MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: FONTES MECANIZADAS COMO CONTRIBUIÇÃO AOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO
ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO
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MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas Como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola

MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO

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MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola

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CDU 631. Tratores e implementos agrícolas – Prevenção de acidentes 3. Mecanização Agrícola. Operações mecanizadas. Mecânica agrícola 3 . 4. Bibliografia 1.17 S 729 r – PEDROTTI. Miguel David de. 2006.. Alceu & SOUZA NETO. 162 P: il. 90 MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola / Alceu Pedrotti & Miguel David de Souza Neto – São Cristóvão – Se. 2.

........ O sistema de lubrificação ............................. Sistema de alimentação/combustível .......................................... 35 CAPÍTULO 2 ......................................... 44 2..............3.................. O Sistema de arrefecimento ................................... 38 2........................................................................................................................................................................................ 2......................... 7 Um pouco de história: o fim do nomadismo e a agricultura de precisão: ....................1 Dimensionamento de polias e correias: adequação de implementos: ............ 70 2.................... 68 2. 72  Drenagem do sedimentador e do filtro de combustível................4................................................ 2.....Sistema de alimentação/ar: .............................. 44 2.............. Aspectos da mecanização agrícola: ........2................................................................................................................................2....................... 38 Os sistemas do trator .... Funcionamento básico do sistema hidráulico de três pontos ................................................................ 9 1...........4.......2............... 14 1......... 73  Sangria do motor........................................................................................ ............ 35  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo Diesel................... O sistema hidráulico...................................................................................................................6...........................1....... 13 1.................................................. 44 2..................................................................................................1..1........................................ 20  Principais críticas à mecanização agrícola: .............................................................................................1................1................................................ 11 A agricultura de precisão .................. 67  A relação: Tipos de correias x potência do motor ............................2.........................................................................Pré-programação operacional suportada por tecnologia de computador (tratores Valtra/Valmet): ...........................................1..... 30 1..1......5.................................................................... 73 2.....................................................1.. Sistema de transmissão de trabalho – polias e correias..........................................................2............................... 38 2............................................ 30 1......................................................................... 38 2.................... 72  Bomba alimentadora ...2........4............................................ 69 Alguns cuidados com as correias e polias: ............... 45 2................... ............................................................4................. 73  Sangria do sedimentador e filtro de combustível .........3....................................... Os sistemas do trator.................................................. A mecanização na agricultura ...1................................ Sistema de embreagens e transmissões .................................................................................................... Conhecendo o trator: ............................ 73  Sangria da bomba injetora (bomba horizontal e bomba vertical – cav) ........................................ 75 4 ....................................................................................................................... um dos princípios dos braços do hidráulico: ........................ 39 2.............................................................................................4............ 72  Substituição do filtro de limpeza do sedimentador de combustível...................... Manutenção do sistema de lubrificação ......................................................................................................... 3............ 19 A situação da mecanização agrícola .......... 70 2.............................................................. 53 2...................... 70  Manutenção do sistema de filtragem de ar ...................................... 16 A mecanização e a agricultura moderna ...........................................ÍNDICE Apresentação ............................................................................................................ .... O sistema de alimentação ............................................................ A tração animal e os dias de hoje......................2..... Dimensionamento de polias: .......................................... 9 1.............................................................. 72  Tanque de combustível: .................................................................................................... 67 2................................. Dimensionamento de correias ................... 71 2.............................................................................................................................. O Sistema de levante hidráulico com controle eletrônico – Hydrotronic (tratores Massey Ferguson e Maxion)..............................................5....................1........................ 65 2............................... Definição de motor: .................................. O uso da tração animal na agricultura .................................................................................................................................................................................................................. A lei das alavancas............................. Princípios básicos de funcionamento de um trator agrícola: .......................................................................................................... 24 1.............1.....1..................1. Ajustes de bitola e lastração ..... 43 2..............3........................................2......................4........................2.................................................................................................. 62 2...........................................................................................5........... As siglas utilizadas na classificação dos óleos ........ Sistema de transmissão: Transmissão de força.........................................2.......................... 33  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo OTTO: ....................................................................................................... Autocontrol .... 31  Os tempos dos motores à explosão ............... 55 2.........................................................................

....................................2.........................................................................................................6..............................................................................................................2 Manutenção dos equipamentos de tração animal ...............................................................................................................................................................................................1....................... Preparo do solo:......... 82 3................................... 82 Os implementos agrícolas: ................. 134 a) Estrutura ....................................................................................................1.............. 144 Adubação verde ............................................................ Medidas conservacionistas ................................ 131 CAPÍTULO 5 .......................................As capinas..................................... 144 Rotação de cultura................................................................... 112 Aplicação de herbicidas ................................................................. 116 Condições climáticas ideais para a aplicação de defensivos: ........... 149 O uso de implementos descompactadores do solo: ...................................................................2........... Estrutura e Umidade: ........................................................................1................................................................................................................................ 133 Manejo e conservação do solo .......................................................................................1........... 85 Gerenciamento econômico do setor de mecanização..............1.................................. 103 Grade de dentes rígidos ou fixos ........................................................................................................................................ 93 O Arado de aivecas: .................................................................................. considerações sobre a correta manutenção dos tratores: .. 122 4................................................................................... 124 4................................ 138 5.......... 117 CAPÍTULO 4 ...................................................................... Identificação dos principais controles e instrumentos de controle do trator: ............................................................................ Conforto na operação do trator: ......................................... 134 5...... 103 Grade de dentes com molas ou grade de molas .................................................................................................................................................................. 107  Tratos culturais .................................................1.....1........................................................................................................................ 85 O Rendimento das operações de mecanização ............................................. 79 CAPÍTULO 3 ................. Textura.....................1......................................... Porosidade ....5..........................................................................................................................1..................................................................................... 134 b) Umidade do solo ..................................................................................................................1................................................................... Tração dianteira ...........2... 104  Escarificadores no preparo do solo............ Partida do motor ............. 91 Princípio da aração: A reversibilidade da leiva ........................2................... Manutenção dos implementos ................................................................................ 149 5 .................................. Cuidados com o equipamento: a operação do trator..................................................................................................... 83 3........................................................................................... 102 Sistemas de gradagem ........ Características e propriedades edáficas que devem ser observadas no preparo do solo: ...................................................................... 91 Arados fixos e móveis: ...1..............................................................................................1...............................................................4............................................................................................................3...................................................................................................1........................................................ 138 5............................... 135 5.......... 95  A gradagem ....................................................................................................................................................................................... Profundidade ..........Planejamento e desempenho operacional de máquinas agrícolas ................................................................ pousio e cultivo em faixas alternadas ....... 122 Prevenção de acidentes no uso dos implementos agrícolas e do trator .......................... 133 5............................................................ 145 Alternância de implementos .............................................................. Medidas gerais de segurança ............. 83 3................................................................................................................................................................................................................................ ........................ 142 Manutenção da cobertura morta na superfície – Sistema de Plantio Direto (SPD): .................................................................................................. 140 Terraceamento e semeadura em nível .........................3................................................... 138 5..................... 126 4................................................................ 104 O rolo destorroador: ...........................................................................................7.......................................................... 122 4..............3.......................................... 106  A semeadura ..........1.............................. 117 A colheita ............................. Cor ............4.......2....................... 129 4... 96 Regulagem das grades de discos........................1................................. As atividades agrícolas e os implementos: .................... 139 5.... 94 O arado de discos............. 126 4.............. A insalubridade do trabalho de tratorista........... 133 5...........................2.......................................................................................................................................................................................... 125 4..2......1......................................................................................................................................................................................... 86 3........................................................................ 105 Enxada rotativa . Topografia .....................................................................................1. 90 3....................................................................3............................................................................................................................................................. 90  Aração .................................................................

.......................... A adubação e a pecuária: ..................................... 156 5............ 162 6 .............................................................................3.........................3....................4.......................................1..........................3.......................... 160 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................3.............................5.3.......6............ 156 5...... Amostragem do solo ......................................2...................3....................... O ph do solo e a correção da acidez ...... 150 5.............................. 157 5..................................................... A fertilidade do solo ........................ 151 5..................... Adubação orgânica .....................................................................................3.............................................................................................3.................. Análise foliar .................. 151 5.............................................3....................................................................................................................... Adubação do solo .................................. 150 5.......................Subsolador X Escarificador.................................................................................................................................................. 150 5.................................................7..... Adubação química ......................

com resultados confiáveis.Apresentação A modernização agrícola brasileira baseou-se em mudanças na composição das colheitas pela diversificação. Graças a esses fatores. em particular. incorporação de novas tecnologias e em modificações na estrutura e na organização dos fatores de produção. O trator agrícola apenas pegou carona e desenvolveu-se uma linha de pesquisa aplicada à mecanização agrícola. Mesmo assim. especialmente das culturas mais modernas. Além disso. A mais notável mudança. quando os veículos fora de estrada passaram a ter grande importância. os ganhos de produtividade explicam cerca de 3/4 do aumento da produção agrícola obtida no Brasil. muita coisa em comum continuou existindo e as teorias de relação 7 . Essa diferença entre um veículo de transporte de pessoal e armamentos e um veículo de tração é evidente e por isso a linha agrícola acabou tomando seu próprio caminho. O emprego de computadores acoplados à máquinas agrícolas em conjunto com informações geoposicionadas levaram ao campo o que existe de mais avançado em termos de gerenciamento de dados e estratégias de informática viáveis à melhoria da atividade agropecuária. nas décadas de 70 e 80 os ganhos de produtividade passaram a ser uma importante fonte de crescimento da produção agrícola. com destaque para as culturas de maior interesse para a exportação. O avanço da área de mecanização agrícola registrado já é tão grande que o termo agricultura de precisão (AP) vem sendo adotado no meio agronômico para identificar um conjunto de tecnologias modernas oriundas de adaptações informatizadas com uso direto em equipamentos agrícolas. como a soja. principalmente após a 1a Guerra Mundial. ocorreu na composição da produção na direção de culturas caracterizadas por mercado em forte expansão no comércio internacional. para predizer o que o trator pode exercer de força numa dada condição e o que a máquina ou implemento vai exigir de força para ser tracionada nessa mesma condição. no que toca à diversificação de culturas. Um dos grandes desafios de quem trabalha envolvido com máquinas agrícolas sempre foi a correta modelagem. ao contrário do que ocorreu nas décadas anteriores. a mecanização. Existiram muitas tentativas e modelos propostos. no sentido de melhorar a eficiência e racionalidade de seu uso nas diversas operações da propriedade rural. a pesquisa agrícola e o uso de insumos químicos também foram fundamentais para a expansão da fronteira agrícola na direção centro-oeste de nosso País. Na década de 80.

Aquele veículo que hoje é conhecido como trator já passou por muitas fases e variações. em cursos ligados a ciências agrárias. que este livro vêm a contribuir com docentes e pesquisadores. datado de 1906. já existia uma quantidade significativa de máquinas a vapor sobre rodas. o chamava pela primeira vez de “tractor machene”. e justamente para sustentar máquinas pesadas sobre solo. Bom proveito ! 8 . o dispositivo responsável pela transformação da potência disponível no motor em força de tração (Goering. Algum tempo depois do seu surgimento é que esse veículo passou a ser chamado de trator. que ao mesmo tempo que registra evoluções e resultados nos sistemas de produção tão expressivos. na primeira metade do século passado. ainda primitivas são dessa época. A partir de então surgiram inúmeras variações e formas construtivas tanto do trator em si quanto do seu sistema de rodado que é. principalmente os discentes cursantes das disciplinas de graduação. carece de materiais como os propósitos apresentados por esta publicação.pneu-solo e esteira-solo são freqüentemente revistas e confrontadas entre as grandes áreas (aplicações agroflorestais. em última análise. Essa é a maior função do trator que hoje impulsiona uma grande fatia da economia. Na última década do século passado é que começaram a surgir os tratores com motor de combustão interna. 1992). Em cima destas evoluções e ganhos de tecnificação. máquinas para construção civil e veículos fora de estrada). Um anúncio de um deles. além de. Inicialmente. pela suas características e função. que tem a necessidade de subsídios na área de mecanização agrícola. na agricultura e silvicultura. As primeiras esteiras.

principalmente como força-motriz. os nossos antepassados viviam da caça e da coleta de frutos e ervas. surgiram pressões de ordem social. a 2 500 a. A partir do período Neolítico1 o Homo sapiens estabeleceu relações mais específicas com a natureza. nascida durante o período mesolítico.. em diferentes épocas. acompanhou também a domesticação de alguns animais e o pastoreio (CÁRCERES. após mudanças consideráveis no tocante ao clima da terra. para que se tivessem animais de tração fortes e ao mesmo tempo dóceis (UNIVERSO. a cerca de 6500 a. passou-se a castrar os touros. andavam em clãs por regiões diversas. Estavam sujeitos aos rigores das matas ou às grandes distâncias das planícies. Com o tempo. 1973). Esse evento foi de extrema importância. (CARVALHO & NAKAWVA. com o aparecimento das vilas. através da domesticação de animais de tração e aperfeiçoamento dos primitivos implementos de auxílio no preparo do solo (CÁRCERES. Os bovinos foram domesticados 3000 anos depois. devido à sua ferocidade. como também. perpetuando-se essa divisão de ecossistemas antrópicos desde as polis gregas até as megalópoles atuais. 1996). 1. Por volta de 3000 a. Para sobreviverem. pelos nossos ancestrais. 9 . transportando cargas. A partir da observação e descoberta do processo de germinação das sementes e domesticação de várias espécies vegetais. 1996).C. às endemias e até aos clãs rivais. como o aumento demográfico. aprimorando principalmente a agricultura.C. a capacidade de esses animais exercerem algumas atividades. A domesticação dos animais trouxe não só para o homem a perspectiva de obter alimento e produtos de origem animal. Essa agricultura primitiva.C.CAPÍTULO 1 Evolução histórica: o fim do nomadismo e a agricultura de precisão: Desde os primórdios. surgiu a agricultura. pois a partir da agricultura e da domesticação dos animais. O uso da tração animal na agricultura Os primeiros animais domesticados foram os ovinos. quando houve uma diminuição das calotas polares e que fez surgir novas áreas habitáveis. o homem pôde deixar o nomadismo e passar a ser sedentário (GUIMARÃES. fixando-se em locais propícios às suas atividades agrícolas e pastoris. tracionando implementos nas diversas atividades da 1 Período compreendido aproximadamente entre 6 000 a. 1982). acompanhando a frutificação da flora dessas regiões e da disponibilidade de caça. 1983). e a subseqüente separação dos homens em dois meios distintos: o meio rural e o urbano.C. Sujeitos aos predadores.

semeio e colheita. como o americano Washington. Além dos tratos com o animal. como o carro de boi. é pouco eficiente. aração. entre eles a carroça. relativos à nutrição. entre outros. como a semeadeira-adubadeira.4 hp de trabalho de esforço contínuo e moderado (HOPFEN & BIESASKI. há evidentemente. de utilidade como força de tração na agricultura (GUIMARÃES. a semeadeira – adubadeira. desde o mais rústicos. Os animais têm um potencial de transformarem alimentos baratos (forrageiras e grãos) em trabalho mais eficientemente que o homem. auxiliando o homem nas tarefas de desmatamento. 1982). tração. 1953). que em sua fazenda fez uso de mulas.Cultivadores tracionados por bois. gerando apenas cerca de 0. que tantas cargas transportaram no dorso desses animais. Diversos povos fizeram uso dos animais domésticos.agricultura. a plaina. sanidade e inclusive bem-estar. Grandes proprietários de terras. Imagem 1. até os mais sofisticados.1 hp de trabalho pesado e contínuo e cerca de 0. Brasil afora. como fonte geradora de potência. pois o homem mesmo. Dentre os implementos puxados por animais podem ser citados muitos. variando 10 . ou os tropeiros. para se desenvolverem. o cultivador. o arado de aivecas. Cena comum no interior do nordeste e em propriedades de mão – de – obra familiar. os cuidados referentes à manutenção dos implementos tracionados por estes animais.

1. do séc. inventada por Charles Newbold e aperfeiçoada por Jethro Wood. e tornaram-se mais específicos somente após a 2ª guerra mundial. GUIMARÃES (op. do trator a vapor. cit). no final do séc. Desde a invenção do motor a vapor por James Watt. em 1840. Em seguida. Do sistema feudal. passassem a ser utilizadas na produção de alimentos. com suas características de relações servis. a partir de tais aperfeiçoamentos. cria a primeira charrua inteiramente de aço. em 1937. XVIII. obtendo maior rendimento e eficiência. ao modo de produção atual as modificações foram muitas. a partir da montagem de uma máquina a vapor autopropelida sobre rodas. especialmente cereais. A mecanização na agricultura Após a revolução industrial no século XVIII. 11 . Desde o primeiro passo. XVIII somente mais tarde. Os passos iniciais da revolução industrial. e o surgimento dos motores desenvolvidos por Rudolph Diesel em seguida.somente o grau de cuidados e número de manutenções desses implementos. como uma charrua de ferro fundido. O campo passou a partir da revolução industrial.1. (1966) e GUIMARÃES (1982). como a introdução de pneumáticos por volta de 1930. nos estados Unidos. foram dados a partir das mudanças do sistema de produção rural. o sistema hidráulico de Harry Ferguson. só receberam sensível impulso. a mecanização no campo teve um forte impulso após o aperfeiçoamento e invenção de máquinas. após a 1ª Grande guerra.1. John Deere. ao câmbio sincronizado dos tratores Valmet nas décadas de 60/70. em fins do séc. No entanto. a invenções também importantes. como a invenção do motor Otto em 1870.relações as quais discutiu HUBERMAN (1936) – às intensas mudanças do modo de produção agrícola. modelos de exploração e o tamanho das propriedades. fomentadas pelos processos inerentes à própria revolução industrial. Deste momento em diante. afirma que por volta de 1800. O desenvolvimento do trator e de implementos específicos à tração mecanizada ocorreu em detrimento dos antigos implementos puxados por bois e mulas. a evolução do trator acompanhou os níveis de tecnologia agrícola. grandes extensões de terras. como veremos num capítulo mais tarde. dos camponeses para com os seus senhores . grande número de implementos são aperfeiçoados e fazem com que. a passos maiores. A própria evolução do trator evidencia que o nível tecnológico empregado no maquinário agrícola acompanhou os processos criativos e tecnológicos das outras áreas. XIX começam a surgir os primeiros tratores. houve uma intensa mudança na estrutura fundiária e de produção. também a ser trabalhado por máquinas. que carregou no seu bojo a mecanização agrícola. antes irremovíveis pelos antigos instrumentos. de acordo com BARGER et alii.

através do uso de GPS (do inglês: global positioning sat) para a correção e adubação do solo. com aplicação de insumos e fertilizantes. na chamada agricultura de precisão. existe maquinário que exerce tarefas antes inconcebíveis a uma máquina. ao descreverem a agricultura de precisão. só seria viável no emprego de máquinas para grandes propriedades rurais. ou o trigo. Algumas são até guiadas por satélite. o trator agrícola que não precisa de operador (atualmente apenas um protótipo). além de algumas culturas olerícolas). de uma forma bem mais específica de que a adubação generalizada e extrapolada para toda a área2. 2 SOUZA FILHO e RORDAN (2003). 12 . vai ao campo e volta ao galpão de máquinas guiado por satélite e por computadores. de algodão. como a colheita de cana-de-açúcar. definem os métodos de análises através de amostragens das áreas tradicionalmente feitos como Agricultura das médias. contudo. Podemos citar ainda. em glebas heterogêneas da propriedade.Atualmente. de café. Esse nível de tecnologia. de produção intensiva e de culturas com altos rendimento e remuneração por unidade de área (grandes culturas de valor econômico elevado ou alta produtividade como a soja. ou de oliva.

corretíssima. como se sabe. bem como a produtividade dos diversos talhões existentes numa mesma área. pois desconstrói o manejo realizado pela chamada agricultura das médias e passa a tratar as glebas de solo com os seus potenciais produtivos de forma individual. cit). DALLMEYER (2004) traça aspectos positivos dessa técnica. ou estratégicas. São elaborados mapas de produtividade e após isso. Segundo SOUZA FILHO e RIORDAN (2003). muitos deles caracterizados inclusive como implementos pecuários e não mais agrícolas. As máquinas de distribuição de ração nas granjas modernas. Enumeremos alguns:       O vagão transportador de volumoso. principalmente no tocante às condições edafoclimáticas (o sistema de preparo de solo e plantio de um país de clima temperado. Esse autor lembra que tais máquinas nem sempre estão em conformidade com as condições do sistema de plantio direto. As enfardedeiras tratorizadas e manuais. observando que ela é do ponto de vista agronômico. alguns implementos e/ou máquinas de agricultura de precisão importadas. essas medidas podem ser corretivas. não é aplicável aos trópicos). tamanhos e níveis de preço. DALLMEYER (op. critica contudo. Inúmeros são os implementos e máquinas utilizadas na pecuária. As colheitadeiras de feno. como o ajuste na quantidade de insumos. O vagão transportador e distribuidor de ração. ou no caso de uma pecuária mais mecanizada. como no posicionamento das sementes e do adubo no sulco. como a decisão de deixar de plantar em determinada área. feitas algumas avaliações desses dados. 13 . assim como o boi.A agricultura de precisão O funcionamento da chamada agricultura de precisão baseia-se na coleta de informações de produção. para em seguida. As colheitadeiras e picadoras de capim. cabendo ao pecuarista a escolha de acordo com suas necessidades e possibilidades (vide tópico referente à escolha e dimensionamento da frota na página 76). A mecanização e a pecuária: A mecanização atualmente está para a pecuária assim como o boi está para o pasto. Desses implementos existem os mais diversos modelos. para o cocho. tomar-se as medidas cabíveis para o aumento da produtividade de cada m2 da área.

Entretanto. que influem no nível de compactação3 do solo. De fato. mas que.1. metabolismo CAM. pois o tamanho do casco deste em relação ao seu próprio peso é significativamente menor do que se compararmos a proporcionalidade entre o material rodante (esteira. as colheitadeiras de feno e sua embalagem em fardos de cerca de 20 kg são as máquinas mais utilizadas por pecuaristas de maior porte. pois na realidade. pneus) de um trator agrícola e o seu tamanho. o animal compacta mais o solo*. Há especificamente nessa região para o setor pecuário uma certa dificuldade (entre tantas!) que se refere a um caráter de ordem tecnológica e prática. atrofiamento das folhas em espinhos etc) e que naturalmente serve de alimento aos animais. para as áreas agrícolas com problema de compactação de solo. também surgirão novas respostas tecnológicas da mecanização. Já para áreas mais abastadas no tocante à regularidade de chuvas e média pluviométrica bem definida. se considerarmos somente o aspecto técnico de construção da mesma. à medida que novas necessidades forem surgindo. mais contundente em termos de danos ao solo do que o uso da tração animal.No Nordeste. os danos feitos aos solos agrícolas restringem-se quase que exclusivamente ao manejo e forma de exploração do solo. 1. alguns produtores (na sua maioria. de forma característica dessa família botânica. a qual é feita geralmente em pequenas propriedades e sem danos que comprometam o sistema de produção de tais propriedades – portanto. que haja uma viabilidade de mercado. substituiu o trabalho dos animais nas atividades rurais. ou por assim dizer.2. de forma absoluta. em termos de proporção. vê-se uma forte tendência de incorporação da mecanização à pecuária brasileira. sobrevive à aridez mediante as suas estratégias fisiológicas (armazenamento de água.). a formação de camadas 14 . variedade de palma forrageira mais adequada. minifúndios e médias propriedades) em tarefas específicas. sem uma consistência prática. fazem uso da tração animal. alimentação do material através de esteira. desde claro. veremos que há algumas limitações de ordem técnica como o corte da palma e deslocamento do material picado da máquina ao vagão. Contudo. O uso “incorreto” e excessivo do trator. A tração animal e os dias de hoje Com o advento da mecanização. muitas vezes. uma cultura que é usada desde muito pelos agricultores (ou pecuaristas) familiares e que sustenta toda sorte de gado nos períodos mais crítico de secas as quais muitas vezes duram anos é a palma forrageira (Opuntia sp. robustez do conjunto trator x implemento e velocidade de corte. espaçamento padrão ideal da cultura a campo. predominantemente nas grandes propriedades. De uma forma geral. Uma cactácea que. de pequenas propriedades agrícolas. cultura em área destocada. ou onde o emprego da máquina não é viável ou 3 Embora a compactação do solo seja notadamente maior quando se refere à tração mecânica. que é uma colheitadeira de palma forrageira à disposição no mercado. essa afirmação adquire uma natureza meramente de curiosidade. embora existam máquinas com uma grande capacidade de confecção e transporte de feno (em rolos). com vistas à redução de danos operacionais. houve um incremento da produção agrícola e o uso intensivo das máquinas.

cabe somente ou ao técnico responsável ver a real necessidade de aquisição de máquinas. pelo excesso de pisoteio (excesso de animais numa mesma área ou superpastoreio).90 2.45 1. *nda.6 – 12. os bufalinos continuam sendo utilizados e realizam as tarefas com perfeição (já existe um maior número de tratores na agricultura chinesa. é uma situação relacionada ao mal manejo e falta de racionalização da pecuária. Na Índia.6 2. totalmente diferente portanto. está relacionada não somente com a questão “direta” do uso do trator e a compactação causada por ele. mas que o emprego da mão – de – obra ainda é significativo. 15 . etc. Tração animal . em países como a China.4 – 3. o que é desejável do ponto de vista social.Animal utilizado Operações Mula 1 boi 1 junta de bois Tração mecanizada Faixa de potência (cv) para tratores de pneus 61-63 73-77 Aração Gradagem Plantio Rendimento (ha/turno*) *considerando um turno (dia/de serviço) de 6 horas de trabalho 0. Acreditamos que cada produtor tenha uma necessidade diferente em relação ao modo de produzir.2 – 2. do século XX. devido à abertura econômica que esse país vem realizando na última década.07 9. A tabela seguinte (tabela 1) ilustra o rendimento de algumas operações mecanizadas utilizando-se a tração animal e a tração mecânica. mas que evidentemente.4 2.8 subsuperficiais adensadas.6 1. Atualmente. com essa tabela. relação implemento de corte x potência do trator inadequada.: Na realidade. fazermos apologias ao emprego da tração mecânica. onde a mecanização com o uso de máquinas autopropelidas (tratores) é impraticável. aração ou gradagem muito acima ou abaixo do ponto ideal de revolvimento do solo. Não pretendemos contudo.0 – 12. nas regiões montanhosas rizicultoras.6 6. seja pelas dimensões das parcelas trabalhadas. os bovinos são reverenciados como sagrados e comumente utilizados para diversas atividades. principalmente no tocante ao custo-benefício de semelhante empreitada Tabela 1 – Rendimentos de algumas operações agrícolas com tração animal e mecanizada. existem áreas de pastagem que sofrem compactação demasiada.4 – 6.não obtém resultados satisfatórios. como auxiliadores do homem nas suas tarefas cotidianas.37 0. já que a China é um país superpopuloso).0 2.4 – 7. da questão de emprego de tração animal ora discutido. pelo relevo ou até mesmo pela não disponibilidade de capital para aquisição de maquinário. mas sim às práticas de manejo incorretas e degradantes tais como número de passagens excessivas. conforme foi discutido no item de críticas à mecanização agrícola. o lastramento incorreto e/ou excessivo do trator.

2 - 1.Produtividade de um homem com alguns implementos agrícolas Equipamentos Pasto cortado em um dia de trabalho Área (m2) quantidade (Kg) vacas alimentadas Foice manual Alfanje manual Segadora tracionada por animal Segadora acoplada a trator 1. Aspectos da mecanização agrícola: Devido ao crescimento populacional.000 1 2 40 80 Fonte: SILVEIRA (1989) 4 Além disso. A mecanização agrícola vem. Quadro 1 .60 - 1. O número de trabalhadores urbanos tornou-se muito superior aos do campo.200 2. 1989). a má distribuição demográfica. a relação entre o número de pessoas da cidade e do campo era de 4.000 80.000 32. um homem teria que abastecer de alimentos.520 40. 16 .4 pessoas para um trabalhador (SILVEIRA. implica em prejuízo social. Em 1980. Em 1940. cresceu e tanto a produção quanto à produtividade tiveram que acompanhar esse crescimento.1.3. portanto. praticamente dez outros4. era de 9. com uma absoluta maioria da população residente em zona rural. conforme discutido mais apropriadamente no tópico referente às principais críticas em relação à mecanização agrícola. naturalmente a demanda por alimentos.000 480 960 16.24 para 1. bem como o papel da agricultura moderna na sustentação da população atual. aumentar os níveis de produção e o rendimento do trabalho no campo (Quadro 1). Esse aumento do consumo acompanhou um superávit de produção agrícola baseada na utilização do maquinário. Ou seja.Cultivo Sulcamento 1. É inquestionável o papel da mecanização agrícola hoje.

o trabalho utilizando a tração animal e o trabalho mecanizado (em número de vezes. dentre os dois equipamentos comparados (uma foice e um alfanje manual). de acordo com o quadro anterior teremos expressa a seguinte situação: Gráfico 1. a quantidade de trabalho realizado pelas máquinas agrícolas é 17 . Se compararmos as três situações. esses valores são maiores. considerando a utilização por este homem de um equipamento que lhe permita um melhor rendimento. que a eficiência de um serviço realizado por um homem. Rendimento relativo do conjunto tratorizado em relação à quantidade final de forragem 80 80 70 60 Trabalho Humano Tração Animal Trabalho mecanizado 50 Rendimento relativo do conjunto tratorizado em relação à Área de pasto cortado 40 40 31. portanto. no que se refere à área segada. Rendimento médio comparativo entre o trabalho humano. no quadro acima. em relação a um mesmo serviço realizado por um animal tracionando um implemento e também a um trator acoplado a uma segadeira. para fazer o mesmo serviço realizado pelo conjunto trator x segadeira. até 80 homens. veremos que o rendimento do serviço.7 30 20 2 15. Já no que concerne à quantidade de volumoso disponível à alimentação das vacas.7 1 10 0 São necessários. é inferior cerca de 16 vezes ao mesmo serviço realizado pelo animal e cerca de 32 vezes inferior ao rendimento obtido pelo trator acoplado à segadeira. utilizando o alfanje manual. Vê-se então que. Graficamente. o conjunto trator x segadeira obteve forragem suficiente para alimentar 80 vacas. o trabalho realizado por um homem utilizando apenas o esforço próprio e uma ferramenta simples e os demais tratamentos usando segadeiras – tração animal e mecânica). enquanto no mesmo período de tempo. onde o trabalho realizado pelo homem com uma ferramenta simples produziu forragem suficiente para alimentar apenas 2 vacas.Pode-se observar.

superior, em muito, ao trabalho feito utilizando-se apenas a mão de obra humana. Estimava-se nas décadas 60/70 do século passado, uma relação de oferta/demanda para o futuro, de proteínas (animal/vegetal) e fibras, tendo a demanda maior que a oferta. Nesse mesmo período, apregoou-se a chamada revolução verde 5, com base no consumo por parte da agricultura de quantidades maiores de insumos6, como uma resposta a então suposta e inevitável crise de alimentos7. Segundo alguns autores, poderia haver um colapso na agricultura, em função de não se obter uma produção que satisfizesse a demanda por alimentos. Essa teoria foi derrubada, em previsões para um futuro próximo. Existem algumas controvérsias na literatura acerca desse fato, mas o que todos concordam é que, atualmente, há alimentos suficientes para todos os povos do mundo; o que não existe é uma distribuição desses alimentos, criteriosamente e de forma igualitária, o que evidencia a força dos grandes blocos econômicos, das grandes empresas de capitais internacionais (ou transnacionais, como atualmente denominam-se) e principalmente os países ricos, com vistas ao protecionismo de suas economias, em detrimento da fome e miséria de muitos. OBJETIVOS DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Os objetivos primários da mecanização no campo são, segundo BARGER et alii (1966): 2. Aumentar a produtividade do agricultor; 3. Modificar o aspecto do trabalho agrário, tornando-o menos árduo e mais atraente. 4. Permitir a execução do trabalho agrícola, de uma forma mais rápida, sem, entretanto, comprometer a qualidade dos produtos obtidos e, sobretudo, melhorar a qualidade de vida do agricultor.

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Na verdade, ao descrevermos os passos iniciais da mecanização na agricultura (conforme rapidamente exposto no subitem “A mecanização na agricultura”) veremos que a contextualização da chamada revolução verde não poderia ser dada UNICAMENTE, como é feito por diversos autores à década de 70 do século passado, mas sim, desde as mudanças mais radicais de posse de terra na Europa (os enclosures), no período aproximado de 1700 – 1750 às mudanças no modo de produção na agricultura, através do aperfeiçoamento dos implementos e da popularização do uso do trator, no período pósguerra, e não somente após o período da produção e difusão, em larga escala dos agrotóxicos e diversos insumos da indústria química e petrolífera em meados do século XX. 6 Leia-se nas entrelinhas como “insumos” toda sorte de agrotóxicos, fertilizantes, sementes, novas tecnologias e equipamentos.
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SILVEIRA (1989), afirma que, somente a utilização criteriosa de insumos, máquinas agrícolas, fertilizantes e sementes de boa qualidade é que poderá suprir a imperiosa necessidade de produção de alimentos.

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A mecanização e a agricultura moderna O setor agropecuário no Brasil vem sendo o responsável desde as últimas décadas do século passado, pelo superávit na balança comercial brasileira. Houve um incremento da produção do setor primário da economia nos últimos 15 anos de cerca de 150%! Esse setor foi o responsável pelo saldo positivo na balança comercial da ordem de 12 bilhões de dólares, no ano de 2002, ano no qual o volume movimentado pelas exportações brasileiras de produtos agrícolas foi de aproximadamente 25 bilhões de dólares. Diversos fatores contribuíram para uma situação tão favorável. As fronteiras agrícolas expandiram-se (principalmente para os cerrados), graças ao melhoramento genético, através da obtenção de cultivares adequados às diferentes regiões do Brasil, o que permitiu sobremaneira o crescimento da fronteira agrícola, principalmente de grãos, destacando-se a soja e o milho. Um fator decisivo também foi o manejo de solo, a tecnologia da calagem dos solos do cerrado, para correção da acidez e o desenvolvimento do sistema de plantio direto8 colaboraram sobremaneira, no crescimento das fronteiras agrícolas do Brasil, confirmando a propensão natural do Brasil: a de ser o maior celeiro agrícola do mundo! No tocante à fruticultura, o surgimento de novos perímetros irrigados, também contribuiu na expansão das fronteiras agrícolas (Vale do São Francisco, Vale do Açu - RN, perímetro irrigado de Minas – MG, do Mato grosso, entre outros). Outros aspectos não menos importantes, como a modernização dos tratores agrícolas e dos implementos com o conseqüente aumento da frota de máquinas agrícolas nos últimos anos, tiveram papel relevante na elevação dos índices de produção agrícola, conforme abordado na página seguinte em que se vê na tabela 2, o crescente aumento da frota agrícola e a subseqüente modernização da frota brasileira. Além disso, segundo economistas, alguns fatores econômicos foram fundamentais para o favorecimento do agronegócio, como a abertura de novos mercados externos (embora o protecionismo tributário de alguns países ricos, como os EUA, prejudique o volume de exportações, principalmente de países em desenvolvimento, como o Brasil, a China, Argentina, México, entre outros) com a formação de blocos econômicos que começam a se consolidar, a estabilidade da moeda brasileira, a desvalorização do dólar em relação ao euro, observada desde o último semestre de 2003, o que torna a agricultura brasileira mais competitiva, e por fim, os altos índices de produtividade alcançados principalmente pelos
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O sistema de plantio direto, desenvolvido pelas instituições de pesquisas nacionais, a partir do pioneirismo de alguns produtores rurais, permitiu a exploração mais racional dos solos tropicais, através dos benefícios aos aspectos físicos e químicos dos mesmos.

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sojicultores do centro-oeste, com índices superiores, inclusive, a de outros grandes produtores agrícolas, como os norte-americanos. Toda essa situação (frisemos mais uma vez, isto) ilustra a enorme potencialidade brasileira em se tornar importante celeiro mundial na produção de alimentos, não só de origem vegetal, no tocante aos grãos, como também em atividades pecuárias; seja a avicultura, a bovinocultura de corte (exploração do modelo de produção de carne exclusivamente em regime de pasto, ou semiconfinado – o chamado boi verde – e do rastreamento da carne, ponto no qual o Brasil detém já tecnologia e know-how bem avançados, superiores inclusive a muitos países tradicionalmente produtores de carne). A situação da mecanização agrícola Tabela 2. Frota brasileira de tratores de roda – 1960/2001
ANO FROTA DE TRATORES DE RODAS (Unidades) 62.684 76.691 97.160 273. 852 480.340 551.036 515.815 481.316 450.000 ÁREA CULTIVADA (1.000 ha) ÍNDICE DE MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000

26.672 31.637 34.912 41.811 47.641 49.529 47.666 50.022 53.300 53.200

410 413 359 153 99 90 92 104 118 124

2001 430.000 * * Estimativa FONTE: ANFAVEA (2003)

A tabela 2 mostra, conforme já dito anteriormente, que a frota brasileira de tratores vem crescendo ao longo dos anos. Segundo dados da ANFAVEA, o tempo de uso dos tratores vem diminuindo. A frota brasileira está mais nova, com idade próxima aos 12 anos de uso, idade menor do que dados ilustrados na literatura, idade a qual ultrapassava os 15 anos (dados da década de 70). Essa renovação se deu graças à melhora nos preços dos commodities e aos grandes volumes comercializados nas duas últimas décadas, o que aumentou o capital disponível dos agricultores e pecuaristas, bem como os financiamentos para aquisição de novos tratores e implementos, ou até de tratores usados, seja através de programas oficiais ou de iniciativas de bancos particulares, tendo estes últimos, aberto linhas de crédito

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janeiro de 2004). previa uma venda de no máximo 28 aparelhos para o ano de 2003. janeiro de 2004). granizo etc) ou até mesmo por um decréscimo gradual de propriedades que fazem o uso intensivo e até irracional dos insumos e da maquinaria.específicas para a aquisição de maquinário. com a participação maciça da produção em pequenas áreas. respondendo por mais da metade de alguns gêneros básicos. a cerca de 45 9 Claro que devemos perceber que há toda uma questão mais complexa envolvendo produtividade e a própria competitividade de cada agricultor que favorece esse desenvolvimento. Segundo a CNA (in: GLOBO RURAL. Cerca de 28 bilhões de reais para custeio foi proveniente do desembolso dos próprios agricultores. a mola mestra no superávit da balança comercial e importante setor do PIB nacional. o que chegará. mediante uma participação de 31. já na última Exposição e feira de vulto nacional do setor agropecuário. 35 bilhões foi obtido de capital transnacional (através das já conhecidas. Dados referentes ao volume de capital da safra 2003/2004. refletem uma melhora significativa em termos de capitalização do setor agropecuário. há também os casos de decréscimo produtivo com o empobrecimento de alguns agricultores. o governo liberou 32 bilhões de reais (um volume de verbas recorde. Segundo a CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária in: GLOBO RURAL. não fosse o setor agropecuário. vendeu 56 aparelhos (GLOBO RURAL. no âmbito mundial (provocado pela pressão da comunidade científica internacional e a mídia na busca pela substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis) houve uma procura considerável pelas colheitadeiras de cana9. chuvas fortes. o PIB agrícola subiu 13% em 2003. como o feijão. até então). segundo tal estimativa. sem sombra de dúvidas reflete uma excelente capitalização do setor. a agricultura familiar é a grande mantenedora da produção agrícola para o mercado interno. por outro lado. O quadro 2 (página seguinte) ilustra o aumento nas vendas de tratores agrícolas.2004) na safra de grãos de 2003. considerando. pela matriz produtiva com pouca sustentabilidade ambiental. De acordo com diversos autores. serviços e comércio). ao preço de U$ 219 mil (ou cerca de R$ 650 mil). com o reaquecimento e nova perspectivas para o álcool. 21 . Se por um lado. a agricultura agroexportadora. A NEIVA. vem sendo. Desse total. compras antecipadas dos commodities por empresas importadoras estrangeiras). Do restante. com o crescimento pífio dos outros setores. principalmente as de maior concentração do complexo soja-milho-algodão. o que.5% do agronegócio no PIB nacional. a economia brasileira teria sofrido um duro golpe nos últimos anos do século XX e primeiros anos do século XXI. devido à essa estagnação dos outros setores da economia (indústria. o montante necessário como verba de custeio era de 95 bilhões de reais. contudo. desde a última década do século passado. inclusive um aumento de 5% no volume de vendas de tratores novos para 2003. em 2007. notadamente na produção e abastecimento dos mercados nos centros urbanos e no interior do país. seja por prejuízos sazonais (secas. em algumas regiões. A capitalização dos agricultores vem se refletindo na compra de equipamentos e maquinário novo. fabricante de aviões agrícolas.

Só no primeiro trimestre de 2003 foram vendidos pouco mais de 8 000 unidades. essa renovação se dá graças ao programa federal – o MODERFROTRA.5% de superávit. conseqüentemente. a aquisição de equipamentos e maquinários andam juntos com dois pontos: a viabilidade econômica e o crédito. Segundo as informações obtidas no Site do GLOBO RURAL (2003). Além disso. uma renovação da frota agrícola do país. bem como outros planos. citado anteriormente) é mais um aspecto 22 . para atingir a meta de 4.000 unidades. Apesar disso. Logicamente. sofreu cortes de verbas e um aumento da taxa de juros que propiciou uma procura menor pelos agricultores e a conseqüente redução de 10% do mercado de máquinas agrícolas no ano de 2003. Gráfico 2 – Vendas de máquinas agrícolas no mercado brasileiro nos últimos quatro anos. o MODERFROTA. Fonte: GLOBO RURAL (2003). O crédito específico para a aquisição de maquinário (o Moderfrota. o aquecimento no tocante à modernização da frota agrícola brasileira aquece também um outro setor da economia: a indústria. Entretanto. com os cortes orçamentários promovidos pela equipe econômica do governo. com índices próximos a 6% de superávit primário em 2003. Tais dados ilustram que há uma procura maior por tratores novos e. principal pólo de produção de máquinas agrícolas. Dados não oficiais de janeiro de 04 mostram um crescimento de cerca de 5% da indústria do RS. a economia do Brasil superou as metas.

principalmente no que se refere às condições marginais a que historicamente os agricultores familiares foram e continuam sendo submetidos. Há um senão muito relevante no que se refere à expansão das fronteiras agrícolas no Brasil. nos atrevemos a pelo menos esboçar alguns aspectos que julgamos pertinentes e que não seríamos mercadores cegos e surdos ao ponto de negligenciar algumas críticas à mecanização. do ponto de vista de impactos ambientais e déficit social. em contraposição ao agronegócio. quando se avalia a questão do aquecimento global e efeito estufa. pois favorece a realização dos projetos. o que o incluí no somatório dos países mais poluidores. principalmente no que se refere à sustentabilidade econômica – ambiental de tais empreendimentos agropecuários. principalmente pelo efeito mais sério que é feito através das queimadas ilegais. Tais questões referem – se principalmente ao acesso à políticas públicas efetivas e. de um ponto de vista prático. o crédito é o motor para o desenvolvimento do país. o crédito rural pode desempenhar um importante papel na geração de emprego e renda. principalmente no que se refere ao avanço do desflorestamento do cerrado e matas de transição (pré – Amazônia). Ainda segundo esse mesmo autor. trataremos destas questões no tópico a seguir. já que se remete a uma questão de ordem mais complexa: a questão agrária. que é fundamentalmente a produção de gêneros alimentícios para o mercado interno. mesmo que possamos ser negligentes ou não esgotarmos todos os aspectos levantados nos dois últimos parágrafos.). especialmente as de baixa renda. Quanto ao crescimento e a expansão do agronegócio no viés ambiental e social. esse aspecto fica ainda mais definido na agricultura mais capitalizada. vêse que são pequenos produtores – até 100 ha) tem sua forma de produzir e seu mercado natural. julgamos até necessária essa crítica como uma forma de nos precavermos das unanimidades perniciosas e buscarmos trazer debates que podem sobremaneira enriquecer e 23 . no tocante à questão agrária. objeto de discussões intermináveis entre os gurus da economia. Pelo contrário.específico do crédito como um todo. que na sua quase totalidade volta-se para a exportação ou ao pólo agroindustrial brasileiro. existem pesadas críticas. De acordo com BITTENCOURT (2003. frisemos que reais. o acesso ao crédito e aos meios de produção (leia-se: mecanização voltada para os pequenos agricultores ou agricultores familiares). De fato. sociologia e / ou até de linhas doutrinárias de esquerda ou de direita. mas quando confrontados com a área média por imóvel. Claro que essa porção (a maioria expressiva do ponto de vista quantitativo dos imóveis rurais. De forma objetiva. que confere ao Brasil um grande índice de desprendimento de carbono na atmosfera. nas populações rurais. que tem uma dinâmica mais definida e até arrojada em relação ao mercado. pois são inúmeros os projetos que podem ser desenvolvidos a partir da terra e do capital social existente.

81. Gráfico 3 – Populações rural e urbana do Brasil. Tal posicionamento lastreia-se na premissa de que o emprego de maquinário agrícola corresponde às grandes áreas agrícolas. boi verde turismo rural. Entretanto. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). sendo desse percentual. portanto. um país de contrastes) há também o problema da má distribuição demográfica. através da compactação de camadas subsuperficiais (o chamado “péde-grade” e/ou o “pé – de – arado”). de indiferença à natureza biológica das produções e das relações ecológicas pré-estabelecidas. inclusive sendo aproveitado por uma quantidade razoável de produtores como estratégia de mercado ou nicho de mercado (produtos orgânicos. práticas de campo que visem contornar ou agir sobre tais problemas. pois segundo dados do próprio instituto. 2003). ocupando apenas 5% do território nacional. sobretudo.1986). 24 . principalmente no que se refere às questões de caráter ambiental. os que afirmam que a empresa agrícola altamente mecanizada é excludente. principalmente).9 milhões. Fonte: GAZETA MERCANTIL (2003). erosão de moderada a forte e acelereção de processos erosivos significativos. biodinâmica e outras demais correntes conservacionistas que deixaram de ser consideradas como ciência – militância e passaram a ter um enfoque muito significativo na prática. em casos extremos. para sermos mais específicos . do ponto de vista social no tocante à oferta de emprego no campo.auxiliar na busca por uma política pública.a questão do uso incoerente da mecanização. com uma população de 169. hoje praticamente estéries.9 milhões em 2003 (GAZETA MERCANTIL. o Brasil é o 5º país mais populoso do mundo.  Principais críticas à mecanização agrícola: Existem críticas à mecanização agrícola. além do gravíssimo quadro de má distribuição de renda (o Brasil é. Há ainda. hoje sustentadas pela agricultura orgânica. de monocultivos.25% dos habitantes concentram-se na zona urbana. interferindo no desenvolvimento do sistema radicular das culturas e na infiltração d’água no solo (CASTRO et alii. ou mais efetivamente. Entretanto. de uso indiscriminado de agrotóxicos. uma grande maioria morando nos grandes centros. em 2000 e 177. esse enfoque tem ganho espaço na mídia principalmente no que se refere às conseqüências do desmatamento no quadro ambiental (efeito estufa. como as voçorocas em micro regiões do sul do país que avançaram sobre áreas antes produtivas. produtos agroindustrializados com apelo ecológico etc). gerando principalmente problemas de estrutura de solos. há.

A mão -de – obra que migra do campo à cidade. MACIEL (2000) afirma que. enchente) e que ainda é uma realidade: o êxodo rural. não há uma saída tão significativa de mão de obra do campo. é absorvida pela zona urbana. através de programas de subsidio às novas ou tradicionais atividades agrícolas. essa política agrícola parcial atrasou sobremaneira o acesso ao crédito pela agricultura familiar” (Souza Neto. que.25 População rural(%) Esse aspecto remete-nos ao questionamento de diversos fatores sócioeconômicos. Além disso. Constituí uma problemática que reflete causas mais profundas que uma mera observação superficial possa vislumbrar: remete-se à questão agrária. Vê-se que o crédito pode ser uma política pública interessante. menos favorecidos nos aspectos de fixação à terra. etc) e ainda se mantém dessa forma. que não remete só aos nordestinos.) 25 . 2007. XIX já contavam com elementos que facilitavam a produção. com vistas à fixação das famílias no campo. já discutido. ou ainda. devido à boa estrutura econômica e social. mas incômodo. não só no âmbito estritamente produtivo. incentivos fiscais. como o acesso ao crédito rural. discutidos em nossa tese de especialização: “O atraso na estrutura agrária e até mesmo na forma de produzir.Quantos somos População urbana(%) 18. desde fins do séc. inclusive por Caio Prado Júnior e outros pensadores. já que o agronegócio historicamente foi mantido através da política agrícola e seus instrumentos (ações reguladoras de preço. um fenômeno pouco percebido. nos países ricos. transferindo-a para outros setores da economia. crédito. mas sem planejamento. a falta de políticas de créditos mais fortalecedoras da agricultura familiar. como também elementos facilitadores dos projetos. como o modelo desenvolvimentista exercido por décadas. em sua maioria. devido aos fatores hostis do próprio ambiente (seca. como fecundador da produção no campo e fixação das famílias rurais.75 81. uma vez que o custo social e econômico de se manter uma família rural é bem menor do que mantê-la na cidade. fortalecido pelo baixo nível tecnológico empregado nas propriedades diferiu e em muito do perfil das farms americanas.

com exclusão de parte da mão-de-obra. a mecanização? Ela ajuda o produtor agrícola a preparar o solo para a plantação. transforma o processo de plantio e colheita em operações rápidas e eficientes. o próprio crescimento da população do planeta estaria em risco. pois é o principal ponto de referência para os índices de mecanização do campo. bem como a qualidade de vida de todos nós. seria impossível a produção de alimentos numa escala crescente. não é vivido somente no campo. Há 26 . de outro uma “desaceleração” da produção. do site da Rural News (junho de 2001) que fala da mecanização agrícola: “O campo nunca mais foi o mesmo desde que o homem começou a inventar máquinas que o auxiliassem no trabalho com a terra. O que isso significa? Um país ou região é considerada mais ou menos mecanizada. à invenção do computador ou às grandes navegações que desbravaram o mundo a partir do século XV. Aliás. surge em detrimento de outro já existente.) “Mas o que faz. Mais que um símbolo. Arados.. são as grandes ferramentas de trabalho da agricultura moderna. de acordo com o número de tratores em funcionamento. colheitadeiras e tratores. toda novidade ou modelo que se estabelece. Esse paradigma. e que as alterações provocadas por toda e qualquer atividade humana.” (. Abaixo transcrevemos um texto. evitando-se os extremismos que comprometem o bom andamento de qualquer atividade produtiva. o trator é o símbolo da mecanização na agricultura. mas também em todos os setores produtivos. A fabricação e o comércio de maquinário agrícola é um mercado milionário. Isto é um fato de tamanha importância para a humanidade quanto as grandes descobertas. pode-se dizer que os investimentos na agricultura estão em baixa ou são insuficientes. a qualidade da mecanização é medida pela idade da frota de tratores.Esses aspectos negativos de exclusão de uma maior parte da mão-deobra leva-nos a certeza de que toda tecnologia. merece ser feita com cautela. poderíamos dizer. Com o crescimento constante da população mundial. exatamente. ou seja. entre outros. portanto. Têm-se então uma faca de dois gumes: de um lado uma produção maior. fazer a manutenção das lavouras. ao se optar pela redução do emprego das máquinas na agricultura. invenções e revoluções que ocorreram em qualquer época do desenvolvimento humano. Sem ela. Não é nem um pouco exagerado de nossa parte tais afirmações.. Podemos comparar à revolução industrial. pois a mecanização do campo é uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento humano. O homem ainda não se adequou à velocidade das mudanças que ele próprio vem criando e restam-lhe ainda muitas perguntas sem respostas imediatas. sem falar em uma dezena de outras aplicações. controlado no Brasil e em todo o mundo por grandes empresas que atuam em dezenas de países e são as responsáveis pelo desenvolvimento das novas tecnologias que agilizam e melhoram a qualidade da produção agrícola em todo o planeta. da mesma ordem que o crescimento da população. se grande parte da frota de tratores de uma determinada região ou país é muito antiga. mesmo de cunho tão nobre e essencial como é a agricultura.

Se observarmos um ou outro deslize nesse trecho. mas isso não se deve a problemas com a produção de alimentos e sim a uma péssima divisão da riqueza mundial que faz com alguns países tenham superproduções agrícolas enquanto outros não tenham como plantar e produzir alimentos suficientes para as suas populações”. nem tampouco fôssemos conduzir semelhante discussão de uma forma tão apropriada quanto o fazem os sociólogos. que as políticas públicas. o que aqui não é a nossa intenção. mas sim de uma conjuntura. deverá ser por uma falta de profundidade. de uma má ou até mesmo da falta de uma política agrícola em que. graças à melhoria do aproveitamento das plantações através da mecanização e da melhoria das técnicas de plantio. uma ferramenta importante. estejam mais próximos com a agricultura familiar 27 . tem piores índices sociais. já que este assunto mereceria um tratado econômico . defendido por Caio Prado. historiadores. acarreta ou acarretará. o que se deve discutir é o acesso dos pequenos agricultores à essas tecnologias.. historicamente e politicamente adotaram o modelo patronal e acumulador de terras.. tem seu melhor exemplo na agricultura dos EUA. a distribuição e concentração da propriedade agrária impedem as mudanças necessárias à melhoria dos aspectos sociais do setor rural do Brasil. não importando essa análise partidária. principalmente. Isso só não ocorreu. Ressaltamos porém que acreditamos ser dois setores que devem se fortalecer.algumas décadas. É lógico que o trator per si não é o fator que agrava e ofende a agricultura familiar quando se discute mecanização. o ponto a discutir não é a questão simplista de ter ou não ter tratores no campo. aqui não nos caberá dissertar sobre o cunho social que a implantação de novas tecnologias. Assim o uso coletivo e o financiamento associativo de máquinas. ao nosso ver. já que. como a mecanização acarretou. são necessários. por exemplo. Esse aspecto de valorização da propriedade rural de mão – de – obra familiar.sociológico. mas que. se difundia a idéia de que por volta do ano 2000 a produção de alimentos não teria acompanhado ao crescimento populacional e que o mundo estaria mergulhado numa grande “fome”. a questão social do uso das máquinas é um. militantes e economistas.Isso nos parece ser já uma questão morta. assim como a mecanização é sem sombra de dúvida. a lógica da agricultura familiar é oposta à do agronegócio e ambos. 10 Caio Prado Júnior (1979) já afirmava que as diferenças sociais na agricultura brasileira. sendo mais entranhada neste último. ou tecnologias que se insira a partir delas e não sobre essas classes. esta discussão superficial serve apenas para que se tenha um conhecimento mínimo de questões como política agrícola. já que historicamente o agronegócio sempre foi valorizado. dentre muitos fatores que essa política não resolve 10. que não são exclusivas ou pertinentes unicamente à mecanização agrícola. Existem questões pois. como dissemos. a partir dos camponeses. como o PRONAF. É claro que todos sabem que várias regiões do mundo sofrem com a fome. seja no ponto de vista marxista ou weberiano. Entretanto. onde as regiões que. do que nas regiões que adotaram o modelo de exploração da propriedade através da mão – de – obra familiar. cada qual ao seu modo. das movidas à tração animal às colheitadeiras high – tech nos parece que deveria obedecer uma lógica construtivista da mecanização para os camponeses.

substituindo os pulverizadores e atomizadores. distribuição fundiária. operações de revolvimento do solo. Contudo. justifica ainda essa atitude no fato de que. o maquinário não foi abolido. a aquisição de maquinário agrícola é desvantajosa. a formação de 28 . ou ainda. esse mesmo autor afirma que para o pequeno produtor rural. mas que são por vezes plausíveis de serem evitados. Um número excessivo de passagens. ou minimizados. seu uso foi racionalizado com algumas adaptações. Esses fatores que podem contribuir na diminuição dos impactos edáficos seriam o calendário de plantio. está contemplada. a depreciação do maquinário agrícola torna inviável sua aquisição para a realidade dos minifúndios. em fazendas de produção orgânica. como a calda sulfocálcica.inclusão tecnológica. além do retorno econômico não ser satisfatório. já que os custos passariam a ser redistribuídos entre eventuais associados). vem ocorrendo inclusive o contrário. sendo preferível que o pequeno produtor alugue as máquinas para o preparo das suas áreas agrícolas (o que destoa portanto da nossa discussão de aquisição no sentido estrito. como as gradagens ou arações feitas abaixo ou acima do ponto de aração (Ponto de umidade ideal no solo para as atividades de revolvimento e preparo do solo) contribui para. no que concerne ao uso intensivo de maquinário agrícola. como os distribuidores de caldas. entre outros aspectos que requerem uma leitura muito mais aprofundada das mesmas. Uma característica peculiar da agricultura familiar é que nessas pequenas propriedades as máquinas não substituem totalmente o homem. muitas vezes a própria situação do agricultor o obriga a revolver o solo seco. em fazendas citrícolas. o que é sensivelmente mais seguro aos operadores e ao meio ambiente. no combate de pragas e doenças da cultura. da falta de um planejamento ambiental. velhos equipamentos. pois é um investimento muito alto. Tais equipamentos estão sendo utilizados para a distribuição de caldas. cit). como acontece nas grandes propriedades rurais. não há dúvidas que existem impactos negativos. Quanto aos aspectos ambientais. Segundo MACIEL (2000). para propriedades que buscam a produção orgânica. junto com os pesticidas por exemplo. como o café orgânico. vêm sendo reutilizados. ou a disponibilidade de maquinário (um problema para quem depende de maquinário alugado ou não dispõe de maquinário suficiente para o preparo do solo na época mais adequada). pois quase sempre são frutos do desconhecimento das relações Cultivos x Solos. Não há uma dependência delas para que se possa produzir. Quanto ao solo. infelizmente o eixo deste livro. após cultivos sucessivos ao longo dos anos. MACIEL (op. o que não é. mas que se for tomado no sentido coletivista.

nem em quantidade produzida. os índices de produção tornaram-se gigantescos. e por fim medidas drásticas como a descompactação do solo (escarificação e subsolagem). portanto. Sob essa problemática. Produtos agrícolas oriundos de áreas mecanizadas. hoje em dia. porém. as máquinas. na qual incorporam-se adubos verdes ao solo (geralmente leguminosas). por exemplo. iniciou-se nos EUA. as características e propriedades dos mesmos. em termos de qualidade. reduzem drasticamente os custos de produção. como as lavouras de soja. como dizem no meio rural. acabam “se pagando”. “correntes” de agricultores que realizavam o chamado preparo mínimo do solo ou das sementeiras (ALDRICH & LENG. o manejo dos resíduos culturais mantém camadas de cobertura vegetal para evitar a erosão. em algumas regiões não somente adotaram-se sistemas de preparo mínimo do solo. 29 . a rotação de culturas. necessitam do uso intensivo da mecanização. 1974). que desde o advento do uso dos tratores nas propriedades agrícolas. o uso alternado de implementos e de diferentes profundidades de corte (EMBRAPA. começou-se a pensar mais a respeito dos danos sofridos pelos solos frente ao uso do maquinário agrícola. Na década de 60. como também desenvolveram – se e se implantaram sistemas de manejo de solo que sequer o revolvem como acontece no sistema convencional: é o chamado sistema de plantio direto ou plantio na palha (SPD). quando trabalham com culturas rentáveis e que. 1996). A adubação verde. geralmente feito até de uma forma despreocupada com os possíveis efeitos sob e sobre o solo. A partir das últimas décadas do século passado. e. bem como as diversas medidas. em todas as fases da cultura. a observação do ponto ideal de aração (umidade do solo). com vistas à redução dos danos estruturais aos solos agrícolas. sobretudo. no Brasil. por unidade de área do que antes da introdução do maquinário no campo (aspecto defendido pela escola econômica marginalista). são procedimentos utilizados para que sejam reduzidos os impactos negativos do uso da mecanização aos solos agrícolas. com fins à proteção ou redução dos danos causados pelo emprego do maquinário. Produz-se muito mais. Nesse sistema. 11 Veremos no capítulo referente ao manejo conservacionista do solo. não deixam a desejar. É inegável. o consórcio de culturas.camadas subsuperficiais de solo adensadas (o chamado “pé –de – arado” e o “pé – de – grade”)11.

O estudo aponta para resultados animadores.1. (motores de combustão externa). passou-se a utilizar somente motores de combustão interna. seus principais órgãos. dessa forma. os motores do ciclo Diesel passam a ser os mais usados.2. o francês Rudolph Diesel exibiu em Paris um motor que tinha a proposta inicial de ser movido a qualquer espécie de óleo13. após a II guerra mundial. A seguir descreveremos o trator. sistemas e alguns cuidados (manutenção). não fósseis. Veremos mais tarde alguns desses aspectos. É necessário que se tenha conhecimento dos princípios de funcionamento dos seus órgãos e sistemas. os quais são mais baratos e menos poluentes. em 1911. como a redução dos níveis de emissão de poluentes e uma economia de 20% do combustível. pode-se remeter mais rapidamente aos diagnósticos primários de mau funcionamento de algum órgão ou que se tome às devidas precauções ao operar o trator. no entanto. de forma que ele venha render ao máximo no seu serviço.12 Imagem 2. A partir de meados do século XX. como o biodiesel. No início do séc. com os motores de ciclo Otto. empilhadeiras) movidos a gás natural (butano) e gasolina.1. Esses tinham como características serem de menor tamanho. Também outro estudo recente. Início do séc. embora ainda tenhamos tratores que utilizem motores de combustão interna do tipo OTTO. Conhecendo o trator: É importante que se conheça o trator. motor esse 12 A grande maioria dos Tratores agrícolas utiliza hoje motores do ciclo DIESEL. Os motores à explosão interna passaram a substituir os motores a vapor a partir de 1870.XX. como o óleo de um fruto típico do nordeste.2. especialmente os tratores e máquinas industriais (rebocadores. realizado pela CERBIO (Centro Brasileiro de referência em 30 . O Brasil já caminha para a utilização de combustíveis alternativos. mais leves e com o conveniente de precisar de um combustível que não ocupava tanto espaço como a lenha ou o carvão. XX -Trator movido a vapor (motor de 40 hp) tracionando 65 toneladas. também encontrado em MG: o pequi. 1. Princípios básicos de funcionamento de um trator agrícola: Os primeiros tratores agrícolas eram movidos por motores a vapor. o qual na Europa é comumente utilizado. 13 Um estudo atual (2003) da UFMG (não publicado) testa misturas do óleo Diesel com óleos vegetais (biodiesel).

Para que possamos entender como funciona um trator e assim. O bloco do motor é a parte intermediária. e que o próprio Brasil já se destacou como o maior produtor mundial. bloco e o carter. atendendo às mais diversas exigências de seu projeto. tendo este “tipo de motor diesel” difundido-se pelo mundo inteiro. além de aparelhos elétricos que funcionando harmonicamente e conjuntamente. a qual variou na cidade de 11 a 12 km\litro e 15 a 16 km\litro em rodovia. que em conjunto formam os sistemas que permitem à essa máquina realizar as mais variadas (e por que não dizermos. 2. árduas) tarefas no campo. região a qual já foi a maior produtora de mamona. A partir do período pós-segunda guerra. o balancim e os conjuntos de válvulas com os tuchos. termos uma visão geral de como funciona e de como devemos cuidar das operações e manutenções do trator. com a base para as velas (Motores de ciclo OTTO). Biocombustíveis) testou um automóvel Golf (da Volkswagen) de motor 1. 31 . principalmente do plantio de oleaginosas. os pistões. estavam aptos a utilizarem óleos vegetais. aloja em seu interior os cilindros. contra 500 mil da Índia (a produção nacional de mamona já chegou a 393mil toneladas. Os motores dos tratores agrícolas dividem-se em três partes. mecanismos (e sistemas mecânicos). cuidar para que essa tão importante e cara ferramenta seja aproveitada ao máximo. das quais 300 mil provinham somente da Bahia). a chamada força motriz. foram feitas algumas pequenas modificações pela indústria a qual adotou como combustível o óleo diesel. o desenvolvimento da agricultura nos países que o usarão”. particularmente no nordeste. começa –se a se reinvistir. para ao final. denominadas cabeçote. tendo perdido o posto para a Índia. 2. juntamente com a “popularização” do trator agrícola. apresenta diversos componentes. portanto. com destaque para a mamona. ou áreas. hoje intitulados de Biodiesel e nos quais no Brasil. os motores diesel desde a sua concepção. Nele se encontram as câmaras de explosão. de forma satisfatória. as bielas e a árvore de manivelas. produzem a força necessária para o deslocamento do trator e o acionamento de seus sistemas. Um trator agrícola.que passou a levar seu nome. 1. alimentado com biodiesel e o qual obteve desempenho semelhante aos modelos com motores de ciclo Otto. Hoje o Brasil só produz cerca de 85 mil toneladas. Veremos por partes como se compõem seus sistemas e órgãos. além de excelente faixa de consumo.8. ou o “miolo”. Dizia Diesel que : “o motor diesel pode ser alimentado com óleo vegetal e ajudará consideravelmente. por assim dizer. O cabeçote é a parte superior do motor e serve para fechar o bloco dos cilindros. Como se vê. Definição de motor: O motor é um conjunto de peças mecânicas.

possuem na sua “anatomia” e “organografia” órgãos internos e externos. nos quais tem que haver uma compressão fortíssima para causar o aquecimento da massa de ar e sua subseqüente expansão no interior do cilindro pela adição de combustível pulverizado através dos bicos injetores. além de vedar a parte inferior do motor. bomba alimentadora. bielas. O eixo comando de válvulas e os tuchos comandam as válvulas. velas e tubos de admissão (só motores Otto). ao sistema de transmissões. A força transmitida. eixo de manivelas. regulador de voltagem. nos outros cilindros. a explosão é causada pela fagulha produzida pelo sistema elétrico através das velas. Relacionamos a seguir os principais componentes ou órgãos dos motores (relacionamos os motores de ciclo Otto ainda com carburador só para se entender o princípio de seu funcionamento): Internos: volante. carburador. Para os motores diesel. Os motores. através do balancim. válvulas e bomba de óleo. pois para o segundo momento motor. de gasolina. motor de partida. eixo e comando de válvulas. usando-se termos análogos à dissecação. O motor de partida imprime ao motor a força inicial que o gira. bomba de gasolina. Dentro de cada cilindro existe o pistão (êmbolo) que é uma peça de ferro fundido ou alumínio que comprime ou succiona a massa gasosa no cilindro. gerando o trabalho motor e a reação em cadeia por assim dizer. o distribuidor (esses últimos só em motores de ciclo Otto). inicialmente pelo motor de partida e subseqüentemente pelo próprio funcionamento do motor é transmitida em seguida ao platô. pistões. bobina. de acordo com o seu movimento ou momento. funciona como um reservatório do óleo lubrificante. 32 . comumente em número de 2 para cada cilindro. Externos: motor de partida. tuchos. sedimentador. localizado na parte inferior do motor. distribuidor. iniciando o seu funcionamento. o que não ocorre nos de ciclo diesel. o esforço realizado pelo motor de partida é muito maior em relação ao esforço realizado em motores de ciclo Otto semelhantes ou de mesma potência. ventilador e acumulador são comuns a ambos os motores.O carter. as taxas de compressão não são tão elevadas quanto nos motores diesel. Radiador. Comandam também as bombas. na caixa de embreagem e a partir daí. como dispersante de calor excessivo do lubrificante. ou para os motores diesel teremos a bomba injetora. engrenagens de distribuição motora. O bloco dos cilindros compreende a maior parte do motor e aloja os órgãos internos e os cilindros. tubos de distribuição de combustível da bomba injetora. isso porque nos motores Otto. dínamo.

Como estão ligados à árvore de manivelas. o cilindro irá girar a árvore de manivelas 180° (meia volta). a qual transmite o trabalho do motor até o volante e desse último. para os motores OTTO. COMPRESSÃO. em direção ao chamado ponto morto inferior14. que são o ponto morto inferior e superior. no caso dos motores diesel. Esse deslocamento é simultâneo à abertura da válvula de admissão. respectivamente. explosão e o escape ou descarga. impedindo que a mistura ou a massa de ar saia do interior do cilindro. mistura esta que foi previamente realizada pelo carburador ou pelo sistema de injeção de combustível. para baixo. Admissão ou aspiração: O primeiro tempo motor inicia-se quando a válvula de admissão abre-se admitindo o ar para o interior do cilindro. Extraído de:CAMARGO (2004). a qual é fechada quando o pistão atinge o ponto morto inferior. EXPLOSÃO e ESCAPE. Esse volume de gases é aspirado para o interior do cilindro devido ao vácuo formado pelo deslocamento do pistão. 33 . relacionam-se aos pontos máximos de descida do pistão do pistão no interior do cilindro e de subida. Assim como todos os outros tempos realizados na admissão. Figura 1 – Esquema demonstrativo de funcionamento dos tempos do motor DIESEL: a figura mostra os 4 tempos motores: a ADMISSÃO. Os tempos dos motores à explosão Os tempos do motor (diga-se de um motor 4 tempos) são: admissão. para o sistema de transmissões e engrenagens. movimentam a árvore de manivelas. ou da mistura ar + combustível. Compressão 14 Os chamados PONTOS MORTOS. compressão. os pistões a cada movimento que realizam.

que se aquece fortemente (motores do ciclo Diesel)15. a 15 Denomina-se de cilindrada. durante a admissão. que resulta também no chamado trabalho motor. 2004) essa relação em alguns motores diesel pode chegar à 22:1. portanto. através da formação de uma centelha elétrica produzida nas velas. Esse percurso do pistão até sua posição final dentro do cilindro chama-se trabalho motor. Com o momento do escape. Essa mistura explodindo empurra o pistão. a válvula de manivelas dá mais meia volta. o que faz com que a massa gasosa se aqueça. dependendo do projeto do motor. alojadas em uma antecâmara no cilindro. o motor de partida para girar a engrenagem do volante. a quantidade ou volume de gases admitidos pelo pistão durante o seu curso até o seu nível mínimo de descida. a mistura comprimida inicialmente sofre ignição. 34 . realize um esforço maior do que o esforço que realiza o motor de partida de um motor do ciclo Otto em um motor de mesma potência. quando dada a partida num motor diesel. Nos motores de ciclo DIESEL. Escape ou descarga O último tempo é a descarga ou o escape. Nos motores diesel. não há centelha elétrica. Esse ar aquecido e comprimido é pulverizado com combustível (óleo Diesel) e há a explosão.O segundo momento ou tempo do motor é a compressão. devido às grandes pressões que esses primeiros irão suportar. onde há inicialmente uma compressão da mistura ar + combustível (somente para motores do ciclo OTTO). Dessa forma. os motores diesel são construídos com mais robusteza que os outros de ciclo Otto. permitindo que a massa de gases saia para o sistema de escape dos gases. O pistão empurra a árvore de manivelas mais meia volta (180°). sendo forçado para baixo no cilindro ocorre porque houve anteriormente uma compressão fortíssima da massa de ar aspirada para o interior do cilindro. pois para o próximo momento ou tempo. há uma alta taxa de compressão16. O movimento do pistão. anterior à explosão. haverá a queima do combustível a qual é feita devido ao superaquecimento produzido pela compressão fortíssima da massa de ar nos motores diesel. ou somente da massa de ar. Ocorre quando o pistão sobe do ponto morto inferior do cilindro empurrando a massa de gases resultantes da queima e ao atingir o ponto morto superior. as válvulas de escape se abrem. exige que. De acordo com (CAMARGO. Ao todo. que desce pelo cilindro. A taxa de compressão teórica é a relação entre o volume do cilindro no início da compressão e o volume no final da compressão. 16 Essa compressão. Explosão Nos motores de ciclo OTTO.

como velas e alternador.cada ciclo (admissão-compressão-explosão-escape). encontra-se em desuso. pois a pressão dada ao combustível para que os bicos injetores possam pulverizá-lo adequadamente no interior dos cilindros deve ser a mais correta possível. As Velas de ignição estão alojadas no bloco do motor. tendo sido substituída pelo sistema de injeção eletrônica. não será necessária a fagulha e. evitando uma mistura rica ou pobre. movimentando o pistão dentro do cilindro. nas câmaras de explosão dos cilindros. Essa centelha irá queimar a mistura ar + combustível e gerar uma explosão. para produção da centelha elétrica nas velas de ignição. são motores mais robustos e que teremos as seguintes peças específicas e órgãos principais: Bomba e bicos injetores: A bomba injetora é responsável pelo bombeamento do combustível até os bicos injetores. somente com injeção direta de combustível. o Carburador é o órgão responsável pela mistura do ar + combustível. com os motores fabricados a partir de então. caso contrário. uma vez que a quantidade de combustível necessária é injetada diretamente. Produzem uma centelha. que dispensa uma mistura prévia em um carburador. O Alternador produz uma corrente elétrica alternada. portanto. 35 . por ser de um processo diferente de queima do combustível (através do pré – aquecimento do ar). Essa corrente elétrica é recebida do gerador e/ou do acumulador (bateria. Essa peça.  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo OTTO: Nos motores de Ciclo OTTO. haverá problemas de funcionamento. através de descarga elétrica recebida do sistema elétrico. do século passado. no interior do cilindro. as peças necessárias à produção da mesma. a árvore de manivelas dá duas voltas (720°). como acontecia freqüentemente nos carburadores. desempenho e até de vida útil do motor. para as velas de ignição. Essa transformação foi decisiva em todos os fabricantes a partir da década de 90. no caso da partida do motor). contudo. Para os motores Diesel. que irá participar no primeiro tempo do motor.  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo Diesel. Ela deverá sempre estar bem regulada.

Nos cilindros. ao qual está ligado através da cremalheira. o qual é dissipado. conforme a posição do pistão. como dito anteriormente (vide pág. deslizamentos. os pistões estão inseridos dentro dos cilindros como se cada cilindro fosse uma seringa e cada pistão fosse o êmbolo de sua respectiva seringa. caracterizam os chamados tempos do motor. quase unanimemente. conforme será visto no capítulo pertinente a este sistema. Existem diferenças marcantes entre um trator e um automóvel. tanto através dos mecanismos internos. Um nível mais tolerável de perdas seria em torno de 30%. mas quanto ao motor.V. é denominada de potência nominal. esse rendimento fica abaixo de 80%. Um motor de 200 C. existem válvulas denominadas de admissão e de escape. Durante a transmissão do movimento do volante até os pneus ocorrem perdas. formam uma gama de velocidades de trabalho e opções de força de tração que também diferenciam os projetos dos motores agrícolas dos automotivos. essas válvulas se fecham ou se abrem. A força ou potência do motor. ou barra de tração. verificada na tomada de força. transformando em movimento. as relações de transmissão de potência dadas pelo sistema de embreagens e transmissão. permitindo ou não.Como dito anteriormente. 36 . realizam movimentos ascendentes e descendentes que conforme sua situação e posição no seu curso. na parte superior deles. os motores dos tratores. Dependendo dos solos. que o faz girar no próprio eixo. Além do mais. motores de ciclo diesel. transmitindo a potência recebida ao volante. isso é evidente. a entrada ou a saída da massa de gases do cilindro. um trator com uma potência nominal de 65 hp só teria disponível cerca de 36 hp na barra de tração. Assim. produz cerca de 125 000 Kcal/h. 31) são de uma construção mais robusta. como calor excessivo pelo sistema de arrefecimento dos motores) (FAIRES. como da dissipação de energia (transformação da energia cinética em calor. (bem como da lastração) essas perdas ficam ao redor de 60%. Outra grande parte das perdas devem-se ao deslizamento dos pneus do trator com o solo. devido às altas taxas de compressão internas. O movimento dos pistões é transmitido ao volante do motor (engrenagem que liga o motor ao sistema de embreagens) porque os mesmos encontram-se fixados por um eixo “tortuoso” que aproveita todos os diferentes momentos dos pistões nos cilindros. Os pistões. 1966). segundo SILVEIRA (1989). atritos. são também projetados para obterem alto torque mesmo operando em baixa rotação. (cerca de 65%) Rendimentos maiores só são conseguidos em motores elétricos (em torno de 90%). portanto.

Já ao atingir tão elevadas rotações em pouco tempo. O motor do trator alcança seu maior torque em um giro muito mais baixo em relação ao motor do automóvel (próximo às 2100 rpm). Essa situação dá ao trator uma grande reserva de torque. principalmente as de tracionamento de cargas. ambos com a mesma faixa de potência (125 Kw ou 170 c.No capítulo Anexos. fornecemos algumas tabelas de conversão de unidades de medidas. transcreveu um estudo que comparou os motores de um trator New Holland (modelo 8670) e de um automóvel Fiat (Stilo Abarth). Curvas características dos motores comparados 140 120 100 80 60 40 20 0 Potência (Kw) 125 81 61 125 NH 8670 Stilo Abarth Rendimento do motor (rpm) Conforme as curvas características dos motores.vapor). ao passo que a máxima potência do automóvel só é obtida em muito mais alta rotação (cerca de 6000 rpm). no qual o autor obteve as seguintes curvas características: Gráfico 3 – Curvas resultantes de ensaio comparativo entre um motor automotivo (Fiat Stilo) e um motor de trator agrícola (New Holland 8670). confere-se ao automóvel uma elevada capacidade de aceleração e deslocamento rápido. .MÁRQUEZ (2003). inclusive os valores de quilowatts e cavalo . 37 . tão necessária nas operações agrícolas. observam-se nitidamente as peculiaridades de ambos. Fonte: MÁRQUEZ (2003).v.

O sistema hidráulico é comandado por uma bomba ISYP e uma tampa hidráulica. um conjunto de peças e componentes de vários sistemas que atuam entre si. 1974). fazendo com que o organismo (consideremos o trator. pois leva o implemento acoplado em 3 pontos de engate no trator. tornando assim. Concomitantemente. Acumulador (Energia armazenada). algumas se sobressaem mais). presente no sistema. ilustramos as manutenções mais freqüentes ou relevantes (embora todas as medidas referentes à manutenção sejam importantes. Analogicamente. dividimos os seus trator. quer pela disposição quer pelo senso de tração (IOCHPE/MAXION).CAPÍTULO 2 Os sistemas do trator 2. No caso em que a demanda for maior que a capacidade da bomba. sem ter aumentado ou sobrecarregado a capacidade da bomba (MIALHE. atuam harmonicamente ou de forma sistêmica. A bomba ISYP produz o fluxo e a pressão do óleo. de um modo simplista. Reservatório (de alimentação). disponível um suprimento extra de fluido hidráulico de alta pressão. Um sistema hidráulico consiste de parte ou de todos os componentes seguintes: a) b) c) d) Bomba Motor. A tampa hidráulica aloja o cilindro de levante. Válvulas. os quadrantes de comando e o eixo de levante. a potência de saída do sistema hidráulico. O trator agrícola possui dispositivos que comandam. O sistema hidráulico O sistema hidráulico de três pontos é assim chamado. por um período breve de tempo. 2. Comandos. 38 . em sistemas de acordo com as suas respectivas funções e atuação no trabalho do mesmo. unidos em funções similares ou complementares. como tal) exerça suas funções normalmente. Os sistemas do trator O trator é. ou reagem diretamente no sistema hidráulico ou por controle remoto. podíamos comparar tais componentes como órgãos que. Um acumulador permite aumentar. o acumulador. Conexões e) f) g) h) Arrefecedores. armazena energia sob a forma de gases comprimidos. Para uma simplificação do nosso breve estudo sobre os tratores.1.

além é claro. de uma forma clara. para as tensões e cargas que o sistema sofreria quando em operação com os mais diversos implementos. de todas as forças normais de respostas às forças exercidas no solo.1. Funcionamento básico do sistema hidráulico de três pontos A engenharia e arquitetura do sistema de três pontos consideraram cuidadosamente o efeito sobre o implemento e o trator. Para que se possa entender o funcionamento completo do sistema hidráulico de três pontos. quando utilizar o sistema hidráulico de três pontos é necessário saber utilizá-lo corretamente.1. 39 . Veremos a seguir. as forças que atuam no conjunto implemento x hidráulico e as reações do sistema hidráulico que acontecem com um trator operando em diferentes condições de terreno (adaptado de IOCHPE/MAXION): A) TRATOR OPERANDO EM TERRENO PLANO. Operação do sistema hidráulico de três pontos: A fim de que você possa obter o maior rendimento. o sentido do deslocamento. o arado tende a levantar na parte traseira. SOB CONDIÇÕES NORMAIS. aliado á uma boa economia. a resistência do sistema hidráulico entre outras. é necessário um estudo mais aprofundado. um grande desempenho. originando um esforço de compressão no terceiro ponto. devido à complexidade do conjunto da Bomba ISYP e o conjunto da tampa hidráulica. Vejamos o princípio de funcionamento do sistema hidráulico. devido à atuação das forças ocasionadas pelo tracionamento do mesmo: o peso do arado. bem como algumas instruções operacionais relevantes: 2. Inicialmente.

um arado de discos) em solo plano. Trator tracionando implemento de corte (no exemplo. 40 .Figura 4.

A pressão que antes existia no terceiro ponto é agora aliviada e a agulha da mola mestra é liberada. A força na mola mestra é compensada. embora a profundidade de trabalho seja mantida constante. C) OPERAÇÃO EM TERRENO ACIDENTADO: RODA TRASEIRA SOBRE A ELEVAÇÃO. Roda traseira do trator sobre o obstáculo 41 . a compressão na mola mestra do terceiro ponto é consideravelmente maior que na situação anterior. o arado abaixa. Nessa situação. Figura 6. Figura 5. Momento em que a Roda dianteira do trator sobe uma elevação. Nesta situação.B) OPERAÇÃO EM TERRENO ACIDENTADO: RODA DIANTEIRA SUBINDO UMA ELEVAÇÃO.

como é sabido. é o primeiro a romper o obstáculo. cria-se uma maior pressão no terceiro ponto e o hidráulico reagirá. todos os tratores agrícolas possuem uma viga central. reagem das formas mais diversas no que se refere à força de “entrada” do implemento ao solo. pois o mesmo. como uma força de reação “normal” aos discos. mantendo a profundidade de trabalho constante. Essa reação é maior em solos argilosos. Isso cria uma força que tende a alavancar. 42 . Entretanto. há uma maior resistência nesse disco que nos posteriores. Há um maior esforço sobre os braços inferiores. o sistema hidráulico reage às mais diversas situações. Fig u ra 7 . menor em solos arenosos. Ao mesmo tempo. M o me nt o e m q ue o 1 º di sco d e co r te a ting e o o b stá c ulo Profundidade de trabalho: sensibilidade do sistema: Como foi visto anteriormente. ou às aivecas. Para possibilitar a adequação da sensibilidade do sistema com o solo a ser trabalhado. os mais diferentes tipos de solo. sempre com respostas imediatas para cada diferença existente no terreno. logicamente.C) O ARADO ATUANDO NA ELEVAÇÃO: Quando o primeiro disco atinge a elevação. com três furos para o braço do terceiro ponto. ou erguer a parte traseira do implemento.

ou argilosos.Pré-programação operacional suportada por tecnologia de computador (tratores Valtra/Valmet): O sistema de manuseio do Autocontrol (controle eletrônico do hidráulico) é muito simples. depois baixa. Apenas um toque ligeiro num interruptor para subir ou descer o implemento para os níveis pré .  Controle e comandos (hidro) eletrônicos: 2. a altura máxima e a velocidade de elevação.determinados.Fig u ra 2 .E xt ra í do de: A B í bl ia do Os orifícios na viga central do terceiro ponto são utilizados de acordo com o tipo de solo que se irá trabalhar com implementos de profundidade. usa-se o furo 3. atualmente um dos sistemas de controle dos mais sofisticados e eficientes” (site da Valtra/Valmet . Quando se desejar usar o arado para descompactar áreas nas quais houve a formação do “pé-de-grade”. para solos pesados. 43 . Esse tipo de sistema facilita as manobras nas cabeceiras. Estabelece a profundidade de trabalho. Para solos de textura média.M AX IO N . Vig a ce nt ra l do t e rce iro po nto do h i drá ul ico tra to r – IO CH P E. Os tratores VALTRA/VALMET incorporaram no sistema de levante hidráulico componentes eletrônicos de controle de elevação e profundidade. bem como de velocidades de descida e de levante: “O autocontrol ganhou fama como sendo. utiliza-se o furo 2 e finalmente. Para solos leves ou macios utiliza-se o furo 1. o furo usado é o n° 3. Autocontrol .Internet).2.1.

antecedida da sigla SAE (como exemplos. Também nesse sistema.2. Uma boa lubrificação. Nos dois sistemas. o óleo lubrificante possuí a função de arrefecedor dos mecanismos móveis. Existem óleos monograu. resultando em uma operação mais rápida e eficiente. se a lubrificação não ocorrer de uma forma conveniente nessas peças. De acordo com BORMIO (op. a sigla SAE (do inglês: Society Automotive Engineers). como toda e qualquer máquina. Possuí centenas de peças que se atritam e se desgastam. sob condições de carga e trabalho severas. óleos específicos para transmissões). onde a identificação é dada por um número (grau) que antecede a sigla SAE. Outros fabricantes também equiparam seus tratores com sistemas semelhantes. sendo o W colocado imediatamente após o número que designa a temperatura de trabalho mínima.3. Além disso. classifica os óleos quanto à sua viscosidade e pelo desempenho que oferecem (BORMIO. tanto que na sua terminologia. todos os comandos e ajustes são alocados em um painel de comandos. Nos tratores Maxion/MF este painel é localizado no lado direito do operador. 2. é usada a letra W. As siglas utilizadas na classificação dos óleos Várias são as siglas que indicam os mais variados tipos de óleo e suas respectivas aplicações. O sistema de lubrificação Um trator agrícola. a escolha de um bom óleo lubrificante e uma boa graxa é de grande relevância.1. atuando ainda como elemento de limpeza. causando graves prejuízos. Cit). de inverno (do inglês Winter).2. após feitos os ajustes de profundidade de operação. (sistema HYDROTRONIC e no Autocontrol). como o virabrequim do pistão e do comando de válvulas do motor.1. que apresente motor de combustão interna. De um modo mais específico. Uma outra classificação leva em conta o trabalho sob as temperaturas mais frias. O Sistema de levante hidráulico com controle eletrônico – Hydrotronic (tratores Massey Ferguson e Maxion) O sistema de levante hidráulico com controle eletrônico (HYDROTRONIC) foi desenvolvido pela IOCHPE-MAXION em parceria com a BOSCH.2. em alguns minutos pode fundir o motor. existe ainda uma classificação que considera a temperatura de trabalho de um óleo à 100°C (os tão conhecidos SAE 90. absorvendo e dispersando o calor gerado. apenas é necessário que se faça o levante do implemento nas cabeceiras. de temperaturas e pressão altas. SAE 120 e SAE 250. 2. Em peças e componentes. velocidade de descida e subida do implemento. cita44 . de inverno. 2004).

Um exemplo de óleo multiviscoso é o SAE 80 w 90. quanto ao desempenho do lubrificante. com os seus respectivos significados. para que continue a formar a película protetora entre as partes metálicas que se atritam. Para completar o nível do óleo do motor. pois o mesmo não é fino o suficiente nessas condições. ou o SAE 85W – óleo para temperaturas de até – 12°C). existe uma outra classificação. à temperatura padrão de 21°C.se o SAE 70W – óleo para temperaturas de até – 55°C. Este nível deve estar entre as marcas mínima e máxima. ele deve manter uma viscosidade adequada. o qual é classificado segundo normas da API (Americam Petroleum Institute).2. a 1ª troca deve ser feita com 50 horas de trabalho. coloque o óleo apropriado até completar o nível adequado A cada 200 horas de trabalho deve-se substituir o filtro e o óleo. de acordo com suas características e aplicações. fazendo com que a película protetora que o óleo faz normalmente. Diariamente. Além disso. Já para altas temperaturas. para tratores novos. Existem também óleos multiviscosos. Existe ainda uma série enorme de siglas para classificar os mais diversos óleos. Para lubrificantes destinados ao sistema de transmissões. Manutenção do sistema de lubrificação A verificação do nível do óleo lubrificante do Carter do motor deve fazer parte da rotina de verificação e de manutenção do trator agrícola. e que neste capítulo não caberia anexá-la devido à sua extensão e a praticidade desta obra (para consultá-la quanto às demais siglas observadas nas embalagens dos lubrificantes. A classificação é dada por um número após o GL. remova a vareta e verifique o nível do óleo. antes de dar a partida no motor e com o trator em solo plano. A viscosidade em condições de temperaturas mais frias tende a diminuir. não proteja bem as partes móveis. 2.2. remova a tampa de abastecimento. Isto é capital para uma maior vida útil do motor. geralmente aplicados em motores. sendo o 5 o óleo classificado como o que oferece o melhor desempenho. onde esse número indo do um (1) ao cinco (5). onde o mesmo é testado para os requisitos de um óleo monograu SAE 80W com temperaturas de trabalho até – 26°C e para os requisitos de um monograu SAE 90 – para trabalhos em temperaturas de até 90°C. 45 . vide ANEXOS – Quadros gentilmente cedidos pela PETROBRÁS). os quais têm medidas de viscosidade aplicáveis para o trabalho em baixas e altas temperaturas. dá-se esta classificação por duas letra GL (Gear lubrificant).

recomenda que toda troca de óleo deva ser feita o mais próximo possível. Geralmente a especificação dos óleos lubrificantes utilizados na grande maioria dos tratores. não deva ultrapassar os 5% do período de troca.Limpe o suporte do filtro com um pano ou bucha.Manualmente ou com o auxílio de uma cinta. o ideal. 2. senão no tempo exato. 46 . o sobreuso dos lubrificantes é muito comum entre os produtores. sem dúvida nenhuma é que se obedeçam criteriosamente os períodos recomendados. remova o filtro. BÓRMIO ( op. pare imediatamente o trator e verifique as causas. no caso dos lubrificantes para o sistema de transmissões. 4. mas é um “costume” que não deve ultrapassar muito o período recomendado pelos fabricantes. do período de troca.Remova o bujão de drenagem do Carter e deixe escoar todo o óleo (essa operação deve ser feita após um período de trabalho.  Manômetro de pressão de óleo: O manômetro possuí três faixas indicadoras de pressão: Verde: Pressão normal Vermelho: Pressão alta Vermelho: Pressão baixa Fig u ra 9 . 3.Coloque o óleo novo até completar o nível (em caso de dúvidas acerca do tipo de óleo utilizado. consulte o manual do trator ou o revendedor mais próximo. para o motor. Evidentemente. muitas vezes pelo próprio calendário de atividades. Evidentemente. 5. embora alguns tratores utilizem. cit) estima que esse sobreuso. descartando-o logo em seguida. BÓRMIO (2004).M a nô met ro d e p re s sã o do ó leo Importante: Sempre que o manômetro indicar uma pressão alta ou baixa. o óleo SAE 30). bem como suas especificações.Lubrifique a borracha de vedação do filtro novo com um pouco de óleo e aperte-o apenas o suficiente para que não haja vazamentos. quando o óleo ainda estiver quente). essa “taxa de tolerância” deve ser ainda menor. que não solte fiapos. é SAE 40. Verificação do nível de óleo do motor e troca do óleo 1.

47 .

Transmissão, eixo traseiro e hidráulico:

A transmissão, o eixo traseiro e o sistema hidráulico dos tratores MF e MAXION utilizam o mesmo óleo lubrificante. Para tratores de outras marcas, o principio de manutenção é o mesmo, mudando só a locação ou a posição de algumas peças. Como localização da vareta indicadora do nível do óleo da transmissão. Para todos os casos, só use o óleo recomendado pelo fabricante. A troca do óleo lubrificante é importante, pois permite que sejam retiradas as sujidades contidas no óleo, além de repor o óleo lubrificante anterior por um mais novo, com todas as qualidades esperadas (viscosidade, principalmente).  Nível de óleo e abastecimento:

Verifique o nível do óleo lubrificante do motor uma vez por semana, quando as condições do motor estiverem boas (sem vazamentos significativos) através da vareta no lado direito da carcaça (tratores MF) ou na parte traseira (tratores MAXION ou VALTRA/VALMET). Ao verificar a vareta, observe se o nível está entre as marcas mínima e máxima. O nível nunca deverá estar abaixo do nível mínimo e nem acima do nível máximo essa checagem deverá ser feita com motor frio ou que tenha parado de funcionar a pelo menos 2 horas. Para adicionar óleo ao motor, limpe o bujão de abastecimento com pincel e solvente. Remova o bujão e coloque o óleo até o nível máximo da vareta.Utilize somente o óleo recomendado pelo fabricante (Geralmente, é usado na grande maioria dos motores agrícolas de ciclo diesel o óleo SAE 40). É importante que se atente para a limpeza do bujão de abastecimento, bem como da correção de vazamentos nos filtros, para evitar contaminações no óleo do motor (BÓRMIO, 2004). Para a troca de óleo, limpe os dois bujões de dreno e remova-os, deixando escoar todo o óleo. É recomendável que a troca de óleo seja feita logo após um período de trabalho, pois o óleo ainda quente, facilita o escoamento.

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Fig u ra 3 . B uj ã o de dr e na g e m e f il tro do ó l eo l ub rif ica nte. E x tra í do d e: A B íb lia do tra to r – IO CH P E- M AX IO N

Substituição do óleo e limpeza do filtro metálico da bomba ISYP Limpe os dois bujões de dreno e remova-os, deixando escoar todo o óleo. Limpe cuidadosamente os bujões magnéticos. Remova a tampa de proteção sob o trator e retire o filtro da bomba ISYP.Observe a ordem da figura a seguir.

Fig u ra 4 . Co mpo ne nt e s ret i ra do s d ura nte a li mp e za do f ilt ro da bo mba IS YP. E xt ra í do de: A B í b lia do t ra t o r – IO CH P E- M AX IO N

Limpe o filtro com solvente e seque-o com ar comprimido, reinstalando-o em seguida. Recoloque a tampa com uma nova junta e cola. Abasteça a transmissão com óleo novo até completar o nível, utilizando o óleo recomendado pelo fabricante.

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Em tratores que possuem o controle remoto independente, a troca de óleo da transmissão é feita a cada 1000 horas de funcionamento. Além disso, a cada 500 horas, faça a limpeza do filtro metálico do controle. Para tratores sem controle remoto, a troca obedece ao período normal de 750 horas de serviço.  Troca de rotina do óleo (a cada 750 horas de trabalho) das rodas traseiras (troca de óleo dos redutores epicíclicos das rodas traseiras):

Inicialmente, remova o bujão de abastecimento, removendo em seguida, o bujão de drenagem na parte inferior da carcaça do eixo traseiro. Deixe escorrer todo o óleo. Complete com o óleo específico recomendado pelo fabricante. É importante lembrar que a substituição do óleo da transmissão, assim como toda troca de óleo, deve ser feita após um certo período de trabalho, com o óleo ainda quente, a fim de facilitar o escoamento do óleo.  Verificação do nível

Remova o bujão de abastecimento e nível na parte traseira. O óleo deve estar na mesma altura do bujão. Caso esteja mais baixo, complete o nível com o óleo adequado. A correta manutenção do trator e a sua maior, ou menor depreciação depende, portanto, de que se faça toda a manutenção no tempo certo.  Os lubrificantes mais adequados

Os lubrificantes mais adequados não são aqueles recomendados por um amigo, vizinho ou “curioso” por mecânica, baseados na “tentativa” ou no “ouvi dizer que esse óleo é bom...” mas sim aqueles recomendados pelo fabricante. Esse nosso pensamento é partilhado por BÓRMIO (2004): “... reafirmamos também que os melhores lubrificantes, óleo ou graxa, para

serem utilizados no motor, no câmbio, no diferencial, no hidráulico e nos rolamentos e articulações de seu trator, são aqueles recomendados pelo fabricante do trator”.

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roletes da barra de tração Fig u ra 1 2 .articulação central do eixo dianteiro 3 b.eixo do pedal da embreagem 6 b.articulação das pontas do eixo dianteiro 3 c.pedal dos freios 6 a.barras inferiores 9.cruzetas (juntas universais) 3 d. A cada 10 horas de trabalho é recomendável que se devam lubrificar os pinos graxeiros (indicados no esquema das figuras a seguir:). E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia d o tra to r – IO CH P E.semi-eixo dianteiro 4.Pontos de lubrificação a graxa: Um trator agrícola possuí vários pontos de lubrificação a graxa.articulação inferior direita do freio 6 c.  LEGENDA Pinos graxeiros – localização – versão 4 x 4 (Tratores MF) 1 a.eixo inferior ao freio 7.pedal de embreagem 3 a.luvas do eixo da transmissão 5.M A XIO N 51 .pedal de bloqueio do diferencial traseiro 8.correntes estabilizadoras 10.eixo da embreagem 1 b.tirante do freio 2.

E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia do tra to r – IO C H P E.LEGENDA Pinos graxeiros – localização – versão 4 x 2 (Tratores MF) 1 .eixo da direção 2 – braço do cilindro da direção 3 – cubos das rodas dianteiras 4 – pinos – mestres das rodas dianteiras 5 – eixo dianteiro 6a .M AX IO N 52 .eixo do pedal da embreagem 6b – Tirante do freio 7 – pedal da embreagem 8a – eixo do pedal da embreagem 8b – articulação inferior direita do freio 8c – eixo inferior do freio 9 – pedais dos freios 10 – pedal de bloqueio do diferencial traseiro 11 – braço intermediário direito 12 – braço intermediário esquerdo 13 – roletes da barra de tração Fig u ra 1 3 .

ainda divide o mesmo eixo com a bomba d’água. além de fechar o radiador. ela sirva como controladora da pressão do sistema. Essa última gera o fluxo da água no interior do sistema. Um item pequeno. além de servir como reservatório do líquido de arrefecimento (a água) que atua na troca de calor entre o interior dos cilindros e a camisa do motor liga-se à colméia. bem como se a tampa original for substituída inadequadamente por uma não compatível com o radiador.2. sendo resfriada pelo fluxo de ar produzido pela ventolina. Fig u ra 5 . E xt ra í do de: A B í bl ia do tra to r IO C H PE .M AX IO N O radiador. A ventolina além de gerar o fluxo de ar externamente. desgastada ou com defeito compromete o perfeito arrefecimento do motor. O superaquecimento provoca a dilatação das peças e a ruptura do filme de óleo lubrificante. poderá haver danos 53 . causando o chamado engripamento ou escoriação do motor. para arrefecimento do sistema. trabalham em condições elevadas de temperatura interna. O Sistema de arrefecimento Os motores de combustão interna sejam de ciclo Diesel ou OTTO. uma tampa folgada. O contato entre as peças de metal do motor finda por ocasionar escoriações ou fissuras. por onde a água passa. O RADIADOR. portanto. Assim. como finalidade a eliminação do excesso de calor produzido pelo motor. 3. O sistema de arrefecimento tem. Essa peça é projetada e dimensionada para o sistema de forma que. porém também importante no sistema de arrefecimento é a tampa do radiador. A BOMBA DÁGUA e o VENTILADOR são os principais componentes do sistema de arrefecimento.

para regiões com temperaturas muito baixas.1 kgf/cm2 (4 a 15 lbs/pol2). 2.M AX IO N. pa ra esco a me nto da á g ua .Remova o bujão de drenagem situado na base do radiador. 4. Geralmente a pressão da tampa está impressa na sua parte superior. e anticorrosivos para o radiador são indicados. anti-congelantes. A cada 500 horas. substitua a água do radiador procedendo da seguinte forma: 1. variando de 0. até que só saia água limpa do bloco do motor.3 a 1.Recoloque os bujões e abasteça o radiador até completar.Lave todo o sistema. pois promovem uma melhor conservação do sistema. verifique o nível da água do radiador e complete-o com água potável. se necessário.(maior facilidade de vazamentos. P a ra f uso na ba s e do ra dia do r. IO CH PE . por exemplo. 3. se a pressão for excessiva) no sistema ou um mal arrefecimento (pela pressão menor que a ideal para o sistema). E xtra í do d e: A B íb lia do t ra t o r. 54 . Cuidados com o sistema de arrefecimento: Diariamente antes de dar a partida no motor.Remova também o bujão de drenagem situado no bloco do motor e deixe escoar toda a água. O uso de aditivos como. Fig u ra 6 .

Assim. mas que dada a importância do sistema de transmissão no trator. o que o diferirá de um automóvel ou de qualquer um outro veículo de transporte é o seu sistema de transmissões. Fig u ra 7 . ambos com motores de 170 c. o que diferencia um trator de uma marca x e outro de marca y é a engenharia de seu sistema de transmissões. normalmente as novidades tocantes ao motor não são tão enfatizadas.2. por exemplo. portanto. ou trazem poucas modificações. até fins de 2003). 55 . a importância que tem o sistema de embreagem e transmissões para os tratores. logicamente). E xt ra í do de B Ó RM IO (2 0 0 4 ). pode-se dizer que. quanto o automóvel não estava disponíveis no mercado brasileiro. Um bom trator é. Vê-se. essencialmente um bem projetado e construído sistema de transmissões. a importância maior na relação motor x transmissão é sem dúvida a este último. pois basicamente um trator pode ter um mesmo motor de um carro de passeio.4.v. Os modelos dos veículos avaliados (tanto o trator. Sistema de embreagens e transmissões Quando uma indústria montadora de tratores agrícolas faz um “novo projeto” ou lança um novo modelo no mercado. portanto. seu artigo foi traduzido por Fernando Scholosser. Este nosso pensamento também é partilhado por MARQUÉZ (2003). Vi st a e m co rt e do s ist e ma d e tra n s mis sõ e s. (com algumas modificações. 17 Márquez é professor da Universidad Politécnica de Madrid. o qual avaliou alguns aspectos entre um trator 4 x 4 da New Holland e um Fiat Stilo Abarth17. mesmo que seu motor seja terceirizado de uma indústria especialista em motores.

d. de modo suave e gradativo. bem como alguns modelos de tratores VALMET e alguns outros tratores. 2. permitindo a troca de marchas. Basicamente a embreagem possuí três funções (IOCHPE/MAXION. 3. 56 .): 1. HUBER WACCO. Tratores da linha MAXION usam embreagens simples. s. o acionamento da TDP. como AGRALE-DEUTZ. de um estágio. etc. Muitos fabricantes equipam seus modelos com embreagem de duplo estágio. Interromper a transmissão da potência do motor à transmissão. Transmitir o movimento do motor para os demais mecanismos de transmissão. acionado também por pedal. sem vibração ou deslizamentos. para permitir a troca de marchas e o outro estágio. Permite a parada do trator e de qualquer equipamento acionado pela TDP.O conjunto de embreagem é o componente mecânico responsável pela transmissão (ou interrupção) da potência do motor para a caixa de câmbio.

trator estará em movimento se a Disco principal A Disco secundário B Rolamento Desligador caixa de câmbio estiver engatada. transmitindo movimento motor para o do a O o B. Fig u ra 1 7 . tanto o disco principal A. Volante do motor Atuadores Prato de pressão principal Pedal de embreagem transmissão.M A XIO N 57 . quanto secundário estão pressionados.O princípio de funcionamento da embreagem pode ser entendido observando as figuras seguintes:  EMBREAGEM ACOPLADA (PEDAL DA EMBREAGEM EM REPOUSO) Prato de pressão secundário Nesta situação. IO CH P E. E xt ra í do e a da pt a do de: A bí b lia d o tra to r.

E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia d o tra to r. IO CH P E .EMBREAGEM ACIONADA NO PRIMEIRO ESTÁGIO Ao acionarmos o pedal da embreagem até mais ou menos meio curso estaremos liberando o primeiro estágio (disco principal).M A XIO N 58 . Fig u ra 1 8 . permitindo a troca de marchas ou a parada do trator.

d. Extraído e adaptado de: A Bíblia do trator. s. Ambos os discos estão livres Figura 19. Ao acionarmos o pedal da embreagem até o final do seu curso iremos liberar o segundo embreagem. 59 . Essa relação de alavancas permite multiplicar a força aplicada pelo operador no pedal. Para liberar o disco principal o prato de pressão recua apenas alguns milímetros enquanto que o curso do pedal é de vários centímetros. IOCHPE-MAXION O controle da embreagem é feito por meio de pedal e transmitido por tirantes e alavancas até acionar os atuadores do prato de pressão principal. com uma força resultante suficiente para vencer a força das molas sobre o prato de pressão principal (IOCHPE/MAXION.). EMBREAGEM ACIONADA NO SEGUNDO ESTÁGIO O prato de pressão principal empurra o prato secundário. estágio estágio O permite da segundo o acionamento da tomada de potência e a bomba hidráulica do sistema hidráulico. através dos parafusos do segundo estágio.

Há também uma folga no sistema de embreagem, a chamada folga livre do pedal ou curso livre do pedal (folga entre o prato de pressão e o disco principal). Essa folga permite que não haja um desgaste do sistema de embreagem, pois quando o disco se desgastasse, os atuadores se apoiariam no disco e haveria, portanto, o “enforcamento” da embreagem. Caixa de câmbio A caixa de câmbio, também conhecida vulgarmente como caixa de marchas, permite o deslocamento do trator, nas mais diferentes velocidades e situações no campo, através da “captação da energia” produzida no motor, e transmitida ao volante do motor, passando pela embreagem, até a árvore primária (eixo principal da caixa de câmbio). As operações no campo exigem muito do trator, sob diferentes condições de velocidade e esforço. Na operação de preparo de solos, para qualquer tipo de cultura, o operador deve adequar o trator ao tipo de trabalho a ser realizado. Diversos fatores merecem ser levados em consideração. O mais relevante dentre os muitos fatores é a velocidade correta de trabalho. Modelos de caixa de câmbio: Caixa de Câmbio deslizante (Crash) Apresenta 4, 5, 8 ou 12 velocidades. De acordo com o modelo e o fabricante. Por ser um engrenamento “seco”, não é aconselhável a troca de marchas com o trator em movimento. Esse modelo de caixa de câmbio foi o primeiro tipo de caixa de câmbio desenvolvido. Atualmente é comum ser encontrado em alguns modelos de microtratores e tratores de jardim, como os microtratores das marcas Tobatta e Agrale.  Caixa de câmbio Constant mesh É um conjunto de transmissão intermediário entre a deslizante e a sincronizada. 

Caixa de câmbio sincronizada. Semelhante à anterior, sendo que difere por que possuí um conjunto de componentes (principalmente os anéis sincronizadores) que facilita o acoplamento das marchas com trator em movimento. Escalonamento das marchas:

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O escalonamento de marcha é a variação da velocidade e do torque do trator em função da marcha engatada. Para cada marcha engatada, ter-se-á uma variação da velocidade e torque18 determinada pela rotação do motor. Um bom escalonamento de marchas é o que permite o máximo de opções de marchas na faixa de velocidades de operação, que vai de 3 a 12 km/h. O que admite uma seleção mais conveniente para um determinado tipo de operação (menor consumo e maior rendimento). Tanto no caso dos tratores, como também em veículos que são equipados com tração 4 x 4, existe uma alavanca ou botão de controle eletrônico para redução das marchas, onde se terá mais torque, pois as marchas são reduzidas numa relação de 2:1 (no caso dos veículos off – road). Contudo, a redução (low range) nos utilitários ou off – road também só deverá ser feita com o veículo traçado, ao se utilizar a redução sem que haja a distribuição de força para os dois eixos, há uma sobrecarga no diferencial, pontas de eixo, semi-eixo, devido ao aumento do torque, o que poderá causar danos ao sistema.  Transmissão de trabalho - o uso da barra de tração.

A barra de tração é utilizada para operar implementos de arrasto ou de tração (grades de arrasto, carroção, plantadeiras/semeadeiras de grande porte, roçadeiras, etc). é importante observar que o engate da barra de tração deve estar numa altura adequada, de forma que o cabeçalho esteja paralelo ao solo e na mesma linha de tração do trator. Nos diferentes modelos e marcas de tratores, existe a barra de tração reta e barra de tração com degrau. A primeira não permite que seja feita uma regulagem de altura, para o engate. A segunda permite que se possa variar a altura de engate, para uma melhor adequação ao implemento.  A tomada de potência

A tomada de potência é utilizada para acionar e operar implementos de trabalho rotativo (roçadeiras, enxadas rotativas, pulverizadores/atomizadores, batedeiras de cereais, etc). Para o trabalho correto, o engate entre o trator e o implemento deve ser localizado a meia distância entre as distâncias das juntas universais e a barra de tração e não deve balançar lateralmente. As exigências por parte dos institutos e órgãos governamentais dos diversos países, no que concerne à segurança fizeram com que se
18

O torque é a resposta dada pelo motor quando submetido a um maior esforço. É um parâmetro usado para comparar, por exemplo, a velocidade e o tempo de reação de um trator de acordo com o escalonamento de suas marchas, ou comparar fatores como consumo e aceleração em relação ao torque.

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normatizassem as características de localização e padronização para a tomada de força. Normalmente os tratores são equipados com TDP com velocidade de rotação por minuto (rpm) de 540 (com eixo de seis estrias) ou utilizam 1000 rpm na tomada de potência (com eixo de 21 estrias). 2.4. Sistema de transmissão: Transmissão de força. A lei das alavancas, um dos princípios dos braços do hidráulico: As máquinas, das mais simples, como as alavancas, carro de mão o alicate, ou mesmo complexas como os tratores e implementos agrícolas baseiam-se em princípios elementares da mecânica, desde a mecânica pura (estuda os movimentos dos corpos e as causas que os determinam) à mecânica aplicada. A alavanca é em sua forma mais elementar, representada por uma barra rígida que pode mover-se ou girar em torno de um ponto de apoio. De acordo com a localização do ponto de apoio, a resistência e o sentido da força ou potência exercida na alavanca, determinam três situações: R K A L P

a) alavanca de primeiro gênero ou interfixa: neste caso, tem-se o ponto de apoio A entre a potência P e a resistência R (O K e o L representam os segmentos da alavanca relacionados com o ponto de apoio). P R A K L

b) alavanca de segundo gênero ou inter resistente: a resistência R está entre o ponto de apoio A e a potência P.

P R A K L

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menor será a força P necessária para realizar o trabalho. a força de levante. Para haver realização do trabalho. a potência P deverá ser maior do que a resistência R. conseqüentemente. A posição em que o implemento atinge a maior altura e capacidade de levante é a do furo 3. Assim temos a seguinte relação expressa: AK x R = AL x P. Em terrenos 63 . Na prática. a razão entre os dois braços de uma alavanca (ou segmentos) resulta na força que deve ser exercida. como dissemos anteriormente. porém.c) alavanca de terceiro gênero ou interpotente: com a potência entre a resistência e o ponto de apoio. no furo 1. Ao observamos a figura 20. Os braços inferiores do hidráulico. O furo 2 é uma posição intermediária. Esse sistema segue o princípio da lei das alavancas. podemos utilizar esses princípios das alavancas no acoplamento de implementos aos braços do hidráulico. Utilize – o para implementos longos e pesados. os braços abaixam mais próximo do solo. possuem furos que podem ser usados em várias situações diferentes. Essa posição diminuí. vemos que. de uso menos específico e geral. Esse furo pode ser usado em trabalhos de subsolagem e aração. teremos: P = AK x R AL Quanto maior for o valor de AL.

Figura 20. para facilitar as ondulações. Extraído de Maxion (s. Furos do braço inferior do sistema de levante hidráulico.acidentados. isso evitará a sobrecarga dos braços superiores do hidráulico. utilize o furo oblongo (4). tratores MF. 64 .d).

Sistema de transmissão de trabalho – polias e correias.4. A transmissão da energia do trator. correias ou engates com eixo cardã. para exercer determinadas tarefas.2. Denomina-se “polia” roldanas utilizadas isolada ou conjuntamente. deslocando a carga. com a finalidade de transmitir força ou imprimir movimento. Podem ser fixas ou móveis. Na ilustração abaixo temos o exemplo de polias fixas e móveis: Polia fixa P Polia móvel P n P C C 65 . 1966). Podem ser de metal ou madeira. TDP Acionamento do implemento Cardã Figura 21.1. As correias. para todos os implementos acionados pela TDP parte do princípio de transmissão de energia centrífuga através de polias. As móveis além de girarem em torno do próprio eixo movem-se no sentido do deslocamento. chamadas de trapezoidais (devido à sua seção transversal ser em forma de trapézio) funcionam transmitindo as cargas através das polias silenciosamente (FAIRES. As polias utilizadas isoladamente geralmente são empregadas para elevação de pequenas cargas. Esquema representativo do acionamento de um implemento hipotético pela TDP do trator. As fixas apenas giram em torno do eixo.

usando-se uma analogia em relação à lei das alavancas. uma vez que a força requerida para elevar a mesma carga C é menor. Os sistemas mais comuns são: . para que haja o trabalho. a potência P ou força requerida deverá ser maior que a força contrária C. No segundo caso. com uma polia fixa. P C . como a polia é fixa. entre fixas e móveis. o braço da potência P é o dobro do braço da carga C. Neste caso. para elevar a carga C. pois.Sistema combinado simples com vários suportes fixos: Sistema misto em que polias móveis são ligadas entre si. a potência P. com um mesmo número de polias fixas e móveis. expressamos a seguinte relação: P = C/2 As polias podem ainda ser combinadas em sistemas. necessária para erguer a carga C é dada pela relação: P=C 2n Onde: 66 . Portanto.No primeiro caso. facilita a execução do trabalho. P C Nas duas situações anteriores. a polia móvel.Cadernal: Sistema de polias combinadas. as forças contrárias (força de tração ou potência P e a carga C) deverão ser diferentes.

multiplica-se a rotação do motor. ReM = rotação do eixo do motor (geralmente indicada na plaquinha presa na carcaça do motor). sem causar prejuízos. Uma debulhadeira de cereais. utiliza a TDP do trator para debulhar grãos de culturas como o milho e o feijão. DpM = diâmetro da polia que existe no motor (ou da polia que se deseja colocar). É comumente utilizada nas pequenas e médias propriedades rurais e pode ser perfeitamente adaptada para funcionar com um motor estacionário. sem riscos de acidentes aos operadores ou o pessoal que estiver porventura trabalhando na debulha. por exemplo. indicada na plaquinha. Dimensionamento de polias: Fórmula: Pmq = ReM X DpM Rmq Onde: DPmq = Diâmetro da polia da máquina que se deseja ligar. irá garantir um serviço de boa qualidade e sem prejuízos. deve haver uma correta relação dos diâmetros das polias. Essa adaptação.4.4. pelo diâmetro 67 . através da polia e das correias para que o serviço seja feito sem quebrar os grãos (excesso de rotação no eixo principal da debulhadeira) ou que o material não seja debulhado totalmente. entretanto. somente a correta relação entre as polias do motor e da máquina que se deseja utilizar. todavia deverá ser perfeita no que concerne à relação ideal de rotação entre o motor que vai imprimir a força e a rotação à debulhadeira. Para se calcular o diâmetro que precisa ter a polia a ser colocada na máquina. para que a rotação ideal para o trabalho a ser realizado com a máquina. para implementos que utilizem a TDP do trator ou um motor ligado por sistema de correias e polias. seja eficiente.2. Rmq = rotação necessária para movimentar a máquina com eficiência (geralmente escrita na carcaça da máquina). havendo muito desperdício (geralmente essa causa advém de baixa rotação no eixo da máquina). Assim. 2.1 Dimensionamento de polias e correias: adequação de implementos: O funcionamento correto de uma máquina agrícola depende de muitos fatores. desde que o conjunto seja firmemente fixado.P = Potência para elevar a carga C = Carga ou peso n = número de polias móveis 2.

para motores de baixa potência. Caso se necessite saber o contrário. pela rotação que a máquina necessita para funcionar corretamente. As polias para correias tipo “B”. o diâmetro da polia que deverá ser posta no motor. na largura. são usadas na proporção de 1 canal para cada 4 Hp do motor. alterando-a para: Fórmula: DpM = Rmq x DPmq ReM Assim. é utilizado 1 canal para cada 2 ½ Hp do motor. na altura e nas características de construção. é só utilizar a mesma fórmula. Resumidamente. O diâmetro das polias nunca deverá ser maior que o tamanho do motor e das máquinas (principalmente o motor). já as polias para correias do tipo “A”. é mais viável o uso de correias do tipo “B”. As correias trapezoidais ou em “V” são encontradas em duas classificações: correias tipo A e correias tipo B. provocado pela classe de transmissão. para motores de maior potência.  A relação: Tipos de correias x potência do motor As correias utilizadas para transmissão de potência são de uma forma geral divididas em planas e em “V”. teoricamente existem perdas ao redor de 5%. as correias preferencialmente utilizadas são do tipo “A”. para que obtenhamos o diâmetro que a polia do motor deverá ter para imprimir uma rotação ideal para a máquina. 68 . temos que a relação de rotação entre duas polias é dada. em seguida. contudo. será dividido pela rotação do eixo do motor. divide-se o resultado obtido dessa multiplicação. Dessa forma. que são devido ao deslizamento. pela expressão: DxR=dxr Onde D e d são os diâmetros das polias e R e r. o resultado da multiplicação da rotação desejada na máquina pelo diâmetro da polia da máquina. suas respectivas rotações. Na prática esse método é aplicável. neste caso.da polia existente ou colocada no eixo do motor. tipo e tensão das correias e outros fatores. havendo aí as variações. como para correias em V com dois ou mais canais unidos por uma lona no topo ou as correias em forma de cintas.

3. quando se deseja inverter o sentido de rotação de uma polia à outra. r = raio da polia menor. segue-se o seguinte raciocínio: D d r R L L2 + (R + D)2 C = π .4. Dimensionamento de correias D d L O comprimento da correia é calculado pela seguinte fórmula: C=π. d = diâmetro da polia menor. d+D +2L 2 Onde: C = comprimento da correia. R = raio da polia maior. Para correias cruzadas.2. (r + d) + 2 Onde: C = comprimento da correia cruzada. D = diâmetro da polia maior. L = comprimento entre eixos As correias cruzadas são utilizadas em casos mais específicos. L = distância entre os centros dos eixos D = diâmetro da polia maior 69 .

5. correias muito apertadas provocam perda de potência no maquinário.Sistema de alimentação / ar: Com muita freqüência. um trator trabalha sob condições de intensa poeira. rolamentos e a própria correia. Correias frouxas apresentam pancadas e movimento irregular. a substituição de correias deve ser não apenas para aquela que se partiu. mas para todo o conjunto. essa correia sofrerá uma carga maior.d = diâmetro da polia menor Alguns cuidados com as correias e polias: No caso da quebra ou ruptura de uma correia. desgastando e sobrecarregando as correias. É de grande importância. Entretanto. etc. Quando uma correia específica parte-se repetidamente. permitirão que o motor tenha uma vida útil maior: 2.) Evite que o conjunto de correias suje-se de óleos minerais. 1966). verifique se o alinhamento das polias. rachando-as. pois as correias restantes suportarão a carga até certo tempo. o que traz prejuízos à qualidade do serviço. graxas ou qualquer elemento abrasivo. partindo-se facilmente (FAIRES. Para a conservação das correias.1. polias desalinhadas. Por outro lado. não há necessariamente a necessidade de parada imediata do serviço. O sistema de alimentação O sistema de alimentação é formado pelo conjunto de peças / mecanismos que juntos tem a função de alimentar o motor. O perfeito funcionamento do sistema de alimentação. ao colocarmos uma correia nova ao conjunto. por algum motivo não está correto (falta de algum parafuso de fixação da base da máquina ou do motor.5. pois as correias velhas já sofreram desgastes e forças que as deformaram e. tanto de ar. 70 . Óleos minerais facilitarão a “derrapagem” das correias nas polias. quanto de combustível. portanto. recomenda-se o uso de óleo de linhaça ou sebo. O motor aspira diretamente o ar do ambiente onde se encontra. onde vai ser submetido à queima e compressão. Elementos abrasivos (solventes. que o ar aspirado pelo sistema de admissão de ar do trator chegue aos cilindros do motor. além de provocarem maiores perdas por deslizamento. pela redução do atrito entre elas. bem como as revisões periódicas e as manutenções necessárias. 2. o que algumas vezes pode acabar por aquecer e quebrar polias. óleo diesel) diminuem a vida útil das correias.

Ambos estão alojados dentro de uma carcaça ligada à tubulação. pela carcaça do filtro. De uma forma geral. os componentes do sistema de filtragem do ar é constituído pelos filtros. O filtro primário encerra o secundário (também denominado de elemento filtrante de segurança). Esse sistema consiste na filtragem da poeira por um filtro e na deposição das sujidades mais pesadas no óleo. ou quando o trator estiver operando em condições severas de poeira. Para tanto. por um pré-filtro. o sistema de alimentação (ou sistema de admissão e escapamento) além de ser constituído por toda a tubulação que conduz o ar aos cilindros possuí filtros para reter a poeira e sujidades. pressione a válvula de descarga. além de diminuir a vida útil do elemento. 71 . para um funcionamento sem problemas ao motor. Tubo ou Mangote Cilindros do motor Pré-filtro Ar Filtro Figura 22. Diariamente. se a restrição máxima for atingida (visualizada quando o indicador de restrição exibir uma tarja vermelha quando o trator estiver em funcionamento.  Manutenção do sistema de filtragem de ar A manutenção do sistema de filtragem de ar só deve ser executada. para remover a poeira acumulada (tratores MF e MAXION). pare e remova o filtro para limpeza). citados anteriormente. Esquema representativo do caminho percorrido pelo ar (durante a admissão) até os cilindros do motor. por ser menos eficiente que os sistemas que utilizam filtros de ar a seco.isento de poeira e elementos abrasivos. pela válvula de descarga e pela tubulação de ar. por um ciclonizador. Alguns tratores utilizam filtros de ar chamados de filtros banhados a óleo. neste caso. Tais filtros são denominados de primário e secundário. Esses componentes formam o sistema de filtragem de ar para tratores que apresentem o filtro a seco. conseqüentemente isso implica em maiores custos e tempo de manutenção. Atualmente tem entrado em desuso. O excesso de manutenções poderá causar danos ao filtro.

no entanto. quando se permite o abastecimento contínuo com óleo diesel sujo. 72 . isento de detritos. água ou outros contaminantes. por isso é importante que o óleo esteja isento de água. para que assim se evite a formação de água pela absorção da umidade do ar no tanque e.  Tanque de combustível: Abasteça o tanque de combustível diariamente ou após a jornada de trabalho.  Bomba alimentadora A cada 1000 horas de trabalho remova o bujão para fazer uma limpeza na tela filtrante da bomba Ao recolocar a tela filtrante observe que o flange deve ficar voltado para baixo. A manutenção do sistema de alimentação se faz necessária. é importante que seja feita a drenagem da água e das impurezas acumuladas no fundo. Diariamente antes de dar a partida no motor. 2. Essas sujeiras poderão com o tempo.2. porque a bomba injetora e os bicos injetores são muito sensíveis e de altíssima precisão.As sujidades do filtro principal devem ser removidas com o auxílio de um compressor ou outro equipamento que produza um jato de ar. Sistema de alimentação/combustível O combustível é necessário para o funcionamento do motor. o combustível deve ser limpo. Periodicamente verifique o estado da borracha de vedação da tampa do tanque. se há defeitos nele. Os mecanismos internos da bomba injetora são lubrificados com o próprio óleo diesel. Para tanto. solte o bujão de dreno situado na parte inferior da carcaça do filtro e do sedimentador deixando-o escorrer um pouco. Nunca aplique durante a limpeza do filtro uma pressão maior que 70lb/ pol 2 (5kgf/ cm2). em uma sala escura. Substitua o anel de vedação se necessário e aperte o bujão sem exagero. a contaminação do combustível. além de que. pois. obstruir a tubulação de alimentação de combustível. pressões acima desta poderão danificar o filtro. conseqüentemente. inutilizando-o. Verifique com uma lâmpada. é importante que o óleo seja muito bem filtrado e isento de contaminantes. Os mecanismos internos da bomba injetora são lubrificados com o próprio óleo diesel. Dessa maneira. introduzida no interior do filtro. Não abasteça o tanque com combustível sujo e cheio de impurezas. isso irá diminuir a vida útil dos filtros de combustível. Feche-os em seguida.5.  Drenagem do sedimentador e do filtro de combustível.

dá-se contato na ignição 1 ou 2 vezes. faça a substituição do filtro de combustível e também do sedimentador. parafuso da bomba injetora frouxo. pescador defeituoso no interior do tanque) no sistema de alimentação é quando o trator está em movimento e mesmo com tanque cheio. Solte 7 voltas no parafuso banjo C . Pare de acioná-la somente quando o combustível sair isento de bolhas de ar.  Sangria do motor A sangria do motor deve ser efetivada sempre que a substituição de um filtro ou a limpeza do sedimentador tiver sido feita. Ao colocar o filtro novo. e percebe-se que o combustível já está isento de bolhas. coloque também todos os anéis de vedação novos que acompanham a embalagem. pára de funcionar.   Sangria da bomba injetora (bomba horizontal e bomba vertical – cav) Solte o parafuso A da bomba injetora e acione a bomba alimentadora. no filtro de combustível e na bomba injetora. reaperte o parafuso. pois as bolhas impedem a pulverização do combustível nos bicos. A sangria do motor consiste na sangria feita no sedimentador. Acione a bomba alimentadora até que saia somente combustível (o qual deverá estar isento de bolhas de ar).Substituição do filtro de limpeza do sedimentador de combustível. Nesse caso devem-se examinar todas as possibilidades no sistema de alimentação. Muitas vezes. ao proceder-se à sangria da bomba injetora (próximo tópico descrito). para auxiliar na extração do ar. Solte o parafuso de sangria B e acione novamente a bomba alimentadora. Quando sair combustível sem bolhas de ar. A cada 200 horas de trabalho.  Sangria do sedimentador e filtro de combustível Solte totalmente o parafuso do tubo de retorno situado no topo do suporte do filtro. quando se faz a troca de filtros. Um dos sintomas quando há algum problema de entrada de ar (cano furado. reaperte o parafuso. A extração do ar do sistema de alimentação é importante já que o motor só voltará a funcionar se extraído todo o ar. Aperte o parafuso. 73 .

Extraído de: A Bíblia do trator.Assim que o motor ligar. Parafusos de sangria do combustível na bomba injetora. solte uma ou duas conexões junto aos bicos injetores e dê a partida. Aperte as conexões. Nos tratores que não possuírem parafuso banjo. IOCHPE-MAXION 74 . Figura 23. deixeo em baixa rotação e raperte.

as peças ou sistema que permitem a mudança de bitolas (lembrando que Bitola refere-se à distância entre o meio de um pneu e o outro. à faixa ou largura de trabalho do implemento). no mesmo eixo. Figura 8. A canaleta A é presa à mesa do trator por barras principais B que se deslocam em relação à canaleta.A. Extraído de: A Bíblia do trator. Para uma boa lastração. em relação ao índice de patinagem do trator.A. Soltando* Veja capítulo sobre manejo do solo. 75 . nem derrapar ou “atolar” facilmente. o operador é fundamental.2. Um trator bem lastreado irá trabalhar o solo. S. da cultura e das irregularidades dos terrenos a trabalhar. pois é de acordo com o seu julgamento que iremos colocar mais ou menos lastro no trator. Ajustes de bitola e lastração O ajuste de bitolas depende do tipo de operação a ser feita. ou no caso de implementos. IOCHPE-MAXION S. sem ocasionar uma compactação excessiva*. Sistema telescópico do eixo dianteiro simples (versão 4 x 2).6. Esses ajustes são extremamente importantes para que se tenha um bom rendimento na operação do trator. Os valores de bitola utilizados pelos tratores podem ser encontrados no manual do operador de cada modelo ou marca de trator** A figura abaixo ilustra o eixo dianteiro simples (de um trator 4x2). A lastração varia consoante o tipo de solo e o implemento utilizado. aumentando e diminuindo as bitolas.

segundo DEUBER (2002). com diferentes características:  Rodas do tipo arrozeiras – São fixas e não permitem o ajuste de bitolas. o que permite grande capacidade de flutuação. eles possuem três tipos de rodas traseiras. São rodas usadas com pneus largos e altos.13m a 1. pode-se deslocar o conjunto inteiro em relação às canaletas. Esses tratores. para os tratores MF e MAXION. uma menor compactação do solo trabalhado. espaçamentos e cultura.  Rodas servo ajustáveis – possuem aros com trilhos de deslizamento. aproximadamente 5 metros.5m entre linhas. com a redução do número de passagens no mesmo local. O ajuste das bitolas é importante porque a qualidade do serviço executado é melhorada. Se a grade ou grades.  Rodas de discos reversíveis – Igual ao eixo dianteiro (4 x 2).se os parafusos C e D. As bitolas dos tratores MF 4 x 2 variam de 1. os tratores multipropósito vêm sendo utilizados em áreas intensamente mecanizadas. para o cultivo nas lavouras. Pode-se obter de 7 a 9 bitolas diferentes. As bitolas traseiras são modificadas desde a inversão de um pneu de um lado ao outro até a inversão da roda sem trocar o lado do pneu. pode-se usar uma ou duas grades. Quanto aos eixos traseiros. possuem bitola de. conforme o modelo permita os diferentes ajustes de bitola. 14 ou até 16 ruas em cada passada. excederem a largura do trator. através do deslizamento da roda em trilhos específicos para tal ajuste (rodas servo ajustáveis). Seu ajuste permite de 3 a 8 bitolas. quando a bitola do trator é bem adequada aos implementos. podem ser cultivadas. 76 . Com espaçamento de 0. Atualmente. há inclusive.93m. 12. Dessa forma.

como o arado de discos e as grades. para tratores 4 x 4). FÁC – SÍMILE extraído de MAXION (1991). 77 .Figura 9. com a colocação de pesos. A lastração também poderá ser feita em alguns implementos.    Quanto à lastração. tanto nas rodas quanto na parte frontal do trator. para trabalhar mais eficientemente em condições específicas (Solos extremamente argilosos ou compactados. notadamente os implementos de corte.). muitos resíduos vegetais para incorporar ao solo etc. ela poderá ser feita: Através de lastração metálica. Esquema de ajuste de bitolas traseiras. Através da lastração com água (somente nos pneus traseiros para tratores 4 x 2 ou nos quatro pneus.

120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Potência Peso/Potência CÔRREA (2004) analisando diferentes lastrações em 2 tratores submetidos à condições similares às de campo. tipo de atividade. Essa autora afirma que. condições do rodado. velocidade de operação. entre outros. Extraído de SCHLOSSER (2003). embora se fale em relação peso/potência ideal. A relação peso/potência também mostra a faixa de potência ou “reserva” de potência de alguns tratores.) que a relação de capacidade de tração / lastração melhorava. A relação peso / potência de alguns modelos de tratores nacionais encontram-se no gráfico abaixo. concordamos com tais argumentos. não existe um trabalho que comprove cientificamente qual relação é a ideal.O peso não serve apenas como parâmetro na escolha da lastração ideal a determinados serviços. Entretanto. Gráfico 4 . teor de umidade do solo. uma vez que. Já aos aspectos pertinentes á máquina teríamos: que maquinário que vai se utilizar. que foi retirado de SCHLOSSER (2003). sabemos que isso deve-se a uma gama de fatores intrínsecos à lastração e que concorrem para uma soma enorme de variáveis tanto ambientais. por exemplo. 78 . à medida que se punha mais lastro na dianteira até uma faixa de 36 a 45% do peso do eixo dianteiro. entre kg de lastro / cv de potência. como do próprio maquinário: as variantes ambientais seriam a textura do solo. encontrou para os tratores 4x2 auxiliar (4x2 aux. não conseguimos precisar uma relação peso/potência adequada para esta obra. declividade do terreno. com nossos conhecimentos e mesmo com a revisão bibliográfica que fizemos. Evidentemente. Relação Peso/Potência de alguns tratores nacionais.

ou a semeadura. uma manutenção bem realizada é o conjunto de medidas mais eficientes na conservação ou na garantia de um tempo maior na vida útil do trator e de seus implementos. enferrujados. Implementos desgastados. o que foi apresentado neste capítulo. e 79 . quebrados. por outro lado. melhora o valor de revenda do maquinário. Além do mais. o qual baseou-se tanto em uma bibliografia técnica. como por exemplo: lastrear o trator observando o rastro dos pneus ao executar a tarefa desejada: se o rastro estiver muito deformado. considerações sobre a correta manutenção dos tratores: Traçando-se em linhas breves. os métodos empíricos. garante ao empresário rural. de forma que se obtenha um rastro bem definido nas extremidades dos pneus e pouco definidos no centro dos rastros. subtraem o valor de revenda. ajustes. durante todo este capítulo referente aos sistemas do trator. um maquinário bem conservado. 2. como manuais de fabricantes e materiais de pósvenda de algumas montadoras: De uma forma direta. considera a manutenção de tratores e da maquinaria em geral. sobretudo uma ferramenta importante na produção do campo. portanto. que são necessárias algumas manutenções dentro de cada sistema. que aproximam-se de valores onde não se compromete a eficiência do serviço e que se agride menos o solo. MIALHE (1974). através de lubrificações. uma vez que se pressupõe gastos para recuperação por parte de quem porventura queira adquiri-lo(s).7. pois o trator é. assim também como o trator. condição essencial para o sucesso de qualquer programa de mecanização agrícola. como o plantio. resta-nos somente recomendar para busca de uma boa lastração. a certeza de que poder contar a qualquer tempo com esse equipamento (trator x implementos). Vimos. por atrasos provenientes das quebras constantes das máquinas alugadas. em termos de compactação.Assim. há a necessidade de se colocar mais peso. como também. ou fazer com que um produtor rural prefira só contratar os serviços de aluguel de uma frota bem cuidada e que não venha interferir negativamente em operações críticas. revisões e proteção contra as intempéries. se estiver muito definido. Ele ainda define a manutenção dos tratores e da maquinaria agrícola como o conjunto de procedimentos que visam manter tais máquinas nas melhores condições de uso e prolongar-lhes a vida útil. sem ranhuras. deve-se retirar lastro. quanto em fontes de informações mais práticas. o que interfere não só em menores gastos em manutenções.

poderão onerar sobremaneira as reservas destinadas à manutenção do trator. enquanto custo. não citamos todas as manutenções pertinentes aos tratores e aos implementos agrícolas. Evidentemente. 80 .  Se houver vazamento de óleo. BÓRMIO (2004) alerta para as seguintes precauções no tocante ao sistema de lubrificação:  Marcas diferentes de lubrificantes não devem ser misturadas. obedecendo criteriosamente às recomendações dos fabricantes. ou ao responsável pela manutenção do maquinário. ou na depreciação. BÓRNIO (op. mas em linhas gerais.  A vedação da vareta de nível e do guarda-pó são pontos onde ocorrem vazamentos e responsáveis por grande parte da contaminação por agentes externos. Cit) recomenda que se danificados.principalmente. a utilização de elementos químicos com a mesma finalidade de aditivação pode ocasionar o surgimento de ácidos que irão atacar as peças do sistema. alguns cuidados se fazem necessários. certamente. 19 Alguns cuidados relativamente simples. reparos adequados e conservação do trator garantem. como lubrificações. cara19. devem ser imediatamente substituídos. principalmente poeira.  Os bujões de enchimento devem receber limpeza com pincel e com solvente antes de serem retirados. menores riscos de defeitos e panes mecânicas que.  Observar sempre o uso de lubrificantes com o grau de viscosidade e classificação correto. que é uma fonte de consulta indispensável ao produtor rural. deve ser limpo ou substituído. Segundo esse mesmo autor. estes devem ser corrigidos imediatamente.  O filtro de óleo a cada troca. apontamos as mais importantes. em alguns casos. Esses procedimentos ou conselhos foram extraídos dos manuais. conforme a necessidade. Procedimentos mais específicos estão contidos nos manuais dos tratores. Quanto à lubrificação e trocas de óleo.

81 . untando-os com vaselina. representam os principais.Tabela 3 . Alguns procedimentos aqui descritos. devendo abrir discussões acerca de outras questões. os quais podem variar de acordo com cada fabricante. É importante que seja consultado o manual do fabricante. alguns outros cuidados são necessários. amaciando o motor a primeira troca deve ser de 50 ou 100 horas. Serviço de Manutenção Período (em horas) para revisão 10 50 100 200 500 750 1000 Verificação do nível da água do radiador Verificação do nível do óleo do motor Drenagem do sedimentador ou dos filtros de combustível Remoção da poeira acumulada (Válvula de descarga) Verificação do nível do óleo da direção hidráulica Verificação da pressão dos pneus Verificação da tensão da correia do ventilador Verificação do nível do óleo da transmissão Troca do filtro do óleo lubrificante do motor 1 Troca do óleo do Carter 1 Verificação do nível do óleo dos redutores epicíclicos Limpeza dos terminais da bateria. graxa ou mel Substituição do elemento primário do filtro de combustível Limpeza do filtro do controle remoto independente (caso o trator possua controle remoto) Substituição do óleo dos redutores epicíclicos Lavagem do radiador Troca do óleo do diferencial do eixo dianteiro tracionado Substituição do elemento secundário do filtro de combustível Substituição do óleo e limpeza do filtro metálico da bomba YSIP (troca do óleo da transmissão)2 Troca do óleo da transmissão (tratores com controle remoto) 2 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 1 Para tratores novos. para que esses casos específicos sejam observados. Até mesmo porque esse livro não pretende deter-se somente à manutenção. ou os mais facilmente realizáveis. não são a totalidade dos necessários à manutenção do trator.Cronograma de serviços de manutenção20 do trator agrícola. 20 Infelizmente. os cuidados e manutenções descritos neste capítulo.

clima) e dos recursos artificiais (máquinas. Tanto para a natureza do serviço. as relações de potência. surge uma pergunta: como fazer? Essa questão a primeira vista pode parecer simplista ou óbvia demais. pelo sistema convencional de preparo do solo. Entretanto. No tocante às boas condições de uso e conservação. otimizando o serviço. uma menor depreciação do equipamento. devem-se observar outros fatores que o preparo convencional do solo negligencia. faz parte de um aproveitamento otimizado. No que se refere à adequação do implemento ao trator. como o seu perfeito dimensionamento. depende de uma boa projeção do que se deseja fazer e o que se deverá fazer. é que iremos optar pelo uso mais adequado dos implementos e do trator. economia de tempo e de dinheiro e os aspectos conservacionistas do solo. os ganhos compensarão o esforço. compatível com o trator. o implemento agrícola seja adequado à natureza do trabalho que se deseja executar e que seja também. capital disponível etc. insumos. trabalho e capacidade efetiva de trabalho. Para que sejam obtidos bons resultados no trabalho agrícola. O correto manejo do conjunto trator x implemento. a observação de aspectos práticos. mão de obra. na relação trator x implemento. quanto de fatores relativos à eficiência desse conjunto. No entanto. logicamente. tanto do conjunto trator x implemento. no que se refere ao serviço propriamente dito. Primeiro deve-se saber qual a finalidade. veremos mais tarde. Plantar milho? Soja? Algodão? Implantação ou manejo de pastagem? Um eucaliptal? De acordo com a finalidade serão definidos com o que se fará.CAPÍTULO 3 Os implementos agrícolas: No âmbito de uma otimização dos recursos do ambiente (leia-se solo. nós anteriormente já alegamos que os cuidados com a manutenção são indispensáveis para uma maior vida útil e. topografia. o que se quer fazer. É aí que entra a escolha do implemento correto. se a área na qual você vai plantar uma cultura anual ou o consórcio delas. sempre objetivando a redução dos gastos ao minimamente necessário. fazer uma tarefa agrícola envolve uma série de fatores que se pensados preliminarmente e resolvidos na execução do serviço. é relevante que além de estar em boas condições de uso e conservação. Assim. pede o preparo de uma boa sementeira. normalmente seria feita uma aração e duas gradagens médias ou uma aração mais uma gradagem pesada e duas gradagens leves. Porém.) – fatores econômicos. em termos de potência e capacidade do conjunto. Definidas as necessidades e os serviços a serem realizados com o maquinário agrícola. Fatores que citamos anteriormente e que 82 .

deve-se protegê-los das intempéries. (quando não for possível reformá-los com. Assim. pinturas (alguns implementos com óleo queimado ou anti-ruste). chuva etc) poderá comprometer a sua durabilidade. de acordo com o caso podese usar uma grade ou a roçadora. Basicamente. Aplicável ao arado. por exemplo. por exemplo. um pulverizador. as manutenções dos implementos consistem em limpeza. 3. trocar enxadas desgastadas (cultivadores). troca de peças desgastadas. Neste capítulo. 83 . Manutenção dos implementos Todos os implementos utilizados na agricultura sofrem esforços e desgastes. como os arados e as grades requerem manutenções mais simples do que. como no combate às ervas. A exposição direta e prolongada por muitos anos aos rigores ambientais (sol. lubrificação das partes móveis (mancais. entre outras manutenções. A não ser em casos específicos. Para o caso de combate a ervas daninhas. não só no sistema convencional de plantio. por exemplo. A última pergunta è como fazer. soldas. sempre visando reduzir ao mínimo o número de passagens. bem como a ação das intempéries que fazem com que seja necessário se proceder a uma manutenção desses equipamentos. Passar nesses implementos óleo queimado. reposições. por exemplo. pois o corte da palhada na formação do sulco das linhas de plantio é extremamente importante). no caso de implementos de aço. faremos a exposição de alguns implementos e relataremos brevemente as manutenções adequadas a cada implemento. pinturas antioxidantes). cultivador. cubos. 3. Deve-se traçar preliminarmente todos os passos da tarefa agrícola.1. A escolha do equipamento adequado influí no rendimento do serviço.novamente frisamos. solos arenosos não necessitam de um mesmo preparo que os argilosos. articulações). como também no plantio direto (no caso deste último. na semeadura. A textura do solo. enxadão. deve-se observar qual tipo de implemento ou acessório é mais adequado às condições locais. afiar os discos (grades e arados).2 Manutenção dos equipamentos de tração animal O mesmo princípio das manutenções aplicado aos implementos tratorizados é aplicável aos implementos de tração animal. o que servirá como racionalização dos recursos econômicos e do manejo do solo. limpeza de bicos (pulverizadores). incorporação de material vegetal. Implementos de preparo de solo.1. ou calagem.

Evite passar graxa em rolamentos ou mancais secos. trocar as enxadas sempre que estiverem muito gastas. ou as partículas de solo. funcionando como um elemento abrasivo.Nos implementos de corte. evitando que o lubrificante possa vir a “atrair” elementos abrasivos. de forma que a areia venha a ficar impregnada nessas partes. 84 . tipo de solo) -aplicável ao cultivador. após muito uso (a periodicidade varia com a intensidade de uso. Lubrificar as partes móveis corretamente. arado de aivecas. enxadão. principalmente areia. durante a operação do equipamento. essa graxa não deve entrar em contato com a areia.

O desempenho reflete-se como resultado da influência dos fatores anteriormente mencionados em um aspecto mais concreto do que simplesmente conceitual: o rendimento.2.000 Sendo a eficiência o percentual do tempo realmente gasto com a atividade (excluindo aí as manobras de cabeceiras e paradas) e variando conforme a atividade. Como exemplo. implemento usado. também está implícita a questão do gasto de combustível em relação à unidade de tempo (hora máquina. Fatores como relevo. Assim teríamos: Rendimento = Trabalho realizado Mais especificamente poderíamos deduzir que o trabalho realizado referese à capacidade de trabalho. A capacidade de trabalho é calculada pela velocidade de deslocamento do conjunto trator – implemento. segundo SILVEIRA (1989) na seguinte relação: Capacidade de trabalho: Velocidade x largura de corte x eficiência 1. seria expresso. pois além das perdas durante a faixa trabalhada.Planejamento e desempenho operacional de máquinas agrícolas O desempenho operacional das máquinas agrícolas depende de diversos fatores. ainda há a demora para as manobras das cabeceiras. Consideremos o tempo em horas e a área em hectares. da área trabalhada e da eficiência.3.HM) para executar as atividades. influenciam sobremaneira no resultado final do trabalho agrícola. O Rendimento das operações de mecanização O rendimento é função do trabalho realizado num determinado período de tempo. tipo de solo. potência do trator. Consideremos também que nenhum conjunto trator – implemento consegue obter uma eficiência de 100%. que é dada: Capacidade efetiva de trabalho = Área trabalhada Tempo de serviço Quando tratamos de rendimento. A tabela 3 ilustra o rendimento das operações agrícolas 85 . o cálculo da capacidade de trabalho para uma operação de gradagem. A área trabalhada depende diretamente da largura trabalhada e do tempo. condições climáticas e até a habilidade e experiência do tratorista. Uma outra forma de calcular a capacidade de trabalho pode ainda ser através da capacidade efetiva de trabalho.

5 8.1 .2003) Faixa de potência (c.4-0.4-1.2 4.9-1..1 1.0 2..7-1. esses programas são bancos de dados que são alimentados com os dados pertinentes às despesas com mão .2 1.5-0.0-1..0-3.de – obra.9 . que considera todas as horas trabalhadas do mesmo 86 . De uma forma geral.7-1. .6 1.2-5.6-0.3 0. lubrificantes.4-2.) 61-63 73-77 79-86 95-110 118-122 Operações Aração Gradagem aradora Gradagem niveladora Distribuição de calcário Plantio Cultivo Pulverização Subsolagem Sulcamento Roço 0.6 0.7-1. Tabela 4 .5-2.4 0.3-1.3 4. 1..9 0.6 0.5 0.5 6.6 0.4-1. esses custos são subtraídos da receita.2-3.3-2.0 0. .1 2.7 2.2 .9-1.0 Consumo médio (L) Gerenciamento econômico do setor de mecanização Algumas fazendas compram programas específicos que fazem o gerenciamento do setor de mecanização através do fornecimento dos custos e receitas do setor.3 1.8 1.0 0.2-3.4 4. e ao final.0-15.5 7.3 0.4-0.6 0.8-0.v.0-2.4-0.em hora máquina e mostra também o consumo médio de combustível para as principais atividades motomecanizadas.5 9..7 0. para tratores de pneus (fonte: AGENDA DO PRODUTOR RURAL BNB ..5 1.. 0..4 0..0-7.8-0.5 2.0-1.0-10.3-0.0-9.9-1.0 1. peças e demais despesas.4-1.4-0.Rendimento das operações motomecanizadas e consumo de combustível (diesel) de acordo com a faixa de potência.8-2..0 0. 0. 1.8-1.0-1.5-0.0 Rendimentos (ha/H) 0.2-3.9 2.7-1.8-3.9 0.0 0.1 1. combustíveis.0-13.9 .1 0.9-1.6-0.9-1.9 0.4 1.6 0.9-6.0-1..5 0.2-0.9-1.8 1.4 0.3-0..

ou muito próximo. Assim. A quantidade de serviço a ser realizado. um outro aspecto que merece ser cautelosamente visto e discutido refere-se à frota ideal para cada fazenda. seria o equivalente à construção de uma “conta-corrente”. como a 87 . elaboradas na própria fazenda. a compra de um equipamento ou de um trator deve levar em conta diversos aspectos. planejar e decidir à luz da razão. que poderá ser positivo. como o Excel e que eram de uma excelente adequação prática. que deve ser evitado. Ao final. MIALHE (1974) relatava que foram obtidos melhores índices de produtividade no trabalho com trator quando se fez uso de assentos ergonômicos. pudemos conhecer bancos de dados originados da própria fazenda. para que se tenha uma noção do saldo do setor na propriedade. teremos uma espécie de “saldo”. racionalizando o setor de mecanização de sua fazenda. o que ele precisa e o que ele pode” (vê-se que o autor foi incisivo e direto e por isso destacamos a sua última frase). o saldo negativo. de forma que sejam feitos os somatórios dos gastos e das receitas. Durante o período que estivemos no Rio Grande do Norte. como a Fazenda São João e a Vitória Agrícola. O empresário rural pode também lançar mão de planilhas próprias.) é preciso analisar. para que se evite a subutilização. Quando nos referimos à perfeita adequação da relação Trator x implemento. do bom senso e dos interesses o que ele quer. Mesmo com um conjunto trator x semeadeira bem dimensionado para funcionar em conjunto perfeitamente. Nunca a frota será ideal se o gestor repetir rotinas. Trator e implemento viáveis são aqueles os quais são utilizados ao máximo. da hora cobrada pelo maquinário de aluguel. o empresário possa adequar os gastos. como a própria necessidade daquele equipamento ou trator. no caso. para o empresário agrícola. pois o maquinário está dando lucro e. Ainda no contexto do gerenciamento econômico do setor de mecanização da empresa agrícola. por uma quantidade a maior possível de horas durante o ano. que é o desejado. Daí pode se extrapolar para outro aspecto. referimo-nos também ao seu contexto na propriedade..preço. Muitos produtores rurais se perguntam: Quais os implementos mais adequados à sua propriedade? Qual o trator ideal? Qual a melhor relação de trator x implemento? De acordo com GENTIL (2001). “ a frota ideal é aquela fruto do correto atendimento das necessidades da fazenda. Outro fator é o conforto operacional. Para que. pouco adiantará essa relação se ambos forem subutilizados. Assim. propriedades que exploravam mais fortemente a fruticultura de exportação.. seja do trator ou do implemento durante sua vida útil. palpites ou velhos padrões (. Esses bancos de dados eram feitos a partir de programas de plataforma Windows.

Para a recuperação de uma frota de uma fazenda. a satisfação dos funcionários é bem diferente. pois quase sempre não se tem a garantia de um bom negócio. afinal garantias reais do perfeito estado daquela máquina são muito do histórico daquele equipamento. A compra de um trator usado é algo crítico. Esse diagnóstico remete à consulta do valor médio alcançado pelo maquinário no mercado. cit) ilustra que entre um trator cabinado e um trator sem capota. 88 .compra ou não de um trator cabinado. o que influí no rendimento do serviço. Aliás há uma literatura bem razoável no tocante ao conforto e ergonomia como incrementador de produtividade. tem-se que traçar um diagnóstico geral do estado da frota. GENTIL (op.

as reclamações na prática são praticamente as mesmas:quebras de máquinas em períodos importantes como a colheita ou o semeio. GENTIL (op. Assim se temos em uma fazenda hipotética. 89 . No cálculo linear. pode-se ter o conhecimento do “saldo”. a média está na faixa de 90% a 75 %.100.00 ÍNDICE DE SUCATA: 46. Cit) afirma que. Vida útil de determinado equipamento é o tempo considerado entre a sua aquisição (ano 0) e seu valor como sucata. alguns tratores e equipamentos que precisam ser recuperados. pois através do conhecimento dos custos de manutenção. As taxas de depreciação são distribuídas uniformemente durante toda a vida útil do equipamento ou maquinário. Entretanto.O valor que será gasto para recuperação de toda a frota é corresponde ao índice de sucata da fazenda. ou dificulta a aquisição de novas máquinas ou a terceirização. vemos reclamações no que concerne à renovação da frota devido aos custos ou até mesmo no tocante à compra de peças e serviços especializados as queixas em relação à demora da chegada das peças ou do preço delas. as perdas referentes a um valor inicial de um bem durável.00 VALOR DE REVENDA DA FROTA: R$ 115.000. por exemplo.000. A depreciação torna-se relevante para o administrador rural. obtida pelo valor do equipamento novo subtraído do valor atual representa o valor de sucata. entre outros. em dinheiro. ao fim de um prazo pré-determinado. se tivéssemos: CUSTO DA FROTA NOVA: R$: 215.o que muitas vezes torna a fazenda pouco competitiva. que tal maquinário proporcionou durante o exercício. A depreciação das máquinas agrícolas Entende-se por depreciação.51% Níveis de preços próximos a 40 % são considerados muito bons. bem como do acompanhamento das despesas e receitas promovidas para qualquer máquina agrícola. Além disso. Por nossa própria experiência e vivência em campo. Assim.000. Cit). na prática. o valor de custo da depreciação é calculado de uma forma linear. a diferença que for necessária. O cálculo da depreciação pode ser feito segundo SAMUELSON (1963) de duas formas: linear ou de saldo decrescente. Já para GENTIL ( op. de acordo com o seu período de vida útil.00 DIFERENÇA: . a depreciação também deve ser vista como uma forma de análise do valor comercial da maquinaria.

000. mas permitem que as últimas sejam bem menores do que as primeiras parcelas. correta. Esse é um ponto curioso. os serviços mecanizados têm um alcance de funções muito grande.1. 90 . Assim.. é calculado em 20% do valor restante. geralmente incorrem em erros e imprevistos. transporte e armazenamento.. Essa compensação a que se refere o autor refere-se quando um bem supera a sua vida útil. sendo a partir da segunda parcela. calcula a depreciação de uma forma que o valor do bem vai decrescendo. e levando-se em conta também que esse caminhão terá vida útil de 10 anos. e que os erros de depreciação acabam por se compensar de alguma forma”. ou menores do que as parcelas da depreciação linear..correções e hipóteses arbitrárias . Têm-se uma ampla gama de atividades realizadas por máquinas. preparo do solo.3. Como exemplos citamos o desmatamento. práticas conservacionistas. As atividades agrícolas e os implementos: Dentro da propriedade rural. sacas ou suas respectivas unidades21 de produção. Cit) afirma que os cálculos de depreciação embora feitos com fórmulas aparentemente exatas. ou as taxas de depreciação são maiores durante os primeiros anos de depreciação. mas que baseado na realidade de cada produtor é até aí. compensando o período em que foram subestimados.00.. os lucros do uso desse bem estarão sobreestimados.Assim. SAMUELSON (op. inicialmente 20 % do valor total do bem. Preparo do solo: 21 Muitos produtores rurais contabilizam suas aquisições de acordo com o que custou tal aquisição à empresa. As parcelas pagas. colheita. um caminhão comprado por R$ 40. de uma forma muito rápida e que requer pouco esforço humano. teríamos que: D = Vc/Vu Onde: D= Depreciação anual Vc = Valor de compra Vu = Vida útil (anos) Já o método de saldo decrescente. a partir dessa data. semeadura. seu valor de sucata será de um décimo do seu valor de compra. ou considerando a moeda mais comum entre os produtores rurais. desde que não haja uma grande flutuação no valor comercial dessas unidades de produção de cada propriedade agrícola de ano a ano. recorrendo a “.3. 3. aplicação de corretivos. tratos fitossanitários. Assim. 3.

(por volta de 6000 a. Com a evolução do engenho humano. o sistema de plantio direto. pode atingir até profundidades próximas a 2 metros. Isso é mais facilmente percebido na operação de aração. A aração é a operação mais antiga de preparo do solo. no sistema convencional obedece a atividades que mobilizam o solo. tanto através do arado como das grades. Restringe-se apenas a profundidade cultivável. após a domesticação dos animais de tração.. além de eliminar ou enterrar as ervas daninhas e restos de cultura. Tais atividades compreendem a aração e a gradagem. O aporte aos solos de matéria orgânica. era de descongelar as camadas superficiais do solo para o cultivo. pode propiciar as seguintes vantagens ou benefícios: 91 . invertido e esboroado. principalmente a partir da revolução industrial e das primeiras mudanças no sistema de produção do campo. ALDRICH e LENG (1974) afirmam que. o preparo das sementeiras para culturas anuais é importante. é importante a incorporação de restos vegetais. que dependendo das condições físicas do solo.c. é sabidamente necessário. A finalidade da aração. Primitivamente. de acordo com SILVEIRA (1989). no qual não há revolvimento do solo tem obtido resultados extremamente satisfatórios. embora as raízes das plantas explorem um volume de solo relativamente grande. O solo é inicialmente cortado. que é de aproximadamente 30 cm. muitas modificações foram feitas. ou mais comumente mobilizada no preparo do solo no sistema convencional. Princípio da aração: A reversibilidade da leiva Essa mobilização mecânica dos solos feita no preparo convencional consiste na movimentação e inversão das camadas superficiais. mesmo de culturas anuais. para uma boa a germinação das sementes.) usava-se um galho retorcido para cavar um sulco e revolver a terra. O trabalho do arado. abolindo operações como a aração e as gradagens. evidentemente. nas condições onde foi desenvolvida (países de clima temperado). para aumentar a fertilidade do solo. Nas nossas condições. levantado.O preparo do solo para plantio. através do revolvimento do solo.  Aração A terra arável é a parte superior ou mais superficial do perfil do solo. De acordo com SILVEIRA (1989). como o milho. de solos tropicais. somente o enterrio de ervas daninhas e de restos culturais baseiam essa prática. originalmente. principalmente pela melhoria das condições físicas e estruturais dos solos agrícolas. contudo.

seja por diferenças de profundidades no corte ou até mesmo pela não passagem do arado. op. Entretanto. que pode induzir-nos a usar ou não o arado é a textura e condições físicas do solo. ou pão de galinha. A aração. Aumenta o espaço entre as partículas do solo. portanto. os sulcos deverão ter a mesma profundidade. a aração é questionável. Antes. o que é mais importante. Os fatores principais. através da incorporação do calcário e da operação de incorporação de gesso agrícola. bem como diminuição da evaporação do solo. o qual reside no solo e é facilmente exposto à superfície. de forma a evitar a erosão. Solos franco-arenosos ou arenosos não necessitam de uma aração prévia. facilitando a retenção de água. porém. ou em contorno. do ponto de vista da estruturação dos solos. em áreas terraceadas ou em contorno (SILVEIRA. ou vice-versa. pela ocorrência da enxurrada. inseto-praga de muitas culturas olerícolas. feitas comumente em solos argilosos. Sistemas de aração: Uma boa aração deve ser realizada de forma que não se formem áreas não aradas no terreno. que se façam tais procedimentos 92 . portanto. era tida como atividade básica de preparo. A aração em talhões é feita somente em terrenos planos ou ligeiramente inclinados. através do revolvimento realizado pelo arado). para lixiviação do excesso de sais. citamos o bicho – bolo. pelo rompimento dos canais capilares. uma gradagem média ou até mesmo duas gradagens leves resolvem e. Pode-se proceder à aração em talhões tanto de dentro para fora do terreno. 1974. sendo substituída por gradagens pesadas. pode ser feita em talhões. serem retos. Aeração do solo. Além disso.- - Ambiente para o crescimento das raízes (rizosfera) profundo. 1989). Hoje. Entretanto. cit). Destruição de insetos e larvas e de seus locais de desenvolvimento (como exemplo. médias ou até leves. no chamado preparo mínimo do solo (ALDRICH e LENG. principalmente na correção do pH do solo. o que resulta em maior umidade disponível às plantas. seguindo o sentido transversal à declividade do terreno. SILVEIRA. ela não é mais considerada como tal. a operação de aração presta-se. no sistema convencional. com vistas à lavagem do solo. não afetam ou desagregam uma mínima estrutura desejável como desagregaria uma aração seguida de duas ou até três gradagens. 1989) e plantio direto (SILVEIRA. É aconselhável.

por ocasião da aração feita de fora para dentro. os componentes responsáveis pela inversão são a barra de regulagem. portanto. a barra de regulagem. mudando. resultando na depressão do centro da área arada somente de dentro para fora ao longo dos anos. por anos repetidos. o menor tempo para manobra nas cabeceiras das faixas e a existência de sulco aberto ao final de cada passada do arado.alternadamente. bem como que se evite o acúmulo do solo no centro do talhão. de forma que não se direcione o solo tombado somente para as periferias do terreno. Arados fixos e móveis: A denominação dada aos arados em fixo e móvel diz respeito à reversibilidade dos corpos do arado. sobre o qual a leiva subseqüente será invertida. mas também a inversão dos discos. 93 . Diz-se que o arado é móvel quando a leiva é movimentada tanto para o lado direito como para o esquerdo. Para tanto. o apo de reversão. Em um arado reversível dos modelos mais comuns. o sentido de tombamento da leiva. o mancal principal do apo e a alavanca manual de reversão. nos arados móveis. A escolha do sistema de aração deve considerar além das características da topografia da área. há alguns componentes que possibilitam a modificação não só do ângulo vertical (ângulo de ataque) dos discos. O arado é dito fixo quando movimenta a leiva somente para o lado direito. o batente do apo.

Além disso. principalmente quando ocorre o pé-de-grade. Quanto aos pontos positivos destes implementos. 4) Ao contrário dos discos. coluna. costaneiras. Sabe-se que para cada tipo de solo. a elevação e o esboroamento da leiva são mais perfeitos do que o arado de discos. Os componentes montados sobre o chassi são a sega. Esse tipo de arado inverte o solo através da relha e da aiveca. uma boa cobertura dos restos vegetais na área trabalhada. que podem ser simplesmente afiados ou trocados. o que pode favorecer a erosão. principalmente 94 . 1989). 3) Enterrio acentuado de restos vegetais. perdendo para os de discos. os arados de aivecas possuem algumas desvantagens que os tornam menos utilizados no campo.O Arado de aivecas: O arado de aivecas foi o primeiro arado desenvolvido pelo homem. facão e as aivecas. principalmente em latossolos (planissolos) e terra roxa-estruturada. SILVEIRA (1989) afirma que tais arados melhoram a infiltração d’água no solo. muitas vezes requerem o trabalho de um ferreiro para afiar e repor o corte da relha.O corte. esse mesmo autor ainda aponta uma vantagem dos arados de aivecas em relação aos de discos no que se refere ao seu uso no enterrio de ervas daninhas. Pode ser utilizado em áreas compactadas. obtendo-se como resultado final. 2) A regulagem desse tipo de arado é complicada. Entretanto. As aivecas são as peças que realmente caracterizam esse tipo de arado (SILVEIRA. atingindo profundidades de 25 a 35 cm. podemos citar: 1) 2) Penetração bem maior do que os arados de discos. Um problema no desempenho do arado de aivecas refere-se ao desenho da aiveca. A saber: 1) Reduzida capacidade de trabalho em solos muito argilosos ou argilosos (quando o teor de argila ultrapassa os 30%). as aivecas quando sofrem manutenção. há uma “anatomia” da aiveca ou desenho mais adequado para realizar o trabalho eficientemente. relha.

Imagem 4 . Durante o deslocamento do conjunto trator x arado.para as nossas condições. através de colunas. chassi. à profundidades médias de 25 cm. os quais historicamente derivaram do aperfeiçoamento das aivecas. Tais arados são compostos. que têm a função de retirar o excesso e acúmulo de solo dos mesmos. colunas. assim como os arados de aivecas que têm nos ângulos formados entre a aiveca e o solo (ângulos verticais e horizontais). O arado de discos é composto por discos postos isoladamente em rolamentos individuais (cubos) ligados ao chassi ou porta-implementos. O elemento ativo no revolvimento do solo dos arados de discos é sem dúvida os discos. possuem limpadores. A penetração dos discos no solo deve-se ao peso do arado e aos ângulos de inclinação dos mesmos. quanto maior for a quantidade de restos vegetais. roda estabilizadora e os limpadores. De uma forma geral. O arado de discos O arado de disco é derivado do de aivecas. O mastro ou torre conecta o trator ao arado (é onde estão inseridos os três pontos de engate). mastro. restos culturais e até a velocidade de trabalho influem no funcionamento do arado. uma maior ou menor penetração. 95 . Por outro lado. Essas particularidades dos arados de aivecas fizeram com que o arado de discos se tornasse mais empregado em todo o Brasil. Fatores como textura. A roda estabilizadora fica localizada na parte posterior (traseira) do arado. absorvendo os impactos laterais e servindo também para controlar a largura de corte. por discos. Os discos têm a função de cortar e inverter o solo. portanto. mais baixa será a altura da aiveca e mais alta. quanto mais duro for o solo a ser trabalhado.Arado de discos. serve para manter o arado estável. maior deverá ser a aiveca. Fonte: Baldan. para solos mais frouxos.

Esses implementos adequam-se melhor aos solos mais secos No entanto. devendo-se proceder às regulagens. Para operações de calagem. Há um baixo rendimento quando a leiva é tombada morro acima. também neste caso. (tanto a aração como a gradagem constituem o que chamamos de preparo periódico do solo. Esse tipo de arado também não consegue penetrar se a área tiver excesso de restos vegetais. porém. para preparo das sementeiras – a denominação mais comum de preparo secundário do solo). as melhores adequações no emprego do arado de discos referem -se primeiramente à sua versatilidade: são empregados em todos os tipos de solos. assim como no arado de aivecas. ou como uma seqüência em relação à aração. as particularidades). O arado de discos apresenta algumas limitações. recomenda-se que nesse caso. obtém . se feito o tombamento morro acima. a destruição de ervas daninhas.se melhores resultados quando se procede à incorporação com o arado de discos. entretanto. seguida das gradagens. para que se evite o acúmulo do solo nos terraços ou em glebas específicas. profundidade de corte. os de discos também necessitam de uma regulagem para uma boa aração. o consumo de combustível é elevado. tendo as gradagens e as outras atividades mecanizadas de revolvimento do solo – como o uso de rolos compactadores. Outras atividades realizadas pela operação de gradagem podem ser listadas como o emprego de corretivos. no que concerne à largura de corte. principalmente na aração com o arado de discos). alterne-se o sentido no ano subseqüente. devido ao fato da roda direita do trator passar pelo sulco recém-aberto. Esse preparo secundário do solo é constituído na maioria dos casos somente das operações de gradagem. A aração por si só já é uma atividade que requer um esforço considerável por parte do trator (por ser uma operação em que se trabalha quase sempre em uma 2ª marcha. quando ocorre o uso seguido do arado por diversos anos. uma (passada de) grade média ou até mesmo duas grades médias comumente prestam-se muito bem no preparo do solo. Especificamente. A operação de gradagem pode substituir em diversas situações a aração (existindo. não se faz necessário uma aração. 96 . sendo práticas difundidas pelo sistema de preparo mínimo. ao “ajustamento” do preparo primário. há formação do chamado pé-de-arado. na passada anterior. Em solos arenosos. estabilidade e bitola.Entretanto. o que facilita a compactação.  A gradagem As operações de gradagem não se limitam somente.

para evitar seu engripamento e desgaste). Por fim. As grades de discos A grade de discos é um dos implementos mais difundidos para o preparo do solo. no destorroamento e no preparo de sementeira para plantio. todavia. Os discos de borda recortada prestam-se melhor ao enterrio de restos de cultura. O conjunto destes componentes é denominado de porta-discos. não se adequando. distanciados uns dos outros por separadores. a grade de discos não é apropriada para trabalhar em solos pedregosos. da lubrificação e substituição de peças que porventura estejam quebradas ou defeituosas. os quais são equipados com vedação para impedir a entrada de elementos abrasivos. desde que se observe o período de troca de mil horas de trabalho). A faixa trabalhada no perfil varia de 8 a 15 cm da superfície. podem ser com rolamentos. para se determinar a área trabalhada ou o tempo em horas. o qual é fixado ao chassi da grade por meio de mancais (uma luva de ferro ou aço). A capacidade de trabalho pode ser calculada através da fórmula dada na página 78. Tais órgãos são dispostos montados em um mesmo eixo. precisam de lubrificação a cada trezentas horas. de acordo com a largura de corte e eficiência do serviço. pode-se usar graxa ou óleo. Os mancais das grades podem ser lisos (compostos por ranhuras que necessitam de constante lubrificação. principalmente em áreas de pastagem. Quanto à borda (ou gume) os discos podem ser lisos ou recortados. Adequa-se de uma forma muito boa a solos duros. de acordo com SILVEIRA (1989). No tocante às manutenções dos implementos de discos. onde na extremidade encontram-se arruelas de encosto e porcas de fixação. também conhecidos por carretéis. pois o material é preso e 22 Segundo ALDRICH e LENG (1974). Os componentes ativos dessas grades são os discos. incorporando restos vegetais com relativa facilidade e adequação excelente. e no manejo e conservação das áreas declivosas. Ela o corta e areja. aos pedregosos 22. existem ainda os mancais antifricção. As grades apresentam diferentes tipos de discos. os discos ainda merecem um cuidado especial: é o de serem afiados em esmeril. 97 . os quais precisam de uma boa lubrificação e de vedação contra a entrada de terra (como lubrificantes. Estes últimos. além dos reapertos em parafusos. através da construção e manutenção de canais e terraços.escarificação superficial do solo. para que penetrem no solo mais facilmente. principalmente com pedras grandes e chatas.

2003). baseiam-se no princípio da reversibilidade da leiva. plano ou ondulado. dividindo a faixa trabalhada pela grade em seções. que. c) Tombamento. Quanto ao corpo do disco. As grades de discos. face às lesões sofridas nos seus “recortes” o que os faz tenderem naturalmente ao cisalhamento. De acordo com SOUZA et all (2003) essa potência varia com o tipo de solo. constituem-se de. Nos dois casos. 98 . não são adequadas ao trabalho em solos pedregosos. uma pulverização do solo. os discos. d) Nivelamento. No seccionamento.Discos côncavos e cônicos. Essas forças exigem determinada potência do trator para o deslocamento do conjunto trator e grade. podendo ser em média de 2kW de potência por disco. principalmente os recortados.5 kW/disco (lembrando que 0. uma vez que as pedras danificam. b) Pulverização. segundo SOUZA et all (2003).35 HP/disco. conforme citado no tópico referente à aração e. as condições do solo a que são submetidos interferirão na vida útil dos discos das grades. embora tenham uma maior capacidade de penetração. o que dá até 3. têm uma menor durabilidade. uma vez que os discos de bordos recortados são mais caros do que os de bordos lisos. observa-se que. a) Seccionamento. b) Discos planos e ondulados (Fonte:SOUZA et all. chegando em solos mais resistentes a 2. Há. causada pela pressão dos discos. há uma ação cortante dos discos sobre o solo.cortado simultaneamente.746 kw equivale a 1 HP. no segundo momento. ele pode ser côncavo. As ações exercidas nos solo pelas grades de discos. como foi dito anteriormente. para os diferentes tipos de discos. Quanto á durabilidade. sendo uma seção para cada par de discos da grade. e muito. de acordo com o tipo de grade. Os discos sofrem forças de reação do solo (as forças normais à ação dos discos e o atrito). existem os bordos lisos e recortados. Esse aspecto deve ser considerado. longitudinal e verticalmente. para solos mais resistentes) Figura 10 .

obedece-se à seguinte classificação: a) Grades leves: A grades leves são assim classificadas por apresentarem massa por disco igual ou inferior a 50 kg. especialmente para a grade de discos. disposição das seções e características estruturais. Quanto à classificação por massa de disco. de diâmetro. (op. bem como o trabalho do conjunto trator/implemento. em solos de textura média a 99 . em velocidades adequadas. uma regulagem da grade. cit) devido à tendência de formação de microrelevo pela ação da grade. misturar insumos. usadas também na formação de pastagens. Esse microrelevo dá-se através das três primeiras ações dos discos (seccionamento. segundo SOUZA et all. massa por disco.O tombamento é uma conseqüência do levantamento da massa ou leiva de solo erguida pelos instrumentos de corte ativos (no caso os discos). após uma aração ou gradagem pesada. portanto. A classificação tocante às fontes de potência relacionam-se às grades de tração animal ou mecânica. a qual. incorporação de ervas daninhas pequenas. Obtém-se a massa por disco dividindo-se a massa da grade pelo número de órgãos ativos (discos): Md = Massa/discos Dessa forma. sustentação. com discos chegando às 22 pol. através do enterrio das sementes ou partes vegetativas das gramíneas implantadas. engate à fonte de potência. em áreas ainda em sementeira. muito utilizada. Segundo SILVEIRA (1989). Pode substituir a aração. a grade média presta-se muito bem para trabalhar em condições de alta infestação de ervas daninhas e plantas trepadeiras. em seguida será invertida. O nivelamento é feito mais facilmente simplesmente pelo aumento da velocidade de trabalho ou pela regulagem da grade. As grades médias apresentam massa por disco entre 50 e 130 kg. também usada para destorroar o solo. recobrindo a seção seguinte para depois ser nivelada. Tipos de grades de discos: As grades de discos são classificadas de acordo com a fonte de potência. nivelar. para se obter um bom trabalho. Faz-se necessária. São utilizadas para destorroar. b) Grades médias. pulverização e tombamento). a grade deve penetrar uniformemente em toda sua largura de operação. com diâmetro dos discos entre 24 e 28 pol.

As seções frontais assemelham-se às da grade de simples ação.arenosa. pelos corpos frontais (dianteiros) e posteriores (traseiros). com 100 . dispostos simetricamente em um mancal). procede-se a uma aração nas áreas muito trabalhadas nos anos anteriores exclusivamente pelas grades. bem como ao revolvimento mais profundo pela ação do arado. Deve-se sempre observar que. é feito conforme haja o deslocamento da grade. ao cabo de alguns anos. (grades em “X”). c) Grades pesadas ou aradoras: São grades que apresentam massa por disco superior a 130 kg. Tais grades destinam-se ao revolvimento profundo do solo e incorporação de material de cobertura.Em tanden. b) Grade de discos de dupla ação: Nas grades de dupla ação o solo é removido da faixa trabalhada tanto do centro para a periferia. quanto da periferia para o centro da faixa trabalhada. ou o seccionamento do solo. os quais são dispostos em linha. onde os discos cortam e tombam o solo somente no sentido oposto ao deslocamento (para os lados). uma vez que as faces convexas dos discos estão voltadas para fora. sendo dispostos em linhas dois a dois. ou até mesmo do escarificador. Quanto às grades classificadas no tocante à disposição de suas seções. Vem substituindo em muitas regiões o uso do arado no preparo do solo. seguido dos outros três momentos. quebre camadas compactadas de solo formadas pela ação contínua de implementos com profundidades de trabalho menores que estes últimos implementos. com diâmetro dos discos de 30 pol ou superior. Esse tipo de grade possui quatro corpos. Figura 11 – Desenho representando o arranjo de uma grade de discos de simples ação. (modo de ação dos corpos da grade) elas podem ser divididas em: a) Grade de discos de simples ação: Esse tipo de grade apresenta dois corpos (conjuntos de discos. considerando-se que haja uma alternância com a grade pesada e o arado. Essas grades podem ser dispostas da seguinte forma: . O corte. do subsolador. a fim de que a alternância da profundidade de preparo do solo.

. que levantam ou abaixam o implemento. com levantamento hidráulico através de controle remoto independente (grades com comando hidráulico). off-set ou excêntrica. a grade dispõe de um ou mais braços hidráulicos. daí. onde os discos do primeiro corpo deslocam o solo para um lado e o corpo seguinte. Corresponderia a apenas um lado de uma grade em Tanden. sua denominação de grade de discos “em V”. ou off-set. Fonte: Baldan. Os corpos ou seções desse tipo de grade funcionam em V. perpendicularmente ao sentido de deslocamento do implemento.Grade de dupla ação deslocada Também chamada de grade em V. os corpos posteriores revolvem o solo no sentido contrário. Nestes casos. Fonte: Baldan. Imagem 5. revira o solo na mesma faixa para o lado oposto. Há o efeito de “dupla ação”.os discos revolvendo o solo do centro da faixa para as bordas. geralmente acopladas ao trator apenas na tomada de força. As grades aradoras quase sempre são grades de discos em V. Grade de discos de dupla ação. Grade de discos em “v”(off set) . entretanto. conforme a necessidade de transporte ou 101 . Imagem 6.

para as grades de 26 e 30 discos. para os conjuntos traseiros. a folga entre corpos traseiros deverá ser de 40 a 45 cm. o lastramento das grades de discos não se faz necessário. Essa regulagem para um maior ou menor distanciamento da grade em relação ao centro do trator pode ser feita também em algumas grades que possuem barras de tração reguláveis. através da modificação do ângulo das suas seções. o que permite executar atividades de gradagens (capinas. a profundidade de corte. as grades mais pesadas. conectado ao do trator. por exemplo) em pomares. Para as grades off-set. ou sob a copa de árvores. Para as grades em tanden. mas que poderá ser adotada a mesma da usada nas grades de 22 discos. é necessário que sejam feitas diferentes regulagens das grades de discos. Tais regulagens restringem-se praticamente à melhor adequação da profundidade de trabalho. nas grades de discos. Ainda de acordo com esses autores. bem como ao fechamento ou abertura do ângulo formado entre os mancais. sendo quase sempre localizadas acima dos corpos da grade. Grades pesadas. Algumas grades off-set também permitem o deslocamento dos discos para as laterais do implemento. a principal regulagem refere-se ao afastamento. de forma que a barra afaste-se do centro do implemento. 102 . as grades possuem bandejas destinadas à colocação de lastro. Assim. Regulagem das grades de discos Em condições normais. ou aproximação dos corpos. com uma massa superior a 2700kg necessitam de rodas e apoios auxiliares para manobras e transporte. a fim de se obter um melhor desempenho nas tarefas pertinentes às grades. respectivamente. Esse espaço deverá ser de 35 a 40 cm. por esse motivo. exceto em condições especiais (muita cobertura vegetal para ser incorporada. modificando a faixa gradeada para os lados. para as grades de 22 discos. como as grades de controle remoto dispõem de sistemas de levante hidráulico.manobras e a operação de gradagem. SOUZA et all (2003) recomendam uma folga entre os dois conjuntos dianteiros de 1 cm. distanciando a faixa de solo trabalhada do centro do trator. Nestes casos. Para as diferentes condições de trabalho. por exemplo). Os autores não citam a folga entre os corpos dianteiros. também será de acordo com a regulagem do ângulo dos corpos da grade em relação ao deslocamento.

Grade de dentes com molas ou grade de molas Um implemento muito utilizado no noroeste do E. No entanto. é feita transversalmente à declividade. sendo de fora para dentro da área. SILVEIRA (1989) e SOUZA et all (2003) afirmam que esse tipo de grade é muito utilizado mais como cultivadoras.Contínua: A gradagem é feita em sentido anti-horário. Adequam-se muito bem a solos duros. também conhecida por grade de dentes flexíveis.A. 103 . ou vice-versa. podendo inclusive. Nesse tipo de gradagem. A grade de dentes com molas. podendo ser utilizada os diferentes tipos de grade de discos.. Quebra os torrões e nivela o solo. com relevo menor que 3 %. os rendimentos são reduzidos. Apresentam excelente rendimento no trabalho. bem como do implemento de que se dispõe. Em áreas declivosas.Sistemas de gradagem A maneira.U. pedregosos. A gradagem pode ser: .Cruzada: Utilizada em locais de topografia plana. para evitar a erosão. quando se trabalha com esse implemento em áreas recém aradas ou com muitos restos vegetais pelo solo (palhada. Composta por elementos ativos. penetra na superfície do solo. ou transversal à declividade. Nesse tipo de gradagem. ou o sistema de gradear as áreas a serem trabalhadas varia conforme o relevo. . lâminas de aço com 1/4”a 3/8 ”de espessura e 1 ¾” de largura. levantando-o e aflorando-o até uma profundidade de 10 cm (ALDRICH e LENG. semelhante à aração. no combate à ervas daninhas e na escarificação do solo. podendo ser acoplada a ela um rolo destorroador. desde a década de 60 do século passado e também difundido aqui (embora sendo muito menos popular que a grade de discos) é a grade de dentes. passa-se a grade em um sentido. . por exemplo). 1974). ser feita em nível. adequamse mais as grades tipo off-set.Em nível. depois no sentido transversal ao primeiro.

2003). sendo uma penetração maior para ângulos menores que 90°. O rolo destorroador: 104 . Grade de dentes rígidos ou fixos É utilizada principalmente para aplainar ou nivelar a sementeira ou a área de plantio.Figura 12 . não é eficiente nos agregados ou torrões mais firmes. Sua maior ou menor penetração varia conforme o ângulo dos dentes (que são fixados ao chassi. Imagem 7 .Grade de dentes flexíveis (Extraído SOUZA et al.Grade de dentes fixos (Extraído de ALDRICH e LENG. Muito eficaz para destruir as ervas daninhas pequenas antes da semeadura. Apesar de ser usada para destorroamento. 1974). permitindo apenas a formação de um ângulo vertical entre o solo e os dentes).

especialmente quando se trabalha em uma área executando-se o preparo do solo com maior freqüência. Pulveriza os torrões. como discutiremos no capítulo de manejo de solo. para que. o que permite que as radicelas entrem em contato maior com as partículas do solo. ajudando também no desenvolvimento de plantas novas. essa operação pode vir a compactar demasiadamente o solo. O uso alternado dos implementos. pois se realizada em excesso. auxilie no combate ou prevenção da erosão 23. é utilizado para destruir torrões na área destinada ao plantio ou à semeadura. através da redução de espaços vazios. compactando levemente os 5 a 10 cm superficiais. com o rolo acoplado à uma grade ou à semeadora. dessa forma. essa operação pode ser simultânea. A operação com o rolo torna-se necessária em terrenos que ficaram com o solo muito desagregado. Imagem 8 – Grade de molas acoplada no mesmo chassi do Rolo destorroador. como seu próprio nome diz. 105 . Implementos construídos 23 No sistema que visa o preparo mínimo. torna-se relevante para que se evite a formação de camadas compactadas no perfil.O rolo destorroador.  Escarificadores no preparo do solo. tendo caído praticamente em desuso. embora necessário este implemento não é muito utilizado. Fonte: ALDRICH e LENG (1974).

a produtividade da cultura do algodão de uma forma significativa. Os arados podem ser usados. como dissemos anteriormente.especialmente para essa finalidade são os subsoladores e os escarificadores. formada por engrenagens. ao eixo da enxada rotativa. em relação à profundidade. segundo HERNANI e SALTON (1998). transmite a rotação recebida da TDP. 106 . os arados adentram menos profundamente no solo. seguido das grades não tem surtido um bom efeito. Todavia em determinadas áreas. demonstrou-se que foi aumentada inclusive. inicialmente em pequenas áreas na sua propriedade. que consistem basicamente de implementos robustos com hastes que adentram no interior do solo. como exigirem menor potência do trator quando se compara uma aração e uma subsolagem. no preparo primário do solo. Esses implementos são constituídos basicamente de um eixo rotativo acionado pela TDP ao qual estão montadas diversas enxadas (ou lâminas). decorrentes da compactação do solo. com algumas vantagens. o emprego do escarificador. Nos cerrados. preparo primário ou preparo secundário do solo. o uso ou não desse sistema diferenciado deverá ser feito após o técnico ou o produtor testar em sua realidade. já se utiliza escarificação + gradagens niveladoras (ao contrário do preparo pelo sistema de grades ou do convencional – arado + grade). para aí sim. para a descompactação dessas camadas. quebrando as camadas endurecidas. se é aplicável ou não. se surtiu efeitos positivos ou negativos na sua produção. passar (ou não) a fazer uso dessa prática mais contemporânea. para a formação de canteiros (rotocanteirador). Em algumas pesquisas. De uma forma mais acertada. reduzindo o chamado pé-de-arado e o pé-de-grade. e depois de uma corrente. na cultura do algodão. eliminação de ervas daninhas em culturas perenes (muito difundida em propriedades citricultoras) e na horticultura. tendo ocorrido provavelmente uma lixiviação maior dos minerais no perfil do solo. através do pinhão e de uma coroa. Uma caixa de transmissão seletora de velocidades. Enxada rotativa As enxadas rotativas são implementos usados no preparo periódico. Contudo.

as semeadoras de discos representam cerca de 80 % do mercado brasileiro desses implementos. descentralizadas em relação ao trator. a semeadura é uma das que mais requerem. De acordo com HENTSCHKE et all (2002). a qual tende a sair pelo fundo desse recipiente. na caixa seletora de velocidades. as enxadas rotativas podem trabalhar nas entrelinhas. 172 e 216 rpm. grão a grão. Tais implementos consistem basicamente de um depósito de sementes ao fundo do qual. há o movimento da massa de sementes. através de engrenagens.Semeadora de grãos para plantio direto. pode-se variar a rotação do rotor da enxada rotativa. sendo que de uma forma restrita. sem mudar a rotação da TDP (540 ou 1000 rpm) do trator. 107 . centralizadas em relação ao trator. em faixas laterais. senão a operação que mais requer. ou embaixo da copa das árvores. 153. Assim como algumas grades de discos (grades off-set). ou alguns poucos grãos. De acordo com a modificação do posicionamento de duas engrenagens principais. Os dois pares de engrenagens asseguram velocidades de 122. Fonte: Baldan. uma perfeita adequação e ajuste dos implementos usados.Imagem 9 – Enxada rotativa. Imagem 10 . as sementes caem pelas calhas que as conduzem ao sulco no solo. de tamanhos diferentes.  A semeadura Dentre as operações agrícolas.

sejam tais discos horizontais ou verticais). através de um bom preparo do solo e principalmente. os quais uma vez no solo estarão sujeitos ao ataque de microorganismos patogênicos (Pseudomonas. a cultura a ser implantada e as condições topográficas da área (semeadoras com muitas linhas são mais eficientes em áreas planas ou quase planas. o sistema de manejo de solos adotados é também decisivo. permitindo diferentes espaçamentos entre fileiras e plantas. pois semeadoras utilizadas em plantio direto também podem ser usadas em solos gradeados. as semeadoras que semeiam grão a grão são implementos que necessitam. a uniformidade das sementes é fator primordial para uma boa semeadura. Plantadoras são apenas os implementos que plantam. Giberella. desde catálogos comerciais. de acordo com COMPANY (1984). a utilização de sementes de alto poder germinativo. com princípios semelhantes.). com facilidade de manobra nas cabeceiras).A escolha da semeadora mais adequada à cultura deve visar também a economia. evitando-se a quebra excessiva de grãos. Tais equipamentos24 precisam ser bastante versáteis. O uso da expressão plantadeira/plantadora é incorreto para designar as máquinas que lançam sementes ao solo na operação de semeio ou semeadura. etc. 24 Comumente vemos a denominação incorreta das semeadoras. Infelizmente esse erro é difundido em todos os níveis. umidade adequada). no entanto. como elemento decisivo para a semeadura (passagem dos grãos nos orifícios dos discos. As semeadoras mais comuns (convencionais) no mercado brasileiro são as de disco horizontal. ou seja. Tais máquinas devem corretamente ser chamadas de semeadoras. Quanto ao tipo de semeadura. 108 . existem outros tipos de semeadoras. aos técnicos e no próprio meio rural. Para praticamente todas as semeadoras que utilizam o tamanho dos grãos. para semeadoras convencionais não acontece. O contrário contudo. põem no solo partes vegetativas das plantas (cana-de-açúcar. a menos que o produtor adapte peças para cortar a palhada e fechar o sulco de semeio. Além disso. bem como boas condições para a germinação (Essas boas condições devem ser entendidas como uma boa sementeira. além de um trabalho preciso da máquina. por exemplo).

o depósito (3). a qual através do fluxo contínuo de ar. o tubo semeador (8). Para estes casos. (grão por ciclo). tais equipamentos trabalham com a força de sucção de uma turbina. Para o trabalho de semeadura as semeadoras convencionais não se adaptam bem às altas velocidades de semeio.Figura 13 . as quais semeiam grão-a-grão no sulco (figura 38). a roda defletora (6). a roda distribuidora (5). quando se deseja trabalhar com velocidades altas. alvéolos (7). 109 . a caixa seletora (4). a alavanca de saída (9). (Extraído de COMPANY.Semeadora de disco vertical na qual destaca-se a barra do trator (1). o sulco de semeio (10) no solo (2). feito pelo sulcador (11) a uma profundidade (12) prédeterminada e coberto pela relha (13) sendo por fim compactado pela roda compactadora (14). Outro tipo de semeadora de precisão são as semeadoras mecânicas. as semeadoras recomendáveis são as pneumáticas. deposita as sementes de uma forma muito uniforme no sulco. 1984).

tais autores afirmam que. através da rotação de uma engrenagem (11) que movimenta a massa de sementes a qual finda por exercer uma pressão suave em um defletor (6) no fundo do depósito (9). No caso do milho. 1984). o que permite que as mesmas caiam na canaleta (12) somente uma por vez. A regulagem da semeadora deve ser de forma que os grãos caiam uniformemente nas linhas. A partir da população final que se deseja. (Extraído de COMPANY. De um modo geral.7  NL = 143 linhas 110 . devido à redução do número de plantas. Para se fazer o cálculo do número de sementes. Aplicando-se a fórmula teremos: NL / ha = 100 / 0. Cit) e COPETTI (2003). Nesse tipo de semeadora. procede-se da seguinte forma: Cálculo de número de sementes / metro linear: I) NL / h = 100 Fs/ Ns Onde: NL = Número de Linhas / ha Fs = Largura da Faixa semeada (de uma linha à outra). com uma faixa de trabalho de 4. A operação de plantio: Regulagem da semeadora: HENTSCHKE et all (2002) afirmam que é extremamente importante um bom plantio para se alcançar a população de plantas desejada da cultura (Stand) a implantar. quando comparado às outras culturas. Ns = Número de linhas da semeadora Tomemos por exemplo uma semeadora de 6 linhas. afirmam que a boa regulagem da semeadora é importante para a formação de um stand perfeito. um milharal com baixo stand dificilmente irá se recuperar.Semeadora de precisão mecânica. como soja. os grãos caem. quando comparada às essas outras. ALDRICH e LENG (1974). trigo ou arroz. O mesmo é dito por HENTSCHKE et all (op.2m e a cultura a ser semeada seja o milho.Figura 14 . havendo uma restrição à massa de sementes. considerando a largura da faixa semeada a cada passada. já que o milho é uma cultura de população relativamente baixa. chega-se à quantidade de sementes/m.

. mesmo havendo na propriedade semeadoras de mesma marca. Cit) recomendam os seguintes passos na escolha do disco correto: .É escolhido um anel com friso ou liso (se for semente redonda ou chata. mesmo ano e modelo.m-1 = (PoP/ NL) 100 No nosso exemplo. HENTSCHKE et all (2002). HENTSCHKE et all (op. no galpão ou sobre uma lona. a população ideal de plantas de milho varia conforme o híbrido empregado e as condições regionais.8 100 Esse é um cálculo extremamente teórico. que a regulagem da semeadora seja feita de forma criteriosa. a partir da distância entre plantas. tomamos como população (PoP) 55 000 plantas. onde vai se desenterrando as sementes no sulco. determinar o espaçamento desejado e.De acordo com ALDRICH e LENG (1974). a escolha dos discos de corte. . 111 . para contagem. com a contagem dos grãos sobre uma lona. além do equilíbrio da semeadora (nivelamento). regular a semeadora para distribuição das sementes na quantidade desejada. Outros aspectos que tais autores consideram na regulagem das semeadoras referem-se à escolha das engrenagens mais adequadas ao número de sementes distribuídas por metro linear. verificação do estado dos condutores de sementes. no campo25. No tocante à regulagem de diversas semeadoras. Assim teremos aproximadamente 4 sementes por metro de fileira. NG. m-1= (55 000 / 143 ) = 3. De uma forma mais funcional poderíamos também.Escolhem –se as sementes maiores e observa-se se passam com alguma folga nos furos. Ambos recomendam ainda. Já HENTSCHKE et all (op. Cit) recomendam que toda regulagem seja feita de acordo com os diferentes tipos de condições de cada gleba que seja representativa. mas que está algo em torno de 55 000 plantas / ha.Escolhem-se duas sementes menores e verifica-se se as duas cabem no mesmo furo (checagem de possíveis duplas). Cit) recomendam que seja feita a regulagem individual de cada uma. Um aspecto relevante é a escolha do disco correto. ficando assim a segunda fórmula: NG. que é uma constante. Dividimos essa população total pelo número de fileiras e a esse resultado dividimos por 100. 25 ALDRICH e LENG (1974) recomendam a regulagem das semeadoras no galpão ou pátio. HENTSCHKE et all (op. pois a regulagem de uma não pode ser extrapolada para as outras. respectivamente).

a garantia da uniformidade da semeadura é um outro aspecto que deve ser considerado. as plantas que nascem espontaneamente nas áreas de cultivo agrícola. É importante que tais sementes não sejam díspares em relação ao seu tamanho.De uma forma ainda mais prática. além de servirem de hospedeiras. luz e nutrientes com as culturas. controle fitossanitário e capinas. Já por considerar as reduções de custos e evitar desperdícios. algumas empresas vendedoras de sementes oferecem catálogos que indicam qual disco usar. Porém.  Tratos culturais . com riscos de erosão. De uma forma geral. em casos específicos de relevo acentuado. Geralmente. é preferível que as sementes tenham um padrão mínimo de percentagem de germinação (padrão federal) que. Essa uniformidade deve ser observada em vários sentidos: a) No tamanho da semente: Como vimos. principalmente porque é também a partir da escolha da semente mais adequada não só nos aspectos agronômicos de produção. em algumas culturas. evitando injúrias às sementes e uma uniformidade de deposição das sementes no sulco. Fazendo-se apenas a “limpa” das linhas. a regulagem dos discos das semeadoras de disco para o tamanho dos grãos a serem plantados é importante e pudemos perceber que um dos métodos de regulagem das semeadoras é através de um tamanho médio das sementes (mínimo e máximo). De acordo com RIBAS (2003). muitos agricultores preferem deixar o mato nas ruas. adubações foliares. 112 . é de 75%. mas especificamente. tabaci ) em áreas agrícolas cercadas por faixas onde tais plantas ocorrem. como é o caso das malváceas nativas ao hospedarem a mosca branca (B. de acordo com a cultivar escolhida. são denominadas de ervas daninhas.As capinas As manutenções da cultura implantada são de grande importância para o sucesso de todo e qualquer empreendimento agrícola. os tratos culturais correspondem às adubações de cobertura. a insetos-praga e patógenos. A uniformidade das sementes é um fator crucial. por ser necessário uma quantidade menor de sementes por área. para servir como proteção contra a erosão. segundo alguns autores. Essa classificação baseia-se no fato de que tais plantas concorrem por água. adequada ao semeio com o equipamento que se dispõe. no caso do sorgo segundo esse autor. b) No poder germinativo: Sementes com um bom poder germinativo garantem menores custos de plantio. na questão da semeadura mecanizada.

que correspondem às capinas mecanizadas. seja utilizando enxada. para os serviços de capina. YAMADA (2002) aconselha o manejo de plantas invasoras como um forma de conservação e de melhoria do solo. favorece o surgimento de ervas rasteiras. classificam os métodos de controle de plantas daninhas em métodos mecânicos. pois ele é triturado e incorporado. é muito eficiente na incorporação de material vegetal ao solo. os cultivadores e a enxada rotativa. faz-se o coroamento das plantas. como o uso de cultivadores puxados por bovinos. Devido aos custos com mão – de – obra. químicas. alfanje ou foice manual. métodos culturais e rotação de culturas. É utilizada a mão-de-obra disponível. No entanto. Capina manual As capinas manuais apresentam um baixo rendimento produtivo. quando necessário. Capina mecanizada A capina mecanizada apresenta um rendimento bem maior que a capina manual ou a feita por implementos de tração animal.ou em caso de áreas fruticultoras. por sua vez. ou em pequenas propriedades. O emprego de defensivos naturais e os bons resultados conseguidos têm refletido o potencial de produção nesse sistema de exploração agrícola. CHRISTOFFOLETI et all (2002). como gramíneas (a roçadeira inclusive. sendo utilizadas somente nos casos em que a declividade não permite o uso da mecanização. principalmente no sistema de plantio direto. Atualmente a agricultura orgânica tem-se mostrado mais expressiva. naturalmente. de exploração familiar. Um método de capina mais eficiente e acessível aos pequenos produtores rurais é a utilização da tração animal. No entanto. A roçadeira presta-se muito bem à capina. As grades de discos picam e incorporam o material ao solo. contudo. a eliminação do mato. não utiliza o combate químico à tais plantas. é feita através das capinas. Os implementos mais utilizados são a roçadeira. as roçocarpas. ou em áreas específicas onde não compensa a compra de implementos novos. a grade. Já a enxada rotativa. é muito utilizada na manutenção de pastagens de gramíneas). Que podem ser classificadas em manual. eqüinos e asininos. a capina mecanizada é freqüentemente utilizada. triturando o material e deixando o solo protegido por ele. Porém assim como os demais 113 . Seu uso contínuo deve ser evitado. o combate às ervas daninhas no sistema orgânico. mecânica e capinas químicas. para que não se forme o pé-de-grade. seu uso contínuo ao longo dos anos.

O consumo de herbicidas por região no Brasil está descrito na tabela 5. Bastante utilizados no sistema de plantio direto. o que facilita o processo erosivo. Faz-se a aplicação de tais produtos em três situações diferentes: antes do plantio (pré plantio . o que corresponde a cerca de 81 000 toneladas de ingrediente ativo (i. O alto rendimento operacional e eficiência de controle de plantas daninhas em qualquer dos seus estágios de vida.). como hormônios vegetais. De um modo geral. após a capina. Um outro cuidado para as capinas mecânicas é de que em áreas infestadas por determinadas ervas daninhas. os herbicidas são usados justamente por não necessitar propriamente de revolvimento do solo para o combate às ervas. de acordo com o produto empregado. Ainda de acordo com SPADOTTO (2002). orientação que deve ser dada exclusivamente por um agrônomo.implementos. como o pessoal que fará a aplicação deverá receber treinamento especial referente à aplicação correta e às normas de segurança no uso desses produtos químicos. para evitar que ele carregue propágulos de uma área à outra.PPI) e pós o plantio (Pós plantio – PP). o consumo de herbicidas no Brasil foi de cerca de 147 000 toneladas em 2000.a. o que auxilia no controle da erosão. como o 2-4 D e outros produtos sintéticos. os chamados herbicidas. Uma boa alternativa seria sem dúvida que se alternassem os implementos. De acordo com SPADOTTO (2002). segundo o mesmo autor. o implemento não vá para outra área sem antes sofrer uma limpeza severa. tanto por parte da recomendação do produto. Capina química A capina química é realizada através do emprego de produtos químicos. o uso excessivo deste deve ser evitado. com ciperáceas como a tiririca ( Cyperus rotundus). (pré-plantio incorporado . vê-se que a região de maior consumo desses produtos em 2000 foi a região sul. as regiões de menor consumo desses produtos são a Norte e o Nordeste.PP). bem como a formação de cobertura morta no solo. não se deve insistir no uso de um mesmo implemento nas capinas mecânicas em uma mesma área. pois ao longo dos anos os efeitos nocivos deste uso contínuo serão potencializados. o emprego de herbicidas é mais acentuado nas zonas canavieiras. pois há uma pulverização muito freqüente do solo. O uso desses produtos exige mão-de-obra especializada. 114 . figuram como pontos positivos do método de controle químico ou capinas químicas. seguida da região Centro-Oeste e Sudeste. nesta última região.

KISSMAN (2002) cita herbicidas que inicialmente obtiveram resultados excelentes no combate à ervas como o amendoim – bravo na cultura da soja. consideração dos efeitos alelopáticos positivos. mas que. o que nos levou à constantes conversas com os agricultores que usavam tais produtos dessa forma. Cit) como uma alternativa ao controle do surgimento de ervas resistentes aos 115 . soluções para a resistência aos herbicidas através da manipulação genética das plantas cultivadas. o uso altamente indevido de herbicidas.Tabela 5 . KISSMAN (op. ou mesmo princípio ativo porém. Contudo.0 O uso indiscriminado destes produtos. Esses aspectos. alertando os agricultores para os riscos à saúde de quem manipulava aqueles produtos tão concentrados e também nos aspectos de indução de resistência de plantas daninhas aos herbicidas. Pudemos observar a campo. os métodos de controle de ervas daninhas. Cit) aponta ainda. além de serem uma forma de combate às ervas daninhas evitam o surgimento de plantas resistentes aos herbicidas (biótipos resistentes). ausência ou diminuição das épocas de pousio. Região Sul Centro – Oeste Sudeste Nordeste Norte Fonte: SPADOTTO (2002) Consumo (%) no ano de 2000 38. o cuidado de indicarmos realmente as dosagens mais adequadas.Percentual do consumo de herbicidas no ano de 2000 nas regiões Brasileiras. O uso de produtos com mecanismos de ação distintos também são apontados por KISSMAN ( op. entre outras.3 2. Tínhamos em tais conversas. segundo esse autor. utilização de sementes certificadas. mesmo modo de ação. ao surgimento de resistência de algumas plantas daninhas aos herbicidas. foi o uso de herbicidas com modo de ação diferente. com o passar dos anos.9 29. definidos como culturais por CHRISTOFFOLETI et all (2002). compreendem a implantação de culturas mais competitivas. pode levar em alguns casos. A solução apontada.8 6.9 22. próximo à afluentes de alguns rios e em dosagens extremamente elevadas. seja através de dosagens inadequadas. pela biotecnologia (leia-se transgenia !). segundo tais autores. acabaram surgindo biótipos resistentes.

que deverá ser posicionada numa angulação de 135º a 180º. é necessário que se conheça não somente as dosagens corretas dos defensivos agrícolas. com aproximadamente 40 a 42 bicos na barra. para a pulverização aérea. quando se utilizam vários bicos em uma barra de pulverização deve-se levar em conta o que se deseja fazer com tais bicos (aplicação de herbicidas. geralmente usado em pré-plantio. Essas medidas são mais significativas. respectivamente. ou funcionabilidade. o ângulo de abertura do leque do bico. tipo de cultura etc. tipo de herbicida. Pode-se observar na figura o bico de jato em leque (a). na agricultura convencional. a b Figura 15 – Tipos distintos de jatos utilizados para a aplicação de herbicidas. deve-se buscar o máximo de eficiência em cada aplicação. Aplicação de herbicidas A aplicação de herbicidas é uma operação delicada. utilizado para aplicações dirigidas e o bico de jato cônico (b). pois a barra muito alta resulta em um cruzamento do leque de 26 A numeração indica. De uma forma geral. como ao meio ambiente. aplicação de defensivos na cultura. do ponto de vista de aplicabilidade. Nas aplicações terrestres.herbicidas. 801526 ou 8020. 116 . pois além do emprego correto do produto (desde sua escolha pelo técnico. O tipo de jato varia conforme o bico empregado. pois são simples e que estão ao alcance dos produtores rurais. recomendam-se os bicos 8010. A altura da barra influencia também na escolha do bico. como também o modo de ação do defensivo e adequar o equipamento de forma a que se evitem perdas e contaminações tanto para o pessoal envolvido na aplicação.6 litros). de modo que os resultados econômicos sejam compensadores. seguido da vazão máxima em galões (1 galão corresponde a aproximadamente 3. pelo uso de produtos que apresentam diversos níveis de toxidez e oferecem um risco ambiental em maior ou menor grau. Assim. ou vice-versa. É recomendável que todos os bicos sejam de um mesmo padrão ou angulação.). até a sua aplicação no campo). o modo correto de aplicação e os cuidados com o equipamento de aplicação.

Velocidade máxima de 15km/h para UBV. bem como as condições de calmaria completa. planta. testando o equipamento apenas com água). Ainda para equipamentos terrestres. Um aspecto que deve ser considerado é o descarte correto das embalagens dos agrotóxicos. Os danos ambientais referem-se à contaminação do solo. 117 . a altura de vôo deverá ser de 4 a 5 m em relação ao topo da cultura ou o topo do solo (culturas anuais). ou bicos desalinhados em relação aos demais. Imagem 11 . água. barras muito baixas também diminuem a eficiência de aplicação. atmosfera através da ação tóxica e poluidora de produtos químicos empregados na agricultura ou pecuária.Pulverizador tratorizado (esquerda) e pulverizador autopropelido (EXTRAÍDO DE CULTIVAR MÁQUINAS. pois os jatos ou leques de aplicação podem nem chegar a se cruzarem. bem como contribuí nas perdas do defensivo pela ação do vento. Condições climáticas ideais para a aplicação de defensivos: Os parâmetros próximos aos “ideais” para a aplicação de defensivos são: Temperatura máxima: 27°C. Umidade relativa: mínima de 55 %. a altura da barra deverá ser de 50 cm em relação ao topo da cultura (Culturas anuais). 2004). para que se evitem os impactos ambientais. Vento27: Velocidade máxima de 10 km/h para herbicidas. devido à colocação de bicos de ângulos diferentes.pulverização alto. Deve-se evitar a cobertura pobre. Bicos entupidos também devem ser desobstruídos (faça isso antes da colocação do defensivo. A colheita 27 As condições de vento forte são contra-indicadas para a aplicação de defensivos. para aviões IPANEMA. Já para a aplicação aérea.

apresentam alguma dificuldade em se fazer a colheita mecanizada. com baixo nível tecnológico de condução da cultura (ZIMMERMANN in: SOUZA NETO 2002). ou Kits de instalação para adaptação nas colheitadeiras combinadas. já se apresenta um maior grau de mecanização dessa atividade. a disponibilidade de mão . no entanto. MESQUITA (1993). tem uma tradição de não ser usada a colheita mecanizada. A 118 . Contudo. vem se mantendo o uso intensivo de mão – de . contudo. Tal autor justifica essa afirmação em fatores como a alta população de plantas. a soja é a primeira cultura a se pensar. a deiscência das vagens. etapas da colheita podem ser mecanizadas e fazer uso da mão –de – obra para outras etapas. quando se fala em colheita mecanizada. A colheita mecanizada da soja sofreu um forte impulso após o emprego das colheitadeiras combinadas. apesar de ser colhida manualmente há séculos no oriente. a remuneração pela cultura apresentar níveis de rentabilidade ou margem de lucro muito estreita. que recolhe as plantas previamente cortadas e enleiradas nas fileiras (descrita em: GERALDO DA SILVA et all. do ponto de vista social. há alguns anos já tem sido empregadas máquinas especialmente construídas para a colheita do feijão.de – obra em países orientais produtores de soja como a China. que um fator que faz com que a colheita mecanizada não seja marcante na cultura do feijão deve-se aos fatores econômicos e sociais. por exemplo. afirma que. mais especificamente na Ásia. Acreditamos porém. que ao contrário do milho e da soja. ou a colheita por máquinas encontrar nesta cultura uma dificuldade.e há as que cortam transportam e enfeixam as plantas – as segadoras – amontoadoras. Algumas culturas temporárias. como a arquitetura da planta.obra para essa operação. as segadoras são utilizadas. para esse país. cortando as plantas e deixando-as sobre o solo à espera de serem levadas para a máquina de trilha. é muito grande. A colheita manual serve como absorvedora do excedente de mão – de – obra. em algumas áreas do sudeste e em algumas outras regiões do país. para a colheita do feijão. em especial a fruticultura. no Brasil praticamente não ocorre a colheita manual. como por exemplo o feijão. seu porte e hábito de crescimento.A operação de colheita é ainda a mais crítica para as mais diversas culturas e a mecanização dessa atividade é ainda restrita. Assim. o que é extremamente positivo e estratégico. como a recolhedora – trilhadora. Essencialmente. Para os grãos. que tornam a cultura não recomendável para esse tipo de colheita. Para muitas explorações agrícolas. 2000). entre outros fatores. desde as primeiras décadas do século passado. Para a pequena propriedade agrícola. Outras cortam e enleiram as plantas – segadoras enleiradoras . Além disso. sua região de origem. pois boa parte da produção de feijão no Brasil deve-se aos pequenos e médios produtores rurais.

para evitar a transmissão de impactos e também evitar as perdas na colheita. destacando os seus componentes ativos (Extraído de MESQUITA. Resumidamente. conforme exposto em SILVEIRA (op. Esteira alimentadora: Mecanismo formado por transmissões de correntes paralelas. Formada por diversos componentes que devem trabalhar bem ajustados. Caracol: Cilindro oco. cit): a) Mecanismos de corte e alimentação: que compõem uma Barra de corte: corta as hastes das plantas. localizado na plataforma. unidas por travessas de metal. fazendo com que o material depositado na plataforma seja levado até a esteira alimentadora. 1993). Molinete: faz o tombamento sobre a plataforma das plantas cortadas pela barra de corte. Constituído também por muitas peças móveis (Dedos retráteis).seguir se vê o corte (MESQUITA. 1993). as quais realizam o transporte do material cortado pela plataforma de corte para o mecanismo de trilha. vamos listar os mecanismos combinada. representativo de uma colheitadeira combinada Figura 16 – Corte esquemático de uma combinada. b) Mecanismos de trilha: 119 .

120 . que possuí um movimento de vai-e-vem. fazendo a debulha. A segunda peneira. atirando-o devidamente separado sobre a peneira superior. Pode ser ajustado. sendo o material não filtrado dirigido ao sacapalhas. onde serão novamente trabalhados. Côncavo: uma espécie de calha que tende a envolver o cilindro de trilha. Geralmente constituído de material flexível. aproveitando – se da diferença de peso entre as sementes e a palhada. Separa o material recebido do sacapalhas por diferença de densidade. vagens e pedaços de vagens. Sacapalhas: tem a função de eliminar a palha graúda. permitindo a passagem de grãos e pedaços de vagens. dispostas de forma cilíndrica. têm a função de peneirar o material. a peneira inferior. Os pedaços de vagens e material não peneirado são conduzidos para os mecanismos de trilha. permite apenas a passagem dos grãos. permitindo uma filtragem das sementes. c) Mecanismos de separação: Cortinas: Tem a função de evitar perdas de sementes durante o processo de separação. a primeira. Existem duas peneiras na combinada. Bandejão: Superfície em forma de crista. Tem a função de bater o material através da rotação (cerca de 300 rpm). sendo compostos de 4 calhas que fazem um peneiramento do material.Cilindro de trilha: formado basicamente por barras estriadas. faz o peneiramento mais grosseiro do material. a peneira superior. eliminando as palhas e depositando as sementes no bandejão. d) Mecanismos de limpeza: Peneiras: Como o próprio nome diz. Ventilador: tem a função de gerar uma corrente de ar para que todas as partículas mais leves que as sementes sejam expulsas.

6 sacas/ha de soja e. equivalente a 4. Os dados mostram que na safra 2003-04. Possuí no fundo do seu depósito um eixo helicóide para descarga. Tubo de descarga: Possuí em seu interior um eixo helicóide. Elevador de retrilha: transporta para o mecanismo de trilha as vagens e pedaços de vagens contendo sementes que foram filtrados pelo côncavo. acoplável ao eixo do tanque graneleiro para a descarga dos grãos. pois considera-se uma perda aceitável entre 0. na questão da colheita mecanizada são as perdas provenientes deste processo.84 milhões de hectares de soja e teve uma perda média em torno de 2. Tanque Graneleiro: Armazena os grãos limpos. alarmantes.3 sacas/ha no Brasil (Dados da Embrapa. a perda média era em torno de 1. armazenagem e descarga. como um fuso. mas não pelas peneiras. Esses dados são portanto.2%. mas no grosso modo.07 milhões de sacas de soja. embora intrínsecos à mecanização que é a questão da segurança na operação do maquinário agrícola e por fim.1 sacas/ha. 121 . Vimos nos capítulos anteriores toda uma seqüência lógica de exposição dos assuntos que julgamos pertinentes à operacionalização da mecanização que é o conhecimento do trator e seu funcionamento bem como os implementos. Dados de consultores indicam um acréscimo nas perdas na últimas safras.e) Mecanismos de elevação. Nos capítulos seguintes trataremos de aspectos mais amplos. devido à falta de manutenção e regulagens adequadas das colhedoras para as condições impostas pela cultura. possíveis de ser incorporadas nos dois sistemas (Convencional e SPD). no mínimo.5 saca/ha. da produção. a considerável cota de 8. “retida” nas lavouras gaúchas. Um aspecto preocupante. demonstrando a diferença entre perda aceitável e evitável de 1. aumentou para 2. apresentados também numa seqüência lógica do preparo primário da área até a última etapa que é a colheita.75 a 1. Elevador do tanque graneleiro: Transporta para o tanque graneleiro as sementes filtradas pelos mecanismos de separação. Na década de 90. na safra 2003-04. Emater-RS e SENAR-RS). Alguns aspectos referentes a tal volume de perdas diz respeito a alguns fatores agronômicos. como fatores climatológicos.0 saca de soja/ha. a questão do manejo de solo para o modelo convencional de plantio e as medidas conservacionistas. o Rio Grande do Sul plantou 3.

     122 . 4.se observar algumas recomendações. riscos ao operador.). depois do trabalho. transcrevemos alguns dos cuidados relativos ao trabalho com máquinas e implementos agrícolas. Caso não disponha do manual. os quais enfocam as seguintes medidas (agentes de riscos físicos). Consulte o manual do fabricante antes de efetuar qualquer regulagem. evite ficar entre o implemento e o trator. pois outras partes do mesmo podem ser atingidas. Assim. como em medidas preventivas antes do trabalho.1. Verifique sempre se os pinos de engate do implemento ao trator estão bem travados e engatados.  Observe se o implemento está em boas condições de trabalho. devem . faz-se necessário que os cuidados e medidas com segurança no trabalho com os implementos agrícolas e o trator recebam a devida atenção. Medidas gerais de segurança Algumas medidas de segurança podem ser classificadas de acordo com o seu período de realização. efetuando caso seja necessário. consulte um mecânico especializado. pois operando em condições defeituosas. caso eles se desengatem durante a execução do serviço. durante o trabalho. Baseado em um folder da FUNDACENTRO (Folder – série técnica nº 15).CAPÍTULO 4 Prevenção de acidentes no uso dos implementos agrícolas e do trator Dentro do contexto de uma racionalização da mecanização agrícola. uma demora maior na execução do serviço e até mesmo. Faça as regulagens com o implemento no chão e não quando estiver erguido pelo sistema de levante. e a qualquer tempo FUNDACENTRO (sd. Durante o acoplamento. poderão ocorrer danos no implemento. Evite usar implementos com peças quebradas. podem ocorrer acidentes com danos tanto pessoais como materiais. os devidos reparos. para que o trabalho seja executado com segurança. bem como em alguns outros materiais pertinentes.

Durante as manobras. principalmente. evidentemente. o mesmo destina-se a execução de tarefas agrícolas. faça curvas abertas e não. Nunca permita que pessoas subam no implemento para servir de contrapeso ou até mesmo sejam simplesmente transportadas sobre o ele. algum defeito em seu funcionamento. Durante o roço de uma área com roçadora.          123 . animais e outras máquinas afastadas do conjunto trator x roçadora. Nunca retire ou inutilize a proteção do eixo do cardã. por exemplo) estão posicionados devidamente. deve-se manter pessoas. Caso o implemento apresente. Evite improvisações na acoplagem dos implementos agrícolas que venham porventura ocasionar insegurança na execução do trabalho. causando um acidente. pelo menos 40 metros. Só opere as enxadas rotativas ou roçadoras quando estiverem com seus devidos equipamentos de proteção. verifique se todos os dispositivos de segurança das partes móveis (a camisa protetora do eixo cardã. Uma regulagem bem feita permite a execução de um trabalho perfeito com o implemento e. principalmente nas cabeceiras. Verifique. a fim de evitar acidentes provocados por materiais atirados pela mesma. muito fechadas. e não transporte de pessoas. durante o trabalho. antes do trabalho se o protetor está bem fixado. Em algumas situações a roda traseira pode enroscar-se no implemento. ao trabalhador. pare a tarefa em execução e o conserte – o antes de recomeçar. Não use enxadas rotativas ou roçadoras quando estiverem com defeito ou desreguladas. Procure não usar roupas frouxas ou acessórios que possam enroscar -se nas partes moveis dos implementos. Isso pode levar a acidentes graves com danos ao equipamento e. Antes de acionar implementos que utilizem a tomada de força.

1. Nunca faça uso de implementos de lâminas rotativas quando os mesmos estiverem com falta de algumas lâminas. somam-se ainda os cuidados no uso do equipamento de proteção individual (EPI’s) adequados a cada atividade e produto. para que a tarefa seja realizada de uma forma eficaz e. além de danificá-lo mais. as vibrações exageradas produzidas pelo implemento. consulte o manual de instruções do fabricante. o óleo derramado pode causar algum acidente. ou o trator em carretas ou caminhões. Caso alguma parte do implemento fique para fora da carroceria do veículo. Além disso. 4.1. sobretudo. Ao transportar os implementos. quando estas estiverem funcionando. ainda pode causar danos na coluna do trabalhador. Nunca introduza as mãos nos depósitos das semeadoras . pois a execução de tarefas que o utilizem.adubadoras. sinalize-a com um pano vermelho. amarre-os e calce-os. de forma que eles não se movimentem. Nunca permita que pessoas não capacitadas ou inexperientes. Faça uma revisão para verificar se existem defeitos no implemento. além das recomendações anteriores.   Para as atividades que possam envolver os agentes de riscos químicos. Para saber detalhes específicos de cada trator. Identificação dos principais controles e instrumentos de controle do trator: O conhecimento dos principais instrumentos de controle do trator é de fundamental importância. 124 . dependem dos conhecimentos desses instrumentos e comandos. sejam eles de tração mecânica ou animal. executem atividades que envolvam a utilização de implementos agrícolas. conserte-os Andes de usá-lo novamente. segura. interferem negativamente no funcionamento do sistema. Caso existam. Essas mangueiras quando danificadas. sem supervisão. Prenda corretamente as mangueiras utilizadas para acionar o sistema hidráulico dos implementos.     Depois do trabalho terminado. limpe e lubrifique o implemento. Trabalhando nessas condições.

como de diversas marcas. (série 200): Pressão do óleo do motor Indicador da carga da bateria Indicador de restrição Tanque de combustível Temperatura da água Tacômetro Horímetro Figura 17. pisca-pisca e luz alta (A bíblia do trator . DGPS). o painel de um trator Massey.2.d. se os respectivos interruptores estiverem acesos. Alguns tratores (como os da marca MAXION) possuem uma maior quantidade de lâmpadas piloto no painel. Ambas devem estar acesas. não só dos tratores MF. abaixo. como as lâmpadas de freio de estacionamento. até a década de 90.IOCHPE/ MAXION. Modificações nos painéis atuais. como os destinados aos ajustes eletrônicos das funções e até a agricultura de precisão (GPS. Algumas lâmpadas só acenderão no primeiro estágio da chave de partida. equipamentos eletrônicos.1.Esquema de painel de trator (tratores MF). Partida do motor Em tratores turboalimentados (ou turbinados. podendo 125 . incluíram mostradores digitais. 4. Extraído e adaptado de: a Bíblia do trator.). como conhecidos vulgarmente) nunca acelere bruscamente o motor (Barrufadas fortes) quando der a partida. devem apagar. IOCHPE-MAXION. Se o motor estiver em funcionamento normal. pois o óleo demora mais para chegar ao turboalimentador. O exemplo anterior contempla apenas os painéis dos tratores MF considerados padrões.1.Destacamos. Coloque a chave de partida no primeiro estágio e verifique as lâmpadas indicadoras da bateria e da restrição do filtro de ar. s.

4. que em muitos casos leva à uma perda auditiva gradual (hipocausia). enquanto que em outras profissões como os 45% dos operários em geral tem os mesmos problemas aos 45 anos de idade. SCHLOSSER (2003) afirma que os ruídos e vibrações emitidos pelo trator faz com que os operadores sofram danos na coluna. Segundo esse mesmo autor. bem como se minimizem ou até mesmo se evitem os aspectos de insalubridade nas operações com tratores. uma vez que geralmente se lida com maquinário potente. passe cerca de cinco minutos com o motor “contando”. Sabe-se desde estudos da década de 60 do século passado que outro fator importante para o conforto do operador é a cadeira. esse procedimento permite que o motor adquira uma temperatura mínima de trabalho e também permite que o óleo possa lubrificar corretamente os mecanismos internos do mesmo. A poluição sonora devido à emissão de ruídos excessivos pelo conjunto trator x implemento é uma grande causadora de problemas de perda de audição.1. formando uma película entre todas as peças que se atritam. inicialmente nos deteremos nos aspectos de insalubridade referentes ao aparelho auditivo dos tratoristas: 4. os tratoristas. A insalubridade do trabalho de tratorista As operações agrícolas mecanizadas exigem cuidados e atenção redobrada. dessa forma. Esse aspecto torna-se relevante. modificando-se apenas a cadeira.2. Todavia. uma vez que foram obtidos índices de até 20 % de melhora na produtividade. estão submetidos a uma outra situação insalubre e que muitas vezes passa despercebida: o nível de ruído do trator. Entretanto. antes do início da jornada de trabalho. Tanto que existiram inclusive estudos anatômicos para se determinar qual a cadeira ideal para o tratorista. severos danos ao motor pela falta de lubrificação das suas partes móveis. ou das operações com o maquinário agrícola. Ao dar a partida no motor. notadamente. estudos comprovam que 75% dos operadores de máquinas agrícolas tem problemas de coluna aos 25 anos de idade. bem como os problemas de postura. os operadores das máquinas agrícolas. Conforto na operação do trator: O conforto para o operador é um aspecto importante para que se tenha bom níveis de produtividade no trabalho.2.causar. de acordo com o equipamento que se trabalha e a severidade dos danos imediatos. 126 . capaz de causar severos danos até mesmo passíveis de óbito. decorrentes das operações tratorizadas.

segundo FERNANDES (2003). verificou perda auditiva em 59. que é de 80 decibéis (dB). foram a aração. as operações agrícolas com tratores emitem níveis de ruído superiores aos limites toleráveis. ele é superior. em sua NR-15 a qual obriga o uso dessa proteção pelos trabalhadores submetidos a períodos diários de 8 horas de trabalho. Infelizmente. 42. sob níveis de ruídos superiores a 85 dB). A NR – 15 da portaria 3214 da CLT. o segundo é que. certamente pela ação das lâminas da roçadeira no material. por exigir um maior esforço do trator e o roço. aos índices encontrados nos trabalhadores da indústria. Cit) o costume de usar os protetores auriculares (como regulamentado na portaria 3. um período normal de trabalho de um tratorista é de oito horas. 58% já tinham hipocausia”. sabe-se que esse aspecto tem dois agravantes: o primeiro de que. comprovando ser o ruído a causa da perda auditiva (hipocausia). 127 . na prática. entre os tratoristas.Comumente. pois segundo o autor. cit). as operações agrícolas que emitiram níveis de ruídos mais altos. na sua maioria em condições de campo. não há. inclusive. FERNANDES (2003).214 do ministério do trabalho.9% já apresentavam déficit auditivo e. como relata FERNANDES (op. Também ficou evidente a perda da capacidade auditiva para tratoristas com até 5 anos de trabalho. em pesquisa com tratores nacionais. FERNANDES (op. estabelece um período máximo de trabalho de acordo com os níveis de ruído (Tabela 2).8% dos ouvidos. Esse dado é preocupante. entre 5 e 10 anos de exposição ao ruído do trator. dá ênfase à severidade das condições de trabalho às quais estão submetidos os tratoristas quando relata que foi observado que: “ o déficit auditivo evoluiu com a idade e o tempo de exposição. Na prática.

0 103. mais ergonômico.8 100.3 100.Tabela 6 – Exposições máximas permissíveis de acordo com a NR – 15 da portaria 3214 da CLT.5 99. uma das soluções encontradas foi a colocação de amortecedores eficazes no próprio assento. afirma que. poderiam atenuar para níveis não insalubres os ruídos provocados pelo escape. 128 . o que ajudou a melhorar em muito o conforto na operação do trator. por não haver um sistema de suspensão. MARQUÉZ (2003).F.5 104. 265 Valmet 65 Ford 4610 CBT 8440 Cartepillar D6 Fiatallis 7 D Komatsu Roçagem Transporte Roçagem Colheita de milho Aração Subsolagem Cultivo Cultivo Subsolagem De acordo com o observado nesse estudo.0 102.3 96. a freqüência das vibrações e solavancos na operação dos tratores é uma grande causadora de hérnias de disco entre os profissionais que conduzem essas máquinas28. MIALHE (1974) também enfatiza que o projeto de um assento adequado.3 99. o autor sugeriu que. (Fonte: FERNANDES. 2003).3 Exposição máxima permissível 1:00 h 1:15 h 45 min 1:00 h 45 min 1:00 h 45 min 35 min 30 min Agrale 4300 Yanmar 1040 M. 28 Por não ter um sistema de suspensão devido a necessidade de precisão em muitas operações agrícolas. marca / modelo Operação Nível de ruído dB(A) 98. a colocação do escapamento por baixo do trator e o redimensionamento da câmara de expansão dos gases. Esse mesmo autor cita ainda que foi realizado um estudo onde se observou que a modificação da ergonomia do assento melhorou o rendimento do trabalho do tratorista em cerca de 20 %. pode prevenir defeitos e doenças posturais.

Cuidados com o equipamento: a operação do trator Diversos cuidados devem ser tomados no tocante a operação com o trator. A seguir destacamos algumas que julgamos ser fundamentais à operação segura do maquinário. Para veículos traçados (Tração 4 x 4). ou caso o desbloqueio do diferencial não seja automático. para ganhar tração ou uniformizar a tração no eixo. do colar e da embreagem).4. é recomendável que na se façam mudanças de marchas com o trator em movimento. pois ao manobrar ou fazer curvas com o diferencial bloqueado. Isso é válido também para o abastecimento do trator ou qualquer manutenção no sistema de alimentação de combustível. Ao verificar ou completar o nível d’água da bateria. Evite pegar no volante da direção para subir no trator. Em tratores que possuem transmissão do tipo não sincronizada. quando os dois eixos estiverem ligados (veículo traçado). Assim que as rodas voltarem a tracionar normalmente. pois poderá ocorrer explosão. uma vez que o torque aumenta consideravelmente e deve ser distribuído nos dois eixos. há uma sobrecarga do eixo traseiro.       129 . só utilize a redução (low range). muitos dos pontos a seguir foram retirados do material fornecido por uma das principais montadoras do país (IOCHPE-MAXION):  Nunca fique com o pé sobre o pedal de embreagem quando estiver operando normalmente (isto força muito o sistema de embreagem. (quando uma roda traseira patinar em um terreno escorregadio) pare o trator e acione o pedal de bloqueio do diferencial. sob risco de danificar a transmissão. solte o pedal que o bloqueio irá desaclopar automaticamente. nunca acenda fósforos ou fume. quando estiver se deslocando em estradas.3. poderão ocorrer danos na transmissão do trator. Ao utilizar a trava do diferencial. Mantenha os pedais de freio sempre unidos pela trava de união. ocasionando o desgaste prematuro do disco. utilize o “pegamão” ao lado do mini-capuz. pois utilizando a redução apenas com o veículo em 4 x 2. destrave-a imediatamente.

130 .

Inspecione os suspiros da transmissão. dos redutores traseiros e do eixo dianteiro. É importante que esses suspiros estejam desobstruídos. como as grades de discos sem rolamentos).4. O nível deve estar entre o mínimo e o máximo.  Para que a tração dianteira do seu trator possa ter uma excelente durabilidade. observe as seguintes recomendações:      Nunca engate ou tente engatar a tração dianteira com o trator em movimento. Verificações diárias antes do trabalho Diariamente algumas verificações se fazem necessárias. Tração dianteira A tração dianteira auxilia o trator a ter um melhor desempenho e produtividade. Devido às diferenças de relação de transmissão dianteira e traseira. Antes que seja dada a partida no motor. Abra a grade frontal e pressione a válvula de descarga de pó do filtro de ar. 4. já que eles são equipados com ejetor de poeira. necessidade de maior poder de tração). antes e depois do serviço. caso esteja baixo. poderão ocorrer danos no sistema. Verifique o nível de óleo do motor. Em alguns tratores essa operação é desnecessária. evitando a formação de pressão no interior das respectivas carcaças.4. complete–o com água potável. terrenos argilosos ou escorregadios. Verifique se há necessidade de lubrificação do implemento que você irá utilizar (antes de qualquer trabalho ou carga. principalmente em situações de perda de tração (desnível de terreno. indicado na vareta. Verifique o nível de água do radiador. obedeça aos seguintes procedimentos:   Drene a água e impurezas do sedimentador e do filtro de combustível.4. 131 . dependendo do implemento os implementos deverão ser lubrificados.

também oriundas de uma coletânea de publicações específicas com fins à correta manutenção. a não ser que o trator vá ser usado para uma outra atividade específica (fruticultura. acontecendo quebras geralmente em períodos críticos. rizicultura etc). mas para tanto. o uso de lubrificantes “mais baratos” muitas vezes não atende às necessidades dos lubrificantes recomendados pelo fabricante. somente uma manutenção eficiente e correta garantirá o perfeito funcionamento da frota agrícola da fazenda. Nunca a utilize em deslocamentos por estradas ou rebocando implementos. que os riscos de acidentes sejam minimizados. Peças sucateadas e desgastadas comprometem o perfeito funcionamento da máquina em questão. ou colheita. 132 . assim. Use a tração dianteira somente quando estiver realizando serviços de campo. Nunca use pneus com desgastes entre si. Mais uma vez. Ao trocar os pneus. o que fatalmente irá refletir no bom funcionamento e na produtividade daquela máquina. ajustes e uso do trator.    Esperamos com estas indicações. use pneus da mesma medida e tipo dos anteriores. seja um trator ou um implemento. como plantio. mesmo temendo sermos enfadonhos nas repetições. os bons rendimentos no trabalho rural mecanizado tornem – se uma constante nas condições locais de cada técnico ou produtor que as siga. Nunca utilize a tração dianteira com velocidades acima dos 15 Km/h. excetuando-se os casos estritamente necessários. mas as temos por necessárias. as dimensões dos pneus devem obedecer às das novas rodas.

gradagem. têm sido tomadas como referências principais para a escolha das operações de cultivo e a intensidade com que essas práticas são utilizadas. um número de passagens mínimo. idéia que é reforçada por CAMERON et al. como textura. afirmam que o conhecimento de algumas características e propriedades do solo. A seguir. O sistema de cultivo mínimo. em terreno coberto de palha e na ausência das operações de preparo do solo (aração.1. Características e propriedades edáficas que devem ser observadas no preparo do solo:  Textura. em substituição a algumas atividades anteriormente feitas por tratores. buscando sempre o manejo adequado para cada situação. O atual sistema de exploração agrícola tem induzido a um processo de degradação do solo. que procura estabelecer nas operações de preparo do solo e manutenção da cultura. Outros sistemas fazem uso de tração animal. Diversas práticas conservacionistas podem ser utilizadas para isso. cit).CAPÍTULO 5 Manejo e conservação do solo De acordo com CARDOSO (1992) as diferentes necessidades das plantas em nutrientes. quando viável economicamente. Para que a produção agrícola seja otimizada numa propriedade agrícola. (op. ar e água. subsolagem). Os efeitos dos cultivos nas propriedades dos solos. cor e porosidade são importantes na orientação de trabalhos de manejo e controle de erosão. A interação ambiente – solo – manejo é decisiva. estrutura. deve-se lançar mão do planejamento do uso da terra. 133 . por tempo indeterminado. o qual consiste no cultivo. como o plantio direto. Tais práticas e sistemas advêm dos conhecimentos e observação das características intrínsecas aos solos. para a autosustentabilidade da atividade agropecuária. caracteriza-se como o conjunto de operações que visam melhorar e/ou manter seus atributos e viabilizar a sustentabilidade da agricultura (EMBRAPA 1996). o manejo correto do solo. exprimem-se em intensidades variáveis. A atuação conjunta dos fatores degradantes varia relativamente de local para local. portanto. Sendo assim. além dos favorecimentos ou limitações que este ambiente impõe às plantas cultivadas. observaremos algumas características e propriedades importantes para a conservação dos solos: 5. de acordo com os sistemas de cultivo empregado e das características do solo. BERTONI e LOMBARDI NETO (1985).

á natureza dos produtos de decomposição. A estrutura pode ser modificada (melhorada ou piorada.1. Textura De acordo com CARDOSO (1992). textura refere-se à distribuição qualitativa das classes de tamanhos de partículas que compõem o solo. da M. Nos solos argilosos. solos argilosos não devem ser trabalhados enquanto muito molhados ou úmidos (além de na prática. daí a razão do maior interesse nas frações menores (< 2mm). Estrutura e Umidade: a) Estrutura A estrutura está relacionada com a maior ou menor facilidade de trabalho dos solos. silte e argila. conforme o manejo) de acordo com as práticas usadas. As práticas de uso devem observar esse aspecto. as quais apresentam em termos de proporção. e da microbiota do solo. ser complicado se trabalhar com umidade elevada nessas condições. As relações físicas e químicas edafológicas verificam-se principalmente na superfície das partículas.). manejo da matéria orgânica e drenagem. a permeabilidade à água.     Estrutura e umidade. à resistência á erosão e às condições de desenvolvimento das raízes. A estabilidade dos agregados é um aspecto importante da estrutura edáfica. Essa estabilidade relaciona-se com o tipo de argila. 1992).1. Cor. Assim. uma maior superfície.2. 5. tais como trabalho mecânico. a correção de uma estrutura adensada pode ser conseguida em alguns casos através do trabalho mecânico do solo. face à pegajosidade das argilas nos implementos). aos elementos químicos associados ás argilas. Topografia.O.cit. A análise mecânica (geralmente pelo método de peneiramento) determina a proporção dessas frações e o resultado é comumente apresentado como percentagens de areia. A textura é um dos mais relevantes fatores determinantes do uso do solo. 134 . associado à incorporação da matéria orgânica (op. Profundidade. Porosidade. entre outras (CARDOSO.1. 5.

À medida que a umidade aumenta. tendo seu ponto máximo no solo seco e o ponto mínimo. a areia e a argila) além de partículas de outra natureza. plasticidade coesão adesão seco úmido molhado saturado % de água do solo Figura 17 . O ponto de interseção entre as linhas das forças de coesão e adesão é denominado de ponto de aração. há uma plasticidade maior. há um rápido decréscimo das forças de adesão. como outros sesquióxidos e colóides orgânicos. a adesão entre as partículas cresce até certo ponto. quando o solo está muito úmido ou molhado.b) Umidade do solo A água é um dos fatores que devem ser levados em consideração no preparo do solo. não ocorrem danos significativos à sua estrutura. Isso ilustra que a água atua como agregante. 1973 A figura acima mostra a relação entre a umidade do solo. pois os 135 . face á adesão de partículas de granulometria diferentes. no qual o solo tende a ficar saturado e a partir do qual. 1973). No entanto. as forças de adesão (forças de atração entre partículas de natureza diferente) e as forças de coesão (forças de atração entre partículas de mesma natureza). principalmente nos pesados (argilosos). contudo. SILVEIRA (1989) afirma que quando o solo está muito seco.Efeito do conteúdo de água em dois componentes principais da consistência do solo. para partículas de mesma natureza. (o silte. não ocorrem danos físicos na estrutura. a operação torna-se mais custosa. Extraído de BAVER et al. para partículas de natureza diferente e faz o papel de dispersante. em solo úmido (BAVER et al. quando feita a operação de revolvimento. Podemos observar na figura anterior que a localização do ponto de aração está afastado do nível mais seco do solo e próximo do ponto “úmido”. As forças de coesão são rapidamente diminuídas à medida que o teor de água aumenta. Nesse ponto.

que estamos nos referindo ao sistema convencional de preparo do solo. Segundo ALDRICH & LENG (1974). por produtores que o alugam não permite que seja observado o ponto de aração. vem-se apresentando ganhos produtivos enormes. o SPD representa hoje. especialmente no semi-árido nordestino. sendo este severamente questionável. na prática. Outras vezes. Uma forma mais precisa para o preparo primário do solo (aração e gradagem). Logicamente. uso de implementos diferentes e a própria característica granulométrica dominante do solo (textura). Evidentemente. Esse aspecto de cuidado no preparo do solo torna-se meramente cientificista. e por isso mesmo. por importar um modelo que não é adequado às nossas condições tropicais. Neste último caso.torrões trazidos à superfície são muito grandes e difíceis de serem quebrados. cumulativa.O. pois quase não apresentam ou apresentam pouca estrutura. mas que não é um aspecto limitante. a observância do ponto ideal de aração é quase negligenciada. tendo-se assim. não é observada. Os solos arenosos ou franco-arenosos. por se agravarem as condições físicas do solo diante da erosão e compactação. principalmente em grandes áreas de produção intensiva e monocultivos. diante das circunstâncias de produção. há toda uma complexa situação de adequação e implementação das técnicas do SPD às diversas regiões do Brasil. a premissa de implantar-se o SPD no 136 . o nordeste. ou que. principalmente na produção nacional de grãos. enquanto que para solos mais pesados. como por exemplo. disponibilidade de chuvas. uma vez que a incorporação de M. isso naturalmente. não é estritamente necessário se esperar uma granulação através do aumento na umidade a fim de que se facilite o trabalho. pois isso facilitará o trabalho. uma umidade adequada. Muitas vezes por conta de contratos de produção. se o solo for argiloso. é recomendada por HERNANI & SALTON (1998). frisamos mais uma vez. revolve-se o solo assim que se dispõe do trator e dos implementos para o “corte da terra”. o que reflete a adequação desse sistema às nossas condições. que esteja friável. para os arenosos. é desejável que se tenha um solo um pouco mais úmido e no caso de solos argilosos. a disponibilidade do maquinário. o produtor rural antecipa o preparo do solo antes do período das primeiras chuvas. podem por exemplo. um passo enorme no conhecimento e manejo dos solos tropicais. A não observação do fator umidade do solo é portanto.. compensarem ou tolerarem o preparo do solo em condições acima ou abaixo do ponto de aração. ao sugerirem que essas operações sejam feitas quando o solo apresentar de 60 a 70% da capacidade de campo. não são propriamente “exigentes” no aspecto referente à umidade para proceder-se às operações de revolvimento.

pastoreio ou outras atividades exploratórias da propriedade que tradicionalmente e historicamente são feitas. das situações ou sistemas de cultivo.semi-árido esbarra nos fatores culturais. é quase inconcebível que a palhada seja disposta no solo. econômicos e ambientais. No que tange aos fatores culturais. ou extensionista. Assim. intervir de maneira a buscar a sustentabilidade visando a formação dos agroecossistemas de forma que se planeje uma modificação. 137 . onde a mesma serviria como forragem. conjuntamente com o homem do campo. estes são deveras ligados intimamente às condições do ambiente. já que os restos de cultura são comumente reaproveitados para a alimentação animal. pois para o pequeno e médio agricultor / produtor rural. há que o técnico de campo. ambiental e econômico. ou incrementaria o suporte forrageiro da propriedade. com um grande comprometimento social.

Além disso. 138 .. A permeabilidade é importante nos sistemas de conservação de solos. Solos rasos limitam as práticas de sistematização. ou aos mesmos tipos de solos não cultivados. Porosidade A porosidade refere-se à proporção de espaços ocupados pelos líquidos e gases em relação ao espaço ocupado pela massa de solo. face à sua topografia (CARDOSO.5. drenagem etc. arenosos e com grande número de rochas na superfície. pode -se determinar quais as operações de manejo de solo (práticas conservacionistas.1. Essa propriedade pode. 5.1. Cores escuras podem indicar maior conteúdo de matéria orgânica (M. como terraceamento. no entanto. 1992) ou solos bastante intemperizados. Após os cultivos.O. O amarelo e o cinza podem denunciar áreas mal drenadas (CARDOSO. A permeabilidade do solo se expressa em função da porosidade. como os latossolos. propriedades como a textura e o material de origem. O sistema de preparo exerce influência significativa na porosidade. 1992). Profundidade Solos profundos possibilitam um maior armazenamento de água que os rasos e favorecem o desenvolvimento das plantas. Conhecendo-se esses aspectos. resistem mais à erosão por conta da capacidade que têm de absorverem (infiltrarem) a água. sendo severamente restringíveis à mecanização.1. ser alterada pela maior ou menor presença de M. há uma redução na porosidade em relação à porosidade inicial. pois solos permeáveis. entretanto. água e óxidos de ferro. muitas vezes em relevo ondulado. A cor como característica é pouco importante.4. muitas vezes tornam-se mais erosíveis. Um bom exemplo são os litólicos. As cores próximas ao vermelho dependem da quantidade de óxido de ferro não hidratado que se forma em boas condições de aeração. assim como a umidade em que o solo é revolvido também. na prática é a capacidade que a água e o ar tem de passar através do perfil.3.) deverão ser utilizadas. que. irrigação e práticas conservacionistas.). Cor A cor é uma das características mais elementares para determinação de outros fatores referentes ao solo. os quais apresentam-se geralmente muito rasos. drenagem. seja de chuva ou de irrigação.5. 5.O. auxilia no diagnóstico de situações específicas e no manejo.

139 .1. Um fator importante também relacionado á topografia é a erosibilidade maior de áreas com topografia ondulada ou de relevo forte em relação ás áreas de relevo mais suave. práticas de preparo do solo e inclusive à própria mecanização da área. Topografia A topografia influi na adequação das práticas conservacionistas.6.5.

irá melhorar as condições físicas. diminuindo o número de passagens com implementos de corte. redução da infiltração de água e. topografia. reduzindo a erosão hídrica. resumidamente em: a) Evitar a queima da resteva do cultivo anterior. adotar práticas semelhantes e mais baratas. Adotar a prática de terraceamento. a COMISSÃO ESTADUAL DE PESQUISA DO FEIJÃO (1998). Esta prática resulta na diminuição do escoamento superficial da água pluvial. buscando manter a rugosidade da superfície do solo. vegetação e até mananciais podem definir diferentes manejos. que protege o solo e fornece matéria orgânica. De uma forma geral. quando possível. quando não for possível adotar o terraceamento. dentro de uma mesma propriedade. aumentando a infiltração desta água e sua disponibilidade à cultura. Evitar trafegar com maquinário agrícola e. de animais e implementos quando o solo apresentar alto teor de umidade. tendo uma visão abrangente das características anteriormente citadas e indo além dos limites da propriedade. evitar o preparo excessivo do solo e sua pulverização. recomenda algumas práticas conservacionistas.5. como o planejamento de microbacias. Em áreas declivosas. O conhecimento da área. há concomitantemente. em diferentes ambientes. que quando decomposta. para a cultura do feijoeiro que podem ser extendidas para outras culturas anuais. em solos muito úmidos. Medidas conservacionistas Alguns aspectos referentes ao manejo conservacionista do solo são importantes no planejamento do manejo e no sucesso do mesmo. para reduzir o excesso de escoamento superficial. esta é uma prática complementar. O planejamento integrado caracteriza-se por planejar o manejo. de b) c) d) e) 140 . aumento da erosão.2. com suas características. uma redução da porosidade. que deve estar associada à manutenção da cobertura do solo e da rugosidade do preparo. químicas e biológicas do solo (SPD). as taxas de compactação são maiores. tipos de solo. Caso não se adote o SPD. pois.

Capinas em faixas e épocas alternadas. especialmente no que se refere ao número de passagens. pois. adotar cordões em contorno. contudo. f) Efetuar o preparo e o plantio preferencialmente em nível.acordo com a disponibilidade econômica do produtor. é sempre difícil ao produtor rural seguir tais preceitos. áreas extensas para serem trabalhadas em pouco tempo. que pelo menos. 141 . essas práticas sejam horizontais. etc. Adubação verde. por surtirem efeitos mais imediatos. que cumprem a mesma função dos terraços. período de chuvas. Entretanto. incluindo-se a pastagem na rotação de culturas e a prática do bosteamento (excreções do gado na área da pastagem). ou de pedregosidade na área. Integrar lavoura e pecuária. segundo HERNANI e SALTON (1998). Rotação de culturas. como disponibilidade de maquinário. não propriamente por serem mais relevantes. adubação verde e rotação de culturas. mas sim. é uma forma de evitar a compactação de camadas do solo. pelo menos alguns cuidados devem ser seguidos. geralmente por diversos motivos. g) h) i) j) Ainda sugerimos a alternância de implementos e profundidade de trabalho. no sentido transversal do declive. calendário de mão-de-obra. O ideal é que todas essas práticas fossem seguidas. caso não seja feito dessa forma.

20 1.60 26. porque além de controlar a erosão.00 Argilosa EVa (m) 0.40 Arenosa EVa (m) 0.50 12. o tamanho da rampa.70 16.87 0.60 13.60 15.20 1. espaçamento vertical).00 18. acompanhando as curvas de nível ou niveladas básicas.02 1.3 12.20 14.60 EVa (m) 0.25 0.84 0. quanto no desnível do terreno (diferença de nível.10 11.00 12.40 17.60 21.27 0.96 1. a distância no terreno.70 12. Declive (%) Textura de solo Média EVb (m) 26.26 1. de uma curva de nível à outra.90 12.20 1.93 1.06 1. a partir das niveladas básicas.40 25. A tabela seguinte mostra o espaçamento utilizado para a construção de terraços ou curvas de nível.26 0.09 1.10 11.27 1.52 0.1992”).40 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 a b espaçamento vertical espaçamento horizontal Essa tabela pode ser usada como guia.14 1. tanto o espaçamento na superfície do terreno (comprimento de rampa.13 1.Terraceamento e semeadura em nível A semeadura em nível refere-se ao plantio em nível. 1998). espaçamento horizontal).00 21.08 1. Sabe-se que.80 0.78 0.00 1.Espaçamento para terraços em nível (extraído de “A cultura da soja nos cerrados – anais.03 1.25 EVb (m) 25.40 14.82 0.33 1.86 0.32 EVb (m) 26.40 11.00 11.40 21. Tabela 7 . isto é.40 15.00 16. As linhas de semeadura transformam-se em obstáculos à movimentação da água e permitem a sua infiltração no solo. Essa prática é uma das mais simples e importantes práticas conservacionistas. ainda facilita e tornam mais eficientes as práticas complementares (HERNANI e SALTON.00 26.76 0.90 10.70 12.93 0. deve considerar as 142 .60 26.40 10.00 14.90 0.40 25.60 18.51 0.00 26.53 0.10 13.98 1.14 1. na determinação do espaçamento entre as curvas de nível.

Chuva Terraço em nível L (Comprimento da rampa) Água retida no terraço e infiltrando no solo a) b) Superfície do terreno Chuva L (Comprimento da rampa) Terraço em nível Figura 18 . 1998).Volume de enxurrada com relação ao comprimento de rampa. Em regiões de uso intensivo do solo. A enxurrada. áreas de pequena declividade quando têm longas pendentes (áreas de escorrimento d’água. Podemos ilustrar esses aspectos da seguinte forma: De acordo com a declividade do terreno. A energia cinética que a água adquire ao descer a rampa mais declivosa é maior do que a descida da primeira situação. teremos uma quantidade x de água da chuva. não arrastando somente aquela quantidade y. com uma taxa y de arraste de solo. durante um certo período de tempo. a declividade do terreno é menor do que a da situação “b”. a função de fracionar o comprimento da rampa e evitar a erosão da área (HERNANI & SALTON. textura. para que se possam verificar as suas condições gerais. do regime de chuvas (intensidade pluviométrica). mas uma quantidade maior de solo. segundo CARDOSO (1992) torna-se imprescindível. cobertura vegetal (cultura) e o grau do declive. para a construção de Terraços em nível Na situação “a”. inclusive. escorrendo na superfície. da declividade da área e. o que faz com que seja necessário reduzir a distância entre os terraços. portanto. Ou seja. 143 . Os aspectos edáfo-climáticos referentes à declividade e ao regime de chuvas influem sensivelmente nos processo de perda de solo por erosão. principalmente quando considerarmos as longas pendentes que normalmente se relacionam inversamente com a declividade. no último caso é mais forte. tem um potencial erosivo maior. As áreas a serem terraceadas devem ser estudadas anteriormente. funcionando como rampas) fazem com que a água adquira uma energia cinética considerável. com declividades superiores a 2%. portanto. para que se evitem maiores danos ao solo. o terraceamento. teremos que diminuir a distância entre uma curva de nível e outra. após percorrer certa distância. À medida que a declividade aumenta.características do solo. a mesma quantidade x de água. estando intimamente ligados. o tipo de solo. pois nessa situação. Os terraços têm. ela adquire um potencial erosivo semelhante á uma situação de uma área com declive acentuado e com menos distância a ser percorrida.

b) De base estreita . quando no início da implantação. contudo.). As leguminosas. para a abertura de pequenos sulcos. triticale (Tritico secale L. Já no tocante ao regime pluviométrico da região. oleiferus). o sorgo (Sorghum bicolor L. O que possibilita inclusive. contribuindo com o acréscimo de matéria orgânica ao solo. para a colocação das sementes e do adubo.).tipo Mangum (de absorção) – mais usados para solos mais arenosos. como semeadoras específicas. as principais espécies utilizadas para a cobertura do solo (adubação verde) são: a aveia-preta (Avena strigosa Schreb).). bem como da formação de camadas de restos culturais e a decomposição da das camadas mais inferiores da “palhada”.). implementos adequados a esse sistema.). a ervilhaca peluda (Vicia villosa L. centeio (Secale cereale L. contudo. a aveia branca (A. Estas espécies são mais utilizadas nas regiões sul e sudeste e em algumas áreas do centro-oeste. através de facões. o sistema de plantio direto é a alternativa mais viável para os solos agrícolas sob as condições tropicais. Adubação verde A adubação verde consiste em se utilizar plantas para enriquecer o solo. sativus L. a redução da dosagem de adubos nitrogenados. A principal razão é a fixação biológica do nitrogênio atmosférico por bactérias. as quais cortam a palha. Manutenção da cobertura morta na superfície – Sistema de Plantio Direto (SPD): Segundo HERNANI e SALTON (1998). Os terraços podem ser: a) De base larga . Segundo HERNANI e SALTON (1998). 144 . milheto (Pennisetum typhoideum). As áreas com o SPD exigem. nabo forrageiro (Raphanus sativus L.tipo Nichols (de retenção) – solos argilosos. têm sido as espécies preferidas para a adubação verde. que vivem em simbiose com as leguminosas. bem como um número maior de pulverizações com herbicidas. a intensidade das chuvas – são denominados de erosividade.v.). Este sistema visa manter a superfície do solo protegida da ação da erosão. a crotalária (Crotalaria sp.Todos esses fatores denominamos de erosibilidade. do gênero Rhizobium. Caracteriza-se ainda pela busca e execução de programas de rotação de culturas e ausência de preparo ou revolvimento do solo por tempo indeterminado.

Rotação de cultura. um retorno financeiro maior. um para o plantio do trigo e o outro para o plantio da cevada. Já outros agricultores e técnicos. Dentre os feijões. Entretanto. os quais serão disponibilizados após a sua decomposição (FAVERO et al. capaz de extrair nutrientes das camadas mais profundas do solo. Um para a cevada. a terra arável era dividida em dois campos. os do gênero Vigna também são usados para adubação verde e cobertura do solo. A prática da adubação verde atualmente tem sido muito utilizada. a terra. a rotação de culturas consistia em que. chega a fornecer. Além disso. houve um salto produtivo quando se passou a utilizar três campos na mesma área. as leguminosas produzem grande quantidade de massa verde e têm sistema radicular pivotante.9 t/ha. não só sendo assimilada pelo sistema de plantio convencional. além de excelente enriquecedor natural do solo. de acordo com as atividades do feudo. Alguns agricultores não esperam a colheita dos grãos da cultura implantada para adubação verde. De acordo com FAVERO et al (2000). esperam até a colheita dos grãos para obterem com isso. a variabilidade de produção de biomassa por tais plantas varia conforme as condições que elas encontram. afirma que.. para esta última. sobressaindo-se na Europa do período feudal HUBERMAN (1985).. Essa prática agrícola. juntamente com o pousio visava explorar da melhor maneira possível.com produção de massa de matéria seca de cerca de 17. Ainda segundo HUBERMAN (op. esta leguminosa chega a fornecer de 50 a 200 kg de N/ha e que. Outras leguminosas muito utilizadas na adubação verde são o feijão de porco (Cannavalia ensiformes) e a mucuna preta (Stilozobium atterinum). cerca de 282 kg de N/ha. especialmente as variedades de crescimento indeterminado (SOUZA NETO. ou um pouco antes. pousio e cultivo em faixas alternadas A rotação de culturas era uma medida empregada na agricultura desde a antiguidade. MONEGAT (1991). ARAÚJO et al. 145 . o plantio deverá visar um pequeno intervalo entre a incorporação das plantas para adubação verde e o plantio da cultura desejada. Incorporam – na no início do florescimento. cit) Na Europa feudal. Destacam-se o feijão – guandu (Cajanus cajam) . como também na agricultura orgânica. outro para o trigo e um terceiro em pousio (empiricamente.responsáveis em muitas áreas por uma contaminação. para amortização dos custos. através da formação e lixiviação de nitratos para os corpos hídricos. os camponeses tomavam essa medida a fim de não se esgotar o solo). 2002). quando incorporada ao solo. 2000. 1996). Após a escolha da espécie.

). não estamos recomendando explicitamente essa prática com tais culturas. Frisamos que a rotação de culturas. Assim. Trigo. apresentada em HERNANI e SALTON (1998). principalmente em áreas de fruticultura. previsto no estatuto da terra. como o mal do panamá. como por exemplo. uma vez que feijões de crescimento indeterminados ou prostrados são utilizados para cobertura de solo e adubação verde (SOUZA NETO. bem como o plantio em faixas alternadas. intercalando o plantio de soja e/ou algodão) ou até mesmo das “roças” nordestinas.Ao cabo de 3 anos. teríamos o seguinte esquema: Ano I Campo I  Trigo Campo II Cevada Campo III Pousio Ano II Cevada Pousio Trigo Ano III Pousio Trigo Cevada No exemplo anterior. já que nos referimos ao Brasil. 2002). Logicamente. mesmo que haja uma certa possibilidade. onde se observaram as maiores perdas de solo. no sudeste. mostra as perdas por erosão em diferentes culturas. no que se refere aos estados do sul. geralmente nas pequenas propriedades essa prática é corriqueira. onde se planta o feijão nas entrelinhas do milho. incorporada ao pousio deve ser feita com culturas adaptadas à cada realidade local. cada área teria passado pelas três situações. pois a cobertura do solo ou o “albedo” de determinada cultura pode ser mais eficiente do que outra. os autores não detalharam qual o hábito de crescimento da variedade estudada. Além disso. já que a renda absoluta da propriedade fica comprometida com áreas paradas acaba por contradizer até a lógica do uso social da terra. com estações mais definidas e clima propício às culturas do exemplo. Graças a aspectos como o calendário agrícola. ou seguido da mandioca.1980). é uma das menos viável do ponto de vista econômico. somente para casos específicos como infestações por pragas ou doenças que não se pode ou não é viável economicamente combater. ocasionado por ataque fúngico (Fusarium oxysporum f. pois como o dito prático de técnicos e produtores “terra parada é prejuízo na certa!”. cevada e pousio (ou alqueive). No caso do feijão. A tabela seguinte (tabela 8). Já a rotação de culturas tornou-se uma prática muito realizada no Brasil. destas práticas que ora apresentamos. alguns fungos de solo que atacam variedades mais suscetíveis de bananeira (Musa sp. 146 . incentivamos essa prática. as perdas por erosão também podem ser diminuídas. a questão do pousio. sp cubense) (GALLI. (o plantio do milho safrinha.

Deve-se sim procurar levar em consideração a maior parte. mesmo quando se faça a rotação com leguminosas (a adubação verde). 147 . A rotação de culturas também pode ter como objetivo. relevo. às condições do agricultor29. umidade. No caso do plantio direto. É evidente que a rotação de cultura por si só não garantirá ganhos produtivos. principalmente quando se parte para o pequeno e médio produtor. a 29 Todos estes componentes ou aspectos citados anteriormente partem de um âmbito de uma situação ideal. De acordo com esses mesmos autores. o programa de rotação de culturas deve levar em conta o seu objetivo. se para cobertura do solo e/ou suprimento inicial de palha. Cultura Perdas por erosão Solo Água (t ha-1) (%da chuva) 38 25 20 12 11 10 7 5 Feijão Algodão Soja Milho Extraído de HERNANI e SALTON (1998). segundo HERNANI e SALTON (1998). bem como às exigências do mercado.Tabela 8 . as quais também tem necessidades nutricionais distintas. pelos mais diversos aspectos. Fonte: Bertoni e Lombardi Neto (1985) Essa mudança de cultura explorada permite uma variação da profundidade de exploração edáfica pelas diferentes culturas. Caso seja feita apenas com vistas às melhorias ao solo. de acordo com o tipo de cultura explorada e as características edafoclimáticas locais. cada local exigirá estudos específicos no sentido de ser definida uma seqüência de culturas que se adequem às condições edafoclimáticas do local. que muitas vezes prende-se (infelizmente) somente no meio acadêmico.O manejo de solo em áreas altamente mecanizadas é extremamente necessário. medidas conservacionistas etc) sem ônus econômico ou interferência no produzir? – seguramente isso poderia ser respondido com outra pergunta: dá para observar alguns aspectos mais eficazes? . A adubação química e a orgânica ainda são indispensáveis ao processo produtivo. mas que certos aspectos podem ser aplicados às diferentes situações econômicas e sociais do produtor. A procura por opções de barateamento das medidas ou práticas de conservação dos solos sem influir de maneira negativa na produção (e principalmente no bolso do proprietário) deve ser sempre a intenção do técnico e do próprio produtor. senão todos os fatores citados anteriormente. isso fica extremamente complicado: surge então uma pergunta: Como observar todos os aspectos anteriores de conservação do solo (aspectos físicos do solo.Efeito de diversas culturas no controle das perdas de solo e água por erosão. na rotação de culturas. de uso menos intensivo ou até pouco. devem-se vislumbrar também os aspectos de mercado ou de aproveitamento da cultura implantada durante o período escolhido. mas sabemos que no campo. Por justamente haver uma ciclagem natural dos nutrientes. da mecanização. retirando mais um nutriente do solo do que a outra cultura. deve-se optar por espécies ou cultivares que produzam quantidades elevadas de matéria seca.

80c 26.00ab Nº de ovos + larvas / 10g de raiz T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9 1 1200. Tabela 9 . obtiveram-se melhores índices de 148 .redução de patógenos às culturas principais.00ab 1360.00ab 3560. culturais e orgânicos para a meloidogenose do tomateiro. O referido autor encontrou os menores valores de infestação do nematóide.20ab 37999.60ab 255.30a T1 = tomateiro plantado onde anteriormente fora alqueive.40bc 0.00ab 152.6b 51. T7 = Tomate com adubação mineral onde anteriormente fora plantado tomate. no tratamento com carbofuran e na área em alqueive (os quais não diferiram estatisticamente).20bc 189. T5 = tomate plantado onde anteriormente fora incorporada a crotalária. T4 = tomate plantado onde anteriormente fora implantado o Guandu.00ab 72. encontrou resultados semelhantes de ocorrência de Meloidogyne incognita no solo e no sistema radicular do tomateiro: tanto no tratamento químico com carbofuran® como na área antes em alqueive.60ab 19859.00ab2 2340. Já em estudos feitos com algodão acerca do incremento da produtividade no que diz respeito à rotação de culturas.60ab 10506.Comparação de tratamentos quanto à ocorrência de Meloidogyne incognita no solo e no sistema radicular do tomateiro (Extraído de SOUZA JÚNIOR.40ab 173.60ª 12126. BELTRÃO e MELHORANÇA (1998) consideram-na com um importante método de controle cultural. como também valores menores de infestação nos tratamentos onde havia plantas não hospedeiras (Guandu) e nematicidas (crotalária) do que nos vasos onde já era plantado tomate. T8= testemunha (tomate) e T9 = solo mantido em alqueive.80ab 19859.60ab 186.40ab 4966. T3 = T1 + biofertilizante.00b 2220.60ab 0.2bc 273.20ª 117.20b 119. de ervas daninhas e de redução da incidência de pragas e doenças. SOUZA JÚNIOR (2001).40ab 47.00ab 1460. T2 = T1 + esterco bovino.00a 640. 2001).60ab 54.00ab 2700.80b 48973. T6 = Tomate tratado com carbofuran onde anteriormente fora plantado tomate. em um ensaio em vasos. estudando controles químicos.00ab 820b 81. VARIÁVEIS TRATAMENTOS 1 Larvas/300Cm de solo 3 Nº de galhas / 10g de raiz Nº de massa ovos/10g de raiz 61.

ou no incremento da produtividade de grandes culturas. podem ser medidas eficientes de controle de alguns patógenos do solo. ou até mesmo o pousio de uma área. através do plantio de leguminosas x cereais. no ano seguinte. com o uso do arado ou do escarificador. O plantio em faixas alternadas também é uma prática de conservação do solo. Assim.384 (169) 2.produtividade quando se fez uso dessa técnica do que no cultivo contínuo (FUNDAÇÃO CARGIL. faz-se o revolvimento do solo durante o preparo primário com uma grade pesada ou então com o escarificador. Alternância de implementos A alternância de implementos no preparo do solo no sistema de plantio convencional tem sido feita com vistas à redução da compactação excessiva de camadas subsuperficiais do solo.182 (266) 821 (100) Esses resultados reforçam que a rotação de culturas. como no caso. M. O uso de implementos descompactadores do solo: 149 . imediatamente a profundidade máxima que alcança o implemento forma-se uma camada compactada. Rotação Milho/algodão/feijão/amendoim Milho/algodão/amendoim Arroz/milho/algodão Algodão (contínuo) Fonte: Fundação Cargill (1984) Produção em Kg ha-1 1. como o consórcio muito comum na pequena propriedade rural do nordeste. como no caso do algodão (Tabela 3). Algumas culturas quando intercaladas com outras favorecem uma melhor exploração dos nutrientes. HERNANI e SALTON (1998) afirmam que. Tabela 10 . Durante passagens sucessivas ao longo dos anos. 1984).Efeito de sistemas de rotação sobre a produtividade do algodoeiro. procura-se alternar diferentes implementos de preparo durante os anos de exploração daquela área. de feijão e milho. Ao utilizar o arado em um determinado ano no preparo primário do solo. preferencialmente com espécies não hospedeiras.162 (141) 1. no outro ano deverá ser trabalhar a 20 ou 25cm. se num ano a grade pesada trabalhou em uma determinada gleba a uma profundidade de 15 cm. incognita na exploração de olerícolas como o tomate (Tabela 2). A alternância de grades diferentes também surte efeito.

ou até mesmo do arado (no caso do pé-de-grade). para deixar a área compactada ser recuperada pela nova cultura. Os aspectos referentes às praticas de correção e adubações visam manter um bom nível de fertilidade dos solos.Subsolador X Escarificador Como discutido anteriormente. escarificador. A 150 . a falta deste. ou até mesmo. recomenda-se a divisão da área a ser trabalhada em glebas homogêneas. drenagem e histórico da área (adubações. Nestes casos. até a influência nociva das diversas formas de erosão. as camadas compactadas do solo são camadas subsuperficiais do solo. topografia. deve-se em cada uma delas caminhar em zigue-zague. e nem sempre o produtor rural dispõe de outras áreas. desde o esgotamento químico do solo. as quais são adensaram-se. coletando-se ao acaso de 15 a 20 sub-amostras de mesma quantidade. e as amostras obtidas dessas glebas deverão ser devidamente identificadas. além de reduzir elementos tóxicos às plantas.). A homogeneidade das glebas refere-se à cor. necessário. textura. Para tanto. utilizados para descompactar tais camadas do solo. Para as práticas de adubação e calagem do solo.3. ao contrário das medidas discutidas. como o alumínio. ano após ano (péde-arado e pé-de-grade). cobertura vegetal. médio prazo. que embora sejam efetivas. Esse último aplica-se bem em áreas onde o emprego das grades é prática de preparo freqüente (preparo mínimo do solo). representam uma solução a no mínimo. calagens anteriores. a passagem do arado deve ser preferencialmente num intervalo de 3 (três) a 5 (cinco) anos. são observados diversos aspectos técnicos: 5. nestes casos.1. 5. devido à profundidade de corte que se repetiu praticamente a mesma. condições de uso.3. Faz-se. entre uma aração e outra. o uso de subsolador. Assim feito. A fertilidade do solo A fertilidade do solo pode ser afetada por diversos fatores. Os implementos. cultivos anteriores etc. Esses aspectos são provenientes de um mau planejamento no uso dos solos agrícolas. constituem-se em uma solução de efeito imediato. como a descompactação do solo através da implantação de culturas com o sistema radicular tipo pivotante. Amostragem do solo As amostras para serem levadas ao laboratório de análise de solo devem representar fielmente a área a ser plantada.

quais as deficiências nutricionais que a planta está sofrendo e é bastante exata principalmente para micronutrientes. a amostra deverá ser seca à sombra. deve-se retirar para amostra 500 g de terra. para depois ser acondicionada em saco plástico devidamente identificado. Deve-se evitar na coleta linhas de cultivo anterior e em áreas próximas a formigueiro. as folhas retiradas para análise (amostra) deverão ser submetidas a uma lavagem rápida em água corrente e fria. como a coleta somente de folhas de determinada altura da planta. O que varia é sua quantidade. Para ser enviada ao laboratório. A análise foliar consiste em se verificar através das folhas. etc. De acordo com a cultura. Ambos são importantes. o nitrogênio. Análise foliar A análise dos sintomas de deficiência nutricional através das folhas das plantas é um método importante no auxílio à obtenção de bons rendimentos na cultura. existindo. Todos os elementos são importantes ao bom desenvolvimento da cultura. com a finalidade de repor elementos químicos ou melhorar os níveis de fertilidade do solo (e no caso da adição de matéria orgânica. Assim. De um modo geral.3. como soja e milho. está se colocando no solo. para serem acondicionadas em saco de papel e remetidas ao laboratório. 1992).3. contudo. Para frutíferas. 151 .3. para as culturas anuais. adicionar não somente os elementos minerais necessários às plantas. as amostras deverão ser coletadas a cada dois anos (CARDOSO. por exemplo. diversos casos específicos. 5. seja através de uma adubação química ou orgânica. Deve-se evitar raspar demasiadamente as camadas superficiais do ponto de amostragem. para a cultura do milho. a coleta das folhas obedece alguns procedimentos padrões. onde depois enxugarão à sombra.amostragem deverá ser feita na profundidade de 0 a 20cm e de 20 a 40cm. mas também. compostos que contém elementos indispensáveis ao bom desenvolvimento das plantas. Adubação do solo Quando se aduba. ou depósitos de calcário. Após essa mistura e homogeneização. cupinzeiro. a coleta deverá ser a profundidades maiores ou a partir 20cm. posto em maiores quantidades que zinco não é necessariamente mais importante que ele. Em monocultivos ou cultivos sucessivos.2. 5. a observância da idade da folha. melhorar suas características físicas). As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde plástico ou outro recipiente limpo.

devido às suas peculiaridades (necessidade de maiores quantidades seja pela característica da própria cultura. sugerimos autores – referência. ou no caso de uma leitura mais técnica. volatilização. percolação): entretanto. como Malavolta e as demais referências que compuseram estes tópicos ora expostos. das deficiências naturais do solo ou mesmo do elemento – lixiviação. são os mais utilizados. 152 . tomemos essa abordagem na forma de uma contextualização superficial. por muitas vezes.A seguir destacamos uma breve descrição de alguns minerais relevantes à nutrição das plantas e que.

A adubação com nitrogênio geralmente para a maior parte das culturas.+ 6 H +  2 NH 3 (Fixação biológica) N 2 + 3H 2  2 NH 3 (Fixação artificial. soja. Para que o N esteja disponível às raízes das plantas é necessário que ele seja fixado no solo. natural ou por via biológica. com grande dispêndio de energia). como o ATP (AdenosineTri-Phosphate). formação de núcleos e divisão celular. TANAKA et all (1993) afirmam que o fósforo ainda é responsável por muitas funções nas plantas. O nitrogênio é absorvido pelas plantas preferencialmente na forma de nitrato (NO3+) e de amônio (NH4+) (TANAKA et al. é rapidamente translocado e pode mover-se dos tecidos mais velhos para os tecidos mais novos sob condições de reduzida disponibilidade no solo. é a forma mais adequada para aumentar a eficiência no uso do nitrogênio pelas culturas e para aumentar a produtividade. É o elemento menos móvel no solo. o que é importante para culturas como aveia. como a utilização de amido e açúcares. por métodos industriais. sendo considerado importante na polinização e frutificação das plantas (STAUT e KURIHARA. devido às diferentes características (material de origem. O fósforo aumenta também a absorção do magnésio. é feita na fundação e em cobertura. N 2 + 6e. portanto. de um modo geral. Essa fixação pode ocorrer de forma artificial. participação de diversas cadeias bioquímicas. o parcelamento da adubação nitrogenada.Nitrogênio (N) A fonte primária de N para as plantas é o ar atmosférico onde está presente na forma de gás N 2. milho e leguminosas. 1998). a adubação com fósforo deve sempre preceder o plantio (adubação de fundação). Entretanto altos conteúdos 153 . sendo a simbiose a mais relevante para a agricultura. deficientes em fósforo. Fósforo (P) Os solos tropicais. intemperismo) são de forma geral. Normalmente requerem adubação utilizando-se adubos fosfatados. face à mobilidade e lixiviação do N no solo. 1993). Este elemento tem importante papel nas plantas em função de ser constituinte de compostos armazenadores de energia. De acordo com STAUT e KURIHARA (1998). O P se concentra principalmente nas flores e frutos. Quando dentro da planta.

A escolha de determinada fonte de P deve considerar além da necessidade de outros nutrientes. diminuí a absorção de zinco pelas plantas (TANAKA op cit). a relação custo/benefício.de P. Como fontes de P. devido a uma adubação incorreta. podem ser usados os adubos solúveis em água (Superfosfatos ou o fosfato de amônio) ou em ácido cítrico (Termofosfatos e fosfato natural reativo). 154 .

em grande parte das culturas. Sua deficiência é facilmente identificável. Entre os diversos fatores que influem na absorção de Ca pelas plantas. como o nitrogênio. o sódio.1980). geralmente provocam problemas de absorção de Ca pelas culturas. O K atua na maior parte das reações bioquímicas das plantas. e o nitrogênio. A acidez do solo também influi na absorção de Ca pelas plantas. relativamente imóvel. b) Adubação: devem ser aplicados adubos fosfatados no início da cultura para aumentar o nível de cálcio no solo. d) Irrigação: deve ser feita de modo a evitar flutuações bruscas no nível de água no solo. quebra do nitrogênio e síntese de proteínas. A correção das deficiências em K+ no solo são muito viáveis. o potássio. o K é responsável pelo bom desenvolvimento das plantas. É um elemento constituinte das estruturas vegetais. se perde por lixiviação. Suas funções fisiológicas são: ação sobre o metabolismo e formação de carboidratos. podridão estilar ou fundo preto. podem ser: a) Acidez do solo: solos ácidos devem ser tratados com calcário dolomítico ou calcítico. sendo na planta. O potássio. acredita-se que a principal causa dessa doença é o desequilíbrio nutricional devido ao nível de cálcio disponível na planta em relação a outros cátions. uma vez os adubos potássicos são relativamente baratos e as respostas à adubação dada pela cultura são muito rápidas. Solos muito ácidos. adubações em cobertura devem ser fracionadas ao máximo. 1993). Além disso. no processo de formação das espigas. Cit). o que a deixa mais suscetível ao ataque de patógenos.Potássio (K) O potássio é um elemento essencial para o crescimento vigoroso das culturas. Não se fixa em compostos não assimiláveis. c) Tratos culturais feitos evitando danos às raízes. também atua na ativação de enzimas e promoção de crescimento dos tecidos meristemáticos (TANAKA et al. contudo. embora lixivie mais lentamente que o N. ALDRICH e LENG (1974) afirmam que na cultura do milho. em tomate e/ou pimentão (GALLI. ou de difícil assimilação. como o fósforo o faz. Cálcio (Ca) O cálcio (Ca) tem um importante papel no metabolismo do Nitrogênio e no poder germinativo das sementes. atuando também. Sua deficiência se expressa em órgãos mais jovens das plantas (STAUT e KURIHARA. Segundo GALLI (1980). como o magnésio. e) Pulverizações com cloreto de 155 . segundo GALLI (op. Um exemplo clássico da deficiência de Ca e o colapso que essa deficiência provoca nos tecidos mais novos na planta é o surgimento da doença conhecida por podridão apical. 1998). quebra e translocação de amido.

doença causada por vírus ou com o ataque de broca – da – raiz.Em solos cuja acidez vem sendo corrigida com calcário calcítico. Magnésio (Mg) O Magnésio é pouco exigido pelas plantas. . através da divisão da produção adicional obtida pela adição do fertilizante pelo custo do adubo. Segundo STAUT e KURIHARA (1998). Adubação química Sempre que a fertilidade do solo for baixa. recomenda-se variedades do tipo Santa Cruz). graças à facilidade que esse elemento tem de lixiviar e pouco 156 . 5. Adubação orgânica A Matéria orgânica é fundamental nos sistemas de manejo adequado dos solos. especialmente os solos tropicais. em contraste com o verde das nervuras das folhas.Em solos arenosos. que evoluí para uma coloração vermelho-púrpura. que via de regra. f) Variedades mais resistentes (no caso do tomate. deve-se avaliar a relação custo-benefício. possuem pouco Nitrogênio. . Ainda segundo esse mesmo autor. de forma geral. Os distúrbios nutricionais causados ela deficiência do magnésio de maneira geral expressam-se pelo crescimento lento das plantas. enquanto as mais velhas sofrem abscisão. é igual a 4 (De cada real investido em adubos. ou houver um comprometimento da produção de determinada cultura pela carência de um ou mais elementos no solo. 5. esse crescimento lento é seguido de uma clorose interneval.5.3.Em cultivos com adubações pesadas de potássio.Em solos ácidos muito intemperizados.4. deve-se proceder a adubação. . Segundo MALAVOLTA (1987).cálcio em seguida à adubação de cobertura. a disponibilidade desse elemento é satisfatória na maioria dos solos brasileiros. nas folhas inferiores da planta. para se avaliar o resultado econômico da adubação. No algodoeiro. podem surgir problemas com o suprimento de magnésio nas seguintes situações. têm-se 4 de incremento de produção). essa relação para o Brasil. e . Os sintomas evoluem para as folhas mais novas. segundo STAUT e KURIHARA (1998). Essa deficiência por vezes é confundida com o “vermelhão”.3.

o que vem contribuindo nesse último caso. Por outro lado.O. Solos argilosos quando incorporada M. 5. alguns solos são o oposto dessa situação.Carbono orgânico.O. serve como fonte de energia para a atividade microbiana.pouco Ca e Mg para as plantas. A importância da M. Manganês (Mn) e. com o processo de desertificação nessa região brasileira. o composto.0 são considerados ácidos. vistos naturalmente nas áreas salinas. solo ácido significa: .excesso de alumínio (Al). pois a flora microbiana dos solos tropicais. é muito eficiente na decomposição da M. às vezes. onde a adição de matéria orgânica ao solo implica numa tendência à neutralização de ácidos ou controle da salinidade (leia-se efeito tampão para a salinidade como imobilização do sódio e a criação de micro habitat que favorece o desenvolvimento radicular de muitas culturas). refere-se principalmente à melhora das condições físicas dos solos. em horticultura ou fruticultura. devido à produção custosa de húmus nos minhocários. solos de textura arenosa. via de regra. Um dos efeitos práticos mais presentes da ação da orgânica desses estercos ou restos vegetais refere-se aos aspectos físicos de melhora da porosidade geral do solo. o que é importante para operações de preparo do solo e o desenvolvimento das raízes das plantas. evidentemente. como o húmus (praticável somente em pequenas áreas. O continuo fornecimento de M. quando devidamente adicionados de estercos ou outra fonte de matéria orgânica. ou na questão dos aspectos químicos.baixo pH: o pH é o índice mais comum de medida da acidez do solo. de ferro (Fe).O. Segundo MALAVOLTA (1987). Solos com pH menor que 6. são ácidos. . obtido através da compostagem e o biofertilizante.O.6. o poder – tampão. seja da irrigação (com água com elevada restrição à irrigação por conta do nível de sais) ou naturalmente alagadiças. passam a ter uma considerável melhora dos seus aspectos físicos e químicos (principalmente os físicos).3. como as com Halosolo ou mal drenadas e que recebem aporte hídrico. comuns no Nordeste. graças às condições ambientais que encontra. geralmente ricos em sódio (os salino sódicos). são os chamados solos salinos. obtido através de processos de fermentação de estercos. . adequadamente apresentam melhoras estruturais consideráveis. adicionados de produtos naturais). que atua como agente de estabilização dos agregados (SILVA et al. 157 . O ph do solo e a correção da acidez Os solos brasileiros. 2000).

Menor eficiência da adubação de N. no caso do uso do calcário dolomítico. há o favorecimento da cultura implantada e não das ervas. o feijão. criando nele condições favoráveis ao desenvolvimento das culturas. A correção da acidez é fundamental para o sucesso do cultivo de um grande número de culturas. para combate às ervas. em níveis de pH mais elevados. V2. S. que é representado por H + + Al 3 + .- - Condições desfavoráveis para a microbiota que mineraliza a matéria orgânica. o algodão. Elevando-se a saturação por bases iniciais de um valor V1 a um segundo valor. que é fonte natual de N. como a soja. o milho. em sua maioria. eventuais efeitos fitotóxicos dos herbicidas à cultura são desfavorecidos. a calagem do solo pode ajudar no emprego de herbicidas. além de reduzir elementos tóxicos. Um outro fator é que. a Necessidade de Calagem pode ser calculada em função da saturação por bases. De acordo com MALAVOLTA (op cit). como o Alumínio (Al) e o Manganês (Mn). em faixas pH adequadas. A quantidade de calcário a ser aplicada em uma área pode ser obtida através do método que visa a neutralização do alumínio trocável e o aumento do Cálcio e Magnésio trocáveis a um valor mínimo de 2 cmolC/DM 3. pela adição de calcário. conforme a expressão: NC (t/ha) = (V2 . a quantidade de calcário será calculada apenas considerando-se o teor de alumínio: NC = Al 3 + x 2 Caso a análise de solo forneça o teor de acidez potencial.V1) x T 158 . desejado.B e diversos outros elementos para as culturas. onde 1 cmolC/DM 3 = 1 meq/100 cm 3. NC (t/ha) = Al 3 x 2 + [ 2 – (Ca 2 + + Mg2 +)] Quando os teores de Cálcio e Magnésio forem superiores a 2 cmolC/DM 3. A calagem. Além disso. tendem a se expressarem mais fortemente em solos ácidos. ainda pode adicionar ao solo elementos como o Cálcio (Ca) e magnésio (Mg). segundo PEIXOTO e RAMOS (2002). a prática da calagem visa corrigir a acidez do solo. Condições desfavoráveis para a fixação livre e simbiótica do nitrogênio. P e K. as quais.

1992). uma vez que este apresenta um teor mínimo de magnésio (na forma de óxido de magnésio – MgO) 159 . por exemplo.0 ou S + ( H+ + Al c/dm 3. Sendo assim.C. Para solos arenosos (teor de argila < 20 %). resumidamente.) é dada pelo valor maior encontrado em uma destas duas fórmulas: N.0. 3+ ). V 1 = 100 x S T As equações anteriores referem-se às doses de calcário com 100 % de PNRT. quando o PRNT for de 80%. à pureza do calcário comprado) do calcário for menor que 100%. utilizando de um modo geral.100 Onde: S = soma das bases trocáveis (Ca2 + + Mg 2 + + K+) T = capacidade de troca catiônica a pH 7. pode-se corrigir essa diferença utilizando-se o fator f de correção que é dado pela seguinte fórmula: f = 100 / PRNT Assim. em cmol V I = % de saturação em bases fornecida pela análise do solo. o valor de f será maior que 1.C.25 (CARDOSO. recomenda-se utilizar o calcário dolomítico ou magnesiano. a quantidade de calcário utilizada (N. = {[2 – (Ca + Mg)]} X f Para solos deficientes em magnésio. Quando o PRNT do calcário for diferente de 100 % faz-se a correção da dose recomendada. como os solos do cerrado. utilizando-se a fórmula será de 100/80 = 1. quando o PRNT (que se refere. o valor de f. a seguinte fórmula: Dose a aplicar (t/ha) = Dose calculada x 100 PRNT Ainda podemos calcular a dose recomendável de calcário para a correção da acidez do solo. sempre que o PRNT do calcário for menor que 100. A quantidade de calcário para correção da acidez do solo depende do tipo de solo e dos sistemas de produção. = (2 X Al) x f N.C. V 2 = % de saturação em bases requerida pela cultura (de acordo com a cultura e a região).

de 5,1 %. Contudo, na falta ou ausência deste, pode-se utilizar o calcário calcítico, desde que se acrescente Magnésio ao solo. Deve-se lembrar que a relação ideal Ca : Mg deve ser de 1 : 1, sendo no máximo, para soja 10 : 1. A escolha do calcário a ser adicionado ao solo depende também da observação do seu valor corrigido para 100 % de PRNT, posto na propriedade (CARDOSO, 1992). O custo de transporte (C.T.) ou frete também deve ser incluso no valor. Assim, o preço efetivo do calcário poderá ser calculado utilizando-se a seguinte fórmula: Preço efetivo = Valor do calcário (compra) x 100 + C.T. (na fazenda) PRNT Algumas considerações finais devem ser levadas em conta no tocante ao manejo do solo as quais mais uma vez, insistimos e reforçamos: A adubação química ou orgânica deve ser feita (enfatizamos isso), mediante os resultados da análise laboratorial. O manejo do solo está diretamente relacionado com as operações que se realiza, mesmo que não se revolva-o como é o caso do SPD, mas que a utilização criteriosa do maquinário agrícola, evitando as passagens desnecessárias e o trânsito excessivo de máquinas acabe por resultar no grande mau das operações mecanizadas: a compactação do solo. 5.3.7. A adubação e a pecuária: Se a atividade principal da fazenda for a pecuária extensiva, deve-se não só observar uma maior diversidade das gramíneas escolhidas para os piquetes, como também a reposição paulatina da fertilidade das áreas utilizadas para o pisoteio, o que evita sensivelmente o ataque de pragas, como a cigarrinha, o surgimento de formigas e cupins nas pastagens (o que é um claro sinal de pastagem degradada), bem como uma melhor resposta do rebanho em forma de ganho de peso diário, uma vez que o mesmo está se alimentando de uma forragem mais equilibrada. Tal pensamento parte do princípio evidente da natureza, que de onde se tira algo, e no caso são os sais do solo incorporados aos constituintes nutricionais das gramíneas, deve se reposto, para que não se quebre o ciclo energético – consideremos os sais e a matéria orgânica como energia (de acordo com a visão clássica da física quântica) - tão importante para o equilíbrio do sistema. Mas efetivamente, se a pastagem, conforme dito anteriormente, não recebe uma adubação adequada e equilibrada, será mais difícil se obter resultados positivos, desenhando-se assim um quadro bem típico da pecuária

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nacional: pastagens competindo com plantas daninhas, gastos excessivos com roço30, herbicidas, formicidas e cupins, estes últimos, indicadores sérios de desgaste do solo. Um dos implementos muito utilizados e que pode seguir uma matriz lógica de aproveitamento é o distribuidor de esterco liquido (um carroção ou vagão pipa com distribuidores movidos quase sempre pela TDP). Pode-se proceder a lavagem das instalações pecuárias, se recolher este esterco junto com a água e se utilizar o distribuidor de esterco líquido para aplicação na pastagem. Essa ordem lógica serve bem a uma fazenda produtora, por exemplo de leite. Dessa forma, os ganhos em produtividade serão garantidos graças a uma sistemática de visão holística da propriedade e o importante suporte fornecido pela mecanização, ferramenta indispensável nos dias de hoje à produção do campo.

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A afirmação de alternância de implementos e métodos de controle de plantas daninhas para pastagens também deve ser observado, pois geralmente um método de controle apenas, durante anos sucessivos, acaba por “privilegiar” determinadas espécies invasoras. Notadamente, percebe-se que, por exemplo, o uso contínuo da roçadeira permite uma melhor resposta das gramíneas ao manejo e sendo satisfatoriamente eficaz contra a maior parte das espécies não desejáveis de folha larga.No entanto, deve se observar se algumas plantas que ocorrem, são indicadoras de problemas de ordem do equilíbrio mineral do solo.

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