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18/03/2024, 09:00 Bruxaria – Wikipédia, a enciclopédia livre

Bruxaria
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Os termos bruxaria ou feitiçaria ou ainda, menos comumente, embruxação, bruxação,
embruxamento, bruxamento, bruxedo, feiticeiro etc., têm sido de uso corrente da língua portuguesa,
designando o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também utilizada como sinônimo de magia,
feitiçaria, sortilégio ou encantação. Conforme proposto pelo historiador norte-americano Jeffrey B. Russell,[1]
existem três pontos de vista principais sobre o que é bruxaria: o primeiro ponto de vista é o antropológico e
demonstra que bruxaria é sinônimo de magia, curandeirismo, xamanismo; o segundo é o histórico, que
através de documentos escritos analisa os julgamentos de bruxaria durante a inquisição; o terceiro é o da
bruxaria moderna ou hodierna, que defende a bruxaria como uma forma de religião pagã (ou neo-pagã), esse
último sendo um ponto de vista normalmente defendido por wiccanos.

Etimologia
A etimologia da palavra é incerta, mas acredita-se venha do italiano brucia (queima), que vem do verbo
bruciare (queimar) ou de brixtia, que vem do nome da deusa gaulesa Bricta. Outros indícios indicam que a
palavra bruxa nasce na Era Antiga na Península Ibéria, que sua origem seria anterior a invasão romana e por
consequência anterior ao próprio latim, portanto. O mesmo processo ocorreu com as palavras bezerro, cama,
Hans Baldung Grien: Bruxas.
morro e sarna conforme o professor doutor em Letras Claudio Moreno (UFRGS) explica em seu livro
Xilogravura de 1508
Morfologia Nominal do Português (https://sualingua.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Tese-Moreno.pd
f).[2] Esta hipótese é reforçada pelo fato de só aparecer nas línguas ibéricas (português bruxa, espanhol bruja,
catalão bruixa); se viesse do latim, deveria também estar presente no francês (que usa sorcière) e no italiano (que usa strega), que também
pertencem à família das línguas românicas.[3]

Já feitiço, deriva do latim facticius, um ("fictício, artificial, não-natural"), é um vocábulo muito antigo na língua portuguesa, sendo registrado já
no século XV. Inicialmente significava "postiço, artificial": chave feitiça era uma chave falsa, e briga feitiça era apenas de faz-de-conta. Logo, no
entanto, assumiu o seu significado atual de "encantamento". Com o avanço português pela costa da África, os nativos adotaram o termo,

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modificando-lhe a pronúncia para /fe.′ti.xu/; os franceses, que então conheceram o vocábulo, importaram-no com a forma de fétiche, que foi
reimportada por nós no século XIX, com o sentido de "objeto ao qual se atribui um valor sobrenatural" ou "objeto ou parte do corpo em que
certos indivíduos vão buscar excitação erótica".

Já do inglês Witchcraft ou Witchery suponha-se que ela está "relacionada com as palavras inglesas wit, wise, wisdom [raiz germânica * weit-, *
wait-, * wit-; raiz indo-européia * weid-, * woid-, * wid-], então "ofício dos sábios".[4] Outra é do wiccecræft do inglês antigo, um composto de
"wicce" ("bruxa") e "cræft" ("artesanato/ofício").

Na terminologia antropológica, as bruxas diferem dos feiticeiros porque não usam ferramentas físicas ou ações para amaldiçoar; seu malefício é
percebido como algo que se estende de alguma qualidade interna intangível, e um pode não ter consciência de ser uma bruxa, ou pode ter sido
convencido de sua natureza pela sugestão de outros.[5] Esta definição foi pioneira em um estudo das crenças mágicas da África Central por EE
Evans-Pritchard, que alertou que pode não corresponder ao uso normal do inglês.[6]

Tipos de Bruxaria
A confusão entre bruxaria e magia levou muitos praticantes e leigos a criarem equivocadamente a dicotomia "bruxos brancos" e "bruxos negros",
supondo que os que praticassem apenas o "bem" seriam bruxos brancos, e os que praticassem apenas o "mal" seriam bruxos negros. Porém,
praticantes de bruxaria, em seu sentido mais lato, não se pautam pelos conceitos vulgares de bem e mal, considerando toda e qualquer magia
como cinzenta (um misto da dualidade expressa metaforicamente de várias formas, e.g. luz e escuridão, positivo e negativo, "bem" e "mal"). A
grande divisão que se pode fazer atualmente entre grandes grupos na bruxaria é entre a tradicional e a moderna.

Bruxaria Moderna
Bruxaria moderna é considerada pela maioria das tradições de feitiçarias como um sinônimo para as surgidas embasadas ou a partir da fundada
por Gerald B. Gardner, por vezes considerada sinônimo de Wicca, muito embora Raven Grimassi, referência mais conhecida da stregheria
(bruxaria italiana), considere Charles Leland o pai da bruxaria moderna.

É importante ressaltar que determinadas ramificações modernas (como a Wicca) não reconhecem o diabo ou outros elementos judaico-cristãos
em suas práticas. Segundo a leitura do fundador da Wicca (uma vertente da bruxaria moderna), Gerald Gardner,[7] em consonância com fontes de
outras vertentes,[8][9] muitas ramificações hodiernas da bruxaria praticam o culto à Deusa e/ou ao Deus em sistemas que variam de uma deidade
única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assírio, greco-romano e
normando (viquingue). Grande parte dos grupos de praticantes hodiernos considera, inclusive, que diversas deusas antigas são diferentes faces
de uma única Deusa.

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A reintegração do ser humano à natureza é parte fundamental das crenças vinculadas à Wicca, o que se evidencia na celebração do fluir das
estações do ano em até oito festividades chamadas sabás, sendo dois nos equinócios, dois nos solstícios e quatro em datas fixas.[10] O fluxo de um
curso completo de tais eventos chama-se comumente de Roda do Ano. Paralelamente aos sabás, muitas vertentes modernas contam com os esbás,
que celebram as lunações. Aqui, todavia, há grandes diferenças entre vertentes, com alguns grupos comemorando todas as quatro fases, outros
comemorando apenas o plenilúnio.

Ainda que supostamente iniciado por bruxas tradicionais, Gardner juntou, junto aos conhecimentos que elas teriam lhe passado, simbólicas e
práticas ritualísticas de Alta Magia, bem como o princípio ético formulado pelo controverso ocultista Aleister Crowley ("faze o que tu queres, há
de ser o todo da Lei"), ligeiramente modificado como "se a ninguém prejudicares, faze o que desejares", firmando assim as bases de uma nova
crença.

Bruxaria Tradicional
Bruxaria Tradicional é aquela anterior às tradições wiccanas e/ou o reconstrucionismo religioso de práticas pagãs ligadas a uma tradição
específica. Bruxaria Tradicional é uma expressão cunhada por Roy Bowers (pseudônimo de Robert Cochrane) para diferenciar as práticas de
bruxaria pré-gardnerianas (isto é, da Wicca criada por Gardner.). De acordo com a Bruxa Tradicional Britânica Michael Howard, o termo refere-
se a "qualquer forma não-Gardneriana, não-Alexandrina, não Wicca ou pré-moderna da Arte, especialmente se ela for inspirada por formas
históricas de feitiçaria e magia popular". Outra definição foi oferecida por Daniel A. Schulke, o atual Magister da Cultus Sabbati, quando ele
proclamou que a feitiçaria tradicional "refere-se a um círculo de linhagens iniciáticas de magia ritual, magia e misticismo devocional".

Ao contrário do que se possa supor, os grupos de bruxaria tradicional não-reconstrucionistas vieram ao longo do tempo absorvendo
conhecimentos e conceitos de diversas expressões de religiosidade e, como não se submeteram à separação entre ciência e religião, também
vieram modificando sua compreensão cosmológica e suas práticas com o avanço científico, em muitos casos não podendo (com muitos
praticantes também não querendo) ser considerados uma religião.

Tradições de Bruxaria
Tradições de bruxaria ou feiticeirais são conjuntos de crenças e práticas de bruxaria específicas e independentes, estabelecidas a partir da
influência de culturas locais ou pela criação de novas linhas iniciáticas, geralmente a partir de um iniciado de grau elevado em outra tradição.

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Como a bruxaria em si não é uma religião nem é fundada em estrutura dogmática rígida, com o uso de tecnologias de informação modernas,
grupos de praticantes (chamados "covens" quando em vertentes modernas) puderam se expandir para além de fronteiras geográficas locais, o que
levou a uma considerável multiplicação de tradições de bruxaria entre fins do século XX e início do século XXI.

Bruxaria Ancestral
Tradição de bruxaria que venera deuses anteriores ao período histórico, tendo entre suas crenças principais a de que o ser humano não é superior
aos demais animais e que tudo no universo segue o mesmo fluxo, por eles chamado de "Dança da Deusa". Seu fundador, G.L.Taliesin, foi iniciado
e membro do Conselho de Anciãos da Tradição Ibérica, entretanto as experiências místicas pelas quais passou desde o início o levaram a
desenvolver ainda dentro da Tradição Ibérica uma veneração à parte, voltada a deidades mais antigas que as lusitanas, veneradas em seu
conventículo de origem. Acumulando-se divergências ideológicas e filosóficas, o cisma que deu origem à nova tradição foi natural e inevitável,
com a criação da Ordem Sagrada de Bennu,[11] sediada no Brasil.

Stregheria
Tradição de bruxaria natural da região onde hoje é a Itália, tendo suas raízes nos cultos neolíticos a uma deusa-mãe naturais da região do
Mediterrâneo e do Egeu e construída sobre mitos de diversos povos, dentre eles os micênicos e etruscos. A veneração da stregheria é centrada na
Deusa Diana Nemorensis e, segundo sua tradição, a linhagem formal das streghe teve início com uma sacerdotisa da Deusa Diana chamada
Arádia.[12]

Tradição Alexandrina
Contemporâneo de Gerald Gardner, Alex Sanders fundou a Tradição Alexandrina, bastante similar à Wicca, porém pertencente a outra linha
iniciática e mais liberal quanto à exigência de nudez ritual.

Tradição Diânica
Caracterizada pela supremacia do culto à Deusa, em relação ao culto ao Deus, a Tradição Diânica é considerada a linha feminista da bruxaria,
sendo que alguns de seus grupos só admitem membros do sexo feminino.

Tradição Ibérica

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Tradição de bruxaria que cultua antigos deuses da Península Ibérica, em especial da Lusitânia. A origem de tal linhagem se perde no tempo.
Apesar de os registros mais antigos de linha iniciática da Tradição Ibérica datarem de fins do século XVIII, cogita-se que por motivos de
perseguição religiosa não eram tomados registros antes do início do século XX, sendo provável que tal tradição tenha sido fundada pelas bruxas
de aldeia da região onde hoje é Portugal em cima de práticas e conhecimentos da cultura celtibera, anteriores à conquista romana.

Tradição Escandinava
Forma de bruxaria reconstrucionista, voltada as práticas de magia e feitiçaria entre os povos Escandinavos pré-cristãos, como o Seiðr, Galdr e
magia rúnica, bem como também os Galdrastafur, bastões mágicos islandeses. Normalmente praticantes dessa tradição estão ligados aos
movimentos religiosos do neopaganismo germânico.

Wicca Tradicional ou Tradição Gardneriana


Mãe de diversas tradições de bruxaria modernas, a Wicca tradicional foi fundada por Gerald Gardner em meados do século XX, a partir do
sincretismo entre a bruxaria tradicional inglesa e a alta magia ensinada na Ordem Hermética da Aurora Dourada. Diversos iniciados por Gardner
deram origem a outras tradições, ainda assim consideradas wiccanas, motivo pelo qual passou a se chamar a bruxaria ensinada por Gardner de
Wicca tradicional.

Embruxamento
O estado de embruxamento significa estar sob a influência maléfica da ação de bruxas. E sob esta circunstância existem manifestações físicas que
as caracterizariam. Desde a idade média, período em que as caças às bruxas foram levadas ao extremo, através das práticas inquisitoriais da
Igreja Católica que os praticantes de "magia" foram considerados inimigos da igreja.[13] Os atos de magia, foram considerados pelos tribunais da
Inquisição como atos não divinos e por consequência do diabo. Nesse sentido, manifestações curativas e de louvor não reconhecidas pelo poder
da igreja católica, eram considerados atos do demônio. Dentre os praticantes estavam pessoas com conhecimentos da natureza das plantas e suas
propriedades curativas, alucinógenas e até contraceptivas. Nesse contexto as mulheres eram consideradas suas praticantes, uma vez que seus
deveres de cuidar, envolviam lidar com doenças cuja cura era desconhecida e buscavam na natureza os remédios para tais moléstias.

Estas as ocorrências foram consideradas como magia por não fazerem parte da doutrina professada por aquela entidade religiosa. E é nesse
contexto que se instauram as denúncias de embruxamentos. Foram consideradas ações de bruxarias ou de embruxamentos relatos de crianças
doentes, mulheres enfeitiçadas andando nuas a cavalo ou fazendo rituais ao redor de fogueiras, ou alterando comportamentos animais.

Tipos de embruxamento

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Os embruxamentos[14]podem evolver todas as pessoas, entretanto os mais vulneráveis são as crianças que sofrem as consequências mais graves,
que pode levar à morte.[15] De forma geral o embruxamento infantil ocorre quando a criança tem idade entre seis ou sete anos.

Sintomas de embruxamento
Os sintomas mais comuns são emagrecimento, choro constante e manchas roxas no céu da boca. Estas manchas roxas são consideradas
característica do embruxamento e são as marcas da ação de sugar o sangue da vítima.

Perspectivas religiosas

Crenças do Oriente Próximo


De acordo com Tzvi Abusch, os estágios iniciais do desenvolvimento da bruxaria (ipšū ou kišpū[16]) na Mesopotâmia foram "comparáveis ao
estágio xamânico arcaico da bruxaria europeia". Neste estágio inicial, as bruxas não eram necessariamente consideradas más, mas assumiam
formas (magia brancas ou negra) e podiam ajudar outras pessoas usando uma combinação de conhecimento mágico e médico. Eles geralmente
viviam em áreas rurais e às vezes exibiam comportamento em estado de êxtase, que era mais comumente associado ao ašipu (exorcista),[17] cuja
função principal neste estágio de desenvolvimento era combater forças sobrenaturais não humanas. [18]

Bruxas (m. kaššāpu, f. kaššāptu, de kašāpu, do verbo "enfeitiçar"[16]) eventualmente passou a ser "considerado um praticante anti-social e
ilegítima de magia destrutiva, (...) cujas atividades eram motivadas por malícia e más intenções e que era combatido pelo "ašipu", um exorcista ou
sacerdote de encantamento" que eram predominantemente representantes masculinos da religião oficial do estado.[17] Na época do Código de
Hamurabi (cerca de 2.000 aC), o uso de magia para prejudicar outras pessoas sem justificativa estava sujeito a repercussões legais:

Se um homem lançou um feitiço sobre outro homem e isso não é justificado, aquele sobre quem o feitiço foi lançado irá para o rio
sagrado; no rio sagrado ele mergulhará. Se o rio sagrado o vencer e ele se afogar, o homem que o enfeitiçou tomará posse de sua casa.
Se o rio sagrado o declarar inocente e ele permanecer ileso, o homem que lançou o feitiço será condenado à morte. Aquele que
mergulhou no rio tomará posse da casa daquele que lançou o feitiço sobre ele.[19]

Os ašipu (exorcistas), em seus esforços contínuos para suprimir a tradição da bruxaria,[20] desenvolveram um ritual antibruxaria acadiano, o
Maqlû, provavelmente composto no início do primeiro milênio antes de Cristo.[21]

Religiões abraâmicas
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A evolução histórica da bruxaria no Oriente Médio revela uma jornada multifásica influenciada pela cultura, espiritualidade e normas sociais. A
bruxaria antiga no Oriente Próximo entrelaçava o misticismo com a natureza por meio de rituais e encantamentos alinhados com as crenças
locais. No judaísmo antigo, a magia tinha uma relação complexa, com algumas formas aceitas devido ao misticismo[22] enquanto outras eram
consideradas heréticas.[23] O Oriente Médio medieval experimentou mudanças nas percepções da bruxaria sob o domínio islâmico e influências
cristãs, às vezes reverenciadas por cura e outras vezes condenadas como heresia.

Judaicas
As atitudes judaicas em relação à bruxaria estavam enraizadas na sua associação com a idolatria e a necromancia e alguns rabinos até praticavam
eles próprios certas formas de magia.[24] [25] As referências à bruxaria no Tanakh, ou Bíblia Hebraica, destacaram fortes condenações enraizadas
na "abominação" da crença mágica. O Cristianismo condenou de forma semelhante a bruxaria, considerando-a uma abominação e até citando
versículos específicos para justificar a caça às bruxas durante o início do período moderno.

Islâmicas
As perspectivas islâmicas sobre a magia abrangem uma ampla gama de práticas,[26] com a crença na magia negra e no mau-olhado coexistindo ao
lado de proibições estritas contra sua prática.[27] O Alcorão reconhece a existência da magia e busca proteção contra seus danos. A postura do Islã
é contra a prática da magia, considerando-a proibida, e enfatiza os milagres divinos em vez da magia ou bruxaria[28]. A continuidade histórica da
bruxaria no Médio Oriente sublinha a complexa interacção entre crenças espirituais e normas sociais em diferentes culturas e épocas.

Cristãs
Historicamente, o conceito cristão de bruxaria deriva das leis contrárias à bruxaria do Antigo Testamento. Na Europa medieval e no início da era
moderna, muitos cristãos acreditavam em magia. Ao contrário da magia útil da sabedoria tradicional, a bruxaria era vista como maligna e
associada ao Diabo e à adoração do Diabo. Isso muitas vezes resultou em mortes, tortura e bodes expiatórios (lançando a culpa pelo
infortúnio)[29][30] e muitos anos de julgamentos e caças às bruxas em grande escala, especialmente em países protestantes da Europa, até o
advento do Iluminismo.[31]

As visões cristãs nos dias modernos são diversas, variando desde intensa crença e oposição, especialmente por parte de fundamentalistas cristãos
até a descrença total nessas práticas. Durante a Era do Colonialismo, muitas culturas foram expostas ao mundo ocidental através do colonialismo,
geralmente acompanhado por intensa atividade missionária cristã. Nessas culturas, as crenças sobre a bruxaria foram parcialmente influenciadas
pelos conceitos ocidentais predominantes da época.[31]

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No cristianismo, a feitiçaria passou a ser associada à heresia e à apostasia e a ser vista como um mal. Entre os católicos, os protestantes e a
liderança secular do final da Idade Média/início da Europa moderna, os receios sobre a bruxaria atingiram um nível febril e por vezes levaram a
caças às bruxas em grande escala. O século XV assistiu a um aumento dramático na consciência e no terror da bruxaria. Dezenas de milhares de
pessoas foram executadas e outras foram presas, torturadas, banidas e tiveram terras e bens confiscados. A maioria dos acusados eram mulheres,
embora em algumas regiões a maioria fossem homens.[32][33] Em escocês, a palavra bruxo passou a ser usado como o equivalente masculino de
bruxa que pode ser homem ou mulher, mas é usado predominantemente para mulheres.[34]

O Malleus Maleficarum (do latim para "Martelo das Bruxas") foi um manual de caça às bruxas escrito em 1486 por dois monges alemães,
Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. Foi usado por católicos e protestantes[35] por várias centenas de anos, descrevendo como identificar uma
bruxa, o que torna uma mulher mais provável que um homem ser uma bruxa, como levar uma bruxa a julgamento e como punir uma bruxa. O
livro define uma bruxa como má e tipicamente feminina. Tornou-se o manual para os tribunais seculares em toda a Europa, mas não foi utilizado
pela Inquisição, que até alertou contra a confiança nele.[36] Foi o livro mais vendido na Europa em mais de 100 anos, depois da Bíblia.[37]

Ver também
Bruxas de Salém
Caça às bruxas
Halloween
Magia

Referências
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2. Langer, Johnni. A bruxa no medievo: origem e imaginário Modulo 1 ISBN 978-0-465-02131-4 . [S.l.: s.n.]
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Ligações externas
CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: Witchcraft (newadvent.org) (https://www.newadvent.org/cathen/15674a.htm)

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