Teoria Geral de Administração Pública
Conteúdo: Administração Pública e Privada
Conceito
Conceito: a Administração Pública poder ser definida
como actividade concreta e imediata que o estado
desenvolve, sob regime juridico de Direito Público, para
a consecução dos interesses colectivos.
Exemplos a segurança, a cultura, a saúde…….
A finalidade:
a. Manutenção da ordem pública, baseando-se na
defesa de diversos fins e correspondendo, a
tranquilidade, segurança e salubridade;
b. Satisfação de outras necessidades de interesse geral
ou colectivo, de carácter cultural.
Cont…
As modalidades de exercício
Directamente, através dos seus organismos (SPA – Serviços Públicos
Administrativos) ou entes públicos a ele ligados, as autarquias locais. –
Administração Directa do Estado;
Indirectamente, através de entidades de Direito Privado ou Público, por
transferência ou delegação parcial ou total de competência, ou, por
contratos ou simples actos administrativos (SPICs – Serviços Públicos
Industriais e Comerciais - Empresas Públicas), municípios, etc.
Administração Indirecta do Estado.
Portanto, a Administração Pública pode ser directa ou indirecta.
I. A Administração Pública Directa do Estado
Quando é composta apenas por entidades estatais e/ou quando é
executada pelos órgãos próprios do Estado, que não possuem
personalidade jurídica – Serviços desconcentrados.
Cont…
A Administração Indirecta do Estado
É um conjunto de pessoas administrativa que, vinculadas à Administração
Directa do Estado, têm um objectivo de desenvolver as actividades
administrativas de forma descentralizada. Seu objectivo é a execução de
algumas tarefas de interesse do Estado por outras pessoas jurídicas.
Quando o Poder Público não pretende executar, ele mesmo, certa
actividade através de seus próprios órgãos transfere a sua titularidade ou
execução a outras entidades. Tal delegação ou transferência pode ser
feita por contrato ou mero acto administrativo, neste sentido vamos
encontrar as figuras de concessionário e do permissionário de serviços
públicos.
Por outro lado, quando a delegação ou a transferência é feita por lei ou
por decreto que cria as entidades responsáveis, surge a Administração
Indirecta, que compreende uma variada categoria de entidades,
dotadas de personalidade jurídica própria, como: Autarquias locais;
Empresas públicas; Sociedades de economia mista; Institutos públicos;
Universidades; Fundações públicas; Etc.
CONTINUAÇÃO…
Abordagem orgânica da Administração Pública
Do ponto de vista orgânica a Administração é um conjunto de instituições
que se revelam pessoas morais onde agem pessoas físicas
I. Pessoas morais
Elas são “unidades” jurídicas consideradas como sujeitos de direitos e
obrigações.
É corrente, numa concepção mais larga, considerar que a Administração
Pública compreende o conjunto de pessoas morais que têm uma missão
administrativa, sejam organismos de Direito Público, sejam organismos de
Direito Privado.
II. Pessoas físicas
São as pessoas que agem por conta ou em nome de pessoas morais.
São agentes públicos políticos e agentes públicos administrativos.
Uma pessoa empregada na Administração Pública diz-se servidor público
ou funcionário.
Administração Pública e Administração Privada
Embora tenham de comum o serem ambas administração, a
administração pública e a administração privada distinguem-se
pelo objecto sobre que incidem, pelo fim que visam prosseguir, e
pelos meios que utilizam.
A Administração Pública tem características próprias e especificas,
daí que torna-se impossível reger-se pelos mesmos princípios que a
administração privada.
A Administração Pública é um instrumento do poder político na
medida em que as suas organizações públicas encontram-se
dependentes das vontades políticas dos representantes da
colectividade e tem uma sobrevivência dependendo de dotações
orçamentais; ao passo que a administração privada depende
essencialmente do mercado (CAUPERS).
Administração Pública, objecto:
- Versa necessidades colectivas assumidas como tarefa e responsabilidade própria
da colectividade;
Administração Privada, objecto:
- Incide sobre as necessidades individuais ou sobre necessidade que sendo do
grupo, não atingem, contudo, a generalidade de uma colectividade.
Administração Pública, fim:
- Prossegue sempre o interesse público;
Administração Privada, fim:
- Prossegue fins particulares ou individuais.
Administração Pública, meios:
- Meios de autoridade: o comando unilateral (norma – regulamento), decisão (acto
administrativo);
Administração Privada, meios:
- Contrato (negociação).
Se compararmos ou se confrontarmos a administração pública em sentido material e as
outras funções do Estado, em particular as funções políticas, legislativa e jurisdicional,
estabeleceremos o seguinte quadro de situações:
1- Função Política e administração pública
A política, enquanto actividade pública do Estado, tem um fim específico: definir o
interesse geral da colectividade. A administração pública existe para prosseguir outro
objectivo: realizar o interesse geral definido pela política.
O objecto da política são as grandes opções ou orientações tendentes a resolver os
grandes problemas que o país (Estado) enfrenta ao traçar o seu destino colectivo. O da
administração pública é a satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de
segurança, cultura e bem-estar económico e social.
A política tem natureza criadora, cabendo-lhe momento inovar em tanto quanto seja
fundamental para a conservação e o desenvolvimento da Comunidade estadual ou
nacional. A administração pública tem pelo contrário a natureza executiva, consistindo
sobretudo em por em prática as orientações tomadas e nível político.
Cont…
A política tem carácter livre e primário, apenas limitada em certas zonas pela
Constituição, ao passo que a administração pública tem carácter condicionado e
secundário, achando-se por definição subordinada às orientações da política e da
legislação.
De tudo resulta que a política por natureza pertence aos órgãos superiores do Estado
(Órgãos de Soberania), enquanto a administração pública, ainda que sujeita à
direcção e fiscalização desses órgãos, está na maioria dos casos entregue aos órgãos
secundários e subalternos, bem como aos funcionários e agentes administrativos, a
numerosas entidades e organismos não estaduais.
Em democracias, os órgão políticos são eleitos directamente pelo povo a nível
nacional ou ao nível local (Órgãos Autárquicos), em eleições genuínas, isto é, livres,
justas e transparentes, ao passo que os órgãos administrativos são nomeados ou,
então, eleitos por colégios eleitorais restritos. O governo é simultaneamente um órgão
político e administrativo, que embora seja um órgão político (de Soberania) não é
eleito, mas sim nomeado cujo o início e manutenção das suas funções depende da
Assembleia da República ou do Parlamento.
Em regra, toda a administração pública, além de actividade administrativa, é
também execução ou desenvolvimento de uma política. Mas por vezes é própria
administração, com o seu espírito, com os seus homens e com os seus métodos, que
se impõe e sobrepõe à autoridade política, por qualquer razão enfraquecida ou
incapaz, citando-se então o exercício do poder pelos funcionários – situação a que
Max Weber chamou burocracia (governo dos «bureaus», isto é, de burocratas e J. K.
Galbraith tecnocracia (governo dos técnicos ou de tecnoestrutura).
De resto, a distinção entre política e administração pública, se é clara e
compreensível no plano de ideias, nem sempre é fácil de traçar no plano dos factos
quotidianos: exactamente porque o órgão supremo da administração pública é
simultaneamente um órgão político fundamental (de Soberania) – o Governo - , e
esta situação leva a que muitos actos praticados no exercício de ambas as
actividades se confundam. Pode, com efeito, haver actos políticos com mero
significado administrativo, por exemplo, a marcação de eleições na data há muito
habitual e, ao invés, actos administrativos com alto significado político, por
exemplo, a nomeação de um governador provincial para uma província tida como
politicamente conturbada.
2- Legislação e administração pública
Em opinião de muitos estudiosos deste assunto, a função legislativa encontra-se no
mesmo plano, ou ao mesmo nível, que a função política e por este facto as
características apontadas na alínea anterior para distinguir a política e administração
pública servem igualmente para estabelecer a distinção entre a administração e a
legislação. Na verdade, também a legislação
define opções, objectivos, normas abstractas, enquanto a administração executa,
aplica e põe em prática o que lhe é superiormente determinado.
A diferença principal entre a legislação e administração pública está em que, nos dias
de hoje, a administração pública é uma actividade subordinada à lei: a lei é o
fundamento, o critério e o limite de toda a actividade administrativa.
Há, no entanto, pontos de contacto ou de cruzamento entre as duas actividades que
convêm desde já apontar: (i) há casos de leis que materialmente contêm decisões de
carácter administrativo, por exemplo, uma lei que concede uma pensão de sangue
extraordinária à viúva de um militar que morreu em combate; (ii) há actos de
administração pública que materialmente revestem todos os caracteres de uma lei, por
exemplo, os regulamentos autónomos, para já não falar dos casos em que a própria lei
se deixa completar por actos da Administração Pública.
3- Justiça e administração pública
Esta duas actividades têm importantes traços comuns: ambas são actividades
secundárias, executivas, subordinadas à lei. Todavia, têm traços relevantes que as
distinguem: a justiça consiste em julgar e a administração pública consiste em gerir ou
administrar.
A justiça visa aplicar o direito aos casos concretos, a administração pública visa
prosseguir interesses gerais da colectividade. A justiça aguarda passivamente que lhe
tragam os conflitos sobre os quais deve se pronunciar, a administração toma a iniciativa
de satisfazer as necessidades colectivas que lhes são confiadas. A justiça está acima
dos interesses, é desinteressada, não é parte nos conflitos que decide, a administração
pública defende e prossegue os interesses colectivos a seu cargo, é parte interessada.
Consequentemente, a justiça é assegurada pelos tribunais cujos juízes são
independentes no seu julgamento e inamovíveis no seu cargo; pelo contrário, a
administração pública é exercida por órgãos e agentes hierarquizados, de modo que
em regra os subalternos dependem dos superiores, devendo-lhes obediência nas
decisões que tomam e podendo ser transferidos ou removidos livremente para lugar
diverso.
Em conclusão, podemos sublinhar o seguinte:
1. Que a Administração Pública em sentido orgânico é o sistema de órgãos, serviços e
agentes do Estado, bem como das demais pessoas colectivas públicas, que asseguram
em nome da colectividade a satisfação regular e contínua das necessidades
colectivas de segurança, cultura e bem-estar;
2. Que a administração pública em sentido material é actividade típica dos serviços
públicos e agentes administrativos desenvolvida no interesse geral da colectividade,
com vista à satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de segurança,
cultura e bem estar, obtendo para o efeito os recursos mais adequados e utilizando
formas mais convenientes.
3. Que a administração pública em sentido material ou objectivo é actividade típica
dos organismos e indivíduos, que sob direcção ou fiscalização do poder político,
desempenham em nome da colectividade a tarefa de prover à satisfação regular e
contínua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-estar económico e
social, nos termos estabelecidos pela legislação aplicável e sob o controlo dos tribunais
competentes.
Sublinhe-se, também, que a Administração Pública não se limita ao Estado:
inclui-o, mas comporta muitas outras entidades e organismos.
Portanto, nem toda a actividade administrativa do Estado, isto quer dizer que
a administração não é uma actividade exclusiva do Estado. Pois, ao lado do
Estado ou sob a sua égide, há muitas outras instituições administrativas que
não se confundem com ele, que têm personalidade própria, e constituem por
isso entidades política, jurídica e sociologicamente distintas. É o caso dos
municípios, das universidades, dos institutos públicos, das associações
públicas, e das pessoas colectivas de utilidade pública, entre outras, que
constituem formas autónomas de administração pública.
De modo geral, a Administração Pública abrange:
- A Administração Directa centralizada, da qual fazem parte: o Poder
Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário.;
- A Administração descentralizada, composta por órgãos e unidades
componentes, com personalidade jurídica de Direito Público e com
autonomia administrativa e financeira, como as autarquias locais e outras;
- A Administração Indirecta, integrada por instituições e organizações com
personalidade jurídica de Direito Privado que actuam por concessão da
Administração Pública, como as Empresas Públicas.
A Administração descentralizada é composta por órgãos e unidades
componentes, com personalidade jurídica de Direito Público ou Privado e com
autonomia administrativa, financeira e patrimonial, como as Autarquias Locais,
Empresas Públicas, Sociedades de economia mista, Fundações Públicas,
Institutos Públicos, Universidades, etc, enquanto a Administração
desconcentrada, composta pelos órgãos locais do Estados e abrangem os
Governadores Provinciais, os Administradores Distritais, Chefes de Postos
Administrativos e de Localidades, Governos Provinciais, Governos Distritais e
Secretarias Administrativas dos Postos Administrativos e das Localidades, bem
como pelas Assembleias Provinciais e as Portanto, os órgãos locais da
Administração Pública ou seja da Administração Local do Estado
compreendem as instituições e entidades públicas criadas no âmbito da
desconcentração e da descentralização.
E, na organização dos três tipos da Administração Pública veremos que:
- É Central a Administração Pública que emana de um órgão ou de um
conjunto de órgãos investidos de atribuições, competências ou funções ,
conforme o tipo de órgão, com respeito a uma colectividade inteira, isto é, a
todos os seus membros sem distinção, como o é o caso da administração
exercida pelos órgãos centrais.
- É Local a Administração Pública que emana de um órgão investido de uma função ou
competência para somente uma parte dos seus membros (membros de um Estado ), por
exemplo, a administração exercida pelos Órgãos Autárquicos (quadro do Poder Local do
Estado – Lei nº 2/1997, de 18 de Fev.) ou pelos Órgãos Locais do Estado (no quadro da
representação local do Estado para a administração do desenvolvimento do respectivo
território... - Lei nº8/2003, de 19 de Maio).
- É Indirecta a Administração composta por entidades que embora ligadas aos Estado, têm
uma personalidade jurídica própria, autónomas – autarquias locais, institutos,…, SPICs (Serviços
Públicos Industriais e Comerciais, ou seja, Empresas Públicas).
Portanto, embora seja uma, a Administração do Estado ou Administração Pública pode ser
destrinçada e da tal destrinça resulta: (i) a Administração Directa Centralizada e Concentrada
(feita pelos Órgãos Centrais do Estado); (ii) a Administração Directa Desconcentrada (feita
pelos Órgãos Locais do Estado) e (iii) a Administração Indirecta Descentralizada (feita por entes
públicos com personalidade jurídica própria, autónomos - autarquias locais, institutos,…, SPICs
(Serviços Públicos Industriais e Comerciais, ou seja, Empresas Públicas).
Muito Obrigado pela Atenção