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Fundamentos da Eletrotermo-Fototerapia

O documento descreve os processos de reparo dos tecidos, incluindo as fases do processo inflamatório e conceitos básicos sobre dor e transmissão de sinais nervosos. Também aborda conceitos sobre ondas e eletroterapia.

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Alimanoko
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Fundamentos da Eletrotermo-Fototerapia

O documento descreve os processos de reparo dos tecidos, incluindo as fases do processo inflamatório e conceitos básicos sobre dor e transmissão de sinais nervosos. Também aborda conceitos sobre ondas e eletroterapia.

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CONCEITOS BÁSICOS EM ELETROTERMOFOTOTERAPIA

PROCESSO DE REPARO DOS TECIDOS (PROCESSO INFLAMATÓRIO)

O reparo é um processo complexo sem o qual seria improvável a sobrevivência dos seres vivos.
Envolve ações integradas das células, matriz e mensageiros químicos e visa restaurar a integridade do
tecido. O reparo de uma lesão pode ser entendido como uma quimiocinese, multiplicação celular e
diferenciação. A resposta inflamatória é governada por substâncias quimiotáxicas liberadas no local e
pode ser dividida em três fases, para efeitos didáticos, mas que na realidade se superpõem: fase aguda,
fase subaguda (proliferativa) e fase crônica (remodelagem).

Fase aguda
Esta fase pode ser descrita por mudanças vasculares e celulares, é uma resposta imediata a uma lesão
que provocou morte celular e/ou ruptura de vasos sanguíneos. Caso haja hemorragia e perda de líquido
ocorre uma vasoconstrição para evitar maiores perdas e se forma um coágulo pela atividade
plaquetária. A lesão tecidual estimula a produção e/ou liberação de mediadores que irão atrair
neutrófilos e monócitos e gerar uma vasodilatação (característica desta fase) e consequente aumento da
permeabilidade vascular (histamina, prostaglandinas e peróxido de hidrogênio). Subsequentemente a
bradicinina e anafilotoxinas aumentam a permeabilidade também dos vasos não lesionados. Os
neutrófilos e monócitos são as primeiras células a chegar no local da lesão. Os neutrófilos
fagocitam bactérias, células mortas ou avariadas, sua infiltração nos tecidos termina por volta de dois
dias. Os monócitos migram do interior da vasculatura e rapidamente (algumas horas) se diferenciam
em macrófagos que são essenciais no processo de reparo: liberam colagenases e proteoglicanos
(enzimas degradantes), liberam fatores que atraem fibroblastos que incrementam a deposição de
colágeno e também realizam as funções normais dos neutrófilos.

Os sinais característicos da fase aguda são: rubor, tumor, calor, dor e perda ou redução de função. A
fase aguda predomina em geral por 24 a 48 horas, mas ser prolongada se algum evento irritante
persistir.

As prostaglandinas são produzidas em praticamente todas as células do corpo em seguida a uma lesão,
em decorrência de alterações no conteúdo dos fosfolipídios das paredes celulares. Algumas são pró-
inflamatórias aumentando a permeabilidade vascular, sensibilizando os receptores de dor e atraindo
leucócitos, outras são anti-inflamatórias.

Fase subaguda ou proliferativa


O tecido de granulação é intensamente formado durante a fase proliferativa, sendo uma estrutura
temporária constituída por uma neomatriz, neovasculatura, macrófagos e fibroblastos. O tecido de
granulação precede o tecido cicatricial maduro. Os fibroblastos produzem e organizam os principais
componentes extracelulares do tecido de granulação, sintetizam ácido hialurônico, fibronectina e
colágeno do tipo III (cicatricial ou embrionário), com a maturação diminuem os níveis de ácido
hialurônico, fibrinogênio e o colágeno tipo III vai sendo transformado em tipo I (fibrilar maduro). A
angiogênese continua a ocorrer, pois existe necessidade de um extenso sistema vascular nesta fase.

Fase crônica ou de remodelação


A matriz presente é remodelada ao longo de meses e anos e sofre grandes influências da utilização do
tecido. Nesta fase a resistência tênsil é aumentada pela maturação do colágeno.
FISIOLOGIA DA DOR

A dor é principalmente um mecanismo de proteção do corpo, ocorre normalmente quando um tecido


está sendo lesado. A experiência sensorial pode causar reação imediata no cérebro ou a memória da
experiência e influenciar, no futuro, reações corporais. E torno de 99% da informação sensorial é
descartada pelo cérebro como irrelevante. Quando informação sensorial importante excita a mente ela é
canalizada para regiões integradoras para causar a resposta desejada.

Sinapses elétricas: canais abertos diretos de uma célula para outra. Presentes em músculo liso, cardíaco.
As sinapses químicas são pontos de junção de um neurônio com o próximo, possuem condução em
uma só direção, constituem-se pontos vantajosos para o controle da transmissão da dor. As sinapses
podem gerar sinais inibitórios ou facilitatórios no próximo neurônio. Um neurônio secreta
neurotransmissores fora da sua membrana celular que atua sobre proteínas receptoras na membrana do
próximo neurônio, excitando-o ou inibindo-o. As sinapses químicas são as principais sinapses do SNC.
Há vesículas de neurotransmissor para gerar desde algumas centenas até mais de 10.000 potenciais de
ação. O neurotransmissor pode abrir canais iônicos ou ativar um segundo mensageiro na membrana do
neurônio pós-sináptico. Canais iônicos geram respostas rápidas, gastam apenas alguns ms. Sistemas
dos “Segundos Mensageiros” geram alterações prolongadas.

Inibição Pré-sináptica: causada por descargas de sinapses inibitórias que ficam no exterior das fibrilas
nervosas antes que estas cheguem ao neurônio pós-sináptico. Na maioria dos casos o neurotransmissor
é o GABA (ácido gama-aminobutírico), que tem efeito de abrir canais aniônicos, hiperpolarizando a
célula.

Alcalose: Aumento da excitabilidade neuronal. Ex. Hiperventilação em pessoas propensas a


convulsões.
Acidose: Deprime a função neuronal, pode levar ao coma.

Hipóxia: Inexcitabilidade completa de alguns neurônios.

Estricnina: inibe a ação de alguns transmissores inibitórios de neurônios, resultando em espasmos


musculares tônicos graves.

Tipos de Receptores Sensoriais:

Mecanorreceptores: detectam compressão ou estiramento;

Termorreceptores: alguns receptores detectam frio, outros receptores detectam calor, a pessoa começa a
perceber o calor como sendo dor quando os tecidos são aquecidos acima de 45 oC (quando começa a
ocorrer lesão).

Nociceptores (receptores de dor): detectam lesões ocorrendo nos tecidos, raramente são estimulados
pelo tato e pressão a menos que estes se tornem intensos o bastante para causar lesão aos tecidos, são
terminações nervosas livres.

Receptores Eletromagnéticos: luz na retina do olho;

Quimiorreceptores: O2, CO2, odores, etc.


Transmissão da dor:
Dor rápida-aguda: 0,1s, “picada”, pequenas fibras A, mielinizadas, velocidade de 6 a 30 m/s, lâmina I
(marginal), trato neoespinotalâmico . Neurotransmissor geralmente associado: Glutamato.

Dor lenta-crônica: 1s ou mais e aumenta gradativamente, associada à destruição de tecido, fibras C,


amielínicas, velocidade 0,5 a 2 m/s, lâminas II e III, via paleoespinotalâmica. Neurotransmissor
geralmente associado: Substância P. A dor lenta consegue aumentar a atividade em todo o encéfalo,
impedindo o sono em algumas situações.

Receptores de Dor:
Terminações nervosas livres, difusamente distribuídas em camadas superficiais da pele e outros tecidos
internos (periósteo, paredes arteriais, superfícies articulares, foice e tentório). Outros tecidos são
supridos mais escassamente. A natureza não adaptável dos receptores de dor permite que a dor informe
sobre o estímulo lesivo enquanto este persistir. Geram dor a bradicinina, histamina, íons potássio,
ácidos, acetilcolina e enzimas proteolíticas. Prostaglandinas e substância P geram hiperalgesia. A dor
química é especialmente importante para a dor lenta.

Algumas causas da dor


Isquemia tecidual: quando o fluxo sanguíneo é interrompido o tecido se torna dolorido após alguns
minutos. Dor associada ao acúmulo de ácido láctico e/ou agentes químicos liberados por lesão
(bradicinina e enzimas proteolíticas).
Espasmo muscular: efeito direto em mecanorreceptores, gera também isquemia por compressão de
vasos e aumento de metabolismo;

Dor visceral: isquemia, química, espasmo de víscera oca, hiperdistenção de víscera oca.
Dor parietal: causada geralmente por uma lesão visceral.
Dor irradiada: relação com compressão nervosa, segue dermátomos.
Dor referida: dor em parte distante da causa. Local de origem apresenta sinapses comuns com áreas da
pele, de origem embrionária.

ONDAS

Onda: Propagação de energia sem transporte de matéria.

Ondas Mecânicas: Precisam de matéria para se propagar. Ex. Som, ultrassom, ondulações na
superfície da água ou corda, terremotos.

Ondas Eletromagnéticas: Propagam-se também no vácuo. Ex. luz, ondas de rádio, raios cósmicos.

Ondas Transversais: As partículas oscilam perpendicularmente à direção de propagação da onda.

Ondas longitudinais: As partículas oscilam na mesma direção de propagação da onda.

Reflexão: Uma onda incide na fronteira entre dois meios e volta ao meio original.
Refração: Uma onda incide na fronteira entre dois meios e sua energia ingressa no novo meio.
Difração: Fenômeno em que uma onda contorna um obstáculo. Ex. Luz ao passar por uma fenda sofre
difração, quanto menor a fenda maior a difração.
Absorção: Um meio ao ser atravessado por uma onda fica com parte ou toda sua energia. Ex. Luz em
vidro escuro, som no ar.
Interferência construtiva: sobreposição dos efeitos de duas ou mais ondas, sua energia aumenta
temporariamente.

Interferência destrutiva: uma onda anula total ou parcialmente outra onda durante seu encontro.
Ondas periódicas: nascem de um evento repetitivo ou regular.

Frequência (f): é o número de eventos por unidade de tempo, os eventos podem ser pulsos elétricos,
ondas eletromagnéticas ou pulsos por segundo. Unidade Hz.

Amplitude: deslocamento máximo de um ponto em relação à posição de equilíbrio. Indica a


intensidade em eletroterapia.

Período (T): é o tempo gasto para executar uma oscilação completa ou ondulação completa, também
chamada de duração do pulso. É medido geralmente em µs ou ms (dependendo do aparelho).

Comprimento de onda (): é a distância percorrida pela onda em um período. Medida em nm, mm,
cm, m...

Observação: A velocidade de uma mesma onda depende do meio em que ela se propaga, a frequência
de uma onda depende da fonte emissora. V =  . f
Ex. Velocidade do som em diversos materiais: Ar: 331,4 m/s (0°C), água: 1450 m/s (15°C), ferro: 5130
m/s (20ºC), Borracha: 54 m/s (20°C).

ELETRICIDADE

Corrente elétrica (I): é o fluxo de cargas elétricas através de um condutor. A corrente elétrica não é
uma onda já que envolve o deslocamento de elétrons em um metal ou de íons no corpo humano, mas a
corrente elétrica gera ondas eletromagnéticas. A corrente elétrica em um condutor depende da voltagem
e da resistência elétrica do circuito.

Coulomb (C): unidade de medida de carga elétrica, 01 Coulomb equivale à carga de 6,02 x10 18
elétrons.

Ampère (A): unidade de medida de carga elétrica, um 01 Ampère significa que ocorre o fluxo de 01
Coulomb por segundo em um condutor.

Eletrólito: líquido no qual os íons são os transportadores da carga. Nosso corpo funciona de forma
similar por sermos ricos em água e íons.
Isolante: material que não deixa passar corrente elétrica. Se a voltagem for muito alta alguns isolantes
se tornam condutores.

Resistência elétrica (R): oposição relativa ao movimento de partículas carregadas em condutores.


Unidade: Ohm (). A Resistência depende da área de seção transversa, do comprimento e do material
do condutor.

Voltagem (V) ou Diferença de potencial (DDP): é o “desnível” elétrico. Entre dois pontos existe uma
DDP de 1V se as forças do campo realizam um trabalho de 1J ao deslocar uma carga de 1C de um
ponto a outro. Podemos chamá-la de força eletromotriz.
Campo elétrico: existe em torno de qualquer partícula carregada, mesmo parada. É invisível aos olhos,
mas pode ser testado. Linhas de força: trajetórias percorridas por cargas livres dentro de um campo
elétrico.

Campo eletromagnético: a corrente elétrica produz um campo em forma de círculos concêntricos à


sua volta.

Solenoide: espiral (bobina) de fio metálico conduzindo corrente elétrica. Consegue criar um campo
eletromagnético uniforme em seu interior. É a base de funcionamento dos motores elétricos e dos
geradores de energia das hidroelétricas.

Capacitor: semelhante a um sanduíche composto de duas placas condutoras com um isolante no meio.
Apresenta a propriedade de armazenar energia, conduz correntes alternadas (bidirecionais), mas não
conduz correntes diretas (unidirecionais).

Classificação das correntes elétricas:

As correntes elétricas podem ser classificadas:


- Quanto ao seu sentido no condutor: diretas (unidirecionais, monofásicas) ou alternadas (bidirecionais,
bifásicas);
- Quanto a sua continuidade: contínuas ou pulsadas (interrompidas);
- Quanto a sua simetria: simétricas ou assimétricas;
- Quanto ao seu balanceamento: balanceadas ou desbalanceadas;
- Quanto à forma de seu pulso: quadrático, triangular, senoidal...

A classificação das correntes é importante no intuito de relacionar cada corrente com seu efeito
biológico. Alguns nomes foram criados e são utilizados fazendo referência a algumas correntes
elétricas ou conjuntos de correntes, não tendo, necessariamente, sido propostos pela classificação das
mesmas. Os nomes podem ter razões históricas ou relativos ao seu uso. Usaremos a classificação para
estudar as estimulações elétricas e seus efeitos no corpo humano, mas citaremos seus nomes
comerciais.

ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA EM FISIOTERAPIA

Contraindicações gerais em eletroterapia


Usuários de marca-passo cardíaco, cardiopatas ou epilépticos sem autorização médica, fechar o circuito
sobre câmaras cardíacas, sobre vasos sanguíneos trombóticos ou embolíticos, sobre tecidos ou vasos
vulneráveis a hemorragia, área abdominal de gestantes (alguns autores realizam), sobre seios
carotídeos, alterações de sensibilidade sem estratégias seguras, indivíduos com psoríase ou dermatite,
tecidos neoplásicos, estado febril, infecções em geral, hipertensão. Próteses metálicas apenas para
correntes que causem efeitos eletroquímicos (desbalanceadas ou diretas).

Efeitos fisiológicos da eletricidade


- Eletrotérmico: o movimento de partículas (íons) em um meio condutor ou resistência a esta passagem
provoca fricção e gera calor. Esta quantidade de calor é descrita pela lei de Joule: a quantidade de calor
produzido (H) é proporcional à resistência do condutor (R), e ao tempo de passagem desta corrente e
inversamente proporcional ao quadrado da área total em que a corrente é aplicada. As correntes usadas
aqui provocam pouco efeito eletrotérmico.
- Eletroquímico: a passagem de corrente elétrica por tecidos biológicos pode provocar a formação de
novos compostos químicos. Mais observado em correntes diretas.

Reação alcalina: 2Na + 2 H2O > 2NaOH + H2


Reação ácida: 2Cl2 + 2H2O > 4HCl + O2
A reação alcalina ocorre sob o polo negativo (cátodo) e a reação ácida sob o polo positivo (ânodo). O
efeito eletroquímico altera o pH tecidual e provoca uma vasodilatação a fim de restituir o equilíbrio.
Alterações químicas que não são neutralizadas pelo organismo geram queimaduras químicas.

- Eletrofísico: a corrente elétrica, dependendo principalmente de sua intensidade, consegue despolarizar


membranas excitáveis de nervos e/ou músculos. Pode gerar contração muscular em diversos graus,
alívio de dor, redução de edema, dor, entre outros efeitos.

Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation TENS


A corrente usada no Tens de boa qualidade é alternada e balanceada. Muitos equipamentos são
desbalanceados. O valor de T (período) é dado pela duração do pulso e pode ser de 40 a 500 µs. A
frequência pode variar de 01 a 150 Hz. Apresenta classicamente quatro modulações de corrente:

TENS convencional: frequência 75 a 100 Hz, T < 0.2 ms (200 µs), Intensidade: limiar sensorial.
Opção para primeiro uso, porém sofre grande acomodação. Duração: 20 minutos até 24h/dia.
Mecanismo de ação prioritário: comportas espinhais - curta duração cessado o estímulo.

TENS breve intensa: 150 Hz, T > 0.3 ms (300 µs), Intensidade: alta, no limite do suportável.
Analgesia de efeito rápido, quase instantânea. Em geral é usada por 15 minutos ou o tempo necessário
ao procedimento. Indicada em dores agudas e procedimentos terapêuticos dolorosos como fricção
transversa ou extração de dente. Efeito pequeno em dores crônicas. Mecanismo das comportas
espinhais – curta duração cessado o estímulo.

TENS acupuntura: 1 a 5 Hz, T = 0.2 a 0.3 ms (200 a 300 µs), Intensidade: limiar motor leve. Pequena
acomodação. A analgesia inicia após 20 a 30 min. O tempo ótimo é de 40 minutos. Tempos grandes
demais levam a irritabilidade muscular. Libera opióides endógenos – maior duração cessado o
estímulo. Revertido por naloxona (antagonista opióide). A meia vida da endorfina no ser humano é de 2
a 6 horas.

TENS Trens de pulso ou Burst: simula 2 Hz de frequência mas possui 200 Hz, Intensidade: limiar
motor leve. Baixa acomodação. Em patologias agudas o movimento pode não ser indicado. A analgesia
inicia após 20 a 30 min. O tempo deve se limitado a 1 hora para evitar irritabilidade muscular.
Mecanismo de ação: opióides endógenos - maior duração cessado o estímulo, ação revertida pela
naloxona.

Melzack e Wall, em 1965, propuseram uma teoria para explicar o controle e modulação da dor: A
teoria das comportas espinhais ou inibição pré-sináptica. As fibras C, amielínicas e finas, conduzem o
estímulo doloroso. As fibras Aß, grossas e mielinizadas, conduzem sensações mecânicas periféricas e
também facilmente a corrente elétrica, estas fibras criam um estímulo inibitório pré-sináptico nas
células T do corno dorsal da medula, reduzindo a informação nociceptiva transmitida para centros
superiores do SNC.
O papel desempenhado pelos peptídeos endógenos foi demonstrado por Eriksson e col. em 1979 e Salar
e col. em 1981. Após estimulação elétrica transcutânea houve aumento da concentração dos peptídeos
opióides no LCR, diante de uma estimulação elétrica transcutânea. Esta é outra teoria que pode explicar
como o tens causa analgesia.

Indicações clássicas
Analgesia, ou seja, redução de dor crônica e/ou aguda. Sendo não invasivo e com poucos efeitos
colaterais. Contraindicações: Dor de origem desconhecida (atrapalha ou mascara a causa real que deve
ser descoberta) e as gerais para eletroterapia.

A técnica de uso preconiza o uso de eletrodos de silicone/carbono por serem práticos, baratos e a
corrente ser alternada balanceada. O tamanho do eletrodo relaciona-se mais com a área a ser tratada e o
conforto, quanto maior mais confortável deve ser devido a redução da densidade de corrente. O
paciente deve ser instruído sobre o que vai sentir, ser posicionado de forma confortável evitando-se
posições de extremos de ADM, ser tranquilizado, a intensidade subida suave e gradativamente. Nada
deve ser feito sem o consentimento do paciente.

Variadas são as colocações de eletrodos sendo que, em geral, quanto mais próxima for a estimulação da
região dolorosa mais eficaz será. Colocações bipolares, 2 eletrodos de mesmo tamanho na região, em
relação à dor: proximal e distal, em cima e proximal, em cima e distal, em cima e no trajeto do nervo,
distal e sobre a raiz nervosa, etc. Colocações quadripolares, 4 eletrodos de mesmo tamanho ao redor da
dor, seguindo o trajeto do nervo, sobre a dor e no trajeto do nervo, etc.

Observação: As modalidades que requerem contração muscular os eletrodos devem vir sobre os ventres
musculares longitudinalmente ou no trajeto de nervos motores.
Exemplos das variadas colocações de eletrodos no TENS:

Estimulação Elétrica Neuromuscular - EENM


EENM caracteriza-se por objetivar contrações musculares fortes e/ou funcionais. Vários outros nomes
são usados como sinônimos ou como correntes dentro do padrão EENM: Functinal Electrical
Stimulation (FES) ou Strong Muscle Stimulation (SMS). O nome FES deveria ser usado apenas quando
há geração de função. Várias correntes podem desencadear contração a muscular dependendo da
intensidade, frequência e período. As correntes mais usadas são alternadas balanceadas. Frequências
entre 30 e 100 Hz para contrações tetanizadas (utilizadas para ganho de força). A fadiga ocorre mais
rapidamente em frequências mais altas.

Colocação de eletrodos: geralmente no ponto motor e outro distal no ventre muscular ou apenas
proximal/distal no ventre muscular. Quadripolar: (4 eletrodos) usados para músculos grandes. Material
do eletrodo: silicone/carbono.

Indicações
Hipertrofia muscular (a EENM está bem indicada quando o exercício voluntário não é possível e/ou
quando o músculo está demasiado fraco), prevenção de atrofia muscular, reeducação muscular,
recuperação ou prevenção de perda da ADM, redução de espasmo muscular, treino de marcha, melhora
da capacidade aeróbia, redução de edema e ativação da circulação.

Para gerar hipertrofia deve ser usado no mínimo 3 x semana, (máximo investigado 3 x dia), associar
resistência externa adequada para o músculo em questão (caneleira, pesos, resistência manual) se
possível em torno de 60% de 1 RM, realizar no mínimo 10 contrações e no máximo 15 minutos/sessão
por músculo (relação on/off influencia). Pode ser realizado na ADM completa da articulação ou em
ADM específica dependendo da indicação.

O recrutamento das fibras (tipo II primeiro) é inverso em relação à contração voluntária. O ganho de
força é variável, alguns artigos demonstram que dependendo do exercício ela pode ser até superior à
adquirida com exercícios voluntários (isométricos), mas geralmente é um pouco inferior.

As EENM possuem tempos de subida, platô, descida e desligado, sendo que os três primeiros
caracterizam o tempo ligado. A escolha dos tempos é variável devendo-se levar em conta o movimento
funcional como exemplo e o objetivo que se quer (hipertrofia, treino de marcha...). A relação tempo
ligado/desligado (on/off) varia de 1/1 músculos fortes, 1/2 músculos fracos, 1/3 a 1/5 músculos muito
fracos ou denervados. Sendo que esta escolha também determina a velocidade do aparecimento da
fadiga, sendo maior para relações próximas de 1/1.

Em músculos denervados é necessária uma maior intensidade e/ou duração do pulso (T) e a frequência
indicada é menor (35 a 50 Hz). Pode ser necessária a utilização de correntes monofásicas.
A Corrente Russa foi utilizada para fortalecimento muscular em atletas e chamou atenção para este uso.
Esta corrente é igual ao FES nas indicações, podendo ser incluída no tipo EENM, porém tem
frequência de 2.000 a 10.000 Hz modulada em trens de pulso (burst) com envoltória de 50 Hz, ou seja
o corpo “percebe” 50 Hz. Muito utilizada na estética.

Correntes Diretas (apresentam efeitos eletroquímicos)

Corrente Farádica
Corrente unidirecional (monofásica), T= 1ms (1000 µs) e frequência de 50 Hz. Forma de onda pulsos
exponenciais:

Indicações: eletroestimulação de fibras musculares desnervadas, eletrodiagnóstico.


Aplicação monopolar: eletrodo negativo sobre o ponto motor ou ventre muscular e eletrodo dispersivo
distalmente no ventre ou outra região.
Limites: densidade de corrente 0,5 mA/cm2 e 15 minutos por aplicação para evitar queimaduras.

Corrente Ultra excitante


Monofásica (polarizada), período (T) de 2 ms (2000 µs), frequência de 142 Hz. Forma de onda: pulsos
quadráticos:

Grande capacidade de excitar fibras musculares.


Indicações: Eletroestimulação muscular (músculo desnervado) e eletrodiagnóstico. Técnica monopolar.

High-Voltage Pulsed Current - HVPC


Corrente unidirecional, forma de onda de picos geminados ou sequência de dois pulsos. T < 0,2 ms
(200 µs), Voltagem ou DDP de 100 V ou mais. F = 2 a 120 Hz.

A alta voltagem é compensada pela corrente média baixa, geralmente 1,5 mA. Devido à baixa corrente
total a reação química sob os eletrodos é limitada não ocorrendo alterações significativas de PH.
O intervalo entre os pulsos é muito longo. Em uma corrente com T = 0,14ms e F = 125Hz, em 1 minuto
a corrente flui apenas 1,05 s.

Indicações: reeducação muscular, redução de edema, controle da dor, manutenção da ADM, redução do
espasmo muscular, aumento da circulação sanguínea local, cicatrização de feridas (apesar de existirem
artigos que contrariem esta última indicação). Contraindicações: as gerais para eletroterapia. Cuidado
com implantes metálicos, pois apesar da corrente baixa, é uma corrente monofásica.

Cicatrização de feridas: existem evidências de que a HVPC dependendo do eletrodo atrai leucócitos,
fibroblastos e aumenta os níveis de colagenase na área tratada. Também inibe o crescimento de certas
bactérias na região. O mecanismo ainda não está bem explicado. Os protocolos são variados, nossa
bibliografia recomenda polaridade negativa na lesão cutânea por 20 min. e positiva por mais 40 min.

As aplicações para ativação muscular duram de 15 a 20 min e podem ser repetidas várias vezes por dia
e seguem protocolos parecidos com os da EENM. Ainda não existem evidências de que a HVPC possa
gerar aumento da força muscular.

Correntes Diadinâmicas
São modificações da corrente alternada, simétrica, sinusoidal (doméstica). São combinações de
retificações de meia onda e onda completa. Elas são: DF (difásica), MF (monofásica fixa), CP (curto
período), LP (longo período), RS (ritmo sincopado). Tem caído em desuso por serem pouco
específicas. Efeitos fisiológicos: quando em intensidades altas tem efeitos similares aos da corrente
galvânica. Promovem contração muscular, analgesia, redução de edema e ativação de circulação
periférica, mas devido à polaridade não podem ser usadas por tempos elevados em geral não
ultrapassando os 15 minutos. Em músculos denervados promovem contração com mais facilidade que
correntes despolarizadas. Técnica geralmente usada monopolar (um eletrodo maior, em região de
grande massa muscular, chamado dispersivo e um eletrodo menor, sobre região onde se quer a ação,
chamado ativo).

Corrente Galvânica
Monofásica, contínua, com forma de onda quadrática. Outros nomes pelos quais ela é conhecida: CD
(corrente direta) e CC (corrente contínua).

Gera eletroforese: migração de íons ou moléculas carregadas de acordo com o sinal de suas cargas
quando expostas a um campo elétrico.
Iontoforese
Técnica que utiliza a corrente elétrica para introdução transcutânea de íons medicamentosos. A base de
sua aplicação é o princípio de que cargas de mesmo sinal se repelem, e cargas de sinal contrário se
atraem. Os íons penetram na pele através dos poros dos folículos pilosos e glândulas sudoríparas. A
corrente utilizada normalmente é a galvânica. Deve-se tomar precauções para evitar queimaduras
químicas.

Íons carregados positivamente, chamados cátions, serão atraídos para o polo negativo, chamado por
isso de Cátodo, que tem cor preta como padrão. Os íons carregados negativamente, chamados ânions,
serão atraídos pelo polo positivo, chamado por isso Ânodo, cor padrão vermelho.

O eletrodo que contém a droga é chamado de ativo ou de distribuição. O outro é chamado de dispersivo
(técnica monopolar). Vantagens do método: não invasivo e administração local. Desvantagens do
método: difícil dosimetria e pequena penetração.

Queimadura química: vermelhidão excessiva, edema, aumento de temperatura local, pode chegar a
formar bolhas na pele.

Cátodo: atração de íons positivos, reação alcalina pela formação de NaOH, mais lesivo ao tecido.
Ânodo: atração de íons negativos, reação ácida pela formação de HCl, menos lesivo que a reação
ocorrida no cátodo para os tecidos.

Para evitar a queimadura química na iontoforese:


-A intensidade da corrente deve ser superior a 1mA e não deve exceder 5mA.
-A densidade de corrente no eletrodo ativo não deve exceder 0,16 mA/cm2.
-A dosimetria, que relaciona tempo e intensidade, varia dependendo do medicamento (tabela), mas em
geral situa-se entre 40 a 80 mA.min.

Eletrodos podem ser de vários tipos: metálicos sobre esponja úmida (mais usados), autoadesivos,
eletrodos-bolsa. Os de silicone/carbono devem ser evitados. Os metálicos com esponja têm melhor
indicação em correntes monofásicas. Os eletrodos devem ter distância mínima equivalente ao eletrodo
maior se coplanares. A colocação contralateral é mais indicada.

Contraindicações
Presença de metal próximo da área a ser tratada, paciente sem prescrição médica para o medicamento e
as gerais para eletroterapia.

CRIOTERAPIA

O frio é um estado relativo caracterizado pela diminuição do movimento molecular. O termo


crioterapia refere-se à aplicação terapêutica de modalidades de frio que variam em geral de 0 o a 18oC.
A redução da temperatura ocorre por condução e gera efeitos locais e sistêmicos. A eficácia do
resfriamento está relacionada principalmente com três fatores: temperatura da modalidade, tempo de
exposição e superfície de exposição. Um resfriamento muito intenso ou brusco não é necessariamente
mais terapêutico: temperaturas negativas podem gerar lesão e resfriamento rápido gera dor.
O calor é medido em calorias que descrevem a quantidade de energia necessária para elevar a
temperatura de 1g de água em 1oC no estado líquido. Calor específico é medido pela caloria gasta para
elevar em 1oC a temperatura de 1g de uma substância. Coeficiente de condutividade indica quantas
calorias de energia térmica são transferidas por segundo, através de 1cm do material, quando a
diferença de temperatura entre as extremidades é de 1oC. Gera a sensação de pisos “frios” e “quentes”.

Efeitos locais da Crioterapia


Vasoconstrição local, redução do metabolismo celular (redução do consumo de O 2 e de produção de
resíduos celulares), redução da dor, da inflamação e do espasmo muscular local, previne a instalação do
edema ou reduz sua instalação.
Observação: aumenta a oferta relativa de O2.

Efeitos sistêmicos da Crioterapia (Exposição prolongada de grandes áreas ao frio)


Tremores, vasoconstrição geral (resposta ao esfriamento do hipotálamo posterior), aumento do tônus
muscular, bradicardia e bradipnéia. Pode culminar com a morte.

Indicações
Traumatismos ou inflamação aguda, Uso logo após exercícios intensos, dor aguda ou crônica, espasmo
muscular agudo ou crônico, edema, pós-cirúrgico em geral, espasticidade por distúrbios do SNC,
nevralgias, pequenas queimaduras (1o e 2o graus), artrite reumatoide e osteoartrites, outras relacionadas
aos efeitos fisiológicos do frio.

Precauções e/ou Contraindicações


Insuficiência circulatória, pele anestesiada, ferimentos abertos, alergia ao frio, diabetes avançada,
patologia cardíaca ou respiratória significante, outras relacionadas aos efeitos fisiológicos do frio.
Observação: Fenômeno de Raynaud: reação vascular à aplicação de frio ou estresse, que resulta em
uma alteração na coloração da pele das extremidades, que podem ficar brancas, vermelhas ou azuladas.

Efeito terapêutico intra-articular: o tempo deve ser suficiente (grandes articulações 20 minutos) e
depende também da temperatura e do tamanho da fonte e da articulação. Ex:

Modalidades em crioterapia
Compressas de gelo: gelo picado ou triturado, contendo um pouco de água, dentro de saco plástico
fino, envolto ou não em toalha. Coloca-se na região a ser resfriada e, com uso de atadura, realiza-se a
fixação com leve compressão. Duração de 10 a 20 minutos em média. Efetiva no resfriamento.
Vantagem: temperatura da fonte razoavelmente constante (0 a 20 C).

Compressas de gel: colocação similar a do gelo, porém em grandes articulações devem ser usadas
duas ou três. 10 a 20 minutos. Efetiva no resfriamento. Desvantagem: temperatura da fonte variável.

Imersão: usadas em extremidades ou grandes áreas. Posição pode favorecer edema. Temperaturas
variadas, geralmente positivas. Muito efetiva no resfriamento.

Spray: Usado em esportes, rápida queda da temperatura superficial, logo após outra modalidade deve
ser eleita. Cuidado com suas substâncias do gás, algumas podem ter efeitos não desejados.

Cryo-cuff: resfriamento similar a compressa de água e gelo, prático, com acessórios específicos para
cada articulação.

TERMOTERAPIA

O aquecimento de tecidos biológicos é utilizado desde os tempos remotos em situações patológicas.


Pode ser utilizado inadequadamente trazendo prejuízos principalmente em fase aguda do processo
inflamatório. Seus efeitos potencializam os gerados pelo processo inflamatório, os riscos são:
instalação de um edema exuberante, hemorragia e morte celular por hipóxia.

Ainda temos a temperatura como desnaturadora de enzimas caso a temperatura seja muito elevada. Por
isso logo após a lesão deve-se optar pela crioterapia e o aquecimento nas fases subaguda e crônica ou
quando não houver lesão tecidual significativa, como em um espasmo muscular gerado por postura
inadequada. A Temperatura da fonte é de extrema importância e varia com o recurso.

O tecido não deve ser aquecido acima de 45o C pois isto geraria dor e início de lesão tecidual. O calor
pode ser transferido por condução, radiação, convecção, evaporação ou uma conjugação destas. Os
recursos termoterapêuticos em fisioterapia são vários e podem ser divididos em calor profundo (aquece
diretamente tecidos profundos) e calor superficial (aquece diretamente apenas tecidos superficiais).

Aquecimento profundo: Ondas Curtas, micro-ondas e ultrassom.


Aquecimento superficial: Compressas quentes, banho de parafina, infravermelho, laser, turbilhão,
hidroterapia.

Efeitos fisiológicos do aquecimento local


Vasodilatação, aumento do metabolismo, redução da dor, aumento da extensibilidade dos tecidos,
redução da rigidez articular, alívio de espasmos muscular.

Contraindicações ou precauções
Tecido isquêmico ou pouco vascularizados, tumor, processo inflamatório agudo, hemorragia, infecção,
sensação térmica comprometida, estado febril.
Compressas quentes
Fácil acesso e colocação: bolsas de borracha com gargalo grande, bolsas de gel, toalhas aquecidas
entre outros. Apresenta tempo variável nas aplicações, geralmente entre 10 a 20 minutos. Tomar
cuidado com peles sensíveis ao calor. Métodos muito bem aceitos.

Banho de Parafina: normalmente restrito às extremidades, temperatura em torno de 48 a 52 oC. A


parafina é misturada a um óleo mineral para baixar seu ponto de fusão que é de 54 oC. Método de
imersão ou método de enrolamento. Gera também uma lubrifição da pele, lúdico mas gera um pouco de
sujeira.

Diatermia por Ondas Curtas


Aplicação terapêutica de campo eletromagnético de alta frequência (27,12 MHz + 160 KHz) conhecida
como Diatermia (aquecimento) por Ondas Curtas (DOC). Esse método gera um aquecimento profundo
de tecidos e a produção de calor se dá pela interação do campo eletromagnético com as moléculas do
corpo. O campo é produzido por oscilações de elétrons em placas ou cabos. Os campos gerarão
correntes elétricas nos tecidos e o corpo humano torna-se parte do circuito elétrico.

O Ondas Curtas pode ser contínuo ou pulsado, porém o pulsado apenas passa menor energia ao tecido
causando aquecimento menos significativo ou não aquecendo. Seu efeito atérmico não tem
comprovação científica. A intensidade deve ser, até que se tenham dosagens mais específicas, apenas
um calor leve relatado pelo paciente, pois os receptores térmicos estão mais concentrados na superfície.

O tempo de aplicação é, em média, de 10 a 20 min.

Técnica capacitiva: usam-se dois eletrodos grandes emborrachados ou revestidos por feltro. Os
eletrodos devem ser de mesmo tamanho, ligeiramente maiores que a parte do corpo a ser tratada se
possível, devem estar equidistantes em ângulo reto com a pele e mantendo uma distância de 2 a 4 cm
da pele. Evite a formação de pontos quentes melhorando a técnica de colocação de eletrodos ou
distanciando os mesmos da pele. Disposição dos eletrodos: contraplanar (transversal), coplanar e
longitudinal.

Técnica indutiva: usa um cabeçote com uma bobina interna (similar às micro-ondas) ou enrola-se o
membro do paciente com o cabo apropriado para esse fim (antes se envolve o membro com várias
camadas de tecido atoalhado).

Contraindicações
Aparelho ou metal dentro do campo terapêutico (marca-passo, próteses...), sensação térmica
comprometida, gestação, áreas hemorrágicas, tecido isquêmico, tumores malignos, infecção, trombose
venosa recente, pirexia do paciente, áreas afetadas anteriormente por aplicações de raios-X.

Cuidados
Deve-se excluir qualquer contraindicação, retirar todos os objetos metálicos e aparelhos da área a ser
tratada, remover bandagens, assegurar-se que a pele está seca e que a maca não é de metal nem hajam
metais próximos, manter distância de 1 a 3 m durante a aplicação e não permitir movimentação
excessiva do paciente nem que o paciente toque no aparelho após este ter sido ligado. A sala deve
possuir baritamento (gaiola de Faraday).
ULTRASSOM NA FISIOTERAPIA

Onda mecânica longitudinal que consiste em vibrações de alta frequência, provocam oscilações nas
partículas do meio onde se propagam. Frequências das ondas ultrassônicas são acima de 20 KHz
(20.000 Hz). US na fisioterapia  0,75 a 3 MHz, US diagnóstico  5 a 20 MHz.

O ultrassom é gerado através do efeito piezoelétrico invertido ocorrido no cristal de quartzo presente
dentro do cabeçote. Com a vibração do cristal ondas longitudinais são criadas formando zonas de
rarefação e compressão.

Cavitação: formação de micro-bolhas ou micro-cavidades através de diferenças de alta e baixa pressão


nos líquidos que contém gases.

Correntes Acústicas: movimento unidirecional do fluido dentro de um campo ultrassônico.

Ondas Estacionárias: quando o US atinge a interface entre dois meios de diferente impedância, como
músculo e osso, parte da onda é refletida, e pode ocorrer uma interferência construtiva com ondas que
estão chegando. Cabeçote parado pode ser perigoso! Altas intensidades e/ou formação de ondas
estacionárias podem ser prejudiciais ao organismo por produzirem grandes quantidades de calor e
radicais livres. Interface osso/periósteo: 30% das ondas são refletidas a partir do osso e 70%
absorvidas. Ondas transversais absorvidas pelo periósteo geram aquecimento, o resfriamento é precário
pela baixa circulação. Pode gerar queimadura e/ou dor.

Atenuação: a intensidade diminui à medida que as ondas de ultrassom passam através de um meio. Esta
redução ocorre principalmente pela reflexão e absorção da onda. D/2 (meia distância) = distância na
qual a intensidade cai pela metade.

ERA: área efetiva de radiação. Intensidade: depende da área, tecido, patologia, profundidade. Áreas
grandes devem ser divididas. Movimentação contínua, em movimentos circulares ou não, e lentos (+ 4
cm/s). Utilizar um meio de acoplamento apropriado: gel. Não aumentar a intensidade sem contato com
algum meio.

Tempo de aplicação: 1 a 2 minutos para cada área do cabeçote. Não existe consenso a este respeito.

Contraindicações ou precauções
Em olhos, coração, gônadas, crânio, útero de gestante, placas epifisárias, áreas anestesiadas, tumores,
áreas desvitalizadas por radiações, tromboflebites e varizes.
Efeitos biológicos
Alívio da dor, aumento do metabolismo celular, diminuição da rigidez articular, aumento do fluxo
sanguíneo, estímulo à formação do calo ósseo, diminuição do espasmo muscular, acelera a reparação
de tecidos moles, reduz edema. (não necessariamente associados ao efeito térmico). Efeitos biológicos:
Com associação ou não do efeito térmico? Efeito térmico: intensidade maior que 0,5 W/cm2 modo
contínuo e sem efeito térmico significativo: intensidade menor que 0,5 W/cm2 modo pulsado. Evitar
intensidades superiores a 1,5 W/cm2 no modo contínuo, risco de queimaduras.

Efeito térmico: As ondas ultrassônicas penetram os tecidos humanos e são absorvidas parcialmente
pelos tecidos gerando aquecimento. Tecidos com alto conteúdo proteico absorvem mais quantidade de
energia enquanto tecidos gordurosos menos. Quanto maior a frequência, 1 ou 3 MHz, maior a absorção
e calor e menor a penetração.

Efeitos não térmicos do Ultrassom (alguns em estudo): Aumento da permeabilidade das membranas e
difusão celular, aumento da síntese proteica (Ex. fibroblastos), degranulação de mastócitos, liberação
de histamina e agentes quimiotáxicos, aumento da circulação de líquido tissular, normalização do pH,
efeitos sobre os nervos periféricos e nos tecidos pelas oscilações mecânicas, aumento da atividade
enzimática nas células.

TERAPIA POR RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

No início do século a Actinoterapia (lâmpadas como fonte de radiação) e a Helioterapia (sol como
fonte de radiação) foram muito usadas. A descoberta dos antibióticos e os avanços nas descobertas
científicas levaram a uma situação atual em que a Radiação Ultravioleta (UVR) tem um papel
terapêutico limitado: Em dermatologia a combinação de UVR com medicamentos fotoativos tem
efeitos benéficos na pele em algumas patologias. Em úlceras infectadas por micro-organismos
multirresistentes.

Os Raios Ultravioletas A (UVA) correspondem a maior parte do espectro da radiação ultravioleta. São
os mais longos e atingem áreas mais profundas da pele. Produzem alterações que levam a manchas, ao
fotoenvelhecimento e ao câncer. Mantêm sua intensidade constante durante todo o ano.

Raios Ultravioleta B (UVB) são menos longos e, portanto, penetram pouco na pele. São mais intensos
do que os Raios Ultravioleta e têm uma incidência maior no verão, em altas altitudes e próximos à
linha do Equador. São eles os responsáveis pela vermelhidão e queimaduras após a exposição solar.
Também podem causar o câncer de pele.

Raios Ultravioleta C (UVC) são os mais perigosos, mas, graças à camada de ozônio, essa radiação é
absorvida antes de chegar à Terra.

A Radiação Ultravioleta é produzida artificialmente pela passagem de corrente elétrica através de um


gás, comumente o mercúrio vaporizado. Como há variação nos comprimentos e onda emitidos por uma
lâmpada o ideal é a análise do gráfico de potência espectral que consiste de potência irradiada em
função do comprimento de onda. A maioria das lâmpadas precisar aquecer por alguns minutos antes de
estabilizar a emissão de energia. O tratamento com UVB é mais comum na fisioterapia pois a pele é
100 a 1000 mais sensível à UVB em comparação com UVA.

Dose Eritematosa Mínima (MED) é a dose mínima necessária para causar um eritema, detectável a
olho nu de 8 a 24 horas após a exposição ao UV. Medida na 1ª sessão através de placa opaca de papel
com furos pequenos nos quais se irradia dosagens diferentes que aumentam sucessivamente 40% a cada
furo, geralmente de 6 a 8 furos. Varia consideravelmente entre indivíduos e deve ser feita para cada
paciente e depois de algumas sessões repetida. Existem outros protocolos.

Efeitos fisiológicos do Ultravioleta


Eritema ou rubor da pele decorrente da dilatação dos vasos sanguíneos superficiais é o efeito mais
comum, limitando e guiando assim a terapêutica. Ocorre de 2 a 4 horas após a aplicação com pico entre
8 e 24 horas após a exposição. Vários dias são necessários para o completo desaparecimento. Caso haja
exagero na dose pode ocorrer eritema imediato, edema, dolorimento e bolhas. O mecanismo do eritema
ainda não é bem explicado, ocorre liberação de compostos como prostaglandinas e também pode estar
relacionada ao efeito lesivo sobre o DNA.

Bronzeamento: pigmentação prolongada da pele ou pigmentação melanínica. Constitutiva (genética) ou


facultativa (resposta a estímulos externos como o UV).

Hiperplasia: resposta adaptativa ao longo tempo de exposição na vida ao UV, com espessamento ou
hiperplasia epidérmica, limita os danos decorrentes à nova exposição.

Produção de vitamina D: radiação UV converte os precursores do esterol em vitamina D que facilita a


absorção do cálcio nos intestinos e as trocas de cálcio nos ossos.

Envelhecimento da pele: exposição crônica à luz solar leva a aspecto ressecado, grosseiro e coriáceo,
frouxidão e enrugamento e várias alterações pigmentares, devidas principalmente ao espectro UV da
luz solar.

Conjuntivite: inflamação da mucosa interna das pálpebras.


Fotoceratite: inflamação da córnea, devido principalmente à radiação UVC e UVB.
Catarata: há evidências de que a radiação UVB tem papel na gênese da catarata (perda parcial ou
completa da transparência do cristalino).

Indicações
Úlceras infectadas, psoríase, eczema cutâneo, acne, pitiríase liquenóide, fotoerupção polimórfica,
prurido (particularmente relacionado à doença renal) e outros distúrbios foto sensíveis.

RADIAÇÃO INFRAVERMELHA

Radiação infravermelha (IR) situa-se no espectro eletromagnético de 0,78 µm (780 nm) a 1000 µm (1
mm), estando entre o micro-ondas e a luz visível. Dividem-se em IR-A (0,78 a 1,4 µm), IR-B (1,4 a 3,0
µm) e IR-C (3,0 µm a 1,0 mm).

Prática clínica: mais usada de 0,7 a 1,5 µm ou IR-A.

Gera calor ao ser absorvida pela matéria. Muitas fontes de luz visível e ultravioleta também emitem IR
e todos os corpos acima do zero grau absoluto emitem IR, quanto mais quentes mais IR é emitida.
Calor seco (toalha fina e úmida pode ser adicionada: calor úmido). Existem geradores luminosos
(lâmpadas) e não luminosos (resistências). Podem ser usados filtros para limitar determinados tipos de
ondas não desejáveis. A potência em aparelhos terapêuticos varia de 250 a 1500 W.
É necessário deixar que as fontes aqueçam alguns poucos minutos para que se atinja uma potência
estável. É um calor superficial. Penetração de 1 a 10 mm, dependendo das propriedades da pele, do
ângulo de colisão, da intensidade da fonte e do comprimento de onda (quanto menor mais penetrante).

Efeitos fisiológicos
Alívio da dor e rigidez tecidual, aumento da mobilidade articular, aceleração do reparo das lesões em
tecidos moles e distúrbios da pele (não agudos). Não gera efeitos fotoquímicos, seu efeito se deve ao
aquecimento local que gera alterações metabólicas, circulatórias e neurológicas. Aumento do
metabolismo devido ao efeito direto do calor nos processos químicos.

Circulatórias: aumento da circulação sanguínea cutânea (vasodilatação pelo efeito direto do calor sobre
os vasos e/ou inervação vasomotora).

Neurológicas: há redução da dor pelo calor por mecanismos ainda não completamente elucidados.

Contraindicações
Áreas com sensibilidade térmica limitada ou deficiente, locais de circulação periférica comprometida,
tecido desvitalizado por tratamento prévio por radiações ionizantes, estado febril agudo, inflamação
aguda, testículos.

Técnica: pele desnuda, limpa e seca. Lâmpada em ângulo reto com a pele a uma distância de 50 a 75
cm. Deve-se atingir aquecimento cutâneo de 38 a 40 graus. O tempo varia de 5 a 20 minutos
dependendo da patologia e localização.

LASER

Laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) Delineado por Albert Einstein no
início do século XX, só foi construído em 1960 por Theodore Maiman (um Laser de rubi). Logo
apresentou várias utilidades: cortes variados, visores para determinação de distâncias e alvos, leitor de
código de barras, cirúrgico. Atualmente somos rodeados por lasers: fibra ótica, DVD, CD...

Na medicina: cirurgias gerais e oftálmicas (cortar, soldar e destruir tecidos orgânicos). Ablação: termo
cirúrgico que significa remoção de estrutura orgânica ou parte dela.

Princípios físicos

Monocromaticidade: a luz produzida por um laser é monocromática, tem “uma só cor”, um único
comprimento de onda, o que determina os efeitos terapêuticos pela especificidade de absorção da
energia pelas biomoléculas.

Colimação: praticamente não existe divergência da luz produzida pelo laser.

Coerência: só em lasers verdadeiros, as depressões e picos das ondas encaixam-se perfeitamente no


tempo (coerência temporal) e no espaço (coerência espacial).

Laser de baixa potência


O professor Endre Mester, no início dos anos 70, começou a estudar os efeitos não-térmicos dos lasers
de baixa intensidade < 500 mW.
O nome Low Intensity Laser Therapy LILT recedeu apelidos: soft lasers, cold lasers, mid lasers, low-
power lasers. Estes lasers geram biomodulação: o laser estimula ou inibe processos celulares.

LILT mais comuns: Mistura gasosa de hélio e neônio He-Ne 632,8 nm, luz vermelha.,
Semicondutores de AlGaInP 670 nm, Arsenito de gálio e alumínio - GaAlAs 830 nm, Arsenito de
gálio - GaAs 904nm.

Técnica: O cabeçote deve ser sempre aplicado perpendicularmente à pele. Pode ser em contato com um
ponto da área a ser tratada e leve pressão - técnica pontual com contato; ou aplicado à um ponto
mantendo uma pequena distância da pele da área a ser tratada – pontual sem contato; ou
movimentando-o a uma pequena distância da pele sobre toda a área a ser tratada - técnica de varredura.
Segundo Kert e Rose, 1989 Densidade de energia (J/cm 2) = potência (W) x tempo (s) / área (cm 2).
Sendo que 30 mW x 60s = 1,8 j de energia.

Mecanismos de ação: a energia pode atuar liberando substâncias pré-formadas como histamina,
bradicinina e serotonina ou modificando reações enzimáticas. Também exerce estímulo à produção de
ATP. Ocorre também em algumas situações alteração em potenciais elétricos das membranas celulares.

Indicações
Cicatrização de úlceras e ferimentos superficiais, tratamento de distúrbios artríticos, tratamento de
lesões em tecidos moles (lesão interna), alívio da dor, redução de edema e infiltrado inflamatório em
processo agudo. (Consultar estudos específicos para parâmetros e limitações).

Contraindicações
Carcinomas, útero gravídico, áreas de hemorragia, aplicação direta nos olhos e utilização sem óculos
protetores.
Este recurso tem sido estudado para melhor determinação de seu uso terapêutico, bem como de
dosagens e parâmetros de irradiação.

ATENÇÃO
A utilização inadequada dos Recursos Terapêuticos como o abuso destes por alguns profissionais ou a
descrença nos mesmos por outros, na maioria das vezes por desconhecimento do potencial terapêutico
e limitações, nos leva a situações perigosas.

BIBLIOGRAFIA
Livros:

Modalidades Terapêuticas em Medicina Esportiva. William E. Prentice. Ed. Manole, 2002.


Eletroterapia de Clayton. Sheila Kitchen e Sarah Bazin. Ed. Manole; 1998.
Fisioterapia Dermato-Funcional. Elaine Guirro e Rinaldo Guirro. Ed. Manole, 2004.
Reabilitação Física das Lesões Desportivas. James R. Andrews, Gary L. Harrelson, Kevin E. Wilk. Ed.
Guanabara Koogan, 2000.
Tratado de Fisiologia Médica. Guyton e Hall. Ed. Guanabara Koogan, 2002.

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