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A IDEOLOGIA DA EUROPA PRÉ-CAPITALISTA.

O ser humano é um ser social e desde os primórdios, sempre


viveu em grupo. Este agrupamento permitiu a distribuição das
atividades entre todos. Esta distribuição, por necessidade e/ou
conveniência, fez com que as pessoas se diferenciassem entre si de
acordo com as tarefas que eram realizadas.
As inovações tecnológicas demandavam distribuição de tarefas
mais elaboradas e o aumento de produtividade fazia que menos
pessoas fossem necessárias para se produzior que a sociadade
demandava para seu consumo. Isto permitia que uma parte da
sociedade pudesse se desvencilhar do trabalho e viver as custas do
que era produzido pelo restante da sociedade. Surgiam assim as
classes sociais.
As classes mais abastadas não conseguiriam se perpetuar nesta
situação caso não houvesse um entendimento geral sobre o papel de
cada um na sociedade e como isto impacta na vida de cada indivíduo.
Este entendimento deveria explicar o porquê das classes mais
abastadas poderem acumular riquezas e viverem do que era poduzido
pelos integrantes das classes menos abastadas. Cada fase histórica da
sociedade tinha uma base ideológica que sustentasse a sua existência
desta classe mais abastada na nova realidade econômica vigentes na
era antiga e medieval.
Na Roma e Grécia antigas, o sistema era escravocrata. A
economia da época era primordialmente agrária e os escravos deveriam
trabalhar as terras de seus senhores. Estes viviam como reis usufruindo
do que era produzido pelos escravos. De acordo com Platão e
Aristóteles “A escravidão era um fenômeno natural, o único sistema
possível e a sua existência seria eterna”. Além disto, estes filósofos
afirmavam que certos homens e mulheres nasciam para serem
escravos pois eram inferiores. Outros, porém, já nasciam predestinados
a serem donos de escravos. Naquela época, o sistema de escravidão
desenvolveu nos homens livres a ideia que o trabalho era algo indigno e
portanto atribuído aos escravos. Como consequencia, os homens cultos
que poderiam desenvolver novas técnicas de produção não se
envolviam com o trabalho e temos então, este período, caracterizado
pela ausência de criatividade e poucas inovações tecnológicas.
Com a derrocata do Império Romano do Ocidente devido as
invasões dos bárbaros o sistema econômico mudou dando origem ao
Feudalismo.
O feudalismo caracterizou-se locação de terra (feudo) por parte do
dono da terra (senhor feudal) para homens livres (servos). Os servos,
neste período, eram livres e não eram propriedade do senhor feudal.
Além disto não podiam ser separados da terra e nem de sua família. As
relações entre o senhore feudal e o servo se davam de acordo com os
costumes do feudo mas sempre caracterizando que o servo tinha a
obrigação de cultivar a terra e pagar o senhor feudal pelo uso da terra e
o senhor feudal era responsável pela proteção do servo e sua família.
Cada feudo tinha seus próprios costumes. O senhor feudal podia ser
vassalo de um outro senhor feudal que também poderia ser vassalo de
outro senhor feudal assim por diante até a última instância que seria o
rei. Caso houvesse divergências entre senhores feudais o senhor
suzerano destes deveria resolver o litígio. Dentro de um feudo o senhor
feudal agia como juiz julgando as dissensões entre servos e deles com
o próprio senhor.
Na idade média a Igreja Católica era a maior proprietária de terras
que existia. Os feudos dela eram chamados de eclesiasticos enquanto
os dos duques e condes eram chamados de feudos seculares. Ambos
os feudos seculares e eclesiáticos podiam exercer uma relação vassalo-
suzerano entre si mas ambos exploravam os servos que viviam em
suas terras.
Os servos eram homens livres mas eram explorados pelos seus
suseranos. A igreja católica e os suzeranos suscitaram a ideia que a
sociedade feudal era como uma família onde os servos eram os filhos
que deviam obediência ao seu pai o suzerano. Em contra partida o
suzerano era responsável pelo bem estar dos servos e os protegiam
como aos seus filhos. Deu-se a isto o nome de Ética Paternalista Cristã.
Podemos observar que os mais abastados, qua acumularam
riquezas e conseqüentemente com mais conhecimento conseguiram se
manter no poder e esplorando as classes menos abastadas durante
milênios criando uma ideologia que justificasse a situação de cada um
perante a sociedade.