HIV
em
ADULTOS
FISIOPATOLOGIA DO HIV
Fusão e entrada na célula hospedeira: se liga à célula CD4+ através do receptor
CD4 e de co-receptores (CCR5 ou CXCR4). Após essa ligação, ocorre a fusão da
membrana viral com a membrana da célula hospedeira.
Transcrição reversa: o RNA viral é convertido em DNA viral pela enzima
transcriptase reversa. Esse DNA é integrado ao DNA da célula hospedeira por
meio da integrase.
Replicação viral: o DNA viral é transcrito em novas cópias de RNA viral.
Destruição progressiva do sistema imunológico: O ciclo de infecção e
replicação do HIV leva à destruição das células CD4+, comprometendo a
capacidade do sistema imunológico de responder a infecções e outras
ameaças. O número de células CD4+ cai progressivamente ao longo do tempo,
o que aumenta a susceptibilidade do indivíduo a infecções oportunistas e
certas neoplasias, características da AIDS.
Estágios da infecção Fase aguda: alta carga viral,
sintomas semelhantes a uma
síndrome gripal.
Fase crônica/latente: o vírus
permanece no organismo em
baixos níveis, com progressiva
destruição das células CD4+.
AIDS: quando o número de
células CD4+ cai abaixo de 200
células/mm³, ou surgem
infecções oportunistas graves.
DIAGNÓSTICO DO HIV
• Testes sorológicos: realizados em duas etapas com
testes rápidos ou laboratoriais (ELISA), seguidos de
confirmação por outro teste diferente do inicial.
• Teste de carga viral (RNA HIV): mede a quantidade de
RNA do HIV no sangue, sendo importante no diagnóstico
de infecção aguda e no monitoramento do tratamento.
• Contagem de células CD4+: utilizada para avaliar o
estado imunológico do paciente.
CRITÉRIOS PARA INÍCIO DE TERAPIA
ANTIRRETROVIRAL (TARV)
Segundo o PCDT, o tratamento com TARV é recomendado
para todas as pessoas vivendo com HIV,
independentemente da contagem de CD4, para:
• Reduzir a morbidade e mortalidade associada à infecção.
• Prevenir a transmissão sexual e vertical (da mãe para o
bebê).
INDICAÇÃO DO TARV
A recomendação da Tarv para todas
as pessoas vivendo com HIV ou aids,
independentemente do CD4, está
associada a diversos benefícios,
tanto para a pessoa quanto para o
sistema de saúde, quando atingidos
os objetivos do tratamento
A Tarv deve ser iniciada no mesmo
dia ou em até 7 (sete) dias após o
diagnóstico da infecção pelo HIV.
OBJETIVOS DO TARV
Os principais objetivos do tratamento são:
› Redução da morbimortalidade
› Aumento na expectativa de vida.
› Redução da progressão da doença, evitando
eventos definidores de aids.
› Redução de comorbidades (cardiovasculares,
renais, dentre outras).
› Redução na incidência de tuberculose.
› Recuperação da função imune.
› Supressão virológica duradoura.
› Melhora na qualidade de vida.
› Prevenção da transmissão.
ESQUEMA DE TRATAMENTO
ANTIRRETROVIRAL (TARV)
O tratamento de primeira linha geralmente envolve uma combinação de três
medicamentos:
1. Inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos (ITRNs): Tenofovir
(TDF) + Lamivudina (3TC) ou Emtricitabina (FTC).
2. Inibidores da integrase (INSTIs): Dolutegravir (DTG), que é o preferido por sua
eficácia e perfil de segurança.
Esquema inicial recomendado:
• Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Dolutegravir (DTG).
Este esquema é preferido devido à alta barreira genética à resistência e baixa
toxicidade.
Investigação da tuberculose
A infecção pelo HIV determina elevado risco de desenvolver TB ativa ( a principal
causa conhecida de óbito por doenças infecciosas nas pessoas vivendo com HIV ou
aids).
A infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) pode ser detectada pela:
Prova tuberculínica, a inoculação do derivado proteico purificado e considerada
positiva quando o resultado da leitura for igual ou superior a 5 mm.
teste de liberação de interferon-gama (IGRA), que detecta o interferon-gama
liberado pelas células T após exposição aos antígenos do M. tuberculosis.
RASTREIO DA DOENÇA CRIPTOCÓCICA
DIAGNÓSTICO DE SIRI
síndrome inflamatória da reconstituição imune
é clínico e deve ser considerado quando ocorrem sinais ou sintomas inflamatórios
entre quatro a oito semanas após o início da Tarv, ou na reintrodução de um esquema
interrompido, ou na troca para um esquema mais eficaz após a falha virológica.
Observa-se, em geral, aumento no CD4 e redução na carga viral, o que demonstra a
efetividade do tratamento.
A SIRI acontece porque, ao iniciar o TAR, a carga viral do HIV diminui, e a função
imunológica, especialmente dos linfócitos T CD4+, começa a se restaurar. Com
essa recuperação, o sistema imunológico começa a reagir vigorosamente a
agentes patogênicos que estavam presentes no organismo, mas não estavam
causando sintomas devido à imunossupressão, resultando em inflamação
excessiva.
DIAGNÓSTICO DE SIRI
COINFECÇÕES E
COMORBIDADES
Pessoas vivendo com HIV têm maior risco de infecções
como tuberculose (TB), hepatites virais (B e C) e outras
doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O manejo de
coinfecções inclui:
• Tuberculose (TB): Iniciar TARV após 2 semanas de
tratamento anti-TB, exceto em casos de TB
meningoencefálica.
• Hepatites B e C: Idealmente usar esquemas que
também tratem a hepatite B (TDF e 3TC) e considerar
tratamento específico para hepatite C conforme
diretrizes vigentes.
MONITORAMENTO DO
TRATAMENTO
• Carga viral (CV): deve ser monitorada a
cada 3 a 6 meses até atingir níveis
indetectáveis (<50 cópias/mL), e depois
anualmente.
• Contagem de CD4+: monitorada a cada
3 a 6 meses inicialmente, depois
anualmente em pacientes estáveis.
VACINAÇÃO
FALHA TERAPÊUTICA E TROCA DE
REGIME
A falha terapêutica pode ser virológica,
imunológica ou clínica. O tratamento é
considerado um sucesso quando a carga viral
é indetectável após 6 meses de tratamento.
Quando a carga viral não atinge níveis
indetectáveis ou há um aumento consistente,
é necessário reavaliar a adesão ao tratamento,
interações medicamentosas ou resistência
viral.
Define-se como falha virológica o resultado confirmado de carga viral superior a 200 cópias/mL
EFEITOS ADVERSOS E MANEJO
TDF (Tenofovir): toxicidade renal, osteopenia/osteoporose.
DTG (Dolutegravir): geralmente bem tolerado, mas pode
causar insônia e aumento de peso.
3TC (Lamivudina): geralmente bem tolerada, pode causar
efeitos gastrointestinais leves.
Manejo de efeitos adversos:
• Monitoramento renal periódico para pacientes em uso de
Tenofovir.
• Orientação sobre hábitos de vida saudáveis para controle de
ganho de peso associado ao Dolutegravir.
PROFILAXIA E PREVENÇÃO
Profilaxia pós-exposição (PEP): deve ser iniciada em
até 72 horas após a exposição de risco (acidente
ocupacional, violência sexual, exposição sexual
desprotegida) e deve durar 28 dias. Esquema
preferido: TDF + 3TC + DTG.
Profilaxia pré-exposição (PrEP): indicada para
indivíduos em maior risco de infecção (por exemplo,
parceiros sorodiferentes). O esquema mais comum é
TDF + FTC em uso contínuo ou sob demanda.
ASPECTOS SOCIAIS E
PSICOSSOCIAIS
• Aconselhamento e suporte psicossocial:
essencial no manejo de pessoas vivendo com
HIV, visando melhorar a adesão ao tratamento,
reduzir o estigma e apoiar a saúde mental.
• Prevenção da transmissão: O conceito
“indetectável = intransmissível” (I=I) reforça que
uma pessoa com carga viral indetectável por
mais de 6 meses não transmite o HIV
sexualmente.
SEGUIMENTO DE LONGO PRAZO
Consulta médica a cada 6 meses, se o paciente estiver em
bom controle (carga viral indetectável e contagem de CD4
estável).
Avaliação anual de comorbidades (diabetes, dislipidemia,
hipertensão, doenças cardiovasculares) devido ao risco
aumentado entre PVHIV.
Esse protocolo garante que o manejo da infecção pelo HIV
seja realizado de forma abrangente, visando tanto a saúde
individual do paciente quanto a redução da transmissão do
vírus.
OBRIGADO!
João Matias
Maria Rita
Maraya
Mikelle Marques