantes dos trabalhadores para
a segurança e saúde no trabalho.

É da maior importância garantir a partilha de informação relevante, a cooperação e o


envolvimento de todas as partes na tomada de decisões e na implementação de medidas
de prevenção de contágio, bem como na procura de soluções adaptadas a cada atividade
e local de trabalho

Pode ser considerada a designação de um trabalhador como responsável e interlocutor


para a implementação, atualização e monitorização do Plano de Contingência e das
respetivas medidas, garantindo a articulação com os serviços de segurança e saúde no
trabalho.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

A existência e o papel do representante dos trabalhadores para a segurança e saúde no


trabalho é de particular importância para os efeitos da prevenção de riscos associados a
situações de exceção.

Convenção sobre a Segurança e a Saúde dos Trabalhadores (N.º 155), 1981 e respetiva
Recomendação (N.º 164): direitos, funções e responsabilidades.

Uma série de disposições na Convenção (N.º 155) e na sua Recomendação apresentam


medidas de prevenção e proteção da segurança e da saúde para mitigar os efeitos
negativos das pandemias, como a COVID-19 no mundo do trabalho. Seguem-se algumas
dessas disposições:

Os empregadores deverão ser obrigados a assegurar, na medida do possível, que os locais


de trabalho, máquinas, equipamentos e processos sobre o seu controlo sejam seguros e
não apresentem riscos para a saúde, bem como tomar as medidas de proteção adequadas
para as substâncias e agentes químicos, físicos e biológicos presentes de forma a não
constituírem perigo para a saúde.

Os empregadores têm a obrigação de fornecer, sempre que necessário, vestuário e


equipamentos de proteção adequados para prevenir, na medida em que seja
razoavelmente praticável, o risco de acidentes ou de efeitos adversos para a saúde (C. 155,
art16.º). Esse vestuário e equipamentos de proteção devem ser fornecidos, sem qualquer
custo para o trabalhador. Os empregadores têm a obrigação de implementar, sempre que
necessário, medidas para fazer face a situações de emergência e acidentes, incluindo
dispositivos adequados de primeiros socorros (C. 155, art. 18.º).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Os empregadores devem igualmente assegurar que os trabalhadores e os seus


representantes sejam consultados, informados e tenham acesso a formação em SST
(segurança e saúde no trabalho), relacionados com o seu trabalho (C. 155, art. 19.º).

Os trabalhadores e os seus representantes têm o direito de receber informações e


formação adequadas sobre SST. Devem também estar habilitados para investigar, e a ser
consultados pelo empregador – sobre todos os aspetos da SST associados ao seu trabalho.

Os trabalhadores têm também o direito de se retirarem de uma situação de trabalho desde


que tenham uma justificação razoável e caso represente um perigo grave e iminente para
a sua vida ou saúde, sem consequências (C. 155, art.13.º). Nesses casos, os trabalhadores
devem comunicar estas situações ao seu superior hierárquico e enquanto a entidade
empregadora não adotar medidas corretivas, o empregador não pode exigir que os
trabalhadores regressem ao trabalho desde que continue a existir perigo grave e iminente
para a vida ou para a saúde (C. 155, art. 19.º, n.º 19.º).

Os trabalhadores e os seus representantes devem cooperar com o empregador no


domínio da SST (C. 155, art. 19.º). Deverão ser tomados cuidados com a sua própria
segurança e a de outras pessoas que possam ser afetadas pelos seus atos ou omissões no
trabalho; cumprir as instruções dadas para a sua própria segurança e saúde e as de outras
pessoas; usar dispositivos de segurança e equipamento de proteção corretamente e não
os danificar; e informar imediatamente o seu superior hierárquico de qualquer situação,
sempre que existam razões para crer, que a mesma representa um perigo e que não possa
ser corrigida; reportar qualquer acidente ou dano de saúde originado no decurso ou no
âmbito do trabalho.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

1.2. Funções e competências – planeamento, organização, execução,


avaliação

Nas últimas décadas, o sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho (SGSST) foi
introduzido nos países industrializados e nos países em desenvolvimento.

A sua aplicabilidade varia de acordo com os requisitos legais que exigem a sua adoção ao
nível do local de trabalho até à sua adoção de forma espontânea.

O sistema de SGSST é uma ferramenta lógica que permite o sistema de melhoria contínua
do desempenho da segurança e saúde no trabalho a nível organizacional.

As diretrizes da OIT – Organização Internacional do Trabalho relativas aos sistemas de


segurança e saúde no trabalho defendem que devem se tomadas medidas adequadas para
o desenvolvimento de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST), e
que estas devem conter os seguintes elementos essenciais: política, organização do
planeamento e da implementação de medidas, avaliação e ações de melhoria (OIT 2001).

A abordagem do SGSST assegura que:

• a aplicação de medidas preventivas e de proteção é efetuada de forma eficaz e


coerente.
• são estabelecidas políticas pertinentes
• são assumidos compromissos
• todos os elementos do local de trabalho são considerados na identificação de
perigos e avaliação e riscos
• os gestores e os trabalhadores estão envolvidos no processo de acordo com o
respetivo nível de responsabilidade

A acrescentar às medidas de prevenção e controlo de riscos, o SGSST deve incluir


procedimentos sobre planeamento e resposta à emergência considerando diferentes

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

cenários, incluindo surtos moderados, e pandemias graves. Estes procedimentos devem


ser estabelecidos em cooperação com os serviços de emergência externos e outros
sempre que aplicável:

• assegurar que sejam fornecidas as informações necessárias


• a comunicação interna e a coordenação para proteger todas as pessoas em caso de
emergência no local de trabalho
• fornecer informações e comunicar com as autoridades competentes
• a comunidade envolvente e os serviços de resposta de emergência
• contemplar os primeiros socorros e a assistência médica
• o combate a incêndios e a evacuação de todas as pessoas do local de trabalho
• fornecer informações e formação pertinentes a todos os membros da organização,
em todos os níveis, incluindo exercícios regulares sobre procedimentos de
prevenção, planeamento e resposta de emergência (OIT, 2001)

Funções e responsabilidades das entidades empregadoras

o Certificar-se de que, na medida do razoavelmente possível, os locais de


trabalho, máquinas, equipamentos e processos sob o seu controlo são seguros
e sem riscos para a saúde
o Assegurar que, na medida do razoavelmente praticável, os agentes químicos,
físicos e biológicos sob o seu controlo não constituem qualquer risco para a
saúde, quando forem tomadas as medidas de proteção adequadas
o Providenciar, se necessário, vestuário de proteção adequado e equipamento de
proteção (sem custos para trabalhadores/as)
o Promover, sempre que necessário, medidas adequadas de emergência e
socorro e de prevenção de acidentes de trabalho.
o Garantir que trabalhadores/as e os seus/suas representantes sejam
consultados/as, informados/as e tenham formação em SST

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Convenção de Segurança e Saúde no Trabalho (n.º 155) e Recomendação (n.º 164)

O papel fundamental dos/as profissionais de SST

o Facilitar o acesso a informações fiáveis


o Promover a compreensão da doença e dos seus sintomas
o Apoiar o processo de avaliação e gestão de riscos (isto é, identificação de riscos de
infeção e outros, e avaliação dos riscos identificados, adoção de medidas
preventivas e de controlo, monitorização e revisão)
o Apoiar o desenvolvimento ou a atualização de planos para a prevenção, contenção,
mitigação e recuperação

1.3. Cooperação interna e externa – diferentes atores e equipas

As organizações internacionais cada uma na sua área de especialização, desempenham um


papel importante na garantia da cooperação entre os países. A Organização Mundial de
Saúde - OMS e a Organização Internacional do Trabalho - OIT, em particular, proporcionam
orientação internacional em matéria de promoção da segurança e saúde no trabalho,
identificando soluções sustentáveis a curto, médio e longo prazo para os indivíduos em
geral, os trabalhadores, as comunidades e as nações.

As organizações e fóruns internacionais também podem apoiar na identificação e na


adoção de medidas que respondam à dimensão de género para fazer face aos impactos da
pandemia na saúde, económicos, e sociais, para os trabalhadores/as de todos os setores,
incluindo por conta própria, ocasionais e informais, especialmente de pequenas e médias
empresas (PME), tanto nas áreas urbanas como rurais.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Uma pandemia obriga os governos a fazerem escolhas difíceis, o que pode ter fortes
repercussões não só no setor da saúde, mas também nos setores da economia e do
trabalho. A consulta aos parceiros sociais é crucial para permitir uma implementação
exequível e realista das decisões tomadas. Além disso, os governos devem consultar e
coordenar-se com as autoridades competentes e especialistas, incluindo a comunidade
científica a nível nacional e internacional.

Cadeia de Comando e Controlo

Na situação atual de emergência grave em saúde pública, cabe à Autoridade de Saúde


(nacional, regional e local) a coordenação da vigilância e investigação epidemiológicas,
podendo ordenar a interrupção ou suspensão de atividades ou serviços sempre que estes
se desenvolvam em condições de grave risco para a saúde pública.

Na situação de confirmação de um caso, numa empresa, a autoridade de saúde procede à


vigilância de contactos classificados como de “ elevado risco de exposição”, articulando-se
sempre que necessário, com os médicos/as do trabalho responsáveis pela vigilância de
saúde dos trabalhadores em questão. Quando existe um caso confirmado numa empresa,
cabe à autoridade de saúde levantar interdição de áreas da empresa, nomeadamente da
“área de isolamento”, após descontaminação.
alínea b), n.º 3, artigo 5.º, DL n.º 135/2013: Ordenar a interrupção ou suspensão de atividades ou serviços, bem como o
encerramento dos estabelecimentos e locais referidos na alínea anterior onde tais atividades se desenvolvam em
condições de grave risco para a saúde pública. n.º 5, artigo 8.º, DL n.º 135/2013: […]

À autoridade de saúde de nível local compete, na sua área de influência:

a) Coordenar e supervisionar o exercício de autoridade de saúde no respetivo âmbito


geodemográfico;

b) Fazer cumprir as normas que tenham por objeto a defesa da saúde pública, requerendo,
quando necessário, o apoio das autoridades administrativas e policiais;

c) Exercer a coordenação a nível local da vigilância e investigação epidemiológica, nos


termos da legislação aplicável.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Existe dever geral de cooperação entre entidades do estado, empresas e trabalhadores


no cumprimentos de ordens e instruções no âmbito da pandemia, ou epidemia, com o
objetivo de reduzir o contágio e executar as necessárias medidas de prevenção e proteção.

1 — Os delegados de saúde regionais são designados, em comissão de serviço, por


despacho do membro do Governo responsável pela área da saúde, sob proposta do diretor
geral da saúde e após parecer favorável do conselho diretivo da administração regional de
saúde territorialmente competente.

2 — O delegado de saúde regional exerce, por inerência à comissão de serviço para que
foi designado, as funções de diretor do departamento de saúde pública da administração
regional de saúde respetiva, nos termos de legislação própria.

3 — Os delegados de saúde regionais adjuntos são designados, em comissão de serviço,


por despacho do membro do Governo responsável pela área da saúde, sob proposta do
diretor geral da saúde, ouvido o delegado de saúde regional e após parecer favorável do
conselho diretivo da administração regional de saúde territorialmente competente.

4 — Os delegados de saúde regionais e os delegados de saúde regionais adjuntos são


designados, por escolha, de entre médicos de saúde pública com o grau de consultor.

5 — Os delegados de saúde coordenadores são designados, em comissão de serviço, pelo


diretor geral da saúde sob proposta do conselho diretivo da respetiva administração
regional de saúde, ouvido o diretor executivo do agrupamento de centros de saúde ou o
conselho de administração da unidade local de saúde a que se encontram afetos e parecer
favorável do respetivo delegado de saúde regional.

6 — O delegado de saúde coordenador exerce, por inerência à comissão de serviço para


que foi designado, as funções de coordenador da unidade de saúde pública do respetivo
agrupamento de centros de saúde, nos termos de legislação própria.

7 — Os delegados de saúde são designados, em comissão de serviço, pelo diretor geral da


saúde sob proposta do conselho diretivo da respetiva administração regional de saúde,

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

ouvido o diretor executivo do agrupamento de centros de saúde ou o conselho de


administração da unidade local de saúde a que se encontram afetos e pareceres favoráveis
dos respetivos delegados de saúde e delegado de saúde regional.

8 — Os delegados de saúde coordenadores e os delegados de saúde são designados de


entre médicos com grau de especialista de saúde pública ou, não sendo possível, a título
transitório e apenas enquanto não forem colocados médicos da especialidade de saúde
pública na unidade de saúde pública, de entre médicos com grau de especialista em áreas
relevantes para a saúde pública.

As autoridades de saúde exercem poderes no âmbito territorial correspondente às áreas


geográficas e administrativas de nível nacional, regional e local, definidas conforme a
Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) em vigor, funcionando
em sistema de rede integrada de informação.

Autoridade de saúde nacional

1 — Enquanto autoridade de saúde nacional, compete ao diretor geral da saúde:

a) Supervisionar a atividade das autoridades de saúde em todas as áreas de competência,


incluindo o cumprimento do Regulamento Sanitário Internacional;

b) Coordenar o funcionamento global da rede de autoridades de saúde;

c) Exercer a coordenação nacional de vigilância epidemiológica, nos termos de legislação


própria;

d) Exercer em situações de grave emergência em saúde pública, designadamente em casos


de epidemias graves, mediante declaração pública do membro do Governo responsável
pela área da saúde, as competências de requisição de serviços, estabelecimentos e
profissionais de saúde.

2 — O diretor geral da saúde enquanto autoridade de saúde nacional é substituído nos


seus impedimentos por um subdiretor geral por ele designado, com a especialidade de

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

saúde pública, ou por um delegado regional de saúde expressamente por ele designado
para o efeito.

3 — O apoio técnico e logístico à autoridade de saúde nacional é prestado pela Direção-


Geral da Saúde.

Autoridades de saúde de âmbito regional

1 — A autoridade de saúde de âmbito regional, também designada por delegado de saúde


regional, está sediada no departamento de saúde pública de cada administração regional
de saúde.

2 — À autoridade de saúde de âmbito regional compete:

a) Coordenar e supervisionar o exercício de competências de autoridade de saúde na


respetiva região;

b) Fazer cumprir as normas que tenham por objeto a defesa da saúde pública, requerendo,
quando necessário, o apoio das autoridades administrativas e policiais;

c) Exercer a coordenação regional da vigilância epidemiológica, nos termos da legislação


aplicável;

d) Levantar autos relativos às infrações e instruir os respetivos processos, solicitando,


quando necessário, o concurso das autoridades administrativas e policiais, para o bom
desempenho das suas funções;

e) Exercer os demais poderes que lhe sejam atribuídos por lei ou que lhe hajam sido
superiormente delegados ou subdelegados pela autoridade de saúde nacional;

f) Prestar a colaboração que lhe seja solicitada pelos serviços da administração regional de
saúde dentro da sua competência;

g) Fazer cumprir as normas do Regulamento Sanitário Internacional.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

3 — A autoridade de saúde regional é coadjuvada por um delegado de saúde regional


adjunto, conforme proposta fundamentada, a apresentar pelo delegado de saúde regional
ao conselho diretivo da administração regional de saúde.

4 — Os delegados de saúde regionais adjuntos exercem as competências que lhe forem


delegadas pelo delegado de saúde regional.

5 — A autoridade de saúde regional é substituída nas suas ausências e impedimentos


pelo delegado de saúde regional adjunto que aquela autoridade designar ou, não sendo
possível, por um delegado de saúde coordenador por ele designado, mediante
comunicação prévia à autoridade de saúde nacional considerem prejudiciais à saúde dos
cidadãos ou dos aglomerados populacionais envolvidos.

As autoridades de saúde de âmbito local são denominadas delegados de saúde


coordenadores e delegados de saúde.

1 — As autoridades de saúde asseguram a intervenção oportuna e discricionária do


Estado em situações de grave risco para a saúde pública, competindo-lhes, ainda, a
vigilância das decisões dos órgãos e serviços operativos do Estado em matéria de saúde
pública.

2 — Para efeitos do disposto no número anterior, as autoridades de saúde podem utilizar


todos os meios necessários, proporcionais e limitados aos riscos identificados que

3 — Às autoridades de saúde compete, em especial, de acordo com o nível hierárquico


técnico e com a área geográfica e administrativa de responsabilidade:

a) Vigiar o nível sanitário dos aglomerados populacionais, dos serviços, estabelecimentos e


locais de utilização pública e determinar as medidas corretivas necessárias à defesa da
saúde pública;

b) Ordenar a interrupção ou suspensão de atividades ou serviços, bem como o


encerramento dos estabelecimentos e locais referidos na alínea anterior onde tais
atividades se desenvolvam em condições de grave risco para a saúde pública;

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

c) Desencadear, de acordo com a Constituição e a lei, o internamento ou a prestação


compulsiva de cuidados de saúde a indivíduos em situação de prejudicarem a saúde
pública;

d) Exercer a vigilância sanitária no território nacional de ocorrências que derivem do


tráfego e comércio internacionais;

e) Proceder à requisição de serviços, estabelecimentos e profissionais de saúde em caso de


epidemias graves e outras situações semelhantes.

4 — Quando ocorram situações de emergência grave em saúde pública, em especial


situações de calamidade ou catástrofe, o membro do Governo responsável pela área da
saúde toma as medidas necessárias de exceção que forem indispensáveis, coordenando a
atuação dos serviços centrais do Ministério com as instituições e serviços do Serviço
Nacional de Saúde e as autoridades de saúde de nível nacional, regional e municipal.

Dever de colaboração das instituições públicas e privadas

1 — É reconhecido às autoridades de saúde o direito de acesso à informação necessária ao


exercício das suas funções, relevante para a salvaguarda da saúde pública, devendo as
instituições públicas e privadas fornecer os dados por aquelas considerados essenciais.

2 — É, ainda, reconhecido às autoridades de saúde o direito de acesso a serviços,


instituições ou locais abertos ao público, no exercício das suas funções.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

1.4. Medidas de intervenção e prevenção para trabalhadores e clientes e/ou


fornecedores – Plano de Contingência da empresa/organização
(procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em articulação com os
Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho da empresa, trabalhadores e
respetivas estruturas representativas, quando aplicável)

1.4.1. Reduzir os contactos entre trabalhadores, e trabalhadores clientes


e/ou fornecedores

A utilização de meios de acesso comuns (como escadas, portas e elevadores, bem como
vestiários e instalações sanitárias) deve ser adaptado para garantir a distância segura,
nomeadamente através de marcação no pavimento ou com informação visível.

o O empregador deve assegurar, sempre que necessário e possível, a alteração da


disposição dos postos de trabalho de maneira a assegurar a redução de contacto
pessoal e o necessário distanciamento físico.

o Em termos gerais, considera-se que para efeitos de distanciamento físico uma pessoa
tem de estar afastada devendo esta distância ser de pelo menos dois metros.

o Nos casos em que não seja possível a distância recomendada entre trabalhadores,
entre trabalhadores e clientes e/ou fornecedores, e entre clientes e/ou fornecedores,
é recomendado que seja criada uma barreira física utilizando, por exemplo, divisórias.

o Se não for possível usar uma barreira física, é recomendável criar espaço adicional
entre trabalhadores, por exemplo, garantindo que eles tenham pelo menos duas

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

mesas vazias de cada lado, garantindo a distância de segurança de pelo menos dois
metros.

o Quando não for possível assegurar o distanciamento físico recomendado nem


proceder à adaptação da disposição dos postos de trabalho, o empregador deve
fornecer aos trabalhadores o equipamento de proteção individual adequado aos riscos
da atividade e/ou profissão.

o É recomendado que a empresa considere desfasar os horários o mais possível, se o


espaço de trabalho não permitir que o distanciamento físico seja mantido,
contemplando possibilidades como a redistribuição de tarefas, o teletrabalho, a
rotatividade dos trabalhadores ou a definição de diferentes horários para pausas.

o Recomenda-se a adoção de teletrabalho e a realização de reuniões por telefone ou


videoconferência, especialmente se o local de trabalho não dispuser de espaços que
permitam garantir o necessário distanciamento físico.

o Deve permitir-se, quando possível, o isolamento dos trabalhadores que possam


realizar as suas tarefas sozinhos com segurança.

1.4.2. Reduzir os contactos entre trabalhadores e outras pessoas nos


intervalos, pausas e espaços comuns

o Nos espaços em que as pessoas tendem a juntar-se (como espaços de entrada,


elevadores ou refeitórios), as distâncias seguras devem ser identificadas nos
pavimentos, através de marcação visível (por exemplo, com fita adesiva ou com
informação visivelmente afixada).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o O distanciamento físico deve ser assegurado também nas áreas comuns como salas de
descanso ou cantinas, por exemplo, dispondo mesas e cadeiras com distância de
segurança e, se necessário, alargando o horário e regulando o funcionamento das
cantinas.

o Por forma a minimizar as aglomerações nos espaços de refeição coletivos, é de


considerar a possibilidade de permitir, sempre que viável que existam condições que
não coloquem em risco a saúde dos trabalhadores, que as refeições possam ser
efetuadas no posto de trabalho.

o Se não for possível assegurar o distanciamento físico adequado, é recomendada a


adoção de medidas alternativas como a utilização de equipamento de proteção
respiratória ou outro equipamento de proteção individual específico adequado.

1.4.3. Nas empresas ou estabelecimentos abertos ao público, eliminar ou


limitar a interação física entre os trabalhadores e clientes e /ou fornecedores

o É recomendado que se mantenha uma distância segura de pelo menos dois metros
de outras pessoas e, quando não for possível, assegurar uma distância segura, é de
considerar a adoção de medidas de proteção alternativas como, por exemplo, a
colocação de divisórias entre os postos de trabalho e os locais frequentados pelo
público.

o A limitação da capacidade máxima dos espaços deve ter em linha de conta as regras
de distanciamento físico, devendo ser ativados os mecanismos necessários para
controlar e restringir o acesso das entradas.

20
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o O acesso de trabalhadores e/ou fornecedores externos deve ser evitado ou reduzido


ao mínimo e, quando acontecer, estes devem ser informados sobre as medidas de
controlo de infeção em vigor na empresa, devendo o plano de contingência prever
tal situação.

o Sempre que possível, a entrada e saída de trabalhadores e/ou fornecedores externos


ao serviço deve ser registada.

1.4.4. Garantir o acesso a todos os trabalhadores de equipamentos de


proteção individual adequados

o Os empregadores devem também assegurar que os trabalhadores estão devidamente


formados e/ou informados sobre a correta utilização dos equipamentos de proteção
individual – EPI, em função da avaliação dos riscos profissionais de cada atividade
específica.

o As instruções sobre a utilização de máscaras, luvas e outros EPI´s adequados aos riscos
da atividade e/ou profissão devem, sempre que aplicável, estar acessíveis a todos.

1.4.5. Reforçar as práticas de higienização dos equipamentos de proteção


individual e roupas de trabalho

o A lavagem regular da roupa de trabalho deve ser garantida e, caso tal não aconteça na
empresa, o trabalhador deve ser informado das regras de lavagem do seu vestuário de
trabalho em casa, exceto nos casos em que os trabalhadores estejam expostos a
substâncias tóxicas, irritantes ou infeciosas.

21
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Se a sua utilização ocorreu em situações de contacto com caso confirmado de infeção,


todos os EPI´s descartáveis devem ser colocados em pelo menos, dois sacos de plástico
próprios, que devem ser cheios até 2/3 da sua capacidade, ser bem fechados e
colocados no lixo comum.

o Depois de utilizados, os EPI´s descartáveis devem ser colocados num compartimento à


parte, em saco devidamente fechado, e colocados no lixo comum, não devendo ser
reciclados nos ecopontos.

1.5. Comunicação e Informação (diversos canais) – participação dos


trabalhadores e seus representantes

A informação e comunicação são processos essenciais no acompanhamento das pandemias


e epidemias nos locais de trabalho e no geral.

Assim, saber claramente quais as formas de transmissão e as formas de propagação das


doenças, sendo sensibilizado para a prevenção dos riscos e medidas a adotar, pode evitar
a contaminação, reduzindo a probabilidade de propagação da pandemia, através da sua
proteção e dos outros.

Desta forma, torna-se fulcral por parte dos governos que sejam facultadas informações
adequadas aos diferentes públicos alvo, tal como por parte das organizações reforçarem
o seu sistema de comunicação e informação interna.

De forma, a que esta comunicação/informação interna, dentro da organização, seja efetiva,


deve ser definido um fluxo de informação interno e interinstitucional, tal como as funções
de cada membro da equipa de comunicação. Pontos de situação e reuniões de
coordenação devem ser efetuadas com uma periodicidade definida.

22
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Comunicação externa, este tipo de comunicação é responsável pela partilha de informação


sobre as diferentes fases de resposta na abordagem à epidemia ou pandemia, através do
ponto de situação da população.

O público em geral: informação sobre os sintomas; formas de prevenir a infeção e reduzir


a transmissão da doença; as razões e o tempo das medidas de quarentena e isolamento,
se necessário; atualizações sobre o estado do surto; os apoios financeiros possíveis e de
proteção do emprego, etc.

Aqueles/as que detém posições de responsabilidade: orientações para aconselhar sobre


a gestão clínica, o controlo de infeções, a política de saúde pública, a legislação e o controlo
da sua aplicação, medidas de SST e de proteção social para garantir que a resposta nacional
à epidemia seja bem coordenada;

Entidades empregadoras e gestores: informações sobre como implementar a legislação


nacional, políticas e orientações nacionais relevantes para as suas organizações e as suas
responsabilidades em relação às recomendações da SST;

Trabalhadores e trabalhadoras: informações sobre a utilização prática de equipamentos e


procedimentos para prevenir e combater a infeção, bem como sobre responsabilidades de
adesão às recomendações práticas de SST.

São necessários sistemas de comunicação externa, eficazes para divulgar rapidamente a


informação, estes podem ser desenvolvidos e transmitidos através de: websites, televisão,
rádio, jornais e revistas, anúncios, newsletters, linhas de ajuda telefónica, comunicação
interna, folhetos informativos, ações de informação e formação, cartazes, Instruções de
segurança, newsletters, site da empresa, entre outros.

23
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

A existência e o papel do representante dos trabalhadores para a segurança e saúde no


trabalho são de particular importância para os efeitos da prevenção de riscos associados a
pandemias e epidemias.

1.6. Auditorias periódicas às atividades económicas, incluindo a


componente comportamental (manutenção do comportamento seguro dos
trabalhadores)

Os principais objetivos das auditorias são verificar se as atividades relativas à qualidade e


os resultados que lhes estão associados, estão conforme com as disposições previstas. E
principalmente, porque é necessário determinar a eficácia do sistema da organização.

A avaliação de um processo ou atividade, compreende três grandes vetores, isto é, verificar


se está adequadamente documentada, se as instruções e informações transmitidas pela
documentação estão a ser entendidas e postas em prática e se são eficazes, ou seja, se
resolvem os problemas.

As auditorias devem ser planeadas, de modo a abrangerem todas as atividades, e devem


ser executadas de forma sistemática.

Os locais de trabalho são plataformas privilegiadas onde empregadores e trabalhadores,


de forma concertada, podem produzir e implementar conjuntamente as medidas de
prevenção e proteção adequadas a nível da segurança e saúde no trabalho (SST), de forma
a reduzir a propagação de doenças infeciosas.

Ao dispor de um plano abrangente de preparação da resposta à emergência no local de


trabalho, elaborado para fazer face a situações de crise de saúde e epidemias/pandemias,
os locais de trabalho podem estar mais bem preparados para desenvolver uma resposta

24
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

rápida, coordenada e eficaz, adaptando as medidas à situação específica de emergência


que a empresa enfrenta.

Assim, é necessário um acompanhamento contínuo das condições de SST e uma avaliação


adequada dos riscos para garantir que as medidas de controlo relacionadas com o risco de
contágio sejam adaptadas aos processos, condições de trabalho e características
específicas da mão de obra durante o período crítico de contágio e posteriormente, de
modo a evitar recidivas.

As auditorias internas desempenham um papel essencial em todos os contextos e


obviamente em situações criticas ou de exceção, no sentido de analisar a manutenção e a
melhoria das condições e procedimentos de trabalho que possam colocar em risco a saúde
e segurança dos trabalhadores em diversos níveis, nomeadamente em questões
pandémicas e epidémicas.

Este papel é vital em duas perspetivas:

Auditar a continuidade dos negócios, a gestão de crises e a preparação da empresa para


situações de crise. Auditando as práticas de gestão e da organização, para garantir que
exista uma política que permita sustentar a organização numa situação de crise inesperada.

1.6.1. Pré auditoria – continuidade de negócio e preparação para uma


eventual pandemia

Quando a auditoria interna prepara a sua avaliação de riscos, levando o plano de auditoria
interna baseada em riscos, a gestão da continuidade de negócios é invariavelmente um
tópico a ser considerado para inclusão.

25
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

É essencial desenvolver testes a diversos cenários periodicamente, entre eles o de


pandemia. As auditorias interna funcionam como uma forma de observar para sugerir
melhorias.

As ações de gestão para suprir deficiências de continuidade de negócios identificadas por


auditorias e testes de rotina, devem ser alvo de um acompanhamento rigoroso e de
relatórios regulares.

1.6.2. Auditorias em contexto de pandemia/epidemia

Nestes períodos, também podem ser identificadas questões de elevado risco e alta
prioridade, e neste sentido, devem ser desenvolvidas formações ou workshops para ajudar
as equipas a organizarem as suas prioridades.

1.6.3. Auditorias internas pós pandemia

Provavelmente vão existir muitas tarefas de auditoria interna depois do período de crise,
os exemplos, podem passar por planeamento, revisões e relatórios, pós crise entre outros.

De salientar, que as auditorias internas têm um papel essencial na estrutura, organização


das empresas, não apenas como forma de prevenção de crises, como também, no seu
decorrer, identificando situações potenciais, nomeadamente nos negócios e mas também
nas regras de segurança e higiene no trabalho, que quando não cumpridas podem criar
situações financeiras complexas às empresas, superiores ao primeiro impacto da crise.

Acompanhar procedimentos de trabalho, identificar com brevidade situações anómalas,


efetuar o acompanhamento de cumprimentos dos planos de contingência, identificar

26
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

melhorias é fulcral no percurso das empresas. Não apenas no quotidiano, mas também nos
períodos de crise, onde o reforço e manutenção de todos os procedimentos deve estar
controlado.

1.7. Recolha de dados, reporte e melhoria contínua

A recolha de dados é muito importante no processo de verificação e manutenção de


procedimentos da organização. Esta recolha de dados deve ser utilizada para controlo,
gestão e revisão dos procedimentos e das práticas adotadas, garantindo assim o suporte
da melhoria contínua.

O reporte, é no fundo a forma organizada de informar as situações analisadas ao longo da


auditoria interna possibilitando as operações do quotidiano da atividade de auditoria
interna.

Relativamente à melhoria continua, a organização deve apostar no desenvolvimento dos


seus procedimentos de forma continuada, através das politicas da empresa, dos objetivos
e dos resultados das auditorias, análise de dados, ações preventivas e corretivas, e da
revisão pela gestão.

2. Plano de contingência
Em situação de pandemia, as empresas têm um papel essencial a desempenhar na
proteção da saúde e segurança dos seus colaboradores e clientes, assim como na limitação
do impacto negativo sobre a economia e a sociedade.

Assim, as empresas deverão desenvolver planos de contingência que contemplem a


redução dos riscos para a saúde dos trabalhadores e a continuidade das atividades

27
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

essenciais, de forma a minimizar o impacto de qualquer disrupção e a assegurar o


funcionamento da sociedade e das organizações.

O plano de contingência, define-se como o planeamento preventivo e alternativo da


organização para atuação durante um evento que afete as atividades normais da empresa.

Visa promover na organização procedimentos e responsabilidades, com objetivos de


orientar as ações, durante um evento indesejado, de forma a afetar da menor forma
possível o funcionamento normal da organização.

Descreve de forma clara, concisa e precisa as respostas ou ações que devem ser
desencadeadas perante as situações adversas, sinistros, perdas ou danos, de ordem
patrimonial ou pessoal.

Este documento é desenvolvido com o intuito de desenvolver, avaliar, uniformizar,


organizar, orientar e formar as ações adequadas para as respostas de controlo e combate
a ocorrências adversas.

A elaboração do plano de contingência, envolve a participação de todos os que estão


envolvidos na organização, ou numa versão mais ampla, de um país. Na elaboração do
plano, devem estar incluídos: colaboradores, prestadores de serviço, fornecedores,
clientes, representantes dos trabalhadores, entre outros.

2.1. Legislação e diretrizes internacionais, nacionais e regionais

Normas internacionais da saúde

o Aviso n.º 12/2008 Regulamento Sanitário Internacional

Normas internacionais do trabalho

o Occupational Safety and Health Convention (Convenção de Segurança e Saúde


Ocupacional), n º 155 de 1981, Occupational Health Services Convention

28
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

(Convenção sobre os Serviços de Saúde Ocupacional), n º 161 de 1985, e


Promotional Framework for Occupational Safety and Health Convention
(Convenção sobre o Quadro Promocional para a Segurança e Saúde Ocupacional),
n º 187 de 2006 (9);
o As Diretrizes da OIT, em particular as Guidelines on Occupational safety and health
management systems – ILO-OSH” (Diretrizes sobre Sistemas de Gestão da Saúde e
Segurança do Trabalho), de 2001 (16);
• A Global Strategy on Occupational Safety and Health (Estratégia Global sobre
Segurança e Saúde Ocupacional), de 2003 (17);
• A Seoul Declaration on Safety and Health at Work (Declaração de Seul sobre
Segurança e Saúde do Trabalho) (18), de 2008;
• O ILO’s Plan of Action for 2010-2016 (Plano de Acão da OIT para 2010-2016) que se
baseia na Estratégia Global da OIT e tem por finalidade conseguir a ratificação
generalizada das Convenções e a efetiva aplicação das normas internacionais do
trabalho no âmbito da segurança e saúde nos locais de trabalho.
o ISO 45001 – Sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho

Nacionais

Lei n.º 95/2019, de 4 de setembro - Aprova a Lei de Bases da Saúde e revoga a Lei n.º
48/90, de 24 de agosto, e o Decreto-Lei n.º 185/2002, de 20 de agosto

Despacho n.º 2836-A/2020, de 2 de março - Ordena aos empregadores públicos a


elaboração de um plano de contingência alinhado com as orientações emanadas pela
Direção-Geral da Saúde, no âmbito da prevenção e controlo de infeção por novo
Coronavírus (COVID-19).

29
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Segurança e Saúde no Trabalho

Decreto-Lei nº 84/97, de 16 de abril (Estabelece as prescrições mínimas de proteção da


segurança e da saúde dos trabalhadores contra os riscos da exposição a agentes biológicos
no trabalho)

Portaria nº 1036/98, de 15 de dezembro (Altera a Lista dos agentes biológicos


classificados, constante do anexo à Portaria nº 405/98, de 11 de julho)

Lei nº 7/2009, de 12 de fevereiro - Código do Trabalho - Art.º 281º a 284º - ( Estabelece


os princípios gerais em matéria de segurança e saúde no trabalho)

Lei nº 102/2009, de 10 de setembro - Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde


no Trabalho - (Regulamenta o Regime jurídico da promoção e prevenção da segurança e
saúde no trabalho, de acordo com o previsto no art.º 284º da Lei n.º 7/2009, de 12 de
fevereiro)

2.2. Articulação com diferentes estruturas – do sistema de saúde, do


trabalho e da economia e autoridade competentes

A implementação das medidas em situações pandémicas ou epidémicas deve estar


alinhada com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), do European Centre
for Disease Prevention and Control (ECDC) e das entidades oficiais de saúde.

No caso de Portugal, o país dispõe de um dispositivo de Saúde Pública para situações de


risco para a Saúde Pública, em que sob coordenação da Direção Geral de Saúde – DGS,
estão implicadas as instituições integrantes do Ministério da Saúde, incluindo INSA, INEM,
INFARMED, ACSS, IPST, SPMS e ARS e Rede de Autoridades de Saúde.

30
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Conselho Nacional de Saúde Pública

O CNSP, designado pelo membro do Governo responsável pela área da saúde que preside,
com competência de delegação no Diretor Geral da Saúde, é composto por um máximo de
20 membros, designados em representação dos sectores público, privado e social,
incluindo as áreas académica e científica. Este Conselho tem funções consultivas do
Governo no âmbito da prevenção e do controlo das doenças transmissíveis e outros riscos
para a saúde pública e, em especial, para análise e avaliação das situações graves,
nomeadamente epidemias e pandemias, competindo-lhe fundamentar a proposta de
declaração do estado de emergência, por calamidade pública. O CNSP compreende duas
comissões especializadas:

• Comissão Coordenadora da Vigilância Epidemiológica:

funciona como uma comissão especializada, com base nas consultas recíprocas e nas
informações fornecidas pelas entidades que integram o sistema de vigilância em saúde
pública.

• Comissão Coordenadora de Emergência:

intervém em situações de emergência de saúde pública, por determinação do presidente


do CNSP, quando se verifique uma ocorrência ou ameaça iminente de fenómenos relativos
a doenças transmissíveis e outros riscos em saúde, cujas características possam vir a causar
graves consequências para a saúde pública.

Em acréscimo, as Entidades de outras áreas setoriais - Educação, Administração Interna,


Justiça, Social, Trabalho, Economia, Turismo, entre outras - são também implicadas neste
dispositivo, pela necessária abordagem em todos os setores da sociedade. Nomeadamente
a ACT – Autoridade das condições para o trabalho.

À Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) compete promover a melhoria das


condições de trabalho, através da fiscalização do cumprimento das normas em matéria
laboral e o controlo do cumprimento da legislação relativa à saúde e segurança do trabalho,

31
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

bem como a promoção de políticas de prevenção dos riscos profissionais, quer no âmbito
das relações laborais privadas, quer no âmbito da Administração Pública. A ACT desenvolve
a sua ação de autoridade pública, que no contexto de pandemia ou epidemia visa, entre
outras funções, a verificação da aplicação das normas reguladoras das condições de
trabalho, designadamente quanto ao cumprimento da legislação relativa à segurança e
saúde do trabalho, à proteção no desemprego (em especial nas situações de
despedimento) e à promoção da organização das atividades de prevenção.

2.3. Comunicação interna, diálogo social e participação na tomada de


decisões
A comunicação interna é uma ferramenta de gestão das equipas e de promoção de uma
articulação entre os diferentes níveis administrativos e geográficos.

Para que esta comunicação seja efetiva, deve ser definido um fluxo de informação interno
e interinstitucional, bem como as funções de cada membro da equipa de comunicação,
como já foi mencionado anteriormente. Estabelecem-se linhas de contacto com peritos e
parceiros de áreas específicas. Pontos de situação e reuniões de coordenação são
efetuadas com a periodicidade definida.

O diálogo social deve ser permanente, a todos os níveis e de particular importância em


contexto de pandemia e epidemia, pelo que é considerada a prática de reforço da
informação e consulta dos trabalhadores, e sempre que exista, das suas estruturas
representativas.

Deve ser reforçada a informação e consulta dos trabalhadores e, sempre que existam,
devem ser consultadas e envolvidas as suas estruturas representativas, nomeadamente
comissões de trabalhadores, delegados sindicais e representantes dos trabalhadores para
a segurança e saúde no trabalho.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

É da maior importância garantir a partilha de informação relevante, a cooperação e o


envolvimento de todas as partes na tomada de decisões e na implementação de medidas
de prevenção de contágio, bem como na procura de soluções adaptadas a cada atividade
e local de trabalho.

2.4. Responsabilidade e aprovação do plano


As empresas devem ter um Plano de Contingência específico para responder a um cenário
de epidemia ou pandemia. A elaboração deste plano deve envolver os Serviços de SST da
empresa, os trabalhadores e seus representantes.

É obrigação do empregador assegurar aos seus trabalhadores condições de segurança e de


saúde, de forma continuada e permanente, tendo em conta os princípios gerais de
prevenção (art. 15.º do RJPSST). As prescrições mínimas de proteção da segurança e da
saúde dos trabalhadores contra os riscos da exposição a agentes biológicos no contexto de
trabalho estão estabelecidas no Decreto-Lei n.º 84/97, de 16 de abril.

Pode ser considerada a designação de um trabalhador como responsável e interlocutor


para a implementação, atualização e monitorização do Plano de Contingência e das
respetivas medidas, garantindo a articulação com os serviços de segurança e saúde no
trabalho.

Definir responsabilidades no plano:

Estabelecer que:

Todos os trabalhadores devem reportar à sua chefia direta, uma situação de doença
enquadrada como trabalhador com sintomas e ligação epidemiológica compatíveis com a
definição de caso possível;

Sempre que for reportada uma situação de trabalhador com sintomas, a chefia direta do
trabalhador informa, de imediato, o empregador (ou alguém por este designado);

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Nas situações em que o trabalhador com sintomas necessita de acompanhamento (ex.


dificuldade de locomoção), os trabalhador(es) que o/a acompanha(m)/presta(m)
assistência ao doente, devem estar definidos.

Os Serviços de SST (também denominados por Serviços de Saúde Ocupacional) das


empresas devem assumir um papel relevante na elaboração e aplicação do Plano de
Contingência das empresas para situações excecionais, nomeadamente na informação e
formação dos trabalhadores e dirigentes sobre esta nova ameaça, na definição de medidas
de prevenção, na vigilância médica e na identificação de eventuais casos.

No caso do plano de contingência, a nível nacional é aprovado pelo presidente da


república. Os empregadores públicos, devem remeter cópias à direção geral da
administração e do emprego público (DGAEP).

2.5. Disponibilização, divulgação e atualização do plano (diversos canais)

O Plano de Contingência deve ser amplamente divulgado, nomeadamente junto dos


trabalhadores, e quando necessário atualizado à medida que evoluir quer a situação
epidemiológica, quer as recomendações das autoridades competentes.

O empregador deve reforçar a informação sobre a higiene das mãos, etiqueta respiratória
e distanciamento físico.

o Recomenda-se que os serviços de segurança e saúde no trabalho, que são da maior


importância, sejam envolvidos nos aspetos relevantes das medidas de prevenção de
contágio.

o Aos trabalhadores deve ser facultado aconselhamento individual junto do médico do


trabalho, particularmente aqueles que se enquadram em grupos de risco, tendo este

34
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

profissional de saúde um importante papel, nomeadamente para este tipo de


trabalhadores.

As empresas públicas e privadas devem efetuar a disponibilização e divulgação do plano


de diferentes formas, ou através de diferentes canais, tais como via email, através de
informação e formação de atualização, desenvolvimento de folhetos informativos, dos
seus sites, afixação de medidas e procedimentos de segurança importantes.

2.6. Política, planeamento e organização

A formulação da política mencionada deverá precisar as funções e responsabilidades


respetivas, em matéria de segurança, saúde dos trabalhadores e ambiente de trabalho, das
autoridades públicas, dos empregadores, dos trabalhadores e de outras pessoas
interessadas, tendo em conta o carácter complementar dessas responsabilidades, assim
como as condições e as práticas nacionais.

O planeamento e organização do plano de contingência deve ser desenvolvido com base


nas orientações técnicas/legislação elaboradas pelas autoridades nacionais, que têm por
base orientações da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e
Controlo de Doenças. As organizações devem ter por base a atualização do plano nas
diferentes fases da pandemia/epidemia e a sua atualização com base na evolução do
quadro epidemiológico.

O plano de contingência da empresa deve ser elaborado de acordo com o estabelecido na


Orientação n.º 006/2020 da DGS e atualizado face à evolução da pandemia, tendo em
particular consideração a situação epidémica da zona geográfica da empresa, a atividade
económica (reduzir / suspender/ encerrar / retomar) e os recursos humanos disponíveis.

No planeamento/organização do plano de contingência:

35
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Efetuar o levantamento das necessidades


o Reunir e sincronizar as ações/atividades e recursos necessários para a
implementação e operacionalização do plano
o Envolver a integração dos recursos humanos, materiais e administrativos
contemplados no plano de contingência
o Definir as responsabilidades de cada elemento, a atividade de cada equipa e as
relações de autoridade
o Avaliar os riscos
o Identificar e implementar procedimentos
o Implementar medidas de prevenção e corretivas

Exemplo, das fases do plano contemplam:

1 - Fase de planeamento e monitorização

Esta fase inicia-se com a preparação, aprovação e difusão do plano. Todas as medidas de
caráter informativo e preventivo estipuladas nesta fase devem manter-se enquanto o
plano estiver em funcionamento.

Atuação da coordenação – promove as seguintes ações:

o Medidas de informação geral


o Medidas de difusão do plano
o Medidas gerais de higiene preventiva
o Medidas de gestão e continuidade dos serviços

Atuação do grupo operacional – promove as seguintes ações:

o Medidas de sensibilização para a autoproteção e difusão do plano


o Medidas de prevenção
o Medidas de gestão e continuidade dos serviços

36
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Atuação dos recursos humanos em geral:

o Conhecer as manifestações da doença


o Conhecer o plano de contingência
o Observar os procedimentos e comportamentos de autoproteção

2 – Fase de alerta

Atuação do grupo de coordenação – promove as ações e define procedimentos

o Recolha de informação
o Comunicação
o Medidas de prevenção e controlo da contaminação
o Medidas de gestão da continuidade de serviços

Atuação do grupo operacional – executa as ações e assegura que são seguidas

o Recolha de informação
o Comunicação
o Medidas de prevenção e controlo da contaminação
o Medidas de gestão da continuidade de serviços

Atuação dos recursos humanos em geral – devem:

o Conhecer as medidas e procedimentos detalhadamente


o Cumprir estritamente as orientações

3 – Fase de recuperação

Estrutura de coordenação e controlo dos trabalhadores

o Mantém a recolha de informação sobre a situação


o Mantém a comunicação regular aos trabalhadores, prestadores de serviços e
utentes
o Mantém a comunicação regular com as entidades de saúde

37
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Decide sobre a reativação de atividades suspensas, instalações desativadas ou


reposição de horários alterados, entre outros.
o Reavalia e redimensiona as rotinas de limpeza e a utilização de materiais de
prevenção

Grupo operacional

o Mantém a recolha de informação sobre o evoluir da situação nos respetivos serviços


o Implementa e monitoriza o cumprimento de todas as decisões do grupo de
coordenação no sentido do regresso à normalidade

Recursos humanos em geral

o Mantêm os procedimentos básicos de prevenção e autoproteção


o Retomam as funções e rotinas normais, de acordo com as instruções superiores

2.7. Procedimentos a adotar para casos suspeitos e confirmados de doença


infeciosa (isolamento, contacto com assistência médica, limpeza e
desinfeção, descontaminação e armazenamento de resíduos, vigilância de
saúde de pessoas que estiveram em estreito contacto com trabalhadores/as
infetados/as)

o Procedimentos num Caso Suspeito

Qualquer trabalhador com sinais e sintomas e ligação epidemiológica, ou que identifique


um trabalhador na empresa com critérios compatíveis com a definição de caso suspeito,
informa a chefia direta (preferencialmente por via telefónica) e dirige-se para a área de
“isolamento”, definida no Plano de Contingência.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

A chefia direta deve contactar, de imediato, o empregador pelas vias estabelecidas no


Plano de Contingência da empresa.

Nas situações necessárias (ex. dificuldade de locomoção do trabalhador) o empregador (ou


chefia direta) assegura que seja prestada, a assistência adequada ao trabalhador até à área
de “isolamento”. Sempre que possível deve-se assegurar a distância de segurança (superior
a 1 metro) do doente.

Este trabalhador deve usar uma máscara cirúrgica, se a sua condição clínica o permitir.

A máscara deverá ser colocada pelo próprio trabalhador.

Deve ser verificado se a máscara se encontra bem ajustada (ou seja: ajustamento da
máscara à face, de modo a permitir a oclusão completa do nariz, boca e áreas laterais da
face. Em homens com barba, poderá ser feita uma adaptação a esta medida - máscara
cirúrgica complementada com um lenço de papel). Sempre que a máscara estiver húmida,
o trabalhador deve substituí-la por outra.

O profissional de saúde do SNS 24 questiona o trabalhador doente quanto a sinais e


sintomas e ligação epidemiológica compatíveis com um caso suspeito. Após avaliação, o
SNS 24 informa o trabalhador:

o Se não se tratar de caso suspeito: define os procedimentos adequados à situação


clínica do trabalhador;
o Se se tratar de caso suspeito: o SNS 24 contacta a Linha de Apoio ao Médico (LAM),
da Direção Geral da Saúde, para validação da suspeição. Desta validação o resultado
poderá ser:

Caso Suspeito Não Validado, este fica encerrado. O SNS 24 define os procedimentos
habituais e adequados à situação clínica do trabalhador. O trabalhador informa o

39
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

empregador da não validação, e este último deverá informar o médico do trabalho


responsável.

o Caso Suspeito Validado, a DGS ativa o INEM, o Instituto Nacional de Saúde Dr.
Ricardo Jorge - INSA e Autoridade de Saúde Regional, iniciando-se a investigação
epidemiológica e a gestão de contactos. A chefia direta do trabalhador informa o
empregador da existência de um caso suspeito validado na empresa.

Na situação de Caso suspeito validado:

o O trabalhador doente deverá permanecer na área de “isolamento” (com máscara


cirúrgica, desde que a sua condição clínica o permita), até à chegada da equipa do
Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), ativada pela DGS, que assegura o
transporte para o hospital de referência, onde serão colhidas as amostras biológicas
para testes laboratoriais;

o O acesso dos outros trabalhadores à área de “isolamento” fica interditado (exceto


aos trabalhadores designados para prestar assistência);

O empregador colabora com a Autoridade de Saúde Local na identificação dos contactos


próximos do doente (Caso suspeito validado);

o O empregador informa o médico do trabalho responsável pela vigilância da saúde


do trabalhador;

o O empregador informa os restantes trabalhadores da existência de caso suspeito


validado, a aguardar resultados de testes laboratoriais, mediante os procedimentos
de comunicação estabelecidos no Plano de Contingência.

40
Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

O Caso suspeito validado deve permanecer na área de “isolamento” até à chegada da


equipa do INEM ativada pela DGS, de forma a restringir, ao mínimo indispensável, o
contacto deste trabalhador com outro(s) trabalhador(es). Devem-se evitar deslocações
adicionais do caso suspeito validado nas instalações da empresa.

o Procedimentos perante um Caso suspeito validado

A DGS informa a Autoridade de Saúde Regional dos resultados laboratoriais, que por sua
vez informa a Autoridade de Saúde Local.

A Autoridade de Saúde Local informa o empregador dos resultados dos testes


laboratoriais e:

− Se o Caso for infirmado, este fica encerrado, sendo aplicados os procedimentos habituais
da empresa, incluindo de limpeza e desinfeção. Nesta situação, são desativadas as medidas
do Plano de Contingência da empresa.

− Se o Caso for confirmado, a área de “isolamento” deve ficar interditada até à validação
da descontaminação (limpeza e desinfeção) pela Autoridade de Saúde Local. Esta
interdição só poderá ser levantada pela Autoridade de Saúde.

Na situação de Caso confirmado:


O empregador deve:

o Providenciar a limpeza e desinfeção (descontaminação) da área de “isolamento”;


o Reforçar a limpeza e desinfeção, principalmente nas superfícies frequentemente
manuseadas e mais utilizadas pelo doente confirmado, com maior probabilidade de
estarem contaminadas. Dar especial atenção à limpeza e desinfeção do posto de
trabalho do doente confirmado (incluindo materiais e equipamentos utilizados por
este);

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Armazenar os resíduos do Caso Confirmado em saco de plástico (com espessura de


50 ou 70 mícron) que, após ser fechado (ex. com abraçadeira), deve ser segregado
e enviado para operador licenciado para a gestão de resíduos hospitalares com risco
biológico.
o A Autoridade de Saúde Local, em estreita articulação com o médico do trabalho,
comunica à DGS informações sobre as medidas implementadas na empresa, e sobre
o estado de saúde dos contactos próximos do doente.

Isolamento

A colocação de um trabalhador numa área de “isolamento” visa impedir que outros


trabalhadores possam ser expostos e infetados. Tem como principal objetivo evitar a
propagação da doença transmissível na empresa e na comunidade.

A área de “isolamento” (sala, gabinete, secção, zona) numa empresa tem como finalidade
evitar ou restringir o contacto direto dos trabalhadores com o trabalhador doente (com
sinais e sintomas e ligação epidemiológica compatíveis com a definição de caso suspeito) e
permitir um distanciamento social deste, relativamente aos restantes trabalhadores.
Grandes empresas ou empresas com vários estabelecimentos podem definir mais do que
uma área de “isolamento”.

A área de “isolamento” deve ter ventilação natural, ou sistema de ventilação mecânica,


e possuir revestimentos lisos e laváveis (ex. não deve possuir tapetes, alcatifa ou
cortinados).

Esta área deverá estar equipada com:

o telefone; cadeira ou marquesa (para descanso e conforto do trabalhador,


enquanto aguarda a validação de caso e o eventual transporte pelo INEM);
o kit com água e alguns alimentos não perecíveis;
o contentor de resíduos (com abertura não manual e saco de plástico);

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o solução antisséptica de base alcoólica - SABA (disponível no interior e à entrada


desta área);
o toalhetes de papel;
o máscara(s) cirúrgica(s);
o luvas descartáveis;
o termómetro.

Nesta área, ou próxima desta, deve existir uma instalação sanitária devidamente equipada,
nomeadamente com doseador de sabão e toalhetes de papel, para a utilização exclusiva
do Trabalhador com Sintomas/Caso Suspeito.

A empresa deverá estabelecer o(s) circuito(s) a privilegiar quando um Trabalhador com


sintomas se dirige para a área de “isolamento”. Na deslocação do Trabalhador com
sintomas, devem ser evitados os locais de maior aglomeração de pessoas/trabalhadores
nas instalações.

o Contacto com a assistência médica

Identificar os profissionais de saúde e seus contactos

Ter disponível na empresa, em local acessível, os contactos do Serviço de Saúde do


Trabalho e, se possível, do(s) médico(s) do trabalho responsável(véis) pela vigilância da
saúde dos trabalhadores da empresa.

O(s) trabalhador(es) que acompanha(m)/presta(m) assistência ao trabalhador com


sintomas, deve(m) colocar, momentos antes de se iniciar esta assistência, uma máscara
cirúrgica e luvas descartáveis, para além do cumprimento das precauções básicas de
controlo de infeção (PBCI) quanto à higiene das mãos, após contacto com o trabalhador
doente.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

O trabalhador doente (caso suspeito) já na área de “isolamento”, contacta o SNS 24 (808


24 24 24).

o Limpeza e Desinfeção

Higiene e limpeza das instalações

Uma situação epidémica/pandémica exige que os protocolos e rotinas de higiene, limpeza


e desinfeção de todas as empresas a laborar ou em funcionamento, sejam intensificados
em todas as zonas e a todos os níveis (revestimentos, equipamentos, utensílios e outras
superfícies), devendo existir um plano de higienização das instalações, com a identificação
dos produtos, código de cores dos panos e esfregonas e a frequência e periodicidade da
higienização de cada local.

Este plano de higienização deve ser elaborado de acordo com as recomendações da DGS,
em particular as constantes na Orientação nº 010/2020 (limpeza e desinfeção de
superfícies em geral) e na Orientação nº 014/2020 (“técnicas, materiais e frequência de
limpeza”, “produtos de limpeza e desinfeção” e “limpeza e desinfeção de superfícies da
área de isolamento” relativamente a estabelecimentos de atendimento ao público ou
similares), ambas da DGS.

artigo 9.º, Decreto-Lei n.º 84/97: […] o risco de exposição deve ser reduzido a um nível tão baixo quanto for tecnicamente
possível para proteger adequadamente a segurança e a saúde dos trabalhadores, designadamente através das seguintes
medidas: […] d) Aplicação de medidas de higiene compatíveis com os objetivos da prevenção ou redução da transferência
ou disseminação acidental de um agente biológico para fora do local de trabalho.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Salienta-se que:

Os equipamentos de limpeza devem ser utilizados de acordo com o plano de higienização


e deve estar prevista a limpeza e desinfeção após a sua utilização (ex. baldes e cabos), assim
como a possibilidade do seu uso exclusivo na situação em que existe um Caso Confirmado
na empresa. Não deve ser utilizado equipamento de ar comprimido na limpeza, pelo risco
de recirculação de aerossóis e/ou de projeção de poeiras com partículas virais.

A desinfeção deve ter carácter diário, ou entre cada utilização (este último quando
aplicável) e deve ser realizada com recurso a agentes adequados.

Nos casos em que a atividade em causa implique um contacto frequente com objetos ou
superfícies (ex. máquinas de vending, terminais de pagamento, dispensadores de senhas e
bilhetes ou veículos alugados, maçanetas das portas, corrimãos, balcões, interruptores de
luz, telefones, etc.), o empregador deve assegurar a desinfeção periódica de tais objetos
ou superfícies, mediante a utilização de produtos adequados e eficazes no combate à
propagação do vírus.

Para a desinfeção de superfícies deve-se: lavar primeiro com água quente e detergente;
aplicar a lixívia diluída em água (diluições de lixívia de acordo com o anexo I da Orientação
nº 014/2020); deixar atuar durante 10 minutos; enxaguar apenas com água quente e deixar
secar ao ar (ou proceder de acordo com as informações constantes nas orientações) .

O mobiliário e alguns equipamentos (ex. telemóveis) poderão ser desinfetados após a


limpeza, com toalhetes humedecidos em desinfetante ou em álcool a 70º.

As instalações sanitárias devem ser lavadas e desinfetadas com um produto de limpeza


misto que contenha, em simultâneo, detergente e desinfetante na composição, por ser de
mais fácil e rápida aplicação e ação.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Descontaminação e armazenamento de resíduos

Gestão de resíduos produzidos nos domicílios e alojamentos locais

Na situação de se estar perante caso(s) suspeito(s) ou confirmado(s) de infeção em


tratamento no domicílio, todos os resíduos produzidos pelo(s) doente(s) e por quem lhe(s)
prestar assistência devem ser colocados em sacos de lixo resistentes e descartáveis, com
enchimento até 2/3 (dois terços) da sua capacidade.

Preferencialmente o contentor onde se coloca o saco deve dispor de tampa e esta ser
acionada por pedal.

Os sacos devidamente fechados devem ser colocados dentro de um 2º saco, devidamente


fechado, e ser depositado no contentor de resíduos indiferenciados. Reforça-se que, neste
caso, não há lugar a recolha seletiva, devendo os resíduos recicláveis ser depositados com
os resíduos indiferenciados e nunca no ecoponto.

A gestão de resíduos dos domicílios em que não existem caso(s) suspeito(s) ou


confirmado(s) de infeção continuará a realizar-se de modo habitual, com as alterações
preconizadas pelo Município ou sistema de recolha da área geográfica em causa.
Recomenda-se, nesta situação, que a recolha seletiva seja mantida, evitando sobrecarregar
os tratamentos de destino final incineração e aterro.

As luvas, máscaras e outros materiais de proteção, mesmo que não estejam


contaminados, não devem em caso algum ser colocados no contentor de recolha seletiva
nem depositados no ecoponto. Devem ser encaminhados com a recolha indiferenciada em
saco bem fechado.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Gestão de resíduos produzidos em empresas, hotéis e outros alojamentos com


elevada concentração de pessoas, portos e aeroportos

Na situação de se estar perante caso(s) suspeito(s) ou confirmado(s) de infeção em


empresas, hotéis e outros alojamentos, portos e aeroportos, os resíduos produzidos pelo(s)
cliente(s) e por quem lhe(s) tenha prestado assistência são equiparados a resíduos
hospitalares de risco biológico (grupo III), devendo a sua gestão ser assegurada como tal.
Ou seja, os resíduos devem ser acondicionados num primeiro saco plástico resistente,
colocado em contentor com abertura não manual e com tampa.

Quando o saco estiver cheio (enchimento máximo até 2/3 (dois terços) da sua capacidade),
deve ser bem fechado, e depositado num 2.º saco.

Os resíduos devem ser mantidos segregados e ser encaminhados para operador licenciado
para a gestão de resíduos hospitalares com risco biológico, sob responsabilidade do órgão
de gestão da empresa, alojamentos, portos ou aeroportos.

Para identificação dos operadores de gestão licenciados para receção de resíduos


hospitalares poderá ser consultado o SILOGR – Sistema de Informação de Licenciamento
de Operações de Gestão de Resíduos. Esta aplicação permite pesquisar por combinação da
natureza geográfica (distrito/e ou concelho) e códigos da LER (Lista Europeia de Resíduos).
Neste caso, deve ser considerado para efeitos de pesquisa o código da LER 180103 -
Resíduos cujas recolha e eliminação estão sujeitos a requisitos especiais tendo em vista a
prevenção de infeções.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Vigilância de saúde de pessoal que estiveram em estreito contacto com


trabalhadores/as infetados/as

Procedimento de vigilância de contactos próximos

Considera-se “contacto próximo” um trabalhador que não apresenta sintomas no


momento, mas que teve ou pode ter tido contacto com um caso confirmado. O tipo de
exposição do contacto próximo, determinará o tipo de vigilância.

O contacto próximo com caso confirmado pode ser de:

Procedimentos num Caso Suspeito

Qualquer trabalhador com sinais e sintomas e ligação epidemiológica, ou que identifique


um trabalhador na empresa com critérios compatíveis com a definição de caso suspeito,
informa a chefia direta (preferencialmente por via telefónica) e dirige-se para a área de
“isolamento”, definida no Plano de Contingência.

Perante um Caso Confirmado, além do referido anteriormente, deverão ser ativados os


procedimentos de vigilância ativa dos contactos próximos, relativamente ao inicio de
sintomatologia.

Para efeitos de gestão dos contactos a Autoridade de Saúde Local, em estreita articulação
com o empregador e o médico do trabalho, deve:

o Identificar, listar e classificar os contactos próximos (incluindo os casuais);


o Proceder ao necessário acompanhamento dos contactos (telefonar diariamente,
informar, aconselhar e referenciar, se necessário).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

A vigilância de contactos próximos deve ser a seguidamente apresentada:


Vigilância de contactos próximos
“alto risco de exposição” “baixo risco de exposição”

− Monitorização ativa pela Autoridade − Auto monitorização diária dos


de Saúde Local durante X dias desde a sintomas, incluindo febre, tosse ou
última exposição; dificuldade em respirar; ou outros
− Auto monitorização diária dos sintomas referentes à doença em
sintomas , incluindo febre, tosse ou questão.
dificuldade em respirar; − Acompanhamento da situação pelo
− Restringir o contacto social ao médico do trabalho
indispensável;
− Evitar viajar;
− Estar contactável para monitorização
ativa durante os X dias desde a data da
última exposição.

2.8. Avaliação de riscos

Ao dispor de um plano abrangente de preparação da resposta à emergência no local de


trabalho, elaborado para fazer face a situações de crise de saúde e epidemias/pandemias,
os locais de trabalho podem estar melhor preparados para desenvolver uma resposta
rápida, coordenada e eficaz, adaptando as medidas à situação específica de emergência
que a empresa enfrenta.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Será necessário um acompanhamento contínuo das condições de SST e uma reavaliação


adequada dos riscos para garantir que as medidas de controlo relacionadas com o risco de
contágio sejam adaptadas aos processos, condições de trabalho e características
específicas da mão de obra durante o período crítico de contágio e posteriormente, de
modo a evitar recidivas.

Para se proceder a uma correta prevenção do risco de infeção as empresas, através dos
respetivos Serviços de SST/SO, devem proceder à (re)avaliação dos riscos. Entre outros
aspetos estabelecidos legalmente, a avaliação dos riscos deve ter em consideração:

a) o impacto do risco de infeção relativamente a outros riscos profissionais, sejam eles de


natureza psicossocial, biológica, química, física, ou biomecânica;
b) a (re)organização do trabalho, as condições de trabalho, as relações sociais e a influência
dos fatores ambientais;
c) a evolução da situação epidemiológica da área geográfica onde se localiza a empresa
(emanada diariamente pela DGS).

As empresas devem seguir as recomendações da DGS e das Autoridades de Saúde quanto


às medidas de prevenção a instituir nos locais de trabalho para diminuir o risco de infeção
nomeadamente a legislação, normas, orientações e outros referenciais emanados pela
DGS, para além de outras recomendações de autoridades competentes, como da ACT em
matéria de condições de segurança do trabalho.

2.9. Controlo de riscos – medidas de proteção e de prevenção

Higiene, ventilação e limpeza do local de trabalho

o É importante que os locais de trabalho interiores sejam ventilados,


preferencialmente através do reforço da ventilação natural, através do arejamento

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

dos locais de trabalho, que deve ser assegurado, sempre que possível, pelo menos
duas vezes por dia (por exemplo, à hora de almoço e ao fim do dia).

o Aconselha-se o reforço da manutenção e limpeza dos sistemas de ventilação e ar


condicionado.

o Os locais de trabalho devem ser limpos com frequência, especialmente as mesas de


trabalho, maçanetas e outras superfícies em que as pessoas tocam
frequentemente.

Estes procedimentos assumem particular relevância em estabelecimentos com


atendimento ao público, nas instalações sanitárias e nos espaços de utilização comum.

Nas empresas e estabelecimentos abertos ao público, é recomendada:


a desinfeção regular dos espaços, equipamentos, objetos e superfícies com os quais haja
um contacto frequente, bem como a adoção de práticas reforçadas de higienização de
utensílios e superfícies mobiliárias de contacto direto com os clientes, de acordo com
orientações adequadas a cada setor e utilizando os produtos recomendados pela Direção-
Geral da Saúde.

Higiene das mãos e etiqueta respiratória no local de trabalho ou outra, em função da


tipologia da doença e via(s) de transmissão

Higiene das mãos

A adequada lavagem das mãos, com água e sabão (durante pelo menos 20 segundos), ou
a utilização de solução antissética de base alcoólica (SABA), com 70% de álcool, permitem
eliminar o novo coronavírus da superfície da pele, evitando que este vírus se transmita nos
locais de trabalho, designadamente pelo manuseamento e contacto.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Em termos gerais, a lavagem das mãos deve ser completa e regular, efetuada ao longo do
dia e sempre que se justifique. Sempre que a lavagem das mãos não seja possível os
trabalhadores devem recorrer ao uso de SABA, cobrindo todas as superfícies das mãos e
esfregando-as até ficarem secas.

• Informe TODOS os trabalhadores quanto às principais etapas da lavagem das mãos,


incentivando-os para uma correta, completa e regular lavagem.

• Assegure que os trabalhadores têm locais adequados para a lavagem das mãos na
empresa. Nestes locais devem existir os meios para lavagem e secagem das mãos
(doseador de sabão e toalhetes de papel).

• Coloque dispensadores com SABA em locais estratégicos dos locais de trabalho.


Certifique-se de que estes dispensadores são recarregados regularmente e têm a
necessária manutenção.

• Clarifique os trabalhadores quanto aos momentos em que é indispensável higienizar as


mãos (ex. antes e após remover a máscara; após tocar em maçanetas, corrimãos,
ferramentas e outros locais e objetos de contacto frequente; após o contacto com objetos
dos utentes/clientes, como telemóveis, dinheiro, canetas, entre outros; após um contacto
com secreções respiratórias; antes e após comer; etc.).

• Institua pausas de trabalho para a higienização das mãos ao longo do período do


trabalho, sempre que necessário. Estes procedimentos poderão estar associados a
“lembretes” periódicos (ex. via intranet ou por Outlook).

• Afixe posters informativos que promovam a higienização das mãos (através da lavagem
ou pela utilização de SABA) pelos trabalhadores.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Incremente procedimentos de higienização das mãos junto de pessoas externas à


empresa (ex. clientes/utentes/público e fornecedores) que utilizam/visitam a sua empresa
(ou estabelecimento).

• Na boa prática, estes procedimentos de higienização das mãos deverão ser realizados
pelas pessoas externas antes de se iniciar um atendimento, reunião, evento, auditoria,
visita, vistoria ou outra situação similar.

• Combine as medidas anteriores com outras formas de comunicação adicionais


transmitidas em reuniões, intranet, ações de sensibilização, entre outras que promovam a
higienização das mãos.

Etiqueta respiratória

O vírus pode transmitir-se a um trabalhador através de gotículas respiratórias de pessoa


infetada, quando esta fala, tosse ou espirra. Por outro lado, o contacto das mãos de um
trabalhador com secreções respiratórias infeciosas existentes nas componentes materiais
do trabalho (ex. ferramentas, máquinas e equipamentos) e posterior transferência para as
suas mucosas (da boca, nariz ou olhos) é também uma forma de transmissão nos locais de
trabalho.

Em termos gerais, não se deve tossir ou espirrar para as mãos nem para o ar. Se o
trabalhador tossir ou espirrar deve fazê-lo para a prega do cotovelo, com o antebraço
fletido, ou usar lenço de papel (que deve ser imediatamente colocado no contentor de
resíduos).

• Incentive TODOS os trabalhadores a adotarem procedimentos de etiqueta respiratória


relativos aos atos de tossir, espirrar e assoar.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Disponibilize lenços de papel nos locais de trabalho, devendo estes estar devidamente
acondicionados em embalagens fechadas que possam ser descartadas higienicamente.

• Estabeleça a utilização de máscaras sempre que os trabalhadores tenham sinais ou


sintomas respiratórios (ex. estejam constipados ou tenham tosse) e trabalhem em espaços
interiores com outros trabalhadores.

• Combine as medidas anteriores com outras formas de comunicação adicionais


transmitidas em reuniões, intranet, ações de sensibilização, entre outras que promovam a
etiqueta respiratória.

Viagens de caráter profissional, utilização de veículos da empresa, deslocações de/e para


o trabalho
Recomenda-se evitar as viagens de trabalho não essenciais.

Para as viagens essenciais para o desempenho da atividade, sempre que possível, a


lotação dos veículos deve ser reduzida e, caso não seja possível limitar a partilha de veículo,
em simultâneo ou consecutivamente, deve, tanto quanto possível, atribuir-se um veículo à
equipa fixa e limitar o número de ocupantes.

Quando os veículos forem utilizados por mais do que uma pessoa, deve ser observado o
distanciamento possível e é de considerar a utilização de máscara pelos ocupantes,
sobretudo nos casos em que não for possível limitar significativamente a lotação do veículo.

Os veículos das empresas devem estar equipados com produtos de higiene e desinfeção
das mãos, toalhetes de papel, sacos de lixo e instruções de utilização.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Nas deslocações para o trabalho deve evitar-se sempre que possível os ajuntamentos de
pessoas, nomeadamente nos transportes coletivos e no acesso aos locais de trabalho.

Sempre que possível, deve dar-se prioridade às opções de mobilidade que melhor
garantam o distanciamento físico adequado.

Em termos gerais, considera-se que para efeitos de distanciamento físico uma pessoa deve
estar afastada de outra(s) pelo menos dois metros quando se trate de ambiente fechado e
de um metro quando se trate de ambiente aberto.

Sempre que possível, os trabalhadores devem ser incentivados a evitar as horas de ponta
e a respeitar os circuitos adaptados, normas, medidas de segurança e de higiene
recomendadas em cada meio de transporte. Nos meios de transporte coletivos, devem ser
observadas as medidas adicionais de higiene e saúde que estejam definidas em cada setor.

Em táxis ou transporte individual e remunerado de passageiros em veículos


descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE), devem igualmente ser
observadas medidas adicionais de higiene e saúde que estejam definidas.

Como princípio geral, deve ser, sempre que possível, minimizado o contacto entre os
trabalhadores, designadamente motoristas e os passageiros, recomendação que pode ser
seguida, por exemplo, criando medidas ou barreiras físicas de segurança ou recorrendo,
quando possível, ao pagamento com utilização de cartões de débito com tecnologia
contactless.

Realização de reuniões de trabalho, visitas e outros eventos

Sempre que possível as reuniões de trabalho ou visitas devem ser realizadas


remotamente.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Caso contrário, devem ter um número de pessoas restritas e devidamente afastadas por
distancia de 2 metros, nos lugares, com a utilização de máscara e em locais devidamente
ventilados. As mãos devem ser devidamente desinfetadas, tal como os espaços físicos.

As visitas sempre que possível em número reduzidos de pessoas, ou tentar, quando


possível que a situação seja resolvida através de ambiente remoto. Os espaços devem estar
devidamente ventilados, e com as condições de segurança e higiene adequadas.

Procedimentos de conduta social (ex. alterar a frequência e/ou a forma de contacto entre
os trabalhadores e entre estes e os clientes - evitar o aperto de mão, as reuniões
presenciais, os postos de trabalho partilhados).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Deteção de temperatura corporal e auto monitorização dos sintomas

Os trabalhadores devem ter o cuidado de medir duas vezes ao dia a sua temperatura
corporal e devem alertar a entidade patronal caso registem alguma alteração.

Além da responsabilidade individual de cada trabalhador, a medição da temperatura


corporal pode ser realizada por parte da entidade empregadora, salientando que tem de
haver consentimento expresso do trabalhador e que o controlo tem de estar sujeito a dever
de confidencialidade.

Equipamento de Proteção Individual (EPI) e Coletivo (EPC) – utilização, conservação,


higienização e descarte

Quando necessário, fornecer equipamentos de proteção adequados, juntamente com


recipientes fechados para descartar esses equipamentos de forma controlada.

Os empregadores devem também assegurar que os trabalhadores estão devidamente


formados e/ou informados sobre a correta utilização dos EPI´s em função da avaliação dos
riscos profissionais de cada atividade específica.

As instruções sobre a utilização de máscaras, luvas e outros EPI´s adequados aos riscos da
atividade e/ou profissão devem, sempre que aplicáveis, estar acessíveis a todos.

O uso de máscaras sociais ou comunitárias, desde que adequadas aos fins a que se
destinam, pode ser ponderado, em articulação com os trabalhadores e os seus
representantes, de modo a reduzir os riscos de transmissão, nas deslocações de e para o
trabalho.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Distanciamento físico entre pessoas, reorganização dos locais e horários de trabalho

Avaliar o risco de interações entre trabalhadores, empreiteiros, clientes e visitantes e


implementar medidas para mitigar estes riscos; organizar o trabalho de forma a permitir o
distanciamento físico entre as pessoas; quando possível através de chamadas telefónicas,
e-mails ou reuniões virtuais em vez de reuniões presenciais e introdução de turnos de
trabalho para evitar grandes concentrações de trabalhadores nas instalações a qualquer
momento

Formação e informação

A gestão da formação para trabalhadores e os seus representantes sobre as medidas


adotadas para prevenir o risco de exposição ao vírus e sobre como agir em caso da infeção;

o formação sobre a utilização manutenção e eliminação corretas de Equipamentos de


Proteção Individual (EPI)
o manter a comunicação regular e atualizada com os trabalhadores para fornecer
informações sobre a situação no local de trabalho, na região ou no país
o informar sobre o direito de se retirarem de uma situação de trabalho que
represente um perigo grave e iminente perigo grave e eminente para a sua vida ou
saúde, de acordo com os procedimentos estabelecidos e informar imediatamente
o seu superior hierárquico sobre a situação.

Trabalho presencial e teletrabalho

No trabalho presencial

As empresas que mantenham a sua atividade e que tenham postos de trabalho em que seja
imprescindível o exercício de funções de forma presencial, a tempo completo ou parcial,
devem salvaguardar a adoção de determinadas medidas que garantam um distanciamento
social.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Salientam-se as seguintes medidas:

o Estabelecer os serviços essenciais a prestar (exemplo: se forem serviços mínimos


corresponderão a cerca de 1/3 da sua capacidade em trabalho normal), de forma a
que o trabalho realizado seja efetuado pelo número de trabalhadores estritamente
necessário, isto é, o número indispensável para garantir o funcionamento e a
manutenção dos serviços mínimos e, por outro, que permita proteger os
trabalhadores e a produção de bens e serviços.

o Evitar aglomerados de pessoas na empresa, privilegiando reuniões e trabalhos de


grupo que não sejam presenciais e cancelando confraternizações sociais (ex.
convívios, eventos sociais e desportivos). A instituição de horários de utilização de
determinados espaços/áreas (ex. refeitório, salas) poderá ser benéfica.

Portaria n.º 71/2020: Os gestores, os gerentes ou os proprietários dos espaços e


estabelecimentos referidos […] devem realizar todos os esforços no sentido de:

a) Efetuar uma gestão equilibrada dos acessos de público, em cumprimento do disposto


nos artigos anteriores;
b) Monitorizar as recusas de acesso de público, de forma a evitar, tanto quanto possível, a
concentração de pessoas à entrada dos espaços ou estabelecimentos.
o Adotar barreiras físicas (ex. janelas de vidro, acrílico, postigo), para o atendimento ao
público e, sempre que aplicável, estabelecer uma distância apropriada (pelo menos
1 metro, idealmente 2 metros) e sinalização devida complementar (nomeadamente
através de marcas e sinalética no chão) para determinar a distância de prevenção
necessária para o atendimento do público.
o Efetuar entrega de encomendas, preferencialmente, sem entrada do trabalhador nas
instalações de outra empresa ou em domicílios.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

O empregador deve disponibilizar:

o Solução antisséptica de base alcoólica (SABA) e disponibilizar a mesma em sítios


estratégicos (ex. zona de refeições, registo biométrico, área de “isolamento” da
empresa), conjuntamente com informação sobre os procedimentos de higienização
das mãos;

o Máscaras cirúrgicas para utilização do trabalhador com sintomas (caso suspeito);

o Máscaras cirúrgicas e luvas descartáveis, a utilizar, enquanto medida de precaução,


pelos trabalhadores que prestam assistência ao trabalhador com sintomas(caso
suspeito);

o Toalhetes de papel para secagem das mãos, nas instalações sanitárias e noutros
locais onde seja possível a higienização das mãos;

o Contentor de resíduos com abertura não manual e saco plástico (com espessura
de 50 ou 70 micra);

o Equipamentos de limpeza, de uso único, que devem ser eliminados ou descartados


após utilização. Quando a utilização única não for possível, deve estar prevista a
limpeza e desinfeção após a sua utilização (ex. baldes e cabos), assim como a
possibilidade do seu uso exclusivo na situação em que existe um Caso Confirmado
na empresa. Não deve ser utilizado equipamento de ar comprimido na limpeza, pelo
risco de recirculação de aerossóis;

o Produtos de higiene e limpeza. O planeamento da higienização e limpeza deve ser


relativo aos revestimentos, aos equipamentos e utensílios, assim como aos objetos

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

e superfícies que são mais manuseadas (ex. corrimãos, maçanetas de portas, botões
de elevador).

o A limpeza e desinfeção das superfícies deve ser realizada com detergente


desengordurante, seguido de desinfetante.

No teletrabalho

O empregador deve garantir que estão reunidas as condições de trabalho em regime de


teletrabalho.

O empregador deve disponibilizar, na medida do necessário, o equipamento para a


prestação de trabalho, assegurando que o trabalhador tem acesso ao equipamento
habitualmente utilizado no local de trabalho (por exemplo, computador ou outro
equipamento informático) bem como a informação e formação necessárias ao
desenvolvimento das suas tarefas em teletrabalho.

Deve, também, garantir a instalação de software necessário para a realização de


contactos, nomeadamente plataformas de comunicação, assegurando também formação
adequada para uso dessas plataformas.

O sentimento de isolamento e/ou de abandono dos teletrabalhadores pode ter


consequências na segurança, saúde e bem-estar desses trabalhadores que importe a
prevenir, garantindo-se uma comunicação frequente.

É importante que exista uma boa comunicação a todos os níveis, incluindo comunicação
regular e informação com os colegas, comunicação entre trabalhador, colegas e chefias,
estabelecida, por exemplo, através do agendamento de reuniões online.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Deve ser tida em conta alguma flexibilidade de horários e de distribuição de tarefas com
prazo, considerando por exemplo que o trabalhador pode ter filhos pequenos (que não
estão na escola), outras pessoas em teletrabalho no mesmo espaço ou coabitar com
pessoas com necessidades especiais (nomeadamente doentes crónicos, idosos, pessoas em
isolamento profilático).

Devem ser definidos e adaptados os planos de trabalho, bem como estabelecidos


objetivos e metas a atingir, elementos fundamentais para garantir um melhor planeamento
do trabalho e uma melhor gestão do tempo.

Recomenda-se que sejam realizadas vídeo conferências entre chefias e equipas e, sempre
que possível, entre os diversos membros da equipa, permitindo a partilha e experiências,
dúvidas e contacto social.

2.10. Proteção dos trabalhadores mais vulneráveis e grupos de risco –


adequação da vigilância

Os riscos de transmissão são mais elevados para alguns grupos profissionais, em especial
para aqueles que estão na primeira linha, que prestam serviços essenciais ou estão em
espaços de trabalho com elevadas concentrações de pessoas.

Trabalhadores em atividades essenciais

• Trabalhadores/as que têm que interagir com pessoas potencialmente infetadas


(por exemplo, em lojas e supermercados, bancos, escolas, serviços de entrega,
restaurantes, instalações desportivas e turísticas, etc.)

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Trabalhadores/as em locais de trabalho de elevada concentração de pessoas,


devido à proximidade com outras pessoas em ambientes semiconfinados (por
exemplo, fábricas, callcenters, escritórios em open spaces, etc.)

Exemplos de medidas para prevenir o contágio

• Distanciamento social – ( ex. turnos de trabalho, reuniões virtuais)

• Higiene – ( ex. desinfetantes de mãos, lavagem das mãos, etiqueta respiratória)

• Limpeza – (ex. limpeza e desinfeção regular de superfícies, mesas, postos de


trabalho e objetos de trabalho, áreas comuns…)

• Formação e comunicação - (ex. sobre medidas preventivas adotadas, sobre o direito


de se retirar de uma situação de trabalho que represente perigo eminente ou grave
para a vida, ou para a saúde)

• Equipamentos de proteção individual

• Resposta - (ex. providenciar isolamento a qualquer pessoa que desenvolva


sintomas no local de trabalho, desinfeção adequada dos locais de trabalho,
proporcionar a vigilância e saúde de pessoas que estiveram em contacto com
trabalhadores infetados/as)

As medidas de controlo dos riscos devem ser especificamente adaptadas às necessidades


destes grupos.

Profissionais de saúde:

Durante um surto, o risco é maior para diferentes grupos profissionais que estão na
primeira linha de resposta a emergências, nomeadamente, dos cuidados de saúde, e
particularmente para quem está ativamente na gestão do surto (socorristas de equipas
médicas/os de emergência, profissionais de saúde em unidades de emergência e unidades
de tratamento especializado, transportes e primeiros socorros).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Medidas de Controlo ambiental e de engenharia

Com o objetivo de reduzir a propagação de agentes patogénicos e a contaminação de


superfícies e objetos.

Estes incluem a disponibilização de espaços adequados para permitir a distância física entre
pacientes e trabalhadores e trabalhadoras dos cuidados de saúde e garantir a
disponibilidade de salas de isolamento.

Medidas administrativas

Destinadas a prevenir comportamentos de risco. Nomeadamente, recursos adequados


para a implementação de medidas de prevenção e controlo de infeções (PCI),
desenvolvimento de políticas claras de PCI, acesso facilitado a testes laboratoriais, triagem
e encaminhamento adequado de pacientes, rácios pessoal/doente e formação adequada
de trabalhadores (OMS, 2020).

Outra medida administrativa que deve ser implementada diz respeito à monitorização e
vigilância da saúde dos trabalhadores em risco, a fim de detetar quaisquer efeitos
desfavoráveis dos riscos profissionais para a saúde numa fase precoce, em que seja mais
fácil tratar a doença (por exemplo, através de medições de temperatura para detetar a
febre ou outros sintomas precoces de doença infeciosa). Devem ser tomadas medidas para
garantir que qualquer pessoa exposta possa facilmente comunicar qualquer sintoma a
um/a supervisor/a, que por sua vez terá de notificar um/a médico /a (OMS e OIT, 2018).

Colaboradores de laboratório

A manipulação de bactérias, vírus, sangue, tecidos e/ ou fluidos corporais em laboratório


pode causar infeções. As doenças transmitidas por seres humanos e animais utilizados nas
atividades de investigação podem também ser transmitidas pela equipa, que poderá depois
tornar-se portadora (OMS e OIT, 2018).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Profissionais de serviços dos cuidados da morte

Os restos humanos podem representar riscos para a saúde em alguns casos de doenças
infeciosas. Os colaboradores envolvidos na manipulação de cadáveres, incluindo serviços
funerários, funerais, autópsias ou enterros podem estar em risco de contrair infeções.

Profissionais de transporte de emergência

Durante um surto, pode haver necessidade de transportar pacientes (em ambulâncias, bem
como em meios de transporte aéreo, comboios e navios), expondo este grupo de
profissionais ao risco de contágio. Aqueles que transportam os corpos de pessoas que
morreram de doenças altamente infeciosas também estão em risco, as operações de
limpeza e desinfeção também representam um risco de infeção.

Serviços de limpeza e gestão de resíduos em centros de saúde e de emergência

O risco de infeção para estes trabalhadores pode surgir do contacto com materiais,
superfícies e ambientes potencialmente contaminados (OMS e UNICEF, 2020).

Além disso, em situações de crise como uma pandemia ou epidemia, agentes da polícia,
pessoal da proteção civil, militares, bombeiros podem ser chamados à linha da frente
para apoiar a resposta de emergência.

Dependendo das tarefas que lhes forem atribuídas, podem estar expostos a pessoas,
pacientes e colegas de trabalho que tenham sido infetados (detetados e insuspeitos), bem
como a ambientes contaminados.

Para todos estes grupos de profissionais devem ser tomadas medidas de prevenção:

o Receber formação e informações adequadas sobre como executar estas tarefas de


forma segura no contexto da pandemia/epidemia
o Utilização de EPI´s
o Higiene das mãos
o Métodos adequados de desinfeção

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Ventilação adequada das áreas de trabalho


o Limpeza de instrumentos de trabalho

Os grupos de risco para incluem:

• Pessoas idosas.
• Pessoas com doenças crónicas – doença cardíaca, pulmonar, neoplasias ou
hipertensão arterial, entre outras-
• Pessoas com compromisso do sistema imunitário (a fazer tratamentos de
quimioterapia, tratamentos para doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus,
esclerose múltipla ou algumas doenças inflamatórias do intestino), infeção VIH/sida
ou doentes transplantados.

Devem ser desenvolvidas medidas as seguintes medidas:

Reavaliação da avaliação dos riscos para a segurança e a saúde no trabalho, incluindo os


grupos de trabalhadores sujeitos a riscos especiais;

O trabalhador deve receber uma formação adequada no domínio da segurança e saúde no


trabalho, tendo em atenção o posto de trabalho e o exercício de atividades de risco
elevado.

Procedimentos de vigilância e controlo da saúde frequentes

Se um trabalhador sofrer de uma infeção ou outra doença, que possa ter sido provocada
pela exposição a agentes biológicos no local de trabalho, o médico do trabalho ou a
entidade responsável pela vigilância da saúde dos trabalhadores proporá a todos os
trabalhadores sujeitos a exposição idêntica a avaliação do seu estado de saúde; neste caso,
deve ser repetida a avaliação dos riscos de exposição.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

3. Revisão do plano de contingência, adaptação das medidas e verificação


das ações de melhoria

Os Serviços de SST (também denominados por Serviços de Saúde Ocupacional) das


empresas devem assumir um papel relevante na elaboração e aplicação do Plano de
Contingência das empresas, como já foi mencionado anteriormente, nomeadamente na
informação e formação dos trabalhadores e dirigentes sobre as situações do quotidiano,
tal como em situações de exceção, na definição e aplicação de medidas de prevenção, na
vigilância médica e na identificação de eventuais casos. A reavaliação do plano e das
avaliações de risco é essencial no acompanhamento, atualização e revisão do mesmo.

Os planos de contingência devem ser revistos sempre que necessário, ou seja, quando se
verifique necessidade de alteração de procedimentos ou melhoria dos mesmos, ou quando
são emanadas diretrizes das entidades competentes.

Esta revisão vai permitir a melhoria contínua dos planos de contingência e


consequentemente da garantia de medidas adequadas com vista a salvaguardar a saúde
dos trabalhadores.

4. Manual de reabertura das atividades económicas


As medidas de reabertura das atividades económicas e combate a epidemias/pandemias
podem ter efeitos restritivos no normal funcionamento da vida da comunidade e das
atividades económicas, culturais e sociais. São contextos específicos e dinâmicos que
suscitam a cada fase do contexto uma resposta adequada. Neste sentido, na fase de
reabertura das atividades económicas é essencial que sejam estabelecidas um conjunto de
diretrizes de forma a controlar as pandemias/epidemias no regresso à vida “normal”.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

4.1. Diretrizes organizacionais – modelo informativo, fases de intervenção,


formação e comunicação

O modelo informativo relativo às pandemias/epidemias envolve o cumprimento de


diretrizes organizacionais com base na legislação, orientações e normas emanadas pela
DGS e OMS.

A fim, de informar todos os envolvidos na organização, nomeadamente,


clientes/fornecedores a empresa deve desenvolver um modelo informativo, planeado e
faseado a desenvolver tendo em consideração as fases de intervenção. Este modelo
informativo pode ser desenvolvido de diversas formas, nomeadamente, através de email,
publicação no website da empresa, , conferências, manuais de formação, vídeos, folhetos,
ou cartazes informativos, procedimentos afixados, entre outros.

O desenvolvimento de um plano de continuidade das atividades contribuirá para identificar


os riscos que podem afetar uma empresa ou organização específica em tempos de crise e
conceber estratégias de redução do seu impacto (OIT, 2009).

O plano deve estabelecer formas práticas de comunicar e informar os trabalhadores com


o objetivo de reduzir o risco de exposição dos trabalhadores/as à doença no local de
trabalho.

Em conformidade com qualquer orientação nacional e/ou local existente por parte das
autoridades públicas, o plano incorpora recomendações sobre distanciamento físico,
turnos de trabalho, operações de redução de funções, teletrabalho e outras medidas de
redução da exposição ao risco, bem como de opções para a realização de operações
essenciais como redução de mão de obra (incluindo pessoal com formação transversal em
diferentes postos de trabalho, a fim de continuar as operações e prestar serviços
fundamentais) (EU-OSHA, 2020).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

O plano pode também abordar as possíveis consequências sociais incluindo a saúde mental,
que uma epidemia/pandemia pode ter nos trabalhadores/as (IOSH, 2020).

O documento deve ser comunicado a todos os trabalhadores, clientes, empreiteiros e


fornecedores. Todos devem ter formação e informação e estar conscientes das regras a
cumprir, tal como o planeado, incluindo os seus deveres e responsabilidades.

4.2. Indicações operacionais – precauções básicas de prevenção e controlo


de infeção, condições de proteção antes do regresso ao trabalho presencial
e requisitos de segurança e saúde no local de trabalho

Para garantir que os trabalhadores sejam protegidos contra microrganismos infeciosos aos
quais possam ser expostos durante o curso de seu trabalho, vários controlos devem ser
implementados com base nos resultados de uma avaliação de risco no local de trabalho.

Uma hierarquia é defendida sob os princípios de controlo da exposição a quaisquer


substâncias perigosas, que podem incluir mudanças nas práticas de trabalho, para que o
trabalho / tarefa / equipamento que expõe os trabalhadores a uma fonte de infeção não
seja mais necessário; ou modificar o trabalho para evitar a criação de subprodutos ou
resíduos perigosos.

Se isso não for possível, controlos devem ser aplicados para reduzir o risco de infeção a um
nível que não prejudique a saúde dos colaboradores.

Isso inclui barreiras físicas para evitar a exposição, controlos de engenharia:

o sistemas de ventilação de exaustão para reduzir a carga microbiana no ar

o uso de EPI , que pode incluir roupas , luvas , calçado, máscaras apropriadas

Note-se que as máscaras cirúrgicas não são consideradas EPI´s, pois não oferecem proteção
ao usuário.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Uma máscara cirúrgica é um dispositivo médico que cobre a boca e o nariz, garantindo uma
barreira para limitar a transição de um agente infecioso.

Isso é apoiado por boas práticas de higiene:

o como lavagem completa das mãos

o evitando contato mão-boca

o descarte seguro de resíduos

o uso de métodos adequados de descontaminação

o vacinas eficazes estão disponíveis contra alguns agentes infeciosos e os


empregadores devem oferecer aos trabalhadores a vacinação apropriada, onde a
avaliação de riscos revelar que há risco de exposição a esses agentes biológicos

As medidas de prevenção e controlo de infeção variam nacionalmente e entre as


ocupações.

Também é provável que as medidas sejam específicas da tarefa com base na avaliação de
riscos.

A Diretiva de Agentes Biológicos (2000/54 / CE) [2] destaca algumas medidas que podem
ser aplicadas para reduzir o risco de infeção. Isso inclui minimizar, tanto quanto possível, o
número de trabalhadores expostos (ou provavelmente expostos), implementar medidas de
higiene, como não comer ou beber em áreas de trabalho onde há risco de contaminação
por agentes biológicos, além de fornecer medidas adequadas, e boas práticas de lavagem
das mãos, higienização adequada das instalações sanitárias, entre outras.

As Diretrizes Práticas da OMS para o Controlo de Infeções em Instituições de


Saúde oferecem um guia passo a passo sobre lavagem das mãos, onde também estão
mencionadas a limpeza, desinfeção e esterilização e EPI.

O Instituto Federal Alemão para Segurança e Saúde Ocupacional (BAuA) possui um link com
regras técnicas para agentes biológicos , que inclui medidas de proteção para atividades

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

que envolvem agentes biológicos em laboratórios, estações de tratamento de esgoto,


agricultura e silvicultura e instalações de saúde.

Da mesma forma, o Instituto Nacional Francês de Pesquisa e Segurança ( INRS ) realiza


pesquisas sobre riscos ocupacionais semelhantes ao Laboratório de Saúde e Segurança no
Reino Unido, os quais oferecem orientações sobre as melhores práticas para a maioria dos
setores de trabalho.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças fornece orientações sobre vários


aspetos da prevenção e controlo de infeções, incluindo, por exemplo:

▪ Um tutorial sobre o uso seguro de equipamentos de proteção individual (EPI)


▪ Material relacionado à lavagem das mãos como medida de controlo
▪ Caixa de ferramentas para investigação de surtos de doenças de legionários
▪ Um kit de ferramentas para investigação e resposta a surtos de doenças transmitidas
por alimentos e pela água
▪ Um kit de ferramentas sobre doenças gastrointestinais: como apoiar a prevenção de
infeções nas escolas

Os locais nacionais e internacionais de alerta de surtos de doenças fornecem um alerta


precoce valioso sobre epidemias emergentes. As previsões sobre riscos biológicos
emergentes foram realizadas e relatadas, por exemplo, pela Agência Europeia para a
Segurança e Saúde no Trabalho.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) está dedicado à vigilância


de doenças infeciosas na UE e, como tal, organiza dados epidemiológicos, mantém bancos
de dados com essas informações, coordena e opera redes de vigilância e suporta sistemas
nacionais de vigilância.

Antes de regressar ao trabalho

• As empresas devem identificar as condições de segurança necessárias

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Definir e atualizar o plano de contingência


• Preparar percursos de circulação
• Locais e condições adequadas de higiene das mãos
• Separações entre trabalhadores
• Elaborar e afixar regras e informações
• Definir processos de limpeza

A utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) deve ser responsável e


adequada à atividade profissional e ao risco de exposição.

Os EPI´s que sejam necessários aos trabalhadores devem ser disponibilizados pelo
empregador.

Os Serviços de SST/SO, na formulação das medidas de prevenção/proteção, devem


indicar os EPI´s necessários para os trabalhadores, tendo em consideração aspetos como
a dinâmica de transmissão.

A utilização de EPI não dispensa o cumprimento das Precauções Básicas de Controlo de


Infeção e de outras medidas, entre as quais a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, o
distanciamento social, limpeza e desinfeção dos espaços, monitorização da temperatura,
que constituem medidas eficazes de prevenção da transmissão.

O empregador, através dos Serviços de SST/SO, deve (in)formar os trabalhadores, sobre os


aspetos relevantes para a proteção da sua segurança e saúde e a de terceiros, visando o
desenvolvimento das suas atividades de trabalho em condições de segurança e saúde.

O recurso a plataformas e outros meios eletrónicos podem ser uma mais-valia na difusão
de informação e instrumentos de apoio.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

4.3. Gestão de riscos profissionais – fatores de risco psicossocial, riscos


biomecânicos/ergonómicos, riscos físicos, químicos, biológicos, riscos
profissionais associados à utilização prolongada de EPI, riscos no
teletrabalho

Fatores de risco psicossocial

Um manual de proteção para profissionais de saúde e socorristas, produzido pela OMS e


pela OIT (2018), enumera várias medidas a implementar para evitar o stress relacionado
com o trabalho, que também podem ser alargadas a outros grupos profissionais face a uma
epidemia/pandemia. Estas medidas incluem:

Entre diversos fatores de risco psicossocial, nas fases de pandemia/epidemia alguns dos
mais presentes são:

o Receio pela sua saúde e dos familiares


o Falta de EPI´s
o Isolamento
o Falta de apoio social
o Tensão relacionada com protocolos de segurança estabelecidos e desejo de cuidar
ou apoiar pessoas
o Dificuldade de manter atividade de autocuidado
o Aumento do horário/carga de trabalho
o Períodos de descanso reduzidos
o Aumento da violência e do assédio
o Aumento do estigma e discriminação

Respostas comuns:
o Stress

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Alterações de humor
o Níveis de motivação reduzidos
o Ansiedade e depressão
o Reflexos na saúde mental

Medidas de prevenção:

o boa comunicação e informação atualizada que permitam aos colaboradores


sentirem-se informados e dar-lhes uma sensação de controlo;

o locais para expressarem preocupações e fazerem perguntas sobre os riscos para a


saúde para si e para colegas;

o sessões multidisciplinares para identificar preocupações sobre o bem-estar do


pessoal, e para colaborar em estratégias para resolver problemas;

o rever a cultura organizacional e a sensibilidade para com outras pessoas, uma vez
que também as famílias podem ser afetadas pela epidemia/pandemia;

o uma lista de verificação para avaliar e compreender os pontos fortes, de melhoria


e limitações pessoais, incluindo para reconhecer sinais de stress e burnout em si
mesmos e noutras pessoas;

o uma rede de suporte entre pares, para dar apoio psicológico e monitorizar o stress
e o burnout;

o períodos de repouso estabelecidos para fazer pausas suficientes durante o dia de


trabalho;

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o oportunidades para promover a saúde física, que incluam o exercício, e o incentivo


para a manutenção de hábitos alimentares saudáveis;

o modelos de liderança responsáveis que possam servir de exemplo para os


colaboradores sob a sua supervisão demonstrando comportar-se de forma a mitigar
o stress;

o campanhas para reduzir o estigma, causado pelo medo eventualmente excessivo


de contágio ou contaminação, incentivando o público a valorizar o papel dos
homens e das mulheres que combatem a epidemia/pandemia na linha da frente,
de modo a estes sintam orgulho do que estão a fazer;

o utilização de humor e de técnicas participativas que podem promover o diálogo,


soluções inovadoras e mudanças positivas de atitude.

o Proteger a saúde mental das pessoas que trabalham a partir de casa durante a
pandemia.

De acordo com um estudo recente realizado em 15 países pela Eurofound e pela OIT (2017),
41% das pessoas que trabalhavam em casa consideravam-se muito stressadas, contra
apenas 25% das que trabalhavam apenas no local de trabalho.

Trabalhar a partir de casa, pode originar uma sensação de isolamento, mais horas de
trabalho e esbatimento dos limites entre o trabalho e a vida familiar. Se o isolamento pode
facilitar a concentração, a ausência de interação social pode tornar-se uma fonte de stress.
O horário de trabalho flexível pode transformar-se num número de horas de trabalho
excessivas, sem pausas e pode continuar durante a noite, resultando em riscos associados
e consequentes das insónias.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Gerir riscos ergonómicos - biomecânicos

Os problemas ergonómicos resultantes do manuseamento e elevação de cargas e de


pessoas podem aumentar entre os colaboradores dos cuidados de saúde e de resposta à
emergência durante uma situação de epidemia/pandemia.

O manuseamento de cargas efetuado de forma manual – ou seja, de doentes – muitas


vezes associado a posturas incorretas, pode causar lesões músculo-esqueléticas,
diminuição da capacidade de trabalho e capacidade reduzida de executar tarefas rigorosas,
aumentando assim o absentismo (OMS e OIT, 2018).

Gerir riscos ergonómicos – Técnica de Movimentação Manual de Cargas


• Analise a carga
• Pernas à largura dos ombros
• Flexão dos joelhos e coluna direita
• Ao elevar a carga deve efetuar o esforço nas pernas e a coluna deve manter-se
direita
• Carga deve ser mantida próximo do corpo quando está a ser transportada
• Divisão da carga – quando não conseguir transportar de uma única vez, e quando
possível
• Carga elevada a pares – quando não conseguir transportar a carga sozinho/a
• Flexão de pernas para puxar ou empurrar a carga

O risco de lesões músculoesqueléticas também podem aumentar para quem tem que
assegurar cargas de trabalho nas linhas operativas ( movimentos repetitivos, posturas
incorretas, longos períodos de tempo de pé). Além disso, o stress e a fadiga decorrentes
dessas situações podem aumentar o risco de acidentes de trabalho e de doenças
profissionais.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

As pessoas que trabalham no escritório, ou a partir de casa, em postos de trabalho ao


computador também estão sujeitas a lesões musculoesqueléticas, devido às posturas de
trabalho.

Assim, é necessário organizar o posto de trabalho ao computador tendo em consideração


as seguintes regras:

Posição do Ecrã
• Posicionamento frontal relativamente ao operador.
• Distância de pelo menos 60 cm para ecrãs até 17’’.
• O ponto mais alto da área de trabalho visualizada no ecrã deve estar situada entre
10º a 20º abaixo da linha de visão horizontal.
• O ecrã deve ser colocado em frente ao utilizador, ou pelo menos dentro de um
ângulo de 120º no plano horizontal para evitar girar o tronco e a cabeça
repetidamente.
• Deve evitar rotações com a cabeça. O ângulo máximo de rotação da cabeça deve
ser inferior a 35º.
• O trabalhador deve saber ajustar com facilidade o brilho e o contraste do ecrã, de
forma a encontrar os níveis mais confortáveis em função das condições de
iluminação.

Porta Documentos
• Para tarefas que requerem alternância na visualização do ecrã com a leitura
frequente de documentos impressos. Deve ser colocado junto ao ecrã de modo a
limitar os movimentos da cabeça e dos olhos do utilizador.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Prevenção da fadiga Visual - Regulação do brilho e do contraste


• O trabalhador deve saber ajustar com facilidade o brilho e o contraste do ecrã, de
forma a encontrar os níveis mais confortáveis em função das condições de
iluminação.

Mesa de Trabalho
• Debaixo da mesa de trabalho deve existir espaço suficiente para alojar
comodamente as pernas de forma a permitir as mudanças de postura;
• Deve permitir a colocação flexível de rato, teclado ecrã, documentos e outros
acessórios necessários;
• Deve contemplar arestas arredondadas e tampo baço.

Cadeira de Trabalho
• A altura do assento deve ser regulada de forma a colocar os cotovelos
aproximadamente à altura da superfície da mesa, ou do teclado e os pés apoiados
no chão;
• O ângulo entre o braço e o antebraço não deve ser inferior a 90º e as coxas devem
ficar na horizontal.

Iluminação
Gestão do espaço – Localização do Posto de Trabalho - Fatores a avaliar:
• Reflexos
• Encandeamento
Dificultam a leitura e "forçam" a vista obrigando o operador a desviar a cabeça para poder
ver, ocasionando sobrecarga do pescoço.

Organização do Posto de Trabalho


• Colocar os acessórios de uso constante (telefone) de modo acessível.
• Colocar o documento de leitura entre o monitor e o teclado.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Evitar colocar objetos debaixo da mesa que dificultem os movimentos das pernas.
• Manter a região lombar (costas) apoiada no encosto da cadeira.
• Manter os pés apoiados no chão, ou usar apoio de pés.
• Manter os braços na vertical, os antebraços na horizontal e os punhos apoiados.
• Manter o cotovelo junto ao corpo.
• Usar o rato o mais perto possível do teclado.
• Manter o antebraço, punhos e mãos em linha reta (posição neutra do punho) em
relação ao teclado.
• Utilizar apoio para os punhos.
• Manter o topo do ecrã ligeiramente abaixo do nível dos olhos e distante, cerca de
um comprimento de braço.
• Manter a cabeça e pescoço em posição reta, ombros relaxados.
• A altura do assento deve permitir a formação de um ângulo de 90º das coxas com
as pernas.

Riscos físicos

O stress térmico pode resultar em doenças profissionais e pode aumentar o risco de


acidentes de trabalho (por exemplo, devido a tonturas (OMS e OIT, 2018).

A fim de reduzir o risco de stress térmico e consequente desidratação, deve ser


disponibilizada água potável nos locais de trabalho. Também deve ser proporcionada
formação sobre como reduzir o stress térmico e encorajar a vigiar eventuais sintomas (CDC,
2018).

Os locais de trabalho devem ser munidos de iluminação adequada às diferentes atividades


evitando riscos para o trabalhador.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Riscos Químicos

A limpeza e a desinfeção com produtos químicos são elementos chave na redução do


contágio. Em todos os locais de trabalho, especialmente em serviços essenciais
fundamentais, como os cuidados de saúde, os transportes, os supermercados, os serviços
de emergência e outras atividades económicas, poderá haver exposição frequente a
produtos químicos e desinfetantes, para se protegerem a si, aos seus colegas e ao público
que lhes podem transmitir a infeção.

A limpeza e a desinfeção com produtos químicos é fundamental para prevenir o contágio


em todos os locais de trabalho.

Todos/as os trabalhadores/as devem ter acesso a formação adequada sobre a utilização


correta e segura de produtos químicos e informação sobre os seus riscos e níveis de
exposição

É importante que as pessoas estejam devidamente capacitadas sobre a utilização correta e


segura destes produtos químicos e que sejam informadas sobre os seus riscos e níveis de
exposição, especialmente se não são produtos químicos anteriormente utilizados ou se
estes são utilizados com menor frequência nesses locais de trabalho. As pessoas que estão
em teletrabalho também podem estar em contacto com produtos químicos durante a
limpeza e desinfeção das suas casas.

Riscos associados à utilização de determinados produtos químicos em altura de


epidemia/pandemia, com componentes mais fortes:

o Aumenta o risco de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica


o Reduz a fertilidade
o Afeta os sintomas de asma

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Outros efeitos específicos dependendo do produto utilizado

Regras de manuseamento:

• Não cheirar ou beber o produto químico


• Formação e informação
• Fechar sempre os produtos adequadamente
• Não utilizar produtos sem rótulo
• Ler as instruções do rótulo e fichas de dados de segurança
• Cumprir as regras de utilização dos produtos
• Não misturar produtos, a não ser que estes estejam destinados a tal
• Utilizar EPI´s

Riscos biológicos

Os profissionais do setor da saúde e de trabalho com resíduos têm contacto permanente


com agentes biológicos de diferentes tipos. Agentes que podem ser de maior perigosidade
dos que estamos habituados e expostos no quotidiano.

Medidas de prevenção

• Utilização de EPI´s - luvas, máscaras e fatos adequados


• Higiene rigorosa das mãos, do corpo e roupas
• Higiene dos locais de trabalho
• Reforço de limpeza e desinfeção/rotina de limpeza e desinfeção, tipos de produtos,
frequência
• Rotatividade de trabalho e redução de horas de trabalho
• Sinalização de locais de trabalho
• Restrição de áreas a determinados colaboradores

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Riscos profissionais associados à utilização prolongada de EPI

Os/as profissionais também podem enfrentar riscos decorrentes da utilização frequente de


EPI´s, tais como marcas físicas no rosto, stress térmico e consequente desidratação ou
tonturas.

De facto, a utilização de EPI´s que cobrem todo o corpo (ou uma grande parte do mesmo)
pode acumular o calor e o suor, limitando o mecanismo de proteção do corpo de
arrefecimento por evaporação.

Medidas de prevenção

o Sistemas de ventilação e climatização


o Hidratação permanente
o Alimentação adequada
o Períodos de descanso/pausas

Riscos no teletrabalho

A configuração do espaço domiciliário muitas vezes não cumpre as mesmas normas de SST
que as aplicadas nos locais de trabalho em relação a : instalações e equipamentos ambiente
físico (como calor, frio, iluminação, segurança elétrica, higiene domiciliária, entre outros).

Os/as trabalhadores/as devem receber informações adequadas sobre: localização e


posicionamento do ecrã de para evitar o risco de encandeamento; A melhor forma de
colocar equipamentos para minimizar a torção ou estiramento muscular excessivo; Tarefas
de trabalho variadas e mudanças de posição; Fazer pausas regulares, levantar-se e mover-
se por um minuto a cada hora, iluminação adequada, ventilar o local onde está a trabalhar.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

4.4. Condições de proteção e segurança para os consumidores/clientes

1. Acesso e circulação nos estabelecimentos

O guia começa por determinar que devem ser adotadas medidas de acesso aos
estabelecimentos e de circulação dentro dos mesmos, que assegurem a segurança dos
trabalhadores e dos clientes.

Neste sentido, é pedido nomeadamente:

o Manter, quando possível, a porta aberta para minimizar o contacto com a mesma e
as respetivas maçanetas, e promover o arejamento natural dos espaços, se possível,
ou estabelecer medidas eficazes de higienização das mesmas.

o Gerir os acessos de modo a evitar a concentração de pessoas à entrada do


estabelecimento ou situações de espera no interior, garantindo sempre
o distanciamento físico de pelo menos dois metros.

o Afixar as regras de etiqueta respiratória em local visível pelos clientes, em


Português e Inglês, divulgadas pela Direção-Geral da Saúde, e incentivar os
trabalhadores e os clientes para o respetivo cumprimento.

2. Distanciamento

Em todas as atividades de laboração devem ser cumpridas as regras de distanciamento


físico.

o Cumprir a ocupação máxima do estabelecimento determinadas pelas Autoridades


Públicas.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Assegurar uma distância mínima de dois metros entre pessoas e uma permanência
das mesmas apenas pelo tempo necessário à aquisição dos produtos ou à prestação
do serviço, recorrendo, se necessário, à inativação parcial de pontos de
atendimento ou de prestação de serviços.

o Organizar a entrada dos clientes, colocando, sempre que possível, marcas no chão
que indiquem distâncias mínimas entre os clientes nas filas para atendimento e
pagamento ou no acesso ao estabelecimento.

o Adaptar a disposição de equipamento mobiliário, por forma a facilitar o


cumprimento das distâncias mínimas de segurança. Mas também remover
elementos físicos de potencial contacto com os clientes que não sejam
indispensáveis e utilizar portas separadas para a entrada e saída de forma a evitar
o cruzamento entre as pessoas, quando possível.

o Manter a distância de segurança em zonas de pausa. Designadamente,


em refeitórios, sanitários, entre outros. quando aplicável.

o Privilegiar as formas de contacto com clientes, fornecedores e parceiros à distância


(pedidos de material a fornecedores, orçamentos e marcações online para clientes).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

3. Medidas de Proteção Individual

A utilização de equipamentos de proteção individual deve seguir as orientações da DGS,


visando a proteção individual contra riscos de contaminação dos trabalhadores e dos
clientes.

o Disponibilizar máscaras ou viseira de proteção para utilização de todos os


trabalhadores.

o Informar os clientes sobre a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção ou


viseira e impedir a entrada de quem não for portador de máscara, exceto quando
tal não seja possível como, por exemplo, em circunstâncias de prestação de alguns
serviços de cuidados pessoais.

o Disponibilizar obrigatoriamente soluções de base alcoólica/álcool-gel, para


profissionais e clientes, em todas as entradas e saídas dos estabelecimentos, assim
como, no seu interior. Deverá ser aplicado rácio mínimo de um dispensador por 100
metros quadrados de área.

o Disponibilizar toalhetes de papel para secagem das mãos, nas instalações sanitárias
e noutros locais, de acesso aos trabalhadores e/ou clientes.

o Afixar nas instalações sanitárias o folheto da Direção-Geral da Saúde sobre a


lavagem correta das mãos.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

4. Ventilação

A ventilação adequada dos espaços é um dos requisitos que as empresas devem cumprir,
sendo que devem ser determinadas algumas regras sobre como tal deverá ser feito, em
particular no caso de existirem sistemas de ventilação.

o Manter os locais ventilados, com pelo menos, seis renovações de ar por hora.

o Limpar e desinfetar periodicamente os sistemas de ventilação e ar condicionado.

o Assegurar que o ar é retirado do exterior, não devendo ser ativada recirculação de


ar. Função de desumidificação, do sistema de ventilação e ar condicionado deve
também ser mantida desligada.

5. Higienização e desinfeção dos espaços e equipamentos

As empresas devem definir um plano de limpeza e higienização das instalações onde são
definidas as técnicas de limpeza a adotar, o qual deve ser afixado em local visível. Esse
plano deve obedecer a vários aspetos.

o Limpeza e desinfeção frequente dos espaços, equipamentos, objetos, utensílios e


superfícies, designadamente instalações sanitárias, espaços de prova, mobiliário,
pavimentos, portas, vitrines, mostradores, ferragens, cabides e máquinas
dispensadoras, em conformidade com as orientações da DGS para limpeza e
desinfeção de superfícies em estabelecimentos de atendimento ao público ou
similares.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Limpeza e desinfeção, após cada utilização ou interação, dos terminais de


pagamento automático (TPA) e de outros equipamentos e utensílios em contacto
direto com o cliente ou utilizados para o seu atendimento.

o Utilização de detergentes de base desinfetante que cumpram os requisitos


recomendados pela DGS.

o Adoção de um sistema de registo da limpeza com identificação das pessoas


responsáveis e a frequência com que é realizada.

o Observar o protocolo recomendado para tratamento dos resíduos, em particular no


que diz respeito aos equipamentos de proteção individual.

6. Atendimento Prioritário

Para além das regras de atendimento prioritário definidas legalmente, deve ser privilegiado
o atendimento prioritário para alguns segmentos de pessoas.

o Pessoas idosas acima de 70 anos, com doenças crónicas – doença cardíaca,


pulmonar, diabetes, neoplasias ou hipertensão arterial, entre outras. Mas também
pessoas com compromisso do sistema imunitário, como as que estão a fazer
tratamentos de quimioterapia, para doenças autoimunes (artrite reumatoide,
lúpus, esclerose múltipla ou algumas doenças inflamatórias do intestino), infeção
VIH/sida ou doentes transplantados.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Profissionais de saúde, elementos das forças e serviços de segurança, de proteção


e socorro, forças armadas e de prestação de serviços de apoio social.

4.5. Qualidade e segurança na prestação do serviço e/ou entrega do produto


– operação segura, disponibilização de EPI, material de limpeza de utilização
única, entre outros, descontaminação

Nas operações de abastecimento dos estabelecimentos, deve também ser limitado o


contacto e garantida a desinfeção dos objetos e a higiene das mãos.

Na recolha de assinaturas de receção da mercadoria, devem ser adotadas formas


alternativas de comunicação como o e-mails de confirmação, fotografias de entrega ou
outros. Veículos ao serviço da empresa, designadamente para entrega de mercadorias ou
prestação de serviços, devem ser também desinfetados após cada utilização.

a) A prestação do serviço e o transporte de produtos devem ser efetuados mediante o


respeito das necessárias regras de higiene definidas pela Direção-Geral da Saúde;

b) Os operadores económicos devem promover a limpeza e desinfeção diárias e periódicas


dos espaços, equipamentos, objetos e superfícies, com os quais exista um contacto intenso;

o Todos os locais devem ser devidamente higienizados


o Aos trabalhadores devem ser atribuídos os equipamentos de proteção individual
adequados e necessários
o O material de limpeza deve ser de utilização individual e descartável
o Todos os produtos devem ser devidamente embalados com as regras de segurança
e higiene adequadas
o Entrega dos produtos deve ser efetuada com máscara

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Em caso de trocas, devoluções ou retoma de produtos usados, os operadores devem,


sempre que possível, assegurar a sua limpeza e desinfeção antes de voltarem a ser
disponibilizados para venda, a menos que tal não seja possível, ou comprometa a qualidade
dos produtos.

Contacto pelos clientes em produtos ou equipamentos, bem como em artigos não


embalados, devem ser contidos o máximo possível. Estes devem ser preferencialmente
manuseados e dispensados pelos profissionais após lavagem rigorosa das mãos.

4.6. Qualidade e segurança no manuseamento, dispensa e pagamento de


produtos e serviços

O pagamento por cartão ou outro método eletrónico, em particular contactless, deve ser
privilegiado face ao pagamento em numerário.

c) Os operadores económicos devem promover a limpeza e desinfeção, após cada utilização


ou interação, dos terminais de pagamento automático (TPA), equipamentos, objetos,
superfícies, produtos e utensílios de contacto direto com os clientes.

4.7. Sensibilização e promoção da saúde – capacitação e combate à


desinformação, saúde pública e SST

Para mitigar o impacto de pandemias, proteger a saúde de quem trabalha e garantir a


continuidade dos serviços de saúde durante e após as epidemias/pandemias, são
necessários sistemas de saúde fortes.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

As epidemias/pandemias, colocam estes sistemas sob grande pressão e stress. As pessoas,


os meios e os recursos médicos são redirecionados para responder à emergência. Isto leva
frequentemente a que os serviços de saúde essenciais básicos e regulares sejam
negligenciados.

Além disso, as configurações dos cuidados de saúde, e especialmente as urgências, podem


tornar-se centros de transmissão. Muitas pessoas podem ser infetadas nestas situações se
as medidas de prevenção e de controlo não forem corretamente implementadas.

Os/as profissionais de saúde, na linha da frente da resposta às epidemias/pandemias,


podem, infetar-se e morrer (OMS, 2018). Os serviços de saúde pública também
desempenham um papel vital nas medidas de prevenção e mitigação da população em
geral.

Para os trabalhadores/as da economia informal e das pequenas e microempresas –


geralmente fora do alcance dos serviços da SST – os serviços de saúde pública podem ser
os únicos serviços a chegar a esses grupos de pessoas.

A sensibilização e promoção da saúde, consiste num conjunto de políticas, planos e


programas de saúde com o objetivo de informar e evitar a exposição dos indivíduos a
potenciais situações de risco, prevenindo doenças e promovendo/sensibilizando para uma
atuação segura por parte de todos.

O programa nacional de saúde ocupacional integra três conceitos essenciais:

1. Saúde dos trabalhadores - principal foco da ação do PNSOC, que será potenciado no
contexto de trabalho, se se garantir que os trabalhadores:

o Sentem bem-estar e segurança no local de trabalho, e estão aptos para a atividade


profissional, para além de motivados e realizados pessoal e profissionalmente;

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Desempenham a sua atividade em locais e ambientes de trabalho que sejam


promotores de saúde e segurança, além de satisfatoriamente confortáveis;
o Realizam a atividade profissional num trabalho digno, sem qualquer discriminação,
com remuneração adequada, exercido em liberdade, em diálogo social, e existindo
respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos e equidade;
o Beneficiam de Serviços de SST/SO de qualidade, organizados e disponibilizados pela
entidade empregadora, que procedam à vigilância e promoção da saúde de forma
continuada.

2. Ambiente de trabalho saudável é aquele em que os trabalhadores e os


gestores/empregadores colaboram conjuntamente no processo de melhoria contínua
quanto à proteção e promoção da saúde e bem-estar dos trabalhadores e garantem a sua
segurança, em prol da sustentabilidade do trabalho. Este conceito integra os aspetos
seguidamente expostos:

o Questões de saúde, bem-estar e segurança nas condições de trabalho em geral;


o Questões de saúde e bem-estar no ambiente psicossocial de trabalho, incluindo a
cultura organizacional de trabalho, modelo de gestão e valores da entidade
empregadora;
o Recursos que apoiem e incentivem a saúde individual no trabalho;
o Envolvimento da empresa na comunidade visando melhorar a saúde dos
trabalhadores, das suas famílias e de outros membros da comunidade.

3. Qualidade dos Serviços de Saúde Ocupacional que devem:

o Permitir a cobertura de todos os trabalhadores por conta de outrem em todos os


setores de atividade, incluindo ainda os trabalhadores independentes;
o Garantir, sobretudo pela vertente de Saúde do Trabalho, “intervenções essenciais
e serviços básicos/primários de Saúde Ocupacional relativos à prevenção primária
de doenças profissionais, de doenças ligadas ao trabalho e das lesões” por acidente;

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

o Impulsionar o processo que visa alcançar empresas/estabelecimentos saudáveis,


com especial intervenção em matéria de proteção e promoção da saúde e do bem-
estar dos trabalhadores.

Evitar a "infodemia"

Muitas vezes durante uma epidemia/pandemia, há uma rápida disseminação de


informação de todos os tipos, de várias fontes, incluindo rumores, boatos e informações
pouco fiáveis, que podem criar pânico na população em geral. Este fenómeno é muitas
vezes definido como uma "infodemia". A comunicação do risco é um dos pilares
fundamentais da resposta aos surtos. Refere-se à partilha em tempo real de informações,
conselhos e opiniões entre especialistas em saúde ou profissionais e populações que
enfrentam uma ameaça (perigo) à sua sobrevivência, saúde ou bem-estar económico ou
social (OMS, 2018).

A comunicação do risco de surto envolve três elementos principais que devem funcionar
em conjunto:

1. Falar. As autoridades, especialistas e equipas de resposta devem transmitir


rapidamente informações sobre a natureza do evento e as medidas de proteção
que as pessoas devem tomar.
2. Ouvir. Os responsáveis, especialistas e as autoridades devem avaliar e
compreender rapidamente os receios, preocupações, perceções e pontos de vista
das pessoas afetadas; e adaptar as suas intervenções e mensagens para dar
resposta a tais preocupações.
3. Gerir boatos. Os responsáveis precisam de meios para detetar a desinformação
e corrigi-la (OMS, 2018).

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

4.8. Transformação digital – novas formas de trabalho e de consumo

As novas formas de trabalho já se abordavam há muito, no entanto, com o aparecimento


da pandemia COVID 19, estas mudanças foram impulsionadas de forma vertiginosa nas
organizações, tal como, novas formas de consumo.

As empresas implementaram o teletrabalho, mas é necessário dotar as organizações e as


pessoas de ferramentas de trabalho adequadas, tal como, de formação e informação para
executarem o seu trabalho de forma segura. O ritmo de mudança e das inovações
tecnológicas alterou-se com a pandemia. É neste momento, essencial ajustar formas de
liderança adequadas.

A pandemia COVID19 veio fazer com que também as próprias empresas se ajustassem a
novas formas de negócio, aumentando “novas” formas de consumo de forma mais
acentuada, o e-commerce.

Porque a transformação digital não se baseia apenas em transformar documentos em


papel, em arquivos digitais, a verdadeira revolução incide nas soluções desenvolvidas para
o consumidor.

Estas novas formas de trabalho e consumo veem alterar formas de vivenciar o trabalho e
consequentemente novos perigos e riscos associados à segurança e saúde dos
trabalhadores.

Desta forma, é essencial estarmos sensibilizados e adequarmos o nosso local de trabalho


e as nossas rotinas:

• Mantenha a rotina
• Defina um espaço para trabalhar
• Adeque e organize o seu local de trabalho
• Tenha atenção às posturas incorretas

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

• Reorganize o tempo de trabalho


• Adapte o seu trabalho
• Pratique exercício físico
• Faça uma alimentação adequada
• Realize tarefas aprazíveis fora do tempo de trabalho

Estas novas formas de trabalho, se forem devidamente organizadas e apoiadas pelas


organizações e líderes, são boas práticas, no entanto, deve ser procurado o equilíbrio e
desenvolvidas as respetivas condições por parte do empregador para que possam ser bem
sucedidas, não colocando a segurança e saúde dos trabalhadores em risco. O isolamento é
uma das caraterísticas do teletrabalho e se não existirem estratégias por parte da
organização por forma a acompanhar os colaboradores poderá ser um contributo para as
doenças mentais.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

5. Síntese
Ao longo deste manual foi desenvolvida uma abordagem sobre a segurança e saúde no
trabalho relativa a situações ou contextos muito específicos, epidemias/pandemias.
Através do mesmo, reconhecemos a organização, as entidades intervenientes e as regras
essenciais ao desenvolvimento de trabalho seguro, evitando a disseminação de situações
em contextos de exceção – epidemias/pandemias.

A segurança e saúde no trabalho é essencial nas organizações, não apenas para promover
e sensibilizar os colaboradores para boas práticas de trabalho seguro, reduzindo ou
eliminando os acidentes de trabalho e as doenças profissionais, como também,
salvaguardando vidas. Esta tem um grande impacto na estrutura económica da
organização, pois investir na mesma envolve, menos custos diretos e indiretos.

Organizações saudáveis, que promovem e investem na segurança e saúde no trabalho, são


organizações mais seguras que envolvem, motivação e aumentam a produtividade dos
colaboradores. Em contextos específicos, a sua articulação com as entidades externas é
essencial, assim como, o reforço das condições de segurança e saúde no trabalho, e o
cumprimento de regras. As organizações desenvolvem um papel crucial na cooperação com
outras entidades no sentido da supressão/não disseminação das epidemias/pandemias.

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

6. Bibliografia
Documentos emitidos por entidades competentes

Autoridade das Condições para o Trabalho - 19 recomendações – Adaptar os locais e


trabalho/Proteger os trabalhadores, 2020

Agência Portuguesa do Ambiente - Gestão de Resíduos em Situação de Pandemia por SARS


– CoV2 (COVID19), 2020

Direção Geral de Saúde – Pandemia da Gripe - Plano de Contingência Nacional do Sector


da Gripe, 2007

Direção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção a Saúde/Divisão de Saúde


Ambiental e Ocupacional - Programa Nacional e Saúde Ocupacional (PNSOC) – Extensão –
2018/2020, DGS, 2018

Direção dos Serviços de Prevenção das Doenças e Promoção da Saúde -Saúde e Atividades
diárias: Medidas de Prevenção e Controlo de Covid19, Lisboa, DGS, 2020

Nunes, C., Nogueira, J., Saúde no Trabalho – Medidas de prevenção da CIVD 19 nas
empresas, 2020 DGS, Lisboa

Vários – Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus


(COVID19), DGS 2020

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Legislação, Normas, Orientações e Notas Técnicas

Convenção n.º 155, relativa à segurança, à saúde dos trabalhadores e ao ambiente de


trabalho, Organização internacional quadro da celebração, Organização Internacional do
Trabalho (OIT/ILO), 22/06/1981

Decreto-Lei nº 84/97, de 16 de abril - Estabelece as prescrições mínimas de proteção da


segurança e da saúde dos trabalhadores contra os riscos da exposição a agentes biológicos
no trabalho.

Portaria nº 1036/98, de 15 de dezembro - Altera a Lista dos agentes biológicos


classificados, constante do anexo à Portaria nº 405/98, de 11 de julho.

Lei nº 7/2009, de 12 de fevereiro - Código do Trabalho - Art.º 281º a 284º - Estabelece os


princípios gerais em matéria de segurança e saúde no trabalho.

Aviso n.º 12/2008 -Regulamento Sanitário internacional

Lei nº 102/2009, de 10 de setembro - Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde


no Trabalho - (Regulamenta o Regime jurídico da promoção e prevenção da segurança e
saúde no trabalho, de acordo com o previsto no art.º 284º da Lei n.º 7/2009, de 12 de
fevereiro)

Despacho n.º 2836-A/2020, de 2 de março de 2020, e em alinhamento com a Orientação


n.º 006/2020, de 26/02/2020 da DGS, foi determinada a elaboração de um plano de
contingência por todos os empregadores públicos

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Programa Nacional de Saúde Ocupacional/Direção Geral de Saúde, Informação Técnica


Nº 14/2020 ,19/03/2020 - Principais alterações nos procedimentos e atividade dos serviços
de segurança e saúde no trabalho/saúde ocupacional

Direção Geral de Saúde, Orientação nº 014/2020, 21/02/2020 – Limpeza e Desinfeção em


Estabelecimentos de Atendimento ao Público ou Similares

Direção Geral de Saúde, Orientação nº 006/2020, 26/02/2020, Procedimentos de


Prevenção, Controlo e Vigilância em Empresas

Direção Geral de Saúde, Orientação nº 011/2020, 17/03/2020, Medidas de Prevenção da


Transmissão em Estabelecimentos de Atendimento ao Público

Direção Geral de Saúde, Orientação nº 013/2020, 21/03/2020, Profissionais de Saúde com


Exposição a SARS – Cov-2 (COVID19)

Direção Geral de Saúde – Norma Nº 007/2020, 29/03/2020 - Prevenção e Controlo de


infeção por SARS – CoV-2 (COVID19): Equipamentos de Proteção Individual

Direção Geral de Saúde, Orientação nº 019/2020 – 03/04/2020, Utilização de


Equipamentos de Proteção Individual por Pessoas não Profissionais

Direção Geral de Saúde – Informação Técnica nº 15/2020, 17/04/2020 – Saúde e Segurança


no Trabalho/Saúde Ocupacional: Medidas de prevenção e proteção na SARS CoV2
(COVID19) nas empresas

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Segurança e Saúde no Trabalho – Situações Pandémicas e Epidémicas

Webgrafia

Autoridade para as Condições de Trabalho


http://www.act.gov.pt/

Agência Europeia de Higiene e Segurança no Trabalho


https://osha.europa.eu/pt

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