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Sebenta (1) Do Direito Da Família I

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Lições de Direito da Família I

I
NOÇÕES FUNDAMENTAIS
Noções gerais de família
Designa-se por família o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si
e vivem na mesma casa formando um lar. E, a nossa Constituição RDTL também define no
seu Art. 39.o, a família como célula base da sociedade e condição para o harmonioso
desenvolvimento da pessoa.
Uma família tradicional, em geral, é normalmente formada pelo pai e mãe, unidos por
matrimônio ou união de fato, e por um ou mais filhos, compondo uma família nuclear ou
elementar.
Por outro lado, a família é considerada uma instituição responsável por promover a
educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. O papel da
família no desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. É no seio
familiar que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo
de socialização da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de
gerações.
Entretanto é possível identificar dois graus de proximidade familiares:
a) A família nuclear que é normalmente composta pelos pais e filhos;

b) Enquanto a família extensa é composta por avós, tios, primos, etc.

No entanto, este conceito é flexível, já que muitas vezes os avós (ou outros parentes) podem
morar na mesma casa e por isso são considerados como família nuclear. Em outros casos, um
ou os dois pais podem não estar presentes por algum motivo, não fazendo parte da família
nuclear.

Noção jurídica de família


O Artigo 1466.º do CCTL considera as fontes das relações jurídicas familiares são o
casamento, o parentesco, a afinidade e a adoção. Entende-se por relação familiar o vínculo
que une as pessoas por casamento, parentesco, afinidade e adoção.
O casamento (Art. 1467.º CC/TL) e a adoção (Art. 1474.º CC/TL), são como atos
jurídicos, fontes das correspondentes relações jurídicas familiares; o casamento em si não se
pode dizer de parentesco ou de afinidade porque, o parentesco e a afinidade são relações
familiares derivadas, respetivamente, da geração e do casamento.

A relação matrimonial é a relação que em consequência do casamento liga os cônjuges entre


si.
As relações de parentesco (Art. 1468º CC/TL) são as que se estabelecem entre
pessoas que têm o mesmo sangue, porque descendem uma das outras ou porque provêm de
um progenitor comum.
Há outras relações familiares, que nascem e se desenvolvem na dependência de uma
relação de casamento, e cujo regime é influenciado por tal circunstância, por isso mesmo
sendo abrangidas e estudadas no direito da família. Tais como:

1. As relações de afinidades (Art. 1473.º CC/TL) são elas mesmas um dos efeitos da
relação matrimonial. São as que, em consequência do casamento ficam a ligar um dos
cônjuges aos parentes do outro cônjuge.

2. As relações de adopção (Art. 1474.º CC/TL) estabelecem-se entre adoptante e


adoptado.
O direito da família e as suas divisões

Direito da família – conjunto das normas jurídicas que regulam as relações de família e
os princípios que orientam as questões relacionadas a família. É o ramo do direito civil a que
pertence o estudo daquelas normas: a sua interpretação e aplicação, a construção de conceitos
com base nas soluções legais e a ordenação sistemática desses conceitos.

O Direito da família divide-se em dois lados importantes:


 Direito matrimonial – pertence o estudo do casamento e do seu efeito.
 Direito da filiação – tem por objeto as relações de filiação e a matéria da adoção.

Relações familiares distintas da relação matrimonial

Parentesco
Noção e limite

O parentesco é uma relação de sangue, por isso é chamado também consanguinidade;


são parentes as pessoas que descendem uma das outras ou procedem de progenitor comum.
Diz-se que no 1º caso o parentesco é em linha recta ou directa e no 2º em linha transversal ou
colateral. Deve-se ter em conta o limite à relevância jurídica do parentesco posto, segundo o
qual os efeitos do parentesco se produzem em qualquer grau na linha recta, mas só até ao 6º
grau na colateral (Art. 1472. °, CC/TL).

Contagem
O parentesco conta-se por linhas e por graus. Cada geração forma um grau e a série
dos graus constitui a linha de parentesco.
A linha recta pode ser descendente ou ascendente.
O cômputo dos graus faz-se segundo as regras do art. 1471º CC/TL: na linha recta há tantos
graus quantas as pessoas que formam a linha de parentesco, excluindo o progenitor; na linha
colateral os graus contam-se pela mesma forma, subindo por um dos ramos e descendo pelo
outro, mas sem contar o progenitor comum.

Efeitos
Os efeitos por um lado, variam consoante a relação de parentesco que se considere. Os
efeitos principais do parentesco são o sucessório e a obrigação de alimentos. Por outro lado,
traduzem em limitações ou restrições à capacidade jurídica. Isto porque, não podem contrair
casamento entre si os parentes na linha recta, nem os parentes em 2º grau na linha colateral. E
também os parentes em 3º grau na linha colateral não podem casar, mas o impedimento é
agora meramente impediente, e admitindo dispensa.

Afinidade
Noção
A afinidade é o vínculo que liga um dos cônjuges aos parentes do outro cônjuge.
Aos parentes e não aos afins: é o que se costuma exprimir na máxima afinidade não gera
afinidade. O padrasto não é afim da mulher do enteado.
A fonte da afinidade, ou das várias relações de afinidade, é, pois, o casamento.
Um casamento, naturalmente ainda não dissolvido. E como o casamento é que é a
causa da afinidade, esta só começa com a celebração do casamento. A afinidade não opera
para trás, ou seja, não tem o efeito retroativo, porque a referida relação só constitui a partir da
celebração do casamento.
Mas a afinidade cessará igualmente quando se dissolve o casamento que lhe deu
origem? Seria de certo modo a solução lógica, mas o art. 1585.º resolve de outro modo,
dispondo que a afinidade não cessa pela dissolução do casamento.

Contagem
Conta-se da mesma maneira que o parentesco.

Efeitos

Os afins não têm direitos sucessórios. O art. 1491.º/c CC/TL considera a afinidade em
linha recta impedimento dirimente relativo à celebração do casamento.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DA FAMÍLIA

O art. 39.º CRDTL consagra certo número de princípios, que delimitam, neste
domínio, o âmbito em que o legislador ordinário pode mover-se.

1º princípio – direito à celebração do casamento


A afirmação constitucional de que todos têm direito a contrair casamento em
igualdade de condições, tomada à letra, levaria a que fossem consideradas inconstitucionais
quaisquer normas que estabelecessem impedimentos ao casamento. Não deve, porém, a
legislação ordinária estabelecer impedimentos que não sejam justificativos por interesses
públicos fundamentais.
Existe a questão de saber se este artigo concede apenas um direito fundamental a
contrair casamento ou, mais do que isso ou ao mesmo tempo do que isso, é uma norma de
garantia institucional. Embora a Constituição não formule de modo explicito um princípio de
proteção do casamento, temos entendido que a instituição do casamento está
constitucionalmente garantida, pois não faria sentido que a Constituição concedesse o direito
a contrair casamento e, ao mesmo tempo, permitisse ao legislador suprimir a instituição ou
desfigurar o seu núcleo essencial.

2º princípio – direito de constituir família


É o princípio consagrado no art. 39.º/2, o qual, obscuro como é permite diferentes
interpretações. Gomes Canotilho e Vital Moreira interpretam este artigo dizendo que este visa
fundamentalmente a união de facto. O conceito constitucional de família não abrange,
portanto, apenas a família jurídica, havendo assim uma abertura constitucional para conferir o
devido relevo jurídico às uniões familiares de facto. Constitucionalmente, o casal nascido da
união de facto também é família e, ainda que os seus membros não tenham o estatuto de
cônjuges, seguramente que não há distinções quanto às relações de filiação daí decorrentes.
Não temos a mesma posição. Família e casamento são realidades distintas e o legislador
constitucional terá tido o propósito de marcar a distinção.
Apesar da formulação maximalista do art. 39.º/2 que a todos concede em condições de
plena igualdade o direito de constituir família, admitimos que a atribuição deste direito
conheça limitações ou restrições na lei ordinária.
3º princípio – competência da lei civil para regular os requisitos e os efeitos do
casamento e da sua dissolução, independentemente da forma de celebração
É o princípio consagrado na Constituição que visa fundamentalmente, subtrair ao
direito canónico a regulamentação das matérias aí previstas. Relativamente aos efeitos do
casamento, o princípio não levanta dificuldades, pois os efeitos do casamento católico, quer
os patrimoniais quer os pessoais, já eram regulados pelo direito civil.

4º princípio – admissibilidade do divórcio


Seria, pois, inconstitucional a norma que proibisse o divórcio, em geral ou mesmo só
quanto aos casamentos católicos. O art. 39.º/3 não deixa dúvidas a este respeito.

5º princípio – igualdade dos cônjuges


O art. 39.º/3 do CRDTL consagra o princípio da igualdade dos cônjuges, que é uma
aplicação do princípio geral do Art. 13.º do CC/TL e tem o maior interesse prático, tanto no
âmbito do direito matrimonial como no do direito da filiação.
No âmbito do direito da filiação, o princípio assume relevo sobretudo quanto ao poder
paternal, que se tratando de filho nascido do casamento, é exercido por ambos os pais.

6º princípio – proteção da família


É o princípio enunciado no art. 39.º/1 e 4 CRDTL o qual, como já tivemos ensejo de
referir, concede à própria família um direito à proteção da sociedade e do estado, tornando-a,
assim objeto de uma garantia institucional.

7º princípio – proteção da paternidade e da maternidade


Iguais observações merece o Art. 39.º CRDTL que considera a paternidade e a
maternidade valores sociais eminentes e concede aos pais e às mães, nesta qualidade, sejam
ou não unidos pelo matrimónio, um direito à proteção da sociedade e do estado na realização
da sua ação em relação aos filhos, nomeadamente quanto à educação destes, para que a
paternidade e a maternidade não os impeçam de se realizarem profissionalmente de
participarem na vida cívica do país.

8º princípio – proteção da infância


O Art. 18.º & 19. ° CRDTL atribuem igualmente às crianças direito à proteção dos
pais, da sociedade e do estado, com vista ao seu desenvolvimento integral.
II
DIREITO MATRIMONIAL
Constituição da relação matrimonial: o casamento como ato
Podendo o casamento ser católico1 (c. 1055), barlaqueado monogâmico (art. 1478.o)
ou civil (art. 1467.o), importa esclarecer o sentido desta dualidade (art. 1477. o), e efetuar sua
transcrição ou inscrição para o efeito civil, observando as cláusulas Arts. 1475.º, ss e Art
1485.º, ss, CC/TL.

Conceito e caracteres gerais do casamento


Noção geral de casamento
A ideia de casamento como acordo entre um homem e uma mulher feito segundo as
determinações da lei e dirigido ao estabelecimento de uma plena comunhão de vida entre
eles. Se, considerado agora o casamento como estado, acrescentarmos que esta comunhão de
vida deve ser exclusiva, isto é, que nenhum dos cônjuges pode fazer igual acordo com
terceira pessoa enquanto o anterior vigorar, e tendencialmente perpétua, ou seja, indissolúvel
ou pelo menos não livremente dissolúvel.
Segundo o Art. 1467.º CC/TL o casamento é caracterizado como sendo um contrato
celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante
uma plena comunhão de vida.
Há duas vertentes que configuram o casamento:
- Casamento como ato, cerimónia que se celebra - como ato em si, ou seja, esta perspectiva se
concentra no momento da celebração do casamento, onde os noivos trocam votos, anéis e
promessas perante uma autoridade ou comunidade. É o ritual público que formaliza a união
entre duas pessoas.

- Casamento como estado familiar, em que os nubentes se vão encontrar a dois, pois a
cerimónia é consequência da cerimónia – como estado. O casamento como estado é um
vínculo jurídico composto por um conjunto complexo de direito e deveres, ou seja, após a
cerimônia, os cônjuges entram em um estado reconhecido legalmente, com direitos e
responsabilidades específicos perante a lei e a sociedade.

Como um ato e na doutrina civilista predomina a concepção de casamento como um


contrato, segundo ANTUNES VARELA o casamento como um contrato solene em que
intervêm duas declarações da vontade que são contrapostas, mas são harmonizadas,
caracterizado pela diversidade de sexo que tem como conteúdo e como fim a plena comunhão
de vida.
O Código Civil de Timor-Leste reconhece o casamento como um contrato, pois
reconheça nele um negócio jurídico em que a declaração da vontade dos nubentes vai
produzir unicamente os efeitos jurídicos previstos na lei e que são de natureza imperativa. A
sua autonomia da vontade circunscreve-se à dois pontos, considerados como pertinentes aos
direitos fundamentais da pessoa humana:
- Cada pessoa é livre de casar ou não.
- Cada pessoa é livre de escolher a pessoa de outro sexo com quem quer casar.
O casamento deve ser definido como um negócio jurídico familiar e bilateral, com a
natureza de um pacto, celebrado entre os nubentes. É o ato jurídica condição de aceitação do
1
O casamento é um pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o
consórcio íntimo de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à
procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Nosso Senhor à
dignidade de sacramento (Cân. 1055 - § 1).
estado de casado, que dele decorre, estado esse que se estabelece reciprocidade entre dois
nubentes.

CAPACIDADE MATRIMONIAL

Historicamente a capacidade matrimonial varia de época para época e de cultura para


cultura. A capacidade matrimonial, que não coincide com a capacidade de celebrar negócios
jurídicos de outros ramos de direito, obedece aos fins específicos do casamento e aptidão para
casar revela-se por condições de maturidade física e psíquica, assim como por restrições
impostas a pessoas ligadas por vínculos familiares por razões de ordem moral e até de
eugenia.
Em regra geral, têm capacidade para contrair casamento todos aqueles em quem se
não verifique algum dos impedimentos matrimoniais previstos na lei (art. 1489. o). Significa,
serão admitidas para a celebração do casamento aqueles que estão livres dos impedimentos
matrimonias encontrados no Código Civil de Timor-Leste, porque os impedimentos
matrimoniais são as circunstâncias que uma vez verificadas o casamento não pode celebrar-
se, ou seja, que impedem a celebração do casamento. Assim, dispõe também no artigo 1485. o
sobre a capacidade civil aplicável ao casamento católico e barlaqueado monogâmico, em que
o casamento católico e o casamento barlaqueado monogâmico só podem ser celebrados por
quem tiver a capacidade matrimonial2 exigida na lei civil.

NB: PJ é a capacidade de ter direitos e CJ é a capacidade e de exercer esses direitos.

São, portanto, necessários os seguintes requisitos:


Impedimentos3:
a. Impedimentos dirimentes (art. 1490.o e 1491.o)
São aqueles que não só impedem a celebração do ato, como determinam a
invalidade do casamento, no caso de o ato (por ignorância, desleixo/negligência
ou má fé do oficial do registo) ter sido celebrado, a despeito da sua verificação.
Chamam-se impedimentos dirimentes, de acordo com a terminologia dos
canonistas (impedimenta dirimentia), porque dirimem (destroem, prejudicam,
afetam) a validade do casamento. Significa, se um casamento for realizado entre
pessoas sujeitas a um impedimento dirimente, o casamento é considerado inválido
desde o início ou pode ser anulado posteriormente. Em outras palavras, os
impedimentos dirimentes são tão fundamentais que invalidam o casamento (art.
1519/a).

b. Impedimentos simplesmente impedientes (art. 1493.o)


Outras há que impedem a celebração do ato, mas não determinam a invalidade do
casamento, na hipótese de o ato ser celebrado, não obstante a sua verificação. São

2
Seja entender melhor com as interpretações dos arts. 118.o, 126.o, 128.o, 129.o e 1500.o.
3
Os impedimentos matrimoniais são as circunstâncias que uma vez verificadas o casamento não pode celebrar-
se, ou seja, que impedem a celebração do casamento.
os chamados impedimentos impedientes (impedimenta impedientia) ou
meramente proibitivos, para significar que se trata de fatos que obstam à
celebração do casamento, que proíbem ao oficial a sua realização, mas não afetam
a validade do ato. Isto é, se o casamento, sem embargo da existência do
impedimento, tiver sido celebrado, os cônjuges sujeitam-se apenas a determinação
sanções (v.g., incapacidade de adquirir por sucessão ou doação – art. 1537. °), em
regra de carácter económico, mas não deixam de continuar validamente unidos
por matrimónio.

NB: Impedimentos matrimoniais e incapacidades matrimoniais não são sinónimo: os


impedimentos são as circunstâncias que originam as incapacidades e, por conseguinte,
as incapacidades são os efeitos dos impedimentos matrimoniais.

Artigo 1490.o (Impedimentos dirimentes absolutos4)


São impedimentos dirimentes, obstando ao casamento da pessoa a quem respeitam
com qualquer outra:
a) A idade inferior a dezasseis anos;
b) A demência notória, mesmo durante os intervalos lúcidos, e a interdição ou inabilitação
por anomalia psíquica;
c) O casamento anterior não dissolvido, católico ou civil, ou barlaqueado monogâmico, ainda
que o respetivo assento não tenha sido lavrado no registo do estado civil.

O artigo 1490. °, elenca os impedimentos dirimentes absolutos, ou seja, aqueles que se


fundam numa qualidade da pessoa e a impedem de casar com qualquer outra pessoa e se, não
obstante, essa pessoa contrair casamento, conduzem à anulabilidade do casamento (art. 1519.
°, alínea a).

a) A idade inferior a dezasseis anos;

Esta alínea fala-se da falta de idade nupcial, ou seja, para que se possa celebrar
casamento válido a lei vigente exige aos nubentes a idade mínima de 16 anos,
independentemente do sexo.
São duas as razões fundamentais que justificam o estabelecimento da idade nupcial:
uma, de natureza fisiológica, ligada à ideia da copula carnalis, como elemento essencial da
comunhão matrimonial de vida; outra, de carácter psicológica, mais relacionada com vontade
do que com o desenvolvimento fisiológico dos nubentes (cfr. O art. 1500.o, n.o 2).

Têm legitimidade para intentar ou para prosseguir na ação de anulação por falta de
idade nupcial os cônjuges, qualquer parente dos cônjuges na linha reta ou na linha colateral
até ao quarto grau, os herdeiros e adotantes dos cônjuges e o Ministério Público (art. 1526.°,
n.° 1) e o tutor do menor (art. 1526.°, n.° 2).

4
Dizem-se absolutos, por se tratar de fatos que, gerando verdadeiras incapacidades, impedem a pessoa a quem respeitam de
casar com qualquer outra pessoa.
Quanto ao prazo para intentar a ação de anulação é de 6 meses depois de o menor ter
atingido a maioridade se a ação for proposta pelo próprio incapaz ou de três anos seguintes à
celebração do casamento, mas nunca depois da maioridade, se ação for proposta por outra
pessoa (art. 1530.°, n.° 1, al. a)) e quando proposta pelo Ministério Público só até à
dissolução do casamento (art. 1530.°, n.° 2)

A anulabilidade pode ser sanada, convalidando-se o casamento (considera-se válido


desde a sua celebração) se antes de transitar em julgado a sentença de anulação o menor
confirmar o casamento perante o funcionário do registo civil e duas testemunhas, depois de
atingir a maioridade (art. 1521. °, n.° 1, al. a).

b) A demência notória, mesmo durante os intervalos lúcidos, e a interdição ou


inabilitação por anomalia psíquica;

Demência notória ( = qualquer anomalia psíquica), mesmo durante os intervalos


lúcidos, e a interdição ou inabilitação por anomalia psíquica.

As razões duas as razões subjacentes a este impedimento:


a. Razão de saúde pública: pretende-se evitar que as doenças se transmitam para os
filhos e defender sobre este aspeto a sociedade;
b. Razão de ordem social: pretende-se evitar que se constituam família que não sejam,
no corpo social, células saudáveis e úteis, como decerto não seriam as famílias em que
algum dos cônjuges fosse portador de anomalia psíquica.

Importa considerar a extensão do impedimento:


i) O impedimento abrange a demência de direito e a demência de facto
 A demência de direito é reconhecida na sentença de interdição ou de inabilitação por
anomalia psíquica e só́ existe desde o trânsito em julgado da respetiva sentença, mas a
sentença que decrete a interdição ou a inabilitação deve fixar, sempre que possível, a
data de começo da incapacidade, presumindo-se que a incapacidade já existia desde
essa data.
Assim, o casamento que tenha sido celebrado posteriormente à data que a sentença tenha
fixado como a do começo da incapacidade poderá ser anulado, com fundamento na alínea b),
sem que o requerente tenha de fazer provada anomalia psíquica invocada.

Para que a demência de facto releve a lei exige dois requisitos:


 A prova da demência invocada pelo requerente e da data em que a demência se
verificou, pois, a demência só́ releva se for anterior à data da celebração do
casamento, pelo contrário, a demência posterior não é impedimento nem funda uma
ação de anulação, apenas poderá́ fundar uma ação de divórcio ou separação judicial de
pessoas e bens nos termos do art. 1658. °, alínea b);
 A notoriedade da demência: dado que a lei aqui pretende tutelar interesses públicos e
não interesses privados.

Quanto à legitimidade, a ação de anulação com fundamento em impedimento por


demência pode ser intentada ou prosseguida por qualquer um dos cônjuges ou pelos seus
parentes na linha reta ou até ao 4 grau da linha colateral, herdeiros e adotantes ou pelo
Ministério Público (art. 1526. °, n.°1) e pelo tutor ou curador do interdito ou inabilitado (art.
1526. °, n.° 2).
Quanto ao prazo, a ação de anulação com fundamento em impedimento por demência,
interdição ou inabilitação por anomalia psíquica, deve ser instaurada no prazo de seis meses
depois se ter sido levantada a sentença de interdição ou de inabilitação ou de a demência ter
cessado quando proposta pelo próprio incapaz ou, no prazo de três anos seguintes à
celebração do casamento, mas nunca depois do levantamento da interdição ou inabilitação ou
da cessação da demência, quando proposta por outra pessoa (art. 1530.°, n.° 1, al. a), e
quando proposta pelo Ministério Público só até à dissolução do casamento (art. 1530.°, n.° 2).

A anulabilidade pode ser sanada, convalidando-se o casamento (considera-se válido desde


a sua celebração), se antes de transitar em julgado a sentença de anulação, o casamento for
confirmado perante o funcionário do registo civil e perante duas testemunhas pelo interdito
ou inabilitado por anomalia psíquica, depois de lhe ser levantada a interdição ou a
inabilitação ou pelo demente, depois de fazer verificar judicialmente o seu estado de sanidade
mental, confirmar o casamento perante o funcionário do registo civil e perante duas
testemunhas (art. 1521.°, n.° 1, al. b).

c) O casamento anterior não dissolvido, católico ou civil, ou barlaqueado monogâmico,


ainda que o respetivo assento não tenha sido lavrado no registo do estado civil.

Com este impedimento a lei visou evitar a bigamia, conservando o bem da unidade é
exclusividade do casamento. Significa, quem for casado não pode contrair matrimónio sem
que haja dissolução (por morte, por divórcio ou, tratando-se de casamento católico), nulidade
ou anulação do seu casamento anterior.
Quid iuris em caso de morte presumida?

A declaração de morte presumida não dissolve o casamento (art. 111. °), mas torna-o
dissolúvel, podendo o cônjuge do ausente contrair novo casamento e dissolvendo-se o
primeiro pela celebração do segundo; se o ausente regressar ou houver notícias que era vivo à
data da celebração do novo casamento, o primeiro considera-se dissolvido por divórcio à data
da declaração da morte presumida (art. 112. °).

Quanto à legitimidade, o prazo e a anulabilidade (vide matéria anterior)

Artigo 1491.o - (Impedimentos dirimentes relativos5)


São também dirimentes, obstando ao casamento entre si das pessoas a quem
respeitam, os impedimentos seguintes:
a) O parentesco na linha recta;
b) O parentesco no segundo grau da linha colateral;
c) A afinidade na linha recta;
d) A condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou cúmplice, por homicídio
doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro.

5
São relativos, porque obstam apenas ao casamento entre si das pessoas a quem dizem respeito, mas não impedem que
qualquer delas possa casar com outro indivíduo.
Nota bene:
 Parentesco é o vínculo que une duas pessoas, em consequência de uma delas
descender da outra ou de ambas procederem de um progenitor comum (art. 1468.,
CCTL);
 O parentesco determina-se pelas gerações que vinculam os parentes um ao outro: cada
geração forma um grau, e a série dos graus constitui a linha de parentesco (art. 1469.
°, CC);
 Na linha recta há́ tantos graus quantas as pessoas que formam a linha de parentesco,
excluindo o progenitor (art. 1471., no 1 CC);
 A linha diz-se recta, quando um dos parentes descende do outro (art. 1470, no 1, 1 a
parte do CC);
 Salvo disposição da lei em contrário, os efeitos do parentesco produzem-se em
qualquer grau da linha recta (art. 1472.o,1a parte do CC);
 Marido e mulher não são parentes, são cônjuges.

ESQUEMA DOS GRAUS DE PARENTESCO NA LINHA COLATERAL Dos arts. 1470/1, 1471/2 e 1472. ° do CC
Nota bene:
 Parentesco é o vínculo que une duas pessoas, em consequência de uma delas
descender da outra ou de ambas procederem de um progenitor comum (art. 1468 o C.
Civil);
 O parentesco determina-se pelas gerações que vinculam os parentes um ao outro: cada
geração forma um grau, e a série dos graus constitui a linha de parentesco (art. 1469 o
C. Civil);
 Na linha colateral os graus contam-se pela mesma forma da linha recta, subindo por
um dos ramos e descendo pelo outro, mas sem contar o progenitor comum (art. 1471 o,
no 2 C. Civil);
 A linha diz-se colateral, quando nenhum dos parentes descende do outro, mas ambos
procedem de um progenitor comum (art. 1470o, no 1, 2a parte do C. Civil);
 Salvo disposição da lei em contrário, os efeitos do parentesco produzem-se até ao
sexto grau na colateral (art. 1472.o, 2a parte do C. Civil).
O artigo 1491. ° elenca os impedimentos dirimentes relativos, isto é, aqueles que se
fundam numa relação da pessoa com outra e só́ proíbem o casamento entre essas pessoas e se,
não obstante, essas pessoas contraírem casamento, conduzem à anulabilidade do casamento
(art.1519. °, alínea a)).

O parentesco na linha reta, parentesco no segundo grau da linha colateral e afinidade na


linha reta (art. 1491.°, alínea a), b) e c), salienta-se que o vínculo do parentesco compreende,
no caso da adoção, quer a relação entre adotante e adotado e as relações entre descendentes
do adotado e o adotante ou entre os ascendentes do adotante e o adotado (n. 1), que as
relações entre o adotado e os outros filhos do adotante, se os houver (n. 2)), dado o princípio
do artigo 1865.°.

As razões dos impedimentos de parentesco e de afinidade são:


1. No caso do parentesco trata-se de proteger o valor da proibição do incesto;
2. No caso da afinidade e adoção trata-se de razões de moral familiar, além do respeito
devido às convenções sociais, censurariam fortemente casamentos celebrados entre as
pessoas abrangidas por aqueles impedimentos.

Os impedimentos de parentesco não deixam de existir se a maternidade ou a paternidade


não estiver estabelecida (art. 1492. °), admitindo a lei que a respetiva prova se faça no
processo preliminar de casamento ou, só́ o casamento já́ tiver sido celebrado, na ação de
nulidade ou de anulação do casamento, e em qualquer caso o reconhecimento do parentesco
não produz qualquer efeito. Estamos perante um desvio à regra da indivisibilidade do estado,
pois a lei admite que uma pessoa seja tida como filha de outra só́ para o efeito de não poder
casar com ela, atendendo as razões ponderosas que justificam estes impedimentos.

Quanto à legitimidade, a ação de anulação com fundamento em impedimento de


parentesco na linha reta ou no 2. ° grau da linha colateral ou, de afinidade na linha reta, pode
ser intentada ou prosseguida pelos cônjuges ou pelos seus parentes na linha reta ou até 4. o
grau da linha colateral, pelos herdeiros e adotantes e pelo Ministério Público (art. 1526. o, n.o
1).

Quanto ao prazo, a ação de anulação deve ser instaurada até seis meses depois da
dissolução do casamento (art. 1530. °, n.º 1, alínea c); com a ressalva do Ministério Público
que apenas pode instaurar a ação até à dissolução do casamento (art. 1530. °, n.º 2).

Impedimento por condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou cúmplice,


por homicídio doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro.
O artigo 1491.°, alínea d) consagra como impedimento dirimente relativo a
“condenação anterior de um dos nubentes, como autor6 ou cúmplice7, por homicídio doloso,
ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro”.
Trata-se de uma sanção imposta ao autor ou cúmplice do homicídio, embora não
consumado, homicídio que a lei suspeita que tenha sido cometido com intenção de permitir o
casamento do agente com o cônjuge da vítima; mas, repare-se que a lei não exige que tenha
sido praticado com a intenção específica de posterior casamento com o cônjuge da vítima,
apenas exige que o homicídio seja doloso.

O impedimento de condenação por homicídio só existe a partir da data do trânsito em


julgado do respetivo acórdão condenatório; mas, se a sentença condenatória demorasse tempo
suficiente para permitir o casamento do agente com o cônjuge da vítima, não impedindo o
casamento antes da sentença, o objetivo da lei seria frustrado; para evitar esta situação, a lei
consagra no artigo 1493.°, al. e) o impedimento impedientes de acusação por homicídio
doloso.

O casamento celebrado com impedimento de condenação por homicídio é anulável


(art. 1519.°, alínea a):
 quanto à legitimidade, (v.g. apresentação anterior);
 quanto ao prazo, (v.g. apresentação anterior).

Artigo 1493.o - (Impedimentos impedientes)


São impedimentos impedientes, além de outros designados em leis especiais:
a) A falta de autorização dos pais ou do tutor para o casamento do nubente menor, quando
não suprida pelo conservador do registo civil;
b) O prazo internupcial8;
c) O parentesco no terceiro grau da linha colateral9;
d) O vínculo de tutela, curatela ou administração legal de bens;
e) A acusação do nubente pelo crime de homicídio doloso, ainda que não consumado, contra
o cônjuge do outro, enquanto não houver arquivamento ou absolvição por decisão passada em
julgado.

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Artigo 30.o – Autor

1. É autor quem executa o facto, por si mesmo ou por intermédio de outrem, de que se serve como instrumento.

2. 2. São co-autores se, por acordo tácito ou expresso, tomarem parte directa na execução ou actuarem em conjugação
de esforços para a prática do mesmo crime.

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Artigo 32.o – Cumplicidade

1. É punível como cúmplice quem, dolosamente ajudar material ou moralmente outrem a praticar um crime.
2. É aplicável ao cúmplice a pena correspondente ao tipo de ilícito, extraordinariamente atenuada.

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O prazo internupcial é o período de tempo estabelecido pela legislação que determina a quantidade mínima de dias que
devem transcorrer entre o divórcio ou a dissolução de um casamento anterior e a celebração de um novo casamento.
NB: A ratio da norma é para evita o conflito da paternidade.

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o que significa que não podem casar, os tios com as sobrinhas nem as tias com os sobrinhos.
O artigo 1493.° elenca os impedimentos impedientes, isto é, aqueles em que se o
casamento for contraído não obstante a existência do impedimento é suscetível de outras
sanções que não a anulabilidade do casamento, pois trata-se de meras proibições legais de
contrair casamento e não de incapacidades.

Casos dos impedimentos susceptíveis de dispensa


Entende-se por dispensa o ato pela qual a autoridade competente, em atenção às
circunstâncias especiais do caso concreto, autoriza a celebração do casamento, a despeito da
verificação do impedimento. Ao conceder-se a dispensa, salta-se deliberadamente sobre o
impedimento, por se entender que não há, no caso concreto, razões que justifiquem a
proibição do matrimónio ou que as circunstâncias particulares favoráveis à permissão
sobrelevam as de ordem geral, que fundamentam a proibição.
Essa dispensa é concedida por uma autoridade competente como conservador do
registo civil (art. 1497.o, n.o 2, conjugando com o artigo 1537. o, n.o 2, se não houver dispensa
e o casamento se celebrar).
Os impedimentos susceptíveis de dispensa são apenas os três especificamente
previstos nas alíneas do n.o 1 do artigo 1497.o (parentesco no 3.o grau da linha colateral (tio e
sobrinha); e vínculo da tutela, curatela ou administração legal de bens, enquanto não
estiverem aprovadas as respetivas contas).

NB: após de entender sobre os impedimentos legais, vem logo a pergunta, qual é a forma
legal para a identificação dos impedimentos legais no casamento civil

PROCESSO PRELIMINAR DE PUBLICAÇÕES

Entende-se por processo preliminar de publicações do casamento é um procedimento


legal que geralmente faz parte dos trâmites para a celebração do casamento. Isto porque, a
celebração do casamento é procedida de um processo de publicações, regulado nas leis do
registo civil, para o fim da verificação da inexistência de impedimentos (art. 1498. o). Por isso,
se um casamento for realizado sem o cumprimento do processo preliminar de publicações,
isso pode invalidar o casamento.
A organização do processo preliminar de publicações compete à Conservatória do
Registo Civil da área em que qualquer dos nubentes tiver o seu domicílio ou residência
estabelecida durante alguns dias anteriores à data da declaração para o efeito da celebração do
casamento.
Com esta mesma exigência, a transcrição do casamento católico e o casamento
barlaqueado monogâmico só se pode realizar depois de organização esse processo (art.
1546.o). Porém, em certo caso admite-se a celebração do casamento, não precedida do
processo de publicações, em relação aos chamados casamentos urgentes, quando haja
fundado receio de morte próxima de algum dos nubentes, ou iminência de parto (art. 1510.o).
Quanto a regra da dispensa do processo preliminar de casamento católico e
barlaqueado monogâmico está tipificada no artigo 1488. o, em que, o casamento “in articulo
mortis”, na iminência de parto ou cuja celebração imediata seja expressamente autorizada
pelo pároco por grave motivo de ordem moral, pode celebrar-se independentemente do
processo preliminar de publicações de passagem do certificado da capacidade matrimonial
dos nubentes. É permitida ainda a celebração do casamento barlaqueado monogâmico
independentemente do processo preliminar de publicações de passagem do certificado de
capacidade matrimonial dos nubentes, quando haja fundado receio de morte próxima de
algum dos nubentes, ou iminência de parto.
Todavia, a dispensa de processo preliminar não altera as exigências da lei civil quanto
à capacidade matrimonial dos nubentes, continuando estes sujeitos às sanções estabelecidas
no Código Civil Timorense. E o casamento urgente que for celebrado sem a presença de
funcionário do registo civil, ministro da Igreja católica ou autoridade comunitária é havido
por civil, católico ou barlaqueado monogâmico segundo a intenção das partes manifestada
expressamente ou deduzida das formalidades adotadas, das crenças dos nubentes ou de
quaisquer outros elementos (art. 1479).
No processo preliminar de publicações até ao momento da celebração do casamento,
qualquer pessoa pode declarar os impedimentos de que tenha conhecimento. A declaração é
obrigatória para o Ministério Público e para os funcionários do registo civil logo que tenham
conhecimento do impedimento. Feita a declaração, o casamento só é celebrado se o
impedimento cessar, for dispensado nos termos do art. 1497.o ou for julgado improcedente
por decisão judicial com trânsito em julgado (art. 1499.o).
Findo o processo preliminar e os processos judiciais a que este der causa, cabe ao
funcionário do registo civil proferir despacho final, no qual autoriza os nubentes a celebrar o
casamento ou manda arquivar o processo (art. 1501.o).
Quanto, o prazo legal para a celebração do casamento após à autorização do
funcionário do registo civil, este deve celebrar-se dentro dos noventa dias seguintes (art.
1502.o).

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